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Princípios

De acordo com Canotilho normas são divididas em regras


(prevê condutas humanas e consequências para essas
condutas) e princípios (valores fundamentais do ordenamento
jurídico).
Existem 04 modalidades de princípios: convencionais ou
supralegais (documentos internacionais que o Brasil é
signatário) (RE 466.343), constitucionais (expressos e
implícitos na constituição federal) e legais (previstos na
legislação não constitucional).
Princípio da presunção de inocência ou presunção de não
culpabilidade.
Esse princípio implica no tratamento do réu/investigado
como não culpado, ou seja, ele possui garantis em face
do poder punitivo estatal e há limites nas medidas
restritivas de direitos.
Esse princípio implica, também, na existência de regras
probatórias (ônus probatório da acusação) e de
julgamento (in dubio pro reo).
Este princípio é previsto de formas diferentes na
Declaração Universal dos Direitos Humanos e na
Constituição Federal do Brasil, pois enquanto na
declaração universal deve-se presumir inocência até
provada a culpabilidade, na constituição a pessoa não
pode ser considerada culpada até o trânsito em julgado
de sentença penal condenatória.
Até fevereiro de 2009 o STF entendia que não era
possível a execução provisória da pena (HC 68726).
Entre fevereiro de 2009 a fevereiro de 2016 o STF
entendia que não era possível a execução provisória da
pena (HC 84078).
Entre fevereiro de 2016 a novembro de 2019 o STF
entendia que era possível a execução provisória da pena
(HC 126292).
De novembro de 2019 até o momento o STF entende que
não é possível a execução provisória (ADCs 43, 44 e 54).
Princípio do devido processo legal.
Tem origem na Magna Carta de João Sem Terra.
Devido processo legal substancial (substancial due
process of law): além de seguir o procedimento correto
de acordo com a lei, a tramitação do procedimento deve
refletir uma decisão justa.
Devido processo legal procedimental (procedural due
process of law): observar o procedimento correto de
acordo com a lei.
Princípio do contraditório (art. 5º, inc. LV, CF).
Compreende o direito à informação (ser informado dos
atos do processo) e a participação (atuar ativamente no
processo).
Paridade de armas (par conditio): defesa e acusação
devem estar em paridade, ou seja, ter a mesma força
dentro do processo.
Contraditório para a prova ou real: acontece no
momento em que a prova está sendo produzida. É o
preferencial no processo penal.
Contraditório sobre a prova ou diferido: acontece em
momento posterior à produção da prova. É exceção no
processo penal.
Princípio da ampla defesa.
Ampla defesa (defesa é obrigatória no processo penal) é
diferente de plenitude de defesa (aplicável ao Tribunal
do Júri).
A defesa é obrigatória no processo penal.
Defesa pode ser positiva (produz provas e faz pedidos no
processo) ou negativa (exerce o direito de ficar em
silêncio).
Defesa técnica (exercida por profissional habilitado) é
diferente de autodefesa (exercida pelo próprio réu).
A defesa técnica é indisponível e irrenunciável (art. 261
do CPP e Súmula 523 do STF). Já a autodefesa é
disponível.
O acusado tem o direito de escolher seu defensor.
Autodefesa implica no direito de presença (estar
presente em todos os atos processuais), no direito de
audiência (direito de ser ouvido) e no direito de petição
(em algumas situações o réu pode peticionar
diretamente ao juiz).
Em caso de colidência de teses de defesa por diferentes
réus, é preciso ter mais de 1 defensor técnico.
Estagiário e advogado com a OAB suspensa não podem
fazer defesa técnica.
Princípio da publicidade (art. 93, inc. IX, e art. 5º, inc. LX,
ambos da CF e art. 792 do CPP): atos processuais são, em
regra, públicos, sob pena de nulidade, ou seja, deve haver
publicidade ampla.
A publicidade restrita tem duas espécies: o segredo de
justiça (somente parte e procuradores tem acesso e
participação, até o fim do processo) e o sigilo (a restrição
é provisória e é maior que a do segredo de justiça).
Princípio da busca da verdade.
Atualmente não é mais possível falar que no processo
civil busca-se a verdade formal e no processo penal a
verdade material, especialmente porque, nos últimos
tempos, houve um aumento dos poderes instrutórios do
juiz no direito processual civil.
Busca da verdade materialmente possível (Nucci): é a
aquela verdade limitada pelo sistema acusatório e pelos
direitos e garantias fundamentais.
Verdade consensual: partes abrem mão da instrução
processual (achar a verdade) e negociam condições para
o fim do processo, como na transação penal e na
suspensão condicional do processo.
Princípio nemo tenetur se detegere.
Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo.
Esse princípio implica no direito ao silêncio (art. 5º, inc.
LXIII, CF).
O réu não é obrigado a produzir provas contra si mesmo
por conta de um comportamento ativo. Contudo, o
comportamento passivo do réu não viola, em regra, esse
princípio. Dessa forma, por exemplo, é possível
reconhecer o réu em audiência.
Princípio do juiz natural (art. 5º, inc. XXXVII e LIII, CF).
Ninguém será processado ou sentenciado senão pela
autoridade competente.
Vedação a tribunal de exceção, que é aquele criado após
o fato especificamente para o seu julgamento.
Não existe previsão constitucional, mas o STF reconhece
a existência do princípio do promotor natural, ou seja, a
definição do membro do Ministério Público competente
para oficiar em um caso deve observar as regras
previamente estabelecidas pela instituição.
Princípio da proporcionalidade possui três aspectos:
necessidade, adequação e proporcionalidade strictu sensu.
Esse princípio deve ser sempre observado no momento
de determinar alguma medida constritiva contra o
investigado/réu.
Princípio da inadmissibilidade das provas ilícitas (art. 5º, inc.
LVI, CF).
Princípio do duplo grau de jurisdição não possui previsão
constitucional e o STF não o reconhece como garantia
constitucional.

Sistemas processuais
Existem, basicamente, 03 sistemas processuais penais:
inquisitório, acusatório e misto.
Quando se fala em sistemas processuais não se faz referência
a inquérito policial, que é um procedimento administrativo e
não um processo penal.
Não é correto dizer, portanto, que o sistema inquisitório
vige no inquérito policial. O correto, na verdade, é
afirmar que o inquérito policial tem características
inquisitoriais.
Sistema inquisitório: as três funções processuais (acusar,
defender e julgar) estão reunidas em uma pessoa só: o juiz
inquisidor.
O processo penal tem como finalidade absoluta a busca
pela verdade real. A busca pela verdade justificava
qualquer medida, inclusive a tortura.
A gestão da prova é feita somente pelo juiz inquisidor,
ou seja, ele que decide quais provas serão produzidas.
O acusado é um objeto de processo.
Não há contraditório e o processo é sigiloso.
Este sistema é considerado incompatível com o Estado
Democrático de Direito.
A confissão do réu é a rainha das provas.
Julgadores não estão sujeitos a recusa, portanto,
institutos como o impedimento, a suspeição e a
incompetência não existem.
Processo penal corre por impulso oficial e havia ampla
liberdade processual para o juiz inquisidor.
Sistema acusatório: as funções de acusar, defender e julgar
estão nas mãos de 03 figuras diferentes (actum trium
personarum).
As partes são distintas e o juiz é equidistante e
imparcial.
O processo possui contraditório e a publicidade é a
regra.
A gestão da prova é feita primordialmente pelas partes.
O acusado é um sujeito de direitos
Há paridade entre acusação e defesa com relação às
faculdades processuais.
O sistema acusatório é o adotado pelo direito processual
penal brasileiro, o que, inclusive, já foi reconhecido pelo
STJ. A adoção desse sistema foi instituída pelo art. 129,
inc. I, da CF, que diz que a promoção da ação é penal é
privativa do Ministério Público (art. 129, inc. I, CF).
Já houve séria discussão jurisprudencial sobre qual é a
ordem que a inquirição de uma testemunha deve seguir
e qual a consequência em caso de inversão nessa ordem.
O STJ entende que a testemunha deve ser inquirida
inicialmente pela parte que pediu sua oitiva e, por
último pelo juiz e que se houver inversão nessa ordem
isso é causa de nulidade relativa, ou seja, deve-se
comprovar o prejuízo.
Sistema misto ou francês é uma fusão dos sistemas
inquisitório e acusatório.
O processo é composto por duas fazes: uma inquisitorial
(escrita, secreta, sem acusação e sem contraditório em
que há colheita de provas de autoria e materialidade) e
outra acusatória (há acusação, defesa, julgamento,
contraditório e publicidade).
Há doutrinadores que defendem que o Brasil adota este
sistema, contudo, a maioria da doutrina e o STJ são já
afirmaram que o Brasil adota o sistema acusatório.

Aplicação da lei processual penal


Lei processual penal no espaço: em regra, a lei processual
penal aplica-se no território nacional (princípio da
territorialidade) (art. 1º do CPP).
Lei processual penal no tempo: a lei processual se aplica no
momento de sua vigência, sem prejuízo da validade de atos já
realizado sob a vigência ida lei anterior (tempus regit actum)
(art. 2º do CPP).
É preciso tomar cuidado porque no código penal existem
normas de caráter processual e no código de processo penal
existem normas de caráter material. Dessa forma, é possível
dizer que existem noras genuinamente processuais (norma de
natureza processual em lei processual), processuais híbridas
(estão em lei processual e tem conteúdo de direito material e
de direito processual, como no art. 366 do CPP) e processuais
heterotópicas (norma que é de direito processual e não está
na lei processual ou que não é de direito processual e está na
lei processual).
De acordo com o STF quando o dispositivo legal possui
conteúdo misto, prevalece o caráter material. Dessa forma,
em normas processuais híbridas o caráter material da norma
prevalece sobre o caráter processual.
Existem 03 sistemas para definir quando uma lei se aplica a
atos realizados sob a vigência da lei anterior: sistema da
unidade processual (o processo é um todo, logo a norma nova
se aplica somente aos processos que surgiram após a lei
nova), sistema das fases processuais (o processo é divido em
fases e a lei nova se aplica apenas a partir da fase que
começou após a lei nova) e sistema do isolamento dos atos
processuais (lei nova se aplica aos atos processuais que
ocorrem sob sua vigência).
O Brasil adota o sistema do isolamento dos atos
processuais (art. 2º do CPP).
É possível interpretação extensiva da lei processual penal, a
aplicação analógica e o suplemento dos princípios gerais de
direito (art. 3º do CPP).

Inquérito Policial
Conceito para o Renato Brasileiro: “O inquérito policial
consiste em um conjunto de diligências realizadas pela polícia
investigativa objetivando a identificação das fontes de prova e
a colheita de elementos de informação quanto à autoria e
materialidade da infração penal, a fim de possibilitar que o
titular da ação penal possa ingressar em juízo.”
O inquérito policial não é um processo, mas sim um
procedimento administrativo.
Em decorrência disso, o contraditório e a ampla defesa
não são princípios aplicáveis ao inquérito policial.
A simples produção de um inquérito policial não
justifica a aplicação de qualquer sanção.
A finalidade do inquérito é colheita de elementos de
informação, que são destinados ao membro do Ministério
Público, que é o titular da opinio delicti.
O inquérito policial colhe elementos de informação, não
provas, pois estas últimas são somente aquelas
produzidas em contraditório judicial.
O inquérito policial possui valor probatório, pois o art. 155 do
CPP veda apenas que o juiz fundamente sua decisão
exclusivamente em elementos de informação, ou seja, é
possível utilizar elementos de informação para
fundamentação de decisões, desde que não usados
exclusivamente e corroborados por outras provas.
A presidência do inquérito pertence à polícia judiciária, que é
a polícia que tem atribuições repressivas, ou seja, atua após
a prática do crime (art. 4º do CPP).
STF entende que o Ministério Público, por ter
competência para promover a ação penal, pode
realização investigações de natureza penal, devendo
respeitar os direitos e garantias dos investigados e as
diligências submetidas à reserva de jurisdição.
Ministério Público não pode presidir um inquérito
policial, pois essa atribuição é exclusiva da autoridade
policial (art. 4º do CPP).
A investigação pelo Ministério Público é feita por meio de
outros procedimentos.
São características o inquérito policial:
1) Procedimento escrito (art. 9º do CPP).
2) Dispensabilidade (arts. 12 e 39, §5º, ambos do CPP): é
possível o oferecimento de denúncia criminal sem a
conclusão de um inquérito policial.
3) Inquisitorialidade: o inquérito policial tem
características inquisitoriais, pois a maioria da doutrina
defende que na investigação preliminar não há
contraditório e ampla defesa.
Existe parcela minoritária da doutrina (Aury Lopes
Júnior e Antônio Scarance Fernandes) que defende
que a investigação preliminar é um procedimento
sujeito a contraditório diferido e ampla defesa.
4) Sigiloso (art. 20 do CPP): a autoridade policial
assegurará ao inquérito o sigilo necessário à elucidação
do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.
Cuidado, pois é direito do defensor acesso aos
elementos de informação já documentados (Súmula
Vinculante 14).
5) Discricionário: as disposições dos arts. 6º e 7º do CPP
não são taxativas, ou seja, elas não representam as
únicas formas de se instaurar um inquérito policial.
6) Oficial: é conduzido por autoridade policial que foi
oficialmente investido no cargo.
7) Oficioso (art. 5º, inc. I, CPP): a autoridade policial não
precisa ser provocado para instaurar ou impulsionar o
inquérito, ou seja, ele pode fazer tudo de ofício.
8) Indisponível (art. 17 do CPP): a autoridade policial
não pode dispor do inquérito instaurado.
A característica da incomunicabilidade é
inconstitucional, pois a previsão do art. 21 do CPP não
foi recepcionada pela Constituição Federal (art. 136, §3º,
inc. IV, CF).
O Código de Processo Penal não regulamenta de forma
expressa como deve tramitar um inquérito policial e somente
os arts. 6º, 7º e 13 do CPP definem diligências que devem ser
feitas pela autoridade policial, de acordo com sua
discricionariedade.
Tabela de prazos para conclusão do inquérito policial
Preso Solto
Regra Geral 10 + 15 dias 30 dias
Inquérito da Polícia Federal 15 + 15 dias 30 dias
Inquérito Policial Militar 20 dias 40 + 20 dias
Inquérito da Lei de Drogas 30 + 30 dias 90 + 90 dias
Inquérito sobre crime contra a 10 dias 10 dias
economia popular
Inquérito com prisão 30 + 30 dias Aplica-se o
temporária prazo da
regra geral

Identificação civil é aquela feita por órgãos competente para


fazer prova de algumas informações civis. Já a identificação
criminal é feita num contexto de investigação criminal em que
há coleta de das digitais de todos os dedos da pessoa para
fins de responsabilização criminal.
O civilmente identificado não será submetido a
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em
lei (art. 5º, inc. LVIII, CF).
As hipóteses em que a identificação criminal deve ser
feita estão previstas no art. 3º da Lei 12.037/09 e,
geralmente, estão ligadas a situações em que a
identificação civil está danificada ou pode estar
incorreta.
Juiz pode determinar de ofício a identificação criminal
durante a tramitação do inquérito (art. 3º, inc. III, Lei
12.037/09).
Os documentos que podem identificar civilmente uma
pessoa estão previstos no art. 2º da Lei 12.037/09.
A identificação do perfil genético é prevista no art. 9º-A da Lei
12.654/12.
A obrigatoriedade da identificação é para condenados,
como previsto no próprio art. 9ª-A da Lei 12.654/12.
Também é possível a identificação do perfil genético de
suspeitos e acusados, contudo, no caso deles não há
obrigatoriedade, em decorrência do direito ao silêncio.
Quando houver necessidade da identificação do perfil
genético de suspeito/acusado, a situação deve ser
submetida à análise do juiz.
Eventuais vícios do inquérito policial não contaminam a ação
penal.
A reconstituição do crime, como os demais atos de
investigação praticados no inquérito, não é obrigatória, sendo
feita de acordo com discricionariedade da Autoridade Policial
(art. 7º do CPP).
Há diferença entre investigado (é o suspeito), indiciado (foi
formalmente indiciado pela autoridade policial) e acusado
(responde a uma ação penal).
Indiciamento é um ato formal e fundamentado em que a
Autoridade Policial faz um juízo sobre a materialidade e
autoria, bem como suas circunstâncias.
É possível o desindiciamento se houver novas provas
que infirmam o indiciamento.
A doutrina entende que o art. 17-D da Lei 9.613/98
viola os princípios da presunção da não culpabilidade e
da jurisdicionalidade.
A atuação do Delegado de Polícia numa investigação criminal
é regulamentada pela Lei 12.830/13.
A CJF editou a Resolução nº 63/2009 que previa a
possibilidade de tramitação direta do inquérito policial entre
polícia e ministério público. O STJ aceita este tipo de
diligência.
Pedido do MP de novas diligências não pode ser indeferido
pelo Juiz, pois o MP que é o titular da ação penal. Contudo,
há discussão doutrinária sobre o tema quando se trata de
inquérito de réu preso. Há corrente que aceita a possibilidade
de novas diligências e há outra corrente que defende que se
não existe elementos suficientes para uma denúncia, também
não existem para a prisão.
O relatório (art. 10, §1º, CPP) é o ato que encerra o inquérito
policial e não faz juízo de valor sobre o caso, mas apenas
enumera os atos de investigação.
Somente o Ministério Público pode requer o arquivamento do
inquérito e o momento mais adequado para fazê-lo é após o
relatório.

Da Ação Penal
Jus Puniendi: Poder-dever de punir. É realizado em duas
fases: fase investigatória (inquérito policial) e fase processual
(ação penal).
A ação penal tem fundamento no art. 5º, inc. XXXV, da CF
(inafastabilidade da jurisdição).
Conceito de ação penal: É o direito do Estado-acusação ou da
vítima de ingressar em juízo e representar pela aplicação de
penas previstas na legislação penal.

Características da ação penal


Direito Público: A ação é controlada pelo Estado.
Direito Subjetivo: Possui sempre um titular (Estado-
acusação, vítima ou representante legal da vítima).
Direito Autônomo: Não está ligado ao direito material.
Direito Abstrato: O resultado da ação penal não se confunde
com o seu exercício.
Direito Específico: Tem relação com um fato previsto em lei.

Espécies de ação penal


Ação Penal Pública: Incondicionada, condicionada à
representação, condicionada à requisição.
Ação penal privada.
Ação penal privada subsidiária da pública.
A ação penal é pública, salvo exceções previstas em lei (art.
100 do CP).
Nos crimes praticados em detrimento do patrimônio ou
interesse da União, Estados ou Municípios, a ação penal é
sempre pública incondicionada (art. 24, §2º, CPP).
Infrações penais ambientais, a ação penal é pública
incondicionada (art. 26 da Lei 9.605/98).
Nas contravenções penais a ação penal é pública
incondicionada (art. 17 do Decreto-Lei 3.688/41).
O STJ já concluiu que a ação penal é pública incondicionada
na contravenção-penal de vias de fato, ainda que para lesão
corporal leve ou culposa (crime mais grave) a legislação
preveja a necessidade de representação da vítima (art. 88 da
Lei 9.099/95).

Classificações da ação penal


Ação penal popular: iniciada por qualquer pessoa do povo
(art. 14 da Lei 1.079/50). A doutrina majoritária entende que
essa previsão não é de uma ação penal e, portanto, que essa
classificação não existe. Isto porque, apesar do uso da
palavra denúncia, ela não foi escrita no sentido técnico da
palavra, de realizar uma denúncia como numa ação penal,
mas de apenas registrar a notícia de um crime. Além disso,
não há pena punitiva na lei 1.079/50, mas apenas sanções
político-administrativas.
Ação penal ex officio (processo judicialiforme): É prevista no
art. 531 do CPP e no art. 26 da Lei de Contravenções Penais e
permitia o início de uma ação penal por portaria do juiz. A
previsão do CPP já foi revogada por lei (Lei 11.719/08) e
entende-se que a previsão da lei de contravenções penais foi
tacitamente revogada. No art. 654 do CPP há previsão de
possibilidade de concessão de ofício de Habeas Corpus, e a
doutrina classifica essa possibilidade como uma ação penal
ex officio.
Ação de Prevenção Penal: Essa classificação tem por base o
art. 386, inc. II e parágrafo único, inc. II, do CPP. Sobre a
aplicação de medida de segurança a inimputáveis. É aquela
deflagrada com a finalidade de aplicar exclusivamente medida
de segurança ao acusado inimputável.
Ação penal adesiva: Ocorre quando há litisconsórcio entre o
MP e o ofendido em crimes conexos, ainda que um seja de
iniciativa pública e outro de iniciativa privada. O art. 79 do
CPP prevê que esses crimes, em caso de conexão ou
continência, importam em unidade de processo e julgamento.
Querelante e Ministério Público ficam, juntos, no polo ativo.
Ação penal secundária: Ocorre quando a lei prevê uma
possibilidade de ação (primária) mas atribui a fatos
específicos a possibilidade de interposição um tipo diferente
de ação penal (secundária). Um exemplo é a previsão do art.
145 do CPP.
Ação penal extensiva: É previsto no art. 101 do CP. Tem
relação com crimes complexos, que são aqueles cujo tipo
penal são somas de outros crimes.
Ação penal de segundo grau: aquela que se desenvolve, desde
o início, em segundo grau de jurisdição. Ocorre com relação a
pessoas com foro por prerrogativa de função.

Condições da ação penal


Conceito: condições necessárias para o regular e válido
prosseguimento da ação penal.
Teoria de asserção: a análise das condições da ação penal, no
momento do seu recebimento, é feita de forma superficial e
não profunda.
Existem condições genéricas (devem estar em todas as ações
penais) e específicas da ação penal (exigidas para
determinados tipos penais).

Condições genéricas da ação penal


Legitimidade de parte: É dividida em ativa (quem pode ser
titular da ação penal) e passiva (quem pode ser réu). A
legitimidade ativa pode ser dividida em legitimação ordinária
(pede-se em seu nome um direito que é seu, é feita
diretamente pela vítima) e legitimação extraordinária (terceiro
pleiteia sobre o direito alheio, feita pelo Ministério Público ou
por curador especial, nos termos do art. 33 do CPP).
A legitimação ativa concorrente acontece quando há mais de
uma pessoa autorizada a agir, como no art. 31 do CPP
(sucessão processual) ou nos casos de ação penal privada
subsidiária da pública. A ação de uma afasta a ação de outra.
Apenas maiores de 18 anos podem ser réus.
Pessoas jurídicas, em regra, não podem figurar no polo
passivo de uma ação penal. Há previsão no art. 173, §5º, da
CF, mas não existe lei regulamentando, o que é essencial
para isso. Apenas nos casos de crimes ambientais, há
previsão no art. 225, §3º, da CF e regulamentação legal, pela
Lei 9.605/98.
Quando se fala sobre responsabilização de pessoa jurídica,
durante muito tempo se debateu sobre a necessidade de
adotar a teoria da dupla imputação (pessoa jurídica só é
responsabilizada se houve também responsabilização da
pessoa física à frente da administração da pessoa jurídica e
também é responsável pela prática do crime). Os tribunais
superiores abandonaram essa teoria e não há mais
necessidade de dupla imputação.
Interesse de agir: é uma análise da necessidade (a ação penal
é necessária para aplicação da pena, com exceção do previsto
no art. 76 da Lei 9.099/95), utilidade (analisar se há causa
de extinção da punibilidade, como a prescrição) e adequação
(escolher a ação adequada) da ação penal.
Alterações promovidas pela Lei 12.234/10 tornou mais rara a
possibilidade de uso da prescrição virtual ou ideal (feita com
base na pena em perspectiva). A prescrição virtual é vedada
pela súmula 438 do STJ.
É preciso cuidado com súmulas que vedam a interposição de
Habeas Corpus em algumas situações, como as súmulas 693,
694 e 695 do STF.
Possibilidade jurídica do pedido: Analisar se o pedido está
previsto em lei, ou seja, se é um fato típico.
Pedido de aplicação de pena proibida não implica na
impossibilidade de receber a denúncia, pois o juiz pode
aplicar a pena correta ao final, pois o pedido da acusação não
vincula o juiz.
Há doutrinadores que dizem que a possibilidade jurídica do
pedido não é mais uma condição da ação, pois ela não está
prevista no novo CPC e, por isso, não se aplica, ainda que
seja no âmbito de processos criminais.
Justa causa: A lei 11.719/08 colocou a justa causa como
uma categoria autônoma. Justa causa é o substrato fático
mínimo (materialidade e autoria).
Justa causa duplicada: É feita quando o crime objeto da ação
penal é feito com base na Lei de Lavagem de Capitais (art. 2º,
§1º, da Lei 9.613/98). É preciso demonstrar indícios
suficientes da infração penal antecedente (que levou à
lavagem de dinheiro) e da lavagem de dinheiro em si.

Condições específicas da ação penal


1) Requisição do ministro da justiça
2) Representação do ofendido
No estudo das condições da ação penal é preciso diferenciar
condições de procedibilidade (é avaliada no início da ação
penal), condições de prosseguibilidade (relacionada a fato que
surge no curso do processo, ex: art. 152 do CPP) e condições
objetivas de punibilidade (ex: art. 236, parágrafo único, CP).

Ação Penal Pública


Incondicionada: somente o Ministério Público tem
legitimidade para sua interposição (art. 129, inc. I, CF). É
regra geral no direito processual penal.
Condicionada: a requisição do Ministro da Justiça ou a
representação do ofendido podem inicia-la. Só acontece
quando há previsão expressa em lei.

Princípios da ação penal pública


Obrigatoriedade ou legalidade processual: havendo justa
causa é dever da polícia judiciária investigar e do Ministério
Público de processar. Esse princípio se aplica a ação penal
pública condicionada, mas a vítima não é obrigada a
representar. Mas se representar, o Ministério Público é
obrigado a agir. Exemplos de aplicação nos artigos 27 e 40 do
CPP.
Há mecanismos para controlar o exercício do princípio da
obrigatoriedade, como o previsto no art. 28 do CPP.
As exceções ao princípio da obrigatoriedade são: transação
penal (art. 76 da Lei. 9.099/95), acordo de leniência nas
infrações contra a ordem econômica (arts. 86 e 87 da Lei
12.529/11), acordo de não persecução penal (art. 18 da
Resolução 181/17 do CNMP) e colaboração premiada (art. 4º
da Lei 12.850/13).
O art. 60 da Lei 12.651/12 prevê uma possibilidade de causa
suspensiva da punibilidade em casos de assinatura de termo
de ajustamento de conduta. Contudo, o STJ entende que a
celebração de TAC não impede a persecução penal, havendo
reflexos apenas na aplicação da pena.
Princípio da indisponibilidade: O Ministério Público não pode
desistir da ação penal (Ex nos arts. 42 e 576 do CPP.
O pedido de absolvição feito pelo MP não fere o princípio da
indisponibilidade, pois apenas significa que o MP não
encontrou provas para condenação, não que ele tenha
desistido.
Exceções ao princípio da indisponibilidade: suspensão
condicional do processo (at. 89 da Lei 9.099/95).
Princípio da oficialidade: A persecução penal ocorre por
órgãos oficiais. O art. 26 do CPP não foi recepcionado pela
CF, em decorrência do art. 129, inc. I, da CF.
Princípio da oficiosidade: a ação penal deve ser iniciada de
ofício pelo Ministério Público. Esse princípio não se aplica na
ação penal pública condicionada.
Princípio da autoritariedade: os órgãos de persecução penal
devem ser autoridades públicas.
Princípio da intranscedência ou da pessoalidade: somente
quem praticou o fato criminoso é processado.
Princípio da divisibilidade: É possível separar ações penais
sobre o mesmo fato, desde que os indícios de materialidade e
autoria sejam percebidos em momentos diferentes pelo
Ministério Público.

Ação penal pública condicionada.


Os princípios são os mesmos da ação penal pública
incondicionada, com exceção do princípio da oficiosidade,
pois há necessidade da representação.
Deve ser previsto expressamente na lei os crimes que são
processados por ação penal pública condicionada.
A legitimidade ativa é do Ministério Público. A representação
é uma condição de procedibilidade.
A vítima (pessoalmente ou procurador com poderes especiais)
ou seu representante legal (se a vítima é menor ou tem algum
tipo de incapacidade) tem legitimidade para representar.
O representante legal pode ser um ascendente, um tutor ou
curador. É irrelevante se a vítima é emancipada, pois a
emancipação não tem efeitos no processo penal.
Menor sem representante legal ou em caso de colidência de
interesses, nomeia-se um curador especial (art. 33 do CPP).
Em caso de morte da vítima ou declaração de ausência, há
sucessão do direito de representação (art. 24, §1º, CPP). Há
uma discussão doutrinária sobre se o companheiro (união
estável) também pode exercer esse direito de representação.
Pessoas jurídicas também são legitimas para representar,
conforme art. 374 do CPP.
Os destinatários da representação são a autoridade policial, o
ministério público ou o juiz (art. 39 do CPP).
O prazo para representação é de 06 (seis) meses contados do
dia em que a vítima ou seu representante legal descobre
quem é o autor do crime, sendo o prazo decadencial (art. 38
do CPP). O prazo não se suspende e não se interrompe.
Eficácia objetiva da representação: o Ministério Público fica
atrelado aos crimes na representação, não aos autores
indicados. Esse é o entendimento do STJ.
Feita a representação, o Ministério Público não é obrigado a
oferecer a denúncia se não vislumbrar a existência de
materialidade ou autoria suficiente para denunciar.
Segundo o STJ e o STF, a representação é um ato que não
exige maiores formalidades, sendo suficiente a manifestação
de vontade.
É possível retratação da representação até o oferecimento da
denúncia (art. 25 do CPP). Deve-se tomar cuidado com os
crimes da lei maria da penha, em decorrência do art. 16 da
Lei 11.340/06.
É possível a retratação da retratação, o que na verdade,
representa uma nova representação. Deve-se atentar para o
prazo decadencial.

Ação penal pública condicionada a requisição do Ministro


da Justiça
Os princípios aplicáveis são os mesmos da ação penal pública
incondicionada, exceto o princípio da oficiosidade.
Não há prazo decadencial para a requisição, devendo o
Ministro da Justiça se atentar apenas para os prazos
prescricionais.
O destinatário da requisição é o Ministério Público.
A requisição é um ato discricionário (conveniência e
oportunidade) do Ministro da Justiça.
Eficácia objetiva da requisição: o Ministério Público fica
atrelado aos crimes na requisição, não aos autores indicados.
Feita a requisição, o Ministério Público não é obrigado a
oferecer a denúncia se não vislumbrar a existência de
materialidade ou autoria suficiente para denunciar.
Com relação a retratação da requisição, não há
jurisprudência, mas há duas correntes doutrinárias: Nucci e
LFG acreditam que sim, da mesma forma que na
representação, ainda que não exista expressa previsão legal.
Já Tourinho e Nestor Távora dizem que não, pois não há
previsão legal e o Ministro da Justiça, por ser um posto de
Estado, não se deve permitir que ele fique mudando de ideia
por simples conveniência.
Ação penal pública condicionada a requisição é usada nos
casos previstos no art. 7º, §3º, art. 145, parágrafo único, e
art. 141, inc. I, todos do Código Penal.

