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HISTÓRIA ANTIGA

e)vínculos necessários entre difusão de regimes


democráticos e formação cultural dos cidadãos.

3 – (IFRS/2018)
1 – (ENEM/2017) Leia o trecho a seguir.
O sistema de irrigação egípcio era muito
diferente do complexo sistema mesopotâmico, O que diz o primeiro documento escrito da
porque as condições naturais eram muito história
diversas nos dois casos. A cheia do Nilo
também fertiliza as terras com aluviões, mas é
muito mais regular e favorável em seu
processo e em suas datas do que a do Tigre e
Eufrates, além de ser menos destruidora.
CARDOSO, C. F. Sociedades do antigo Oriente Próximo. São
Paulo: Ática, 1986.

A comparação entre as disposições do recurso


natural em questão revela sua importância
para a
Símbolos abstratos formam o documento
a)desagregação das redes comerciais.
escrito mais antigo de que se tem
b)supressão da mão de obra escrava.
conhecimento até hoje
c)expansão da atividade agrícola.
d)multiplicação de religiões monoteístas.
Na Antiguidade, acreditava-se que a escrita
e)fragmentação do poder político.
vinha dos deuses. Os gregos pensavam tê-la
recebido de Prometeus. Os egípcios, de Tot, o
2 – (UEFS/2018) deus do conhecimento. Para os sumérios, a
Uma opinião aceita amplamente é a de que os deusa Inanna a havia roubado de Enki, o deus
gregos receberam o alfabeto dos povos da sabedoria.
fenícios. O nosso próprio alfabeto é derivado Mas à medida que essa visão perdia crédito,
do alfabeto grego. Os intermediários foram os passou-se a investigar o que levou civilizações
etruscos, cuja escrita foi transmitida aos antigas a criar a escrita. Motivos religiosos ou
romanos. artísticos? Ou teria sido para enviar
(John F. Healey. “O primeiro alfabeto”.In: Lendo o passado, mensagens a exércitos distantes?
1996. Adaptado.)
O enigma ficou mais complexo em 1929, após o
arqueólogo alemão Julius Jordan desenterrar
O excerto explicita a existência de
uma vasta biblioteca de tábuas de argila com
a)igualdades culturais, linguísticas e políticas
figuras abstratas, um tipo de escrita conhecida
entre as sociedades das antiguidades Oriental e
como "cuneiforme", com 5 mil anos de idade
Clássica.
[...].
b)desenvolvimentos paralelos e independentes
As tábuas estavam em Uruk, uma cidade [...]
dos povos mesopotâmicos, semitas, africanos e
das primeiras do mundo - às margens do rio
greco-romanos.
Eufrates, onde hoje fica o Iraque. Ali,
c)encontros inter-civilizacionais e políticos
desenvolveu-se uma escrita que nenhum
decorrentes da formação do antigo Império
especialista moderno conseguia decifrar.
Egípcio na Europa e na Ásia. Disponível em: ˂http://www.bbc.com/portuguese/geral-
d)diálogos e trocas culturais transcorridos na 39842626˃ Acesso em: 04 set. 2017.
região do Mar Mediterrâneo na Antiguidade.

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De acordo com o trecho, podemos identificar filhos. Se mais tarde o marido retornar e
que o texto está tratando do modelo de escrita voltar à casa, então a esposa deverá retornar
antiga desenvolvido ao marido, assim como as crianças devem
a)no Egito do período faraônico. seguir seu pai. [...]
b)na China anterior ao primeiro imperador. 138. Se um homem quiser se separar de sua
c)em uma das primeiras civilizações da esposa que lhe deu filhos, ele deve dar a ela a
Mesopotâmia. quantia do preço que pagou por ela e o dote
d)na Anatólia do período bíblico. que ela trouxe da casa de seu pai, e deixá-la
e)na Grécia dos tempos homéricos. partir.
(www.direitoshumanos.usp.br)
4 – (UNISC/2014)
Há 25 anos era promulgada, no país, a Esses quatro preceitos, selecionados do Código
Constituição de 1988, rotulada como carta de Hamurabi (cerca de 1780 a.C.), indicam
cidadã. O histórico das constituições no mundo uma sociedade caracterizada
contemporâneo tem marcos como a inglesa de a)pelo respeito ao poder real e pela solidariedade
1688, a francesa do período jacobino e a norte- entre os povos.
americana da Guerra da Independência. No b)pela defesa da honra e da família numa
Brasil, o histórico das constituições revela as perspectiva patriarcal.
mudanças políticas do Império, da República, c)pela isonomia entre os sexos e pela defesa da
do período getulista, do regime militar e das paz.
redemocratizações. Essa cultura política d)pela liberdade de natureza numa perspectiva
contemporânea não encontra paralelo no iluminista.
passado mais antigo. Na antiguidade, inexistia e)pelo antropocentrismo e pela valorização da
essa prática constitucional da relação entre fertilidade feminina.
Estado e sociedade, o que havia eram códigos
comportamentais, destinados à preservação 6 – (UDESC/2017)
das cidades ou à relação com os deuses. Nesse “Quem construiu Tebas, a das sete portas?
sentido, a mais antiga lei escrita da Nos livros vem o nome dos reis, mas foram os
antiguidade que se tem registro é reis que transportaram as pedras? Babilônia,
a)a Lei das Doze Tábuas, da Roma antiga. tantas vezes destruída, quem outras tantas a
b)o Código de Hamurabi, da Mesopotâmia. reconstruiu? Em que casas da Lima Dourada
c)o Papiro de Harris, da China antiga. moravam seus obreiros?”
(Perguntas de um operário que lê. Bertold Brecht)
d)o Código Canônico, dos pais apostólicos.
e)a Lei dos Faraós, do Egito antigo.
Heródoto de Halicarnasso, nascido no século V
a.C., é comumente conhecido como “o Pai da
5 – (UNESP 2016)
História”. De acordo com o historiador
129. Se a esposa de alguém for surpreendida
François Hartog, Heródoto interessava-se,
em flagrante com outro homem, ambos devem
entre outras questões, pelas maravilhas e pelos
ser amarrados e jogados dentro d’água, mas o
monumentos considerados, muitas vezes,
marido pode perdoar a sua esposa, assim como
expressões da influência divina.
o rei perdoa a seus escravos. [...]
133. Se um homem for tomado como
Considerando os questionamentos de Bertold
prisioneiro de guerra, e houver sustento em
Brecht, assinale a alternativa que contém a
sua casa, mas mesmo assim sua esposa deixar
melhor interpretação para a frase de
a casa por outra, esta mulher deverá ser
Heródoto: “O Egito é uma dádiva do Nilo”.
judicialmente condenada e atirada na água.
a)Permite constatar o desconhecimento de
[...]
Heródoto no que diz respeito à Geografia, uma
135. Se um homem for feito prisioneiro de
vez que os rios que atravessam o território
guerra e não houver quem sustente sua esposa,
egípcio são Tigre e Eufrates.
ela deverá ir para outra casa e criar seus

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b)Representa um anacronismo pois, no século V
a.C., quando proferida, o Egito era ainda colônia As imagens revelam
do grande Império Bizantino. a)o caráter familiar do cultivo agrícola no Oriente
c)Atribui apenas à presença do Nilo o Próximo, dada a escassez de mão de obra e a
desenvolvimento do Egito, porém não considera a proibição, no antigo Egito, do trabalho
importância da presença humana, do trabalho compulsório.
empreendido na utilização do rio e dos benefícios b)a inexistência de qualquer conhecimento
naturais para o desenvolvimento da região. tecnológico que permitisse o aprimoramento da
d)Representa a profunda religiosidade do povo produção de alimentos, o que provocava longas
egípcio, o qual atribuía ao deus Nilo o temporadas de fome.
desenvolvimento do Império, à época, no período c)o prevalecimento da agricultura como única
pré-dinástico. atividade econômica, dada a impossibilidade de
e)Atribui centralidade às ações do imperador Nilo caça ou pesca nas regiões ocupadas pelo antigo
que, entre os séculos VI a.C. e V a.C., Egito.
administrou o processo de expansão territorial do d)a dificuldade de acesso à água em todo o Egito,
Império Egípcio, sem, todavia, ressaltar a o que limitava as atividades de plantio e
participação dos soldados que lutavam sob o inviabilizava a criação de gado de maior porte.
comando do imperador. e)a importância das atividades agrícolas no antigo
Egito, que ocupavam os trabalhadores durante
7 – (FUVEST/2015) aproximadamente metade do ano.
Examine estas imagens produzidas no antigo
Egito: 8 – (ENEM/2017)
TEXTO I
Sólon é o primeiro nome grego que nos vem à
mente quando terra e dívida são mencionadas
juntas. Logo depois de 600 a.C., ele foi
designado “legislador” em Atenas, com
poderes sem precedentes, porque a exigência
de redistribuição de terras e o cancelamento
das dívidas não podiam continuar bloqueados
pela oligarquia dos proprietários de terra por
meio da força ou de pequenas concessões.
FINLEY, M. Economia e sociedade na Grécia antiga. São
Paulo: WMF Martins Fontes, 2013 (adaptado)

TEXTO II
A “Lei das Doze Tábuas” se tornou um dos
textos fundamentais do direito romano, uma
das principais heranças romanas que
chegaram até nós. A publicação dessas leis, por
volta de 450 a.C., foi importante, pois o
conhecimento das “regras do jogo” da vida em
sociedade é um instrumento favorável ao
homem comum e potencialmente limitador da
hegemonia e arbítrio dos poderosos.
FUNARI, P. P. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2011
(adaptado)

O ponto de convergência entre as realidades


sociopolíticas indicadas nos textos consiste na
Apud Ciro Flammarion Santana Cardoso. O Egito antigo. São
Paulo: Brasiliense, 1982.
ideia de que a

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a)discussão de preceitos formais estabeleceu a O SERVIDOR — Tive piedade dela,
democracia. mestre. Acreditei que ele a levaria ao país de
b)invenção de códigos jurídicos desarticulou as onde vinha. Ele te salvou a vida, mas para os
aristocracias. piores males! Se és realmente aquele de quem
c)formulação de regulamentos oficiais instituiu as ele fala, saibas que nasceste marcado pela
sociedades. infelicidade.
d)definição de princípios morais encerrou os ÉDIPO — Oh! Ai de mim! Então no final
conflitos de interesses. tudo seria verdade! Ah! Luz do dia, que eu te
e)criação de normas coletivas diminuiu as veja aqui pela última vez, já que hoje me
desigualdades de tratamento. revelo o filho de quem não devia nascer, o
esposo de quem não devia ser, o assassino de
9 – (ENEM/2016) quem não deveria matar!
Pois quem seria tão inútil ou indolente a ponto SÓFOCLES. Édipo Rei. Porto Alegre: L&PM, 2011.
de não desejar saber como e sob que espécie de
constituição os romanos conseguiram em O trecho da obra de Sófocles, que expressa o
menos de cinquenta e três anos submeter núcleo da tragédia grega, revela o(a)
quase todo o mundo habitado ao seu governo a)condenação eterna dos homens pela prática
exclusivo — fato nunca antes ocorrido? Ou, injustificada do incesto.
em outras palavras, quem seria tão b)legalismo estatal ao punir com a prisão
apaixonadamente devotado a outros perpétua o crime de parricídio.
espetáculos ou estudos a ponto de considerar c)busca pela explicação racional sobre os fatos
qualquer outro objetivo mais importante que a até então desconhecidos.
aquisição desse conhecimento? d)caráter antropomórfico dos deuses na medida
POLÍBIO. História. Brasília: Editora UnB, 1985. em que imitavam os homens.
e)impossibilidade de o homem fugir do destino
A experiência a que se refere o historiador predeterminado pelos deuses.
Políbio, nesse texto escrito no século II a.C., é a
11– (ENEM PPL 2016)
a)ampliação do contingente de camponeses livres. O aparecimento da pólis, situado entre os
b)consolidação do poder das falanges hoplitas. séculos VIII e VII a.C., constitui, na história
c)concretização do desígnio imperialista. do pensamento grego, um acontecimento
d)adoção do monoteísmo cristão. decisivo. Certamente, no plano intelectual
e)libertação do domínio etrusco. como no domínio das instituições, a vida social
e as relações entre os homens tomam uma
10 – (ENEM/2016) forma nova, cuja originalidade foi plenamente
[…] O SERVIDOR – Diziam ser filho do sentida pelos gregos, manifestando-se no
rei… surgimento da filosofia.
ÉDIPO — Foi ela quem te entregou a VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego.Rio de
Janeiro: Difel, 2004 (adaptado).
criança?
O SERVIDOR — Foi ela, Senhor.
Segundo Vernant, a filosofia na antiga Grécia
ÉDIPO — Com que intenção?
foi resultado do(a)
O SERVIDOR — Para que eu a matasse.
a)constituição do regime democrático.
ÉDIPO — Uma mãe! Mulher desgraçada!
b)contato dos gregos com outros povos.
O SERVIDOR — Ela tinha medo de um
c)desenvolvimento no campo das navegações.
oráculo dos deuses.
d)aparecimento de novas instituições religiosas.
ÉDIPO — O que ele anunciava?
e)surgimento da cidade como organização social.
O SERVIDOR — Que essa criança um dia
mataria seu pai.
ÉDIPO— Mas por que tu a entregaste a
este homem?

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12 – (ENEM/2015) e)Elegibilidade — permissão para candidatura
O que implica o sistema da pólis é uma aos cargos públicos.
extraordinária preeminência da palavra sobre
todos os outros instrumentos do poder. A 14 – (ENEM/2014)
palavra constitui o debate contraditório, a TEXTO I
discussão, a argumentação e a polêmica. Olhamos o homem alheio às atividades
Torna-se a regra do jogo intelectual, assim públicas não como alguém que cuida apenas
como do jogo político. de seus próprios interesses, mas como um
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de inútil; nós, cidadãos atenienses, decidimos as
Janeiro: Bertrand, 1992 (adaptado).
questões públicas por nós mesmos na crença
de que não é o debate que é empecilho à ação,
Na configuração política da democracia grega
e sim o fato de não se estar esclarecido pelo
especial a ateniense, a ágora tinha por função
debate antes de chegar a hora da ação.
a)agregar os cidadãos em torno de reis que TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. Brasília:
governavam em prol da cidade. UnB, 1987 (adaptado).
b)permitir aos homens livres o acesso às decisões
do Estado expostas por seus magistrados. TEXTO II
c)constituir o lugar onde o corpo de cidadãos se Um cidadão integral pode ser definido por
reunia para deliberar sobre as questões da nada mais nada menos que pelo direito de
comunidade. administrar justiça eexercer funções públicas;
d)reunir os exércitos para decidir em assembleias algumas destas, todavia, sãolimitadas quanto
fechadas os rumos a serem tomados em caso de ao tempo de exercício, de tal modo quenão
guerra. podem de forma alguma ser exercidas duas
e)congregar a comunidade para eleger vezespela mesma pessoa, ou somente podem
representantes com direito a pronunciar-se em sê-lo depois decertos intervalos de tempo
assembleias. prefixados.
ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985.
13 – (ENEM/2014)
Compreende-se assim o alcance de uma Comparando os textos I e II, tanto para
reivindicação que surge desde o nascimento da Tucídides (no século V a.C) quanto para
cidade na Grécia antiga: a redação das leis. Ao Aristóteles (no século IV a.C.), a cidadania era
escrevê-las, não se faz mais que assegurar-lhes definida pelo(a)
permanência e fixidez. As leis tornam-se bem a)prestígio social.
comum, regra geral, suscetível de ser aplicada b)acúmulo de riqueza.
a todos da mesma maneira. c)participação política.
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de d)local de nascimento.
Janeiro: Bertrand Brasil, 1992 (adaptado). e)grupo de parentesco.

Para o autor, a reivindicação atendida na 15 (ENEM/2013)


Grécia antiga, ainda vigente no mundo Durante a realeza, e nos primeiros anos
contemporâneo, buscava garantir o seguinte republicanos, as leis eram transmitidas
princípio: oralmente de uma geração para outra. A
a)Isonomia — igualdade de tratamento aos ausência de uma legislação escrita permitia aos
cidadãos. patrícios manipular a justiça conforme seus
b)Transparência — acesso às informações interesses. Em 451 a.C., porém, os plebeus
governamentais. conseguiram eleger uma comissão de dez
c)Tripartição — separação entre os poderes pessoas – os decênviros – para escrever as leis.
políticos estatais. Dois deles viajaram a Atenas, na Grécia, para
d)Equiparação — igualdade de gênero na estudar a legislação de Sólon.
participação política. COULANGES, F. A cidade antiga. São Paulo. Martins Fontes,
2000.

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A superação da tradição jurídica oral no 18 – (UNICAMP/2018)
mundo antigo, descrita no texto, esteve Os gregos sentiram paixão pelo humano, por
relacionada à suas capacidades, por sua energia construtiva.
a)adoção do sufrágio universal masculino. Por isso, inventaram a polis: a comunidade
b)extensão da cidadania aos homens livres. cidadã em cujo espaço artificial,
c)afirmação de instituições democráticas. antropocêntrico, não governa a necessidade da
d)implantação de direitos sociais. natureza, nem a vontade dos deuses, mas a
e)tripartição dos poderes políticos. liberdade dos homens, isto é, sua capacidade de
raciocinar, de discutir, de escolher e de
16 – (ENEM PPL 2012) destituir dirigentes, de criar problemas e
No contexto da polis grega, as leis comuns propor soluções. O nome pelo qual hoje
nasciam de uma convenção entre cidadãos, conhecemos essa invenção grega, a mais
definida pelo confronto de suas opiniões em revolucionária, politicamente falando, que já
um verdadeiro espaço público, a ágora, se produziu na história humana, é democracia.
confronto esse que concedia a essas convenções (Adaptado de Fernando Savater, Política para meu filho. São
Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 77.)
a qualidade de instituições públicas.
MAGDALENO, F. S. A territorialidade da representação
política: vínculos territoriais decompromisso dos deputados Assinale a alternativa correta, considerando o
fluminenses. São Paulo: Annablume, 2010. texto acima e seus conhecimentos sobre a
Grécia Antiga.
No texto, está relatado um exemplo de a)Para os gregos, a cidade era o espaço do
exercício da cidadania associado ao seguinte exercício da liberdade dos homens e da tirania
modelo de prática democrática: dos deuses.
a)Direta. b)Os gregos inventaram a democracia, que tinha
b)Sindical. então o mesmo funcionamento do sistema
c)Socialista. político vigente atualmente no Brasil.
d)Corporativista. c)Para os gregos, a liberdade dos homens era
e)Representativa. exercida na polis e estava relacionada à
capacidade de invenção da política.
17 – (ENEM PPL 2012) d)A democracia foi uma invenção grega que criou
Mirem-se no exemplo problemas em função do excesso de liberdade dos
Daquelas mulheres de Atenas homens.
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas. 19 – (UNICAMP/2015)
BUARQUE, C.; BOAL, A. Mulheres de Atenas. In: Meus
caros Amigos, 1976. Disponível em: http://letras.terra.com.br. Apenas a procriação de filhos legítimos,
Acesso em: 4 dez. 2011 (fragmento). embora essencial, não justifica a escolha da
esposa. As ambições políticas e as necessidades
Os versos da composição remetem à condição econômicas que as subentendem exercem um
das mulheres na Grécia antiga, caracterizada, papel igualmente poderoso. Como
naquela época, em razão de demonstraram inúmeros estudos, os dirigentes
a)sua função pedagógica, exercida junto às atenienses casam-se entre si, e geralmente com
crianças atenienses. o parente mais próximo possível, isto é, primos
b)sua importância na consolidação da coirmãos. É sintomático que os autores antigos
democracia, pelo casamento. que nos informam sobre o casamento de
c)seu rebaixamento de status social frente aos homens políticos atenienses omitam os nomes
homens. das mulheres desposadas, mas nunca o nome
d)seu afastamento das funções domésticas em do seu pai ou do seu marido precedente.
períodos de guerra. (Adaptado de Alain Corbin e outros, História da virilidade, vol.
1. Petrópolis: Vozes, 2014, p. 62.)
e)sua igualdade política em relação aos homens.

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Considerando o texto e a situação da mulher formular estratégias adequadas de estruturação e
na Atenas clássica, podemos afirmar que se unificação do poder político.
trata de uma sociedade d)a inadequação do uso de conceitos modernos,
a)na qual o casamento também tem implicações como nação ou Estado nacional, no estudo sobre
políticas e sociais. a Grécia antiga, que vivia sob outras formas de
b)que, por ser democrática, dá uma atenção organização social e política.
especial aos direitos da mulher. e)a valorização, na Grécia antiga, dos princípios
c)em que o amor é o critério principal para a do patriotismo e do nacionalismo, como forma de
formação de casais da elite. consolidar política e economicamente o Estado
d)em que o direito da mulher se sobrepõe ao nacional.
interesse político e social.
21 – (UEFS/2018)
20 – (FUVEST/2016) Os homens espartanos eram exclusivamente
Em certos aspectos, os gregos da Antiguidade soldados profissionais. Sua vida, integralmente
foram sempre um povo disperso. Penetraram em modelada pelo Estado, era-lhe inteiramente
pequenos grupos no mundo mediterrânico e, dedicada. Aos sete anos o menino era entregue
mesmo quando se instalaram e acabaram por nas mãos do Estado; a educação consistia,
dominá􀍲lo, permaneceram desunidos na sua sobretudo, em desenvolver a habilidade
organização política. No tempo de Heródoto, e guerreira. Tornando-se adulto, ele passava a
muito antes dele, encontravam-se colônias maior parte do tempo com seus companheiros
gregas não somente em toda a extensão da de armas e devia participar da refeição
Grécia atual, como também no litoral do Mar comum.
Negro, nas costas da atual Turquia, na Itália do (Moses I. Finley. Os primeiros tempos da Grécia, 1980.
Adaptado.)
sul e na Sicília oriental, na costa setentrional da
África e no litoral mediterrânico da França. No
Na Grécia Antiga, a cidade-Estado de Esparta
interior desta elipse de uns 2500 km de
distinguia-se
comprimento, encontravam-se centenas e
a)pela organização política e social orientada pelo
centenas de comunidades que amiúde diferiam
objetivo preponderante de defesa da cidade.
na sua estrutura política e que afirmaram
b)pela formação dos dirigentes políticos para o
sempre a sua soberania. Nem então nem em
exercício das atividades agrícolas e comerciais da
nenhuma outra altura, no mundo antigo, houve
cidade.
uma nação, um território nacional único regido
c)pela adoção de um regime político cuja
por uma lei soberana, que se tenha chamado
participação era permitida apenas aos guerreiros
Grécia (ou um sinônimo de Grécia).
M. I. Finley. O mundo de Ulisses. Lisboa: Editorial Presença, das cidades aliadas.
1972. Adaptado. d)pela anexação de mercados externos
fornecedores de equipamentos militares para a
Com base no texto, pode-se apontar cidade.
corretamente e)pela inexistência de relações escravistas em
a)a desorganização política da Grécia antiga, que uma cidade de pouco desenvolvimento da
sucumbiu rapidamente ante as investidas militares atividade comercial.
de povos mais unidos e mais bem preparados para
a guerra, como os egípcios e macedônios. 22 – (UFGD/2017)
b)a necessidade de profunda centralização Em Atenas, na Grécia Antiga, os ideais de
política, como a ocorrida entre os romanos e democracia conviviam com a escravidão.
cartagineses, para que um povo pudesse expandir Pedro Paulo Funari, em sua obra “Grécia e
seu território e difundir sua produção cultural. Roma” (2002) destaca que não é “exagero
c)a carência, entre quase todos os povos da dizer que a democracia ateniense dependia da
Antiguidade, de pensadores políticos, capazes de existência da escravidão” (p. 38).

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Nessa perspectiva, considera-se que: às provas, se não renunciais também a buscar
a)Os escravos de Atenas, em sua maioria, eram as honras; e não penseis que se trata apenas,
prisioneiros de guerra e seus descendentes. nesta questão, de ser escravos em vez de livres:
b)A escravidão em Atenas era limitada, pois se trata-se da perda de um império, e do risco
prevalecia a ideia de democracia plena, em que ligado ao ódio que aí contraístes.
gradativamente o sistema escravista ia (Péricles apud Pierre Cabanes. Introdução à história da
Antiguidade, 2009.)
desaparecendo
c)Os grupos de escravos que viviam em Atenas
O discurso de Péricles, no século V a.C.,
eram provenientes de Esparta, haja vista que,
convoca os atenienses para lutar na Guerra do
Atenas e Esparta eram rivais históricos desde o
Peloponeso e enfatiza
século III.
a)a rejeição à escravidão em Atenas e a defesa do
d)A democracia ateniense foi ímpar para pensar o
trabalho livre como base de toda sociedade
sistema democrático no Brasil, após a
democrática.
proclamação da República, em 1822.
b)a defesa da democracia, por Atenas, diante das
e)Os escravos atenienses eram de origem
ameaças aristocráticas de Roma.
africana, sobretudo, dos países que compõem o
c)a rejeição à tirania como forma de governo e a
Sul da África. Até o século VI, o tráfico de
celebração da república ateniense.
africanos para Atenas era significativo.
d)a defesa do território ateniense, frente à
investida militar das tropas cartaginesas.
23 – (UNESP/2017)
e)a defesa do poder de Atenas e a sua disposição
Apesar de sua dispersão geográfica e de sua
de manter-se à frente de uma confederação de
fragmentação política, os Gregos tinham uma
cidades.
profunda consciência de pertencer a uma só e
mesma cultura. Esse fenômeno é tão mais
25 – (ENEM/2017)
extraordinário, considerando-se a ausência de
TEXTO I
qualquer autoridade central política ou
religiosa e o livre espírito de invenção de uma
Esta foi a regra que eu segui diante dos que me
determinada comunidade para resolver os
foram denunciados como cristãos: perguntei a
diversos problemas políticos ou culturais que
eles mesmos se eram cristãos; aos que
se colocavam para ela.
(Moses I. Finley. Os primeiros tempos da Grécia, 1998. respondiam afirmativamente repeti uma
Adaptado.) segunda e uma terceira vez a pergunta,
ameaçando-os com o suplício. Os que
O excerto refere-se ao seguinte aspecto persistiram, mandei executá-los, pois eu não
essencial da história grega da Antiguidade: duvidava que, seja qual for a culpa, a teimosia
a)a predominância da reflexão política sobre o e a obstinação inflexível deveriam ser punidas.
desenvolvimento das belas-artes. Outros, cidadãos romanos portadores da
b)a fragilidade militar de populações isoladas em mesma loucura, pus no rol dos que devem ser
pequenas unidades políticas. enviados a Roma.
c)a vinculação do nascimento da filosofia com a Correspondência de Plínio, governador de Bitínia,
provínciaromana situada na Ásia Menor, aoimperador
constituição de governos tirânicos. Trajano. Cerca do ano 111 d.C. Disponível em:
d)a existência de cidades-estados conjugada a www.veritatis.com.br. Acesso em: 17 jun. 2015 (adaptado).
padrões civilizatórios de unificação.
e)a igualdade social sustentada pela exploração TEXTO II
econômica de colônias estrangeiras.
É nossa vontade que todos os povos regidos
24 – (UNESP/2016) pela nossa administração pratiquem a religião
A cidade tira de seu império uma parte da que o apóstolo Pedro transmitiu aos romanos.
honra, da qual todos vós vos gloriais, e que Ordenamos que todas aquelas pessoas que
deveis legitimamente apoiar; não vos esquiveis seguem esta norma tomem o nome de cristãos

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católicos. Porém, o resto, os quais pessoa de mais de vinte anos permitir a venda
consideramos dementes e insensatos, de si própria com a finalidade de lucrar
assumirão a infâmia da heresia, os lugares de conservando uma parte do preço da compra; e
suas reuniões não receberão o nome de igrejas em virtude da lei comum dos povos, são nossos
e serão castigados em primeiro lugar pela escravos aqueles que foram capturados na
divina vingança e, depois, também pela nossa guerra e aqueles que são filhos de nossas
própria iniciativa. escravas.
Édito de Tessalônica, ano 380 d.C. In: PEDRERO-SÁNCHEZ, CARDOSO, C. F. Trabalho compulsório na Antiguidade.São
M. G. História da Idade Média: textos e testemunhas. São Paulo: Graal, 2003.
Paulo: Unesp, 2000.
A obra Institutas, do jurista AeliusMarcianus
Nos textos, a postura do Império Romano (século III d.C.), instrui sobre a escravidão na
diante do cristianismo é retratada em dois Roma antiga. No direito e na sociedade
momentos distintos. Em que pesem as romana desse período, os escravos
diferentes épocas, é destacada a permanência compunham uma
da seguinte prática: a)mão de obra especializada protegida pela lei.
a)Ausência de liberdade religiosa. b)força de trabalho sem a presença de ex-
b)Sacralização dos locais de culto. cidadãos.
c)Reconhecimento do direito divino. c)categoria de trabalhadores oriundos dos
d)Formação de tribunais eclesiásticos. mesmos povos.
e)Subordinação do poder governamental. d)condição legal independente da origem étnica
do indivíduo.
26 – (ENEM/2016) e)comunidade criada a partir do estabelecimento
A Lei das Doze Tábuas, de meados do século V das leis escritas.
a.C., fixou por escrito um velho direito
costumeiro. No relativo às dívidas não pagas, o 28 – (ENEM/2009)
código permitia, em última análise, matar o O fenômeno da escravidão, ou seja, da
devedor; ou vendê-lo como escravo “do outro imposição do trabalho compulsório a um
lado do Tibre” — isto é, fora do território de indivíduo ou a uma coletividade, por parte de
Roma. outro indivíduo ou coletividade, é algo muito
CARDOSO, C. F. S. O trabalho compulsório na Antiguidade.
Rio de Janeiro: Graal, 1984. antigo e, nesses termos, acompanhou a história
da Antiguidade até o séc. XIX. Todavia,
A referida lei foi um marco na luta por direitos percebe-se que tanto o status quanto o
na Roma Antiga, pois possibilitou que os tratamento dos escravos variaram muito da
plebeus Antiguidade Greco-romana até o século XIX
a)modificassem a estrutura agrária assentada no em questões ligadas às divisões do trabalho.
latifúndio.
b)exercessem a prática da escravidão sobre seus As variações mencionadas dizem respeito
devedores. a)ao caráter étnico da escravidão antiga, pois
c)conquistassem a possibilidade de casamento certas etnias eram escravizadas de preconceitos
com os patrícios. sociais.
d)ampliassem a participação política nos cargos b)à especialização do trabalho escravo na
políticos públicos. Antiguidade, pois certos ofícios de prestígio eram
e)reivindicassem as mudanças sociais com base frequentemente realizados por escravos.
no conhecimento das leis. c)ao uso dos escravos para a atividade
agroexportadora, tanto na Antiguidade quanto no
27 – (ENEM/2016) mundo moderno, pois o caráter étnico determinou
Os escravos tornam-se propriedade nossa seja a diversidade de tratamento.
em virtude da lei civil, seja da lei comum dos
povos; em virtude da lei civil, se qualquer

9
d)à absoluta desqualificação dos escravos para
trabalhos mais sofisticados e à violência em seu 30 – (FUVEST/2018)
tratamento, independente das questões étnicas. (…) o “arco do triunfo” é um fragmento de
e)ao aspecto étnico presente em todas as formas muro que, embora isolado da muralha, tem a
de escravidão, pois o escravo era, na Antiguidade forma de uma porta da cidade. (...) Os primeiros
Greco–romana, como no mundo moderno, exemplos documentados são estruturas do
considerado uma raça inferior. século II a.C., mas os principais arcos de triunfo
são os do Império, como os arcos de Tito, de
29 – (UNICAMP/2017) Sétimo Severo ou de Constantino, todos no foro
romano, e todos de grande beleza pela elegância
de suas proporções.
PEREIRA, J. R. A., Introdução à arquitetura. Das origens ao
século XXI. Porto Alegre: Salvaterra, 2010, p. 81.

Dentre os vários aspectos da arquitetura


romana, destaca-se a monumentalidade de
suas construções. A relação entre o “arco do
triunfo” e a História de Roma está baseada
a)no processo de formação da urbe romana e de
edificação de entradas defensivas contra invasões
de povos considerados bárbaros.
b)nas celebrações religiosas das divindades
romanas vinculadas aos ritos de fertilidade e aos
seus ancestrais etruscos.
A imagem acima retrata parte do mosaico c)nas celebrações das vitórias militares romanas
romano de Nennig, um dos mais bem que permitiram a expansão territorial, a
conservados que se encontram até o momento consolidação territorial e o estabelecimento do
no norte da Europa. A composição conta com sistema escravista.
mais de 160 m2 e apresenta como tema cenas d)na edificação de monumentos comemorativos
próprias de um anfiteatro romano. em memória das lutas dos plebeus e do
(https://fr.wikipedia.org/wiki/Perl_(Sarre)#/media/File:Retiari alargamento da cidadania romana.
us_stabs_secutor_(color).jpg. Acessado em 12/08/2016.)
e)nos registros das perseguições ao cristianismo e
da destruição de suas edificações monásticas.
A partir da leitura da imagem e do
conhecimento sobre o período em questão,
31 – (FUVEST/2018)
pode-se afirmar corretamente que a imagem
Os Impérios helenísticos, amálgamas ecléticas
representa
de formas gregas e orientais, alargaram o
a)uma luta entre três gladiadores, prática popular
espaço da civilização urbana da Antiguidade
entre membros da elite romana do século III d. C,
clássica, diluindo-lhe a substância [...].
que foi criticada pelos cristãos.
De 200 a.C. em diante, o poder imperial
b)a popularidade das atividades circenses entre os
romano avançou para leste [...] e nos meados
romanos, prática de cunho religioso que envolvia
do século II as suas legiões haviam esmagado
os prisioneiros de guerra.
todas as barreiras sérias de resistência do
c)uma das ações da política do pão e do circo,
Oriente.
estratégia da elite romana que usava cidadãos P. Anderson. Passagens da Antiguidade ao feudalismo. Porto:
romanos na arena, para lutarem entre si e, assim, Afrontamento, 1982.
divertir o povo.
d)uma luta entre gladiadores, prática que tinha Na região das formações sociais gregas,
inúmeras funções naquela sociedade, como a a)a autonomia das cidades-estado manteve-se
diversão, a tentativa de controle social e a intocável, apesar da centralização política
valorização da guerra. implementada pelos imperadores helenísticos.

10
b)essas formações e os impérios helenísticos
constituíram-se com o avanço das conquistas 33 – (PUC-SP/2019)
espartanas no período posterior às guerras no “Como, ao tempo em que o Império se
Peloponeso, ao final do século V a.C. enfraquecia, a Religião Cristã se afirmava, os
c)a conquista romana caracterizou-se por uma Cristãos exprobavam aquela decadência aos
forte ofensiva frente à cultura helenística, pagãos, e estes pediam contas dela à Religião
impondo a língua latina e cerceando as escolas Cristã.
filosóficas gregas.
d)o Oriente tornou-se área preponderante do Diziam os Cristãos que Diocleciano perdera o
Império Romano a partir do século III d.C., com a Império associando-se a três colegas, porque
crise do escravismo, que afetou mais fortemente cada Imperador queria fazer despesas tão
sua parte ocidental. grandes e manter exércitos tão fortes como se
e)os espaços foram conquistados pelas tropas ele fosse único.
romanas, na Grécia e na Ásia Menor, em seu Que, por isso, não sendo proporcional o
período de apogeu, devido às lutas intestinas e às número dos que davam ao número dos que
rivalidades entre cidades-estado. recebiam, os encargos se tornaram tão grandes
que os agricultores abandonaram as terras e
32 – (FUVEST/2014) elas viraram florestas”
César não saíra de sua província para fazer (Montesquieu, Charles de Secondat, Baron de, 1689-1755 –
Consideraçõessobre as causas dagrandeza dos romanos e da
mal algum, mas para se defender dos agravos sua decadência/Montesquieu;introdução, tradução e notas de
dos inimigos, para restabelecer em seus Pedro Vieira Mota. – São Paulo : Saraiva, 1997 – Páginas 304
poderes os tribunos da plebe que tinham sido, e 305)
naquela ocasião, expulsos da Cidade, para
devolver a liberdade a si e ao povo romano A partir do texto ao lado, pode-se entender que
oprimido pela facção minoritária. a crise do Império Romano decorreu, dentre
Caio Júlio César. A Guerra Civil. São Paulo: Estação outros fatores:
Liberdade, 1999, p. 67. a)Da entrada dos chamados “povos bárbaros”,
que intensificaram trocas comerciais na parte
O texto, do século I a.C, retrata o cenário ocidental, levando à desestruturação da vida rural.
romano de b)Da ascensão do cristianismo, religião que
a)implantação da Monarquia, quando a negava a divindade do Imperador, e dos altos
aristocracia perseguia seus opositores e os custos militares, levando à inevitável oneração
forçava ao ostracismo, para sufocar revoltas dos tributos sobre os agricultores.
oligárquicas e populares. c)Da expansão territorial constante, o que levou à
b)transição da República ao Império, período de substituição de camponeses livres por escravos,
reformulações provocadas pela expansão causando forte êxodo rural.
mediterrânica e pelo aumento da insatisfação da d)Das trocas culturais com outros povos, o que
plebe. levou a críticas internas ao poder central, já que
c)consolidação da República, marcado pela permitiu a penetração de ideais republicanos
participação política de pequenos proprietários trazidos pelos “povos bárbaros”.
rurais e pela implementação de amplo programa
de reforma agrária.
d)passagem da Monarquia à República, período
de consolidação oligárquica, que provocou a
ampliação do poder e da influência política dos
militares.
e)decadência do Império, então sujeito a invasões
estrangeiras e à fragmentação política gerada
pelas rebeliões populares e pela ação dos
bárbaros.

11
34 – (UNESP/2018) a)o estabelecimento de protetorados e de
aquartelamentos militares.
b)a escravização e a exploração dos recursos
naturais.
c)a libertação de todos os escravos e a
democratização política.
d)o recrutamento e a composição de alianças
bélicas.
e)a tributação abusiva e o confisco de
propriedades rurais.
(http://recursostic.educacion.es.)

O mapa do Império Romano na época de HISTÓRIA MEDIEVAL


Augusto (27 a.C. – 14 d.C.) demonstra
a)a dificuldade das tropas romanas de avançar
36 - (ENEM/2016)
sobre territórios da África e a concentração dos
Enquanto o pensamento de Santo Agostinho
domínios imperiais no continente europeu.
representava o desenvolvimento de uma
b)a resistência do Egito e de Cartago, que
filosofia cristã inspirada em Platão, o
conseguiram impedir o avanço romano sobre seus
pensamento de São Tomás reabilita a filosofia
territórios.
de Aristóteles – até então vista sob suspeita
c)a conformação do maior império da
pela Igreja –, mostrando ser possível
Antiguidade e a imposição do poder romano
desenvolver uma leitura de Aristóteles
sobre os chineses e indianos.
compatível com a doutrina cristã. O
d)a iminência de conflitos religiosos, resultantes
aristotelismo de São Tomás abriu caminho
da tensão provocada pela conquista de Jerusalém
para o estudo da obra aristotélica e para a
pelos cristãos.
legitimação do interesse pelas ciências
e)a importância do Mar Mediterrâneo para a
naturais, um dos principais motivos do
expansão imperial e para a circulação entre as
interesse por Aristóteles nesse período.
áreas de hegemonia romana. MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro:
Sahar, 2005.

35 – (UNESP/2014) A Igreja Católica por muito tempo impediu a


Roma provou ser capaz de ampliar o seu divulgação da obra de Aristóteles pelo fato de
próprio sistema político para incluir as cidades a obra aristotélica
italianas durante sua expansão peninsular. a)valorizar a investigação científica, contrariando
Desde o começo ela havia – diferentemente de certos dogmas religiosos.
Atenas – exigido de seus aliados tropas para b)declarar a inexistência de Deus, colocando em
seus exércitos, e não dinheiro para seu tesouro; dúvida toda a moral religiosa.
desta maneira, diminuindo a carga de sua c)criticar a Igreja Católica, instigando a criação
dominação na paz e unindo-os solidamente em de outras instituições religiosas.
tempo de guerra. Neste ponto, seguia o d)evocar pensamentos de religiões orientais,
exemplo de Esparta, embora seu controle minando a expansão do cristianismo.
militar central das tropas aliadas fosse sempre e)contribuir para o desenvolvimento de
muito maior. sentimentos antirreligiosos, seguindo sua teoria
(Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, política.
1987. Adaptado.)

37 - (ENEM/2015)
O texto caracteriza uma das principais
A casa de Deus, que acreditam una, está,
estratégias romanas de domínio sobre outros
portanto, dividida em três: uns oram, outros
povos e outras cidades:
combatem, outros, enfim, trabalham. Essas

12
três partes que coexistem não suportam ser b)humanista, identificada pelo controle das horas
separadas; os serviços prestados por uma são a de atividade por parte do trabalhador.
condição das obras das outras duas; cada uma c)escatológica, associada a uma visão religiosa
por sua vez encarrega-se de aliviar o sobre o trabalho.
conjunto... Assim a lei pode triunfar e o d)natural, expressa pelo trabalho realizado de
mundo gozar da paz. acordo com as estações do ano.
ALDALBERON DE LAON. In: SPINOSA, F. Antologia de e)romântica, definida por uma visão bucólica da
textos históricos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1981.
sociedade.
A ideologia apresentada por Aldalberon de
39 - (ENEM/2014)
Laon foi produzida durante a Idade Média.
Sou uma pobre e velha mulher,
Um objetivo de tal ideologia e um processo que
Muito ignorante, que nem sabe ler.
a ela se opôs estão indicados, respectivamente,
Mostraram-me na igreja da minha terra
em:
Um Paraíso com harpas pintado
a)Justificar a dominação estamental / revoltas
E o Inferno onde fervem almas danadas,
camponesas.
Um enche-me de júbilo, o outro me aterra.
b)Subverter a hierarquia social / centralização VILLON, F. In: GOMBRICH, E. História da arte. Lisboa:
monárquica. LTC, 1999.
c)Impedir a igualdade jurídica / revoluções
burguesas. Os versos do poeta francês François Villon
d)Controlar a exploração econômica / unificação fazem referência às imagens presentes nos
monetária. templos católicos medievais. Nesse contexto, as
e)Questionar a ordem divina / Reforma Católica. imagens eram usadas com o objetivo de
a)redefinir o gosto dos cristãos.
38 - (ENEM/2015) b)incorporar ideais heréticos.
Calendário medieval, século XV. c)educar os fiéis através do olhar.
d)divulgar a genialidade dos artistas católicos.
e)valorizar esteticamente os templos religiosos.

Questão 40 - (ENEM/2013)
Quando ninguém duvida da existência de um
outro mundo, a morte é uma passagem que
deve ser celebrada entre parentes e vizinhos. O
homem da Idade Média tem a convicção de
não desaparecer completamente, esperando a
ressurreição. Pois nada se detém e tudo
continua na eternidade. A perda
contemporânea do sentimento religioso fez da
morte uma provação aterrorizante, um
Disponível em: www.ac-grenoble.fr. Acesso em: 10 maio 2012.
trampolim para as trevas e o desconhecido.
DUBY, G. Ano 2000 na pista do nossos medos. São Paulo:
Os calendários são fontes históricas Unesp, 1998 (adaptado).
importantes, na medida em que expressam a
concepção de tempo das sociedades. Essas Ao comparar as maneiras com que as
imagens compõem um calendário medieval sociedades têm lidado com a morte, o autor
(1460-1475) e cada uma delas representa um considera que houve um processo de
mês, de janeiro a dezembro. Com base na a)mercantilização das crenças religiosas.
análise do calendário, apreende-se uma b)transformação das representações sociais.
concepção de tempo c)disseminação do ateísmo nos países de maioria
a)cíclica, marcada pelo mito arcaico do eterno cristã.
retorno.

13
d)diminuição da distância entre saber científico e A existência em Jerusalém de um hospital
eclesiástico. voltado para o alojamento e o cuidado dos
e)amadurecimento da consciência ligada à peregrinos, assim como daqueles entre eles que
civilização moderna. estavam cansados ou doentes, fortaleceu o elo
entre a obra de assistência e de caridade e a
41 - (ENEM/2018) Terra Santa. Ao fazer, em 1113, do Hospital de
TEXTO I Jerusalém um estabelecimento central da
É da maior utilidade saber falar de modo a ordem, Pascoal II estimulava a filiação dos
persuadir e conter o arrebatamento dos hospitalários do Ocidente a ele, sobretudo
espíritos desviados pela doçura da sua daqueles que estavam ligados à peregrinação
eloquência. Foi com este fim que me apliquei a na Terra Santa ou em outro lugar. A
formar uma biblioteca. Desde há muito tempo militarização do Hospital de Jerusalém não
em Roma, em toda a Itália, na Germânia e na diminuiu a vocação caritativa primitiva, mas a
Bélgica, gastei muito dinheiro para pagar a fortaleceu.
copistas e livros, ajudado em cada província DEMURGER, A. Os Cavaleiros de Cristo. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar, 2002 (adaptado).
pela boa vontade e solicitude dos meus amigos.
GEBERTO DE AURILLAC. Lettres. Século X. Apud
PEDRERO-SÁNCHEZ, M. G. História daIdade Média: texto O acontecimento descrito vincula-se ao
e testemunhas. São Paulo: Unesp, 2000. fenômeno ocidental do(a)
a)surgimento do monasticismo guerreiro,
TEXTO II ocasionado pelas cruzadas.
Eu não sou doutor nem sequer sei do que trata b)descentralização do poder eclesiástico,
esse livro; mas, como a gente tem que se produzida pelo feudalismo.
acomodar às exigências da boa sociedade de c)alastramento da peste bubônica, provocado pela
Córdova, preciso ter uma biblioteca. Nas expansão comercial.
minhas prateleiras tenho um buraco d)afirmação da fraternidade mendicante,
exatamente do tamanho desse livro e como estimulada pela reforma espiritual.
vejo que tem uma letra e encadernação muito e)criação das faculdades de medicina, promovida
bonitas, gostei dele e quis comprá-lo. Por outro pelo renascimento urbano.
lado, nem reparei no preço. Graças a Deus
sobra-me dinheiro para essas coisas. 43 - (ENEM/2017)
AL HADRAMI. Século X. Apud PEDRERO-SÁNCHEZ, M.
G. A Península Ibérica entre o Oriente e o Ocidente: cristãos, Entre o século XII e XIII, a recrudescência das
judeus e muçulmanos. São Paulo: Atual, 2002. condenações da usura é explicada pelo temor
da Igreja ao ver a sociedade abalada pela
Nesses textos do século X, percebem-se visões proliferação da usura, quando muitos homens
distintas sobre os livros e as bibliotecas em abandonam sua condição social, sua profissão,
uma sociedade marcada pela para tornar-se usuários. No século XIII, o
a)difusão da cultura favorecida pelas atividades papa Inocêncio IV teme a deserção dos
urbanas. campos, devido ao fato de os camponeses
b)laicização do saber, que era facilitada pela terem se tornado usurários ou estarem
educação nobre. privados de gado e de instrumentos de
c)ampliação da escolaridade realizada pelas trabalho pertencentes aos possuidores de
corporações de ofício. terras, eles próprios atraídos pelos ganhos da
d)evolução da ciência que era provocada pelos usura. A atração pela usura ameaça a
intelectuais bizantinos. ocupação dos solos e da agricultura e traz o
e)publicização das escrituras, que era promovida espectro da fome.
pelos sábios religiosos. LE GOFF, J. A bolsa e a vida: economia e religião na Idade
Média. São Paulo: Brasiliense, 2004 (adaptado).

42 - (ENEM/2018)
A atitude da Igreja em relação à prática em
questão era motivada pelo interesse em

14
a)suprimir o debate escolástico. b)relação entre desenvolvimento urbano e divisão
b)regular a extração de dízimos. do trabalho.
c)diversificar o padrão alimentar. c)importância organizacional das corporações de
d)conservar a ordem estamental. ofício.
e)evitar a circulação de mercadorias. d)progressiva expansão da educação escolar.
e)acúmulo de trabalho dos professores e eruditos.
44 - (ENEM/2017)
Mas era sobretudo a lã que os compradores, 46 - (ENEM/2015)
vindos da Flandres ou da Itália, procuravam TEXTO I
por toda a parte. Para satisfazê-los, as raças Não é possível passar das trevas da ignorância
foram melhoradas através do aumento para a luz da ciência a não ser lendo, com um
progressivo das suas dimensões. Esse amor sempre mais vivo, as obras dos Antigos.
crescimento prosseguiu durante todo o século Ladrem os cães, grunhem os porcos! Nem por
XIII, e as abadias da Ordem de Cister, onde isso deixarei de ser um seguidor dos Antigos.
eram utilizados os métodos mais racionais de Para eles irão todos os meus cuidados e, todos
criação de gado, desempenharam certamente os dias, a aurora me encontrará entregue ao
um papel determinante nesse aperfeiçoamento. seu estudo.
DUBY, G. Economia rural e vida no campo no Ocidente BLOIS, P. Apud PEDRERO SÁNCHEZ, M. G. História da
medieval. Lisboa:Estampa, 1987 (adaptado) Idade Média: texto e testemunhas. São Paulo: Unesp, 2000.

O texto aponta para a relação entre TEXTO II


aperfeiçoamento da atividade pastoril e avanço A nossa geração tem arraigado o defeito de
técnico na Europa ocidental feudal, que recusar admitir tudo o que parece vir dos
resultou do(a) modernos. Por isso, quando descubro uma
a)crescimento do trabalho escravo. ideia pessoal e quero torná-la pública, atribuo-
b)desenvolvimento da vida urbana. a a outrem e declaro: — Foi fulano de tal que o
c)padronização dos impostos locais. disse, não sou eu. E para que acreditem
d)uniformização do processo produtivo. totalmente nas minhas opiniões, digo: — O
e)desconcentração da estrutura fundiária. inventor foi fulano de tal, não sou eu.
BATH, A. Apud PEDRERO SÁNCHEZ, M. G. História da
Idade Média: texto e testemunhas. São Paulo: Unesp, 2000.
45 - (ENEM/2015)
No início foram as cidades. O intelectual da
Nos textos são apresentados pontos de vista
Idade Média — no Ocidente — nasceu com
distintos sobre as mudanças culturais
elas. Foi com o desenvolvimento urbano ligado
ocorridas no século XII no Ocidente.
às funções comercial e industrial — digamos
Comparando os textos, os autores discutem
modestamente artesanal — que ele apareceu,
o(a)
como um desses homens de ofício que se
a) produção do conhecimento face à
instalavam nas cidades nas quais se impôs a
manutenção dos argumentos de autoridade da
divisão do trabalho. Um homem cujo ofício é
Igreja.
escrever ou ensinar, e de preferência as duas
b) caráter dinâmico do pensamento laico
coisas a um só tempo, um homem que,
frente à estagnação dos estudos religiosos.
profissionalmente, tem uma atividade de
c) surgimento do pensamento científico em
professor erudito, em resumo, um intelectual –
oposição à tradição teológica cristã.
esse homem só aparecerá com as cidades.
LE GOFF, J. Os intelectuais na Idade Média. Rio de Janeiro: d) desenvolvimento do racionalismo crítico
José Olympio, 2010. ao opor fé e razão.
e) construção de um saber teológico
O surgimento da categoria mencionada no científico.
período em destaque no texto evidencia o(a)
a)apoio dado pela Igreja ao trabalho abstrato.

15
47 - (ENEM/2015) b)ambição das mulheres em ocupar lugar
preponderante na sociedade.
c)possibilidade de mobilidade social das mulheres
na indústria têxtil medieval.
d)exploração das mulheres nas manufaturas
têxteis no mundo urbano medieval.
e)servidão feminina como tipo de mão de obra
vigente nas tecelagens europeias.

49 - (ENEM/2014)
Veneza, emergindo obscuramente ao longo do
início da Idade Média das águas às quais devia
sua imunidade a ataques, era nominalmente
submetida ao Império Bizantino, mas, na
DUARTE, P. A. Fundamentos de cartografia. Florianópolis: prática, era uma cidade-estado independente
UFSC, 2002. na altura do século X. Veneza era única na
cristandade por ser uma comunidade
As diferentes representações cartográficas comercial: “Essa gente não lavra, semeia ou
trazem consigo as ideologias de uma época. A colhe uvas”, como um surpreso observador do
representação destacada se insere no contexto século XI constatou. Comerciantes venezianos
das Cruzadas por puderam negociar termos favoráveis para
a)revelar aspectos da estrutura demográfica de comerciar com Constantinopla, mas também
um povo. se relacionaram com mercadores do islã.
b)sinalizar a disseminação global de mitos e FLETCHER, R. A cruz e o crescente: cristianismo e islã, de
preceitos políticos. Maomé à Reforma.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.
c)utilizar técnicas para demonstrar a centralidade
de algumas regiões. A expansão das atividades de trocas na Baixa
d)mostrar o território para melhor administração Idade Média, dinamizadas por centros como
dos recursos naturais. Veneza, reflete o(a)
e)refletir a dinâmica sociocultural associada à a)importância das cidades comerciais.
visão de mundo eurocêntrica. b)integração entre a cidade e o campo.
c)dinamismo econômico da Igreja cristã.
48 - (ENEM/2014) d)controle da atividade comercial pela nobreza
Sempre teceremos panos de seda feudal.
E nem por isso vestiremos melhor e)ação reguladora dos imperadores durante as
Seremos sempre pobres e nuas trocas comerciais.
E teremos sempre fome e sede
Nunca seremos capazes de ganhar tanto 50 - (ENEM/2011)
Que possamos ter melhor comida. Se a mania de fechar, verdadeiro habitusda
CHRÉTIEN DE TROYES. Yvainou le chevalieraulion (1177- mentalidade medieval nascido talvez de um
1181). Apud MACEDO, J. R.A mulher na Idade Média. São profundo sentimento de insegurança, estava
Paulo: Contexto, 1992 (adaptado).
difundida no mundo rural, estava do mesmo
O tema do trabalho feminino vem sendo modo no meio urbano, pois que uma das
abordado pelos estudos históricos mais características da cidade era de ser limitada
recentes. Algumas fontes são importantes para por portas e por uma muralha.
DUBY, G. et al. “Séculos XIV-XV”. In: ARIÈS, P.; DUBY, G.
essa abordagem, tal como o poema História da vida privada daEuropa Feudal à Renascença. São
apresentado, que alude à Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado).
a)inserção das mulheres em atividades
tradicionalmente masculinas. As práticas e os usos das muralhas sofreram
importantes mudanças no final da Idade

16
Média, quando elas assumiram a função de quer dizer, o Aqui, esse “mundo” imperfeito e
pontos de passagem ou pórticos. Este processo marcado pelo Pecado Original, ao céu, morada
está diretamente relacionado com de Deus.
a)o crescimento das atividades comerciais e (Adaptado de Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt,
“Centro/Periferia”, em Dicionário temático doocidente
urbanas. medieval, v. 2. São Paulo: Edusc, 2002, p. 203.)
b)a migração de camponeses e artesãos.
c)a expansão dos parques industriais e fabris. A partir do texto acima, assinale a alternativa
d)o aumento do número de castelos e feudos. correta.
e)a contenção das epidemias e doenças. a)Usada nas Ciências Humanas para a
compreensão de períodos históricos desde a
51 - (ENEM/2018) Antiguidade, a noção de centro/periferia perdura
Então disse: “Este é o local onde construirei. até a atualidade e estrutura o sistema econômico
Tudo pode chegar aqui pelo Eufrates, o Tigre global contemporâneo.
e uma rede de canais. Só um lugar como este b)As noções de baixo e alto têm um sentido
sustentará o exército e a população geral”. histórico mais preciso para a compreensão da
Assim ele traçou e destinou as verbas para a Cristandade Medieval do que o sistema
sua construção, e deitou o primeiro tijolo com centro/periferia.
sua própria mão, dizendo: “Em nome de Deus, c)O sistema centro/periferia é aplicável ao estudo
e em louvor a Ele. Construí, e que Deus vos da Cristandade Medieval, já que os feudos
abençoe”. constituíam o centro da vida econômica e cultural
AL-TABARI, M. Uma história dos povos árabes. São Paulo:
Cia. das Letras, 1995 (adaptado). naquele contexto.
d)O sistema centro/periferia aplicado durante a
A decisão do califa Al-Mansur (754-775) de Era Medieval espelhava o sistema de orientação
construir Bagdá nesse local orientou-se pela baixo e alto, sendo o baixo o mundo do pecado e
a)disponibilidade de rotas e terras férteis como o alto o mundo da virtude cristã.
base da dominação política.
b)proximidade de áreas populosas como 53 - (UNICAMP SP/2016)
afirmação da superioridade bélica. Reproduz-se, abaixo, trecho de um sermão do
c)submissão à hierarquia e à lei islâmica como bispo Cesário de Arles (470-542), dirigido a
controle do poder real. uma paróquia rural.
d)fuga da península arábica como afastamento
dos conflitos sucessórios. “Vede, irmãos, como quem recorre à Igreja em
e)ocupação de região fronteiriça como contenção sua doença obtém a saúde do corpo e a
do avanço mongol. remissão dos pecados. Se é possível, pois,
encontrar este duplo benefício na Igreja, por
52 - (UNICAMP SP/2018) que há infelizes que se empenham em causar
Estamos acostumados a considerar que o mal a si mesmos, procurando os mais variados
sistema centro/periferia, ao menos no sortilégios: recorrendo a encantadores, a
Ocidente, é um eixo essencial da estrutura e do feitiçarias em fontes e árvores, amuletos,
funcionamento no espaço das economias, das charlatães, videntes e adivinhos?”
(Fonte:
sociedades, das civilizações. O historiador http://www.institutosapientia.com.br/site/index.php?option=co
Fernand Braudel estimou que tal sistema só _content&view=article&id=1397:sao-cesario-de-arles-sermao-
existiu e funcionou plenamente a partir do 13-parauma- paroquia-rural&catid=28: outros-
artigos&Itemid=285.)
século XV. Essa definição não se aplica à
Cristandade Medieval sem importantes
A partir desse sermão, escrito no sul da atual
correções. A noção de centro e a oposição
França, é correto afirmar que:
centro/periferia são menos decisivas que
a)A Igreja Católica assumia funções espirituais e
outros sistemas de orientação espacial. O
deixava à nobreza o cuidado da saúde dos
principal sistema é o que opõe o baixo ao alto,

17
camponeses, através de ordens religiosas e últimos séculos do Império: a vulgarização da
militares. cultura clássica. Essa façanha fundamental da
b)O cristianismo tinha penetrado em todas as Igreja nascente indica seu verdadeiro lugar e
categorias sociais e era interpretado da mesma função na passagem para o Feudalismo. A
forma através da autoridade dos bispos. condição de existência da civilização da
c)Práticas consideradas menos ortodoxas por Antiguidade em meio aos séculos caóticos da
Cesário de Arles ainda encontravam espaço em Idade Média foi o caráter de resistência da
setores da sociedade e a elite da Igreja tentava se Igreja. Ela foi a ponte entre duas épocas.
afirmar como o único acesso ao sagrado. (Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo,
2016. Adaptado.)
d)O avanço do materialismo estava afastando da
Igreja os camponeses, que, com isto, deixavam de
O excerto permite afirmar corretamente que a
pagar os dízimos eclesiásticos.
Igreja cristã
a)tornou-se uma instituição do Império Romano e
54 - (FUVEST SP/2019)
sobreviveu à sua derrocada quando da invasão
Os comentadores do texto sagrado (…)
dos bárbaros germânicos.
reconhecem a submissão da mulher ao homem
b)limitou suas atividades à esfera cultural e evitou
como um dos momentos da divisão hierárquica
participar das lutas políticas durante o
que regula as relações entre Deus, Cristo e a
Feudalismo.
humanidade, encontrando ainda a origem e o
c)manteve-se fiel aos ensinamentos bíblicos e
fundamento divino daquela submissão na cena
proibiu representações de imagens religiosas na
primária da criação de Adão e Eva e no seu
Idade Média.
destino antes e depois da queda.
CASAGRANDE, C., A mulher sob custódia, in: História das d)reconheceu a importância da liberdade religiosa
Mulheres, Lisboa: Afrontamento, 1993, v. 2, p. 122-123. na Europa Ocidental e combateu a teocracia
imperial.
O excerto refere-se à apreensão de e)combateu o universo religioso do Feudalismo e
determinadas passagens bíblicas pela propagou, em meio aos povos sem escrita, o
cristandade medieval, especificamente em paganismo greco-romano.
relação à condição das mulheres na sociedade
feudal. A esse respeito, é correto afirmar: 56 - (UNESP SP/2016)
a)As mulheres originárias da nobreza podiam Eis dois homens a frente: um, que quer servir;
ingressar nos conventos e ministrar os o outro, que aceita, ou deseja, ser chefe. O
sacramentos como os homens de mesma condição primeiro une as mãos e, assim juntas, coloca-as
social. nas mãos do segundo: claro símbolo de
b)A culpabilização das mulheres pela expulsão do submissão, cujo sentido, por vezes, era ainda
Paraíso Terrestre servia de justificativa para sua acentuado pela genuflexão. Ao mesmo tempo,
subordinação social aos homens. a personagem que oferece as mãos pronuncia
c)As mulheres medievais eram impedidas do algumas palavras, muito breves, pelas quais se
exercício das atividades políticas, ao contrário do reconhece “o homem” de quem está na sua
que acontecera no mundo greco-romano. frente. Depois, chefe e subordinado beijam-se
d)As mulheres medievais eram iletradas e tinham na boca: símbolo de acordo e de amizade.
o acesso à cultura e às artes proibido, devido à Eram estes – muito simples e, por isso mesmo,
sua condição social e natural. eminentemente adequados para impressionar
e)A submissão das mulheres medievais aos espíritos tão sensíveis às coisas – os gestos que
homens esteve desvinculada de normatizações serviam para estabelecer um dos vínculos mais
acerca da sexualidade. fortes que a época feudal conheceu.
(Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.)
55 - (UNESP SP/2017)
A Igreja foi responsável direta por mais uma Miniatura do LiberfeudorumCeritaniae, século
transformação, formidável e silenciosa, nos XIII

18
e)a presença de esforços constantes de predição
do futuro, provavelmente oriundos das crenças
dos primeiros habitantes do continente.

