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( ESTADO-) r- r nrr-- NT E
/
/ O C rri nI

;.!11-r-
I\ N A

- * 41,
nL
.
Sengoteó eillemetcá omtedso ecit.)tittunte
o

Venho collocar sob vossa guarda os destinos do


Ceará. Cearense, amantissimo desta terra que me foi
berço e a meus antepassados, julgo-me
supremamente
feliz de, no cumprimento de meu dever, estar
comvosco
ao iniciardes o estudo da lei basilar de nosso Ceará.
Instado para vir administral-o no melindroso mo-
mento de sua organisação definitiva, não pude esqui-
var. me 1..Acceitacão do honroso e pesado encargo.
As luctds da vida não me endureceram o coração, e,
antes de tudo, sou brazileiro e cearense.
Si falta-me competencia para bem governar, está
proeminente minha bôa vontade de bem servini terra
dilecta de Marfim soares, fadadaios-mais altos desti-
nos e a exigir o concurso de todos seus filhos.
Ausente, eu acompanhava com particular interee
o pwgredir do Ceará, sempre na dianteira de todos
cornmettimentos notaveis. De longe, seguia com cari-
nho sua dé.selvéolucilo, notava com desvanecimento
sua rapida marcha na trajectoria da civilisação
leira. E orgulhava-me de ter visto a luz primeira sob
o azulado céu desta pequena, mas formosissima ciroutn-
scripçáo que se pae em n relévo por seu alto villk moral
entre suas irmans.
4'
para ser.,
.A vosso'elevado criterio venho submetter,
projecto de
vir de base a vosso estudo e deliberação, o
constituição formulado por meu illustre pmtecessor,.o
be'nemerito coronel Luiy, António Ferraz; de saudosa
rnemoria.
A sobra de bôa vontade de estudai-o, para procurar
advento do regi-
facilitar vosso trabalho, apressando o
pela abso-
meu da legalidade, foi enfrentada e. vencida
luta-falta de tempo:
Intermeiaram-se apenas oito dias de minha posse a
este solemne momento.
Tentei, á ultima hora, os meios de prestar-vos auxi-
competencia, mas não o
lio, dentro das raias h minha
consegui, ainda por falta de tempo.
Apresento-vos o projecto.
Na dilatada latitude de vossos poderes de Congresso
Constituinté, como bem sabeis, podeis modifical-o, re-
fazei-o, Substituil-o mesmo.
Carece, não ha duvida, de sérias modificações para
harmonizar-se com a Constituição Federal em seus
grandes lineamentos.
A unidade do poder legislativo é de doutrina condm -
nada e despresada por suas consequencias perigosas,
sob todos os pontos de vista, em uma organização
politica regular.
A. historia nos aponta como preferivel o systema
bicarpvista, garantidor das liberdades individuaes e
politicas, e como medida de alta prudencia.
-E' a theoria que prevaleceu nos projectos parasuasi
todas as Constituintes dos estados irmãos, que ora fune-
cionam..
.1..e.
E' do *projecto o periodo de quatro annos para o mana
dato legislativo. Poderá ser diminuide para tres dura-
ção da.. legisla;tura federal, e é a verdadeira doutrina
republicana-- a renovação,do.mandato em praso curto,
para caminharem sempre de accordo povo e seus dele.
gados.
E' excessivo, creio, o exercicio de cinco annos do
chefe do poder executivo governador ou presidente
do Estado; Em quatro annos, praso do exercicio do
presidente da Republica, ha tempo sufftciente para
levar a effeito um plano politico e fazer grandes bene-
ficios ao Estado.
- Peço vossa attenção em especial pára a constituição
do poder judiciario.
S'abeil-o, melhor do que eu, « velar pelo direito é a
funcção vital do Estado. » Pois bem, uma magistratura
bem organUada é a segura garantia de todos os direitos
a encarregada de velar pela liberdade, honra, vida e
propriedade do cidadão.
A organização judiciaria, disse eminente publicista
inglez, é a parte capital da constituição politica.
Porque. não manter a symp.athica instituição dos
juizes de pai, « sem outra egual na christandade quando
bem conzprehendida ?»
O juiz electivo, de districto, está á porta do cidadão,
exerce justiça com mais economia,de tempo e de dinhei-
ro. Para só citar um caso, o casamento celebrado pe-
rante o juiz de municipio torna-se difficil, despendio-
.sissimo em termos de extenso perimetro.
A autonomia municipal é o largo e fundo alicerce
,da democracia.
O municipio é a primeira cellulkdo organismo social
e sem uma bh e conveniente organisação o povo con-
tinuará a ver cortados cerce seus direitos, e a conde-
mnada centralisação atrophiará todos .os ncitamentos
de progresso.:
São, presumo, pontos capitaes. Ha outros de menos
importancia que pedem revisão.
O Ceará carece alojar-se nos amplos moldes de uma
lei genuinamente democratica, eminentemente liberal.
A republiea está feita, é facto consummado. Preci-Sit,
,
porem, ser esteiada em columnas fortissimas, na. obe-
dienciá á lei, no respeito á justiça, na bem entendida
.parcint.onia na applicação dos recursos do thesouro
na moralidade administrativa e particular, ein
publico,

summano culto da Patria.


Deve ser vossa mais nobre ambição e especial preoc-
cupação fazer rtimo para a felicidade do povo através
d'aquelle caminho rectilineo, limp6, largo, ventilado
pelas auras do bem e cio devotamento á causa publica. -
Fareis, estou certo, uma lei ao uivei das tradicções
gloriosissimas do Ceará, que *aprendendo a licção da
asperrima disciplina da advelsidade, da eschola do sof-
frim ento; reuniu aqui elementos sãos e fortes que levas-
sem a encaminhar-se impavido e altivo na lueta que
traçou e impoz.a sua posição.
E' enorme vossa responsabilidade. Desempenhai-vos
della com correcção, e tereis burilado vossos nomes no
bronze imperecedouro da gratidão popular. Corri vosco
estarão os manes dog heróes da liberdade, e, uns festas
dás gerações por vir, sereis lembrados com amor e ve-
neração.
7
Identificaivos com os legitiinos interesses do Esta-
do, visai primariamente a sua prosperidade e tereis feito
VOSS3 difficilimo dever no alargamento das liberdades
conquistadas.
Sois portadores de muito patriotismo e muito saber,
Em vossa competeucia soberana corporificai-os em um
monumento a vós é ao Estado a « Constitu ição do
Ceará ».
Com extrema confiança o povo está todo voltado para
vós, invoca vosso apurado civismo e aguarda sua lei
fundamental.
Para terminar.
No curtissimo periodo de'men governo não pude ha-
bilitar me a dar-vos conta -dos actos praticados no cyclo
revolucionario de 16 de Novembro de 1889 até o pre-
sente. Não vim a tempo de prz,parar relatorio dos di.;
versos ramos de ser-viços publicos, necessario a vossas
discussões. Mas ministrar-vos-ei, dentro de possivel
brevidade, quaesquer esclarecimentos ou informações
de. que, no decurso de' vossas deliberações, tenhaes ne-
cessidade.
Podeis contar com minha franca, leal e inteira co-
adjuvagh.

SA.TJD O -V O S

Fortaleza, em 6 de Maio de 1891.

O GENERAL DE.DIVISiO,

()ode' &w»20,.
CEA.7«Ç ( ESTADO ) PRESIDENTE
,,
I

( JOSÉ OLP. i I ND.0 QUE 1 P0,7

ME NS AGEM .Q nUTUBRÇ
F.) ) I W) F...\n.\,
"~"WIWWSPW.WWWWWWWW....~AM11."4.0

MENSAGEM
( UE, O EXM." Si:- GENERAL DE 1)ivls..)

Josè Çlarindo. de .,42i.zeiroz

Goverllaciou, do 1_,.1.z.1.(.1(;) z't

LEU PERANTE O RESPECTIVO CONGRESSO

_EM SESS.S.0 ORDINÁRIA DE I. DE OUTUBRO j)!.: p.:!!11.

FORTALEiZA .\\

ly ,ESTADO DO CEAR.0 Rua Senador hniipeu ;/°

14191.
Senhores Nombros do 4ongresso;

Pela segunda vez, no decurso creste anno,---que


tão auspicioso tem sido-á-, vida política da nossa
chara Patria, experimento a magna satisfação de
. apresentar-me ante este augusto Congresso no mo-
mento almejado.de iniciar as suas supremas fun cções ;
e já agora despreoccupado das inquietações que tra-
balhavam todos os espíritos quando (reis chamados
para traçar o plano fundamental da nossa organisa-
ção político-social.
Então, sem que fosse dado pór em duvida a vos-
sa ,competencia, que, indicando-vos ao mandato
constituinte, Uva consagrada pela outorga popular,
era, entretanto, muito justo e caracteristico da índole
dos nossos co-estadanos sempre intftessados pela
causa publica o estremecer de vagas apprehensões
a: respeito do modo por que seria redigido o Estai isito
constitucional. Eu mesmo, possuido mais ou me_
nos d'esses nobres receios que concretisei na mensa-
gem que vos li na inolvidavel sessão de 6 de Maio,
quando tive a suprema felicidade'de restituir aguar-
da do poder constituido o sacratíssimo deposito dos
destinos da terra do ndsso berço, repeti a Voz geral e
a que ouvia da minha alma de cearense, dizendo-vos:
«. Sois portadores de muito patriotismo e muito
« saber. Em vossa competencia soberana corpor_.
rificai-vos em um monumento a vós e ao Estado-
« a Constituição do Ceará.
« Com extrema confiança o.pOvo estii iodo vol-

1
apurado civismo e.
:taco . -pra vós, invoca vosso
aguarda sua lei fundamental , .
corações este appello
Como percutiu em vossos
confiantes e como O c?rresp?n-
angustioso de irifflos promalgates a
._
destes, que o diga oPacto politico que nonie, im.
46 .de junho e. que perpetuou VOSSOS
pondo-VOS ao respeito e gratidão dos brazileiros, es-
pecialmente dos nosso conterraneos.
desempenho cresse vosso pri-
Pelo satisfactorio sentimento da po-
meiro dever cívico eu traduzo o
OCCaSiãO, O seu sincero
pulação, expressando, n'esia
reconhecimento e a confiança que nutre de que os
com igual devo-
,setis 'dignos escolhidos prosegulrão,
organisação deli-
tamento, na obra complementar da
neada na Carta Constitucional.
Solidario com este sentimento da communhão,
pessoal agrade-
eu desobrigo-me ainda d'um dever
cendo vos á confiança com que me honrastes nomean-
dome.descle logo para o alto cargo de Chefe do Estado,
mereceram as
bem como pelo acolhimento que vos
minhas indicações a respeito do projecto de Consti-
tuição .que ia ser submeitido á vossa referencia, so-
bresahindo aquella em que demonstrei os inconveni-
sendo por
entes da unidade do poder legislativo, que
vós eliminada do referido projecto, foi salutarmente
substituid.a pelo systerna das duas ornaras que ora
reunem-s,e n'esfe Coo grosso, ,a cujos novos represen-
primei-
tantes dcffl as saudações de bôa vinda, n'esta
orgãos
ra occasião em que nos encontramos como
'conStituidos dos poderes publicos.
Senhores membros -do Congresso Cearense: esià
na vosa consciencia, porque está na de iodos que
devotam-se ao bem publico, a transcendencia da vossa
actual reli]
.E' que tem de ser desenvolvida a parte
pratica da concep,ção scienlifica que deu 'corpo á
constituição; é n'ella portanto, que, vão ser postas
em acção as inspiração do vosso patriotismo e á san-
tidade das vossas intenções.
A definitiva organisacïn) judiciaria, bem corno a
municfpar por leis regulamentares, ()processo eleilo-
asleis de responsabilidade, as dv lixacaó de re-
ceita 'e despeza proporeionaes aos no-os encarus
sem maior gravame para as elas.ses. contribuintes, e,
finalmente, outras muitas de q1 R, Constit.uição faz
depender a effeetividade impertantes garantias do
cidadão e do desenvolvimento moral e material do Es-
tado, são assumplos de tanta significação que se nãoSo-
brelevam esta á vossa primeira reuniaõ, naõ a deixam
certamente (%) plano inferior.
De minha parte podeis contar hoje, como liontem
com a minha melhor vontade e mais decidido empe-
nho el.-r) concorrer para a realisacão (restas justas
aspirações, em cujo sentido e como penhor de soli-
dariedade com os VOSSOS intuitos que ()uives naõ po-
dem ser, organisei diversos trabalhos (lime 5ul4ne1ie;
rei ao vosso conhecimento como base deeludoeque
lomareis na consideracaõ que niere(.eretn.
Passo, agora, a dar conta dos nugoci()s do Esta-
indicando-yos as reformas e medidas que julgo ne-
cessarias ao an(lamento dos serviços, coníerme. O
preceito do 3.. do art. :36 da Constituição,
Irniio galo nw nnninwiar-vo qtw reirffi'lYer-
reita, framplinidade (911 0(in a população do Esta-
do, e que continuam cordialissimas as rvia'ções d
te com os Governos cltH outros' Eslados e (Ia. União.

Graças á excellencia do nosso climaitem-se man-


tido inalteravel a sad:,, pAblic,t, excepto n'esta capi-
tal, na cidade de Qaix:11:11.:)!)lin e no Povoad )
Prado.
N'essas duas ultim:is manifestou-s a
febre biliosa dôs qiu:ite;, fazendo algumas
.victimas, po-rem desapparecendo logo em resultado-
das providencias tdoptad.r;.
Na capital registram-se, dsde O mez de 11:irço,
frequentes casos de -ariola, que 'entretanto na6
tingem ao .caracter de epidemia intensa, acconmat
tendo, de preferencia, aos moradores dá: periphe_
ria da zona. populosa e deixando iinnum,,.; os do cen-
tro d'ella.
A despeito dos reclusos postos acçã:) para
debellar esta enfermidade, ainda não foi po, .4ive-1
Conseguil-0, posto que iá apreseníe sensivel
que -augura prompla .extincção. Entretanto, con-
tinua a maior solicitude na remocão, para o Lazirato,
dos acommettidos que não podem tratar-se nas pre-
cisas condições de isolamento.
Sendo indispensavel a repartição de livgione
publica, que 110 proxiino exercido deixará de ser cus-
teada pelQ orçamento federal,
convem a adopteis,
lixando-lhe O pessoal, altribuições e vencimentos.
Eu) eecução do § unico do art. 1 .^ das disposi-
ções t.'i/ansttorias daf:oir3tituição designt. i o dia 15 de
A-..rós'1..o'fii.p,X.imo passado para se proceder á (lei ção do
sói:111(1We expedi as precisas instrucções, nas (pines
estabeleei que a apuração teria I()gar a 15 do .mez lin-
do, alenta a eircumstancia de dever reunir-se hoje o
Congresso: en.frelanto sciente de faltar não pequeno
11.i.11.11e1.0 de authenticas resolvi espaçar por .seis dias
o, processo da apuração.
Nãfteessehleesforçar-me pi i,
Mico a imi)aréialidade com que o .Cio\-erno do Estmlo
assistia a este. pleito. Não lendo predilecções sol) o
ponho de Vista politico por nomes de candidatos, ern
meu dever e expresso desejo assegura l L. nmior ex-
pansão na lil)érdade do vol() para que o resullado das
urnas traduzisse fielmente a .voniade popular.
Si alguma irregul.,tridade foi pralicada nos ;LH Os
d'essa e1ei O, seja isto levado exclusivamente conT,
la clos defeitos da rmssa educação politica, que não
desespero de ver tnelhorm'enle encaminhada.

Ainda no dominio dos poderes dictatoriaes ex-


pedi a lei n. /96 de 5 de Junho fazendo a organisa-
ção judiciaria do Estado; e por decreto n. 200 de 6
do mesmo mez provi os diversos cargos da magistra-
tura.
Logo após, e assim em homenagem a algumas
disposições já aceeitas na discussão do projecto da
Constituição, como em atlencão a justas observa-
(:ócs feitas sobre o ponto de'vis''la do direito proces-
ii. 202 (lu
suai, não hesitei cru expedir O decreto
15.(1.'àquelle mez mandando que a
referida organisa-
cão entrasse em eXecução trinta
dias depois de pro-
i"iiirlgacht
L .Constititiçãoe soine,nle em determina-
de appro-
(Ias partes',1icando as (.1.ema'is dependentes
vaçâo do Congresso.
Todos esles acros, bem como uni 1 raballio que
posi(riorni(tile organisei com reler(:.,,iicia especial a.
esto impOrtante assumpto, serão, orn breve praso
subinettidos ao exame Jia v()ssa. conwelencia
Por essa oecasião (.1.evereis providenciar sobre. a
Junfit Commercial, que cessando de sor clisteah p(1-
lo novo federal, 111.111 inc parece, n'io ha-
ver necessidade de ser mantitla pelo Esta.do, e que.
ser]] inconveniente. podem algumas de, suas fitii(C.)s
ser commelti(las Secrelaria d() Tribunal de 'Appel

I.giralmente e pela mesma razïi.() devereis provi-


deneiar sObre ordenados dos eaweiros, a
que não reserveis !to governo dos 1mune:4)1os Os en-
cargos (.1 IS respecli N-as cadeias como parece. tilais 1.;1.
eional.

Ante esta considera(:ào final não pot' em deixar de


ser muito vaeillantes as minhas inforniações a res.
peio da instruccão publica ; mais accenfuo este
meu escrupulo em assumplo tanimilla signilic(f.,bã!)
tendo cri' visfa o esiado a (fll( Iit chegado e que, restl.
rne-se ir'esla desoladora \-erdade:. m4;111°,1)10 pro-
gressivo de despeza na razão in-ersa dos seus resul-
indris.
O concisoyelatorio, que vos apresento, do che-
fe d'esse serviço, demonstra cabalmente este eonevi.
to ; bastandoaffirmar que, de dez annos á esta pr.,
le,.a instrucção pri Ri ara, merecendo o Til rlis a'citra-
do desvelo dos poderes publicos e pesando progres-
sivamente sobre a massa contribuinte pela. adupçãu
de meios nunca demasiados para a realidade prati-
ca dó seu aperfeiçoamento e diffusão, está, enlrelan=
to, mais retrattida do que d'antes, como verifica-se
pelo simples confronto .das estai isticas d.e frequencia
escolar d'este auto e do de 1881.
Qual a causa efficiente creste abatimento, que o
não justificam as dotaçõis- orçamentarias e o aceres-
cimo da população, não me é dado ainda assignalar
com asinceridade de convicção firmada ; e, portanto,
abstenho-me de indicar, desde já, .qualquer medida
de reforma, que mais .prejudica do que apr,)veita se
pre que não é dictada pelo exacto conhecimento das
necessidades a attender.
Não.modifico, porem, o decidido empenho que
que hei -mantido de acompanhar com particular soli-
citude a causa do ensino publico, e terei sumiu() pra-
zer que a condição de vossa mais longa re:,idei:cia no
Estado forneça supprimentos que vos habilitem, des-
de agora, a levar a effeito qualquer melhoramento,
senão reforma radical, n'este melindroso a,;sumplo de
1110 tanto clepende o nosso futuro betu, es1.1.
Ernquanlo a .instrucçãa primaria estipendiado
pelo-Estado apreseula.nos o contristado!» ;speelo a
que zdludi,,é d.e certo modo consolado! ()incremen-
10 que vão tendo as ceolas (lisino particular,.
Somente na capital, que conta quinze escolas de ensi-
::no publico com uma matricula de .1050 alunutos, ex.
islem onze,: internatos e externatos. de ensino parti-
' eular, que,tèm matriculadoS Ir alumtms de um e
outro sexo', sobresahindo o 4s,ollegio da Intmaculada
'Conceição com um internato (lel alumnas e 11111 ex-
lernato,, aliás gvatuito, de 600 alum nas !
Referir estas cifras é manifestar O louvor de qUe
é digna aquella instituição e justificar a. cessão que
111',, faz o Esaclo da ocettpacão de um predio, e a sub-
venção com que a auxilia de Ires contos de rs. em
addieionaes de impostos conforme o dispoSto no
art. 20 da lei do orçamento.
A Escola-Normal, curso regular em que os aspi-
rantes ao magisterio fazem seu lirocinio, vae corres-
pondendo sufficientemente aos seus li MM , sendo, po-
rem', para lamentar que ai (1 hoje não haja preparado
um só professor, pois leni sido exclusivamente fre,-
quentada por senhoras.
Desde 188.i., em que Nineçou ;t funccionar, até o
presente lem a escola normal conferido diplomas
de habilitação ;_t 56 alumnas, das (pules acimin-sv

fazendo parle do respectivo corpo docente e diri-


gindo outras escolas publicas.
Actualmente conta uma matricula de 136 alum-
nas e mais quinze no caracter de ouvintes (h) anno
preparatorio, iornando-se assim o edificio insuificien-
te para frequencia tão elevada. Para este ponto e ou-
tros não menos altencliveis, largamente, desenvolvi-
dos no rebiorio do :Director interino, chamo a vossa
esclarecida allencão certo de que rapeis o que for
p )ssivel.
4. instrucção secundxia não vao em melhor ea_
minho d.o quet primaria, não haVendll eX;IgCraçãO
eti 'affirmar que Wenn tem sido mais ;t. accelerada a
deeadencia.
Em Ires aulas de latim que existem') nas cidades de
Araeaty, S. Bernal..dô e Sobral, ha a frequencia de
aluMnos na primeira, 6 na segunda e 8 na terceira.
.
.No Lyeeu .d.'eSta capital cujo cin.° de doze prepa-
ratórios mahtern-se com elevada despeza, lal O de-
salento quê aulas existem sem frequeneia, outras
com um ou dois alumnos, e finalmente a mais fre_
quent ada----que é a de franceztem vinte e dois alum-
DOS.
No.entanto, é minha opinião que posta em prali_
ca a validade dos exames feitos ti 'esse instituto pata
habilitar- á matricula nos cursos superiores da União,
como peráillte o Declielo de 21 de Fevereiro (reste
armo, outra será a sua situação com pensando perfei-
tamente os sacrifícios do Estado.

E' opporl uno sujeitar á vossa apreciação duvidas


suscitadas a proposito de a ccumulações de funcções e
vencimentos no pessoal do Lyceu e da Escola-Nor-
mal, bem como entre outros empregados activos e
inaetivbs que, percebeu do mais de uma remuneraç O,
tiveram de fazer opção por uma d'ellas, em conse_
queneia do preceito do art. 102 da Constituição.
Cingindo-me á disposição Iiiteral do citado arti-
go, fiz observal-o em sua integridade, sem, entretan-
to, dPseonheeer que ante os principio de hermeneu
1.ica é elle suseepth'el de diversas comprehens6es
conS4uintemente, de interpretação authentica.

A. Bibliotheca publica está regularmente conser-


vada, contando- em suas estantes precios* reposi-
torios dos diversos conhecimentos humanos'. Não
tem, porem,, a desejada frequencia, nem mesmo dos
amadores de leituras lígeiras, a que os incita conside_
ravel numero de revistas e jornaes que este estabele-
cimento recebe do paiz e do estrangeiro.
Quando não exclusiva, é, pelo menos, causa con-
corrente d'este abandono a condição de Jogar; e por
isto pretendo remover a Bibliotheca para ponto mais
centralo edfficio que serve actualmente de quartel
da guarda ciNica que, por seu turno, será accom-
mod.ada no edificio do extincto deposito de artigos
.bellicos, passando o Tribunal de Appellaç o a func-
cionar no edificio da Bibliotheca, e cessando. assim, o
quantioso aluguel que ora se paga por uma casa em
que está elle funccionando.
Entretanto, resolvereis como parecer mais acer-
tado.

Em virtude do art. 45 da Constilução e por acto


de 24 do mez proximo findo expedi regulamento reor-
ganisa.ndo os serviços que passaram a cargo dos Se-
cretarios de Estado, ficando assim extinctas as Secre-
tarias do Governo e da Policia e a repartição do Tlie-
ouro.
O novo. regimen politico, .reilectindo 1W sstenKi
d.e fin anças, impõe profundas modifica(:(Ses na orga-
nisação das repartições iiscaes, que entretanto, não
podiam ser operadas convenientemente antes da defi-
nitiva organisação municipal.
Convem,pois,que autoriseis o Governo a rever os
.
regulamentos de taes repartições, conforme as bases
que indicardes, nas quaes será de justiça attender ál-
guinas das ponderações feitas pelo administrador da
Receboria em seu relatorio, que ta.mbein vos apre-
sento.
§

Por Decreto de 21 de Maio dei nova organisação


ao Corpo de Segurança Publica que ficou reduzido a
17 officiaes e 300 praças, bem como á Guarda Civica,
limitando-a a 3 officiaes é 76 praças.
Esta .medida, de que resultou important e econo-
mia, naó podia ser protahida: á'uma situação em que,
como agora,a ordem publica naõ soff ria perturbações
mas, na proposta de fixaçaó, que vos apresentarei
opportunaMente, será esse numero elevado, sem que
attinja ao primittivo ; visto co mo ,cessand o. o ^contri-o
gente da força do exercito á guarnição estadual,
tornou-se de necessidade manter na capital maior
numero de Adues e praças do Corpo de Segurança
para o serviço de tal guarniçaó,com desfalque, por-
tanto ,dos .destacamentos locaes.
Não obstante, poderá serainda reduzido.° Corpo
-de Segurança si, na organisação dos municípios, in-
cumbirdes aos seus governos o c de policia-
Mento.
artip,ã(i de Qbilas publicas transferi ,para uni
oõrriçãilimfflito do Olacii) do Governo, cessando o
altigiielqtid.sO.P4uN':ã por 'uma casa para el
VO'rba On:ánr,,ntitriã p ara esto ramo (1o. serN-ic(i
leni sidóappliCáCiaá consorva'çào o reparos de obras,
conclusão da escola publica do boulevard do Visco'n-
doRió.Branco,cafçamento do ruas, restaurPa' çào de
pontes'e'construcção d.e tini C11111 (l.2 derivação no la-
.

gieo da Barra N o Va.


Este ultimo serviço, iniciado anteriormente ao
meugoverno, e posto que sob um plano que não con-
sultava as melhores vantagens materiaes e economi-
das, sendo de inconl estavel util idade a extensa zona
que o aproveita; til-o proseguir com algunus correc-
ções technicas, achando-:Se, presentemente, em via de
conclusão.
Diversos açudes, inclusive algu MS de muita utili-
dade e dispendiosissim execuf:ão, foram feitos em di-
versas localid ades do centro, á exponsz.ts dos socco'r-
ros publicos fornecidos pelos cofres gemes e do Et-
do,' na na ultima secca. Estes importantes melhoramon-
tos 'reclamam verba orçamentaria para que sojani (Jon-
servaçlos.

Colonia Christina é, um dos assumplos 0W quo


lambem vacino ern informar-N.0s. Do palpilanic ne-
cessidade na epocha de sim, fundação para a2ilar cen-
teqas de creanças do um e outro sexo orpl1;1 tuji,das PC-
1Í 'epidemias o mais flagel los da secca do 1 8'77-- I 879,
ã Colonia Christina passou, dopois successi-
vas transformações--cada qual mais desastradapor-
&ndo assim , cóm acorgkição de tempo, a sfa,,razão de
ser, e achálld' e',1 presente incute, sem ti'm só, colono.
'COntiriúa ..efflregile lã:um 'administrador, que
mente Ireâ'a Zelár'da.p. r;(.4)..r.ledade e alguns gados,
deSenvolvimento fabril e agTicola
pô'ilefidd 'Ser aCtivainente impulsionado, que o não
permutem a' colidiçõe:s financeiras do 'Estado, não
aconselha o aproveitamento d'aquella propriedade
pura inliá iiistiblição auxiliar.
No emtanió, convem .que sé lhe dé uni destino
que Parecer mais util,

Si ha, no Estado, uma instiluicào Ião nolavel pe-


la sua direcção como pelos benefícios que presta, em
ordem a ser um desvanecimento para o nome cearen-
se, é, sem contestação a Santa Casa de Misericordia
d'esta capital.
. No desempenho da sua missão não é ela o asylo

da occiosidade, que induz a toda a-sorte devidos,' mas


o-a.mparo dos necessitados, que ali encontram recur-
-
sos e abnegados desvelos contra as enfermidades ad-
queridas na 'mia pela existencia ; e si succumbem,
não maldizem aa vida que deixam, porque, transpon-
do aquele portico, têm o sentimento immerso neste
effluvio 'divino que a charidade christã symbolisa. no
amor dd.proximo.
RecoMmendando á vossa attencão este refugio
dos -verdádeiros necessitados, e submettendo á vossa
consideração o relatorio do seu Provedor, addiciono
Eflifllia stIpplica para que se IMUIICIlha a subvenção
do art. 20 da lei do orçamenío, sçnd o elevada si ()com-
portarem os outros encargos do Estado,

Em terreno cédido a titulo gratuito, acerca de


quinze annos e com recursos subminislrados por par-
ticulares e pelos cofres publicos, foi construido, n'es-
ta capital, uni edificio. destinado a Aslo de mendici-
dade, para cuja existencia instituiu-se um patrimonio,
de quantia superior a setenta contos de réis, repre-
sentando em apolices da divida publica que foram ob-
tidas pelo producto do beneficio de loterias.
Não sendo a receita d'esse palrimonio sufficiente
para custear O Asylo, e não havendo possibilidoCle de
elevai-a na justa proporção, passou o edificio e patri-
monio á disposição do Bispo .Diocesano, por effeilo
do art. 1 ° da lei n. 2152 de 10 de Agosto de 1889
mas, posteriormente e por ac10 de 28 de Fevereiro do
correffie armo foi tal depósito com mettido ao Tliesou-
ro do Estado, até ulterior deliberação.
Se,ndo impossivel, na actualidade, levar por dian-
te essa instituição cuja utilidade não é extreme de
contestaçôes mais ou menos ponderosas, pretendi
aproveitar o edificio para quartel do Corpo de Segu-
:rança, que está pessimamente locado ; porem abri mão
d'esse intuito em razão de contestações que surgiram,
fundadas na razão de 'diversidade da intenção que
presidira o acto de (1oação.
Assim, dareis a applicaçã ) que fôr mais conve-
niente a esse edificio e patrimonio do projectado
Asylo,
17
\ EM al de Dpze,mbro do titulo findo procedeu-se
do Estado, conforme
ao recenseamenfo da p.opulaço
Decreto 659,
ás instrucções mandadas obs(g.var pelo
del2 de Agosto .daquelle atino.
Tendo em all('nçã;-) o disposto no a ri igo 66 da Cot).
que firma a base para
junto que
pai offereço á vossa.consideração o nmppa
(lá o resultado desse recenseamento, discriminada-
mente por districtos, municipios e connwcas,
gindo ao total de 753.889 almas.
Nesta cifra nflo está ainda incluída a populao
dos districtos policiaes de Missão Velha, lissã') Nova
Goyanninha, da comarca do exato, (101 (.0n5eyien-
cia.de não leremi(i.s commkyt'ies c;,nsilnrias enviado
alé agora Os respectivos boletins.

Entro, agora, n' um dos pontos capitaes que Intui_


to nos deve preoccuparo' das finanças,---que (mien_
(lendo directamente com 0. fortum.; do cidadào e do
'Estado, constitue, por assipt dizer, O centr{) (I ynamico
dá organisação social.
de
A nncxa ao relátorio do chefe da reparticão
Fazenda, em cujo documento são expostas, com lou-
avel franqueza, as condiçóes pouco lisongeiras (las
finanças e as irregularidades de alguns tios servic:os,
que já fóram, quanto possivel, attendidos na. organi-
sação das ..Secretariasde Estado, apresento-vos desde
...já a proposta do orçamento, de que me incumbe O
art.. 14, da Consttuicáo-.
Esta proposta nïlo podia'cogitar de rendas e en-
---1{N---

systema
úgo advir do desenvolvimento do actual factores
c, pois, limitou-se a operar
com os
chegando ao resultado
rçamentariosja conhecidos, despoza de,
de urna receita de 921:188$08 1, contra a
d o 183:51:4581,
.401.703$662, que attesta O (lei
d
Embora a probabilidade de nào realisar-se tal de-
,

produeçào no novo anulo


: -ficit, porque o augmento da
financeiro deverá exceder da proporção dos dotis pri-
meiros exercidos que serviram de base a proposta or-
' -camentaria, todavia, e por isso mesmo que semelhante
previsão não tem outro apoio que o de rasoavel esti-
' mativa, bem comprehendeis quão justificadas são as
minhas inquietações e quão melindrosa é a vossa mis-
são a este respeito.
Às despezas com a magistratura e outros cucar-
gos que eliminados do orçamento federal devem pus-
sar para o do Estado com Ou sem reducções, estão
adstriclas á receita dos impostos mencionados nos ns.
/I a 4 do art. 9 da Constituição da Republica, assim
ambem das taxas do sello que se adoptar para os ac-
los de economia do Estado, conforme o n. 1 do § 1."
l'esse mesmo art. e mais da aggravação de algumas
taxas, que a comporte, dos impostos actuaes.
Em relação ao imposto do selo, sendo preciso
,
conciliar interesses de commodidade dos contribuiu-
fies com a necessidade de evitar abusos contra a fazen-
da, não será demasiado lodo o escrupulo que d impem-
sardes á sua decretaçào.

Em o meu espinhoso posto com a, clara corn-


prehensão do meu dever, com a lucida intuieão do
-19
melindroso estado do nosso Ceará nos inieios do
nOVO, regímen, estabelecido pela revolução de 89
não tenho descansado, não tenho poupado) esforços.
Tenho procurado reunir iodos os elementos sãos, to-
das as bôas vontades em torno do nosso pesado eu-
cargo a organisação.
SÓ lenho uma preoecupação e é a de todos os
bons patriotas o bem publico, o serviço da patria,
o devolamento á nossa terra. L, confesso satisfeito e
agradecido ainda não se me negou o concurso soli-
citado.
Diante da poderosa e elevada aspiração do mo-
menloa misssão republicanaainda minguem fu-
giu a seu dever.
Têm-se calado antigas dissensões partidarias, e
lèn) vindo todos pressurosos aos reclamos do dever
civico.
Noto satisfeito que os grupos, os antigos parti-
dosque ficaram, sem programmas, sem bandeiras,
sem principios políticos definidosna passz.tgein do
novo governo tomam novos rumos em torno de
novas normas, c preparam-se para continuar mais
tarde a necessaria lucta das idèas políticas.
Fórá dos apertos e estreitezas do partidarismo
salienta-se a boa vontade de todos os cearenses de-
yéras interessados 110 engrandecimento desta nesga
de terra tão cheia de ardimento e afoutezas na li-
nha da civilisação brazileira.
E' intuito e mira unica da comunhão cearen-
sedesvaneço-me de dizel-ocollocar alto, bem al-
h.) o nosso querido Ceará, estrella de primeira miau-
ole.za na constellação brazileira.
Senhores lliembros do Congresso Cearense : com
iità,S informações tenho prestado O
diminuto mas
7otitadoso contingente com que apraz-me collaborar
...

do nos
.1).à, obra arand tosa'da definitiVR organisação
. '

Estado.
Àssegu'ro que terei grande satisfação e a maior
,.:',olieittitde, em enviar-vos quaesquev
outras de que
para
1)à,jaes mister no decurSo dos Vossos 1rabal1
cabal desempenho do vosso nobre
mandato na, cou-
Iidacão das liberdades quô lemos conquistado e01110
implemento ao legado das sacrosanlas aspiracõe.s dos
nossos antepassados.
SArDo-vos.

Palacio do Governo do Estado do Ceará, em.


O. de Outubro de 1891.

/I I ID
.9.,itettL;,
t/Otot', da.tuttio ve

f)."\n
A MENSAGEM- REFERENTE AO ANO PE

\gO FOI LOCALIZA3A,: -


CEAR4 ( ESTADO ) PRESIDENTE

( JOSÉ FREIRE BEZERRIL FOKTEKELLE )

VENSAGEM ... 1 1° DE JULHO DE 1893 1


(133(g§J4c, gi,,11,Jp

gr
TENENTE CORONEL JOSÉ FREIRE BEZERRIL FONTENELLE

-...--4SSENBUI LEGISLA:11U DO CEARÁ.

EM SIJÀ 2.il SESSÀO ORDINARIÀ

DA.

1 a LEGISLATURA

.4..,;.',..' C..' '. ::. , ....:,, _-.


.:,..
,;',-,:;.:' :4;
-,,. .>'-'-_f.:.,,,,k r..
.b..7,,,...,..s.)..x..
N,- .:4,,,,..s.,,-..'i.).);:,
-,?....i:-2,:
-

y5m,..
4,55,-,......

- r tt-4

14. 0R-rAuzzA
"r1). D'A REPUBLICA -RuA DO SENADOR A LENCAR
MENSAGEM

f
9411, cjifflhOd d L47odeodáa ....9°,421a g6124d.

E' com intenso jubilo; que vejo reunidos os represen-


tantes do povo cearense, investidos, por livre e espontanea
delegação, de poderes e faculdades amplas, para resolverem,
com as suas luzes e patriotismo, as questões mais graves
e os problemas mais intrincados do bem-estar social e da
administração dos publicos negocios.
Saudando, pois, os illustres membros da Assembléa
Legislativa, faço votos, para que a sessão que hoje começa
venha a ser uma das mais proveitosas e ricas de beneficios
para o povo deste Estado.
A Constituição promulgada em i2 de Julho de 1892, no
art. 59 n. 3, impõe-me o dever de dar-vos conta dos negocios
do Estado, indicando as providencias reclamadas pelo ser-
viço publico. Venho fazei-o, e cumpro este dever com tanto
maior satisfação, quanto me sinto ufano de poder dizer-vos
que a paz publica, neste Estado, não foi alterada um
só instante nos onze mezes da minha administração ; bem
assim que, graças á solicitude com que foram votadas, na
vossa ultima sessão, as principaes leis organicas, a admi-
nistração publica já está funccionando com todos os seus
apparelhos essenciaes.
E' bem natural que este modo de sentir não seja com-
partilhado por quantos se empenham na afanosa tarefa
de criticar o modo, por que são geridas as cousas publicas :
nada mais de accordo com as nossas imperfeições. E' a
consequencia inevitavel da falta de uma 'orientação unica, ou
melhormente, da falta de subordinação a uma doutrina com-
murn, que a todos convença, acabando com a divergencia
de opiniões.
Porque após a revolução, temos sido visitados por
'urnas quantas calamidades, apraz á má fé, à ignorancia e à
-maledieencia em côro, systematiceenente, attribuil-as á Re-
publica. E' o pos t hoc, ergo propter hnc.
Não ha logica mais facil e melhor para quem não quer
ou não pode comprehender juc tudd isso è fatal, inherente
mesmo ao estado de anarchia mental que atravessamos,
como todos os povos do occide,nte, de quem somos nós os
brasileiros um dos prolongamentos na America latina,
principalmente no periodo critico e agudissimo, em que
acha a Patria brasileira nesse prurido de agitações,
de decomposição e assimilação, fatalmente espontaneas
no evoluir da civilisação, ainda aggravaclo pelas complica-
ções financeiras do golpe de Estado de 3 de Novembro.
Dá-se a serie de metamorphoses costumadas, que. se
realisam independentemente das vontades, que engendram
e alimentam as revoluções, que depõem o regimen insubsis-
tente, por antagonico e incornpativel em um meio,que já
não o suporta, mas o reoelle insistentemente, até que as
proprias reluctancias sentem-se fatalmente inclinar para a
definitiva eliminação do velho regimen, e consequente
consolidação do novo estado de cousas. Este arrastamento
antecede á todo acabamento dos phenomenos de qualquer
especie.
lia disto uni exemplo bem recente na abolição completa
do elemento servil em nossa Patria, phenomeno que folgo
de rememorar, como exemplo eclifi-cante.
«Peior, do que isto, nada mais no universo !...» E' a
exclamação que se ouve repetir até por aquelles, cuja
tarefa não visa as cousas terrenas, mas entende com os
espiritos que sobrevivem;. missão sublime, a que a Repu-
blica aliás s15 tem prestado assistencia na sua tolerancia
e respeito por todas as consciencias.
A verdade é que não consideram os pessimistas de
hoje que, si nos transportáramos aos dias da monarchia,
esse peior d'agora nada é relativamente ao que se obser-
vára. O Regente Feijo dirigindo-se
em mensagem á assem-
bléa geral, em 1830. usára destas expressões :
A falta cie
respeito e obediencia ds cruloridades e a impunidade
excitam
universal clamor em to.:lo o imue rio. E'
a ,;-fan,).rena que actu-
almente ataca o corpo social. O
7.Yulc.,.'ioda anarchia ameaça
devorar o Imperio.»
Ao passo que a Constituinte
republicana de 1890, tendo
liberdade de mais, para fazer quanto
quizesse, discutiu,
votou e promulgou, no curto per iodo cie 3 mczes, a excellente
Constituição de 24 de Fevereiro, sem se converter n'uma
convenção nacional ; os patriarchas cla indePendencia na
Constituinte tiveram de se subrnetter t lo,gica do canhão.
Andrada teve cle se descobrir respeitoso diante de urna
dessas podeí'osas rainhas do mundo !
Nos tempos cia propaganda republicana, escrevia o Sr.
Dr, Assis Brasil, hoje nosso representante na Republica
Argentina, em seu livro.---Republica Federo!
« Movimentos politicos não se deram depois da tentati-
va de Nunes MaChado em 1818, data em que começou a
nossa submissão sem protestos. »
E' assim que o Empeno, em seus derradeiros tempos,
foi para os seus apologistas urna idade de ouro ';'não se
lembravam de uma só gotta de sangue derramado nas revol-
tas armadas ou guerras civis, cine talaram a Patria no de-
curso de 1830 a 1818!
A França tem visto um sem-numero de revoltas, que
se succedem a cada mudança de forma cle governo, algumas
accarretando até a bancarrota. A. ultima republica tem gasto
20 annos para se consolidar, e de todo ainda não passou a
teimosia das restaurações.
A America do Norte ? Acaso os Estados Unidos, essa
riquissirna e poderosa republica. forma& pelo enlace de
Estados autonomos, outriora eolonias independentes., conse-
guiram ser um colos-so, sem as disse"õ.s de uns com outros
Estados,.sem as guerras em que se despendem rios de san-
gue e de dinheiro'
Ahi está bem reeente ainda a guerra de secessão que
durou largos annos, consumindo quasi um milhão de sol-
dados, e bilhões cie dollars.
O que falta por ventura aos brasileiros é mais sizo e
patriotismo, para não se registrarem factos Como esses,
de serem acclamadas com hymnos e injuriosas alegrias, as
punhaladas desferidas contra a Republica, por desnatura-
dos brasileiros, que, reunidos a estrangeiros, ousam atirar-
se sobre a Nação.

Felizmente. está terminada a revolta cio Rio Grande do


Sul que, ha cinco rnezes, traz angustiados aquelle heroico
povo e todos os brasileiros, principalmente os sinceros
republicanos.
Está terminada a revolta do Rio Grande do Sul, repito,
possuido da mais intensa satisfação, porque a paz, que
trará a ordem inclispensavel ao progresso, consolidará
definitivamente a Republica. Assim haja, como é de esperar,
patriotas que saibam corajosamente proseguir na senda tri-
lhada pelo benemerito Marechal Floriano Peixoto, que com
tanta resignação, paciencia e tino vai ensinando, como se
serve á sua patria.

Discutida e votada com a mais plena liberdade, no cur-


tissimo periodo de dois mezes, foi promulgada a Constitui-
ção vigente, de '12 de Julho de 1801.
Entendeu a Constituinte que deveria eliminar, e de facto
eliminou do nosso estatuto politico a instituição do Senado.

Entre as leis organicas essenciaes, faltam ainda a elei-


toral e a do processo criminal. Não é que não tenhamos uma
lei eleitoral do Estado. A de 1890, (Fie foi decretada no go-
verno do Dr. Bc,.ri,jarnim Barroso, com pequenas modifica-
ções, poderia prehencher os intuitos de garantia do suffragio.
Esta lei, porém, tem defeitos, entre os quaes o principal
é o da lista completa para todos os cargos, em divergencia
com a lei federal, e com o que está consagrado na consti-
tuição federal em relação ao direito de representação das
minorias. Só o facto de referir-se a datas e não a prasos,
só a differença de numero de secções e de eleitores, em des
accordo com aquella lei, occasionam duvidas, confusões e
até erros, que é preciso a todo o transe evitar. Converia,
pois, que na lei que tiverdes de votar para regular as elei-
ções estadoáes e municipaes, se mantenham as disposições
das leis federaes correspondentes.
A eleição para presidente do Estado, feita como pre-
ceitúa a 2.a parte do art. I.* das disposições transitorias
da Constituição *pelo Congresso, rezahiu no humilde con-
terraneo que tem a h)nra de vos dirigir a palavra, abrindo-
se por isto uma vaga na carnara rios deputados, para a
qual foi eleito em 12 de Abril ultimo, o Dr. Benjamim Libe-
rato Barrozo.
Nos lagares de vereadot-es das diversas municipalida-
des, se têm dado vagas por morte, renuncia e opção Com
a devida presteza tenho mandado proceder ás re. pectivas
eleições, as quaes se têm realisada com toda a calma e li-
berdade.
Mui sabiamente coordenastes a I.ei n° 31 de [o de No-
vembro de 1892, que deu organisação ás municipalidades,
com a autonoinia, as amplitudes e delimitaç(-Ies, de que trata
a nossa Constituição estadeai em seu titulo VI, cap. 1°.
Surgem, porem, quasi diariamente, na applicação dessa
lei e respectivo regulamento, duvidas e contestações admi-
nistrativas, que tenho me abstido de decidir, corno precei-
tua o art. 59, n. 16, para não agravar dissenções. Pondera-
ções amistosas e doutrinarias têm, porem, produsido effei-
tos salutares.
Neste particular, existe ainda muita cousa assaz melindrosa
para ser estudada e resolvida, e não o será com efficacia no
terreno pratico, sem o vosso concurso patriotico, pois que de-
pendem de intelligencia e boa comprehensão todas as res-
tricções a fazer, indispensaveis mesmo aos amplos poderes
que os municipios acreditam ter-lhes sido outorgados com
extens5es e delimitações eguaes ás do Estado.
Do funccionamento regular sem choques, e com o minimo
atrito, desses mecanismos virtuaes, semelhantes e por isso
mesmo parecidos com o do Estado, desenvolvendo sim ulta-
neamente os mesmos movimentos em especie, quasi os
mesmos trabalhos e funcções sociaes, mas uns e outro
accionados pelo unico motoro deveré que depende a fe-
deração dos municipios.
Não foi bem comprehendida a discriminação de ren-
das entre o Estado e os municipios. Assim é que muitos
municipios taxaram conjunctamente com o Estado, procu-
rando rendimentos fóra das suas fontes privativas (art. 04
da lei n. 33 de 10 de Novembro de 1892), e em áreas expres-
samente vedadas pelo art. 65 da citada lei.
Alguns ha que crearam até o imposto de transito,
indo de encontro á propria Constituição do Estado (art. 118)
Tenho providenciado para que cessem estas, como ou-
tras irregularidades; mas sempre pelo processo da expo-
sição doutrinaria.
Outro tanto tem succedido com relação á lei n. 31 de io
de Dezembro de 1892, que organisou as justiças do Estado.
Mas os casos de duvida e má applicação da lei, quando
reclamam as partes, tenho submettido á elucidação no tribu-
nal da Relação.
Assim é que por accordam de io de Fevereiro foi de-
cidido haver incompatibilidade do cargo de promotor da justi-
ça com o de intendente municipal estabelecida
nos artigos 114
da Constituição e 167 da Lei n. 37 de i° de Dezembro de 1892.
--8-
-Pelo de 5 de Maio findo, decidiu-se que as custas
taxadas no art. 24 do Regimento de 2 de Setembro de 1874,
a titulo de diligencias, devem ser pagas em sellos cio Esta-
do, em vista da disposição absoluta do artigo t 57 da citada
lei n. 37;
E como estes, ha outros que desenvolvidamente en-
contrareis no bem elaborado relatorio do intelligente, activo
e zeloso Secretario dal us.tiça.
Ha, porem, uma questão que por sua gravidade deixei
para ser submettida á vossa apl.' eciação, pois que entende
com a intelligencia a dar-se á parte da disposição do art.
107 da Constituição estadoal, quando diz : Ao Intendente,
alem da execução das deliberações da camara municipal,
competem as attribuições que actualmente exercem os de-
legados de policia.» -
Na regulamentação, como sabeis, a Lei n. 37 de 1° de
Dezembro dc 1892, em seu artigo 192 diz que: continuam
com as mesmas attribuições, que até agora lhes competiam,
os delegados e subdelegados de policia ; e a lei municipal
ti. 33 de 10 de Novembro de 1892 no art. 35 estatúe que ó
intendente é o chefe do governo executivo e bem assim da
policia admittistrativa em todo municipio,), tendo entre as
suas attribuições a de mobilisar a força municipal, confor-
me exigir o bem do municipio, e pre,tal-a ás autoridades
judiciarias, -quando a requisitarem, (art. 38 n. 13 da lei cit.)
Não é, como se vê, por falta de clareza que se tem susci-
tado duvidas e creado até embaraços ao funccionamento
da policia commum ; é antes a perpetua confusão de autono-
mia com independencia, aggravada em certos casos pela
insubmissão que leva a desconhecer a faculdade --que foi
concedida ao poder legislativo pela propria constituição es-
tadoal (Art. 149 parte final) de alterar, pelas legislaturas
ordinarias, quanto não seja essencialmente constitucional,
como acontece com a disposição de que se trata.
E nem podeis deixar de ter procedido a essa rectificação
doutrinaria, quando a nossa constituição consagra o seguin-
te lemma
«A policia e a instrucção publica são instituições que
pertencem ao Estado.>)
Espero, pois, que providenciareis de modo a fazer ces-
sar a reluctancia de chefes do poder municipal em algu-
mas localidades, os quaes entendem não dever auxiliar a
acção da justiça publica com a força municipal, quando re-
clamada, na forma da Lei, na falta de força publica estadoal.
De accordo com a lei ri. 33, que deu organisação ás mu-
nicipalidades, no dia iO do rnez lindo deveriam ter sido
empossados os novos eleitos para os logares de intendente
e presidente das carnaras municApaes. Estou informado de
que nem todas procederam a essas eleições, em conse-
que'ncia de não se haverem reunido, em consecutivas convo-
cações. E' assumpto este, de quF. deveis curar, sem perda .
de tempo, na revisão e 'retoques inclispensaveis á citada lei
a. 33.
Questão assás delicada, e para a qual tambcm chamo a
vossa attenção, vem a ser a divisão politica, judiciaria e
administrativa do Estado.
E' certo que o principal está vencido a divisão das
:

comarcas foi decretada após serios estudos dos represen-


tantes. do Estado na assembléa federal, nos ultimos dias da
primeira administração do Dr. Benjamin Barrozo, e aprovei-
tados in totum pelo Governador General Clarindo de Queiróz
em 1891. Mas, corno sabeis, as comarcas não ficaram bem
delimitadas cm consequencia. da 1-alta de organisação real
dos municipios nas condições exigidas pelo art. 92.
O art. 18 da constituição estadoal determina que os a-
ctuaes municipios, que não estiverem nas condições do art.
92, isto '6, que alem de não terem urna localidade que
lhes sirva de séde, não tenham urna população minima de aez
mil habitantes e renda sufficiente para manter-se, serão an-
nexados pelo Presidente, no todo ou em partecom. approva-
ção da Assernbléa.
A lei n. 33 de 1892, determinou positivamente no art.
3°.das disposições transitorias que: os municipios actuaes,
qUé. atè 3o de Junho de 1893 não organisassem seu orçamen
to,. código de posturas, regulamento interno e divisão do
respectivo territorio em diStrictos, serão annexados aos
visinhos, na forma por ella prescripta .
Está, pois, terminado o prz.iso fatal, e desta sorte terão
deixado de ser municipios os actuaes, que não cumpriram a
determinação predita.
Não é pequeno o ri.° dos que estão incursos neste com-
misso, mas facilmente comprehendereis o clamor que se
levantará, se hoje o podei executivo os supprimir defini-
tivamente annexando-os, como manda a lei citada.
E' esta precisamente a parte critica e delicadissima da
questão, e tenho considerado de convenicncia publica so-
bre estar em qualquer acto, até submetter o assumpto, á vos-
sa consideração.
.~4

No que respeita a demarcações e limites, os municípios


estão como vieram cio regimen decaindo, existindo muitas
zonas contestadas, ou pertencendo a mais de um municipio.
São constantes as reclamações por parte de arrematan-
tes de impostos, que se sentem prejudicados pelo
pagamento
dos mesmos a encarregados de outros municipios, que alie-
gam pertencer-lhes a localidade, onde se faz a arrecadação.
Não é assumpto este para ser resolvido administrativa-
mente; só o poder legistativo poderá prover no sentido de
terem os litigios uma prompta solução, caso os divergentes
por si não cheguem a accordo sobre limites disputados,
dentro (rum praso determinado.
Com a maior'presteza expedi regulamentos para as leis
organicas que foram promulgadas, effeauando em segiuda
a reforma das tres secretarias de Estado.

Coube-me ainda reorganisar a Junta Commercial


com
uma secçãoJd'e estatistica e bem assim a repartição de
obras
publicas, ora dirigida pelo activo e zeloso engenheiro Tenen-
te João Arnozo, que tão bons serviços
tem prestado ; puz os
anteriores regulamentos de accordo com a legislação vigen-
te, na parte attinente a vencimentos, licenças,
ria, e fiz a reducção do pessoal, determinada aposentado-
na Lei do or-
çamento, que começára a vigorar.
A este meu acto, no que
concerne á repartição de obras
publicas, não precedeu autorisação especial;
da vossa ractificação. Espero que tomareiscarece por isto
ção, que merece assumpto de na considera-
tanta monta, que entende com
o modo de fazer as adjudicações
publicas, e conservação delias.
para execução das obras

Entendi ser inconveniente ao credito do Estado servir-


me da autorisação, que me concedestes pela
de Outubro de 1892, para fazer operaçõesde Lei n.° 24 de 28
tir, sob a forma de coupons ou apolices credito ou emit-
ao portador, até a
importancia de 500:000$000, afim de facilitar
mercio e particulares.
o troco ao com-
O Ceará nada deve e seus parcos
tando para realisar os melhoramentos recursos vão bas-
que o seo progresso
exige, e a prudencia aconselha, não arriscando
os gosos de um modesto viver. a desastres
1
Em outra parte,vos darei conta 'mais cletaihada do esta-
do das nossas finanças.

Em virtude da autorisação que me concedestes pela lei


n.° 22 de 26'cle Outubro de 1802, foram reorganisados os
differentes serviços e clestribuiclos por Ires secretarias,
Interior, Fazenda e Justiça. A instrucção publica, porem,
embora dependente da secretaria do interior, funcciona sob
a chefia de um Inspector geral, como repartição á parte.
E' forçoso, entretanto, que seja cila incorporada áquella
secretaria, por força do art. OU dá Constituição estadoal, fi-
cando a super-intendencia a cargo do respectivo Secretario,
e executando-se o serviço em urna secção -especial. E' isto o
que convem que detern'rineis cai lei especial.
Razões de ordem dogrnatica c disciplinar me demove-
ram de emprehender a reforma 'cia Instrucção publica, mes-
mo com a amplitude de liberdade qiie me concedestes.
Haveis de convir em que reformas theoricas. simplesmente
escriptas e decretadas nada aproveitam. Adiantam, quando
muito, o atulhamento dos archivos da legislação.
Uma reforma radical, praticamente proveitosa, da in-
strucção publica, á problema actualmente quasi insoluvel,
attento o indeterminado numero de relaçiks egoisticas a
satisfazer.
A suppressão do ensino secundario offiial é a unica
solução que me parece logica, espontanea e com pativel com
a dignidade e liberdade espiritual. E si assim não á, que
utilidade advem para o publico da conservação de estabele-
cimentos corno o t.vceu e a Escola Normal, onde sem pro-
veito despende o Estado cerca de 70:000$000
Isto verei3 eircumstanciadamente demonstrado no lumi-
noso relatorio do Secretario do Interior, que vai annexo.
A instrucção publica primaria e elementar, esta sim
precisa ser melhorada cercandos.c o magisterio de certas
garantias que lhe faltam e tornando-se sérias providencias
para evitar um sem-numero cle abusos que a tornam falha
e deficiente.

A força publica do Estado está reclusida ao unico bata-


lhão de Segurança que estaciona nesta capital, onde tem
prestado os melhores serviços nesta época de descontenta-
mentos, graças ao zelo e lealdade cio seu pessoal severa-
mente disciplinado pelo infatigavel e prestigioso comman,
dante coronel José Ribeiro Pereira.
Em I.° de Janeiro deste anno foi inaugurado o excel-
lente quartel á praça Marquez do Herval, ficando desta sorte
sanado o inconveniente da não existencia de um edificio
apropriado.
Na mensagem especial, com que terei de vos apresen-
tar a proposta para a fixação da força publica para 1894,
consignarei as medidas que julgo essenciaes para se melho-
rara sorte das praças de pret, actualmente mui precaria
em consequencia da alta excessiva de preço para todos os
generos e mercadorias.
De dia para dia, mais se acentua a falta de um corpo
de agentes, menos militar e mais apropriado ao policia-
mento especial da cidade, serviço que presentemente está
sendo feito por cerca de 80 praças do batalhão de segurança,
que se estafam velando noite e dia.
Grande erro foi ter-se acabado com o corpo que existia
sob a denominação de Guarda Cirica, e foi dissolvido em 17
de Fevereiro de 1892 por conveniencias de ocasião.
E', pois, de toda utilidade curar deste importante as-
sumpto, que entende com a segurança e socego publicas.

Rei.uto bem organisada a suprem- a magistratura do


Estado. Os membros do Tribunal da Relação, tendo como
modelo de virtudes e respeitabilidade o seu presidente, vão
se condusindo com a circunspecção e seriédade que se
faz de mister a um Tribunal que, em ultima instancia, tem de
julgar questõe.s mui sérias que lhe são affectas.
Não menos digno de consideração e respeito se tem.
mostrado o Procurador Geral do Estado, o qual tem sabido
escrupulosamente cumprir os deveres do seu cargo.
Os juizes de I° entrancia e os demais auxiliares da
justiça, em geral, se portam bem.
E' o que se deprehende dos feitos revistos pelo Tribunal
da Relação, e do facto de só terem subido a seu conhecimento
até agora, em recurso official de não pronuncia, dois processos
de responsabilidade contra juizes substitutos, um dos quaes
foi mandado subrnetter a julgamento.
Parecia que a divisão da justiça em federal e estadoal
faria diminuir o numero dos feitos ;
o contrario, porem, se
verifica : estes são agora cru maior numero...
-'13
De grande relevaneia, como subsidio de informações
mais completas e minuciosas, são os relatorios do Procura-
dor Geral do Estado, do Presidente do Tribunal da Relação
e do Secretario da Justiça que em annexos vos apresento.
Nesses 'documentos encontrareis detalhadamente quanto
con.cérne á justiça estadoal, interpretações e consultas sobre
duvidas suscitadas até agora na execução da Lei n. 37, que
deu organisação á magistratura, e de par a indicação dos
artigos dessa lei, que mais precisam de retoques.
A instituição do jury é que vai dando entre nós pessi-
mos resultados. Mas, é preciso corrigir a phrase; a justiça
do jury é a mesma por toda a parte, como muito bem diz o
Dr. Antonio Ferreira Vianna Filho em seu folhetoDa orga-
násaçãojurliciaria da Cai5ital federal, publicado em 1892.
Combate este illustre ,juiz a instituição do ,jury como
prejudicial, citando a opinião dos notaveis publicistas e ju-
risconsultos Dubarle Von-Launhe Dr. Leonhardet, ministro
da ,justiça da Prussia, que no parlamento allemão em
21 de Novembro de 189L disse : O jul.!' ú uma instituição
no cleclinio de sua existencia,
O Dr. Vianna Flho refere, como grande escandalo, que
em uma sessão do jury em que servia na capital da União,
o conselho de sentença em um di:-) condemnou um pobre
desgraçado a oito anrios de prisão com trabalhos por ter ar-
rombado uma caixa das almas, donde tirou 400 rs. e no diá
seguinte absolveo um estellionatario que havia tirado para
si mais de duzentos contos de um banco, em que era em-
pregado 1
Cita que, depois do julgamento de um falsificador de
testamento, foram vistos os jurados em sua maioria
banquetearem-se num hotel com o réo absolvido. São
tão frequentes os factos deste g-enero aqui e por toda
parte,que não importa mencional-os para acentuar o desvir-
tuamento da liberrirna e democratica instituição judiciaria.
Todavia, o ,jury é cousa obrigada no nosso regimen e
estatuto politica. O que cumpre é procurar se, quanto
possivel, regeneral-o, e isto se tenta opinando-se que se ti-
re ao Juiz presidente do Tribunal a faculdade de formular
quesitos, restringindo-se o numero das recusações e só as
admittindo motivadas com fundamentos attendiveis. Ou.
tros pedem que os veredictos sejam escriptos e motivados,
mas não secretos.
O que é certo é que a distincçào do direito do facto vem
a ser impossivel na pratica. Como magistralMente diz o Dr.
1 4. -

Vianna Filho, a cabala no jury é o elemento mais poderoso


para os resultados, que ali se pleiteiam. Os advogados não pro-
curam convencer o jury pela força da dialectica ou pela elo-
quencia da palavra, mas pelo empenho sob todas as formas,
desde a amisade até a coacção, desde a seducção até a
ameaça. Assim organisam as suas listas, e aquelles que
não foram reduzidos são recusados.
Deveis cogitar seriamente deste assutnpto, fazendo o
que a vossa sabedoria e patriotismo aconselhar para mo-
ralisar-se esta instiuição, já que não licito supprimil-a.
.No8

No presente anno, teve o Ceará a felicidade de ver


cairern abundantes chuvas, indicio certo de desenvolvimento
e prosperidade da lavoura e da poderosa industria
pastoril. Atravessa, porem, presentemente uma crise, que
está fiagellando o páiz inteiroa falta absoluta de braços.
.A escassez de trabalhadores fará com que os já minguados
productos da diminuta lavoura, fiquem sem colheita, sendo em
pura perda o plantio. O cearense, depois de ter sido acos-
sado por duas seccas, tem abusado muito da liber-
dade de emigrar, que se lhe tem deixado, pondo se a correr
mundos á procura (rum phantastico paraiso.
Os igapós da -Amazonia têm sido cemiterios, somente
para o homem deste clima nimiamente secco e sanificado
pelos aliseos. Alli o sacrificio de vidas excede de 5o ./ do
numero dos colonos. E d'qui nem sempre se emigra por
motivo de fome ou falta de trabalho remunerador, sinàb pela
falsa idéa quase tem dos salarios, pois que, em verdade, at-
tendidas as exigencias da subsistencia no Ceará, não ha dif-
ferença para melhor na Arnazonia. A illusào, porém, vae
por diante á mercê da seducçào empregada por ambiciosos,
que vêm recr utar as victimas até nos remotos sertões.
Nã.o bastava já a depauperação que solfre o nosso Esta-
do com a perda de grande numero de homens válidos, que
assentam praça no Exercito federal, e dos vigorosos rapa-
zes que aqui são escolhidos e acolhidos em urna escola de
I.1 classe, viveiro de
marinheiros e soldados do mar. Dinhei-
rosos Estados contribuem para a espoliação, enviando agen-
tes para contractarem praças para prchenchimento dos cla-
ros dos seus regimentos policiaes.
Este trafico não deve continuar. Alunicipios ha que
já deram o grito de alarma, creando taxas para a bufas/ria
-'15---
e Profissãode agenciador de voluntarioso E' preciso sys-
tematisar-,se a medida, e ao mesmo tempo, cuidar-se seria-
mente da nossa lavoura, e das nossas industrias, decretan-
do-se os incentivos cio premio.
Ceará tamboril poderia mandar vir colonos, mas
antes de tudo, deveis crear embaraços á emigração, pôr
fim ao exodo. Convirá que faciliteis em grande escala, no
maximo que se puder, a construcção dos açudes proprios
para a irrigação. Os grandes reservatorios de Lavras e Ita-
colomy estão sufficientemente estudados e projectados pelo
notabilissimo engenheiro Dr. J. J. -Revy.
Itacolorny, a 70 kilometros do litoral, a 27.600 metros
da Granja, a 32.109 metros de Viçosa, construido com uma
barragem de 1.095 metros de comprimento por 30 metros
de altura maxima, equivalente a 717.000 metros cubicos,orça-
do em 1.400 contos, ficará com capacidade para 192.635:000
metros cubicos d'agua.
rio ltacolomy pode fornecer annualmente para o
açude 3.939:760 metros cubicos d'agua, quantidade sobeja
para alimentar o reservatorio, que depois dc cheio, após tres
ann0s de secca, ainda conservará 9.3oo:o0o metros cubicos
d'agua, podendo irrigar no valle que fica abaixo cerca de
2.000 hectares de terrenos planos, de primeira qualidade,
onde em larga escala se poderá plantar, durante a estação
secca, e pelos processos modernos, empregando o arado,
as melhores qualidades de algodão, milho, arroz, feijão e .
cereaes de outras espe,cies, bem como a forragem para a
criação do gi-do, plantando-se a luzerna, o capim, etc.
O grande açude das Lavras, quando construido com
uma barragem de 315 metros correntes, em arco, dos quaes
208 metros de parte pesada atravez do rio por 45 metros
de altura acima do fundo do pôço, no boqueirão, será o
maior reservatorio do mundo e a mais importante obra
hydraulica do Brasil. Ficará com um comprimento supe-
rior a 30 kilometros pelo vale do rio Salgado, com largura
media d'agua de mais de 3 1/2 kilometros e altura media de
mais de 15 metros, guardando um volume d'agua calculado
em 1.500:000:000 metros cubicos.
O custo da obra está or-
çado em 5.633 contos (quantia, a meu ver, exagerada), sendo
a área irrigavel excedente a 100.000 hectares.
Afiança o Dr. Revy, pelos dados e observação colhidos
no local,que, em uma grande sècca, como a de 1877 a 79,urna
zona de 30.000 hectares de boas terras pode
ser constante-.
mente irrigada, e destes 25.000 hectares poderão produsir
tódo o necessario para meio milhão de homens, sem que
urna só cabeça de g3do passa morrer por falta de alimento.
O açude do Quixadá, cuja construcção só foi começada
em Janeiro de rSoo, confiadas então as obras ao habilissimo
é distincto engenheiro Dr. Ulrico Alursa, só não está termi-
nado pelas dificuldades de transporte cio cimento e ultima-
mente pela falta quasi absoluta de trabalhadores,
Este importante açude que, terminado, ficará com o con-
torno de 91.000 metros, abragendo urna área de 21.800:000
Anetros quadrados e capacidade para 137.000:000 metros eu-
. bicos com 6 metros de profundidade na media e 16 ditos no
Máximo, é destinado á irrigação de ç.000hcctares de terrenos
que se estendem pelo valle do rio Sitiá até 26 kilornetros
abaixo do açude, excellentes para a cultura de todas as es-
peies de vegetaes da nossa lavoura.
Presentemente está o açude do Quixadá com uma gran-
de represa equivalente a 2 . 000:000 de metros cubico.' que
podia ser. já de 30 milhões si o estado das obras tivesse per-
mittido recolher todas as aguas que o rio condusiu, duran-
te o inverno que findou, mesmo escasso, corno foi, para a
região do Quixadá.
Nada tem que ver o Estado com esta itnportante obra,
e si della vos fallo é não só para deixar consignada aqui
urna ligeira noticia a respeito desse notavel melhoramento,
que sem duvida alguma ha de trazer-nos grandes benefi
cios, corno tambem para ter occasião ainda de verberar os
agenciadores que não respeitam mesmo os trabalhadores
das obras federaes; pois até estes não resistem á seducção
outro sim, para salientar-vos a necessidade de, desde já,
irdes cogitando dos meios de obter-se colonisação de pes-
soal apropriado ao cultivo desses 5.000 hectares, que, den-
tro em breve, estarão aptos para serem plantados, mesmo
cria tempos de sêcca.

De pouca impor'tancia são as informações que vos po-


deria ministrar acerca dos resultados até agora obtidos na
execução da Lei n.° 15 de hl. Novembro de 1892, que fixou a
despesa e orçou a receita do Estado no corrente exercido
de 1893.
Apenas são decorridos seis mezes e os dados que exis-
tem no thesouro não podem ainda ser- completos, e por isso
nenhuma comparação se pode fazer com utilidade pratica.
A celeuma que no começo da execução da lei orçarnen-
17-
tarja se levantou contra as taias fixas por cargas de produ-
ctos saldos pelas fronteiras do Estado, principalmente dos
cereaes, havidas corno exageradas na região do Cariry,
onde ha muito para exportar, foi pouco e pouco serenando,
pela pratica e conhecimento positivo da sem razão que havia.
A verdade é que, si algumas destas taxas vieram a tor-
nar-se prohibitivas, só o foram pela baixa externporanea dos
preços das mercadorias e productos, cujo valor commercial
se equiparava quasi ao das taxas, e isto pela apparição do
inverno precoce e consequente necessidade de dar saida
prompta aos generos armazenados nos celleiros dos previ-
dentes. Não foi essa, porem, a vossa intenção legislando.
Por mais escrupulosos que tivesseis sido, não deverieis
mesmá ter cogitado da appariçã ) de tal phenomeno.
Com referencia ao assumpto diversas representações
foram-me entregues e ser-vos-hão presentes ; urnas, pedindo
a suspensão do orçamento; outras, fazendo ponderações no
sentido de serem modific.adas ou supprimidas certas taxas
havidas como exageradas. E' bem de ver que, rulo sendo das
minhas attribuições alterar as leis e muito menos suspender
a execução do orçamento, devia aguardar a vossa reunião,
porque não era caso para convocação extraordinaria.
demais, o exagero de taxa, si houve, só o foi accidental-
malte.
Parece-me, pois, que o remedio est, simplesmente em
tornar movei essa taxa de exportação pelas fronteiras, obe-
decendo a uma pauta de preços correntes.
Do imposto de estatistica,. imposto addicional de indus-
tria e profissão, a que estão sujeitas pelo .orçamento vigen-
te as casas commerciaes, que negoceiam com mercadorias
ou artigos de commercio não produzidos ou manufactura-
dos no Estado, pouco relativamente se tem arrecadado.
Alguns negociantes acceitaram logo e sem reluctancia
esse imposto novo e necessario para proteger os generos,
mercadorias e productos do paiz e do Estado contra os
similares que vêm de fóra ; imposto que ha de corrigir for-
çosamente o abuso excessivo da importação que tanto faz
baixar o cambio, e que é destinado ainda a contribuir para me-
lhorar a sorte do negociante capitalista nacicnal, cuja fortu-
na existe em circulação no Estado, animando, avigorando e
fazendo expandir as industrias reproductivas da riqueza pu-
blica, contra a atrophiante concuzrencia dos negociantes
consignatarios, cuja fortuna estatica existe fóta do Estado,
porque não lhes-pertencem as mercadorias e productos do
seu negocio, os quaes só se demoram na praça o tempo
strictamente necessario para completar-se a troca de mer-
cadorias umas por outras, ou, no geral, por materia prima
que mais tarde volta convertida em artefacto para ser com-
prada por nós mesmos com um valor multiplicado.
Outros negociantes não quizaram conformar-se com .0
imposto de estatistica, argumentando que tal imposto é
inconstitucional, e se acham em litigio com a fazenda esta-
doai no terreno judiciado. A principio se quiz levar a ques-
tão para o terreno administrativo federal, determinando por
si o Sr. ministro da fazenda, em circulares bem conhecidas,
que o imposto de estatistica era inconstitucional, e quando
fosse admissivel, deveria ser cobrado para a União, na forma
do art. 9.° § 3.° da constituição federal.
Do modo por que tive de me haver para sustentar as
prerogativas do Estado, podeis ver, si o quizerdes, na cor-
respondencia trocada entre o ministerio da fazenda e esta
presidencia, a qual mantenho reservada até agora.
O Sr. ministro de então, para fazer prevalecer as suas
idéas, com relação especialmente ao Ceará, onde o imposto
não era cobrado na alfandega, como em outros Estados,
ordenou ao chefe da repartição aduaneira que tratasse não
só de haver a inzportancia obtida pelo Estado por meio de Luz
inconstitucional por este lançada sobre generos de procedeu-
cia estrangeira, mas tanzhenz que negasse ternzinantemente os
documentos pira tal arrecadação; isto éos dadás estatisti-
cos sobre a importação e ou!;ros que S. Exc. mesmo
mandára ministrar á repartição de estatistiça estadoal desde
o começo do corrente anno. Parecia a S. Exc. que sobre
esses dados é que assentava a cobrança do alludido imposto.
Mais tarde, porem, mandou suspender a execução da sua
circular de 8 de Abril do corrente anno, até o congresso
resolver ; isto é, mandou continuar a fornecer pela alfandega
os dados estatisticos, e affectou a questão ao poder legisla-
tivo que, por sua vez, acredito, não poderá decidir definiti-
vamente, si o imposto é ou não inconstitucional.

MN=

O Estado do Ceará está sendo grandemente prejudicado


na percepção do imposto do sello,na parte que deve ser exclu-
-sivamente estadoal, em vista do art. 9 ° § .° n. 1, da cons-
tituição federal, sendo forçoso ceder, quanto á cobrança de
algumas especies desse sello para a União, para evitar liti-
gios com o respectivo governo.
O regulamento do sello, expedido em virtude da Lei n.
126 A de 21 de Novembro do anno passado, acredito, será
retocado, e o mesmo deveis fazer quanto á lei estadoal rela-
tiva, para harmonisar as duas cobranças, não aggravando
as taxas por duplicação.
O que a constituição federal estatuiu foi
( Tambem compete exclusivamente aos Estados decre-
tar : Taxas de sello quanto aos actos emanados de seus
respectivos governos e negocios de sua economia ; » (art. 0,0
§1,° n. 1).
Em annexo encontrareis copia da representação que
acerca do objecto dirigi ao congresso federal.
Não menos prejudicado vae sendo o Estado no que con-
cerne ao beneficio das loterias concedidas pelo mesmo com
applicaçào ás casas de caridade, instrucção publica etc.,
beneficio que fica absorvido por uma taxa do sello para a
União. As indicadas loterias, pois, se acham ameaçadas
de desapparecer, si não for revogado ou, ao menos, suspen-
so o regulamento do sello federal, de que venho de tratar;
como espera o concessionario.
Em tempo opportuno reclamei do ministerio da fazenda
a parte do sello de patentes da Guarda Nacional, arrecadado
durante o 2.° semestre do anno findo, que pertence ao Estado
por força das disposições do orçamento de então, visto
como o orçamento que decretastes, com a discriminação
das rendas que lhe são proprias, só entrou em vigor em 1.°
de Janeiro do corrente anuo.
O Exm. Sr. ministro se dignou responder-me por offi-
cio, declarando-me que
A guarda nacional sendo rnilicia da Unido, o sello das
patentes pertence ao thesouro,federal, corno declarou o rniniste-
rio da justiça em circular de 8 de Abril do corrente anno.
Entendo que tal verba não pode deixar de ser novamen-
te reclamada, o que poderá ser feito melhormente, quando
se tiver de liquidar as responsabilidades do Estado com a
União, de accordo com o estabelecido no art. 3.° das dispo-
sições transitorias da constituição federal.
Por insufficiencia de credito em algumas verbas e não
existencia de outras, que deveriam ter sido votadas, e não o
foram para occorrer a despezas com serviços creados e au-
torisados, como por ex : os da Junta commercial e Secção de
estatistica, tive de abrir alguns creditos extraordinarios
para os quaes peço a vossa approvação, depois do indispen.
savel exame das respectivas contas e documentos.
Apresento-vos agora o estado do thesouro, segundo os
algarismos hontem veriflaados ao encerrar-se o exercicio
financeiro
No caixa geral a receita é de 032:124580 com a despeza
de 462:5763939, apresentando de saldo 169;5430.7.
No caixa de depositos 270:543$781 escripturados como
receita para uma despeza de 50:8113173 e um salda de.. ,
219:7373612.
E no caixa de diversos valores, 1:691$' 80 de receita sem
despeza alguma ; o que dá, reunidos todos os saldos,
390:9723503, assim descriminados
No caixa geral em dinheiro 160:513$617.
Em deposito : dinheiro 5::057$811, papeis de credito
21:6443862, apolices 117:034$039 e em lettras 601$380.
Deveis estar lembrados de que dificuldades quasi insu
peraveis tiveram de ser vencidas para se poder organisar o
orçamento vigente, restringidas como ficaram as rendas
proprias do Estado.
Nos serviços que deviam ser mantidos pelo Estado, por
mais que se cortasse sem desorganisação, jamais se conse-
seguiu fazer .descer a despeza a menos de 1:300 contos.
De um lado, deveriamos ter como certo que a receita,
então conhecida soffreria a reducção de mais de 30..;:000$000,
do imposto de importação, abolido pela discriminação
das rendas ; de outro lado, a desgeza accrescida devia
attingir a cerca de 400:003,000 com os serviços da ma-
gistratura, policia, Junta Commercial, Presidencia e secre-
taria, do Lazareto, hygicne e outros até então costeados pelo
governo da União.
Aos municipios ter-se-hia de ceder rendas exclusivas
que lhes assegurassem existencia propria ; não podendo pas-
sar para o da Fortaleza a illuminação a gaz, com uma des
peza triplicada pelo pagamento em ouro, por força do con-
tracto do Estado com uma companhia estrangeira.
E como fazer face a tantos encargos ?
Uma exportação tão reduzida, visto a mingua da nossa
lavoura, industria e creação, não daria mais que 123.195$000;
as industrias e profissões nos mesmos termos não dariam
mais de 67.0953000; a transmissão de propriedade 4'3.2103190
e do s.ello não era dado esperar mais que 90:000$000.
Consolidadas as taxas dos antigos impostos geraes, Pro -
vinciaes e municipaes em uma só taxa de imposto estadual,
.211

e calculadas as verbas respectivas, sempre se vos deparava


o desequilíbrio orçamentado na sua forma afflictiva de
deficit.
Fez-se preciso chamar ao Estado o imposto de rez aba-
tida, e reforçar a taxa do imposto de industria e profissão
com uma porcentagem addicional justa, rasoavel, necessaria
o imposto de estatistica para corrigir as falhas.
Equilibrar o orçamento foi um problema quasi insolu
vel, sobre tudo tendo-se de operar sobre hypothescs somen-
te. Salvaram-se, porem, os grandes interesses do Estado,
e deu-se tempo a aprofundarem-se muitas verdades, que sa
bereis consultar na confecção da nova lei orçamentaria.
Resta ter confiança e prudencia, ser provido e ser eco-
nomico.
São estas, Srs, membros da Assembléa Legislativa, as
informações, que me occorre prestar-vos relativamente ao
periodo de minha administração ; asseguro-vos porem que
me achareis prompto a prestar-vos todos os esclareci-
mentos que exigirdes em relação aos diversos ramos do ser-
viço publico.

Palacio da Presidencia do Ceará, Fortaleza, 1..° de Julho


de 1.893, 5,0 da Republica.

«osé pairo g?ezerril 4gontenella.


A.1\T IT:b:C O
IIELATORIO

QUE

4ocretario interino dos Aregocios do jniszior

ANT1113 SALES

Apresenta

AO EXM. SR. PRESIDENTE DO ESTADO

1893
RE\ LATORIO

it 17 e.1/a e )1 ( e Ch J/ (((h

Tentando corresponder a confiança que cm mim depo-


sitastes nomeando-me para o cargo de Secretario dos Nego-
cios do interior, por acto de 20 de Fevereiro do corrente
anno em substituição ao Dr. Waldemiro Çavalcanti, ao qual
concedestes a exoneração pedida por acto da mesma data,
cumpre-me apresentar-vos hoje um relatorio do movimento
da repartição que dirijo, afim de que nella colhacs os dados
de que carecerdes para a mensagem que tendes de apresen-
tar á Assembléa Legislativa na sua proxima sessão.
Assumindo o governo. a 21 de Agosto de 1892, tomastes
compromisso de executar a Constituição decretada pelo
Congresso Constituinte em 12 de Julho do mesmo anno.
Usando das attribuições que vos conferem a Constitui-
ção e as diferentes leis votadas pela Assembléa, expedistes
regulamentos para alguns dos serviços a cargo desta repar-
tição, discriminados nos §§ 1: a 7.° do regulamento da lei
n. 22 de 26 de Outubro de 1892. que vos autorisou a leorga-
. nisar as Secretarias de Estado.
Tratarei separadamente de cada um destes serviços, de
accordo com os dados que me Coram fornecidos pelas repar-
tições subordinadas a esta Secretaria e na ordem da impor-
tancia dos mesmos serviços.

