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FUNDAÇÃO PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS - FUPAC

FACULDADE PRESIDENTE ANTONIO CARLOS DE TEÓFILO OTONI


FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS - DIREITO

ISABEL CRISTINA MAGALHÃES


MARIA APARECIDA DOS SANTOS ALMEIDA
NISIÉLIA SOARES
PAULO HENRIQUE DOS ANJOS S SOUZA
RAFAEL SIMPLÍCIO CRUZ

AS ESCOLAS PENAIS

TEÓFILO OTONI
MARÇO/2011

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ISABEL CRISTINA MAGALHÃES
MARIA APARECIDA DOS SANTOS ALMEIDA
NISIÉLIA SOARES
PAULO HENRIQUE DOS ANJOS S SOUZA
RAFAEL SIMPLÍCIO CRUZ

AS ESCOLAS PENAIS

Trabalho apresentado ao Curso de


Direito da Universidade Presidente
Antônio Carlos – UNIPAC, como
requisito parcial para obtenção de
créditos na Matéria Direito Penal I, 2º
Período, sob Orientação da Professor
Sandro Lúcio Fonseca.

TEÓFILO OTONI
MARÇO/2011

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SUMÁRIO

1INTRODUÇÃO..................................................................................................4
2AS ESCOLAS PENAIS.....................................................................................5
A ESCOLA CLÁSSICA...................................................................................5
ESCOLA POSITIVA - EXPERIMENTALISTA.................................................7
ESCOLA CRÍTICA – TERZA SCUOLA ITALIANA.........................................9
ESCOLA MODERNA ALEMÃ.........................................................................9
ESCOLA TÉCNICO-JURÍDICA....................................................................11
ESCOLA CORRECIONALISTA....................................................................11
ESCOLA DA DEFESA SOCIAL....................................................................12
ESCOLA FINALISTA....................................................................................13
TENDÊNCIAS CRÍTICAS CRIMINOLÓGICAS RADICAIS..........................14
3CONCLUSÃO.................................................................................................16
4BIBLIOGRAFIA...............................................................................................17

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1 INTRODUÇÃO
O estudo da evolução histórica das idéias, conceitos e sistemas de
pensamento que norteiam o Direito Penal é de suma importância para avaliar a
mentalidade contemporânea no que tange ao nosso sistema punitivo. No contexto
deste estudo, a doutrina penal costuma dar certo destaque ao histórico das escolas
penais, objeto de estudo do presente trabalho.

O estudo da dogmática jurídica penal não pode se dissociar de uma visão


mais panorâmica e histórica das bases do direito penal. E o estudo das Escolas
Penais parece cumprir bastante bem esta tarefa. A partir desse estudo temos noção
da evolução do pensamento sobre direito penal e ainda mais, fazemos um passeio
pela história do direito penal, com paradas em pontos cruciais que nos levam a
entender com mais propriedade o direito penal vivenciado atualmente.

Não se pretende com este trabalho criticar o Direito Penal atual, mas sim
desvendar como ele surgiu, como foi sua evolução e de onde derivou a sua
essência. Nesse trabalho será feita uma abordagem superficial das Escolas Penais
e sua influência no direito penal dentro de sua época, servindo esse conhecimento
de base para análise apropriada do direito penal na atualidade.

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2 AS ESCOLAS PENAIS
Durante o século XVII, o Iluminismo, movimento que deu nome a esse século
de Século das Luzes, tendo seu clímax com a Revolução Francesa, foram formadas
várias correntes ideológicas que visavam criticar os excessos existentes na
legislação penal da época. Tais críticas objetivavam a redução da crueldade imposta
aos condenados, a proposição da individualização das penas e a equivalência desta
ao delito praticado.

A organização destas correntes de forma sistemática proporcionou o


surgimento das Escolas Penais. O doutrinador Cezar Roberto Bitencourt retrata isso
dizendo do surgimento de inúmeras correntes de pensamento no século XIX de
forma sistemática, segundo determinados princípios.

O estudo das Escolas Penais, portanto, permite entender o funcionamento e


as finalidades das penas no direito hodierno.

A ESCOLA CLÁSSICA

Esta escola em tese não existiu. O nome dado a ela foi atribuído pelos
positivistas no intuído de pejorar sua existência. A doutrina desta escola possui
caráter heterogênea dado a dificuldade de se reunir um conteúdo homogêneo dos
juristas pertencentes a esta corrente.

