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A FORMAÇÃO DO HOMEM

MODERNO VISTA ATRAVÉS DA


ARQUITETURA
CARLOS ANTÔNIO LEITE BRANDÃO
CAPÍTULO IV

ANA PAULA FONTES E LAÍS BARBOSA


DISCIPLINA: ESTÉTICA E ARQUITETURA
PROFESSOR: KLEBER FRIZZERA
A ARCHÉ E O ESPÍRITO DE SISTEMA
A ARCHÉ

“A arquitetura de Michelangelo não inaugura o período Barroco, mas, sem dúvida, funda um
campo de possibilidades estéticas inéditas para a produção artística que lhe segue.”

“(...) produção de uma beleza que não mais


coincide com a proporcionalidade, o
equilíbrio e a racionalidade da composição
estática. Ao contrário, a TENSÃO, o
DINAMISMO e a DESPROPORÇÃO
tornam-se ideais estéticos.”

Escada da Biblioteca Laurenziana,(1524 - 1526)


Michelangelo

https://michelangelobuonarrotietornato.com/2015/02/16/tutta-l
a-bellezza-della-biblioteca-medicea-laurenziana/
A ARCHÉ

BASÍLICA DE SÃO PEDRO, VATICANO, 1546:


“(...) a robusta parede, que contém a ebulição interna, e o
fechamento da lanterna, pela qual a luz divina deveria
banhar o edifício, estabelecem um isolamento entre os
espaços interno, sagrado, e externo, mundano.”

Século XVI: homem em conflito, “alienado de um


mundo exterior onde não encontra nenhuma fonte de
referência para sua situação no mundo.”
A obra de Michelangelo “sugere que é dentro de si
mesmo que o homem deve buscar sua segurança
existencial”
A arquitetura de Michelangelo (...) põe em marcha esse
deslocamento da arché das estruturas objetivas para as
estruturas subjetivas da criação do edifício

https://www.infoescola.com/cristianismo/basilica-de-sao-pedro/
A ARCHÉ

“A arquitetura barroca, ao contrário, se caracterizará por uma liberação espacial


dessas forças reprimidas, assim como das normas dos tratadistas, das
convenções geométricas e históricas, do estático, da simetria e da antítese entre
espaço interno e espaço externo (...).”

“o belo não surge mais da perfeita realização das leis da arquitetura clássica, mas
da utilização e da interpretação que o arquiteto faz delas.”
O ESPÍRITO DE SISTEMA

“Conferir ao espaço um sentido existencial significa trazer o edifício para


o mundo humano, romper as amarras que o continham e fazê-lo
transbordar para o exterior, estruturando o meio ambiente ao seu redor”

“EDIFÍCIO ESTRUTURA O MUNDO HUMANO”

“(...)à aspiração ao infinito das formas barrocas corresponderia o conceito


de ilimitação do mando soberano; ao esplendor formal, a expansão do
sistema na existência humana, criando uma beleza persuasiva, dominante e
monumental(...)”
O ESPÍRITO DE SISTEMA

Contexto: Contra - Reforma (principalmente na Itália) e Monarquia Absoluta (na França)

“Ao sistema interessava, portanto, persuadir o cidadão, seduzi-lo através do impacto visual, da
imaginação e do arrebatamento.”

https://br.france.fr/pt/onde-ir/artigo/palacio-versalhes-0

http://www.lmc.ep.usp.br/people/hlinde/estrutur
as/saopedro.htm
ARQUITETURA E SIGNIFICADO: O ESPAÇO NO
SÉCULO XVII
A CIDADE E O ESPÍRITO DE SISTEMA

Monumento como elementos estruturantes da cidade barroca: “ a existência humana


readquire segurança e significado e vê-se referenciada pelos sistemas ideológicos e
hierárquicos que deles emanam (...)”

