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EVANGELHOS DE MATEUS E MARCOS - FATHEL

A. Seitas Judaicas no Novo Testamento


O ministério terreno de Jesus foi cercado por movimentos de grupos filosóficos, políticos e
religiosos que exerciam forte influência na vida do povo. Quando examinamos as páginas das
Escrituras, mais especificamente os evangelhos, deparamo-nos com vários grupos religiosos.
Alguns são bem conhecidos, como escribas, fariseus, sacerdotes e saduceus. Além desses, houve
outros que, apesar de não terem o mesmo destaque, participaram de alguma forma da vida e
ministério de Jesus, como herodianos, samaritanos, publicanos e zelotes.

Vamos estudá-los separadamente, observando seus ensinamentos, sua influência e os perigos que
representaram para o verdadeiro evangelho de Jesus (Gl 1.6-9).

I. Escribas
Os escribas ficaram conhecidos nas páginas do Novo Testamento como doutores da Lei (Mt
13.52) por serem profundos conhecedores das Escrituras (Ed 7.12). Eles não podem ser
estritamente definidos como uma seita, mas sim, membros de uma espécie de “academia” dos
tempos bíblicos; por isso, se sentiam no direito de interpretar a Lei para o povo judeu (Mt 23.1-7).
Por que a influência dos escribas pode ser considerada prejudicial ao evangelho?

1. Monopolizavam a interpretação da palavra de Deus (Mc 12.28-34)


Eram tão audaciosos que chegavam a afirmar que os seus mandamentos excediam em dignidade
os mandamentos de Deus. Diziam eles: “As palavras dos escribas são mais amáveis que as da Lei;
entre as palavras da Lei, existem as importantes e as banais; as dos escribas, todas são
importantes” (Luis Claude Fillion, Enciclopédia da Vida de Jesus,  p.99).
2. Determinavam as regras para liturgia do culto (Mt 23.13
Por ocuparem uma posição de destaque, os escribas decidiam quem deveria participar das
reuniões.
3. Negligenciavam o mandamento de Deus e guardavam suas próprias tradições (Mt 23.2-3)
“Não tinham escrúpulos em equiparar seus ensinamentos e preceitos humanos (Mc 7.7) aos
mandamentos do próprio Deus”

Aplicação
Os escribas difamavam Jesus publicamente e jogavam o povo contra Ele, acusando-O de expulsar
demônios pelo maioral dos demônios (Mc 3.20-22).

II. Fariseus
“Fariseu” deriva de um vocábulo hebraico que significa “separado”. Denomina um grupo de
judeus extremamente apegados à Torá, o livro sagrado dos judeus ( Jo 3.1; Mt 22.34-40).
Formavam, entre o povo judeu, uma espécie de comunidade à parte (Mt 22.15). Eram a elite do
povo. Não se misturavam. Escribas e fariseus eram simpatizantes entre si. Há fortes indícios de
que alguns escribas eram também fariseus.
Lucas nos dá uma ideia exata de como era o procedimento dos fariseus (Lc 16.14-15; 18.9-14) e
registrou que Jesus os considerava condutores cegos e falsos guias (Lc 11.37-44). Jesus os
reprovou por várias razões.

1. Insultavam Jesus repetidas vezes, pois não toleravam vê-Lo realizando milagres no sábado
(Lc 6.7; Mt 12.1-8; Jo 9.13-16).
2. Levantaram-se contra Jesus de comum acordo com os saduceus (Mt 16.1 e 6). Por outro
lado, eram bastante otimistas quanto a uma intervenção divina na redenção final da nação judaica.
3. Afastavam pessoas que a princípio haviam crido em Jesus. Com evidente ódio e calúnia,
instigavam o povo contra Jesus.
4. Agiam com hipocrisia e ostentação. A piedade de muitos deles não passava de orgulho e
fingimento (Mt 23.1-12).
Aplicação
Os escribas e fariseus vivem ainda hoje e estão presentes em algumas de nossas reuniões. São os
que aceitam a lei como uma carga e os que agem por interesse e por ostentação. Somos advertidos
por Jesus a acautelar-nos do fermento dos fariseus (Mt 16.6).

 III. Sacerdotes
A palavra “sacerdote”, em português, vem do latim sacer e significa “sagrado”, “separado”. Os
sacerdotes eram ministros religiosos, habilitados para participar e conduzir as cerimônias
religiosas de culto. Estavam divididos em três categorias: os sumos sacerdotes, os sacerdotes e os
levitas.
Vejamos a distribuição e função dessa classe religiosa. “Os sacerdotes haviam sido distribuídos
por Davi em vinte e quatro classes (1Cr 24.1-19). Em Lucas 1.5, lemos que esta organização
subsistia ainda na época de Jesus” (Luis Claude Fillion, Enciclopédia da Vida de Jesus, p.95).
Os evangelhos só mencionam dois sumos sacerdotes: Anás e Caifás (Mt 26.57 e Jo 18.13-14). Em
geral, o sumo sacerdote era uma figura importante, religiosa, social e política (Mt 21.23-27).
“Esperava-se do sacerdote que servisse de mediador entre algum poder divino e os homens, e
também que fosse capaz de pronunciar-se sobre questões éticas e legais, além de prever o futuro”
(R. N. Champlin, Enciclopédia deBíblia, Teologia e Filosofia, vol. 6, p.16).
Aplicação
Os sacerdotes, por serem membros do Sinédrio (Mc 14.53-56) e por serem influentes, não perdiam
uma oportunidade para questionar a autoridade de Jesus.

