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Quantas vezes já ouvimos falar sobre ser um vaso novo?

Quantas vezes você já cantou essa canção, dizendo que deseja ser um vaso novo?

De onde surgiram essas belas palavras?

Bom, elas fazem parte de um famoso hino de louvor a Deus, e creio que este hino foi
extraído ou inspirado através de uma conversa que o Senhor Deus teve com o profeta
Jeremias.

No livro do profeta Jeremias, capítulo 18, Deus usa uma forma simbólica para
demonstrar como deve ser o seu relacionamento com o homem, abaixo transcrevo parte
do texto:
Jr 18.1-6

1 A palavra do Senhor, que veio a Jeremias, dizendo: 2 Levanta-te e desce à casa do


oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. 3 E desci à casa do oleiro, e eis que ele
estava fazendo a sua obra sobre as rodas. 4 Como o vaso que ele fazia de barro se
quebrou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem
aos seus olhos fazer. 5 Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 6 Não poderei
eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz o Senhor; eis que, como o
barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. (versão Almeida
revista e corrigida)

Em primeiro plano, é necessário que nós entendamos quem são os personagens


descritos no texto. Na aplicação histórica do texto “Deus” é o oleiro; “Toda a nação” é o
barro, e “Jeremias” é o porta-voz de Deus. Vamos procurar nos ater apenas a aplicação
espiritual do texto.

O que pode nos chamar a atenção no texto, é que Deus é o oleiro.

Mas se Deus é o oleiro, por que há necessidade de fazer e refazer o vaso?

O oleiro em questão não é perfeito?

Sendo esse oleiro perfeito, então por que o vaso não suportou ser trabalhado nas suas
mãos? Seria esse barro de má qualidade?

Vamos ao texto!

Jr 18.4, diz que o oleiro estava tendo toda a atenção necessária sobre a sua obra; veja
que o vaso quando se quebrou, não estava longe do oleiro, mas sim, bem perto dele, em
suas próprias mãos. Ao quebrar-se o vaso, o oleiro imediatamente refaz o vaso,
conforme lhe agradara.

A explicação sobre o texto é realmente simples, mas precisamos pensar nos seus
pormenores. Com certeza existe algo de muito significativo que ainda não observamos,
veja: Quando vaso de barro se quebrou, o oleiro teve que amassar o barro para uma
nova tentativa de construção. Mas o que leva qualquer oleiro a desmanchar o vaso de
barro e fazê-lo novamente? No caso de um oleiro qualquer, talvez sua obra teria ficado
fora do esperado, por conta de uma imperfeição do próprio oleiro; porém, esse oleiro do
texto (Jr 18.6), é um oleiro perfeito! O refazer do vaso não é uma conseqüência de
incapacidade do oleiro, mas sim, creio que seja culpa da má qualidade do barro;
imaginemos um ótimo oleiro tendo de trabalhar com uma matéria-prima de péssima
qualidade[...] No caso de um vaso de barro, o material deve ser maleável, fácil de
trabalhá-lo, pois o barro deve ir se ajustando conforme a necessidade do oleiro; o barro
deve ser macio; sem impurezas que venham a comprometer a durabilidade do vaso; o
barro não pode ser inconsistente, não pode ser “lama” nem pode ser “pedra”, ele deve
ser um barro puro e equilibrado, para que o oleiro se agrade em trabalhar com esse
barro. Lembre-se de que havendo impurezas no meio do barro, o oleiro corre um sério
risco de ferir suas mãos. Essa é a difícil relação profissional entre o barro e o oleiro. No
entanto, não queremos ser analistas profissionais, queremos sim, ser analistas bíblicos e
espirituais.

Caro amigo, você lembra das frases iniciais desse texto?

Vale a pena conferir!

Ela diz assim: Eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro, quebra
minha vida e a faça novamente, eu quero ser! Eu quero ser...um vaso novo! (?)

Que tal? Você deseja ser um vaso novo nas mãos do oleiro?

Ou como quase toda a multidão de “crente”, você apenas canta sem saber o que está
dizendo? Você apenas louva a Deus, como se atendesse a um estranho por telefone,
fazendo uso de palavras técnicas? Ou ainda há amor no louvor que você entoa a Deus?
Louvar a Deus não é apenas cantar, mas sim, se entregar para que Ele possa trabalhar
em nossa vida, nos fazendo novamente, como o oleiro da mensagem o fez. O contexto
do livro de Jeremias, nos conta como era o barro (judeus) que se quebrou, veja: Era um
povo malicioso de coração (Jr 2.19; 4.14), devasso, idólatra, e rebelde (Jr 3.1,2,9,14 ),
prostituído (Jr 5.7), cegos espirituais (Jr 5.21), irreconciliáveis (Jr 7.16-18), adoravam a
demônios (Jr 7.31) e muito mais que desagradava a Deus. Essa era a qualidade do barro
que se quebrou!

E você sendo o barro...como está a qualidade dele?

O oleiro terá alguma condição de trabalhar nesse barro, e quem sabe confeccionar um
vaso para sua honra?

Amados irmãos, não podemos oferecer para Deus uma matéria-prima de tão péssima
qualidade como os judeus estavam oferecendo. Precisamos nos entregarmos totalmente
nas mãos dEle, e permitir que Ele trabalhe na nossa vida, como Lhe apraz. Deus quer
tirar de dentro de nós, a íra, a inveja, a idolatria, cegueira espiritual, a malícia,
promiscuidade, a libertinagem, e muito mais “coisinhas” que O desagradam. No
entanto, é necessário que saibamos, que para o oleiro refazer o vaso, ele deve quebrar o
vaso, amassar novamente o barro, e assim dar início a uma nova confecção. Imagine
quantas partículas impróprias podem existir dentro do barro[...]; o oleiro deve eliminar
cada uma dessas impurezas, só então, o vaso será algo honroso.

Será que nós - sendo o barro - permitimos que o Senhor Deus tire de dentro de nós todas
as impurezas, tais como: muito apego às coisas do “mundo”? Muito apego aos bens
materiais? Muito apego ao nosso “ego”? Muito apego a nossa opinião? Muito apego a
vida fácil?

Amados, o Senhor Deus está nos chamando! Você ouviu o seu nome ser chamado?

Não?

Bom, então eu me despeço de você! Tchau, Até mais...!

Você me pede porque estou com pressa?

Não! Não é pressa, apenas ouvi meu nome ser chamado, e estou indo atender!

Para onde estou indo?

Bom, pare de fazer perguntas e venha junto, pois estou indo para a casa do oleiro.