DOS MUN1CI PIOS

A 10 de Novembro de IS92 promulgastes a lei n. 33 que


deu aos municipios organisaçào consoante ao preceito con-
stitucional.
Antes de entrar na apreciação da situação geral dos
-6-
municipios, cumpre-me notar que não precedeu á organisa-
'ção autonomica dos mesmos o acto legal da sua divisão
pelo poder executivo de conformidade com o art. 5.° da re-
ferida lei n. 33 de 10 de Novembro de 1892.
Causaria estranheza este facto si não fossem conhecidas
as dificuldades extraordinarias Que cercaram o governo,
tolhendo-lhe a acção no sentido de proceder á divisão dos
antigos municipios, os quaes porfiavam em conservar a sua
integridade, allegando possuirem meios suficientes para
manter-se e apressando a decretação de seu regimento,
codigos de posturas e orçamento.
Era, pois, difficilimo si não impossivel proceder a uma
nova divisão que désse em resultado a destribuição da
populaçào em grupos de 10.000 habitantes para cada muni-
cipio, de accordo com a exigencia constitucional, á qual
alguns só satisfaziam em parte, isto é, tendo uma localidade
para séde e rendas suficientes.
Quanto a população, dos 78 municipios existences só 40
tem de dez mil para cima, os outros 38 não attingem esta
cifra, havendo alguns com menos de tres mil, como Irace-
ma, Brejo dos Santos e Riacho do Sangue.
Demonstrando a pratica que a execução integral do art.
5.0 das disposições transitorias da lei n. 33 traria graves
transtornos á organisaçào autonornica dos municipios, dan-
do logar a reclamações e a choques de interesses dos mes-
mos, resolveu o governo abster-se de dar execução ao mes-
mo artigo de lei deixando que se declarassem autonomos to-
dosos antigos municipios com excepção dos de Pentecoste,
Vertentes, Timbauba e Cachoeira que foram supprimidos.
Existem, pois, actualmente no Estado 'IS municipios,
cujas camaras decretaram seu orçamento, codigo de postu-
ras e regimento interno e elegeram os respectivos intenden-
tes e dividiram o municipio em districtos.
No intuito de fiscalisal as leis municipaes e expurgal-as
de quaesquer disposições que por ventura ferissem as con-
stituições Federale do Estado, foi por esta secretaria, diri-
gida ás camaras municipaes em 18 de Janeiro a seguinte
circular
« Sendo de maxima conveniencia que o governo do
Estado conheça o modo pelo qual se organisarem os muni-
cipios, faz-se mister que a esta Secretaria remettaes copias
do orçamento, regimento interno e codigo de posturas que
houverdes decretado para o corrente armo, bem como do
acto que dividi° em districtos esc municipio.
Em observancia a este pedido a maioria das camaras já
remetteu as copias exigidas, das quacs se verificou que
muitas não satisfizeram as exigencias ria lei que organisou
os municipios, na parte que lhes traçou a competencia na
elaboração de seus orçamentos, dectetando impostos que
incidiam em fonte de renda privativa do Estado.
Por esta Secretaria foram devolvidas essas peças, acom-
panhadas de officios em que se apontavam as desposições
illegaes, afim d.e que as cariaras as eliminassem de suas
leis o que tem sido attendido por quasi todas, faltando al-
gumas que eerta mente procederão de maneira identica.
Todos os municipios organisados já crearain suas guar-
das locaes, com as quaes tem sido distribuidos o armamen-
to e correame que já não eram usados pelo Batalhão de
Segurança, por ter sido este recentemente armado com
carabina Comblain.
Usando das attribuições conferida pelo art. 59 § 15 da
Constituição combinado com a disposição do art. 11 da lei
n. 33 de 10 de Novembro de 1802 marcastes as seguintes
eleições para preenchimento de diversas vagas existentes
nas camaras municipaes :
Guaramiranga (acto de 30 (le Agosto) foi designado o dia
30 de Setembro de 1892 para proceder-se a eleição para
preenchimento da vaga deixada pelo cidadão Porfirio No-
gueira de Hollanda Lima que renunciou o cargo.
Porangaba (13 e 27 de Janeiro de 1893) foi designado o
dia 14 de Fevereiro para preenchimento das vagas abertas
pelo fallecimento de Manoel de Oliveira Rebouças e renun-
cia dó cidadão Antonio de Hollanda Cavalcante.
Fortaleza (26 de Janeiro) foi marcado o dia 16 de Março
para preenchimento da vaga aberta feita pelo cidadão Gui-
lherme Cezar da Rocha.
Crathens (10 de Fevereiro) designou-se o dia 22 de Mar-
ço para preenchimento da vaga aberta pela renuncia do
cidadão Luiz Francisco Saboia.
Milagres (11 de Fevereiro) foi marcado o dia 22 de Mar-
ço para serem preenchidas as vagas abertas pela renuncia
que fizeram os cidadãos Antonio Gomes de Lacerda,
Marce-
lino Leite de Araujo e Candido Jose Lourenço.
Quix-adá (15 de Fevereiro) designou-se o dia 20 de Março
para preenchimento da
vaga occasionada pela renuncia do
vereador Urbano Emygdio Capibaribe.
Maranguape (1.0 de Março) foi designado o dia 2 de
Abril para preenchimento das
vagas abertas pela renuncia de
_8 11
dous vereadores, Esta eleição só teve lugar a 10 de Abril
por haver sido adiada por acto de 29 de Março.
Maurity (1,° de Março) o dia 10 de Abril foi marcado
para preenchimento da vaga oecasisnada pela renuncia de
um vereador.
Icó (17 de Março) o dia 20 de Abril foi designado para
proceder-se a eleição na vaga deixada pela morte do verea-
dor André Fernandes Bastos.
Maurity (17 de Março) foi designado o dia 30 de Abril
para preenchimento da vaga aberta pela renuncia do cida-
dão Salviano de Souza Leite.
Coité (21. de Março) o dia 33 de Abril foi designado para
preenchimento da vaga occasionada pela renuncia do ve-
reador Joaquim José Cavalcante de Albuquerque.
Aquiraz (28 de Março) foi designado o dia 7 de Maio para
preenchimento da vaga occasioriada pela renuncia d.o ve-
reador João Correia de Sá Junior.
Varzea-Alegre (5 de Abril) o dia 21 de Maio foi marcado
para ser preenchida a vaga oceasionada pelo fallecirnento
do vereador José Alves Bezerra.
Redempção (7 de Abril) foi designado o dia 11 de Maio
para preenchimento da vaga deixada pelo vereador Fran-
cisco Esteves de Aguiar, que acceitou emprego remunerado.
Canindé (10 de Abril) designou-se o dia 31 de Maio para
preenchimento da vaga aberta pelo vereador João Paixão
Costa Leão Filho, que foi nomeado eollector das rendas do
Estado naqueile municipio.
IbiaPina (20 de Maio) designou se o dia 30 de Junho
para ser preenchida a vaga aberta pelo vereador Candido
Fenelon de Souza, que renunciou o mandato.
Aracoyaba (23 de Maio) foi designado o dia 30 de Junho
para preenchimento da vaga existente.
O vosso antecessor a II. de Julho de 1803 annullou a
eleição de vereadores procedida no municipio de Pacatuba
e designou o dia 30 de Agosto para se proceder a nova
eleição. Chegando ao vosso conhecimento a intervenção
de autoridades no pleito a que se ia proceder, por acto de
29 de Agosto adiastes a eleição para o dia 20 de Setembro
fizestes nomeação de novos intendentes para aquelle muni-
cipio ; e, tendo em vista urna representação destes contra
os intendentes demittidos que ri^.o entregaram os docu-
mentos pertencentes á camara, adiastes novamente a elei'
ção por acto de 23 de Setembro pora o dia 27 de Outubro
quando teve lugar, correndo o pleito regularmente,
-9--
Tôm-se levantado questões de attribuições entre dele-
gados de policia e intendent3s munic.ipae,e pretendendo
estes exercer exclusivamente a funce,i3e policiacs, funda-
d)s no art. 107 da Constituição, o qual não sendo dc mate-
ria consti-tucional, com) deteinnina o art. 1.14Ç) da mesma
Constituicão, foi derojado pelo art. ln.?. (.11 lei ordinaria
que organisou a justiça d..) Estado,
Assim tem decidido o poJer executivo as consultas de
diversos intencle,rites, os quaes ficam investidos somente
das funeçõe,s administrativas que lhe são traçadas na lei
organica do municipio.
Uma outra que-;tão se teu sweitacle por vezes a respei-
to da nomeação de ca:-ecreiros de cadeias publicas se deve a
nomeação ser feita pelo intendente municipal ou pelo dele
gado de policia ?
O poder executivo, attenclenclo a que 03 carcereiros são
pagos pelos cofres das caiu:iras, resolveu que ficassem elles
subordinados ao governo municieal, e assim o tem decidi-
do nas consultas que lhe tem sido dirigidas.
Deu se urna questão de limites entre os municípios de
Lavras e Aurora, disputando ambos a posse do districto de
S. Francisco, que tem perteneido alternadamente a um e a
outro em virtude de leis das antigas assembléas provinciaes.
Na sentido. de evitar lutas que naturalmente surgiriam
na cobrança dos dizirnos, o poder executivo rccommendou
que fossem mantidos os limites observados pelos dous
mun:cipios antes de levantar-se o contlicto, que scria levado
ao conhecimento da Assembléa em sua próxima reunião.
Questão identica surgiu entre os municipios de Pacatu-
ba e Alaranguape, levantada pelo ar remiitante dos dizimos
deste municipio.
Em officio n 718 de 2 de junho declarou-se á camara
de Pacatuba que os limites daquelle municipio eram os tra-
çados na lei n. 2015 de 12 de Setembro de 1882.
Em algüns municipies se têm dado desintelligencias
entre as camaras municipaes e os respectivos intendentes,
que o governo tem procurado ceneiliar da melhor maneira,
de accoirdo com os interesses cio Estado e dos municipios.

iNs mucc,..ko PUBLICA

31.\ RIA

Existem actualmente no E,LLIo 1 cadeiras de ensino


10-
primado, sendo 101 do sexo masculino, 74 do sexo feminino
e 96 de ensino mixto, das quaes acham-se providas effecti-
vamente 174, sendo 60 do sexo masculino, 61 do sexo femi-
nino e 53 mixtas.
Ha 97 cadeiras vagas que se acham em parte providas,
interinamente,por professores e professoras nomeados pelos
inspectores escolares, de conformidade com o respectivo
Regulamento.
A matricula de alumnos é de 7.259 com uma frequencia
média de 4.650, segundo o relatorio apresentado em 8 de
Fevereiro deste anno pelo inspector geral, que aliás confes-
sa não confiar na 'exactidão dessas cifras, devido a falta da
remessa de mappas por parte dos profêssores.
Pensa o mesmo inspector geral que esse desleixo pro-
vem da autorisação dada ás collectorias do interior para
pagarem aos professores, que recebendo sem estorvo seus
vencimentos, pouco se lhes importa de apresentarem aos
inspectores escolares os mappas que devem ser remettidos
á inspectoria.
Para remediar esse mal lembra o inspector a medida de
ser pela Secretaria da Fazenda ordenado ás collectorias
que não paguem os professores sem previa exhibição de
documentos dos inspectores escolares. em que estes decla-
rem ter recebido os mappas do movimento das escolas,
medida que acho perfeitamente aproveitavel.
Admittindo, porem, que com effeito seja essa a matricu-
la de alumnos temos que, calculada a população provavel
do Estado em 940.000 almas a proporção é de um alutnno
para 120 habitantes e computando-se em 130.000 a popula-
ção infantil, ficam-ee-rca de 123.000 creanças sem receber
instrucção, o que é horrivel.
Pensa o inspector geral que a instituição do ensino
obrigatorio, consagrado no Regulamento da Instrucção
Publica, mas condemnado pelo art. 144 da Constituição do
Estado, traria um remedio a esta calamidade.
Não acredito que a derogação do preceito constitucio-
nal que garante a liberdade de aprender, trouxesse modifi-
cação notavel a este estado de cousas, attenta a inexequibi-
lidade do ensino obrigatorio niurn Estado como o nosso
onde a população está disseminada em pequenos grupos
afastados uns dos outros e onde as creanças começam desde
tenra edade a auxiliar seus paes nos trabalhos da creação
e da agricultura.
E a prova disto é que figurando o ensino obrigatorio
nos programmas de instrucçà'o formulados nestes ultimos
vinte annos, não pouCle ser até agora posto em pratica.
Penso, pois, que a difusão da instrucção pelo povo é um
destes problemas que somente são resolvidas pela acção
lenta do tempo, com a expansão da vida social, aproximação
das distancias e desenvolvimento dos nucleos de popula-
ção.
Esta evolução pôde, é certo, ser accelerada pela acção
da Governo, auxiliada pela iniciativa dos poderes munici-
paes.
Sem julgar, embora, que a obrigatoriedade do ensino
seja uma violencia ás liberdades dos cidadãos, porque ella
dá-lhes meios ,de poder exercer mais conscienciosamente as
mesmas liberdades, sou de parecer que ella não deve
fazer parte das futuras reformas, porque tenho certeza pre-
via e inabalavel de sua impraticabilidade.
Outra medida que não me parece acceitavel entre as
lembradas pelo Inspector Geral é a de remunerar-se os
inspectores escolares.
As vantagens que possam resultar de tal medida e que
me parecem pouco provaveis não compensariam absoluta-
mente o sacrificio que faria o Estado, a ugmentando consi-
deravelmente a despeza com a Instrucção publica.
Os abusos que praticam os inspectores gratuitos, prati-
en., iam igualmente os remunei.ados, e assim seria gastar-se
d :1-leiro inutilmente,
A idéa de restabelecimento do ensino religioso nas esco-
las, lembrado pelo Inspector Geral, não vale a pena de uma
controversia, pois elle iria de encontro á liberdade de cultos
e,tabelecida pela Constituição da Republica.
Sabe-se que a quasi totalidade dos habitantes do Ceará
é catholica, e ainda bem que o è.
O trabalho de educação religiosa deve ficar, porem, a
cargo dos paes que certo não deixarão de inocular no espi-
rito dos filhos as crenças que por sua vez beberam no berço,
ficando por conta do mestre o ensino da moral civica
que se completará com a moral christã aprendida na casa
paterna.
Urna idéa apresentada pelo Inspector Geral e que mere
ce meu ápplauso é a de igualar-se o ordenado dos profes
sores primarios de todas as cathegorias.
Diz tuuito bem o Inspector Geral, que o ensino 6 o
mesmo, quer na capital, quer nas povoações ; são as mes-
mglas as horas de trabalho e as materias ensinadas, e portan-
1 2-
to, não ha motivo para a injusta desigualdade que se nota
entre os ordenados dos professores cio Estado.
Esta medida traz, a meu ver, um resultado benefico
é o de attrahir professores para as cadeiras longinquas que
passam tanto tempo desprovidas á falta de quem as queira
ir exercer.
A igualdade de ordenados obviará esta falta, pois, sen-
do a vida muito mais barata no interior do Estado, com-
pensará as desvantagens da distancia que ha entre certos
logares e a capital e outras cidades impor.tantes.
Deve, porem, ser em todo caso mantida a gradação
hierarchica que vão os professores percorrer no seu tiroci-
nio.
Lembro tambem uma outra idéa que me parece justa.
De conformidade com a disposição regulamentar, tem o
professor, depois de 25 de serviço uma melhoria de venci-
mentos correspondente a 5a parte do ordenado.
Acho rasoavel que para estimulo da classe, seja essa
melhoria distribuida dos dezprimeiros annos de serviço em
diante em partes proporcionaes que prefaçam no fim cic.
annos a 5a parte do ordenado.
Assim terá o professor 5.°/., quando completar 10 annos
de serviço, 10 °/. quando completar 15 ; 15 °/0 quando com-
pletar 20 e 20 °/, quando completar 23, o que corresponde
exactamente á melhoria da 5.a parte de ordenado a que tem
direito.
A concessão das vantagens de melhoria de ordenados
deste modo, nada pása aos cofres do Estado e tem a virtude
de estimular o pi.oleso.-odo que deste modo vai sendo gra-
dualmente recompensido de seus serviços.
A verba de '.000.$000 destinada, no orçamento vigente,
para moveis e utewilios das escolas, ainda está intacta, em-
bora a quase totalidade destas esteja inteiramente despro-
vida do material indispensavel.
Quanto a casas em que. funccionam as aulas, a começar
pela capital, ellas não satisfazem as condicões hygiénicas,
por falta de espaço. de ar c cle luz, tornando-se verdadeira-
mente hediondas pries, como chama um illustre escriptor
portuguez ás escolas de sua terra.
Julgo indispensavel, portanto, que essa verba de 4 con-
tos seja transferida ao orçamento de is.t e augmentada
com verba nova sufficiente para tornar as escolas ao menos
decentes, o que cilas mão sjo agora.
E' uma dolorosa realidade que o actual professorado
--13-
em sua maioria, não tem as habilitações nem os demais
requisitos precisos para o bom dweoaanho de seu magis-
terie. A modificação operada pela Escola Normal desde
sua fundação é ainda pouco sensivel por ser bastante avul-
tado o numero de professores antigos e tambem porque
alguns dos educadores preparados por este estabelecimento
pouco ou nada se avantajam áquelles.
Não julgo opportuna por ora alguma reforma radical
da instrucção publica primaria, cuja decadencia póde ser
vantajosamente combatida com a execução conscienciosa
do actual regulamento por parte do profes3orado.
A unica cousa que se pode e se deve fazer de prompto
é transformar a Secretaria da Instrucção Publica n'uma
secção da Secretaria do Interior, extinguindo-se o logar de
Inspector Geral que será substituído pelo Secretario do
Interior.
Não vejo a rasão porque constitue aquella Secretaria
uma repartição à parte, quando o facto de estar ella isolada
da acção immediata do Governo só traz -transtornos ao ser-
viço publico e dá lugar a abusos que mais promptamente
seriam cohibidos no caso de realisar-se a modificação in-
dicada.
A Secretaria da Instrucção Publica, corno repartição in-
termediaria entre o professorado e o Governo, não é somen-
te o governo, não é somente inutil. mas tambem prejudicial.
Acho, pois, que sendo ella ag,gregada a esta Secretaria
muito lucrzria o serviço publico, sem haver comtudo onus
para o Estado.
Repetidas vezes tem chegado a esta Secretaria peti-
ções-para pagamento de aluguel de casas, onde funccionam
' escolas.
Ora, em. vista do art. 63 § 11 da lei de organisaçào mu-
nicipal essa despeza fica por conta do municipio que se de-
clarar autonorho e neste sentido expediu a secretaria dá
fazenda uma circular aos collectores do Estado.
Taes petições têm sido, pois. indeferidas em vista da
disposição de lei que parece-me entretanto digna de prom-
pta reforma por ser incoherente e acarretar onus injusto
para o municipio.
Desde que o ordenado dos professores e todas as mais
despezas com a instrucção publica são pagos pelo cofres es-
tadoal, porque constitue uma excepção a de aluguel de casa
das escolas ?
Acho que deveis chamar a attenção da Assembléa Le-
gislativa sobre esse assumpto, afirn de que seja reformada
tal disposição e consignada no orçamento a
verba respecti-
va, que aliás existe no orçamento vigente, embora quasi
nada se tenha deita despendido.
E' o que tenho a dizer-vos sobre a instrucção publica
primaria, cujo movimento no periodo alcançado por este
relatorio está historiado nos quadros que junto a este,
como annexo.
INSTRUCÇÃO SECUNDARIA

L'I'CEU

Este estabelecimento, que já foi excellente e muito acre-


ditado, tem perdido consideravelmente nestes &timos annos
o credito e a frequencia.
anno a anoodecresce o numero de alumnos matricu-
lados.
As causas diSso são entre Outras, a existencia de outros
estabelecimentos de ensino secundario, entre os quacs
avulta a Escola Militar, que proporciona aos rapazes pobres
meio mais economieo de estudar os preparatorios, abrindo-
lhes deproaapto uma car[eira futurosa e seductora.
Mas, pondo de parte a Ecola Militar cuja preclo[ninan-
cia obre o Lyceo tem uma explicação natural no que acima
fica dito, ainda vê-se que estabele,cimmtos p trtic f-
iares fazendo uni zoocurrencia vantajosa, apuar do exce3-
so de despeza que disso resulta aos paes dos estudantes.
O director explica esta preferencia pelo receio que têm
os paes de por seus filhos em contacto com os estudantes
do Lyceu, que se conduzem mal, praticando diariainente
scenas que revoltam, e denotam da parte deites falta de
educação.
Desta affirnaçã.o tiro eu mais uma causa da deeadencia
do Lyceu e vem à ser a falta de uma boa e energica
administração, que mantenha a ordem e a morali dado e
ponha termo á in.;ub3rdinação e mau comportamento dos
alumnos.
Ha tempos que o Lyceu é dirigido, na falta de direcior
effectivo; pelo ltvd. Dr. Justino Damingues da Silva, lente
mais antigo, o qual par causa ;ne no cl,t ioterin idade, de-
vido á sua edade e á sua brandura e benevolencia inatas
..1"1.113.11,1Mml

não pode ter essa energia dominadora e bem entendida que


impõe um administrador ao respeito e acatamento de seus
subordinados.
Com um director que possua estas qualidades penso que
melhoraria a moralidade do Lyceu tanto quanto é possivel
n'uma aggrerniação de mdividuos que o calor da edade
torna instinctivamente afoitos e insubmissos.
Tambem concorre para a decadencia do Lyceu, a insta-
bilidade dos professores nestes ultimos annos e a pouco
escrupulosa distribuição das cadeiras pelos mesmos, dando
logar a que alguns delles ensine a materia A. quando é
notorio que elle tem mais competencia para ensinar a ma-
teria B. por se ter dedicado com mais afinco ao seu es-
tudo.
Attenta a phrase de transformação por que está passan-
do a instrucção superior na Republica, sendo de esperar que
dentro em breve sejam completamente reformadas escolas
superiores, nenhuma reforma radical e definitiva pode ser
feita no Lyceu, sob pena de ficar prejudicada e obrigada a
modificar-se mais tarde, afim de tornar validos seus exames
perante as mesmas escolas.
O.que se pode e se deve fazer por ora e com a maior
brevidade possivel é a seguinte :
1.°Hábilitar o Lyceu a preparar professores prima] ios
aos quaes o lente de pedagonia da Escola Normal dará tres
aulas por semana.
2.°Crear um curso especial no Lyceu habilitando aos
empregos burocraticos, formado por cinco ou seis materias
leccionadas ali.
3.°Tkr ao Director do Lyceu as funcções de Inspe-
ctor Geral da Instrucção Publica.
4.°Nomeação de um Director.
5.°Annexar ao Lyceu a Bibliotheca Publica, fundindo
e reduzindo o pessoal.
6.0Annexar a outras os cadeiras que tenham pouca
frequencia em lugár de preencher as vagas que se forem
dando.
São estas as medidas a tomar provisoriamente =quan-
to as Escolas Superiores da Republica adoptam uma orga-
nisaçào definitiva, que não tem actualmente.
Só então poderá ser reTormfido o ensino sccundario do
Estado de modo a tornar-se proveitoso a mocidade estu-
diosa.
-16-
ESCOLA NORMAL

Este utilissimo estabelecimento não se acha infelizmen-


te no pé da prosperidade desejavel mio correspondendo,
portanto, ao fim para que foi creado, pelo que reclama
instantemente urna reforma urgente.
programma deste estabelecimento é superfluamente e
'prejudicialmente vasto e é excessivo o numero de suas ca-
deiras e materias.
A consequencia dist3 é que tacs materias não podem
ser aprendidas -- tanto as necessarias como as superfluas.
os preceptores educados por este modo vão augmen-
tar o já avultado numero de inaptos para instruir a infancia.
programma actual não é nem pode ser cumprido e os
resultados do ensino pela Escola Nornal não compensem
a avultada despeza que com cila se faz.
Cumpre tambern dar sancção legal a um facto real e
irremediavel, destinando exclusivamente ao sexo feminino,
formando seu corpo docente de preferencia com senhoras.
Para a reforma a se realisar le.mbro as medidas seguin-
tes
1.aReducção das cadeiras e materias do curso da Es-
cola Normal, ficando a mesma reservada exclusivamente ás
senhoras.
2.a Preferencia ás senhoras para as cadeiras dessa
Escola.
3.aAproveitar as vagas existentes actualmente para
fazer uma selecção no corpo docente e distribuir melhor
os professores pelas cadeiras para as quaes tenham habilita-
ção especial, visto que alguns acham-se de alguma forma
deslocados.
HYGIENE PUBLICA

Usando das attribuições que vos confere o art. 1.0 da lei


n. 7 de II de Fevereiro de 1892, organisastes o regulamento
do serviço sanirario terrestre do Estado, em data de 29 de
Dezembro do mesmo armo.
Por acto de 2 de Janeiro de 1893 nomeastes para inspe-
ctor de hygiene publica o Dr. João Marinho de Andrade,
cujos serviços á causa publica são dignos dos majore:, en-
comios.
'17
Em cumprimento ao § 7.° do art. 11 do mesmo regula-
mento apresentou este funccionario a 10 do corrente seu re-
latorio annual, que junto a este como annexo.
Cumpre-me chamar especialmente vossa attenção para a
parte referente á variola e vaccinação,d'onde vê-se que cerca
da Metade da população desta capital não é vaccinada, ape-
zar das frequentes apparições da variola, que tão espantosa
mortandade fez na secca de 1877 1879.
O numero de individuos vaccinados em 1892 foi inferior
ao de 1891, e entretanto em l8)2 lavrou a variola com urna
intensidade que se tornaria ameaçadora se não viesse o
inverno debellal-a a tempo no começo deste anno.
- Affirma o Sr. Inspector de tlygiene que o nosso serviço
de vaccinação é defficiente e imperfeito, visto como a lym-
pha que vem"tla capital federal e do estrangeiro nem sempre
é proveitosa, sendo preciso por em pratica a vaccinação de
braço a braço, luctando. para isto com as maiores difficulda-
des, devido ao necessario «escrupulo que preside á escolha e
negação que o povo tem a se pretar a isso.
O Sr. lnspector de Elygiene espera, pois, que organiseis
com a maior brevidade nesta capital a cultura da vaccina
animal reclamando para esse fim do poder competente a
verpa necessaria.
Vaccinaram-se o anno passado 961 pessoas, sendo 601
femininos e 360 masculinos.
Acham-se vagos os logares de delegados de hygiene de
Maranguape, Sobral e Quixadá, cujo preenchimento ainda
não foi proposto pelo respectivo inspector.
Falleceram o anno passado nesta capital 1874 pessoas,
sendo. adultos 832, parvulos 1.042.
Por esta ultima cifra vê-se como é excessiva e contris-
tadora o mortalidade de creanças nesta capital, facto que
reclama muita attenção da parte do governo, afim de ser
estudada a sua causa e tomarem-se medidas tendentes a
combatei-a.

BiBuo'm EC-X PUBLICA

Tendo de installar-se brevemente a Bibliotheca Publica


no prédio que para ella etá sendo concluido á rua Sena
1111aUhrélra, é de toda opportunidade proporcionar a esse
estabelecimento os benefícios que instantemente reclama.
Attinge a 10.392 o numero de obras que possue a Biblio-
-48-
theea, entre as quaes contam-se verdadeiras preciosidades.
Visitaram-na o anno passado 3.314 pessoas que consul-
taram 4.930 obras e este' armo, de Janeiro a Maio 1.099 pesa
soas que consultaram 1.501 obras.
O orçamento vigente consigna para expediente da
bliotheca a insignificante verba de 104000, nada destinando
a assignaturas de revistas, encadernação de livros estragados,
acquisição de obras etc.
Devido a isto foram suspensas as assignaturas das diffe-
rentes revistas que recebia a Bibliotheca, cujas collecções
ficam assim truncadas.
E', pois, deimprescendivel necessidade que proporcio-
neis maior desenvolvimento áquelle estabelecimento para o
que vos lembro as seguintes medidas.
ia Consignação de verba para acquisição de novas
obras, assignaturas de revistas, impressão do catalogo,
encadernação de livros, assim como para a compra das col-
lecções das revistas das quaes tinha a Bibliotheca assigna-
turas, que foram suspensas este anno.
2.a Destribuição mais proveitosa das horas de trabalho,
de forma que a Bibliotheca possa ser aberta á noite.
3a Nomeação dc uma commissão para organizar o ca-
talogo, formular a lista de livros adquerir e opinar sobre os
que de preferencia devem ser encadernados.
Parece-me acceitavel a idéa lembrada pelo Bibliotheca-
rio em seu relatotio de estabelecer-se uma seccão de em-
prestimo, mediante uma joia de 5$000 e mensalidade de
1000. Para esse fim devem ser reservadas as obras de
pequeno valor e de facil acquisição, das quaes se pode fazer
uma provisão consideravel com o fim de attrahir concur-
rencia a Bibliotheca.

OBRAS PUBLICAS

A 5 de Janeiro deste anno expedistes regulamento reor-


ganisando a repartição de obras publicas; o qual vai ser
submettido á approvação da Assembléa.
Não me é possivel prestar-vos conta do movimento
desta repartição, por não ter o respectivo director fornecido
o relatorio que lhe foi exigido por officio de 2 de Maio
findo.
lo-
TERRAS E MINAS

Usando das attribuições que vos conferio o art. 59 n. I,


da Constituição do Estado e para execução da lei n. 32 de
Ide Novembro dê 292, expedistes o regulamento de 24 de
Novembro sobre terras e minas do Estado.
Nenhuma transaçãorealisou.se até agora entre o Es ta
do e particulares neste ramo da administração.
A circular n. 27 do Ministerio da Fazenda declara que
as terras devolutas nos diversos Estados da Republica de-
vem ser escripturadas como receita eventual da União, vis-
to que somente depois de acto expresso do Congresso
Federal assistirá aos respectivos Estados o direito ás refe-
ridas terras.
CO LONIA CHR1STINA

A i7 de Dezembro do anuo findo designastes os empre-


gados desta Secretaria, Raimundo Olympio Gonçalves de
Freitas e Ismael Pordeus Costa Lima para proceder a um
exame sobre o estado da Colorfia Christina, então sob a
direcção do coronel Sebastião Simões Branquinho.
O relatorio elaborado por essa commissão abre com
estas palavras
« Cansou-nos a mais desagradavel impressão ver o es-
tado de anniquilarnento a que se está reduzindo a Colonia
Christina, que de certo tempo a esta parte, valha a verdade,
tem sido antes um patrimonio de particulares do que uma
propriedade do Estado, que tem despendido muitas dezenas
de contos de réis,»
Em seguida o commissão analysa as precarias condições
das mattas, terras, casas e gados tudo reduzido ao mais
completo abandono e transformado em fonte de receita de'
individuos pouco escrupulosos
A commissão procedeu a inventario dos bens da Colo-
nia, os quaes consta da lista annexa ao relatorio da mesma
commissão.
A' vista destas informações destituistes o director, por
acto de 31 de Dezembro do anuo findo, suhstituindo.o pelo
amanuense desta Secretaria, Thomaz da Silva Porto, ao qual
mandastes observar as seguintes instrucções
1s' Fazer effectivas as ordens da cornmissão quanto ao
-20--
corte de madeiras nas mattas da Colonia (Prohibição do
corte para satisfazer contractos particulares).
2' Remover das mattas, depositando nas proximidades
dá estação da via ferrea, como propriedade da Colonia, a
quantidade de madeirà de ualquer especie que existir cor-
tada.
3." Chamar ao dominio do Estado toda a madeira, isto
é, linhas, madeira para combustivel de locomotivas, lenha,
portaes etc., que por ventura existam proxirnas á estação da
via ferrea, que tenham sido cortadas nas terras da colonia.
4.a Prohibir que anirnaes da colonia se prestem a servi-
ço de particulares.
_ 5.° Dar por caducos e de nenhum effe.ito os arrenda-
mentos feitos pelo director e renoval-os mediante previa
indemnisação e garantia idonea.
6.a Tomar conta e depositar como pertencente a colonia
o caroço de algodão depositado nos compartimentos respe-
ctivos, adquerido como aluguel das machinas de desca-
roçar.
7.a Escripturar de forma clara e em livros proprios toda
a correspondencia da colonia; receita e despeza, a entrada e
sahida de madeiras, remettendo mensalmente um balanço
acompanhado de breve exposição do movimento da co-
lonia.
Arbitrastes ao amanuense Th'omaz Porto a diaria de
4000, sem prejuizo de seus vencimentos, e de 700 réis aos
trabalhadores que fossem precisos para os reparos de cercas
remoção de madeiras etc..
Fez-se plantio de cereaes de que se espera boa colheita.
De 21 de Dezembro a 2! de Janeiro teve a colonia uma
receita de 40$600 e uma despeza de 260$700 apresentando
um deficit de 22,0$100, cujo pagamento foi feito pela verba
eventuaes de conformidade com o despacho de 1 de Fe-
. vereiro.
A 12 de Maio foram remettidos por ordem vossa a esta
capital pelo encarregado da colonia os seguintes utensilios
de carpintaria : 4 bancos para carpina, um serrotão, um
serrote, uma serra, tres trados, dois cepos para plaina e um
rebollo.
A 22 de Maio foi remettido o balanço da colonia dos me
zes de Março e Abril, apresentando um saldo de 136$940, que
foi recolhido ao cofre cia Secretaria de Fazenda e creditado
a colonia.
Por offic io de 23 do mesmo mez foi autorisado o encar-
tègácki`da cólonia. conforme me solicitou, a vender mate-
ri adà de' ca,Sas velháS, a consentir que se edificassem case-
bres em terras da colonia, arrendar roçados e a vender bois
irnprestaveis para o serviço do estabelecimento.
A 31 do mesmo mez enviou o encarregado a nota da
producção dos gados da colonia, sendo 21 bezerros e 4 pol-
trinhos; deduzidos os que de direito pertencem ao respecti-
Vó vaqueiro.
A f.° de Junho foram entregues pela colonia a repartição
das obras publicas desta capital 89 jogos de portaes na im.
portancia bruta de 222009, a qual será creditada a colonia,
deduzidos a conta da despesa com o preparo e transporte
dos mesmos portaes, conta que ainda não foi apresentada.
Sob a direcção do actual encarregado a colonia entrou
senão em phase de prosperidade, porque lhe faltam elemen-
tos para isso, ao menos de conservação escrupulosa, que a
garante do assalto de extranhos, que a desfructavarn a seu
bel prazer.

SECRETARIA DO INTERIOR

Com a expedição do Regulamento da lei n. 2.2 que reor-


gánisóu as Secretarias de Estado, ficou assim composta
etá Secretaria
Director geralMiguel Ferreira de Mello;
Director de secçãoCezidio d'Albuquerque M. Pereira.
IdemRaimundo Olympio Gonçalves de Freitas
I.° OfficialIsmael Pordeus Costa Lima
IdémAbdon Franklin do Nascimento
2.° OfficialJóaquim Alves Vieira
IdemPorfirio de Menezes Nogueira
ArchivistaAdolpho de Castro Fialho
PorteiroFrancisco Bastos da Paixão;
Amanuense interinoThomaz da Silva Porto
Idem Justino José de Freitas Ramos
IdemManoel Sabino Baptista
Continuos Leocadio José Theophilo e Joaquim Augus-
tó de Araujo.
O director geral, Miguel Ferreira de Mello, que ao tempo
dá reorganização já se àchava exercendo interinamente o
cargo de Secretario dos negocios da Fazenda, continua a
exercei-o, tendo como substituto até ho:je o director de sec-
ção, Cezidio d'Albuquerque Martins Pereira.
O 11° official Abdon Franklin do Nascimento desde o dia
da organização foi designado para oflicial de gabinete da
presidencia.
Picou addido a esta secretaria o director de secção, João
Eduardo Torres Camara, sendo immediatamente designado
para servir na Junta Oommercial.
A 10 de Novembro foram destinados os empregados
Raimundo Olympio Gonçalves de Freitas e Ismael Pordeus
Costa Lima para proceder a uni exame sobre o estado da
Colonia Christina e inventariar os bens da mesma, tendo
dado desempenho satisfatorio dessa commissão e apresen-
tando um relatorio ao qual me referi no lugar compe-
tente. -

Em 30 de Dezembro foi designado para dirigir a colonia


o amanuense desta secretaria, Thomaz da Silva Porto, visto
ter sido exonerado o respectivo director.
A 20 de Janeiro foi designado para servir na Escola
Normal o amanuense Justino José de Freitas Ramos.
A 11 de Fevereiro falleceu o continuo Leocadio José
Theophilo, sendo nomeado para substituil-o o servente Vir-
ginio Alves da Silva.
Para servente-correio foi admittido Maximi ano Elisia-
rio da Cunha.
A 7 de Março procedeu-se ao concurso para as vagas de
amanuenses nas secretarias de Estado, sendo approvados
cinco candidatos dos quaes foi nomeado para esta Secretaria
Ulysses Gonçalves Bezerra, que já exercia interinamente
esse cargo na Secretaria de Fazenda.
Por portaria de 10 de Abril foi concedida uma licença
de tres mezes ao 2.° ofilcial, Porfirio de Menezes Nogueira,
que começando a gosal-a a7 do mesmo mez interrompeu-a
a 1.° de Maio.
A 21 de Abril foi aberto novo concurso para as vagas
restantes de amanuense, sendo designado o dia 23 do cor-
rente pãra os respectivos exames. O concurso foi adiado
para o dia 3 de Julho proximo.
No dia 2 do corrente foi remettida á Secretaria de Fa-
zenda
(
a proposta de orçamento desta Secretaria, sendo as
respectivas despezas computadas em 522.490$800, mais do
que no orçamento vigente 76.71600 ).
Este augmento è devido a ter passado para esta Secre-
taria a despeza com a illuminação publica, que era feita
pela Secretaria de Justiça, despeza que se eleva a
120 .000$0D,
Peita a deducção desta quantia, vè, se que houve urna re-
ducção de 43.884000 effectuada em differentes verbas desti-
nadas aos serviços a cargo desta Secretaria.
Aproveito o ensejo para levar ao vosso conhecimento a .

reclamação dos empregados desta Secretaria quanto a exi-


guidade de seus vencimentos, que ficam reduz'dos á metade
pelo duplicamento do preço de todos os generos e mercado-
rias indispensaveis á vida.
Fazendo vos conhecedor da reclamação destes funccio-
narios espero que a tomareis em toda consideração, atten-
dendo a justeza de sua procedencia.
Uma outra reclamação tenho que leva,r ao vosso conhe-
cimento. -
O capitulo VII do Regulamento das secretarias de Esta-
do, tratando das substituições dos seus empregados estabe-
leceu no art. 38 que o substituto perceberá a gratificação do
substituido ou de quantia equivalente quand, este a con-
serva nos casos legaes, perdendo o mesmo substituto a
gratificação de seu cargo ; e quando esta é igual áquella
ou maior perde uma e outra, recebendo gratificação propor-
cional a 2/3 partes da somma de ambos.
Tal doutrina não me parece justificavel, devendo preva-
lecer o preceito anterior de que o substituto accumulará a
seus vencimentos a gratificação do substituido ou parte
desta quando sommada áquelles désse em resultado vanta
gem superior a do substituido.
Isso se me affigura mais consentaneo desde que o sub-
stituto acarreta responsabilidade igual a do substituido. E
é principio de equidade que quem dá o anus dá o bonus
correspondente.

E' o que posso dizer-vos sobre as repartições a cargo


desta Secretaria.

Secretaria do Interior do Estado do Ceará, em 26 de


Junho de 1893.

vlanio Saltes.
INSTRUCÇÃO PUBLICA

YW. e (e con

Em 8 de Fevereiro do corrente armo tive a honra de


passar ás mãos de V. Exc. o relatorio. que me foi pedido
em officio de Janeiro ultimo, sobre o estado da Instrucção
Publica primaria e secundaria deste Estado.
Nesse relatorio, depois de ter feito algumas considera-
ções geraes sobre tão importante assumpto, aventurei al-
guns principios, que me pareceram acceitaveis para uma
reforma na Instrucção Publica.
Agora, em observancia do que ordenou-me V. Exc. em
officio de 2 de Maio proximo findo, cumpro o dever de
remetter a V. Exc. o relatorio dos diversos acontecimen-
tos que tiveram lugar nesta repartição desde o dia 17
de Agosto do anno proximo passado até agora.

CONSELHO SUPERIOR DE INSTRUCÇÃO PUBLICA

De 27 de Agosto do anno proximo findo a esta parte esta


corporação celebrou duas sessões, occupandose somente
de assumpto concernente á Instrucção Publica.
Foram apresentados dois pareceres de aposentadorias
solicitadas pelos professores publicos, conego João Fran-
cisco Pinheiro, da cadeira de latim da cidade do Aracaty,
em 14 de Novembro do anno proximo passado ;
e do professor publico da cadeira do sexo masculino da
cidade do Ipú, Rodolpho Rodrigues Leite, em 2 de Maio
ultimo.
Um parecer da secção desciplinar contra o professor
Publico da cadeira do sexo masculino da Cidade do Qui-
xadá, Francisdo de Lima Barros, incurso no disposto
-26--
do art. 160 do regulamento de 30 de Junho de 1887, em 15 de
Abril ultimo.
Outro da mesma secção, contra o mesmo professor
Lima Barros, opinando pela perda da respectiva cadeira, em
17 de Maio proximo passado.
Outro da secção litteraria submettendo dois compendios
Methodo de leitura e taboada moderna de Renato da
Cunha, á apreciação do conselho em 15 de Abril do corrente
anno.

INSPECTORES ESCOLARES

No periodo a que se refere este relatorio, foram nomea-


dos os inspectores escolares do quadro n. 1.

MOVIMENTO DA INSTRUCÇÃO PUBLICA

Existiam no Estado 271 cadeixas do ensino primario,


sendo :

Masculinas 101 }
Femininas 74 271
Mixtas 96

Destas acham-se providas effectivamente

Masculinas 60
Femininas Gi 1174
Mixtas 53

Acham-se vagas 97.

O pessoal activo empregado nas cadeiras supra é o se-


guinte:
Professores 44
Professoras 174
130

CONVERSÃO DE CADEIRAS

Por acto de .23 de Setembro ultimo, foi convertida a


cadeira do ensino mixto da villa de t'orarsgaba, em cadeira
do sexo feminino.
Em cadeira do ensino mixto a cadeira cio sexo masculi-
no da villa de S. Matheus; por acto de 18 de Novembro do
armo proximo findo,

TRANSFERENCIA

Por acto de 18 do Novembro ultimo, foi transferida


professora publica da cadeira do sexo feminino da villa de.
S. Matheus, para a do ensino mixto da mesma villa.
t
NOMI4AÇA0

Por titulo de 5 de Maio proximo findo, foi nomeada a


normalista diplomada D. Josefa Rodrigues de Souza, para
reger a cadeira do ensino mixto cia povoação do Riacho da
Sella, de conformidade com o disposto no art.126 § 1.° do
regulamento de 30 de junho de 187.

CONCURSO

Por edital de 23 de Fevereiro do corrente anno foi an-


nunciado o concurso para o provimento da cadeira do ensi-
no mixto da povoa0.o cio .Riacho da Sella, que se achava
vaga, concorrendo somente a normalista diplomacia D. Jo-
sefa Rodrigues de Souza.
Por edital de 2 do corrente foi annunciado o concurso
para o provimento da cadeira do ensino mixto da povoação
da Jubaia.
REINTEGRAÇÃO

Por acto do Exm. Presidente do Estado, de 16 de Feve-


reiro ultimo, foi reintegrado na cadeira do sexo masculino
da povoação de Santa Cruz, do termo cio Acarahú. o cida-
dão Nicacio Barbosa Cordeiro.

E\ ON ERAÇÕES

Por acto de 25 de Abril ultimo foi concedida a exonera-


ção que solicitou a professora publica da povoação de Caio
Prado, Maria Joaquina de Souza.
Por acto de 2 do corrente, foi confirmada a sentença do
conselho superior da Instrucção publica, contra o professor
Publico da cidade cio Quixaclá Francisco de Lima Barros.
1111.«IMI,

incurso no art. 160 do regulamento de 30 de Junho de 1887,


considerando vaga aquella cadeira.
GRATiFICAÇÃO

Por acto do Exm. Presidente do Estado, de 5 de Maio


ultimo, foi concedida a gratificação da quarta parte do orde-
nado, por contar mais de 25 annos de effectivo exercicio e
continuar no magisterio, a professora publica desta capital
D. Urçula Maria da Guerra Passos na forma do disposto no
art. 200 do Regulamento da instrucção publica.

REMOÇÕES

Foram removidos os seguintes professores


D. Francisca Odilia Castello Branco, da cadeira do ensi-
no mixt° da povoação do Coité, para a d,o sexo masculino
da de Mulungú por acto de Outubro do anno proximo findo;
D. Francisca Angelica da Frota, da cadeira do ensino
mixto da povoação da Tucunduba para a de igual ensino da
de Calabocca, por acto de 25 de Outubro ultimo .

D. Maria Carolina de Castro Silva da cadeira do ensino


mixto da povoação de Calebocca, para a do sexo masculino
da de Guayúba, por acto da mesma data ;
Francisco Raimundo da Rocha da cadeira do sexo mas-
culino da cidade da União para a de igual eusino da do
Aracaty, por acto de 18 de Novembro do anno proximo findo;
D. Francisca Clndida de Lima da cadeira do ensino
mixto da povoação da Caridade, para a de igual ensino da
de Tucunduba, por acto de 20 de Dezembro ultimo
D. Maria do Rosario Diniz da cadeira do sexo masculino
da cidade da Redempção, para a do ensino mixto da do
Iguatú ;
D. Francisca de Mattos Forte da cadeira do sexo femi-
nino da cidade do Iguatú, para a do ensino mixto da do Ca-
mocim, por acto de 23 de Dezembro do armo proximo findo;
D. Maria do Rosario Diniz da cadeira do ensino mixto
da cidade do Iguatú, para a do sexo masculino da do Quixa-
dá, por acto de 3 do corrente.
Por acto de 10 de Novembro do atino pro ximo findo, foi
julgado sem effeito o de 6 de Junho do anno proximo passa.
do, que removeu a professora publica D. Candida da Silva
Freire, da cadeira do ensino mixto da villa do Coité, para a
do sexo masculino da villa de Morada Nova,
-29-
A DDIÇA0

Por acto dê 16 de Setembro do anno proximo passado,


foi revogado o de 26 de Agosto do mesmo anno, que mandou
addir a professora publica da povoação d'Agua Verde, Maria
Angelica Amora, á cadeira do sexo m3sculino da cidade da
Pacaluba, visto continuar no goso de licença para completar
o curso da Escola Normal.
Por acto de 27 de Setembro ultimo foi mandado ficar
addido á secretaria do Lyceu o professor da extincta cadei-
ra de latim da cidade de S. Bernardo das Russas, Joaquim
Floriano Delgado Perdigão.
Por acto de 19 de Setembro ultimo foram mandados
volver ás suas respectivas cadeiras os professores que se
achassem addidos a outras.
Por acto de 23 de Maio proximo findo foi mandada ficar
addida á Escola Normal a professora publica da villa de
Itapipoca, Raimunda Candida Nonato

.LICENÇAS

Obtiveram licença na forma do disposto no art. 1'70 do


regulamento de 30 de Junho de 1887.
De tres mezes : José Affonso Pereira Moreno
» Maria Francisca de Sant'Anna
» Francisca Odilia Castello franco
» Hortencia de Alencar Cavalcante
» Idalina Tavares de Miranda (2)
» Antonia Sidou Castello Branco
» Francisca Angelica da Frota
» Thereza de Jesus Castro
» Joanna Joaquina V. Arraes
» Izabel Moraes
» Josefa Olympia de Oliveira Veras
» dois Nerina Martins de sá
» Maria Emilia Botelho
» » Maria de Souza
» » Francisca Candida dc Lima
» » Joanna Bareellos
trinta dias Francisca Jovina Menescal
» Antonio do Rego Memoria
» » Valdevino Pantaleão de Araujo
» » José Paulino Saraiva Leão
---30---

De trinta dias Manoel de Moura Rolim


» vinte » Adelaide Rodrigues Pessoa
» » Carlos Hardy (2)
» » Jose Affonso Pereira Moreno
» » Antonio Nogueira de P. Menezes
»quinze Publio Franco Pinto Bandeira
» » » Jose Joaquim de Gouveia.
De conformidade com o disposto no art. 1'7(3 do citado
regulamento
' De um anno Maria Joaquina de Souza
De um anno Maria Adelina da Silva
De nove mezes Josefina Angelica de Magalhães
De seis mezes Anna Augusta da Motta.

A Dj UNT¥AS

Anna Eponina de Lima Sobreira.


phigenia Amaral.
AVULSOS

José Philadelpho Pessoa de Andrade.


Maria Ibiapina de Carvalho.

inspectoria Geral da Instrucção Publica do Ceará, 15 de


Junho de 1893.

O inspector interino,

Júslino Dominares da Silva.


N. 1 .
INSPECTORES ESC,OLATIES

Nomeados de 27 de Agosto do anno proximo passado


até hoje.

Claudio Pereira da Silva Porteiras.


Dr. João Baptista S. Leão Crato
Antonio Fernandes B. da Rocha Pacoty
José Candido R. de Senna Agua Verde
Antonio Liberato Leal Caridade
Tenente-coronel José de Sá Barreto Jardim
Antonio da Costa Moras Boa Vista
Bacharel Antonio Elysio El, Cavalcante Trahiry
João Gomes S. Laborão Pôço da Pedra
Miguel Archanjo M. Vasconcellos Remedios
Manoel F. de Souza Machado Gequyl
Padre Celso Soares Monteiro Aracaty
Coronel Ignacio Andrè Salles Soure
Tetente coronel Tiburcio A. A. Lage Porangaba
Joaquim C. de Souza Ricardo Guarany
José Lino de Abreu Canafistula
Augusto Cicero de Alencar Calabocca
Tenente coronel Domingos F. B. Filho Itapipoca
Major José Guimarães dá Motta Tucunduba
Alvaro de Mello Falcão Aracoyaba
Othaniel Victorio da Cruz Cajazeiras
Joaquim Pereira de Maria Milagres
Raimundo Gomes de Oliveira S. Matheus
Amaro Pedro de Oliveira Rebouças Palma
Antonio de Barros Dias Granja
Padre Vicente Godefredo Macahyba Capital
Bacharel Enéas Cavalcante N. e Sá Ben,jamin Constant
Theofilo da Silva Ramos Tianguá
João Gonçalves Vieira Camocim
José Epiphaneo F. Lima. 1Pacoty.

Inspectoria Geral da Instrucção Publica do Ceará, 15 de


Junho de 1893.
O inspector interino,

itsiino Ponzinque,«Ia
INSPECÇÃO DO ENSINO PRIMARIO E SECUNDARIO
DO ESTADO

CONSELHO SUPERIOR DA INNTRUCÇÁO PUBLICA

Presidente
Inspector geralDr. Justi-
no Domingues da Silva. Nomeado a 7de Março'de 1892
Membros natos
Professor -de pedagogia
Jose de Barcellos. » a 26 de Outubro de 1881
Professor primario João
Gonçalves Dias Sobreira. a 16 de Janeiro de 1.883
Inspector escolar Padre
Vicente Godofredo Macahyba a 28 de Abril de
Inspector escolarCoronel
Agapito Jorge dos Santos. » a 6 de Novembro de »
Presidente da Camara Mu-
nicipal.
kffectivos
Raimundo L. Coelho de Ar-
ruda. a 1 de Dezembro de 1890
Dr. Jose Carlos da Costa
Ribeiro Junior. a 4 de Maio de 1893
Dr. Eduardo da Rocha Sal
gado. a Ide Dezembro de1890
Dr. Thomaz Pompeu Pinto
Accioly.. » a 27 de Abril de 1892
Substitutos
Arthur Augusto Borges a 3 de Março de »
Thorr az Antonio de Carva-
lho. »» » » » »
Leopoldo Domingues da
Silva. » » 1. » Dezembro de 1891

Inspectoria Geral da Instrucção publica do Ceará, 15 de


Junho de 1893.
O inspector geral,
Jus tino Dom ingues da Silva.
(pot ormal da gortaleza, 22 de litinho de 1893.

C()
e_f»-/;)? . ,

Venho dar-Vos as informações que, relativamente re- i.

partição sob minha clirecão, me foragi exigidas no officio


circular sob n. (301, dat.ido de -Ide Maio ultimo.
Fut-leciona es1:1 Escola C 1'11 pci i 3 do Estado e,
apezar de ter sido elle construido propositalmente para
semelhante fim, não offerece todavia as accommodações
precisas.
Era, pois, conveniente que fosse transfcrida para outro
-ipredio de mais vastas proporções ou que no preclio actual-
mente existente se fizessem as alterações precisas, aprovei-
tandose os terrenos adjacente e augmentanclo se assim o
edifi.cio primitivo.
O systema de ensino e methodos adoptados, embora de
perfeito accordo com os preceitos cia pedagogia moderna,
têm produzido effeitos quasi negativos
Attribuo semelhante resultado ao prog-ramma de ensino,
até hoje adoptado, o qual por demais complexo e prolixo se
torna inexequivel.
Para prova de quanto arrumo, basta citar o programma
da cadeira de sciencias naturaes que cornprehende dia só
as seguintes naaterias, todas altlit.) importantes, porem,
algumas desnecessarias
Physica, chimica, anatomia, zoologia, botanica, mine-
ralogia e hygiene.
A' reforma do prograrnma do ensino se prende a do
actual regulamento que não é menos urgente e necessaria.
Alterado por diversos decretos da dictaclura, elle não
pode deixar de ser refundido ern novos moldes, tanto mais
quando contem disposições que não podem se adoptar a
qual quer reforma do programma
Opportunamente submei terei á e. ,,clarecida apreciação
de Y. Exc. detalhada e circuninciad..imente os pontos
sobre que devem versar as referidas 'reformas. se assim for
preciso.
No obstante as dificuldades apontadas, concluiram no
anno passado o curso de estudos e receberam o respectivo
diploma onze moças.
A matricula, no corrente anilo, attingio o numero de
108 alumnas assim destribuidas

Curso preparatorio 50
Primeiro anno 29
Segundo anno 29

Total 108

AleR de duas professoras auxiliares no curso prepara-


torio, vencendo cada uma 1.2008000, ha dez professores que
vencem 2.4008000 cada um e regem as seguintes cadeiras :
Portuguez, francez, mathematicas elementares, histo-
ria, geographia, sciencias natura es, pedagogia, prendas do-
mesticas, desenho e calligraphia, musica, e uma escola pri-
maria annexa, cuja professora tem 2.4008000 de ordenado.
Attinge, poiTdespeza com o pessoal docente a impor-
tancia de 28.8008000.
Depende mais o Estado com a respectiva secretaria a
quantia de 4.2508000, sendo

Gratificação ao director 1.2008000


Amanuense 1.4008000
Porteiro servente 6004000
Expediente 1.0508000

Total 4.2508000

São estas as informações que em rapidos e ligeiros tra-


ços submetto a criteriosa apreciação de V. Exc..

SAÚDE E FRATERNIDADE

lllm. e Exm. Sr. tenente coronel José Freire Bezerril


Fontenelle, M. D. Presidente do Estado.

Conego, João Paulo Barbosa,


Director.

^
HYG1ENE PUBLICA

g-tedt.41( D(If.W(19 Chi Te«,4á

Tendo o serviço sanitario terrestre, até então, a cargo


da União, passado para o Estado em virtude da lei n. 7 de
11 de Fevereiro de 1892, regulamentado em 29 de Dezembro
do mesmo anno, fui nomeado inspector de hygiene publica,
por titulo de 2 de Janeiro deste anno, tomando posse do
cargo no mesmo dia, segundo communiquei ao governo do
Estado.
Em cumprimento ao g 7.° do art. Xl do regulamento da
citada lei, levo ao vosso conhecimento as occurrencias que
se deram em materia de hygiene publica desde o inicio de
vossa administração até esta data.

SAÚDE PUBLICA

Em todo o Estado tem sido mais ou menos lisongeiro o


estado sanitario, salvo em algumas localidades, em que ap-
pareceram febres dç mau caracter, e nesta capital onde nos
ultimos mezes do anno findo ainda reinava a variola, que já
nos affligia desde o anno de 1891, si bem que com tendencia
a desapparecer, como felizmente aconteceu.
Com o apparecimento do inverno desenvolveu-se por
todo o Estado a manifestação catarral e suas modalidades,
sem outro caracter que o de rnolestia peculiar á estação
Invernosa.
36-
AMBULANCIAS

Em consequencia de febres de naturezas diversas, que


se manifestaram o anno passado nas cidades ou villas de
Sant'Anna, Santa Quiteria, Maranguape, Pacutuba, Quixa-
dá, Boa Viagem, Cratheus, Vertentes e este anno nas vilas
Benjamin Constant e Limoeiro foram para estas localidades
remettidas ambulancias com medicamentos, afim de serem
applicados á classe desvalida, accommettida do mal. Feliz-
mente foram ligeiras epidemias, de pequena intensidade,
não sendo neçessario renovar o fornecimento para alguma
das mencionadas localidades.

VA RIOLA E VACCINAÇÃO

Em Maranguape manifestou-se e desenvolveu-se com


alguma intensidade a variola, durante os ultirnos mezes de
verão no anno findo, vindo a decrescer e a desapparecer
totalmente com a queda das primeiras chuvas do inverno,
que se iniciou precocemente em fins de Dezembro ultimo.
Em Pacatuba appareceram igualmente alguns casos de-
variola.
Foi inferior ao do anno de 1891 o nu mero de individuos
vaccinados no c.nno passado.
Ernquanto o povo, ou antes os espiritos refractarios não
se convencerem de que a vaccina é o preservativo por ex-
cellencia da variola, jamais poderemos apresentar uma es-
tatistica satisfactoria, pois acreditamos que o numero de
individuos não vaccinados, residentes nesta capital, entre-
parvulos e adultos, é superior a 20.000, algarismo enorme
n'uma população de quasi 50.090 almas.
E' verdade que o nosso serviço de vaccinação é deficiente
e imperfeito visto corno havemos lympha vaccinica da Capi-
tal Federal ou do Exterior, e esta que nos é remettida nem
sempre é proveitosa, si bem que venha com o cuiiho de ga-
rantida e excellente.
Nestas condições, sujeitos a tentativas experimentaes,
somos forçados a aproveitar com o maior escrupulo a lym-
pha humana reproductiva, estabelecendo a vaccinação de
braço a braço, e com que difficuldades e embaraços lutamos
para bem applical-a e melhor colhei-a, tal é a repugnancia
dos poucos que a isto se prestam 1
Esperamos seja organisada o mais breve possivel a.cul
-37
tua da vae,eina, animal nesta capital, e para este fim da
Maior vaááem e dé necessidade immediata, lembramos
vos a conveniencia de reclamar do poder respectivo a ver-
ba necessaria.
Rernetternos lympha vaccinica parltodos os municipios
sempre .em quantidade a satisfazer ás necesidades da popu
'ação.
Vaecinaram7se o anno passado 961 individuos, parvulos
e adultos, de ambos os sexos, sendo
do sexo feminino 601
do. sexo masculino 360

DELEGADOS DE HYGIENE

Acham-se vagos os logares de delegados de hygiene das


cidades de Maranguape, Sobral e Quixadá, por terem-se
mudado das respectivas localidades os cidadãos lue alli
exerciam os cargos.
LAZARETO

Continua a funccionar no predio situado á margem da


Lagoa Funda, de propriedade da União, o serviço de isola-
mentopara os individuos accommettidos de variola.
O edificio acha-se em boas condições de consetvação,
sob a guarda de um zelador dedicado.

PHARMACIAS E DROGARI S

Existem n'esta capital dez pharmacias, dirigidas to das


por pharmaceuticos, seus proprietarios, e duas drogarias.
Sobre a venda de medicamentos nada occorreu que
fosse de encontro ás disposições do regulamento sanitario,
em vigor.
Concedemos licença para terem botica aberta, visto
acharem-se nas condições exigidas pela lei, ao Sr. Antonio
Exequiel de Souza, na cidade do QuixaJá ; ao Sr. Anfrisio
José Avelino, em Quixaclá ; ao Sr. Antonio de Oliveira e
Silva, na cidade de Barbalha.

REGISTRO DE DIPLOMAS

Registraram-se seus diplomas nesta Inspectoria 24 me-


dicos, 25 pharmaceuticos, 21 praticos de pharmacia, 1.
den-
tista.
PREPARADO PHA RMACEUTICO

Approvamos, de accordo com as disposições do regula-


mento de hyg iene publica, o preparado pharmaceutico de-
nominado Elixir de Caninana do Sr. Emiliano Cavai-
canti, pratico de pharmacia com profissão na cidade da
Redempção.

MOVIMENTO DEMOGRAPHICO SANITA RIO

Durante o anno de 1893 falleceram nesta capital i874


individuos, sendo :

Adultos 832
ParVulos 1.042
Do sexo masculino . 1.010
Do sexo feminino

....
864
Nacionaes 1.842
Estrangeiros . 32
No districto do Patrocinio. . 1.111
No districto de S. José 863

CAUSAS DAS MORTES

Affecções do apparelho respiratorio 303


Affecçõesdo apparelho circulatorio 144
Affecções 'do apparelho digestivo . 422
Affeccões do apparelho nervoso. . 308
Febres diversas . .
Eclampsia infantil ..
Accidentes da dentição
.. 220
44
118
De outras molestias 315

São estas as informações que me cumpre prestar vos


_ relativamente á hygiene publica deste Estado.

Fortaleza, 14 de Juilho de 1893.

1)r. J,oão Marinho de Andrcule.


COLMA. CHRISTINA

CommIssào de exame da Colonia Chrislina


em Canatislida,17 de Dezembro de 1892.

ortz.- (j2/
ey,lect(Wemie do I&Jt<zaro

Designados por V. Exc. em data de 9 do córrente mez


para proceder a um exame sobre o estado da Colonia Chris-
tina, actualmente sob a direcção do coronel Sebastião Si-
mões Branquinho e inventariar todos os seus bens, vimos
hoje apresentar a V. Exc. o resultado dessa incumbencia.
Causou nos a mais desagradavel impressão ver o estado
de aniquilamento a que se está reduzindo a Colonia Christi-
na que de certo tempo a esta parte, valha a verdade, tem
sido antes uru patrimonio de particulares do que uma pro-
priedade do Estado que tem despendido ali muitas dezenas
de contos de reis em pura perda.
Assim é que ao chegar-Mos no dia 12, em Canafistula,
encontrámos ao serviço de José Lino de Abreu, contractante
do fornecimento de lenha á estrada de Ferro de Baturité,
bois, burros e a casa da fabrica da Colonia ; os animaes
estavam empregados no transporte de madeiras cortadas
nas manas da Colonia, e na casa da fabrica se descaroçava
algodão, tudo mediante ajuste camarario entre o mesmo
José Lino e o Director, que nos declarou tirar dista um pe-
queno lucro.
MATTAS

E' doloroso verse as mattas diariamente batidas, com


o consentimento do Director, pelo machado de particulares,
' que nem ao menos fazem distincção para combustivel, das
madeiras de construcção. Estão hoje reduzidas a menos de
metade de seu valor, tal é a quantidade de linhas, dormentes,
portaes, taboado e lenha que se tem cortado. Ainda agora
existe muita madeira cortada. Para evitar a continuação
de semelhante abuso tomámos a deliberação de officiar ao
Director para prohibir o córte e a remoção da madeira que
se achi cortada ; e porque entenclessernos que elle como
associado de fornecedore 3, não adoptasse por si só as pro-
videncias que o Caso exigia, fizemos identica recommenda-
cão ao vaqueiro da Colonia José Nunes Correia, nos termos
dos officios annexos, em copia.

TERRAS

Nenhuma plantação tem feito a Colonia em suas terras


de 1891 para cá.
No armo anterior produziram algum algodão e mandio-
ca, cujo valor não nos soo.be precisar o Director, tendo ape-
nas nos .declarado que o producto dessa safra fora applica-
do ao custeio do estabelecimento.
Os sitios «Frecheirasi) e «Serra do Vento» acham-se ar-
rendados, aquelle desde, 1891 a 4Q$000 annuaes, e este a 20$000
no corrente anno, havendo-nos declarado o Director que
recebera 40$000 do arrendamento do sitio «Frecheiras» rela-
tivo ao anno de 1891. Esses arrendamentos affectam uru
caracter todo particular, por isso que não ha registro del-
les na Colonia, como não ha escripturação de especie algu-
ma.
Existem alguns roçados cedidos gratuitamente a parti-
culares.
CASAS

As casas pertencentes á Colonia acham-se geralmente


em pessimo estado de conservação e duas delias arruinadas.
São todas de taipa, cobertas de telha, a excepção da em
que reside o Director e servia de alojamento de colonos,
a qual tem uma pequena parte de alvenaria.
Na situada proxima á estação da via ferrea tem funccio-
/I 1

nado e actualmente 4uncciona a escola publica cio ensino


primario da povoação da Cannafistula.

GADOS

Pelo arrolamento a que procedemos verilic t-se a exis-


tencia de 13 cabeças de gado cavallar, 16 muar c 91. vaceum.
Comparando esta ultima cifra com a do invent trio feito a
18 de Janeiro deste armo, nota-se uma differença )ara menos
de 41 cabeças, algumas das quaes tiveram o seguinte destino,
segundo informação do vaqueiro e declarações d;) Director
3 morreram, sendo uma,em serviço de José I.ino e apro-
veitada pelo.mesmo para o açougue, mediante indcmnisa-
ção ; G foram abatidas por ordem do Director; :5 vendidas a
Florencio Ferreira de Souza ; .4 transferidas para Marapon-
ga e 2 transferidas para Maracanahú.
A estas aecrescente-se mais 5 cabeças, send o uma vacca
e quatro bezerros, proveniente de troca que fez o Director
de quatro vaccas paridas da Colonia, por tres solteiras de
sua propriedade.'
De accordo com as. instrucções recebidas, ao terminar-
mos no dia 16 o inventariorpassamos para a guarda e res-
ponsabilidade do vaqueiro José Nunes Correia todo o gado
vaCcurn, cavállar e muar pertencente á mesma Coloni:i, e
cuja existencia verificamos, mediante uma relação descrimi-
nada firmada pelo referido vaqueiro, conforme verá V. Exc.
da segunda via annexa
Deste acto fizemos sciente ao Director. por officio da
mesma data, junto em copia,
Convem declarar que existe na Colonia, ern deposito,.
grande quantidade de caroço de algodão, urna parte do qual
lhe pertence como indemnização do aluguel das machinas
cedidas a particulares, segundo nos informou o Director.
A' esta ligeira exposição juntamos o inventario a que
procedemos nos bens da Colonia.
A unica despeza effectuada para desempenho de nossa
corrimissào foi de 16$000 que arbitramos ao vaqueiro e dois
auxiliares pelos serviços extraordinarios prestados na junta
do gado que se achava disperso cru differentes paragens e
que cumpria arrolar.
Deixámos de entrarem maiores detalhes, aguardando-
nos para pessoalmente prestar-mos a V. ENC., quaesquer
esclarecimentos de que possa precisar para melhor formar
o seu juizo.
SAUDE E FRATERNIDADE.

7(aimundo Olympio Gonçafi,es de 1).4e

Imnael Pordeus Coslu, Linut.

Inventario procedido nos bens pertencentes à


Colonia. Christina, sob a Wirect:iio do coro
. nel Sebastiào Simões Branquinho, em 15
de Dezembro -de .1892.
CASAS

1 Casa que serve de residencia do Director e de aloja-


mento para colonos.
1 Dita da fabrica
1 Dita pequena contigua a da fabrica.
1 Dita confronte a de residencia do Director.
1 Dita pequena na estrada «Carro quebrado».
1 Dita pequena á margem da estrada do Acarapc.
1 Dita proxima a estação da via-ferrea, onde funcciona
a escola publica do ensino primario.
1 Dita pequena á margem da via ferrea.
',Dita que servia de alojamento de colonos
1 Dita pequena á margem da estrada do Acarape, onde
reside o vaqueiro.
1 Tanque grande de alvenaria coberto de madeira.

RESIDENCIA DO DIRECTOR

1 Banca de escrlptorio
2 Armarios.
100 Exemplaies do compendio de geometria pratica do
Dr. Abílio Cezar Borges.
130 Exemplares do resumo da grammatib portugueza do
Dr. Abílio Cezar Borges.
-43---
140 Ditos das noções cio arithmetica e do systema metrico
de Manoel Rodrigues da Costa.
3 Livros em branco para eseripturaçào.
19 Ditos de escripturação da Colonia
Alguns vidros de medicamentos.
1 Sofá de palhinha.
5 Cadeiras de palhinha para sala.
5 Ditas de palhinha usadas.
2 Ditas de braço.
2 Mesas pequenas para sala.
1 Cofre grande cle Cerro com assento de madeira, sem
' chave.
1 Candieiro de porcellana para gaz.
2 Ditos pequenos, sendo um de vidro e outro de porcel-
lana.
1 Mesa grande para jantar
18 Talheres com cabo de ferro, usados.
6 Colheres de metal para sopa, usadas
11 Ditas para chá.
4 Copos de vidro.
1 Assucareiro de louça
2 Mantegueiras.
1 Leiteira.
12 Chicaras para chá.
Pires.idem
2 Bules idem.
1 Soupeira.
2 Chaleiras de ferro usadas.
Panella grande de ferro.
2 Bacias de ferro estragadas.
1 Peneira de ferro estragada.
/ Assadeira, idem idem.
1 Guarda louça.
1 Relogio grande de parede.
1 Dito pequeno em :não estado.
2 Machinas de costura em máo estado.

ALOJAMENTO DOS COLONOS

3 Mesas grandes de jantar.


1 Dita menor em máo estado,.
G Bancos carteira.
5 Bancos grandes
2 Ditos pequenos.
1. Caixão grande para deposito de farinha.
3 Sinetas de bronze.
1 Dita estragada.
1 Bomba.
CAPEIA
5 Imagens.
5 Quadros coni registros.
á Ornamentos para missa.
Poquête.
5 Castiçaes de metal.
1 Missal
1 Porta missal.
.1 Calix de prata.

2 Gualhetas.
2 Toalhas para altar.
1 Confissionario
1 Mesa com gaveta.
2 Bahús de fianeres, usados.

OFFICiNAS

1. Locomovei.
1 Machina para serrar madeiras.
1 Dita para descaroçar athadão
1 Dita idem em máo estado.
1 Prensa de padeira para algodão.
Apparelhos de madeir,a para pilar milho e arroz e fa-
bricar farinha.
2 Machimas para debulhar milho.
1 Bomba grande com appárelho para catavento.
2 Fornos de ferroem máo estado.
2 Safras idem usadas.
1 Fóle novo.
1 Dito usado.
1 Bomba para broca.
1 Tenaz.
2 Tarraxas.
2 Martellos.
2 Marretas.
1 Balança grande.
5 Pesos de ferro, se 2/20 k., 1/10 k. 1/5k., e 1/2 I: .
1 Moinho grande de ferro.
1 Braço de ferro para balança.
2 Maços de arame farpado.
2 Serrotes.
1 Serra pequena.
3 Trados, sendo dous estragados.
3 13ancos de carpina
2 Ditos de sapateiro
2 Tinas de madeira.
2 Armários estragados
1 Caixa de madeira.
5 Cangalhas usadas.
4 Canecos de ferro para carregar agua.
7 jogos de cambitos de ferro.
9 Ditos idem imprestaveis.
1 Carro grande de madeira para boi.
GADO VACCUM
34 Vaccas.
13 Bois mansos.
2 Touros.
14 Novilhas.
6 Novilhote,s.
9 Garrotas..
4 Garrotes.
3 Bezerras.
3 Bezerros.
Boiote.

GADO CAVA LLAR E MUAR

15 Burros, sendo um destes doente.


4 Cavallos, idem idem.
1 Jumento.
6 Eguas.
2 Poldretas.
1 Poldrete.
46
Existem quatro cercados em pessimo estado de conser-
vação, e dous curraes em bom estado.

Commissão de exame da Colonia Christina, em Canna-


fistula, 16 de Dezembro de 1892.

O Director da Colonia Christina,

Sebastião Sinuies Branquin/,o.

Raimundo Olympio Gonçalves de Eveifits.

Ismael Pordeus Costa Lim«,.

Nos abaixo assignados membros da commissào de exa-


me da Colonia Christina, em Cannafistula, nesta data passa-
mos para a guarda e responsabilidade do vaqueiro da mes-
ma Colonia José Nunes Correia, conforme nos foi orde-
nado por S. Exc. o Sr. Presidente do Estado, todo o gado
vaccum, cavallar e muar pertencente a referida Colonia, e
constante da relação infra, continuando, até ulterior delibe-
ração do Governo, com as mesmas vantagens que já tinha ;
isto é, de quatro crias terá direito a uma.

GADO VACCU

31 Trinta e quatro vaccas com as seguintes denominações:


i Cancha
2 Guariba
3 Retinta
4 Bemtevi
5 Jandaia
6 Rabo branco
7 Bargada
8 Estrella
9 Grauna
10 Miudinha
11 Rouxinha
12 Negrinha
13 Maracanã
14 Varanda
15 Mulatinha
16 Veada
17 Maravilha
18 Mariscada
19 Dourada
20 Gafuringa
21 Cariman
22 Moreninha
23 Lustosa
24 Lavandeira
25 Olho d'agua
26 Catingueira
27 Bargadinha
27 Cabrinha
29 Oncinha
30 Coruja
31 Amorosa
32 Banana
33 Gingada
34 Pompeu
13 Til-esc bois manços, com as seguintes denominações
1 Calçado
2 Dourado
3 Bem feito
4 Varanda
5 Chatinho
O Bargado
7 Grauno
8 Moleque
9 Redondo
10 Ramalhete
11 Brioso
12 Malagueta
13 Pachola
2 Dous touros
14 Quatorze novilhas
6 Seis novilhotas
2 Dous novilhotes
9 Nove garrotas
4 Quatro garrotes
3 Tres bezerros
3 Tres bezerras
1 Um baiote.
GADO CAVA LLA R

4 Quatro cavallos, sendo um doente.


6 Seis eguas.
2 Duas poldretas.
1 Um poldrete
GADO MUAR

15 Quinze burros com as seguintes denominações:


1 Piau
2 Lavandeira
3 Fortaleza
4 Faceira
5 Correi
6 Macaco
7 Macaxeira
8 Serena
9 Ceará
10 Moreno
11 Capoeiro
12 Cacunda
13 Malunguinho
14 Cardanzinha
15 Retroz (doente)
1 Um jumento.
Commissão de exame da Colonia Christina, em Cana-
fistula, em 16 de Dezembro de 1892.

Raimundo Olympio Gonçalves de Freitas.

Iswael Pordeus Costa Lima.

Recebi.Canafistula, 16 de Dezembro de 1892.

José Nunes Correia.


Como testemunhas ;

-Victor Nogueira de Abreu

Bento CarfiefrO da Silva.


COPIA.Commissão de exame da Colonia Christina, em
Cannafistula .16 de Dezembro de l8')2, Sr. Director cia Colo-
nia.7---Tendo verific.ado que diariamente corta-se grande
quantidade.de madeira das mattas da Colonia para satisfa-
ção de contractos de particulares, e não convindo que con-
tinúe. por mais tempo, semelhante abuso, vos recommen -
damos, de ordem do Sr. Presidente do Estado, que façaes
cessar desde já tal procedimento, providenciando para que
não sejam retiradas d'ahi as madeiras de qualquer especie,
que se acham cortadas, sob pena de responsabilidade. Por
esta occasiào fazemos igual recommendação ao Sr. José
Nunes Correia, no intuito de vos auxiliar no cumprimento
desta deliberação.Saude e fraternidade. Raimundo Olym-
pio Gonçalv.es de Freitas, Ismael Pordeus Costa Lima.
Identico ao Sr. José Nunes Correia.
COPIA.Commissão de exame da Colonia Christina, em
Cannafistula, 16 de Dezembro de 1891 Sr. Director da Colo-
nia,Conforme nos foi ordenado por S. Exc., o Sr. Presi-
sidente do Estado, nesta data passamos para a guarda e
responsabilidade do vaqueiro da Colonia José Nunes Cor-
reia' todo o gado vaccum, cavallar e muar pertencente á
mesma Colonia, e cuja existencia acabamos de verificar no
arrolamento a que procedemos com a vossa assistencia ; o
que vos communicamos para o vosso conhecimento e go-
verno.Saude e fraternidade.Raimundo Oly rnpio Gonçal-
ves de Freitas.Ismael Pordeus Costa Lima.
lififf 01110

Ao Exm. Sr, Presidente do Estado,

DR. JOSÉ, 1116IRR BEZERRIL FONTEIELLE

APRESENTA

O PROCURADOR GERAI. DO IES110 ESTADO

DESEMBARGADOR

ANTONIO SARO DO MONTE

'unho, 15, 1893.


1EL N301110

j(?;)t. C (7a.'11t.

O procurador geral do Estado tem que apresentar a V.


Exc. um relatorio de todo o movimento, e dos actos mais
notaveis do ministerio publico.
Esta obrigação lhe é imposta pelo art. 121 da lei n. 37 de
1. de Dezembro do anno passado ; mas sua execução, datan-
do ha pouco mais de quatro mezes, o curto periodo decor-
rido apenas de primeiro ensaio e experiencia da lei, que
institui() o ministerio publico não offcrece ainda elementos
sufficientes para uma exposição circumstanciada, completa
acerca de todo o movimento da ,justiça publica, nem actos
notaveis, dignos de serem registrados.
A imperfeição do trabalho, que apresento a V. Exc.,
attenúa-se ainda pela defficiencia da maior parte dos rela-
torios dos promotores da justiça, ao desempenharem-se do
dever que lhes impõe o art. 127 n. 13 da lei n. 37, sem forne-
cerem dados completos sobre todos os serviços que lhes
compete na administração da justiça, em todos os termos
das comarcas, onde exercem suas funcções.
Entretando, auxiliado pelos esclarecimentos dos relato-
rios remettidos, e com algum conhecimento no serviço da
administração e da justiça, passo a expor a V. Exc. o seu
movimento já no Tribunal da Relação, já nas comarcas do
Estado.
No Tribunal O relatorio apresentado a V. Exc. pelo
seu digno presidente, desembargador José Joaquim Domin-
gues Carneiro que, com o maior zelo, intelligencia e cir-
cumspecção, exerce as funcções de que o investiu a .1e!
merecendo sempre todo respeito e estima de seus collegas,
expõe o numero dos feitos entrados e julgados o anno passa-
do, que subindo a 152. dos q,uaes 5 do Rio Grande do Norte,
demonstra que, não obstante a desmembração deste Esta-
do, .pela sua o rganisação e constituição definitiva de sua
magistratura. não decresceu sensivelmente, guardada a
devida proporção, e segundo esperava-se, o trabalho do
Tribunal.
No trimestre de Janeiro a Março deste anilo entraram
já 45 feitos, e foram julgados 55, por comprehender-se entre
estes alguns do alui() anterior, e esse numero já offerece
uma proporção para se affirmar que o trabalho do Tribunal
cresce em vez de diminuir, limitada sua acção ao Estado do
Ceará.
No exercicio de minhas funcções perante o Tribunal,
tenho observado a melhor ordem e regularidade no anda-
mento e revisão dos feitos, distinguindo-se os seus mem-
bros já pela assiduidade no exercicio do seu cargo, já pela
diligencia com que, no praso da lei, e a maior parte das
vezes antes delle examinar os autos, apressando as decisões,
as quaes são todas fundamentadas com a mais escrupulosa
correcção, e abandono formal dos accorclãos de try:/, ba-
seados nos fundamentos da sentença inferior, ou das alle-
gações das partes ; já, finalmente, pela harmonia e intelli,
gente concurso que dispensam entre si, no intuito elevado
da boa execução das leis e prompta administração da jus-
tiça.
O Tribunal tem-se preoccupado so/Dretudo de unitornii-
sar as suas decisões, evitando os lamentaveis inconvenien-
tes de julgados diversos, de uma jurisprudencia versatil que
tanto suspeita e des1u3tra a ,justiça -pe1a versatilidade de
seus. oraculos.
Para esse fim, veio prestar *valioso concurso ás dispo-
sições da lei n. 31, estabelecendo a intervenção de todos os
juizes nos julgamentos de sorte que, ainda quando existam
divergencias, o aresto se firma pela opinião vencedora da
maioria dos presentes.
Não segue-se, porém, d'ahi que a opinião vencedora,
firmando o julgado, que prevalece para casos occurrentes,
não ceda .a melhor decisão e seja modificado a todo tempo
que o Tribunal se]convence que elle não exprime a verdade
juridica e deva ser reformado.
Ao contrario, seria a impenitencia no erro urna vez de-
monstrado, c o sacrificio da justiça, que, como necessidade
superior, deve ser mantida para firmesa cio direito a que
ella se destina,
O erro é partilha da justiça, servida por homens sujeitos
a elle ; Corrigil-o é vigoroso dever ; persktir nelle, depois
de convencido, é rematada insannia.
o conceito do velho Cicero :--ErrtIrL'1111111.1121011 es!:
insannum errare preserv.ire.
Durante o meu exercicio de procurachr geral, a datar
de Feverniro do anno passado a fins de Março deste dnno.
tenho dado por escripto 95 pareceres, assim distribuidos
appellaçôes crimes ; eiveis 8 ; reducçào de pena 8 ; inter-
pretação de lei 4 ; conflictos de jurisdicção :3.
Tenho, alem disto. tomado parte na missão e julgamen-
to de todos os processos, quando nelles deixo de °tildar
como procurador geral.
Isto posto, passo a fazer, de accordo com os relatorios,
uma succinta exposição do movimento da justiça nas comar-
cas.

COMARCA DA FORTALEZA

O promotor limita-se a expor o que occorreu no periodo


de Janeiro a Março deste anno. Apresentou denuncia con-
tra seis individuos implicados no crime do Mondubim. capi-
tulando os delictos nos arts. 291 e :304 do Cad. Penal ; alem
destes denunciou de dous inclividuos por crime de ferimen-
tos graves e leves, promovendo a respectiva formação da
culpa. Houve uma sessão do jury nesse periodo, na qual
foram apresentados 6 processos, sendo julgados 4, esgotan-
do-se a urna em relação aos demais, pelo que adiou-se o
julgamento para a sessão seguinte.
Dos réos julgados somente uni foi conciemnado ; haven-
do appellação por parte da justiça e do juiz de direito a res-
peito de 2 absolvidos.
Foi installada a Junta Correccional no dia 22 de Março,
que julgou 6 processos, sendo condemnados 1 réos e 2 ab
solvidos.
Nada articula sobre a execução das leis.

COMARCA DE MARANGUAPE

promotor, que se recommenda por sua intelligencia,


O
começa recordando certa excitação que havia no termo de
Soare, pertencente á comarca, ao assumir o exercicio de seu
cargo, devido a processos iniciados e em andamento contra
eidadã'os da localidade, dos quaes a politica aldeã mais do
que o interesse da justiça, fôra causa.
Pondo termo a taes processos, julgados elles improce-
dentes, voltou o termo ao seu estado normal, serenaram os
animos, mantendo-se inalteravel a ordem publica.
Entretantr,, a estatistica criminal na comarca não tem
diminuido, antes augmenta ; pois a comarca é bastante
extensa, compõe-se de 4 termos, com uma população de r)0
mil almas, e, em todos ellcs, se fabrica em larga escála a
aguardente, de que se faz muito consumo, um dos factores
mais activos da criminalidade.
Os delictos mais communs são os que affectam a segu-
ranço das pessoas, ferimentos e homicidios. Depois destes
têm augmentado os attentados contra a honra e honestida-
de das familias. Têm, porem, decrescido os ataques contra
mais fre-
a propriedade. Dos crimes contra as pessoas os
quentes e de maior numero são 03 de ferimentos leves, con-
correndo para isso a excessiva beneyolencia dos julgamen-
tos.
No tocante á administração da justiça nada allega a
respeito da execução das leis, apenas pede solução a uma
questão que expõe sobre connexão de delictos. e que, no
correr deste relatorio, indico providencias para serem to-
madas em consideração pelo Congresso Legislativo na sua
proxima reunião.

COMARCA. DE B ATU RUE'

Ao entrar no exercicio de seu cargo affirma o


promotor ter empregado toda a sua diligencia na punição
do crime.
Para conseguil-o deu andamento aos processos existen-
tes, e denunciou dos delictos que vinham a seu conheci-
mento, concorrendo assim para que fossem julgados na
penultima sessão do jury do anno passado 16 criminosos
na ultima 9; e na primeira deste anno 1; sendo todos os
processos referentes a factos praticados no anno de 1892.
De Janeiro a Março deste armo foram iniciados 10 pro-
cessos no termo de Baturité ; 1 no do Coité, queremos dizer.
no termo de Canindé, assim destribuidos : 3 por homicidio;
3 offensas physicas ; 1 estupro ; 1 defloramento ; 1 uso de
/I.

armas prohibidas ; por entrada na casa alheia ; por


1
1

ameaças. 1.1)1:1';.1,:11;1(1.,1 na comar-


A Junta Correccional ;_1111(1:1
ca á falta do juiz lettrad,-) 1-): o Dr. juiz
substituto cie Baturité ,1,:111 -se di vara de di-
reito e não o ha no tomodc
Como curclor d s o:phãos a tomada
de contas dos tutores, a invent;Li ,;tie interessa
dos menores, e ao andament.) C-'.;1\';',:;i, parados-.
Não accusa embaraço na execuc:io leL, fazendo
somente reparos sol.-,re a (11S1,),)--k:t di :211 da lei n.

37, que devo s'er corrc.1, e (.1H;,:, ,11.111C13 trato


da execução da referida lei e A,-,s re1,0 ,.¡Ue C11.1 reclama.

COM.\12,.\ DE Si

No seu relatori,) o pni-nc)t)r denun-


cias que 01.1.1.2reCC1.1 1 C1:;'.. Ir (1C .\\ (.1H pa.-3sado a
Abril deste anno de 27 assim
descriminado : hon idisiui ; i firdc:L1i;-) 1: rou-
; amea-
bo 1 ; ; ; .1

ças 1 ; clamno 1 ; clesac ;to e ir,juria ii utoriclace : uso de1

armas defoza 1.

COM AkC:\ i:ik.:\H.\

O relatorio ju!gamento.z e denuncias no


periodo de Janeiro a Março cle.:1c. anno. Ham ;ulgados na
comarca 5 réos pelos se2uimi,.;;; ; feri- 1

mentos graves .1 ; roubo 2, ; dellorament;) 1. 'Jos os réos


mereceram a graça da
lnstallou-so a Junta t:orre2ci,nal ;11:g.:11 o ainda ab-
solveu o réo.
O promotor deu. nesse period. ;, duas por :

ferimentos graves, urna por crime de rato. \adi allegou


sobre a execução das leis.

C01A1ZCA DF. 1-;1.:\JA.\11N rji_) S.I';,

Em toda comarca houve somente :a ra lindo uma


sessão do jurv no termo i(:_:ach)eira. qu l Li submetti-
do a julgamento um réo por inc;:r ele h.)Inicklio, que foi
absolvido.
-58-
Na sede da comarca e nos outros termos não se reunio
o jury á falta de processos preparados, pois que os crimino.
sos andam occultos, foragidos, e não ha força policial nem
local para capturai-os.
Nada mais diz o promotor.
.110.

COMARCA DO ICO'

O promotor expõe o que tem occorrido de mais impor-


tante no periodo de seu exercicio, de Junho de 1892 a Março
de 1893.
Foram julgados nas sessões do jury da comarca 3 réos
por crime de morte, sendo dous condemnados e um absol-
vido; um por ferimentos graves que foi condemnado.
Existiam outros processos crimes, que não foram pre-
parados pela ausencia dos réos.
Nos 4 termos de que se compõe a comarca fez-se o sor-
teio dos vogaes para a Junta Correccional, mas o promo-
tor não diz se houveram julgamentos.

COMARCA DE IGUATU'

Depois que exerce o seu cargo o promotor deu 19 de-


nuncias: 1 por homicido ; 7 ferimentos ; 2 roubo ; 1 violen-
eia carnal ; 3 armas prohibidas ; 1 aborto ; 1 inviolabilidade
de dom:cilio ; 1 prevaricação ; 2 fugas de presos. Assistiu
a cinco sessões do jury na comarca, nas quaes deixou de
menccionar quaes os reos julgados e os seus crimes
Fez-se o sórteio para a Junta Correccional de Iguatú,
que funccionou, não dizendo os réos julgados e por que
delictos. No civel fizeram-se 16 iaventarios e arrolamentos;
tomou-se contas a 15 tutores.
Nada articula sobre a execução das leis, no tocante ao
exercicio do seu cargo.

COMARCA DO INHAMUNS

O promotor expõe : Que depois da publicação da lei n.


37 tem-se limitado a fuaccionar como curador de orphãos
em inventarios e tomada de contas.
Installou-se a Junta Correccional a 20 de Fevereiro. Ha
a notar a falta sensivel de ,juiz lettrado substituto para o
-59
unico termo da comarca, o que importará demora na ad-
ministração da justiça, dada a ausencia do juiz de direito.
Quanto a execução da lei n. 37 observa que ha difficul-
dades e prejuiso para os habitantes da comarca a respeito
do que nella se dispõe sobre o juiz dos casamentos, que
só na ,ède della é exercido pelo juiz de direito, quando a
comarca, embora tenha um só termo, tem dous municipios,
com uma extensão territorial superior a 300 leguas quadra-
das.
E' certo que a Constituição determinou que nos distri-
ctos casassem os supplentes do juiz substituto, e assim a
lei n.37, mas ás nomeações dos supplentes não tem guar-
dado a ordem dos districtos em que o termo se devide.
O promotor, que nota esta ditliculdade na execução da
lei, é deputado ao Congresso, e no exercicio do seu manda-
to terá occasião de illustral-o, propondo esta, e outras cor-
recções que a lei merecer.

COMARCA DE ASSA R E'

O relatorio comprehende o anno lindo. No iõro crimi-


nal o promotor deu 10 denuncias : 5 por crime de hornicidio;
tentativa 1 ; resistencia .1 ; ferimentos I; peculato 2.
Julgamentos. A' falta de processos preparados não.
h.)uve nos termos de Assaré e Saboeiro.
Nos termos de Quixará, Sant'Anna do Brejo, Araripe
deram-se os seguintes : homicidio 3 ; tntativa ; ferimen-
tos 6.; destes julgamentos resultou a condemnação de um
réo por crime de homicidio, de dous por ferimentos, sendo
os outi.os absolvidos.
Houve appellaçào do juiz de direito a respeito da absol-
vição por crime de homicidio e da tentativa deste.
Nada accusou sobre outros serviços a seu cargo.

COMARCA DO JARDIM

Duas linhas a exposição do promotor. Tudo pacifico


na comarca.
Os crimes diminuem, tanto que este anno, até Março
nem urna queixa ou delluncia foi apresentada. O promotor
se congratula pelo estado de sua comarca, onde reina a
paz.
-60-
Os promotores do Cancavel, Aracaty, Grato, ltapipoca,
Cratheús, Viçosa e Quixeramobim não remetteram relato-
rio do estado da justiça em suas comarcas, nas quaes sob a
situação geral dos seus negocios, nada tem occorr ido, nem
tem chegado ao Tribunal reclamações sobre os funccionarios
incumbidos de administral-a.
Submetto a illustrada apreciação de V. Exc. outra or-
dem de considerações a respeito da lei n. 37 de de De-
zembo do anno passado, quo organisou a justiça do Estado.
A execução desta lei, embora recente, tem já demonstra-
do que precisa cila ser retocada em algumas de suas dispo-
sições, corregidas ou emendadas para tornar mais claro seu
pensamento,dissipando duvidas que se tem suscitado: umas,
ampliadas para completar as medidas juridicas que procu-
ram attender, substituidas e supprimidas outras por incon-
venientes á propria administração da justiça. Indicarei a
V. Exc. algumas dessas disposições que no periodo da exe-
cução da lei, perante o Tribuna)a pelas consultas que tenho
recabido dos promotores, a ficção curta, mas proveitosa ,da
experiencia, impõe a necessidade do Congresso na sua
proxima reunião, tomai-a na consideração devida, e delibe-
rar sobre a materia como melhor dictar-lhe a sabedoria.
O art. § 4.° da lei faz depender o exercício da profissão
do advogado no foro criminal de previa inscripção perante
o Tribunal da Relação. na. caital do Estado. ou perante o
juiz de direito nas comarcas. Ora, tal condição é uma res-
tricção ao exercicio da profissão, e inteiramente sem motivo
que a justifique, c sem utilidade pratica ; porque o advoga-
do letrado.',que tem titulo scientifieo, ou se habilitou com
exame de sufficiencia perante o Tribunal tem o d.reito de
exercer o seu nobre officio, sem restricções, nem condições
ou dependencias, está habilitado para ex.2rcel-a desde logo.
seja qual o foro da causa que tenlia de apatrocinar, e não
é pela inscripção que elle adatire comaetencia, que já lhe
assiste pela seu tilulo. ou pe.la, suas leatras.
Parece-me, portanto. urna disposição superfiva, uma
exigencia mutil, sem utilidade que convem supprimir.

Tratando das attribuiçiks dos ,juizcs substitutos no civel


e commercial o art. 86 n. ultima parte, tem dado lugar a
duvidas por ter a lei servido.se de uma locução, a respeito
ti 1 -
da capital. sede da
da interposição do a;zgravo, na comarca
comprehender tanto as
Relação, tão genetica, que pirece
pelo3 juizes substitutos como
causas processadas e julgadas sendo o julgamento da
as que estes somente preparam,A locaçãoos despachos
competencia do juiz de direito.
Is é a origem de taes du-
de que caiba aggravo nessas caus
vidas; e para cortai-as de vez convem substituir conzara
esta ultima
da
parte do n.3 do art. 8(3 por esta
redacão : «
capital, séde CLI 1<elaç, Os f.7chos 711ekaiha C

dC çO0?3( )0 O ser(in trercridos


11C1S Causas Ch.' l'3/(1* C.VC: C :11 C11 ti.'
illiC17)0S10 pal'a
pelos jiti:es cie direito. sen.10 O .1.;,,&,,l'a1r1

Relação. »

Entre as incumbencias que o art. 92 dá ao juiz de direito


como presidente do Tribunal do jury, convem acrescentar,
depois do n. 4, a Feguinte : « hist) itir os dc lacto dan-
do-lhe explicação. sobre tontos ,direito vela ti'z'amente
processo, e sobre Suas 01,11;,E4()CS, SC111 .111C 111.11117.CSÉC 011 de:xe
froras
antever Stla 01)1.111?1. O SObl'e ,15
Os jurados julgam sobre o lacto ; allirmam ou negam a
existencia do crime, mas as explicações e esclarecimentos
que os jnizes de direito lhes peSt:(11 acerca do direito entre-
laçado com o facto pode contribuir salutarmente para o
acerto de suas deisões. corno m'o demonstrou quando juiz
de direito, instruindo e esclarecendo os juizes de facto.

Parece-me inutil a conservaço do art. 92 n. 8 sobre o


resumo dos debates, esta tuido no art. '.336 do reg. n. 120. E'
hoje reconhecidamente acto degnecessario na instrucção do
julgamento, porque nenhuma influe:cia exerce sobre elle.
Adoptada a disposição anteior 'de es.clarecer os juizes e
os,jurados sobre suas obrigates, habWtanclo os a proferir
um voto mais seguro e mais cons2.ienL:i0o. mais dispensa-
vel é o resumo dos debates. que jz: aclqniriu fóros de medi-
da absoleta, anachronica.

Parece-me ser conveniente estabelecer uma disposição


no sentido de firmar a ccmpetencia do iuiz de direito para
62-
applicar a pena se, no processo submettido ao jury, este
desclúsificando .o delicto, verificar-se que o julgamento per-
tence á Junta Correccional.
Uma vez que o processo fica subsistindo, em faço do
art. 220 da lei, com todos os seus elemeutos probatorlos,
no interesse da justiça e prompta repressão do crime não
ha inconveniente em que, dada a desclassificação, seja pelo
juiz de direito applicada logo a pena que no caso couber.
Assim, pois, em seguida ao art. 93 convem acrescentar
esta disposição « Quando i5e1a resposta do ,jury o crime for
d,sclassificado de modo a tornar-se da competencia da Junta
Correccional, o Presidente do Tribunal imporá a l'ena que no
caso couber, »

Convem ampliar a disposição do art. 145 aos advoga dos -


que derem causa á nullidade dos feitos,accrescentando estas
palavras : « Os advogados serão igualuzente con d emnad os nas
custas dos actos que forem annullados por grave negligencia
»

Assim corno a lei sujeita o juiz á condemnaçào das cus-


tas dos actos do processo que forem annullados por sua
culpa a mesma rasão deve prevalecer contra o advogado,
não sendo levado a conta da parte que confiou-lhe a causa,
e descansou no seu zelo.

O artigo 157 da lei deve Ser interpretado no sentido de


sua disposição prohibitiva dos promotores perceberem cus-
tas não comprehender as que lhes forem devidas pela cura-
dona de orphãos, ausentes, heranças jacentes,capellas e re-
siduos : assim como o art. 158 deve ser completado, dispon-
do expressamente que os adjuntos dos promotores deverão
perceber as custas como curadores de orphãos, ausentes,
capellas, pelos actos que praticarem no exercicio destes
cargos, visto que taes funcciona rios não têm vencimentos.

A attribuição conferida ao poder judictario pelo art. 162


da lei, deve ssr melhor regulada para sua conveniente exe-
cução.
Esse art:go dispõe que o poder judiciario não cumprirá
as leis do Estado, as leis municipaes, nem os regulamentos
contrários a Constituição, mas deixou no vago quanto ao
modo do exercicio da attribuição. E' este lacuna que deve
ser sanada, substituindo se o art..162 por outro que traduza
estes termos : « O poder judiCiari0 fl1O cumprirri leis do
Estado que, nos termos do ar!. 77 da ConsWitiç.in forem in-
constitucionaes, nem. tambenz os regulamentosiclos e deci-
sões do ,!;overno, ou deliberações das municipalidades con-
contrarias as mesmas e as leis.

No exercicio da zttribuiçiio não^ lhe licito proceder ex-


officio. mas unicamente por provocação ou allegaçào da
parte nos processos submettidos ao seu julgamento juris-
diecional.

Sempre que o juiz resolver sobre a materia deste artigo,


deixando de cumprir a lei, regulamento ou acto, &cisão ou
deliberação arguidos de contrario á Constituição e ás leis
recorrerá ex-offIcio, e remetterá irnmediata mente os autos
para o Tribunal da Relação qualquer que seja o valor da
acção para ahi ser sua sentença confirmada. ou não pelo
mesmo Tribunal nos termos do art. 78 § 1.

Seri?o consideradas inconstitucionaes as leis,regulamen-


tos, actos ou deliberações que forem de encontro as disposi-
ções da Constituição, que não tiverem sido revogadas pelo
modo estabelecido nos arts. 137 e 149 da mesma Constitui-
ção, ou por lei ordinaria votada pelo poder legislavivo, na
qual se haja declarado expressamente a sua revogação.

Convem modificar o art. 168 que restringiu ,muito, em


virtude do parentesco, a incompatibilidade dos juizes, em-
pregados e serventuarios de justiça, no exercicio dos Tribu-
naes.
A incompatibilidade extensiva até o 't ° gráo por direito
civil dificulta a administração da justiça, pois no interior
as familias sà'o muito entrelaçadas,
mui
raras as que não se
conjuncto, e o pessoal
acham unidas por parentesco
habilitado não é abundante.
Parece-me, pois, imprescindivel que modifique-se o art.
depois das palavras «que
substituindo-se sua parte final
Que firem entresi ascendentes,
forem entre Si',) por estas : irmilos e cunhados durante o
descendentes, so,.,,,ro, ,!,,ezzro,

cunhadio. extensiva aos juizes


A disposição do art. 17Ï1 deve ser providencia para não
substitutos, ou estabelecr-se
lei n.
urna
37, pais exigindo este art. que
ficar inerte o art. 22 da quatricnnio para serem nomea-
os juizes substitutos tenha Ti tendo sido elles com-
dos juizes de direito, se.-,ru.',.se que não foi contado o tempo
prehendidos no art. no, s )rnente lhes
Estado, e com este exer-
de exercicio de sua nomeação no quatriennio, e assim sem
cicio limitado nenhum clel.:es tem
immediata applicaçdo o citado art. 27, dada a necessidade
da nomeação de juiz de direito.