Ação Penal Privada


Legitimidade ativa: vítima ou representante legal, das
mesmas hipóteses em que age na ação penal pública
condicionada.
Há necessidade de Advogado, com procuração com poderes
especiais, para promover ação penal.
A peça inicial é uma queixa-crime, em que há demonstração
de justa causa (materialidade e indícios de autoria).
As hipóteses em que há ação penal privada são
expressamente previstas em lei.
Princípios da ação penal privada:
Oportunidade ou conveniência: diferente da ação penal
pública, a vítima verifica se lhe é conveniente dar início a
uma ação penal.
Disponibilidade: a vítima pode dispor da ação penal e, mesmo
depois da proposição, pensar se ela quer ou desistir (perdão
ou perempção).
Indivisibilidade: a vítima não pode escolher quem são os
ofensores que serão processados, deve-se processar todos os
autores. Esse princípio visa evitar atos de vingança privada.
Espécies de ação penal privada: 1) Exclusivamente privada
ou propriamente dita: é regra geral, aquela que pode ser
interposta pelo ofendido, representante legal, curador,
sucessores... 2) Personalíssima: Somente pode ser interposta
pelo ofendido e não admite sucessores em caso de
falecimento. O único exemplo da legislação é o do art. 236 do
Código Penal. 3) Subsidiária da pública ou supletiva (art. 29
do CPP e art. 5º, inc. LIX, da CF): cabível em caso de inércia
do Ministério Público. Somente é cabível em caso de total
inércia, dessa forma pedido de arquivamento não caracteriza
inércia, mas apenas que não há elementos para propositura
da denúncia. Ela é uma faculdade do ofendido e interposta
por meio de um queixa-crime substitutiva. Não é cabível em
todo tipo de delito, mas apenas naqueles em que há uma
vítima definida. O prazo para interposição é de 06 meses
contados da inércia do Ministério Público. Esse prazo é
decadencial apenas para o ofendido (decadência imprópria,
pois não gera extinção da punibilidade), mas a atuação do MP
é feita com base na prescrição. Não há pagamento de custas e
outras despesas processuais para interposição.
Poderes do Ministério Público na ação privada subsidiária da
pública: 1) Oficiar pela rejeição da peça acusatória. 2)
Repudiar a queixa, ficando obrigado a oferecer denúncia
substitutiva. 3) Aditar a queixa, tanto em seus aspectos
formais como materiais. 4) Intervir em todos os termos do
processo, para interpor recurso e oferecer meios de prova, por
exemplo.
Ação Penal Indireta: ofendido fica inerte e o Ministério Público
retoma a titularidade da ação penal privada subsidiária da
pública.
Causas extintivas da punibilidade relativas às ações penais
exclusivamente privada e privada personalíssima:
1) Decadência: perda do direito de agir pelo decurso do
tempo prevista em lei. O prazo é de 06 meses contados
do conhecimento da autoria. O prazo decadencial é
interrompido com o oferecimento da queixa, inclusive,
segundo o STJ, em caso de interposição perante um juiz
incompetente. Pedido de instauração de inquérito ou
demora na investigação não interrompe ou suspende o
prazo decadencial, nestes casos deve-se interpor a
queixa-crime apenas para evitar a decadência e informar
o juiz da pendência da investigação.
2) No crime do art. 236 do CP (ação penal privada
personalíssima), a contagem do prazo decadencial
começa do trânsito em julgado da sentença que anulou
o casamento.
3) Segundo o STJ, nos crimes contra a propriedade
imaterial, o prazo para apresentar queixa é de 30 (trinta)
dias contados da homologação do laudo pericial (art.
529 do CPP). Se não houver homologação de laudo,
deve-se obedecer o prazo geral de 06 (seis) meses.
4) No caso de concurso de crimes, a decadência deve ser
verificada individualmente (art. 119 do CP).
5) Renúncia: é um ato unilateral e voluntário
(desdobramento do princípio da oportunidade ou
conveniência) que somente pode ser usado em ações
penais exclusivamente privadas ou privadas
personalíssimas. Em razão do princípio da
indivisibilidade, a renúncia concedida a um dos
coautores se estende aos demais. Não admite retratação.
A renúncia pode ser expressa (declaração escrita, art. 50
do CPP) ou tácita (prática de ato incompatível com a
vontade de exercê-lo (art. 104, parágrafo único, do CP).
Indenização pelo dano causado pelo crime não implica
em renúncia tácita, salvo em caso de composição civil
dos danos nos juizados criminais (art. 74 da Lei
9.099/95). Se a não inclusão de um coautor na queixa-
crime ocorreu de maneira proposital, entende-se que
ocorreu a renúncia tácita.
6) Perdão do ofendido: ato bilateral e voluntária pelo
qual o ofendido ou seu representante legal desiste de
prosseguir com o processo já em andamento, perdoando
seu ofensor caso o perdão seja aceito. Somente se aplica
às ações exclusivamente privadas ou privada
personalíssima. O perdão concedido a um aproveitará a
todos, mas não produz efeitos ao que recusar (art. 51 do
CPP). Se houver mais de uma vítima, a extinção da
punibilidade ocorre só com relação à vítima que ofereceu
o perdão. O perdão pode ser aceito por procurador com
poderes especiais (art. 55 do CPP). O silencio importa
em aceitação (art. 58 do CPP). O perdão pode ocorrer até
o trânsito em julgado da sentença condenatória.
7) Perempção (art. 60 do CPP): perda do direito de
prosseguir no exercício da ação penal em virtude da
desídia do querelante. É aplicável nos casos de ações
exclusivamente privadas ou personalíssimas. É diferente
de decadência porque a ação penal já começou.
No caso do inc. I do art. 60 do CPP, deve-se intimar
o querelante.
No caso do inc. II do art. 60 do CPP, o prazo é
contado a partir da morte ou da ocorrência da
incapacidade.
Em caso de pedido de absolvição pelo querelante, o
Juiz não pode condenar, pois deve extinguir pela
perempção.
Havendo vários querelantes, a perempção a um
não atinge os demais.
Ação penal nos crimes contra a honra de funcionário público
no exercício de suas funções é pública condicionada a
representação. Mas a Súmula 714 do STF diz que é
concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do
Ministério Público, mediante representação do ofendido.
O STF entende que há preclusão quando ofendido
resolve fazer uma ou outra das possibilidades (queixa ou
representação).
Ação penal no crime de injúria qualificada ou injúria racial é
ação penal pública condicionada a representação (Lei
12.033/09).
A injúria racial é condicionada a representação, mas os
crimes da lei de racismo são de ação penal pública
incondicionada.
Ação penal nos crimes de lesões corporais leves e culposas na
lei maria da pena:
Apesar da previsão da Lei 9.099/95, o art. 41 da lei
maria da penha tem como principal consequência a
inaplicabilidade da lei 9.099/95 aos casos da lei maria
da penha. STF já disse que esse dispositivo é
constitucional e o STJ também aplica esse
entendimento. Como o tipo de ação penal nos crimes de
lesão corporal leve e culposa é da Lei 9.099/95 e ela não
é aplicável à violência doméstica, então a ação é pública
incondicionada.
Ação penal nos crimes contra a dignidade sexual:
Art. 225 do Código Penal (original): a regra geral era de
que ação penal era privada, com exceções previstas nos
parágrafos do dispositivo.
Art. 225 do Código Penal (alteração em 2009): ação
penal é pública condicionada à representação do
ofendido, exceto se a vítima fosse menor de 18 anos ou
pessoal vulnerável, caso em que era incondicionada.
Art. 225 do Código Penal (alteração em 2018): a ação
penal é pública incondicionada em todos os crimes
contra a dignidade sexual.
É importante lembrar que a lei que alterar o tipo de ação
penal utilizada em determinado crime segue as regras
temporais do direito material, ou seja, somente pode retroagir
para beneficiar o réu. Deve-se olhar o tipo de ação penal na
época que o crime foi consumado.

Denúncia e queixa
Denúncia e queixa são os atos processuais que dão início a
ação penal. A primeira às ações penais públicas e a segunda
à ação penal privada.
Legitimidade: a denúncia é o Ministério Público a queixa é o
advogado do querelante.
O “litisconsórcio ativo” do processo penal, na verdade, diz
respeito a duas ações penais, uma pública e outra privada,
que tramitam juntas, mas em autos separados. Não se aceita
a ideia que o Ministério Público pode processar um crime de
ação penal privada conexo a um público no mesmo processo,
pois lhe faltaria a legitimidade ativa para o crime de ação
penal privada.
A denúncia e a queixa são, em regra, escritas e devem
obedecer aos requisitos previstos nos arts. 41 e 44 do CPP.
Na exposição do fato criminoso devem constar as
circunstâncias de tempo, lugar e modus operandi, bem
como as qualificadoras e causas de aumento e
diminuição de pena. Não é permitida a mera descrição
do tipo legal.
Com relação às agravantes há uma discussão se elas
devem constar na denúncia. Como elas podem ser
reconhecidas de ofício pelo juiz (art. 385 do CPP) há
quem argumente que não é necessária que estejam na
denúncia (entendimento que prevalece). Contudo, há
quem defenda que o réu precisa se defender e, por isso,
as agravantes devem constar na denúncia.
Na denúncia deve haver a classificação do crime, que
não vincula o juiz, pois o réu se defende dos fatos e não
da classificação jurídica.
No momento da sentença o juiz pode alterar a
capitulação jurídica da denúncia, mas há uma
discussão sobre se é possível essa alteração no
momento em que se recebe a denúncia. A
jurisprudência já admitiu a alteração no ato do
recebimento da denúncia nas seguintes situações:
1) em benefício do réu; 2) para fins de fixação da
competência; 3) para fins de determinação do
procedimento; 4) para fins de reconhecer matéria
de ordem pública, como a prescrição; 5) para fins
de afastar qualificadora por falta de justa causa.
O rol de testemunhas não é requisito essencial. Há
entendimento do STF que o Ministério Público pode
apresentar rol de testemunhas após a denúncia,
mas antes da formação da relação processual,
devendo o juiz determinar que o Parquet emende a
denúncia, aplicando-se subsidiariamente o CPC.
STF entende que erro no endereçamento é mera
irregularidade, que pode ser suprida até a
sentença.
Advogado atuando em causa própria não precisa
juntar procuração com poderes especiais.
Caso não haja procuração com poderes especiais,
esse defeito é suprido se o querelante assinar a
queixa. Há uma discussão sobre o prazo para
sanar o defeito da procuração, prevalecendo o
entendimento de que pode ser sanado a qualquer
tempo. Mas há uma corrente que defende que
sanar esse defeito deve ser feito até o fim do prazo
decadencial para interpor a queixa.
Denúncia ou queixa que não obedeçam aos
requisitos legais é rejeitada, pois representa um
prejuízo à ampla defesa.
Um defeito sanável na denúncia ou queixa pode ser
corrigido por meio de um aditamento.
Criptoimputação é nome utilizado para caracterizar
a denúncia ou queixa que descreva o fato
criminoso de forma tão confusa e inexata que não
pode ser entendida.
Na ação privada o querelante deve recolher as custas
judiciais necessárias. Na ação pública, o condenado paga as
custas ao final do processo.
Os prazos para oferecimento da denúncia estão previstos no
art. 46 do CPP. Esses prazos se aplicam à queixa-crime
também, mas não há consequências processuais, exceto se o
réu estiver preso. No geral, o importante no caso da queixa é
observar o prazo decadencial.
Há prazos diferentes para oferecer a denúncia em outras
leis: lei de drogas, código de processo penal militar,
crimes contra a economia popular, abuso de autoridade
e código eleitoral.
Se o Ministério Público não obedece ao prazo para oferecer
denúncia as consequências são: cabimento da ação penal
privada subsidiária da pública, possibilidade de relaxamento
da prisão de acusado preso e possibilidade de caracterizar
prevaricação em caso de inércia dolosa.
O art. 801 do CPP prevê uma sanção com perda de
subsídios, mas a maioria da doutrina defende a
inaplicabilidade desse dispositivo.
Denúncia genérica e crimes societários: nos casos de
coautoria e participação há necessidade de descrever, o
quanto possível, a conduta de cada um dos agen/tes. Mas o
STJ entende que nos crimes societários ou de gabinete se
permite uma descrição genérica, desde que se trace uma
ligação entre a conduta do acusado e o fato delitivo.
É possível a cumulação de imputações, ou seja, mais de um
fato (cumulação objetiva) e/ou mais de um réu (cumulação
subjetiva).
Não é admitida a imputação implícita (deduzir um crime
de outro) ou a imputação alternativa (acusar duas
pessoas do mesmo fato para, no curso do processo,
descobrir quem é o autor).
Aditamento da denúncia:
É necessário em situações em que aquilo consta
inicialmente na denúncia não é suficiente para o
prosseguimento ou encerramento da ação penal (novos
fatos, novas pessoas ou outros acontecimentos).
Aditar é acrescentar ou complementar a peça acusatória
(fatos, sujeitos ou elementos novos).
Não é possível aditamento para retirar fatos, sujeitos ou
elementos. O surgimento de prova que indique a
inocência de um réu, por exemplo, não leva ao
aditamento da denúncia, mas sim à sua absolvição.
O aditamento tem seu fundamento no princípio da
correlação (sentença tem seus limites na imputação feita
na denúncia) e na ampla defesa (permite melhor defesa
do acusado).
É possível aditamento para retificar (data de nascimento
errada, por exemplo) ou esclarecer a denúncia.
O aditamento pode ser realizado do oferecimento da
denúncia até o instante imediatamente anterior ao da
sentença.
Nada impede que, para evitar tumulto processual, o
Ministério Público faça nova denúncia separada no lugar
de um aditamento.
Espécies de aditamento:
Quanto ao objeto: 1) aditamento próprio (acréscimo de
fatos ou sujeitos), que pode ser real (fatos delituosos,
qualificadoras ou causas de aumento de pena) ou
pessoal (inclusão de coautores ou partícipes); 2)
aditamento impróprio (corrige falha da denúncia).
No aditamento próprio real material: há acréscimos
de fatos ou coisa parecida.
No aditamento próprio real legal: mudanças na
capitulação jurídica feita na denúncia.
Quanto à voluntariedade: espontâneo (feito pelo próprio
MP, sem provocação de outrem) ou provocado
(fundamento no princípio da obrigatoriedade – arts. 384,
§1º, e 417 do CPP).
O aditamento impróprio não interrompe a prescrição,
mas o aditamento próprio real interrompe. O aditamento
próprio pessoal não interrompe a prescrição (art. 117,
§1º, CP).
Aditamento da queixa:
É possível o aditamento impróprio, da mesma forma que
na denúncia.
Já o aditamento próprio pode ser feito pelo Ministério
Público na ação penal privada subsidiária da pública
(art. 45 do CPP). Na ação penal exclusivamente privada
ou privada personalíssima, o Ministério Público não
pode incluir fatos ou autores, mas apenas
circunstâncias novas, com tempo e lugar, por exemplo.
Há divergência sobre se o querelante pode realizar
aditamento próprio. Há doutrinadores que acreditam
que não, pois se o ofendido deixou de incluir um fato ou
um autor ele dispôs da ação penal com relação a eles,
devendo-se avaliar até mesmo uma possível renúncia ou
perdão. Mas há doutrinadores que acreditam que se a
vítima demonstrar que não conhecia os fatos/pessoas
no momento da queixa, é possível o aditamento próprio.

Ação Civil ex delicto


Trata de eventual reparação de danos ao ofendido.
A responsabilidade civil é independente da criminal.
Sistemas quanto à relação entre a ação civil ex delicto e o
processo penal:
Sistema da confusão: mesma ação para imposição de
pena e ressarcimento dos prejuízos.
Sistema da solidariedade: cumulação obrigatório de
ações perante o juízo penal, no mesmo processo – uma
de natureza cível e outra de natureza penal.
Sistema da livre escolha: pode promover a ação no cível
ou optar pela cumulação de pretensões no processo
penal.
Sistema de separação ou da independência: as duas
ações podem ser propostas de maneira independente.
O ordenamento brasileiro adota o sistema da independência
de instâncias, mas com mitigações (art. 63, parágrafo único,
e art. 64 ambos do CPP).
Há duas formas de buscar o ressarcimento do dano causado
pelo crime: 1) ação de conhecimento (art. 64 do CPP), que não
aguarda a sentença penal condenatória; 2) ação de execução
ex delicto (art. 63 do CPP), que é a execução da sentença
penal condenatória.
Sentença penal condenatória como título executivo:
Fixação de valor mínimo para reparação na sentença
condenatória (art. 387, inc. IV, CPP). Ao executar
civilmente uma sentença condenatória não se discute
mais mérito, mas apenas o valor, pois o juiz da
condenação criminal pode fixar um valor mínimo e que é
abaixo do real prejuízo.
Em alguns casos a pretensão cível é complexa, de forma
que discutir reparação de danos na ação penal pode
causar tumulto na instrução penal. Nestes casos, o juiz
pode avaliar se discutir reparação de danos no processo
penal é viável.
O STJ entende que fixar o valor mínimo para reparação
na ação penal depende de pedido expresso do querelante
ou do Ministério Público, em respeito às garantias do
contraditório e da ampla defesa. Na ação penal privada o
próprio querelante pode pedir, já na ação pública pode o
Ministério Público e a vítima, caso se habilite como
assistente de acusação.
Legitimidade ativa: ofendido, representante legal e
herdeiros.
Legitimidade passiva: somente o autor do crime. Apenas
no juizado especial criminal, no caso de acordo de
composição civil dos danos, inclui-se a possibilidade de
que o responsável civil firme o acordo e pode ser
executado por isso.
Segundo o STJ, podem ser fixados danos materiais e
danos morais para fins de reparação dos danos
causados pelo crime.
Se o juiz, na sentença penal condenatória, fixar valor
exato, deve-se fazer a execução depois. Se fixar valor
mínimo, o restante será liquidado no juízo cível.
Se o juiz negar ou fixar valor menor que o adequado, o
recurso cabível é apelação, que pode ser interposta pelo
Ministério Público. Há divergência sobre se o assistente
da acusação pode apelar sozinho, pois em caso de
recurso somente com relação a indenização o recurso
criminal passa a discutir questão exclusivamente
patrimonial.
A possibilidade do juiz, na sentença condenatória, fixar
valor mínimo para reparação de danos foi inserida no
CPP pela Lei 11.719/08. Há divergência, tanto no STF
quanto no STJ, sobre se o novo dispositivo tem natureza
de direito material ou de direito processual e se, por
isso, se aplicaria aos processos em andamento ou
apenas a fatos posteriores.
Em caso da extinção da pretensão punitiva (antes da
sentença definitiva), é possível interpor a ação civil ex
delicto, mas não é possível interpor a execução ex
delicto.
Em caso de extinção da pretensão executória (depois da
sentença definitiva). É possível entrar com as ações
cíveis, pois os efeitos secundários da sentença
condenatória persistem.
Sentença penal condenatória proferida no exterior e
homologada pelo STJ pode ser executada.
Ação para ressarcimento do dano:
Legitimidade passiva: autor do crime ou responsável
civil.
Na doutrina prevalece o entendimento de que o
responsável civil pode rediscutir matérias apreciadas no
processo penal.
O juiz da ação civil pode suspende-la até o julgamento
em definitivo da ação penal (art. 64, parágrafo único, e
art. 315 ambos CPP).
Repercussões na indenização da absolvição do réu no
processo penal:
Quando está provada a inexistência do fato ou que o réu
não concorreu para praticar a infração penal, não é
possível rediscutir essa matéria no âmbito cível.
Nos casos em que existem circunstâncias que excluam o
crime ou que isentem o réu de pena, ou mesmo se
houver fundada dúvida sobre sua existência deve-se
atentar para as seguintes situações:
Provada causa excludente de ilicitude real, faz
coisa julgada no cível, desde que o ofendido tenha
dado causa à excludente.
A legítima defesa putativa ou erro na execução do
crime permitem a indenização civil.
Se a pessoa lesada ou o dono da coisa deteriorada
ou destruída não for o causador do perigo, tem
direito a indenização (art. 929 do CC).
Excludentes de culpabilidade não excluem a
indenização cível.
Fundada dúvida acerca da causa excludente da
ilicitude ou da culpabilidade não impede a ação
cível.
Nos demais casos, é possível rediscutir tudo no juízo
cível.
A sentença absolutória imprópria não gera dever de
indenizar, mas é possível ação civil contra a pessoa ao
quem competia a guarda do inimputável.
Sentença absolutória proferida pelo Tribunal do Júri
não veda posterior discussão cível, mesmo que não se
saiba o motivo da absolvição porque o jurado não tem o
dever de fundamentar.
Na abolitio criminis cessam apenas os efeitos penais, de
forma que é possível ação cível para discutir danos.
O perdão judicial também não impede reparação de
danos cível, pois cessa apenas os efeitos penais da
condenação, subsistindo os efeitos extrapenais (Súmula
18 do STJ).
A execução cível de sentença condenatória de
interessado pobre é feita pelo Ministério Público (art. 68
do CPP). O STF já declarou que o art. 68 CPP é
inconstitucional, mas de forma progressiva. Sendo
assim, em Estados onde há Defensoria Pública ela deve
interpor. Onde não há Defensoria Pública isso fica a
cargo do Ministério Público.
Entende o STJ que se houver processo criminal, a
prescrição para interpor a ação cível fica suspensa até a
sentença definitiva (art. 200 do CC). Quando não há
hipótese de suspensão, o prazo é de 3 anos (art. 206 do
CC).

Sujeitos processuais
Os sujeitos da relação processual são: órgão acusador
(Ministério Público ou querelante), o juiz e o acusado.
Classificação dos sujeitos processuais:
Sujeitos principais ou essenciais: juiz, acusador e
acusado.
Sujeitos secundários, acessório ou colaterais: assistente
de acusação e ofendido.
Auxiliares da justiça e terceiros não interessados: como
testemunhas, peritos, serventuários, oficiais de justiça,
por exemplo.
O Juiz tem o dever de aplicar o direito ao caso concreto.
Juiz possui funções de ordem jurisdicional (aplicar o
direito e produzir provas, por exemplo), de ordem
administrativa (organizar o juízo, presidir as audiências,
por exemplo) e anômalas (que vão além das funções
jurisdicional e administrativa, como no caso do art. 28
do CPP).
O Juiz tem certas garantias para sua atuação, para
assegurar imparcialidade: vitaliciedade (após dois anos o
juiz não pode deixar a função sem deliberação do
tribunal e após sentença judicial transitada em julgado),
inamovibilidade (ocorre somente por interesse público e
após votos da maioria absoluta do tribunal ou CNJ) e
irredutibilidade de subsídio.
Vedações para magistrados: 1) exercer, ainda que em
disponibilidade, ou cargo ou função, salvo uma de
magistério; 2) receber, a qualquer título ou pretexto,
custas ou participação em processo; 3) Dedicar-se à
atividade político partidária; 4) Receber, a qualquer
título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas
físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvas as
exceções previstas em lei; 5) Exercer a advocacia no
juízo ou no tribunal do qual se afastou, antes de
decorridos três anos do afastamento do cargo por
aposentadoria ou exoneração.
Princípio da identidade física do juiz (art. 399, §2º, CPP):
Juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.
Exceções a aplicação desse princípio: juiz convocado,
licenciado, afastado por qualquer motivo, promovido ou
aposentado. Essas possibilidades vinham
expressamente previstas no art. 132 do CPC/1973,
dispositivo este que não tem semelhante no CPC/2015.
Mesmo assim a jurisprudência já decidiu que nas
hipóteses previstas no CPC/1973 outro juiz ainda pode
julgar sem ter participado da instrução, mesmo que não
haja mais previsão legal.
Causas de impedimento (art. 252 do CPP):
São taxativas (não exemplificativas) e objetivas
(traduzem um vínculo entre o juiz e o objeto do
litígio). Geram a incapacidade objetiva de o juiz
processar e julgar um litígio.
Há divergência doutrinária sobre a consequência
da atuação de um juiz impedido num processo. Há
quem acredite que é causa de nulidade absoluta e
há quem acredite que é caso de inexistência.
Independente da teoria adotada, ato de juiz
incompetente não pode produzir efeitos.
Causas de suspeição (art. 254 do CPP):
Rol não taxativo (exemplificativo). A atuação de juiz
suspeito é causa de nulidade relativa (deve ser
alegado e haver demonstração de prejuízo).
Há um vício externo (não relacionada entre o juiz e
objeto do litígio) entre o juiz e a parte ou entre o
juiz e a questão discutida no processo.
Impedimentos (art. 112 do CPP): abrange condições que
não estão previstas nas causas de impedimento ou
suspeição. É declarado quando o juiz verifica algum
motivo, não previsto em lei, que abala sua
imparcialidade.
Partes, no sentido processual, são aqueles titulares de
direitos, poderes, faculdades, ônus, obrigações, deveres e
sujeições na relação jurídica processual. Atuam dentro do
processo.
No processo penal são: acusador (Ministério Público ou
querelante, acusado e assistente de acusação.
Ministério Público:
É uma instituição permanente e essencial à função
jurisdicional (art. 127, caput, da CF).
É parte no processo e, por isso, inicia a ação penal e tem
o ônus da acusação.
O Ministério Público é considerado, pela doutrina, como
parte imparcial ou formal, pois o promotor de justiça
não atua para acusar todo mundo, a todo e qualquer
custo, pois precisa também garantir os direitos e
liberdades individuais.
Princípio institucionais do Ministério Público:
Unidade: O MP é órgão institucionalmente único.
Indivisibilidade: É possível a substituição entre os
promotores de justiça com base nesse princípio.
Independência funcional: Membros do MP são
totalmente independentes no exercício da função.
Princípio do promotor natural/imparcial ou promotor legal
(art. 5º, inc. LIII, CF): direito de ser processado pelo órgão de
execução do MP com atribuições previamente fixadas em lei,
com o fim de vedar designações casuísticas e arbitrárias.
Este princípio não impede substituições, desde que, em
decorrência do princípio da indivisibilidade, as
substituições sem feitas com critérios previamente
estabelecidos pela lei.
Não é pacífico na jurisprudência a existência do
princípio do promotor natural. Há julgados do STJ que
admitem sua existência, o STF, por sua vez, não
reconhece sua existência, apesar de já ter debatido o
assunto em alguns casos.
Garantias do Ministério Público:
Vitaliciedade: mesma garantia que tem o juiz.
Inamovibilidade: mesma garantia que tem o juiz.
Irredutibilidade de subsídio: mesma garantia que tem o
juiz.
Vedações do Ministério Público:
Receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto,
honorários, percentagens ou custas processuais.
Participar de sociedade comercial, na forma da lei.
Exercer a advocacia.
Exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra
função pública, salvo uma de magistério.
Exercer atividade político-partidária.
Receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou
contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou
privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei.
Impedimentos e suspeições do Promotor de Justiça é
regulamentado pelo art. 258 do CPP.
Não há previsão legal das consequências processuais da
atuação de promotor impedido ou suspeito, mas a
doutrina diz que é a nulidade relativa.
A participação de membro do Ministério Público na
investigação criminal não acarreta impedimento ou
suspeição para o oferecimento da denúncia (Súmula 234
do STJ).
O ofendido:
Pode ser parte do processo como querelante ou como
assistente de acusação (art. 268 do CPP).
Há uma discussão sobre a natureza da atuação do
assistente de acusação: 1) incompatível com a
constituição: a figura do assistente de acusação é
incompatível com o art. 129, inc. I, da CF, que fala que o
Ministério Público é o titular exclusivo da ação penal.
Essa corrente não prevalece na jurisprudência; 2)
interesse patrimonial: assistente de acusação somente
atua para preservar o interesse patrimonial da vítima, já
que é possível impetrar ação civil ex delicto; 3) Interesse
em uma condenação justa e proporcional ao fato: essa é
a corrente que prepondera na doutrina.
Assistente de acusação não atua no inquérito e nem na
execução da pena, mas apenas no processo
condenatório (ação penal), do recebimento da denúncia
até o trânsito em julgado.
MP deve ser ouvido sobre o pedido de habilitação do
assistente de acusação e pode ser contrário, desde que
constate a falta de requisitos legais.
Não sabe recurso da decisão que admitir, ou não, o
assistente de acusação (art. 273 do CPP).
Corréu não pode ser assistente de acusação (art. 270 do
CPP).
Atribuições do assistente de acusação: propor meios de
prova, requerer perguntas às testemunhas, participar de
debate oral, arrazoar recursos interpostos pelo
Ministério Público ou por ele próprio, requerer a
decretação da prisão preventiva e requerer o
desaforamento.
O acusado:
Pode ser qualquer pessoa, física ou jurídica (crimes
contra o meio ambiente), maior de 18 anos.
O Defensor:
Pode ser constituído (procuração de Advogado), Defensor
Público, Defensor Dativo, Defensor ad hoc ou substituto
e Defensor Curador (índio não adaptado e acusado após
instauração do incidente de insanidade mental).
Segundo o STJ, a nomeação judicial de Núcleo de
Prática Jurídica para patrocinar a defesa do réu
dispensa a juntada de procuração.
Os funcionários da Justiça: As hipóteses de suspeição e
impedimentos dos juízes estendem-se aos funcionários (art.
274 do CPP).