58 - (Famerp SP/2016)
Não é mais o templo que distingue a cidade
medieval da cidade antiga, porque muitas
vezes ou o templo foi reutilizado como igreja,
ou então a igreja cristã foi construída sobre o
local do templo. Com a igreja, um elemento
fundamentalmente novo sobreveio. Os sinos
aparecem e se instalam no século VII no
Ocidente. Eles serão ponto de referência na
(www.mcu.es) cidade; em particular na Itália, onde o sino
muitas vezes é instalado não no corpo do
O texto e a imagem referem-se à cerimônia monumento, mas numa torre especial: o
que campanário.
a)consagra bispos e cardeais. (Jacques Le Goff. Por amor às cidades, 1998. Adaptado.)
b)estabelece as relações de vassalagem.
c)estabelece as relações de servidão. O historiador descreve o surgimento da cidade
d)consagra o poder municipal. medieval, assinalando, como um dos seus
e)estabelece as relações de realeza. aspectos fundamentais,
a)o florescimento das atividades econômicas nos
57 - (UNESP SP/2015) pontos de encontro de diversas rotas de comércio.
Os homens da Idade Média estavam b)a autonomia política conquistada por meio de
persuadidos de que a terra era o centro do um processo de luta contra o senhor feudal e a
Universo e que Deus tinha criado apenas um Igreja.
homem e uma mulher, Adão e Eva, e seus c)a onipresença de um poder religioso visível e
descendentes. Não imaginavam que existissem controlador da existência cotidiana da população.
outros espaços habitados. O que viam no céu, o d)a reorganização do espaço urbano com vistas a
movimento regular da maioria dos astros, era manter a tradicional estrutura militar da
a imagem do que havia de mais próximo no antiguidade.
plano divino de organização. e)o deslocamento da população da cidade para as
(Georges Duby. Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos, comunidades de religiosos nos mosteiros.
1998. Adaptado.)
59 - (UFU MG/2018)
O texto revela, em relação à Idade Média Observe a imagem.
ocidental,
a)o prevalecimento de uma mentalidade
fortemente religiosa, indicativa da força e da
influência do cristianismo.
b)a consciência da própria gênese e origem,
resultante das pesquisas históricas e científicas
realizadas na Grécia Antiga.
c)o esforço de compreensão racionalista dos
fenômenos naturais, base do pensamento
humanista.
d)a construção de um pensamento mítico, Pintura medieval de
provavelmente originário dos contatos com povos 1411.<http://brasilescola.uol.com.br/oque- e/historia/o-que-foi-
nativos da Ásia e do Norte da África. a-peste-negra.htm

19
c)Conviviam inúmeras formas de trabalho livre,
Essa pintura retrata um dos fatores que semilivre e escravo no universo europeu e a
contribuíram para a derrocada do sistema sobreposição não era, em si, contraditória.
feudal na Europa Medieval. d)O uso do castigo corporal igualava as escravas
a outros trabalhadores e foi o motivo das
Sobre o contexto abordado, é correto afirmar rebeliões camponesas do período (jacqueries) e
que a rápida disseminação da peste negra agitações urbanas.
decorreu em grande parte em função
a)da circulação de mercadorias na Europa 61 - (FUVEST SP/2016)
totalmente urbanizada. Assim como o camponês, o mercador está a
b)do reforço do sistema servil, que debilitou princípio submetido, na sua atividade
ainda mais os camponeses. profissional, ao tempo meteorológico, ao ciclo
c)da crença na ira divina, que dificultava a cura das estações, à imprevisibilidade das
pela medicina. intempéries e dos cataclismos naturais. Como,
d)do baixo nível nutricional e das precárias durante muito tempo, não houve nesse
condições sanitárias dos indivíduos. domínio senão necessidade de submissão à
ordem da natureza e de Deus, o mercador só
60 - (UNICAMP SP/2016) teve como meio de ação as preces e as práticas
Uma categoria inferior de servidores que supersticiosas. Mas, quando se organiza uma
coexiste nas grandes casas com os domésticos rede comercial, o tempo se torna objeto de
livres são os escravos. Um recenseamento medida. A duração de uma viagem por mar ou
enumera em Gênova, em 1458, mais de 2 mil. por terra, ou de um lugar para outro, o
As mulheres estão em uma proporção problema dos preços que, no curso de uma
esmagadora (97,5%) e 40% não têm ainda 23 mesma operação comercial, mais ainda
anos. São totalmente desamparadas; todos na quando o circuito se complica, sobem ou
casa a repreendem, todos batem nela (patrão, descem _ tudo isso se impõe cada vez mais à
mãe, filhos crescidos) e os testemunhos de sua atenção. Mudança também importante: o
processos em que elas comparecem mostram- mercador descobre o preço do tempo no
nas vivendo, frequentemente no temor de mesmo momento em que ele explora o espaço,
pancadas. Em Gênova e Veneza, a escrava- pois para ele a duração essencial é aquela de
criada é essencial no prestígio das nobres e um trajeto.
ricas matronas. Jacques Le Goff. Para uma outra Idade Média. Petrópolis:
(Adaptado de Charles De laRoncière, “A vida privada dos Vozes, 2013. Adaptado.
notáveis toscanos no limiar daRenascença”, em Georges Duby
(org.), Históriada vida privada - da Europa feudal à O texto associa a mudança da percepção do
Renascença,vol 2. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p.
235-236.) tempo pelos mercadores medievais ao
a)respeito estrito aos princípios do livrecomércio,
Sobre o trabalho nas cidades italianas do que determinavam a obediência às regras
período em questão, podemos afirmar internacionais de circulação de mercadorias.
corretamente que: b)crescimento das relações mercantis, que
a)O declínio da escravidão está ligado ao novo passaram a envolver territórios mais amplos e
conceito antropocêntrico do ser humano e a uma distâncias mais longas.
nova dignidade da condição feminina no final da c)aumento da navegação oceânica, que permitiu o
Idade Média. estabelecimento de relações comerciais regulares
b)O trabalho servil era predominantemente com a América.
feminino e concorria com o trabalho escravo. A d)avanço das superstições na Europa ocidental,
escravidão diminuiu com essa concorrência, que se difundiram a partir de contatos com povos
desdobrando-se no trabalho livre. do leste desse continente e da Ásia.

20
e)aparecimento dos relógios, que foram a)difusão do islamismo no interior dos Reinos
inventados para calcular a duração das viagens Francos e a rápida derrocada do Império fundado
ultramarinas. por Carlos Magno.
b)maior organização militar dos muçulmanos e
62 - (FUVEST SP/2015) seu avanço, nos séculos XV e XVI, sobre o
A cidade é [desde o ano 1000] o principal lugar Império Romano do Oriente.
das trocas econômicas que recorrem sempre c)imediata reação terrorista islâmica, que colocou
mais a um meio de troca essencial: a moeda. em risco o Império britânico na Ásia.
[...] Centro econômico, a cidade é também um d)resistência ininterrupta que os cruzados
centro de poder. Ao lado do e, às vezes, contra enfrentaram nos territórios que passaram a
o poder tradicional do bispo e do senhor, controlar no Irã e Iraque.
frequentemente confundidos numa única e)forte influência árabe que o Ocidente sofreu
pessoa, um grupo de homens novos, os desde então, expressa na gastronomia, na
cidadãos ou burgueses, conquista joalheria e no vestuário.
“liberdades”, privilégios cada vez mais amplos.
Jacques Le Goff. São Francisco de Assis. Rio de Janeiro: 64 - (FUVEST SP/2009)
Record, 2010. Adaptado.
“A Idade Média europeia é inseparável da
civilização islâmica já que consiste
O texto trata de um período em que
precisamente na convivência, ao mesmo tempo
a)os fundamentos do sistema feudal coexistiam
positiva e negativa, do cristianismo e do
com novas formas de organização política e
islamismo, sobre uma área comum
econômica, que produziam alterações na
impregnada pela cultura greco-romana.”
hierarquia social e nas relações de poder. José Ortega y Gasset (1883-1955).
b)o excesso de metais nobres na Europa O texto acima permite afirmar que, na Europa
provocava abundância de moedas, que ocidental medieval,
circulavam apenas pelas mãos dos grandes a)formou-se uma civilização complementar à
banqueiros e dos comerciantes internacionais. islâmica, pois ambas tiveram um mesmo ponto de
c)o anseio popular por liberdade e igualdade partida.
social mobilizava e unificava os trabalhadores b)originou-se uma civilização menos complexa
urbanos e rurais e envolvia ativa participação de que a islâmica devido à predominância da cultura
membros do baixo clero. germânica.
d)a Igreja romana, que se opunha ao acúmulo de c)desenvolveu-se uma civilização que se
bens materiais, enfrentava forte oposição da beneficiou tanto da herança greco-romana quanto
burguesia ascendente e dos grandes proprietários da islâmica.
de terras. d)cristalizou-se uma civilização marcada pela
e)as principais características do feudalismo, flexibilidade religiosa e tolerância cultural.
sobretudo a valorização da terra, haviam sido e)criou-se uma civilização sem dinamismo, em
completamente superadas e substituídas pela virtude de sua dependência de Bizâncio e do
busca incessante do lucro e pela valorização do Islão.
livre comércio.
65 - (UNESP SP/2014)
63 - (FUVEST SP/2011) Mais ou menos a partir do século XI, os
Se o Ocidente procurava, através de suas cristãos organizaram expedições em comum
invasões sucessivas, conter o impulso do Islã, o contra os muçulmanos, na Palestina, para
resultado foi exatamente o inverso. reconquistar os “lugares santos” onde Cristo
tinha morrido e ressuscitado. São as cruzadas
Amin Maalouf, As Cruzadas vistas pelos árabes.São Paulo:
Brasiliense, p.241, 2007. [...]. Os homens e as mulheres da Idade Média
tiveram então o sentimento de pertencer a um
Um exemplo do “resultado inverso” das mesmo grupo de instituições, de crenças e de
Cruzadas foi a hábitos: a cristandade.

21
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, b)substituição de leis, costumes e impostos da
2007.)
região dominada.
c)implantação de um exército armado, constituído
Segundo o texto, as cruzadas
pela população subjugada.
a)contribuíram para a construção da unidade
d)expansão do principado, com migração
interna do cristianismo, o que reforçou o poder da
populacional para o território conquistado.
Igreja Católica Romana e do Papa.
e)distribuição de terras para a parcela do povo
b)resultaram na conquista definitiva da Palestina
dominado, que possui maior poder político.
pelos cristãos e na decorrente derrota e submissão
dos muçulmanos.
67 - (ENEM/2013)
c)determinaram o aumento do poder dos reis e
Hobbes realiza o esforço supremo de atribuir
dos imperadores, uma vez que a derrota dos
ao contrato uma soberania absoluta e
cristãos debilitou o poder político do Papa.
indivisível. Ensina que, por um único e mesmo
d)estabeleceram o caráter monoteísta do
ato, os homens naturais constituem-se em
cristianismo medieval, o que ajudou a reduzir a
sociedade política e submetem-se a um senhor,
influência judaica e muçulmana na Palestina.
a um soberano. Não firmam contrato com esse
e)definiram a separação oficial entre Igreja e
senhor, mas entre si. É entre si que renunciam,
Estado, estipulando funções e papéis diferentes
em proveito desse senhor, a todo o direito e
para os líderes políticos e religiosos.
toda liberdade nocivos à paz.
CHEVALLIER, J. J. As grandes obras políticas de Maquiavel
a nossos dias.Rio de Janeiro: Agir, 1995 (adaptado).

HISTÓRIA MODERNA A proposta de organização da sociedade


apresentada no texto encontra-se
fundamentada na
66 - (ENEM/2014) a)imposição das leis e na respeitabilidade ao
Outro remédio eficiente é organizar colónias, soberano.
em alguns lugares, as quais virão a ser como b)abdicação dos interesses individuais e na
grilhões impostos à província, porque isto é legitimidade do governo.
necessário que se faça ou deve-se lá ter muita c)alteração dos direitos civis e na
força de armas. Não é muito que se gasta com representatividade do monarca.
as colónias, e, sem despesa excessiva, podem d)cooperação dos súditos e na legalidade do
ser organizadas e mantidas. Os únicos que poder democrático.
terão prejuízos com elas serão os de quem se e)mobilização do povo e na autoridade do
tomam os campos e as moradias para se darem parlamento.
aos novos habitantes. Entretanto, os
prejudicados serão a minoria da população do 68 - (ENEM/2012)
Estado, e dispersos e reduzidos à penúria, Que é ilegal a faculdade que se atribui à
nenhum dano trarão ao príncipe, e os que não autoridade real para suspender as leis ou seu
foram prejudicados terão, por isso, que se cumprimento.
aquietarem, temerosos de que o mesmo lhes
suceda. Que é ilegal toda cobrança de impostos para a
MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Martins Fontes, Coroa sem o concurso do Parlamento, sob
2010. pretexto de prerrogativa, ou em época e modo
diferentes dos designados por ele próprio.
Em O príncipe, Maquiavel apresenta conselhos
para a manutenção do poder político, como o Que é indispensável convocar com frequência
deste trecho, que tem como objeto a o Parlamento para satisfazer os agravos, assim
a)transferência dos inimigos da metrópole para como para corrigir, afirmar e conservar as
a colônia. leis.

22
(Declaração de Direitos. Disponível em: e)a importância da vestimenta para a constituição
http://disciplinas.stoa.usp.br. Acesso em: 20 dez 2011 –
Adaptado) simbólica do rei, pois o corpo político adornado
esconde os defeitos do corpo pessoal.
No documento de 1689, identifica-se uma
particularidade da Inglaterra diante dos 70 - (ENEM/2012)
demais Estados europeus na Época Moderna. TEXTO I
A peculiaridade inglesa e o regime político que
predominavam na Europa continental estão O Estado sou eu.
indicados, respectivamente, em: Frase atribuída a Luís XIV, Rei Sol, 1638-
a)Redução da influência do papa – Teocracia. 1715. Disponível em:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br. Acesso em: 30 nov. 2011.
b)Limitação do poder do soberano –
Absolutismo.
TEXTO II
c)Ampliação da dominação da nobreza –
República.
A nação é anterior a tudo. Ela é a fonte de
d)Expansão da força do presidente –
tudo. Sua vontade é sempre legal; na verdade é
Parlamentarismo.
a própria lei.
e)Restrição da competência do congresso – SIEYÈS, E-J. O que é o Terceiro Estado. Apud. ELIAS, N. Os
Presidencialismo. alemães: a luta pelo poder e aevolução do habitus nos séculos
XIX e XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
69 - (ENEM/2012)
Os textos apresentados expressam alteração na
relação entre governantes e governados na
Europa. Da frase atribuída ao rei Luís XIV até
o pronunciamento de Sieyès, representante das
classes médias que integravam o Terceiro
Estado Francês, infere-se uma mudança
decorrente da
a)ampliação dos poderes soberanos do rei,
considerado guardião da tradição e protetor de
(Charge anônima. BURKE, P. A fabricação do rei. Rio de seus súditos e do Império.
Janeiro: Zahar, 1994.)
b)associação entre vontade popular e nação,
composta por cidadãos que dividem uma mesma
Na França, o rei Luís XIV teve sua imagem
cultura nacional.
fabricada por um conjunto de estratégias que
c)reforma aristocrática, marcada pela adequação
visavam sedimentar uma determinada noção
dos nobres aos valores modernos, tais como o
de soberania. Neste sentido, a charge
princípio do mérito.
apresentada demonstra
d)organização dos Estados centralizados,
a)a humanidade do rei, pois retrata um homem
acompanhados pelo aprofundamento da eficiência
comum, sem os adornos próprios à vestimenta
burocrática.
real.
e)crítica ao movimento revolucionário, tido como
b)a unidade entre o público e o privado, pois a
ilegítimo em meio à ascensão popular conduzida
figura do rei com a vestimenta real representa o
pelo ideário nacionalista.
público e sem a vestimenta real, o privado.
c)o vínculo entre monarquia e povo, pois leva ao
71 - (ENEM/2010)
conhecimento do público a figura de um rei
O príncipe, portanto, não deve se incomodar
despretensioso e distante do poder político.
com a reputação de cruel, se seu propósito é
d)o gosto estético refinado do rei, pois evidencia
manter o povo unido e leal. De fato, com uns
a elegância dos trajes reais em relação aos de
poucos exemplos duros poderá ser mais
outros membros da corte.
clemente do que outros que, por muita

23
piedade, permitem os distúrbios que levem ao Cristóvão Colombo. Carta a Santangel, 1493. In: TODOROV,
T. A Conquista da América:a questão do outro. São Paulo:
assassínio e ao roubo. Martins Fontes, 1996.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe,São Paulo: Martin Claret, 2009.

O processo de nomeação e renomeação


No século XVI, Maquiavel escreveu O
realizado pelos europeus no contexto da
Príncipe, reflexão sobre a Monarquia e a
conquista da América expressa
função do governante.
a)a valorização da natureza americana, uma vez
A manutenção da ordem social, segundo esse
que ela era considerada por europeus o prémio
autor, baseava-se na
pela conquista e colonização.
a)inércia do julgamento de crimes polêmicos.
b)o desejo de estabelecer comunicação com os
b)bondade em relação ao comportamento dos
indígenas, uma vez que a busca pelo ouro
mercenários.
dependia do contato com os nativos.
c)compaixão quanto à condenação de
c)a tomada de posse do Novo Mundo, uma vez
transgressões religiosas.
que renomear era impor aos povos indígenas os
d)neutralidade diante da condenação dos servos.
signos culturais europeus.
e)conveniência entre o poder tirânico e a moral
d)o caráter sagrado da América, uma vez que fora
do príncipe.
considerada pelos europeus o paraíso terrestre em
virtude da bondade dos nativos.
72 - (ENEM/2014)
e)a necessidade de orientação geográfica, uma
Todo homem de bom juízo, depois que tiver
vez que o ato de nomear permitia criar mapas
realizado sua viagem, reconhecerá que é um
para futuras viagens na América.
milagre manifesto ter podido escapar de todos
os perigos que se apresentam em sua
74 - (ENEM/2013)
peregrinação; tanto mais que há tantos outros
TEXTO I
acidentes que diariamente podem aí ocorrer
que seria coisa pavorosa àqueles que aí
O Heliocentrismo não é o “meu sistema”, mas
navegam querer pô-los todos diante dos olhos
a Ordem de Deus.
quando querem empreender suas viagens. COPÉRNICO, N. As revoluções dos orbes celestes
J. P. T. Histoire de plusieursvoyagesaventureux. 1600. In: [1543].Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1984.
DELUMEAU, J. História do medo no Ocidente: 1300-1800.
São Paulo: Cia. das Letras, 2009 (adaptado).
TEXTO II
Esse relato, associado ao imaginário das
viagens marítimas da época moderna, Não vejo nenhum motivo para que as ideias
expressa um sentimento de expostas neste livro (A origem das espécies) se
a)gosto pela aventura. choquem com as ideias religiosas.
DARWIN, C. A origem das espécies [1859]. São Paulo: Escala,
b)fascínio pelo fantástico. 2009.
c)temor do desconhecido.
d)interesse pela natureza. Os textos expressam a visão de dois
e)purgação dos pecados. pensadores — Copérnico e Darwin — sobre a
questão religiosa e suas relações com a ciência,
73 - (ENEM/2014) no contexto histórico de construção e
À primeira vista que encontrei as ilhas, dei o consolidação da Modernidade. A comparação
nome de San Salvador, em homenagem à Sua entre essas visões expressa, respectivamente:
Alta Majestade, que maravilhosamente deu- a)Articulação entre ciência e fé — pensamento
me tudo isso. Os índios chamam esta ilha de científico independente.
Guanaani. À segunda ilha dei o nome de Santa b)Poder secular acima do poder religioso —
Maria de Concepción, à terceira, Fernandina, defesa dos dogmas católicos.
à quarta, Isabela, à quinta, Juana, e assim a c)Ciência como área autônoma do saber — razão
cada uma delas dei um novo nome. humana submetida à fé.

24
d)Moral católica acima da protestante — problemática cara no século XVII. A
subordinação da ciência à religião. declaração de Galileu defende que
e)Autonomia do pensamento religioso — a)a bíblia, por registrar literalmente a palavra
fomento à fé por meio da ciência. divina, apresenta a verdade dos fatos naturais,
tornando-se guia para a ciência.
75 - (ENEM/2012) b)o significado aparente daquilo que é lido acerca
Não ignoro a opinião antiga e muito difundida da natureza na bíblia constitui uma referência
de que o que acontece no mundo é decidido primeira.
por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito c)as diferentes exposições quanto ao significado
aceita em nossos dias, devido às grandes das palavras bíblicas devem evitar confrontos
transformações ocorridas, e que ocorrem com os dogmas da Igreja.
diariamente, as quais escapam à conjectura d)a bíblia deve receber uma interpretação literal
humana. Não obstante, para não ignorar porque, desse modo, não será desviada a verdade
inteiramente o nosso livre arbítrio, creio que se natural.
pode aceitar que a sorte decida metade dos e)os intérpretes precisam propor, para as
nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite passagens bíblicas, sentidos que ultrapassem o
o controle sobre a outra metade. significado imediato das palavras.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979
(adaptado).
77 – (FUVEST/2001)
"É praticamente impossível treinar todos os
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o
súditos de um [Estado] nas artes da guerra e
exercício do poder em seu tempo. No trecho
ao mesmo tempo mantê-los obedientes às leis e
citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu
aos magistrados."
pensamento político e o humanismo (Jean Bodin, teórico do absolutismo, em 1578).
renascentista ao
a)valorizar a interferência divina nos Essa afirmação revela que a razão principal de
acontecimentos definidores do seu tempo. as monarquias européias recorrerem ao
b)rejeitar a intervenção do acaso nos processos recrutamento de mercenários estrangeiros, em
políticos. grande escala, devia-se à necessidade de:
c)afirmar a confiança na razão autônoma como a) conseguir mais soldados provenientes da
fundamento da ação humana. burguesia, a classe que apoiava o rei.
d)romper com a tradição que valorizava o b) completar as fileiras dos exércitos com
passado como fonte de aprendizagem. soldados profissionais mais eficientes.
e)redefinir a ação política com base na unidade c) desarmar a nobreza e impedir que esta
entre fé e razão. liderasse as demais classes contra o rei.
d) manter desarmados camponeses e
76 - (ENEM/2012) trabalhadores urbanos e evitar revoltas.
Assentado, portanto, que a Escritura, em e) desarmar a burguesia e controlar a luta de
muitas passagens, não apenas admite, mas classes entre esta e a nobreza.
necessita de exposições diferentes do
significado aparente das palavras, parece-me 78 – (UNICAMP/2018)
que, nas discussões naturais, deveria ser Na formação das monarquias confessionais da
deixada em último lugar. Época Moderna houve reforço das identidades
GALILEI, G. Carta a Dom Benedetto Castelli. In: Ciência e territoriais, em função de critérios de caráter
fé: cartas de Galileu sobre oacordo do sistema copernicano
com a Bíblia. São Paulo: Unesp, 2009 (adaptado). religioso ou confessional. Simultaneamente,
houve uma progressiva incorporação da Igreja
O texto, extraído da carta escrita por Galileu ao corpo do Estado, através de medidas de
(1564-1642) cerca de trinta anos antes de sua caráter patrimonial e jurisdicional que
condenação pelo Tribunal do Santo Ofício, procuravam uma maior sujeição das
discute a relação entre ciência e fé, estruturas e agentes eclesiásticos ao poder do

25
príncipe. Na busca pela homogeneização da fé b)o alcance da expansão marítima portuguesa da
dentro de um território político, a Igreja Idade Moderna aos processos de colonização da
cumpria também papel fundamental na Antiguidade Clássica: enquanto o domínio grego
formação do Estado moderno por meio de seus e romano se limitava ao mar Mediterrâneo, o
mecanismos de disciplinamento social dos domínio português expandiu-se pelos oceanos
comportamentos. Atlântico e Índico.
(Adaptado de Frederico Palomo, A Contra-Reforma em c)a localização geográfica das possessões
Portugal, 1540-1700. Lisboa: Livros Horizonte, 2006, p.52.)
coloniais dos impérios antigos e modernos: as
cidades-estado gregas e depois o Império
Considerando o texto acima e seus
Romano se limitaram a expandir seus domínios
conhecimentos sobre a Europa Moderna,
pela Europa, ao passo que Portugal fundou
assinale a alternativa correta.
colônias na costa do norte da África.
a) Cada monarquia confessional adotou uma
d)a duração dos impérios antigos e modernos:
identidade religiosa e medidas repressivas em
enquanto o domínio de gregos e romanos sobre os
relação às dissidências religiosas que poderiam
mares teve um fim com as guerras do Peloponeso
ameaçar tal unidade.
e Púnicas, respectivamente, Portugal figurou
b) Monarquias confessionais são aquelas
como a maior potência marítima até a
unidades políticas nas quais havia a convivência
independência de suas colônias.
pacífica de duas ou mais confissões religiosas,
num mesmo território.
80 - (FUVEST SP/2012)
c) São consideradas monarquias confessionais os
Deve-se notar que a ênfase dada à faceta
territórios protestantes que se mostravam mais
cruzadística da expansão portuguesa não
propícios ao desenvolvimento do capitalismo
implica, de modo algum, que os interesses
comercial, tornando-se, assim, nações
comerciais estivessem dela ausentes – como
enriquecidas.
tampouco o haviam estado das cruzadas do
d) As monarquias confessionais contavam com a
Levante, em boa parte manejadas e
instituição do Tribunal do Santo Ofício da
financiadas pela burguesia das repúblicas
Inquisição em seu território, uma forma de
marítimas da Itália. Tão mesclados andavam
controle cultural sobre religiões politeístas.
os desejos de dilatar o território cristão com as
aspirações por lucro mercantil que, na sua
79 - (UNICAMP SP/2011)
oração de obediência ao pontífice romano, D.
Referindo-se à expansão marítima dos séculos
João II não hesitava em mencionar entre os
XV e XVI, o poeta português Fernando Pessoa
serviços prestados por Portugal à cristandade
escreveu, em 1922, no poema “Padrão”:
o trato do ouro da Mina, “comércio tão santo,
tão seguro e tão ativo” que o nome do
“E ao imenso e possível oceano
Salvador, “nunca antes nem de ouvir dizer
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
conhecido”, ressoava agora nas plagas
Que o mar com fim será grego ou romano:
africanas…
O mar sem fim é português.” Luiz Felipe Thomaz, “D. Manuel, a Índia e o Brasil”. Revista
(Fernando Pessoa, Mensagem – poemas esotéricos. Madri: deHistória (USP), 161, 2º Semestre de 2009, p.16-17.
ALLCA XX, 1997, p. 49.) Adaptado.

Nestes versos identificamos uma comparação Com base na afirmação do autor, pode-se
entre dois processos históricos. É válido dizer que a expansão portuguesa dos séculos
afirmar que o poema compara XV e XVI foi um empreendimento
a)o sistema de colonização da Idade Moderna aos a) puramente religioso, bem diferente das
sistemas de colonização da Antiguidade Clássica: cruzadas dos séculos anteriores, já que essas
a navegação oceânica tornou possível aos eram, na realidade, grandes empresas comerciais
portugueses o tráfico de escravos para suas financiadas pela burguesia italiana.
colônias, enquanto gregos e romanos utilizavam
servos presos à terra.

26
b)ao mesmo tempo religioso e comercial, já que demonstrando o papel central, em ambos, dos
era comum, à época, a concepção de que a países ibéricos.
expansão da cristandade servia à expansão e)relaciona a expansão marítima dos séculos XV
econômica e vice-versa. e XVI com o atual contexto de globalização,
c)por meio do qual os desejos por expansão ressalvando, porém, que são processos históricos
territorial portuguesa, dilatação da fé cristã e distintos.
conquista de novos mercados para a economia
europeia mostrar-se-iam incompatíveis. 82 - (FUVEST SP/2009)
d)militar, assim como as cruzadas dos séculos “Da armada dependem as colônias, das
anteriores, e no qual objetivos econômicos e colônias depende o comércio, do comércio, a
religiosos surgiriam como complemento apenas capacidade de um Estado manter exércitos
ocasional. numerosos, aumentar a sua população e
e)que visava, exclusivamente, lucrar com o tornar possíveis as mais gloriosas e úteis
comércio intercontinental, a despeito de, empresas.”
oficialmente, autoridades políticas e religiosas Essa afirmação do duque de Choiseul (1719-
afirmarem que seu único objetivo era a expansão 1785) expressa bem a natureza e o caráter do
da fé cristã. a)liberalismo.
b)feudalismo.
81 - (UNESP SP/2015) c)mercantilismo.
Que significa o advento do século XVI? [...] Se d)escravismo.
essa passagem de século tem hoje um sentido e)corporativismo.
para nós, um sentido que talvez não tinha nos
séculos anteriores, é porque vemos que aí é que 83 - (UNESP SP/2008)
surgem as primícias da globalização. E essa O Mercantilismo é entendido como um
globalização é mais que um processo de conjunto de práticas, adotadas pelo Estado
expansão de origem ibérica, mesmo se o papel absolutista na época moderna, com o objetivo
da península foi dominante. [...] Em 1500, de obter e preservar riqueza. A concepção
ainda estamos bem longe de uma economia predominante parte da premissa de que a
mundial. No limiar do século XVI, a riqueza da nação é determinada pela
globalização corresponde ao fato de setores do quantidade de ouro e prata que ela possui.
mundo que se ignoravam ou não se (www.historianet.com.br. Acessado em 03.03.2008.)
frequentavam diretamente serem postos em
contato uns com os outros. Na busca de tais objetivos, os estados
(Serge Gruzinski. A passagem do século: 1480-1520, 1999.) europeus, na época moderna,
a)adotaram políticas intervencionistas, regulando
O texto o funcionamento da economia, como o
a)defende a ideia de que a expansão marítima dos protecionismo.
séculos XV e XVI tenha provocado a b)suprimiram por completo a propriedade privada
globalização, pois tal expansão eliminou as da terra, submetendo-a ao interesse maior da
fronteiras nacionais. nação.
b)rejeita a ideia de que a expansão marítima dos c)ampliaram a liberdade de ação dos agentes
séculos XV e XVI tenha provocado a econômicos, vistos como responsáveis pela
globalização, pois muitos povos do mundo se prosperidade nacional.
desconheciam. d)determinaram o fim da livre iniciativa,
c)identifica a expansão marítima dos séculos XV monopolizando as atividades econômicas rurais e
e XVI com o atual contexto de globalização, urbanas.
destacando, em ambos, a completa e)buscaram a formação de uniões alfandegárias
internacionalização da economia. que levassem a prosperidade aos países
d)compara a expansão marítima dos séculos XV e envolvidos.
XVI com o atual contexto de globalização,

27
84 - (UNICAMP SP/2014) O fragmento citado é parte do texto “Leviatã
À medida que as maneiras se refinam, tornam- ou matéria, Forma e Poder de um Estado
se distintivas de uma superioridade: não é por Eclesiástico e Civil” de Thomas Hobbes,
acaso que o exemplo parece vir de cima e, logo, considerado o primeiro filósofo moderno a
é retomado pelas camadas médias da articular uma teoria detalhada do contrato
sociedade, desejosas de ascender socialmente. social.
É exibindo os gestos prestigiosos que os Nesse sentido, argumenta-se que Hobbes:
burgueses adquirem estatuto nobre. O ser de a)Defendia a concepção da Monarquia
um homem se confunde com a sua aparência. Parlamentar.
Quem age como nobre é nobre. b)Defendia a concepção da Monarquia Absoluta.
(Adaptado de Renato Janine Ribeiro, A Etiqueta no Antigo c)Defendia a concepção da Monarquia
Regime. São Paulo: EditoraModerna, 1998, p. 12.)
Constitucional.
d)Defendia a concepção da República
O texto faz referência à prática da etiqueta na
Presidencial.
França do século XVIII. Sobre o tema, é
e)Defendia a concepção da República Federativa.
correto afirmar que:
a)A etiqueta era um elemento de distinção social
86 - (UNITAU SP/2017)
na sociedade de corte e definia os lugares
“O Absolutismo é um conceito histórico que se
ocupados pelos grupos próximos ao rei.
refere à forma de governo em que o poder é
b)O jogo das aparências era uma forma de
centralizado na figura do monarca, que o
disfarçar os conluios políticos da aristocracia,
transmite hereditariamente. Esse sistema foi
composta por burgueses e nobres, e negar
específico da Europa nos séculos XVI a XVII.
benefícios ao Terceiro Estado.
Assim, não podemos falar de um Absolutismo
c)Os sans-culottes imitavam as maneiras da
chinês ou africano, pois devemos sempre ter
nobreza, pois isso era uma forma de adquirir
em mente que os conceitos são construídos
refinamento e tornar-se parte do poder econômico
para determinado momento e lugar na história
no estado absolutista.
e não podem ser aplicados para outras
d)Durante o século XIX, a etiqueta deixou de ser
realidades de forma indiscriminada”.
um elemento distintivo de grupos sociais, pois SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de Conceitos
houve a abolição da sociedade de privilégios. Históricos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 11.

85 - (UFGD MS/2017) Sobre o absolutismo, pode-se afirmar:


“Diz-se que um Estado foi instituído quando a)O surgimento do absolutismo se deu com a
uma multidão de homens concordam e unificação dos Estados nacionais na Europa
pactuam, cada um com cada um dos outros, ocidental, no início da Idade Moderna, que foi
que a qualquer homem ou assembleia de realizada a partir da descentralização de poder
homens aquém seja atribuído pela maioria o dos soberanos.
direito de representar a pessoa de todos eles b)Durante a Idade Média, os monarcas feudais
(ou seja, de ser seu representante), todos sem dividiam o poder com os grandes senhores de
exceção, tanto os que votaram a favor dele terra, mas, com a formação dos Estados
como os que votaram contra ele, deverão nacionais, iniciou-se um processo de crescimento
autorizar todos os atos e decisões desse homem do poder desses senhores.
ou assembleia de homens, tal como se fossem c)O Estado centralizado surgiu interligado aos
seus próprios atos e decisões, a fim de viverem conflitos políticos entre nobreza e burguesia,
em paz uns com os outros e serem protegidos característicos desse momento histórico, além das
dos restantes homens”. disputas políticas entre os príncipes e a Igreja
(HOBBES, Thomas. Leviatã ou matéria, Forma e Poder de um Católica, visto que o Papado, durante toda a Idade
Estado Eclesiástico e Civil. São Paulo: Nova Cultural, 1988. p.
107). Média, foi uma considerável força na Europa
ocidental.

28
d)Nesse processo, ocorreu a separação entre lei?” Menocchio respondeu: “Senhor, eu penso
política e religião, aspecto enfatizado na França, que cada um acha que sua fé seja a melhor,
em que houve a instalação de um Estado laico, mas não se sabe qual é a melhor; mas, porque
fato que fortaleceu o poder absoluto da meu avô, meu pai e os meus são cristãos, eu
monarquia. quero continuar cristão e acreditar que essa
e)Na Inglaterra, o absolutismo prosperou, de seja a melhor fé”.
forma que a monarquia se manteve até a Carlo Ginzburg. O queijo e os vermes. São Paulo:Companhia
das Letras, 1987, p. 113.
atualidade.
O texto apresenta o diálogo de um inquisidor
87 - (UFU MG/2016)
com um homem (Menocchio) processado, em
A tranquilidade dos súditos só se encontra na
1599, pelo Santo Ofício. A posição de
obediência. [...] Sempre é menos ruim para o
Menocchio indica
público suportar do que controlar incluso o
a)uma percepção da variedade de crenças,
mau governo dos reis, do qual Deus é único
passíveis de serem consideradas, pela Igreja
juiz. Aquilo que os reis parecem fazer contra a
Católica, como heréticas.
lei comum funda-se, geralmente, na razão de
b)uma crítica à incapacidade da Igreja Católica de
Estado, que é a primeira das leis, por
combater e eliminar suas dissidências internas.
consentimento de todo mundo, mas que é, no
c)um interesse de conhecer outras religiões e
entanto, a mais desconhecida e a mais obscura
formas de culto, atitude estimulada, à época, pela
para todos aqueles que não governam.
LUÍS XIV, Rei da França. Memorias. (Versão espanhola de Igreja Católica.
Aurelio Garzón delCamino).México: Fondo de Cultura d)um apoio às iniciativas reformistas dos
Económica, 1989. p. 28-37 (Adaptado). protestantes, que defendiam a completa liberdade
de opção religiosa.
As palavras do rei Luís XIV exemplificam um e)uma perspectiva ateísta, baseada na sua
complexo e longo processo sociopolítico, experiência familiar.
identificado com o que comumente chamamos
de Idade Moderna e que podia ser 89 - (UFU MG/2013)
caracterizado Se alguém disser que a todo pecador penitente,
a)por um crescente deslocamento do poder que recebeu a graça da justificação, é de tal
político da burguesia, que passou a ver a ascensão modo perdoada a ofensa e desfeita e abolida a
da nobreza feudal, cada vez mais próxima do obrigação à pena eterna, que não lhe fica
poder e ocupando importantes cargos políticos. obrigação alguma de pena temporal a pagar,
b)pela centralização administrativa sobre os seja neste mundo ou no outro, purgatório,
particularismos locais e pela crescente unificação antes que lhe possam ser abertas as portas
territorial, ainda que os senhores de terra não para o reino dos céus – seja excomungado.
perdessem inteiramente seus privilégios. Concílio de Trento. Sessão VI. Cânon XXX. Salvação. 13 de
c)pelo fortalecimento do poder político da Igreja janeiro de 1547.
Católica, resultado de um processo de crescente
mercantilização de suas terras e de sua Em meio às disputas religiosas ocorridas no
consequente adequação ao mercado. século XVI, o texto expressa
d)pelo processo de cercamento dos campos, com a)o rompimento da unidade cristã em
o consequente fortalecimento da nobreza feudal, a contraposição à autoridade espiritual do rei
qual, com os altos impostos que pagava, revelada em suas ações.
contribuiu decisivamente para o fortalecimento b)a concepção do poder da Igreja na mediação
do poder real. entre o homem e Deus, em detrimento da fé
individual e direta em Jesus Cristo.
88 - (FUVEST SP/2013) c)o amplo reconhecimento da predestinação do
“O senhor acredita, então”, insistiu o homem, em objeção ao fortalecimento do livre
inquisidor, “que não se saiba qual a melhor arbítrio no caminho da fé.

29
d)a defesa da insuficiência da penitência
sacramental, em oposição à supressão das obras a)edição de material filosófico crítico à fé cristã.
de piedade e às indulgências. b)criação do primeiro jornal evangélico diário.
c)publicação de novelas religiosas populares.
90 - (UEG GO/2018) d)divulgação de produtos e serviços bíblicos.
Leia o texto a seguir: e)impressão da Bíblia em alemão.

Por ter tido educação protestante, nunca achei 92 - (FM Petrópolis RJ/2017)
que 31 de outubro é o dia das bruxas. Sempre A respeito das relações entre o Renascimento e
foi o dia em que Lutero, em 1517, começou o Cristianismo na Europa, os professores
uma revolução. Francisco Falcon e Edmilson Rodrigues
LEITÃO, Míriam. Disponível em: <blogs.oglobo.com/miriam- escreveram:
leitao/post/os-500-anos-da-reforma-protestante-que-abalou-o-
mundo.html>. Acesso em: 18 ago. 2017.
Não buscavam os humanistas o caminho até
No ano de 2017, completam-se 500 anos da Deus pelo desespero, como Lutero, e muito
eclosão da Reforma Protestante. Do ponto de menos concordavam com o servo-arbítrio.
vista histórico, a Reforma pode ser Além disso, desaprovavam a violência e os
considerada uma revolução cismas, o que explicava por que grandes
a)estética, pois foi a matriz ideológica da intelectuais se recusaram a aderir à Reforma.
concepção barroca de mundo que se manifestou Essa atitude dos humanistas, como Erasmo e
nos países ibéricos. Morus, acabou por criar uma terceira via para
b)política, pois permitiu a centralização a crise que se apresentava sob a forma de uma
monárquica absolutista, ao legitimar a tese do renovação das doutrinas e dos sentimentos
direito divino dos reis europeus. diante do mundo. A utopia foi uma das
c)econômica, pois, com os puritanos, difundiu-se representações dessa terceira via. Nesse
uma nova mentalidade econômica que gerou o sentido, o luteranismo e o calvinismo, no que
capitalismo. se referem à doutrina, são anti-humanistas.
FALCON, F.; RODRIGUES, A. E. A formação do mundo
d)social, pois legitimou as aspirações moderno. A construção do Ocidente dos séculos XIV ao XVIII.
revolucionárias dos camponeses europeus na luta Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. p. 130.
contra a aristocracia.
e)intelectual, pois foi difusora do pensamento As ideias apresentadas pelos autores no trecho
científico iluminista por meio de intelectuais acima, a respeito do contexto das divergências
protestantes, como é o caso de Voltaire. teológicas do século XVI, apontam para o fato
de que o(a)
91 - (FATEC SP/2018) a)Luteranismo é uma doutrina em tudo oposta ao
Leia o texto. Calvinismo.
b)Renascimento deve ser interpretado como
A Reforma Protestante jamais teria ocorrido pertencendo à teologia católica.
se, antes, a imprensa de Gutenberg não tivesse c)Humanismo não caracterizou apenas os
sido criada. “Lutero teria usado o Twitter e o reformadores protestantes.
Facebook de uma maneira exaustiva se as d)Reforma protestante se opôs às ideias do
redes existissem”, analisa o escritor Benjamin classicismo grego.
Hasselhorn. “Ele tinha um desespero enorme e)Utopia foi um movimento de reafirmação das
por fazer chegar suas convicções aos fiéis”, doutrinas anglicanas.
comentou.
<https://tinyurl.com/yatbezyk> Acesso em: 02.11.2017.

Historicamente, a relação que o texto


estabelece entre Martinho Lutero e a imprensa
de Gutenberg se evidencia, principalmente, na

30
93 - (UNICAMP SP/2019) arquitetura e engenharia. Na elaboração do
Leia o texto a seguir e observe a figura do desenho do Homem Vitruviano, ele comprovou
Homem Vitruviano. esta hipótese.

Ao longo da vida, cada vez mais, Leonardo da Questão 94 - (UNICAMP SP/2019)


Vinci passou a perceber que a matemática era Antes de Copérnico, Kepler e Galileu, os
a chave para transformar suas observações em cosmólogos elaboravam sistemas que
teorias. Não existe certeza na ciência em que a representavam os corpos celestes por meio de
matemática não possa ser aplicada, declarou. esferas encaixadas umas nas outras, propostas
(Adaptado de Walter Isaacson, Leonardo da Vinci. Rio de e desenvolvidas por Eudoxo e Aristóteles, de
Janeiro: Intrínseca, 2017, p. 52.)
modo a distinguir os mundos celeste e
terrestre. É nesse contexto, caracterizado pela
tese de que o cosmo é composto de dois
mundos distintos (céu e Terra), e pelo axioma
platônico, que deve ser entendido o conteúdo
da carta de Kepler (1604). Ele apresenta uma
etapa do processo de rompimento com essa
distinção e com o axioma platônico. Na carta,
Kepler apresenta os procedimentos para obter
as duas primeiras leis dos movimentos
planetários. A importância disso é tão grande
que a segunda lei aparece antes da primeira, e
a lei das áreas só se torna operante numa
órbita elíptica, não podendo ser aplicada às
O Homem Vitruviano, Leonardo Da Vinci, 1490.
órbitas circulares sem produzir discrepâncias
Assinale a alternativa que expressa com relação aos dados observacionais de
adequadamente a correlação entre o texto e a TychoBrahe.
(Adaptado de Claudemir Roque Tossato, Os primórdios da
imagem. primeira lei dos movimentosplanetários na carta de 14 de
dezembro de 1604 de Kepler a Mästlin. ScientiaeStudia,
SãoPaulo, v. 1, n. 2,p. 199-201, jun. 2003.)
a)Figura emblemática do Renascimento,
Leonardo da Vinci destaca-se pela sua obra
pictórica e por seu desenho do Homem Considerando o contexto histórico descrito e as
Vitruviano. Para ele, arte e ciência se baseavam leis físicas apresentadas por Kepler, assinale a
nas relações análogas entre homem e natureza alternativa correta.
preconizadas pela alquimia.
b)O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci a)Copérnico, Kepler e Galileu fazem parte da
condensa uma série de estudos do artista, e chamada Revolução Científica que rompe com
mesmo a leitura de uma cópia manuscrita da obra leituras especulativas do Universo, baseadas em
de Vitrúvio. O desenho sintetiza uma relação premissas aristotélicas e tomistas, e propõe
harmônica entre homem e mundo pautada pela análises empiristas do mundo natural. O conceito
analogia geométrica. de órbitas circulares para o movimento dos
c)Na linhagem dos artistas-arquitetos-engenheiros planetas em torno do Sol, em que a distância
renascentistas, Leonardo da Vinci dedicou-se ao entre o planeta e o Sol permanece constante
estudo da perspectiva e especialmente da durante o movimento, foi abandonado por Kepler.
aritmética, buscando harmonizar as relações entre b)A Revolução Científica da época Moderna
o homem e Deus no Homem Vitruviano. propõe a ruptura com o ideal divino, sendo, por
d)Leitor assíduo da física newtoniana, Leonardo isso, combatida pela Igreja Católica, que defendia
da Vinci reconhecia que tanto a aritmética quanto a orquestração divina sobre o mundo humano e
a geometria poderiam ser usadas na arte, natural. O conceito de órbitas circulares para o
movimento dos planetas em torno do Sol, em que

31
a distância entre o planeta e o Sol é variável culminaram nas Reformas Calvinista, Luterana,
durante o movimento, foi abandonado por Kepler. Anglicana e finalmente no movimento da
c)Copérnico, Kepler e Galileu foram perseguidos Contrarreforma, que defendeu a fé protestante
pela Igreja Católica do período Moderno, por contra seus inimigos.
representarem o questionamento dos ideais
medievais sobre a organização do céu e da Terra 96 - (UFU MG/2011)
e sobre a onipresença divina. O conceito de Observe a imagem e leia o texto abaixo.
órbitas circulares para o movimento dos planetas
em torno do Sol, para as quais a distância entre o
planeta e o Sol é variável durante o movimento,
foi abandonado por Kepler.
d)A Revolução Científica da época Moderna,
incentivada pela Igreja Católica, propõe a
manutenção do antropocentrismo medieval,
associado aos conhecimentos empíricos para a
leitura e representação do mundo natural. O
conceito de órbitas circulares para o movimento
dos planetas em torno do Sol, para as quais a
distância entre o planeta e o Sol permanece
constante durante o movimento, foi abandonado
por Kepler.

95 - (UNICAMP SP/2012)
De uma forma inteiramente inédita, os O homem Vitruviano (1460) – Leonardo da Vinci
humanistas, entre os séculos XV e XVI,
criaram uma nova forma de entender a [...] Podemos dizer sem exagero que no
realidade. Magia e ciência, poesia e filosofia Renascimento a humanidade começou a se
misturavamse e auxiliavam-se, numa libertar das condições que lhe eram impostas
sociedade atravessada por inquietações pela natureza. O homem deixou de ser apenas
religiosas e por exigências práticas de todo uma parte da natureza. A natureza passou a
gênero. ser algo que se podia usar e explorar. ‘Saber é
(Adaptado de Eugenio Garin, Ciência e vida civil no poder’, dizia o filósofo inglês Francis Bacon,
Renascimentoitaliano. São Paulo: Ed. Unesp, 1994, p. 11.)
sublinhando com isto a aplicação prática do
conhecimento. E isto era uma coisa nova.
Sobre o tema, é correto afirmar que: GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo:
a)O pensamento humanista implicava a total Companhia das Letras, 1997.
recusa da existência de Deus nas artes e na
ciência, o que libertava o homem para conhecer a Sobre o movimento renascentista, assinale a
natureza e a sociedade. alternativa INCORRETA.
b)A mistura de conhecimentos das mais a)O Renascimento significou uma importante
diferentes origens - como a magia e a ciência - mudança na forma de expressão cultural e na
levou a uma instabilidade imprevisível, que relação do homem com a natureza.
lançou a Europa numa onda de obscurantismo b)O movimento renascentista estudou o homem e
que apenas o Iluminismo pôde reverter. a natureza, fundamentado no espírito crítico e na
c)As transformações artísticas e políticas do razão.
Renascimento incluíram a inspiração nos ideais c)O racionalismo renascentista resgatou o
da Antiguidade Clássica na pintura, na arquitetura princípio da autoridade da ciência teológica e a
e na escultura. concepção teocêntrica de mundo.
d)As inquietações religiosas vividas
principalmente ao longo do século XVI

32
d)O antropocentrismo valorizava o homem, Texto 1
difundindo a confiança nas potencialidades
humanas e contrapondo-se ao teocentrismo. O Estado nasce do interior da sociedade, mas
ele se eleva acima dela. Antes do seu advento
97 - (ESPCEX/2018) imperava o “estado de natureza”, a guerra de
No período do Renascimento, ocorreram todos contra todos. Assim, ele surge como
mudanças significativas na produção cultural manifestação da evolução humana, cujo sinal é
europeia. Considerando: a consciência da necessidade de um poder
superior, absoluto e despótico, voltado para a
I. o desenvolvimento da Teoria do defesa da sociedade. Essa consciência origina
Heliocentrismo um contrato pelo qual os homens abdicam da
II. o desenvolvimento da imprensa sua liberdade anárquica em favor do Estado,
III. a estratificação da sociedade afim de evitar o caos. A figura bíblica do
IV. a ação dos mecenas Leviatã representa o Estado: um monstro
cruel que, no entanto, impede que os peixes
Assinale abaixo o item que apresenta os pequenos sejam devorados pelos maiores.
aspectos que influenciaram o aumento da (www.cefetsp.br. Adaptado.)
produção cultural renascentista, assim como
da sua qualidade. Texto 2
a)I e II
b)I e III No estado natural do homem ele possuiria
c)II e III direitos naturais que não dependeriam de sua
d)II e IV vontade (um estado de perfeita liberdade e
e)III e IV igualdade). Locke afirma que a propriedade é
uma instituição anterior à sociedade civil
98 - (UDESC SC/2018) (criada junto com o Estado) e por isso seria um
Leia o texto a seguir: direito natural ao indivíduo, que o Estado não
poderia retirar. “O Homem era naturalmente
“Todo poder vem de Deus. Os governantes, livre e proprietário de sua pessoa e de seu
pois, agem como ministros de Deus e seus trabalho”.
(www.brasilescola.com)
representantes na terra. Consequentemente, o
trono real não é o trono de um homem, mas o
A partir da leitura dos textos, assinale a
trono do próprio Deus.
alternativa correta.
Resulta de tudo isso que a pessoa do rei é
a)O texto 1 representa a concepção do Estado,
sagrada, e que atacá-lo de qualquer maneira é
segundo a ótica liberal.
sacrilégio. (...)
b)Os dois textos apresentam a mesma concepção
de Estado.
O poder real é absoluto. O príncipe não
c)O texto 1 contém argumentos favoráveis ao
precisa dar contas de seus atos a ninguém.”
(Jaques-BénigneBossuet, 1627-1704) Estado Absolutista.
d) O texto 2 contém críticas à propriedade
Assinale a alternativa que apresenta a forma privada.
de governo à qual o trecho se refere. e)O texto 2 apresenta ideias opostas ao
a)Democracia representativa individualismo burguês.
b)Monarquia constitucional
c)Absolutismo monárquico 100 - (Fameca SP/2014)
d)República monarquista [...] um sistema mais amplo, denominado
e)Monarquia populista religiosa Antigo Regime. Esse nome só surgiu muito
tempo depois, com os franceses, que o
99 - (Univag MT/2014) utilizaram para nomear o sistema social que

33
eles haviam destruído por meio de uma a)a organização em aldeias politicamente
revolução – a Revolução Francesa. independentes, dirigidas por um chefe, eleito
(Luiz Koshiba. História: origens, estruturas e processos, 2000.) pelos indivíduos mais velhos da tribo.
b)a ritualização da guerra entre as tribos e o
Entre as principais características desse caráter semi-sedentário de sua organização social.
sistema, é correto incluir c)a conquista de terras mediante operações
a)os Estados teocráticos, nos quais o monarca era militares, o que permitiu seu domínio sobre vasto
o sumo pontífice, e o sistema de monopólios nas território.
atividades mercantis. d)o caráter pastoril de sua economia, que
b)as monarquias absolutistas, justificadas pela prescindia da agricultura para investir na criação
teoria do direito divino, e a política mercantilista, de animais.
baseada no intervencionismo. e)o desprezo pelos rituais antropofágicos
c)as monarquias constitucionais, com voto praticados em outras sociedades indígenas.
censitário, e o controle estatal sobre as atividades
econômicas e a circulação de capitais. 102 - (UNITAU SP/2016)
d)os Estados liberais, fundamentados na ideologia “A execução ritual podia tardar vários meses.
iluminista burguesa, e práticas de liberdade de Nesse intervalo, o cativo vivia na casa de seu
produção e de comércio. captor, que lhe cedia irmã ou filha como
e)as repúblicas aristocráticas, marcadas pelos esposa; sua condição só se alterava às vésperas
privilégios sociais, e o desenvolvimento da da execução, quando era reinimizado e
indústria e do trabalho livre. submetido a um rito de captura. Por fim, era
morto e devorado. A execução era um
BRASIL COLÔNIA momento privilegiado de articulação das
aldeias em nexos sociais maiores e estava
ligada a concepções sobre prestígio, à
reprodução humana e ao destino póstumo”.
101 - (ENEM/2010) FAUSTO, Carlos. Os índios antes do Brasil. Rio de Janeiro:
Os vestígios dos povos Tupi-guarani Zahar, 2010, p. 79.
encontram-se desde as Missões e o rio da
Prata, ao sul, até o Nordeste, com algumas O texto acima se refere à guerra e ao ritual
ocorrências ainda mal conhecidas no sul da antropofágico realizados pelos índios
Amazônia. A leste, ocupavam toda a faixa Tupinambá. Sobre isso, está CORRETO
litorânea, desde o Rio Grande do Sul até o afirmar:
Maranhão. A oeste, aparecem (no rio da a)Eram mecanismos políticos de acomodação,
Prata) no Paraguai e nas terras baixas da capazes de articular povos de diferentes línguas e
Bolívia. Evitam as terras inundáveis do culturas em um mesmo sistema de
Pantanal e marcam sua presença interdependência regional.
discretamente nos cerrados do Brasil central. b)Eram praticados por aldeias aliadas, que
De fato, ocuparam, de preferência, as regiões formavam conjuntos multicomunitários e étnicos,
de floresta tropical e subtropical. com o objetivo de reforçar os laços de
PROUS. A. O Brasil antes dos brasileiros. Rio de Janeiro: consanguinidade entre os aliados.
JorgeZahar. Editor, 2005. c)Eram dispositivos cruciais na organização das
comunidades Tupinambá, ocupando uma posição
Os povos indígenas citados possuíam tradições simbólica que, em outros sistemas, caberia à
culturais específicas que os distinguiam de circulação de bens de prestígio.
outras sociedades indígenas e dos d)Eram formas de subjugar, escravizar e extrair
colonizadores europeus. Entre as tradições tributos por uma elite indígena que se encontrava,
tupi-guarani, destacava-se às vésperas do contato com os europeus, cada vez
mais poderosa.

34
e)Eram os meios que os Tupinambá, que eram e tratava de saber sehavia ouro (...). Que Nosso
canibais, encontraram para comercializar Senhor me ajude, em Sua misericórdia,a
escravos e alimentar as comunidades indígenas, descobrir este ouro.
cuja escala populacional era superior a 10 mil O poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973)
pessoas. escreveu em Canto Geral: A espada, a cruz e a
fome iam dizimando afamília selvagem.
103 - (CEFET MG/2015)
Texto 1 A partir dos trechos, é correto afirmar que a
chegada dos europeus à América
a)gerou conflitos religiosos entre os indígenas,
apesar de sua conversão ao catolicismo.
b)dependeu de motivos mercantis, mas despertou
o espírito comunitário dos colonizadores.
c)envolveu a ação violenta dos conquistadores, ao
lado de interesses econômicos e religiosos.
d)transformou a economia monetária dos índios,
graças à introdução de técnicas mineradoras.
e)impossibilitou a adaptação dos nativos à cultura
europeia, devido às diferenças religiosas.

105 - (UNITAU SP/2015)


“A Primeira Missa no Brasil”, de Victor Meirelles, óleo sobre Nós vimos chegar os pretos, os brancos, os
tela de 1861.
árabes, os italianos, os japoneses. Nós vimos
chegar todos esses povos e todas essas culturas.
Texto 2
Somos testemunhas da chegada dos outros
“A ciência e a arte, dentro de um processo
aqui, os que vêm com antiguidade, e mesmo os
intrincado, fabricavam realidades mitológicas
cientistas e os pesquisadores brancos admitem
que tiveram, e ainda têm vida prolongada e
que sejam seis mil, oito mil anos. Nós não
persistente”.
COLI, Jorge. A invenção da descoberta. In: Como estudar arte podemos ficar olhando essa história do contato
brasileira no século XIX? São Paulo: Senac, 2005, p. 23. como se fosse um evento português. O
encontro com as nossas culturas, ele
Sobre os documentos referentes ao transcende a essa cronologia do descobrimento
Descobrimento do Brasil e à arte produzida no da América, ou das circumnavegações, é muito
século XIX, é correto afirmar que mais antigo. Reconhecer isso nos enriquece
a)ignoram a participação dos indígenas no muito mais e nos dá a oportunidade de ir
processo de formação da identidade nacional. afinando, apurando o reconhecimento entre
b)derrubam uma imagem hierarquizada do essas diferentes culturas e “formas de ver e
encontro das etnias que formaram a nação estar no mundo” que deram fundação a esta
brasileira. nação brasileira, que não pode ser um
c)consolidam uma visão da colonização marcada acompanhamento, deve ser uma nação
pela exploração portuguesa das matérias primas. brasileira que reconhece a diversidade
d)constroem uma memória pacífica do cultural, que reconhece 206 línguas que ainda
nascimento da nação fundada sob a égide do são faladas aqui, além do português. [...] O
catolicismo. encontro e o contato entre as nossas culturas e
os nossos povos, ele nem começou ainda e às
104 - (UFSCAR SP/2015) vezes parece que ele já terminou.
Leia as informações: KRENAK, Ailton. O eterno retorno do encontro. Disponível em
<http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/narrativas-
indigenas/narrativa-krenak>. Acesso em: 08/mai./2015.
O navegador Cristóvão Colombo (1451-1506)
anotou em seu diário de viagem: Estava atento

35
Sobre o contato entre as etnias indígenas A partir das ideias expostas no texto acima,
brasileiras e os europeus, é CORRETO conclui-se que os povos nativos do Brasil:
afirmar: a)Viviam em sociedades rigidamente
a)O contato entre brancos e indígenas começou estratificadas e hierarquizadas, com centralização
na Antiguidade, quando houve efetivamente a de poder e avançado desenvolvimento
maior aproximação entre essas culturas. econômico.
b)Devido ao fato de terem visões distintas, cada b)Eram povos diversificados que viviam em
um dos lados – brancos e indígenas – compreende diferentes estágios de desenvolvimento e falavam
o contato de uma forma diferente. línguas distintas.
c)Os encontros entre diferentes povos e culturas c)Buscaram uma unidade cultural, formando uma
no Brasil ocorreram anteriormente à chegada dos aliança entre os diversos povos tupis, aruaques,
portugueses, em 1500, e continuaram ocorrendo caraíbas e guaranis.
até os dias atuais. d)Foram predominantemente nômades, pois
d)O período imigratório do século XIX ampliou dependiam da caça e da agricultura, além de
significativamente o contato entre europeus e organizarem um sistema de trabalho manual
índios no Brasil e, portanto, pode ser considerado rotativo.
o principal marco desse processo. e)Tinham origem e línguas comuns, o que
e)O contato entre essas culturas foi constituído de contribuiu para a unificação cultural e a ausência
modo tolerante e pacífico. de guerras entre as diferentes tribos.

106 - (UNIUBE MG/2015) 107 - (PUC SP/2012)


Leia com atenção: Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram
caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase
Uma primeira fase de ocupação do Brasil tiveram medo dela, e não lhe queriam por
ocorreu até mais ou menos 6 mil anos AP mão. Depois lhe pegaram, mas como
levada a cabo por populações caçadoras e espantados. Deram-lhes ali de comer: pão e
coletoras, e foi seguida, a partir de então, pelo peixe cozido, confeitos, bolos, mel, figos-passa.
desenvolvimento da agricultura, da produção Não quiseram comer daquilo quase nada; e se
de cerâmica e do aumento populacional. A provaram alguma coisa, logo a lançavam fora.
expansão da agricultura foi fundamental para Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe
que as comunidades agrícolas dominassem, aos puseram a boca, não gostaram dele nada, nem
poucos, o território. (...) A diversidade humana quiseram mais.
era imensa. No Sul, havia assentamentos com “A carta de Pero Vaz Caminha”, maio de 1500. Extraído de
Dea Ribeiro Fenelon. 50 textos de história do Brasil . São
abrigo subterrâneo para proteger do frio – os Paulo: Hucitec, 1986, p. 23.
“buracos de bugre”. No litoral, os grandes
sambaquis, e mais de 30 metros de altura, O documento mostra um dos primeiros
dominavam a paisagem costeira. Na contatos entre portugueses e nativos do atual
Amazônia, grandes aldeias, verdadeiras Brasil. Podemos dizer, entre outras coisas, que
cidades, atestam a imensa variedade cultural a carta, na sua íntegra, demonstra a
indígena antes da chegada dos europeus. (...) a)superioridade técnica dos europeus em relação
Os índios costumam ser agrupados por aos indígenas e os motivos de a conquista
afinidades linguísticas. A linguística analisa os portuguesa não ter enfrentado resistência.
idiomas e procura organizá-los em família e b)necessidade de reeducar os hábitos dos
troncos de modo a desvendar as origens indígenas, cuja alimentação cotidiana era muito
comuns e as divergências com o passar do menos diversificada que a dos conquistadores.
tempo. c)importância da chegada dos portugueses ao
(FUNARI, Pedro Paulo e PIÑON, Ana. A temática indígena na
escola. São Paulo: Contexto, 2011, p. 56 e 57). continente americano, pois eles trouxeram
melhores alimentos e melhores hábitos de
vestimenta.

