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Introdução
A presente Monografia tem como tema Analise da influência dos Casamentos Prematuros no
Processo de Ensino/Aprendizagem. Feito numa Escola Primária do 1º e 2º Graus de Nangoela,
referente ao período de (2016 – 2017).

Os casamentos prematuros constituíram e ainda constituem um bicho-de-sete-cabeças nas


sociedades moçambicanas de modo geral e na província da Zambézia de modo particular.
Sendo uma das províncias mais populosas do país e com elevadas taxas de nascimento
enquanto criança, fruto de casamentos ou uniões prematuras. Um facto que merece um olhar
atendo de quem é de direito, pois este tem vindo a ser um dos principais factores de abandono
escolar e principalmente no género feminino, quer por razões culturais, por obrigação dos seus
progenitores e ou encarregados de educação ou ainda devido a gravidez precoce, o que torna
seres menores de idade cada vez mais vulneráveis, por se verem pressionados pelo meio
sociocultural que os rodeia.

É nessa ordem de ideias que a presente pesquisa propõe um estudo sobre as influências dos
casamentos prematuros, partindo do pressuposto que o casamento entre menores de idade não
pode ser visto como uma forma de livrar parte dos problemas das famílias, ou que as meninas
grávidas e solteiras não devem envolver-se no mesmo meio que meninas inexperientes, sob o
risco de as influenciar.

Com a concretização da Monografia foi possível identificar as causas que estão por de traz dos
casamentos prematuros na Escola Primária do 1º e 2º Graus de Nangoela e principalmente
consegui tecer considerações sobre as influências que estas práticas trazem para o processo de
ensino aprendizagem na escola em questão. E por fim trouxe propostas estratégicas que
ajudaram na disseminação desta pratica ou qualquer outro tipo de união que comprometa a vida
das crianças e ou adolescente em idade escolar.

A presente Monografia divide – se em quatro capítulos: capitulo I: trata da problematização da


pesquisa, justificativa, objectivos, questão de partida e delimitação do tema. Capítulo II: trata do
marco teórico onde temos definição de conceitos e abordagem sobre casamento prematuro em
Moçambique, Capitulo III: trata da metodologia da pesquisa, onde expomos o tipo de pesquisa,
universo populacional, amostra e técnica de recolha de dados. Capitulo IV: traz apresentação, a
análise e interpretação de dados e segue – se a conclusões e sugestões, finalmente expomos as
referências bibliográficas e os apêndices.
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CAPÍTULO I: CONTEXTUALIZAÇÃO DE PESQUISA

1.1. Problematização
A problematização de um trabalho de pesquisa visa mostrar de maneira clara as dificuldades
encaradas ou observadas pelo pesquisador em relação a um fenómeno que tenha despertado o
seu interesse em querer perceber ou aprofundar ainda mais os seus estudos de modo a obter a
explicação da ocorrência de tal fenómeno e sempre ela culmina com a colocação do problema
ou da questão de pesquisa.

Para LAKATOS & MARCONI (2003: 159) ‘’Problema é uma dificuldade, teórica ou prática, no
conhecimento de alguma coisa de real importância, para a qual se deve encontrar uma solução’’.
O problema, antes de ser considerado apropriado, deve ser analisado sob o aspecto de sua
valorização.

Nessa vertente de ideias, a presente monografia de pesquisa pretende referenciar-se no estudo


das influências dos casamentos prematuros ao longo do PEA, na Escola primaria do 1º e 2º
Graus de Nangoela, no período de 2016 a 2017, uma escola localizada no posto administrativo
do Distrito de Quelimane, numa altura em que o casamento prematuro tem-se visto como um
dos potenciais influenciadores das desistências escolares afectando desse modo o PEA.

Em Moçambique, o problema dos casamentos prematuros tem causado muitas sensibilidades,


sobre tudo, no que diz respeito ao PEA, pois tem-se visto muitas das vezes, vários indivíduos
menores de idade a serem obrigados a casarem-se antes mesmo dos dezoito anos, contribuindo
dessa forma para a marginalização desses menores.

A problemática dos casamentos prematuros é uma realidade que coloca Moçambique numa
posição vulnerável, no tocante a frequência de tal prática, pois é um dos países com maiores
incidências de casamentos prematuros no mundo. Facto que despertou e ainda desperta muita
atenção a várias organizações de âmbito comunitário e social de modo geral e o interesse da
pesquisadora de modo particular, em envidar esforço por forma a reduzir o índice dos
casamentos prematuros. Dado que a sua persistência acaba influenciando negativamente o
PEA, uma vez que através dela, crianças vêem-se obrigadas a abandonar a escola para assumir
responsabilidades que impedem o seu desenvolvimento cognitivo, sobretudo, no que diz respeito
a instrução, pois é obrigado a pensar como encarregado de educação, sentindo-se obrigado a
resolver os problemas da sua família, de entre diversas outras responsabilidades.
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Os casamentos prematuros por serem um acto resultante da união entre crianças ou de uma
criança com um adulto, traz consigo graves consequências, para além das psicológicas, sociais,
mas também educacionais, estas práticas excluem a criança do seu meio social, visto que a
criança passa a se enxergar como um adulto e por isso as suas atitudes e as suas acções e as
exigências o brigam a agir como tal, por isso, o tempo que presumivelmente seria usado na
escola, vê-se como uma perda, pois este seria o tempo em que a criança far-se-ia nas
machambas, nos negócios, ou em outras actividades que lhe tragam um rendimento para
sustentar a sua família. É olhando nessa ordem de factos que ocorrem nas comunidades
moçambicanas no modo geral, e em alguns distritos da província da Zambézia que o problema
do presente monografia assenta-se na questão que se segue: Qual é a influência que os
casamentos prematuros trouxeram no PEA na Escola Primaria do 1º e 2º Graus de
Nangoela?

1.2. Justificativa

A escolha do tema e da Escola Primaria do 1º e 2º Graus de Nangoela como local de estudo foi
motivado pelo facto da pesquisadora foi docente desta escola, no qual, fazia seu exercício diário,
a proponente vem assistindo uma desistência dos seus alunos principalmente do sexo Feminino.

A Escola Primaria do 1º e 2º Graus de Nangoela por localizar-se distante da zona urbana e por
que na região não há muitas formas de entretenimento, as crianças e adolescentes vêm-se
obrigadas a envolver-se sexualmente, por isso, acabam engravidando-se e por consequência os
pais obrigam a unir-se maritalmente como forma de diminuir as despesas, ou então de não
assumir a responsabilidade de cuidar da gravidez.

E por que o custo de vida não é assim tão favorável, há quem vê o casamento prematuro como
fonte de rendimento ou então menos uma pessoa por alimentar. Assim vai-se verificando um
número maior de crianças em idade escolar, mas que por conta das responsabilidades
assumidas precocemente a não frequentar a escola.

Todavia, o pressuposto que poderá ser analisado ao longo da materialização da monografia é o


de que quanto menos forem praticados os casamentos prematuros, maiores serão as
oportunidades de reduzir o índice de abandono escolar, de analfabetização, de marginalização,
ganhando-se desse modo um aprendizado significativo não só para a vida do aluno como
também para a comunidade escolar.
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Além mais, o PEA na idade infantil pode proporcionar a troca de experiências pessoais, de
impressões e de discussões entre alunos, criando-se um ambiente de ensino saudável para a
própria criança. Na escola, ela poderá aprender a conhecer o funcionamento do seu corpo, fazer
o juízo do que é bom ou mau e assim ganhar mais responsabilidades, mas de forma gradual e
responsável.

Contudo, a justificativa da escolha do presente tema a analise das influências dos casamentos
prematuros para o PEA, deveu-se pelo facto de constituir grande importância tanto no âmbito
pedagógico, quanto no âmbito social, visto que a monografia poderá despertar a consciência não
só dos professores, mas também da sociedade no geral em relação as influências que estas
práticas podem trazer para a vida do aluno, proliferando-se desse modo a inserção e
participação das crianças nas escolas.

