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O DEFICIENTE VISUAL E A PRÁTICA DE

ATIVIDADES FÍSICAS

Marcelo Augusto Calixto Porto


Paulo Arthur Santos Mendes
Riccelli Sullivan Louzeiro Miranda
Ruan da Silva Botelho
Prof. Rafael Thallisson Mendes dos Santos
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Bacharelado em Educação Física (BEF0228) – Prática Interdisciplinar
(10/05/2019)

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo apresentar informações sobre a importância da atividade
física para pessoas com deficiência visual. O estudo está dividido da seguinte forma: No primeiro
momento é apresentado o conceito em torno do que é a deficiência visual e sua classificação dentro
das áreas medica, legal, educativa e esportiva. Em seguida temos um breve histórico sobre o
exercício da Educação Física e que marcos foram alcançados dentro desta área que significaram
vitorias a pessoa com deficiência visual em sua interação e inserção dentro do meio social e, por
fim, apresentamos atividades físicas e esportes praticados por deficientes visuais.

Palavras-chave: Deficiência Visual. Atividades Físicas. Práticas Esportivas.

1. INTRODUÇÃO

“Do total da população brasileira, 23,9% (45,6 milhões de pessoas) declararam ter algum
tipo de deficiência. Entre as deficiências declaradas, a mais comum foi a visual, atingindo
3,5% da população. Em seguida, ficaram problemas motores (2,3%), intelectuais (1,4%) e
auditivos (1,1%).
Estima-se que 528.624 de pessoas são incapazes de enxergar (cegos), 6.056.654 de pessoas
possuem baixa visão ou visão subnormal (grande e permanente dificuldade de enxergar) e
outros 29 milhões de pessoas declaram possuir alguma dificuldade permanente de enxergar,
ainda que usando óculos ou lentes corretivas.” (IBGE, 2010).

A deficiência visual, independentemente do nível, leva a limitações e restringe o

desempenho de uma pessoa em suas atividades cotidianas, interferindo em sua autonomia e

qualidade de vida (SILVA; NOBRE; CARVALHO; MONTILHA, 2014, p. 291-301).

O sentido da visão, por mais trivial que seja para aqueles que a possuem, representa uma

espécie de janela, por onde adquirimos uma série de conceitos, nos relacionamos com diversas

imagens e pessoas. Sem este sentido, o contato com o mundo é suprimido, as práticas laborais são

restringidas e as trocas sociais mais limitadas.


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A acessibilidade a atividades físicas para o portador de deficiência visual é limitada devido

diversos fatores no âmbito da orientação e mobilidade, bem como questões arquitetônicas e a falta

de profissionais especializados, por isso a necessidade de mais informações e projetos acerca do

assunto.

Já foi comprovado que a prática de atividades físicas além de beneficiar a saúde e reduzir o

risco de doenças, torna os indivíduos mais ativos fisicamente e mais capazes de realizar as

atividades do dia-a-dia. (LIEBERMAN, 2002).

No contexto psicológico, melhora a autoconfiança e autoestima, tornando a pessoa mais

otimista e segura para alcançar seus objetivos.

Poder desfrutar de tais práticas foi um direito, há muito tempo, tirado do portador de

deficiência visual. E o mesmo, como qualquer outra pessoa, precisa cuidar de sua saúde e bem-

estar, integrando atividades que propiciem sua inserção no meio.

O presente estudo tem como intuito conceituar o que é a deficiência visual, apresentando

suas características, déficits e potencialidades, sondar aspectos sobre a importância da prática de

atividades físicas, no campo da deficiência visual, através de dados estatísticos com a revisão de

trabalhos de outros autores nos quais o assunto é abordado, e junto deles fazer algumas reflexões a

respeito do tema proposto.

2. O QUE É DEFICIÊNCIA VISUAL

Segundo Ghorayeb, Nabil (2004) apud Oliveira (2008), Deficiência visual é a falta do

sentido da visão, ou seja, é a perca total ou parcial da visão fazendo com que o portador da

deficiência acabe dependendo de recursos para sua locomoção e aprendizagem.

A deficiência visual pode ser caracterizada por congênita (quando o individuo nasce com a

deficiência) ou adquirida (quando no decorrer da vida a pessoa acaba adquirindo a deficiência).


