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05/05/2021 Morin de Villefranche – Capítulo III

A ASTROLOG IA CO MO UM DIRECIONAMENTO SU PERI OR PA RA A H U MA NI DA DE DO F U T URO.

Q UARTA-FEIR A, MAIO 5TH, 2021

Faça seu Por que A Lua Como


Mapa fazer no
um Mapa
Astrológico Mapa Astrológico Interpretar o Mapa
Astrológico? Astrológico

Morin de Villefranche – Capítulo III

Estado Cósmico e Determinação Local – I


Tradução de Lúcia Lopes
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05/05/2021 Morin de Villefranche – Capítulo III

Excertos do livro Astrología Racional de Adolfo Weiss

Capítulo III

Destaquemos com toda clareza que cada planeta atua sempre tão somente através do signo em que se
encontra; que, além disso, essa atuação é influenciada, às vezes com a mesma força e algumas raras
vezes ainda mais intensamente, pelos aspectos que forma com outros planetas no horóscopo em questão.
Portanto, sabemos que a manifestação pura da natureza essencial de um planeta é praticamente
impossível; entretanto, é certo que essa natureza essencial prevalecerá: o efeito do Sol será sempre de
caráter solar, o de Saturno, saturnino, etc. Mas acontecerá sempre desse efeito solar ou saturnino ser
vigorizado ou debilitado, favorecido ou prejudicado pelos demais fatores da combinação. Daqueles
prejuízos ou fomentos adquiridos pela natureza essencial do signo em combinação à natureza do planeta
que está atuando através desse signo resultam, de forma muito natural, tanto as dignidades e forças
como as debilidades planetárias, que por sua vez pertencem à tradição astrológica.

Pois bem, se por meio de uma síntese minuciosa levarmos em conta todos os fatores que modificam a
natureza essencial de um planeta num determinado horóscopo, obteremos assim a natureza acidental
do planeta nesse horóscopo. Com isso conhecemos a força e a qualidade do efeito universal que o planeta
possui no respectivo caso, mas ainda não, de maneira alguma, a direção de seu efeito, por assim dizer,
seus pontos de incidência nessa natividade. Porque, por exemplo, a quadratura que Netuno recebe no
signo de Gêmeos por parte de um Saturno em Virgem é um aspecto que o nativo tem em comum com
todas as pessoas nascidas com ele no mesmo dia. Portanto, as naturezas acidentais dos planetas nos
informariam somente sobre seus possíveis efeitos universais, mas não sobre a influência singular e
especial que proporcionam ao nativo X. Esta última depende de outros fatores, das assim chamadas
“determinações” – que a partir de agora serão tratadas de maneira extensiva.

Morin de Villefranche (http://www.astro.com/astro-databank/Morinus,_Johannes) foi o único astrólogo que, em sua


teoria das determinações astrológicas (https://www.box.com/s/6mqz4hq2xnh0n0ra83p5), fixou com diligência,
senso crítico e segundo um método bem pensado esses e todos os demais fatores que devem ser levados
em conta para os diferentes efeitos planetários. Astrólogo pessoal do Cardeal Richelieu e mais alto
expoente de sua arte na Idade Média – exceção feita a Miguel Nostradamo, que, contudo, não nos deixou
nenhum escrito astrológico – Morin legou para a posteridade seus amplos conhecimentos sob a forma de
sua “Astrologia Gálica”, obra que abarca 26 volumes. Uma coisa ou outra nessa obra enorme é, de fato,
uma ampliação de uma tradição falseada e, ademais, viciosa, pertencendo assim ao domínio da
superstição astrológica; mas tomada em seu conjunto, a Astrologia Gálica ultrapassa em muito todos os
textos medievais; e, sobretudo, seu volume XXI, intitulado “De ativa corporum coelestium et passiva
sublunarium determinatione”, satisfaz, desde a primeira letra até a última, inclusive as exigências
críticas mais rigorosas; e isto é tanto mais assombroso porquanto Morin
(http://fr.wikipedia.org/wiki/Fichier:Jean-Baptiste_Morin_-_Astrologia_Gallica_%281661%29.jpg) – em que pese ter tido que
haver-se com uma tradição que se havia desfigurado até a degeneração sobretudo pelas idéias fantásticas
dos árabes – desemaranhou e reanimou organicamente, com argúcia implacável e intuição inédita, o
antigo núcleo de verdade – ao menos naquilo que se refere às determinações. É por isso que o
mencionado tomo XXI é a fonte de que tirei todos os preceitos que serão expostos e comentados a seguir.
Não muito facilmente legível, porque redigido num latim de abracadabra quase incompreensível, foi até
hoje um objeto pouco sedutor para os tradutores. O grande astrólogo francês La Selva é o único a quem se
deveu a tentativa de uma tradução, mas exageraria quem afirmasse que se saiu de sua empresa de
forma particularmente airosa. De modo algum penso que meus extratos e resumos possam eliminar por
completo a necessidade de estudar o original, mas abrigo a esperança de que serão capazes de facilitar de
modo notável a leitura daquele tomo – o que sem eles seria difícil e, frequentemente, estéril.
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 Em seu tratado teórico-crítico, Morin designa como “determinações” a valoração exata de todos os
fatores dos quais dependem a qualidade e o campo de ação das influências planetárias a serem
consideradas numa figura natal.

Qualifica de “universal” a determinação se esta se limita a valorar a qualidade de uma influência


planetária que, apesar de abarcar todo o mundo sublunar, por si só não possibilita ainda diagnósticos ou
prognósticos a respeito de um determinado nativo. A síntese de todos aqueles fatores que gravitam sobre
a qualidade de uma influência planetária é chamada por Morin o “estado cósmico” (status cosmicus) do
planeta em questão. Logo vou tratar de forma ampla esses fatores, em parte já mencionados. Como é
lógico, antes que o efeito de um planeta numa figura natal – ou seja, aquilo que mais acima denominei
“a direção e os pontos de incidência” da radiação planetária – possa ser utilizado para conclusões
diagnósticas e prognósticas, aquelas que obviamente podem apenas se referir àquele para quem foi
calculada essa determinada natividade, é preciso que se verifique o estado cósmico dos planetas.

A avaliação exata dessas influências planetárias, ou seja, a definição daqueles efeitos que só têm valor
para aquela natividade determinada (seja individual ou mundial) é denominada por Morin o “estado
terrestre” (status terrestris) ou também a “determinação local” (determinatio localis) do planeta em
questão. Para o momento, aponte-se aqui sucintamente que, a esse respeito, são decisivas,
primeiramente, aquelas relações que, numa figura natal, devem-se à cooperação entre os planetas e as
casas.

Um exemplo extremamente simples e compreensível esclarecerá a diferença fundamental que existe


entre as duas classes de determinações.

O fato de, digamos, Júpiter, gozar de dignidades e de bons aspectos, encontrando-se, portanto, em
excelente estado cósmico, justificará a conclusão de que tal influência de Júpiter se fará sentir de forma
extremamente benéfica para todos os que nasceram no momento em que atuava, logo também para
animais, plantas e até mesmo minerais. Contudo, o diagnóstico desse excelente estado cósmico não
possibilitará julgar em que sentido tal influência manifestará seu efeito benéfico num determinado
mapa. Pois se vemos que esse Júpiter se encontra, por exemplo, na Casa II de uma natividade, atuando,
assim, em virtude de sua determinação local, mais intensamente sobre essa casa, então, e apenas então,
nos será lícito deduzir com segurança que sua influência favorável se comprovará especialmente nos
assuntos pecuniários do nativo.

O Estado Cósmico dos Planetas

O fator mais importante do estado cósmico de um planeta é o signo zodiacal através do qual atua,
combinando, de certa forma, sua influência com a do planeta.

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É lógico que a eficácia de um planeta é fomentada se ele se encontra em um signo de natureza


semelhante. Este fomento será tanto maior quanto mais a semelhança aproxime-se da identidade. A
combinação do efeito planetário com o do signo, nesses casos, leva-se a cabo de modo tal que o efeito do
planeta parece assim aumentar em intensidade, ao passo que, do contrário, o efeito de um planeta que se
encontra num signo de natureza oposta, se manifestará apenas em grau debilitado. La Selva
(https://www.box.com/s/38jt81o806j7jlaeu658) menciona que, segundo parece, a eficácia dos signos resulta de uma
espécie de indução recebida por parte dos planetas. Ocupei-me mais acima nessa tentativa de explicação
empreendida pelos astrólogos modernos, de maneira que aqui posso limitar-me a esta menção. Pode-se
consignar que cada um dos planetas da série antiga (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno)
induz a atividade daquele signo que mais corresponde à sua natureza elementar e que, fora isso, cada
planeta, exceto Sol e Lua, induz, ademais, aquele signo cuja natureza elementar – falando em termos
matemático-científicos – é complementar à sua.

Na astrologia antiga (https://www.box.com/s/z1xr8g4fa4o9h18pv5ok), o primeiro desses signos é chamado de casa


diurna, e o segundo de casa noturna dos planetas. Diz-se então que o respectivo planeta domina esse
signo ou também que esse signo é seu domicílio, que ali ele é senhor, dono, patrão, amo, soberano ou
regente. Uma exceção dessa regra é constituída apenas por Sol e Lua, a quem corresponde apenas um
domicílio, respectivamente, porque cada um deles induz somente a um signo.

Os signos opostos aos domicílios opõem-se por sua vez o mais intensamente possível ao efeito do
respectivo planeta; o regente, ali, carece de trono, pelo que, como consequência lógica, é chamado de
exílio, desterro ou também detrimento.