1.3. Objectivos

1.3.1 Objectivo Geral

Para GIL (2002:112) objectivo geral é a indicação de forma genérica, o que se pretende, que
metas a alcançar. Assim, para esta pesquisa segue:

Analisar a influência que os casamentos prematuros trouxeram no Processo de Ensino e


Aprendizagem dos alunos das Escolas Primarias do 1º e 2º Graus.

1.3.2 Objectivos específicos

Para GIL (2002:112) os objectivos específicos tentam descrever os termos mais claros possíveis,
exactamente o que será obtido num levantamento. Assim temos:

Identificar a influência que os casamentos prematuros trazem para a vida dos alunos ao
longo do PEA na Escola Primaria do 1º e 2º de Nangoela;
Descrever as concepções dos professores da Escola Primaria do 1º e 2º Graus de
Nangoela em relação aos casamentos prematuros;
Propor estratégias que visam reduzir as tendências dos casamentos prematuros na
Escola Primaria do 1º e 2º de Nangoela;
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1.4. Questões de partida

São as seguintes questões de partida do presente projecto de pesquisa:

O que entendes por casamentos prematuros?


Qual é a análise comparativa que faz do índice dos casamentos prematuros no período
de 2016 a 2017?
Qual é a influência dos casamentos prematuros para o processo de ensino
aprendizagem?

1.5. Delimitação do Tema

A delimitação do tema constitui uma etapa bastante importante na elaboração da Monografia de


pesquisa, pois ela permite obter uma visão ampla do que se pretende estudar, mas também
permite definir a área a ser estudada e, como dizem LAKATOS & MARCONI (2003: 218), ela “só
é dada por concluída quando se faz a sua limitação geográfica e espacial, com vistas na
realização da pesquisa’’.

Em harmonização com o conceito referenciado pelos autores acima citados, torna-se necessário
referenciar que a temática é sobre “A Influência dos Casamentos Prematuros no Processo de
Ensino Aprendizagem (PEA), um estudo que foi realizado na Escola Primária do 1º e 2º Graus
de Nangoela, Posto Administrativo de Maquival, Distrito de Quelimane, província da Zambézia,
no período de 2016 à 2017.
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CAPÍTULO II: MARCO TEÓRICO

O marco teórico constitui uma das etapas mais importantes na elaboração de um projecto de
pesquisa, dado que refere-se a revisão da literatura a ser adoptada para o estudo do tema e do
problema da pesquisa, por meio da análise bibliográfica, isto é, a partir das obras já publicadas
que tenham a ver com o tema e ou com o problema levantado pela pesquisadora. Ao longo da
fundamentação teórica serão apresentados os pressupostos teóricos e alguns conceitos básicos
que tenham relação com o tema.

2.1. Pressupostos Teóricos

A partir desse ponto, não só serão feitos levantamentos de obras já publicadas sobre o tema e o
problema de pesquisa escolhidos.

De acordo com FINDLAY (2006:14) nessa etapa, como o próprio nome indica, “analisam-se as
mais recentes obras científicas disponíveis que tratem do assunto ou que dêem embasamento
teórico e metodológico para o desenvolvimento do projecto de pesquisa.”

Tratando-se de um tema que não constitui novidade no campo de pesquisa, é fundamental


buscar ideias de outros autores que já tenham escrito sobre o tema, de modo a confrontar as
suas ideias e a partir delas construir-se novos saberes e conceitos. Como elucida SERRA
(2004:81), mais do que transcrever textos e citar autores, a revisão da literatura deve “apresentar
a discussão de ideias, fundamentos e sugestões pertinentes, de vários autores, para a resolução
de problemas previamente identificados, demonstrando que os trabalhos foram, efectivamente,
examinados e criticados.”

Para explicar o tema da pesquisa recorremos numa primeira instância a ARNALDO et all; apud
ARNALDO &CAU (2014:91) ao referir-se que a prevalência do casamento precoce também tem
contribuído para a persistência de níveis elevados de maternidade na adolescência.

A África subsaariana continua a ser uma das regiões do mundo onde as mulheres se casam
mais cedo. Podendo estar cada vez mais pressionadas pela expectativa social e familiar de
ficarem grávidas imediatamente a seguir ao casamento. Em algumas partes da África
subsaariana, onde se mantêm normas rigorosas contra a actividade sexual antes do casamento,
o casamento precoce permite aos pais evitar os custos de manterem uma rapariga depois da
puberdade e garantir a sua virgindade até à altura do casamento. (ZABIN &KIRAGU, 1998).
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Como subsidia NHAMTUMBO et all (2010) citado por CHIRINDZA (2015:19), “o casamento
prematuro relaciona-se com a violência contra as mulheres, retirando delas a pouca liberdade de
escolha porque nestes tipos de uniões as crianças do sexo feminino encontra-se privada de todo
tipo de vontades pessoais.” Do ponto de vista do desenvolvimento social, a maternidade precoce
geralmente conduz ao abandono temporário ou definitivo da escola por parte da rapariga e a
consequente diminuição de possibilidades de uma carreira profissional bem-sucedida no futuro,
contribuindo para perpetuar o ciclo de pobreza dentro dos agregados familiares dos
adolescentes envolvidos (idem, p. 87).

2.2. Definição de Conceitos

Uma vez que a ciência lida com conceitos e ou termos que explicam as coisas e os fenómenos
inteligíveis na natureza, e no mundo psíquico - social humano, querem de forma directa, quer
indirecta, não devemos fugir da regra posto que o presente projecto de pesquisa é de carácter
científico, tornando-se necessário trazer conceitos básicos que predominarão no mesmo.
Segundo FINDLAY (2006:14), é aqui também que são explicitados os principais conceitos e
termos técnicos a serem utilizados na pesquisa.

Para que se possa esclarecer o problema que se está sendo investigado e ter a possibilidade de
comunicá-lo, de forma clara, é necessário definir com precisão os termos teóricos da pesquisa, é
por assim dizer que antes do nosso enfoque de fundo sobre "As influências dos casamentos
prematuros para o processo de ensino aprendizagem ", importa trazer conceitos de algumas
palavras-chave que de forma recorrente, poderão ser referenciados no desenvolvimento da
pesquisa, de entre elas estão:

Casamentos prematuros

De acordo com a UNICEF, a CP é definido como sendo uma união de carácter matrimonial que
envolve pelo menos um indivíduo menor de idade. Segundo UNICEF & MISA (2008: 9) em
Moçambique, a CP envolve, maioritariamente, raparigas com idades inferiores a 18 anos e
indivíduos adultos de sexo masculino.

Segundo PINTO (2017:44), casamento prematuro é toda e qualquer união marital entre dois
jovens de diferentes sexos que não observe as idades mínimas estabelecidas pela Lei da
Família.
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Em Moçambique a lei da família considera 21 anos de idade como a idade que os indivíduos são
responsáveis por si, no entanto a realização do casamento só podia ser feita após o indivíduo
atingir a maioridade, o que pouco acontece.

De acordo com CHIRINDZA (2015:18), “Um número maior de meninas em Moçambique casa ou
casou com idade inferior à18 anos. Acreditando ainda que algumas práticas tradicionais,
nomeadamente os ritos de iniciação, o incesto e a poligamia, contribuem para o surgimento do
casamento em idades consideradas inferiores à luz da lei vigente na sociedade moçambicana.”

Porém, na visão da Rede da sociedade Civil para os Direitos das Crianças (2013), os ritos de
iniciação ocupam o lugar de destaque na contribuição para os casamentos prematuros pois
considera-se que esta prática cultural, ao tomar as crianças como adultas, incita ao casamento
na adolescência.