IV. Saduceus
“Os saduceus compunham uma das mais importantes e influentes seitas judaicas, muitas vezes em
oposição tanto política quanto teológica aos fariseus. Esta seita era amplamente constituída pelos
elementos mais ricos da população. (…) Entre seus componentes se encontravam os sacerdotes
mais poderosos, mercadores prósperos e a classe aristocrática da sociedade” – Mt 22.23 (R.N.
Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, vol. 6, p.30).
1. Os saduceus rejeitavam as interpretações dos escribas e fariseus sobre a lei mosaica e
apegavam-se à sua interpretação literal (Mt 22.23-33).
2. João Batista, percebendo os perigos que os saduceus representavam para a religião judaica,
os tratava com certa rigidez (Mt 3.7-10).
3. Os saduceus, no início, temeram Jesus, mas depois passaram o dia a odiá-Lo. Chegaram a
fazer aliança com os inimigos antigos para eliminá-Lo.
Aplicação
Os saduceus perseguiram com violência a igreja nos seus primeiros anos de vida, conforme Lucas
registra (At 4.1-4 e 5.27).

V. Herodianos
Os herodianos formavam mais um partido político do que um grupo religioso. Eram assim
chamados por serem partidários assalariados da dinastia de Herodes. Herodes, o Grande, tentou
romanizar a Palestina em sua época.

1. O grupo formado pelos herodianos acreditava que era possível uma aliança política com os
romanos.
2. Os herodianos acreditavam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação
com os romanos.
3. Devido às tendências greco-romanas e adesão a Herodes, os herodianos logo se somaram
aos adversários do Salvador (Mt 22.16; Mc 3.6).
Mesmo sendo caracterizados como uma associação ou grupo político e tendo a antipatia do povo,
os herodianos mantinham contato direto com os saduceus numa manobra política para eliminar
Jesus (Mc 12.13-17).

Aplicação
Deus quer que todos os líderes sejam servos, agindo com humildade e justiça para com os outros e
reconhecendo o Senhor como Aquele que governa sobre todos (At 2.36).

VI. Samaritanos
Os judeus excomungavam os samaritanos, considerando-os escória da raça humana. As fortes
objeções dos judeus eram: a insistência dos samaritanos em considerar o monte Gerizim o
principal local de culto e a rejeição destes a Jerusalém como cidade sagrada ( Jo 4.20).

Havia, entretanto, pontos em comum na doutrina seguida por ambos, judeus e samaritanos: o
Pentateuco, como a principal linha de doutrinas e práticas; a exigência absoluta da circuncisão; a
manutenção do sábado sagrado; a esperança messiânica e o julgamento futuro dos homens bons e
maus.

O samaritanismo, diz Champlin, exaltava Moisés a tal ponto que eram comparados aos cristãos em
seu louvor a Jesus, o Cristo. Ainda hoje há um pequeno grupo de samaritanos vivendo em Nablo e
Jafa, subúrbios de Tel Aviv. Embora poucos, eles ainda representam uma significativa seita
religiosa.

Aplicação
Apesar da forte rivalidade entre samaritanos e judeus (Jo 4.9), Jesus não enfrentou acentuada
resistência dos samaritanos; pelo contrário, teve boa aceitação de Sua mensagem redentora pelos
samaritanos (Jo 4.39-42; At 8.14-25).

VII. Zelotes
Zelote é uma palavra grega que significa “zeloso”. Os zelotes tinham um intenso zelo por Deus
(At 21.20). Era um grupo religioso com marcado caráter militarista e revolucionário que se
organizou opondo-se à ocupação romana de Israel. Também eram designados sicários
(sanguinários), devido ao punhal que levavam escondido e com o qual atacavam os inimigos. Não
hesitavam em usar a força, a violência e as intrigas para alcançar seu objetivo, que era libertar a
nação de Israel do jugo estrangeiro.

Temos o registro bíblico de que antes de ter-se convertido e ter sido chamado ao discipulado
cristão, um dos doze apóstolos de Jesus, Simão, o Zelote, havia pertencido a esse partido
revolucionário, que se caracterizava pelo fanatismo religioso (Lc 6.15 e At 1.13).

O fato de Jesus ter convidado um membro desse grupo não significa que tinha intenção de
promover uma revolta contra o império, mas sim de mostrar ao povo da época, bem como das
gerações posteriores, que Sua mensagem era dirigida a todas as classes, fossem elas políticas,
econômicas ou étnicas (Lc 5.29-32; 6.17-19).