A filosofia abordada dentro desta corrente tem duas teorias fundamentais que
são a princípio distintas, contudo, coincidem no fundamental. Trata-se do
Contratualismo e do Jusnaturalismo.

O Jusnaturalismo é a idéia de um direito natural superior, resultado da própria


natureza humana, imutável e eterno. Já o Contratualismo é a concepção de que o
estado, e por extensão a ordem jurídica resulta de um grande e livre acordo entre os
homens, que cedem parte de seus direitos no interesse da ordem e segurança
comuns.

De início, temos que essas teorias são opostas, contudo na sua essência são
coincidentes quanto reconhecem a existência de um sistema de normas jurídicas
anteriores e superiores ao Estado, contestando assim, a legitimidade da tirania
estatal. Esses pensamentos objetivavam a restauração da dignidade humana e o
direito do cidadão perante o Estado, fundamentado no individualismo, sendo este
inspirador do surgimento da escola clássica.

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Cesare Beccaria, ao mencionar o contrato social em sua obra “Dos Delitos e
das Penas”, aponta que delinquente é aquele que rompe com o contrato social,
sendo presumido que este tinha conhecimento do contrato e o aceitou, tendo,
portanto obrigação de suportar o castigo que lhe será imposto.

Para os clássicos, os poderes do juiz eram duramente limitados, sendo esse


transformado praticamente em mero executor legislativo. A pena era uma medida
repressiva, aflitiva e pessoal, que se aplicava ao autor de um fato delituoso que
tivesse agido com capacidade de querer e de entender.

Didaticamente, esta escola pode ser dividida em duas fases. Na primeira fase
a escola clássica procurou pontuar a diferença entre a justiça divina e a justiça
humana, lutando pela soberania popular contra o absolutismo e também pelos
direitos e garantias individuais. Em um segundo momento, focou-se no estudo
jurídico do crime e da pena através da sistematização de normas jurídicas
repressivas tendo como principais conceitos a responsabilidade penal, o crime e a
pena.

Como maiores expoentes desta escola temos Pelgrino Rossi, Giovanni


Carmignani, o alemão Anselmo Von Fewerbach e sem dúvida a maior representação
desta escola Francesco Carrara.

Pelgrino Rossi deu atenção à necessidade social para fundamentar a


essência da lei penal. O homem tem na sociedade deveres sociais, sendo estes
violados, consuma-se o crime. A pena em contrapartida consiste no
restabelecimento da ordem social afetada pela conduta antagônica ao ordenamento
jurídico.

Giovanni Carmignani também fundamenta sua doutrina na necessidade


política da conservação social. Visa separar a moral do campo do direito,
entendendo que a lei ética funciona como limite e medida da ciência jurídica, tendo
na pena o instrumento necessário para preservar a sociedade de futuras agressões
e não como meio de vingar-se do delito já cometido.

Em sua doutrina, Anselmo Von Fewerbach afirma que a pena tem duas
vertentes. A primeira abrange seus aspectos psicológicos, em que o indivíduo é
levado a não cometer delitos devido à influência negativa que a pena exerce
diretamente sobre sua vida. Já a segunda trata da coação propriamente dita,
exercida pelo Estado na aplicação da pena em concreto.

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Os estudos de Francesco Carrara são atuais até hoje. Ele tratou de todos os
assuntos do Direito Penal como entidade jurídica. É o verdadeiro fundador da
dogmática penal, estudando o delito e a pena sub especie juris, apesar de não se
basear em nenhuma lei positiva ou código. Partindo da lei natural, constrói a teoria
do delito como ente jurídico e, em continuidade com esse método, estuda os delitos
em espécie, deixando um legado de estudos sobre a parte especial dos códigos que
até hoje não foram superados.

ESCOLA POSITIVA - EXPERIMENTALISTA

Nascida no século XIX, contemporânea do nascimento dos estados


sociológicos e biológicos, a Escola Penal Positiva em sua filosofia prioriza mais os
interesses sociais em relação aos individuais. Em linhas gerais, esta escola nos traz
que a pena tem por finalidade apenas afastar o criminoso do resto da sociedade
pelo máximo de tempo possível. Enquanto a Escola Clássica pensava no retorno
deste à sociedade, na escola positiva a ressocialização não era finalidade da pena,
ficando em um segundo plano.

