Você está na página 1de 2

REFERÊNCIA:

RODRIGUES, Radael Rezende. Pós-Modernidade e o Cinema de Pós-


Continuidade. Porto Alegre: Revista Arte ConTexto, 2015.

RESUMO
O artigo tem como foco, discutir o modelo de cinema chamado cinema de pós-
continuidade, trançando um paralelo desse tipo de cinema com a sociedade
contemporânea no qual está inserido, e como os filmes pertencentes a esse modelo
dialogam e são o próprio reflexo do ritmo intenso e cheio de informações no qual
vivemos.
O texto em sua introdução, explica que nas últimas duas décadas o cinema
hollywoodiano tem passado por um momento em que há um descaso de uma
continuidade lógica de fatos e narrativa harmônica para, ao invés disso, se
preocupar mais em instigar os estímulos sensoriais do espectador. O autor então
explicita sua intenção de relacionar esse cinema espetacularizado com o a realidade
capitalista atual, e como o conceito de espaço-tempo é constantemente modificado
devido a essa lógica de excessos de consumo e estímulos sensoriais.
Em “Entretenimento, consumo e espetáculo na pós-modernidade” é traçado uma
linha histórica de como com a evolução de meios de informação ocorrida na metade
do século XX marcaram profundamente a forma em que o conhecimento e as
informações são difundidas até atualmente. Essas mudanças alteram a própria
percepção espaço temporal, onde o espaço temporal em que vivemos parece
sempre preenchido, tanto por tarefas importantes do dia a dia quanto pela crescente
possibilidade de consumo de produtos ou informações que possam interessar de
alguma o indivíduo pelas sensações e prazeres imediatos.
Dessa forma, há o surgimento desse cinema de pós-continuidade que está
associado a esse excesso de informações e ritmo acelerado (Morin, 2002) que
desconstrói a percepção de passado e futuro e, acaba por limitar a concentração e
vivência do indivíduo apenas ao presente.
O cinema de pós-continuidade tem sua gênese a partir da década de 70, quando o
cinema de Hollywood começou a alterar suas estruturar devido as mudanças
socioeconômicas que estavam em curso. Essas mudanças de estruturas deram
lugar a filmes com roteiros mais simples e formas fílmicas que buscavam,
principalmente, causar o estimulo de fortes emoções no espectador. Também, é
interessante destacar que alguns estudiosos do cinema, como David Bordwell
acreditam não haver uma grande divergência em termos narrativas do cinema
clássico hollywoodiano. Para Bordwell, as novas estruturas não rompiam com as
práticas estilísticas e narrativas do cinema clássico, elas apontam para
intensificação de maior ritmo e grau da continuidade clássica, ou seja, a
“continuidade intensificada” (termo cunhado pelo mesmo) é a própria continuidade
clássica elevada em um nível maior de ênfase.
Diretores como Cristopher Nolan e Michael Bay ainda trabalham com um tipo de
ramificação que, nesse caso, não teria um paralelo com a intensificação ou quebra
da continuidade, mas sim com a falta de importância da mesma em contraponto a
busca do aumento ao estimulo sensorial das emoções. Essa ramificação é cunhada
como pós continuidade.
Filmes desse tipo, são fruto de uma época em que o cinema de Hollywood precisou
se reinventar, a partir do advento de novas mídias que aos poucos foram
sobrepujando seu sucesso de outrora. Porém, uma das formas encontradas pelo
cinema comercial para continuar aumentando seu lucro, observa-se a adoção cada
vez mais presente do uso da tecnologia digital e dos efeitos especiais nos filmes
como uma forma de, justamente, despertar emoções rápidas e intensas no público.
A preocupação é imediatista, visa-se então, afetar o espectador com efeitos visuais
e sonoros apelativos para sensações passageiras sem adentrar a fundo em uma
consciência mais subjetiva do que se consome.
O texto ainda compara os videogames como formas de pós-continuidade a narrativa
visual desse tipo de cinema, como por exemplo o uso da câmera em primeira
pessoa em jogos de tiro como Battlefield ajudam no processo de identificação e
imersão no jogo, principalmente em sequências de ação que conseguem despertar
mais interação e envolvimento do jogador. Já no cinema, o uso da câmera em
primeira pessoa ainda não é muito explorado, e ao contrário dos videogames,
muitas vezes ela é usada para causar o estranhamento e falta de clareza no
espectador, já que esse não tem tanta interação como um jogador.
Ao invés disso, cinema de pós-continuidade busca por meios de movimentos
rápidos de câmera nervosa, edição e cortes frenéticos aproximar o espectador das
FICHA DE LEITURA

Você também pode gostar