Aplicação
Deus deseja que todos os homens, em todas as épocas, sejam salvos e cheguem ao pleno
conhecimento da verdade (1Tm 2.4)

 VIII. Publicanos
Costumava-se dizer: “Só os publicanos são ladrões”. Podemos afirmar sem medo de errar que na
época de Jesus a profissão de publicano era a pior. Eles eram comparados aos pecadores da pior
espécie. Quando um judeu exercia esse triste ofício, e, sobretudo, quando cobrava de seus irmãos
o imposto destinado a Roma, era tratado com enorme desprezo.

Há várias passagens dos evangelhos nas quais os publicanos são equiparados aos pecadores.

1. Jesus comia com os publicanos e pecadores, por isso os discípulos foram questionados
pelos fariseus (Mt 9.13).
2. Jesus foi acusado de ser um glutão e bebedor de vinho, além de amigo de publicanos e
pecadores (Mt 11.19).
3. Jesus deixava os escribas e fariseus irritados ao vê-Lo na companhia dos pecadores e
publicanos (Mc 2.16).
4. Os escribas e fariseus inconformados, murmuravam contra os discípulos de Jesus,
perguntando por que eles comiam e bebiam na companhia dos publicanos e pecadores (Lc 5.30;
15.1-2).
5. Entre os doze discípulos, havia um ex-publicano (Mt 9.9).
Aplicação
A resposta para tais questionamentos pode estar na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9-
14). E ainda nos próprias palavras de Jesus: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.
Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Lc 5.31-32).
Conclusão
Aprendemos nesta lição que vários movimentos, seitas e partidos políticos estavam presentes na
época e no ministério terreno de Jesus, e que muito influenciaram para revelar a postura e a atitude
do Mestre. Concluímos com algumas lições práticas, a partir da vida e experiência de Jesus.

1. Em nenhum momento, Jesus mudou o foco do cumprimento de Sua missão. Ele cumpriu o
propósito do Pai até o fim.
2. Jesus não Se deixou intimidar apesar da pressão externa que sofreu durante todo Seu
ministério terreno.
3. Somos advertidos a não nos deixarmos envolver por movimentos e grupos que se levantam
contra a igreja, na tentativa de apresentar outro evangelho (Gl 1.6-9).

B. O QUE É O EVANGELHO?
Evangelho quer dizer “boas-novas”. As boas-novas a respeito de Jesus Cristo, o Filho de
Deus, são nos apresentadas por quatro autores: Mateus, Marcos, Lucas e João, embora exista só
um Evangelho, a bela história da salvação por Jesus Cristo, Nosso Senhor. A palavra “Evangelho”
nunca é usada no Novo Testamento para referir-se a um livro. Significa sempre “boas-novas”. Os
quatro evangelistas contaram a mesma história, cada qual a seu modo. Entretanto, desde os tempos
antigos o termo “evangelho” tem sido usado com referência a cada uma das quatro narrativas da
vida de Cristo.
Por que quatro Evangelhos, se Cristo é o tema glorioso de todos eles? É que cada autor está
absorvido com algum aspecto da pessoa e obra de Cristo e o desenvolve com poder convincente. E
é o desdobramento dessa visão particular da obra de Cristo que marca o propósito de cada livro.
Há quatro ofícios distintos de Cristo apresentados nos Evangelhos.
1. REI . . . Mateus apresenta Jesus como Rei. Foi escrito em primeiro lugar, para os judeus.
Ele é o Filho de Davi. Sua genealogia real é dada no capítulo 1.
2. SERVO . . . Marcos descreve Jesus como Servo. Escrito para os romanos, não contém
genealogia. Achamos mais milagres aqui do que em qualquer outro Evangelho.
3. HOMEM . . . Lucas mostra Jesus como o Homem perfeito. Escrito para os gregos, sua
genealogia vai até Adão, o primeiro homem, em vez de Abraão. Como Homem perfeito,
vemo-lo constantemente em oração e os anjos servindo-o.
4. DEUS . . .  João retrata Jesus como Filho de Deus. Escrito para todos os que hão de crer,
com o propósito de levar os homens a Cristo (João 20.31), tudo nesse Evangelho ilustra e
demonstra seu relacionamento com Deus. Os versículos iniciais nos transportam ao
“princípio”.
 
Assim apresenta os Evangelhos:
Mateus ocupa-se com a vinda de um Salvador Prometido.
Marcos ocupa-se com a vida de um Salvador Poderoso.
Lucas ocupa-se com a graça de um Salvador Perfeito.
João ocupa-se com a posse de um Salvador Pessoal.
  