Apesar de adotarem linguagens diferentes, o barroco francês e o barroco italiano tinham um ponto comum:
“construir centros focais hierárquicos representativos do poder absoluto” e “viabilizar a propagação da
mensagem destes edifícios por toda a cidade através de um conveniente planejamento urbano que enfatize
aqueles monumentos” e “permitir que aqueles monumentos não só estruturem o entorno urbano edificado,
mas também a própria paisagem natural que se vê dominada e as demais cidades que à capital devem se
subordinar”
A CIDADE E O ESPÍRITO DE SISTEMA

ROMA E A PIAZZA SAN PIETRO

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_de_S%C3%A3o_Pedro
ROMA E A PIAZZA SAN PIETRO

CÚPULA APÓS MORTE DE MICHELANGELO:

Ofuscada por diversas reformas na Basílica de


São Pedro;

Carlo Maderno: reforma na fachada


transformando a cúpula de Michelangelo em
elemento secundário

Praça de São Pedro: ainda era um espaço “amorfo, sem


definição, que não condizia com a sistematicidade
barroca”
ROMA E A PIAZZA SAN PIETRO
BERNINI

Contratado por Alexandre VII (1655 - 1667) para projetar o espaço urbano em frente à Igreja.

“Simetrizar o espaço urbano a partir da cúpula significava produzir um espaço que enquadrasse a visão
desta pelo espectador situado numa praça, junto à qual a cúpula readquiriria sua expressão formal
urbana ao nível do chão”

Representar a autoridade histórica, política e religiosa de Roma

converter-se no grande teatro persuasivo do mundo católico

Bernini pensa em três soluções:

“Pórtico retangular para definir o contorno da praça”: Ângulos retos poucos convidativos

Praça circular: Destacaria ainda mais a horizontalidade da fachada

Praça como um pórtico elíptico composto de quatro fileiras de colunas


ROMA E A PIAZZA SAN PIETRO

Focos da elipse nos eixos laterais da fachada Foto retirada do Google Street View

As visadas laterais da cúpula são favorecidas por não


encontrarem a fachada no meio do caminho
Colunas: repetem os temas das colunas da
cúpula
HORIZONTALIDADE da fachada se dilui ao inscrever-se
Se integram com as colunas da fachada
perfeitamente no contorno da elipse, ficando a cúpula em
destaque
ROMA E A PIAZZA SAN PIETRO

Imagem retirada do Google Earth


ROMA E A PIAZZA SAN PIETRO

Imagem retirada do Google street View

Praça trapezoidal que liga a praça elíptica à basílica é menor do que a fachada: PERSPECTIVA

Alteração do tamanho das colunas à medida que se aproxima da igreja: REDIRECIONA o olhar do
observador para a cúpula
ROMA E A PIAZZA SAN PIETRO

“Pelas quatro fileiras de colunas, o mundo é purificado para se aproximar do


monumento, e, simultaneamente, a mensagem da igreja é difundida a todos os
homens”

“Nos braços abertos de sua elipse, toda a humanidade é acolhida pelo sistema e
encontra sua segurança existencial dentro dele. Dessa forma o valor monumental
sai do edifício e invade a cidade, dando também a esta o caráter monumental que
ela deve ter enquanto capital que irradia sua mensagem a todo o mundo”
PARIS E O PALÁCIO DE VERSALHES

https://br.france.fr/pt/onde-ir/artigo/palacio-versalhes-0
PARIS E O PALÁCIO DE VERSALHES

Henrique XIV - “restaurador da


monarquia absoluta, desejoso de fazer
de Paris a cidade capital expressiva do
novo sistema.)

