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Curso Teórico de Direito Administrativo para a

Receita Federal
Profº Cyonil Borges

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Olá, pessoal!
A aula de hoje é sobre um assunto que é bem presente em provas da
área jurídica: a improbidade administrativa. A Lei 8.429/1992 nos
embasará, então, na condução do assunto. Tentaremos ser bem
objetivos, e, sobretudo, apontaremos o que é imprescindível para a
boa compreensão, ok?
No mais, vamos para a aula.
Grande abraço e uma boa leitura.
Cyonil Borges.

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1. Definição de Improbidade Administrativa


Bom, primeiro trabalho nessa parte da aula é definir,
adequadamente, o que possa vir a ser entendido por ato de
improbidade.
O ato de improbidade é um ilícito da ordem CIVIL, conforme tem
entendido a doutrina majoritária. Com efeito, nos termos do art. 37
da CF/1988,
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão
a suspensão dos direitos políticos, a perda da função
pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao
erário, na forma e gradação previstas em lei, sem
prejuízo da ação penal cabível.
O trecho negritado acima é para realçarmos que, ALÉM DO
PROCESSO POR IMPROBIDADE, o cometedor do ato de improbidade
pode ser responsabilizado na esfera penal. Daí, a doutrina tem
entendido que improbidade, em si, não é um crime, mas sim um
ilícito de ordem civil-política.
Carvalho Filho e Maria Sylvia Di Pietro apontam, contudo, que o ato
de improbidade também pode ser entendido como ilícito de ordem
política, já que implicará sanções em tal área (suspensão dos
direitos políticos).
A doutrina aponta, ainda, a profunda correlação havida entre a
conduta proba e a moralidade. De fato, não que se falar de uma, sem
se tratar de outra. Nesse quadro, já se pronunciou o STF (AP 409):
“(...) a probidade administrativa é o mais importante conteúdo
do princípio da moralidade pública. Donde o modo
particularmente severo como a Constituição reage à violação
dela, probidade administrativa, (...).

O ato de improbidade é de gravidade tamanha, que o STJ sequer


admite a aplicação do princípio da insignificância a ele. Em caso
paradigmático, o Tribunal analisou a situação em que um Prefeito
usou maquinário da Prefeitura para realização de serviços particulares
que, ao tempo, importaram ínfimo prejuízo aos cofres públicos (R$
40,00). Além da pena restritiva de direito, o então prefeito sofreu a
condenação da perda do mandato e inabilitação pelo prazo de cinco
anos. A defesa ingressou com um pedido liminar em habeas corpus,
apontando como autoridade coatora o Tribunal de Justiça estadual.

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Para a defesa, o princípio da insignificância deveria ser aplicado ao


caso, dada à modicidade. O STJ recusou argumentação, ementando
seu entendimento da seguinte forma:

(HC 148.765):
PENAL. PREFEITO. UTILIZAÇÃO DE MAQUINÁRIO PÚBLICO.
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
1. Não é possível a aplicação do princípio da insignificância a
prefeito, em razão mesmo da própria condição que ostenta,
devendo pautar sua conduta, à frente da municipalidade, pela
ética e pela moral, não havendo espaço para quaisquer desvios
de conduta.
2. O uso da coisa pública, ainda que por bons propósitos ou
motivado pela "praxe" local não legitima a ação, tampouco lhe
retira a tipicidade, por menor que seja o eventual prejuízo
causado. Precedentes das duas Turmas que compõem a
Terceira Seção.
Desse julgado, restou a lição: o ato de improbidade é de tamanha
repercussão para a boa imagem da Administração que, por mais que
o prejuízo seja mínimo, não pode deixar de ser apurado, aplicando-se
as sanções que a conduta determine.
2. Sujeito Ativo da Improbidade
Pela definição da Lei 8.429/1992, o agente público não é somente
aquele que podemos qualificar como “servidor”, em sentido estrito,
que pode cometer ato de improbidade. Com efeito, vejamos o que diz
o art. 2º da Lei, ao conceituar agente público:
“Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei,
todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou
sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou
vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas
entidades mencionadas no artigo anterior”.
Perceba que a LIA abrange todos aqueles que, com ou sem
remuneração, com ou sem caráter de permanência nos quadros da
Administração, sejam responsáveis pela execução dos fins da
Administração.
Todavia, além dos agentes públicos, terceiros também podem ser

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sujeito ativo da pratica de ato de improbidade. Vejamos o conceito de


terceiros, nos termos do art. 3º da Lei:
“As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber,
àquele que, mesmo não sendo agente público, induza
ou concorra para a prática do ato de improbidade ou
dele se beneficie sob qualquer forma direta ou
indireta”.
Mas, em prova, cuidado! O terceiro, ao ser beneficiado pela
improbidade, só será responsabilizado se tiver agido com dolo
(intencionalmente), enfim, tiver ciência da ilicitude do ato. Portanto,
o terceiro que corrobora para o cometimento do ato de improbidade
não será responsabilizado a título de culpa.
Em suma: não é estritamente necessário que o sujeito ativo seja
agente público para ser enquadrado como cometedor de
improbidade. Basta tão só que ele seja abarcado pelo art. 3º, e,
pronto, responderá por improbidade. Mas, detalhe: o particular,
isoladamente, não poderá responder pelo cometimento de ato de
improbidade.
STJ/REsp 1155992

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RÉU PARTICULAR.


AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO CONJUNTA DE AGENTE PÚBLICO
NO PÓLO PASSIVO DA AÇÃO DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.

1. Os arts. 1º e 3º da Lei 8.429/92 são expressos ao prever a


responsabilização de todos, agentes públicos ou não, que
induzam ou concorram para a prática do ato de improbidade ou
dele se beneficiem sob qualquer forma, direta ou indireta.