Comunicação dos atos processuais


A citação é o ato processual pelo qual se leva ao
conhecimento do acusado a notícia de que contra ele foi
recebida peça acusatória, para que possa se defender. A
citação tem por fim possibilitar o contraditório e a ampla
defesa.
Falta de citação ou citação feita em desacordo com a lei
implica em nulidade absoluta – o prejuízo é presumido.
Circundução: ato pelo qual se julga nula ou de nenhuma
eficácia a citação.
O comparecimento espontâneo do acusado no processo supre
a citação (art. 570 do CPP).
A citação válida forma a relação jurídica processual (art. 363
do CPP).
A citação não interrompe a prescrição, mas sim o
recebimento da denúncia (art. 117 do CP).
A prevenção ocorre com a distribuição ou a prática de algum
ato decisório, ainda que anterior ao oferecimento da peça
acusatória.
Espécies de citação:
Citação pessoal ou real: É feita obrigatoriamente na
pessoa do réu, não pode ser feita por outras pessoas
(familiares ou advogado, por exemplo) em nenhuma
hipótese. É a regra no processo penal e pode acontecer
por meio de mandado (oficial de justiça), por carta
precatória (outra comarca), por carta rogatória (outro
país) ou por carta de ordem (determinada por instância
superior).
Citação ficta ou presumida: pode ocorrer por edital ou
por hora certa.
O mandado expedido para citação pessoal deve obedecer aos
requisitos do art. 352 do CPP.
O disposto no inc. VI do art. 352 do CPP não é mais
utilizado, pois o interrogatório não é feito mais no início
do processo.
A forma como é feita a citação é regulamentada pelo art. 357
do CPP.
No processo penal a citação pode ser feita em qualquer lugar
e em qualquer horário, respeitando-se a inviolabilidade de
domicílio.
A carta precatória expedida para citação deve obedecer ao art.
354 do CPP.
O réu que se oculta para não ser citado é citado por hora
certa, nos termos do previsto no Código de Processo Civil (art.
362 do CPP).
Feita a citação por hora certa e não comparecendo o
acusado, há nomeação de defensor dativo (art. 362,
parágrafo único, CPP) e o regular prosseguimento do
processo à sua revelia, sem necessidade de intimação do
réu para a prática dos demais atos processuais, salvo
em relação à sentença condenatória.
Réu revel com advogado constituído, o advogado deve
ser intimado, mesmo que não há necessidade de fazer o
mesmo com relação ao próprio acusado.
A revelia no processo penal não acarreta a presunção de
veracidade dos fatos.
A citação do militar da ativa é feita por intermédio do chefe do
respectivo serviço (art. 358 do CPP). A requisição é feita
somente quando há necessidade de comparecimento do
militar para a prática de algum ato processual.
Funcionário público é citado pessoalmente, a notificação é
necessária somente quando há necessidade de
comparecimento em juízo (art. 359 do CPP).
O réu preso deve ser pessoalmente citado o STF entende que
é nula citação por edital de réu preso na mesma unidade da
federação em que o juiz exerce sua jurisdição (Súmula 351 do
STF).
A citação no estrangeiro é feita por carta rogatória (art. 368
do CPP). A carta rogatória suspende o prazo prescricional até
o seu cumprimento.
A citação em legações estrangeiras (embaixada ou consulado)
é feita por carta rogatória (art. 369 do CPP). Esse tipo de
carta rogatória não suspende a prescrição, por ausência de
previsão no art. 369 do CPP.
A citação por edital é feita quando o réu não for encontrado
(art. 361 do CPP) e deve ser feita somente após esgotados
todos os meios para citação pessoal.
Não é nula a citação por edital que indique o dispositivo da lei
penal, mas não transcreve a denúncia ou queixa ou resuma
os fatos (Súmula 366 do STF).
Não é possível a citação por edital nos juizados especiais
criminais (art. 66 da Lei 9.099/95). Caso o réu não seja
encontrado, o processo deve ser remetido do juizado especial
até uma vara criminal ordinária.
Em caso de citação por edital e de suspensão do processo
previsto no art. 366 do CPP, há divergência jurisprudencial
sobre o tempo de suspensão do processo. O STJ, junto com a
maioria da doutrina, entende que a suspensão deve ser
regulada pelo prazo da prescrição da pretensão punitiva em
abstrato (Súmula 415 do STJ). O STF entende que a
suspensão do processo e da prescrição pode perdurar por
prazo indeterminado.
A produção antecipada de provas com base no art. 366 deve
ser concretamente fundamentada, não justificando
unicamente o mero decurso do tempo (Súmula 455 do STJ).
A jurisprudência entende que para a oitiva de policial é
possível a produção antecipada de prova baseada no prejuízo
pelo decurso do tempo.
A prisão preventiva prevista no art. 366 do CPP somente pode
ser decretada se preenchidos os pressupostos dos arts. 312 e
313 do CPP.
A citação por edital não gera presunção de fuga.
No caso de citação por edital o prazo para a defesa começa a
fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do
defensor constituído (art. 394, parágrafo único, CPP).
Em processo por crime previsto na Lei 9.613/98 não se aplica
o previsto no art. 366 do CPP (art. 2º, §2º, Lei 9.613/98). Em
caso de citação por edital o processo segue até o julgamento e
a defesa é feita por defensor dativo.
A doutrina diferencia intimação de notificação. Intimação é
comunicação de um ato processual já realizado, já a
notificação é a ciência quanto à determinação judicial,
impondo o cumprimento de determinada providência. O CPP
não faz essa diferença, ou seja, a palavra intimação é usada
para ambas as situações.
Ministério Público, Defensoria Pública e defensor dativo tem
direito a intimação pessoal (art. 370, §4º, CPP), sob pena de
nulidade, conforme entendimento do STJ.
Há entendimento do STJ de que não há nulidade se o
defensor dativo requereu ser intimado por publicação.
Segundo entendimento do STF e do STJ, o prazo para o
MP começa a contar da entrega dos autos no setor
administrativo do órgão.
O STJ entende que é irrelevante se a intimação pessoal
tenha ocorrido em audiência, em cartório ou por
mandado, de forma que o termo inicial da contagem do
prazo para impugnar decisão judicial é, para o MP, a
data de entrega dos autos na repartição administrativa
do órgão.
Esta necessidade de intimação pessoal também se aplica
à Defensoria Pública.
O STF entende que se não for observada a intimação
pessoal da Defensoria Pública deve haver impugnação
imediata, sob pena de preclusão, ou seja, é uma
hipótese de nulidade relativa.
É possível a intimação dos presentes no termo quando é caso
de audiência adiada (art. 372 do CPP).
Defensor constituído e advogados do querelante e do
assistente de acusação são intimados por publicação.
O nome do acusado deve constar na publicação, sob
pena de nulidade (art. 370, §1º, CPP).
Se houver vários advogados constituídos, basta o nome
de um deles.
Se não houver órgão de publicação é possível a
intimação diretamente pelo escrivão, por mandado, por
via postal ou por qualquer outro meio idôneo (art. 370,
§2º, CPP).
A intimação pessoal do advogado feita pelo escrivão
dispensa a intimação em órgão oficial (art. 370, §3º,
CPP).
No caso de falecimento do único advogado constituído
nos autos, não há preclusão caso não haja impugnação
no momento apropriado.
Os prazos são contados da intimação e não da juntada aos
autos do mandado, carta precatória ou carta de ordem
(Súmula 710 do STF).
A contagem do prazo processual é feita excluindo o dia do
início e incluindo o dia do termo final.
Quando a intimação ocorrer na sexta o prazo começa a
contar no próximo dia útil (Súmula 310 do STF).
Publicação no sábado ou domingo considera-se realizada no
primeiro dia útil subsequente.
Réu, inclusive o revel, e advogado devem ser intimados da
sentença condenatória e o prazo para recorrer começa a
contar da intimação do último deles.
Se réu solto não for encontrado, pode ser intimado por
edital. Réu preso deve obrigatoriamente ser intimado
pessoalmente.
A vítima deve ser intimada de alguns atos processuais,
conforme previsto no art. 201, §2º, CPP. Deve-se observar
também o art. 21 da Lei 11.340/06.

Questões prejudiciais (arts. 92 a 94 do CPP).


Questão prejudicial é um ponto que deve ser avaliado pelo
juiz, com valoração penal ou extrapenal, e deve ser decidida
antes do mérito da ação principal.
Questão prejudicial é diferente de questão preliminar.
Questão prejudicial é autônoma e de direito material (penal
ou extrapenal), ligada ao mérito da infração penal. Questão
preliminar é de direito processual, vinculadas ao processo
criminal e sempre decidida pelo juízo penal.
Uma questão prejudicial pode ser decidida pelo juízo
penal ou pelo juízo extrapenal.
Características: anterioridade (julgada antes do mérito),
essencialidade/interdependência e autonomia (pode ser
objeto de processo autônomo).
Classificação das questões prejudiciais:
Quanto à natureza: 1) homogênea, comum ou
imperfeita: tanto o problema principal quanto o
prejudicial são de direito penal; 2) heterogênea,
incomum, perfeita ou jurisdicional: a questão prejudicial
é de ramo de direito diverso da questão principal.
A forma de se decidir questão prejudicial
homogênea não está prevista nos arts. 92 e 93 do
CPP, mas há algumas possibilidades para abordar
o problema: conexão probatória ou julgamento
incidental da questão.
Quanto à competência para apreciar questão prejudicial:
1) devolutiva (juízo penal devolve ao juízo natural); 2)
não devolutiva (decidida pelo juízo penal).
A questão prejudicial devolutiva pode ser absoluta
(nunca pode ser analisada pelo juízo penal) ou
relativa (pode ser analisada pelo juízo penal ou ser
remetida ao juízo cível).
Quanto aos efeitos: 1) obrigatória, necessária ou em
sentido estrito (sempre irá acarretar suspensão do
processo); 2) facultativa ou em sentido amplo (pode
acarretar suspensão do processo.
Quanto ao grau de influência da prejudicial sobre a
questão prejudicada: 1) total (fulmina a existência do
crime); 2) parcial (reconhece uma circunstância, sem
afetar a existência do crime).
Sistemas de solução das questões prejudiciais:
Sistema da cognição incidental ou do predomínio da
jurisdição penal: o juiz penal é sempre competente para
conhecer a questão prejudicial.
Sistema da prejudicialidade obrigatória ou da separação
jurisdicional absoluta: juiz penal nunca conhece
prejudicial que seja de outro ramo do direito, sequer de
maneira incidental.
Sistema da prejudicialidade facultativa: juiz penal tem
faculdade de decidir ou não sobre as questões
prejudiciais de outro ramo do direito.
Sistema eclético ou misto: é o adotado no Brasil.
Questão prejudicial devolutiva absoluta/obrigatória:
Pressupostos:1) Deve versar sobre uma elementar da
infração penal; 2) Deve ser séria e fundada
(plausibilidade); 3) Deve referir-se ao estado civil das
pessoas.
Consequência: é obrigatória a suspensão do processo e
do prazo prescricional, mas é possível produção
antecipada de provas urgentes e inquirição de
testemunhas (art. 92 do CPP).
Se for um crime de ação penal pública o MP pode
promover ação civil ou dar prosseguimento à já
iniciada para resolver a questão prejudicial (art. 92,
parágrafo único, CPP).
Questão prejudicial devolutiva relativa:
Pressupostos (art. 93 do CPP): 1) deve versar sobre a
existência da infração penal; 2) deve ser de difícil
solução; 3) não se refere ao estado civil das pessoas; 4)
não deve o direito civil limitar a prova quanto à questão.
Se o direito civil limitar a prova o próprio juiz criminal
vai analisar a questão; 5) já ter sido proposta a ação
civil. Se não tiver sido proposta a questão se resolve no
juízo criminal; 6) questão prejudicial de competência do
juízo extrapenal.
Consequência: Juiz tem a faculdade de reconhecer ou
não sua existência. Se reconhecer há suspensão do
processo e da prescrição e com possibilidade de
produção antecipada de provas de natureza urgente e
inquirição de testemunhas.
Nos crimes de ação penal pública o MP intervirá na ação
civil já proposta (art. 93, §3º, CPP).
A suspensão ou a interrupção do prazo prescricional só pode
ocorrer com clara previsão legal. No caso das questões
prejudiciais a suspensão do prazo prescricional é
regulamentada pelo art. 116 do CP.
Questão prejudicial não suspende o inquérito.
É nula (nulidade absoluta) decisão do juiz criminal que
resolve questão prejudicial de competência do juízo cível, não
faz coisa julgada no cível.
A decisão cível, quanto a questão prejudicial heterogênea de
uma ação penal, tem total repercussão na esfera penal.
A decisão do juiz criminal sobre questão prejudicial
heterogênea não relativa ao estado civil das pessoas não faz
coisa julgada na esfera cível, pois a análise do juiz criminal
faz análise incidental da matéria. É possível até propositura
de ação cível posterior para discussão da matéria.

Procedimentos incidentais
Analisam alegações de fatos processuais.
Exceções: Neste procedimento incidental há alegação de fato
processual referente a pressuposto processual ou a condição
da ação com o objetivo de extinguir ou dilatar o processo.
As exceções podem ser classificadas quando à forma de
processamento como interna (se desenvolve no processo)
ou instrumental (se desenvolve em procedimento
apartado).
Para o CPP as exceções são instrumentais (art. 111 do
CPP), ou seja, processadas em autos apartados.
As exceções podem ser conhecidas de ofício pelo juiz.
As exceções podem ser classificadas quanto aos efeitos
em exceções dilatórias (não colocam fim ao processo,
apenas ganham tempo) ou exceções peremptórias (visam
colocar fim ao processo).
As exceções dilatórias podem ser de suspeição ou
de incompetência.
As exceções peremptórias podem ser de
litispendência, de coisa julgada e de ilegitimidade
de parte.
As exceções são processadas em autos apartados e não
suspendem o andamento da ação penal (art. 111 do
CPP), exceto quando a parte contrária reconhecer a
procedência da arguição (art. 102 do CPP).
O próprio juiz da causa principal é competente para
julgar as exceções, exceto quando há exceção de
suspeição/impedimento, em que há análise pelo
TJ/TRF.
Procedimento da exceção de suspeição (arts. 96 a 103
do CPP): se o juiz se declarar suspeito de ofício, deve
remeter o processo para seu substituto legal, conforme
previsto no art. 99 do CPP (decisão irrecorrível). Se não
reconhecer a suspeição, segue-se o procedimento
previsto no art. 100 do CPP.
A parte deve alegar no primeiro momento em que
falar nos autos na forma do art. 98 do CPP.
A exceção de suspeição precede qualquer outra.
A exceção de suspeição pode ser feita e analisada
no curso do inquérito, onde o juiz já pode decretar
medidas cautelares.
Este procedimento também é aplicável à exceção de
impedimento e de incompatibilidade (art. 112 do
CPP).
Julgada procedente a suspeição são nulos os atos
do processo principal. Em caso de procedência o
juiz paga as custas em caso de erro inescusável e
autor da exceção pode ser multado em caso de
evidente malícia (art. 101 do CPP).
Cabe recurso em sentido estrito contra decisão que
julgar procedente a exceção (art. 581, inc. III, CPP),
exceto a exceção de suspeição.
Promotor de Justiça também podem ser
considerado suspeito, o que não se considera uma
violação do princípio do promotor natural. O juiz
decide e não há recurso contra a decisão.
Atuação de membro do MP na investigação
não acarreta impedimento ou suspeição para
oferecimento da denúncia (Súmula 234 do
STJ).
Delegado pode se declarar suspeito no inquérito,
mas não é possível opor suspeição à autoridade
policial (art. 107 do CPP).
Serventuários da justiça também podem ser objeto
de arguição de suspeição (art. 105 do CPP).
Decisão irrecorrível.
É possível arguição de suspeição dos jurados (art.
106 do CPP). Aos jurados também se aplicam os
impedimentos do arts. 448 e 449 do CPP.
A atuação de um jurado impedido ou suspeito é
causa de nulidade, especialmente porque não é
possível saber qual foi o voto do jurado
impedido/suspeito.
O juiz pode se declarar incompetente de ofício, tanto em
caso de incompetência absoluta quanto em caso de
incompetência relativa. A Súmula 33 do STJ não se
aplica a ações penais, apenas a processos civis.
A arguição de incompetência deve ser feita no prazo da
resposta à acusação pela defesa. MP pode fazer o pedido
antes disso, quando pede medidas cautelares, por
exemplo.
A exceção de incompetência não suspende o
processo principal.
Se for aceita a exceção de incompetência cabe
recurso em sentido estrito. Se for recusada, não
cabe recurso.
A exceção de ilegitimidade das partes é interposta para
questionar a atuação das partes do processo.
A ilegitimidade pode ser reconhecida de ofício pelo
juiz.
Não suspende o curso do processo principal.
Se for reconhecida ilegitimidade ad causam, todo o
processo será nulo. Se for legitimidade ad
processum, é possível o saneamento.
Contra decisão que reconhece ilegitimidade cabe
recurso em sentido estrito.
A exceção de litispendência não pode ser interposta em
caso de crimes continuados. Neste caso, o benefício da
continuidade é analisado na fase de execução penal.
A litispendência ocorre quando há semelhança de
acusado e imputação em dois processos.
Pode ser arguida a partir do recebimento da
segunda peça acusatória.
O procedimento da exceção de litispendência é o
mesmo que o da exceção de incompetência.
Se reconhecida de ofício a litispendência, cabe
apelação. Se julgada procedente a exceção de
litispendência, cabe recurso em sentido estrito.
O juízo competente para a exceção é o prevento ou
o que recebeu a primeira distribuição do processo
criminal.
A exceção de coisa julgada é bem semelhante à
litispendência, pois na cosa julgada já houve um
julgamento definitivo.
Quando há sentença absolutória transitada em
julgado, fala-se em coisa soberanamente julgada,
sendo impossível mudar esse julgamento, inclusive
se houve nova prova superveniente, nem mesmo
por revisão criminal.
O procedimento da exceção de coisa julgada é o
mesmo que o da exceção de incompetência.
Se o juiz reconhecer de ofício cabe apelação. Se
julgar procedente a exceção cabe recurso em
sentido estrito.
O procedimento de restituição de coisas apreendidas ocorre
em caso de apreensão de objetos relacionados ao fato
delituoso (encontrado no local do crime, pego no
cumprimento de busca e apreensão ou apresentado à
autoridade policial).
Objetos que ainda interessem à persecução penal (art.
118 do CPP), instrumentos do crime ou bem/valor que
constituam proveito auferido com o crime não podem ser
restituídos.
A restituição não pode ocorrer se houver dúvida quanto
ao direito do reclamante (art. 120 do CPP).
As formas de destinação de coisas apreendidas e não
restituídas até o trânsito em julgado são
regulamentadas pelos arts. 122 a 124 do CPP.
O pedido de restituição pode ser feito até 90 dias após o
trânsito em julgado.
Só o juiz criminal pode decidir o incidente (art. 120, §1º,
CPP).
Só a autoridade judicial pode decidir sobre coisas
apreendias em poder de terceiro de boa-fé (art. 120, §2º,
CPP).
O Ministério Público sempre dever ouvido no
procedimento de restituição (art. 120, §3º, CPP).
Em caso de complexidade sobre a propriedade do bem/
valor apreendido, deve-se remeter o caso ao juízo cível
(art. 120, §4º, CPP).
Cabe apelação contra decisão sobre restituição de coisas
(art. 593, inc. II, CPP).
A lei de lavagem de capitais (art. 4º, §3º) e a lei de
drogas (art. 60, §3º) determinam o comparecimento
pessoal do acusado para que haja restituição de bem
apreendido.

Medidas assecuratórias
Medidas que vão garantir o resultado final do processo com
relação a aspectos patrimoniais (reparação do dano à vítima,
pagamento de custas processuais, pagamento de penalidade
pecuniária).
Os objetivos das medidas assecuratórias são: 1) indenizar a
vítima; 2) pagar despesas processuais e penas pecuniárias; 3)
evitar que o acusado se beneficie indevidamente do crime.
Medidas assecuratórias somente podem ser determinadas por
autoridade judicial (art. 5º, inc. LIV, CF). Não é possível que
seja feito diretamente pela autoridade policial.
O juiz só pode determinar medidas assecuratórias de
ofício no curso da ação penal. Antes da ação penal não é
permitido.
Para determinar medidas assecuratórias deve o juiz
fundamentar sua decisão com o fumus boni iuris (provas de
materialidade e autoria) e o periculum in mora (prejuízo na
demora).
O sequestro é uma medida assecuratória que visa tornar
indisponíveis os bens móveis e imóveis, ainda que em poder
de terceiros, adquiridos com os proventos do crime.
É competente para analisar o pedido de sequestro o juiz
criminal responsável pelo caso.
O sequestro de bens móveis ocorre quando não é cabível
sua apreensão (art. 132 do CPP).
O bem móvel que é produto direto da infração deve ser
apreendido (art. 240, §1º, alínea “b”, CPP), ou seja, não
cabe pedido de sequestro com relação a eles. Já o bem
imóvel que é produto direto da infração pode ser
sequestrado.
Não se aplica ao sequestro as regras sobre
impenhorabilidade do bem de família (art. 3º, inc. VI, Lei
8.009/90).
Bens adquiridos de forma lícita podem ser sequestrados
(art. 91, inc. II, alínea “b”, CP).
A doutrina defende que o assistente de acusação pode
requerer o sequestro.
Corréu ou partícipe não tem legitimidade para postular
sequestro.
Ordem de sequestro pode ser suspensa por uma ação
controlada (art. 4º-B da Lei 9.613/97 e art. 60, §4
º, da Lei 11.343/06).
A defesa do acusado dentro do procedimento de
sequestro é os embargos (art. 130 do CPP), que deve
apresentar prova da licitude da origem do bem para
liberação.
A defesa do terceiro também é feita por embargos (art.
130 do CPP), que deve se preocupar em demonstrar a
boa-fé na aquisição do bem.
Os embargos de terceiro previsto no art. 129 do CPP é
feito para aquele que teve seu bem sequestrado
erroneamente.
Os embargos são decididos apenas após o trânsito em
julgado de sentença de mérito no caso principal (art.
130, parágrafo único, CPP). Isso não se aplica aos
embargos do art. 129 do CPP.
O levantamento do sequestro ocorre quando, por algum
motivo, o sequestro for irrelevante (art. 130 do CPP).
O levantamento também ocorre quando há
julgamento procedente dos embargos.
O bem sequestrado deve ser avaliado e vendido em leilão
público e o dinheiro apurado enviado ao Tesouro
Nacional (art. 133 do CPP).
A hipoteca legal é uma medida que visa garantir a reparação
do dano, a indenização da vítima e o pagamento de despesas
judiciais.
A hipoteca legal visa pegar bens do réu de origem lícita,
adquiridos antes ou após a infração penal.
Como não há origem ilícita também não há confisco
caso sobre algum valor no final do processo.
Essa medida assecuratória é última racio, ou seja, só
pode ser tomada quando não há outras medidas, tanto
no âmbito cível quanto no criminal, para atingir as
finalidades.
Não é possível pegar bens de terceiros, apenas do
acusado.
Se houver confusão patrimonial é possível pegar bens de
pessoa jurídica que o acusado figure como sócio
proprietário.
A hipoteca legal pode ser requerida em qualquer fosse
do processo (art. 134 do CPP), ou seja, não é cabível
durante a investigação.
Para hipoteca legal é preciso ter certeza da infração e
indícios suficientes de autoria, bem como dados
concretos sobre disposição do patrimônio e que há risco
de demora.
Hipoteca legal não pode ser feita de ofício, depende de
requerimento do Ministério Público ou da vítima (arts.
134 e 142 do CPP).
É possível substituir a hipoteca legal por caução (art.
135, §6º, CPP).
A hipoteca legal deve ser inscrita no cartório de registro
de imóveis e se converte num gravame com eficácia erga
omnes, ou seja, impede a alteração da propriedade.
O arresto (art. 136 do CPP) é uma medida preparatória para a
hipoteca legal, pois o procedimento da hipoteca é moroso e
pode implicar em prejuízo pelo risco de desaparecimento do
bem.
Os requisitos são os mesmos da hipoteca legal, contudo,
não é necessário estimar o valor do bem e do valor da
indenização.
Segundo o STJ, não cabem embargos no arresto.
O arresto de bens móveis somente pode ser feito na
ausência de bens imóveis, ou caso eles sejam
insuficientes (art. 137 do CPP), ou seja, tem caráter
subsidiário.
Somente é permitido o arresto de bens móveis
penhoráveis, ou seja, no arresto de bens móveis não se
aplica o art. 3º, inc. VI, da Lei 8.009/90.
O Ministério Público não pode promover medidas
assecuratórias quando houver interesse da Fazenda Pública,
como prevê o art. 142 do CPP, pois o art. 129, inc. IX, da CF
proíbe que o Ministério Público represente judicialmente ou
preste consultoria jurídica para entidades públicas.
É possível fazer a alienação antecipada do bem caso exista
risco de perda do valor econômico pelo decurso do tempo ou
dificuldade para manutenção do bem constrito (art. 144-A do
CPP).

Incidente de falsidade
Neste procedimento pretende-se constatar a veracidade e
autenticidade de documento inserido no processo, inclusive
os produzidos por meio eletrônico.
A maioria da doutrina defende que tanto a falsidade material
quanto a falsidade ideológica admitem incidente de falsidade.
A arguição de falsidade deve ser feita por escrito e pode ser
arguida a qualquer tempo (art. 145 do CPP).
Qualquer das partes do processo penal (Ministério Público,
querelante, ofendido, assistente de acusação e acusado) tem
legitimidade para arguir falsidade.
A parte que juntou um documento falso pode requerer o
incidente, contudo, é possível responsabilização com
relação à falsificação.
O Juiz pode reconhecer a falsidade de ofício (art. 147 do CPP).
É possível arguição de falsidade por procurador com poderes
especiais (art. 146 do CPP), para evitar responsabilidade
penal do Advogado.
É possível suprir a procuração com poderes especiais se
o requerente assinar a petição junto com o procurador.
Segundo o STJ, a Defensoria Pública também precisa de
procuração por poderes especiais.
A lei não prevê suspensão do processo para tramitação do
incidente de falsidade, contudo, através de análise do caso
concreto é possível a suspensão.
Apesar do previsto no inc. IV do art. 145 do CPP, a remessa
só ocorre após a preclusão da decisão, pois ela é recorrível
por meio do recurso em sentido estrito (art. 581, inc. XVIII,
CPP).
A previsão do art. 148 do CPP gera a possibilidade de
decisões contraditórias entre o incidente de falsidade e
posterior ação judicial (penal ou cível).
É possível o uso de revisão criminal para se
desconstituir sentença em caso de decisão contraditória.
A revisão criminal somente pode ser interposta em
benefício do réu.
O STJ entende que no caso de certidão de óbito falsa é
possível desconstituir a decisão que declarou extinta a
punibilidade e retomar a ação penal, afastando a coisa
julgada.

Incidente de insanidade
Esse incidente visa apurar a inimputabilidade (art. 26 do CP)
ou semi-imputabilidade do acusado.
Outros documentos (laudo médico ou interdição judicial, por
exemplo) não suprem o incidente de insanidade mental, pois
a enfermidade mental, por si só, não implica em
inimputabilidade.
Se um mesmo processo consta acusação de vários crimes há
um só incidente, mas deve ser avaliado o estado mental do
réu na época de cada crime.
O STF entende que não é possível determinar a instauração
de incidente pelo Juiz em caso de discordância da defesa,
pois trata-se de prova pericial constituída em favor da defesa.
O incidente pode ser feito no âmbito do inquérito, por
representação da autoridade policial ao juiz.
Não há no CPP previsão de recursos para decisão que
determina ou indefere a instauração do incidente. Contudo, a
doutrina afirma que decisão que determina instauração pode
ser atacada por mandado de segurança e a decisão que
indefere a instauração por habeas corpus.
No incidente de insanidade mental deve haver suspensão do
processo e o prazo máximo de suspensão pode variar. Se for
por doença anterior ao fato o processo fica suspenso até o
laudo pericial (art. 151 do CPP). Se for por doença
superveniente ao fato o processo fica suspenso até o
restabelecimento do acusado (art. 152, §2º, CPP).
Incidente de insanidade no curso do inquérito não suspende
as investigações.
O incidente de insanidade não tem efeitos sobre a prescrição,
por ausência de previsão legal.
Se a inimputabilidade não é comprovada o processo volta a
correr e o réu pode ser julgado normalmente.
Se a inimputabilidade é comprovada e há provas de
materialidade e autoria, absolve-se o réu (absolvição
imprópria) e aplica-se medida de segurança ou, em caso de
semi-imputabilidade, condena-se e aplica-se a redução de
pena. Se não houver provas de materialidade e autoria ou se
houver uma excludente de ilicitude, por exemplo, o réu deve
ser absolvido.

Procedimento comum ordinário


O procedimento pode ser comum ou especial. O procedimento
comum pode ser ordinário, sumário ou sumaríssimo.
O art. 394, §1º do CPP define qual o procedimento a ser
seguido de acordo com a pena máxima cominada ao crime.
Procedimento comum ordinário: sanção máxima igual
ou superior a 04 anos.
Procedimento comum sumário: sanção máxima
cominada inferior a 04 anos e superior a 2 anos.
Procedimento comum sumaríssimo: sanção máxima é
igual ou inferior a 02 anos e as contravenções penais.
As hipóteses de violência doméstica e familiar contra a
mulher não se aplicam as regras do procedimento
sumaríssimo, pois a Lei 11.340/06 excluiu expressamente a
aplicação da Lei 9.099/95 dos casos que envolvem violência
doméstica e familiar contra a mulher.
O STF entende que não é possível a aplicação do art. 94 do
Estatuto do Idoso em benefício do autor do crime.
Aos crimes previstos na Lei 12.850/13 não se aplicam os
dispositivos da Lei 9.099/95 (art. 22 da Lei 12.850/13).
O procedimento especial é seguido quando há previsão de
expressa de procedimento diverso no CPP ou em legislação
específica.
O procedimento comum ordinário é aplicado
subsidiariamente em todos os demais procedimentos (art.
394, §5º, CPP).
Salvo expressa disposição em contrário, a todos os processos
se aplica o procedimento comum (art. 394, §2º, CPP).
Os arts. 395 a 398 aplicam-se a todos os procedimentos
penais de primeiro grau (art. 394, §4º, CPP).
Em caso de concurso formal, concurso material ou crime
continuado o procedimento adequado, de acordo com o STJ,
é escolhido com a soma/exasperação das penas de todos os
delitos.
Nesse cálculo deve-se levar em consideração
qualificadoras e causas de aumento/diminuição da
pena. Agravantes e atenuantes não são consideradas
para definição do procedimento.
Se for causa de aumento de pena utiliza-se a fração
máxima, mas se for causa de diminuição de pena
utiliza-se a fração mínima.
O STJ entente que se um dos crimes deve ser
processado por procedimento especial, então o
procedimento especial deve ser seguido.
Ordem do procedimento comum sumário:
1) Oferecimento da peça acusatória (denúncia ou
queixa-crime).
No procedimento comum ordinário no máximo 8
testemunhas podem ser arroladas. No
procedimento sumário são 5 testemunhas.
2) Recebimento ou rejeição da peça acusatória.
É possível a rejeição parcial da peça acusatória.
O recurso cabível contra a decisão que não recebe
denúncia ou queixa é o recurso em sentido estrito
(art. 581, inc. I, CPP). Contudo, no juizado especial
o recurso correto é a apelação (art. 82 da Lei
9.099/95).
Não há previsão legal de recurso para decisão que
recebe a denúncia. Sendo possível impetrar habeas
corpus com pedido de trancamento da ação penal
em caso de evidente equívoco.
A decisão que recebe a peça acusatória precisa ser
fundamentada, contudo, o STJ entende que a
fundamentação não precisa ser complexa, pois a
decisão possui natureza interlocutória.
O recebimento da denúncia tem duas
consequências: fixação da competência pela
prevenção e interrupção da prescrição.
STJ entende que o recebimento da denúncia por
órgão judiciário absolutamente incompetente não
interrompe a prescrição, pois decisão nula não
pode gerar consequência jurídica. Se o Juízo for
relativamente incompetente, daí interrompe.
Há uma discussão doutrinária sobre qual é o
momento correto de receber a denúncia por conta
das redações dos arts. 396 e 399 do CPP.
Prepondera a corrente que defende que o momento
correto é logo depois do oferecimento da denúncia,
ou seja, conforme o previsto no art. 396 do CPP.
3) Citação.
4) Resposta à acusação.
A resposta à acusação é obrigatória, sob pena de
nulidade absoluta (Súmula 523 do STF).
O prazo é contado a partir da citação e não da
juntada nos autos do mandado (Súmula 710 do
STF).
Oitiva do Ministério Público após resposta à
acusação não encontra previsão legal no
procedimento comum ordinário. Contudo, no
procedimento do júri há previsão no art. 409 do
CPP.
É possível rejeitar a denúncia após a resposta à
acusação.
5) Analisar se é caso de absolvição sumária (art. 397 do
CPP).
É preciso um juízo de certeza sobre as hipóteses do
art. 397 do CPP para absolvição sumária. Se
houver dúvida o procedimento deve continuar.
Em caso de absolvição sumária o recurso cabível é
a apelação (art. 593, inc. I, CPP).
6) Audiência de instrução e julgamento.
A audiência de instrução e julgamento é una.
Existe prazo para realização da audiência e que são
diferentes nos procedimentos ordinário (art. 400 do
CPP) e sumário (art. 531 do CPP).
A audiência é oral (princípio da oralidade). Esse
princípio tem 4 efeitos: concentração (os atos são
concentrados na audiência), imediatidade (o juiz
tem contato direto com a prova), irrecorribilidade
das decisões interlocutórias (decisões tomadas em
audiência não são recorríveis), identidade física do
juiz (o juiz que encerra a instrução é o juiz que
julga).
O princípio da identidade física do juiz é
expressamente previsto no §2º do art. 399 do CPP.
Princípio da oralidade não impede a realização de
atos probatórios por videoconferência ou carta
precatória.
STJ entende que a defesa não precisa ser intimada
da data da audiência realizada por juízo deprecado,
sendo suficiente dar ciência da expedição da carta.
Ordem dos atos na audiência: oitiva do ofendido,
ouvir testemunhas, esclarecimento dos peritos,
acareação, reconhecimento de pessoas e coisas e,
por último interrogatório.
As perguntas são formuladas diretamente à
testemunha (art. 212 do CPP).
A Lei 11.690/08 adotou o sistema do cross
examination ou sistema direto e cruzado. Nesse
sistema, as perguntas são feitas de forma direta à
testemunha. Primeiro pergunta a parte que a
arrolou, depois a parte contrária e, por último, o
juiz, para complementar pontos não esclarecidos.
Assistente de acusação pergunta depois do
Ministério Público.
Acareação é o momento em que se confrontam
versões divergentes de duas testemunhas sobre o
mesmo fato.
O interrogatório do réu é um meio de prova e,
também, um meio de defesa (autodefesa).
O direito ao silencio do acusado diz respeito
somente à segunda parte do interrogatório, quando
o réu é questionado sobre os fatos. Na primeira
parte, que é qualificação, o réu não tem o direito de
ficar em silêncio.
Réu deve ser intimado da audiência em que será
interrogado, mas não é obrigado a comparecer, pois
tem o direito de ficar em silêncio.
O interrogatório do réu o juiz pergunta primeiro,
depois perguntam o Ministério Público, o assistente
de acusação e a defesa.
Quando há corréus, os advogados de todos têm o
direito de ser intimados para todos os
interrogatórios, ainda que não sejam feitos na
mesma data. Se o advogado de um corréu não
comparecer ao interrogatório de outro réu, que não
é seu cliente, e ele foi regularmente intimado, não
há irregularidade. Mas se for o advogado de um
delator e seu cliente tiver delatado o outro réu,
então seu comparecimento é obrigatório no
interrogatório do réu delatado e a ausência é causa
de nulidade.
STJ entende que a inversão da ordem do
interrogatório só causa nulidade se a defesa se
manifestar tempestivamente sobre a irregularidade,
sob pena de preclusão.
É possível a substituição de testemunha, seguindo-
se o disposto no art. 451 do CPC.
O Estado é obrigado a providenciar escolta para o
réu preso comparecer à audiência. Caso o preso
não queira comparecer, ele deve manifestar essa
vontade diretamente no processo, não sendo
possível simples petição do advogado. Nesse caso, a
petição deve conter alguma declaração ou ser
assinada também pelo réu.
O STJ entende que a inversão na ordem da oitiva
das testemunhas, por si só, não é causa de
nulidade, devendo ser demonstrada a existência de
prejuízo para a defesa. O entendimento também
vale quando a inversão da ordem ocorre pela
expedição de uma carta precatória.
O STJ entende que se o réu for interrogado antes
da oitiva de todas as testemunhas é necessário,
para haver nulidade, que o inconformismo da
defesa tenha sido manifestado tempestivamente,
ou seja, na própria audiência, sob pena de
preclusão.
Alguns procedimentos especiais colocam
interrogatório como primeiro ato da instrução,
diferente do CPP que, com a reforma de 2008,
coloca o interrogatório como último ato. O STF já
decidiu que o art. 400 do CPP aplica-se a todos os
procedimentos criminais, inclusive militares e
eleitorais. STF modulou os efeitos para que este
entendimento seja aplicado somente a processos
cuja instrução não tenha sido encerrada até a
publicação da ata do julgamento (11/03/2016).
O STJ entende que os depoimentos/interrogatórios
devem ser sempre gravados em decorrência do que
dispõe o art. 405, §1º, CPP. Somente em situação
excepcional, ante há algum impedimento fático que
impossibilite a gravação. Fora desta situação a
ausência de gravação é considerada ilegal.
STJ entende que também é possível que o juiz
profira verbalmente sua sentença em audiência e
que é desnecessária sua degravação ou sentença
escrita separada. A corte entende que não há
prejuízo ao contraditório ou à segurança do
registro nos autos em caso de sentença oral.
Se houver mais de um acusado o tempo é
individual para a defesa.
Não há previsão de pedido de diligências no
procedimento comum sumário, sequer de
substituição das alegações orais por memoriais.
Os pedidos de diligências previstas no art. 402 do
CPP devem ser baseados em circunstâncias ou
fatos apurados na instrução.
7) Se não houver alegações finais orais ao final da
audiência de instrução, há alegações finais por
memoriais.
Caso o MP não apresente alegações finais a
doutrina entende que o juiz deve utilizar, por
analogia, o previsto no art. 28 do CPP.
Caso a defesa não apresente alegações finais o juiz
deve intimar o réu para constituir novo advogado e,
caso assim não feito, o juiz pode nomear um
defensor.
Caso o querelante não apresente alegações finais
ocorre a extinção da punibilidade pela perempção
se a ação penal for privada. Se a ação penal for
privada subsidiária da pública, o Ministério Público
assume o processo diante da inércia do querelante.
Se houver mais de um acusado, o tempo para
alegações finais orais é contado individualmente.
STF entende que no caso de colaboração premiada,
os réus colaboradores fazem alegações finais antes
dos que não fizeram.
A Lei 13.964/19 positivou o entendimento do STF
no art. 4º-A, §10-A, da Lei 12.694/12. Em
realidade, em todas as fases do processo deve-se
garantir ao réu delatado a oportunidade de
manifestar-se após o decurso do prazo concedido
ao réu que o delatou.
8) Sentença.
Princípio da correlação entre acusação e sentença:
a sentença do juiz não pode versas sobre fatos que
não constem na denúncia. Contudo, é possível dar
ao fato definição jurídica diversa (art. 383 do CPP).