Place Royale - “espaços urbanos


centrados e desenvolvidos a partir da
estátua do soberano”

Nova relação entre o povo (subordinado


diretamente ao poder único) e o
soberano

“de Paris, capital e sede do poder


absoluto, emanava o novo sistema
nacional que devia englobar todo o View of "Porte et Place de France, Paris, 1861, after early original by Claude
Chastillon (1547-1616), 1610
Estado” https://art.famsf.org/jean-charles-huguet/view-porte-et-place-de-france-paris-186
1-after-early-original-claude-chastillon
PARIS E O PALÁCIO DE VERSALHES

Luís XIV - construção de duas novas praças

Place des Victories

Place Vandôme (1699 - 1708) https://en.parisinfo.com/transport/90844/Place-Vendome


Joules Hardouin Mansart (1646 -
1708)
PARIS E O PALÁCIO DE VERSALHES

Place de Victories (1682 - 1687) - Joules Hardouin Mansart (1646 - 1708)

https://en.wikipedia.org/wiki/Place_des_Victoire
Imagem retirada do Street s
View
PARIS E O PALÁCIO DE VERSALHES
PARIS E O PALÁCIO DE VERSALHES

Projeto inicial: Lous Le Vau (1612 -


1670)

Joules Hardouin Mansart:


acrescenta as alas norte e sul do
palácio HORIZONTALIDADE

“ambas as fachadas são


estruturadas por perspectivas
infinitas, cujo CENTRO é o
edifício do SOBERANO”

https://viagemeturismo.abril.com.br/atracao/versailles-palacio-de-versalhes/
PARIS E O PALÁCIO DE VERSALHES

“Centro convergente na sua relação


com a cidade; centro divergente na
sua relação com os jardins. É como se
a cidade estivesse em função do
palácio e este se empenhasse em
dominar a natureza”

“O eixo longitudinal leva o observador


a dominar o espaço infinito. Em torno
desse eixo penetra-se na natureza
através de caminhos transversais e
esquemas radiais que indicam o poder
a abertura do sistema emanado do
palácio

“O HOMEM DO SÉC XVII SE VOLTA


PARA A NATUREZA E O UNIVERSO:
NÃO MAIS PARA ENCONTRAR-SE NA https://viagemeturismo.abril.co
CRIAÇÃO, MAS PARA DOMINÁ-LA” m.br/atracao/versailles-palacio-
de-versalhes/
BORROMINI E A ARCHÉ BARROCA
BERNINI E BORROMINI
BERNINI (1590 - 1680)
“Suas formas expressavam os dogmas religiosos e exaltavam o poder e o triunfo da renovada
Igreja Católica sobre o mundo. Por isso, ele empregava os materiais mais áulicos e refinados
na sua arquitetura”

“Bernini recupera conceitualmente o classicismo, não com o olhar estético


renascentista, mas com o propósito retórico e persuasivo barroco.”

“O ponto de partida de Bernini era a síntese teórica, definida previamente no


projeto: ali se estabelecia o sistema de sua arquitetura(...)”

TEATRALIDADE PERSUASÃO MONUMENTALIDADE ILUSIONISMO


BORROMINI E A ARCHÉ BARROCA
BERNINI (1590 - 1680)
Sant'Andrea al Quirinale, Roma,

Fachada: “(...) extraordinária força


plástica, quase escultórica(...)”
“(...) Pórtico circular faz a transição
para o interior de dois espaços, a igreja
e a praça(...)”

Escadaria: “(...) convexidade dá à


pequena igreja um caráter monumental
https://acervodigital.unesp.br/bitstream/unesp/
dentro do contexto urbano” 141146/2/aula2_roma_bramante_bernini_borr
omini.pdf

“A planta elíptica também estendida no


sentido da largura, dá ao espaço o
mesmo caráter monumental, expansivo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_Santo_A
e calmo que Bernini procura em suas
ndr%C3%A9_no_Quirinal obras”
https://acervodigital.unesp.br/bitstream/unesp/141146/2/aula2_roma_bramante_bernini_borromini.pdf
BORROMINI E A ARCHÉ BARROCA
BERNINI E BORROMINI
BORROMINI (1599 - 1667)
“O sistema nasce dentro do artista e
não fora dele”

