Você está na página 1de 99

 

LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL


Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior

Professora | Tânia Regina Corredato Periotto


A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma
ação integrada de suas atividades educacionais, visando à
geração, sistematização e disseminação do conhecimento,
para formar profissionais empreendedores que promovam
a transformação e o desenvolvimento social, econômico e
cultural da comunidade em que está inserida.

Missão da Faculdade Católica Paulista

Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo.
www.uca.edu.br

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma
sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria,
salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a
emissão de conceitos.
Sumário
UNIDADE 1 – PRODUÇÃO TEXTUAL: PROCESSO
E ELEMENTOS TEXTUAIS E DA COMUNICAÇÃO

INTRODUÇÃO ................................................................8

1. Conceituando texto e textualidade ...............................8

1.1 Tipos de linguagem e formas de comunicação ............9

1.1.1 Tipos de texto........................................................11

2. Elementos constitutivos da comunicação ....................16

2.1 O esquema da comunicação ....................................17

2.1.1 Classificação quanto ao tipo de mensagem ............19

3. Elementos textuais ....................................................22

3.1 Coesão e coerência .................................................23

3.1.1 Tipos de coerência ................................................25

CONCLUSÃO ...............................................................26

ELEMENTOS COMPLEMENTARES ...................................27

REFERÊNCIAS ................................................................27
UNIDADE 2 – TEXTOS E SEUS REQUISITOS

INTRODUÇÃO ..............................................................29

1. Comunicação efetiva ...............................................29

1.1 Organização do texto ..............................................29

1.1.1 Estrutura textual: suas intenções e funções ...............30

2. Para escrever bem ....................................................34

2.1 Requisitos ................................................................34

2.1.1 Ferramentas para elaboração de textos ...................41

3. Estrutura e tipologia textual .......................................44

3.1 Estrutura textual .......................................................44

3.1.1 Tipologia textual ....................................................44

CONCLUSÃO ...............................................................51

ELEMENTOS COMPLEMENTARES ...................................51

REFERÊNCIAS ................................................................51

UNIDADE 3 – ASPECTOS GRAMATICAIS: LEITURA


E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

INTRODUÇÃO ..............................................................53

1. Recursos de pontuação ............................................53

1.1 Contextualização histórica dos sinais de pontuação ....53


1.1.1 Utilização da pontuação em um texto ....................54

2 Aspectos gramaticais para produção textual:


concordância verbal.................................................62

2.1 A concordância verbal como suporte para leitura


e interpretação do texto ............................................62

2.1.1 Aprendendo um pouco mais sobre a concordância


verbal e o sujeito .....................................................64

3. Diretrizes para leitura, análise e interpretação textual ..72

3.1 Entendendo a diferença entre Compreensão


e Interpretação do texto ............................................73

3.1.1 Interpretação do texto ............................................74

CONCLUSÃO ...............................................................77

ELEMENTOS COMPLEMENTARES ...................................77

REFERÊNCIAS ................................................................78

UNIDADE 4 – PRODUÇÃO DE TEXTOS E SUA


LINGUAGEM ACADÊMICA

INTRODUÇÃO ..............................................................80

1. Desenvolvendo a leitura e escrita ..............................80

1.1 Estratégias de leitura e escrita ...................................80

1.1.1 Conhecimentos que envolvem a leitura e escrita ......81

2. Organizando e registrando a leitura ..........................88


2.1 Formas de registro e organização da informação .......88

2.1.1 Resumindo a informação: tipos de resumo ..............92

3. O texto acadêmico ..................................................93

3.1 Conceituando texto acadêmico .................................93

3.1.1 Estruturação de texto acadêmico ............................93

CONCLUSÃO ...............................................................97

ELEMENTOS COMPLEMENTARES ...................................98

REFERÊNCIAS ................................................................98
Unidade
1

PRODUÇÃO TEXTUAL: PROCESSO


E ELEMENTOS TEXTUAIS
Professora Doutora Tânia Regina Corredato Periotto

Objetivos de aprendizagem
da unidade
• Conhecer o conceito de texto e textualidade considerando
os processos e elementos textuais da comunicação
• Identificar e compreender os elementos constitutivos da
comunicação a fim de conhecer a forma adequada de
empregá-los
• Conhecer elementos textuais, coesão e coerência e como
identificá-los em textos e não-textos
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação

INTRODUÇÃO
Olá, aluno(a)!

Esta unidade nos dará a oportunidade de aprender um pouco mais sobre produção textual e os
elementos textuais da comunicação, com o objetivo de conhecer e empregar de forma adequada os
elementos constitutivos da comunicação e para produção textual.

Abordaremos o conceito de texto e textualidade considerando os processos e elementos textuais


da comunicação. Estudaremos também sobre os elementos constitutivos da comunicação a fim de
conhecer a forma adequada de empregá-los, bem como os elementos textuais, coesão e coerência e
como identificá-los em textos e não-textos.

Em cada um dos assuntos, será possível encontrar exemplos práticos e que se aproximam do
nosso cotidiano, pois entende-se que isso motiva e facilita o aprendizado.

Nossa expectativa é de que o assunto tratado nesta unidade possa contribuir para o aprimoramento
do conhecimento de cada um, principalmente no que se refere à produção textual e aos elementos
textuais e da comunicação.

Sabemos da relevância desse assunto e que ele não se limita apenas a esse momento de estudo, mas
se estende às futuras construções textuais e de comunicação, seja no âmbito acadêmico, profissional
ou das interações sociais.

Afinal, escrever textos com qualidade e saber interpretá-los é um grande diferencial! Vamos
aproveitar as informações, dicas e exemplos que estão neste material e ampliar nossos conhecimentos.

Vamos estudar!

1. CONCEITUANDO TEXTO E TEXTUALIDADE


Ao buscar a definição de texto, podemos observar que os autores apresentam um conjunto de
elementos para apresentar o seu significado. Kleiman e Moraes (1999, p. 62) dizem que:
[...] texto (do latim textus, tecido) é toda construção cultural que adquire um significado
devido a um sistema de códigos e convenções: um romance, um poema, uma carta, uma
palestra, um quadro, uma foto, uma tabela, uma música são atualizações desses sistemas de
significados, podendo ser interpretados como textos.

Já Koch (2001) complementa incluindo o envolvimento sociocultural e a ativação das estratégias


cognitivas.
[...] uma manifestação verbal, constituída de elementos linguísticos intencionalmente
selecionados e ordenados em sequência, durante a atividade verbal, de modo a permitir aos
parceiros, na interação, não apenas a depreensão de conteúdos semânticos, em decorrência
da ativação de processos e estratégias de ordem cognitiva, como também a interação (ou
atuação) de acordo com práticas socioculturais. (KOCH, 2001, p. 454).

8
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação
A textualidade reúne características essenciais tais como organização, sequência lógica, clareza
de ideais e objetividade, e se ocupa da intenção da mensagem que se pretende apresentar.

Texto e textualidade caminham juntos. Caso contrário, eles não alcançam seu propósito.

Organizar um texto e se fazer entender é coisa séria! Vamos então começar a aprender um
pouco mais para que, ao final dos nossos estudos, possamos dominar os conhecimentos necessários
para a interpretação e a construção de textos de qualidade.

1.1 Tipos de linguagem e formas de comunicação


Agora que já conhecemos o conceito de texto e textualidade, vamos avançar mais e entender o
que é linguagem verbal, não-verbal e mista.

A linguagem verbal é a forma de comunicação que acontece através da escrita ou da fala usada
para manifestação de ideias e sentimentos, e pode se dar oralmente ou de forma escrita. A linguagem
verbal é utilizada quando há diálogo entre as pessoas e na elaboração de jornais, revistas, entrevistas,
cartas, livros, filmes e outros.

Diálogo ao telefone

Fonte: Pixabay

Cartas

Fonte: Pixabay.

Como exemplo de uso da linguagem verbal, destaca-se o “Soneto do Amor Demais” de Vinicius
de Moraes (1993). De forma harmoniosa e bem elaborada, o poeta construiu um soneto que fala sobre
a intensidade do sentimento de amar.

9
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação
Soneto do amor demais
Não, já não amo mais os passarinhos
A quem, triste, contei tanto segredo
Nem amo as flores despertadas cedo
Pelo vento orvalhado dos caminhos.

Não amo mais as sombras do arvoredo


Em seu suave entardecer de ninhos
Nem amo receber outros carinhos
E até de amar a vida tenho medo.

Tenho medo de amar o que de cada


Coisa que der resulte empobrecida
A paixão do que se der à coisa amada
E que não sofra por desmerecida
Aquela que me deu tudo na vida
E que de mim só quer amor - mais nada.

Vinicius de Moraes

A linguagem não-verbal não utiliza palavras para se comunicar. Ela se faz representar através de
imagens, sinais, sons, logotipos, placas, cores, gestos, expressões faciais, etc.

Semáforo

Fonte: Pixabay.

Árbitro

Fonte: Pixabay.

Ao apresentar a sequência de cores, um semáforo comunica de forma simbólica o significado e as


possíveis ocorrências. Na cor vermelha, a ação informada é de “pare o fluxo”, pois há perigo para circulação
de pessoas ou automóveis naquele sentido; amarelo é “atenção” e o verde é para que o fluxo prossiga.

10
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação
Não há necessidade de que essas informações estejam escritas ou anunciadas verbalmente. O
uso do semáforo e sua simbologia é uma convenção adotada para a comunicação onde há trânsito.

Além da linguagem verbal e não-verbal, há a linguagem mista, que mistura o uso de palavras e
ilustrações. Vamos analisar o exemplo a seguir.

Placa sinalizadora

Fonte: Pixabay.

Agora que você já sabe o que é linguagem verbal, não-verbal e mista, será fácil identificá-la em
um texto.

Quer aprofundar seus estudos ainda mais a respeito do que


é um texto? Leia o artigo “A caracterização de categorias
de texto”, do autor Luiz Carlos Travaglia, disponível no
seguinte endereço:
<http://www.faculdadefar.edu.br/artigo-cronica/detalhe/
id/21>
Fonte: Castro, 2013.

1.1.1 Tipos de texto


De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, texto pode ser entendido como:
[...] o produto da atividade discursiva oral ou escrita que forma um todo significativo
e acabado, qualquer que seja sua extensão. É uma sequência verbal constituída por um
conjunto de relações que se estabelecem a partir da coesão e da coerência. Esse conjunto de
relações tem sido chamado de textualidade. Dessa forma, um texto só é um texto quando
pode ser compreendido como unidade significativa global, quando possui textualidade. Caso
contrário, não passa de um amontoado aleatório de enunciados. (BRASIL, 1997, p. 23).

Um texto pode apresentar diferentes sentidos e formas de expressão, classificado como literário
e não-literário.

Um texto literário apresenta linguagem poética e subjetiva, adotada pelo autor para disseminar
suas ideias pessoais e atrair o leitor.

11
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação

Texto literário

Fonte: https://nuhtaradahab.wordpress.com/category/mensagens-poeticas/page/95/

São exemplos de textos literários textos sagrados, contos, novelas, romances, poesias, etc.

Poesia (Guimarães Rosa)


Deus nos dá pessoas e coisas,
para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria sozinhos...
Essa... a alegria que ele quer.

Fonte: https://www.pensador.com/poemas_de_guimaraes_rosa/

A Galinha Ruiva
Era uma vez uma galinha ruiva, que morava com seus pintinhos numa fazenda. Um dia ela
percebeu que o milho estava maduro, pronto para ser colhido e virar um bom alimento.
A galinha ruiva teve a ideia de fazer um delicioso bolo de milho. Todos iam gostar! Era
muito trabalho: ela precisava de bastante milho para o bolo. Quem podia ajudar a colher a
espiga de milho no pé? Quem podia ajudar a debulhar todo aquele milho?
Fonte: Conto (Ingrid Biesemeyer Bellinghausen). Disponível em: <http://www.qdivertido.
com.br/verconto.php?codigo=22>

Já o texto não-literário é organizado de forma objetiva e concisa, com base em fatos que
comprovem a ideia ou a mensagem que se deseja expor.

12
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação
Texto não-literário

Fonte: https://br.sputniknews.com/mundo_insolito/201605054445761-manchete-faltar-vacina/

A linguagem do texto não-literário é clara para que o leitor possa compreender com facilidade.
São exemplos de textos não-literários os livros didáticos, documentos, manuais de instrução, receitas,
revistas científicas, notícias, etc.

Documento - Passaporte

Fonte: Pixabay.

Jornal de notícias

Fonte: Pixabay.

Um texto, quando elaborado para ser reconhecido como tal, precisa contar com textualidade. A
ideia central é clara e objetiva, além de ser organizada de forma lógica.

13
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação

Assistindo ao vídeo sobre “Texto literário e não-literário”,


você poderá aprender mais sobre como se comunicar de
forma clara e entender qual a diferença entre eles. O vídeo
está disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=EYvgS0AXgYs>.
Você vai gostar!

Elementos norteadores e detalhamento para a textualidade

Elementos norteadores Detalhamento


Estruturação e clareza sobre o propósito do texto. Organização do texto
Organização
e uso de palavras que favoreçam o alcance do objetivo proposto
Linguagem adequada e clara para o entendimento do leitor. Vocabulário
Clareza
adequado ao assunto e público de destino.
Originalidade na forma de expressão para não se desviar do assunto
Originalidade
central do texto. Sem uso de gírias ou termos inadequados.
Linguagem clara com vocabulário variado. Não há uso de chavões ou
Expressividade
modismos.
Fonte: Adaptado de Garcez (2012) pela autora.

De acordo com Costa Val (2016), um texto bem organizado consegue alcançar seus objetivos e
possui ideias articuladas, deixando evidente que os elementos necessários para a textualidade foram
preservados.

Para facilitar o entendimento sobre textualidade, tem-se como exemplo a fábula de Jean de La
Fontaine “O Lobo e o Cordeiro”.

O lobo e o Cordeiro
Um cordeiro estava bebendo água num riacho. O terreno era inclinado e por isso havia
uma correnteza forte. Quando ele levantou a cabeça, avistou um lobo, também bebendo da água.
- Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo - disse o lobo, que estava
alguns dias sem comer e procurava algum animal apetitoso para matar a fome.
- Senhor - respondeu o cordeiro - não precisa ficar com raiva porque eu não estou sujando
nada. Bebo aqui, uns vinte passos mais abaixo, é impossível acontecer o que o senhor está falando.
- Você agita a água - continuou o lobo ameaçador - e sei que você andou falando mal de
mim no ano passado.
- Não pode - respondeu o cordeiro - no ano passado eu ainda não tinha nascido. O lobo
pensou um pouco e disse:
- Se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo.
- Eu não tenho irmão - disse o cordeiro - sou filho único.
- Alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que cuidam
do rebanho, e é preciso que eu me vingue. Então ali, dentro do riacho, no fundo da floresta, o
lobo saltou sobre o cordeiro, agarrou-o com os dentes e o levou para comer num lugar mais
sossegado.
MORAL: A razão do mais forte é sempre a melhor

Fonte: https://www.pensador.com/frase/ODEwMzk1/

14
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação
Para a interpretação de um texto, é necessário identificar o seu tipo. No caso deste exemplo,
trata-se de uma fábula.

Fábula

Fonte: http://www.sitededicas.com.br/fabula-o-lobo-e-o-filhote-de-ovelha.htm

Em uma fábula, é comum que os animais assumam características humanas tais como falar.

- Senhor - respondeu o cordeiro - não precisa ficar com raiva porque eu não estou sujando
nada. Bebo aqui, uns vinte passos mais abaixo, é impossível acontecer o que o senhor está
falando.
- Você agita a água - continuou o lobo ameaçador - e sei que você andou falando mal de
mim no ano passado.