Procedimento comum sumário


Esse procedimento é aplicável nos crimes cuja pena é de 03
anos (superior a dois e inferior a quatro, art. 394, §1º, inc. II,
CPP) e nas infrações de menor potencial ofensivo deslocadas
para o juízo comum pela complexidade da causa ou
necessidade de citação por edital, que não é feita pelos
juizados especiais criminais.
Há detalhes do procedimento comum sumário no tópico sobre
o procedimento comum ordinário.
O deslocamento de infrações de menor potencial ofensivo
para o juízo comum (art. 538 do CPP) pode ocorrer em duas
situações: complexidade da causa (vários réus/vítimas ou
provas complexas) ou em caso de citação por edital (citação
por edital não é feita no Juizado Especial).

Procedimento do Tribunal do Júri


O Tribunal do Júri é um órgão especial do Poder Judiciário
de primeira instância, pertencente à Justiça Comum
Estadual ou Federal, colegiado e heterogêneo (jurados
decidem o mérito e juiz togado profere sentença).
Tribunal do Júri tem previsão constitucional e é cláusula
pétrea (art. 5º, inc. XXXVIII, CF).
Plenitude de defesa:
Plenitude de defesa não é igual a ampla defesa e, em
realidade, representa possibilidade de maior importância
para a defesa.
Possibilidade de utilizar argumentos extrajurídicos.
É possível divergência de teses entre a autodefesa e a
defesa técnica.
É preciso assegurar à defesa técnica um tempo razoável
para se preparar para um julgamento.
O juiz deve zelar pela plenitude de defesa, desde o início
do procedimento.
Sigilo das votações:
Acusado não pode ir para a sala secreta, mas seu
defensor técnico deve estar lá.
Quando o réu advoga em causa própria, deve ser
nomeado um defensor para ir até a sala secreta verificar
a legalidade do julgamento.
A incomunicabilidade entre os jurados é relativa, ou
seja, eles somente não podem falar sobre o caso em
julgamento ou temas ligados a ele.
O STF admite que a incomunicabilidade seja quebrada
(usando o telefone, por exemplo) desde que na presença
de todos e para o fim de comunicar a terceiros que foi
sorteado, desde que não haja qualquer alusão a dados
do processo.
Se houver mais de três votos em algum sentido
(condenação/absolvição) a votação deve ser
interrompida, para garantir o sigilo.
Soberania dos veredictos:
Tribunal formado por juízes togados não pode modificar
no mérito a decisão dos jurados.
O recurso contra decisão do júri é de fundamentação
vinculada.
Recurso provido apenas concede ao réu um novo
julgamento.
Se um recurso argumentando que a decisão foi
manifestamente contrária a prova dos autos der ensejo a
um novo julgamento, não se admitindo recurso do
segundo julgamento pelo mesmo motivo que o do
anterior.
Cabe revisão criminal contra decisão do tribunal do júri,
presentes os requisitos legais.
A competência mínima do tribunal do júri é o julgamento dos
crimes dolosos contra a vida. A expressão competência
mínima é usada porque o tribunal do júri pode julgar,
também, crimes conexos ou continentes ao crime doloso
contra a vida (art. 78, inc. I, CPP).
Os crimes eleitorais ou os crimes militares conexos são
exceção à regra da conexão e da continência, impondo-
se a separação dos processos.
O procedimento do tribunal do júri é bifásico ou escalonado,
pois é divido em duas partes: 1ª fase – sumário da culpa ou
iudicium acusationis (fase em que se decide se o caso será ou
não submetido ao tribunal do júri, vai até a pronúncia) e 2ª
fase – juízo da causa ou iudicium causae (fase do julgamento
em si, começa na preparação do caso para julgamento e vai
até a realização do plenário).
Nucci defende que, em realidade, o procedimento é
trifásico, pois ele considera a fase de preparação do
processo para julgamento em plenário como fase
autônoma.
É possível que uma queixa-crime inicie o procedimento do
Tribunal do Júri, em caso de inércia do Ministério Público ou
em caso de conexão entre o crime doloso contra a vida e um
crime de ação penal privada.
Ministério Público não pode, em uma só peça
acusatória, denunciar o réu pelo crime de ação penal
pública incondicional e pelo crime de ação penal
privada, pois ele não tem legitimidade ativa para
processar crimes de ação penal privada.
No procedimento do tribunal do júri o juiz deve ouvir o
Ministério Público se, apresentada a resposta à acusação, a
defesa apresentar preliminares e documentos (art. 409 do
CPP). Essa diligência não é prevista no procedimento comum
ordinário.
No procedimento do tribunal do júri não há previsão legal
para diligências após a audiência de instrução e julgamento,
como previsto no art. 402 do CPP no procedimento comum.
No procedimento do tribunal do júri não há previsão legal
para substituir as alegações finais orais por memoriais.
O STJ entende que a não apresentação de alegações orais ou
a sua apresentação de forma sucinta não irá caracterizar
violação ao princípio da ampla defesa.
Na primeira fase do procedimento do tribunal do júri aplica-
se o art. 231 do CPP, ou seja, documentos podem ser
juntados ao processo a qualquer momento e, inclusive, na
hora da audiência.
Quatro tipos de decisões podem ser tomadas ao final da
primeira fase do procedimento do tribunal do júri:
impronúncia, desclassificação, absolvição sumária e
pronúncia.
Impronúncia não é um juízo de absolvição, pois o juiz apenas
não se convenceu da materialidade e dos indícios suficientes
de autoria (art. 414 do CPP).
A natureza jurídica da impronúncia é uma decisão
interlocutória (não julga o mérito da causa) mista (põe
fim a uma fase processual) terminativa (põe fim ao
processo se não houver recurso).
A impronúncia faz coisa julgada formal, pois há
possibilidade de nova ação se houver prova
superveniente, que não era conhecida ou que era
inexistente.
Em caso de novo processo, o juiz que anteriormente
impronunciou o caso é prevento para o novo processo.
Em caso de impronúncia o juiz não fará qualquer
análise sobre os crimes conexos, remetendo-os ao juízo
competente.
Recurso cabível contra a impronúncia é a apelação (art.
416 do CPP). Ministério Público, querelante, assistente
de acusação e a defesa tem legitimidade recursal para
recorrer da impronúncia.
Despronúncia não é sinônimo de impronúncia, pois, em
realidade, a despronúncia ocorre quando o réu é
pronunciado e, posteriormente, essa decisão muda, seja
por conta de um recurso seja pelo juízo de retratação.
A desclassificação acontece quando o juiz entende que o caso
não se trata de um crime doloso contra a vida e, portanto,
não é de competência do tribunal do júri.
É possível a desclassificação para crime mais grave.
Em caso de desclassificação o juiz não deve fazer nova
capitulação legal, mas apenas apurar qual seria o crime
para saber qual é o juízo competente.
Desqualificação não é sinônimo de desclassificação, pois
desqualificação é termo utilizado quando o juiz retira
qualificadoras.
A natureza jurídica da decisão de desclassificação é
decisão interlocutória (não há análise do mérito) mista
(põe fim a uma fase procedimental) não terminativa (não
põe fim ao processo).
O crime conexo também deve ser remetido para o juízo
competente.
O STJ entende que na primeira fase do tribunal do júri
cabe ao juiz togado apreciar a existência de dolo
eventual ou culpa consciente do condutor do veículo
que, após a ingestão de bebida alcoólica, ocasiona
acidente de trânsito com resultado morte.
Contra decisão de desclassificação cabe recurso em
sentido estrito (art. 581, inc. II, CPP). Ministério Público
e querelante podem interpor recurso. Há discussão
doutrinária se o assistente de acusação pode interpor
recurso, prevalecendo o entendimento que sim, pois
entende-se que o assistente de acusação não tem como
fim apenas obter uma condenação, mas também uma
condenação justa e proporcional. O réu pode apresentar
recurso contra a desclassificação para pedir que seu
caso seja julgado pelo júri, contudo, não tem interesse
recursal para pedir absolvição, pois um recurso desta
natureza contra uma decisão de desclassificação
implicaria em supressão de instância.
Na absolvição sumária o juiz analisa o mérito do caso.
A absolvição sumária do procedimento do júri não pode
ser confundida com a absolvição sumária do
procedimento comum, pois os momentos processuais
em que podem ocorrer são diferentes, bem como as
hipóteses que podem levar a absolvição sumária.
As hipóteses da absolvição sumária estão previstas no
art. 415 do CPP e para reconhece-las o juiz deve fazer
um juízo de certeza.
O inimputável pode ser absolvido sumariamente, desde
que esta seja sua única tese defensiva.
Em caso de absolvição sumária, o crime conexo é
remetido para julgamento do juízo competente.
O recurso cabível é a apelação (art. 416 do CPP).
Ministério Público e assistente de acusação tem
legitimidade para recorrer.
A pronúncia é a decisão que leva o réu ao julgamento pelo
tribunal do júri (art. 413 do CPP).
Há divergência doutrinária, mas prevalece na
jurisprudência o entendimento de que na primeira fase
do procedimento do tribunal do júri aplica-se o princípio
in dubio pro societate.
A natureza jurídica da decisão de pronúncia é uma
decisão interlocutória (não aprecia o mérito) mista
(encerra uma fase do procedimento) não terminativa
(não coloca fim ao processo).
A pronúncia deve ser fundamentada, mas essa
fundamentação é limitada (art. 413, §1º, CPP).
Não consta na decisão de pronúncia as causas de
diminuição de pena, salvo a tentativa, agravantes e
atenuantes e a regra de concurso de crimes.
Em decorrência do princípio da correlação, a pronúncia
vincula a quesitação e a atuação do promotor de justiça
no julgamento em plenário.
O Juiz pode afastar qualificadora descabida.
É possível a emendatio libelli na decisão de pronúncia
(art. 418 do CPP). A mutatio libellli também é permitida,
por meio de aditamento.
A forma de proceder quando da constatação de
envolvimento de outras pessoas como coautores e
partícipes está prevista no art. 417 do CPP.
Na redação da decisão de pronúncia o juiz deve tomar
cuidado com a eloquência acusatória, pois isso pode
levar ao reconhecimento do excesso de linguagem. STF e
STJ reconhecem que o excesso e linguagem é causa de
nulidade absoluta, devendo outra decisão ser prolatada,
não sendo suficiente o desentranhamento e
envelopamento da decisão.
A pronúncia tem os seguintes efeitos: submissão do
acusado a julgamento pelo tribunal do júri; limitação da
acusação em plenário (princípio da correlação entre
pronúncia e quesitação); preclusão das nulidades
relativas não arguidas anteriormente (art. 571, inc. I,
CPP); interrupção da prescrição (Súmula 191 do STJ).
Uma vez proferida a pronúncia ela não pode ser
modificada (princípio da imodificabilidade da decisão de
pronúncia). Havendo alteração da base fática é possível
alterar a pronúncia.
A prisão do réu pode ser decretada na pronúncia, desde
que demonstrados os requisitos e pressupostos da
prisão preventiva.
Pronunciado o réu, fica superada a alegação do
constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo
(Súmula 21 do STJ).
O recurso cabível contra a pronúncia é o recurso em
sentido estrito. Defesa tem legitimidade para recorrer e o
Ministério Público também pode recorrer caso um
pedido seu seja negado.
O réu deve ser intimado pessoalmente da decisão de
pronúncia. Se não for encontrado a citação ocorre por
edital, com prazo de 15 dias, pois a lei não previu
nenhum prazo específico (art. 420 do CPP). É nula a
intimação por edital de acusado preso.
Desaforamento (art. 427 do CPP) é uma possibilidade de
modificar a competência territorial do julgamento. O
desaforamento se aplica na segunda fase do procedimento do
tribunal do júri, ou seja, após a preclusão da pronúncia.
Na hipótese do art. 428 do CPP, se não houve excesso de
serviço, o Tribunal pode determinar a realização imediata do
julgamento mediante pedido formulado por quaisquer das
partes (art. 428, §2º, CPP).
Ministério Público, querelante, defesa, assistente da acusação
e o juiz presidente tem legitimidade para requerer
desaforamento.
O juiz presidente somente pode requerer na hipótese de
o julgamento não ocorrer no prazo de 6 meses.
É obrigatória a oitiva da defesa antes de decidir sobre
desaforamento, sob pena de nulidade (Súmula 712 do STF).
O desaforamento aplica-se aos crimes conexos e coautores.
Não é possível escolher o local para onde o caso será
desaforado, devendo-se obedecer ao art. 427 do CPP.
Não é possível desaforamento para outro estado da federação,
pois como o desaforamento é decidido pelo TJ o tribunal de
um estado não pode obrigar juízes de outro. Contudo, no
âmbito da Justiça Federal é possível desaforar para outro
Estado, mas dentro da mesma região.
Não há previsão legal de recurso da decisão que acolhe ou
rejeita pedido de desaforamento, mas em algumas situações é
possível o uso do habeas corpus.
Reaforamento é o retorno do processo à comarca de origem
em virtude do desaparecimento da causa que autorizou o
desaforamento. Não é admitido pelos regimentos internos dos
tribunais.
Na segunda fase do procedimento do tribunal do júri, a
juntada de documento deve ocorrer até três dias úteis antes
da data do julgamento. O STJ entende que esse prazo
também deve ser respeitado para a ciência da parte contrária
a respeito da juntada de documentos e sua utilização no
tribunal do júri.
STJ entende que o assistente de acusação também pode
arrolar testemunhas para serem ouvidas no julgamento do
tribunal do júri, respeitado o limite do art. 422 do CPP.
Acusado preso tem prioridade de julgamento. Se todos
estiverem presos, os julgamentos são designados pela ordem
de pronúncia começando pelos pronunciados primeiro.
O Tribunal do Júri é formado pelo juiz presidente e pelos 25
jurados, 7 dos quais irão compor o Conselho de Sentença.
Requisitos para ser jurado: cidadão com mais de 18 anos,
residência na comarca e notória idoneidade.
Idoso com mais de 70 anos é isento do júri, caso
requeira sua dispensa.
Recusa injustificada ao serviço júri é punida com multa (art.
436, §2º, CPP).
Os impedimentos do art. 448 do CPP se aplicam somente ao
Conselho de Sentença e não ao Tribunal do Júri.
É nulo o julgamento ulterior pelo júri com participação de
jurado que funcionou em julgamento anterior do mesmo
processo (Súmula 206 do STF).
Ausência do Promotor de Justiça impede o julgamento do
Tribunal do Júri, devendo ser redesignado. Se a ausência é
justificada há somente remarcação do julgamento, se a
ausência é injustificada deve-se oficiar ao Procurador-Geral
de Justiça para as medidas cabíveis.
O mesmo se aplica ao advogado de defesa. Sua ausência
injustificada deve ser comunicada à OAB.
A ausência injustificada de advogado justifica o
adiamento de julgamento somente uma vez. No segundo
julgamento o juiz chamará a Defensoria para atuar em
caso de nova ausência (art. 456 do CPP).
Há previsão legal de multa para defensor que abandona
o processo (art. 265 do CPP).
A ausência justificada de acusado solto que afirma querer
comparecer ao julgamento adia o julgamento. Se a ausência
do réu intimado por injustificada, o julgamento acontece à
sua revelia.
Se o réu solto não foi intimado porque mudou de
endereço e não comunicou no processo, o julgamento
acontece à sua revelia. A falta de intimação por outros
motivos adia o julgamento.
A ausência de acusado preso por falta de escolta adia o
julgamento, sob pena de nulidade. Se o réu se recusa a
comparecer e preciso existir recusa expressa do acusado no
processo.
Com relação a ausência de testemunha no julgamento, deve-
se olhar se ela foi arrolada com cláusula de
imprescindibilidade e se a parte pediu intimação por
mandado com indicação de endereço.
Inicialmente, deve-se tentar a condução coercitiva da
testemunha. Se a testemunha foi arrolada com cláusula
de imprescindibilidade e a parte pediu intimação por
mandado com indicação de endereço o julgamento será
adiado uma única vez.
Antes do sorteio os jurados serão advertidos das causas de
impedimento e suspeição e o que se espera é que, se
sorteado, o jurado impedido ou suspeito assim se declare
voluntariamente.
O jurado sorteado pode ser recusado pelas partes (acusação e
defesa). A defesa é questionada primeiro sobre a recusa (art.
468 do CPP).
A recusa pode ser motivada (deve haver prova de causa
de impedimento ou suspeição) ou imotivada.
Estouro de urna acontece quando, depois das recusas e
dispensas legais, sobram menos de 7 jurados.
Em caso de cisão de julgamento, a escolha do réu que será
julgado primeiro deve obedecer aos seguintes critérios (art.
469, §2º, CPP): quem está preso, tempo de prisão e data da
pronúncia.
O uso de algemas em desacordo com a Súmula Vinculante 11
gera nulidade do julgamento.
Os argumentos do Ministério Público são limitados pela
pronúncia e decisões posteriores que confirmaram a
pronúncia.
As agravantes não constam na pronúncia, mas o
Ministério Público pode sustentar sua aplicação nos
debates orais.
Os argumentos da defesa não são vinculados a teses
anteriormente apresentadas.
A defesa técnica não é vinculada à tese do réu na
autodefesa.
A réplica é facultativa. Caso o Ministério Público não queira
réplica, ela impede a tréplica da defesa.
A negativa da réplica deve ser seca e pontual (basta
dizer não). Qualquer comentário ou explicação, bem
como referência aos motivos que fizeram o Ministério
Público desistir da réplica são consideradas réplicas e
justificam a tréplica da defesa.
Há discussão sobre se é possível inovação de tese pela defesa
na tréplica. Há quem entende que não é possível, pois viola o
contraditório. Quem acredita que é possível, pois o
contraditório é somente com relação a fatos e provas, não
teses. Quem acredita que é possível, desde que se possibilite
o contraditório.
A 6ª turma do STJ entende que é possível inovar na
tréplica porque a plenitude de defesa prevalece sobre o
contraditório.
Argumento de autoridade é uma falácia lógica que apela para
a fala de alguma autoridade, visando a validar o argumento.
A doutrina defende que o rol do art. 478 do CPP não é
taxativo, de forma que não pode o Ministério Público
utilizar outros argumentos de autoridade como, por
exemplo, folha de antecedentes infracionais.
O aparte é permitido durante os debates e deve ser
regulamentado pelo juiz presidente (art. 497, inc. XII, CPP).
Observações sobre a quesitação:
As proposições devem ser afirmativas (não fazer
perguntas negativas), simples (com vocabulário simples
e claro) e distintas (quesitos devem ser feitos
separadamente e não numa mesma proposição).
Os quesitos são formulados a partir das seguintes
fontes: 1) teor da pronúncia e das decisões posteriores
que julgaram admissível a acusação; 2) teor dos
interrogatórios; 3) teor das alegações das partes nos
debates orais.
STF entende que as impugnações aos quesitos devem
ser feitas no momento em que forem apresentados, sob
pena de preclusão.
Deve haver uma série de quesitos para cada crime, ou
cada vítima e cada réu.
No quesito sobre materialidade, dependendo das teses
de defesa, o nexo de causalidade é quesitado em
proposição separada.
O art. 483, §4º, CPP dispõe que a tese de
desclassificação pode ser formulado após o quesito da
autoria/participação (segundo quesito) ou após o
quesito genérico de absolvição (terceiro quesito). Para
saber onde se deve colocar o quesito da desclassificação
o STJ entende que deve-se analisar qual é a tese
principal e qual é a tese subsidiária, pois a tese
principal deve ser quesitada primeiro, sob pena de
prejuízo à defesa e, assim, violação ao princípio da
plenitude de defesa.
O STJ entende que o quesito genérico da absolvição (art.
483, inc. III, CPP) é obrigatório, sob pena de nulidade,
ainda que a única tese defensiva seja a negativa de
autoria.
Se a única tese defensiva por a negativa de autoria, caso
os jurados reconheçam a autoria e, ao mesmo tempo,
votem pela absolvição do acusado no quesito genérico da
absolvição, STJ entende que há contradição entre os
quesitos, de forma que é possível que isso justifique
julgamento contrário à prova dos autos.
As teses defensivas que levam a absolvição não são
quesitadas separadamente, pois são englobadas pelo
quesito genérico da absolvição.
Apesar de divergência doutrinária, quando a tese
defensiva for a inimputabilidade essa possibilidade deve
ser quesitada em separado, ou seja, ela não é englobada
pelo quesito genérico da absolvição.
STF entende que é nulo o julgamento quando os
quesitos da defesa não precedem aos das circunstâncias
agravantes (Súmula 162 do STF). A “expressão
circunstâncias” agravantes contidas na súmula devem
ser entendidas como as alegações de qualificadoras e
causas de aumento de pena, pois circunstâncias
agravantes e atenuantes do Código Penal não são
quesitadas aos jurados (art. 492, inc. I, alínea “b”, e art.
385 ambos do CPP).
Circunstâncias agravantes e atenuantes não são
quesitadas aos jurados, mas devem ser debatidas em
plenário.
O falso testemunho, caso a testemunha não se retrate,
deve ser quesitado, se for pedido por uma das partes.
Jurado não pode pedir a inclusão de quesito de falso
testemunho.
Em caso de desclassificação pelos jurados, o juiz presidente
deve julgar o réu, inclusive com relação a crime conexo.
Se houver desclassificação e reconhecer-se a prática de crime
de menor potencial ofensivo, o juiz pode aplica os institutos
despenalizadores da Lei 9.099/95 (art. 492, §1º, CPP).
Se o delito desclassificado depender de representação, a
vítima deve ser intimada para fazê-lo não se entendendo que
já se operou o prazo decadencial de 06 meses após o
conhecimento do fato.
Se houver absolvição quanto ao crime doloso contra a vida,
os jurados ainda devem julgar os crimes conexos.
A sentença deve ser fundamentada, mas ela é mais simples
porque apenas faz referência à votação dos quesitos pelos
jurados.

Procedimento nos crimes de trânsito


O procedimento está regulamentado pela Lei 9.503/97
(Código de Trânsito Brasileiro).
Esse procedimento é aplicável somente nos casos de crimes
cometidos na direção de veículo automotor (art. 291 do CTB).
Código Penal, Código de Processo Penal e Lei 9.099/95 têm
aplicação subsidiária (art. 291 do CTB).
A pena de suspensão de se obter permissão ou habilitação
para dirigir é aplicada a quem já é habilitado. Já a proibição é
aplicada a quem não é habilitado.
A penalidade prevista no art. 292 do CTB não tem caráter
substitutivo, ou seja, não é feita para substituir eventual
pena aplicada.
É possível cumular a penalidade prevista no art. 292 do CTB
ainda que a pena privativa de liberdade tenha sido convertida
em restritiva de direitos.
A fixação do tempo de suspensão/proibição de dirigir é fixada
pelo juiz, com base no art. 293 do CTB, da mesma forma que
se calcula uma pena privativa de liberdade, utilizando os
parâmetros do código penal e do CTB para fixação da pena
privativa de liberdade.
O prazo da pena suspensão/proibição de dirigir começa a
contar após a saída da prisão, em caso de pena privativa de
liberdade (art. 293, §2º, CTB).
A suspensão/proibição de dirigir pode ser aplicada de forma
cautelar (art. 294 do CTB).
Os crimes de trânsito possuem agravantes específicas (art.
298 do CTB).
Constitui bis in idem aplicar as causas de aumento de pena
dos crimes de homicídio culposo (art. 302, §1º, inc. I, CTB) ou
lesão corporal culposa (art. 303, §1º, CTB) e a agravante do
inc. III do art. 298 do CTB. Nesse caso aplica-se a causa de
aumento de pena do crime específico e não a agravante
genérica.
Constitui bis in idem aplicar as causas de aumento de pena
dos crimes de homicídio culposo (art. 302, §1º, inc. IV, CTB)
ou lesão corporal culposa (art. 303, §1º, CTB) e a agravante
do inc. IV do art. 298 do CTB. Nesse caso aplica-se a causa
de aumento de pena do crime específico e não a agravante
genérica.
Constitui bis in idem aplicar as causas de aumento de pena
dos crimes de homicídio culposo (art. 302, §1º, inc. II, CTB)
ou lesão corporal culposa (art. 303, §1º, CTB) e a agravante
do inc. VII do art. 298 do CTB. Nesse caso aplica-se a causa
de aumento de pena do crime específico e não a agravante
genérica.
Constitui bis in idem aplicar a agravante do inc. III do art.
298 do CTB no crime do art. 309 do CTB.
STJ entende que não a consunção entre os crimes dos arts.
306 e 309 do CTB, pois entende que eles possuem
objetividades jurídicas distintas e um não constitui meio
necessário para a execução do outro.

Procedimento na lei de crimes hediondos


É regulamentado pela Lei 8.072/90, que traz rol taxativo de
crimes considerados hediondos.
Crimes hediondos possuem previsão constitucional (art. 5
º, inc. XLIII, CF).
Segundo o STJ, homicídio qualificado-privilegiado não é
crime hediondo.
Crimes equiparados aos hediondos são aqueles mencionados
no art. 2º da Lei 8.072/90.
STF entende que o indulto é uma espécie de graça, de forma
que o inc. I do art. 2º da Lei 8.072/90 não é incompatível
com o inc. XLIII do art. 5º da CF, ou seja, é constitucional.
É possível a concessão de liberdade provisória sem fiança
para agente que praticou crime hediondo.
STF entende que o tráfico privilegiado (art. 33, §4º, Lei
11.343/06) não é equiparado a crime hediondo.
STF considera inconstitucional a fixação automática do
regime inicial fechado para condenados pela prática de
crimes hediondos (art. 2º, §1º, Lei 8.072/90). O julgador deve
fixar o regime inicial de acordo com os parâmetros do art. 33
do Código Penal.
Em caso de condenação pela prática de crime hediondo, é
possível a substituição da pena privativa de liberdade em
privativa de direitos.
Reincidente específico em crime hediondo não tem direito a
livramento condicional (art. 83, inc. V, CP).

