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ESEF-UPE - Escola Superior de Educação Física da Universidade de Pernambuco

LAPED - Laboratório de Estudos Pedagógicos


ETHNÓS – Grupo de Estudos Etnográficos em Educação Física e Esporte
Mestranda: Camila Luiz de Lyra
FICHAMENTO

Matriz:
AUTOR REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA PALAVRAS-CHAVES

GALVÃO, Ana Carolina. Referência:GALVÃO, A. C.; LAVOURA, T. Educação. Pedagogia


N.; MARTINS, L. M. Pedagogia histórico- histórico-crítica. Histórico.
crítica: 40 anos de história. In:
Fundamentos da didática histórico-
crítica. 1. ed. Campinas: Autores
Associados, 2019. p. 31-41.
Título original: -
Tradução: -
Edição: 1. ed.

Matriz:
RESUMO ESQUEMÁTICO:

PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA: 40 ANOS DE HISTÓRIA


1. ORIGEM DA PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA E SEUS PRIMEIROS ESCRITOS

1970 – Origem da pedagogia histórico-crítica – tese de Carlos Roberto Jamil Cury. Primeira
sistematização feita através de categorias lógicas de uma teoria crítica não-reprodutivista de
educação.
1980 – Exposição de Dermeval Saviani na I Conferência Brasileira de Educação transformou-se em
artigo publicado em 1981 na Revista ANDE nº 1 e posteriormente segundo capítulo do livro Escola
e democracia.
1982 – Divulgados na revista Cadernos de Pesquisa da Fundação Carlos Chagas e na Revista
ANDE, respectivamente, o que seriam posteriormente primeiro e terceiro capítulos da obra citada
acima.
1983 – Lançamento do livro Escola e democracia que contou ainda com um quarto capítulo escrito
para a ocasião. Nele encontramos uma exposição das principais teorias da educação, crítica à
pedagogia escolanovista considerada pelo autor uma pedagogia burguesa e o anúncio de uma
teoria crítica (contra-hegemônica) da educação com vistas à classe trabalhadora (o que viria a ser a
pedagogia histórico-crítica).
1990 (década) – neoliberalismo e pós-modernidade na centralidade política e cultural da sociedade,
refluem as perspectivas progressistas da década de 1980.
1994 – Simpósio “Dermeval Saviani e a Educação Brasileira” – UNESP/Marília. Contou com mais
de seiscentos participantes e lançamento e reedição de várias obras do autor.
2018 – Publicação revista e atualizada de Escola e democracia – 43ª edição.
2008 – Edição comemorativa e ampliada da obra mencionada acima pelos seus 25 anos. O livro
está traduzido também para o inglês e o espanhol assim como o livro Pedagogia histórico-crítica:
primeiras aproximações.
1982 – Publicação do livro Socialização do saber escolar, de Betty Oliveira e Newton Duarte, fala
sobre experiências de ensino do Programa de Educação de Adultos (PEA) da UFSCar com base
nas formulações de Saviani.
1986 – Publicação do livro O ensino da matemática na educação de adultos de Newton Duarte.
Também a partir de uma experiência no PEA, o autor reflete sobre a contribuição do ensino da
matemática para as transformações sociais e como ela se efetiva e diz que contribui não só pela
sua própria socialização, mas também pela dimensão política que é intrínseca na sua transmissão-
assimilação.
1991 – Apenas após oito anos de Escola e democracia, Saviani lança outra obra escrita por ele
mesmo que coleta textos de conferências realizadas por ele na década de 1980: Pedagogia
histórico-crítica: primeiras aproximações.
1993 – Publicação do livro A individualidade para si, fruto da tese de doutorado de Newton Duarte
defendida na UNICAMP em 1992. Nesta obra, o autor deixa claro que a pedagogia histórico-crítica
deve contribuir para a superação da sociedade capitalista através da prática pedagógica. Diz que os
desafios de uma teoria pedagógica comprometida com práticas educativas que lutam pelo
socialismo requerem um trabalho teórico amplo e profundo, e por isso deve ser uma tarefa
assumida coletivamente, em direções e campos diversos. Esse livro busca contribuir para isso
delimitando e analisando categorias da concepção marxista do ser humano que componham
categorias básicas de uma teoria histórico-crítica da formação do indivíduo.
1996 – Publicação do livro O trabalho educativo: reflexões sobre paradigmas e problemas do
pensamento pedagógico de Betty Oliveira.