Tipo de texto: Fábula

A respeito da estrutura do texto, é possível identificar:

• Personagens – O lobo e o cordeiro

Personagens da fábula

Fonte: https://i.ytimg.com/vi/sNsin2erOnk/maxresdefault.jpg

• Ações: O cordeiro bebia água e quando levantou a cabeça, avistou o lobo.


Um cordeiro estava bebendo água num riacho. O terreno era inclinado e por isso havia
uma correnteza forte. Quando ele levantou a cabeça, avistou um lobo, também bebendo
da água.

15
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação
• Local onde aconteceu: Em um riacho.

Local da ação

Fonte: http://oficinadaslinguas-clubedeleitura.blogspot.
Fonte: http://oficinadaslinguas-clubedeleitura.blogspot.
com.br/2008/01/o-lobo-e-o-cordeiro.html
com.br/2008/01/o-lobo-e-o-cordeiro.html

• Tempo: Quando o cordeiro bebia água

Nesta fábula, ficam evidentes as características da textualidade e os cuidados que o autor teve ao
escrever o texto. A construção tem sequência lógica, sendo possível entender seu objetivo, quais são
os personagens, onde e em que tempo aconteceu.

Isso destaca a característica da textualidade e atinge o seu objetivo de apresentar a mensagem.

- Não pode - respondeu o cordeiro - no ano passado eu ainda não tinha nascido. O lobo
pensou um pouco e disse:
- Se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo.
- Eu não tenho irmão - disse o cordeiro - sou filho único.
- Alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que cuidam
do rebanho, e é preciso que eu me vingue. Então ali, dentro do riacho, no fundo da floresta,
o lobo saltou sobre o cordeiro, agarrou-o com os dentes e o levou para comer num lugar
mais sossegado.
MORAL: A razão do mais forte é sempre a melhor

2. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA
COMUNICAÇÃO
Antes de iniciar este tópico, que discorrerá sobre os elementos constitutivos da comunicação, é
oportuno entender o que significa linguagem humana e para que serve.

Conforme Almeida (2005), a linguagem humana é toda forma ou recurso utilizado para que os
indivíduos se comuniquem. Ela ocorre em:

MULTINíVEIS SIMULTâNEOS POR MEIO DE MULTICANAIS


Verbal
Consciente/voluntária Inconsciente/involuntária
Não-verbal
Fonte: Elaborado pela autora.
16
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação
Podem ser percebidos de forma visual, auditiva, tátil, olfativa e demais órgãos do sentido. A
linguagem também pode ser constituída por diferentes elementos como gestos, som, sinais, símbolos
ou palavras, utilizados para a comunicação de um pensamento, ideia ou conceito.

2.1 O esquema da comunicação


O objetivo da comunicação é a transmissão de uma mensagem, e isso envolve um grupo de seis
elementos que podem ser observados no esquema proposto por Jakobson (2001).

Elementos da comunicação

Fonte: Adaptado de Jakobson (2001, p.123) pela autora.


Neste esquema, são apresentados os elementos que constituem a comunicação, em que “[...]
cada um desses seis fatores determina uma diferente função da linguagem” (JAKOBSON, 2010, p.
157). São eles: emissor, receptor, mensagem, código, canal de comunicação e contexto.
O emissor é aquele que se pronuncia na emissão da mensagem; aquele que a envia. Pode
acontecer de forma individual ou em grupo.
Exemplo: Um grupo de professores compareceu à reunião do conselho para discutir o grande
número de falta dos alunos do período da manhã na escola municipal Padre José.

Reunião de professores na escola

Fonte: Pixabay.

17
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação
Neste exemplo, o emissor é o grupo de professores, e o receptor são os membros do conselho
que estavam presentes.

O receptor ou destinatário: é a quem se destina ou recebe a mensagem. Pode ser individual ou em


grupo; um animal ou uma máquina. Destaca-se que a comunicação se realizará somente se for possível
observar alguma reação no comportamento de quem recebeu a mensagem e se ela foi compreendida.

Impressora

Fonte: Pixabay.

Exemplo:

Paulo precisa imprimir um documento que acabou de elaborar usando seu computador.
Na empresa em que ele trabalha há duas impressoras. Uma que fica no setor de vendas
utilizada para emissão de notas fiscais, e outra no setor administrativo onde Paulo trabalha.
Para que o documento seja impresso, ele precisa escolher a opção indicada para o tipo de
resultado desejado.

Essa escolha da impressora pode ser entendida com uma mensagem enviada. Se o resultado
for a impressão do documento no equipamento do setor administrativo, a mensagem foi recebida e
compreendida.

Biju é uma linda cachorrinha da raça poodle que, ao ouvir o interfone tocar, correu para
subir no sofá e olhar pela janela. Ao visualizar a figura de um senhor que está no portão,
começa a latir sem parar.
Gabriela, dona de Biju, atende o interfone, mas não consegue ouvir o que o senhor diz
devido aos latidos.
- Quieta, Biju, já para a casinha! – diz Gabriela com voz firme.
Muito sem graça, Biju para de latir. De cabeça baixa, desce do sofá e segue para a casinha.

Telefone

Fonte: Pixabay.

18
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação
Telefone

Fonte: Pixabay.

Neste caso, Gabriela emitiu a mensagem, recebida e compreendida por Biju. Cabe aqui ressaltar
que o animal agiu por instinto à manifestação de Gabriela. Falar com voz firme foi o código recebido
por Biju.

Mensagem: é a função básica da comunicação, ou seja, seu objeto e finalidade. É composta pelo
conteúdo das informações transmitidas, que se classificam quanto ao seu tipo:

2.1.1 Classificação quanto ao tipo de mensagem


Mensagens sonoras: Megafone

• palavras
• sons diversos
• musica
Fonte: Pixabay.

Mensagens táteis: Choque elétrico

• trepidações
• choque
• pressões
Fonte: Pixabay

Mensagens olfativas: Cheiro de rosa

• odor
• cheiro de perfume,
de comida, etc
Fonte: Pixabay.

Mensagens gustativas: Limão azedo


• paladar
• tempero
• doce ou salgado
• temperatura: frio,
quente.
Fonte: Pixabay.

19
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação
Código: é o conjunto de regras e signos que se combinam e são utilizados para a transmissão de
uma mensagem. A comunicação acontecerá de fato se quem receber a mensagem souber interpretá-la.

Exemplo:
Ao engatinhar, um bebê de sete meses começa a explorar os espaços da casa e tudo que
encontra pela frente. A mãe conversa com o bebê na intenção de orientá-lo a não colocar
na boca os objetos encontrados pelo chão. Aos sete meses, um bebê sabe interpretar se um
objeto está sujo ou não; se pode colocar na boca ou não? Ele ainda não aprendeu a língua
portuguesa (código), e a mensagem pode não ter sido totalmente transmitida, ou seja, o
bebê não entendeu as palavras da mãe.

Bebê engatinhando

Fonte: Pixabay.

Pedro tem 12 anos e estuda no período matutino da escola estadual. Ele está no 7º ano do
ensino fundamental e sabe ler e escrever. Sua mãe precisou sair antes que ele chegasse da
escola e para não o preocupar, deixou o seguinte bilhete:

PEDRO Bilhete

O BEBê DA SUA TIA NASCEU.


VOU ATÉ O HOSPITAL.

BEIJOS

MAMãE- 26/11/2017
Fonte: Pixabay.

Ao ler a mensagem e a forma como estava organizada, Pedro pode identificar onde estava a mãe,
porque ela saiu e que ele acabara de ganhar um(a) primo(a). Ele conhece os códigos, ou seja, sabe ler e
escrever, conhece o significado de um bilhete e também o grau de parentesco com a tia e o bebê.

O guarda de trânsito, ao observar um motociclista que está em alta em velocidade, acena


para que ele pare. Esse gesto de acenar é o código adotado pelo guarda e que é entendido
pelo motociclista.

20
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação
Guarda de trânsito

Fonte: Pixabay.

Canal de comunicação: é o recurso utilizado para que a mensagem circule e chegue ao seu
destinatário. Esses recursos podem ser meios sonoros como a voz, ouvido, ondas sonoras, etc., ou
meios visuais como sinais refletivos de luz, percepção da retina, etc., usados pelo receptor para ler
palavras (revistas, jornais, internet), ver imagens (filmes, fotos), etc.

Leia os exemplos:

A filha conversa com a mãe ao telefone e avisa que irá levar uma amiga para almoçar em
casa. Nesta situação, o canal de comunicação utilizado foi o telefone (ondas sonoras) e a
mensagem se classifica como sonora (palavras).

O setor de Recursos Humanos da empresa onde Juliano trabalha solicitou via e-mail
uma declaração que comprove seu vínculo com a instituição de ensino onde ele faz o
curso de Pedagogia. Juliano está tentando conseguir ajuda de custo para pagamento
das mensalidades. Ao fazer contato, através do suporte on-line, com o funcionário da
secretaria da instituição de ensino, ele é orientado a elaborar um e-mail justificando a
necessidade da declaração.
O canal de comunicação utilizado por todos os envolvidos foi o e-mail.

Contexto da comunicação

Fonte: https://www.qconcursos.com/questoes-militares/questoes/search?migalha=true&order=id+
asc&page=2&per_page=5&product_id=5&prova=43527&url_solr=master&user_id=0

21
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação

Em uma rodovia de movimento intenso, ouve-se o som de uma sirene que fica cada vez
mais próxima, porém, ainda não está visível. Os veículos diminuem a velocidade e se
deslocam para as laterais, abrindo espaço no centro da rodovia.
A reação dos motoristas em diminuir a velocidade e se deslocarem para as laterais, foi
resultado da interpretação da mensagem sonora provocada por uma ambulância, carro do
corpo de bombeiros ou viatura da polícia.

Já o Contexto é relacionado com a situação em que a mensagem acontece considerando local,


tempo e fatos. Se você está em um contexto profissional, a comunicação precisa ser adequada ao
ambiente técnico e o vocabulário ajustado a ele. Outro exemplo de contexto e interpretação pode ser
observado na tirinha: a palavra “vida” foi utilizada em qual contexto?

Contexto da comunicação

Fonte: http://www2.uol.com.br/laerte/tiras/index-gatos.html

A comunicação favorece a partilha e a aquisição dos conhecimentos, e isso é essencial em uma


sociedade. O uso das modalidades de linguagem verbal ou não-verbal permite explorar diversas
situações comunicativas tanto na condição de emissor como receptor.

3. ELEMENTOS TEXTUAIS
A elaboração de um texto requer habilidade e competência do autor na organização e clareza
do que se pretende expor. É preciso planejar e selecionar as palavras que irão articular a ideias, e as
frases devem ser construídas em períodos curtos e adequadas à modalidade de texto considerando a
intencionalidade e contexto.

Coesão e coerência são elementos textuais importantes na organização de um texto. A respeito da


coesão, Koch (1989, p. 19) diz que são “[...] todos os processos de sequencialização que asseguram (ou
tornam recuperável) uma ligação linguística significativa entre os elementos que ocorrem na superfície
textual”. Exerce o papel de ligação entre as frases e parágrafos de forma que as ideias não se percam.

O autor Possenti (1981, p. 48-53), a esse respeito, afirma que “[...] dependendo da imagem
que o locutor faz do interlocutor no momento da produção do discurso, que ele utiliza um ou outro
mecanismo coesivo. [...] Indiretamente é a imagem do interlocutor que comanda a decisão.”

22
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação
Abreu (1990, p. 12), sobre coesão, destaca que:
[...] um texto não é uma unidade construída por uma soma de sentenças, mas pelo
encadeamento semântico delas, criando, assim, uma trama semântica a que damos o nome
de textualidade. O encadeamento semântico que produz a textualidade se chama “coesão”.

Já a coerência, envolve a relação lógica entre as ideias apresentadas e “[...] se estabelece na


interação, na interlocução, numa situação comunicativa entre dois usuários” (KOCH; TRAVAGLIA,
1995, p. 11).

3.1 Coesão e Coerência


A coesão se apresenta através de mecanismos gramaticais e lexicais que serão apresentados a seguir.

Mecanismos gramaticais: a produção de textos coesos conta com recursos gramaticais para a conexão
das ideias com os pronomes, advérbios, conjunções, tempos verbais, pontuação, concordância, etc.

Exemplo de coesão: Ana se recuperou e já saiu do hospital! Oramos por ela.


Este pequeno texto é composto por duas partes e apresenta uma conexão: “ela” refere-se a Ana.
1ª – Ana se recuperou e já saiu do hospital!
2ª – Oramos por ela.

João tomou um copo de suco. Eu também quero um.


1ª – João tomou um copo de suco.
2ª – Eu também quero um.
Conexão: “um” – refere-se ao copo de suco.

O diretor acha que todos gostaram da cor do muro da escola. Eu não penso assim.
1ª – O diretor acha que todos gostaram da cor do muro da escola.
2ª – Eu não penso assim.
Conexão: “assim” – como o diretor.

Exemplo de falta de coesão: Levantou, tomou café, saiu com o carro. Não se despediu.
1ª – Levantou, tomou café, saiu com o carro.
2ª – Não se despediu.
Ausência de elementos explícitos de conexão. O texto não deixa claro se quem levantou é a
mesma que tomou café, sai de carro e não se despediu.

Mecanismos lexicais: ocorre no formato de reiteração com a substituição e expansão lexical,


uso de sinônimo e hiperônimo e nomes genéricos. Além do formato de reiteração, tem-se ainda o
formato de colocação, que é o uso de termos pertencentes ao mesmo campo significativo.

Reiteração
Papai saiu para o trabalho. Papai levou sua pasta com os materiais.
1ª – Papai saiu para o trabalho.
2ª – Papai levou sua pasta com os materiais.
23
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação

Repetição – “Papai” – mesmo item lexical


Uma jovem me pediu informações a respeito de um endereço. A moça parecia perdida.
1ª – Uma jovem me pediu informações a respeito de um endereço.
2ª – A moça parecia perdida.
Sinônimo – “jovem” – “moça”
Ricardo ouviu o som de água pingando. Quando olhou para a banheiro, a coisa estava feia.
1ª – Ricardo ouviu o som de água pingando
2ª – Quando olhou para a banheiro a coisa estava feia.
Hiperônimo (nomes genéricos) – “coisa”

Colocação
Houve uma grande concentração na praça. Os estudantes defendiam a suspensão da greve e
clamavam pela qualidade da educação.
1ª – Houve uma grande concentração na praça.
2ª – Os estudantes defendiam a suspensão da greve e clamavam pela qualidade da educação.
Hiperônimo - “concentração” –” estudantes” – “clamavam”

Coerência: o significado lógico do texto e a relação entre as ideias que se complementam é


que dão coerência ao texto. Ao elaborar um texto, toma-se o cuidado de estabelecer alguns padrões
mentais que selecionam o que é coerente, o que faz sentido, pensando no leitor e na mensagem que se
deseja transmitir.

Sobre esse assunto e a sequência lógica do raciocínio ao


qual damos o nome de coerência, você pode se aprofundar
acessando o material “Coerência e coesão textual” que está
disponível em:
<http://profserafina.weebly.com/uploads/1/6/6/2/1662499/
coerencia_coesao.pdfFonte: Roque, 2017.