Para essa escola, a aplicação da pena era uma reação natural do organismo
social à atividade anormal dos seus componentes. Nessa linha de pensamento, a
pena perde seu caráter punitivo e torna-se uma forma de a sociedade se livrar de
indivíduos tidos como impróprios para o convívio social, sendo o delito e o
delinquente tratados como patologias sociais. A pena passa então a ser aplicada
não com base no caráter da atitude praticada pelo réu, mas sim vinculada a sua
personalidade. Desta forma, quanto mais perigo o indivíduo, maior será sua pena.

Outro aspecto interessante nesta escola era a aplicação de sanções antes


mesmo da prática delituosa, em certas condutas entendidas como perigosas como,
por exemplo, embriaguês ou desonestidade. Assim o homem participava no contexto
vivendo e a pena era sempre aplicada pela periculosidade das atitudes praticadas
pelos homens. Desta forma, havia sempre uma disparidade entre a pena aplicada e
o crime praticado, sendo que a pena sempre era aplicada levando-se em
consideração a personalidade do réu, visando sempre a defesa social.

Assim verificamos que os fundamentos e características principais desta


escola são a pena como finalidade social; oposição à tutela jurídica da pena;
tratamento do crime como um fenômeno natural e social advindo de causas físicas,

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biológicas e sociais; responsabilidade do indivíduo determinada pela periculosidade
de suas ações ou em decorrência de sua personalidade, entre outras.

Baseadas nessa preocupação com a periculosidade do indivíduo, tentando


através da apenação afastá-lo da sociedade, foram cometidas as maiores
atrocidades no que diz respeito aos direitos humanos. Cesare Lombroso, criador da
Escola Penal Biológica, propôs a criação do criminoso em potencial ou criminoso
nato, teoria aceita pela Escola Positiva.

Lombroso, tomando como base uma série de traços físicos e


comportamentais tentou traçar um padrão para pessoas criminosas, chegando a
acreditar que o criminoso nato era um tipo de subespécie do homem, com
características físicas e mentais, crendo, inclusive, que fosse possível estabelecer
as características pessoais das diferentes espécies de delinquente. Sua teoria é tida
por muitos autores como racista-biologista.

Esta escola se dividiu em três fases:

A primeira fase, conhecida como fase Antropológica, representada por Cesare


Lombroso, considerado o criador da Escola Positiva, fundamentou-se na proposição
de um padrão para o comportamento e aparência física dos criminosos, tentando
assim definir o criminoso nato ou criminoso em potencial.

A segunda fase, conhecida como fase Sociológica, representada por Enrico


Ferri, o criador da sociologia criminal foi responsável pela expansão do trinômio
causal do delito, embasado em fatores antropológicos, sociais e físicos. a
responsabilidade moral pela social, afirmando que o homem só pode ser
responsabilizado por algo porque vive em sociedade, estando ele isolado não lhe
caberia nenhuma responsabilidade. Buscou dar mais importância à prevenção em
lugar da repressão, pontuando fatores econômicos e sociais como causas de origem
da criminalidade. Ele procurou estabelecer uma classificação para os criminosos
dividindo-os em cinco grupos: natos, loucos, habituais, ocasionais e passionais.

A terceira fase, a fase Jurídica, foi representada por Rafael Garófalo, busca
sistematizar a interação entre a parte antropológica e a parte sociológica, juntando
essas partes na aplicação do direito penal. Este buscou idealizar um conceito de
crime que pairasse acima das legislações e tinha na moral um bem indispensável a
todos os indivíduos que vivessem socialmente. Desta forma, avaliação da conduta

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criminosa tinha que ser levada em consideração para determinar a dosimetria da
pena, como também a constância e o grau de perversidade utilizada pelo infrator.

ESCOLA CRÍTICA – TERZA SCUOLA ITALIANA

Após as escolas penais Clássica e Positiva, ocorreu o surgimento de


correntes de pensamento determinadas pela doutrina eclética. A Terza Scuola
Italiana faz parte dessas correntes ecléticas e é conhecida também como Escola
Crítica. Esta escola tem como marco inicial a publicação do artigo Uma Terza
Scuola di Diritto Penale in Itália, por Manuel Carnevale.

