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Universidade Federal do Estado do Pará

UF-PA
Técnico em Assuntos Educacionais

MA066-19
Todos os direitos autorais desta obra são protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/12/1998.
Proibida a reprodução, total ou parcialmente, sem autorização prévia expressa por escrito da editora e do autor. Se você
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OBRA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO PARÁ

TÉCNICO EM ASSUNTOS EDUCACIONAIS

EDITAL Nº 140, DE 15 DE MAIO DE 2019

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Raciocínio Lógico - Profº Bruno Chieregatti e Joao de Sá Brasil
Legislação - Profª Bruna Pinotti
Conhecimentos Específicos - Profª Ana Maria B. Quiqueto

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Leandro Filho
Karina Fávaro

DIAGRAMAÇÃO
Elaine Cristina
Danna Silva
Thais Regis

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA
Conteúdo do texto: compreensão e interpretação............................................................................................................................... 44
Recursos que estabelecem a coesão no texto ....................................................................................................................................... 44
Relações semântico-discursivas (causa, condição, concessão, conclusão, explicação, inclusão, exclusão, oposição,
etc.) entre ideias no texto e os recursos linguísticos usados em função dessas relações......................................................... 44
Níveis de linguagem (emprego adequado de itens lexicais, considerando os diferentes níveis de linguagem;
sintaxe de regência nominal e verbal, de concordância nominal e verbal, de colocação pronominal, segundo a
norma culta).......................................................................................................................................................................................................... 44
Linguagem denotativa e conotativa........................................................................................................................................................... 63
Fenômenos semânticos: sinonímia, homonímia, antonímia, ambiguidade..................................................................................... 72
Ordem das palavras nas orações: mudança de sentido ocasionada pela inversão; ordem das orações no enunciado:
efeito de sentido (realce) ocasionado pela inversão............................................................................................................................... 81
Discurso direto e indireto ............................................................................................................................................................................... 44
Escrita do texto: ortografia, acentuação gráfica, assinalamento da crase, pontuação............................................................... 44

RACIOCÍNIO LÓGICO
Raciocínio dedutivo................................................................................................................................................................................................ 01
Lógica ......................................................................................................................................................................................................................... 01
Processos de indução .......................................................................................................................................................................................... 01
Raciocínio por analogia ...................................................................................................................................................................................... 01
Inferência ................................................................................................................................................................................................................... 01
Premissas ................................................................................................................................................................................................................... 01
Abdução .................................................................................................................................................................................................................... 01
Falácias ....................................................................................................................................................................................................................... 01

LEGISLAÇÃO
Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civil da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais (Lei
nº 8.112/90 e suas alterações): Título II – Do Provimento, Vacância, Remoção, Redistribuição e Substituição; Título III –
Dos Direitos e Vantagens; Título IV – Do Regime Disciplinar; Título V – Do Processo Administrativo Disciplinar............... 01
Código da Ética Profissional do Servidor Público Civil Federal (Decreto nº 1.171 de 22/06/1994)........................................... 29
Lei nº 11.091, de 12/01/2005................................................................................................................................................................................ 40
Decreto nº 5.707, de 23/02/2006........................................................................................................................................................................ 46
Decreto nº 5.825, de 29/06/2006........................................................................................................................................................................ 48
Decreto nº 9.094, de 17/07/2017........................................................................................................................................................................ 51
Decreto nº 9.723, de 11/03/2019......................................................................................................................................................................... 55
SUMÁRIO

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - TÉCNICO EM ASSUNTOS


EDUCACIONAIS
Educação Superior e Desenvolvimento Social do Brasil ....................................................................................................................... 01
Educação Superior: estrutura e funcionamento....................................................................................................................................... 08
Autonomia Universitária.................................................................................................................................................................................... 12
Direitos humanos, cidadania, diversidade social e inclusão social................................................................................................... 19
Elaboração, desenvolvimento e avaliação de projetos........................................................................................................................... 22
Gestão e coordenação de processos educacionais............................................................................................................................... 26
Planejamento: plano de ensino e projeto político-pedagógico, Projeto Pedagógico de Curso............................................ 48
Avaliação: concepções, aprendizagem significativas, políticas de avaliação institucional e aspectos
macroinstitucionais ........................................................................................................................................................................................... 64
Utilização das tecnologias da informação e comunicação................................................................................................................. 75
Educação Superior e os debates contemporâneos............................................................................................................................... 79
Plano Nacional de Educação, Lei nº 13.005/14 e educação superior............................................................................................. 87
Legislação Educacional Atualizada e alterações recentes até a data do concurso: Constituição Federal, Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996) e alterações, Plano Nacional de Educação,
Política Nacional e acessibilidade para pessoas com de deficiência (Lei nº 10.048/00 e suas alterações, Lei nº 10.098/00
e suas alterações e o Decreto-Lei nº 5.296/04 e suas alterações).................................................................................................... 104
Ensino, pesquisa e extensão: conceitos, especificidades, características, importância, tipos, planos, processos,
acompanhamento, avaliação e registro....................................................................................................................................................... 142
Ensino de graduação: finalidades, características, bases legais, financiamento......................................................................... 147
Ensino de pós-graduação: finalidades, características, bases legais, fomento............................................................................ 147
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Equivalência e transformação de estruturas: Flexão de substantivos, adjetivos e pronomes (gênero, número, grau e
pessoa). Processos de coordenação e subordinação. Colocação pronominal ...................................................................................... 01
Estudo, compreensão e interpretação de Texto: A significação das palavras no texto, conceito, encontros vocálicos,
Dígrafos, Ortoépia, Divisão Silábica, Prosódia-Acentuação; Conteúdo do texto: Relações semântico-discursivas entre
ideias no texto e os recursos linguísticos usados em função dessas relações; Escrita do texto; Modalizações no texto e os
recursos linguísticos usados em função dessas modalizações; Textos: publicitários, jornalísticos, instrucionais, narrativos,
poéticos, epistolares, história em quadrinhos; Linguagem verbal e não verbal ..................................................................................... 44
Fenômenos semânticos: sinonímia, homonímia, antonímia, paronímia, hiponímia, hiperonímia, ambiguidade ..................... 60
Figuras de linguagem: (comparação, metáfora, eufemismo, prosopopeia, onomatopeia, antítese, paradoxo, hipérbole,
perífrase, silepse, hipérbato, metonímia, ironia, sinestesia, aliteração); Figuras e Vícios de Linguagem ....................................... 63
Acentuação ...................................................................................................................................................................................................................... 69
Morfologia (Flexão e Emprego): Substantivo; Adjetivo; Pronome; Artigo; Preposição; Numeral; Advérbio; Interjeição;
Verbo-flexão .................................................................................................................................................................................................................... 71
Substantivo: classificação, flexão, emprego. Adjetivo: classificação, flexão, emprego. Pronome: classificação, emprego,
colocação dos pronomes pessoais oblíquos átonos, formas de tratamento. Verbo: conjugação, flexão, propriedades,
classificação, emprego, correlação dos modos e tempos verbais, vozes. Advérbio: classificação e emprego. Níveis de
linguagem: Linguagem denotativa e linguagem conotativa. Ortografia: Crase/Pontuação/ Ortografia: Dificuldades
ortográficas; Emprego do “s, z, g, j, ss, ç, x, ch” ................................................................................................................................................... 72
Língua portuguesa aplicada à redação de documentos ................................................................................................................................. 81
Regra padrão de concordância nominal e verbal .............................................................................................................................................. 93
Sintaxe: Elementos estruturais das palavras; Formação das palavras; Frase-oração-período; Sujeito: classificação;
Predicado: verbal, nominal e verbo-nominal; Complementos verbais, objeto direto, objeto indireto; Adjuntos
adnominais e adverbiais; Agente da passiva; Vocativo e aposto; Período composto por coordenação; Período composto
por subordinação; Colocação pronominal, pronomes átonos; Figuras de sintaxe; Termos de Oração/ Período Composto/
Conceito e classificação das orações ..................................................................................................................................................................... 104
dica o plural em oposição à ausência de morfema,
EQUIVALÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO DE que indica o singular: garoto/garotos; garota/ga-
ESTRUTURAS: FLEXÃO DE SUBSTANTI- rotas; menino/meninos; menina/meninas. No caso
VOS, ADJETIVOS E PRONOMES (GÊNERO, dos nomes terminados em –r e –z, a desinência de
NÚMERO, GRAU E PESSOA). PROCESSOS plural assume a forma -es: mar/mares; revólver/re-
DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO. vólveres; cruz/cruzes.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL. C.2 Desinências verbais: em nossa língua, as desi-
nências verbais pertencem a dois tipos distintos.
Há desinências que indicam o modo e o tempo
(desinências modo-temporais) e outras que indi-
ESTRUTURA DAS PALAVRAS cam o número e a pessoa dos verbos (desinência
número-pessoais):
As palavras podem ser analisadas sob o ponto de vis-
ta de sua estrutura significativa. Para isso, nós as dividi- cant-á-va-mos:
mos em seus menores elementos (partes) possuidores de cant: radical / -á-: vogal temática / -va-: desinência
sentido. A palavra inexplicável, por exemplo, é constituí- modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do in-
da por três elementos significativos: dicativo) / -mos: desinência número-pessoal (caracteriza a
In = elemento indicador de negação primeira pessoa do plural)
Explic – elemento que contém o significado básico da
palavra cant-á-sse-is:
Ável = elemento indicador de possibilidade cant: radical / -á-: vogal temática / -sse-:desinência
modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do
Estes elementos formadores da palavra recebem o subjuntivo) / -is: desinência número-pessoal (caracteriza
nome de morfemas. Através da união das informações a segunda pessoa do plural)
contidas nos três morfemas de inexplicável, pode-se en-
tender o significado pleno dessa palavra: “aquilo que não D) Vogal temática
tem possibilidade de ser explicado, que não é possível tor- Entre o radical cant- e as desinências verbais, surge
nar claro”. sempre o morfema –a. Este morfema, que liga o
Morfemas = são as menores unidades significativas radical às desinências, é chamado de vogal temá-
que, reunidas, formam as palavras, dando-lhes sentido. tica. Sua função é ligar-se ao radical, constituindo
o chamado tema. É ao tema (radical + vogal temá-
tica) que se acrescentam as desinências. Tanto os
1. Classificação dos morfemas verbos como os nomes apresentam vogais temá-
ticas. No caso dos verbos, a vogal temática indica
A) Radical, lexema ou semantema – é o elemento as conjugações: -a (da 1.ª conjugação = cantar), -e
portador de significado. É através do radical que (da 2.ª conjugação = escrever) e –i (3.ª conjugação
podemos formar outras palavras comuns a um = partir).
grupo de palavras da mesma família. Exemplo:
pequeno, pequenininho, pequenez. O conjunto de D.1 Vogais temáticas nominais: São -a, -e, e -o,
palavras que se agrupam em torno de um mesmo quando átonas finais, como em mesa, artista, per-
radical denomina-se família de palavras. da, escola, base, combate. Nestes casos, não pode-
B) Afixos – elementos que se juntam ao radical antes ríamos pensar que essas terminações são desinên-
(os prefixos) ou depois (sufixos) dele. Exemplo: cias indicadoras de gênero, pois mesa e escola, por
beleza (sufixo), prever (prefixo), infiel (prefixo). exemplo, não sofrem esse tipo de flexão. É a estas
C) Desinências - Quando se conjuga o verbo amar, vogais temáticas que se liga a desinência indica-
obtêm-se formas como amava, amavas, amava, dora de plural: mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes
amávamos, amáveis, amavam. Estas modificações terminados em vogais tônicas (sofá, café, cipó, ca-
ocorrem à medida que o verbo vai sendo flexio- qui, por exemplo) não apresentam vogal temática.
nado em número (singular e plural) e pessoa (pri-
meira, segunda ou terceira). Também ocorrem se D.2 Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que
modificarmos o tempo e o modo do verbo (ama- caracterizam três grupos de verbos a que se dá o
va, amara, amasse, por exemplo). Assim, podemos nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal
concluir que existem morfemas que indicam as fle- temática é -a pertencem à primeira conjugação;
xões das palavras. Estes morfemas sempre surgem aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à se-
no fim das palavras variáveis e recebem o nome de
LÍNGUA PORTUGUESA

gunda conjugação e os que têm vogal temática -i


desinências. Há desinências nominais e desinên- pertencem à terceira conjugação.
cias verbais.
C.1 Desinências nominais: indicam o gênero e o E) Interfixos
número dos nomes. Para a indicação de gênero, o São os elementos (vogais ou consoantes) que se in-
português costuma opor as desinências -o/-a: ga- tercalam entre o radical e o sufixo, para facilitar ou mes-
roto/garota; menino/menina. Para a indicação de mo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. Por
número, costuma-se utilizar o morfema –s, que in- exemplo:

1
Vogais: frutífero, gasômetro, carnívoro.
Consoantes: cafezal, sonolento, friorento.

2. Formação das Palavras

Há em Português palavras primitivas, palavras derivadas, palavras simples, palavras compostas.


A) Palavras primitivas: aquelas que, na língua portuguesa, não provêm de outra palavra: pedra, flor.
B) Palavras derivadas: aquelas que, na língua portuguesa, provêm de outra palavra: pedreiro, floricultura.
C) Palavras simples: aquelas que possuem um só radical: azeite, cavalo.
D) Palavras compostas: aquelas que possuem mais de um radical: couve-flor, planalto.

As palavras compostas podem ou não ter seus elementos ligados por hífen.

2.1. Processos de Formação de Palavras

Na Língua Portuguesa há muitos processos de formação de palavras. Entre eles, os mais comuns são a derivação, a
composição, a onomatopeia, a abreviação e o hibridismo.

2.2. Derivação por Acréscimo de Afixos

É o processo pelo qual se obtêm palavras novas (derivadas) pela anexação de afixos à palavra primitiva. A derivação
pode ser: prefixal, sufixal e parassintética.

A) Prefixal (ou prefixação): a palavra nova é obtida por acréscimo de prefixo.


In feliz / des leal
Prefixo radical prefixo radical

B) Sufixal (ou sufixação): a palavra nova é obtida por acréscimo de sufixo.


Feliz mente / leal dade
Radical sufixo radical sufixo

C) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo. Por parassíntese formam-
-se principalmente verbos.
En trist ecer
Prefixo radical sufixo

En tard ecer
prefixo radical sufixo

Há dois casos em que a palavra derivada é formada sem que haja a presença de afixos. São eles: a derivação regres-
siva e a derivação imprópria.

2.3. Derivação

• Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo, na formação
de substantivos derivados de verbos.
janta (substantivo) - deriva de jantar (verbo) / pesca (substantivo) – deriva de pescar (verbo)

• Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é obtida pela mudança de categoria gramatical da palavra primi-
tiva. Não ocorre, pois, alteração na forma, mas somente na classe gramatical.
Não entendi o porquê da briga. (o substantivo “porquê” deriva da conjunção porque)
Seu olhar me fascina! (olhar aqui é substantivo, deriva do verbo olhar).

#FicaDica
LÍNGUA PORTUGUESA

A derivação regressiva “mexe” na estrutura da palavra, geralmente transforma verbos em substantivos:


caça = deriva de caçar, saque = deriva de sacar
A derivação imprópria não “mexe” com a palavra, apenas faz com que ela pertença a uma classe gramati-
cal “imprópria” da qual ela realmente, ou melhor, costumeiramente faz parte. A alteração acontece devido
à presença de outros termos, como artigos, por exemplo:
O verde das matas! (o adjetivo “verde” passou a funcionar como substantivo devido à presença do artigo
“o”)

2
2.4. Composição a) palavra composta
b) palavra primitiva
Haverá composição quando se juntarem dois ou mais c) palavra derivada
radicais para formar uma nova palavra. Há dois tipos de d) neologismo
composição: justaposição e aglutinação.
A) Justaposição: ocorre quando os elementos que Resposta: Letra C. en + triste + ido (com consoante
formam o composto são postos lado a lado, ou de ligação “c”) = ao radical “triste” foram acrescidos o
seja, justapostos: para-raios, corre-corre, guarda- prefixo “en” e o sufixo “ido”, ou seja, “entristecido” é
-roupa, segunda-feira, girassol. palavra derivada do processo de formação de palavras
B) Composição por aglutinação: ocorre quando os chamado de: prefixação e sufixação. Para o exercício,
elementos que formam o composto aglutinam-se basta “derivada”!
e pelo menos um deles perde sua integridade so-
nora: aguardente (água + ardente), planalto (plano REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
+ alto), pernalta (perna + alta), vinagre (vinho + SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
acre). Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
Onomatopeia – é a palavra que procura reproduzir char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. –
certos sons ou ruídos: reco-reco, tique-taque, fom-fom. São Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras: li-
Abreviação – é a redução de palavras até o limite teratura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
permitido pela compreensão: moto (motocicleta), pneu
(pneumático), metrô (metropolitano), foto (fotografia). SITE
Disponível em: http://www.brasilescola.com/gramati-
Abreviatura: é a redução na grafia de certas palavras, ca/estrutura-e-formacao-de-palavras-i.htm
limitando-as quase sempre à letra inicial ou às letras ini-
ciais: p. ou pág. (para página), Sr. (para senhor).
Classes de palavras
Sigla: é um caso especial de abreviatura, na qual se
Adjetivo
reduzem locuções substantivas próprias às suas letras
iniciais (são as siglas puras) ou sílabas iniciais (siglas im-
É a palavra que expressa uma qualidade ou caracterís-
puras), que se grafam de duas formas: IBGE, MEC (siglas
tica do ser e se relaciona com o substantivo, concordan-
puras); DETRAN ou Detran, PETROBRAS ou Petrobras (si-
do com este em gênero e número.
glas impuras). As praias brasileiras estão poluídas.
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos
Hibridismo: é a palavra formada com elementos (plural e feminino, pois concordam com “praias”).
oriundos de línguas diferentes: automóvel (auto: grego;
móvel: latim); sociologia (socio: latim; logia: grego); sam- 1. Locução adjetiva
bódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego).
Locução = reunião de palavras. Sempre que são ne-
cessárias duas ou mais palavras para falar sobre a mes-
EXERCÍCIOS COMENTADOS ma coisa, tem-se locução. Às vezes, uma preposição +
substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Lo-
cução Adjetiva (expressão que equivale a um adjetivo).
1. (RIOPREVIDÊNCIA – ESPECIALISTA EM PREVIDÊN- Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem
CIA SOCIAL – SUPERIOR - CEPERJ/2014) A palavra “in- freio (paixão desenfreada).
fraestrutura” é formada pelo seguinte processo: Observe outros exemplos:

a) sufixação
de águia aquilino
b) prefixação
c) parassíntese de aluno discente
d) justaposição de anjo angelical
e) aglutinação
de ano anual
Resposta: Letra B. Infra = prefixo + estrutura – temos
LÍNGUA PORTUGUESA

de aranha aracnídeo
a junção de um prefixo com um radical, portanto: de-
de boi bovino
rivação prefixal (ou prefixação).
de cabelo capilar
2. (SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA SOCIAL/MG – de cabra caprino
AGENTE DE SEGURANÇA SOCIOEDUCATIVO – MÉDIO
de campo campestre ou rural
- IBFC/2014) O vocábulo “entristecido” é um exemplo
de: de chuva pluvial

3
de criança pueril
de dedo digital
de estômago estomacal ou gástrico
de falcão falconídeo
de farinha farináceo
de fera ferino
de ferro férreo
de fogo ígneo
de garganta gutural
de gelo glacial
de guerra bélico
de homem viril ou humano
de ilha insular
de inverno hibernal ou invernal
de lago lacustre
de leão leonino
de lebre l eporino
de lua lunar ou selênico
de madeira lígneo
de mestre magistral
de ouro áureo
de paixão passional
de pâncreas pancreático
de porco suíno ou porcino
dos quadris ciático
de rio fluvial
de sonho onírico
de velho senil
de vento eólico
de vidro vítreo ou hialino
de virilha inguinal
de visão óptico ou ótico

Observação:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo correspondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª série.
/ O muro de tijolos caiu.

2. Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):


O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando
como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).

3. Adjetivo Pátrio (ou gentílico)


LÍNGUA PORTUGUESA

Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:

Estados e cidades brasileiras:

Alagoas alagoano
Amapá amapaense

4
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense
Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense

4. Adjetivo Pátrio Composto

Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita.
Observe alguns exemplos:

África afro- / Cultura afro-americana


Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
China sino- / Acordos sino-japoneses
Espanha hispano- / Mercado hispano-português
Europa euro- / Negociações euro-americanas
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros

5. Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.

6. Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
substantivos, classificam-se em:

A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente o último elemento: o moço norte-americano,
a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no feminino: conflito político-social e desavença político-social.

7. Número dos Adjetivos

A) Plural dos adjetivos simples


Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos subs-
tantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins, boa e boas.
LÍNGUA PORTUGUESA

Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
que estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: a
palavra cinza é, originalmente, um substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo.
Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza.
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).

5
B) Adjetivo Composto Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois
É aquele formado por dois ou mais elementos. Nor- elementos.
malmente, esses elementos são ligados por hífen. Ape- Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
nas o último elemento concorda com o substantivo a que duas qualidades de um mesmo elemento.
se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In-
Caso um dos elementos que formam o adjetivo com- ferioridade
posto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo Sou menos passivo (do) que tolerante.
composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra “rosa”
é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qua- B) Superlativo
lificando um elemento, funcionará como adjetivo. Caso O superlativo expressa qualidades num grau muito
se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou rela-
composto; como é um substantivo adjetivado, o adjetivo tivo e apresenta as seguintes modalidades:
composto inteiro ficará invariável. Veja:
B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a quali-
Camisas rosa-claro.
dade de um ser é intensificada, sem relação com outros
Ternos rosa-claro.
seres. Apresenta-se nas formas:
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.  Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
Observação:  Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre
invariáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, Observe alguns superlativos sintéticos:
vestidos cor-de-rosa.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois ele- benéfico - beneficentíssimo
mentos flexionados: crianças surdas-mudas.
bom - boníssimo ou ótimo
8. Grau do Adjetivo comum - comuníssimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a in- cruel - crudelíssimo
tensidade da qualidade do ser. São dois os graus do ad- difícil - dificílimo
jetivo: o comparativo e o superlativo.
doce - dulcíssimo
A) Comparativo fácil - facílimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica
fiel - fidelíssimo
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais caracte-
rísticas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser
de igualdade, de superioridade ou de inferioridade. B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
No comparativo de igualdade, o segundo termo da seres. Essa relação pode ser:
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto  De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
ou quão. todas.
 De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Su- todas.
perioridade
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de In- dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
ferioridade antepostos ao adjetivo.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de duas formas: uma erudita - de origem latina – e outra
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São popular - de origem vernácula. A forma erudita é cons-
eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/supe- tituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos
rior, grande/maior, baixo/inferior. -íssimo, -imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo;
a popular é constituída do radical do adjetivo português
Observe que: + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
 As formas menor e pior são comparativos de su- Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
perioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais
LÍNGUA PORTUGUESA

com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi-


mau, respectivamente. nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio
 Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas – cheíssimo.
(melhor, pior, maior e menor), porém, em compa-
rações feitas entre duas qualidades de um mesmo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
elemento, deve-se usar as formas analíticas mais
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
exemplo:
Paulo: Saraiva, 2010.

6
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Maria mora pertinho daqui. (muito perto)
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. A criança levantou cedinho. (muito cedo)
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
2. Classificação dos Advérbios
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ De acordo com a circunstância que exprime, o advér-
morf32.php bio pode ser de:
A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, aco-
Advérbio lá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde,
perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, de-
Compare estes exemplos: fronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures,
O ônibus chegou. aquém, embaixo, externamente, à distância, à dis-
O ônibus chegou ontem. tância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à
esquerda, ao lado, em volta.
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
do próprio advérbio. sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constan-
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei temente, entrementes, imediatamente, primeira-
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio mente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes,
(bem) à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um ad- quando, de quando em quando, a qualquer mo-
jetivo (claros) mento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
dia.
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acres- C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de-
centar ideia de: pressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às cla-
Tempo: Ela chegou tarde. ras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
Lugar: Ele mora aqui. poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
Modo: Eles agiram mal. geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Negação: Ela não saiu de casa. vão e a maior parte dos que terminam em “-men-
Dúvida: Talvez ele volte. te”: calmamente, tristemente, propositadamente,
pacientemente, amorosamente, docemente, escan-
1. Flexão do Advérbio dalosamente, bondosamente, generosamente.
D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre- efetivamente, certo, decididamente, deveras, indu-
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios, bitavelmente.
porém, admitem a variação em grau. Observe: E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
A) Grau Comparativo de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, pro-
modo que o comparativo do adjetivo: vavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo,
 de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): quem sabe.
Renato fala tão alto quanto João. G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em ex-
 de inferioridade: menos + advérbio + que (do cesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
que): Renato fala menos alto do que João. quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
 de superioridade: nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato extremamente, intensamente, grandemente, bem
fala mais alto do que João. (quando aplicado a propriedades graduáveis).
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
fala melhor que João. mente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo:
Brando, o vento apenas move a copa das árvores.
B) Grau Superlativo I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam-
O superlativo pode ser analítico ou sintético: bém. Por exemplo: O indivíduo também amadurece
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Re- durante a adolescência.
nato fala muito alto. J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
LÍNGUA PORTUGUESA

muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio


de modo aos meus amigos por comparecerem à festa.
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala al-
tíssimo. Saiba que:
Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
Observação: ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
comuns na língua popular. tarde possível.

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Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente, Chegou muito cedo. (advérbio)
em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu Joana é muito bela. (adjetivo)
calma e respeitosamente. De repente correram para a rua. (verbo)
Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
3. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
Há palavras como muito, bastante, que podem apare- Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
cer como advérbio e como pronome indefinido. Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér-
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro bio: Cheguei primeiro.
advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito.
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução
e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros. adverbial desempenham na oração a função de adjunto
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér-
#FicaDica bio. Exemplo:
Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
Como saber se a palavra bastante é advérbio verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
(não varia, não se flexiona) ou pronome indefi- Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
nido (varia, sofre flexão)? Se der, na frase, para dade e de tempo, respectivamente.
substituir o “bastante” por “muito”, estamos
diante de um advérbio; se der para substituir REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
por “muitos” (ou muitas), é um pronome. Veja: Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio Paulo: Saraiva, 2010.
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
(estudei muitos capítulos) = pronome indefinido ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

4. Advérbios Interrogativos SITE


http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como? morf75.php
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referen-
tes às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja:
Artigo
Interrogação Direta Interrogação Indireta
O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
Como aprendeu? Perguntei como aprendeu. -se como o termo variável que serve para individualizar
Onde mora? Indaguei onde morava. ou generalizar o substantivo, indicando, também, o gê-
nero (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Por que choras? Não sei por que choras. Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
Aonde vai? Perguntei aonde ia. riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
Donde vens? Pergunto donde vens. “uma”[s] e “uns]).

Quando voltas? Pergunto quando voltas. A) Artigos definidos – São usados para indicar se-
res determinados, expressos de forma individual: O
5. Locução Adverbial concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam
muito.
Quando há duas ou mais palavras que exercem fun- B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de
ção de advérbio, temos a locução adverbial, que pode modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprova-
expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordi- da! Umas candidatas foram aprovadas!
nariamente por uma preposição. Veja:
A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto, 1. Circunstâncias em que os artigos se manifestam:
para dentro, por aqui, etc.
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc. Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
LÍNGUA PORTUGUESA

C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão, numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal con-
em geral, frente a frente, etc. teúdo.
D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde, Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
hoje em dia, nunca mais, etc. admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
Janeiro, Veneza, A Bahia...
A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo, Quando indicado no singular, o artigo definido pode
o adjetivo e outro advérbio: indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.

8
No caso de nomes próprios personativos, denotando A prova não será fácil, por isso estou estudando muito.
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O 1. Morfossintaxe da Conjunção
Pedro é o xodó da família.
No caso de os nomes próprios personativos estarem As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
os Incas, Os Astecas...
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) 2. Classificação da Conjunção
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”. De acordo com o tipo de relação que estabelecem,
as conjunções podem ser classificadas em coordenati-
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) vas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa- ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro.
dos. (qualquer classe) Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da uni-
Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- dade de sentido que cada um dos elementos possui. Já
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma conjunção depende da existência do outro. Veja:
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
ter é uns vinte anos. Podemos separá-las por ponto:
O artigo também é usado para substantivar palavras Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o por-
quê de tudo isso. / O bem vence o mal. Temos acima um exemplo de conjunção (e, conse-
quentemente, orações coordenadas) coordenativa –
2. Há casos em que o artigo definido não pode ser “mas”. Já em:
Espero que eu seja aprovada no concurso!
usado:
Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas
a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
conhecidas: O professor visitará Roma.
principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te-
mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre-
(ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a
principal).
bela Roma.
3. Conjunções Coordenativas
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria
sairá agora? São aquelas que ligam orações de sentido completo
Exceção: O senhor vai à festa? e independente ou termos da oração que têm a mesma
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse função gramatical. Subdividem-se em:
é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o can- A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
didato cuja nota foi a mais alta. ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
não), não só... mas também, não só... como também,
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS bem como, não só... mas ainda.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- A sua pesquisa é clara e objetiva.
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Não só dança, mas também canta.
Paulo: Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras,
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SAC- expressando ideia de contraste ou compensação.
CONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. no entanto, não obstante.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010. C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expres-
sando ideia de alternância ou escolha, indicando
SITE fatos que se realizam separadamente. São elas: ou,
http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, tal-
vez... talvez.
LÍNGUA PORTUGUESA

Conjunção Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.

Além da preposição, há outra palavra também inva- D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
riável que, na frase, é usada como elemento de ligação: que expressa ideia de conclusão ou consequência.
a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
palavras de mesma função em uma oração: conseguinte, por isso, assim.
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e Marta estava bem preparada para o teste, portanto
São Paulo. não ficou nervosa.

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Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.

E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração que a explica, que justifica a ideia nela contida. São elas: que,
porque, pois (antes do verbo), porquanto.
Não demore, que o filme já vai começar.
Falei muito, pois não gosto do silêncio!

4. Conjunções Subordinativas

São aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas dependente da outra. A oração dependente, introduzida
pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha começado
quando ela chegou.
O baile já tinha começado: oração principal
quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal)
ela chegou: oração subordinada

As conjunções subordinativas subdividem-se em integrantes e adverbiais:

Integrantes - Indicam que a oração subordinada por elas introduzida completa ou integra o sentido da principal.
Introduzem orações que equivalem a substantivos, ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas: que, se.
Quero que você volte. (Quero sua volta)

Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exerce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo com
a circunstância que expressam, classificam-se em:

A) Causais: introduzem uma oração que é causa da ocorrência da oração principal. São elas: porque, que, como (=
porque, no início da frase), pois que, visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde que, etc.
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.
B) Concessivas: introduzem uma oração que expressa ideia contrária à da principal, sem, no entanto, impedir sua
realização. São elas: embora, ainda que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por mais que, posto que, conquan-
to, etc.
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.

C) Condicionais: introduzem uma oração que indica a hipótese ou a condição para ocorrência da principal. São
elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc.
Se precisar de minha ajuda, telefone-me.

#FicaDica
Você deve ter percebido que a conjunção condicional “se” também é conjunção integrante. A diferença
é clara ao ler as orações que são introduzidas por ela. Acima, ela nos dá a ideia da condição para que re-
cebamos um telefonema (se for preciso ajuda). Já na oração: Não sei se farei o concurso. Não há ideia
de condição alguma, há? Outra coisa: o verbo da oração principal (sei) pede complemento (objeto direto,
já que “quem não sabe, não sabe algo”). Portanto, a oração em destaque exerce a função de objeto direto
da oração principal, sendo classificada como oração subordinada substantiva objetiva direta.

D) Conformativas: introduzem uma oração que exprime a conformidade de um fato com outro. São elas: conforme,
como (= conforme), segundo, consoante, etc.
O passeio ocorreu como havíamos planejado.

E) Finais: introduzem uma oração que expressa a finalidade ou o objetivo com que se realiza a oração principal. São
elas: para que, a fim de que, que, porque (= para que), que, etc.
Toque o sinal para que todos entrem no salão.
LÍNGUA PORTUGUESA

F) Proporcionais: introduzem uma oração que expressa um fato relacionado proporcionalmente à ocorrência do
expresso na principal. São elas: à medida que, à proporção que, ao passo que e as combinações quanto mais...
(mais), quanto menos... (menos), quanto menos... (mais), quanto menos... (menos), etc.
O preço fica mais caro à medida que os produtos escasseiam.

Observação:
São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida que e na medida em que.

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G) Temporais: introduzem uma oração que acrescen- Psiu!
ta uma circunstância de tempo ao fato expresso na contexto: alguém pronunciando esta expressão na
oração principal. São elas: quando, enquanto, antes rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te cha-
que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde mando! Ei, espere!”
que, sempre que, assim que, agora que, mal (= as-
sim que), etc. Psiu!
A briga começou assim que saímos da festa. contexto: alguém pronunciando em um hospital; sig-
H) Comparativas: introduzem uma oração que ex- nificado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silên-
pressa ideia de comparação com referência à ora- cio!”
ção principal. São elas: como, assim como, tal como,
como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (com- puxa: interjeição; tom da fala: euforia
binado com menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
puxa: interjeição; tom da fala: decepção
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expres-
As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
sa a consequência da principal. São elas: de sorte
que, de modo que, sem que (= que não), de forma
que, de jeito que, que (tendo como antecedente na A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo ale-
oração principal uma palavra como tal, tão, cada, gria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito interes-
tanto, tamanho), etc. sante!
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da mi-
exame. nha frente.

FIQUE ATENTO! As interjeições podem ser formadas por:


 simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
Muitas conjunções não têm classificação
 palavras: Oba! Olá! Claro!
única, imutável, devendo, portanto, ser clas-
 grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
sificadas de acordo com o sentido que apre-
Deus! Ora bolas!
sentam no contexto (destaque da Zê!).
1. Classificação das Interjeições

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Comumente, as interjeições expressam sentido de:


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Atenção! Olha! Alerta!
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
Paulo: Saraiva, 2010. D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. Ânimo! Adiante!
F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
SITE
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamen-
morf84.php
te! Essa não! Chega! Basta!
Interjeição I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Quei-
ra Deus!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emo- J) Desculpa: Perdão!
ções, sensações, estados de espírito. É um recurso da lin- K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
guagem afetiva, em que não há uma ideia organizada de L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
decorrente de uma situação particular, um momento ou N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
um contexto específico. Exemplos: Puxa! Pô! Ora!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!
LÍNGUA PORTUGUESA

Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
hum: expressão de um pensamento súbito = inter- Deus!
jeição Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!
O significado das interjeições está vinculado à ma-
neira como elas são proferidas. O tom da fala é que dita Saiba que:
o sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so-
em que for utilizada. Exemplos: frem variação em gênero, número e grau como os no-

11
mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e palavras consideradas numerais porque denotam quan-
voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al- tidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos:
gumas interjeições sofrem variação em grau. Não se trata década, dúzia, par, ambos(as), novena.
de um processo natural desta classe de palavra, mas tão
só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exem- 1. Classificação dos Numerais
plos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.
A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determi-
2. Locução Interjetiva nada de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns car-
dinais têm sentido coletivo, como por exemplo:
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma século, par, dúzia, década, bimestre.
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém
Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus! ou alguma coisa ocupa numa determinada se-
Toda frase mais ou menos breve dita em tom excla- quência: primeiro, segundo, centésimo, etc.
mativo torna-se uma locução interjetiva, dispensando
análise dos termos que a compõem: Macacos me mor-
dam!, Valha-me Deus!, Quem me dera! #FicaDica
1. As interjeições são como frases resumidas, sinté-
As palavras anterior, posterior, último, antepe-
ticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por
núltimo, final e penúltimo também indicam
essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe)
posição dos seres, mas são classificadas como
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é
adjetivos, não ordinais.
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras
classes gramaticais podem aparecer como inter-
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora!
Francamente! (Advérbios) C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra- ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
-frase” porque sozinha pode constituir uma men- quintos, etc.
sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
Fique quieto! dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo:
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- 2. Flexão dos numerais
que! Quá-quá-quá!, etc.
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
com a sua homônima “oh!”, que exprime admira- uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
do “oh!” exclamativo e não a fazemos depois do quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
“ó” vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie- variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
dosa e pura!” (Olavo Bilac) cardinais são invariáveis.
Os numerais ordinais variam em gênero e número:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa primeiro segundo milésimo
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá- primeira segunda milésima
tica – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus primeiros segundos milésimos
Barbosa Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
primeiras segundas milésimas
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
morf89.php atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do es-
forço e conseguiram o triplo de produção.
NUMERAL Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
Numeral é a palavra variável que indica quantidade triplas do medicamento.
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pes- Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
soas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa deter- número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
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minada sequência. duas terças partes.


Os numerais traduzem, em palavras, o que os núme- Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
ros indicam em relação aos seres. Assim, quando a ex- dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
pressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
trata de numerais, mas sim de algarismos. nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem de sentido. É o que ocorre em frases como:
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas “Me empresta duzentinho...”

12
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)
3. Emprego e Leitura dos Numerais

Os numerais são escritos em conjunto de três algarismos, contados da direita para a esquerda, em forma de cente-
nas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma separação através de ponto ou espaço correspondente a um ponto:
8.234.456 ou 8 234 456.

Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar exagero intencional, constituindo a figura de linguagem conhe-
cida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua uti-
lização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
LÍNGUA PORTUGUESA

três terceiro triplo, tríplice terço


quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo

13
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
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http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, nor-
malmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na
estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreen-
são do texto.

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1. Tipos de Preposição Destino = Irei a Salvador.
Modo = Saiu aos prantos.
A) Preposições essenciais: palavras que atuam ex- Lugar = Sempre a seu lado.
clusivamente como preposições: a, ante, perante, Assunto = Falemos sobre futebol.
após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, Tempo = Chegarei em instantes.
por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para Causa = Chorei de saudade.
com. Fim ou finalidade = Vim para ficar.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes Instrumento = Escreveu a lápis.
gramaticais que podem atuar como preposições, Posse = Vi as roupas da mamãe.
ou seja, formadas por uma derivação imprópria: Autoria = livro de Machado de Assis
como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segun- Companhia = Estarei com ele amanhã.
do, senão, visto. Matéria = copo de cristal.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras va- Meio = passeio de barco.
Origem = Nós somos do Nordeste.
lendo como uma preposição, sendo que a última
Conteúdo = frascos de perfume.
palavra é uma (preposição): abaixo de, acerca de,
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com,
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais.
em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de,
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas
cima de, por trás de. locuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução
prepositiva por trás de.
A preposição é invariável e, no entanto, pode unir-se
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
a = pela. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Essa concordância não é característica da preposição, Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
mas das palavras às quais ela se une. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Esse processo de junção de uma preposição com ou- Paulo: Saraiva, 2010.
tra palavra pode se dar a partir dos processos de: Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
 Combinação: união da preposição “a” com o ar- ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
tigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde,
aos. Os vocábulos não sofrem alteração. SITE
 Contração: união de uma preposição com outra http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
palavra, ocorrendo perda ou transformação de fo-
nema: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos, Substantivo
de + aquele = daquele, em + isso = nisso.
 Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi- Substantivo é a classe gramatical de palavras variá-
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal veis, as quais denominam todos os seres que existem,
do pronome “aquilo”). sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e
fenômenos, os substantivos também nomeiam:
 lugares: Alemanha, Portugal
 sentimentos: amor, saudade
#FicaDica  estados: alegria, tristeza
O “a” pode funcionar como preposição, prono-  qualidades: honestidade, sinceridade
me pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-  ações: corrida, pescaria
-los? Caso o “a” seja um artigo, virá preceden-
do um substantivo, servindo para determiná-lo 1. Morfossintaxe do substantivo
como um substantivo singular e feminino: A
matéria que estudei é fácil! Nas orações, geralmente o substantivo exerce fun-
ções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto di-
reto ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
termos e estabelece relação de subordinação entre eles. aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do obje-
Irei à festa sozinha. to ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é arti-
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substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de


go; o segundo, preposição. adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o penhadas por grupos de palavras.
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a
apostila. = Nós a trouxemos. 2. Classificação dos Substantivos

2. Relações semânticas (= de sentido) estabeleci- A) Substantivos Comuns e Próprios


das por meio das preposições: Observe a definição:

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Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
Substantivo coletivo Conjunto de:
casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma assembleia pessoas reunidas
cidade (em oposição aos bairros). alcateia lobos
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada acervo livros
cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substan- antologia trechos literários selecionados
tivo comum.
arquipélago ilhas
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino, banda músicos
homem, mulher, país, cachorro. bando desordeiros ou malfeitores
Estamos voando para Barcelona.
banca examinadores
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da batalhão soldados
espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio –
cardume peixes
aquele que designa os seres de uma mesma espécie de
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil. caravana viajantes peregrinos
cacho frutas
B) Substantivos Concretos e Abstratos
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o cancioneiro canções, poesias líricas
ser que existe, independentemente de outros seres. colmeia abelhas
concílio bispos
Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo congresso parlamentares, cientistas
real e do mundo imaginário. elenco atores de uma peça ou filme
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra,
Brasília. esquadra navios de guerra
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- enxoval roupas
ma.
falange soldados, anjos
B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa se- fauna animais de uma região
res que dependem de outros para se manifestarem ou feixe lenha, capim
existirem. Por exemplo: a beleza não existe por si só,
não pode ser observada. Só podemos observar a beleza flora vegetais de uma região
numa pessoa ou coisa que seja bela. A beleza depende frota navios mercantes, ônibus
de outro ser para se manifestar. Portanto, a palavra bele-
girândola fogos de artifício
za é um substantivo abstrato.
Os substantivos abstratos designam estados, quali- horda bandidos, invasores
dades, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem junta médicos, bois, credores, exa-
ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida minadores
(estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade
(sentimento). júri jurados
legião soldados, anjos, demônios
 Substantivos Coletivos
leva presos, recrutas
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, malta malfeitores ou desordeiros
outra abelha, mais outra abelha. manada búfalos, bois, elefantes,
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. matilha cães de raça
molho chaves, verduras
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne-
multidão pessoas em geral
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas nuvem insetos (gafanhotos, mosqui-
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um subs- tos, etc.)
tantivo no singular (enxame) para designar um conjunto
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penca bananas, chaves


de seres da mesma espécie (abelhas).
pinacoteca pinturas, quadros
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. quadrilha ladrões, bandidos
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que,
ramalhete flores
mesmo estando no singular, designa um conjunto de se-
res da mesma espécie. rebanho ovelhas

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repertório peças teatrais, obras musicais A história sem fim
Uma cidade sem passado
réstia alhos ou cebolas As tartarugas ninjas
romanceiro poesias narrativas
5. Substantivos Biformes e Substantivos Unifor-
revoada pássaros mes
sínodo párocos
1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen-
talha lenha
tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho-
tropa muares, soldados mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
turma estudantes, trabalhadores 2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
forma, que serve tanto para o masculino quanto
vara porcos para o feminino. Classificam-se em:
A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
3. Formação dos Substantivos se faz mediante a utilização das palavras “macho”
e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
A) Substantivos Simples e Compostos macho e o jacaré fêmea.
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes
terra. a pessoas de ambos os sexos: a criança, a teste-
O substantivo chuva é formado por um único ele- munha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o in-
mento ou radical. É um substantivo simples. divíduo.
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:
único elemento. indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois a artista.
elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é compos-
to. Substantivos de origem grega terminados em ema
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, pas- sintoma, o teorema.
satempo.  Existem certos substantivos que, variando de
gênero, variam em seu significado:
B) Substantivos Primitivos e Derivados o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva (líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e
de nenhuma outra palavra da própria língua portuguesa. a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (ca-
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origina beleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de au-
de outra palavra. O substantivo limoeiro, por exemplo, é mento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética; con-
derivado, pois se originou a partir da palavra limão. clusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).
4. Flexão dos substantivos
6. Formação do Feminino dos Substantivos Bifor-
mes
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá-
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
exemplo, pode sofrer variações para indicar:
- aluna.
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo:  Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
meninão / Diminutivo: menininho ao masculino: freguês - freguesa
 Substantivos terminados em -ão: fazem o femini-
A) Flexão de Gênero no de três formas:
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de- 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa. sultana
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substanti-  Substantivos terminados em -or:
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vos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
Veja estes títulos de filmes: troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
O velho e o mar  Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
Um Natal inesquecível cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poe-
Os reis da praia tisa / duque - duquesa / conde - condessa / profeta
- profetisa
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que  Substantivos que formam o feminino trocando o
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas: -e final por -a: elefante - elefanta

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 Substantivos que têm radicais diferentes no mas- Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata,
culino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
 Substantivos que formam o feminino de maneira libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
especial, isto é, não seguem nenhuma das regras
anteriores: czar – czarina, réu - ré São geralmente masculinos os substantivos de ori-
gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
7. Formação do Feminino dos Substantivos Uni- grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
formes telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o tra-
Epicenos: coma, o hematoma.
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.

Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exce-
Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma ções, nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro
forma para indicar o masculino e o feminino. Preto. / A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Ale-
Alguns nomes de animais apresentam uma só for- gre. / Uma Londres imensa e triste.
ma para designar os dois sexos. Esses substantivos são Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando
houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se 10. Gênero e Significação
palavras macho e fêmea.
A cobra macho picou o marinheiro. Muitos substantivos, como já mencionado anterior-
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. mente, têm uma significação no masculino e outra no fe-
minino. Observe: o baliza (soldado que à frente da tropa,
8. Sobrecomuns: indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
Entregue as crianças à natureza. que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um
bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite
A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (par-
masculino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, te do corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a
nem o artigo nem um possível adjetivo permitem identi- cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzen-
ficar o sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: ta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro),
A criança chorona chamava-se João. a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
A criança chorona chamava-se Maria. (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
Outros substantivos sobrecomuns: na administração da crisma e de outros sacramentos), a
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a
boa criatura. cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que guia ou-
Marcela faleceu tras), a guia (documento, pena grande das asas das aves),
o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (fun-
9. Comuns de Dois Gêneros: cionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamen-
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. tos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento), o mo-
ral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes, ética),
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte),
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria-
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. -fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a
A distinção de gênero pode ser feita através da análi- pala (parte anterior do boné ou quepe, anteparo), o rádio
se do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o subs- (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (remador),
tantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; a voga (moda).
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa;
repórter francês - repórter francesa. B) Flexão de Número do Substantivo
A palavra personagem é usada indistintamente nos
dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-se Em português, há dois números gramaticais: o singu-
acentuada preferência pelo masculino: O menino desco- lar, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural,
briu nas nuvens os personagens dos contos de carochinha. que indica mais de um ser ou grupo de seres. A caracte-
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: rística do plural é o “s” final.
LÍNGUA PORTUGUESA

O problema está nas mulheres de mais idade, que não 11. Plural dos Substantivos Simples
aceitam a personagem.
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
fotográfico Ana Belmonte. “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural).
)pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o Exceção: cânon - cânones.
maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o Os substantivos terminados em “m” fazem o plural
proclama, o pernoite, o púbis. em “ns”: homem - homens.

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Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plu- adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-ho-
ral pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raí- mens
zes. numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

Atenção: B) Flexiona-se somente o segundo elemento,


O plural de caráter é caracteres. quando formados de:
Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam- verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, alto-falantes
cônsul e cônsules. palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de -recos
duas maneiras:
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis. quando formados de:
substantivo + preposição clara + substantivo = água-
Observação: -de-colônia e águas-de-colônia
A palavra réptil pode formar seu plural de duas ma- substantivo + preposição oculta + substantivo = ca-
neiras: répteis ou reptis (pouco usada). valo-vapor e cavalos-vapor
substantivo + substantivo que funciona como deter-
Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o
duas maneiras: tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã,
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses peixe-espada - peixes-espada.
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam in-
variáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
de três maneiras. saca-rolhas
1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães 13. Casos Especiais
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
o louva-a-deus e os louva-a-deus
Observação:
Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam o bem-te-vi e os bem-te-vis
dois – e até três – plurais: o bem-me-quer e os bem-me-queres
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos ancião –
anciões/anciães/anciãos o joão-ninguém e os joões-ninguém.
charlatão – charlatões/charlatães cor-
rimão – corrimãos/corrimões 14. Plural das Palavras Substantivadas
guardião – guardiões/guardiães vilão
– vilãos/vilões/vilães As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
classes gramaticais usadas como substantivo apresen-
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: tam, no plural, as flexões próprias dos substantivos.
o látex - os látex. Pese bem os prós e os contras.
O aluno errou na prova dos noves.
12. Plural dos Substantivos Compostos Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.