O criar importa mais do que o exaltar, e a subjetividade expressa o seu


poder opondo-se a qualquer lei compositiva objetiva”

Contratado principalmente pelas ordens religiosas, que criticavam o luxo e a ostentação da


igreja, e acreditavam que não bastava apenas a crença e o respeito, mas também a realização
de boas obras sociais, e estimular a práxis caritativa e religiosa dos fiéis

“(...)o valor da atividade artística está no fazer, na práxis e na crítica à ostentação e à


riqueza incomensurada da igreja(...)”
BORROMINI E A ARCHÉ BARROCA
BORROMINI (1599 - 1667)

“O que seus edifícios vão representar não são os dogmas do sistema absoluto ou das premissas teóricas
preestabelecidas, mas o drama moral, sentimental e psicológico do homem moderno, cujos valores se
contrapõem aos da natureza e procuram expressar-se na matéria sem nenhuma mediação intelectual.”

“O espaço - correlato do espírito, da alma, da subjetividade - torna-se o verdadeiro fator da


arquitetura. (...) O espaço em Borromini não é a consequencia, mas a causa, a matéria
arquitetônica primordial. (...) é o próprio espaço o encarregado de expressar a situação
dramática do homem barroco.”

SURPRESA O PASMO DELÍRIO VISUAL


San Carlo alle Quattro Fontane, Roma, 1634 - 1667

https://pt.wikipedia.org/wiki/San_Carlo_alle_Quattro_Fontane
San Carlo alle Quattro Fontane, Roma, 1634 - 1667
ELIPSE DISPOSTA NA “Espaço indivisível, contínuo, unificado”
LONGITUDINAL: “provocando um “Ausência de ângulos retos que
sentimento de tensão e contração no quebrem a continuidade das paredes e
espaço, enfatizando o caminho do fiel a unidade espacial”
pela nave, distanciando a porta da
igreja e o altar”
“utilização de materiais
simples e rudes, como o
revestimento branco do
interior de San Carlino, e o
trabalho na pedra aparente na
fachada”

Colunas desnecessárias e
https://pt.wikipedia.org/wiki/San_Carlo_alle_
Quattro_Fontane demasiadamente grandes
Planta: “elipse que circunscreve
dois círculos justapostos, cujos “o que interessa ao edifício
raios iguais passam a governar borrominiano é oferecer-se á
toda a disposição espacial experiência, humana e
interna” limitada, do espaço vivido
https://pt.wikipedia.org/wiki/San_Carlo_alle_Quattro_Fontane
San Carlo alle Quattro Fontane

Fachada: “síntese do encontro das


forças internas e externas que, se
modulando, levam o interior para a
rua e o exterior para a igreja”

“Devido à estreiteza da rua e à falta de


espaço perspéctico frontal, era necessário
que a fachada captasse e transmitisse a
mensagem da igreja ao espectador, sem o
auxílio de praças, colunatas ou escadarias”

Jogo de luz e sombra

https://pt.wikipedia.org/wiki/San_Carlo
Intenção verticalizante no centro da _alle_Quattro_Fontane
fachada
“o que interessa ao edifício
borrominiano é oferecer-se á
experiencia, humana e
limitada, do espaço vivido
San Carlo alle Quattro Fontane

Colunas desproporcionais à arquitrave DESPROPORCIONALIDADE/


OPOSIÇÃO À BELEZA CLÁSSICA

“Essa superdimensão da coluna ressemantiza-a


ao desprovê-la de sua significação ordenadora,
racional e antropocêntrica originária”
Sant’Ivo alla Sapienza, Roma, 1642

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sant%27Ivo_a
lla_Sapienza
Sant’Ivo alla Sapienza, Roma, 1642
Interpretações:

● Baseada no círculo (“símbolo da perfeição e da eternidade do


universo”)
● Intersecção de um triângulo equilátero e três círculos (“perfeição
da ciência)
● Rotação de triângulo equilátero (“símbolo da Trindade, ou puro
símbolo de Deus)
● Duplos triângulos invertidos (“símbolo da estrela de Davi)