36
d)variedade de hábitos culturais de europeus e paulistas, lançaram-se pelo sertão em busca de
indígenas, ao expor diferenças nas vestimentas, índios a serem escravizados e de metais preciosos
nos utensílios e na alimentação. que colocariam o Brasil na era do ouro.
e)harmonia plena com que se deram as relações b)os paulistas, através das bandeiras, marcaram
entre conquistadores e conquistados, que se seu poder político de São Paulo a Minas Gerais,
identificaram facilmente. se fixando na capitania do Rio de Janeiro e
transformando-a em sede colonial.
108 - (PUC SP/2011) c)esse século representou a presença dos paulistas
“O Brasil é uma criação recente. Antes da em postos públicos de poder, presença essa
chegada dos europeus (...) essas terras imensas alternada por vezes pelos mineiros, os donos de
que formam nosso país tiveram sua própria minas de ouro, tudo a mando da metrópole.
história, construída ao longo de muitos séculos, d)a descoberta, no século XVII, de minas de ouro
de muitos milhares de anos. Uma história que na atual região das Minas Gerais, pelos paulistas,
a Arqueologia começou a desvendar apenas lhes garantiu prestígio e o direito de investir suas
nos últimos anos.” riquezas nas futuras fazendas de café.
Norberto Luiz Guarinello. Os primeiros habitantes do Brasil.A e)as bandeiras e o apresamento de indígenas para
arqueologia pré-histórica noBrasil. São Paulo: Atual, 2009(15ª
edição), p. 6 a escravidão significaram uma diminuição do uso
da mão-de-obra negra e o início do caminho para
O texto acima afirma que a abolição definitiva do tráfico de escravos
a)o Brasil existe há milênios, embora só tenham africanos.
surgido civilizações evoluídas em seu território
após a chegada dos europeus. 110 - (PUCCamp SP/2010)
b)a história do que hoje chamamos Brasil Nem sempre é fácil distinguir a crônica da
começou muito antes da chegada dos europeus e história, quando se lida com textos do nosso
conta com a contribuição de muitos povos que período colonial. Entretanto, se é um fato que
aqui viveram. as páginas de Gândavo e de Gabriel Soares de
c)as terras que pertencem atualmente ao Brasil Souza sabem antes a relatório que a reflexão
são excessivamente grandes, o que torna sobre acontecimentos, já na História do Brasil
impossível estudar sua história ao longo dos de Frei Vicente de Salvador reponta o cuidado
tempos. de inserir a experiência do colono em um
d)a Arqueologia se dedicou, nos últimos anos, a projeto histórico luso-brasileiro. O que explica
pesquisar o passado colonial brasileiro e seu as críticas de Frei Vicente à relutância do
vínculo com a Europa. português em deixar o litoral seguro (onde e
e)os povos indígenas que ocupavam o Brasil “como caranguejo”) e o consequente desleixo
antes da chegada dos europeus, foram dizimados em face da riqueza potencial da terra.
(Alfredo Bosi, História concisa da literatura brasileira. São
pelos conquistadores portugueses. Paulo: Cultrix, 1970, p. 28)

109 - (FATEC SP/2010) Diferentemente da “relutância do português


De acordo com o historiador Boris Fausto, em deixar o litoral seguro”, bandeirantes
adentraram o chamado “sertão” e dentre suas
A grande marca deixada pelos paulistas na principais motivações, pode-se citar
vida colonial do século XVII foram as a)o apresamento de índios, visto que a
bandeiras. comercialização dos mesmos era uma atividade
(FAUSTO, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo:
Imprensa Oficial e Edusp, 2001. p. 51.) econômica fundamental para a subsistência dos
povoados nascentes no Sudeste, bem como a
A afirmação pode ser considerada correta, busca por metais preciosos.
pois b)a expansão das fronteiras brasileiras, uma vez
a)foi nesse período que expedições reunindo que a existência ilegal de núcleos de
brancos, índios e mamelucos, chefiados pelos povoamentos espanhóis, franceses e holandeses

37
no interior do território ameaçavam o domínio encomendar doces às doceiras de Santo Antão;
colonial português. vivia a receber presentes de doces de seus
c)a missão civilizatória atribuída aos bandeirantes compadres. Os bolos feitos em casa pelas
pela Companhia de Jesus e pela própria Coroa negras não chegavam para o gasto. O velho
Portuguesa, uma vez que pouca gente se dispunha capitão-mor era mesmo que menino por
a catequizar os índios que viviam distantes do alfenim e cocada. E como estava sempre
litoral. hospedando frades e padres no seu casarão de
d)a necessidade do combate militarizado aos Noruega, tinha o cuidado de conservar em
quilombos que proliferavam no Sudeste e no Sul, casa uma opulência de doces finos.
prática financiada pelos comerciantes de escravos FREYRE, G. Nordeste: aspectos da influência da cana sobre a
vida e a paisagem do Nordeste do Brasil. Rio de Janeiro: José
que foi denominada “sertanismo de contrato”. Olympio, 1985 (adaptado).
e)a urgência da Coroa portuguesa em povoar as
terras do “sertão” e instituir práticas culturais, O texto relaciona-se a uma prática do Nordeste
como o uso da língua portuguesa, que oitocentista que está evidenciada em:
contribuíssem para garantir o poder da metrópole a)Produção familiar de bens para festejar as datas
sobre a população nativa. religiosas.
b)Fabricação escrava de alimentos para manter o
111 - (ENEM/2018) domínio das elites.
Na África, os europeus morriam como moscas; c)Circulação regional de produtos para garantir as
aqui eram os índios que morriam: agentes trocas metropolitanas.
patogênicos da varíola, do sarampo, da d)Criação artesanal de iguarias para assegurar as
coqueluche, da catapora, do tifo, da difteria, redes de sociabilidade.
da gripe, da peste bubônica, e possivelmente e)Comercialização ambulante de quitutes para
da malária, provocaram no Novo Mundo o que reproduzir a tradição portuguesa.
Dobyns chamou de “um dos maiores
cataclismos biológicos do mundo”. No entanto, 113 - (ENEM/2018)
é importante enfatizar que a falta de TEXTO I
imunidade, devido ao seu isolamento, não
basta para explicar a mortandade, mesmo E pois que em outra cousa nesta parte me não
quando ela foi de origem patogênica. posso vingar do demônio, admoesto da parte
CUNHA, M. C. Índios no Brasil: história, direitos e cidadania.
São Paulo: Claro Enigma, 2012. da cruz de Cristo Jesus a todos que este lugar
lerem, que deem a esta terra o nome que com
Uma ação empreendida pelos colonizadores tanta solenidade lhe foi posto, sob pena de a
que contribuiu para o desastre mencionado foi mesma cruz que nos há de ser mostrada no dia
o(a) final, os acusar de mais devotos do pau-brasil
a)desqualificação do trabalho das populações que dela.
BARROS, J. In: SOUZA, L. M. Inferno atlântico:
nativas. demonologia e colonização: séculos XVI-XVIII. São Paulo: Cia
b)abertura do mercado da colônia às outras das Letras, 1993.
nações.
c)interdição de Portugal aos saberes autóctones. TEXTO II
d)incentivo da metrópole à emigração feminina. E deste modo se hão os povoadores, os quais,
e)estímulo dos europeus às guerras intertribais. por mais arraigados que na terra estejam e
mais ricos que sejam, tudo pretendem levar a
112 - (ENEM/2018) Portugal, e, se as fazendas e bens que possuem
Os próprios senhores de engenho eram uns souberam falar, também lhes houveram de
gulosos de doce e de comidas adocicadas. ensinar a dizer como os papagaios, aos quais a
Houve engenho que ficou com o nome de primeira coisa que ensinam é: papagaio real
“Guloso”. E Manuel Tomé de Jesus, no seu para Portugal, porque tudo querem para lá.
Engenho de Noruega, antigo dos Bois, vivia a

38
SALVADOR, F. V. In: SOUZA, L . M. (Org). História da vida A prática histórico-cultural de matriz africana
privada no Brasil: cotidiano e vida privada na América
portuguesa. São Paulo: Cia das Letras, 1997. descrita no texto representava um(a)
a)expressão do valor das festividades da
As críticas desses cronistas ao processo de população pobre.
colonização portuguesa na América estavam b)ferramenta para submeter os cativos ao trabalho
relacionadas à forçado.
a) utilização do trabalho escravo. c)estratégia de subversão do poder da monarquia
b)implantação de polos urbanos. portuguesa.
c)devastação de áreas naturais. d)elemento de conversão dos escravos ao
d) ocupação de terras indígenas. catolicismo romano.
e)expropriação de riquezas locais. e)instrumento para minimizar o sentimento de
desamparo social.
114 - (ENEM/2018)
A rebelião luso-brasileira em Pernambuco 116 - (ENEM/2017)
começou a ser urdida em 1644 e explodiu em Na antiga Vila de São José del Rei, a atual
13 de junho de 1645, dia de Santo Antônio. cidade de Tiradentes (MG), na primeira
Uma das primeiras medidas de João metade do século XVIII, mais de cinco mil
Fernandes foi decretar nulas as dívidas que os escravos trabalhavam na mineração aurífera.
rebeldes tinham com os holandeses. Houve Construíram sua capela, dedicada a Nossa
grande adesão da “nobreza da terra”, Senhora do Rosário. Na fachada, colocaram
entusiasmada com esta proclamação heroica. um oratório com a imagem de São Benedito. A
VAINFAS, R. Guerra declarada e paz fingida na restauração comunidade do século XVIII era organizada
portuguesa. Tempo, n 27, 2009. mediante a cor, por isso cada grupo tinha sua
irmandade: a dos brancos, dos crioulos, dos
O desencadeamento dessa revolta na América mulatos, dos pardos. Em cada localidade se
portuguesa seiscentista foi o resultado do(a) construía uma igreja dedicada a Nossa
a)fraqueza bélica dos protestantes batavos. Senhora do Rosário. Com a decadência da
b)comércio transatlântico da África ocidental. mineração, a população negra foi levada para
c)auxílio financeiro dos negociantes flamengos. arraiais com atividades lucrativas diversas.
d)diplomacia internacional dos Estados ibéricos. Eles se foram e ficou a igreja. Mas, hoje, está
e)interesse econômico dos senhores de engenho. sendo resgatada a festa do Rosário e o Terno
de Congado.
115 - (ENEM/2018) CRUZ, L. Fé e identidade cultural. Disponível em:
Outra importante manifestação das crenças e www.revistadehistoria.com.br. Acesso em: 4 jul. 2012.
tradições africanas na Colônia eram os objetos
conhecidos como “bolsas de mandinga”. A Na lógica analisada, as duas festividades
insegurança tanto física como espiritual gerava retomadas recentemente, na cidade mineira de
uma necessidade generalizada de proteção: das Tiradentes, têm como propósito
catástrofes da natureza, das doenças, da má a)valorizar a cultura afrodescendente e suas
sorte, da violência dos núcleos urbanos, dos tradições religiosas.
roubos, das brigas, dos malefícios de feiticeiros b)retomar a veneração católica aos valores do
etc. Também para trazer sorte, dinheiro e até passado colonial.
atrair mulheres, o costume era corrente nas c)reunir os elementos constitutivos da história
primeiras décadas do século XVIII, econômica regional.
envolvendo não apenas escravos, mas também d)combater o preconceito contra os adeptos do
homens brancos. catolicismo popular.
CALAINHO, D. B. Feitiços e feiticeiros. In: FIGUEIREDO, L. e)produzir eventos turísticos voltados a religiões
História do Brasil para ocupados. Rio de Janeiro: Casa de origem africana.
daPalavra, 2013 (adaptado).

117 - (ENEM/2017)

39
Pude entender o discurso do cacique Aniceto, b)demarcar os limites precisos do Tratado de
na assembleia dos bispos, padres e Tordesilhas.
missionários, em que exigia nada mais, nada c)afastar as populações nativas do espaço
menos que os índios fossem batizados. demarcado.
Contestava a pastoral da Igreja, de não d) respeitar a conquista espanhola sobre o
interferir nos costumes tribais, evitando missas Império Inca.
e batizados. Para Aniceto, o batismo aparecia e)demonstrar a viabilidade comercial do
como sinal do branco, que dava empreendimento colonial.
reconhecimento de cristão, isto é, de humano,
ao índio. 119 - (ENEM/2017)
MARTINS, J. S. A chegada do estranho.São Paulo: Hucitec, Todos os anos, multidões de portugueses e de
1993 (adaptado).
estrangeiros saem nas frotas para ir às minas.
Das cidades, vilas, plantações e do interior do
O objetivo do posicionamento do cacique
Brasil vêm brancos, mestiços e negros
xavante em relação ao sistema religioso
juntamente com muitos ameríndios
externo às tribos era
contratados pelos paulistas. A mistura é de
a)flexibilizar a crença católica e seus rituais como
pessoas de todos os tipos e condições; homens e
forma de evolução cultural.
mulheres; moços e velhos; pobres e ricos;
b)acatar a cosmologia cristã e suas divindades
fidalgos e povo; leigos, clérigos e religiosos de
como orientação ideológica legítima.
diferentes ordens, muitos dos quais não têm
c)incorporar a religiosidade dominante e seus
casa nem convento no Brasil.
sacramentos como estratégia de aceitação social. BOXER, C. O império marítimo português: 1435-1825. São
d)prevenir retaliações de grupos missionários Paulo: Cia. das Letras, 2002.
como defesa de práticas religiosas sincréticas.
e)reorganizar os comportamentos tribais como A qual aspecto da vida no Brasil colonial o
instrumento de resistência da comunidade autor se refere?
indígena. a)À imposição de um credo exclusivo.
b)À alteração dos fluxos populacionais.
118 - (ENEM/2017) c)À fragilização do poder da Metrópole.
Os cartógrafos portugueses teriam falseado as d)Ao desregramento da ordem social.
representações do Brasil nas cartas e)Ao antilusitanismo das camadas populares.
geográficas, fazendo concordar o meridiano
com os acidentes geográficos de forma a 120 - (ENEM/2016)
ressaltar uma suposta fronteira natural dos TEXTO I
domínios lusos. O delineamento de uma Documentos do século XVI algumas vezes se
grande lagoa que conectava a bacia platina referem aos habitantes indígenas como “os
com a amazônica já era visível nas primeiras brasis”, ou “gente brasília” e, ocasionalmente
descrições geográficas e mapas produzidos por no século XVII, o termo “brasileiro” era a eles
Gaspar Viegas, no Atlas de Lopo Homem aplicado, mas as referências ao status
(1519), nas cartas de Diogo Ribeiro (1525-27), econômico e jurídico desses eram muito mais
no planisfério de André Homen (1559), nos populares. Assim, os termos “negro da terra” e
mapas de Bartolomeu Velho (1561). “índios” eram utilizados com mais frequência
KANTOR, Í. Usos diplomáticos da ilha-Brasil: polêmicas do que qualquer outro.
cartográficas e historiográficas. Varia História, n. 37, 2007 SCHWARTZ, S. B. Gente da terra braziliense da nação.
(adaptado). Pensando o Brasil: a construção de um povo. In: MOTA, C. G.
(Org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira (1500-
De acordo com a argumentação exposta no 2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado).
texto, um dos objetivos das representações
cartográficas mencionadas era TEXTO II
a)garantir o domínio da Metrópole sobre o Índio é um conceito construído no processo de
território cobiçado. conquista da América pelos europeus.

40
Desinteressados pela diversidade cultural, b)convivência entre homens e mulheres livres, de
imbuídos de forte preconceito para com o diversas origens, no pequeno comércio.
outro, o indivíduo de outras culturas, c)presença de mulheres negras no comércio de
espanhóis, portugueses, franceses e anglo- rua de diversos produtos e alimentos.
saxões terminaram por denominar da mesma d)dissolução dos hábitos culturais trazidos do
forma povos tão díspares quanto os continente de origem dos escravizados.
tupinambás e os astecas. e)entrada de imigrantes portugueses nas
SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos atividades ligadas ao pequeno comércio urbano.
históricos. São Paulo: Contexto, 2005.

122 - (ENEM/2016)
Ao comparar os textos, as formas de
O que ocorreu na Bahia de 1798, ao contrário
designação dos grupos nativos pelos europeus,
das outras situações de contestação política na
durante o período analisado, são reveladoras
América portuguesa, é que o projeto que lhe
da
era subjacente não tocou somente na condição,
a)concepção idealizada do território, entendido
ou no instrumento, da integração subordinada
como geograficamente indiferenciado.
das colônias no império luso. Dessa feita, ao
b)percepção corrente de uma ancestralidade
contrário do que se deu nas Minas Gerais
comum às populações ameríndias.
(1789), a sedição avançou sobre a sua
c)compreensão etnocêntrica acerca das
decorrência.
populações dos territórios conquistados. JANCSÓ, I.; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In:
d)transposição direta das categorias originadas no MOTA, C. G. (Org.). Viagemincompleta: a experiência
imaginário medieval. brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000.
e)visão utópica configurada a partir de fantasias
de riqueza. A diferença entre as sedições abordadas no
texto encontrava-se na pretensão de
121 - (ENEM/2016) a)eliminar a hierarquia militar.
A África Ocidental é conhecida pela dinâmica b)abolir a escravidão africana.
das suas mulheres comerciantes, c)anular o domínio metropolitano.
caracterizadas pela perícia, autonomia e d)suprimir a propriedade fundiária.
mobilidade. A sua presença, que fora atestada e)extinguir o absolutismo monárquico.
por viajantes e por missionários portugueses
que visitaram a costa a partir do século XV, 123 - (ENEM/2016)
consta também na ampla documentação sobre TEXTO I
a região. A literatura é rica em referências às
grandes mulheres como as vendedoras
ambulantes, cujo jeito para o negócio, bem
como a autonomia e mobilidade, é tão típico da
região.
HAVIK, P. Dinâmicas e assimetrias afro-atlânticas: a agência
feminina e representações em mudança na Guiné (séculos XIX
e XX). In: PANTOJA, S. (Org.). Identidades, memórias
ehistórias em terras africanas. Brasília: LGE; Luanda: Nzila,
2006.

A abordagem realizada pelo autor sobre a vida


social da África Ocidental pode ser
relacionada a uma característica marcante das
cidades no Brasil escravista nos séculos XVIII
e XIX, que se observa pela
a)restrição à realização do comércio ambulante
por africanos escravizados e seus descendentes.

41
As convicções religiosas dos escravos eram,
entretanto, colocadas a duras provas quando
de sua chegada ao Novo Mundo, onde eram
batizados obrigatoriamente “para a salvação
de sua alma” e deviam curvar-se às doutrinas
religiosas de seus mestres. Iemanjá, mãe de
numerosos outros orixás, foi sincretizada com
Nossa Senhora da Conceição, e Nanã Buruku,
a mais idosa das divindades das águas, foi
comparada a Sant’Ana, mãe da Virgem
Maria.
VERGER, P. Orixás: deuses iorubás na África e no Novo
Mundo. São Paulo: Corrupio, 1981.

O sincretismo religioso no Brasil colônia foi


uma estratégia utilizada pelos negros
escravizados para
a)compreender o papel do sagrado para a cultura
Imagem de São Benedito. Disponível em: europeia.
http://acervo.bndigital.bn.br. Acesso em: 6 jan. 2016
(adaptado).
b)garantir a aceitação pelas comunidades dos
convertidos.
TEXTO II c)preservar as crenças e a sua relação com o
Os santos tornaram-se grandes aliados da sagrado.
Igreja para atrair novos devotos, pois eram d)integrar as distintas culturas no Novo Mundo.
obedientes a Deus e ao poder clerical. e)possibilitar a adoração de santos católicos.
Contando e estimulando o conhecimento sobre
a vida dos santos, a Igreja transmitia aos fiéis 125 - (ENEM/2016)
os ensinamentos que julgava corretos e que Quando a Corte chegou ao Rio de Janeiro, a
deviam ser imitados por escravos que, em Colônia tinha acabado de passar por uma
geral, traziam outras crenças de suas terras de explosão populacional. Em pouco mais de cem
origem, muito diferentes das que preconizava anos, o número de habitantes aumentara dez
a fé católica. vezes.
GOMES, L. 1808: como uma rainha louca, um príncipe
OLIVEIRA, A. J. Negra devoção. Revista de História da
medroso e uma Corte corruptaenganaram Napoleão e
Biblioteca Nacional, n. 20, maio 2007 (adaptado).
mudaram a história de Portugal e do Brasil.São Paulo:
Planeta do Brasil, 2008 (adaptado).
Posteriormente ressignificados no interior de
certas irmandades e no contato com outra A alteração demográfica destacada no período
matriz religiosa, o ícone e a prática teve como causa a atividade
mencionada no texto estiveram desde o século a)cafeeira, com a atração da imigração europeia.
XVII relacionados a um esforço da Igreja b)industrial, com a intensificação do êxodo rural.
Católica para c)mineradora, com a ampliação do tráfico
a)reduzir o poder das confrarias. africano.
b)cristianizar a população afro-brasileira. d)canavieira, com o aumento do apresamento
c)espoliar recursos materiais dos cativos. indígena.
d)recrutar libertos para seu corpo eclesiástico. e)manufatureira, com a incorporação do trabalho
e)atender a demanda popular por padroeiros assalariado.
locais.
126 - (ENEM/2016)
124 - (ENEM/2016) Ô ô, com tanto pau no mato
Embaúba* é coroné

42
Com tanto pau no mato, ê ê Em sociedade de origens tão nitidamente
Com tanto pau no mato personalistas como a nossa, é compreensível
Embaúba é coroné que os simples vínculos de pessoa a pessoa,
independentes e até exclusivos de qualquer
* Embaúba: árvore comum e inútil por ser tendência para a cooperação autêntica entre os
pobre por dentro, segundo o historiador indivíduos, tenham sido quase sempre os mais
Stanley Stein. decisivos. As agregações e relações pessoais,
embora por vezes precárias, e, de outro lado,
STEIN, S. J. Vassouras: um município brasileiro do café, as lutas entre facções, entre famílias, entre
1850-1900.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990 (adaptado).
regionalismos, faziam dela um todo incoerente
e amorfo. O peculiar da vida brasileira parece
Os versos fazem parte de um jongo, gênero
ter sido, por essa época, uma acentuação
poético-musical cantado por escravos e seus
singularmente enérgica do afetivo, do
descendentes no Brasil no século XIX, e
irracional, do passional e uma estagnação ou
procuram expressar a
antes uma atrofia correspondente das
a)exploração rural.
qualidades ordenadoras, disciplinadoras,
b)bravura senhorial.
racionalizadoras.
c)resistência cultural. HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia. das
d)violência escravista. Letras, 1995.
e)ideologia paternalista.
Um traço formador da vida pública brasileira
expressa-se, segundo a análise do historiador,
na
127 - (ENEM/2015) a)rigidez das normas jurídicas.
A língua de que usam, por toda a costa, carece b)prevalência dos interesses privados.
de três letras; convém a saber, não se acha c)solidez da organização institucional.
nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, d)legitimidade das ações burocráticas.
porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e e)estabilidade das estruturas políticas.
dessa maneira vivem desordenadamente, sem
terem além disto conta, nem peso, nem 129 - (ENEM/2015)
medida. Sabe-se o que era a mata do Nordeste, antes da
GÂNDAVO, P. M. A primeira história do Brasil: história da monocultura da cana: um arvoredo tanto e
província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil.
Rio de Janeiro: Zahar, 2004 (adaptado). tamanho e tão basto e de tantas prumagens
que não podia homem dar conta. O canavial
A observação do cronista português Pero de desvirginou todo esse mato grosso do modo
Magalhães de Gândavo, em 1576, sobre a mais cru: pela queimada. A fogo é que foram
ausência das letras F, L e R na língua se abrindo no mato virgem os claros por onde
mencionada, demonstra a se estendeu o canavial civilizador, mas ao
a)simplicidade da organização social das tribos mesmo tempo devastador.
FREYRE, G. Nordeste. São Paulo: Global, 2004 (adaptado).
brasileiras.
b)dominação portuguesa imposta aos índios no Analisando os desdobramentos da atividade
início da colonização. canavieira sobre o meio físico, o autor salienta
c)superioridade da sociedade europeia em relação um paradoxo, caracterizado pelo(a)
à sociedade indígena. a)demanda de trabalho, que favorecia a
d)incompreensão dos valores socioculturais escravidão.
indígenas pelos portugueses. b)modelo civilizatório, que acarretou danos
e)dificuldade experimentada pelos portugueses no ambientais.
aprendizado da língua nativa. c)rudimento das técnicas produtivas, que eram
ineficientes.
128 - (ENEM/2015)

43
d) natureza da atividade econômica, que d)obtido o apoio do grupo constitucionalista
concentrou riqueza. português.
e)predomínio da monocultura, que era voltada e)provocado os movimentos separatistas das
para exportação. províncias.

130 - (ENEM/2014) 132 - (ENEM/2014)


O índio era o único elemento então disponível Áreas em estabelecimento de atividades
para ajudar o colonizador como agricultor, econômicas sempre se colocaram como grande
pescador, guia, conhecedor da natureza chamariz. Foi assim no litoral nordestino, no
tropical e, para tudo isso, deveria ser tratado início da colonização, com o pau-brasil, a cana-
como gente, ter reconhecidas sua inocência e de-açúcar, o fumo, as produções de alimentos e
alma na medida do possível. A discussão o comércio. O enriquecimento rápido
religiosa e jurídica em torno dos limites da exacerbou o espírito de aventura do homem
liberdade dos índios se confundiu com uma moderno.
disputa entre jesuítas e colonos. Os padres se FARIA, S. C. A Colônia em movimento. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1998 (adaptado).
apresentavam como defensores da liberdade,
enfrentando a cobiça desenfreada dos colonos.
CALDEIRA, J. A nação mercantilista. São Paulo: Editora 34, O processo descrito no texto trouxe como
1999 (adaptado). efeito o(a)
a)acumulação de capitais na Colônia, propiciando
Entre os séculos XVI e XVIII, os jesuítas a criação de um ambiente intelectual
buscaram a conversão dos indígenas ao efervescente.
catolicismo. Essa aproximação dos jesuítas em b)surgimento de grandes cidades coloniais,
relação ao mundo indígena foi mediada pela voltadas para o comércio e com grande
a)demarcação do território indígena. concentração monetária.
b)manutenção da organização familiar. c)concentração da população na região litorânea,
c)valorização dos líderes religiosos indígenas. pela facilidade de escoamento da produção.
d)preservação do costume das moradias coletivas. d)favorecimento dos naturais da Colônia na
e)comunicação pela língua geral baseada no tupi. concessão de títulos de nobreza e fidalguia pela
Monarquia.
131 - (ENEM/2014) e)construção de relações de trabalho menos
A transferência da corte trouxe para a desiguais que as da Metrópole, inspiradas pelo
América portuguesa a família real e o governo empreendedorismo.
da Metrópole. Trouxe também, e sobretudo,
boa parte do aparato administrativo 133 - (ENEM/2014)
português. Personalidades diversas e TEXTO I
funcionários régios continuaram embarcando O príncipe D. João VI podia ter decidido
para o Brasil atrás da corte, dos seus empregos ficar em Portugal. Nesse caso, o Brasil com
e dos seus parentes após o ano de 1808. certeza não existiria. A Colônia se
NOVAIS, F. A.; ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da fragmentaria, como se fragmentou a parte
vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1997.
espanhola da América. Teríamos, em vez do
Brasil de hoje, cinco ou seis países distintos.
Os fatos apresentados se relacionam ao
(José Murilo de Carvalho)
processo de independência da América
portuguesa por terem
TEXTO II
a)incentivado o clamor popular por liberdade.
Há no Brasil uma insistência em reforçar o
b)enfraquecido o pacto de dominação
lugar-comum segundo o qual foi D. João VI o
metropolitana.
responsável pela unidade do país. Isso não é
c)motivado as revoltas escravas contra a elite
verdade. A unidade do Brasil foi construída ao
colonial.
longo do tempo e é, antes de tudo, uma

44
fabricação da Coroa. A ideia de que era d)pressão da Metrópole pelo abandono da
preciso fortalecer um Império com os catequese nas regiões de difícil acesso.
territórios de Portugal e Brasil começou já no e)sistematização das línguas nativas numa
século XVIII. (Evaldo Cabral de Mello) estrutura gramatical facilitadora da catequese.
1808 – O primeiro ano do resto de nossas vidas. Folha de S.
Paulo, 25 nov. 2007 (adaptado).
135 - (ENEM/2014)
Eu gostaria de entrar nua no rio, mas estou
Em 2008, foi comemorado o bicentenário da
aqui entre homens, somos todos soldados. Os
chegada da família real portuguesa ao BRasil.
portugueses de uma canhoneira
Nos textos, dois importantes historiadores
bombardearam Cachoeira, então um bando de
brasileiros se posicionam diante de um dos
Periquitos, e entre eles eu e mais cinco ou seis
possíveis legados desse episódio para a história
mulheres, entramos no rio, de culote, bota e
do paÍs. O legado discutido e um argumento
perneira, capa abotoada e baioneta calada.
que sustenta a diferença do primeiro ponto de
Pensei outra vez no sítio. Ali tudo era cálido, os
vista para o segundo estão associados,
panos convidavam ao sono. Aqui, luta-se pela
respectivamente, em:
vida, pela Pátria. Minha baioneta rasga o
a)Integridade territorial – Centralização da
ventre de um português que não quer
administração régia na Corte.
reconhecer a Independência do Brasil gritada,
b)Desigualdade social – Concentração da
lá no Sul, pelo Imperador D. Pedro.
propriedade fundiária no campo. MARIA QUITÉRIA, s/d. Disponível em:
c)Homogeneidade intelectual – Difusão das ideias www.vidaslusofonas.pt. Acesso em: 31 jan. 2012 (adaptado).
liberais nas universidades.
d)Uniformidade cultural – Manutenção da A análise do texto revela um processo de
mentalidade escravista nas fazendas. emancipação política do Brasil que supera o
e)Continuidade espacial – Cooptação dos marco do Grito do Ipiranga e da figura de D.
movimentos separatistas nas províncias. Pedro I, pois a luta pela independência
a)foi conduzida por um exército profissional.
134 - (ENEM/2014) b)ficou limitada a disputas e acordos políticos.
Quando Deus confundiu as línguas na torre de c)fomentou movimentos separatistas do Sul do
Babel, ponderou Filo Hebreu que todos país.
ficaram mudos e surdos, porque, ainda que d)contou com a participação de diversos
todos falassem e todos ouvissem, nenhum segmentos sociais.
entendia o outro. Na antiga Babel, houve e)consolidou uma ideia de pátria que excluía a
setenta e duas línguas; na Babel do rio das herança portuguesa.
Amazonas, já se conhecem mais de cento e
cinquenta. E assim, quando lá chegamos, todos 136 - (ENEM/2014)
nós somos mudos e todos eles, surdos. Vede Feijoada é um prato que consiste num guisado
agora quanto estudo e quanto trabalho serão de feijão com carne. É um prato com origem
necessários para que esses mudos falem e esses no Norte de Portugal, e que hoje em dia
surdos ouçam. constitui um dos pratos mais típicos da
VIEIRA, A. Sermões pregados no Brasil. In: RODRIGUES, J. cozinha brasileira. Em Portugal, cozinha-se
H. História viva.São Paulo: Global, 1985 (adaptação).
com feijão branco no noroeste (Minho e Douro
Litoral) ou feijão vermelho no nordeste (Trás-
No decorrer da colonização portuguesa na
os-montes), e geralmente inclui também outros
América, as tentativas de resolução do
vegetais (tomate, cenouras ou couve)
problema apontado pelo padre Antônio Vieira
juntamente com a carne de porco ou de vaca,
resultaram na
às quais se podem juntar chouriço, morcela ou
a)ampliação da violência nas guerras intertribais.
farinheira. No Brasil, os negros faziam uma
b)desistência da evangelização dos povos nativos.
mistura de feijões pretos e de vários tipos de
c)indiferença dos jesuítas em relação à
carne de porco e de boi. Atualmente, o prato
diversidade de línguas americanas.

45
chega à mesa acompanhado de farofa, arroz quer é captar seu movimento para melhor
branco, couve refogada e laranja fatiada, entre compreendê-lo historicamente.
outros ingredientes. MINAS GERAIS: Cadernos do Arquivo 1: Escravidão
CASCUDO, L. C. História da alimentação no Brasil. Rio de emMinas Gerais. Belo Horizonte: Arquivo Público Mineiro,
Janeiro: Itatiaia, 1983. 1988.

A criação da feijoada na culinária brasileira Com base no texto, a análise de manifestações


está relacionada, no texto, à atividade culturais de origem africana, como a capoeira
a)mercantil, exercida pelos homens que ou o candomblé, deve considerar que elas
transportavam mercadoria e gado. a)permanecem como reprodução dos valores e
b)agropecuária, exercida pelos homens que costumes africanos.
trabalhavam no campo. b)perderam a relação com o seu passado
c)mineradora, exercida pelos homens que histórico.
extraíam o ouro. c)derivam da interação entre valores africanos e a
d)culinária, exercida na senzala com as sobras da experiência histórica brasileira.
cozinha dos senhores. d)contribuem para o distanciamento cultural entre
e)comercial, exercida pelos cavaleiros do Sul do negros e brancos no Brasil atual.
Brasil. e)demonstram a maior complexidade cultural dos
africanos em relação aos europeus.
137 - (ENEM/2013)
Seguiam-se vinte criados custosamente 139 - (ENEM/2013)
vestidos e montados em soberbos cavalos; De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito
depois destes, marchava o Embaixador do Rei chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu,
do Congo magnificamente ornado de seda azul vista do mar, muito grande, porque, a estender
para anunciar ao Senado que a vinda do Rei olhos, não podíamos ver senão terra com
estava destinada para o dia dezesseis. Em arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela,
resposta obteve repetidas vivas do povo que até agora, não pudemos saber que haja ouro,
concorreu alegre e admirado de tanta nem prata, nem coisa alguma de metal ou
grandeza. ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de
Coroação do Rei do Congo em Santo Amaro, Bahia apud DEL muito bons ares [...]. Porém o melhor fruto que
PRIORE, M.Festas e utopias no Brasil colonial. In: CATELLI dela se pode tirar me parece que será salvar
JR, R.Um olhar sobre as festas populares brasileiras. São
Paulo: Brasiliense, 1994 (adaptado). esta gente.
Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A;
BERUTTI, F.; FARIA, R.História moderna através de textos.
Originária dos tempos coloniais, a festa da São Paulo: Contexto, 2001.
Coroação do Rei do Congo evidencia um
processo de A carta de Pero Vaz de Caminha permite
a)exclusão social. entender o projeto colonizador para a nova
b)imposição religiosa. terra. Nesse trecho, o relato enfatiza o seguinte
c)acomodação política. objetivo:
d)supressão simbólica. a)Valorizar a catequese a ser realizada sobre os
e)ressignificação cultural. povos nativos.
b)Descrever a cultura local para enaltecer a
138 - (ENEM/2013) prosperidade portuguesa.
A recuperação da herança cultural africana c)Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre
deve levar em conta o que é próprio do o potencial econômico existente.
processo cultural: seu movimento, pluralidade d)Realçar a pobreza dos habitantes nativos para
e complexidade. Não se trata, portanto, do demarcar a superioridade europeia.
resgate ingênuo do passado nem do seu cultivo e)Criticar o modo de vida dos povos autóctones
nostálgico, mas de procurar perceber o para evidenciar a ausência de trabalho.
próprio rosto cultural brasileiro. O que se

46
140 - (ENEM/2013) d)a integração das elites políticas regionais, sob a
É preciso ressaltar que, de todas as capitanias liderança do Rio de Janeiro, ensejava a formação
brasileiras, Minas era a mais urbanizada. Não de um projeto político separatista de cunho
havia ali hegemonia de um ou dois grandes republicano.
centros. A região era repleta de vilas e e)a dinamização da economia urbana retardava o
arraiais, grandes e pequenos, em cujas ruas letramento de mulatos e imigrantes, importante
muita gente circulava. para as necessidades do trabalho na cidade.
PAIVA, E. F. O ouro e as transformações na sociedade
colonial. São Paulo: Atual, 1998.
142 - (ENEM/2012)
As regiões da América portuguesa tiveram Em um engenho sois imitadores de Cristo
distintas lógicas de ocupação. Uma explicação crucificado porque padeceis em um modo
para a especificidade da região descrita no muito semelhante o que o mesmo Salvador
texto está identificada na padeceu na sua cruz e em toda a sua paixão. A
a)apropriação cultural diante das influências sua cruz foi composta de dois madeiros, e a
externas. vossa em um engenho é de três. Também ali
b)produção manufatureira diante do exclusivo não faltaram as canas, porque duas vezes
comercial. entraram na Paixão: uma vez, servindo para o
c)insubordinação religiosa diante da hierarquia cetro de escárnio, e outra vez para a esponja
eclesiástica. em que lhe deram o fel. A Paixão de Cristo
d)fiscalização estatal diante das particularidades parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia
econômicas. sem descansar, e tais são as vossas noites e os
e)autonomia administrativa diante das instituições vossos dias. Cristo despido, e vós despidos;
metropolitanas. Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em
tudo maltratado, e vós maltratados em tudo.
141 - (ENEM/2013) Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os
A vinda da família real deslocou nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a
definitivamente o eixo da vida administrativa vossa imitação, que, se for acompanhada de
da Colônia para o Rio de Janeiro, mudando paciência, também terá merecimento de
também a fisionomia da cidade. A presença da martírio.
(VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello& irmão. 1951 –
Corte implicava uma alteração do acanhado Adaptado)
cenário urbano da Colônia, mas a marca do
absolutismo acompanharia a alteração. O trecho do sermão do Padre Antônio Vieira
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995
(fragmento). estabelece uma relação entre a Paixão de
Cristo e
As transformações ocorridas na cidade do Rio a)a atividade dos comerciantes de açúcar nos
de Janeiro em decorrência da presença da portos brasileiros.
Corte estavam limitadas à superfície das b)a função dos mestres de açúcar durante a safra
estruturas sociais porque de cana.
a)a pujança do desenvolvimento comercial e c)o sofrimento dos jesuítas na conversão dos
industrial retirava da agricultura de exportação a ameríndios.
posição de atividade econômica central na d)o papel dos senhores na administração dos
Colônia. engenhos.
b)a expansão das atividades econômicas e o e)o trabalho dos escravos na produção de açúcar.
desenvolvimento de novos hábitos conviviam
com a exploração do trabalho escravo. 143 - (ENEM/2012)
c)a emergência das práticas liberais, com a Torna-se claro que quem descobriu a África
abertura dos portos, impedia uma renovação no Brasil, muito antes dos europeus, foram os
política em prol da formação de uma sociedade próprios africanos trazidos como escravos. E
menos desigual. esta descoberta não se restringia apenas ao

47
reino linguístico, estendia-se também a outras c)definia o pertencimento dos padres às camadas
áreas culturais, inclusive à da religião. Há populares.
razões para pensar que os africanos, quando d)afirmava um sentido comunitário de partilha da
misturados e transportados ao Brasil, não devoção.
demoraram em perceber a existência entre si e)harmonizava as relações sociais entre escravos
de elos culturais mais profundos. e senhores.
(SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e
descoberta do Brasil. Revista USP. n. 12, dez./jan./fev. 1991-92
– Adaptado) 145 - (ENEM/2012)
A experiência que tenho de lidar com aldeias
Com base no texto, ao favorecer o contato de de diversas nações me tem feito ver, que nunca
indivíduos de diferentes partes da África, a índio fez grande confiança de branco e, se isto
experiência da escravidão no Brasil tornou sucede com os que estão já civilizados, como
possível a não sucederá o mesmo com esses que estão
a)formação de uma identidade cultural afro- ainda brutos.
(NORONHA, M. Carta a J. Caldeira Brant: 2 jan. 1751. Apud
brasileira. CHAIM, M. M. Aldeamentos indígenas(Goiás: 1749-1811). São
b)superação de aspectos culturais africanos por Paulo: Nobel, Brasília, INL, 1983 – Adaptado)
antigas tradições europeias.
c)reprodução de conflitos entre grupos étnicos Em 1749, ao separar-se de São Paulo, a
africanos. capitania de Goiás foi governada por D.
d)manutenção das características culturais Marcos de Noronha, que atendeu às diretrizes
específicas de cada etnia. da política indigenista pombalina que
e)resistência à incorporação de elementos incentivava a criação de aldeamentos em
culturais indígenas. função
a)das constantes rebeliões indígenas contra os
144 - (ENEM/2012) brancos colonizadores, que ameaçavam a
Próximo da Igreja dedicada a São Gonçalo nos produção de ouro nas regiões mineradoras.
deparamos com uma impressionante multidão b)da propagação de doenças originadas do
que dançava ao som de suas violas. Tão logo contato com os colonizadores, que dizimaram boa
viram o Vice-Rei, cercaram-no e o obrigaram parte da população indígena.
a dançar e pular, exercício violento e pouco c)do empenho das ordens religiosas em proteger o
apropriado tanto para sua idade quanto indígena da exploração, o que garantiu a sua
posição. Tivemos nós mesmos que entrar na supremacia na administração colonial.
dança, por bem ou por mal, e não deixou de d)da política racista da Coroa Portuguesa,
ser interessante ver numa igreja padres, contrária à miscigenação, que organizava a
mulheres, frades, cavalheiros e escravos a sociedade em uma hierarquia dominada pelos
dançar e pular misturados, e a gritar a plenos brancos.
pulmões “Viva São Gonçalo do Amarante”. e)da necessidade de controle dos brancos sobre a
(BARBINAIS, Le Gentil. Noveau Voyage autourdu monde. população indígena, objetivando sua adaptação às
Apud: TINHORÃO, J. R. As festas no Brasil Colonial. São
Paulo: Ed. 34, 2000 – Adaptado) exigências do trabalho regular.

O viajante francês, ao descrever suas 146 - (ENEM/2012)


impressões sobre uma festa ocorrida em Dos senhores dependem os lavradores que têm
Salvador, em 1717, demonstra dificuldade em partidos arrendados em terras do mesmo
entendê-la, porque, como outras manifestações engenho; e quanto os senhores são mais
religiosas do período colonial, ela possantes e bem aparelhados de todo o
a)seguia os preceitos advindos da hierarquia necessário, afáveis e verdadeiros, tanto mais
católica romana. são procurados, ainda dos que não têm a cana
b)demarcava a submissão do povo à autoridade cativa, ou por antiga obrigação, ou por preço
constituída. que para isso receberam.

48
ANTONIL, J. A. Cultura e opulência do Brasil [1711]. São
Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967 (adaptado).

Segundo o texto, a produção açucareira no


Brasil colonial era
a)baseada no arrendamento de terras para a
obtenção da cana a ser moída nos engenhos
centrais.
b)caracterizada pelo funcionamento da economia
de livre mercado em relação à compra e venda de FREYRE, G. Casa-Grande & Senzala. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1958.
cana.
c)dependente de insumos importados da Europa
O desenho retrata a fazenda de São Joaquim
nas frotas que chegavam aos portos em busca do
da Grama com a casa-grande, a senzala e
açúcar.
outros edifícios representativos de uma
d)marcada pela interdependência econômica entre
estrutura arquitetônica característica do
os senhores de engenho e os lavradores de cana.
período escravocrata no Brasil. Esta
e)sustentada no trabalho escravo desempenhado
organização do espaço representa uma
pelos lavradores de cana em terras arrendadas.
a) estratégia econômica e espacial para manter os
escravos próximos do plantio.
147 - (ENEM/2012)
b)tática preventiva para evitar roubos e agressões
Em teoria, as pessoas livres da Colônia foram
por escravos fugidos.
enquadradas em uma hierarquia característica
c)forma de organização social que fomentou o
do Antigo Regime. A transferência desse
patriarcalismo e a miscigenação.
modelo, de sociedade de privilégios, vigente em
d)maneira de evitar o contato direto entre os
Portugal, teve pouco efeito prático no Brasil.
escravos e seus senhores.
Os títulos de nobreza eram ambicionados. Os
e)particularidade das fazendas de café das regiões
fidalgos eram raros e muita gente comum
Sul e Sudeste do país.
tinha pretensões à nobreza.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp; Fundação
do Desenvolvimento da Educação, 1995 (adaptado). 149 - (ENEM/2011)
Em geral, os nossos tupinambás ficam bem
Ao reelaborarem a lógica social vigente na admirados ao ver os franceses e os outros dos
metrópole, os sujeitos do mundo colonial países longínquos terem tanto trabalho para
construíram uma distinção que ordenava a buscar o seu arabotã, isto é, pau-brasil. Houve
vida cotidiana a partir da uma vez um ancião da tribo que me fez esta
a)concessão de títulos nobiliárquicos por parte da pergunta: “Por que vindes vós outros, mairs e
Igreja Católica. perós (franceses e portugueses), buscar lenha
b)afirmação de diferenças fundadas na posse de de tão longe para vos aquecer? Não tendes
terras e de escravos. madeira em vossa terra?”
c)imagem do Rei e de sua Corte como modelo a LÉRY, J. Viagem à Terra do Brasil. In: FERNANDES,
F.Mudanças Sociais no Brasil. São Paulo: Difel, 1974.
ser seguido.
d)miscigenação associada a profissões de elevada
O viajante francês Jean de Léry (1534-1611)
qualificação.
reproduz um diálogo travado, em 1557, com
e)definição do trabalho como princípio ético da
um ancião tupinambá, o qual demonstra uma
vida em sociedade.
diferença entre a sociedade europeia e a
indígena no sentido
148 - (ENEM/2012)
a)do destino dado ao produto do trabalho nos seus
sistemas culturais.
b)da preocupação com a preservação dos recursos
ambientais.

49
c)do interesse de ambas em uma exploração
comercial mais lucrativa do pau-brasil. O temor do radicalismo da luta negra no Haiti
d)da curiosidade, reverência e abertura cultural e das propostas das lideranças populares da
recíprocas. Conjuração Baiana (1798) levaram setores da
e)da preocupação com o armazenamento de elite colonial brasileira a novas posturas diante
madeira para os períodos de inverno. das reivindicações populares. No período da
Independência, parte da elite participou
150 - (ENEM/2011) ativamente do processo, no intuito de
O açúcar e suas técnicas de produção foram a) instalar um partido nacional, sob sua liderança,
levados à Europa pelos árabes no século VIII, garantindo participação controlada dos
durante a Idade Média, mas foi afrobrasileiros e inibindo novas rebeliões de
principalmente a partir das Cruzadas (séculos negros.
XI e XIII) que a sua procura foi aumentando. b)atender aos clamores apresentados no
Nessa época passou a ser importado do movimento baiano, de modo a inviabilizar novas
Oriente Médio e produzido em pequena escala rebeliões, garantindo o controle da situação.
no sul da Itália, mas continuou a ser um c)firmar alianças com as lideranças escravas,
produto de luxo, extremamente caro, chegando permitindo a promoção de mudanças exigidas
a figurar nos dotes de princesas casadoiras. pelo povo sem a profundidade proposta
CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo de Antonil (1681- inicialmente.
1716). São Paulo: Atual, 1996.
d)impedir que o povo conferisse ao movimento
um teor libertário, o que terminaria por prejudicar
Considerando o conceito do Antigo Sistema
seus interesses e seu projeto de nação.
Colonial, o açúcar foi o produto escolhido por
e)rebelar-se contra as representações
Portugal para dar início à colonização
metropolitanas, isolando politicamente o Príncipe
brasileira, em virtude de
Regente, instalando um governo conservador para
a)o lucro obtido com o seu comércio ser muito
controlar o povo.
vantajoso.
b)os árabes serem aliados históricos dos
152 - (ENEM/2011)
portugueses.
c)a mão de obra necessária para o cultivo ser
insuficiente.
d)as feitorias africanas facilitarem a
comercialização desse produto.
e)os nativos da América dominarem uma técnica
de cultivo semelhante.

151 - (ENEM/2011)
No clima das ideias que se seguiram à revolta
de São Domingos, o descobrimento de planos
para um levante armado dos artífices mulatos
na Bahia, no ano de 1798, teve impacto muito
especial; esses planos demonstravam aquilo
que os brancos conscientes tinham já
começado a compreender: as ideias de
igualdade social estavam a propagar-se numa
sociedade em que só um terço da população
era de brancos e iriam inevitavelmente ser
interpretados em termos raciais.
MAXWELL. K. Condicionalismos da Independência do SMITH, D. Atlas da Situação Mundial. São Paulo: Cia.
Brasil. In: SILVA, M.N. (coord.)O Império luso-brasileiro, Editora Nacional, 2007 (adaptado).
1750-1822. Lisboa: Estampa, 1986.

50
Uma explicação de caráter histórico para o
percentual da religião com maior número de A experiência de trezentos anos tem feito ver
adeptos declarados no Brasil foi a existência, que a aspereza é um meio errado para
no passado colonial e monárquico, da domesticar os índios; parece, pois, que
a)incapacidade do cristianismo de incorporar brandura e afago são os meios que nos restam.
aspectos de outras religiões. Perdoar-lhes alguns excessos, de que sem
b)incorporação da ideia de liberdade religiosa na dúvida seria causa a sua barbaridade e longo
esfera pública. hábito com a falta de leis. Os habitantes da
c)permissão para o funcionamento de igrejas não América são menos sanguinários do que os
cristãs. negros d’África, mais mansos, tratáveis e
d)relação de integração entre Estado e Igreja. hospitais.
e)influência das religiões de origem africana. VILHENA, L. S. A Bahia no século XVIII. Salvador: Itapuã,
1969 (adaptado).

153 - (ENEM/2011)
O escritor português Luís Vilhena escreve, no
Após as três primeiras décadas, marcadas pelo
século XVIII, sobre um tema recorrente para
esforço de garantir a posse da nova terra, a
os homens da sua época. Seu posicionamento
colonização começou a tomar forma. A política
emerge de um contexto em que
da metrópole portuguesa consistirá no
a)o índio, pela sua condição de ingenuidade,
incentivo à empresa comercial com base em
representava uma possibilidade de mão de obra
uns poucos produtos exportáveis em grande
nas indústrias.
escala, assentada na grande propriedade. Essa
b)a abolição da escravatura abriu uma lacuna na
diretriz deveria atender aos interesses de
cadeia produtiva, exigindo, dessa forma, o
acumulação de riqueza na metrópole lusa, em
trabalho do nativo.
mãos dos grandes comerciantes, da Coroa e de
c)o nativo indígena, estereotipado como um papel
seus afilhados
FAUSTO, B. História Concisa do Brasil. São Paulo: EdUSP, em branco, deveria adequar-se ao mundo do
2002 (adaptado). trabalho compulsório.
d)a escravidão do indígena apresentou-se como
Para concretizar as aspirações expansionistas e alternativa de mão de obra assalariada para a
mercantis estabelecidas pela Coroa Portuguesa lavoura açucareira.
para a América, a estratégia lusa se constituiu e)a escravidão do negro passa a ser substituída
em pela indígena, sob a alegação de os primeiros
a)disseminar o modelo de colonização já utilizado serem selvagens.
com sucesso pela Grã-Bretanha nas suas treze
colônias na América do Norte. 155 - (ENEM/2011)
b)apostar na agricultura tropical em grandes O Brasil oferece grandes lucros aos
propriedades e no domínio da Colônia pelo portugueses. Em relação ao nosso país,
monopólio comercial e pelo povoamento. verificar-se-á que esses lucros e vantagens são
c)intensificar a pecuária como a principal cultura maiores para nós. Os açúcares do Brasil,
capaz de forçar a penetração do homem branco enviados diretamente ao nosso país, custarão
no interior do continente. bem menos do que custam agora, pois que
d)acelerar a desocupação da terra e transferi-la serão libertados dos impostos que sobre eles se
para mãos familiarizadas ao trabalho agrícola de cobram em Portugal, e, dessa forma,
culturas tropicais. destruiremos seu comércio de açúcar. Os
e)desestimular a escravização do indígena e artigos europeus, tais como tecidos, pano etc.,
incentivar sua integração na sociedade colonial poderão, pela mesma razão, ser fornecidos por
por meio da atividade comercial. nós ao Brasil muito mais baratos; o mesmo se
dá com a madeira e o fumo.
154 - (ENEM/2011) WALBEECK, J. Documentos Holandeses. Disponível em:
http://www.mc.unicamp.br.
Como tratar com os índios

51
O texto foi escrito por um conselheiro político b)consideraram que a queimada era necessária em
holandês no contexto das chamadas Invasões certas circunstâncias.
Holandesas (1624-1654), no Nordeste da c)concordaram quanto à queimada ter sido uma
América Portuguesa, que resultaram na prática agrícola insuficiente.
ocupação militar da capitania de Pernambuco. d)entenderam que a queimada era uma prática
O conflito se inicia em um período em que necessária no início do séc. XIX.
Portugal e suas colônias, entre elas o Brasil, se e)relacionaram a queimada ao descaso dos
encontravam sob domínio da Espanha (1580- agricultores da época com a terra.
1640). A partir do texto, qual o objetivo dos
holandeses com essa medida? 157 - (ENEM/2010)
a)Construir uma rede de refino e distribuição do Na antiga Grécia, o teatro tratou de questões
açúcar no Brasil, levando vantagens sobre os como destino, castigo e justiça. Muitos gregos
concorrentes portugueses. sabiam de cor inúmeros versos das peças dos
b)Garantir o abastecimento de açúcar no mercado seus grandes autores. Na Inglaterra dos
europeu e oriental, ampliando as áreas produtoras séculos XVI e XVII, Shakespeare produziu
de cana fora dos domínios lusos. peças nas quais temas como o amor, o poder, o
c)Romper o embargo espanhol imposto aos bem e o mal foram tratados. Nessas peças, os
holandeses depois da União Ibérica, ampliando os grandes personagens falavam em verso e os
lucros obtidos com o comércio açucareiro. demais em prosa. No Brasil colonial, os índios
d)Incentivar a diversificação da produção do aprenderam com os jesuítas a representar
Nordeste brasileiro, aumentando a inserção dos peças de caráter religioso.
holandeses no mercado de produtos
manufaturados. Esses fatos são exemplos de que, em diferentes
e)Dominar uma região produtora de açúcar mais tempos e situações, o teatro é uma forma
próxima da Europa do que as Antilhas a)de manipulação do povo pelo poder, que
Holandesas, facilitando o escoamento dessa controla o teatro.
produção. b)de diversão e de expressão dos valores e
problemas da sociedade.
156 - (ENEM/2010) c)de entretenimento popular, que se esgota na sua
De fato, que alternativa restava aos função de distrair.
portugueses, ao se verem diante de uma mata d)de manipulação do povo pelos intelectuais que
virgem e necessitando de terra para cultivo, a compõem as peças.
não ser derrubar a mata e atear-lhe fogo? e)de entretenimento, que foi superada e hoje é
Seria, pois, injusto reprová-los por terem substituída pela televisão.
começado dessa maneira. Todavia, podemos
culpar os seus descendentes, e com razão, por 158 - (ENEM/2010)
continuarem a queimar as florestas quando há Gregório de Matos definiu, no século XVII,
agora, no início do século XIX, tanta terra o amor e a sensualidade carnal.
limpa e pronta para o cultivo à sua disposição.
SAINT-HILAIRE, A. Viagem às nascentes do rio S. Francisco O Amor é finalmente um embaraço de pernas,
[1847].Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1975
(adaptado). união de barrigas, um breve tremor de
artérias.
No texto, há informações sobre a prática da Uma confusão de bocas, uma batalha de veias,
queimada em diferentes períodos da história um rebuliço de ancas, quem diz outra coisa é
do Brasil. Segundo a análise apresentada, os besta.
VAINFAS, R. Brasil de todos os pecados. Revista de História.
portugueses Ano 1, nº 1. Rio de Janeiro:Biblioteca Nacional, nov. 2003.
a)evitaram emitir juízo de valor sobre a prática da
queimada.

52
Vilhena descreveu ao seu amigo Filopono, no
século XVIII, a sensualidade nas ruas de Mas de repente me acordei com a surpresa:
Salvador. Uma esquadra portuguesa veio na praia
atracar.
Causa essencial de muitas moléstias nesta De grande-nau,
cidade é a desordenada paixão sensual que Um branco de barba escura,
atropela e relaxa o rigor da Justiça, as leis Vestindo uma armadura me apontou pra me
divinas, eclesiásticas, civis e criminais. Logo pegar.
que anoutece, entulham as ruas libidinosos, E assustado dei um pulo da rede,
vadios e ociosos de um e outro sexo. Vagam Pressenti a fome, a sede,
pelas ruas e, sem pejo, fazem gala da sua Eu pensei: "vão me acabar".
torpeza. Levantei-me de Borduna já na mão.
VILHENA, L. S. A Bahia no século XVIII. Colégio Baiana, v. Ai, senti no coração,
1. Salvador: Itapuã, 1969 (adaptado).
O Brasil vai começar.
NÓBREGA, A; e FREIRE, W. CD Pernambuco falando para
A sensualidade foi assunto recorrente no o mundo, 1998.
Brasil colonial. Opiniões se dividiam quando o
tema afrontava diretamente os “bons A letra da canção apresenta um tema
costumes”. Nesse contexto, contribuía para recorrente na história da colonização
explicar essas divergências brasileira, as relações de poder entre
a)a existência de associações religiosas que portugueses e povos nativos, e representa uma
defendiam a pureza sexual da população branca. crítica à ideia presente no chamado mito
b)a associação da sensualidade às parcelas mais a)da democracia racial, originado das relações
abastadas da sociedade. cordiais estabelecidas entre portugueses e nativos
c)o posicionamento liberal da sociedade no período anterior ao início da colonização
oitocentista, que reivindicava mudanças de brasileira.
comportamento na sociedade. b)da cordialidade brasileira, advinda da forma
d)a política pública higienista, que atrelava a como os povos nativos se associaram
sexualidade a grupos socialmente marginais. economicamente aos portugueses, participando
e)a busca do controle do corpo por meio de dos negócios coloniais açucareiros.
discurso ambíguo que associava sexo, prazer, c)do brasileiro receptivo, oriundo da facilidade
libertinagem e pecado. com que os nativos brasileiros aceitaram as regras
impostas pelo colonizador, o que garantiu o
159 - (ENEM/2010) sucesso da colonização.
Chegança d)da natural miscigenação, resultante da forma
como a metrópole incentivou a união entre
Sou Pataxó, colonos, ex-escravas e nativas para acelerar o
Sou Xavante e Carriri, povoamento da colônia.
Ianonâmi, sou Tupi e)do encontro, que identifica a colonização
Guarani, sou Carajá. portuguesa como pacífica em função das relações
Sou Pancararu, de troca estabelecidas nos primeiros contatos
Carijó, Tupinajé, entre portugueses e nativos.
Sou Potiguar, sou Caeté,
Ful-ni-ô, Tupinambá. 160 - (ENEM/2010)
Eu, o Príncipe Regente, faço saber aos que o
Eu atraquei num porto muito seguro, presente Alvará virem: que desejando
Céu azul, paz e ar puro... promover e adiantar a riqueza nacional, e
Botei as pernas pro ar. sendo um dos mananciais dela as manufaturas
Logo sonhei que estava no paraíso, e a indústria, sou servido abolir e revogar toda
Onde nem era preciso dormir para se sonhar.

53
e qualquer proibição que haja a este respeito e)defender um governo democrático que
no Estado do Brasil. garantisse a participação política das camadas
Alvará de liberdade para as indústrias (1º de abril de 1808).In populares, influenciado pelo ideário da
Bonavides, P.; Amaral, R. Textos políticos da História
doBrasil. Vol. 1. Brasília: Senado Federal, 2002 (adaptado). Revolução Francesa.

O projeto industrializante de D. João, 162 - (ENEM/2010)


conforme expresso no alvará, não se Dali avistamos homens que andavam pela
concretizou. Que características desse período praia, obra de sete ou oito. Eram pardos, todos
explicam esse fato? nus. Nas mãos traziam arcos com suas setas.
a)A ocupação de Portugal pelas tropas francesas e Não fazem o menor caso de encobrir ou de
o fechamento das manufaturas portuguesas. mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta
b)A dependência portuguesa da Inglaterra e o inocência como em mostrar o rosto. Ambos
predomínio industrial inglês sobre suas redes de traziam os beiços de baixo furados e metidos
comércio. neles seus ossos brancos e verdadeiros. Os
c)A desconfiança da burguesia industrial colonial cabelos seus são corredios.
CAMINHA, P. V. Carta. RIBEIRO, D. et al. Viagens pela
diante da chegada da família real portuguesa. história do Brasil: documentos.São Paulo: Companhia das
d)O confronto entre a França e a Inglaterra e a Letras, 1997 (adaptado).
posição dúbia assumida por Portugal no comércio
internacional. O texto é parte da famosa Carta de Pero Vaz
e)O atraso industrial da colônia provocado pela de Caminha, documento fundamental para a
perda de mercados para as indústrias portuguesas. formação da identidade brasileira. Tratando
da relação que, desde esse primeiro contato, se
161 - (ENEM/2010) estabeleceu entre portugueses e indígenas, esse
O alfaiate pardo João de Deus, que, na altura trecho da carta revela a
em que foi preso, não tinha mais do que 80 réis a)preocupação em garantir a integridade do
e oito filhos, declarava que “Todos os colonizador diante da resistência dos índios à
brasileiros se fizessem franceses, para viverem ocupação da terra.
em igualdade e abundância”. b)postura etnocêntrica do europeu diante das
MAXWELL, K. Condicionalismos da independência do características físicas e práticas culturais do
Brasil. SILVA, M. N. (org.)O império luso-brasileiro, 1750-
1822. Lisboa: Estampa, 1986. indígena.
c)orientação da política da Coroa Portuguesa
O texto faz referência à Conjuração Baiana. quanto à utilização dos nativos como mão de obra
No contexto da crise do sistema colonial, esse para colonizar a nova terra.
movimento se diferenciou dos demais d)oposição de interesses entre portugueses e
movimentos libertários ocorridos no Brasil por índios, que dificultava o trabalho catequético e
a)defender a igualdade econômica, extinguindo a exigia amplos recursos para a defesa da posse da
propriedade, conforme proposto nos movimentos nova terra.
liberais da França napoleônica. e)abundância da terra descoberta, o que
b)introduzir no Brasil o pensamento e o ideário possibilitou a sua incorporação aos interesses
liberal que moveram os revolucionários ingleses mercantis portugueses, por meio da exploração
na luta contra o absolutismo monárquico. econômica dos índios.
c)propor a instalação de um regime nos moldes
da república dos Estados Unidos, sem alterar a 163 - (ENEM/2010)
ordem socioeconômica escravista e latifundiária. Os tropeiros foram figuras decisivas na
d)apresentar um caráter elitista burguês, uma vez formação de vilarejos e cidades do Brasil
que sofrera influência direta da Revolução colonial. A palavra tropeiro vem de "tropa"
Francesa, propondo o sistema censitário de que, no passado, se referia ao conjunto de
votação. homens que transportava gado e mercadoria.
Por volta do século XVIII, muita coisa era

54
levada de um lugar a outro no lombo de mulas. • Rio de Janeiro – 1808: desembarque da
O tropeirismo acabou associado à atividade família real portuguesa na cidade onde
mineradora, cujo auge foi a exploração de residiriam durante sua permanência no Brasil.
ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás. • Salvador – 1810: D. João VI assina a
A extração de pedras preciosas também atraiu carta régia de abertura dos portos ao comércio
grandes contingentes populacionais para as de todas as nações amigas, ato
novas áreas e, por isso, era cada vez mais antecipadamente negociado com a Inglaterra
necessário dispor de alimentos e produtos em troca da escolta dada à esquadra
básicos. A alimentação dos tropeiros era portuguesa.
constituída por toucinho, feijão preto, farinha, • Rio de Janeiro – 1816: D. João VI
pimenta-do-reino, café, fubá e coité (um molho torna-se rei do Brasil e de Portugal, devido à
de vinagre com fruto cáustico espremido). Nos morte de sua mãe, D. Maria I.
pousos, os tropeiros comiam feijão quase sem • Pernambuco – 1817: As tropas de D.
molho com pedaços de carne de sol e toucinho, João VI sufocam a revolução republicana.
que era servido com farofa e couve picada. O GOMES. L. 1808: como uma rainha louca, um
feijão tropeiro é um dos pratos típicos da príncipemedroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão
emudaram a história de Portugal e do Brasil. São
cozinha mineira e recebe esse nome porque era Paulo:Editora Planeta, 2007 (adaptado)
preparado pelos cozinheiros das tropas que
conduziam o gado. Uma das consequências desses eventos foi
Disponível em http://www.tribunadoplanalto.com.br.Acesso
em: 27 nov. 2008. a)a decadência do império britânico, em razão do
contrabando de produtos ingleses através dos
A criação do feijão tropeiro na culinária portos brasileiros.
brasileira está relacionada à b)o fim do comércio de escravos no Brasil,
a)atividade comercial exercida pelos homens que porque a Inglaterra decretara, em 1806, a
trabalhavam nas minas. proibição do tráfico de escravos em seus
b)atividade culinária exercida pelos moradores domínios.
cozinheiros que viviam nas regiões das minas. c)a conquista da região do rio da Prata em
c)atividade mercantil exercida pelos homens que represália à aliança entre a Espanha e a França de
transportavam gado e mercadoria. Napoleão.
d)atividade agropecuária exercida pelos tropeiros d)a abertura de estradas, que permitiu o
que necessitavam dispor de alimentos. rompimento do isolamento que vigorava entre as
e)atividade mineradora exercida pelos tropeiros províncias do país, o que dificultava a
no auge da exploração do ouro. comunicação antes de 1808.
e)o grande desenvolvimento econômico de
164 - (ENEM/2010) Portugal após a vinda de D. João VI para o Brasil,
Em 2008 foram comemorados os 200 anos da uma vez que cessaram as despesas de manutenção
mudança da família real portuguesa para o do rei e de sua família.
Brasil, onde foi instalada a sede do reino. Uma
sequência de eventos importantes ocorreu no 165 - (ENEM/2009)
período 1808-1821, durante os 13 anos em que No final do século XVI, na Bahia, Guiomar de
D. João VI e a família real portuguesa Oliveira denunciou Antônia Nóbrega à
permaneceram no Brasil. Inquisição. Segundo o depoimento, estalhe
dava “uns pós não sabe de quê, e outros pós de
Entre esses eventos, destacam-se os seguintes: osso de finado, os quais pós ela confessante deu
a beber em vinho ao dito seu marido para ser
• Bahia – 1808: Parada do navio que seu amigo e serem bem-casados, e que todas
trazia a família real portuguesa para o Brasil, estas coisas fez tendo-lhe dito a dita Antônia e
sob a proteção da marinha britânica, fugindo ensinado que eram coisas diabólicas e que os
de um possível ataque de Napoleão. diabos lha ensinaram”.

55
ARAÚJO, E. O teatro dos vícios. Transgressão e transigência e)da expulsão de vários líderes negros
nasociedade urbana colonial. Brasília: UnB/José Olympio,
1997. independentistas, que defendiam a implantação
de uma república negra, a exemplo do Haiti.
Do ponto de vista da Inquisição,
a)o problema dos métodos citados no trecho 167 - (ENEM/2009)
residia na dissimulação, que acabava por enganar As terras brasileiras foram divididas por meio
o enfeitiçado. de tratados entre Portugal e Espanha. De
b)o diabo era um concorrente poderoso da acordo com esses tratados, identificados no
autoridade da Igreja e somente a justiça do fogo mapa, conclui-se que
poderia eliminá-lo.
c)os ingredientes em decomposição das poções
mágicas eram condenados porque afetavam a
saúde da população.
d)as feiticeiras representavam séria ameaça à
sociedade, pois eram perceptíveis suas tendências
feministas.
e)os cristãos deviam preservar a instituição do
casamento recorrendo exclusivamente aos
ensinamentos da Igreja.

166 - (ENEM/2009)
No tempo da independência do Brasil,
circulavam nas classes populares do Recife BETHEL, L. História da América. V. I. São Paulo: Edusp,
trovas que faziam alusão à revolta escrava do 1997.
Haiti: a)Portugal, pelo Tratado de Tordesilhas, detinha o
controle da foz do rio Amazonas.
Marinheiros e caiados b)o Tratado de Tordesilhas utilizava os rios como
Todos devem se acabar, limite físico da América portuguesa.
Porque só pardos e pretos c)o Tratado de Madri reconheceu a expansão
O país hão de habitar. portuguesa além da linha de Tordesilhas.
AMARAL, F. P. do. Apud CARVALHO, A. Estudos d)Portugal, pelo Tratado de San Ildefonso, perdia
pernambucanos.Recife: Cultura Acadêmica, 1907.
territórios na América em relação ao de
Tordesilhas.
O período da independência do Brasil registra
e)o Tratado de Madri criou a divisão
conflitos raciais, como se depreende
administrativa da América Portuguesa em Vice-
a)dos rumores acerca da revolta escrava do Haiti,
Reinos Oriental e Ocidental.
que circulavam entre a população escrava e entre
os mestiços pobres, alimentando seu desejo por
168 - (ENEM/2009)
mudanças.
O Marquês de Pombal, ministro do rei Dom
b)da rejeição aos portugueses, brancos, que
José I, considerava os jesuítas como inimigos,
significava a rejeição à opressão da Metrópole,
também porque, no Brasil, eles catequizavam
como ocorreu na Noite das Garrafadas.
os índios em aldeamentos autônomos,
c)do apoio que escravos e negros forros deram à
empregando a assim chamada língua geral.
monarquia, com a perspectiva de receber sua
Em 1755, Dom José I aboliu a escravidão do
proteção contra as injustiças do sistema
índio no Brasil, o que modificou os
escravista.
aldeamentos e enfraqueceu os jesuítas.
d)do repúdio que os escravos trabalhadores dos
portos demonstravam contra os marinheiros,
Em 1863, Abraham Lincoln, o presidente dos
porque estes representavam a elite branca
Estados Unidos, aboliu a escravidão em todas
opressora.