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“Uma das primeiras coisas a considerar na história do indivíduo é se sua deficiência visual
é congênita ou adquirida. No caso da cegueira adquirida, deve-se descobrir em qual idade e
como aconteceu esse evento. Faz-se necessária uma análise das contingências ambientais
passadas e presentes que podem ter influenciado, ou ainda podem influenciar no
desenvolvimento desse indivíduo. Normalmente, indivíduos com cegueira congênita
apresentam um desenvolvimento psicológico mais saudável do que os que têm cegueira
adquirida, principalmente, se o momento da ocorrência desta foi tardio e se a sua família
também não aceitar a sua situação. Isso acontece porque não tiveram a experiência do
“enxergar”, não desenvolveram o sentimento de perda, e sua família desde cedo teve que se
adaptar à sua condição de cegueira.O desenvolvimento cognitivo de pessoas com cegueira
congênita se aproxima do normal, e, portanto, não há tanto comprometimento de sua
apropriação do mundo. Conseqüentemente, haverá menos distorções na formação de sua
identidade, em comparação com as pessoas com cegueira adquirida, que normalmente
apresentam grande resistência a aceitar seu estado, não procurando adaptar-se à nova
situação.”(Ramos, 2006, p. 8-9).

Existem quatro níveis da função visual, segundo a Classificação Internacional de Doenças-

10 (CID-10): visão normal, deficiência visual moderada, deficiência visual severa, e cegueira.

O termo “baixa visão” é utilizado nos casos de deficiência visual moderada e severa. E

cegueira significa a total ausência da percepção visual (World Health Organization, 2011). A

classificação depende das avaliações das funções visuais: como a acuidade visual, a capacidade de

diferenciar detalhes e o campo visual, área circundante visível (Land, 2006).

2.1 CLASSIFICAÇÃO LEGAL, MÉDICA, ESPORTIVA E EDUCATIVA

Existem diversas classificações para a deficiência visual, estas variam de acordo com as

limitações e a que fim se destinam. “Elas surgem para que as desvantagens decorrentes da visão

funcional de cada indivíduo sejam minimizadas, pois apesar das pessoas com deficiência visual

possuírem em comum o comprometimento do órgão da visão, as alterações estruturais e anatômicas

promovem modificações que resultam em níveis diferenciados nas funções visuais, que interferem

de forma diferenciada no desempenho de cada indivíduo. Desta maneira as classificações são

definidas sob os aspectos: Legais, Médicos, Educacionais e Esportivos.”, conforme

Ghorayeb, Nabil (2004) apud Oliveira (2008).

A – Classificação legal: Abaixo seguem as leis federais que surgiram no segmento da

Constituição de 1988, a chamada Constituição Cidadã, que estabeleceu uma condição de igualdade

entre as pessoas, de acordo com as características de cada um, e como tal, as pessoas com
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deficiência, o pleno exercício da cidadania e da integração social. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA

DO DESPORTO PARA CEGOS (2003).

Leis no âmbito do desporto 10.264 (Lei Piva) e 9.615 (lei Pelé), de 16 de julho de 2001.

A lei 10.264, conhecida como Lei Piva foi sancionada pelo ex-presidente da república

Fernando Henrique Cardoso, estabelecendo que 2% da arrecadação bruta das loterias federais do

país sejam repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro (85%) e Comitê Paraolímpico Brasileiro

(15%).

Lei Nº 7.853, de 24 de Outubro de 1989.

Dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiência, sua integração social, sobre a

Coordenadoria Nacional para Integração da pessoa portadora de deficiência - corde. Institui a tutela

jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do ministério

público, define crimes, e dá outras providências.

Lei Nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996.

Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

B – Classificação médica: Segundo o texto da ACSM (American College of Sports

Medicine) (1997) citado por Fugita (2002) a cegueira pode ser definida como:

Cegueira por acuidade: Significa possuir visão de 20/200 pés ou inferior, com a melhor

correção (uso de óculos). É a habilidade de ver em 20 pés ou 6,096 metros, o que o olho normal vê

em 200 pés ou 60,96 metros (ou seja, 1/10 ou menos que a visão normal), onde 1 pé = 30,48 cm.

Cegueira por campo visual: Significa ter um campo visual menor do que 10° de visão

central - ter uma visão de túnel.

Cegueira total ou "não percepção de luz": É a ausência de percepção visual ou a

inabilidade de reconhecer uma luz intensa exposta diretamente no olho.

C – Classificação esportiva: B1 significa ausência total da percepção da luz em ambos os

olhos, ou alguma percepção da luz, mas com incapacidade para reconhecer a forma de uma mão em

qualquer distância ou sentido.