Procedimento da lei de lavagem de capitais


O procedimento é regulamentado pela Lei 9.613/98.
Em regra, se aplicam as regras do procedimento comum
ordinário, do Código de Processo Penal.
A infração penal antecedente não precisa ter sido julgada
para o processamento e condenação do crime previsto na lei
de lavagem de capitais (art. 2º, inc. II, Lei 9.613/98).
Contudo, quando há coisa julgada sobre o crime
antecedente é preciso olhar 03 detalhes. Se houver
sentença absolutória que concluir pela inexistência
material do fato, pela atipicidade da conduta ou pela
licitude da conduta, não é possível a condenação pelo
crime de lavagem.
Se a absolvição for porque o não ficou provada a autoria,
não há repercussão no caso do crime da lei de lavagem
de dinheiro.
A prescrição do crime antecedente também não tem
influência no processamento e condenação por crime da
lei de lavagem de capitais.
Em regra, o processamento e julgamento dos crimes da lei de
lavagem de capitais são da Justiça Estadual. A Justiça
Federal só atua nos casos previstos no inc. III do art. 2º da
Lei 9.613/98.
Justa causa duplicada: a denúncia deve demonstrar indícios
suficientes da existência da infração penal antecedente (art.
2º, §1
º, Lei 9.613/98).
A ausência de indícios suficientes da infração penal
antecedente leva à rejeição da denúncia por ausência de
justa causa.
A suspensão do processo por citação por edital não é feita no
caso de crime da lei de lavagem de capitais (art. 2º, §2
º, Lei 9.613/98). Também não há suspensão do prazo
prescricional.
Após a citação por edital é nomeado um defensor dativo
e o processo segue normalmente até o julgamento (art.
2º, §2º, Lei 9.613/98).
Esse procedimento inserido na Lei 9.613/98 pela Lei
12.683/12.
Há doutrina que diz que essa possibilidade fere o
contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa.
Na Lei 9.613/98 existem previsões expressas sobre a
possibilidade de aplicação de medidas assecuratórias sobre
bens que sejam instrumento, produto ou proveito da lavagem
de dinheiro e da infração penal antecedente, bem como sobre
a alienação antecipada desses bens.
No art. 4º-B da Lei 9.613/98 há previsão expressa sobre a
realização e ação controlada, o que possibilita o atraso no
cumprimento de algumas medidas judiciais quando sua
execução imediata comprometer as investigações.
Ação controlada é diferente de flagrante esperado. No
flagrante esperado não há ação do agente, apenas
espera-se para o melhor momento para a prisão em
flagrante. Na ação controlada o espectro de atuação da
polícia é maior, pois mesmo quando há todos os
requisitos necessários para a prisão, ela é retardada
para não comprometer as investigações.
A ação controlada pode englobar tanto prisões quanto as
medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores (art.
4º-B da Lei 9.613/98.
A ação controlada deve ser judicialmente autorizada
(reserva de jurisdição), após oitiva do Ministério Público.
Servidor público indiciado pela prática de crime da lei de
lavagem de capitais deve ser afastado e somente uma decisão
judicial pode autorizar seu retorno (art. 17-D da Lei
9.613/98).

Procedimento nos crimes funcionais


Este procedimento se aplica aos crimes previstos nos arts.
312 a 326 do CP (crimes praticados por funcionário público
contra a administração em geral) e o procedimento está
regulamentado nos arts. 513 a 518 do CPP.
Neste procedimento, há previsão legal de uma defesa
preliminar antes do recebimento da denúncia (art. 514 do
CPP), o que não acontece nos outros procedimentos.
STJ entende que a defesa preliminar é dispensável se
houver denúncia instruída por inquérito policial
(Súmula 330 do STJ). Esse entendimento não vale
quando houver apenas prévio procedimento
administrativo, nestes casos a defesa preliminar é
necessária.
Em decorrência do que dispõe o parágrafo único do art. 514
do CPP, não se aplica o art. 366 do CPP a este procedimento
se não for possível notificar o acusado para apresentar a
resposta preliminar.
STF entende que a ausência de defesa preliminar é causa de
nulidade relativa e, portanto, sujeita a preclusão.
STJ entende que este procedimento não se aplica ao acusado
que não exerce mais o cargo público, por força de exoneração.
STF entende que em caso de coautoria com não um não
funcionário público, o acusado que não é funcionário público
não precisa ser notificado para apresentar defesa preliminar.
Procedimento nos crimes contra a honra
Este procedimento se aplica aos crimes de calúnia, injúria e
difamação (art. 145 do CP), previstos nos arts. 138 a 140 do
Código Penal. O procedimento é regulamentado pelos arts.
519 a 523 do CPP.
Em regra, nestes casos, a ação penal é privada. Contudo,
existem exceções:
1) em caso de ofensa à honra do presidente ou chefe de
governo estrangeiro, a ação é penal é pública
condicionada à requisição.
2) em caso de ofensa a funcionário público em razão de
suas funções, a ação penal é pública condicionada à
representação.
3) em caso de injúria racional, a ação penal é pública
condicionada à representação (Lei 12.033/09).
4) em caso de injúria real (art. 140, §2º, CP) que resulta
em lesão grave ou gravíssima, a ação é pública
incondicionada.
5) em caso de injúria real (art. 140, §2º, CP) que resulta
em lesão leve a ação penal é pública condicionada, em
decorrência do que dispõe a Lei 9.099/95.
STF entende que é concorrente a legitimidade do ofendido,
mediante queixa, e do Ministério Público, condicionado à
representação do ofendido, para a ação penal por crime
contra a honra de servidor público em razão do exercício de
suas funções (Súmula 714 do STF).
A audiência de reconciliação é aquela prevista no art. 520 do
CPP e somente é realizada nos casos de ação penal privada.
Existe uma discussão doutrinária sobre qual é a
consequência da ausência do autor da queixa audiência de
reconciliação. Há quem entenda que implica em perempção e,
portanto, deve extinguir a punibilidade e, assim, o processo.
Há quem entende que não, ou seja, o juiz deve apenas
entender que não há interesse na reconciliação. Existem
precedentes do STJ adotando as duas correntes.
Em regra, a competência nos crimes contra a honra é dos
juizados especiais criminais, seguindo-se o procedimento da
Lei 9.099/95.
A exceção da verdade (art. 523 do CPP) é aplicável somente
aos crimes de calúnia e difamação, desde que praticados
contra funcionário público em razão das suas funções.
Existe uma presunção relativa de que a imputação do
crime é falsa e, assim, o réu pode provar que o fato não
é criminoso e, em realidade, é verdadeiro.
A exceção da verdade tramita nos meus autos que o
crime contra a honra e todos os fatos são julgados em
conjunto ao final do processo.
STJ entende que se houver prerrogativa de foro a
exceção da verdade deve ser remetida ao tribunal
competente apenas para julgamento. O processamento e
instrução da exceção da verdade acontece pelo juiz
original. Após o julgamento da exceção da verdade o
caso retorna ao juiz original.
É possível, também, interpor uma exceção da notoriedade do
fato (art. 523 do CPP), é uma possibilidade de demonstrar
que o fato é de domínio público e, por isso, não atingiria a
honra da vítima.
O rito desta exceção é o mesmo que o da exceção da
verdade.
Pedido de explicações (art. 144 do CP) é uma possibilidade do
ofendido pedir explicações ao ofensor para definir que
realmente houve ofensa à sua honra.
O juiz não julga o pedido de explicações.
O pedido de explicações não interrompe o prazo
decadencial.

Procedimento na lei de organizações criminosas (Lei


12.850/13)
Antes da Lei 12.850/13 o conceito de organização criminosa
utilizado era o da Convenção das Nações Unidas contra o
Crime Organizado Transnacional (Convenção de Palermo).
Cifra dourada do direito penal é uma expressão que faz
referência aos crimes do “colarinho branco”.
O crime organizado cria uma necessidade de novos métodos
de investigação.
Há doutrinadores que criticam muito esses novos métodos de
investigação e que os institutos da lei de organização
criminosa são um reflexo do direito penal do inimigo. Mas há
doutrinadores que entendem que a Lei 12.850/13 está
totalmente adequada ao sistema processual penal.
Os meios de obtenção de prova estão expressamente previstos
no art. 3º da Lei 12.850/13.
Criminal compliance: sistema de continua avaliação das
condutas praticadas na atividade da empresa tendo como
objetivo evitar a violação de normas criminais, práticas de
crimes contra a empresa ou mesmo práticas danosas sob a
perspectiva criminal (Márcio Anselmo).
Compliance officer: pessoa encarregada pelo departamento
interno do compliance.
No art. 10 da Lei 9.613/98 existe previsão de realização de
compliance.
Wistleblower: Cidadão honesto que, não tendo participado do
crime, pretende dar conhecimento à autoridade para que
apure os fatos (Lei 13.608/18).
Ainda que o delegado possa representar ao juiz não é correto
dizer que que ele possui legitimidade processual, pois essa é
uma condição da ação processual e o inquérito policial é um
procedimento administrativo, não uma ação. O correto é dizer
que a autoridade policial possui capacidade postulatória.
Existe uma discussão doutrinária sobre a participação do juiz
na fase de investigação, se ela é ou não correta. Cleber
Massom defende que não é possível essa participação:
“Exatamente em razão do sistema processual acusatório
– que cuidou de separar de maneira bem nítida as
funções de acusar, defender e julgar –, não deve o
magistrado ter uma participação ativa na primeira fase
da persecutio criminis, de maneira a indicar o caminho
pelo qual a investigação deve seguir. Nesse cenário,
poderia o juiz começar a realizar os chamados quadros
mentais paranoicos (síndrome de Dom Casmurro), em
franco prejuízo ao investigado.”
Juiz só atua na investigação quando há reserva de
jurisdição e, excepcionalmente, na produção antecipada
de provas (art. 156 do CPP).
Colaboração premiada (art. 3º-A e seguintes da Lei
12.850/13): é um meio especial de obtenção de prova, pelo
qual o coautor ou partícipe, visando alcançar um benefício
legal, coopera com os órgãos de persecução penal,
confessando atos e fornecendo informações eficazes.
Espécies: 1) delação premiada (art. 4º, inc. I, Lei
12.850/13); 2) colaboração reveladora da burocracia
(art. 4º, inc. II, Lei 12.850/13); 3) colaboração para
libertação; 4) colaboração para localização e recuperação
de ativos (art. 4º, inc. III, Lei 12.850/13); 5) colaboração
preventiva (art. 4º, inc. IV, Lei 12.850/13).
A colaboração premiada tem natureza de meio de
obtenção de prova. STF entende que é um negócio
jurídico processual personalíssimo.
STF entende que delatado não pode impugnar acordo de
delação premiada, pois ele é um negócio jurídico
processual personalíssimo com o delator e apenas ele. O
deletado somente pode se manifestar sobre quando o
acordo gera consequências que afetam a situação
jurídica do delatado.
A previsão do §4º do art. 4º da Lei 12.850/13 é uma
mitigação ao princípio da obrigatoriedade da ação penal
pública.
O Ministério Público é obrigado a denunciar o líder da
organização criminosa (inc. I do §4º do art. 4º da Lei
12.850/13).
A Lei 12.850/13 tem previsão de acordos de colaboração
premiada antes e durante a ação penal, bem como após
a sentença condenatória.
Existe discussão doutrinária sobre a possibilidade de
concessão de benefícios não previstos em lei no acordo
de colaboração premiada. Gilmar Mendes e Ricardo
Lewandowski entende que não, já Dias Toffoli e Luiz
Roberto Barroso entendem que sim. A doutrina
majoritária entende que não é possível. Afrânio Jardim
chega a dizer que aceitar essa possibilidade seria como
criar uma execução penal a la carte.
STF entende que não há óbice para firmar acordo de
colaboração premiada em que o colaborador esteja
preso, pois a liberdade psíquica e não a liberdade física
é que é requisito de validade do acordo de colaboração.
Além disso, vedar o acordo de pessoa presa implicaria
em violação ao princípio da isonomia porque negaria
injustamente ao preso a oportunidade de firmar
acordos.
É obrigatória a participação do defensor do colaborador
na formalização do acordo.
No momento de homologar o acordo o juiz não faz juízo
de valor sobre o seu conteúdo, mas apenas analisa a
regularidade, legalidade e voluntariedade no acordo (art.
4º, §7º, Lei 12.850/13). É possível recusar acordo que
não atende aos requisitos legais (art. 4º, §8º, Lei
12.850/13).
A sentença analisa os termos do acordo homologado e
sua eficácia (art. 4º, §11, Lei 12.850/13).
STF entende que, em decorrência dos princípios da
segurança jurídica e da proteção da confiança, o acordo
deve sempre ser honrado se o colaborador cumpriu suas
obrigações.
STF entende que em casos de competência originária de
tribunais, o relator é o responsável por homologar o
acordo e o ato homologatório não precisa ser confirmado
por órgão colegiado. O órgão colegiado somente avalia o
cumprimento dos termos e eficácia do acordo na decisão
final de mérito.
Ao firmar o acordo o colaborador renuncia ao direito ao
silêncio e está sujeito ao compromisso legal de dizer a
verdade (art. 4º, §14, Lei 12.850/13).
Juiz não pode participar das negociações do acordo (art.
4º, §6º, Lei 12.850/13).
Somente após a realização do acordo definitivo (escrito e
homologado) que é autorizado o uso das provas e
elementos de informação apresentados pelo colaborador
(teoria do queen for a day).
É vedada condenação exclusivamente fundamentada em
declarações do colaborador (art. 4º, §16, Lei 12.850/13).
A previsão do §3º do art. 7º da Lei 12.850/13 é uma
cláusula temporal máxima, ou seja, é possível levantar o
sigilo da delação antes do recebimento da denúncia, se
assim o juiz entender que o sigilo não é mais necessário.
É possível a retratação do acordo (art. 4º, §10, Lei
12.850/13) e, nestas hipóteses, as provas
autoincriminatórias não podem ser utilizadas
exclusivamente em desfavor do colaborador.
A rescisão acontece quando há descumprimento do
acordo. Se o colaborador deu causa a rescisão há perda
do prêmio negociado e manutenção das provas
produzidas pelo colaborador.
Cleber Massom entende que se a rescisão for atribuída
ao Ministério Público deve ser facultado ao colaborador,
caso queira, interromper a colaboração e ainda manter
os benefícios concedidos e as provas produzidas.
Defeito no acordo de colaboração, como a coação, por
exemplo, justifica sua anulabilidade.
Ação controlada: consiste em retardar a intervenção policial
ou administrativa relativa à ação praticada por organização
criminosa ou a ela vinculada, desde que mantida sob
observação e acompanhamento para que a medida legal se
concretize no momento mais eficaz à formação de provas e
obtenção de informações.
Possui natureza jurídica de meio ou fonte de prova.
Não há reserva de jurisdição, havendo somente
necessidade de comunicar previamente o juiz, que
poderá estabelecer limites e comunicar o MP (art. 8º,
§1º, Lei 12.850/13).
Há discussão doutrinária sobre a natureza jurídica da
comunicação que a autoridade policial faz ao juiz.
Renato Brasileiro e Eugênio Pacelli acreditam que é uma
mera notícia, para que não haja comprometimento da
medida de operação. Esse é o entendimento que
prevalece. Cezar Roberto Bitencourt, Luiz Carlos Busato
e Marcelo Mendroni acreditam que tem natureza de
requerimento, pois o juiz pode fixar limites judiciais e
comunicar ao MP a medida para exercício do controle
externo.
A ação controlada é um meio de obtenção de prova que
tem previsão em várias leis. Em algumas há reserva de
jurisdição para a medida, em outras não. Há reserva de
jurisdição nas Leis 9.613/98 (art. 4º-B) e na Lei
11.343/06 9 (art. 53, inc. II, parágrafo único). Nas leis
12.850/13 (art. 8º, §1º), 13.260/16 (art. 16) e
14.344/16 (art. 9º), não há reserva de jurisdição.
Infiltração de agentes somente pode ocorrer com autorização
judicial.
Quando o pedido de infiltração é feito por representação
do delegado, deve haver oitiva do MP antes da decisão
pelo juiz.
Quando o pedido de infiltração é feito a pedido do
Ministério Público, deve haver manifestação técnica do
delegado antes da decisão do juiz.
Não há vedação para que a infiltração acontece durante
a ação penal.
O juiz deve fixar os limites especial e temporal da
medida.
É possível que o agente infiltrado pratique crimes, mas
ele pode ser punido por excessos praticados (art. 13 da
Lei 12.850/13). O excesso é averiguado tendo como fase
a proporcionalidade e a finalidade da investigação.
Somente agentes de polícia podem se infiltrar, não existe
previsão legal para infiltração de gansos (particular que
não pertence a polícia, mas que tem conexões com
criminosos e sempre trazem informações à polícia) ou
informantes.
Light cover: menos de 60 dias, imersão rasa na
organização, pode ter contato com a família não é
necessário planejamento operacional minucioso.
Deep cover: mais de 60 dias, profunda imersão na
organização, não há contato com familiares e deve
existir planejamento operacional minucioso.
As ações penais dos crimes de organização criminosa seguem
o procedimento ordinário (art. 22 da Lei 12.850/13).

Procedimento na lei de drogas (Lei 11.343/06)


O Código de Processo Penal é aplicado subsidiariamente (art.
48 da Lei 11.343/06).
Os crimes previstos no §3º do art. 33 e no art. 38 da Lei
11.343/06 são processados pelo procedimento dos juizados
especiais criminais. O mesmo se aplica ao crime do art. 28 da
Lei 11.343/06 (art. 48, §1º, Lei 11.343/06).
Não é necessária a presença de dois peritos para elaboração
do laudo de constatação provisório.
Perito que faz laudo de constatação provisória não fica
impedido de participar da elaboração do laudo definitivo (art.
50, §2º, Lei 11.343/066).
A Lei 11.343/06 autoriza a infiltração policial e a ação
controlada como formas de procedimentos investigatórios,
todos exigem autorização judicial (art. 53 da Lei 11.343/06).
Podem ser feitos durante o inquérito policial e durante a ação
penal.
O Ministério Público deve ser ouvido sobre a
representação antes da decisão judicial.
Na ação controlada é necessário a informação do
provável itinerário e identificação dos agentes do crime
ou colaboradores.
Na Lei 11.343/06 o denunciado deve ser inicialmente
notificado para apresentar defesa prévia (jurisprudência
também usa o termo defesa preliminar). Somente depois de
analisar seu conteúdo é que o Juiz recebe a denúncia e
determina a citação do acusado.
Essa notificação não se confunde com a citação, pois
acontece em momento anterior, constituindo um
verdadeiro contraditório prévio.
A notificação deve ser pessoal e acompanhada de cópia
da denúncia.
STJ entende que a ausência de notificação para
apresentação de defesa prévia gera nulidade relativa, ou
seja, a declaração de nulidade depende de eventuais
prejuízos suportados pela inobservância do
procedimento.
Se não for possível fazer a notificação pessoal ela pode
ser feita por edital (art. 370 do CPP). Feita a notificação
por edital, se o denunciado não comparecer ou nomear
advogado existem duas correntes sobre o que pode ser
feito: 1) aplicação subsidiária do art. 366 do CPP
(suspensão do processo e do prazo prescricional); 2)
nomeação de defensor dativo (Luiz Flávio Gomes e
Renato Brasileiro).
Há jurisprudência que prevê que após o recebimento da
denúncia o réu deve ser citado para apresentar resposta à
acusação como prevê o CPP, ainda que essa possibilidade não
esteja prevista na Lei 11.343/06.
O art. 57 da Lei 11.343/06 prevê que o interrogatório do
acusado é o primeiro ato da audiência de instrução e
julgamento. Contudo, o STF entende que o art. 400 do CPP se
aplica a todos os procedimentos criminais, ou seja, o
interrogatório é feito por último.
Na Lei 11.343/06 não há previsão para realização de
diligências após a audiência de instrução e julgamento.
O recolhimento automático à prisão previsto no art. 59 da Lei
11.343/06 não é aplicado, pois o STF o considera
inconstitucional.
A competência para processar e julgar o crime de porte para
consumo pessoal cometido a bordo de embarcação ou
aeronave é do juizado especial criminal federal.
Se houver conexão entre o tráfico internacional e o doméstico,
a competência é da justiça federal para ambos (Súmula 122
do STJ).
Se houver conexão entre crime de tráfico e crime militar, deve
haver cisão do processo para que cada crime seja julgado
separadamente.

Procedimento nos juizados especiais criminais


Os juizados especiais criminais na justiça estadual são
regulamentados pela Lei 9.099/95, já os juizados especiais
criminais na justiça federal são regulamentados pela Lei
10.259/01.
São processados nos juizados especiais as contravenções
penais e crimes cuja pena máxima não seja superior a dois
anos, cumulada ou não com multa.
Os juizados especiais criminais possuem previsão
constitucional (art. 98, inc. I, CF).
A conexão e continência podem afastar a competência do
juizado especial criminal (art. 60 da Lei 9.099/95), mas os
institutos penais podem ser aplicados (art. 60, parágrafo
único, Lei 9.099/95).
Na teoria de José Maria Sanches, os juizados especiais se
encaixam na segunda velocidade do direito penal.
O processo no juizado especial deve orientar-se pelos
seguintes critérios (art. 62 da Lei 9.099/95): oralidade,
simplicidades, informalidade, economia processual (maior
número de atos processuais no menor tempo possível) e
celeridade.
Enquanto no Código de Processo Penal, em regra, a
competência é fixada pelo local do crime (art. 70 do CPP,
adota a teoria do resultado), na Lei 9.099/95 a competência é
definida pelo local em que o crime é praticado, ou seja, há
adoção da teoria da atividade (art. 63 da Lei 9.099/95).
A competência do juizado especial criminal também é fixada
em razão da matéria (art. 61 da Lei 9.099/95).
O juizado especial criminal não pode processar e julgar
crimes militares (art. 90-A da Lei 9.099/95), crimes
praticados com violência doméstica e familiar contra a
mulher (art. 41 da Lei 11.340/06) e crimes eleitorais.
STF já confirmou a constitucionalidade do art. 41 da Lei
11.340/06.
Com relação aos crimes eleitorais, eles não podem ser
julgados pelos juizados especiais, mas os institutos da
Lei 9.099/95 podem ser aplicados pela justiça eleitoral.
STJ entende que as regras de soma e exasperação do
concurso de crimes são aplicáveis para definição da
competência do juizado especial. Utiliza-se as penas máximas
cominadas às infrações.
Se o réu for absolvido de um dos crimes a competência é
mantida e não é necessária a devolução para o juizado
especial, como prevê o art. 81 do CPP (perpetuatio
jurisditionis).
Se houver foro por prerrogativa, é possível a aplicação dos
institutos despenalizadores da Lei 9.099/95.
Conflito de competência entre juizado especial federal e juízo
federal é decido pelo TRF. Esse é o entendimento do STF e do
STJ (Súmula 428 do STJ). Na justiça estadual compete ao TJ.
A súmula 348 do STJ foi superada pela Súmula 428
também do STJ.
No juizado especial criminal a citação deve ser pessoal e
preferencialmente feita no juizado, o que geralmente ocorre
na audiência preliminar (art. 66 da Lei 9.099/95).
Se o acusado não for encontrado, não há citação por
hora certa ou por edital no juizado especial, pois os
autos devem ser encaminhados para o juízo comum
para isso (art. 66 da Lei 9.099/95).
A parte final do parágrafo único do art. 69 da Lei 9.099/95 foi
tacitamente revogado pela Lei 11.340/06, que veda a
aplicação da Lei 9.099/95 nos casos de violência doméstica e
familiar contra a mulher.
O STF interpreta de forma ampla a expressão “autoridade
policial” do art. 69, caput, da Lei 9.099/95, o que autoriza,
portanto, que todos os órgãos de segurança, inclusive a
polícia militar, possam lavrar o termo circunstanciado de
ocorrência.
Antes deste entendimento, o STF entendia que somente
a polícia judiciária poderia lavrar o termo.
O termo circunstanciado é um relatório sumário dos fatos
(materialidade e autoria) apurados.
Termo circunstanciado possui natureza de procedimento
administrativo.
Não há necessidade de indiciamento.
A composição civil dos danos pode englobar danos morais,
materiais e estéticos à vítima.
A composição civil dos danos é cabível em qualquer espécie
de ação penal (pública ou privada), mas seus efeitos são
diferentes.
Na ação penal pública incondicionada a composição civil
não gera extinção da punibilidade.
Na ação penal pública condicionada implica em
renúncia ao direito de representação (art. 74, parágrafo
único, Lei 9.099/95).
Na ação penal privada implica em renúncia ao direito de
queixa (art. 74, parágrafo único, Lei 9.099/95).
Caso o ofendido já tem afirmado que deseja representar
contra o autor do crime, não é preciso fazer nova
representação na aplicação do art. 75 da Lei 9.099/95.
A transação penal ocorre quando não houver composição civil
dos danos ou se tratar e ação penal pública incondicionada
(art. 76 da Lei 9.099/95).
Apesar do uso da expressão “pena” no art. 76 da Lei
9.099/95, a transação penal é um instituto
despenalizador, de forma que o conteúdo do acordo não
pode ser considerado uma pena.
A transação penal tem natureza jurídica de ato de
discricionariedade regrada.
A transação penal é oferecida antes do oferecimento da
denúncia ou queixa.
Na ação penal privada a legitimidade para propor
transação penal é do querelante, na ação penal pública
(condicionada ou incondicionada) a legitimidade é do
Ministério Público.
Caso o Ministério Público não ofereça proposta de
transação penal quando todos os requisitos legais estão
preenchidos, o juiz deve aplicar de forma analógica o
art. 28 do CPP.
Condições para oferecimento do acordo de transação penal:
1) infração de menor potencial ofensivo;
2) não ser o caso de arquivamento do termo
circunstanciado;
3) não ter sido o autor da infração condenado, pela
prática de crime, à pena privativa de liberdade, por
sentença definitiva;
4) não ter sido o agente beneficiado anteriormente, no
prazo de 5 anos, por transação penal.
Descumprimento da homologação judicial tem como
consequência a retomada da persecução penal, com
oferecimento da denúncia ou requisição de inquérito (Súmula
Vinculante 35).
A sentença que homologa acordo de transação penal não
faz coisa julgada material.
A suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei
9.099/95) acontece concomitantemente ao oferecimento da
denúncia.
A defesa preliminar que acontece antes do recebimento da
denúncia não se confunde com a resposta à acusação, pois
ela visa apenas a impugnar a possibilidade de recebimento da
denúncia.
Não há previsão legal de resposta à acusação (art. 396
do CPP) na Lei 9.099/95 e há divergência doutrinária
sobre o assunto.
Da decisão que rejeita a denúncia cabe apelação (art. 82 da
Lei 9.099/95) e não recurso em sentido estrito.
O art. 34 da Lei 9.099/95 se aplica ao procedimento do
juizado especial criminal com relação ao número de
testemunhas que podem ser intimadas para comparecer em
audiência.
A sentença dispensa o relatório (art. 81, §3º, Lei 9.099/95).

Teoria Geral da Prova


Para análise da prova deve-se entender as diferenças entre
sistema inquisitorial e sistema acusatório, pois eles mudam a
forma de analisar uma prova.
No sistema inquisitorial, o réu era o objeto de processo, as
provas eram tarifadas e o processo buscava a verdade formal.
No sistema acusatório, cujo surgimento começa no
Iluminismo (Revolução Francesa), o homem deixa de ser
objeto de direito e passa a ser sujeito de direitos e passa a ter
garantia de defesa efetiva. O Juiz passa a ter o papel de
agente que tutela as garantias processuais do réu. As provas
não são tarifadas, o juiz tem liberdade para formar a sua
convicção, e o que se busca é a verdade real, razão pela qual
passa a ter liberdade instrutória.
A proibição de uso de provas ilícitas prevista no inc. LVI do
art. 5º da CF é aplicável somente ao Estado, de forma que o
indivíduo pode usar prova ilícita para se defender e elas são
admissíveis no processo.
O princípio da vedação das provas ilícitas é previsto no art.
5º, inc. LVI, CF e no art. 157 do Código de Processo Penal.
Prova ilícita: não houve observância de regra de direito
material para a produção da prova.
Prova ilegítima: não houve observância de regra de direito
processual para a produção da prova.
“A prova penal é um episódio no processo, porque nele é que
tem de ser demonstrada a procedência da pretensão punitiva
ou da sua improcedência e consequente absolvição do
acusado.” (José Frederico Marques).
O conceito de prova, em sentido amplo, pode ser dividido em
elementos de informação (colhidos durante a investigação) e
provas propriamente ditas (colhidas durante o processo, com
contraditório e ampla defesa).
Os elementos de informação podem ser repetíveis (de
natureza oral e produzidas pela autoridade policial) ou
não repetíveis (provas técnicas). Essa diferenciação é
extraída do art. 155 do Código de Processo Penal.
Os elementos de informações não repetíveis são
considerados provas, pois existe a possibilidade de
contraditório diferido.
Anotações sobre a inviolabilidade do sigilo das comunicações
telemáticas (art. 5º, inc. XII, CF e Lei 9.296/96).
Interceptação telefônica ocorre quando um terceiro, que
não participa do diálogo, capta a comunicação. Ela é
diferente da gravação da conversa por um dos
interlocutores, que não é regulamentada pela Lei
9.296/96 e não precisa de autorização judicial para ser
feita.
A interceptação telefônica pode ser utilizada como prova
emprestada numa ação judicial cível, mas somente pode
ser produzida em investigação criminal ou em instrução
processual penal em decorrência da limitação do art. 1º
da Lei 9.296/96.
Apesar da limitação do inc. III do art. 2º da Lei
9.296/96, em caso de encontro fortuito de prova de
crime punido com pena de detenção é possível o uso do
conteúdo interceptado, bem como no caso de um crime
conexo a outro crime apenado com reclusão
O Juiz pode determinar a interceptação telefônica de
ofício tanto durante a investigação criminal quanto
durante a instrução processual.
Na decisão que concede a interceptação o Juiz deve fazer
uma análise dos requisitos do art. 2º da Lei 9.296/96,
de forma a demonstrar sua imprescindibilidade.
É ônus da defesa demonstrar violação ao art. 2º, inc. II,
da Lei 9.296/96.
STJ e STF entende que não é necessária a degravação
integral das interceptações, mas apenas de registro dos
trechos mais pertinentes (art. 6º, §1º, Lei 9.296/96).
A garantia do sigilo das comunicações entre advogado e
cliente não confere imunidade para a prática de crimes
no exercício da advocacia, sendo lícita a colheita de
provas em interceptação telefônica devidamente
autorizada e motivada pela autoridade judicial.
É desnecessária a realização de perícia para a
identificação de voz captada nas interceptações
telefônicas, salvo quando houver dúvida plausível que
justifique a medida.
Ante ausência de previsão na Lei 9.296/96, é
desnecessário que as degravações das escutas sejam
feitas por peritos oficiais.
O destinatário da prova é o Juiz, pois é como ele forma sua
convicção.
O art. 155 do CPP trata do princípio do livre convencimento
motivado. A aplicação deste princípio está vinculada a
atuação do juiz togado, ou seja, do exercício regular da
função jurisdicional (art. 96, inc. IX, CF).
O art. 155 extrai-se que, em regra, somente provas
produzidas em contraditório judicial podem influenciar a
decisão do juiz, exceto em casos de provas cautelares,
não repetíveis e antecipadas.
As provas inicialmente produzidas na esfera inquisitorial
e reexaminadas na instrução criminal, com observância
do contraditório e da ampla defesa, não violam o art.
155 do CPP, pois eventuais irregularidades ocorridas no
inquérito policial não contaminam a ação penal dele
decorrente.
Perícias e documentos produzidos na fase inquisitorial
são revestidos de eficácia probatória sem a necessidade
de serem repetidos no curso da ação penal por se
sujeitarem ao contraditório diferido.
O oposto do princípio do livre convencimento motivado é
o princípio da íntima convicção, aplicável ao Tribunal do
Júri e em alguns casos de crimes de responsabilidade
(impeachment). A aplicação deste princípio geralmente
ocorre em casos de exercício atípico da jurisdição.
A decisão que determina a produção antecipada de provas
com base no art. 366 do CPP deve ser concretamente
fundamentada, não a justificando unicamente o mero
decurso do tempo (Súmula 455 do STJ). Há exceção a essa
regra no caso de testemunhas que são policiais, pois
considera-se que a própria atuação profissional pode esvaziar
a importância da prova, já que o policial tem contato diário
com fatos criminosos.
O ônus processual da prova e a atuação probatória do juiz é
regulamentada no art. 156 do CPP.
O princípio da proporcionalidade está previsto no inc. I
do art. 156 do CPP e contém os seguintes elementos:
necessidade, adequação e proporcionalidade.
Provas produzidas antecipadamente não precisam ser
ratificadas pela defesa posteriormente, nem mesmo quando
feitas com fundamento no art. 366 do CPP.
A inadmissibilidade da prova é regulamentada pelo art. 157
do CPP, além da previsão do inc. LVI do art. 5º da CF.
Segundo o STJ, é ilícita a prova colhida mediante acesso aos
dados armazenados no aparelho celular, relativos a
mensagens de texto, SMS, conversar por meio de aplicativos,
como Whatsapp, e obtida diretamente pela polícia sem prévia
autorização judicial.
Para interceptação de conversar por aplicativo é
necessário seguir os parâmetros da Lei 9.296/96,
contudo, para acesso a conversas pretéritas há
necessidade apenas de autorização judicial.
O espelhamento de conversas de whatsapp é
considerada ilegal pelo STJ e não pode ser equiparada à
interceptação.
O STJ permite o acesso sem prévia autorização judicial
ao conteúdo do celular de pessoa falecida que foi
entregue à polícia pela esposa do falecido.
A prova emprestada é considerada uma prova documental,
pois está documentada em algum processo.
Requisitos para licitude da prova emprestada: 1)
mesmas partes; 2) mesmo fato probatório; 3)
contraditório no processo emprestante; 4) respeito à
formalidade da produção da prova no processo
emprestante.
O STF admite que é possível o uso de informações
colhidas pela receita federal em procedimento
administrativo fiscal para fins de instrução processual
penal (Lei Complementar 105).
Há quem entende que, para pronunciar, o Juiz não pode
fundar seu posicionamento exclusivamente em provas
colhidas no inquérito policial, pois o contrário violaria o art.
155 do CPP. Contudo, há decisões de turmas do STJ em
sentido contrário, afirmando que o art. 155 do CPP não se
aplica na sentença de pronúncia.
Elemento de prova: meio que se utiliza para demonstrar um
fato.
Prova: é o fato demonstrado.