Planta serve como partido da cúpula,


https://pt.wikipedia.org/wiki/Sant%27Ivo_alla conseguindo uma continuidade que
_Sapienza percorre toda a igreja

“(...)desenvolvida em torno de um hexágono e


alternando absides e nichos de fundo convexo.”
Sant’Ivo alla Sapienza, Roma, 1642

Pilares principais sustentam a lanterna


Pilares secundários sustentam as janelas da cúpula

“Um impressionante empuxo visual surge para


criar, sob o centro da base anular da lanterna,
um eixo vertical que coincide com o centro da
planta da igreja”

“(...)centralidade DINÂMICA, ESTRELAR,


DIVERGENTE, IRRADIANTE, jamais encontrada nas
estáticas centralidades renascentistas (...)”

http://romananglican.blogspot.com/2016/02/baroque-wonder-santivo-alla-sa
pienza-by.html
Sant’Ivo alla Sapienza, Roma, 1642
“Exteriormente esse eixo vertical será expresso
magnificamente e estendido, rumo ao céu, pela lanterna
em espiral, convertendo a igreja em FOCO URBANO”

https://en.wikipedia.org/wiki/Sant%27Ivo_alla_Sapienz
a
Sant’Ivo alla Sapienza, Roma, 1642

“Ao nível do pátio, a forma côncava da fachada denuncia a


pressão maior do espaço externo e acolhe o cidadão (...).
Penetrando-se no interior da igreja, o espaço recolhe tais
pressões e lança-as vertiginosamente para cima,
concentrando-as no eixo vertical.”

“A forte pressão do espaço interno se percebe exteriormente


na expansão convexa do tambor do segundo pavimento, até
se liberar na lanterna, que, velozmente coroa a igreja e sobe
ao céu”
A OBRA DE GUARINO GUARINI
SAN LORENZO, TURIM, A PARTIR DE 1666
A OBRA DE GUARINO GUARINI
SAN LORENZO, TURIM, A PARTIR DE 1666

https://en.wikipedia.org/wiki/San_Lorenzo,_Turin

“Guarini parece ter horror ao vazio e


inunda todo o espaço com seu trabalho”

https://www.bluffton.edu/homepages/facstaff/sullivanm/italy/turin/sanlorenzo/guarini.html
A OBRA DE GUARINO GUARINI
Palácio Carignano, Turim 1679

“Fachada desenvolvida em côncavos e


convexos, que enfatizam o eixo vertical ao
centro e dão movimento à superfície.”

Materiais simples: ressalta a práxis de


seu autor

https://pt.wikipedia.org/wiki/Palazzo_Carignano#/media/File:Muse
o_del_Risorgimento_italiano.JPG
DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E O HOMEM MODERNO

“Comecemos pelo espírito de síntese. Em função dele, articulam-se os eixos


verticais e horizontais, o centro e o caminho; concentra-se nas plantas e fachadas
um máximo de possibilidades espaciais; procura-se total continuidade e
indivisibilidade das construções; interpenetra-se a arquitetura com a escultura e o
movimento com o repouso; unem-se ilusão e realidade, dignidade e delicadeza,
poder e gentileza, matemática e razão com fantasia e desrazão”

● Apanhado e mistura de toda a experiência arquitetural que antecede


● Síntese e anti-historicismo
● Surgimento de novas certezas
● Expressar a subjetividade
● Máxima liberdade do artista
● Abertura de novas fontes
DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E O HOMEM MODERNO

Karlskirche (Viena 1715)

“conclusão natural da história da arquitetura”


DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E O HOMEM MODERNO

● Focos urbanos: centralização, integração e extensão espacial


● Verticalização (estátuas, obeliscos e torres) exibindo seu poder e se
contrapondo ao horizontalismo
● O seu objetivo era persuadir, participar e transporte psicológico
○ formas de luz, metamorfósica
○ ostentação de riqueza e incontáveis esculturas