2. Não figurando no polo passivo qualquer agente


público, não há como o particular figurar sozinho como
réu em Ação de Improbidade Administrativa.

3. Nesse quadro legal, não se abre ao Parquet a via da Lei da


Improbidade Administrativa. Resta-lhe, diante dos fortes
indícios de fraude nos negócios jurídicos da empresa com a
Administração Federal, ingressar com Ação Civil Pública
comum, visando ao ressarcimento dos eventuais prejuízos
causados ao patrimônio público, tanto mais porque o STJ tem

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jurisprudência pacífica sobre a imprescritibilidade desse tipo de


dano.

4. Recurso Especial não provido.

Atenta que, por não haver um agente público envolvido, não caberia
o MP entrar com a ação de improbidade, restando, como via
alternativa, a ação civil pública.
E mais: nota, no caso de terceiro, que há duas situações que podem
ser identificadas como ato de improbidade: induzir ou concorrer
para o cometimento do ato, e, nesse caso, não é necessário o
auferimento de qualquer vantagem patrimonial; e se beneficiar do
ato de improbidade, direta ou indiretamente, o que exige, de algum
modo, uma vantagem recebida.
Interessante é que, por poderem ser beneficiadas pelo ato de
improbidade, pessoas jurídicas também podem responder por tal
espécie de ilícito, ainda que desacompanhadas de seus sócios. Há
jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre o tema. Já decidiu o
STJ (REsp 1127143):

5. A lei de improbidade administrativa aplica-se ao beneficiário


direto do ato ímprobo, mormente em face do comprovado dano
ao erário público. Inteligência do art. 3º da Lei de Improbidade
Administrativa. No caso, também está claro que a pessoa
jurídica foi beneficiada com a prática infrativa, na medida em
que se locupletou de verba pública sem a devida
contraprestação contratual. Por outro lado, em relação ao seu
responsável legal, os elementos coligidos na origem não lhe
apontaram a percepção de benefícios que ultrapassem a esfera
patrimonial da sociedade empresária, nem individualizaram sua
conduta no fato imputável, razão pela qual não deve ser
condenado pelo ato de improbidade.

Questão controvertida diz respeito à aplicação da LIA a agentes


políticos. Para o STF, aqueles que se sujeitam à Lei de Crime de
responsabilidade não se submetem às determinações da Lei
de Improbidade, uma vez que os regimes de responsabilização
distintos não podem concorrer entre si. Tal entendimento foi mantido
pelo STF ao apreciar a Reclamação 2138:
“Os atos de improbidade administrativa são tipificados como
crime de responsabilidade na Lei 1.079/1950, delito de caráter

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político-administrativo. Distinção entre os regimes de


responsabilização político-administrativa. O sistema
constitucional brasileiro distingue o regime de responsabilidade
dos agentes políticos dos demais agentes públicos. A
Constituição não admite a concorrência entre dois
regimes de responsabilidade político-administrativa para
os agentes políticos: o previsto no art. 37, § 4º (regulado
pela Lei 8.429/1992) e o regime fixado no art. 102, I, c,
(disciplinado pela Lei 1.079/1950). Se a competência para
processar e julgar a ação de improbidade (CF, art. 37, §
4º) pudesse abranger também atos praticados pelos
agentes políticos, submetidos a regime de
responsabilidade especial, ter-se-ia uma interpretação
ab-rogante do disposto no art. 102, I, c, da CF. (...) Os
Ministros de Estado, por estarem regidos por normas
especiais de responsabilidade (CF, art. 102, I, c; Lei
1.079/1950), não se submetem ao modelo de
competência previsto no regime comum da Lei de
Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992). (...) Ação de
improbidade administrativa. Ministro de Estado que teve
decretada a suspensão de seus direitos políticos pelo prazo de 8
anos e a perda da função pública por sentença do Juízo da 14ª
Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Distrito Federal.
Incompetência dos juízos de primeira instância para processar e
julgar ação civil de improbidade administrativa ajuizada contra
agente político que possui prerrogativa de foro perante o STF,
por crime de responsabilidade, conforme o art. 102, I, c, da
Constituição. Reclamação julgada procedente.”

Muito bem. Então, os agentes políticos que cometam atos que


possam ser tidos como de improbidade, mas que se sujeitam à Lei de
Crimes de Responsabilidade a esta última se submetem. Nos demais
casos de agentes políticos, a LIA é aplicada normalmente, como no
caso dos Prefeitos:
STJ: AgRg no REsp 1152717

2. A Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92)


aplica-se a prefeito, máxime porque a Lei de Crimes de
Responsabilidade (1.070/50) somente abrange as autoridades
elencadas no seu art. 2º, quais sejam: o Presidente da
República, os Ministros de Estado, os Ministros do Supremo

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Tribunal Federal e o Procurador-Geral da República.


Precedentes.

Situação que muito já se discutiu no âmbito do STJ diz respeito aos


magistrados, os quais, por serem considerados agentes públicos,
independente de qual categoria, também se submetem à Lei
8.429/1992. Vejamos o que nos diz o STJ (REsp 1127182):

ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.


MAGISTRADOS. AGENTES POLÍTICOS VS. AGENTES NÃO
POLÍTICO . DICOTOMIA IRRELEVANTE PARA A E PÉCIE.
COMPATIBILIDADE ENTRE REGIME ESPECIAL DE
RESPONSABILIZAÇÃO POLÍTICA E A LEI DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. CONCEITO ABRANGENTE DO ART. 2º DA LEI
N. 8.429/92.

1. Sejam considerados agentes comuns, sejam considerados


agentes políticos, a Lei n. 8.429/92 é plenamente incidente em
face de magistrados por atos alegadamente ímprobos que
tenham sido cometidos em razão do exercício de seu mister
legal.