Em linhas gerais, as principais características dessa corrente são:

a) distinção entre imputáveis e inimputáveis, sendo o princípio da


responsabilidade moral fundado no determinismo psicológico (não no livre-arbítrio),
sendo este entendido como o “motivo mais forte”, sendo o determinante maior da
vontade do homem;

c) imputável é aquele que tiver a capacidade de se deixar levar pelos motivos


e a ele se aplica a pena; inimputável, quem não tiver esta capacidade, ao qual
aplica-se medida de segurança;

d) imputabilidade resulta da intimidabilidade (intimidar os indivíduos) e resulta


da dirigibilidade dos atos do homem;

e) o crime é visto como fenômeno social e individual, condicionado pelos


fatores apontados por Ferri (fatores individuais, físicos e sociais);

f) o fim da pena é a defesa social, sem que perca seu caráter aflitivo, sem o
qual não haveria distinção com a medida de segurança.

Em síntese, apesar de utilizar-se da medida de segurança e buscar a defesa


social, a Terza Scuola ainda ignora qualquer hipótese de ressocialização do
indivíduo, sendo a pena utilizada apenas para afastar o criminoso do meio social.

ESCOLA MODERNA ALEMÃ

A Escola Moderna Alemã, considerada por alguns como a mais importante


das escolas ecléticas ou intermediárias, surge principalmente dos estudos de um
político-criminólogo alemão, Franz Von Liszt.

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Esta escola inova quando traz a importância da função conciliatória e
ordenadora da política criminal. O ponto de partida para tal mister é a neutralidade
entre livre-arbítrio e determinismo, com a proposta de imposição da pena com
caráter intimidativo para os delinqüentes normais e a medida de segurança para os
perigosos (anormais e reincidentes). Todas essas medidas têm por fim único a
justiça.

As principais características dessa escola são:

a) a orientação do Direito Penal segundo um fim, devendo apresentar uma


utilidade, captada pela estatística criminal;

b) a pena justa não é a que retribui justamente, mas é a pena necessária, ou


seja, não admitindo o livre-arbítrio, mas sim a normalidade social, deixa em segundo
plano a finalidade retributiva da pena e prioriza a prevenção especial;

c) passam a integrar o quadro das ciências penais a criminologia (explicação


das causas do delito) e a penologia (causas e efeitos da pena), esta última,
expressão criada pelo próprio Liszt;

d) adoção do método lógico-abstrato para o Direito Penal e o indutivo-


experimental para as demais ciências penais;

e) a distinção do Direito Penal das demais ciências criminais (sociologia,


antropologia, criminologia);

f) distinção entre imputáveis e inimputáveis fundada na normalidade de


determinação do indivíduo;

g) a resposta penal para o imputável é a pena, para o inimputável, a medida


de segurança (duplo binário);

h) o crime é concebido como fenômeno humano-social (realidade


fenomênica) e fato jurídico ao mesmo tempo;

i) a pena com função finalística (sanção retributiva) é substituída pela pena


finalística, ajustada à natureza do delinquente, sem, contudo perder seu caráter
retributivo – finalidade preventiva, prevenção especial;

j) são eliminadas ou substituídas as penas privativas de liberdade de curta


duração (o que é o início de uma política criminal liberal, na busca por penas
alternativas).

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ESCOLA TÉCNICO-JURÍDICA

A Escola Técnico-Jurídica surge como reação à confusão metodológica,


derivada da preocupação com os aspectos antropológicos e sociológicos do crime,
em prejuízo dos aspectos jurídicos. Assim, essa nova escola orienta-se como uma
corrente de renovação metodológica, e visa apontar o verdadeiro objeto do Direito
Penal, ou seja, o crime como fenômeno jurídico, não deixando de lado as questões
relacionadas à explicação do crime, relação causal. O seu método de Estudo é
técnico-jurídico ou lógico-abstrato.

Esta corrente entende o crime como relação de conteúdo individual e social,


sendo o crime um ente jurídico, pois é o direito que valoriza o fato e é a lei que o
determina como crime. Porém, em nenhum momento afasta-se o fato de que o crime
é também um fenômeno social e natural, originário de fatores biológicos e sociais.

As principais características desta escola são:


a) o delito é pura relação jurídica, de conteúdo individual e social;
b) a pena constitui uma reação e uma consequência do crime (tutela
jurídica), com função preventiva geral e especial, aplicável aos imputáveis;
c) a medida de segurança, ou seja, preventiva, deve ser aplicada aos
inimputáveis;
d) responsabilidade moral, ou seja, vontade livre;
e) método técnico-jurídico;
f) recusa o emprego da filosofia no campo penal.