POR QUE SE CHAMAM SINÓTICOS
A palavra “Evangelho” vem de duas palavras gregas, “eu” e “aggelion”, e significa “boas-
novas”. Os quatro autores são chamados evangelistas, de uma palavra grega que significa
portadores de boas-novas. Os três primeiros Evangelhos , Mateus, Marcos e Lucas são chamados
Evangelhos Sinóticos porque, ao contrário de João, apresentam uma sinopse da vida de Cristo. A
palavra “sinopse” vem de duas palavras gregas que significam em conjunto, ver coletivamente.
Os sinóticos apresentam semelhanças e diferenças impressionantes. Narram o ministério de
Jesus principalmente na Galiléia; enquanto o de João está numa classe à parte, pois narra o seu
ministério na Judéia. Os sinóticos narram seus milagres, parábolas e mensagens dirigidas às
multidões, enquanto o de João apresenta seus discursos mais profundos e abstratos, suas conversas
e orações. Os três apresentam Cristo em ação, o de João retrata Cristo em meditação e comunhão.
Todos os profetas do Antigo Testamento asseguraram muitas vezes ao povo escolhido de
Deus que o Messias viria e seria o Rei dos judeus. Por isso esperavam com ansiedade e
patriotismo a vinda desse Rei com pompa e poder.
Espere encontrar nos Evangelhos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se
referiram os profetas, Jesus (João 1.45). Os Evangelhos apresentam Jesus em nosso meio. João
diz: E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós (João 1.14).
Todos os Evangelhos estão ligados às promessas do Messias no Antigo Testamento. Não
se podem explicar os Evangelhos à parte das grandes profecias messiânicas do Antigo
Testamento.
Os Evangelhos contam-nos QUANDO e COMO Cristo veio.
As Epístolas contam-nos POR QUÊ  e  PARA QUÊ Cristo veio.
 
 
TIPOS DE HOMENS DE ONTEM E DE HOJE
Cristo seria apresentado aos mais variados tipos de pessoas que compõem o mundo. Havia
quatro classes de pessoas no tempo de Jesus, que representam quatro tipos de pessoas hoje. 
 
O JUDEU – Vejamos primeiro o judeu. Ele recebia treinamento pessoal. Estava familiarizado
com as Escrituras do Antigo Testamento. Mateus escreveu a história da vida terrena de Jesus
especialmente para os judeus. Só um judeu seria capaz de despertar o interesse de outro judeu. Seu
mestre deveria ser alguém versado no Antigo Testamento e nos costumes judaicos. Eles
precisavam saber que esse Jesus viera cumprir as profecias do Antigo Testamento. Repetidamente
lemos em Mateus: Para que se cumprisse  . . .  Como falou Jeremias, o profeta . . .
Temos hoje em dia o mesmo tipo de pessoa, que se deleita em profecias cumpridas e por se
cumprirem.
 
O ROMANO – Em seguida vem o romano, o dominador do mundo daquele tempo. Marcos
escreveu especialmente para ele. O romano não sabia nada do Antigo Testamento. O cumprimento
de profecias não lhe interessava. Mas estava profundamente interessado em um líder notável que
surgira na Palestina. Esse líder se atribuía autoridade fora do comum e possuía poderes
extraordinários. Eles queriam ouvir mais a respeito de Jesus – que tipo de pessoa ele realmente
era, o que tinha dito e o que tinha feito.
Os romanos gostavam de mensagem direta de alguém como Marcos. Este Evangelho está
cheio de ação, não de palavras. É o ministério de Jesus.
O romano dos dias de Jesus era um tipo semelhante ao homem de negócios de hoje. Ele
não está interessado na genealogia de um rei, mas num Deus capaz de suprir as necessidades
diárias do indivíduo. Marcos é o Evangelho do homem de negócios.
 
O GREGO – Depois, vem Lucas. Esse Evangelho foi escrito por um médico grego para os seus
patrícios, que amavam a beleza, a poesia e a cultura. Viviam num mundo de grandes conceitos.
Era difícil agradá-los. O Evangelho de Lucas fala do nascimento e da infância de Jesus, dos
cânticos inspirados relacionados com a vida de Cristo. Nele encontramos a saudação de Isabel ao
receber a visita de Maria. Também o cântico da Virgem-Mãe. O próprio Zacarias rompe em
louvor ao recuperar o uso da palavra. Ao nascer o Salvador, ressoam as vozes de um coro de
anjos, ouvindo-se a seguir, o cântico de louvor entoado pelos pastores.
O grego é o tipo do estudante e do idealista de hoje em busca da verdade, por crer que ela
traz a felicidade.
 
TODOS OS HOMENS – João escreveu para todos os homens, a fim de que creiam que Jesus é o
Cristo. Ele é apresentado como o Filho de Deus. Esse Evangelho está cheio de afirmações
extraordinárias que atestam sua missão e seu caráter divino.
O “todos os homens” dos dias de João assemelha-se às multidões de hoje que precisam de
Cristo. Inclui “todo aquele” que crê no Senhor Jesus porque sente a sua necessidade e quer receber
o dom da vida eterna por Jesus Cristo, o Senhor.
 
C. LEÃO, BOI, HOMEM E ÁGUIA: as quatro faces de Cristo! Cl 1:16, Ez 1:10

Jesus é o personagem mais impactante da historia, na terra, acima da terra e embaixo dela!
Tudo foi criado para expressar a Cristo. Cada ser, cada criatura em algum aspecto expressa a
Cristo. E isso não se limita somente as criaturas terrenas, mas as celestiais também.
Na profecia de Ezequiel, temos uma ilustração do caráter e papel de Cristo através da revelação
que o profeta teve.