O art. 179 § O.° deve ser substituido par este : «Nu s Call-
dirposiOes do
SJS de divorcio e annullar;:u) de casamenlo
dec. zz. 181 de 21 de laneiro de 189o.»
1-louve equivoco citando-se no referido
§ o dec. n. 317
o assumpto.
de 21 de Outubro de 1870, que nada tem com

Ao art. 181 deve accrescentar-se, sobre a / excepção de


competencia, urna disposição no sentido de ster ella desat-
tendida se não for allegada em tempo, ou já tiver sido deci-
dida.
Assim enrum § unico se deve dispor : « Decidida uma.
opposta sua mate
vez a excepço de incompelencia ozt ;trio
inco
ria em oecasião opportuna, nenhum:1 altegação sobre 76$
J)etencia pode ser altendida nos lermos do decreto n.
de 19 de setembro de 180o.

O art. 185 aboliu a cit.ição com hora certa ; parece-me


que deve abolir-se tambeni a inutil formalidade da venia de
que trata a ord. liv. 2.° tit. 9.° § 14, que tem causado nulli-
dades
-
Art.101. Deve ser corregido. 'louve engano de copia
.
nas palavras «de:, imra fin,res». E para ser com-
pleta a correcção, para melhor clareza e disinsição da ma-
teria convem substituir todo art, por outro, mais ampliado,
'do seguinte modo
« Art 94. cáusas lulor ni o excedentes de 500$
Palia. que nào esteja eslabelccido processo es pec i appl leave!
o f)rocesso summario dos ir/s, 23t, e se.:»tintes
737 de 2 5 de Novembro de 1850, cum es1.1s ,n0,1171caçües :
§ 1,° Nas causas sumularias processadas perante os
juizes substitutos será assignado o prazo de eine() dias para
aeontestação, de dez para prova, de cinco pAra allegações
fiaes., sendo a sentença proferida no prazo de- dez dias após
Cánclusào.
§. 2:0 As sentenças proferidas nas sobreditas acções
admittem embargos de declaração ou retituição nos ter-
Mos,do art. (339 d3 Reg. n. 737 de '25 cle Novembro de 1850.

Antes da lei n. 32T2 de 5 de Outubro de 1883, que aboliu


adjudicação judicial obrigatoria, esta se fazia forçadamen-
te ao credor exequente, (art. '360 do Reg, de 1850) que muitas
vezes era sensivelmente prejudicado, pelo alto valor que
davam aos bens penhorados os avaliadores conluiados com
o.'executado.
Abolida por lei sabia e previdente a adjudicação obriga-
tona, mudou de tactica o executado, exforçando -se em sen-
tido contrario pela reducçào do preço, na avaliação dos
mesmos bens, em ordem a poder remil-os com grande van-
tagem para si, e consideravel prejuiso para o respectivo
credor que via passarem bens de crescido valor para o poder
do executado, sua mulher, ascendente e descendente por
baixo preço, sem meios de rehaver, o pagamento do resto -
da divida exequenda.
Em vista disso convem sobstituir o art. 20) da lei por
outro mais garantidor, per/ir/c/indo n.1 triliwir./ parte a re-
missão entre a avaliação e arrematação, quando a quantia
offerecida chegar para pagar a divida e custas.
Parece-me tambem de summa convenicnci appiicar ao
remissor a disposição do art. 555 do Reg. de 25 de Novem-
bro, que impõe a pena de prisão ao arrematante ou ao seu
fiador que não pagar o preço cia arrematação ; disposição
que o art. 28 da cita lei de 1885 já havia ampliado ao credor
adjudicatario.
Faltava prover de remedio o caso do remissor que, ve
rificada a remissão, recusa pagar o preço respectivo, com
grave damno da execução, e do credor exequente. Dahi o
motivo determinante da disposiçãp do § 1.°, que apresenta.
mos, como a expressão de uma justa necessidade.
Eis a substituição do art. 200
((Á remissão de todos ou parte dos bens que forem á pra-
ça, em qualquer execução, Para pagamento de credores, só
pode ser feita entre a ivalictção e arrematação, quando a
quantia offerecida chegar para pagar a divida e custas ; Jen a
deste caso só serd admiltida pelo preço da arrematação antes
da assignatura do auto, ou pelo preço da avaliação, quando
não houver arrematante, ou _finalmente pelo da adjudicação
antes de extrahida a respectiva carta.
§ 1.° E' extensiva ao remissor a disposição do art. 533
do Reg. de 25 de Novembro de 1850, salvo ao exequente a
faculdade de levar os bens novamente á práça ficando de
nenhum effeito a remissão se não for depositado o preço
desta ; neste caso o que a houver requerido não pode remir
os bens na praça, ou praças subsequentes.
§ 2.° Havendo licitante que se proponha a arrematar
todos os bens não poderá ser admittida a remissão de algum
ou alguns bens.

E' de toda conveniencia tambem ampliar a disposição


do art. 201, estabelecendo, depois do § 1.0, no interesse de
assegurar o direito dos outros credores na execução, o se-
guinte : « Se o credor e exequente, que iniciou a execução a
abandonar, ou não dér o devido andamento a qualquer dos
os
credores concurrentes, fica salvo o direito de promover
termos da execução.
Segue-se o § 2.° que passará a ser o e o 3.° para 4.°

Deve ser substituido o art. 211, que, redigido como está,


vai de encontro ao art. 77 do Cod. Penal, lei da União
sub-
a que não pode contravir a lei do Estado. Seja assim
stituido : a O perdão e desistencia do 4'er:ilido extingue
.1
-67-
acção penal somente nos COSOS em que nào cabe :1 ,icçào pu-
blica.

O art. 214 da lei tem dado logar a tacs duvidas e recla-


mações que sua suppressão é reclamada no proprio interes-
se da justiça.
A disposição como está concebida parecendo ter am-
pliado o recurso de embargos na 2.' instancia, ao mesmo
tempo o restringiu, desde que permittindo o uso de embar-
gos infringentes do julgado somente com a condição da
parte os instruir com documentos, como succede nas exe-
cuções, segue-se que, revestindo todos os embargos oppos-
tos aos accordãos da Relação o caracter de infringentes, ou
offensivos do julgado, porque attacam directamente a sen-
tença e visam sua reforma, se a ,parte não tem documentos
para os instruir, mas tem rasões valiosas a oppor em nome
da lei e das provas ,já existentes no processo, erroneamente
entendidas ou mal apreciadas,taes embargos são repellidos,
e ató o relator não lhes deve dar andamento.
A consequencia e o effeito da disposição vem afinal ser
tão restrictivos que o direito piorou na especie. sendo pre-
ferivel a plena restauração do anterior, segundo a qual são
permittidos aos accordãos todos e quaesquer embargos,
com ou sem documentos.
Isso é tanto mais necessario quanto não havendo mais
recurso de revista das decisões do Tribunal, perante este
deve ser concedido ás partes os recursos cabiveis, e mais
amplos, para defeza dos seus direítos.

No § 6.0 do art. 218 devem ser eliminadas, depois da pa-


lavra libello, estas : «nos crimes do jurv.» A rasào é que
não havendo libello somente nos crimes communs,
mas tambein nos especiaes, e de responsabilidade, temos
que redigido corno está o § parece indicar que a nullidade
substancial proveniente da falta de libello affecta somente
aos crimes communs ou submettidos ao ,jury, quando deve
affectar a todos os crimes em que a accusação precede o
libello.
-

Em vez do libello nos crimes do jury, diga-se somenteno


§ 6.° o libello.

A materia do art. 220 carece de complemento no que


respeita a connexào dos delictos, a qual tem sido objecto já
da attençào do Tribunal, e de consulta dos promotores da
justiça.
Occorre que-em um facto Qriminoso se involvendo deli-
ctos da competencia do jury e da junta Correccional : crime
commúm e de responsabilidade faclos em summa de com-
petencias diversas, qual o fôr° que deve prevalecer ?
Tal a materia que cumpre firmar na lei.
Parece-me que algumas disposições concebidas nestes
termos attendem a seu fim.
cArt.--cNOS.CCISOS de continencia de causa ou connexão de
delictos compe!ente para processar e julgar os Crimes ou
os delinquentes connexos, ojui.z ou o Tribunal superior com-
petente.para processar e julgar (il,(-ritin dos ditos crimes ou
delinquentes.
§ 1.0 Para este efleito haverá connexão, quando o nexo
entre a responsabilidade de varias pessoas que concorreram
ao mesmo crime, ou entre varios crimes comrnettidos por
uma ou mais pessoas, for tal que se não possa scindir a
prova sem perigo de sentenças contradictorias.
§. 2.0 A ordem da superioridade a que allude o cit. art.
fica assim estabelecida:
1.° A competencia do Tribunal da Relação sobre a dos
juizes de direito,
2.° A competencia dos juizes de direito sobre o jury.
- 3.° A competencia do Tribunal do ,jury sobre a das jun-
tas Correccionaes.
Art. I.° A juncção de dous ou mais processos por deli-
dos connexos pode ser determinado Ex-ovncto, ou a requer:-
mento do autor e do rdo mesmo depois de iniciado o processo
até depois da pronuncia.
São estas as alterações que pelo meu exame e experien-
cia da lei, mais se impõem a serem tomadas em considera-
ção, na proxima reunião da Assemblèa Legislativa.
Entretanto, outras podem haver, que os doutos supple-
mentos dos Legisladores, no seio da Camara, indicarão, fa-
zendo obra mais aperfeiçoada, e serviço mais relevante á
causa da justiça e do direito.

SAUDE E FRATERNIDADE.

e Exm.° Sr. Tenente Coronel José Freire Bezerril


Fontenelle. M. D. Presidente do Estado.

Fortaleza, 15 de Junho de 1893.

O procurador geral,

Antonio SOino do Monte.


Etado'do Cearà, em 19 de JÃlo de 1893,

(c)
fiht. (!rteM. gledrienie cio ,de,aa:o

Cumprindo o disposto no art. 77 lettraVda lei n.


37 do 1.0 de Dezembro de 1892, apresento a V. Exc. o relato'
rio de todos os trabalhos e occurrencias que se deram neste
Tribunal, bem como do estado da administração da justiça
durante o anno proximo passado :

SESSÕES

Houve 98 sessões ordinarias.

PESSOAL

Compunha-se o Tribunal, no principio de Janeiro dos


Srs. Desembargadores, 'Emiliano Jose Rodrigues Manoel
Hemeterio Raposo de Mello, Henrique Domingues da Silva,
Pedro Thomaz de Queiroz Ferreira, e dos juizes de direito
Antonio Frederico Rodrigues de Andrade, juiz de direito da
comarca de Maranguape, Antonio Ferreira de Mello Sant'
lago, da do Aquiraz e João Antunes de Alencar da de Ba-
turité, por se acharem com assento no Congresso juntamen-
te cornmigo os Srs. desembargadores Joaquim Pauleta Bas-
tos de Oliveira e Antonio Sabino do Monte.
A 16 de Janeiro reassumiram estes o exercicio de seus
cargos neste Tribunal, sendo por este motivo dispensados
os juizes de direito acima nomeados, que se achavam nelle
com jurisdicção plena. A 18 de Fevereiro do mesmo anno,
foram exonerados do cargo pelo vice governador deste Es-
tado os desembargadores Emiliano José Rodrigues, Manoel
Hemeterio Raposo de Mello, Henrique Domingues da Silva,
e Pedro Thomaz de Queiroz Ferreira, sendo convidados
para tomare in assento com jurisdicção plena neste Tribunal,
-71-
os juizes de direito, o da 1. vara desta capital Francisco
Antonio de Oliveira'Sobrinho, o da comarca de Maranguape
Antonio Frederico Rodrigues de Andrade, e da do Aquiraz
Antonio Ferreira de Mello Santlago, e o da de Baturité João
Antunes de Alencar, que tomou assento no dia 25 de Feve-
reiro e os dous primeiros no dia 26 dcymesmo mez, e o da
do Aqniraz no dia i.° de Março.
Nesta mesma data, prestou juramento, tomou posse, e
entrou em exercicio do cargo dt desembargador deste Tri-
bunal o bacharel Paulino Nogueira Borges da Fonseca, sen-
do dispensado o bacharel João Antunes de Alencar. como juiz
de direito da comarca mais remota.
Em 7 do mesmo Mez foram dispensados os bachareis, .

Antonio Frederico Rodrigues de Andrade, Francisco Anto-


nio de Oliveira Sobrinho, Antonio Ferreira de Mello Sant'
lago por terem sido exonerados dos cargos de juizes de di-
reito das comarcas de Maranguape, Aquiraz e da 1.' vara
desta capital por acto do Exm . vice-governador deste Esta
do, de 4 do mesmo mez.
Em 8 de Março prestou juramento e tomou posse do
cargo de procurador geral deste Estado o Sr. desembarga-
dor Antonio Sabino do Monte, e tambem na mesma data
prestou juramento e entrou em exercicio do cargo de desem-
bargador o bacharel Manoel de Souza Garcia, sendo a 9 de
Março convidados para tomar parte nos trabalhos os juizes
de direito da 1.' e 2.' vara desta capital, que tomaram assen
to no dia li do mesmo mez.
A' 16 de Março o bacharel Carlos Francisco Soares de
Britto prestou juramento, tomou posse e entrou em exerci-
cio do cargo de desembargador, sendo dispensado o juiz de
direito da La vara, e a 24 prestou juramento e tomou posse
o bacharel José Gomes da Frota, sendo nessa occasião dis-
pensado o juiz de direito da 2.' vara.
Á 5 de Abril seguinte voltou a tomar assento o juiz de
direito da 1.' vara, por se achar em goso de licença o des-
embargador José Gomes da Frota, que reassumio o exerci
cio a 29 de Maio seguinte, sendo então dispensado o juiz de
direito dal.' vara, que o substituia, voltando este nova-
mente a fazer parte integrante do Tribunal em 13 de Junho,
data em que entrou no goso de licença o desembargador
Carlos FranCisco'Soares de Britto,.que reassumio o exerci-
cio em 20 de Agosto, sendo por essa razão dispensado
aqnelle juiz de direito.
ENTRADA DE FEITOS

Entraram na Se:retaria deste Tribunal 152 feitos, sendo


147 deste Estado e 5 do do Rio Grande do Norte, a saber :

HABEAS-CORPUS
6
Ceará
7
Rio Grande do Norte
APPELLAçÕES CRIMES
Ceará 65
- Rio Grande do Norte 1-66
RECURSOS CRIMES
19
Ceará
Rio Grande do Norte 3 22

APPELLAÇÕES CIVEIS

Ceará 20 20

CONYLICTOS DE JURISDICÇÃO

Ceará 22
AGGRAVÓS DE. PETIÇÃO

Ipi 17
Ceará

AGGRAVOS DE INSTRUMENTO

Ceará 4. 4
PROROGAÇÃO DE PRASO PARA INVENTARIO

Ceará 14 14

152
DISTRIBUIÇÃO DE FEITOS

Foram distribuidos aos diversos membros do Tribunal


154 feitos.
J11 M EN.FOS

Foram julgados 107 leitos, sendo 100 deste Estado, e 7


do do Rio Grande, do Norte, a saber

IIA IEAS11:( )RI US


Ceará
:)
Concedidos
Negados
Prejudicados
Rio Grande do Norte
Concedido t8
REcuRsos cRimEs
Ceará
Procedentes
Improcedentes
No se tomou conhecimeni.o
...!'rancle do Norte
13..roceclente 1

1Mprocedente 1 22
IJI)ELIA (,:(3 i,`,S IMES

Ceará
A' novo jury .41

NullOs
A diligencia
Não se tornou conhecimento
Deu se provimento
Negou-se 13
Rio Grande do Norte
A novo jury
Negou se provimento 67

APPELLMAES CP; El :4

Ceará
Deuse provimento 8
Negou-se provimento 8
Nulla 1

Não se tornou conhecimento 3


A diligencia ' 4
Receberam-se os embargos
Desprezaram-se os embargos O

Rio Grande do Norte


Desprezaram se os embargos 2 38
-74-
CONFLICTOS DE JURISDIGÇÃO
Ceará
1
Procedente
Improcedente 3
1.
Não se tomou conhecimento
AGGRAVOS DE PETIÇÃO
Ceará :
6
Providos
Não providos 6
Não se tornou conhecimento 3 15

AGGRAVO DE INSTRUMENTO
Ceará :
Não provido 11
PROROGAÇÕES PARA INVENTARIO
Ceará :
13 13
Concedidas

Nos recursos crimes acham-se incluidos os de habeas-


corpus, os de crime de responsabilidade e as petições de re-
ducção de pena.
EXPEDIENTE DO TRIBUNAL

Foram expedidos
103
Officios 1

2
Cartas de sentença
4
Provisões de advogado
9
Guias para execução de accordão
5
Mandados executivos
As provisões de advogado foram concedidas por tempo
indeterminado aos cidadãosJosé Antonio Coelho de Albu-
querque, Luiz Sebastião Fernandes, que não tirou a provi-
são e a Joaquim Fernandes da Costa, e por dous annos a
Montezuma Peixoto Leão.

VERBA DE EXPEDIENTE

Até o fim do anno passado, emquanto foi paga pela the-


souraria geral, a verba para expediente da secretaria deste
Tribunal era da quantia de seiscentos mil réis, da qual era
deduzida a de tresentos e sessenta mil réis para o unico ser-
75-
vbnte, de que trata o art. 33 do regulamento de 2 de Maio de
874; tendo sido porem reduzida a duzentos mil reis, pelo
§ 7,° do art. 3.* da lei de 14 de Novembro de 1892, que orçou
a receita e despeza
do Estado para o presente exercido,
ficou ipso facto supprimido o lugar do servente, cujos servi-
ços eram entretanto indispensaveis ao asseio da repartição
pelo que solicitei e obtive de V. Exc. a necessaria autorisa-
ção para aquella despeza.
E como esteja proxima a reunião da Assemblea Legis-
lativa, julgo ,opportuno lembrar a V. Exc. a creação de uma
verba especial para aquelle fim.
LICENÇAS

Foram concedidas as seguintes :


Por trinta dias ao bacharel Adolpho Cordeiro de Moras
Campello, juiz substituto de Baturité.
Por noventa dias ao bacharel Pedro Gomes da Frota,
secretario deste Tribunal.
Por sessenta dias ao mesmo juiz substituto de Baturité
Por trinta dias aos bachareis Diomedes Theodoro da
Costa, José Antonio de Luna Freire, Antonio Luiz Drumond
da Costa e Manoel José Pinto, juizes substitutos de Pedra
Branca, São Matheus, Milagres, e Aquiraz.
Por igual tempo a Eduardo Dias Nogueira, Antonio Ar-
thur e Gonçalo de Lagos Bastos Filho, promotores de jus-
tiç,i das comarcas de Itapipoca, Jaguar' be-mirim e Cascavel.
Por sessenta dias ao desembargador José Gomes da
Frota e ao bacharel Luiz Paulino de Figueiredo e Sá, juiz
substituto do termo de Pacatuba.
Por noventa dias ao bacharel Carlos Francisco Soares
de Britto, desembargador deste Tribunal e ao b3charel Joa-
quim Gomes de Manos, juiz substituto de Pacatuba.
Foram ainda concedidas uma por noventa dias a Hono-
rato Ferreira dos Santos, escrivão de appellações deste Tri-
bunal e outra por trinta dias a Fausto Pontes de Aguiar,
escrivão do crime e civel do term.() do Acarahú.

SECRETARIA DO TRIBUNAL
Acham-se em dia os trabalhos da secretaria deste Tri-
bunal, e são feitos com a precisa regularidade.
No dia 29 de Janeiro o secretario deite Tribunal entrou
no goso de uma licença de tres mezes, e reassumiu o exer-
cido a 29 d,, Março, sendo substituiria pelo escrivão de
-76
appellações Antonio Carneiro de Souza Azevedo, por se
achar impossibilitado o seu substituto legal, o amanuense
Antonio de Oliveira Borges Junior.
A9 de Abril foi nomeado, prestou juramento e tomou
posse do cargo de amanuense da secretaria o cidadão Jose
Maria Brigido, por ter sido aposentado em 6 do mesmo mez
o que exercia este lugar.
ESCRIVÃES

Cumprem bem com as obrigações de seus cargos.


A 14de Março entrou no goso de uma licença de tres
mezes o escrivão Flonorato Ferreira dos Santos, sendo
substituido pelo escrivão companheiro.
A administração da justiça foi regular em todo o Estado.
Os juizes de grimeira instancia, em geral F:e portaram
bem, a julgar-se pelos feitos decididos pelo Tribunal em
gráo de recurso, e pelo facto de só terem subido para a
segunda instancia em virtude de recurso official de não pro-
nuncia, dous processos de responsabilidade, instaurados
contra juizes substitutos, dos quaes somente um foi provido
pronunciando 'se o accusado, para mandai-o submr.tter a
julgamento e não constando se neste foi effectivamente con-
demnado.
Neste Tribunal os Srs. desembargadores, que commigo
o compõem, se desempenharam escrupulosamente dos de-
veres inherentes ao espinhoso e difficil encargo de julgar,
inspirando-se somente nos principios da justiça e nas dis-
posições da lei, e decidindo as questões submettidas ao seu
conhecimento depois de accurado estudo, com perfeita cor-
recção e completa isenção de animo, como o demonstram
os accordAos sempre fundamentados juridicamente.
O Sr. desembargador procurador geral do Estado, ain-
da nesta qualidade elevou-se pelo zelo e pelo estudo a altu-
ra de sua missão, defendendo com proilciencia os interesses
da justiça e das partes, que representa suscitando e disi
;

cutindo com esclarecido criterio as questões que se prendem


ao julgamento dos feitos.
Assim ficam expostas todas as occorrencias que deram-
se neste Tribunal durante o anno proximo passado.

O i'residente da Relação.
Jouguim Poini.irques Curveivo.
IIEUTORIO

110

PRESIDENTE

DA

JUNTA COMMERCIAL
Junta C.9mmerela1 da Fortaleza, em
28 de Junho de 1893.
N .° 87.

Ao Em. Sr. Presidente do Estado Tenente Coronel


Dr. José Freire Bezerril Fontenelle.

Estando proxima a reunião da Assembléa Legislativa a


qual tendes de apresentar a vossa mensagem, permitte que,
respeitando as velhas praxes, tambem venha dar-vos conta
do movimento da Junta Cornmercial, a partir de Janeiro
deste anuo quando passou dila de repartição federal a Esta-
doai.

Reorganisada em virtude da lei n. 22 de 26 de Outubro


do anno passado, foi esta Junta installada á 5 de Janeiro ul-
timo, funccionando regularmente até a presente data.

De conformidade com o disposto no art 62 § 4.° do regu-


lamento de 16 de Dezembro de 1892, resolveu ella convidar
por meio de edital os commerciantes cujas firmas não esti-
vessem de accordo com, o preceituado do dito regulamento,
a virem regularisal-as.
Apenas Um commerciante acudiu ao convite, o Sr. José
Correia do Amaral. Os Srs. Simões Irmão 8c C.' apresenta-
ram reclamação contra aquella disposição regulamentar
sendo porem indeferida, recorreram dessa decisão para vós,
que mui acertadamente, resolvestes a questão não dando
provimento ao recurso.
Desde a reinstallação da Junta até- hoje tem ella reálisa-
do 20 sessões. Nesse periodo foram archivados 4 contractos/
commerciaes e3 distractos ; registradas 4 firmas, regulari:.
-80--
sada uma. Foram rubricados 12 livros de casas commer-
ciaes, expediu-se um titulo cio agente de leilões.

Tendo expirado o mandato de dous deputados e dous


supplentes, procedeu-se a 15 de Maio a eleição para preen-
chimento desses logares : sendo reeleitos os mesmos cicia.
dãos que os exerciam, conforme vos communiquei.
Existem registradas nesta Junta 4 sociedades anonymas
e matriculados 129 commerciantes ; sendo 102 nacionaes e
21 extrangeiros.

O regulamento citado cotnmetteu a esta Junta, o impor-


tante e complicado serviço de estatistica do Estado. Com-
prehendeis bem as dificuldades com que se luta afim de
obter dados indispensaveis para a organisação de trabalho
de tanta monta.
A indiferença, a desidia e a ígnorancia muita vez para
isso concorrem. Entretanto essa Junta tem empregado to-
dos os meios a seu alcance para a acquisiçãó de dados e
informações 'exactas.
Assim é que dirigiu ollicios e circulares as auctoridades
e chefes de repartições federaes e estadoaes solicitando-as.
A' inspectoria da instrucção publica mappa da matricula nas
escolas publicas e particulares do ensino primario c secun-
dario com discriminação de sexos e idades e frequencia das
mesmas escolas.
A's camaras municipaes o numero de praças que com-
põem as respectivas guardas, subsidiadas pelos cofres mu-
nicipaes, assim como a nota de certos serviços que correm
por suas secretarias.
A's collectorias--nota do abatimento do gado bovino,
sumo, caprino e ovino não só para o consumo publico, como
particular ; do consumo do sal ; numero das casas nos po-
voados e nos campos do municipio, coni declaração das de-
molidas, desoccupadas, construidas ou restauradas. Dos
agricultores, roçados, sitios, engenhos, açudes, etc., existen-
tes na circumscripção da collectoria ; nota das rendas esta-
doai e municipal.
Aos juizes de direito o numero dos juizes de facto qua-
lificados nos diverSos termos da comarca.
Ao inspector da extincta thesouraria de fazenda a expe-
dição de ordens ás mesas de rendas de Aracaty, Acarahà e
Camocim, para fornecerem aos colleclores dessas localida-
- -81--
des os documentos que elles requisitassem para confecção
dos quadros de importação..
Aos engenhëiros directores das estradas de ferro de Ba-
turité e Sobral a remessa semestral do movimento de pas-
sageiros e o quadro discriminado das mercadorias transpor-
tadas entre às diversas estações ; finalmente a classificação
das respectivas receita e despesa.
A' administração dos correiosnota da correspondencia
°racial e particular, franqueada ou não que transitar por
essa repartição, bem como o quadro de sua receita e des
pesa.
A' capitania do portomappa demonstrativo das entra-
das e sahidas dos navios com declaração de nacionalidade,
armação, tonelagem. equipagens procedencias, carregamen-
to etc. ; relação das embarcações empregadas na cabotagem,
trafego e pescarias ; outra dos individuos matriculados na
capitania com discriminação dos misteres a que se dedicam;
mappa do Movimento da escola de aprendizes marinheiros,
com declaração do numero dos que tem embarcado para o
sul, desde a installação da mesma escola.
És.' Secretaria de Justiça--quadro do movimento de passa-
geiros, de navios nacionaes e estrangeiros, entrados e sahi-
dos, portos de sua procedencia e aos a que se destinarem
das prisões, discriminadamente o numero de presos em com-
primento de sentenças, ou detentos por crimes ou não.
A' Secretaria do Interiorresumo da qualificação eleito-
ral de todos-os municipios do Estado, bem como do recen-
ceamento da população, procedido a 31 de Dezembro de 1890.
A' Secretaria de Fazendamappa da importação e das
rendas discrimiríadaS do Estado.
A' Provedoria da Santa Casa de Misericordiamovi-
mento das enfermarias desse estabelecimento e do asylo de
São Vicente de Paura, da Porangaba ; o quadro mensal da
mortalidade na capital, acompanhado de um mappa nosolo-
gico. .

Os decretos ns. 9.886 de 7 de Março de 1888 e n. 181 de


24 de Janeiro de 1890,
que instituiram o registro e o casa-
mento civil, não tem sido rigorosamente observados neste
Estado ; de, modo que bastante difficil se torna obter uma
estatistica exacta dos nascimentos, casamentos e obitos
dados que, se bem que não tenham hoje carrcter official,

poderão ser ministrados pelos Rvds pa'rochos, se S. Exc.
Rvd. o Sr. Bispo Diocesano assim determinar-lhes, visto
Como não se lhes pode exigir, ex'-vi do decreto n. 119 de 7
de Janeiro de 1890 que consagrou a plena liberdade de cul-
tos e portanto a separação da egreja do Estado.
Logo que forem enviadas todas as informações pedidas
dar-se-á começo à organisação dos respectivos quadros.
Em vista das recommendações do ministerio da fazenda
ao Sr. inspector da alfandega para facilitar todos os dados
e documentos que lhe fossem requisitados, referentes ao
serviço da estatistica, foram mandados para aquella repar-
tição dous empregados desta Junta, que se têm occupado na
confecção dos mappas mensaes da importação directa e por
cabotagem.
O digno chete do serviço aduaneiro, o Sr. Pedro Caetano
Martins da Costa tem se prestado com a melhor boa vonta-
de em auxiliar o governo do Estado nesse seu louvavel ten-
tamen.
Dos dados colhidos de Janeiro á Maio findo tem sido
o movimento da importação pelo porto desta capital.

DirectaValor official. 1.952.860W9


Direitos pagos a alfandega 955.493$094
Imposto de estatistica 39.047$16-7
Por cabotagemValor commercial 335.985$888
Imposto de estatistica 6:119$115

Tendo sido extincta a secção de estatistica federal neste


Estado tomo a liberdade de lembrar-vos o alvitre de solici-
tardes do Sr. ministro da fazenda a cessão á esta Junta dos
mappas, livros e mais objectos que pertenceram aquella re-
partição e se acham archivados na alfandega, os quaes muito
poderão aproveitar como subsidio para organisação de um
serviço de estatistica.
Aproveito a opportunidade para fazer-vos sentir que o
pessoal da secretaria da Junta é por demais insufficiente
para acudir as exigencias do serviço, que muito augmentou
com o estabelecimento da estátistica.
Dos cinco funccionarios de que ella se compõe, inclusi-
ve o secretario, dous são diariãmente distrahidos para co-
lherem dados na alfandega sobre a importação.
O secretario e official não poderão certamente dar conta
- 83--
cio trabalho da organisação dos mappas e ao mesmo tempo
desempenhar as funcções que dizem respeito especialmente
á Junta Commercial.
1111

São as informações que cumpre dar-vos,

SAll'DE E FRATEPNIDADE

Presidente da Junta,

.1 vil il/pho Po lirpion(1.


EXPOSICAO

Apresentada

rAo (4ln, 4r, enente Çoronel

JOSÊ FRRIRE BEZERRIL FONTENELLE

PRESIDENTE DO ESTADO DO CEARA

PELO

CORONEL VALDEIIIRO 110REIRA

Secretario dos Negocios da Justiça do mesmo Estado

e,T51/4-'r%

'unho de 1893,
SECRETARIA DE JUSTIÇA

EXPOSIÇÃO

cYrill'n. e ,,- "cc;)1. c9M,

Aproximandose a epocha em que tem de se reunir os


eleitos do Estado, julgo de meu dever apresentar uma suc-
cinta exposição do que occorreu nos diversos serviços a
cargo desta secretaria, afim de que na Nensagein que na
forma do art. 59 § 3. da Constituição deste Estado tem de
ser lida ou enviada á Assemblda Legislativa, possaes indi-
car, na parte tocante ao assumpto as providencias que en-
tenderdes acertadas ao serviço publico.

MAGISTRATURA

O Tribunal da Relação acha-se provido de todos os seus


membros, sob a presidencia do illustrado desembargador
José Joaquim Domingues Carneiro, que tão bons serviços
tem prestado á causa publica.
Acham-se tambem preenchidas de juizes as 19 varas de
direito, existentes nas 18 comarcas, em que se divide o
Estado.
Dos 35 termos de juizes substitutos lettrados, apenas
acham-se vagas as de Lavras, Jardim, S. Francisco, I nha-
muns e Canindé.
As promotorias de justiça acham-se todas preenchidas,
menos a de Cratheús, por não haver o cidadão nomeado
solicitado o titulo no prazo legal
88

Até agora nenhuma reclamação foi feita, quanto á actual


divisão ,judiciaria adoptada pela lei n.37 de 1.9 de Dezembro
do atino passado, e que vem a ser 18 comarcas e 35 termos
de juizes substitutos formados e 30 termos ou .municipios
annexos, sob a jurisdicçào de supplentes de juizes substitu.
tos, inclusive o termo de Maurity, cujo foro civil foi restau-
rado em 8 de Abril ultimo.

REFORMA JUDICIARIA E SUA EXECUÇÃO

No dia 21 de Janeiro, entrou em execução o lei n. 37 do


1.. de Dezembro do atino passado, que deu nova organisa-
ção á justiça estadoal.
Foram expedidos os actos, determinados pela mesma lei
para seu complemento, a saber : Em 14 de Janeiro, deram-
se as nomeações de supplentes de juizes substitutos da quasi
totalidade dos termos, sendo, dias depois, nomeados os
supplentes de um ou outro termo, que naquella data não
fora preenchido.
Esse pessoal tem de servir até 31 de Dezembro de 1896,
na forma do art. 33 da mesma lei.
Tambern em 14 de Janeiro foram expedidas portarias
Estabelecendo a ordem da substituição dos juizes de direi-
to, durante o corrente anno (art. 175).
Fixando, em uma tabella, a proximidade das diversas
comarcas do Estado para o caso do julgamento de suspei-
ções postas ao conhecimento dos juizes de direito (art. 84
v. e 88).
Dividindo, em dous districtos, a comarca da Fortaleza
para nelles funccionarem no crime os juizes das duas varas
de direito ; determinando-se, no dia 16, que o juiz de direi-
to da 1.' vara tenha exercido no 10 districto e o 2.° no 2.°
districto.
Posteriormente, em 5 de Maio, baixaram instrucções
regulando a ajuda de custo para as .despesas de primeira
instáliação dos juizes de direito, juizes substitutos e desem-
bargadores que não residam nos lugares em que tenham de
exercer as funcções dos cargos, para que forem nomeados
ou promovidos, (art. 222).
Em data, tambern de 14 de Janeiro, foi expedida circu-
lar aos juízes substitutos, iecoinmendandolhes que fixas-
sem um dia do mez de Fevereiro, afim de ter nelle ioga" o
sorteio dos 48 vogaes e 24 supplentes, d'entre os juizes de
facto qualificad,:H, que deviam servir durante O corrente
anno, na Junta Correccional, estabelecido pelo art, St da lei
n, 37, visto como a demora de publicação clesa lei não po-
dia prejudicar a disposição do § 2,n desse art que fixou o
,

rnez de Dezembro de cada armo para se preceder o sorteio.


Em todos os termos effectatou-se o sorteio e a Junta
Correccional tem 'ienes fuoccionado com regulari(hde : não
tendo ate agora havido reclamação aiguma. guante ao modo
de proceder della.
Estabelecendo o art. G lettraGque na omarcas, cm
Que existirem dous ou mais ofliciaes dc regist: o de hypo-
thecas, servirá o referido cargo o da sede da comar.,ticn-
do extinctos os outros lugares, e attendendo se que, não
obstante terem ficado reduzidas a 1d as comarcas. ouora
existentes em n. de 31, continuavam funccionando no U!S-
tto de hypothecas tabelliães de termos. que haviam sido
séde cle comarca', determinou-se em portaria de 5 de Abril
do corrente armo, aos juizes de direito das comarcas, que
fizesseo..., cessar o exercicio de ofliciaes do registro de hvpo-
thecas que estivessem sendo servido por tabelliães de ter-
mos. que oà.o fossem sédes de comarcas.
Lei nova que entra. por assim dizer, em experimenta-
ção,. visto conter disposições inteiramente outras, doutrinas
diferentes ao que então era observado, a de n. 37 do 1
de:Dezembro do anao passeado oferece margem a duvidas
de,,seus executores, d'ahi as consultas por parte deites, e as
interpretações que foram dadas, as decisões havidas
Passarei a enuncial-as.
Por aceordãos do Tribunal da Relação U:in sido dadas
as seguintes interpretações.
Por accordão de 10 de Fevereiro
Decedindo que a incompatibilidade do cargo de Komo
tor de,justiça, com o de intendente municipal, estabelecido
nos arts. 114 da Constituição e itY; da lei o. 27 de 1." de De-
zembro de 1892, que organisou a Justiça Estadoal, absoluta
corno é, não admittc restricções e deve ser observada em to-
dos os cargos, sem distiocção de anteriores e posteriore á
Promulgação das leis que a decretaram, nas quaes o legisla
dor attendeu, não st5 as funcções dos referidos cargos se re-
pugnam por sua propria natuteza, porque ao promotor
incumbe denunciar e accuser os Iis,t2icier,tc.
nos crimes de responsabilidades. julz de di-
reito todas as vezes que tiver de prc:e,idir O jui v (1,-)s ditTe-
reute:s termos e abrir eurreiçõe, nos mesmos, aus'-'1't"'jdu
-90-
assim repetidas vezes no atino da sMe da comarca, onde o
cargo de vereador ou intendente reclama a sua presença
. continua, mas ainda que da accumulação resultaria a impos-
sibilidade do pleno e satisfactorio desempenho das funcções
de ambos os cargos, actualmente ampliados pelas respecti-
vas leis de organisaçã.o.
Deu motivo a essa interpretação a consulta suscitada
pelo juiz de direito do Aracaty, perante essa presidencia,
sobre o exercicio dc cargos accumulados pelo mesmo indi-
viduo, corno promotor e intendente mnnicipal.
Por accordào de 5 de Maio proximo findo.
Do art. 157 da mencionada lei. Decidindo o accordão
que as custas taxadas no artigo. 2í do-regimento de 2 de Se-
teinb,..o dcMi; e que os juizes percebiam a titulo de deli-
gencia, devem ser pagas em sello do Estado, em vista da
disposição absoluta da-art. 157 mencionado, continuando
os juizes a perceber somente, á titulo de conducção, a in-
demnisação das despezas de transporte, que o regimento
mandava pagar-lhes em face dos documentos dos autos, e
que a nova lei manda contar-lhes na razão de 2$000 por le-
gua, até o limite estabelecido para as diligencias, se a parte
interessada não proporcionar os meios de conducçào, por
que de outra maneira não se poderia conciliar as disposi-
ções citadas sem prejuizo do fisco ou das partes, que conti-
nuam a pagar o mesmo, que d'antes só com a diferença de
pagarem ao Estado e ao juiz o que anteriormente pagavam
somente a este.
Essa interpretação foi provocada pelo juiz substituto de
Maranguape, que consultou
« Se devem ser pagos ao Estado e aos juizes, ou so-
mente a estes, as custas do art. 24 do regulamento de 2 de
Setembro de 1874 ? »
O mesmo accordão decidiu não se tomar conhecimento
de duas outras questões propostas pelo juiz, por não cons ti-
tuirem materia de interpretação ; foram as seguintes
« Como se deve fazer a conta dos actos incluidos nas
diligencias, ou praticadas por occasião e causa deitas, no
caso de deverem ser pagos tanto ao Estado como aos juizes ?»
Finalmente se os juizes são ou não obrigados a se trans-
portarem a requerimento das partes a logares distantes das
sédes do termo para actos, que podem ser regularmente
praticados na casa das audiencias.
Finalmente, por accordão de 3 de Março ultimo, decidiu
o mesmo Tribunal que, não 'havendo obscuridade na lei, não
-91
tinha 'lugar a interpretação do art, 17 da mencionada lei,
por ser clara e terminante a disposição da mesma.
Deu logar a essa decisão a consulta ou duvida suscitada
a essa presidencia, pelo juiz de direito da 2.a vara desta ca-
pital, se como juiz de casamento que tambem á, está inclui-
do na disposição da art. citado que é assim concebido
« Os desembargadores, juizes de direito, jtiizes substitu-
tos, promotores e empregados da secretaria da Relação não
perceberão custar pelos actos que praticarem.
§ I.° Os emolumentos que competiam a esses funccio-
narios serão pagos em sellos adhesivos do Estado e appos-
tos aos autos e papeis.
§ 2.° Não se comprehendem nas custas as despesas de
transportes dos juizes, as qnaes lhes serão pagas na razão
de dous mil r6is, por legua ate o limite do art. 24 do regi-
mento de 2 de Setembro de 1874, sobre se a parte interessa-
da proporcionar os meios regulares de conducção.
Por esta secretaria, foram dadas as seguintes decisões,
sobre diferentes art3. da mencionada lei do 1." de Dezem-
bro de 1892
A actual revisão de jurados subsiste para o ¡ury e Juntas
Correccionaes, sem prejuizo das outras clisposiçõrs da
constituição do jury. (Telegramma ao juiz dc direito de
Cascavel, em 2 de Janeiro).
Nas expressões «Serventuarios de Justiça: se incluem-
odistribuidor, contados, _escrivães e olliciac.s de justiçae
portanto aos mesmos assiste o direito a pe ccpção da meta
de das custas nos processos em que tigura;.cm em
crimes communs, pessoas pobres, ou desvalidas ou_ consi-
deradas taes pela lei, conforme os arts. 103 da Constituição
do Estado e 187 da lei n. 37 do 1.° de Dezembro de H.
(Officio a camara do Acarahü, n. 272, de O dc
Os termos mencionados na tabellaBannexa a referi-
da lei, são os de juizes lettrados, e que a duvida sobre o sor-
teio de vagaes e E:upplentes, que devem servir nas Juntas
Correccionaes, acha-se resolvida pela circular n. 200 de 14
Janeiro. (Foi a que recOmmendou a designação de um dia
no raez de Fevereiro para se proceder ao sorteio. Officio
ao juiz de direito de Quixeramobini, n. 290 de 7 de Fe,-e-
reit o).
Os supplentes de juizes substitutos, aproveitados nas
Primeiras nomeações feitas em virtude das disposiçõe,s da
dita lei, não estão isentos de prestar novo compromisso

,
Perante o juiz de direito da comarca, visto como as dispo-
sições do art.152 da lei, sú é applicavel aos juizes substitu-
tos e não aos seus supplentes (officio n. 2.95 de R de Feverei-
ro, ao 1.° supplente cio ,juiz substituto de Canindé).
Não ha autonomia estre o disposto no § unico do art .

2.° e art. 177, portanto subsistem os termos at(:. agora exis


tentes nó Estado, em quanto, por acto le.Y,islalivo não forem
alterados ; sendo porem, termos de juizes lettrack» tão so-
mente os que constam da tabellalt
Nessas condições foram mantidos os termos de Brejo
dos Santos e Porteiras dessa comarca (jardim) pelo art. 2
§ unico, visto como o art. 171 apenas estabeleceu que as sé-
des e entrancias das comarcas e termos. em que se divide o
Estado seriam os constantes da mencionada tabella (officio
ao,juiz de direito do Jardim, n. 343, de II de Fevereiro).
Sem embargo do disposto no art. 19 n. 4 da lei n. 33 de
18 de Novembro do anno passado, continuam os delegados
e subdelegados de policia, com as attribuições que até agora
lhes competiam, conforme preceitua o art. 192 da de n. 37 do
1.0 de Dezembro do mesmo anno ; consequentemente podem
taes autoridades nomear seus escrivães e inspectores de
quarteirão, ficando, por isso, os intendentes municipaes
sem a competencia attribuida no art. 49 citado. (Officio á
camara de Acarahú, de 11 de Fevereiro).
Para a arrecadação de imposto do sello nas causas ou
feitos que correm nos diferente juizos ou Tribunaes. divido
pelas custas que percebiam os juizes, prevalece o disposto
no art.15 §1.0 da lei n. 37 do I.Q de Dezembro, por ser esta
posterior a de n. 35, que tem'a data de 1 de Novembro.
(Officio n. 506 ao juiz de direito do Jardim).
Ais Juntas Correccionaes compete o julgamento dos
processos que caibam em sua alçada, ainda quando as res-
pectivas sentenças de pronuncia tenham sido proferidas an-
tes de se achar em vigor a lei que organisou a Justiça Esta-
doai. (Officio ri. 60l ao juiz substituto de.S. Francisco(.
Segundo o disposto no art. 157, tambem não percebem
custas pelo actos que praticarem os supplentes dos juizes
substitutos, cs quaes somente terão direito á gratificação
dos substituiclos quando estiverem em pleno exercicio do
cargo. (Officio n. 606 de 20 de Março ao supplei:te do ,juiz
substituto cit.; Varzea Alegre.
Somente pelos juizes de direito das coma_Lcas serão pas-
sados os attestados de frequencia para recebimento de ven-
cimentos aos ,juizes substitutos, corno é expresso no art. 139
do 1.°de Dezembro, e portanto os attestados dos substitutos
dos termos que não forem sÓdc de comarcas estão compre-
hendidos na mesma disposição. (Officio n. 74( de 5 de
Abril ao juiz substituto de jaguaribe-mirim).
Os curadores de orphãos, residuos e ausentes não estão
incluidos na prohibiçào do art. 157 da mencionada lei para
deixarem de receber as custas que lhes forem contadas nos
autos de conformidade com o regimento de custas judicia-
rias ; e queo facto de serem exercidos aquelle,, cargos e os
promotores dejustiça ou adjunto pelo mesmo individuo
não importa para não lhe serem contados emolumentos,
porquanto estas são devidas por actos praticados no exerci-
cio de emprego differente mas cuja accumulaçào é permitti-
da. (Officio n. va de 5 de Abril ao juiz substituto de Iguatúl.

Em data, porem. de 5 de Junho corrente, dirigi, á mes-


ma autoridade o officio contido nos seguintes termos.

Secretaria de Estado dos Negocias da JustiçaFortale-


za, 5 de Junho de 1893.

2.a SECÇXO
N. 1264.

Ao cidadão Dr. juiz substituto do termo de Iguatii.

Em rectificação ao meu cilicio de 5 de Abril ultimo, re-


solvendo a consulta que fizestes por officio de 4 de Janeiro
proximo findo, tenho a dizer-vos que devendo o cargo de
curador: ser,exerciclo cumulativamente pelo promotor de jus-
tiça, segundo o disposto no art. 61 da lei n. 37 do 1.° de De-
zembro de 1892, resulta dessa accumulação a prohibição do
pagamento de custas aos curadores, uma vez que pelo art.
157 da citada lei, os promotores não podem percebei-os pe-
los actos que praticarem.

SAUDE E FRATERNIDADE.

Em data de :16 de Maio proximo findo dirigi o seguinte


officio ao delegado de Baturité.
Secretaria dos Negocios da Justiça- -Fortaleza, 16 de
Maio de 1893.

. a SECÇÃO

N. 1067.

Estabelecendo a Constituição deste Estado no art. 119,


que só é constitucional para o effeito das desposições ante-
riores ao dito art., o que diz respeito aos limites e attribui-
ções dos direitos politicos e individuaes dos cidadãos, po-
dendo tudo quanto não for constitucional ser alterado
pelas legislaturas ordinarias ; continuam os delegados e
subdelegados de policia com as mesmas attribuições que
lhes competiam por lei, como é expresso no art. 192 da lei
n. 37 do 1.0 de Dezembro do anno passado, que as man-
teve, alterando assim o art. 197 da- Constituição citada,
que as havia conferido ao intendente municipal.
Não se dando inconstitucionalidade no art. 192 acima
referido, deveis continuar no exercicio das funcções do car-
go de delegado de policia desse termo, a despeito das in-
strucções que vos foram dadas em contrario pelo Dr, juiz
de direito interino de Baturité, as quaes por copia me en-
viastes com vosso officio de 6 do corrente mez, que assim
fica respondido.

SAÚDE E FRATERNIDADE

Valdemiro

JUNTA COMMERCIAL.

Em virtude da lei n. 22 de G de Outubro do anno passa-


do, a Junta Commercial aqui existente, passou a ser repar
tição Estadoal.
Tendo sido expedido o competente regulamento em 16
de Dezembro seguinte, a 3 de Janeiro do corrente anno deu-
se a installação da repartição, de accordo com as disposi-
ções da nova organisaçào.
Vai funccionando regularmente.
Não tendo a lei do orçamento (é anterior áquella) con-
""""4.)3"-

signado verba para as nccessarias despezas, assim me re-


presentou a Secretaria de Fazenda ; pelo que foi aberto, sob
responsabilidade dessa Presidencia, em data de 3 de Feve-
reiro o credito da quantia de 2.2503000 sendo a de 2.0503000
para pagamento do pessoal e a de 200$000 para o expedien-
te, até 30 do corrente mez.
Nosvencimentos do pessoal, não foro In contemplados
addidos, o 1.0 na Secretaria do Interior e o outro na da
Fazenda por cujas folhas continuam a perceber seus hono-
rarios.
Isso mesmo foi mencionado no acto.
Acha-se vago um dos logarcs de amanuense por ter o
addido, que o estava servindo, cidadão Antonio Amandula
da Silva Amorim, sido nomeado para a lugar de 2.° oficial
desta Secretaria.

BATALHÃO DE SEGURANÇA

Continua á frente do Batalhão de Segurança o infatiga-


vel Sr. coronel José Ribeiro Pereira, que com todo o zelo e
dedicação mantem a ordem, regularidade e disciplina no
mesmo Batalhão, tornando-se por isso credor dos maiores
elogios.
Em officio datado de 27 de Fevereiro ultimo, sob 11. 559,
propoz o coronel commandante que o fardamento de brim,
calça branca e parda e bluza parda, fos.ze distribuido por
quaternio e não por semestre, como manda a tabella appro-
vada pelo congresso em 28 de Setembro do anno passado.
Como a medida proposta importava a revogação da lei
o. 12 daquella data, o que escapa ás attribuições do governo,
por ser materia da exclusiva competencia da Assembléa,
assim foi respondido, afim de se aguardar a reunião da As-
sernbléa para ser resolvido o assumpto.

Sendo certo, como affirma o illustre commandante, que


o fardamento de brim é o mais utilisado, attento o clima do
Estado e portanto insufficiente, sendo distribuido de accordo
com a tabella da lei n. 12 citada, julgo que a alteração indi-
cada está no caso de ser adoptada, por isso deixo-a aqui
consignada, afim de que vos digneis de apresental.a áqueIla
corporação na proposta de fixação de força para o proximo
futuro exercício.
-96--
CADEIAS PUBLICAS

A lei ri. 1571 de 9 de Setembro de 1873, creando o lugar


de administrador da cadeia desta capital com os vencimentos
de um conto de réis, permittiu a accumulação desse cargo
com o de carcereiro.
Em virtude dessa disposição, durante certo periodo de
tempo, até1891, os dous cargos foram exercidos por uma só
pessoa, sendo, porem. nesse ultirilo anno provido o de car-
cereiro, visto a prohibição contida no art.102 da Constitui-
ção Estadoal de accurnulação de cargos do Estado com os
da União.
Eriiquanto os vencimentos do carcereiro correram por
conta dos cofres da Unido, nenhum embaraço soffréu -o res-
pectivo serventuario no recebimento delles.
Não tendo, porem, a lei do orçamento vigente consigna-
do verba para essa despeza, visto comõ no regulamento da
cadeia desta capital só figura um cargoAdministrador-
carcereiro, não pôde o cidadão, que estava servindo de car-
cereiro, continuar no exercicio desse cargo, sendo, por isso,
delle destituido por acto de 9 de Março do corrente anno,
recommendando-se, na mesma data, á Secretaria de Fazen-
da, que providenciasse em ordem a que fosse elle pago de
seus vencimentos, de Janeiro até então, pela verba «Even-
tuaes» da Secretaria de Justiça, visto não poder ser preju-
dicado dos mesmos vencimentos por não haver sido votada
verba no orçamento dó Estado, quando' aliás 'não foi dispen-
sado do' cargo senão naquella data.
Parece-me que, á vista da exiguidade de pessoal na ca-
deia; ê necessaria a creação dó.eargO de carcereiro ; o que
V. Exc. se dignará de indicar á Assembléa Legislátiva, sen-
do preciso ser consignada a competente verba no orçamen-
to para pagamento dos honorarios que, por lei, lhe forem
marcados.

Passando aos municipios a despesa referente a sustento,


vestuario, etc., dos presos pobres não deve a cadeia da
capital continuar a ser o receptaculo de todos os criminosos,
e até de não pronunciados, como era antes da lei da organi
sação municipal, porque, do contrario, ao passo que os ou-
tros municipios ficariam, a esse respeito, sem despesa
alguma, o da capital tornar-se-ia immensamente com ella
sobrecarregado.
--97--
Para isso evitar, faz-se preciso um novo regulamento
para a cadeia da capital, e apezar de ser o primeiro a reco-
nhecei-O, julguei prudente não ser expedido antes de uma
lei que estabeleça suas bases, porque, sem ella, tendo de se
accommodar a prizão do novo regimen de cousas, qualquer
Reg. irá ferir o Cod. penal, que estabeleceu, alem das pe-
nas, muitas regras de processo, como bem seja, a- auctori-
sação dos juizes de direito para designarem outras comar-
cas que não as suas para cumprimento de sentença, etc..
Uma lei que regule o assumpto é conveniente e urgente.
Na cadeia desta capital só tenho feito dar entrada aos
criminosos que, antes da lei de organisaçào municipal fo-
ram sentenciados a cumprirem na mesma cadeia a pena im-
posta.
Tenho feito devolver, sem perceberem diarias pelos
cofres do Estado, todos os outros criminosos, cujas senten-
ças são posteriores áquella lei, ou que, embora anteriores
designavam outras cadeias para o cumprimento da pena.

ORÇAMENTO

Em data de 29 de Maio proximo lindo enviei á Secretaria


de Fazenda, na conformidade do art. 14 do regulamento das
Secretarias deste Estado, a proposta de orçamentos das
despezas dos diversos serviços a cargo desta Secretaria, no
proximo futuro anno de 1894.
Importam todas as despezas, segundo os necessarios
calculos confeccienados á vista da legislação em 550.525$500
Para o actual exercicio de 1893, excluida a illuminação
publica (na importancia de 120.6001000) que posteriormente
á lei do orçamento passou a cargo da Secretaria do interior
em virtude do regulamento das Secretarias, excluida essa
importancia, repito, foi votada para as despesas a quantia
de 525.&1$500.
A diferença para mais na proposta provem de não te-
rem sido contempladas no orçamento de 1893 as seguintes
verbas
SÉCRETARIA DA JUSTIÇA

Vencimentos de dous empregados


addidos 4,000$000
Gratificação do encarregado do de-
talhe que está percebendo pela verba-
Eventuaes 1.095$000
Insufficiencia da verba votada para
o pessoal 107$000
Augmento da verbaExpediente 1.000$000 6,202$000

MAGISTRATURA

Ajuda de custo de juizes e desem-


bargadores 6,000$000
Augmento da verbaExpediente 500$000
Insufficiencia da verba Venci-
mentos de juizes, desembargadores e
promotores 5.600$000 12.100$000

JUNTA COMMERCIAL

Vencimentos do pessoal 8.704000


Expediente 600:000 9,304000

FORÇA PUBLICA

Insufficiencia de verbaVencimen-
tos de praças 90$000

CADEIA PUBLICA

Gratificação do ajudante do carcereiro 304000

POLICIA DO PORTO

Insufficienciada verbaDiaria dos


remadores 4000 392$000
27,994000
-99-
No mesmo orçamento de 1893, foi votada para mais : a
quantia de 3.120$000 nos vencimentos dos ofíiciaea do Bata-
lhão de Segurança. Feita a deducçào a differença para
mais na proposta para..o futuro orçamento é de 24.874$000,
justificados pela maneira acima exposta.
Por esta secretaria transitaram e foram publicadas as
seguintesLeis : -

N. 11 de 23 de Setembro de 1892.
Concedendo um anno de licença ao 2.° tabellião de Ba-
turité, José Jucá de Queiroz Lima.
N. 12 de 28 de Setembro de 1892.
Fixando a força policial para o atino de 1893.
N. 13 de 28 de Setembro dã 1892.
Concedendo um anno de licença ao tabellião de S. Fran-
cisco, Leontino Láurentino de Menezes Carvalho.
N. 14 de 28 de Setembro de 1892.
Concedendo um armo de licença ao escrivão da Relação,
Honorato Ferreira dos Santos.
N. 15 de 29 de Setembro de 1892.
Concedendo um atino de licença ao 1.0 tabellião do ter-
mo de Acarahú, Fausto Pontes de Aguiar Franco.
N. 16 de 29 de Setembro de 1802.
Concedendo um atino de licença ao 1.0 tabellião do ter- _
mo cio Pereiro, Octaviano Cicero de Alencar Araripe.
N. 19 de 29 de Outubro de 1892.
Estabelece o modo de perdoar e commutar as penas.
N. 26de 29 de Outubro de 1892..
Concedendo um anno de licença ao 1 ° tabellião de So-
bral, José Vicente Franco Cavalcante.
N. 27 de 3 de Novembro de 1802.
Concedendo um atino de licença ao escrivão de orphãos
e ausentes da cidade do Icó, Miguel Carlos da Silva Peixoto.
N. 28 de 3 de.Novembro de 1892.
Concedendo um armo de licença ao 1.° tabelliào publico
do termo de Jaguaribe-mirim, tenente José Bernardo Bezer-
ra de Menezes.
N. 29 de 5 de Novembro de 1892.
Concedendo dez mezes de licença, sem vencimentos, ao
coronel Antonio Gurgel do Amaral Valente, promotor de
justiça da comarca do Aracaty.
N. 37 de 1.0 de Dezembro de 1892.
Organisando a justiça Estadoal.
POLICIA DO PORTO

Achando-se completamente estragado o escaler da poli-


cia do porto, incapaz mesmo de supportar qualquer concer-
to, fiz acquisição de um novo escdler, pela importancia de
2.000$000, correndo essa despeza pela verba--Eventuaes-
desta Secretaria.
Julgo necessario o augmento da diaria do patrão e re-
madores do serviço da Policia.
Quando a despeza corria pelos cofres da União, tinha o
patrão o ordenado de 504$000 annuaes, ou 42$000 mensaes,
marcados por aviso de 12 de Março de 1878; e os remadores
cada um o de 420$000 annuaes ou 35$000 mensaes.
Passando a despeza para o Estado, foi mareada no re-
gulamento das Secretarias, ao patrão a diaria de 1$500, o
que equivale a 45$000 mensaes, dando-se, portanto, o insi-
gnificante augmento de 3$000 mensaes,nesta epocha de gran-
de carestia de todos os generos alimenticios.
Os remeiros, porem, em vez de augmento, soffreram
reducção, ficando cada um vencendo a diaria de 1$000, em
vez de 1$500, como dantes.
Como sabeis, é incessante o labor quotidiano desses
pobres homens, que ficam privados, á vista do grande nu-
mero de embarcações nacionaes e estrangeiras que frequen-
tam nosso porto, de por outra forma obterem recursos para
sua subsistencia.
E'justo, portanto, o augmento da diaria de cada um
delles.
O governo federal, attendendo a esses motivos, acaba
de elevar o salario do pessoal do escaler da saude do porto,
sendo para 100$000 o do patrão e para 70$ o de cada remeiro.
Não peço tanto, basta que o patrão passe a vencer
60$000 e cada remeiro 50$000 mensaes.
A despeza que com esse serviço actualmente é de
2.737$500, attingirá a quantia de 4.320$000, dando-se, por-
tanto, somente o augmento de 1.584500.

C REDITOS

Para os diversos serviços a cargo desta Secretaria foram


abertos os seguintes creditos
-101-
0nÇAME�TO DE 1892

§ 53 llluminação publica (Em 27 de Janei-


ro de t893) 13, 516$146
§ 33 Fardamento do Batalhão de Seguran-
ça. (Em 30 de Maio de 1893) 999$000

ÜRÇAMBNTO DE 1893

Junta Commercial-verba nova subordina­


da a esse orçamento, visto não haver sido vo­
tada:
Em 3 de Fevereiro de 1893 2.250$0(,0
§ 18 Livros regulamentares do Batalhão de
Segurança (Em 13 de Fevereiro de 1893) 63$000
§ 29 Evcntuaes. (Em 25 de Fevereiro de 1893) 1,500$000
§ 29 » » 8 de Abril de 18H3) 1.000$000
§ 17 Utensilios de quartei5 e corpos da guar­
da. (Em 22 de Abril de 1893) 2.281$'745

São estes, Exm. Sr., os dados que me pareceram dignos


de vos serem apresentados ; terminando, peço-vos releveis
as lacunas des!5a succinta exposição, attenta a exiguidade do
tempo para o seu preparo, no meio dos irmumeros afiazeres
que me cercam.

SAÚDR E FRATERNIDADE.

Illm. • e Exm.º Sr. Tenente Crronel José Freire Bezerril


Fontenelle. M. D. Presidente do Estado.

Fort;ileza, 20 de Junho de 1893.

Valdem 'iro 11ore ira.


Secretario da Justiça.
ANNEXOS

REFERENTES A REFORMA JUDICIARIA


v.

SECRETARIA DE JUSTIÇA

?'

-PEÇA OEFICIAL

SECÇÃO,

O Presidente do Estado, para execução da lei n. 31 de 1


de Dezembro proximo findo, resolve nomear supplentes de
Juizes substitutos, nos diversos termos, em que se divide o
mesmo Estado, os seguintes cidadãos

FORThLEZA

supplenteTenente-coronel Virgilio Freire Napoleão


2.* supplenteMajor José Theodorico de Castro
3. supplenteAntonio Joaquim de Azevedo.

MARANGCAPE

1.* supplenteTenente-coronel Pedro Gurgel do Ama-


ral Barbosa.
a.* supplenteJulio de Souza Prata.
3.' supplenteJoão Simplicio da Silveira.

PACATUBA

r.' supplentePamphilo Madeira Barros.


supplenteSergio da Cunha Freire.
3.* supplenteFrancisco Antonio de Sousa.

R EI)E,N11)(,:;SO

supplenteJosé Gomos Pinheiro.


supplentePedro Lopes cia Silva.
3.' supplente Agostinho de Paula Vianna.,
06.
SOURB

supplenteManoel Ferreira da Silva.


supplenteAntonio Simão de Oliveira.
supplenteJoão Baptista Moreira de Souza.

CASCAVEL

t. supplente João Firmino Ribeiro.


2. supplenteJosé de Castro e Silva.
3. supplenteFrancisco da Costa Nogueira.
AQUI RAZ

supplenteFrancisco José Amora.


2. ' SUpplenteJoão Pereira Façanha.
3. supplentePerciliano Amora.
TAMBORIL

1. supplenteJoaquitn de Souza Lima.


2. supplenteManoel Antonio de Carvalho.
3. supplenteManoel Francisco de Santiago.

ARACATY

supplenteJosé Pereira da Graça.


SUpplenteFilinto Barbosa Gondim.
supplenteJoaquim Fidelles Maia.

UNIÃO

SUpplenteJoão da Silva Barreto.


supplenteRalmundo Correia de Oliveira.
3 supplente--José Vicente da Silva Coelho.

S. BERNARDO

. supplenteAntonio Pires do Nascimento.


2. supplenteJosé Honorio Nogueira de Pontes.
'1. supplenteJoão Rodrigues da Cunha Lima.
-107-
LIMOEIRO

supplente Francisco Rodrigues Teixeira 1.ima.


2. supplenteFlorencio Alves de Oliveira..
3, supplenteManoel da Cunha Pereira.

MORADA NOVA

1. supplenteGaldino José Rabello .


2. supplenteTiburcio de Moura Cavalcante.
3supplenteJoaquim José Giráo.
BENJAMIN CONSTANT

i. supplentePedro Marfins Chaves.


supplenteThomé Antonio Rabello Machado.
supplente Raimundo Francisco de Souza.

JAGUARIBE-MIRIM

i. supplenteTenente-coronel Francisco R. Pinheiro.


2.* supplenteJosé Diogenes Paes Botão.
3* supplenteManoel Moreira Pequeno.

RIACHO DO SANGUE

supplenteJoaquim Peixoto da Silva Nobre.


2.. supplenteCanuto da Silva Pinto.
3. supplenteTargino José de Negreiros.

!cá

1.. supplenteTenente-coronel Manoel Franklin de Al-


buquerque Mello.
2. supplenteMajor Antonio Teixeira Bastos.
3. supplenteMiguel Fernandes Bastos.

PEREIRO

FupplenteJoaquim Manoel Barbosa.


supplenteFrancisco de Hollanda Cavalcante.
3* supplenteJoaquim Pessoa Lins.
-108-

t. supplenteBellarmino Barbosa Gondim.


2. supplenteVicente Vieira de Maria.
3, supplenteRaimundo Quaresma de Mendonça.

GRATO

supplente Tenente-coronel Antonio Esmeraldo da


Silva.
supplenteTheodorico Telles do Quintal.
3. supplenteRaimundo Pascoal Ferreira Lobo.
MISSXO VELHA

t. supplenteTenente-coronel Roseo Jamacarú.


2. supplenteManoel da Silva Lima.
3. supplenteJosé Leite de Oliveira.

S. PEDRO DO CRATO

supplenteJoão Vulpino da Cunha.


supplenteAntonio Josè Baptista.
3 supplenteRicardo Agostinho Nlilitào.
JARDIM

t. supplenteJosé de Sá Barreto.
2. supplenteAntonio Francisco de Moraes.
3. supplentePedro Alves de Moraes.

MILAGRES

1. supplenteManoel Fu'rtado de Figueiredo.


2. supplente Francisco Alvares de Oliveira Cabral.
3. supplenteAntonio Furtado de Figueredo Sobrinho.

INI1AMUNS

supp.lenteLeandro Custodio de Oliveira Castro.


supplenteAntonio de Souza Lima Junior.
supplenteEufrazio Alves de Oliveira.
CRATIIEUS

supplente Joaquim de Araujo Chaves,


2. supplenteJoão Soares Cavalcante.
3. supplenteAleixo de Souza Vieira.
1NDEPENDENCIA

I. e supplenteJosé Martins de Souza Avelino.


2. SUpplenteManoel Candido de Oliveira.
3. e supplenteAntonio Manoel Soares Godinho.

TnAIIIRY

supplenteCapitão Raimundo Ferreira da Cunha.


2.9 supplenteFrancisco Thomaz da Cunha.
3. supplenteJosé Carneiro da Cunha.
SANTA QUITERIA

I.* supplenteJoaquim Carneiro de Mesquita Braga.


2. supplenteVicente Ferreira de Almeida Guimarães.
supplenteBenevenuto Thomaz de Aquino.
V lç O S A

supplenteCoronel Claudio do Espirito Santo Ma-


galhães.
2. supplenteTenente-coronel f Raimundo Benicio da
Silveira.
3. supplenteVirgilio da Silveira Freire.
Ti ANGU Á

1. supplenteTheophilo da Silva Ramos.


2. supplenteZeferino Teixeira Lima.
3: supplenteAntonio Firmino Nogueira.
1BIAPINA

1. supplenteJosé Gomes Ferreira Torres.


2.. supplente.7.Joaquim Francisco de Souza.
3.* supplente Domingos Teixeira Duarte de Alcantara.
I0...,+
S BENÜBIPTO

.supplente João Euzebio Marques da Silva.


supplenteJosé Rodrigues Lima.
3.. supplente Antonio Rodrigues de Medeiros.

GRANJA

1.. supplenteCapitão Joaquim Pedro de Carvalho.


2. supplenteCapitão Vicente Coelho do Monte.
3. supplenteCapitão Manoel Fructuoso de Brito.

CAMOC1

1 SUpplenteZeferino Ferreira de Veras.


.

supplenteAntonio Sampaio Torres.


3. supplente João Gonçalves Vieira.

SANT'ANNA

supplenteAlexandre Henrique de Araujo.


.
2. supplente Ricardo de Souza Neves.
3. supplenteAntonio Samico Alberto de Araujo.

A CARAilú

1.. supplenteVicente Pungitori.


2. supplenteAntonio Raimundo de Araujo.
3.. supplenteAlbano José da Silveira.

1TAPIPOCA

supplenteDomingos Francisco Braga.


.
2. supplente Joaquim Rodrigues Teixeira.
supplenteJosé Joaquim Rodrigues.

S. FRANCISCO

supplenteAntonio Gonçalves de Queiroz.


.

2. .supplenteJosué Teixeira Bastos.


3. supplenteJosé Ferreira de Mello.
4-
ARRAIAL

1. supplenteTenente-coronel Francisco d'Issis Mello.


supplentePedro de Araujo Sampaio Primo.
3. supplenteFrancisco Ferreira da Cunha.

PARÁ-CURÚ

1.. supplenteDomingos Barroso de Souza Cordeiro.


2. supplenteJoaquim Francisco de Castro.
3. supplenteFrancelino Moreira Gomes.

BATURITÉ

. supplenteTenente-coronel Balduino Jose d'Oliveira


2. supplenteCapitão Raimundo Cicero Sampaio.
3* supplenteLuiz Nepomuceno da Silva.

CANINDÉ

1. supplente--Manoel dos Santos Lessa.


2. supplenteAntonio Liberato Leal.
3. supplenteRaimundo Marçal da Costa.

QuixERAMOBIM

supplenteMajor Candido Moreira de Oliveira.


.
2,' supplenteTenente- coronel Luiz José 2: ives Teixeira
3. supplente Antonio Francisco Cavalcante,

QuIXAD.

. supplenteJosé Bonifacio de Abreu.


2. supplentelzidro Paracampos.
3.' supplenteManoel Eloy da Silva.

BOA-VIAGEM

.
supptenteJosé Rabello da Silva.
supplenteTrajano Cavalcante de Albuquerque.
suPpIonteManoel Ribeiro Campos.
112-
PEDRA BRANCA

I.* supplenteJosé 13rasino da Silva.


supplenteManoel Theophilo Botão.
supplente Luiz José Moreira Jurubeba.

i. supplente Capitão José Antonio de Pinho.


supplenteManoel. Cardoso Moreno.
3.' supplente Antonio Gomes de Souza.
S. MATIIEUS

sUpplenteZeferino de Oliveira Braga.


supplente-,--J osè Carlos Pereira da Silva.

VÁRZEA ALEGRE

i. supplenteTenente-coronel J oão Antonio da Costa


Vieira.
2. supplenteVicente Ferreira de Moraes.
supplenteAntonio Ferreira da Silva.
SOI3RAL

supplenteTenente José Figueira de Saboia e Silva.


2; supplenteTenente-coronel Antonio Monte Alverne.
supplenteSabino Gonçalves Feijão.
11'15

1. supplenteJoão Evaristo da Cunha Fontenelle.


2. supplentePedro Ferreira Passos.
3: supplenteJoão Leocadio de Freitas.
CAMPO GRANDE

1. supplenteJoaquim Benjamin Soares.


supplenteAntonio Ribeiro Mello e Souza.
3.' supplenteAntonio Celestino do Valle.
AURORA

supplente Manoel Antonio Leite.


.
2. suplenteJoão Francisco Leite.
3. supplente Antonio Saraiva de Souza.
Os nomeados deverão tirar os titulas e tomar posse
dias, achando-se no Estado, e Os que es-
dentro de sessenta fixado pela legislação vigente, a
tiverem fora delle, no prazo deste acto, no jornal
contar da data da publicação
(artigo 1'17 da
sob pena de considerar-se renunciado o lugar
lei citada n 37).
Devem prestar, por si ou por procurador para isso ha-
bilitado, perante o juiz de direito da respectiva comarca,
do cargo.
affirmação solemne de bem cumprir os deveres
(art. 160).
Exercerão o mesmo cargo ate:: o dia 31 de Dezembro de
1896.
Finalmente os que actualmente exercem funcções de
supplentes de juizes substitutos e tiverem sido aproveitados,
se ha-
por este acto, servirão com o mesmo titulo, com que
via impossado (art. 10 das disposições transitorias).

Palacio da Presidencia do Ceará, em 14 de Janeiro


de 1893.

José Fïeire ihcïii1 Fonlenellé.


V.11,1nzir1)

Por acto de20 do corrente mez foi declarado que o ci-


dadão nomeado no dia 14 para o cargo de 1.0 supplente do
juiz substituto do termo d'Aurora, comarca do Icó, é Manoel
Teixeira Leite e não Manoel Antonio Leite ; e por acto da
mesma data foi declarada sem effeito a nomeação de Anto-
nio Saraiva de Souza para 3.° supplente do juiz substituto do
termo sendo nomeado pora dit) logar o cidadão Manoel An-
tonio de Aguiar.
Por acto de 21 tambem do corrente foram declarados
sem effeito as nomeações de Joaquim Rodrigues Teixeira e
José Joaciim Rodrigues para 2.° e 3.: supplentes do juiz sub-
stituto do termo de ltapipoca, comarca do m;snio nome
bem como dos cidadãos José Bonifacio de Abreu e lzidro
Paracampos para 1.0 e 2.° supplentes do ,juiz substituto do
termo de Quixadá, comarca de Quireramobim. ci
--Foram nomeados por titulos de 21 do corrente os
dadãos Antonio Severiano de Queiroz Tótô e Antonio Fran-
TAnr,1,1,4 A E SI,. REVER E A PORTARIA SUPRA

CIRCUNISClRIP(,:()ES 1:UNIAM:ÁS PRO. DISTANCIA SP..


JUDICIAIIAS fiGN170 A TA.
NINIM4 111,1,41 014'11:IA1,

VANIENTE A (lA
COMAM:AS 11:11.M(Di 'OU KILO POR
),I '111016
NIRTROS LROU
...
1

iiNlaranglIttpe lortnleza 29 5
Alarangtume Paca 3,1
Stubnourc r7 3
Reclernpção 3aturité

Cascavel Cascavel Fortaleza 81 11


Ag tuim 28
I

¡Ártica ty Cascavel 83 15
S. 13ernarclo »
116 21
Aracaty União 103 19
Limoeiro » 145 26
Morada Nova Quixeramobim 134 21
Benjamin
Constant Quixeramobim 105 19
Benjamin laguaribe-mi
Constam rim lcÕ 107 12
Riacho do San
guc 111 20

guatú 55 10
.av ras 73 13
lcó Pereiro 128 23
Aurora rato 83 15
Umary atiatú 88 10
Crato ardim 50
Barba I ha 31
Grato Missão Velha 55
São Pedro do
Crato 12
Jardim 'rato 50 9
Milagres 78 14
Jardim Porteiras 55 10
Breio dos San-
tos 88 16

'rato '78

.nt'Anna do
Brejo Grande 44
Saboeiro Iguatà 88 16
Inhamuns Inbar," uns Benjamin Con-
stant 105 19
ratheus lnhamuns 134 21
Crathein Tamboril 150
I udepcnclencia 13
Santa Quitaria Sobral 91 17
Vicesa Granja 73 13
S. Benedicto Sobral 17 3
S. Pedro de
Viçosa I bia pina 83 15
Tia ngua.
Campo Grande Sobral '78 14

Grania Viçosa 73 13
Sant'Anna Sobral 128 23
Granja Camocim Viçosa 91 17
Palma Sobral 50 9
Acarahú 105 19
tapipoca Sobral .111
S. Francisco » 116
ltapipoca Trahiry Fortaleza 116
Arraial Maranguape
Pará- curú Fortaleza

Baturité Baturité Maranguape 83


anindé
Quixeramobim Benj. Constant 105
Quixeramobim Quixadá Baturité 100
Boa Viagem Benj. Constant 105
Pedra Branca » 55
lguatú Icô 55
lguatú S.Alatheus Assar 07
Varzea Alegre Grato '73

Sobral Sobral Granja 105


Ipü ratheós 116

Palacio da Prcsidencla do Ceará, em 14 de Janeiro do


1893,

José Preird P01110flaillh

MOPOIrdi
cisco de Assis Marinho para I.° e 2.° supplentes do
juiz sub.
stituto do termo de Quixadá ; e Manoel Ferreira
Antonio liermetto de Barros para 2.° e 3.0 supplentesMandú e
substituto do termo de ltapipoca. do juiz
Por titulo de 20 do corrente foram nomeados os cida-
dãos Antonio Leite Rabello, Joaquim Ignacio
da Silva Tor-
res e João Martins de Oliveira, para i,°, 2.0 e 3.°
do juiz substituto do termo de Brejo dos Santos, supplentes
Jardim ; bem como os cidadãos Antonio comarca do
Gomes Pedrosa
Sirnplicio da Costa Miranda para I.° e 2.° supplentes do e
ter-
mo de Porteiras, de comarca do Jardim.
Por titulo de 24 foram nomeados os cidadãos Joaquim
Ximenes de Carvalho, Luiz Francisco de Miranda e Raimun-
do Pintõ Cardoso para I .°, 2.° e 30 supplentes do
juiz substi-
tuto do termo da Palma, comarca da Granja.

2.a SECÇÀO

O Presidente do Estado para execução da lei n. 37 do 1,0


de Dezembro do anno proximo findo, determina que no jul-
gamento das suspeições ao conhecimento dos juizes de direi-
to, seja observada a seguinte tabella, fixando a proximida-
de das diversas comarcas do Estado, relativamente a cada
termo.

Palacio da Presidencia do Ceará, Fortaleza, 14 de Janeiro


de 1893.

José Freire Bezerril Fontenelle,

ValdenztrP Moreira,
2. SECÇÃO

O Presidente do Estado, para execução da Lei n. 31' de


1.0 de Dezembro proximo findo, ordena que as substituições
dos juizes de direito nas respectivas comarcas, se effectuem
no corrente anno pela maneira seguinte

COMARCA DE MARANGUAPE

1.. O juiz substituto do termo de Maranguape, 2. o de


Pacatuba, 3' os supplentes de Maranguape, 4. os de Pa-
catuba, 5. os de Soure e 6. os de Redempção.

COMARCA DO ARACATY

1.* O juiz substituto do Aracaty, 2. o de S. Bernardo


das Russas, 3. os supplentes do Aracaty, 4. os de União,
5. os de S. Bernardo das Russas, 6 os de Limoeiro e 7.'
os de Morada Nova.

COMARCA DE CASCAVEL

1. O ,juiz substituto do term() de Cascavel, 2: o de A-


quiraz, 3. os supplentes de Cascavel e 4 . os de Aquiraz.

COMARCA DE BENJAMIN CONSTANT

1' O juiz substituto de Benjamin Constant, 2: o de ia-


guaribe-mirim, 3.* os supplentes de Benjamin Constant, í. -
os de Riacho do Sangue.

COMARCA no lcó

1. O juiz substituto do 'cá, 2. o de Lavras,3. o de Pe-


reiro, 4.. os supplentes do Icó, 5. os de Lavras, 6,- os de U-
mary, 7. ' os de Pereiro, 8. os de Aurora.

COMARCA DO GRATO

1.* O juiz substituto do Grato, 2.. o de Barbalha, 3. os


supplentes do Crato, 4. os de Barbalha ; S.* os de Missão
Velha, 6.' os de S. Pedro do Crato.
-116-
COMARCA DO JARDIM

O juiz substituto do Jardim, 2.* o de Milagres, 3. os


I .

supplentes do Jardim, 4.. os de Milagres, 5.. os de Porteiras,


O: os de Brejo dos Santos.
COMARCA DE CRATIIEUS

1: O juiz substituto de Cratheús, 2: o de Tamboril, 3:


os supplentes de Cratheús, 4. os de Independencia, 5: os
de Tamboril e 6. os de Santa Quiteria.

COMARCA DE VIÇOSA

1: O juiz substituto do termo de Viçosa, 2. o de S. Be-


nedicto, 3. os supplentes de Viçosa, 4. os de Tiangná, 5..
os de S. Pedro de Ibiápina, 6: os de S. Benedicto, 7: os de
Cam-po Grande.
COMARCA DA GBANJA

1.* O juiz substituto do termo de Granja, 2. o de Sant'


Anna,3.. os supplentes de Granja, 4. os de Camocim, 5.* os
de Palma, 6: os de Acarahú, 7. os de Sant'Anna.

COMARCA DE ITAPIPOCA

1: O juiz substituto de Itapipoca, 2. o de S. Francisco.


.3. o de Trahiry, 4.* os supplentes de Itapipoca, 5: os de S.
Francisco, os de Trahiry, 7 os de Arraial, 8; os de Para-
curü.
COMARCA DE BATURITÉ

O juiz substituto do termo de Baturité, 2.' o de


1.
Canindé, 3.* os supplentas de Baturité, 4. os de Canindé,
COMARCA DE QUIXERAMORIM

1.. O juiz substituto de Quixeramobim, 2. o de Qui-


xadá, 3.. os supplentes de Quixeramobim, 4. os de Quixa-
dá, 5.. os de Boa Viagem, C.. os de Pedra Branca.
COMARCA DE SOBRAL.

I.O juiz substituto.de Sobral, 2.. o do lpú, 3.. os sup-


plentes de Sobral, 4.' os do Ipu,
COMARCA DO

1.. O juiz substituto do Assar, os seus supplentes,


2.
3, os de Saboeiro, 4. os de Araripe, e 5.* os de Sant'Anna
do Brejo Grande.

COMARCA DO ASSARÉ

1.. O juiz substituto do termo, 2. os seus supplentes,


3. os de S. Matheus, 4. os de Varzea Alegre.

O juiz de direito da comarca de Inhamuns, que só tem


um termo, será substituido pelo respectivo juiz substituto
e na falta e impedimentos delle pelos seus supplentes.
Os juizes de direito das duas varas da capital, serão sub-
stituidos por seus juizes substitutos e depois por seus sup-
plentes.
Os supplentes servirão segundo a ordem de sua nomea-
ção e exgottada a respectiva lista,serào chamados na mesma
ordem os supplenies dos termos das comarcas mais proxi-
mas.

Palacio da Presidencia do Ceará, em 14 de Janeiro de


1892.

José Freire Bezerril Fontenelle.

Valdemiro Moreira.

2. a SECÇÃO.

O Presidente do Estado em observancia do art. 13 § 2 da


lei n. 37 de 1.0 de Dezembro proximo findo resolve dividir a
comarca da Fortaleza em dous districtos para nelle funccio
nar no crime os juizes das duas varas de direito, compre-
hendendo o 1. districto as freguezias de N. Senhora do Pa-
trocinio desta capital (antiga freguezia:de S. Luiz) e a do
Senhor Bom Jesus dos Afflictos de Arronches, e o 2.° distri-
cto a freguezia de S. José desta capital e de Mecejana ; ten-
-118-
do elles por limites entre si os que se acham traçados na lei
provincial n. 1953 de 12 de Setembro de 1881, cuja integra é
a seguinte
« Os limites das freguezias de S. José e S. Luiz desta
capital serão os seguintes : a partir da praia em frente a rua
Formosa e pelo prolongamento até encontrar a freguezia de
Arronches, ficando pertencendo todo o lado do nascente á
freguezia de S. José e a do poente a de S. Luiz.
.Palacio da Presidencia do Ceará, em 14 de Janeiro de
1893.

José Freire `Be.zerril PoWenelle.

Valdemiro Moreira.

2.1 EECÇ'ÀO

O Presidente do Estado, tendo em vista o acto de 14 do


corrente mez que estabeleceu a divisão dos distritos crimi-
naes dà comarca da Fortaleza ; determina que o juiz de di-
reito da 1.a vara tenha exercicio no 1.° districto, que com-
prehende as freguezias de Nossa Senhora do Patrocinio
(antiga S. Luiz) desta capital, e Senhor Bom Jesus dos Affli-
ctos de Porangaba (Arronches), e o juiz de direito da 2." va
ra tenha exercicio no 2.° districto, que abrange a freguezia
de S. José desta capital e a de Mecejana.

Palacio da Presidencia do Ceará, Fortaleza, 16 de Janeiro


de 1893,
José Freire Be.?.erril Fontenelle.

Valdemiro Moreira.
- I 19 --

PEÇA OFFICIAL
2 SECC,:À0

O Presidente do Estado, usando de attribuições


é conferida no art. 59 n. 1 da Constituição do que lhe
execução do art. 222 § unico da lei n. 37 de 1 Estado, e para
de Dezembro
do anno passado, resolve expedir as seguintes

IssTRucçõEs

Art. 1.°Os juizes de direito, juizes substitutos


embargadores, que não e des-
residam em lugares em
de exercer o cargo para que foram nomeados ouque tenham
removidos
perceberão uma ajuda de_custo para as despezas da
ra installação, regulada à rasão de primei-
400) por kilometro, conforme a tabellaquatrocentos réis (réis
official.
Art. 2.°Ao que tiver familia se abonará um augmento
proporcionado ao numero de pessoas de
que esta se cornpu
zer, a rasão de réis (réis 100), por pessoa não excedendo
caso algum ao maxirno de quinhentos mil réis (500$000), em
cluindo a ajuda de custo do ,juiz ou desembargador. in-
familia entender-se-ão as pessoas que Por
rel,icionadas
nomeado por parentesco, vivam em sua companhia, com o
jam a seu cargo. e c.:. :te-

Nenhuma quantia será arbitrada


mulos ou creados. por transporte de fa-
Art.
3.°Conternplar-se-ão,conforme as tarifas epreços
das passagens, os transportes pelas estradas de ferro
vapores de linha maritima. e nos
Art. 4.°Quando a viagem se poder effectuar
te por mar e por terra, igualmen-
a ajuda de custo será paga pelo preço
da mais modica.
Art. 5.°Quando o nomeado para o cargo de juiz sub-
stituto residir fóra do Estado,
como se se abonará a ajuda de custo
residisse no termo mais distante da capital, qual-
quer que seja o termo por que se dê a nomeação.

Palacio da Presidencia do Ceará,


de 1893. Fortaleza, 5 de Maio
José Frcire Bezerril iontenelle.

Valdemiro Moreira.
ACCO R DÃOS

DA

RELAÇÃO

DECISÕES

SECRETARIÀ DE RISTKI.
Accorflos tia Relação e decisões da Secretaria [18 Justiça,

Accordão em Relação
O que exposta e discutida a materia da presente consul-
ta constante dos officios de fls., que foram lidos dos quaes
se vê:
Que o promotor de justiça da comarca do Aracaty, co-
ronel Antonio Gurgel do Amaral Valente renunciando o go-
so do resto de licença, que lhe foi concedida pela Assemblea
Legislativa, assumiu o exercico da promotoria no dia 18 do
mez passado e no mesmo dia o deixou por entrar em duvida,
se o podia accumular com o de intendente, que é. do muni-
cipio d'aquella cidade ; mas depois o reassumiu declarando
poder fazei-o em vista cio artigo 124 da Constituição do Es-
tado, por serem a s.ua nomeação e eleição anteriores a pro-
mulgação da mesma
Que o Secretario da Justiça do Estado roconhecendo que
para a solução do caso se faria preciso interpretar as leis,
que regulam a materia submetteu o facto ao conhecimento
deste Tribunal, em vista da attribuição que lhe é conferida
pelo art. 173 da lei n. 37 do 1.0 de Dezembro de LS;Y2 por não
se tratar de assumpto administrativo, transmittindo os off:-
cios e telegramma que o juiz de direito do Aracat,, dirigiu
ao Presidente do Estado para os fins de direito
E, vencidas as preliminares.--Da competencia do Tri-
bunal porque o art. 174 da lei citada, tendo exceptuado
so-
mente da regra geral, estabelecida no art. antecedente, os
assumptos administrativos, tornou manifesta a sua compe-
tencia para a especie, em que se trata de um intendente mu-
nicipal, que é ao mesmo tempo promotor de justiça, auxiliar
das autoridades judiciarias,
a quem. tanto pela citada lei,
como pela legislação anterior, foram conferidas as mais im-
portantes attribuições na administração da justiça
E' de se tomar conhecimento da materia apesar de não
ter sido a interpretação
provocada directamente pelo juiz de
-1 '24.--
direito do Aracaty, conforme o disposto no citado art. t'73
da lei n. 37; não só porque a provocação partiu d'aquelle
juiz, embora dirigida ao Presidente do Estado, como tam-
bem porque o Tribunal pode fazei-o por iniciativa propria
attenta a importancia e urgencia do caso
Decidem de accordo com o parecer do Procurador Geral
do Estado, que a incompatibilidade do cargo de promotor
de justiça, com o de vereador e intendnte municipal esta-
belecida nos arts,. 114 da Constituição e 167 da lei n. 37 do
i. de Dezembro de 1892, que organisou a ,justiça éstadoal,
absoluta como é não admitte rrstricções, e deve ser obser-
vada em todos os casos, sem distincção de anteriores ou pos-
teriores a promulgação das leis que a decretaram, nas quaes
o legislador attendeu, que não só, as funcções dos referidos
cargos se repugnam por sua propria natureza ; porque ao
promotor incumbe denunciar e accusar os intendentes e ve-
readores nos crimes de responsabilidade ; acompanhar o
juiz de direito todas as vezes que tiver de presidir ao jury
dos diferentes termos e abrir correições nos mesmos, ausen-
tando-se assim repetidas vezes no anno da séde da comarca,
onde o cargo de vereador ou intendente reclama a sua pre-
sença continua ; mais ainda que da accumulação resultaria
a impossibilidade de pleno e satisfatorio desempenho das
funcções de ambos as cargos, actualmente ampliados pelas
respectivas leis de organisaçào.
O decreto n. 24 de 2 de Maio do anno passado permittiu
que os funccionarios dos cargos publicos remunerados, fe-
deraes ou do Estado. fossem votados para membros das ca-
maras municipaes nas eleições a que se tinha de proceder
no dia 29 do dito mez ; mas este decreto, que foi ditado pelas
disposições citadas, nào podem mais os promotores eleitos
vereadores ou intendentes, na vigencia delle, continuar no
exerciciosimultaneo dos ditos cargos ; porque assim ficariam
burlados os manifestos intuitos do legislador.
Assiste-lhe todavia o direito de optar, pelo cargo, que
mais lhe convier, uma vez que ao tempo da eleição a accei-
tação ainda não importava a renuncia do cargo judiciaria
O art. 124 da Constituição não tem applicação na espe-
cie, porque o preceito da não retrodctividade das leis de
organisação judiciaria, as que estabelecem e regulam as con-
dições de aptidão para os cargos publicos, etc. Ribas, curso
de direito civil brazileiro, tit. 3. cap. 2. g 2. Felicio dos
Santos e Nabuco, projectos do cod. civ. art. 8.
As leis não têm effeito rectroativo quanto aos crimeg,
(25-
quando estabelecem penas mais rigorosas quanto as conven-
ções, prescripções, estado cias pessoas, dispogiçõeS dos bens,
forma dos actos, e outros factos da vida civil, em respeito e
garantia dos direitos adqueridos no dominio da lei anterior,
mas os empregados temporarios não adquirem direitos aos
cargos que exercem.
A posse e exercicio dos cargos vitalicios remunerados
constituem direito adquerido, não para o rim de continua-
rem os respectivos funccionarios a exercel-os á despeito da
lei supra ; mas para serem compensados de prejuizo da
extincção de seus cargos, ou por meio de aposentação ou
por meio de addicçào à outros empregos. como se tem visto
tantas vezes na organisaçào geral porque tem passado a
União.
E assim decidindo mandam que se remetta copia deste
ao Presidente do Estado por intermedio do Secretario da
Justiça e ao juiz de direito da comarca do Aracaty.
Fortaleza, 10 de Fevereiro de 1893 Domingues Carnei-
ro, plesidente,PauletaPaulino NogueiraSouza Garcia
Soares de Brito. --Fui presente, Sabino do Monte.
Conferida.

O secretario,

Pedro Gomes da FroLz.