2. Em primeiro lugar porque, admitindo tratar-se de agentes


políticos, esta Corte Superior firmou seu entendimento pela
possibilidade de ajuizamento de ação de improbidade em face
dos mesmos, em razão da perfeita compatibilidade existente
entre o regime especial de responsabilização política e o regime
de improbidade administrativa previsto na Lei n. 8.429/92,
cabendo, apenas e tão-somente, restrições em relação ao
órgão competente para impor as sanções quando houver
previsão de foro privilegiado ratione personae na Constituição
da República vigente. Precedente.

3. Em segundo lugar porque, admitindo tratar-se de agentes


não políticos, o conceito de "agente público" previsto no art. 2º
da Lei n. 8.429/92 é amplo o suficiente para albergar os
magistrados, especialmente, se, no exercício da função
judicante, eles praticarem condutas enquadráveis, em tese,
pelos arts. 9º, 10 e 11 daquele diploma normativo.

4. Despiciendo, portanto, adentrar, aqui, longa controvérsia


doutrinária e jurisprudencial acerca do enquadramento de
juízes como agentes políticos, pois, na espécie, esta discussão

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demonstra-se irrelevante.

Percebe-se, portanto, que os sujeitos ativos dos atos de improbidade


administrativa, não são somente os servidores públicos, mas todos
aqueles que estejam abrangidos no conceito de agente público.

Pelo conceito dado pela Lei, aqueles que desempenham atividades


judicantes, os Magistrados (Juízes, em geral), podem, portanto,
cometer atos de improbidade sim.
Outro julgado interessante do STJ é o seguinte (REsp 1.249.531):
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO
ESPECIAL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. LEI
DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (LEI 8.429/92).
APLICABILIDADE AOS MAGISTRADOS POR PRÁTICA DE ATOS
NÃO JURISDICIONAIS.
1. Trata-se na origem de agravo de instrumento apresentado
pela ora recorrida em face da decisão que recebeu a inicial de
ação civil pública apresentada ao argumento de que ela,
enquanto juíza eleitoral, visando atender interesses de
seu cônjuge, então candidato a deputado, teria escondido e
retardado o andamento de dois processos penais eleitorais, nos
quais a parte era parente e auxiliar nas campanhas eleitorais de
seu marido.
(...)
3. É pacífico nesta Corte Superior entendimento segundo
o qual magistrados são agentes públicos para fins de
aplicação da Lei de Improbidade Administrativa, cabendo
contra eles a respectiva ação, na forma dos arts. 2º e 3º da Lei
n. 8.429/92. (...)
4. Verifica-se que o ato imputado à recorrida não se encontra
na atividade finalística por ela desempenhada. O suposto ato de
improbidade que se busca imputar à recorrida não é a atitude
de não julgar determinados processos sob sua jurisdição, fato
este plenamente justificável quando há acervo
processual incompatível com a capacidade de trabalho de um
Magistrado ou de julgá-los em algum sentido, a uma ou a outra
parte. Aqui, se debate o suposto
retardamento preordenado de dois processos penais
eleitorais em que figura como parte pessoa que possui
laços de parentesco e vínculos políticos com o esposo da
Magistrada, que concorria nas eleições de 2002 ao cargo
de Deputado Federal, tendo o Ministério Público deixado
claro que tais processos foram os únicos a serem retidos
pela Magistrada.

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5. As atividades desempenhadas pelos órgãos jurisdicionais


estão sujeitas a falhas, uma vez que exercidas pelo homem, em
que a falibilidade é fator indissociável da natureza humana.
Porém, a própria estruturação do Poder Judiciário Brasileiro
permite que os órgãos superiores revejam a decisão dos
inferiores, deixando claro que o erro, o juízo valorativo
equivocado e a incompetência são aspectos previstos no nosso
sistema. Entendimento contrário comprometeria a própria
atividade jurisdicional.
6. O que justifica a aplicação da norma sancionadora é a
possibilidade de se identificar o animus do agente e seu
propósito deliberado de praticar um ato não condizente
com sua função. Não se pode pensar um conceito de Justiça
afastado da imparcialidade do julgador, sendo um indicador de
um ato ímprobo a presença no caso concreto de interesse na
questão a ser julgada aliada a um comportamento proposital
que beneficie a umas das partes. Constatada a parcialidade
do magistrado, com a injustificada ocultação de
processos, pode sim configurar ato de improbidade. A
averiguação da omissão injustificada no cumprimento
dos deveres do cargo está vinculada aos atos funcionais,
relativos aos serviços forenses e não diretamente à
atividade judicante, ou seja, a atividade finalística
do Poder Judiciário.
7. Não se sustenta aqui que o magistrado, responsável pela
condução de milhares de processos, deve observar
criteriosamente os prazos previstos na legislação processual
que se encontram em flagrante dissonância com a realidade das
varas e dos Tribunais, sendo impossível ao magistrado, pelo
elevado grau de judicialização do Brasil, cumprir com a
celeridade necessária a prestação jurisdicional. Porém, no
presente caso, a suposta desídia estaria
vinculada, repise-se, à possível ocultação com o
consequente retardamento preordenado de dois
processos específicos, a fim de possibilitar a candidatura
do esposo da requerida a eleições em curso.
Os destaques foram feitos para que você note que a Juíza, no caso
acima, estava NO DESEMPENHO DA ATIVIDADE JUDICANTE, a
praticar atos de seu ofício.
Perceba, ainda, que, para o relator do processo, não se trata de
discutir o teor das decisões adotadas pela magistrada. Nisso, não
incidiria a Lei de Improbidade. Trata-se, sim, de discutir A DESÍDIA
PROPOSITADA NA RESOLUÇÃO DE PROCESSOS JUDICIAIS DO
INTERESSE DO ESPOSO DA JUÍZA. Conclusão do relator: mesmo

