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ATIVIDADE CONTEXTUALIZADA

Vimos aqui que o médico realizou o atendimento de forma correta, e após terminado o
procedimento, determinou a manutenção do paciente em Unidade de Tratamento Intensivo
(UTI), sob a vigilância da equipe hospitalar, onde por falta de cuidados e por erro no
equipamento o Sr. José, veio a sofrer o acidente. Como o fato não ocorreu durante o
atendimento médico propriamente dito, mas sim enquanto a vítima estava sob a guarda do
estabelecimento, concluímos que existe apenas a responsabilidade civil do hospital, podendo
esse ser obrigado a custear todo o tratamento médico do paciente.
O estabelecimento tem amplo conhecimento do risco de danos envolvendo terceiros,
quanto aos seus serviços prestados, configurando uma responsabilidade civil objetiva, esta que
é independente de dolo ou culpa, logo quando ocorrem erros dentro de suas instalações,
envolvendo seus funcionários, equipamentos ou estrutura, o hospital tem a obrigação de
indenizar a vítima. O Código de Defesa do Consumidor em seu art. 14, é claro quando trata da
responsabilidade civil objetiva dos fornecedores por danos que venham a ser causados aos seus
consumidores. Podemos citar também o Código Civil, art. 927, parágrafo único, “haverá
obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza,
risco para os direitos de outrem”. Verificamos também o entendimento firmado pela 3ª Turma do
Superior Tribunal de Justiça, que trata da responsabilidade civil do hospital, quanto aos serviços
prestados e falhas de sua equipe de profissionais, ver REsp 1.410.960.¹

Segundo a doutrina “são excludentes da responsabilidade civil objetiva, portanto, somente o


caso fortuito, a força maior e a culpa exclusiva da vítima ou de terceiros, pois, além do que já se
disse, tratam-se de hipóteses de exclusão do próprio nexo de causalidade, decorrendo o
prejuízo, ainda que não diretamente, de fator que escapa ao controle do agente.”² Já o art. 393 e
seu parágrafo único, do Código Civil, diz “O devedor não responde pelos prejuízos resultantes
de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado.
Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos
não era possível evitar ou impedir.”³ Quanto ao caso em tela, verificamos que o estabelecimento
deveria agir para evitar qualquer dano a seus usuários, e fica claro que o paciente não mantinha
nenhuma relação com a atividade desenvolvida pelo hospital, assim não se configura como
culpa exclusiva da vítima, uma vez que a mesma já estava debilitada e necessitava de atenção e
cuidados, que deveriam ser obrigações do estabelecimento para se evitar que o paciente
sofresse uma queda. Tendo assim afastada a culpa exclusiva da vítima e mantida a
responsabilidade objetiva do estabelecimento.

REFERÊNCIAS:
1 - https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/178705892/recurso-especial-resp-1410960-rj-2012-
0099605-3. Acesso em: 26 de abr. de 2021.
2 – Manual de direito civil. NETO, Sebastião de Assis; JESUS, Marcelo de; MELO, Maria Izabel
de. 9. Ed. rev., ampl. e atual. – Salvador: juspodivm, p. 903 e 956. 2020.
3 - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 26 de abr. de
2021.