O exame de corpo de delito e provas periciais


A palavra infração, mencionada no art. 158 do CPP, é gênero,
sendo crime e contravenção penal suas espécies.
O laudo de exame indireto pode ser feito por meio de
documentos ou por meio de depoimentos. Depoimentos
usados para laudo indireto não são considerados provas
testemunhais.
O exame de corpo de delito deve ser feito sempre que a
infração deixar vestígio, mas isto não significa que deve ser
feita apenas em casos de crimes com um resultado
naturalístico.
O laudo pericial pode ser substituído por outros elementos de
prova na hipótese em que as evidências tenham desaparecido
ou que o lugar tenha se tornado impróprio ou, ainda, quando
as circunstâncias do crime não permitirem a análise técnica.
Há previsão expressa no art. 167 do CPP.
O STJ entende que o laudo toxicológico definitivo é
imprescindível para a configuração do crime de tráfico ilícito
de drogas, sob pena de, em sua ausência, o acusado ser
absolvido. Contudo, em situações excepcionais, o próprio STJ
admite a comprovação do laudo de constatação provisório,
desde que esteja dotado de certeza idêntica à do laudo
definitivo e que tenha sido elaborado por perito oficial, em
procedimento e com conclusões equivalentes.
É prescindível a apreensão e a perícia de arma de fogo para
caracterização da causa de aumento de pena prevista no art.
157, §2º-A, inc. I, do Código Penal quando evidenciado o seu
emprego por outros meios de prova.
A qualificadora prevista no inc. I do §4º do art. 155 do CP
está condicionada à comprovação por laudo pericial, salvo em
caso de desaparecimento dos vestígios, quando a prova
testemunhal, a confissão do acusado ou o exame indireto
poderão lhe suprir a falta.
O Delegado deve acolher manifestação da defesa que, no
inquérito, formula quesitos ao perito, seguindo-se, ainda que
no inquérito, a dinâmica prevista no art. 159 do CPP.
Interrogatório do acusado
No sistema inquisitorial a confissão é a rainha das provas
(prova tarifada) e ele é obtido no interrogatório.
No sistema acusatório o interrogatório não há tarifação de
provas e a confissão no interrogatório não implica
automaticamente em condenação (livre convencimento
motivado).
O acusado não é obrigado a constituir prova contra si.
O STF entende que o Estado não pode constranger o réu
a produzir provas contra si mesmo.
O STF entende que a prerrogativa contra a
autoincriminação envolve: 1) direito de permanecer em
silêncio; 2) o direito de não ser compelido a produzir
elementos de incriminação contra si próprio nem de ser
constrangido a apresentar provas que lhe comprometam
a defesa; 3) o direito de se recusar a participar ativa ou
passivamente de procedimentos probatórios que lhe
possam afetar a esfera jurídica tai como reconstituição
ou fornecimento de padrões vocais ou gráficos para
perícia criminal.
Cláusula de Miranda: o acusado deve ser advertido do direito
de não produzir provas contra si.
O interrogatório é um meio de prova e um meio de defesa.
O interrogatório é o último ato da instrução.
O interrogatório tem três fases: 1) qualificação; 2) juiz faz
perguntas a respeito dos fatos que constituem a acusação; 3)
partes fazem perguntas ao acusado sobre os fatos que
constituem a acusação.
No interrogatório deve-se fazer, no início, a qualificação do
réu. Neste momento inicial o réu não pode ficar em silencio e
nem se identificar falsamente, pois o STF entende que o réu
pratica o crime previsto no art. 307 do CP quando dá falsa
identidade no interrogatório.
O réu pode apontar testemunhas em seu interrogatório, não
havendo preclusão com relação ao rol de testemunhas
apresentado na defesa técnica.
O STF entende que o art. 400 do CPP se aplica a todos os
processos penais, inclusive os militares, eleitores e os
procedimentos regidos por legislação especial. Isso significa
que o interrogatório deve sempre ser feito por último, ainda
que haja disposição contrária em procedimento especial.
Há decisões de turmas do STF que entendem que se
aplica o que dispõe a legislação especial, ou seja,
diferente do entendimento do tribunal pleno.
É condição essencial do interrogatório judicial, sob pena de
nulidade, a presença do advogado/defensor.
No interrogatório feito pela polícia a presença do
advogado é facultativa, de forma que o Delegado não é
obrigado a providenciar defesa ao investigado. Se o
investigado solicita um advogado/defensor, dai o
Delegado deve tomar providencias para participação da
defesa.
O interrogatório judicial de réu preso deve ser feito
presencialmente, sendo a videoconferência uma exceção cuja
necessidade deve estar devidamente justificada (art. 185, §2º,
CPP).
No caso de interrogatórios de mais de um réu, a entrevista
prévia entre advogado/defensor e réus deve ser prévia a todos
os interrogatórios, não sendo possível que, entre um
interrogatório e outro, haja contato.
A realização de novo interrogatório prevista no art. 196 do
CPP depende de fato superveniente, para requerimento das
partes, ou de alguma dúvida que o juiz tenha sobre fato
narrado pelo réu no interrogatório anterior.
A confissão
Depreende-se a ausência de tarifação de provas do art. 197
do Código de Processo Penal.
A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime
de tráfico ilícito de entorpecentes exige o reconhecimento da
traficância pelo acusado, não bastando a mera admissão da
posse ou da propriedade para uso próprio (Súmula 630 do
STJ).
Confissão qualificada é aquela em que o agente reconhece ter
praticado o fato, mas agrega teses defensivas discriminantes
ou exculpantes.
Confissão qualificada é diferente de confissão parcial,
pois nesta última há confissão parcial dos fatos.
Segundo o STF, a aplicação da atenuante da confissão
espontânea prevista no art. 65, inc. III, alínea “d”, do Código
Penal não incide quando o agente reconhece sua participação
no fato, contudo, alega tese de exclusão da ilicitude (confissão
qualificada).
O STJ entende que a condução do interrogatório do réu de
forma firme durante o júri não importa, necessariamente, em
quebra da imparcialidade do magistrado e em influência
negativa nos jurados.

O ofendido
O ofendido não presta o compromisso legal de dizer a
verdade. Apesar disso, é possível sua responsabilização pelo
crime de denunciação caluniosa se a vítima mentir.
Em algumas circunstâncias a palavra do ofendido tem mais
peso que a palavra do acusado.
É possível a condução coercitiva da vítima (art. 201, §1º,
CPP).
Testemunhas e informantes
Há dois momentos em que as partes podem requerer a
produção de prova testemunhal: o Ministério
Público/querelante deve fazê-lo na denúncia e o acusado na
resposta escrita.
Há preclusão se as testemunhas não forem arroladas no
momento correto, exceto com relação às testemunhas
referidas (art. 209, §1º, CPP).
Aplica-se ao CPP as disposições do CPC sobre substituição de
testemunhas.
A testemunha fala sobre fatos que viu ou ouviu.
O STJ entende que o depoimento da testemunha que viu
é mais importante da testemunha que ouviu.
Para o art. 202 do CPP, o conceito de pessoa não é o adotado
pelo Código Civil. Deve-se entender como pessoa apenas os
maiores de 14 anos (art. 208 do CPP) todo aquele que pode
ser imputável.
O art. 206 do CPP presume a parcialidade apenas dos
parentes do acusado, nada mencionando sobre parentes da
vítima. Dessa forma, ao ouvir parentes da vítima deve o Juiz
colher a qualificação, abrir a oportunidade para contradita e,
somente então, decidir se o parente da vítima será, ou não,
compromissada.
O fato de ser parente da vítima, por si só, não tira a
obrigatoriedade do compromisso legal.
A declaração dos parentes do acusado é subsidiária, contudo,
se não houver outro meio de prova do fato, não é possível que
o parente se exima da obrigação (art. 206 do CPP).
O CPP adota atualmente o sistema cross over, em que o juiz
pode fazer perguntas e as partes questionam diretamente a
testemunha, sendo que o juiz faz um juízo de necessidade e
interesse da pergunta.
Antes o CPP adotada o sistema presidencialista, em que
as perguntas das partes deveriam obrigatoriamente ser
feitas ao Juiz, que, se achasse correto, as fazia para a
testemunha.
O STJ entende que se o Juiz fizer perguntas antes das partes,
isso é causa de nulidade relativa, ou seja, deve ser alegada no
primeiro momento em que puder levantar a questão e
comprovar o efetivo prejuízo.
A condução coercitiva (art. 218 do CPP) pode ser realizada
pela autoridade policial (Polícia Civil ou Polícia Federal) ou
pelo oficial de justiça, que pode pedir apoio da polícia (Civil,
Federal ou Militar).
A carta precatória é um ato de cooperação (teoria da
cooperação é adotada pelo CPP), em que um Juiz coopera
com outro.
É essencial o estabelecimento de prazo para cumprimento da
carta precatória. Esse prazo é estabelecido pelo juízo
deprecante no momento em que determina sua expedição.
A expedição de carta precatória não suspende o processo, de
forma que a instrução continua mesmo com uma carta
pendente de cumprimento. Inclusive, o STJ entende que
inversão da ordem de oitiva de testemunhas não representa
nulidade processual, especialmente quando não há
demonstração de prejuízo.
O Juízo deprecante tem a obrigação de intimar as partes da
expedição de carta precatória, contudo, é relativa a nulidade
no processo criminal por falta de intimação da expedição de
precatória para inquirição de testemunha (Súmula 155 do
STF).
O STF entende que não é nula a audiência de oitiva de
testemunha realizada por carta precatória sem a presença do
réu, se este, devidamente intimado da expedição, não requer
o comparecimento.
Intimada a defesa da expedição da carta precatória, torna-se
desnecessária intimação da data da audiência no juízo
deprecado (Súmula 273 do STJ).
Deve-se demonstrar a imprescindibilidade do ato para
expedição de uma carta rogatória (art. 222-A do CPP).
Testemunhas devem comunicar ao juiz mudança de
residência, dentro de um ano (art. 224 do CPP).

Reconhecimento de pessoas e coisas


O réu/investigado não é obrigado a se submeter a exame de
reconhecimento de pessoas, ante a aplicação do princípio da
não autoincriminação.
É possível fazer o reconhecimento através de fotografias. O
STJ entende que o reconhecimento fotográfico, como meio de
prova, é plenamente apto para a identificação do réu e fixação
da autoriza delituosa, desde que corroborado por outros
elementos idôneos de convicção.
STJ entende que a disposições do art. 226 do CPP configuram
recomendação legal e não uma exigência, não se cuidando,
portanto, de nulidade quando praticado o ato processual de
modo diverso.
STF entende que efetuada a prisão em flagrante descabe
cogitar do atendimento as formalidades previstas no art. 226
do CPP.

Acareação
A acareação não é feita simplesmente colocando, frente a
frente, pessoas que apresentaram declarações distintas em
juízo.
A acareação deve ser feita quando há divergência de fatos ou
circunstâncias relevantes. O Juiz pode indeferir o pedido se
entender que o pedido é protelatório ou desnecessário.
O STF entende que o momento oportuno para acareação se
dá depois da colheita de toda a prova oral.

Prova documental
Prova documental é toda coisa na qual estejam inseridos
símbolos que tenham aptidão para transmitir ideais ou
demonstrar a ocorrência de fatos.
Partes podem apresentar documentos em qualquer fase do
processo, salvo casos expressos em lei (art. 231 do CPP).
É preciso tomar cuidado com o art. 232 do CPP e no
procedimento a ser adotado em caso de suspeita de falsidade,
pois o CPC adota procedimentos diferentes e o CPP ainda não
foi revogado nessas partes, ou seja, o procedimento do CPC
não é aplicável a procedimentos criminais nessa parte.
Apesar do disposto no art. 233 do CPP, é possível o uso de
prova ilícita em favor do réu.
O documento em língua estrangeira pode ser juntado
imediatamente, não dependendo de tradução prévia. A
tradução somente ocorre caso haja necessidade.

Busca e apreensão e Condução coercitiva


A busca e apreensão com a finalidade prevista na alínea “a”
do §1º do art. 240 do CPP ocorre desde que não esteja em
situação de flagrante delito, já que, neste caso, não é
necessário mandado em decorrência do que dispõe o inc. XI
do art. 5º da CF.
O STJ entende que agente de segurança particular (empresa
de segurança) não pode fazer busca pessoal e, inclusive,
reconhece como ilícita prova obtida por esse meio.
A busca domiciliar deverá sempre ser precedida de mandado
judicial.
O conceito de casa está no art. 150 do Código Penal.
Só é necessário mandado de busca e apreensão para os
estabelecimentos do inc. I do §5º do art. 150 do CP quando
alguém está ali hospedado. Se não houver hóspede não há
necessidade de mandado.
No caso do inc. II do §4º do art. 150 do CP é preciso mandado
para a parte onde as pessoas exercem seu ofício e que não é
aberta ao público.
Não precisa mandado para busca pessoal.
É possível apreender o telefone do suspeito durante a
realização da busca pessoal, contudo, para ter acesso aos
dados é necessário uma ordem judicial, sob pena de nulidade
em razão da ilicitude da prova.
A autoridade menciona no art. 250 do CPP é a autoridade
policial.
A regra do art. 250 do CPP aplicam-se às polícias civil e
militar, pios a Polícia Federal tem atuação nacional.
O STF declarou que é incompatível com a CF a condução
coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório,
tendo em vista que o imputado não é legalmente obrigado a
participar do ato.

Prisões (considerações gerais)


Prisões podem ser classificadas em penais ou extrapenais. As
prisões penais são: prisões penas e prisões provisórias. As
prisões extrapenais são: prisões civis e prisões
administrativas (prisão militar, regime disciplinar
diferenciado e prisão da lei de falências).
Garantias fundamentais do cidadão relacionadas à prisão:
Art. 5º, inc. LXII, da CF – comunicação da prisão a
autoridade competente e à família do preso.
A finalidade da audiência é garantir a incolumidade
do preso (se teve seus direitos garantidos e se
sofreu algum tipo de agressão).
O STF entende que a audiência de custódia se
aplica a qualquer prisão, não só à prisão em
flagrante.
O STJ entende que a ausência de audiência de
custódia, quando há decisão escrita do juiz
competente convertendo prisão em flagrante em
prisão preventiva, não implica em relaxamento.
Desobediência a essa disposição pode justificar
relaxamento da prisão.
Art. 5º, inc. LXIII, da CF – informação ao preso dos seus
direitos.
O STJ entende que a ausência de informação
acerca do direito ao silêncio do acusado gera
apenas nulidade relativa.
Art. 5º, inc. LXIV, da CF – identificação ao preso dos
responsáveis por sua prisão ou interrogatório.
Art. 5º, inc. LXV, da CF – relaxamento imediato de
prisão ilegal.
Nesse inciso não há exigência de que o relaxamento
da prisão ilegal seja feito pela autoridade judiciária
competente.
Art. 5º, inc. LXVI, da CF – excepcionalidade da prisão.
Art. 5º, inc. LXVII, da CF – possibilidades de prisão civil.
A prisão civil do depositário infiel não é mais
aplicada em decorrência da Convenção Americana
de Direitos Humanos.
Art. 5º, inc. LXVIII, da CF – prevê o uso de habeas
corpus.
Prisão e presunção de inocência na jurisprudência do STF
Até 2001 o STF entendia que o direito de recorrer em
liberdade referia-se apenas à apelação criminal e não
abrangia os recursos de natureza extraordinária (RE e
REsp), que não tem efeito suspensivo. Dessa forma, não
havia impedimento à prisão do condenado.
Em 2001 julgados do STF mudam de entendimento e
passam a admitir o cumprimento da pena apenas após o
trânsito em julgado. É dessa época também o
entendimento de que a prisão preventiva não pode ser
um instrumento de penalização antecipada.
Em 2016 o STF se reposiciona e passa a entender que a
execução provisória de acórdão penal condenatório
proferido em grau de apelação, ainda que sujeito a
recurso especial ou extraordinário, não compromete o
princípio constitucional da presunção de inocência.
Há julgados da 1ª Turma do STF que admitem a
execução provisória da pena logo após a condenação
pelo Tribunal do Júri, ainda que exista recurso de
apelação pendente.
O princípio da proporcionalidade é materializado no inc. I do
art. 156 do Código de Processo Penal. Ele também deve ser
aplicado para a definição de medidas cautelares, como um
todo, no âmbito do processo penal.

Prisão em flagrante
A nota de culpa são as comunicações previstas nos incs. LXIII
e LXIC do art. 5º da CF. A nota de culpa é obrigatória, sob
pena de relaxamento da prisão.
O STJ entende que eventuais omissões na nota de culta
ou atraso na sua entrega ao agente constituem mera
irregularidade, especialmente quando há registro no
auto de prisão das advertências legais quanto aos
direitos constitucionais do preso.
Apesar do /art. 301 do CPP dizer que é obrigação da
autoridade policial e de seus agentes prender quem quer que
esteja em flagrante delito, deve-se fazer uma mitigação deste
artigo com relação a pessoas que tenham prerrogativas
funcionais.
Existem algumas autoridades que não podem ser presas
em algumas circunstâncias (imunidade diplomática) ou
que devem ser imediatamente apresentadas a
autoridade competente para a prisão, que não é o
Delegado de Polícia.
As hipóteses dos incs. I e II do art. 302 do CPP são
conhecidas como flagrantes propriamente ditos. A hipótese do
inc. III é conhecida como quase-flagrante. A hipótese do inc.
IV é conhecida como flagrante presumido.
O termo infração penal (inc. I do art. 302 do CPP) engloba
tanto os crimes quanto as infrações penais.
De acordo com a Lei 9.099/95 a pessoa presa em flagrante de
crime de menor potencial ofensivo será encaminhado à
autoridade judiciária ou ao Delegado de Polícia. Se
encaminhado para a Delegacia deve ser produzido o termo
circunstanciado de ocorrência.
A palavra perseguição (inc. III do art. 302 do CPP) deve ser
entendida no sentido de ações policiais para encontrar o
agente. Não somente uma perseguição direta por uma pessoa
só.
O art. 303 do CPP também é aplicável nas hipóteses de
continuidade delitiva.
Flagrante preparado: é vedado pela Súmula 145 do STF.
Como há vários tipos penais para o crime de tráfico de
drogas, se o polícia preparar uma delas, mas o agente
for preso pela prática de outros tipos, é possível seu
flagrante.
Flagrante esperado: ocorre quando, sabendo que um delito
irá ou poderá acontecer, a polícia se prepara para prender o
criminoso em flagrante (no caso da matéria acima, filmando-
o, para servir como prova).
No caso do flagrante esperado é preciso tomar cuidado
com a ideia de crime impossível, pois ele exclui a
responsabilidade criminal.
Flagrante postergado: retardar a prisão de pessoa que esteja
em situação de flagrante. Tanto na lei de combate ao crime
organizado quanto na lei de drogas existem previsões sobre
ações controladas pela polícia.

Prisões cautelares (considerações gerais)


São atos submetidos a cláusula de reserva de jurisdição, ou
seja, são praticados exclusivamente por autoridade judiciária.
São pressupostos das prisões cautelares: fumus comissi delict
(materialidade e indícios de autoria) e o periculum libertatis
(necessidade).
A prisão tem caráter rebus sic stantibus, ou seja, a prisão
deve ser necessária e adequada à situação apresentada.
Como a prisão temporária ocorre durante as investigações da
Polícia, o prazo é contado na forma do art. 10 do Código
Penal.
O art. 282 do CPP é aplicável a todas as medidas cautelares,
inclusive às restritivas de liberdade.
Há decisões de TJs e TRFs reconhecendo a fungibilidade
entre a prisão preventiva e a prisão temporária, de forma que
é possível determinar uma ainda que a representação ou
requerimento do MP tenha sido por outra.

Prisão temporária
A prisão temporária é regulamentada pela Lei 7.960/89. É
resultado de uma medida provisória que foi convertida em lei
antes da CF ser alterada e vedar medida provisória sobre
normas penais. O STF já se confirmou a constitucionalidade
dessa lei.
As disposições gerais sobre medidas cautelares do Código de
Processo Penal se aplicam à prisão temporária.
A prisão temporária somente é cabível no inquérito policial,
não sendo possível decreta-la na ação penal.
O prazo da prisão temporária, durante as investigações
policiais, é contado na forma do art. 10 do CP.
O Juiz não pode decretar prisão temporária de ofício, pois o
caso ainda está na fase de investigação policial.
O requisito previsto no inc. III do art. 1º da Lei 7.960/89 é
obrigatório, não sendo possível decretar a prisão temporária
fora dos crimes ali mencionados.
Além do requisito do inc. III do art. 1º da Lei 7.960/89,
deve-se cumular ou o requisito do inc. I ou o do inc. II,
da mesma lei, para decretar a prisão temporária.
Se a prisão temporária for decretada com fundamento no inc.
II do art. 1º da Lei 7.960/89, o preso deve ser colocado em
liberdade assim que a dúvida sobre a identidade do
investigado for sanada.
A imprescindibilidade prevista no inc. I do art. 1º da Lei
7.960/89 deve ser entendida como um obstáculo à
investigação, ou seja, que sem a medida a investigação não
prossegue.
O foco da imprescindibilidade deve ser numa ação do
investigado que venha a comprometer o sucesso da
investigação (coação de testemunhas, ocultação de
provas, criação de empecilhos e etc.).
Neste caso, deve-se tomar cuidado para não pedir a
prisão temporária para praticar um ato de investigação
que esteja acobertado pela garantia da não
incriminação, ou seja, que exijam uma conduta ativa do
investigado.

Prisão preventiva
A prisão preventiva tem caráter rebus sic stantibus, ou seja,
ela será mantida enquanto não passar a sua necessidade,
inexistindo prazo temporal fixo para sua duração.
Há jurisprudência que conhece que o princípio da legalidade
(tempo de prisão x pena prevista para o crime) e o princípio
da proporcionalidade (necessidade e adequação) delimitam o
tempo de prisão preventiva.
A prisão preventiva pode ser decretada no inquérito policial
ou na ação penal.
Em regra o juiz pode decretar a prisão preventiva de ofício
apenas na ação penal (art. 310 do CPP).
São requisitos da prisão preventiva a prova da existência do
crime (materialidade) e indícios suficientes de autoria, bem
como a garantia da ordem pública, a garantia da ordem
econômica, conveniência da instrução criminal e aplicação da
lei penal.
O requisito da garantia da ordem econômica é aplicável
nos casos de crimes contra a ordem econômica, que
estão previstos na Lei 8.137/90.
Além dos requisitos do art. 312 é preciso observar as
hipóteses de cabimento do art. 313 do CPP.
O STJ entende que as hipóteses de cabimento do art.
313 do CPP não são cumulativas, ou seja, se uma for
configurada já é possível decretar a prisão preventiva.
Garantia da ordem pública é um conceito jurídico
indeterminado e, por isso, possui um vasto campo axiológico.
Normalmente a ideia de preservação da ordem pública
no campo processual penal é analisada sob dois
aspectos: 1) periculosidade do agente pelo risco de
reiteração delitiva; 2) gravidade do crime.
O risco da reiteração delitiva pode ser usado para
configurar a garantia da ordem pública, sendo que o
STJ admite que ações penais e inquéritos policiais em
curso podem ser usadas para fundamentar o risco de
reiteração delitiva. Nestes casos, as ações penas e
inquéritos policiais devem ser utilizados para averiguar
a periculosidade do investigado/réu e que, por isso, sua
permanência em liberdade pode representar risco de
reiteração delitiva e, por consequência, abala a ordem
pública.
O STJ entende que o investigado/primário for primário,
com bons antecedentes e/ou possui emprego e moradias
fixas também pode ser preso preventivamente, ou seja,
não são obstáculos à decretação da prisão preventiva.
O STJ entende que é possível utilizar atos infracionais
para fundamentar a prisão pela garantia da ordem
pública, devendo-se levar em consideração três critérios
de ponderação: a gravidade em concreto do ato
infracional, a distância temporal entre o ato infracional e
a conduta ensejadora da prisão preventiva e a
comprovação da ocorrência dos atos infracionais.
A prática de ato infracional, por si só, não justifica
a prisão, devendo a fundamentação levar em
consideração como a prática dos atos infracionais
demonstram a periculosidade do investigado e que,
por isso, sua liberdade é um risco à ordem pública.
A gravidade abstrata do crime, por si só, não justifica a
prisão preventiva, contudo, é possível decretar a prisão
com base na gravidade concreta do delito, em que o
modus operandi traz possibilidade de violação da ordem
pública.
A comoção social, ideia relacionada à reação da
população pela prática do crime, pode ser fundamento
de prisão para garantir a ordem pública.
Finalizada a instrução criminal não se justifica mais a prisão
com base na conveniência da instrução criminal.
O requisito da aplicação da lei penal tem relação com a
possibilidade de fuga do agente.
O STJ entende que é lícita a fundamentação per relationem de
decisões sobre prisões, desde que se faça referência a decisão
anterior.
O STF entende que o descumprimento de acordo de
colaboração premiada ou a frustração de sua realização,
isoladamente, não justificam a prisão preventiva.
Para fins do inc. III do art. 313 do CPP é necessário existir
uma medida protetiva de urgência deferida, vigente e
descumprida, pouco importando o quantum de pena previsto
para o crime ou contravenção.

Prisão domiciliar
HC Coletivo concedido pelo STF.

Medidas cautelares diversas da prisão


Se o MP não se manifestar antes da fixação da fiança, isso
não é causa de nulidade.
A previsão do parágrafo único do art. 336 do CPP é fundado
na ideia de que, mesmo com a prescrição, permanecem os
efeitos secundários da pena.
O fato de ser defendido por defensoria pública ou advogado
dativo não justifica, necessariamente, a aplicação do art. 350
do CPP.
Se o réu constituir advogado particular isso pode ser um fato
para presumir capacidade econômica, devendo-se comprovar
documentalmente a situação econômica para aplicação do
art. 350 do CPP.