Ensino

Ao longo da humanidade o ensino tornou-se uma ferramenta indispensável para o seu


progresso. O ensino constituiu um dos principais meios de transmissão de conhecimentos
históricos, culturais, económicos, permitindo assim a abertura para novos horizontes. De acordo
com GOMES et. all. (1991:12):

Ensino “é um conjunto de actividades que se destinam a


transmitir conhecimentos e a transformar comportamentos […]
para tal, pressupõe-se que o professor tenha capacidade e
interesse em ensinar, mas também que o aluno reúna
condições para aprender e esteja disposto para essa
aprendizagem.”
É verdade que desde a infância somos sujeitos a ensinamentos e aprendizados. Desde as
pequenas actividades de casa, nas brincadeiras com os nossos grupos sociais, aprendemos e
ensinamos, assim como somos ensinados, e com base nesses ensinamentos colhemos
aprendizados que posteriormente serão transmitidos por outras gerações. Como refere PILETTI
(2004:26) ao apresentar a evolução do conceito de ensino desde as origens, onde na visão
deste autor, o conceito de ensino evoluiu graças aos questionamentos e pesquisas realizadas
por vários estudiosos.
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Assim o conceito Etimológico de acordo com este autor,


consistia em colocar, gravar as informações no espírito. Já o
conceito Tradicional do ensino, defendia que ensinar é
transmitir conhecimentos. O conceito da Escola Nova em
relação ao ensino, afirma que ensinar é criar condições de
aprendizagem e por fim a concepção Tecnicista defende que o
ensino deve se inspirar nos princípios de racionalidade,
eficiência e produtividade, (idem p.34).
Como pode-se verificar, as características distintivas entre o conceito trazido das escolas desde
a sua etimologia, entende-se que o ensino consistia em colocar as informações no aluno, com
isso, não havia a valorização da criatividade do aluno. Porém, verifica-se na escola nova uma
tentativa de valorização do espaço, dos sujeitos inseridos no processo de ensino, onde avança a
necessidade de criação de condições necessárias para que o ensino ocorra por forma a valorizar
o esforço do aluno.

Nesta perspectiva, falar de ensino, é fala do processo de colocar dentro, gravar, ideias no
espírito ou cabeça do aluno. É o processo organizado de actividades cognitivas, um processo
bilateral que inclui a assimilação do material de estudo.”

Aprendizagem

Na perspectiva de PILETTI (2004:31), “a aprendizagem é um fenómeno, um processo bastante


complexo, que precisam passar por uma transformação que seja significativa para a vida das
pessoas”. Ainda de acordo com este autor, “pode-se descrever a aprendizagem como sendo um
processo de aquisição e assimilação, mais ou menos consciente, de novos padrões e novas
formas de perceber, ser, pensar e agir.”

Segundo LIBANEO (2009) "a aprendizagem é um processo de assimilação de determinados


conhecimentos e modos de acção física e mental, organizados e orientados no processo ensino
aprendizagem. A aprendizagem é um processo contínuo que ocorre durante toda a vida do
indivíduo, desde a mais tenra infância até a mais avançada velhice"

De acordo com a apostila de Fundamentos de Pedagogia em uso na Universidade Pedagógica,


“Aprendizagem é um processo de aquisição de conhecimentos, conteúdos ou informações ”.
Entretanto, segundo o autor, convém salientar que a aprendizagem não é apenas um processo
de aquisição de conhecimentos, uma vez que as informações são importantes, mas precisam
passar por um processamento muito complexo.
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Ensino/aprendizagem

O ensino e a aprendizagem são tão antigos quanto á própria humanidade. Nas tribos primitivas
os filhos aprendiam com os pais a atender suas necessidades, a superar as dificuldades do
clima e a desenvolver na arte da caça. Hoje, o conceito de ensino/aprendizagem deve ser
amplamente discutido e aplicado, visto que cada situação pode ser uma situação de
ensino/aprendizagem e somente aqueles que não apresentam atitudes de constante abertura e
que não aprendem ou não ensinam em todas as situações (PILETTI, 1986).

Segundo RODRIGUES (2013), no processo de ensino no ambiente escolar pode-se observar a


relação entre o ensino e a aprendizagem através de actividades do professor em relação a do
aluno; a didáctica se manifesta no contexto de se organizar o ensino, de maneira que se tracem
os objectivos, estipulando os métodos a serem seguidos e planificar as acções conjuntas dentro
do âmbito escolar.

No processo ensino/aprendizagem, em qualquer contexto em que se esteja inserido, é


necessário que se conheça os conceitos que integram este processo como elementos
fundamentais para uma aprendizagem de qualidade (BELLO, 1993).

Segundo LIBÂNIO e ALVES (2012), a actividade de ensino e aprendizagem consiste na


apropriação dos conhecimentos pelos alunos, como realizar o ensino de forma que os alunos
compreendam/aprendam a estruturação das tarefas de aprendizagem e os contextos
socioculturais e institucionais onde se realiza o ensino. É necessário que o ´ professor tenha
conhecimento e domínio da matéria a ser ministrada, a relação entre prática e teoria que lhe
proporcione um suporte e conhecimentos das realidades particulares de seus alunos e de suas
práticas socioculturais e institucionais

2.3. Casamentos Prematuros em Moçambique

A população moçambicana é constituída maioritariamente por crianças, ou seja, indivíduos que


não têm ainda 18 anos de idade. A UNICEF (2014:3) assinala que “as mais de12 milhões de
crianças moçambicanas constituem 52% da população do país [...] e metade das crianças que
iniciam o ensino primário não o termina, havendo crescente preocupação com o nível de
aprendizagem”. É uma triste realidade, apesar dos esforços que o governo moçambicano tem
vindo a empenhar como forma de tentar combater essa prática com o apoio de organizações
governamentais e principalmente com organizações não-governamentais.
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Em Moçambique, a idade núbil é dezoito anos podendo, excepcionalmente e “quando ocorram


circunstâncias de reconhecido interesse público e familiar e houver consentimento dos pais ou
dos legais representantes" (Lei da Família 10/2004) o casamento ser realizado entre indivíduos
de sexos opostos com a idade mínima de dezasseis anos. Neste contexto, toda e qualquer união
marital entre dois jovens de diferentes sexos que não observe as idades mínimas estabelecidas
na acima referida Lei da Família é considerada casamento prematuro.

Ao estabelecer a mesma idade núbil para ambos os sexos este dispositivo legal pretende
garantir, em primeiro lugar, a aplicação do princípio constitucional de igualdade dos cidadãos
perante a lei. Tenta, ainda, salvaguardar os direitos preconizados na Convenção dos Direitos da
Criança, em particular, “o direito à educação, saúde reprodutiva e mental, o direito a brincar e a
poder crescer no tempo certo (ARTHUR E SITOE 2011: 7). Por fim, procura acautelar o
casamento de menores, principalmente se tiver em consideração “a persistência da prática de
«casamentos prematuros» ” (id.) em Moçambique.

Segundo o UNFPA (2014:4) Moçambique encontra-se ainda atrasado nos esforços de


prevenção e combate contra este fenómeno, apresentando um nível de prevalência de
casamentos prematuros acima dos restantes países da África Austral e Oriental, ficando apenas
atrás do Malawi.

A prevalência dos casamentos prematuros é maior nas zonas


rurais e com maiores índices nas regiões centro e norte do país.
No entanto, a prática do casamento prematuro tem reduzido de
forma mais acentuada nas províncias onde esta prática é
comum, sugerindo que as normas culturais sobre o casamento
estão sendo progressivamente combatidas nestas zonas.
(idem)
Antes de se analisarem os factores que, de acordo com a UNICEF e autores sociais, contribuem
para a prática de casamentos prematuros importa, em primeiro lugar, referir que de acordo com
os dados publicados pelo Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS), em 2011, 48% de raparigas
com a idade compreendida entre os 20 e os 24 anos tinham casado antes dos 18 anos e 14%
antes de atingirem os 15 anos.

Porém, a análise dos casamentos ou de uniões de raparigas antes dos 15 anos de idade, por
província, revela que a observância desta prática não é homogénea em todo o território
moçambicano. Com efeito, esta regista os seus índices mais elevados nas províncias do Norte,
decrescendo ligeiramente no centro do país. Os índices mais baixos de casamentos ou uniões
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prematuras registam-se no Sul de Moçambique, onde, quase “não se praticam os ritos de


iniciação feminina” (OSÓRIO E MACUÁCUA 2013: 369), conforme o atesta a tabela 1.