No exílio, o efeito de um planeta aparece como entorpecido e turvado, não apenas pelo contraste que
existe entre as propriedades elementares do planeta e do signo, mas também devido a que, aqui, o
planeta sucumbe ao domínio, ao senhorio exercido por outro planeta que tem seu domicílio nesse signo.
O regente do exílio transforma-se, desse modo, no “dispositor” do “exilado” (ou desterrado) e tem,
portanto, o poder dispositivo sobre esse último. Por isso, o efeito benéfico do exilado se debilita, ao passo
que ganha força para provocar prejuízos. A influência de um planeta desterrado se leva a efeito, portanto,
de acordo com sua natureza essencial e a de seu dispositor, e a alteração que disso resulta comumente
irá se manifestar no sentido de uma perversão, que será tanto pior se o dispositor, ele mesmo, encontrar-
se no exílio ou em queda, ou se é contrário à natureza do planeta. Circunstancialmente, contudo, um
“benfeitor” exilado poderá até causar algo de favorável, se bem que em menor escala e com maiores
dificuldades do que se estivesse melhor colocado. Por outro lado, graças a um poderoso aspecto bom que
receba por parte de um benfeitor, um malfeitor desterrado poderá perder grande parte e,
circunstancialmente – por receber poderosos aspectos bons, sem exceção – até quase toda a sua
malignidade.

Dado que todos os planetas, exceto Sol e Lua, têm dois exílios, deve-se observar que a influência de um
planeta estará mais pervertida no signo cujo sexo é oposto ao seu. Assim, por exemplo, Saturno está
exilado tanto em Câncer como em Leão, mas sua perversão, por ser um planeta masculino, será mais
suportável em Leão do que em Câncer. O mesmo ocorre com Júpiter: Capricórnio, seu exílio feminino, irá
pervertê-lo muito mais do que Gêmeos, exílio masculino. Marte será pior em Touro do que em Libra,
Vênus mais corrupta em Áries do que em Escorpião, e Mercúrio inferior em Peixes do que em Sagitário.

Voltemos ao efeito que os planetas têm em seus domicílios. É ali não apenas mais puro, mas também
mais intenso do que em outros signos. Morin formula a tese de que, por seu efeito elementar, um
planeta será mais poderoso em sua casa diurna do que na noturna – isso em virtude do acordo de suas
propriedades elementares com as do signo. Contrariamente, sua influência chegará à manifestação mais
eficaz e benéfica no signo que tem o mesmo sexo que ele.

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De acordo com o precedente, o efeito elementar de Saturno será mais poderoso em Capricórnio do que em
Aquário; o de Vênus, menos poderoso em Libra do que em Touro; porém, já que Aquário é o domicílio
masculino de Saturno, planeta masculino, aqui sua influência se fará sentir mais intensa e
beneficamente do que no feminino Capricórnio, e pelas mesmas razões a feminina Vênus se manifestará
mais intensa e beneficamente em Touro, signo feminino.

Ao contrário, tanto elementarmente como do ponto de vista da influência, Marte é mais poderoso em
Áries, sua casa diurna, do que em Escorpião, casa noturna, já que a primeira compartilha do mesmo
sexo. O mesmo vale para Júpiter em Sagitário.

É conveniente ressaltar aqui que em signos femininos Saturno e Marte favorecem a manifestação de
anomalias físicas e morais, mas, note-se bem, tão apenas a manifestação; as aberrações em si resultam
de outras influências.

Sobre a nota que o sexo do planeta e do signo introduz na avaliação do estado cósmico, Morin observa,
além disso, que para a apreciação do efeito planetário sobre o nativo deve levar-se em conta também o
próprio sexo desse último; com efeito, não poderia ser favorável se, por exemplo, numa natividade
feminina a maioria dos planetas estiver em signos masculinos. Tal estado de coisas poderia ter por
consequência inclinações e características demasiado masculinas e excessos ou perversões sexuais. Isso
salta à vista no caso da simples posição de um planeta, colocado em seu domicílio, e que não é atingido
por nenhum aspecto. Outra cooperação, além de planeta e signo, tomada por favorável, é o que Morin
chama de “Trigonocracia”, dada no caso de um planeta alojar-se em signo da triplicidade em que
encontra seu domicílio. Morin chama de “senhor diurno” da triplicidade aquele planeta que não apenas
tem seu domicílio, mas também sua exaltação num signo da triplicidade; “senhor noturno” o que tem
seu domicílio em signo cardinal da triplicidade; e “senhor participante” o que, apesar de dominar num
dos signos da triplicidade, não conta com nenhuma outra das relações mencionadas.

A definição do senhor diurno da triplicidade indica já outra posição a mais do planeta em signos
determinados, que geralmente é admitida como dignidade: a “exaltação”, muito discutida quanto a seu
efeito. Morin diz que um planeta exaltado recebe apenas um aumento de força, mas que tal posição não
influi em absoluto de forma determinante sobre o efeito benéfico ou pernicioso dessa força – visão
inteiramente comprovada por minha própria experiência. O caráter benéfico ou pernicioso dependerá,
antes, da própria natureza do planeta, da natureza e do estado cósmico de seu dispositor, da casa em que
o planeta se aloja e dos aspectos que recebe.

Um planeta em exaltação não ganha em qualidade, mas em quantidade (força).

O contrário da exaltação é a queda, que se verifica no caso de um planeta estar em signo oposto ao de sua
exaltação. Segundo Morin, um planeta em queda perde sua força; o caráter de sua força, contudo,
depende dos fatores já mencionados para a exaltação, ou seja, da natureza própria do planeta, da
natureza e do estado cósmico de seu dispositor e da natureza essencial do signo em que o planeta se
encontra, etc. É muito melhor considerar detidamente todas essas influências que supor simplesmente
que um planeta colocado em sua queda deverá necessariamente ter um efeito prejudicial. Morin alega os
seguintes exemplos:
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O efeito de Saturno em Áries, signo de sua queda, é desfavorável em virtude de sua própria natureza
malfeitora, da de seu dispositor (Marte), igualmente um malfeitor, e em virtude do excesso de Seco,
provocado por sua cooperação com Áries. Marte em sua queda tem um efeito mais débil, mas não
obstante, pernicioso. O efeito do Sol em Libra, signo de sua queda, está apenas debilitado. Ao contrário, o
efeito da Lua em Escorpião é nitidamente maléfico, porque na cooperação com esse signo a Lua recebe
um excesso de úmido e porque Marte, o dispositor da Lua, e senhor de Escorpião, é um malfeitor.

Em geral, e por princípio, pode-se dizer que a força e a benignidade relativas de um efeito planetário
dependem mais da igualdade ou do contraste do sexo do planeta com seu signo de posição, do que da
igualdade ou do contraste das qualidades primitivas dos dois.

Se um planeta não se encontra nem em signo de sua dignidade nem de sua debilidade, ele é dito
“peregrino”. Evidentemente, a eficácia de um planeta peregrino não está pervertida, como no exílio, nem
tão debilitada como na queda. A debilitação do planeta peregrino estará em proporção direta com o
contraste elementar do signo e com o antagonismo eventual entre a natureza de seu dispositor e sua
própria natureza. Assim, por ex., quase nunca ocorrerá que a eficácia de um planeta experimente um
abatimento num signo cujo senhor encontra-se em relações harmoniosas, em “amizade” com esse
planeta, e pode até ser fomentada, como por exemplo num signo e casa dominados por Júpiter e
localmente determinados em direção a assuntos financeiros, como por exemplo Sol em Peixes na Casa II,
onde o caráter peregrino do Sol indicaria em si apenas riqueza medíocre. Ao contrário o efeito de um
planeta peregrino alojado no signo de um dispositor antagônico perde sua elasticidade e se corrompe
como, por exemplo, Mercúrio em Escorpião, signo dominado por Marte, ou Marte em Gêmeos, signo
dominado por Mercúrio, que significaria um intelecto tendencioso, crítico e mentiroso, se existir
determinação local a esse respeito.

Para o grau de piora que sofre a influência de um planeta peregrino se considerará, prescindindo da
própria natureza do planeta, também o sexo do signo de sua posição. A influência de um planeta
masculino situado em signo masculino, o feminino em feminino, sempre será mais favorável do que nos
casos em que os sexos divergem.

A combinação dos planetas com base nas qualidades primitivas evidenciará imediatamente que certos
planetas têm relações harmoniosas entre si, e outros, contudo, desarmônicas, antagônicas, ou, segundo
a expressão dos astrólogos antigos: uns estão em amizade entre si, outros em inimizade. Apesar disso,
não é lícito limitar essas relações através de meras regras. De acordo com Morin, a esse respeito
deveremos levar em conta os seguintes fatores:

a) O ponto de vista da constituição elementar:

Reina acordo entre dois planetas se têm em comum uma das qualidades primitivas que favorecem a vida
(Quente/Úmido); nesse sentido, existe harmonia entre:

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Sol e Júpiter; Júpiter e Vênus; Vênus e Lua.

Se a influência de dois planetas provém de qualidades primitivas opostas, os planetas são antagonistas;
em consequência, existe inimizade entre:

Sol e Saturno (Quente contra frio);

Sol e Lua (Seco contra úmido);

Saturno e Vênus (Seco contra úmido);

Lua e Marte (Frio e úmido contra quente e seco, ou seja, inimizade extraordinária, já que se opõem
mutuamente simultaneamente duas qualidades primitivas).

b) O ponto de vista da natureza benfeitora:

Tomando por base a analogia natural como possibilidade inerente e virtual, existe acordo entre:

Sol e Júpiter (com respeito a sua influência sobre a força vital, em honras e dignidades);

Júpiter e Vênus (com respeito a riqueza, filhos e amigos);

Vênus e Lua (com respeito ao amor, o matrimônio e o cônjuge).