A formação do plural dos substantivos compostos Observação:


depende da forma como são grafados, do tipo de pa- Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
lavras que formam o composto e da relação que esta- não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos
belecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen seis e alguns dez.
comportam-se como os substantivos simples: aguar-
dente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés,
malmequer/malmequeres. 15. Plural dos Diminutivos
LÍNGUA PORTUGUESA

O plural dos substantivos compostos cujos elementos


são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” fi-
e discussões. Algumas orientações são dadas a seguir: nal e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
A) Flexionam-se os dois elementos, quando forma-
dos de: pãe(s) + zinhos = pãezinhos
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
animai(s) + zinhos = animaizinhos
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
feitos botõe(s) + zinhos = botõezinhos

19
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos porto portos
farói(s) + zinhos = faroizinhos posto postos
tren(s) + zinhos = trenzinhos tijolo tijolos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol-
flore(s) + zinhas = florezinhas sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros,
mão(s) + zinhas = mãozinhas etc.
papéi(s) + zinhos = papeizinhos
Observação:
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
funi(s) + zinhos = funizinhos molho (ó) = feixe (molho de lenha).
Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
pai(s) + zinhos = paizinhos Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
pé(s) + zinhos = pezinhos as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
pé(s) + zitos = pezitos
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probida-
de, bom nome) e honras (homenagem, títulos).
16. Plural dos Nomes Próprios Personativos
Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
com sentido de plural:
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas
sempre que a terminação preste-se à flexão. Aqui morreu muito negro.
Os Napoleões também são derrotados. Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
As Raquéis e Esteres. improvisadas.

17. Plural dos Substantivos Estrangeiros C) Flexão de Grau do Substantivo

Substantivos ainda não aportuguesados devem ser Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
escritos como na língua original, acrescentando-se “s” as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os 1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho conside-
shorts, os jazz. rado normal. Por exemplo: casa
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de 2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama-
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os cho- nho do ser. Classifica-se em:
pes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, Analítico = o substantivo é acompanhado de um ad-
os réquiens. jetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Observe o exemplo: Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
Este jogador faz gols toda vez que joga. dicador de aumento. Por exemplo: casarão.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tama-
18. Plural com Mudança de Timbre nho do ser. Pode ser:
Analítico = substantivo acompanhado de um adjeti-
Certos substantivos formam o plural com mudança vo que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico). dicador de diminuição. Por exemplo: casinha.

Singular Plural REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


corpo (ô) corpos (ó) SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
esforço esforços Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
fogo fogos reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
forno fornos Paulo: Saraiva, 2010.

fosso fossos CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,


LÍNGUA PORTUGUESA

imposto impostos Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira


Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
olho olhos
São Paulo: Saraiva, 2002.
osso (ô) ossos (ó)
ovo ovos SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
poço poços
morf12.php

20
Pronome Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-
tença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos
Pronome é a palavra variável que substitui ou acom- flores.
panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma Os pronomes retos apresentam flexão de número,
forma. gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa úl-
O homem julga que é superior à natureza, por isso o tima a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do
homem destrói a natureza... discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é
Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é assim configurado:
superior à natureza, por isso ele a destrói... 1.ª pessoa do singular: eu
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de ter- 2.ª pessoa do singular: tu
mos (homem e natureza). 3.ª pessoa do singular: ele, ela
Grande parte dos pronomes não possuem significa- 1.ª pessoa do plural: nós
dos fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação 2.ª pessoa do plural: vós
dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a 3.ª pessoa do plural: eles, elas
referência exata daquilo que está sendo colocado por
meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ex- Esses pronomes não costumam ser usados como
ceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os de- complementos verbais na língua-padrão. Frases como
mais pronomes têm por função principal apontar para as “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu
pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando- até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem ser
-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
dessa característica, os pronomes apresentam uma for- mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
ma específica para cada pessoa do discurso. dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. -me até aqui”.
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala] Frequentemente observamos a omissão do pronome
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se formas verbais marcam, através de suas desinências, as
fala] pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. boa viagem. (Nós)
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem
se fala] B) Pronome Oblíquo
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras sentença, exerce a função de complemento verbal
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme- (objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (ob-
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência jeto indireto)
através do pronome seja coerente em termos de gênero
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, Observação:
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado. O pronome oblíquo é uma forma variante do prono-
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da me pessoal do caso reto. Essa variação indica a função
nossa escola neste ano. diversa que eles desempenham na oração: pronome reto
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordân- marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o
cia adequada] complemento da oração. Os pronomes oblíquos sofrem
[neste: pronome que determina “ano” = concordância variação de acordo com a acentuação tônica que pos-
adequada] suem, podendo ser átonos ou tônicos.
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = con-
cordância inadequada] 2. Pronome Oblíquo Átono
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, são precedidos de preposição. Possuem acentuação tô-
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. nica fraca: Ele me deu um presente.
Lista dos pronomes oblíquos átonos
1. Pronomes Pessoais 1.ª pessoa do singular (eu): me
2.ª pessoa do singular (tu): te
São aqueles que substituem os substantivos, indi- 3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
cando diretamente as pessoas do discurso. Quem fala 1.ª pessoa do plural (nós): nos
ou escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se 2.ª pessoa do plural (vós): vos
LÍNGUA PORTUGUESA

os pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar 3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
a quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer
referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
ou do caso oblíquo.

A) Pronome Reto

21
A combinação da preposição “com” e alguns prono-
FIQUE ATENTO! mes originou as formas especiais comigo, contigo, consi-
Os pronomes o, os, a, as assumem formas es- go, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos
peciais depois de certas terminações verbais: frequentemente exercem a função de adjunto adverbial
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o de companhia: Ele carregava o documento consigo.
pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas:
mesmo tempo que a terminação verbal é su- Ela veio até mim, mas nada falou.
primida. Por exemplo: Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de
fiz + o = fi-lo inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na
fazeis + o = fazei-lo prova, até eu! (= inclusive eu)
dizer + a = dizê-la
As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
2. Quando o verbo termina em som nasal, o por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pes-
pronome assume as formas no, nos, na, nas. soais são reforçados por palavras como outros, mesmos,
Por exemplo: próprios, todos, ambos ou algum numeral.
viram + o: viram-no Você terá de viajar com nós todos.
repõe + os = repõe-nos Estávamos com vós outros quando chegaram as más
retém + a: retém-na notícias.
tem + as = tem-nas Ele disse que iria com nós três.

3. Pronome Reflexivo
B.2 Pronome Oblíquo Tônico São pronomes pessoais oblíquos que, embora fun-
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedi- cionem como objetos direto ou indireto, referem-se ao
dos por preposições, em geral as preposições a, para, de sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe
e com. Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a a ação expressa pelo verbo.
função de objeto indireto da oração. Possuem acentua-
ção tônica forte. Lista dos pronomes reflexivos:
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo lembro disso.
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco lherme já se preparou.
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco Ela deu a si um presente.
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas Antônio conversou consigo mesmo.

Observe que as únicas formas próprias do pronome 1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.
tônico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa 2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
(ti). As demais repetem a forma do pronome pessoal do com esta conquista.
caso reto. 3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
As preposições essenciais introduzem sempre prono- conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso
reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da #FicaDica
língua formal, os pronomes costumam ser usados desta
forma: O pronome é reflexivo quando se refere à
Não há mais nada entre mim e ti. mesma pessoa do pronome subjetivo (sujei-
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. to): Eu me arrumei e saí.
Não há nenhuma acusação contra mim. É pronome recíproco quando indica reci-
Não vá sem mim. procidade de ação: Nós nos amamos. / Olha-
mo-nos calados.
Há construções em que a preposição, apesar de sur- O “se” pode ser usado como palavra exple-
gir anteposta a um pronome, serve para introduzir uma tiva ou partícula de realce, sem ser rigoro-
oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o ver- samente necessária e sem função sintática: Os
bo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro- exploradores riam-se de suas tentativas. / Será
nome, deverá ser do caso reto. que eles se foram?
LÍNGUA PORTUGUESA

Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.


Não vá sem eu mandar.
C) Pronomes de Tratamento
A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!” São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri-
está correta, já que “para mim” é complemento de “fá- monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (por-
cil”. A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil tanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira
para mim! pessoa. Alguns exemplos:

22
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e reli-
giosos em geral ou
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente supe-
rior à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
professores de curso superior, ministros de Estado e de teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
Tribunais, governadores, secretários de Estado, presiden-
te da República (sempre por extenso) 4. Pronomes Possessivos
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de univer-
sidades São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, ofi- (coisa possuída).
ciais até a patente de coronel, chefes de seção e funcio- Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
nários de igual categoria singular)
Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes
de direito
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento NÚMERO PESSOA PRONOME
cerimonioso singular primeira meu(s), minha(s)
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus
singular segunda teu(s), tua(s)
Também são pronomes de tratamento o senhor, a se- singular terceira seu(s), sua(s)
nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são em- plural primeira nosso(s), nossa(s)
pregados no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”,
no tratamento familiar. Você e vocês são largamente em- plural segunda vosso(s), vossa(s)
pregados no português do Brasil; em algumas regiões, a plural terceira seu(s), sua(s)
forma tu é de uso frequente; em outras, pouco emprega-
da. Já a forma vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, Note que:
ultraformal ou literária. A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
a que se refere; o gênero e o número concordam com o
Observações: objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição
1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de naquele momento difícil.
tratamento que possuem “Vossa(s)” são emprega-
dos em relação à pessoa com quem falamos: Es- Observações:
pero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este 1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul-
encontro.
tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito
obrigado, seu José.
da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram
2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam
que Sua Excelência, o Senhor Presidente da Repúbli-
posse. Podem ter outros empregos, como:
ca, agiu com propriedade.
A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
3. Os pronomes de tratamento representam uma for-
B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
ma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlo-
cutores. Ao tratarmos um deputado por Vossa Ex- anos.
celência, por exemplo, estamos nos endereçando à C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
excelência que esse deputado supostamente tem lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
para poder ocupar o cargo que ocupa. 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex-
2.ª pessoa, toda a concordância deve ser feita celência trouxe sua mensagem?
com a 3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-
possessivos e os pronomes oblíquos empregados vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
em relação a eles devem ficar na 3.ª pessoa. livros e anotações.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas pro- 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
messas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhe- oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
cidos. seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)
5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
LÍNGUA PORTUGUESA

ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar,


ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhi- para que não ocorra redundância: Coloque tudo
da inicialmente. Assim, por exemplo, se começa- nos respectivos lugares.
mos a chamar alguém de “você”, não poderemos 5. Pronomes Demonstrativos
usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, ver-
bo na terceira pessoa. São utilizados para explicitar a posição de certa pa-
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos lavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação
teus cabelos. (errado) pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso.

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A) Em relação ao espaço:  o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que”
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s),
pessoa que fala: aquilo.
Este material é meu. Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disses-
te.)
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
pessoa com quem se fala: indiquei.)
Esse material em sua carteira é seu?
 mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): va-
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está riam em gênero quando têm caráter reforçativo:
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
quem se fala: Eu mesma refiz os exercícios.
Aquele material não é nosso. Elas mesmas fizeram isso.
Vejam aquele prédio! Eles próprios cozinharam.
Os próprios alunos resolveram o problema.
B) Em relação ao tempo:
Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em  semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.
relação à pessoa que fala:  tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
Esta manhã farei a prova do concurso! 1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este.
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po- (ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re-
rém relativamente próximo à época em que se situa a fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele,
pessoa que fala: à mencionada em primeiro lugar.
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamen- 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de,
to no tempo, referido de modo vago ou como tempo em com pronome demonstrativo: àquele, àquela,
remoto: deste, desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no
Naquele tempo, os professores eram valorizados. que estava vendo. (no = naquilo)

C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se 6. Pronomes Indefinidos


falará ou escreverá):
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discur-
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se fa- so, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
lará: quantidade indeterminada.
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
ortografia, concordância. -plantadas.
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pes-
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende soa de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: forma imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais deseja- ser humano que seguramente existe, mas cuja identida-
mos! de é desconhecida ou não se quer revelar. Classificam-se
em:
Este e aquele são empregados quando se quer fazer
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
termo referido em primeiro lugar e este para o referido lugar do ser ou da quantidade aproximada de se-
por último: res na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano,
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
lo; este está mais bem colocado que aquele. (= este [São Algo o incomoda?
Paulo], aquele [Palmeiras]) Quem avisa amigo é.

ou B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um


ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
lo; aquele está mais bem colocado que este. (= este [São certa(s).
LÍNGUA PORTUGUESA

Paulo], aquele [Palmeiras]) Cada povo tem seus costumes.


Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou Certas pessoas exercem várias profissões.
invariáveis, observe:
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), Note que:
aquela(s). Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro-
Invariáveis: isto, isso, aquilo. nomes indefinidos adjetivos:
Também aparecem como pronomes demonstrativos: algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, mui-

24
tos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qual-
quer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.
Menos palavras e mais ações.
Alguns se contentam pouco.

Os pronomes indefinidos podem ser divididos em variáveis e invariáveis. Observe:


 Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pou-
ca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros,
quantos, algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas.
 Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, algo, cada.

*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo querer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo plural é
feito em seu interior).
Todo e toda no singular e junto de artigo significa inteiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
Trabalho todo dia. (= todos os dias)

São locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja
quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
Cada um escolheu o vinho desejado.

7. Pronomes Relativos

São aqueles que representam nomes já mencionados anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem as
orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros.
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = oração subordinada adjetiva).

O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
“sistema” é antecedente do pronome relativo que.
O antecedente do pronome relativo pode ser o pronome demonstrativo o, a, os, as.
Não sei o que você está querendo dizer.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem expresso.
Quem casa, quer casa.

Observe:
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
quantas.
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
Note que:
O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser substi-
tuído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais)

O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que podem ter várias classificações) são pronomes relativos.
Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas preposições:
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”, neste caso, geraria
ambiguidade. Veja: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou encantado (quem me deixou
LÍNGUA PORTUGUESA

encantado: o sítio ou minha tia?).


Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utiliza-se
o qual / a qual)
O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou
de ser poeta, que era a sua vocação natural.
O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o consequente
(o ser possuído, com o qual concorda em gênero e número); não se usa artigo depois deste pronome; “cujo” equivale
a do qual, da qual, dos quais, das quais.

25
Existem pessoas cujas ações são nobres.
(antecedente) (consequente)

Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pronome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (referiu-se a)

“Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:

Emprestei tantos quantos foram necessários.


(antecedente)

Ele fez tudo quanto havia falado.


(antecedente)
O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre precedido de preposição.

É um professor a quem muito devemos.


(preposição)

“Onde”, como pronome relativo, sempre possui antecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A casa
onde morava foi assaltada.

Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em que: Sinto saudades da época em que (quando) morávamos
no exterior.

Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:


 como (= pelo qual) – desde que precedida das palavras modo, maneira ou forma:
Não me parece correto o modo como você agiu semana passada.

 quando (= em que) – desde que tenha como antecedente um nome que dê ideia de tempo:
Bons eram os tempos quando podíamos jogar videogame.

Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa só frase.


O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste esporte.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.

Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de gente
que conversava, (que) ria, observava.

8. Pronomes Interrogativos

São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e variações),
quanto (e variações).
Com quem andas?
Qual seu nome?
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.

O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
quando desempenha função de complemento.
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe ajudar.
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
LÍNGUA PORTUGUESA

diferentemente dos segundos, que são sempre precedidos de preposição.


A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu estava fazendo.
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que eu estava fazendo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.

26
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Repare que o pronome está “no meio” do verbo “rea-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. lizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevalece-
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira ria. Veja: Não se realizará...
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
São Paulo: Saraiva, 2002. nessa viagem.
(com presença de palavra que justifique o uso de pró-
SITE clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ nharia nessa viagem).
morf42.php
Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.
9. Colocação Pronominal A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos  Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
pronomes oblíquos átonos na frase. Quando eu avisar, silenciem-se todos.
 Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal:
#FicaDica Não era minha intenção machucá-la.
 Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a fun- se inicia período com pronome oblíquo).
ção de complemento verbal (objeto). Por isso, Vou-me embora agora mesmo.
memorize: Levanto-me às 6h.
OBlíquo = OBjeto!  Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
no concurso, mudo-me hoje mesmo!
 Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a
Embora na linguagem falada a colocação dos prono- proposta fazendo-se de desentendida.
mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas
devem ser observadas na linguagem escrita. 10. Colocação pronominal nas locuções verbais
Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo.  Após verbo no particípio = pronome depois do
A próclise é usada:
verbo auxiliar (e não depois do particípio):
Tenho me deliciado com a leitura!
 Quando o verbo estiver precedido de palavras
Eu tenho me deliciado com a leitura!
que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
Eu me tenho deliciado com a leitura!
 Não convém usar hífen nos tempos compostos e
A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém,
nas locuções verbais:
jamais, etc.: Não se desespere!
Vamos nos unir!
B) Advérbios: Agora se negam a depor.
Iremos nos manifestar.
C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli-
 Quando há um fator para próclise nos tempos
quem tudo!
D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se compostos ou locuções verbais: opção pelo uso
esforçou. do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = Não
E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportu- vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos preo-
nidade. cupar”).
F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.
 Orações iniciadas por palavras interrogativas: 11. Emprego de o, a, os, as
Quem lhe disse isso?
 Orações iniciadas por palavras exclamativas:  Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral,
Quanto se ofendem! os pronomes: o, a, os, as não se alteram.
 Orações que exprimem desejo (orações optativas): Chame-o agora.
Que Deus o ajude. Deixei-a mais tranquila.
 A próclise é obrigatória quando se utiliza o pro-
nome reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o  Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoan-
material amanhã. / Tu sabes cantar? tes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
LÍNGUA PORTUGUESA

Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
verbo. A mesóclise é usada:
Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu-  Em verbos terminados em ditongos nasais (am,
turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se
precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos: para no, na, nos, nas.
Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em Chamem-no agora.
prol da paz no mundo. Põe-na sobre a mesa.

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2. Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
#FicaDica
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que sig- dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
nifica “antes”! Pronome antes do verbo! bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acen-
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end, to tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo,
em Inglês – que significa “fim, final!). Pronome por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico
depois do verbo! não cai no radical, mas sim na terminação verbal (fora do
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do verbo radical): opinei, aprenderão, amaríamos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3. Classificação dos Verbos


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Classificam-se em:
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São cal inalterado durante a conjugação e desinências
Paulo: Saraiva, 2010. idênticas às de todos os verbos regulares da mes-
ma conjugação. Por exemplo: comparemos os ver-
SITE bos “cantar” e “falar”, conjugados no presente do
http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao- Modo Indicativo:
-pronominal-.html
canto falo
Observação: Não foram encontradas questões
cantas falas
abrangendo tal conteúdo.
canta falas
VERBO cantamos falamos
Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número, cantais falais
tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o cantam falam
nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenôme- #FicaDica
no (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
Observe que, retirando os radicais, as desi-
1. Estrutura das Formas Verbais nências modo-temporal e número-pessoal
mantiveram-se idênticas. Tente fazer com
Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar outro verbo e perceberá que se repetirá o
os seguintes elementos: fato (desde que o verbo seja da primeira
A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi- conjugação e regular!). Faça com o verbo
ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal- “andar”, por exemplo. Substitua o radical
-ava; fal-am. (radical fal-) “cant” e coloque o “and” (radical do verbo
B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que andar). Viu? Fácil!
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por
exemplo: fala-r. São três as conjugações: B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alte-
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática rações no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei,
- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir). fizesse.
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que
designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: Observação:
falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo) Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo) para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais altera-
designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o ções não caracterizam irregularidade, porque o fonema
número (singular ou plural): permanece inalterado.
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam C) Defectivos: são aqueles que não apresentam con-
(indica a 3.ª pessoa do plural.) jugação completa. Os principais são adequar, pre-
caver, computar, reaver, abolir, falir.
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito
LÍNGUA PORTUGUESA

FIQUE ATENTO! e, normalmente, são usados na terceira pessoa do


O verbo pôr, assim como seus derivados singular. Os principais verbos impessoais são:
(compor, repor, depor), pertencem à 2.ª conju-
gação, pois a forma arcaica do verbo pôr era 1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali-
poer. A vogal “e”, apesar de haver desapareci- zar-se ou fazer (em orações temporais).
do do infinitivo, revela-se em algumas formas Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia =
do verbo: põe, pões, põem, etc. Existiam)

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Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)

2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)


Faz invernos rigorosos na Europa.
Era primavera quando o conheci.
Estava frio naquele dia.

3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, ama-
nhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido
figurado. Qualquer verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal,
ou seja, terá conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição “de”, indicando suficiência:


Basta de tolices.
Chega de promessas.
6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência
a sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como
hipotético, tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
São unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais
(cacarejar, cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?

Principais verbos unipessoais:

 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:
LÍNGUA PORTUGUESA

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular


Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento

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Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).

H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo prin-
cipal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

4. Conjugação dos Verbos Auxiliares

4.1. SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
LÍNGUA PORTUGUESA

és foste eras foras serás serias


é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

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4.2. SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

4.3. SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

4.4. SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

4.5. ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.


estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

4.6. ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
LÍNGUA PORTUGUESA

estejas estivesses estiveres está estejas


esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

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4.7. ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

4.8. HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

4.9. HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam
4.10. HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
Haverem

4.11. TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
LÍNGUA PORTUGUESA

tens tiveste tinhas tiveras terás terias


tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

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4.12. TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
Tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a refle-
xibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço
da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respec-
tivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem.
 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto re-
presentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele
mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os
pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-
-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à
do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular.
5. Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro.
Existem três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

6. Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adje-
tivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de subs-
tantivo. Por exemplo:
LÍNGUA PORTUGUESA

Viver é lutar. (= vida é luta)


É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exem-
plo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

33
A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:


Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.
C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o re-
sultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames,
os candidatos saíram.

Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função
de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

(Ziraldo)
8. Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
tempos.
A) Tempos do Modo Indicativo

Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.


Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Tempos do Modo Subjuntivo

Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

34
FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

Tabelas das Conjugações Verbais

1. Modo Indicativo

1.1. Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

1.2. Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

1.3. Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
LÍNGUA PORTUGUESA

cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS


cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

35
1.4. Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

1.5. Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

1.6. Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

1.7. Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
LÍNGUA PORTUGUESA

cantES vendAS partAS E A S


cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

36
1.8. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

1.9. Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

C) Modo Imperativo

1. Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
LÍNGUA PORTUGUESA

Vós cantais CantAI vós Que vós canteis


Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

2. Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

37
Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

 No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem,
pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
 O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

3. Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

 O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

 O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

VOZES DO VERBO

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as
vozes verbais:

A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:


O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.

38
1.1 Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
#FicaDica
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar
Não confundir o emprego reflexivo do verbo substancialmente o sentido da frase.
com a noção de reciprocidade: O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa)
Os lutadores feriram-se. (um ao outro) Sujeito da Ativa objeto Direto
Nós nos amamos. (um ama o outro)
A apostila foi comprada pelo concurseiro.
(Voz Passiva)
1. Formação da Voz Passiva Sujeito da Passiva Agente da Passiva
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva;
A voz passiva pode ser formada por dois processos: o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo
analítico e sintético. ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte tempo.
maneira: Os mestres têm constantemente aconselhado os alu-
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exem- nos.
plo: Os alunos têm sido constantemente aconselhados pe-
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: los mestres.
os alunos pintarão a escola)
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho) Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim.
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não
Observações:
haverá complemento agente na passiva. Por exemplo:
 O agente da passiva geralmente é acompanhado
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
da preposição por, mas pode ocorrer a construção
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir,
com a preposição de. Por exemplo: A casa ficou cer-
acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou refle-
cada de soldados. xiva, porque o sujeito não pode ser visto como agente,
 Pode acontecer de o agente da passiva não estar paciente ou agente paciente.
explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
 A variação temporal é indicada pelo verbo auxi- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
liar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
transformação das frases seguintes: Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo) reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito per- Paulo: Saraiva, 2010.
feito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ativa) ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) SITE


O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indica- http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
tivo) morf54.php

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)
EXERCÍCIOS COMENTADOS
 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER as-
sume o mesmo tempo e modo do verbo principal 1. (TST – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS-
da voz ativa. Observe a transformação da frase se- TRATIVA – FCC – 2012) As vitórias no jogo interior talvez
guinte: não acrescentem novos troféus, mas elas trazem recom-
O vento ia levando as folhas. (gerúndio) pensas valiosas, [...] que contribuem de forma significa-
tiva para nosso sucesso posterior, tanto na quadra como
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
fora dela.
B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética -
Mantêm-se adequados o emprego de tempos e modos
ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa,
LÍNGUA PORTUGUESA

verbais e a correlação entre eles, ao se substituírem os


seguido do pronome apassivador “se”. Por exemplo: elementos sublinhados na frase acima, na ordem dada,
Abriram-se as inscrições para o concurso. por:
Destruiu-se o velho prédio da escola. a) tivessem acrescentado − trariam − contribuírem
b) acrescentassem − têm trazido − contribuírem
Observação: c) tinham acrescentado − trarão − contribuiriam
O agente não costuma vir expresso na voz passiva d) acrescentariam − trariam− contribuíram
sintética. e) tenham acrescentado − trouxeram − Contribuíram

39
Resposta: Letra E. 4. (TST – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS-
Questão que envolve correlação verbal. Realizando as TRATIVA – ESPECIALIDADE SEGURANÇA JUDICIÁ-
alterações solicitadas, segue como ficariam (em des- RIA – FCC – 2012)
taque): ...ela nunca alcançava a musa.
Em “a”: tivessem acrescentado – trariam − contribui- Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
riam verbal resultante será:
Em “b”: acrescentassem – trariam − contribuiriam a) alcança-se.
Em “c”: tinham acrescentado – trouxeram − contri- b) foi alcançada.
buíram c) fora alcançada.
Em “d”: acrescentassem – trariam − contribuíram d) seria alcançada.
Em “e”: tenham acrescentado – trouxeram − Contri- e) era alcançada.
buíram = correta
Resposta: Letra E.
2. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA APOIO Temos um verbo na voz ativa, então teremos dois
ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE MEDICINA DO na passiva (auxiliar + o verbo da oração da ativa, no
TRABALHO – FCC – 2012) Está inadequado o emprego mesmo tempo verbal, forma particípio): A musa nun-
do elemento sublinhado na seguinte frase: ca era alcançada por ela. O verbo “alcançava” está no
pretérito imperfeito, por isso o auxiliar tem que estar
a) Sou ateu e peço que me deem tratamento similar ao também (é = presente, foi = pretérito perfeito, era =
que dispenso aos homens religiosos. imperfeito, fora = mais que perfeito, será = futuro do
b) A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos de presente, seria = futuro do pretérito).
que deveriam desviar-se todos os homens verdadeira-
mente virtuosos. 5. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA APOIO
c) A tolerância é uma virtude na qual não podem prescin- ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE MEDICINA DO
dir os que se dizem homens de fé. TRABALHO – FCC – 2012) Aos poucos, contudo, fui che-
d) O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de nada gando à constatação de que todo perfil de rede social é um
fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los. retrato ideal de nós mesmos.
e) Respeito os homens de fé, a menos que deixem de Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra al-
teração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser
fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
substituído por:
a) ademais.
Resposta: Letra C.
b) conquanto.
Corrigindo o inadequado:
c) porquanto.
Em “a”: Sou ateu e peço que me deem tratamento si-
d) entretanto.
milar ao que dispenso aos homens religiosos.
e) apesar.
Em “b”: A intolerância religiosa baseia-se em precon-
ceitos de que deveriam desviar-se todos os homens RESPOSTA: Letra D.
verdadeiramente virtuosos. Contudo é uma conjunção adversativa (expressa opo-
Em “c”: A tolerância é uma virtude na qual (de que) sição). A substituição deve utilizar outra de mesma
não podem prescindir os que se dizem homens de fé. classificação, para que se mantenha a ideia do perío-
Em “d”: O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito do. A correta é entretanto.
de nada fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
Em “e”: Respeito os homens de fé, a menos que dei- 6. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS-
xem de fazer o mesmo com aqueles que não a têm. TRATIVA – FCC – 2012) O verbo indicado entre pa-
rênteses deverá flexionar-se no singular para preencher
3. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA APOIO adequadamente a lacuna da frase:
ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE MEDICINA DO
TRABALHO – FCC – 2012) a) A nenhuma de nossas escolhas...... (poder) deixar de
Transpondo-se para a voz passiva a construção Os ateus corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
despertariam a ira de qualquer fanático, a forma ver-
bal obtida será: b) Não se...... (poupar) os que governam de refletir sobre
o peso de suas mais graves decisões.
c) Aos governantes mais responsáveis não...... (ocorrer)
a) seria despertada. tomar decisões sem medir suas consequências.
b) teria sido despertada. d) A toda decisão tomada precipitadamente...... (cos-
c) despertar-se-á.
LÍNGUA PORTUGUESA

tumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.


d) fora despertada. e) Diante de uma escolha,...... (ganhar) prioridade, reco-
e) teriam despertado. menda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor
humana.
Resposta: Letra A.
Os ateus despertariam a ira de qualquer fanático Resposta: Letra C.
Fazendo a transposição para a voz passiva, temos: A Flexões em destaque e sublinhei os termos que esta-
ira de qualquer fanático seria despertada pelos ateus. belecem concordância:

40
Em “a”: A nenhuma de nossas escolhas podem deixar 9. (TRT 14.ª REGIÃO-RO E AC – TÉCNICO JUDICIÁ-
de corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. RIO – FCC – 2016) “Isto pode despertar a atenção de ou-
Em “b”: Não se poupam os que governam de refletir tras pessoas que tenham documentos em casa e se dis-
sobre o peso de suas mais graves decisões. ponham a trazer para a Academia, que é a guardiã desse
Em “c”: Aos governantes mais responsáveis não ocor- tipo de acervo, que é muito difícil de ser guardado em
re tomar decisões sem medir suas consequências. = casa, pois o tempo destrói e aqui temos a melhor técnica
Isso não ocorre aos governantes – uma oração exerce de conservação de documentos”, disse Cavalcanti.
a função de sujeito (subjetiva) O termo sublinhado faz referência a
Em “d”: A toda decisão tomada precipitadamente cos-
tumam sobrevir consequências imprevistas e injustas. a) pessoas.
Em “e”: Diante de uma escolha, ganham prioridade, b) acervo.
recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta c) Academia.
a dor humana. d) tempo.
e) casa.
7. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – ANALISTA JUDICIÁRIO –
ÁREA ADMINISTRATIVA – FCC – 2016 ) ... para quem Resposta: Letra B.
Manoel de Barros era comparável a São Francisco de As- Ao trecho: a guardiã desse tipo de acervo, que (o qual)
sis... é muito difícil de ser guardado...
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
frase acima está em: 10. (TRT 14.ª REGIÃO-RO E AC – TÉCNICO JUDICIÁ-
RIO – FCC – 2016) O marechal organizou o acervo...
a) Dizia-se um “vedor de cinema”... A forma verbal está corretamente transposta para a voz
passiva em:
b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no es-
paço...
a) estava organizando
c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
b) tinha organizado
Charles Baudelaire.
c) organizando-se
d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Bar-
d) foi organizado
ros na literatura...
e) está organizado
e) ... para depois casá-las...
Resposta: Letra D.
Resposta: Letra A. Temos: sujeito (o marechal), verbo na ativa (organizou)
“Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do Indicati- e objeto (o acervo). Como há um verbo na ativa, ao
vo. Procuremos nos itens: passarmos para a passiva teremos dois (o auxiliar no
Em “a”: Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo mesmo tempo que o verbo da ativa + o particípio do
Em “b”: Porque não seria = futuro do pretérito do In- verbo da voz ativa = organizado). O objeto exercerá
dicativo a função de sujeito paciente, e o sujeito da ativa será
Em “c”: Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfei- o agente da passiva (ufa!). A frase ficará: O acervo foi
to do Indicativo organizado pelo marechal.
Em “d”: Quase meio século separa = presente do Indi-
cativo 11. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
Em “e”: para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar FCC – 2016) Precisamos de um treinador que nos ajude
elas) a comer...
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
8. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – ANALISTA JUDICIÁRIO – sublinhado acima está também sublinhado em:
ÁREA ADMINISTRATIVA – FCC – 2016) Aí conheci o
escritor e historiador de sua gente, meu saudoso amigo a) [...] assim que conseguissem se virar sem as mães ou
Alcino Alves Costa. E foi dele que ouvi oralmente a his- as amas...
tória de Zé de Julião. Considerando-se a norma-padrão b) Não é por acaso que proliferaram os coaches.
da língua, ao reescrever-se o trecho acima em um único c) [...] país que transformou a infância numa bilionária in-
período, o segmento destacado deverá ser antecedido dústria de consumo...
de vírgula e substituído por d) E, mesmo que se esforcem muito [...]
e) Hoje há algo novo nesse cenário.
a) perante ao qual
b) de cujo RESPOSTA: Letra D.
c) o qual que nos ajude = presente do Subjuntivo
LÍNGUA PORTUGUESA

d) frente à quem Em “a”: que conseguissem = pretérito do Subjuntivo


e) de quem Em “b”: que proliferaram = pretérito perfeito (e tam-
bém mais-que-perfeito) do Indicativo
Resposta: Letra E. Em “c”: que transformou = pretérito perfeito do Indi-
Voltemos ao trecho: ... meu saudoso amigo Alcino Alves cativo
Costa. E foi dele que ouvi oralmente... = a única alter- Em “d”: que se esforcem = presente do Subjuntivo
nativa que substitui corretamente o trecho destacado é Em “e”: há algo novo nesse cenário = presente do In-
“de quem ouvi oralmente”. dicativo

41
12. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – TÉCNICO JUDICIÁRIO – Resposta: Letra E.
FCC – 2016) O modelo ainda dominante nas discussões Temos um verbo (no tempo presente) na ativa, então
ecológicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo... teremos dois na passiva (auxiliar [no tempo presente]
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma + particípio de “marcam”) = Assim, a trajetória da uto-
verbal resultante será: pia do país é marcada pelos sessenta anos de história.

a) é privilegiado. 15. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO


b) sendo privilegiadas. – SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP – 2017) Consi-
c) são privilegiados. dere as seguintes frases:
d) foi privilegiado. Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
e) são privilegiadas. Segundo, não memorize apenas por repetição.
Terceiro, rabisque!
Resposta: Letra C. Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos
Há um verbo na ativa, então teremos dois na passiva empregados nessas frases está em destaque em:
(auxiliar + o particípio de “privilegia”) = O Estado e
o mundo são privilegiados pelo modelo ainda domi- a) [...] o acesso rápido e a quantidade de textos fazem
nante. com que o cérebro humano não considere útil gravar
esses dados [...]
13. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – TÉCNICO JUDICIÁRIO b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem-
– FCC – 2016) Empregam-se todas as formas verbais de -número de informações.
acordo com a norma culta na seguinte frase: c) [...] após discar e fazer a ligação, não precisamos mais
dele...
a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em
não poderia receber qualquer tipo de retificação. que morou quando era criança?
b) Os documentos com assinatura digital disporam de e) É o que mostra também uma pesquisa recente condu-
algoritmos de criptografia que os protegeram. zida pela empresa de segurança digital Kaspersky [...]
c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
contar com a proteção de uma assinatura digital. Resposta: Letra D.
d) Quem se propor a alterar um documento criptogra- Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperati-
fado deve saber que comprometerá sua integridade. vo (expressam ordem). Vamos aos itens:
e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem Em “a”: ... o acesso rápido e a quantidade de textos
comprometer a integridade dos documentos. fazem = presente do Indicativo
Em “b”: Na internet, basta um clique = presente do
Indicativo
Resposta: Letra E.
Em “c”: ... após discar e fazer a ligação, não precisamos
Em “a”: Para que se mantesse (mantivesse) sua auten-
= presente do Indicativo
ticidade, o documento não poderia receber qualquer
Em “d”: Pense rápido: = Imperativo
tipo de retificação.
Em “e”: É o que mostra também uma pesquisa = pre-
Em “b”: Os documentos com assinatura digital dispo-
sente do Indicativo
ram (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os
protegeram.
16. (PC-SP – ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLI-
Em “c”: Arquivados eletronicamente, os documentos CIAL – VUNESP – 2014) Assinale a alternativa em que a
poderam (puderam) contar com a proteção de uma palavra em destaque na frase pertence à classe dos adje-
assinatura digital. tivos (palavra que qualifica um substantivo).
Em “d”: Quem se propor (propuser) a alterar um docu-
mento criptografado deve saber que comprometerá a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu-
sua integridade. tanásia...
Em “e”: Não é possível fazer as alterações que convie- b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
rem sem comprometer a integridade dos documentos c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar
= correta a morte.
d) Ela é proibida por lei no Brasil,...
14. (TRT 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁRIO – e) E como seria a verdadeira boa morte?
FCC – 2017) Sessenta anos de história marcam, assim, a
trajetória da utopia no país. Resposta: Letra E.
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma Em “a”: Existe grande confusão = substantivo
LÍNGUA PORTUGUESA

verbal resultante será: Em “b”: o médico ou alguém causa ativamente a mor-


te = pronome
a) foram marcados. Em “c”: prolonga o processo de morrer procurando
b) foi marcado. distanciar a morte = substantivo
c) são marcados. Em “d”: Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
d) foi marcada. Em “e”: E como seria a verdadeira boa morte? = ad-
e) é marcada. jetivo

42
17. (PC-SP – ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP – c) sejam ... mantivessem
2014) As formas verbais conjugadas no modo impera- d) seja ... mantivessem
tivo, expressando ordem, instrução ou comando, estão e) seja ... mantêm
destacadas em
Resposta: Letra C.
a) Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem ní- Completemos as lacunas e depois busquemos o item
tidas na memória: são aqueles donos de qualidades correspondente. A pegadinha aqui é a conjugação do
incomuns. verbo “manter”, no presente do Subjuntivo (mantiver):
b) Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e É comum que objetos sejam esquecidos em locais pú-
quase não acreditei no que ouvi. blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se
c) – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá as pessoas mantivessem a atenção voltada para seus
pro estúdio e ponha a rádio no ar. pertences, conservando-os junto ao corpo.
d) Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário,
precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o 20. (PC-SP – ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLI-
locutor não chegava para os textos de abertura, pu- CIAL – VUNESP – 2013) Nas frases – Não vou mais à
blicidade, chamadas. escola!… – e – Hoje estão na moda os métodos audio-
e) ... estremecíamos quando ele nos chamava para qual- visuais. – as palavras em destaque expressam, correta e
quer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já respectivamente, circunstâncias de
suando frio e atentos às suas finas e cortantes pala-
vras. a) dúvida e modo.
b) dúvida e tempo.
Resposta: Letra C. c) modo e afirmação.
Aos itens: d) negação e lugar.
Em “a”: há = presente / acabam = presente / são = e) negação e tempo.
presente
Em “b”: Voltei = pretérito perfeito / acreditei = preté- Resposta: Letra E.
rito perfeito “não” – advérbio de negação / “hoje” – advérbio de
Em “c”: deixe / largue / vá / ponha = verbos no modo tempo.
imperativo afirmativo (ordens)
Em “d”: era = pretérito imperfeito / precisava = pretéri- 21. (PC-SP – ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP –
to imperfeito / chegava = pretérito imperfeito 2013) Assinale a alternativa que completa respectiva-
Em “e”: fazendo-nos = gerúndio / suando = gerúndio mente as lacunas, em conformidade com a norma-pa-
drão de conjugação verbal.
18. (PC-SP – AGENTE DE POLÍCIA – VUNESP – 2013) Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional
Em – O destino me prestava esse pequeno favor: comple- quando __________ um diploma de mestrado, mas há
tava minha identificação com o resto da humanidade, que aqueles que _________ de opinião e procuram investir em
tem sempre para contar uma história de objeto achado; cursos profissionalizantes.
– o pronome em destaque retoma a seguinte palavra/
expressão: a) obtiver … divirgem
b) obter … divergem
a) o resto da humanidade. c) obtesse … devirgem
b) esse pequeno favor. d) obter … divirgem
c) minha identificação. e) obtiver … divergem
d) O destino.
e) completava. Resposta: Letra E.
Há quem acredite que alcançará o sucesso profissio-
Resposta: Letra A. nal quando obtiver um diploma de mestrado, mas há
Completava minha identificação com o resto da huma- aqueles que divergem de opinião e procuram investir
nidade, que (a qual) tem sempre para contar uma his- em cursos profissionalizantes.
tória de objeto achado = pronome relativo que retoma
o resto da humanidade. 22. (PC-SP – AUXILIAR DE NECROPSIA – VUNESP –
2014) Considerando que o adjetivo é uma palavra que
19. (PC-SP – AGENTE DE POLÍCIA – VUNESP – 2013) modifica o substantivo, com ele concordando em gênero
Considere o trecho a seguir. e número, assinale a alternativa em que a palavra desta-
LÍNGUA PORTUGUESA

É comum que objetos ____________ esquecidos em locais cada é um adjetivo.


públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados
se as pessoas __________ a atenção voltada para seus per- a) ... um câncer de boca horroroso, ...
tences, conservando-os junto ao corpo. b) Ele tem dezesseis anos...
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva- c) Eu queria que ele morresse logo, ...
mente, as lacunas do texto. d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às fa-
a) sejam ... mantesse mílias.
b) sejam ... mantém e) E o inferno não atinge só os terminais.

43
Resposta: Letra A.
Em “a”: um câncer de boca horroroso = adjetivo
Em “b”: Ele tem dezesseis anos = numeral
Em “c”: Eu queria que ele morresse logo = advérbio
Em “d”: com a crueldade adicional de dar esperança às famílias = substantivo
Em “e”: E o inferno não atinge só os terminais = substantivo

ESTUDO, COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO: A SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS


NO TEXTO, CONCEITO, ENCONTROS VOCÁLICOS, DÍGRAFOS, ORTOÉPIA, DIVISÃO SILÁBI-
CA, PROSÓDIA-ACENTUAÇÃO; CONTEÚDO DO TEXTO: RELAÇÕES SEMÂNTICO-DISCURSI-
VAS ENTRE IDEIAS NO TEXTO E OS RECURSOS LINGUÍSTICOS USADOS EM FUNÇÃO DESSAS
RELAÇÕES; ESCRITA DO TEXTO; MODALIZAÇÕES NO TEXTO E OS RECURSOS LINGUÍSTICOS
USADOS EM FUNÇÃO DESSAS MODALIZAÇÕES; TEXTOS: PUBLICITÁRIOS, JORNALÍSTICOS,
INSTRUCIONAIS, NARRATIVOS, POÉTICOS, EPISTOLARES, HISTÓRIA EM QUADRINHOS;
LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL.

Interpretação Textual

Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz de pro-
duzir interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar).

Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há uma informação que se liga com a
anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação
dá-se o nome de contexto. O relacionamento entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada de seu contexto
original e analisada separadamente, poderá ter um significado diferente daquele inicial.

Intertexto - comumente, os textos apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores através de citações.
Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.

Interpretação de texto - o objetivo da interpretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A partir
daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fundamentações), as argumentações (ou explicações), que levam ao esclare-
cimento das questões apresentadas na prova.

Normalmente, em uma prova, o candidato deve:


 Identificar os elementos fundamentais de uma argumentação, de um processo, de uma época (neste caso,
procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo).
 Comparar as relações de semelhança ou de diferenças entre as situações do texto.
 Comentar/relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade.
 Resumir as ideias centrais e/ou secundárias.
 Parafrasear = reescrever o texto com outras palavras.

Condições básicas para interpretar

Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e
prática; conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico; capacidade de observação e de síntese;
capacidade de raciocínio.

Interpretar/Compreender

Interpretar significa:
LÍNGUA PORTUGUESA

Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.


Através do texto, infere-se que...
É possível deduzir que...
O autor permite concluir que...
Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
Compreender significa
Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.