PEÇA OFFICIAL
COPIA

Accordão em Relação
O que exposta e discutida a materia da presente consul-
ta depois de lido os oflicios de fls. 2 e 3 e o parecer do Pro-
curador Geral do Estado, com o qual se conformam, decidem
que não tem logar a interpretação do art. 157 da lei n. 87 de
1.' de Dezembro do anno passado por ser clara e terminan-
te a disposição do mesmo ; e mandam que se renaetta copia
deste e do referido parecer ao Presidente do Estado, por in-
termedio do Secretario da Justiça, bem como, deste somente
ao juiz de direito da 2.a varadesta capital. Fortaleza, 7 de
Março de 1893 'Domingues Carneiropresidente com voto,
Pauleta, Paulino Nogueira, Souza Garcia, Soares de Brito,
Fui presente, Sabino do Monte, Conferida.

O -secretario,

Pedro Gomes da Yrol.T,

COPIA

O juiz de casamentos, instituido pelo decreto n. 320 de


11 de Abril de 1890 forçosamente cargo federal antes da or-
ganisação dos Estados, pois que dada a organisação delles,
em que tem logar a separação definitiva da magistratura fe-
deral e estadoal, conforme o pensamento da Constituição de
24 de Fevereiro, o juiz cle casameotos veio a ser o juiz do Es-
tado na mesma linha dos outros juizes que compõem a sua
magistratura.
O ministro da justiça cm ofii2.io de 30 de Setembro de
1891, se apressou em declarar ao governador de Ser..ripe o
qual solicitara por teicgramma a nomeação de juizes de ca-
samentos para aquelle Estado que tal nomeação competia ao
referido governador por pertencer o cargo a magistratura
do Estado.
Ficou assim resolvido, e cessou a duvida, em que se
laborou por algum tempo, sobre o caracter do juiz de casa-
mentos, attenta as funcções que lhe foram cornmettidas pela
lei de 24 de Janeiro dc t390.
Nem a nossa Constituição vigente, nem os direitos que
organisaram o pessoal dal ustiça do Estado, 11 C [TI a lei n.
do 1.. de Dezcmcro do armo passado, instituem jutz priva-
tivo de casamentos.
Em face da Const;tuiçào dc 1(1e junho de 1831, cujo art.
(34 manteve a in.,:ituic;:.lo do juizo de paz o juiz de casamentos
era este juiz, consoante ao art. 110 da lei de 2í de jar.eiro.
Abolido. porem, o juiz de paz pela Constituição de 12 de
Julho do armo passado, providenciou logo esta no art. 89
sobre as autoridades que. no Estado, deviam exer:.er ns
funcções de juiz de casamentos. dc.:.laranclo que na sède do
termo da comarca seria o juiz de direito ; nns outros te.rmo,.:
os juizes substitutos ; nas sides dos districtos os
tes deste.
I

A lei n 3'7.nos arts. 85 lettra k, 87 n , 7, 8) n, 5, reconhe-


ceu e affirmou a disposição constitucional.
De sorte que, as attribuições que já exerciam esses juizes
na conformidade das leis existentes a que consagrou o casa-
mento civil, vieram reunir-se Os estabelecidos nesta lei, no
tocante a celebração do acto, e as rel.-crentes ao conhecimen-
to das causas respectivas pelos juizes de (!ireito, obre os
quaes o Estado, por seu orgão legitimo. pu:ia legislar, sem
deter-se pela materia dos actos que esses Hizes houvessem
de praticar, pois que todos pertenciam a magistratura local,
e das leis do Estado tinham que receber, e acceitar as nor-
mas para regerem-se e cumpril-as.
Estas considerações preliminares vem para accentuar
que o juiz de casamentos e juiz do Estado, pago por este,
sem funcções privativas, e exercendo suas attribuições por
uma lei da republica como outras muitas exercem por leis
do antigo imperio adoptados pela União. de caracter civil,
commercial, criminal, sem que isso cle mo.:lo algum influa
para modificar a natureza de seus cargos estadoaes, e re
stringir a acção do poder legislativo, .dispor.do sobre elle.
Isto posto, ternos a lei n. 37 a seguinte disposição clara,
expressa e terminante.
« Os desembargadores, juizes de direito. juizes substitu-
tos, promotores, e empregados da Secretaril (kr Relação não
perceberão custas pelos actos que praticarem (art. (57).
Não se comprehendem nas Custas as deipezas do trans-
pórte dos juizes as quaes lhe serão pagas na razão de dous.
mil reis por legua até o limite de art. 21 do reg. de custas
de 2 de Setembro de 1871, salvo se a parte interessada pro-
porcionar os meios regulares de conducção §3.° do cit. art.)
Destas disposições vê-se bem
1.0 uma regra geral absoluta, impondo aos
juizes, seja
qual for a sua cathegoria, a obrigação de não receber custas
pelos actos que praticarem, no exercicio das respectivas
funcções :

2.° urna unica limitação a regra qual seja a das despezas


pelo transporte, para praticar os actos de seu officio fora dos
auditorios, ou audiencia, pois seria de rigor que os juizes,
alem de nada perceberem pelos actos em geral, fossem ain-
da obrigados a fazer por sua conta diligencias, e actos, as
vezes mais no interesse das partes oü para commodidade
dellas.
Ora os juizes de casamentos silo os que ,já declinamos,
segundo a graduação estabelecida na lei são juizes do Es-
;
tado, e noite funccionam ; logo acham-se todos comprehen-
didos na generica disposição do. art. 157' da lei da organisa-
ção. judiciaria.
Mas objecta-se que o ,juiz dos casamentos não sc com-
prehende na citada disposição, porque os actos necessarios
para a celebração do casamento civil entram na formação
do direito civil, a respeito do aqbal as Assembléas dos Es-
tados não podem legislar, em virtude do art. 23 § 34 da
Constituição Federal combinado com o art. 12 § 4..
Com franqueza : não comprehendemos o valor, do argu-
mento, nem atinamos com a applicação para o caso verten-
te das citadas disposiçães.
O art. 23 § 31 dispõe que é vedado aos Estados legislar
sobre direito civil, commercial e criminal da republica, e
processual da justiça federal.
Comprehende -se bem o fim da disposição ; tende a man-
ter a unidade da legislação, no tocante a_ esses corpos de
direito, mas, dispoz sobre custas e emolumentos materia de
processo, referente as despezas delle, retirando do juiz
aquella parte que elles perceberam ; certamente não é legis-
lar sobre direito civil, no sentido do art. 23 § 31 da Consti-
tuição Federal.
Se o argumento invocado valesse provaria de mais, pois
que igual razão militaria para que não se comprehendesse
tambem no art . 157 todas as questões a respeito de actos e
contractos, regidos pelo direito civil, cuja decisão compete
aos juizes nas questões que tiver de derigir, não só pelo di-
reito civil como pelo commercial, em relação aos quaes as
Assembléas dos Estados não podem legislar.
E se por entrar os actos necessarios a celebração do ca.
sarnento na formação do direito civil, não podem os Estados
converter em renda sua as custas referentes a taes actos
razão igual devia predominar para que o Estado não podes-
se chamar a si, como renda propria, todas as custas relati-
vas a todos os actos, contractos, que são igualmente regula-
dos pelo direito civil, pelo commercial, do-puro dominio
delles, ou consubstanciados nos seus codigos, que são do
mesmo modo leis da União.
A consequencia logica seria essa para admittir como
verdadeiro o principio, mais absurdo da conclusão a que
forçosamente levaria a promessa elimina. a procedencia do
argumento.
O outro art. da Constituição Federal (72 § 4°) que con-
sagrou a gratuidade da celebração do casamento civil, o ar-
aumento deite deduzido só tem a applicação para patentear
que, em face do art. 157 já é elle uma clidadc neste Estado
sem dependencia de lei ordinaria federal.
Os outros argumentos deduzidos do art. 179 § O. da lei
n. 37 e art. 2.° do reg. que baixou para execução da lei n. 22
de 26 de Outubro do anno passado não são mais valiosos que
os antecedentes.
Quanto ao 1,°, porque 3 e o juiz reconhece que o art. 179
§9.° comprehende os emolumentos das acçi)es liue regulou,
conforme a lei de 24 de Janeiro, o que é muito mais impor-
tante, quanto a matcria, na esphcra cio direito civil, não ha
razão para excluir e não comprchencler menos, isto é, os
emolumentos pelos actos necessarios a celebração do casa-
mento.
Quanto ao 2.°, se o art. 2. § 3. do reg. que baixou
para execução da lei de 26 de Outubro ex2luio da competen-
cia da Directoria cia Justiça os assumptos concernentes ao
registro do casamento civil, a razão não a que attribue o
juiz, mas porque a materia ê exclusiva do es:rivão privativo
do registro de casamentos, officio creado pelo decreto do go-
verno provisorio da Republica 11. 320 de ir de Abril de IS90,
e mantido pelo decreto Estadoal ri. 8 cle 10 de .Março do
anno passado.
O serviço a cargo do scrventuario privativo do Estado,
e executado conforme as prescripções 'da I não havia mis-
ter que passasse para o Secretario da Justiça.
A disposição do art. 157 ë generica ; cila não (li;tinguio,
abrange a todos os juizes..
O espirito da lei foi consagrar o pensamento, ou a opi-
nião ha muito em voga no paiz de eli.ninar as custas ao
juiz pertencendo-lhe somente vencimentos.
Pelo que, não havendo obscuridade na lei, sendo da
maior evidencia a sua claresa é o caso se se;.7,uir-se ete juri-
dico zonceito do douto Correia Telles : «Se as palav: as de
uma lei são claras, e bem conhecido o seu espirito, procurar
interpretal-as é dl-eito da paixão que cega o entendimento.),
E' o mesmo que aCcenclei uma luz a luz do sol co:n pe-
rigo de nos queimarmos.
Fortaleza, 3 de Março de 181)3.
O l'rocurador Geral,
S.11,iizo Honte.

O secretario..
' (iro Cionics dl FULQ/
-130-
PEÇA OFFICIAL
CO PIA

Accordão em Utelação etc.Que exposta e discutida a


materia do officio e parecer de fls. 2 usque fls.. 4, dos quaes
consta, que o substituto de Maranguape solicitando inter-
pretação do art. 15'7 da lei de 10 de Dezembro do anuo
passado, consulta
1 .Sc devem ser pagas ao Estado e aos juizes, ou so-
mente a estes, as custas do art. 21 do reg. de 2 de Setembro
de 1874.
2.0Como se deve fazer a conta das custas dos actos
incluidos na diligencia, ou praticadas por occasião e causa
delias, no caso de deverem ser pagas tanto ao Estado como
aos juizes
3.°Finalmente, se os juizes são ou não, obrigados a se
transportarem á requerimento das partes a logares distan-
tes da séde do termo para actos, que podem ser regular-
mente praticados na casa das audiencias
Decideminterpretando o citado art. 157 da lei n. 37,
quanto a a questão que ás custas taxadas no citado art. 24
do regimento, e que os ,juizes percebiam -a titulo de deligen-
cia, devem ser pagas em sello do Estado, em vista da dis-
posição absoluta do citado art. 157 da lei 11. 37, continuando
os juizes a perceber somente, a titulo de conducção, a indem-
nisação das despezas de transporte, que o reg. mandava
pagar-lhes em face dos documentos dos autos, e que a nova
lei manda contar-lhes na razão de 2$000 por legua, até o li-
mite estabelecido para as deligencias, se a parte interessada
não proporcionar os meios de conducção ; por que de outra
maneira não se poderia conciliar as disposições citadas sem
prejuiso do fisco ou das partes que continuam a pagar o
mesmo, que dantes só com a differença de pagarem ao Es-
tado e ao juiz o que anteriormente pagavam somente a este.
Das outras questões deixam de tomar conhecimento,
por não constituirem materia de interpretação.
E mandam que se remetta copia ao Presidente do Esta.
do por intermedio do Secretario da Justiça e ao substituto
de Maranguape.
Fortaleza, 5 de Maio de [893.

Domingues Carneiro, presidente com votoPauleta-


Paulino NogueiraSouza GarciaSoares de Brito lui pre-
sente, Sabino do Monte.Conforme.

O Secreta rio:

1;0111,'< ,111

TRIBUNAL DA RELAÇÃO DOESTADO 10 CEARÁ v. ,Ni2 )1.. mAio 1)E 1893

Illm. Sr. Presidente do Estado


Remetto e V. Exc. a copia do accorclão, proferido por
este Tribunal em sessao de 5 do corrente mcz sobre uma
consulta do juiz substituto da comarca de Marang,uapc, so-
licitando interpretaçào do art. 1:..)7 da lci cio ." de Dezembro
i

do anno passado.
O Presidente da lclaçào,
JOSt; J03,1111.111 C.71711/s4).

Secretaria de Estado dos Xegocios da Justiça. Fortaleza,


2de Janeiro de 1803.

2.% sEcçÀo

TELEGIA.11.11:1

Dr. Juiz de Direito

Presidente do Estado manda cleelarar-vo:, em resposta


VOSSO telegramma que actual revisào de jurados subsiste
para o jury e juntas correccionaes,
sem prejuizo das mais
disposições da instituição do jun/

Valdmiiro lioreim.
Secretario da justiça.
Secretaria de Estado dos Negocios da justiçaForWe-
za, 6 de Fevereiro de 1893,
2.11 SEK.X0

N.22.
A Camara Municipal de Acarahú.
officio de 16 de
Em resposta a consulta que fizestes por
Presidente do Estado
Agosto do anno proximo findo o Exm.
manda declarar vos que nas expressõesServentuario escrivães
de
e
Justiça se incluem o distribuidor, contador,
officiaes de justiça, e portanto aos mesmos
assiste o direito
a percepção de metade das custas
nos processos em que
figurarem réos, em crimes communs, pessoas pobres, ou
desvalidas, ou consideradas taes pela lei, conforme os arts.
37 do 1.0 de
103 da Constituição do Estado, e 187 da lei n.
Dezembro proximo findo.
SAÚDE E FRATERNIDADE

Valdemiro Moreir«.

Secretaria de Estado dos Negocios da justiça, Fortaleza,


Ide Fevereiro de 1893.
2.a SECÇÃO
N.° 280.

Ao Dr. Juiz de Direito de Quixeramobirn.

Em resposta ao vosso officio de 25 de Janeiro ultimo, o


os ter-
Exm. Presidente do Estado manda declarar-vos que
37 do j.° de
mos mencionados na tabella B, annexa á lei n.
Dezembro do anno proximo passado, são os de juizes lettra-
sup-
dos ; e quanto a duvida sobre o sorteio dos vogaes e
plentes que devem servir nas juntas correccionaes, acha.se
resolvida pela circular n . 200, de 14 de Janeiro proximo
findo.
SAÚDE E FRATERNIDADE.

Valdeniíro Moreira.
Secretaria de Estado dos Negocios da Justiça, Fortaleza,
8 deFeVereiro de 1893.
2,5 sccçÃo
N g95.

Ao 1.°,S.upplen.,te, cio Juiz Substituto de Canindé.

Exm. Presidente do Estado, a quem foi presente vos-


so officio do 1.° do corrente mez, manda declarar-vos que
pelo facto de haverdes sido aproveitado para o cargo de I.°
supplente do juiz substituto desse termo, não ficastes izento
de prestar novo compromisso perante o doutor juiz de direi-
to da comarça, e de remetter a esta Secretaria copia do
dito termo ; pois a disposição do art. 152 da lei n. 37, do
I.° de Dezembro do anno proximo findo, só é applicavel aos
juizes substitutos e não assim aos seus supplentes.
Cumpre-vos Informar-me igualmente a data em que
prestastes cornPromisso em virtude da 1. nomeação.

SAUDE E FRATERNIDADE.

7):11,1ennrn

Secretaria de Estado dos Negocios da Justiça. Forta-


leza, 11 de Fevereiro de 1893.

2. SECÇÃO
N. 343.

Ao Dr. juiz de Direito do Jardim.

O Exm. Presidente do Estado,' em resposta ao vosso


officio de 24 de Janeiro ultimo, manda declarar-vos que não
havendo autonomia entre o disposto no § unico do art. 2.°
e o art. 177 da lei n. 37, do I.' de Dezembro do anno passa-
do, subsistem os termos ora existentes no Estado, em quan-
to por acto legislativo não forem alterados ; sendo, porem,
termos de juizes lettrados tão somente os que constam da
tabella B, annexa a mesma lei.
Nestas condições foram mantidos os termos de Brejo
4.os Santos ePorteiras, dessa comarca, pelo art. 2.° unico,
W81140 34,9.0.4as

visto como o art. 177 apenas estabeleceu que as sédes e en-


tranclas das comarcas e termos em que se divide o Estado
seriam as constantes da mencionada tabella.

SAÚDE E

Moreira.
FRATERNIDADEValdemiro

Secretaria de Estado dos Negocios da Justiça, Fortale-


za, 11 de Fevereiro de 1893.

2.3 sEcçXo

A' Camara Municipal de Acarahú.

O Exm. Presidente do Estado manda declarar-vos, em


resposta ao vosso officio de 27 de Janeiro ultimo, que sem
embargo do disposto no art. 49, n. 4, da lei n. 33 de 10 de
Novembro do anno passado, continuam os delegados e sub-
delegados de policia com as attribuições que até agora lhes
competiam, conforme preceitüa o art. 192 da lei n. 37 do 1.0
de Dezembro tambem do anno passado.
Conseguintemente podem ditas autoridades nomear
seus escrivães e inspectores de quarteirões, ficando, por
isso, os intendentes municipaes sem a cornpetencia attribui-
da no art. 49, n. 4, da lei n. 33. uma vez queré esta lei an-
terior á de n. 37, que revogou aquella nesta parte.

SAIDE E FRATERNIDADE

Valdemiro Moreira.

Secretaria de listado dos Negocios da Justiça, Fortaleza,


3 de Março de 1893.
2.1 SECÇÃO
N. 506.

Ao Dr. Juiz de Direito do Jardim.

O Exm. Presidente do Estado, a quem foi presente o


vosso officio de 15 de Fevereiro ultimo, manda declarar-vos
que para a arrecadação do imposta do seno, nas causas ou
feitos que correm nos differentes juizos ou Tribunaes, devi.
-133
do pelas custas que percebiam os juizes, prevalece o dispos-
to no art. 15 § 10 da lei n. 37 de 1.0 de Dezembro ultimo, por
ser esta lei posterior á de n. 35 de 14 de Novembro proximo
passado.
SAI.:DE E FRATERNIDADE

Secretaria de Estado dos Negocios da J ustiça, Fortaleza,


20 de Março de 1893.
2.8 sEcçÃo
N. 60í.
Ao Juiz Substituto de S. Francisco

Em resposta ao vosso officio de 18 de Fevereiro ultimo


tenho a declarar-vos que ás juntas correccionaes compete o
julgamento dos processos QUC cabem na alçada das mes-
mas juntas, ainda quando as respectivas sentenças de pro-
nuncias tenham sido proferidas antes de sc achar em vigor
a lei que organisou a Justiça Estadoal.

SAÚDE E FRATERNIDADE

nforcji,?

Secretaria de Estado dos Ne.gogios du Justiça, Fortale-


za, 20 de Março de 1893.

2.8 SECÇ.À0.
N. 606.

Ao Supplente do Juiz Substituto de Varzea Alegre.

O Exm. Presidente do Estado, em resposta ao vosso


offiçio de 5 do corrente, manda declarar-vos que, segundo a
disposição no art. 15"; da lei n. 37 do 1.° de Dezembro do
anuo proximo findo, tambem não percebem custas, pelos
actos que praticarem os supplentes dos juizes substitutos
e que somente terão direito a gratificação dos substituidos,
quando estiverem em pleno exercicio do cargo.

ISATERNIDADE

l'ajdenuro Moreira.
-136-
Sèdtetaa de Estadd dos Negócios da' Jústiça, Fortale-
za,5 deLAbril' de 1893.
2.' sEeçÀo
N. 748,

Ao Dr. Juiz Substituto de Jaguaribe-mirim.

O Exm. Presidente do Estado, em resposta ao vosso


offiCio de 7 de Março ultimo, manda' declarar-vos que só -

mente pelos juizes de direito das comarcas serão passados


os attestados de frequencia para recebimento dos vencimen-
tos dos juizes substitutos, como é expresso no art. 139 da
lei n. 37 do i.° de Dezembro do anno passado ; e portanto
ot; attestados dos substitutos dos termos que não forem sé-
deS de comarcas estão comprehericlidas na mesma disposi-
ção.
SAUDE E FRATERNIDADE

Valdentiro Efforeir3.

Secretaria de Estado dos Negocios da Justiça, Fortale-


za, 5 de Abril de 1893.
2.' SECCÃO
N. 747.

Ao Dr. Juiz Substituto de lguatú.

Em resposta ao vosso officio de 4 de Janeiro ultimo,


manda declarar-vos o Exm. Sr. "Presidente do Estado que
os curadores de orphãos, residuos e ausentes não' estão in-
cluidos na prohibição do Art. 157 da lei n. 37 do 1.0 de De-
zerribt'o dó anno passado pata deixarem de perceber as cus-
tas que lhe forem contadas nos autos, de conformidade com
o 'regimento de custas judiciarias : e que o facto *de serem
eXeï'êi'dos aquelles cargos e os de promotor de .justiça: ou
adrtilitó,-pelo mesmo individlo não importa para não lhe
sefrndevidos os emolumentos que lhes competirem ; por
quártito; estes são devidos por actos praticados no exercido
dèieitipregó diferente, mas cuja accumulação é permettida.

SAUDE E FRATERNIDADE

Valcienziro Moreira.
13.7-;

Secretaria de Estado dos Negocios da Justiça, Fortale-


za, 5 de Junho de 1893.
2. rl SEC(;:.k0
N. 1264,

Ao Cidadão Dr. Juiz Substituto do ternr) de Iguatú.

Em rectificação ao meu officio de 5 de Abril ultimo, re-


solvend3 a consulta que fizestes por officio de 4 de Janeiro
proximo findo, tenho a dizer-vos que devendo o cargo de
curador ser exercido cumulativamente pelo promotor de
justiça, segundo o disposto no art. 61 da lei n. 37 do 1.0 de
Dezembro de 1892 resulta dessa accumulaçào a prohibição
do pagamento de custas aos curadores, uma vez que, pelo
art. 157 da citada lei, os promotores não podem percebel-as
pelos actos que praticarem.

SAÚDE E FRATERNIDADE

Vallielltilso Morei/V.

Bat ilhão de Segurança

Secretaria de Estado dos Negocios da Justiça, Fortaleza,


21 de Março de 1893.
I.' SECÇÃO
N. 627.

Sr. Coronel Commandante do Batalhão de Segurança.

Em resposta ao vosso officio de 27 de Fevereiro ultimo,


tenho a dizer-vos que não pode ser presentemente satisfei
to o vosso pedido por ser da competencia da Assemblda Es-
tadoal a attenção da tabella appt ovada em 28 de Setembro
do anuo proximo findo, convido, portanto, que aguardeis a
occasiã.o de reunir-se aquella corporação para ser resolvido
o assumpto.
SAÚDE E .111ATER N IDADE

Pddeniíro Horejra.

COPIA

Quartel do Commando do Batalhão de Segurança do


Ceará, Fortaleza, em 27 de Fevereiro de 1893.

N. 559.

Cidadão Secretario da Justiça.

.
Sendo o serviço deste corpo excessivo e nelle mais uti-
lisado o fardamento de brim, attendendo ao clima deste Es-
tado, e portanto insufficiente esse fardamento, distribuido
de accordo com a tabella approvada pelo Congresso em 28
de Setembro findo, rogo-vos se digneis providenciar no
sentido de ser alterada a referida tabella, de modo que o
fardamento de brim, calça branca e parda e blusa parda, se
jam distribuidos por quaternio e não por semestre como
manda a referida tabella.

José Ribeiro Pereira.

Coronel Comrnandante.
MENSAGEM

cirigida

AO

PBESIDENIF, DO ESTADO
MENSAGEM

PEÇA ~IML
SRS. MEMBROS DO CONGRESSO FEDERAL

Prevalecendo-me de uma attribuiçào que a Constituição


deste Estado me confere, venho reclamar ante vós por uma
melhor intelligencia da Constituição da União na parte,
,que se, refere a rendas provenientes das taxas de sello,
attento o regimen de exclusão que vae sendo adoptado,
ntrario por sem duvida ao sentimento do legislador
constituinte provendo a vida dos Estados que se orga-
nisavam.
Pelo art. 9° § I.° da Constituição federal, é da exclusi-
va competencia dos Estados decretar taxas de sellos quanto
aos actos emanados de seus respectivos ,:,rovernos e negocios
de sua economia.
Tratando-se de fazer effectiva a percepção dessa renda,
o corpo legislativo estadoal, na sua lei primeira de orça-
mento (de,14.de Novembro de 1892) adoptou a tabella C, na
qual.se consignaram todas as especies de documentos, que
ficavam sujeitos a sellos fixos e proporcionaes, em razão de
emanarem do governo do Estado ou de traduzirem actos,
que se relacionam ou inherern ao movimento economico
delle.
Na elaboração da lei citada, e descriminação da renda
estádoal, guardou-se a limitação estabelecida pela Consti-
tuição da União para os dois ramos de poderes, tendo-se
como certo que de governo federal strictamente só é aquillo,
que vincúlà os Estados entre si, ou si refere a representação
simultanea de todos elles no exterior.
Não se consideram federaes os assumptos de direito
commum ou antes os actos regulados pelas leis criminaes,
11:2
civis e cOmmerciaes, de que conheçam as autoridades esta-
doaes em processos estabelecidos ou que possam ser esta-
belecidos por lei do Estado ; sendo exeluidos tão somente os
reservados pela lei federal, como sejam, em materia de com-
mercio, quantos respeitam ao movimento maritimo, da ex-
clusiva competencia da ,justiça federal.
Pareceu urna anomalia considerar como federal o que
disponham leis communs aos Estados da União, desde que
a estes caiba legislar sobre os processos relativos ou modos
de as tornar exequiveis.
Todos os papeis de commercio exequiveis no Estado ou
sobre que se tenham de pronunciar os seus juizes em pro-
cessos dependentes de leis do Estado, ficaram sujeitos a
sellos privativos deste ; tanto, porque procedem do seu mo-
vimento economico, ou são inherentes a negocios da sua
economia, como porque firmam obrigações da competencia
commum, ou não--federal.
A' formula do art. 90 § 1.0 da Constituição federal
actos do seu AToverno se deu a latitude, que parece compor-
tar, considerando-a comprehensiva de todo o poder publico
constituido no Estado, em seus diversos ramos ; intelligen-
cia esta, que mais tarde lhe coube na lei do congresso fede-
ral n. 126 A de 21 çlc Novembro de 1892, que traduziu aquella
expressão governo) - nesta outra mais extensiva.I), ).-ler
autoridade esta.-loal
Praticamente, outra divisão seria impossivel, a menos
que se pretendesse gravar o commercio, por e xernplo obri-
gando-o a duas taxas-, :urna por. o:casião dos contractos,
'outra por occasião de exhibir os respectivos titulos para fa-
zei-os exequiveis por decreto judicial.
Pretender-se que urna lettra exequivel no juizo estadoal,
fique isenta do sello cstadoal, seria cortar na faculdade con-
ferida aos Estados de fazerem leis de processo ; seria ata-
car aquella sentido mais tarde ligado á lettra da Constitui-
ção federal pela lei citada, de estarem sujeitas a sellos
estadoaes todos os actos emanados do poder da autoridade
estadoal, deste modo exprimindo claramente o que o art.
9.° § 1..° da Constituição federal pôde ser tido como ambi
guo.
Duvidas, toA.t,..,ia, s:; levantam a cada momento, preten-
dendo-se que o art. 2.° a n. :; da lei de 21 dc Novem.
bro se incluem, sem reserva. todos os papeis e titulos cio
commercio interno, ficando por isto obrigados a taxas cle
sello federal, embora exequiveis por processos cstadoacs,
Não deveriam proceder semelhantes cluv icItt.s, cuja solu-
r,ãovisivei se encontra no art. (30g, da Con-;tituição federal.
Sô em assumptos cie direito maritimo e navegação e nas
relações externas é que, nos Estados, clevcii os papeis, títu-
los de commercio e contractos estar sujeito á 1:txa de sello
não-estadoal.
Quando a lei do orçamcnto.da I:uião (a;1. 2 a n, 3)
taxa tmpeis ou tilulos 1c cominercio
por 1i tederaes, ha de por certo alludir papeis exclu-
sivamente do commercio maritimo, aos LjU sejam excqui-
veis fora do Estado. em que se firmam, ete tido se prestan-
do a outro sentido.
Produzo a tabella a que me letir o, :1,:cresccntando que
todos os titulos que se relacionam com o e;mm-icreio mari-
timo e a navegação, vão ser revistos pe,:o congresso esta-
doai, no sentido de guardar-se a linha diviitt estabelecida
no art. 60 g, da Constituição.
Peço-vos que tomeis em consideração a reclamação que
tenho a honra de vos dirigir.

Palacio da Presidcncia do Ccará, Fortaleza, 23 de Junho


de 1893.

José, Ercirc JJccr i l'wttenellc.

TABELLA C.
DO SELLO FIXO

1,& CLASSE

Actos que pa9am segando as climens,


,lo papel
N.' 1 Autos
processados em qualquer juizo estadoal
N. 2 Attestados
N. 3 Cartas
testernunhaveis,precato rias. avocato-
torias de inquirição,
arrematação e adjudicação 200
N. 4 Certidões,
mas extrahidas copias, traslados c publicas for-
em cartorios ou repartições munici-
cipaes
mosmffill 11,10aMil

N, 5 Contractos,titulos e documentos não especi-


ficados nesta tabella dos quaes não seja devido sello
proporcional nem mais de dusentos rèis de sello fixo :
N. '6 Editaes e mandados judiciaes
N. 7 Escriptos particulares ou por instrumento
publico, fora das notas, em que directa ou indire-
ctamente não se declare valor
N. 8 Estatutos ou compromissos de quaesquer
sociedades
\200
N. 9 Instrumentos de dia de apparecer, de pos-
se, protesto e outros fora das notas
, N. 10 Procurações, substabelecimentos destas e
apud acta, não contendo claugula que torne exigivel
sello proporcional
N..,11 Provisões de tutella e as não especificadas;
- N. 12 Requerimentos, representações, memo-
riaes e outros actos semelhantes dirigidos á qualquer
autoridade
'Não é permitlida a collectividade de assignalu-
ras nos actos deste numero sem que de cada zono
se pague a taxa de du.enlos réis, (mando mesmo as
ussignaturas excedam de cem .
N. 13 Sentenças extrahilis de processos, inclui-
dos os formaes de partilha 200
N. 14 Testamentos e codicillos.

Notas

A taxa consignada nesta classe é devida por


meia folha de papel toda escripta ou em parte, não
excedendo de 33 centimetros de comprimento e 22
de largura ; excedendo destas dimensões a taxa 'será
paga pelo dobro.
Não é permitti.do escrever em meia folha
de papel dous ou mais actos dos especificados nesta
classe, salvo pagando o sello de cada um.
2.1 CLASSE

' A (!tos q ue pu.qam .3qundo .,;(11,

N. 1 Cheques e mandados ao portador ou á pes-


soa determinada para serem pagos no Estado
N. 2 Primeiras vias de notas pelas quaes se fize-
rem despachos de qualquer natureza nas repartições
do Estado
N. 3 Recibos particulares, inclusive os:de alu-
guel de casa e outras declarações de pagamentos
effectuados, qualquer que seja a forma empregada
para expressar o recebimento de vinte mil réis para 2C0
cima.:
N. í Recibos sem declaração de valor, salvo
provando o interessado que se. referem a quantia
menor de vinte mil réis
N. 5 Recibos passados por banqueiros ou com-
merciaffies, de sornmas depositada m conta cor-
rente oti retiradas por conta de creditos a bertos em
conta torrente nas casas commerciaes.
.1\1: 6 Titulos de nomeações para cargos não re-

,munerados do Estado ou municipios 2$000.


N. '7 Titulo de nomeação de guarda livros 20$. 00
N. Carta de rehabilitação de commerciante 14000
N. 9 Carta de commerciante 25;4000
N. ip Titulo de correctores e agente de leilões 150$000
N. 1.1 Titulo de interpretes do commercio e tra-
ductores publicos 100$000
N. 12 Alvará de mora tona a commerciante .104000
N. 13 Alvará de supprimento de licença de pae
ou l tutor »para casamento 60$000
N. 14 Carta de supplemento de idade, tantas ve-
zes quantas forem os menores 6C,$000
N. 15, Carta de adopção, tantas vezes quantos
forem Os tadoptados 84000
N. 16 Titulos ou alvarás de matricula ou licença
concedida peias camaras municipaes para o exerci-
cio de industrias e profissões
4000
N. fl lnscripção para fazer exames preparato
rios, de cada .materia 4000
N. 18 Certidões de approvação em exames de
Preparatorios, passados pelo Lyceu, de cada materia 5$01)0
N. 19 Carta de insinuação ou confirmação. de
doação b$000
N. 20 Copias demappas, pla.nosou diagrammas
existentes nas repartições publicas do Estado e que
forem pedidas por particulares, por dia de trabalho
do desenhista até o maximo de vinte mil réis 5$000
N. 21 Notas do archivamento de contractos e
distractos de sociedades e de registro de marcas na
junta commercial ou repartição competente, lança-
das no exemplar restittiido á parte 5$000
N. 22 Prorogação de prazo para entrar em ex-
ercicio ou reassumir as respectivas funcções, de cada
mez ou tempo menor 5$000
N. 23 Titulo de re-validação de sesmarias e de
outras concessões 5$000
N. 24 Titulo de emphyteuse de terrenos reser-
vados Para povoações, alem do sello proporcional
do contracto 5$000
N. 25 Titulo de. concessões de terras publicas
atà 4.000.000 metros quadrados 10$000
(Cobrar-se-á Ll qua n las fOrelll as
arcas d'essa exlensrlo, desKesando -se as fi-Jcçàes
1:0oq:000 melros quad- ciclo )

N. 26 Titulas de emphyteuse e arrendamento


- de outros terrenos do Estado alem do sello propor-
cional do contracto 10$000
N. 27 Titulo de legitimação de posse 10$000
(Se o quadrado tiver 171.TÍS de mil melros de lado,
cobrar-se-á a laxa lautas vezes quantos forem os qua-
drados desta dimmsão,desfiresando.se as fracções.)
N. 23 Licença por espectaculo publico do qual
se aufira lucro em theatro ou circo sendo o especta-
.

culo lyrico ou dramatico 25$000


Sendo equestre ou gymnastico 50$000

DO SELLu PROPORCIONAL

. I Lettras de cambio e da terra saccadas no


Estado
. 2 Lettras de cambio saccadas no exterior
sendo acedias, protestadas ou exequiveis no Estado;
N. 3 Cartas de ordens e escriptos a ordem ;
N. 't Facturas ou contas assignadas
. 5 Contas correntes de cornmerciante a com-
-
merciante e de commissario a cornmittente assigna-
das ou reconhecidas pelo devedor do saldo, quando
tenham de ser ajuizadas
N. 6 Creditos ou titulas de emprestimos cie
dinheiro
N.7 Escripturas de hypothccas
N.8 Contractos dc sociedades e os actos cle
dissolução ou liquidação das mesmas
N. 9 Contractos .de arrendamento ou locação e
outro qualquer de transmittir o uso c goso de bens
moveis, immoveis e semoventes
N. 10 Titulos de transferencia de propriedade
ou de uso-fructo não sujeitos ao imposto de trans-
missão de propriedade
N. 11 Contractos de fiança por termo, escriptu-
ra publica ou particular
N. 12 Cartas de credito ou abono
N. 13 Endossos dos titulos sem prazo certc.
que forem passados depois cio vencimento dos titu
los que tiverem prazo certo e nos que. forem sacca-
dos á vista, tendo sido apresentado ao pagamento
N. 14 Titulos de depositos particulares
N. 15 Ordens para entrega de bens de orphã
casada sem licença
N. 16 Papeis, ainda que tenham a forma de re-
cibo, carta, ou qualquer outra, em que houver pro-
messa ou obrigação de pagamento, os que contive-
rem diStracto, exoneração, subrogação ou garantia
e liquidação de sornmas ou valores

TAXAS

Até cem mil réis


Dahi para cima até 1.000$000 cobrarse-á
duzentos réis de cada cem mil réis, ou fracção de
cem mil réis, e dous mil réis de cada 1.000$000 ou
fracção de 1.000$000
N. 17 Contractos de seguros, escripturas ou let-
tras de risco
Pelo valor de cada dez mil reis ou fracção 200
De mais de 50$000 até 100$000 2$000
Assim por diante, cobrando-se dous mi l

réis Por cada cem mil réis ou fracção de cem mil


réis
-148
N. 18 Frete de navio até 500000
Assim por diante cobrando-se 2000 por
cada 5014000 ou fracção de 500$000.
Sendo o fretamento para paiz estrangeiro
ou sem declaração de logar, a taxa será cobrada
pelo dobro.
Observações

São isentos do pagamento do sello


1.° Os actos e documentos referentes ao
alistamento e processo eleitoral ;
2.° Os actos de designação de officiaes da
força publica para cargos ou profissões inherentes
a sua profissão
3.° Os attestados e recibos passados para
percepção de vencimentos ;
4.° As petições, representações e respe-
ctivos documentos e processos das praças da força
publica e presos pobres.
O sello desta tabella será affixado e inuti-
lisado pelos funccionarios ou particulares que as-
signarem, subscreverem ou processarem os actos e
documentos que a elle estejam sujeitos ; e sô no
caso de falta de estampilha na estação fiscal do mu-
nicipio onde os actos e contractos se realisarern po-
derão ser estes sellados por verba na mesma esta-
ção fiscal.

Palacio da Presidencia do Ceará, em 14 de Novembro


de 1892.

José Freire Beterril Fonlenelle.

Ferreira de Mello.
BELATO1110

Apresent n (1

AO EDI. SR. PRESIDENTE DO ESTADO

Dr. José Freire Bez.erril Foldenelle.

(Ezn 30 de 4unho de 1893.

PELO

Secretario interino dos Negocios da Fazenda

Miguel Ferreira de Mello


RELATORIO

Secretaria de Estado dos 1\41-(sgouins da


Fazenda d.o Coa,r'i, 30 de 3111111c-) de 1893

Em virtude do disposto no art. 13§ 3.° do Regulamen-


to de 28 de Dezembro ultimo, submetto á consideração de
V. Exc. o presente relatorio dos serviços a cargo desta Se-
cretaria e as indicações de algumas medidas convenientes
no meu entender, ao melhoramento da administração da
Fazenda.
Na qualidade de director geral da Seci etaria dos Nego-
cios do Intorior, fui nomeado, a 18 de Abril do anilo proxi-
mo passado, para exercer, em commissào, o cargo cic Sc
cretario dos Negocios da Fazenda, cujas funcções assumi no
dia immediato.
Esta referencia assignala duas circumstancias, qual
delias mais valiosa, para a indulgencia que, desde já, peço
a V. Exc. para as lacunas do
presente trabalho, e são : que
a immediata administração da Fazenda não acha-se confia-
da a mãos profissionaes,
e que, ainda assim, bem certo é o
meu tirocínio para que os supplementos da pratica
tornem
imponderaveis as exigencias do complexo de theorias que
constituem a sciencia das finanças.
E' certo que no extincto Thesouro do Estado já havia
eu exercido, cerca de tres annos,
as funcções de chefe de
uma das secções, vindo de igual
do Governo,
cargo da antiga Secretaria
na qual servia desde 1873 e onde escoou-se a
melhor parte do meu vigor no serviço da administração ;
11.1c1s, na
primeira dessas repartições, bem me houvera si
tivesse conseguido o satisfatorio
desempenho dos deveres
peculiares á secção que dirigi, e na ultima nun:a tive tempo
nem previsão de
necessidade para dedicar-me a estudos da
especialidade em que ora me acho.
Entretanto, esta incompetencia, que proclamo sem aca-
nhamento pessoal, porque, sendo eu o que sou, jamais pro-
curei melhor a pparencia nos atavios do embuste, serve-me
a todo momento de incentivo para dedicar-me esforçada-
mente ao desempenho do cargo em que me conserva a con-
fiança de V. Exc. a qual procuro corresponder, não recu-
sando ao seu govereo e ao Estado quanto de mim depender
para o bem da causa publica.

SECRETARIA DE ESTADO

Para execução da lei n. 22 de 26 de Outubro do anno


passado, foi expedido, em 28 de
Dezembro d'aquelle anno,
o regulamento .iue reorgantsou
as tres Secretarias de Esta-
plano seguido
do. Quanto a mim tenho por excellente o
nesse regulamento e não cesso de lhe reconhecer vantagens
periodo
na sua concisa modalidade como tanto convinha no
em que se procedia á organisação geral da nossa economia
interna.
.
Orgãos da suprema administração do Estado, as tres
Secretarias que deviam estar, como estão, em condições de
independencia mas em relações directas, é bem de ver a
codigo de at-
utilidade resultante de dirigirem-se por um só
tribuições e deveres.
de ex-
Consideravelmente diminuidas foram as normas
pediente, com especialidade na Secretaria de Fazenda onde
mais se accentuava a carencia de eliminar ou substituir as
praticas desnecessarias ou morosas afim de contrabalançar,
serntaugmento de pessoal, os novos serviços
resultante, da
feição de secretariado.
Para honra de V. Exc. consigno, com muita.satisfação,
que essa reorganisaçào, que entrou em vigor no I.° de
Ja-
neiro ultimo, accommodou-se ao pessoal que já tinhamos
no quadro do funccionalismo, prestando, assim, homena-
gem ao preceito do art. 150 da Constituição. de
Por essa occasiào foram exonerados um, director
secção e um 2.° official desta Secretaria. re-
Não negarei que o Estado de atrazo dos serviços %
não
partiçã.o estava a reclamar franco impulso ; mas este
podia, naturalmente, ser trazido por noviços que o citado
preceito constitucional reserva a primeira investidura.
Um de meus predecessores, o illustre coronel Valdemi-
Secre-
ro Moreira que hoje dirige, com muita competencia'a
, ,)
----- I

tarja da justiça, alludindo ;_ essa atrazo dos serviços da


Fazenda, assim o synthctisou em relatorio dirigido ao go-
verno do Estado em 1.0 de Se' embro de 1 '91,
« . . falta cie cohesào na econoieda interna da rept--
consideravel atrazo na verilicaçã 3 das citas da
« tição ;
« Fazenda, cujo ultimo balanço concluido remonta-se ao
« exercido cie 1Sl, atrazo ainda mais consideravel na tomada
« de contas dos exactores e responsaveis. e. finalmente,
« sensivel irrezularidade na liquidação e arreeadaçáo da
« divida activa. »
Mais esmoitecedor não podia ser esse enunciado, que,
infelizmente, era a exacta expressão da verdade.
Urgindo ir a seu encontro não seria pelo meio violento
de uma tratisformação radical em Que se depararia o seu
restabelecimento, mais pela perseverança de decidido em-
penho subordinada á condição de tempo.
Quoci initumpiciorum es!, temp:)ris
convalecere non polest.
A verdade é que hoje, quando não são ainda decorridos
dous annos da pronunciação do convencido julgamento cl'a-
quelle meu predecessor, os serviços da administração da
Fazenda náo estão no pé que fôra para desejar. mas suppor-
tam Vantajosamente o confronto d'aqaella epocha. E nem
poderia deixar de ser assim, desde que. assignaladas, n'a-
quella peça official, as causas de tal decadencia e indicados
os meios capazes de as debellar, foram est.-...s, em bõa parte,
adoptados c, assim, vão produzindo os previstos resultados.
Desvaneço-me, pois, em o declarar, reservando á bôa
vontade dos meus auxiliares todo o merecimento da conse-
cução pratica.

Pelo. art. 9.° do citado regulamento foi extincta a Rece-


bedoria, passando os seus serviços a ser ci-esempenhados
por uma nova secção creáda na Secretaria da Fazenda com
a denominação de Secção de Recebedoria e funcionando
no mesmo local da extincta repartição. CW11 pe.,;saal mais
reduzido.
Este acto encontra apoio na Ici çjua aui.oriou, sem
augmento de despcza, a reorganisação d is .;e ,:ret irias de
Estado, e tambem nas razões de conveoiencia de adoptar
aquella secção ao proprio regimen da Secretaria de Fazen-
da, assim em relação as vantagens dos seu; empregados,
que não deviam continuar em gráo de inferioridade como
á necessidade de serem estes revesados no serviço,
A reducção do seu pessoal resultava, necessariamente,
do facto da extincção do serviço de conferencias sobre ge.
neros de importação.
Tem funccionado a meu aprazimento, como sempre es-
perei do zelo, honestidade e comprehensão do seu director
o cidadão Raimundo Veriato Ribeiro.
Os detalhes do movimento dessa secção estão expostos
no relatorio, junto em annexo sob a lettra A.

O art. 46 do mesmo regulamento estatue que os empre-


gados das secretarias percebam os vencimentos fixados na
respectiva tabella, e esta de accordo com a lei que autorisou
a sua expedição sem augmento de despeza, manteve os ven-
cimentos anteriores, dividindo-os, porem, em tres partes
iguaes, duas para ordenado e uma para gratificação. As-
sim, não foram lesados os empregados no conjuncto de seus
vencimentos, isto é, no total d'estes ; mas alguns reputam-
se prejudicados com a fixação de duas terças partes para or-
denado, que, sendo anteriormente mais elevado em detri-
mento da gratificação que era menor, faz-lhes mais sensivel,
no presente, o desconto por faltas e licenças, e, no futuro,
o vencimento de aposentadoria.
Não raro allegase o direito adquerido. Essa allega-
ção, porem, é inane, tratando-se de empregados demissiveis
ad nutum, ainda mesmo que se os considere, como fazem
alguns publicistas, parte bilateral n'um contracto com o
Estado.
Direito adquirido presuppõe a posse, que não éuma es-
pectativa, mas, incontestavelmente o jus in ré ; e posse não
tem nenhum funccionario, no caso em questão, a gratifica-
ção que hade vencer na constancia do emprego ou ao orde-
nado que hade perceber, quando for aposentado.
Sob o ponto de vista de contracto, menos admissivel
seria a preterição ante o direito incondicional de rescisão,
que tanto importa a demissão ,ici nulzon reservada ao Esta-
do ; e si este, em attenção aos seus interesses, que são os da
causa publica, procedeu como parte a modificações restri-
ctivas, restava á outra parte esta unica alternativa ; ou ac-
ceitar as modificações, ou dar-se por desobrigada' do con-
tracto.
Não optando pela ultima hypothese, abrindo assim en_
seio a que fossem seus cargos occupados por outros repu-
tados novos contractantes nas condições estabelecidas, ma-
nifestaram.se, tacitamente, pela primeira, que não compor-
ta direito de protesto ou reclamação.
Todavia, não irei ao ponto de n.:.gar que possam enes
ser suffragados pelos preceitos da equidade, mas somente
em relação ao ordenado de aposentadoria, bastando para
isto que seja declarado que esse ordenado se conte pelo
maior do emprego effectivo que o funccionario tiver exerci-
do por tres annos, pelo menos ; não assira, porem, quanto
á gratificação de exercicio, que convem conservar na pro-
porção em que está, porque o serviço publico exige que não
se faça pouco sensivel ao empregado a sua falta de compa-
recimento.

A mesma tabella mantem os vencimentos de 720000 an-


nuaes para o fietclo thesoureiro desta Secretaria. E intui-
tiva a exiguidade deste vencimento na cpocha presente,
tratandose de um funccionario em cuja honestidade possa
o thesoureiro confiar, commettendo-lhe parte do grande ex-
pediente que hoje o onera.
E', pois, de evidente necessidade que se lh'o augmente
na juta proporção do trabatho e responsabilidade.

Como primeira entrancia no quadro da rep a rtição ado-


ptou o regulamento a classe de amanuenses, sujeitando-os,
portanto, a investidura por concurso e os accessos por an-
tiguidade. Cada secçào tem dous amanuenses. ex.:.epto as
4.a e 5. desta Secretaria, que só tem um, e a 6.1 que tem
tres .

Percebem elles o vencimento annual de 1:200$000, que


não é pouco em relação á natureza do serviço de meros es-
creventes.
Sou de opinião que o serviço publico lucraria muito
com as seguintes modificações
Considerar-se terceiros officiaes os actuaes amanuenses
com os vencimentos
se de praticantes que ora percebem, e adoptar-se a clas-
para a primeira entrancia, mediante o con-
56 -
curso das materias presentemente exigidas para aquelles e
com os vencimentos de 600g100 annuaes.
Assim, quando vagasseum desses logares de terceiros
officiaes até ficar reduzido á um só para cada secção, seriam
nomeados dous praticantes.
D'este modo se conseguiria, sem augmento de despeza,
um accrescimo de auxiliares, de que bem precisamos e que,
em mais largo estadio de tirocinio, melhor se preparariam
para os cargos superiores.

Especialmente confiados á secção desta Secretaria


estão os serviços do contencioso, isto é, aquelles que, appa-
relhados na repartição da Fazenda, tornam-se effectivos pelo
concurso da autoridade judiciaria.
Muito resta a fazer nesta ordem dc serviço para que
chegue ao ponto que é de mister ; mas 'confesso, com satis-
fação, que já existe principio de ordem emergindo do Esta-
do chaótico a que havia chegado. Quanto se ha feito, do
anno passado para cá, está exposto no relatorio. junto em
anncxo sob.o lettraB.
Não regateio louvores ao director do mesmo servicb,
advogado 1aimunclo Vossio 1,3riido dos Santos, cuja boa
vontade, intelligencia e dedicação 1.(tri corresponclido aos
meus intuitos, conforme tenho feito sentir a V. Ex.:.`

A lei n. 37 do I.° de Dezembro ultimo, que organisou a


Justiça cio Estado, dispõe no art. 61, que os promotores da
justiça accurnularão, entre outras, as. funcções de ajudante
do procurador fiscal na circumscripção de cada coliectoria.
Assim devem esses funccionarios promover a cobrança
da divida activa sem nenhuma retribuicào alem d'aquella
que constitue o vencimento co cargo de .Justiça, porque a
modesta porcentagem, a auferir da effectiva arrecadação de
tal divida, entra no conjuncto das custas judiciarias que por
força do art. 157 da referida lei e art. 15 cia de n. 35 de 14
de Novembro do mesmo anilo, fazem parte cia receita geral
do Estado.
No hesito em afirmar que esse regimen não é conve-
niente, como nfío o c:: nenhum que põe o funcconario ad,
stricto a duas jurisdicções. Igual regímen já foi observa-
do na execução da lei n. 18(if de 22 de Outubro de 1879,
que, entretanto, estabelecia, s!mplesmente, a preferencia
dos promotores publicos para os cargos de ajudantes do
procurador fiscal e que cahio em desuso pela desvantagem
que manifestou.
Com effeito, o promotor de justiça não é o funccionario
mais competente para encarregar-se das execuções fiscaes,
por sua natureza odiosas, principalmente não tendo o esti-
mulo da modesta restituição de porcentagem, que cumpre
não recusar a nenhum agente de arrecadação.
Alem d'isto, tal como acha-se redigida a parte final do
citado art. 61, è duvidosa, e por isto demanda de explicação,
a competencia do promotor de justiça como ajudante do
procurador fiscalsi nas coilectorias da sua circumscripção
judiciaria (comarca) -si na collectoria da sede da mesma
circumscripção.

Vem a proposito tratar de outro assurnpto


resultante de
disposições encontradas das duas leis a que acima alludi.
A primeira d'ellas, isto è, a da organisação judiciaria,
determina, no art. 157, que as custas que pertenciam aos
funccionarios da Justiça e que ora pertencem á receita
geral do Estado sejam pagas em sellos adhesivos oppostos
aos autos e papeis, que assim ficam confundidas no imposto
do sello, que é diverso ; a segunda, porem, que é
a do or-
çamento, estatue no §1.° do art. 15, que taes custas serão
arrecadadas mediante guia, com as formalidades que indica..
E' fóra de duvida que o assumpto, por sua indole, ac-
commodava-se melhormente na lei fiscal c ao modo por esta
prescripto que é o unico que permitte a verificação do pro-
dueto dos dous impostos--custas
sello.
judiciarias- e-taxa de
Entretanto, urgido por frequentes constiltas das esta-
ções fiscaes, mandei que estas
procedessem pelo modo con-
stante da decisão junta, em annexo sob n, 1.

CO L L EUFORIAS

Estas estações flscaes, em numero de setenta e tres,


estabelecidas nas sédes..dos municipios, tem, de presente,
funccionado bem regularmente, recolhendo os seus
saldos
no tempo devido e procedendo, com louvavel solicitude e
honestidade, á arrecadação das rendas publicas.
Estão cilas, igualmente, incumbidas da arrecadação das
restàntes rendas federaes, conforme autorisaçào de V. Exc.
firmada no art. 7.° § 3.° da Constituição da União.

A porcentagem que os exactores percebem, pela effecti-


va arrecadação de impostos, é de 25 %até quinze contos de_
réis, e dc 1 O/. do que exceder dessa quantia, sendo 15 o/.
para as collectorias e 10 V. para os escrivães.
N'essa comprehensão não entram a arrecadação da di-
vida activa e a venda de estampilhas, de cujo Droducto reti-
ram os mesmos exactores a commissão de 5 Vo.
Este regimen está em bôa proporção e, por isto, con-
vem manterse nas collectorias cujas rendas não excedem
de quinze contos de reis ; naquellas, porem, que as excedem,
corno Aracaty, naturité, Camocim, Sobral e outras que se
verá de trabalhos que organiso para acompanharem a pro-
posta de orçamento, é de necessidade impei'iosa modificar-
se no sentido de abaixar a taxa da porcentagem continuada
durante o exerici:), sem attenção ao maximum de receita,
inhiba que e-,,sa p.)rcentagern torne-se excessiva em detri-
mento das rendas do Estado.
E' intuitiva a convcniencia de estimular, pela porcenta-
gem, o zelo do empregado de arrecadação; e, no entretanto,
esse estimulo annulla-se nas collectorias de maior rendimen-
to, desde que attinge este á quantia de quinze contos o que
ás vezes acontece no começo logo do exercicio restando as-
sim para o; ex...tctores a commissão de 1.o/ daS. rendas ar-
recadadas (rabi por diante, e a obrigação de pagar aos agen-
te-; a por:entagena por inteiro do que estes arrecadam do
imposto de rez de consumo.

O orçamento vigente reduzi° a 3.600$000 o credito para


vencimentos de guardas vigias das collectorias do littoral.
Por isto e pela consideração de se haver extincto o ser
viço de fiscalisuçào de generos importados, o que permittia
a reducçào do 7esal de taes collectorias, manteve-se dous
guardas vigias na collectoria do Aracaty, do us na clo Cama-
cim e um na do Acarahú ; sendo, portanto, exonerados clous
na primeira e um na segunda d'essas collectorias.

CONTABILIDADE

A contabilidade publica, como a definiram Audiffret e


Cabautous, deve esclarecer, em todas as su:ts partes, o vasto
complexo da organisação financeira e politica, fazer pene-
trar os raios luminosos do methodo e da analyse, aos meno-
res movimentos do seu mechanismo, espalhar seu brilho
investigador sobre a acuo incessante do poder executivo, e
guiar, ainda, a censura das camaras legislativas e o juizo do
paiz.
E' facil, pois, de comprehender a iuiluencia ou auxilio
directo que um systema de 'contabilidade exerce nos actos
executivos do Estado, não sendo temeridade avançar que
onde falha a regularidade d'esse systema, sobrevem neces-
sariamente o criterio individual, que mais nãu que o ar-
bitrio, para resolver os problemas dos dous poderes.
E', pois, concretisando a justeza conceito que o
art. 29, § 2.° da Constituição incumbe a Assernbléa Legisla-
tiva orçar a receita e fixar a ciespeza do Es1.7.10, .1111111.11,11iliC,
precedendo proposta do Presidente do SI11(),
111 10111.11.
contas do exercicio financeiro ; sythese bem curta, mas que
revela a vastidão dos serviços de contabilidade que são ne-
cessados ao cumprimento d'estes dous preceitos.
Quanto ao primeiro d'elles, tenho em mãos os elemen-
tos precisos para apresentar a V. Exc. afim de
que ordene
a leitura da proposta da receita e de despcza para o novo
exercicio, e possa envial-a á Assembléa «entro do prazo
fixado no art. 59, n. 10 da
mesma Constituição.
Quanto, porem, ao segundo, isto, é, á prestação de con-
tas do exercicio finanCeiro,
não havendo li ordinaria que
regule esse processo, como é indispensavel, tratando-se
de
um preceito constitucional, que interessa a dous (los poderes,
politicos e que, por isto mesmo, deve ser executado confor-
me as praticas estabelecidas pelo
concurso dos dous poderes,
como se opéra na confecção das leis, é forçoso
recorrer ao
systema de balanço por exercicio,
Mas, já deixei referido que, n'este ponto, estamos n'um
lamentavel atrazo, pois que o ultimo balanço concluido
re-
monta-se ao exercicio financeiro de 1881
! !
-160 -
Entretanto, aguardando lei especial que regule, por
modo mais sumularia, o cumprimento deste dever, ou que
se ponha em dia o serviço dos balanço's? como 'e'spero do
empenho que ligo ao a.ssumpto, lembrarei a conveniencia
de, presentemente, exercer a Assembléa essa attribuiçào de
tomar as contas do exercicio financeiro por meio de urna com
missão de seu seio que, examinando na Secretaria da Fa-
zenda a escripturação da receita e despeza, apresente rela-
torio sobre que se manifeste á mesma Assembléa. Esse
alvitre não é urna novidade, pois já foi posto em pratica
pelo Parlamento Brazileiro em 1834, em virtude de disposi-
sição, quasi parallela, do art. 37 n. 1 da Constituição de
1823.

Os quadros seguintes demonstram a divida activa e as


contas de exactores liquidadas por esta Secretaria a contar
de Julho do anno passado a Junho corrente..
-161
QUADRO da divida ItenVa 11(1111(14 no período
de Julho a Dezembro de 18W2.

MUNICIPIOS NATUREZA DA DIVIDA ExERcictos lupowrAsciAs


1

Fortaleza... Decima 1889 5.771$220


Industria e profissão 7.079$280
Sobral Decima 1891 86$320
Industria e profissão 112$280
Aurora Decima 24$960
Industria e profissão 193$820

13.267$880

QUADRO da divida activa liquidada de Janeiro


a Junho de 1893.

MUNICIPIOS NATUREZA DA DIVIDA EXERCICIOS biPORTANCIAS

Fortaleza... Decima 1890 a 1892 13.M$280


» Industria e profissão » » 45.565$940
idaturité.... Decima 1891 1-15$080
Industrio e profissão 158$860
lpü. .....
1)

Decima 1886 a 189(} 513$480


)1
Dizimo » » » 1.127$490
Industrio e profissão 1886 a 1891 3.840$700

35.159$830
RELAÇÃO das contas de exactores liquidadas
no periodo de Julho a Dezembro de 1892.

MUNICI- TEMPO DO EX- IMP, DOS


EMPREGOS NOMES
PIOS ERCICIO ALCANCES

Fortaleza Cobrador Francisco de


Assis No-
gueira 9 de Agosto
de 1889 a 30 de
Novembro de
Acarape Collector Antonio da Sil 1891 4.648$567
va Mattos 21 de Janeiro
de 1876 a 32de
Julho de 1889 6.924264 -
Quixadá Collector J osino Alves
Teixeira 8 de Julho a 15
de Agosto de
1892
11.569$831
.163
RELAÇÃO das contas de exactores liquidadas
no periodo de Janeiro a Junho de 1893.
IMMEMIN10~~"I vffie~~.~.~...el
MUNICI- TEM PO DO EX- MP . DOS
EMPREGOS Nom ES
PIOS ERCICIO ALCANCES

Aquiraz Collector Manoel José


de Freitas
Ramos 1.0 de Março
de 1886 a 5 de
Setembro de
1888 109073
Escrivão José da Costa
Gadelha 5 a 18 de Se.
tem bro de 1888
e 8 de Janeiro
a 29 de Feve-
Quizera- reiro de 1892 104706
mobim Colleclor Tiburcio V. de
Castro e S
Va 4 de Março de
1889a 29 de A-
bril de 1892 299$824
Assaré Collector Pedro Onofre
de Farias 1.6 de Agosto
de 1869 a 9 de
Fevereiro de
1871 13085
433$188
-164,
Como medida attinente á realisação dos balanços em
atrazo, por isto mesmo que é serviço extraordinario, indico
uma providencia. tambem extraordinaria, mas de caracter
provisorio.
Por decreto n. 5 de 3 de Março do anno passado, foi
supprimida a cadeira de latim da cidade de S. Bernardo das
Russas e addido á Secretaria da Instrucção Publica o respe-
ctivo professor, que é um funccionario habil e morigerado.
Permitta a Assembléa que elle passe a servir, provis-o-
riamente, n'esta Secretaria, percebendo, pela diferença de
serviço, naturalmente mais exigente um laborcrasoa-
vel, e com certeza, terá dado valioso impulso a esse ser-
viço.
Igual providencia, e nas mesmas condições, pode ser
adoptada em relação aos empregados de escripta da Secre-
taria da mesma Assembléa, no intervallo em que esta não
estiver funcciánando.

OPERAÇÕES DE CREDITO

A lei n. 24 de 28 de Outubro ultimo autorisou o Presi-


dente do Estado a fazer operações de credito até quinhentos
contos de réis para facilitar o troco miudo ao commercio e
aos particulares, convertendo para este fim, o resultado das
mesmas operações em coubons ou apolices ao portador,
representando valores de um tostão a mil réis.
Oppressiva, desesperada mesmo, era a situação da nos-
sa praça principalmente nas pequenas transacções da eco-
nomia domestica que bem reclamavam a providencia d'essa
lei ou qualquer outra que tivesse por objectivo o inadiavel
desafogo de tão precaria situação.
Sobrevindo, porem, o acto do governo federal que, rea-
lisando a reforma bancaria, fez voltar a si o serviço de res-
gate ou substituição das notas do Thesouro, desde logo me-
lhoraram, sensivelmente, as nossas condições pela difusão
das cedulas de pequeno valor mandadas dar em substituição
das de maior ; e assim não teve V. Exc. necessidade de dar
execução á autorisação da referida lei.

LOTERIA DO ESTADO

Alludo ao serviço d'esta loteria, cujo contracto tem exe-


cução pela Secretaria do Interior, para consignar uma de-
pti,

cisão de V. Exc. expedida pela Secretaria da Fazenda por


versar sobre materia de iw posto
Conforme o respetivo e..11tracto e subsequente modifi-
cação corre ao concessionario o ciever cle entrar mensalmen-
te para o cofre da Fazenda com a prestação cle sete contos
de réis como. indemnisaç,lo do imposto de ",./. que os leis
1

federes cederlm em beneficio das casas de caridade, estabe-


lecimentos pios e instrucçào publica e de ,ittaCsvuer benefícios
ou impostos creados e por crear for lei Estado, cor-
rendo-lhe igualmente a obrigação de wJgar o imposto do
seio por bilhetes, (clausulas 2.3 e
Este ultimo imposto. que até. o fim de Dczembro era re-
colhido a repartição de Fazenda Federal, reverteu para o
Estado epassou a ser por este arrecadado a datar do 1.0 de
Janeiro, quando entrou cm vigor a classificação das rendas
estabelecidas na Constituição da Uni .o.
Sobreveio, porem, o decreto cio governo Federal de 17
de Fevereiro ultimo que, em virtude do art. 3.`) do novo or-
çamento da União, tributou com 2 altitulo de fiscalisação,
as massas das loterias dos Estados que tivessem curso na
Capital Federal.
N'esta emergencia impunha-se a seguinte alternativa
ou a cessação do contract() pela impossibilidade de ser
mantido com o novo onus, ou a sua. inn.vação com abaixa-
mento da quota do beneficio.
Esta ultima hypothese prcte.ndeua o cencessionario
que foi indeferido muito raoavelmente, assim por falta de
competencia do poder executivo em ussumHo que já per-
tencia ao dorninio do legislativo como se ve da lei cio orça-
mento vigente, mas t;.]rnbem por 11à0 ser" 3C1111iSSiVel a reduc-
çào do beneficio.
Entretanto, permittiu v.Exc., por intermeclio d'esta
Secretaria e decisão de 20 de Janeiro, que da importancia
do imposto dos bilhetes 1.0:.s;: cle,cluzid:t e rcstituida ao con-
cessionario a importanc.ia de 2 co II0V0 imposto federal
de fiscalisaçào,
desde que, se fizesse elrectiva a cobrança
deste.
N'esta conformidade, pois,
data do referido decreto,
se tem proceciiclo, desde a
dO
sendo a restituição feita em face
con4ec1mento da quantia recebida pelo Thesouro Nacio-
nal.
Não chev..a ao meu alcance. cle raio bem curto, é certo, o
incessante aecumulo de impostos sobre loterias que, si já
agora nao
-
prestam-se a perpetuar o testemunho de fú chris-
tà, coma conservação e restauração dos templos, continuam
prestar auxilio a instrucção publica e á caridade, que é in-
genita a alma humana e que existirá emquanto a commu-
nhão social não for o exclusivismo de seres igualmente fe-
lizes.
Equiparada a jogo de azar e, portanto, reputada incon-
veniente aos costumes sociaes, não vejo que os poderes
publicos tivessem outra acção que não fosse a de prohibir
directamente ; mas fazei-o por meio indirecto, qual é o de
onerar, progressivamente, por impostos, é tirar partido, em
proveito proprio, d'aquillo mesmo que se propõe difficultar,
e, alem d'isso, concorrer para tomai-o em monopolio dos
poucos que possam dispor de maiores capitaes para especu-
lar n'essa industria, que assim mais se impõe pela impossi-
bilidade de facil concurrencia, e mais prejudica a massa po-
pular, porque é intuitivo que, quanto mais se exigir a titulo
de imposto, tanto menor será, necessariamenle, a quóta de
premios a distribuir.
Mais, ainda mesmo jogo de azar. a acção repressora dos
poderes publicos parece-me muito discutivel e deprimente
da personalidade do homem na posse do direito de adminis-
trar-se, porque em taes condições, é inadmissivel qualquer
especie de tutella ou curatella, sendo licito a cada um appli-
car os seus haveres tios jogos de fundos publicos, nas via-
gens e n'outros passa-tempo e especulações que não raro
arruinam.
Concorrer para que taes jogos tenham a mais franp,
inspecção não indo rerugiar-se nos antros sombrios por fo,r
ça da prohibiçào e onde mais funestos se tornam ; prohibir
que n'elles tomem parte os menores e interdicto, actos são
estes que bem denotariam uma melhor orientação, deixan-
do a cada um a liberdade e responsabilidade de suas acções,
pois certamente a sociedade não teria em igual consideração
o jogador de profissão, que na ordem economica representa
um parasita que consome seu] produzir, e o individuo que
applica a sua actividade ao trabalho util, retribuindo assim
a sua quóta de consumo.
Fulminar, porem, tae:: jogos com repressão ou prohibição
em nome do poder social d, no caso de loterias, um embus-
te para desfarçar a quúta crescente na imposição ; e, ups ou-
tros casos, medida contra-producente, porque mais 'ággra-
va os seus effeitos, c, como já disse, é humilhante da perso-
nalidade do homem, assim collocado em pé de inferioridade
ás mulheres o'3C1 após o enfraquecimento do velho direito
-167
romano que lhes dava tutella perpetua, provocaram a Cícero
a conhecida satyra/:i envcnerunt Mono,: qucv ro-
testale mulierzon conlincretur.

CONSIDERAÇÕES SOBRE os im posTos


Não calarei, neste capitulo, os desgostos que hei experi-
mentado na gestão dos negocios da Fazenda, o que è Mais
difficil tem tornado a minha tarefa em desproveito
da causa
publica.
Sem maiores aptidões para o assumpto, corno já disse,
eu conhecia sufficientemente o conceito do velho economista
J. B. Say, externado n'estas palavras.
« A posição dos agentes do fisco, desde o ministro
« das finanças até o ultimo empregado, os torna
« mente hostis para Com os cidadãos Todos constante-
consideram o
« contribuinte como um adversario e muito legitimas todas
« as conquistas que se façam sobre elle. Acontece mesmo
« que os empregados encontram em vexar
o devedor uma
« certa satisfação de amor proprio, um
« que experimentam os caçadores quando prazer analogo ao
conseguem pela
« força ou pelo ardil assenhorearem-se da caça.
« posição Esta dis-
se liga tanto a nossa natureza, que tèm-se visto
« administradores de uma elevada ,jerarchia jactarem
« nos parlamentos. de terem, se,
« do a fallencia de muitas
por meio de tomadias. causa-
casas de commercio. Em uma
a
circumstancia semelhante um outro administrador
« gloriava-se deter feito van-
«
pagar a uma classe de productores
sommasconsideraveis sem que elles o percebessem. »
Assim, de sobre aviso com esta licção para não
xar resvallar n'estes me dei-
exaggerados
são do que a improbidade
sentimentos que mais não
bem não cahiria no ex::..rcicio das funcções, tam-
no vicio do
pela desidia ou pela invação extremo
de
opposto. prevaricando
não executar ou alheias a ttribuições para
ção doutrinal executar de modo repellido pela interpreta-
disposições legislativas sobre materia de im-
postos.
Em Gandillot
finiçào
(science des finances) encontra-se esta de.
sobre orçamento, que nào
transcripção
me posso furtar á sua
« O orçamento é
« da a mola real, a base mais indispensavel
administração, a alavanca do ministerio da fazenda e a
« garantia mais efficaz
para uma boa contabilidade financei.
- 68-
ra. Com effeito pelo desenvolvimento das receitas, elle
« permitte a appliceação regular elos principios do imposto,
« assegura ao governo a integridade de seus recursos ordi-
« narios e livra 03 particulares cie exigencias illegitimas. Si
as leis fiscaes se limitassem a consagrar algumas maxi-
« mas de economia politica apropriadas ao espirito e aos
costumes do tempo, algumas regras mais ou menos incorri-
pletas, vagas ou incertas, evidentemente a percepção dos
« direitos do Estado experimentaria entrave.:, numerosos por
parte dos contribuintes. ao passo que ficariam estes eu-
« tregues á ignorancia ou improbidade de exactores sus-
peitos. »
Eis porque, com preterição de conveniencias de outra
ordem, são os orçamentos orp;anisaclos annualmente, dando
assim logar a que, em curto prazo se corrijam defeitos e
lacunas, no interesse commum do fisco e dos contribuintes.
Não demonstrarei, porque é axiomatica, a obrigação que
tem todo cidadão de concorrer, pelo pagamento do imposto,
para as despezas publicas na proporção dos seus haveres e
na conformidade das leis.
Entretanto, grita decornpassacla e resistencia tenaz tem
provindo da adopção de diversos impostos no. orçamento
actual, não só por parte de quem, sem laços de solidarieda.
de na situação politica, procura difficultal-a por taes meios
subversivos da ordem que, sendo a primeira condição social,
não é apanagio de partido, mas da causa publica a que não
é licito disservir, como tambem por alguns que, vinculados
á mesma situação, devem-lhe franco apoio e lealdade, que
deixa de existir, desde que é restricta ou convencional.
Refiro-me, especialmente, aos impostos de productos
exportados pelas fronteiras, ao de transmissão de proprie-
dade,e ao de estatística.
Quanto ao priméiro, que consta da parte final da tabella
Ado orçamento, e que evidentemente foi taxado do
modo porque está, como condicção de effectividade da arre-
cadação do imposto de exportação. o qual, de modo contra-
rio, seria burlado escoando-se os productos pelas fronteiras,
suscitou vehementes censuras pela imprensa e uma repre-
sentação de cidadãos do municipio da Barbalha, pedindo a
suspensão de sua execução. Traduzindo o pensamento de
S. Exc., respondi á essa representação, por interrnedio do
collector d'aquelle municipio, nos termos do officio junto
por copia sob n. 2, emprazando para a actul sessão da
Assembléa Legislativa,
-169
Quanto ao segundo, firma-se o máo acolhimento na
consideração de haver sido elevado a 10 "/,, de 1 '1. que era
nos orçamentos anteriores.
Não negarei o que notavcis publicistas têm produzido
no sentido de demonstrar quanto cssz; imposto tem n de op-
pressivo e ante-economico ; basta recorrer ao relatado que
o ministro da Fazenda, conselheiro Calmon, depois marquez
de Abrantes, apresentou as camaras em .1828, e tambem ao
opusculo do conselheiro Saturnino sobre a suppressào de
alguns impostos. Todavia, importando a sua renda em
consideravel quantia que as nossas condições financeiras
não permittem diminuir nem substituir por novo imposto,
ou pela aggravação da decima predial, factos que sempre
trazem prevenções e relutancias, é força convir que esse im-
posto, elevado, como foi, a 10"/, no excedendo do rasoavel,
visto como incorporou-se-lhe a taxa da siza de 6 ci. e 20 ad-
dicio-naes que o governo central cobrava nas tran:missões
de propriedades, e que reverteu para as rendas do Estado
sendo, alem disso, imprescendivel um augmento de renda
para fazer face as despezas das novos encargos. Tal qual
está, não foi alem do seu primeiro estabelecimento adopta-
do pelo alvará de 3 de Junho de 1809 que marcou-lhe a taxa
de 10 0/o.
Em relação ao ultirrio,isto é, ao imposto d estatistica,
preciso referir alguns preliminares.
O commercio desta capital, no falso supposto de contri-
buinte real nas operacões mercantis, e ainda assim esque-
cido dá suspeição de que por isto mesmo se effectuaria para
impôr-se n'unaa lei de orçamento, que não pode attender in-
terisse de classe porque tem de harmonisar o de todas que
faz o conjuncto social, agita-se desusadamente, sempre que
trata-se da elaboração de um novo orçamento. Dir-se-ia
que a taxa mais ou menos elevada n'aquillo que constitue
objecto de negocio, não entrasse no computo do custo para
determinar-lhe o preço de compra e venda.
Foi assim que, por occasião de discutir-se o actual or-
çamento, assumi° o commercio essa attitude, já individual-
mente, por diversos de seus membros, e já collectivamente,
por uma commissão especial, visando orientar a mesma
elaboração no sentido ostensivo de conciliar as necessida-
des da administração com os interesses do contribuinte.
Em inemorandum que corre impresso no diario «A Re-
publica» de 8 de Novembro ultimo, essa commissão accen-
tuou que, sendo vedado ao Estado cobrar direito sobre gene-
70
ros de imporloçào, va-se 15ora 0 actual exerc.:feio un?
que de receito que no orçamento ultimo ,Ira ca
leiti3d0
250.004)00: e aecreseentou que paro annullar
esse desfalque
e o de outras rondas, comportavam abaixamento
as taxas de
exportaçào e de industrio e profissão, estabelecendo-se
porcenta,em 111.11.0)' 011 menor sobre o valor do unia
titulo de industrio e prolissào pana Os negoCiontes i'mporlo;ào
importado-
res, e o sello de lo°10 sobre as jOcturas dc mercodori,is es.
trangeiras importados or cab olaei,i, 1:iendo except».i0 Cite.
nas de generos alimenticios d2 primeira necessid.de
como
arro.;:, larinh 3 de rifo, milho e s.emelh..(nles.
Por honra dos distinctos cavalheiros que firmaram esse
memoranduin, ninguein põe era duvida a sinceridade dos
seus conceitos para attribuir urna inten0o reservada no
intuito de subtrahir ao governo as rendas precisas á vida
normal no Estado.
Pois bem : a lei do orçamento, na tabella assim ,
dispoz
« O imposto de industrias e profissões é devido por
todos os que, individualmente, ou em companhia ou so-
« ciedade anonyma ou commercial exercerem no Estado in-
dustria ou profissão, arte ou officio e será arrecadado do
modo seguinte

TAXAS ESPECIAES

« § 7.^ As casas commerciacs pagarão mais 3.,' como


« imposto de estatística sobre o valor official das mercado-
« rias ou artigos de commércio não produzidos ou manufa-
« cturados no Estado e que se destinarem ao consumo no
« mesmo. »
Este imposto, cuja arrecadação foi regulada pelas in-
struçções de 8 de Fevereiro, juntas por copia sob n. 3, não
é de maneira nenhuma, onus real, isto é. não incide na
mercadoria com que não impece de forma alguma, porem,
imposto pessoal pelo exerzicio cia profissão, pois é incon-
testavel o direito que tem o Estado de a tributar ; e, si toma
o valor da mercadoria para base do imposto, é no louvavel
intuito de fazei.° mais igual para os contribuintes e por isto
mesmo mais equitativo, sem alterar a sua natureza, que
tanto subsiste pelo modo pratico da arrecadação adoptada
nas referidas instrucções. como por um outro qualquer de
lançamento tendente ao mesmo fim.
--171-
Entretanto, o commercio reagi° conleanclo a sua con-
stitucionaliclade e, depois de ser desattendiclo na jurisclicção
administrativa, recorreu ás autor!clacles iticliciari, levando
assim o Estado a sustentar quest(ies par ent.,.ar na posse
dos recursos da previsão orçamentaria.
Em homenagem úcircurn,;pecção dç mcnibt do poder
judiciario que tèm de prnnunci.tr no a;,11:npt,) ab.;tenho-me
de fazer-lhe mais clescnvolvil, rliaú Iara de
duvida que come-,-,t2 prck:r.di,n,.:n! o, 0 Vorta-
leza estabeleceu urn rnau prece::!enc. e \ u C:11 posição
difíicil aquelles a quem acreclitara para 1epr.::(21-1;.;1-o peran-
te os poderes publicas na elabo!-aç;k..-) do rercr

A ta de sello, sendo, como (1:, suscepti-


vel de ;.iriações, convem lue estal.-)HciLla m Ici espe-
cial, bastando que a dila reilrain-se
quentes. IlYisso rer,ulturil vatit:1:4211s iuridi-
eas que entendem com cs'.,:e imposto, ta ini.);:m para a
elaboração dos orçamentos, iné:1:-)s extensos
permittindo, ainda. a acklução uLdrcs do
seu uo e applicação.
1)3ra a sua escrirduração ris
de caracter provisorio, cle il..strucções,
13 (icDw h u 1 ti n.juntas por
cop, sob n.

O imposto sobre jangada de


pecaria. i inc.la.L¡uc modes-
tamente taxado como se acha, ctinvein eliminar do
to, porque é de resultado negativo n'unla oNamen
cem leguas, servida apenas por dez etaçCies
cta cle mais de
Alem d'isto, este imposto, can-1,J gualuucr outro de con
sumo, não obedece aos preceitos cconotricc) da tributa.ção,
pois não incide na renda, mas no salario,
UC O que a jan-
gada produz para
os nossos pescadores.

A taxa sobre
. lar n'estu carroças cle aiuguel ou7ide serviço partieu-
capital, bem merece reclucção dc3(.)?'. para :30$000 ;
1.1 I

acloptandose, entretanto, registro e numeração especial na


Recebedoria para que este serviço fique isento do subsidio
municipal.

Igual isenção convem adoptar, pelo modo que parecer


mais efficaz,,em relação ao imposto sobre rez abatida para
o consumo.
O art. 8.0 da lei do orçamento commette a fiscalisação
d'sse serviço a funccionario evidentemente municipal.
No entanto, nulla tem sido esta fiscalisação e assim pre-
judicados os interesses do Estado.

Eis, Exm. Sr., as impressões que posso externar do


serviço a meu cargo.
Suppra a sua deffinencia o esclarecido juizo de V. Exc.
para que, assim, consigamos pelo concul so do corpo legis-
lativo, os melhoramentos de que ha mistér.
O Estado não deve ; e, na data de hoje a sua situação
financeira é'a que consta do balancete em frente, que per-
mine o seguinte conceito : não temos margem para grandes
commettimentos; mas tambem não nos sentimos enervados
ao peso de compromissos.

SAÚDE E FRATERNIDADE

11Irn, e Exm.° Sr. Dr. José Freire Bezerril Fontenelle,


D. Presidente do Estado.

O Secretario interino

Ferreira c-le
-1 73
EXERC1C10 DE 1tY3

ESTADO DO C.A ix A i; ERA I. E SEUS AUXILIARES ATE HOJE


BALANCETE DO

Ciira Ge3I
.
t',32.120:$586
Receita 32, 76$9G9
Despeza

Saldo 10,544;1'7

CL! Lit h3Si1os

Receita . 270.548$781
Despeza . . 50.811$169

Saldo. . 210. 737$G12

Ca ixa de diversos rjjores

Receita 1.6914'380
Despeza .

Saldo. 1.(9$38O

dos s31,los

Em dinheiro no caixa geral 169.543$617,


» » depositos 52.057$81.1 221 01$428
» papeis de credito » 'J. 1$862
» apolices 146.(3159391
» diversos valores 1.000$00o 1 17 034$939
» lettras 69 $380
_
. 972$009

5.a Secção da Secretaria dos Negocios da Fazenda do


Ceará, em 30 de Junho de 1893.
O escrivão do Caixa
-A rim do Gran:,,eiro Gonclim.

Thesoureiro
Antonio 1 ereir..7 dc Hrito

Confere, O director geral


Antonio Lopes Per re
Secretaria dos Negocios da Fazenda do Ceará, em 17
de Maio de 1893.

O Secretario interino dos Negocios da Fazenda declara


ao Sr. Collector do municipio de em resposta ao seu
officio de que as custas ,judiciarias óra pc:rtencentes á
receita geral do Estadn, ca taxa de seno ou sello de estam-
pilhas são impostos differentes, e como taes devem ter a
sua classificação especial, pois que a arrecadação promiscua
de ambos não permitte a verificação do producto de um e
outro, como tanto importa ao regia= orçamentario.
- Assim, esta Secretaria e as repartições de sua depen-
dencia não podem deixar de observar as prescripções fiscaes
da lei orçamentaria, cujos arts. 13 e 15 estabelecem o modo
pratico da arrecadação dos referidos impostos..
Mas, attenta a disposição do art. 157 da lei da organisa-
çào judiciaria, que em desaccordo com o art. 15 do orça-
mento vigente, permitte o pagamento das referidas custas
em sello adhesivo (estampilhas) impedindo d'est'arte, a al-
ludida verificação do producto de cada uma d'estas fontes
de receita, cumpre respeitar a inteiligencia que os funccio-
narios da ordem judiciaria derem ás citadas disposições até
que o poder legislativo as defina convenientemente ; e assim
não deve o Sr. Collector recusar a venda de estampilhas
quando forem exigidas para pagamento de custas, limitan-
do-se, porem, a escripturar como taes as que forem pagas
mediante a guia de que trata o art. 15 1.0 da lei do orça-
mento.

11 cl Ferreira de niellu.
N.
Secretaria dos Negocios da Vazenda Ceará, em 31 de
Janeiro de 1803.

N. 41.
Sr. Collector da cidade da 1-;a[balha.

O Exm. Sr. Presidente do Estado em attenção e cor.


respondencia ao direito de petiçáo, cicteurnina que façaes
constar aos cidadãos (..lregorio l'ereira Hpo Callou,
Pinto de Sá Barreto e outros desse inu:1Hpio que lhe Antonio
giram uma representação datada cie G dee mcz e no senti- diri-
do de ser suspensa a execução da lei orç.iriclitaria
do cor-
rente exercicio que, escapando o assurnp..,) á sua privativa
attribuição, reserva-o para submetter a cc,:lidcraçào do
po legislativo em sua primeira reunião. cor-
Entretanto, corno chefe do poder executivo, e
mesmo collaborador na clecretaçãoda rel.ida por isto
cicio da sancção, cumpre-lhe fazer effc.:tiva lei pelo exer-
observancia correspondendo assim á
a sua inteira
de responsabilidade que n'ella assumira plena eoparticipação
Legislativa, perfeitamente
com a .-1.ssembléa
convencido, como ainda e:31:1. de
que consultava, pelo melhor modo,
communhão cearense no definiti\.7o comprexos interesses da
periodo da sua organi-
sação politica.
Com effeito, attendendo-se aos novos encargos
saram para 9 Estado, á eliminação que pas-
das e á cessão de outras em favor dos de alguma de suas ren-
periosa a necessidade de municipios, era im-
á despeza a occorrer. proporcionar as taxas tributarias
Por outro lado, sendo
notel a clifferença, das condições
locaes, o que tanto difficulta
um systema de impostos não é
para levar á conta de imPrevidencia
e menos de intuitos
reprehensiveis, a possibilidade de
dem em resultado que semelhantes taxas
ser uma localidade mais tributada do
que outra conforme o
curso que der aos generos de sua pro-
ducção.
O imposto de exportação è a base cio
do Estado, e mal procederia systema tributado
este si, sophismado e conse-
quentemente ahnullando aquella,
çào aos productos de creasse ecepção em rela-
sua lavoura aliás insuflieientes para o
proprio consumo.
-t76-
Portanto, como condição proteccionista ao consumo in-
terno que tão directamente interessa as classes menos abas-
tadas e tambem como tributo necessario á effectividade dos
direitos de exportação, era indispensavellegislador
um 'tributo com-
na tabel-
pensador, como o que foi adoptado pelo
la Ado orçamento na parte relativa aos productos que
sahem pelas fronteiras.
Por ultimo, lamentando que as impressões suggeridas
do orçamento em questão não
por preventiva hostilidade
tenham permittido que alguns espiritos mais apaixonados
confronto das suas taxas
instituam imparcial exame e exacto
com as que até então pagavam os
contribuintes semultanea-
ao Estado, e que, ora compi-
mente á União, ao município e
referido orçamento, limitase a
ladas representam-se nas do
affirmar a mais pontual execução deste, não tolerando que
lembrado dos seus deve-
nenhum agente do governo, menos
res, converta o em instrumento de favor ou perseguição,
certo como está, de que somente
pela fiel execução de uma
defeitos e que estes, uma
lei podem ser conhecidos os seus
de ser sanados pelos represen-
vez verificados, não deixarão
tantes 1;gaes do povo cearense.
SAÚDE E FRATERNIDADE.

Ferreira de Mello.

N. 3.
COPIA

2. SECÇ,X0

conferi-
O Presidente do Estado, usando da attribuiçãoresolve ex-
da pelo art. 59 § da icspectiva Constituição,
observadas na
pedir as seguintes instrucções para serem
cobrança do imposto de estatística
Art. 1 .°O imposto de esta tistica de 2 ./
estabelecido
lei do orça-
no §7.° das taxas especiaes da tabellaB da mercado-
mente vigente, é devido sobre o valor official das
rias ou artigos de commcrcio não produzidos ou rnanufactu-
rados no Estado que entrarem para o seu consumo pelos
diversos portos, a datar do l ." de Janeiro proximo findo.
Art. 2°No municipio da capital será este imposto
cobrado pela secção de Recebedoria da Secretaria da Fazen
da mediante a relação dos dados estatisticos colligidos na
Alfandega pela repartição de estatistica e nos municipios do
littoral pela respectiva collectoria mediante igual relação
organisada pelos collectores em face dos documentos das
mercadorias subministrados pelas mesas de rendas ou
agencias federaes.
§ Unico. Os referidos dados estatisticos serão organi-
sados nos primeiros dias de cada 111'2Z com relação as entra-
das de mercadorias occorridas no mez abterior, e deverão
conter
1.0 Os nomes dos importadores.
2,° O valor official das mercadorias de cada
3.° A importancia a cobrar do imposto de importador.
dous por cento.
Art. 3.°Assim organisadas as relações destes dados
que .desde logo considera-se o lançamento da divida,
a
secção de recebedoria, por edital no jornal cio
as collectorias por avisos directos aos
expediente e
contribuintes darão
sciencia a estes da importancia em que estão lançados
que paguem ou possam reclamar dentro do para
dias. prazo de dez
§'Unico. Esta reclamação só poderá ter Jogar nos
seguintes casos
1.0 Excesso de mercadoria ou do valor ollicial d'estas,
comprovado por certidão da repartição federal em
tiverem sido que
colligidos os dados estatisticos.
2.° Diversidade de pessoa do
do mesmo modo. importador comprovada
3' Erro de calculo em relação ao imposto
Art. 4u Findo o prazo do art. antecedente,a exigir.
as reclamações justas que forem attendidas
as que não estiverem
apresentadas e indeferidas
nestas condições, será havido n'esta
conformidade o referido lançamento,
da a encher as passando-se em segui-
cada um dos respectivas certidões de dividas referentes a
contribuintes. Entretanto, das reclamações
indeferidas poderão os interessados
taria da Fazenda e ainda desta recorrer para a Secre-
dentro de dez dias para o Presidente do Estado
sendo attendido
a contar do anterior indeferimento ; c,
cora a em qualquer destas instancias se cancellará
precisa nota a certidão relativa.
Art. 5.uA datar do edital
ou aviso prescripto no art. 3
começar'ão a secção de recebedoria e collectorias do littoral
no recebimento á bocca do cofre das importancias devidas
por este imposto, continuando assim por espaço de trinta
dias, findos os quaes estas repartições addicionarão a multa
de vinte por cento nas certidões não solvidas que immedia-
tamente serão remettidas á Secretaria
de Fazenda para ter
logar a prompta cobrança executiva.

Palacio da Presidencia do Ceará, em 8 de Fevereiro


de 1893.
José Freire Be.zerril Fontenelle.

Migwel Ferreira de Mello.