Mas, sob certas condições, efeitos favoráveis podem resultar também da cooperação de um benfeitor e
um malfeitor assim, por exemplo:

Júpiter e Saturno: Porque favorece sabedoria, seriedade e a capacidade para produções elevadas;

 Saturno e Mercúrio: Porque favorece a profundidade do intelecto;

Marte e Mercúrio: Porque favorece a vivacidade do intelecto.

Mas circunstancialmente pode ocorrer que, na cooperação de um benfeitor com um malfeitor, esse
último se sobreponha, invertendo-se assim o bem do primeiro, e será particularmente crítica a
cooperação dos malfeitores; por isso, justificam-se temores em relação a:

Mercúrio/Lua: Fomenta indiscrição e instabilidade do intelecto;

Marte/Mercúrio: Fomenta a precipitação e a audácia intelectuais;

Sol/Marte: Favorece a jactância e a arrogância;

Vênus/Marte: Incita a disputas, ódios e violências nos assuntos amorosos;

Saturno/Vênus: Menoscabo da possível beleza física;

Sol/Saturno: Atenta contra a fama, prestígio, honras (salvo se Saturno estiver localmente determinado
para esses assuntos);

Saturno/Marte: Perigos cujo caráter depende da determinação local; favorece a degeneração moral e
também o malogro (má-sorte, “mala sombra”); dependendo da determinação local, há o perigo de morte
violenta.

Consideremos também o ponto de vista dos aspectos que os signos dos planetas em consideração
formam entre si. A colaboração dos planetas é favorável se os signos por eles dominados estiverem em
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bom aspecto entre si; a partir deste foco, existe amizade entre:

– Sol e Marte, porque Áries faz trígono com Leão;

– Júpiter e Lua, porque Peixes faz trígono com Câncer;

– Saturno e Mercúrio, porque Capricórnio faz trígono com Virgem, e Aquário faz trígono com Gêmeos.

Se os signos dominados pelos planetas estão em aspecto desfavorável um com o outro, ocorre o contrário:
surge a inimizade. São, portanto, inimigos:

Saturno e Sol, pois Leão se opõe a Aquário;

Saturno e Lua, pois Capricórnio opõe-se a Câncer;

Júpiter e Mercúrio, porque Peixes se opõe a Virgem;

Marte e Vênus, porque Áries opõe-se a Libra;

Marte e Sol, porque Escorpião quadra Leo;

Lua e Marte, porque Áries quadra Câncer;

Marte e Saturno, porque Áries quadra Capricórnio, e Escorpião quadra Aquário.

De tudo isso, depreende-se:

1. Entre dois planetas podem existir, ao mesmo tempo, “amizade” e “inimizade” com relação a efeitos
diferentes. É por isso que, para a decisão definitiva, deve levar-se em consideração também a
determinação local, as relações que dela resultam e a analogia natural dos planetas.

2. Saturno e Marte são inimigos de Sol e Lua em quase todos os assuntos; sobretudo o é Saturno, que é o
Malfeitor Maior. Júpiter, ao contrário, é o planeta que, por sua cooperação com outro planeta, desenvolve
na imensa maioria das vezes uma influência favorável.

Daí resulta que a “amizade” ou “inimizade” dos planetas, no que há a ser levado em conta para a
avaliação do estado cósmico, não pode ser enquadrada apenas em algumas poucas regras imutáveis,
mas deve averiguar-se em cada caso particular com reflexão e síntese profundas.

Para a avaliação do estado cósmico de um planeta, devem ser levados em conta, à parte os fatores
principais até aqui discutidos, vários outros, menos importantes que, contudo, não devem ser
descuidados. Dentre eles:

1. Planeta oriental ou ocidental do Sol.

2. Planetas rápidos, lentos, diretos, retrógrados e estacionários, respectivamente.

Um planeta é rápido se seu movimento diário no dia do nascimento é maior que seu movimento diário
médio. Tal avaliação pode ser feita com base nos seguintes valores:

Sol = 0°59’8”
Júpiter = 4’59
Mercúrio = 1°19′
Saturno = 3’49”
Vênus = 1°15′

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Urano = 3’0″
Lua = 13°58′
Netuno= 1’40”
Marte = 0°38′
Nodos = 3’11’

a) Planeta Rápido: probabilidade de uma realização mais rápida dos efeitos cuja inclinação seja dada na
figura natal estudada.

b) Planeta Lento: retardamento dos efeitos correspondentes;

c) Movimento Direto: uniformidade e progressão do efeito planetário

d) Retrogradação: Efeito entorpecido e retardado; interrupção, resultado incompleto do movimento em


consideração.

e) Planeta estacionário = Estabilidade e durabilidade dos efeitos.

A Determinação Local dos Planetas

Por considerável que tenha sido o trabalho de determinar o estado cósmico de um planeta ainda não
cumprimos, contudo, a tarefa principal. Se as potencialidades universais devem ser examinadas com
relação a sua direção ou, por assim se dizer, com relação da cara que apresentam num caso especial.
Porque nos incumbe revisar como influenciarão num indivíduo nascido numa hora e local
determinados. Consequentemente, devem ser observadas as relações dos planetas com o horizonte e o
meridiano da natividade em questão, ou, em outras palavras, suas relações com as chamadas “casas”
daquela figura natal.

Teoria da Determinação Local

Astrologia Gálica – Vol. XXI

Um exame a fundo informou-nos sobre o estado cósmico dos planetas de uma natividade determinada.
Com isso conhecemos as diferentes forças astrais que, no momento decisivo para o estabelecimento
desta natividade, ganharam sua eficácia universal válida para toda a Terra; e agora queremos inteirar-
nos da expressão especial que estas forças astrais adotarão naquela natividade; em outras palavras,

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queremos conhecer a determinação local dos planetas, e serão as casas que nos
deverão servir para a resolução deste problemas.

Segundo a casa em que se encontre, um planeta provocará efeitos diferentes.


Atuará, por exemplo, na casa I, sobretudo, sobre a constituição física, os
instinto e as inclinações mentais e morais; na casa X, sobre as honras e
dignidades do nativo, e assim em todas as casas. Pois o fator decisivo para a
determinação local de um planeta é a casa que lhe serve de posição na figura
natal do caso em particular. As já mencionadas relações entre os planetas e os
signos têm por consequência que também os signos participam na
determinação local. Isto se elucidará através de um exemplo. Suponhamos que
o Sol se encontre no meridiano superior, e o signo de Leão, por ele dominado,
J.B.Morin – Astrologia
no Asc. A posição do Sol se fará sentir em sentido solar para os significados da
Gallica
casa X, e o signo de Leão em sentido solar para os significados da casa I. (http://www.vkol.cz/~petros/a

Unindo portanto I e X, as duas casas de que aqui se trata, por uma combinação, strol/morin.htm)

poder-se-á deduzir que por seus méritos (efeito solar do signo de Leão na casa I)
o nascido chegará a obter fama e prestígio (efeito do Sol na casa X). Suponhamos que neste exemplo
(citado segundo La Selva) X, a casa de posição do Sol, esteja ocupada pelo signo de Áries, e que Marte, o
senhor desse signo, encontre-se na casa I, ou seja, em Leão; então, a posição de Marte cooperará num
sentido marciano aos significados da casa I (constituição, temperamento, etc.), e daí que, para a casa I,
far-se-á sentir uma combinação das influências solar e marciana. Dado que, por outro lado, Marte, por
dominar em Áries, na casa X de nosso exemplo, é o regente da casa X e ali dispositor do Sol lá presente,
sua posição em I por um lado irá corroborar o indício de que o nativo chegará por méritos pessoais a ter
fama e prestígio, mas pelo outro – precisamente por ser senhor da casa X e dispositor do Sol – Marte
permite também tirar uma conclusão referente às condições sob as quais aqui se irão realizar os
significados da casa X (fama, prestígio, atividade profissional), conclusão que, no exemplo dado, apontará
a carreira militar.

Deste único exemplo já se depreende toda a importância que há, na horoscopia, no estudo estritamente
sistemático da determinação local, pois constitui o fundamento de todas as interpretações de uma figura
natal. A seguir discutirei um a um todos os fatores que deverão levar-se em consideração a esse respeito,
atendo-me ao método de Morin, porque até agora não há quem os tenha explicado com tanta clareza,
com uma disposição tão perfeita e uma motivação tão profunda como o astrólogo pessoal de Richelieu.

A posição dos planetas nas diferentes casas determina não apenas as categorias, mas também as
intensidades dos efeitos desses planetas. Já sabemos que os planetas atuam com mais força nas casas
angulares e que, também dentro de uma mesma casa, para todo planeta há um ponto de efeito máximo,
que é a cúspide da referida casa. À medida que um planeta esteja mais afastado da cúspide de uma casa,
sua eficácia também se debilita.