2. A RETOMADA DA PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA NO SÉCULO XXI E SUA CONTINUIDADE

Da segunda metade da década de 1990 até a chegada do século XXI não houve lançamento de
nenhuma obra que abordasse a pedagogia histórico-crítica de maneira sistemática, apesar de
existirem obras que partem dessa teoria, essa colocação diz respeito às que explicitamente se
dedicaram à discussão da mesma. Novas publicações que discutiram sobre a pedagogia histórico-
crítica:
2002 – Livro de Scalcon e livro de Gasparin. Também falam sobre o início do curso de graduação
em pedagogia da UNESP/Bauru que teve seu PPP fundamentado na teoria citada.
2005 – Santos.
2007 e 2009 – Arce e Martins.
2009 – Geraldo.
2009 – Forte retomada a partir do Seminário “Pedagogia histórico-crítica: 30 anos” em
UNESP/Araraquara promovido pelo Grupo de Pesquisa Estudos Marxistas em Educação (GPEME).
Participaram professores e alunos de graduação e pós-graduação de 69 instituições, 37 cidade, 11
estados brasileiros.
2010 a 2019 – Lançamentos de dezenove livros que tratam a pedagogia histórico-crítica em
diferentes aspectos. Os autores citam cada um deles em nota de rodapé. Várias outras atividades
foram realizadas abordando a mesma, entre elas, disciplinas ofertadas na UNICAMP com presença
de convidados de diferentes instituições. Os autores citam cada uma delas em notas de rodapé,
algumas foram gravadas e estão disponíveis na web.
Contribuições à pedagogia histórico-crítica centradas em dois grupos:
- Grupo de Estudos e Pesquisas História, Sociedade e Educação no Brasil – HISTEDBR
coordenado por José Claudinei e Dermeval Saviani;
- Estudos Marxistas em Educação coordenado por Newton Duarte e Lígia Márcia Martins.
Apesar de outros grupos também contribuírem, esses grupos se destacam, o primeiro por ter
Saviani, a maior referência na área, o segundo por ter a maior quantidade de dissertações e teses
orientadas na área.
2012 – IX Seminário Nacional do HISTEDBR que homenageou Saviani e teve Newton Duarte na
conferência de abertura com o tema “A pedagogia histórico-crítica no âmbito da educação
brasileira” e Congresso “Infância e pedagogia histórico-crítica” coordenado por Ana Carolina
Galvão, membro do GPEME.
2013 – XI Jornada do HISTEDBR em Cascavel, Paraná com o tema “A pedagogia histórico-crítica, a
educação brasileira e os desafios de sua institucionalização”. Primeiro evento a ter um eixo temático
de trabalho denominado “Pedagogia histórico-crítica”.
2015 – Congresso “Pedagogia histórico-crítica: educação e desenvolvimento humano” em
UNESP/Bauru coordenado por Juliana Campregher Pasqualini, membro do GPEME. Contou com
mais de novecentos professores universitários e da educação básica e estudantes de graduação e
pós-graduação de vinte estados brasileiros.
2016 – 50 anos de carreira de Saviani, reconhecida nacional e internacionalmente e em defesa da
classe trabalhadora. Realizou-se o Seminário “Dermeval Saviani e a educação brasileira:
construção coletiva da pedagogia histórico-crítica” coordenado por Ana Carolina Galvão, com
participação de pesquisadores orientados por Saviani no início da carreira, companheiros de
trabalho, nomes de referência nacional da pedagogia histórico-crítica e representantes da nova
geração. Também foi realizado o X Seminário Nacional do HISTEDBR com mesa-redonda que
articulou os 30 anos do grupo com os 50 anos de carreira de Saviani com os professores Antônio
Joaquin Severino, José Carlos Libâneo e Newton Duarte compondo a mesma.
2017 – XIV Jornada do HISTEDBR em UNIOESTE/Foz do Iguaçu/PR com título “A pedagogia
histórico-crítica: educação e evolução: 100 anos da Revolução Russa”, debatendo a educação
como instrumento para a revolução e buscando enfatizar sua tarefa na transformação social e de
emancipação humana.
2018 – XV Jornada do HISTEDBR intitulada “História da educação entre os desafios da pedagogia
histórico-crítica e a educação básica” na UFPA. Entre outros temas, discutiu a proposta de
educação do Pará com a pedagogia histórico-crítica. Também aconteceu outra edição do congresso
trienal na UNESP/Presidente Prudente coordenado pela professora Rosiane de Fátima Ponce e
com título “Pedagogia histórico-crítica: uma defesa da escola pública e democrática em tempos de
projetos de ‘Escolas sem Partidos’”. Em um contexto de forte ataque à educação iniciado a partir do
golpe de 2016 no Brasil, que tirou da presidência Dilma Rousseff, buscou problematizar a
desvalorização da escola, a desqualificação da formação de professores, opor-se às reformas
(trabalhistas, previdenciária, do ensino médio), projeto de privatização da educação, implantação da
BNCC, cerceamento da liberdade, entre outros ataques.
2010 a 2016 – O Grupo de Pesquisa Estudos Marxistas em Educação identificou nesse período 353
participações em congressos, simpósios, seminários e encontros. Ações de formação continuada
também foram observadas, sejam por secretarias municipais ou programas do governo federal.
Também identificou-se ações do PIBID pautada da pedagogia histórico-crítica na UFMS/Pantanal e
na UESC. O HISTEDBR organiza grupos de estudo sobre pedagogia histórico-crítica através do GT
da Região Oeste do Paraná (HISTEDOPR). Um dado encontrado pelo Grupo de Pesquisa
Pedagogia Histórico-crítica e Educação Escolar (UFES) é que em períodos A1 a B1, de 2010 a
2016, apenas foram encontrados 171 artigos de 60 revistas com descritor “pedagogia histórico-
crítica”, o que corresponde a uma porcentagem de 13,5%. Os autores apontam o limite de aceitação
do referencial marxista em muitas revistas, o fato de muitos autores preferirem publicar livros e uma
elaboração inicial referente à prática pedagógica. Mesmo assim destacam a publicação de dois
números da Revista Germinal: Educação e Marxismo em Debate totalmente dedicados à pedagogia
histórico-crítica em 2013 e 2015.
- Prefácio à 7ª edição – Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações – 2000 – contexto de
início de década marcado por contradições do capitalismo se mostrando na educação. É preciso
buscar alterar as relações sociais de produção para superar esses problemas.
- O livro visa contribuir para a consolidação e divulgação da pedagogia histórico-crítica e para a
tarefa de transformação social, almejando uma sociedade comunista.