● Mágico, místico e fantástico


● Criação de novos sistemas religiosos, políticos, científico e filosófico, no qual
o homem encontra o seu lugar
● Noberg-Schulz divide em três fases: Renascimento, Maneirismo e Barroco
DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E O HOMEM MODERNO

RENASCIMENTO
● Aspectos divinos
● Harmonia
● Perfeição
● Harmonia entre homem e natureza

MANEIRISMO
● Dúvida ao renascimento, resgate da dimensão escura
● Irracionalismo
● Dionisiática
● Ameaça ao homem e da natureza

BARROCO
● Procura de nova totalidade
● Subjetivismo e criatividade
● Resgate da natureza submetida ao homem
● Arte persuasiva, teatral, sistemática e sintética, que integra o homem ao
sistema
DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E A CIÊNCIA MODERNA

“Compreendendo o ilimitado do espaço, imensidão do cosmos, o continuum do


real, o infinito não mais se atribui ao Ser Supremo, transferindo-se a alma e ao
conhecimento”

● Exaltação das possibilidades humanas e ao aprofundamento da


subjetividade
● Abandono e desamparo do homem diante da natureza
● Participação ativa das experiências mundanas
● Expressão da trágica subjetividade humana e não ordenação cósmica
● “A lanterna de Sant’ Ivo concede uma imagem de dinâmica, que se perde no
infinito, sem alcançar o ponto central”
DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E A CIÊNCIA MODERNA

Sant’Ivo

● Assimetria oposta à absoluta centralidade renascentista


DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E A CIÊNCIA MODERNA

● A extensão de Versalhes, ilustra o desejo barroco pelo infinito


● Pura extensão, geometrização
● Galileu : “ o universo está escrito em língua matemática”
DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E A CIÊNCIA MODERNA

“ A sensação que se tem diante dos jardins de Le Nôtre é de que a geometria


estrutura todo o espaço regulando cada um de seus pontos, tornando visível as
verdadeiras e invisíveis leis matemáticas que governam todo o universo”
DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E A CIÊNCIA MODERNA

● Não se conhece as coisas em sua essência, mas em sua forma simbólica de números e
expressões
● Nossas sensações são subjetivas
● Exclusão do homem do reino natural, ele é antinatural
● Necessidade de afastar das sensações
● Galileu valoriza o momento artístico, manual, práxis do trabalho e não apenas a elaboração
teórica
● A ciência formará uma nova e segura síntese segundo a qual o homem passa a compreender o
universo
● Reforma do trabalho, do artista e do conceito de beleza
DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E A CIÊNCIA MODERNA

Borromini: Experiência do novo método


● PRIMEIRO:
○ Síntese entre teoria e prática

● SEGUNDO
○ A importância da prática

● TERCEIRO
○ Participação do espectador para a plena realização

● QUARTO
○ Autonomia do sujeito
DA ARQUITETURA AO MUNDO BARROCO
A ARQUITETURA BARROCA E A CIÊNCIA MODERNA

ASPECTOS EM COMUM ENTRE A CIÊNCIA MODERNA E A ARQUITETURA BARROCA:


1. Infinitude do universo moderno
2. Descentramento, o dinamismo e o movimento concebidos na natureza e vistos nas formas e na
pluri perspectiva barroca
3. Tensões e forças dominam o espaço
4. Geometrização do espaço
5. Busca por uma síntese unificada e completa
6. Sistematização de leis, princípios e métodos para reger o campo científico e espacial
7. Antinaturalismo
8. Valorização da experiência e prática
9. Recusa á tradição
10. Universalismo
11. Subjetividade, autonomia e liberdade