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B2 trata da habilidade de reconhecer a forma de uma mão até uma acuidade visual de 2/60

metros e/ou um campo visual inferior a 5º de amplitude.

B3 vai desde uma acuidade visual superior a 2/60 metros até 6/60 metros e/ou um campo

visual de mais de 5º e menos de 20º de amplitude.

A letra "B" refere-se ao termo Blind, que significa cego, segundo a International Blind

Sport Association (2005). São as classificações que permitem a elaboração de programas de

atividades baseando-se nas características individuais dos alunos, isso vai resultar em um melhor

aproveitamento por parte dos mesmos, permitindo a construção do seu desenvolvimento global.

D – Classificação educativa: O instrumento padrão visual é a escala de Snellen, que

consiste em fileiras de letras de tamanhos decrescentes que devem ser lidas a uma distância de 20

pés. Os escores são baseados na exatidão com que a pessoa com deficiência visual foi capaz de

identificar as fileiras de letras utilizando um olho de cada vez.

FIGURA 1: TABELA DE SNELLEN

Fonte: Wikipédia (2015)


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2.2 ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE

O processo do uso dos sentidos para reconhecer e estabelecer sua posição em relação ao

meio e a seu redor entende-se por orientação. A mobilidade é a capacidade do indivíduo de mover-

se. (SEESP/MEC, 2002)

O sentido de orientação e mobilidade varia entre as pessoas cegas, como cada ser tem

capacidades sensoriais e vivências distintas, o resultado da orientação e mobilidade para cada

indivíduo pode ser um desafio ou uma tarefa simples.

De acordo com Pathas (2002), apud Silveira, Dischinger (2016), há quatro tipos de

orientações: pontos fixos, quando se está parado; pontos fixos, quando se está em movimento;

pontos em movimento, quando se está parado; pontos em movimento quando se está em

movimento.

Orientação e mobilidade ajudam na segurança do deficiente visual, tanto na coordenação

quanto na locomoção.

Diversos recursos permitem o deficiente visual deslocar-se com independência e garantem

sua mobilidade. Dentre eles, a bengala e o cão-guia apresentam-se como alguns dos mais utilizados.

3. UM BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA

“Retornando aos primórdios da humanidade, podemos dizer que durante o período que se
convencionou pré-histórico o homem dependia de sua força, velocidade e resistência para
sobreviver. Suas constantes migrações em busca de moradia fazia com que realizasse
longas caminhadas ao longo das quais lutava, corria e saltava, ou seja era um ser
extremamente ativo fisicamente.” (Pitanga, 2002, p. 50).

Desde os primórdios, o exercício da Educação Física está correlacionado com a própria

sobrevivência do homem. Mais tarde, desponta como forma de preparar este para a guerra e o

trabalho, através de uma óptica militarista. A história desta ciência passa por diversos países e

atravessa diversas culturas como a grega, egípcia e romana, por exemplo. E também adentra

movimentos como Renascentista e Iluminista, caminhando e evoluindo até a idade contemporânea.


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Porém, desde a antiguidade os portadores de necessidades especiais sempre foram colocados de

lado, sendo considerados como incapacitados, apesar de que esta concepção esteja mudando.

No Brasil, desde o período da colonização o tratamento dado aos portadores de necessidades

especiais era feito da seguinte maneira:

“... ou se abandonavam os deficientes às intempéries, por descrença nas suas


possibilidades de desenvolvimento, por situações diversas de miséria, procedimento
também usual com ‘normais’ indesejados, ou se recolhia nas Santas Casas, aqui existentes
desde o séc. XVI.” Januzzi (2004, pg. 11).

Estas instituições funcionavam como internatos.

No final da Segunda Guerra Mundial, a concepção da sociedade com relação ao portador de

necessidades especiais muda, uma vez que este não é mais considerado um empecilho para ela e

nem para sua família. Muitos soldados que lutaram na guerra foram mutilados, porém foram

considerados heróis. A partir desse momento, a sociedade passou a respeitar tais pessoas,

permitindo que participassem ativamente do meio social. Desde então, através da disciplina de

Educação Física, ocorreu uma maior preocupação com a realização de atividades físicas para

deficientes.