N. 4.
COPIA
de
O Presidente-do Estado, attendendo a conveniencia
regulamentar o serviço de escripturação das estampilhas
destinadas á taxa de sello, em virtude do art. 13 da lei n. 35
de 14 de Novembro ultimo, resolve que no mesmo serviço
sejam observadas as seguintes

INSTRUCÇÕES

Art. 1.-0 Secretario da Fazenda, logo que receber


a sua
qualquer supprimento de estampilhas, fará proceder
contagem, abrindo-se somente nesta occasião as caixas ou
volumes que as contiverem e cuja intactilidade deverá ser
constatada perante o director geral, procurador fiscal e the-
soureiro respectivos que assistirão a mesma contagem da
de es-
qual se lavrará termo indicando o valor de cada typo
tampilhas, a côr e mais caracteristicos destas
§ Unico. N'cste termo, que será lavrado em livro espe-
oppor-
cial, a cargo da secção do procurador fiscal, se fará
tunamente a nota, rubricada pelo mesmo Secretario, da
data em que taes estampilhas forem lançadas á emissão.
-179-
Art. 2.°Procedida a contagem, não se achando con-
forme a declaração da remessa, será isto immediatamente
communicado a repartição remettente, sobr'estando-se na
emissão de taes estampilhas que, entretanto, serão recolhi-
das ao cofre de tres chaves até definitiva solução do engano
verificado. No caso contrario serão desde logo carregadas
ao thesoureiro em caixa especial que estará a seu cargo e
em que se lhe creditarão as sahidas por supprimentos feitos
ás estações fiscaes mediante despacho ou ordem escriptas
do Secretario da Fazenda.
Art. 3.°Serão conservadas nos cofres de tres chaves
de onde se irá tirando a quantidade precisa para o movi-
mento das estações fiscaes, não podendo o thesoureiro con-
servar em seu poder, para todos supprimentos, quantidade
de valor superior a quarta parte de sua fiança.
Art. 4.°Os supprimentos, urna vez feitos a pessoa in-
dicada officialmente pelas estacões fiscaes serão levados á
conta corrente d'estas em livro tambem especial que fica
para este fim adoptado na segunda secção ; não se fazendo
a cada urna d'ellas novo supprimento sem que verifique se
pelo confronto da mesma conta corrente com os balancetes
geraes da receita e despeza nas quaes se mencionará a re-
ceita proveniente da venda de estampilhas, sobre a rubrica
taxa de sello.
Art. 5.°Nlesta mesma rubrica lançarão diariamente
as estações fiscaes em seus caixas o producto que realisa -
rem (festa origem.
Art. 6.°Os empregados das collectorias, não sendo re-
munerados por vencimento fixo, mas por porcentagem, per-
ceberão pela venda de estampilhas 5 °/. do que realisarem
deste serviço, sendo 3
°,. para o collector e 2 °; para o escri-
vão. Os thesoureiros,
porem, da Fazenda e da Recebedoria,
como funccionarios que são de vencimentos fixos, nenhuma
Porcentagem perceberão por tal serviço que é onus legal do
proprio emprego.
Art. 7..A Secretaria da Fazenda não arbitrará por-
centagem ou com missão alguma a particulares pela venda
de
estampilhas nem impedirá a mesma venda. comtanto que
seja feita sem agio, incorrendo
dO art. 49 do
o contraventor na sancção
dec. n. 8.946 de 19 de Maio de 1883 combinado
cora o art. 21 da lei
n. 35 de 14 de Novembro ultimo.
Art. 8..Sobrevindo
da motivo que aconselhe a cessação
emissão de qualquer typo de estanipilhas,a Secretaria da
Fazenda o declarará
immediátamente por edital na impren-
-1 80-
sa e por communicação nas estações fiscaes, marcando prazo
que não excederá de tres mezes para que sejam recolhidas,
Findo este prazo não serão mais recebidas pela mesma
Secretaria as referidas estampilhas nem serão considerados
validos, para os effeitos fiscaes, os documentos e actos que
de então por diante as utilisarem eïn soltos.
Palacio da Presidencia do Ceará, em 15 de Dezembro de
1892.
José Freire 73e.;,eril

Mi:;.ziel Ferreira de Wello.

ANNEXO A

Socc: ao de Recebedopfti do Cez trz't em 10


de Junho (.1( 1.893.
N. 149.
R. SEcawrmuo DOS NEGOCIOS DA FAZENVA

Em observancia do que prescreve o § 12 do art. 5, do


Reg. de 7 de Outubro de 1889, passo a fazer-vos a exposição
do estado em que si acham os diversos ramos de serviços
que estão a cargo desta Secção, propondo medidas que
-181-
considero
de grande alcance para a boa fiscalisação e arre
cadação das rendas publicas nesta circumscripção fiscal.
Para melhor apreciação vossa, farei por partes o pre-
sente trabalho, sujeitando
cada ramo dos mesmos serviços
a uma epigraphe, sob a qual se encontram as ponderações
aue me suggere a observação na pratica c execução das leis
vigentes, que regulam a arrecadação dos impostos do Es-
tado.
PESSOAL

A Secção de Recebedoria creada pelo R CÍZ cle 28 de


Dezembro do anno proximo passado como succeclanea da
Rebedoria do Estado, que ficou extincta, tem por força
do disposto no § 5: cio art. 17 clese Reg-. o seguinte pes-
soal
1 Director
1 Primeiro
1 Segundo dito
3 Amanuenses
1 Thesoureiro
2 Conferentes
1 Porteiro
1 Continuo ;
1. Cobrador :
4 Vigias
6 Operarios da Capatazia. inclusive o capataz.
Alem desse pessoal servem trcs vigias que ficaram
addidos.
Todos os funccionarios que occupam Os referidos cargos
sào assiduos e cumpridores de seus cleve:.es e nenhum facto,
que -Jesabolie o procedimento civil e moral de qualquer,
ainda chegou ao meu conhecimento.
Este numero de empregados é unkint para o desem-
penho dos serviços que inctritbein a estl notando-
se, porem, que nem todos possuem n eonhecimento
technico e pratica bastante do serviço, que, mio obstante,
acha-se mais ou menos, em dia.

ESCRIPTU IZ1(:,-k()

systema de escripturação actull desta Repartição é o


O
mesmo que ha annos fora adoptado, isto é, um livro espe-
cial para cada imposto, em o qual se 1itt o nome cio con-
-

tribuinte e a quantia que este pagou, e um livro de receita e


despeza em que se escriptura diariamente o rendimento
total de cada imposto arrecadado e despeza que se houver
effectuado por esta Recebedoria.
Este systema é, ao meu ver, o mais conveniente e ado-
ptavel a uma repartição como esta, não só porque muito
facilita a organisaçào dos balancetes parciae's e geral, qua-
dros estatisticos que são remettidos a esta Secretaria, corno
tambem, porque, de momento, pode ser verificado o produ-
cto de cada imposto em certo periodo do exercicio, a quan-
tia que tiver pago qualquer contribuinte.
Está feita em dia, com regularidade e asseio, a parte
leves defeitos que não alteram a sua exactidão.

LANÇAMENTOS DE IMPOSTOS

Em Janeiro e Fevereiro ultimos procedeu esta reparti-


ção ao lançamento dos impostos cuja cobrança depende
dessa formalidade, como seja a decima de predios urbanos
e o imposto de industrias e profissões.
No desempenho desse serviço teve esta secção de lutra
com grandes dificuldades, não quanto ao lançamento da
decima que foi feito segundo as prescripções do Reg. n. 41
de 6 de Dezembro de 1861, em execução do qual já se achava
ella familiarisada, mas, quanto ao de industrias e profissões,
pois, que, pela primeira vez se punha em pratica o orça-
mento do Estado que se acaba de constituir, lei esta em
que S e acham consignadas novas contribuições, como sejam
as dos § § 2.. e 5.. das taxas proporcionaes e especiaes e
muitas outras.
Não tenho a velleidade de pensar que este serviço esteja
perfeito, não, porque o contribuinte dispõe, muita vez de
meios que o fazem escapar a acção do fisco.
Assim é que, na applicação de taxa proporcional sobre o
valor do predio occupado pelo estabelecimento commercial,
tive de observar por diversas vezes que .o inquilino, para di-
minuir a sua contribuiçào, obtinha do proprietario recibos
que representavam quantias inferiores ao aluguel real.
Deste mutuo accordo entre os inquilinos e os proprieta-
rios das casas resultava dupla vantagem :aquelles paguem
menor contribuição sobre o valor locativo, e estes menor
decima.
Tive, porem, de desprezar todos esses meios que tinham
pgr unico escopo lezar a fazenda publica.
83

Não hesito, todavia, em garantir que esse serviço não


está muito
distanciado da verdade e que foi executado de
accordo com as decisões que proferistes em respostas á
consultas que acerca delle vos dirigia.

R EN DAS

Esta Repartição arrecadou no exercicio de 1892


853.1604'77 e no de i89i 795.8965834 havendo urna
diferença para mais o anno passado de 37.563$643.
A diferença foi devida quasi que exclusivamente ao
augmento de preço dos generos na pauta desta Repartição
por quanto o rendimento do imposto de exportação em 1892
quando muito menos foi a subida dós diversos productos,
sommam em 3410594267 e em 1891 em 312.534220
resultando uma diferença para mais de 31.5234017.
Uma prova irrefragavel desta minha asserção encontra-
se nos quadros geraes que remetti a essa Secretaria.
Dahi vê-se que o algodão exportado em 1892 monta em
2.675.443 kilos com o valor official de t .338.005$420tendo
pago de direitos 83.2808325 e em 1891 em 3.245.34't ki-
los , com valor official de 1.303.874700 pagando de
direitos 78.232$722.
Vê-se lambem que do café, que d um dos principacs
neros de exportação, apenas sahiram em 1892 811.260 kilos,
com o valor official de 651.584100 cujos direitos impor-
taram em 39.0934084 em quanto que em 1891 sahiram
2.599.751 1/2 kilos com o valor official de 1.479.026$150,
havendo.pago de direitos 88.7414589.

No periodo de Janeiro a Maio ultimos arrecadou esta


Secção 439.0694881 e em igual periodo do anno passado
331.765405, resultando uma diferença para mais de
107.304$176.
Esta diferença resulta da elevação das taxas do vigente
orçamento, principalmente daquellas que incidem sobre os
generos exportados e industrias e profissões e ainda da
creaçào de novas taxas.
FISCILISAÇÃO E ARRECADAÇÃO DAS RENDAS

E' este ramo de, serviço desta Repartição que para sua
regularidade, reclama mais instante,rnente a adopção de
medidas mais promptas e efficázes, pois, como bem sabeis,
da beia fiscalisação depende essencialmente a effectividade
da previsão orçamentaria.
Imposto ha, cuja lisca1i3ação ficou, em parle, na depen-
dencia de oatra 12'.,-)irtiçã), e)n jt o de rez abatida para
o consumo publico, e para a exacta arrecadação do qual é
de mister a mais rigorosa. vigilancia nos logares destinados
para- o alia.timentO de rczo,
'A lei do orçamento em vigor no art. 8, parte I.a es-
tabelece que este imposto seja pago previamente, me-
diante guias em duplicatas, sendo sellada a primeira via,
que, depois de averbada, se entregue-á parte que exhibirá á
autoridade competente.
Na 2.a parte do mesmo art. está estatuido que esta
autoridade, até o dia seguinte ao da matança, contendo o
nome dos interessados e o numero de cabeças de gado aba-
tido, para ser comparada com as segundas vias das guias
incorrendo a mesma autoridade em responsabilidade pela
.lesão que causar á Fazenda do Estado por falta da observa-
ção desta disposição ou da precisa llscalisação.
Nas instrucções expedi:las em 15 de Dezembro ultimo
foi declarado que essa autoridade é o zelador ou encarrega-
do dos matadouros publicos.
Até agora não foi cumprida semelhante formalidade,
isto é, não foi' enviado a esta Secção o quadro do mo-
vimento do matadouro, apezar das reclamações que vos
tenho feito.
No periodo de Janeiro a Maio do anno passado foram
abatidas 5.834 rezes, cujo imposto montou em 17.502$000 e
de Janeiro a Maio ultimos foram abatidas 4.916 rezes que
produziram de imposto 24.880$000,
Como se vê houve diferença para menos de 858 rezes.
Tendo motivo bastante para attribuir esta avultada dif-
ferença que se nota á falta de precisa fiscalisação no mata-
douro.
Suspeitando que se estava praticando o abuso de se aba-
ter maior numero de rezes do que aquelle sobre o qual se
havia pago imposto, mandei por duas vezes, empregados
desta repartição, no caracter particular, assistirem á matan-
ça e tomarem nota das rezes que fossem abatidas.
Comparando as notas tornadas por outros empregados
com as segundas vias das guias, fez-se evidente que, effecti
vamente, se abatia maior numero de rezes do que aquelle
sobre que se tinha pago imposto nesta Repartição.
Como medida coersiva de semelhante abuso, considero
imprescindivel que a fiscalisação commetticla ao zelador do
matadouro passe a ser exercida nesta capital directamente
por esta Repartição, que, no desempenho desse serviço, de-
verá empregar, dentro dos limites legaes, os meios que se
fizerem precisos, para salvaguardar os interesses da Fazen-
da do Estado.

Para maior regularidade na cobrança do imposto sobre


carros e carroças, lembro o alvitre de sujeitar esses vehicu-
los a uma numeração especial desta Repartição, no começo
de cada anuo, impondo-se penas severas aos seus donos, na
falta de observação desta formalidade.
A fiscaiisação dos demais impostos do actual orçamento
acha-se regulada de modo que bem garanta os interesses
da Fazenda.
São estes, Senhor Secretario, os esclarecimentos que o
curto espaço de tempo que me sobra dos muitos serviços
que correm por esta Repartição permitte que vos ministre.
A vossa lucida intelligencia, longa pratica e os conheci-
mentos que possuis do serviço publico, dão-me a certeza
de que a immensa defficiencia que haveis de encontrar neste
trabalho, será supprida completamente no relatorio que ti-
verdes de apresentar a Assembléa Legislativa do Estado,
indicando medidas de maior proveito para a causa publica.

SAÚDE E FRATERNIDADE.

O director,

Raimundo Veria to Ribeiro.


ANNEXO B

SR. SECRETARIO DA FAZENDA'

Em consequencia do dever imposto pelo § 20 do art. 40


do Reg. de 7 de Outubro de 1889, passo a informar-vos, se
bem que succintamente, como me autorisastes, sobre os
multiplos affazeres da quarta, outr'ora quinta secção, sob a
minha directoria.
Nomeado por portaria de 12 de Março do anno passado,
assumi o exercicio do cargo de director e procurador fiscal
da Fazenda do Estado, por compromisso assignado em 24
do dito mez.
E facil de comprehender que em uma secção, cujos di-
rectores, em certa epocha, se succediam com a rapidez,
que soem imprimir os movimentos politicos, não se encon-
trando nenhum relatorio destes funccionarios, o actual dire-
ctor teve de lutar com grande embaraço para tomar conhe-
cimento do estado dos negocios, que correm pela secção, e
impulsionar á mesma a marcha que lhe é peculiar.
Entretanto, me è agradavel annunciar-vos, que remon-
tando esta isformação a data de meu exercicio, avultam os
trabalhos executados atè 31 de Março,epoca em que, para me-
thodisar, faço terminar os dados estatisticos, que foram apa-
nhados para este relatorio, que synthetisarel por epigraphes.

FIANÇAS

Foram tomados 51 termos de fianças de «,11ectores deste


Estado o o valor de 100,925$000,
-187-
Cumpre observar que a maioria destes exactores, ou
seus fiadores, assignados osrespectivos termos de fianças,
descuram completamente da especialisação da hypotheca
legal.
Seus nomes levarei ao vosso conhecimento em officio,
opportunamente.

CONTR ACTOS

Foram celebrados cinco contractos com esta Secretaria


no valor de 16.154999.

EMPRESTIMOS OU ADIANTAMENTOS

Lavraram se 25 termos de emprestimos ou adiantamen-


mento á funccionarios desta e das outras Secretarias do Es-
tado na importancia de 7.078$327.

PARECERES

Foram lançados 347 pareceres em petições de partes e


consultas diversas.

CERTI DÓ ES

Expediratn-se 50 certidões negativ:ls umas e outras


sobre diversos assumptos.

OFFICIOS

Foram dirigidos 370 oflicios a diversos exactores da Fa-


zenda do Estado.

Dl VI DA ACTIVA

Na cobrança executiva tem havido ns seguintes movi-


mentos.
Da decima urbana do município da capital nos exerci-
cios liquidados de 1889, :890 e 1891,
foram-me remettidas :
939.eertidões, sendo 210 do anno de 188c,) na importancia de
5.774220, 394 do de 1890 na importancia de 6.109$520, e 296
do de 1891 na importancia de 4.57W20 ;
total 16.754660.
Chamados os devedores por edital conforme o desposi-
tivo.do §6 do art. 20 do Reg. de 7 de outubro já citado para
-18B--
pagarem amigavelmente no prazo improrogavel de 20 dias
alguns o fizeram, outros foram dispensados, sendo afinal
requeridos 784 mandados executivos, a saber : 213 contra os
devedores do exercicio de 1889, 322 contra os de. 1890 e 219
contra os de 1891.

INDUSTRIA E PROFISSÃO

A cobrança desta especie de contribuição dos exercidos


liquidados, já referidos de 1889, 1890 e 1891, relativamente a
esta capital, teve o seguinte movimento:
Foram-me transmittidas 465 certidões, sendo 169 do ex-
ereicio de 1889 na importancia de 7.079$280, 184 do de 1890
na importancia de 8.684080 e 112 do de 1891 na importancia
de 3.967$600 ; total 19 . 680$960.
Convidados pela forma já indicada os devedores a pa-
garem no prazo de 20 dias, alguns o fizeram, outros foram
dispensados, sendo afinal requeridos398 mandados executi
vos, 146 do exercicio de 1889, 150 do de 1890 e 102 do de 1891,

IMPOSTO DE 2 /. DE ESTATISTICA

Contra os devedores desta nova contribuição creada


pelo orçamento vigente no § 7.° das taxas especiaes da ta-
bellaB, me foram transmettidas 86 certidôes, referentes
ao mez de Janeiro deste anno, na importancia de 6.122$051,
para promover a cobrança executiva.
Sendo avisado os devedores por edital na forma do es-
tylo, de que se achava assignado o prazo improrogável de
20 dias para virem pagar nesta Secretaria as quotas que lhe
eram cobradas, alguns compareceram requerendo despensa
por motivo que os excusavam do pagamento, e outros sa-
tisfizeram a sua contribuição amigavelmente. Em resulta-
do requeri 58 mandados executivos, dos quaes 6 foram pagos
depois desta providencia e 45 foram compridos, procedendo-
se a penhora em dinheiro, que se acha depositado em mão
e poder do capitalista desta praça Manoel Gomes Barbosa
restando "7 2 dedous individuos que não foram encontrados,
3 cujos devedores estão fóra deste termo, e outro que tem
uma duvida a saber :-- sobre o nome do devedor, e um que
foi dispensado.
Releva dizer que pouzos se recusaram pagar a contri-
tribuiçào emergente d'aquelle imposto, alem dos 38 com*
-189-
rnerciantes que opposeram uma acção ordinaria a Fazenda
do Estado, para que, segundo entendem cites, o poder judi-
eiario julgue inconstitucional aquelle imposto.
Para a cobrança executiva de impostos dos municípios
de Sobral e Aurora (extincto,) em vista de 59 certidões que
me foram apresentadas, requeri 59 mandados executivos,
que foram remettidos aos collectores, em cuja circumscri-
pção fiscal residiam os devedores para promoverem a co-
brança.

INDUSTRIA E PROFISSÃO DE 1892 DESTA CAPITAL

Sendo-me transmittidas por despacho de 19 de Maio ul-


timo 64 certidões de devedores desse imposto e daquelle
anno, na importancia de 2.964$260, chamei por edital os
mesmos e lhes marquei o prazo improrogavel de 20 dias
para virem amigavelmente n'esta Secretaria satisfazerem as
suas contribuições.

ACÇÕES EXECUTIVAS

Alem das 45 penhoras realisadas contra os devedores do


imposto de 2°/<, de estatistica que se acham em andamento,
tem mais 85 resultantes da falta de pagamento de impostos
de industria e profissàn e da decima urbana deste munici-
pio referentes á diversos exercicios até 1891, ao todo 'portan-
to 130 penhoras no valor de 12.050$980,

DIVERSOS

Do Sr. Collector da cidade do lguatú cidadão Vicente


Cunegundes de Lavor, recebi com data de 13 de Julho do
anno passado urna participação de que as pessoas que con-
stavam do officio e mandado,que me retnettia.já não existiam
naquelle termo, sendo, que Theophilo Cavalcante de Lima,
devedor, tinha-se mudado, ha muitos annos, e fallecido seu
fiador Joaquim Manoel da Silva, deixando até viuva e urna
filha unica, sendo que seu expoli° ainda estava acérvo.
Convem notar que esse mandado fôra epedido em 17
de Fevereiro de 1877, ha 16 ani103, acompanhado do officio
do então procurador fiscat com a data de 14 ck..» Fevereiro
de 1881,
'ista daquella participação, clei.me pressa em promo-
-190-
ver a execução do mandado na pessoa da viuva D. Carlota
Maria de Jesus, que sendo intimada na cidade do lguatú
para o pagamento, compareceu nesta Secretaria, represen-
tada por seu procurador bastante, o cidadão José Bricio Ca-
valcante, que, mediante autorisaçào do poder competente,
liquidou o alcance, juros e custas ; tudo na importancia de
1,038$308, por esta forma entrou para os cofres do Estado
com a quantia de 316$929, igual a do alcance verificado e
constante do mandado alludido, e acceitou duas tenras, de
que elle mesmo e José Oriano Menescal foram fiadores,
sendo uma da importancia de 345$690, á prazo de oito luzes
e outra d,345$6s9, á prazo de 12 mezes. Esta operação teve
logar e terminou em 4 de Fevereiro deste anno.

Sciente de que no termo de Baturité estava desde muito


parada uma execução fiscal, que se movia contra o cidadão
Theophilo Evangelista de Abreu para pagar a divida de
460$000 de principal, á fóra os juros e custas, dirigime em
16 de Mosto e 15 de Setembro do amo passado ao Sr. Col-
lector para que se dignasse informar-me o estado desta exe-
cução.
Sendo naturalmente avisado o devedor de que esta di-
rectoria:tratava de dar andamento a essa execução requereu
a Assembléa, e obteve dispensa de sua divida, mediante a
lei n. 31, de 5 de Novembro do anno passado, cuja execução
requereu ao poder competente em 12 de Janeiro deste anno,
tendo este negocio completa solução em 29 de Março ultimo.

Por occasiào de se intentar um sequestro contra Carlos


da Silveira, que, residindo em pai z extrangeiro, appareceu
nesta cidade nos primeiros mezes deste armo e Ibra colle-
ctádo para pagar o imposto de industria e profissão. como
caixeiro viajaiite, lembrei-me que, entre diversos papeis,
tinha eu visto uma certidão de divida desse cidadão, e da
mesma procedencia, referente ao anno de 1890, então rubri-
quei este documento e tratei de promover a cobrança, que
effectuou-se amigavelmente no mez de Março, entr.38 )0
devedor para os cofres do Estado com a quantia cle 21')0$000,
principal e multa.

São estas as informações que passo a administrar-vos.


Parece-me escusado indicar medidas e enunciar juizo
sobre as causas que tenham influido sobre a maior ou
menor arrecadação da divida, porque essas causas não terão
escapado ao vosso criterio, tanto que, praticamente, desde
que assumistes a direcção suprema desta Secretaria, tendes
procurado corrigir os effeitos destas causas de um modo
efficaz,pondo em effectividade a tomada de conta definitivas
aos exactores da Fazenda e liquidação da divida activa do
Estado para a cobra nr.a que tem sido feita amigavel e judi
cialmente, surtindo para o Thesouro os resultados que eram
de esperar de medidas tão acertadas e convenientes.
Terminando tenho a satisfação de alllançar vos, que, em
quanto durar minha gestão nesta directoria, podeis contar
com um auxiliar prompto e dedicado no empenho de tornar
uma realidade a intelligente e eflicaz direcção que com a
maior solicitude haveis imprimido á marcha dos Negocios
da Fazenda do Estado, confiado á vossa longa pratica, pro-
ficiencia e prespicacia.

Directoria da 4. Secção da Secretaria da Fazenda do


Estado do Ceará, em 15 de Junho de 1893.

Procurador fiscal,

Raimundo Vossio Bri,:,,ido dos Santos.


CEAR ESTADO ) PRESIDENTE
( JOSÉ FREIRE BEZERFIL FONTRNPLLE
MENSAGEM Q DE JULHO DE 1894 I

INCLUI ANEXOS.
Do

434(44,441STJ (PP, (.447.1Ag

CORONEL Dr, JOSÉ FREIRE BEZERRIL FONTENELLE

ÁSSEMBLÉÀ LEGISIATIVA DO CNIA:


EM SUA 3.' SESSÃO ORDINARIA

DA

2.4 LEGISLATURA

FOR.rrAL,EzA
,./TVP. D'A REPURLICA -RUA DO SENADOR AIHN('At., B

4894
MENSAGEM

_.
t.914.,.../leinliod h 4,1 e _Xe'
4z.êá.

Novamente vos achaes reunidos


para continuar. os.
trabalhos legislativos, com que tereis dê prover' ás grandes
e urgentes necessidades d'aquelles que para isso
vos elege-
ram setis.representantes e bem assim tudo
PóSSa ao bem estar e progredimento da quánto'interes.sar
fenSe..
querida .Patria ceá-
,Collaborando comvosco nesse mesmo intuito e conilan-
cto no saber e accendrado patriotismo
de que haveis dado
constantes provas, venho trazervos a exposição succinta
dos acontecimentos que tiveram logar, após a vossa ultima
reunião, dando-vos egualmente conta dos negocios do Esta-
do e. indicando as providencias que são reclamadas
para o
bom. :andamento do serviço publico.
Cançadas e meio abatidas, como estão ainda as forças
vivas do paiz, pelos esforços titanicos empregados
na sus-
tentação.dagrande e terrivel luta, de que sahiu afinal victo-
, .

riosa e triumphante.a Republica,. torna-,se preciso que


.

os._
bons patriotas meditem acuradamente afim de que, abando-
nando
. palliátivoS perniciosos e.de resultados sempre fatacs,
.
appliquem energicos, proficuos e, reconstituin.,
. . . .

O que foi essa luta cruel e tremenda, vós bem o sabeis


violentas cOmmoçáes de despeito .e adio faccinoroso, que o
celebérrimo Caudilho agitador...dá restauração monarchica
fez explodir do seio das. fermentações mephiticas do plebiS--
citaiio parlamentarismo, deram., começo ás irritantes hosti-
lidades.,do "antigo e carcomido regimen contra sa'aurOra l'U-
riaino'sa- e radiante. inaugurada em 15.de novernbro. de j.889 ;
e,à-térriiorio do Rio Grandedo Sul, foi .a porção do sólo.
piirio,áficolhicia para theatro dó' sanguinolento drama a qu-s-
\k
não faltaram, sob a forma de uma quast revolução, as mais
degradantes e selvaticas scenas de vandalismo.
Um momento houve em que, todos, dominados do amor
da patria, suppunhamos suffocada essa pretensa revolução
foi isso quando os bandos dos chamados fecleralistas, bati-
dos e quasi exterminados pelas honestas armas republica-
nas, tiveram de, a despeito mesmo do auxilio da caritativa
Cruz Vermelha, emigrar para as visinhas republicas.
Ainda se estava a conjecturar sobt e o alcance que teria,
caso surtisse bom effeito, a mysteriosa iventura do Jupiler
nas aguas catharinenses, quando se levantou, a 6 de setem-
bro do anno passado, a revolta de uma parte da armada, a
qual, semelhante a medonha erupção de multiplas crateras
de um vulcão, que estivesse durante seis longos mezes em
plena actividade, quotidianamente semeava a devastação e
a morte, talando a fortuna publica e particular, assim na
capital da Republica como na invicta Nictheroy, ameaçando
tudo derruir; além de cavar insondavel abysmo, em que
teria de submergir-se a imagem illuminada e bemdita da
Republica, pacificamente proclamada e acceita.
Essa negregada revolta, infame e hypocritamente capi-
taneada por vis trahidores da patria, foi uma nova e mais
ruidosa explosão dos odios e despeitos de uma recua de
politicós gastos e aventureiros arruinados no jogo da bolsa,
colligados a ingratos estrangeiros para, em conluio de syn-
dicatos que pretendiam locupletar-se no thesouro da futura
mona chia restaurada, cava-rem a ruiria da Patria tepu-
blican.a.
Guardados então sob as couraças do Aqui.laban, o navio
phantasma ém que punham aS suas tresloucadas aspiraçõ es,
e n'outros navios da armada e mercantes, tomados á noite,
de assalto, não se fartaram de espalhar a consternação, a
dôr, a morte e a deshonra, depredando, saqueando, ceifan-
do mi'hares de vidas preciosas de anciões, que bem servi.
ramá Patt ia, de moços, sustentaculo e garantia do futuro
da Republica, de crianças que reuniam em torno de suas
cabeças louras as esperanças cantantes do lar e da familia,
tudo sacrificando em holocausto á sua ambição e ao se u
odio ou em represalia á justa repulsa com que eram rece-
bidos por toda parte, onde tentaram desembarques.
Eis que surgiu o sol deslumbrante e victorioso de 13 de
março. dia em que os revoltosos, em face á possante esqua-
dra legal sob o mando do bravo almirante jeronymo Gon-
çalves, mettidos cru apertado circulo de fogo, viram-se irre-
_ ..,....
5

missivelmente perdidos, e fugiram, humilhados e cobertos


de ignominias e maldições. supplices, pedindo asylo a bordo
dos navios de guerra portuguezes surtos na formosa bahia
do Guanabara, para escapar ao justo castigo que elles,trahi.
dores e piratas, provocaram pelos seus nefandos crimes
A essa vergonhosa fuga, com abandono da marinhagem,
seguiu-se a dos navios insurrectos que garantiam 03 revol-
tosss de Santa Catharina -e Paraná, tendo todavia a esqua-
dra legal de dar combate singular ao Aquidaban, metten-
do-o a pique na barra do Desterro, na madrugada de 16 de
abril.
E assim graças á tenacidade de caracter e ao inexcedivel
valor e patriotismo do invicto marechal Floriano Peixoto,
vice presidente da Republica, sempre efficazmente ajudado
pelo heroismo das legendarias hostes republicanas, que
nem um só instante deixaram de ouvir e obedecer religio-
samente ás suas ordens salvadoras, está vencida a revolta,
está salva a Republica
Quem o diz é o inclyto salvador da Patria brasileira, o
glorilicador das instituições republicanas, nos seguintes to-
picos da sua recente e importantissima mensagem
« Coube, pois, á gloriosa marinha de guerra nacional,
tão deslustrada por alguns de seus membros, dar o ultimo
« golpe n'essa revolta, tirando lhe o mais poderoso clemen-
to de acção de que dispunha.

« Pooe se, pois, considerar vencida a revolta, visto res-


tarem apenas pequenos grupos dispersos e fugitivos que
« facilmente podem ser batidos. »
Está portanto a findar se o drama sanguino'ento, que,
na sua cruel voragem, arrebatou tantos bravos de envolta
com milhares de innocentes, cruelmente sactificados pela
perversidade de individuos que se transformaram em féras,
de máus brasileiros, renegados da patria, feitos assassinos
e ladrões.
*

Devo deixar aqui consignado que por mais critica e an-


gustiosa que tivesse sido a situação do paiz, nós, os repu-
blicanos sinceros do Ceará, almas formadas para todas as
experiencias e provanças, nunca duvidámos da victoria da
causa sagrada da Republica, nem jamais precisámos appel -
lar para o duende do separatismo, tal era a confiança que
sempre depositámos no supremo chefe da Nação.
-6-
A acção reflexa de todos quantos males a negra revolta
poude implantar, no deixou todavia de affectar; systemati-
eamente, o nosso meio que veio á sentir se um tanto vicia-
do pelo influxo deleterio dessa corrente de falsas idéas, com
que os seus odientos e despeitedos partidarios apregoavam
o anarchismo, corno meio supremo de libertar a Patria das
garras de uma phantastica clicladura ou militarismo só por
e Iles apercebida.
Felizmente, porém, graças ao bom senso e á indole pa-
cifica das nossas populações, a -ordem publica ,jamais foi al-
terada, a despeito mesmo de todos os esforços empregados
pelos agitadores e conspiradores da revolta, os quaes che-
garam mesmo a enviar para aqui agentes secretos, alguns
até de baixa esphera social.
Cumpre ;igara que trabalhemos todos, para que a este
doloroso periodo succeda o completo restabelecimento da
ordem, sendo de mister que cada vez mais em nós se avigo.
re, pela solidariedade e pela fé, o sincero amor e respeito
que devemos ás instituições republicanas, afim de que dias
mais bonançosos nos tragam o conforto na vida e o bem
estar_ social, de que tanto precisa a nossa Rama querida, a
grande Patria brasileira.
*

Mal começavam a desapparecer os principaes vestigios


dos males e desgraças, legado do tristissimo e ultimo perio.
do das seccas, eis que novo infortunio nos visita. Não é
mais o phenomeno costumado e fatal para nó;, cearenses,
e que sempre nos apanha de sorpresa, desprovidos de
meios para enfrentar e arcar contra os elemeiltos naturaes
conspirados para a destruição da vida vegetal e animal,
quando um sol abrazador faz seccarern rapidamente as fon-
tes, produzindo a torrefação geral de tudo quanto se este n.
de pelos campos, serras e valles, e transformando a grande
e operosa população rural em bandos de mendigos que es.
pavoridos, atterrados, supplices, fogem pisando terrenos
em braza á procura de um oasis que o acaso lhes depare,
não!
Contrariamente ás esterillisadoras e horrorosas seccas,
o mal que veio peiorar as difficillimas condições de nosso
viver, nasce de um excesso de chuvas do mais copioso in-
verno que talvez o Ceará tenha visto n'este seculo. t'ode-
rosas e enormes massas d'agua se têm despenhado das
serras para os valles, pelos apertados e estreitissimos leitos
7 --
das ravinas, escarvando e
alem, innundando planicies, carcomendo aqui, para soterrar
arrasando casas, arrastando
criação, lavoura, pontes, açudes,
tue a riqueza do pobre e a fortunaenfim tudo quanto consti-
publica, representada em
obras d'arte do Estado e da União.
Não compartilho da opinião
pelos mais prejudicados, de frequentemente expendida
lem a urna secca. No Ceará, que estas innundações equiva-
seja tão intenso como este deum inverno, inda mesmo que
1894, em que a columna plu.
viometrica subiu já a 222,3 mill. distribuidos
chuva, nunca será urna calamidade por gg dias de
terriveis seccas, cujos perniciosos comparavel com a das
longos annos, determinando effeitos perduram por
do nível moral da população. até consideravel rebaixamento
clamar a attençào dos Não deixam comtudo de re-
poderes publico; 09 damnos e prejui-
sos causados pelo excesso de chuvas
dencieis no sentido de attenuar os eilitos e cumpre que provi=
A instabilidade das estações desse mal.
incertesa de se ter aqui no Ceará invernosas, ou melhor a
uma serie de bons ou máus
invernos, actúa de tal sorte no espirito do
pode-se dizer, sem erro, que a desconfiançanosso povo, que
iniciativa particular para as empresas vae matando a
expansão á lavoura e á industria pastoril que tenham de dar
mais justifica'rá a vida fornada e o exodo a; queisso, porem, já-
uma bôa parte da nossa população rural. se entrega
Poderia eu repetir aqui o que em
vos disse o anno passado, a respeito dos mensagem anterior
gente para o Amasonas, industrio, essa explorada agenciantes de
biciosos que veern ou mandam agentes recrutar por am-
mas até nos mais remotos sertões. suas victi-
De nada têm servido as taxas de imposto creadas
por-.
alguns municipios para afugentar a praga dos
filhos ou não deste Estado, os quaes, inveterado3 agenciadores.
de tudo falsificarem, escapam até á acção da policia, no abuso
cuja
vigilancia e severa fiscalisação nào bastam para evitar
entre os magotes de emigrantes*, passem não sómente que
ininosos e desertores que fogem á justa punição,como
bem orphãos e infelizes mulheres que, arrastadas pelatam-
se-
ducção, se prestam a ser vendidas .

por um certo numero de


kilos de borracha.
Vem de molde faier conhecer aqui os judiciosos con
ceitos, a tal respeito expendidos por um honrado e habilis-
simo funecionario federal, filho de outro Estado, cujo teste-
munho invoco, pedindo permissão para transcrever o pc-
.8-
em que trata do assum-
queno trecho do seu relatorio,
pto : causa permanen-
«Essa emigração infelizmente encontra fallazes que lhes
te nas condições locaes a par das miragens
são offerecidas algures. os patriotas, é doloroso
«Para os filhos desta terra, para
espectaculo offerecido 6 ou 7 vezes por mez aos
assistir ao
habitantes da capital. os paquetes do
Quando para o Norte têm de seguir por. uma leva de
Lloyd, assiste-se ao assalto dos mesmos
flôr da vida,que vão ás altas
700 a 800 pessoas, validas e na
em busca de um sonhodo
paragens do valle amasonense dia á chegada do Norte de
El-dorado; ãssiste-se no outro
envelhicidos pelas molestias,descren-
uma centena de outros um futuro de dores e a inapti-
tes, trazendo como bagagem se entregavam em
dão para qualquer dos trabalhos a que
sua mocidade. pallidas cores e para mi-
«Eis o quadro triste descripto em
norar o qual providencias bem pensadas devem ser toma-
mais convêm, são os açudes e a
das. A meu parecer, as que possivel.
viação ferrea, tão completos e abundantes quanto «só
«Só assim», conclue o mesmo honrado funccionario,
cultivavel de terrenos ; só assim
assim se estenderia a zona
das insistentes e prolonga-
cssesterrenos ficariam ao abrigo communicações
das seccas ; ao passo que a viação facilitaria
e concurrencia para a
prornpta sahida do excesso de produc-
ção sobre o consummo local». pode-
Açudagem e viação ferrea são os dous grandes eou neu-
indicados para combater
rosos remedios geralmente evitar o exodo.
tralisar os maleficos effeitos das seccas e,
necessario providen-
O legislador constituinte entendeu
municipal para esse fim
ciar a respeito creando um imposto uma
«. e-ão obrigados (os municipios) a contribuir com
irrigação no Estado,
parte das suas rendas para açudagem e
conforme for regulado por
os munici-
A lei municipal competente já dispoz o que nada ha feito.
pios devem fazer, pode-se dizer, porem, que
Municipios ha que tendo, encravados, em seu territorio
por
açudes feitos pelos soccorros publicos e encorporados
lei cstadoal a seus patrintionios para cuidarem da sua con-
servação e usofructo, os deixam em verdadeiro abandono,
acontecendo que em tal estado muitos dclles foram comple-
tamente destruidos pelas grandes aguas do inverno deste
anno.
-9
Nos municípios de Soure e Aquiraz a
encarregou-se de fizer construir enormes propria natureza
e bellissimos la-
gos,dosquaes são dignos de mencionar
Periquàra e Catú, pela obstrucção se os da Barra Nova.
que no conseguiram galgar as altas da foz de pequenos rios
de arêas accumu;ada,; durante e volumosas dunas
os ultimos annos de seccas e
de escassos invernos.
Esses lagos assim formados cobriram
de plantações de canoas e pequenos alguns ter.ro. nos
sítios de
ro de lavradores, partidurios uns do arrombamento grande nume-
reconquista das suas terras pela vasào das para a
partidarios da conservação dos 1;-.gos, dizendo agua, ; outros
piscicultura e a riqueza que as proprias (o.o,es oue a
aguas crnstituern,
compensavam de sobra quaesquer prejuizos das
terra, somente pr oprias para Caffila de assucar nesgas de
de pouuos resultados para os nossos agricultores. e plantações
Nào me parece de grande
todos esses lagos, attendendo-se vantagem a conservação de
a que (ienes nada absolu-
tamente aproveita a agricultura,porquanto,
do mar apenas soo a sendo separados
oo metros, fio rnaximo, por extensas
dunas de areia movediça, não permittiriarn
terrenos marginae- em nivel superior. a irrigação dos
Attendendo a eias e outras razões de ordem
como Sejam a indemnisução economica,
e desapropriamento, dei a au-
torisação,solicitada pela camara municipal do
consentir no arrombamento do lago Aquiraz, para
do Gani,
prejudicando a linha terrestre do telegrapno que já estava
assim á gente de S. Gonçalo nacional,e bem
das terras innundadas pelo para consentir os proprietatios
Piriquara,
do rio S. Gonçalo, caso não fosse abrirem a antiga foz
possivel rasgar um
sangradouro que permittisse em parte conservar
o lago.
Antes, porem, de iniciados os trabalhos pelo agrimensor
Julio Braga, a quem incumbi desse
estudo, os referidos mo-
radores, impacientes, illudiram a vigi!ancia da
dade e conseguiram em. uma noite fazer municipali
u;n
Poucas horas depois alargandose, deu vasào ás aguas
rasgão, que
um volume de muitos milhões de metros cubicos. em
Restam ainda os do Cauhype e Barra--Nova, a respeito
dos quaes tereis de resolver si devem
ou não ser coweiva
dos, quando tratardes do importantissimo
dagem, que, espero do vosso patriotismo, assua-loto de açu-
não
mais tempo sem uma ra,!ical solução, regulando deixarei
vação dos existentes e legislando a conser-
do melhor modo que en-
tenderdes a respeito de estudos e construcção d
novos, te-
.0.410-0

paro e reconstruegão de um ou outro dos arruinados ou


destruídos pelas chuvas.
deixado em
O Governo republicano do Ceará não tem
olvido o problema da viação ferrea. Assim é que ao Banco
Impulsor foram feitas duas concessões de estradas de ferro
de bitola estreita em boas condições para o Estado ;
ambas
partindo dWa capital, a primeira com destino a Russas,
passando pelo Aquiraz, Cascavel e outros centros producto-
res; e a segunda, tendo por ponto terminal a Uruburetarna,
zona rica em pastagens, productora de algodão e fertil para
todos os cereaes.
Com a importante firma commercial Bons Frères, desta
praça, foi contractada a construcçào de uma terceira estra-
da, tambem de bitola estreita, que partindo do Camocim irá
ter á Viçosa, no alto da serra da lbiapaba, alcançando esta
a fertilissirna e extensa região, depois de atravessar os es
tereis taboleiros, inevitaveis, pela escolha do ponto inicial,
pequeno porto de mar na foz do rio Timonha, para evitar
entroncamento com a estrada federal de Camocim a Sobral.
Por acto de 17 de outubro de 1893 proroguei por mais
um armo o praso para o começo dos trabalhos desta ultima
estrada, para attender ao que requereram os concessionarios,
allegando as pessimas condições para o levantamento de
capitaes quer no paiz, quer no exterior e a compra, de mate-
riaes na Europa.
Como esta, as outras duas concessões de estradas estão
paralysadas e auguro que o Banco Renumerador, a que fo-
ram traspassadas por liquidação do Banco Impulsor, nada
mais tentará fazer alem dos estudos previos, que hão de
ficar sem resultado.
O mesmo banco Remunerador tem ainda a seu cargo
os contractos para os serviços de abastecimento d'agua
á capital e de esgotos.
Os estudos definitivos destes trabalhos foram approva-
dos, depois da perfuração de 7 poços de experiencias, son-,
dagens que exigi de accordo com as informações do fiscal
da empreza, por parte do Estado, dr. José Faustino da Sil-
va, afim de que este podesse verificar a extensão do lençol
d'agua e a quantidade d'esta existente no subsolo, factos
que não tinham sido authenticados pelo seu antecessor.
Pósteriormente tendo a empreza organisado o orça-
mento em desaccordo com as exigencias do contracto, devol
vi-o ao dito banco Remunerador,marcando novo praso para
sua organisação definitiva, çom a declaração de que será o
í
eontracto rescindido, si dentro do
fór aqui recebido o praso assignalado, tv5o
orçamento rectificado em ordem.

Não me foi possivel chegar a accordo


com a companhia
«Ferro:carril do Ceará», a respeito da inno-Tação
contracto, passivel de caducidade, para o que me do seu
tes autorisação pela lei n, 116 de 23 concedes-
de setembro
passado, em razão de não quererem os cmprezariosdo anno
jeitar á reversão para a se su-
municipalicade de todas as linhas
construidas e materiaes (relia, findo o prazo, na conformi-
dade da citada lei, nem prolongar a linha
tes do município pela estrada de atc alem dos limi-
Mece,jana, serão quando a
camara deste município resolvesse assentar
linha daquella-villa para esta capital, condiçãotarnbem uma
está estipulada n'aquella autorisaçlo, pelo esta que não
camente me tenho opposto á approvaçào deque systema ti
traçados
novaS linhas, bem assim o quebramento da bitola para
existentes. Attenclendo a grandes ia! ejui :os que nas já
advirão para os accionistas, que me pare certamente
nenhuma culpa
térem na reluctancia da directoria em nà) acceitar a
em condições as mais justas. suei inovação
qualquer deli-
beração, e si nada resolverdes a respeit, expedirei
de rescisào, ficando então airecta a questão á
o acto
lidade, a cujo poder a companhia municipa-
recori ..:rá si quizer.

Outros contractos, existem com ou sem previlegio,


cujos serviços estãotinteiramente paralvsados,
nada poden-
do fazer o governo, para obrigar cs contractantes,
por-
quanto taes contractos só consignam clausulas
obrigatorias
contra o Estado, ao passo que as estabelecidas em favor
deste são todas volunta rias, sem os meios compulsorios das
multas ou rescisào. Taes são entre outros o da fabricação
de cal e seus compostos, trabalhos de
marmore etc.,
iniciados com um forno de experiencia de pequenissi
mas dimensões quasi ao termo do primeiro anno para es-
capar á caducidade, nada mais fez a empreza, que, alem de
impedir pelo previlegio a formação de novas emprezas do
genero, evita por esse modo o onus ou obrigação que tem
de sustentar, educar e instruir
certo numero de orphàos
conforme a clausula 2.' do contracto.
Na synopse que acompanha o relatorio do sr, secreta
rio do Iiiterior vereis quaes são cilas.
Converia que autorisasseis o governo a fazer uma re
estiverem
vista geral em taes contractos, innovando os que
aquelles que, sem bene-
em condições viaveis e rescindindo augmento aos seus
Ecio algum para o Estado, só trazem
encargos e embaraços á iniciativa
particular com a manu
tenção dos seus previlegios. rescindido o
Por acto de 18 de junho ultimo declarei
cont! acto celebrado em 26 de abril de 189
para extracção
de loterias do Estado com o cidadão Olympio Domingues
da clausnla
da Silva Cunha, por falta de cumprimento
principal, isto é, o pagamento da prestação mensal de réis
7:09(4000, que tem deixado b ser feito desde
setembro do
anno findo.
No relatorio do illustre secretario do Interior encon-
traries a respeito deste assumpto detalhes minuciosos so-
bre a marcha da questão até o seu termo final, pelos quaes
verificareis que tal acto só foi expedido, como medida ex-
trema e depois que me convenci de que o contractante
recor
ria a sophismas -e expedientes menos serios para eximirse
da responsabilidade do contracto, como fossem o de tentar
incorporar-se á Loteria Nacional,
transferindo o contracto
acto
sem respeitar as tres clausulas essenciaes exigidas no fim,
do Estado para tal
de consentimento dado pelo governo celebrado na ca
pelo que neguei ractificação ao contracto
pitai federal entre o representante das loterias do Ceará e
procuração
a sociedade anonyma L,fterica Nacional e passar
para ser reclamada judicialmente a restituição da caução de
deste
30.000$000 em dinheiro e apolices, feita 113 thesouro
Estado, quantia que jamais consenti fosse substituida por
hyootheca de predios sitos na capital federal como empe
nhadamente pretendera o contractante por mais de uma
vez.
No citado relatorio verificareis que 'a importancia total
de 112:00(4000, a Qlle M311t011 o beneficio recolhido, foi dis-
tribuida pela santa casa, estabe,lecimentos pios e de instru
cção publica, e bem assim a quota que tocou a cada um
desses serviços.
Prevendo se desde setembro do anno findo que viria a
faltar o «beneficio das loterias». verba pela qual corria o
pagamento de 2:500$000 com que o Estado contribue men,,
salmente, para auxiliar as despczas da santa casa, foi con
signada na lei do orçamento que votastes nara o corrente
-13-
exercício a providencia de c)brar-se um imposto addicciog
nal de 5 V. sobre os g,eneros exportados (art. 10 da lei n. 117
de 7 de outubro de 189)) que entrou em vigor a 1.° de janei-
ro do correme anuo, conforme determinei, por se ter veri-
ficado a não existencia de dinheiro algum das loterias.
Se essa providencia foi tomada com relação á santa casa,
nada se fez para occorrer ás grandes despP,zas que estavam
sendo então feitas com os materiaes e obras já bastante
adiantadas nos edifícios destinados ao Lyceu e a Bibliothe-
ca do Estado.
Suspender, parar mesmo, completamente os trabalhos
que em grande parte estavam sendo custeados pela verba
abeneficios das loterias» foi a minha primeira idéa, mas,
pareceu-me pessimo o expediente, attendendo se que veria
depois o inverno encontrar paredes nuas e o esqueleto dos
edificios totalmente descobertos. Ordenei que as obras
proseguissem, abrindo credites sob minha responsabilidade
para occorrer ás clespezas, até que entrou em vigor o novo
orçamento.
Foram então activados os trabalhos de modo que em
plena estação invernosa concluidos ficaram os dois edificios
com a solidez e accommodações necessarias ao fim para o
qual são destinados. E assim foi evitado o desmoronamen-
to talvez total da pilte construida,caso houvesse sido aban-
donada ao intensissimo inverno o que se verificou em
grande numero de predios, não só dos que estavam em
construcção ou recentemente construidos, como de cdificios
antigos acarretando enormissirno prejuizo como aconteceu
com o desabamento de um g; ande lanço do seminario epis-
copa .
Esses creditos ainda não estão liquidados e opportuna-
mente submettel oshei á vossa approvação, pedindo novos,
para o pagamento de despezas, cuja verificação tem sido
impossivel ao actual director das obras publicas, que nenhum
esclarecimento teve do seu antecessor, qu e se obstinou
em negai os, deixando rncsmo de assistir pessoalmente á
entrega da repartição a seu cargo.
No relatoio do zeloso funccionario que dirige presente-
mente esta repartição, annexo ao da secretaria do Interior,
encontrareis judiciosas considerações a respeito, para as
quaes chamo especialmente a vossa preciosa attenção:
Estando quasi a esgotir se a verba de 20;0014000, vota-
da no orçamento, para construcção de obras e reparos,
nenhuma obra nova emprehendi construir, nem mesmo em
-1 4-
calçamentos de ruas, rd que convem providenciar com ur-
gemia, Apenas pequenos reparos têm sido feitos em estra-
gos occasionados pelas chuvas no palacio do governo, ca-
parti-
deia e outros edificios publiços e tambem no predio
não
cular para onde se rnud )u a secretaria da Justiça, visto
se ter encontrado edificio em boas condições para ser
alu-,
gado, nas emergencias em que se achou o governo, de
promptamente mudar essa secretaria da casa em que se
achava, por assim exigir: o proprietario. D'aqui se depre-
hende a necessidade que ha de se construir edificio proprio
que possa conter a secretaria, com
accommodações para o
respectivo secretario, que exerce as funcções do outriora
chefe de policia.
Como esta, outras obras precisam ser feitas, entre as
quaes cita rei, pela sua urgencia, a reconstrucçào do cano
de esgotos da santa casa para o mar, que poderá ser feito
com um novo collector, que, recebendo igualmente os
des-
pejos da cadeia, preste-se iambem aos de urna ou duas
boccas de despejo geral, os do neca oterio etc., tão reclama-
dos para a limpeza e hygiene que faltam absolutamente em
todo o littoral que se estende desde a alfandega até o antigo
arraial «Moura Brazil», ponto e-;te onde deve chegar a des-
carga de todos os esgotos segundo a planta das obras a
construir pela Companhia de melhoramentos de que já fiz
menção.
*

A illuminação publica da capital, serviço que por sua


natureza deveria ter já passado á municipalidade, ao menos
por um accordo entre este poder e o do Estado, que é obri-
gado ao pagamento em ouro, por si só absorve uma consi-
deravel parcella da renda publica.
A verba de 120:000$000 calculada no orçamnto para
o exercicio vigente, ao cambio de 15, terá de ser gran-
demente excedida, por quanto o cambio longe de. subir
dc 10 1/2 como estava taxado em outubro, quando foi
votado o orçamento, desceu a 9, e tem oscillado n'esses
ultimos mezes entre 9 e 9 1/2, o que significa que ao em
vez de 10;000l1,000 mensaes, tem-se pago de 17:000$000 a
19;000000 e até quasi 20:0004000, corno aconteceu no mez
de março. Isto quer dizer que aquella verba está a
esgotar-se e que desde já tereis de votar credito para
occorrer as despezas feitas com esse serviço nos ultimos
mezes do corrente exercido, porquanto somente restam
f ,4

26:114012 que apenas dardo para a despeza do


acaba de findar. mez que
**

Nos relatorios dos illustres presidente da Relação,


curador do Estado e secretario da jusi pro-
iça achareis extensas
e judiciosas considerações no que respeita
justiça publica e resultados que vão sendo aobtidos
magistratura,a
novas leis complemeniares em consequencia com as
dos retoques
porque tem passado.
Com relação ao jury, para cujos
promotor da justiça da comarca de NI escandalos chama o
do sr. procurador do Estado, parece me aranguape a attenção
que jamais podere-
mos chegar com opportunidade á sua
perar primeiro que, pela do caracter e reforma, devendo es-
costumes, o cidadão
se compenetre do papel, grave e serio de que a
e a lei o investiram, despertando em si sociedade
mesmo o sentimento
do dever, o zelo, a inquebrantavel
solicitude em bem da
ordem social e da segurança publica, pela
e da lei representada ná punição defeza da justiça
do crime ; pela defesa do
opprimido, si elle, innocente, é victima de
iníqua, segundo o entender deste illustre uma accusação
Para nós o jury é uma instituição magistrado.
no declinio de sua
existencia, prejudicial a sociedade,
notaveis publicistas e jurisconsultos
segundo a opinião dos
Leo'nhardet, e o unico remedio Dubarle. Von Launh e
nação do pacto fundamental. a applicar seria a sua elimi-
De cidade ou do Trahiry, julgamentos
estão incutindo no espirito publico mais recentes a hi
que não ha reforma de
caracter capaz de aproveitar ao jury, diante do
lismo que ha de ceder senttni.-Ata-
sempre ás ameaças, ao terror
á cabala, ás doenças por attestados panico,
de proveito certo, e tantos outros meios,
empregadas para arrancar absolvição
dos grandes criminosos, quando
e condemnação no maximo de miseraveispoderosos e endinheirados
scientes ou irresponsaveis . creatoras incon-
O exemplo citado
pelo dr. Vianna Filho do ladrão que
furtou 400 réis de
uma «caixa das almas», condemnado a 8
annos de prisão com trabalhos,
da absolvição de um grande na capital federai, seguido
de 200:004000 do banco estellionatario que se apossou
em que era empregado, constitue a
regra dos julgamentos desse
tambem irresponsaveis...
tribunal de «juizes de facto».
I 6--
entendem com a 156a admt.
Na ordem das questões que demonstrado a necessida-
nTs.tração da justiça, a pratica tem
kl n.° 37 de 1 de dezembro
de de mais alguns retoques na desembargador Procura-
de 1892, como bem pondera o Sr. dever «ficar á prova
dor do Estado, si bem que accresente
afim de tentar-se
da experiencia por mais algum tempo.
mais ampla e bem reflectida'. Assim deveria
uma reforma á ci
e modificações que trouxe
ser, si,com os additamentossetembro do anno passado,tives
tada lei a de n° fo8 de 26 de
organisaçào das juntas correc-
seis reformado o modo da
mais desmoralisado do que
cionaes, especie de jury, talvez delictos, e firmado Intel.
este nos julgamentos dos pequenos nos julgamentos
ligencla para a solução dos casos de empate questões estas que
eiveis no tribunal da Relação;
das causas que merecem.
urge tomeis no gráo de consideraçãode desempatar em regra
A pratica seguida pela Relação civeis, parece-me
pelo voto de 17zinerva, mesmo nas causas interpretação for-
dimanando da
altamente inconveniente, lei de 10 de desembro de 1892.
çada do art. 78 da citada observar o antigo re-
Com quanto tenha ella mandado
1874), em que pela doutrina
gimento (Dec. de 2 de maio de
vezes que todo empate
do art. 116, onde se tem entendido as
que está graça lhe era
deve sempre aproveitar ao ro, por todavia não parece
assignalada no crime, (arts. 104 e 123); entendam com os
que o sobredito art. 116 e seus congeneres
julgamentos na sua Fubstancia, mas só com as formalidades
e processos para se chegar até enes. casos crimes a graça
Em verdade si era restricta aos
dos arts. 104 e 123 do citado decreto, e a
ella não se referiu
espressamente o art. 78 da lei estadoal, não ha que inrovar
só absolvia o réo nos
na pratica seguida outr ora: o empate dec. de 2 de maio de
feitos crimes como já se fazia antes do em que
1874, e no civel o principio dominante era: nos casos
daria a
as vozes fossem iguaes, o regedor (hoje presidente) (Ord.
sua voz e aparte a que alie se acostasse prevaleceria
Livr. 10T, 1° § 9)
**

A lei n.° 107 de 20 de setembro do anno passado para


melhor esclarecer a discriminação das rendas, preceituou
que as camaras municipaes não podem consignar nos seus
orçamentosimpostos sobre exportação, industria e profissão,
bens de evento, transito de mercadorias ou qualquer oulla
fonte de renda que losse privativa da Chi:à° ou do Estado.
'-1 7-
Pois bem; raro é o municipio que não tenha infringido
todas ou algumas di!stas d'sposições,
tornandose por isso
passivel de recommenciações para que taes impostos não se-
jam mantidos, recommendações que
geralmente deix Ti de
ser attendidas.
Tenho preferido que taes rnunicipios venham á ser.
fim de dous annos de existencia á custa da persistencLt no
taxar impostos inconstituciornes, eliminados por falta em
cursos e annex idos a outros corno incursos le re
na pena d ) art.
9 da citada lei, a mandar suspender a execução dJs
mentos. orça-
E tudo isto succede porque o poder municipal ob
se em não querer camprehender o que seja autu miitita t-
dos
municipios. Opportunarnc.lte vos remetterei os orçam: Itos
de que venho de faltar.

Assumpto de não pequena monta c que continua a re-


clamar solução pratica é o que se prenJe a limites de uns
COM outros municipios.
As pendencias havidas entre os municipios de Lavras e
Aurora, bem como as de Pacatuba com Alecejana e Poran-
gaba e destas com a capital, assim tambern de outros, que
encontrareis no relatorio do sr. secretario do Intetior, mos-
tram a gravid ide que ha em deixar continuar sobre si o
litigio, que pode dar logar a maiores complicações, visto
que até nem querem se conformar CDM os limites que por
lei lhes são assignalados ; refiro-me particularmente ás
nhas divisorias, mencionadas na lei n° 107 clo anno passado
que as municipilidades confinantes co-n a dl capital e ',ten-
dem nã) poderem ser traçadas por falta de ciar esa referente
a pontos não assignalados, apresentando protestos escri-
ptos, que opportunamente submetterei á vossa apreciação.

Da mensagem que vos derigi em i° de ju'ho do anuo pas-


sado reprodusirei aqui 03 seguintes trechos a proposito de
reforma da instrucção publica
«Razões de ordem dogmatica e disciplinar me demove-
ram de cmprehender a reforma da Instrucção publica, mes
mo com a amplitude de liberdade que me concedeste.;. Ha-
veis de convir em que reformas theorica3, slmplesmentc
-48
Àugmentam,quando
cseriptaR e denretaclas nada aproveitam.
da legislação.
muito, o atulhamento dos archives proveitosa, da in-
Uma reforma radical, praticamente
actualmente quasi insoluvel,
strucção ublica, é problema de relações egoisticas a
attento o indeterminado numero
,satisfaur. sezunclario oflicial é a unica so-
A supressão do ensino c compativel com a
lução que me parece logica, eseontanea
dignidade e liberdade espiritur.d.
primaria e elementar, esta sim
«P instrucção publica
o magisterio de certas
precisa ser inelhoraea,cercando-s:d
tomaedo se slkias providencias
garantias qw,s lhe Lltaaa c
de, abusos que a tornam falha e
para evitar um sem-numero
deficiente.» impossivel está feita com a
No emtanto a reforma qussi plano e des-
adaptação para o Lyceu Ceareesedo mesmo
Gymnasio Nacional consti-
tribuição das rnoterias clue ne
tuem o curso de lettras e sciencias. acto de 21 de.
Regulamentado o ensino do Lyseu por legislativo
Março do corrente armo con força de decreto
da autorisação que me haveis concedido por lei
nos termos 1892 e o da Escola
especial s:lb n u 21 de 2ç de Outubro de
Normal cm 3) maio ultimo tambern nos mesmos termos
de aperovação vossa, a parte
da citada lei. Carec:-..' todavia de inspectores de
referente a creaão dos lega-.-es nevo
de gabinete, continuo e
alumnos, preparador e conservador
porteiro convir
Se assim procedendo fui contradictorio, deveis
conseitos ex-
que a isso me obrigastes, não aceitando opois que em vez
pendidos nos trechos acima tr.m.scriptos,
dando outro destino
de tentardes sueprnnir o eesieo officlal
aes professores das ca..leiras n1
frequentadas, iniciastes
desde logo a reforma do ensino sccundario com a apresen-
tação de projectos insulficientes e sem base logica.
Um delles chegaria a ser lei, mesmo sem a minha
mas isso não me dispensaria de regulamentai-o. o
cotiaboração,

que importa dizer que de qualquer modo teria de intervir


na reforma
O logar de director do Lyceu como o da Escola Normal,
incompatíveis com o de professor, carece de legislação es-
pecial que regule o caso augmentando os vencimentos da
tabella, caso não possa ser permittida mais a accornmulação
consignada no orçamento vigente por ser contraria á lei e
a desena, que, muito f.z.nlYiria Com a b3a doutrina que
prohibe o e,wcicio siinultinc ) do elrg) administrativo e )m
outro do magisterio.
Deveis, porém, ivció cslus.cer que a separação de ex-
ercicio ''dos dois cargos im perla tel :It11:7; nento certo da despe-
za e aggravçá-o de ur113 (I1S m :
(HMtildados com
que luta á administraç;'w diante d ) all.r)ux!meiV,c) dos laços
dhonestidacle civica, C )rrosiva lepra quf.; irif,.:-ta os nossos
costumes.

A força publica estadoal.sob o comman.lo do 'valente


republicano que a dirige, continua a pre-tar bons c leaes
'serviços á adn-iinistração :orn :pplaue-., e:,.e.le,:eithias que
bem exprimein a confinça a publica, E I/ ine-e, maior elogio
neste instante ,:ere.'t dizer vos
No periodo critico da : evelta cle:io de ameaças
quanto de angustias e di,srib ire eue riti Patria,
eoue.s,
não se poderia exigir inclher ecs,e uHe., ..e.ilhao reduzido
a um ann) a rn-nos O stritam:ntc n.ce Elle
offerece-no.3 ediri,nnte \eip:;-)1-!
no cumprimento dos ardos e diHl.me-
, .c abalho,
inhe-
rentes a tão ingrata q an to n bi p d2 man-
ter a ordem na socic.-!ade, o o go 1) -- pro-
videncia sempre viglante na j)Le.c.e;ã,) unta os
fortes, nos 'assaltos á honra e a i:;:a e ,

Mal paga e lo,kla e estafa-


da nos multiples (12 i ,e-et,) noctur-
no e até nos destacamento-e guardas lo-
caes por fraqueza ou Lie rs ia it ooclid'_, manter
alei e a autoridade policial, é ergen!-. cuideis de melho-
rar a suaswte, compeee.te..1) teimei")
Corrigi o grande erro co-n:n:e.tidena ni 2r vol data
17 de fevereiro de 1e)2,---eT, 'e::r um :ee_.1 entendido
assommo de revolta fel cl*Hselvida o melhor
corpo de agentes policiae.,
Autorisae a creação de uni co::)c,
nado aos destacamentos e gu rda it Ci3 ccatrOs popu-
losos do interior, costeado cm rLInJc;)jile fl.111d0 mu-
nicipal dos que quizerenicont:-ibuir di numero
de praças que foi-e n cie in'i:ter cm cada
localidade, subordinados ae,; (ee-, nt ao poder
municipal, sob condição expresa d crem .:ubstituidos ao
ftm.de certo período nunca excedente de um semestre, no
todo ou em parte e sempre que a disciplina assim o exija,

:X. :X;

O serviço de estatistica annexo á Junta Commercial,


reorganisado como repartição estadoal, muito tem melho-
rado no decurso de pouco mais de um anuo que apenas
tem de existencia.
Lamenta todavia o honrado presidente da Junta que o
serviço não seja completo por falta de comprehensão da
import:xncia maxima que na administração exerce o rigoro-
so conhecimento.dos dados estatisticos, por parte mesmo
daquelles que exercem funcções publicas estadoaes, que não
remettem os mappas e os esclarecimentos, que são obriga-
dos a enviar, ou o fazem incompletos e sem a authenticidade
que 'faça fé.
tAo apello que se tem feito ás autoridades federaes, bem
poucas têm correspondido.
Os dados sobre a importação e outros, que só na alfan-
dega se podem obter, continuam a ser colhidos por empre-
gados estadoaes, com trabalho insano, e isso mesmo porque
o illustre cidadão que a dirige não nós tem má vontade.
O ;,r. director da Estrada de fel ro de Sobral tem sido
solicito em remetter os d3 dos que se reportam á .sua repar -
tiçãó.
O registramento civil, como sabeis, é incompleto com
relação ao numero de obitos ; resulta disso o desparate de
crescer a população, embora os registros accusem um obi
tuario maior que a natalidade.
S. exc. rvdm. o sr. Bispo diocesano, acudindo da melhor
boa vontade ao meu apello, tem feito remetter á secção de
estatistica, dados referentes a casamentos, baptisados e
obitos. que são de grande auxilio e valor para a rectificação
dos cal. ulos referente z á população do nosso Estado.
C.)m o significativa homenagem ás excelsas virtudes do
illust e pastor catholico, consigno aqui aquella fineza de
s. exc. rvdm., que agradeço em nome do Ceará, fazendo
votos para que sejam duradouras e cada vez mais accentua-
das as boas e cordeaes relações de amisade. que em minha
administração tem existido particular e officialmente entre
os representantes dos poderes espiritual e temporal.
No relatorio do digno presidente da Junta Commercial
podereis melhor apreciar as lacunas de que se resente ainda
a secção de estatistica, e bem assim grande copia de infor-
mações exactas, não só relativas ao movimento commercial
da nossa praça, como em mappas, dados estatisticos muito
reeommendaveis para a confecção do o:çamento que tereis
de votar para o futuro exercício de 1895.

O funccionalismo não cessa de pedir augmento de ven-


cimentos, porque se julga mal pago diante da crise da
excessiva baixa de cambio, que tudo en :arece.
Não precisa grande esforço papa se ver que tem razão o
bom empregado, cuja honestidade, zelo e assiduidade n)
desempenho das funcções do cargo que lhe dá direito ao
titulo de servidor da Patria. Não assim o máu empregado,
o relapso, que vive sempre de liceiça ou nada faz, justifican
do a nullidade pessoal e dg cargosinecuraque lhe deu o
partido a quem nem Mesmo assim serve com lealdade.
Discriminae-os bem, pois que não será difficil e tirae
destes o bIstante para gratificar aquelles homens do tra-
balho, instituindo uma recompensa, especie deferia pap em
dinheiro, para o assíduo e proveitoso, a mododo que se pra-
tica nas estradas de ferro da União.

Na repartição das .finanças em boa hora confiada ao


notavel zelo e capacidade do honrado secretario interino da
fazenda donde mais se accentua a laseira cuja inercia inuti-
lisa os mais potentes esforços de um chefe contra a grande
massa da incompetencia, pela falta mesmo de habito de tra-
balho e tradições daquelles que vencida a indiferença e a má
desposiçào poderiam fazer alguma cousa.
E como não ser assim quando é por amor a pedantesca
afilhadagem que se forçavam as vagas com demissões
caprichosas e aposentadorias absurdas.
E' tempo já, senhores membros do congresso, de activar
a reconstrucçào. Primeiramente, porem. cumpre remover
o grande accumulo, resultante da longa e systematica demo-
liçào, cujo volume disforme, de espessas camadas represen.
ta o atulhamento superposto, não de poucos dias, mas em
periodo superior a 10 anhos durante os quaes as admi-
nistrações que se succederam como que porfiavam em exce-
der aos seus predecessores em contingentes positivos para
essa derrocada» segundo o dizer do illustre secretario que
prosegue nestes termos
(4. E pois tambem não será obra de um dia a sua defini-
tiva reorganisação, tanto mais na minha superintendendo
que considero os meios violentos como impropfios a seme-
lhante consecução mas sim como já disse no ultimo relatorio,
da perseverança de decidido empenho subordinada a condi-
ção de tempo e agora acrescento. sem intermitencias.»
Não vos olvideis de que é preciso substituir quanto
antes os funccionarios de incontestavel invalidez por ceguei-
ra, decrepitude ou lesões cardiacas e cerebraes pelos ro-
bustos e muito aptos' pensionarios do quadro de inactivos
cassando o rendoso emprego de aposentadoria a bem do
serviço publico a uns quanto. des,.es vigorosos inualiclos.que
mais se e.xhibem como par tidario dos ravOltosos.
Começae ao menos por aquelles a quem vós mesmos
destinastes o artigo 20 das disposições tOnsitorias da nossa
Constituição : « Todas as jubilaçõs, reformas ou aposen-
tadorias concedidas de 15 de Novembro de 1S.3 em diante
ficam dependentes de approvação da assembiéa

A modificação porque passou o antigo systema tributario


em relação ao que adoptastes para a emancipação do Estado
que só em 1° de Janeiro de 1893 e itrou defloitkiamente em
sua vida autonoma e a alteração que o vigente orçamento
soffreu em relação ao anterior, nào deixam ainda margem a
uma proveitosa comparação. Aliviadas corno foram diver-
sas taxas de exportação, não é licito affirmar que a diminui-
ção ou o augmento de valor arrecadado pela exportação de
certos generos obedecem á influencia da variação da taxa
para melhor ou peior, nem tombem a escacez ou maior abun-
dancia na producção desses generos. Alem disso ahi está a
constante depressão do Cambio a alterar a valorisação das
cousas e de tudo.
Para que comparar e itidades heterogenias
Pode-se todavia empiric 'mente afiançar que até agora a
fortuna publica não ficou estacionaria pois que é isso visivel
e sente se.
Marcha leno 6 a elo nosso prog,redir,e pode bem .,!,e.r que
a tenhamos por algum tempo ainda mais moro ;a pelos es-
rag os do excessivo inverno deste anno.
Que importa porem isso ! Chegará a
esses os nossos votos ha já um accelerar-se e são
e o Ceará nada deve. saldo no Thesouro,
Continuemos nesa trilha, em
contra os esbanjamentos dos dinheirosconstante sobre aviso
inuteis ou em despesas improcluctivas publicos, em gastos
e o nosso Estado
nada terá que invejar do.-: outros.
Economisar mio é aferrolhar dinheiro
ração corno faz o usuNlrio. para tel-o em ado
Ponhamos em i0W1I' 9.eguro e reproductivo
reserva córn que posamos uma certa
eventualidades de qual.
quer crise futura, e o que rc-,t.ir, cump,e
beneficios que revertam para o p:vo eni obras transformar em
uteis,
gens, auxilios indirectos á industrias, bem como tudoaçuda-
to interessar possa á saude publica. quan-
Felizmente é satisfatorio o no-so estado
gundo as informações do illustre Inspector sanitario, se-
de hygiene pu-
blica, para cujo relatorio chamo J vossa esclarecida
attenção.

Em i° de Julho do armo pas,aclo, hi


saldo do thesouro era então de tíY):5r;8(517 um anno justo, o
e hoje segundo o
balancete do thesoureiro é de I. réis, apresentan-
do a notavel diferença cie i 021:707$o92.
A receita arrecadada no primeiro
semestre do corrente
anno attingio a 8o9:134$457, sendo de 499:6(58$197
no mesmo período de tempo ; d'onde resuste oa despesa saldo de
3o9:465$96o réis, correspondente ao primeiro
exercicio, dados
estes que nenhum confronto se pode fazer com
em relação aos arrecadados e despendidos no i° proveito
de 1892 pelas razões anteriormente expostas. semestre
Segundo o balancete acima referido o estado do thesou-
ro até hontem é este
No Caixa geral receita 1.482:5q18219, com a despesa de
499:66S$497, representando de saldo
982:9228722
No Caixa de depositos 236:917S000, escripturado
como
receita para dina despesa de 31:166.3396, e um saldo de....
205:78(4613
E no Caixa de diversos valores 2:637$374 de receita, sem
nenhuma despesa o que dá reunidos todos os saldos...
;

1.191:3447o9, assim descriminados


Em dinheiro no Caixa Geral 982;o2:2$722;
Em deposito dinheiro 36:80c:4812 ; papeis de credito,
:
21:644862: apolices 147:334$939; apolices no Caixa de div. va»
lores 1;000$000 e em letras 1:637$374.
Estes algarismos indicam bem que são animadoras as
nossas condições financeiras. Cumpre que continueis a ser
prudentes, providos e economicos.

Srs. Membros da Assembléa ; sào estas as informações


que occorreu»me relatar-vos de
accordo com o preceito
constitucional consagrado no art. 59 n. 3 do nosso estatuto
politico.
Tenho me esforçado para bem cumprir os meus deveres
e dizme a consciencia que si mais não fiz é porque não
pude.
Palacio da Presidencia do Estado do Ceará, Fortaleza,
1.0 de julho de 1894, 6.° da Republica.

José Freire Bezerril Fonlenelle.


A.1\TlTMCC)
IIELA TORtO

QUE

O SECRETÁRIO INTERINO DOS NEGOCIOS DO INI'ERIOR

4acharel pornaz cl'ompeu Qt3 int° (3_4 ccioly


e

AP RE S E NTA

AO EDI. SR, PRESIDENTE DO ESTADO

189:1
4ocreldria dos ilegocíos do pioria:, ein 20 de
junho de 1894
.'

EDI." SNR. PRESIDENTE

Cumprindo o disposto no art.13 § 3.° do Reg. de 28 de


dezembro de 1692,, tenho a honra de apresentar-vos o relato-
rio dos negocios a cargo d'esta Secretaria, a qual me coube
gerir por titulo de 11 de fevereiro do correate anno.
- O pequeno espaço de tempo que medeia da data de minha
nomeação á do presente relatorio, inhihe-me de apresentar-
vos uma exposição mais completa dos serviços que correm
por esta Secretaria.
Aproveitando-me, entretanto, dos poucos dados que
ainda pude colher, é-me grato fazer-vos um ligeiro apanha-
do do movimento d'esta repartição a cuja frente me collo -
castes, dando-me assim uma prova de confiança, que muito
vos agradeço.

ADMINISTRAÇÀO MUNICIPAL

Constituidos os municipios do Estado na conformidade


das leis de 10 de novembro de 1892 e 20 de setembro do anno
findo, entraram todos elles, em numero de 79, na gestão
completa dos negocios de sua economia propria.
Poucos ou nenhum dos municipios, porém, têm compre-
hend ido a sua autonomia, o que se prova por exemplo, com
a defeituosa organisaçào de 'seus orçamentos, quanto ao
modo de tributar os contribuintes com impostos que, como
rendas, pertencem exclusivamente ao Estado.
A lei de 20 de setembro do anno proximo passado deter-
minou que as Camaras Municipaes não podiam consignar
nos seus orçamentos impostos sobre exportação, industrio e
profissão, bens do evento, transito de mercadorias ou qual-
quer outra fonte de renda que fosse privativa da União ou do
Estado, sob pena de serem eliminados dos respectivos orça-
mentos ; disposição esta que está de prefeito accordo com a
lei organica dos municipios, sob n.P 33, art. 33,
Não obstante, porém, tão clara disposição, poucas foram
as Gamaras que organiz tram seus orçamentos dentro dos
limites traçados pelas leia citadas, conforme os exames pro-
cedidos n'esta Secretaria, que foi. .(orçada a devolver os
d'aquellas que não tinham cumprido os preceitos acima re-
feridos.
A devolução de semelhantes orçamentos não produzio o
effeito que era para desejar, porquanto ditas Gamaras, jul-
gando-se feridas em sua autonomia, procuraram recalcitrar,
não attendendo ás vossas ordens e allegando que 6s muni-
cipios não podiam viver com a exclustlo d3s impostos. cita-
dos.
Para estas que se julgaram bsauloradas com as exigen-
cias da lei existia a pena de suspena3 de seus orçamentos
illegaes; entretanto resolvestes-31.15m2uer O a;:-sumpto
conhecimento da Assemb;é4 a qucu se; Lio remetudos op-
portunamente os referidos orçamentos, evitando assim, a
suppressào de grande numero cie municipi,)s.
Estes orçamentos deram tia sua exccuço origem a re-
clamações por parte dos contribuintes, as gores, a meu vêr
devem ser remettidas tambcm á A ;scinbléa 1.r.sislativa para
uma solução final.
Da execução do art. .15 da lei ¡Lu 107, que traçou novos
limites entre os municipios d'esu Capital e de 1-'orangaba,
surgiram por parte da Camara deste ultim3, reclamações
provenientes da pouca clareza df-,; teCt113S C111 t)lie se acha
concebida aquelia lei, c.:mtra á 1..111 protesta a inesma Ca-
mara, allegando que foi tirada g;.aude «parte do territor;o
szu municipio,lue .1Z1C10 p:.oporçõ:s mini-
mas. O municipio de i1.1eej-aryi chz-se t,:trnb-ma prejudicado
da mesma maneira pela referida lei.
O municipio de Soure levant,.0 que,tão esc: limites com
o de Porangaba, baseando-se na li a u 20+31 idc dezembro de
1883, que foi executada contra a di.;posiçáo e.xpressa no
texto.
Da questão de limites enlre os municipos de Lavras e
Aurora, levada ao coahecinacato d'A-sernblêd Legislativa em
sua ulti:na reunião, surgi,) <4 1;-: fl.) Yt., de 25 de ,jula.:) de 1893,
que declarou pertencer ao primeiro o territ)rio do antigo
districto .de paz de S. Francisco.
Agora, porém, a Camara utici pd da Aurora pretende
que os impostos arrecaclad).;, anter:nent.:; lei, pela
de Lavras, passem a pertenccr-lbc, confCIIIT10 e dcprchende
de suas reclamações as quaes, mio foram resolvidas pelo
poder executivo, que Hgou cm
.f.t sabedoria, dever
mettel-as tapreeiwe.i.e ,1e.-em!-.1C:a Legislativa.
sub-
Tendo a lei n.°
munpio da Cac:hoeira, foi,)..to por
u'timo restaurado o
antigo
designado o dia 1." dc ointi!:)1.0 doeet ele 23 do mesmo mez,
e ea? findo
se á eleição de seis vereid para proceder-
,_::.!,;Hirn constituir
mara Municipal daquella a Ca-
20 de abril de 1;--92., que rcv,-..ÍH::1 r,r..s.lo Dec n.° 20 de
de outubro de 1870. :\ :1C`Vnt '.'Ha 1 ici 1.3 7, de 22
i

outubro ultimo, tencL) ee,e, H..-tugurrir.-.1a no dia 16 de


1.137 e modifizados peH ie. 1, l'i; 1
Ç',:idos pela lei n.°
De conformidade com o -_',a,r.r:)..to de 1865.
tadoal combinado com C-e-estituição Es-
10 de novembro de 1:', ;r1.1-d:1 H n.o 33, de
.1.;
para o preenchimento de divcrsas segainles eleições
vi:.;;;; exitcalcs
guintes Gamaras Municipaes nas se-
Do Umary (acto cle de »lila-)
dia 20 de agosto para de 18'2)2). Uoi
preeceie,r-se designado o
mento das vaa para o preenchi-
te
xeira e Joaquim Anteni.)dc 01k. JQSJoão
e a, que
Alexandre Tei-
cargos renunciaram os
Do Acarai (,..eto de 8 de juli-e) dc 193).
o dia 20 de agosto para o Foi designado
pelo cidadão João Augusto preenc.nimento da vaga aberta
de Gistro Moura,
emprego remunerado que acceitou
Aquiraz (acto de 10 de :Julho de l03).
o dia 15 de agosto para Foi designado
o preenchimento das vagas
pelos cidadãos João Pereira deixadas
Castro e Silva, que ucceitaram fi'aha e Deodato José de
Do Trahiry (acto de .15 de empregos remunerados
o dio 15 de agosto para ,julho de 1S'3). Foi designado
o preenchimento da vaga deixada
pelo cidadão Domingos Barrce.::o
cargo de Souza que renunciou
o
De Guaramirapga (acto de 20 de de julho 1803).
signado o dia 3 de :etembro Foi de-
para e preenehimento da vaga
motivada pela inuclaeça de
Barbosa Lima.; domicitio, do vereador Norberto
De S. Francisco (acto de 8 de
gnado o dia 17 de setembro par ,igoto dc 1S03). Foi desi-
aberta pelo vereador e\etonio ;) preenchimento da vaga
':i

que aceeitou a noineação dc Severiano laciel da Costa,


de real isar-se a referida adjunto do promotor. Deixando
11 de janeiro de .189'k eleição n.klueile dia, foi por acto de
cle,iignaclo o dia 2.:-) de fevereiro
effectuar-se dita eleiçao para
de 1893). Foi desi-
De Aracoyaba (acto de 16 de agosto da vaga
gnado o dia 20 de setembro para o preenchimento
Guedes Alcofo-
occasionada pela renuncia do cidadão Pedro
rado ;
De Morada Nova (ac'to de 12 de setembro de 1893). Foi
designado o dia 22 de outubro para o preenchimento da vaga
deixada pelo cidadão Manoel Dyonisio de Lima, que renun-
ciou o cargo ;
Do Aracaty (acto de 20 de setembro de 1893). Foi desi:
gnado o dia 5 de novembro para o preenchimento da vaga
deixada pelo cidadão Francisco do Carmo Pinto Pereira,
que acceitou o logar de escrivão da collectoria do munici-
pio ;
De Quixaclá (acto de 3 de outubro de 1893). Foi designa-
do o dia 12 de novembro para o preenchimento' da vaga
aberta pelo cidadão Manoel Carvalho, que renunciou o
cargo ;
D3 Pocoty (acto de 18 de outubro de 1893). Foi designa-
do o dia 26 de novembro para proceder-se á eleição de qua-
tro vereadores em preenchimento das vagas existentes, visto
ter sido annullada a anterior, pela lei n.' 93, de 9 de setem-
bro do referido anno. Esta designação de eleição soffreu
modificação motivada pelo adiamento (acto de 25 de novem-
bro) da mesma para 7 de janeiro do corrente anno
De Varzea-Alegre (acto de 25 de outubro de 1893). Foi
designado o dia 10 de dezembro para o preenchimento da
vaga deixada pelo cidadão Antonio Alves Feitosa, que fal-
leceu ;
De Pacatuba (acto de 30 de outubro de 1893). Foi desi-
gnado o dia 1.0 de dezembro para proceder-se á eleição de
seis vereadores, em virtude da renuncia dos cidadãos que
exerciam os referidos cargos. A Camara Municipal de Ma-
ranguape tez a nomeação para a constituição das mesas
eleitoraes, apurou a eleição e deu posse aos novos eleitos,
conforme determinastes ;
De Granja (acto de 17 de novembro de 1893). Foi desi-
gnado o dia 25 de dezembro para o preenchimento da vaga
occasionada pela mudança de domicilio do vereador Ray-
mundo de Barros Telles ;
De Varzea-Alegre (acto de 17 de novembro de 1893). Foi
designado o dia 25 de dezembro para preencher-se a vaga
occasionada pela mudança de domicilio do vereador João
Felix Teixeira ;
De Sobral (acto de 2 de dezembro de 1893), Foi designa-
do o dia 10 de ,janeiro para o preenchimento das vagas oc.
casionadas pelas renuncias, que fizeram, dos cargos, os ve-
readores Francisco de Almeida Monte e José Joaquim Ribeiro
da Silva ;
Do Icó (acto de 14 de dezembro de 1893). Foi designado
o dia 25 de janeiro para preencher-seu vaga deixada pelo
tenente-coronel José Pinto Coelho de Albuquerque, que ac-
ceitou emprego remunerado
De Benjamin Constant (acto de 16 de dezembro de 1893).
Designou-se o dia 25 de janeiro para o preenchimento das
vagas occasionadas pelas renuncias dos vereadores João
Antonio de Carvalho e Vicente Cavalcante de Araujo Cha-
ves
De Araripe (acto de 10 de janeiro de 1894). Designou .se o
dia 25 de fevereiro para o preenchimento das vagas deixadas
pelos cidadãos Josué de Alenca: Rodovalho e Joaquim de
Barros Alencar, que acceitaram empregos remunerados
De Pedra Branca (acto'de 15 de fevereiro de 1894) Foi
designado o dia 25 de março para o preenchimento da vaga
aberta pelo cidadão Leonardo de Oliveira Brazil, que renun-
ciou o logar de intendente do referido municipio ;
De Arneiroz (acto de 7 de março de 189l). Designou-se
o dia 23 de abril para preencher-se a vaga occasionada pelo
fallecimento do vereador. 1-lonorio Alves Feitosa Castro.
Deixando de realisar-se a referida eleição naquelle dia, foi
por acto de 28 de maio, designado o dia 10 de julho proxiato
vindouro para effe:tuar-se dita eleição
De Quixeramobim (acto de 13 de abril de 1891). Foi de
signado o dia 15 de maiá para o preenchimento das duas
vagas existentes, sendo uma pelo fallecimento do coronel
José Nogueira de Amorim Garcia, que fôra barbaramente
assassinado, e outra pela renuncia do cidadão Miguel Joa-
quim de Almeida Castro
De Baturité (acto de 13 de abril de 1891k). Foi designado
o dia 15 de maio para o preenchimento da vaga deixada
pelo cidadão Joaquim de Alencar Mattos, que renunciou o
cargo ;
De S. Bernardo das Russas (acto de 23 de abril de i891).
Foi designado o dia 22 de maio para o preenchimento da
vaga aberta pelo cidadào Manoel Cavalcante de Albuquer-
que, que deixou de comparecer ás sessões da Ca tnara por
mais de um arrtm ;
De Ti anguá (acto ae '7 de maio de 1891). Designou-se o
-1 O
dia 7 de junho para o preenchimento da vaga occasionada
pela renuncia, que fizera do cargo, o cidadão Tra,jano Antu
nes de Aguiar
De Ipueiras (acto de 22 de maio). Fei designado o dia 30
de junho para proceder-se á eleição em preenchimento das
vagas occasionadas pelas renuncias dos vereadores José
Bento de Oliveira Foritenelle e Jeronymo Alves de Araujo.
OBRAS PUBLICAS

Este serviço que se achava sob a direcção do 10 tenente


João Arnoso, passou, com a exoneração deste, a ser dirigido
desde 1.0 de maio ultimo pelo distincto cidadão Henrique de
Alencastro Autran, que poderá, corno creio, desempenhar
o referido cargo com criterio e intelligencia, concorrendo
assim para mais realçar a vossa economica administra-
ção.
Ao assumir o referido cidadão as funcções traçadas no
reg. de 5 de janeiro do armo passado, approvado por leis de
21 e 25 de julho do mesmo armo, recommendei, em vosso
nome, que enviasse a esta Secretaria um relatorio circum -
stanciado dos serviços que estiveram a cargo de seu ante-
cessor, requisitando outros esclarecimentos, como se acham
especialisados no officio de 1.0 de maio ultimo, que se se-
gue:
« ESTADO DO CEARÁ. Secretaria dos Negocios do Interior,
em 1.0 de maio de 189 Sr. Henrique de Alen-
castro Autran.Communicando a vossa nomeação
« para o logar de director das Obras Publicas deste
Estado, cabe-me recommendar-vos, de ordem do
Exm. Sr. Presidente que, com a possivel brevida-
de, envieis a esta Secretaria um relatorio circum-
stanciado acerca dos serviços que estiveram a car-
« go de vosso antecessor 1.° tenente João Arnoso, a
contar de 18 de fevereiro de 1892 até hoje, afim de
instruir a mensagem que o mesmo Exm. Sr. Presi-
« dente tem de apresentar á Assembléa Legislativa
« em sua proxima reunião. Para isto deveis. requi
« sitar do referido 1.0 tenente João krnoso todo o ar-
« chivo da repartição que ides dirigir e bem assim
« todos os instrumentos de engenharia pertencentes
á alludida repartição, o que tudo deveis receber
« mediante inventario. E, como tivesse elle conclui-
« do as obras dos dois edificios Lyeeu e Bibliotheca
« no dia 28 de fevereiro ultimo, torna-se necessa,
ria a remessa da demonstração das despezas feitas
« com semelhantes ob-as, afim do Exm Sr. Presi
dente ter conhecimento exacto do grunhem despe n-
diao na construcção do; referidos edificios, discri-
minando-se pelas verbasbeneficio das loterias,
« ev,entuaes e obras publicas, sendo que os dados
para a confecção desta demonstração deveis en
contrar nos livros de registro a cargo do vossa
antecessor. Saude e fraternidade. Thonia, Ponz-
teu Pinto Accioly.
Deixando de comparecer, á repai tição de Obras Publi-
cas, como fóra combinado, o mesmo Sr. 1.0 tenente João
Arnoso, para entregar, corno cumpria, os objectos perten-
centes ao Estado, o cidadão Autran, dirigi° -vos então um
officio, em 4 de maio ultimo, no qual solicitava a nomeação
de uma commissào para os fins determinados em meu officio,
a qual, sendo nomeada na mesma data, fl.:ou composta do
novo director das Obras Publicas, presidente ; do director
de secção da Secretaria de FazendaJoão Baptista de Souza
Forte e do I° ()Melai desta SecretariaIsmaal l'ordeus Costa
Lima. Assim constituida a alludicia commisaão, tivestes co-
nhecimento dos rnateriaes, objectos e moveia pertencentes á
repartição de Obras Publicas e c.onsequenternante ao Estado,
conforme a relação nominal que acompanhou o officio de
seu director, datado de .10 do mesmo mez.
'Pelo criteiioso relatorio apresentado pelo actual dire-
ctor, ,que junto em annexo, vereis a imp)ssibilidade de
se fazer a discriminação das despezas eirectuadas nas con-
strucções dos edificios do Lyceu e rc- ibliotheca, desde que
das proprias contas e folhas dos operarios não tiveram o
cuidado preciso para podermos chewir á realidade de se-
melhante discriminação.
A relação minuciosa dos serviços que correm por esta
repartição, acha se perfeitamente descripta no relatorio a
que alludi; cumprindo accrescentar que a ecretaria do Inte-
rior só recebia os orçamentos de qualquer obra publica, de
pois de sua conclusão.