Tabela 1: Províncias de Moçambique com maior índice de Casamentos Prematuros

Províncias Valor em %
Niassa 24,2%
Norte Cabo Delgado 29,6%
Nampula 20,6%
Zambézia 23,3%
Tete 19%
Centro Manica 20,8%
Sofala 18,6%
Inhambane 9,4%
Gaza 8,8%
Sul Maputo província 5,8%
Maputo Cidade 3,9%
Fonte: INE 2017

A dicotomia espaço rural versus espaço urbano constitui-se, igualmente, como factor que
influencia a prevalência desta prática. De acordo com o IDS (2011), Moçambique encontra-se
em 10° lugar no mundo entre os países mais afectados pelos casamentos prematuros,
atendendo os dados relacionados com a proporção de 56% de raparigas com idades entre os
20-24 anos que se casaram – se enquanto crianças, isto é, antes dos 18 anos de idade nas
zonas rurais, comparado com 36% nas zonas urbanas (UNICEF 2013: 4) nas regiões centro e
norte do país. Estes esforços para combater os casamentos prematuros são claramente
necessários e urgentes, com principal foco para estas províncias, assim como para as províncias
com população mais reduzida mas que enfrentam taxas elevadas de casamentos prematuros.

2.4. Políticas Governamentais sobre as práticas dos Casamentos Prematuros nas Escolas

Ainda que existam obstáculos socioculturais que a rapariga encontra no PEA e que não só
colaboram para o seu baixo rendimento escolar como limitam o seu avanço e desencorajam em
geral a sua educação, como é o caso do baixo valor atribuído à educação das raparigas o que
desencoraja o investimento das famílias nas raparigas, o Estado moçambicano continua a
incentivar a participação da rapariga na vida escolar por meio de programas concretos, ajudando
as mulheres no seu papel na sociedade, promovendo o acesso e relevância do ensino e escolas
sãs e seguras criando as mesmas oportunidades no acesso, (MINED, 2013:35).

Actualmente o governo moçambicano optou pela tematização interdisciplinar dos programas e


pela produção de manuais escolares e materiais pedagógicos adaptados à realidade
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moçambicana e desenvolvidos de raiz para o novo programa curricular. Desta forma, o governo
ainda que existam obstáculos socioculturais espera diminuir significativamente o abandono da
escola e o insucesso escolar da rapariga e promover uma educação adaptada à realidade actual
do país que luta pela sua integração regional e pelo desenvolvimento económico, num contexto
internacional competitivo e liberal, sem perder a sua identidade multicultural, (idemp. 44).

De acordo com a ACTIONAID (2013:14), ultrapassar estas barreiras exigiu o envolvimento com
vários intervenientes incluindo pais, líderes comunitários, professores, estruturas de gestão da
escola e autoridades da educação, bem como com as raparigas e os próprios rapazes para
garantir o reconhecimento geral do direito das raparigas à educação e à protecção e o respeito
desses direitos em casa, na escola e na comunidade. O fenómeno do insucesso escolar não é
redutível à sua visualização imediata, devendo ser tomado como algo complexo que resulta da
disfuncionalidade presente no indivíduo, na escola e na sociedade e a forma como estas três
entidades se articulam.

Segundo BASSIANO & LIMA (2017:7) “Moçambique é um dos países que tem vindo a envidar
esforços em defesa da igualdade de direitos entre mulheres e homens, sobretudo entre rapazes
e raparigas” como se podem testemunhar a seguir algumas políticas nacionais, planos,
estratégias e leis que visa minimizar todo o tipo de prática que propicia a descriminação baseada
no sexo e idade para permitir a promoção da igualdade de género:

Constituição da República de Moçambique;


Política de Género e Estratégia da sua Implementação;
Plano Nacional para o Avanço da Mulher 2010 – 2014;
Lei 12/2004, Lei da Família;
Lei nº 35/2014, Código Penal;
Estratégia de Prevenção e Eliminação dos Casamentos Prematuros;
Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional;
Estratégia de Género do Sector da Saúde; Energia e Minas; Educação; Agricultura.

Deve-se destacar igualmente que a Convenção sobre os Direitos da Criança, em Moçambique,


foi ratificada no ano de 1994 e, dez anos depois se verificam muitas outras convenções em prol
da rapariga, mulher e criança, (idem)

Paralelamente, o governo moçambicano, recentemente aprovou a Estratégia Nacional de


Prevenção e Combate aos Casamentos Prematuros para o período de 2016 a 2019. Uma
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estratégia pode ajudar sobretudo as raparigas a terem um futuro melhor, visto que entre vários
assuntos, abordados na estratégia, são incluídas questões prioritárias para o combate às várias
práticas nocivas dos pais ou familiares da criança, as quais propiciam a violação de direitos e,
em casos de violação, devem ser punidos severamente, como recomenda nº 2 do artigo 64
sobre direito à protecção contra abuso, maus tratos e tratamentos negligentes pelos pais,
tutores, família de acolhimento, representante legal ou terceira pessoa e o artigo 65 que define o
direito à protecção contra todas as formas de exploração económica ambos da Lei nº 7/2008
respectivamente.

2.5.A Situação Actual dos Casamentos Prematuros em Moçambique

De acordo com a UNICEF (2014:16), em Moçambique, milhões de crianças estão envolvidas em


situações de casamentos prematuros tanto nas regiões urbanas como nas regiões rurais.

Em Moçambique, 1 de cada 10 raparigas está casada antes dos 18, perpetuando o ciclo
intergeneracional de pobreza e limitando o desenvolvimento do país. No período de 2003 a
2011, notou-se uma ligeira diminuição percentual da situação, de acordo com o Relatório da
UNICEF. Destacando ainda que:
A elevada incidência do casamento de raparigas é um dos
problemas socioculturais mais sérios, [...] Isto contribui, por sua
vez, para o início precoce da actividade sexual e para altos
níveis de gravidez na adolescência. [...] O IDS de 2011 apontou
que 40% das mulheres dos 20 aos 24 anos de idade dão à luz
pela primeira vez antes dos 18 anos [...] os filhos destas mães
têm uma probabilidade 70% mais elevada de morrer antes de
completar 5 anos, relativamente às crianças nascidas de mães
entre os 30 e 39 anos de idade (UNICEF, 2014:13).
Em Moçambique, existem vários modelos de casamentos prematuros principalmente nas regiões
em que a prática dos ritos de iniciação é comum. Assim O estado, o Fórum da Sociedade Civil
para os Direitos da criança moçambicana (ROSC), e os midia têm intensificado as acções contra
os casamentos prematuros. No entanto, os recentes estudos apontam que milhares de raparigas
moçambicanas são forçadas a abandonar a escolaridade primária obrigatória e gratuita, não
apenas para se casar, mas também para se sujeitarem às actividades agrícolas e domésticas.
Este fenómeno tem muitas implicações a curto, médio e longo prazo no histórico das raparigas
envolvidas, podendo se destacar a separação do convívio com a família e amigos, impedir o
desenvolvimento harmonioso na criança.
25

O Artigo 121 da Constituição da República de Moçambique de 2004 prevê que todas as crianças
têm direito à protecção da família, da sociedade e do Estado para o seu desenvolvimento
integral. Enquanto a UNICEF (2015) destaca que, a prevenção do casamento prematuro está em
assegurar que todas as crianças estejam na escola e que a sua educação seja de qualidade, e
que esta acção requer envolvimento de três instituições: família, sociedade e o estado. Nesta
subsecção far-se-á a descrição da evolução da educação em Moçambique, para melhor
compreensão do fenómeno em estudo. Portanto, a análise terá enfoque em dois períodos: o
colonial e pós-independência, na perspectiva de se estabelecer a relação entre a família e
educação, apontando também as principais causas do insucesso escolar da rapariga na escola e
algumas estratégias para a sua redução.