44
O texto diz que... Dicas para melhorar a interpretação de textos
É sugerido pelo autor que...
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirma-  Leia todo o texto, procurando ter uma visão ge-
ção... ral do assunto. Se ele for longo, não desista! Há
O narrador afirma... muitos candidatos na disputa, portanto, quanto
mais informação você absorver com a leitura, mais
Erros de interpretação chances terá de resolver as questões.
 Se encontrar palavras desconhecidas, não inter-
 Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se rompa a leitura.
 Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas
sai do contexto, acrescentando ideias que não
forem necessárias.
estão no texto, quer por conhecimento prévio  Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma
do tema quer pela imaginação. conclusão).
 Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se  Volte ao texto quantas vezes precisar.
atenção apenas a um aspecto (esquecendo que  Não permita que prevaleçam suas ideias sobre as
um texto é um conjunto de ideias), o que pode do autor.
ser insuficiente para o entendimento do tema  Fragmente o texto (parágrafos, partes) para me-
desenvolvido. lhor compreensão.
 Contradição = às vezes o texto apresenta ideias  Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de
contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con- cada questão.
clusões equivocadas e, consequentemente, er-  O autor defende ideias e você deve percebê-las.
rar a questão.  Observe as relações interparágrafos. Um parágra-
fo geralmente mantém com outro uma relação de
Observação: Muitos pensam que existem a ótica do continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifi-
escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas em que muito bem essas relações.
uma prova de concurso, o que deve ser levado em consi-  Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou
deração é o que o autor diz e nada mais. seja, a ideia mais importante.
 Nos enunciados, grife palavras como “correto”
ou “incorreto”, evitando, assim, uma confusão na
Coesão e Coerência hora da resposta – o que vale não somente para
Interpretação de Texto, mas para todas as demais
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que questões!
relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre  Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia prin-
si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de cipal, leia com atenção a introdução e/ou a con-
um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um clusão.
pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o  Olhe com especial atenção os pronomes relativos,
que se vai dizer e o que já foi dito. pronomes pessoais, pronomes demonstrativos,
etc., chamados vocábulos relatores, porque reme-
São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre tem a outros vocábulos do texto.
eles, está o mau uso do pronome relativo e do prono-
me oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; SITES
aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer tam- Disponível em: <http://www.tudosobreconcursos.
bém de que os pronomes relativos têm, cada um, valor com/materiais/portugues/como-interpretar-textos>
semântico, por isso a necessidade de adequação ao an- Disponível em: <http://portuguesemfoco.com/pf/
tecedente. 09-dicas-para-melhorar-a-interpretacao-de-textos-em-
-provas>
Os pronomes relativos são muito importantes na in-
Disponível em: <http://www.portuguesnarede.
terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
com/2014/03/dicas-para-voce-interpretar-melhor-um.
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que html>
existe um pronome relativo adequado a cada circunstân- Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/cursi-
cia, a saber: nho/questoes/questao-117-portugues.htm>
que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden-
te, mas depende das condições da frase.
qual (neutro) idem ao anterior.
quem (pessoa) EXERCÍCIOS COMENTADOS
cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
o objeto possuído. 1. (EBSERH – Analista Administrativo – Estatística –
AOCP-2015)
LÍNGUA PORTUGUESA

como (modo)
onde (lugar)
quando (tempo) O verão em que aprendi a boiar
quanto (montante) Quando achamos que tudo já aconteceu, novas ca-
Exemplo: pacidades fazem de nós pessoas diferentes do que
Falou tudo QUANTO queria (correto) éramos
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
aparecer o demonstrativo O). IVAN MARTINS

45
Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acre- na água do mar. Às vezes você nada, outras vezes você
dito em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um boia, de vez em quando, morto de medo, sente que pode
gosto especial. afundar. É uma experiência que exige, ao mesmo tem-
Quando aprendi a guiar, aos 34 anos, tudo se transfor- po, relaxamento e atenção, e nem sempre essas coisas
mou. De repente, ganhei mobilidade e autonomia. A ci- se combinam. Se a gente se põe muito tenso e cerebral,
dade, minha cidade, mudou de tamanho e de fisionomia. a relação perde a espontaneidade. Afunda. Mas, largada
Descer a Avenida Rebouças num táxi, de madrugada, era apenas ao sabor das ondas, sem atenção ao equilíbrio, a
diferente – e pior – do que descer a mesma avenida com relação também naufraga. Há uma ciência sem cálculos
as mãos ao volante, ouvindo rock and roll no rádio. Pegar que tem de ser assimilada a cada novo amor, por cada
a estrada com os filhos pequenos revelou-se uma delícia um de nós. Ela fornece a combinação exata de atenção e
insuspeitada. relaxamento que permite boiar. Quer dizer, viver de for-
Talvez porque eu tenha começado tarde, guiar me pare- ma relaxada e consciente um grande amor.
ce, ainda hoje, uma experiência incomum. É um ato que, Na minha experiência, esse aprendizado não se fez ra-
mesmo repetido de forma diária, nunca se banalizou in- pidamente. Demorou anos e ainda se faz. Talvez porque
teiramente. eu seja homem, talvez porque seja obtuso para as coi-
Na véspera do Ano Novo, em Ubatuba, eu fiz outra des- sas do afeto. Provavelmente, porque sofro das limitações
coberta temporã. emocionais que muitos sofrem e que tornam as relações
Depois de décadas de tentativas inúteis e frustrantes, afetivas mais tensas e trabalhosas do que deveriam ser.
num final de tarde ensolarado eu conquistei o dom da Sabemos nadar, mas nos custa relaxar e ser felizes nas
flutuação. Nas águas cálidas e translúcidas da praia Bra- águas do amor e do sexo. Nos custa boiar.
va, sob o olhar risonho da minha mulher, finalmente con- A boa notícia, que eu redescobri na praia, é que tudo se
segui boiar. aprende, mesmo as coisas simples que pareciam impos-
Não riam, por favor. Vocês que fazem isso desde os oito síveis.
anos, vocês que já enjoaram da ausência de peso e esfor- Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de me-
ço, vocês que não mais se surpreendem com a sensação lhorar. Mesmo se ela acabou, é certo que haverá outra
de balançar ao ritmo da água – sinto dizer, mas vocês se no futuro, no qual faremos melhor: com mais calma, com
esqueceram de como tudo isso é bom. mais prazer, com mais intensidade e menos medo.
Nadar é uma forma de sobrepujar a água e impor-se a O verão, afinal, está apenas começando. Todos os dias se
ela. Boiar é fazer parte dela – assim como do sol e das pode tentar boiar.
montanhas ao redor, dos sons que chegam filtrados ao http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-mar-
ouvido submerso, do vento que ergue a onda e lança tins/noticia/2014/01/overao-em-que-aprendi-boiar.html
água em nosso rosto. Boiar é ser feliz sem fazer força, e
isso, curiosamente, não é fácil. De acordo com o texto, quando o autor afirma que “To-
Essa experiência me sugeriu algumas considerações so- dos os dias se pode tentar boiar.”, ele refere-se ao fato de
bre a vida em geral.
Uma delas, óbvia, é que a gente nunca para de apren- a) haver sempre tempo para aprender, para tentar relaxar
der ou de avançar. Intelectualmente e emocionalmente, e ser feliz nas águas do amor, agindo com mais cal-
de um jeito prático ou subjetivo, estamos sempre incor- ma, com mais prazer, com mais intensidade e menos
porando novidades que nos transformam. Somos gene- medo.
ticamente elaborados para lidar com o novo, mas não b) ser necessário agir com mais cautela nos relaciona-
só. Também somos profundamente modificados por ele. mentos amorosos para que eles não se desfaçam.
A cada momento da vida, quando achamos que tudo já c) haver sempre tempo para aprender a ser mais criterio-
aconteceu, novas capacidades irrompem e fazem de nós so com seus relacionamentos, a fim de que eles sejam
uma pessoa diferente do que éramos. Uma pessoa capaz vividos intensamente.
de boiar é diferente daquelas que afundam como pedras. d) haver sempre tempo para aprender coisas novas, in-
Suspeito que isso tenha importância também para os re- clusive agir com o raciocínio nas relações amorosas.
lacionamentos. e) ser necessário aprender nos relacionamentos, porém
Se a gente não congela ou enferruja – e tem gente que já sempre estando alerta para aquilo de ruim que pode
está assim aos 30 anos – nosso repertório íntimo tende a acontecer.
se ampliar, a cada ano que passa e a cada nova relação.
Penso em aprender a escutar e a falar, em olhar o outro, Resposta: Letra A. Ao texto: (...) tudo se aprende,
em tocar o corpo do outro com propriedade e deixar-se mesmo as coisas simples que pareciam impossíveis. /
tocar sem susto. Penso em conter a nossa própria frustra- Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de
ção e a nossa fúria, em permitir que o parceiro floresça, melhorar = sempre há tempo para boiar (aprender).
em dar atenção aos detalhes dele. Penso, sobretudo, em
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “a”: haver sempre tempo para aprender, para ten-


conquistar, aos poucos, a ansiedade e insegurança que tar relaxar e ser feliz nas águas do amor, agindo com
nos bloqueiam o caminho do prazer, não apenas no sen- mais calma, com mais prazer, com mais intensidade e
tido sexual. Penso em estar mais tranquilo na companhia menos medo = correta.
do outro e de si mesmo, no mundo. Em “b”: ser necessário agir com mais cautela nos rela-
Assim como boiar, essas coisas são simples, mas preci- cionamentos amorosos para que eles não se desfaçam
sam ser aprendidas. = incorreta – o autor propõe viver intensamente.
Estar no interior de uma relação verdadeira é como estar Em “c”: haver sempre tempo para aprender a ser mais

46
criterioso com seus relacionamentos, a fim de que eles Voltemos ao texto: Uma crise bancária pode ser com-
sejam vividos intensamente = incorreta – ser menos parada a um vendaval. Suas consequências sobre a eco-
objetivo nos relacionamentos. nomia das famílias e das empresas são imprevisíveis.
Em “d”: haver sempre tempo para aprender coisas no-
vas, inclusive agir com o raciocínio nas relações amo- 3. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
rosas = incorreta – ser mais emoção.
Em “e”: ser necessário aprender nos relacionamentos, Lastro e o Sistema Bancário
porém sempre estando alerta para aquilo de ruim que
pode acontecer = incorreta – estar sempre cuidando, [...]
não pensando em algo ruim. Até os anos 60, o papel-moeda e o dinheiro deposita-
do nos bancos deviam estar ligados a uma quantidade
2. (BACEN – TÉCNICO – CONHECIMENTOS BÁSICOS – de ouro num sistema chamado lastro-ouro. Como esse
ÁREA 1 e 2 – CESPE-2013) metal é limitado, isso garantia que a produção de dinhei-
ro fosse também limitada. Com o tempo, os banqueiros
Uma crise bancária pode ser comparada a um vendaval. se deram conta de que ninguém estava interessado em
Suas consequências sobre a economia das famílias e das trocar dinheiro por ouro e criaram manobras, como a re-
empresas são imprevisíveis. Os agentes econômicos rela- serva fracional, para emprestar muito mais dinheiro do
cionam-se em suas operações de compra, venda e troca que realmente tinham em ouro nos cofres. Nas crises,
de mercadorias e serviços de modo que cada fato econô- como em 1929, todos queriam sacar dinheiro para pagar
mico, seja ele de simples circulação, de transformação ou suas contas e os bancos quebravam por falta de fundos,
de consumo, corresponde à realização de ao menos uma deixando sem nada as pessoas que acreditavam ter suas
operação de natureza monetária junto a um intermediá- economias seguramente guardadas.
rio financeiro, em regra, um banco comercial que recebe Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão-
um depósito, paga um cheque, desconta um título ou -ouro. Desde então, o dinheiro, na forma de cédulas e
antecipa a realização de um crédito futuro. A estabilida- principalmente de valores em contas bancárias, já não
de do sistema que intermedeia as operações monetárias, tendo nenhuma riqueza material para representar, é cria-
portanto, é fundamental para a própria segurança e esta- do a partir de empréstimos. Quando alguém vai até o
bilidade das relações entre os agentes econômicos. banco e recebe um empréstimo, o valor colocado em
A iminência de uma crise bancária é capaz de afetar e sua conta é gerado naquele instante, criado a partir de
contaminar todo o sistema econômico, fazendo que os uma decisão administrativa, e assim entra na economia.
titulares de ativos financeiros fujam do sistema financeiro Essa explicação permaneceu controversa e escondida
e se refugiem, para preservar o valor do seu patrimônio, por muito tempo, mas hoje está clara em um relatório do
em ativos móveis ou imóveis e, em casos extremos, em Bank of England de 2014.
estoques crescentes de moeda estrangeira. Para se evitar Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é
esse tipo de distorção, é fundamental a manutenção da criado assim, inventado em canetaços a partir da conces-
credibilidade no sistema financeiro. A experiência bra- são de empréstimos. O que torna tudo mais estranho e
sileira com o Plano Real é singular entre os países que
perverso é que, sobre esse empréstimo, é cobrada uma
adotaram políticas de estabilização monetária, uma vez
dívida. Então, se eu peço dinheiro ao banco, ele inventa
que a reversão das taxas inflacionárias não resultou na
números em uma tabela com meu nome e pede que eu
fuga de capitais líquidos do sistema financeiro para os
devolva uma quantidade maior do que essa. Para pagar
ativos reais.
a dívida, preciso ir até o dito “livre-mercado” e trabalhar,
Pode-se afirmar que a estabilidade do Sistema Financei-
lutar, talvez trapacear, para conseguir o dinheiro que o
ro Nacional é a garantia de sucesso do Plano Real. Não
banco inventou na conta de outras pessoas. Esse é o di-
existe moeda forte sem um sistema bancário igualmente
forte. Não é por outra razão que a Lei n.º 4.595/1964, que nheiro que vai ser usado para pagar a dívida, já que a
criou o Banco Central do Brasil (BACEN), atribuiu-lhe si- única fonte de moeda é o empréstimo bancário. No fim,
multaneamente as funções de zelar pela estabilidade da os bancos acabam com todo o dinheiro que foi inventa-
moeda e pela liquidez e solvência do sistema financeiro. do e ainda confiscam os bens da pessoa endividada cujo
Atuação do Banco Central na sua função de zelar pela dinheiro tomei.
estabilidade do Sistema Financeiro Nacional. Internet: < Assim, o sistema monetário atual funciona com uma
www.bcb.gov.br > (com adaptações). moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante. Es-
cassa porque só banqueiros podem criá-la, e abundante
Conclui-se da leitura do texto que a comparação entre porque é gerada pela simples manipulação de bancos de
“crise bancária” e “vendaval” embasa-se na impossibi- dados. O resultado é uma acumulação de riqueza e po-
lidade de se preverem as consequências de ambos os der sem precedentes: um mundo onde o patrimônio de
LÍNGUA PORTUGUESA

fenômenos. 80 pessoas é maior do que o de 3,6 bilhões, e onde o 1%


mais rico tem mais do que os outros 99% juntos.
( ) CERTO ( ) ERRADO [...]
Disponível em https://fagulha.org/artigos/inventan-
Resposta: Certo. Conclui-se da leitura do texto que do-dinheiro/
a comparação entre “crise bancária” e “vendaval” em- Acessado em 20/03/2018
basa-se na impossibilidade de se preverem as conse- De acordo com o autor do texto Lastro e o sistema bancá-
quências de ambos os fenômenos. rio, a reserva fracional foi criada com o objetivo de

47
a) tornar ilimitada a produção de dinheiro. Há uma série de informações implícitas na charge; NÃO
b) proteger os bens dos clientes de bancos. pode, no entanto, ser inferida da imagem e das frases a
c) impedir que os bancos fossem à falência. seguinte informação:
d) permitir o empréstimo de mais dinheiro
e) preservar as economias das pessoas. a) a classe social mais alta está envolvida nos crimes co-
metidos no Rio;
Resposta: Letra D. Ao texto: (...) Com o tempo, os b) a tarefa da investigação criminal não está sendo bem-
banqueiros se deram conta de que ninguém estava -feita;
interessado em trocar dinheiro por ouro e criaram ma- c) a linguagem do personagem mostra intimidade com
nobras, como a reserva fracional, para emprestar mui- o interlocutor;
to mais dinheiro do que realmente tinham em ouro d) a presença do orelhão indica o atraso do local da char-
nos cofres. ge;
Em “a”, tornar ilimitada a produção de dinheiro = in- e) as imagens dos tanques de guerra denunciam a pre-
correta sença do Exército.
Em “b”, proteger os bens dos clientes de bancos = in-
correta
Em “c”, impedir que os bancos fossem à falência = Resposta: Letra D.
incorreta
Em “d”, permitir o empréstimo de mais dinheiro =
correta
Em “e”, preservar as economias das pessoas = incor-
reta

4. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)


A leitura do texto permite a compreensão de que

a) as dívidas dos clientes são o que sustenta os bancos. NÃO pode ser inferida da imagem e das frases a se-
b) todo o dinheiro que os bancos emprestam é imagi- guinte informação:
nário. Em “a”, a classe social mais alta está envolvida nos cri-
c) quem pede um empréstimo deve a outros clientes. mes cometidos no Rio = inferência correta
d) o pagamento de dívidas depende do “livre-mercado”. Em “b”, a tarefa da investigação criminal não está sen-
e) os bancos confiscam os bens dos clientes endividados. do bem-feita = inferência correta
Em “c”, a linguagem do personagem mostra intimida-
Resposta: Letra A. de com o interlocutor = inferência correta
Em “a”, as dívidas dos clientes são o que sustenta os Em “d”, a presença do orelhão indica o atraso do local
bancos = correta da charge = incorreta
Em “b”, todo o dinheiro que os bancos emprestam é Em “e”, as imagens dos tanques de guerra denunciam
imaginário = nem todo a presença do Exército = inferência correta
Em “c”, quem pede um empréstimo deve a outros
clientes = deve ao banco, este paga/empresta a ou- 6. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – NÍVEL SUPERIOR –
tros clientes CONHECIMENTOS BÁSICOS – CESPE-2014)
Em “d”, o pagamento de dívidas depende do “livre-
-mercado” = não só: (...) preciso ir até o dito “livre- As primeiras moedas, peças representando valores, ge-
-mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear. ralmente em metal, surgiram na Lídia (atual Turquia), no
Em “e”, os bancos confiscam os bens dos clientes endi- século VII a.C. As características que se desejava ressaltar
vidados = desde que não paguem a dívida eram transportadas para as peças por meio da panca-
da de um objeto pesado, em primitivos cunhos. Com o
5. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEI- surgimento da cunhagem a martelo e o uso de metais
RO GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Observe a charge nobres, como o ouro e a prata, os signos monetários pas-
abaixo, publicada no momento da intervenção nas ati- saram a ser valorizados também pela nobreza dos metais
vidades de segurança do Rio de Janeiro, em março de neles empregados.
2018. Embora a evolução dos tempos tenha levado à substi-
tuição do ouro e da prata por metais menos raros ou
suas ligas, preservou-se, com o passar dos séculos, a as-
sociação dos atributos de beleza e expressão cultural ao
LÍNGUA PORTUGUESA

valor monetário das moedas, que quase sempre, na atua-


lidade, apresentam figuras representativas da história, da
cultura, das riquezas e do poder das sociedades.
A necessidade de guardar as moedas em segurança le-
vou ao surgimento dos bancos. Os negociantes de ouro
e prata, por terem cofres e guardas a seu serviço, passa-
ram a aceitar a responsabilidade de cuidar do dinheiro de

48
seus clientes e a dar recibos escritos das quantias guar- Oportunismo à Direita e à Esquerda
dadas. Esses recibos passaram, com o tempo, a servir
como meio de pagamento por seus possuidores, por ser Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos
mais seguro portá-los do que portar dinheiro vivo. Assim o direito de reunião e de greve, entre outros, obedecidas
surgiram as primeiras cédulas de “papel moeda”, ou cé- leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime
dulas de banco; concomitantemente ao surgimento das de liberdades, há sempre o risco de excessos, a serem
cédulas, a guarda dos valores em espécie dava origem a devidamente contidos e seus responsáveis, punidos,
instituições bancárias. conforme estabelecido na legislação.
Casa da Moeda do Brasil: 290 anos de História, É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos cami-
1694/1984. nhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, da
ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em
Depreende-se do texto que duas características das se beneficiar do barateamento do combustível.
moedas se mantiveram ao longo do tempo: a veiculação Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico
de formas em sua superfície e a associação de seu valor para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano de elei-
ção, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não
monetário a atributos como beleza.
faltam, também, os arautos do quanto pior, melhor, para
desgastar governantes e reforçar seus projetos de po-
( ) CERTO ( ) ERRADO
der, por mais delirantes que sejam. Também aqui vale o
que está delimitado pelo estado democrático de direito,
Resposta: Errado. Depreende-se do texto que duas defendido pelos diversos instrumentos institucionais de
características das moedas se mantiveram ao longo do que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público,
tempo: a veiculação de formas em sua superfície e a Forças Armadas etc.
associação de seu valor monetário a atributos como A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de
beleza = errado (é o inverso). suprimento que mantêm o sistema produtivo funcionan-
Texto: (...) a associação dos atributos de beleza e ex- do, do qual depende a sobrevivência física da população.
pressão cultural ao valor monetário das moedas, que Isso não pode ser esquecido e serve de alerta para que as
quase sempre, na atualidade, apresentam figuras re- autoridades desenvolvam planos de contingência.
presentativas da história, da cultura, das riquezas e do O Globo, 31/05/2018.
poder das sociedades.
“É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos ca-
7. (Câmara de Salvador-BA – Assistente Legislativo minhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo,
Municipal – FGV-2018-adaptada) “Hoje, esse termo da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados
denota, além da agressão física, diversos tipos de impo- em se beneficiar do barateamento do combustível.” Se-
sição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar gundo esse parágrafo do texto, o que “precisa acontecer”
ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de é
determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado
pelas condições de trabalho e condições econômicas”. A a) manter-se o direito de livre expressão do pensamento.
manchete jornalística abaixo que NÃO se enquadra em b) garantir-se o direito de reunião e de greve.
nenhum tipo de violência citado nesse segmento é: c) lastrear leis e regras na Constituição.
d) punirem-se os responsáveis por excessos.
a) Presa por mensagem racista na internet; e) concluírem-se as investigações sobre a greve.
b) Vinte pessoas são vítimas da ditadura venezuelana;
Resposta: Letra D. Em “a”: manter-se o direito de livre
c) Apanhou de policiais por destruir caixa eletrônico;
expressão do pensamento. = incorreto
d) Homossexuais são perseguidos e presos na Rússia;
Em “b”: garantir-se o direito de reunião e de greve. =
e) Quatro funcionários ficaram livres do trabalho escravo.
incorreto
Em “c”: lastrear leis e regras na Constituição. = incor-
Resposta: Letra C. Em “a”: Presa por mensagem ra- reto
cista na internet = como a repressão política, familiar Em “d”: punirem-se os responsáveis por excessos.
ou de gênero Em “e”: concluírem-se as investigações sobre a greve.
Em “b”: Vinte pessoas são vítimas da ditadura vene- = incorreto
zuelana = como a repressão política, familiar ou de gê- Ao texto: (...) há sempre o risco de excessos, a serem
nero devidamente contidos e seus responsáveis, punidos,
Em “c”: Apanhou de policiais por destruir caixa eletrô- conforme estabelecido na legislação. / É o que precisa
nico = não consta na Manchete acima acontecer... = precisa acontecer a punição dos exces-
Em “d”: Homossexuais são perseguidos e presos na sos.
LÍNGUA PORTUGUESA

Rússia = como a repressão política, familiar ou de gê-


nero 9. (PC-MA – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – CES-
Em “e”: Quatro funcionários ficaram livres do trabalho PE-2018)
escravo = o desgaste causado pelas condições de tra-
balho Texto CG1A1AAA

8. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO – A paz não pode ser garantida apenas pelos acordos
ÁREA JURÍDICA – FGV-2018) políticos, econômicos ou militares. Cada um de nós, in-

49
dependentemente de idade, sexo, estrato social, crença a) obstáculos para a construção da cultura da paz.
religiosa etc. é chamado à criação de um mundo pacifica- b) dispensáveis para a construção da cultura da paz.
do, um mundo sob a égide de uma cultura da paz. c) irrelevantes na construção da cultura da paz.
Mas, o que significa “cultura da paz”? d) etapas para a construção da cultura da paz.
Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças e) consequências da construção da cultura da paz.
e os adultos da compreensão de princípios como liber-
dade, justiça, democracia, direitos humanos, tolerância, Resposta: Letra D. Em “a”: obstáculos para a constru-
igualdade e solidariedade. Implica uma rejeição, indivi- ção da cultura da paz. = incorreto
dual e coletiva, da violência que tem sido percebida na Em “b”: dispensáveis para a construção da cultura da
sociedade, em seus mais variados contextos. A cultura da paz. = incorreto
paz tem de procurar soluções que advenham de dentro Em “c”: irrelevantes na construção da cultura da paz.
da(s) sociedade(s), que não sejam impostas do exterior. = incorreto
Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado Em “d”: etapas para a construção da cultura da paz.
em sentido negativo, quando se traduz em um estado Em “e”: consequências da construção da cultura da paz.
de não guerra, em ausência de conflito, em passividade = incorreto
e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese, Ao texto: Um dos primeiros passos nesse sentido refe-
condenada a um vazio, a uma não existência palpável, re-se à gestão de conflitos. (...) Outro passo é tentar er-
difícil de se concretizar e de se precisar. Em sua concep- radicar a pobreza e reduzir as desigualdades = etapas
ção positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a para construção da paz.
prática da não violência para resolver conflitos, a prática
do diálogo na relação entre pessoas, a postura democrá- 10. (PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL – VU-
tica frente à vida, que pressupõe a dinâmica da coope- NESP-2013) Leia o cartum de Jean Galvão
ração planejada e o movimento constante da instalação
de justiça.
Uma cultura de paz exige esforço para modificar o pen-
samento e a ação das pessoas para que se promova a
paz. Falar de violência e de como ela nos assola deixa
de ser, então, a temática principal. Não que ela vá ser
esquecida ou abafada; ela pertence ao nosso dia a dia e
temos consciência disso. Porém, o sentido do discurso, a
ideologia que o alimenta, precisa impregná-lo de pala-
vras e conceitos que anunciem os valores humanos que
decantam a paz, que lhe proclamam e promovem. A vio-
lência já é bastante denunciada, e quanto mais falamos
dela, mais lembramos de sua existência em nosso meio
social. É hora de começarmos a convocar a presença da
paz em nós, entre nós, entre nações, entre povos.
Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à ges-
tão de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencial-
mente violentos e reconstruir a paz e a confiança en-
tre pessoas originárias de situação de guerra é um dos (https://www.facebook.com/jeangalvao.cartunista)
exemplos mais comuns a serem considerados. Tal missão
estende-se às escolas, instituições públicas e outros lo- Considerando a relação entre a fala do personagem e a
cais de trabalho por todo o mundo, bem como aos par- imagem visual, pode-se concluir que o que o leva a pular
lamentos e centros de comunicação e associações. a onda é a necessidade de
Outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as de-
sigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento a) demonstrar respeito às religiões.
sustentado e o respeito pelos direitos humanos, refor- b) realizar um ritual místico.
çando as instituições democráticas, promovendo a liber- c) divertir-se com os amigos.
dade de expressão, preservando a diversidade cultural e d) preservar uma tradição familiar.
o ambiente.
e) esquivar-se da sujeira da água.
É, então, no entrelaçamento “paz — desenvolvimento —
direitos humanos — democracia” que podemos vislum-
Resposta: Letra E. Em “a”: demonstrar respeito às re-
LÍNGUA PORTUGUESA

brar a educação para a paz.


ligiões. = incorreto
Leila Dupret. Cultura de paz e ações sócio-educativas:
Em “b”: realizar um ritual místico. = incorreto
desafios para a escola contemporânea. In: Psicol. Esc.
Educ. (Impr.) v. 6, n.º 1. Campinas, jun./2002 (com adap- Em “c”: divertir-se com os amigos. = incorreto
tações). Em “d”: preservar uma tradição familiar. = incorreto
De acordo com o texto CG1A1AAA, os elementos “gestão Em “e”: esquivar-se da sujeira da água.
de conflitos” e “erradicar a pobreza” devem ser concebi- O personagem pula a onda para que não seja atingido
dos como pelo lixo que se encontra no mar.

50
11. (PM-SP - SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR – VUNESP-2015) Leia a tira.

(Folha de S.Paulo, 02.10.2015. Adaptado)


Com sua fala, a personagem revela que

a) a violência era comum no passado.


b) as pessoas lutam contra a violência.
c) a violência está banalizada.
d) o preço que pagou pela violência foi alto.

Resposta: Letra C. Em “a”: a violência era comum no passado. = incorreto


Em “b”: as pessoas lutam contra a violência. = incorreto
Em “c”: a violência está banalizada.
Em “d”: o preço que pagou pela violência foi alto. = incorreto
Infelizmente, a personagem revela que a violência está banalizada, nem há mais “punições” para os agressivos.

12. (PM-SP - ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR [INTERIOR] – VUNESP-2017) Leia a charge.

(Pancho. www.gazetadopovo.com.br)

É correto associar o humor da charge ao fato de que

a) os personagens têm uma autoestima elevada e são otimistas, mesmo vivendo em uma situação de completo confi-
namento.
b) os dois personagens estão muito bem informados sobre a economia, o que não condiz com a imagem de criminosos.
c) o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos personagens, pois eles demonstram preocupação com a
aparência.
d) o aumento dos preços de cosméticos não surpreende os personagens, que estão acostumados a pagar caro por eles
nos presídios.
e) os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes para os personagens, dada a condição em que se encontram.

Resposta: Letra E. Em “a”: os personagens têm uma autoestima elevada e são otimistas, mesmo vivendo em uma
situação de completo confinamento. = incorreto
Em “b”: os dois personagens estão muito bem informados sobre a economia, o que não condiz com a imagem de
criminosos. = incorreto
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “c”: o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos personagens, pois eles demonstram preocupação com
a aparência. = incorreto
Em “d”: o aumento dos preços de cosméticos não surpreende os personagens, que estão acostumados a pagar caro
por eles nos presídios. = incorreto
Em “e”: os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes para os personagens, dada a condição em que se
encontram.
Pela condição em que as personagens se encontram, o aumento no preço dos cosméticos não os afeta.

51
13. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS- O humor da tira é conseguido através de uma quebra de
TIÇA AVALIADOR – FGV-2018) expectativa, que é:

Texto 1 – Além do celular e da carteira, cuidado com a) o fato de um adulto colecionar figurinhas;
as figurinhas da Copa b) as figurinhas serem de temas sociais e não esportivos;
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018 c) a falta de muitas figurinhas no álbum;
d) a reclamação ser apresentada pelo pai e não pelo filho;
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo e) uma criança ajudar a um adulto e não o contrário.
uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais
afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos jor- Resposta: Letra B. Em “a”: o fato de um adulto cole-
naleiros estão levando seus estoques para casa quando cionar figurinhas; = incorreto
termina o expediente. Pode parecer piada, mas há até Em “b”: as figurinhas serem de temas sociais e não
boatos sobre quadrilhas de roubo de figurinha espalha- esportivos;
dos por mensagens de celular. Em “c”: a falta de muitas figurinhas no álbum; = incor-
Sobre a estrutura do título dado ao texto 1, a afirmativa reto
adequada é: Em “d”: a reclamação ser apresentada pelo pai e não
pelo filho; = incorreto
a) as figurinhas da Copa passaram a ocupar o lugar do Em “e”: uma criança ajudar a um adulto e não o con-
celular e da carteira nos roubos urbanos; trário. = incorreto
b) as figurinhas da Copa se somaram ao celular e à car- O humor está no fato de o álbum ser sobre um tema
teira como alvo de desejo dos assaltantes; incomum: assuntos sociais.
c) o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros que
vendem as figurinhas da Copa; 15. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) Obser-
d) os ladrões passaram a roubar as figurinhas da Copa ve a charge abaixo.
nas bancas de jornais;
e) as figurinhas da Copa se transformaram no alvo prin-
cipal dos ladrões.

Resposta: Letra B. Em “a”: as figurinhas da Copa


passaram a ocupar o lugar do celular e da carteira nos
roubos urbanos; = incorreto
Em “b”: as figurinhas da Copa se somaram ao celular e
à carteira como alvo de desejo dos assaltantes;
Em “c”: o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros
que vendem as figurinhas da Copa; = incorreto
Em “d”: os ladrões passaram a roubar as figurinhas da
Copa nas bancas de jornais; = incorreto
Em “e”: as figurinhas da Copa se transformaram no
alvo principal dos ladrões. = incorreto No caso da charge, a crítica feita à internet é:
O título do texto já nos dá a resposta: além do celular
e da carteira, ou seja, as figurinhas da Copa também a) a criação de uma dependência tecnológica excessiva;
passaram a ser alvo dos assaltantes. b) a falta de exercícios físicos nas crianças;
c) o risco de contatos perigosos;
14. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS- d) o abandono dos estudos regulares;
TIÇA AVALIADOR – FGV-2018) e) a falta de contato entre membros da família.

16. (TJ-SC – ANALISTA ADMINISTRATIVO – FGV-


2018) Observe a charge a seguir:
LÍNGUA PORTUGUESA

52
A charge acima é uma homenagem a Stephen Hawking, 18. (TRF-2.ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA
destacando o fato de o cientista: ADMINISTRATIVA – CONSULPLAN-2017)

a) ter alcançado o céu após sua morte;


b) mostrar determinação no combate à doença;
c) ser comparado a cientistas famosos;
d) ser reconhecido como uma mente brilhante;
e) localizar seus interesses nos estudos de Física.

Resposta: Letra A. Em “a”: a criação de uma depen-


dência tecnológica excessiva;
Em “b”: a falta de exercícios físicos nas crianças; = in-
correto
Em “c”: o risco de contatos perigosos; = incorreto
Em “d”: o abandono dos estudos regulares; = incorreto A produção da obra acima, Os Retirantes (1944), foi rea-
Em “e”: a falta de contato entre membros da família. = lizada seis anos depois da publicação do romance Vidas
incorreto Secas. Nessa obra, ao abordar a miséria e a seca clara-
Através da fala do garoto chegamos à resposta: de- mente vistas através da representação de uma família de
pendência tecnológica - expressa em sua fala. retirantes, Cândido Portinari

Resposta: Letra D. Em “a”: ter alcançado o céu após a) apresenta uma temática, assim como a descrição dos
sua morte; = incorreto personagens e do ambiente, de forma sutil e dinâmica.
Em “b”: mostrar determinação no combate à doença; b) permite visualizar a degradação da figura humana e
= incorreto o retrato da figura da morte afugentada pelos perso-
Em “c”: ser comparado a cientistas famosos; = incor- nagens.
reto c) apresenta elementos físicos presentes no cotidiano
Em “d”: ser reconhecido como uma mente brilhante; dos retirantes vítimas da seca e aspectos relacionados
Em “e”: localizar seus interesses nos estudos de Física. à desigualdade social.
= incorreto d) utiliza a linguagem não verbal com o objetivo de cons-
Usemos a fala de Einstein: “a mente brilhante que es- truir uma imagem cuja ênfase mística se opõe aos fa-
távamos esperando”. tos da realidade observável.

17. (TJ-PE – ANALISTA JUDICIÁRIO – FUNÇÃO ADMI- Resposta: Letra C. Em “a”: apresenta uma temática,
NISTRATIVA – IBFC-2017) assim como a descrição dos personagens e do am-
biente, de forma sutil e dinâmica.
Texto II Em “b”: permite visualizar a degradação da figura hu-
mana e o retrato da figura da morte afugentada pelos
personagens.
Em “c”: apresenta elementos físicos presentes no co-
tidiano dos retirantes vítimas da seca e aspectos rela-
cionados à desigualdade social.
Em “d”: utiliza a linguagem não verbal com o objetivo
de construir uma imagem cuja ênfase mística se opõe
aos fatos da realidade observável.
A obra retrata, de forma nada sutil, os elementos físi-
A observação dos elementos não verbais do texto é res- cos de uma família vítima da seca.
ponsável pelo entendimento do humor sugerido. Nesse
sentido, a evolução do homem e do computador, através
de tais elementos, deve ser entendida como: Linguagem Verbal e Não Verbal

a) complementar. O que é linguagem? É o uso da língua como forma de


b) semelhante. expressão e comunicação entre as pessoas. A linguagem
c) conflitante. não é somente um conjunto de palavras faladas ou es-
d) antitética. critas, mas também de gestos e imagens. Afinal, não nos
LÍNGUA PORTUGUESA

e) idealizada. comunicamos apenas pela fala ou escrita, não é verdade?


Então, a linguagem pode ser verbalizada, e daí vem
Resposta: Letra D. As imagens mostram um con- a analogia ao verbo. Você já tentou se pronunciar sem
traste entre o desenvolvimento do computador e do utilizar o verbo? Se não, tente, e verá que é impossível se
homem; enquanto aquele vai se tornando mais “fino, ter algo fundamentado e coerente! Assim, a linguagem
elegante”, este fica sedentário, engorda. A palavra verbal é a que utiliza palavras quando se fala ou quando
“antitética” significa “oposta, oposição”. se escreve.

53
A linguagem pode ser não verbal, ao contrário da ver- tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu
bal, não utiliza vocábulo, palavras para se comunicar. O carro quando ele apareceu. Depois de muita conver-
objetivo, neste caso, não é de expor verbalmente o que sa, resolveram...
se quer dizer ou o que se está pensando, mas se utilizar B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
de outros meios comunicativos, como: placas, figuras, descrevem características tanto físicas quanto psi-
gestos, objetos, cores, ou seja, dos signos visuais. cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
Vejamos: um texto narrativo, uma carta, o diálogo, objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
uma entrevista, uma reportagem no jornal escrito ou tele- no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os
visionado, um bilhete? = Linguagem verbal! cabelos mais negros como a asa da graúna...”
C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar
Agora: o semáforo, o apito do juiz numa partida de
um assunto ou uma determinada situação que se
futebol, o cartão vermelho, o cartão amarelo, uma dança,
almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das ra-
o aviso de “não fume” ou de “silêncio”, o bocejo, a identi- zões de ela acontecer, como em: O cadastramento
ficação de “feminino” e “masculino” através de figuras na irá se prorrogar até o dia 02 de dezembro, portan-
porta do banheiro, as placas de trânsito? = Linguagem to, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o
não verbal! benefício.
D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de
A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal ao uma modalidade na qual as ações são prescritas de
mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e forma sequencial, utilizando-se de verbos expres-
anúncios publicitários. sos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente:
Alguns exemplos: Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador
Cartão vermelho – denúncia de falta grave no futebol. até criar uma massa homogênea.
Placas de trânsito. E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar-
Imagem indicativa de “silêncio”. cam-se pelo predomínio de operadores argumen-
Semáforo com sinal amarelo advertindo “atenção”. tativos, revelados por uma carga ideológica cons-
tituída de argumentos e contra-argumentos que
SITE justificam a posição assumida acerca de um deter-
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/reda- minado assunto: A mulher do mundo contemporâ-
cao/linguagem.htm> neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço
no mercado de trabalho, o que significa que os gê-
neros estão em complementação, não em disputa.
TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL
2. Gêneros Textuais
A todo o momento nos deparamos com vários textos,
sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a pre- São os textos materializados que encontramos em
sença do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência nosso cotidiano; tais textos apresentam características
sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função,
daquilo que está sendo transmitido entre os interlocu-
composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos:
tores. Estes interlocutores são as peças principais em um
receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema,
diálogo ou em um texto escrito.
editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum,
É de fundamental importância sabermos classificar os blog, etc.
textos com os quais travamos convivência no nosso dia a A escolha de um determinado gênero discursivo de-
dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais pende, em grande parte, da situação de produção, ou
e gêneros textuais. seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são os
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um locutores e os interlocutores, o meio disponível para vei-
fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa cular o texto, etc.
opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a
lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre al- esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por
guém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente exemplo, são comuns gêneros como notícias, reporta-
nessas situações corriqueiras que classificamos os nossos gens, editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divul-
textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição gação científica são comuns gêneros como verbete de
e Dissertação. dicionário ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico,
1. As tipologias textuais se caracterizam pelos seminário, conferência.
aspectos de ordem linguística
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Os tipos textuais designam uma sequência definida Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto
pela natureza linguística de sua composição. São obser- Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. –
LÍNGUA PORTUGUESA

vados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, rela- São Paulo: Saraiva, 2010.
ções logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo, Português – Literatura, Produção de Textos & Gra-
argumentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo. mática – volume único / Samira Yousseff Campedelli,
Jésus Barbosa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de SITE
ação demarcados no tempo do universo narrado, http://www.brasilescola.com/redacao/tipologia-tex-
como também de advérbios, como é o caso de an- tual.htm

54
LETRA E FONEMA

A palavra fonologia é formada pelos elementos gregos fono (“som, voz”) e log, logia (“estudo”, “conhecimento”).
Significa literalmente “estudo dos sons” ou “estudo dos sons da voz”. Fonologia é a parte da gramática que estuda os
sons da língua quanto à sua função no sistema de comunicação linguística, quanto à sua organização e classificação.
Cuida, também, de aspectos relacionados à divisão silábica, à ortografia, à acentuação, bem como da forma correta de
pronunciar certas palavras. Lembrando que, cada indivíduo tem uma maneira própria de realizar estes sons no ato da
fala. Particularidades na pronúncia de cada falante são estudadas pela Fonética.
Na língua falada, as palavras se constituem de fonemas; na língua escrita, as palavras são reproduzidas por meio de
símbolos gráficos, chamados de letras ou grafemas. Dá-se o nome de fonema ao menor elemento sonoro capaz de
estabelecer uma distinção de significado entre as palavras. Observe, nos exemplos a seguir, os fonemas que marcam a
distinção entre os pares de palavras:

amor – ator / morro – corro / vento - cento


Cada segmento sonoro se refere a um dado da língua portuguesa que está em sua memória: a imagem acústica
que você - como falante de português - guarda de cada um deles. É essa imagem acústica que constitui o fonema. Este
forma os significantes dos signos linguísticos. Geralmente, aparece representado entre barras: /m/, /b/, /a/, /v/, etc.
O fonema não deve ser confundido com a letra. Esta é a representação gráfica do fonema. Na palavra sapo, por
exemplo, a letra “s” representa o fonema /s/ (lê-se sê); já na palavra brasa, a letra “s” representa o fonema /z/ (lê-se zê).
Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do fonema /z/, que
pode ser representado pelas letras z, s, x: zebra, casamento, exílio.
Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema. A letra “x”, por exemplo, pode representar:

A) o fonema /sê/: texto


B) o fonema /zê/: exibir
C) o fonema /che/: enxame
D) o grupo de sons /ks/: táxi

O número de letras nem sempre coincide com o número de fonemas.


Tóxico = fonemas: /t/ó/k/s/i/c/o/ letras: t ó x i c o
1234567 12 3 45 6

Galho = fonemas: /g/a/lh/o/ letras: ga lho


12 3 4 12345

As letras “m” e “n”, em determinadas palavras, não representam fonemas. Observe os exemplos: compra, conta.
Nestas palavras, “m” e “n” indicam a nasalização das vogais que as antecedem: /õ/. Veja ainda: nave: o /n/ é um fonema;
dança: o “n” não é um fonema; o fonema é /ã/, representado na escrita pelas letras “a” e “n”.

A letra h, ao iniciar uma palavra, não representa fonema.


Hoje = fonemas: ho / j / e / letras: h o j e
1 2 3 1234

1 Classificação dos Fonemas

Os fonemas da língua portuguesa são classificados em:

1.1 Vogais

As vogais são os fonemas sonoros produzidos por uma corrente de ar que passa livremente pela boca. Em nossa
língua, desempenham o papel de núcleo das sílabas. Isso significa que em toda sílaba há, necessariamente, uma única
vogal.
Na produção de vogais, a boca fica aberta ou entreaberta. As vogais podem ser:
Orais: quando o ar sai apenas pela boca: /a/, /e/, /i/, /o/, /u/.
LÍNGUA PORTUGUESA

Nasais: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.


/ã/: fã, canto, tampa
/ ẽ /: dente, tempero
/ ĩ/: lindo, mim
/õ/: bonde, tombo
/ ũ /: nunca, algum
Átonas: pronunciadas com menor intensidade: até, bola.
Tônicas: pronunciadas com maior intensidade: até, bola.

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Quanto ao timbre, as vogais podem ser:
Abertas: pé, lata, pó
Fechadas: mês, luta, amor
Reduzidas - Aparecem quase sempre no final das palavras: dedo (“dedu”), ave (“avi”), gente (“genti”).

1.2 Semivogais

Os fonemas /i/ e /u/, algumas vezes, não são vogais. Aparecem apoiados em uma vogal, formando com ela uma só
emissão de voz (uma sílaba). Neste caso, estes fonemas são chamados de semivogais. A diferença fundamental entre
vogais e semivogais está no fato de que estas não desempenham o papel de núcleo silábico.
Observe a palavra papai. Ela é formada de duas sílabas: pa - pai. Na última sílaba, o fonema vocálico que se destaca
é o “a”. Ele é a vogal. O outro fonema vocálico “i” não é tão forte quanto ele. É a semivogal. Outros exemplos: saudade,
história, série.

1.3 Consoantes

Para a produção das consoantes, a corrente de ar expirada pelos pulmões encontra obstáculos ao passar pela ca-
vidade bucal, fazendo com que as consoantes sejam verdadeiros “ruídos”, incapazes de atuar como núcleos silábicos.
Seu nome provém justamente desse fato, pois, em português, sempre consoam (“soam com”) as vogais. Exemplos: /b/,
/t/, /d/, /v/, /l/, /m/, etc.

2. Encontros Vocálicos

Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e semivogais, sem consoantes intermediárias. É importante
reconhecê-los para dividir corretamente os vocábulos em sílabas. Existem três tipos de encontros: o ditongo, o tritongo
e o hiato.

A) Ditongo
É o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) numa mesma sílaba. Pode ser:
Crescente: quando a semivogal vem antes da vogal: sé-rie (i = semivogal, e = vogal)
Decrescente: quando a vogal vem antes da semivogal: pai (a = vogal, i = semivogal)
Oral: quando o ar sai apenas pela boca: pai
Nasal: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais: mãe

B) Tritongo
É a sequência formada por uma semivogal, uma vogal e uma semivogal, sempre nesta ordem, numa só sílaba. Pode
ser oral ou nasal: Paraguai - Tritongo oral, quão - Tritongo nasal.

C) Hiato
É a sequência de duas vogais numa mesma palavra que pertencem a sílabas diferentes, uma vez que nunca há mais
de uma vogal numa mesma sílaba: saída (sa-í-da), poesia (po-e-si-a).

3. Encontros Consonantais

O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, recebe o nome de encontro consonantal.
Existem basicamente dois tipos:
A) os que resultam do contato consoante + “l” ou “r” e ocorrem numa mesma sílaba, como em: pe-dra, pla-no,
a-tle-ta, cri-se.
B) os que resultam do contato de duas consoantes pertencentes a sílabas diferentes: por-ta, rit-mo, lis-ta.
Há ainda grupos consonantais que surgem no início dos vocábulos; são, por isso, inseparáveis: pneu, gno-mo, psi-
-có-lo-go.

4. Dígrafos

De maneira geral, cada fonema é representado, na escrita, por apenas uma letra: lixo - Possui quatro fonemas e
LÍNGUA PORTUGUESA

quatro letras.
Há, no entanto, fonemas que são representados, na escrita, por duas letras: bicho - Possui quatro fonemas e cinco
letras.
Na palavra acima, para representar o fonema /xe/ foram utilizadas duas letras: o “c” e o “h”.
Assim, o dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para representar um único fonema (di = dois + grafo = letra).
Em nossa língua, há um número razoável de dígrafos que convém conhecer. Podemos agrupá-los em dois tipos: con-
sonantais e vocálicos.

56
A) Dígrafos Consonantais

Letras Fonemas Exemplos


lh /lhe/ telhado
nh /nhe/ marinheiro
ch /xe/ chave
rr /re/ (no interior da palavra) carro
ss /se/ (no interior da palavra) passo
qu /k/ (qu seguido de e e i) queijo, quiabo
gu /g/ ( gu seguido de e e i) guerra, guia
sc /se/ crescer
sç /se/ desço
xc /se/ exceção

B) Dígrafos Vocálicos

Registram-se na representação das vogais nasais:

Fonemas Letras Exemplos


/ã/ am tampa
an canto
/ẽ/ em templo
en lenda
/ĩ/ im limpo
in lindo
õ/ om tombo
on tonto
/ũ/ um chumbo
un corcunda

Observação:
“gu” e “qu” são dígrafos somente quando seguidos de “e” ou “i”, representam os fonemas /g/ e /k/: guitarra, aquilo.
Nestes casos, a letra “u” não corresponde a nenhum fonema. Em algumas palavras, no entanto, o “u” representa um
fonema - semivogal ou vogal - (aguentar, linguiça, aquífero...). Aqui, “gu” e “qu” não são dígrafos. Também não há dí-
grafos quando são seguidos de “a” ou “o” (quase, averiguo).

#FicaDica
Conseguimos ouvir o som da letra “u” também, por isso não há dígrafo! Veja outros exemplos: Água = /
agua/ pronunciamos a letra “u”, ou então teríamos /aga/. Temos, em “água”, 4 letras e 4 fonemas. Já em
guitarra = /gitara/ - não pronunciamos o “u”, então temos dígrafo (aliás, dois dígrafos: “gu” e “rr”). Portan-
to: 8 letras e 6 fonemas.

5. Dífonos
LÍNGUA PORTUGUESA

Assim como existem duas letras que representam um só fonema (os dígrafos!), existe letra que representa dois
fonemas. Sim! É o caso de “fixo”, por exemplo, em que o “x” representa o fonema /ks/; táxi e crucifixo também são
exemplos de dífonos. Quando uma letra representa dois fonemas temos um caso de dífono.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

57
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- construção. O sentido do discurso encontra-se sempre
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. em aberto para a possibilidade de interpretação do seu
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- receptor. O efeito do discurso é, claramente, transmitir
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São uma mensagem e alcançar um objetivo premeditado
Paulo: Saraiva, 2010. através da interpretação e interpelação do indivíduo alvo.