ILLUN1INAÇÃO PUBLICA

A fiscalisação technica da illuminação publica acha se a


cargo do director das obras publicas, na conformidade do
art, 2:° do Reg, de 5 de janeiro de .193,
o

O Estado, na forma de seu contracto, continúa a custear


a iluminação a gaz das praças e ruas, que contam 1.607 com
bustores, e do passeio publico, com 142.
De accordo com a modificação feita em 8 de março de
1890, entre a companhia e o Estado, passou a 23 reis o preço
do gaz consumido em uma hora por cada combustor e por
ter o numero de ditos combugtores excedido de 1.462, como
succedeu, tempos depois.
A lei n.° 35, de 14 de novembro de 1892, designou para
o custeio da 111uminação Publica no exercicio de 93, a quan
tia de 120:000$000. que tornou-se insufficiente pela baixa suc
cessiva do cambio.
Attendendo a esta circumstancia solicitastes da Assem.
bléa Legislativa um credito especial da quantia de 36:364893
que, concedido por lei n.° 52, de 29 de julho do anno pas-
sado, foi augmentado com mais 24:817$241, conforme os cre-
ditos que abristes em 7 de outubro de 1893 e 8 de janeiro
ultimo, os quaes, opportunamente, serão subrnettidos ao
conhecimento d'Assembléa Legislativa, na sua proxima reu-
nião.
O gaz consumido com a illuminação publica das ruas,
praças e passeio desta capital, durante o anno findo, impor-
tou na quantia de 181:181$129, distribuidos pela maneira se-
guinte:

MEZEs CAMBIO iNiPORTANCIA

Janeiro 13 1/4 13:019012


Fevereiro 1.3 13:137§254
Março 12 5/8 13:252003
Abril 11 1/2 13:973007
Maio 10 3/8 15:434939
Junho 10 7/8 14:814892
Julho 10 1/8 13:624818
Agosto 12 14:27(4551
Setembro 10 3/4 15:997041
Outubro 10 1/2 17.572093
Novembro 10 3;8 17:5214716
Dezemhro 10 1/4 18:555003

181:1818129
Recapitulando, temos
De principal-7C:204$831
Differença de cambio-104:796$298
Tomando por base a demonstração acima e a baixa que
continúa a ter o cambio, tendes necessidade de pedir á As-
seinbléa Legislativa credito sufficiente para satisfazer os pa-
gamentos dos dois ultimos trimestres do corrente anno,uma
vez que a verba votada está a extinguir-se.
Precisando ter o fiscal technico,da illuminação publica
instrumento proprio para chegar ao conhecimento da força
real da luz fprnecida a cada combustor, fostes por lei n. 65,
de 3 de agostó ultimo, autorisado a fazer a despesa necessa-
ria com a acquisição de um photometro, acquisição (lie de-
vereis fazer logo que o c:tmbio melhorar.

SANTA CASA

De conformidade com o disposto no art. 19 dos Esta-


tutos da Santa Casa, approvados por decreto n. i77,. de 4
de abril de i891, nomeastes, por acto de 1.° cie março ultimo
a nova mesa administrativa que tem de servir no anuo com-
proMissal de 1894 a 1895, a qual ficou composta dos seguin-
tes cidadãos
PROVEDOR

Dr. Antonio Pinto Nogueira Accioly

PROCURADOR GERAL

Dr. Virgilio Augusto de Moraes ;

THEZOUREIRO

Coronel Guilherme Cezar da Rocha

MORDOMOS

Coronel Valdemiro Moreira


DesembargadorJoaquim Pauleta Bastos de Oliveira
Desembargador José Joaquim Domingues Carneiro
Tenente coronel Antonio Felino Barroso ;
Tenente coronel Antonio Moreira de Souza
Major João Eduardo Torrcs Camara
Coronel Manoel Francisco da Silva Albano
Tenente-coronel Virgilio Freire Napoleão ;
SUPPLENTES

Tenente-coronel Joaquim Fel» de Mello


Tenente-icoronel Arnulpho Pamplona
'Pharmaceutico João Francisco Sampaio
Pharmaceutico Antonio Albano ;
Major Guilherme Perdigão
Tenente-..coronel Jose Fernandes Vieira
Major Jovino Guedes Alcoforado
Joaquim Barroso de Souza Cordeiro
Tenente-coronel Esmerino Barroso.
Este estabelecimento que era costeado em parte das
prestações mensaes das loterias do Estado, continúa a. pre.
star reaes serviços.
Com a inesperada suspensão de semelhantes prestações,
resolvestes de accordo com o art. 16 da lei n. 117, de 7 de
outubro do anno passado, mandar cobrar pela Secretaria de
Fazenda o imposto addicional de 0/0 sobre a exportação,
com o que se tem provido as despezas feitas com o mesmo
estabelecimento, desde janeiro ultimo.
O Asylo de Alienados acha-se a cargo da Santa Casa,
sendo costeado com as rendas da empreza funeraria ; entre-
tanto, diversas obras ali tem-se executado, no periodo de
vossa administração, correndo as respectivas despezas pelo
beneficio das loterias e, actualmente, pela verba acima re
ferida.
O rendimento da Santa Casa de Mlsericordia, de 1.0 de
março de 1893 a 28 de fevereiro do corrente anno; foi
de 93:216$597
As,.despezas no mesmo periodo foram de 85:711$758

Saldo 7:404769

Rendimento do Asylo de Alienados no mes-


mo periodo 22:299$260
Despeza no mesmo periodo 24:482$540

Saldo fornecido pela Santa Casa 2:183$280

Rendimento do cemiterio 2:241$600

mento da empreza funeraria 8;881470


COLLEGIO DA CONCEIÇÃO

, Este estabelecimento,
exm . sr. Bispo Diocesano, é
que se acha sob a direcção
do
subvencionado
a quantia de tres contos de réis pelo Estado com
semestres, annuaes, pagos em dois
Esta subvenção foi feita pelo modo
16 da lei n. 117, de 7 de estabelecido no art.
minuta, tendes augmentado outubro ultimo, a qual, sendo di-
applicada ás obras que se fazem,por diversas vezes para ser
do mencionado collegio. 2ctualmente, no edificio
Este conta presentemente 108
modicas pensões, 80 pensionistas,
orphàs internas sustentadasque pagam
pelo esta-
belecimento, alem de 435
meninas
strucção e alimentação gratuitas pobres que recebem in-
moças que frequentam as aulas no externato annexo, e 120
nos dias santificados.

LOTERIAS
Não tendo o cidadão
Cunha, contractante das Olympio Domingues
loterias do
da Silva
cofres da Secretaria de Estado, recolhido nos
Fazenda a prestação de
deiréis, vencida no mez de setembro sete contos
contas das extracções das ultimo, nem prestado
'
loterias
minavam as clausulas 2.a e 16' do anteriores, corno deter-
26 de. abril de 1892 contracto celebrado em
e accordo de 22
anno, imposestes, por acto de 15 de setembro do mesmo
multa de um conto de réis, comde setembro de 1893, a
para o seu recolhimento. o prazo de quinze dias
.

Por acto de 30 do referido


attentos os motivos de força mez foi esta multa relevada,
maior allegados pelo alludido
contractante, que ainda não fez
ções já vencidas, na o recolhimento das presta-
de setembro ultimo importancia total de 70:000$000, a contar
a junho do corrente anuo.
Esta quantia; de accordo com
ser applicada; corno beneficio o proprio contracto, devia
caridade e instrucção publica doaos estabelecimentos pios, de
Estado
de fde novembro do ; por isto, em oficio
ria de Fazenda anuo passado, autorisastes a Secreta-
a transferir do caixa dG depositos para o da
receita geral a quantia de dezeseis
drfia-nça (trifita contos) do referidocontos de réis por conta
serem satisfeitos, contractantz,., afim de
não só 03 pagamentos das folhas de
dos- e contas de obras opera-
do Lyceu e Bibliotheca como tambem
«ara balida

de Misericordia, e collegio da
as subvenções da Santa Casa integralisando-se a mencionada
lmmaculada Conceição,
referida operação de credito, logo
fiança e annullando-se a
indicadas prestações. Infeliz-
que fossem recolhidas as
mente nada satistez o referido contractante com semelhante
sendo o resto da fiança prestada
providencia. Entretanto,
con'to de reis cada uma, não puzestes
quatorze apolices de resolução, por depender a posse delas
em pratica a mesma rescisão do contracto.
de acção judicial, após acapital federal uma sociedade ano-
Organizando-se na
denominação cl: « I.oterica Nacional», foi o seu
nyma com a pelo dec. n. 1482 de 25 de julho
funccionamento autorisado
permittia a fusão da loteria da referida capital
de i893, que
com as dos Estados. concedestes ao cidadão Olympio
Por autoris.ação que
da Silva Cunha, foram incorporadas á referida
Domingues Estado ; mas, não sendo cum-
sociedade as loterias deste suspendestes semelhan-
pridas as clausulas que impuzestes,
te autorisação.
providencia fez com que a alludida sociedade tó-
Esta
de enviar a esta capital, como seu re-
masse a deliberação Cordeiro Guaraná, com
presentante, o dr.. Manoel Armindo accordo relativamen-
realisar um
instrucções e poderes para
pertencente a este Estado, segundo
te á quota do beneficio foi dirigida por ofilzio de 31 de mar-
communicação que vos
ço ultimo.
Não tendo vindo, porém, o representante indicado,
conformidade do contracto já
tomastes a deliberação de, na de
referido, multaro contractante na quantia de um conto
reis, conforme o acto infra
considerando que não
« 1.. sacçxo O Presidente (1,3 Estado, das loterias do
a foram acceitas pelo contractanteda Silva Cunha,
Estado Olympic). Domingues
a as condições que Ihe.foram
propostas para real-
capital
sar a fusão das mesmas loterias com as da
extracção acha-se a cargo
« federal, cujo serviço da subsis-
* da sociedade anonymaLoterica Nacional,
findo, portanto, todas as clausulas do contracto
accordo de 22 de
celebrado a 26 de abril de 1892 e
a setembro do mesmo anno ;
Considerando que
de
a cessaram, ha mais de dois mezes os motivos
a força maior allegados pelo mesmo contratante
para a relevação da multa que lhe foi imposta por
-17-
« acto de 15 de Setembro do atino passado
; Con-
« siderando que, não obstante isto, tem elle deixado
« de recolher aos cofres da fazenda as prestações
a mensaes de sete contos de reis,
conforme deter-
minam a clausula 2. do referido contracto e o
a accordo posterior ; Resolve
na conformidade da
« clausula 14.', impor-lhe novamente a multa de
um
« conto de reis, a qual deverá ser havida da caução
I feita para garantia do
contracto, e marca-lhe
a 'prazo de quinze dias, a contar de hoje, para o re-o
colhimento da importancia das alludidas presta-
« ções, sob pena de rescisão do contracto e conse-
« quente perda da caução. Palacio da presidencia
« do Ceará, 19 de maio de 1891. José Freire
a Bezerril Fontenelle Thomaz Pompeu Pinto
« Accioly. »

Deixando o alludido contractante de dar


cumprimento
ao prescripto no acto supra,dentro do praso de quinze dias,
rescindistes o contracto que o Estado firmou em 26 de abril
de 1892 com o cidadão Olympio
Domingues da Silva Cunha,
e para maior esclarecimento da questão vertente
o acto da rescisão que é o seguinte transcrevo
O Presidente do Estado tendo em vista o contracto das
respectivas loterias celebrado em 26 de abril de 1892 com o
cidadão Olympio Domingues da Silva Cunha, devidamente
representado por seu procurador Dr. Alberto de Andrade
Figueira
Considerando que o contractante chamando a si o pri-
vilegio da extracção das loterias do Estado, durante
de cinco annos, cornprometteu-se o prazo
a pagar ao mesmo Estado
a quantia de 84:000$000 por anno em prestações
mensaes de
7:004000 e mais um por cento da importancia da
emissão
quando esta excedesse de cento e cincoenta contos de réis
em um mez ;
Considerando que no referido contracto ficou expressa...
mente estatuido que ainda que o contractante não fizesse
extrahir nenhuma loteria seria elle em todo caso obrigado a
pagar ao Estado a prestação mensal de sete contos de reis,
Considerando que tambem ficou expressamente estatui-
do no mesmo contracto
que pela transgressão de cada um
dos seus preceitos soffreria
o contractante a multa de qui..
nhentos mil réis, duplicada esta, nos casos de reincidencia;
para o que o mesmo contractante prestaria, como prestou,
urna caução ou fiança em dinheiro ou apolices na importan
eia de trinta contos de réis
Considerando que ainda ficou estatuido sob a comina-
ção dessa multa a obrigação do contractante de prestar
contas de quatro em quatro mezes, recolhendo á Secretaria
de Fazenda e convenientemente carimbados os bilhetes,
cujos premios houvessem sido pagos, obrigação que o con-
tractante jamais cumpriu com excepção da primeira loteria,
cujos bilhetes pagos, não foram, aliás, recolhidos em sua
totalidade
Considerando que, em virtude desta transgressão e da
referente ao pagamento mensal das prestações, foi applica-
da ao c,..mtrrctante, em 15 de setembro ultimo, a multa de
um conto de réis na razão de quinhentos mil réis por cada
uma dessas transgressões, multa que lhe foi relevada em 30
do mesmo mez sob a allegaçào de motivos lque pareceram
attendiveis na occasião, mas que já não perduram
Considerando que por esta razão foi applicada ao mes-
mo contractante pelas transgressões referidas multa de
igual quantia por acto de 19 do mez findo, no qual lhe foi
marcado o prazo de quinze dias a contar daquella data para
o recolhimento das prestações devidas, sob pena de rescisão
do contracto e consequente perda da caução, tendo sido
desde logo publicado o referido acto no jornal official desta
capital, onde o cont' ctante comprometeu-se a ter repre-
sentante para todos os encargos de seu contracto
Considerando que a ultima prestação mensal que o coa-
tractante recolheu, por força de seu contracto, refere-se a
setembro do anno proximo passado, achando-se, portanto,
em debito para com o Est ido pelas prestações dos mezes
decorridos, que assim excedem de sessenta contos de rèis,
quantia mais que dupla da caução com que o contractante
garantiu as obrigações de seu contracto, que d'est'arte acha-
se sem observancia por parte do contractante e sem a con-
dição primordial de sua eirectividade
Resolve declarar rescindido o mencionado contracto e
ordenar que se promova pelas vias de direito as competen-
tes acções para que revertam ao Estado' as apolices com
que o mencionado Olympic, Domingues da Silva Cunha
completou a sua caução ou fiança, bem assim para que se
lhe faça a effectiva cobrança do que restar de multas e pres..
tações vencidas até a presente data
remettendo-se para
este effeito copia do presente acto á Secretaria dos Negocios
da Pazenda.

Pal s) cio da Presidencia doCeará, em i8de junho de 1894

Jose PreiPc 'Bezerril Fontenelle.

Thonwi.;: Pompett Pinto Accioly.

As loterias extrahidas na conformidade do contracto de


28 de abril de i892deram de beneficio ás instituições pias,
instrucç4o publica e Santa Casa a irnportancia total de
112:8014000, que foi distribuiJa da maneira seguinte

Santa Casa de Misericordia 52:164050


Asylo de alienados, na Porangaba 5:304580
Cemiterio dos variolosos 1:2008000
Casas de caridade 3:00(4000
Collegr) da Immaculada Copceição 7:100$000
Instruc:ão publica 5:000$000
Escola da Prainha 12:393065
Lyceu e Bibliotheca 42:081$783
Franci,co Jose Teixeira rirr,o (gratificaçào) 150$000
Addici nando-se mais a quantia de 16:004000
transferida lo caixa de depositos para o caixa
geral (parte da fiança do contracto) temos o
total de 198:800000
do qual existe o sa'do de 1$-222.

CONTRACTOS

Pela synopse inclusa vereis quaes os contractos que tem


o Estado com diversas emprezas, a contar do armo de 189),
excluido o das loterias que foi rescindido nor acto de IS do
corrente mez, pelo facto de no haver o repcctivo conces-
sionario satisfeito diversas clausulas do mesmo contracto.
SYNOPSE DOS CONTUCTOS QUE TEM O ESTADO COM DIVERSAS EMPREZAS

aarar~i~ iraaraaar~a~,~~,a~arraamásammamaraziaaacialkawkrau~vav~armaa taar,.kahriair


i, na! 011,1i:Á:To tio
oansm, doyrum:TO I liutuim;Ors lio 1!:yrAlui OimirlArólis Pus iimPUIVAs
!
0118111WAçft%
I

1 Privilegio por cincmita ;umas


Isenção de impostos niunlr:ipaes c
1
Fornecer agua a todos os preclins i'ma empraza depositou nos correi
pai a o abasteci mento (ragu e N e r esladoac,, idem dos direitos de iro. calmantes dentro dos limites da deci; do Estado n Quantia de 20:0008000,
viço de esgoto de iirtteritis fecaes por laÇII0, Crarantia de juros de 0"/, ma urbana, recebendo todos elies 11- O seu coniracto é de 15 de fevereiro
da cidade da Fortaleza, durante 20 anilas sobre o eu; ;tal ma pcnna d'aguri de MO litros em '.:4 de 1891 e alterado cria '1 de maio de
que fõr lixado por oceasiao da axe- horas; sendo gratuito o fornecimen- 180.
sentaçao e approvaçrto dos estatu- to aos cdificios e jardins publicos,
tos e projectos
.- _
definitivs,
o .
hospitacs e estabelecimentos pios
sustentados pelo Estado,
, -,
2 Privilegio por 50 annos para a Garantia de juros de 0 "/ durante A dar transporte gratuito as auto. Os
construcçào de uma estrada de feri o o praso de 20 motos sobre o candial lidastes, empregados publicas estudos preliminares foram
entre as comarcas de Granja e Vi- que kir ellectivamente cmpreg ido presos e seus guardas, as escoltas e aos approvados por acto de 19 de abril
de 1803. O contracto é de 4 de no.
çosa, na construcçao e estabelecimento da policiaes e respectivas bagagcns, vembro de 1890,
estrada até o maximo de :1:300;0's* etc.. A estrada passará ao dononio
isenção de impostos sobre muchi do Estado com todos os pertences,
rase materiaes destinados á estra independente de indemnisação, findo
da, Preferencia em igualdade de o praso do privilegio.
condições para a construa* do pra.
longamento e ramas, bem como
para estabelecer uma linha de vapo.
res, partindo do porto da capital até
o de Chaval ou Camocim, c nucico s
coloniacs e engenhos centracs.
3 Privilegio por 20 annos para o Este privilegio ficou dependente A estabelecer fazendas pastoris O contracto é de 20 de novembro
emabelec;mento de fazendas pasto da concessão de favores do gover- nos pontos que lhe forem designa- de 1890 e alterado em 15 de feverei-
ris, creação de feiras, estabeleci no federal.
dos, promover a creaçào de feiras, ro de 1891,
mentos de Immigrantes, de fabricas estabelecer no decurso de quinze an-
centraes e matadouros com cama 1 nos 20 mil familias de immigrantes
ras de congelação. estrangeiros, 20 mil famil¡as nado
mies, constituindo-os pequenos ci ca-
dores e lavradores proprietarios,
formando centros pastoris e agricor.
las, e finalmente a construir em dois
pontos matadouros com camaras
de congelação.
4 Privilsgio por 10 a unos para a Obriga-se, no caso de rescisão, a A contribuir, dois anuas depois da O contracto dde 5 de janeiro de 1891:
censt;ucr;c10, uso e goso de um pra
indemnisar ao concessionario, alem inauguração do prado,
do de cari idas dc animacs nos ar da importancia rue resultar do ma- rendimentos liquidas com 2 ',', dos
redores desta cidade.
para uma das
tarjai c bcmfeitorias do prado, mais casas de caridade publica e no fim
cinco contos de reis como multa. A de cinco annos com mais 2 /. para
dar preferencia ao doncessionario,, a Intendencia Municipal durante o
no caso de querer continuar com a privilegio. A introduzir animaes de
empraza, findo o privilegio dcsta, raça fina afim de melhorar a raça
cavallar do Estado. A entregar no
fim da concessão á Intendeneta
nicipal o prado e todas as suas bem-)
leitarias.
Privilegio por 20 annos para fim- A conceder isenção de qualquer Receber -nas ollicinas o maior nu'
;c:1 r Ifi:inas de conserva impostocatadoal e municipal (inclu
de O contracto é de 24 de fevereiro
mero passivai de orphàos, os quaes de 1891. E' passivel de caducidade.
at.); alga de pescado, 1 e o disimo de pescado) sobre as
serão alimentados, tratados e vesti-
oi col de azeite de peixe, celta e ofiicinas que forem estabelecidas e dos palas concessionarios e recebe
outros productos dessa origem e do seus productos, e a solicitai a do rem o ensino primaria e um salario
vasilhame apropriadoa tal industria, governo geral para os materiaes cies fixado de accordo com o governo.
bem assim para estabelecimento de tinados a empraza.
pescaria em qualquer ponto do boa-
rd.
Privilegio por 20 anuas para mon- Não ha obrigações para o Estado.
tagem de um cortume e preparo de Obrigase a sustentar até 20 orphilos O contractoé dei de abril de 1891.
palies de animaes. de 10 anuas de idade cm diante, ar-
bitrando um salario correspondente
a força e aptidão dc cada um.
!agia por 20 annos para can- Conceder isenção por 20 anuas de A construir um mercado em cada
a.: no alio cirNio da Fortaleza. todos os impostos prediaes tributa- nucleo de mil ou mais habitantes e O contracto é de 28 de fevereiro
t;

e g. uposcie habitações a semelhan j dos ou que venham a ser tributados bens assim uma de 1891. Prorogado por actos de
escola primaria 28 de fevereiro de 1893 e 1894.
ca sio systema «Evoneasir destina ' pelo Estado ou pelo municipio e dos mantida pela empraza.
das a aluguel e a venda, mediante direitos estadoacs de importação
amortisação mensal. sobre o material que se destinar á
empraza. A promover a isenção
dos direitos federaes sobre os ditos
materiaes.
8 Privilegio por 20 annos para esta- Não ha obrigações para o Estado.
belecimento da industria,aperfeiçoa Empregar no estabelecimento fa- O contracto éde 17de maio de 1892.
da da fabricação do cal e seus com- bril o maior numero dc orphãos que
postos, assim como da serragem e serão alimentados, vestidos e edu-
polimento de manuracturação da cados pelos concessionarios median-
pedra cal. te salario. A fazer reducção de 20 0/.
sobre os preços do mercado nas
vendas do producto fabril de que
precisar o governo para as obras
publicas, sob pena de multa de
1:004000.
9 Privilegia por 50 annos para coo- Garantia de juros de O °4 durante
strucção uso e goso, de quatro es o praao de 20 anuas sobre o capital A dar transporte gratuito ás auto- O contracto é de 6 de fevereiro de
tr adas dc ferro, sendo uma da For- ma ximo de 48.000;000$000, ridades e empregados publicas, etc.. 1891 e alterado em 7 de maio de 1892.
talar, a Sobral, uma da Fortaleza A estrada passará ao domínio do
lscnçao dc impostos estadoaes so- Estado com todos os pertences, in-
ao valia do Cai lry, uma do Quixadá bre os materiaes, nnceiatpoara dependente de indcranisação, salvo
a Cratheús e finalmente uma dc eonstrucção do prolongamento o caso da restituição dos juros ga-
Maranguapc a Independencia, ramaes, estabelecimentos dc nucleos rantidos,
colonlacs e engenhos centracs na
zona privilegiada.
SYNOPSE DOS CONTRUT IIE TEM O ESTADO COM DIVERSAS EMPIIEZAS
°
si~~imssrmi
N. fiel TA'
olijF,tiTO 110 (',ON.1114(.30 "k, 1.',NTAnti 011111nAl»)1Di pAS 011RHIWAçOi;S
oiibliNII
tni,ainAdtil

1 Privilegio por eincoenta ulmos s inunittipans o


1ençi10 de impo Fornecer iigua e todos os preillos Esta empreza depositou nos cofres'
pata o abastecimento d'agua e ser rstarloacq, idem dos lireuns de Im. «imantes dentro dos limites da xleci ido Estudo a quantia de 20:0008000,
1
viço cie esgoto de meterias feeaes por tuçilo. Ciaruntiti de juros de ina urbe na, recebendo todos elles O seu contracto é de In de fevereiro
cla cidade da Fortaleza. durante 20 amuos p abre o ca; ',tal ma pearia d agua de 800 litros e.ril -4 de 1891 e alterado em '1 de maio de
que fôr fixado por o asião da a x e- horas ; sendo gratuito o fornecinica.11892,
sentação e tipprova lo dos est,ttu- to aos crlilleios c jardins publicus,
tos e projectos defin ivos, hospitoes e estabelecimentos pios
sustentados pelo Estado.
2 Privilegio por 50 annos para a Garantia de juro' le A / durinite A dor transporte gratuito as auto Os estudos preliminares foram I

construcção de urna estrada de, ferro o proso de 20 ;mos sobre o copilai idades, einvega dos publicos e aes-Lapprovados por acto de 19 de abril
entre as comarcas de Granja e Vi- que fôr ellectivam me emproa ido presos seus guardas, as escoltas de 1893. O contracto é de 4 de no.
çosa. na construção c estr belecimento da policiaes c respectiva bagagcuq, vembro de 1890,
estrada até o maxim de iiii100:1HI'S. etc.. A estrada passará ao dorninio
isenção de impostos sobre machi do Estado com todos os pertences,
nas e materiaes dest lados á ostra- independente de indemnisação, findo
da, Preferencia cr igualdade de o praso do privilegio.
condições para a cot rucçào do pro.
longamente e ram a, bem como
para estabelecer um linha de vaio.
res, partindo do po da capital até
o de Chaval ou Can dm, e nucicos
coloniaes e engenh centraes.
Privilegio por 20 annos para o Este privilegio f dependente A estabelecer fazendas pastoris 1 O contracto é de 30 de novembro
elthelecimento de 6u:ridos pasto da concessão de fa .es do gover- nos pontos que lhe forem designa- de 11190 e alterado em 15 de reverei-
ris, creação de feir as, estabeleci no federal. dos, promover a creação de feiras, ro de 1801.
mentos dc irnmigrantes, de fabricas estabelecer no decurso de quinze an-
centracs e matadouros com cama nos 20 mil familias de immigrantes
ras de congelação. estrangeiros. '20 mil familias macio
; mies, constituindoos pequenos olea-
i dores e lavradores proprietarios,
' formando centros pastoris e agrico,
!las, e finalmente a construir em dois
Ipontos matadouros com cornaras E
'de congelação.
4 Privilegio por 10 annos para a Obriga-se, no caso de rescisão, a : A contribuir, dois annos depo s da O contracto éde 5 de janeiro de 1801!
censt.ucçãn, uso c goso de um pra indemnisar ao concessionario, alem inauguração do prado, com 2 dos
do de cor, idas de animacs nos ar da importando litic resultar do ma-; rendimentos liquidos para uma das
redores desta cidade. ; terral e beinfeitorias do prado. mais ; casas de caridade publica c no fim
cinco contos de reis corno multa. A ; dc cinco annos com mais 2 V. ara
¡dar preferencia ao doncessionario,: a Inicndencia Municipal durar te o
'no caso de querer continuar com a privilegio. A introduzir anima s de
empreza, findo o privilegio desta, raça fina afim de melhorar a aça
cavallar do Estado. A entreg r no
fim da concessão á intendencia Mu-
nicipal o prado e todas as suas 'em-
feitorias. -

Privilegio por 20 annos para fun- A conceder isenção de qualquer Iteceber nas onicinas o maior nu.- O contracto é de 24 de fevereiro
1,çe rle Ui:irias de conserva impostoestadoal e munirieal (inclu mero possivel de orphãos, os quaes de 1891. E' passivel de caducidade:
salgo de pescado, -i e o disimo de pescado) sobre as serão alimentados, tratados e vesti-
roiico de azeite cie peixe. collo e 'Aliemos que forem estabelecidos e dos pelos concessionarios e recebe
outros productos dessa origem e do seus productos. e a solicitai a do rem o ensino primario e um salario
vasilhame apropriado a tal industrio, governo geral para os materiaes dcs lixado de accordo com o governo,
bem assim para estabelecimento de tinados a empreza.
pescaria em qualquer ponto do tino-
ral.
Privilegio por 20 annos para mon- Não ha obrigações para o Estado. Obriga-se asustentar até 20 orphãos O contracto é dei de abril de (891.
tagem de um cortume e preparo dc de 10 annos de idade cm diante, ar-
peites de animaes. bitrando um salario correspondente
a força e aptidão dc cada um.
l-gio por 20 anos oara con- Conceder isenção por 20 annos de A construir um mercado em cada O contracto é de 28 de fevereiro
a..liii wun cipin da Fortaleza, todos os impostos prediacs tributa- nucicodc mil ou mais habitantes e de 1891. Prorogado por actos de
,c g; uposcic habitações a semelhan dos ou que venham a ser tributados bem (2sim uma escola primaria 28 de fevereiro de 1893 e 1894.
ça do systema oEvoncas. destina pelo Estado ou pelo municipio e dos mantit pela em preza.
das a aluguel c a venda, mediante direitos estadoaes de importação
amortisação mensal. sobre o material que se destinar á
empreza. A promover a isenção
dos direitos federaes sobre os ditos
materiaes.
8 Privilegio por 20 annos para esta- Não ha obrigações para o Estado. Empregar no estabelecimento fa- O contracto édc 17de maio de 1892.
belectmento da industria,aperfeiçoa bril o maior numero de orphàos que
da da fabricação do cal e seus com- serão alimentados, vestidos e edu-
postos, assim como da serragem e cados pelos concessionarios median-
polimento de manufacturaçáo da te salario. A fazer reducçào de 20 ./.
pedra cal. sobre os preços do mercado nas
vendas do producto fabril de que
precisar o governo para as obras
publicas, sob pena de multa de
1:004000.

I 9 Privilegio por 50 annos para con- Garantia de juros de 6 */. durante A dar transporte gratuito ás auto- O contracto é de 6 de fevereiro de
trucção uso e goso, de quatro es o praso de 20 annos sobre o capital ridadcs c empregados publicos, etc.. 1891
-
e alterado em 7 de maio de 1892.
liadas dc ferro, sendo urna da For - maximo dc 48.000:000$000. A estrada passará ao dominio do
releia a Sobral. uma da Fortaleza Isenção de impostos estadoacs so- Estado com todos os pertences, in-
ao valle do Cai iry, urna do Quixadá bre os materiaes. Preferencia para dependente dc indemnisação, salvo
a Cratheús c finalmente uma dc construcção do prolongamento e o caso da restituição dos juros ga-
Maranguape a lndependencla. ramaes, estabelecimentos de nucicos rantidos,
coloniacs c engenhos centraes na
zona privilegiada.
"41

INÇFRITe(; \()

I.)(

Em execução da lei n.n i., de 2i de julho do


sado, que extinguin a Secretaria da Instrucção anno pas-
zendo passar os serviços a cargo da mesma paraPublica, fa-
a do Inte-
rior, mandastes acIdir á Secretaria de Vdzenda os seguintes
empregados d'aquella extincoa Scretaria --o secretario Joa-
quim Manoel do Nascimento. o amanuenseFrancisco
gino Barbosa Lima, o professor da extincta Ily-
de S. Bernardo das kus,o1.-; -Joaquim cadeira de latim
Floriano Delgado
Perdigão, sendo que exonerastes o primeiro destes empre-
gados por acto de 1.(; de dezembro ultimo, visto não se ter
apresentado para o serviço, depois cie eQgotado o praso da
licença verbal em cujo g,oso se achava.
De conformidade com a mesma lei nomeastes para a
Secretaria do Lyceu, por titulas de 27 do referido mez, os
cidadãos Manoel de Moura kolim, para amanuense ; jOãO
Chrysostomo de Oliveira Freire, para bedel -; rchivista, e
Rogerio Aceioly de Vasconcellos, para continuo, emprega-
dos estes, que já faziam parte da secretatia que fóra ex-
tineta.
Em virtude .do art. 5) n.'' 1 da Constituição do Estado e
auctorisação da Assembléa Legislativa, em lei especial n.°
21, de 25 de outubro de, 18o2, rearganizites o ensino publico
secundario, expedindo o regulamento e 21 de março ul
timo.
Esta reorganização, que era urgentemente reclamada,
pelo gráo de desmoralisação a que chegara o nosso antigo
Lyceu, vai produzindo os seus salutares effeitos.
Por causa da expedição do novo reguLtmento e da mu-
dança para o edificio recentemente construido,
onde já se
acha funccionando o referido 1.yceu, resolvestes adiar por
duas vezes o encerramento das matri:.ulas requeridas pelos
alumnos qne pretendiam cursar as suas aulas no presente
armo lectivo.
Poucas foram as alterdções que fizestes no pessoal do
Lyceu para onde mandastes em com missão o empregado da
Secretaria do Interior, Ulysss. ; flezerra, que está exercendo
presentemente o !ogar secretario d'aquelle esta-
belecimento de instrucção.
Pela perfeita exposição apresentada pelo seu intelli
gente e laborioso director coronel Ape,apito Jorge dos San.
tos, e que junto em annexo, tereis seguro conhecimento do
movimento havido no alludido estabelecimento, depois da
promulgação de seu novo regulamento.

ENSINO PRIMAMO E NORMAL

A instrucção primaria continúa a ser ministrada de ac-


cordo com o Reg. de 30 de junho de 1887, expedido pelo
Presidente da então Provincia, Dr. Enéas de Araujo Tor-
reão, em virtude da auctorisação concedida pelo art. 26 §
2.° da lei n.° 2.131, de 2 de novembró de 1888.
Força é confessar que o dito Reg., si não é um trabalho
completo na materia, muito pouco deixa a desejar, dadas as
nossas condições de vida social. Fosse elle rigorosamente
observado em todas as suas partes, e beneficos resultados
haviamos de colher.
Mas, em materia de instrucção publica, principalmente
entre nós, a questão vital está em ter-se um professorado
apto, capaz de ensinar, quasi nada valendo estas regulamen
tações penosamente feitas, as quaes, mui raras vezes, podem
ser executadas fielmente.
Os programmas, por mais bem concebidos que sejam,
nenhum proveito deixarão, sem magi:terio habilitado e ca-
paz.
Tenhamos, pois, bons professores, dotados de saber
especial e com verdadeira vocação pedagogica, devidamente
cultivada, e o importante problema de nossa instrucção pu
blica estará em grande parte resolvido.
Por consequencia, o que se faz preciso, antes de tudo,
como medida de ordem capital, é o preparo de um bom pro-
fessorado, o qual só se poderá obter pelo ensino normal,
pratica e 9cientificamente organizado segundo os melhores
methodos, e.pelo estimulante efficaz de uma remuneração
condigna, que ver_ha activar tantas aptidões que ahi jazem
inertes, á falta de incentivo completo.
Só assim comprehendida e effectuada, a escola poderá
fructificar na medida de sua importancia, como uma das
mais bellas instituições sociaes.
rara o preparo de professores, já temos a Escola Nor-
mal, que, comquanto não preencha totalmente os altos fins
de sua creação, comtudo va: lentamente desbravando o ter-
reno que, mais tarde, sob o ponto de vista pedagogico, deve
constituir a via triumphal do progresso de nossa terra.
Quanto á remuneração de nosso magisterio está ella
ainda longe de attingir o limito desejado
um professor de instrucção primar ia, ; pois como sabeis
rior ao salario de ut-ii tem o
trabalhador manual de ordenado infe-
E' para lamentar nossas ruas.
semelhante facto, mas o
seus vencimentos, conforme augrnento de
desejamos, não se me afigura,
por ora, de facil execuçà ), devido
á crise economica
samos, e temos assim que appellar que pas-
para
Nosso dever actual é amanh ir o terreno melhores tempos
sementeira para a colheita futura. e preparar a
Antes de passar a outro
attençào para o seguinte ponto, assumpto, devo chamar vossa
afim de que tomeis
videncias que julgardes necessa rias. as pro-
E' o factoqut.. nis escolas
tal, corno as do interior public tinto as da capi-
do Estach,
grande falta de mobilia, como se ver ificaestà) loc.ando com
didos de moveis e utensilios, feitos dos contantes pe-.
ctores escolaras. ultimamente pelos inspe-
A Escola Normal começa agora
xo do Reg. que expedistes a funcionar sob o influ-
em 30 de maio ultimo, em
da attribuiçào que vos é conferida virtude
stituição do Estado, e auctorisação pelo art. 59, n.° 1 da Con-
va, em lei especial, n.° 21, de 25 de da Assernbléa Legislati-
outubro de 1892,
Nada posso dizer-vos
por ernquanto sobre este
lecimento de ensino, á vista da recente estabe-
dotastes que começa agora a ser reforma com que o
ella produza seus effeitos. executada. Deixemos que
Eis o que
summariamente podemos
trucção elementar e normal do Estado, dizer sobre a ins-
vos tendes esforçado. em cujo beneficio
Junto, como annexo, o relatorio
tincto director da Escola Normal, no apresentado pelo dis-
o movimento do imponente qual se acha descripto
á sua direcção. estabelecimento que confiastes

CONSELHO DE INSTRUCÇÃO
PUBLICA
Pouco regularmente tem funccionado
virtude de sua organização, este Conselho em
de para a Instrucção que reputo de nenhuma utilida-
Publica.
Depois que a Congregação
signou o professorJoáo dos professores do 1.3rceu de-
Francisco Sampaio para tomar parte
no referido Conselho,
corrente armo, os Drs.nomeastes, por acto de 20 de abril do
José Carlos da Costa Ribeiro
Junior,
Antonio Pinto Nogueira Brindo e o professor da Escola
Normal, Thomaz Antonio de carvalho, para fazerem parte
.do respectivo Conselho que, II:: conformidade da lei n.°48,
de 26 de julho do anuo pasado, é por mim presidido, no
caracter de Secretario do lntet
INSPECTORE:', KSCOLARES

No periodo a que se refere oste relatorio, foram demit-


tidos e nomeados os inspeeto:.es escolares constantes do
quadro n.° 1.

ESCOLAS PUBLICAS 1,0 ENSINO PRIMAMO

Pelo quadro n." 2 vereis o movimento geral das escolas


publicas ao Estado.
CREAÇÃO DE CADEIRAS

Foram creacLis pe!a lei n.° 7, dc W,de agosto de 1893,


duas cadeiras de, ensino prirnario para o sexo masculino
uma na povoação do Brejo Grande, no municipio de Santi-
Arma do Brejo Grande, e outra na povoação do Jacaré, no
municipio de biapina.
Pela lei n.° 99, cie 1`1 de setembro de I8a3 foram creadas
tres do ensino mixto ; sendo uma na povoação da Cruz do
Palhano, no municipiO de S. B.:rnardo ; outra na povoação
do Riacho Guimarães, no muni,:ipio de S. Quiteria, e outra
na povoação do Castro, no município de Baturité ; e bem
assim uma outra para o sexo feminino, na cidade do Grato.
Ainda a lei n.c.1.03, do mesmo mez, creou no logar «Gros-
sos » da freguezia de Areias, no municipio do Aracaty, uma
escola do sexo masculino.

RESTAURAI:À° DE CADEIRA

Pelas leis ns. 51 e 83, de de julho e 30 de agosto do


armo findo, foram restauradas: na villa de Paracurú, a do
ensino primado e na povoaçào de Bebedouro (Saboeiro) a
do sexo masculino.

PROVIMENTO RE CADEIRA

Das 'cadeiras creadas rebtauradas por leis do anno


passado só foram providas as de Paracurú, classificada
para o sexo masculino, e a da cidade do Grato.

NOMEAÇÃO DE PROFESSORES

Por titulos de 17 de agosto e 22 de setembro ultimo e 12


do corrente mez, foram nomeadas professoras do ensino pri-
mario as seguintes nOrmalistas
Maria Nunes Valente, para a cadeira do ensino mixto da
povoação da Jubaia, do municipio de Maranguape :
Anna Portella Quevedo, para a cadeira do ensino mixto
da povoação de Caio Prado, e
Arma Cabral d'Oliveira, para a cadeira do ensino mixto
da povoação de Palmeiras, do municipio de Marangu3pe.
Estas nomeações foram feitas na conformidade do art.
126 § I° do Reg. de-30 de Junho de 1889,

REMOÇÕES

Foram removidos os seguintes professores


Josepha Rodrigues de Souza, da povoação do Riacho da
Sella para a cadeira do ensino primario do sexo feminino da
villa de ltapipoca, por titulo de 13 de julho de 1893;
José Paulino Saraiva Leão, da cadeira do sexo masculi-
no da villa de Benjamin Constant para a de igual sexP da
cidade do lcó, por titulo de 17 do referido mez
Heraclia Theodora de Sá Callado, da cadeira do sexo
feminino da cidade da Granja para a do ensino mixto da de
Camocim, por titulo de 1.° de agosto do anno passado
Maria Luciola do Monte Justa, da cadeira do ensino
mixto cia povoação de Palmeiras, para de igual ensino da de
Maracanahú, por titulo de 2 do mesmo rnez
Candida da Silva Freire, da cadeira do ensino mixto da
villa do Coité para a do sexo feminino da cidade do Quixa-
dá, que se achava vaga, por titulo da mesma data
Anna Cariolana de Souza Muniz, da cadeira do enQino
mixto da povoação de Passagem das Pedras para a de igual
ensino da villa de Coité, por titulo de 31 do mesmo mez ;
Josepha Olympia de Oliveira Veras, da cadeira do sexo
feminino da cidade do Acarahú para a de igual ensino da
da Granja, por titulo de 1.0 de setembro ultimo
Balbina Lydia Vianna Arracs, da cadeira do sexo femi-
nino da cidade da Barbalha para a do ensino mixto da villa
de Iguattl, por titulo de do mesmo mez ;
Ormesinda cle Asis Sampaio, da cadeira do sexo forni -
nino da vil1 dc \1 pua :i do sex,) imsculino ela de
Paracurú (restaurada pela lei it.° 50 de -.2A) de julho do mes-
mo anno), por titulo de 27 de outubro ultimo
Izabel dc Olivei, a Braga, dd cadeira do sexo feminino
da cidade de Pacatuba para a 1." Cadeira de igual sexo da
cidade da Fortaleza, por titulo de 21 de dezembro do armo
passado
Francisca Carfdida de Lima, da cadeira do ensino mixto
da povoação de Tucuncluba para à do sexo _masculino da
vila de Aracoyaba, por titulo de 20 do mesmo mez
Amelia Nunes Araripc, da cadeira do ensino mixto da
povoação de Giqui para a de igual ensino da dc Passagem
das Pedras, por titulo da inema data
Anna LauriJna ?,lemoria de Jesus, da cadeira do sexo
feminino da vill.i da. Palma para a de igual sexo da de Cam-
po Grande, por titulo de 30 do mesmo mcz
José Afonso crira Moreno, da cadeira do sexo_mas-
culino da cidade de 1.:..vra; para a de igual sexo da de Ca-
mocim, por titulo de 5 de março ultimo.
Fausto Sobreira de Andrade, da 2. cadeira do sexo
masculino da cidade da G, anja para a 1a de igual sexo da
capital (31 de maio de 18(4.
Por acto de 1 de ,jullo cie foi removida a profes-
sora publica, normalista Maria Luciola do NIonte Justa da
cadeira do ensino mixto da povoaço d MaracanahU para a
do Sexo masculino da villa do l'acoty.
Maria de Souza da cadei a do ensino mixt() da povoação
de Pavuna para a de igual ensino da povoação de Maraca-
nahú, (acto de 19 de junho cie T80
Acto de 6 de junho de 1O'ÍAntonia Sidou Castello
Branco da cadeira do sexo masculino da villa do Pocoty,
para a de igual sexo da cidade de Quixeramobim.
Anna Augusta da Motia, da cadeira do sexo feminino da
,vila de Sant'Anna do Brejo Grande para a de igual ensino
da cidade do Crato, (cre.ada por lei n.° 99 de 14 de setembro
de 1893), por titulo de ?, de abril do corrente armo.
Maria do Rosario Avila, da cadeira do ensino mixto da
povoação de Perndinbuquinho, para a do sexo masculino da
vila do Espirito Santo de Morada Nova, por titulo de 5 de
maio findo, remoção esta que ficou sem effeito por haver
sido removida por titulo de '11 do corrente mez para a villa
do Aquiraz.
Manoel Antonio Garcia, da cadeira cio sexo masculino
da povoaçâo de Pernambii. uinh,) piri a de igual ensino da
villa de S. fi'rancisco, por titnh (li: 7 (1..) MC MCZ,
Balbina Lydia \latina A: (.1..)'ensino mixto
da cidade de lguatú para a i:!fc m da de Acarahú,
por titulo de 14 do referido

Por acto de 31 cle maio ultimo foi exmierado, a pedido,


do logar de professor publicu di t c'idei:a do sexo mas-
culino desta capitalJoão (0!;ç.)1ves Dias Sob, eira.

\S;

Firmino José Rosa tres mezesv!:ia de Cratheús, (13


de junho de 13(4,
Maria NIonie i.;,1)ens::1 mixto--Guarany-
3 mezes, (7 de junho de

Tendo-se d prover a ::(.1e.ra d c.:sino m:xto da povoa-


ção de Tucunduba, por meio d c )i.curs.), annuncia
do pela imprensa, com o r3ra:-.,o d: d:.vz para a ins
cripçã3 dos candid tios, pra. c) até 24 do
corrente mcz.

Por z c..)s 8 de afYost.:). !i; 1.evere;:.o,2 de março e


15 de junho ultitws conced.:,.:, á pr );a I,) sexo femi
nino da cichicle da Vçosa das Virgens, a
gratificação de duzen;os mil ; p. O 1.2 O 1* da cadeira
do sexo masculino da pc.,roa,.;:L.) .1oé Antonio
da Paixão, a de cento e \ ir.ii ;c prc.fessor da
cadeira do ensino mixt() I.',cr:; ;;:cio das Rus-
sasJosé Aprigio N,gw:ira d Sk a (ic duzos mil reis,
e ao professor da v la d Trahiry J J:UH',Uc Geuveia,
a de cento a cin.:0e:;',.,1 reis ;_iw ledos
mais de 25 annos dc .:.t-levtivo no ma-
gisterio.
a.

Por actos cle 2 de agostc, (1..zcinh o e t..) de junho


ultimo foram declaradn,vga. r1:1 101111;1 do art. 201 n,° 7,
-28-
combinado ,com o art. 203 n.° 7, 3.a parte, as .cadeiraa do
'sexo feminino da cidade de Quixadá, do ensino mixt() da
povoação de Maracanahú, fenlinino de Campo Grande, mas-
culino da cidade de Camocim, masculino da vilia do Aqui.
raz, a 1.a do sexo feminino da cidade da Fortaleza, as quaes
lá se acham preenchidas.
'REMOÇÃO SRM BFFBITO

Por acto de 30 de janeiro ultimo declarastes sem effeito


a remoção do professor da cadeira do sexo masculino da
povoação do MundahúJosé Antonio da Paixão para a de
igual ensino da villa de S. Benedicto, feita por acto de 30 de
dezembro proximo passado.

PROFESSORAS AVULSAS

Acham-se avulsas e com exercicio em .diversas cadeiras


desta capital as professoras Maria Ibiapina de Carvalho,
Anna Eponina de Lima Sobreira e lphigenia Amaral, sendo
que estas duas ultimas servem, como adjuntas, a 1.', na La
cadeira do sexo masculino, regida pelo professor Sobreira,
o a 2.', na 4.' do ensino mixt°, regida pela professora Thereza
de Jesus Castro.
DEMISSÃO DE PROFESSOR

Por acto de 31 de maio ultimo foi exonerado, a pedido,


do logar de professor da La cadeira do sexo masculino desta
capital João Gonçalves Dias Sobreira.

FALLECIMENTO DB PROFESSOR

Em 9 de maio ultimo falleceu o professor primario da


cidade de Quixeramobim José Leonardo Guimarães Car-
reiro, que se achava no goso de tres mezes de licença, com
ordenado, concedida por portaria de 10 do mez anterior.

LICENÇA PARA ESTUDAR NA 'ESCOLA NORMAL

Por portaria de 31 de julho de 1893 foi prorogada, por


mais seis mezes, a licença em cujo goso se achava a profes-
sora da cadeira do sexo feminino da villa de Sant'Anna do
Brejo GrandeAnna Augusta da Motta, afim de concluir o
-29
curso da Escola Normal, ficando dita
professora com direito
á percepção de dons terços do
do com o art. 176 do Reg. derespectivo ordenado, de accor
30 de janeiro de 1987, Esta
licença ainda foi prorogada, pela
portaria de 31 de janeiro
ultimo, por mais tres mezes,

PROFESSORA DIPLOMADA

Em 31 de março ultimo recebeu


liqta a professora da cadeira do o diploma de norma-
sexo feminino da
Sant'Anna do Brejo GrandeAnna Augusta Motta villa de
por titulo de 2 de abril findo, para a de igual ensinoremovida
da cida-
de do Crato.
LICENÇAS A PROFESSORES

Obtiveram licença os seguintes :


Carlos Hardy, professor da I. cadeira do sexo masculino
da cidade de Sobral, quatro
mezes, com ordenado, (lei 59, do
1.' de agosto de 1893), portaria de 24 de agosto ultimo ;
Raymunda Guedes Teixeira, professora do sexo feminino
da cidade do Crato, quatro mezes, com ordenado, (lei 112, de
22 de setembro de de 1893), portaria de 13 de janeiro
ultimo ;
Maria Felicia Barreto, professora da 6.a cadeira do sexo
feminino da Fortaleza, tres mezes, com ordenado,
de 8 de agosto ultimo) ; (portaria
João Baptista de Macedo, professor da villa de Alecejana,
quinze dias, com ordenado, portaria de 25 de setembro do
anno findo ;
Publio Franco Pinto Bandeira, professor da cadeira do
sexo masculino da villa de Umary, quinze dias, com orde-
nado, (portaria de 23 de outubro do mesmo anno) ;
Anna Vieira Ribeiro, professora do ensino mixto da po-
voação de Canafistula, trinta dias, com ordenado, (portaria
de 25 do mesmo mez) ;
Franèisco José Garcez dos Santos, professor da ta ca-
deira da cidade da Granja, trinta dias, com ordenado, (porta-
ria de 26 do referido mez) ;
Francisca Jovina Menescal, professora da cadeira do
ensino mixto da cidade da Granja, trinta dias, com ordenado
(portaria de 30 do alludido mez)
Manoel Antonio Garcia, professsor da cadeira do sexo
masculino da povoação de Perna mbuquinho, tres mezes, na
forma da lei, (portaria de 5 de janeiro do corrente anno)
. Anna Leite de Pontes, professora da villa de S. Francis-
-30-
co, tres mezes, com ordenado, (portaria de 17 do mesmo
mez)
Vicente Ferreira de Arruda, professor de latim da cidade
de Sobral, tres tnezes, com ordenado, (portaria de 27 do
mesmo mez);
Maria do Rosario Avila, professora do ensino mixto da
povoação de Pernambuquinho, tres mezes, (portaria de 30
do mesmo mez)
Candida Amelia Baptista, professora da cidade da União
dous mezes, (portaria de 3 de fevereiro ultimo)
Clarindo Pessoa Cavalcante de Albuquerque, professor
da cadeira do sexo masculino da villa de Porteiras, tres me-
zes, (por portaria de lado referido mez)
Maria Angelica Amora, professora da povoação de Agua-
Verde, tres mezes, (por portaria de 14 do mesmo mez)
Antonia Sidou Castello Branco, professora da cadeira
do sexo masculino da villa de Pacoty, (portaria de 20 do mes-
mo mez)
Rufina Maria Façanha, professora da povoação de Mu-
lungú, tres mezes, (por pot taria de 5 de março ultimo)
Philomena Luiza dos Santos, professora da 2.' cadeira
do sexo masculino da cidade de Baturité, tres meus, (por-
taria de 23 de março referido)
Balbina Lydi? Vianna Arraes, Professora da cadeira do
ensino mixt.° da cidade de Iguatú, sessenta dias, (portaria
de 27 do mesmo mez)
Adelaide Dutr..4, professora da cirieira do sexo feminino
da cidade da R..,dempção, quinze dias, (portaria de 29 do
do mesmo mez) ;
Angelica Machado Pessoa, professora da cadeira do
sexo feminino da cid ide de B tturité, tres rnezes, (portaria
de 31 do referido mez)
Maria Fr ancisca de Sant'Anna. professora da cadeira do
sexo masculino da cidade de Igua ú vinte dias, na forma da
lei, (portaria da mesma data);
José Leonardo Guimarães Carreiro, professor do ensino
primario da cidade de Quixeramobim, tres mezes, (portaria
10 de abril ultimo)
Guilhermina de Araujo, professora do ensino mixto da
povoação de Putiú, tres mezes, (portaria de 13 do mesmo
mez)
Maria de Souza, professora na povoação de Pavuna, tres
mezes, (portaria de 24 do referido mcz)
Julia Vianna Saboia, professora da 10' cadeira mixta da
I

Portaleza, quarenta e cinco dias.


findo); (portaria do i.° de maio
Raymundo Eugenio de Souz:i, professor do
/ mario da villa de Canindé, tres meus, ensino pri-
' mo mez); (portaria de 5 do mes-
Patricio Alves Lima Filho, professor da
sexo masculino da cidade de Maranguape, 1.'' cadeira do
taria de 7 do mesmo mez) ; trcs mezes, (por-
Raymunda Guedes Teixeira. professora da 2.N
do sexo feminino da cidade do cadeira
C.at,), tre5 mezes, (portaria
de 22 do mesmo mez)
Firmino José Rosa, professir da villa
de Clatheús, tres
mezes, (portaria de 13 do corrente mez) ;
Maria Monica da Conceiçào, professora
do CI1Sif10 mixto
da povoação de Guarady, tres
rido mez. mezcs, (portaria de 7 d ) refe-

PROROGAÇÀO DE 1.11:1.N(,:AS

Por portaria de diversas datas foram


guintes prorogadas as se-
Do professor da povoação
Antonio Garcia por mais 40 dias
de PernambuquinhoManoel
Do professor da cadeira de latim da cidade
Vicente Ferreira de Arruda, por mais um de Sobral--
mez
Da professora da cadeira do
sexo masculino da cidade
de lguatú Maria Francisca de Sant'Anna,
dias por mais 40
Da cadeira do sexo feminino da cidade
Josepha Olympia de Oliveira Veras, p3r nais do Acarahú-
bus mezes.
CREDITOS
De outubro do anno passado até o mez proximo findo,
abristes diversos creditos na importa
os quaes serão submettidos ncia tAal de 49:724884,
a approvaçào da Assembléa
Legislativa.
ORÇAMENTO
.Por oficio de 26 de ,maio ultimo
Fazenda, na forma do art. 14 do rcmetti ao Secretario da
1392,,o orçamento de despeza
reg. de 28 de dezembro de
Para que aquelle o incluisse dos serviços a meu cargo,
na proposta de orçamento geral
32-
que tem de ser apresentada á A,sembléa Legislativa no dia
de julho vindouro, sendo as respectivas despesas com-
putadas em 583;076$000, mais do que no orçamento vigente
40:243$200.
Este accrescimo é devido ao facto de ter augmentado
a verba obras publicas com a quantia de 5,000000, que
se justifica com os Melhoramentos reclamados pelo grande
desenvolvimento que continúa a ter esta capital e para repa-
rar os damnos causados em diversos edificios pertencentes
ao Estado pelo copiosissimo inverno qu: tivemos no cor-
rente atino ; e bem assim a de 5:243$200, exigida pela reor-
ganisação feita no Lyceu.

BIBLIOTHECA PUBLICA

Concluidd o novo edificio, que se achava em construcção,


sito á rua Sentia Madureira, ordenastes, em 28 do mez findo,
ao Bibliothecario, que effectuasse a mudança da referida
bibliotheca que ainda não teve logar por causa da colloca-
ção de novas estantes que se acham em preparo.
O movimento do estabelecimento consta do relatorio
que o seu intelligente bibliothecario me apresentou e que
junto a este, em appendice.
No corrente anuo já abzistes dois creditos supplernen-
tares, á verba da tabella n. 6 lettra B, na importancia de
504000, para pagamento de diversas obras, revistas e enca-
dernações de livros pertencentes ao alludido estabeleci-
mento.
COLONI A CH RISTINA

Este estabelecimento continúa a cargo do coronel Tho4


maz da Silva Porto que, sendo nomeado director por titulo
de 6 de julho do anno passado, assumiu o exercicio no dia
8 do mesmo mez. Este director percebe pela verbaeven-
tuaeso ordenado annual de um conto e oito centos mil réis.
A colonia, se não tem prosperado, ao menos nas terras
e propriedades estão bem conservados, embora o rigoroso
inverno tenha produzido alguns estragos, como em outros
pontos do Estado.
Durante o armo passado teve á Colonia o rendimento
de 2:230900 e a despeza de 1:652$210, dando o saldo de
614690, .que foi recolhido oa cofre/da Secretaria de Fazenda
e creditado á 'referida colonia.
Este saldo desappareceu, porém, com
o pagamento do
ordenado do alludido director, á razão de 150$000
de 8 de julho a 31 de dezembro ultimos, na mensaes,
total de 860$0(r), resultando assim, importancia
um deflicit c.)ntra os
cofres do Estado, na quantia de 542010.

HYGIENE PUBLICA

Ficando a cargo do Estado o serviço


sr.initaro terreztre,
foi, em virtude do ai t. 1.0 da lei n. 7 de II de
1892, expedido, por acto de 23 de feve!-eiro de
Dezembro do mesmo anno,
o regulamento respectivo.
O estado sanitario é satisfatorio.
Pelo relatorio annexo d) illustrado c;inico
f)r. João
Marinho de Ar dt.ade, In3pec:or da rf.:pa!t:çb de
Publica, tereis sciencia d is I lygiene
dose mezes ultimos.
occurrencias havilis nos

SELRETARIn. DO INTERtOR

Precisando o archivo da extincta Secretaria da


provincia, que continúa a cargo desta repartição, deantiga
organisaçào que podesse servir facilmente a seus fins, uma
carregouse expontaneamente desse serviço, en-
horas do dentro das
expedient«.., o operoso director da 1. secção desta
SecretariaCezidi,o d'Albuquerque Martins Pereira que, no
espaço de tres mezes, consegui° eJn.:luir esse peno-;o tra-
balho, conforme o índice cataloga do
respeLtivo archivo que
elle me apresentou e fiz publicar em folhetos.
O director geral desta SecretariaM;guel
Mello, continúJ a exercer interinamente Fe rei! a de
o cargo
tarjo da Fazenda, para o qual foi commissionado
d: Secre
de 18 de Abril de 1892. Este digno funccionario
por titulo
está sendo
substituido, na forma do respectivo
negulamento, pelo
director da 1.' secçào Cezidio d'Albuquerque Martins
Pereira.
Em 25 de fevereiro ultimo falleceu o 2.° official Joaquim
Alves Vieira.
Para esta vaga foi nomeado, por titulo de 27 do mesmo
mez, o amanuense mais antigo Ulysses Bezerra, que assu-
mio o exercicio na mesma data.. Em substituição
a este
nomeastes, por titulo'cle 2 de março seguinte. o cidadão
.à4,.
katonie Bastos da PaixAo, habilitado previamente em cosi.
e,urso, e que assumio o 'exercido na mesma data,
Ao 2.° officialbacharel Porfirio de Menezes Nogueira
concedestes, por portaria de 22 de fetrereiro do corrente
anno, dois mezes e seis dias de licença, com ordenado, em
cujo goso entrou no dia 22 do mez seguinte ; e por portaria
de 27 de março ultimo, concedestes outra de tres mezes, na
mesma cofiformidade, ao amanuense Manoel Sabino Baptis-
ta, que principiou a gosal a no dia 18 de abril do corrente
anno.
O amanuense Antonio de Castro Vidal Barbosa reassu
mio o exercicio de seu cargo em 2'7 de fevereiro ultimo
depois de finda a licença de dois mezes que lhe fora conce.
dida por portaria de Ode dezembro do anno findo.
O cidadão João Eduardo Torres Camara deixou de ser
addido a esta Secretaria, como chefe de secção da extincta,
do Interior, visto ter sido nomeado para o logar de Director
secretario da Junta Commercial, creado pela lei n. 47, de
26 de julho de 1893, que alterou, em parte, o regulamento
de 16 de dezembro de 1892.
Acha se, desde de março ultimo, servindo o logar de
ofticial secretario do Lyceu o 2.° officio' Ulysses Bezerra, que
3ó percebe as vantagens de seu cargo.
itlEsi,A,(.:1.A.0 NOMINAL DO.f.-3 INTS1PEcironus ESCOLARES
2f:,IXISTEN11.11.?.S NO ESTADO
fl...' o ait~11:11400.ec?..~§0. RAM,~5~~421103~1~~11111=1~109~. mer-~~~~ 11~ MI~ zasermissia~211
kt i1/4T

. onoi!...m',
Nomi.:s ,
LOCALIDADES NOMEAÇÕES
, !

I !João .,',ugu.;to de Castro Moura


2 !J usé Candido R. de Souza Agua-Verde '6 de outubro de 1892
3 renentc-coronel Tiburcio A de Abreu
,
i.n ge Alagadiço-Grande ?8 de dezembro de n
4 ¡Bicharei Manoel Jocé Finto Aquiraz 20 de abril de
5 \,':cente Marques da Rocha Aracaty 30 de novembro de t893
6 Luiz Alves de Senna A rorcaty assú 21 de setembro de 1889
7 1 ..varo dc Mellc.) Falcâo
I:, Aracryaba 2r de janeiro de §893
8 ;Mexrindre A!exanclrino ee Alencar .-kraripe 29 de março de 1802
9 !Antoni) Femancies de Carvalho Areias 24 de abrA de 1891
10 'Fran,-.isco Gu,..'..cies Alcmf..,)rndo Arne.iroz 18 de junho de 1892
II Padre Henrique ltaul'eo Mourão .-krraial 15 de março de »
12 M.:110C14de Paiva Cavaleunte Assar 5 de fevereiro de 1890
13 Antonio Severiano Bastos Assunipção 6 de setembro de t889
14 Antonio Leite Gonçalves Aurora 26 demarço de 1892
15 Vigario Manoel Candido dos Santos Bar balha outubro de [891
16 Joasouim José dos Santos Correia Barra do Macaco r4 de março de 1888
17 Antonio Bezerra de Menezes Barro Vermelho 20 de junho de 1892
18 Joaquim Caetano Telle :Barroquinha 26 de Jinetro de »
19 Padre João Aureliano de Sampaio Baturité 30 de julho de 189t
idalino de Amorim Lima
20
21
22
' bd o n Rodrigues de Mesquita
.liebe..iouro
.!iBelem
Bacharel Enéas C. do Nascimento Sa Benjamin Constant
t de egosto de 1881
7 de junho de *892
25 de maio de 1893
23 Miguel Tavares da Silva.Pinheiro Brejo dos Santos 6 de maio de 1884
24 renente-coronel José Rabello da S 113(5a Viagem 11 de julho de [889
25 >ntonio da Costa Moraes Báa.Vista de outubro de 1892
26 !Bernardo José da S. Junior Jrn Jesus do Quixelô 25 de fevereiro dc
27 llosè Pdmpeu Rodrigues P' o i2,
20 de novebrode
m
28 'Manoel Francisco Rebouças de
29 ¡Joaquim da Silveira Tavora Caio l:)rado
30 '
13thoniel Victor ic, cid Cruz Cajazeiras (Barbalha) ..50 de janeiro de 1893
31 \ ugusto Cicero de Alencar Calla-Bocca r5 de abril de »
32 ,Jrçula Ferreira de Paula California t4 de junho de 1892
33 loào(31;ffçaives Vieira Camocirn 2 de n de 1893
34 1-1onorato de Araujo Chaves Campo da Cruz 18 de » de 1892
35 Joaquim Scares da Silveira Campo Grande 27 de janeiro de 1894
36 Manoel dos Santos Les.s'a . 'anindé de abril de 1891
37 José Lino de Abreu Canailstula 7. de janeiro de :893
38 1.&z F-'reio.sisco de Saboia Cratheús 122 de abril de 1--92
'9 J0.'éI,:....iquirn cie Oliveira Castro 18 de outubro de 1893
40 'n 1 011i O Liberato Leal Ca r idade. I 6 de » de i>92
.Jsé Irim.-:u de Araujo Filho
41 Cascavel I de junho de 1(.)9(
Luiz Urbano de Mello
42 Coité 7 de abril dc 1892
4'3 José ,\Iitonio de Figueiredo Cr ato 2í; de março de 1893
44 João Freire Cidrão Flores IS de jurho de 1,92
45 Benjamin Rosaiino Mala -I I qui 2'i de abril de /894
46 Manoel Rosco Jamacarú 29 de agosto de 1889
47 \ntonio Barros Dias Granja 15 de abril de 1893
48 Fausto de Albuquerque G'uayuba 27 de maio dc 1892
49 Padre dr. José Leorne Menescal Guaramiranga de outubro de 1883
50 João Ricardo de Souza Guarany . .
20 de agosto de 1893
51 Maneei Alves Franco de Carvalho Graça 18 de junho de 1892
124
52 '1-ancisco Ferreira de Magalhães Humaytá i9 de maio de »
53 1,-Ȏ Gomes Ferreira Torres Ibia pina '4 de setembro de 1891
54 Miguel Carlos da Silva Peixoto 6 de junho de i892
55 Manoel Coelho da Silva có
lig-uape 8 de D de 1886
50 Candido de Souza Carvalho 112ii 18 de agosto de 1892
57 ficente I >ossicionio de Araujo Torres Ipueiras 12 de maio de 1894
58 .oaquirn Ferreira de' Oliveira Lima Independencia 5 de dezembro de 1.893
59 ?rancisco Ignacio de Almeida Iracema td,,,e fevereiro de 1892
,29,.,
Go 1ntonio Pontes Franco Itapipoca 31 de janeiro de [894
61 adre Joio Bandeira Accioly Jaguaribe-mirim t I de fevereiro de 1893
62 l'enente-coronel João cie Sá Barreto Jardim ir) de outubro de 1892
o3 Aristicles I;erreiri.i de menezes .q .-1 .-.
Cie ; S LIO
)4
t
kntonio de Moura Cavalcante I ubaia 4 de mai ço de 1892
05 Miguel Bezerra Frazão Lameiro .)6 de abril de 1803
00 Francisco Augusto Correia Lima Lavras 5 de outubro de 1891
07 José Nunes Guerreiro Limoeiro t0 de setembro de 1886
Ob lgnacio Francisco da Cunha I.ivramento 23 de fevereiro de u
09 Nelson Brigido dos Santos Maracanahú 2 de outubro de 1890
70 Afro 'l'avares Campos Maranguape 18 de dezembro de 1893
71 Urçulino Ferreira cle Paula Nlassapê 14 de junho de 1892
João Estrella Dantas Cabral Maur ity 27 de i, de »
73 ;oronel Tristão Antunes de Alencar Mecejuna 23 de dezembro de 18S9
74 Joaquim Pereira de Maria Milagres 8 de julho de 1893
José Leite de Oliveira Missão Velha 4 de novembro de 1890
76 Antonio Ramiro de Almeida Mulungú 7 de abril de 9
77 Fiburcio de Moura Cavalcante Morada Nova 14 de maio de 1892
Bernardo
_I
Soarea
-11
de Almeida
_ 1- 1
Mundahú
_ . e 2 -7 de ¡unho de [891
00 I kiitkih16- ontes ranco
I 61 ;aCire Jcplo Bandeira Accioly faguaribe-mirim II de fevereiro de 1893
62 l'enente -coronel João de Sá. Barreto .Jardim t5 de outubro de 1892
1r-63 kristides Verreira de" Menezes 1 tLL iita- C4-4 de :ø
64 kntonio de Moura Cavalcante I u baia
I
4 de março de 1892
65 \liguei Bezerra Frazão Lameiro
,
26 de abril de 1893
66 Francisco Augusto Correia Lima Lavras 5 de outubro de 189i
67 José Nunes Guerreiro Limoeiro [0 de setembro de 1886
68 Ignacio Francisco da Cunha 3 de fevereiro de »
69 Brigido dos Santos Maracanahú
LivramentoNelson 2 de outubro de 1890
70 Afro Tavares Campos Maranguape 18 de dezembro de 1893
71 .Urçulino Ferreira de Paula Massapê t4 de junho de 1892
72 João Estrella Dantas Cabral Nlaur ity 27 de » de »
73 oronel Tristão Antunes de Alencar Mecejana 23 de dezembro de 18S9
74 Joaquim Pereira de Maria Milagres 8 de julho de 1893
75 José Leite de Oliveira Missão Velha 4 de novembro de 1890
76 kntonio Ramiro de Almeida Mulungú :7 de abril de
77 riburcio de. Moura Cavalcante Morada Nova 14 de maio de 1892
78 Bernardo Soares de Almeida Mundahú 7 de junho de i891
79 :.lioronel Belisario C. Alexandrino Iguatú 25 de fevereiro de 1892
bo Enéas Alves de Maia Nova Floresta 28 de novembro de 1890
81 José Libanio de Souza Paca tuba 28 de fevereiro'de 1891
82 José Epiphanio Ferreira Lima Pacoty 10 de junho de 1893
83 Amaro Pedro de Oliveira Rebouças Palma 15 de abril de »
84 Clemgntino Rodrigues Campello P&meira 2t de maço de 1892
1 85 José Joaquim Carneiro Meirelles Pará-curti 21 de fevereiro de 189/
86 Joaquim Monteiro de Lima Passagem das Pedras 26 de abril de 1892
8; Manoel Ramos Tangueira Pavuna 15 de junho de 1889
8S Genuino José Vieira Pedra Branca 7 de » de 1892
89 Saiustiano Ribeiro Guimarães Pentecoste 25 de julho de »
go P. Francisco Jose da Silva Carvalho Pereiro 2 de março de
91 José da Cunha Meclina Pernambuquinho novembro de 1885
92 Joà() Gomes da Silva Laborão Poço da Pedra 5 de de 1892
93 T. coronel Tiburcio A. de Abreu Lage Porangaba 28 de dezembro de
94 Claudio Pereira da Silva Porteiras 2 de setembro de
)-, 1.,,a1Joe,
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Quixará
.

9u ,loaquim Scrares de Maria 10 de maio 'de


97 iBacharel Antonio M. do N. Filho Quixerámobim 25 de fevereiro de »
98 iJoaquim Manoel da Rocha Franco Riachão tS de outubro de i890
99 José. Herculano da Cruz Sobrinho Riacho da Sella 15 de março de 1..,92
10u ;Henrique Mende:, Cavalcante
;

Redempção 25 de fevereiro de »
.

tot I Miguel Arehanjo M. de Vasconcellos Remedios .


'17 de novembrode »
102 i fosé Gomes Fernandes Vieira Leal Saboeiro
103 Joaquim Pessoa Lins
-
Sacco de Orelha 29 de fevereiro de »
t04 Pe Francisco T. NI. de Vasconcellos Sant'Anna do Acarahú '
29 de março de »
105 'Luiz Nepomuceno da Silva Sant'Anna (Pacoty) tO de agosto de :68d
106 Padre João Carlos Augusto Sant'Anna do BrejoGrande [3 de julho de 189'
107 Antonio Severiano Maciel da Costa Santa Cruz (S. FranCisco) 2 de abril de »
lud Casimiro Nogueira de Q. Granja Santa Rosa 26 de setembro de 1886
/09 1-1-.'v c ti Benedicto Telles de Menezes S. Bento d'Amontada t4 de fevereiro de 1893
liu Ar.isticies Barreto S. Benedicto 7 de abril de 1892
/11 I 1.1;inoel Cursino Rodrigues Pinheiro S. I3ernardo da Cachoeira 3O de março de 1894
112 ¡Viga' io João Luiz de Santiago S. Bernardo das Russas .8 de agostode i8s3
113 !Viind ctal Rodri Rodrigues Peixe 5. Francisco £2

26 de fevereiro de 1892
114 icrzé Francisco Moraes Castro
1

5. Gonçalo (Soure) » de 1894


is M.inoel Patricio da Paixão S. João _ dos Inhamuns 25 de abril de /892
l 1 Ligusto J
l (..) da Silva Joo do Jaguaribe
i.S.. João !I de fevereiro de t888
117 .'adre Vicente GOz1171..fredo Macahy.b.a,_.losé (I .° districto)
i

28 de st,rii d ,.. ;Ç:293


i' 1 \p,-apito Jorge dos Santos .S. Luiz (2.° districto 6 de novembro de /890
i11) I l>.- Uranci:e..co T. M. de Vasconceliosi. Manoel do Marco 31, de janeiro de 1888
120 ',T.'4e.ei Raymundo Liornes d'Oliveira'S. Matheus ,11 de março de 1893
121 ; ;pão Vulpino da Cunha S. Pedro do Crato ,3 de outubro de 1890
l'a2 BachFArel Francisco B. Cordeiro Ssi.Li 24 de fevereiro de 1891
123 Deocleciano de Pontes Franco 14 de junho de 1892Quiteria
124 Bacharel José Saboia d'AlbuQuerque Sobral 28 de julho de1893 '
125 Coronel lgnacio André Salles Soure 2 de dezembro de 1892
1

120 Antonio Itodrigues Rocha Sucatinga 26 de dezembro de f 893


1'27 iJoio José da Costa Valente _
Tabatinga 27 de fevereiro de 18.4/
2S P..: Francisco :le H. Cavalcante Tamboril 24 de novembro de 1884
rheophilo da Silva Ramos Tiangua 31 de maio de 1893
130 Bacharel A. Elysio de H. CavalcanteTrahiry .b de outubro
de 1892
131 !Mu jor José Guimarães da Motta
. Tucunduba c4 de janeiro de 1893
1'12 'J.InathaS Ribeiro Soares timary 5 de outubro de 1891
133 IJ4,5.0 da Silva Barreto União 26 de março de 18O2
134 ¡Francisco Moreira de Souza Vazantes .9 de julho de 1885 '
z35 Vi,czario Joaquim Manoel de Sampaio Varze'Alegre 16 de março de 1892
136 I» c» Luiz Miguel Gomes CoutinhoVertentes 27 de janeiro de 1891
137 Luiz januario Lamartine Nogueira Viçosa
aNamiamemenew~mR ."~àuára
Min DÁ MATEM GE RAL E DA FREQUENCli MÉDIA DAS ESCOLAS DO ESTADO, NO ANHO DE 1893

da: . das escolas Ilulas


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Capital 2 7 11 101 272 734 51 18! 439 Existe avulsa a professora Maria
lbiapina de Carvalho.
2..'Cidades 33 29 10 1.217 1.270 405 702 6'75 253 ,
. Estão, como adjuntas, em duas
cadeiras deita capital. as professo-
60 et 53 97 44 130 271 7.576 4.645 r'as Anna Eponina de Lima Sobreira
Villas 33 18 1.057 1.287 363 628 783 231 e Iphigenia Amaral, sendo a 1.a com
exercicio na cadeira do sexo mascu-
Povoações 28 5 57 198 62 893 105 32 564 Imo regida pelo professor Sobreira
.
e a 2.a na 4. cadeira do ensino
_
mirto desta mesma capital, regida
pela professora Thereza de Jesus
1.01 74 2,573 2.608 2.39511.486
1
1,6 7 1.487 60 61 n 97 44 ,
130 Castro.

_
,. 1

Secretaria dos Negocios do interior, 20 de junho de 1894:


Servindo de Director Geral,
Cezedio d'Albuquerque MartinsPerira
RELATflRJí

4V:coloria das gbras Publicas, 28 do maio de 1894,

Exid. SR. CORONEL DR. JOSÉ FREIRE BEZERRIL FONTENELLE, M.


DIGNO PRESIDENTE DO ESTADO DO CEARÁ.

Agradecendo a confiança com que honrastes me, com a


nomeação de minha humilde pessoa para o elevado cargo
de director das Obras Publicas deste Estado, cumpre-me,
em obediencia á parte 13.4 do § I.° do artigo 5.4 do regula-
mento e officio n. 507 de 1.4 de maio corrente, apresentar-
vos o presente relato rio.
Não me illudi quanto á grande responsabilidade que ia
assumir para corresponder satisfac oria e cabalmente á vos-
sa confiança ; estava certo que nem uma gloria me resulta-
ria, si não.a -atisfaçào intima do exacto cumprimento dos
tims deveres ; entretanto aceitei-o por ccmprehender que
nenhum cidadão pode recusar seus serviços quando lhe são
exigidos, significando um esforço que faço em n prol do Ceará,
que deve descrever no espaço da civilisação do Brasil urna
orbita igual a dos outros Estados.
E' muito difficil, si não imposiveJ, apresentar-vos um
trabalho completo pelas circumstancias especiaes de falta
absoluta de dados e irregularidades adminitrativas com
mettidas por meu antecessor e si não fossem a observancia
á lei e a vossa determinação me escusaria de tão ardua
tarefa.
Pedistes um relatcrig circumstanciado dos serviços á
cargo do meu antecessor. o sr. 1.0 tenente João Arnoso, a
contar de IS de fevereiro de 1892 até 1,0 d) mai ) corrente,
especialmente das obras realisadas nos dois edificios I.yceu
e Bibliotheca.
Preciso fazer para isso um breve historio da reparti-
ção, destas e outras obras, por esclarecimentos coibidos
entre diversas pessoas e Secretaria de Fazenda, para de-
ramstrar vos a impossibilidade de observar restrictamente
a3 ordens contidas em vosso officio e mesmo porque o meu
antecessor durante a sua administração não apresentou
relatorio algum.
Antes devo dizer que me dominam pura e exclusiva,
mente os sentimentos do dever e da justiça e que estas mi.
nhas çalavras não encerram ofiensas a quem quer que
seja
Dada esta explicação entro no objectivo deste trabalho.

Nomeado para dirigir esta repartição á 1.° de maio cor-


rente, esperava que o meu antecessor á mesma compare-
cesse para proceder a um itiventario, como lhe
competia,
dos moveis, instrumentos e especialmente. dos
materiaes
s)13 sua responsahilidade e mais ainda, para
sobre as lacunas que encontrei. esclarecer-me
Esperei, como sabeis, quatro dias, findo
nhecendo que esperaria indefinidamente,
os quaes, co-
não podia paralisar peii-vos que
e que o serviço
nomeasseis urna commissào
para aquelle fim, o que teve logar e cujo resultado
vos fiz
sciente pelo inventario que retnetti, o qual ,junto
torio. a este rela-
Não pouparam esforços
e fadigas os ditínctos cidadãos
Ismael Pordeus Costa Lima e João Baptista de Souza
memb os da commissão, que rue auxiliaram poderosamente Forte,
no exame. classificação, quantidade e medida dos
materiaes
inventi_riados.
A' proporção que ia tendo
conhecimento das obras já
realiEadas e em trabalho, cleszobria
a exis.tencia de materiaes
pertencentes a esta repartiçào, uns emprestados
diversc;s Jogares e que não foram e outros em
incluidos no referido in-
ventario, por não haver na mesma documentos
torios cios emprestimos e pela comproba -
ignorancia do 3 segundos por
parte cio pessoal.
Ao vosso conhecimento
cia dos materiaes referidos posteriormerxte levei a existen-
incluindo-os agora no inventa-
rio que acompanha este relatorio.
E' intuitivo que semelhante
lacuna não se verificaria, si
-.37-
fosse o referido inventario, ao menos assistido pelo meu
antecessor.
Quanto á repartição, sinto dizer-vos, achei-a completa-
mente vasia de documentos e livros, a não ser um copiador,
onde se lançava as ferias do pessoal empregado das diver-
sas obras, isto mesmo defeituoso, pois que em muitas des-
tas ferias, quasi a totalidade, não se discriminava cada urna
separadamente, correspondente a cada obra, o que difficulta
a determinação exacta do custo das obras referidas,
Encontrei algumas segundas vias de diversas contas de
materiaes empregados nas obras e já pagas, notandose
nelas a mesma confusão do caso antecedente.
Em relação aos livros que deviam existir na repartição
e aos quaes vos referistes no officio n. 50-7 de 1.0 de maio
corrente, não os encontrei, a não ser o do ponto do pessoal
do escriptorio e um copiador de ollizios.. U de registro de
contas, o de carga e descarga de materiaes, de maxirna
importancia, não existiam, e cemo vèdes constitue isto mais
difficuldades á minha administração e novos embaraços para
cumprir a vos-a determinação.
Orçamentos de obras encontrei uns tres no copiador
das ferias, isto mesmo depoi's de concluidas, simples reca-
pitulação das despezas, apresentando o custo total, sem
discriminação alguma. Nest.e ponto. durante a administra-
ção dg Sr. 1.0 tenente João Arnoso, nunca se observou a cri-
teriosa determinação dos rts. 3[ e 32 do regulamento e
suas instrucçõ'es.
OBRAS

Os dados colhidos na Se:retaria de Fazenda do Estado


contribuiram para approximadamente determinar o quan-
tum despendido na const: ucção dos edificios I.yceu e Bi-
bliotheca e tambem'todas as obras e reparos feitos do 2.°
senv:stre de 1892 á I.° de maio corrente.
Suspendo a discriminação do custo das obras realisadas
para entrar; si bem que superficialmente, já pela prestesa
com que devia apresentar este trabalho, já pelo pouco tem
po que dispuz para examinar detalhaclamente cada um dos
edificios construidos ou reparados, no estudode varias ques-
tões, como sejam, questão technica,plantas, estado das obras,
avaliação, detalhes etc.
Vós, Exm, Sr. Dr. Bezerril, que sois um engenheiro pro-
vecto e affeito a estes trabalhos, conheceis perfeitamente que
8 _
as obras novas realisadas pelo meu antecessor, como o
!Arcou e a Bibliotheca, estão cheias de vicias e erros de ar-
chitectura, sem esthetica, como provarei. Entretanto apre-
sento desde já as columnas da primeira que não se filiam a
nenhuma das ordens conhecidas, nem mesmo á combina.
ção entre estas e a entrada e má divisão interna da
segunda
e emfirn muitos outros defeitos que com vosso tino e conhe.
cimento pratico supprireis.
Muitas difficuldades que oceorreram nas obras e que
ainda hoje se observam não tiveram a resolução pratica exi-
gida o que vem demonstrar a má orientação
technica do
meu antecesspr.
A segunda questão relativa ás plantas, causa-me admi-
ração dizer-vos, não existem na repartição, em desobedien-
cia ás partes 9a e 12.8 do § 1.° e art. 5.° do regulamento e
que as obras do Lyceu e Bibliotheca foram realisadas
sem
ellas, á olho, não observando assim preceito e destribuiçào
alguma conhecida : isto é. que a proporção que ellas cami-
nhavdm, é que se destribuia os serviços e obras a reali
Sar.
Esta segunda questão impossibilita por sua vez a deter-
minação exacta do quantum despendido com estas obras,
pois que pelas plantas se poderia fazer um calculo mais
proximado, attendendo mesmo ás condições de carestia dós
ap
diversos materiaes. A avaliação destas obras prende se á
referida questão e portanto, como já disse, não precisarei
exactamente na discriminação abaixo, o seu custo como o
de outras.
O estado delias não é satisfatorio, pois, as principaes,
que são as referidas, agora mesmo estlo
sendo reparadas
na cobertura, alpendre, forro etc..
Muito succintamente me referir,:i a deu:lhes destas
pois só este ponto desenvolvido s.:.ria materia obras,
lho longo e d:morado, o que não comporta
para um tra
este relataria.
Tratarei em primeiro logar da observação que
fiz nos
reparos da cobertura etc., do edificio Lyceu,
relativa já ao
material, já á mão de obra. Na cobertura,
que tive de re.
paral-a toda pela immensidade de goteiras apparecidas
com as chuvas que temos tido, notei
que as telhas eram da
peior especie, isto é, que o seu cosinharnento não
era per-
feito, o barro de má qualidade e, portanto, não:houve o de-
vido cuidado na compra deste
material, pois a pratica en-
sina perfeitamente o que está em condições de ser empre-
gado, as quaes são as seguintes percussão pura
dureza, que prova que as terras foram trabalhadas e clara
sadas,com attenção, que a pasta gosa de
e amas
que o cosinhamento foi completo ; lisura ; homogeneidade e
impermeabilida-
de e resistencia á acção dos agentes atmosphericos.
Todas estas condições sào faceis de verificação.
O encaibramento, de quartos de carnahuba, tive
sidade de reparal-o, em grande parte, fazendo neces-
ripas de cedro, pois era tão egpaçoso um caibrocalços com
que as telhas cabiam ficando suspensas pela do outro,
parte mais lar-
ga, suspensões que deram legar ao apparecimcnto
teiras. das got-
O emboço e reboço, interno e externo, cheio
ções, demonstram que este trabalho foi feito ásde eleva-
para acabar logo. pressas
O alpendre, cujo ladrilho foi kito sobre um
mais de um metro de altura em urna grande aterro de
mado simplesmente a barro, esá abatendo extensão, to-
mente e em breve, talvez, terá o governo consideravel-
necessidade, para
não perder esta parte do edificio, de suspender todo
drilho para tomai.° a cal e querendo aproveitar o o la-
mandar soccal-o suficientemente, e finalmente muitos aterro
reparos que ,já levei ao vosso conhecimento. outros
Em segundo legar lembrei a V. Exc,
suspender tambem os ladrilhos das duas aarcas
conveniencia de
do edificio
Bibliotheca, para dar-lhe alguma inclinaçao
to dasaguas, que por esta falta refluem, para escoamen-
estragando as por-
tas e o soalho dos quartos contiguos ás arcas.
Este edificio precisa ainda outros pequenos
que, não sendo urgentes, podem todavia concertos,
grande fôr a demora.
prejudical o se
O mesmo digo em relação a todos os demais proprios
estadoaes, que, mais ou menos, precisam ser reparados.
Permitti agora, Exm. Sr. Dr. Bezerril, que
externe a
minha fraca opinião sobre a architectura dos edificios
ridos. refe-
Sabeis perfeitamente que a architectura possue
regras
especiaes e que tbm de satisfazer ás condições
estheticas e
tarnbem ás condições physicas isto é,
;
em relação a um edificio, é preciso particularisando,
observar se a belleza das
proporções, a regularidade das formas, a unidade da conr.
cepçào, como o seu fim e destino.
A forma, o aspecto exterior, a expressão do edificio em-
/
fim, produz uma sensação agradavel co e reflete as
tendencias da epoca, o caracter do povo a que elle é devido.
Alem da parte esthetica, está sujeito á parte technica com
a obrigação da condição essencial a sua utilidade.
Toda a composição arch:tectonica, curando da bellcza,
, deve considerar tambem a conveniencia, a salubridade, a
extensão e a posição.
A conveniencia que exige uma relação intima entre o
caracter do edificio e seu fim a expressão, e uma destri-
buição appropriada.
A hygiene que exige o recebimento e a renovação do ar
e da luz, o resguardamento dos ventos reinantes, do calor,
do frio e da humidade.
A extensão que exige as dimensões calculadas com pre-
cisão, mesmo em relação ao volume cubico de ar que deve
ter o edificio ou suas subdivisões para não prejudicar o seu
objectivo e encarecer a construcção.
A osição que exige previos estudos sôbre o local, iso-
lamento e muitas outras considerações,
Alem destas condições deve-se observar as verdadeira-
mente estheticas, a symetria, a proporcionalidade, a unidade,
a eurythmia e emfim a simplicidade.
Appliquemos agora ao edifício Lyceu estas condições, a
meu ver necessarias.
A primeira, a conveniencia, não foi observada, porque
a expressão do edificio não agrada, não satisfaz ao seu fim
e sua destribuição é má. A segunda, a hygiene, tambem
não foi observada pogue hi salas sem ar e sem luz suffi-
cientes, para o fim a que se destinavam, o edificio está cheio
de corredores e estou certo não se fez o isolamento neces-
sario da humidade da terra no tra7ejamento do soalho. A
terceira, a extensão, tambem não foi observada, porque não
foram calculadas as dimensões, pois ha salas verdadeiros
quartos em opposição ao fim do edifício. A quarta, a posi-
ção, tambem não foi observada, porque acha.se o edificto
ligado a pequenas casas, velhas e estragadas, quando devia
ser isolado e o local para mim, alem de não ser urna praça,
boa e limpa, é muito baixo.
As condições estheticas por sua vez, não foram observa-
das, a não ser a symetria das janellas, a entrada já me refe-
ri no começo deste trabalho. Portanto, Exm. Sr. Dr. Bezer-
ril acho que o edifício em sua construcção não foi sufficien-
temente estudado, está cheio de defeitos e ;que o meu
;1""'"'"

antecess. or. Intelligente e habil Co nomuito se discuidou,


d;spresando os eiHinamentous e tcid4,-;
teCtonicis que tanto trahaiho custard Hoos .,;rchi-
sados e .que ch,:g aram a uma perfciç.i;) 1);.
depois de muit.o sec,..ilos de Cvoiuçà.), tinte !..h vacla
A Bibliotheca está no ilic..):11 caso
I.vceu, si bem
(IU
que nella se obervsem as concls'Cie de exten,s\
e, fóra as col um ;3:, a expressào me!ria
ag a lave:.
Os edificiosi)Ilde 11111Ci0Ilaill
pubaw, situados
um no Bouleva-d Vi conde do kio Bnnc e outro na Prai-
nha, o ultimo eni sua construc o dirigdo re;,1
cessor, apresentam se mio todas, ao meu ante
ções architectonicas. multas condi-
Passo a cliscritnin ir o custo cib: a r.. repau,
junho de 1SU2 até 1." de ut;YO desde
rente rcj das :11(11
antecessor, pelos dal ); ria de 1:.izer da
e copiador de ferias d
O Custo de cada um i ip;.)1',.)xn
razões apresei t o.)rno disse e peias
As obras realk:JJas du-ante pc:-:oclo de tempo
determinado rn ).) a n a ac ma
(L'.stribuidos
I.yce.i e Bibli.)thea
sendo : de materi.ies I' :

e pessoal operari
despezas que cone a n pelas
verbas «Obras pablicas e de-
positos (bencficios de Ic te-
rias) e eventuaes.
Quartel do BAtalhIode
Sendo: de matei iaes 2:: :I
Pessoal operario í
gaz, encanamentos etc
e tarimbas
despezas que C.-.);' eram pelas
verbas Obras publicas», de-
positos (beneficio de loteriz)s
e força publicn lettra S, (uten-
silios de quarteis etc : as ta
rimb3s).

