Você está na página 1de 4

Paulo Cosmo Jr. - paulocosmojr - bit.

ly/CosmoBenedicti

Negócio Jurídico e os
princípios contratuais

Direito Civil
São nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a
direito resultante da natureza do negócio. É lícito às partes estipular contratos
atípicos. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. A proposta de
contrato obriga o proponente. Deixa de ser obrigatória a proposta se, feita sem
prazo a pessoa presente, se não for imediatamente aceita.
Considera-se também presente a pessoa que contratar por telefone ou por
meio de comunicação semelhante. Se, feita a pessoa ausente, não tiver sido
expedida a resposta dentro do prazo dado; se, antes dela, ou simultaneamente,
chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente.
Pode-se revogar-se oferta pela mesma via de sua divulgação, desde que
ressalvada esta faculdade na oferta realizada. A aceitação fora do prazo, com
adições, restrições, ou modificações, importará nova proposta.
Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa, ou
o proponente a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não
chegando a tempo a recusa.
Considera-se inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela chegar ao
proponente a retratação do aceitante. Os contratos entre ausentes tornam-se

1
perfeitos desde que a aceitação seja expedida, exceto: se o proponente se houver
comprometido a esperar resposta; ou ainda, se ela não chegar no prazo
convencionado.
Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto. A
estipulação em favor de terceiro constitui uma exceção ao princípio da
relatividade dos contratos, segundo o qual, somente as partes são alcançadas pelo
contrato.
Ocorre estipulação em favor de terceiros quando uma pessoa convenciona
com outra que está concederá uma vantagem em favor daquele, que embora não
sendo parte do contrato, receberá o benefício.
Ao terceiro, em favor de quem se estipulou a obrigação, também é
permitido exigi-la, ficando, todavia, sujeito às condições e normas do contrato se
a ele anuir, e o estipulante não o inovar nos termos.
Um contrato é ato; não é relação jurídica; esta surge a partir do contrato. O
contrato é formado por cláusulas, que são unidades explicativas de tal
instrumento. O que diferencia tal instituto de qualquer outro é que o contrato
contém sanções para o seu descumprimento, daí dizer-se que o contrato "é lei
entre as partes".
Os princípios contratuais podem ser sintetizados em uma palavra:
AFoRFuB.
No "AFoRFuB" encontramos os princípios: Autonomia da vontade, força
obrigatória, relatividade, função social e boa-fé objetiva.

O princípio da força obrigatória possui duas exceções que, para alguns autores,
são dois princípios, exceções à obrigatoriedade; trata-se da exceção do contrato
não cumprido (exceptio non adimpleti contractus) e da teoria da imprevisão
(rebus sic stantibus).

Autonomia da vontade, as partes devem manifestar vontade livre. A liberdade


dessa vontade advém da chamada "liberdade contratual", que encerra três
liberdades: a de contratar (ou seja, contratar ou não); a liberdade de escolher com
quem contratar; a liberdade de escolher quanto contrato formulará e escolher o

2
conteúdo do contrato a que se vai obrigar. A autonomia da vontade não é plena,
transita e é limitada por vários institutos legais, principiológicos, doutrinários e
jurisprudenciais. Essa liberdade transita pelo dirigismo contratual, que é o
mando estatal de "função social dos contratos", em que se determina que o fim
último do contrato é o bem-estar social; e as partes precisam estar aptas a
contratar, ou seja, precisam de capacidade plena, própria ou por suprimento;
precisam igualmente ter legitimidade contratual.

Força obrigatória, o contrato vincula as partes, gerando o "Princípio da


obrigatoriedade", em que o que é pactuado é para ser cumprido (pacta sut
servanda). O contrato é lei entre as partes e goza de proteção estatal quanto ao
seu descumprimento.

A exceção do contrato não cumprido, ou Exceptio non adimpleti contractus, é


uma exceção (defesa) da parte que esteja sendo cobrada em juízo, alegando que
não cumpriu sua parte porque a outra não cumpriu a sua prestação também.
A antítese desse brocardo é a cláusula solve et repete, que nos diz que deve
haver cumprimento, ainda que a outra parte não cumpra sua contraprestação -
essa cláusula existe na quase totalidade dos contratos administrativos.
A Exceção de contrato mal cumprido, ou Exceptio non rite adimpleti
contractus, é manejada quando uma das partes descumpre sua parte pelo motivo
de a outra parte haver cumprido sua parte de forma incompleta, deficitária ou
irregular.

Teoria da imprevisão, pode haver resolução caso haja uma causa geral,
extraordinária e superveniente ao contrato que traga desequilíbrio econômico ao
contrato, dando aplicação ao brocardo rebus sic stantibus, algo como enquanto
estiver conforme.

Relatividade, os contratantes são relativos, ou seja, só geram efeitos entre as


partes contratantes - ninguém além das partes pode exigir benefícios de um
contrato; só pode exigir que não os prejudique.

3
Função Social dos Contratos, o Estado interfere no mundo contratual, analisando
a conduta das partes; aquilo que no início do liberalismo poderia soar absurdo
hoje é uma realidade. A essa "intervenção" do Estado nos negócios privados
chamamos de "dirigismo contratual". Um dos mandamentos insculpidos em tal
dirigismo é o da "função social dos contratos", em que se determina que o fim do
contrato é o bem-estar social.