CITAÇÃO:

Sobre o capítulo 4 do livro Escola e Democracia:


"Nele, o autor realiza uma exposição das principais teorias da educação, destacando pela via da polêmica e
da denúncia a questão da pedagogia escolanovista como pedagogia burguesa e, por fim, anuncia uma
teoria crítica (contra-hegemônica) da educação, articulada do ponto de vista da classe trabalhadora”. p. 31

“Se pretendemos contribuir para que os educandos sejam sujeitos das transformações sociais e do uso da
matemática nela, é necessário que contribuamos para que eles desenvolvam um modo de pensar e agir que
possibilite captar a realidade enquanto um processo, conhecer as suas leis internas do desenvolvimento,
para poder captar as possibilidades de transformação do real [Duarte, 2009, p. 10]”. p. 33

“continuar insistindo no discurso da força própria da educação como solução das mazelas sociais ganha
foros de nítida mistificação ideológica. Ao contrário disso, faz-se necessário retomar o discurso crítico que
se empenha em explicitar as relações entre a educação e seus condicionantes sociais, evidenciando a
determinação recíproca entre a prática social e a prática educativa, entendida ela própria, como uma
modalidade específica da prática social. E é esta, sem dúvida, a marca distintiva da pedagogia histórico-
crítica. Mais do que isso, o momento atual é oportuno para se retomarem os esforços de desenvolvimento e
aprofundamento dessa teoria pedagógica. Reitero, assim, aos professores o apelo para que busquem testar
em sua prática as potencialidades da teoria, ao mesmo tempo que renovo o meu empenho em prosseguir
em minhas pesquisas, visando a trazer novo elementos que ampliem e reforcem a consistência da proposta
educativa traduzida na pedagogia histórico-crítica. [SAVIANI, 20011b, p. XVI, grifo nosso]”. p. 41

