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INTERVALOS MUSICAIS

(Profª Déborah Rossi – FASM – Percepção I – 2018)

INTERVALO é nome dado à diferença de altura entre duas notas musicais. As notas podem ser tocadas
simuntaneamente (INTERVALO HARMÔNICO) ou sucessivamente (INTERVALO MELÓDICO).

O estudo dos intervalos é muito importante, pois através deles é que obtemos ferramentas para o estudo da
harmonia, construção e análise de melodias e elaboração de arranjos. Cada intervalo tem sua função,
nomenclatura e principalmente sonoridade específica.

O intervalo pode ter significados diferentes para muitos, pois mesmo tendo sempre as mesmas
propriedades físicas, pode soar diferentemente em meio ao contexto onde está inserido. Teóricos têm
classificado os intervalos de diversas formas, porém duas são de grande importância, o consonante e o
dissonante, mas até isso pode mudar, na nossa sensação sonora, dependendo da maneira como o intervalo
é utilizado.

De acordo com os estudos da Física sabemos que o som é uma onda mecânica que se propaga num campo
ondulatório (meio material), como o ar, numa diferenciação de pressão desse meio, que só se torna audível
se esta onda apresentar intensidade suficiente e se sua frequência encontrar-se dentro daquilo que nossos
ouvidos são capazes de reconhecer. Cada nota ou harmônico é definida por uma frequência diferente, por
isso conseguimos distingui-las. Como intervalo é formado por duas notas, ele é então composto de duas
frequências. A soma destas duas ondas sonoras nos dá a sensação de consonância ou dissonância. E é por
esse motivo que um intervalo consonante pode soar dissonante se executado juntamente com outra nota
ou outro intervalo, pois no fim das contas, o que vale é a somatória de todas elas.

Como sabemos, as alturas são representadas fisicamente por frequências de vibração (La=440 Hz, por
exemplo). Calcular um intervalo, fisicamente falando, é dividir as frequências das duas notas envolvidas
f2/f1. Desta forma, a razão (divisão) de uma nota e sua oitava superior é 2, isto é, a frequência da nota mais
aguda é exatamente o dobro da frequência da nota grave.
O menor intervalo usado na Música Ocidental é o SEMITOM (ou meio-tom), que entre as NOTAS NATURAIS
(sem acidentes) está localizado apenas entre MI-FÁ e SI-DÓ. Todos os outros intervalos entre duas notas
naturais consecutivas são de 1 TOM.
Observe a escala de dó a dó (que só usa notas naturais):

Podemos CLASSIFICAR os intervalos de diversas maneiras. Inicialmente em harmônicos ou melódicos


conforme as notas forem tocadas juntas ou sucessivamente. Dentre os intervalos mélodicos, classificamos
como ASCENDENTES se a 2ª nota for mais aguda que a 1ª e DESCENDENTES se a 2ª for mais grave.

Pensando quantitativamente (isto é, em quantas notas estão envolvidas no intervalo), e desconsiderando


quaisquer acidentes que estas notas possam ter, podemos classificar os intervalos de forma numérica. Por
exemplo, o intervalo DO-MI será sempre uma TERÇA, pois de dó a mi existem 3 notas. Do mesmo modo o
intervalo DO-SOL será sempre uma QUINTA, já que existem 5 notas envolvidas.
Intervalo Simples e Composto

O intervalo também pode ser simples ou composto, dependendo da distância entre uma e outra nota:

o Simples: Quando se acha contido dentro de uma oitava.

o Composto: Quando ultrapassa uma oitava.