No livro de Ezequiel temos a figura de Jesus representada em quatro retratos. Ele é descrito como
LEÃO, BOI, HOMEM E ÁGUIA. Ez 1:10 cf. 10:14

O numero quatro na bíblia representa a totalidade da criação.


·         São quatro seres e cada um com quatro rostos e quatro asas.
·         Os quatro limites da terra (Is. 11: 12); Os quatro ventos (Ez. 37: 9); A  largura, o comprimento,
a profundidade e a altura (Ef. 3: 18); Quatro pontos cardeais; Quatro estações do ano; Quatro
evangelhos
Dessa forma, esses quatro animais revelam a plenitude terrena de Cristo. Como Cristo era quando
se fez carne e habitou entre nós.

Os quatro seres viventes, os querubins da visão profética de Ezequiel representam a plenitude


terrena de Cristo.

Ele viu quatro seres viventes com quatro faces cada um. Uma das faces era a de um homem, a de
trás era a de uma águia, e as da direita e da esquerda eram a de um boi e de um leão.

O que significa isso? O que isso tem a ver conosco?


Revela que precisamos conhecer totalmente a Cristo!
1.     Leão -  sua realeza

O leão é considerado o rei da selva. A noite, nas savanas africanas, há um grande barulho devido a
algazarra dos animais. Só que quando o leão emite o seu rugido poderoso, faz-se imediatamente
um grande e ensurdecedor silencio. Todos os animais ficam em silencio porque o rei esta emitindo
o seu rugido.

Quando falamos de Jesus Cristo como leão estamos falando que Cristo é o Rei, que todo poder e
autoridade foram dadas a ele!

No livro de apocalipse Jesus é o Leão da tribo de Judá, que tem a autoridade de abrir o livro e os
seus selos. Ap 5:5
Mateus apresenta Jesus como o Leão. Aquele que tem toda autoridade no céu e na terra.
·        Ensinava como quem tinha autoridade. Mt 7:29
·        Autoridade não só para curar, mas para perdoar pecados! Mt 9:6

Nós somos chamados a crer no poder e na autoridade de Cristo!


·        O centurião romano reconhece que Jesus tinha autoridade sobre doenças e enfermidades, assim
como ele tinha autoridade sobre seus subordinados. Mt 8:9
·        Os religiosos questionavam a autoridade de Jesus, mesmo fazendo grandes obras! Mt 21:23

Nós somos chamados a viver a autoridade que Cristo colocou sobre nossas vidas!
·        Toda autoridade foi-lhe dada nos céus e na terra e ele nos manda: ide e fazei discípulos! Mt
28:18
·        Somos uma raça eleita e sacerdócio real, uma nação santa! 1Pe 2:9
·        Quando o filho voltou para casa do pai, recebeu alguns presentes: uma grande festa, novas
vestes, sandálias nos pés e um anel no dedo. O anel no dedo significa a autoridade que o pai da ao
filho. Quando uma pessoa aceita Jesus, ela se torna filho de Deus e recebe do Pai autoridade
espiritual, a autoridade do leão, a autoridade não do rei da selva, mas do Rei dos reis e Senhor dos
senhores!

2.     Boi – sua humilhação

O boi é um animal muito útil no campo. Ele serve para carregar carroças, cangas, arar a terra,
debulhar o milho, fazer trabalhos que para o homem seriam mais difíceis de serem executados.
Além disso, sua carne, o leite da vaca servem de alimentos para nós. O boi é um animal que
literalmente serve. Em uma sociedade ausente de tecnologias e maquinas, a figura do boi era
fundamental para trabalhar em favor do homem. O boi nesse caso é visto como um servo.

Quando vemos essa faceta de Cristo como um boi devemos associar sua figura como alguém que
serve. Quando vemos Cristo como um boi vemos o filho do homem que não veio para ser servido,
mas para servir. Veio para carregar o nosso jugo e tornar os nossos fardos mais suaves.
Em Joao 13 vemos Jesus lavando os pés dos discípulos, mostrando e nos ensinando que devemos
servir uns aos outros.
Entretanto, é no evangelho de Marcos que podemos ver mais claramente em Jesus um servo, um
servo sofredor.

·        Quem quiser ser grande que sirva a todos! Mc 10:43


·        Pois o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida a muitos. Mc
10:45
·        Marcos enfatiza a paixão de Cristo, sua morte, seu sofrimento. A partir do capitulo 11 Marcos
aborda a semana da crucificação, de sua entrada em Jerusalém a ascensão de Jesus. Ou seja, 10
capitulos para falar de um período de 3 anos e 6 capitulos para falar de uma semana.
·        Era necessário que o filho do homem sofresse muitas coisas fosse rejeitado pelos anciãos pelos
principais sacerdotes e pelos escribas fosse morto e depois de três dias ressuscitasse. Mc 8:31,
9:31, 10:32-34
·        Esse evangelho mostra que o filho de Deus está disposto a sofrer por seu povo.
·        Marcos mostra um Jesus que está disposto e que é capaz de ajudar aqueles que estão em extrema
dificuldade!