56
as regiões do Sul daquele país que ainda
estavam militarmente rebeladas contra a
União em decorrência da Guerra de Secessão.
Com esse ato, ele enfraqueceu a causa do Sul,
de base agrária, favorável à manutenção da
escravidão. A abolição final da escravatura
ocorreu em 1865, nos Estados Unidos, e em
1888 no Brasil.

Nos dois casos de abolição de escravatura,


observam–se motivações semelhantes, tais
como
a)razões estratégicas de chefes de Estados
interessados em prejudicar adversários, para
Primeira Missa no Brasil – Victor Meireles (1861)
afirmar sua atuação política. Disponível em: http:/www.moderna.com.br Acesso em: 3 nov.
b)fatores culturais comuns aos jesuítas e aos 2008.
rebeldes do Sul, contrários ao estabelecimento de
um governo central.
c)cumprimento de promessas humanitárias de
liberdade e igualdade feitas pelos citados chefes
de Estado.
d)eliminação do uso de línguas diferentes do
idioma oficial reconhecido pelo Estado.
e)resistência à influência da religião católica,
comum aos jesuítas e aos rebeldes do sul.

169 - (ENEM/2009)
Distantes uma da outra quase 100 anos, as Primeira Missa no Brasil – Candido Portinari (1948)
duas telas seguintes, que integram o Disponível em: http:/www.casadeportinari.com.br Acesso em:
3 nov. 2008.
patrimônio cultural brasileiro, valorizam a
cena da primeira missa no Brasil, relatada na
carta de Pero Vaz de Caminha. Enquanto a
Ao comparar os quadros e levando–se em
primeira retrata fielmente a carta, a segunda –
consideração a explicação dada, observa–se
ao excluir a natureza e os índios – critica a
que
narrativa do escrivão da frota de Cabral. Além
a)a influência da religião católica na catequização
disso, na segunda, não se vê a cruz fincada no
do povo nativo é objeto das duas telas.
altar.
b)a ausência dos índios na segunda tela significa
que Portinari quis enaltecer o feito dos
portugueses.
c)ambas, apesar de diferentes, retratam um
mesmo momento e apresentam uma mesma visão
do fato histórico.
d)a segunda tela, ao diminuir o destaque da cruz,
nega a importância da religião no processo dos
descobrimentos.
e)a tela de Victor Meireles contribuiu para uma
visão romantizada dos primeiros dias dos
portugueses no Brasil.

57
170 - (FATEC SP/2019) d)criação e fiscalização do cumprimento das leis
Observe a imagem. referentes à moral e aos costumes dos moradores
de Minas Gerais, celebração semanal do rito da
missa e administração de sacramentos, como o
batismo, o casamento e a extrema unção.
e)criação dos órgãos de controle metropolitano
sobre a população de escravos e libertos,
regulamentação das práticas do Candomblé,
construção de casas para os irmãos de baixa renda
e desenvolvimento de sistemas de ensino
religioso ecumênico.

171 - (FM Petrópolis RJ/2019)

Johann Moritz Rugendas. Festa de Nossa Senhora do Rosário,


Patrona dos Negros, c.1835.<https://tinyurl.com/ybj66a52> BECK, A. “Armandinho” Diário Catarinense. Edição de 5 set.
Acesso em: 20/10/2018. Original colorido. 2017. Disponível
em:<http://dc.clicrbs.com.br/sc/entretenimento/noticia/2017/0
9/confira-a-tira-do-armandinho-desta-terca-feira-
A imagem retrata a festa em homenagem à 9887947.html>. Acesso em: 9 jul. 2018.
santa padroeira da irmandade religiosa de
Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, No contexto da independência brasileira, a
em Minas Gerais, no século XVIII. Segundo o charge ironiza o(a)
historiador Caio Boch, “as irmandades foram a)influência econômica inglesa sobre o Brasil
a mais viva expressão social das Minas Gerais b)imperialismo dos EUA sobre a América do Sul
do século XVIII”. De modo geral, as c)controle napoleônico sobre Portugal
irmandades são definidas como associações d)domínio brasileiro sobre a Província Cisplatina
constituídas por religiosos leigos e fiéis de e)vigência da União Ibérica
diferentes classes sociais que se dedicavam ao
culto de um padroeiro. 172 - (ESPM SP/2019)
A primeira vez que se mencionou o açúcar e a
Na região das Minas Gerais, no século XVIII, intenção de implantar uma produção desse
essas associações se caracterizavam pela gênero no Brasil foi em 1516, quando o rei D.
a)organização da vida social, construção de Manuel ordenou que se distribuíssem
igrejas e de cemitérios, organização de festas, machados, enxadas e demais ferramentas às
cuidados com os necessitados e formação pessoas que fossem povoar o Brasil e que se
profissional com o ensino dos ofícios mecânicos e procurasse um homem prático e capaz de ali
das artes. dar princípio a um engenho de açúcar.
b)organização da vida econômica, construção e Os primeiros engenhos começaram a
manutenção de estradas, criação dos órgãos de funcionar em Pernambuco no ano de 1535, sob
fiscalização e cobrança de impostos, e a direção de Duarte Coelho. A partir daí os
administração dos seminários coloniais, registros não parariam de crescer: quatro
responsáveis pela formação de novos padres. estabelecimentos em 1550; trinta em 1570, e
c)organização da vida política, construção de 140 no fim do século XVI. A produção de cana
hospitais e de escolas de educação básica, alastrava-se não só numericamente como
administração do patrimônio do Vaticano no espacialmente, chegando à Paraíba, ao Rio
Brasil e organização de bazares e feiras para Grande do Norte, à Bahia e até mesmo ao
arrecadação de donativos para os necessitados. Pará. Mas foi em Pernambuco e na Bahia,

58
sobretudo na região do recôncavo baiano, que (Schwartz, Stuart B. Segredos Internos:Engenhos e escravos
na sociedade colonial. São Paulo: Cia das Letras, 2005, p. 57)
a economia açucareira de fato prosperou.
Tiveram início, então, os anos dourados do
Sobre o trabalho escravo durante o período
Brasil da cana, a produção alcançando 350 mil
colonial é correto afirmar que
arrobas no final do século XVI.
(Lilia M. Schwarcz. Brasil: uma Biografia) a)o uso da mão de obra indígena estendeu-se
durante todo o período colonial. No primeiro
A partir do texto e considerando a economia momento, durante a extração do pau-brasil, os
açucareira e a civilização do açúcar, é correto portugueses utilizavam o escambo. No segundo
assinalar: momento, a partir da produção canavieira, foi
a)a cana de açúcar era um produto autóctone, ou organizada a escravidão dos povos indígenas.
seja, nativo do Brasil e gradativamente foi caindo b)desde o primeiro contato com os portugueses,
no gosto dos portugueses e dos europeus, a partir os indígenas foram submetidos ao trabalho
do século XVI; escravo. Seja na extração do pau-brasil seja na
b)a produção e comercialização do açúcar grande lavoura canavieira, o sistema escravista
ocorreram sob a influência do livre-cambismo em baseado na mão de obra nativa predominou diante
que se baseou o empreendimento colonial de outras formas de trabalho.
português; c)a partir da necessidade de mão de obra para a
c)a metrópole estabeleceu o monopólio real, produção canavieira, os povos indígenas foram
porém a comercialização do açúcar passou para submetidos à escravidão. Porém, a partir da
os porões dos navios holandeses, que acabaram chegada dos primeiros grupos de africanos, a
por assumir parte substancial do tráfego entre escravidão indígena foi paulatinamente
Brasil e Europa; abandonada até chegar ao fim em meados do
d)os portugueses mantiveram um rigoroso século XVII.
monopólio sobre o processo de produção e d)a escravidão indígena foi implantada durante o
refinação do açúcar, só permitindo a participação chamado Período Pré-colonial e tinha como
de estrangeiros na comercialização do produto; objetivo usar o máximo de mão de obra para a
e)para implantação da indústria canavieira no extração do pau-brasil. Com a implantação da
Brasil, o projeto colonizador luso precisava grande lavoura e a chegada dos africanos, a
contar com mão de obra compulsória e escravidão indígena perdeu força e foi
abundante, dada a extensão do território e por isso abandonada no século XVIII.
sempre privilegiou a utilização dos nativos, cuja e)após utilizar o trabalho indígena com o
captura proporcionava grandes lucros para a escambo, os portugueses recorrem à sua
coroa. escravização. Isso se deve à necessidade
portuguesa de mão de obra para a grande lavoura
e à indisposição indígena para o trabalho aos
moldes europeus. No século XVII, é substituída
173 - (Mackenzie SP/2019) definitivamente pela escravidão africana.
“A grande lavoura açucareira na colônia
brasileira iniciou-se com o uso extensivo da 174 - (UNITAU SP/2019)
mão de obra indígena (...) Do ponto de vista “Em fevereiro de 1709, Antonio de Almeida
dos portugueses, no período de escravidão Pereira, morador da freguesia de N. S. de
indígena, o sistema de relações de trabalho era Nazaré, no sertão da Bahia, denunciou que,
algo que fora pormenorizadamente elaborado. havia 3 ou 4 anos que naquele lugar Vicente
Tal período foi também aquele em que o Barboza, homem pardo, natural e morador na
contato entre os europeus e o gentio começou a fazenda de Francisco Barreto [...] fazia coisas
criar categorias e definições sociais e raciais contra o divino culto e graves ofensas a Deus
que caracterizaram continuamente a [...] como fazer altar em sua casa e em outras
experiência colonial.” mais e de biju fazia a hóstia, aplicando-a a sua
mulher estando ela enferma e orava a ela

59
repetidas vezes, na sua casa e na de outros Em 1801, na vila de Iguape, Inácio, escravo,
lavradores”. “desonrou” Maria, “mulher branca, ainda que
(Arquivo Nacional Torre do Tombo, Inquisição de Lisboa) plebeia”. A moça era muito pobre e órfã de
pai, sendo que a mãe e os irmãos, assim que
“Portugal, a partir do século XVI, havia se souberam de sua desonra “a lançaram fora da
lançado numa expansão ultramarina para a casa”. Ela então fez um rancho e nele passou a
África, o Brasil, o Oceano Índico e além, morar. Vivia com os filhos com tanta pobreza
chegando à China e ao Japão. Essa experiência que somente com seu trabalho e alguma ajuda
comercial e expansionista, de contato e que o escravo lhe dava se conseguia manter.
conflito, causou um impacto na estrutura Configurado concubinato, passaram a ser
mental da sociedade portuguesa, criando perseguidos pela Igreja. Maria explicou
algumas atitudes inesperadas. Tal como a perante as autoridades eclesiásticas que “a
existência de minorias culturais ou religiosas miséria a conduziu a cair no pecado” com o
dentro de Portugal, os contatos culturais no escravo, mas que esperava ter mais amparo
além-mar tinham um potencial de despertar casando-se com ele, ainda que cativo.
intolerância e confrontos violentos, mas SILVA, Maria B. N. da, (org.).História de São Paulo Colonial.
também apontavam para um possível convívio São Paulo: Unesp, 2008, p. 178. Adaptado.
com povos de outros hábitos e costumes”.
SCHWARTZ, S. Cada um na sua lei. São Paulo, Bauru, A família no período colonial permite várias
Companhia das Letras, Edusc, 2009, p. 148-149. Adaptado. abordagens. A observação de vivências
particulares em São Paulo colonial possibilitou
Considerando os textos acima, sobre a constatar, nas relações familiares afetivas,
religiosidade portuguesa no período colonial, é manifestações de solidariedade envolvendo
CORRETO afirmar: homens, mulheres e crianças. Dentre elas,
a)A doutrina da Reforma Protestante relativizou destaca-se a obtenção de liberdade pelos
as crenças em Portugal e nas colônias, pois escravos e a preservação da honra ou da
buscava o retorno ao cristianismo primitivo e honestidade feminina. Mas nem sempre a
outorgava maior importância ao aspecto interior solidariedade da família acompanhava o que
que exterior da religião. se considerava, então, a perda da honra, como
b)A sociedade portuguesa, como a sociedade mostra o texto acima.
colonial, apresentava elementos de profunda
religiosidade e também de ocasional heterodoxia Sobre esse último tema, a partir do texto
ou de dissidência religiosa, que levou a atitudes acima, é CORRETO afirmar que, nos séculos
consideradas heréticas. XVIII e XIX,
c)O convívio com o islamismo e com outras a)a preocupação com a honestidade feminina se
religiões, presentes nas regiões do império restringia às famílias da elite colonial, e a
português, levou a um tipo de universalismo solidariedade da família sempre acompanhava a
religioso ou relativismo das crenças e costumes perda do que se considerava a honra, acolhendo e
nas colônias. amparando a mulher.
d)A religiosidade colonial era diferente da b)A preocupação com a honestidade feminina era
cristandade romana devido a sua excentricidade constante, e a impossibilidade de os pais
em relação a Roma, gerando lacunas que foram cumprirem sua obrigação poderia levar as
ocupadas pelo pensamento reformado. mulheres, mesmo as mais pobres, a se ausentarem
e)A sociedade portuguesa, como a sociedade da colônia em busca de casamento na metrópole.
colonial, não incorporou formas populares de c)A preocupação com a honestidade feminina
religiosidade e permaneceu profundamente estava vinculada à possibilidade de sustento, na
marcada pela ortodoxia romana. medida em que havia o temor de que a mulher
destituída de recursos recorresse ao meretrício
175 - (UNITAU SP/2019) para se manter.

60
d)A preocupação com a honestidade feminina era Reino e de outras partes. De todas as partes do
menos importante, pois a esperança de uma vida Brasil, se começou a enviar tudo o que dá a
melhor para a mulher na colônia, por meio do terra, com lucro não somente grande, mas
casamento, sempre se concretizava. excessivo. Daqui se seguiu, mandarem-se às
e)A preocupação com a honestidade feminina Minas Gerais as boiadas de Paranaguá, e às do
devia-se principalmente à Igreja, a quem cabia a rio das Velhas, as boiadas dos campos da
ajuda às mulheres, da elite ou não, com base no Bahia, e tudo o mais que os moradores
sentimento cristão de caridade e de ajuda ao imaginaram poderia apetecer-se de qualquer
próximo. gênero de cousas naturais e industriais,
adventícias e próprias.
176 - (UNICAMP SP/2019) (Adaptado de André Antonil, Cultura e Opulência do Brasil.
Belo Horizonte: Itatiaia-Edusp, 1982, p. 169-171.)
Entre os séculos XVII e XVIII, o nheengatu se
tornou a língua de comunicação interétnica
Sobre os efeitos da descoberta das grandes
falada por diversos povos da Amazônia. Em
jazidas de metais e pedras preciosas no
1722, a Coroa exortou os carmelitas e os
interior da América portuguesa na formação
franciscanos a capacitarem seus missionários a
histórica do centro-sul do Brasil, é correto
falarem esta língua geral amazônica tão
afirmar que:
fluentemente como os jesuítas, já que em 1689
a)A demanda do mercado consumidor criado na
havia determinado seu ensino aos filhos de
zona mineradora permitiu a conexão entre
colonos.
(Adaptado de José Bessa Freire,Da “fala boa” ao português na diferentes partes da Colônia que até então eram
Amazônia brasileira. Ameríndia, Paris, n. 8, 1983, p.25.) pouco integradas.
b)A partir da criação de rotas de comércio entre
Com base na passagem acima, assinale a os campos do sul da Colônia e a região
alternativa correta. mineradora, Sorocaba e suas feiras perderam a
a)Os jesuítas criaram um dicionário baseado em relevância econômica adquirida no século XVII.
línguas indígenas entre os séculos XVI e XIX, c)O desenvolvimento socioeconômico da região
que foi amplamente usado na correspondência e das minas e do centro-sul levou a Coroa a
na administração colonial nos dois lados do deslocar a capital da Colônia de Salvador para
Atlântico. Ouro Preto em 1763.
b)O texto permite compreender a necessidade de d)Como o solo da região mineradora era infértil,
o colonizador português conhecer e dominar a durante todo o século XVIII sua população
língua para poder disciplinar os índios em toda a importava os produtos alimentares de Portugal ou
Amazônia durante o período pombalino e no de outras capitanias.
século XIX.
c)O aprendizado dessa língua associava-se aos 178 - (PUCCamp SP/2019)
projetos de colonização, visando ao controle da A crítica mais recente tem visto com reservas
mão de obra indígena pelos agentes coloniais, as comparações que somente afinam o
como missionários, colonos e autoridades. indianismo brasileiro romântico “pelo
d)A experiência do nheengatu desapareceu no diapasão europeu da romantização das origens
processo de exploração da mão de obra indígena nacionais”, como diz Alfredo Bosi ao falar
na Amazônia e em função da interferência da sobre o indianismo de Alencar e compará-lo ao
Coroa, que defendia o uso da língua portuguesa. de Gonçalves Dias. Segundo lembra o crítico,
ao índio brasileiro, como “elemento nacional”,
177 - (UNICAMP SP/2019) devia caber o papel de rebelde na polarização
Tanto que se viu a abundância do ouro que se Brasil/Portugal, colônia/metrópole. Mas o
tirava e a largueza com que se pagava tudo o mundo alencariano era conservador e se
que lá ia, logo se fizeram estalagens e logo satisfazia em esgotar seus sentimentos de
começaram os mercadores a mandar às Minas rebeldia meramente ao jugo colonial: por isso,
Gerais o melhor que chega nos navios do

61
o índio de Alencar entra em comunhão com o d)desbravarem o interior do território a partir de
colonizador. uma base estabelecida em São Paulo, expulsando
(GUIDIN, Márcia Lígia. Poesia indianista. Obra indianista os espanhóis, sobre os quais detinham
completa. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. XXXI)
incontestável primazia militar.
e)povoarem a região que até então era desabitada,
A idealização romântica da conquista
por meio de casamentos com índias e oferta de
portuguesa na América, tal como se observa
proteção às missões jesuíticas.
no indianismo do século XIX, enalteceu
a)a resistência indígena aos bandeirantes de São
180 - (PUCCamp SP/2019)
Paulo, recusando a fé católica, o jugo colonial e a
Do catolicismo vinha a representação da
escravidão.
monarquia como uma comunidade irmanada
b)o pacto luso-tapuia, que afastou este povo da
(...). Por esta via, a sociedade imperial
aliança com os franceses, que tentaram diversas
encontrava um lugar para os homens livres
vezes se fixar no litoral.
pobres e os escravos: sua incorporação era
c)a coragem dos conquistadores portugueses que
simbólica (...) O catolicismo era também
enfrentaram sozinhos os perigos do Novo Mundo.
religião de Estado. A separação entre as
d)a aliança luso-tupi que envolvia troca de
esferas política e religiosa não se fizera, de
utensílios e tecnologia militar portuguesa por
modo que as instituições políticas não eram
prestação de serviços.
laicas. A Igreja dava auxílio vital ao Estado no
e)o conluio entre colonos e padres na guerra
controle social, especialmente onde os braços
contra os índios tupis que lutavam contra o
estatais eram mais curtos: no meio rural.
avanço português território adentro. (ALONSO, Angela. Ideias em movimento. A geração 1870 na
crise do Brasil Império. São Paulo, Paz e Terra 2002, p. 64)
179 - (PUCCamp SP/2019)
Sem dúvida, a construção do enredo regional No contexto dado, a frase Por esta via, a
paulista deu-se, no IHGSP, tendo como base sociedade imperial encontrava um lugar para os
aspectos seletivos de grave consequência. A homens livres pobres e os escravos: sua
identificação dos seus escritores com o passado incorporação era simbólica deve ser entendida
não comportava a presença negra: sua ciência de modo a fazer compreender
– literatura abria espaço, apenas, ao lendário a)que a incorporação do escravo nas igrejas
mundo dos herdeiros da nobreza europeia, de católicas era a saída de que dispunham para se
braços dados com os seguidores de Peri- libertarem das duras amarras da escravidão.
Tibiriçá. b)as razões pelas quais os senhores proprietários
(Ferreira, Antonio Celso. A epopeia bandeirante: letrados, de terra não estabeleciam qualquer diferença
instituições, invenção histórica (1870-1940). São Paulo, Ed.
UNESP, 2002, p. 147) entre o homem escravizado e o homem pobre
livre.
Na sociedade colonial portuguesa, e c)o fato de que os escravos contavam, muitas
especialmente na região de São Paulo, os vezes, com igrejas especialmente destinadas aos
bandeirantes tiveram marcada presença ao seus cultos, sempre respeitados os parâmetros do
a)constituírem vilas e alimentarem o comércio catolicismo.
local e regional com as práticas de apresamento d)que o simbolismo religioso era tão frágil que
de índios. muitas vezes os dogmas da igreja católica cediam
b)aliarem-se a jesuítas para promover a guerra espaço para valores da caminhada abolicionista.
justa contra o Cacique Tibiriçá e iniciarem as e)os motivos que levavam os escravos e os
primeiras explorações de ouro. homens pobres livres a se associar à igreja para
c)representarem oficialmente a Coroa, por se um combate simbólico contra o regime de
tratarem de portugueses e descendentes diretos servidão.
destes, assumindo o governo das capitanias da
região sul e sudeste. 181 - (FAMEMA SP/2018)

62
Havia muito capital e muita riqueza entre os a)aos desdobramentos da Revolução
lavradores de cana, alguns ligados por laços de Pernambucana do ano anterior, que ameaçara o
sangue ou matrimônio aos senhores de domínio português sobre o centro-sul do Brasil.
engenho. Havia também um bom número de b)às demandas da Revolução Constitucionalista
mulheres, não raro viúvas, participando da do Porto, exigindo a volta imediata do monarca a
economia açucareira. Digno de nota até o fim Portugal.
do século XVIII, contudo, era o fato de os c)à posição de independência de D. João VI em
lavradores de cana serem quase relação às pressões da Santa Aliança para que
invariavelmente brancos. Os negros e mulatos interviesse nas guerras do rio da Prata.
livres simplesmente não dispunham de d)às implicações que os movimentos de
créditos ou capital para assumir os encargos independência na América espanhola traziam
desse tipo de agricultura. para a dominação portuguesa no Brasil.
(Stuart Schwartz. “O Nordeste açucareiro no Brasil Colonial”. e)ao projeto de D. João VI para que seu filho D.
In: João Luis R. Fragoso e Maria de Fátima Gouvêa (orgs). O
Brasil Colonial, vol 2, 2014.) Pedro se tornasse imperador do Brasil
O excerto indica que a sociedade colonial independente.
açucareira foi
a)organizada em classes, cuja posição dependia 183 - (UNICAMP SP/2018)
de bens móveis. As plantações de mandioca encontradas pelas
b)apoiada no trabalho escravo, principalmente o saúvas cortadeiras nas roças indígenas eram
dos lavradores de cana. apenas uma entre várias outras. Em muitas
c)baseada na “limpeza de sangue”, portanto se situações, a composição química das folhas
proibia a miscigenação. favorecia a escolha de outras plantas e a
d)determinada pelos recursos financeiros, o que folhagem da mandioca era cortada apenas
impedia a mobilidade. quando as preferidas das saúvas não eram
e)hierarquizada por critérios diversos, tais como a suficientes. Já na agricultura comercial,
etnia e riqueza. machados e foices de ferro permitiam abrir
clareiras em uma escala maior, resultando em
182 - (FUVEST SP/2018) grande homogeneidade da flora. Nas lavouras
Na edição de julho de 1818 do Correio de mandioca de finais do século XVII e do
Braziliense, o jornalista Hipólito José da início do século XVIII, as folhas da mandioca
Costa, residente em Londres, publicou a tornavam-se uma das poucas opções das
seguinte avaliação sobre os dilemas então formigas. Depois de mais algumas colheitas, a
enfrentados pelo Império português na infestação das formigas tornava-se
América: insuportável, por vezes causando o completo
despovoamento humano da área.
(Adaptado de Diogo Cabral, 'O Brasil é um grande
A presença de S.M. [Sua Majestade Imperial] formigueiro’: território, ecologia e a históriaambiental da
no Brasil lhe dará ocasião para ter mais ou América Portuguesa – parte 2. HALAC – História Ambiental
menos influência naqueles acontecimentos; a Latinoamericana yCaribeña. Belo Horizonte, v. IV, n. 1, p. 87-
113, set. 2014-fev. 2015.)
independência em que el-rei ali se acha das
intrigas europeias o deixa em liberdade para
A partir da leitura do texto e de seus
decidir-se nas ocorrências, segundo melhor
conhecimentos sobre História do Brasil
convier a seus interesses. Se volta para Lisboa,
Colônia, assinale a alternativa correta.
antes daquela crise se decidir, não poderá
a)A principal diferença entre as lavouras
tomar parte nos arranjamentos que a nova
indígenas e a agricultura comercial colonial
ordem de coisas deve ocasionar na América.
estava no uso de queimadas pelos europeus, o que
não era praticado pelas populações autóctones.
Nesse excerto, o autor referia-se
b)Comparadas à mandioca cultivada pelos
indígenas, as novas espécies de mandioca trazidas
da Europa eram menos resistentes às formigas

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cortadeiras, e por isso mais susceptíveis à c)toleraram as religiosidades dos povos nativos e
infestação. assim conseguiram convencê-los a colaborar com
c)Os colonizadores introduziram no território o avanço da colonização.
colonial novas espécies de mandioca e milho, que d)rejeitaram os regimes de trabalho compulsório,
desequilibraram o sistema agrícola ameríndio, mas estimularam o emprego de mão de obra
baseado no sistema rotativo de plantação. indígena em obras públicas.
d)A agricultura comercial tendia à e)desenvolveram missões de cristianização dos
homogeneização da flora nas lavouras da nativos e facilitaram o emprego de mão de obra
América Portuguesa, combinando tradições indígena na empresa colonial.
europeias de plantio com práticas indígenas.
185 - (UNITAU SP/2018)
184 - (UNESP SP/2018) Redescobertas no ano de 2011, em um achado
Em 1500, fazia oito anos que havia presença arqueológico na área portuária da cidade do
europeia no Caribe: uma primeira tentativa de Rio de Janeiro, as pedras do antigo cais de
colonização que ninguém na época podia escravos do Valongo, desde então expostas ao
imaginar que seria o prelúdio da conquista e público como monumento, são um testemunho
da ocidentalização de todo um continente e até, mudo de parte da história brasileira. No
na realidade, uma das primeiras etapas da Valongo, nas encostas de seus morros,
globalização. funcionou o maior mercado de escravos do
A aventura das ilhas foi exemplar para toda a Brasil – lugar até há pouco tempo esquecido,
América, espanhola, inglesa ou portuguesa, no sentido de apartado de uma certa narrativa
pois ali se desenvolveu um roteiro que se da cidade e do país. Naquele trecho do litoral,
reproduziu em várias outras regiões do passaram mais de 700 mil africanos, de
continente americano: caos e esbanjamento, meados do século XVIII até 1831, quando o
incompetência e desperdício, indiferença, tráfico passou a ser feito de modo ilegal.
massacres e epidemias. A experiência serviu JORDÃO, R. P. O Valongo de Machado na cartografia do Rio
de Janeiro: a escravidão em cenana cidade, in Machado de
pelo menos de lição à coroa espanhola, que Assis em Linha, São Paulo, vol.8, n.16, dez. 2015. Adaptado.
tentou praticar no resto de suas possessões
americanas uma política mais racional de Estimativas de importação de escravos para o
dominação e de exploração dos vencidos: a Brasil no período de 1801 a 1866.
instalação de uma Igreja poderosa,
dominadora e próxima dos autóctones, assim
como a instalação de uma rede administrativa
densa e o envio de funcionários zelosos, que
evitaram a repetição da catástrofe antilhana.
(Serge Gruzinski. A passagem do século: 1480-1520: as origens Fonte: Banco de Dados do Tráfico Transatlântico de Escravos.
da globalização, 1999. Adaptado.) Disponível em http://www.slavevoyages.org/voyage/. Acesso
set 2017.
“A instalação de uma Igreja poderosa,
dominadora e próxima dos autóctones” A partir do texto e da tabela apresentados
contribuiu para a dominação espanhola e anteriormente, é CORRETO afirmar, sobre o
portuguesa da América, uma vez que os tráfico de escravos para o Brasil:
religiosos a)O maior volume de importação de escravos
a)mediaram os conflitos entre grupos indígenas ocorreu a partir de 1831, e o fim do tráfico
rivais e asseguraram o estabelecimento de aconteceu, definitivamente, em 1850, pois acabar
relações amistosas destes com os colonizadores. com o comércio de escravos pressupunha um
b)aceitaram a imposição de tributos às processo gradual, sobre o qual a pressão inglesa
comunidades indígenas, mas impediram a desempenhou um papel fundamental.
utilização de nativos na agricultura e na b)O maior volume de importação de escravos no
mineração. Brasil ocorreu devido à exploração de ouro em

64
Minas Gerais, no século XVIII. Com o declínio b)consolidação do poder da Igreja junto às
da economia mineradora, a necessidade de Monarquias ibéricas, interessada tanto em
reduzir o número de escravos africanos levou à reprimir o avanço mulçumano no Mediterrâneo,
proibição do tráfico atlântico e ao quanto em cristianizar os indígenas do Novo
desenvolvimento do comércio interno de Continente.
escravos. c)busca por ouro e prata no litoral americano,
c)O maior volume do tráfico de escravos ocorreu para suprir a escassez de metais preciosos na
até 1831, tendo sido proibido totalmente nessa Europa, o que prejudicava a continuidade do
data, devido ao clima político liberal e reformista comércio com o Oriente.
vigente no Brasil desde a abdicação de D. Pedro I d)conquista do litoral brasileiro e sua ocupação,
e à queda na procura de escravos, motivada pelo garantindo que a coroa portuguesa tomasse posse
aumento das importações que se seguiram ao dos territórios a ela concedidos, pelo Tratado de
decreto de abertura dos portos, em 1808. Tordesilhas, em 1494.
d)O tráfico atlântico de escravos foi proibido em e)tomada oficial das terras garantidas a Portugal,
1831, porém, após essa data, e até 1850, as pelo acordo de Tordesilhas, e o controle
articulações políticas e econômicas possibilitaram exclusivo português da rota atlântica, dando-lhes
a continuidade da vinda de grandes quantidades acesso ao lucrativo comércio de especiarias.
de africanos escravizados.
e)A importação de escravos cresceu após 1826, 187 - (Mackenzie SP/2018)
quando surgiu, no interior das instituições “(...). Conquistar a emancipação definitiva e
políticas, a iniciativa de acabar com o tráfico, real da nação, ampliar o significado dos
reforçada pela mobilização social antiescravista princípios constitucionais foi tarefa delegada
no espaço público, o que levou à criação da lei de aos pósteres”.
fim do tráfico de 1831. COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república:
momentos decisivos. São Paulo; Livraria Editora Ciências
Humanas, 1979. P.50.
186 - (Mackenzie SP/2018)
“(...) Neste dia, a horas de véspera, houvemos A análise acima, da historiadora EmíliaViotti
vista de terra! Primeiramente dum monte, mui da Costa, refere-se à proclamação da
alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao independência do Brasil, em 7 de setembro de
sul dele; e de terra chã, com grandes 1822. A análise da autora, a respeito do fato
arvoredos: ao monte alto o capitão pôs o nome histórico, aponta que
– o Monte Pascoal, e à terra – a Terra de Vera a)apesar dos integrantes da elite nacional terem
Cruz.” alcançado seu objetivo: o de romper com os
CAMINHA, Pero Vaz de. “Carta. In: Freitas a el -rei D.
Manuel”.In FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos estatutos do plano colonial, no que diz respeito às
de história. Lisboa: Plátano, 1986. V. II, p. 99-100. restrições à liberdade de comércio, e à conquista
da autonomia administrativa, a estrutura social do
O texto acima é parte da carta do escrivão, país, porém, não foi alterada.
Pero Vaz de Caminha, tripulante a bordo da b)a independência do Brasil foi um fato isolado,
armada de Pedro Álvarez Cabral, ao rei no contexto americano de luta pela emancipação
português D. Manuel, narrando o das metrópoles. Isso se deu porque era a única
descobrimento do Brasil. Essa expedição colônia de língua portuguesa, e porque adotava,
marítima pode ser entendida no contexto como regime de trabalho, a escravidão africana.
socioeconômico da época, como uma c)caberia, às futuras gerações de brasileiros, o
a)tentativa de obtenção de novas terras, no esforço no sentido de impor seus valores para
continente europeu, para ceder aos nobres Portugal, rompendo, definitivamente, os impasses
portugueses, empobrecidos pelo declínio do econômicos impostos à Colônia pela metrópole
feudalismo, verificado durante todo o século portuguesa desde o início da colonização.
XIV. d)apesar de alguns setores da elite nacional
possuírem interesses semelhantes à burguesia

65
mercantil lusitana e, portanto, afastando-se do A rebelião começou quando o governo
processo emancipatório nacional, com a eminente português proibiu a circulação de ouro em pó,
vinda de tropas portuguesas para o país, passaram exigindo que todo o ouro extraído fosse
a apoiar a ideia de independência. entregue às Casas de Fundição, onde seria
e)assim como Portugal passava por um processo transformado em barras e quintado.
de reestruturação, após a Revolução Liberal do (Cláudio Vicentino. História do Brasil)
Porto; no Brasil, esse movimento emancipatório
apenas havia começado e só fora concluído, com A rebelião a que o texto se refere foi:
a subida antecipada ao trono, de D. Pedro II, em a)a Inconfidência Mineira;
1840. b)a Inconfidência Baiana;
c)a Guerra dos Mascates;
188 - (ESPM SP/2018) d)a Revolta de Felipe dos Santos;
A colonização levou à exploração do trabalho e)a Guerra dos Emboabas.
indígena e foi responsável por muita
dizimação. É ainda na conta da colonização 190 - (ESPM SP/2018)
que se deve pôr o recrudescimento das guerras Em 1549 o rei D. João III decidiu, sem abolir o
indígenas, que, se já existiam internamente, sistema de capitanias hereditárias, instituir um
eram agora provocadas também pelos colonos, novo regime.
os quais faziam aliados na mesma velocidade Acompanhado por quatrocentos soldados,
com que criavam inimigos. Havia nesse seiscentos degredados, seis jesuítas e muitos
contexto índios aldeados e aliados dos mecânicos, partiu de Lisboa o primeiro
portugueses, e índios inimigos. governador-geral, Tomé de Souza, que
Uma das atribuições dos índios aldeados era aportou à baía de Todos-os-Santos em fins de
tomar parte nas guerras promovidas pelos março de 1549.
portugueses contra índios hostis e servir como Com o governador chegaram também o
povos estratégicos para impedir a entrada de ouvidor-geral, Pero Borges e o provedor-mor,
estrangeiros. Antônio Caridoso de Barros.
Os índios aldeados e aliados foram (Capistrano de Abreu. Capítulos de História Colonial)
mobilizados para expulsar os franceses de
Villegagnon, o qual, por sua vez se uniu a O ouvidor-geral e o provedor-mor desem-
índios amigos que apoiaram a incursão penhavam, respectivamente, funções de:
francesa na baía da Guanabara. a)defesa – administração civil;
(Lilia Moritz Schwarcz. Brasil uma Biografia) b)justiça – fazenda;
c)fazenda – defesa;
A respeito do texto é correto assinalar que: d)administração militar – justiça;
a)os indígenas aldeados e aliados dos e)administração da capital – vereança.
portugueses, na guerra contra os franceses de
Villegagnon, eram os Tupinambás;
b)os indígenas aldeados e aliados dos
portugueses, na guerra contra os franceses de 191 - (Famerp SP/2018)
Villegagnon, eram os Araucanos; “A Bahia é cidade d’El-Rei, e a corte do
c)os indígenas que apoiaram os franceses de Brasil; nela residem os Srs. Bispo,
Villegagnon foram os Tapuias; Governador, Ouvidor-Geral, com outros
d)os indígenas que apoiaram os franceses de oficiais e justiça de Sua Majestade; [...]. É
Villegagnon foram os Tupinambás; terra farta de mantimentos, carnes de vaca,
e)os indígenas que apoiaram os franceses de porco, galinha, ovelhas, e outras criações; tem
Villegagnon foram os Charruas. 36 engenhos, neles se faz o melhor açúcar de
toda a costa; [...] terá a cidade com seu termo
189 - (ESPM SP/2018) passante de três mil vizinhos Portugueses, oito

66
mil Índios cristãos, e três ou quatro mil A partir dessa breve história da cachaça no
escravos da Guiné.” Brasil, é correto afirmar que
(Fernão Cardim. Tratados da terra e gente do Brasil, 1997.) a)essa produção prejudicou os negócios
relacionados ao açúcar, porque desviava parte
O padre Fernão Cardim foi testemunha da considerável da mão de obra e dos capitais, além
colonização portuguesa do Brasil de 1583 a de incentivar o tráfico negreiro em detrimento do
1601. O excerto faz uma descrição de uso do trabalho compulsório indígena, que mais
Salvador, sede do Governo-Geral, referindo- interessava ao Estado português.
se, entre outros aspectos, à b)esse item motivou recorrentes conflitos entre as
a)incorporação pelos colonizadores dos padrões elites colonial e metropolitana, condição em parte
culturais indígenas. solucionada quando as regiões africanas
b)ligação da atividade produtiva local com o fornecedoras de escravos se tornaram também
comércio internacional. produtoras de cachaça, o que desestimulou a sua
c)miscigenação crescente dos grupos étnicos produção na América portuguesa.
presentes na cidade. c)essa bebida tem uma trajetória que comprova a
d)existência luxuosa da nobreza portuguesa na ausência de domínio da metrópole sobre a
capital da colônia. América portuguesa, porque as restrições ao
e)dependência da população em relação à comércio e à produção de mercadorias no espaço
importação de produtos de sobrevivência. colonial não surtiam efeitos práticos e coube aos
senhores de engenho impor a ordem na Colônia.
192 - (FGV/2018) d)esse produto desrespeitava um princípio central
A agromanufatura da cana resultaria em nas relações que algumas metrópoles europeias
outro produto tão importante quanto o impunham aos seus espaços coloniais, nesse caso,
açúcar: a cachaça. Alambiques proliferaram a quebra do monopólio de grupos mercantis do
ao longo dos séculos coloniais. A reino e a concorrência a produtos da metrópole.
comercialização da bebida afetava e)essa mercadoria recebeu um impulso
profundamente a importação de vinhos de importante, mesmo contrariando as
Portugal. Esse comércio era obrigatório, pois determinações metropolitanas, mas,
por meio dos tributos pagos pelas cotas do gradativamente, perdeu a sua importância, em
vinho importado é que a Coroa pagava as suas especial quando o tabaco e os tecidos de algodão
tropas na Colônia. A cachaça produzida aqui assumiram a função de moeda de troca por
passou a concorrer com os vinhos, com escravos na África.
vantagens econômicas e culturais. Essa
concorrência comercial entre colônia e 193 - (FGV/2018)
metrópole se estendeu para as praças Como a sociedade do reino e as dos núcleos
negreiras e rotas de comercialização de mais antigos de povoamento – a de
escravos na África portuguesa. A cachaça Pernambuco, Bahia ou São Paulo – seguiam,
brasileira, por ser a bebida preferida para os em Minas, os princípios estamentais de
negócios de compra e venda de escravos estratificação, ou seja, pautavam-se pela
africanos, colocou em grande desvantagem a honra, pela estima, pela preeminência social,
comercialização dos vinhos portugueses pelo privilégio, pelo nascimento. A grande
remetidos à África. A longa queda de braço diferença é que, em Minas, o dinheiro podia
mercantil acabou favorecendo afinal a comprar tanto quanto o nascimento, ou
cachaça, porque sem ela, nada de escravos, “corrigi-lo”, bem como a outros “defeitos” (...)
nada de produção na Colônia, com Como rezava um ditado na época, “quem
consequências graves para a arrecadação do dinheiro tiver, fará o que quiser”.
reino. (Laura de Mello e Souza. Canalha indômita. Revista de
(Ana Maria da Silva Moura. Doce, amargo açúcar. Nossa História da Biblioteca Nacional, ano 1, no 2, ago. 2005.
História, ano 3, no 29, 2006. Adaptado) Adaptado)

67
No Brasil colonial, tais “defeitos” referem-se c)a transformação da colônia em Reino Unido a
a)aos que fossem acusados pelo Tribunal da Santa Portugal e Algarves, e a proibição do tráfico de
Inquisição e aos que estivessem na Colônia sem a escravos.
permissão do soberano português. d)a definição das fronteiras que hoje compõem o
b)ao exercício de qualquer prática comercial mapa político atual do Brasil e o estreitamento de
desvinculada da exportação e à condição de não laços econômicos com a Inglaterra.
ser proprietário de terras e escravos. e)a concretização da União Ibérica, por meio da
c)aos que explorassem ilegalmente o trabalho atuação política de Carlota Joaquina, e a
compulsório dos indígenas e aos colonos que não distribuição de títulos nobiliárquicos como
fizessem parte de alguma irmandade religiosa. estratégia de troca de favores.
d)aos colonos que se casavam com pessoas
vindas da Metrópole e aos que afrontassem, por 195 - (PUCCamp SP/2018)
qualquer meio, os chamados “homens bons”. Dentre os fatores que contribuíram para que
e)aos de sangue impuro, representados pela D. Pedro I proclamasse a Independência do
ascendência moura, africana ou judaica, e aos Brasil, havia
praticantes de atividades artesanais ou a)a pressão exercida pelas correntes positivistas e
relacionadas ao pequeno comércio. os movimentos tenentistas, exigindo que o Brasil,
de forma semelhante aos países vizinhos, aderisse
TEXTO COMUM às questões: 194 e 195 ao regime republicano, em prol da ordem e do
A nossa independência ainda não foi progresso.
proclamada. Frase típica de D. João VI: − Meu b)a articulação política entre militares, a elite
filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que ilustrada e alguns políticos ligados ao Partido
algum aventureiro o faça. Expulsamos a Liberal, motivada pela insatisfação com a
dinastia. É preciso expulsar o espírito histórica subordinação do Brasil a Portugal.
bragantino, as ordenações e o rapé de Maria c)a mobilização da elite portuguesa, após a
da Fonte. Revolução Liberal do Porto, pressionando o
Contra a realidade social, vestida e opressora, príncipe regente para que regressasse a sua terra
cadastrada por Freud − a realidade sem natal e para que o Brasil voltasse à condição
complexos, sem loucura, sem prostituições e colonial.
sem penitenciárias do matriarcado de d)o impacto do crescimento de movimentos
Pindorama. populares independentistas, a exemplo da
(ANDRADE, Oswald de. Manifesto Antropófago. Revista de Confederação do Equador, em Pernambuco, e da
Antropofagia, n. 1, ano 1, maio de 1928. Apud SCHWARTZ,
Jorge (org). Vanguardas latino-americanas. Cabanagem, no Grão-Pará, que tiveram grande
Polêmicas,manifestos e textos críticos. São Paulo:Edusp/ repercussão nacional.
Iluminuras/ Fapesp, 1995, p. 147) e)a rejeição nacional à monarquia da coroa
portuguesa e à escravidão, uma vez que os países
194 - (PUCCamp SP/2018) vizinhos ao Brasil já eram repúblicas e haviam
A transferência da família real portuguesa abolido o trabalho escravo.
para o Brasil foi sucedida por algumas
mudanças importantes na relação entre
Portugal e sua principal colônia, que
ocorreram ao longo do governo de D. João VI, 196 - (ESPM SP/2017)
tais como: O ouro saiu com fartura da terra até por volta
a)o acirramento do Pacto Colonial e a liberação de 1750. Durante esse tempo, o trânsito de
da criação de manufaturas e fábricas no território pessoas e mercadorias foi intenso no caminho
brasileiro, aumentando a integração econômica novo. Por ele chegavam a Vila Rica açúcar,
entre metrópole e colônia. cachaça, gado, pólvora, fumo, azeites, arroz,
b)a abertura dos portos às nações amigas de sal do reino, marmelada e vinhos. Com a
Portugal e a intensificação do controle da multiplicação das vilas e dos arraiais, as
extração e da comercialização de minérios. minas, passaram a ser abastecidas de toda a

68
sorte de bugigangas: vidro, espelhos, arma de
fogo, facas flamengas, louças, chumbo, Sobre o documento acima e seus significados
veludos, fivelas, pelúcia, calções de damasco atuais, é correto afirmar que
carmesim, chapéus com fitas debruadas de fios a)foi escrito por uma autoridade da Coroa na
de ouro e prata, botinas de couro amarradas colônia e tem como principal conteúdo a
por cordões, casacos forrados de seda ou de lã comemoração da morte de Zumbi dos Palmares.
felpuda. A data de 20 de novembro, como referência ao
(Lilia Schwarcz e Heloisa Starling. Brasil: uma biografia) líder do quilombo, tem uma conotação simbólica
para a população negra em contraponto à visão
A partir do texto é possível concluir que uma oficial do 13 de maio de 1888.
das consequências da mineração foi: b)o feito da tomada de Palmares, em 1694, pelos
a)a ruralização, pois a população buscava exércitos da Coroa, é entendido como menos
oportunidades de sobrevivência em áreas glorioso quando comparado à expulsão dos
afastadas de núcleos urbanos; holandeses de Pernambuco, em 1654. Os dois
b)um desenvolvimento comercial associado ao eventos históricos não têm o mesmo apelo para a
surgimento de uma urbanização e a maiores formação da sociedade brasileira na atualidade.
oportunidades no mercado interno; c)o texto de Caetano de Melo e Castro indica que
c)uma retração dos movimentos culturais e Palmares não gerou temor às estruturas coloniais
intelectuais locais em razão da influência cada da Capitania de Pernambuco. A comemoração
vez maior da cultura estrangeira; oficial do Dia da Consciência Negra é uma
d)um decréscimo demográfico em função da invenção política do período recente.
emigração produzida pela falta de oportunidades, d)o Quilombo de Palmares representou uma
na colônia; ameaça aos poderes coloniais, já que muitos eram
e)um deslocamento do centro de gravidade os rebeldes que se organizavam ou se aliavam ao
econômica da região central para o nordeste do quilombo. A data é celebrada, na atualidade,
Brasil. como símbolo da resistência pelos movimentos
negros.
197 - (UNICAMP SP/2017)
O documento abaixo foi redigido pelo 198 - (UNESP SP/2017)
governador de Pernambuco, Caetano de Melo Em meados do século o negócio dos metais não
e Castro, em 18 de agosto de 1694, para ocuparia senão o terço, ou bem menos, da
comunicar ao Rei de Portugal a tomada da população. O grosso dessa gente compõe-se de
Serra da Barriga. mercadores de tenda aberta, oficiais dos mais
“(...) Não me parece dilatar a Vossa Majestade variados ofícios, boticários, prestamistas,
da gloriosa restauração dos Palmares, cuja estalajadeiros, taberneiros, advogados,
feliz vitória senão avalia por menos que a médicos, cirurgiões-barbeiros, burocratas,
expulsão dos holandeses, e assim foi festejada clérigos, mestres-escolas, tropeiros, soldados
por todos estes povos com seis dias de da milícia paga. Sem falar nos escravos, cujo
luminárias. (...) Os negros se achando de modo total, segundo os documentos da época,
poderosos que esperavam o nosso exército ascendia a mais de cem mil. A necessidade de
metidos na serra (....), fiando-se na aspereza do abastecer-se toda essa gente provocava a
sítio, na multidão dos defensores. (...) Temeu- formação de grandes currais; a própria
se muito a ruína destas Capitanias quando à lavoura ganhava alento novo.
vista de tamanho exército e repetidos socorros (Sérgio Buarque de Holanda. “Metais e pedras
como haviam ido para aquela campanha preciosas”.História geral da civilização brasileira, vol 2, 1960.
Adaptado.)
deixassem de ser vencidos aqueles rebeldes
pois imbativelmente se lhes unir-se os escravos
De acordo com o excerto, é correto concluir
todos destes moradores (....)”.
(Décio Freitas, República de Palmares – pesquisa e que a extração de metais preciosos em Minas
comentários em documentos históricos do século XVII. Gerais no século XVIII
Maceió: UFAL, 2004, p. 129.)

69
a)impediu o domínio do governo metropolitano diferentemente do que ocorrera com as sedições
nas áreas de extração e favoreceu a independência anteriores.
colonial.
b)bloqueou a possibilidade de ascensão social na Questão 200 - (PUC SP/2017)
colônia e forçou a alta dos preços dos “O Descobrimento da América, no quadro da
instrumentos de mineração. expansão marítima europeia, deu lugar à
c)provocou um processo de urbanização e unificação microbiana do mundo. No troca-
articulou a economia colonial em torno da troca de vírus, bactérias e bacilos com a
mineração. Europa, África e Ásia, os nativos da América
d)extinguiu a economia colonial agroexportadora levaram a pior. Dentre as doenças que maior
e incorporou a população litorânea mortandade causaram nos ameríndios estão as
economicamente ativa. 'bexigas', isto é, a varíola, a varicela e a
e)restringiu a divisão da sociedade em senhores e rubéola (vindas da Europa), a febre amarela
escravos e limitou a diversidade cultural da (da África) e os tipos mais letais de malária (da
colônia. Europa mediterrânica e da África). Já a
América estava infectada pela hepatite, certos
199 - (FUVEST SP/2017) tipos de tuberculose, encefalite e pólio. Mas o
Os ensaios sediciosos do final do século XVIII melhor 'troco' patogênico que os ameríndios
anunciam a erosão de um modo de vida. A deram nos europeus foi a sífilis venérea,
crise geral do Antigo Regime desdobra-se nas verdadeira vingança que os vencidos da
áreas periféricas do sistema atlântico – pois é América injetaram no sangue dos
essa a posição da América portuguesa –, conquistadores. Traços do trauma provocado
apontando para a emergência de novas por essas doenças parecem ter-se cristalizado
alternativas de ordenamento da vida social. na mitologia indígena. Quatro entidades
IstvánJancsó, “A Sedução da Liberdade”. In: Fernando maléficas se destacavam na religião tupi no
Novais, História da Vida Privada no Brasil, v.1. São Paulo:
Companhia das Letras, 1997. Adaptado. final do Quinhentos: Taguaigba ('Fantasma
ruim'), Macacheira ou Mocácher ('O que faz a
A respeito das rebeliões contra o poder gente se perder'), Anhanga ('O que encesta a
colonial português na América, no período gente') e Curupira ('O coberto de pústulas'). É
mencionado no texto, é correto afirmar que, razoável supor que o curupira tenha surgido
a)em 1789 e 1798, diferentemente do que se dera no imaginário tupi após o choque microbiano
com as revoltas anteriores, os sediciosos tinham o das primeiras décadas da descoberta.”
Luiz Felipe de Alencastro. “Índios perderam a guerra
claro propósito de abolir o tráfico transatlântico bacteriológica”. Folha de S. Paulo, 12.10.1991, p. 7. Adaptado.
de escravos para o Brasil.
b)da mesma forma que as contestações ocorridas O texto sugere que o surgimento do Curupira,
no Maranhão em 1684, a sedição de 1798 teve no imaginário tupi do final do século XVI,
por alvo o monopólio exercido pela companhia pode ser explicado como uma
exclusiva de comércio que operava na Bahia. a)tentativa de descobrir formas de cura para
c)em 1789 e 1798, tal como ocorrera na Guerra doenças até então desconhecidas pela população
dos Mascates, os sediciosos esperavam contar nativa.
com o suporte da França revolucionária. b)narrativa voltada a assustar as crianças, que
d)tal como ocorrera na Guerra dos Emboabas, a associavam as doenças aos conquistadores vindos
sedição de 1789 opôs os mineradores recém- da Europa.
chegados à capitania aos empresários há muito c)disposição de analisar e compreender, de forma
estabelecidos na região. lógica e racional, a relação entre vencidos e
e)em 1789 e 1798, seus líderes projetaram a conquistadores.
possibilidade de rompimento definitivo das d)representação simbólica da mortandade
relações políticas com a metrópole, provocada pelas doenças pustulentas trazidas
pelos conquistadores.

70
De acordo com o texto acima assinale a
201 - (FAMEMA SP/2017) assertiva correta.
Johann Moritz Rugendas esteve no Brasil a)A opulência da produção mineradora alcançou
entre 1821 e 1825, inicialmente como membro o seu apogeu na segunda metade do século XVIII,
da Expedição Langsdorff. Desenhista e aumentando a ganância da metrópole portuguesa,
documentarista, produziu obras sobre que acreditava que os mineiros estivessem
paisagens, cenas cotidianas e tipos humanos, sonegando impostos e passou a usar de violência
como a representada a seguir, denominada na cobrança dos mesmos.
Família de fazendeiros (1825). b)O descontentamento dos colonos aumentava de
acordo com o preço das mercadorias importadas,
já que eram proibidas as manufaturas na Colônia.
Além disso, os jornais que circulavam na região,
alertavam a população sobre a corrupção nos
altos cargos administrativos coloniais.
c)Sofrendo violenta opressão, a classe dominante
mineira conscientizou-se das contradições entre
os seus interesses e os da metrópole. Influenciada
pelo pensamento iluminista e na iminência da
cobrança da derrama em Vila Rica, em 1789,
preparou uma insurreição.
d)Contando com adesão e apoio efetivo de
(www.portugues.seed.pr.gov.br)
diversas parcelas da população mineira, os
Nessa obra, observam-se insurgentes reivindicavam um governo
a)a influência da arquitetura colonial portuguesa e republicano inspirado na ideias presentes na
a simplicidade dos trajes usados em público. Constituição dos EUA, mas foram traídos por um
b)a presença de símbolo religioso e a convivência dos participantes em troca do perdão de suas
de senhores e escravos em um mesmo espaço. dívidas pessoais.
c)as relações escravistas de produção e a riqueza e)Mesmo sem ter ocorrido de fato, a
e diversidade do mobiliário das casas de Inconfidência Mineira, o apoio recebido da
fazendeiros. população revoltada e influenciada pelos ideais
d)o patriarcalismo na organização familiar e a iluministas, demonstrou a maturidade do processo
importância da educação para a ascensão social. pela independência do país. Tal engajamento vai
e)o vestuário como forma de eliminação das estar presente durante todas as lutas em prol da
distinções sociais e a incorporação de costumes nossa emancipação.
alimentares indígenas.
203 - (Fac. Direito de São Bernardo do Campo
202 - (Mackenzie SP/2017) SP/2017)
A Inconfidência Mineira representou “El rei D. João III ordenou que se povoasse
potencialmente uma das maiores ameaças de esta província, repartindo as terras por
subversão da ordem colonial. O fato de ter pessoas que se lhe ofereceram para as
ocorrido na área das Minas, área na qual a povoarem e conquistarem à custa da sua
permanente vigilância e repressão sobre a fazenda, e dando a cada um cinquenta léguas
população eram as tarefas maiores das por costa com todo o seu sertão, para que eles
autoridades públicas, indica um alto grau de fossem não só senhores, mas capitães delas.”
consciência da capacidade de libertação da Frei Vicente do Salvador. História do Brasil.
dominação metropolitana. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp,
(Resende, Maria Eugênia Lage de. A Inconfidência Mineira. 1982, p. 103. Adaptado.
São Paulo: Global,1988)

71
O sistema de colonização da América d)facilitou o acesso de embarcações estrangeiras
Portuguesa, descrito no texto do século XVII, aos portos da colônia, que passou a receber
foi denominado como artistas e intelectuais norte-americanos, que
a)governo-geral, e visava a estabelecer um passaram a dominar culturalmente o Brasil.
comando único sobre as terras, capaz de conter os
nativos e de impedir invasões estrangeiras. 205 - (Fac. Israelita de C. da Saúde Albert
b)capitanias hereditárias, e visava a ampliar o Einstein SP/2017)
povoamento, realizar a exploração econômica e “A vinda da Corte com o enraizamento do
assegurar o comando político e militar das terras. Estado português no Centro-Sul daria início à
c)governo-geral, e visava a assegurar o controle transformação da colônia em metrópole
absoluto da metrópole sobre o conjunto das terras interiorizada. Seria esta a única solução
conquistadas. aceitável para as classes dominantes em meio à
d)capitanias hereditárias, e visava a estimular a insegurança que lhes inspiravam as
formação militar dos nativos, implantar o cultivo contradições da sociedade colonial, agravadas
da cana-de-açúcar e ampliar a exploração pelas agitações do constitucionalismo
aurífera. português e pela fermentação mais
generalizada no mundo inteiro da época, que a
204 - (Fac. Direito de São Bernardo do Campo Santa Aliança e a ideologia da
SP/2017) contrarrevolução na Europa não chegavam a
“A cidade do Rio de Janeiro recebeu a família dominar.”
real portuguesa com festas. Seus moradores Maria Odila Leite da Silva Dias. A interiorização da metrópole
e outros estudos. São Paulo: Alameda, 2005.
pareciam pressentir que suas vidas iriam
mudar. Como que confirmando aquele
O texto oferece uma interpretação da
pressentimento, seis dias após a chegada, o
independência do Brasil, que implica
príncipe-regente D. João assinou uma
a)o reconhecimento da importância do processo
importante carta-régia. Era a abertura dos
de emancipação, que influenciou a luta por
portos do Brasil ao comércio com todos os
autonomia na Europa e em outras partes da
países que estivessem em 'paz e harmonia' com
América, impulsionou a economia mundial e
o governo de D. João.”
Ilmar Rohloff de Mattos e Luis Affonso Seigneur de estabeleceu as bases para um pacto social dentro
Albuquerque. Independência ou morte. São Paulo: Atual. do Brasil.
1991, p. 16-17. Adaptado. b)a caracterização da emancipação como um ato
meramente formal, uma vez que ela não foi
É correto afirmar que a medida tomada por D. acompanhada de alterações significativas no
João encerrou o monopólio que caracterizava cenário político, nem de reformas sociais e
as relações entre a metrópole portuguesa e a econômicas capazes de romper a dependência
colônia brasileira e externa do Brasil.
a)estabeleceu a obrigação de exportar a totalidade c)o reconhecimento da complexidade do processo
da produção agrícola da colônia para a Grã- de emancipação, afetado simultaneamente por
Bretanha e para os Estados Unidos, que movimentos como os reflexos da Revolução
impuseram seu domínio comercial sobre o Brasil. Francesa, a Revolução do Porto, as disputas
b)contribuiu para a alteração dos hábitos de parte políticas na metrópole e na colônia e as tensões
da população colonial, que passou a consumir sociais dentro do Brasil.
muitas mercadorias inglesas que antes não d)a caracterização da emancipação como uma
chegavam aos portos do Brasil. decorrência inevitável do declínio econômico
c)determinou a autonomia política e econômica português provocado pela invasão napoleônica,
do Brasil, que rapidamente assinou acordos de pelo endividamento crescente com a Inglaterra e
intercâmbio comercial com os demais países da pela redução nos recursos obtidos com a
América Latina. colonização do Brasil.

72
206 - (FIEB SP/2017)
Texto I: Sua Majestade El Rey de Portugal “A religião dos negros não era o catolicismo.
promete tanto em Seu próprio Nome, como no Por isso os padres queriam uma só religião:
de Seus Sucessores, de admitir para sempre ser católico de verdade, não faltar à devoção,
daqui em diante no Reyno de Portugal os ouvir missa nem que fosse levado no
Panos de lã, e mais fábricas de lanifício de empurrão.
Inglaterra, como era costume até o tempo que Assim ensinavam os negros a sofrer com
foram proibidos pelas Leys, não obstante humildade. Pra não serem castigados, os
qualquer condição em contrário. negros obedeciam, embora contra a vontade, a
religião seguiam, mas dos seus cultos da África
Texto II: [...]Primo: que sejam admissíveis nas eles nunca se esqueciam.
Alfândegas do Brasil todos e quaisquer Uns queriam ser católicos por causa do
gêneros, fazendas e mercadorias cativeiro; pois o bem obediente podia ser
transportadas, ou em navios estrangeiros das jardineiro ou ficar na casa grande servindo de
Potências, que se conservam em paz e cozinheiro.
harmonia com a minha leal Coroa, ou em Só que aqui eles adoram sem pensar nada de
navios dos meus vassalos, [...] Segundo: que cá. Senhora da Conceição para eles é Iemanjá,
não só os meus vassalos, mas também os Santa Bárbara é Iansã, deuses que adoram lá.
sobreditos estrangeiros possam exportar para O que a eles atrapalhava eram as muitas
os Portos, que bem lhes parecer a benefício do diferenças, porque mesmo lá na África havia
comércio e agricultura, que tanto desejo diversas crenças”.
promover, todos e quaisquer gêneros e Fonte: Jorge Pereira Lima. Raízes da escravidão. São Paulo:
Paulinas, 1982. p. 33
produções coloniais, a exceção do pau-brasil,
ou outros notoriamente estancados. [...].
O texto acima expressa um elemento
importante da cultura afro-brasileira durante
Observando-se as informações dos textos I e II,
o período colonial. Assinale a alternativa que
pode-se afirmar que:
revela a manifestação cultural presente no
a)os dois textos tratam de acordos diplomáticos
texto.
envolvendo Portugal e Inglaterra, com vantagens
a)A crença em espíritos ancestrais e da natureza,
comerciais do segundo país para com o primeiro
rituais e feitiçarias.
país.
b)A influência do Islamismo na religiosidade
b)o primeiro texto trata do Tratado de Methuen
afro-brasileira.
de 1703. O segundo texto trata da Carta Régia de
c)A prática de danças de significado religioso.
1808 que decretou a Abertura dos Portos às
d)A construção do que se tornou conhecido por
Nações Amigas.
sincretismo religioso.
c)os dois textos tratam de benefícios concedidos
e)As irmandades surgidas na Europa medieval e
por D. Pedro I, em troca do reconhecimento da
trazidas ao Brasil pelos colonizadores
Independência do Brasil por parte da Inglaterra.
portugueses.
d)enquanto o texto I, Tratado de Methuen, pode
ter ser relacionado à atividade mineradora no
208 - (PUCCamp SP/2017)
Brasil e à Revolução Industrial inglesa, o segundo
Do Brasil descoberto esperavam os
texto, consequência dos Tratados de 1810, pode
portugueses a fortuna fácil de uma nova Índia.
ser relacionado com as invasões napoleônicas
Mas o pau-brasil, única riqueza brasileira de
sobre Portugal em 1807.
simples extração antes da “corrida do ouro”
e)os dois textos reforçam as tentativas do
do início do século XVIII, nunca se pôde
marquês de Pombal de romper com influência
comparar aos preciosos produtos do Oriente.
inglesa sobre a economia portuguesa.
(...) O Brasil dos primeiros tempos foi o objeto
dessa avidez colonial. A literatura que lhe
207 - (FIEB SP/2017)
corresponde é, por isso, de natureza
Leia atentamente o texto abaixo:

73
parcialmente superlativa. Seu protótipo é a nunca a fé conjugal’. (...) Diante do exposto, o
carta célebre de Pero Vaz de Caminha, o vigário da diocese do Rio de Janeiro ordenou
primeiro a enaltecer a maravilhosa fertilidade que D. Henriqueta fosse ‘depositada em uma
do solo. casa segura e honesta com todas as roupas e
(MERQUIOR, José Guilherme. De Anchieta a Euclides − jóias de seu uso e uma escrava para o seu
Breve história da literatura brasileira. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1977, p. 3-4) serviço’, levando consigo o bebê que
amamentava. O local escolhido foi a casa da
A colonização portuguesa, no século XVI, se mãe (...)”
VILAÇA, Fabiano. Quem disse que elas são frágeis? Processo
valeu de algumas estratégias para usufruir dos de divórcio do século XIX é umexemplo do que as mulheres
produtos economicamente rentáveis no faziam para se livrar de maridos violentos e adúlteros. In:
território brasileiro, e de medidas para Revista da biblioteca nacional (adaptação). Disponível
em:http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/impressao.p
viabilizar a ocupação e administração do hp?id=2142&pagina=1
mesmo. São exemplos dessas estratégias e
dessas medidas, respectivamente, O fragmento do texto do historiador Fabiano
a)a prática do escambo com os indígenas e a Vilaça nos permite concluir que:
instituição de vice-reinos, comarcas, vilas e a)A violência doméstica era condenada no século
freguesias. XIX e era encarada como justificativa legítima
b)a implementação do sistema de plantation no para o divórcio inclusive no âmbito religioso.
interior e a construção, por ordem da Coroa, de b)O divórcio era proibido e, caso ocorresse,
extensas fortalezas e fortes. levava à condenação das mulheres pela
c)a imposição de um vultoso pedágio aos navios inabilidade de manterem seus casamentos.
corsários de distintas procedências e a instalação c)a luta em prol da igualdade de direitos entre
de capitanias hereditárias. homens e mulheres se concretizou no século XIX,
d)a introdução da cultura da cana-de-açúcar com como exemplifica o caso de D. Henriqueta.
uso de trabalho compulsório e a instituição de um d)O castigo imputado a mulheres divorciadas era
governo geral. a excomunhão e a obrigatoriedade de cumprirem
e)o comércio da produção das missões jesuíticas e pena em prisão domiciliar.
a fundação da Companhia das Índias Ocidentais.
210 - (IFMG/2017)
209 - (IFMG/2017) Usando a tradição de ocupação da faixa
“No dia 20 de março de 1865, pelas oito ou litorânea, os portugueses fixaram alguns
nove horas da noite, Francisco Luís Machado núcleos de ocupação e conhecimento em toda
pôs para fora de casa, a pontapés, a esposa, área litorânea, criando as capitanias
Henriqueta Adelaide Pinto Machado, com hereditárias. As capitanias hereditárias eram
quem se casara 18 anos antes e tivera dez enormes faixas de terras que iam do litoral ao
filhos. O ato de violência conjugal foi o estopim meridiano de Tordesilhas, entregues em forma
para o pedido de ‘divórcio perpétuo’ feito pela de mercês aos capitães donatários, que não
esposa perante a Igreja (...) A defesa alegou podiam vendê-las ou desmembrá-las, cabendo
que o marido de D. Henriqueta, devendo amá- apenas ao Rei o poder de modificá-las ou
la, respeitá-la e ‘tratá-la como sua legítima excluí-las.
consorte’, faltava com as obrigações STRAFORINI, 2008, p. 70
matrimoniais, dando para maltratá-la ‘com
injúrias, calúnias, ameaças, sevícias’. O trecho do enunciado em destaque, faz uma
Dizia D. Henriqueta que (...) não faltavam rápida narrativa do processo de formação
‘socos, pontapés diante dos seus próprios territorial do Brasil. A partir do exposto pode-
filhos, que corriam em socorro de sua infeliz se inferir que:
mãe, e temiam que fosse assassinada’. Não a) o parágrafo apresenta as deliberações
bastassem as agressões, Francisco Luís era instituídas pela coroa portuguesa para a posse e
dado aos prazeres da carne: ‘não guardou efetiva ocupação do novo território.