2.6. Ponto de Entrada para Intervenção: A Eliminação dos Casamentos Prematuros como
uma Responsabilidade Colectiva em Moçambique

A CECAP (2014), reconhece que não existe uma única solução para eliminar os casamentos
prematuros. A sua eliminação requer acções concertadas a todos os níveis e com o
envolvimento de todos os actores da sociedade. No entanto, a CECAP recomenda que as
seguintes acções possam ser levadas a cabo para reduzir e eliminara prevalência dos
casamentos prematuros em Moçambique:

Fortalecer o quadro político - legal nacional de protecção da criança em Moçambique,


com destaque para a protecção da rapariga contra todas as formas de violência, e alocar
recursos financeiros, materiais e humanos adequados para a sua efectiva
implementação;
Qualificar o casamento prematuro como um crime e, como tal, ser punido
exemplarmente para desencorajar que tal prática continue a devastar o futuro de muitas
raparigas moçambicanas;
Prevenir o casamento prematuro por meio do empoeiramento das raparigas em risco,
através da melhoria do acesso a educação primária e secundária de qualidade,
habilidades para a vida, criação de espaços de diálogo e redes sociais seguras dentro
das famílias e das comunidades e criar oportunidades de diálogo construtivo com os
líderes religiosos e comunitários, com os anciãos e matronas, incluindo a mobilização
social de rapazes e raparigas para se tornarem os principais advogados desta mudança;
Proteger e conceder apoio às raparigas que já foram forçadas a casar, através da
melhoria e disponibilidade do acesso a serviços e oportunidades de vida, e
26

providenciando serviços direccionados para as suas necessidades em particular,


necessidades de saúde, de educação e de enquadramento social;
Melhorar a pesquisa sobre a situação dos casamentos prematuros, através de uma
melhor recolha de informação para determinar o número de crianças casadas, as causas
e consequências desta prática, e aprender dos programas e abordagens já existentes
para a eliminação dos casamentos prematuros. Fortalecer os sistemas do registo civil de
nascimento e de casamento devem ser aspectos essenciais destes esforços;
Promover a criação de um ambiente favorável para a mudança social através da
construção de capacidades nos indivíduos e nas comunidades para questionarem e
mudarem as suas próprias atitudes que perpetuam práticas prejudiciais como os
casamentos prematuros;
Certificar que a prevenção e mitigação do casamento prematuro estão integradas nas
políticas, programas e estratégias governamentais a todos os níveis, com destaque para
a saúde materna, educação, protecção da criança e redução da pobreza;
27

CAPITULO III: METODOLOGIA DA PESQUISA

Assegurando-se nos autores MARCONI & LAKATOS (2009), afirmam que, “metodologia:

É o conjunto de actividades sistemáticas e racionais que com


maior segurança e economia, permite alcançar o objectivo ou
conhecimentos validos e verdadeiros traçando o caminho a ser
seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do
cientista”. Para este trabalho, a sua realização irá obedecer as
seguintes linhas de orientação metodológica.
Para GIRHARDET & SILVEIRA (2009:13) “a metodologia vai além da descrição dos
procedimentos (métodos e técnicas a serem utilizados na pesquisa), indicando a escolha teórica
realizada pelo pesquisador para abordar o objecto de estudo”. A metodologia completa a fase
exploratória de determinação de critérios, de amostra e a definição de instrumentos para síntese
e análise dos dados e informação. Aqui, não só serão descritos os procedimentos a serem
seguidos na realização da pesquisa em que a sua organização vária de acordo com as
peculiaridades de cada pesquisa, mas também tornar-se-á importante fazer referência ao tipo de
pesquisa, a população envolvida, assim como a sua amostra, a colecta e a análise de dados.

3.1. Tipo de Pesquisa

Para GIL (1999:42), a pesquisa é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do


método científico. O objectivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas
mediante o emprego de procedimentos científicos”.

Pesquisa é um conjunto de acções, propostas para encontrar a solução para um problema, que
têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. A pesquisa é realizada quando se tem um
problema e não se têm informações para solucioná-lo.

Para realização da presente pesquisa foi usada a pesquisa qualitativa e quantitativa (mista):

A pesquisa enquadra-se no tipo quantitativa devido a análise feitas descrevendo a situação a


conclui-se com bases em números e medir variáveis.

Segundo RICHARDSON (1999), a pesquisa quantitativa é caracterizada pelo emprego da


quantificação, tanto nas modalidades de colecta de informações quanto no tratamento delas por
meio de técnicas estatísticas. Para MATTAR (2001), a pesquisa quantitativa busca a validação
das hipóteses mediante a utilização de dados estruturados, estatísticos, com análise de um
grande número de casos representativos, recomendando um curso final da acção. Ela quantifica
os dados e generaliza os resultados da amostra para os interessados.
28

Segundo MALHOTRA (2001, p.155), “a pesquisa qualitativa proporciona uma melhor visão e
compreensão do contexto do problema, enquanto a pesquisa quantitativa procura quantificar os
dados e aplica alguma forma da análise estatística”. A pesquisa qualitativa pode ser usada,
também, para explicar os resultados obtidos pela pesquisa quantitativa. Na pesquisa
quantitativa, a determinação da composição e do tamanho da amostra é um processo no qual a
estatística tornou-se o meio principal. Como, na pesquisa quantitativa, as respostas de alguns
problemas podem ser inferidas para o todo, então, a amostra deve ser muito bem definida; caso
contrário, podem surgir problemas ao se utilizar a solução para o todo (MALHOTRA, 2001).

Estes foram as motivações que me levaram a usar o tipo de pesquisa para que possa clarificar e
estar mais próximo ao tema: Influencia dos Casamentos Prematuros no Processo
Ensino/Aprendizagem. Estudo de Caso na Escola Primária do 1º e 2º Graus de Nangoela para
verificar quantos professores desta escola si preocupam com a desistência dos seus alunos
através dos casamentos prematuros.

A pesquisa assenta na abordagem quantitativa, porque parte do pressuposto que o problema da


pesquisa não só ocorre na Escola Primaria do 1º e 2º Graus de Nangoela, mas também
acreditasse que este ocorre em várias Escolas da cidade ou da província. Portanto, privilegiou ‒
se a abordagem quantitativa pelo facto de que a partir de um problema contextualizado para a
sua generalização.

A ser assim, o estudo discute sobre a influência dos casamentos prematuros no Processo
Ensino/Aprendizagem para posterior assumir a sua generalização como resultado do estudo
nesta instituição de ensino.

E com base nesta pesquisa, pretende-se explorar as motivações dos inqueridos de modo a que
eles pensem livremente sem interferência de aspectos externos. Assim, com os dados recolhidos
irá se fazer a interpretação dos mesmos.

3.1.1. Pesquisa Exploratória

Para MATTAR (1993:86) a pesquisa exploratória “visa promover o pesquisador de um maior


conhecimento sobre o tema ou problema de pesquisa em perspectiva”. O autor acrescenta que é
apropriada para os estágios de investigação em que o pesquisador não possui familiaridade com
o fenómeno ou não o conhece de modo suficiente.
29

Para ZIKMUND (2000), os estudos exploratórios, geralmente, são úteis para diagnosticar
situações, explorar alternativas ou descobrir novas ideias. Esses trabalhos são conduzidos
durante o estágio inicial de um processo de pesquisa mais amplo, em que se procura esclarecer
e definir a natureza de um problema e gerar mais informações que possam ser adquiridas para a
realização de futuras pesquisas conclusivas. Dessa forma, mesmo quando já existem
conhecimentos do pesquisador sobre o assunto, a pesquisa exploratória também é útil, pois,
normalmente, para um mesmo fato organizacional, pode haver inúmeras explicações
alternativas, e sua utilização permitirá ao pesquisador tomar conhecimento, se não de todas,
pelo menos de algumas delas.

Neste caso concreto o tema escolhido pela autora recai sobre os conceitos emanados, facto este
que o motivou a trazer a tona a questão da pertinência da divulgação da influência do casamento
prematuros no Processo Ensino/Aprendizagem e como forma de motivar aos professores a
reconhecerem a influência deste acto pode causar para os alunos.

3.1.2. Método de abordagem

Para a elaboração da presente pesquisa, privilegiou-se o método de abordagem dedutivo que


melhor se adequa a elaboração da pesquisa.

Segundo KAPLAN (1972:12):“...o cientista, através de uma combinação de observação


cuidadosa, hábeis antecipações e intuição científica, alcança um conjunto de postulados que
governam os fenómenos pelos quais está interessado, daí deduz ele as consequências por meio
de experimentação e, dessa maneira, refuta os postulados, substituindo-os, quando necessário,
por outros, e assim prossegue”.