Recursos (considerações gerais)


Recurso é o instrumento processual voluntário (parte decide
se quer ou não recorrer) de impugnação de decisões judiciais,
previsto em lei (não é possível utilizar recurso fora das
hipóteses legais), utilizado antes da preclusão (obediência a
prazos) e na mesma relação jurídica processual, objetivando a
reforma, invalidação, integração ou esclarecimento da decisão
judicial anterior.
Princípio aplicáveis aos recursos:
Duplo grau de jurisdição: possibilidade de reexame
integral da decisão do juízo a quo a ser confiado a órgão
jurisdicional diverso do que a proferiu e de hierarquia
superior.
Recurso e duplo grau de jurisdição não se
confundem, pois recursos extraordinários (recurso
especial e recurso extraordinário) não analisam o
mérito de demandas.
O princípio do duplo grau de jurisdição não possui
expressa previsão constitucional, mas é extraído do
art. 5º, incs. LIV e LV, da CF.
O princípio o duplo grau de jurisdição é
expressamente previsto no art. 8º, §2º, alínea “h”,
da Convenção Americana de Direitos Humanos.
Em casos em que há prerrogativa por foro, o STF
entende que os embargos infringentes atendem ao
princípio do duplo grau de jurisdição.
Princípio da taxatividade dos recursos: o recurso deve
estar previsto em lei federal. O rol é taxativo.
Taxatividade não impede interpretação extensiva,
como por exemplo, na possibilidade de interpor
recurso em sentido estrito da decisão que recebe o
aditamento da denúncia.
Princípio da unirrecorribilidade/unidade/singularidade:
para cada decisão recorrível corresponde um único
recurso (espécie recursal).
Princípio da fungibilidade (art. 579 do CPP): aplicável
quando há equívoco na interposição do recurso, exceto
nas hipóteses de má-fé.
Não justifica o recebimento do recurso se não for
observado o prazo previsto em lei para o recurso
adequado ou em caso de erro grosseiro.
Princípio da voluntariedade (art. 574 do CPP): o recurso
é um instrumento voluntário.
A possibilidade prevista no art. 574 do CPP não é
considerado recurso, mas sim possibilidade de
reexame obrigatório, sendo uma condição para
preclusão ou para o trânsito em julgado da
decisão/sentença.
Princípio da disponibilidade dos recursos: após
interposto o recurso é preciso dispor (desistir) dele.
Não se aplica ao Ministério Público (art. 576 do
CPP).
Princípio da non reformatio in pejus: em caso de recurso
exclusivo da defesa não se admite piora sob o aspecto
quantitativo ou qualitativo.
Apesar do conteúdo do art. 617 do CPP, esse
princípio é aplicável a todos os recursos e não
somente à apelação.
Se somado ao recurso do réu houver recurso da
acusação ou for hipótese de reexame necessário,
dai é possível piorar a situação do réu. Contudo,
em caso de recurso da acusação é preciso analisar
a abrangência do recurso da acusação, pois ele
limita o Tribunal na hora de sua análise.
STJ entende que a situação do réu não pode ser
piorada inclusive em hipótese de erro material.
Súmulas 525 e 160 do STF.
Princípio da reformatio in pejus indireta: se o réu recorre
e consegue anular a decisão que está sendo recorrida, a
nova decisão proferida não pode ser piora que a decisão
objeto do recurso.
O fundamento legal desse princípio é o art. 626,
parágrafo único, do CPP. Apesar do artigo
regulamentar a revisão criminal, sua ideia também
é aplicável aos recursos.
STJ entende que ainda que a decisão anulada
tenha sido proferida por juízo absolutamente
incompetente, aplica-se o o princípio da reformatio
in pejus indireta.
O princípio da reformatio in pejus também se aplica
ao juiz presidente do Tribunal do Júri, de forma
que se um julgamento for anulado o segundo
julgamento não pode aplicar pena pior que a
aplicada no julgamento anulado. Contudo, esse
princípio não se aplica aos jurados, de forma que,
no mérito, um segundo júri pode reconhecer
circunstâncias não considerada no julgamento
anterior, contudo, a pena do réu não será
agravada.
Princípio da reformatio in mellius: o réu pode ser
beneficiado por recurso exclusivo da acusação.
Esse princípio justifica, também, que o réu pode
ser beneficiado pela interposição de recuso
defensivo, mas por argumento diverso do alegado.
Tribunal pode até mesmo conceder habeas corpus
de ofício.
A Súmula 713 do STF é uma exceção a este
princípio, pois dispõe que o efeito devolutivo da
apelação contra decisões do júri é adstrito aos
fundamentos de sua interposição.
Princípio da dialeticidade: exige-se do recorrente a
exposição da fundamentação recursal (causa de pedir) e
do pedido, que poderá ser de reforma, invalidação,
integração ou esclarecimento da decisão impugnada.
Os argumentos e pedidos recursais possibilitam o
contraditório e fixam os limites de atuação do
Tribunal na apreciação do recurso.
STF entende que a ausência de razões de apelação
e de contrarrazões à apelação do Ministério Público
não é causa de nulidade por cerceamento de
defesa, se o defensor constituído foi devidamente
intimado para apresenta-las.
Princípio da complementariedade: com base nesse
princípio admite-se que a parte recorrente possa
complementar as razões de recurso já interposto sempre
que, no julgamento de embargos de declaração
interpostos pela parte contrária, for criada uma nova
sucumbência em virtude da alteração ou integração da
decisão.
Princípio da variabilidade: esse princípio não se aplica
ao ordenamento processual penal brasileira, pois se
considera que ele é incompatível com a preclusão
consumativa (perda de uma faculdade processual em
virtude de seu prévio exercício). De acordo com este
princípio o recorrente pode interpor novo recurso em
substituição a outro anteriormente interposto, desde
que o faço dentro do prazo legal.
Princípio da colegialidade: a parte tem o direito de ter
seu recurso julgado por órgão colegiado.
Um recurso deve atender a determinados pressupostos ou
requisitos para o julgamento do mérito, são os requisitos de
admissibilidade recursal.
O juízo de admissibilidade é feito tanto pelo juízo a quo
quanto pelo juízo ad quem, sendo que a decisão do
primeiro não vincula o segundo.
Se os requisitos de admissibilidade estão presentes o
recurso é conhecido, caso o contrário o recurso não é
conhecido.
Pressupostos de natureza objetiva:
Cabimento: se há previsão legal do recurso contra a
decisão impugnada.
Em regra, não há previsão de recurso contra
decisões interlocutórias. O máximo que pode ser
feito contra uma decisão que não tem recurso
cabível é utilização de ações autônomas de
impugnação ou como preliminar de alegações finais
ou do recurso interposto contra sentença.
Adequação: Ver se o recurso é adequado para a situação
impugnada. Para cada decisão que comporte recurso um
único recurso será cabível.
Tempestividade: Verificação do prazo legal de
interposição, sob pena de preclusão temporal.
Inexistência de fato impeditivo: a renúncia ao direito de
recorrer, a desistência e a deserção (ausência de
pagamento de custas na ação penal privada) são fatos
impeditivos.
Regularidade formal: conceito ligado à forma correta de
interposição de recursos. No primeiro grau de jurisdição
a maioria dos recursos pode ser interposta mediante
termo nos autos ou através de petição.
Pressupostos subjetivos da admissibilidade recursal:
Legitimidade recursal: é regulamentado pelo art. 577 do
CPP, contudo, há outros dispositivos espalhados pelo
CPP regulamentando a legitimidade recursal.
O réu, ainda que revel, pode recorrer
independentemente do defensor técnico. A
interposição desse recurso acontece quando o
acusado é intimado pessoalmente da sentença.
Nesses casos a defesa técnica apresenta as razões
recursais posteriormente. Essa dinâmica é seguida
apenas no primeiro grau, em segundo grau
somente a defesa técnica interpõe recursos.
De acordo com o CPP, o assistente de acusação
tem legitimidade recursal mais restrita, pois
somente pode recorrer nas seguintes situações: 1)
apelação contra impronúncia ou absolvição; 2)
RESE contra extinção de punibilidade.
Contudo, há doutrina e jurisprudência que
defendem que não há limites para legitimidade
recursal do assistente de acusação, contudo a sua
legitimidade recursal é sempre
supletiva/subsidiária, ou seja, pode apresentar
recurso somente quando o Ministério Público não
recorrer.
O assistente de acusação pode arrazoar recurso
total interposto pelo Ministério Público.
O prazo para o assistente de acusação recorrer
começa a correr imediatamente após o fim do prazo
para o Ministério Público (art. 598, parágrafo
único, CPP e Súmula 448 do STF). No caso do
assistente de acusação também é preciso ver em
qual data a vítima foi intimada da sentença.
Interesse recursal: verificar se o recurso trará algum tipo
de benefício a quem está recorrendo.
É possível recurso da defesa contra sentença de
absolvição imprópria.
É possível recurso da defesa contra sentença de
absolvição imprópria dependendo do fundamento
da absolvição.
Jurisprudência entende que não há interesse
recursal do réu para recorrer contra sentença que
extingue a punibilidade.
Ministério Público tem legitimidade para recorrer
de sentença condenatória desde que tenha
concluído que o réu deva ser absolvido.
O Ministério Público não tem legitimidade para
recorrer de sentença absolutória de ação penal
exclusivamente privada. Contudo, se a sentença é
condenatória o Ministério Público pode recorrer.
Em caso de divergência entre acusado e defensor para com
relação a interposição de recurso, prevalece a vontade
daquele que quer recorrer (Súmula 705 do STF).
Os recursos no processo penal podem ter os seguintes efeitos:
obstativo, devolutivo, suspensivo,
regressivo/iterativo/diferido, extensivo, substitutivo e
dilatório procedimental.
O efeito translativo não se aplica ao direito processual
penal. Segundo esse princípio, a interposição de um
recurso devolve ao tribunal toda a matéria não atingida
pela preclusão, em favor ou contra qualquer das partes.
Efeito obstativo: interposição de recurso obsta a formação da
coisa julgada da sentença ou da preclusão da decisão.
Efeito devolutivo: transferência do conhecimento da matéria
impugnada ao órgão jurisdicional, visando a reforma,
invalidação, integração ou esclarecimento da decisão
impugnada.
O efeito devolutivo varia em extensão e profundidade.
Com relação a extensão ele varia em extensão/dimensão
horizontal (tem relação com a matéria do recurso e deve
ser limitado na interposição) ou vertical (dentro dos
limites da matéria impugnada, sem modificação do
pedido ou da causa de pedir, o juízo ad quem é livre
para apreciar fundamentos não invocados pelas partes).
Efeito suspensivo: a interposição do recurso impossibilita que
a decisão impugnada produza efeitos regulares enquanto não
for apreciado o recurso interposto.
A mera previsão legal de recurso dotado de efeito
suspensivo já torna a decisão ineficaz. Decisões não
impugnáveis por recurso com efeito suspensivo já
surgem eficazes.
Efeito regressivo/iterativo/diferido: relacionado à
possibilidade de juízo de retratação (recurso em sentido
estrito, carta testemunhável e agravo em execução).
Efeito extensivo: possibilidade de estender os efeitos
favoráveis de um recurso interposto por um dos acusados
àqueles que não tenham recorrido.
A extensão não pode acontecer por motivos de caráter
pessoal, devendo-se analisar circunstâncias objetivas
ligadas ao fato criminoso.
O próprio tribunal determina a extensão e é possível
embargos de declaração diante da omissão.
A recusa em aplica o efeito extensivo é impugnável por
habeas corpus.
Efeito substitutivo: a decisão proferida no juízo ad quem
substituirá a decisão proferida no juízo a quo, no que tiver
sido objeto de recurso, ainda que tenha sido negado
provimento ao recurso.
Se o recurso não foi conhecido não se opera o efeito
substitutivo.
Se o recurso tem como objeto um error in procedendo, o
não provimento do recurso tem efeito substitutivo. Já o
provimento do recurso não tem efeito substitutivo, pois
seu resultado é a prolação de uma nova decisão pelo
juízo a quo.
Efeito dilatório procedimental: a interposição de um recurso
inicia uma nova fase procedimental, mas não uma nova ação.
O recurso é um desdobramento do direito de ação.
Aplica-se à norma processual penal a regra do tempus regit
actum (art. 2º do CPP). Dessa forma, em caso de mudanças
na legislação, a recorribilidade se rege pela lei em vigor na
data em que a decisão foi proferida, pois a decisão que é o
fato que leva a interposição do recurso.

Recurso em sentido estrito (RESE)


Recurso utilizado para impugnar decisões interlocutórias,
mas apenas nas hipóteses previstas expressamente em lei.
Pode ser impetrado apenas contra decisões de juiz singular.
Apesar do teor do art. 581 do CPP, o RESE ataca apenas
decisões interlocutórias.
A jurisprudência entende que o rol do art. 581 do CPP é
taxativo. Contudo, a jurisprudência admite interpretação
extensiva, desde que a ampliação não se dê para hipóteses
que a lei evidentemente quis excluir.
Cabe apelação contra decisão constante no rol do art. 581 do
CPP, mas que está inserida no bojo de uma sentença.
Cabe agravo em execução contra decisão constante no rol do
art. 581 do CPP que foi proferida após o trânsito em julgado
da sentença condenatória ou absolutória imprópria.
Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para
oferecer contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da
denúncia, não a suprimindo a nomeação de defensor dativo
(Súmula 707 do STF).
A jurisprudência entende que a hipótese do inc. I do art. 581
do CPP é estendida para decisões que não recebem o
aditamento da denúncia.
Salvo quando nula a decisão de primeiro grau, acórdão que
dá provimento ao RESE contra decisão que não recebeu
denúncia vale pelo recebimento da denúncia (Súmula 709 do
STF) e constitui marco de interrupção da prescrição.
Da decisão que não recebe a inicial acusatória no
procedimento da Lei 9.099/95 cabe apelação.
RESE contra decisão de pronúncia suspende o julgamento. A
preparação para julgamento ocorre somente após a preclusão
da decisão de pronúncia.
O RESE contra a decisão de pronúncia suspende apenas
o julgamento, e não o cumprimento de alguma medida
cautelar determinada na mesma decisão, como a prisão,
por exemplo.
A jurisprudência admite que a hipótese do inc. V do art. 581
do CPP é estendida para impugnar decisões que indeferem
requerimento de prisão temporária ou cautelares diversas da
prisão.
A hipótese do inc. V do art. 581 do CPP não possui efeito
suspensivo.
A jurisprudência admite que a hipótese do inc. XI do art. 581
do CPP é estendida para decisão sobre a suspensão
condicional do processo.
Há doutrinadores que entendem que a hipótese do inc. XIV
do art. 581 do CPP foi tacitamente revogado, pois é possível
reclamação por qualquer do povo, previsto no art. 426, §1º,
do CPP.
A hipótese do inc. XV do art. 581 do CPP é aplicável apenas
na apreciação de admissibilidade feita no juízo a quo.
Jurisprudência entende que a hipótese do inc. XV do art. 581
do CPP é estendida para decisão de suspensão do processo
quando o acusado é citado por edital.
O RESE é processado por instrumento, mas há hipóteses em
que sobe nos próprios autos.
O prazo para o RESE é de 05 dias, exceto quando o recurso é
contra a lista geral de jurados, pois ai o prazo é de 20 dias.
Se o RESE for denegado em um juízo de admissibilidade pelo
juízo a quo, o recurso cabível é a carta testemunhável.
Se o juízo a quo se retratar, parte prejudicada pode interpor
RESE se configurada alguma hipótese legal de interposição.
Em regra, o RESE não possui efeito suspensivo, que se aplica
somente nas hipóteses do art. 584 do CPP.

Apelação
Exemplos de decisões (não sentenças) que são impugnáveis
por apelação: decisão que julga o pedido de restituição e
decisão que remete as partes ao juízo cível no pedido de
restituição de coisas apreendidas.
A decisão do Tribunal do Júri é constituída da decisão do
Conselho de Sentença e da decisão do Juiz Presidente.
Em caso de apelação porque a decisão dos jurados foi
manifestamente contrária à prova dos autos, o Tribunal
somente pode determinar um novo julgamento e não absolver
o réu. Apelação com base nesse motivo pode ser interposta
uma única vez.
Se houver assistente de acusação o prazo é de 03 dias para
manifestação após o Ministério Público.
É cabível o RESE contra decisão que não recebe o recurso de
apelação.
No caso da Lei 9.099/95 a petição de interposição já é
acompanhada das razões recursais.
Apelação interposta contra sentença absolutória própria não
possui efeito suspensivo.
Apelação interposta contra sentença absolutória imprópria
tem efeito suspensivo.
Apelação interposta contra sentença condenatória tem efeito
suspensivo.

Embargos infringentes e de nulidade


Impugnação destinada ao reexame de decisões não
unânimes, de 2º grau, no julgamento de apelações, recursos
em sentido estrito e agravos em execução, quando a decisão
for desfavorável ao réu.
Os embargos infringentes e de nulidade, portanto, tem 04
pressupostos: deve ser uma decisão de um tribunal
(pressuposto 01), a decisão não pode ser unânime
(pressuposto 02), somente é cabível em caso de decisão não
unânime de apelação, RESE ou agravo em execução
(pressuposto 03) e é um recurso exclusivo da defesa
(pressuposto 04).
A divergência deve ser quanto à conclusão e não quanto ao
fundamento da decisão.
Esse recurso devolve ao Tribunal apenas a discussão da parte
da matéria que é divergente.
Esse recurso é interposto por petição e as razões devem
acompanhar a petição de interposição.
É inadmissível recurso especial ou recurso extraordinário
quando cabível embargos infringentes contra acórdão
proferido por tribunal de origem (Súmulas 207 do STJ e 281
do STF).
Em caso de embargos infringentes parciais, é tardio o recurso
extraordinário se após o julgamento dos embargos o RE
versar sobre parte da decisão que não foi abrangida pelos
embargos (Súmula 355 do STF).

Embargos de declaração
Recurso utilizado esclarecer uma decisão (obscuridade,
ambiguidade, contradição ou omissão).
Recurso com previsão nos arts. 382 e 619 ambos do CPP.
É admissível a interposição de embargos de declaração para
fim de prequestionamento para interposição de recurso
extraordinário (Súmula 356 do STF).
No CPP o prazo para interposição é de 02 dias, contudo, no
STJ e no STF o prazo é de 05 dias, em decorrência de
previsões nos regimentos internos de cada corte.
A petição já deve ser acompanhada das razões.
É direcionado ao juiz prolator da decisão ou ao relator do
acórdão.
Intimação da parte contrária só é necessário em caso de
interposição de embargos de declaração com efeitos
infringentes.
Embargos de declaração com efeitos infringentes é
aquele que o julgamento procedente surtirá alterações
substanciais na decisão embargada.
A interposição de embargos de declaração interrompe o prazo
para interposição de outros recursos.
Se os embargos não forem conhecidos ou considerado
meramente protelatórios não geram a interrupção.
O prazo para interposição de outros recursos corre a
partir do dia seguinte da intimação do resultado de
decisão embargada.

Agravo em execução
Recurso cabível contra decisões proferidas pelo juízo da
execução.
Lei 7.210/84 não tem procedimento para o recurso, por isso,
aplica-se o CPP subsidiariamente. Tem a mesma tramitação
que o RESE.
É possível interpor recurso e, posteriormente, apresentar
razões.
Agravo em execução não tem efeito suspensivo (arts. 178 e
179 da Lei 7.210/84), exceto se for impetrado contra a
decisão que determina a desinternação (medida de
segurança).
Não é possível que o MP impetre mandado de segurança para
conferir efeito suspensivo ao agravo em execução (art. 5º, inc.
II, da Lei 12.016/09).

Carta testemunhável
Esse é um recurso que, basicamente, serve para forçar o
conhecimento de recursos denegados ou que não tiveram sua
regular tramitação.
Esse recurso não é cabível em caso de denegação de todo e
qualquer recurso, pois não pode ser interposto em caso de
denegação de apelação e dos embargos de declaração.
Esse recurso não foi possui efeito suspensivo.
Nesse recurso pode-se o julgamento pelo tribunal do mérito
do recurso denegado e não somente sobre sua
admissibilidade.

Correição parcial
É um processo administrativo, previsto nos regimentos
interno dos tribunais.
É um instrumento destinado à impugnação de decisões
judiciais que possam importar em inversão tumultuária do
processo, sempre que não houver recurso específico previsto
em lei.
Pode ser interposto em caso de erro (equívoco na apreciação
da lei ou do fato) ou abuso (excesso ou prática consciente de
ilegalidade) do juiz.

Recurso especial e recurso extraordinário


As hipóteses de cabimento estão no art. 102, inc. III, da CF.
É necessário comprovar a repercussão geral para interposição
do recurso extraordinário.
Para fins do art. 105, inc. III, alínea “a”, da CF, não é cabível
recurso especial fundado em alegada violação de enunciado
de súmula (Súmula 518 do STJ).
Para interposição de ambos os recursos é necessários os
seguintes requisitos: prequestionamento, esgotamento das
vias recursais e não pode se prestar à revisão de matéria
fática.
A petição de interposição deve ser acompanhada das razões e
é dirigida a presidente/vice-presidente do tribunal a quo, mas
as razões são endereçadas ao STF/STJ.
Não possuem efeito suspensivo.
De acordo com o STF, o sobrestamento de ações penais
determinadas por relator susta o curso da prescrição da
pretensão punitiva dos crimes objeto dos processos
suspensos, perdurando até o julgamento definitivo do recurso
extraordinário paradigma pelo STF.

Revisão criminal.
Revisão criminal é uma ação autônoma de impugnação de
natureza constitutiva de competência originária dos tribunais
que tem como objetivo a revisão de sentença condenatória ou
absolutória imprópria com trânsito em julgado nas hipóteses
de erro judiciário.
A ausência de trânsito em julgado afasta o interesse de agir
na revisão criminal.
A falta de sentença condenatória ou absolutória imprópria
afasta a possibilidade jurídica do pedido.
O fato do réu não ter interposto algum recurso contra
sentença antes do seu trânsito em julgado não impede o uso
da revisão criminal após o trânsito em julgado.
A revisão criminal tem fundamento constitucional no inc.
LXXV do art. 5º da CF.
Ministério Público pode interpor revisão criminal em favor do
acusado.
Cabe revisão criminal após o cumprimento da pena.
Não cabe revisão criminal para modificar o fundamento de
sentença absolutória própria.
Em caso de revisão criminal baseada no inc. I do art. 621 do
CPP é preciso violação frontal e trazer fato novo, ou seja, não
é possível simples reanálise dos mesmos fatos do processo.
Se a matéria impugnada na revisão tiver interpretação
controvertida nos tribunais não cabe revisão criminal
(Súmula 343 do STF).
O próprio acusado por interpor revisão criminal, não sendo
obrigatório o uso de advogado. Nesses casos é possível a
nomeação de defensor.
A competência para julgar revisão criminal é originária dos
tribunais. Cada tribunal julga a revisão criminal de seus
próprios julgados.
No caso dos juizados especiais a competência é da turma
recursal.
Se o objeto de impugnação pela revisão criminal foi analisado
pelo STF no âmbito de um recurso extraordinário a
competência para revisão criminal é do Supremo Tribunal
Federal.
Não se aplica o princípio do in dubio pro reo na revisão
criminal, de forma que cabe ao autor da revisão criminal
provar os fatos arguidos. Caso ele não consiga fazer isso,
sentença condenatória/absolutória imprópria deve ser
mantida.
Revisão criminal não tem efeito suspensivo, mas é possível
efeito suspensivo em decisões teratológicas.
Contra decisão proferida no âmbito de uma revisão criminal
cabem embargos de declaração, recurso especial e recurso
extraordinário.
É possível reconhecer o direito a justa indenização no âmbito
da revisão criminal. O interessado deve pedir.

Habeas Corpus
Não é um recurso, mas uma ação autônoma de impugnação,
que tutela a liberdade de locomoção.
Tem previsão constitucional no inc. LXVIII do art. 5º da CF.
O interesse de agir para impetrar habeas corpus ocorre
quando há violência ou coação decorrente de ilegalidade ou
abuso de poder.
Deve-se impugnar atos concretos.
Não se admite habeas corpus para impugnar ato normativo
em tese.
Segundo a jurisprudência, não é cabível habeas corpus: 1)
contra decisão condenatória de pena de multa ou outra pena
pecuniária (Súmula 693 do STF); 2) quando já extinta a pena
privativa de liberdade (Súmula 695 do STF); 3) contra
exclusiva de militar, perda de patente ou de função pública
(Súmula 694 do STF); 4) não cabe habeas corpus com pedido
de reabilitação; 5) apreensão de veículos; 6) preservação da
relação de confidencialidade entre advogado e cliente; 7)
extração gratuita de cópias; 8) custas processuais (Súmula
395 do STF); 9) garantir visita a detento; 10) pretensão
contrária aos direitos do acusado; 11) atacar reparação civil
fixada em sentença.
Não cabe habeas corpus em relação a punições disciplinares
militares (art. 142, §2º, CF), mas o STF admite o HC para
discutir a legalidade da punição disciplinar.
Habeas Corpus não pode ser substitutivo recursal, mas o STF
e o STJ entendem que é possível em caso de flagrante
ilegalidade no ato judicial impugnado.
Qualquer pessoa pode impetrar (tem capacidade postulatória)
habeas corpus, sem necessidade de advogado, inclusive
estrangeiros e pessoas jurídicas.
O Ministério Público pode impetrar habeas corpus em
favor do réu.
Delegado de Polícia e Juiz não podem impetrar habeas
corpus no exercício da função, mas o Juiz, caso constate
a ilegalidade, conceder habeas corpus de ofício.
A autoridade coatora é quem determinou ou está em vias de
determinar a ilegal ou abusiva restrição à liberdade de
locomoção.
O Ministério Público pode ser autoridade coatora quando o
Parquet solicita a instauração de inquérito indevido.
É possível habeas corpus contra ato praticado por particular.
Habeas Corpus pode ser preventivo (contra ameaça concreta
e há emissão de salvo-conduto) ou liberatório.
Habeas Corpus profilático é aquele impetrado para suspender
atos processuais ou impugnar medidas que possam importar
em prisão futura. O ato impugnado tem aparência de
legalidade, mas está intrinsicamente contaminado por
ilegalidade anterior.
Habeas Corpus trancativo é aquele impetrar para trancar
inquérito ou ação penal.
Esse habeas corpus somente pode ser impetrado nas
seguintes situações: 1) manifesta atipicidade formal ou
material da conduta delituosa; 2) presença de causa
extintiva da punibilidade; 3) instauração de inquérito em
crime de ação penal privada ou pública condiciona à
representação sem requerimento da vítima ou
representante legal; 4) ausência de pressupostos
processuais ou de condições da ação.
É possível medida liminar em habeas corpus.
É possível a aplicação extensiva do habeas corpus, aplicando-
se no HC o art. 580 do CPP.
Da decisão que conceder ou denegar HC cabe RESE (art. 581,
inc. X, CPP).
Se houver concessão em primeira instância o HC deve ser
remetido a instância superior para reexame necessário.
De HC denegado ou não conhecido por tribunal superior cabe
recurso ordinário para o STF.
Da decisão do HC é possível impetrar recurso especial ou
recurso extraordinário, se preenchidos os requisitos legais.
É possível impetrar novo HC contra decisão que denegou
outro HC se houver fato novo.

Mandado de segurança
O mandado de segurança é uma ação autônoma de
impugnação subsidiária, pois aplicável somente quando não é
cabível habeas corpus ou habeas data.
Protege direito líquido e certo, ou seja, que é claro e pode ser
documentalmente comprovado.
Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão
de mandado de segurança (Súmula 625 do STF).
O prazo para interposição é de 120 dias contados da ciência
do ato impugnado. Esse prazo é decadencial (Súmula 632 do
STF).
Há três correntes doutrinárias que discutem qual é o polo
passivo do mandado de segurança: Corrente 01: está no polo
passivo a autoridade responsável pelo ato impugnado ou o
ente administrativo; Corrente 02: está no polo passivo a
pessoa jurídica a que a autoridade coatora é vinculada;
Corrente 03: está no polo passivo a autoridade coatora e o
ente administrativo.
É obrigatória a citação do réu em mandado de segurança
impetrado pelo MP contra decisão proferida em processo
penal (Súmula 701 do STF).
É possível impetrar mandado de segurança por justo receito
de sofrer uma ilegalidade ou abuso de poder, contudo, o risco
não pode ser hipotético.
Não cabe mandado de segurança contra lei em tese (Súmula
266 do STF).
Mandado de segurança não se presta para atribuir efeito
suspensivo a recurso interposto pelo Ministério Público
(Súmula 602 do STJ).
É possível impetrar mandado de segurança em casa de
flagrante ilegalidade ou decisão teratológica.
Denegado o mandado de segurança pela sentença ou no
julgamento do agravo interposto, fica sem efeito a liminar
concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária
(Súmula 405 do STF).
Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere
medida liminar (Súmula 735 do STF).
Da sentença que concede ou denega mandado de segurança
cabe apelação.
Na sentença que concede mandado de segurança deve haver
reexame necessário.
Do indeferimento da inicial pelo juiz cabe apelação.
Do indeferimento da inicial pelo relator cabe agravo.
Da decisão que concede ou denega mandado de segurança
em única instância pelos tribunais cabe recurso especial e
recurso extraordinário. Quando a ordem é denegada é
cabível, também, recurso ordinário.
A autoridade coatora tem o direito de recorrer (art. 14, §2º,
Lei 12.016/09).

Execução penal (Lei 7.210/84)