E eis que surge o advento chamado Educação Física Adaptada, nos Estados Unidos,

conforme salienta Castro (2003):

“A contribuição da atividade física adaptada foi iniciada nas áreas de surdez, deficiência
visual e mental. Jean-Marc Itard (1775-1839), médico francês deu origem ao modelo
educacional, utilizando atividades sensório-motoras para desenvolver o potencial de
indivíduos com deficiência mental e sensorial. Seu seguidor Edouard Seguin trouxe o
sistema de treinamento sensório-motor aos EUA em 1860. Seguin contou com ajuda de
Samuel Gridley Howe para atender alunos com deficiência mental em Syracuse, Nova
Iorque. A escola trabalhava principalmente com o treinamento de movimentos, com
estimulação sensorial, fala e a instrução educacional. Antes de 1900 as raízes históricas da
atividade física adaptada foram indiretamente relacionadas com a ginástica médica.”
(Castro, 2003, p. 2-3).

Seqüencialmente surgem os Jogos Paraolímpicos, modalidade que ainda hoje reúne

inúmeros atletas, portadores das mais distintas deficiências, atuando em diversos esportes adaptados

e provando suas capacidades de superação às adversidades.


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3.1 O DEFICIENTE VISUAL NA PRÁTICA DE ATIVIDADES FÍSICAS

Sabendo-se os benefícios gerais da prática de atividades físicas aos indivíduos sem

deficiência, faz-se fundamental a prática para os portadores de necessidades especiais. A

participação em atividades físicas diretamente pertinentes ao deficiente visual ajuda-o a reconhecer

mais acerca de suas potencialidades e limites a serem superados.

Antes da prática de esportes para cegos e deficientes visuais, inicia-se o processo de

aproximação entre atividade física e indivíduo, que anteriormente, devido a tais limitações, era

afastado da sociedade e conseqüentemente das práticas físicas.

Segundo Rosadas (1989) citado por Oliveira (2008), a atividade física para o deficiente

visual deve ser “baseada no processo de desenvolvimento do ser humano tendo em vista a

identificação das necessidades e potencialidades de cada individuo, respeitando sempre o espaço

físico, recursos materiais e modificações de regras.”

Para tanto, é necessário que o Educador Físico atue em conjunto aos deficientes visuais,

independentemente de sua faixa etária. “Sua liderança, motivação e otimismo são fundamentais

para que haja confiança mútua, propiciando quebra de tabus e a verdadeira potenciação das

possibilidades do deficiente visual,” segundo Gentil, S. de M. S. (2008).

São realizadas atividades de manutenção de equilíbrio, divididas por grau de dificuldade,

tendo em vista a melhor adaptação do deficiente visual ao exercício proposto.

Dentre os exercícios de manutenção de equilíbrio, citamos alguns como caminhar sobre um

banco ou uma linha em alto relevo, caminhar em linha reta intercalando com giros de 360º graus,

caminhar sobre a ponta dos pés, sobre os calcanhares, subir e descer escadas, entre outros.

Também são realizadas atividades de marcha e coordenação, que nada mais é do que uma

sucessão de desequilíbrio, seguida de correções dos mesmos, sendo consideradas normais quando o

corpo está alinhado aos eixos em que as passadas são proporcionais as pernas respeitando a

seqüência da marcha que é: apoio, aceleração e impulsão.


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Qualquer movimento fora destes padrões não é considerado correto podendo haver riscos de

lesões.

3.2 ESPORTES PRATICADOS PELOS DEFICIENTES VISUAIS

Os esportes adaptados aos portadores de deficiências são motivo de muitas comemorações

por seus resultados, bem como pelo incentivo à prática de exercícios físicos para os mesmos.

No caso dos deficientes visuais, existem diversas modalidades esportivas, as quais

submetem atletas altamente treinados e condicionados às competições oficiais que medem

capacidades de profissionais oriundos de diversos países.

Estes são alguns dos esportes praticados pelos deficientes visuais: Atletismo, Natação,

Goalball, Judô, entre outros.

As provas do atletismo adaptado podem ser disputadas por atletas com qualquer grau de

deficiência visual, pois os mesmo serão distribuídos em classificações B1, B2, B3, tanto na

categoria feminina quanto na categoria masculina, competindo entre si nas provas de pista, de

campo e na maratona.

FIGURA 2: ESPORTE ATLETISMO

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/rio-2016/noticia/2016-09/felipe-gomes-o-caminho-ate-quatro-medalhas-no-
atletismo-paralimpico
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Na natação, poucas regras foram adaptadas para a prática de deficientes visuais. Elas se

baseiam nas normas da FINA - Federação Internacional de Natação - e as provas disputadas são as

mesmas: livre, costas, peito e borboleta, divididas por categorias de classificação oftalmológica B1,

B2 e B3, sendo que cada uma disputa entre si.