O uso deste método no trabalho consistiu na constatação de fenómenos a nível local fazendo ‒
se uma confrontação de teoria a nível geral. A autora trabalhou com o método bibliográfico na
medida que permitiu obter informações escritas das obras já editadas em relação a influenciados
casamentos prematuros no Processo Ensino/Aprendizagem.

3.2. Universo Populacional

Universo ou população, segundo GIL (2008:108), é um conjunto definido de elementos que


possuem determinadas características. Comummente fala-se de população como referência ao
total de habitantes de um determinado lugar.
30

No caso concreto do presente trabalho o universo foi constituído pela comunidade escolar, a
saber: professores. Assim, constituiu o universo populacional estimado em 27 professores da
Escola Primaria do 1º e 2º Graus de Nangoela.

3.3. Amostra

Após a delimitação do universo surge a necessidade de fazer a mensuração da amostra


populacional, ou seja, a parte que poderá fazer parte da pesquisa em representatividade do
universo que, na óptica de LAKATOS & MARCONI (2001:165), "amostra é uma parcela
convenientemente seleccionada do universo (população)."

Amostra segundo GIL (2008:109), subconjunto do universo ou da população, por meio do qual
se estabelecem ou se estimam as características desse universo ou população.

Com o presente trabalho pretendeu-se generalizar conclusões referentes à amostra,


estendendo-as para toda a população da qual essa amostra foi extraída.

Usou-se amostragem aleatória simples para facilitar com que todos os membros da comunidade
escolar tenham a mesma probabilidade de serem entrevistados, isto é, para colectar informações
credíveis ou sensibilidades de pessoas com influência.

Outros sim, a amostragem foi probabilística, pois, segundo MONTEGRO (2008), dá exactidão e
eficácia á amostragem além de ser o procedimento mais fácil de ser aplicado todos elementos
da população têm a mesma probabilidade de pessoas sem influência de certas estruturas.

Neste sentido para a concretização e obtenção de resultados satisfatórios foi realizado, a


pesquisa com uma amostra de 10 professores do segundo ciclo do ensino primário, sem
nenhuma preferência, ou seja, sem escolha de uma classe específica.

3.4. Técnicas de Recolha de Dados

Para a colecta de dados utilizou-se um questionário e inquérito.

Questionário

Segundo CERVO & BERVIAN (2002:48), o questionário “[...] refere-se a um meio de obter
respostas às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche”. Ele pode conter
perguntas abertas e/ou fechadas. As abertas possibilitam respostas mais ricas e variadas e as
fechadas, maior facilidade na tabulação e análise dos dados.
31

De forma idêntica, MARCONI & LAKATOS (1996, p. 88) definem o questionário estruturado
como uma “ [...] série ordenada de perguntas, respondidas por escrito sem a presença do
pesquisador”. Dentre as vantagens do questionário, destacam-se as seguintes: ele permite
alcançar um maior número de pessoas; é mais económico; a padronização das questões
possibilita uma interpretação mais uniforme dos respondentes, o que facilita a compilação e
comparação das respostas escolhidas, além de assegurar o anonimato ao interrogado.

Contudo, o questionário também possui alguns inconvenientes, dentre os quais podem ser
citados: o anonimato não assegura a sinceridade das respostas obtidas; ele envolve aspectos
como qualidade dos interrogados, sua competência, franqueza e boa vontade; os interrogados
podem interpretar as perguntas da sua maneira; alguns temas podem deixar as pessoas
incomodadas; há uma imposição das respostas que são predeterminadas, além de poder ocorrer
um baixo retorno de respostas (LAVILLE & DIONNE, 1999; MALHOTRA, 2001).

Contudo, antes de todas técnicas citadas acima pautou-se pela observação que serviu de
motivação para prosseguir com o desenvolvimento da presente pesquisa.

Para o presente trabalho foi usado um tipo de questionário voltado para os professores
composto de perguntas abertas e fechadas (APÊNDICE - 1).

As perguntas fechadas permitem ao pesquisador obter respostas generalizadas, passíveis de


uma análise quantitativa, como nos mostra Minayo (2004). Já as perguntas abertas requerem
respostas pessoais e espontâneas na qual traz informações importantes para uma análise de
cunho qualitativo, uma vez que as respostas não são todas previstas (PÁDUA, 2004).

Inquérito

O inquérito é uma técnica de investigação que permite a recolha de informação directamente de


um interveniente na investigação através de um conjunto de questões organizadas segundo uma
determinada ordem. Estas podem ser apresentadas ao respondente de forma escrita ou oral. É
uma das técnicas mais utilizadas, pois permite obter informações, sobre determinado fenómeno,
através da formulação de questões que reflectem atitudes, opiniões, percepções, interesses e
comportamentos de um conjunto de indivíduos (TUCKMAN.2000: 517).

A técnica de inquérito por questionário e a técnica de inquérito por entrevistas, caracterizadas


essencialmente pelo tipo de instrumento que lhe é adjacente, questionário e guião de entrevista,
respectivamente.
32

Neste caso, pretende-se fazer o inquérito em que os respondentes terão que mostrar as suas
sensibilidades de forma oral.

Para o estudo usou-se o inquérito de respostas abertas e fachadas, aplicada aos funcionários da
carreira docente da Escola Primária do 1º e 2º Graus de Nangoela. Os professores envolvidos
nesta pesquisa têm idade compreendida entre 25 a 45 anos de idade num guião de entrevista
composto por 10 perguntas.
33

CAPITULO IV: APRESENTAÇÃO, ANALISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS

BARDIN (1977) afirma que a análise de conteúdo possui duas funções básicas: função
heurística - aumenta a prospecção à descoberta, enriquecendo a tentativa exploratória e função
de administração da prova – em que, pela análise, buscam-se provas para afirmação de uma
hipótese.

A análise dos dados é uma das fases mais importantes da pesquisa, pois, a partir dela, serão
apresentados resultados e a conclusão da pesquisa. Essa conclusão que poderá ser final ou
apenas parcial, deixando margem para pesquisas posteriores (MARCONI & LAKATOS, 1996).

Neste sentido o inquérito foi feito para os professores da Escola Primaria 1º e 2º Graus de
Nangoela. Garantimos anonimato e a confidencialidade da identidade dos sujeitos participantes
da pesquisa. De referir que, nesta pesquisa, foram inquiridos 10 funcionários docentes de idades
compreendidas de 25 à 45 anos, dentre eles 5 funcionários do sexo feminino e 5 do sexo
masculino.

A realização do inquérito ocorreu de forma tranquila; os professores colaboraram de forma


significativa. Os professores sentiram-se à vontade durante o inquérito, demonstrando-se
abertas em responder às perguntas. De igual modo, analisamos os dados disponíveis,
conduzindo-nos á questão central da investigação:

Qual é a influência que os casamentos prematuros trouxeram no PEA na Escola Primaria do 1º e


2º Graus de Nangoela?

4.1. APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

4.1.1. Inquérito aos professores.

Perante a primeira questão, dos 100% inqueridos responderam que sim, já ouviram falar dos
casamentos prematuros. Segundo a definição do casamento prematuro 70% que corresponde a
7 professores inqueridos definiram como sendo uma união de duas pessoas menos de 18 anos e
os restantes 30% que corresponde 3 professores definiram como sendo uma união forçada de
uma rapariga menor de idade para um adulto.

De acordo com a UNICEF, o casamento prematuro é definido como sendo uma união de
carácter matrimonial que envolve pelo menos um indivíduo menor de idade ou também pode ser
34

uma união formal ou informal de rapaz e raparigas antes de 18 anos de idade (UNICEF & MISA
2010, p.9).

Gráfico 1: As causas dos casamentos prematuros.

Fonte: (Autora:2019).

O gráfico 1, demonstra que dos 10 professores inqueridos, 80% dos inqueridos que corresponde
a 8 professores responderam que as causas dos casamentos prematuros é através da situação
financeira dos familiares. Apenas 20% dos inqueridos que corresponde 2 professores ressaltara
que é através da prática dos ritos de iniciação.