A igreja tem o chamado para servir!


E em Marcos Jesus diz varias vezes que quem quiser vir após ele negue-se a si mesmo, tome a sua
cruz e siga-o! 8:34-35
Visitar enfermos em hospitais, presos, asilos, creches, orfanatos, ajudar o necessitado.
Mas quantas vezes temos visto a igreja muitas vezes preocupada apenas consigo mesma... om seus
afazeres, com sua vida, longe dos aflitos, dos necessitados... egoísta... mesquinha... preocupada
com sua gloria, com seu reconhecimento...
Mas para termos a face de Cristo devemos tomar a sua cruz negarmos a nos mesmos e segui-lo!
Sermos iguais a ele! Cristão significa pequeno Cristo.

Mas para crescer não basta apenas servir. Mas esse ainda não é todo o rosto do Senhor. Deus ainda
tem mais. Existem ainda outras áreas de Cristo que devemos conhecer e viver!

3.     Homem – sua humanidade

O ser humano é um ser relacional. Nós precisamos de relacionamentos. Deus disse não é bom que
o homem fique só. Relacionamentos saudáveis são instrumentos de cura.
Essa terceira face de Cristo nos mostra em Jesus o Homem Perfeito. Pois assim como por um
homem entrou o pecado no mundo por um homem o pecado há de sair.
Em Lucas Jesus tem o rosto do Homem. Ele chora, ri, participa de encontros, perdoa, entra na casa
dos publicanos.
·        Vai a casa de Zaqueu
·        Na casa do fariseu simao
·        Sua simpatia pelos pobres
·        O perdão do ladrão na cruz

É o homem sem barreiras, mas que gosta e é amigos de todos. Não so dos judeus piedoso, mas dos
pecadores, dos publicanos, das prostitutas, dos samaritanos.

O versículo chave do evangelho de Lucas é que o filho do homem veio buscar e salvar o que havia
se perdido.

Enquanto que Mateus mostra a genealogia de Jesus a partir de Abraão, Lucas faz questão de
mostrar a partir de adão, mostrando que Jesus veio para toda a humanidade.

Não adianta ter autoridade e realeza, servidão, e comunhão sem ter poder!

4.     Águia – sua divindade

A águia é um animal fora do comum. Assim como o leão é o rei dos animais, a águia é a rainha
das aves. Sua visão aguçada, sua força, sua lealdade para com seu companheiro, sua capacidade de
regeneração, sua altivez, seu voo alto. A águia é de fato um ser fora do comum.
O profeta Isaías diz que os que confiam no Senhor voarão com asas como de águia! Is 40:31

Em João Jesus é a Águia, voa nas alturas.

·        Ele é o verbo que se fez carne e habitou entre nós!


·        Ele é o que transforma a tristeza em festa ao transformar água em vinho!
·        Ele é o que nos faz nascer de novo!
·        Ele é o que faz o aleijado andar!
·        Ele é o pão da vida que desceu dos céus e alimenta a fome da nossa alma!
·        Ele é a luz do mundo!
·        Ele é o que da vista aos cegos!
·        Ele é o que acalma os ventos e o mar!
·        Ele é o que ressuscita os sonhos, os planos, os mortos!
·        Ele é o bom pastor!
·        Ele é a porta!
·        Ele é a videira verdadeira!
·        Ele é o que morreu, mas que ressuscitou ao terceiro dia!
·        Ele é verdadeiramente o filho de Deus!
·        Este é Jesus, aquele que bate na porta do seu coração!
·        Ele é o que pode te lavar, te perdoar, te curar, dar um amor que ninguém nunca te deu, te dar o
maior tesouro que um homem pode encontrar: a presença de Deus!

Precisamos apresentar todo o evangelho. O desproporcionado está errado. Precisamos apresentar


Jesus em toda a sua beleza.

D. EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

AUTOR

Desde o segundo século da era cristã, a tradição da Igreja atribui ao apóstolo Mateus a autoria do
Evangelho que aparece em primeiro lugar no Novo Testamento.
 
Eusébio de Cesaréia, em sua obra História Eclesiástica, do início do século IV, já trazia citações
de Papias, bispo do século II, de Irineu, bispo de Leão, e de Orígenes, grande pensador cristão do
século II. Enfim, todos os pais da Igreja concordam em afirmar que este Evangelho foi escrito por
Mateus. Afirmam também que este Evangelho foi escrito primeiramente em aramaico e depois
traduzido para o grego. Apesar de muitas evidencias sobre a existência do original em aramaico,
todas as buscas e pesquisas arqueológicas somente encontraram fragmentos e cópias em grego.
Mesmo assim os principais estudiosos e teólogos do mundo não duvidam que o texto grego que
dispomos hoje em dia é o mesmo que circulou entre as igrejas a partir da segunda metade do
primeiro século depois de Cristo.
 