Isso se aplica também a ilustrações ou qualquer forma de comunicação, conforme mostra o


exemplo da charge:

Charge

Fonte:http://soumaisenem.com.br/portugues/coesao-e-coerencia/coerencia-textual

24
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação
Para que haja coerência, são essenciais alguns fatores como conhecimento e domínio dos
elementos linguísticos e contextualização, sem os quais seria impossível entender a mensagem da
charge. O leitor, neste caso da charge, precisa de conhecimentos a respeito de questões políticas,
realidade do contexto e que a afirmação apresentada no diálogo é coerente porque é 1º de abril – “Dia
da Mentira”. A intencionalidade é satirizar as promessas políticas.

Nos cartazes apresentados a seguir, pode-se observar a ausência de domínio dos elementos
linguísticos que implicam na compreensão da mensagem.

Ausência do domínio de elementos linguísticos

Fonte: Fonte:
https://br.pinterest.com/pin/604960162415666347/?l- http://culturadetravesseiro.blogspot.com.br/2010/12/o-
p=true -portuges-do-brasil.html

Qual é a alternativa para o cliente que deseja contratar o trabalho? Há coerência na mensagem
que se deseja passar?

3.1.1 Tipos de Coerência


Coerência Narrativa
Em um texto, é preciso haver uma lógica entre os acontecimentos e os personagens dentro de
um tempo, sem contradição, para que seja possível entender o que cada personagem faz e em qual
tempo dentro de uma lógica temporal.

Ana telefonou para a mãe depois da prova para acalmá-la. Debruçada na cama sem
arrumar, se acomodou entre as almofadas. Chamou de mamãezinha querida e pediu
desculpas por não ter ligado antes. Contou sobre como foi a semana na faculdade. O papo
deu fome. Ana se levantou e foi até a geladeira beber o que sobrara de refrigerante. A mãe
terminou de tomar uma xícara de chá que havia se servido quando a filha se desculpava
por não ter ligado antes.

Coerência Argumentativa
Quando se apresenta uma sequência lógica de acontecimentos seguida de exemplos e dados
para que os argumentos se sustentem.

25
Unidade
Produção textual: processo e elementos textuais
1
e da comunicação

O aumento do número de acidentes de trânsito por imprudência do motorista embriagado


é um problema que envolve toda a sociedade. Fiscalizar e coibir esse tipo de abuso é papel
de todos; o Governo, contudo, é o responsável por administrar e conduzir essa situação
até minimizá-la ao extremo.
Cabe à população se organizar e exigir que o Governo se posicione e cumpra o seu papel.
Somente com a união do Governo e da população é que o resultado será satisfatório.

Coerência Descritiva
O texto retrata detalhes e particularidades das pessoas, objetos, tempo e dos lugares onde o fato
ou ação acontece.

Exemplo:
Já estava na hora do almoço e as pessoas andavam rápido para suas casas. O vento trazia
o delicioso aroma de temperos o que sugeria uma saborosa refeição. Mesmo assim, não
pude fazer como todos e provar a comida que o restaurante ao lado da empresa costuma
servir. Tinha muito serviço acumulado.

Este vídeo apresenta de forma didática e simples o conceito


de coesão e coerência. Vale à pena assistir e fixar ainda mais
o conteúdo. Acesse agora e confira!
<https://www.youtube.com/watch?v=4qEa3Up2LYI>

CONCLUSÃO
Nesta unidade, aprendemos sobre textualidade e como podemos usar várias formas para
nos comunicarmos, seja através de ilustrações, símbolos, sons, gestos ou expressões. Entretanto, a
comunicação somente se efetiva se ela for entendida por quem a recebeu.

Os elementos constitutivos da comunicação sincronizam a mensagem para que seja recebia e


compreendida. A forma correta de empregá-los favorece a comunicação e a transmissão da mensagem.

Além dos elementos constitutivos da comunicação, também temos os elementos linguísticos


que precisam ser dominados e aplicados de forma adequada com coerência e coesão.

Através dos exemplos aqui apresentados, ficou claro que um texto bem elaborado, cuja estrutura
esteja apoiada nos mecanismos gramaticais, terá sua mensagem entendida, independentemente de seu
formato.

26
Unidade
1 Produção textual: processo e elementos textuais
e da comunicação

ELEMENTOS COMPLEMENTARES
#LIVRO#
Título: Redação e textualidade
Autor: Bruno Maria da Graça Val Costa
Editora: Martins Fontes
Ano: 2016.
Sinopse: Este livro aborda questões relacionadas à produção de texto. Sua
leitura é fácil e atualizada. Poderá servir como recurso de suporte para
possíveis dúvidas relacionadas com a elaboração de texto e a textualidade, o
que resultará em construções textuais de qualidade.

#WEB#
O vídeo “Coerência textual” traz exemplos comentados sobre a forma adequada de se
elaborar textos. O autor apresenta um comparativo da forma inadequada e discute aquilo
que não está correto. Vale a pena assistir.
Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=u3m_TUjwKGE>

REFERÊNCIAS
ABREU, A. S. Curso de Redação. 2. ed. São Paulo: Ática, 1990.
ALMEIDA, N. M. Gramática metódica da língua portuguesa. São Paulo: Saraiva, 2005.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto
ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa/ Brasília: MEC/SEF, 1997. 106 p. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/portugues.pdf>. Acesso em: 12 dez. 2017.
COSTA VAL, M. G. Redação e textualidade. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2016.
GARCEZ, L.H.C. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. 2. ed. São Paulo:
Martins Fontes, 2012.
JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 22.ed. Tradução de Izidoro Blikstein; José Paulo Paes.
São Paulo: Cultrix, 2001.
KLEIMAN, A. B.; MORAES, S. E. Leitura e interdisciplinaridade: tecendo redes nos projetos da escola.
Campinas-SP: Mercado de Letras, 1999.
KOCH, I. G. V. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 1989.
KOCH, I. G. V.; TRAVAGLIA, L. C. Texto e coerência. São Paulo: Cortez, 1995.
______; ______. A coerência textual. 12. ed. São Paulo: Contexto, 2001.
MORAES, Vinícius de. Jardim Noturno. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
POSSENTI, S. Sobre discurso e texto: imagens e/de constituição. In: Sobre a estrutura do discurso.
IEL/Unicamp, 1981.
TRAVAGLIA, L. C. A caracterização de categorias de texto: tipos, gêneros e espécies. São Paulo:
Alfa, 2007. Disponível em http://seer.fclar.unesp.br/alfa/article/viewFile/1426/1127. Acesso em: 09
dez. 2017.

27
Unidade
2

TexTOs e seus RequisiTOs

Professora Doutora Tânia Regina Corredato Periotto

Objetivos de aprendizagem
da unidade
• Compreender as diferentes formas de organizar textos e
os requisitos necessários para que tenham qualidade
• Conhecer sobre estrutura textual e suas intenções e funções
Unidade
2 Textos e seus requisitos

inTRODuçãO
Olá, Aluno(a)!
Nossos estudos agora têm como tema central a organização de textos. O objetivo é a compreensão
das diferentes formas de organizar textos e os requisitos necessários para que eles tenham qualidade.
Vamos aprender sobre estrutura textual e suas intenções e funções. Há vários exemplos
ilustrativos para facilitar o estudo.
Para a construção de um texto, precisamos ficar atentos aos requisitos de clareza, linguagem
formal, concisão, objetividade e correção gramatical. Esses requisitos são empregados conforme a
tipologia textual, assunto que também será explorado neste tópico.
Com esse volume de conhecimento a ser explorado, a forma como você constrói ou interpreta
textos será cada vez melhor!
Vamos prosseguir!

1. COMuniCAçãO eFeTiVA
Como aprendemos na unidade anterior, um texto tem a função de apresentar ou comunicar
um assunto, mas a comunicação somente será efetiva se quem a recebeu realmente a compreendeu
perfeitamente.
Um exemplo de que há falhas na comunicação pode ser observado na ilustração. Mesmo lendo
o texto com a mensagem no caixa eletrônico, as senhoras entenderam o que era para fazer.

Título: Falha na comunicação

Fonte: https://pt.linkedin.com/pulse/falha-na-comunica%C3%A7%C3%A3o-e-seus-
impactos-nas-rela%C3%A7%C3%B5es-luciana-pasin

1.1 Organização do Texto


Antes de iniciar um texto, o primeiro passo é ter claro em mente qual assunto será abordado, ou
seja, a delimitação do tema. Um texto organizado possui introdução, desenvolvimento e conclusão.
Logo, ao construí-lo, não se pode esquecer a coesão e coerência entre as ideias.

29
Unidade
Textos e seus requisitos
2

As orientações neste tópico a respeito da estrutura de um texto serão retomadas na Unidade 4,


com informações específicas para elaborar textos acadêmicos. O aprendizado acumulado até o final
deste livro nos auxiliará a organizar materiais com qualidade e nas conformidades de sua aplicação.

1.1.1 estrutura textual: suas intenções e funções


Todo texto segue uma estrutura e durante sua elaboração as intenções do autor são apresentadas.
Vamos agora aprender um pouco mais sobre isso.

Tema e título: O tema está relacionado ao assunto do texto, e o título é o nome que se dá ao
texto. No texto de Fernando Pessoa, o tema é solidão, e o título é “Estar Sozinho”.

Tema

Fonte: http://www.citador.pt/textos/estar-sozinho-fernando-pessoa

Introdução: A introdução é o momento inicial, em que a ideia central é apresentada de forma


direta em um texto não muito longo. É nesta etapa que o leitor irá se situar a respeito do assunto a ser
tratado, identificar o objetivo do texto e como ele está estruturado. Vamos conferir esse exemplo de
introdução de um capítulo de livro.

30
Unidade
2 Textos e seus requisitos

Introdução de capítulo de livro

Fonte: https://danieleluna.files.wordpress.com/2010/09/cap01.pdf

Neste outro exemplo, os dois primeiros parágrafos do texto se encarregam de apresentar


o assunto que é anunciado a partir do título. A condução das ideias já estabelece parâmetros que
norteiam o leitor sobre o contexto, os envolvidos, a motivação e o objetivo.

Introdução de matéria de jornal


Na Escola Municipal de Educação Infantil Dona Leopoldina, os pequenos alunos têm voz
ativa
Uma pista de triciclos e bicicletas  – com direito a pequenos guardas para controlar o
trânsito – circunda uma grande horta. De um lado, um gramado com árvores e brinquedos.
Do outro, pista de carrinhos e parquinho sonoro. Ao fundo, uma quadra de futebol, com
assentos feitos de tocos de árvores para que torcedores acompanhem as partidas completa
a área de lazer.
Parece um  parque, mas não é. É neste ambiente em que os 234 alunos da  Escola
Municipal de Educação Infantil Dona Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, brincam,
aprendem e se desenvolvem. Tudo feito com a colaboração direta dos alunos de 4 e 5 anos.

Fonte: http://jornaldeboasnoticias.com.br/na-escola-municipal-de-educacao-infantil-dona-leopoldina-
os-pequenos-alunos-tem-voz-ativa/

31
Unidade
Textos e seus requisitos
2

Desenvolvimento: É no desenvolvimento do texto que acontece todo o desenrolar do assunto


e também se estabelece a ligação entre a introdução e as conclusões. Ao planejar um texto, o autor
precisa ter claro onde deseja chegar e como irá finalizar.

Cada parte de um texto tem sua função específica. O


desenvolvimento, por exemplo, não pode se confundir
com a introdução. Eles estão ligados, mas com propósitos
diferentes. Para saber mais, leia o texto “Como fazer um
desenvolvimento para a redação” que está disponível no
seguinte endereço: <http://comofazerumaboaredacao.
com/como-fazer-um-desenvolvimento/>
Fonte: http://comofazerumaboaredacao.com/

Os parágrafos precisam estar conectados, e as ideias apresentadas de forma clara e dentro de uma
lógica. O vocabulário deve ser rico e variado, evitando-se repetições. Não há regra para o tamanho
de um parágrafo. O que se espera é o bom senso do autor em construí-lo dentro de uma lógica de
raciocínio, partindo de uma ideia central acompanhada de ideias secundárias mais a conclusão.

Vejamos o exemplo no texto “A infância do Meu Pai”. Os parágrafos não são extensos e apresentam
a ideia núcleo, as secundárias e a conclusão.

Parágrafos

Fonte: https://brainly.com.br/tarefa/1681041

Conclusão: Não deve ser longa, pois se trata da finalização do assunto apresentado no texto. É
tão importante quanto a introdução e está ligada ao todo.

32
Unidade
2 Textos e seus requisitos

Objetivo não alcançado

Fonte: http://blogdasotomes.blogspot.com.br/2011/08/tirinhas.html

Pode-se dizer que é o fechamento das ideias, informando se o objetivo apresentado na introdução
foi alcançado e quais são os resultados.

Tomando como exemplo parte da conclusão de um trabalho de final de curso, é possível conferir
essas características:

Objetivo alcançado

Fonte: http://www.ufjf.br/ep/files/2014/07/2006_3_Diogo-Cortes.pdf

Se houver necessidade de alongar a conclusão para ainda explicar algum fato ou dado, fica
evidente que as etapas anteriores deixaram falhas.

33
Unidade
Textos e seus requisitos
2

Falha nas etapas

Fonte: https://pt.memedroid.com/memes/detail/1865522

Na Unidade 4, teremos oportunidade de retomar o assunto com o foco para estrutura de textos
acadêmicos. Como você já terá os conhecimentos preliminares discutidos aqui, será muito tranquilo
falar sobre trabalho de conclusão de curso, o que tira o sono de muita gente.

Vamos avançar para o próximo tópico!

2. PARA esCReVeR BeM


Além do que já vimos até aqui a respeito de como elaborar um texto, ainda precisamos aprender
sobre os requisitos para se escrever bem, que são: clareza, linguagem formal, concisão, objetividade e
correção gramatical. Souza (2002, p. 88) defende que:
[...] toda palavra realmente pronunciada [...] é a expressão e o produto da interação social
de três participantes: o locutor [...], o ouvinte [...] e isto do que se fala. Para o qual o sentido
da palavra é totalmente determinado por seu contexto e [...] há tantas significações possíveis
quanto contextos possíveis.

A forma como vamos nos expressar e o recurso utilizado dependem de nossas vivências e
interações sociais. Falar bem e saber interpretar o que se ouve, considerando as interações sociais do
outro, é uma habilidade possível de ser construída, além de ser um diferencial em qualquer situação.

2.1 Requisitos
Clareza: A produção textual de qualidade precisa ter clareza. A mensagem transmitida deve ser
objetiva e organizada, seguindo uma lógica de raciocínio com coesão e coerência, uso de vocabulário
adequado e que demonstre conhecimento do assunto, frases curtas e pontuação.

34
Unidade
2 Textos e seus requisitos

Falta de clareza

Fonte: https://laynnecris.wordpress.com/2015/12/28/post-aula-09-qualidades-e-defeitos-de-um-texto/

O exemplo a seguir apresenta o bilhete encaminhado por uma escola com o objetivo de
comunicar aos pais ou responsáveis como seria desenvolvido o projeto de leitura. Observe que há
vários equívocos relacionados a clareza e outros requisitos.

Falta de sequência

Fonte: http://www.kidsindoors.com.br/2015/04/dia-internacional-do-livro-infantil.html

35
Unidade
Textos e seus requisitos
2

Além de ter frases longas, a pontuação não está adequada. Não há sequência na exposição das
ideias nem padrão no uso de terminologias. Observe que na segunda frase há uma referência para
indicar quais são as turmas que participarão do projeto: 1º ao 5º ano. Na penúltima frase a indicação
é para todos os alunos e professores do Segmento 2.
• Quem participará do projeto?
• Somente os alunos do 1º ao 5º ano?
• Alunos e professores do Segmento 2?
• O que é Segmento 2? Esse é um termo comum ou específico para profissionais da educação?

Em meio a tanta explicação, o autor se perdeu na organização das ideias.