ESCOLA CORRECIONALISTA

Surgida na Alemanha, em 1839 com a dissertação de Karl Roder intitulada


“Comentatio na poema malum esse debat”, tendo com fundamento filosófico o
sistema de Krause, pertencente ao movimento do idealismo romântico alemão,
durante a primeira metade do século XIX. Contudo, na Espanha é onde foram
encontrados os seus principais seguidores, que cultuaram o famoso correcionalismo
espanhol, com caráter eclético.

A maioria dos doutrinadores que estudam as escolas penais apontam que


uma das principais características da Escola Penal Correcionalista é fixar a correção
ou emenda do delinquente com fim único de pena. Começa-se a levar em conta
mesmo que indiretamente a possibilidade de ressocialização do delinquente através

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da pena, sendo a pena nesse caso um meio de controle social e não uma forma de
retribuição ao crime.

Em síntese temos que a principal característica da Escola Correcionalista a


pena com finalidade de emenda ou correção. Por conseguinte temos:

a) a pena idônea é a privação de liberdade;

b) a pena deve ser indeterminada, ou seja, sem prévia fixação do tempo de


sua duração;

c) o arbítrio judicial deve ser ampliado no que se refere à individualização da


pena;

d) a função penal deve ser vista como preventiva e de tutela social;

e) a responsabilidade penal deve ser entendida como responsabilidade


coletiva, solidária e difusa.

Os correcionalistas explicam a utilização da pena indeterminada pelo simples


fato de que como a pena tem o fim de curar o indivíduo de sua doença, camada por
eles de anomalia de vontade, o delinquente deve ter a sua liberdade cerceada até
que a anomalia seja revertida, ou seja, até que esteja curado e pronto para voltar ao
convívio social. Em linhas gerais, eles acreditavam que a pena para o delinquente
era um bem e que este tinha direito a ela.

ESCOLA DA DEFESA SOCIAL

A primeira teoria de defesa social aparece somente no final do século XIX


com a revolução positivista. Esse movimento filosófico reformista que valoriza os
direitos humanos e o pensamento alternativo, deu origem a uma nova Escola de
Direito Penal, a Escola da Defesa Social.

A primeira sistematização desta escola é devida a Adolphe Prins que em sua


obra “A defesa social e as transformações do direito penal”, lança os primeiros
estudos específicos sobre o assunto objetivando renovar os meios de combate à
criminalidade.

Esta corrente fundamenta-se basicamente na defesa social pela adaptação e


ressocialização do delinquente e não pela sua neutralização. A essência desta
escola entra-se defesa social contra o fenômeno do crime e na ressocialização.
Assim o tratamento penal é visto como um instrumento preventivo.

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As concepções apontadas pelos doutrinadores filiados à corrente do
movimento de defesa social vão de encontro à idéia de um direito penal repressivo.
Esses pensadores entendem que a pena deve ser substituída por sistemas
preventivos e por intervenções educativas e reeducativas, excluindo a idéia de uma
pena para cada delito, mas sim uma medida para cada pessoa.

Dentre os princípios fundamentais do movimento defensista, podemos


destacar os que se seguem:

a) a luta contra a criminalidade deve ser reconhecida como uma das tarefas
mais importantes de que as sociedades estão incumbidas;

b) nessa luta, a sociedade deve recorrer a meios de ação diversos, ao


mesmo tempo pré-delitivos e pós-delitivos. O direito criminal deve ser
considerado como um dos meios de que a sociedade pode se utilizar para
fazer diminuir a criminalidade;

c) os meios de ação empregados com esse fim devem ter por escopo não
somente proteger a sociedade contra os criminosos, mas também proteger
a sociedade contra o risco de caírem na criminalidade. Por sua atividade
nesses dois campos, a sociedade deve estabelecer o que se pode chamar
com justa razão uma “defesa social”;

d) o movimento de defesa social, procurando assegurar a proteção do grupo


através da proteção de seus membros, entende prevalentes em todos os
aspectos da organização social os direitos da pessoa humana.

ESCOLA FINALISTA

A Escola Finalista é descendente da Escola Moderna Alemã e foi preconizada


pelo penalista alemão Hans Welzel. Esta escola teve o intuito de superar os ideais
positivistas.