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se tratando de um juiz, no desempenho de tarefa judicante, caberia a


aplicação da Lei de Improbidade, SEM SE CUIDAR DO TEOR DA
DECISÃO.
3. Sujeito Passivo do Ato de Improbidade
O art. 1º, caput, da LIA, estabelece quais são as entidades que
podem “sofrer” por conta do ato de improbidade, ou seja, o polo
passivo de tais atos. A Lei de Improbidade resguardar, então, toda
administração direta e indireta, e aquelas em que o Estado haja
concorrido com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou
da receita anual. Nessas entidades e órgãos, temos os agentes
públicos, logo, além da repercussão patrimonial, poderá haver perda
da função pública.
Já o parágrafo único do dispositivo prevê que estão, igualmente,
sujeitos às penalidades da Lei os atos contra o patrimônio de
entidades ou de órgãos em que o Estado concorra com menos de
cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual.
Contudo, nesse caso, as penalidades ficam limitadas à sanção
patrimonial referente às contribuições dos cofres públicos. Nessas
entidades não há como cogitarmos da existência de agentes públicos,
por esse motivo, a repercussão é meramente patrimonial (não haverá
perda de cargo e suspensão de direitos políticos). Exemplo de tais
entidades: Serviços Sociais Autônomos, Organizações Sociais e
outras. Porém como a LIA limita, no caso em exame, a sanção
patrimonial à repercussão do ilícito a partir da contribuição dos cofres
públicos, o que ultrapassar tal valor terá que ser buscado por outra
espécie, que não uma ação de improbidade (uma ação civil pública).
4. A Tipologia da Improbidade Administrativa

Os tipos de improbidade são três, a saber:


I) que importam enriquecimento ilícito: aqui, o fundamental é
entender que o ato de improbidade importará auferir
qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do
exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade
(art. 9º).
II) que importam lesão ao erário: causar lesão ao erário em razão
de qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje
perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou
dilapidação dos bens ou haveres público (art. 10º). Notaram o
negrito? É para destacar a parte fundamental neste tipo de ato
de improbidade? A PERDA PATRIMONIAL PARA O ERÁRIO.

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III) que atentam contra princípios da Administração (art. 11). Bom,


aqui, cremos, o texto é autoexplicativo.
Antes de prosseguirmos nos exames dos casos próprios de
improbidade, bom registrar que não é qualquer ilegalidade que
deverá ser entendida como ato de improbidade, o qual é uma
ilegalidade especificada. Esse é o entendimento do STJ (REsp
1075882):

ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA


POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AGENTES
PENITENCIÁRIOS. AGRESSÃO CONTRA PARTICULAR.
VIOLAÇÃO DO ART. 11 DA LEI 8.429/92. OFENSA AO
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. CONDUTA QUE NÃO SE
ENQUADRA, CONTUDO, NA LEI DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO PROVIDO.

(...)

4. De acordo com Francisco Octávio de Almeida Prado


(Improbidade Administrativa, Malheiros Editores, São Paulo,
2001, p. 37), "A improbidade pressupõe, sempre, um desvio
ético na conduta do agente, a transgressão consciente de um
preceito de observância obrigatória".

5. A improbidade administrativa, ligada ao desvio de


poder, implica a deturpação da função pública e do
ordenamento jurídico; contudo, nem toda conduta assim
caracterizada subsume-se em alguma das hipóteses dos
arts. 9º, 10 e 11 da LIA.

6. Nesse sentido, Arnaldo Rizzardo (Ação Civil Pública e Ação de


Improbidade Administrativa, GZ Editora, 2009, p. 350): "Não
se confunde improbidade com a mera ilegalidade, ou com
uma conduta que não segue os ditames do direito
positivo. Assim fosse, a quase totalidade das
irregularidades administrativas implicariam violação ao
princípio da legalidade. (...) É necessário que venha um
nível de gravidade maior, que se revela no ferimento de
certos princípios e deveres, que sobressaem pela
importância frente a outros, como se aproveitar da
função ou do patrimônio público para obter vantagem

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pessoal, ou favorecer alguém, ou desprestigiar valores


soberanos da Administração Pública".

7. In casu, o fato praticado pelos recorridos, sem dúvida


reprovável e ofensivo aos interesses da Administração
Pública, não reclama, contudo, o reconhecimento de ato
de improbidade administrativa, apesar de implicar clara
violação ao princípio da legalidade. Assim fosse, todo tipo
penal praticado contra a Administração Pública,
invariavelmente, acarretaria ofensa à probidade administrativa.

8. Recurso não provido.

Muito bem. Agora sim, vamos para os casos próprios de improbidade.


4.1. Atos de Improbidade que Importam Enriquecimento
Ilícito
Em razão das penas de maior intensidade, podemos dizer que, na
visão do legislador, esse é o ato de improbidade de maior gravidade.
Examinemos, primeiro, o que diz o caput do art. 9º da Lei
8.429/1992:
Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando
enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem
patrimonial indevida em razão do exercício de cargo,
mandato, função, emprego ou atividade nas entidades
mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente:
Atenta que há algo muito próprio na hipótese que ora tratamos – o
recebimento de vantagem INDEVIDA por parte do infrator. Além
disso, para o STJ é necessário o dolo por parte deste mesmo
infrator:
STJ/REsp 1347223

3. No que tange à caracterização do ato enquanto conduta


subsumível à Lei nº 8.429/92 - na modalidade de
enriquecimento ilícito – é certo que este Sodalício exige a
presença de dois requisitos, quais sejam: (a) demonstração do
dano causado à Administração e o consequente enriquecimento
ilícito; e, (b) presença de elemento subjetivo, sendo exigida a
presença de dolo.