Observe a tirinha e responda se faltou clareza na fala da Helga.

Organização das ideias

Fonte: http://biologiaextrasaladeaula.blogspot.com.br/2012/04/proxima-aula-de-redacaopreparatorio.html

Linguagem formal: utilizada com base nas normas gramaticais, também conhecida como
“linguagem culta”. Seu emprego acontece quando a mensagem é direcionada a autoridades, órgãos
públicos ou pessoas em alguma posição de destaque.

Linguagem formal escrita

Fonte: https://pt.slideshare.net/ACTEBA/oficio-circular-06-2012

36
Unidade
2 Textos e seus requisitos

Linguagem formal falada

Fonte: http://www.laifi.com/laifi.php?id_laifi=10395&idC=105184#

Já a linguagem informal é aquela usada no cotidiano.

Linguagem informal regional

Fonte: http://profnatcabral.blogspot.com.br/2015/08/atividades-sobre-linguagem-formal-e.html

Linguagem coloquial

Fonte: http://sorisomail.com/partilha/127667.html

37
Unidade
Textos e seus requisitos
2

Concisão: Um texto com ideias claras, preciso e breve, sem que a mensagem seja prejudicada
por excessos desnecessários, é entendido como conciso. Vamos observar a forma como o texto foi
elaborado: o primeiro texto apresenta a mensagem, mas é redundante quando informa “todos os
alunos” e “cada aluno, individualmente, receberá o convite”.

A Escola Municipal Fernão Dias, por meio de um comunicado, decidiu convidar a todos os
alunos para a festa de encerramento do ano letivo. Cada aluno, individualmente, receberá
o convite.

A forma concisa para este mesmo texto é:

Todos os alunos da Escola Fernão Dias estão convidados a participar do baile de


encerramento do ano letivo.

Se todos os alunos da escola estão convidados, não há necessidade de acrescentar que “Cada
aluno, individualmente, receberá o convite”.

Ser direto e objetivo em um texto é muito importante, pois


evita que o leitor se confunda e desista de prosseguir com
a leitura. Para saber mais sobre texto claro e conciso, leia
“Ouço muito: um bom texto deve ser claro e conciso”, que está
disponível no seguinte endereço: http://redeglobo.globo.
com/sp/tvtribuna/camera-educacao/platb/2013/03/06/uma-
boa-redacao-a-concisao-por-sergio-nogueira/

Objetividade: Organizar um texto com objetividade é deixar evidente a sua finalidade, aonde
se quer chegar e o conteúdo da mensagem. Para isso, é importante evitar excessos e reduzir formas
verbais duplas (verbo de ligação + gerúndio) como:

Estamos enviando o material para o endereço...

O correto é: Enviamos o material para o endereço...

Escrever na ordem direta, evitando ambiguidade: sujeito + verbo + objeto + complemento.

Convidou a família a comunidade para a apresentação dos resultados.

Nesta frase, quem convidou?

O correto é: A família convidou a comunidade para a apresentação...

Ou

A comunidade convidou a família para a apresentação...

38
Unidade
2 Textos e seus requisitos

Objetividade masculina

Para descontrair

Fonte: http://mulher30.com.br/2012/06/objetividade-masculina.html

Também é importante considerar o tipo de público que terá acesso ao texto ou mensagem que se
deseja transmitir. Ao observarmos a ilustração, entende-se que o termo “agilidade” na frase: “A palavra
de ordem é agilidade” não condiz com a realidade dos envolvidos.

Mensagem

Fonte: http://www.perito.med.br/2013/01/charges-peritomed-reuniao-inssana-no.html

Correção gramatical: Se refere ao uso das normas gramaticais, linguagem adequada, ortografia,
pontuação, colocação pronominal, regência verbal e domínio da expressão escrita padrão. Um
importante recurso para evitar erros é o uso do dicionário e de livros de gramática.

39
Unidade
Textos e seus requisitos
2

Gerúndio

Fonte: http://armazemdetexto.blogspot.com.br/2017/04/gerundio-e-gerundismo-veja-diferenca.html

Exemplos

• Fazem 50 anos

Nesta frase, não há indicação de uma pessoa. Aqui o verbo “fazer” é impessoal

Verbo Fazer + indicação de tempo (50 anos). A forma correta da frase é:

• Faz 50 anos

• Ir no banheiro

No ou ao banheiro?

Fonte: https://humordemulher.files.wordpress.com/2011/12/esmaltirinha.jpg

Se você vai, com certeza irá a algum lugar. O correto é:

• Ir ao banheiro

• Foi assistir o jogo.

Assistir, neste caso tem sentido de ver. O verbo assistir é transitivo indireto e rege a preposição
“a”, que não aparece no texto. A forma correta da frase é:

40
Unidade
2 Textos e seus requisitos

• Foi assistir ao jogo


• Comprei ele agora
Ele é um pronome do caso reto e não pode atuar como complemento verbal
O correto é usar um pronome oblíquo, e a forma correta da frase é:
Comprei-o agora

Usando pronome

Fonte: http://souvestibulando.com/provas/exercicio.php?ida=93&ide=337&idp=7

Falar corretamente é indispensável em qualquer situação. Isso


contribui para que a comunicação ocorra. A coloquialidade
também é importante – desde que se toma cuidado com os
padrões e as convenções. Para se aprofundar no assunto e
não correr o risco de errar, acesse o texto “Falando certo
a nossa língua portuguesa”, disponível em: http://www.
falandocerto.com.br/wordpress/tag/correcao-gramatical/

2.1.1. Ferramentas para elaboração de texto


Para a elaboração ou a interpretação de textos, além do domínio dos requisitos já apresentados
aqui, também se pode fazer uso de algumas ferramentas tais como a metáfora, comparações metafóricas
e analogias. Essas ferramentas dão ritmo ao texto e descomplicam o seu desenrolar quando necessário.
Vamos atender um pouco mais sobre elas.

Metáfora: é uma figura de linguagem muito usada em nosso cotidiano. Ela substitui um termo
ou expressão por outra, mas que atende ao mesmo sentido.
• O suco está um mel
• Paulinho é um gato!
• Manoel é um pau d’água

41
Unidade
Textos e seus requisitos
2

Pneu

Fonte: http://blogdamarlizinha.blogspot.com.br/2010/04/charge-mosquito-da-dengue-assinale.html

Comparação Metafórica: é muito parecida com a metáfora, pois ambas utilizam figuras de
linguagem. A diferença está no uso de conexões de comparação. Vejamos os exemplos:
• Esse biscoito está duro como um pau.
• Joana é igual a uma palhaça quando se encontra com as crianças.
• A toalha ficou fofa como algodão.

Comparação metafórica

Fonte: www.cibelesantos.com.br

Nesta tirinha, a comparação metafórica utilizada pela moça para explicar para Armando sobre
como cultivar o amor foram os cuidados com uma flor: “Você não sabe que o amor é como uma flor?”.
Ao perceber que mesmo assim ele não entendeu, utilizou-se de outra forma figurada ou ilustrativa que
foi os cuidados com um automóvel. “O amor é como o motor do carro”. A conexão utilizada foi a
palavra “como”.

Pela reação de Armando, ao comparar o amor com os cuidados necessários com um carro, a
moça se fez entender.

Analogia: é a relação de semelhança entre situações diferentes. Vamos observar os exemplos:


42
Unidade
2 Textos e seus requisitos

Analogia

Fonte: www.cibelesantos.com.br

Neste quadrinho, uma amiga comenta com a outra a forma despreocupada e desrespeitosa
que foi tratada pela prestadora de serviços de TV quando suspenderam a transmissão ou acesso.
Por analogia, a outra amiga compara ao comportamento de seus ex-namorados quando terminam o
relacionamento, ou seja, rompem sem dar satisfação.

Agora, veja um exemplo de analogia na literatura:


“Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e
cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poeta famosa,
outro, uma professora brilhante, outro era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de
viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um
monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã
olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar.
Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia
decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo
o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram
a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.”

O trecho acima é de “A Redoma de Vidro”, obra da escritora americana Sylvia Plath, e faz uma
analogia, ou seja, uma comparação entre uma figueira cheia de frutos e a grande quantidade de escolhas
que uma pessoa pode fazer na vida. “Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos” não quer dizer
que a fruta era literalmente um casamento, mas uma analogia que compara escolher um dos frutos
da figueira com escolher casar e ter filhos, além das outras opções que a autora cita (ser poeta ou ser
professora, viajar pelo mundo ou ser campeã de remo, etc.).

43
Unidade
Textos e seus requisitos
2

3. esTRuTuRA e TiPOLOGiA TexTuAL


Vamos entender melhor como a estrutura e a tipologia de um texto se relacionam e porque são
importantes.

3.1 estrutura textual


Sabemos que, no texto, a coerência é uma característica fundamental que está relacionada com
a macro e microestrutura. De acordo com Sautchuk (2003), a macroestrutura alinha os elementos que
dão sentido ao texto e estabelece uma sequência nas ideias envolvendo o conteúdo global, além de
envolver a criatividade, a organização das ideias e a criticidade.

A microestrutura se refere a aspectos linguísticos do texto tais como ortografia e coesão. Depende
da habilidade e conhecimento de quem escreve na organização do texto de forma que faça sentido.

3.1.1 Tipologia textual


A tipologia textual está relacionada à estrutura, regras gramaticais e tipo de texto. Há cinco tipos
de texto: narração, dissertação, descrição, injunção e exposição.

Narração: Em nosso cotidiano, é comum relatarmos um fato ou situação por meio da oralidade
ou registro. Não é algo recente, mas que vem desde o tempo das cavernas quando o homem já tinha
necessidade de registrar os acontecimentos.

A ilustração exemplifica a fase evoluída da escrita que passou do pictograma para a cuneiforme.
A escrita cuneiforme, criada em 3.500 a.C, adota símbolos e desenhos para narrar acontecimentos
daquele período e que até hoje contribuem para a construção da história da civilização.

Escrita cuneiforme

Fonte: http://descobertadaescrita.blogspot.com.br/2012/11/a-descoberta-da-escrita.html

44
Unidade
2 Textos e seus requisitos

Um texto do tipo narração tem em sua estrutura o espaço, o tempo e o enredo. É apresentado
geralmente na forma de livro de história e está relacionado a personagens e aos acontecimentos.

Vamos conferir os exemplos: Porquinho da índia e Pneumo-tórax, de Manuel Bandeira.

Porquinho-da-índia

Fonte: http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1159

Em “Porquinho-da-índia”, é possível identificar que os fatos ocorreram no período da infância:


“Quando eu tinha seis anos” situa os espaços da casa e a relação de afeto estabelecida.

O poema “Pneumo-tórax” também é um exemplo de narrativa que, pelos detalhes fornecidos


no texto, nos parece ser a casa do paciente que a vida toda teve a saúde debilitada. Os sintomas são
apresentados, assim como o diálogo entre o paciente e o médico. Ao examiná-lo e apresentar o
diagnóstico, o médico anuncia o desfecho da história ao responder o questionamento do paciente.

45
Unidade
Textos e seus requisitos
2

Pneumo-tórax

Fonte: https://www.pinterest.co.uk/explore/poemas-manuel-bandeira/

A estrutura de um texto narrativo tem apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho.


Podemos confirmar isso com a história do Pinóquio:

Pinóquio

Fonte: https://bebeatual.com/historias-pinoquio_102

46
Unidade
2 Textos e seus requisitos

Descrição: a descrição pode ser encontrada em qualquer tipo e gênero textual. Através dela é possível
descrever um lugar, um fato ou um personagem de forma a provocar a imaginação do leitor no processo
de compreensão do texto. A estrutura de um texto descritivo é composta de introdução, desenvolvimento e
conclusão, e se utilizam três classes gramaticais: substantivo, adjetivo e locução adjetiva.

“Motivo”, de Cecília Meireles, é um exemplo de texto descritivo.

Motivo

Fonte: https://br.pinterest.com/pin/574631233689417009/

Em sua estrutura há introdução, desenvolvimento e a conclusão. Os adjetivos são variados e as


classes gramaticais exploradas.

Dissertação: A dissertação tem como objetivo apresentar e debater de forma clara opiniões e
argumentos sob o ponto de vista de quem o escreve. Para o desenvolvimento de um texto dissertativo,
é necessário conhecer bem o assunto. A estrutura é composta de introdução, desenvolvimento e
conclusão.

A letra da música “Que pais é este?”, do cantor e compositor Renato Russo, é um exemplo de
texto dissertativo.

47
Unidade
Textos e seus requisitos
2

Que país é este?

Fonte: https://www.letras.mus.br/legiao-urbana/46973/

Exposição: O texto é totalmente neutro e não apresenta opinião, e tem como objetivo expor e
explicar o assunto. Esse formato é comumente encontrado em jornais. A matéria do Jornal do Brasil
a respeito do número de passageiros que usam transporte público é um exemplo de texto expositivo.

48
Unidade
2 Textos e seus requisitos

Exposição

Fonte: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2016/08/12/numero-de-passageiros-que-usam-onibus-como-
transporte-publico-cai-9/

Injunção: A tipologia textual da injunção tem o propósito de orientar o leitor para a execução
de uma tarefa. A injunção é encontrada em textos de dois tipos: instrução ou prescrição. Um manual
de instruções ou uma bula de remédio são exemplos da tipologia textual da injunção prescritiva, pois
a intenção é orientar, guiar, instruir o leitor em uma ação.

Bula de remédio

Fonte: http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmVisualizarBula.asp?
pNuTransacao= 6909012013&pIdAnexo=1750446
49
Unidade
Textos e seus requisitos
2

A tipologia textual da injunção instrutiva apresenta apenas sugestões de como realizar, não é
uma ordem ou regra. Outro exemplo muito comum é a receita de bolo.

Receita de bolo

Fonte: https://br.pinterest.com/pin/537406168016944749/?lp=true

Nesta receita, há uma orientação a respeito da medida, ou seja, usar um copo de requeijão como
parâmetro. Isso pode ser entendido como uma injunção, porém, não quer dizer que para confeccionar
esse bolo seja necessariamente preciso usar um copo de requeijão.

O texto recheado de desejos para alguém encontrado nos cartões também se caracterizam como
do tipo injunção.

Cartão de aniversário

Fonte: Adaptado pela autora.


<https://pixabay.com/pt/dom-fabricado-surpresa-loop-natal-548296/>
50
Unidade
2 Textos e seus requisitos

A mensagem é a orientação de quem enviou: “Desejo que todos os seus sonhos...”

COnCLusãO
Nesta unidade, aprendemos como organizar textos e os requisitos necessários para que ele tenha
qualidade. Além dos requisitos como clareza, linguagem formal concisão, objetividade e correção, um
texto também mostra sua intenção e função conforme a estrutura na qual se apresenta.

Quando nos comunicamos, precisamos ficar atentos a mensagem que desejamos transmitir e
a quem nos dirigimos. O cuidado com a organização de um texto também se limita a sua tipologia,
podendo ele ser uma narrativa, dissertação, exposição ou injunção.

Com o conteúdo que trabalhamos aqui, entendemos que já acumulamos uma razoável bagagem
de conhecimentos que servem de pré-requisitos para a construção de texto de qualidade.

eLeMenTOs COMPLeMenTARes
#LIVRO#
Título: Comunicação nos textos: leitura, produção e exercícios
Autora: Norma Discini
Editora: Contexto, São Paulo: 2017.
Sinopse: “Comunicação nos textos”, da autora Norma Discini, é um ótimo
recurso para quem deseja aprimorar seus conhecimentos e avançar nos
estudos. O livro traz exemplos de textos e faz apontamentos detalhados e
de fácil entendimento a respeito dos tipos de texto e a mensagem que eles
transmitem.