“a arquitetura assinala o advento de uma nova consciência científica e de uma concepção do universo
infinito, dinâmico e sem centro”
A ARQUITETURA BARROCA E A FILOSOFIA MODERNA
A ARQUITETURA BARROCA E O RACIONALISMO CARTESIANO

DESCARTES
● Criador do racionalismo baseado no pensamento reflexivo, metafísica e ruptura com o mundo
● Sistematização de novos valores seguros e universais sobre os quais constituir-se-ia a
modernidade
● Redefinição do homem e uma nova relação com o mundo e com Deus que substituísse a perda da
harmonia anterior

“O projeto de uma ciência universal que possa elevar nossa natureza a seu mais alto grau de perfeição.
Eu tento apenas estabelecer alguma coisa que seja tão simples e evidente que todas as opiniões dos
outros com ela se conciliam”
A ARQUITETURA BARROCA E A FILOSOFIA MODERNA
A ARQUITETURA BARROCA E O RACIONALISMO CARTESIANO

● Sistema que engloba matemática, física, mecânica, moral, metafísica, religião, fornecendo as
respostas necessárias ao desenvolvimento do homem seiscentista
● Crise do século XVI: o homem se via deslocado do centro do universo
○ Matemática e geometria, livres de pressupostos religiosos e dos enganos das aparências
sensíveis
● Sua epistemologia tem pontos opostos a arquitetura barroca
○ busca de um método e de uma racionalidade matemática, cujas verdades são consideradas
seguras, universais e eternas
○ abandono da experiência sensível pela intelectualização, pela abstração sucessiva do mundo
○ concepção do universo como mecânico e como pura extensão
○ recusa de qualquer intervenção da imaginação ou do fantástico do conhecimento do real
○ concepção do corpo humano como máquina
○ espírito de ordem
○ evidências das naturezas simples
● Estética ligado a um maior rigor classicismo e racionalismo
A ARQUITETURA BARROCA E A FILOSOFIA MODERNA
A ARQUITETURA BARROCA E O RACIONALISMO CARTESIANO

● Èon barroco em Descartes: A arquitetura e a filosofia cartesiana procuram exaltar e construir um


sistema complexo, seguro e universal, que ofereça ao homem uma nova ancoragem existencial e
substitua a perda de sua proporcionalidade com o cosmo
● Res extensa: suas propriedades fundamentais são as da geometria, busca por um método de
trabalho que alcance verdades e formas no movimento
○ tema fundamental da arquitetura e do paisagismo de Versalhes
● Semelhança entre Descartes e Borromini
○ assimetria
○ metodológica
○ justificativa pela experiência
○ recusa da autoridade em favor da experiência
○ teatralidade e retórica
○ sedução e envolvimento

● Procura criar um sistema persuasivo, centralizado, integrado, baseado na RAZÃO


A ARQUITETURA BARROCA E A FILOSOFIA MODERNA
A ARQUITETURA BARROCA E O RACIONALISMO CARTESIANO

● O edifício faz parte do mundo ilusório e é utilizada com propósito catequético, levando o homem a
uma experiência extramundana
● Descartes: mesmo propósito, contudo, na esfera da razão
● Horror vacui: as formas ligam-se umas às outras, tocando-se e invadindo-se mutuamente até
formar uma unidade indivisível que percorre todo o espaço
○ DESCARTES:não admite o vazio

● Teoria do turbilhão: o movimento das partes do universo é produzido pelo choque entre elas
● Busca da novidade absoluta e rejeição total do passado e de modelos históricos

“Sua autoridade é retirada da subjetividade infinita da alma, do poder do Cogito, que providencia
uma segura, mas trágica, referência existencial, que substitui a antiga referência existencial, que
substitui a antiga referência cósmica. Começa assim, a fase moderna da arquitetura”
A ARQUITETURA BARROCA E A FILOSOFIA MODERNA
O BARROCO EM PASCAL E LEIBNIZ