Para toda a duração da vida de um nativo, o ponto natal em que se encontra o Sol, por exemplo, tem
caráter solar, assim como o ponto ocupado por Saturno terá caráter saturnino. Esses lugares funcionam
no transcurso ulterior da vida como se os respectivos planetas permanecessem para sempre nesses
pontos e, mais ainda, não apenas o local ocupado por Saturno está assim determinado segundo a
natureza saturnina, mas também os pontos em que caem os antíscios (pontos opostos) e os aspectos de
Saturno. Evidentemente, o que aqui se diz com relação a Saturno vale, ademais, para todos os planetas,
fato amplamente confirmado pela experiência. Esta determinação em nada contradiz aquela dos signos
respectivos em que se encontrem. Ao estar, por exemplo, Saturno no signo de Leão, combina-se a sua
influência saturnina com a solar do signo. O mesmo vale também se vários planetas estiverem num
mesmo signo, caso em que cada uma das influências planetárias irá se combinar separadamente com a

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do signo. Isto explica por que os planetas presentes em seus domicílios como, por exemplo, o Sol em Leão,
Saturno em Capricórnio ou em Aquário, exercem efeitos tão poderosos. Dado que, por outro lado, a
influência solar e a saturnina denotam um marcado antagonismo, resulta que, pela posição de Saturno
em Leão a influência solar e a saturnina entorpecem-se mutuamente e empurram-se mutuamente para
a perversão, de tal maneira que esta posição produz efeitos desfavoráveis, cuja forma de manifestação
poderá reconhecer-se por meio da determinação local. Finalmente, caso não exista nem harmonia nem
antagonismo entre o planeta e o signo, ou seja, caso o planeta seja peregrino como, por exemplo, Saturno
em Peixes ou Sol em Virgem, esta combinação não irá atuar nem num sentido nitidamente favorável,
nem desfavorável.

Morin destaca, além disso, que ao Asc e ao MC corresponde uma influência mais forte que ao senhor de I
ou de X ou aos planetas presentes nessas casas, fato que se confirma pelas direções
(http://www.astrosoftware.com/WimVanDamProducts.htm). Afora isso, observa que, nesse sentido, os aspectos que
caem sobre o Asc ou o MC são mais importantes e potentes ainda que aqueles que recaem sobre os
senhores de I e X.

Mesmo quando se leve em conta apenas o estado cósmico de um planeta, haverá que considerarem-se
vários fatores:

1. Cada planeta coopera sempre com o signo em que se encontra num caso particular. Cada signo atua
segundo a natureza de seu senhor. Os efeitos assim proporcionados serão exatos apenas se não houver
influência modificadora de outros fatores; portanto, de certo modo, eles são apenas pontos de partida de
combinações ulteriores.

2. Acidentalmente, o efeito de um planeta é modelado ou, dizendo com Morin,”determinado”, também,


por outros planetas que estabelecem relações com ele por conjunção ou aspectos, de modo que o planeta e
seu partícipe vinculado determinam-se mutuamente de modo semelhante aos sócios de uma empresa.

Desta combinação universalmente eficaz e da qual não se podem tirar conclusões especiais sobre o
destino do nativo, a atividade de cada um dos participantes do aspecto é reforçada, debilitada ou alterada
pela do outro. Por isto sou contra Manuais como os de Alan Leo, em que são dadas “receitas” para a
atuação dos planetas em determinados signos, ou mesmo para dois planetas em determinado aspecto.
Que inútil é essa enumeração sem levar-se em conta a determinação local desses planetas e os outros
fatores que influem nessa determinação! É,enfim, muito melhor seguir o exemplo do grande Morin, não
subministrando receita alguma mas, em troca, iniciar sistematicamente o estudante no trabalho
combinatório independente, desenvolvendo seu juízo pela discussão de determinados casos em
horóscopos apropriados. Quem não quiser ou não puder aprender segundo esse método , que se sirva de
um desses manuais de cozinha que oferecem tantas receitas a copiar! Quanto ao alimento ter o sabor
adequado.

3) As influências planetárias são “cunhadas” pelas casas em direção a determinados grupos de efeito ,
resultantes por ordem de sua força as determinações que se seguem:

a) A posição de um planeta numa casa;

b) Suas dignidades essenciais numa casa;

c) Seus aspectos e, para deixar clara a idéia que Morin quis agregar: os que estão saindo de uma casa e
entrando na outra;

d) Seus antíscios, que são fatores que influem de forma débil para a análise.

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05/05/2021 Morin de Villefranche – Capítulo III

O que antes foi mencionado com relação aos aspectos encontra uma dupla possibilidade de
manifestação, segundo se contemple ao planeta relacionado com outro planeta:

1. Em si, por simples analogia. Se, por ex., se encontrar o regente natal em aspecto favorável com o Sol,
estaria, dessa forma, assim determinado no sentido solar para honras, dignidades, etc.

2. Do ponto de vista da determinação local do planeta relacionado com outro planeta; relacione-se, por
exemplo, o regente natal com o Sol, senhor da casa XII de sua natividade; daí seria dado, pois, inferir
enfermidades e poderosos inimigos secretos.

A seguir, dedico-me à tarefa de examinar detidamente as diferentes classes de determinação, uma a


uma, e averiguar sua potência relativa. Com esses conhecimentos, poderemos desvelar os segredos mais
importantes da astrologia. A primeira tarefa será sempre considerar o que pode um planeta significar de
acordo com sua natureza essencial; só então, o que significa em seu estado cósmico, de acordo com o
signo em que se encontra; o que, de acordo com o senhor a que estiver subordinado esse signo ele
mesmo; e o que, segundo as relações com outros planetas por conjunção ou aspecto; finalmente, que
valor possui segundo sua determinação local, em outras palavras, segundo sua posição ou dominação e,
na maioria das vezes, também segundo seu aspectário em determinadas casas.

Mesmo já o tendo expressado, volto a repetir: o estado cósmico dos planetas, eficiente e ativo para toda a
terra, não autoriza a pronunciar diagnósticos ou prognósticos especiais. Revela-nos nada mais que a
qualidade da influência planetária. De qualquer modo, é certo que esta qualidade deverá ser avaliada com
exatidão, antes de que seja possível verificar seu efeito sobre determinados domínios da vida do nativo
com ajuda da determinação local. Em suma, antes de dedicar-se a precisar efeitos especiais, é sempre
necessário conhecer com exatidão a qualidade, o valor qualitativo do agente. No exame dos fatores de tal
qualidade, ou seja, na determinação do estado cósmico, far-se-á sempre sentir primeiramente a natureza
essencial de um planeta, mas sua manifestação será reforçada ou debilitada, favorecida ou pervertida
pelos demais fatores do estado cósmico. A combinação que daí resulta decidirá sobre a qualidade do
efeito planetário no momento estudado, enquanto que, em cada caso individual, a categoria de estados
ou de acontecimentos que esse efeito abrange só poderá deduzir-se da determinação local.

“O fator astral (as posições dos astros e os aspectos) constitui apenas uma das duas partes do problema e
deve ser combinado em cada caso individual com o que, em contraste a ele, poder-se-ia chamar fator
terrestre. É óbvio que um mesmo fator astral, combinado com diferentes fatores terrestres, terá que
produzir diferentes resultados. O fator astral é já bastante complicado; o terrestre o é ainda muito mais.
Consequentemente, surgem combinações de uma variedade quase ilimitada. Entre os vários elementos
que constituem a totalidade do fator terrestre, chamam a atenção primeiramente as influências que
cooperam na origem e no crescimento do ser humano, obrigando-o a incessantes reações; essas
influências são por ex.: o ambiente biológico (transmissão hereditária da espécie, da raça, da família), o
ambiente físico (clima, habitação, etc.), o ambiente familiar, profissional, social, etnológico, político,
nacional, etc. A maneira em que a maioria dessas influências especiais se apresenta em qualquer
momento é, em parte, consequência de influências astrais anteriores às quais estavam elas mesmas
submetidas. Portanto, o resultado da ação do fator terrestre apenas poderá ser compreendido em traços
amplos, como possibilidade apta para confirmar, reforçar ou debilitar as probabilidades características
dos fatores astrais. As influências a considerar a esse respeito constituem de certo modo uma hierarquia
em que a superioridade corresponde ao fator astral, de modo que comumente prevalecerão as
probabilidades astrais.” (La Selva) Sobre os significadores: “É preciso examinar detidamente se os
planetas que se apresentam ou dominam numa casa encontram-se em configurações favoráveis ou
desfavoráveis com aquele planeta que, segundo a analogia, possui o mesmo significado da casa. Portanto
é preciso levar-se em conta, ademais, o estado cósmico e a determinação local do planeta significador.
Nisso resulta todo o segredo de certas predições, por vezes assombrosas, mas verificadas pelos fatos”.
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Capítulo IV

A Determinação Acidental dos Planetas por sua Posição e


Dominação nas Casas

Entre todas as determinações locais de um planeta, a mais


forte é sua posição por casa. Segundo Morin
(http://www.constelar.com.br/revista/edicao46/gallica2.htm), é preciso ter
em mente que as casas de uma natividade não produzem
diretamente os assuntos a elas atribuídos, nem os “significam”
no sentido estrito da palavra, mas sim que determinam a
influência dos planetas e signos nelas presentes. Pois, para
expressar-se com toda exatidão, seria ilícito dizer: a casa I
significa a vida, etc., a casa II as posses, etc. Seria necessário
formulá-lo no sentido de que a casa I provoca uma
determinação referente à vida, etc., em virtude de ser a casa da vida. Evidentemente, vale o mesmo para
todas as casas.