Segundo TVEDTEN, I. et alI (2008), afirma que as causas dos casamentos prematuros são os
seguintes:

Razões económicas – raparigas usada como solução de pobreza na família,


Controlo sobre sexualidade – homens mais velhos casa raparigas para ter maior
controlo da sexualidade;
Costume e tradição – cultura de casar criança cedo,
Segurança – os pais casam as filhas numa família rica;
Masungiro – casar as crianças enquanto e virgem para receberem muito dinheiro;
Falta de escolaridade;
Gravidez precoce;
Trabalhos forçados na parte da família direccionadas as crianças;
Falta de atenção dos progenitores na educação (aconselhamento).
35

Gráfico 2:Frequência dos casamentos prematuros na Escola Primaria do 1º e 2º Graus de


Nangoela

Fonte: (Autora:2019).

Os dados apresentados no gráfico 2, indicam que dos 10 professores inqueridos, 60% dos
inqueridos que corresponde a 6 professores afirmaram que a frequência dos casamentos
prematuros nesta escola tem sido com muita frequência ou em maiores casos justificando – se
porque a escola localiza – se muito distante da cidade. E os 40% inqueridos que correspondem a
4 professores responderam que a frequência dos casamentos prematuros nesta escola tende
reduzir significativamente por causa das sensibilizações de certas organizações que dão
palestras nas escolas e nas comunidades locais sobre as suas desvantagem e consequências,
por exemplo como a "AME".

Perante a questão quatro, dos dez professores inqueridos que corresponde 100% enfatizam que
os casamentos prematuros influenciam negativamente no processo de ensino e aprendizagem
dos alunos, afectando o seu aproveitamento pedagógico onde culmina com a desistência dos
mesmos por não ter tempo de ir a escola porque ficam a cuidar das suas casas e seus filhos.

Para UNICEF (2014), os casamentos prematuros têm influência negativa directamente na


educação e no processo de ensino e aprendizagem, uma vez que as raparigas abandonam a
escola para se dedicarem ao novo papel social.
36

Na questão cinco sobre "Alguma vez deparou – se com alunos que já tenham – se casado
precocemente nesta escola?". Nesta questão podemos visualizar que todos professores
inqueridos afirmaram que sim que já depararam – se com alunos que tenham si casado
precocemente. Segundo a questão seis, todos inqueridos responderam que este deparou não
são frequentes porque durante o ano lectivo existem organizações que dão palestras na escola
para sensibilizar os alunos sobre os casamentos prematuros.

Na questão sete sobre "análise comparativa do índice dos casamentos prematuros no período
de 2016 a 2017 na escola", nesta questão podemos visualizar que todos professores inqueridos
responderam que o índice comparativo dos casamentos prematuros no período de 2016 à 2017
há que admitir que a situação é extremamente preocupante, dado que, em 2017 verificou – se
mais casamento prematuros em relação ao ano 2016. Por exemplo em 2017 ouve 4 casos de
casamentos prematuros e em 2016 verificou – se 1 caso desta pratica nesta escola.

Em relação a questão oito, sobre "as influencia que os casamentos prematuros trouxeram no
PEA no período de 2016 a 2017", dos 10 professores inqueridos afirmaram que as influencias
que os casamentos prematuros trouxeram para o PEA no período de 2016 a 2017 foi desistência
das raparigas na escola que contribui para fraco aproveitamento pedagógico, pouca aderência
das raparigas e desigualdade em termos de género nas salas de aula.

Gráfico 3: Factores que estão por de traz dos casamentos prematuros na Escola Primaria do 1º
e 2º Graus de Nangoela.

Fonte: (Autora:2019).
37

No gráfico 3, demonstra os resultados sobre "os factores que estão por de traz dos casamentos
prematuros na Escola Primaria do 1º e 2º Graus de Nangoela", dos 10 professores inqueridos,
60% dos inqueridos que corresponde 6 professores responderam que os factores que estão por
de traz dos casamentos prematuros nesta escola são pobreza e cerimónias tradicionais (ritos de
iniciação). Dos restantes 40% dos inqueridos que correspondem 4 professores responderam que
os factores que estão por de traz dos casamentos prematuros nesta escola é a falta de
informação por parte dos alunos a cerca desta prática.

Segundo UNICEF & UNFPA (2011), os factores que estão por de traz dos casamentos
prematuros em Moçambique são os seguintes:

Pressões e incentivos económicos - Incentivos materiais de compensação (lóbulo),


redução de despesa familiares (menos uma boca para alimentar);
Factor sociocultural – Normas sobre idade apropriada para o casamento definidas dos
benefícios de se adiar o casamento, ritos de iniciação sexual;
Religião – Meninas em agregados familiares religiosos (especialmente de fé
muçulmana) têm menos probabilidade de se casar do que crianças em familiar que não
seguem uma religião;
Região – Há mais casamentos prematuros nas áreas rurais; 56% das mulheres entre
20 – 24 anos casaram antes dos 18 anos de idade em áreas rurais e 36% em áreas
urbanas;
Educação – Raparigas que completaram o ensino secundário têm menos probabilidade
de estarem casadas antes dos 18 anos do que raparigas que não tiveram acesso à
educação.

Em relação a questão 10 referente "o que falta para que se reduza a tendência dos casamentos
prematuros", 100% dos professores inqueridos responderam que com o trabalho de
sensibilização em curso a situação tende a reduzir porém, deve se intensificar esta acção nas
escolas e nas comunidades, pelo menos uma vez por mês durante o ano, eventualmente poderá
mudar as mentes de muitos pais, encarregados de educação, e dos alunos a cerca desta prática.
Também o governo moçambicano preste mais atenção a cerca deste assunto principalmente nas
zonas rurais onde as informações sobre este são poucos difundidos.
38

Segundo UNICEF (2011), uma das formas mais eficazes de ajudar a reduzir ou a combater os
casamentos prematuros é: mudanças de normas culturais ao nível comunitário, e medidas para
fortalecer a educação da rapariga e melhorar as oportunidades económicas para jovens
raparigas e reforma legal.

Mudança sociocultural.

Poucos progressos serão feitos para a eliminação dos casamentos prematuros a menos que as
normas culturais que fomentam e promovem os casamentos prematuros sejam mudadas. O
casamento é uma instituição moldada pelas atitudes sociais, por isso provocar mudanças para
que o casamento ocorra mais tarde através de intervenções com foco em famílias individuais,
não é susceptível de provocar alterações de atitudes e comportamentos ao nível mais amplo da
comunidade. O trabalho com os líderes tradicionais, igrejas e mesquitas, assim como com as
raparigas que se encontram no comando dos ritos de iniciação, é crucial para transmitir os
benefícios de se retardar o casamento. Isto pode ser suplementado por meio de campanhas
através dos mas media, incluindo as rádios comunitárias.

Manter as raparigas na escola.

Decorrente do abandono escolar por parte das raparigas devido ao casamento prematuro, e para
que elas possam completar a escola primária e fazer a transição e manterem - se na escola
secundária, é crucial que a escola e o casamento sejam mutuamente exclusivos – embora
medidas podem e devem ser tomadas para proporcionar oportunidades para que as raparigas já
casadas voltem para a escola. Apesar dos progressos assinaláveis para se alcançar o equilíbrio
de género ao nível do ensino primário, a taxa de conclusão é ainda baixa para as raparigas do
que para os rapazes, embora os níveis de conclusão do ensino primário e transição para o
secundário são ainda baixas para ambos, raparigas e rapazes, com uma taxa bruta de conclusão
do ensino primária de 47% em 2012. A baixa qualidade da educação leva alunos (tanto rapazes
como raparigas) a abandonaram e não completarem o ensino, portanto aumentar a qualidade da
educação é uma estratégia chave para manter as raparigas na escola.

Empoderamento económico da mulher.

Em última analise, as raparigas e suas famílias precisam de melhorar as suas perspectivas


económicas. Somente quando as famílias e as raparigas poderem colher os benefícios
económicos do investimento na sua educação, através de um maior poder aquisitivo na vida
adulta, é que as famílias e as próprias raparigas poderão visualizar o investimento na educação
39

como um incentivo muito forte para atrasar a idade de casamento. Isto requer uma atenção
muito especial para a mulher, na criação de programas de emprego, educação técnica e
vocacional, e a expansão do acesso as micro - fianças entre outras medidas de empoderamento
das raparigas economicamente pobres. As transferências monetárias também podem jogar um
papel importante na redução das pressões económicas dos agregados familiares que
influenciam a ocorrência dos casamentos prematuros.