Assim sendo os intervalos simples (dentro de uma oitava), podem ser de:
Segunda (do-re; mi-fa; la-si ...)
Terça (do-mi, sol-si, re-fa ...)
Quarta (do-fa; mi-la; sol-do ...)
Quinta (do-sol; re-la; si-fa ...)
Sexta (do-la; mi-do; fa-re ...)
Sétima (do-si; mi-re; sol-fa ...)
Oitava (do-do; re-re; sol-sol)
Alguns autores consideram o intervalo de dois sons iguais como de PRIMEIRA, mas costumamos dizer que
não há intervalos entre dois sons idênticos, já que não a distância entre eles. Chamam isto de UNÍSSONO.
Os intervalos que ultrapassam uma oitava são chamados de intervalos compostos, e seguem a mesma
forma de denominação.
Podemos ainda QUALIFICAR os intervalos de acordo com o número de tons e semitons existentes entre
eles. Podem ser MAIORES, MENORES ou JUSTOS, e ainda AUMENTADOS e DIMINUTOS. A denominação de
Justo (J) é aplicável apenas aos intervalos de 4ª. 5ª e 8ª. As denominações de Maior (M) e menor (m),
aplica-se aos intervalos de 2ª, 3ª, 6ª e 7ª. Todos os intervalos podem receber a qualificação de Aumentados
(aum) ou Diminutos (dim). A direfença entre cada um deles é sempre um semitom. Quadro dos Intervalos
INTERVALO DISTÂNCIA NOME
Dó - /Réb ½ tom 2ª menor
Dó - Ré 1 tom 2ª Maior
Dó - Ré# 1 tom e ½ 2ª Aumentada
Dó - Mib 1 tom e ½ 3ª menor
Dó - Mi 2 tons 3ª Maior
Dó - Fá 2 tons e ½ 4ª Justa
Dó - Fá# 3 tons 4ª Aumentada
Dó - Solb 3 tons 5ª Diminuta
Do - Sol 3 tons e ½ 5ª Justa
Dó - Sol# 4 tons 5ª Aumentada
Dó - Láb 4 tons 6ª menor
Dó - Lá 4 tons e ½ 6ª Maior
Dó - Sibb 4 tons e ½ 7ª Diminuta
Dó - Sib 5 tons 7ª menor
Dó - Si 5 tons e ½ 7ª Maior
Dó - Dó 6 tons 8ª Justa

As demoninações Justo ou Maior e menor estão relacionadas com a razão entre as freqüências de vibração
de cada uma das notas do intervalo. Os intervalos são considerados consonantes, quanto mais simples for a
razão entre as suas frequências. Antigamente eram consideradas consonâncias apenas os intervalos de 8ª,
5ª e 4ª (os chamados Justos), cujas razões de suas freqüências são 2:1, 3:2 e 4:3, respectivamente. Hoje o
conceito de consonância está muito mais abrangente, mas continua valendo a regra: quantos mais simples
a razão entre as freqüências, mas “agradável” aos ouvidos será o intervalo.
Pensando em termos de tons e semitons, observe e, se possível, memorize a seguinte tabela:

Entretanto, ficar contando os tons e semitons nem sempre é o melhor caminho. Existe um meio mais
racional e fácil de saber a qualidade de um dado intervalo sem ter de contar o número de semitons entre
as notas!!
Basta estar atento para o fato de que, na escala diatônica ou natural, a distância entre duas notas
sucessivas é sempre de um tom, exceto entre as notas MI-FA e SI-DO, onde o intervalo é de um semitom -
são os chamados semitons naturais.
Lembrando então da escala de DÓ MAIOR, nossa conhecida, que só possui notas naturais, podemos
“decorar” que todas as SEGUNDAS existentes são MAIORES, com exceção daquelas entre as notas MI-FA e
SI-DO, que são MENORES.

DO RE MI FA SOL LA SI DO
2ª M 2ª M 2ª m 2ª M 2ª M 2ª M 2ª m

Da mesma forma, as TERÇAS que não passam pelo semitom natural, também serão MAIORES.
GENERALIZANDO:

Uma vez identificado onde se localizam esses semitons naturais, basta levar em conta que:

• Nos intervalos de SEGUNDA e TERÇA, são MAIORES os que não possuem, isto é, não "passam por"
nenhum semitom natural.
• Nos intervalos de SEXTA e SÉTIMA, são MAIORES os que possuem APENAS UM semitom natural.
• Os intervalos de QUARTA e QUINTA (OITAVA E UNÍSSONO) são todos JUSTOS, com EXCEÇÃO DO
TRÍTONO (3 tons: quarta aumentada ou quinta diminuta).