Mas, pela mesma razão, tampouco os signos colocados numa das casas, nem os planetas ali presentes ou
domiciliados, “significam” o assunto daquela casa; porque, sendo assim, deveriam sempre realizar em
algum momento o que significam. Segundo é ensinado pela experiência, isto não se ajusta aos fatos.
Assim, por ex., Saturno que se alberga em ou domina a casa I, não produz sempre a vida, porque em
grande número de casos até a destrói; um Saturno estacionado em X ou que ali domine pode ocasionar
honras e dignidades, mas também impedi-los. Em consequência lógica, teríamos que dizer: os planetas
que ocupam ou dominam a casa I têm um significado referente à vida, o que, novamente em sentido
análogo,valerá para todas as casas. Em outras palavras:

A posição ou a dominação de um planeta numa casa assinala em si nada mais que um grupo de estados,
acontecimentos ou assuntos que podem realizar-se para o nativo, não sendo, contudo, forçoso que assim
o façam. Se, no caso considerado, produzir-se-á a realização ou o impedimento, isto é algo que não se
resolve pela posição ou dominação do planeta numa casa, mas pela natureza essencial desse planeta e
por seu estado cósmico, pelos dois fatores de que dependem também a qualidade e a quantidade das
coisas a se esperar. Para maior clareza, recordemos que , ao considerar o estado cósmico, é preciso levar
em conta também os aspectos do planeta em questão.

Por exemplo:

Um Sol que se encontra ou domina em XI relaciona-se por aspecto com um planeta colocado ou
domiciliado em X, significa os amigos e indica ao mesmo tempo por sua natureza, que esses amigos
ocupam uma posição elevada ou que se destacarão de alguma outra maneira.

Um Saturno significativo de enfermidades por sua determinação local indica, além do quê, que essas
enfermidades serão de natureza saturnina. Assim, por exemplo, qualquer planeta que se situe ou domine
em VII, tem um significado relativo às uniões, inimizades declaradas,etc. Mas se efetivamente e em que
medida se realizarão esses significados, é algo que não depende da determinação dada pela casa, mas
sim da natureza essencial e do estado cósmico de cada um dos planetas ali alojados. Segundo sua
natureza essencial, Júpiter e Vênus favorecerão e fomentarão as uniões, Saturno e Marte irão inibi-las,
destruí-las ou ao menos fazer obstáculos a elas. À parte isso, para os efeitos do planeta situado em VII –
casa do nosso exemplo atual – são também importantes algumas condições acidentais, quais sejam, as
relações desse planeta com outros, sobretudo com o regente natal, e suas dominações em outras casas.
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Se, por exemplo, um planeta colocado em VII domina em XII, isto tem um significado muito diferente
para os assuntos de VII, do que se os dominasse na X.

De um planeta que domina numa casa, mas que está ausente dela, devem tirar-se as mesmas conclusões
de quando está presente nela, mas considerando sempre que a mera dominação atua mais debilmente
que a efetiva presença.

Portanto, a posição ou domínio de um planeta numa casa informa-nos apenas sobre o fato de que está
em relação com os assuntos em relação aos quais é determinado pela casa. O signo que o planeta tenha
nessa relação, em outras palavras: se os provocará ou impedirá, ou se não deixará de eliminá-los no caso
em que, apesar de tudo, tenham-se realizado, poderá ser conhecido pelo estado cósmico do respectivo
astro.

Para proporcionar uma ideia da plena escala dos efeitos que um planeta provocará em virtude de seu
estado cósmico e de sua determinação local, é preciso observar os quatro pontos que se seguem:

1. As influências podem realizar o objeto de sua determinação.

2. Podem impedir sua realização.

3. Podem tornar a destruir a realização já conseguida.

4. Podem efetuar a transformação da dada realização em fonte de sorte ou de pesar para o nativo.

Se um planeta indica o impedimento de uma realização como, por exemplo, lograr prosperidade, ele
significa não apenas que por sua própria atuação o nativo nunca adquirirá essa prosperidade, mas que
também é indício de que perderá a que talvez lhe toque por herança, e que em breve recairá na pobreza;
ou se existisse uma determinação funesta para os irmãos do nativo, isso não apenas significaria que o
nativo não terá outros irmãos, mas informaria também que perderá àqueles que tivessem nascido antes
de si. Portanto, há sempre que considerar com atenção se as influências do caso individual estão
dirigidas à realização, ao impedimento ou à destruição depois de obtida a realização.

Resumo

De antemão, os planetas têm somente um significado relativo aos assuntos e acontecimentos que
concernem ao próprio nativo, e isso em virtude de sua posição numa casa, de suas dominações e
aspectos, determinações essas entre as quais, na maioria absoluta dos casos, amais forte é a primeira, a
posição numa casa. Mas já que todos os planetas podem significar realização ou impedimento ou
consequências variadas de uma dada realização, é também lícito dizer que um planeta não apenas
estende sua influência sobre os assuntos da casa em que se encontra, mas também sobre as pessoas
indicadas pela respectiva casa. Assim, portanto, um Marte em mau estado cósmico na casa III de uma
natividade permite inferir que o nativo perderá seus irmãos. Para eles, esse Marte pode
circunstancialmente significar a morte. Quanto ao mais, todos os pontos aqui abordados irão ser
esclarecidos em exposições posteriores.

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Um só Planeta numa Casa

Depois de discutir esses pontos gerais, passemos ao tratamento das particularidades. Suponhamos que
encontramos numa casa Y de uma natividade apenas o planeta Z. O que deveremos considerar nessa
situação?

Antes de tudo diremos que, para os assuntos dessa casa Y deveremos levar em conta primeiramente, de
uma maneira predominante, a influência do planeta Z. Com isso, é de importância muito secundária a
questão de, se no signo ocupado pela casa Y, o planeta tem forças ou debilidades, ou se é ali peregrino.
Basta já a mera posição na casa Y para assegurar ao planeta Z a significação predominante para os
assuntos desta casa.

Apuramos, a seguir, que o planeta Z é peregrino nesta casa. Imediatamente nos chamará a atenção o fato
de que Z obedece ao domínio de outro planeta, em razão do que teremos que examinar as condições desse
dispositor; o resultado desse exame contribuirá para os significados da casa Y.

Em seguida veremos que, por diferentes aspectos, Z relaciona-se também com outros planetas. Mas
manteremos em mente o fato de que, apesar de raras exceções, nem a dominação por outro planeta,
nem os aspectos que caem sobre Z poderão competir com a posição do planeta Z na casa Y. Portanto,
obedecendo a esta regra geral, será sempre concedida a um planeta único que se encontra numa casa a
importância principal para os assuntos dessa casa. Ao dispositor, contudo, corresponderá também certa
influência e, apesar de em geral ser esta menor, não justifica em absoluto descuidar-se dela. O mesmo
ocorre com respeito aos aspectos, evidentemente.

Se um planeta se encontra sozinho numa casa, gozando ali da dignidade de domicílio, todas as
avaliações do caso derivar-se-ão, logicamente, de sua natureza essencial, seu estado cósmico e sua
determinação local. Existe aqui, portanto, uma situação muito mais simples, pois que desaparece pelo
menos a questão do dispositor. Para julgar se tal planeta realizará, impedirá, retardará ou destruirá de
novo depois de efetuada a realização os assuntos da casa respectiva, ou se, em consequência ulterior, fará
deles uma fonte de ventura ou desventura, deveremos levar em conta primeiramente sua natureza
essencial, em seguida seu estado cósmico e então sua determinação local, mas com esse último fator
deveremos ter em mente que o assunto não se esgota apenas por sua posição numa casa.

Com relação à natureza essencial de tal planeta, é preciso considerar suas sinonímias com determinadas
casas, que lhe são devidas em virtude de analogia natural. Assim, por ex., encarado em si, em virtude de
sua analogia natural com honras e dignidades, o Sol em X produzirá efetivamente tais bens, enquanto
que Saturno irá impedi-los em si. Este “em si” é algo que não se deveria jamais perder de vista, pois
acidentalmente um sol colocado em X poderia também impedir a obtenção de honras e dignidades, se
por exemplo estivesse no exílio, em queda ou ferido pelo aspecto desarmônico de um malfeitor e – o que

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pioraria ainda mais essas influências – se também seu dispositor se encontrasse em situação precária.
Entretanto, mesmo quando um Sol em mau estado cósmico e colocado na casa X realiza certa ascensão
em virtude de sua analogia natural, vincularia tal ascensão com dificuldades e reveses que seriam tanto
mais graves quanto maior o número de fatores desfavoráveis do estado cósmico.

Em compensação, um Saturno colocado na X poderia ocasionar elevação, honras e dignidades, em que


pese sua analogia natural ser contrária a essas coisas, se por ex. estivesse ali em dignidade e em
movimento rápido, direto, gozando ao mesmo tempo de bons aspectos por parte de Sol e Júpiter.

Do mesmo modo, segundo a natureza essencial, por sua posição na VII Marte provocará lutas,
inimizades, litígios, etc., ao passo que, de acordo com sua natureza essencial, Vênus as acalmará e
mitigará. Segundo a natureza essencial, por posicionamento na II, Júpiter traria riqueza, Saturno a
impediria e Marte a dilapidaria. Considerado em si, Saturno na XII se empenhará por provocar graves
enfermidades crônicas, ao passo que Júpiter as evitará, etc.

Cada planeta, provido em si de um significado correspondente ao sentido de sua casa de posição, realiza
esse significado de acordo com os fatores de seu estado cósmico, em seu aspecto bom ou mau. Se seu
significado é contrário ao sentido de sua casa de posição,impede ou retarda a realização ou destrói o que
afinal se logrou, ou o transforma em fonte de desventura.