ANÁLISE-CRÍTICA:

Diante do que foi exposto pelos autores no capítulo, foi possível perceber a importância da pedagogia
histórico-crítica, considerando as contribuições explicitadas, para o campo da educação e para os/as
professores/as que buscam pautar sua prática pedagógica em teorias que tenham como pressuposto a
superação da sociedade de classes. Um ponto a se refletir é sobre as publicações em periódicos, que pode
ser visto como uma fragilidade da teoria, visto que, alguns espaços tendem a ser mais valorizados na
organização social vigente e pode-se considerar importante ocupá-los para que se consiga atingir
determinados focos de atuação. Apesar de considerar que a forma predominante de se chegar ao público é
mais consistente e aprofundada (através dos livros), penso que seja fundamental atingir os mais variados
públicos e se colocar nos mais variados espaços a fim de que se atinja uma maior quantidade de pessoas.
Além disso, é preciso também quebrar certos paradigmas existentes na área acadêmica, e uma forma de
conseguir é se colocando, ocupando e não se afastando. Penso que esse deve ser um ponto a ser
trabalhado por quem se propõe a pesquisar e publicar sobre a pedagogia histórico-crítica.

DÚVIDAS: -

SÍNTESE:

O/as autor/as buscam fazer um apanhado histórico das produções e contribuições da pedagogia histórico-
crítica enquanto teoria da educação. No primeiro item traçam quase que uma cronologia desde a origem,
passando pelas primeiras publicações que tratam sobre a teoria pedagógica e em alguns momentos falam
um pouco mais sobre as contribuições especificamente. No segundo item falam sobre a retomada, depois
de alguns anos sem publicações novas que tratassem da teoria, até chegar aos dias atuais. Apesar de
centrar a escrita no histórico, em alguns momentos o/as autor/as deixam claro do que se trata a pedagogia
histórico-crítica: uma teoria educacional que visa contribuir com proposições de práticas pedagógicas que
incentivam a criticidade por parte dos/das estudantes, sua compreensão acerca da realidade e a
transformação da forma de organização da sociedade atual, o capitalismo, buscando construir uma nova
sociedade, uma sociedade comunista. O/as autor/as buscam sempre ressaltar a importância da pedagogia
histórico-crítica, o quanto ela contribui para que professores/as, sejam da educação básica ou da
universidade, se organizem e consigam pautar suas ações no ambiente escolar de acordo com os
pressupostos mencionados. Também destacam o quanto já existiu de publicações acadêmicas, livros,
eventos, disciplinas, entre outras formas de contribuição vindas das pessoas que estudam, defendem e
buscam divulgar e dar acesso a essa teoria. Por fim, apontam a baixa quantidade de publicações em
periódicos sobre a teoria e destacam algumas causas. Fecham reafirmando o objetivo da obra de contribuir
para a consolidação e divulgação da pedagogia histórico-crítica e para a transformação social.

VOCABULÁRIO: -

MENSAGEM CENTRAL DO TEXTO:

A pedagogia histórico-crítica apresenta uma vasta produção na área da educação e contribui nesse campo
para que a prática educativa (em consonância com a prática social, visto que, têm determinação recíproca)
some forças para a superação da sociedade capitalista, rumo a uma sociedade comunista.

ANÁLISE FINAL:

A obra é bastante relevante para que se conheça a história da pedagogia histórico-crítica e para que se
tenha a compreensão da relevância da mesma para a área da educação.

BIBLIOGRAFIA SUPORTE:

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 42. ed. Campinas: Autores Associados, 2009.

SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 11. ed. Campinas: Autores
Associados, 2011.

BIBLIOGRAFIA INTERESSANTE:

GAMA, Carolina Nosella. Princípios curriculares à luz da pedagogia histórico-crítica: as contribuições


da obra de Dermeval Saviani. 2015. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação,
Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2015.

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