74
b)ao analisarmos o fragmento acima, d) interação patriarcal entre colonos luso-
compreende-se o caráter fortuito da ocupação brasileiros e escravos, devido à adoção de
portuguesa, visando minimizar possíveis conflitos práticas de alforria, apesar da unidade e
com nativos. resistência vigentes entre os africanos
c) a distribuição de terras pela coroa portuguesa, escravizados e da opressão exercida pela Coroa
neste instante histórico, já apresentava as bases portuguesa.
para o desenvolvimento econômico apoiado na e) contradição entre práticas escravistas
produção da borracha. estimuladas pelos traficantes portugueses que
d)durante o processo de formação do território geriam os portos brasileiros e as propostas
brasileiro, houve por parte dos portugueses o abolicionistas apregoadas pelo colonos luso-
fatiamento do território já dando-lhe os aspectos brasileiros que defendiam a alforria.
de proporção e tamanho aproximados ao que se
apresenta nos dias atuais, como reforçado pelo 212 - (PUCCamp SP/2017)
fragmento de texto em destaque. Os holandeses, durante o governo de Maurício
de Nassau, lançaram mão de algumas
211 - (PUCCamp SP/2017) estratégias ao se relacionarem com os colonos
As colônias que se formaram na América luso-brasileiros durante o período em que
portuguesa tiveram, desde o século XVI, o dominaram parte do Nordeste brasileiro, no
caráter de sociedades escravistas. Com o século XVII. Dentre essas estratégias, incluem-
passar do tempo, consolidaram-se em todas se
elas algumas práticas relacionadas à a) a busca do controle do tráfico negreiro a partir
escravidão que ajudaram a cimentar a de um entreposto na África do Sul, a
unidade e a própria identidade dos colonos expropriação dos engenhos de açúcar mais
luso-brasileiros. Dentre essas práticas, produtivos e a difusão do calvinismo aos colonos
ressalta-se a combinação entre um avultado luso-brasileiros.
tráfico negreiro gerido a partir dos portos b) o estímulo à imigração holandesa para o
brasileiros e altas taxas de alforria. nordeste brasileiro, a limpeza étnica da porção
(BERBEL, Márcia; MARQUESE, Rafael e PARRON, Tâmis. urbana da região ocupada e a expansão da cultura
Escravidão e política. Brasil e Cuba, c. 1790-1850. São Paulo:
Hucitec/Fapesp. 2010. p. 178-179) canavieira para o Suriname.
c) o controle das rotas comerciais no Atlântico, a
Segundo o texto e seus conhecimentos sobre a implantação do trabalho livre em sua área de
história da escravidão na América Portuguesa, influência, e a formação de uma colônia judaica
a sociedade escravista que nela se constituiu na região do Maranhão.
apresentava a d) o estabelecimento de redes de comércio com
a) convivência entre a presença de um grande os produtores de uma vasta região da costa
número de alforriados e o denso volume de nordestina, certa tolerância religiosa e a
escravos gerido internamente, constituindo-se manutenção das relações escravistas.
como elemento importante na construção da e) a formação de um exército anti-lusitano de
identidade dos colonos. alforriados em Recife, o estabelecimento de
b) dissociação entre tráfico negreiro, controlado alianças com os espanhóis e a concessão de
pelos portugueses reinóis, e alforria propiciada créditos aos colonos protestantes.
pelos colonos locais, gerando uma pluralidade de
213 - (PUCCamp SP/2017)
identidades na sociedade escravista.
Em 1499 retornavam a Lisboa, em momentos
c) tensão entre práticas de alforria engendradas
diferentes, as duas naus restantes da armada
pelos colonos e medidas de estímulo ao tráfico
que, dois anos antes, partira rumo ao Índico
negreiro empregadas pela Coroa portuguesa,
em viagem de descoberta do caminho que
como expressão de projetos diferentes de
levasse à Índia, local desejado por Portugal há
sociedade escravista.
quase meio século. (...) Definitivamente, as
coisas nunca mais foram as mesmas, tanto

75
para aquele pequeno reino português, na sofrido a escravidão antes de integrar a
franja atlântica da Europa, quanto, em outras república das Letras, universo reservado aos
medidas, para o resto do continente europeu. brancos. Em São Paulo, em 1859, lançou a
Desta viagem, mas sobretudo do que se primeira edição de seu único livro – Primeiras
esperou dela e do que efetivamente se trovas burlescas de Getulino–, uma coletânea
encontrou, restaram-nos alguns documentos de poemas satíricos e líricos até bem pouco
epistolares, mas restou-nos também o Roteiro rara. Pela primeira vez na literatura
de uma viagem que levou os sonhos brasileira, um negro ousara denunciar os
portugueses por “mares nunca dantes paradoxos políticos, éticos e morais da
navegados”, e complementando o poeta sociedade imperial. (...) Jamais frequentou
Camões, “por terras nunca dantes escolas, pois, como afirmara, “a inteligência
palmilhadas”. repele os diplomas, como Deus repele a
(VILARDAGA, José Carlos. Lastros de viagem. Expectativas, escravidão”. Luiz Gama converteu-se no
projeções e descobertas portuguesas no Índico (1498-1554).
São Paulo: Annablume, 2010. p. 27) incansável e douto “advogado dos escravos”. O
poeta então se eclipsa, cedendo lugar ao
Dentre os sonhos portugueses relacionados à abolicionista e militante republicano.
(FERREIRA, Lígia Fonseca. “Luiz Gama por Luiz Gama:
descoberta de novas terras, certamente carta a Lúcio de Mendonça”. Revista Teresa de Literatura
figurava o desejo de encontrar ouro em Brasileira (8/9). São Paulo: Editora 34/Universidade de São
abundância. Ao longo da colonização do Paulo, 2008, p. 301)
território brasileiro, o período em que
Portugal mais lucrou com a exploração de Em relação à proposição “Deus repele a
minérios escravidão”, sabe-se que os jesuítas
a) foi o século XVII, quando da descoberta de a) defenderam enfaticamente que essa forma de
metais preciosos na região de Minas Gerais e da trabalho fosse abolida na América hispânica uma
criação da Estrada Real para o controle do vez que consideravam que todos eram iguais
escoamento da produção pelo Porto de Paraty. perante Deus, sendo, por essa razão, expulsos,
b) estendeu-se por cerca de um século entre 1710 primeiro pela Coroa Portuguesa e, em seguida,
e 1810, fase em que vigorou o Sistema da Real pela Coroa Espanhola, após décadas de trabalho
Extração, por meio do qual a coroa portuguesa se missionário.
apossou das minas e controlava integralmente a b) apresentaram, gradativamente, postura cada
extração, a fundição e a exportação aurífera. vez mais complacente em relação aos indígenas,
c) limitou-se aos dez anos de intensa exploração argumentando que estes não deveriam ser
do Arraial do Tijuco (atual Diamantina), área que submetidos ao regime da agricultura nos moldes
foi isolada como Distrito e mantida sob o controle ocidentais, uma vez que, diferentemente dos
da Intendência dos Diamantes, no final do século negros, eram frágeis fisicamente e detinham suas
XVII. próprias técnicas de subsistência, como o
d) iniciou-se com a descoberta de esmeraldas pelo extrativismo e a coivara.
bandeirante Fernão Dias Paes, em 1681, e se c) dividiram-se em dois grupos com opiniões
encerrou com a execução da derrama, por falta da divergentes, sendo um defensor do trabalho
arrecadação mínima de minérios, em 1776. compulsório aos indígenas e africanos, contanto
e) ocorreu ao longo do século XVIII, que combinado à catequese e a um tratamento
principalmente após a instituição de impostos humanista desses cativos, e outro favorável ao
como o quinto, perdurando até o declínio da estabelecimento de missões que atraíssem
extração do ouro de aluvião, nas últimas décadas espontaneamente índios e negros que ali
desse mesmo século. poderiam trabalhar em comunidade e estudar.
d) discutiram efusivamente essa questão,
214 - (PUCCamp SP/2017) desafiando as orientações superiores em nome da
Luiz Gama (1830-1882) foi um dos raros piedade cristã aos índios e negros, até o momento
intelectuais negros brasileiros do século XIX, o em que o trabalho compulsório se mostrou
único autodidata e também o único a ter indispensável para sua fixação e sobrevivência

76
nas colônias, etapas que venceram com êxito, a artesanal e comercial controladas por
ponto de se transformarem em uma ameaça colonizadores.
político-econômica à dominação das coroas
hispânicas. 216 - (UNITAU SP/2017)
e) consideravam a escravidão um mal necessário “[...] a colonização do Brasil inscreve-se muito
para a colonização do novo mundo, sendo mais no processo de expansão marítima e
especialmente admissível no caso da população comercial europeia do que nas transformações
africana, que já adotara essa prática em suas que levariam, no Velho Mundo, ao
próprias terras e se mostrava arredia à adoção do individualismo e ao familismo de tipo burguês.
cristianismo, bem como nos casos de indígenas [...] Não quer isso dizer que devamos adotar o
hostis, aos quais cabia a aplicação dos princípios estereótipo de um Brasil ocupado por
da “guerra justa”. degredados, entendidos como malfeitores que,
tão logo desembarcavam, só tratavam de
215 - (UFJF MG/2017) enriquecer [...]”.
Leia atentamente o trecho a seguir. Ele faz VAINFAS, Ronaldo. IN: NOVAIS, F. (org.) História da vida
privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p.
parte do Voto do Padre Antônio Vieira sobre 222.
as dúvidas dos moradores de São Paulo acerca
da administração dos índios, de 1694. Dentre as motivações listadas abaixo, que
levaram à colonização portuguesa do Brasil e à
“São, pois, os ditos índios aqueles que, vivendo exploração do território, especialmente a
livres e senhores naturais das suas terras, partir da chegada do primeiro governo-geral,
foram arrancados delas por uma violência e em 1549, é CORRETO indicar
tirania e trazidos em ferros com a crueldade a) os fatores econômicos, como a dificuldade de
que o mundo sabe, morrendo natural e acesso à terra por parte da população e a baixa
violentamente muitos nos caminhos de muitas produtividade da agricultura portuguesa.
léguas até chegarem às terras de São Paulo, b) a possibilidade de incorporar a mão de obra
onde os moradores delas ou os vendiam, ou se excedente da metrópole na colônia, de modo a
serviam e se servem deles como escravos”. aliviar as tensões sociais em Portugal.
VIEIRA, A. (Pe.) Escritos instrumentais sobre os índios. São
Paulo: Educ; Loyola; Giordano, 1992. p.102. c) a presença de uma população nativa selvagem,
a colônia deveria servir como retaguarda social da
Sobre a escravização das populações indígenas metrópole, recebendo todos os tipos de
no início do processo de colonização na criminosos e degredados portugueses.
América Portuguesa, assinale a alternativa d) a exploração do território para o
CORRETA: enriquecimento da metrópole, nos quadros da
a) a maior parte da população indígena existente política econômica mercantilista, além da
dentro do território vivia em núcleos urbanos evangelização dos índios, promovida pelos
próximos dos rios e do litoral Atlântico. jesuítas.
b) essas populações indígenas apresentavam um e) a colônia portuguesa serviria para promover,
padrão cultural e linguístico bastante unificado, por meio do surgimento de um mercado interno
não havendo grandes diferenciações. colonial, a centralização e o reforço do poder real
c) as chamadas “Bandeiras” só aprisionavam os na metrópole.
indígenas quando seu objetivo principal de
encontrar riquezas minerais não era alcançado. 217 - (UNITAU SP/2017)
d) a retirada dos indígenas de suas terras e seu “A sede insaciável do ouro estimulou a tantos
aldeamento nas missões jesuítas contribuíram deixarem suas terras e a meterem-se por
para a dissolução de suas crenças religiosas. caminhos tão ásperos como são os das minas,
e) a mão de obra dos indígenas foi utilizada de que dificultosamente se poderá dar conta do
forma predominante em atividades de caráter número das pessoas que atualmente lá estão.
Contudo, os que assistiram nela nestes últimos

77
anos por largo tempo, e as correram todas,
dizem que mais de trinta mil almas se ocupam, I.O tráfico negreiro, porque dinamizou o
umas a catar, e outras a mandar catar nos comércio externo da colônia, uma vez que o
ribeiros do ouro, e outras a negociar, vendendo lucro dos engenhos era investido na compra de
e comprando o que se há mister não só para a escravos, ficando garantida a transferência da
vida, mas para o regalo [...]”. renda do setor produtivo para o setor
ANTONIL, André João, 1711, Cultura e opulência do Brasil mercantil português.
por suas drogas e minas. Lisboa: CNCDP, 2001, p. 242.
II.A aliança entre produtores de açúcar no
Brasil, traficantes de escravos em Angola e
Sobre o impacto da descoberta das minas no
mercadores instalados na colônia, que
Brasil colonial, é INCORRETO afirmar:
concediam crédito aos produtores para
a)Permitiu o desenvolvimento do comércio de
comprar escravos e, depois, controlavam o
outras regiões da colônia, devido à necessidade
comércio do açúcar.
de abastecimento das minas.
III.A aliança entre a Igreja e a Coroa
b) Desencadeou uma grande onda migratória de
portuguesa no Brasil, pois a Igreja defendeu a
portugueses e de pessoas de outras regiões da
liberdade indígena, em oposição aos colonos,
colônia que, junto dos escravos, formariam uma
que precisavam daquela mão de obra.
nova composição social.
IV.A introdução da mão de obra escrava
c) Desenvolveu um novo sistema de fiscalização,
africana deveu-se ao fato de que os índios,
especialmente para a atividade mineradora, que
acostumados ao trabalho esporádico e livre,
começava com a distribuição das terras na forma
não conseguiram trabalhar com as regras e a
de datas para exploração.
disciplina que a economia açucareira exigia.
d) Na região aurífera, a liberdade esteve muito
mais acessível às escravas, mas também aos
Está CORRETO o que se afirma em
escravos de ganho, do que nas regiões
a) I, apenas.
açucareiras.
b) I, II e III, apenas.
e) Apesar de suas características distintas, a
c) I, II e IV, apenas.
região mineradora desenvolveu um modelo de
d) II, III e IV, apenas.
sociedade semelhante à do Nordeste agrário, em
e) I, II, III e IV.
que predominou a imobilidade social.

219 - (UNITAU SP/2017)


218 - (UNITAU SP/2017)
Sobre a transferência da Corte de D. João VI
“Mesmo nos lugares onde a relação de forças
para o Brasil, o historiador Kenneth Maxwell
se afigurava favorável aos invasores europeus,
afirma:
não adiantava cair matando: a escravidão e
outras formas de trabalho compulsório
“Novas instituições foram criadas pela coroa
facilitavam o domínio dos nativos, mas não
portuguesa, e a maioria delas foi estabelecida
podiam resultar na exploração das conquistas.
no Rio de Janeiro, que, assim, assumiu um
[...] Possuir e controlar nativos não garantia a
papel centralizador dentro de uma América
transformação do trabalho extorquido em
portuguesa que antes era muito fragmentada
mercadorias agregadas aos fluxos
no sentido administrativo. Houve resistência a
metropolitanos, nem afiançava o surgimento
isso, principalmente em Pernambuco, em 1817.
de economias tributárias no ultramar”.
ALENCASTRO, L. F. O trato dos viventes. São Paulo: Mas, no final, o poder central foi mantido”.
Companhia das Letras, 2000, p. 12. Kenneth Maxwell, Folha de São Paulo, 25/11/2007

Dentre as circunstâncias que favoreceram a Dentre as medidas adotadas para se conseguir


expansão açucareira, fazendo uso de mão de a centralização e o fortalecimento do Estado
obra escrava africana, podemos citar: no Brasil joanino, é CORRETO citar:

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a) A fundação do Banco do Brasil, criado por portuguesas que exigiam a abdicação de D. Pedro
alvará, em 12 de novembro de 1808, iniciando I.
suas atividades no ano seguinte.
b) O alvará de 1808, que autorizava a instalação 221 - (ESPM SP/2017)
de fábricas e manufaturas no Brasil, buscando A expansão da agroindústria açucareira atingiu
promover a "riqueza nacional" e melhorar, proporções assombrosas. O negócio da
consequentemente, a agricultura. produção e comercialização do açúcar formava
c) A promulgação da primeira Constituição do uma complexa rede de interesses que atraiu
Brasil, que reforçava o poder do imperador e ataques estrangeiros.
reduzia a autonomia das províncias, o que levou à Em 1624 membros do exército da Companhia
Insurreição Pernambucana. das Índias Ocidentais atacaram e ocuparam a
d) A introdução de diferentes hábitos culturais e a sede do governo-geral em Salvador, e lá ficaram
criação da Imprensa Régia, da Biblioteca Real durante quase um ano. Em 1630, o ataque a
(Biblioteca Nacional) e da Real Academia de Recife iniciou uma longa guerra de ocupação e
Belas Artes (Museu Nacional de Belas Artes). reconquista, na qual todos os recursos materiais
e) A criação do Erário Régio e do Conselho da e humanos da colônia foram mobilizados para
Fazenda, responsáveis por arrecadar todos os expulsar os invasores.
impostos – que até então eram enviados a Lisboa (Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil)
– e enviá-los ao Rio de Janeiro.
O texto deve ser relacionado com:
220 - (UNITAU SP/2017) a) invasões francesas;
“A campanha dos jornais brasileiros contra as b) ataques de corsários ingleses;
medidas das Cortes foi a primeira grande ação c) confrontos com espanhóis;
da imprensa brasileira. Ela uniria inicialmente d) invasões holandesas;
todas as tendências e seria particularmente e) ataques de corsários franceses.
intensa entre o final de 1821 e o final de 1822”.
LUSTOSA, Isabel. Insultos impressos: a guerra dos jornalistas 222 - (UFU MG/2017)
na Independência 1821 – 1823. São Paulo: Companhia das Refiro-me à destruição que pudemos fazer da
Letras, 2000, p. 134.
grande (20 x 40 metros) e velha maloca
taracuá [...] Sabe V. Rvma. que para o índio a
Em relação ao papel desempenhado pela
maloca é cozinha, dormitório, refeitório, tenda
imprensa na difusão das ideias sobre a
de trabalho, lugar de reunião na estação de
emancipação política do Brasil, é CORRETO
chuvas e sala de dança nas grandes
afirmar:
solenidades. [...] A maloca é também, como
a) As ideias republicanas cresceram e passaram a
costumava dizer o zeloso dom Bazola, a “casa
aparecer nas páginas dos jornais, levando a
do diabo”, pois que ali se fazem as orgias
população a apoiar a emancipação.
infernais, maquinam-se as mais atrozes
b) Os jornais eram francamente opinativos e
vinganças contra os brancos e contra outros
políticos, com a defesa do pensamento dos vários
índios...
movimentos que eclodiram no Brasil pela Monsenhor Pedro Massa, início século XX. In: ZENUN, K. H.
Independência. e ADISSI, V. M. A. Ser índio hoje: a tensão territorial.
c) Os jornais fluminenses fizeram forte campanha 2.ed. São Paulo: Loyola, 1999, p. 70. (Adaptado).
contra a proposta das Cortes portuguesas de
elevar o Brasil à condição de Reino Unido. Com a chegada dos europeus ao continente
d) A imprensa brasileira teve um importante americano, teve início a subjetivação da figura
papel no combate à política portuguesa de do índio, delineando-se, gradativamente, a
recolonizar o Brasil e de extinguir as instituições imagem do nativo ocioso, preguiçoso,
criadas no Rio de Janeiro. indisciplinado e desorganizado. Esse ponto de
e) A imprensa brasileira realizou intensa vista atravessou séculos e sobrevive em nossos
campanha contra a pressão das Cortes dias. Dessa maneira, de acordo com a citação,

79
derrubar a maloca seria uma ação necessária, d) causou grande polêmica ao longo do período
pois a moradia indígena representava o(a) colonial principalmente quando se tratava de
a) tradição da cultura pagã que contrariava os escravidão, prática combatida por jesuítas como
planos de conversão e domínio espiritual. José de Anchieta e André João Antonil, que
b) baluarte de expressão da organização tribal, defendiam que sequer os negros deveriam ser
influência do contato com a cultura africana. escravizados.
c) símbolo de superioridade da cultura indígena, e) existiu na forma de trabalho semi-servil, com o
quando comparada à europeia. consentimento da Igreja, quando se entendia que
d) obstáculo que impedia o trabalho de catequese os indígenas da região não poderiam ser
no espaço conhecido como reduções. “pacificados” ou catequizados sem uso da força,
ou seja, quando se praticava a chamada Guerra
223 - (PUCCamp SP/2016) Santa.
Nos poemas indianistas, o heroísmo dos
indígenas em nenhum momento é utilizado 224 - (PUCCamp SP/2016)
como crítica à colonização europeia, da qual a Também no Brasil o século XVIII é momento
elite era a herdeira. Ao contrário, pela da maior importância, fase de transição e
resistência ou pela colaboração, os indígenas preparação para a Independência.
do passado colonial, do ponto de vista dos Demarcada, povoada, defendida, dilatada a
nossos literatos, valorizavam a colonização e terra, o século vai lhe dar prosperidade
deviam servir de inspiração moral à elite econômica, organização política e
brasileira. (...) Já o africano escravizado administrativa, ambiente para a vida cultural,
demorou para aparecer como protagonista na terreno fecundo para a semente da liberdade.
literatura romântica. Na segunda metade do (...) A literatura produzida nos fins do século
século XIX, Castro Alves, na poesia, e XVIII reflete, de modo geral, esse espírito,
Bernardo Guimarães, na prosa, destacaram podendo- se apontar a obra de Tomás Antônio
em obras suas o tema da escravidão. Gonzaga como a sua expressão máxima.
(Adaptado de: NAPOLITANO, Marcos e VILLAÇA, (COUTINHO, Afrânio. Introdução à Literatura no Brasil. Rio
Mariana. História para o ensino médio. São Paulo: Atual de Janeiro: EDLE, 1972, 7. Ed. p. 127 e p. 138)
Editora, 2013, p. 436-37)
É correto afirmar que, no século a que o texto
No sistema colonial português, o trabalho de Afrânio Coutinho se refere, a mineração, ao
compulsório indígena atuar como polo de atração econômica,
a) foi empregado em pequena escala nas missões a) foi responsável pela entrada no país de uma
e em regiões onde não se dispunha de outra mão grande quantidade de produtos sofisticados que
de obra, até a expulsão da Companhia de Jesus, incentivou a criação de uma estrutura para o
no século XVII, momento em que a Coroa desenvolvimento da indústria nacional.
Portuguesa regulamentou essa forma de b) reforçou os laços de dependência e monopólio
exploração. do sistema colonial ao garantir aos comerciantes
b) mostrou-se menos vantajoso aos proprietários portugueses o comércio de importação e
de terras, nas grandes lavouras, considerando, exportação e impedir a concorrência nacional.
entre outros fatores, as rebeliões e fugas c) promoveu a descentralização administrativa
frequentes, favorecidas pelo conhecimento da colonial para facilitar o controle da produção pela
região e a eficácia do tráfico negreiro no metrópole e fez surgir o movimento de
abastecimento de mão de obra. interiorização conhecido como bandeirismo de
c) assumiu formas distintas ao longo do processo contrato.
de colonização, sendo empregado d)iniciou o processo de integração das várias
sistematicamente nas Entradas e Bandeiras regiões até então dispersas e desarticuladas e fez
mediante acordos entre brancos e indígenas, os surgir um fenômeno antes desconhecido na
quais previam a divisão das riquezas colônia: a formação de um mercado interno.
eventualmente encontradas.

80
e) alterou qualitativamente o sistema social pois, a) perseguição sistemática dos judeus e dos
ao estimular a entrada de imigrantes, promoveu a protestantes, durante o período de domínio
transformação dos antigos senhores de terras e holandês do Nordeste.
minas em capitães de indústria brasileira. b) expulsão dos jesuítas do Brasil, ocorrida no
período da administração de Portugal pelo
225 - (FM Petrópolis RJ/2016) Marquês de Pombal.
Ao longo do período colonial da História do c) realização de autos-de-fé, no Brasil, durante
Brasil, o Império Português foi vítima de todo o período da colonização portuguesa.
assédio e de tentativas de invasão de seus d) chegada, ao Brasil, de representantes da
territórios ultramarinos por parte de diversas Companhia de Jesus para que atuassem na
potências rivais. Alguns exemplos de invasões conversão dos nativos.
estrangeiras na América Portuguesa estão
listados a seguir: 227 - (Famerp SP/2016)
Completam-se assim os três elementos
1612 – Estabelecimento da França Equinocial constitutivos da organização agrária do Brasil
1624 – Tentativa derrotada da invasão colonial: a grande propriedade, a monocultura
holandesa a Salvador e o trabalho escravo. Estes três elementos se
1630 – Tomada de Recife e Olinda por conjugam num sistema típico, a “grande
invasores holandeses exploração rural”, isto é, a reunião numa
mesma unidade produtora de grande número
A interpretação dos dados acima permite de indivíduos; é isto que constitui a célula
identificar que uma causa direta de todas essas fundamental da economia agrária brasileira.
invasões estrangeiras foi a Como constituirá também a base principal em
a) fuga da Corte portuguesa para a América que se assenta toda a estrutura do país,
b) vitória francesa na Guerra dos Sete Anos econômica e social.
c) conclusão da Reconquista da Península Ibérica (Caio Prado Júnior. Formação do Brasil contemporâneo,
d) guerra de Restauração Portuguesa contra a 1973.)
Espanha
e) criação da União das Coroas Ibéricas O autor descreve a colonização do Brasil como
um empreendimento que
a) procurava enviar para a América o excesso de
população dos continentes europeu e africano.
226 - (Fac. Direito de São Bernardo do Campo b) inaugurava a base de uma democracia social,
SP/2016) política e econômica nas terras coloniais da
“Desde os primórdios da colonização, a América portuguesa.
monarquia [portuguesa] deu mostras de que c) estava baseado na produção em grande escala
manteria o controle sobre a vida religiosa dos de produtos tropicais para exportação.
habitantes do Novo Mundo sob sua jurisdição. d) tinha por finalidade defender o território da
A instalação do governo-geral na Bahia ocupação de países europeus inimigos de
coincidiu com o auge da Contrarreforma Portugal.
católica e das guerras de religião na Europa.” e) buscava, por meio da exploração da mão de
Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: obra escrava africana, expandir as fronteiras do
uma interpretação, 2008, p. 143. cristianismo.

A relação, proposta pelo texto, entre a 228 - (FUVEST SP/2016)


preocupação religiosa na colonização do Brasil Eu por vezes tenho dito a V. A. aquilo que me
e a Contrarreforma pode ser exemplificada parecia acerca dos negócios da França, e isto
pela por ver por conjecturas e aparências grandes
aquilo que podia suceder dos pontos mais
aparentes, que consigo traziam muito prejuízo

81
ao estado e aumento dos senhorios de V. A. E engenhos trazem, e aqui moram e povoam, uns
tudo se encerrava em vós, Senhor, solteiros e outros casados, e outros que cada
trabalhardes com modos honestos de fazer que dia caso e trabalho por casar na terra.”
esta gente não houvesse de entrar nem possuir Gonsalves de Mello e Albuquerque. Cartas de Duarte Coelho a
El Rei. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 1997, p. 114.
coisa de vossas navegações, pelo grandíssimo
dano que daí se podia seguir.
Serafim Leite. Cartas dos primeiros jesuítas do Brasil, 1954. A carta, enviada pelo donatário de
Pernambuco ao rei de Portugal em 1549,
O trecho acima foi extraído de uma carta mostra que os
dirigida pelo padre jesuíta Diogo de Gouveia a) colonos exerciam diversas atividades
ao Rei de Portugal D. João III, escrita em produtivas no Brasil colonial, o que gerava a
Paris, em 17/02/1538. Seu conteúdo mostra presença de muitos trabalhadores livres sob a
a) a persistência dos ataques franceses contra a ordem escravocrata.
América, que Portugal vinha tentando colonizar b) escravos desempenhavam todas as atividades
de modo efetivo desde a adoção do sistema de produtivas no Brasil colonial, o que permitia aos
capitanias hereditárias. colonos portugueses o desfrute do ócio e o
b) os primórdios da aliança que logo se enriquecimento rápido.
estabeleceria entre as Coroas de Portugal e da c) senhores de engenho controlavam todas as
França e que visava a combater as pretensões relações de trabalho e de produção no Brasil
expansionistas da Espanha na América. colonial, o que impedia que a Corte portuguesa
c) a preocupação dos jesuítas portugueses com a lucrasse efetivamente com a empresa
expansão de jesuítas franceses, que, no Brasil, colonizadora.
vinham exercendo grande influência sobre as d) nobres portugueses eram os donatários das
populações nativas. principais capitanias no Brasil colonial, o que
d) o projeto de expansão territorial português na limitava a ascensão social dos escravos
Europa, o qual, na época da carta, visava à alforriados.
dominação de territórios franceses tanto na
Europa quanto na América. 230 - (UFSCAR SP/2016)
e) a manifestação de um conflito entre a recém- De modo geral, os jesuítas concentraram suas
criada ordem jesuíta e a Coroa portuguesa em estratégias em três áreas de ação: a conversão
torno do combate à pirataria francesa. dos “principais”, a doutrinação dos jovens e a
eliminação dos pajés. Mas, a cada passo,
229 - (PUC SP/2016) enfrentavam resistências, em maior ou menor
“Entre todos os moradores e povoadores uns grau.
fazem engenhos de açúcar porque são De fato, acompanhando os efeitos devastadores
poderosos para isso, outros canaviais, outros das doenças, foi a resistência indígena o
algodoais, outros mantimentos, que é a principal obstáculo ao êxito do projeto
principal e mais necessária cousa para a terra, missioneiro.
outros usam de pescar, que também é muito (John Manuel Monteiro, Negros da terra)
necessário para a terra, outros usam de navios De acordo com o historiador,
que andam buscando mantimentos e tratando a)a catequese foi um processo pacífico e
pela terra conforme ao regimento que tenho uniforme, que sempre contou com a aceitação por
posto, outros são mestres de engenhos, outros parte dos indígenas.
mestres de açúcares, carpinteiros, ferreiros, b)a recusa dos índios em aceitar a nova religião e
oleiros e oficiais de fôrmas e sinos para os as mortes por epidemias dificultaram a ação dos
açúcares e outros oficiais que ando jesuítas.
trabalhando e gastando o meu por adquirir c)as missões jesuíticas tiveram sucesso porque os
para a terra, e os mando buscar em Portugal, caciques e os pajés mantiveram seu poder
na Galiza e nas Canárias às minhas custas, político.
além de alguns que os que vêm fazer os

82
d)a assimilação dos costumes europeus e valores b)os juízes de fora e o Regimento Geral.
cristãos foi mais fácil entre os líderes religiosos c)as Câmaras Municipais e o Vice-Reino.
indígenas. d)os Senados locais e o Estado do Brasil.
e)o trabalho dos jesuítas baseou-se na e)as Capitanias Hereditárias e o Governo-Geral.
preservação das crenças religiosas e tradições 233 - (UNESP SP/2016)
culturais dos índios. (...) foi, incontestavelmente, a unidade básica
de resistência do escravo. (...) Constituía-se em
231 - (UFSCAR SP/2016) fato normal dentro da sociedade escravista.
A sede insaciável do ouro estimulou tantos a Era reação organizada de combate a uma
deixarem suas terras e a meterem-se por forma de trabalho contra a qual se voltava o
caminhos tão ásperos como são os das minas, próprio sujeito que a sustentava.
que dificilmente se poderá dar conta do (Clóvis Moura, Rebeliões da senzala)
número de pessoas que atualmente lá estão. O autor refere-se
Contudo, os que estão nelas nestes últimos a)às fugas dos escravos para as grandes cidades,
anos dizem que mais de trinta mil almas se onde conseguiriam a alforria.
ocupam, umas em catar, e outras em mandar b)à prática da capoeira, luta de origem africana
catar nos ribeiros do ouro, e outras em que amedrontava os senhores.
negociar, vendendo e comprando o que é c)à formação de quilombos, comunidades que
necessário não só para a vida, mas para o reuniam escravos fugitivos.
prazer, mais que nos portos do mar. d)à destruição de equipamentos, que abalava o
(Antonil, Cultura e opulência do Brasil, 1711. InInês patrimônio dos fazendeiros.
Inácio e Tânia de Luca, Documentos do Brasil Colonial. e)à organização de guerrilhas, com o objetivo de
Adaptado)
dominar as instituições políticas.
O documento identifica uma importante
234 - (UNESP SP/2016)
mudança promovida pela mineração, a saber:
Juntos, tais vetores levaram a linha de
a)a construção de estradas de ferro.
fronteira do Tratado de Tordesilhas a
b)o enriquecimento de toda a população.
deslocar-se para além dos limites formais,
c)o despovoamento do litoral da colônia.
empurrando-os crescentemente para os
d)o desenvolvimento do comércio interno.
confins da hinterlândia, obrigando a se
e)a pequena importância do trabalho escravo.
estabelecer um novo acerto de fronteira com o
Tratado de Madri, que em 1750 consagrou
como marco de domínio das colônias de
232 - (UNESP SP/2016)
Portugal e da Espanha o traçado de fronteira
Dois documentos básicos, conforme a tradição
que praticamente risca como definitivo o
do povoamento de terras no Portugal da
desenho do território brasileiro de hoje.
Reconquista, regiam [o sistema]: a carta de (Ruy Moreira. A formação espacial brasileira, 2014.
doação e o foral, que garantiam os direitos do Adaptado.)
capitão-donatário e suas obrigações frente à
Coroa (...). Considerando o processo de ocupação do
(...)Visando sanar os males que grassavam na espaço brasileiro, os vetores que propiciaram
sua nova conquista, El-Rei procura uma nova fronteira e o estabelecimento de
centralizar, na figura de Tomé de Souza, pequenos aglomerados no interior do território
muitos dos poderes dispersos (...). foram
(Francisco Carlos Teixeira da Silva, Conquista e colonização a)a borracha e as rotas de procura por matéria-
da América Portuguesa, in Maria Yedda Linhares, História Geral do
Brasil. Adaptado)
prima.
b)a plantation e a construção de entrepostos para
O texto trata de dois sistemas político- o transporte.
administrativos implantados no início da c)a mineração e o comércio informal de ouro.
colonização, que são, respectivamente, d)as expedições bandeirantes e as trilhas do gado.
a)as donatarias e o Conselho Ultramarino.

83
e)as missões jesuíticas e a instalação de núcleos
comerciais.

235 - (UNICAMP SP/2016)


Os estudos históricos por muito tempo
explicaram as relações entre Portugal e Brasil
por meio da noção de pacto colonial ou
exclusivo comercial. Sobre esse conceito, é
correto afirmar que:
a)Trata-se de uma característica central do
sistema colonial moderno e um elemento
constitutivo das práticas mercantilistas do Antigo (http://www.revistadehistoria.com.br/revista/e
Regime, que considera fundamental a dinâmica dicao/118.)
interna da economia colonial.
b)Definia-se por um sistema baseado em dois a)Trata-se de uma obra baseada em um quadro do
polos: um centro de decisão, a metrópole, e outro gênero da pintura histórica, sendo que no trabalho
subordinado, a colônia. Esta submetia-se à de Pedro Américo o corpo de Tiradentes no
primeira através de uma série de mecanismos patíbulo afasta-se da figura do Cristo, exemplo
político-institucionais. maior de mártir.
c)Em mais de uma ocasião, os colonos b)Utilizando-se das mesmas formas do corpo
reclamaram e foram insubordinados diante do esquartejado de Tiradentes pintado por Pedro
pacto colonial, ao exigirem sua presença e Américo, o autor limita o número de sujeitos
atuação nas Cortes dos reis ou ao pedirem a esquartejados e acentua o tom conservador da
presença do Marquês de Pombal na colônia. aquarela.
d)A noção de pacto colonial é um projeto c)A imagem fala sobre seu contexto de produção
embrionário de Estado que acomodava as tensões na atualidade, utilizando-se do simbolismo de
surgidas entre os interesses metropolitanos e Tiradentes, e procura ampliar a presença de
coloniais, ao privilegiar as experiências do “viver negros como sujeitos sociais nas lutas coloniais e
em colônia”. antiescravistas.
d)Tiradentes consolidou-se como um mártir
nacional no quadro de Pedro Américo, daí a
necessidade do pintor de retratar seu corpo
236 - (UNICAMP SP/2016) esquartejado. A obra de João Teófilo mostra que
A aquarela do artista João Teófilo, aqui os mártires, embora negros, são um tema do
reproduzida, dialoga com a pintura de Pedro passado.
Américo, “Tiradentes esquartejado” (1893).
237 - (Fac. Direito de Franca SP/2016)
Sobre a obra de João Teófilo, publicada na Da riqueza extraída das Minas, quase tudo ia
capa de uma revista em 2015, é possível para a Metrópole, onde se consumia em gastos
afirmar que: suntuários, em construções monumentais —
como o Convento de Mafra —, no pagamento
das importações de que Portugal necessitava.
Poucos foram os privilegiados que
enriqueceram na capitania do ouro, e
insignificantes os efeitos produtivos gerados
pela mineração, de um e outro lado do
Atlântico.
Laura Vergueiro. Opulência e miséria das Minas Gerais. São
Paulo: Brasiliense, 1983, p. 76.

84
A partir do texto e de seus conhecimentos, é republicano é a criação de uma universidade em
correto afirmar que a mineração brasileira, no Vila Rica;
século XVIII, e)a sublevação desafiou a ação do marquês de
a)gerou grandes recursos que foram consumidos Pombal que havia determinado o monopólio régio
principalmente em Portugal ou que acabaram nos sobre a extração de diamantes.
cofres britânicos.
b)promoveu maior equilíbrio social no Brasil 239 - (PUC MG/2016)
colonial e facilitou a muitos escravos a alforria e Os ouro-pretanos distribuíam-se pelos seis
a riqueza. distritos já mencionados. Nos dois mais
c)estimulou a economia colonial, ampliando a populosos – Ouro Preto e Antônio Dias –
produção de manufaturados e de alimentos em concentrava-se 50,77% da população, 48,13%
todo o território do Brasil. dos livres e 56,56% dos cativos. Neste núcleo
d)permitiu a construção de obras faraônicas em principal centralizava-se a vida
Portugal e determinou a eliminação da miséria administrativa, militar e religiosa da urbe.
social no Brasil. (LUNA, Francisco Vidal, COSTA, Iraci Del Nero da.
Profissões, Atividades
Produtivas e Posse de Escravos em Vila Rica ao Alvorecer do
238 - (ESPM SP/2016) Século XIX. In.: LUNA, Francisco
Das minas e seus moradores bastava dizer que Vidal. Et.al. Escravismo em São Paulo e Minas Gerais. São
é habitada de gente intratável. A terra parece Paulo: Imprensa Oficial/Edusp, 2009. p. 49)
que evapora tumultos; a água exala motins; o
Os habitantes de Vila Rica, capital das Minas,
ouro toca desaforos; destilam liberdades os
eram de 8.867 indivíduos em 1804 segundo
ares; vomitam insolências as nuvens; influem
LUNA e COSTA (2009). Os autores
desordens os astros; o clima é tumba da paz e
analisaram a sociedade do início do século XIX
berço da rebelião; a natureza anda inquieta
e apontaram as características do processo de
consigo, e amotinada lá por dentro é como no
povoamento verificado nas Gerais que as
inferno.
(Lilia Schwarcz e Heloisa Starling. Brasil uma Biografia) distingue de outras áreas, principalmente no
que tange ao caráter tipicamente urbano de
O texto é parte do discurso histórico e político Vila Rica. Os dados do trecho selecionado
sobre a sublevação que nas minas houve no também indicam uma distribuição social e
ano de 1720 e que o governador Pedro Miguel confirmam:
de Almeida e Portugal, o conde de Assumar,
fez chegar às mãos das autoridades régias em a)o povoamento da província que se voltou para
Lisboa. atividade extrativa e gerou a concentração da
população nos povoados que se organizaram
A respeito da sedição de Vila Rica, em 1720, é junto aos locais de mineração.
correto assinalar: b)o risco iminente de rebeliões em consequência
a)os sediciosos planejavam forçar a coroa a do grande número de cativos, superior ao de
suspender o estabelecimento das casas de homens livres, que juntos alcançaram
fundição, onde se registrava o ouro em barras e se precocemente a abolição da escravidão.
deduzia o quinto por arroba, o imposto devido ao c)a riqueza das Minas no século XIX, medida
rei; principalmente pela posse de escravos. Em Ouro
b)os sediciosos planejavam forçar a coroa a abolir Preto a proporção indica que havia mais de dois
a derrama, que determinava a cobrança de todos escravos por proprietário.
os impostos atrasados; d)a diversidade entre as cidades, onde se
c)os sediciosos rebelaram-se contra forasteiros concentrava a vida administrativa, militar e
que eram beneficiados pela coroa com privilégios religiosa, havia muitos homens livres e nas outras
na exploração das jazidas auríferas; áreas o número de cativos era maior.
d)os projetos dos sediciosos eram o rompimento
com Portugal, a adoção de um regime 240 - (UNITAU SP/2016)

85
“A mão de obra empregada na montagem dos entre opressores (senhores) e oprimidos
engenhos de açúcar no Brasil foi (escravos), destacando os aspectos social e
predominantemente indígena. Uma parte dos cultural do escravo e do liberto na História.
índios (recrutados em aldeamentos jesuíticos Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 5, nº 54, março
2010.
no litoral) trabalhava sob regime de
assalariamento, mas a maioria era submetida à A partir do trecho acima, é CORRETO
escravidão. Os primeiros escravos africanos afirmar que as relações entre senhores e
começaram a ser importados em meados do escravos, no Brasil colonial,
século XVI; seu emprego nos engenhos a)destituíram os escravos da capacidade de
brasileiros, contudo, ocorria basicamente nas produzir valores próprios, devido à forte opressão
atividades especializadas”. senhorial no cotidiano do cativeiro.
MARQUESE, Rafael de B. A dinâmica da escravidão no
Brasil. b)mostram-se muito mais complexas, envolvendo
Resistência, tráfico negreiro e alforrias, séculos XVII a XIX. negociações entre senhores e escravos, como
Revista Novos estudos. CEBRAP. São Paulo, n.74, 2006. também ligações de domínio entre os próprios
integrantes da comunidade negra.
Sobre a transição do trabalho indígena para o c)impediram que os escravos construíssem
trabalho escravo africano, no Brasil colonial, espaços de autonomia dentro do sistema
podemos afirmar: escravista, tais como constituir família e laços de
a)O emprego da mão de obra escrava africana foi solidariedade.
o resultado da demanda interna dos colonos e de d)impediram que os africanos mantivessem sua
pressões externas dos traficantes no plano da identidade e cultura próprias e, assim, agissem
oferta. pela conquista de sua liberdade.
b)O tráfico dinamizava o comércio interno da e)reproduziram-se baseadas apenas na violência e
colônia, pois o escravo representava um quinto do na força do chicote, como únicas formas de
investimento de um engenho e metade do combater a autonomia e a indisciplina escrava.
investimento dos lavradores.
c)Os lucros dos engenhos eram investidos na 242 - (ESPM SP/2016)
compra de escravos indígenas, ficando, assim, Quem vir na escuridade da noite aquelas
garantida a transferência da renda do setor fornalhas tremendas perpetuamente ardentes, o
produtivo para o mercantil. ruído das rodas, das cadeias, da gente toda da
d)No Brasil colônia, a Igreja defendeu a liberdade cor da mesma noite, trabalhando vivamente, e
dos africanos, em oposição à escravidão indígena, gemendo tudo ao mesmo tempo sem momento de
cuja exploração mercantil enriquecia os colonos. tréguas, nem de descanso; quem vir enfim toda
e)Os índios, acostumados ao trabalho esporádico a máquina e aparato confuso e estrondoso
e livre, não conseguiram trabalhar com as regras e daquela Babilônia, não poderá duvidar, ainda
a disciplina que a economia açucareira exigia. que tenha visto Etnas e Vesúvios, que é uma
semelhança de inferno.
(Padre Antonio Vieira. Citado por Lilia Schwarcz e Heloisa
Starling in Brasil uma Biografia)

241 - (UNITAU SP/2016) A leitura do trecho deve ser relacionada com:


Nas palavras de Alberto da Costa e Silva, “[...] a)o trabalho indígena na extração do pau-brasil;
por muito tempo, não se deu atenção ao que, b)o trabalho indígena na lavoura da cana-de-
hoje, nos parece evidente: o papel do negro açúcar;
como civilizador”. Tal afirmativa sinaliza uma c)o trabalho de escravos negros africanos no
mudança de perspectiva na abordagem sobre a engenho de cana-de-açúcar;
escravidão no Brasil, que começou a se d)o trabalho de escravos negros africanos no
delinear no final da década de 1970. Essa nova garimpo, na mineração;
interpretação distanciava-se da visão do e)o trabalho de imigrantes italianos na lavoura
sistema escravista como rigidamente dividido cafeeira.

86
e quase vítima dos massacres do Dia de São
243 - (UFU MG/2016) Bartolomeu (24.08.1572), ponto alto das
No final da década de 1970 e início da década guerras de religião na França, compara a
de 1980, vários trabalhos foram publicados violência dos tupinambás com a dos católicos
abordando a temática do mercado interno. franceses que naquele dia fatídico trucidaram
Trabalhos esses, de base empírica, que se e, em alguns casos, devoraram seus
encarregaram de demonstrar a forte presença compatriotas protestantes:
de relações de troca e a sua significação para o
desenvolvimento interno da colônia. Trata-se “E o que vimos na França (durante o São
agora de avaliar as especificidades do mercado Bartolomeu)? Sou francês e pesa-me dizê-lo. O
interno brasileiro, as diversas modalidades em fígado e o coração e outras partes do corpo de
cada região e a sua integração com a sociedade alguns indivíduos não foram comidos por
local. furiosos assassinos de que se horrorizam os
CHAVES, Cláudia Maria das Graças. Mercadores das minas infernos? Não é preciso ir à América, nem
setecentistas.São Paulo: Annablume, 1999, p. 27 (Adaptado).
mesmo sair de nosso país, para ver coisas tão
A historiografia recente sobre a economia do monstruosas”.
(Luís Felipe Alencastro. “Canibalismo deu pretexto para
Brasil colonial tem enfatizado uma dinâmica escravizar”.
econômica mais diversificada, que pode ser Folha de S.Paulo, 12.10.1991. Adaptado.)
exemplificada
a)pela crescente presença de um tráfico interno de A partir do texto e de seus conhecimentos, é
indígenas escravizados, com apoio da Igreja, e correto afirmar que
responsável pela formação de grupos mercantis a)as experiências de canibalismo relatadas tinham
no interior da colônia. significados opostos, pois representavam, entre os
b)pelo fortalecimento, ao longo de todo o século tupinambás, a rejeição ao catolicismo e, entre os
XVIII, da economia açucareira que, ao contrário franceses, a adesão à Igreja de Roma.
da economia mineradora, era muito mais voltada b)o calvinista francês acusava os colonizadores
ao mercado interno. portugueses de aceitar o canibalismo dos
c)pela presença de mecanismos de acumulação tupinambás, pois a prática fazia parte da tradição
endógena de capital e pela formação de grupos religiosa católica.
mercantis que constituíram riqueza para além das c)o calvinista francês defendia a tolerância ao
barreiras impostas pelo sistema colonial. canibalismo, pois o considerava uma forma
d)pelas atividades bandeirantes de exploração do adequada de derrotar e submeter os inimigos
interior que, financiadas essencialmente pela religiosos.
Igreja, foram decisivas na ampliação do mercado d)as experiências de canibalismo relatadas tinham
doméstico a partir do desenvolvimento de novas origem diversa, pois representavam, entre os
culturas. tupinambás, um ritual religioso e, no caso dos
franceses, vingança.
e)as experiências de canibalismo relatadas
mostram que a antropofagia era prática religiosa
244 - (UNESP SP/2016) comum na América e na Europa e, em virtude
“Prova da barbárie e, para alguns, da disso, os colonizadores erravam ao condenar os
natureza não humana do ameríndio, a tupinambás.
antropofagia condenava as tribos que a
praticavam a sofrer pelas armas portuguesas a 245 - (UNESP SP/2016)
“guerra justa”. O conceito de “guerra justa” foi empregado,
Nesse contexto, um dos autores renascentistas durante a colonização portuguesa do Brasil,
que escreveram sobre o Brasil, o calvinista para
francês Jean de Léry, morador do atual Rio de a)justificar a captura, o aprisionamento e a
Janeiro na segunda metade da década de 1550 escravização de indígenas.

87
b)justificar a instalação de missões jesuíticas em
áreas de colonização francesa. 247 - (IFMG/2016)
c)impedir a prisão e o exílio de lideranças e Leia estes trechos:
comunidades nativas hostis à colonização.
d)impedir o acesso de protestantes e judeus às I.“Sabido é, que dormindo este Patriarca (Noé)
áreas de produção de açúcar. com menos decência descoberto, vendo Cam, e
e)impedir que os nativos fossem utilizados como zombando desta desnudez, a foi publicar logo
mão de obra na lavoura. a seus irmãos; e em castigo deste abominável
atrevimento foi amaldiçoada do Pai toda a sua
246 - (UNITAU SP/2016) descendência, que no sentir de muitos é a
“[...] Lá se vão pelo tempo adentro mesma geração dos pretos que nos servem; e
esses homens desgrenhados: aprovando Deus esta maldição, foi condenada
duro vestido de couro à escravidão e cativeiro.”
enfrenta espinhos e galhos; BENCI, Jorge. Economia Cristã dos Senhores
em sua cara curtida no Governo dos Escravos .1705 (adaptado).
não pousa vespa ou moscardo, II.A força sem piedade, com que as raças
comem larvas, passarinhos, superiores escravizaram ou exterminaram
palmitos e papagaios; sempre as inferiores […] essa lei da
sua fome verdadeira concorrência animal, que na zoologia produz
é de rios muito largos, pela seleção os tipos superiores e na história as
com franjas de prata e ouro, civilizações, provocará sempre terríveis
de esmeraldas e topázios. [...]” protestos. […,] e abundam os documentos que
MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. 1983. nos mostram no negro um tipo
antropologicamente inferior, não raro próximo
Sobre as expedições conhecidas como entradas do antropoide, e bem pouco digno do nome de
e bandeiras, descritas no poema de Cecília homem.”
Meireles e estimuladas pela Coroa portuguesa OLIVEIRA MARTINS, J.P.
na segunda metade do século XVII, é O Brasil e as colônias portuguesas, 1887 (adaptado).
CORRETO afirmar que
a)sempre que uma entrada ou uma bandeira se A partir da leitura dos trechos, podemos
encaminhava para o sertão, ainda que seu afirmar que:
objetivo imediato fosse a busca por metais e a)A evolução da ciência no decorrer do século
pedras preciosas, também havia apresamento de XIX comprovou as teorias religiosas de
índios. inferioridade racial defendidas por Benci (trecho
b)entradas e bandeiras eram expedições pelo I), embasando-se em evidências científicas
interior do Brasil organizadas exclusivamente produzidas por antropólogos e cientistas sociais
pela Coroa portuguesa com objetivos comuns (trecho II).
para explorar o território à procura de minas. b)Entre os dois trechos há mudança de enfoque
c)enquanto as bandeiras, financiadas pela Coroa da justificativa para a escravidão, pois, o discurso
portuguesa, buscavam metais e pedras preciosas, científico refutou as teses de inferioridade racial,
as entradas, organizadas por particulares, comprovando a inexistência de um ancestral
dedicavam-se ao apresamento de índios. comum entre povos bíblicos e os negros.
d)entre as entradas e bandeiras e as missões c)O discurso religioso (trecho I), que legitimou a
jesuítas havia acordos de não agressão e trabalho escravidão africana, paulatinamente, foi
em conjunto, para o apresamento de índios, que substituído por um discurso pretensamente
determinaram a consolidação da paz. científico de base racista (trecho II), utilizado
e)as entradas e bandeiras surgiram para sanar as para justificar a manutenção da dominação
precárias condições da capitania de São Vicente, europeia.
com o desenvolvimento do comércio e, d)Os dois trechos fazem parte do esforço europeu
posteriormente, com a busca de metais. para se legitimar especificamente a conquista do

88
Novo Mundo, utilizando-se tanto o discurso representa uma amostra da população do
religioso cristão como as descobertas científicas sudeste brasileiro. Observe-o:
produzidas pelo darwinismo social.

248 - (PUCCamp SP/2016)


Finalmente, a bandeira. Tiradentes propôs que
fosse adotado o triângulo representando a
Santíssima Trindade, com alusão às cinco
chagas de Cristo crucificado, presente nas Baseando-se nos dados acima, marque a
armas portuguesas. Já Alvarenga propôs a afirmativa que está CORRETA acerca do
imagem de um índio quebrando os grilhões do processo de colonização do Brasil no século
colonialismo, com a inscrição “Libertas XVIII:
quaeseratamen” (Liberdade, ainda que tardia), a)A maioria da população possuía origens
do poeta latino Virgílio, e que foi adotada e europeias, sobretudo devido à grande presença de
consagrada. colonos europeus.
(MOTA, Carlos Guilherme e LOPEZ, Adriana. História do
Brasil: uma interpretação. São Paulo, Ed. 34, 2015, 4. ed. p.
b)A presença escrava na colonização do Brasil foi
261) reduzida, uma vez que a presença indígena era
superior. Os índios, durante todo o período
A proposta formulada por Alvarenga, de se colonial, compunham a larga base da sociedade
colocar na nova bandeira a imagem de um colonial.
índio quebrando osgrilhões do colonialismo c)O processo de alforria de escravos ocorrido
ajuda a entender que durante todo o período transformou a composição
a)os românticos da última geração foram os mais da população, que passou a ter a maioria livre.
ingênuos defensores do indianismo. d)Se somarmos o percentual de escravos com os
b)antes dos poetas árcades, artistas do barroco já de cor livres podemos concluir que a sociedade
propugnavam por ideais nativistas. colonial possuía 75% de população originária da
c)os inconfidentes alinhavam-se aos escravidão.
abolicionistas em duas frentes de libertação e)A sociedade colonial baseava-se no regime de
popular. castas, não havendo possibilidade de
d)os escritores ilustrados, ainda no século XVIII, miscigenação entre seus diferentes grupos.
já se mostravam sensíveis aos valores nativistas.
e)antes mesmo dos sentimentos nativistas, ideais 250 - (Fac. Direito de Franca SP/2015)
nacionalistas moviam os inconfidentes mineiros. “Nenhuma outra forma de exploração agrária
no Brasil colonial resume tão bem as
características básicas da grande lavoura como
o engenho de açúcar.”
Alice Canabrava, in Sérgio Buarque de Holanda (org.)
249 - (UFJF MG/2016) História geral da
civilização brasileira. Rio de Janeiro: Difel, 1963, tomo I,vol. 2,
Desde o descobrimento, a América Portuguesa p. 198-206.
recebeu inúmeros grupos sociais que
ocuparam seu espaço acompanhando o lento A frase pode ser considerada correta, entre
processo de colonização. Do contato entre os outros motivos, porque na produção
grupos surgiu uma sociedade muito açucareira
diferenciada, composta por diversos a)prevalecia o regime de trabalho escravo e a
segmentos. A partir de listas de população grande propriedade monocultora.
elaboradas em 1831 para diversos municípios b)havia emprego reduzido de mão de obra e
mineiros, apresentamos um quadro que prevalecia a agricultura de subsistência.

89
c)prevalecia a atenção ao mercado consumidor cultura xinguana – que aparecerá para a
interno e à distribuição das mercadorias nas nação brasileira nos anos 1940 como símbolo
grandes cidades. de uma tradição estática, original e intocada –
d)havia disposição modernizadora do aparato é, ao inverso, o resultado de uma história de
produtivo e prevalecia a mão de obra assalariada. contatos e mudanças, que tem início no século
e)prevalecia a pequena propriedade familiar e a X d.C. e continua até hoje.
diversificação de culturas. Carlos Fausto. Os índios antes do Brasil. Rio de Janeiro:
Zahar, 2005.

251 - (FUVEST SP/2015)


Com base no trecho acima, é correto afirmar
Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a
que
todos os reinos e províncias da Europa, o
a)o processo colonizador europeu não foi violento
tabaco o tem feito muito afamado em todas as
como se costuma afirmar, já que ele preservou e
quatro partes do mundo, em as quais hoje
até mesmo valorizou várias culturas indígenas.
tanto se deseja e com tantas diligências e por
b)várias culturas indígenas resistiram e
qualquer via se procura. Há pouco mais de
sobreviveram, mesmo com alterações, ao
cem anos que esta folha se começou a plantar e
processo colonizador europeu, como a xinguana.
beneficiar na Bahia [...] e, desta sorte, uma
c)a cultura indígena, extinta graças ao processo
folha antes desprezada e quase desconhecida
colonizador europeu, foi recriada de modo
tem dado e dá atualmente grandes cabedais
mitológico no Brasil dos anos 1940.
aos moradores do Brasil e incríveis
d)a cultura xinguana, ao contrário de outras
emolumentos aos Erários dos príncipes.
André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas culturas indígenas, não foi afetada pelo processo
drogas e minas. São Paulo: EDUSP, 2007. Adaptado. colonizador europeu.
e)não há relação direta entre, de um lado, o
O texto acima, escrito por um padre italiano processo colonizador europeu e, de outro, a
em 1711, revela que mortalidade indígena e a perda de sua identidade
a)o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao cultural.
do ouro, sucedeu o da cana􀍲de􀍲açúcar.
b)todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que 253 - (IFSP/2015)
ocorria com outros produtos, era direcionado à Observe a imagem abaixo, que trata da
metrópole. estrutura mais típica da História Brasileira
c)não se pode exagerar quanto à lucratividade durante a Colonização e o Império.
propiciada pela cana􀍲de􀍲açúcar, já que a do
tabaco, desde seu início, era maior.
d)os europeus, naquele ano, já conheciam
plenamente o potencial econômico de suas
colônias americanas.
e)a economia colonial foi marcada pela
simultaneidade de produtos, cuja lucratividade se
relacionava com sua inserção em mercados
internacionais.