Com relação ao estado cósmico de um planeta, pode-se dizer de modo muito geral:

I.B.1. Cada planeta, mesmo aqueles que segundo sua natureza essencial é tido por malfeitor, pode passar
em geral por autor de efeitos benéficos, qualquer que seja a casa em que se encontre, se carece de
relações desfavoráveis com malfeitores (como conjunção, maus aspectos ou um malfeitor mal
acondicionado como dispositor), se está em movimento rápido, direto, etc. Isto se reforça se ele receber
bons aspectos por parte de planetas aos quais corresponde a qualidade de benfeitores de acordo com sua
natureza essencial.

A qualidade boa ou má de uma influência planetária, quer seja ela o resultado de sua natureza essencial
ou de seu estado cósmico, não pode ser alterada pela posição do planeta numa casa, porque as casas
determinam somente a direção, os pontos de ataque da corrente energética que emana do planeta. Uma
vez que, no entanto, o efeito dos planetas é tanto melhor quanto mais sua natureza essencial concorde
com seu estado cósmico, a atuação de um Maléfico, mesmo a de um de bom estado cósmico, será de
qualquer forma crítica. Em seus domicílios e exaltações e em casas de bom significado, como por
exemplo, na casa X, casa das honras, etc., os Maléficos (Saturno e Marte) podem ainda realizar os
significados pertinentes, sobretudo no caso de receberem bons aspectos de Sol, Lua, Júpiter ou Vênus,
respectivamente, mas esta intervenção benéfica vem acompanhada quase sempre por dificuldades e
perigos, ou apoiada por meios ilegais ou imorais. O mesmo se pode dizer dos planetas pesados, mesmo
quando se encontrem em seus signos de melhor efeito ou apresentem outras características de um
estado cósmico favorável. Em suma, se já em casas boas recomenda-se cuidado com um Maléfico de bom
estado cósmico, muito mais ainda será necessário tê-lo quando se tratar das casas VII, VIII e XII,
respectivamente, porque de acordo com sua natureza essencial os Maléficos têm de todos os modos uma
analogia com males e tendem a produzi-los, efetivamente. Consequentemente, Marte alojado na VII e
provido ali de exaltação provocará inimizades poderosas e, ao situar-se em VIII, pode causar uma morte
violenta mesmo se posicionado em Áries, o melhor de seus domicílios. Como exemplo disso Morin cita a
natividade de Henri d’Effiat, a que nos referiremos adiante.

Por conseguinte, a regra geral precedente tem de modificar-se para os Maléficos no sentido de que o fato
de encontrar-se em bom estado cósmico e em casas de significado favorável – que passarei a chamar de
casas “agraciadas” – certamente que autoriza para prognósticos favoráveis; em compensação, quando se

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encontram em casas de mau significado ou “desagraciadas” – que a partir de agora assim serão
chamadas – produzem efeitos desventurosos. Logicamente, os Maléficos poderão efetuar males muito
consideráveis também em todas as outras casas, e, sobretudo no ASC e no MC e em outros locais
agraciados, se ali são peregrinos ou estiverem sujeitos, mesmo que seja a um só fator desfavorável do
estado cósmico, e esta faculdade será tanto maior, quanto pior seja o estado cósmico do Maléfico, e de
força extraordinária se Marte ou Saturno ofendem por mau estado o regente da casa em questão.

I.B.2. Em compensação, todo planeta de mau estado cósmico (exílio, queda, movimento retrógrado, maus
aspectos com os Maléficos, falta de aspectos com os Benéficos) será tido por “maléfico”, qualquer que seja
a casa em que se coloque. Logicamente, esse caráter acidentalmente malfeitor se fará sentir de forma
mais decisiva no caso dos Maléficos, pois estes, em mau estado cósmico, prometem uma depravação
moral, uma ignomínia, uma mutilação, uma atrofia, a queda da posição social, exílio, prisão,
enfermidades graves, morte a mão armada, etc., segundo sua determinação local. Assim – apenas um
exemplo entre milhares – Saturno em Leão na VIII apontará uma morte violenta, miserável.

I.B.3. O efeito de um planeta de estado cósmico medíocre (peregrino, aspectos desfavoráveis com os
Benéficos, outros, favoráveis com os Maléficos) manterá um meio-termo entre os efeitos do bom e do
mau estado cósmico. Como é natural, aqui terão que ser consideradas muitas graduações. Quanto mais
fatores de um bom estado cósmico tenha um planeta, tanto mais favoravelmente atuará, e vice-versa.

II.A.l.a. De acordo com estas suposições, podem assentar-se os seguintes princípios: um Benéfico de
estado cósmico favorável, e situado numa das casa de I a VII ou na IX, X e XI, respectivamente, que se
chamam agraciadas, porque a realização de seu significado estende-se a coisas desejáveis, produz
efetivamente as vantagens que resultam do significado de sua casa de posição.

Um planeta que cumpre esses significados causará, desta forma, em II riqueza, sobretudo no caso de
estar em analogia com ela, como por ex. Júpiter. O Sol estacionado na X concederá alta elevação, glória e
honrarias e, na XI, as amizades de homens poderosos de alta posição.Vênus na VII assinalará um
matrimônio feliz com uma mulher formosa, Mercúrio na I, uma inteligência notável, Sol e Júpiter na IV,
alta posição e riqueza dos pais, mas também condições de existência muito favoráveis do nativo mesmo
no último período de sua vida.

É sempre importante revisar detidamente até que ponto a natureza essencial e o estado cósmico do
planeta concordam com a casa.

II.A.1.b. Um Benéfico de estado cósmico desfavorável e ferido por maus aspectos não realizará nada de
bom nem sequer em casa agraciada, ou apenas irá efetuá-lo com grandes dificuldades, em pequena
escala, má qualidade, sem garantia de duração, na maioria das vezes sem utilidade e, frequentemente,
só através do emprego de meios condenáveis.

II.A.l.c. Como é lógico, um Benéfico de estado cósmico medíocre promete ao mesmo tempo o favorável
numa proporção maior que um Benéfico mal condicionado; mas também seus dons serão apenas
medíocres em qualidade, quantidade e duração.

II.A.2.a. Um Maléfico de mau estado cósmico e situado em casa agraciada, como por ex. na X, ou
impedirá por completo o significado favorável desta casa – elevação, honrarias e dignidades, etc. – ou,
caso isso não ocorra, evocará algum infortúnio posterior às aquisições pertinentes. Em relação à casa X
isso vale especialmente para Saturno, que por sua natureza essencial é contrária às honras.

II.A.2.b. Um Maléfico de bom estado cósmico e situado em casa agraciada, na X, por exemplo, ocasionará
elevação, honrarias, etc., sobretudo se encontrar-se em sua exaltação, análogo a esses assuntos, sem
receber nenhuma quadratura ou oposição por parte de Sol ou Lua, os quais, possuindo uma analogia
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natural com as honrarias, por seu mau aspecto concederiam maior validade ao antagonismo
essencialmente natural de Saturno em relação às honras. Colocado em II, tal Maléfico trará riqueza,
sobretudo se estiver em bom aspecto com Júpiter. Interpretações análogas regem para todas as casas
agraciadas. Não obstante isto, devemos sempre levar em conta que em geral até um Maléfico de bom
estado cósmico realizará os significados favoráveis da respectiva casa apenas de modo incompleto, com
dificuldades e por emprego de meios condenáveis, fazendo além do quê, temer uma desgraça posterior a
seus dons favoráveis.

II.A.2.c. Um Maléfico de estado cósmico medíocre e colocado em casa agraciada é incapaz de realizar os
significado da respectiva casa, mas tampouco põe de manifesto sua natureza malfeitora plena. Impede
apenas que os significados favoráveis dessa casa se façam efetivos, isto sobretudo no caso de que lhes
seja contrário segundo sua natureza essencial. Assim, por exemplo, um Saturno de estado cósmico
medíocre e situado em II nem causará nem destruirá riqueza, atuará somente no sentido de que uma
riqueza adquirida independentemente da atuação pessoal do nativo (como heranças, etc.) não possa ser
conservada a não ser por uma economia que beira a avareza, ao passo que no mesmo caso Marte
assinalaria dissipação e desperdício por gastos tanto néscios como inúteis.

II.B.1.a. Um Benéfico de bom estado cósmico, mas situado em casa desagraciada, como por exemplo a VIII
ou a XII, impede ou mitiga os significados desfavoráveis da respectiva casa. Desejaria fazer ressaltar que
parcialmente é preciso encarar por desagraciada também a casa VII, e isto não só em virtude dos litígios,
lutas e inimizades declaradas que se lhe atribuem, mas também por estar em oposição com a casa I, que
representa a personalidade do nativo como fonte e ponto de ataque desses litígios.

Por isso, com bom estado cósmico Júpiter impedirá na XII, casa significativa de enfermidades, a
realização do transtorno da saúde, ou se não lhe é possível, ao menos diminuirá seu perigo por admitir
somente enfermidades de caráter leve e de pronto restabelecimento. Mesmo assim, este planeta aqui
colocado salva do perigo da prisão e dos inimigos secretos, ou ao menos faz com que os nativos triunfem
sobre esses últimos. Na casa VIII, Júpiter outorgará uma morte sem agravamentos nem dores.

II.B.1.b. Um Benéfico de mau estado cósmico, colocado na VIII ou na XII ou que ali domina, estando
presente em outra casa, não somente não impedirá em relação à XII, as enfermidades, mas as fomentará
e mesmo provocará algumas extraordinariamente críticas; em relação à VIII, tampouco trabalhará
contra uma morte violenta, sobretudo se esta encontra-se anunciada por outros fatores.