SITE 1. Tipos de Discurso: direto, indireto e indireto li-


http://www.soportugues.com.br/secoes/fono/fono1. vre
php
1.1. Vozes do Discurso

Análise e Tipo de Discurso Ao lermos um texto, observamos que há um narrador


- que é quem conta o fato. Esse locutor ou narrador pode
A Análise do Discurso é uma prática da linguística no introduzir outras vozes no texto para auxiliar a narrativa.
campo da Comunicação, e consiste em analisar a estru- Para fazer a introdução dessas outras vozes no texto, a
tura de um texto e, a partir disto, compreender as cons- voz principal ou privilegiada - o narrador - usa o que cha-
truções ideológicas presentes no mesmo. mamos de discurso. O que vem a ser discurso dentro do
O discurso em si é uma construção linguística atre- texto? É a forma como as falas são inseridas na narrativa.
lada ao contexto social no qual o texto é desenvolvido. Ele pode ser classificado em: direto, indireto e indireto
Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são livre.
diretamente determinadas pelo contexto político-social
em que vive o seu autor. Mais que uma análise textual, a A) Discurso direto: reproduz fiel e literalmente algo
análise do Discurso é uma análise contextual da estrutura dito por alguém. Um bom exemplo de discurso direto
discursiva em questão. são as citações ou transcrições exatas da declaração de
Michel Foucault descreveu a Ordem do Discurso alguém.
como uma construção de características sociais. A socie-  Primeira pessoa (eu, nós) – é o narrador quem fala,
dade que promove o contexto do discurso analisado é a usando aspas ou travessões para demarcar que
base de toda a estrutura do texto, atrelando, deste modo, está reproduzindo a fala de outra pessoa: “Não
todo e qualquer elemento que possa fazer parte do sen- gosto disso” – disse a menina em tom zangado.
tido do discurso. O texto só pode assim ser chamado se
o seu receptor for capaz de compreender o seu sentido, e B) Discurso indireto: o narrador, usando suas pró-
isto cabe ao autor do texto e à atenção que o mesmo der prias palavras, conta o que foi dito por outra pessoa. Te-
ao contexto da construção de seu discurso. É a relação mos então uma mistura de vozes, pois as falas dos per-
básica para a existência da comunicação verbal: emissão sonagens passam pela elaboração da fala do narrador.
– recepção – compreensão.
As práticas discursivas geram também outros âmbitos  Terceira pessoa - ele(s), ela(s) – O narrador só usa
de análise do discurso, como o Universo de Concorrên- sua própria voz, o que foi dito pela personagem
cias, que consiste na competição entre vários emissores passa pela elaboração do narrador. Não há uma
para atingir um mesmo público-alvo. A partir disto, os pontuação específica que marque o discurso in-
emissores precisam inteirar-se do contexto da vida do direto: A menina disse em tom zangado, que não
seu receptor, para que deste modo possam interpelá-lo gostava daquilo.
segundo sua própria ideologia, fazendo com que sua
mensagem seja recebida e assimilada pelo receptor sem C) Discurso indireto livre: É um discurso no qual há
que o mesmo perceba que está sendo alvo de uma ten- uma maior liberdade, o narrador insere a fala do perso-
tativa de convencimento, por assim dizer. nagem de forma sutil, sem fazer uso das marcas do dis-
Dentro da análise do Discurso há também o discurso curso direto. É necessário que se tenha atenção para não
estético, feito por meio de imagens, e que interpelam o confundir a fala do narrador com a fala do personagem,
indivíduo através de sua sensibilidade, que está ligada ao pois esta surge de repente em meio à fala do narrador: A
seu contexto também. A sensibilidade de um indivíduo menina perambulava pela sala irritada e zangada. Eu não
se define a partir do que, ao longo de sua vida, torna-se gosto disso! E parecia que ninguém a ouvia.
importante e desperta-lhe sentimentos. Com isto, pode-
mos analisar as artes produzidas em diferentes épocas 1.2. Níveis de Linguagem
da história em todo o mundo e perceber as diferentes
formas de interpelação e contextualidade presentes nas A língua é um código de que se serve o homem para
mesmas. O discurso estético tem a mesma capacidade elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica-
LÍNGUA PORTUGUESA

ideológica que o discurso verbal, com a vantagem de mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas
atingir o indivíduo esteticamente, o que pode render funcionais:
muito mais rapidamente o sucesso do discurso aplicado. A) a língua funcional de modalidade culta, lín-
A partir na análise de todos os aspectos do discurso gua culta ou língua-padrão, que compreende a língua
chega-se ao mais importante: o sentido. O sentido do literária, tem por base a norma culta, forma linguística
discurso não é fixo, por vários motivos: pelo contexto, utilizada pelo segmento mais culto e influente de uma
pela estética, pela ordem do discurso, pela sua forma de sociedade. Constitui, em suma, a língua utilizada pelos

58
veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio Eu te amo, sim, mas não abuses!
e televisão, jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
função é a de serem aliados da escola, prestando serviço Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe.
à sociedade, colaborando na educação;
B) a língua funcional de modalidade popular; lín- Considera-se momento neutro o utilizado nos veí-
gua popular ou língua cotidiana, que apresenta grada- culos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal,
ções as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão. revista, etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou
transgressões da norma culta na pena ou na boca de jor-
1.3. Norma culta nalistas, quando no exercício do trabalho, que deve refle-
tir serviço à causa do ensino.
A norma culta, forma linguística que todo povo ci- O momento solene, acessível a poucos, é o da arte
vilizado possui, é a que assegura a unidade da língua poética, caracterizado por construções de rara beleza.
nacional. E justamente em nome dessa unidade, tão im- Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume.
portante do ponto de vista político--cultural, que é ensi- Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa
nada nas escolas e difundida nas gramáticas. Sendo mais de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta
espontânea e criativa, a língua popular afigura-se mais o comete, passando, assim, a constituir fato linguístico
expressiva e dinâmica. Temos, assim, à guisa de exem- registro de linguagem definitivamente consagrado pelo
plificação: uso, ainda que não tenha amparo gramatical. Exemplos:
Estou preocupado. (norma culta) Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!)
Tô preocupado. (língua popular) Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir)
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular) Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos
dispersar e Não vamos dispersar-nos)
Não basta conhecer apenas uma modalidade de Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho
língua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a de sair daqui bem depressa)
espontaneidade, expressividade e enorme criatividade, O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no
para viver; urge conhecer a língua culta para conviver. seu posto)
Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das
normas da língua culta. As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos
impedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são
1.4. O conceito de erro em língua exemplos também de transgressões ou “erros” que se
tornaram fatos linguísticos, já que só correm hoje porque
Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos a maioria viu tais verbos como derivados de pedir, que
casos de ortografia. O que normalmente se comete são tem início, na sua conjugação, com peço. Tanto bastou
transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num para se arcaizarem as formas então legítimas impido, des-
momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele pido e desimpido, que hoje nenhuma pessoa bem-escola-
falar”, não comete propriamente erro; na verdade, trans- rizada tem coragem de usar.
gride a norma culta. Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário
Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua escolar palavras como corrigir e correto, quando nos refe-
fala, transgride tanto quanto um indivíduo que compare- rimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que
ce a um banquete trajando xortes ou quanto um banhis- deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases
ta, numa praia, vestido de fraque e cartola. da língua popular para a língua culta”.
Releva considerar, assim, o momento do discurso, que Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a
pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é uma frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada
o das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre conforme as normas gramaticais; em suma, conforme a
amigos, parentes, namorados, etc., portanto, são consi- norma culta.
deradas perfeitamente normais construções do tipo:
Eu não vi ela hoje. 1.5. Língua escrita e língua falada - Nível de lin-
Ninguém deixou ele falar. guagem
Deixe eu ver isso!
Eu te amo, sim, mas não abuse! A língua escrita, estática, mais elaborada e menos
Não assisti o filme nem vou assisti-lo. econômica, não dispõe dos recursos próprios da língua
Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo. falada.
Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação
norma culta, deixando mais livres os interlocutores. (melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no
LÍNGUA PORTUGUESA

O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos,
é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a moda-
por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou lidade mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e
seja, a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções natural, estando, por isso mesmo, mais sujeita a transfor-
se alteram: mações e a evoluções.
Eu não a vi hoje. Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em impor-
Ninguém o deixou falar. tância. Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar
Deixe-me ver isso! a língua falada com base na língua escrita, considerada

59
superior. Decorrem daí as correções, as retificações, as Observação:
emendas, a que os professores sempre estão atentos. A contribuição greco-latina é responsável pela exis-
Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos- tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e
trando as características e as vantagens de uma e outra, antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemici-
sem deixar transparecer nenhum caráter de superiorida- clo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diá-
de ou inferioridade, que em verdade inexiste. logo; transformação e metamorfose; oposição e antítese.
Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na
língua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação 2. Antônimos
de línguas. A nenhuma nação convém o surgimento de
dialetos, consequência natural do enorme distanciamen-
São palavras que se opõem através de seu significa-
to entre uma modalidade e outra.
do: ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - cen-
A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-ela-
borada que a língua falada, porque é a modalidade que surar; mal - bem.
mantém a unidade linguística de um povo, além de ser
a que faz o pensamento atravessar o espaço e o tem- Observação:
po. Nenhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será A antonímia pode se originar de um prefixo de sen-
possível sem a língua escrita, cujas transformações, por tido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático
isso mesmo, processam-se lentamente e em número e antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia;
consideravelmente menor, quando cotejada com a mo- ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista e antico-
dalidade falada. munista; simétrico e assimétrico.
Importante é fazer o educando perceber que o nível
da linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo 3. Homônimos e Parônimos
com a situação em que se desenvolve o discurso.
O ambiente sociocultural determina o nível da lingua-  Homônimos = palavras que possuem a mesma
gem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pronún- grafia ou a mesma pronúncia, mas significados di-
cia e até a entoação variam segundo esse nível. Um pa- ferentes. Podem ser
dre não fala com uma criança como se estivesse em uma
missa, assim como uma criança não fala como um adulto. A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e dife-
Um engenheiro não usará um mesmo discurso, ou um
rentes na pronúncia:
mesmo nível de fala, para colegas e para pedreiros, assim
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher
como nenhum professor utiliza o mesmo nível de fala no
recesso do lar e na sala de aula. (subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) e de-
Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre nuncia (verbo); providência (subst.) e providencia (verbo).
esses níveis, destacam-se em importância o culto e o co- B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e
tidiano, a que já fizemos referência. diferentes na escrita:
acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmoni-
zar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela (ar-
reio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (palácio)
FENÔMENOS SEMÂNTICOS: SINONÍMIA, e passo (andar).
HOMONÍMIA, ANTONÍMIA, PARONÍMIA,
HIPONÍMIA, HIPERONÍMIA, AMBIGUIDADE. C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou
perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pronúncia:
caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e
cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo).
SIGNIFICADO DAS PALAVRAS  Parônimos = palavras com sentidos diferentes,
porém de formas relativamente próximas. São pa-
Semântica é o estudo da significação das palavras e lavras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta
das suas mudanças de significação através do tempo ou
(receptáculo de vime; cesta de basquete/esporte) e
em determinada época. A maior importância está em dis-
sesta (descanso após o almoço), eminente (ilustre)
tinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia) e
e iminente (que está para ocorrer), osso (substan-
homônimos e parônimos (homonímia / paronímia).
tivo) e ouço (verbo), sede (substantivo e/ou verbo
1. Sinônimos “ser” no imperativo) e cede (verbo), comprimen-
to (medida) e cumprimento (saudação), autuar
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfa- (processar) e atuar (agir), infligir (aplicar pena) e
LÍNGUA PORTUGUESA

beto - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar infringir (violar), deferir (atender a) e diferir (diver-
- abolir. gir), suar (transpirar) e soar (emitir som), aprender
Duas palavras são totalmente sinônimas quando são (conhecer) e apreender (assimilar; apropriar-se de),
substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto (cara tráfico (comércio ilegal) e tráfego (relativo a movi-
e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quan- mento, trânsito), mandato (procuração) e manda-
do, ocasionalmente, podem ser substituídas, uma pela do (ordem), emergir (subir à superfície) e imergir
outra, em deteminado enunciado (aguadar e esperar). (mergulhar, afundar).

60
4. Hiperonímia e Hiponímia B) Conotação
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando
Hipônimos e hiperônimos são palavras que perten- apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes
cem a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo interpretações, dependendo do contexto em que esteja
o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que
hiperônimo, mais abrangente. vão além do sentido original da palavra, ampliando sua
O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipô- significação mediante a circunstância em que a mesma
nimo, criando, assim, uma relação de dependência se- é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico.
mântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de hi- Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido co-
peronímia com carros, já que veículos é uma palavra de notativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau), re-
significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões. provação (tomei pau no concurso).
Veículos é um hiperônimo de carros. A conotação tem como finalidade provocar sentimen-
Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em tos no receptor da mensagem, através da expressividade
quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili- e afetividade que transmite. É utilizada principalmente
zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita numa linguagem poética e na literatura, mas também
a repetição desnecessária de termos. ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em
anúncios publicitários, entre outros. Exemplos:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Você é o meu sol!
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Minha vida é um mar de tristezas.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Você tem um coração de pedra!
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
#FicaDica
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. Procure associar Denotação com Dicionário:
XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua trata-se de definição literal, quando o termo
Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000. é utilizado com o sentido que consta no di-
cionário.
SITE
http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-
-antonimos,-homonimos-e-paronimos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
Exemplos de variação no significado das palavras:
Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
literal) Paulo: Saraiva, 2010.
Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido
figurado) SITE
Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado) http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denota-
As variações nos significados das palavras ocasionam cao/
o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo
(conotação) das palavras. POLISSEMIA

A) Denotação Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir


Uma palavra é usada no sentido denotativo quando multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de
apresenta seu significado original, independentemente um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra,
do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significa- mas que abarca um grande número de significados den-
do mais objetivo e comum, aquele imediatamente reco- tro de seu próprio campo semântico.
nhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo per-
que aparece nos dicionários, sendo o significado mais li- cebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de
teral da palavra. algo. Possibilidades de várias interpretações levando-
A denotação tem como finalidade informar o recep- -se em consideração as situações de aplicabilidade. Há
tor da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a
LÍNGUA PORTUGUESA

um caráter prático. É utilizada em textos informativos, ocorrência da polissemia:


como jornais, regulamentos, manuais de instrução, bu- O rapaz é um tremendo gato.
las de medicamentos, textos científicos, entre outros. A O gato do vizinho é peralta.
palavra “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
apenas um pedaço de madeira. Outros exemplos: Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
O elefante é um mamífero. sobrevivência
As estrelas deixam o céu mais bonito! O passarinho foi atingido no bico.

61
Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras,
computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em co- mas duas seriam:
mum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido de Corte e coloração capilar
“entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”, ou
que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão” Faço corte e pintura capilar
ou “jogo” – o sentido comum entre todas as expressões
é o formato quadriculado que têm. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
1. Polissemia e homonímia reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
comum. Quando a mesma palavra apresenta vários sig- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
nificados, estamos na presença da polissemia. Por outro
lado, quando duas ou mais palavras com origens e sig- SITE
nificados distintos têm a mesma grafia e fonologia, temos http://www.brasilescola.com/gramatica/polissemia.
uma homonímia. htm
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não
é polissemia porque os diferentes significados para a
palavra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma EXERCÍCIO COMENTADO
palavra polissêmica: pode significar o elemento básico
do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia de um 1. (SUSAM-AM – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes signifi- FGV – 2014) “o país teve de recorrer a um programa de
cados estão interligados porque remetem para o mesmo racionamento”. Assinale a opção que apresenta a forma
conceito, o da escrita. de reescrever esse segmento, que altera o seu sentido
original.
2. Polissemia e ambiguidade
a) O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto racionamento.
na interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado b) O país teve como recurso recorrer a um programa
pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma in- de racionamento.
terpretação. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à c) O Brasil foi levado a recorrer a um programa de racio-
colocação específica de uma palavra (por exemplo, um namento.
advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase: d) O país obrigou-se a recorrer a um programa de racio-
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada fre- namento.
quentemente são felizes. e) O Brasil optou por um programa de racionamento.
Neste caso podem existir duas interpretações dife-
rentes: Resposta: Letra E. “o país teve de recorrer a um pro-
As pessoas têm alimentação equilibrada porque são grama de racionamento”. Assinale a opção que apre-
felizes ou são felizes porque têm uma alimentação equi- senta a forma de reescrever esse segmento, QUE
librada. ALTERA O SEU SENTIDO ORIGINAL.
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, Em “a”: O Brasil foi obrigado a recorrer a um progra-
ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma ma de racionamento = mesmo sentido.
interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito Em “b”: O país teve como recurso recorrer a um pro-
importante saber qual o contexto em que a frase é pro- grama de racionamento = mesmo sentido.
ferida. Em “c”: O Brasil foi levado a recorrer a um programa de
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção racionamento = mesmo sentido.
do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, Em “d”: O país obrigou-se a recorrer a um programa
comicidade. Repare na figura abaixo: de racionamento = mesmo sentido.
Em “e”: O Brasil optou por um programa de raciona-
mento = mudança de sentido (segundo o enunciado,
o país não teve outra opção a não ser recorrer. Na al-
ternativa, provavelmente havia outras opções, e o país
escolheu a de “recorrer”).
LÍNGUA PORTUGUESA

(http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-
-cabelo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014).

62
FIGURAS DE LINGUAGEM: (COMPARAÇÃO, METÁFORA, EUFEMISMO, PROSOPOPEIA, ONO-
MATOPEIA, ANTÍTESE, PARADOXO, HIPÉRBOLE, PERÍFRASE, SILEPSE, HIPÉRBATO, METONÍ-
MIA, IRONIA, SINESTESIA, ALITERAÇÃO); FIGURAS E VÍCIOS DE LINGUAGEM.

FIGURA DE LINGUAGEM, PENSAMENTO E CONSTRUÇÃO

Disponível em: <http://www.terapiadapalavra.com.br/figuras-de-linguagem-na-escrita-literaria/> Acesso abr,


2018.

A figura de palavra consiste na substituição de uma palavra por outra, isto é, no emprego figurado, simbólico, seja
por uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma associação, uma comparação, uma similaridade. São
construções que transformam o significado das palavras para tirar delas maior efeito ou para construir uma mensagem
nova.

1. Tipos de Figuras de Linguagem

1.1. Figuras de Som

Aliteração - Consiste na repetição de consoantes como recurso para intensificação do ritmo ou como efeito sonoro
significativo.
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
Vozes veladas, veludosas vozes... (Cruz e Sousa)
Quem com ferro fere com ferro será ferido.

Assonância - Consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos: “Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral.”

Onomatopeia - Ocorre quando se tentam reproduzir na forma de palavras os sons da realidade: Os sinos faziam
blem, blem, blem.

Paranomásia – é o uso de sons semelhantes em palavras próximas: “A fossa, a bossa, a nossa grande dor...” (Carlos
Lyra)

1.2. Figuras de Palavras ou de Pensamento

1.2.1. Metáfora
LÍNGUA PORTUGUESA

Consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas em
virtude da circunstância de que o nosso espírito as associa e percebe entre elas certas semelhanças. É o emprego da
palavra fora de seu sentido normal.

Observação:
Toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento comparativo não aparece.
Seus olhos são como luzes brilhantes.

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O exemplo acima mostra uma comparação evidente, Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (=
através do emprego da palavra como. Minha filha adora o iogurte que é da marca Danone).
Observe agora: Seus olhos são luzes brilhantes. Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Al-
Neste exemplo não há mais uma comparação (note a guns astronautas foram à Lua).
ausência da partícula comparativa), e sim símile, ou seja, Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá
qualidade do que é semelhante. para teu lado. (= A justiça ficará do teu lado).
Por fim, no exemplo: As luzes brilhantes olhavam-me.
Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. 1.2.3. Catacrese
Esta é a verdadeira metáfora.
Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contí-
Outros exemplos: nuo, cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer quando,
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando por falta de um termo específico para designar um con-
Pessoa) ceito, toma-se outro “emprestado”. Assim, passamos a
Neste caso, a metáfora é possível na medida em que empregar algumas palavras fora de seu sentido original.
o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio Exemplos: “asa da xícara”, “batata da perna”, “maçã do
subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando rosto”, “pé da mesa”, “braço da cadeira”, “coroa do aba-
a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.). caxi”.

Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar 1.2.4. Perífrase ou Antonomásia
algum.
Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, na fra- Trata-se de uma expressão que designa um ser atra-
se acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa expressão vés de alguma de suas características ou atributos, ou de
que indica uma alma rústica e abandonada (e angustia- um fato que o celebrizou. É a substituição de um nome
damente inútil), há uma comparação subentendida: Mi- por outro ou por uma expressão que facilmente o iden-
nha alma é tão rústica, abandonada (e inútil) quanto uma tifique:
estrada de terra que leva a lugar algum. A Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro) continua
atraindo visitantes do mundo todo.
A Amazônia é o pulmão do mundo. A Cidade-Luz (=Paris)
Em sua mente povoa só inveja. O rei das selvas (=o leão)

1.2.2. Metonímia (ou sinédoque) Observação:


Quando a perífrase indica uma pessoa, recebe o
É a substituição de um nome por outro, em virtude de nome de antonomásia. Exemplos:
existir entre eles algum relacionamento. Tal substituição O Divino Mestre (= Jesus Cristo) passou a vida prati-
pode acontecer dos seguintes modos: cando o bem.
Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (= O Poeta dos Escravos (= Castro Alves) morreu muito
Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis). jovem.
Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (= O Poeta da Vila (= Noel Rosa) compôs lindas canções.
As lâmpadas iluminam o mundo).
Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da 1.2.4. Sinestesia
cruz. (= Não te afastes da religião).
Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as sen-
Havana. (= Fumei um saboroso charuto). sações percebidas por diferentes órgãos do sentido. É o
Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Sócra- cruzamento de sensações distintas.
tes tomou veneno). Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito =
Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu auditivo; áspero = tátil)
trabalho. (= Moro no campo e como o alimento que pro- No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os aconte-
duzo). cimentos. (silêncio = auditivo; escuro = visual)
Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= Tosse gorda. (sensação auditiva X sensação tátil)
Bebeu todo o líquido que estava no cálice).
Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones 1.2.5. Antítese
foram atrás dos jogadores. (= Os repórteres foram atrás
dos jogadores). Consiste no emprego de palavras que se opõem
Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressada- quanto ao sentido. O contraste que se estabelece serve,
LÍNGUA PORTUGUESA

mente. (= Várias pessoas passavam apressadamente). essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos en-
Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem volvidos que não se conseguiria com a exposição isolada
nesse mundo. (= Os homens pensam e sofrem nesse dos mesmos. Observe os exemplos:
mundo). “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)
Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir O corpo é grande e a alma é pequena.
às ruas na luta por seus direitos. (= As mulheres foram “Quando um muro separa, uma ponte une.”
chamadas, não apenas uma mulher). Não há gosto sem desgosto.

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1.2.6. Paradoxo ou oximoro Moça, que fazes aí parada?
“Pai Nosso, que estais no céu”
É a associação de ideias, além de contrastantes, con- Deus, ó Deus! Onde estás?
traditórias. Seria a antítese ao extremo.
Era dor, sim, mas uma dor deliciosa. 1.3.2. Gradação (ou clímax)
Ouvimos as vozes do silêncio.
1.2.7. Eufemismo Apresentação de ideias por meio de palavras, sinôni-
mas ou não, em ordem ascendente (clímax) ou descen-
É o emprego de uma expressão mais suave, mais no- dente (anticlímax). Observe este exemplo:
bre ou menos agressiva, para comunicar alguma coisa Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana
áspera, desagradável ou chocante. com seus olhos claros e brincalhões...
Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Se- O objetivo do narrador é mostrar a expressividade
nhor. (= morreu) dos olhos de Joana. Para chegar a este detalhe, ele se
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou) refere ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e
seus olhos. Nota-se que o pensamento foi expresso em
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu)
ordem decrescente de intensidade. Outros exemplos:
Faltar à verdade. (= mentir)
“Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu
amor”. (Olavo Bilac)
1.2.8. Ironia “O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, co-
lheu-se.” (Padre Antônio Vieira)
É sugerir, pela entoação e contexto, o contrário do
que as palavras ou frases expressam, geralmente apre- 1.3.3. Elipse
sentando intenção sarcástica. A ironia deve ser muito
bem construída para que cumpra a sua finalidade; mal Consiste na omissão de um ou mais termos numa
construída, pode passar uma ideia exatamente oposta à oração e que podem ser facilmente identificados, tanto
desejada pelo emissor. por elementos gramaticais presentes na própria oração,
Como você foi bem na prova! Não tirou nem a nota quanto pelo contexto.
mínima. A catedral da Sé. (a igreja catedral)
Parece um anjinho aquele menino, briga com todos Domingo irei ao estádio. (no domingo eu irei ao es-
que estão por perto. tádio)
O governador foi sutil como um elefante.
1.3.4. Zeugma
1.2.9. Hipérbole
Zeugma é uma forma de elipse. Ocorre quando é feita
É a expressão intencionalmente exagerada com o in- a omissão de um termo já mencionado anteriormente.
tuito de realçar uma ideia. Ele gosta de geografia; eu, de português. (eu gosto de
Faria isso milhões de vezes se fosse preciso. português)
“Rios te correrão dos olhos, se chorares.” (Olavo Bilac) Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só
O concurseiro quase morre de tanto estudar! modernos. (só havia móveis)
Ela gosta de natação; eu, de vôlei. (gosto de)
1.2.10. Prosopopeia ou Personificação
1.3.5. Silepse
É a atribuição de ações ou qualidades de seres ani-
A silepse é a concordância que se faz com o termo
mados a seres inanimados, ou características humanas a
que não está expresso no texto, mas, sim, subentendido.
seres não humanos. Observe os exemplos: É uma concordância anormal, psicológica, porque se faz
As pedras andam vagarosamente. com um termo oculto, facilmente identificado. Há três ti-
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um pos de silepse: de gênero, número e pessoa.
cego que guia.
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra. Silepse de Gênero - Os gêneros são masculino e fe-
Chora, violão. minino. Ocorre a silepse de gênero quando a concordân-
1.3. Figuras de Construção ou de Sintaxe cia se faz com a ideia que o termo comporta. Exemplos:

1.3.1. Apóstrofe A) A bonita Porto Velho sofreu mais uma vez com o
calor intenso.
Consiste na “invocação” de alguém ou de alguma coi- Neste caso, o adjetivo bonita não está concordando
LÍNGUA PORTUGUESA

sa personificada, de acordo com o objetivo do discurso, com o termo Porto Velho, que gramaticalmente pertence
que pode ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza- ao gênero masculino, mas com a ideia contida no termo
-se pelo chamamento do receptor da mensagem, seja ele (a cidade de Porto Velho).
imaginário ou não. A introdução da apóstrofe interrompe
a linha de pensamento do discurso, destacando-se assim B) Vossa Excelência está preocupado.
a entidade a que se dirige e a ideia que se pretende pôr O adjetivo preocupado concorda com o sexo da pes-
em evidência com tal invocação. Realiza-se por meio do soa, que nesse caso é masculino, e não com o termo Vos-
vocativo. Exemplos: sa Excelência.

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Silepse de Número - Os números são singular e Nesta oração, os termos “o problema da violência”
plural. A silepse de número ocorre quando o verbo da e “lo” exercem a mesma função sintática: objeto direto.
oração não concorda gramaticalmente com o sujeito da Assim, temos um pleonasmo do objeto direto, sendo o
oração, mas com a ideia que nele está contida. Exemplos: pronome “lo” classificado como objeto direto pleonástico.
A procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade Outro exemplo:
de Salvador. Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas.
O povo corria por todos os lados e gritavam muito alto. Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto

Neste caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o


Note que nos exemplos acima, os verbos andaram e
pronome “lhes” exerce a função de objeto indireto pleo-
gritavam não concordam gramaticalmente com os sujei- nástico.
tos das orações (que se encontram no singular, procissão
e povo, respectivamente), mas com a ideia que neles está Observação:
contida. Procissão e povo dão a ideia de muita gente, por O pleonasmo só tem razão de ser quando confere
isso que os verbos estão no plural. mais vigor à frase; caso contrário, torna-se um pleonas-
mo vicioso:
Silepse de Pessoa - Três são as pessoas gramaticais: Vi aquela cena com meus próprios olhos.
eu, tu e ele (as três pessoas do singular); nós, vós, eles Vamos subir para cima.
(as três do plural). A silepse de pessoa ocorre quando há Ele desceu pra baixo.
um desvio de concordância. O verbo, mais uma vez, não
concorda com o sujeito da oração, mas sim com a pessoa 1.3.8. Anáfora
que está inscrita no sujeito. Exemplos:
É a repetição de uma ou mais palavras no início de
O que não compreendo é como os brasileiros persista-
várias frases, criando, assim, um efeito de reforço e de
mos em aceitar essa situação.
coerência. Pela repetição, a palavra ou expressão em cau-
Os agricultores temos orgulho de nosso trabalho. sa é posta em destaque, permitindo ao escritor valorizar
“Dizem que os cariocas somos poucos dados aos jar- determinado elemento textual. Os termos anafóricos po-
dins públicos.” (Machado de Assis) dem muitas vezes ser substituídos por pronomes.
Encontrei um amigo ontem. Ele me disse que te co-
Observe que os verbos persistamos, temos e somos nhecia.
não concordam gramaticalmente com os seus sujeitos “Tudo cura o tempo, tudo gasta, tudo digere, tudo aca-
(brasileiros, agricultores e cariocas, que estão na terceira ba.” (Padre Vieira)
pessoa), mas com a ideia que neles está contida (nós, os
brasileiros, os agricultores e os cariocas). 1.3.9. Anacoluto

1.3.6. Polissíndeto / Assíndeto Consiste na mudança da construção sintática no meio


da frase, ficando alguns termos desligados do resto do
período. É a quebra da estrutura normal da frase para a
Para estudarmos as duas figuras de construção é ne-
introdução de uma palavra ou expressão sem nenhuma
cessário recordar um conceito estudado em sintaxe sobre ligação sintática com as demais.
período composto. No período composto por coordena- Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
ção, podemos ter orações sindéticas ou assindéticas. A Morrer, todo haveremos de morrer.
oração coordenada ligada por uma conjunção (conecti- Aquele garoto, você não disse que ele chegaria logo?
vo) é sindética; a oração que não apresenta conectivo é
assindética. Recordado esse conceito, podemos definir as A expressão “esses alunos da escola”, por exemplo,
duas figuras de construção: deveria exercer a função de sujeito. No entanto, há uma
A) Polissíndeto - É uma figura caracterizada pela re- interrupção da frase e esta expressão fica à parte, não
petição enfática dos conectivos. Observe o exem- exercendo nenhuma função sintática. O anacoluto tam-
plo: O menino resmunga, e chora, e grita, e nin- bém é chamado de “frase quebrada”, pois corresponde
guém faz nada. a uma interrupção na sequência lógica do pensamento.
B) Assíndeto - É uma figura caracterizada pela au-
Observação:
sência, pela omissão das conjunções coordenati-
O anacoluto deve ser usado com finalidade expressi-
vas, resultando no uso de orações coordenadas va em casos muito especiais. Em geral, evite-o.
assindéticas. Exemplos:
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família. 1.3.10. Hipérbato / Inversão
“Vim, vi, venci.” (Júlio César)
LÍNGUA PORTUGUESA

É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão da


1.3.7. Pleonasmo ordem direta dos termos da oração, fazendo com que o
sujeito venha depois do predicado:
Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O
mesmas palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é amor venceu ao ódio)
realçar a ideia, torná-la mais expressiva. Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria:
O problema da violência, é necessário resolvê-lo logo. Eu cuido dos meus problemas)

66
#FicaDica
O nosso Hino Nacional é um exemplo de hipérbato, já que, na ordem direta, teríamos: “As margens plácidas
do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico”.

EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BIBLIO-


TECONOMIA SUPERIOR – FGV/2014 - adaptada) Ao dizer que os shoppings são “cidades”, faz-se o uso de um tipo
de linguagem figurada denominada

a) metonímia.
b) eufemismo.
c) hipérbole.
d) metáfora.
e) catacrese.

Resposta: Letra D. A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e trans-
portá-la para um novo campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma simila-
ridade existente entre as duas.
(Fonte:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/metafora-figura-de-palavra-variacoes-e-exemplos.htm)

2. (PREFEITURA DE ARCOVERDE/PE - ADMINISTRADOR DE RECURSOS HUMANOS – SUPERIOR - CONPASS/2014)


Identifique a figura de linguagem presente na tira seguinte:

a) metonímia
b) prosopopeia
c) hipérbole
d) eufemismo
e) onomatopeia

Resposta: Letra D. “Eufemismo = é o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para
comunicar alguma coisa áspera, desagradável ou chocante”. No caso da tirinha, é utilizada a expressão “deram suas
vidas por nós” no lugar de “que morreram por nós”.

3. (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE – SUPERIOR - COPEVE/UFAL/2014)


LÍNGUA PORTUGUESA

Está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto.


O dito popular é, na maioria das vezes, uma figura de linguagem. Entre as 14h30min e às 15h desta terça-feira, horário
do dia em que o calor é mais intenso, a temperatura do asfalto, medida com um termômetro de contato, chegou a
65ºC. Para fritar um ovo, seria preciso que o local alcançasse aproximadamente 90ºC.
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br. Acesso em: 22 jan. 2014.

O texto cita que o dito popular “está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto” expressa uma figura de lingua-
gem. O autor do texto refere-se a qual figura de linguagem?

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a) Eufemismo. Função metalinguística: Essa função se refere à me-
b) Hipérbole. talinguagem, que é quando o emissor explica um códi-
c) Paradoxo. go usando o próprio código. Quando um poema fala da
d) Metonímia. própria ação de se fazer um poema, por exemplo:
e) Hipérbato. “Pegue um jornal
Pegue a tesoura.
Resposta: Letra B. A expressão é um exagero! Ela ser- Escolha no jornal um artigo do tamanho que você de-
ve apenas para representar o calor excessivo que está seja dar a seu poema.
fazendo. A figura que é utilizada “mil vezes” (!) para Recorte o artigo.”
atingir tal objetivo é a hipérbole. Este trecho da poesia, intitulada “Para fazer um poe-
ma dadaísta” utiliza o código (poema) para explicar o
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS próprio ato de fazer um poema.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Função fática: O objetivo dessa função é estabele-
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- cer uma relação com o emissor, um contato para verificar
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. – se a mensagem está sendo transmitida ou para dilatar a
São Paulo: Saraiva, 2010. conversa. Quando estamos em um diálogo, por exemplo,
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, e dizemos ao nosso receptor “Está entendendo?”, esta-
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira mos utilizando este tipo de função; ou quando atende-
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – mos o celular e dizemos “Oi” ou “Alô”.
São Paulo: Saraiva, 2002.
Função poética: O objetivo do emissor é expressar
SITES seus sentimentos através de textos que podem ser enfa-
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- tizados por meio das formas das palavras, da sonoridade,
coes/estil/estil8.php> do ritmo, além de elaborar novas possibilidades de com-
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- binações dos signos linguísticos. É presente em textos
coes/estil/estil5.php> literários, publicitários e em letras de música.
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- Por exemplo: negócio/ego/ócio/cio/0
coes/estil/estil2.php> Na poesia acima “Epitáfio para um banqueiro”, José de
Paulo Paes faz uma combinação de palavras que passa
FUNÇÕES DA LINGUAGEM a ideia do dia a dia de um banqueiro, de acordo com o
poeta.
Função referencial ou denotativa: transmite uma
informação objetiva, expõe dados da realidade de modo VÍCIOS DE LINGUAGEM
objetivo, não faz comentários, nem avaliação. Geralmen-
te, o texto se apresenta na terceira pessoa do singular Todo desvio das normas gramaticais provoca um vício
ou plural, pois transmite impessoalidade. A linguagem é de linguagem. São incorreções e defeitos no uso da lín-
denotativa, ou seja, não há possibilidades de outra in- gua falada ou escrita. Origina-se do descaso ou do des-
terpretação além da que está exposta. Em alguns textos preparo linguístico de quem se expressa. Os principais
é mais predominante essa função, como nos científicos, vícios de linguagem são:
jornalísticos, técnicos, didáticos ou em correspondências A) Barbarismo: todo desvio na grafia, na flexão ou
comerciais. na pronúncia de uma palavra constitui um barba-
rismo. Existem quatro tipos:
Função emotiva ou expressiva: o objetivo do emis- A.1 Cacoepia: é a má pronúncia de uma palavra.
sor é transmitir suas emoções e anseios. A realidade é Exemplos: compania (em vez de companhia), gor
transmitida sob o ponto de vista do emissor, a men- (em vez de gol), cadalço (em vez de cadarço);
sagem é subjetiva e centrada no emitente e, portanto, A.2 Silabada: é a troca de acentuação prosódica de
apresenta-se na primeira pessoa. A pontuação (ponto de uma palavra: récorde (em vez de recorde), rúbrica
exclamação, interrogação e reticências) é uma caracterís- (em vez de rubrica), íbero (em vez de ibero);
tica da função emotiva, pois transmite a subjetividade da A.3 Cacografia: é a má grafia ou má flexão de uma
mensagem e reforça a entonação emotiva. Essa função é palavra: maizena (em vez de maisena), cidadões
comum em poemas ou narrativas de teor dramático ou (em vez de cidadãos), interviu (em vez de interveio);
romântico. A.4 Deslize: é o mau emprego de uma palavra: mala
leviana (por mala leve), peixe com espinho (por
Função conativa ou apelativa: O objetivo é de in- peixe com espinha), vultuosa quantia (por vultosa
LÍNGUA PORTUGUESA

fluenciar, convencer o receptor de alguma coisa por meio quantia).


de uma ordem (uso de vocativos), sugestão, convite ou
apelo (daí o nome da função). Os verbos costumam estar Comete Barbarismo ainda quem abusa do emprego
no imperativo (Compre! Faça!) ou conjugados na 2.ª ou de palavras estrangeiras, grafando-as como na língua
3.ª pessoa (Você não pode perder! Ele vai melhorar seu de- de origem. Por princípio, todo estrangeirismo que não
sempenho!). Esse tipo de função é muito comum em tex- possuir equivalente adequado em nossa língua deve ser
tos publicitários, em discursos políticos ou de autoridade. aportuguesado. Portanto, convém grafar: abajur, boate,

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garagem, coquetel, checape, xampu, xortes, e não abat- J) Colisão: Ocorre quando há repetição de consoan-
-jour, boite, garage, cocktail, check-up, shampoo, shorts. tes iguais ou semelhantes, provocando dissonân-
Tão usadas entre nós são algumas grafias estrangei- cia: Sua saia sujou.
ras, que a estranheza por algumas formas aportuguesa-
das é natural. Incluem-se ainda como barbarismo todas
as formas de estrangeirismo, isto é, uso de palavras ou
expressões de outras línguas: ACENTUAÇÃO.

Galicismo (do francês): Mise-en-scène em vez de en-


cenação, Parti pris em vez de opinião preconcebida. Acentuação.

Anglicismo (do inglês): Weekend em vez de fim de Quanto à acentuação, observamos que algumas pa-
semana. lavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora
se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra.
B) Solecismo: Todo desvio sintático provoca um sole- Por isso, vamos às regras!
cismo. Existem três tipos:
1. de concordância: houveram eleições (por houve 1. Regras básicas
eleições), o pessoal chegaram (por o pessoal che-
gou); A acentuação tônica está relacionada à intensida-
2. de regência: assisti esse filme (por assisti a esse fil- de com que são pronunciadas as sílabas das palavras.
me), ter ódio de alguém (por ter ódio a alguém), não Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se
lhe conheço (por não o conheço); como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas
3. de colocação: darei-lhe um abraço (por dar-lhe-ei com menos intensidade, são denominadas de átonas.
um abraço), tenho queixado-me bastante (por te- De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi-
nho me queixado bastante). cadas como:
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre
C) Cacófato: Todo som obsceno resultante da união a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju –
de sílabas de palavras diferentes provoca um cacó- papel
fato: preciso ir-me já, vaca gaúcha, etc. Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima síla-
O cacófato só existe quando a união das sílabas ex- ba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúlti-
prime obscenidade. Portanto, ela tinha, boca dela, alma
ma sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus
minha e outras uniões semelhantes não constituem ca-
cófatos, mas simples cacofonias, de menor importância.
Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são
D) Ambiguidade ou Anfibologia: todo duplo sen-
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quan-
tido, causado pela má construção da frase, é uma
do tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó
ambiguidade: Beatriz comeu um doce e sua irmã
- ré.
também. (por: Beatriz comeu um doce, e sua irmã
também); Mataram o porco do meu tio. (por: Mata-
2 Os acentos
ram o porco que era de meu tio).
E) Redundância: Toda repetição de uma ideia me- A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a”
diante palavras ou expressões diferentes provoca e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas letras
uma redundância ou pleonasmo vicioso: subir lá representam as vogais tônicas de palavras como pá, caí,
em cima, descer lá embaixo, entrar pra dentro, sair público. Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicida-
pra fora, novidade inédita, hemorragia de sangue, de, timbre aberto: herói – céu (ditongos abertos).
pomar de frutas, hepatite do fígado, demente men- B) acento circunflexo – (^) Colocado sobre as letras
tal, e tantas outras. “a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado:
F) Arcaísmo: Consiste no emprego de palavras ou ex- tâmara – Atlântico – pêsames – supôs.
pressões antigas que já caíram de uso: asinha em C) acento grave – (`) Indica a fusão da preposição “a”
vez de depressa, antanho em vez de no passado. com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
G) Neologismo: Emprego de palavras novas que, D) trema (¨) – De acordo com a nova regra, foi total-
apesar de formadas de acordo com o sistema da mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado
língua, ainda não foram incorporadas pelo idioma: em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros:
As mensagens telecomunicadas foram vistas por mülleriano (de Müller)
poucas pessoas.
LÍNGUA PORTUGUESA

E) til – (~) Indica que as letras “a” e “o” representam


H) Eco: Ocorre quando há palavras na frase com ter- vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
minações iguais ou semelhantes, provocando dis-
sonância: A divulgação da promoção não causou 2.1 Regras fundamentais
comoção na população.
I) Hiato: Ocorre quando há uma sequência de vogais, A) Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas
provocando dissonância: Eu a amo; Ou eu ou a ou- terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plu-
tra ganhará o concurso. ral(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.

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Esta regra também é aplicada aos seguintes casos: diferenciar classes gramaticais entre determinadas pala-
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se- vras e/ou tempos verbais. Por exemplo:
guidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito per-
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, feito do Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo Indicativo do mesmo verbo).
Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:
B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,
terminadas em: mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se,
i, is: táxi – lápis – júri para que saibamos se se trata de um verbo ou preposi-
us, um, uns: vírus – álbuns – fórum ção.
l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax – Os demais casos de acento diferencial não são mais
fórceps utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substanti-
ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos vo), pelo (preposição). Seus significados e classes grama-
ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou ticais são definidos pelo contexto.
não de “s”: água – pônei – mágoa – memória Polícia para o trânsito para que se realize a operação
planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, con-
junção (com relação de finalidade).

#FicaDica
#FicaDica
Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que
esta palavra apresenta as terminações das Quando, na frase, der para substituir o
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U “por” por “colocar”, estaremos trabalhando
(aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim com um verbo, portanto: “pôr”; nos de-
ficará mais fácil a memorização! mais casos, “por” é preposição: Faço isso
por você. / Posso pôr (colocar) meus livros
aqui?
C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quando
a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte). Quanto à
regra de acentuação: todas as proparoxítonas são acen- 2.4 Regra do Hiato
tuadas, independentemente de sua terminação: árvore,
paralelepípedo, cárcere. Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segun-
da vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá
2.2 Regras especiais acento: saída – faísca – baú – país – Luís
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti-
palavras paroxítonas. verem seguidas do dígrafo nh:
ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vie-
FIQUE ATENTO! rem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
Alerta da Zê! Cuidado: Se os ditongos aber- Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, forman-
tos estiverem em uma palavra oxítona (he- do hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxí-
rói) ou monossílaba (céu) ainda são acen- tonas):
tuados: dói, escarcéu.
Antes Agora
bocaiúva bocaiuva
Antes Agora
feiúra feiura
assembléia assembleia
Sauípe Sauipe
idéia ideia
geléia geleia O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
abolido:
jibóia jiboia
LÍNGUA PORTUGUESA

apóia (verbo apoiar) apoia


Antes Agora
paranóico paranoico
crêem creem
2.3 Acento Diferencial lêem leem
vôo voo
Representam os acentos gráficos que, pelas regras de
acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para enjôo enjoo

70
terminada em ditongo.
#FicaDica Observação: nestes casos, admitem-se as separações
“sé-ri-e” e “his-tó-ri-as”, o que as tornaria proparoxí-
Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os tonas.
verbos que, no plural, dobram o “e”, mas
que não recebem mais acento como antes: 2. (ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE –
CRER, DAR, LER e VER. 2012) Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do
acento gráfico tem justificativas gramaticais diferentes.
Repare:
O menino crê em você. / Os meninos creem em você. ( ) CERTO ( ) ERRADO
Elza lê bem! / Todas leem bem!
Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os RESPOSTA: Errado. Análise = proparoxítona / mí-
garotos deem o recado! nimos = proparoxítona. Ambas são acentuadas pela
Rubens vê tudo! / Eles veem tudo! mesma regra (antepenúltima sílaba é tônica, “mais
Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm forte”).
à tarde!

As formas verbais que possuíam o acento tônico na


raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
“e” ou “i” não serão mais acentuadas: 3. (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE
– 2012) Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência”
Antes Depois recebem acento gráfico com base na mesma regra de
acentuação gráfica.
apazigúe (apaziguar) apazigue
averigúe (averiguar) averigue ( ) CERTO ( ) ERRADO
argúi (arguir) argui RESPOSTA: Certo. Indivíduo = paroxítona terminada
em ditongo; diária = paroxítona terminada em diton-
go; paciência = paroxítona terminada em ditongo. Os
Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pes- três vocábulos são acentuados devido à mesma regra.
soa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm
(verbo vir). A regra prevalece também para os verbos con- 4. (IBAMA – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE
ter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm, ele – 2012) As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de
obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.
– eles convêm.
( ) CERTO ( ) ERRADO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa RESPOSTA: Errado. Pó = monossílaba terminada em
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. “o”; só = monossílaba terminada em “o”; céu = monos-
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- sílaba terminada em ditongo aberto “éu”.
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.

SITE MORFOLOGIA (FLEXÃO E EMPREGO):


http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao.
SUBSTANTIVO; ADJETIVO; PRONOME; AR-
htm
TIGO; PREPOSIÇÃO; NUMERAL; ADVÉRBIO;
INTERJEIÇÃO; VERBO-FLEXÃO.

EXERCÍCIOS COMENTADOS
“Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado
1. (POLÍCIA FEDERAL – AGENTE DE POLÍCIA FE- na íntegra em: Equivalência e transformação de estru-
DERAL – CESPE – 2014) Os termos “série” e “história” turas: Flexão de substantivos, adjetivos e pronomes
acentuam-se em conformidade com a mesma regra or- (gênero, número, grau e pessoa). Processos de coor-
tográfica.
LÍNGUA PORTUGUESA

denação e subordinação. Colocação pronominal”.


( ) CERTO ( ) ERRADO

RESPOSTA: Certo. “Série” = acentua-se a paroxítona


terminada em ditongo / “história” - acentua-se a paro-
xítona terminada em ditongo
Ambas são acentuadas devido à regra da paroxítona

71
SUBSTANTIVO: CLASSIFICAÇÃO, FLEXÃO, NÍVEIS DE LINGUAGEM: LINGUAGEM DE-
EMPREGO. NOTATIVA E LINGUAGEM CONOTATIVA.

“Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado “Prezado Candidato, o tópico acima foi aborda-
na íntegra em: Equivalência e transformação de estru- do na íntegra em: Fenômenos semânticos: sinonímia,
turas: Flexão de substantivos, adjetivos e pronomes homonímia, antonímia, paronímia, hiponímia, hipe-
(gênero, número, grau e pessoa). Processos de coor- ronímia, ambiguidade”.
denação e subordinação. Colocação pronominal”.

ORTOGRAFIA: CRASE/PONTUAÇÃO/ 16.OR-


ADJETIVO: CLASSIFICAÇÃO, FLEXÃO, EM- TOGRAFIA: DIFICULDADES ORTOGRÁFI-
PREGO. CAS; EMPREGO DO “S, Z, G, J, SS, Ç, X, CH”.

“Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado


na íntegra em: Equivalência e transformação de estru- Ortografia
turas: Flexão de substantivos, adjetivos e pronomes
(gênero, número, grau e pessoa). Processos de coor- A ortografia é a parte da Fonologia que trata da cor-
denação e subordinação. Colocação pronominal”. reta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som
devem ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma
língua são grafados segundo acordos ortográficos.
A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
PRONOME: CLASSIFICAÇÃO, EMPREGO, der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
COLOCAÇÃO DOS PRONOMES PESSOAIS familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras
OBLÍQUOS ÁTONOS, FORMAS DE TRATA- é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
MENTO. e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de
etimologia (origem da palavra).

“Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado 1. Regras ortográficas


na íntegra em: Equivalência e transformação de estru-
turas: Flexão de substantivos, adjetivos e pronomes A) O fonema S
(gênero, número, grau e pessoa). Processos de coor- São escritas com S e não C/Ç
denação e subordinação. Colocação pronominal”.  Palavras substantivadas derivadas de verbos com
radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender
- pretensão / expandir - expansão / ascender - as-
censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
VERBO: CONJUGAÇÃO, FLEXÃO, PROPRIE- submergir - submersão / divertir - diversão / im-
DADES, CLASSIFICAÇÃO, EMPREGO, COR- pelir - impulsivo / compelir - compulsório / repelir
RELAÇÃO DOS MODOS E TEMPOS VERBAIS, - repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso /
VOZES. sentir - sensível / consentir – consensual.