A Escola Finalista passa a ver o direito como fenômeno humano-social. Assim


ela enxerga o homem como um ser responsável, capaz de determinar livremente
suas vontades, nasce aí a necessidade de analisar o conteúdo subjetivo do agente,
para uma melhor conceituação de crime. Nessa tônica, o deslocamento do dolo e da

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culpa para o começo da análise do delito, ou seja, para o fato típico é a principal
contribuição do finalismo.

Para os participantes dessa escola, não há como separar a vontade da


conduta, sendo o fato típico a vontade que coloca a conduta em movimento, assim
“sem vontade não existe conduta, sem conduta não há fato típico”. Assim
concluímos que a vontade anima os atos direcionando-os à determinada finalidade.

Já a culpabilidade passa a ser analisada sob aspecto da consciência da


ilicitude e o juízo de reprovação que recai sobre o agente que feriu o ordenamento
jurídico, ou seja, um juízo de valor que será lançado pelo julgador. A partir dessa
afirmação, começaram a surgir questionamentos acerca dos delitos culposos, uma
vez que, pela lógica apresentada, esses não teriam fundamentação para
subsistirem, contudo, Hans Welzel, no intuito de contornar essa situação,
argumentou dizendo que a atuação culposa ensejadora de reprovabilidade, resulta
da omissão, resulta de um comportamento dirigido à evitar a lesão.

Assim, a Escola Finalista deixa de considerar o conceito tripartido de crime e


passa a adotar um conceito bipartido, sendo considerando então o crime como um
fato típico e antijurídico.

TENDÊNCIAS CRÍTICAS CRIMINOLÓGICAS RADICAIS

As concepções da Escola Clássica não mais explicavam o comportamento


criminoso. Surge o Positivismo com o determinismo que resolve o problema da
classe dominante que diz: se a origem do crime está no sujeito, para que se
preocupar com as desigualdades sociais. O Positivismo também é insuficiente para
explicar a criminalidade é um método limitado. Surgem então, as chamadas
tendências críticas que negam o mito do Direito Penal como Direito Igualitário.

Fundado nos trabalhos de Lemert e Becker, surge a chamada Teoria da


Rotulação; que diz que o crime depende da reação social contra o criminoso. O
trabalho coletivo de Taylor Nelton e Young “The New Criminology” deu origem a
chamada Criminologia Radical, cujo próprio nome vem de raiz, que vai a essência
das coisas, busca causas reais da criminalidade. Para adeptos da Criminologia
Radical, o processo de criminalização protege a classe dominante e o sistema
carcerário reproduz desigualdades sociais. Os críticos dão um especial destaque a

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chamada violência institucional, que é a violência exercida pelo Estado contra a
população.

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3 CONCLUSÃO
Foram longos e árduos, os caminhos pelos os quais transitou a humanidade
até chegarmos a uma visão que temos hoje sobre a temática crime: pena, criminoso
e sociedade.

Deu-se uma importância exagerada ao debate entre as escolas penais, foram


criados inúmeros volumes com a única finalidade de demonstrar a perfeição dos
postulados e princípios de uma sobre a outra, mas o que interessa ao individuo e a
sociedade é o direito normativo que há de recolher de todas elas tudo o quanto de
útil e real oferecem sem se deixar empolgar por concepções ditadas pelo sectarismo
estéril.

Um código não se deve escravizar a preconceitos de escolas. Muito mais que


para as discussões e contendas filosóficas, que não devem transpor o pórtico da lei,
necessita o legislador atentar para o problema político, aparando as arremetidas do
direito penal autoritário, que asfixia o indivíduo em proveito dos poderosos do
momento, postergando direitos que são vitais e inerentes à própria condição
humana.

Desta forma, a concepção da aplicabilidade da lei penal à sociedade estará


sempre em discussão e por conta disso em constante evolução, atendendo sempre
ao princípio fundamental de toda norma, a justiça.

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4 BIBLIOGRAFIA
BECCARIA, César Bonesana, Marquês de - Dos Delitos e das Penas - Bauru:
Edipro, 1993.

MARCÃO, Renato; MARCON, Bruno. Rediscutindo os fins da pena. Jus


Navigandi, Teresina, ano 7, n. 54, 1 fev. 2002. Disponível em:
<http://jus.uol.com.br/revista/texto/2661>. Acesso em: 3 mar. 2011.

BITENCOURT, C. R. Manual de direito penal - parte geral. 6ª ed., São Paulo,


RT, 2000.

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