Morin cita o exemplo do Cardeal Richelieu, em cuja natividade Júpiter ocupou a casa VIII em Gêmeos,
signo de seu exílio, junto com Aldebarán, estrela fixa conhecida como malfeitora. Pois bem, o cardeal só
se preservou de uma morte violenta por medidas extremamente rigorosas e extensas, e sofreu uma
morte dolorosa, causada por uma enfermidade maligna.

Não menos significativo é o já aludido caso de Henri d’Effiat, que deu motivo para a colocação de Morin
como astrólogo pessoal de Richelieu. O aristocrata, sumamente favorecido pelo rei, consultou Morin a
respeito de seu destino. Tendo-se negado a princípio, mas sendo acusado de farsante e charlatão,
prognosticou ao favorito de Luís XIII um final violento e ignominioso, apesar de o aristocrata ter na casa
VIII de sua natividade a constelação de Júpiter com Sol e Marte, muito sedutora para o noviço em
Astrologia. Com desdém d’Effiat mencionou jocosamente a previsão durante um banquete, tendo
provocado muitas gargalhadas. Uma só pessoa na mesa manteve-se séria e fria como sempre: Richelieu.
Quando, três anos mais tarde, d’Effiat foi decapitado em praça pública, o Cardeal resolveu colocar Morin
a seu serviço pessoal, cargo que foi sempre abominado por Morin, que melhor dizendo se sentia numa
prisão, bem pouco dissimulada.

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05/05/2021 Morin de Villefranche – Capítulo III

Não menos notável é a natividade do senhor de Hayes, citada por Morin: encontrou-se ali Júpiter na VIII
em Gêmeos, juntamente com Marte, e a Lua, estacionada na VII, ferida por quadratura ao Sol, regente da
X. Também esse nativo foi decapitado.

Como algo extremamente instrutivo para o efeito de benfeitores em casas desagraciadas, apresenta
Morin seu próprio horóscopo. Refuta de modo contundente a opinião muito divulgada de que um
Benéfico ali presente previne com segurança os perigos correspondentes. Em sua natividade, Júpiter,
regente de VIII e excelentemente condicionado em seu estado cósmico, ocupa a casa XII. Não obstante
isso, o astrólogo sofreu enfermidades sérias e perigosas, foi ferido gravemente e ameaçado mais de uma
vez de morte violenta. Portanto, apesar de seu bom estado cósmico, o Benéfico não preveniu esses males,
mesmo que se leve em conta que afinal impediu sempre o pior dos piores. Portanto, é fácil imaginar quão
mais perigoso ainda se demonstrará em tal posição um Benéfico em mau estado cósmico. Por estar
corrupto, um Benéfico é suficientemente apto a provocar as catástrofes da casa desagraciada por ele
dominada.

II.B.1.c. Um Benéfico de estado cósmico medíocre e situado na VIII ou na XII nem suprime nem efetua o
significado desagraciado desta casa; em compensação, atenua o grau e o alcance dos acontecimentos
desfavoráveis que resultam desse significado.

II.B.2.a. Um Maléfico em bom estado cósmico colocado em casa desagraciada não suprime os males
provenientes do significado da casa, nem impede sua realização; nem muito menos perde sua natureza
essencial, dirigida a males. Mas, de todo modo, em virtude de seu bom estado cósmico, terminará por
desembaraçar o nativo desses males, ou os mitigará. Assim, por exemplo, no caso do príncipe Gaston de
Foix, Marte se encontrava em sua exaltação na VII, e Saturno, seu dispositor, em Aquário. O príncipe
tinha poderosos inimigos abertos, os quais, no entanto, não chegavam às vias de fato com ele. Gustavo
Adolfo da Suécia, cujo Marte estava na XII no signo de Escorpião, não se viu exposto a enfermidades
frequentes, nem vencido por inimigos secretos.

Em suma, se o Maléfico bem condicionado é capaz de tais rendimentos numa casa desagraciada, é
plenamente compreensível que, em iguais circunstâncias, podem esperar-se, com razão, benefícios
muito mais abundantes por parte de um Benéfico. Entretanto, aqui tampouco é lícito pedir o impossível.
Transformar a vida humana numa redoma intocada pelas brisas do destino é impossível mesmo para
um Benéfico.

Os dados sobre o efeito de um Maléfico de bom estado cósmico em casa desagraciada parecem estar em
franca contradição com o horóscopo de Henri D’Effiat, pois ali vemos Sol, Júpiter e Marte em Áries na
Casa VIII, e se justamente nela, segundo a analogia natural, Marte indica uma morte violenta, Júpiter
uma morte causada por sentença do Juiz e Sol uma morte pública, de acordo com a natureza benfazeja
de Júpiter e de Sol, e o brilhante estado cósmico de Marte, haveria que se supor um impedimento das
más consequências da Casa VIII. Com efeito, no caso presente, Morin só podia inferir o final maligno pelo
fato de que a citada combinação unia-se com a seguinte: tanto o regente natal como o senhor de X
estavam feridos pelo Saturno estacionado na X e que se relacionava por aspecto desfavorável também
com Júpiter e com Marte na VIII.

Isso demonstra, mais uma vez, quanta variedade de circunstâncias devem ser levadas em conta para
avaliações astrológicas e quão pouco ajudam aqui as “receitas”, tão em voga.

II.B.2.b. Um Maléfico em mau estado cósmico e situado em casa desagraciada favorece no mais alto grau
a realização do funesto significado dessa casa. Fará com que os males a ele atribuídos se produzam na
forma mais dura, e acarretará, ademais, que venham acompanhados pelas consequências mais graves,
como humilhação, coação, queda, etc. Saturno provocará, assim, na XII, enfermidades difíceis de curar;

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na VIII vai se referir a uma morte violenta, miserável, como se confirma nas natividades de Cardán Filho
e do duque de Montmorency. Ambos tinham um Saturno corrompido na VIII, e foram ambos mortos pela
espada do verdugo. O primeiro expiou com esse fim a culpa que havia contraído por envenenar sua
mulher; o último, primo do rei de França, pagou com sua vida a insurreição que havia tramado contra a
coroa no domínio da atual Bélgica.

Se a natureza essencial de um Maléfico é paralela a um mau estado cósmico, excitará coisas


desfavoráveis para todos quantos tenham nascido sob essa influência, e em maior grau para aqueles em
cuja natividade a determinação local esteja dirigida a coisas funestas. A valorização do estado cósmico de
um planeta pede em cada caso particular grande minuciosidade e esmerada apreciação de todos os
fatores a considerar, mas tudo isso mais ainda quando se tratar de um maléfico; já que nesse caso a
natureza essencial, esse fator mais importante do estado cósmico, está dirigido a males, basta apenas
um pequeno aporte de influências desfavoráveis para lhes abrir caminho. Um mau aspecto que fira ao
Maléfico, sobretudo se provém de outro Maléfico, pode condenar assim à impotência todas as demais
dignidades e forças talvez existentes, e por isso é possível que até um Saturno exaltado e, portanto,
poderosamente eficaz, ferido pela quadratura ou a oposição de um Marte mal condicionado, adquira, na
XII, grande potência para provocar males correspondentes. Outro exemplo pertinente resulta da já
comentada natividade de Henri D’Effiat. A importância especial dos aspectos para o estado cósmico,
precisamente dos Maléficos, é uma das principais razões pelas quais certos astrólogos geralmente
superestimam o peso do aspectário, e inclinem-se a lhe conceder até a supremacia sobre a posição
zodiacal.

II.B.2.c. Um Maléfico de estado cósmico medíocre e situado em casa desagraciada não libera dos males
dessa casa; antes os provoca, mas em escala menor do que em caso de mau estado cósmico.

Resumindo: tanto um bem como um mal é originado por várias circunstâncias. O mal tem sua causa no
fato de a natureza essencial do planeta estar dirigida a tal efeito, ou por seu estado cósmico ser mau,
debilitando assim a natureza essencialmente benigna, ou reforçando ainda a essencialmente maligna. O
bem, em troca, deve-se a que um planeta se capacite para esse efeito por sua natureza essencialmente
benéfica ou por seu excelente estado cósmico. Ao unirem-se ambos os fatores, o planeta receberá a maior
potência para efetuar coisas boas, ou para mitigar notavelmente, se não impedir por completo, coisas
desfavoráveis. Por outro lado, ao unirem-se num planeta uma natureza essencial malfeitora com um
mau estado cósmico, o astro adquirirá a maior capacidade para provocar coisas más e suprimir as boas.
Um Benéfico em bom estado cósmico e de determinação local favorável realiza fácil e abundantemente o
que dá a entender essa última, e impede o que é iminente em virtude de uma determinação local
desfavorável, ou o mitiga consideravelmente, e se, não obstante, o mal se apresenta, permite esperar por
salvação, como libertação do cativeiro, cura de enfermidades, triunfo sobre os inimigos, morte sem dor,
etc.

Suposto um bom estado cósmico e posição em casa agraciada, também um Maléfico torna efetivos os
assuntos em direção aos quais está localmente determinado, e sua ação promotora pode alcançar
inclusive um grau poderosíssimo em caso de relacionar-se por bons aspectos com benfeitores; mais
ainda, alojado em casa desagraciada, com ajuda de tais aspectos e de um bom estado cósmico, está em
condições de eximir totalmente desses males, de anulá-los ou compensá-los ou pelo menos atenuá-los
em vasta proporção. Mas sem a ajuda de aspectos favoráveis de parte de um Benéfico, por sua posição
numa casa desagraciada tal Maléfico apenas aumentaria sensivelmente em potência sua predisposição
para provocar os males pertinentes.