Temos uma “pequena” lista do que pode configurar enriquecimento


ilícito no art. 9º da LIA. Para o bem e para o mal, a leitura “seca” do

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dispositivo é obrigatória, para podermos entendê-lo. Vejamos, então,


o que podem gerar enriquecimento ilícito:
I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou
imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou
indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou
presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa
ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das
atribuições do agente público;
II - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para
facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem móvel ou
imóvel, ou a contratação de serviços pelas entidades referidas
no art. 1° por preço superior ao valor de mercado;
III - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para
facilitar a alienação, permuta ou locação de bem público ou o
fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao
valor de mercado;
IV - utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas,
equipamentos ou material de qualquer natureza, de
propriedade ou à disposição de qualquer das entidades
mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de
servidores públicos, empregados ou terceiros contratados por
essas entidades;
V - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta
ou indireta, para tolerar a exploração ou a prática de jogos de
azar, de lenocínio, de narcotráfico, de contrabando, de usura ou
de qualquer outra atividade ilícita, ou aceitar promessa de tal
vantagem;
VI - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta
ou indireta, para fazer declaração falsa sobre medição ou
avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou
sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de
mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei;
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato,
cargo, emprego ou função pública, bens de qualquer natureza
cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à
renda do agente público;
Aqui, uma pequena parada, em razão de um interessante julgado do

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STJ acerca desse inciso (AREsp 187235)


ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.
ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. DESPROPORCIONALIDADE ENTRE
RENDA E PATRIMÔNIO. NÃO COMPROVAÇÃO. REEXAME DE
MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL
NÃO

PROVIDO.

1. Para fins de caracterização do ato de improbidade


administrativa previsto no art. 9º, VII, da Lei 8.429/92, cabe ao
autor da ação o ônus de provar a desproporcionalidade entre a
evolução patrimonial e a renda auferida pelo agente no
exercício de cargo público.

2. Infirmar os fundamentos do acórdão recorrido, no tocante à


ausência de desproporcionalidade entre o patrimônio e a renda
dos agravados, demandaria o reexame de matéria fática, o que
é vedado em recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ.

3. Agravo regimental não provido.

Apesar do não provimento do recurso por conta de questão


processual, há lição a se extrair do julgado: o ônus da prova por
conta de aparente evolução patrimonial descabida é daquele
que acusa.
VIII - aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de
consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica
que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por
ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público,
durante a atividade;
IX - perceber vantagem econômica para intermediar a liberação
ou aplicação de verba pública de qualquer natureza;
X - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta
ou indiretamente, para omitir ato de ofício, providência ou
declaração a que esteja obrigado;
XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens,
rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das
entidades mencionadas no art. 1° desta lei;

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XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores


integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas
no art. 1° desta lei.
A doutrina considera que os casos acima não são exaustivos. Por
exemplo, alugar bem público com valor a maior, alugar bem
particular com valor a maior. Até o dinheiro que o agente receber
para “não ver” determinada situação é enriquecimento ilícito, assim,
enriquecimento ilícito não quer dizer de fato “enriquecer”, mas a
“bola”, a “caixinha”, já são “enriquecimento ilícito”.
4.2. Atos de Improbidade que Importam Prejuízo ao Erário
O art. 10 da lei vem nos iluminar nesse momento. Ele diz:

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa


lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa,
que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação,
malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

Notem que seja ato omissivo, doloso ou culposo, qualquer ação


que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, dilapidação de
bens, até mesmo desperdício de bem público, enquadra-se como ato
de improbidade. O destaque maior para a modalidade culposa nessa
espécie de ato de improbidade é para que se ressalte a posição do
STJ (REsp 1364529):
1. Para que seja configurado o ato de improbidade de que trata
a Lei 8.429/99, "é necessária a demonstração do elemento
subjetivo, consubstanciado pelo dolo para os tipos previstos nos
artigos 9º e 11 e, ao menos, pela culpa, nas hipóteses do artigo
10".

A lista de atos que causam prejuízo ao erário é enorme. De qualquer


forma, necessário lê-la. Mas, por sugestão, ao invés de expor outra
infindável lista, como fizemos na hipótese anterior, remetemos ao
final dessa aula, onde todos os casos estão expostos. Mas vamos
tentar entender o que é, de fato, o ato de improbidade enquadrável
na hipótese sub exame.
Se você deixar de seguir uma formalidade para conceder um
benefício a alguém, essa inobservância pode ser dada como ato que
causa prejuízo. Assim, se você facilitar ou permitir que se obtenha
dos cofres públicos qualquer vantagem pecuniária estará atentando

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contra o patrimônio público. Até mesmo se você ordenar realização


de despesas não autorizadas estará atentando contra o patrimônio
público.
No art. 10, que é onde a LIA cuida dos atos que importam prejuízo ao
erário, a norma usa e abusa de verbos como: conceder, permitir,
facilitar. Desse modo, quaisquer das ações que não observem as
formalidades, ou que sejam negligentes, poderão ser consideradas
ato atentatório contra o patrimônio público, lembrando que o
patrimônio público não necessariamente estará nas mãos públicas,
uma vez que se o ato praticado contra qualquer pessoa que receba
ou administre dinheiro público causar prejuízos, estará enquadrado
como improbidade.
4.3. Atos de Improbidade que Atentam Contra Princípios da
Administração Pública
O art. 11 é responsável por nos fornecer a listagem (exemplificativa)
de atos de improbidade ofensivos aos princípios da Administração
Pública, enfim, violadores dos deveres de honestidade,
imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições. Percebam: não
se cita moralidade!
Como a lista de casos aqui é menorzinha, vejamos o rol de atos que
configuram lesão a princípios da administração pública, conforme o
art. 11 da Lei 8.429:
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou
diverso daquele previsto, na regra de competência;
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão
das atribuições e que deva permanecer em segredo;
IV - negar publicidade aos atos oficiais;
V - frustrar a licitude de concurso público;
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;
VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de
terceiro, antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida
política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria,
bem ou serviço.
Não sei se os(as) amigos(as) repararam, mas os atos de improbidade
desta categoria não são, assim, tão graves quanto os anteriores. Bem