São escritos com SS e não C e Ç


“Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado  Nomes derivados dos verbos cujos radicais ter-
na íntegra em: Equivalência e transformação de estru- minem em gred, ced, prim ou com verbos ter-
turas: Flexão de substantivos, adjetivos e pronomes minados por tir ou - meter: agredir - agressivo /
(gênero, número, grau e pessoa). Processos de coor- imprimir - impressão / admitir - admissão / ceder
denação e subordinação. Colocação pronominal”. - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão /
regredir - regressão / oprimir - opressão / compro-
meter - compromisso / submeter – submissão.
 Quando o prefixo termina com vogal que se junta
ADVÉRBIO: CLASSIFICAÇÃO E EMPREGO. com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé-
trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
LÍNGUA PORTUGUESA

 No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.


Exemplos: ficasse, falasse.
“Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado São escritos com C ou Ç e não S e SS
na íntegra em: Equivalência e transformação de estru-  Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açú-
turas: Flexão de substantivos, adjetivos e pronomes car.
(gênero, número, grau e pessoa). Processos de coor-  Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica:
denação e subordinação. Colocação pronominal”. cipó, Juçara, caçula, cachaça, cacique.

72
 Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça,  Palavras de origem árabe, africana ou exótica:
uçu, uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, car- jiboia, manjerona.
niça, caniço, esperança, carapuça, dentuço.  Palavras terminadas com aje: ultraje.
 Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção
/ deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção. D) O fonema ch
 Após ditongos: foice, coice, traição. São escritas com X e não CH
 Palavras derivadas de outras terminadas em -te,  Palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba-
to(r): marte - marciano / infrator - infração / ab- caxi, xucro.
sorto – absorção.  Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu,
B) O fonema z lagartixa.
São escritos com S e não Z  Depois de ditongo: frouxo, feixe.
 Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é  Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
substantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárqui-
Exceção: quando a palavra de origem não derive de
cos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa,
outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
princesa.
 Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me-
São escritas com CH e não X
tamorfose.
 Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera,  Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
quis, quiseste. chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, sal-
 Nomes derivados de verbos com radicais termi- sicha.
nados em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão /
empreender - empresa / difundir – difusão. E) As letras “e” e “i”
 Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís  Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
- Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho. Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
 Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.  Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar
 Verbos derivados de nomes cujo radical termina são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Es-
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar crevemos com “i”, os verbos com infinitivo em
– pesquisar. -air, -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui.

São escritos com Z e não S


 Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de FIQUE ATENTO!
adjetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – Há palavras que mudam de sentido quan-
beleza. do substituímos a grafia “e” pela grafia “i”:
Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori- área (superfície), ária (melodia) / delatar
gem não termine com s): final - finalizar / concreto (denunciar), dilatar (expandir) / emergir
– concretizar. (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de
 Consoante de ligação se o radical não terminar estância, que anda a pé), pião (brinquedo).
com “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
Exceção: lápis + inho – lapisinho.

C) O fonema j
São escritas com G e não J #FicaDica
 Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto
gesso.
à ortografia de uma palavra, há a possibili-
 Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento,
dade de consultar o Vocabulário Ortográfi-
gim.
co da Língua Portuguesa (VOLP), elaborado
 Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com
pela Academia Brasileira de Letras. É uma
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem,
obra de referência até mesmo para a criação
bege, foge.
de dicionários, pois traz a grafia atualizada
Exceção: pajem.
das palavras (sem o significado). Na Internet,
o endereço é www.academia.org.br.
 Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
litígio, relógio, refúgio.
 Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fu-
2. Informações importantes
LÍNGUA PORTUGUESA

gir, mugir.
 Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir,
surgir. Formas variantes são as que admitem grafias ou pro-
 Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter- núncias diferentes para palavras com a mesma significa-
minado com j: ágil, agente. ção: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quatorze,
dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, in-
São escritas com J e não G farto/enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem, re-
 Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje. lampejar/relampear/relampar/relampadar.

73
Os símbolos das unidades de medida são escritos Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos
sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar que expressam movimento = Aonde você vai?
plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
20km, 120km/h. 3. MAU / MAL
Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.
Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se
Na indicação de horas, minutos e segundos, não como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um
deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h, mau elemento.
22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três mi- Mal = pode ser usado como
nutos e trinta e quatro segundos). 1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”,
O símbolo do real antecede o número sem espaço: “logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu.
R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma bar- 2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi
ra vertical ($). mal na prova?
3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou
ALGUNS USOS ORTOGRÁFICOS ESPECIAIS pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal
não compensa.
1. Por que / por quê / porquê / porque
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
POR QUE (separado e sem acento) SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
É usado em: Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
1. interrogações diretas (longe do ponto de interro- reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
gação) = Por que você não veio ontem?
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
que faltara à aula ontem.
Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” =
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
Ignoro o motivo por que ele se demitiu.
Saraiva, 2002.
POR QUÊ (separado e com acento)
SITE
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
Usos: ortografia
1. como pronome interrogativo, quando colocado no
fim da frase (perto do ponto de interrogação) = 4. Hífen
Você faltou. Por quê?
2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado
quê? para ligar os elementos de palavras compostas (como
ex-presidente, por exemplo) e para unir pronomes áto-
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico) nos a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente
para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de
Usos: uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/sa;
1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale compa-/nheiro).
a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escri-
ta (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto A) Uso do hífen que continua depois da Reforma
final) = Compre agora, porque há poucas peças. Ortográfica:
2. como conjunção subordinativa causal, substituível
por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por- 1. Em palavras compostas por justaposição que for-
que se antecipou. mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
que se unem para formam um novo significado:
PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico) tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-
-coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva,
Usos: arco-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “ra- 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
zão” ou “motivo”, admitindo pluralização (porquês). Ge-
LÍNGUA PORTUGUESA

zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer,


ralmente é precedido por artigo = Não sei o porquê da abóbora-menina, erva-doce, feijão-verde.
discussão. É uma pessoa cheia de porquês. 3. Nos compostos com elementos além, aquém, re-
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-núme-
2. ONDE / AONDE ro, recém-casado.
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas al-
Onde = empregado com verbos que não expressam gumas exceções continuam por já estarem con-
a ideia de movimento = Onde você está? sagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha,

74
mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de-colônia, 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram no-
queima-roupa, deus-dará. ção de composição: pontapé, girassol, paraquedas,
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte paraquedista, etc.
Rio-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: ben-
combinações históricas ou ocasionais: Áustria- feito, benquerer, benquerido, etc.
-Hungria, Angola-Brasil, etc.
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su- Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon-
per- quando associados com outro termo que é dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte,
iniciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super- não havendo hífen: pospor, predeterminar, predetermina-
-racional, etc. do, pressuposto, propor.
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-di-
retor, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito. Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccio-
8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: so, auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-
pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, -humano, super-realista, alto-mar.
etc. Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma,
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, antisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante,
abraça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc. ultrassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus,
10. Nas formações em que o prefixo tem como se- autoajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.
gundo termo uma palavra iniciada por “h”: sub-he- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
pático, geo-história, neo-helênico, extra-humano, SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
semi-hospitalar, super-homem. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudopre-
fixo termina com a mesma vogal do segundo ele- SITE
mento: micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, au- http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
to-observação, etc. ortografia

O hífen é suprimido quando para formar outros ter-


mos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
EXERCÍCIOS COMENTADOS

#FicaDica 1. (POLÍCIA FEDERAL – ESCRIVÃO DE POLÍCIA FE-


DERAL – CESPE – 2013 – ADAPTADA)
Lembrete da Zê!
Ao separar palavras na translineação (mu-
A fim de solucionar o litígio, atos sucessivos e concatena-
dança de linha), caso a última palavra a ser
dos são praticados pelo escrivão. Entre eles, estão os atos
escrita seja formada por hífen, repita-o na
de comunicação, os quais são indispensáveis para que
próxima linha. Exemplo: escreverei anti-in-
os sujeitos do processo tomem conhecimento dos atos
flamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
acontecidos no correr do procedimento e se habilitem a
Na próxima linha escreverei: “-inflamatório”
exercer os direitos que lhes cabem e a suportar os ônus
(hífen em ambas as linhas). Devido à diagra-
que a lei lhes impõe.
mação, pode ser que a repetição do hífen na
Disponível em: <http://jus.com.br> (com adaptações).
translineação não ocorra em meus conteú-
dos, mas saiba que a regra é esta!
No que se refere ao texto acima, julgue os itens seguin-
tes.
B) Não se emprega o hífen: Não haveria prejuízo para a correção gramatical do texto
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo nem para seu sentido caso o trecho “A fim de solucionar
termina em vogal e o segundo termo inicia-se em o litígio” fosse substituído por Afim de dar solução à de-
“r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas manda e o trecho “tomem conhecimento dos atos acon-
consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom, tecidos no correr do procedimento” fosse, por sua vez,
microssistema, minissaia, microrradiografia, etc. substituído por conheçam os atos havidos no transcurso
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre- do acontecimento.
fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se
com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coedu- ( ) CERTO ( ) ERRADO
cação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétri-
LÍNGUA PORTUGUESA

co, plurianual, autoescola, infraestrutura, etc. RESPOSTA: Errado. “A fim” tem o sentido de “com a
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos intenção de”; já “afim”, “semelhança, afinidade”. Se a
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” primeira substituição fosse feita, o trecho estaria in-
inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc. correto gramatical e coerentemente. Portanto, nem há
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando a necessidade de avaliar a segunda substituição.
o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, coedi-
ção, coexistir, etc.

75
Crase Quando o nome de lugar estiver especificado, ocor-
rerá crase. Veja:
A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo
idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a” que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
com o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos Irei à Salvador de Jorge Amado.
pronomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo
e com o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s),
quais). Casos estes em que tal fusão encontra-se demar- aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo
cada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, regente exigir complemento regido da preposição “a”.
à qual, às quais. Entregamos a encomenda àquela menina.
O uso do acento indicativo de crase está condiciona- (preposição + pronome demonstrativo)
do aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal
e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo
Iremos àquela reunião.
regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome -
(preposição + pronome demonstrativo)
que exige complemento regido pela preposição “a”, e o
termo regido é aquele que completa o sentido do termo
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando
regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).
criança. (àquelas que eu ouvia quando criança)
Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela
(preposição + pronome demonstrativo)
contratada recentemente.
Após a junção da preposição com o artigo (destaca-
dos entre parênteses), temos: A letra “a” que acompanha locuções femininas (ad-
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contrata- verbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento
da recentemente. grave:
 locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às
O verbo referir, de acordo com sua transitividade, pressas, à vontade...
classifica-se como transitivo indireto, pois sempre nos  locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro-
referimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposi- cura de...
ção a + o artigo feminino (à) e com o artigo feminino a +  locuções conjuntivas: à proporção que, à medida
o pronome demonstrativo aquela (àquela). que.

Observações importantes: Cuidado: quando as expressões acima não exercerem


Alguns recursos servem de ajuda para que possamos a função de locuções não ocorrerá crase. Repare:
confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns: Eu adoro a noite!
 Substitui-se a palavra feminina por uma masculina
equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer
crase está confirmada. objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não
Os dados foram solicitados à diretora. preposição.
Os dados foram solicitados ao diretor.
 No caso de nomes próprios geográficos, substi- Casos passíveis de nota:
tui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso re-
sulte na expressão “voltar da”, há a confirmação da  A crase é facultativa diante de nomes próprios fe-
crase. mininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
Faremos uma visita à Bahia.  Também é facultativa diante de pronomes posses-
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirma- sivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
da) empresa.
 Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja
Não me esqueço da viagem a Roma. ficará aberta até as (às) dezoito horas.
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja-  Constata-se o uso da crase se as locuções prepo-
mais vividos. sitivas à moda de, à maneira de apresentarem-se
implícitas, mesmo diante de nomes masculinos:
Nas situações em que o nome geográfico se apresen- Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
tar modificado por um adjunto adnominal, a crase está moda de Luís XV)
confirmada.  Não se efetiva o uso da crase diante da locução
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,
praias. observamos a queima de fogos a distância.
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos
LÍNGUA PORTUGUESA

#FicaDica uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedes-


tre foi arremessado à distância de cem metros.
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou  De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a -, faz-se necessário o emprego da crase.
Campinas. = Volto de Campinas. (crase pra Ensino à distância.
quê?) Ensino a distância.
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!)  Em locuções adverbiais formadas por palavras re-
petidas, não há ocorrência da crase.

76
Ela ficou frente a frente com o agressor. SITE
Eu o seguirei passo a passo. http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-cra-
se-.html
Casos em que não se admite o emprego da crase:

Antes de vocábulos masculinos.


As produções escritas a lápis não serão corrigidas. EXERCÍCIOS COMENTADOS
Esta caneta pertence a Pedro.
1. (POLÍCIA FEDERAL – AGENTE DE POLÍCIA FEDE-
Antes de verbos no infinitivo. RAL – CESPE – 2014 – ADAPTADA) O acento indicativo
Ele estava a cantar. de crase em “à humanidade e à estabilidade” é de uso
Começou a chover. facultativo, razão por que sua supressão não prejudicaria
a correção gramatical do texto.
Antes de numeral.
O número de aprovados chegou a cem. ( ) CERTO ( ) ERRADO
Faremos uma visita a dez países.
RESPOSTA: Errado. Retomemos o contexto: (...) O
uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e
Observações:
persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das
 Nos casos em que o numeral indicar horas – fun-
estruturas e valores políticos (...).
cionando como uma locução adverbial feminina –
O uso do acento indicativo de crase é obrigatório, já
ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezenove que os termos “humanidade” e “estabilidade” comple-
horas. mentam o nome “ameaça” – “ameaça a quê? a quem?”
 Diante de numerais ordinais femininos a crase está = a regência nominal pede preposição.
confirmada, visto que estes não podem ser empre-
gados sem o artigo: As saudações foram direciona- 2. (TCE-PA – CONHECIMENTOS BÁSICOS – AUDI-
das à primeira aluna da classe. TOR DE CONTROLE EXTERNO – EDUCACIONAL –
 Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando CESPE – 2016)
essa não se apresentar determinada: Chegamos to-
dos exaustos a casa. Texto CB1A1BBB
Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto
adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com
exaustos à casa de Marcela. o funcionalismo já alcançaram nível preocupante ou que
 Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa estouraram o limite de gastos com pessoal fixado pela
indicar chão firme: Quando os navegantes regressa- Lei Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de Res-
ram a terra, já era noite. ponsabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria
Contudo, se o termo estiver precedido por um de- legislação destinada a assegurar, como alegam, maior ri-
terminante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase. gor na gestão de suas finanças. Querem uma nova lei de
Paulo viajou rumo à sua terra natal. responsabilidade fiscal para, segundo argumentam, for-
O astronauta voltou à Terra. talecer a estrutura legal que protege o dinheiro público
do mau uso por gestores irresponsáveis.
 Não ocorre crase antes de pronomes que reque- Examinando-se a situação financeira dos estados que
rem o uso do artigo. preparam sua versão da lei de responsabilidade fiscal,
Os livros foram entregues a mim. fica difícil aceitar a argumentação. Desde maio de 2000,
Dei a ela a merecida recompensa. quando entrou em vigor a LRF, esses estados, como os
demais, estão sujeitos a regras precisas para a gestão do
dinheiro público, para a criação de despesas e, em par-
 Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos
ticular, para os gastos com pessoal. Por que, tendo des-
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o
cumprido algumas dessas regras, estariam interessados
uso da crase está confirmado no “a” que os antece-
em torná-las ainda mais rigorosas?
de, no caso de o termo regente exigir a preposição.
Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia.
pelo dinheiro público que, por alguma razão, não a cum-
 Não ocorre crase antes de nome feminino utiliza-
priram. De que adiantaria, então, tornar a lei mais rigoro-
do em sentido genérico ou indeterminado:
sa, se nem nas condições atuais esses responsáveis estão
Estamos sujeitos a críticas.
sendo capazes de cumpri-la? O problema não está na
Refiro-me a conversas paralelas.
LÍNGUA PORTUGUESA

lei. Mudá-la pode ser o pretexto não para torná-la mais


rigorosa, mas para atribuir-lhe alguma flexibilidade que
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
a desfigure. O verdadeiro problema é a dificuldade do
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
setor público de adaptar suas despesas às receitas em
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
queda por causa da crise.
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adapta-
Paulo: Saraiva, 2010.
ções).

77
O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da Haverá eleições em outubro
regência do verbo “adaptar” e da presença do artigo de- O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napo-
finido feminino determinando o substantivo “receitas”. leão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
 Os números que identificam o ano não utili-
( ) CERTO ( ) ERRADO zam ponto nem devem ter espaço a separá-los,
bem como os números de CEP: 1975, 2014, 2006,
Resposta: Certo. Texto: O verdadeiro problema é a di- 17600-250.
ficuldade do setor público de adaptar suas despesas às
receitas em queda por causa da crise = quem adapta,
B) Ponto e Vírgula (;)
adapta algo/alguém A algo/alguém.
 Separa várias partes do discurso, que têm a mes-
3. (FNDE – TÉCNICO EM FINANCIAMENTO E EXE-
CUÇÃO DE PROGRAMAS E PROJETOS EDUCACIO- ma importância: “Os pobres dão pelo pão o traba-
NAIS – CESPE – 2012) O emprego do sinal indicativo de lho; os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos
crase em “adequando os objetivos às necessidades” justi- generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum espí-
fica-se pela regência do verbo adequar, que exige com- rito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA)
plemento regido pela preposição “a”, e pela presença de  Separa partes de frases que já estão separadas por
artigo definido feminino antes de “necessidades”. vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; ou-
tros, montanhas, frio e cobertor.
( ) CERTO ( ) ERRADO  Separa itens de uma enumeração, exposição de
RESPOSTA: Certo. Adequar o quê? – os objetivos motivos, decreto de lei, etc.
(objeto direto) – adequar o quê a quê? – a + as (=às) Ir ao supermercado;
necessidades – objeto indireto. A explicação do enun- Pegar as crianças na escola;
ciado está correta. Caminhada na praia;
Reunião com amigos.
4. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA-SE – TÉCNICO JUDICIÁ-
RIO – CESPE – 2014 – ADAPTADA) No trecho “deu C) Dois pontos (:)
início à sua caminhada cósmica”, o emprego do acento  Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio
grave indicativo de crase é obrigatório.
Coutinho trata este assunto:
 Antes de um aposto = Três coisas não me agra-
( ) CERTO ( ) ERRADO
dam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.
RESPOSTA: Errado. “deu início à sua caminhada cós-  Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es-
mica” – o uso do acento indicativo de crase, neste tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo
caso, é facultativo (antes de pronome possessivo). a rotina de sempre.
 Em frases de estilo direto
Maria perguntou:
Pontuação - Por que você não toma uma decisão?

Os sinais de pontuação são marcações gráficas que D) Ponto de Exclamação (!)


servem para compor a coesão e a coerência textual, além  Usa-se para indicar entonação de surpresa, cóle-
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas. ra, susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me
Um texto escrito adquire diferentes significados quando casar com você!
pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação  Depois de interjeições ou vocativos
depende, em certos momentos, da intenção do autor do Ai! Que susto!
discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamen- João! Há quanto tempo!
te relacionados ao contexto e ao interlocutor.
E) Ponto de Interrogação (?)
1. Principais funções dos sinais de pontuação
 Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze-
A) Ponto (.)
 Indica o término do discurso ou de parte dele, en- vedo)
cerrando o período.
 Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com- F) Reticências (...)
panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final  Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lá-
LÍNGUA PORTUGUESA

de período, este não receberá outro ponto; neste pis, canetas, cadernos...
caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim  Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero
de período. Exemplo: Estudei português, matemári- dizer... é verdad... Ah!”
ca, constitucional, etc. (e não “etc..”)  Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este
 Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do mal... pega doutor?
ponto, assim como após o nome do autor de uma  Indica que o sentido vai além do que foi dito: Dei-
citação: xa, depois, o coração falar...

78
G) Vírgula (,)

Não se usa vírgula


Separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se diretamente entre si:

1. Entre sujeito e predicado:


Todos os alunos da sala foram advertidos.
Sujeito predicado

2. Entre o verbo e seus objetos:


O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
V.T.D.I. O.D. O.I.

Usa-se a vírgula:

1. Para marcar intercalação:


A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância, vem caindo de preço.
B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
C) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não que-
rem abrir mão dos lucros altos.

2. Para marcar inversão:


A) do adjunto adverbial (colocado no início da oração): Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fecha-
das.
B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio de 1982.

3. Para separar entre si elementos coordenados (dispostos em enumeração):


Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco.

5. Para isolar:
A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira, possui um trânsito caótico.
B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.

Observações:
Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expressão latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria dispen-
sável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o acordo ortográfico em vigor no Brasil exige que empreguemos etc.
predecido de vírgula: Falamos de política, futebol, lazer, etc.
As perguntas que denotam surpresa podem ter combinados o ponto de interrogação e o de exclamação: Você falou
isso para ela?!

Temos, ainda, sinais distintivos:


 a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), separação de siglas (IOF/UPC);
 os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira opção aos
parênteses, principalmente na matemática;
 o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir um nome
que não se quer mencionar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LÍNGUA PORTUGUESA

Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

SITE
http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula.htm

79
instituições tivesse como resultado direto a consolidação
da cidadania — compreendida de modo amplo, abran-
EXERCÍCIOS COMENTADOS gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e
sociais. Sobressaem, porém, problemas que configuram
1. (STJ – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CAR- mais desafios para a cidadania brasileira, como a violên-
GO 1 – CESPE – 2018 – ADAPTADA) cia urbana — que ameaça os direitos individuais — e o
desemprego — que ameaça os direitos sociais.
Texto CB1A1CCC No Brasil, o crime aumentou significantemente a partir
de 1980, impacto do processo de modernização pelo
As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes re- qual o país passou. Isso sugere que o boom do consumo
velaram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram colocou em circulação bens de alto valor e, consequente-
relatos de sofrimento, dor, angústia que se transportavam mente, aumentou as oportunidades para o crime, inclusi-
da cadeira das vítimas, testemunhas e réus para minha ve porque a maior mobilidade de pessoas torna o espaço
cadeira de juíza. A toga não me blindou daqueles relatos social mais anônimo, menos supervisionado.
sofridos, aflitos. As angústias dos que se sentavam à mi- Nesse contexto, justiça criminal passa a ser cada vez mais
nha frente, por diversas vezes, me escoltaram até minha dissociada de justiça social e reconstrução da sociedade.
casa e passaram a ser companheiras de noites de insônia. O objetivo em relação à criminalidade torna-se bem me-
Não havia outra solução a não ser escrever. Era preciso nos ambicioso: o controle. A prisão ganha mais impor-
colocar no papel e compartilhar a dor daquelas pessoas tância na modernidade tardia, porque satisfaz uma dupla
que, mesmo ao fim do processo e com a sentença prola- necessidade dessa nova cultura: castigo e controle do
tada, não me deixavam esquecê-las. risco. Essa postura às vezes proporciona controle, porém
Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães, filhas, não segurança, pois o Estado tem o poder limitado de
esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em co- manter a ordem por meio da polícia, sendo necessário
mum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de dividir as tarefas de controle com organizações locais e
casa. O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para essas com a comunidade.
mulheres, havia se transformado no pior dos mundos. Jacqueline Carvalho da Silva. Manutenção da ordem pú-
Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se sen- blica e garantia dos direitos individuais: os desafios da
tavam à minha frente, os relatos se transformavam em polícia em sociedades democráticas. In: Revista Brasilei-
desabafos de uma vida inteira. Era preciso explicar, justi- ra de Segurança Pública. São Paulo, ano 5, 8.ª ed., fev. –
ficar e muitas vezes se culpar por terem sido agredidas. mar./2011, p. 84-5 (com adaptações).
A culpa por ter sido vítima, a culpa por ter permitido, a
culpa por não ter sido boa o suficiente, a culpa por não No primeiro parágrafo do texto 1A1AAA, os dois-pontos
ter conseguido manter a família. Sempre a culpa. introduzem
Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma for-
ça externa como se somente nós, juízes, promotores e a) uma enumeração das “categorias de direitos”.
advogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo b) resultados da “consolidação da cidadania”.
de violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela c) um contra-argumento para a ideia de cidadania como
violência invisível. algo “amplo”.
Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias além das d) uma generalização do termo “direitos”.
quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com adaptações). e) objetivos do “processo de redemocratização”.
O trecho “juízes, promotores e advogados” explica o sen-
tido de “nós”. Resposta: Letra A. Recorramos ao texto (faça isso
SEMPRE durante seu concurso. O texto é a base para
( ) CERTO ( ) ERRADO encontrar as respostas para as questões!): (...) abran-
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e
Resposta: Certo. Ao trecho: (...) Aquelas mulheres che- sociais. Os dois-pontos introduzem a enumeração dos
gavam à Justiça buscando uma força externa como se direitos; apresenta-os.
somente nós, juízes, promotores e advogados, pudésse-
mos não apenas cessar aquele ciclo de violência (...). Os 3. (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE –
termos entre vírgulas servem para exemplificar quem 2010) Vão surgindo novos sinais do crescente otimismo
são os “nós” citados pela autora (juízes, promotores, da indústria com relação ao futuro próximo. Um deles
advogados). refere-se às exportações. “O comércio mundial já está
voltando a se abrir para as empresas”, diz o gerente exe-
cutivo de pesquisas da Confederação Nacional da Indús-
2. (SERES-PE – AGENTE DE SEGURANÇA PENITEN- tria (CNI), Renato da Fonseca, para explicar a melhora
LÍNGUA PORTUGUESA

CIÁRIA – CESPE – 2017 – ADAPTADA) das expectativas dos industriais com relação ao mercado
externo.
Texto 1A1AAA Quanto ao mercado interno, as expectativas da indústria
não se modificaram. Mas isso não é um mau sinal, pois
Após o processo de redemocratização, com o fim da di- elas já eram francamente otimistas. Há algum tempo, a
tadura militar, em meados da década de 80 do século pesquisa da CNI, realizada mensalmente a partir de 2010,
passado, era de se esperar que a democratização das registra grande otimismo da indústria com relação à de-

80
manda interna. Trata-se de um sentimento generalizado. Não se concebe que um ato normativo de qualquer
Em todos os setores industriais, a expressiva maioria dos natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou
entrevistados acredita no aumento das vendas internas. impossibilite sua compreensão. A transparência do sen-
O Estado de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta- tido dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade,
ções). são requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável
que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos.
O nome próprio “Renato da Fonseca” está entre vírgulas A publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e
por tratar-se de um vocativo. concisão.
Além de atender à disposição constitucional, a forma
( ) CERTO ( ) ERRADO dos atos normativos obedece a certa tradição. Há nor-
mas para sua elaboração que remontam ao período de
Resposta: Errado. Recorramos ao texto (lembre-se de nossa história imperial, como, por exemplo, a obrigato-
fazer a mesma coisa no dia do seu concurso!): (...) diz o riedade – estabelecida por decreto imperial de 10 de de-
gerente executivo de pesquisas da Confederação Nacio- zembro de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos,
nal da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, para explicar o número de anos transcorridos desde a Independência.
a melhora das expectativas. O termo em destaque não Essa prática foi mantida no período republicano. Esses
está exercendo a função de vocativo, já que não é uti- mesmos princípios (impessoalidade, clareza, uniformida-
lizado para evocar, chamar o interlocutor do diálogo. de, concisão e uso de linguagem formal) aplicam-se às
Sua função é de aposto – explicar quem é o gerente comunicações oficiais: elas devem sempre permitir uma
executivo da CNI. única interpretação e ser estritamente impessoais e uni-
formes, o que exige o uso de certo nível de linguagem.
4. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – MÉDICO DO Nesse quadro, fica claro também que as comuni-
TRABALHO – CESPE – 2014 – ADAPTADA) A correção cações oficiais são necessariamente uniformes, pois há
gramatical do trecho “Entre as bebidas alcoólicas, cerve- sempre um único comunicador (o Serviço Público) e o
receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço
jas e vinhos são as mais comuns em todo o mundo” seria
Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão
prejudicada, caso se inserisse uma vírgula logo após a
a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições
palavra “vinhos”.
tratados de forma homogênea (o público).
( ) CERTO ( ) ERRADO
Outros procedimentos rotineiros na redação de co-
municações oficiais foram incorporados ao longo do
Resposta: Certo. Não se deve colocar vírgula entre
tempo, como as formas de tratamento e de cortesia,
sujeito e predicado, a não ser que se trate de um apos-
certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes,
to (1), predicativo do sujeito (2), ou algum termo que etc. Mencione-se, por exemplo, a fixação dos fechos para
requeira estar separado entre pontuações. Exemplo: O comunicações oficiais, regulados pela Portaria n.º 1 do
Rio de Janeiro, cidade maravilhosa (1), está em festa! Ministro de Estado da Justiça, de 8 de julho de 1937.
Os meninos, ansiosos (2), chegaram! Acrescente-se, por fim, que a identificação que se
buscou fazer das características específicas da forma ofi-
cial de redigir não deve ensejar o entendimento de que
se proponha a criação – ou se aceite a existência – de
LÍNGUA PORTUGUESA APLICADA À REDA-
uma forma específica de linguagem administrativa, o que
ÇÃO DE DOCUMENTOS. coloquialmente e pejorativamente se chama burocratês.
Este é antes uma distorção do que deve ser a redação
oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões e clichês
O que é Redação Oficial do jargão burocrático e de formas arcaicas de construção
de frases.
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a A redação oficial não é, portanto, necessariamente
maneira pela qual o Poder Público redige atos normati- árida e infensa à evolução da língua. É que sua finali-
vos e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de dade básica – comunicar com impessoalidade e máxima
vista do Poder Executivo. clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoa- língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto
lidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, con- jornalístico, da correspondência particular, etc.
cisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente Apresentadas essas características fundamentais da
esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe, redação oficial, passemos à análise pormenorizada de
no artigo 37: “A administração pública direta, indireta
LÍNGUA PORTUGUESA

cada uma delas.


ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá 1. A Impessoalidade
aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a im- A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala,
pessoalidade princípios fundamentais de toda adminis- quer pela escrita. Para que haja comunicação, são neces-
tração pública, claro está que devem igualmente nortear sários: a) alguém que comunique, b) algo a ser comuni-
a elaboração dos atos e comunicações oficiais. cado, e c) alguém que receba essa comunicação. No caso

81
da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço de costumes, e pode eventualmente contar com outros
Público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Depar- elementos que auxiliem a sua compreensão, como os
tamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é gestos, a entoação, etc., para mencionar apenas alguns
sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão dos fatores responsáveis por essa distância. Já a língua
que comunica; o destinatário dessa comunicação ou é o escrita incorpora mais lentamente as transformações,
público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão públi- tem maior vocação para a permanência, e vale-se apenas
co, do Executivo ou dos outros Poderes da União. de si mesma para comunicar.
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que A língua escrita, como a falada, compreende diferen-
deve ser dado aos assuntos que constam das comunica- tes níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por
ções oficiais decorre: exemplo, em uma carta a um amigo, podemos nos valer
a) da ausência de impressões individuais de quem de determinado padrão de linguagem que incorpore ex-
comunica: embora se trate, por exemplo, de um pressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um
expediente assinado por Chefe de determinada parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do
Seção, é sempre em nome do Serviço Público que vocabulário técnico correspondente. Nos dois casos, há
é feita a comunicação. Obtém-se, assim, uma de- um padrão de linguagem que atende ao uso que se faz
sejável padronização, que permite que comunica- da língua, a finalidade com que a empregamos.
ções elaboradas em diferentes setores da Adminis- O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu ca-
tração guardem entre si certa uniformidade; ráter impessoal, por sua finalidade de informar com o
b) da impessoalidade de quem recebe a comunica- máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso do
ção, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão
a um cidadão, sempre concebido como público, culto é aquele em que a) se observam as regras da gra-
ou a outro órgão público. Nos dois casos, temos mática formal, e b) se emprega um vocabulário comum
um destinatário concebido de forma homogênea ao conjunto dos usuários do idioma. É importante res-
e impessoal; saltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na
c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: redação oficial decorre do fato de que ele está acima das
se o universo temático das comunicações oficiais
diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais,
se restringe a questões que dizem respeito ao in-
dos modismos vocabulares, das idiossincrasias linguísti-
teresse público, é natural que não cabe qualquer
cas, permitindo, por essa razão, que se atinja a pretendi-
tom particular ou pessoal. Desta forma, não há
da compreensão por todos os cidadãos. Lembre-se de
lugar na redação oficial para impressões pessoais,
que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de
como as que, por exemplo, constam de uma carta
expressão, desde que não seja confundida com pobreza
a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal,
ou mesmo de um texto literário. A redação oficial de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto
deve ser isenta da interferência da individualidade implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos con-
que a elabora. torcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade da língua literária.
de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais Pode-se concluir, então, que não existe propriamente
contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do
impessoalidade. padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que
haverá preferência pelo uso de determinadas expressões,
2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais ou será obedecida certa tradição no emprego das formas
sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se
A necessidade de empregar determinado nível de lin- consagre a utilização de uma forma de linguagem buro-
guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um crática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser
lado, do próprio caráter público desses atos e comuni- evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada.
cações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui A linguagem técnica deve ser empregada apenas em
entendidos como atos de caráter normativo, ou estabe- situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indis-
lecem regras para a conduta dos cidadãos, ou regulam criminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo
o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é alcan- o vocabulário próprio à determinada área, são de difícil
çado se em sua elaboração for empregada a linguagem entendimento por quem não esteja com eles familiariza-
adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais, do. Deve-se ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em
cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e comunicações encaminhadas a outros órgãos da admi-
objetividade. As comunicações que partem dos órgãos nistração e em expedientes dirigidos aos cidadãos.
públicos federais devem ser compreendidas por todo e
qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há 3. Formalidade e Padronização
LÍNGUA PORTUGUESA

que evitar o uso de uma linguagem restrita a determina-


dos grupos. Não há dúvida que um texto marcado por As comunicações oficiais devem ser sempre formais,
expressões de circulação restrita, como a gíria, os regio- isto é, obedecem a certas regras de forma: além das já
nalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua com- mencionadas exigências de impessoalidade e uso do pa-
preensão dificultada. drão culto de linguagem, é imperativo, ainda, certa for-
Ressalte-se que há necessariamente uma distância malidade de tratamento. Não se trata somente da eterna
entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente dúvida quanto ao correto emprego deste ou daquele
dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração pronome de tratamento para uma autoridade de certo;

82
mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à tos oficiais, de trechos obscuros e de erros gramaticais
civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual provém, principalmente, da falta da releitura que torna
cuida a comunicação. possível sua correção.
A formalidade de tratamento vincula-se, também, à Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda,
necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a ad- se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O
ministração federal é una, é natural que as comunicações que nos parece óbvio pode ser desconhecido por ter-
que expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimen- ceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos
to desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que em decorrência de nossa experiência profissional muitas
se atente para todas as características da redação oficial e vezes faz com que os tomemos como de conhecimento
que se cuide, ainda, da apresentação dos textos. geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvol-
A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes va, esclareça, precise os termos técnicos, o significado
para o texto definitivo e a correta diagramação do texto das siglas e abreviações e os conceitos específicos que
são indispensáveis para a padronização. não possam ser dispensados.
4. Concisão e Clareza A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A
pressa com que são elaboradas certas comunicações
A concisão é antes uma qualidade do que uma carac- quase sempre compromete sua clareza. Não se deve
terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue proceder à redação de um texto que não seja seguida
transmitir um máximo de informações com um mínimo por sua revisão. “Não há assuntos urgentes, há assuntos
de palavras. Para que se redija com essa qualidade, é fun- atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua
damental que se tenha, além de conhecimento do assun- indesejável repercussão no redigir.
to sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revi-
sar o texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas 5. As Comunicações Oficiais
vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições
desnecessárias de ideias. 5.1. Introdução
O esforço de sermos concisos atende, basicamente,
ao princípio de economia linguística, à mencionada fór- A redação das comunicações oficiais deve, antes de
mula de empregar o mínimo de palavras para informar o tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, As-
máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la como pectos Gerais da Redação Oficial. Além disso, há caracte-
economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar rísticas específicas de cada tipo de expediente, que serão
passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos
tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inú- à sua análise, vejamos outros aspectos comuns a quase
teis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao todas as modalidades de comunicação oficial: o empre-
que já foi dito. go dos pronomes de tratamento, a forma dos fechos e a
identificação do signatário.
Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe
em todo texto de alguma complexidade: ideias funda-
6. Pronomes de Tratamento
mentais e ideias secundárias. Estas últimas podem es-
clarecer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las;
6.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento
mas existem também ideias secundárias que não acres-
centam informação alguma ao texto, nem têm maior re-
O uso de pronomes e locuções pronominais de tra-
lação com as fundamentais, podendo, por isso, ser dis- tamento tem larga tradição na língua portuguesa. De
pensadas. acordo com Said Ali, após serem incorporados ao por-
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto tuguês os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento
oficial. Pode-se definir como claro aquele texto que pos- direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”,
sibilita imediata compreensão pelo leitor. No entanto, a passou-se a empregar, como expediente linguístico de
clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende es- distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no
tritamente das demais características da redação oficial. tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue
Para ela concorrem: o autor: “Outro modo de tratamento indireto consistiu
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de inter- em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qua-
pretações que poderia decorrer de um tratamento lidade eminente da pessoa de categoria superior, e não
personalista dado ao texto; a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí- rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...);
pio, de entendimento geral e por definição avesso assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência,
o jargão; vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.”
LÍNGUA PORTUGUESA

c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a A partir do final do século XVI, esse modo de trata-
imprescindível uniformidade dos textos; mento indireto já estava em voga também para os ocu-
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os exces- pantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu
sos linguísticos que nada lhe acrescentam. para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o prono-
me vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição
É pela correta observação dessas características que que provém o atual emprego de pronomes de tratamen-
se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável to indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades
releitura de todo texto redigido. A ocorrência, em tex- civis, militares e eclesiásticas.

83
6.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento As demais autoridades serão tratadas com o vocativo
Senhor, seguido do cargo respectivo:
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pes- Senhor Senador,
soa indireta) apresentam certas peculiaridades quanto Senhor Juiz,
à concordância verbal, nominal e pronominal. Embora Senhor Ministro,
se refiram a segunda pessoa gramatical (à pessoa com Senhor Governador,
quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam No envelope, o endereçamento das comunicações di-
a concordância para a terceira pessoa. É que o verbo con- rigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá
corda com o substantivo que integra a locução como seu a seguinte forma:
núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”; A Sua Excelência o Senhor
“Vossa Excelência conhece o assunto”. Fulano de Tal
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos Ministro de Estado da Justiça
a pronomes de tratamento são sempre os da terceira 70064-900 – Brasília. DF
pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não
“Vossa ... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a es- A Sua Excelência o Senhor
ses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o Senador Fulano de Tal
sexo da pessoa a que se refere, e não com o substanti- Senado Federal
vo que compõe a locução. Assim, se nosso interlocutor 70165-900 – Brasília. DF
for homem, o correto é “Vossa Excelência está atarefado”,
“Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vos- A Sua Excelência o Senhor
sa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar Fulano de Tal
satisfeita”. Juiz de Direito da 10.ª Vara Cível
Rua ABC, n.º 123
6.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento 01010-000 – São Paulo. SP
Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tra-
obedece a secular tradição. São de uso consagrado:
tamento Digníssimo (DD), às autoridades arroladas na
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
lista anterior. A dignidade é pressuposto para que se
a) do Poder Executivo;
ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua
Presidente da República;
repetida evocação.
Vice-Presidente da República;
Ministros de Estado;
Vossa Senhoria é empregado para as demais autori-
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do
dades e para particulares. O vocativo adequado é:
Distrito Federal;
Senhor Fulano de Tal,
Oficiais-Generais das Forças Armadas;
Embaixadores; (...)
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocu- No envelope, deve constar do endereçamento:
pantes de cargos de natureza especial; Ao Senhor
Secretários de Estado dos Governos Estaduais; Fulano de Tal
Prefeitos Municipais. Rua ABC, n.º 123
12345-000 – Curitiba. PR
b) do Poder Legislativo:
Deputados Federais e Senadores; Como se depreende do exemplo acima, fica dispen-
Ministros do Tribunal de Contas da União; sado o emprego do superlativo ilustríssimo para as au-
Deputados Estaduais e Distritais; toridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; e para particulares. É suficiente o uso do pronome de
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais. tratamento Senhor.
Acrescente-se que doutor não é forma de tratamen-
c) do Poder Judiciário: to, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminada-
Ministros dos Tribunais Superiores; mente. Como regra geral, empregue-o apenas em co-
Membros de Tribunais; municações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por
Juízes; terem concluído curso universitário de doutorado. É cos-
Auditores da Justiça Militar. tume designar por doutor os bacharéis, especialmente os
bacharéis em Direito e em Medicina. Nos demais casos,
O vocativo a ser empregado em comunicações diri- o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às
LÍNGUA PORTUGUESA

gidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, se- comunicações.


guido do cargo respectivo: Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência,
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, empregada, por força da tradição, em comunicações di-
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacio- rigidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vo-
nal, cativo: Magnífico Reitor, (...)
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Os pronomes de tratamento para religiosos, de acor-
Federal. do com a hierarquia eclesiástica, são:

84
Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao 10. Partes do documento no Padrão Ofício
Papa. O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre,
(...) O aviso, o ofício e o memorando devem conter as
Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendís- seguintes partes:
sima, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do
o vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou Eminen- órgão que o expede: Exemplos: Mem. 123/2002-MF Aviso
tíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, (...) 123/2002-SG Of. 123/2002-MME
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com
Vossa Excelência Reverendíssima é usado em co-
alinhamento à direita: Exemplo:
municações dirigidas a Arcebispos e Bispos;
Brasília, 15 de março de 1991.
Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reveren-
díssima para Monsenhores, Cônegos e superiores reli- c) assunto: resumo do teor do documento Exemplos:
giosos. Assunto: Produtividade do órgão em 2002.
Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clé- Assunto: Necessidade de aquisição de novos compu-
rigos e demais religiosos. tadores.

7. Fechos para Comunicações d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem


é dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser in-
O fecho das comunicações oficiais possui, além da cluído também o endereço.
finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o des- e) texto: nos casos em que não for de mero encami-
tinatário. Os modelos para fecho que vinham sendo uti- nhamento de documentos, o expediente deve conter a
seguinte estrutura:
lizados foram regulados pela Portaria n.º 1 do Ministério
da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com
– introdução, que se confunde com o parágrafo de
o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual es- abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a
tabelece o emprego de somente dois fechos diferentes comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”,
para todas as modalidades de comunicação oficial: “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”, empre-
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente gue a forma direta;
da República: Respeitosamente, – desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado;
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- se o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto,
rarquia inferior: Atenciosamente, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que
confere maior clareza à exposição;
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações di- – conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente
rigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e reapresentada a posição recomendada sobre o assunto.
tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto
de Redação do Ministério das Relações Exteriores. nos casos em que estes estejam organizados em itens ou
títulos e subtítulos. Já quando se tratar de mero encami-
nhamento de documentos a estrutura é a seguinte:
8. Identificação do Signatário – introdução: deve iniciar com referência ao expe-
diente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presiden- documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a
te da República, todas as demais comunicações oficiais informação do motivo da comunicação, que é encami-
devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as nhar, indicando a seguir os dados completos do docu-
expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da mento encaminhado (tipo, data, origem ou signatário,
identificação deve ser a seguinte: e assunto de que trata), e a razão pela qual está sendo
(espaço para assinatura) encaminhado, segundo a seguinte fórmula: “Em resposta
NOME ao Aviso n.º 12, de 1.º de fevereiro de 1991, encaminho,
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República anexa, cópia do Ofício n.º 34, de 3 de abril de 1990, do
(espaço para assinatura) Departamento Geral de Administração, que trata da re-
NOME quisição do servidor Fulano de Tal.” Ou “Encaminho, para
exame e pronunciamento, a anexa cópia do telegrama no
Ministro de Estado da Justiça
12, de 1.º de fevereiro de 1991, do Presidente da Confe-
deração Nacional de Agricultura, a respeito de projeto de
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a as- modernização de técnicas agrícolas na região Nordeste.”
sinatura em página isolada do expediente. Transfira para – desenvolvimento: se o autor da comunicação de-
essa página ao menos a última frase anterior ao fecho. sejar fazer algum comentário a respeito do documento
LÍNGUA PORTUGUESA

que encaminha, poderá acrescentar parágrafos de de-


9. O Padrão Ofício senvolvimento; em caso contrário, não há parágrafos de
desenvolvimento em aviso ou ofício de mero encaminha-
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes mento.
pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações);
memorando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se ado- g) assinatura do autor da comunicação; e
tar uma diagramação única, que siga o que chamamos h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do
de padrão ofício. Signatário).

85
11. Forma de diagramação que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades.
Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos
Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e,
seguinte forma de apresentação: no caso do ofício, também com particulares.
a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman
de corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 12.2. Forma e Estrutura
10 nas notas de rodapé;
b) para símbolos não existentes na fonte Times New Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo
Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol e do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca
Wingdings; o destinatário (v. 2.1 Pronomes de Tratamento), seguido
c) é obrigatório constar a partir da segunda página o de vírgula. Exemplos:
número da página; Excelentíssimo Senhor Presidente da República
Senhora Ministra
d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão Senhor Chefe de Gabinete
ser impressos em ambas as faces do papel. Neste
caso, as margens esquerda e direita terão as dis- Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício
tâncias invertidas nas páginas pares (“margem es- as seguintes informações do remetente:
pelho”); – nome do órgão ou setor;
e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm – endereço postal;
de distância da margem esquerda; – telefone e endereço de correio eletrônico.
f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá,
no mínimo, 3,0 cm de largura; 13. Memorando
g) o campo destinado à margem lateral direita terá
1,5 cm; 13.1. Definição e Finalidade
O constante neste item aplica-se também à exposição
de motivos e à mensagem (v. 4. Exposição de Moti- O memorando é a modalidade de comunicação en-
vos e 5. Mensagem). tre unidades administrativas de um mesmo órgão, que
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em
níveis diferentes. Trata-se, portanto, de uma forma de co-
linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o
municação eminentemente interna. Pode ter caráter me-
editor de texto utilizado não comportar tal recurso,
ramente administrativo, ou ser empregado para a expo-
de uma linha em branco;
sição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico,
por determinado setor do serviço público. Sua caracterís-
sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra,
tica principal é a agilidade. A tramitação do memorando
relevo, bordas ou qualquer outra forma de forma-
em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela
tação que afete a elegância e a sobriedade do do- simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar
cumento; desnecessário aumento do número de comunicações, os
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta despachos ao memorando devem ser dados no próprio
em papel branco. A impressão colorida deve ser documento e, no caso de falta de espaço, em folha de
usada apenas para gráficos e ilustrações; continuação. Esse procedimento permite formar uma
k) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício espécie de processo simplificado, assegurando maior
devem ser impressos em papel de tamanho A-4, transparência à tomada de decisões, e permitindo que se
ou seja, 29,7 x 21,0 cm; historie o andamento da matéria tratada no memorando.
l) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de
arquivo Rich Text nos documentos de texto; 13.2. Forma e Estrutura
m) dentro do possível, todos os documentos elabora-
dos devem ter o arquivo de texto preservado para Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo
consulta posterior ou aproveitamento de trechos do padrão ofício, com a diferença de que o seu destina-
para casos análogos; tário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exem-
n) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos plos:
devem ser formados da seguinte maneira: tipo do Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
documento + número do documento + palavras- Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
-chaves do conteúdo. Ex.: “Of. 123 - relatório pro-
dutividade ano 2002” 14. Exposição de Motivos

12. Aviso e Ofício


LÍNGUA PORTUGUESA

14.1. Definição e Finalidade

12.1. Definição e Finalidade Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Pre-


sidente da República ou ao Vice-Presidente para:
Aviso e ofício são modalidades de comunicação ofi- a) informá-lo de determinado assunto;
cial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é b) propor alguma medida; ou
que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de c) submeter a sua consideração projeto de ato nor-
Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo mativo.