Qualquer planeta equipado com bom estado cósmico deve ser tomado por “benéfico”, sobretudo em casa
agraciada e, logicamente, em mais alto grau se é Benéfico por natureza.

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Qualquer planeta equipado com mau estado cósmico deverá ser tomado por “maléfico”, sobretudo em
casa desagraciada e, logicamente, em mais alto grau se é Maléfico por natureza.

A Dominação

Em relação ao conceito de dominação deve-se levar em conta que, segundo Morin, ela não compreende
apenas o domicílio, mas também a exaltação e até a trigonocracia.

A. Se o planeta fisicamente presente em uma casa domina em outra(s), podem-se combinar os
significados dessas casas. Esta combinação, contudo, vai se inclinar mais ao significado daquela casa em
que o planeta se encontra fisicamente presente porque, prescindindo de muito raras exceções, posição é
mais forte que dominação. Assim, por ex., um planeta que ocupa a II e domina a VII, assinalaria a
aquisição de bens por matrimônio, litígios, participações, etc. Se o planeta presente na II domina na X, as
posses provirão de status, honras, dignidades, atividades profissionais, empresas, etc. Com isso, contudo,
a determinação que resulta da dominação não deve ser contrária à que resulta da posição, como, por ex.,
Marte presente em I e regente de VIII, pois isso aludiria a, pelo menos, o perigo de uma morte violenta.
Marte presente em VIII e regente de I insinuaria por sua vez a conclusão com uma morte violenta, mas
causada por culpa própria que somente se poderão depreender das condições da casa I.

B. Afora isso, um planeta pode ser determinado localmente por conjunção ou aspecto com outro planeta.
Atua assim um planeta que se encontra em X em conjunção com o Sol, com tanto maior força, porquanto
esse último possui uma analogia natural com os assuntos da X, e se um planeta alojado em II recebe um
aspecto favorável por parte de Júpiter, esse é um indício tanto mais insistente de uma situação
financeira favorável.

C. Um planeta pode ser determinado por outro no sentido da posição ou da dominação desse outro.
Suponhamos por exemplo que um planeta se encontre em I e em conjunção como dono da X ou em
poderoso bom aspecto com um planeta situado na X: isso prestaria ao nativo uma inclinação ou aptidão
particular para uma atuação profissional próspera, para a aquisição de honras e dignidades, etc.

O que no precedente foi dito de um planeta presente numa casa, rege com a mesma precisão, mas
comumente em um grau um tanto mais débil, para o senhor desta casa quando presente em outra casa.

Vários Planetas numa mesma Casa

Vários planetas presentes numa mesma casa atuam todos juntos no sentido do significado da casa
respectiva. Cada um deles deve ser levado em conta de acordo com sua natureza essencial, seu estado
cósmico e outras determinações por dominação, conjunção e aspectos. Tal exame deve averiguar qual
desses planetas possui a maior potência para realizar ou impedir os significados da casa respectiva, ou
para destruir a realização já efetuada, ou para transformá-la por suas consequências em fonte de sorte
ou de infortúnio. Com isso deveremos considerar até que ponto a eficácia desse planeta é entorpecida ou
fomentada por parte de cada um dos demais co-inquilinos da casa.

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1. Se vários planetas se encontram numa mesma casa, esta terá que ser considerada com mais esmero
ainda do que todas as demais, porque esta acumulação promete algo de extraordinário no sentido do
significado da casa, e quantos mais planetas ali tenham seu lugar, tanto mais notavelmente se
realizarão no sentido bom ou mau os significados da casa. Para ilustrar isto Morin
(http://www.forumonastrology.com/foa/morin.html) se utiliza de sua própria natividade, em que Sol, Júpiter,
Saturno e Lua estão juntos na XII, e Vênus, presente fisicamente na XI, é encarada como eficaz para a XII
por sua posição junto à cúspide da XII. Diz Morin a esse respeito: “Tive que vencer enfermidades
perigosas e difíceis de curar; deixei-me induzir repetidas vezes a cometer empresas que minha insensata
juventude encarava como veículo de honrarias, mas que poderiam levar-me à prisão; estive por mais de
dez vezes em perigo de morte violenta; tive de suportar dezesseis vezes uma servidão mais ou menos
semelhante ao cativeiro; tive que suportar numerosas inimizades secretas, e fui tratado de modo
ignominioso por grandes senhores, entre eles o Cardeal de Richelieu. Todos esses males foram causados
pelo Saturno presente em minha XII, planeta que possui afinidade com esse tipo de males. Não obstante,
consegui sempre escapar deles, porque Júpiter e Vênus encontram-se nessa casa em bom
posicionamento celeste.”

2. Se vários planetas encontram-se numa mesma casa, cada um deles opera segundo suas
determinações de maneira própria e, além do que, juntamente com os demais.

3. Se entre vários planetas presentes numa casa encontra-se um que está em analogia com o significado
dessa casa, ou também se um desses planetas é o dispositor dos outros, esse planeta deverá ser
considerado mais eficaz que todos os outros para realizar ou impedir o significado bom ou mau dessa
casa.

4. Uma importância especial merece também o planeta mais próximo da cúspide da casa em questão, já
que é muito eficaz em relação aos significados dessa casa. Mas não é lícito atribuir-lhe a importância
principal, que corresponde melhor àquele planeta que é o dispositor de todo o grupo. Segue-se a ele aquele
em exaltação na casa respectiva, em seguida, aquele cuja analogia natural está em harmonia com o
significado da casa e, só então, aquele mais vizinho à cúspide. Quanto maior número dessas condições
reúne-se num mesmo planeta, tanto mais significativo é esse último para a casa em consideração.

5. Se, entre vários planetas presentes numa mesma casa, um possui um significado oposto ao significado
da casa, ao passo que outro lhe é essencialmente análogo, como por exemplo, o Sol, que em si significa
honrarias, em cooperação com um Saturno na X, planeta que é contrário a tais coisas por sua própria
essência, teríamos que estudar qual dos dois é mais potente para realizar ou anular o bom ou o mau da
casa, porque um planeta mais forte sempre domina o mais débil. Não obstante, não deveremos
desconsiderar esse último, posto que possa atenuar o bem ou o mal.

6. Ocorre frequentemente que numa mesma casa encontrem-se dois Benéficos ou dois Maléficos, ou ao
menos um Benéfico e um Maléfico. Dois Benéfico implicam sempre coisas sumamente favoráveis, seja
por provocar o bem ou por suprimir o mal, e sua natureza benfeitora se manifestará com tanto mais
força quanto melhor for seu estado cósmico. Ao contrário, dois maléficos têm sempre um significado
essencialmente mau, seja por transformar em fatos coisas desfavoráveis, seja por destruir ou ao menos
enfraquecer coisas favoráveis. Uma exceção à regra só se permite quando dois Maléficos encontram-se
em casas agraciadas, gozando ali de bom estado cósmico, como por exemplo, Marte e Saturno em
Capricórnio na II, ou Marte em Capricórnio e Saturno em Aquário, ambos na VII ou na XI. Apesar disso,
também em tais casos excepcionais o bem acarretado pelos maléficos será comumente seguido por
algum malefício. No primeiro exemplo, Marte e Saturno na II causariam uma inclinação a reunir fortuna
por despojo e a incorrer em avareza; na VII, depois de levar a cabo o casamento, seriam culpáveis de
provocar graves dificuldades na união, ou a morte de um dos cônjuges; na XI, tornariam a colocar em
dúvida a amizade felizmente travada, etc.
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7. Se numa casa um Benéfico segue outro Benéfico, ou seja, se no movimento aparente da abóbada celeste
– que resulta da rotação da Terra em torno de seu eixo – esse Benéfico saiu mais tarde e, portanto, está
mais distante da cúspide da casa, isso é particularmente favorável, porque promete a duração do bem
assim realizado. Em compensação, se um Maléfico segue ao Benéfico, o favorável que possa ser
acarretado pelo Benéfico será entorpecido ou pervertido.

Em casa desagraciada, um Benéfico seguido por outro Benéfico impedirá ou atenuará notavelmente o
mal dessa casa; ao contrário, um Maléfico que segue atrás de um Benéfico, o realizará com certeza.

Se em casa desagraciada um Benéfico segue um Maléfico, o mal se realizará com certeza, mas o nativo
escapará finalmente às consequências comuns. Contudo, se em casa desagraciada um Maléfico segue
outro Maléfico, a desgraça assim causada será de caráter particularmente grave, e o nativo não poderá
subtrair-se de forma alguma às consequências comuns.

8. Se vários planetas se encontram numa casa, alojando-se seu dispositor em outra casa, esta outra casa
deve ser tomada com consideração especial, porque em geral seus significados constituirão o ponto de
partida do bom e do mau que se realiza na casa primeiramente mencionada.

9. Dois planetas situados numa casa possibilitam um com outro nove combinações principais, porque
cada um deles deve ser considerado a partir de três pontos de vista:

a) segundo sua natureza essencial;

 b) segundo seu estado cósmico;

c) segundo suas determinações locais.

Cada um desses três fatores pode ser combinado com os três do outro planeta, prescindindo totalmente
das múltiplas possibilidades de combinação que, ademais, resultam dos aspectos.

A abundância dessas combinações possíveis exige amiúde uma síntese enorme, só concebível em sua
totalidade pela intuição bem adestrada de um astrólogo-artista e absolutamente impossível para quem
não possua um mínimo de dom nato: a verdadeira astrologia começa onde termina a chamada ciência
astrológica.

Morin de Villefranche: Estado Cósmico e Determinação Local –


II (http://wp.me/P165wu-4pu)

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