Encontrei na Secretaria c'e Vaz


ca!Çamentos de l,)2, que cor rcram pela vnac;cl.i.,iiicaçAo de
ha Crois pt,bli.
caS» uma conta de 1:600$000, que nesta minha discrimina.
çào está incluida nos calçamentos de 1892, de
calçamento de
pateo interno do quartel com 1.280.2 a razão, de 4250 o
metro, cornprehendendo pedra, mão de obra, movimento de
terra etc,.
Escola da Prainha
sendo : de materiaes 1l:75'475
6:220705'
e pessoal operario 5:5368000
despezas que correram pelas
verbas «Obras publicas, e de-
positos (beneficios de loterias).
Santa Casa (um poço) 245$0C 0
despeza que correu pela verba deposito
(beneficios de loterias).
Palacio do governo 17:381$695
Concertos e moveis de palacio 12:568:954
Posto policial
573$875
Corpo da guarda da Secretaria de Fazenda 1:114950
Secretaria de Fazenda 1:050$625
Corpo da guarda de palacio '
182$000
Um coreto e ornamentação da Praça do
General Tiburcio para inauguração da estatua
1:142065
Artigos Bellicos
539$075
Cadeia
1:51'4575
Muro da Praça do Marquez do Herval e
Rua 24 de Maio
8628232
Antigo Lyceu
7848800
Taboado á Praça General Tiburcio
291$900
Frete de tijollos da E. de F. de Baturité
82$000
Estas quantias foram pagas pelas verbas «Obras
cas» e depositos (beneficios de publi-
loterias).
CALÇ M ENTOS
'Decimento: calçada do congresso 643$565
De pedra : na estrada de
De pedra em 1892 ; Parque
Mecejana (concertos) 54$000
da Liberdade, ruas
que correm junto ao collegio das
Boris,pateo do quartel do Batalhão educandas e
com 5.512°2 de Segurança
sendo : 732.2 a 18200 e 2.140m2
a 4300
1.3602 a 18500 e 1.280m2
a IPSO tudo calçamento
novo na importancia de
despeza.a que correram pela 7;1403400
verba «Obras publicas».
Em 1893 ; Ruas do Cajueiro,
Sena Madureira,
Santa lzabel e S. Bernardo com 3.928(i2 de
calça.
mento novo e 2.670'42 de concertos de
calçamento
sendo dos primeiros (concertos) 1.423°2 a 900 reis,
324m2 a 500 reis e 923'42 a 400 reis e dos
segundos
906,5m2 a !VOO, 2.225'2 a 4200 e 796,5'42
a 13650, e
mais tres contas de fornecimento de pedra
na
importancia de 631000e uma de fretes de
carradas
de pedra de 2276000 tudo na importancia de
7:8338375
despezas que correram pela verba «Obras
publicas».
Eis o que pude colher em relação
as obras realisadas
pelo meu a'ntecessor e sua importancia.

Em virtude da parte 12.a § 1.° art. 5. do regulamento


venho pedir a V. Exc. um augmento na verba
destinada á
esta repartição no exercicio corrente.
Como sabeis, acha-se quasi esgotada
a verba do exer:
cicio corrente e nós já estamos em maio e os proprios
esta-
doaes, mesmo pelo rigoroso inverno
qucatravessamos, estão
precisando, alguns até, grandes reparos.
Os materiaes crescem dia a dia de
preço pela especu-
lação torpe de brasileiros degenerados
e estrangeiros ingra-
tos, que se agarram a tudo para exhaurir
cos.
os cofres publi-
De sorte que se não fôr votado
na proxima sessão da
Assembléa um accrescimo na verba
«Obras publicas» ou
tereis de crear creditos
extraordinarios para as despezas
que forem occorrendo ou os proprios
estadoaes, ao menos,
não se repararão, comgrande prejuízo
futuro para o Estado.
Assim Exm. Sr. Dr. Bezerril yds, o zelador incansavel
dos bens do Ceará e que comprehendeis
perfeitamente a
grande necessidade de sua conservação,
levando ao conhe-
cimento da Assembléa o que acabo de expor vos, deveis
lembrar a conveniencia de
augmentar, segundo vosso cri-
terio, a verba referida.

ILLUMINAÇÃO PUBLICA
Vis,:al do governo na illuminação publica
por nomea-
ÇãO tombem de 1,t) de maio corrente, preciso levar ao vosso
conhecimento o que tem, occorrido desde junho do anno
proxirno passado, inclusive, até abril do corrente anuo.
Refiro me somente a estes ultimos mezes, porque justamen-
te é por elles que se pode tomar as providencias
necessa.
rias.
Existem nas ruas e praças desta cidade 1:06 combuss
tores que accendem-se diariamente segundo uma tabella
previamente organisada pelo flcaI, Alem destes existem
mais 1 V2 no Passeio Publico,que observam as
mesmas pre-
scripç(')ez.
Paiol a illuminação da cidade durante estes ultimes 11
mezes f a.2in distillaclas 1.626 toneladas de carvão
bitumino-
so e235 1/2 de carvão Ca miel que produziram 18:907:800
pés
cubicos de gaz.
A illuminaçào das ruas e praças custou aos cofres esta-
doaes 175:-176$841 inclusive 107:887$507 de differença
de cam
bio, que oscillou entre 10 d. 7/8 e
d 9/10.
A do Passeio Publico importou
em 10:8018070, sendo
6;691919G de differença de cambio. A despeza geral
186:3775914.
foi de
Como vedes foi insufficiente a verba orçada para
esta
myster, ainda pela baixa do cambio : preciso portanto,
curando da illuminação, tomar-se uma taxa média para o
estabelecimento da verba para o exercício de 189").
pois. a
campanha especulativa, plrecc...-rne continuará.
Já que tratei deste assumpto lembro a V. Exc.
sidade de, approveitando a verba creada o a neces-
para a compra de um photometro, realisal.a anno passado
; pois os meios
praticas determinados para o conhecimento da
gaz, não satisf ;zem p!enamente, alem de pureza do
a intensidade e pressão do nada precisar sobre
mesmo, uma das clausulas do
contracto. E' preciso. portanto, que se adquira,
lho prop,i0 para urna fkcalisaçâo o appare-
governo. verdadeira por parte do
E que nu proxima sessão
da Assembiéa, esta crie uma
nova yet ba para a collocação deste
como sabeis, em um quarto apparelho, que é feita
camara escura
devidamente preparado, com
e um pequeno laboratorio,
apropriado etc.. em um local
Estou certo que a companhia
cumpre o contracto, en-
tretanto acho que o governo tem
mathematicamente esta exacticl;lo.
necessidade de conhecer
I

Juntoencontrareis a diçcriminacão das despezas com a


illuminação publica, de junho de 1893 a abril do corrente
anno.

A imperfeição do trabalho, que tenho a honra de apre-


sentar a V. Exc., attenua se pela defliciencia dos dados
obtidos e circumstancias em que me achei, sem esclareci-
mentos e mesmo sem base para confeccional-o.
A confiança que deposito em V. Exc., dá-me a esperança
de que merecerei desculpas pelas informações que em
traços tão rapidos submeti° a vossa criteriosa apreciação.

Saúde e fraternidade,

//enrique d'.1. Autrdn.

or. 1/6.
TADEU DE ILLUMINIA0 PUBLICA.
- --

ÍJ--- I

1 1.,1..0 MINACAO ILLUMINAI;À0


Dl ITERENÇA TOTAL
CA MPIO LIAS RUAS E DO PASSEIO
MyzEs DE CAM13,10 pphLwo ri
DE CANIItIO
PR.\ S
-

10 ri. 8:274597 -) 4
tinhi) dc 1W3 7:0 9.811 ;
.1111h:)
12 c ,1p4
12 7: l4$011 -;112,1

10 c , U:003 ii7
embr o »
10: 0,) (;1,,-.; .::,7..; t; 8
libro .10 c. 1/2 1'7:5
» 10 C::;:í7:329. 10: 186$95
N ovem b rc») 6:050$514 10:67$9'3 ..),93$5:)3 611'3.3l23
1)ezembt o » 10 c.
6::)85$834 .11:42l$0)3
ineiro. » 1804 9c .

9 d. 9/10
"t}8
r;i:676s593 10:3M$1 , 3f.2"728 17:236
Fevereiro i2:145$6 38 $021 71v$9,3 10:8 8(,)íi
Março » 9 d. 1/2 (3::-)9:$22G
$5,3
O d. 9/16 6:01'480 10:973$7 384'122 69G$10
»
Abril »

1
6789$337 107:q87 4:200$871 6:691$'06

GAZ FABRICADO E CONE DE CARVÃO

CoNsumo CoNsumo DE
CARVÃO BI - CARVÃO A- OBSERVAÇÕES
I\IEZES. GAZ FABRICADO
TUMINOSO MIEL

Pés cubicos Toneladas Tonelad s


1.638.100 136 271 2 Durante estes onze mezes accenderam-
Junho de 1893
1.791.400 153 26 se nas ruas e praç:is desta cidade 1.70(3
Julho »
1.713.700 143 28 combustoresel'12 no paseio publico, se-
Agosto »
1.746.900 151 23 gundo uma tabella que o fiscal do go-
Setembro » »
16 verno organisa mensalmente.
1.709.()00 155
Outubro » » i6
Novembro » » 1.663.400 1.F.0
1.782-300 159 19
Dezembro » » 22
» 1894 1.790:700 150
Janeiro 15
Fevereiro » 1.r)85.600 13'7
1.538.800 151 23
Março' 20
Abril 1.G7i4.900 138
1

Fortaleza, 2N de maio de 1804,


..
18.9:17 ,S00 1.626 235

O Engenheiro Fiscal
Henrique d'Alencastro
Inventario dos moeis, utenSilios, materiaes
tros objectos pertencentes á e ou-
Obras Publicas, procedido pela wpartição das
commis'são
abaixo assignada, em ,virtude de
Exc. o br. Presidente do Estado, deacto de S.
4 de maio
corrente.
3 tres mesas de cedro envernisadas
i uma secretaria, id:m
1 um armario idem, contendo
1 um armario aberto, de pinho o archivo da Repartiçào
1 uma prensa de ferro para copiar, sobre
6 seis cadeiras austriacas reparo de madeira
1 uma dita americana
uma mesa pequena de ferro
um candieiro de gaz carbonizo
2 dous metros de tubos de
borracha
6 seis cortinados de setineta de côr para o mesmo
1 um relogio de parede
4 quatro vistas
photographicas de diversos predios do Es-
tado
1 uma planta da cidáde
da Fortaleza
1 uma tabella das distancias
4
entre os municipios do Estado
quatro escrivaninhas de vidro
2 doas tímpanos
um limpa penna .
um v. de vidro para esponja
2 dous buwards
2 duas raspadeiras
2 duas borrachas
2 duas cestas parapara limpar papel
papel
1 um cabide
1 .um lavatprio de
2 ferro, com bacia e jarra de agatha
cbus"escarrador,es, idém
2 duas bilhas de
barro para agua
2 duas jarras, idem
4
quatro toalhas felpudas
2 dous copos'de vidro
uma bandeja.pequena de ferro
uma balança
5 cinco pezos : 2-5 k.
8 oito globos de 2-2 k. 1-1 k
vidro para arandella
3 tres ourinós
INSTRUMENTOS DE ENGSNRAILIÀ

1. um theodolito em perfeito essado


1 um dito em máo estado
i um dito com um nivel e outros accessorios para observa-
ções astronomicas, idem
1 um,tranzito, idem (com a indicaçlo-Intendencia Munici-
pal)
1 um nivel de Girlay, em perfeito estado -
1 um dito idem
1 um dito inutilisado
1 urna bussula idem
1 um pantographo
4 quatro tripeças
4 quatro balias
1 um thermometro
2 duas reguas
2 dous esquadros graduados
1 uma regua de mira (estragada)
6 seis simples dek, madeira
1 um combustot oy

3 tres vergas finas de ferro zincádo


4 quatro canos de ferro fundido
31 trinta e um balaustres de pão branco
8 seis soleiras de pedra
6 seis cantos idem Este material foi do pedestal
5 cinco pedras grandes da estatua do General Tiburcio,
Fotramento de marmore o qual foi substituido
6 seis grades de ferro

MATERIAES ETC., EM DEPOSIT.) NO GALPÃO DA PRAÇ 1+ DO


MARQUEZ DO HERVAL

86 cincoenta e seis taboas de pinho de riga, sendo : 1 de 5°,


3 de 4m, 80, i de 4m, e 75 cent., i de 4m, 70, 16 de 4m, 80, 8
de 4m, 50, 2 de 4°, 40. 3 de 4m, 20, 2 de 4°, 1 de 1m, 30 1 de
3m, 9), 1 de 30, 80, 4 de 3m, 70,3 de 3m, 80,6 de 30, 50, 2 de
3°, 10, 1-de 3, 30, todas sobre 0,m 1,7.
121 cento e vinte e uma taboas páo branco de 2°, 8 mt 0, 17.
15 quinze vidraças para janellas (uzadas) de 5 k 0, 71.
1 uma rotula de ira, 5 >e 0, 74.
2 duas xidraças circulares de Gm, 82 0, 85.
uma grade pequena de pinho dc in, 22 k 1, 30,
duas bandeirolas de 1," 10 0, 58.
>4.

`t.
11,9.1

um portão interiço de cedro de 2, 51 4 01, 10.


12 doze bandas idem, idem de 2, 62 t4 O, 58.
8 ditas, ideM, idem de 8", 55 O, 55,
21 vinte e uma bandas de ,janellas de 1", 17 v. 0, 55,
4 quatro ditas idem de 2", 17 0, 55,
2 duas bandas de janellas de 2", 61 9, 55
1 uma grade de cedro de 3'", 80 e k 280 I,
6 seis bandas de portões de 2w, 70
k O, 59.
1 um jogo de portaes de páo branco, apare)h Ido c!c. 95
1, 70.
urna thesoura de páo d'arco, extensào-tirantc
I,
. r4,na
2, 50, pendi 57.
,

urna escada de pinho em mão estado de


1 urna dita idem de I", 70.
1 urna dita idem de 7", 90.
62 sessenta e duas vergas de portaes de I-, 58
132 cento trinta e duas pernas idem de 3", 10.
9 um portão almofafado, de 2", 60 k O, 79 cada banda.
69 sessenta e nove caibros de carnahúba (uzado)
39 trinta e nove ditos idem de 4".
5 cinco vigas de pão
branco 1 de 2", 5.). 1 de -1", 5, 1 de 3m,
50, 2 de 3", 10.
27 vinte e sete carnahúbas de differentcs
L:manhos.
29 vinte e nove c stacas de sabiá.
61 sessenta e quatro taboas de cedro de d lrcrentes lama
nhos (refugo),
33 trinta e tres pontas de taboas de cedro relugo pessirno
estado.
1
uma dita de pinho de 7", 59, estragaua.
2 dous cavalletcs grandes.
60 sessenta telhas de barro.
84. oitenta e quatro pedras grandes.
20 vinte ditas menores.
40 quarenta tijollos de pedra para ladrilhos.

OBRAS

11 onze v. manual de engenheiro, por Debauvr,-.


2 dous volumes, Conductos d'agua, por Dupuy.
4 quatro v. da construcçào, por Opperman,
1 um v. Applicaçào do ferro, por E C. K
4 v. Estudos dc architetura civil. po;. ;113 rda.). Uru tevo
tr es, atlas.
3o

s tres v. Constiucç:lo 'de pontes e viadutos


cerc, um texto e dous atlas. por Maurand-

MATEDIAEs F1-znAMENTAS ETC., EXISTENTES


NO COMPARTI-
MENTO ANNI!XO Á SECRETARIA

i um apparclhe completo pira 'perfuração de poços, com-


POSTO de oito hastes, uma braçadeira, duas
vaivul,i, um macaco, dc.i)s. carriteis, pas, uma
quatro grampos,
uma z-lavanea e urna cionzella de madeira.
3 tres 1.),Incos d carpinteifo.
3 tres plainas.
3 tres traclos.
3 tres cepilhos pequenos.
1 urna prenj dIr; rosca.
2 du s co n o competerite ferro.
1 urna (have
2 duas rmur(lus.
2. dous
9 *nove picaretaa.
1 um rebolo estragado.
2 duas serras
1 um serrot5o.
I. um serrote.
2 dous c.:u-rir:hos de mào.
,1 um vidro de formicida.
1urna torneira grande de metal.
5 cinco ferrolhos
grandes 'cle metal
10 dez ditos pequenos -
(c. «
3 tres ferrolhos
5 cinco.ditos, idem
pequenos de latão.
3 banderolas de
com cauda.
ferro.
1
uma soleira de .pecira marmore.
2 duas folhas
gr;indes de zinco.
2 dous arm;irios de cedro, estragados.
3 tres rric-,..as
velhas de cedro.
1 urna dita idem
de pinho.
2 duas
pratileiras de cedro.
6 seis massos de
pregos de differentes tamanhos.
38 trinia e oito grampos de ferro
12 doze serpowões cle para varanda.
6
cobre.
,seis
1 um tubo de feiro zincado
3 de 1,m 1/2 e O, 0..8 d.
tres braçadeiras de ferro.
1 um ventilador idem.
II onze portas com vidraças (.)5achg.
7 sete portas com almofada de c?dr,'.
1 uma rotula.
3 tres janellas envidraçacks.
3 tres grades de ce:lro (imuti!is3daq,.
2 duas pruchitas de pinho com os com,-cH».t:
cavaletes
2 duas portas de cedro interiç.:,s,
1 um estrado com tres
i um sacador de macieira.
1 uma padiola. .

1 uma dita e n máo est,L1 ).


2 duas enchdas com cabo.;.
1 unia telha de zinco.
1, um cano c1.3 bomba estragado, d
76 setenta e seis peças p mel pa:..
6 seis saccgs de cal.
145 cento quarenta e cinco bar cl d c n ra an-
daimes.
40 quarenta estacas de sabiá.
1 um cano de 3 Pollegadas i-y;r cl c t , ferro)

zincado..

Fortaleza, 21 de maio

Direncr cli Ob!.a3

SU 'N! FO

MATERIAES, DECAUVILLE, VINDO DA

17 Desesete trilhos de 5,tn com


8 oito curvas-de 2,m 1/2 c)m
1 um giraclor com duas pe; !!'
2 wagonettes com O peça

Fortaleza, 28 de maio de 1Ef.);.

(!ls
(filme e 4xm,° 4nr,u ( residente do Çoard

Satisfazendo o que me foi, de ordem dc V. Exc., requisi-


tado pelo Snr. Secretario do Interior, em oficio, sob n.° 513,
de 1.9 de maio ultimo, subrnetto á esclarecida apreciação de
V. Exc. o seguinte relatorio sobre o movimento deste esta-
belecimento, no periodo decorrido de 15 de junho do ánno
passado até esta data,
O pouco tempo de meu exercido, o trabalho incessante
que pesa sobre mim, motivado pela execução da recente re-
forma da instrucção publica -secundaria e sobre tudo a falta
de dados, attenta a deficiencia de escripturação desta repar-
tição, justificarão plenamente, perante V. Exc., os defeitos,
de que naturalmente resentir se-á o presente trabalho.

REFORMA

Começarei pela reforma ultimamente efectuada.


O Lyceu do Ceará, creado em 15 de julho de 1814 e so-
lemnemente installado em 19 de outubro do anno seguinte,
tem passado, durante esse longo periodo, por diferentes. re?
formas que apenas o modificaram mais ou menos, deixando-
lhe os vicios de organisação que muito tem concorrido para
sua decadencia.
Ainda o anno passado, em seu relatorio, profligando
acremente o estado de desmoralisação a que descera tão util
instituição, reclamava insistentemente meu antecessor pro-
videncias que salvassem o unico e$tabelecimento de instruc-
ção secundaria, existent-i no Estado, reputando urgente e
ihadiavel sua reforma.
A assembléa legislativa, por sua vez, plenamente con-
vencida de tão palpitante necessidade, na impossibilidade de
um accordo sobre o plano de reforma que se devia adoptar,
resolveu confial-a ao poder txecutivo e nesse sentido decre-
tou a lei n. 21 de 25 de outubro de 1892.
Foi em virtude dessa lei que o governo baixou o regula-
mento de 21 de março ultimo que pela primeira vez refor-
mou completa e radicalmente o Lyceu Cearense, equiparan-
do-o, quanto ao plano de ensino, ao Gynazio Nacional e
estabelecendo medidas que tendem a elevai o ao verdadeiro
estabelecimento de educação.
Naparte repressiva especialmente parecerá á primeira
vista que presidiu á sua confecção demasiado
rigor, pOrdm
justifici-oplenamente O estado .de anarchia a que estava re-
dtiSido este estabelecimento, a ponto de ter o
meu a nteces-
sot-de requisitar força armada para reprimir os desmandas
'dos alumnos contra os quaes se considerava
- .
impotente.
Dirá o tempo o que ter-se-á conseguido. com
reforma ; entretanto; no correr deste a actual
trabalha, terei mais de
uma vez a occasiào de apontar melhoramentos
desde já obtidos e só a ella devidos. importantes

DOS ALUAINOS
.01.
M ATRICULA

Nos termos do art. 40 do Peg de 7 de outubro de 1889,


então em vigor, .foi, no dia 1.0 de feve: eiro deste
ta a matricula para as diferentes aulas armo, aber-
to ; e encerrada ella no ultimo do deste estabelecimen-
referido mez, verificou-se
a matricula de quarenta alumnos, apenas, dist ribuidos
diversas aulas, corno verá V. Fx. do quadro por
n.°1. annexo sob
Achando-se em elaboração .o
novo regulamento, foi a
abertura das aulas gue deveria ter lagar no dia 1.P de março
seguinte, adiada para quinze do
governo. mesmo mez, de ordem do
Installadas solemnemente as aulas no dia
nova ordem do governo foi transmittida a esta prestabelecido,
sustando o seu funccionamento, até que a directoria
solvesse sobre o respectivo horario, e:.mg-egação re
dc.! cor for midade com o
programma ultimamente adoptado r: que estava, sendo publi-
cado no diario.oilicial.
Terminada entretanto' a
estabelecendo elle novas condições
do regulamento e
edital desta directoria, datado de 20para a matricula, foi- por.
do referido mez de mar-
ço, marcado novo praso de quinze dias
para (lite loss:..m legalsadas
as matriculas já requeridas e eiteetUadas,
dose ao mesmo tempo a matricula facultan.
requerido no praso legal. aos que não a tinham
Apesar da 'exiguidade cio prago-
e de ter sido publicada a
reforma, já muito tarde, quando
estavam:desde muito, func-
cionando regularmente os estabelecimentos
instrucção secundaria, existentes particulares de
nesta Capital, foram tan-
tos os pedidos de matricula
apresentados, que rui° Só foi ex-
cedida de muito o numero das jã
eirectuadas
o das realisadas em quasi todas as auLis este armo, como
como demonstram os quadros juntos, sob o anno passado,
os. 1 e 2,
.Semelhante facto é assaz Siga ti :;ItiVO
que a reforma foi berri acceita e prova por si só
pelo publico, cuja
restabeleceu ante o novo reg imen. confiança se
E tanto é assim que termiw:do
me referir, 1-1)V0
praso a que ;cabo de
sentados ao governo que pw. Co lé.m sido apre
111 I

tem .deferido, attenta demora que extruordinaria os


reforma. deu na publícação da

FR EQ U E N CI A

A effectividacle d3 frequencia
que com 'razão o novo re-
gulamento procur ou garantir,
punindo s:velamente o não
comparecimento aulas e pabli,.ando
conhecimento dos pacs e interessados, mensalmente, para
de cada alurrino, é mais o numero de faltas
um me;ho: rnento consideravel que
se deve á reforma e que tem
produsido optimos
Confrontem-se 03 quadros anr eus sob os. resultados.
rificar-se-á que a frequencia 1 e 2; e ve-
que er; o anno passado dimi
nuta, cresceu este anno
conskteravelmente, succedendo mui-
tas vezes não se dar diariamente
vinte e mais alumne)s. urna Eli falta em aulas de

CONDuc'1 E APPROVEITAMENFO
Dos mappas
mensaes, relativos
Publicados no d:ario offic:al. ha de 23:3 mezes ultimos e já
que os alurnnos deste ter V. Exc. verificado
,- estabelecimento. por seu. comporta-
mento elapplicação, promettem corresponder
confiança do governo que não plenamente á
rar a nossa instrucção poupa sacrificios para melho
secundaria.
Muitos, por sua conducta
optimas; a maior
exemplar. têm merecido notas
parte, notas bdas ; e muito poucos, notas
soffriveis.
Outrosim me é agrada vel
dem, neste significar a V. Exc. que a or-
se acham
estabelecimento, se tem mantido inalterada ; que
de todo bandidas as afruaças antigas e
-cesso ao Lyceu que o ac-
de receiar é franco a qualquer pessôa sem que tenha
vaias nem de corar ante inscripções OU figuras
ofensivas á moral publica, que a cada passo se encontravam
nas paredes do antigo edificio.
Até esta data, apenas duas notas dissonantes vieram
perturbar a harmonia geral.
trih dos alumnos, já conhecido por sua conducta pouco
regular, teve de ser eliminado da matricula, durante um
anno, por actos de formal insubordinação, desobediencia e
desrespeito ; e outro foi durante oito dias, suspenso por ter
reincidido na falta punida pelo art. 135 § 1.° do mesmo regu-
lamento.
Em materia de disciplina penso que todo o rigor é pouco
e que faltas como as que acabo de apontar, devem ser
severamente punidas, sendo preferível fechar-se ) Lyceu a
ter de voltar ao antigo-estado.
Quanto ao aproveitamer,t) geral dos alumnos, suo, por
sua_vez, animadoras as notas obtidas durante o mesmo pe-
riodo, quer relativamente ás licções diarias quer com rela-
ção á primeira das composições annuaes, como ha de ter V.
Exc. visto dos quadros que em tempo foram publicados.

EXAMES

Por concessão extraordinaria permittiu o anno passado


o governo federal que se fizes em perante este estabeleci-
mento exames finaes de preNratorios.
Abertas as inscripções em 6 de novembro do mesmo anno,
apresentaram-se duzentos e desenove candidatos, distribui-
dos por diferentes disciplinas, como se pode verificar do
quadro annexo sob n.° 5.
Procedidos os exames, foram approvados cento e no-
venta e tres, inhabilitados apenas dezoito e prejudicados
oito.
Seria, realmente, por demais significativo o resultado
obtido, se não fôra publica e notoria, n'esta Capital, a pouca
seriedade que presidiu a taes actos, apesar de ter o governo
federal ordenado que fossem n'elles observadas as instruc-
ções que baixaram com o decreto n.o 1041 de 11 de setembro
de 1892.
Iniciados a 27 de novembro já mencionado, terminaram
a 15 de dezembro seguinte.

PESSOAL DOCENTE

Consta do quadro annexo sob n.°6 o pessoal docente des-


to estabelecimento, que ainda no esta completo por nào
se
achar funccionando o curso integral cie estudos.
Acham-se effectivamente providas treze cadeirls para as
quaes foi aproveitado o pessoal já existente, tran.erido ape-
nas para a de Latim, que se achava vaga, o prufessor de
Mathematicas da Escola Normal.
Tendo sido ultimamente eleitos, acham-se
com assento
no Congresso Nacional tres professoras: 11?Ivecio da
.

Silva Monte, professor de Biologia ; Dr. Man cl


da Silveira Torres Portugal, professor de l'c:tuguez \ml)rosio
e Dr.
lldefonso Correia Lima, professor de Phv:sica c Chim ca.
hpraz-me aqui declarar que tenho geralmente
encon-
trado no corpo docente o apoio e ri( c sari,-)s para o
bom desempmho do cargo de que me acho invstjjo, esfor-
çando-se cada um dos professores, mais ou menos, para cor-
responder á confiança do governo, cumprindo
exactamente
seus deveres:
LICENÇAS

Acha-se actualmente no goso de tres MCZ2.S de licença


com o respectivo ordenado o p:.,)fessor de :)leteorologia,
pharmaceutico Rodolpho Marcos Theophilo.
Obtida a I.cena e.n 23 de abril ultimo, entrou o referido
professor no goso da mesma a 14 de maio seguinte.
Segundo ci)mmunicou a esta directoria o Snr. Secreta
rio do Interior, em °filei,' sob n.° 2, datado de do coe-
rente, tarnhem se acha licenciado o professor ce Arithmetica
e Algebra, Padre Dr. João Augusto da Frota ciu;.: ainda não
entrou no goso da licença obtida.
O professor de Geographia, p'n rmceuti l<dymundo
Leopoldo Coelho de Arruda, a quem foi pelo !.zoverno con-
cedida, em 23 de abril deste armo, urna licençA de trinta
com ordenado legal, tendo entrado no goso dd ne- ma em 30
do referido rnez, já assumiu o exercício de sui
adeira '-'.csde
o dia 30 de maio seguinte.
O Dr. Helvecio da Silva Mont2, profes.;
que se acha com assento no Congre-o tc:,m I, a inci
t.,gu
ra, nesta repartição, como e,,;tant.l.) no ;.),,);:l -

u Lença
de dois mezcs, com o respectivo ordenad,
a Liti kl lhe foi con-
cedida em 18 de abril ultimo.e en uj ) g so e,trou 11lC
mo dia.
Nào ha, em contrario, communicaçà alguma cfths.ial.
Ainda em 17 do mesmo mez cle abril permittiu o gover-
no que o prae,,aor de Francez, Padre Dr. J uslin o Domingues
da Silva, st-2rviase ciii commissào em um concurso
que se
procedeu ultimamente na alfandega desta capital. *

Utilis*Ou-ae o mesmo professor da alludida permissâe em


20 do referido mez, voltando ao exercido de sua cadeira
no
dia 4.0 de maio seguinte.
Já muito rcdusido o pessoal docente deste estabeleci-
mento, acaba de ficar ainda mais desfalcado, tendo sido cha-
mado, para O aerviço do jury, o plrarmaceutico João Fran.
cisco Sampaio, pKLi.essor de l'itoria Geral e subsiituto dc
Physica e Chitnica, apesar das reclamações desta directoria,
em officio dirigido a V. Exc, em 12 do corrente, sob n.° 53.

VENCIMENTOS

Pela ta bella annexa ao regulamento vigente foram


man-
¡idos Os vencimentos que já percebiam anteriormente os
professorea deste estabelecimento, ao passo que foi seosi-
velw.!:i.lit. slterado o r,.-;3pectivo ordenado.
a (3 3 i t TI queve: dend.'.)anteriormente o profess.or um
conto e oitc)cenl.cs rn.'l reis de ordenado e seiscentos mil reis
de gra.tificação, percebe [..ctualmente un conto e seiscelatos
de ordenado e oito.-ento!: mil eeis de gratificação.
Parece á primeira vista que nenhum prejuizp resultou
d'ahi contra o pcofessor, entretanto é obVio que não se
com-
putando para as licenças e aposentadorias a gratificaçãòrfoi
o funccionatio prejudicado em duzentos mil reis annuaes
quanto ao ordenado que lhe garantiam o regulamento
de 7 de
outubro de 1889 e leis anteriores.
Accresce que o trabalho dia rio se 'acha mais _que dupli-
cado e tem necessariamente de
augmentar nos anos se-
. guintes, attento o programma de estudos adoptado ;
pelo novo regulamento foram
redusidas as ferias geraes.
que foi suppriatido, a!em de muitos feriados no curso do
anno, o do sabbado em dada semana ; e que, finalmente, gran-
de parte das ferias geraes se acha destinada
do fim do anno, a cujo
para os exames
comparecimento nenhum professor
se poderá recusar, sem incorrer em falta.
E', pois, dc rigor,sa justiça que sejam
augmentados os
actuaes vencimentris do corpo docente
deste estabelecimenfd,
compensado assim o accressimo de trabalho e sanada
a des-
vantagem resultante da tabella em vigor.
SUBSTLTUIÇÕES

'NOS termos do regulamento


vi;;cnteas:,.ubstituiçócs se
fazein recipihocamente, mediante design:tção plévia da Con.
gregação ; e nesta parte nàofti. mais actual
do que restabelecer as dispiç()es regulamento
art. 17 § 3.° do regu.
(1:.-)

mento de 7 de outubro de 1i, já citado.


Semelhante medida, além de econ_unica para os cofres
publickfs, é altamente mo:a a, pH i. !mente as su-
bstituições recahirão em pc:s.-,(5-.1s que nao rew)arn as precisas
habilitações.
Entretanto, forçoso é confessar. o actual regulamento é
por demais omisso, quando se trata -de substituições, cujo
trabalho mio é compensado.
E' Preciso distinguir dis cosls dc btituiço : um em
que o substituido percebe o orden:L:10 (leixa a gratificação,
e outro em que no percebe nem ordenado nem gr atiti :aço.
No primeiro case é raz1 ,-;ue s,,.lbstituto apenas
perceba a gratificação do substituido ; po,.em no egundo, é
de justiça que, pelo menr.)s. se r Xe:1 SiVa' ao substituto
as disposições do a rt ç!'-)
(12ndo sé
ao substitUto metade do,z
O r:egulamento do
engano, disposição mai.;
riv,Ir-.H.)'
Desta t-nancira
substluição, que.vai
da e n
N a tn1ja c:
pelo contrario o
188,3, g,. g 1.0, duv.,,, ,...1.1.2,,4:,L;
do sub-li;uirio.1::C.'S.:1: 0,11. todo::i vcucintos,
o que vai muito além d.) que aqui se
E nete-se que as substitniçõs. ne
mento citado, se faziam do actuii re-
gulamente
Veio postcriornacw,e o c d a(.'.ue por
mais de uma vez me tenho aqui re(e.-i.:1 n'es.sa
parte omisso, o connPl et d.) Esta-
do, restabeleersu. no!. um dcr sçr do
regulamento
1:ce.,:;rra sc ainda
mal e ver á ali cons
9 de outubro de 189.
'd
art. R). § 2,u
a me'lïde c(*) .';or-
-60 1
Toda a legislação anterior vem, pois, confirmar quanto
tenho até aqui expendido e que, é de crer. será tomado por
V. Exc., na devida consideração.

PESSOAL ADMINISTRATIVO

Attenta a reforma, foram creados, além do pessoal já


existente, mais quatro Jogares o de continuo, o de inspe-
:

ctor de alum nos, o de official secretario e o de preparador-


conservador de gabinete de scieneias physicas.
Todos os logares acham-se providos, menos o ultimo,
devendo o logar de ofilcial secretario. ex-vi do regulamento,
ser sempre preenchido por um dos officiaes da Secretaria do
Interior.
SECRETARIA

EMPREGADOS

Acha-se atualmente em commissão na secretaria deste


estabelecimento, no exercicio do cargo de official-secretario,
o official da Secretaria do Interior Ulysses Bezerra, que por
seu zelo e intelligencia tem sido um dos mais activos auxi-
liares desta directoria na reorganisação da respectiva secre
taria.
Os outros empregados são assiduos e cumprem mais ou
menos regu!armente seus deveres, distinguindo-se entre
todos o bedel-archivista por sua pontualidade, exactidão
e
bom desempenho do serviço a seu cargo.
Repúto o amanuense não obstante toda
a sua ['eia von-
tade, completamente deslocado e considero de todo inutil
;
o cargo de continuo.
O mais que diz respeito aos mesmos empregados,
contrará V. Exc. no quadro annexo sob n.. 8. eu.

ESC RIPTU RAÇÃO

Era muito irregular o systema de


adoptado. escripturação aqui
O livro de ponto diario dos
professores mal organisado,
o de matricula dos alumnos escripto
tão resumidamente que
nada adiantava, e assim todos os outros.
Não encontrei nem o livro de
matricula do pessoal do-
cente, nem o do pessoal administrativo,
veis por sua grande utilidade em ambos indispensa-
qualquer repartição.
-6I-
De conformidade com o actual regulamento e instruc-
ções de V. Exc., tem sido radicalmente reformada toda a
eseripturação, que dentro de pouco tempo espero por em
dia.
A RCHIVO

Separada da directoria do Lyceu a inspectoria geral da


instrucção publica, nos termos da lei n. 48 de 26 de julho do.
anno passado, ficou muito redusido o archivo desta reparti-
ção, que apenas contam alguns livros velhos, quasi todos de
minima importancia.
B1B LIOTH EGA

Poucas obras, muitas truncadas, em sua maior parte


classicas, por onde se procediam os exames de preparato-
rios perante a antiga delegacia de instrucção publica e que
já não são adoptadas pelos actuaes program mas de ensino,
eis a que se, acha redusida a bibliotheca deste estabeleci,.
mento.
De accordo com os respectivos professores organisei as
notas annexas sob ns. 9 e 10 das quàes constam as obras e
objectos de ensino de que se deve fazer acquisiçào.
Pelo que prescreve o regulamento, são as commissões
exarninadoras obrigadas a fornecer aos examinandos os
livros exigidos pelo programma actual de ensino ; e portanto
urge gue se faça quanto antes a encommenda dos referidos
livros e objectos, evitando-se assim embaraços por occasião
dos exames.
EXPEDIENTE

Chamo a attenção de V. Exc. para para a insufficiencia


da verba consignada no orçamento vigente para o expedi-
ente desta repartição.
Cresceram consideravelmente as despezas, entre as quaes
avultam as com o aceio do edificio.
Cumpre, pois, que no futuro orçamento se eleve a mes.
ma verba na proporção do accrescimo de despezas.

MOVEIS

As aulas se acham completamente desprovidas de mo-


veis apropriados ao ensino.
Têm os alumnos de fazer annualmente quatro composi-
çôes e não ha um só banco que se preste para
ptas. provas escri-
Actualmente .estão sendo utilisados
alguns bancos-carteiras, encommendados temporariamente
para as escolas
primarias.
E' obvio que taes moveis não .têm
as proporções que se
exigem para rapazes como os que frequentam
Urge, pois, sejam substituidos, dando,se olhe
Lyceu.
Llestino. o devido
GABINETE DE PHYSICA
Foi transferido para este.estabelecimento
Physica e Chimica da Escola Normal, onde o gabinete de
serviço prestava. quasi nenhum
Infeli;mente muitos apparelhos vieram
tros em estado de não poderem quebrados, ou-
absolutamente
Confiada a reorganisaçào do gabinele ao habil funccionar.
ceutico João Francisco Sampaio, pharma -
professor substituto da
cadeira, já têm sido concertados alguns
dos e outros estão em via de Concerto apParelhos quebra-
dio para os cofres publicos. sem o menor dispen-
O tempo decorrido da data da
gabinete é tão limitado que ainda não transferencia do referido
foi possível ao mesmo
professor concluir a classificação
de todos os apparelhos
para poder então fornecer a relação dos
conta poder fazer brevemente. que faltana, o que
Em tempo opportuno enviareis pois,
ção qua me fôr apresentada, a V. Exc., a rela-
afim de completar-se o mesmo
gabinete, destinado a auxiliar
gem das sciencias physicas, cujopoderosamente a aprendiza-
estudo deve ser eminente-
mente pratico.
Existemainda na Escola N-)runal collecções de mineralo-
gia e zoologia, a primeira das
reputo mais vantajoso maidar virquaes está ém tal estado que
uma nova collecção, do que para este estabelecimento
reorganisar a velha, cru cuja
classificação não ha que confiar.

Eis as informações que me é possível


que certamente saberá desculpar fornecer a V. Exc.,
trabalho e a demora que a imperfeição do presente
por motivos independentes de mi-
nha vontade, houve na sua apresentação.
Directoria do Lyceu do Ceará, 19 de junho
de 1891.
Agapilo Jorge dos Santos,
Director,
Egscola 4'orIndl do Coard, 30 do gaio do 1894

ILLM. SNR. SECRETARIO DO INTERIOR

Respondendo o vosso officio de 1.° de Maio ultimo cume


pre-me dizer-vos No anno de 1893 matricularam-se nesta
oscola 108 alumnos, a saber, 45 no curso preparatorio, 43 no
primeiro afino do curso normal e 20 no segundo ds mesmo
curso, de accordo com o Regulamento desta Escola de 9 de
outubro de 1889. D'entre estas fizeram exames totaes no firl;
do anno lectivo 3 alumnas do curso preparatorio e tres do
primeiro anno do curso normal. D'entre as alumnas do se-
gundo anno do curso normal de então, 7 completaram os
exames finaes em março d'este anno, na forma do Regula,.
mento citado e disposições posteriores, pelo que se lhes ex-
pediram os competentes diplomas. Houve, porem, outros
exames nos diversos cursos, os quaes não foro totaes, pelo
que as respectivas alucinas, em face do Regulamento citado,
tiveram de matricular-se de novo no mesmo anno que então
cursavão. Pelo exposto comprehende-se a necessidade de
uma reforma na Escola, onde, á julgar-se pelo resultadosdos
exames feitos, o estudo e seu aproveitamento ião decahindo
consideravelmente. Felizmente, porem, este estado de mor-
bidez e decadeficia foi em tempo providenciado pelo Exm.
Presidente do Estado que lançando suas vistas para este
estabelecimento tão utilissimo não hesitou em empregar as
medidas necessarias, de prompto effeito, para uma verdadei
ra solução. Me 6 agradavel poder dizer.,vosl no entretanto
que depois que assumi a Directoria d'esta Escola, tenho en-
contrado franco auxilio da parte do pessoal docente e tos
demais empregados, o que de certo tem contribu ido para um
certo levantamenio do estabelecimento. A par de tudo isto,
porem, devo notar que o edificio onde funcciona a Escola,
alem de não ter as accommodações proprias e necesSarias
resente-se de um defeito que, sobre tudo, exige prompto
reparo ; quero referir,me a escada do edificio que dá para o
andar superioro seu local não 6 o mais proprio, não offe-
icce bôas condições hygienicas, dimince as proporções do
edificio, e, sem arte, de uma passagem de pouca luz, tira-lhe
toda a elegancia n'essa parte. Eorna, se necessario, outro-
N. 1

QUADRO demonstrativo das matriculas efrectuadas,este


anno no Lyceu Cearense, antes e depois da reforma

- _
o MATRICULAS
O
%
:11 DISCIPLINAS
IIISERVAÇÕE
ANTES DA DEPOIS DA
Z REFORMA REFORMA

/
_

Portuguez
I
I 1 4 23 I

1 2 Francez 4 25
I 3 Latim 2 25 I

Aflemào
;
I4 5
6
lnglez
Arithmetica c Al
O
9
8
11
I

gebra 10 35
7 Geoénetria t 4
8 Geographia 4 1'7
9 Historia geral 3 1
10 Historia do Brasil O 3
li Biologia 1 2
' 12 Physica eChimica I. 2
13 Meteorologia 1 2

40 153
...

Directoria do Lyceu do Ceará, 19 de junho de 1894.


Agapito io-rAre. dos Santos.

Director.
N.2
QUADRO comparativo da matricula e frequencia
sal nas aulas do Lyceu do Ceará, nos annos de 1893 men-
.e 189;1
1

'MATRICULA FREQURNCIA'
O
DISCIPLINAS OBSIKR-
18941 1893 vAçóes
Z '1894:
I1893

1 Portuga« 15 24 10 22
2 Francez 12 23 8 19
3 Latim 5 23 2 20
4 Allemao 2 2
5 inglez 25 16 12 12
6 Arithmetica e Al.
gebra 15 37 5 32
7 Geometria 6 5 3 4
8 Geographia 17 1.8 9 14
9 Historia geral 4 6 3
10 Historia do Brasil 2 1
11 Physica e Chimica 2 3 1 2
12 Historia Natural 2 3 2
110 160 59 132

Directoria do Lyccu do Ceará, 19 de junho de 1894.

Agapito Jorge dos Santos.

Director.
N.3
QUADRO demonstrativo da matricula e
diirerentes annos em que se acham frequencia dos
divididas
Lyceu, em março- e abril deste anno : as cadeiras do

MARÇO ABRIL
co

DISCIPLINAS < <


si. < <
.o
ANNOS
,
..1

, -.,'
U
Z
as
.4
U
nç.J
Z
14
OBSER-
vAçõss
IZ 71
.4
i'l Of El
< te: <
CD°
ie7
X 0là. X X
Ca.

Portuguez 53
anno
li
1.*

2 Francez
3.* anno
1.' anno
32 15
5
10
13 Co meça-
3 ram as
9 aulas a
2.° anno
3 Latim
3.' anno
1.* anno 11
2
6410
`4 2
8
1 fun c cio-
nar riga.
22 20 larmente
4 Allemão 5.* anno o
5 2 1 no dia 26
Inglez 3.° anno 13 12
6 Arithmetica
S. anno
anno
11
13
15
1
12de março
1

7
Algebra
Geometria
anno
.° anno
43
32
10 28
7
26
5
8 5 4
Geographia 1..° anno 9
4. anno 32
9 8 19 16
Historia geral
10 Historia do Brazil 4.6 anno 00 .4 2
11
Physica e Chionica 5.° anno 31 2

anno 00
12 3 2
Meteorologia
5.' anno 31
15 Biologia 3 3

----
801 62
--3

154 129
3

Directoria do Lyceu do Ceará, 19


de junho de 1894.

Agapito forze dos Santos

Director.
N.4
QUADRO demonstrativo da matricula e frequencia
diversos annos em que se acham divididas as cadeiras nos
do
Lyceu, em maio e junho de 1891

MAIO JUNHO

DISCIPLINAS ANNOS 013SEIt


o VA9SES

i. 01 E-,
CL1 <
X

1 Portuguez 1. anno 18 17 18 17 O presen


3.° armo 6 5 i0 9 tequa-
2 Francez 1.° anno 11
13 1:- 12 dro com-
» 2.° anuo 2 C)
2 prebende
I, 30 anuo 8 6 14 10 o periodo
3 Latim I .9 anuo 23 20
4 Allemão 5.° anuo 12 27 24 decor r

li
2 2 do do dia
5 Englez 3. anuo 15 11 18 13 1 de maio
i 1)
5.° anuo 1 a 15 de
1
6 'Arithmetica 1.° anuo 30 26 3:
Álgebra
7 IGeometria
2.° anno
3.° anno
7
5 45 67 33 nh
5 cj.0
5
oorrente.i

8 Geographia: 1.° anno 18


g
10
Historia gera' 4.° anuo
Historia do Brasil 1.° armo
4
14
34
13
18 14
3
11
12
Physica e Chirnica 5.° anuo
Meteorologia 5.° anuo
2
3 23
23
2
3
2
13 Biologia 5.° anuo 3 2

155 131 i88


151

»irectoria do Lyceu do Ceará, 19 de junho de :894,

Agapilo Jorge dos Santos,

Direct«.
QUADRO demonstrativo do resultado dos
preparatorioà procedidos no Lyceu do Ce.iri, emexames de

C4

a. Ii2
a:
t- o o
OZ o
z
DISCIPLINAS C Cr.1 C <
< < o o C Cd TOTAL
> C.; Cz2

O a. o
C4 4 o
a. CL,

Portuguez ri 4 3
2 Francez 34
3 1 4f>.
Latim ! 7
4 9
Allemão
5 Inglez 5
19 5
6 Arithmetica e Al-
gebra 14 1
1
7 Geometria e Tri-
gonometria 3 2 1
3
8 Geographiae Cho
rographia 3.? 9 15 8
9 Historia geral 15 4 4 3 3
10 151
Historia Natural 5 3
ii Physica e Chimica 5 2
511

219
2191

Directoria do Lyceu do Ceará 19 de junho de 1894.

:Agapito Jorge dos Santos,

Director,
QUADRO demonstrativo das faltas dadas pelo pessoal
docente do Lyceu do Ceará, no periodo decorrido de 26 de
março a 15 de junho deste ;111110

FA
TAS

(l) .1*.

()USER-
PItOFESSORES DISCIPLINAS VAy)14,'s
Cf: < ;

o o
- :4-

r4.1
-H
r.

1 Agapito J orge dos Santos Latim Não se


2 Dr, Manoel Ambrosio m p re
Silveira T. Portugal Portuguez hendern'
3 Dr. lldefonso Correia neste qua
Lima Phvsica e Chimica 3 dro, as li
4 Dr. Helvecio da S. MonteiBiologia enças.
Padre João Augusto do
Frota krith. e Algebra
6 Dr. Antonio Epaminon
das da Frota Geometria SI

7 Padre Justino Domin


gues da silva Francez 1 12i
8 Dr. Virgilio Augusto de
Moraes lnglez 35
9 Dr. José Carlos da Cos
ta Ribeiro Junior Ailmão
10 Rodolpho M. Theophilo Metorologia 2
ii Raymundo L. Coelho de
Arruda Geographia 1
12 Arthur Augusto Borges Historia do Brasil 5
13 João Francisco Sampaio Historia geral 3

Directoria do Lyceu do Ceará, 19 de junho de 1894.

Jor;.:e dos Santos

Director,
N, 7

QUADRO demonstrativo do tempo em que tám estado fora


de suas cadeiras os professores do Lyceu, por licença do exercido
tivo, a contar de março a 15 dc junh) deste anuo ou outro qualquer mO

o DATA DA CON i DATA Em


C4 QUE DATA EM QUE' n
NomEs cESSÃO DA! DEIXOU o
L'CENÇA VOLTOU AO: L;i;SER4
r\ERCICIO
EXERCICIO ' vAçõEs

1
Dr, llelvecioda S.Montel8 de abril IS de abril
No con-
g r es s o
2 Rayinundo L. Coelho de nacional'
Arruda 23 de abril 130 de abril
3 Rodolpho M. Theophilo 28 de abril 14 de maio 30 de maio
4 Padre João A. da Frota 5 de junho
Não en-
no
5 Dr, Ildefonso C. Lima goso
Itrou
6 de abril No con-1
igresso.
6 Dr. Manoel A. da Sil- inacional
veira Torres Portugal 6 de abril No con-
crresso
t,
7 !João Francisco Sampaio nacional
9 de junho' .No ;jury

Directoria do Lyccu do Ceará, 19 de junho de 194.

At:: 3 pito jur;i1; .10S

Director.
N. 8

QUADRO demonstrativo das faltas


administrativo do I,yceu do Ceará, dadas pelo pessoal
de junho corrente a contar de março a 15
,11111....

Fiikí_ I
TI
TAS

NOMES I V,
k.MP1E(;OS
,
OBSER-
VAÇÕES
--.
Zz.
1

--, ¡o" I

IIilAgapito Jorge dos San tos:Oflicial


2 Ulysses Bezerra secretario
!Director
3 Manoel de Moura Rolim'Amanuense
41João
C.d'Oliveira Freire Bedel archivista 1'
5'Rogeric A. de Vascon II
ceIlos
1

¡Porteiro
i1
1;
, 6,Justino P. de Queiroz ;Inspector de alum 1

o
1!
7 'Julio Ramos de MedeirosConn-tinuo 11

i I

Directoria do Lyceu do Ceará, 19 de ,junho de 189í.

Jurb,e, dos Santos.

Director.
N. 9

NOTA dos livros necessarios para os ex:tmes de sia


ciencia e finaes
ffi mamo...g

AuTORES OBRAS OBSERVAÇÓES

Fausto Barreto e V. de
Souza Selecção litteraria
Pacheco Junior. e La-
meira de Andrade Gramm. Portug
João Ribeiro » do 2.n ann(:
»
Gabriel e Supprian EdiçãograHe
.Grimm Mã-cheni
;Carlos Jansen Selecta
Básche 11)Icci:-nalios
!Sachs- Villate » Ediç pequci)
M. T. Cicero SCI1CC tile
» » » 1)C a'1)ir,:'11:1
P. Ovidio N. \e1 n-». phri,:C;
« »
Moreira de Sá Selecta f.an,ez.i 11

Charles André Littetit. francai,e


Regnier Theatre C1.1-ique .1'
J. Hewitt Gradu.,:led Reude...
Herr.ig Selecta
Moreira Pinto Chorou.. do Brasi 1 Ultima ediçã,
Geographia geral 1

de Abreu » 1 »
Callet Táboaá de logarith
1'Pedro

Directoria do 1..)reu do Ceará, 19 de,,junho de 1894.

Agapito Jorge dos Santos,

Director.
N. 10
NO rA dos objectos necessarios para a aula de Geographia :

AUTORES OBRAS DIMENSÕES EXEMPLARES OBSERVAÇÕES

e Antoine
jr.brnelino de Carvalho Atlas do Brasil 1
Ed. Ilachette
1
l,Schrader Brasil pol. e phy. sobre 1,75
Europa » » 1,15 » 0.110
Ca)

!Atlas
Asia » » 10 )1
1. cez

Africa » » »
il America N. » » »
))
»
11
1 O
1
»S. e,

j
» » » » 1,
CIZ:

Occeania » » 1 r2
Mappa mundi é` In
, 1,75
(flobo terrestre Iam. médio
» celeste inaximo

Directoria do 1.vceu do Ceará. 10 dc junho de 1-.).1.

Az:atilo Jor.:p.. Lios 'J P2

Director.
sim a. acquisição de certas revistas para a Escola, bem
como
de' um piano para aula de musica, pois que o que aqui existe
já não pode prestar mais utilidade corno deve é
antigo, tem
passado por diversos concertos, e já no segura 2fiii:.0,1 de
modo a poder educar o ouvido da alumna que aj:.rcnd
quanto me cumpre dizer, podendo assegurar-vos o..; EU
protestos de alta estima e consideração. meus

Saudec frate.:.
..!.,Inh»tirio (13 C/Illin

DireC!0:
glibliothoca publica do Ceará, 28 do 4r. aio do 1894

ILL." Ex." SNR.. SECRETARIO DOS NEGOCIOS


DO INTERIOR

Em observancia á ordem expedida em officio n.o 511,


tenho a honra de offerecer á vossa consideração o relatorio
da repartição a meu cargo.

VOLUMES .EXISTENTES

A Bibliotheca possue 10,500 volumes, dos quaes 5,473 são


- encadernados, e 5.027 em brochura.
Os volumes encadernados acham-se assim classificados :

1,a secção, Historia Geral 783


2.' « Historia do Brazil 221
3.a « Linguistica e didactica 135
4a « Jurisprudencia e administração 549
5.4 « Sciencias politicas e sociaes 222
6.a « Litteratura 1.145
7.a « Revistas e jornaes 761
8. « Encyclopedias 535
9.a « Sciencias physicas e mathematicas 368
10.a ((
Philosopnia e religião . 424
11. « Medicina 192
12.a « Variedades 138
Il IMO«

Os volumes brochados estão separados, em massosnu3-5.47


merados e catalogados convenientemente.
De 15 de junho do anno findo até esta data, entraram
para a Bibliotheca 45 volumes ; sendo 12 encadernados, e 33
em brochura, remettidos pelas repartições publicas e offe-
recidos por diversos cidadãos.
No mesmo periodo, foram encadernados 63 volumes, de
Revistas e Jornaes Officiaes e do Estado.
A secção de manuscriptos é quasi aulla : tem apenas 8
livros velhos e estragados das antigas camaras do Aquiraz
e Viçosa.
Possue mais a Bibliotheca 8 grandes raappas (geographi-
cos e 26 pequenos, avulsos,
-67-
REVISTAS E JORNAES
Em virtude de vossa aulhorisação, exarada em officio sob
o n.° 1.374 de 1 de dezembro, do anno findo, tomei de novo
assignatura das Revistas seguintes
Revue Encyclopedique
La Nature
Revue des deux mondes
L'Illustraction
Revue politique et litteraire
Revue scientifique
Jornal du ciel
Polybiblion
Illustracion Espanceta
E em virtude tambem da mesma authorisaçào, encom-
mendei as do anno anterior, as quaes espero, afim de não
ficarem truncadas as collecções da Bibliotheca.
Grande numero de jornaes do paiz recebi gratuitamente,
resultado de continuos pedidos ás respectivas redacções.

VISITANTES

No segundo semestre do armo findo, a Bibliotheca foi


freqrentada por 2.134 pessoas, que consultarsm 1,430 obras.
N'este anno, até esta data, por 1.418 pessoas que pedi-
ram 951 obras
PESSOAL

pessoal da Bbliotheca compõe-se do Bibliothecario,


de um amanuense e do porteiro.
cargo de amanuew.e está VP go desde 9 de setembro
de 1892.
Provisoriamenté n'esse logar serviu até 5 de março o 2.
oficial add ido á Seeretaria da Justiça, Odilon Padilha.
Agora só tem o bibliothecario e o porieiro,faltando
quem os auxilie e substitúa em seus impedimentos.
Já reclamei n'esse sentido, em oficio á Secretaria do
Interior, mas ainda não foram dadas as prcwidencias pedi-
das, as quaes considero da maior urgencia.

ESCR1PTU RAÇÃO

A escripturação está em dia, e regularmente feita, em


livros devidamente numerados e rubricados por mim.
CONCLUSÃO

Eis, o que tenho a informar..vos sobre o estado e movj.


mento d'esta repartição.
Resta. me pedir-vos protecção para esta valiosissima in-
stituição, infelizmente tão esquecida entre nós.
Desde a sua inauguração 25 de março de 1867 a Biblio.
theca apenas recebeu do Estado, então Provincia, uma pe-
quena porção de livros para servirnlhe como que de alicerce.
D'ahl por diantesó doações do Gabinete de Leitura e dos
particulares,de livros velhos, contaminados pela traça,
muitos quasi imprestaveis,de que os doadores limparam
suas estantes, ganhando ao mesmo tempo os. louvores da
meritoria acção.
Além dessas dadivasapenas os relatorios, folhetos e
publicações officiaes,remettidas pelas repartições publicas
e associações litterarias. Mais, somente, o Diccionario Uni
versal de Larousse, de que serviu se em sua administração
o Presidente Caio Prado, e remettido depois de sua morte
para a Bibliotheca; e as Revistas, e uma ou outra obra, que
difficilmente, tenho obtido por assignatura ha quatro annos.
E, com a excepção adita, nenhuma obra nova e impor-
tante, em nenhum dos ramos do conhecimento humano ! .Um
atraso de quasi trinta annos, em todas as secções da Biblio-
theca,o que importa a ausencia de tudo quanto pensou-se,
descobriu-se e escreveu-se nos tempos modernos.
Assim, como esperar grande frequencia e aproveita-
mento?
No meu ver, pois, a principal necessidade da Bibliotheca
é a acquisição das obras novas mais notaveis de todas as
sciencias e lettras. Quando suas secçõesde sciencias physi-
cas e mathematicas juridicasmedicase phylosophicas, e
as das lett ras e artes,possuiremos as.obras mais notaveis
da nova gerrçãoa ultima palavra emfim do saber humano,
estou certo de que a sua frequencia será grande, e ninguem
contestará a sua utilidade,. a realisação de seus fins.
Nada mais tendo a accrescentar, concluo, lembrando-
vos as medidas que indiquei no meu ultimo relatorio, e
pedindo vos que desculpeis os defeitos d'esta ligeira expo-
sição..
Saude e fraternidade.
Bibliothecario,
hvenal Galeno da Cesta e Silva.
Plonia çhrisiina, 1,0 de 'unho de 1894

SENR. SECRETARIO DOS NEGOCIOS : O INTERIOR

Em cumprimento a vossa requisição, passo a dar-vos as


informações relativas aos negocios da Colonta Christina, a
meu cargo.
A Colonia Christina si não tem tido o progresso desejado
é porque o braço- operario hoje não é somente diffiell, mas
sim quasi impossivel, e é por isso que a receita, a contar de
1.0 de janeiro a 31 de dezembro de 1893, foi apenas de
2:230000 e a despeza de 1:654210, tendo recolhido aos cofres
do Estado 614690, fora 624900 que tenho de receber da re
partição das Obras Publicas, ainda para recolher.

GA DO VACCU

De 9i cabeças, que recebi per inventario, morreram 2


vaccas, 3 garrotes e 1 boi ma ns 3seis. Da producção de 1893
morreram 10 bezerros e da deste anno, pelo rigor do inver
no já morreram li ; comtudo ainda ternos 52 vaccas, 5 novi-
lhotes, 7 novilhotas, 6 garrotas, 6 garrotes, 12 bois mansos,
1 boi de lote, 2 novilhos e 31 bezerros. Ao todo 422 cabeças.

GADO CAVALLA R

M ort eram 2 cavallos e 1 burro. Neste genero não tem


havido producção.
Os burros, que se achavam n'um estado deploravel, estão
gordos e limpos.
CASAS

A uma, que estava em perigo de cahir, mandei tirar as


telhas ; a que serviu de alojamento ás colonas, está com
urna parte ameaçando completa ruma; estou mandando tirar
as telhas para vender ; as outras merecem serios reparos,
sob pena de cahirem, devido á má construcção e pessimas
madeira 2,
TERRAS

O aforamento das casas na povoação produziu 34500 e


este anno dará o mesmo, senão mais.

- ROÇADOS

Tenho arrendado alguns, que .seu producto mais tarde


poderá auxiliar no limpamento das estradas, que estão in-
transitaveis, e concertos das casas.

CERCADOS

Tres, que existiam sem serventia, estão sendo recon-


struidos em ponto menor e com as mesmas madeiras.

AÇUDES

O grande não tinha sangradouro,--fiz com uma bôa des-


pcza ;.um outro, que tinha pouco prestigio, arrombou, mas
foi por defeito da construcção : tinha um furo em baixo da
parede, que não foi possivel remediar.

Saude e fraternidade.

O Director,

Thomaz da Silva Porto.


&gime publica

SNR. PRBSIDENTE DO ESTADO DO CEARÁ

Decretada a lei n.° 7 de 11 de fevereiro de 1892, que ins-


titulo o serviço de hygiene publica-terrestre do Estado, e
regulamentada em 29 de dezembro do mesmo anno, este
ramo tão importante da Administração publica existe tal
qual funccionava quando a cargo do Governo Federal.
Com um pessoal insufficiente, composto apenas do ins-
pector, sem um laboratorio para analyses, sem apparelhos e
utensilios necessarios para as desinfecções, destituido dos
meios de agir nas epochas anormaes, em que a saude pu-
blica perigar, e sem poder exercer fiscalisação rigorosa n'a-
quillo que depende de analyse minuciosa chimica, afim de
ser approvado ou condemnado, o serviço de hygiene como
existe actualmente no Ceará nenhuma vantagem traz ao pu-
blico, e é antes motivo de descredito para a administração;
ao passo que é um onus, embora pequeno, mas sem utilida-
de de ordem alguma :a não ser reorganizado e ampliado,
mais vale supprimil-o por inutil.
Nas considerações que apresento, mostrando as vanta-
gens da reorganização do serviço de hyglene, seja-me per-
mittido desde já fazer aqui um appello aos poderes do Esta-
do, especialmente ao Corpo Legislativo, cujo patriotismo o
incita a tomar em consideração este ramo de serviço publico
inteiramente esquecido at agora.
Já vão longe os tempos em que a capital do Ceará figu.
rava nds estatísticas com urna população de 12.000 almas,
reduzida a uma área edificada dez vezes menor que a actual,
gosando da justa nomeada de salubre, e dotada de um clima
apontado como um dos mais saudaveis e em condições de
ser preferido como o sanitario da maior parte dos doentes
das antigas provincias. De e,ntãó para cá, sobretudo desde
a grande secca de 1877, a população tem crescido
extraordi-
nariamente, a área urbana decuplicou-se e a sua proverbial
salubridade vai desapparecendo deante das multiplas causas
que têm corrido a alterar a hygiene publica ; e a continuar
d'este modo, sem o concurso efficaz de
um serviço de hygie-
-72--
ne bem organizado, tempo vil á em que tornar se ha inha-
bitavel por insalubre e anti hygienica.
Urge que em beneficio de todos tome se desde ,já as pra
videncias que reclamam as condições hygienicas da cidade,
afim de que esta não se transforme em um centro productor
de epidemias e de molestias infecciosas, trazendo o seu des-
credito ou o seu despovoamento.
Hoje quasi todos os E-dados chamados de primeira or-
dem, como S. Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Bahia, Pernam-
buco, Pará, têm reorganizado de modo completo as suas
repartições sanitarias; outros, como Paraná, Espirito Santo,
Maranhão e Amazonas, as reorganizaram de accordo com
os seus recursos ; ao passo que um tal serviço continúa eu.
tre nós a ser feito de modo primitivo e produzindo eireitos
nullos, tal é o gráo de defficiencia em que se acha.
Sem a pretenção de que se possa imitai o, lembro o Es.
taci° de S. Paulo, que, sempre progressista, cornprehenden-
'do o alcance economico e os.beneficios que advirão de uma
policia sanitaria bem concebida, orgneizou o seu serviço de
hygiene de modo amplo, completo e liberal, estendendo a
todo o Estado e dotando-o com um pessoal sufficiente e com
os meios necessarios para assegurar um exitn completo na
pratica. Custa este serviço ao Estado a elevada somma de
646:204000.
O Estado do Ceará, pobre, de recursos apoucados, não
pôde certamente acompanhar taes liberalidades administra.
tivas ; e poucos são os Estados da União Brazileira que o
poderão .fazer ; mas dentro dos seus recursos financeiros ha
margem para o alargamento de um serviço que está sem
duvida em sua phase embryonaria, nada compativel com a
categoria de Estado, que conta uma população de 800 000
habitantes, e cuja capital, com cerca de 50.(:00 almas, é o
centro de um vasto commercio, e de uma industria que se
desenvolve com actividade.
Insufficiente como é esse importante departamento da
administração do Ceará, o qual entende com todas as ques-
tões de hygiene e policia slnitaria, e que interessa dupla-
mente ao Estado debaixo do ponto de vista do povoamento
do seu territorio e de sua prosperidade, apresentarei, sal-
vando-se me a incompetencia, que em parte deve ser rele-
vada. pelas bôas intenções que me animam, o esboço de um
plano de reforma do serviço de hygiene deste Estado, com a
timidez dos que. reconhecem a sua propria insufficiencia e
com as restricções forçadas a que obrigam os pcucos recur
sos do Thesouro. E' um simples esboço de organizaçào limi-
tada á capital, quasi que exclusivamente, porque e,-ta é na
verdade o ponto do Estado que está a reclamar com mais
urgencia urna reforma no seu modo de existencia. e ._;tte por
obvios motivos, faceis de conceber-se, merece scinp e a pre-
ferencia em taes casos.

Muitos e variados são os misteres inh.:rentes qualquer


repartição de Hygiene Publica, sempre Lva e vig:lante,
quer no regimen normal da vida social, quer durante as
cpoéhas difficeis e perigosas á saude publiza.
Cuidar do sólo, estudar o estado atinospheiico, sanear
as ruas,-as casas, os esgotos .das ci Jades, tratar da remoção
das materias fecaes, do lixo da cidade, do abastecimento de
agua, estudar e providenciar scbre as molestiai reinantes,
iiscalisar todos os hospitaes preparar os hospitaes de isola--
mento, providenciar sobre o transporte de cont,igiados, ter
em grande consideração a mortalidade, c exercer activa po-
licia sanita ria -eis em rapida synthe.se o que comp_te á re-
partição de Hygiene Publica, e dig(i. se si é coisa de pouca
monta e de nenhum trabalh) o que ahi fica consignado 1 Si
um inspector de Hygiene. por si só, pôde desen.penhar tão
grandes funcções, e si não vale a pena gastar-se um pouco
mais para satisfazer ás neeessi:ladcs imperiosas, que recla-
mam a reorganisação das funcções de hygiene publica en-
tre nós.
Limitado a um inspector de hygieue, pode este, unica-
mente por seus esforços, cuidar do serviço de vaccinaçào.
das analyses chimicas, do estudo do movimen:o demog! a
pho sanita:ia das desinfecções,-dd pulicia saui;ar:a e das
demais attribuições, que lhe determina o actu.il re4ulament o
hygiene ?
Não, certamente. Urge, pois, dotar o Estado de uma re-
partição de Hygiene, organizada de modo a satisfazer a to-
dos os reclamos da população, cercada de um pessoal suf
fi:iente, e com todos os meios d agir e .1.: ben1 exercer a
mais completa fiscalis2.çào.
Nada ternos construido ou adquerid5 o n ela;ão aos
meios materiaes de que neceita a 1:epArtição de llygiene
Para os fins referidos, e n'esse sentido lembram -)s a cdive-
niencia de montarmos desde já :
Um desinfectado,
Um laboratrio de analyscs,
Um instituto vaccinogcnico, além de outros, que podemos
adqucrir com vagar, á medida que o serviço 5c fôr aperfei-
çoando, e os recursos financeiros do Estado o permittirem.
O desinfectorio vem preencher uma lacuna que nota-se
desde multo n'esta cidade, por isso que as, desinfccçõe3, como
são feitasaté agora. não podem nos- garantir absolutamente
contra o contagio.
Não é simplesmente com a cornbtHião do enxofre para
Produzir acido sulfuroso, pixe nas ruas e ilgurrins aspersões
de acido phenico diluicio nos aposentos contaminados, que
se praticam desinfecções efficazes. .

E' mister que a estes meios se reunam outros, mais 'mo-


dernos e de facil applicaçào, como seja a dcsinfecço pela
estufa de C.J nes, acompanhada de um pulv erisador, .que
projecta, sob a forma de urna chuva finissima, uma solução
de bichlerecto de mercurio e acido tartarico, ou qualquer
outra soluçào parasitickla, no tecto, nas paredes e no chão
do aposento, e sobre os inoveis e mais objectos que não pos-
sam ir á estufa.
Estes meios determinam a destruição radical dos ger-
mens pathogenicos os mais resistentes, conforme tem pro-
vado muitas e variadas experiencias, e justamente per serem
tão importantes e da maior' necessidade têm sido esses ap-
parelhos adoptados por toda a parte como indispensaVel an-
nexo dc um serviço sanitario regular; visando uma prophy-
laxia completa.
E' uma acquisição que se impõe corno urgente e inclia-
vel, a de urna estufa para desinfecções pelo vapor sob pres-
são, do systerna Genest & Flerscher, por isso que ella.preen-
che perfeitamente o fim a que se destina, e, em uma .capital
como a nossa, a u.ão existencia de um apparelho tão': util e
vulgarisada deve ser com razão olhada corno iiina prova
flagrante do nosso deploravel atrazo em materia de applica-
ções de engenharia sanitaria
Não ha quem desconheça a necessidade palpitante que
tem o Estado de possuir bem montado em laboratario de
analyses, onde possam ser examinadas as substancias ali-
meatares.destinadas ao consumo publico, recurso unico com
que se pode contar para reprimir a fraude e a sophis.ticação
das mesmas substancias, cada dia mais falsificadas peio es-
pirito ganancioso de commerciante.s inconscientes e desal-
mados, que não trepidam em bater moeda á custa da
publiU; contan to que enfiqueça saude
vertiginosmnente,
.-Cómd pôr em I,ratica o conjuncto cie
medidas que con-
stituèm a policia sanita ria, sem um Iboratorio
cle analyses,
complementar ao E erviço de hygiene publica de qualquer
localidade ?
'Sem elle, corno se poderá inutilisar
as substancias alte-
radas, dependendo da analyse chirnica o
estado de muitas delias ? reconhecimento do
.A analyse chimica imprescindivel para se conhecer do
estadhdo genero, na grande maioria do.; e não seria
justo, nem a lei o perrnittiria, que, sem uma; prova palpavel
dwdelicto. fossem perseguidos indistinetn-icnte os que ven-
dessem de bôa ou má fé substancias, que presumimos, mas
não temos certeza, de que realmente estejain falsificadas.
O laboratorio é, portanto. inclipensavel, e un frente
deve estar um chirnico capaz de fazer realmer:tc
urna pes,
quiza de ehimica analytica, qualtativa
COM no3 tempos hodiernos,
e quantitativa ; e
os estudos de bacteriologia têm
importaneia transcendente para o corikeirnente das causas
de moles.tias, em geral, c, particula: mente, da oi igcn-i e pro-
phyla'xia das epidemias, este labor,itorio ;-,oderzi ser c:c cara-
cter mi'xto, afirn de que ta inb,;.rn po ell2 possam .ser feitos os
estudós a.que nos referimos.
Não podia deixar de incluir ct.t s lnstitu:(;:ies erear
U m instituto vaccinogenico, tanto
.;ilanto é
hoje de simples intuição a j-ziidc v;;::; ;er,-;
.ultura
vacina no proprio logar cmLluc se c S3-
bre tudo na capital de i:
ponto p:d .

vergem todas as vistas e toda. as CldaaÇCCs cedsião


do appareeirnento da.variola,
e -.cudo a v.,:ccini (, meio pre-
ventivo por exeilencia rn2le:tia. tão regliente e tão
mortifera, é mil vezes prefer ivei, com aigurn cul
tivar-a e_clesenvolvel-a aciui. do que
'; eN'erior
ou fazel-a'vi da Capital 1:deral .:o.:n,) H: tem f:H;;');a:.e hoje,
muitas vezes sem rczult2c1c,,
Estou convencido cie que, ,C) 2,)m uni i tU vccino-
genico, regularmente montad, l.0.1)1ZW CIO t. O ;11
:I ili2;le ia da
vaccinaçào, podermos attrahir o pgvo a 1._17'-.S e v.Jecinar,
accostumancio-o assim ao USO (!e util,
Proveitosa e benefica ;Á' hurwmicl. cH
São estas as conder:.s Cies que. (
(.;a rcor- .
ganização da 1-lygiene l'ubliea no Cear ;; ii ugo urgen
te e inadiavci, e que poder ãt:1 servir de bases para a organi-
zação do sei viço sanitario do Estado, caso o Poder compe-
tente ouça :is meus votes, certo de que nada desejo .e nada
faço que 'seja em bèneficio diesta terra esperançosa.
Para terminar este relatorio feito muito ás pressas deva
fazer algumas observações com relação do movimento de
hygiene Pt;blicn durante o anno findo.
'0 estado sanitario foi satisfactorio em todo o Estado,
não havendo felizmente o apparecimento de pequenas epide-
mias e feb es de máu caracter, que costumavam apparecer
nos annos anteriores.
Ó serviço de vaccinação correu regularmente, sendo a
lympha vaccinica, com que se o manteve, comprada na Capi-
tal Federal, dentro da verba votada para este fim. Foram
vacciriados 321 Mdividuos, sendo 199 do sexo feminino, e 122
do, sexo más.culino.
Remetteu-se igualmente lympha para algumas locali-
dades do interior, bem. como a alguns particulares que a
solicitaram.
'Foram.concédidas licenças para ter botica aberta, ao
pratico etri pharmacia Salustiano Antonio da Costa, na po-
voação do Bom-Jesus, no termo do Iguatú ; 'e ao prático
Joaquim Ferreira Lima, na villa de Sant'Anna do Brejo
Grande. s

Foram approvados os preporados pharmaceuticos do


pharmaceLtico Antonio Gonzaga Cordeiro de Almeida, de-
nominados :Peitoral de jucá composto: Pilulas regulado-
ras e anti homorrhoidaes ; Tintura de salsaparrilha com-
posta ; Injecção anti- blennorrhagica ; Gottas antiodontal-
gicas; e do pharmaceutico Carlos Felippe Rabello de Miran-
da, denominados : Peitoral balsamico ; Injecção seceativa
Elixir de salsa parrilna composta ; Elixir tonico-digestivo
Licor anti asthmatico ; Elixir anti-syphilitico ; Xarope pei-
toral de angico composto ; Agua ingleza modificada.
Por titu'o de 20 de julho de 1893 foi nomeado o'cidadão
Quintino Sai.t'Anna Leite 'para o legar de Delegado de. Hy-
giene, na c; Wa de Maurity, antigo Burity da comarca do Jar-
dim.

Em 11 de dezembro do anno findo foi reco'hido ao La-


zareto da I.agôa Funda o cidadão Agostinho de Salles So-
brinho, acommettido de variola, e desembarcado n'aquelle
dia de bordo de 'um vapor, procedente doa portos do norte.
Teve alta restabelecido em 16 de janeiro deste anno, e a elle
limitougse o caso de variola para aqui importado, o que
levei ao conhecimento de S. Exc,, segundo se vê do officio
seguinte :

INBPICTORIA DE HYGIENEI 17 DE JANEIRO DE 1894

lanho e Evr.. Snr. Presidente do Estado

Communico V. Exca. que teve hontem alta do Lazareto


da 1ag6a Funda, o varioloso ali recolhido em 11 do mez de
dezembro último, e que a elle limitou-se felizmente o caso
de variola para aqui importado. Remetto a V. Exca. a.
folhas para pagamento ao pessoal, que assistia ao referido
varioloso; relativas aos mexes de dezembro passado e.janci.
ro d'este armo, na importancia de 158000, para que V. Exc.
mande pagal as pela verba respectiva.
Peço a V. Exc. queira igualmente arbitrar-me uma gra-
tificação correspondente aos meus serviços extraordinarios,
prestados como medico do Lazareto, no periodo decorrido
de dezembro a 15 do corrente mez.
A que S. Exc. mandou respoader por intermedio do
cidadio Secretario do Interior nos termos seguintes

SECRETARIA DOS NEGOCIOS DO INTERIOR, EM 20 Pld


JANZIRO DE 1894

Snr. Dr. Inspector da Ilygtiene 'Publica


S. Exc. o Sr. Presidente do Estado manda accusar o re-
cebimento do. vosso fficio de 17 do corrente mez, commu-
ficando haver tido alta do Lazareto da Lagba Funda o va-
rialoso ali recolhido a 11 de dezembro ultimo, e bem assim
declara rrvos que não pôde .ser attendido o vosso pedido de
gratificação pelos serviços que prestastes no mesmo Laza-
reto no periodo decorrido de dezembro a 15 do corrente, por
isso que são elles prestados por força do cargo que occupacs
C nào ter
assento em lei semelhante concessão.

Saude e fraternidade,

Antonio Saltes.
-78
Com icujo.enunciado.não,podendo c,onformar-me, tomei
ailiberdade de seplicar, apresentando a S, Exc. as conside;
raOes que se s,fguem

INSPECTORIA DE ITYGIENP., ENI 2 DE JANEIRO DE 1891

Illm. imr. Secretario do Interior


A CCUSQ. o recebimeoto do vosso officio da tado de 20 do
corrente mez, n.° 60, em o qual me communica ter S. Exc. o
Sg,,Nesldente ,do, Estado declarado não me caber gratifi-
caçào.alguma,. pelo tratamento Medico de um doente reco-
lhido:), ao 1,,azateto dos variolosos, visto como o dita 'trata-
14nto,me competia, par, força do cago que exerço, e mes'.
mo,porque..não titaha elle ass:nto em lei.
'Peço respeitosamente .permissãopara, em resposta ao
voSso.enunciado,:por 'Minha vez tambem declarar vos, afim
de fazerdes constar ao mesmo Exm. Snro.; que ha perfeito
engano. na opinião.manifestada.no assumpto proposto.
As'iiiinhaS:attribuições;.como inspector de hygiene, es-
tão'po-Siti:Varil'en.te e claramente e-;pecificadás no art. 11 do
Regulamento.n.° 7 de li dé fevereiro de 1892, que subsiste
era toda a sua integridade e plenitude, urna vez que poste-
riormente nenhuma disposição de lei cxiste alterando-o ou
modificando-o; e de todo o seu texto .e contexto não sc deduz
ao mengs quetenha eu obrigação de tratar, corno medico
assistente, os enfermos infigentes hospit alisados no Laza-
reto dos variolosos.
Attribuiçõesegundo o direito, só se entendem quando
expressas, e não podem ser cre'ádas por simples interpreta-
ções, sem 1poio.4recto elegico nas leis que as .estabelecem
de:Aiodo generico e ampla: '

Outí.osim, n'ão só. ó Orarnento passado, como o actual,


consignará verbaespecial destibada ao tratamento dos indii7
gèntes azeorninettidOs de .inolestias epidemicas, ou inf,-:ccip:
sas'(lei n.° 35, de 14 defriovernbro de 1892, art. 2 ;
117; de'7 de outubrO do anno ,Passadoart, 1: §8.°, tabel4
n:°S.) .1
*

Por consequencia habernus para o caso em n ques-


tão, salvo si, por força de um novo sentido ou de uma
nova
pratica, se pretender excluir do tratamento de doentes o ser-
viço met:4e°.
--79-
Em todos os tempos e em todos os
tratamento de molestia se incluio Jogares, na phrase-
herente, o curativo medico e não sempre,
se pode
como parte in-
curativo medico sem o profissional comprehender
que o prescreve e o ap-
plica ou manda applicar, conforme
Estas minhas considerações as as instr ucções dadas.
faço somente para de-
monstrar-vos que meu objectivo,
ção ou um honorario pelo tratamentosolicitando uma gratifica-
loso, nas condições já expostas, nào medico de um vario-
se fundou em motivos
exclusivamente arbitrarias, fôr-a da lei, cuji
vancia cumpre-me manter e respeitar. stricta obs.er-

Dr. João ,11a,inh0 de


Andrade

Era usança desde de longa data


ctor de hygiene c; tratamento medicoencarregar-se ao inspe-
dos contagiados reco-
lhidos ao Lazareto, dando-se-lhe
sempre urna gratificação
correspondente ao tempo cit. serviço que o mesmo
gratificação- essa que de algum modo prestava,
encia dos vencimentos do atterwava a insufficj.
foi e continúa a ser mesmo funcccionario, que sempre
parcamente remunerado.
Consignando, pois, este incidente occorrido no
de minha funcção, durante exercicio
o anuo findo, tenho em vista,
vez mais, mostrar ao lado da cada
o serviço de hygiene publica reorganisaçãa que reclamo para
do Estado, a necessidade tam
bem de se cuidar do hospital de
isolamento, preparado com
pessoal habilitado e material
necessario aos fins a que se
destina, sendo que o actual Lazareto,
acha, apenas pode no estado em que se
prestar-se a tal como recurso provisorio,
carecendo de reforma completa
em tudo o que lhe concerne.
Terminando as considerações
apresentar em prol do serviço
que ,julguei opportuno
faço votos para de hygiene publica do Estado,
o seu concurso,
que os Poderes do Estado prestem-lhe todo
transformando em realidade aquillo que até
hoje não tem passado
de simples desideratum.
F'ortaleza, 7 de junho de 1894.

Dr. João Marinho de Andrade


A.1\1". 1NT ,
RELA 1101110
A PRESZNTA Do

AO

dam. Wmonei

JOSÉ FREIRE BEZERRII FONTENELIE

Presidente do Estado do Caar4

PELO CORONEL TILDENIRO 1011111

SECRETARIO INTERINO DOS NEGOCIOS DA JUSTIÇA

Do

MESMO £STA110

JUNHO DE 1 894
Poretaria dos 4)tregocios da Pstiça do (Ceard, em
7 do 'unho de 1894

Ex'" SNII. CORONEL PRESIDENTE DO ESTADO

Em obediencia á disposiçio do art. 13 § 3 do Pego de 28


de dezembro de 1893, tenho a honra de vir aprescntlr-Vns
uma succinta exposição dos diversos serviço--; a cargo da
Secretaria da Justiça, que dirijo desde 17 de março de t;,

ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA

TRIBUNAL. DA RELAÇÃO

Continúa a funccionar com toda a regularidade este im-


portante Tribunal, sob a honrosa e digna presidencia do
illustrado e integro Desembargador Exm. Sr. José Joaquim
Domingues Carneiro, que, recto no cumprimento de S2,I1S
deveres, é merecedor dos maiores elogios.
Tambem é credor de iguaes ericOmios o não menos illus-
trado e operoso Procurador Geral do Estado, Exm. Sr. Des-
embargador Antonio Sabino do Monte..
Acha-se em goso.de 3 meus de licença com ordenado,
desde 21 de maio proxirno findo, quando foi concedida, o
Exm. Sr. Desembargador José Gomes da Frota, por graves
incomrnodos de saude.
Sinto dizer que, talvez, em breve o Tribunal da R..;lição
tenha de ficar privado do 000curso valioso desse tão (ilgno
de seus membros, par quanto, em sesszb de 21 taml,1 de
maio o mesmo Tribunal, a requerimento do lirocnrac.lo,' Ge-
ral do Estado, mandou proceder a exlme d S2,H, 1.;:.lo na
pesssoa do mesmo Exm. Sr-. Desemb,p4,,,r. , t,i. visto
ser de notoriedade publica qu acha-se ere de
alienação mental.
Tendo sido requisitado a V. Exc. por cLLio :s na
data, a nomeação, na forma do ar t. l; d Li
outubro de 1892, de tres peritos facultativo
i;de -

rem o exame e declararem i o momo Exol


gador acha-se inhabilitado parl O exerloi ;

foram deignado, no cli,t 1." (h) ;:,')u ellks /rs'.. "


da Commissão os Srs. l)N,
ardo Salgado e \ ntooio tonto ,NooioOío o-
-86-
penalisado que consigno aqui este triste facto,
enche de pezar a todos, por quanto o Exm. Sr. que
Desembarga-
dor Frota alem de ser um cavalheiro de distincção,
é desde
muito um ornamento, da magistratura Brazileira
pela recti-
dão de seus actos.
Entre os annexos, encontrareis a lista de
dos membros do Tribunal até 31 de dezembro ultimo.antiguidade
O Tribunal continúa funccionando em predio particular,
alugado á razão de dous contos e quatrocentos mil
(2:404000) annuaes.
reis
Esse predio, sito á rua do Major Facundo, é ainda o
mes-
mo de que se servia o Tribunal, desde a data da inauguração,
em'1874 por contracto com o Governo Geral, por cujos cofres
correram os alugueis até 31 de dezembro de 1892, passando,
desde então para cá, a despeza a ser feita por conta deste
Estado.
JUIZE DE DIREITO

Estão providas de juizes de direito as 18 comarcas, em


que se divide o Estado.
A lei n.° 80 de 30 de agosto do anuo passado transferiu
para Jaguaribe-mirim a sede da comarca de Benjamin
Con-
stant, e passou o termo c1(..ste ultimo nome para a comarca
de Inhamuns.
Foram transferidos, a pedido, os juizes de direito de
Inhamuns, bacharel Raymundo Francisco Rib:iro Filho
para
a nova comarca de Jaguaribe mirim, e o desta (extincta
Benjamin Constant), bacharel Enéas Cavalcante do Nasci-
mento Sá, para a de Inhumuns, por titulos de de 5 de outu-
bro ultimo.
Por acto de 26 de maio ultimo foi suspenso e mandado
responsabilisar o juiz de direito da comarca de Itapipoca,
bacharel Francisco Barbosa (.:ordeiro, por haver desde muito
se retirado sem licença.da séJe da comarca, para o districto
ou povoação de S. Bento da Amontada.
Acham-se em goso de licença os juizes de direito d: Vi-
çosa, bacharel João Firmino Dantas Ribeiro, de 3 meus com
ordenado, desde 31 de março ultimo, para tratar de sua
saude, e o de Alaranguape, bacharel José Moreira da
Rocha,
de trinta dias, tambem com ordenado e
para igual fim, con-
cedida em 29 de maio proximo findo.
Este ultimo já se achava no goso de licença concedida
pelo Tribunal da Relação tambem pelo espaço de trinta dias.
Em data de '13 de janeiro ultimo foi
zoncedida autorisa-
ção ao juiz de direito da comarca do Crato,
cisco Antonio de Oliveira Praxedes, bacharel Fran-
de tres mezes, fóra da séde da para residir, por espaço
dos termos della. comarca, em qualquer um
Entre os annexos figuram a lista da
juizes de direito até 31 de dezembro do antiguidade dos
acto regulador da substituição dos anno passado, e o
corrente armo. mesmos juizes durante o
JUIZES SUBSTITUTOS

Dos 34 termos de juizes lettrados, estzl 3 vagos


cavei, Inhamuns, Jardim, Lavras, os;cle Cas.
Pereiro,
S. Bernardo e Trahiry. QuixeramobirTII
Acha-se tambem vago o cargo de
vara de direito desta capital. juiz substituto da
Por acto de 20 de janeiro ultimo, foi
termo de Itapipoca por haver o declarado vago o
respectivo juiz, bacharel José
Domingues Fontenelle, acceitado a
de justiça desta capital. nomeação de promotor
Para o substituir naquelle
data, removido a pedido, o juizcargo foi por titulo da mesma
hiry, bacharel Antonio Elyseo desubstituto do termo de Tra.
Hollanda Cavalcante.
Foi removido, em 25 de janeiro
do termo de jagual'ibe mirim, ultimo, o juiz substituto
na Freire para o termo do bacharel José Antonio de Lu.
13 de fevereiro.
Icó, onde assumiu o exercicio a
Foi igualmente removido, por titulo
juiz substituto de Quixeramobim, de 29 de janeiro, o
que Carneiro Leal Filho bacharel Claudio Idebur-
para o cargo de juiz substituto
2.a vara de direito
desta capital, onde assumiu o exercicioda
19 de fevereiro. a
Estas remoções foram dadas a pedido
rios. dos .fu.'nlicciona-
Por ter acceitado a nomeação do
Historia da Escola Normal, cargo de professor de
cio do cargo de juiz deixou em 12 de março o exercí-
substituto da La vara de direito desta
capital, em cujas funcções
sempre revelou o maior zelo e in-
telligencia, o bacharel
Antunino da Cunha Fontenelle.
Com pezar, consigno
o fallecimento, occorrido a 30 de
março, do honesto e intelligente juiz
Cascavel, bacharel Guilherme substituto do termo de
motivo da vaccancia do Aristarcho Genova . Foi este o
mencionado termo.
II:in dirla d í. 15 de ma io proximo findo entrou no exerci.
cio do cai god hz sur;tituto do termo de jaguaribe-mi.
rim, o bac:h:irei Aprigio Gomes de Sá Barreto, que fôra no-
me[Ido em 21 de março ultimo,
Por aew de 'A tambem de maio, foi suspenso e mandado
respowabiliaar, o juiz, :-ubtituto do termo cie ltapipoca,
bicha t .-\nton.io Elysco de li ollanda Cavalcante, que, como
o juiz direito da 1..:spc.c.tiva comarca, s,e retirara desde mui
to da dde do mesmo termo, sem licença.
_. Não assumiram o exercicio, e por isso perderam os titu-
los de nomeaçào os bachateis, Man)el Arthur de Sá Pereira,
nomeado para o termo de S. Bernardo das Russas, em 4 de
Setembro do armo passado, e Antonio Gomes de Albuquer-
que para o de Inhamuns, nomeado por titulo de 6 do mesmo
mez.
Estio em goso de licença os juizes substitutos de Batu-
rité, bacharel Antonio Adolpho Coelho de Arruda, de Paca-
tuba, bacharel. Herculano de Araujo Salles, de Sobral, ba-
charel José SaboYa de Albuquerque e de Sant'Anna, ba-s
charel José de Xerez.

PROMOTORES DE JIYSTIÇA

Somente acham-se vagas as promotorias de lustiça de


Cratheús e Jaguaribe-mirim, esta ultima por não ter até
agora solicitado o competente titulo o bacharel Alfredo da
Rocha Pagé, nomeado em 26 de dezembro do anno passado.
Em data de 2 de janeiro ultimo foi nomeado promotor
desta capital o bacharel José Domingues Fontenelle, que era
juiz substituto de Itapipoca.
No dia seguinte assumiu o exercicio do novo cargo.
A vaga da promotoria da capital tinha se dado pela de-
missão concedida, em 22 de dezembro do anno passado, ao
bacharel Domingos da Silva Guimarães.
Em 28 de novembro do anno pr,o,ximo passado, falleceu
o intelligente promotor de Cascavel Gonçalo de eLlogos Fer-
nandes Bastos Filho.
Para preenchimento dessa vaga, foi nomeado; em data
de 2 do .corrente mez o bacharel Joào lrineu de Araujo que
já solicitou o titulo.
Nào consta ainda nesta Secretaria o dia em que assumiu.
o exercicio, se é que já o fez.
O promotor de Itapipoca; Raymundo Belfort Teixeira
(t)

Sobrinho, acha-se, desde 4


licença, com orderyid,),
setembro do anno :1):;1
requerida pelo mesmo cId:idi .) c 111,::

Como sabeis a força pubiisa d


corpo de infantaria, denomiriaJ
Ceará, com 22 offIci,le,. 41,.; m
maior, um estado menor e ',1 ! :rh!C
estatue.a lei ri ° 03 de '2 de a
.
As alterações occ,.-.riida.;
lho foram as seguint!- s :
Demissão d.o tenentC u)dirr.ks,tiio
quarrtekmestre) Antco Ch i ;._jc 21
de ¡unho de anno passdih,,
desfalque na arrec.-iciação a Sr::.)
'Em data de !3 do mesmb mez, I-ora m !en11id
motor, desta capital os 1):Icis c(-1)1a) de.
falque afim .de se procedcr na ! :cc. ;do
A0onio Christino.
Para preenchimento da vaga occasionada de
missãci entrou para o quadro do.s, o2lciaes,, ifetvos, o ,eneilte
aggregado Francisco urtado Barbosa.
Exoneração do m)jor-ilscal Wayrnun.io atahv,
por acto de 28 de julho do anno pa:s.ido. e proincçúo para
esse posto do capitão ajudante Antonio Kmigo Hheiro, I

por titulo da mesma data.