É preciso lembrar também que:


Um intervalo menor, quando decrescido de um semitom, se transforma em um intervalo diminuto.
Um intervalo maior, quando acrescido de um semitom, se transforma em um intervalo aumentado.
Um intervalo diminuto, quando decrescido de um semitom, se transforma em um intervalo
superdiminuto.
Um intervalo aumentado, quando acrescido de um semitom, se transforma em um intervalo
superaumentado.
Um intervalo justo, quando decrescido de um semitom, se transforma em um intervalo diminuto.
Um intervalo justo, quando acrescido de um semitom, se transforma em um intervalo aumentado

Alguns intervalos podem ter a mesma quantidade de tons e semitons, mas possuir classificações diferentes.
Estes são chamados de intervalos enarmônicos. Compare os intervalos Dó-Réb (um semitom) e Dó-Dó# (um
semitom). Na hora de classificar, o primeiro seria uma SEGUNDA MENOR e o outro um UNÍSSONO (OU
PRIMEIRA) AUMENTADO.

É importante saber os graus, os nomes e principalmente sua sonoridade. A dica é tocar cada um dos
intervalos e deixar o ouvido absorver a frequência associando-a a sua nomenclatura, pois isso facilitará
tanto a análise de uma melodia ou harmonia simplesmente ao ouvi-las, como também na elaboração das
mesmas.

Tabela de Intervalos e Músicas conhecidas


A associação de cada intervalo musical com duas notas de uma música conhecida facilita a memorização
durante o aprendizado. Nesta lista, são apresentadas músicas brasileiras que podem ser usadas para a
memorização dos intervalos. A lista não está completa, e algumas músicas podem não significar muito pra
você, por isso sugiro que você construa a SUA PRÓPRIA LISTA.
Intervalos

Primeira

Eis a- qui este sambinha, feito numa nota só ... (Samba de Uma Nota Só, Tom Jobim)
Céu, tão grande é o céu... (Dindi, Tom Jobim)
O- lha que coisa mais linda... (Garota de Ipanema, Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

Intervalos Ascendentes

Segunda Menor

Meu co- ração não se cansa... (Coração Vagabundo, Caetano)


Mas pra quê? Pra que tanto céu... (Inútil Paisagem, Tom Jobim e Aloysio de Oliveira)
Lembrar-se do começo da música do filme Tubarão, Pantera Cor de Rosa, ou da “música do gás”
(Für Elise, Beethoven)

Segunda Maior

Bra- sil, meu Brasil brasileiro... (Aquarela do Brasil, Ary Barroso)


Eu nun- ca sonhei com você... (Lígia, Tom Jobim)
Para-béns pra você (parabéns à você)

Terça Menor

Al- guém cantando longe daqui... (Alguém Cantando, Caetano Veloso)


Meu bem vo-cê me dá água na boca(Mania de você – Rita Lee)
TI-MÃO (grito de torcida)

Terça Maior

Eu sei que vou te amar... (Eu Sei Que Vou Te Amar, Tom Jobim)
Eu Eu sou pobre, pobre (cantiga infantil: eu sou pobre, pobre, pobre, de marré, marré, marré)

Quarta Justa

Tris- te- za não tem fim... (A Felicidade, Tom Jobim/Vinicius de Moraes)


Es – cra – vos de Jó... (cantiga infantil “Escravos de Jó”)
Ou- vi- ram do Ipiranga às margens plácidas... (Hino Nacional Brasileiro)

Trítono -Quinta Diminuta

...que só teu amor procurou... (no meio de Manhã de Carnaval, Luiz Bonfá)
The Sim – psons … (tema do desenho “Os Simpsons”)

Quinta Justa

Lembrar-se do som de uma trombeta (num filme medieval, por exemplo)


Tema de filmes: Guerra nas Estrelas, Superman
Brilha, brilha estrelinha (canção infantil)
Sexta Menor

Tema do filme A conquista do Paraíso (Vangelis)


Ma- nhã, tão bonita manhã... (Manhã de Carnaval, Luiz Bonfá)
Eu vi o menino correndo, eu vi o tempo... (Força Estranha, Caetano Veloso)

Sexta Maior

A-deus ano velho, feliz ano novo…


Ma- ri- na morena Marina você se pintou... (Marina, Dorival Caymmi)
Le- va- va uma vida sossegada... (Ovelha Negra, Rita Lee)

Sétima Menor

Início da música La Cumparsita (Geraldo Rodriguez)


...co- m'os- olhos de um bandido... (no meio de “Esse Cara”, Caetano Veloso)
Cla-re-ia, manhã (Nascente, Milton Nascimento e Flávio Venturini)

Sétima Maior

Take me on (Take on me, A-)

