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EDWARD ELGAR

Elgar é uma figura central no renascimento musical britânico do


início do século XX. Richard Strauss considerou-o o
“primeiro inglês progressista”, parecendo reconhecer nele o
primeiro compositor britânico – ao fim de muito tempo –
ao nível dos seus colegas europeus. Justamente
reconhecido como uma das mais populares figuras da
música inglesa, Elgar foi durante muito tempo um bem-sucedido
compositor de obras corais, contribuindo para a afirmação da
música vocal e coral num país de fortíssima tradição nestes
repertórios. O seu catálogo é deveras significativo, abarcando obras que vão desde a
formação coral a capella até às grandes obras coral-sinfónicas. A oratória conta-se entre
as suas mais altas criações. No entanto, foi através da música orquestral que atingiu
maior notoriedade.

 Biografia
Edward Elgar nasceu em Broadheath, Inglaterra, em 1857 e morreu em Worcester,
Inglaterra em 1934.

Filho de William Elgar, que tinha por profissão afinar pianos e que era também um
violinista de razoável qualidade, Elgar desde cedo aprendeu piano e violino. A sua mãe
era uma apaixonada pela arte herdou o gosto pela literatura e pelo campo inglês.

Não foi fácil a vida de Elgar enquanto compositor. Embora tendo estudado Piano e
Violino desde cedo sempre foi um autodidata não sendo conhecido nenhum professor de
composição. Este facto e não menos importante na Inglaterra da altura o facto de ser
Católico valeram-lhe durante muitos anos o preconceito dos seus pares e da sociedade
em geral.

Subsistiu durante os primeiros anos enquanto adulto dando aulas de violino e


tocando órgão na Igreja Católica de St. George. Em 1899 casou com uma das suas
alunas, Caroline Alice Roberts, contra a vontade dos seus familiares porque obviamente
era considerado um mau partido. A verdade é que este casamento viria a ter um papel
fundamental na criação musical de Elgar pela fé absolutamente ilimitada que Alice tinha
no talento do seu marido.
A sua reputação enquanto compositor foi estendendo-se, ao longo do tempo, para além
dos limites do Worcester natal tendo o seu primeiro grande sucesso sido composto
mesmo no limite do século XIX, Variations on a Original Theme - Enigma.  Ainda
nesse ano compõe o ciclo de canções Sea Pictures e depois já no século XX (1901) as
suas duas primeiras marchas "Pompa e Circunstância" que são sem dúvida as suas
obras mais conhecidas (ao ponto de Elgar desejar que não fossem mais interpretadas).

Em 1908 compõe a sua primeira grande obra


sinfónica, a Sinfonia nº 1 em Lá Bemol Maior
dedicada e dirigida por Hans Richter que disse
simplesmente dirigindo-se à orquestra
"Senhores vamos ensaiar a melhor sinfonia de
hoje pelo maior compositor de hoje e não
apenas no seu país".  Esta obra foi recebida na
altura com enorme entusiasmo tendo mesmo o
seu andamento lento sido comparado aos de Beethoven.

Quando a guerra acabou tinha nascido um novo Elgar muito menos majestoso. Já não
era "Pompa e Circunstância," mas antes "Contemplação e Introspecção". No fim da
segunda guerra houve no entanto um ultimo grande período criativo que nos trouxe
a Sonata para Violino o Quarteto para Cordas e o Quinteto para piano e sobretudo
o Concerto para Violoncelo que terá sido a sua grande ultima obra sinfónica.

A esposa de Elgar faleceu em 1920 e com ela a centelha criativa de Elgar parece ter
também desaparecido a sua centelha. Elgar faleceu em Londres a 23 de Fevereiro de
1934.
Durante muito tempo a sua música ficou com a fama de ser antiquada mas hoje
reconhece-se o enorme talento e um sentido quase místico para a melodia. Elgar
publicou em 1988 uma pequena peça que dedicou à sua esposa Caroline Alice e que
demonstra bem esse sentido fantástico: Salut d´Amour (muito conhecido por várias
razões a menor da qual não deixará de ser fazer parte do método de ensino de vários
instrumentos). Aliás a recuperação do compositor não terá sido estranha a utilização de
várias das suas peças para fim de ensino.

 "Pompa e Circunstância"
Elgar é o autor das célebres Pompa
e Circunstância. Foi um dos
primeiros compositores a interessar-
se pelo sistema de gravação musical,
ainda novidade na sua época.

As Marchas de Pompa e
Circunstância (iniciadas em 1901),
são sem dúvida a sua obra mais
popular – tão popular que a parte
central da primeira marcha se tornou
uma espécie de segundo hino nacional. Efetivamente Elgar transformou esta marcha no
Hino Land of Hope and Glory.

A sua estrutura é simples: depois de uma breve introdução, instala-se um primeiro tema,
muito vivo, quase frenético; segue-se a tal parte intermédia (designada “trio”), de
carácter mais lírico e expansivo, cuja melodia Elgar declararia ser “uma daquelas para
as quais só se tem inspiração uma vez na vida”; regressa depois o primeiro tema; e, por
fim, volta a melodia do trio, mas agora numa orquestração mais grandiosa, com ritmos
assumidos de marcha, terminando a obra em glória.

Elgar preocupou-se em dar à marcha um estilo sinfônico, assim como fora dado ao
minueto, à valsa ou polca, pelos seus compositores anteriores. As cinco primeiras
marchas de “Pompa e circunstância” fazem um conjunto maravilhoso de peças, onde
não só o nome é compartilhado, mas também a estrutura com seções de scherzo e trio,
que identificam as cinco marchas como um único trabalho, no entanto, estas marchas
são comumente ouvidas como uma suíte, em vez de uma coleção de peças.

Reconhecendo a popularidade dessa melodia, foi o próprio rei Eduardo VII (rei entre
1901 e 1910) a sugerir que Elgar a adaptasse para uma canção patriótica. Elgar seguiria
essa sugestão pouco depois, em 1902, ao compor uma obra para a cerimónia de
coroação do rei (a chamada Coronation Ode): pediu, então, ao poeta A. C. Benson que
escrevesse um texto sobre essa sua melodia instrumental, de modo a poder ser cantado e
servir de clímax à ode. Com o título “Land of Hope and Glory” (“Terra de Esperança e
Glória”), o poema de Benson exprime a confiança e o poder britânicos no auge do seu
poder imperial.

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