Promoção para o pos.to de enritào ajudante, do !encrue
João Cantai de Lima e Silva, e pari tc:cp..te. do Chris-
flano Saboia de Alencar, por tilulos de 21:! do mesmo n.:ez.
Exoneração, a pedido, do a!feres \icente Cionça!ve,: de
Paula, por acto de .10 de agosto u!timo, e prorncçãi., na mes-
ma data, do sargento Marcos kodT;:,11;.-, Sc.117;!.
O digno comma9clan:e d c H
.Pereira, é merecedor de c',.gE:,,
"gtilaridade que tern
Sempre infatigav:i e
praças com a maios.
nejo das armas, no cle.-,enipe:.h m cie tudd Ine
diz respeito á arte militar.
Estabeleceu uma escola regimental (o que foi aproveita,-
do no Reg. que, depois, foi expedido) e ultima menc crem ate

uma outra escola para o exercício cie esgrima e gyinnas


tico.
Todas as praças imnternse asseiadas e acham-se 1-)as
de todo o farda merto relativo ao armo passado.
Em data cle 8de março ultimo foi expedido Pcgulamcnto
para o Batalhão de Segurança.
O ultimo kegulamento dado.t't força publica, foi. expedi-
do em 10 de maio de 188t5, ainda para o antigo Corpo cie l'o-
licia ; este foi extincto sendo crucio o Corpo de Segurança'
e poste!' ior mente o Batalhão de Segurança actual.
Quer no regímen antigo, quer no actual, houvera r.
verdade, depois de 18S'6, diversos actos, decretos c Ids, rela-
tivos á fo:ça publica, mas tinham elles por fim ora o augrnen.
to, ora a diminu;ção do numero de officiaes e praças. crea-
çào e suppressão de cargos, mudança de denominação do
corpo:alteração de fardamento etc. ; eram, por ssi rn dizer
leis de fixação de força : mui poucas trataram do regime') in-
terno e externo do corpo, e isto mesmo de um modo imcom.
pleto.
Basta dizer que cargos existiam creados por esses actos
ou decretos, taes como os de major-fiscal, capitão ajudante,
tenente secretario, capitão cirurgião etc., para cujos func-
cionarios não foram dadas attribuições.
Servia-se o Batalhão (como serviam-se o antigo Corpo
de Policia e o Corpo de Segurança) desse Regulamento de
1886 e observava as disposições de Regulameatos do exercito
que, em muito, não podiam, como é de prevergse, amoldar-se
ou adaptar-se ás condições deste Estado.
Compendiando as disposições esparças, o que se pôde
aproveitar do Regulamento de 1886, desses actos ou decretos
mencionados, eliminadas as disposições absoletas as que não
tinham mais. razão de ser, adoptadas as praticas do exercito
no que podiam applicar-se providos os casos omissos, o
Regulamento de 8 de março ultimo veio preencher uma gran
de e sensivel lacuna.
Penso que elle satisfaz plenamente as exigencias actuaes
no tocante ao assumpto.
Por acto 3de fevereiro deste armo foi mandado adoptar
novo fardamento no Batalho.
.Esse acto acha se appenso ao novo Regulamento.
POLICIAM ENTO DA CAPITAI,

Segundo o dispoto no artigo de lei n.° 63 de 2 de


Agosto do armo pas,..ado, o policiamento do municipio da
Fortaleza está sendo feito, p.sr um destacamento do Bata-
lhão dc Segurança, conirm)nciado por um c;;:)ilzlo. que nesse
serviço tem a mesma gralilicaç;lo do c,-.)mmamio de compa-
nhia e expediente.
Por esse-serviço qÜt.: n":1-)U10
não" percebem nenhuma remuneraçào, por
cx1rrdjd'.1
praças
que d citada
lei igualou os vencimentos de todas as praças do Batalhão,
suPprimida assim a gratificação especial de cem reis diarios,
que lei anterior havia concedido as praças empregadas no
policiamento.
O destacamento, por tanto, incumbido do policiamento
é de dias em dias. quasi que diariamente substituido por
outro, afim de dar descanço as praças nelle empregadas ;.
d'ahi grandes inconveniencias para o serviço que não pode
ser feito com a regularidade que tanto e faz mister.
A incumbencia. do policiamento deve ser entregue a um
pessoal estavel, que conheça, por assim dizer, todos os mo-
radores, do municipio, saiba de suas residencias, a um pes-
soal de conhecimentos.especiaes, activo,
intelligente, de ap-
tidão provada.
Alzm da insignificancia do n.° praças) cio destaca-
mento, tido têm os requisitos necessarios.
Julgo, por tanto, inadiavel o rest:thcle.:imento da antiga
0113; CLICivic.i que tào bo :s serviç:Is
pretou ao municioio,
sendo crealos dois Posto poiiciae, um para cada districto
em que se divide esta capital.
C )nc!uinc:o, po permiso para 1.:7.2r rninh, as pala-
vras qu sobre O assumpto cci-itern trecho da
méns:;), que diriste-; m.) aiwo zu Congresso
Cearens..
D dii ,,.);tra dia, mi acentna aH de um Corpo de
igell;z, menos militar e mais apro::: o polHarnento
da ciciade..,-,c'.rviÇO que p;c:,t:-mente está sendo
feito ror cerca de SO
praea do 13atah:.-1, He.r.urança, que
seIii'velandoflOiU e (h:1. ),
, (..;!.ancle e;
ro foi tcr c,.);.ple) que exis
« tia s(-h a denominação
z!e urJ.i c fi dissolvida
(n-ri ;7 de l'vereiro de H:).2.
e dc occasiá'o,
E', pois, de toda utilidade curar deste importante
assum
pto, que cnten;le, com a segurança e socego publico,

TRANQUII IDADE PUBLICA

No p.eriodo de que trato, e até hoje nenhuma


se deu ria ordem public3, e, rt e cè de Deus posso
perturba.ço
asse-
guri.r que o Estado pe.manece em plena paz.
Apc-ar dos trktes acontecimentos que por tão longos
rnezes ferira in a rwagamente o )raçà ) da Pa iria,
convulsio-
nando bruy...:ament o PHz, nada houve no Ceará.
que pro-
duzisse a menor alteração.
pos9uido de maior satisfaçào, dominado do maior
desvanecin,ento que deixo registrado esse facto, que pas-
sara para os Annaes da Historia como um documento irre-
fraquavel, urna a ffirmação solernne da indole pacifica e or-
deira do povo cearense.

SEGURANÇA. INDIVIDUAL E DE PROPRIEDADE

Si não é tão lisongeiro o estado ci:e segurança individual


e de propriedade, é devido a falta de educação e de instruo.
ção nas classes inferiores e ao vicio da embriague;,
causas
preponderantes dos delictos.
Acresce a falta de força publica em certas occasibes e
localidocles, o itie sem duvida ente-aquece a acção e força
mora! da autc. idade, orig,inan,..i., e, por tanto, a impossibi-
dade da prevenção ou rfsp:esào de clelictos.
Corno em virtude da organisação dos munici-
pios, c.:-tz:to entregue á força local
que, devido á exiguidade
de 'Peies joruniaric dos cofres municipaes, na maioria dos
nÜ,-) é stirlicic(i;c: para policiar um
pequeno povoado,
niak a extensos c populosos municipios. tendo além
a
guarcer as cadeias, onde ha presos.
im,en,-.e!.:(: 1;t:IAJC:11 f:' 1' a acçào da justiça um pode-
quanto. pela disposição do
te!ep-,rap!-1,-1,
novo ku-,!3!.cnto as auto! idddes Estadoaes, ainda mesmo
Cm ,crykn
pagar a taxa integral dos tele-
gramrn imp,rrisa tem para o seu serviço o
quer quc seja. r.:in fosse a incide pacifica da popa-
Ht.entr:: resprJora do principio da autori-
dade. ccrio gi ande ':ria o numero de crimes perpretados.
SECRETARIA DE JusTic:A

Esta Repartição acha-se, desde de rnaiço ultimo, func-


Cionando no proprio deste Estado, que ultimamente Lervja
de Lyceu, sito á Rua Municipal.
Até então, e desde a sua instabcào em 24 dc sekmhro
de 1891, esteve a Secretaria na parte let'rea de
particular, sito á Rua Formosa n.° 111). em que funconár a a
extincta Secretaria de policia.
Esse predio, cuja parte assobrad,ida scrvL d rL:idencia
official do chefe de policia e posteriormente
Justiça, «ira alugado por.contracto, pelo respectivo 1.-)r0.-...!ic-
tario, Dr. José Sombra, -hoje já falleciclo, ao Governo Ger ai,
em 14 de maio de 1884, por espaço de .10- annos e zi rz de
cem mil reis mensaes de aluguel que cvreu pclo; c.:..f!e7; da
União até 31 de dezembro de 1892.
De janeiro de 1893 em diante, e em vir tude de combina-
ção havida entre mim e o Sr. Inspector da extincla Tht.:u-
raria de Fazenda, por meio de correspondem:ia trocada em
ii de maio e 8 de junho de 1892, os alugueis passaram a cor-
rer por conta dos cofres do Estaio. ficando o Governo da
União sugeito a todas as outras obrigações do contracto,
como tudo consta da referida corres?ondencia, que se acha
por copiá entre os annexos.
. Por autorisação vossa, aluguei para minh-1 residencia
official a razão de oitenta mil reis (80$000) mcn;aes, p. ! can-
ta do Estado, um predio pertencente ao Dr. Antoni..;
nondas da Frota, sito á Rua Formosa n.° :3i. clevench re-
paros do predio, taes como pintura, cái3çào e f..,rro d napei
ser realisados pelo Estado, confirme vos em
data de 20 de abril u;timo. em oliiio sob n. unto. por
copia, entre os annexos, bem corno a resp.t.i Lic v di-
gnastes de dirigir-me, por meio de olliio do Hr.
do Interior, tambem de 20 de abril, sob n.0 !;*2
Em 17 de .maio proximo findo passei par:i css
minha residenci a official e desoccupando, assim. ci-mpleta
mente o outro predio acima mencionado. rernet:i 3VeS
ao Sr. Inspector da Alfandega, para 03 tin,
A transferenc'a da Secretaria pa: a edi:icito :c tcefltC
ao Estado trouxe para os cofres pub'it.ot,, de
duzentos e quarenta mil reis (2 'n)8000) 1flY t:c
Acham-se em dia todos os trabalhos;
os que dependem de praso para a sua rea!i
9 4,

Por acto de 8 de março ultimo foi


Secretaria de Fazenda o 2.° official desta transferido para a
cisco Furtado .GOMC3 Coutinho: vindo paraSecretaria, Fran
esta, o 2.° official
daquella, Arlindo G angeiro Gondim.
Dessa trawferencia resultou para a despeza desta
cretaria a differença, para menos, de duzentos Se-
visto como o dito c fficial Coutinho mil reis (20(4);
percebia um conto e oito-
centos mil reis annuaes, em virtude da
46 do Regulamento de 28 de dezembro disposição do art.
de 1892, que manteve
os seus vencimentos anteriores.
Em virtude do acto de 5 de março
ter exercício nesta :'ecretaria o officialpassou novamente a
a ella addido Odilon
Padilba, revogado assim o acto anterior de 26 de
anno passado em consequencia do qual janeiro do
do na Bibliotheca. se achava elle servin-
Obti<reram licenças com ordenado
sua sauJe, de 60 dias o archivista Antonio para tratamento de
(Porta' ia de 2 de ab-ril ultimo) e de 3 mezeq oAlves Barbosa
2.° ofãcial ad
dido Odilon Padilha (Portaria de 4 de
maio). .
Durante o anno proximo findo foi
mento dos trabalhos desta Repartição
o seguinte o movi-
'Meios expedidos
2906
Circulares a diversas autoridades,
26 representandoofficios
1165
Portarias diversas 290,
Idem ao administrador da cadeia
33
Titulos de nomeaçõs 323
de autoridades policiaes
271
de supplentes de juiz substitutos
256
de diversas autoridades
243 '770
Registro de licença
51
Idem de Titulos
213 290
Telegrammas expedidos
Petições entradas 67
Officios recebidos, protrcollados
na 1a Secção
na 2. Secção 1315
1393 2710
Leis publicadas
Termos de contractos 28
Termos de compromissos 3

TOTAL nos ACTOS 11 61

8724
--95--
Além dos, registros da entrada e sahida
de navios
pores, nacionaes e estrangeiros, da entrada e sabida dee va-
sageiros nacionaes estrangeiros ; da matricula das pas-
dades judiciarias, policiaes e de todos os autori
rios das diversas Repartições dependentes daoutros funcciona-
Justiça. Secretaria de
Com esse expediente foi despendido a quantia cle,
1:976050 reis.
O pessoal da Secretaria é actualmcbre o seguinte
Director Geral, João Baptista Perdigão de Oliveira.
1. Secção. Director Francisco Martins de Cast,0
1.0 Official, Pedro Pio Machado.
2.° « Antonio Amandu'a da Silva ,Xinorirn.
Amanuense, Rodolpho Ribas
«
Manoel Felizardo de Abreu.
2.a Secção Director, Agostinho Enéas da
Costa.
I.° ()alojai Balduino Ramos de Medeiros.
2.° « Arlindo Grangeira Gondim.
Amanuense, Candido Olegario Moreira.
a Adolpho Salles.
Addidos : I.° Official, Fiorentino
Fernandes da Silva Mello.
2.° a Odilon Padilha.
Porteiro, Joaquim Torcato de Araujo.
Continuo, João de Oliveira Castro.
Archivista, Antonio Alves Barbosa.
Servente. Carolino de Aquino.
a João Alfredo de Medeiros.

LEIS
Por esta Secretaria transitaram e foram publicadas
seguintes leis as
N. 46 de 25 de Julho de i893.
Concedendo um anno de licença ao tabelliào de Canin-
déClementino Finéas jucá.
N.* 47 de 25 de Julho de 1893.
Organizando o pessoal da Secretaria da Junta Cornmer-
cial e Secção de Estatistica.
N.° 49 de 29 de Julho de 1893.
.
Concedendo um credito de 7.104090,
despezas com serviços a cargo da Secretariapara occorrer as
de Justiça.
N.° 51 de 29 de Julho de 1893.
Concedendo um anno de licença, com ordenado, ao
pro-
-96-
motor d( tie C..usavr1 (ionçalo cie Lagos Fernandes
B.asu),
N ." I h(1c 1$93.
A )m,.-,.7.!!1 :lbertos pelo Presidente do Es-
crediFos
tado ¡
de '.>1:67$751 para ocorrer as despezas
feita c.-ri ctvçs a car;,;.-) da Secretaria de Justiça.
de 31 de 'Julho de 1893.
kely.,ind.) ao eartori) de orphãos e mais annexos da
villa 1oo Inha nuns os officios de escrivão do cri
me e eive! ao tabellião d<:: notas.
do 1: de gosto de 1893.
Creando os ofti:ios de escrivão do crime, civel, orphãos
e tabelii:io de notas na vHa de Quixará.
N.° GO de 1.. de Agosto de 139.3.
Extingue o officio de 3: t-abelliào do termo do Aracaty
e anricxa ao 1.0 tabellido do mesmo os de escrivão de or-
phãos, z.luzente,, capellas e reziduos.
N. 6:3 de 2-de Agosto de 1893.
Fixando a força policial para o anno de 189I.
N.° CA, de 3 de Agosto de 1893..
Estabelecendo além de outras providencias a maneira
porque devem ser nomeados os desembargadores, juizes de
direito e juizes substitutos.
N.° Y. de :7 de Agosto de 1893.
Declarando ser da competencia do Presidente do Estado
a nomeação, suspensão e demissão dos empregados das ca-
deias, cujos vencimentos fixa'.
N.° 79 de 30 de Agosto de 1893.
Transferindo para Jaguaribe«,mirim á séde da comarca
de Benjamin Constant, pissando o termo deste nome para a
coma! cl de lnhamuns.
N.° 81 de 30 de .Agosto de 1893.
Atando os limites dos municipios de Benjamin Cons-
tant e Iguatá.
N.° 83 de 30 de Agosto de 1893.
1)eclarando quaes os funccionarios de justiça que devem
percelyn- custas.
N. de 31 de Ago to de 1893.
A Ite:-!nd) os limites do termo de Granja com os de San-

:.) de 31 de Agosto de 189 3.


Approvando a reforma concedida ao cabo Avelino Dias
do Nascimento.
N.0 86 de :3t de Agosto de
Passando.° distrieio de ,-;11,: Hir ;I I I

Beberlbe,
N.° 92 de O de Seteini,r;)
Alterando os limite, (h.)
- ,:::-
gue.
N.° 91 cie 13 dc Sete 111.-,,-)
Creando na villa Cj 1'...u.i!v 1

notas, escrivão do civL.I.


N.o 95 de 13 de SctrI ct.
Concedendo ao prorn,:iikr
mundo Belfrt Teixeira ':;o):.i:1:1.
N.° 100 de 1 ídcSetembt.o
Revogando a Lei °

em que crou o log,if de )!


.

N.° 101 de 16 de. ,

Extingiundo. os
vel do Aracaty c pro,,,i;jelLt..
' . )
.i
vão do jury.
N.° 103 de 16 d2
Fixando os verteitneilk,
desta Capital.
N.° 108 de 2) de Sete Lb;
Alterando a ." ::7 ,i,)
N.° 109 de 21 de
Auctorisando o
de 16:362$76j p1ri su:),): ;
3.° do orçamento vigehft.
N.' til de 21

cr
cie d.;
Auctorisando o d !:a
comprá de instrunie,ii.:,s
()
excedente da verba votad,i. no c)T
:-
necimento de fardarne;',....) do .

N.° 112 de 2.). de Setembro


Concedendo ao ta beli çã,J
ribe-mirim José Ber;1,:,;.:.) Btc ( .1
-

de licença e á proless.)i.a
munda Guedes Teixeir, civati-o ;I:ezes
:

JUNTA C0.11,11EI CIAI,

A Lei n.* 4'7 de 2i3 de Julho cle


ganZ 11 1);'. 1'111
da Secretaria da Junta C.

Commercial e Secção de Lst,,tisti,:a,


"""'" )4 8

já Cxistentc em vi rtud d imo,n1:0 de :3 de Janeiro de


IS92, expeliclo 22 de 4 de Outubro
do anuo (-int;.Hr, que C.o sidcruu a kepartiÇa0
Estadoal,
l'ara o carg,)dc Dir ector da Secretaria de Estaiistica,.
accumulando a ful) .c.,:(-Ies dc _;CC'.1 etario da Junta (art. '2. da
Lei ii., 47) foi 1eado.por titulo dc 22 de s;eternbro de 1893
o eidackio Torres (,.avii,-;1 (I, que sendo Director
addido á Seer,:taHa .1n!ci.ior, z;,:luva-se s...rvindo de Se-
cret;:;, io cla a Commercial.
St.tr),..i; o art. 3.. da Lei citada n. 47, os emolumentos
que coni:,:eti.nn ao Scoi etario da Junta passaram a perten-
cer á 1:...6z,:nda co Estado.

POLICIA DO l'ORFO
Peio art ck) Regulainto de 2:3 Lle Dezembro de 1892,
expedido 1).J:-a as Secuetarias do Estado, um dos amanuen-
ses ia acha-se incumbido do serviço externo do
in:-zpeccion.anclo udas as CillbrCdÇÕCS Sll-
:.:AÍCi,CXan'tiria!ICit), no caso devido, os pias-
titul:,;., dos .i..):.,nsagc,iro.s, organizando a competente
e.st..!tisti..:a e len j9
01'S;-)0S1ÇãO o pi eco nuterial c
pesso:d con.3tante de um p3trão e 8eis remeiros.
Por esse serviço
no e-qabeleceu o Regu-
lamento gr,-.1.tiaaçào L',;p.:eial a
funccionr)rio, por isso que
foram f,xados para cada um do,;
am.inuenses, sem distincçao,
OS vencimeitos annuaes de 1:.2.0 .$1)00 reis.
Entretanto, n.i foi o a:nanuene enzdrreglcio desse ser-
v,;) di.;pcnsado p:l d trabdhos internos da 5 ccre.
1.s:ria, a elies e:z.á suj.ito e ob.i:.),.ado
mais amanuemses.
ao ponto como os de-
Como sabeis, o sorv0 da inspecção e visita ás eml,la, ca-
ÇÕeS é feito a hora nc;--1::1s, o empucgado,
gado á irre.-.;u'aridade de 1-1:,ra.s em portanio, é obri-
ao sol e a Juiv.3 a:a dos perig uas refeições se expõe,
porto de cnib:vq u pelos inconvenientes do
1 n b rq uc, fAz !!ecessariamente mais
despczas com Láje-.; porque e,,,te
é de presumir, devido á e. ,Iragain-se mais cedo que
a.(,..ào dz;s aguas do mar.
Assim, pois, é. de inteira iti. tiça que tendo
maior onus do que qualquer o empreg,.:do
outro de sua categoria, deva
tambern ter maio recompensa.
E' isto o que venho reclarna vos.
Quanto a mim, v,ntendo que
o .serviço deve ser commz:t.
tido á pessoa estranha do quadro da ,`'ecrctaria,
assim não succede, o arrrnunn.,e
collegas cle classe um n'akCs mas, i:."1 que

fedor aoitenta mil icis A:1-H:aeS, ex.2f.;!-.0 cie uab:J.110.


E' de grande eilivemen,sia que e fumccionatjo,
quando em serviço, ande r':.rdado, de .,L..co:o com o ligurir,0
que Para isso fôr adoptado.
Esse augmento não ex-tJr!e,rdirrir;o,
do serviço, sendo certo que outrtor;i, natureza
achava-se a cargo de um amanuense da
w:and,)sc crv'ço
ext.inct;, Secretaria
de Policia, e corriam os yenH-nr.mtf-)s
cci.es da tiniào,
uamantiense percebia 1:'w)0, ist: m k. 2)O)) do que
O que actualmente exerce o c,Árgo..
Ahi fica minha reelamar»-t !, e ;.):o ..1;J,
devida consideração apre:entarLIo.» at,
a tomareis na
afim de que em sua sab.:dor ia (..karense,
, :.vi.
dencias.
Mais urna outra reclamação
.):L.,utni». e, c-,..-rno
a que deixo acima, é digna cio ,or;'ttendid..i.
Trata-se das (liarias d d)
ler da policia do porto.
Nesse ramo de sei viço lut,-(on
(Hrlicnftla-
des, porque- o exiguo s. 13Ho mar: !e
não permitte que se ob:eh
c em,:iros,
os quaes, sprocuram htHi.d..)
ilariz.lega e
s3tide do port..,, -
rio e. :1 C7.

NA EXt()Sii.;:in que v:s


sacio. tratitniodo O
J u lgo n;:ces,:i ;oa rrr,
o-
rnadores do da
Quando a des,.)eza
O Patrà0 O orii.s.nado de
marcados por Aviso dc
res, caria u'-r!, o de 1..:0,:;0'
u
Passando a
gulamento `..;ee ela! Oo
.
,

que
equivak%. a $',Oti
cante augmentr) .;
carestia de to,..10 os e;cnPio.,,
Os rerneiros, pereiu, ,111
reducção, ficando c..ida um ve:neeud
Vez de 1$500, como
-1 00-
Corno sabeis, é incessante o labor
qurtidiano desses
pobres llornen, que ficam privados, á vista do grande nu-
mero de embarcações naeionaes e estt angeiras
tam o nosso porto, de, por outra fôrma, que frequen-
obterem recursos
para sua tibs!stencia.
E' ju.s!o, portanto, o augmento da diaria
de cada um
delles,
O G ,verno Federal attendendo a
esses motivos, acaba
de elevar ti salario do pessoal do escaler da
saúde do porto,
sendo para cem mil reis o do patrão, e .para
setenta o de cada
remeiro.
« Ndo !:mço tanto, basta que o patrão
passe a vencer
60000 e c.:da remeiro 5í.$000 mensaes.
A despeza que com esse serviço
actualmente é de
2:737$500,attingirá a quantia cle 4:320$000, dando.
s:e, portan-
to, somerre o augmento de 1:58. $500.
Insist.) nesse parecer, e entendo
que à serviço deve ser
feito por t»co de contuicto, de 1 a 2 ann3s.
Só asim se conseguirá obter u'rn
pessoal mais perma
nente, habilitado e honesto.

DEIAS b.A CAPITAI. i DO INFERIOR


A Lei n..() 71 de 17 de. Agosto de 189:3
declarou ser da com-
petencia c:o Presidente do Estado
a nomeação, suspensão
ciemissãc, dos empregad.ls das cadeias,
ft; accordo com as dil)osições dessa
lei, foi nomeado
para diversas cadeias o pess.-.:11
constante do quadro que
encontrareis entre os ;1nnexos.
DesS.e quadro consia ta'rnbem
as localidades para cujas
cadeias ailda no 1..)ram feitas
nomeações.

ROl'OSTA DE ORÇAMENTO PARA 1895

Por ()IsH,r) n.' 833d. 9 ;le mjo pt oximo findo enviei á


Secreta; ia ci.: Vazenda,
na conformidade do
art. 11 do Reg.
das Sçcre! ;JS deste Estado.
a proposta de orçamento das
de,pez2s u diversos serviços a cargo da secretaria de Jus.
tiça pat'a proximo futuro.anno dc 18(..?5.
Imporatn todas as despezas em 5(3::935$500
Para ;IS despezas do
reis.
corrente armo foi consignada na lei
n.° 17 de 7 cle outubro de 1893
a quantia de 571:815$500 reis.
lia, portanto, na proposta a clifferençar
21:170$4ü reis.
para mais, de
-101
o augmento provam do seguinte, nas verbas

MAGISTRATURA

Para pagamento de um servente do Tribunal da Relação


que está sendo pago pelo expediente 730$000

FORÇA PUBLICA

Para pagamento de 'O aprendzes de musi,:a


no Batalhão de Segurança -,:2003n00
AUgmento de credito para o fardamento das
praças do mesmo Batalho 0$0 )0

POLICIA DO PORTO

Augmento de credito para conservação do


escaler 200,3000
MEIA DA CAPITAL E CARCEREIROS
DE OUTRAS CADEIAS

Credito para pagamento de luz para as pri-


sões da cadeia da capital, despeza que passou
da Intendencia Municipal para o Estado :1- $000

JUNTA COMMERCI.11,
SECÇÀO ESTATISTICA

Credito para pagamento de um servente que


está sendo pago pelo expediente $000

22:0-7:..$(.200
Deduza-se
Secretaria de Justiça.
Pela transferencia de um empregado para a
Secretalia da Fazenda, como já fiz ver no capi
tulo competente
003000
Pela transferencia da Repartição para o pre
dio pertencente ao Estado
2 V$003

FORÇA PUBLICA

Suppressào da verbaaluguel de casa para


quarteis, por ser desnecessar ia 1:000$000
-102-
CADEIA DA CAPITAL E CARCEREIROS
DE OUTRAS CADEIAS

Eliminação de verba para carcereiro de ci-


dade, pois que sào 26 cidades, inclusive a capi-
tal, e orçamento vigente consigna verba para 26,
exclusive a mesma capital, que tem verba espe-
cial
2401;000
Idem de verba para carcereiro de vila, não
sede de comarca, que são 47 e não 48, como do
orçamento
120$000

1:800$000

21A.774-0-60-
No tocante a vencimentos, restringi-me
das Leis e Regulamentos que os .fixaram.
ás disposições
Entendo, porem, que é inaçliavel e imKescindivel
sejam augmentados desde já que
os vencimentos dos funcciona.
rios publicos do Estado.
Fallo-vos .these : com os vencimentos que actual-
mente tem,' qualquer funccionario publico, luta com sérias
dificuldades para passar 'ainda mesmo mui parcamente.
Taes são os preços dos generos reputados dc primeira
necessidade, 03 quaes, de dia a dia, elevam-se de uma ma-
neira fabulosa.
O commercio e a agricultura
sentindo a baixa do cam-
bio, ou julgando-se onerada
de impostos, elevam os preços
de seu produtos, de suas mercadorias
rio, por sul vez, taxam ; o artista, o opera-
em maior os seus serviços, o trabalho
de manda...tura tem elevação
de preços, assim por diante
dando-se a necessaria compensação, o equilibrio
ceita e a despcza do consumidor.
entre a re-
Ha uma especie de consumidor para
quem não existe
ainda es..za c3 nperHação,
que não conseguiu ainda o equi-
librio entre a receita e a despeza, esta eleva-se cada
dia,
torna se mais pezada, emquanto que seus exiguos venci-
mentos continuám os mesmos.
E' o funccionalismo publico,
mas tão somente o func-
ciunalismo cearense.
Paga, Compra pelo cambio de 9 1/2, mas recebe os ven-
cimentos como si o cambio fosse ao par.
Todos sabem que o que deixo acima a expressão da
verdade.
-103-
A crise, ou elevação exowbitante de
preços dos gene-
ros necessarios á vida, é geral, afrecta a todos
Brazil. os Estados do
Tambein é certo, porem, que os
de outros Estados e os da União obtiveramfunccionarios publicos
veis de vencimentos, somente os do Cearáaugmen to sensi
espera dessa providencia salvadora, lutam estão ainda á
saci ificios. com enormes
Não deve isso assim continuar.
E' geralmente sabido que as (amibas
des ; ao passo que um casal em do Ceará sào gran
qUalquer outro Es.tado da
União tem 1 ou 2 filhos, no Ceará tem 6,
8 10 e mais.
Tem alem disso, um pai velho,
viuva, e irmãos, a quem serve de alquebrado, uma rnài
amparo.
E' esta a historia de todos no Ceará.
tanto, se torna que o funccionario impossivei, por-
publico, p)..;sa se manter
nessas condições, com os exíguos
vencimentos que actual.
mente percebe.
lndividualisemos os casos.

A FORÇA PUBLICA
A força publica do Estado, e tão
diz respeito ás praças, teve somente a parte que
mentos no corrente armo, augmento, é verdade, de venci-
agosto de 1893. em virtude da lei n.° 63 de 2 de-
Esse augmento,
cem reis diarios, e isto
entretanto, foi insignificantissimo, de
mesmo somente na parte não per-
manente, na gratificação que a praça
serviço, ainda mesmo por motivo perde quando não em
que mais sente necessidade de molestia, occasião em
de dinheiro.
Basta dizer que
uma praça de pret do Batalhão de Se-
gurança, percebe
soldo e 300 de
actualmente 1$200 diarios, sendo 930 de
gratificação, uma praça graduada, de mais
elevaçàouin 1.0 sargento, 18900
do, 600 de diarios, sendo 1$300 de sol-
gratificaçao.
E' difilcil, é impossivel.
do que urna praça possa prover sc
necessario com semelhantes
tual, quando um kilo lvencimentos na quadra ac-
delcarne verde custa 600 r&s, ordina-
riamcnte, e a farinha de120 a 160 reis o litro.
E o Batalhão de
compôrse de 118 Segurança, cujo quadro effectivo deve
anno passado, dá
praças, segundo a lei n.° 63 de agosto do
diariamente um destacamento de uma com-
pinhia para o policiamento do municipio da Fortáleza, du-
rante o dia e á noute.
Eis a razào por que na quadro do I3atalhão ha grande
claro, que jamais se consiguirá preencher.
A officialidade do Batalhão tambem é muito mal retri-
buida, vive em condições precarias.
O Rio Grande do Norte, cujas condições financeiras sào
infe :ares as do Ceará, não sendo lá a vida tão cara como
aqui, remunera muito melhor a força publica, e, em geral,
.ao funccionalismo
Um tenente cio Batalhão de Segurança do Ceará percebe
mensalmente 140$.0 reis de vencimentos.
Mais percebe um diferes do exercito, que tem, alem disso,
. monte-pio e conta com o meio soldo para a familia.
Passando para a magistratura, vemos a mesma neces-
sidade de augmento de vencimentos.
O juiz deve ser independente, não deve solicitar, nem
acceitar favores.
Faz-se preciso, portanto, que o .Governo forneçaslhe,
dando br5a remuneração de seus serviços, os meios regula-
res de subsistencia, evitando assim motivos de prevaricação.
Muitas vezes as contingencias da vida, fazendo esquecer
o principio da dignidade, obrigam a velar a face á justiça,
a actos que rebaixam.
Felizmente, co:n satisfação o digo, e sabem todos, a ma-
gistratura cearense, em geral, sempre soube, desde o regi- .

men decahido e até hoje, manter-se na elevação que deve


ter o honroso cargo de juiz.
Entretanto, é certo, tarnbean que a magistratura Cearen
se é muito mal remunerada .
Não ha muitos annos, refriram os jornaes deste Estado
o tocantissimo facto de um honrado juiz de -direito., um des.
tes que lem a honra como um principio da vida, sentindo fina-
rem-se seus dias, por terrivel enfermidade que ia aos poucos
consumindo a seiva da vi la, reservsva mensalmente, por
meio de excesso de economia, uma pequena somma de Seus
exiguos ordenados para as' despezas de seu enterro, afim de
que sua pobre e numerosa familia não fosse solicitar a seus
visinhos.
Foi esse nobre e honrado juiz quem fez aos poucos, .com
as proprias mãos, o modesto caixão, em que tinhão de ser
depositados os seus restos mortaes.
Porque não mencionar aqui o nome desse nobre cara-
-1 05--
Deus sabe com que dôr 'o Dr. Camargo não preparava
uma a uma as taboas de seu modesto ataúde, e sabe tam
bem si foram ou não os abalos intimos que elle experimen-
tara, necessariamente, nesse trabalho, que apressaram o
termo de sua existencia, roubando, assim, á magistratura
cearense o seu valioso concurso.
Examinadas as tabellas de honorarios das diversas Re-
partições do Estado, reconhece se, á primeira vista, a neces-
sidade de- augmento-de vencimentos de cada um dos func-
cionarios que compõem essas Repartições.
Volvamos os olhos para as Secretarias de Estado.
Um Director Geral, e este é o cargo mais elevado de
qualquer dessas Repartições e cujo funccionai io tem maior
s omina de responsabilidade, pois superintende a todos os
serviços da Secretaria, um Director Geral, repito, percebe
apenas 3:204000 réis annuacs, sendo, a 3. parte de gratifi-
cação.
Insignificantissimos de certo são esses vencimentos,
para a 'quadra que atravessamos.
Iguaes vencimentos tem um escripturario da Alfandega;
que vê alem disso diante de si um grande futuro, porque ha
nu quadro da Repartição muitos outros-cargos e que pôde
attingir, pode ser transferido pará Repartição de cathegoria
superior, tem p monte-pio, garantia de vida de sua familia.
Do mesmo modo estão os honorarios de todos os outros
empregados. -
O funccionario publico que se identifica com o trabalho,
nelle definha-se, consome, por assim dizer, seus dias de vida,
serve com toda a lealdade (e V. Exc. o sabe, não é diminu-
to o numero dos que assim procedem
entre nós) deve rece-
ber do Estado justa
remuneração de seus sacrificios.
O contrario disso é levar.lhe nálma o desanimo, a falta
de estimulo e sem este 'não pode haver bom funccionario.
Não conheço caso algum no Ceará, de fallecimento de
empregado das Repartições deste Estado, Cm que não tenha
sido preciso que os seus companheiros
ou amigos promovam
OS meios para seu enterramento.
Isto é .triste e dolorosó
Já que não tem o empregado publico cearense direito
a
monte-pio com que possa, de algum modo, suavisar no fu-
turo as necessidades a
que ficará sujeita sua pobre familia,
quando elle deixar de existir, tenha, ao menos, emquanto
-106-
bem desempenhar ,as funcções de seu cargo, justa recom.
pensa Ide seus trabalhos e sacrificios pela causa publica.
Si o funccionalismo é grande, reduza-se ; si infelizniente
ha empregados que não sabem ou não podem honrar o car-
go, ou pela ignorancia ou pela politicagem, ou qualquer ou.
tro motivo, seja eliminado do quadro, mas não se deixe de
remunerar devidamente a quem' o merece.
Entendo que o trabalho de muitos mal retribuidos vai
menos que o trabalho de poucos que recebem ajusta re-
cómpensa de seus sacrificios, alem do descredito 'da classe.
Assim, á vista das humildes ponderações que tenho
apresentado, e de muitas outras que deixo de mencionar, e
que de certo não escaparão á per-ápicacia e tino de V. Exc.,
julgo de meu dever pedir que V. Exc. se digne de indicar a
Asse:1*lb na proxima reunião o augmento de vencimentos
do funccionalismo publico do Ceará.
E para que haja equidade; esse augmento deve ser na
mesma razão para todos os funccionarios.
E porque não se podem adiar questões que dizem res.
peito á vida, entendo que a lei que augmentar os vencimen-
tos na forma reclamada, deve produzir desde logo seus.be-
neficos effeitos.
Ahi fica meu pedido, que não é mais do que um justo
reclamo da opinião publica.
Digne-se V. Exc. de dispensar algumas faltas de meu
modesto Relatorio.

Saúde e fraternidade,

Vaidemiro Moreira.

Secretario da Justiça.
Quadro do P08140111 dag alciolaH Publinas CIO 1!:NItdo,
n, 74 do 17 do nomondom do moordo 00111 n8 dispoNlOos da loi
Agosto cio 1803,

NOMES
11,0(,,,,11,11)A1)Es
NO \J EA(,:,,\O ENKIelk.;IO

João José do Aearahn


Arsenio Xavier Via ima cidade 17 de Noveinbi o de [803112 de Janeiro de 1804
Aquiraz vi Li :>8 de Março de 189 1
Pedro ,Joaquim de Paiva Aracaly
Geraldo Rodrigues da Fonseca : cidade 26 cio Dezem bro de 1893
Ara ripe 4 cle Abri! çlc 1891
Felix Antunes 13ra nclão Assar é 10 cle Abril de !804
Manoel Cosmo dos Santos 27 de j\hrçe de 1801 3 de Abri! de 1894
Aurora 19 de Outubro de 1893 13de Novembro cie 1803
Jose Nevino de Mello Quincleré 13u rba I ha
:Sebits..tião Fernandes Pimenta cidade 11 de Setembro de 1893 18 de Setembro de 1893
13eberibe villa10 de Março deis)!
Ios( Cavalcante de Araujo Pedrosa Benjamin-Con-;
stant 2 de Maio de 1801
Jose Pedro Santiago Sobrinho Boa Viagem
Antonio Cavalcante de Albuquerque 7 dc Novembro de .1803 1 de Dczembi o de 1803
\ntonio José de Sá Cidade 17 de Maio de 1891 ,20 de Maio de 1891
CrUihel'l 3 villa .!8 de Novembro de 180
Francisco Bi igido da Silva Cascavel
'

Francisco Pitaguassú 13arbosa cidade 7 de Março de 1801 9 de Novembro de 1803:


Fortaleza 2 de Setembro de 189322 de Setembro de 1893'
Antonio Pereira Façanha
.0vidio Valeriano de Oliveira Lima 18 de Setembro de 1892419 de Setembro cie 1893
,Dr, José Pinto Nogueira 9 de Agosto de 1888 j 9 de Agosto de 1888
apellào conego VicenteSalazal. da Cunha 1 de Abril de 1503 1 de Abril de 1803
I

Aurcliano Lopes da Rocha Meirelles 11 de Agosto de 1881


Granja 4 de Janeiro de 1894
Manoel Antonio da Silva Ibiapina
Vicente de Araujo Braga (3de Fevereiro de 1804 1'7 de Março de 1894
Icó cidade 9 de Novembo de 1803 28 de Novembro de 1803
j

Joaquim José Duarte Iguatú


Francisco Jozino Bezerra de Menezes 27 de Janeiro de 1801 I 3 de Fevereiro de 1894'
'jaú 17 de Março de 1891
:Vicente 'Gomes Ferreira Torres Ipueiras
l;.rtincisco José de Lemos - villa 27 de Janeiro de 1801 j

Itapipoca 2(3 de Fevereiro de 18941


João Correia de Lima 1Jaguaribe
Epiphunio Lobo de Menezes 2 de Janeiro de 1801 116 de Fevereiro de 18911
Jardim cidade 16 de Fevereiro de 1891, 1 de Março de 1801
Valclivino Cabral d'Alencar Peixoto 1.avras
José Casim.ro Varella 10 de Outubro de 181)3 1 de Novembro de 1893
Limoeiro villa 11 de Janeiro de 1894 25 de Janeiro de 1891
'João da Casta Gadelha Mar anguape
Joaquim Gonçalves Dantas 1oihéa cidade 28 dc Novembrode
Mau! ity :
vtlla 2 de Janeiro de 1891 1 de Março de 1894
Zacharias Rodrigues Oriá Alecejana
Luiz Antonio Nogueira 5 de Março de 1891
Alilagres 1 cidade 14 de Dezembro de 18?:3 1 de Fevereiro de 1894;
alviano José.de Almeida Missão Velha
Prudencio José de Lima villa 23 de Abril de 1894
Morada Nova 14 de Fevereiro de 1894I
.Joaquim Antonio da Silva Pacatuba cidade 1.2 de Maio de 1801
;Bolivio Tavares do Amaral 1 de Junho de 1891
Paracuiú villa 2de Dezembro cle 1892 9 de Fevereiro de 1891
lgnacio Ferreira da Costa Pedra Branca
Manoel Martins Freire 14 de Fevereiro de 1891 28 de Fevereiro de 1894
Pereiro cidade O de Março de 18111 Ode Abril de 1894
José Vicente Pereira Porangaba vilia 8 de Novembro de 1893 11 de Novembro de 1893
(ionçalves Aleixo Quixadá cidade 5 de Outubro de 1893 1 de Novernbrode 1893
,liancisco Pedro da Costa Quixeramobim
João Ferreira da Silva 11 de Novembro de 1893 2 de Janeiro de 1891
Quixará 19 de Maio de 1891
Luiz Martins Redempção
Antonio Martins Pereira cidade O de Novembro de 1893 13 de Novembro de 1893
Riacho doSangue villa 18 de Janeiro de 1894
Manoel Benicio da Costa Braga Saboeiro
lgnacio Pinto Brandão Sant'Anna cidade
Francisco Nunes da Cruz I de Maio de 1891
Sant'Anna do
Brejo Grande villa 11 de Outubro de 1893 16 de Janeiro de 1894
Manoel Bandeira de Carvalho S. Beneclicto "
Boaventura José da Fonseca 3 de Novembro de1893 19 de Dezembro de 1893
S. Bernardo das
Russas cidade 23 de Janeiro de 1894 5 de Fevereiro de 1894
Benjamin Marques da Cunha S. Francisco villa 1 de Fevereiro de 1891
Raymundo Nonato Damasceno S. Joãodos Inha
muns 3 de Novembro de 1893 19 de Dezembro de 1893
José Francisco da Costa 8. Pedro do Crato "
Silvestre Rodrigues Bezerra ;17 de Novembro de 1893 16 de Dezembro de 1803
S. Quiteria " 7 de Dezembrode 1893 23 cie Dezembro de 1893
Antonio José de Farias Sobral cidade 25 de Abril de 1894
Francisco Mendes da Costa Valle Soure villa 10 de Outubro de 1893
João de Arau,jo Barros Junior Tamboril
Luiz Barboza de Amorim Ide Novembro cia 1893 3.1 de Janeiro de 1894
Trahiry 18 de Dezembro de 1893 .30 de Dezembro de 1893
"
Antonio Thornaz de Aquino Urnary
Antonio.de Carvalho 20 de Março de 1891 4 de Abril de 1,891-
União cidade 26 de Dezembro de1893
Simplicio Roque dos Santos Viçosa " .17 de Março de 1894
iRaymundo

Cadeias para que ainda não deram-se nomeações na forma da lei citada.
Aracoyaba, Arneiroz, Arraial, Baturitè, Brejo dos Santos, Cachoeira, Campo
Crato, Guaramiranga, Guarany, Iracema, Meruoca,
Varzca Alegre. Mulungú, Pacoty, Palma, Porteiras,Grande, Caninclé, Coité,
S. Matheus, Tianguá c
Secretaria de Estado dos Negocios dcx Justiça do Ceará, Fortaleza, em 7 de Junho de 1891.

O director da secção.

Pr,yrk:isco A1,11 de ("3y/h.,


O
ANNEXOS
"" 'COPIA

q$ribunal da c4elaçdo do (Estado do Pard,-em 7


de gaio do 1894

ILL," Ex. " SR, PRESIDENTE DO ESTADO

Remetto á V. Exc. para os fins devidos a copia


authentica da revisão das antiguidades dos Srs.
desembargadores deste Tribunal, Juizes de Direito
e Substitutos deste Estado até 31 de Dezembro de
4893.

O Presidente da Relação

José Joaqu inz nomin y ues Carneiro.

...711~1~1210,
11

Revisão da lista dos desembargadores do Estado do Ceará pela ordem de suas antiguidades até 3 ' de Dezembro de 1893

ANTIGUIDADES

o
NOMES 1892 l 1893 NOMEA,95ES EXERCICIOS OBSERVAÇÕES
,
o o
ZN
Z
<

1 Jose Joaquim Domingues Carneiro 3 17 2 3 17 6 de Junho de 1891 16 de Julho de 1891


2 Joaquim Pauleta Bastos de Oliveira 1 29 2 1 29 »,, »
3 Antonio Sabino do Monte 29 2 29 »
4 Paulino Nogueira Borges da Fonseca 10 10 18 de Fevereiro de 1892 1 de Março de 1892
5 Manoel de Souza Garcia 9 23 1 3 i- ' S de Março de 1892
6 Carlos Francisco Soares de Brito 9 15 1 9115 16 de Março de 1892
7José Gomes da Frota 9 7 1 41 4 18 de Marçó: e » 24 de Março de 1892 Perde 5 rneezes e 3 dias em que
esteve fóra do exercicio
1

Está conforme..
O Secretario,
Pedro Gomes da Frota.
Revisão da lista dos juizes de direito do Estado do Cearà
pela ordemde suas antigui-
:$ 4 dades até 31 de Dezembro de 1893

ANTIGUIDADES

' NOMES 189'2 1 1893 COMARCAS OBSERVAÇÕES

o o
;17

Candido Alves Machado 131 6 1'7 14 2 Baturité Desconta-se lhe 3 rnezes e 27 dias em
Francisco Antonio de Oliveira Praxedes 2,
10 17
que esteve fóra do exercido
Crato Conta-se-lhe o exercicio do anno ante-
Joaquim Olympio de Paiva
Antonio lbiapina
Is 28 13 Granja
rior em vista da certidão que apresentou
ç'f 21 3 Sobral Conta-se 9 mezes e 12 dias de exercicio
posterior a posse da magistratura esta-
João Firmino de Hollanda Cavalcante 11 2
doai em vista da certidão queapresentou
Aotorno Monteiro do Nascimento Filho
1
Capital
1 9 23 Quixeramobim Conta-se o exercício do armo PPterior
Antonio Gomes Tavares 9 t3
em vista da certidão que apresentou
José Boaventura Bastns Cascavel
1 9 9 Icó
João Pirmino D lutas Ribeiro 9 4 Viçosa
Francisco Fernandes Vieira 9 21 8 19 Capital
1
Perde 34 dias em que esteve fóra do
Gilberto Ribeiro de Saboia exercicio
10 Jardim Conta-se o exercicio do anno anterior
Gustavo Horacio de Figueiredo 147 em vista da certidão que apresentou.
Aracaty

Está conforme.
O Secretario,

Pedro Gomes da Frota.


4;X y ak,1,7 f. :74 ...rh (,:11:Wr-W ,'"?1.0.:NUTZ Nr
'TA S.

list.a'A.C;s juizes Sübstitütosd6 E4 do do Cearãpela ordem de suas Ztrytigt'lida

viika
ANTIGUIDADES
.-....:«.--------
'.

NOMEACÕES FINDAM o Q 'ATRIENIO 0I3SERVAÇÕES


1892 1893 TERMOS
NOMES
.

o
act

9
5 15 Bei jamin Con 6 de J unho de 1891 15 de Julho d 1895 Conta-se o exercicio do armo anterior,
Luiz Paulino de Figueiredo Sá em vista da certidão que apresentou
«stant
!

Feliz Candido de Souza Carvalho t5 amboril


aturité 16 de Julho de 1895 1)

3 Antonio Adolpho Coelho de-Arruda 14,


S nt'Anna 15 de Julho de 1895
4 José Xerez 1.

Perde 1 mez e 18 dias em que esteve!


5 Herculano de Araujo Saltes 1 5 ::1 11acatuba,
fora dó exercicio
Qui erarnobirn 16 de Julho de 1893 'Perde 1 tnez e 27 dias em que esteve'
6 Claudio Ideburque Carneiro Leal Filho 1 19 »
fóra do exercicio
o rrahiry 1.6 de Março de 1802 3.1 de Março de1896 Conta-se o exercicio do armo anterior!
'7 Antonio Elysio de Hollanda Cavalcante ,d'm vista da certidão que apresentou.e'
iperde 9 dias em que esteve fora,do exer
cicio
9 Aquiraz. 6 de Março de 1892 Conta-se o exercicio do armo anterior
Manoel José Pinto 1

I em vista da certidão ,que apresentou. 11

27 Viçosa 23 de Fevereiro de 189221 de Abril de 1896 Perde 1 mez e 24 dias em que esteve
9 Francisco de Oliveira Memoria fóra do exercício e conta-se o exercicio
/ da-anno anterior, em vista da certidão
que apresentou
ASsaré 5 de Abril de 1892 5 de Maio de 1806 - Conta-se o exercício do armo anterior
1.0 Mileno Torres Bandeira 1 '

em vista da certidão que apresentou I


1 Capital 16 de Março de 1892 17 de Março de 1806 Perde 3 rn,ezes em que esteve fóra do
11 Atttonino da Cunha Fontenelle 13 13
/ exercicio
12 Torquato Ruano Jorge, de Souza 931 Mara nguape »
Perde 3 mezes .e 12 dias em que este-
13 José da Cunha Fontenelle Filho 89 1 .Quixadá ',2,3 de Março 'de 1892 21 de Abril de 14)6
ve fora do exercicio
Barbalha 8 de julho, de 1892 24 de Julho de 1896 Conta .se o exercicio do armo anterior
1.4 Manoel Peixoto de Alencar 1 4 1 ;

'em vista da certidão que apresentou


15Eduardo Dias Nogueira `..') lt Grato 30 de Junho de 1892 20 de Julho de 1896 ))

Canindé .16 'de Março de 1892 10 de Abril de 1896 Perde 5 mezes e 24 dias em que esteve
16 oão Baptista Saraiva Leão 1 2 2,7
fora do exercicio e conta se o exerciciok
do anuo anterior
Francisco José de Souza Milagres 23 de Novembro de 1892 1 de Dezembro de 18t6 Conta-se o exercirio do anuo anterior
em vista da certidão que apresentou
fora do
Francisco Cicero Coelho' de Arruda 10 S., Benedicto !9 de Setembro de 18023t de Outubro de 1896 Perde 4 mezes em que estevedo aríno
exercicio e conta-se o exercicio
anterior em vista da certidãd que apre
o
vir
sentou
N.r

Está conforme. O Secretario,


,
Pedro Gomes da Frota.
Relagão nominal dos juizes de direito do Estado, cujas antiguidades não se conta por não terem remet-
tido a certidão exigida pelo art. 1° § 2°,das disposigões transitorias
da lei n. 37 de 1° de Deienibro de 1892

ANTIGUIDADES
CA
o
NOMES 1892 1893 COMARCAS 0I3SERVAÇÕES

o o
cz)

13 Francisco Barbosa Cordeiro Itapipoca


114losé Moreira da Rocha Maranguape
15 Francisco Rodrigues de Lima Bastos Iguatú
16 Enéas Cavalcante do Nascimento Sá Inhamuns
17 Francisco Raymundo Ribeiro aguakibe.mirim
18 Manoel de Paiva Cavalcante -Assaré
19 José Fernandes Vieira Bastos Cratheús
1111.14,

Está conforme.
O Secretario,

Pedro Gomes da Frota


Relasão nominal dos juizes substitutos, cujas antiguidades
não se conta por não terem remettido a certidão
exigida pelo art, 37 do 1.° de Dezembro de 1892.

ANTIGUIDADES

NOMES 1892 :1893 TERMOS' .


NOMEAÇÕV,'S 'FINDAM O QUATRIENIO OBSERVAÇÕES

o
z

Guilherme Aristarco de Genova


20 José Antonio de Luna Freire Cascael
21 José Saboia de
Albuquerque Jaguaribe mirim
22 José Julio de
Almeida Monte Sobral
23 Manoel Rufino Jorge de Souza Ipú
24 Thomaz Gomes da
Silva Cratheús
25 Antonio Francisco
da Costa Filho Iguatú
José Domingues Fontenelle Aracaty
Nerêu da Silva Guimarães Itapipoca
28 Alberto Magno da Rocha S. Francisco
Granja
.Z.:=..........s.p.sen.,
,~.~....lne.1.,,,,,,,nrrnee". 1,11M.I.Mmie..s.

Está conforme.

O Secretario,
Pedro Gomes da Frota.

o
La SECÇÃO

O Presidente do Estado determina na conformidade do


artigo 29 da lei n. 37 do 1.° de Dezembro de 1892 que
as
substituições dos juizes de direito nas respectivas
comarcas,
se effectuem durante o proximo futuro anno de 1894 pela
maneira seguinte

COMARCA DE MARANGUAPE

1.° O juiz substituto do termo de Maranguape


; 2.° o de
Pacatuba ; 3.° os supplentes de Maranguape, 4.11 os de
catuba ; 5.° os de Soizre e6.° os de Redempção. Pa-

COMARCA DO ARACATY

1.0 O juiz substituto do Aracaty ; 2.° o de S. Bernardo


das Russas ; 3.° os supplentes do Aracaty ; 4.° os de
5.° os de S. Bernardo das Russas ; 6.° os de Limoeiro;União
7.°
os de Espirito Santo de Morada Nova

COMARCA DE ÇASCAVEL
1.0 O juiz substituto do Cascavel ; 2.° o de Aquiraz ; 3.°
os supplentes de Cascavel e 4.° os de Aquiraz

COMARCA DO ICÓ
1.° O juiz substituto do Icó; 2.° o de Lavras ; 3.° o do
Pereiro ; 4.° os supplentes do Icó ; 5.° os de Lavras
os de Umary ; 7.° os do Pereiro e 8.° os de Aurora. ; 6.° os

COMARCA DO CRATO
1.° O juiz substituto do Grato; 2.*
o da Barbalha ; 3. os
supplentes do Crato ; 4. os da Barbalha ; 5. os de S. Pedro
do Crato e 6. os de Missão Velha.

COMARCA DO JARDIM
1.0 O juiz substituto do Jardim ;
2.* o de Milagres ; 3.
OS supplentes do Jardim ; 4. os de Porteiras
Brejo dos Santos ; 6. os de Milagres e 7.4 5.` os de
;

os de Maurity.
COMARCA DE CRATHEÚS
1.° O juiz substituto de Cratheús, 2. o de
os sypplentes de Cratheús ; 4. os de Tamboril ; 3.°
-",;.Sanía" Quiteria. Tamboril e 5.' os de
À

COMARCA DE VIÇOSA
1.0 O juiz suhstitnto da Viçosa
; 2. o de S. Benedicto
3. os supplentes de Viçosa ; 4. os de Tianguá ; 5. os de S.
Pedro de Ibiapina ; 6.. os de S. Benedicto
Grande.
e 7. os de Campo

COMARCA DA GRANJA
1.° O juiz substituto da Granja
; 2. o de Sant'Anna ; 3.
os supplentes:da Granja ; 4.. os de
Palma ; 6. Camocim ; 5. os da
os de Acarahú e 7. os de Sant'Anna.

COMARCA DE ITAPIPOCA
10 O juiz substituto de Itapipoca
'; 2.* o de S. Francisco;
3.. o de Trahiry ; 4.
os supplentes de Itapipoca ; 5.* os de
S. Francisco ; 6.* os de Trahiry
; 7.6 os de Arraial e 8. os
de Parácurú.
COMARCA DE BATURITÉ

i.° O juiz substituto de


Baturité ; 2.. o de Caninde ; 3.
os supplentes de Baturité e 4. os de Canindé.

COMARCA DE QUIXERAMOBIM
1.0 O juiz substituto de
dá ; 3,. os supplentes de Quixeramobirn. ; 2.. o de Quixa-
5.. os de Boa Viagem Quixeramobim ; 4. os de Quixadá;
; 6.. os de Pedra Branca.
.
COMARCA. DE SOBRAL
1.0 O juiz substitutó de Sobral
; 2.. o do Ipú : 3.. os sup-
plentes de Sobra!; 4.' os do Ipú.

COMARCA DE .IGUATÚ
1.0 O juiz substituto de
3.. os de S. Matheus ; 4.. os Iguatú, 2.. os seus supplentes
de Varzea Alegre
-113-
COMARCA DO ASSARÉ
1.° ()juiz substituto do Assar é ; 2. os seus supplentes
3. os de Quixard, ; 4. os de Saboeiro ; 5.
os de Araripe e
6.* os de Sant'Anna do Brejo Grande.

COMARCA DE JAGUARIBE.MIRIM

1.0 O juiz substituto de Jaguaribe-mirim ; 2..


os seus
supplentes ; 3. os de Riacho do Sangue.; e 4. os da Cacho-
eira.
COMARCA DE INHAMUNS

1.° O Juiz substituto de Inhamuns ; 2. o de Benjamim


Constant ; 3.* os supplentes de Inhamuns ; 4. os de Benja-
mim Constant.
Os juizes de direito das duas varas da capital se substi-
tuirão reciprocamente na forma determinada no art. 2 da lei
n. 108 de 20 de Setembro ultimo.
Os supplentes servirão segundo a ordem de sua
ção, e exgotada a respectiva lista, serão nomea-
chamados na mes-
ma ordem os supplentes dos termos das comarcas mais
proximas e

Palacio da Presidencia do Ceará, em 14 de Novembro


de 1893.

Josè Freire Be.terril Fontenelie.

Valdemiro Moreira.
COPIA

Secretaria de Estado dos Negocios da Justiça, Fortale


za, em 11 de Maio de 1892.

1.8. Secção..

N. 1833.

Ao cidadão inspector da Thesouraria de Fazenda.

'Achando se esta Secretaria funccionando em um predio


alugado, pelo Governo Geral para a extincta Secretaria de
Policia, em virtude do contracto pelo tempo de dez annos,
cujo praso termina em 1894, rogo vos para prop,Drdes ao
Exm. Sr. Ministro da Fazenda, caso não possaes resolver
para ficar o dito predio alugado ao Governo deste Estado,
pelo tempo que lhe convier, sem outra condição ou obriga-
ção que a de pagar o aluguel pelo preço de cem mil réis
(1008000) mensaes, obrigado o Governo Federal ao compri-
mento das demais clausulas do referido contracto, visto
como este não pode ser rescindido actualmente sem que se
pague ao proprietario uma multa de quantia igual ao alu-
guel do tempo que falta para completar.
Cumpre-me accrescentar para esclarecimento do a%-
sumpto que o Governo deste Estado pretende transferir,
logo que passar a Secretaria de Justiça para um proprio do
Estado, -caso em que o Governo Federal deixará de pagar
multa, conforme acha-se previsto no dito contracto.

Saúde e fraternidade
Assignado.

Valdenziro Noreira.

COPIA

Thesouraria de Fazenda do Ceará, Fortaleza, 8 de Junho


de 1892.

N. 148.

Respondendo vosso officio n. 1833 de 11 de Maio proxi-.


mo preterito cabe-me dizer-vos que, em virtude da clausula
6.11 do contracto celebrado em 14 de Março de 1884 entre a
Fazenda Nacional e o Dr. José Sombra para a locação do
predio em que funcciona a Repartição da Policia, acha-se a
mesma Fazenda obrigada ao pagamento de 1:200$000 réis
annuaes até 14 de Março de 1894 ainda que não se utilise do
dito predio, a excepção do caso de transferencia daquella
Repartição para proprio nacional ou estadoal.
Julgo, portanto, que nenhum inconveniente ha em que
continue a funccionar no mesmo predio a referida Reparti-
ção até findar-se o praso do contracto, devendo correr por
conta do Estado, quando estiver constituído, os alludidos
alugueis urna vez que daquellc praso em diante
responsabilidade do Governo Federal.
cessa a

Saúde e fraternidade

Sr. Secretario da Justiça deste Estado.

Assignado
O inspector,

Francisco Ai:hm/ode Oliveira e Silva.

COPIA

Secretaria de Estado dos Negocios da Justiça, Fortaleza,


em 20 de Abril de 1894.

1,a Secção.

N. 674.

Ao Illm.° e Exm.° Sr. Dr. José Freire Bezerril Fonte-


nelle. Presidente do Estado.

Tendo-se findado desde 14 de Março ultimo, o contracto


dO predio que servia para minha residencia afficial e respe-
ctiva Secretaria, só agora depois de muitas dificuldades vim
encontrar um predio á rua Formosa, pertencente ao Dr.
Antonio Epaminondas da Frota, que aluguei a 80000 réis
mensaes, mas necessitando dito predio reparos, a saber
pintura, caiação e forro a papel, venho representar a V.
Exc.. para que se digne dar ordens a respeito.
Cumpre-me declarar que o senhorio do predio referida,
só o aluga por aquelle preço, sem obrigação de
fazer os re-
paros reclamados.

Saúde e fraternidade,
Assignado.

Valcleiniro Moreira
-116-
COPIA

ESTADO DO CEARÁ

Secretaria dos Negocios do Interior,,em 204e.-Abril de


1.894.
.2.a Secção.

N. 462.

Sr. Secretario da Justiça.

Em resposta ao vosso officio sob n. 674, de hoje datado,


S. Exc. o Sr. Presidente do Estado, manda declaraí.vos
que foram tomadas as providencias necessarias no sentido
de serem feitos os reparos de que necessita o predio que
acabastes de alugar para vossa residencia oficial.

Saúde e fraternidade
Assignado.
Thomal Pompeu Pinto Accioly.
ANNEXOS
Junta Commoroial do Coará, 20 do Junho do 1894

Ao SR, SECRETARIO DOS NEGOCIOS


DA JUSTIÇA.

Em cumprimento ao que me determinam


ri do regulamento de 16 de Dezembro de 1892 o § ro do art.
do codigo do commercio, venho e titulo unico
apresenta-vos o relatorio
do movimento desta Junta, no decurso do anno de 1893.
Reorganisada como repartição do Estado pela lei
de 26 de Outubro de 1892, foi installada n ° 22
de Janeiro do anno passado, continuandoesta Junta no dia 5
a funccionar com
os mesmos membros que já faziam parte d'ella.
Em principio de Maio, por incommodo de saude,
deixei
temporariamente a presidencia, assumindo a o
nel Arnulpho Pamplona, como deputado mais tenente-coro-
sencia do deputado Candido Gomes do votado, na au-
Rego, a quem compe.
tia a substituiçào.
Em 15 de Maio reuniu-se o Collegio
Commercial para
proceder á eleição de clous deputados e dous supplentes, cu-
jos mandatos haviam expirado, sendo reeleitos
cidadãos Joaquim Alvaro Garcia e Joaquim Felicio deputados os
de Olivei
ra Lima e supplentes os cidadãos Aprigio
Menescal e Jose
Francisco Ribeiro Bertrand.
A Junta acha-se assim constituida :
dido Cavalcante, deputados: Candido Presidente José Can-
Gomes do Rego, Ar.
nulpho Pamplona, Joaquim Alvaro Garcia e Joaquim
de Oliveira Lima ; supplentes: José Francisco Felicio
trand e Aprigio Menescal. Ribeiro Ber-
Durante o anno houve quarenta sessões ordinarias.
Foram expedidos dous titulos de agentes de leilões
cidadãos Ernesto Brazil de Manos e Manoel Monteiro aos
Silva. da
Por deliberação da Junta,
em sessão de 30 de Novembro,
foram considerados
vagos os logares de agentes de leilões
que eram occupados pelos cidadãos
viniano Pio de Moraes e Castro porGuilherme Sombra e Jo-
os haverem abandona-
do.
Foram concedidas licenças de 4 aleZC3
de Manos e de um armo a Ernesto Brazil
a Francisco Emygdio da Motta.
Doas são os logares de interprete
só um d'elles se acha do commercio, mas
gado. preenchido pelo cidadão Alfredo Sal-
Não existe na praça nem um corrector.
Edstem 129 commerciantes matriculados, sendo Ma
nacionaes e 27 estrangeiros.
Durante o anno nem um cornmerciante requereu matri-
produzido pela lei do orçamenw
cuia. Attribuo isto ao efleito matriculado deve ser con-
to que estatuiu que o negociante portanto sujeito
siderado commerciante de grosso. tracto e
ás taxas respectivas. Junta resolveu que
Em sessão de 3o deNovembro, a
commerciaes que não, estives-
fossem cancelladas as firmas
disposição do art. 54 do Regulamen-
sem de accórdo com a
to citado. Em consequencia
dessa deliberação foram cancelo
ladas 18 firmas que se esquivaram de regularisar-se, apesar
folha official,
dk chamadas por meio de edital publicado na
ao cumprimento desse dever. cancelladas 18 e
Existiam 47 firmas registradas ; foram
dissolvida uma, restando 28 devidamente regularisadas.
Rubricaram-se 32 livros, .sendo 13 de sociedades anony-
mas, 8 de casas commerciaes, 9
de agencias deleilões e 2 da
Secretaria da Junta.
commerciaes, cujos capi-
Foram archivados 15 contractos estatu-
taes attingiram a somma total de 525:654852 reis.; 5
tos de sociedades anonymas, a saber
Banco de Pernambuco (succursal) capital
8:000:004000
Banco do Ceará 1:000:004000
Prado Cearense 60:000S000
Popular Aracatyense 100:000$000
Ceará Gaz Company Limited 40:000 £.' ao
cambio de 27 355:604009
(QUADRO N.° 1)

Foram tambem archivados.3 distractos cotnmerciaes.


Registraram-se 2 titulos de agentes de leilões, 8 procu-
rações, 6 conhecimentos de imposto de industria e profissão,
2 titulos de caixeiros despachantes, i declaração de doação,
firmas commerciaes, i marca industrial de productos
pharmaceuticos e i eliminação de caixeiro despachante.
Lavraram-se 64 termos de abertura e.encerramento de
livros e 7 de compromissos.
Foram despachadas 97 petições ; receberam-se 134 offi-
cios.
Expediram-se 134 officios a diversas auctoridades e 8
circulares ás camaras municipacs, juizes de direito e collecto-
rias estadoaes.
Foram passadas 2 certidões e 12 attestados.
Importancia do sello e emolumentos pagos pelos actos
seguintes
Copíractos commerciaes r.o9 $600
Distractos
Estatutos de companhias anonymas iç.I$000
4
.0s605$;(50o0o
Livros commerciaes
Titulos de agentes de leilões
3oos000
Registro de firmas
ç5S000
Tiítilos dê caixeiros despachantes
_io$000
Papeis commerciaes 328600
Licenças
208000
Emolumentos
11:g000
Marca industrial
io$000

Total 4.229$8000
A differença que se nota na renda do sello, com relação
ás companhias anonymas, provem de que a Ceará Gaz Com-
pany Limited e o Banco de Pernambuco pagaram-no nas
sédes das' respectivas directorias em Londres e Re:.ife, visto
não estarem sujeitos ao sello estadoal. Tambem o Banco
do Ceará, cujo capital é de 1:000:000$:)oo Rs. só fez chama-
da de metade do mesmo capital.
Em virtude da lei n.° 47 de 25 de Julho de 1-93. 111C orga-
nisou o pessoal da secretaria.desta Junta, os emo!umentos,
que' pelo Regularriento de 16 de Dezembro de rb,)2 compe-
tiam ao secretario, passaram a fazer parte da renda tlo esta-
do.
No decurso do anno foi apenas registrada uma embar-
cação, de propriedade do cidadão brazileiro Agnello da 'Sil-
veira. Este navio que Se achava em pessimas condições
de
naegabilidade; só foi registrado em vista de attestado da
càiSitánia 'dó Porto, e ainda assim, sob a condição de seguir
do portb desta capital para o do Maranhão, onde seria des-
Manchado'. Assim porém não aconteceu ; o dito navio rece-
beu carrè-iáinentó naquèlle porto e se fez de vela par a o por-
to2de Belém; naufragando ao sahir da barra. Consta isto
dé:tinfórMa-ções particulares ; o respectivo proprietario ne-
nhtima déclüàçâo veio ainda fazer nesta repartição como
lhe cumpre O navio em questão éra o brigue dinamarquez
que passou a denominar se «Luzo-Brazilciro, ; foi
aqui registrado em 15 de Agosto.
To ito a libehlade de lembrar vos a conveniencia de se-
rem cobrados por meio de estamp-ilhas os emolumentos que
outr orà cornpetiain ao secretario, e 'que hoje fazem parte da
I
thliOngr4.1,1 +In V9,l'Aii) , fiAhl

renda do Estado ; assim tambem os registros e outros actos


expedidos por esta Junta. Importará isto uma economia de
tempo e trabalho, não só para a parte que é obrigada a le-
var guias á Secção de Recebedoria, como a esta que tem,de
fazer a escripturação respectiva.
ESTATISTICA

Passo agora a occupar-me do serviço da estatistica do


Estado, que em virtude do artigo 39 do Regulamento da lei
n.° 22 de 26 de Outubro de 1892, se acha a cargo desta Junta.
A estatistica que tem sido sempre objecto de constantes
preoccupações e dos mais sérios cuidados dos paizes cultos,
está muito longe de ser uma realidade entre nós. Não chegá-
mos ainda á comprehensão da alta importancia que ella ex-
erce na economia dos povos.
Logo que se inaugurou esta Junta, dirigi officios e circu-
lares ás repartições publicas federaes e estadoaes, solicitan-
do os dados imprescindiveis para a organisação dos quadros
esta tisticos.
A' Inspectoria de instrucção publica pedi o mappa da ma-
tricula nas escolas publicas e particulares, com descrimina-
ção de sexos, idades e frequencia das mesmas escolas. Não
obtive resposta.
As camaras municipaes o numero de guardas subsidia-
dos pelos cofres municipaes, assim como a nota de certos
serviços 'que correm por suas secretarias. Do mappa n.8 2
vereis quaes as que corresponderam ao meu appello.
A's collectorias a nota do abatimento de gado não só
para o consumo publico, como particular, consumo do sal,
numero de casas nos povoados e nos campos do munícipio,
com declaração das demolidas, desoccupadas, construidas ou
restauradas ; dos agricultores, roçados, sitias, engenhos,
açudes existentes na circumscripção da collectoria ; nota da
producção, consummo,importação e exportação de gados, ce-
reaes e outros generos de commercio ; nota das rendas es-
tadoal e municipal. Apenas 40 collectorias das 76 que exis-
tem responderam ao questionado, porem incompletamente,
como se evidencia dos dous quadros, sob ns. 3 e 4.
Aos Drs. juizes de direito e numero dos juizes de facto
qualificados nos diversos termos de suas comarcas. .

Deixaram de responder os juizes de direito de Assar é e


Jaguaribe-mirim.
Aos engenheiros chefes da Estradas de ferro de 13atu.-
rité e Sobral, a remessa semestral do movimento de
geiros e mercadorias transportadas entre as diversaspassa-
esta-
ções, com a classificação da receita e despesa.
deu somente ao appello o Sr. engenheiro chefe Correspon-
da Estrada
de ferro de Sobral.
Ao administrador dos correios do Estado, a nota da cor-
respondencia °tildai e particular franqueada e não franquea-
da que transitasse por aquella repartição,
assim como o
quadro da receita e despeza. Enviou os dados relativos ao
1.° semestre, deixando de o fazer com relação aos do 2.°
Á' Capitania do Porto, um mappa demonstrativo
das en-
tradas e sahidas dos navios, com declaração de nacionalida-
de, armaçào, tonelagem, equipagem, procedencias,
carrega-
mentos, etc. etc., relação_das embarcações empregadas na
cabotagem e pescarias ; outra dos individuos matriculados
na Capitania com declaração dos misteres á que se dedicam;
o mappa do mo7imento da escola de Aprendizes Marinhei-
ros, com declaração do numero dos que tem embarcado
com destino ao sul desde a installação da mesma escola.
O Sr. capitão do Porto respondeu que não tinha recebido re-
cornmendação alguma do Ministerio da Marinha para fome.
eer taes dados e que, além disto, não dispunha de pessoal
para fazer este trabalho.
A' Secretaria de Justiça, o quadro do movimento de pas-
sageiros de navios nacionács e estrangeiros, entrados e sa-
hidos com declaração dos portos de sua procedencia e aos
que
se destinarem, das .prisões, descriminadamente, o numero de
presos em cumprimento de sentença ou detemos por crimes
ou não. Não obtive resposta.
Secretaria do Interior, o resumo da' qualificação elei-
toral de todos os municipios do Estado, be-Ji como do recen-
seamento da população procedido a 31 de Dezembro de 1890.
Com solicitude foram logo enviados os dados requisitados.
A' Secretaria de Fazenda, o mappa da exportação e das
rendas. Não obtive resposta.
A' Provedoria da Santa Casa de Misericordia, o movi-
mento das enfermarias desse estabelecimento e do Asylo de
Sào Vicente de Paulo, de Porangaba, bem como o mappa
da mortalidade da capital.Esta requisição tem sido'l'satis-
feita mensalmente, como vereis dos quadros ns. 5. 6 e 7.
Se todos os dados e informações pedidas tivessem sido
remettidos, o serviço de estatistica estaria bem iniciado.
Vou de novo dirigir me a essas auctoridades, reiteirando
as
requisições. Os decretos n. 9886 de 7 de Março de 1888 e n. 181
de 2,1de Janeiro de 1890, queestabeleceram ó registro dos nasci-
mentos, casamentos e obitos e o casamento civil tem sido
comb lettra morta neste Estado ; apenas nesta capital, tem
tido execução e ainda assim imperfeitamente como se 'de-
monstra pelos mappas annexos. Pelos dados fornecidos pelo
ófficial do registro houve nesta capital durante o anno (qua-
dro n. 8).
Nascimentos 341
Casamentos 127
Obitos 1.135
Dos mappas apresentados pelos parochos das duas fre-
guezias consta o seguinte no mesmo armo
Baptisados 1879
Casamentos .365
A' diferença dos baptisados para os nascimentos regis-
trados é de 1,538, Concedendo que das creanças baptisadas
um terço tivesse nascido no armo anterior, ainda é notavel
a d;fferença, verificando-se que 911 deixaram de ser dadas a
registro pelos paes, que commetteram uma falta passivel
da pena cornminada pelo art. 5o do Reg. n. 9886 de 7 de
Março de 1888.
Com relação aos casamentos a diferença ainda é mais
apreciavel. Durante o armo foram celebrados civilmente
127 casamentos, ao passo que nas duas freguezias celebra-
ram-se, catholicamente, 365 ; a differença, portanto, contra
aquelles é de 238, que. importam outras tantas familias ille.
galmente constituidas.
A respeito da mortalidade nesta capital dá se a mesma
anomalia. Em quanto o registro civil accusa 1135 obitos, o
administrador d9 Cemiterio de São João Baptista, declara
haver inhumado 1,419 cadaveres (quadro n. 7) do que resul-
ta que 284 obitos não foram registrados como determina a lei.
Attendendo a inexequibilidade do registro civil entre
nós, S. Exc. o Sr. presidente do Estado, tomou o alvitre de
recorrer á auctoridade ecclesiastica, afim de obter os dados
refe5entes aos baptisados, casamentos e obitos. O diocesa-
no foi solicito em fazer enviar a esta Junta os mappas re-
metticlos á camara episcopal pelos Revds. parochos da dio-
cese, relativos ao armo de 1892, err. vista dos quaes foi orga-
nisaclo o quadro annexo sob o. 9.
Desses mappas se evidencia que naquelle armo houve
nas 76 parochias do Bispado
Baptisados 3151
Do sexo mascolino 19886
Do sexo feminino 18265
Legitimds 34593
Illegitimos 3558
Casamentos 5920
Obitos 9280
0 numero de obitos não é absolutamente exacto, por-
que em algumas freguezias, onde os cezniterios se acham a
cargo das municipalidades, os Revds. parochos não fazem
mais os respectivos assentamentos.

GUARDA NIUNICIPAI.

O numero de guardas municipaes mantidos e subsidia-


dos pelas respectivas carnaras do Estado eleva-se a 537 (qua
dro n. 2.)
JUIZES DE FACTO

Em diversos termos em que se acha dividido o Estado,


existem r c,o6o cidadãos qualificados juizes de facto, (quadro
n. ro.)'
IMPOSTO DE ESTATISTICA

Este imposto foi creado pela lei n. 35 de 14 de Novem-


bro de i802 (orçamento do Estado), sobre o valor official das
mercadorias importadas do estrangeiro e de outros Estados
da União.
Dous empregados desta repartição se occupam do apa-
nhamento, dos dados, conforme os conhecimentos que lhes
são ,fotnecidos pela Alíandega, sendo depois organisados
os quadros que são enviados mensalmente á Secretaria da Fa-
zenda, ,a quem compete mandar proceder á respectiva arre-
cadação' do imposto.
Durante
. o anno, como vereis dos quadros ns. r e 12, a
importação ,deu o seguinte resultado
Directa'
Valor official
4.776:517$187
Direitos pagos n'Alfandega 2.386:844916
Imposto dé Estatistica 2 o/° 95524842
Por cabotagem
Valor Comrnercial 1.571:30$146
Imposto de Estatistica 2 /0 30:227$845
Em vista de solicitação desta, Junta a Alfandega expediu
ordens ás Mesas de Rendas de Aracaty, Acarahú e Camo-
ciing para que estas fornecessem aos collectores estadoaes
d'aquellas localidades os dados que fossem por elles requi-
sitados, respectivamente á importação.
O colector do Aracaty foi o unico que executou com o
maior zelo e notavel solicitude as ordens que nesse sentido
lhe foram transmittidas, procedendo ao apanhamento dos
dados e enviando a esta repartição os mappas respectivos.
Verifica-se que a importação pelo porto do Aracaty,em 1.893
deu este resultado (quadro n. t';.)
Valor Commercial 36o:737$241
Imposto de Estatística 2 V, 7:2t2$723
O collector do Camocim;só fez o apanhamento dos da-
dos relativos aos mezes de Janeiro e Fevereiro, parecendo
,que durante os outros dez mezes nãó houve ali importação,
o que é, certamente, para admirar, visto como aquelle porto,
entretem largas relações commerciaes com os Estados do
Norte da União.
A importação nos dous referidos mezes foi esta
Valor commercial 125:687$66o
Imposto de Estatistica 2 ./.
2511$745
O do Acarahú declarou que ali não houvera importação.
O imposto de Esta tistica durante o armo at-
tingiu a 135:484$rçq

IIIQUESA PUBLICA

O mappa n. mostra a producção, consummo, importa-


taçào e exportação dos gados vaccum, cavallar, muar, suino,
ovelhum e caprino em 40 municipios.
O mappa n.4 demonstra quanto produziram os disimos
de gados grossos, miuças e pescado ; a quanto attingiram
as rendas arrecadadas pelas collectorias e camaras munici-
paes ; o numero de sitios de cafés, roçados, açudes existen-
tes em cada uma das 40 localidades.
Esses dados não são inteiramente' exactos, todavia dão
uma idéa approximada do movimento desses municipios.
E' possivel que este anno, a vista das providencias que
vão ser tomadas, de accordo com o art. 44 do Regulamento,
esses collectores remissos se compenetrem de seus deveres,
e então poder seá obter um mappa completo da riquesa de
todo o Estado.
Concluindo esta succinta exposição, peço-vos releveis
as muitas lacunas que nella encontrareis, attendendo a que
I 21».

o serviço de estatistica teve inicio apenas ha um


Estado. atino, neste
Saude e fraternidade.

José Candiclo Capalcante,


Presidente.
V

o ARA
N. 1, Sociedides eommereines:rt glistradas
no a nno de 189

L.11

o DISSOLVIDAS
ESTADOS COMARCAS c o
ri
o
o CAPITAL FUNDOS EM TEMPORAKIA o
ro ro
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O
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O
O ti
H

Ceará Fortaleza 108 1


;;I t4 til

109 60:000$000
1
110 45:000$000
1
111 1
112 90:372$512 1
1
58:000$000
5 annos
113 5 annos
114 1. 000:000$C00
50 annos
115 1
11:279$340
116 100:000$000
3 annos
117 1
8.000:000$000 20 annos
118 3:500$000
119 1
50:000$000 5 annos
120 5:000$000
1
50:000$C00
5 annos
Aracaty 121 1
Fortaleza 122 1 100:000$000 50 annos
Cra to 123 355:6005000 50 annos
1
Fortaleza 124 1
25:000$000 :00C$000 5 annos
125 23:0009000 4 annos
126 21:892$000
127 4
.
60:000$000 20 annos
128 1
50:000$000
129 13:500$000
130 6:000000 5 annos
131 1
20:000$000 2 annos
10:000$000 10 annos
Total 12 1 2
10.158:144$818 20:0009000 4
3 1
1
Secretaria da Junta Commercial do Ceará, 20 de
Junho de 1894.
Con forme

O director secretario,
João Eduardo Torres Canzara. O oficial,

ThonzazH Silva Paranhos.


ESTA O DO CEARA
Re1aç511() dos guardas locaes sabsidiados pelas
Calmaras Municipaes abaixo mencionadas.
N. 2.

DE
CAMARA S
N. DE
RDEM
ON. GUARDAS OBSERVAÇÕES

Aracoyaba 4 Deixaram de
'2 Arneiroz 5 remetter o nu-
3 Araripe 6 mero deguar-
4 Aurora 6 das as cama-
5 Aracaty '7 ras seguintes:
6 Aquiraz 6 Acarahú, As-
7 Arraial 5 sar, Fortale-
8 Baturité 34 za, Guarany,
9 Benjamin-Constant Ibiapina,
10 Boa Viagem 5 dependencia,
11 Barbalha 13 jaguaribe mi-
12 Beberibe 2 rim, Jardim,
13 Brejo dos Santos 6 Palma, Sane-
14 Coité 5 Anna .0 União.
15 Cratheús 10
16 Camocim 5 e gr.
17 Crato 9
18 Canindé
19 Campo Graade:
Cascavel reoffirer
21 Guaramiranga 7
22 Granja 9
23 Icó 10
24 Iguatú. 9
25 Itapipoca 10
26 Iracema 5
27 I pl> 8
28 Ipuelras R
29 Lavras 6
30 Limoeiro 10
31 Missão Velha 6
32 Maranguape a
33 Maurity 6
34 Meruoca 8
35 Mulungú 6
36 Mecejana 2
37 Morada Nova 5
38 Milagres 6
39 Pereiro 7
40 Porteiras 7
41 Pedra Branca 6
42 r Paracurú 6
43 Pacoty '7
44 Pacatuba

,,
7
45 Porangaba ) 3
46 Quixadá 7
47
48
49
Quixeramobim
Quixará
Redempção
I

5
"
50 Riacho do Sangue
51 S. Matheus 5
52 Soure 4
53 S. Francisco 6
54 S. Bernardo 4
55 S. Pedro do Crato 5
56 S. Benedicto 5
57 Saboeiro 5
58 S. Anna do B.Grande 7
59 Sobra! 13
60 S.João dos Inhamuns 8
61 Santa Quiteria 6
62 Trahiry 6
63 Tianguá 5
64 Tamboril 6
65 Umary .5
66 Varze'Alegre 5
6'7 Viçosa 6
537

Secretaria da Junta Commercial do Ceará, 19 de Junho


de 1894.

Conforme.
O director secretario,
O I.EARA
C0118~11410'. imporiação O export800 :4:1(l os nos eminielpios abaixo durui
N. 3,

Vaccum Cavallar Sumo Ovelh


Municípios
EXISTENTE CONSUMMIDO IMPOR1 A DO EXPORTADO EXISTENTE EX PORTADO EXISTENTE CONS UMM I DO IMPORTADO EX PO RTA EXISTENTE CONSUMMIDC I
iIMPORTADO

Ipú. 13.001 . 900 1.200 5.200 2,500 400 8.000 1,000


Guaramiranga 50 2.000 3 500 850 fflO 1.500 500 50 50
Cachoeira 50.000 500 2,000 3 500 5.000 1,000 1.000 500 20.000 3.000
Paracurú 7.000 259 2.000 5.000 380 3.000 190
Tianguá 1.210 65 45 800 225 225
Santa Quiteria 40.500 500 890 93) 7.420 280 2.300 80 10,800 4:700
JRguq ri be mirim 25.000 16 300 1.000 7. 0'0 200 5,201 1.870 14.002 800
Trr..4.ziry 4.000 90 1,800 2,500 300 300 2.801 800
Por angaba 2.520 761 768 02(3 ,15
109 - 45 2i 10 150
Arneiroz 2).000 RO 500 250 20.000 10,000 250 100 20 15.000 1.000
Viçosa. 8.050 1.010 560 2.700 4.500 1.451 1.8r10
Aracaty 8.600 240 2.400 1.700 200 200 4.500
Limoeiro 20.806 1.880 4.200 12.200 230 .18.000 4. 0O 2.000 30.200
Lavras 15.000 197 1.000 5.000 200 4.000 174 ì0.000 711
Aurnra 5.000 79 200 2.00 101 2.000 hS 49('
S. Reneclicto 8.000 3:000 2.000 2.01)0 200 2.000 2.000 100 5.000 3.500
Sobral 18.000 491 3.300 40 5 200 200 21 2.800 118 11.300 383
Jardim 6 000 247 1.000 2.0,0 60 1.200 303 2.60( 280
Roa Viagem-. 16.000 1.000 400 6.000 4.500 500 1.000 100 50 10.000 1.600
A ca rahú 6.000 260 3.000 2.000 300 5.000; 500
Uniào 800 269 101 2.000 2 2.100 250 6.000 331
Soure - 12.530 900 8.620 5.610 250 100 2.500 510
Redempção 10.000 2.500 2 500 1.500 1.000 5.000 2.000
Missão Velha 30.000 579 960 6 000 11-0 20.000 600 100 5.000 400
Mulungu 1.191 1.191 2.000 2.000 1.000 i.500 500 1.500
Ipueiras 2.500 350 2.500 2.000 4.;)00 50 50 2.700 1.040 500 4.500 ,1.500
Canindé 14.000 360 9.0001 1.300 40 27.000 340
Meruoca 70 70 57 50
Ibia nina 3.000 2.6110 4.000 2 100 300 8.000 3.000 1.000 4.000 3.500
Crato 9.7,.000 10.001) 9 000 25.000 2.000 1.000 30.000 15 000 25.000 4.000
S. Anna do B. Grande 3.000 800 700 200 2.000 100 500 600 600 2.000 1.000
Aquiraz 2.500 450 357 1.200 1.000 100 120
S. João dos Inharnuw: 17.000 350 200 1.000 6.500 250 1,000 300 3.000
Quixeramobim 252 26 89
Mbr,pda Nova 20.215 100 61 500 5.210 100 3.520 200 3.760 1.22o
Mecejana 88 91
Assaré 12.000 85 3.300 2.300 6.800 80 1.00 1.500 250 15.200
Umarv 8.000 1F° 3.000 3.000 2.000 200 300 3.000 5(0 200 3.000 500
Varz&Alegre 16.000 , 500 2.000 8.000 1.000 10.001 3.000 500 15.000 2,000
1) Cascavel 12.000 3.00n 1.000 3.000 600 3.000 1.006 400 4.000 i.500

549.234 37.695 40 942 30,095 188,4'46 4.105 16.713 156.390 41.469 2.908 5.007 314.228 59.641'

Secretaria da Junta Commercial do Ceará, 20 de Junho de 1894.

Conrorme
O director secretario, O oflicial,

Joio 1;',1tiarclo Torres Cantara, Thoma.7, Silva Pia lhos, 1011111111111>


u!ASIlA11)0,,,, et
titaçàoO oxp9rd:00 de gados nos municípios
abaixo duranlo O nano de 189W'.
"

Suino
Ovelhum (3) Nein° utizi
EXISTENTE CONSUM.MIDO I NI PORTADO EX PORTADO E,XEST ENTE CONSUMM IDO IMPORTA DO EXPORTADO E X1STÉNT CONSUM MI DO; P'ORTA DO EXPORTA ,
' O ' ..i. \ I .t P0 ii0 1 EXPO.RIADO
2,500
1

400
1.500
8.000 1.000 50
501'
50
.
16,000 2.000
1,000 50
500 950 250
5.000 20.000 3.000 4 000
3.000 40.000 15.00, 5- (11)1
190
225
225 6,000
2,300 80 1.600 150
10.800 4:700
5.201
2,500
.1 .870
300
14.002 800 400
16.900
-30.890
5.000
6.000
! 2.0
300 800 50W
109
250
45;
00!
21 0 150 3.000
600
1.000 12
20 15.000 1.000 32 16
4.500 .1 .451 20.000 2.000
1.700 1.8d0 925 1 00
200
200 4.500 12,400 2.580 -

18.000 40
0:'0
2.000 30.200 15.600 5.800 800
4.000 - 174 500 80.350 25.500
ì0.000 711 800
2.000
00í, 490.
2.20:
2.000 2.0N 100 15.000 1.255
2.800 5.000 3.500 3.000
118
lt.300 3.000 4.000 4.000
1.200 383 15
303
2.600 8.250 128
1.000 280
'T1'00
50 10.000 10.200 2.157
2.000 1.600 000
300
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2.908 5.007 314.228 59.641 '7.600 7.321 565,422 122.997 14.926 16.20 12 200
)t

O officio',

No111,7,7,1-1, Silva l?ci :hos,


ESTADO DO CEARÁ
N. 4, Dados estatisticos dos mainicipies abaixo, ' %71,
referentes ao afino " 1808 !t12

`41.111..

Diz MO DE
RENDIMEN-
lluniciplos GADÓS
DIZIMO DE
MIUÇAS
DIZIMO 1)0 DIZI1H0.-DO
TO DAS COL AGRicuL- S