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Curso de Atualização em Direito Tributário - Aula 06 – 25/04/2015

Leitura: Luís Eduardo Schoueri – Direito Tributário – Cap. IX: Imunidades


Vítor Luís Xavier Benucci

A Constituição Federal organiza um regime representativo (art. 1º) e democrático (art.


151, I; 152, I; e 154). A escolha pelo regime democrático não traduz só uma orientação
política e jurídica, mas também ética e filosófica. A interpretação da Constituição, ou de
qualquer lei, resulta da integração sistemática de todos os seus princípios. Uma regra de
Direito Constitucional tributário atua em conjunto com todos os princípios financeiros da
Constituição.
A atual Constituição dispõe em seu art. 150, IV:
“Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
 a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
 b) templos de qualquer culto;
 c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de
assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.”
As atividades imunes configuram atividades de “interesse público”, no sentido de
serem desempenhadas sem intuito de lucro, ou proveito individual privado. Enquanto
atividades que, em sua essência, não configuram exploração econômica, são despidas de
capacidade contributiva.
As imunidades das atividades acima expostas possuem em sua essência a atuação
político partidária, de representação trabalhista, ou o exercício de atividade filantrópica de
caráter educacional ou assistencial em que inexistam: i) fins lucrativos; ii) proveitos pessoais
ou ganhos privados; iii) remessa de lucros ou renda para o exterior.
“Patrimônio” e “serviços” são todos os bens que, móveis e imóveis, corpóreos ou não,
possui ou desempenha a pessoa mencionada pela Constituição ao estabelecer a imunidade. O
art. 14, II, do CTN determinada como requisito para a imunidade, que as rendas sejam
aplicadas integralmente no País para os respectivos fins. Portanto, os fins – educação,
assistência social, orientação política ou religiosa – é que se devem realizar no País,
aproveitando a este. O fim específico tem de ser procurado e realizado no Brasil. Além do
inciso II, o art. 14 do CTN dispõe demais requisitos para o gozo da imunidade:
“Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à
observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas:
I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas,
a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos
seus objetivos institucionais;
III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros
revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.
§ 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo
9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício.
§ 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são
exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das
entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos
constitutivos.”
Em resumo, os requisitos à imunidade são: não aproveitar a interesses privados
(distribuição de lucros); aplicar as rendas no País; manter os meios adequados à comprovação
do cumprimento desses requisitos (escrituração regular).
O templo de qualquer culto compreende o próprio culto e tudo quanto vincula o órgão
à função. Diante de uma acepção ampla, o culto não tem capacidade econômica, não é fato
econômico. O templo não deve ser apenas a igreja ou sinagoga, onde se celebra a cerimônia
pública, mas também suas dependências, desde que não empregados em fins econômicos.
A instituição de educação não significa apenas a de caráter estritamente didático, mas
toda aquela que aproveita à cultura em geral, como laboratório, instituto, centro de pesquisas,
etc. O importante é que seja realmente “instituição” acima e fora de espírito de lucro, e não
simples “empresa” econômica, sob o rótulo educacional ou de assistência social.
Não está acobertado pela imunidade, assim, o estabelecimento de ensino explorado
profissionalmente pelos seus proprietários, ou que, pertencendo a uma instituição,
proporcione porcentagens, participação em lucros ou comissões a diretores e administradores.
Os partidos políticos são pessoas de direito privado, são “instrumentos de governo”,
entidades fundadas e mantidas exclusivamente para fins públicos, como órgãos imediatos e
complementares da organização estatal.