Os objetivos da Lei 7.210/84 são a pena privativa de
liberdade, a pena restritiva de direitos e a medida de
segurança, bem como a prisão cautelar (preventiva ou
temporária).
As disposições da Lei 7.210/84 não se aplicam a medidas
socioeducativas.
Em decorrência da Súmula Vinculante 35, as disposições da
Lei 7.210/84 não se aplicam à transação penal.
As disposições da Lei 7.210/84 se aplicam à execução
provisória, ou seja, aquela que acontece antes do trânsito em
julgado da sentença condenatória.
É o Juiz da Execução Penal quem decide pedidos
relacionados ao cumprimento provisório da pena.
Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena
ou aplicação imediata de regime menos severo nela
determinada antes do trânsito em julgado da sentença
condenatória (Súmula 716 do STF).
Não impede a progressão de regime de execução da pena,
fixada em sentença não transitada em julgado, o fato de o réu
se encontrar em prisão especial (Súmula 717 do STF).
A doutrina defende que a pena tem as seguintes finalidades:
retributiva (punição), preventiva (pena previne a prática de
outros crimes) e educativa (ressocialização).
É possível ver as finalidades da pena nas seguintes situações:
Pena em abstrato: prevenção geral negativa e prevenção
geral positiva.
Pena em concreto: prevenção especial e retribuição.
Na execução: prevenção especial, retribuição e
ressocialização.
Princípios da execução penal:
Princípios da Legalidade e da Jurisdicionalidade (arts. 2º
e 3º da Lei 7.210/84): Não é possível restringir mais
direitos do que os atingidos pela sentença ou pela lei. A
jurisdição penal é exercida pelo Poder Judiciário.
Princípios da personalização da pena e da
individualização da pena: a personalização e
individualização da pena é feita pelo legislador, no
momento de definir crimes e suas penas, pela sentença,
no momento em que o juiz analisa o mérito de um caso
e decide a pena a ser aplicada no caso concreto, e na
execução penal.
O exame de classificação serve para orientar a
individualização da pena e sua realização é
regulamentada nos arts. 5º a 7º da LEP. O exame
de classificação não pode ser confundido com
exame criminológico, pois este último é feito para
avaliar se o reeducando pode ter acesso a
determinado benefício, enquanto o primeiro é feito
para orientar a administração penitenciária para o
cumprimento da pena dentro do estabelecimento
penal.
O conteúdo do art. 8º da LEP não implica na
obrigatoriedade do exame criminológico (Súmula
439 do STJ), seja no regime fechado seja no regime
semiaberto. A realização do exame criminológico
deve ser motivada, sendo importante salientar que
a gravidade em abstrato do crime não justifica, por
si só, a realização do exame.
Princípio da igualdade (art. 3º, parágrafo único, LEP): É
possível a adoção de critérios etários e sexuais para
individualização da pena, pois não se considera que isso
fere o princípio da igualdade.
Princípio da humanidade das penas (art. 5º, incs. III e
XLVII, CF): vedação de penas desumanas e degradantes.
São partes no processo da execução penal: o Estado
(exequente) e a pessoa que cumpre pena (executado), que
pode ser um preso (definitivo ou provisório) ou uma pessoa
sujeita a medida de segurança.
O STF entende que é possível executar provisoriamente a
pena restritiva de direitos. O STJ, contudo, não segue o
mesmo entendimento.
O Juízo competente paro processo de execução é o do local do
estabelecimento em que o executado está preso. Em caso de
pena restritiva de direitos ou sursis a competência é fixada
pelo domicílio.
Ainda que condenado pela Justiça Federal, Militar ou
Eleitoral, a competência é do Juízo Estadual se o condenado
estiver recolhido em estabelecimento sujeito a administração
estadual.
A pena de multa, se não cumprida, é executada pela Fazenda
Pública (Súmula 521 do STJ).
Preso provisório tem direito ao voto, mas o preso que tem
condenação criminal transitada em julgado não pode (art. 15,
inc. III, CF).
O STJ entende, com fundamento no art. 50, inc. VI, e no art.
39, inc. V, ambos da LEP, que a utilização de tornozeleira
eletrônica sem bateria configura falta grave.
O STJ entende que a posse de componentes essenciais de
aparelho celular também configura a falta grave prevista no
inc. VII do art. 50 da LEP.
A prática de uma falta grave possui consequências de dois
tipos: que repercutem na pena a ser cumprida e que dizem
respeito a sanções disciplinares.
A falta grave deve ser apurada em procedimento
administrativo disciplinar (art. 59 da LEP) e é obrigatória a
defesa técnica (Súmula 533 do STJ).
É possível a regressão cautelar de regime, sem necessidade
de prévia instauração ou conclusão do procedimento
administrativo disciplinar ou oitiva do sentenciado para esta
finalidade.
STJ entende que o prazo prescricional para aplicação de
sanção disciplinar é o menor prazo disposto no art. 109 do
Código Penal.
O reconhecimento de falta grave pela prática de crime doloso
prescinde de sentença penal condenatória transitada em
julgado (Súmula 526 do STJ).
A permanência do preso provisório no RDD é limitado ao
máximo de 1/6 da pena aplicada. No caso de preso
provisório, o limite máximo é medido pela pena máxima em
abstrato.
Apesar de não constar no §1º do art. 54 da LEP, o Ministério
Público pode requerer inclusão de preso em regime
disciplinar diferenciado em decorrência do que dispõe a
alínea “a” do inc. II do art. 68 da LEP.
Há séria discussão sobre a constitucionalidade do regime
disciplinar diferenciado (RDD), mas STJ e STF consideram-no
constitucional.
São consequências falta grave: 1) interrompe o prazo para a
progressão de regime (Súmula 534 STJ); 2) regressão de
regime; 3) revogação das saídas temporárias; 4) revoga até
1/3 do tempo remido; 5) possibilidade de sujeitar o
condenado ao RDD; 6) suspensão ou restrição de direitos; 7)
Possibilidade de isolamento na própria cela ou em local
adequado; 8) Possibilidade de converter a pena restritiva de
direitos em privativa de liberdade.
A prática de falta grave não interrompe o prazo para obtenção
de livramento condicional (Súmula 441-STJ) e não interfere
no tempo necessário à concessão de indulto e comutação da
pena, salvo se o requisito for expressamente previsto no
decreto presidencial (Súmula 535 STJ).
Quando o crime prevê pena de reclusão, ela pode ser
cumprida inicialmente nos regimes fechado, semiaberto e
aberto. Já quando o crime é punido com detenção, a pena
pode ser cumprida inicialmente em regime semiaberto ou
aberto.
Condenado a pena de detenção pode regredir para o
regime fechado.
Regime fechado: pena cumprida em uma penitenciária.
Regime semiaberto: pena cumprida em uma colônia agrícola
ou industrial.
Regime aberto: pena cumprida em uma casa do albergado.
Progressão de regime ocorre quando o reeducando é
transferido para um regime menos rigoroso (art. 112 da LEP).
Para progressão de regime, livramento condicional, indulto e
comutação é necessária prévia manifestação do Ministério
Público e do defensor (art. 112, §§1º e 2º, LEP).
A progressão de regime ocorre com 1/6 da pena.
A partir da Lei 11.464/07 (efeitos a partir de
29/03/2007) se a condenação é por crime hediondo a
progressão ocorre com 2/5 se o condenado é primário
ou com 3/5 se o condenado é reincidente.
Antes da Lei 11.464/07 aplica-se 1/6 para todas os
condenados por todos os crimes, sem distinção com
relação a crime hediondo.
A partir da Lei 13.964/19 (efeitos a partir de
23/01/2020) houve várias mudanças no requisito
objetivo para a progressão de regime, que passou a ser
regulamentada integralmente pelo art. 112 da LEP.
Mulher gestante ou mãe/responsável por crianças ou
pessoas com deficiência tem requisitos diferenciados
para progressão (art. 112, §3º, CPP). Deve-se preencher
todos os requisitos legais, de forma cumulativa, para
que a mulher sem enquadrada nas regras especiais de
progressão de regime.
O condenado por crime contra a administração pública terá a
progressão de regime do cumprimento da pena condicionada
à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto
do ilícito praticado, com os acréscimos legais (art. 33, §4º,
CP). STF já confirmou a constitucionalidade deste dispositivo.
Para progressão para o regime aberto, além do lapso temporal
e do bom comportamento, o reeducando deve aceitar o
programa e as condições impostas pelo juiz, estar
trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo e
apresentar indícios de que irá cumprir as regras do regime
com disciplina e responsabilidade (arts. 113 e 114 da LEP).
Há rol de pessoas que são dispensadas do trabalho para
progressão ao regime aberto (art. 114, parágrafo único,
LEP).
O bom comportamento para progressão de regime deve ser
atestado pelo diretor do estabelecimento penal.
Para a progressão ao regime aberto, se exclui da conta o
lapso temporal utilizado para progredir do fechado para o
semiaberto.
É possível a progressão de regime de preso provisório
(Súmula 716 do STF).
Em caso de pena acima do limite de 30 anos é o total da pena
que é utilizado para contabilizar o requisito objetivo para
progressão de regime (Súmula 715 do STF).
A Lei 13.964/19 (pacote anticrime) aumentou o limite
para 40 anos.
A prática de falta greve interrompe a contagem do prazo para
a progressão de regime de cumprimento de pena (Súmula
534 do STJ).
Não é permitida a progressão em saltos (Súmula 491 do STJ).
STF entende que a inadimplemento deliberado da pena de
multa impede a progressão de regime. A exceção é se houve
comprovação da absoluta impossibilidade econômica do
condenado em pagar o valor, ainda que parceladamente.
O marco inicial para contar o lapso temporal para progressão
ao regime aberto é a data em que atingiu o direito para
progredir ao semiaberto e não a data da decisão, caso haja
atraso estatal.
A prisão cautelar também deve ser considera para aferir o
lapso temporal necessário para a progressão de regime.
Em regra, a prisão domiciliar é permitida àqueles que estão
em regime aberto, desde que preenchidas uma das hipóteses
legais (art. 117 da LEP), com possibilidade de monitoração
eletrônica (art. 146-B da LEP).
A falta de estabelecimento adequado não autoriza a
manutenção do condenado em regime mais gravoso (Súmula
Vinculante 56).
No caso da Súmula Vinculante 56, o STF aceita que
presos em regime semiaberto e em regime aberto fiquem
em estabelecimentos que não se qualifiquem como
colônia agrícola/industrial ou casa do albergado.
Contudo, o STF veda, nessa hipótese, que exista
alojamento conjunto de presos dos regimes semiaberto e
aberto com àqueles do regime fechado.
Em caso de ausência de vagas, ainda seguindo a
Súmula Vinculante 56, deve-se avaliar as seguintes
possibilidades: 1) a saída antecipada de sentenciado no
regime com falta de vagas; 2) liberdade eletronicamente
monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou
é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; 3)
cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo
ao sentenciado que progride ao regime aberto, até que
sejam estruturadas as medidas alternativas propostas,
podendo ser deferida a prisão domiciliar ao sentenciado.
A regressão de regime é regulamentada pelo art. 118 da LEP.
Para o reconhecimento de falta disciplinar é necessário
procedimento administrativo com defesa técnica
(Súmula 533 do STJ).
O reconhecimento de falta grave por cometimento de
fato definido como crime doloso prescinde do trânsito
em julgado de sentença penal condenatória (Súmula 526
do STJ).
É possível a regressão cautelar.
O direito à saída temporária é concedido apenas àqueles que
estão cumprindo pena em regime semiaberto.
É possível monitoração eletrônica na saída temporária
(art. 122, §1º, LEP).
Para obtenção do benefício da saída temporária e
trabalho externo deve-se considerar o tempo de
cumprimento da pena no regime fechado (Súmula 40 do
STJ).
O benefício da saída temporária é ato jurisdicional
insuscetível de delegação (Súmula 520 do STJ), mas o
STF e o STJ consideram válido que o juiz estabeleça um
calendário anual de saídas temporárias.
Respeitado o limite anual de 35 dias (art. 124 da LEP) é
cabível concessão maior de número de autorizações de
curta duração.
A permissão de saída pode ser concedida a condenados em
regime fechado ou semiaberto e aos presos provisórios nas
hipóteses do art. 120 da LEP.
Essa permissão é dada pelo diretor do estabelecimento
penal (art. 120, parágrafo único, LEP) e não pelo juiz,
como na saída temporária.
A remição pelo trabalho é aplicável àqueles que estão regime
fechado ou semiaberto (art. 126, caput, LEP). Já a remição
por estudo é aplicável àqueles que estão em regime fechado,
semiaberto, aberto ou livramento condicional (art. 126, §6º,
LEP).
A jornada normal de trabalho é de no mínimo 06 horas e
no máximo 08 horas (art. 33 da LEP), contudo, tribunais
superiores aceitam a remição se o diretor do
estabelecimento penal estabelecer jornada de trabalho
menor.
Remição ficta: preso impossibilidade por
trabalhar/estudar por acidente continua se beneficiando
da remição (art. 126, §4º, LEP).
Preso cautelar também tem direito a remição (art. 126,
§7º, LEP).
É admitida a remição por trabalho externo (Súmula 562
do STJ).
STJ aceita a remição por leitura e há recomendação do
CNJ (Recomendação nº 44) que estabelece critérios
objetivos para aferir essa possibilidade.
É possível a perda do período remido em caso de falta
grave (art. 127 da LEP), sem a limitação de 30 dias
(Súmula Vinculante 09).
O STF entende que a perda prevista no art. 127 da LEP se
aplica apenas à remição, não sendo possível estende-la para
outros benefícios da execução penal.
A Lei 13.964/19 (pacote anticrime) manteve os requisitos
para o livramento condicional, mas revogou sua possibilidade
em várias situações.
Falta grave não interrompe o prazo para obtenção do
livramento condicional (Súmula 441 do STJ).
Se houver várias penas, elas devem ser somadas para
efeito do livramento condicional (art. 84 do CPP).
O período de prova começa na audiência admonitória
(art. 137 da LEP) e dura até o fim da pena.
É possível prorrogar o período de prova (art. 89 da LEP).

Atos judiciais
O Código de Processo Penal não regulamenta e diferencia os
tipos de atos judiciais, mas o Código de Processo Civil o faz.
Existem 03 tipos de atos judiciais: despachos, decisões
interlocutórias (simples ou mistas) e sentenças.
Despachos judiciais ou despachos de mero expediente são
atos judiciais que não possuem conteúdo decisório e que
movimenta o procedimento judicial.
O Juiz pode delegar a prática de procedimentos que
seriam determinados por despachos de mero expediente.
Decisões interlocutórias simples: resolvem questões
processuais controvertidas no curso do processo, mas sem
acarretar sua extinção.
Decisões interlocutórias mistas: resolvem uma controvérsia e
colocam fim ao processo (terminativa) ou a uma fase dele (não
terminativa) sem enfrentar a pretensão punitiva estatal
(mérito).
Sentença é o ato judicial que põe fim ao processo,
condenando ou absolvendo o acusado.
Existe uma discussão doutrinária com relação à natureza da
decisão que rejeita a denúncia. Há quem acredite que é uma
decisão interlocutória mista terminativa, pois coloca fim ao
processo sem analisar o mérito. Há quem acredite que é uma
sentença, pois ela coloca fim ao processo.
Existe uma classificação que utiliza a palavra “decisão”, mas,
na verdade, é uma classificação de espécies de sentenças:
1) Decisões subjetivamente simples: são aquelas
proferidas pelo juiz singular ou pelo relator em decisões
monocráticas.
2) Decisões subjetivamente plúrimas: são aquelas
tomadas por magistrados da mesma hierarquia e
natureza (colegiado homogêneo).
3) Decisões subjetivamente complexas: são aquelas
tomadas por juízes que não tem a mesma natureza,
como no júri, em que existem os jurados e o juiz
presidente (colegiado heterogêneo).
Existe outra classificação, importada da doutrina italiana, e
que tem sido usada no Brasil:
1) Decisão suicida: é a aquela que contém contradição
entre a fundamentação e o dispositivo.
2) Decisão vazia: é aquela destituída de fundamentação.
3) Decisão autofágica: é aquela que reconhece a
imputação, mas extingue a punibilidade, como no
perdão judicial.
Existe outra classificação, chamada de classificação quinaria,
que é baseada na existência de uma teoria geral do processo,
pois ela é também utilizada no direito processual civil:
1) Declaratórias: o juiz apenas declara uma situação que
já existia, como na sentença que absolve ou julga extinta
a punibilidade do acusado.
2) Condenatórias: julga procedente a pretensão punitiva
estatal e aplicam a pena.
3) Constitutivas: constituem uma nova situação jurídica,
como, por exemplo, a decisão que tranca a ação penal.
4) Mandamentais: contém uma ordem judicial a ser
imediatamente cumprida, sob pena de desobediência.
5) Executivas: trazem em seu bojo uma eficácia
executiva da decisão (Ex: sequestro).
Existe uma discussão jurisprudencial sobre se a decisão que
concede o perdão judicial é declaratória ou condenatória. A
Súmula 18 do STJ aponta que tem natureza declaratória,
mas o STF entende que ela é condenatória, pois serve de
título executivo judicial.

Sentença
Princípio da identidade física do juiz (art. 399, §2º, do CPP): o
juiz que preside a instrução deve prolatar a sentença.
Este princípio não foi adotado pelo atual Código de
Processo Civil, sendo aplicável apenas pelo Código de
Processo Penal (art. 399, §2º, do CPP).
De acordo com o Código de Processo Penal (art. 381) a
sentença possui os seguintes requisitos: relatório,
fundamentação, dispositivo e autenticação.
Relatório: identificação das partes e exposição sucinta
da acusação e da defesa.
Fundamentação: fatos e fundamentos jurídicos, com a
indicação dos artigos de lei aplicados.
Dispositivo: comando judicial em que se julga
procedente ou improcedente a pretensão punitiva
estatal.
Autenticação: data e assinatura o juiz.
A sentença absolutória é aquela que julga improcedente a
pretensão punitiva estatal e pode ser classificada em:
Própria: absolve totalmente o réu.
Imprópria: é aquela que absolve e aplica medida de
segurança.
Absolvição sumária própria: é aquela proferida após a
resposta à acusação e que absolve o réu.
Absolvição sumária imprópria: é aquela proferida após a
resposta à acusação e que absolve o réu e aplica medida
de segurança. É cabível apenas no procedimento do júri,
desde que seja a única tese defensiva.
Absolutória anômala: é aquela que condena o réu e
aplica o perdão judicial.
As hipóteses em que o juiz deve absolver o réu estão previstas
no art. 386 do Código de Processo Penal.
Efeitos da sentença absolutória: coloca o réu em liberdade
(art. 386, parágrafo único, inc. I, CPP), restitui a fiança (art.
337 do CPP), levanta o sequestro (art. 131, inc. III, CPP),
levanta o arresto ou cancela a hipoteca (art. 141 do CPP),
retira a identificação fotográfico do processo (art. 7º da Lei
12.037/09) e veda a proposição de nova ação para discutir o
mesmo fato (no double jeopardy clause).
A sentença condenatória é aquela que julga procedente ou
parcialmente procedente a pretensão punitiva e impõe uma
pena. Deve obedecer ao art. 387 do CPP.
A dosimetria da pena é feita após o dispositivo. Há
doutrinadores que entendem que a dosimetria faz parte do
dispositivo.
Há diferença de aplicação do princípio da correlação no
direito processual civil e no direito processual penal. No
processo civil a sentença deve ser balizada pelo pedido, já no
direito processual penal a sentença é balizada pelo fato.
Emendatio libelli (art. 383 do CPP): há erro na denúncia ou
queixa com relação a capitulação jurídica, mas não há erro
no fato.
Existem 03 espécies de emendatio libelli: por defeito de
capitulação, por interpretação diferente e por supressão
de elementar ou circunstância.
O STJ entende que o momento adequado para a
emendatio libelli é na hora de prolatar a sentença, pois o
juiz não pode substituir o Ministério Público. Contudo,
há jurisprudência que admite sua realização no
momento de receber a denúncia, caso o Juiz verifique
que erro na capitulação jurídica implique em alteração
da competência, supressão de algum benefício ou
inadequado procedimento.
Mutatio libelli (art. 384 do CPP): durante a instrução
descobre-se um fato novo que muda o conteúdo da denúncia
ou queixa.
O art. 384 do CPP não se aplica a segunda instância
(Súmula 453 do STF). A súmula não veda a aplicação da
emendatio libelli.
Para fixação do valor mínimo de indenização na sentença
condenatória (art. 387, inc. IV, CPP) é necessário pedido
expresso na denúncia e que isso seja objeto da instrução
processual.
Há jurisprudência do STJ que admite a fixação de valor
mínimo indenizatório a título de dano moral em caso de
violência contra a mulher praticado no âmbito
doméstico e familiar se houver pedido expresso, mas
sem necessidade de instrução probatória.
Nos crimes de ação pública o juiz não é vinculado ao pedido
do ministério público (art. 385 do CPP).
Há doutrina que critica esse dispositivo e argumenta
que ele é um resquício do sistema inquisitório.
O tempo de prisão é computado para determinação do regime
inicial do cumprimento de pena (art. 387, §2º, CPP).

Nulidades: considerações iniciais.


Há diferença entre nulidades no direito material e nulidades
no direito processual:
1) direito material: O Código Penal não regulamenta as
nulidades no direito material e, por isso, as
características são apresentadas com base no Código
Civil. Prescindem de declaração para reconhecimento
(art. 166, incs. I a VII, CC) por serem matérias de ordem
pública e podem ser arguidas por qualquer interessado
(art. 168, caput e parágrafo único, CC), bem como são
insuscetíveis de confirmação e não convalescem pelo
decurso do tempo (art. 169 do CC).
2) direito processual: a arguição é imprescindível para o
reconhecimento, devem haver demonstração de efetivo
prejuízo, somente o interessado que não tenda dado
causa à nulidade pode argui-la, são passíveis de
confirmação e se convalidam com o decurso do tempo.
Existem duas linhas doutrinárias principais que definem a
natureza jurídica da nulidade processual:
1) a nulidade é uma forma de vício ou defeito, portanto,
é considerada uma falha, uma imperfeição que pode
tornar ineficaz o processo, no todo ou em parte;
2) nulidade é uma sanção que, no processo, o ato
processual é considerado para si e para todos os efeitos
como não realizado.
A ideia majoritariamente adotada é a soma das duas linhas
de raciocínio anteriormente expostas, ou seja, a nulidade tem
um duplo significado: 1) faculdade processual imposta a
parte para indicar e provar o motivo que torna o ato
imperfeito; 2) por se tratar de uma faculdade processual,
surge a consequência derivada da imperfeição jurídica do ato
ou sua inviabilidade.
Magalhães Noronha entende que a nulidade é um
pressuposto de validade da relação processual. Já Afrânio
Jardim entende que é uma condição para o regular
desenvolvimento do processo.
Como o CPP não tem classificação dos elementos dos atos
processuais, usa-se, por analogia, os requisitos de validade
do negócio jurídico do art. 104 do Código Civil.
O STJ entende que, em regra, nulidades concretizadas
durante as investigações preliminares não tem o condão de
contaminar o processo.
Uma exceção é com relação às provas irrepetíveis.

Nulidades: princípios
Devido processo legal (art. 5º, inc. LIV, CF):
Contraditório e ampla defesa (art. 5º, inc. LV, CF):
Juiz natural (art. 5º, inc. LIII, CF):
Vedação da prova ilícita (art. 5º, inc. LVI, CF):
Razoável duração do processo (art. 5º, inc. LXXVIII, CF):
Convalidação dos atos irregulares:
Instrumentalidade das formas (art. 566 do CPP): o importante
é a finalidade que se busca na prática do ato, ainda que o
meio utilizada não tenha sido o previsto em lei.
Causalidade (art. 565 do CPP):
Proporcionalidade e razoabilidade:

Nulidades: o Código de Processo Penal


STF e STJ, seguindo o art. 563 do CPP, entende que não é
possível a declaração de nulidade se não houver prejuízo
efetivo para a acusação ou para a defesa (pas nullité sans
grief). Não é possível, em regra, declarar nulidade por
presunção.
As nulidades são passíveis de confirmação e podem se
convalidar com o decurso do tempo.
O art. 563 do CPP é materialização da garantia da razoável
duração do processo.
A arguição da nulidade deve ser feita no momento adequado
(opportuno tempore), sob pena de convalidação do ato.
No reconhecimento da incompetência do juiz (inc. I do art.
564 do CPP), somente os atos decisórios são anulados.
Quando há declaração de nulidade e a competência é
relativa, o STJ entende que os autos devem ser
encaminhados para o juiz competente e este deve
ratificar os atos decisões já proferidos para que eles se
revistam de legalidade.
A incompetência absoluta é matéria de ordem pública e,
por isso, pode ser conhecida de ofício pelo juiz e alegada
pelas partes a qualquer momento do curso processual.
Não há preclusão.
A incompetência relativa pode ser conhecida de ofício
pelo juiz, mas se as partes não levantarem a questão na
primeira oportunidade ocorre a preclusão e a
competência de prorroga.
STJ entende que a incompetência relativa deve ser
arguida no momento adequado: a exceção de
incompetência.
Com relação a nulidade prevista na alínea “a” do inc. III do
art. 564 do CPP, é importante destacar que o STJ entende
que nos crimes societários não se exige a descrição minuciosa
acerca da contribuição de cada acusado para o crime
imputado, contudo, é necessário a individualização da
conduta de forma a demonstrar que os acusados
concorreram para o fato delituoso, de modo a estabelecer um
vínculo mínimo entre os réus e o crime. Não é possível basear
a imputação exclusivamente no fato de os acusados serem
representantes legais da empresa.
O STF entende que a inépcia da denúncia preclui se
arguida após a sentença condenatória, exceto se a
sentença é proferida na pendência de habeas corpus
contra o recebimento da denúncia por inépcia.
Com relação a nulidade prevista na alínea “a” do inc. III do
art. 564 do CPP, o STJ entende que é válida a procuração
com poderes especiais outorgada especificamente para propor
queixa-crime que contenha apenas a indicação do dispositivo
penal, sendo desnecessária a narrativa minuciosa da conduta
delitiva.
Com relação a nulidade prevista na alínea “a” do inc. III do
art. 564 do CPP, o STJ entende que a representação não exige
grandes formalidades, basta a manifestação de vontade
inequívoca da vítima na persecução penal.
Com relação a nulidade prevista na alínea “c” do inc. III do
art. 564 do CPP, a ausência de defensor sempre causa
nulidade (art. 261 do CPP).
STJ entende que em caso destituição de um defensor, a
nomeação de outro sem intimação do réu para constituir
advogado de sua confiança não causa, por si só, uma
nulidade, devendo-se analisar se houve algum prejuízo à
defesa do réu na atuação do advogado nomeado.
É possível reconhecer uma nulidade por meio da revisão
criminal (art. 626 do CPP).

Jurisdição: considerações iniciais


A jurisdição é função típica do Poder Judiciário, mas os
outros poderes podem exercer esta função de forma atípica
(Ex: processo de impeachment).
A jurisdição deriva de preceitos como a heterotutela e a
natureza cogente das normas estatais e a função de diretor o
direito no caso concreto.
A jurisdição se materializa pelos seguintes princípios:
substitutividade, imperatividade e definitividade.
1) substitutividade: o Estado-juiz, por meio da
heterotutela, substitui a vontade das partes para
solucionar o conflito.
2) imperatividade: a decisão do Estado-juiz é, em
decorrência da soberania, de observância obrigatória.
3) definitividade: para garantir segurança jurídica, há
um momento em que a decisão do Estado-juiz ganha
caráter de definitividade (imutabilidade).
No direito processual penal brasileiro, a exceção ao princípio
da definitividade é a revisão criminal (art. 621 do CPP).
Conceito de jurisdição (Fredie Didier Junior): É a função
atribuída a terceiro imparcial de realizar de modo imperativo
e criativo, reconhecendo, efetivando, protegendo situações
jurídicas concretamente deduzidas, em decisão insuscetível
de controle externo e com aptidão para tornar-se indiscutível.

Jurisdição: princípios
Princípio da Investidura: Somente quem foi legitimamente
investido nela pode exercer a jurisdição. Ato praticado por
quem não é legitimamente investido é inexistente.
Princípio da Indelegabilidade: Em regra, a jurisdição não pode
ser objeto de delegação a outro órgão, mesmo que seja
jurisdicional.
As cartas de ordem, cartas precatórias e cartas
rogatórias são exceções ao princípio da indelegabilidade.
Há minoria na doutrina que defende que apenas cartas
de ordem são uma exceção ao princípio da
indelegabilidade.
O princípio da indelegabilidade não se confunde com a
possibilidade do exercício atípico da função jurisdicional
pelos outros poderes da república.
Princípio do juiz natural (art. 5º, inc. LIII, CF): Somente a
autoridade competente pode processar e julgar uma pessoa.
Esse princípio é requisito de validade do processo.
É imprescindível que a competência seja trata na
constituição ou em lei infraconstitucional.
Esse princípio veda a possibilidade de designação
arbitrária de juízes para condução de processo em
tramitação.
A substituição de juízes deve obedecer a critérios
previamente determinados, sob pena de afronta ao
princípio do juiz natural.
Esse princípio veda a alteração de competência que não
seja em razão de supressão de órgãos ou criação de
órgãos para o fim de dividir tarefas, a fim de conferir
maior funcionalidade à jurisdição.
O princípio da perpetuatio jurisdicionis não é
expressamente previsto no CPP, mas pode ser extraído
de uma interpretação sistemática dos §§2º e 3º do art.
74 e do art. 83 do CPP.
Princípio da Inafastabilidade (art. 5º, inc. XXXV, CF): O Poder
Judiciário deve julgar toda lesão ou ameaça a direito.
Princípio da Inevitabilidade ou irrecusabilidade:
Princípio da Correlação ou relatividade: deve existir
correspondência entre a sentença e o pedido feito na inicial
acusatória.
A emendatio libelli (art. 383 do CPP) e a mutatio libelli
(art. 384 do CPP) são exceções ao princípio da
correlação.
Princípio do devido processo legal:
Jurisdição: características
Inércia: o juiz não pode instaurar a jurisdição de ofício.
Depois de instaurado o processo o juiz passa a ter
diversas atribuições que o autorizam a agir de ofício.
Essas atribuições são fundamentadas no poder geral de
cautela.
Substitutividade: a decisão judicial substitui a vontade das
partes.
Lide:
Atuação do direito:
Imutabilidade: qualidade da decisão judicial de mérito final.
A coisa julgada material deriva da característica da
imutabilidade.

Competência
Competência é a delimitação da parcela do poder
jurisdicional. O constituinte achou correto dividir o exercício
da jurisdição em razão da matéria e dessa divisão surge a
competência.
Existem duas formas de se analisar a competência: a
competência material e a competência funcional.
Competência material Competência funcional
Características da questão Distribuição dos atos
criminal processuais praticados
Ratione materiae (art. 69, Fases do processo
inc. III, CPP): competência
em razão da matéria
Ratione personae (art. 69, Objeto do juízo
inc. VII, CPP): competência
em razão da pessoa
Ratione loci (art. 69, incs. I e Grau de jurisdição
II, CPP): competência em
razão do local

Conflito de competência é diferente de conflito de atribuições.


O conflito de competência acontece entre juízes, já o conflito
de atribuições acontece entre membros do Ministério Público.
STF entende que quem decide conflito de atribuições entre
ministérios públicos é o Procurador-Geral da República.
Na definição da competência pelo lugar do crime, o art. 70 do
CPP adota a teoria da ação para os crimes tentados e a teoria
do resultado para os crimes consumados.
As regras de competência por distribuição (art. 75 do CPP)
são aplicáveis às unidades judiciais dentro de uma mesma
comarca ou circunscrição judiciária.

Competência em razão da matéria (ratione materiae)


A competência em razão da matéria pode ser dividia em
especializada e comum.
A competência especializada se sobrepõe à competência
comum.
A Justiça Comum Estadual é residual, ou seja, ela processa
tudo o que não é processado pela Justiça Comum Federal e
as Justiças Especializadas.
No caso do inc. I do art. 109 da CF, o interessa da União,
entidade autárquica ou empresa pública federal tem que ser
direto (imediato). Se o interesse por indireto (mediato) não é
competência da Justiça Federal.
A competência da Justiça Federal é basicamente disposta no
art. 109 da CF.
Com relação a Justiça Militar, existem a Justiça Militar da
União e as Auditorias Militares. A primeira é competente para
processar e julgar crimes de membros das forças armadas e a
segunda crimes praticados por policiais militares dos estados.
O STF entende que é competência da justiça militar julgar
crime praticado por civil contra militar das forças armadas,
ainda que fora de território da administração militar.

Súmulas e precedentes sobre competência


Quando há conflito de competência entre juiz federal e juiz
estadual investido de jurisdição federal, a competência para
dirigir o conflito é do TRF (Súmula 03 do STJ).
Ainda que praticado em detrimento de bens, serviços ou
interessa da união e suas entidades, a competência para
processar e julgar contravenção penal é da justiça estadual
(Súmula 38 do STJ).
STJ não tem competência para julgar originalmente mandado
de segurança contra ato de um Tribunal ou de seus órgãos
(Súmula 41 do STJ).
Se o militar usar arma de foto da corporação para praticar
crime contra civil, a competência é da Justiça Militar (Súmula
47 do STJ).
Não há conflito de competência se já existe sentença
transitada em julgado proferida por um dos juízes
conflitantes (Súmula 59 do STJ).
Civil que pratica crime contra instituições militares estaduais
é julgado pela justiça estadual comum (Súmula 53 do STJ).
Esse raciocínio não é aplicado à justiça militar da união,
pois quando há interesse das forças armadas a justiça
militar da união pode julgar civis.
Policial militar que promove ou facilitar fuga de preso de
estabelecimento penal é julgado pela justiça comum estadual.
Quando há conexão entre crimes da justiça federal e da
estadual, a competência é da justiça federal, não se aplicando
a regra da alínea “a” do inc. II do art. 78 do CPP (Súmula 122
do STJ).
Compete a justiça comum estadual processar e julgar crime
que envolve um índio, seja ele autor ou vítima (Súmula 140
do STJ).
Quem decide se a União e suas autarquias ou empresas tem
interesse na causa é a justiça federal (Súmula 150 do STJ).
Mandado de segurança contra ato de juizado especial é
julgado pela turma recursal (Súmula 376 do STJ).
O STJ entende que compete ao STJ julgar revisão criminal
quando a questão objeto do pedido tiver sido examinada pela
corte.
STJ entende que a mera previsão de crime em tratado ou
convenção internacional não atrai a competência da justiça
federal, devendo existir, também, potencialidade do crime
para ultrapassar os limites territoriais.
STJ entende que inexiste conflito de competência entre
tribunal de justiça e turma recursal, pois o último é
subordinado ao primeiro porque não e considerado um
tribunal.
STJ entende que nulidade decorrente da inobservância de
competência penal por prevenção é relativa e deve ser alegada
no momento oportuno, sob pena de preclusão.
STJ entende que compete a justiça federal processar e julgar
de forma unificada os crimes conexos de competência federal
e estadual, não se aplicando a regra da alínea “a” do inc. II do
art. 78 do CPP.
STJ entende que para haver julgamento conjunto deve
haver conexão. Se não houve conexão os crimes são
julgados de forma separada, ainda que descobertos num
mesmo contexto fático.
STJ entende que no concurso de infrações de menor potencial
ofensivo, afasta-se a competência do juizado especial se a
soma das penas ultrapassar dois anos.
STJ entende que as atribuições da Polícia Federal não se
confundem com as regras de competência da justiça federal,
ou seja, é possível que uma investigação da PF seja
processada na justiça estadual.

Competência por conexão e continência


Causa de fixação de competência é diferente de causa de
modificação de competência.
Conexão e continência são causas de modificação de
competência, ainda que estejam no art. 69 do CPP.
Conexão (art. 76 do CPP): há pluralidade de crimes e pessoas.
Continência (art. 71 do CPP). Há pluralidade de pessoas, mas
apenas um crime.
O STJ entende que a simples sentença de primeiro grau, sem
trânsito em julgado, já afasta a necessidade de unificação dos
processos, como prevê o art. 82 do CPP.

Competência por prerrogativa de função


STF entende que o foro por prerrogativa de função para
parlamentares aplica-se apenas aos crimes cometidos
durante o exercício do cargo e relacionados às funções
desempenhadas.
O Tribunal do Júri não prevalece sobre o foro por
prerrogativa de função previsto na constituição federal.
Dessa forma, se um parlamentar comete um crime
doloso contra a vida e este crime é cometido durante o
exercício do mandado e relacionado ao desempenho da
função, ele é julgado pelo Tribuna competente, não pelo
Júri.
O Tribunal do Júri prevalece sobre foro por prerrogativa de
função estabelecido exclusivamente por constituição estadual
(Súmula Vinculante 45 e Súmula 721 do STF).
É possível que um corréu que não tenha foro por prerrogativa
tenha seu processo atraído por conexão ou continência com
um réu que o tenha (Súmula 704 do STF).
O Tribunal do Júri é uma exceção a essa regra, pois o
julgamento do corréu sem foro seria separado e julgado
pelo Conselho de Sentença.
O art. 86 do CPP não regulamenta mais a competência do
STF para processos criminais, mas sim os arts. 102 e 105 da
Constituição Federal.

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