Oitava Justa

Ó meu amigo, meu herói (Meu Amigo, Meu Herói, Gilberto Gil)
Não, não pode mais meu coração... (Modinha, Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

Intervalos Descendentes

Segunda Menor Descendente

Luz do sol... (Luz do Sol, Caetano Veloso)


Pa -re -ce que dizes, te amo, Maria... (Anos Dourados, Tom Jobim e Chico Buarque)
Lembrar-se do começo da música do Batman

Segunda Maior Descendente

Por ser de lá, do sertão, lá do cerrado... (Lamento Sertanejo, Dominguinhos e Gilberto Gil)
Mi- nha alma canta, vejo o Rio de Janeiro... (Samba do Avião, Tom Jobim)

Terça Menor Descendente

Eu vim, eu vim da Bahia cantar... (Eu Vim da Bahia, Gilberto Gil)


Hey, Jude (Hey Jude, Beatles)
MEN-GO (grito de torcida)
Terça Maior Descendente

É pau, é pedra, é o fim do caminho... (Águas de Março, Tom Jobim)


Es - tou de volta pro meu … (De volta pro aconchego, Dominguinhos)
Que fal- ta eu sinto de um bem... (Eu Só Quero Um Xodó, Dominguinhos/Anastácia)
Quarta Justa Descendente

O -lha! Está chovendo na roseira... (Chovendo na Roseira, Tom Jobim)


A-le -luia (Hallelujah – Handel)

Quinta Diminuta Descendente

Man-guei-ra, estou aqui na plataforma da estação... (Piano na Mangueira, Tom Jobim e Chico
Buarque)

Quinta Justa Descendente

É do- ce morrer no mar... (É Doce Morrer no Mar, Dorival Caymmi)


Só lou- co, amou como eu amei... (Só Louco, Dorival Caymmi)

Sexta Menor Descendente

Vai mi -nha tristeza... (Chega de Saudade, Tom Jobim e Vinicius de Moraes)


Ah es -se cara tem me consumido... (Esse Cara, Caetano Veloso)

Sexta Maior Descendente

Ou ça-um bom conselho... (Bom Conselho, Chico Buarque)

Sétima Menor Descendente

...u- ma canção pelo ar... (no meio de Se todos Fossem Iguais a Você, Tom Jobim e Vinicius de
Moraes)

Sétima Maior Descendente

Não lembrei de nenhum. Sugira um!

Oitava Justa Descendente

Dei- xa, fale quem quiser falar, meu bem... (Deixa, Baden Powell e Vinicius de Moraes)

INVERSÃO DE INTERVALOS

Na inversão, coloca-se a nota mais baixa uma oitava acima ou a nota mais alta uma oitava abaixo:

Veja abaixo quadro da inversão dos intervalos


Intervalo Quadro Invertido
2a 7a
3a 6a
4a 5a
5a 4a
6a 3a
7a 2a
Observando a tabela acima podemos tirar algumas conclusões e formular uma regra prática. Perceba que a
soma de qualquer intervalo original com a sua inversão sempre será 9.

Intervalo Original + Inversão = 9

• A inversão do M (maior) é m (menor)

• A inversão do m (menor) é M (maior)

• A inversão do aum (aumentado) é dim (diminuto)

• A inversão do dim (diminuto) é aum (aumentado)

• A inversão do j (justo) continua sendo j (justo)

Exemplos de Intervalos Invertidos:

Intervalos – Exercícios

Para uma boa assimilação dos conceitos acima, procure responder as questões a seguir:

1. O que é intervalo na música?

2. O que são intervalos simples e compostos?

3. O que são intervalos enarmônicos?

4. Que tipos de intervalos podem ser aumentados?

5. Quais os tipos de intervalos podem ser diminutos?

6. Quais os tipos de intervalos quanto a sua forma de execução?

7. O que é inversão de um intervalo?

8. Qual é o número que resulta da soma do intervalo original com sua inversão?

9. Como se classificam os intervalos maiores, menores, justos, aumentados e diminutos quando


invertidos?

10. Classifique e qualifique os intervalos a seguir:


O próximo passo é EXERCITAR MUITO para conseguir reconhecer auditivamente os intervalos. Para ajudá-lo
nesta tarefa, existem hoje vários aplicativos para cellular que facilitam muito a aprendizagem.

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