ReFeRÊnCiAs
PLATH, Sylvia. A redoma de vidro. Tradução de Chico Mattoso. São Paulo: Globo, 2014.

SAUTCHUK, I. A produção dialógica do texto escrito: um diálogo entre escritor e leitor interno. São
Paulo: Martins, 2003.

SOUZA, G. T. Introdução à teoria do enunciado concreto do círculo Bakhtin/Velochino/Medvedv.


São Paulo: Humaitas, 2002.

51
Unidade
3

AsPECTOs gRAmATICAIs: lEITuRA


E InTERPRETAçãO DE TExTOs
Professora Doutora Tânia Regina Corredato Periotto

Objetivos de aprendizagem
da unidade
• Entender como o emprego correto dos aspectos gramaticais
favorece a leitura e a interpretação
• Identificar quando utilizar os recursos da pontuação como
suporte para leitura, interpretação de textos e concordância
verbal
• Refletir sobre as diretrizes para análise e interpretação
textual
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

InTRODuçãO
Olá, Aluno(a)!

Quem não deseja empregar corretamente os aspectos gramaticais e interpretar com facilidade
um texto? Com certeza todos nós! Pois bem, nesta unidade, o foco são aspectos gramáticas da leitura
e interpretação de textos. Vamos entender melhor como o emprego correto dos aspectos gramaticais
favorece a leitura e a interpretação que, por sua vez, são aplicados seguindo diretrizes específicas para
cada situação.

Vamos saber também quando utilizar os recursos da pontuação como suporte para leitura,
interpretação de textos e concordância verbal. Por fim, estudaremos as diretrizes para análise e
interpretação textual.

Esse volume de assuntos nos permitirá construir textos de forma correta, sem ferir a gramática.

Ótimo estudo!

1. RECuRsOs DE POnTuAçãO
A pontuação é composta por sinais gráficos utilizados nos registros escritos com o objetivo
de representar características tais como pausa, dúvida, interrogação, exclamação, intenção, ritmo e
emoções de forma geral, entre outras necessidades. São também utilizados para estabelecer limites
sintáticos e unidades de sentido que favorecem a coerência e coesão.

A utilização da pontuação obedece a regras básicas para que a mensagem que se pretende
transmitir, bem como sua estrutura, não fique comprometida.

1.1 Contextualização histórica dos sinais de


pontuação
Os sinais de pontuação também trazem uma história de longa data. Eles têm início nos séculos
XIV e XVII na Europa e surgiram para facilitar a leitura. Nessa época, o hábito de ler não era algo
comum a todos. Os materiais eram escassos e somente privilegiados como os monges, tidos como
sábios, dominavam a leitura, a escrita e a propagação da impressão tipográfica. De acordo com Felisbino
(2013, p. 67), “os primeiros textos escritos surgiram em meados do século XIII. Nesse período, não
havia sistematização da grafia dos vocábulos, e o som e a letra apresentavam uma estreita relação”.

Voltando um pouco mais no tempo, o uso da pontuação já era empregado no Antigo Egito para
o ensinamento de crianças e jovens. A partir de textos poéticos, a pontuação era empregada para
orientar a leitura com relação ao ritmo e a sequência das frases. À medida que a leitura era dominada,
os pontos eram removidos.

Na idade Média, o ponto final, diferentemente do que temos hoje, era utilizado antes do nome
de alguma personalidade com a função de lhe dar destaque.
53
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

1.1.1 utilização da pontuação


Ponto final: Usado para indicar a finalização de um período ou paradas em um texto.

• A menina cai.

• A carta foi entregue.

Notícia

Fonte: http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2017/12/03/a-periferia-por-ela-mesma/

Vírgula: Para o emprego da vírgula, é necessário seguir algumas regras:


1ª- Para separar termos e listas específicas

• No almoço comemos arroz, feijão, bife, salada.


• Os meninos trouxeram bola, dominó, baralho.
• Na cidade podemos encontrar ruas largas, estreitas, calmas, movimentadas.

2ª- Na separação de orações independentes


• Cheguei em casa, guardei o material no armário e descansei no sofá da sala.
• Fui ao centro da cidade, encontrei o endereço do escritório e entreguei o documento
assinado.
• Terminei o projeto da casa, agendei a reunião com o novo cliente e telefonei para
minha mãe.
• Álvaro foi até o hospital acompanhado do médico, do estagiário, do enfermeiro.

54
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

Neste último exemplo acima, é possível observar a presença de três pessoas além de Álvaro:

médico + estagiário + enfermeiro

Se eliminarmos ou deixarmos de inserir a vírgula em uma das partes da oração, ela terá seu
sentido alterado:

Agora temos apenas duas pessoas além de Álvaro, e o sentido da frase foi alterado.

MÉDICO DO ESTAGIÁRIO + ENFERMEIRO

3ª – Antes de conjunções adversativas e conclusivas

Conjunções adversativas
Mas, Porém, Contudo, Todavia, No entanto, Senão, Não obstante, Ainda assim, Apesar
disso, Mesmo assim, De outra sorte, Ao passo que

O uso da vírgula é para separar a oração de um período mostrando que há uma sequência.

Exemplo:
• O doce que comi estava delicioso, mas prefiro salgados.
• Ela tem dinheiro para pagar a conta, porém pediu emprestado para Miguel.
• O aluno entregou o trabalho hoje, senão teria reprovado.

Conjunções conclusivas

assim, então, logo, pois (depois do verbo), por conseguinte, por isso, portanto...

• Marcos trabalhou a noite toda, então terminou o trabalho


• Ana Maria estudou muito para prova, portanto consegui aprovação.
• Julia brincou a tarde toda na piscina, por isso dormiu cedo.

OBSERVAÇÃO

O uso da conjunção POIS, exige um tratamento diferenciado. Ao elaborar uma frase, é preciso
observar seu sentido.

Se ela tiver sentido conclusivo, deve ficar entre vírgulas.

• Ele treinou muito, foi, pois, vitorioso na competição.

55
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

Se tiver sentido explicativo ou de causa a vírgula vem antes.

• Foi vitorioso na competição, pois treinou muito.

Neste texto, que é um trecho da notícia publicada em 03 de dezembro de 2017 na página do G1,
é possível observar o uso da vírgula para separar os períodos.

Matéria de jornal

Fonte: https://g1.globo.com/ro/ariquemes-e-vale-do-jamari/noticia/casal-de-agricultores-colhe-cerca-de-
500-kg-de-castanhas-por-ano-e-doa-parte-para-producao-de-mudas-em-ro.ghtml

Dois pontos: aparece antes de uma citação, fala do personagem ou enumeração. Sugere também
uma pausa.

Vejamos o exemplo na fábula “O cavalo e o burro”, de Monteiro Lobato.

Fábula de Monteiro Lobato

Fonte: https://peregrinacultural.wordpress.com/2009/06/25/o-cavalo-e-o-burro-fabula-texto-de-monteiro-lobato/

O emprego dos dois pontos se deu no momento em que o narrador anunciou a fala do
personagem, o burro.

56
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

• Em certo ponto, o burro parou e disse:

Outro exemplo da aplicação dos dois pontos é quando acontece uma pausa para se dar início a
listagem das cidades. No caso a seguir, trata-se de uma notícia sobre o estado de Goiás, que aderiu ao
feriado em comemoração ao Dia da Consciência Negra.

Notícia da cidade

Fonte:https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:w5TnwH8uKwoJ:https://www.terra.com.
br/noticias/brasil/cidades/confira-lista-de-municipios-que-aderiram-ao-feriado-de-20-de-novembro,-
587fa2e3158f4e83da99849151448e71y6tme92q.html+&cd=10&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

Ponto e vírgula: utilizada na separação de orações coordenadas, sinalizando a necessidade


de uma pausa, mas não o término da frase, pois sinaliza que haverá continuidade. Como exemplo,
podemos observar a lista de objetivos gerais utilizados no desenvolvimento de atividades para educação
física infantil. Ao final de cada um, há um ponto e vírgula, indicando uma sequencia de ações.

Objetivos gerais

Fonte: https://www.cpt.com.br/cursos-educacao-infantil/artigos/educacao-fisica-infantil-objetivos-gerais-e
-objetivos-especificos

Utilizado também para separar os itens de uma lei, decreto, etc., como mostra o exemplo
referente à Constituição brasileira.

57
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

Constituição Brasileira

Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

Ponto de exclamação: aplicado quando o objetivo é indicar surpresa, exaltação ou uma condição
emocional.

Família

Fonte: http://www.lpm-blog.com.br/?p=10034

O ponto de exclamação é utilizado para indicar:


• Entusiasmo: Uau!
• Admiração: Que lindo!
• Surpresa: Nossa!
• Um pedido: Preste atenção agora!
• Uma ameaça: Se não fizer silêncio, já sabe!
• Uma ordem: Feche essa porta!
Em parte do poema “Minha vida”, de Mario Quintana, pode-se observar o emprego do ponto de
exclamação com a intenção de transmitir emoção e sentimento. 

Minha vida

Fonte: https://www.mensagenscomamor.com/frases-de-surpresa
58
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

Ponto de interrogação: Utilizado com a finalidade de indicar um questionamento.

Mudança?

Fonte: http://www.diogosalles.com.br/charges.asp

• Qual é o seu endereço?


• Onde você mora?
• Quantas horas ainda teremos que viajar para chegar ao destino?
Reticências: Sugere uma pausa, que a frase não está completa e algo mais poderia ser acrescentado. 
Serve também para provocar a imaginação do leitor após a suspensão do pensamento no texto.

Exemplos:
• Depois que ouvimos o barulho no telhado ficamos pensando que...
• Após tanto esforço, imaginei que pudéssemos...
• Ele assumiu a culpa, mas... você já entendeu.
Para indicar uma dúvida ou embaraço.

Exemplos:
• Pensei em irmos ao restaurante do centro, mas... eu só pensei...
• Ela pegou... acho que pegou... pegou sim... bem, não posso afirmar.
• Eu vou com você, mas... pensando bem...
Quando se utiliza trechos suprimidos em outro texto:

[...] um conjunto de atividades ordenadas, estruturadas e articuladas para a realização


de certos objetivos educacionais, que têm um princípio e um fim conhecidos tanto pelos
professores como pelos alunos [...] (ZABALA,1998 p.18).

59
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

[...] um local de fácil acesso para encontrar com as crianças organizadas em grupos de
pares. (BORBA, 2005, p. 82).

Travessão: Indica a fala dos personagens em um diálogo.

A raposa e as uvas

Fonte: https://br.pinterest.com/pin/590745676092660499/

Utilizado também para separar as falas dos personagens e do narrador.

Dramatização

Fonte: http://mundinhodacrianca10.blogspot.com.br/2012/11/historia-dona-baratinha-roteiro-para.html
60
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

Aspas: É utilizado quando há necessidade de se introduzir uma palavra no texto ou indicar uma
citação retirada de um trecho de livros ou documento.

Uso das aspas

Fonte: (RIBEIRO, 2009)

“Não há razão para se envergonhar por desconhecer algo, testemunhar a abertura dos
outros, a disponibilidade curiosa à vida, a seus desafios, são saberes necessários à prática
educativa” (FREIRE, 1996, p. 153).

“Cuidado”

Fonte: https://img.buzzfeed.com/buzzfeed-static/static/2015-07/27/10/enhanced/webdr06/enhanced-bu-
zz-30543-1438007399-24.jpg?downsize=715:*&output-format=auto&output-quality=auto

Parênteses: Marca uma informação adicional que foi acrescentada ao texto, podendo ser para
uma explicação, comentário ou detalhe.

• Sobre a reunião: (sem chances) não chegarei a tempo.


• José (ao se levantar da cama) reconheceu a esposa e o filho.
• Os alunos(as) do ensino médio já estão de férias.
• Ana Paula, minha irmã (a caçula da família), foi aprovada no concurso.
• O feriado de 7 de Setembro (Proclamação da Independência do Brasil) foi movimentado
na capital paulista.

61
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

2. AsPECTOs gRAmATICAIs PARA PRODuçãO


TExTuAl: COnCORDÂnCIA VERBAl
A função da gramática é, através de regras, nortear o uso correto e culto da língua. A língua sofre
influência de usos e costumes de uma cultura ou região, mas nem por isso pode-se deixar de aplicar as
normas. Tavaglia (2005, p. 24) traz a seguinte definição:
A gramática é concebida como um manual, como regra de bom uso da língua a serem seguidas
por aqueles que querem se expressar adequadamente. Observando essa conceituação,
percebemos que, para se expressar adequadamente, é necessário ter certo conhecimento das
regras de gramática que auxiliam ao falante para um domínio correto da língua.

Quando chega a escola, o aluno traz consigo uma bagagem cultural adquirida em suas experiências
que não pode ser desprezada. O ensino formal tem como foco o desenvolvimento das competências
desse aluno de forma que ele seja capaz de utilizar os recursos linguísticos adequadamente.

2.1 A concordância verbal como suporte para


leitura e interpretação do texto
“O ensino da leitura e produção textual: alternativas de renovação” é um livro disponível no link
anunciado em “Está na rede”, que traz a contribuição de diferentes autores a respeito do assunto.

Concordância Verbal: Está relacionada com a flexão do verbo para que ele concorde com o
sujeito da frase, acontecendo nos seguintes casos: quando o sujeito é simples ou composto. A flexão
verbal depende do tempo, modo, número e a pessoa, conforme ilustra o quadro:

Presente: Trabalho oito horas por dia.


É o momento em que ocorre
Tempo Passado (pretérito): Raul lavava o carro durante o dia.
a ação.
Futuro: Nós estaremos com o material pronto conforme o cronograma.
Indicativo (certeza) – Eu sei onde está o carro.
Indica a motivação do Subjuntivo (incerteza e não está ligada ao tempo) – Se ele voltar, entrego
sujeito. Os modos são o material.
Modo
Indicativo, Subjuntivo e Imperativo. – Ordem ou pedido, pode ser de forma negativa ou afirmativa
Imperativo. - Agora você vai lavar a louça.
Você não vai mexer nisso.
Mostra se está no singular ou
Dorme tranquilo – singular – Ele/ela
Número plural. Indica se há mais de
Gritaram de dor – plural – Eles/elas
um sujeito.
Eu - 1ª pessoa do singular
Tu - 2ª pessoa do singular
Está relacionada com a Ele - 3ª pessoa do singular
Pessoa
pessoa gramatical. Nós -1ª pessoa do plural
Vós - 2ª pessoa do plural
Eles - 3ª pessoa do plural

Sujeito simples: Consideramos como sujeito simples a frase em que há um único núcleo principal
que comanda a ação. Esse núcleo nem sempre é uma pessoa indicada pelo nome ou pronome pessoal.
Ele pode estar representado por um grupo, um substantivo, um número, etc.

62
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

A concordância verbal se preocupa em relacionar o verbo com o sujeito.

Exemplos:
a) Ana comeu o bolo
Ana é o sujeito – 3ª pessoa do singular
Comeu – verbo – 3ª pessoa – Ela comeu
b) O cachorro está no fundo do quintal.
Cachorro é o sujeito – 3ª pessoas do singular
Está – verbo – 3ª pessoa – Ele está.
c) Todos estão dormindo
Todos é o sujeito – 3ª pessoa do plural
Estão – verbo – 3ª pessoa – Eles estão.
d) Eu fui ao treino domingo.
Eu é o sujeito. – 1ª pessoa do singular
Fui – verbo – 1ª pessoa – Eu fui.
e) Amanhã nós estaremos mais alegres.
Nós é o sujeito – 1ª pessoa do plural.
Estaremos – verbo – 1ª pessoa – Nós estaremos.