252 - (FUVEST SP/2015)


A colonização, apesar de toda violência e Sobre a imagem, assinale a alternativa correta.
disrupção, não excluiu processos de a)Os escravos eram punidos a cada falta grave
reconstrução e recriação cultural conduzidos nas fazendas no interior; já nas cidades, as
pelos povos indígenas. É um erro comum crer relações entre senhores e escravos eram mais
que a história da conquista representa, para os cordiais.
índios, uma sucessão linear de perdas em
vidas, terras e distintividade cultural. A

90
b)A escravidão produziu um grave problema
social quanto à questão da mão-de-obra TEXTO COMUM às questões: 255 e 256
especializada do negro na sociedade. O Brasil colonial foi organizado como uma
c)Os sistemas econômicos colonial e imperial empresa comercial resultante de uma aliança
brasileiro eram marcadamente tomados pelo entre a burguesia mercantil, a Coroa e a
escravismo, fato comprovado pelo grande número nobreza. Essa aliança refletiu-se numa política
de negros na imagem. de terras que incorporou concepções rurais
d)Os castigos públicos eram uma constante no tanto feudais como mercantis.
sistema de dominação escravocrata, pois serviam (Emília Viotti da Costa. Da Monarquia à República, 1987.)
de exemplo contra novos casos de indisciplina.
e)O fato de negros serem usados como feitores 255 - (UNESP SP/2015)
era incomum e demonstra o preconceito do autor A afirmação de que “O Brasil colonial foi
do quadro contra os africanos. organizado como uma empresa comercial
resultante de uma aliança entre a burguesia
254 - (UNICAMP SP/2015) mercantil, a Coroa e a nobreza” indica que a
Engenheiros, naturalistas, matemáticos e colonização portuguesa do Brasil
artistas, sob o mecenato de Nassau, a)desenvolveu-se de forma semelhante às
investigaram a natureza e transformaram a colonizações espanhola e britânica nas Américas,
paisagem nordestina. Recife tornou-se uma ao evitar a exploração sistemática das novas
das cidades mais importantes da América, com terras e privilegiar os esforços de ocupação e
modernas pontes e prédios. Além do incentivo povoamento.
à arte, o governo [de Nassau] promulgou leis b)implicou um conjunto de articulações políticas
que eram iguais para todos, impedindo e sociais, que derivavam, entre outros fatores, do
injustiças contra os antigos habitantes. exercício do domínio político pela metrópole e de
(Ronald Raminelli, Invasões Holandesa”, em Ronaldo Vainfas uma política de concessões de privilégios e
(dir.), Dicionário do Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, vantagens comerciais.
2001, p. 315.)
c)alijou, do processo colonizador, os setores
populares, que foram impedidos de se transferir
As transformações durante o governo de
para a colônia e não puderam, por isso, aproveitar
Maurício de Nassau (1637-1645), em
as novas oportunidades de emprego que se
Pernambuco, são exemplos de um contexto em
abriam.
que
d)incorporou as diversas classes sociais existentes
a)o mecenato e a aplicação de leis idênticas para
em Portugal, que mantiveram, nas terras
holandeses e luso-brasileiros eram uma
coloniais, os mesmos direitos políticos e
continuidade do modelo renascentista,
trabalhistas de que desfrutavam na metrópole.
representando um período de modernização da
e)alterou as relações políticas dentro de Portugal,
região.
pois provocou o aumento da participação dos
b)houve dinamização da economia açucareira na
burgueses nos assuntos nacionais e eliminou a
região, com a reativação de engenhos e perdão de
influência da aristocracia palaciana sobre o rei.
dívidas dos antigos proprietários, impulsionando
a remodelação da cidade de Recife.
256 - (UNESP SP/2015)
c)houve a aplicação de princípios mercantilistas
A constatação de que “Essa aliança se refletiu
para a obtenção de lucros e a perseguição, por
numa política de terras que incorporou
parte dos holandeses calvinistas, a judeus,
concepções rurais tanto feudais como
cristãos-novos e católicos.
mercantis” justifica-se, pois a política de terras
d)as expedições dos artistas e cientistas tinham o
desenvolvida por Portugal durante a
propósito de retratar a paisagem e identificar
colonização brasileira
potencialidades econômicas da região, pois o
a)permitiu tanto o surgimento de uma ampla
açúcar estava em declínio no comércio
camada de pequenos proprietários, cuja produção
internacional.
se voltava para o mercado interno, quanto a

91
implementação de sólidas parcerias comerciais A respeito da imagem acima, que reproduz um
com o restante da América. quadro de Victor Meirelles, é correto afirmar
b)determinou tanto uma rigorosa hierarquia que ela representa
nobiliárquica nas terras coloniais, quanto o a)a descoberta do Brasil no século XV, em uma
confisco total e imediato das terras comunais concepção profundamente religiosa, típica da
cultivadas por grupos indígenas ao longo do Ditadura Militar.
litoral brasileiro. b)os primórdios da presença europeia no Brasil,
c)envolveu tanto a cessão vitalícia do usufruto de em uma concepção romântica de exaltação da
terras que continuavam a ser propriedades da nacionalidade, típica do século XIX.
Coroa, quanto a orientação principal do uso da c)a união entre brancos, negros e indígenas no
terra para a monocultura exportadora. Brasil, em uma concepção modernista, típica das
d)garantiu tanto a prevalência da agricultura de primeiras décadas do século XX.
subsistência, quanto a difusão, na região d)a destruição das populações indígenas a partir
amazônica e nas áreas centrais da colônia, das do século XVI, em uma concepção crítica, típica
práticas da pecuária e da agricultura de de finais do século XIX.
exportação. e)a união das populações brasileiras contra as
e)assegurou tanto o predomínio do minifúndio no invasões holandesas do século XVII, em uma
Nordeste brasileiro, quanto uma regular concepção acadêmica, típica da segunda metade
distribuição de terras entre camponeses no do século XVIII.
Centro-Sul, com o objetivo de estimular a
agricultura de exportação. 258 - (ESPM SP/2015)
Em 1759 os jesuítas foram expulsos de
Portugal e do Brasil pelo marquês de Pombal.
Nas reformas pombalinas, a expulsão dos
jesuítas foi capítulo dos mais dramáticos,
ousados e radicais, demonstrando até que
ponto se reafirmava a soberania do Estado
português na colônia.
(Carlos Guilherme Mota e Adriana Lopez. História do Brasil:
Uma interpretação)

Os problemas em questão têm por origem o


seguinte:
a)Pombal acusava a Companhia de Jesus de
formar um verdadeiro Estado dentro do Estado e
resistir ao poder do rei;
257 - (USP/2015)
b)Pombal condenava o monopólio do comércio
de escravos africanos pela Companhia de Jesus;
c)Pombal se ressentiu da recusa por parte da
Companhia de Jesus de participar da colonização
do Estado do Grão-Pará e Maranhão;
d)Pombal rompeu com os jesuítas após a
Companhia de Jesus apresentar uma decidida
condenação ao tráfico negreiro praticado pelo
governo português;
e)Os jesuítas apoiavam as pretensões espanholas
nas negociações dos tratados de limites ocorridos
no século XVIII.

259 - (FMABC SP/2015)

92
"A rotina e não a razão abstrata foi o princípio
que norteou os portugueses, tanto na formação Quanto ao assunto tratado no texto é correto
das cidades como em tantas outras expressões assinalar:
de sua atividade colonizadora. Preferiam agir a)as incursões dos bandeirantes às missões
por experiências sucessivas, nem sempre jesuítas visavam apresar indígenas aldeados em
coordenadas umas às outras, a traçar de grupos numerosos e habituados ao trabalho rural;
antemão um plano para segui-lo até o fim. b)nessas incursões não havia nenhuma
Raros os estabelecimentos fundados por eles participação de indígenas entre os integrantes das
no Brasil que não tenham mudado uma, duas bandeiras;
ou mais vezes de sítio, e a presença da clássica c)o objetivo primordial dos bandeirantes paulistas
vila velha ao lado de centros urbanos de era apresar “negros da terra” para a exportação
origem colonial é persistente testemunho dessa dessa mão de obra para a Europa;
atitude tateante e perdulária." d)os ataques dos bandeirantes paulistas aos
Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: jesuítas castelhanos eram uma resposta contra a
José Olympio, 1987, p. 76. Adaptado.
postura da Espanha que naquele momento
apoiava a invasão holandesa ao Brasil;
A partir do texto, pode-se afirmar que a
e)as incursões dos bandeirantes paulistas contra
colonização portuguesa do Brasil
as missões jesuíticas de Guairá e Tapes ocorreram
a)não respeitou um planejamento prévio ou
após o Tratado de Madri.
rigoroso, desenvolvendo-se de maneira errática e
muitas vezes imediatista.
261 - (PUCCamp SP/2015)
b)assemelhou-se, na formação das cidades, ao
Não se vá buscar altura literária nos primeiros
que ocorreu na América de colonização
documentos que tratam da terra recém-
espanhola, mantendo princípios e práticas
descoberta por Cabral: as informações dizem
racionais e regulares.
respeito sobretudo ao pitoresco da fauna e da
c)não teve qualquer semelhança com a forma de
flora, bem como vislumbram as virtualidades
ocupação da América de colonização inglesa, que
econômicas de uma empreitada colonizadora.
privilegiou a colonização de exploração.
Os interesses e os serviços da Igreja também se
d)estimulou a formação de cidades, privilegiando
fariam sentir: os missionários jesuítas
o mundo urbano e estruturando todas as relações
difundem a fé cristã e fundam a primeira
sociais a partir do comércio local.
escola, abrindo caminho para a forte presença
e)não correspondeu aos imperativos do comércio
que teria a representação da Santa Sé junto ao
internacional da época, que privilegiava as
poder colonial, à futura Monarquia e mesmo à
relações da Europa com o Oriente.
República.
(Carlos Santoro Nunes, inédito)

260 - (ESPM SP/2015) A Companhia de Jesus exerceu importante


As incursões dos bandeirantes paulistas às papel na colonização ibero-americana, sendo
missões dos jesuítas castelhanos do Guairá sua atuação
multiplicaram-se a partir do século XVII. a)idealizada por Portugal e Espanha, que
Paulistas e guerreiros tupiniquins planejaram a instalação de missões e colégios
enveredavam pelo Caminho do Peabiru, velha jesuíticos para pôr em prática o processo de
trilha tupi, rumo ao Guairá, território situado branqueamento e conversão do gentio.
entre os rios Paranapanema, Iguaçu e Paraná. b)regulada pelas instituições coloniais, uma vez
Nessa região de posse duvidosa, dado que os que nas colônias a Igreja era subordinada ao
portugueses sempre consideraram que a linha Estado, de modo que as missões pagavam tributos
de Tordesilhas passava pelo estuário do Prata, às Coroas portuguesa e espanhola, sendo
os jesuítas espanhóis haviam criado entre 1622 impedidas de praticar o comércio.
e 1628 onze missões. c)recompensada pela Igreja, que dotou a
(Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil:
uma interpretação) Companhia de grande autonomia, a fim de que a

93
subordinação ao papado não atrapalhasse a política mercantilista durante a administração
execução de sua tarefa evangelizadora, a ela do Marquês de Pombal, secretário de Estado
transferindo consideráveis bens do Vaticano. de D. José I.
d)questionada pelas populações brancas e ALBUQUERQUE, Manuel Maurício de. Pequena História da
Formação Social Brasileira. 2.ed. Rio de Janeiro: Graal, 1981,
mestiças que formaram as primeiras vilas, visto p.100. (Adaptado).
que as missões impediam a escravidão dos índios
e quaisquer outras formas de trabalho A crise econômica da segunda metade do
compulsório. século XVIII abriu caminho para as reformas
e)rechaçada pelas metrópoles no século XVIII pombalinas, vistas como inevitáveis para a
quando a Companhia foi acusada de exercer um recuperação econômica do reino de Portugal e
poder político independente e instigar os índios a que se caracterizavam, entre outras medidas,
se rebelarem contra as Coroas. a)pelo estreitamento das relações comerciais com
a Inglaterra, país que era visto como mercado
262 - (PUCCamp SP/2015) seguro dos produtos primários das colônias
O ser senhor de engenho é título a que muitos portuguesas.
aspiram, porque traz consigo o ser servido, b)pelo estreitamento das relações com a Igreja,
obedecido e respeitado por muitos. E se for, com o aumento da presença dos jesuítas, vistos
qual deve ser, homem de cabedal e governo, como agentes importantes da modernização
bem se pode estimar no Brasil o ser senhor de educacional.
engenho, quanto proporcionalmente se c)pelo incentivo à produção manufatureira na
estimam os títulos entre os fidalgos do Reino colônia, com o objetivo de diminuir a
(...) dependência econômica em relação aos produtos
Os escravos são as mãos e os pés do senhor de primários.
engenho, porque sem eles no Brasil não é d)pelo surgimento dos primeiros projetos de
possível fazer, conservar nem aumentar abolição de escravos, com o objetivo de formar
fazenda, nem ter engenho corrente. um mercado consumidor para as indústrias da
(ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil por
suas drogas e minas) colônia.

O texto de Antonil data de 1681, TEXTO COMUM às questões: 264 e 265


a)em pleno período colonial, e retrata um ciclo
econômico que foi matéria central da prosa A casa-grande, residência do senhor de
romântica da época. engenho, é uma vasta e sólida mansão térrea
b)por isso a realidade sócio-política a que se ou em sobrado; distingue-se pelo seu estilo
refere só poderá ser conferida na literatura do arquitetônico sóbrio, mas imponente, que
Arcadismo. ainda hoje empresta majestade à paisagem
c)remontando a uma época em que os pré- rural, nas velhas fazendas de açúcar que a
românticos passavam a denunciar a opressão do preservaram. Constituía o centro de
regime escravista. irradiação de toda a atividade econômica e
d)figurando entre os principais documentos do social da propriedade. A casa-grande
nosso nativismo, sentimento oposto ao completava-se com a capela, onde se
nacionalismo. realizavam os ofícios e as cerimônias religiosas
e)retratando um ciclo econômico duradouro, [...]. Próximo se erguia a senzala, habitação
focalizado também em romances importantes dos dos escravos, os quais, nos grandes engenhos,
anos de 1930. podiam alcançar algumas centenas de “peças”.
Pouco além serpenteava o rio, traçando
263 - (UFU MG/2015) através da floresta uma via de comunicação
A partir de 1750-60, a produção mineradora vital. O rio e o mar se mantiveram, no período
começou a declinar. Tal mudança, articulada a colonial, como elementos constantes de
outros elementos, determinou uma revisão da preferência para a escolha da situação da

94
grande lavoura. Ambos constituíam as artérias e)sustenta sua autonomia e autossuficiência,
vivificantes: por meio delas o engenho fazia mostrando-o como desvinculado do restante da
escoar suas safras de açúcar e, por elas, empresa colonial.
singravam os barcos que conduziam as toras
de madeira abatidas na floresta, que 266 - (IFMG/2015)
alimentavam as fornalhas do engenho, ou a “As irmandades eram devotadas aos santos,
variedade e a multiplicidade de gêneros e que revelavam uma íntima associação com os
artigos manufaturados que o engenho adquiria devotos: os negros adoravam Nossa Senhora
alhures [...]. do Rosário; os brancos, o Santíssimo
(Alice Canabrava apud Déa Ribeiro Fenelon (org.). 50 textos Sacramento, São Francisco de Assis ou Nossa
de história do Brasil,1986.)
Senhora do Carmo; os pardos, Nossa Senhora
das Mercês – cujo culto estava associado à
264 - (UNESP SP/2015)
libertação dos escravos, pois referia-se à
Quanto à organização da vida e do trabalho no
concessão de uma mercê –, ou ainda São
engenho colonial, o texto
Francisco do Cordão. As irmandades mais
a)destaca a ausência de quaisquer relações de
ricas construíam igrejas ou capelas próprias,
trabalho e de amizade dos senhores com os seus
as mais pobres erigiam altares dentro de
escravos.
igrejas de outras irmandades.”
b)demonstra a distribuição espacial das (FURTADO, Júnia Ferreira. Cultura e sociedade no Brasil
construções e seu papel no funcionamento e na colônia. São Paulo: Atual, 2000.)
lógica do poder dentro do engenho.
c)enfatiza a predominância do trabalho O texto acima permite concluir que:
compulsório e os lucros obtidos na a)havia uma homogeneidade na sociedade
comercialização de escravos de origem africana. colonial, identificada pela ostentação das
d)denuncia o descaso dos senhores de engenho irmandades.
com a escolha da localização para a instalação do b)havia uma homogeneidade na sociedade
engenho. colonial, representada pelos diversos santos
e)atesta a irracionalidade do posicionamento das cultuados entre as categorias sociais.
edificações e os problemas logísticos trazidos c)havia uma heterogeneidade na sociedade
pela falta de planejamento espacial. colonial, percebida na inexistência de divisões
nas irmandades.
d)havia uma heterogeneidade na sociedade
colonial, comprovada pela existência de
265 - (UNESP SP/2015) irmandades distintas para as diversas categorias
Quanto à relação do engenho colonial com as sociais.
áreas externas a ele, o texto
a)revela o papel decisivo que a Igreja Católica 267 - (FUVEST SP/2014)
desempenhou no impedimento da escravização Não há trabalho, nem gênero de vida no
das populações indígenas. mundo mais parecido à cruz e à paixão de
b)defende a ideia de que a colonização Cristo, que o vosso em um destes engenhos [...].
portuguesa no Brasil, no lugar de explorar as A paixão de Cristo parte foi de noite sem
riquezas naturais, privilegiou a ocupação do dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais
território. são as vossas noites e os vossos dias. Cristo
c)caracteriza sua preocupação ambiental, despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e
demonstrando o respeito dos administradores às vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós
matas e aos rios que compunham a paisagem maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os
rural. açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de
d)identifica articulações entre as atividades tudo isto se compõe a vossa imitação, que, se
internas e a dinâmica de circulação de for acompanhada de paciência, também terá
mercadorias dentro e fora dos limites da colônia. merecimento e martírio[...]. De todos os

95
mistérios da vida, morte e ressurreição de O mecanismo principal da colonização foi o
Cristo, os que pertencem por condição aos comércio entre colônia e metrópole, fato que se
pretos, e como por herança, são os mais manifesta
dolorosos. a)na ampliação do movimento de integração
P. Antônio Vieira, Sermão décimo quarto. In: I. Inácio & T. econômica europeia por meio do amplo acesso de
Lucca (orgs.). Documentos do Brasil colonial. São Paulo:
Ática, 1993, p.73-75. outras potências aos mercados coloniais.
b)na ausência de preocupações capitalistas por
A partir da leitura do texto acima, escrito pelo parte dos colonos, que preferiam manter o
padre jesuíta Antônio Vieira em 1633, pode-se modelo feudal e a hegemonia dos senhores de
afirmar, corretamente, que, nas terras terras.
portuguesas da América, c)nas críticas das autoridades metropolitanas à
a)a Igreja Católica defendia os escravos dos persistência do escravismo, que impedia a
excessos cometidos pelos seus senhores e os ampliação do mercado consumidor na colônia.
incitava a se revoltar. d)no desinteresse metropolitano de ocupar as
b)as formas de escravidão nos engenhos eram novas terras conquistadas, limitando-se à
mais brandas do que em outros setores exploração imediatista das riquezas encontradas.
econômicos, pois ali vigorava uma ética religiosa e)no condicionamento político, demográfico e
inspirada na Bíblia. econômico dos espaços coloniais, que deveriam
c)a Igreja Católica apoiava, com a maioria de gerar lucros para as economias metropolitanas.
seus membros, a escravidão dos africanos,
tratando, portanto, de justificá-la com base na 269 - (UNICAMP SP/2014)
Bíblia. A história de São Paulo no século XVII se
d)clérigos, como P. Vieira, se mostravam confunde com a história dos povos indígenas.
indecisos quanto às atitudes que deveriam tomar Os índios não se limitaram ao papel de tábula
em relação à escravidão negra, pois a própria rasa dos missionários ou vítimas passivas dos
Igreja se mantinha neutra na questão. colonizadores. Foram participantes ativos e
e)havia formas de discriminação religiosa que se conscientes de uma história que foi pouco
sobrepunham às formas de discriminação racial, generosa com eles.
(Adaptado de John M. Monteiro, “Sangue Nativo”, em
sendo estas, assim, pouco significativas. http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/sangue-
nativo. Acessado em 14/07/2013.)

Sobre a atuação dos indígenas no período


268 - (UNESP SP/2014) colonial, pode-se afirmar que:
O comércio foi de fato o nervo da colonização a)A escravidão foi por eles aceita, na expectativa
do Antigo Regime, isto é, para incrementar as de sua proibição pela Coroa portuguesa, por
atividades mercantis processava- se a pressão dos jesuítas.
ocupação, povoamento e valorização das novas b)Sua participação nos aldeamentos fez parte da
áreas. E aqui ressalta de novo o sentido da integração entre os projetos religioso e bélico de
colonização da época Moderna; indo em curso domínio português, executados por jesuítas e
na Europa a expansão da economia de bandeirantes.
mercado, com a mercantilização crescente dos c)A existência de alianças entre indígenas e
vários setores produtivos antes à margem da portugueses não exclui as rivalidades entre
circulação de mercadorias – a produção grupos indígenas e entre os nativos e os europeus.
colonial era uma produção mercantil, ligada às d)A adoção do trabalho remunerado dos
grandes linhas do tráfico internacional. indígenas nos engenhos de São Vicente contrasta
(Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do Antigo com as práticas de trabalho escravo na Bahia e
Sistema Colonial (1777-1808), 1981. Adaptado.)
Pernambuco.

270 - (UNESP SP/2014)

96
A efervescência que conheceram nas Minas população na colônia para aumentar a
[Gerais, do século XVIII] as artes e as letras arrecadação de impostos.
também teve feição peculiar.Pela primeira vez
na Colônia buscava-se solução própriapara a 272 - (UNITAU SP/2014)
expressão artística. A imagem abaixo é uma representação do
(Laura Vergueiro. Opulência e miséria das Minas Gerais, interior de um navio negreiro, utilizado para o
1983.)
tráfico de escravos para o Brasil.
São exemplos do que o texto afirma:
a)a pintura e a escultura renascentistas.
b)a poesia e a pintura românticas.
c)a arquitetura barroca e a poesia árcade.
d)a literatura de viagem e a arquitetura gótica.
e)a música romântica e o teatro barroco.

271 - (UNITAU SP/2014)


“[...] a economia mineira apresentava baixos
níveis de renda distribuídos de uma maneira
menos desigual do que no caso do açúcar. Mas
se a sociedade mineira foi das mais abertas da
colônia, essa abertura teria se dado por baixo,
pela falta – quase ausência – do grande capital [O navio negreiro] Litografia de Johann Moritz Rugendas,
1835.
e pelo seu baixo poder de concentração”.
(SOUZA, Laura de Mello e. Os desclassificados do ouro. 1986,
p. 29) Sobre o tráfico negreiro e sobre a imagem
acima, que o retrata, é possível afirmar que
A que situação configurada na sociedade a)o tráfico negreiro sustentava o sistema
mineradora a historiadora se refere? escravocrata, mas não foi um dos setores mais
a)Vila Rica e suas freguesias foram invadidas por lucrativos do comércio colonial.
aventureiros que prejudicaram a atividade b)o tráfico negreiro foi implantado no Brasil e,
mineradora, o que inviabilizou a implantação de posteriormente, ampliado para as colônias
um sistema de regulamentação da exploração portuguesas na África.
aurífera na região. c)a abolição do tráfico negreiro aconteceu no
b)O ouro extraído no Brasil beneficiou início da atividade de mineração, por iniciativa da
exclusivamente os antigos senhores de engenho e Inglaterra, que visava à ampliação do mercado
os financiadores ingleses, concentrando a riqueza consumidor de seus produtos, que eram
e o capital fora da região mineradora. comercializados intensamente nas áreas urbanas
c)A atividade mineradora deu origem a uma da região das minas.
classe média urbana a partir do desenvolvimento d)na imagem de Rugendas há presença de
das cidades que concentraram atividades e enfermos e de mortos, representando o fato de
recursos. que grande parte da "carga humana" não chegava
d)A abertura social propiciada pela mineração, ao destino, mas mesmo assim o tráfico negreiro
principalmente em Vila Rica, representou a era lucrativo.
ascensão da posição da mulher, e contribuiu para e)a Inglaterra passou a pressionar o Brasil para
a diminuição da prostituição em relação aos abolir o tráfico negreiro antes de tomar essa
outros centros urbanos da colônia. iniciativa em suas colônias.
e)A distribuição de renda na região das minas era
menos desigual do que na economia do açúcar, 273 - (FUVEST SP/2013)
porque havia grande facilidade de encontrar ouro A economia das possessões coloniais
devido às características da região e ao incentivo portuguesas na América foi marcada por
de Portugal em promover o enriquecimento da mercadorias que, uma vez exportadas para
outras regiões do mundo, podiam alcançar alto

97
valor e garantir, aos envolvidos em seu e)define o caráter flexível das relações entre
comércio, grandes lucros. Além do açúcar, colônia e metrópole, pois estas se estruturam a
explorado desde meados do século XVI, e do partir do perfeito equilíbrio político entre a
ouro, extraído regularmente desde fins do periferia e o centro econômico.
XVII, merecem destaque, como elementos de
exportação presentes nessa economia: 275 - (PUCCamp SP/2013)
a)tabaco, algodão e derivados da pecuária. Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler, entre
b)ferro, sal e tecidos. outros, sonharam com a pan-Europa que, com
c)escravos indígenas, arroz e diamantes. a inclusão de mais dez países, se tornou uma
d)animais exóticos, cacau e embarcações. realidade irreversível. Os antecedentes da
e)drogas do sertão, frutos do mar e cordoaria. União Europeia são assim, alguns mais
respeitáveis do que outros. Durante muito
274 - (PUC SP/2013) tempo depois da tentativa de Carlos Magno de
“Ao longo da segunda metade do século XVI, a substituir o império romano pelo seu, uma
Bahia se tornou a principal capitania do Brasil identidade europeia se definia mais pelo que
colonial. Juntou-se a Pernambuco como região não era do que pelo que era: cristã e não
de grande lavoura e engenhos produtores de muçulmana, civilizada em vez de bárbara (e,
açúcar; tornou-se polo de imigração portanto, com o direito de subjugar e
portuguesa, com destaque para os cristãos- europeizar os bárbaros – isto é, o resto do
novos, atraídos pela nova frente de expansão mundo).
açucareira e desejosos de escapar do braço (Luis Fernando Verissimo. O mundo é bárbaro. Rio de
Janeiro: Objetiva, 2008)
comprido do Santo Ofício português, criado
entre 1536 e 1540; abrigou número crescente
Quando o português chegou
de missionários, não só jesuítas, mas professos
Debaixo duma bruta chuva
de outras ordens religiosas.”
Ronaldo Vainfas. Antônio Vieira. São Paulo: Companhia das Vestiu o índio
Letras, 2011, p. 31. Que pena!
Fosse uma manhã de sol
Podemos afirmar que o texto indica uma O índio tinha despido
concepção acerca do estudo da história do O português
Brasil colonial em que se (Oswald de Andrade. O santeiro do mangue e outros poemas.
São Paulo: Globo, 1991. p. 95)
a)privilegia a dimensão religiosa dos vínculos
entre colônia e metrópole, pois tal dimensão é
Explica a ironia feita pelo autor do poema e
necessariamente determinante das demais
identifica a ideia da identidade europeia,
relações presentes na sociedade colonial.
referida no texto de Luis Fernando Veríssimo,
b)valoriza a liberdade de crença e a pluralidade
o que se afirma em:
das manifestações religiosas na colônia, possível
a)O domínio e catequização dos índios, no século
a partir da aceitação, pela Igreja Católica, das
XVI, deveu-se à preocupação dos portugueses
formas de religiosidade das comunidades
com os habitantes da nova terra.
indígenas.
b)Os portugueses foram os primeiros a
c)caracteriza a divisão internacional do trabalho,
reconhecer, entre outras coisas, os costumes,
pois as colônias americanas e suas metrópoles
crenças e tradições dos indígenas brasileiros.
europeias mantiveram, antes e depois da
c)A nudez e os valores dos índios, cuja cultura
independência, papéis hegemônicos no contexto
refletia uma relação com a natureza, foram
global de circulação de mercadorias.
compreendidos pelos conquistadores portugueses.
d)reconhece o caráter complexo e plural das
d)Os primeiros contatos dos portugueses com os
relações entre colônia e metrópole a partir da
índios para assegurar a posse das terras pelo reino
identificação de diversos elementos da ocupação
luso foram pacíficos e amistosos.
e organização da sociedade colonial.

98
e)O contato entre portugueses e indígenas em Portugal, mas que na prática beneficiava apenas a
1500 foi marcado pela imposição de hábitos Inglaterra.
europeus sobre o modo de vida dos nativos. e)Tratado de 1826 no qual Portugal reconhecia a
independência do Brasil e reduzia as taxas
276 - (PUCCamp SP/2013) alfandegárias que incidia sobre os produtos
Considere o poema e o texto abaixo. ingleses, inferior à aplicada aos artigos
comercializados no Brasil pelos portugueses.
Primeiro houve entradas para pegar índio
Entradas para descobrir o ouro 277 - (UFTM MG/2013)
Agora há entradas para plantar café A Portugal, a economia do ouro proporcionou
(...) apenas uma aparência de riqueza [...]. Como
Marcha soldado agudamente observou o Marquês de Pombal,
Pé de café na segunda metade do século XVIII, o ouro
Se não marchar direito era uma riqueza puramente fictícia para
O Brasil não fica em pé. Portugal.
(Manuel Bandeira (excerto). Poesia completa & Prosa. Rio de (Celso Furtado. Formação econômica do Brasil, 1971.
Janeiro: Nova Aguilar, 1985. p. 401 e 402) Adaptado.)

A afirmação do texto, relativa à economia do


De todas as colônias inglesas, a melhor é o ouro no Brasil colonial, pode ser explicada
reino de Portugal. (Dito popular, muito em a)pelos acordos diplomáticos entre Portugal e
voga na metrópole em meados do século Espanha, que definiam que as áreas mineradoras,
XVIII, sobre a dependência crescente de embora estivessem em território sob domínio
Portugal em relação à Inglaterra.) português, fossem exploradas prioritariamente
(Francisco M. P. Teixeira. Brasil, História e Sociedade. São por espanhóis.
Paulo: Ática, 2001. p. 98)
b)pelas sucessivas revoltas contra os impostos na
O conhecimento histórico permite afirmar que região das Minas, que paralisavam seguidamente
a relação de dependência entre Portugal e a exploração do minério e desperdiçavam a
Inglaterra a que o dito popular se refere foi oportunidade de enriquecimento rápido.
concretizada pela assinatura do c)pela forte dependência comercial de Portugal
com a Inglaterra, que fazia com que boa parte do
a)Ato de Navegação, em 1651, que atingiu ouro obtido no Brasil fosse transferido para os
especialmente a Holanda, sua maior rival no cofres ingleses.
mercado de consumo do açúcar na Europa, d)pela incapacidade portuguesa de explorar e
deslocou os lucros oriundos da agroindústria transportar o ouro brasileiro, o que levava a
colonial para a Inglaterra. Coroa de Portugal a conceder a estrangeiros os
b)Decreto de 1654 que promoveu a aliança entre direitos de extração do minério.
Portugal e Inglaterra, esta detentora de poderosa e)pelo grande contrabando existente na região das
esquadra, que favoreceu a expulsão dos Minas Gerais, que não era reprimido pelos
holandeses do Nordeste e de todos os domínios portugueses e impedia que os minérios
coloniais lusos. chegassem à Metrópole.
c)Tratado de Methuen, em 1703, acordo que
prejudicou o desenvolvimento industrial de 278 - (UNICAMP SP/2013)
Portugal e promoveu a transferência de boa parte “Quando os portugueses começaram a povoar
da riqueza brasileira – ouro e diamantes – para a a terra, havia muitos destes índios pela costa
Inglaterra. junto das Capitanias. Porque os índios se
d)Ato de Abertura dos portos às nações amigas, levantaram contra os portugueses, os
em 1808, liberando a importação de produtos de governadores e capitães os destruíram pouco a
países que mantivessem relações amigáveis com pouco, e mataram muitos deles. Outros
fugiram para o sertão, e assim ficou a costa

99
despovoada de gentio ao longo das Capitanias. final do século XVI. Esses três elementos
Junto delas ficaram alguns índios em aldeias podem ser associados, respectivamente,
que são de paz e amigos dos portugueses.” a)à diversidade religiosa, ao poder judiciário e às
(Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil, relações familiares.
emhttp://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1.html.
Acessado em 20/08/2012.) b)à fé religiosa, à ordenação jurídica e à
hierarquia política.
Conforme o relato de Pero de Gandavo, escrito c)ao catolicismo, ao sistema de governo e ao
por volta de 1570, naquela época, respeito pelos diferentes.
a)as aldeias de paz eram aquelas em que a d)à estrutura política, à anarquia social e ao
catequese jesuítica permitia o sincretismo desrespeito familiar.
religioso como forma de solucionar os conflitos e)ao respeito por Deus, à obediência aos pais e à
entre indígenas e portugueses. aceitação dos estrangeiros.
b)a violência contra os indígenas foi exercida
com o intuito de desocupar o litoral e facilitar a 280 - (UNESP SP/2013)
circulação do ouro entre as minas e os portos. Os comentários de Gabriel Soares de Souza
c)a fuga dos indígenas para o interior era uma expõem
reação às perseguições feitas pelos portugueses e a)a dificuldade dos colonizadores de reconhecer
ocasionou o esvaziamento da costa. as peculiaridades das sociedades nativas.
d)houve resistência dos indígenas à presença b)o desejo que os nativos sentiam de receber
portuguesa de forma semelhante às descritas por orientações políticas e religiosas dos
Pero Vaz de Caminha, em 1500. colonizadores.
c)a inferioridade da cultura e dos valores dos
TEXTO COMUM às questões: 279, 280 portugueses em relação aos dos tupinambás.
[Os tupinambás] têm muita graça quando d)a ausência de grupos sedentários nas Américas
falam [...]; mas faltam-lhe três letras das do e a missão civilizadora dos portugueses.
ABC, que são F, L, R grande ou dobrado, e)o interesse e a disposição dos europeus de
coisa muito para se notar; porque, se não têm aceitar as características culturais dos
F, é porque não têm fé em nenhuma coisa que tupinambás.
adoram; nem os nascidos entre os cristãos e
doutrinados pelos padres da Companhia têm 281 - (FMABC SP/2013)
fé em Deus Nosso Senhor, nem têm verdade, "Que sejam admissíveis nas Alfândegas do
nem lealdade a nenhuma pessoa que lhes faça Brasil todos e quaisquer gêneros, fazendas e
bem. E se não têm L na sua pronunciação, é mercadorias transportadas, ou em navios
porque não têm lei alguma que guardar, nem estrangeiros das Potências, que se conservam
preceitos para se governarem; e cada um faz em paz e harmonia com a minha leal Coroa,
lei a seu modo, e ao som da sua vontade; sem ou em navios dos meus vassalos (…).Que não
haver entre eles leis com que se governem, nem só os meus vassalos, mas também os sobreditos
têm leis uns com os outros. E se não têm esta estrangeiros possam exportar para os Portos,
letra R na sua pronunciação, é porque não têm que bem lhes parecer a benefício do comércio e
rei que os reja, e a quem obedeçam, nem agricultura, que tanto desejo promover, todos
obedecem a ninguém, nem ao pai o filho, nem e quaisquer gêneros e produtos coloniais, à
o filho ao pai, e cada um vive ao som da sua exceção do Pau-Brasil, ou outros notoriamente
vontade [...]. estancados, pagando por saída os mesmos
(Gabriel Soares de Souza. Tratado descritivo do Brasil em direitos já estabelecidos nas respectivas
1587, 1987.) Capitanias (…)."
Príncipe D. João, 28/1/1808. Citado por Ilmar Rohloff de
279 - (UNESP SP/2013) Mattos e LuisAffonso Seigneur de Albuquerque.
Independência ou morte. A emancipação política do Brasil.
O texto destaca três elementos que o autor São Paulo: Atual, 1991, p. 16-17.
considera inexistentes entre os tupinambás, no

100
O documento indica a abertura dos portos a)Trata-se da formação de quilombos durante o
brasileiros, em 1808. Podemos afirmar que período escravagista no Brasil.
a)tal decisão provocou forte dependência b)É uma defesa do trabalho indígena devido à
econômica brasileira em relação aos Estados falta de mão de obra livre no período colonial
Unidos, que passaram a dominar o comércio nas brasileiro.
Américas. c)É uma crítica aos movimentos sociais
b)entre as “Potências que se conservam em paz e nordestinos com ênfase no cangaço.
harmonia com a minha leal Coroa”, é possível d)É um pedido da Metrópole para importação de
incluir a Inglaterra e a França. colonos europeus.
c)tal decisão desagradou aos países aliados de
Portugal, que preferiam contar com a 283 - (PUC MG/2013)
intermediação da metrópole. A liberdade pouco valia para o indivíduo
d)entre os “estrangeiros” que podem “exportar pobre que o mundo da produção e os
para os Portos”, é possível incluir os navegantes aparelhos de poder esmagavam sem trégua, e,
espanhóis e italianos. no entanto, ele era homem livre numa
e)tal decisão eliminou o exclusivo metropolitano, sociedade escravista. A formulação dessa
que regulara as relações comerciais entre inutilidade justificava o sistema escravista, e o
metrópole e colônia. atributo da vadiagem passava a englobar toda
uma camada social, desclassificando-a: no
282 - (PUC MG/2013) meio fluido dos homens livres pobres, todos
Leia com atenção o texto a seguir, referente à passavam a ser vadios para a ótica dominante.
colonização brasileira. Vadios e inúteis, era como se não existissem,
como se o país não tivesse povo – pois, cativo, o
Há alguns anos que, dos negros de Angola escravo não era cidadão. E assim inexistindo
fugidos ao rigor do cativeiro e fábricas dos ou sendo identificado à animalidade, o homem
engenhos desta capitania, se formaram livre pobre permaneceu esquecido através dos
povoações numerosas pela terra dentro entre séculos.
os Palmares e matos, cujas asperezas e faltas (Adaptado de SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do
Ouro. Rio de Janeiro: Graal, 1986. p. 222.)
de caminhos os têm mais fortificados por
natureza do que pudera ser por arte e,
Laura de Mello e Souza discutiu em sua obra o
crescendo cada dia em número, se adiantam
homem livre, geralmente miserável, que vivia
tanto no atrevimento que com contínuos
numa sociedade escravista, que é apresentado
roubos e assaltos fazem despejar muita parte
como desclassificado, porque:
dos moradores desta capitania mais vizinhos
a)mesmo sendo homens livres, porém sem
aos seus mocambos, cujo exemplo e
posses, título ou trabalho definido, eram
conservação vai convidando cada dia aos mais
considerados como vadios pela camada
que fogem, por se livrar [do] rigoroso cativeiro
dominante e acabavam sem uma localização
que padecem, e se verem com a liberdade
definitiva na sociedade, fadados ao esquecimento.
lograda no fértil das terras e segurança de suas
b)constituíam um grupo incômodo para a elite
habitações, podendo-se temer que com estas
política, já que circulavam pelas cidades, levando
conveniências cresçam em poder de maneira
ideias subversivas e ameaçando a ordem
que, sendo tanto maior o número, pretendam
estabelecida.
atrever-se a tão poucos como são os moradores
c)dentro de uma sociedade escravista, que negava
desta capitania a respeito dos seus cativos [...]
Fernão de Souza Coutinho, governador de Pernambuco, Carta a contratação de homens sob pagamento de
ao rei (1º de junho de 1671). salários, tornavam-se completamente inúteis e,
sem serventia aos líderes da sociedade, eram
Assinale a opção que identifica expulsos das cidades.
adequadamente a origem social, política e d)eram homens pobres e relegados à
econômica do texto apresentado. marginalização pelo preconceito, já que não

101
existia trabalho para homens livres na sociedade Com a vinda da Corte, pela primeira vez,
colonial impondo concorrência legítima com o desde o início da colonização, configuravam-se
próprio cativo para ser cidadão. nos trópicos portugueses preocupações
próprias de uma colônia de povoamento e não
284 - (UEMG/2013) apenas de exploração ou feitoria comercial,
A imagem a seguir é uma representação da pois que no Rio teriam que viver e, para
cidade do Rio de Janeiro no século XIX. O Rio sobreviver, explorar “os enormes recursos
já era a capital da América portuguesa desde o naturais” e as potencialidades do Império
ano 1763; em 2013, a transferência da capital nascente, tendo em vista o fomento do bem-
de Salvador para o Rio de Janeiro completará, estar da própria população local.
portanto, 250 anos. (Maria Odila Leite da Silva Dias.A
interiorização da metrópole e outros estudos,
2005.)

285 - (UNESP SP/2013)


A vinda da Corte portuguesa para o Brasil,
ocorrida em 1808 e citada no texto, foi
provocada, sobretudo,
a)pelo fim da ocupação francesa em Portugal e
pelo projeto, defendido pelos liberais
portugueses, de iniciar a gradual descolonização
do Brasil.
Legenda: Cortege de bapteme de La princesseroyaleD. Maria
b)pela pressão comercial espanhola e pela
da GlóriaTradução: Cortejo De batismo da princesa realD. disposição, do príncipe regente, de impedir a
Maria da expansão e o sucesso dos movimentos
Glória(www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/624530134.
Acesso: 20/7/2012. Adaptado.)
emancipacionistas na colônia.
c)pelo interesse de expandir as fronteiras da
Considerando-se o contexto em que o Brasil foi colônia, avançando sobre terras da América
colônia de Portugal, é CORRETO afirmar que Espanhola, para assegurar o pleno domínio
a transferência da capital aconteceu porque continental do Brasil.
a)a cidade do Rio de Janeiro estava mais próxima d)pela invasão francesa em Portugal e pela
da região mineradora, que assumia, naquele proximidade e aliança do governo português com
momento, notável importância econômica para o a política da Inglaterra.
reino português. e)pela intenção de expandir, para a América, o
b)a cidade estava na região que já era a mais rica projeto de união ibérica, reunindo, sob a mesma
da colônia, em virtude do crescimento da administração colonial, as colônias espanholas e o
produção de café, que se tornava o principal Brasil.
produto de exportação da América portuguesa.
c)a cidade estava em uma região que apresentava
terras mais férteis para o plantio da cana- de-
açúcar do que no Nordeste, onde a produção 286 - (UNESP SP/2013)
estava em decadência. A alteração na relação entre o governo
d)a cidade era mais centralizada e, assim, português e o Brasil, mencionada no texto,
possibilitava maior controle sobre a exploração pode ser notada, por exemplo,
do látex, dos seringais da região amazônica, que a)na redução dos impostos sobre a exportação do
era usado para a produção de borracha. açúcar e do algodão, no reforço do sistema
colonial e na maior integração do território
TEXTO COMUM às questões 285 e 286 brasileiro.

102
b)no estreitamento dos vínculos diplomáticos d)incompatibilidade entre as pregações jesuíticas
com os Estados Unidos, na instalação de um e a implantação do projeto colonial mercantilista
modelo federalista e na modernização dos portos. empreendido por Portugal no século XVII.
c)na ampliação do comércio com as colônias
espanholas do Rio da Prata, na reurbanização do 288 - (FATEC SP/2012)
Rio de Janeiro e na redução do contingente do "Os escravos são as mãos e os pés do senhor de
funcionalismo público. engenho, porque sem eles no Brasil não é
d)na abertura de estradas, na melhoria das possível fazer, conservar e aumentar fazenda."
comunicações entre as capitanias e no maior (ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. Belo
Horizonte: Itatiaia, 1982, p. 89.)
aparelhamento militar e policial.
e)no restabelecimento de laços comerciais com
No trecho citado, parte de uma obra publicada
França e Inglaterra, na fundação de casas
em 1711, o jesuíta Antonil
bancárias e no aprimoramento da navegação de
a)torna evidente que o trabalho escravo constituiu
cabotagem.
a base da exploração econômica em setores
essenciais da economia colonial.
287 - (UFU MG/2013)
b)fornece argumentos para o combate movido
No engenho, pregava Antônio Vieira aos
pela Igreja contra a escravização de indígenas e
escravos, ‗sois imitadores de Cristo
africanos nos domínios coloniais portugueses.
crucificado [...], porque padeceis em um modo
c)explica por que a escravidão foi importante no
muito semelhante o que o mesmo Senhor
empreendimento açucareiro, mas teve papel
padeceu na sua cruz, e em toda a sua paixão
secundário e marginal na exploração mineradora.
[...] Cristo despido e vós despido: Cristo sem
d)justifica a brandura da escravidão no Brasil e
comer e vós famintos; Cristo em tudo
sugere uma explicação para a “democracia racial”
maltratado, e vós maltratados em tudo. Os
predominante na sociedade colonial brasileira.
ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os
e)condena as tentativas de introduzir
nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a
trabalhadores livres, trazidos da Europa, para
vossa imitação, que se for acompanhada de
substituir a mão-de-obra escrava nas lavouras de
paciência, também terá merecimento de
café.
martírio
VAINFAS, Ronaldo. “Deus contra Palmares: representações
senhoriais e ideias jesuíticas” in: João José Reis & Flávio 289 - (FUVEST SP/2012)
Gomes. Liberdade por um fio: história dos quilombos no Os indígenas foram também utilizados em
Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p.71.
(Adaptado) determinados momentos, e sobretudo na fase
inicial [da colonização do Brasil]; nem se podia
Antônio Vieira nasceu em Portugal em 1608 e, colocar problema nenhum de maior ou melhor
ainda criança, mudou-se com a família para a “aptidão” ao trabalho escravo (...). O que
Bahia. Na juventude entrou para a talvez tenha importado é a rarefação
Companhia de Jesus, tornando-se um dos mais demográfica dos aborígines, e as dificuldades
célebres divulgadores da fé católica. A atuação de seu apresamento, transporte etc. Mas na
de Vieira expressa a “preferência” pelo africano revela-se, mais
a)ideia de missão dos inacianos, adequada aos uma vez, a engrenagem do sistema
ditames da Contrarreforma e às preocupações mercantilista de colonização; esta se processa
com a ordem escravocrata. num sistema de relações tendentes a promover
b)defesa do martírio na vida cristã, resultado das a acumulação primitiva de capitais na
alterações na doutrina católica empreendidas pelo metrópole; ora, o tráfico negreiro, isto é, o
Concílio de Trento. abastecimento das colônias com escravos,
c)centralidade da evangelização dos escravos abria um novo e importante setor do comércio
africanos nas ações da Companhia de Jesus, em colonial, enquanto o apresamento dos
detrimento da evangelização das populações indígenas era um negócio interno da colônia.
indígenas. Assim, os ganhos comerciais resultantes da

103
preação dos aborígines mantinham-se na simples empresa espoliativa e extrativa —
colônia, com os colonos empenhados nesse idêntica à que na mesma época estava sendo
“gênero de vida”; a acumulação gerada no empreendida na costa da África e nas Índias
comércio de africanos, entretanto, fluía para a Orientais— a América passa a constituir parte
metrópole; realizavam-na os mercadores integrante da economia reprodutiva europeia,
metropolitanos, engajados no abastecimento cuja técnica e capitais a ela se aplicam para
dessa “mercadoria”. Esse talvez seja o segredo criar de forma permanente um fluxo de bens
da melhor “adaptação” do negro à lavoura … destinados ao mercado europeu.”
escravista. Paradoxalmente, é a partir do Celso Furtado. Formação econômica do Brasil. São
Paulo:Companhia Editora Nacional, 1971, p. 8. Adaptado.
tráfico negreiro que se pode entender a
escravidão africana colonial, e não o contrário.
Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do Segundo o texto, a colonização sistemática do
AntigoSistema Colonial. São Paulo: Hucitec, 1979, p. 105. território brasileiro por Portugal favoreceu
Adaptado. a)a integração da América a uma economia
internacionalizada, que tinha a Europa como
Nesse trecho, o autor afirma que, na América centro.
portuguesa, b)o estabelecimento das feitorias na costa
a)os escravos indígenas eram de mais fácil atlântica do Brasil, responsáveis pela extração e
obtenção do que os de origem africana, e por isso pelo comércio de pau-brasil.
a metrópole optou pelo uso dos primeiros, já que c)a constituição de forte hegemonia portuguesa
eram mais produtivos e mais rentáveis. sobre o Oceano Atlântico, que persistiu até o
b)os escravos africanos aceitavam melhor o século XVIII.
trabalho duro dos canaviais do que os indígenas, d)o início de trocas comerciais regulares e
o que justificava o empenho de comerciantes intensas do Brasil com as colônias portuguesas
metropolitanos em gastar mais para a obtenção, das Índias Orientais.
na África, daqueles trabalhadores. e)a construção de fortalezas no litoral brasileiro,
c)o comércio negreiro só pôde prosperar porque para rechaçar, no século XVI e no XVII, as
alguns mercadores metropolitanos preocupavam- tentativas de invasões francesas e holandesas.
se com as condições de vida dos trabalhadores
africanos, enquanto que outros os consideravam TEXTO COMUM às questões 291 e 292
uma “mercadoria”. Os africanos não escravizavam africanos, nem
d)a rentabilidade propiciada pelo emprego da se reconheciam então como africanos. Eles se
mão de obra indígena contribuiu decisivamente viam como membros de uma aldeia, de um
para que, a partir de certo momento, também conjunto de aldeias, de um reino e de um
escravos africanos fossem empregados na grupo que falava a mesma língua, tinha os
lavoura, o que resultou em um lucrativo comércio mesmos costumes e adorava os mesmos deuses.
de pessoas. (...) Quando um chefe (...) entregava a um
e)o principal motivo da adoção da mão de obra de navio europeu um grupo de cativos, não estava
origem africana era o fato de que esta precisava vendendo africanos nem negros, mas (...) uma
ser transportada de outro continente, o que gente que, por ser considerada por ele inimiga
implicava a abertura de um rentável comércio e bárbara, podia ser escravizada. (...) O
para a metrópole, que se articulava perfeitamente comércio transatlântico (...) fazia parte de um
às estruturas do sistema de colonização. processo de integração econômica do
Atlântico, que envolvia a produção e a
290 - (PUC SP/2012) comercialização, em grande escala, de açúcar,
“Coube a Portugal a tarefa de encontrar uma algodão, tabaco, café e outros bens tropicais,
forma de utilização econômica das terras um processo no qual a Europa entrava com o
americanas que não fosse a fácil extração de capital, as Américas com a terra e a África
metais preciosos. Somente assim seria possível com o trabalho, isto é, com a mão de obra
cobrir os gastos de defesa dessas terras. (...) De cativa.

104
(Alberto da Costa e Silva. A África explicada aos meus filhos, americano com a economia que se desenvolveu
2008. Adaptado.)
no Oceano Atlântico.
e)ressalta o fato de a América ter se tornado a
291 - (UNESP SP/2012)
principal fornecedora de matérias-primas para a
Ao caracterizar a escravidão na África e a
Europa e de que alguns desses produtos eram
venda de escravos por africanos para europeus
usados na troca por escravos africanos.
nos séculos XVI a XIX, o texto
a)reconhece que a escravidão era uma instituição
293 - (UNICAMP SP/2012)
presente em todo o planeta e que a diferenciação
Emboaba: nome indígena que significa “o
entre homens livres e homens escravos era
estrangeiro”, atribuído aos forasteiros pelos
definida pelas características raciais dos
paulistas, primeiros povoadores da região das
indivíduos.
minas. Com a descoberta do ouro em fins do
b)critica a interferência europeia nas disputas
século XVII, milhares de pessoas da colônia e
internas do continente africano e demonstra a
da metrópole vieram para as minas, causando
rejeição do comércio escravagista pelos líderes
grandes tumultos. Formaram-se duas facções,
dos reinos e aldeias então existentes na África.
paulistas e emboabas, que disputavam o
c)diferencia a escravidão que havia na África da
governo do território, tentando impor suas
que existia na Europa ou nas colônias americanas,
próprias leis.
a partir da constatação da heterogeneidade do (Adaptado de Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.),
continente africano e dos povos que lá viviam. Dicionário da Históriada Colonização Portuguesa no Brasil.
d)afirma que a presença europeia na África e na Lisboa: Verbo, 1994, p. 285.)
América provocou profundas mudanças nas
relações entre os povos nativos desses continentes Sobre o período em questão é correto afirmar
e permitiu maior integração e colaboração que:
interna. a)As disputas pelo território emboaba colocaram
e)considera que os únicos responsáveis pela em confronto paulistas e mineiros, que lutaram
escravização de africanos foram os próprios pela posse e exploração das minas.
africanos, que aproveitaram as disputas tribais b)A região das minas foi politicamente
para obter ganhos financeiros. convulsionada desde sua formação, em fins do
século XVII, o que explica a resistência local aos
292 - (UNESP SP/2012) inconfidentes mineiros.
Ao caracterizar a “integração econômica do c)A luta dos emboabas ilustra o processo de
Atlântico”, o texto conquista de fronteiras do império português nas
Américas, enquanto na África os portugueses se
a)destaca os diferentes papéis representados por retiravam definitivamente no século XVIII.
africanos, europeus e americanos na constituição d)A monarquia portuguesa administrava
de um novo espaço de produção e circulação de territórios distintos e vários sujeitos sociais,
mercadorias. muitos deles em disputa entre si, como paulistas e
b)reconhece que europeus, africanos e emboabas, ambos súditos da Coroa.
americanos se beneficiaram igualmente das
relações comerciais estabelecidas através do
Oceano Atlântico. 294 - (UECE/2018)
c)afirma que a globalização econômica se iniciou Atente ao seguinte fragmento da obra da
com a colonização da América e não contou, na historiadora Emília Viotti da Costa, a respeito
sua origem, com o predomínio claro de qualquer do processo de independência do Brasil:
das partes envolvidas.
d)sustenta que a escravidão africana nas colônias “A ordem econômica seria preservada, a
europeias da América não exerceu papel escravidão mantida. A nação independente
fundamental na integração do continente continuaria subordinada à economia colonial,
passando do domínio português à tutela

105
britânica. A fachada liberal construída pela a)representou o exemplo de revolta popular
elite europeizada ocultava a miséria e a contra a dominação colonial portuguesa no Brasil,
escravidão da maioria dos habitantes do país. uma vez que, oriunda das camadas mais humildes
Conquistar a emancipação definitiva da nação, de Minas Gerais, inclusive escravos, chegou a
ampliar o significado dos princípios contagiar indivíduos pertencentes às mais altas
constitucionais seria tarefa relegada aos posições sociais.
pósteros”. b)foi uma representação dos interesses de grupos
COSTA, Emília Viotti da. Introdução ao estudo da da elite local, intelectuais, religiosos, militares e
emancipação política do Brasil. In: MOTA,Carlos, Guilherme
(Org.). Brasil em perspectiva. 16. ed. Rio de Janeiro: Editora fazendeiros, em livrarem-se do controle e dos
Bertrand Brasil, 1987. p.25. impostos cobrados pela coroa portuguesa na
região, mas não havia consenso em relação à
Considerando o processo de independência do libertação dos escravos.
Brasil, assinale a afirmação verdadeira. c)marcou o início do processo de independência
a)Não ocorreu nenhuma ocultação dos reais do Brasil, baseado na luta armada do povo contra
problemas sociais e econômicos do país após a as forças leais a Portugal, e em defesa dos ideais
independência, já que a elite local buscou liberais e republicanos, como o fim da escravidão,
solucioná-los imediatamente. direito ao voto universal masculino e governo
b)Apenas ocorreu a independência econômica do presidencialista.
Brasil, mas não a política, pois a elite nacional d)apesar de bem-sucedida, com a proclamação da
europeizada submeteu-se aos interesses da independência de Minas Gerais, teve pouco
Inglaterra. impacto na história do Brasil, uma vez que seus
c)Pelo fato de a monarquia ter sido logo adotada objetivos extremamente populares não foram bem
como forma de governo, a independência não aceitos pelas elites econômicas de outras regiões
representou mudanças sociais significativas, pois da colônia.
estas ficariam a cargo de gerações futuras.
d)Não houve acordo de independência com os 296 - (UNIFOR CE/2018)
Britânicos, que reagiram o quanto puderam à
independência do Brasil, já que ela representaria
a real autonomia econômica do país.

295 - (UECE/2018)
Leia atentamente o seguinte excerto: “O papel
de herói da Inconfidência Mineira cabe ainda
a Tiradentes porque ele foi o inconfidente que
recebeu a pena maior: a morte na forca, uma
vez que o próprio réu, durante a devassa,
assumiu para si toda a culpa. Sabe-se, no
entanto, que sua morte se deve também em
grande parte à acusação dos demais (Modo como se extrai o ouro do Rio das Velhas e nas mais
inconfidentes, bem como a sua condição social: partes dos Rios, 1780, autor desconhecido)
pertencente à camada média da sociedade
mineira, sem importantes ligações de família, “A descoberta do ouro no fim do século XVII
sem ilustração nem boas maneiras”. foi fruto das inúmeras bandeiras que partiam
Cândida Vilares Gancho & Vera Vilhena de Toledo. da vila de São Paulo de Piratininga para o
Inconfidência Mineira. São Paulo, Editora Ática, Série
Princípios,1991. p.45. interior do país. As Minas passaram, então, a
representar o sonho do enriquecimento fácil:
Sobre a Inconfidência Mineira, ocorrida em estradas, vilas e fazendas surgiram em ritmo
Vila Rica no período da mineração aurífera, é vertiginoso com a chegada de cada vez mais
correto afirmar que colonos e europeus. A organização social e
econômica que se estabeleceu era inédita na

106
colônia, e os mapas começavam a demarcar
com cuidado a rica região.”
(SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloísa. Brasil: uma
biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 128-
129).

A respeito deste momento histórico no Brasil,


avalie as assertivas abaixo.

I.No auge da exploração aurífera, os


contrabandistas encontraram artifícios para
escapar da vigilância da Coroa portuguesa.
Desse modo, utilizaram, por exemplo, a técnica A ocupação do Brasil trouxe riquezas para
do “santo do pau oco”, figuras religiosas para Portugal, embora tenha provocado grandes
esconder e transportar ouro, driblando o mudanças na sua organização econômica. O
controle do fisco. Apesar da ilegalidade da sistema de capitanias hereditárias foi uma
conduta, tal contrabando contribuiu para o saída encontrada pelos portugueses. O sistema
requinte e o rebuscamento do estilo Barroco de capitanias:
mineiro. a) ajudou a ocupar o território conquistado e
II.A maior parte do trabalho, na época, era conseguiu êxito na defesa militar da colônia,
realizada por escravos advindos, evitando a presença de invasores.
principalmente, da África, que trouxeram b)apresentou falhas em muitas regiões e não
inúmeras tradições e crenças religiosas que livrou a colônia de ataques de outros países
não se misturaram com o catolicismo dos europeus.
brancos. c)obteve êxito destacado em Pernambuco com as
III.A violência, na época, era recorrente não só plantações de algodão e cana-de-açúcar
nas relações entre senhores e escravos. Houve administradas pela metrópole.
revolta dos colonos em relação à distância e ao d)conseguiu financiamento da burguesia
isolamento e em relação aos desmandos da holandesa durante o século XVI, sobretudo na
elite, que agia com ampla liberdade diante da região de São Paulo e Pernambuco.
displicência da Coroa em legislar e controlar a e)fracassou de maneira avassaladora, devido às
colônia. rebeldias dos colonos e à falta de financiamento
econômico para motivar investimentos.
É correto apenas o que se afirma em
a)I e III. 298 - (ENEM/2014)
b)I, II e III. Os holandeses desembarcaram em
c)II e III. Pernambuco no ano de 1630, em nome da
d)I. Companhia das Índias Ocidentais (WIC), e
e)III. foram aos poucos ocupando a costa que ia da
foz do Rio São Francisco ao Maranhão, no
atual Nordeste brasileiro. Eles chegaram ao
297 - (FPS PE/2018) ponto de destruir Olinda, antiga sede da
capitania de Duarte Coelho, para erguer no
Recife uma pequena Amsterdã.
NASCIMENTO, R. L. X. A toque de caixas. Revista de
História da Biblioteca Nacional, ano 6, n. 70, jul. 2011.

Do ponto de vista econômico, as razões que


levaram os holandeses a invadirem o nordeste
da Colônia decorriam do fato de que essa
região

107
a)era a mais importante área produtora de açúcar espada do particular. Mas tudo isso
na América portuguesa. subordinado ao espírito político e de realismo
b)possuía as mais ricas matas de pau-brasil no econômico e jurídico que aqui, como em
litoral das Américas. Portugal, foi desde o primeiro século elemento
c)contava com o porto mais estratégico para a decisivo de formação nacional; sendo que
navegação no Atlântico Sul. entre nós através das grandes famílias
d)representava o principal entreposto de escravos proprietárias e autônomas; senhores de
africanos para as Américas. engenho com altar e capelão dentro de cada e
e)constituía um reduto de ricos comerciantes de índios de arco e flecha ou negros armados de
açúcar de origem judaica. arcabuzes ás suas ordens.
FREYRE, G. Casa–Grande e Senzala. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1984.
299 - (ENEM/2009)
Hoje em dia, nas grandes cidades, enterrar os
De acordo com a abordagem de Gilberto
mortos é uma prática quase íntima, que diz
Freyre sobre a formação da sociedade
respeito apenas à família. A menos, é claro,
brasileira, é correto afirmar que
que se trate de uma personalidade conhecida.
a)a colonização na América tropical era obra,
Entretanto, isso nem sempre foi assim. Para
sobretudo, da iniciativa particular.
um historiador, os sepultamentos são uma
b)o caráter da colonização portuguesa no Brasil
fonte de informações importantes para que se
era exclusivamente mercantil.
compreenda, por exemplo, a vida política das
c)a constituição da população brasileira esteve
sociedades.
isenta de mestiçagem racial e cultural.
d)a Metrópole ditava as regras e governava as
No que se refere às práticas sociais ligadas aos
terras brasileiras com punhos de ferro.
sepultamentos,
e)os engenhos constituíam um sistema econômico
a)na Grécia Antiga, as cerimônias fúnebres eram
e político, mas sem implicações sociais.
desvalorizadas, porque o mais importante era a
democracia experimentada pelos vivos.
301 - (ENEM/2009)
b)na Idade Média, a Igreja tinha pouca influência
No início do século XVIII, a Coroa portuguesa
sobre os rituais fúnebres, preocupando-se mais
introduziu uma série de medidas
com a salvação da alma.
administrativas para deter a anarquia, que
c)no Brasil colônia, o sepultamento dos mortos
caracterizava a zona de mineração, e instaurar
nas igrejas era regido pela observância da
certa estabilidade. O instrumento fundamental
hierarquia social.
dessa política era a vila.
d)na época da Reforma, o catolicismo condenou RUSSELL- WOOD, A. J. R. O Brasil colonial; o ciclo do ouro
os excessos de gastos que a burguesia fazia para (1690-1750) In: História da América. São Paulo: Edusp, 1999,
sepultar seus mortos. v. II, p. 484 (com adaptações).
e)no período posterior à Revolução Francesa,
devido as grandes perturbações sociais, A zona de mineração a que o autor se refere
abandona-se a prática do luto. localizava-se
a)nos Andes, no antigo Império Inca.
300 - (ENEM/2009) b)em Minas Gerais, região centro-sul da Colônia.
Formou-se na América tropical uma sociedade c)no chamado Alto Mato Grosso, na atual
agrária na estrutura, escravocrata na técnica Bolívia.
de exploração de exploração econômica, d)na região das Missões jesuíticas, no Rio Grande
híbrida de índio – e mais tarde de negro – na do Sul.
composição. Sociedade que se desenvolveria e) em Pernambuco, onde havia o ouro amarelo e
defendida menos pela consciência de raça, do o branco (o açúcar).
que pelo exclusivismo religioso desdobrado em
sistema de profilaxia social e política. Menos 302 - (ENEM/2008)
pela ação oficial do que pelo braço e pela

108
Na América inglesa, não houve nenhum classes cultas e “naturalmente” dominantes do
processo sistemático de catequese e de povaréu primitivo e miserável. (...) E de fora
conversão dos índios ao cristianismo, apesar vinham também os capitais que permitiam
de algumas iniciativas nesse sentido. Brancos e iniciar a construção de uma infraestrutura de
índios confrontaram-se muitas vezes e serviços urbanos, de energia, transportes e
mantiveram-se separados. Na América comunicações.
portuguesa, a catequese dos índios começou Paul Singer. Evolução da economia e vinculação
internacional.In: I. Sachs; J. Willheim; P. S. Pinheiro (Orgs.).
com o próprio processo de colonização, e a Brasil: um séculode transformações. São Paulo: Cia. das
mestiçagem teve dimensões significativas. Letras, 2001, p. 80.
Tanto na América inglesa quanto na
portuguesa, as populações indígenas foram Levando-se em consideração as afirmações
muito sacrificadas. Os índios não tinham acima, relativas à estrutura econômica do
defesas contra as doenças trazidas pelos Brasil por ocasião da independência política
brancos, foram derrotados pelas armas de fogo (1822), é correto afirmar que o país
destes últimos e, muitas vezes, escravizados. a)se industrializou rapidamente devido ao
desenvolvimento alcançado no período colonial.
No processo de colonização das Américas, as b)extinguiu a produção colonial baseada na
populações indígenas da América portuguesa escravidão e fundamentou a produção no trabalho
a)foram submetidas a um processo de doutrinação livre.
religiosa que não ocorreu com os indígenas da c)se tornou dependente da economia europeia por
América inglesa. realizar tardiamente sua industrialização em
b)mantiveram sua cultura tão intacta quanto a dos relação a outros países.
indígenas da América inglesa. d)se tornou dependente do capital estrangeiro,
c)passaram pelo processo de mestiçagem, que que foi introduzido no país sem trazer ganhos
ocorreu amplamente com os indígenas da para a infraestrutura de serviços urbanos.
América inglesa. e)teve sua industrialização estimulada pela Grã-
d)diferenciaram-se dos indígenas da América Bretanha, que investiu capitais em vários setores
inglesa por terem suas terras devolvidas. produtivos.
e)resistiram, como os indígenas da América
inglesa, às doenças trazidas pelos brancos. 304 - (ENEM/2006)
No início do século XIX, o naturalista alemão
303 - (ENEM/2007) Carl Von Martius esteve no Brasil em missão
Após a Independência, integramo-nos como científica para fazer observações sobre a flora
exportadores de produtos primários à divisão e a fauna nativas e sobre a sociedade indígena.
internacional do trabalho, estruturada ao Referindo-se ao indígena, ele afirmou:
redor da Grã-Bretanha. O Brasil especializou- “Permanecendo em grau inferior da
se na produção, com braço escravo importado humanidade, moralmente, ainda na infância, a
da África, de plantas tropicais para a Europa e civilização não o altera, nenhum exemplo o
a América do Norte. excita e nada o impulsiona para um nobre
Isso atrasou o desenvolvimento de nossa desenvolvimento progressivo (...). Esse
economia por pelo menos uns oitenta anos. estranho e inexplicável estado do indígena
Éramos um país essencialmente agrícola e americano, até o presente, tem feito
tecnicamente atrasado por depender de fracassarem todas as tentativas para conciliá-
produtores cativos. Não se poderia confiar a lo inteiramente com a Europa vencedora e
trabalhadores forçados outros instrumentos de torná-lo um cidadão satisfeito e feliz.”
produção que os mais toscos e baratos. Carl Von Martius. O estado do direito entre os autóctonesdo
Brasil. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1982.
O atraso econômico forçou o Brasil a se voltar
para fora. Era do exterior que vinham os bens
Com base nessa descrição, conclui-se que o
de consumo que fundamentavam um padrão
naturalista Von Martius
de vida “civilizado”, marca que distinguia as

109
a)apoiava a independência do Novo Mundo, A primeira imagem abaixo (publicada no
acreditando que os índios, diferentemente do que século XVI) mostra um ritual antropofágico
fazia a missão europeia, respeitavam a flora e a dos índios do Brasil. A segunda mostra
fauna do país. Tiradentes esquartejado por ordem dos
b)discriminava preconceituosamente as representantes da Coroa portuguesa.
populações originárias da América e advogava o
extermínio dos índios.
c)defendia uma posição progressista para o século
XIX: a de tornar o indígena cidadão satisfeito e
feliz.
d)procurava impedir o processo de aculturação,
ao descrever cientificamente a cultura das
populações originárias da América.
e)desvalorizava os patrimônios étnicos e culturais
das sociedades indígenas e reforçava a missão
“civilizadora européia”, típica do século XIX.