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por isso, o STJ o considera uma espécie residual, para os atos de


improbidade. Vejamos o julgado em que aquela Corte assenta a tese:

(REsp 1075882):

ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA


POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AGENTES
PENITENCIÁRIOS. AGRESSÃO CONTRA PARTICULAR.
VIOLAÇÃO DO ART. 11 DA LEI 8.429/92. OFENSA AO
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. CONDUTA QUE NÃO SE
ENQUADRA, CONTUDO, NA LEI DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO PROVIDO.

1. A Lei de Improbidade Administrativa visa a tutela do


patrimônio público e da moralidade, impondo aos agentes
públicos e aos particulares padrão de comportamento probo, ou
seja, honesto, íntegro, reto.

2. A Lei 8.429/92 estabelece três modalidades de improbidade


administrativa, previstas nos arts. 9º, 10 e 11, a saber,
respectivamente: enriquecimento ilícito, lesão ao erário e
violação aos princípios norteadores da Administração Pública.

3. A conduta prevista no art. 9º da LIA (enriquecimento ilícito)


abrange, por sua amplitude, as demais formas de improbidade
estabelecidas nos artigos subsequentes. Desta maneira, a
violação aos princípios pode ser entendida, em
comparação ao direito penal, como "soldado de reserva",
sendo, aplicada, subsidiariamente, isto é, quando a
conduta ímproba não se subsume nas demais formas
previstas.

5. Declaração de rendimentos
Dentre as múltiplas determinações que constam da Lei 8.429/1992,
uma ganha especial atenção em concursos da área fiscal. Vejamos:
Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam
condicionados à apresentação de declaração dos bens e valores
que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser arquivada
no serviço de pessoal competente.

É bastante importante tal dispositivo, pois, adiante, a declaração de


rendimentos, que deverá ser atualizada anualmente e na data em
que o agente público deixar o exercício do mandato, cargo, emprego

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ou função, permitirá o acompanhamento da evolução patrimonial do


agente público.

Para suprir a exigência, o agente público poderá apresentar cópia da


declaração anual de bens apresentada à Receita Federal na
conformidade da legislação do Imposto sobre a Renda e proventos de
qualquer natureza, com as necessárias atualizações.

E o legislador, por considerar a importância disso, determinou a


demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções
cabíveis, ao agente público que se recusar a prestar declaração dos
bens, dentro do prazo determinado, ou que a prestar falsa.

Por fim, cumpre o que a declaração de rendimentos deverá


compreender: imóveis, móveis, semoventes, dinheiro, títulos, ações,
e qualquer outra espécie de bens e valores patrimoniais, localizado no
País ou no exterior, e, quando for o caso, abrangerá os bens e
valores patrimoniais do cônjuge ou companheiro, dos filhos e de
outras pessoas que vivam sob a dependência econômica do
declarante, excluídos apenas os objetos e utensílios de uso
doméstico.

6. Processo Administrativo e Judicial

Do art. 14 a 23, a Lei de Improbidade traz importantes disposições


acerca do rito administrativo e judicial para trato do assunto. Vamos
às análises, então.

A norma informa que qualquer pessoa poderá representar à


autoridade administrativa competente para que seja instaurada
investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade. O
documento deve ser escrito (ou reduzida a termo), assinado, com a
qualificação do representante, as informações sobre o fato e sua
autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento. Caso
estas formalidades não sejam observadas, a representação será
rejeitada, em despacho fundamentado, o que, contudo, não impede
a representação ao Ministério Público.

Por outro lado, atendidos os requisitos da representação, a


autoridade determinará a imediata apuração dos fatos que, caso se
refiram a servidores federais, será processada, na esfera federal, na
forma da Lei 8.112/1990.

Se instaurado processo administrativo, a comissão responsável deve


dar conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho de
Contas da existência da apuração, os quais caso queiram, podem

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designar representante para acompanhar.


O art. 7o estabelece importante providência cautelar: a possibilidade
de que seja feita a indisponibilidade dos bens necessários à
cobertura do prejuízo causado ao erário ou referentes aos que foram
indevidamente acrescidos ao patrimônio do infrator. Mais uma vez,
cumpre assinalar – a indisponibilidade de bens não é medida
punitiva, mas sim providência cautelar, que será tomada, para que
se tenha eficácia em futura decisão de mérito de um processo
judicial. Essa medida, assim como outras previstas no art. 16 1,
devem ser adotadas judicialmente, a partir da ação do Ministério
Público competente para a apuração.

Bom registrar que, para o STJ, a medida constritiva de


indisponibilidade recai sobre os bens necessários ao ressarcimento
integral do dano, ainda que adquiridos anteriormente ao ato de
improbidade ou até mesmo ao início de vigência da Lei 8.429,
de 1992.

E, ainda, para a mesma Corte, a possibilidade de indisponibilidade de


bens não está condicionada à prévia manifestação dos réus, já
que se trata de medida de natureza nitidamente cautelar.

A Lei permite, ainda, o afastamento do agente público do


exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da
remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução
processual (art. 20, parágrafo único). Neste caso, a medida pode ser
adotada administrativamente.