86
Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presi- ca; expor o plano de governo por ocasião da abertura
dente da República por um Ministro de Estado. Nos casos de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional
em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério, matérias que dependem de deliberação de suas Casas;
a exposição de motivos deverá ser assinada por todos os apresentar veto; enfim, fazer e agradecer comunicações
Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de de tudo quanto seja de interesse dos poderes públicos e
interministerial. da Nação.
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos
14.2. Forma e Estrutura Ministérios à Presidência da República, a cujas assesso-
rias caberá a redação final.
Formalmente, a exposição de motivos tem a apresen- As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao
tação do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício). Congresso Nacional têm as seguintes finalidades:
a) encaminhamento de projeto de lei ordinária, com-
A exposição de motivos, de acordo com sua finalida- plementar ou financeira. Os projetos de lei ordinária ou
de, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para complementar são enviados em regime normal (Consti-
aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e tuição, art. 61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1.º
outra para a que proponha alguma medida ou submeta a 4.º). Cabe lembrar que o projeto pode ser encaminhado
projeto de ato normativo. sob o regime normal e mais tarde ser objeto de nova
No primeiro caso, o da exposição de motivos que mensagem, com solicitação de urgência.
simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Mem-
Presidente da República, sua estrutura segue o mode- bros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com
lo antes referido para o padrão ofício. Já a exposição de aviso do Chefe da Casa Civil da Presidência da República
motivos que submeta à consideração do Presidente da ao Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados, para
República a sugestão de alguma medida a ser adotada que tenha início sua tramitação (Constituição, art. 64,
ou a que lhe apresente projeto de ato normativo – embo- caput).
ra sigam também a estrutura do padrão ofício –, além de Quanto aos projetos de lei financeira (que compreen-
outros comentários julgados pertinentes por seu autor, dem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamen-
devem, obrigatoriamente, apontar: tos anuais e créditos adicionais), as mensagens de en-
a) na introdução: o problema que está a reclamar a caminhamento dirigem-se aos Membros do Congresso
adoção da medida ou do ato normativo proposto; Nacional, e os respectivos avisos são endereçados ao
b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medi- Primeiro Secretário do Senado Federal. A razão é que o
da ou aquele ato normativo o ideal para se solucio- art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual
nar o problema, e eventuais alternativas existentes sobre as leis financeiras em sessão conjunta, mais preci-
para equacioná-lo; samente, “na forma do regimento comum”. E à frente da
c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser to- Mesa do Congresso Nacional está o Presidente do Sena-
mada, ou qual ato normativo deve ser editado para do Federal (Constituição, art. 57, § 5.º), que comanda as
solucionar o problema. sessões conjuntas.
As mensagens aqui tratadas coroam o processo de-
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à senvolvido no âmbito do Poder Executivo, que abrange
exposição de motivos, devidamente preenchido, de acor- minucioso exame técnico, jurídico e econômico-financei-
do Com o modelo previsto no Anexo II do Decreto n.º ro das matérias objeto das proposições por elas encami-
4.176, de 28 de março de 2002. nhadas.
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha pre- Tais exames materializam-se em pareceres dos di-
sente que a atenção aos requisitos básicos da redação versos órgãos interessados no assunto das proposições,
oficial (clareza, concisão, impessoalidade, formalidade, entre eles o da Advocacia-Geral da União. Mas, na ori-
padronização e uso do padrão culto de linguagem) deve gem das propostas, as análises necessárias constam da
ser redobrada. exposição de motivos do órgão onde se geraram (v. 3.1.
A exposição de motivos é a principal modalidade de Exposição de Motivos) – exposição que acompanhará, por
comunicação dirigida ao Presidente da República pelos cópia, a mensagem de encaminhamento ao Congresso.
Ministros.
Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada b) encaminhamento de medida provisória.
cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário ou, Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Cons-
ainda, ser publicada no Diário Oficial da União, no todo tituição, o Presidente da República encaminha mensa-
ou em parte. gem ao Congresso, dirigida a seus membros, com aviso
para o Primeiro Secretário do Senado Federal, juntando
LÍNGUA PORTUGUESA

15. Mensagem cópia da medida provisória, autenticada pela Coordena-


ção de Documentação da Presidência da República.
15.1. Definição e Finalidade
c) indicação de autoridades.
É o instrumento de comunicação oficial entre os Che- As mensagens que submetem ao Senado Federal a
fes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens indicação de pessoas para ocuparem determinados car-
enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legis- gos (magistrados dos Tribunais Superiores, Ministros do
lativo para informar sobre fato da Administração Públi- TCU, Presidentes e Diretores do Banco Central, Procura-

87
dor-Geral da República, Chefes de Missão Diplomática, i) comunicação de veto.
etc.) têm em vista que a Constituição, no seu art. 52, in- Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constitui-
cisos III e IV, atribui àquela Casa do Congresso Nacional ção, art. 66, § 1.º), a mensagem informa sobre a decisão
competência privativa para aprovar a indicação. de vetar, se o veto é parcial, quais as disposições vetadas,
e as razões do veto. Seu texto vai publicado na íntegra
O curriculum vitae do indicado, devidamente assina- no Diário Oficial da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao
do, acompanha a mensagem. contrário das demais mensagens, cuja publicação se res-
d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vi- tringe à notícia do seu envio ao Poder Legislativo.
ce-Presidente da República se ausentar do País por mais
de 15 dias. j) outras mensagens.
Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art. Também são remetidas ao Legislativo com regular
49, III, e 83), e a autorização é da competência privativa frequência mensagens com:
do Congresso Nacional. – encaminhamento de atos internacionais que acarre-
tam encargos ou compromissos gravosos (Consti-
tuição, art. 49, I);
O Presidente da República, tradicionalmente, por cor-
– pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis
tesia, quando a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz
às operações e prestações interestaduais e de ex-
uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-
portação (Constituição, art. 155, § 2.º, IV);
-lhes mensagens idênticas. – proposta de fixação de limites globais para o mon-
tante da dívida consolidada (Constituição, art. 52,
e) encaminhamento de atos de concessão e renova- VI);
ção de concessão de emissoras de rádio e TV. – pedido de autorização para operações financeiras
A obrigação de submeter tais atos à apreciação do externas (Constituição, art. 52, V); e outros.
Congresso Nacional consta no inciso XII do artigo 49 da Entre as mensagens menos comuns estão as de:
Constituição. Somente produzirão efeitos legais a ou- – convocação extraordinária do Congresso Nacional
torga ou renovação da concessão após deliberação do (Constituição, art. 57, § 6.º);
Congresso Nacional (Constituição, art. 223, § 3.º). Des- – pedido de autorização para exonerar o Procurador-
cabe pedir na mensagem a urgência prevista no art. 64 -Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2.º);
da Constituição, porquanto o § 1.º do art. 223 já define o – pedido de autorização para declarar guerra e decre-
prazo da tramitação. tar mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX);
Além do ato de outorga ou renovação, acompanha – pedido de autorização ou referendo para celebrar a
a mensagem o correspondente processo administrativo. paz (Constituição, art. 84, XX);
f) encaminhamento das contas referentes ao exercício – justificativa para decretação do estado de defesa ou
anterior. de sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4.º);
O Presidente da República tem o prazo de sessenta – pedido de autorização para decretar o estado de
dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao sítio (Constituição, art. 137);
Congresso Nacional as contas referentes ao exercício an- – relato das medidas praticadas na vigência do estado
terior (Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, pará-
da Comissão Mista permanente (Constituição, art. 166, grafo único);
§ 1.º), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a – proposta de modificação de projetos de leis finan-
tomada de contas (Constituição, art. 51, II), em procedi- ceiras (Constituição, art. 166, § 5.º);
mento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno. – pedido de autorização para utilizar recursos que fi-
carem sem despesas correspondentes, em decor-
rência de veto, emenda ou rejeição do projeto de
g) mensagem de abertura da sessão legislativa.
lei orçamentária anual (Constituição, art. 166, § 8.º);
Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre
– pedido de autorização para alienar ou conceder ter-
a situação do País e solicitação de providências que jul-
ras públicas com área superior a 2.500 ha (Consti-
gar necessárias (Constituição, art. 84, XI). tuição, art. 188, § 1.º); etc.
O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da
Presidência da República. Esta mensagem difere das de- 5.2. Forma e Estrutura
mais porque vai encadernada e é distribuída a todos os
Congressistas em forma de livro. As mensagens contêm:
a) a indicação do tipo de expediente e de seu número,
h) comunicação de sanção (com restituição de autó- horizontalmente, no início da margem esquerda:
grafos). Mensagem n.º
LÍNGUA PORTUGUESA

Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congres-


so Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Secre- b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento
tário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da
informa o número que tomou a lei e se restituem dois margem esquerda;
exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
Presidente da República terá aposto o despacho de san-
ção. c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;

88
d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do Remetente: ____________________________________
texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____
a margem direita. No de páginas: ________No do documento:____________
A mensagem, como os demais atos assinados pelo
Presidente da República, não traz identificação de seu Observações:___________________________________
signatário.
18. Correio Eletrônico
16. Telegrama
18.1 Definição e finalidade
16.1. Definição e Finalidade
O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e
Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar celeridade, transformou-se na principal forma de comu-
os procedimentos burocráticos, passa a receber o títu- nicação para transmissão de documentos.
lo de telegrama toda comunicação oficial expedida por
meio de telegrafia, telex, etc. 18.2. Forma e Estrutura

Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô-
aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir for-
restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situa- ma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o
ções que não seja possível o uso de correio eletrônico ou uso de linguagem incompatível com uma comunicação
fax e que a urgência justifique sua utilização e, também oficial (v. 1.2 A Linguagem dos Atos e Comunicações Ofi-
em razão de seu custo elevado, esta forma de comuni- ciais).
cação deve pautar-se pela concisão (v. 1.4. Concisão e O campo assunto do formulário de correio eletrônico
Clareza). deve ser preenchido de modo a facilitar a organização
documental tanto do destinatário quanto do remetente.
16.2. Forma e Estrutura Para os arquivos anexados à mensagem deve ser uti-
lizado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensa-
Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e gem que encaminha algum arquivo deve trazer informa-
a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos ções mínimas sobre seu conteúdo.
Correios e em seu sítio na Internet. Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de
confirmação de leitura. Caso não seja disponível, deve
17. Fax constar da mensagem pedido de confirmação de rece-
bimento.
17.1. Definição e Finalidade
18.3 Valor documental
O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile)
é uma forma de comunicação que está sendo menos Nos termos da legislação em vigor, para que a men-
usada devido ao desenvolvimento da Internet. É utiliza- sagem de correio eletrônico tenha valor documental, e
do para a transmissão de mensagens urgentes e para o para que possa ser aceito como documento original, é
envio antecipado de documentos, de cujo conhecimen- necessário existir certificação digital que ateste a identi-
to há premência, quando não há condições de envio do dade do remetente, na forma estabelecida em lei.
documento por meio eletrônico. Quando necessário o
original, ele segue posteriormente pela via e na forma Elementos de Ortografia e Gramática
de praxe.
Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com 1. Problemas de Construção de Frases
cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel,
em certos modelos, deteriora-se rapidamente. A clareza e a concisão na forma escrita são alcança-
das, principalmente, pela construção adequada da frase,
17.2. Forma e Estrutura “a menor unidade autônoma da comunicação”, na defini-
ção de Celso Pedro Luft.
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a A função essencial da frase é desempenhada pelo
estrutura que lhes são inerentes. predicado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser en-
É conveniente o envio, juntamente com o documento tendido como “a enunciação pura de um fato qualquer”.
principal, de folha de rosto e de pequeno formulário com Sempre que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe
LÍNGUA PORTUGUESA

os dados de identificação da mensagem a ser enviada, o nome de período, que terá tantas orações quantos fo-
conforme exemplo a seguir: rem os verbos não auxiliares que o constituem.
Outra função relevante é a do sujeito – mas não indis-
[Órgão Expedidor] pensável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –,
[setor do órgão expedidor] de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substan-
[endereço do órgão expedidor] tivo. Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações
Destinatário:____________________________________ substantivos (nomes ou pronomes) que desempenham a
No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___ função de complementos (objetos direto e indireto, pre-

89
dicativo e complemento adverbial). Função acessória de- 2. Sujeito
sempenham os adjuntos adverbiais, que vêm geralmente
ao final da oração, mas que podem ser ou intercalados Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que
aos elementos que desempenham as outras funções, ou executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter com-
deslocados para o início da oração. plemento, mas não ser complemento. Devem ser evita-
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos das, portanto, construções como:
elementos que compõem uma oração (Observação: os
parênteses indicam os elementos que podem não ocor- Errado: É tempo do Congresso votar a emenda.
rer): Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda.
(sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adver-
bial). Errado: Apesar das relações entre os países estarem
cortadas, (...).
Podem ser identificados seis padrões básicos para as
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem
orações pessoais (isto é, com sujeito) na língua portu-
cortadas, (...).
guesa (a função que vem entre parênteses é facultativa e
pode ocorrer em ordem diversa):
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim.
1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial) Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim.
O Presidente - regressou - (ontem).
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...).
2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto - Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...).
(adjunto adverbial)
O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo,
manhã de terça-feira). (...).
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo,
3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto (...).
- (adjunto adverbial).
O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os 3. Frases Fragmentadas
setores).
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma
4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. di- oração subordinada ou uma simples locução como se
reto - obj. indireto - (adj. Adv.) fosse uma frase completa”. Decorre da pontuação errada
Os desempregados - entregaram - suas reivindicações de uma frase simples. Embora seja usada como recurso
- ao Deputado - (no Congresso). estilístico na literatura, a fragmentação de frases deve ser
evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a
5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento compreensão. Exemplo:
adverbial - (adjunto adverbial) Errado: O programa recebeu a aprovação do Congres-
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Bue- so Nacional. Depois de ser longamente debatido.
nos Aires - (na próxima semana). Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso
O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira) Nacional, depois de ser longamente debatido.
6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto ad- Certo: Depois de ser longamente debatido, o progra-
verbial)
ma recebeu a aprovação do Congresso Nacional.
O problema - será - resolvido - prontamente.
Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente
Estes seriam os padrões básicos para as orações, ou
submetido ao Presidente da República, que o aprovou.
seja, as frases que possuem apenas um verbo conjuga-
Consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto
do. Na construção de períodos, as várias funções podem
ocorrer em ordem inversa à mencionada, misturando-se legal.
e confundindo-se. Não interessa aqui análise exaustiva Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente
de todos os padrões existentes na língua portuguesa. submetido ao Presidente da República, que o aprovou,
O que importa é fixar a ordem normal dos elementos consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto
nesses seis padrões básicos. Acrescente-se que períodos legal.
mais complexos, compostos por duas ou mais orações,
em geral podem ser reduzidos aos padrões básicos (de 4. Erros de Paralelismo
que derivam).
Os problemas mais frequentemente encontrados na Uma das convenções estabelecidas na linguagem es-
LÍNGUA PORTUGUESA

construção de frases dizem respeito à má pontuação, à crita “consiste em apresentar ideias similares numa forma
ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. As-
paralelismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em sim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a
geral, do desconhecimento da ordem das palavras na elementos paralelos. Vejamos alguns exemplos:
frase. Indicam-se, a seguir, alguns desses defeitos mais Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Minis-
comuns e recorrentes na construção de frases, registra- térios economizar energia e que elaborassem planos de
dos em documentos oficiais. redução de despesas.

90
Na frase temos, nas duas orações subordinadas que Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”:
completam o sentido da principal, duas estruturas dife- Errado: Neste momento, não se devem adotar medi-
rentes para ideias equivalentes: a primeira oração (eco- das precipitadas, e que comprometam o andamento de
nomizar energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a se- todo o programa.
gunda (que elaborassem planos de redução de despesas)
é uma oração desenvolvida introduzida pela conjunção Da mesma forma com que corrigimos o exemplo an-
integrante que. Há mais de uma possibilidade de escre- terior, aqui podemos suprimir a conjunção:
vê-la com clareza e correção; uma seria a de apresentar Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas
as duas orações subordinadas como desenvolvidas, in- precipitadas, que comprometam o andamento de todo o
troduzidas pela conjunção integrante que: programa.

Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé- 5. Erros de Comparação


rios que economizassem energia e (que) elaborassem pla-
nos para redução de despesas. A omissão de certos termos ao fazermos uma compa-
ração, omissão própria da língua falada, deve ser evitada
Outra possibilidade: as duas orações são apresenta- na língua escrita, pois compromete a clareza do texto:
das como reduzidas de infinitivo: nem sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Minis- termo omitido. A ausência indevida de um termo pode
térios economizar energia e elaborar planos para redução impossibilitar o entendimento do sentido que se quer
de despesas. dar a uma frase:

Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na Errado: O salário de um professor é mais baixo do que
coordenação de orações subordinadas. um médico.
A omissão de termos provocou uma comparação in-
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua es- devida: “o salário de um professor” com “um médico”.
crita culta: Certo: O salário de um professor é mais baixo do que
Errado: No discurso de posse, mostrou determinação, o salário de um médico.
não ser inseguro, inteligência e ter ambição. Certo: O salário de um professor é mais baixo do que
O problema aqui decorre de coordenar palavras o de um médico.
(substantivos) com orações (reduzidas de infinitivo). Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria.

Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou Novamente, a não repetição dos termos comparados
por transformá-la em frase simples, substituindo as ora- confunde. Alternativas para correção:
ções reduzidas por substantivos: Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da
Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, Portaria.
segurança, inteligência e ambição. Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria.
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso bas do que os Ministérios do Governo.
paralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equi-
valente) a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao se No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou
apresentar, de forma paralela, estruturas sintáticas dis- “demais”) acarretou imprecisão:
tintas: Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o bas do que os outros Ministérios do Governo.
Papa. Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
bas do que os demais Ministérios do Governo.
Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades
(Paris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibi- 6. Ambiguidade
lidade de correção é transformá-la em duas frases sim-
ples, com o cuidado de não repetir o verbo da primeira Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada
(visitar): em mais de um sentido. Como a clareza é requisito bási-
Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta co de todo texto oficial, deve-se atentar para as constru-
última capital, encontrou-se com o Papa. ções que possam gerar equívocos de compreensão.
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade
Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado de identificar a qual palavra se refere um pronome que
LÍNGUA PORTUGUESA

pelo uso inadequado da expressão “e que” num período possui mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode
que não contém nenhum “que” anterior. ocorrer com:
Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que
tem sólida formação acadêmica. A) pronomes pessoais:
Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado
Para corrigir a frase, suprimimos o pronome relativo: que ele seria exonerado.
Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu
sólida formação acadêmica. secretariado.

91
Ou então, caso o entendimento seja outro: ( ) CERTO ( ) ERRADO
Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exo-
neração deste. Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda
preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica
B) pronomes possessivos e pronomes oblíquos: abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial
Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da Repú- para que tais cargos públicos sejam ocupados.
blica, em seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
Estado, mas isso não o surpreendeu. cial_publicacoes_ver.php?id=2
Observe a multiplicidade de ambiguidade no exem-
plo acima, a qual torna incompreensível o sentido da fra- 2. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA-SE – TÉCNICO JUDICIÁ-
se. RIO – MÉDIO – CESPE – 2014) Em toda comunicação
oficial, exceto nas direcionadas a autoridades estrangei-
Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presiden- ras, deve-se fazer uso dos fechos Respeitosamente ou
te da República. No pronunciamento, solicitou a interven- Atenciosamente, de acordo com as hierarquias do desti-
ção federal em seu Estado, o que não surpreendeu o Pre- natário e do remetente.
sidente da República.
( ) CERTO ( ) ERRADO
C) pronome relativo:
Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-
costumava trabalhar. cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente
Não fica claro se o pronome relativo da segunda ora- dois fechos diferentes para todas as modalidades de
ção faz referência “à mesa” ou “a gabinete”. Esta ambi- comunicação oficial:
guidade se deve ao pronome relativo “que”, sem marca A) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
de gênero. A solução é recorrer às formas o qual, a qual, da República: Respeitosamente,
os quais, as quais, que marcam gênero e número. B) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie-
Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu cos- rarquia inferior: Atenciosamente,
tumava trabalhar. Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
Se o entendimento é outro, então: das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu cos- tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma-
tumava trabalhar. nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da
3. (ANP – CONHECIMENTO BÁSICO PARA TODOS
dúvida sobre a que se refere a oração reduzida:
OS CARGOS – CESPE – 2013) Na redação de uma ata,
Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o
devem-se relatar exaustivamente, com o máximo de de-
funcionário.
talhamento possível, incluindo-se os aspectos subjetivos,
Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima,
as discussões, as propostas, as resoluções e as delibera-
deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.
ções ocorridas em reuniões e eventos que exigem regis-
Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este
tro.
indisciplinado.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma se-
nhora chamou o médico. Resposta: Errado. Ata é um documento administrativo
Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi que tem a finalidade de registrar de modo sucinto a
chamado por uma senhora. sequência de eventos de uma reunião ou assembleia de
pessoas com um fim específico. É característica da Ata
SITE apresentar um resumo, cronologicamente disposto, de
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual- modo infalível, de todo o desenrolar da reunião.
redpr2aed.pdf (Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_
redacao_oficial_ata/)

4. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA-SE – TÉCNICO JUDICIÁ-


EXERCÍCIOS COMENTADOS RIO – CESPE – 2014) Em toda comunicação oficial, exce-
to nas direcionadas a autoridades estrangeiras, deve-se
1. (ANTAQ – ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE fazer uso dos fechos Respeitosamente ou Atenciosamen-
SERVIÇOS DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS – SU- te, de acordo com as hierarquias do destinatário e do
PERIOR – CESPE – 2014) Considerando aspectos estru-
LÍNGUA PORTUGUESA

remetente.
turais e linguísticos das correspondências oficiais, julgue
os itens que se seguem, de acordo com o Manual de Re- ( ) CERTO ( ) ERRADO
dação da Presidência da República.
O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to- Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-
das as autoridades do poder público, uma vez que a dig- cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente
nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de dois fechos diferentes para todas as modalidades de
cargos públicos. comunicação oficial:

92
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente 1.1.1. Casos Particulares
da República: Respeitosamente,
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar- A) Quando o sujeito é formado por uma expressão
quia inferior: Atenciosamente, partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de,
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi- metade de, a maioria de, a maior parte de, grande
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e parte de...) seguida de um substantivo ou pronome
tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma- no plural, o verbo pode ficar no singular ou no
nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores. plural.
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia.
5. (ANTAQ – ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE Metade dos candidatos não apresentou / apresenta-
SERVIÇOS DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS – CES- ram proposta.
PE – 2014) Considerando aspectos estruturais e linguís-
ticos das correspondências oficiais, julgue os itens que se Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos
seguem, de acordo com o Manual de Redação da Presi- dos coletivos, quando especificados: Um bando de vân-
dência da República. dalos destruiu / destruíram o monumento.
O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to- Observação:
das as autoridades do poder público, uma vez que a dig- Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a
nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque
cargos públicos. aos elementos que formam esse conjunto.

( ) CERTO ( ) ERRADO B) Quando o sujeito é formado por expressão que


Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda indica quantidade aproximada (cerca de, mais de,
preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica menos de, perto de...) seguida de numeral e subs-
abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial tantivo, o verbo concorda com o substantivo.
para que tais cargos públicos sejam ocupados. Cerca de mil pessoas participaram do concurso.
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi- Perto de quinhentos alunos compareceram à solenida-
cial_publicacoes_ver.php?id=2 de.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últi-
mas Olimpíadas.

REGRA PADRÃO DE CONCORDÂNCIA NO- Observação:


MINAL E VERBAL. Quando a expressão “mais de um” se associar a ver-
bos que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório:
Mais de um colega se ofenderam na discussão. (ofende-
Concordância Verbal e Nominal ram um ao outro)

Os concurseiros estão apreensivos. C) Quando se trata de nomes que só existem no


Concurseiros apreensivos. plural, a concordância deve ser feita levando-se
em conta a ausência ou presença de artigo. Sem
No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na artigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo
terceira pessoa do plural, concordando com o seu su- no plural, o verbo deve ficar o plural.
jeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo Os Estados Unidos possuem grandes universidades.
“apreensivos” está concordando em gênero (masculino) Estados Unidos possui grandes universidades.
e número (plural) com o substantivo a que se refere: con- Alagoas impressiona pela beleza das praias.
curseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa, As Minas Gerais são inesquecíveis.
número e gênero se correspondem. A correspondência Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira.
de flexão entre dois termos é a concordância, que pode
ser verbal ou nominal. D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou
1. Concordância Verbal indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos,
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou
É a flexão que se faz para que o verbo concorde com “de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro
seu sujeito. pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o
pronome pessoal.
1.1. Sujeito Simples - Regra Geral Quais de nós são / somos capazes?
LÍNGUA PORTUGUESA

O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso?
em número e pessoa. Veja os exemplos: Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino-
vadoras.
A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h.
3.ª p. Singular 3.ª p. Singular Observação:
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a
Os candidatos à vaga chegarão às 12h. inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz
3.ª p. Plural 3.ª p. Plural ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fize-

93
mos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso Vossas Excelências renunciarão?
não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de
tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia. I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido esti- de acordo com o numeral.
ver no singular, o verbo ficará no singular. Deu uma hora no relógio da sala.
Qual de nós é capaz? Deram cinco horas no relógio da sala.
Algum de vós fez isso. Soam dezenove horas no relógio da praça.
Baterão doze horas daqui a pouco.
E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
que indica porcentagem seguida de substantivo, o Observação:
verbo deve concordar com o substantivo. Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino,
25% do orçamento do país será destinado à Educação. torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito.
85% dos entrevistados não aprovam a administração O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas.
do prefeito. Soa quinze horas o relógio da matriz.
1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova. J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum
 Quando a expressão que indica porcentagem não sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do sin-
é seguida de substantivo, o verbo deve concordar gular. São verbos impessoais: Haver no sentido de
com o número. existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que indi-
25% querem a mudança. cam fenômenos da natureza. Exemplos:
1% conhece o assunto. Havia muitas garotas na festa.
Faz dois meses que não vejo meu pai.
 Se o número percentual estiver determinado por Chovia ontem à tarde.
artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-
-á com eles: 1.2. Sujeito Composto
Os 30% da produção de soja serão exportados.
Esses 2% da prova serão questionados. A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao ver-
bo, a concordância se faz no plural:
F) O pronome “que” não interfere na concordância; Pai e filho conversavam longamente.
já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa Sujeito
do singular.
Fui eu que paguei a conta. Pais e filhos devem conversar com frequência.
Fomos nós que pintamos o muro. Sujeito
És tu que me fazes ver o sentido da vida.
Sou eu quem faz a prova. B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas
Não serão eles quem será aprovado. gramaticais diferentes, a concordância ocorre da seguin-
te maneira: a primeira pessoa do plural (nós) prevalece
G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve as- sobre a segunda pessoa (vós) que, por sua vez, prevalece
sumir a forma plural. sobre a terceira (eles). Veja:
Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan- Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.
taram os poetas. Primeira Pessoa do Plural (Nós)
Este candidato é um dos que mais estudaram!
Tu e teus irmãos tomareis a decisão.
 Se a expressão for de sentido contrário – nenhum Segunda Pessoa do Plural (Vós)
dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
singular: Pais e filhos precisam respeitar-se.
Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga. Terceira Pessoa do Plural (Eles)
Nem uma das que me escreveram mora aqui.
Observação:
 Quando “um dos que” vem entremeada de subs- Quando o sujeito é composto, formado por um ele-
tantivo, o verbo pode: mento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é
possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural
1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atraves- (eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar
sa o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio de “tomaríeis”.
que faça o mesmo).
LÍNGUA PORTUGUESA

C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,


2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po- passa a existir uma nova possibilidade de concordância:
luídos (noção de que existem outros rios na mesma em vez de concordar no plural com a totalidade do sujei-
condição). to, o verbo pode estabelecer concordância com o núcleo
do sujeito mais próximo.
H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o Faltaram coragem e competência.
verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural. Faltou coragem e competência.
Vossa Excelência está cansado? Compareceram todos os candidatos e o banca.

94
Compareceu o banca e todos os candidatos. sões “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos
adverbiais de companhia. Na verdade, é como se hou-
D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concor- vesse uma inversão da ordem. Veja:
dância é feita no plural. Observe:
Abraçaram-se vencedor e vencido. “O pai montou o brinquedo com o filho.”
Ofenderam-se o jogador e o árbitro. “O governador traçou os planos para o próximo semes-
tre com o secretariado.”
1.2.1. Casos Particulares “O professor questionou as regras com o aluno.”

 Quando o sujeito composto é formado por Casos em que se usa o verbo no singular:
núcleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no Café com leite é uma delícia!
singular. O frango com quiabo foi receita da vovó.
Descaso e desprezo marca seu comportamento.
Quando os núcleos do sujeito são unidos por ex-
A coragem e o destemor fez dele um herói.
pressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não
somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”,
 Quando o sujeito composto é formado por nú-
o verbo ficará no plural.
cleos dispostos em gradação, verbo no singular:
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o
Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um se- Nordeste.
gundo me satisfaz. Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a
 Quando os núcleos do sujeito composto são notícia.
unidos por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural, Quando os elementos de um sujeito composto são
de acordo com o valor semântico das conjunções: resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância
Drummond ou Bandeira representam a essência da é feita com esse termo resumidor.
poesia brasileira. Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apa-
Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta. tia.
Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante
“adição”. Já em: na vida das pessoas.
Juca ou Pedro será contratado.
Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olim- 1.2.2 Outros Casos
píada.
O Verbo e a Palavra “SE”
Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há
no singular. duas de particular interesse para a concordância verbal:

 Com as expressões “um ou outro” e “nem um A) quando é índice de indeterminação do sujeito;


nem outro”, a concordância costuma ser feita no singular. B) quando é partícula apassivadora.
Um ou outro compareceu à festa.
Nem um nem outro saiu do colégio. Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se”
acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos
 Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na
ou no singular: Um e outro farão/fará a prova. terceira pessoa do singular:
Precisa-se de funcionários.
Confia-se em teses absurdas.
 Quando os núcleos do sujeito são unidos por
“com”, o verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos re-
Quando pronome apassivador, o “se” acompanha ver-
cebem um mesmo grau de importância e a palavra “com”
bos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e indi-
tem sentido muito próximo ao de “e”. retos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse
O pai com o filho montaram o brinquedo. caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração.
O governador com o secretariado traçaram os planos Exemplos:
para o próximo semestre. Construiu-se um posto de saúde.
O professor com o aluno questionaram as regras. Construíram-se novos postos de saúde.
Aqui não se cometem equívocos
Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se Alugam-se casas.
a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
LÍNGUA PORTUGUESA

O pai com o filho montou o brinquedo.


O governador com o secretariado traçou os planos
para o próximo semestre.
O professor com o aluno questionou as regras.

Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito


composto. O sujeito é simples, uma vez que as expres-

95
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso.
#FicaDica Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido.
Duas semanas de férias é muito para mim.
Para saber se o “se” é partícula apassivadora
ou índice de indeterminação do sujeito, tente
 Quando um dos elementos (sujeito ou predica-
transformar a frase para a voz passiva. Se a fra-
tivo) for pronome pessoal do caso reto, com este
se construída for “compreensível”, estaremos
concordará o verbo.
diante de uma partícula apassivadora; se não,
No meu setor, eu sou a única mulher.
o “se” será índice de indeterminação. Veja:
Aqui os adultos somos nós.
Precisa-se de funcionários qualificados.
Tentemos a voz passiva:
Observação:
Funcionários qualificados são precisados (ou
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre-
precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se” des-
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com
tacado é índice de indeterminação do sujeito.
o pronome sujeito.
Agora:
Eu não sou ela.
Vendem-se casas.
Ela não é eu.
Voz passiva: Casas são vendidas. Construção
correta! Então, aqui, o “se” é partícula apassi-
 Quando o sujeito for uma expressão de sentido
vadora. (Dá para eu passar para a voz passiva. partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plu-
Repare em meu destaque. Percebeu semelhan- ral, o verbo SER concordará com o predicativo.
ça? Agora é só memorizar!) A grande maioria no protesto eram jovens.
O resto foram atitudes imaturas.

O Verbo “Ser” O Verbo “Parecer”


O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução
A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o verbal (é seguido de infinitivo), admite duas concordân-
sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân- cias:
cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo  Ocorre variação do verbo PARECER e não se fle-
do sujeito. xiona o infinitivo: As crianças parecem gostar do
desenho.
Quando o sujeito ou o predicativo for:  A variação do verbo parecer não ocorre e o infini-
tivo sofre flexão:
A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo As crianças parece gostarem do desenho.
SER concorda com a pessoa gramatical: (essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho
Ele é forte, mas não é dois. aas crianças)
Fernando Pessoa era vários poetas.
A esperança dos pais são eles, os filhos. FIQUE ATENTO!
Com orações desenvolvidas, o verbo PARE-
B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro
CER fica no singular. Por exemplo: As pare-
no plural, o verbo SER concordará, preferencial-
des parece que têm ouvidos. (Parece que as
mente, com o que estiver no plural:
paredes têm ouvidos = oração subordinada
Os livros são minha paixão!
substantiva subjetiva).
Minha paixão são os livros!

Quando o verbo SER indicar


Concordância Nominal
 horas e distâncias, concordará com a expressão
numérica: A concordância nominal se baseia na relação entre
É uma hora. nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se
São quatro horas. ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes
Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilô- adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se:
metros. normalmente, o substantivo funciona como núcleo de
um termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adno-
 datas, concordará com a palavra dia(s), que pode minal.
estar expressa ou subentendida: A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as
LÍNGUA PORTUGUESA

seguintes regras gerais:


Hoje é dia 26 de agosto. A) O adjetivo concorda em gênero e número quando
Hoje são 26 de agosto. se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas
denunciavam o que sentia.
 Quando o sujeito indicar peso, medida, quantida-
de e for seguido de palavras ou expressões como B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos,
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER a concordância pode variar. Podemos sistematizar
fica no singular: essa flexão nos seguintes casos:

96
 Adjetivo anteposto aos substantivos:
O adjetivo concorda em gênero e número com o #FicaDica
substantivo mais próximo.
Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”.
Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
Se a frase ficar coerente com o primeiro,
Encontramos caída a roupa e os prendedores.
trata-se de advérbio, portanto, invariável; se
Encontramos caído o prendedor e a roupa.
houver coerência com o segundo, função de
adjetivo, então varia:
Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo
parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
Ele está só descansando. (apenas descansan-
As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
do) - advérbio
Encontrei os divertidos primos e primas na festa. Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula
depois de “só”, haverá, novamente, um ad-
 Adjetivo posposto aos substantivos: jetivo:
O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo Ele está só, descansando. (ele está sozinho e
ou com todos eles (assumindo a forma masculina descansando)
plural se houver substantivo feminino e masculi-
no).
A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
A indústria oferece atendimento e localização perfeita. G) Quando um único substantivo é modificado por
A indústria oferece localização e atendimento perfei- dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usa-
tos. das as construções:
A indústria oferece atendimento e localização perfei-  O substantivo permanece no singular e coloca-se
tos. o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura
espanhola e a portuguesa.
Observação:  O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo
Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza, antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos portuguesa.
dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado
no plural masculino, que é o gênero predominante quan- 1. Casos Particulares
do há substantivos de gêneros diferentes.
Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad- É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per-
jetivo fica no singular ou plural. mitido
A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s).  Estas expressões, formadas por um verbo mais um
adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se
C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo: referem possuir sentido genérico (não vier prece-
O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti- dido de artigo).
vo não for acompanhado de nenhum modificador: É proibido entrada de crianças.
Água é bom para saúde. Em certos momentos, é necessário atenção.
O adjetivo concorda com o substantivo, se este for No verão, melancia é bom.
modificado por um artigo ou qualquer outro determina- É preciso cidadania.
tivo: Esta água é boa para saúde. Não é permitido saída pelas portas laterais.

D) O adjetivo concorda em gênero e número com os  Quando o sujeito destas expressões estiver deter-
pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon- minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto
trou-as muito felizes. o verbo como o adjetivo concordam com ele.
E) Nas expressões formadas por pronome indefinido É proibida a entrada de crianças.
neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição Esta salada é ótima.
DE + adjetivo, este último geralmente é usado no A educação é necessária.
masculino singular: Os jovens tinham algo de mis- São precisas várias medidas na educação.
terioso.
F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso -
função adjetiva e concorda normalmente com o Quite
nome a que se refere:
LÍNGUA PORTUGUESA

Cristina saiu só. Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú-


Cristina e Débora saíram sós. mero com o substantivo ou pronome a que se referem.
Seguem anexas as documentações requeridas.
Observação: A menina agradeceu: - Muito obrigada.
Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape- Muito obrigadas, disseram as senhoras.
nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável: Seguem inclusos os papéis solicitados.
Eles só desejam ganhar presentes. Estamos quites com nossos credores.

97
Bastante - Caro - Barato - Longe concordar em gênero e número com a pessoa — e não
com o pronome — a que se refere.
Estas palavras são invariáveis quando funcionam
como advérbios. Concordam com o nome a que se refe- ( ) CERTO ( ) ERRADO
rem quando funcionam como adjetivos, pronomes adje- Resposta: Certo. Afirmações corretas. As concordân-
tivos, ou numerais. cias verbal e nominal ao se utilizar pronome de trata-
As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio) mento devem ser na terceira pessoa e concordar em
Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho. gênero (masculino ou feminino) com a pessoa a quem
(pronome adjetivo) se dirige: “Vossa Excelência está cansada(o)?” – con-
Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio) cordará com quem está se falando: uma mulher ou um
As casas estão caras. (adjetivo) homem / “Vossa Santidade trouxe seus pertences?” /
Achei barato este casaco. (advérbio) “Vossas Senhorias gostariam de um café?”.
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
2. (PREFEITURA DE SÃO LUÍS-MA – CONHECIMEN-
Meio - Meia TOS BÁSICOS CARGOS DE TÉCNICO MUNICIPAL –
NÍVEL MÉDIO – CESPE – 2017)
A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi Texto CB3A2BBB
meia porção de polentas.
Quando empregada como advérbio permanece inva- O reconhecimento e a proteção dos direitos humanos
riável: A candidata está meio nervosa. estão na base das Constituições democráticas modernas.
A paz, por sua vez, é o pressuposto necessário para o re-
conhecimento e a efetiva proteção dos direitos humanos
#FicaDica em cada Estado e no sistema internacional. Ao mesmo
tempo, o processo de democratização do sistema in-
Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
ternacional, que é o caminho obrigatório para a busca
saberei que se trata de um advérbio, não de
do ideal da paz perpétua, não pode avançar sem uma
adjetivo: “A candidata está um pouco nervo-
gradativa ampliação do reconhecimento e da proteção
sa”.
dos direitos humanos, acima de cada Estado. Direitos
humanos, democracia e paz são três elementos funda-
Alerta - Menos mentais do mesmo movimento histórico: sem direitos
humanos reconhecidos e protegidos, não há democra-
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem cia; sem democracia, não existem as condições mínimas
sempre invariáveis. para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras,
Os concurseiros estão sempre alerta. a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se
Não queira menos matéria! tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns
direitos fundamentais; haverá paz estável, uma paz que
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS não tenha a guerra como alternativa, somente quando
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- existirem cidadãos não mais apenas deste ou daquele
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Estado, mas do mundo.
Paulo: Saraiva, 2010. Norberto Bobbio. A era dos direitos. Trad. Carlos Nelson Coutinho.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 1 (com adaptações).
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Preservando-se a correção gramatical do texto CB3A-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. 2BBB, os termos “não há” e “não existem” poderiam ser
substituídos, respectivamente, por
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49. a) não existe e não têm.
php b) não existe e inexiste.
c) inexiste e não há.
d) inexiste e não acontece.
e) não tem e não têm.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Resposta: Letra C.
1. (POLÍCIA FEDERAL – ESCRIVÃO DE POLÍCIA FE- Busquemos o contexto:
LÍNGUA PORTUGUESA

DERAL – CESPE – 2013) Formas de tratamento como - sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, não
Vossa Excelência e Vossa Senhoria, ainda que sejam em- há democracia = poderíamos substituir por “não exis-
pregadas sempre na segunda pessoa do plural e no femi- te”, inexiste (verbo “haver” empregado com o sentido
nino, exigem flexão verbal de terceira pessoa; além disso, de “existir”)
o pronome possessivo que faz referência ao pronome - sem democracia, não existem as condições mínimas
de tratamento também deve ser o de terceira pessoa, e para a solução pacífica dos conflitos = sentido de “exis-
o adjetivo que remete ao pronome de tratamento deve tir”. Poderíamos substituir por inexiste, mas no plural,

98
já que devemos concordar com “as condições míni- 1. Regência Verbal = Termo Regente: VERBO
mas”. A única “troca” adequada seria o verbo “haver”
– que pode ser utilizado com o sentido de “existir”. A regência verbal estuda a relação que se estabele-
Teríamos: sem direitos humanos reconhecidos e prote- ce entre os verbos e os termos que os complementam
gidos, inexiste democracia; sem democracia, não há (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (ad-
as condições mínimas para a solução pacífica dos con- juntos adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma
flitos. regência, o que corresponde à diversidade de significa-
dos que estes verbos podem adquirir dependendo do
3. (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚS- contexto em que forem empregados.
TRIA E COMÉRCIO EXTERIOR – ANALISTA TÉCNICO A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar,
ADMINISTRATIVO – CESPE – 2014) Em “Vossa Exce- contentar.
lência deve estar satisfeita com os resultados das nego- A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar
ciações”, o adjetivo estará corretamente empregado se agrado ou prazer”, satisfazer.
dirigido a ministro de Estado do sexo masculino, pois o Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
termo “satisfeita” deve concordar com a locução prono- “agradar a alguém”.
minal de tratamento “Vossa Excelência”.
O conhecimento do uso adequado das preposições
( ) CERTO ( ) ERRADO é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência
verbal (e também nominal). As preposições são capazes
Resposta: Errado. Se a pessoa, no caso o ministro, for de modificar completamente o sentido daquilo que está
do sexo feminino (ministra), o adjetivo está correto; sendo dito.
mas, se for do sexo masculino, o adjetivo sofrerá fle- Cheguei ao metrô.
xão de gênero: satisfeito. O pronome de tratamento Cheguei no metrô.
é apenas a maneira como tratar a autoridade, não re- No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no
gendo as demais concordâncias. segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado.

4. (ABIN – AGENTE TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA – A voluntária distribuía leite às crianças.


A voluntária distribuía leite com as crianças.
CESPE – 2010 – ADAPTADA) (...) Da combinação entre
Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi emprega-
velocidade, persistência, relevância, precisão e flexibilida-
do como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto
de surge a noção contemporânea de agilidade, transfor-
(objeto indireto: às crianças); na segunda, como transiti-
mada em principal característica de nosso tempo.
vo direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjun-
A forma verbal “surge” poderia, sem prejuízo gramati-
to adverbial).
cal para o texto, ser flexionada no plural, para concordar
Para estudar a regência verbal, agruparemos os ver-
com “velocidade, persistência, relevância, precisão e fle-
bos de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é
xibilidade” um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de dife-
rentes formas em frases distintas.
( ) CERTO ( ) ERRADO
A) Verbos Intransitivos
Resposta: Errado. O verbo está concordando com o Os verbos intransitivos não possuem complemento.
termo “combinação”, por isso deve ficar no singular. É importante, no entanto, destacar alguns detalhes re-
lativos aos adjuntos adverbiais que costumam acompa-
5. (TRIBUNAL DE CONTAS DO DISTRITO FEDERAL- nhá-los.
-DF – CONHECIMENTOS BÁSICOS – ANALISTA DE Chegar, Ir
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – ARQUIVOLOGIA – Normalmente vêm acompanhados de adjuntos ad-
CESPE – 2014 – ADAPTADA) (...) Há décadas, países verbiais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas
como China e Índia têm enviado estudantes para países para indicar destino ou direção são: a, para.
centrais, com resultados muito positivos.(...)
A forma verbal “Há” poderia ser corretamente substituída Fui ao teatro.
por Fazem. Adjunto Adverbial de Lugar

( ) CERTO ( ) ERRADO Ricardo foi para a Espanha.


Adjunto Adverbial de Lugar
Resposta: Errado. O verbo “fazer”, quando empre-
gado no sentido de tempo passado, não sofre flexão. Comparecer
LÍNGUA PORTUGUESA

Portanto, sua forma correta seria: “faz décadas” O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido
por em ou a.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL último jogo.

Dá-se o nome de regência à relação de subordinação B) Verbos Transitivos Diretos


que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um nome Os verbos transitivos diretos são complementados
(regência nominal) e seus complementos. por objetos diretos. Isso significa que não exigem prepo-

99
sição para o estabelecimento da relação de regência. Ao Observação:
empregar esses verbos, lembre-se de que os pronomes O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan-
oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
pronomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após analítica:
formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, O questionário foi respondido corretamente.
nas (após formas verbais terminadas em sons nasais), Todas as perguntas foram respondidas satisfatoria-
enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais, mente.
objetos indiretos.
Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus comple-
São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban- mentos introduzidos pela preposição “com”.
donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, Antipatizo com aquela apresentadora.
admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, au- Simpatizo com os que condenam os políticos que go-
xiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar, vernam para uma minoria privilegiada.
defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, pre-
judicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
visitar.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente Os verbos transitivos diretos e indiretos são acom-
como o verbo amar: panhados de um objeto direto e um indireto. Merecem
Amo aquele rapaz. / Amo-o. destaque, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São
Amo aquela moça. / Amo-a. verbos que apresentam objeto direto relacionado a coi-
Amam aquele rapaz. / Amam-no. sas e objeto indireto relacionado a pessoas.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la. Agradeço aos ouvintes a audiência.
Objeto Indireto Objeto Direto
Observação:
Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos Paguei o débito ao cobrador.
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos Objeto Direto Objeto Indireto
adnominais):
O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
com particular cuidado:
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua car-
Agradeci o presente. / Agradeci-o.
reira)
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau hu-
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
mor)
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
C) Verbos Transitivos Indiretos Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
Os verbos transitivos indiretos são complementados
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi- Informar
gem uma preposição para o estabelecimento da relação Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos Informe os novos preços aos clientes.
são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se uti- Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os no-
lizam os pronomes o, os, a, as como complementos de vos preços)
verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que Na utilização de pronomes como complementos, veja
não representam pessoas, usam-se pronomes oblíquos as construções:
tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos prono- Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos pre-
mes átonos lhe, lhes. ços.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes: sobre eles)
Consistir - Tem complemento introduzido pela pre-
posição “em”: A modernidade verdadeira consiste em di- Observação:
reitos iguais para todos. A mesma regência do verbo informar é usada para os
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.
Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-
mentos introduzidos pela preposição “a”: Comparar
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais. Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite
Eles desobedeceram às leis do trânsito.
LÍNGUA PORTUGUESA

as preposições “a” ou “com” para introduzir o comple-


mento indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com
Responder - Tem complemento introduzido pela o) de uma criança.
preposição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para in-
dicar “a quem” ou “ao que” se responde. Pedir
Respondi ao meu patrão. Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente
Respondemos às perguntas. na forma de oração subordinada substantiva) e indireto
Respondeu-lhe à altura. de pessoa.