305 - (ENEM/2003)
O mapa abaixo apresenta parte do contorno
da América do Sul destacando a bacia
amazônica. Os pontos assinalados representam
fortificações militares instaladas no século
XVIII pelos portugueses. A linha indica o
Tratado de Tordesilhas revogado pelo Tratado
de Madri, apenas em 1750.

A comparação entre as reproduções possibilita


Adaptado de Carlos de Meira Mattos. Geopolítica e teoria de as seguintes afirmações:
fronteiras. I. Os artistas registraram a antropofagia e o
esquartejamento praticados no Brasil.
Pode-se afirmar que a construção dos fortes II.A antropofagia era parte do universo
pelos portugueses visava, principalmente, cultural indígena e o esquartejamento era uma
dominar forma de se fazer justiça entre luso-brasileiros.
a)militarmente a bacia hidrográfica do Amazonas. III.A comparação das imagens faz ver como é
b)economicamente as grandes rotas comerciais. relativa à diferença entre “bárbaros” e
c)as fronteiras entre nações indígenas. “civilizados”, indígenas e europeus.
d)o escoamento da produção agrícola.
e)o potencial de pesca da região. Está correto o que se afirma em:
a) I apenas.
306 - (ENEM/2003) b) II apenas.

110
c) III apenas. d) Racismo (doutrina que sustenta a superioridade
d) I e II apenas. de certas raças sobre outras).
e) I, II e III. e) Sincretismo (fusão de elementos culturais
diversos, ou de culturas distintas ou de diferentes
sistemas sociais).
307 - (ENEM/2002)
Comer com as mãos era um hábito comum na 308 - (ENEM/2002)
Europa, no século XVI. A técnica empregada Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592)
pelo índio no Brasil e por um português de compara, nos trechos, as guerras das
Portugal era, aliás, a mesma: apanhavam o sociedades Tupinambá com as chamadas
alimento com três dedos da mão direita “guerras de religião” dos franceses que, na
(polegar, indicador e médio) e atiravam-no segunda metade do século XVI, opunham
para dentro da boca. católicos e protestantes.

Um viajante europeu de nome Freireyss, de “(...) não vejo nada de bárbaro ou selvagem no
passagem pelo Rio de Janeiro, já no século que dizem daqueles povos; e, na verdade, cada
XIX, conta como “nas casas das roças qual considera bárbaro o que não se pratica
despejam-se simplesmente alguns pratos de em sua terra. (...) Não me parece excessivo
farinha sobre a mesa ou numbalainho, donde julgar bárbaros tais atos de crueldade [o
cada um se serve com os dedos, arremessando, canibalismo], mas que o fato de condenar tais
com um movimento rápido, a farinha na boca, defeitos não nos leve à cegueira acerca dos
sem que a mínima parcela caia para fora”. nossos. Estimo que é mais bárbaro comer um
Outros viajantes oitocentistas, como John homem vivo do que o comer depois de morto; e
Luccock, Carl Seidler, Tollenare e Maria é pior esquartejar um homem entre suplícios e
Graham descrevem esse hábito em todo o tormentos e o queimar aos poucos, ou entregá-
Brasil e entre todas as classes sociais. Mas para lo a cães e porcos, a pretexto de devoção e fé,
Saint-Hilaire, os brasileiros “lançam a [farinha como não somente o lemos mas vimos ocorrer
de mandioca] à boca com uma destreza entre vizinhos nossos conterrâneos; e isso em
adquirida, na origem, dos indígenas, e que ao verdade é bem mais grave do que assar e
europeu muito custa imitar”. comer um homem previamente executado. (...)
Podemos portanto qualificar esses povos como
Aluísio de Azevedo, em seu romance Girândola bárbaros em dando apenas ouvidos à
de amores (1882), descreve com realismo os inteligência, mas nunca se compararmos a nós
hábitos de uma senhora abastada que só mesmos, que os excedemos em toda sorte de
saboreava a moqueca de peixe “sem talher, à barbaridades..”
mão”. MONTAIGNE, Michel Eyquemde, Ensaios, São Paulo: Nova
Cultural, 1984.

Dentre as palavras listadas abaixo, assinale a De acordo com o texto, pode-se afirmar que,
que traduz o elemento comum às descrições para Montaigne,
das práticas alimentares dos brasileiros feitas a) a ideia de relativismo cultural baseia-se na
pelos diferentes autores do século XIX citados hipótese da origem única do gênero humano e da
no texto. sua religião.
a) Regionalismo (caráter da literatura que se b) a diferença de costumes não constitui um
baseia em costumes e tradições regionais). critério válido para julgar as diferentes
b) Intolerância (não-admissão de opiniões sociedades.
diversas das suas em questões sociais, políticas c) os indígenas são mais bárbaros do que os
ou religiosas). europeus, pois não conhecem a virtude cristã da
c) Exotismo (caráter ou qualidade daquilo que piedade.
não é indígena; estrangeiro; excêntrico,
extravagante).

111
d) a barbárie é um comportamento social que “Num exercício de imaginação, suponhamos
pressupõe a ausência de uma cultura civilizada e que um dos missionários jesuítas do século
racional. XVI, durante sua permanência no Brasil,
e) a ingenuidade dos indígenas equivale à tenha dividido as suas observações entre o
racionalidade dos europeus, o que explica que os comportamento dos indígenas e os hábitos das
seus costumes são similares. formigas saúva. Quatro séculos depois,
qualquer entomologista poderá constatar que
não houve mudanças nos hábitos dos referidos
309 - (UFT TO/2019) insetos. Durante quase meio milênio, as
Na carta de Pero Vaz de Caminha, afirma-se habitantes do formigueiro repetiram os
que a terra "em tal maneira é graciosa que, procedimentos de suas antecessoras,
querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo." obedecendo apenas às diretrizes de seus
padrões genéticos. Supondo, por outro lado,
Essa carta ficou três séculos depositada em um numa hipótese quase absurda, que um dos
arquivo em Portugal. Apenas em 1817 foi grupos indígenas observados tenha
publicada por historiadores interessados, no sobrevivido aos quatro séculos de dizimação,
contexto da independência, em contar a graças a um isolamento em relação aos
história brasileira e que por isso endossaram brancos, o que constaria um antropólogo
aquela descrição do lugar que veio a se tornar moderno?”
o Brasil. Fonte: LARAIA, Roque. Cultura:um conceito antropológico.
No século XX, contudo, foi lida como uma Rio deJaneiro: Ed. Zahar, 2001, p. 49 .
fonte para entender o imaginário dos
navegantes sobre a América e não como uma De acordo com o excerto assinale a alternativa
descrição fidedigna da terra a que os CORRETA.
portugueses chegaram. a) As transformações não ocorreram, pois o grupo
indígena não teve contato com os brancos.
Considerando o trecho da referida carta e as b) O grupo indígena permaneceu intacto e sem
informações disponibilizadas é CORRETO transformação.
afirmar que: c) As formigas não se transformaram assim como
a) as interpretações que os historiadores o grupo indígena.
produzem das fontes documentais aprimoram-se e d)O grupo indígena transformou-se no decorrer
aproximam-se mais da verdade com o passar do dos cinco séculos mesmo que isolado.
tempo.
b) os historiadores apenas descrevem aquilo que 311 - (UFGD MS/2019)
as fontes dizem dos acontecimentos, sendo assim Leia este trecho do poema Navio Negreiro
produtores de uma verdade última sobre o (1883), de Castro Alves.
passado.
c) os historiadores, ao produzir um conhecimento III
universal e atemporal, não são impactados pelas Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
questões sociais do tempo histórico em que Desce mais ... inda mais... não pode olhar
escrevem. humano
d) as interpretações que os historiadores fazem Como o teu mergulhar no brigue voador!
das fontes documentais mudam de acordo com as Mas que vejo eu aí... Que quadro
questões colocadas pelo momento histórico em d'amarguras!
que as produzem. É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus!
Que horror!
310 - (UFT TO/2019)
Leia o fragmento de texto a seguir: IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho

112
Que das luzernas avermelha o brilho. d) Ciclo do Café.
Em sangue a se banhar. e) Ciclo do Pau-Brasil.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite, 313 - (UFGD MS/2019)
Horrendos a dançar... O sistema colonial português utilizou
Disponível em: amplamente da população negra como mão de
<http://www.culturabrasil.org/navionegreiro.htm>. Acesso
em: 20 ago. 2018. obra escrava para a produção das riquezas na
colônia. A escravidão dos negros no Brasil
Ao longo da história, ocorreram começou no século XVIII e acabou
movimentações de contingentes humanos no formalmente no ano de 1888, com a publicação
Brasil, que influenciaram a formação social, da Lei Áurea. Entretanto, o fim da escravidão
política e econômica do território e da não garantiu condições de vida digna para os
população brasileiros. Assinale a alternativa negros no país e daí vem o fato de que a maior
correta que denomina a classificação do parte da população considerada pobre é negra.
movimento populacional intenso e involuntário Isso não é uma coincidência, como não é
de parte considerável da população de um coincidência o fato de a maior parte dos
território que é forçada (muitas vezes, com moradores de favela em grandes cidades
violência) a se dispersar para outros também ser negra. As dificuldades
territórios, a exemplo do tráfico de milhões de encontradas atualmente pela população negra
africanos que foram trazidos de forma no Brasil é consequência direta da escravidão e
violenta, degradante e involuntária para o do sistema colonial e evidencia uma estrutura
trabalho escravo, ocorrido no Brasil, entre os social estratificada social e etnicamente.
séculos XVI e XIX. Carolina de Jesus foi uma poetisa brasileira,
a) Diáspora. negra, catadora de papel e moradora da favela
b) Migração pendular. Canindé, na cidade de São Paulo. Em seus
c) Migração interna. poemas, a autora denuncia as dificuldades
d) Evacuação. enfrentadas por uma mulher negra e pobre,
e) Êxodo rural. moradora de uma grande cidade.

312 - (UFGD MS/2019) Não digam que fui rebotalho,


Muitos historiadores explicam os processos de que vivi à margem da vida.
ocupação do território, expansão populacional Digam que eu procurava trabalho,
e organização político-econômica do Brasil mas fui sempre preterida.
colonial e imperial por meio da dinâmica dos Digam ao povo brasileiro
chamados ciclos econômicos do Brasil. que meu sonho era ser escritora,
Assinale a alternativa correta que indica o mas eu não tinha dinheiro
ciclo caracterizado pelo auge da economia para pagar uma editora.
colonial, com aumento considerável da
Carolina Maria de Jesus, “Quarto de despejo”, 1960.
população brasileira, exploração de jazidas Disponível
com trabalho escravo nas regiões de Goiás, em:<https://www.revistaprosaversoearte.com/carolina-maria-
Mato Grosso e, sobretudo, de Minas Gerais, de-jesus-poemas/>.Acesso em: 22 ago. 2018.
nos séculos XVII e XVIII, cujo boom
econômico com exigência de envio da maior Sobre o assunto, afirma-se que
parte das riquezas para a metrópole resultou a) a sociologia entende que hoje não existem mais
na Inconfidência Mineira, como tentativa de diferenças entre brancos, negros e indígenas no
emancipação da colônia em 1792. Brasil, e que findada a escravidão o país superou
a) Ciclo da Borracha. as diferenças sociais. Sendo todos iguais, a
b) Ciclo do Ouro. pobreza seria resultado direto da disponibilidade
c) Ciclo da Cana-de-Açúcar. de cada um trabalhar para viver.

113
b) o sistema escravocrata deixou marcas os portos que bem lhes parecer, a benefício do
profundas na estrutura social brasileira e a comércio e da agricultura, que tanto desejo
população negra ainda não encontrou condições promover, todos e quaisquer gêneros e
sociais favoráveis para superar as feridas produções coloniais...”
deixadas pela escravidão. Daí a importância de Disponível em
http://www.historia.seed.pr.gov.br/arquivos/File/fontes%20his
políticas sociais voltadas para a população negra, toricas/abertura_portos_1808.pdf.
como a política de cotas, a fim de minimizar as Acesso em: 4 out. 2017. Adaptado.
diferenças sociais resultantes da escravidão.
c) o Brasil é um país marcado pela miscigenação Desse modo, Dom João VI realizou a
e pela democracia racial. Os casamentos “abertura dos portos às nações amigas”, ainda
interétnicos e as possibilidades de as pessoas na primeira semana de sua estadia no Brasil.
negras ascenderem socialmente apontam para um Acerca das “críticas e públicas circunstâncias
país livre do racismo. Sendo assim, tornam-se da Europa”, afirmadas no documento, avalie
desnecessárias políticas sociais voltadas para as afirmações a seguir:
grupos sociais específicos.
d) não se pode relacionar os problemas sociais de I.O texto se refere às conquistas napoleônicas e
distribuição das riquezas no Brasil com a à invasão da Península Ibérica, que acabaram
escravidão. As condições de vida de uma pessoa, por ocasionar a transferência da corte lusitana
independentemente de ela ser branca ou negra, é para a colônia brasileira.
proporcionalmente equivalentes à quantidade de II.O texto se refere aos problemas gerados pelo
tempo que ela dedica ao trabalho. “Bloqueio Continental”, que alterou as
e) a poesia de Carolina de Jesus é uma obra que relações comerciais e políticas de vários países
fazia sentido em seu tempo de publicação. com a monarquia britânica.
Naquele tempo, o Brasil era conhecido por uma III.O texto se refere às campanhas militares da
estrutura social hierarquizada e racista, mas isso Alemanha que, ao adentrar com relativo
mudou nas últimas décadas devido a políticas atraso nas conquistas coloniais, gerou o
públicas eficazes de combate às desigualdades desequilíbrio das forças geopolíticas europeias
sociais e à melhoria das condições de vida das e a viagem do príncipe-regente Dom Joao VI
populações negras e indígenas. ao Brasil.
IV.O texto se refere às consequências
314 - (UNIRG TO/2018) desastrosas da Revolução Industrial, que
“...sobre se achar interrompido e suspenso o incluíam o trabalho operário com jornadas de
comércio desta capitania com grave prejuízo quase vinte horas, o emprego de mulheres e de
dos meus vassalos, e da minha Real Fazenda, crianças, sem legislação que as protegesse.
em razão das críticas e públicas circunstâncias
da Europa, e querendo dar sobre este Assinale a alternativa que indica os itens que
importante objeto alguma providência pronta, contêm somente assertivas corretas:
capaz de melhorar o progresso de tais danos, a) I e II.
sou servido ordenar interina e b) II e III.
provisoriamente, enquanto não consolido um c) II e IV.
sistema geral que efetivamente regule d) I e IV.
semelhantes matérias, o seguinte: primeiro,
que sejam admissíveis nas Alfândegas do 315 - (UNIOESTE PR/2018)
Brasil todos e quaisquer gêneros, fazendas, e Leia atentamente o que diz a fonte histórica
mercadorias transportadas, ou em navios abaixo:
estrangeiros das potências que se conservam
em paz e harmonia com a minha Real Coroa,
ou em navios dos meus vassalos [...]; Segundo:
Que não só os meus vassalos, mas também os
sobreditos estrangeiros possam exportar para

114
d) Os acontecimentos históricos que geraram o
movimento insurrecional não teriam sido
possíveis sem a aliança necessária com as forças
internas, representadas pelas tropas militares de
D. Pedro I, que, cinco anos depois, proclamaria a
independência.
e) Uma das marcas indeléveis e atuais deste
movimento na história política do Brasil foi a luta
pela implantação de um governo republicano,
marcado pela igualdade de direitos e a tolerância
Nota do jornal Correio Braziliense, sobre a revolta religiosa, muito embora tenha deixado intocado o
pernambucana de 1817. tema da escravidão.
Disponível em: https://tokdehistoria.com.br/2014/12/03/a-
revolucao-pernambucana-1817. Acesso: 15 ago. 2017,
08h50min. 316 - (UDESC SC/2018)
É prática comum nos programas escolares a
Neste ano de 2017, o Estado de Pernambuco delimitação de datas que marcam o início e,
comemora os 200 anos da chamada muitas vezes, o fim de processos históricos. No
“Revolução Pernambucana”, um forte caso da História do Brasil, o ano de 1500
movimento de insurreição ocorrido no final do recebe bastante atenção.
período colonial, que culminou com a tomada
do poder e a criação de um governo provisório A respeito do ano de 1500 como início oficial
que tentou arduamente manter-se de pé (como da História do Brasil, analise as proposições.
vemos acima). Evocando ainda os ecos da
Revolução Francesa e inscrita num contexto I.A definição de datas como marcos históricos
histórico de processos de independência pela tem implicações políticas, uma vez que elege
América Espanhola, a “Revolução certos eventos como fundamentais. No caso da
Pernambucana” de 1817, apesar de derrotada História do Brasil, a ênfase no ano de 1500
(durou pouco mais de 70 dias), pode ser ressalta a importância atribuída à chegada dos
considerada um dos mais relevantes europeus para a constituição da história
movimentos de luta pela emancipação política brasileira.
na história do Brasil. II.Ao definir o ano de 1500 como marco inicial
para a História do Brasil, corre-se o risco de
A respeito da Revolução Pernambucana e sua desconsiderar a importância da história, as
atualidade histórica, é CORRETO afirmar. características e os costumes dos vários grupos
a) Possuía um forte sentimento de defesa da indígenas que já habitavam o território, que
Metrópole portuguesa, pois os insurretos seria posteriormente conhecido como Brasil.
reivindicavam o aumento dos impostos e grandes III.A definição do ano de 1500, como marco
privilégios aos comerciantes portugueses. para o início oficial da História do Brasil, foi
b) O movimento teve a participação apenas de resultado de uma série de demandas populares
padres e bispos, não contando com o apoio de que reivindicavam a possibilidade de opinar a
outros segmentos da sociedade pernambucana, respeito da oficialização da História Nacional.
pois seus líderes (como Frei Caneca) defendiam
ardorosamente a criação de uma Monarquia de Assinale a alternativa correta.
Direito Divino. a) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.
c) Vista aos olhos do século XXI, a Revolução b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
Pernambucana de 1817, na história do País, nada c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
significou, pois se tratou de um movimento d) Somente a afirmativa I é verdadeira.
liderado por nações estrangeiras como a França e e) Somente a afirmativa II é verdadeira.
a Inglaterra.

115
317 - (ACAFE SC/2018) ocupar a terra e de organizar as instituições
“É verdade que antes da união das monarquias aqui", afirma a historiadora.
ibéricas, em 1580,ao manter uma boa relação "Só que como convencer um fidalgo português
com os portugueses, os flamengos frequentavam a vir para cá sem lhe oferecer vantagens? A
os portos brasileiros e a cidade de Lisboa coroa então era permissiva, deixava que
carregando açúcar em suas urcas, levando-o a trabalhassem aqui sem vigilância. Se não,
refinar em Flandres e distribuindo-o por via ninguém viria."
terrestre e fluvial por toda a Europa central. De Disponível em:
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/11
sua embarcação tão características, ficou a /121026_corrupcao_origens_mdb.shtml Acesso em: 10 ago.
lembrança na toponímia carioca, através do 2017.
morro que evoca a sua forma.”
Assinale a alternativa que completa
PRIORI, Mary del. Histórias da gente brasileira: volume 1: corretamente a ideia da autora.
colônia. São Paulo: Editora LeYa, 2016. Página 69.

A suposta relação entre a origem da corrupção


Com base no texto e nos conhecimentos sobre
no Brasil, relatada pela autora, e o modelo de
o período colonial da história do Brasil é
ocupação e colonização do território teria
correto afirmar, exceto:
iniciado com
a) Durante a União Ibérica, holandeses e
a) a chegada da Família Real portuguesa no
espanhóis formaram a Companhia das Índias
Brasil em 1808 e a consequente instalação da
Ocidentais e dividiram os lucros da
Corte no Rio de Janeiro.
comercialização do açúcar produzido no Brasil e
b) o momento em que se optou pelo modelo de
levado para a Europa.
concessão de ampla autoridade aos donatários das
b) Com a União Ibérica acirraram-se os conflitos
Capitanias Hereditárias.
entre a Espanha e a Holanda. Com a proibição
c) as primeiras ondas migratórias que chegaram
espanhola da parceria comercial entre holandeses
ao sul do território amazônico, no final da última
e produtores de açúcar no Brasil, os flamengos
era do gelo, há aproximadamente dez mil anos.
invadiram o Nordeste.
d) a descoberta de ouro na região das Gerais, no
c) Maurício de Nassau, administrador holandês
final do século XVII, quando aumentou
em Pernambuco, promoveu reformas urbanas e
rapidamente a população e a cobiça.
manteve uma boa relação com os senhores de
e) a introdução da mão de obra escrava nos
engenho.
grandes latifúndios de monocultura.
d) A revolta conhecida como Insurreição
Pernambucana acabou determinando a saída dos
319 - (UCB DF/2018)
holandeses do nordeste brasileiro e teve como
O bloqueio continental imposto pela França e
consequência uma crise na empresa açucareira
as relações entre Portugal e Inglaterra foram
brasileira.
fundamentais para a transferência da Corte
portuguesa ao Brasil em 1808, fazendo do Rio
318 - (IFRS/2018)
de Janeiro a nova sede da coroa. A chegada da
Leia o trecho a seguir.
Corte e a instalação das instituições políticas,
administrativas e jurídicas do governo
A corrupção está enraizada em vários setores
português no Rio de Janeiro acarretaram
da sociedade brasileira. E nada disso é recente,
diversas mudanças na colônia. Essas
segundo a historiadora Denise Moura, que diz
mudanças deram início a um processo que
que a prática chegou junto com as caravelas
resultou na independência do Brasil.
portuguesas. PELLEGRINI, Marco Cesar; DIAS, Adriana Machado;
"Quando Portugal começou a colonização, a GRINBERG, Keila. Contato histó-
coroa não queria abrir mão do Brasil, mas ria, 2º ano. 1a. ed. São Paulo: Quinteto Edi-
torial, 2016, com adaptações.
também não estava disposta a viver aqui.
Então, delegou a outras pessoas a função de

116
A respeito das mudanças que conduziram o b) a existência de uma produção de mercadorias
Brasil ao processo de independência, assinale a inteiramente voltada para o abastecimento do
alternativa correta. mercado interno.
a) Com a chegada da família real e da Corte c) a liberdade de decisão política do grupo
portuguesa ao Brasil em 1808, Portugal foi dominante local enriquecido com a exploração de
relegado à condição de colônia. riquezas naturais.
b) Assim que desembarcou no Brasil em 1808, D. d) a ausência de diferenças regionais econômicas
João assinou o decreto que definiu o Pacto e culturais durante o período colonial e imperial.
Colonial, dando a Portugal exclusividade sobre o e) a manutenção de determinadas relações sociais
comércio colonial brasileiro. num quadro de modificações do centro dinâmico
c) A elevação do Brasil à condição de Reino da economia.
Unido a Portugal, em 1815, seguiu a orientação
do Congresso de Viena na manutenção do 321 - (UEFS BA/2018)
absolutismo monárquico e, ao mesmo tempo, Do ponto de vista econômico, a concessão mais
contribuiu para o processo de independência do onerosa para os interesses da colônia foi a
País. tarifa de 15% ad valorem a ser cobrada sobre
d) Com o retorno de D. João e sua Corte para as mercadorias inglesas entradas nos portos
Portugal, em abril de 1821, o Brasil retorna à brasileiros, em navios ingleses ou portugueses
condição de colônia de Portugal. [...]. Situação agravada pelo fato de a Carta de
e) O partido político denominado “partido Abertura dos portos fixar a taxa de 16% ad
brasileiro”, formado por proprietários rurais, valorem para os navios portugueses e 24%
liberais radicais e republicanos, apoiava a para todas as demais nações.
separação de Portugal e defendia a fragmentação (José Jobson de Andrade Arruda. Uma colônia entre dois
impérios, 2008.)
do território brasileiro e a criação de vários
estados independentes. O excerto refere-se aos tratados de 1810
assinados entre os governos português e inglês,
320 - (UEFS BA/2018) que tiveram como uma de suas consequências
A igualdade de interesses agrários e a)o estímulo ao desenvolvimento das manufaturas
escravocratas que através dos séculos XVI e no Brasil.
XVII predominou na colônia, toda ela b)o fortalecimento do controle metropolitano
dedicada com maior ou menor intensidade à sobre o comércio colonial.
cultura do açúcar, não a perturbou tão c)a ligação das atividades econômicas coloniais
profundamente, como à primeira vista parece, com uma economia industrial.
a descoberta das minas ou a introdução do d)a crise das exportações de produtos primários
cafeeiro. Se o ponto de apoio econômico da do Brasil para a Europa.
aristocracia colonial deslocou-se da cana-de- e)a adoção no conjunto do Império português da
açúcar para o ouro e mais tarde para o café, política do livre-cambismo.
manteve-se o instrumento de exploração: o
braço escravo. 322 - (UNIRG TO/2018)
(Gilberto Freyre. Casa-Grande & Senzala, 1989.)
Na noite de 20 de abril de 2018, em cadeia
nacional de rádio e televisão, o presidente da
O excerto descreve o complexo funcionamento
República fez um discurso em que lembrou o
do Brasil durante a colônia e o Império. Uma
motivo do feriado em 21 de abril. Ele se
de suas consequências para a história
pronunciou dizendo: “Que nesse 21 de abril,
brasileira foi
lembremos que Tiradentes foi acusado e
a) a utilização de um mesmo padrão tecnológico
condenado por lutar e defender um Brasil
nas sucessivas fases da produção de mercadorias
livre, forte e independente. Ao final, a história
de baixo custo.
lhe deu a vitória maior. Seu exemplo de luta é

117
exemplo para todos nós que trabalhamos para para indicar as lavouras tropicais. Assinale a
trazer mais conquistas ao Brasil.” alternativa que apresenta os três elementos nos
Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas- quais esse tipo de produção se fundamentava.
noticias/2018/04/20/em-pronunciamento-temer-se-compara-a-
tiradentes. htm. Acesso em: 1 maio 2018. a)Latifúndio, monocultura e mão de obra escrava.
b)Latifúndio, policultura e mão de obra escrava.
Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), c)Latifúndio, monocultura e mão de obra livre.
mais conhecido como Tiradentes, morreu d)Minifúndio, monocultura e mão de obra
condenado como criminoso, teve o corpo escrava.
esquartejado e a cabeça exposta publicamente e)Minifúndio, policultura e mão de obra livre.
em Vila Rica (atualmente, Ouro Preto – MG).
Somente se tornou herói após a proclamação 324 - (UFRGS/2018)
da República, e o feriado nacional do dia 21 de Leia o segmento abaixo, do escritor indígena
abril, data da sua execução, foi decretado em Ailton Krenak.
1890. Acerca do movimento em que ele
participou, examine as proposições a seguir: Os fatos e a história recente dos últimos 500
I. O movimento da Inconfidência Mineira foi anos têm indicado que o tempo desse encontro
articulado, basicamente, por homens da elite entre as nossas culturas é um tempo que
mineira, intelectuais e grandes comerciantes. acontece e se repete todo dia. Não houve um
II. O projeto que os unia era proclamar uma encontro entre as culturas dos povos do
república em todo o território nacional, Ocidente e a cultura do continente americano
seguindo os ideais da liberdade para todos, numa data e num tempo demarcado que
igualdade social e fraternidade entre as pudéssemos chamar de 1500 ou de 1800.
distintas classes. Estamos convivendo com esse contato desde
III. Ao contrário do que aconteceu com a sempre.
KRENAK, Ailton. O eterno retorno do encontro. In:
Inconfidência Baiana, ou Conjuração dos NOVAES, Adauto (org.). A outra margem doOcidente. São
Alfaiates, a abolição da escravatura não Paulo: Funarte, Companhia das Letras, 1999. p. 25.
figurava explicitamente no projeto de
república que pretendiam. Considerando a história indígena no Brasil, a
IV. O movimento somente foi deflagrado principal ideia contida no segmento é
porque ocorreu a grande cobrança de a)negação da conquista europeia na América, em
impostos, chamada de “derrama”, e todos os 1500.
envolvidos possuíam altas dívidas com o b)ausência de transformação social nas
Estado português. sociedades ameríndias.
c)exclusão dos povos americanos da história
Estão totalmente corretas as proposições: ocidental.
a)I e II; d)estagnação social do continente sul-americano
b)I e III; após a chegada dos europeus.
c)I, II e IV; e)continuidade histórica do contato cultural entre
d)II e IV. ocidentais e indígenas.

323 - (UTF PR/2018) 325 - (IFMT/2018)


Se as especiarias dominaram o comércio Observe a charge da cartunista Laerte.
marítimo português durante o século XV, um
século depois esse papel foi ocupado, no Brasil,
pela produção açucareira, que abrangia a
lavoura de cana propriamente dita e a
fabricação do açúcar nos engenhos. Muitos
historiadores denominam essa economia de
plantation, expressão emprestada dos ingleses

118
Disponível em: ocorrido mesmo depois da obediência ao
https://imagohistoria.blogspot.com.br/2017/11/charges-
historicas-brasil-colonia.html Bloqueio Continental pela Coroa Portuguesa.
b)transferência da Família Real Portuguesa e de
A partir da análise da charge, e levando em toda sua Corte para o Brasil inaugura o processo
consideração os seus conhecimentos sobre o de independência das colônias europeias na
“descobrimento do Brasil”, escolha a América.
alternativa INCORRETA. c)chegada da Família Real Portuguesa trouxe
a)A charge faz referência ao desembarque da algumas modificações ao Brasil, como a abertura
esquadra portuguesa comandada por Pedro da Biblioteca Nacional, a fundação do Banco do
Álvares Cabral que aportou em terras brasileiras Brasil e a passagem de Colônia a Reino Unido.
em 1500. d)América Latina, no início do século XIX, viveu
b)A primeira menção documental sobre os grupos um período de forte desenvolvimento cultural,
nativos que habitavam o território brasileiro foi com o estabelecimento de suas primeiras
escrita por Pero Vaz de Caminha, cronista que bibliotecas e universidades.
acompanhou a viagem comandada por Cabral. e)Corte Portuguesa permaneceu no Brasil até a
c)A charge apresenta um humor crítico ao antever Proclamação da República, em 1889, sendo
que uma das consequências da colonização expulsa juntamente com D. Pedro II.
portuguesa foi a tomada da posse da terra dos
nativos. 327 - (UEFS BA/2017)
d)O contato com os europeus foi uma das causas A maioria das ordens religiosas que se
do genocídio de grupos indígenas que não tinham instalaram nas capitanias do Norte possuía
imunidade contra a gripe, a tuberculose e a sífilis, engenhos. Os carmelitas e os beneditinos
doenças que, antes da chegada dos europeus ao contavam com mais de um engenho na Bahia,
Novo Mundo, não existiam na América. cujos lucros revertiam em benefício das
e)A charge evidencia a raiva e indignação do atividades dessas ordens. Os jesuítas chegaram
indígena diante da ocupação de seu território. a possuir seis engenhos na Bahia, entre eles, o
de Sergipe do Conde, no Recôncavo, e o
326 - (UCS RS/2017) Engenho Santana, em Ilhéus. Os engenhos das
A Biblioteca Nacional do Brasil, considerada corporações religiosas, bem como aqueles que
pela UNESCO uma das dez maiores pertenciam a particulares, utilizavam os
bibliotecas nacionais do mundo, é também a mesmos métodos de trabalho e a mesma mão
maior da América Latina. O núcleo original de de obra presentes nas demais propriedades da
seu acervo é a antiga livraria de D. José, cuja colônia.
(Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil:
origem remonta às coleções de livros de D. uma interpretação, 2008. Adaptado.)
João I e de seu filho D. Duarte. Quando D.
João VI e sua Corte chegaram ao Rio de A partir do texto é correto concluir que, no
Janeiro, em consequência da invasãodas Brasil colonial, a Igreja Católica
tropas de Napoleão Bonaparte em Portugal, a)apoiou os interesses dos senhores de engenho,
trouxeram consigo parte da Biblioteca mas evitou envolver-se diretamente em qualquer
Nacional Portuguesa, que era composta por atividade econômica.
cerca de 60 mil peças, entre livros, b)lutou para impedir a escravidão, protegendo os
manuscritos, mapas, estampas, moedas e indígenas nas reduções e defendendo o fim do
medalhas. tráfico de africanos.
Disponível em: <https://www.bn.gov.br/sobre-bn/historico>.
Acesso em: 5 mar. 17. (Parcial e adaptado.) c)tolerou a presença de mão de obra escrava nos
engenhos, mas não a utilizou nas propriedades
Sobre o período e os acontecimentos históricos que controlava.
referidos no texto, é correto afirmar que a d)rejeitou a política abolicionista da metrópole,
a)invasão das tropas napoleônicas em Portugal é estimulando o emprego de mão de obra escrava
um dos exemplos do expansionismo francês nas lavouras.

119
e)atuou no sentido de impedir a escravização dos Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de janeiro.
José Olímpio editora, 1984. p. 119.
indígenas, mas aceitava o emprego da mão de
obra de africanos escravizados.
Considerando os vários aspectos da formação
social do Brasil, pode-se afirmar corretamente
328 - (UEFS BA/2017)
que os dois trechos acima tratam
Integralmente devotada à mineração, pelo
a)da inclusão do negro e do pobre no processo
menos em seus primórdios, a economia
democrático que rompeu com os direitos e
aurífera introduziu dois fenômenos novos e
privilégios das classes dominantes.
profundamente renovadores no quadro
b)da integração social ocorrida ainda na
colonial.
(Antônio Barros de Castro. “Sete ensaios sobre a economia colonização com o processo de miscigenação
brasileira”, 1971. Apud Dea Ribeiro Fenelon (org). 50 textos de étnica que tornou iguais todos os brasileiros.
história do Brasil, 1986.) c)da condição de exploração e exclusão a que
estava sujeita uma parcela significativa da
Os “dois fenômenos” mencionados no texto população brasileira em razão dos interesses das
foram: elites.
a)a autonomia plena perante a metrópole e o d)da perfeita inclusão dos negros libertos e da
desenvolvimento de uma agricultura de população pobre em geral na sociedade brasileira,
subsistência. com a criação da República e da democracia no
b)o equilíbrio social entre os grupos presentes na Brasil.
região e o estímulo ao desenvolvimento de novas
formas de expressão artística. 330 - (IFBA/2017)
c)a vida econômica voltada para o mercado e a “Folga nego,
população predominantemente distribuída por Branco não vem cá!
centros urbanos. Se vié
d)o predomínio da mão de obra assalariada sobre Pau há de levá!”.
a escrava e a fácil obtenção de alforria pelos (Do Folclore alagoano. Citado por Freitas, Décio,
escravizados. op.cit.,pág.27)
e)a comunicação fácil com as demais regiões da
colônia e o surgimento de uma economia O quilombo dos Palmares representou um dos
monetarizada. mais importantes movimentos de resistência
dos negros contra a escravidão no Brasil. No
329 - (UECE/2017) período colonial, o surgimento de inúmeros
Leia atentamente os excertos a seguir: quilombos relaciona-se ao fato de que:
a)a vivência nos quilombos significava a
“Os escravos são as mãos e os pés do senhor de superação do tratamento hostil que recebiam no
engenho, porque sem eles no Brasil não é mundo escravo e a esperança de construção de
possível fazer, conservar e aumentar fazenda, uma sociedade baseada em relações sociais
nem ter engenho corrente. E do modo com que igualitárias.
se há com eles, depende tê-los bons ou maus b)muitos negros, mesmo tendo um sentimento de
para o serviço”; gratidão para com os senhores, nutriam a
André João Antonil. Cultura e Opulência do Brasil por suas esperança de construir uma real experiência de
drogas e minas. Belo Horizonte. Itatiaia, 1982. p.89. liberdade.
c)os próprios senhores estimularam os
“A democracia no Brasil foi sempre um agrupamentos de negros fugitivos, tendo em vista
lamentável mal-entendido. Uma aristocracia a construção de uma melhor interação social com
rural e semifeudal importou-a e tratou de a massa de escravos.
acomodá-la, onde fosse possível, aos seus d)o quilombo dos Palmares ao buscar obter
direitos ou privilégios, os mesmos privilégios vantagens materiais com as elites locais perdeu
que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da seu caráter combativo, o que levou a sua
luta da burguesia contra os aristocratas”. destruição.

120
e)no interior do quilombo predominava uma a)as ações da metrópole portuguesa em favor da
estrutura de produção com base na propriedade escravização de africanos e contra a escravização
privada da terra e dos instrumentos de trabalho, o de indígenas.
que revelava a existência de uma sociedade de b)as relações próximas dos bandeirantes com as
privilégios. áreas de colonização espanhola, onde havia
grande quantidade de nativos.
331 - (UniCESUMAR PR/2017) c)as ações das expedições dos bandeirantes em
“Obedecei em tudo a vossos senhores, não os apoio às comunidades indígenas e contra os
servindo somente aos olhos, e quando eles vos quilombos.
veem, como quem serve a homens; mas muito de d)as relações conflituosas entre Portugal e
coração, e quando não sois vistos como quem Espanha, que disputavam o controle do tráfico de
serve a Deus. Tudo o que fizerdes, não seja por africanos e do apresamento de nativos.
força, senão por vontade: advertindo outra vez, e)as ações desenvolvidas pelos bandeirantes e
que servis a Deus. Não servis como cativos, pelos jesuítas, que buscavam controlar o tráfico
senão como livres; porque Deus vos há de pagar de africanos escravizados.
o vosso trabalho, e não obedeceis como
escravos, senão como filhos; porque Deus, com 333 - (UNCISAL AL/2017)
que vos conformais nessa fortuna, que ele vos No Brasil colônia, o responsável pela produção
deu, vos há de fazer seus herdeiros.” açucareira – o senhor de engenho – tinha
Antônio Vieira. Sermões. Porto: Lello& Irmão, 1959. enorme prestígio social. Era um tipo de “nobre
Adaptado.
da terra”, um membro da “açucarocracia”,
que produzia a partir de um modelo centrado
O texto, escrito no século XVII, pode ser
nos princípios capitalistas de produção da
associado à
época. A agricultura assentava-se sobre o
a)defesa e à justificativa, realizada por um
latifúndio monocultor, escravista e exportador.
representante da Igreja católica, da escravização VAINFAS, Ronaldo (Dir.). Dicionário do Brasil colonial. Rio
de africanos na América portuguesa. de Janeiro: Objetiva, 2000 (adaptado).
b)valorização do trabalho como uma conquista
pessoal, que permite a todos os homens alcançar O modo de produção descrito no texto é
o reino de Deus. conhecido como
c)percepção do trabalho como um direito de a)roça.
todos, que deve ser assegurado por todos os b)plantation.
líderes religiosos e políticos. c)agrofeudal.
d)caracterização do trabalho escravo, feita por um d)rotação de cultivo.
calvinista, como uma forma adequada de e)agricultura coletiva.
administração dos bens de Deus na Terra.
e)crítica e à rejeição, desenvolvidas por um 334 - (UEMG/2017)
representante da Coroa portuguesa no Brasil, às “Ouvi, ó Povos, o grito,
tentativas de escravização de indígenas. Que vamos livres erguer;
O Brasil sacode o jugo,
332 - (UniCESUMAR PR/2017) Independência ou Morrer.
“O tráfico negreiro, isto é, o abastecimento das
colônias com escravos, abria um novo e Congresso opressor jurara
importante setor do comércio colonial, enquanto Nossos povos abater:
o apresamento dos indígenas era um negócio Em seu despeito amamos
interno da colônia.” Independência ou Morrer.
Fernando Novais. Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema
Colonial. São Paulo: Hucitec, 1979, p. 105. Adaptado. Depois de trezentos anos
Livre o Brasil vai viver:
A diferença exposta pelo texto pode ser Deve a Pedro a Liberdade,
utilizada para explicar

121
Independência ou morrer.” e)pela antiguidade da presença de brancos e pela
(“Independência ou morrer”. Poesia anônima, publicada pela segurança derivada da quase inexistência de
Tipografia do Diário no ano de 1822, Rio de Janeiro. Apud:
CARVALHO, José Murilo de, BASTOS, Lúcia & BASILE, nações indígenas na região.
Marcelo (Orgs.). Guerra literária: panfletos da Independência
(1820-1823). Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014, 257-258. 4 336 - (UEA AM/2017)
v.)
No extremo norte, a especiaria, a famosa droga
do sertão, encontrava pela frente não a
No cenário político em que a poesia acima foi
procura nos mercados do consumo, mas os
elaborada, as relações entre Brasil e Portugal
meios de transporte que eram escassos.
agravaram-se devido à/ao
Embora a busca ou colheita da droga fosse
a)tentativa das Cortes portuguesas de recolonizar
incentivada pelo poder público, os que com ela
o Brasil.
mercadejavam não obtinham os rendimentos
b)objetivo das elites brasileiras de expulsar o
excessivos ou mesmos satisfatórios para uma
Príncipe Regente.
vida menos difícil.
c)expectativa dos liberais portugueses em (Arthur Cézar Ferreira Reis. “O comércio colonial”.
fortalecer o Absolutismo. In: A época colonial, vol. 2, 1960. Adaptado.)
d)esforço dos deputados escravistas para criar a
Constituição cidadã. Em vista dessas condições econômicas
coloniais na metade do século XVIII, o
335 - (UEA AM/2017) marquês de Pombal, ministro do rei D. José I,
O que tentou os holandeses, o que faz a a)entregou a direção do trabalho econômico,
riqueza dos habitantes, são estas vastas político e social da região à Companhia de Jesus.
planícies de terrenos férteis, raramente b)abriu os portos da região aos comerciantes e
interrompidas por colinas; é este ar puro que aos navios das nações amigas de Portugal.
tão bem convém aos descendentes da raça c)reservou ao Estado metropolitano a exploração
europeia, pois a região de Pernambuco é quase do conjunto dos produtos florestais.
o único lugar, juntamente com Minas, onde se d)concedeu o monopólio do comércio da região à
veem brancos trabalharem a terra sem perigo. Companhia do Grão-Pará e Maranhão.
Desde o século XVI, a região de Pernambuco e)permitiu, por meio de um decreto, a
era ricamente cultivada e a população escravização da mão de obra indígena para o
europeia ali havia aumentado. Por isso, trabalho na floresta.
inutilmente se buscariam nesta vasta região
algumas tribos consideráveis de nações índias. 337 - (IFPE/2017)
(Ferdinand Denis. Brasil, 1980. Adaptado.) Em 1570, calculava-se que viviam no Brasil
entre 2000 e 3000 negros trabalhando na
O autor refere-se à história da colônia do lavoura de cana-de-açúcar. O número de
Brasil no século XVII e à conquista de escravos cresceu assustadoramente, quando,
Pernambuco pelos holandeses motivada segundo alguns autores, se constata, no final
a)pela riqueza aurífera da região e pela presença do século XVI a importação de 30.000 negros
de uma rede de cidades comerciais ali instaladas da Guiné para servirem nas lavouras da Bahia
desde o descobrimento do país. e Pernambuco.
b)pela abundância de mão de obra indígena e pela No apogeu da produção do açúcar, no século
possibilidade de continuar extraindo o pau-brasil XVII, foram importados cerca de 500.000
na floresta litorânea. negros, em sua maior parte antes de 1640. Era
c)pela revolta da população local contra o tanta a importância do trabalho escravo que o
domínio português e pelo projeto holandês de padre Antônio Vieira, em carta dirigida ao
expansão da religião protestante. Marquês de Niza, datada de 12 de agosto de
d)pela produção de algodão na faixa litorânea e 1648, chega a afirmar: Sem negros não há
pelo desenvolvimento da indústria têxtil na Pernambuco!
Holanda.

122
SILVA, L. D. Para entender o Brasil Holandês. P. 16. e no trabalho escravo, articula-se com o
Continente Documento. Companhia Editora de Pernambuco –
CEPE, Recife, Ano 1, Nº I, 2002. mecanismo de dominação colonial e com a
política mercantilista.
Com relação à ideia global do texto e a partir b)colonização se estabelece dentro dos padrões de
de seus conhecimentos sobre a escravidão no povoamento e expansão religiosa, resultou da
Brasil Colonial, é CORRETO afirmar que expansão marítima dos países da Europa e se
a)os indígenas foram poupados da escravização constituiu numa sociedade de europeus sem
desde os primórdios da colonização devido a sua miscigenação.
fragilidade física e a preguiça. c)exploração econômica da colônia, com base na
b)o auge da escravização e do tráfico dos portos produção de açúcar, pretendeu impor a reserva de
africanos para o Brasil aconteceu no contexto da mercado metropolitano por meio de um sistema
produção de cana-de-açúcar, diminuindo de livre comércio que atingia todas as riquezas
consideravelmente nos séculos XVIII e XIX. coloniais.
c)a Igreja Católica contestava o tráfico e a d)escolha pela produção açucareira na colônia
escravização de africanos para utilização nas objetivava demarcar os direitos de exploração dos
atividades agrícolas e de mineração, países ibéricos na América, tendo como elemento
resguardando apenas o uso doméstico da propulsor o desenvolvimento da expansão
escravidão. comercial e marítima.
d)o processo de colonização das terras brasileiras e)existência, na colônia recém descoberta, de uma
utilizou amplamente o trabalho de africanos estrutura produtiva já instalada pela população
escravizados nas atividades econômicas. nativa foi capaz de viabilizar uma efetiva
e)a sociedade colonial utilizou mão-de-obra exploração econômica segundo os padrões da
escrava apenas nos setores economicamente política mercantilista.
produtivos, evitando ao máximo a escravidão
doméstica. 339 - (UDESC SC/2017)
“No Brasil, é comum retratar as populações
338 - (PUCCamp SP/2017) indígenas como meros resquícios de um
“Mais do que resultante de acasos e similares, passado cada vez mais remoto, como os pobres
como aconteceu a muitos países, o Brasil é remanescentes de uma história contada na
produto de uma obra. Em sua primeira parte, forma de uma crônica do desaparecimento e
feita à medida e semelhança do colonizador. da extinção. Diversos povos sucumbiram ao
Depois, conduzida pela classe dominante dele impacto fulminante do contato e da conquista,
herdeira, no melhor e sobretudo no pior da é verdade. Mas muitos conseguiram sobreviver
herança. O sistema aí nascente projetou-se na ao holocausto, recompondo populações
história como um processo sem interrupção, dizimadas, reconstruindo suas identidades,
sem sequer solavancos. Escravocrata por tanto enfim, se ajustando aos novos tempos.
tempo, fez a abolição mais conveniente à classe Contribuem, hoje, para o rico painel de
dominante, não aos ex-escravizados. A diversidade cultural que é, sem dúvida
República trouxe recusas superficiais ao alguma, o patrimônio mais precioso deste
Império, ficando a expansão republicana do país”.
MONTEIRO, John M. Armas e armadilhas: história e resistências dos
poder e dos direitos reduzida, no máximo, a índios. In: NOVAES,Adauto (org.). A Outra margem do ocidente. São
farsas, a começar do método fraudador das Paulo: Companhia das Letras, p. 247.

"eleições a bico de pena”. Assinale a alternativa incorreta sobre os povos


(FREITAS, Jânio de. Folha de S. Paulo, 30/04/2017)
indígenas no Brasil:
Sobre a obra colonizadora, a que o texto de a)O Brasil é um país pluriétnico, com dezenas de
Jânio de Freitas se refere, é correto afirmar povos indígenas.
que a b)A Constituição de 1988 reconhece costumes,
a)opção pela implantação da economia línguas, crenças e tradições indígenas, além dos
açucareira, com base na grande propriedade rural

123
direitos originários sobre as terras que os índios 341 - (UNITAU SP/2017)
tradicionalmente ocupam. A sociedade de Minas Gerais, no século XVIII,
c)As populações indígenas não estão cultivou características de uma civilização
desaparecendo, pelo contrário, estão em urbana, cujos traços podem ser percebidos,
crescimento demográfico no Brasil. por exemplo, na sua arquitetura barroca. A
d)Guarani, Kaingang e Mapuche são povos exploração do ouro nas Minas permitiu,
indígenas do Brasil. também, que surgisse, à margem daquela
e)Mesmo com a violência sofrida ao longo da sociedade, um imenso contingente de
história do Brasil, os indígenas não foram vítimas “desclassificados” sociais, escravos e forros,
passivas dos colonizadores. homens e mulheres, que criaram uma
multiplicidade de arranjos e soluções
340 - (Escola Bahiana de Medicina e Saúde cotidianas para sobreviver no mundo colonial
Pública/2017) mineiro.
A escravidão e formas de resistência indígena e
africana na América Sobre o tema abordado no texto acima, é
CORRETO afirmar:
Houve reações em todos os grupos indígenas, a)O caráter específico das Minas Gerais fez surgir
muitos lutando contra os colonizadores até a pequenas vendas de mantimentos, cujo comércio,
morte ou fugindo para regiões mais remotas. em sua maioria, era feito por mulheres forras ou
Essa reação indígena contra a dominação escravas.
portuguesa ocorreu pelo fato de que as b)A violência nas áreas mineradoras atingiu
sociedades indígenas sul-americanas níveis muito elevados e impossibilitou a presença
desconheciam a hierarquia e, de mulheres e de ordens religiosas na região.
consequentemente, não aceitavam o trabalho c)Às escravas e forras não existia nenhuma
compulsório. possibilidade de ascensão social nas Minas
Disponível em: Gerais, devido a restrições sociais impostas pela
<http://vestibulareestudos.blogspot.com.br>. Acesso em: mar.
2017. Igreja local.
d)A presença de mulheres brancas em Minas
A leitura do texto e os conhecimentos sobre a impediu a generalização da prática do
escravidão africana no Brasil permitem concubinato e da miscigenação, comuns na região
identificar como elemento comum aos dois açucareira do Nordeste.
sistemas e)A sociedade mineira colonial caracterizou-se
a)a intensa luta contra a escravidão, com ataques pela imobilidade social e pelo fortalecimento das
a propriedades, vilas e povoados em áreas de hierarquias, dificultando a concessão de alforrias
grande produção agrícola para a exportação. às escravas.
b)a fuga para locais de difícil acesso, onde
organizavam comunidades que reproduziam suas 342 - (UNIFOR CE/2017)
práticas materiais e culturais.
c)a submissão passiva ao sistema escravista, com
participação no processo produtivo nas suas
diversas formas de expressão.
d)a preferência pelas atividades urbanas, onde
encontravam oportunidade para reunir recursos
para sua alforria.
e)a aceitação da catequese jesuítica que, por meio
da educação, possibilitava a civilização dos
escravos e sua provável libertação.

(Tiradentes esquartejado, óleo sobre tela de Pedro Américo)

124
Domingos Jorge Velho ofereceu-se para
conquistar os índios de Pernambuco, em 1685,
Sobre os sentidos da Inconfidência Mineira e o o que abria as portas para sua atuação,
papel de Tiradentes na construção da nação também, no combate aos escravos fugidos e
brasileira, é possível afirmar, exceto: agrupados em Palmares.”
a)O programa político dos Inconfidentes sofreu FUNARI, Pedro Paulo e CARVALHO, Aline Vieira de.
Palmares, ontem e hoje.
influência do movimento de independência dos Rio de Janeiro: Jorge ZAHAR Editor, 2005, pp. 11-13.
EUA, havendo indícios de contato entre Thomas
Jefferson e representantes do movimento mineiro
na França, no contexto das tratativas para acordos “Em meados de 1887, escravos fugidos de
comerciais entre EUA e Portugal. várias partes da província, estimulados pelos
b)Tiradentes foi condenado à morte junto com caifazes, organizaram no MontSerrat, em
outros inconfidentes, que posteriormente tiveram Santos, no litoral paulista, o Quilombo do
suas penas comutadas em degredo. A execução Jabaquara – uma verdadeira cidade, de onde
de Tiradentes foi mantida principalmente em seus ocupantes saíam para trabalhar nas
razão de sua posição de liderança intelectual do minas de carvão ou como carregadores de café
movimento. no porto. Foi a maior colônia de escravos
c)Nomear o movimento como “Inconfidência fugidos no período.
Mineira” significa tratar seus membros como O Quilombo do Jabaquara fazia parte de uma
traidores da Rainha, retirando seu caráter de rede de quilombos muito mais ampla, ligada à
movimento político republicano e pela Confederação Abolicionista – criada em 1883
independência, de caráter iluminista. na sede do jornal Gazeta da Tarde, na cidade
Ultimamente, o movimento tem sido renomeado do Rio de Janeiro por José do Patrocínio, João
de “Conjuração Mineira”. Clapp, André Rebouças, Aristides Lobo e
d)Não havia intenção dos inconfidentes de muitos outros intelectuais, jornalistas,
libertar toda a colônia brasileira, apenas Minas empresários etc.”
VAINFAS, Ronaldo e outros. História. São Paulo: Editora
Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, pois naquele Saraiva, 2014. p. 485.
momento uma identidade nacional ainda não
havia se formado. Tiradentes só foi transformado Os textos permitem afirmar que os quilombos
em “herói nacional” depois da proclamação da no Brasil
República. a)eram comunidades constituídas por negros
e)O benefício por delações já existia nas fugidos da escravidão e brancos abolicionistas,
Ordenações Filipinas, legislação portuguesa estabelecidas em todas as regiões, duramente
segundo a qual foram julgados os membros do combatidas pelos colonizadores portugueses e
movimento, tendo sido utilizado por Silvério dos pelos industriais do império.
Reis para livrar-se de dívidas com a Coroa b)foram numerosos nas regiões economicamente
portuguesa e receber favores reais. mais importantes do país, como Alagoas e São
Paulo, onde a massa de escravos concentrava-se
343 - (PUC SP/2017) para abastecer, respectivamente, várias atividades
“No início do século XVII, temos as primeiras urbanas e as lavouras de cana-de-açúcar.
referências, nos documentos, a escravos c)romperam a unidade do movimento de
fugidos que formam uma comunidade na área resistência dos negros à escravidão, acolhendo
dos Palmares, na região serrana a cerca de 60 indígenas e outros trabalhadores dispostos a
quilômetros da costa do atual estado de participar de uma alternativa à sociedade baseada
Alagoas, por volta de 1605. (...) Em 1667, os no latifúndio, na monocultura e na escravidão.
quilombolas começaram a atacar fazendas d)tiveram papel significativo na resistência à
para conseguir armas, libertar escravos e escravidão desde o período colonial, e no império
vingar-se de senhores e feitores. (...)Os ataques receberam o apoio de setores progressistas da
portugueses intensificaram-se nos anos sociedade favoráveis à abolição da escravidão
seguintes, sem sucesso, até que o paulista sem indenização aos proprietários.

125
mesmo que na defesa dos interesses dos colonos,
344 - (FGV/2017) elementos fundamentais da viabilização da
O que queremos destacar com isso é que o exploração econômica, ao manter em equilíbrio
tráfico atlântico tendia a reforçar a natureza os dois polos do processo.
mercantil da sociedade colonial: apesar das FERLINI, V. L. A., “O município no Brasil colonial e a configuração
do poder econômico”.In MELLO E SOUZA, L. e outros (orgs.), O
intenções aristocráticas da nobreza da terra, as governo dos povos. São Paulo: Alameda, 2009, p. 392.
fortunas senhoriais podiam ser feitas e
desfeitas facilmente. Ao mesmo tempo, As Câmaras Municipais, de acordo com o
observa-se a ascensão dos grandes negociantes texto,
coloniais, fornecedores de créditos e escravos à a)constituíram-se como o reduto dos interesses
agricultura de exportação e às demais dos poderes locais.
atividades econômicas. Na Bahia, desde o final b)foram a expressão da centralização política
do século XVII, e no Rio de Janeiro, desde pelo exercida pelo poder monárquico.
menos o início do século XVIII, o tráfico c)eram órgãos articuladores de determinações
atlântico de escravos passou a ser controlado régias e interesses dos colonos.
pelas comunidades mercantis locais (...). d)formaram-se como instituições questionadoras
(João Fragoso et alli. A economia colonial brasileira da dominação metropolitana.
(séculos XVI-XIX), 1998)
e)estabeleceram procedimentos legais
influenciados pela cultura nativa.
O texto permite inferir que:
a)o tráfico atlântico de escravos prejudicou a
economia colonial brasileira porque uma enorme
quantidade de capitais, oriunda da produção
346 - (Centro Universitário de Franca
agroindustrial, era remetida para a África e para
SP/2016)
Portugal.
O jesuíta padre Antônio Vieira, que havia
b)as transações comerciais envolvendo a África e
servido durante 20 anos como confidente do
a América portuguesa deveriam, necessariamente,
rei D. João IV, resolveu, diante da resistência
passar pelas instâncias governamentais da
dos colonos, voltar a Portugal para mobilizar
Metrópole, condição típica do sistema colonial.
as autoridades em favor de uma definição mais
c)a monopolização do tráfico negreiro nas mãos
precisa da “liberdade dos índios”. Visava
de comerciantes encareceu essa mão de obra e
também propiciar a evangelização desses
atrasou o desenvolvimento das atividades
numerosos povos e, em vista disso, sugeriu
manufatureiras nas regiões mais ricas da América
uma série de medidas: exclusão dos capitães de
portuguesa.
assuntos indigenistas, presença obrigatória de
d)as rivalidades econômicas e políticas entre
um sacerdote em todas as expedições,
fidalgos e burgueses, no espaço colonial,
nomeação de “procuradores dos índios”,
impediram o cresci - mento mais acelerado da
regulamento das condições e dos prazos de
produção de outras mercadorias além do açúcar e
trabalho, inventário anual da mão de obra
do tabaco.
indígena e concentração dos nativos em
e)nem todos os fluxos econômicos, durante o
aldeamentos, sob a administração exclusiva
processo de colonização portuguesa na América,
dos padres da Companhia de Jesus.
eram controlados pela Coroa portuguesa, (Karl Arenz. “Mão de obra da fé”. Revista de História da
revelando uma certa autonomia das elites Biblioteca Nacional, janeiro de 2015. Adaptado.)
coloniais em relação à burguesia metropolitana.
No fragmento, Vieira defende
345 - (FGV/2017) a)a escravização dos indígenas desde que se
No período colonial, porém, as Câmaras foram, garantisse a sua evangelização.
para além da defesa de interesses locais e b)a liberdade dos indígenas, garantida sob tutela
pontuais, os órgãos de execução das dos jesuítas.
determinações régias, mas, principalmente,

126
c)a utilização da mão de obra indígena sem d)a rebelião não era apenas uma manifestação
restrições. contra a metrópole, mas também uma forma de
d)a liberdade dos indígenas, assegurada pelo rei demonstrar o amadurecimento da consciência
português e administrada pelos colonos. colonial.
e)a escravização dos indígenas desde que e)autonomia política era a melhor maneira de
decorrente de guerras justas. eliminar as desigualdades sociais e construir uma
nação baseada nos princípios do socialismo
347 - (PUCCamp SP/2016) utópico.
Também no Brasil o século XVIII é momento da
maior importância, fase de transição e 348 - (Fac. Direito de Sorocaba SP/2016)
preparação para a Independência. Demarcada, Observe o mapa.
povoada, defendida, dilatada a terra, o século
vai lhe dar prosperidade econômica,
organização política e administrativa, ambiente
para a vida cultural, terreno fecundo para a
semente da liberdade. (...) A literatura produzida
nos fins do século XVIII reflete, de modo geral,
esse espírito, podendo- se apontar a obra de
Tomás Antônio Gonzaga como a sua expressão
máxima.
(COUTINHO, Afrânio. Introdução à Literatura no Brasil.
Rio de Janeiro: EDLE, 1972, 7. Ed. p. 127 e p. 138)

Manifesto dos Baianos, agosto de 1798


(In Francisco de Assis Silva, História do Brasil. Adaptado)
(...) considerando os muitos e repetidos
latrocínios feitos com os títulos de imposturas,
O mapa refere-se a um sistema implantado por
tributos e direitos que são cobrados por ordem
Portugal no Brasil, cuja finalidade era
da Rainha de Lisboa (...) e no que respeita à
a)transferir os encargos e os riscos da colonização
inutilidade da escravidão do mesmo Povo tão
para a iniciativa particular.
sagrado e digno de ser livre, com respeito à
b)controlar o processo de arrecadação de
liberdade e qualidade ordena, manda e quer que
impostos na figura do inquisidor-geral.
para o futuro seja feita nesta cidade e seu termo
c)reproduzir a relação entre suseranos e vassalos
a sua revolução para que seja exterminado para
na colônia, para ter ajuda militar.
sempre o péssimo jugo da Europa.
(In: KOSHIBA, Luiz e PEREIRA, Denise M. F. História do Brasil,no d)valorizar o poder local nas cidades coloniais,
contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003, p.157 ) com a nomeação dos homens bons.
e)centralizar a administração colonial, por meio
Com base no manifesto pode-se afirmar que, do reforço da autoridade do governador.
para os conjurados baianos,
a)os movimentos de rebeldia favoreciam a 349 - (Fac. Israelita de C. da Saúde Albert
divulgação das ideias liberais europeias e Einstein SP/2016)
denunciavam a exploração metropolitana das “Para se tirar este óleo das árvores lhes dão
riquezas da colônia. um talho com um machado acima do pé, até
b)o rompimento com a metrópole não significava que lhe chegam à veia, e como lhe chegam
apenas a autonomia política, mas também a corre este óleo em fio, e lança tanta quantidade
manutenção da estrutura econômica tradicional cada árvore que há algumas que dão duas
no país. botijas cheias, que tem cada uma quatro
c)a independência não era apenas a ruptura dos camadas. Este óleo [de copaíba] tem muito
laços coloniais, mas também a alteração da ordem bom cheiro, e é excelente para curar feridas
social, a começar pela abolição da escravatura. frescas, e as que levam pontos da primeira

127
curam, soldam se as queimam com ele, e as
estocadas ou feridas que não levam ponto se HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA
curam com ele, sem outras mezinhas; com o
qual se cria a carne até encourar, e não deixa E DOS ESTADOS UNIDOS
criar nenhuma corrupção nem matéria. Para 351 - (ENEM/2018)
frialdades, dores de barriga e pontadas de frio Embora a compra de cargos e títulos fosse bem
é este óleo santíssimo, e é tão sutil que se vai de difundida na América, muitos nobres, aí
todas as vasilhas, se não são vidradas; e moradores, receberam títulos da monarquia
algumas pessoas querem afirmar que até no devido a suas qualidades e serviços. Desde o
vidro míngua; e quem se untar com este óleo século XVI, os títulos de marquês e conde
há de se guardar do ar, porque é prejudicial.” (títulos de Castela) eram concedidos,
Gabriel Soares de Souza. Tratado descritivo do Brasil em sobretudo, aos vice-reis e capitães-gerais
1587. São Paulo: Edusp, 1987, p. 202-203. nascidos na Espanha. Com menor incidência,
esta mercê régia também podia ser
O texto, escrito por um viajante português ao remuneração de serviços militares, de feitos na
Brasil em 1587, indica a percepção de conquista, colonização e fundação de cidades.
características dos nativos, como RAMINELLI, R. Nobreza e riqueza no Antigo Regime ibérico
a) o conhecimento de árvores e de ervas e o setecentista. Revista de História, n. 169, jul.-dez. 2013.
desenvolvimento de práticas medicinais e da
cerâmica. Segundo o texto, as concessões da Coroa
b) a submissão aos conhecimentos científicos dos espanhola visavam o fortalecimento do seu
portugueses e a capacidade de observação da poder na América ao
natureza. a)restringir os privilégios dos comerciantes.
c) os cuidados com a diversidade da flora e da b)reestruturar a organização das tropas.
fauna e a limitação dos recursos hídricos c)reconhecer os opositores do regime.
disponíveis. d)facilitar a atuação dos magistrados.
d) o caráter religioso das práticas médicas e a e)fortalecer a lealdade dos súditos.
dificuldade de reconhecer o avanço das doenças.
352 - (ENEM/2018)
Questão 350 - (UNCISAL AL/2016) O encontro entre o Velho e o Novo Mundo,
que a descoberta de Colombo tornou possível,
é de um tipo muito particular: é uma guerra –
ou a Conquista –, como se dizia então. E um
mistério continua: o resultado do combate. Por
que a vitória fulgurante, se os habitantes da
América eram tão superiores em número aos
BRASIL. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E adversários e lutaram no próprio solo? Se nos
TELÉGRAFOS. Selo comemorativo do tricentenário da limitarmos à conquista do México – a mais
Restauração Pernambucana. 1954. Disponível em: espetacular, já que a civilização mexicana é a
<http://mlb-s1-p.mlstatic.com/1954-tricentenariorestauraco-
pernambucana-mint-c333-14395-MLB2787657551_062012- mais brilhante do mundo pré-colombiano –
F.jpg>. Acesso em: 02 nov. 2015. como explicar que Cortez, liderando centenas
de homens, tenha conseguido tomar o reino de
O selo comemorativo mostra a face de quatro Montezuma, que dispunha de centenas de
dos líderes da Restauração Pernambucana de milhares de guerreiros?
1654 cuja consequência direta foi a TODOROV, T. A conquista da América. São Paulo: Martins
Fontes, 1991 (adaptado).
a)expansão do comércio de escravos.
b)propagação dos engenhos de açúcar.
No contexto da conquista, conforme análise
c)extinção do período colonial no Brasil.
apresentada no texto, uma estratégia para
d)expulsão dos holandeses do Nordeste.
superar as disparidades levantadas foi
e)finalização da Batalha dos Guararapes.