A ação judicial de improbidade é de rito ordinário, ou seja, seguirá


os trâmites comuns de um processo dessa natureza. Deve ser
proposta em 30 dias, pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica
interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.
IMPORTANTE: quando o MP não intervir no processo como parte,

1
O art. 16 prevê, ainda: sequestro dos bens do agente ou terceiro que tenha
enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público, caso fundados
indícios de responsabilidade; e, quando for o caso, a investigação, o exame e o
bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado
no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais. Esses pedidos são de
competência do Ministério Público, não custa repetir.

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atuará obrigatoriamente, como fiscal da lei, sob pena de nulidade de


todo o processo.

É expressamente vedada a transação, acordo ou conciliação, em


ações de improbidade. Para a Prof.ª Maria Sylvia di Pietro, “a norma
se justifica pela relevância do patrimônio público, seja econômico,
seja moral, protegido pela ação de improbidade. Trata-se de
aplicação do princípio da indisponibilidade do interesse público”.
A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou
decretar a perda dos bens acrescidos ilicitamente ao patrimônio do
infrator, determinará o pagamento ou a reversão dos bens, conforme
o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito.

Bom registrar que a perda da função pública e a suspensão dos


direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da
sentença condenatória. Por outro lado, constitui crime a
representação por ato de improbidade contra agente público ou
terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe inocente. A
LIA quer evitar, portanto, denúncias vazias, utilizadas tão só com o
intuito de prejudicar um agente público. Bem por isso, nestes casos,
além da sanção penal, o denunciante está sujeito a indenizar o
denunciado pelos danos materiais, morais ou à imagem que houver
provocado.

Cabe reforçar que são imprescritíveis as ações de ressarcimento


movidas pelo Estado contra servidores ou não, devido a prejuízos
causados à fazenda pública (§ 5° do art. 37, CF).

Em resumo: os ilícitos prescreverão, mas não as ações de


ressarcimento, por força do §5º do art. 37 da CF/1988.
No que se refere à prescrição, estabelece a LIA:

Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções


previstas nesta lei podem ser propostas:

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I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de


cargo em comissão ou de função de confiança;

II dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para


faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço
público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego.

Entretanto, coisas que podem parecer simples, por vezes, não são...
Exemplo disso é a interpretação do dispositivo acima, no caso de
prefeitos reeleitos, que tenham cometido o ato tido por de improbidade
em seu primeiro mandato. Então... A partir de quando será contado o
prazo prescricional? Para o STJ, o prazo deverá começar a correr com o
encerramento do segundo mandato, pois, a reeleição, embora não
prorrogue simplesmente o mandato, importa em fator de continuidade
da gestão administrativa2.
Há outras disposições na Lei que dizem respeito ao andamento da
ação de improbidade, mas por serem elas muito mais afetas ao
Direito Processual, deixarão de ser aqui examinadas.

7. Os Atos de Improbidade e as Sanções Aplicáveis


Relembrando, inicialmente, que a própria Constituição Federal trata
de improbidade administrativa, inclusive fixando, de modo genérico,
sanções aplicáveis no caso de cometimento de ato de improbidade.
Vejamos, mais uma vez, o §4º do art. 37 da CF/1988:
Os atos de improbidade administrativa importarão a
suspensão dos direitos políticos, a perda da função
pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento
ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem
prejuízo da ação penal cabível.
A partir do regramento constitucional, bem como a partir da Lei de
improbidade fazer algumas observações, com relação às sanções ali
previstas:
Direito Políticos
Não haverá perda ou cassação dos direitos políticos, mas sim
suspensão destes, por um período que pode variar de três a dez
anos, conforme a gravidade da conduta do infrator.
Reitere-se que a Lei informa ser necessário o trânsito em julgado

2
Resp 1107833.

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da sentença penal condenatória para que ocorra a suspensão dos


direitos políticos e a perda da função pública (art. 20). Assim, essas
duas sanções possíveis em razão do cometimento de improbidade
não podem ser aplicadas administrativamente, mas tão só
judicialmente.
Perda da Função Pública
Como destacado, pode ocorrer em razão de improbidade
administrativa, mas depende do trânsito em julgado de sentença
judicial condenatória.
Indisponibilidade de bens
É verdadeira “medida cautelar” e não penalidade, como vimos mais
atrás.
A decretação da indisponibilidade, todavia, não pode ser feita
administrativamente, uma vez que depende da ação do
Ministério Público para tanto (art. 7º, caput)
Ressarcimento ao Erário
Deve ser feito no exato valor do quantum do prejuízo ao erário.
Registre-se que o dever de ressarcir o erário pode ser transmitido aos
sucessores/herdeiros daquele que causar prejuízo ao erário até o
limite do valor da herança recebida.
Não é demais repetir que improbidade não é crime. Tanto assim
que no trecho final do dispositivo constitucional, menciona-se “sem
prejuízo da ação penal cabível...”. Assim, deve-se buscar na
legislação penal a capitulação (enquadramento) da conduta do
agente em nos tipos de crime previstos por lá.
Na aplicação da penalidade, o Juiz ou Tribunal incumbido do
julgamento do processo levarão em conta a gravidade da conduta (o
dano causado), bem como o proveito usufruído pelo agente, de forma
a ajustar a penalidade à necessidade da reprimenda que o caso
requereu. É nessa direção a jurisprudência do STJ (REsp 924439)
ADMINISTRATIVO – AÇÃO CIVIL PÚBLICA – IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA – ART. 12 DA LEI 8.429/1992 – PERDA DA
FUNÇÃO PÚBLICA – ABRANGÊNCIA DA SANÇÃO –
PARÂMETROS: EXTENSÃO DOS DANOS CAUSADOS E PROVEITO
OBTIDO – SÚMULA 7/STJ – RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM.

1. Hipótese em que o Tribunal de origem deixou de condenar o

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agente na perda da função pública, sob o fundamento de que o


mesmo não mais se encontrava no exercício do cargo, no qual
cometeu os atos de improbidade administrativa.