O goalball é uma modalidade que foi criada especialmente para os deficientes visuais, ao

contrário de outras, que foram adaptadas. A quadra tem as mesmas dimensões das de vôlei (9m de

largura por 18m de comprimento). As partidas são realizadas em dois tempos de 12 minutos, com 3

minutos de intervalo. Cada equipe conta com três jogadores titulares e três reservas. De cada lado

da quadra, há um gol com 9m de largura e 1,30m de altura. Os atletas são, ao mesmo tempo,

arremessadores e defensores. O arremesso deve ser rasteiro ou tocar pelo menos uma vez nas áreas

obrigatórias. O objetivo é balançar a rede adversária.

A bola tem um guizo em seu interior para que os jogadores saibam sua direção. O goalball é

um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva, por isso não pode haver barulho no ginásio

durante a partida, exceto no momento entre o gol e o reinício do jogo e nas paradas oficiais. A bola

tem 76 cm de diâmetro e pesa 1,25 kg.

FIGURA 3: PARTIDA DE GOALBALL

Fonte: https://www.paralympic.org/news/sport-week-history-goalball
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Nesta modalidade, os atletas deficientes visuais das classes B1, B2 e B3 competem juntos.

Todas as classificações são realizadas por meio da mensuração do melhor olho e da possibilidade

máxima de correção do problema. Todos os atletas, independente do nível de perda visual, utilizam

uma venda durante as competições para que todos possam competir em condições de igualdade.

O judô é um esporte dá ao atleta um grande aperfeiçoamento do equilíbrio estático e

dinâmico, fundamentais no cotidiano dos deficientes visuais. Aprender a cair é também muito

importante para dar segurança ao judoca. Insegurança gera tensão muscular, o que atrapalha os

movimentos.

Judocas das três categorias oftalmológicas, B1, B2 e B3, lutam entre si e o atleta cego (B1) é

identificado com um círculo vermelho em cada ombro do quimono.

Sendo assim, de forma sintética, foram apresentadas algumas das principais modalidades

esportivas praticadas pelos deficientes físicos, segundo dados da CPB – Comitê Paralímpico

Brasileiro.

4. INTERAÇÃO ENTRE EDUCADOR FÍSICO E ALUNO

Ghorayeb, Nabil (2004) apud Oliveira (2008), sugerem algumas recomendações que

devemos ter ao interagir junto ao deficiente visual, tais como:

- Ao acompanhar o deficiente visual deixe que ele sempre segure em seu braço e não você

segurar no braço dele, pois isto trás uma sensação de desconforto para o deficiente;

- Ao se dirigir ao deficiente visual não precisa gritar com ele, basta se dirigir com o tom de

voz normal, pois ele é "cego" e não surdo;

- Fornecer instruções básicas para o reconhecimento do ambiente;

- Usar comunicação verbal e o tato;

- Usar formação em roda ao aplicar uma atividade para melhor segurança;

- Se possível adaptar o local em que será feito a atividade;

- Evitar a mudança de lugares;


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- Evitar comentários maldosos ou piadas que façam com que o deficiente visual se sinta mal

ou constrangido em determinada situação (Importantíssimo);

- Adaptar matérias para melhor rendimento;

- Avisar quando chegar perto ou se afastar do aluno;

- Incentivar o deficiente durante o processo de aprendizagem;

- Procurar desenvolver o espaço – temporal do portador de deficiência visual;

- Nunca deixar de perguntar se o deficiente visual quer ajuda;

- Estimular a integração quando possível.

5. CONCLUSÃO

Este trabalho teve como objetivo por meio da revisão de literaturas e de outros estudos onde

o tema é abordado apresentar informações sobre a prática de atividade física na deficiência visual.

Demonstrou-se de maneira simples e objetiva que o deficiente visual tem totais condições de

realizar atividades físicas ou praticar esportes da mesma forma que a pessoa sem deficiência.

Vimos também que, no decorrer da história, a deficiência visual veio quebrando tabus,

derrubando barreiras e se destacando no cenário dos esportes, porém muito ainda deve ser feito para

que o ideal de inclusão seja realmente respeitado. A prática de atividades físicas e esportes

representam um elemento importante não apenas na área da saúde do deficiente visual, mas também

na sua inserção nos meios sociais e quanto mais independente, maior acesso às atividades da vida

diária, a escola, ao trabalho, ao lazer e a tudo que possa garantir a melhora do ser humano como um

todo.

REFERÊNCIAS

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