Reforma legal

A idade legal para o casamento é 18 anos segundo a Lei da Família (Lei 10/2004) e a Lei de
Promoção e Protecção dos Direitos da Criança (Lei 7/2008).
40

4.2. ANÁLISE DOS DADOS

A pesquisa foi realizada na Escola Primaria do 1º e 2º Graus de Nangoela, no distrito de


Quelimane, localizado no posto administrativo de Maquival. A escolha desta instituição se deveu
ao facto da fraca aderências das raparigas na escola e desistência das mesmas no meu do ano
lectivo. Assim por meio de inquérito buscou-se conhecer a visão dos professores.

Foi usado um tipo de questionário sendo voltado para os professores com perguntas abertas e
fechadas.

O carácter da pesquisa foi exploratória e descritivo, desta forma foi feito um levantamento
bibliográfico para o embasamento teórico e colecta de dados por meio de inquerido.

De acordo com o gráfico 1, verificou-se que 80% dos professores responderam que as causas
dos casamentos prematuros é através da situação financeira dos familiares e 20% dos
professores responderam as causas é através dos ritos de iniciação realizados nas comunidades
onde as raparigas são inseridas.

Segundo os dados verificou – se que os casamentos prematuros influenciam negativamente no


processo de ensino aprendizagem dos alunos, afectando o seu aproveitamento pedagógico onde
culmina com a desistência dos mesmos por não ter tempo de ir a escola porque ficam a cuidar
das suas casas e seus filhos.

No estudo feito, também verificou – se que o índice comparativo dos casamentos prematuros no
período de 2016 a 2017 na escola", no ano 2017 verificou – se mais casamento prematuros em
relação ao ano 2016. Por exemplo em 2017 ouve 4 casos de casamentos prematuros e em 2016
verificou – se um caso desta pratica nesta escola.

Para reduzir a tendência dos casamentos prematuros verificou – se que 100% dos professores
responderam que há falta de palestras na escola e nas comunidades, pelo menos uma vez por
mês durante o ano houvesse palestras que eventualmente podiam mudar as mentes de muitos
pais encarregados de educação, e ao mesmo tempo dos alunos a cerca desta prática. Também
o governo moçambicano prestasse mais atenção a cerca deste assunto principalmente nas
zonas rurais onde as informações dos casamentos prematuros são poucos difundidos

Além de mais, dos dados no inquérito feito pelos professores notei que a prática dos casamentos
prematuros ainda tende aumenta naquela região por fraca de informação difundida a cerca deste
acto.
41

4.3. CONCLUSÃO E SUGESTÕES

4.3.1. Conclusão

A pesquisa se propôs a reflectir sobre a influência dos casamentos prematuros no Processo de


Ensino/Aprendizagem.

Foi utilizado como instrumento de pesquisa a abordagem qualitativa e quantitativa (mista),


através da pesquisa bibliográfica. Buscou-se neste trabalho identificar, através da investigação
das influências que os casamentos prematuros trouxeram no PEA na Escola Primaria do 1º e 2º
Graus de Nangoela.

Após a análise dos dados obtidos através do inquérito, verificou-se a presença dos casamentos
prematuros nesta instituição de ensino, assim como a desvantagem desta pratica para o
processo de ensino - aprendizagem, visto que as raparigas são as mais afectadas neste caso.

A pesquisa foi realizada sem maiores dificuldades. A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida a
partir de artigos disponíveis na internet e livros de autores. A colecta de dados transcorreu de
forma positiva, na qual todos colaboraram e participaram activamente.

Por meio da pesquisa realizada pode-se constatar que os casamentos prematuros afectam
negativamente no desempenho educacional dos alunos afectando o fraco rendimento
pedagógico no processo de ensino e aprendizagem dos mesmos.

Conclui-se, deste modo que os factores que motivam a ocorrência do casamento prematuro,
estão relacionados com o facto de nas instâncias sociais, principalmente na família e
comunidade. Mais do que apontar factores transversais como os altos índices de pobreza entre a
população rural, o fraco acesso aos serviços sociais básicos, como a saúde, educação, água
potável o casamento prematuro deve ser analisado partindo da premissa da distribuição desigual
de recursos e serviços atribuídos as crianças em função do seu sexo.
42

4.3.2. Sugestões

As instituições envolvidas na protecção e promoção dos direitos da rapariga sugiro que:

A UNICEF: envolve-se os conselhos comunitários nas Intervenções para a


promoção dos direitos da criança visando inibir e mitigar a CP: Promover a
participação das madrinhas (ritos de iniciação) dos representantes da medicina
tradicionais, líderes em acções de promoção dos direitos da rapariga visando o
adiamento da primeira relação sexual e assegurando a sua permanência na escola;

A UNICEF E O GOVERNO: efectua - se um estudo sobre incidência, áreas de


ocorrência e perfil das comunidades e famílias que praticam o Casamento
prematuro, de modo a identificar estratégia para a sua inclusão na Lei sobre
violência doméstica de modo a penaliza-lo: Uma estratégia que pode contribuir para
a inibição do casamento prematuro é a integração de possíveis eventos relacionados
com a promoção do casamento prematuro como forma de violência doméstica punível
por lei.

O GOVERNO E DIRECÇÃO DA EDUCAÇÃO: desenvolvessem programas que


atribuam incentivos às famílias que assegurem a permanência da rapariga na
escola, pelo menos até a conclusão do Ensino Secundário Básico: Permitir que,
através da alocação de recursos com impacto directo no rendimento familiar, a presença
da rapariga na escola signifique status e acesso às fontes alternativas de rendimento.

O GOVERNO: permitisse que a família se transforme num agente de protecção e


promoção dos direitos da criança (rapariga), harmonizar conceitos, estratégias de
intervenção: O governo e sociedade civil devem harmonizar conceitos e estratégias de
intervenção de modo a identificar áreas prioritárias de intervenção que permitam o
reconhecimento de referências socioculturais que determinam a evolução
comportamental e cronológica dos indivíduos.

A MISA: alargar os serviços de assistência aos adolescentes e jovens para a assegurar


que a rapariga tenha acesso a informação sobre saúde sexual e reprodutiva.
43

Referencias Bibliográficas

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APÊNDICE
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APÊNDICE 1: Guião de Inquérito dirigido aos professores da Escola Primária do 1º e 2º


Graus de Nangoela
Caro professor, o presente questionário tem como objectivo a recolha de dados sobre "o
impacto dos casamentos prematuros no processo de ensino e aprendizagem", para a
elaboração da Monografia Científica como requisito para obtenção do grau académico de
Licenciatura em Ensino Básico com Habilitação em Administração e Gestão da Educação, na
Universidade Pedagógica – Delegação de Quelimane.
NB: Pede – se que responda com maior sinceridade e fidelidade para que o trabalho seja
credível.

1. De certeza que já ouviste falar dos casamentos prematuros. Na sua opinião o que
são casamentos prematuros?
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2. Quais são as causas dos casamentos prematuros?
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3. Como tem sido a frequência dos casamentos prematuros nesta escola?
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4. Quais influencias os casamentos prematuros têm para o processo de ensino
aprendizagem?
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5. Já alguma vez deparou – se com alunos que já tenham – se casado precocemente
nesta escola?
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6. Em que frequência?
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_______________________________________________________________________
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7. Qual é a análise comparativa que faz do índice dos casamentos prematuros no
período de 2016 a 2017?
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_______________________________________________________________________
8. Quais foram as influências que os casamentos prematuros trouxeram para o PEA
no período de 2016 a 2017?
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9. Como professor, que factores estão por de traz dos casamentos prematuros na EP
1º e 2º Graus de Nangoela?
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10. Na sua opinião, o que falta para que se reduza a tendência de casamentos
prematuros?
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OBRIGADO PELA COLABORAÇÃO!

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