Vamos analisar o seguinte texto:

Um telegrama de Goiânia

Fonte: https://acervo.cidarq.ufg.br/index.php/recorte-de-jornal-informa-o-teor-da-mensagem-e-telegrama
-enviado-ao-interventor-do-estado-de-sao-paulo-comunicando-inauguracao-do-monumento-aos-bandei-
rantes-em-goiania-s-l-1942

Quem é o sujeito que recebeu o telegrama?


Quem enviou o telegrama?
63
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

Expressões partitivas: Quando o sujeito se destaca a partir de uma identificação partitiva como:
grande parte, menos da metade, a maior...

Se o sujeito estiver seguido por um pronome ou substantivo, o verbo pode ficar no plural ou
singular.
a) Mais da metade dos pais não vieram à reunião.
b) A maioria da população indígena sofre preconceito.
c) Estivemos visitando a zona rural e grande parte dos agricultores estão/está com
dificuldades.
Quantidade aproximada: A caracterização do sujeito se dá a partir de indicações de quantidade
aproximada como: mais de, menos de, cerca de... acrescida por um número e um substantivo, o
verbo será flexionado de acordo com o substantivo.
a) Mais de vinte crianças foram matriculadas.
b) Cerca de trezentas pessoas compraram o produto.

2.1.1 Aprendendo um pouco mais sobre a


concordância verbal e o sujeito
Aluga-se

Aluga-se Duplex

Duplex é o sujeito que está para


alugar.

Fonte: http://www.fortalplacas.com/img/placa-aluga.jpg

Precisa-se

Qual é o sujeito da frase?

“Precisa-se de poetas”

Sujeito indefinido – “Precisa-se.”

Fonte: http://s3.amazonaws.com/img.iluria.com/product/2E994E/9FBF04/450xN.jpg

64
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

Cuidado

30% dos acidentes acontecem


no ambiente de trabalho

A concordância verbal acorre com o termo


ou expressão explicativa.
Acidentes – (termo explicativo - plural)
Acontecem – eles (os acidentes)

Numeral precedido de um determinante


30% + acidentes = verbo no plural

Fonte: https://www.aplicaplacaspersonalizadas.com.br/uploads/img/220936b09826fd05092726b186c62e-
aa__cd009-cuidado-piso-escorregadio.png

Um ladrão

O policial identificou que mais de um


ladrão se escondia naquela rua.

Mais de um – (singular – “um” ladrão)

Escondia: Ele - singular

Mais de um
Fonte: Pixabay.

Vossa excelência

Se vossa excelência não recebeu os


documentos, pode lhe entregar agora.
Comentou a representante do réu.

Pronome de tratamento – o verbo concorda


com a 3ª pessoas (plural/singular)

Fonte: Pixabay.

65
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

Quem bateu?

Pelo som, parece que foi um homem quem


bateu.

Quem bateu?
O homem
Quem é o homem?
Ele = 3ª pessoa do singular

Pronome relativo Quem – Concordância será


com a 3ª pessoa do singular (Ele/Ela)
Fonte: Pixabay.

Sujeito composto: Como o próprio nome sugere, tem-se mais de um núcleo. A ação é executada
por mais de um sujeito.

Vejamos nesse exemplo:

O gato e o rato

Fonte: https://i.ytimg.com/vi/8I8EnQ583cA/hqdefault.jpg

Temos o Gato e o Rato, ou seja, dois núcleos, e a flexão verbal fica no plural – combinaram

Eles (gato e o rato) combinaram = 3ª pessoa do plural

Mais alguns exemplos:


a. Eu e ela temos certeza da inocência.
Eu e ela = Nós – flexão verbal – temos

b. Pedro e Ricardo sairão pela manhã.


Pedro e Ricardo = Eles – flexão verbal – sairão.

66
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

Sujeito composto anteposto: Quando o sujeito é composto e colocado antes (anteposto) ao


verbo, a flexão ocorre no plural.

Mãe e filha

Fonte: Pixabay.

a. Mãe e filha estão lendo o livro - Elas


b. Mãe e filha gostaram de ler o livro - Elas
Sujeito composto formados por pessoas gramaticais diferentes: Para a concordância verbal,
a 1ª pessoa do plural predomina sobre a 2ª pessoa do plural e da mesma forma para com a 3ª pessoa
do plural.

Regra:
1ª e 2ª pessoa; o verbo fica na 1ª pessoa do plural.
2ª e 3ª pessoa; o verbo fica na 2ª pessoa do plural.
1ª e 3ª pessoa; o verbo fica na 1ª pessoa do plural.

Para melhor entendimento, vejamos o exemplo:

Viagem

Fonte: http://www.ceprojetar.com.br/noticias/ver/147/como-aprender-em-viagens.html

• Vossos pais, ele e eu seguiremos viagem.


Vosso = vós (2ª pessoa)
Ele e eu = nós (1ª pessoa)
(Nós seguiremos –Predomina a 1ª pessoa do plural).
67
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

Vitória

Fonte: Pixabay.

• Tu e ele alcançastes com êxito a vitória.


(Vós alcançastes – Predomina 2ª pessoa do plural).
Tu – 2a pessoa
Ele – 3a pessoa

Ele

Fonte: Pixabay.

• Tio e sobrinhos participaram da maratona de pesca.

(Eles participaram – Predomina a 3ª pessoas do plural)

Sujeito composto posposto ao verbo: Quando o sujeito é apresentado após o verbo temos duas
situações:

1. Verbo no plural - Escreveram

Escreveram em todo material, professor e os alunos.

Dançaram durante todo o evento, presidente e os sócios do clube.

2. Flexão verbal com o núcleo mais próximo – Escreveu (professor é o núcleo mais próximo)

68
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

Escreveu em todo material, o professor e os alunos.

Dançou durante todo o evento, o presidente e os sócios do clube

Sujeito correlacionado com determinadas expressões: o verbo é flexionado no plural quando


há uma correlação entre o sujeito e as expressões: Tanto... como, Não só...mas também...etc.

Meninas e meninos

Fonte: Pixabay.

a) Tanto as meninas como os meninos participaram com muita criatividade.

Doces e salgados

Fonte: Pixabay.

b) Não só os salgados, mas também os doces foram servidos


c) Não só as unhas do pé, mas também as da mão foram cortadas.
d) Na comemoração da empresa, não só os gerentes, mas também os clientes puderam
participar.
Sujeito composto ligado por COM: em uma sentença, quando o COM aparece na função de
conectivo entre os núcleos, o verbo fica no singular.

69
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

Com os primos

Fonte: Pixabay.

a) Jonas, com os primos, foi ao cinema.

Sujeito composto ligado por: Bem como e Assim como: a flexão verbal ficará relacionada com
o 1º elemento da sentença.

Carro ou moto

Fonte Pixabay.

f) O carro, bem como a moto, está pago.


g) As professoras, bem como a diretora, participaram da palestra.
Sujeito composto ligado por OU:
Quando “OU” indica uma exclusão, a flexão verbal fica no singular ou com o sujeito mais
próximo.

Paulo ou Júlio

Fonte: Pixabay.
70
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

h) Paulo ou Julio receberá o prêmio de 1º lugar.

i) Carro ou moto será o presente de Fábio.

Quando “OU” indica uma opção ou outra, a flexão verbal fica no plural.

Praia ou campo

Fonte: Pixabay.

a) Praia ou campo possuem a mesma distância.

b) Casa ou apartamento são ótimas opções de moradia.

Sujeito com núcleo precedido do pronome CADA: a flexão verbal será sempre no plural
quando houver uma sequência de substantivos:

Pesquisa

Fonte: Pixabay.

c) Cada homem, cada mulher, cada criança terão seus direitos garantidos.
Sujeito formado de infinitivo:
Singular - quando o sujeito for um verbo no infinitivo
Plural - quando o sujeito for um verbo antônimo ou determinado

71
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

Dançando

Fonte: Pixabay.

d) Cantar e dançar é uma forma de relaxar.

e) Chá gelado e café quente são bebidas disponíveis.


Para exercitar ainda mais os conhecimentos, confira o que está na rede.

Na concordância verbal, os principais agentes são os


sujeitos. A partir deles é que o verbo desempenha a sua
função. Vamos conhecer mais sobre esse assunto? Acesse o
material “Concordância verbal: sujeito simples e composto”
disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/
concordancia-verbal.htm
Fonte: Duarte, 2017.

Diante do que foi apresentado, pode-se perceber como é importante o domínio das regras
gramaticais. Sendo a concordância verbal uma das regras que norteiam a forma de escrever e falar
corretamente, também tem suas orientações para casos específicos.

Não podemos esquecer que a escrita organizada e a conjugação verbal aplicada de forma
correta tornam o texto harmonioso e não confunde o leitor. Tem-se a certeza de que a mensagem será
interpretada de forma correta.

3. DIRETRIZEs PARA lEITuRA, AnÁlIsE


E InTERPRETAçãO TExTuAl
A leitura e interpretação de um texto requer algumas habilidades do leitor que estão relacionadas
ao pré-requisito de formação escolar. Atrelada a ela, há ainda alguns aspectos que não podemos deixar
de considerar, como a dificuldade de interpretação.

A classificação acontece conforme a estrutura, objetivo e finalidade do texto. Os tipos de texto


são narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo e injuntivo, como já vimos na Unidade 2 deste livro.

Além de identificar o tipo de texto, também precisamos cuidar da leitura e interpretação e ficar
atentos aos seguintes pontos:

72
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

• Raciocínio lógico na organização das ideias do autor.


• Fontes de informação: Quais referências o autor adotou para construir os textos e
organizar as informações, revista, jornal, livro, etc.?
• Processos linguísticos e gramaticais, ou seja, se há lógica em sua aplicação.
A dificuldade de interpretação pode acontecer em razão do próprio texto que não apresenta
estrutura harmoniosa, ideia não explícita, falta de coerência e coesão e aplicação das regras gramaticais.
Também pode ocorrer por incapacidade, falta de motivação e desânimo do próprio leitor.

3.1 Entendendo a diferença entre Compreensão


e Interpretação de texto
Compreensão do texto: Dá-se com base na informação presente e visível no texto. Obedece a
comandos tais como:
• De acordo com (o texto, o autor, o personagem....)
• Conforme o....
• O texto mostra que...
• Segundo o autor...
• Com base no texto....
• Tendo em vista o texto...
Vamos conferir nos dois exemplos a seguir quais as informações que estão explícitas no texto e
que permitem sua compreensão.

Informações

Fonte: http://www.helioteixeira.org/ciencias-da-aprendizagem/teoria-do-desenvolvimento-cognitivo-de-
jean-piaget/

73
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

Informação explícita

Fonte: http://www.santaluzia-online.com/2017/05/no-diario-do-para-ex-prefeito-de-santa.html

3.1.1 Interpretação de texto


Refere-se ao que o leitor inferiu do texto; qual a conclusão que ele tirou. A interpretação se apoia
na subjetividade, ou seja, no que o leitor entendeu. Atende a comandos como:
• O texto permite ao leitor ...
• É possível entender a partir da leitura que...
• Qual a intenção do autor, ao afirmar que....
• Diante do contexto apresentado pode-se deduzir que...

74
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

Subjetividade

Fonte: http://prontopassei.com.br/interpretacao-de-charges-e-tirinhas

O processo de leitura não pode ser entendido apenas com o exercício de decodificar as letras ou
palavras. A leitura exige um esforço maior que inclui estratégias de seleção, inferência, antecipação e
verificação. De acordo com os Parâmetros Curriculares (BRASIL, 1998, p. 69-70), leitura é:
[...] o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação
do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de
tudo que sabe sobre a linguagem etc. Não se trata de extrair informação, decodificando letra
por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de seleção,
antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível proficiência. É o uso desses
procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar decisões
diante de dificuldades de compreensão, avançar na busca de esclarecimentos, validar no texto
suposições feitas.

O estudo de um texto envolve os seguintes processos: análise, síntese e interpretação.

Análise: A análise de um texto requer algumas etapas que ao serem cumpridas conduzirão à
construção de um raciocínio global, ou seja, à compreensão do texto. Essas etapas são: Análise textual,
Análise temática, Análise interpretativa, Problematização e Síntese pessoal.

Análise textual: identificação das características gerais do texto, organizar um esquema


pontuando a introdução, desenvolvimento e conclusão, levantamento de informações sobre o autor,
tipo de vocabulário utilizado, características particulares do estilo do autor.

Análise temática: A análise temática permite identificar o raciocínio do autor com relação
à estrutura lógica do texto e à forma como ele foi esquematizado. É possível também identificar a
evolução das ideias.

75
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

• Qual é o tema/assunto abordado no texto?


• Qual a motivação do autor em construir esse texto?
• Qual a ideia central ou hipótese levantada?
• Quais os argumentos adotados pelo autor na defesa de
sua ideia?
• Se há ideias paralelas, quais são elas?
Fonte: Pixabay.

Análise interpretativa: Quando o leitor é capaz de se posicionar em relação às ideias enunciadas.


Isso exige conhecimento e senso crítico do leitor diante das exposições do autor relacionadas a:

a) Se a argumentação tem coerência;


b) Se os argumentos empregados são válidos;
c) Se o problema foi tratado com originalidade;
d) Se o tema foi estudado com profundidade;
e) Consistência e abrangência das conclusões;
f) Avaliação pessoal a respeito das ideias defendidas
pelo autor.
Fonte: Pixabay.

Problematização: É quando se discute o texto com base na provocação do autor, e os pontos


identificados são de forma implícita e explícita. Esse processo não pode ser confundido com a
problematização identificada pelo autor na definição do tema e o que o levou a escrever sobre o assunto.

Problema

Fonte: Pixabay.

Síntese pessoal: É a elaboração do um novo texto, de forma personalizada e com base no que foi
absorvido.

76
Unidade
3 Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos

Resumindo

Fonte: http://blogdivertudo.blogspot.com.br/2011/05/como-fazer-um-resumo.html

A respeito do assunto tratado nesta unidade, ficou claro que, além da habilidade da leitura, o
conhecimento textual também é entendido como pré-requisito para que o leitor compreenda o texto.
Conhecimento textual se refere ao que o leitor sabe sobre tipologias e estruturas textuais, pois são elas
que irão favorecer a compreensão.

COnClusãO
Ao finalizarmos esta unidade em que os aspectos gramaticais para a leitura e interpretação de
textos foram estudados, nosso olhar fica mais refinado ao manusear um artigo, livro ou jornal e a
interpretar um anúncio ou mesmo pensar na organização de nosso texto.

O uso correto dos aspectos gramaticais garante a consistência da mensagem e a compreensão


de quem a recebe. Além da mensagem e como ela está organizada, também se conhece o seu autor.
Assim, entende-se que produção e interpretação textual não são ações simples, mas exigem esforço e
interesse de quem deseja se destacar no momento de atuar como autor ou leitor.

ElEmEnTOs COmPlEmEnTAREs
#LIVRO#
Título: O ensino da leitura e produção textual: alternativa de
renovação
Autores: Vilson J. Leffa; Aracy E. Pereira
Editora: Educat, Pelotas, Rio Grande do Sul.
Ano: 1999.
Disponível em: http://www.leffa.pro.br/tela4/Textos/Textos/Livros/
Ensino_da_Leitura.pdf
Sinopse: Este livro traz uma coletânea de artigos que contempla
questões referentes à leitura e à escrita. No desenvolvimento de cada
um,é possível entender melhor a importância e necessidade de se
dominar os aspectos gramaticais e como isso irá impactar no seu
modo de elaborar e interpretar textos.
#WEB#
77
Unidade
Aspectos gramaticais: leitura e interpretação de textos
3

O Vídeo “Uso da vírgula: dicas rápidas”, comenta exemplos sobre o emprego da vírgula e
justifica a aplicação. A autora apresenta de forma muito didática e fácil. Acesse e confira!
O vídeo está disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=kTJ0_upUzrc>

REfERênCIAs
BORBA, A. M. Culturas da infância nos espaços-tempos do brincar. Tese de doutoramento. Niterói:
UFF, 2005.