PASCAL
● Explicita o caráter trágico fundante do homem moderno
● Compreensão da homologia entre o saber teórico e a arte do período não é perfeita, e a razão
da riqueza expressiva contida na arquitetura barroca
● O filósofo percebe a impossibilidade do homem, cheio de erro, chegar à verdade naturalmente
○ da mesma forma a estética barroca se afastará da estabilidade e razão como padrão de
beleza
● Valorização do detalhe, a menor parte à qual, tanto Deus, por um lado, como o artista, por outro,
tentam levar a máxima perfeição e vitalidade.
● Representação do infinito
● Espaço inquieto, indefinido, oscilação entre a multiplicidade das cenografias e que lhe contem e
unidade e uma iconografia
Lista de imagens
● Karlskirche:
https://www.google.com.br/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Fupload.wikimedia.org%2Fwikipedia%2Fcommons%2Fthumb%2F1%2F1e%2
FKarlskirche_Abendsonne_3.JPG%2F1200px-Karlskirche_Abendsonne_3.JPG&imgrefurl=https%3A%2F%2Fen.wikipedia.org%2Fwiki%2
FKarlskirche&docid=gqIg-H4501kOOM&tbnid=duLdxFFxgIh73M%3A&vet=10ahUKEwil5v_GwtjdAhVLkJAKHQBFCSsQMwg8KAAwAA..i&
w=1200&h=940&bih=664&biw=1366&q=Karlskirche&ved=0ahUKEwil5v_GwtjdAhVLkJAKHQBFCSsQMwg8KAAwAA&iact=mrc&uact=8
● Sant’ Ivo:
○ cupula:
https://www.google.com.br/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Fupload.wikimedia.org%2Fwikipedia%2Fcommons%2F5%2F51%2FC
upola_sant_Ivo_alla_Sapienza_2006.jpg&imgrefurl=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FFicheiro%3ACupola_sant_Ivo
_alla_Sapienza_2006.jpg&docid=RtHI4gtvU8nXlM&tbnid=8Fp3rcvMphDrKM%3A&vet=10ahUKEwiT5ILww9jdAhWEgZAKHXxeAh
8QMwg4KAIwAg..i&w=3008&h=2000&itg=1&bih=664&biw=1366&q=Sant%E2%80%99Ivo&ved=0ahUKEwiT5ILww9jdAhWEgZAK
HXxeAh8QMwg4KAIwAg&iact=mrc&uact=8
○ Fachada:
https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiJwZqBxtjdAhUKC5A
KHX1wCggQjRx6BAgBEAU&url=https%3A%2F%2Fwww.classictic.com%2Fen%2Frome%2Fsant__ivo_alla_sapienza%2F1194%
2F&psig=AOvVaw3aFz3jbkygVYhnJ8Q100V-&ust=1538046509766189
● Jardim de Le Notre:
https://www.google.com.br/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Fartlarkdotorg.files.wordpress.com%2F2014%2F09%2Forangerie-chateau-ver
sailles-andre-le-notre-jean-claude-lafarge.jpg&imgrefurl=https%3A%2F%2Fartlark.org%2F2018%2F09%2F15%2Fgrand-designs-andre-le-
notre-and-the-gardens-of-versailles%2F&docid=wBcTH-Ne1XzkKM&tbnid=zK1KgWSCPMffaM%3A&vet=10ahUKEwiT8PjIxtjdAhVBg5AK
He99A0oQMwgzKAAwAA..i&w=1024&h=575&bih=664&biw=1366&q=jardins%20de%20le%20notre&ved=0ahUKEwiT8PjIxtjdAhVBg5AKH
e99A0oQMwgzKAAwAA&iact=mrc&uact=8

● Versailles:
https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjgxuyOx9jdAhXBGJAKHXUx
DlAQjRx6BAgBEAU&url=https%3A%2F%2Freservando.parisinfo.com%2Fil4-oferta_i159-castelo-de-versalhes-visita-livre.aspx&psig=AOv
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