100
Pedi-lhe favores. utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.
Objeto Indireto Objeto Direto Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
Aspiravam a ela)
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio.
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs- Assistir
tantiva Objetiva Direta Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
tar assistência a, auxiliar.
A construção “pedir para”, muito comum na lingua- As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na lín- As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
gua culta. No entanto, é considerada correta quando a
palavra licença estiver subentendida. Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em ciar, estar presente, caber, pertencer.
casa. Assistimos ao documentário.
Não assisti às últimas sessões.
Observe que, nesse caso, a preposição “para” intro- Essa lei assiste ao inquilino.
duz uma oração subordinada adverbial final reduzida de
infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é in-
Preferir transitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
indireto introduzido pela preposição “a”: conturbada cidade.
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Prefiro trem a ônibus. Chamar
Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-
licitar a atenção ou a presença de.
Observação:
Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá cha-
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem
má-la.
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil ve-
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
zes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo
Chamar no sentido de denominar, apelidar pode
prefixo existente no próprio verbo (pre).
apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere pre-
dicativo preposicionado ou não.
Mudança de Transitividade - Mudança de Signifi- A torcida chamou o jogador mercenário.
cado A torcida chamou ao jogador mercenário.
Há verbos que, de acordo com a mudança de transi- A torcida chamou o jogador de mercenário.
tividade, apresentam mudança de significado. O conhe- A torcida chamou ao jogador de mercenário.
cimento das diferentes regências desses verbos é um re- Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:
curso linguístico muito importante, pois além de permitir Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.
a correta interpretação de passagens escritas, oferece
possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Den- Custar
tre os principais, estão: Custar é intransitivo no sentido de ter determinado
valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adver-
Agradar bial: Frutas e verduras não deveriam custar muito.
Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari-
nhos, acariciar, fazer as vontades de. No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransiti-
Sempre agrada o filho quando. vo ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração
Aquele comerciante agrada os clientes. reduzida de infinitivo.

Agradar é transitivo indireto no sentido de causar Muito custa viver tão longe da família.
agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento Verbo Intransitivo Oração Subordinada
introduzido pela preposição “a”. Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
O cantor não agradou aos presentes.
O cantor não lhes agradou. Custou-me (a mim) crer nisso.
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs-
O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indire- tantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
to: O cantor desagradou à plateia.
A Gramática Normativa condena as construções que
LÍNGUA PORTUGUESA

Aspirar atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por


Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, ins- pessoa: Custei para entender o problema.
pirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o) = Forma correta: Custou-me entender o problema.
Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (As- Implicar
pirávamos a ele) Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes- A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes
soa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são implicavam um firme propósito.

101
B) ter como consequência, trazer como consequência, acarretar, provocar: Uma ação implica reação.

Como transitivo direto e indireto, significa comprometer, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões econô-
micas.
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com quem
não trabalhasse arduamente.

Namorar
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois anos.

Obedecer - Desobedecer
Sempre transitivo indireto:
Todos obedeceram às regras.
Ninguém desobedece às leis.

Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem “lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.

Proceder
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa segun-
da acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia como refutá-las.
Você procede muito mal.

Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição “de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido pela
preposição “a”) é transitivo indireto.
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.

Querer
Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade de, cobiçar.
Querem melhor atendimento.
Queremos um país melhor.

Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.

Visar
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
O gerente não quis visar o cheque.

No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.

Esquecer – Lembrar
Lembrar algo – esquecer algo
Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto,
transitivos indiretos:
Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
LÍNGUA PORTUGUESA

Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alte-
ração de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos
tanto brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Não lhe lembram os bons momentos da infância? (= momentos é sujeito)

102
Simpatizar - Antipatizar
São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Não simpatizei com os jurados.
Simpatizei com os alunos.

A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Cláudia desceu ao segundo andar.
Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

2 Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de
um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os
nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será com-
pletiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
LÍNGUA PORTUGUESA

Contíguo a Impróprio para Semelhante a


Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

103
Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; pa-
ralelamente a; relativa a; relativamente a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

EXERCÍCIO COMENTADO

1. (POLÍCIA FEDERAL – AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL – CESPE – 2014 – ADAPTADA)


O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das
estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e culturais de todos os Estados e sociedades. Suas consequências
infligem considerável prejuízo às nações do mundo inteiro, e não são detidas por fronteiras: avançam por todos os
cantos da sociedade e por todos os espaços geográficos, afetando homens e mulheres de diferentes grupos étnicos,
independentemente de classe social e econômica ou mesmo de idade. Questão de relevância na discussão dos efeitos
adversos do uso indevido de drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos — geralmente
de caráter transnacional — com a criminalidade e a violência. Esses fatores ameaçam a soberania nacional e afetam a
estrutura social e econômica interna, devendo o governo adotar uma postura firme de combate ao tráfico de drogas,
articulando-se internamente e com a sociedade, de forma a aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos de prevenção e
repressão e garantir o envolvimento e a aprovação dos cidadãos.
Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>.

Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em “com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência do
vocábulo “conexos”.

( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Errado. Ao texto: (...) Questão de relevância na discussão dos efeitos adversos do uso indevido de drogas é
a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos — geralmente de caráter transnacional — com a crimi-
nalidade e a violência.
O termo está se referindo à associação – associação do tráfico de drogas e crimes conexos (1) com a criminalidade
(2) (associação daquilo [1] com isso [2])

SINTAXE: ELEMENTOS ESTRUTURAIS DAS PALAVRAS; FORMAÇÃO DAS PALAVRAS; FRASE-O-


RAÇÃO-PERÍODO; SUJEITO: CLASSIFICAÇÃO; PREDICADO: VERBAL, NOMINAL E VERBO-NO-
MINAL; COMPLEMENTOS VERBAIS, OBJETO DIRETO, OBJETO INDIRETO; ADJUNTOS ADNOMI-
NAIS E ADVERBIAIS; AGENTE DA PASSIVA; VOCATIVO E APOSTO; PERÍODO COMPOSTO POR
COORDENAÇÃO; PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO; COLOCAÇÃO PRONOMINAL,
PRONOMES ÁTONOS; FIGURAS DE SINTAXE; TERMOS DE ORAÇÃO/ PERÍODO COMPOSTO/
CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES.
LÍNGUA PORTUGUESA

Frase, oração e período

1. Sintaxe da Oração e do Período

Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para estabelecer comunicação. Normalmente é composta por dois
termos – o sujeito e o predicado – mas não obrigatoriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trovejou muito
ontem à noite.

104
Quanto aos tipos de frases, além da classificação em Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida-
verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nomi- to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno-
nais (sem a presença de verbos), feita a partir de seus minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo,
elementos constituintes, elas podem ser classificadas a estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo
partir de seu sentido global: no singular: candidato = está).
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem A função do sujeito é basicamente desempenhada
formula uma pergunta: Que dia é hoje? por substantivos, o que a torna uma função substantiva
B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quais-
faz um pedido: Dê-me uma luz! quer outras palavras substantivadas (derivação impró-
C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um es- pria) também podem exercer a função de sujeito.
tado afetivo: Que dia abençoado! Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs-
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A tantivo)
prova será amanhã. Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem-
plo: substantivo)
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo
Os sujeitos são classificados a partir de dois elemen-
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais:
tos: o de determinação ou indeterminação e o de núcleo
sujeito e predicado.
do sujeito.
O sujeito é o termo da frase que concorda com o ver-
Um sujeito é determinado quando é facilmente
bo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara
identificado pela concordância verbal. O sujeito determi-
algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é a nado pode ser simples ou composto.
parte da frase que contém “a informação nova para o ou- A indeterminação do sujeito ocorre quando não é
vinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema, possível identificar claramente a que se refere a concor-
constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito. dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que interessa indicar precisamente o sujeito de uma oração.
indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo Estão gritando seu nome lá fora.
significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo Trabalha-se demais neste lugar.
estiver em um nome (geralmente um adjetivo), teremos O sujeito simples é o sujeito determinado que apre-
um predicado nominal (os verbos deste tipo de predica- senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no
do são os que indicam estado, conhecidos como verbos plural; pode também ser um pronome indefinido. Abai-
de ligação): xo, sublinhei os núcleos dos sujeitos:
O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação Nós estudaremos juntos.
(predicado verbal) A humanidade é frágil.
A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o nú- Ninguém se move.
cleo é “fácil” (predicado nominal) O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída derivação imprópria, tranformando-o em substantivo)
por uma ou mais orações, formando um todo, com sen- As crianças precisam de alimentos saudáveis.
tido completo. O período pode ser simples ou composto.
O sujeito composto é o sujeito determinado que
Período simples é aquele constituído por apenas apresenta mais de um núcleo.
uma oração, que recebe o nome de oração absoluta. Alimentos e roupas custam caro.
Chove. Ela e eu sabemos o conteúdo.
A existência é frágil. O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso. Além desses dois sujeitos determinados, é comum a
referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o
Período composto é aquele constituído por duas ou “antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo
mais orações: do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido
Cantei, dancei e depois dormi. pela desinência verbal ou pelo contexto.
Quero que você estude mais. Abolimos todas as regras. = (nós)
Falaste o recado à sala? = (tu)
1.1. Termos da Oração Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri-
meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na se-
1.1.1 Termos essenciais gunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os
pronomes não estejam explícitos.
O sujeito e o predicado são considerados termos es- Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implíci-
LÍNGUA PORTUGUESA

senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis to na desinência verbal “-mos”


para a formação das orações. No entanto, existem ora- Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na de-
ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que de- sinência verbal “-ais”
fine a oração é a presença do verbo. O sujeito é o termo
que estabelece concordância com o verbo. Mas:
O candidato está preparado. Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
Os candidatos estão preparados. Vós cantais bem! = sujeito simples: vós

105
O sujeito indeterminado surge quando não se quer - Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração Sujeito = uma ideia estranha
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso Predicado = passou-me pelo pensamento
contrário, teríamos uma oração sem sujeito.
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermi- Para o estudo do predicado, é necessário verificar
nado de duas maneiras: se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado
nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se con-
A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que siderar também se as palavras que formam o predicado
o sujeito não tenha sido identificado anteriormen- referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da
te: oração.
Bateram à porta; Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi- de opinião.
nistro. Predicado

Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples O predicado acima apresenta apenas uma palavra
ou composto: que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se
Os meninos bateram à porta. (simples) ligam direta ou indiretamente ao verbo.
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto) A cidade está deserta.
O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-
B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres- -se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como
cido do pronome “se”. Esta é uma construção típi- elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o
ca dos verbos que não apresentam complemento sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta =
direto: predicativo do sujeito).
Precisa-se de mentes criativas.
Vivia-se bem naqueles tempos. O predicado verbal é aquele que tem como núcleo
Trata-se de casos delicados. significativo um verbo:
Sempre se está sujeito a erros. Chove muito nesta época do ano.
Estudei muito hoje!
O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice
Compraste a apostila?
de indeterminação do sujeito.
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem
As orações sem sujeito, formadas apenas pelo pre-
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam
dicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A
processos.
mensagem está centrada no processo verbal. Os princi-
pais casos de orações sem sujeito com:
 os verbos que indicam fenômenos da natureza: O predicado nominal é aquele que tem como nú-
Amanheceu. cleo significativo um nome; este atribui uma qualidade
Está trovejando. ou estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo
do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a ou-
 os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam tro nome da oração por meio de um verbo (o verbo de
fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao ligação).
tempo em geral: Nos predicados nominais, o verbo não é significativo,
Está tarde. isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre-
Já são dez horas. dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado
Faz frio nesta época do ano. do sujeito: Os dados parecem corretos.
Há muitos concursos com inscrições abertas. O verbo parecer poderia ser substituído por estar,
andar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como
Predicado é o conjunto de enunciados que contém a elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele
informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas relacionadas.
orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia A função de predicativo é exercida, normalmente, por
um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado um adjetivo ou substantivo.
é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com ex-
ceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que O predicado verbo-nominal é aquele que apresen-
difere do sujeito numa oração é o seu predicado. ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No
Chove muito nesta época do ano. predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir
ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto).
LÍNGUA PORTUGUESA

Houve problemas na reunião.

Em ambas as orações não há sujeito, apenas predi- O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig-
cado. Na segunda oração, “problemas” funciona como nificativo, indicando processos. É também sempre por
objeto direto. intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com
As questões estavam fáceis! o termo a que se refere.
Sujeito simples = as questões O dia amanheceu ensolarado;
Predicado = estavam fáceis As mulheres julgam os homens inconstantes.

106
No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a pala-
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de vra “necessária”
ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois: Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
um verbal e outro nominal.
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado. 1.3 Termos acessórios da oração e vocativo

No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona Os termos acessórios recebem este nome por serem
o complemento homens com o predicativo “inconstan- explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad-
tes”. junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o voca-
tivo – este, sem relação sintática com outros temos da
1.2 Termos integrantes da oração oração.

Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
complemento nominal são chamados termos integrantes ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
da oração. sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
Os complementos verbais integram o sentido dos exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei
verbos transitivos, com eles formando unidades signifi- a pé àquela velha praça.
cativas. Estes verbos podem se relacionar com seus com-
plementos diretamente, sem a presença de preposição, O adjunto adnominal é o termo acessório que de-
ou indiretamente, por intermédio de preposição. termina, especifica ou explica um substantivo. É uma fun-
O objeto direto é o complemento que se liga direta- ção adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas
mente ao verbo. que exercem o papel de adjunto adnominal na oração.
Houve muita confusão na partida final. Também atuam como adjuntos adnominais os artigos, os
Queremos sua ajuda. numerais e os pronomes adjetivos.
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
O objeto direto preposicionado ocorre principal- amigo de infância.
mente:
A) com nomes próprios de pessoas ou nomes co- O adjunto adnominal se liga diretamente ao subs-
muns referentes a pessoas: tantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o
Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais. predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de um
(o objeto é direto, mas como há preposição, denomi-
verbo.
na-se: objeto direto preposicionado)
O poeta português deixou uma obra originalíssima.
O poeta deixou-a.
B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto:
de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero
adjunto adnominal)
cansar a Vossa Senhoria.
O poeta português deixou uma obra inacabada.
C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise.
O poeta deixou-a inacabada.
(sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica
a crise) (inacabada precisou ser repetida, então: predicativo
O objeto indireto é o complemento que se liga indi- do objeto)
retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
Gosto de música popular brasileira. Enquanto o complemento nominal se relaciona a um
Necessito de ajuda. substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se
relaciona apenas ao substantivo.
1.2.1 Objeto Pleonástico O aposto é um termo acessório que permite ampliar,
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um
É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos. termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, se-
Normalmente, as frases em que ocorrem objetos gunda-feira, passei o dia mal-humorado.
pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
objeto, antecipado para o início da oração; em seguida, Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tem-
ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à repe- po “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao
tição que se dá o nome de objeto pleonástico. termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: Se-
“Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçal- gunda-feira passei o dia mal-humorado.
ves Dias) O aposto pode ser classificado, de acordo com seu
LÍNGUA PORTUGUESA

valor na oração, em:


objeto pleonástico A) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma-
nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação
Ao traidor, nada lhe devemos. com o mundo.
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
O termo que integra o sentido de um nome chama-se coisas: amor, arte, ação.
complemento nominal, que se liga ao nome que com- C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e so-
pleta por intermédio de preposição: nho, tudo forma o carnaval.

107
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fi-  Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas:
xaram-se por muito tempo na baía anoitecida. suas principais conjunções são: e, nem, não só... mas tam-
bém, não só... como, assim... como.
O vocativo é um termo que serve para chamar, in- Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
vocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não Comprei o protetor solar e fui à praia.
mantendo relação sintática com outro termo da oração.
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substan-  Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
tivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs- suas principais conjunções são: mas, contudo, to-
tantivadas esse papel na linguagem. davia, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim,
João, venha comigo! senão.
Traga-me doces, minha menina! Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Li tudo, porém não entendi!
1.4 Períodos Compostos
1.4.1 Período Composto por Coordenação  Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas:
suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora;
O período composto se caracteriza por possuir mais quer...quer; seja...seja.
de uma oração em sua composição. Sendo assim: Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma
oração)  Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas:
Estou comprando um protetor solar, depois irei à suas principais conjunções são: logo, portanto, por
praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas fim, por conseguinte, consequentemente, pois (pos-
orações) posto ao verbo).
Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um Passei no concurso, portanto comemorarei!
protetor solar. (Período Composto = três verbos, três ora- A situação é delicada; devemos, pois, agir.
ções).
 Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas:
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a sa-
entre as orações de um período composto: uma relação ber, na verdade, pois (anteposto ao verbo).
de coordenação ou uma relação de subordinação. Não fui à praia, pois queria descansar durante o Do-
Duas orações são coordenadas quando estão juntas mingo.
em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos.
de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
1.4.2 Período Composto Por Subordinação
ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
Quero que você seja aprovado!
(Período Composto)
Oração principal oração subordinada
Podemos dizer:
Observe que na oração subordinada temos o verbo
1. Estou comprando um protetor solar.
“seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singu-
2. Irei à praia.
lar do presente do subjuntivo, além de ser introduzida
por conjunção. As orações subordinadas que apresentam
Separando as duas, vemos que elas são independen- verbo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo
tes. Tal período é classificado como Período Composto do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas
por Coordenação. por conjunção, chamam-se orações desenvolvidas ou
Quanto à classificação das orações coordenadas, te- explícitas.
mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
Sindéticas. Podemos modificar o período acima. Veja:
Quero ser aprovado.
A) Coordenadas Assindéticas Oração Principal Oração Subordinada
São orações coordenadas entre si e que não são li-
gadas através de nenhum conectivo. Estão apenas jus- A análise das orações continua sendo a mesma: “Que-
tapostas. ro” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração
Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci. subordinada “ser aprovado”. Observe que a oração su-
bordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além
B) Coordenadas Sindéticas disso, a conjunção “que”, conectivo que unia as duas ora-
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas ções, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo
entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção
LÍNGUA PORTUGUESA

surge numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou


coordenativa, que dará à oração uma classificação. As particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implí-
orações coordenadas sindéticas são classificadas em cin- citas (como no exemplo acima).
co tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e
explicativas. Observação:
As orações reduzidas não são introduzidas por con-
Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção! junções nem pronomes relativos. Podem ser, eventual-
mente, introduzidas por preposição.

108
A) Orações Subordinadas Substantivas Observação:
A oração subordinada substantiva tem valor de subs- Quando a oração subordinada substantiva é subjeti-
tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção in- va, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa
tegrante (que, se). do singular.

Não sei se sairemos hoje. 2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto
Oração Subordinada Substantiva do verbo da oração principal:
Todos querem sua aprovação no concurso.
Temos medo de que não sejamos aprovados. Objeto Direto
Oração Subordinada Substantiva
Todos querem que você seja aprovado. (Todos
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) tam- querem isso)
bém introduzem as orações subordinadas substantivas, Oração Principal Oração Subordinada Substanti-
bem como os advérbios interrogativos (por que, quando, va Objetiva Direta
onde, como). As orações subordinadas substantivas objetivas dire-
tas (desenvolvidas) são iniciadas por:
O garoto perguntou qual seu nome.  Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica)
Oração Subordinada Substantiva e “se”: A professora verificou se os alunos estavam
presentes.
Não sabemos quando ele virá.  Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às
Oração Subordinada Substantiva vezes regidos de preposição), nas interrogações
indiretas: O pessoal queria saber quem era o dono
1.4.3 Classificação das Orações Subordinadas do carro importado.
Substantivas  Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às
vezes regidos de preposição), nas interrogações
Conforme a função que exerce no período, a oração indiretas: Eu não sei por que ela fez isso.
subordinada substantiva pode ser:
1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do 3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do
verbo da oração principal: verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito Meu pai insiste em meu estudo.
Objeto Indireto
É fundamental que você compareça à reunião.
Oração Principal Oração Subordinada Substan- Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai
insiste nisso)
tiva Subjetiva
Oração Subordinada Substantiva
Objetiva Indireta
Observação:
FIQUE ATENTO!
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na
Observe que a oração subordinada subs- oração.
tantiva pode ser substituída pelo pronome Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
“isso”. Assim, temos um período simples: Oração Subordinada Subs-
É fundamental isso ou Isso é fun- tantiva Objetiva Indireta
damental.
Desta forma, a oração correspondente a 4. Completiva Nominal = completa um nome que
“isso” exercerá a função de sujeito. pertence à oração principal e também vem marcada por
preposição.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na ora- Complemento Nominal
ção principal:
 Verbos de ligação + predicativo, em constru- Sentimos orgulho de que você se comportou. (=
ções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Pa- Sentimos orgulho disso.)
rece certo - É claro - Está evidente - Está comprovado Oração Subordinada Substantiva
É bom que você compareça à minha festa. Completiva Nominal
LÍNGUA PORTUGUESA

 Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, As orações subordinadas substantivas objetivas in-
Soube-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi diretas integram o sentido de um verbo, enquanto que
anunciado, Ficou provado. orações subordinadas substantivas completivas nominais
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro. integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da
outra, é necessário levar em conta o termo complemen-
 Verbos como: convir - cumprir - constar - admi- tado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o com-
rar - importar - ocorrer - acontecer plemento nominal: o primeiro complementa um verbo; o
Convém que não se atrase na entrevista. segundo, um nome.

109
5. Predicativa = exerce papel de predicativo do su- Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
jeito do verbo da oração principal e vem sempre depois
do verbo ser. Quando são introduzidas por um pronome relativo e
Nosso desejo era sua desistência. apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as
Predicativo do Sujeito orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvol-
vidas. Além delas, existem as orações subordinadas ad-
Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo jetivas reduzidas, que não são introduzidas por pronome
era isso) relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apre-
Oração Subordinada Substantiva sentam o verbo numa das formas nominais (infinitivo,
Predicativa gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
6. Apositiva = exerce função de aposto de algum ter- Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.
mo da oração principal.
No primeiro período, há uma oração subordinada ad-
Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome
Aposto
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração su-
Oração subordinada bordinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há prono-
substantiva apositiva reduzida de infinitivo me relativo e seu verbo está no infinitivo.
(Fernanda tinha um grande sonho: isso) 1. Classificação das Orações Subordinadas Adjeti-
vas
Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )
Na relação que estabelecem com o termo que carac-
B) Orações Subordinadas Adjetivas terizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que pos- de duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem
sui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equiva- ou especificam o sentido do termo a que se referem, in-
le. As orações vêm introduzidas por pronome relativo e dividualizando-o. Nestas orações não há marcação de
exercem a função de adjunto adnominal do antecedente. pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restriti-
Esta foi uma redação bem-sucedida. vas. Existem também orações que realçam um detalhe ou
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adno- amplificam dados sobre o antecedente, que já se encon-
minal) tra suficientemente definido. Estas orações denominam-
-se subordinadas adjetivas explicativas.
O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adje- Exemplo 1:
tivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que
outra construção, a qual exerce exatamente o mesmo passava naquele momento.
papel: Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Principal Oração Subordinada No período acima, observe que a oração em desta-
Adjetiva que restringe e particulariza o sentido da palavra “ho-
mem”: trata-se de um homem específico, único. A oração
limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos
Perceba que a conexão entre a oração subordinada
os homens, mas sim àquele que estava passando naque-
adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é
le momento.
feita pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou
Exemplo 2:
relacionar) duas orações, o pronome relativo desempe-
nha uma função sintática na oração subordinada: ocupa O homem, que se considera racional, muitas vezes
o papel que seria exercido pelo termo que o antecede age animalescamente.
(no caso, “redação” é sujeito, então o “que” também fun- Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
ciona como sujeito).
Agora, a oração em destaque não tem sentido restri-
tivo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas
FIQUE ATENTO! explicita uma ideia que já sabemos estar contida no con-
ceito de “homem”.
Vale lembrar um recurso didático para reco-
LÍNGUA PORTUGUESA

nhecer o pronome relativo “que”: ele sem- Saiba que:


pre pode ser substituído por: o qual - a qual A oração subordinada adjetiva explicativa é separa-
- os quais - as quais da da oração principal por uma pausa que, na escrita,
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a
oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno pontuação seja indicada como forma de diferenciar as
o qual estuda. orações explicativas das restritivas; de fato, as explicativas
vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.

110
C) Orações Subordinadas Adverbiais A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
Uma oração subordinada adverbial é aquela que sindética explicativa é que esta “explica” o fato que acon-
exerce a função de adjunto adverbial do verbo da ora- teceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apre-
ção principal. Assim, pode exprimir circunstância de tem- senta a “causa” do acontecimento expresso na oração à
po, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando qual ela se subordina. Repare:
desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções 1. Faltei à aula porque estava doente.
subordinativas (com exclusão das integrantes, que intro- 2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
duzem orações subordinadas substantivas). Classifica-se Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa)
de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o
a introduz (assim como acontece com as coordenadas fato de estar doente impediu-me de ir à aula. No
sindéticas). exemplo 2, a oração sublinhada relata um fato que
aconteceu depois, já que primeiro ela chorou, de-
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. pois seus olhos ficaram vermelhos.
Oração Subordinada Adverbial
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên-
A oração em destaque agrega uma circunstância de cia, é efeito do que se declara na oração principal.
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada ad- São introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
verbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos aces- de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
sórios que indicam uma circunstância referente, via de estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que.
regra, a um verbo. A classificação do adjunto adverbial Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
depende da exata compreensão da circunstância que ex- (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
prime. Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de concretizando-os.
minha vida. Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Redu-
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de zida de Infinitivo)
minha vida.
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe
No primeiro período, “naquele momento” é um ad- como necessário para a realização ou não de um
junto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal fato. As orações subordinadas adverbiais condicio-
“senti”. No segundo período, este papel é exercido pela nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que
oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso
subordinada adverbial temporal. Esta oração é desenvol- na oração principal.
vida, pois é introduzida por uma conjunção subordina- Principal conjunção subordinativa condicional: se.
tiva (quando) e apresenta uma forma verbal do modo Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des-
indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que,
possível reduzi-la, obtendo-se: sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de mi- Se o regulamento do campeonato for bem elaborado,
nha vida. certamente o melhor time será campeão.
A oração em destaque é reduzida, apresentando uma Caso você saia, convide-me.
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não
é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo
uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”). da oração principal, isto é, admitem uma contradi-
ção ou um fato inesperado. A ideia de concessão
Observação: está diretamente ligada ao contraste, à quebra de
A classificação das orações subordinadas adverbiais expectativa. Principal conjunção subordinativa con-
é feita do mesmo modo que a classificação dos adjun- cessiva: embora. Utiliza-se também a conjunção:
tos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela conquanto e as locuções ainda que, ainda quando,
oração. mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que.
Só irei se ele for.
2. Classificação das Orações Subordinadas Adver- A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu”
biais ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita.
Compare agora com:
A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada Irei mesmo que ele não vá.
àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do
LÍNGUA PORTUGUESA

que se declara na oração principal. Principal conjunção A distinção fica nítida; temos agora uma concessão:
subordinativa causal: porque. Outras conjunções e locu- irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
ções causais: como (sempre introduzido na oração ante- A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
posta à oração principal), pois, pois que, já que, uma vez concessiva.
que, visto que. Observe outros exemplos:
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito Embora fizesse calor, levei agasalho.
forte. Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
Já que você não vai, eu também não vou. bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)

111
E) Comparativa= As orações subordinadas adver- Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam
biais comparativas estabelecem uma comparação “desenvolvidas” – como no exemplo acima.
com a ação indicada pelo verbo da oração princi- É preciso estudar = oração subordinada substantiva
pal. Principal conjunção subordinativa comparati- subjetiva reduzida de infinitivo
va: como. É preciso que se estude = oração subordinada subs-
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme) tantiva subjetiva
Você age como criança. (age como uma criança age)
4. Orações Intercaladas
• geralmente há omissão do verbo.
São orações independentes encaixadas na sequência
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou do período, utilizadas para um esclarecimento, um apar-
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado te, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou tra-
para a execução do que se declara na oração prin- vessões.
cipal. Principal conjunção subordinativa conforma- Nós – continuava o relator – já abordamos este as-
tiva: conforme. Outras conjunções conformativas: sunto.
como, consoante e segundo (todas com o mesmo
valor de conforme). REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Fiz o bolo conforme ensina a receita. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
direitos iguais. CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
se declara na oração principal. Principal conjunção São Paulo: Saraiva, 2002.
subordinativa final: a fim de. Outras conjunções
finais: que, porque (= para que) e a locução con- SITE
juntiva para que. http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas. frase-periodo-e-oracao
Estudarei muito para que eu me saia bem na prova.
H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou
seja, um fato simultâneo ao expresso na oração
principal. Principal locução conjuntiva subordinati- EXERCÍCIOS COMENTADOS
va proporcional: à proporção que. Outras locuções
conjuntivas proporcionais: à medida que, ao passo
1. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE – 2013 –
que. Há ainda as estruturas: quanto maior...(maior),
ADAPTADA) Jogadores de futebol de diversos times en-
quanto maior...(menor), quanto menor...(maior),
quanto menor...(menor), quanto mais...(mais), quan- traram em campo em prol do programa “Pai Presente”,
to mais...(menos), quanto menos...(mais), quanto nos jogos do Campeonato Nacional em apoio à campanha
menos...(menos). que visa reduzir o número de pessoas que não possuem o
À proporção que estudávamos mais questões acertá- nome do pai em sua certidão de nascimento. (...)
vamos. A oração subordinada “que não possuem o nome do pai
À medida que lia mais culto ficava. em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vír-
gula porque tem natureza restritiva.
I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato
expresso na oração principal, podendo exprimir ( ) CERTO ( ) ERRADO
noções de simultaneidade, anterioridade ou poste-
rioridade. Principal conjunção subordinativa tem- Resposta: Certo. A oração restringe o grupo que par-
poral: quando. Outras conjunções subordinativas ticipará da campanha (apenas os que não têm o nome
temporais: enquanto, mal e locuções conjuntivas: do pai na certidão de nascimento). Se colocarmos uma
assim que, logo que, todas as vezes que, antes que, vírgula, a oração se tornará “explicativa”, generalizan-
depois que, sempre que, desde que, etc. do a informação, o que dará a entender que TODAS as
Assim que Paulo chegou, a reunião acabou. pessoas não têm o nome do pai na certidão.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando ter-
minou a festa) (Oração Reduzida de Particípio) 2. (INSTITUTO RIO BRANCO – ADMISSÃO À CAR-
REIRA DE DIPLOMATA – CESPE – 2014 – ADAPTA-
3. Orações Reduzidas DA)
LÍNGUA PORTUGUESA

As orações subordinadas podem vir expressas como A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma
reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem conec- brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos
tivo subordinativo que as introduza. e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mes-
É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre- mo que a crônica é um gênero menor.
sença do conectivo) “Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo as-

112
sim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir
de caminho não apenas para a vida, que ela serve de
perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da HORA DE PRATICAR!
composição solta, do ar de coisa sem necessidade que
costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo 1. (MAPA – AUDITOR FISCAL FEDERAL AGROPE-
dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que CUÁRIO – MÉDICO VETERINÁRIO – SUPERIOR –
fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua ESAF – 2017) Assinale a opção que apresenta desvio de
despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permi- grafia da palavra.
te, como compensação sorrateira, recuperar com a outra A acupuntura é uma terapia da medicina tradicional chi-
mão certa profundidade de significado e certo acaba- nesa que favorece a regularização dos processos fisiológi-
mento de forma, que de repente podem fazer dela uma cos do corpo, no sentido de promover ou recuperar o estado
inesperada, embora discreta, candidata à perfeição. natural de saúde e equilíbrio. Pode ser usada preventiva-
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Paulo: mente (1) para evitar o desenvolvimento de doenças, como
Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adaptações). terapia curativa no caso de a doença estar instalada ou
como método paliativo (2) em casos de doenças crônicas
As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “ser- de difícil tratamento. Tem também uma ação importante
vir” (R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indi- na medicina rejenerativa (3) e na reabilitação. O trata-
retos. mento de acupuntura consiste na introdução de agulhas
filiformes no corpo dos animais. Em geral são deixadas
( ) CERTO ( ) ERRADO cerca de 15 a 20 minutos. A colocação das agulhas não é
dolorosa para os animais e é possível observar durante os
Resposta: Errado. tratamentos diferentes reações fisiológicas (4), indicadoras
imagina uma literatura = transitivo direto de que o tratamento está atingindo o efeito terapêutico
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo (5) desejado.
(transitivo direto e indireto) Disponível: <http://www.veterinariaholistica.net/acupuntura-fi-
pode servir de caminho = intransitivo toterapia-e-homeopatia.html/>. Acesso em 28/11/2017. (Com
adaptações)

a) (1)
b) (2)
c) (3)
d) (4)
e) (5)

2. (TRT – 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁ-


RIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC –
2017) Respeitando-se as normas de redação do Manual
da Presidência da República, a frase correta é:

a) Solicito a Vossa Senhoria que verifique a possibilida-


de de implementação de projeto de treinamento de
pessoal para operar os novos equipamentos gráficos a
serem instalados em seu setor.
b) Venho perguntar-lhe, por meio desta, sobre a data em
que Vossa Excelência pretende nomear vosso repre-
sentante na Comissão Organizadora.
c) Digníssimo Senhor: eu venho por esse comunicado,
informar, que será organizado seminário, sobre o uso
eficiente de recursos hídricos, em data ainda a ser de-
finida.
d) Haja visto que o projeto anexo contribue para o de-
senvolvimento do setor em questão, informamos, por
meio deste Ofício, que será amplamente analisado por
especialistas.
LÍNGUA PORTUGUESA

e) Neste momento, conforme solicitação enviada à Vos-


sa Senhoria anexo, não se deve adotar medidas que
possam com- prometer vossa realização do projeto
mencionado.

113
3. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-MS – 2014) Analise as assertivas abaixo:

I. O ladrão era de menor.


II. Não há regra sem exceção.
III. É mais saudável usar menas roupa no calor.
IV. O policial foi à delegacia em compania do meliante.
V. Entre eu e você não existe mais nada.

A opção que apresenta vícios de linguagem é:

a) I e III.
b) I, II e IV.
c) II e IV.
d) I, III, IV e V.
e) III, IV e V.

4. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-MS – 2014) De acordo com a nova ortografia, assinale o item em
que todas as palavras estão corretas:

a) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.


b) supracitado – semi-novo – telesserviço.
c) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som.
d) contrarregra – autopista – semi-aberto.
e) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor.

5. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-MS – 2014) O uso correto do porquê está na opção:

a) Por quê o homem destrói a natureza?


b) Ela chorou por que a humilharam.
c) Você continua implicando comigo porque sou pobre?
d) Ninguém sabe o por quê daquele gesto.
e) Ela me fez isso, porquê?

6. (TJ-PA – MÉDICO PSIQUIATRA – SUPERIOR – VUNESP – 2014)

Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas, de acordo com a norma-padrão da língua
portuguesa, considerando que o termo que preenche a terceira lacuna é empregado para indicar que um evento está
prestes a acontecer

a) anúncio ... A ... Iminente.


b) anuncio ... À ... Iminente.
LÍNGUA PORTUGUESA

c) anúncio ... À ... Iminente.


d) anúncio ... A ... Eminente.
e) anuncio ... À ... Eminente.

7. (CEFET-RJ – REVISOR DE TEXTOS – CESGRANRIO – 2014) Observe a grafia das palavras do trecho a seguir.
A macro-história da humanidade mostra que todos encaram os relatos pessoais como uma forma de se manterem vivos.
Desde a idade do domínio do fogo até a era das multicomunicações, os homens tem demonstrado que querem pôr sua
marca no mundo porque se sentem superiores.

114
A palavra que NÃO está grafada corretamente é A cauda do vestido da noiva tinha um _________ enorme.
(cumprimento/comprimento)
a) macro-história. Precisamos fazer as compras do mês, pois a _________ está
b) multicomunicações. vazia. (despensa/dispensa).
c) tem.
d) pôr. Completam, correta e respectivamente, as lacunas acima
e) porque. os expostos na alternativa:

8. (LIQUIGÁS – PROFISSIONAL JÚNIOR – CIÊN- a) mas – cumprimento – despensa.


CIAS CONTÁBEIS – CEGRANRIO – 2014) O grupo b) más – comprimento – despensa.
em que todas as palavras estão grafadas de acordo com c) más – cumprimento – dispensa.
a norma-padrão da Língua Portuguesa é d) mas – comprimento – dispensa.
e) más – comprimento – dispensa.
a) gorjeta, ogeriza, lojista, ferrujem
b) pedágio, ultrage, pagem, angina 12. (TRT-2ª REGIÃO-SP – TÉCNICO JUDICIÁRIO -
c) refújio, agiota, rigidez, rabujento ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC – 2014)
d) vigência, jenipapo, fuligem, cafajeste Está redigida com clareza e em consonância com as re-
e) sargeta, jengiva, jiló, lambujem gras da gramática normativa a seguinte frase:

9. (SIMAE – AGENTE ADMINISTRATIVO – ASS- a) Queremos, ou não, ele será designado para dar a pa-
CON-PP – 2014) Assinale a alternativa que apresenta lavra final sobre a polêmica questão, que, diga-se de
apenas palavras escritas de forma incorreta. passagem, tem feito muitos exitarem em se pronun-
ciar.
a) Cremoso, coragem, cafajeste, realizar; b) Consultaram o juíz acerca da possibilidade de voltar
b) Caixote, encher, análise, poetisa; atraz na suspensão do jogador, mas ele foi categórico
c) Traje, tanger, portuguesa, sacerdotisa; quanto a impossibilidade de rever sua posição.
d) Pagem, mujir, vaidozo, enchergar; c) Vossa Excelência leu o documento que será apresen-
tado em rede nacional daqui a pouco, pela voz de Sua
Excelência, o Senhor Ministro da Educação?
10. (RECEITA FEDERAL – AUDITOR FISCAL – ESAF d) A reportagem sobre fascínoras famosos não foi nada
– 2014) Assinale a opção que corresponde a erro gra- positiva para o público jovem que estava presente, de
matical ou de grafia de palavra inserido na transcrição que se desculparam os idealizadores do programa.
do texto. e) Estudantes e professores são entusiastas de oferecer
aos jovens ingressantes no curso o compartilhamento
A Receita Federal nem sempre teve esse (1) nome. Secre- de projetos, com que serão também autores.
taria da Receita Federal é apenas a mais recente denomi-
nação da Administração Tributária Brasileira nestes cinco 13. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-
séculos de existência. Sua criação tornou-se (2) necessária -MS – 2014) A acentuação correta está na alternativa:
para modernizar a máquina arrecadadora e fiscalizadora,
bem como para promover uma maior integração entre o a) eu abençôo – eles crêem – ele argúi.
Fisco e os Contribuintes, facilitando o cumprimento ex- b) platéia – tuiuiu – instrui-los.
pontâneo (3) das obrigações tributárias e a solução dos c) ponei – geléia – heroico.
eventuais problemas, bem como o acesso às (4) informa- d) eles têm – ele intervém – ele constrói.
ções pessoais privativas de interesse de cada cidadão. O e) lingüiça – feiúra – idéia.
surgimento da Secretaria da Receita Federal representou
um significativo avanço na facilitação do cumprimento 14. (EBSERH – HUCAM-UFES – ADVOGADO –
das obrigações tributárias, contribuindo para o aumento AOCP – 2014) A palavra que está acentuada correta-
da arrecadação a partir (5) do final dos anos 60. mente é:
(Adaptado de <http://www.receita.fazenda.gov.br/srf/
historico.htm>. Acesso em: 17 mar. 2014.) a) Históriar.
b) Memórial.
a) (1). c) Métodico.
b) (2). d) Própriedade.
c) (3). e) Artifício.
LÍNGUA PORTUGUESA

d) (4).
e) (5). 15. (PRODAM-AM – ASSISTENTE – FUNCAB –
2014 – ADAPTADA) Assinale a opção em que o par de
11. (ESTRADA DE FERRO CAMPOS DO JORDÃO- palavras foi acentuado segundo a mesma regra.
-SP – ANALISTA FERROVIÁRIO – OFICINAS – ELÉ-
TRICA – IDERH – 2014) Leia as orações a seguir: a) saúde-países
Minha mãe sempre me aconselha a evitar as _____ compa- b) Etíope-juízes
nhias. (mas/más) c) olímpicas-automóvel

115
d) vocês-público d) terra, pontapé, murmúrio, aves
e) espetáculo-mensurável e) saúde, primogênito, computador, devêssemos

16. (ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO – TÉCNICO 22. (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁ-


EM CONTABILIDADE – IDECAN – 2014) Os vocábu- RIO – TÉCNICO EM AGRIMENSURA – FUNCAB –
los “cinquentenário” e “império” são acentuados devido à 2014) A alternativa que apresenta palavra acentuada por
mesma justificativa. O mesmo ocorre com o par de pala- regra diferente das demais é:
vras apresentado em
a) dúvidas.
a) prêmio e órbita. b) muitíssimos.
b) rápida e tráfego c) fábrica.
c) satélite e ministério. d) mínimo.
d) pública e experiência. e) impossível.
e) sexagenário e próximo.
23. (PRODAM-AM – ASSISTENTE DE HARDWARE
17. (RIOPREVIDÊNCIA – ESPECIALISTA EM PRE- – FUNCAB – 2014) Assinale a alternativa em que todas
VIDÊNCIA SOCIAL – CEPERJ – 2014) A palavra “con- as palavras foram acentuadas segundo a mesma regra.
teúdo” recebe acentuação pela mesma razão de:
a) indivíduos - atraí(-las) - período
a) juízo b) saíram – veículo - construído
b) espírito c) análise – saudável - diálogo
c) jornalístico d) hotéis – critérios - através
d) mínimo e) econômica – após – propósitos
e) disponíveis
24. (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR-PI – CURSO
18. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – ICMBIO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS – UESPI – 2014) “O
– CESPE – 2014) A mesma regra de acentuação gráfica evento promove a saúde de modo integral.” A regra que
justifica o acento gráfico no termo destacado é a mesma
se aplica aos vocábulos “Brasília”, “cenário” e “próprio”.
que justifica o acento em:
( ) CERTO ( ) ERRADO
a) “remédio”.
b) “cajú”.
19. (PREFEITURA DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ-SC
c) “rúbrica”.
– GUARDA MUNICIPAL – FEPESE – 2014 – ADAP-
d) “fráude”.
TADA) Assinale a alternativa em que todas as palavras e) “baú”.
são oxítonas.
25. (TJ-BA – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMI-
a) pé, lá, pasta NISTRATIVA – MÉDIO – FGV – 2015)
b) mesa, tábua, régua Texto 3 – “A Lua Cheia entra em sua fase Crescente no
c) livro, prova, caderno signo de Gêmeos e vai movimentar tudo o que diz respeito
d) parabéns, até, televisão à sua vida profissional e projetos de carreira. Os próximos
e) óculos, parâmetros, título dias serão ótimos para dar andamento a projetos que co-
meçaram há alguns dias ou semanas. Os resultados che-
20. (ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO – TÉCNICO garão rapidamente”.
EM COMUNICAÇÃO SOCIAL – IDECAN – 2014)
Assinale a alternativa em que a acentuação de todas as O texto 3 mostra exemplos de emprego correto do “a”
palavras está de acordo com a mesma regra da palavra com acento grave indicativo da crase – “diz respeito à sua
destacada: “Procuradorias comprovam necessidade de vida profissional”. A frase abaixo em que o emprego do
rendimento satisfatório para renovação do FIES”. acento grave da crase é corretamente empregado é:

a) após / pó / paletó a) o texto do horóscopo veio escrito à lápis;


b) moído / juízes / caído b) começaram à chorar assim que leram as previsões;
c) história / cárie / tênue c) o horóscopo dizia à cada leitora o que devia fazer;
d) álibi / ínterim / político d) o leitor estava à procura de seu destino;
e) êxito / protótipo / ávido e) o astrólogo previa o futuro passo à passo
LÍNGUA PORTUGUESA

21. (PREFEITURA DE BRUSQUE-SC – EDUCADOR 26. (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO-SP – FAR-


SOCIAL – FEPESE – 2014) Assinale a alternativa em MACÊUTICO – SUPERIOR – VUNESP – 2017) O si-
que só palavras paroxítonas estão apresentadas. nal indicativo de crase está empregado corretamente nas
duas ocorrências na alternativa:
a) facilitada, minha, canta, palmeiras
b) maná, papá, sinhá, canção a) Muitos indivíduos são propensos à associar, inadverti-
c) cá, pé, a, exílio damente, tristeza à depressão.

116
b) As pessoas não querem estar à mercê do sofrimento, b) ... incitá-los a reação e o enfrentamento do descon-
por isso almejam à pílula da felicidade. forto, ...
c) À proporção que a tristeza se intensifica e se prolonga, c) ... incitá-los à reação e à enfrentamento do descon-
pode-se, à primeira vista, pensar em depressão. forto, ...
d) À rigor, os especialistas não devem receitar remédios d) ... incitá-los à reação e o enfrentamento do descon-
às pessoas antes da realização de exames acurados. forto, ...
e) Em relação à informação da OMS, conclui-se que exis- e) ... incitá-los a reação e à enfrentamento do descon-
tem 121 milhões de pessoas à serem tratadas de de- forto, ..
pressão.
31. (CONAB – CONTABILIDADE – SUPERIOR – IA-
27. (TRT – 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁ- DES – 2014 – ADAPTADA) Considerando o trecho
RIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC – “atualizou os dados relativos à produção de grãos no Bra-
2017) É difícil planejar uma cidade e resistir à tentação sil.” e conforme a norma-padrão, assinale a alternativa
de formular um projeto de sociedade. correta.
O sinal indicativo de crase deverá ser mantido caso o ver-
bo sublinhado acima seja substituído por: a) a crase foi empregada indevidamente no trecho.
b) o autor poderia não ter empregado o sinal indicativo
a) não acatar. de crase.
b) driblar. c) se “produção” estivesse antecedida por essa, o uso do
c) controlar. sinal indicativo de crase continuaria obrigatório.
d) superar. d) se, no lugar de “relativos”, fosse empregado referen-
e) não sucumbir. tes, o uso do sinal indicativo de crase passaria a ser
facultativo.
28. (TRT – 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁ- e) caso o vocábulo minha fosse empregado imediata-
RIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC – mente antes de “produção”, o uso do sinal indicativo
2017) A frase em que há uso adequado do sinal indica- de crase seria facultativo.
tivo de crase encontra-se em:
32. (SABESP-SP – ATENDENTE A CLIENTES – MÉ-
a) A tendência de recorrer à adaptações aparece com DIO – FCC – 2014 – ADAPTADA) No trecho Refiro-me
maior força na Hollywood do século 21. aos livros que foram escritos e publicados, mas estão –
b) É curioso constatar a rapidez com que o cinema agre- talvez para sempre – à espera de serem lidos, o uso do
gou à máxima. acento de crase obedece à mesma regra seguida em:
c) A busca pela segurança leva os estúdios à apostarem
em histórias já testadas e aprovadas.
a) Acostumou-se àquela situação, já que não sabia como
d) Tal máxima aplica-se perfeitamente à criação de peças
evitá-la.
de teatro.
b) Informou à paciente que os remédios haviam surtido
e) Há uma massa de escritores presos à contratos fixos
efeito.
em alguns estúdios.
c) Vou ficar irritada se você não me deixar assistir à no-
vela.
29. (PREFEITURA DE MARÍLIA-SP – AUXILIAR DE
ESCRITA – MÉDIO – VUNESP – 2017) Assinale a al- d) Acabou se confundindo, após usar à exaustão a velha
ternativa em que o sinal indicativo de crase está empre- fórmula.
gado corretamente. e) Comunique às minhas alunas que as provas estão cor-
rigidas.
a) A voluntária aconselhou a remetente à esquecer o
amor de infância. 33. (TRT-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – SUPE-
b) O carteiro entregou às voluntárias do Clube de Julieta RIOR – FCC–2014) ... que acompanham as fronteiras
uma nova remessa de cartas. ocidentais chinesas...
c) O médico ofereceu à um dos remetentes apoio psico- O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
lógico. plemento que o da frase acima está em:
d) As integrantes do Clube levaram horas respondendo
à diversas cartas. a) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
e) O Clube sugeriu à algumas consulentes que fizessem b) Esses caminhos floresceram durante os primórdios da
novas amizades. Idade Média.
c) ... viajavam por cordilheiras...
LÍNGUA PORTUGUESA

30. (PREFEITURA DE SÃO PAULO-SP – TÉCNICO d) ... até cair em desuso, seis séculos atrás.
EM SAÚDE – LABORATÓRIO – MÉDIO – VUNESP – e) O maquinista empurra a manopla do acelerador.
2014) Reescrevendo-se o segmento frasal – ... incitá-los
a reagir e a enfrentar o desconforto, ... –, de acordo com a 34. (CASAL-AL – ADMINISTRADOR DE REDE –
regência e o acento indicativo da crase, tem-se: COPEVE – UFAL – 2014) Na afirmação abaixo, de Pa-
dre Vieira,
a) ... incitá-los à reação e ao enfrentamento do descon- “O trigo não picou os espinhos, antes os espinhos o pica-
forto, ... ram a ele... Cuidais que o sermão vos picou a vós” o subs-

117
tantivo “espinhos” tem, respectivamente, função sintática d) predicativo.
de, e) adjunto adnominal.

a) objeto direto/objeto direto. 39. (TRT-13ª REGIÃO-PB – TÉCNICO JUDICIÁRIO


b) sujeito/objeto direto. – TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO – MÉDIO – FCC
c) objeto direto/sujeito. – 2014) Ao mesmo tempo, as elites renunciaram às am-
d) objeto direto/objeto indireto. bições passadas...
e) sujeito/objeto indireto. O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
plemento que o grifado acima está empregado em:
35. (CASAL-AL – ADMINISTRADOR DE REDE –
COPEVE – UFAL – 2014) No texto, “Arranca o esta- a) Faltam-nos precedentes históricos para...
tuário uma pedra dessas montanhas, tosca, bruta, dura, b) Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro...
informe; e, depois que desbastou o mais grosso, toma o c) Esse novo espectro comprova a novidade de nossa si-
maço e cinzel na mão para começar a formar um homem, tuação...
primeiro membro a membro e depois feição por feição.” d) As redes sociais eram atividades de difícil
VIEIRA, P. A. In Sermão do Espírito Santo. Acervo da Aca- implementação...
demia Brasileira de Letras e) ... como se imitássemos o padrão de conforto...
A oração sublinhada exerce uma função de
40. (CIA DE SERVIÇOS DE URBANIZAÇÃO DE
a) causalidade. GUARAPUAVA-PR – AGENTE DE TRÂNSITO
b) conclusão. – CONSULPLAM – 2014) Quanto à função que de-
c) oposição. sempenha na sintaxe da oração, o trecho em destaque
d) concessão. “Tenho uma dor que passa daqui pra lá e de lá pra cá”
e) finalidade. corresponde a:

36. (EBSERH – HUCAM-UFES – ADVOGADO – SU- a) Oração subordinada adjetiva restritiva.