QUEM ERA MATEUS
Mateus, que tinha por sobrenome Levi, e cujo nome significa “dádiva do Senhor” era cobrador de
impostos em Cafarnaum a serviço do Império Romano, mas abandonou sua carreira profissional e
uma vida de riquezas para seguir a Jesus (Mt 9.9-13). No Evangelho de Marcos e Lucas, Mateus é
chamado de Levi. A única referencia que o autor faz a seu próprio respeito é chamar-se de
“publicano”, termo pejorativo na época. Os outros evangelhos falam da grande festa que ele deu
para Jesus e registram o fato significativo de ter deixado tudo para seguir o Mestre. E ele era sem
dúvida um homem de recursos.
 

DATA E OCASIÃO
A natureza judaica do evangelho de Mateus pode fazer supor que tenha sido escrito na Palestina,
embora muitos pensem que foi gerado em Antioquia da Síria. Alguns com base em suas
características judaicas sustentam que foi escrito no período da Igreja Primitiva, possivelmente no
começo da década de 50 d.C., quando a Igreja era em sua maioria composta por judeus e o
evangelho era pregado quase que somente ao povo da Judéia. Os que dizem que Mateus
aproveitou muitos trechos do Evangelho de Marcos atribuem-lhe data posterior. Por isso alguns
acreditam que Mateus foi escrito no final da década de 50 ou no começo dos anos 60.
 
DESTINATÁRIOS E PROPÓSITO
Mateus pode ser considerado o Evangelho da transição, ou seja, é uma ponte que liga o Antigo ao
Novo Testamento. Até por isso se entende que sua posição entre o Antigo e Novo Testamento, é
estratégica.
 
Muitos elementos do livro de Mateus dão a entender que ele foi escrito para os judeus. Ele se
preocupa muito com o cumprimento do Antigo Testamento usando a frase “para que se
cumprisse”. Nesse Evangelho há mais citações e alusões ao Antigo Testamento do que qualquer
outro dos escritores dos evangelhos. Ele inicia a genealogia de Jesus em Abraão, mostrando assim
que Jesus era filho do pai da fé. Não perde tempo em explicações sobre costumes judaicos, ao
contrário dos outros Evangelhos. Isso demonstra que ele escreveu para uma comunidade que
conhecia esses costumes. Emprega a terminologia judaica “Reino dos Céus” e “Pai Celestial”,
realça o papel de Jesus como filho de Davi (1.1; 9.27; 12.23; 15.22; 20.30,31; 21.9,15; 22.41-45).
Mesmo assim não podemos dizer que Mateus restringiu seu evangelho aos judeus. Ele registra a
visita dos magos do Oriente, para adorar o menino Jesus (2.1-12), bem como apresenta na íntegra
a Grande Comissão (28.18-20). Esse texto revela que embora o Evangelho de Mateus seja judaico,
sua visão é universal.
 
Mateus conhecia bem a história e os costumes judaicos. Nas sete parábolas do capítulo 13, ele fala
sobre agricultura, pesca e hábitos caseiros do povo. Sabia que essas referências provocariam uma
reação favorável dos judeus.
 
O propósito principal de Mateus é provar a seus leitores judeus que Jesus é o Messias por eles
esperado. Seu método de narração consiste primordialmente em demonstrar que Jesus por sua
vida, ministério, morte e ressurreição, cumpriu as profecias do Antigo Testamento. Mais do que
qualquer dos outros evangelhos, ele cita com frequência o Antigo Testamento. Aparecem 29
citações. Em 13 delas, ele diz que o acontecimento se deu para que se cumprisse o que fora dito
pelos profetas.
 
Mateus nos liga com o Antigo Testamento. Em cada página ele procura relacionar o evangelho
com os profetas e mostrar que todos os ensinos deles estão se cumprindo na pessoa de Jesus
Cristo.
 
PROPÓSITO APARENTE
Mostrar que Jesus de Nazaré era o Rei Messias da profecia hebraica.
 
ESTRUTURA
Por meio de um chavão, o autor apresenta seu material numa disposição lógica e sistemática.
Esses chavões são encontrados em cinco partes distintas de sua obra, a saber: 7.28; 11.1; 13.53;
19.1. 26.1: “Aconteceu que, concluindo Jesus este discurso...”. Examine minuciosamente o
material que antecede estas palavras e logo verá que ele é compreendido de narrativa seguida de
discurso. Portanto, essa disposição ordenada revela alguma estrutura proposital à sua obra.
 
Mateus deixa claro que deseja apresentar em ordem histórica os acontecimentos na vida de Jesus:
nascimento, ministério, paixão e ressurreição. Para tanto ele reúne os fatos em cinco grandes
discursos proferidos pelo Senhor: o chamado Sermão do Monte (5.1 a 7.27); a comissão aos
apóstolos (10.5-42); as parábolas (13.1-53); o ensino sobre a humildade e o perdão (18.1-35), e a
palavra profética (24.1 a 25.46). Mateus cita várias passagens e profecias extraídas do Antigo
Testamento e, de fato, interpreta essas profecias como tendo absoluto e certeiro cumprimento em
Jesus Cristo.
 