BRASIL. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: língua portuguesa.


Brasília: MEC, 1998

DUARTE, V. M. N. Concordância verbal: sujeito simples e composto. Brasil Escola. Disponível em:
<http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/concordancia-verbal.htm>. Acesso em 27 dez. 2017.

FELISBINO, A. M. O percurso histórico da ortografia da língua portuguesa. Revista Inovação


Tecnológica, São Paulo, v.3, n. 1, p. 67-79, jan./jun. 2013.

FREIRE, A. M. A. A voz da esposa: A trajetória de Paulo Freire. In: GADOTTI, Moacir. Paulo Freire:
uma bibliografia. São Paulo. Cortez: instituto Paulo Freire 1996. p. 69-115.

RIBEIRO, M. B.. Andarilhagens pelo mundo. Paulo Freire no Conselho Mundial de Igrejas – CMI
- São Leopoldo 2009 - Tese de Doutorado – Escola Superior de Teologia Instituto Ecumênico de Pós-
Graduação em Teologia.

ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Trad. Ernani F. da Rosa – Porto Alegre: ArtMed,
1998.

78
Unidade
4

PRODuçãO De TexTOs e sua


linguagem aCaDêmiCa
Professora Doutora Tânia Regina Corredato Periotto

Objetivos de aprendizagem
da unidade
• Conhecer os tipos de conhecimento que envolvem a leitura
e a escrita e como elaborar um fichamento ou resumo
• Conhecer a estruturação de um texto acadêmico e as
etapas de como organizá-lo
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

inTRODuçãO
Olá, Aluno(a)!
Nesta unidade estudaremos a produção de textos e sua linguagem. O objetivo é explorar os tipos
de conhecimento necessários para a estruturação de textos acadêmicos.
O direcionamento dos estudos está em identificar os tipos de conhecimento encontrados nos
textos. Aprenderemos sobre os tipos de conhecimento que envolvem a leitura e a escrita e como
elaborar um fichamento ou resumo.
Para completar a temática proposta nesta unidade, também teremos oportunidade de conhecer
a estruturação de um texto acadêmico e as etapas de como organizá-lo. Cabe destacar que, a todo
momento, o conteúdo trabalhado nas unidades anteriores será utilizado aqui.
Estamos certos de que seu empenho e dedicação serão evidenciados nos resultados ao final dos
estudos.
Sucesso!

1. DesenVOlVenDO a leiTuRa e esCRiTa


A redação de um texto não é algo simples, independentemente de quem seja o autor, escolarizado
ou desprovido de algum de letramento. Não há uma receita básica para que se possa seguir e ao final
o resultado seja concebido um ótimo texto. O que se tem são estratégias de leitura e escrita que podem
oferecer suporte para quem pretende escrever. Vamos conhecê-las!

1 estratégias de leitura e escrita


Ao observamos a ilustração “Vendo o pôr do sol”, o texto é curto, muito simples, sem a
necessidade de tantos requisitos gramaticais. Ao elaborar a placa, o garoto registrou sua intenção. Para
quem passava pelo local e não tinha conhecimento dessa intenção, o texto causou duplo entendimento
e confusão na interpretação.

Vendo o pôr do sol

Fonte: http://www.expandirtdrh.com.br/tirinhas/comunicacao2
80
Unidade
4 Produção de textos e sua linguagem acadêmica

O que faltou na elaboração do texto para o cartaz foi o uso de estratégias tais como o conhecimento
linguístico que envolve a grafia correta, acentuação, pontuação adequada, concordância verbal e tantos
outros recursos que norteiam a língua escrita e falada.

Além do conhecimento linguístico que impede situações embaraçosas com a da ilustração,


pode-se contar também com o conhecimento específico e enciclopédico. Esse conhecimento se refere
ao que foi acumulado ao longo das experiências vividas e estão guardados da memória.

1.1.1 Conhecimentos que envolvem a leitura e


escrita
Conhecimento linguístico: Se refere ao conhecimento gramatical e lexical. Ao organizar um
texto, o autor aplica as regras do sistema gramatical em conformidade com a língua falada e faz uso de
seus conhecimentos básicos da língua.

Vamos entender melhor estudando alguns exemplos:

Cortar os pulsos

Fonte:https://www.emaze.com/@ATTRORRO/Aula-3---Reda%C3%A7%C3%A3o-
Empresarial---Comunica%C3%A7%C3%A3o-Oral-e-Escrita-copy1

O significado de pulso para os funcionários não é o mesmo de quem deu a ordem. Observe que
toda a equipe entendeu da mesma forma, diferente da intenção de quem se manifestou.

81
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

Pulso Pulso telefônico

Pulso telefôniCo é diferente de Pulso (Punho)

Fonte: Pixabay. Fonte: Pixabay.

Sentido da vida

Fonte: https://br.pinterest.com/camilaraujor/inspira%C3%A7%C3%A3o/

O sentimento de gratidão referente à vida tem entendimento e representação diferentes para


os dois personagens. O primeiro (cabelos longos) entende a vida por estar vivo e não associada a
bem materiais e condição de poder econômico. A manifestação do segundo personagem é totalmente
contrária. Para ele, sentir-se agradecido pela vida depende de carro, casa, etc.

Conhecimento enciclopédico ou conhecimento de mundo: Tem como base as experiências


gerais e o conhecimento adquirido a partir das vivências pessoais, musicais, históricas, temporais, etc.

Vamos para um outro exemplo que envolve o emprego da palavra “rolar”.

82
Unidade
4 Produção de textos e sua linguagem acadêmica

Rolando um som

Fonte: http://monografias.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-leitura-na-sala-aula-uma-proposta-trabalho
-com-genero-tira.htm

A ideia do Menino Maluquinho com relação a “rolar um som” foi na perspectiva de possibilidade
de ter música na festa. Para Bocão, “rolar um som” foi entendido como lançar o aparelho de som
escada abaixo.

O termo “rolar”, no caso do exemplo, é utilizado em diálogos informais, entre grupos sociais
específicos, entre jovens de diferentes classes social e cultural.

Relação virtual

Fonte: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2014/2014
_unicentro_port_pdp_margarete_brugnerotto_balbinoti.pdf

O conhecimento de mundo e o intenso uso dos recursos tecnológicos, que muitas vezes têm
limitado as relações pessoais a interações virtuais, permite a interpretação da mensagem como no
exemplo dado acima, quando um personagem pergunta:

- O que é isso amigão?

Em resposta, o outro personagem que segura uma variedade de ícones referentes às redes sociais,
sites de buscas e outros aplicativos, anuncia o significado de cada um:
83
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

- Minha família, igreja, turma...

O acesso à Internet e uso de recursos tecnológicos está presente em nosso cotidiano. Com base
no conhecimento enciclopédico ou de mundo, é possivel associar as informações apresentadas na
ilustração e interpretar a mensagem.

Conhecimento interacional: Envolve a interação dos diferentes conhecimentos adquiridos


e permite ler nas entre linhas a fim de perceber as intenções do autor. Apresenta informações
adequadas ao gênero textual e usa ações linguísticas especiais para que seja compreendido. Engloba os
conhecimentos locucional, comunicacional, metacomunicativo e superestrutural.

Nos exemplos a seguir, teremos oportunidade de entender melhor o significado desses outros
conhecimentos que dão suporte ao conhecimento interacional.

Conhecimento interacional locucional

Difícil de notar

Fonte: https://webtudo.net/35-tirinhas-engracadas-para-voce-se-divertir/

A mulher geralmente quando vai ao salão sempre pede para cortar o mínimo possível dos
cabelos. Quando chega em casa, tem a expectativa de que o marido perceba que ela foi ao salão e
que cortou o cabelo. No exemplo, fica nítido o apego pelo tamanho do cabelo e que o corte será
impercebível. O marido, conhecendo a esposa, fica aflito por não ter percebido o “corte” de cabelo.

Ter filhos

Fonte: http://gravidez.online/tirinhas-ter-filhos-sucesso-web/

84
Unidade
4 Produção de textos e sua linguagem acadêmica

Neste exemplo, há a representação do contexto real das famílias. Quando se é jovem e sem filhos,
durante o período de férias, a possibilidade de diversão e passeios com amigos é grande. Quando se
têm filhos, os pais não têm tempo de tirar férias, e ficar sozinho durante o banho já é o bastante para
se sentirem “de férias”, ou seja, sem os filhos. É possível entender a intenção do autor mesmo que não
tenha declarado no formato de texto.

Conhecimento interacional comunicacional: Nos dois exemplos a seguir, é possível encontrar


informações e detalhes relacionados ao contexto e que foram utilizados pelo autor para subsidiar a
interpretação do leitor.

Complicando o caso

Fonte: http://www.otempo.com.br/charges/charge-o-tempo-31-05-1.655615

Notícia

Fonte: http://www.otempo.com.br/cidades/o-recome%C3%A7o-ap%C3%B3s-o-temporal-1.1551477

Conhecimento interacional metacomunicativo: Apoia-se no uso de sinais de articulação e ações


linguísticas especiais como parênteses, aspas, realce, etc., para destacar a mensagem.
85
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

No exemplo referente à preferência de Dona Anésia, está a expressão “CRECK!” com a intenção
de demonstrar o desprezo por aquele programa em específico, e que ela não usa o livro como forma de
entretenimento opcional ao programa ruim, mas para fisicamente acertar a televisão.

Quando eu não gosto

Fonte: https://webtudo.net/35-tirinhas-engracadas-para-voce-se-divertir/

“Uffa, que sorte!” A letra “F” repetida e o sinal de exclamação apontam para o alívio do aluno
diante da professora.

Expressão

Fonte: http://habbocheatshelp.blogspot.com.br/p/tirinhas-engracadas.html

O uso de aspas teve como propósito destacar a palavra “hipocrisia” como forma de evidenciar a
insatisfação do Primeiro Ministro israelense diante da acusação da Europa.

Usando aspas

Fonte: http://www.otempo.com.br/capa/mundo

86
Unidade
4 Produção de textos e sua linguagem acadêmica

Conhecimento interacional superestrutural: permite a identificação dos diferentes tipos de texto


e seus objetivos.

No exemplo a seguir, a intenção do autor é informar sobre a previsão do tempo de 2ª a 5ª feira,


como estará a temperatura máxima e mínima. Além do texto, são utilizadas ilustrações para facilitar
o entendimento.

Previsão do tempo

Fonte: http://www.otempo.com.br/mais/tempo

Uma bula de remédio apresenta o produto, forma de uso, composição, indicação e contraindicação.
Ao recorrer a esse tipo de documento, o leitor sabe que encontrará somente esse tipo de informação e
que conterá temos específico da área.

Bula de remédio

Fonte: https://www.slideshare.net/ma.no.el.ne.ves/a-bula-de-remedio

De acordo com Koch e Elias (2010), ao construir um texto, o autor organiza seu conhecimento
linguístico com um objetivo específico, ou seja, o conhecimento histórico e cultural adquirido em suas
experiências. Essa fusão resulta no conhecimento interacional.
87
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

O conhecimento interacional do autor é que conduz a estruturação do texto, o uso deste ou


daquele recurso linguístico, gênero textual, vocabulário, etc. Todo esse movimento permite ao autor
anunciar e compartilhar com o leitor o seu conhecimento.

2. ORganiZanDO e RegisTRanDO a leiTuRa


A construção de um documento escrito é um registro. Independentemente do tema, esse
exercício se faz com base em informações.

A esse respeito, Cellard (2008, p. 295) faz a seguinte contribuição:


[...] o documento escrito constitui uma fonte extremamente preciosa para todo pesquisador
nas ciências sociais. Ele é, evidentemente, insubstituível em qualquer reconstituição
referente a um passado relativamente distante, pois não é raro que ele represente a quase
totalidade dos vestígios da atividade humana em determinadas épocas. Além disso, muito
frequentemente, ele permanece como o único testemunho de atividades particulares
ocorridas num passado recente.

Essas informações são originárias de diferentes fontes estabelecendo a credibilidade do


documento elaborado e o esforço empregado para tal objetivo.

2.1 Formas de registro e organização


da informação
Uma forma de organizar e registrar informações levantadas e que serão utilizadas posteriormente
para a construção de um texto é o fichamento.

Atualmente, os fichamentos são realizados utilizando um computador e o editor de textos. Os


arquivos são armazenados em pastas que podem ser facilmente acessadas.

A formatação básica utilizada de acordo com o padrão das Normas da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) é a seguinte:

• Tipo Fonte (letra): Arial


• Tamanho da Fonte (letra): 12
• Espaço entre Linhas: 1,5 cm
• Margens Esquerdas e Superiores: 3 cm
• Margens Direitas e Inferiores: 2 cm

88
Unidade
4 Produção de textos e sua linguagem acadêmica

Formatação

Fonte: http://rabiscando.com/wordpress/2010/03/cuide-da-sua-vida/

O fichamento é uma técnica de estudo particular utilizada por aqueles que desejam aprimorar
seus conhecimentos e organizá-los por área. Acadêmicos e pesquisadores utilizam esse recurso para
fundamentar seus trabalhos, embasados em citações.

Quando se organiza o fichamento de um livro, por exemplo, é possível deixar registrado os


dados da obra: autor, título, edição, cidade, editora e ano. Quando o material utilizado for consultado
online, ou seja, na internet, devem ser acrescentadas as informações sobre o endereço eletrônico e a
data de acesso ao documento.

PETROCCHI, Mario. turismo: planejamento e gestão. 2. ed. São Paulo: Prentice Hall,
2009.

OLIVEIRA, Dilson C. Manual Como elaborar Controles financeiros. Belo Horizonte:


SEBRAE/MG, 2013. Disponível em:
<http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/47A3FD6ADC6D19020325714006C9B68/$File/
NT000AF76E.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2015.

Esses dados compõem a referência bibliográfica, ou seja, a fonte de onde a informação foi
retirada.

É comum os acadêmicos manusearem materiais sem a preocupação de organizar e registrar em


uma ficha as informações que foram utilizadas na construção de seu trabalho, e depois lembram disso
somente quando estiverem na seção de referências bibliográficas ou quando o professor questionar
qual é a fonte.

89
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

Para descontrair!

Trabalho de conclusão

Fonte: http://www.praticadapesquisa.com.br/2010/11/orientacao-no-tcc-primeira-parte.html

Os fichamentos, quando ainda eram confeccionados a mão obedeciam ao seguinte formato:

Fichamento

Fonte: http://wwwgeozine.blogspot.com.br/2010/06/atividade-desenvolvida
-como-exigencia_18.html

A estrutura depende do tipo de fichamento que se pretende fazer. Em todos eles, a indicação da
autoria, título da obra, local de publicação, editora e ano de publicação são obrigatórios. Esta ordem de
informações já está de acordo com as normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Vamos conferir o exemplo:

90
Unidade
4 Produção de textos e sua linguagem acadêmica

COSTA VAL, Maria da Graça. redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

Vamos conhecer os tipos de fichamento!

fichamento bibliográfico: Consiste em documentar os materiais e os tópicos que eles


contemplam. Isso facilita e otimiza o tempo de quem busca as informações. No exemplo, é possível
observar que as informações apresentadas são nome do autor, título da obra, edição, cidade, editora
e o ano da publicação exatamente nessa ordem, seguindo o que pede o padrão estabelecido pelas
normas da ABNT.

referência:
LIBANIO, João Batista. A arte de formar-se. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

fichamento de conteúdo: Apresenta de forma abreviada a ideia central de um texto ou aula.