PERIOR – AOCP – 2014) Em “Se a ‘cura’ fosse cara, b) Oração subordinada adjetiva explicativa.
apenas uma pequena fração da sociedade teria acesso a c) Adjunto adnominal.
ela.”, a expressão em destaque funciona como: d) Oração subordinada adverbial espacial.

a) objeto direto. 41. (ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO – TÉCNICO


b) adjunto adnominal. EM COMUNICAÇÃO SOCIAL – IDECAN – 2014)
c) complemento nominal. Acerca das relações sintáticas que ocorrem no interior do
d) sujeito paciente. período a seguir “Policiais de Los Angeles tomam facas de
e) objeto indireto. criminosos, perseguem bêbados na estrada e terminam o
dia na delegacia fazendo seu relatório.”, é correto afirmar
37. (EBSERH – HUSM-UFSM-RS – ANALISTA AD- que
MINISTRATIVO – JORNALISMO – SUPERIOR –
AOCP – 2014) a) “o dia” é sujeito do verbo “terminar”.
“Sinta-se ungido pela sorte de recomeçar. Quando seu fi- b) o sujeito do período, Policiais de Los Angeles, é com-
lho crescer, ele irá entender - mais cedo ou mais tarde -...” posto.
No período acima, a oração destacada: c) “bêbados” e “criminosos” apresentam-se na função de
sujeito.
a) estabelece uma relação temporal com a oração que d) “facas” possui a mesma função sintática que “bêba-
lhe é subsequente. dos” e “relatório”.
b) estabelece uma relação temporal com a oração que a e) “de criminosos”, “na estrada”, “na delegacia” são ter-
antecede. mos que indicam circunstâncias que caracterizam a
c) estabelece uma relação condicional com a oração que ação verbal.
lhe é subsequente.
d) estabelece uma relação condicional com a oração que 42. (TJ-SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO
a antecede. – MÉDIO – VUNESP – 2015) Leia o texto, para respon-
e) estabelece uma relação de finalidade com a oração der às questões.
que lhe é subsequente. O fim do direito é a paz, o meio de que se serve para
consegui-lo é a luta. Enquanto o direito estiver sujeito
38. (PRODAM-AM – ASSISTENTE DE HARDWARE às ameaças da injustiça – e isso perdurará enquanto o
LÍNGUA PORTUGUESA

– FUNCAB – 2014) O termo destacado em: “As pessoas mundo for mundo –, ele não poderá prescindir da luta. A
estão sempre muito ATAREFADAS.” exerce a seguinte fun- vida do direito é a luta: luta dos povos, dos governos, das
ção sintática: classes sociais, dos indivíduos.
Todos os direitos da humanidade foram conquistados
a) objeto direto. pela luta; seus princípios mais importantes tiveram de
b) objeto indireto. enfrentar os ataques daqueles que a ele se opunham;
c) adjunto adverbial. todo e qualquer direito, seja o direito de um povo, seja

118
o direito do indivíduo, só se afirma por uma disposição a) em Brasília, Distrito Federal, na região Centro-Oeste;
ininterrupta para a luta. O direito não é uma simples b) em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, região Sul;
ideia, é uma força viva. Por isso a justiça sustenta numa c) em Pedrinhas, São Luís, Maranhão;
das mãos a balança com que pesa o direito, enquanto na d) em São Paulo, São Paulo, Brasil;
outra segura a espada por meio da qual o defende. e) em Goiânia, região Centro-Oeste, Brasil.
A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a
espada, a impotência do direito. Uma completa a outra, 44. (TRT – 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁ-
e o verdadeiro estado de direito só pode existir quando RIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC –
a justiça sabe brandir a espada com a mesma habilidade 2017) Está plenamente adequada a pontuação do se-
com que manipula a balança. guinte período:
O direito é um trabalho sem tréguas, não só do Poder
Público, mas de toda a população. A vida do direito nos a) A produção cinematográfica como é sabido, sempre
oferece, num simples relance de olhos, o espetáculo de bebeu na fonte da literatura, mas o cinema declarou-
um esforço e de uma luta incessante, como o despendi- -se, independente das outras artes há mais de meio
do na produção econômica e espiritual. Qualquer pessoa século.
que se veja na contingência de ter de sustentar seu direi- b) Sabe-se que, a produção cinematográfica sempre con-
to participa dessa tarefa de âmbito nacional e contribui siderou a literatura como fonte de inspiração, mas o
para a realização da ideia do direito. É verdade que nem cinema declarou-se independente das outras artes, há
todos enfrentam o mesmo desafio. mais de meio século.
A vida de milhares de indivíduos desenvolve-se tranqui- c) Há mais de meio século, o cinema declarou-se inde-
lamente e sem obstáculos dentro dos limites fixados pelo pendente das outras artes, embora a produção cine-
direito. Se lhes disséssemos que o direito é a luta, não matográfica tenha sempre considerado a literatura
nos compreenderiam, pois só veem nele um estado de como fonte de inspiração.
paz e de ordem. d) O cinema declarou-se independente, das outras ar-
(Rudolf von Ihering, A luta pelo direito) tes, há mais de meio século; porém, sabe-se, que a
produção cinematográfica sempre bebeu na fonte da
Assinale a alternativa em que uma das vírgulas foi em- literatura.
pregada para sinalizar a omissão de um verbo, tal como
e) A literatura, sempre serviu de fonte inspiradora do ci-
ocorre na passagem – A espada sem a balança é a força
nema, mas este, declarou-se independente das outras
bruta, a balança sem a espada, a impotência do direito.
artes há mais de meio século − como é sabido.
a) O direito, no sentido objetivo, compreende os princí-
pios jurídicos manipulados pelo Estado.
45. (CORREIOS – TÉCNICO EM SEGURANÇA DO
b) Todavia, não pretendo entrar em minúcias, pois nunca
TRABALHO JÚNIOR – MÉDIO – IADES – 2017 –
chegaria ao fim.
c) Do autor exige-se que prove, até o último centavo, o
ADAPTADA) Quanto às regras de ortografia e de pon-
interesse pecuniário. tuação vigentes, considere o período “Enquanto lia a car-
d) É que, conforme já ressaltei várias vezes, a essência do ta, as lágrimas rolavam em seu rosto numa mistura de
direito está na ação. amor e saudade.” e assinale a alternativa correta.
e) A cabeça de Jano tem face dupla: a uns volta uma das
faces, aos demais, a outra. a) O uso da vírgula entre as orações é opcional.
b) A redação “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam
43. (TJ-BA – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMI- em seu rosto por que sentia um misto de amor e sauda-
NISTRATIVA – MÉDIO – FGV – 2015) de.” poderia substituir a original.
c) O uso do hífen seria obrigatório, caso o prefixo re fosse
Texto 2 - “A primeira missão tripulada ao espaço profundo acrescentado ao vocábulo “lia”.
desde o programa Apollo, da década 1970, com o objetivo d) Caso a ordem das orações fosse invertida, o uso da
de enviar astronautas a Marte até 2030 está sendo prepa- vírgula entre elas poderia ser dispensado.
rada pela Nasa (agência espacial norte-americana). O pri- e) Assim como o vocábulo “lágrimas”, devem ser acen-
meiro passo para a concretização desse desafio será dado tuados graficamente rúbrica, filântropo e lúcida.
nesta sexta-feira (5), com o lançamento da cápsula Orion,
da base da agência em Cabo Canaveral, na Flórida, nos 46. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-
Estados Unidos. O lançamento estava previsto original- -MS – 2014) Verifique a pontuação nas frases abaixo e
mente para esta quinta-feira (4), mas devido a problemas marque a assertiva correta:
técnicos foi reagendado para as 7h05 (10h05 no horário
de Brasília).” a) Céus: Que injustiça.
LÍNGUA PORTUGUESA

(Ciência, Internet Explorer). b) O resultado do placar, não o abateu.


c) O comércio estava fechado; porém, a farmácia estava
“com o lançamento da cápsula Orion, da base da agência em pleno atendimento.
em Cabo Canaveral, na Flórida, nos Estados Unidos.” d) Comam bastantes frutas crianças!
Os termos sublinhados se encarregam da localização do e) Comprei abacate, e mamão maduro.
lançamento da cápsula referida; o critério para essa loca-
lização também foi seguido no seguinte caso: Os protes-
tos contra as cotas raciais ocorreram:

119
47. (SAAE-SP – FISCAL LEITURISTA – VUNESP – 49. (PREFEITURA DE PAULISTA-PE – RECEPCIO-
2014) NISTA – UPENET – 2014 – ADAPTADA)
“Já vi gente cansada de amor, de trabalho, de política, de
ideais. Jamais conheci alguém sinceramente cansado de
dinheiro.”
(Millôr Fernandes)

Sobre as vírgulas existentes no texto, é CORRETO afirmar


que:

a) são facultativas.
b) isolam apostos.
c) separam elementos de mesma função sintática.
d) a terceira é facultativa.
e) separam orações coordenadas assindéticas.

50. (POLÍCIA MILITAR-SP – OFICIAL ADMINIS-


TRATIVO – MÉDIO – VUNESP – 2014) A reescrita
da frase – Como sempre, a resposta depende de como de-
finimos os termos da pergunta. – está correta, quanto à
pontuação, em:

a) A resposta como sempre, depende de, como defini-


mos os termos da pergunta.
b) A resposta, como sempre, depende de como defini-
mos os termos da pergunta.
c) A resposta como, sempre, depende de como defini-
mos os termos da pergunta.
Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, a pon- d) A resposta, como, sempre depende de como defini-
tuação está correta em: mos os termos da pergunta.
e) A resposta como sempre, depende de como, defini-
a) Hagar disse, que não iria. mos os termos da pergunta.
b) Naquela noite os Stevensens prometeram servir, bifes
e lagostas, aos vizinhos. 51. (EMPLASA-SP – ANALISTA JURÍDICO – DI-
c) Chegou, o convite dos Stevensens, bife e lagostas: para REITO – VUNESP – 2014) Segundo a norma-padrão
Hagar e Helga da língua portuguesa, a pontuação está correta em:
d) “Eles são chatos e, nunca param de falar”, disse, Hagar
à Helga. a) Como há suspeita, por parte da família de que João
e) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos Goulart tenha sido assassinado; a Comissão da Ver-
Stevensens, para jantar bifes e lagostas. dade decidiu reabrir a investigação de sua morte, em
maio deste ano, a pedido da viúva e dos filhos.
48. (PREFEITURA DE PAULISTA-PE – RECEPCIO- b) Em maio deste ano, a Comissão da Verdade acatou o
NISTA – UPENET – 2014) Sobre os SINAIS DE PON- pedido da família do ex-presidente João Goulart e rea-
TUAÇÃO, observe os itens abaixo: briu a investigação da morte deste, visto que, para a
viúva e para os filhos, Jango pode ter sido assassinado.
I. “Calma, gente”. c) A investigação da morte de João Goulart, foi reaberta,
II. “Que mundo é este que chorar não é “normal”? em maio deste ano pela Comissão da Verdade, para
III. “Sustentabilidade, paradigma de vida” apuração da causa da morte do ex-presidente uma vez
IV. “Será que precisa de mais licitações? Haja licitações!” que, para a família, Jango pode ter sido assassinado.
V. “E, de repente, aquela rua se tornou um grande lago...” d) A Comissão da Verdade, a pedido da família de João
Goulart, reabriu em maio deste ano a investigação de
Sobre eles, assinale a alternativa CORRETA. sua morte, porque, a hipótese de assassinato não é
descartada, pela viúva e filhos.
a) No item I, a vírgula isola um aposto. e) Como a viúva e os filhos do ex-presidente João Gou-
b) No item II, a interrogação indica uma mensagem in-
LÍNGUA PORTUGUESA

lart, suspeitando que ele possa ter sido assassinado


terrompida. pediram a reabertura da investigação de sua morte,
c) No item III, a vírgula isola termos que explicam o seu à Comissão da Verdade, esta, atendeu o pedido em
antecedente. maio deste ano.
d) No item IV, os dois sinais de pontuação, a interrogação
e a exclamação, indicam surpresa. 52. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – MÉDICO DO
e) No item V, as vírgulas poderiam ser substituídas, ape- TRABALHO – CESPE – 2014 – ADAPTADA) A cor-
nas, por um ponto e vírgula após o termo “repente”. reção gramatical do trecho “Entre as bebidas alcoólicas,

120
cervejas e vinhos são as mais comuns em todo o mundo” tempo, e pequenas distrações podem desviar nosso foco
seria prejudicada, caso se inserisse uma vírgula logo após por até 20 minutos.
a palavra “vinhos”. Retemos mais informações quando nos sentamos em um
local fixo, afirma Sally Augustin, psicóloga ambiental e
( ) CERTO ( ) ERRADO design de interiores.
(Bryan Borzykowski, “Por que escritórios abertos po-
53. (PREFEITURA DE ARCOVERDE-PE – ADMINIS- dem ser ruins para funcionários.” Disponível em:<w-
TRADOR DE RECURSOS HUMANOS – CONPASS – ww1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 04.04.2017. Adapta-
2014) Leia o texto a seguir: do)
“Pagar por esse software não é um luxo, mas uma necessi-
dade”. O uso da vírgula justifica-se porque: Iniciando-se a frase – Retemos mais informações quando
nos sentamos em um local fixo... (último parágrafo) – com
a) estabelece a relação entre uma coordenada assindéti- o termo Talvez, indicando condição, a sequência que
ca e uma conclusiva. apresenta correlação dos verbos destacados de acordo
b) separar a oração coordenada “não é um luxo” da ad- com a norma-padrão será:
versativa “mas uma necessidade”, em que o verbo está
subentendido. a) reteríamos ... sentarmos
c) liga a oração principal “Pagar” à coordenada “não é um b) retínhamos ... sentássemos
luxo, mas uma necessidade”. c) reteremos ... sentávamos
d) indica que dois termos da mesma função estão ligados d) retivemos ... sentaríamos
por uma conjunção aditiva. e) retivéssemos ... sentássemos
e) isola o aposto na segunda oração.
55. (TJ-SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO –
54. (TJ-SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉDIO – VUNESP – 2017) Leia o texto para responder
MÉDIO – VUNESP – 2017) às questões.
Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos executivos O problema de São Paulo, dizia o Vinicius, “é que você
no setor de tecnologia já tinham feito – ele transferiu sua anda, anda, anda e nunca chega a Ipanema”. Se tomar-
equipe para um chamado escritório aberto, sem paredes mos “Ipanema” ao pé da letra, a frase é absurda e cômi-
e divisórias. ca. Tomando “Ipanema” como um símbolo, no entanto,
Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas ele como um exemplo de alívio, promessa de alegria em
queria que todos estivessem juntos, para se conectarem meio à vida dura da cidade, a frase passa a ser de um tris-
e colaborarem mais facilmente. Mas em pouco tempo fi- te realismo: o problema de São Paulo é que você anda,
cou claro que Nagele tinha cometido um grande erro. anda, anda e nunca chega a alívio algum. O Ibirapuera, o
Todos estavam distraídos, a produtividade caiu, e os nove parque do Estado, o Jardim da Luz são uns raros respiros
empregados estavam insatisfeitos, sem falar do próprio perdidos entre o mar de asfalto, a floresta de lajes bati-
chefe. das e os Corcovados de concreto armado.
Em abril de 2015, quase três anos após a mudança para O paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere
o escritório aberto, Nagele transferiu a empresa para um estendê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois
espaço de 900 m² onde hoje todos têm seu próprio es- metros quadrados de chão. É o que vemos nas aveni-
paço, com portas e tudo. das abertas aos pedestres, nos fins de semana: basta li-
Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório berarem um pedacinho do cinza e surgem revoadas de
aberto – cerca de 70% dos escritórios nos Estados Uni- patinadores, maracatus, big bands, corredores evangéli-
dos são assim – e até onde se sabe poucos retornaram cos, góticos satanistas, praticantes de ioga, dançarinos
ao modelo de espaços tradicionais com salas e portas. de tango, barraquinhas de yakissoba e barris de cerveja
Pesquisas, contudo, mostram que podemos perder até artesanal.
15% da produtividade, desenvolver problemas graves Tenho estado atento às agruras e oportunidades da ci-
de concentração e até ter o dobro de chances de ficar dade porque, depois de cinco anos vivendo na Granja
doentes em espaços de trabalho abertos – fatores que Viana, vim morar em Higienópolis. Lá em Cotia, no fim da
estão contribuindo para uma reação contra esse tipo de tarde, eu corria em volta de um lago, desviando de patos
organização. e assustando jacus. Agora, aos domingos, corro pela Pau-
Desde que se mudou para o formato tradicional, Nagele lista ou Minhocão e, durante a semana, venho testando
já ouviu colegas do setor de tecnologia dizerem sentir diferentes percursos.
falta do estilo de trabalho do escritório fechado. “Muita Corri em volta do parque Buenos Aires e do cemitério
gente concorda – simplesmente não aguentam o escri- da Consolação, ziguezagueei por Santa Cecília e pelas
LÍNGUA PORTUGUESA

tório aberto. Nunca se consegue terminar as coisas e é encostas do Sumaré, até que, na última terça, sem que-
preciso levar mais trabalho para casa”, diz ele. rer, descobri um insuspeito parque noturno com bastan-
É improvável que o conceito de escritório aberto caia em te gente, quase nenhum carro e propício a todo tipo de
desuso, mas algumas firmas estão seguindo o exemplo atividades: o estacionamento do estádio do Pacaembu.
de Nagele e voltando aos espaços privados. (Antonio Prata. “O paulistano não é de jogar a toa-
Há uma boa razão que explica por que todos adoram um lha. Prefere estendê-la e deitar em cima.” Disponível
espaço com quatro paredes e uma porta: foco. A verdade em:<http://www1.folha.uol.com.br/colunas>. Acesso em:
é que não conseguimos cumprir várias tarefas ao mesmo 13.04.2017. Adaptado)

121
Assinale a alternativa que dá nova redação à passagem 25 C
– O paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere
estendê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois 26 C
metros quadrados de chão. – atendendo à norma-padrão 27 E
de concordância.
28 D
a) Cem por cento dos paulistanos não joga a toalha – 29 B
acha preferível estendê-la para que se deite sobre elas, 30 A
caso seja dado a eles dois metros quadrados de chão.
b) Os paulistanos não jogam a toalha – acham preferíveis 31 E
estendê-la e se deitar em cima, caso lhes deem dois 32 D
metros quadrados de chão.
c) Mais de um paulistano não são de jogar a toalha – 33 E
acham preferíveis estendê-la e se deitarem em cima, 34 C
caso se dê a eles dois metros de chão. 35 E
d) Para os paulistanos, não se joga a toalha – é preferível
que seja estendida, para que possam deitar-se sobre 36 C
ela, caso lhes sejam dados dois metros quadrados de 37 A
chão.
e) A maior parte dos paulistanos, contudo, não são de jo- 38 D
garem a toalha – acha preferível elas serem estendidas 39 A
e deitar-se em cima, caso lhe seja dado dois metros
40 A
de chão.
41 D
42 E
GABARITO 43 A
44 C
1 C 45 D
2 A 46 C
3 D 47 E
4 A 48 C
5 C 49 C
6 A 50 B
7 C 51 B
8 D 52 CERTO
9 D 53 C
10 C 54 E
11 B 55 D
12 C
13 D
14 E
15 A
16 B
17 A
18 CERTO
19 D
LÍNGUA PORTUGUESA

20 C
21 A
22 E
23 E
24 E

122
ANOTAÇÕES

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123
ANOTAÇÕES

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124
ÍNDICE

RACIOCÍNIO LÓGICO

Raciocínio dedutivo.......................................................................................................................................................................................................... 01
Lógica ................................................................................................................................................................................................................................... 01
Processos de indução ..................................................................................................................................................................................................... 01
Raciocínio por analogia ................................................................................................................................................................................................. 01
Inferência ............................................................................................................................................................................................................................. 01
Premissas ............................................................................................................................................................................................................................. 01
Abdução .............................................................................................................................................................................................................................. 01
Falácias ................................................................................................................................................................................................................................. 01
Basicamente, ao invés de falarmos, é verdadeiro ou
RACIOCÍNIO DEDUTIVO. LÓGICA. PROCES- falso, devemos falar tem o valor lógico verdadeiro, tem
SOS DE INDUÇÃO. RACIOCÍNIO POR ANA- valor lógico falso.
LOGIA. INFERÊNCIA. PREMISSAS. ABDU-
ÇÃO. FALÁCIAS. 2. Classificação

Proposição simples: não contém nenhuma outra pro-


posição como parte integrante de si mesma. São geral-
Definição: Todo o conjunto de palavras ou símbolos mente designadas pelas letras latinas minúsculas p,q,r,s...
que exprimem um pensamento de sentido completo. E depois da letra colocamos “:”
Nossa professora, bela definição!
Não entendi nada!
Exemplo:
Vamos pensar que para ser proposição a frase tem
p: Marcelo é engenheiro.
que fazer sentido, mas não só sentido no nosso dia a dia,
q: Ricardo é estudante.
mas também no sentido lógico.
Para uma melhor definição dentro da lógica, para ser
Proposição composta: combinação de duas ou mais
proposição, temos que conseguir julgar se a frase é ver-
proposições. Geralmente designadas pelas letras maiús-
dadeira ou falsa.
culas P, Q, R, S,...
Exemplos:
Exemplo:
(A) A Terra é azul. P: Marcelo é engenheiro e Ricardo é estudante.
Conseguimos falar se é verdadeiro ou falso? Então é Q: Marcelo é engenheiro ou Ricardo é estudante.
uma proposição. Se quisermos indicar quais proposições simples fa-
zem parte da proposição composta:
(B) >2 P(p,q)
Se pensarmos em gramática, teremos uma proposi-
Como ≈1,41, então a proposição tem valor lógico ção composta quando tiver mais de um verbo e proposi-
falso. ção simples, quando tiver apenas 1. Mas, lembrando que
Todas elas exprimem um fato. para ser proposição, temos que conseguir definir o valor
Agora, vamos pensar em uma outra frase: lógico.
O dobro de 1 é 2?
Sim, correto? 3. Conectivos
Correto. Mas é uma proposição?
Não! Porque sentenças interrogativas, não podemos Agora que vamos entrar no assunto mais interessante
declarar se é falso ou verdadeiro. e o que liga as proposições.
Bruno, vá estudar. Antes, estávamos vendo mais a teoria, a partir dos co-
É uma declaração imperativa, e da mesma forma, não nectivos vem a parte prática.
conseguimos definir se é verdadeiro ou falso, portanto,
não é proposição. 3.1. Definição
Passei!
Ahh isso é muito bom, mas infelizmente, não pode- Palavras que se usam para formar novas proposições,
mos de qualquer forma definir se é verdadeiro ou falso, a partir de outras.
porque é uma sentença exclamativa. Vamos pensar assim: conectivos? Conectam alguma
Vamos ver alguns princípios da lógica: coisa?
I. Princípio da não Contradição: uma proposição não Sim, vão conectar as proposições, mas cada conectivo
pode ser verdadeira “e” falsa ao mesmo tempo. terá um nome, vamos ver?
II. Princípio do Terceiro Excluído: toda proposição “ou”
é verdadeira “ou” é falsa, isto é, verifica-se sempre um -Negação
desses casos e nunca um terceiro caso.

1. Valor Lógico das Proposições

Definição: Chama-se valor lógico de uma proposição Exemplo


a verdade, se a proposição é verdadeira (V), e a falsidade, p: Lívia é estudante.
RACIOCÍNIO LÓGICO

se a proposição é falsa (F). ~p: Lívia não é estudante.


q: Pedro é loiro.
Exemplo ¬q: É falso que Pedro é loiro.
p: Thiago é nutricionista. r: Érica lê muitos livros.
V(p)=V essa é a simbologia para indicar que o valor ~r: Não é verdade que Érica lê muitos livros.
lógico de p é verdadeira, ou s: Cecilia é dentista.
V(p)=F ¬s: É mentira que Cecilia é dentista.

1
-Conjunção Tabela-verdade

Com a tabela-verdade, conseguimos definir o valor


lógico de proposições compostas facilmente, analisando
cada coluna.
Se tivermos uma proposição p, ela pode ter V(p)=V
Nossa, são muitas formas de se escrever com a con- ou V(p)=F.
junção. p
Não precisa decorar todos, alguns são mais usuais:
“e”, “mas”, “porém”. V
Exemplos F
p: Vinícius é professor.
q: Camila é médica. Quando temos duas proposições, não basta colocar
só VF, será mais que duas linhas.
p∧q: Vinícius é professor e Camila é médica.
p∧q: Vinícius é professor, mas Camila é médica.
p∧q: Vinícius é professor, porém Camila é médica. p q
V V
- Disjunção
V F
F V
F F
p: Vitor gosta de estudar.
q: Vitor gosta de trabalhar. Observe, a primeira proposição ficou VVFF
p∨q: Vitor gosta de estudar ou Vitor gosta de tra- E a segunda intercalou VFVF
balhar. Vamos raciocinar, com uma proposição temos 2 pos-
sibilidades, com 2 proposições temos 4, tem que haver
- Disjunção Exclusiva um padrão para se tornar mais fácil!
Extensa: Ou...ou... As possibilidades serão 2n,
Símbolo: ∨
p: Vitor gosta de estudar. Onde:
q: Vitor gosta de trabalhar n=número de proposições
p∨q Ou Vitor gosta de estudar ou Vitor gosta de tra-
balhar.
p q r
-Condicional V V V
Extenso: Se..., então..., É necessário que, Condição ne-
V F V
cessária
Símbolo: → V V F
V F F
Exemplos
p→q: Se chove, então faz frio. F V V
EXEMPLO EXEMPLO EXEMPLO EXEMPLO EXEMPLO EXEMPLO

p→q: É suficiente que chova para que faça frio. F F V


p→q: Chover é condição suficiente para fazer frio.
F V F
p→q: É necessário que faça frio para que chova.
p→q: Fazer frio é condição necessária para chover. F F F

-Bicondicional A primeira proposição, será metade verdadeira e me-


Extenso: se, e somente se, ... tade falsa.
Símbolo: ↔ A segunda, vamos sempre intercalar VFVFVF.
p: Lucas vai ao cinema. E a terceira VVFFVVFF.
q: Danilo vai ao cinema. Agora, vamos ver a tabela verdade de cada um dos
p↔q: Lucas vai ao cinema se, e somente se, Danilo vai operadores lógicos?
ao cinema.
-Negação
Referências p ~p
ALENCAR FILHO, Edgar de – Iniciação a lógica mate-
mática – São Paulo: Nobel – 2002. V F
F V

Se estamos negando uma coisa, ela terá valor lógico


oposto, faz sentido, não?

2
- Conjunção p q p →q
Eu comprei bala e chocolate, só vou me contentar se
eu tiver as duas coisas, certo? V V V
Se eu tiver só bala não ficarei feliz, e nem se tiver só V F F
chocolate.
F V V
E muito menos se eu não tiver nenhum dos dois.
F F V
p q p ∧q
-Bicondicional
V V V Ficarei em casa, se e somente se, chover.
V F F Estou em casa e está chovendo.
A ideia era exatamente essa. (V)
F V F Estou em casa, mas não está chovendo.
F F F Você não fez certo, era só pra ficar em casa se cho-
vesse. (F)
-Disjunção Eu sai e está chovendo.
Vamos pensar na mesma frase anterior, mas com o Aiaiai não era pra sair se está chovendo (F)
conectivo “ou”. Não estou em casa e não está chovendo.
Eu comprei bala ou chocolate. Sem chuva, você pode sair, ta?(V)
Eu comprei bala e também comprei a chocolate, está
certo pois poderia ser um dos dois ou os dois. p q p ↔q
Se eu comprei só bala, ainda estou certa, da mesma
forma se eu comprei apenas chocolate. V V V
Agora se eu não comprar nenhum dos dois, não dará V F F
certo.
F V F
p q p ∨q
F F V
V V V
V F V
F V V EXERCÍCIOS COMENTADOS
F F F
1.(EBSERH – ÁREA MÉDICA – CESPE – 2018) A respei-
-Disjunção Exclusiva to de lógica proposicional, julgue o item que se segue.
Na disjunção exclusiva é diferente, pois OU comprei Se P, Q e R forem proposições simples e se ~R indicar
chocolate OU comprei bala. a negação da proposição R, então, independentemente
Ou seja, um ou outro, não posso ter os dois ao mes- dos valores lógicos V = verdadeiro ou F = falso de P, Q e
mo tempo. R, a proposição P→Q∨(~R) será sempre V.

p q p ∨q ( )CERTO ( )ERRADO

V V F Resposta: Errado Se P for verdadeiro, Q falso e R fal-


V F V so, a proposição é falsa.
F V V
2. (TRT 7ª REGIÃO – CONHECIMENTOS BÁSICOS –
F F F CESPE – 2017)

-Condicional Texto CB1A5AAA – Proposição P


Se chove, então faz frio.
Se choveu e fez frio. A empresa alegou ter pago suas obrigações previdenciá-
Estamos dentro da possibilidade.(V) rias, mas não apresentou os comprovantes de pagamen-
Choveu e não fez frio. to; o juiz julgou, pois, procedente a ação movida pelo
Não está dentro do que disse. (F) ex-empregado.
Não choveu e fez frio. A quantidade mínima de linhas necessárias na tabela-
Ahh tudo bem, porque pode fazer frio se não chover, -verdade para representar todas as combinações possí-
RACIOCÍNIO LÓGICO

certo?(V) veis para os valores lógicos das proposições simples que


Não choveu, e não fez frio. compõem a proposição P do texto CB1A5AAA é igual a
Ora, se não choveu, não precisa fazer frio. (V)
a) 32.
b) 4.
c) 8.
d) 16.

3
Resposta: Letra C. P: A empresa alegou ter pago suas TAUTOLOGIA
obrigações previdenciárias.
Q: apresentou os comprovantes de pagamento. Definição: Chama-se tautologia, toda proposição
R: o juiz julgou, pois, procedente a ação movida pelo composta que terá a coluna inteira de valor lógico V.
ex-empregado. Podemos ter proposições SIMPLES que são falsas e se
Número de linhas: 2³=8 a coluna da proposição composta for verdadeira é tau-
tologia.
3.(SERES-PE – AGENTE DE SEGURANÇA PENITEN- Vamos ver alguns exemplos.
CIÁRIA – CESPE – 2017) A partir das proposições sim-
ples P: “Sandra foi passear no centro comercial Bom A proposição ~(p∧p) é tautologia, pelo Princípio da
Preço”, Q: “As lojas do centro comercial Bom Preço esta- não contradição. Está lembrado?
vam realizando liquidação” e R: “Sandra comprou roupas Princípio da não Contradição: uma proposição não
nas lojas do Bom Preço” é possível formar a proposição pode ser verdadeira “e” falsa ao mesmo tempo.
composta S: “Se Sandra foi passear no centro comercial
Bom Preço e se as lojas desse centro estavam realizan- P ~p p∧~p ~(p∧∼p)
do liquidação, então Sandra comprou roupas nas lojas
do Bom Preço ou Sandra foi passear no centro comercial V F F V
Bom Preço”. Considerando todas as possibilidades de as F V F V
proposições P, Q e R serem verdadeiras (V) ou falsas (F), é
possível construir a tabela-verdade da proposição S, que
está iniciada na tabela mostrada a seguir. A proposição p∨ ~p é tautológica, pelo princípio do
Terceiro Excluído.
Princípio do Terceiro Excluído: toda proposição “ou”
é verdadeira “ou” é falsa, isto é, verifica-se sempre um
desses casos e nunca um terceiro caso.

P ~p p∨~p
V F V
F V V

Esses são os exemplos mais simples, mas normalmen-


te conseguiremos resolver as questões com base na ta-
bela verdade, por isso insisto que a tabela verdade dos
operadores, têm que estar na “ponta da língua”, quase
como a tabuada da matemática.
Completando a tabela, se necessário, assinale a opção Veremos outros exemplos.
que mostra, na ordem em que aparecem, os valores ló-
gicos na coluna correspondente à proposição S, de cima Exemplo 1
para baixo. Vamos pensar nas proposições:
P: João é estudante.
a) V / V / F / F / F / F / F / F. Q: Mateus é professor.
b) V / V / F / V / V / F / F / V. Se João é estudante, então João é estudante ou Ma-
c) V / V / F / V / F / F / F / V. teus é professor.
d) V / V / V / V / V / V / V / V.
e) V / V / V / F / V / V / V / F. Em simbologia: p→p∨q

Resposta: Letra D P Q p∨q p→p∨q


A proposição S é composta por: (p∧q)→(r∨p)
V V V V
P Q R p∧q r∨p S(p∧q)→(r∨p)
V F V V
V V V V V V
F V V V
V V F V V V
F F F V
V F V F V V
RACIOCÍNIO LÓGICO

V F F F V V A coluna inteira da proposição composta deu verda-


deiro, então é uma tautologia.
F V V F V V
F V F F F V Exemplo 2
F F V F V V Com as mesmas proposições anteriores:
João é estudante ou não é verdade que João é estu-
F F F F F V dante e Mateus é professor.

4
p∨~(p∧q) EQUIVALÊNCIAS LÓGICAS

P Q p∧q ~(p∧q) p∨~(p∧q) Diz-se que uma proposição P(p,q,r..) é logicamente


equivalente ou equivalente a uma proposição Q(p,r,s..) se
V V V F V as tabelas-verdade dessas duas proposições são IDÊN-
V F F V V TICAS.
Para indicar que são equivalentes, usaremos a seguin-
F V F V V
te notação:
F F F V V P(p,q,r..) ⇔ Q(p,r,s..)

Novamente, coluna deu inteira com valor lógico ver- Essa parte de equivalência é um pouco mais chatinha,
dadeiro, é tautologia. mas conforme estudamos, vou falando algumas dicas.

Exemplo 3 Regra da Dupla negação


Se João é estudante ou não é estudante, então Ma-
teus é professor. ~~p⇔p
p ~p ~~p
P Q ~p p∨~p p∨~p→q V F V
V V F V V F V F
V F F V F
São iguais, então ~~p⇔p
F V V V V
F F V V F Regra de Clavius

Deu pelo menos uma falsa e agora? ~p→p⇔p


Não é tautologia.
p ~p ~p→p
Referências V F V
ALENCAR FILHO, Edgar de. Iniciação a lógica mate-
mática. São Paulo: Nobel – 2002. F V F

Regra de Absorção

EXERCÍCIO COMENTADO p→p∧q⇔p→q

1.(INSS – ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – CESPE – p q p∧q p→p∧q p→q


2016) Com relação a lógica proposicional, julgue o item V V V V V
subsequente. V F F F F
Considerando-se as proposições simples “Cláudio pratica
esportes” e “Cláudio tem uma alimentação balanceada”, F V F V V
é correto afirmar que a proposição “Cláudio pratica es- F F F V V
portes ou ele não pratica esportes e não tem uma ali-
mentação balanceada” é uma tautologia. Condicional

( ) CERTO ( ) ERRADO Gostaria da sua atenção aqui, pois as condicionais são


as mais pedidas nos concursos.
Resposta: Errado
A condicional p→q e a disjunção ~p∨q, têm tabelas-
p: Cláudio pratica esportes.
-verdades idênticas
q: Cláudio tem uma alimentação balanceada.
(p∨~p)∧~q
p ~p q p∧q p→q ~p∨q
V F V V V V
RACIOCÍNIO LÓGICO

P ~P Q ~q p∨~P (p∨∼p)∧∼q
V F V F V F V F F F F F
V F F V V V F V V F V V
F V V F V F F V F F V V
F V F V V V

5
Exemplo Equivalências notáveis:
p: Coelho gosta de cenoura
q: Coelho é herbívoro. 1 - Distribuição (equivalência pela distributiva)

p→q: Se coelho gosta de cenoura, então coelho é a) p ∧ (q ∨ r) ⇔ (p ∧ q) ∨ (p ∧ r)


herbívoro.
~p∨q: Coelha não gosta de cenoura ou coelho é her- p q r q p
p ∧ (q p∧ (p ∧ q) ∨ (p
bívoro ∨r ∧r
∨ r) q ∧ r)
A condicional ~p→~q é equivalente a disjunção V V V V V V V V
p∨~q V V F V V V F V
V F V V V F V V
p q ~p ~q ~p→~q p∨~q
V F F F F F F F
V V F F V V
F V V V F F F F
V F F V V V
F V F V F F F F
F V V F F F
F F V V F F F F
F F V V V V
F F F F F F F F
Equivalências fundamentais (Propriedades Fun-
damentais): a equivalência lógica entre as proposições b) p ∨ (q ∧ r) ⇔ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r)
goza das propriedades simétrica, reflexiva e transitiva.
p q r q p ∨ (q p∨ p (p ∨ q) ∧
1 – Simetria (equivalência por simetria) ∧r ∧ r) q ∨r (p ∨ r)
V V V V V V V V
a) p ∧ q ⇔ q ∧ p
V V F F V V V V
p q p∧q q∧p
V F V F V V V V
V V V V
V F F F V V V V
V F F F
F V V V V V V V
F V F F
F V F F F V F F
F F F F
F F V F F F V F
b) p ∨ q ⇔ q ∨ p F F F F F F F F
p q p∨q q∨p
2 - Associação (equivalência pela associativa)
V V V V
V F V V a) p ∧ (q ∧ r) ⇔ (p ∧ q) ∧ (p ∧ r)
F V V V
F F F F p q r q p ∧ (q ∧ r) p∧q p (p ∧ q) ∧
∧r ∧r (p ∧ r)
c) p ∨ q ⇔ q ∨ p V V V V V V V V

p q p∨q q ∨ p V V F F F V F F

V V F F V F V F F F V F

V F V V V F F F F F F F

F V V V F V V V F F F F

F F F F F V F F F F F F
F F V F F F F F
d) p ↔ q ⇔ q ↔ p F F F F F F F F
RACIOCÍNIO LÓGICO

p q p↔q q↔p
V V V V
V F F F
F V F F
F F V V

6
b) p ∨ (q ∨ r) ⇔ (p ∨ q) ∨ (p ∨ r) 3º caso: (p → ~q) ⇔ (q → ~p)

p q r q p ∨ (q p∨ p (p ∨ q) ∨ p q ~q p → ~q ~p q → ~p
∨r ∨ r) q ∨r (p ∨ r) V V F F F F
V V V V V V V V V F V V F V
V V F V V V V V F V F V V V
V F V V V V V V F F V V V V
V F F F V V V V
5 - Pela bicondicional
F V V V V V V V
F V F V V V F V a) (p ↔ q) ⇔ (p → q) ∧ (q → p), por definição
F F V V V F V V
F F F F F F F F p q p↔q p→q q→p (p → q) ∧ (q → p)
V V V V V V
3 – Idempotência
V F F F V F
a) p ⇔ (p ∧ p) F V F V F F
F F V V V V
Para ficar mais fácil o entendimento, vamos fazer duas
colunas com p b) (p ↔ q) ⇔ (~q → ~p) ∧ (~p → ~q)

p p p∧p p q p↔ ~q ~p ~q → ~p → (~q → ~p) ∧


V V V q ~p ~q (~p → ~q)
F F F V V V F F V V V
V F F V F F V F
b) p ⇔ (p ∨ p)
F V F F V V F F
p p p ∨p
F F V V V V V V
V V V
F F F c) (p ↔ q) ⇔ (p ∧ q) ∨ (~p ∧ ~q)

4 - Pela contraposição: de uma condicional gera-se


p q p p∧ ~p ~q ~p ∧ (p ∧ q) ∨ (~p
outra condicional equivalente à primeira, apenas inver-
↔ q ~q ∧ ~q)
tendo-se e negando-se as proposições simples que as
q
compõem.
Da mesma forma que vimos na condicional mais aci- V V V V F F F V
ma, temos outros modos de definir a equivalência da V F F F F V F F
condicional que são de igual importância.
F V F F V F F F
1º caso: (p → q) ⇔ (~q → ~p) F F V F V V V V

p q ~p ~q p→q ~q → ~p 6 - Pela exportação-importação


V V F F V V [(p ∧ q) → r] ⇔ [p → (q → r)]
V F F V F F
F V V F V V p q r p∧q (p ∧ q) → r q→r p → (q → r)
F F V V V V V V V V V V V
V V F V F F F
2º caso: (~p → q) ⇔ (~q → p)
V F V F V V V
RACIOCÍNIO LÓGICO

p q ~p ~p → q ~q ~q → p V F F F V V V
V V F V F V F V V F V V V
V F F V V V F V F F V F V
F V V V F V F F V F V V V
F F V F V F F F F F V V V

7
Proposições Associadas a uma Condicional (se, en- a) Se foram encontrados vídeos em que ele supostamen-
tão) te aparece executando os dois esquartejamentos, ele é
suspeito também de ter cometido esses crimes.
Chama-se proposições associadas a p → q as três pro- b) Ele não é suspeito de outros dois esquartejamentos, já
posições condicionadas que contêm p e q: que não foram encontrados vídeos em que ele supos-
tamente aparece executando os crimes.
– Proposições recíprocas: p → q: q → p c) Se não foram encontrados vídeos em que ele suposta-
– Proposição contrária: p → q: ~p → ~q mente aparece executando os dois esquartejamentos,
– Proposição contrapositiva: p → q: ~q → ~p ele não é suspeito desses crimes.
d) Como ele é suspeito de ter cometido também dois
Observe a tabela verdade dessas quatro proposições: esquartejamentos, foram encontrados vídeos em que
ele supostamente aparece executando os crimes.
p q ~p ~q p→ q→ ~p → ~q → e) Foram encontrados vídeos em que ele supostamente
q p ~q ~p aparece executando os dois esquartejamentos, pois
ele é também suspeito de ter cometido esses crimes.
V V F F V V V V
V F F V F V V F Resposta: A A expressão já que=pois
F V V F V F F V Que se for escrita com a condicional, devemos mudar
as proposições de lugar.
F F V V V V V V Se foram encontrados vídeos em que ele supostamen-
te aparece executando os dois esquartejamentos, ele
Observamos ainda que a condicional p → q e a sua é suspeito também de ter cometido esses crimes.
recíproca q → p ou a sua contrária ~p → ~q NÃO SÃO
EQUIVALENTES. Referências
ALENCAR FILHO, Edgar de – Iniciação a lógica mate-
mática – São Paulo: Nobel – 2002.
EXERCÍCIOS COMENTADOS CABRAL, Luiz Cláudio Durão; NUNES, Mauro César de
Abreu - Raciocínio lógico passo a passo – Rio de Janeiro:
Elsevier, 2013.
1. (TRF 1ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE –
2017) A partir da proposição P: “Quem pode mais, chora
menos.”, que corresponde a um ditado popular, julgue o
Negação de uma proposição composta
próximo item.
Do ponto de vista da lógica sentencial, a proposição P é
Definição: Quando se nega uma proposição compos-
equivalente a “Se pode mais, o indivíduo chora menos”.
ta primitiva, gera-se outra proposição também composta
( ) CERTO ( ) ERRADO e equivalente à negação de sua primitiva.
Ou seja, muitas vezes para os exercícios teremos que
Resposta: Certo Uma dica é que normalmente quan- saber qual a equivalência da negação para compor uma
do tem vírgula é condicional, não é regra, mas aconte- frase, por exemplo.
ce quando você não acha o conectivo.
Negação de uma conjunção (Lei de Morgan)
2. (PC-PE – PERITO PAPILOSCOPISTA – CESPE –
2016) Para negar uma conjunção, basta negar as partes e
trocar o conectivo conjunção pelo conectivo disjunção.
Texto CG1A06AAA
~(p ∧ q) ⇔ (~p ∨ ~q)
A Polícia Civil de determinado município prendeu, na p q ~p ~q p∧q ~(p ∧ q) ~p ∨
sexta-feira, um jovem de 22 anos de idade suspeito de ~q
ter cometido assassinatos em série. Ele é suspeito de cor-
tar, em três partes, o corpo de outro jovem e de enterrar V V F F V F F
as partes em um matagal, na região interiorana do mu- V F F V F V V
nicípio. Ele é suspeito também de ter cometido outros F V V F F V V
dois esquartejamentos, já que foram encontrados vídeos
em que ele supostamente aparece executando os crimes F F V V F V V
RACIOCÍNIO LÓGICO

Assinale a opção que é logicamente equivalente à propo-


sição “Ele é suspeito também de ter cometido outros dois Negação de uma disjunção (Lei de Morgan)
esquartejamentos, já que foram encontrados vídeos em
que ele supostamente aparece executando os crimes”, Para negar uma disjunção, basta negar as partes e
presente no texto CG1A06AAA. trocar o conectivo-disjunção pelo conectivo-conjunção.

~(p ∨ q) ⇔ (~p ∧ ~q)

8
p q ~p ~q p∨q ~(p ∨ q) ~p ∧ ~q
V V F F V F F
V F F V V F F
F V V F V F F
F F V V F V V

Resumindo as negações, quando é conjunção nega as duas e troca por “ou”


Quando for disjunção, nega tudo e troca por “e”.

Negação de uma disjunção exclusiva


~(p ∨ q) ⇔ (p ↔ q)
p q p∨q ~( p∨q) p↔q
V V F V V
V F V F F
F V V F F
F F F V V

Negação de uma condicional


Famoso MANE
Mantém a primeira e nega a segunda.
~(p → q) ⇔ (p ∧ ~q)
p q p→q ~q ~(p → q) p ∧ ~q
V V V F F F
V F F V V V
F V V F F V
F F V V F F

Negação de uma bicondicional


~(p ↔ q) = ~[(p → q) ∧ (q → p)] ⇔ [(p ∧ ~q) ∨ (q ∧ ~p)]

P Q p↔q p→q q→p p → q) ∧ (q → p)] ~[(p → q) ∧ (q → p)] p ∧ ~q q ∧ ~p [(p ∧ ~q) ∨ (q ∧ ~p)]


V V V V V V F F F F
V F F F V F V V F V
F V F V F F V F V V
F F V V V V F F F F

Dupla negação (Teoria da Involução)

a) De uma proposição simples: p ⇔ ~ (~p)

P ~P ~ (~p)
V F V
F V F

b) De uma condicional: Definição: A dupla negação de uma condicional dá-se da seguinte forma: nega-se a 1ª parte
da condicional, troca-se o conectivo-condicional pela disjunção e mantém-se a 2ª parte.
RACIOCÍNIO LÓGICO

Demonstração: Seja a proposição primitiva: p → q nega-se