128
a)implantar as missões cristãs entre as (Carta de Colombo aos reis da Espanha, julho de 1503. Apud
AMADO J.; FIGUEIREDO, L. C. Colombo e a América:
comunidades submetidas. quinhentos anos depois. São Paulo: Atual – 1991 – Adaptado.)
b)utilizar a superioridade física dos mercenários
africanos. O documento permite identificar um interesse
c)explorar as rivalidades existentes entre os povos econômico espanhol na colonização da
nativos. América a partir do século XV. A implicação
d)introduzir vetores para a disseminação de desse interesse na ocupação do espaço
doenças epidêmicas. americano está indicada na
e)comprar terras para o enfraquecimento das a)expulsão dos indígenas para fortalecer o clero
teocracias autóctones. católico.
b)promoção das guerras justas para conquistar o
353 - (ENEM/2013) território.
Devem ser bons serviçais e habilidosos, pois c)imposição da catequese para explorar o trabalho
noto que repetem logo o que a gente diz e creio africano.
que depressa se fariam cristãos; me pareceu d)opção pela policultura para garantir o
que não tinham nenhuma religião. Eu, povoamento ibérico.
comprazendo a Nosso Senhor, levarei daqui, e)fundação de cidades para controlar a circulação
por ocasião de minha partida, seis deles para de riquezas.
Vossas Majestades, para que aprendam a
falar. 355 - (ENEM/2009)
COLOMBO, C. Diários da descoberta da América: as quatro
viagens e o testamento.Porto Alegre: L&PM, 1984. Por volta de 1880, com o progresso de uma
economia primária e de exportação,
O documento destaca um aspecto cultural consolidou-se em quase toda a América Latina
relevante em torno da conquista da América, um novo pacto colonial que substituiu aquele
que se encontra expresso em: imposto por Espanha e Portugal. No mesmo
a)Deslumbramento do homem branco diante do momento em que se afirmou, o novo pacto
comportamento exótico das tribos autóctones. colonial começou a se modificar em sentido
b)Violência militarizada do europeu diante da favorável á metrópole. A crescente
necessidade de imposição de regras aos complexidade das atividades ligadas aos
ameríndios. transportes e ás trocas comerciais multiplicou
c)Cruzada civilizacional frente à tarefa de educar a presença dessas economias metropolitanas
os povos nativos pelos parâmetros ocidentais. multiplicou a presença dessas economias
d)Comportamento caridoso dos governos metropolitanas em toda a área da América
europeus diante da receptividade das Latina: as ferrovias, as instalações
comunidades indígenas. frigoríficas,os silos e as usinas, em proporções
e)Compromisso dos agentes religiosos diante da diversas conforme a região, tornaram-se ilhas
necessidade de respeitar a diversidade social dos econômicas estrangeiras em zonas periféricas.
DONGHI, T.H. Histórias da América Latina. 2ª. Ed. Rio de
índios. Janeiro: Paz e terra. 2005 (adaptado)

354 - (ENEM/2012) De acordo com o texto, o pacto colonial


Mas uma coisa ouso afirmar, porque há imposto por Espanha e Portugal a quase toda
muitos testemunhos, e é que vi nesta terra de a América Latina foi substituído em função
Veragua (Panamá) maiores indícios de ouro a)das ilhas de desenvolvimento instaladas nas
nos dois primeiros dias do que na Hispaniola periferias das grandes cidades.
em quatro anos, e que as terras da região não b)da restauração, por volta de 1880 do pacto
podem ser mais bonitas nem mais bem colonial entre a América Latina e as antigas
lavradas. Ali, se quiserem podem mandar metrópoles.
extrair à vontade.

129
c)do domínio, em novos termos, do capital selecionadas as plantas com características que
estrangeiro sobre a economia periférica, a poderiam ser úteis ao homem e em um
América Latina. segundo momento era feita a propagação
d)das ferrovias, frigoríficos, silos e usinas dessas espécies. Começaram a cultivá-las em
instaladas em benefícios do desenvolvimento pátios e jardins, por meio de um processo
integrado e homogêneo da América Latina. quase intuitivo de seleção”.
e)do comércio e da implantação de redes de OLIVEIRA, J. Indígenas foram os primeiros a alterar o
ecossistema da Amazônia. Disponível em:
transporte, que são instrumentos de https://brasilelpais.com. Acesso em: dez. 2017 (adaptado).
fortalecimento do capital nacional frente ao
estrangeiro. O texto apresenta um novo olhar sobre a
configuração da floresta Amazônica por
356 - (ENEM/2009) romper com a ideia de
Na América espanhola colonial, a primeira a)primazia de saberes locais.
prioridade dos invasores foi extrair riquezas b)ausência de ação antrópica.
dos conquistados. Essa extração foi realizada c)insuficiência de recursos naturais.
mediante a apreensão direta de excedentes d)necessidade de manejo ambiental.
previamente acumulados de metais ou pedras e)predominância de práticas agropecuárias.
preciosas. Isso tomou a forma de saques e
pilhagens, uma maneira oficialmente aceita de 358 - (ENEM/2016)
pagar soldados ou expedicionários voluntários. Quando surgiram as primeiras notícias sobre a
MACLEOD, Murdo J. Aspectos da economia interna da
América espanhola colonial.In: BETHELL, Leslie. História da presença de seres estranhos, chegados em
América. São Paulo: Edusp; Brasília: Funag, 1999, v. II, p. barcos grandes como montanhas, que
219-220. montavam numa espécie de veados enormes,
tinham cães grandes e ferozes e possuíam
Tendo em vista as características citadas, instrumentos lançadores de fogo, Montezuma
conclui-se que a América espanhola colonial e seus conselheiros ficaram pensando: de um
começou como uma sociedade lado, talvez Quetzalcóatl houvesse regressado,
a)escolhida para representar o espírito da mas, de outro, não tinham essa confirmação.
modernidade europeia na América. PINSKY, J. et. al. História da América através de textos. São
b)engajada no comércio do qual provinham Paulo: Contexto, 2007 (adaptado).
especiarias para serem distribuídas na Europa.
c)centrada na extração e beneficiamento mineral A dúvida apresentada inseria-se no contexto
de recursos como ouro, prata e pedras preciosas, da chegada dos primeiros europeus à América,
ali encontrados. e sua origem estava relacionada ao
d)fundada na lógica da conquista, ao se fazer uso a)domínio da religião e do mito.
da violência contra a população indígena para a b)exercício do poder e da política.
apropriação de riquezas. c)controle da guerra e da conquista.
e)voltada para o cultivo da cana-de-açúcar, d)nascimento da filosofia e da razão.
produto bastante valorizado, tal como se verificou e)desenvolvimento da ciência e da técnica.
nas colônias portuguesas.
359 - (ENEM/2013)
357 - (ENEM/2018) O canto triste dos conquistados:
Uma pesquisa realizada por Carolina Levis, os últimos dias de Tenochtitlán
especialista em ecologia do Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia, e publicada na Nos caminhos jazem dardos quebrados;
revista Science, demonstra que as espécies os cabelos estão espalhados.
vegetais domesticadas pelas civilizações pré- Destelhadas estão as casas,
colombianas são as mais dominantes."A Vermelhas estão as águas, os rios, como se
domesticação de plantas na floresta começou alguém as tivesse tingido,
há maisde 8 000 anos. Primeiro eram Nos escudos esteve nosso resguardo,

130
mas os escudos não detêm a desolação... 361 - (ENEM/2016)
PINSKY, J. et al. História da América através de textos. São
Paulo. Contexto, 2007 (fragmento).

O texto é um registro asteca, cujo sentido está


relacionado ao(à)
a)tragédia causada pela destruição da cultura
desse povo.
b)tentativa frustrada de resistência a um poder
considerado superior.
c)extermínio das populações indígenas pelo ALBUQUERQUE, M. M.; REIS, A. C. F.; CARVALHO, C.
Exército espanhol. D. Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro, Fename, 1977
d)dissolução da memória sobre os feitos de seus (adaptado).
antepassados.
e)profetização das consequências da colonização Nos Estados Unidos, durante o século XIX, tal
da América. como representada no mapa, a relação entre
território e nação foi reconfigurada por uma
360 - (ENEM/2010) política que
O Império Inca, que corresponde a)transferiu as populações indígenas para
principalmente aos territórios da Bolívia e do territórios de fronteira anexados, protegendo a
Peru, chegou a englobar enorme contingente cultura protestante dos migrantes fundadores da
populacional. Cuzco, a cidade sagrada, era o nação norte-americana.
centro administrativo, com uma sociedade b)respondeu às ameaças europeias pelo fim da
fortemente estratificada e composta por escravidão, integrando a população de escravos
imperadores, nobres, sacerdotes, funcionários ao projeto de expansão por meio da doação de
do governo, artesãos, camponeses, escravos e terras.
soldados. A religião contava com vários c)assinou acordos com países latino-americanos,
deuses, e a base da economia era a agricultura, ajudando na reestruturação da economia desses
principalmente o cultivo da batata e do milho. países após suas independências.
d)projetou o avanço de populações excedentes
A principal característica da sociedade inca para além da faixa atlântica, reformulando
era a fronteiras para o estabelecimento de um país
a)ditadura teocrática, que igualava a todos. continental.
b)existência da igualdade social e da e)instalou manufaturas nas áreas compradas e
coletivização da terra. anexadas, visando utilizar a mão de obra barata
c)estrutura social desigual compensada pela das populações em trânsito.
coletivização de todos os bens.
d)existência de mobilidade social, o que levou à 362 - (ENEM/2011)
composição da elite pelo mérito. Texto I
e)impossibilidade de se mudar de extrato social e
a existência de uma aristocracia hereditária. A escravidão não é algo que permaneça apesar
do sucesso das três revoluções liberais, a
inglesa, a norte-americana e a francesa; ao
contrário, ela conhece o seu máximo
desenvolvimento em virtude desse sucesso. O
que contribui de forma decisiva para o
crescimento dessa instituição, que é sinônimo
de poder absoluto do homem sobre o homem, é
o mundo liberal.
Losurdo, D. Contra-história do liberalismo. Aparecida: Ideias
& Letras, 2006 (adaptado).

131
c)valorizavam um conceito de honra dissociado
Texto II do comportamento ético.
d)relacionavam a conduta moral dos indivíduos
E, sendo uma economia de exploração do com o progresso econômico.
homem, o capitalismo tanto comercializou e)acreditavam que o comportamento casto
escravos para o Brasil, o Caribe e o sul dos perturbava a harmonia doméstica.
Estados Unidos, nas décadas de 30, 40, 50 e 60
do século XIX, como estabeleceu o comércio de 364 - (ENEM/2009)
trabalhadores chineses para Cuba e o fluxo de Antes de se tornar presidente dos Estados
emigrantes europeus para os Estados Unidos e Unidos, Abraham Lincoln opunha-se à
o Canadá. O tráfico negreiro se manteve para escravidão, mas desaprovava o direito a voto
o Brasil depois de sua proibição, pela lei de para o negro e os casamentos birraciais. Em
1831, porque ainda ofereceu respostas ao 1861, ele assumiu a presidência. Vários estados
capitalismo. escravistas do Sul deixaram a União e
Tavares, L. H. D. Comércio proibido de escravos. São Paulo: formaram a sua Confederação independente.
Ática, 1988 (adaptado).
Nos anos 1861-5, teve lugar uma Guerra Civil
entre a União e a Confederação. Em 1863, por
Ambos os textos apontam para uma relação
decreto e emenda constitucional, Lincoln
entre escravidão e capitalismo no século XIX.
aboliu a escravidão. Cerca de 200.000 soldados
Que relação é essa?
negros lutaram ao lado da União e tornaram-
a)A imposição da escravidão à América pelo
se eleitores. Lincoln planejava assegurar
capitalismo.
escolaridade aos ex-escravos, e também alguns
b)A escravidão na América levou à superação do
direitos civis, mas foi assassinado por um
capitalismo.
racista na Sexta-Feira Santa de 1865. Ele
c)A contribuição da escravidão para o
tornou-se uma figura controversa. Para
desenvolvimento do sistema capitalista.
alguns, foi um mártir, sacrificado pela sua
d)A superação do ideário capitalista em razão do
causa. Para outros, um racista, que aboliu a
regime escravocrata.
escravidão apenas para ganhar soldados.
e)A fusão dos sistemas escravocrata e capitalista,
originando um novo sistema.
Segundo o texto, Lincoln tinha a intenção de
apresentar uma proposta para o problema do
363 - (ENEM/2009)
relacionamento de ex-escravos com o resto da
Na década de 30 do século XIX, Tocqueville
sociedade. Caso essa proposta tivesse entrado
escreveu as seguintes linhas a respeito da
em vigor, sua implantação teria sido útil a
moralidade nos EUA: “A opinião pública
outras sociedades, pois
norte-americana é particularmente dura com a
a)neutralizaria quem fosse racista, e os
falta de moral, pois esta desvia a atenção
condenados por crimes raciais seriam deportados.
frente à busca do bem-estar e prejudica a
b)incentivaria casamentos birraciais, o que
harmonia doméstica, que é tão essencial ao
transformaria os EUA na primeira grande nação
sucesso dos negócios. Nesse sentido, pode-se
mestiça.
dizer que ser casto é uma questão de honra”.
TOCQUEVILLE, A. Democracy in America. Chicago: c)garantiria os direitos civis dos ex-escravos, o
EncyclopædiaBritannica, Inc., Great Books 44, 1990 que serviria de exemplo de aliança política a ser
(adaptado). copiado por nações escravistas.
d)permitiria que os escravos pudessem votar, o
Do trecho, infere-se que, para Tocqueville, os que tornaria viável, naquele contexto, a eleição de
norte-americanos do seu tempo um presidente negro.
a)buscavam o êxito, descurando as virtudes e)garantiria aos soldados negros acesso à
cívicas. educação e, assim, modernizaria o exército norte-
b)tinham na vida moral uma garantia de americano.
enriquecimento rápido.

132
365 - (ENEM/2013) emprestava dinheiro. Era agora uma nação
Tenho 44 anos e presenciei uma transformação credora.
impressionante na condição de homens e HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. Rio de
Janeiro: Zahar, 1962.
mulheres gays nos Estados Unidos. Quando
nasci, relações homossexuais eram ilegais em
Em 1948, os EUA lançavam o Plano Marshall,
todos os Estados Unidos, menos Illinois. Gays e
que consistiu no empréstimo de 17 bilhões de
lésbicas não podiam trabalhar no governo
dólares para que os países europeus
federal. Não havia nenhum político
reconstruíssem suas economias. Um dos
abertamente gay. Alguns homossexuais não
resultados desse plano, para os EUA, foi
assumidos ocupavam posições de poder, mas a
a)o aumento dos investimentos europeus em
tendência era eles tornarem as coisas ainda
indústrias sediadas nos EUA.
piores para seus semelhantes.
ROSS, A. Na máquina do tempo. Epoca, ed. 766, 28 jan. 2013. b)a redução da demanda dos países europeus por
produtos e insumos agrícolas.
A dimensão política da transformação c)o crescimento da compra de máquinas e
sugerida no texto teve como condição veículos estadunidenses pelos europeus.
necessária a d)o declínio dos empréstimos estadunidenses aos
a)ampliação da noção de cidadania. países da América Latina e da Ásia.
b)reformulação de concepções religiosas. e)a criação de organismos que visavam
c)manutenção de ideologias conservadoras. regulamentar todas as operações de crédito.
d)implantação de cotas nas listas partidárias.
e)alteração da composição étnica da população. 368 - (ENEM/2009)
Na democracia estado-unidense, os cidadãos
366 - (ENEM/2012) são incluídos na sociedade pelo exercício pleno
“Enquanto houver um só assassino pelas ruas, dos direitos políticos e também pela ideia geral
nossos filhos viverão para condená-lo por de direito de propriedade. Compete ao
nossas bocas.” governo garantir que esse direito não seja
Hebe de Bonafini, líder das Mães da Praça de Maio, apud violado. Como consequência, mesmo aqueles
SOSNOWLKI, A. O Estado de São Paulo, 27 maio 2000. que possuem uma pequena propriedade
sentem-se cidadãos de pleno direito.
O movimento das Mães da Praça de Maio foi
criado na Argentina durante o período da Na tradição política dos EUA, uma forma de
Ditadura Militar (1976-1983). A declaração incluir socialmente os cidadãos é
resume o objetivo do movimento, a)submeter o indivíduo à proteção do governo.
demonstrando que sua causa foi b)hierarquizar os indivíduos segundo suas posses.
a)a fuga dos artistas, provocada pela censura c)estimular a formação de propriedades
estatal. comunais.
b)a escalada das mortes, provocada pela guerrilha d)vincular democracia e possibilidades
urbana. econômicas individuais.
c)o aumento da violência, provocado pelo e)defender a obrigação de que todos os indivíduos
desemprego estrutural. tenham propriedades.
d)o desaparecimento de cidadãos, provocado pela
ação repressora. 369 - (ENEM/2009)
e)o aprofundamento da miséria, provocado pela
política econômica.

367 - (ENEM/2010)
A América se tornara a maior força política e
financeira do mundo capitalista. Havia se
transformado de país devedor em país que

133
dependência econômica internacional. Cuba
continua caracterizada por uma organização
própria com restrições à liberdade econômica
e política, crescimento em alguns aspectos
sociais e um embargo econômico americano
datado de 1962. Em 1998, o Papa João Paulo
II visitou Cuba e depois disse ao cardeal Jaime
Ortega, arcebispo de Havana, e a 13 bispos em
visita ao Vaticano que apreciou as mudanças
realizadas em Cuba após sua visita à ilha e
espera que sejam criados novos espaços legais
e sociais, para que a sociedade civil de Cuba
possa crescer em autonomia e participação. A
resposta internacional ao intercâmbio com
Cuba foi boa, mas as autoridades locais
O desenho do artista uruguaio Joaquín mostraram pouco entusiasmo, não estando
Torres-García trabalha com uma dispostas a abandonar o sistema socialista
representação diferente da usual da América monopartidário.
Latina. Em artigo publicado em 1941, em que
apresenta a imagem e trata do assunto, A maioria dos países latino-americanos tem se
Joaquín afirma: envolvido, nos últimos anos, em processos de
“Quem e com que interesse dita o que é o norte formação socioeconômicos caracterizados por:
e o sul? Defendo a chamada Escola do Sul por a)um processo de democratização à semelhança
que na realidade, nosso norte é o Sul. Não deve de Cuba.
haver norte, senão em oposição ao nosso sul. b)restrições legais generalizadas à ação da Igreja
Por isso colocamos o mapa ao revés, desde já, e no continente.
então teremos a justa ideia de nossa posição, e c)um processo de desenvolvimento econômico
não como querem no resto do mundo. A ponta com restrições generalizadas à liberdade política.
da América assinala insistentemente o sul, d)excelentes níveis de crescimento econômico.
nosso norte”. e)democratização e oferecimento de algumas
TORRES-GARCÍA, J. Universalismo constructivo. Buenos
Aires: Poseidón, 1941. (com adaptações). oportunidades de crescimento econômico.

O referido autor, no texto e imagem acima, 371 - (ENEM/2012)


a)privilegiou a visão dos colonizadores da Nós nos recusamos a acreditar que o banco da
América. justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar
b)questionou as noções eurocêntricas sobre o que há capitais insuficientes de oportunidade
mundo. nesta nação. Assim nós viemos trocar este
c)resgatou a imagem da América como centro do cheque, um cheque que nos dará o direito de
mundo. reclamar as riquezas de liberdade e a
d)defendeu a Doutrina Monroe expressa no lema segurança da justiça.
(KING Jr., M. L. Eu tenho um sonho, 28 ago. 1963. Disponível
“América para os americanos”. em: www.palmares.gov.br. Acesso em: 30 nov. 2011 –
e)propôs que o sul fosse chamado de norte e vice- Adaptado)
versa.
O cenário vivenciado pela população negra, no
370 - (ENEM/1998) sul dos Estados Unidos nos anos 1950,
A América Latina dos últimos anos insere-se conduziu à mobilização social. Nessa época,
num processo de democratização, oferecendo surgiram reivindicações que tinham como
algumas oportunidades de crescimento expoente Martin Luther King e objetivavam
econômico-social num contexto de liberdade e

134
a)a conquista de direitos civis para a população processo de conquista da América espanhola,
negra. diferentemente do que ocorria nas Américas
b)o apoio aos atos violentos patrocinados pelos portuguesa e inglesa.
negros em espaço urbano. d)A presença de afrodescendentes no mundo
c)a supremacia das instituições religiosas em espanhol foi tardia e concentrou-se no espaço
meio à comunidade negra sulista. caribenho, onde atuaram como parte da mão de
d)a incorporação dos negros no mercado de obra escravizada, mas também atuaram como
trabalho. conquistadores e vecinoscidadãos.
e)a aceitação da cultura negra como representante
do modo de vida americano. 373 - (UNICAMP SP/2014)
Desde o período neolítico os povos de distintas
372 - (UNICAMP SP/2019) partes do mundo desenvolveram sistemas
A seguir, leia um trecho da petição ao rei de agrários próprios aproveitando as condições
Espanha escrita por Juan Garrido, naturais de seus habitats e do conhecimento
conquistador residente na cidade do México, adquirido e transmitido entre os membros da
em 27 de Setembro de 1538. comunidade.
Assinale a alternativa que estabelece
Eu, Juan Garrido, de cor negra, membro desta corretamente a relação entre o povo habitante
comunidade [vecino], e residente nesta cidade, de uma determinada área, o sistema produtivo
trago um relato de como servi à Vossa por ele desenvolvido, as condições naturais
Majestade na conquista e pacificação desta aproveitadas e os produtos cultivados.
Nova Espanha. Desde quando Cortés entrou a)Egípcios; uso da irrigação e drenagem;
nela, estive presente em todas as invasões, planícies úmidas e férteis dos rios Tigres e
conquistas e pacificações realizadas no sul do Eufrates; arroz e café.
Pacífico, nas ilhas de Porto Rico e de Cuba. Fiz b)Incas; uso de terraços com técnicas de curvas
tudo às minhas custas, sem receber nem de nível e irrigação de vales; aproveitamento dos
salário nem repartimientode índios ou altiplanos andinos; batata e milho.
qualquer outra coisa. De todas estas formas, c)Chineses; uso intensivo dos terraços das altas
durante trinta anos, servi e continuo a servir à montanhas; planalto de Anatólia no extremo leste
Vossa Majestade. da Ásia; café e cacau.
(Traduzido e adaptado de Matthew Restall,Probanzaof Juan d)Mesopotâmicos; uso de cultivos de inundação e
Garrido. Black Conquistadors:Armed Africans in Early
Spanish America. The Americas, Cambridge, v.57, n. 2, out. de regadio; vales férteis dos rios Ganges e
2000, p. 171.) Amarelo; cana-de-açúcar e feijão.

Assinale a alternativa correta. 374 - (UNICAMP SP/2018)


a)A presença de negros nos processos de O pastor norte-americano Pat Robertson,
conquista e colonização das Américas limitou-se dono do canal de comunicação Christian
à atuação como mão de obra escravizada em Broadcasting Network, afirmou que a tragédia
plantações, em serviços domésticos ou como provocada pelo terremoto no Haiti, em janeiro
trabalhadores sem especialização em núcleos de 2010, foi decorrente do “pacto com o diabo”
urbanos. que setores da população haitiana teriam feito
b)A presença de afrodescendentes na América para que o país se tornasse independente. Nas
espanhola pode ser distribuída nas categorias: palavras do Pastor, "Os haitianos estavam sob
escravos, fugitivos ou forros, em meio rural e o jugo da França. Eles se uniram e fizeram um
urbano, auxiliares nos processos de conquista e pacto com o diabo. Disseram: 'Serviremos a ti
ainda como conquistadores, proprietários e caso nos liberte da França'".
vecinos. (Adaptado de Haroldo CeravoloSereza, “Pastor americano
atribui terremoto a 'pacto com oDiabo' e provoca protestos;
c)A presença de negros nos exércitos de Cortez é país se libertou da França em 1804”. Uol notícias.
um exemplo da ausência de critérios 14/01/2010.Disponível em https://noticias.uol.com.br/
discriminatórios de limpeza de sangue no

135
especiais/terremoto-haiti/ultnot/2010/01/14/ult9967u9.jhtm. d)o conteúdo filosófico das independências
Acessado em 30/08/2017.)
sobrepôs-se aos interesses oligárquicos.
e)as classes dirigentes nativas foram herdeiras da
A partir da leitura do texto e de seus
antiga ordem colonial.
conhecimentos, assinale a alternativa correta.
a)A independência do Haiti foi decisiva para que
376 - (FUVEST SP/2018)
o Império Brasileiro, que projetava a construção
A imagem representa a morte de Atahualpa, o
de um Estado Nação reconhecido
último imperador inca, em 1533, após a
internacionalmente, reprimisse movimentos como
conquista espanhola comandada por Francisco
a Revolta Malês, em Salvador (1835).
Pizarro.
b)A declaração do Pastor é pautada em
preconceitos em relação às práticas religiosas dos
afrodescendentes no Haiti. A conquista espiritual,
parte dos projetos imperialistas, garantiu a
eliminação de religiões consideradas pagãs nas
Américas.
c)Colônia francesa nas Antilhas, Saint Domingue
tornou-se responsável por 40% da produção
mundial de cacau no século XVIII. A mão de
obra empregada era majoritariamente escrava,
com a exploração de africanos ou de seus
descendentes.
d)O processo de independência do Haiti foi Luis Monteiro. Os funerais do inca Atahualpa. Óleo sobre
apoiado por outras colônias, interrompendo o tela, 1865-1867.
projeto imperialista europeu no Novo Mundo.
Após 1804, os EUA conduzem as ações Analise as quatro afirmações seguintes, a
imperialistas na América, tornando-se a principal respeito da empresa e da conquista colonial
referência cultural no continente. espanhola no Peru e da representação presente
na imagem.
375 - (UNESP SP/2017)
No movimento de Independência atuam duas I.A conquista foi favorecida pelo conflito
tendências opostas: uma, de origem europeia, interno entre os dois irmãos incas, Atahualpa e
liberal e utópica, que concebe a América Huáscar, aproveitado pelas forças espanholas
espanhola como um todo unitário, assembleia lideradas por Francisco Pizarro.
de nações livres; outra, tradicional, que rompe II.A produção agrícola das plantations
laços com a Metrópole somente para acelerar o escravistas constituiu-se na base econômica do
processo de dispersão do Império. vice-reinado do Peru, controlado pelos
(Octavio Paz. O labirinto da solidão, 1999. Adaptado.) espanhóis.
III.Do lado esquerdo da pintura, há uma
O texto refere-se às concepções em disputa no movimentação conflituosa, na qual as
processo de Independência da América Latina. mulheres incas são contidas por guardas
Tendo em vista a situação política das nações espanhóis, contrastando com a expressão
latino-americanas no século XIX, é correto ordenada e solene do lado direito, composto
concluir que por religiosos e autoridades espanholas em
a)os Estados independentes substituíram as torno do corpo do imperador inca.
rivalidades pela mútua cooperação. IV.A pintura revela o resgate de elementos
b)os países libertos formaram regimes históricos - importante para a construção do
constitucionais estáveis. ideário nacionalista no século XIX, no
c)as antigas metrópoles ibéricas continuavam processo pós-independência e de formação do
governando os territórios americanos. Estado nacional peruano -, mas retrata os

136
personagens indígenas com trajes e feições
europeus. 378 - (UNESP SP/2017)
Os deuses disseram entre si depois de criar o
Estão corretas apenas as afirmações homem: “O que os homens comerão, oh
a)I, II e III. deuses? Vamos já todos buscar o alimento.”
b)II, III e IV. Enquanto isso, as formigas vermelhas estavam
c)I, III e IV. colhendo e carregando os grãos de milho que
d)I e II. traziam de dentro do Tonacatepetl (Montanha
e)III e IV. do Sustento). O deus Quetzalcoatl encontrou
as formigas e lhes disse: “Digam-me, onde
377 - (UFU MG/2016) vocês colheram os grãos de milho?”. Muitas
Eles não tinham deixado a Inglaterra para vezes lhes perguntou, mas as formigas não
escapar a toda forma de governo, mas para quiseram responder. Algum tempo depois, as
trocar o que acreditavam ser um mau governo formigas disseram a Quetzalcoatl: “Lá.” E
por um bom, ou seja, formado livremente por apontaram o lugar. Quetzalcoatl se
eles mesmos. Tanto no plano político como no transformou em formiga negra e as
religioso, acreditavam que o indivíduo só acompanhou. Desse modo, Quetzalcoatl
poderia se desenvolver em liberdade. acompanhou as formigas vermelhas até o
Entretanto, convencidos de que a liberdade depósito, arranjou o milho e em seguida o
consiste em dar ao homem a oportunidade de levou a Tamoanchan (moradia dos deuses e
obedecer aos desígnios divinos, ela apenas onde o homem havia sido criado). Ali os deuses
permitia ao indivíduo escolher o Estado que o mastigaram e o puseram na nossa boca para
deveria governá-lo e a Igreja na qual ele iria nos robustecer.
louvar a Deus. [...] (Apud Eduardo Natalino dos Santos. Cidades pré-hispânicasdo
CRÉTÉ, Liliane. As raízes puritanas. Disponível em: México e da América Central, 2004.)
<http://www2.uol.
com.br/historiaviva/reportagens/as_raizes_puritanas.html.>Ac O texto asteca
esso em: 28 de janeiro de 2016 (Adaptado).
a)promove a divulgação das qualidades
nutricionais do milho para o fortalecimento dos
A historiografia sobre a colonização da
guerreiros mesoamericanos.
América costuma realçar as peculiaridades da
b)oferece uma explicação mítica para a
colonização britânica nas colônias do Norte. As
importância do milho na base da alimentação dos
diferenças, entretanto, em relação às
povos mesoamericanos.
colonizações portuguesa e inglesa não são
c)demonstra sustentação histórica e claro
absolutas, pois
desenvolvimento de pensamento lógico e
a)ambos os modelos de colonização eram
racional.
predominantemente mercantis, ainda que a
d)procura justificar o fato de apenas os
agricultura de subsistência fosse mais presente na
governantes dos povos mesoamericanos poderem
colonização portuguesa.
exercer atividades agrícolas.
b)tanto os colonos ingleses quanto os portugueses
e)revela a influência das fábulas europeias na
eram profundamente marcados pelas disputas
construção do imaginário dos povos
entre as potências europeias, sendo que os
mesoamericanos.
portugueses eram aliados preferenciais da França.
c)em ambas as modalidades de colonização, a
379 - (UNICAMP SP/2018)
administração colonial era formalmente
Consideramos estas verdades como
descentralizada, havendo espaço para uma
autoevidentes: que todos os homens e mulheres
expressiva margem de autonomia dos colonos.
foram criados iguais; que são dotados pelo
d)o sentido de missão religiosa estava presente
Criador de certos direitos inalienáveis. Entre
nas duas modalidades de colonização, refletindo a
os direitos inalienáveis estão a vida, a
ainda forte presença do misticismo no mundo
liberdade e a busca da felicidade. Para
europeu.

137
garantir esses direitos, os governos são de canhão e saquear as riquezas de nossa
instituídos. Os poderes do governo emanam do pátria, sem importar que estejamos morrendo
consentimento daqueles que são governados. de fome e enfermidades curáveis, sem
Qualquer governo que se torna destrutivo importar que não tenhamos nada,
para os direitos inalienáveis pode ser absolutamente nada, nem um teto digno, nem
destituído por aqueles que sofrem. Os que terra, nem trabalho, nem saúde, nem
sofrem podem recusar lealdade e exigir a alimentação, nem educação, sem ter direito a
instituição de um novo governo. E assim tem eleger livre e democraticamente nossas
sido o sofrimento das mulheres sob este autoridades, sem independência dos
governo. E, por isso, é necessário exigir uma estrangeiros, sem paz nem justiça para nós e
mudança. nossos filhos.
(Adaptado de Elizabeth Cady Stanton, A History of Woman “Primeira declaração da Selva Lacandona” (janeiro de 1994),
Suffrage, v. 1. Rochester:Fowler and Wells, 1889, p. 70-71.) in Massimo di Felice e CristovalMuñoz (orgs.). A revolução
invencível. SubcomandanteMarcos e Exército Zapatista
deLibertação Nacional. Cartas ecomunicados. São Paulo:
Assinale a alternativa correta. Boitempo, 1998. Adaptado.

O documento acima integra O documento, divulgado no início de 1994 pelo


a)a Declaração de Independência dos Estados Exército Zapatista de Libertação Nacional,
Unidos da América, baseada nos princípios de refere-se, entre outros processos históricos, à
Jean-Jacques Rousseau e do Pacto Social. a)luta de independência contra a Espanha, no
b)a Declaração da primeira Convenção dos início do século XIX, que erradicou o trabalho
Direitos das Mulheres nos Estados Unidos da livre indígena e fundou a primeira república na
América, que reconhece os princípios liberais de América.
John Locke e o direito à propriedade privada, b)colonização francesa do território mexicano,
ampliando-os. entre os séculos XVI e XIX, que implantou o
c)a Declaração de Independência dos Estados trabalho escravo indígena na mineração.
Unidos da América, baseada nos princípios de c)reforma liberal, na metade do século XX,
Thomas Paine, que reconhece como direitos quando a Igreja Católica passou a controlar quase
inalienáveis a vida, a liberdade e a busca da todo o território mexicano.
felicidade. d) guerra entre Estados Unidos e México, em
d)a Declaração da primeira Convenção dos meados do século XIX, em que o México perdeu
Direitos das Mulheres nos Estados Unidos da quase metade de seu território.
América, baseada nos princípios de Alexis de e)ditadura militar, no final do século XIX, que
Tocqueville, que se opunha à democracia na devolveu às comunidades indígenas do México as
América. terras expropriadas e rompeu com o capitalismo
internacional.
380 - (FUVEST SP/2016)
Somos produto de 500 anos de luta: primeiro,
contra a escravidão, na Guerra de EUROPA NOS SÉCULOS
Independência contra a Espanha, encabeçada XVIII E XIX
pelos insurgentes; depois, para evitar sermos
absorvidos pelo expansionismo norte- 381 - (ENEM/2014)
americano; em seguida, para promulgar nossa Numa época de revisão geral, em que valores
Constituição e expulsar o Império Francês de são contestados, reavaliados, substituídos e
nosso solo; depois, a ditadura porfirista nos muitas vezes recriados, a crítica tem papel
negou a aplicação justa das leis de Reforma e o preponderante. Essa, de fato, é uma das
povo se rebelou criando seus próprios líderes; principais características das Luzes, que,
assim surgiram Villa e Zapata, homens pobres recusando as verdades ditadas por
como nós, a quem se negou a preparação mais autoridades, submetem tudo ao crivo da
elementar, para assim utilizar-nos como bucha crítica.

138
KANT, I. O julgamento da razão. In: ABRÃO, B. S. (Org.) 383 - (ENEM/2017)
História da Filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 1999.
Os direitos civis, surgidos na luta contra o
Absolutismo real, ao se inscreverem nas
O Iluminismo tece críticas aos valores
primeiras constituições modernas, aparecem
estabelecidos sob a rubrica da autoridade e,
como se fossem conquistas definitivas de toda
nesse sentido, propõe
a humanidade. Por isso, ainda hoje invocamos
a) a defesa do pensamento dos enciclopedistas
esses velhos “direitos naturais” nas batalhas
que, com seus escritos, mantinham o ideário
contra os regimes autoritários que subsistem.
religioso. QUIRINO, C. G.; MONTES, M. L. Constituições. São Paulo:
b) o estímulo da visão reducionista do Ática, 1992 (adaptado).
humanismo, permeada pela defesa de isenção em
questões políticas e sociais. O conjunto de direitos ao qual o texto se refere
c) a consolidação de uma visão moral e filosófica inclui
pautada em valores condizentes com a a) voto secreto e candidatura em eleições.
centralização política. b) moradia digna e vagas em universidade.
d) a manutenção dos princípios da metafísica, c) previdência social e saúde de qualidade.
dando vastas esperanças de emancipação para a d) igualdade jurídica e liberdade de expressão.
humanidade. e) filiação partidária e participação em
e) o incentivo do saber, eliminando superstições e sindicados.
avançando na dimensão da cidadania e da ciência.
384 - (ENEM/2017)
382 - (ENEM/2018) Fala-se muito nos dias de hoje em direitos do
O século XVIII é, por diversas razões, um homem. Pois bem: foi no século XVIII — em
século diferenciado. Razão e experimentação 1789, precisamente — que uma Assembleia
se aliavam no que se acreditava ser o Constituinte produziu e proclamou em Paris a
verdadeiro caminho para o estabelecimento do Declaração dos Direitos do Homem e do
conhecimento científico, por tanto tempo Cidadão. Essa Declaração se impôs como
almejado. O fato, a análise e a indução necessária para um grupo de revolucionários,
passavam a ser parceiros fundamentais da por ter sido preparada por uma mudança no
razão. É ainda no século XVIII que o homem plano das ideias e das mentalidades: o
começa a tomar consciência de sua situação na iluminismo.
história. FORTES. L R. S. O Iluminismo e os reis filósofos. São Paulo:
ODALIA, N. In: PINSKY, J.; PINSKY, C. B. História da Brasiliense, 1981 (adaptado).
cidadania. São Paulo: Contexto, 2003.
Correlacionando temporalidades históricas, o
No ambiente cultural do Antigo Regime, a texto apresenta uma concepção de pensamento
discussão filosófica mencionada no texto tinha que tem como uma de suas bases a
como uma de suas características a a) modernização da educação escolar.
a) aproximação entre inovação e saberes antigos. b) atualização da disciplina moral cristã.
b) conciliação entre revelação e metafísica c) divulgação de costumes aristocráticos.
platônica. d) socialização do conhecimento científico.
c) vinculação entre escolástica e práticas de e) universalização do princípio da igualdade civil.
pesquisa.
d) separação entre teologia e fundamentalismo 385 - (ENEM/2016)
religioso. TEXTO I
e) contraposição entre clericalismo e liberdade de
pensamento. Até aqui expus a natureza do homem (cujo
orgulho e outras paixões o obrigaram a
submeter-se ao governo), juntamente com o
grande poder do seu governante, o qual
comparei com o Leviatã, tirando essa

139
comparação dos dois últimos versículos do liberdade natural e se reveste dos laços da
capítulo 41 de Jó, onde Deus, após ter sociedade civil consiste em concordar com
estabelecido o grande poder do Leviatã, lhe outras pessoas em juntar-se e unir-se em
chamou Rei dos Soberbos. Não há nada na comunidade para viverem com segurança,
Terra, disse ele, que se lhe possa comparar. conforto e paz umas com as outras, gozado
HOBBES, T. O Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003. garantidamente das propriedades que tiverem
e desfrutando de maior proteção contra quem
TEXTO II quer que não faça parte dela.
LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil. Os
Eu asseguro, tranquilamente, que o governo pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1978.
civil é a solução adequada para as
inconveniências do estado de natureza, que Segundo a Teoria da Formação do Estado, de
devem certamente ser grandes quando os John Locke, para viver em sociedade, cada
homens podem ser juízes em causa própria, cidadão deve
pois é fácil imaginar que um homem tão a) manter a liberdade do estado de natureza,
injusto a ponto de lesar o irmão dificilmente direito inalienável.
será justo para condenar a si mesmo pela b) abrir mão de seus direitos individuais em prol
mesma ofensa. do bem comum.
LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil. Petrópolis: c) abdicar de sua propriedade e submeter-se ao
Vozes, 1994. poder do mais forte.
d) concordar com as normas estabelecidas para a
Thomas Hobbes e John Locke, importantes vida em sociedade.
teóricos contratualistas, discutiram aspectos e) renunciar à posse jurídica de seus bens, mas
ligados à natureza humana e ao Estado. não à sua independência.
Thomas Hobbes, diferentemente de John
Locke, entende o estado de natureza como 387 - (ENEM/2013)
um(a) Para que não haja abuso, é preciso organizar
a) condição de guerra de todos contra todos, as coisas de maneira que o poder seja contido
miséria universal, insegurança e medo da morte pelo poder. Tudo estaria perdido se o mesmo
violenta. homem ou o mesmo corpo dos principais, ou
b) organização pré-social e pré-política em que o dos nobres, ou do povo, exercesse esses três
homem nasce com os direitos naturais: vida, poderes: o de fazer leis, o de executar as
liberdade, igualdade e propriedade. resoluções públicas e o de julgar os crimes ou
c) capricho típico da menoridade, que deve ser as divergências dos indivíduos. Assim, criam-
eliminado pela exigência moral, para que o se os poderes Legislativo, Executivo e
homem possa constituir o Estado civil. Judiciário, atuando de forma independente
d) situação em que os homens nascem como para a efetivação da liberdade, sendo que esta
detentores de livre-arbítrio, mas são feridos em não existe se uma mesma pessoa ou grupo
sua livre decisão pelo pecado original. exercer os referidos poderes
e) estado de felicidade, saúde e liberdade que é concomitantemente.
destruído pela civilização, que perturba as MONTESQUIEU, B. Do espírito das leis. São Paulo Abril
relações sociais e violenta a humanidade. Cultural, 1979 (adaptado).

A divisão e a independência entre os poderes


386 - (ENEM/2014)
são condições necessárias para que possa
Sendo os homens, por natureza, todos livres,
haver liberdade em um Estado. Isso pode
iguais e independentes, ninguém pode ser
ocorrer apenas sob um modelo político em que
expulso de sua propriedade e submetido ao
haja
poder político de outrem sem dar
a) exercício de tutela sobre atividades jurídicas e
consentimento. A maneira única em virtude da
políticas.
qual uma pessoa qualquer renuncia à

140
b) consagração do poder político pela autoridade eu diria: tendo os povos da Europa
religiosa. exterminado os da América, tiveram que
c) concentração do poder nas mãos de elites escravizar os da África para utilizá-los para
técnico-científicas. abrir tantas terras. O açúcar seria muito caro
d) estabelecimento de limites aos atores públicos se não fizéssemos que escravos cultivassem a
e às instituições do governo. planta que o produz.
e) reunião das funções de legislar, julgar e (Montesquieu. O espírito das leis.)
executar nas mãos de um governante eleito.
Com base nos textos, podemos afirmar que,
388 - (ENEM/2012) para Montesquieu,
É verdade que nas democracias o povo parece a) o preconceito racial foi contido pela moral
fazer o que quer; mas a liberdade política não religiosa.
consiste nisso. Deve-se ter sempre presente em b) a política econômica e a moral justificaram a
mente o que é independência e o que é escravidão.
liberdade. A liberdade é o direito de fazer tudo c) a escravidão era indefensável de um ponto de
o que as leis permitem; se um cidadão pudesse vista econômico.
fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais d) o convívio com os europeus foi benéfico para
liberdade, porque os outros também teriam tal os escravos africanos.
poder. e) o fundamento moral do direito pode submeter-
MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis. São Paulo: Editora se às razões econômicas.
Nova Cultural, 1997 (adaptado).
TEXTO COMUM às questões: 390, 391
A característica de democracia ressaltada por O texto abaixo, de John Locke (1632-1704),
Montesquieu diz respeito revela algumas características de uma
a) ao status de cidadania que o indivíduo adquire determinada corrente de pensamento.
ao tomar as decisões por si mesmo.
b) ao condicionamento da liberdade dos cidadãos “Se o homem no estado de natureza é tão livre,
à conformidade às leis. conforme dissemos, se é senhor absoluto da
c) à possibilidade de o cidadão participar no sua própria pessoa e posses, igual ao maior e a
poder e, nesse caso, livre da submissão às leis. ninguém sujeito, por que abrirá ele mão dessa
d) ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo liberdade, por que abandonará o seu império e
que é proibido, desde que ciente das sujeitar-se-á ao domínio e controle de
consequências. qualquer outro poder?
e) ao direito do cidadão exercer sua vontade de Ao que é óbvio responder que, embora no
acordo com seus valores pessoais. estado de natureza tenha tal direito, a
utilização do mesmo é muito incerta e está
389 - (ENEM/2003) constantemente exposto à invasão de terceiros
Observe as duas afirmações de Montesquieu porque, sendo todos senhores tanto quanto ele,
(1689-1755), a respeito da escravidão: todo homem igual a ele e, na maior parte,
pouco observadores da eqüidade e da justiça, o
A escravidão não é boa por natureza; não é proveito da propriedade que possui nesse
útil nem ao senhor, nem ao escravo: a este estado é muito inseguro e muito arriscado.
porque nada pode fazer por virtude; àquele, Estas circunstâncias obrigam-no a abandonar
porque contrai com seus escravos toda sorte de uma condição que, embora livre, está cheia de
maus hábitos e se acostuma insensivelmente a temores e perigos constantes; e não é sem
faltar contra todas as virtudes morais: torna- razão que procura de boa vontade juntar–se
se orgulhoso, brusco, duro, colérico, em sociedade com outros que estão já unidos,
voluptuoso, cruel. ou pretendem unir-se, para a mútua
Se eu tivesse que defender o direito que conservação da vida, da liberdade e dos bens a
tivemos de tornar escravos os negros, eis o que que chamo de propriedade.”

141
(Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991) 393 - (ENEM/2018)
Existe uma concorrência global, forçando
390 - (ENEM/2000)
redefinições constantes de produtos, processos,
Do ponto de vista político, podemos considerar
mercados e insumos econômicos, inclusive
o texto como uma tentativa de justificar:
capital e informação.
a) a existência do governo como um poder CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra,
oriundo da natureza. 2011.
b) a origem do governo como uma propriedade
do rei. Nos últimos anos do século XX, o sistema
c) o absolutismo monárquico como uma industrial experimentou muitas modificações
imposição da natureza humana. na forma de produzir, que implicaram
d) a origem do governo como uma proteção à transformações em diferentes campos da vida
vida, aos bens e aos direitos. social e econômica. A redefinição produtiva e
e) o poder dos governantes, colocando a liberdade seu respectivo impacto territorial ocorrem no
individual acima da propriedade. uso da
a) técnica fordista, com treinamento em altas
391 - (ENEM/2000) tecnologias e difusão do capital pelo território.
Analisando o texto, podemos concluir que se b) linha de montagem, com capacitação da mão
trata de um pensamento: de obra em países centrais e aumento das
a) do liberalismo. discrepâncias regionais.
b) do socialismo utópico. c) robotização, com melhorias nas condições de
c) do absolutismo monárquico. trabalho e remuneração em empresas no Sudeste
d) do socialismo científico. asiático.
e) do anarquismo. d) produção just in time, com territorialização das
indústrias em países periféricos e manutenção das
392 - (ENEM/2018) bases de gestão nos países centrais.
O parlamento britânico aprovou uma lei, em e) fabricação em grandes lotes, com
1835, cujo objetivo era regular o tráfego transferências financeiras de países centrais para
crescente nas principais vias no interior da países periféricos e diminuição das diferenças
Inglaterra, uma espécie de “código territoriais.
rodoviário”. A lei de 1835 estabeleceu a
velocidade máxima de 4 milhas por hora para
veículos autopropulsionados. As regras foram
revistas pelo parlamento em 1896, quando foi 394 - (ENEM/2018)
aumentada a velocidade máxima para 10 A partir da segunda metade do século XVIII,
milhas. Em 1903, novamente elevou-se o limite com a primeira Revolução Industrial e o
de velocidade para 20 milhas por hora. Em nascimento do proletariado, cresceram as
1930, aboliu-se o limite de velocidade para pressões por uma maior participação política,
carros e motos. e a urbanização intensificou-se, recriando uma
ELIAS, N. Tecnização e civilização. In: ELIAS, N. Escritos e paisagem social muito distinta da que antes
ensaios. Rio de Janeiro: Zahar, 2006 (adaptado).
existia.
QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLI-VEIRA, M.
O processo descrito alude à necessidade de G. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo
atualização da legislação conforme Horizonte: UFMG, 2002.
a) as transformações tecnológicas.
b) a renovação do congresso. As mudanças citadas foram conduzidas
c) os interesses políticos. principalmente pelos seguintes atores sociais:
d) o modo de produção. a) Burguesia e trabalhadores assalariados.
e) a opinião pública. b) Igreja e corporações de ofício.
c) Realeza e comerciantes.
d) Campesinato e artesãos.

142
e) Nobreza e artífices. BARBOSA, L. In: ZÉ RAMALHO. 20 SuperSucessos.Rio de
Janeiro: Sony Music, 1999 (fragmento).

395 - (ENEM/2016)
TEXTO II
Em virtude da importância dos grandes
volumes de matérias-primas na indústria
O trabalhador fica mais pobre à medida
química — eram necessárias dez a doze
que produz mais riqueza e sua produção
toneladas de ingredientes para fabricar uma
cresce em força e extensão. O trabalhador
tonelada de soda —, a indústria teve uma
torna-se uma mercadoria ainda mais barata à
localização bem definida quase que desde o
medida que cria mais bens. Esse fato
início. Os três centros principais eram a área
simplesmente subentende que o objeto
de Glasgow e as margens do Mersey e do Tyne.
LANDES, D. S. Prometeu desacorrentado: transformação produzido pelo trabalho, o seu produto, agora
tecnológica e desenvolvimento industrial na Europa ocidental, se lhe opõe como um ser estranho, como uma
desde 1750 até a nossa época.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, força independente do produtor.
1994. MARX, K. Manuscritos econômicos-filosóficos (Primeiro
manuscrito).São Paulo: Boitempo Editorial, 2004 (adaptado).
A relação entre a localização das indústrias
químicas e das matérias-primas nos Com base nos textos, a relação entre trabalho e
primórdios da Revolução Industrial provocou modo de produção capitalista é
a a) baseada na desvalorização do trabalho
a) busca pela isenção de impostos. especializado e no aumento da demanda social
b) intensa qualificação da mão de obra. por novos postos de emprego.
c) diminuição da distância dos mercados b) fundada no crescimento proporcional entre o
consumidores. número de trabalhadores e o aumento da
d) concentração da produção em determinadas produção de bens e serviços.
regiões do país. c) estruturada na distribuição equânime de renda
e) necessidade do desenvolvimento de sistemas e no declínio do capitalismo industrial e
de comunicação. tecnocrata.
d) instaurada a partir do fortalecimento da luta de
396 - (ENEM/2016) classes e da criação da economia solidária.
TEXTO I e) derivada do aumento da riqueza e da ampliação
da exploração do trabalhador.
Cidadão
397 - (ENEM/2016)
Tá vendo aquele edifício, moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto THAVES. Jornal do Brasil, 19 fev. 1997 (adaptado).

Mas me vem um cidadão


E me diz desconfiado A forma de organização interna da indústria
“Tu tá aí admirado citada gera a seguinte consequência para a
Ou tá querendo roubar?” mão de obra nela inserida:
Meu domingo tá perdido a) Ampliação da jornada diária.
Vou pra casa entristecido b) Melhoria da qualidade do trabalho.
Dá vontade de beber c) Instabilidade nos cargos ocupados.
E pra aumentar meu tédio d) Eficiência na prevenção de acidentes.
Eu nem posso olhar pro prédio e) Desconhecimento das etapas produtivas.
Que eu ajudei a fazer.

143
398 - (ENEM/2016) b) estabelecer relações lúdicas entre a vida e a
Tendo se livrado do entulho do maquinário realidade sem a pretensão de transformar o
volumoso e das enormes equipes de fábrica, o mundo dos homens.
capital viajava leve, apenas com a bagagem de c) atuar sobre a vivência real e modificá-la para
mão, pasta, computador portátil e telefone estabelecer relações interpessoais baseadas no
celular. O novo atributo da volatilidade fez de interesse mútuo.
todo compromisso, especialmente do d) criar discursos destinados a exercer o
compromisso estável, algo ao mesmo tempo convencimento sobre audiências,
redundante e pouco inteligente: seu independentemente das posições defendidas.
estabelecimento paralisaria o movimento e e) defender a caridade como realização pessoal,
fugiria da desejada competitividade, por meio de práticas assistenciais, na defesa dos
reduzindo a priori as opções que poderiam menos favorecidos.
levar ao aumento da produtividade.
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 400 - (ENEM/2016)
2001.
A Segunda Revolução Industrial, no final do
século XIX e início do século XX, nos EUA,
No texto, faz-se referência a um processo de
período em que a eletricidade passou
transformação do mundo produtivo cuja
gradativamente a fazer parte do cotidiano das
consequência é o(a)
cidades e a alimentar os motores das fábricas,
a) regulamentação de leis trabalhistas mais
caracterizou-se pela administração científica
rígidas.
do trabalho e pela produção em série.
b) fragilização das relações hierárquicas de MERLO, A. R. C.; LAPIS, N. L. A saúde e os processos de
trabalho. trabalho no capitalismo: reflexões na interface da
c) decréscimo do número de funcionários das psicodinâmica do trabalho e da sociedade do trabalho.
Psicologia e Sociedade, n. 1, abr. 2007.
empresas.
d) incentivo ao investimento de longos planos de
De acordo com o texto, na primeira metade do
carreiras.
século XX, o capitalismo produziu um novo
e) desvalorização dos postos de gerenciamento
espaço geoeconômico e uma revolução que está
corporativo.
relacionada com a
a) proliferação de pequenas e médias empresas,
399 - (ENEM/2016)
que se equiparam com as novas tecnologias e
Uma fábrica na qual os operários fossem,
aumentaram a produção, com aporte do grande
efetiva e integralmente, simples peças de
capital.
máquinas executando cegamente as ordem da
b) técnica de produção fordista, que instituiu a
direção pararia em quinze minutos. O
divisão e a hierarquização do trabalho, em que
capitalismo só pode funcionar com a
cada trabalhador realizava apenas uma etapa do
contribuição constante da atividade
processo produtivo.
propriamente humana de seus subjugados que,
c) passagem do sistema de produção artesanal
ao mesmo tempo, tenta reduzir e desumanizar
para o sistema de produção fabril, concentrando-
o mais possível.
CASTORIADIS, C. A instituição imaginária da sociedade. Rio se, principalmente, na produção têxtil destinada
de Janeiro: Paz e Terra, 1982. ao mercado interno.
d) independência política das nações colonizadas,
O texto destaca, além da dinâmica material do que permitiu igualdade nas relações econômicas
capitalismo, a importância da dimensão entre os países produtores de matérias-primas e os
simbólica da sociedade, que consiste em países industrializados.
a) elaborar significações e valores no mundo para e) constituição de uma classe de assalariados, que
dotá-lo de um sentido que transcende a possuíam como forte de subsistência a venda de
concretude da vida. sua força de trabalho e que lutavam pela melhoria
das condições de trabalho nas fábricas.

144
401 - (ENEM/2015) 403 - (ENEM/2015)
Um carro esportivo é financiado pelo Japão, O impulso para o ganho, a perseguição do
projetado na Itália e montado em Indiana, lucro, do dinheiro, da maior quantidade
México e França, usando os mais avançados possível de dinheiro não tem, em si mesma,
componentes eletrônicos, que foram nada que ver com o capitalismo. Tal impulso
inventados em Nova Jérsei e fabricados na existe e sempre existiu. Pode-se dizer que tem
Coreia. A campanha publicitária é sido comum a toda sorte e condição humanas
desenvolvida na Inglaterra, filmada no em todos os tempos e em todos os países,
Canadá, a edição e as cópias, feitas em Nova sempre que se tenha apresentada a
York para serem veiculadas no mundo todo. possibilidade objetiva para tanto. O
Teias globais disfarçam-se com o uniforme capitalismo, porém, identifica-se com a busca
nacional que lhes for mais conveniente. do lucro, do lucro sempre renovado por meio
REICH, R. O trabalho das nações: preparando-nos para o da empresa permanente, capitalista e racional.
capitalismo no século XXI. São Paulo: Educator, 1994
(adaptado). Pois assim deve ser: numa ordem
completamente capitalista da sociedade, uma
A viabilidade do processo de produção empresa individual que não tirasse vantagem
ilustrado pelo texto pressupõe o uso de das oportunidades de obter lucros estaria
a) linhas de montagem e formação de estoques. condenada à extinção.
WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo.
b) empresas burocráticas e mão de obra barata. São Paulo: Martin Claret, 2001 (adaptado).
c) controle estatal e infraestrutura consolidada.
d) organização em rede e tecnologia de O capitalismo moderno, segundo Max Weber,
informação. apresenta como característica fundamental a
e) gestão centralizada e protecionismo a) competitividade decorrente da acumulação de
econômico. capital.
b) implementação da flexibilidade produtiva e
402 - (ENEM/2015) comercial.
Não acho que seja possível identificar a c) ação calculada e planejada para obter
globalização apenas com a criação de uma rentabilidade.
economia global, embora este seja seu ponto d) socialização das condições de produção.
focal e sua característica mais óbvia. e) mercantilização da força de trabalho.
Precisamos olhar além da economia. Antes de
tudo, a globalização depende da eliminação de 404 - (ENEM/2015)
obstáculos técnicos, não de obstáculos Se vamos ter mais tempo de lazer no futuro
econômicos. Isso tornou possível organizar a automatizado, o problema não é como as
produção, e não apenas o comércio, em escala pessoas vão consumir essas unidades
internacional. adicionais de tempo de lazer, mas que
HOBSBAWM, E. O novo século: entrevista a AntonioPolito.
São Paulo: Cia. das Letras, 2000 (adaptado). capacidade para a experiência terão as pessoas
com esse tempo livre. Mas se a notação útil do
Um fator essencial para a organização da emprego do tempo se torna menos compulsiva,
produção, na conjuntura destacada no texto, é as pessoas talvez tenham de reaprender
a algumas das artes de viver que foram perdidas
a) criação de uniões aduaneiras. na Revolução Industrial: como preencher os
b) difusão de padrões culturais. interstícios de seu dia com relações sociais e
c) melhoria na infraestrutura de transportes. pessoais; como derrubar mais uma vez as
d) supressão das barreiras para comercialização. barreiras entre o trabalho e a vida.
THOMPSON, E. P. Costumes em comum: estudos sobre a
e) organização de regras nas relações cultura popular tradicional. São Paulo: Cia. das Letras, 1998
internacionais. (adaptado).

145
A partir da reflexão do historiador, um trabalho é fisicamente descentralizado e o
argumento contrário à transformação poder sobre o trabalhador, mais direto.
promovida pela Revolução Industrial na SENNETT R. A corrosão do caráter, consequências pessoais
do novo capitalismo.Rio de Janeiro: Record, 1999 (adaptado).
relação dos homens com o uso do tempo livre é
o(a)
Comparada à organização do trabalho
a) intensificação da busca do lucro econômico.
característica do taylorismo e do fordismo, a
b) flexibilização dos períodos de férias
concepção de tempo analisada no texto
trabalhistas.
pressupõe que
c) esquecimento das formas de sociabilidade
a) as tecnologias de informação sejam usadas
tradicionais.
para democratizar as relações laborais.
d) aumento das oportunidades de
b) as estruturas burocráticas sejam transferidas da
confraternização familiar.
empresa para o espaço doméstico.
e) multiplicação das possibilidades de
c) os procedimentos de terceirização sejam
entretenimento virtual.
aprimorados pela qualificação profissional.
d) as organizações sindicais sejam fortalecidas
405 - (ENEM/2014)
com a valorização da especialização funcional.
A introdução da organização científica
e) os mecanismos de controle sejam deslocados
taylorista do trabalho e sua fusão com o
dos processos para os resultados do trabalho.
fordismo acabaram por representar a forma
mais avançada da racionalização capitalista do
407 - (ENEM/2013)
processo de trabalho ao longo de várias
TEXTO I
décadas do século XX.
ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a
afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2009 O aparecimento da máquina movida a vapor
(adaptado). foi o nascimento do sistema fabril em grande
escala, representando um aumento tremendo
O objetivo desse modelo de organização do na produção, abrindo caminho na direção dos
trabalho é o alcance da eficiência máxima no lucros, resultado do aumento da procura.
processo produtivo industrial que, para tanto, Eram forças abrindo um novo mundo.
a) adota estruturas de produção horizontalizadas, HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. Rio de
privilegiando as terceirizações. Janeiro: Zahar, 1974 (adaptado).
b) requer trabalhadores qualificados, polivalentes
e aptos para as oscilações da demanda. TEXTO II
c) procede à produção em pequena escala,
mantendo os estoques baixos e a demanda Os edifícios das fábricas adaptavam-se mal à
crescente. concentração de numerosa mão de obra,
d) decompõe a produção em tarefas fragmentadas reunida para longos dias de trabalho, numa
e repetitivas, complementares na construção do situação árdua e insalubre. O trabalho nas
produto. fábricas destruiu o sistema doméstico de
e) outorga aos trabalhadores a extensão da produção. Homens, mulheres e crianças
jornada de trabalho para que eles definam o ritmo deixavam os lugares onde moravam para
de execução de suas tarefas. trabalhar em diferentes fábricas.
LEITE, M. M. Iniciação à história social contemporânea.São
Paulo: Cultrix,1980 (adaptado).
406 - (ENEM/2013)
Um trabalhador em tempo flexível controla o As estratégias empregadas pelos textos para
local do trabalho, mas não adquire maior abordar o impacto da Revolução Industrial
controle sobre o processo em si. A essa altura, sobre as sociedades que se industrializavam
vários estudos sugerem que a supervisão do são, respectivamente,
trabalho é muitas vezes maior para os ausentes a) ressaltar a expansão tecnológica e deter-se no
do escritório do que para os presentes. O trabalho doméstico.

146
b) acentuar as inovações tecnológicas e priorizar Na imagem do início do século XX, identifica-
as mudanças no mundo do trabalho. se um modelo produtivo cuja forma de
c) debater as consequências sociais e valorizar a organização fabril baseava-se na(o)
reorganização do trabalho. a) autonomia do produtor direto.
d) indicar os ganhos sociais e realçar as perdas b) adoção da divisão sexual do trabalho.
culturais. c) exploração do trabalho repetitivo.
e) minimizar as transformações sociais e criticar d) utilização de empregados qualificados.
os avanços tecnológicos. e) incentivo à criatividade dos funcionários.

408 - (ENEM/2013) 410 - (ENEM/2012)


O servo pertence à terra e rende frutos ao Outro importante método de racionalização do
dono da terra. O operário urbano livre, ao trabalho industrial foi concebido graças aos
contrário, vende-se a si mesmo e, além disso, estudos desenvolvidos pelo engenheiro norte-
por partes. Vende em leilão 8,10,12,15 horas americano Frederick Winslow Taylor. Uma de
da sua vida, dia após dia, a quem melhor suas preocupações fundamentais era conceber
pagar, ao proprietário das matérias-primas, meios para que a capacidade produtiva dos
dos instrumentos de trabalho e dos meios de homens e das máquinas atingisse seu patamar
subsistência, isto é, ao capitalista. máximo. Para tanto, ele acreditava que
MARX, K. Trabalho assalariado e capital & salário, preço e estudos científicos minuciosos deveriam
lucro.São Paulo: Expressão Popular, 2010.
combater os problemas que impediam o
incremento da produção.
O texto indica que houve uma transformação Taylorismo e Fordismo. Disponível em: www.brasilescola.com.
dos espaços urbanos e rurais com a Acesso em: 28 fev. 2012.
implementação do sistema capitalista, devido
às mudanças tecnossociais ligadas ao O Taylorismo apresentou-se como um
a) desenvolvimento agrário e ao regime de importante modelo produtiv