Como se trata de um resumo rápido que servirá de suporte, não exige regras específicas de formatação.

Referência:

LIBANIO, João Batista. A arte de formar-se. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

A formação do profissional da Educação...........

fichamento de citações: Em um fichamento de citações, assim como os demais tipos, nas


informações relacionadas à fonte de informação necessitam aparecer: autor, título, editora, local e ano
de publicação.

O trecho extraído do livro fica entre aspas, indicando que é uma cópia fiel da fala do autor,
seguido do ano da obra e da página.

referência:

LIBANIO, João Batista. A arte de formar-se. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

“Formar-se é tomar em suas mãos seu próprio desenvolvimento e destino num duplo
movimento de ampliação de suas qualidades humanas, profissionais, religiosas e de
compromisso com a transformação da sociedade em que se vive [...] é participar do
processo construtivo da sociedade [...] na obra conjunta, coletiva, de construir um convívio
humano e saudável” (LIBANIO, 2001, p. 13-14).

Local: Biblioteca xxxx

A utilização desse recurso de fichamento de citações abrevia o trabalho, pois durante sua
elaboração já se consegue organizar as ideias de como construir o texto e evita o retrabalho e a repetição.

91
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

Ainda sobre fichamentos e mais informações sobre como


organizar e registrar o que você leu, acesse o material
disponível em: https://viacarreira.com/fichamento-para-tcc-
como-fichar-artigos-e-livros-235810/
Fonte: Moretti, 2016

2.1.1 Resumindo a informação: tipos de resumo


o resumo é a forma de expor em poucas palavras a ideia do autor. Sua construção exige
habilidade de leitura, pois se limitará a apresentar apenas as ideias mais relevantes. É importante, antes
de iniciar um resumo, realizar a leitura minuciosa do texto, destacando a ideia principal. Durante
essa leitura, será possível reconhecer o gênero textual adotado pelo autor e perceber como acontece a
articulação e o desenvolvimento lógico das ideias no texto. Outro ponto importante é o de reconhecer
os recursos adotados para construção do texto.

Seguindo essas orientações, e aproveitando tudo que já estudamos até aqui, não será difícil
elaborar um resumo.

São três os tipos de resumo: Indicativo ou Abstract, Informativo ou Summary, Resumo Crítico.

Resumo Indicativo/Abstract: Não apresenta dados quantitativos ou qualitativos. Indica apenas


os pontos principais do texto. Organizado em parágrafo único com tamanho de 50 a 100 palavras para
comunicações, de 100 a 250 palavras para trabalhos de conclusão de curso e artigos e de 150 a 500
palavras em dissertações, teses e relatórios técnicos.

GESTÃO DA PRODUÇÃO INTELECTUAL PARA DISSEMINAÇÃO DO


CONHECIMENTO Tania Regina Corredato Periotto, Jeferson Monteiro
No âmbito acadêmico há um grande volume de conhecimento construído sobre os alicerces
da grade curricular de um curso cujo valor enquanto produção intelectual a cada ano
aumenta. Atrelado a isso, tem-se também a motivação e empenho do professor e o desejo
do aluno que busca um diferencial. Por sua vez, além dos limites do espaço acadêmico, está
a sociedade que no seu processo evolutivo se depara com situações problemas que atuam
como barreira para um desenvolvimento pleno ou que apontam como possibilidades
emergentes. Acredita-se que a proposição e implementação deste mecanismo de busca
configurado como solução tecnológica cuja base de dados se constituirá dos melhores
resultados da produção intelectual elaborada em todos os níveis de uma Instituição de
Ensino Superior, ficando disponível estrategicamente para acesso on-line, muito tem a
contribuir. Desta forma, entende-se que essa produção intelectual quando compartilhada,
ultrapassará os limites da comunidade interna que a gerou e deixará de servir o que muitas
vezes acontece, de cumprir protocolos de seus cursos. Abre-se então uma porta mais
ampla para a disseminação do conhecimento num processo de devolução a comunidade.
Por outro lado, a ferramenta também proporcionará a Instituição de Ensino Superior um
panorama real e atualizado se seu papel na formação de profissionais com qualidade e o
volume de Capital intelectual que ela movimenta.
CORREDATO, T. R.; MONTEIRO, J. S. Gestão da produção intelectual para disseminação
do conhecimento. Caderno de Administração, v. 24, p. 53-65, 2016

92
Unidade
4 Produção de textos e sua linguagem acadêmica

Resumo Informativo/Summary: Oferece informações referentes ao objetivo, metodologia


adotada e os resultados alcançados. Ao ler esse tipo de resumo, as informações já são suficientes para
que o leitor tenha conhecimento do que se trata o restante do material, geralmente utilizado para
publicação em anais de eventos. Seu tamanho pode corresponder a até 20% do trabalho todo.

Resumo Crítico ou resenha: Não possui limite de palavras e aceita contribuições sobre o ponto
de vista do leitor referente às ideias do autor. Geralmente é construído por um especialista no assunto.

3. O TexTO aCaDêmiCO
3.1 Conceituando texto acadêmico
Cada tipo de texto tem seu estilo e características particulares. Esses sinais nos orientam a
entender qual é o seu propósito. Em um texto acadêmico, a linguagem utilizada é objetiva e formal. As
ideias são organizadas com a finalidade de construir conhecimento baseado na pesquisa e investigação
fundamentada. Exige reflexão e questionamento a respeito do que se defende.

De acordo com Viegas (1999, p. 171) em um texto acadêmico, “[...] busca-se, antes, a objetividade
e a isenção do autor, bem como sua fidelidade ao fato, a descrição pura e simples, a neutralidade, sem
posicionamentos subjetivos, ideológicos ou éticos.”

Segue uma padronização de estrutura e formatação de estilo de letra, tamanho, espaçamento,


seção de títulos e assuntos. Pode ser apresentado em diferentes formatos como resumos, resenhas,
artigos, monografias, dissertações, etc.

3.2 estruturação de texto acadêmico


Um texto acadêmico é organizado com o objetivo de estudar e discutir um assunto. Por ser
acadêmico, geralmente está relacionado com o curso ou área de estudo. Sua estrutura é composta de:
introdução, fundamentação e conclusão.

introdução: é nesta parte do texto em que a ideia central é apresentada, demonstrando onde se
deseja chegar ou o que alcançar. O ponto de chegada é o objetivo. Aparece na introdução os limites de
sua pesquisa ou investigação, ou seja: onde e qual o público envolvido. De forma abreviada, ainda na
etapa introdutória, o autor menciona superficialmente qual foi a metodologia adotada e a motivação
por investir esforços nessa atividade.

Vamos analisar os exemplos a seguir!

Metodologia
Já referente à abordagem, esta pesquisa se enquadra como qualitativa, considerando o
objetivo proposto e o público investigado. A pesquisa qualitativa, segundo Turato (2005),
é um estudo não estatístico, que identifica e analisa os dados de difícil mensuração. Entre
eles estão os sentimentos e sensações que podem explicar determinados comportamentos.

93
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

Limite da pesquisa
O universo de estudo está limitado ao 1º semestre do curso de Pedagogia do Centro de
Ensino Superior de XXXX, período noturno especificamente ao grupo de quarenta e cinco
alunos que frequentam a disciplina de Empreendedorismo na Educação que compõe a
grade curricular.

Objetivo
O objetivo aqui é o de apresentar as características do perfil empreendedor do profissional
da educação e como ele pode impactar no desempenho de sua função em sala de aula e
construção de estratégias e adoção de metodologias para ensinar.

Justificativa
A exploração deste assunto encontrou sua justificativa na grande movimentação financeira
que o empreendimento exige e, na necessidade de minimizar os riscos, auxiliando na
tomada de decisão, além de possibilitar ao gestor o controle individual da movimentação
financeira da pessoa física da e da jurídica, referente as entradas e saídas dos recursos e a
geração de relatórios de gestão

Esse esforço está relacionado com o tema da pesquisa e não com as particularidades do
acadêmico.

Ela não deve ser longa e conter chavões.

Ao iniciar a introdução, tome o cuidado de preparar o leitor para o assunto oferecendo


informações a respeito do contexto geral, mas não muito distante do tema central. Escreva de forma
impessoal e evite períodos muito longos. Não se esqueça dos elementos gramaticais.

Entendi tudo

Fonte: http://tccbrasil.blogspot.com.br/2011/03/como-citar-legislacao-em-monografia.html

94
Unidade
4 Produção de textos e sua linguagem acadêmica

fundamentação: É quando ocorre a exposição das ideias fundamentadas sob o ponto de vista
de autores que já investigaram sobre o assunto. Também conhecida como fundamentação teórica ou
revisão bibliográfica. É a seção do texto em que são apresentados os conceitos, definições, afirmações
e negações com base na fala do autor da literatura consultada.

exemplos:
Dolabela (2003, p. 25), destaca que o “[...] empreendedor é aquele capaz de estudar e
identificar oportunidades a partir de um sonho estruturante”. No que se refere ao aluno
no período de sua formação profissional, ainda na escola, Souza et al. (2004) afirmam que:

Desenvolver o perfil empreendedor é capacitar o aluno para que crie, conduza e implemente
o processo de elaborar novos planos de vida. A formação empreendedora baseia-se no
desenvolvimento do autoconhecimento, com ênfase na perseverança, na imaginação, na
criatividade, associadas à inovação (SOUZA et al., 2004, p. 4).

Delors (2010, p. 141) destaca como norte para a educação do séc. XXI que “[...] aprender
a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.”

Para fins de comprovação a respeito da veracidade do conteúdo construído, as referências


de onde a informação foi tirada são informadas de acordo com as com as normas da ABNT para
elaboração de trabalhos científicos.

Os parágrafos devem ter uma relação harmoniosa e o texto construído com coesão e coerência,
respeitando as normas cultas da gramática.

Exemplos:
de acordo com Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2016) no relatório sobre o
empreendedorismo no Brasil 2016, pode-se encontrar alguns apontamentos relacionados
a esse assunto. Este relatório foi organizado por cinco renomadas escolas de administração,
o Babson College, dos EUA, a London Schoolof Business, da Inglaterra, a Reino Unido
Tecnológica de Monterrey do Reino Unido, Universidad Del Desarrolho, no México e
Chile University Tun Abul Razak na Malásia, e realizado em 65 países em 2016.

segundo Hisrich e Peters (2004), empreendedorismo é o processo dinâmico de criar


algo com valor independendo se o produto ou serviço não seja novo ou único. em
complemento a essas ideias, Dolabela (2008) defende que o empreendedor é alguém que
sonha e busca realizar. Tem características intrínsecas como iniciativa e criatividade.

Para Delors (2010), quando destaca os pilares para a educação, fica o desafio que está em
como articular o educar para o empreendedorismo e qual a melhor forma de se fazer isso
considerando que ser empreendedor é ser autor de sua própria vida inserida na sociedade.
em consonância com essas ideias, Dolabela (2004) argumenta que atuando como agente
de transformação: [...]

Deve-se evitar repetições de palavras e escrever pormenorizando. Os exemplos devem ser breves
e alinhados com o tema.

95
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

Usar corretamente os conectivos e de forma diversificada deixa o texto harmonioso e facilita a


leitura. Vamos conferir alguns exemplos:

Conectores

Fonte: https://cenpsg1.wordpress.com/lingua-portuguesaliteratura/

Conclusão: É o fechamento das ideias levantadas no texto com a apresentação de uma solução
ou resultado. Nessa parte, o ponto de vista do autor tem maior visibilidade.

A conclusão não precisa ser longa, pois entende-se que nas partes anteriores o assunto já foi
esgotado. O objetivo é elencar as contribuições alcançadas com o estudo e deixar sugestões para que
outras pessoas possam dar continuidade a pesquisa.

exemplo:
O profissional da educação, quando busca por aperfeiçoamento, se incomoda e anseia
por formas diferentes de ensinar, se motiva em utilizar ferramentas diversificadas para
alcançar todos os alunos da turma que a ele foi confiada, está empreendendo.
Cabe destacar que a prática da feirinha do empreendedor foi muito válida e fica aqui a
motivação para outros professores, principalmente os que atuam no curso de Pedagogia,
para que invistam em seu potencial criativo e empreendam na elaboração de aulas que
favoreçam o desenvolvimento social dos futuros educadores.

96
Unidade
4 Produção de textos e sua linguagem acadêmica

Evite clichês como “concluindo, em resumo, terminando”. Outro cuidado a ser tomado é a
apresentação de novas informações que não estão presentes no desenvolvimento do texto.

Usando clichês

Fonte: https://tirasarmandinho.tumblr.com/post/156275423014/tirinha-original

Ao concluir um trabalho, não se esqueça de demonstrar no texto que os objetivos propostos na


introdução foram alcançados e que a metodologia adotada foi ideal para essa situação.

COnClusãO
A produção de um texto acadêmico não é algo simples que pode ser feito de qualquer jeito. Os
elementos gramaticais são essenciais para a produção textual de qualidade e compreensão por parte
do leitor.

O uso equivocado de uma palavra ou falta de conhecimento dos diferentes tipos de textos e seus
objetivos podem comprometer a mensagem tanto na perspectiva de quem elaborou o texto quanto de
quem o leu.

No caso específico de um texto acadêmico, se o autor não tiver domínio das regras gramaticais
e de como aplicá-las, terá dificuldades em desenvolvê-lo.

Quando se trata do texto acadêmico, além da regência gramatical, há condições personalizadas


tais como as normas da ABNT. Toda e qualquer definição, afirmação ou negação necessita apresentar
a referência bibliográfica usada como fonte.

Estamos finalizando nossos estudos, e com certeza avançamos muito. Nesta unidade tivemos a
oportunidade de aprender o que é um texto acadêmico e quais a diretrizes para a sua construção.

Sucesso e muito êxito nos estudos!

97
Unidade
Produção de textos e sua linguagem acadêmica
4

elemenTOs COmPlemenTaRes
#liVro#

título: Metodologia do trabalho científico


Autor: Antônio Joaquim Severino
editora: Cortez, 23ª edição, São Paulo
Ano: 2007.
sinopse: Neste livro, o autor apresenta as etapas e a formatação de
acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a elaboração de todo
tipo de texto. Além de modelo que ilustra o assunto, há também explicações detalhadas.
Não deixe de ler. Vale a pena e está disponível para download em:
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3480016/mod_label/intro/SEVERINO_
Metodologia_do_Trabalho_Cientifico_2007.pdf

#WeB#
O texto “Sobre textos acadêmicos, plágio e referências” de Carvalho (2012) apresenta
dicas interessantes sobre a construção de textos acadêmicos. São várias informações que
somarão ao que você já sabe. Isso facilitará na hora de construir seus textos. Acesse e leia,
você vai gostar!
Disponível em: http://ricardoartur.com.br/cultura/2012/05/02/sobre-texto-academicos

ReFeRênCias
CELLARD, A. A análise documental. In: POUPART, J. et al. A pesquisa qualitativa: enfoques
epistemológicos e metodológicos. Petrópolis: Vozes, 2008.

KOCH, I. V., ELIAS, V. M. ler e escrever: estratégias de produção textual. 2. ed. São Paulo: Contexto,
2010.

VIEGAS, W. fundamentos de Metodologia Científica. Brasília: Editora da UNB, 1999.

98

Você também pode gostar