Essa divisão em cinco partes pode deixar prever, também que Mateus usou o Pentateuco como
modelo da estrutura do seu livro. É ainda possível que esteja apresentando o evangelho como uma
nova Torá. A comparação que ele faz entre Jesus e Moisés transparece em alguns momentos,
como por exemplo, na versão de Mateus para o Sermão do Monte, o próprio Jesus apresenta seus
ensinos numa série de afirmativas que ocorrem ao lado de trechos da Lei mosaica: “Ouvistes o
que foi dito aos antigos...” segue-se uma citação do Pentateuco e depois: “Eu porém vos digo...”
(5.21,27,31,33,38,43).
 
A GENEALOGIA DE JESUS
Mateus agrada seus leitores judeus ao começar seu evangelho com uma genealogia de Jesus que
remonta ao Antigo Testamento, destaca Abraão, pai do povo judeu, e o rei Davi, protótipo do rei
messiânico esperado pelos judeus, passa pelos descendentes régios de Davi e ressalta a identidade
de Jesus como o Cristo. A comparação com o Antigo Testamento mostra que Mateus
intencionalmente omite gerações de reis davídicos para obter três sequencias com catorze gerações
cada uma. A ocorrência incomum de quatro mulheres na lista antes de Maria reforça as
características judaicas com um elemento gentílico, pois elas eram gentias (Tamar, Raabe, Rute e
Bate-Seba, apesar de Mateus não citar o nome de Bate-Seba, preferindo citá-la como: “da que foi
mulher de Urias”). 

Esses elementos gentílicos preconizam o discipulado de todas as nações no final de Mateus: “E,
chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide,
fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou
convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. (28.18-20).
 
O PROBLEMA SINÓTICO
Estudiosos em geral concordam que tanto Mateus quanto Lucas se apoiaram no evangelho de
Marcos para escrever seus próprios evangelhos. Entretanto Mateus e Lucas não seguem Marcos
em todos os detalhes relativos à ordem dos acontecimentos da vida de Jesus, ou a ordem de seus
ensinamentos. Mateus e Lucas tem algum material em comum não encontrado em Marcos, mas aí
eles também diferem um do outro na colocação disso dentro do ministério de Jesus.
 
Para entendermos a cronologia dos evangelhos, é importante notar que o próprio relato de Marcos
não é um diário completo. João registra que Jesus visitou Jerusalém várias vezes durante um
período de cerca de três anos, enquanto que em Marcos os acontecimentos são apresentados de
maneira tal que parecem ter ocorrido no período de um ano, culminando com uma única visita de
Jesus a Jerusalém. Em outras palavras, o Espírito Santo já havia guiado Marcos na seleção e na
apresentação dos acontecimentos do ministério de Jesus de uma maneira particular.
 
Os evangelhos não apresentam apenas um quadro das atividades de Jesus, nem tampouco são
apenas biografias técnicas e modernas, que seguem métodos desconhecidos em seus dias. Os três
Evangelhos Sinóticos são escritas pessoais e complementares; não são três tentativas incompletas
da mesma tarefa. São livros espirituais que juntamente com o evangelho de João, oferecem a todas
as gerações Jesus Cristo, o Verbo encarnado.
 
ESBOÇO DE MATEUS 
Prólogo: Genealogia e narrativa da infância 1.1-2.23
Genealogia de Jesus 1.1-17
O nascimento 1.18-25
A adoração dos magos 2.1-12
Fuga para o Egito e matança nos inocentes, a volta para Israel 2.13-13
 
I. Parte um: Proclamação do Reino dos Céus 3.1-7.29
Narrativa: Início do Ministério de Jesus 3.1-7.29
Discurso: O Sermão da Montanha 5.1-7.29
 
II. Parte Dois: O ministério de Jesus na Galiléia 8.1-11.1
Narrativa: Histórias dos dez milagres 8.1-11.1
Discurso: Missão e martírio 9.35-11.1
 
III. Parte Três: Histórias e parábolas em meio a controvérsias 11.2-13.52
Narrativa: Controvérsia que se intensificam 11.2-12.50
Discurso: Parábolas do Reino 13.1-52
 
IV. Parte Quatro: Narrativa, controvérsia e discurso 13.53-17.27
Narrativa: Vários episódios precedentes à jornada final de Jesus em Jerusalém 13.53-17.27
Discurso: Ensino sobre a igreja 18.1-35
 
V. Parte Cinco: Jesus na Judéia e em Jerusalém 19.1-25.46
Narrativa: A jornada final de Jesus e a instauração do conflito 19.1-23.39
Discurso: Os ensinos escatológicos de Jesus 24.1-25.46
A narrativa da Paixão 26.1-27.66
A narrativa da ressurreição 28.1-20
 
 
FONTES:
Bíblia de Estudo de Genebra – Editora Cultura Cristã
Bíblia de Estudos NVI – Editora Vida
Novo Testamento King James – Edição de Estudos – Sociedade Bíblica Ibero-Americana
Módulo de Teologia da FTB – Editora Betesda
Estudo Panorâmico da Bíblia – Editora Vida
Panorama do Novo Testamento - Editora Vida Nova