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IBET – Processo Tributário Analítico

Aula 10 (Execução Fiscal e defesa) – 19/11/2016


Questionário
Aluno: Vítor Luís Xavier Benucci

1) A decisão do STJ no RESP n.º 1.272.827 não afastou a obrigatoriedade da


garantia do juízo (seja com penhora, ou com outros meios) para oposição de Embargos
à Execução Fiscal. Segundo o entendimento desse Egrégio Tribunal, a Lei n.º 6.830/80
(“LEF”) regula expressamente a obrigatoriedade da garantia para o processamento de
Embargos à Execução Fiscal, de forma que o artigo 914 do CPC/15, que permite a
oposição de embargos sem garantia, não pode ser aplicado nas Execuções Fiscais uma
vez que a lei especial (LEF) prevalece sobre lei geral (CPC). Tal é a interpretação feita
pelo Ministro Mauro Campbell Marques, relator do referido acórdão: “[...] é de se
afastar a aplicação nas execuções fiscais do art. 736, do CPC, na redação dada pela Lei
n. 11.382⁄2006 [artigo 914 do CPC/15], que exime o executado de garantir o juízo para
opor-se à execução por meio de embargos. Isto porque a LEF não é silente no ponto,
pois seu art. 16, §1º registra expressamente que "Não são admissíveis embargos do
executado antes de garantida a execução".

Em suma, não seria possível a oposição de Embargos à Execução Fiscal


independentemente de garantia do juízo. Ainda, a garantia aqui tratada não
necessariamente é a penhora, já que existem outros instrumentos como o depósito, a
fiança e o seguro-garantia. Logo, é possível a oposição de Embargos
independentemente de penhora, desde que o juízo esteja garantido de outra maneira –
seja com depósito, fiança bancária ou seguro-garantia.
Por fim, como a garantia do juízo é indispensável ao processamento dos Embargos
à Execução Fiscal, a figura da Exceção de Pré-Executividade permanece a mesma no
âmbito fiscal. Ou seja, diferentemente dos embargos, a exceção de pré-executividade
não exige garantia, e só é admissível nos casos de matérias reconhecíveis de ofício e
outras questões de mérito, mediante prova documental cabal (interpretação da Súmula
393 do STJ1).

1
Súmula 393 do STJ: A exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal relativamente às
matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória.
2) A ação anulatória deve ser processada, uma vez que é perfeitamente possível a
sua convivência com a Execução Fiscal. O decurso do prazo para oposição dos
Embargos à Execução Fiscal não impede o processamento da ação anulatória, pois,
como explicitado no julgamento do AgRg no AREsp n.º 31.488 pelo STJ, “inexiste a
alegada preclusão decorrente da não oposição dos embargos à execução, porquanto esta
opera dentro do processo, não atingindo outros que possam ser instaurados”.
Corrobora ainda mais esse entendimento o precedente do Ministro Teori Zavascki
no CC 38.045⁄MA:
“PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL E AÇÃO ANULATÓRIA DO DÉBITO.
CONEXÃO. 1. Se é certo que a propositura de qualquer ação relativa ao débito constante
do título não inibe o direito do credor de promover-lhe a execução (CPC, art. 585, § 1º), o
inverso também é verdadeiro: o ajuizamento da ação executiva não impede que o devedor
exerça o direito constitucional de ação para ver declarada a nulidade do título ou a
inexistência da obrigação, seja por meio de embargos (CPC, art. 736), seja por outra ação
declaratória ou desconstitutiva. Nada impede, outrossim, que o devedor se antecipe à execução
e promova, em caráter preventivo, pedido de nulidade do título ou a declaração de inexistência
da relação obrigacional. [...]” (CC 38.045⁄MA, rel. p⁄ acórdão Ministro Teori Albino Zavascki,
Primeira Seção, por maioria, julgado em 12⁄11⁄2003, DJ de 09⁄12⁄2003)

Dessa forma, perfeitamente possível o processamento da ação anulatória, com a


única ressalva de que ela não terá efeito suspensivo, e, consequentemente, a Execução
Fiscal continuará (a menos que seja atribuído tal efeito por meio de uma tutela
provisória).

3) Entre execução fiscal e ação anulatória há conexão. Segundo o artigo 55 do


CPC/152, ocorre conexão quando duas ou mais ações tiverem a mesma causa de pedir
ou pedido, sendo que entre execução fiscal e ação anulatória existe a mesma causa de
pedir remota (isto é, a existência do lançamento). Como explica James Marins “[...] o
que há de comum entre a execução e a ação anulatória do débito fiscal e que deve
induzir a conexão com a reunião das causas é justamente a causa de pedir remota (ou
razão mediata do pedido), isto é, no primeiro caso, o lançamento como fundamento do
2
Art. 55.  Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de
pedir.
§ 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver
sido sentenciado.
§ 2o Aplica-se o disposto no caput:
I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;
II - às execuções fundadas no mesmo título executivo.
§ 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de
decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles.
título executivo (causa de pedir remota para a excutição dos bens do contribuinte
devedor) e, no segundo caso, o próprio lançamento tido como viciado, agora como
causa de pedir remota do pedido anulatório” 3. Além disso, a conexão entre essas duas
ações é expressamente mencionada pelo artigo 55, §2º, inciso I do CPC/15, que
prescreve ser possível a conexão entre a execução de título extrajudicial e a ação de
conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico.
Ainda, podemos dizer que também existe uma relação de prejudicialidade entre a
execução e a anulatória, uma vez que existe o perigo de decisões conflitantes. Nesse
caso, entretanto, não incidiria o artigo 53, §3º do CPC/15, pois além da prejudicialidade
existe também a conexão.
Por fim, a relação entre Embargos à Execução Fiscal e Ação Anulatória deve ser
analisada no caso concreto, sendo que, dependendo da identidade entre essas ações pode
existir uma relação de conexão (art. 55 do CPC/15) ou litispendência (mesmas partes,
causa de pedir e pedido – art. 337, §3º do CPC/15).

3
MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 8. ed. São
Paulo: Dialética, 2015. p. 516.

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