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Frederico Romanoff do Vale DRE: 118014372

Fichamento do texto de Marco Antonio Gonçalves e Scott Head: Confabulações da


alteridade: Imagens dos outros (e) de si mesmos.

> o texto lembra importantes debates que cercaram a antropologia nos últimos anos a
respeito de “outros caminhos para se repensar a escrita da etnografia e os modos de
representação do outro proposto pela Antropologia” (pg.: 15)
> esse debate implica “sobretudo, nos modos de escrita da etnografia, na relação entre
etnógrafo e etnografado, nas implicações políticas, éticas e estéticas do fazer antropológico
o que forçou, necessariamente, uma nova percepção sobre alteridade e subjetividade” (pg.:
15);
> o conceito de etnografia se altera “passando de uma ingênua e inócua forma de
‘descrever e apresentar’ costumes alheios a um modo implicado de apresentação em que a
perspectiva do etnógrafo é parte da observação e a perspectiva do etnografado exprime
uma crítica da própria relação de pesquisa inserida em uma arena político-cultural
determinada.” (pg.:15)
> os antropólogos passam a considerar importantes outras vozes dentro do processo de
escrita etnográfica, para além da “voz do dono” - daquele que detém o controle da
representação;
> passa-se a considerar a “idéia de imaginação enquanto categoria poderosa para articular
um novo modo de representar/apresentar esta relação com outro, em que a imagem e a
escrita, em vez de criarem um possível realismo, abrem caminhos para a fabulação, para a
ficção como formas de aceder a um conhecimento.” (pg.: 17)
> existe um aspecto construtivo, ficcional, artística no fazer etnográfico que fica evidente no
chamado “‘dilema de Hermes’ ou do etnógrafo é o de ter consciência de que não pode dizer
a verdade, mas ‘verdades parciais’ que ajudem a construir seu argumento que depende, em
última instância, da validação de um leitor que deve achar plausível e verossímil o relato
narrado.” (pg.:17)
> nesse debate sobre representação e alteridade passa-se a considerar importante “teorias
da Antropologia, compartilham uma nova forma de produzir o conhecimento que se
pretende simétrico de um ponto de vista ético, político, estético e conceitual (Viveiros de
Castro, 2002; Latour, 1991).” (pg.: 18)
> o texto passa então a fazer uma comparação entre o fazer etnográfico e o fazer fílmico
buscando ligações entre as duas formas de produção de conhecimento e enquanto ao olhar
para o outro, para o que se passou a chamar de “sujeito” ao invés de “objeto” do trabalho
em questão;
> ainda no que tange a tomada de lugar no espaço público dos sujeitos de pesquisa: “a
sensibilidade pós-moderna induz à proliferação das auto-representações em que as culturas
e seus personagens se apresentam diretamente formulando seu ponto de vista e sua
percepção sobre o modo que desejam ser representados e apresentados.” (pg.: 20)
> o texto passa então a conceituar o que define a expressão “intercessores” na obra de
Deleuze(pg.:21):

O essencial são os intercessores. A criação são os intercessores. Podem ser


pessoas – para um filósofo, artistas ou cientistas; para um cientista, filósofos
ou artistas – mas também coisas, plantas, até animais, como em Castañeda.
Fictícios ou reais, animados ou inanimados, é preciso fabricar seus próprios
intercessores (Deleuze, 1988:156).

> “O que define o intercessor não é necessariamente a interseção, mas a interferência, o


ato de intervir que, ao produzir cruzamentos, é a chave para uma compreensão conceitual
do fenômeno estudado” (pg.: 22)
> “Uma questão central abordada pelo conceito de intercessores é a de como os sujeitos de
textos e filmes etnográficos se transformam em intercessores de questões antropológicas,
isto é, os antropólogos ou antropólogas se tornam eles/elas mesmos intercessores dos
projetos destes sujeitos nativos”. (idem)
> essas discussões “ressemantizam o significado de nativo e de antropólogo” (pg.: 24)
> o texto passa a dar a definição e aplicabilidade da expressão “devir-imagético”: “O
devir-imagético estrutura uma narrativa que procura dar conta destes dois aspectos na
simultaneidade, propondo de uma só vez e a um só momento a não mais antagônica
relação entre subjetividade e objetividade, cultura e personalidade, indivíduo e sociedade.”
(pg.: 25)
> “O devir-imagético dá conta desta autonomia do indivíduo e sua possibilidade de
auto-representação criativa que não coincide com a idéia clássica de ‘representação
coletiva’. (pg.: 26)
> conceito de fabulação em Deleuze
> “devir-imagético encaminha uma nova percepção da alteridade”, “O devir-imagético seria,
portanto, a possibilidade de emergência de um personagem, do indivíduo que fala, que se
apresenta e se representa a partir de uma relação.” (pg,:31)
> o texto finaliza com a assertiva: “o que está em jogo na construção de uma etnografia ou
do filme etnográfico são justamente as possíveis formas de apresentação e representação
do outro que têm implicações importantes no modo como produzimos e construímos o
conhecimento nas Ciências Humanas.” (idem)

Referência:

Gonçalves, Marco Antonio, e Head, Scott. “Confabulações da alteridade: imagens dos


outros (e) de si mesmos”. In. Devires imagéticos: a etnografia, o outro e suas imagens.
Marco Anotnio Gonçalves e Scott Head (orgs.) 7Letras. 2009.

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