2. A Lei 8.429/1992 objetiva coibir, punir e afastar da atividade


pública todos os agentes que demonstraram pouco apreço pelo
princípio da juridicidade, denotando uma degeneração de
caráter incompatível com a natureza da atividade desenvolvida.

3. A sanção de perda da função pública visa a extirpar da


Administração Pública aquele que exibiu inidoneidade (ou
inabilitação) moral e desvio ético para o exercício da função
pública, abrangendo qualquer atividade que o agente esteja
exercendo ao tempo da condenação irrecorrível.

4. A simples configuração do ato de improbidade


administrativa não implica condenação automática da
perda da função pública, pois a fixação das penas
previstas no art. 12 da Lei 8.429/1992 deve considerar a
extensão do dano e o proveito obtido pelo agente,
conforme os parâmetros disciplinados no parágrafo único desse
dispositivo legal. Precedente do STJ.

5. É indispensável que se faça uma valoração da


extensão dos danos causados, bem como do proveito
obtido pelo agente, ao aplicar a sanção de perda da função
pública. Análise obstaculizada, em recurso especial, em razão
da Súmula 7/STJ. 6. Recurso especial provido, para determinar
o retorno dos autos à origem, para que se verifique a
possibilidade de condenação do recorrido na perda da função
pública.

A aplicação das penalidades previstas na Lei 8.429/1992


independem:

I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público;

II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle


interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.

No caso do inc. I, por conta do ato de improbidade que importará


lesão a princípios da Administração Pública. Já na hipótese II, a
questão é de independência das instâncias – os Tribunais de Contas

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são cortes ADMINISTRATIVAS, às quais não se subordinam as


instituições judiciais.
Pois bem. Destaque-se, ainda, que a CF/1988 fala no dispositivo em
forma e gradação previstas em Lei. Podemos traçar um quadro-
resumo das sanções decorrentes dos atos de improbidade, apontando
as penalidades previstas na CF/1988, com as que prevê o art. 12 da
Lei 8.429/1992:
SANÇÕES PELA PRÁTICA DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Enriquecimento Prejuízo ao Lesão a


Ilícito erário princípios

Ressarcimento
Aplicável Aplicável Aplicável
ao erário

Perda da
Função Aplicável Aplicável Aplicável
Pública

Suspensão dos
direitos De 8 a 10 anos De 5 a 8 anos De 3 a 5 anos
Políticos

Perda dos
Bens Pode ser Pode ser
Deve ser aplicada
acrescidos aplicada aplicada
ilicitamente

Até três vezes o Até 100 vezes


valor do Até duas vezes a
Multa civil
acréscimo o valor do dano remuneração
patrimonial do cargo

Proibição de
contratar com SIM (por 10 SIM (por cinco SIM (por três
o Poder anos) anos) anos)
Público

Bom, pessoal, para facilitar a vida, segue resumo com tudo que há de
mais importante que podemos catalogar a respeito de improbidade,

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tendo por fundamento a Lei 8.429/1992, sobretudo:

São atos de improbidade os atos


praticados por qualquer agente
público, servidor ou não, contra a
administração direta, indireta ou
fundacional de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos
CONCEITO Municípios, de Território, de
empresa incorporada ao
patrimônio público ou de
entidade para cuja criação ou
custeio o erário haja concorrido
ou concorra com mais de
cinquenta por cento do
patrimônio ou da receita anual.

-Agente público, servidor ou não.


1º) Reputa-se agente público,
para os efeitos desta lei, todo
aquele que exerce, ainda que
transitoriamente ou sem
remuneração, por eleição,
nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra
forma de investidura ou vínculo,
SUJEITO(S) ATIVO(S) mandato, cargo, emprego ou
função nas entidades
(art. 1º)
mencionadas no artigo anterior.
2º) Mesmo não sendo agente
público, aquele que induza ou
concorra para a prática do ato de
improbidade ou dele se beneficie
sob qualquer forma direta ou
indireta.

- A administração direta, indireta


ou fundacional de qualquer dos
SUJEITO(S) PASSIVO(S)
Poderes da União, dos Estados,

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do Distrito Federal, dos


Municípios, de Território, de
empresa incorporada ao
patrimônio público ou de
entidade para cuja criação ou
custeio o erário haja concorrido
ou concorra com mais de
cinquenta por cento do
patrimônio ou da receita anual.

- Os agentes públicos de
qualquer nível ou hierarquia são
obrigados a velar pela estrita
observância dos princípios de
legalidade, impessoalidade,
moralidade e publicidade no trato
dos assuntos que lhe são afetos.
- Ocorrendo lesão ao patrimônio
público por ação ou omissão,
dolosa ou culposa, do agente ou
de terceiro, dar-se-á o integral
ressarcimento do dano.
- No caso de enriquecimento
ilícito, perderá o agente público
ou terceiro beneficiário os bens
ou valores acrescidos ao seu
patrimônio.
- Quando o ato de improbidade
causar lesão ao patrimônio
CARACTERÍSTICAS público ou ensejar
enriquecimento ilícito, caberá a
autoridade administrativa
responsável pelo inquérito
representar ao Ministério Público,
para a indisponibilidade dos bens
do indiciado (que recairá sobre
bens que assegurem o integral
ressarcimento do dano, ou sobre
o acréscimo patrimonial

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resultante do enriquecimento
ilícito).
- O sucessor daquele que causar
lesão ao patrimônio público ou se
enriquecer ilicitamente está
sujeito às cominações desta lei
até o limite do valor da herança.
- Qualquer pessoa pode
representar a autoridade
administrativa competente para
que seja instaurada investigação
destinada a apurar a prática de
ato de improbidade.
- As sanções independem de
efetiva ocorrência de dano ao
patrimônio público e da
aprovação ou rejeição das contas
pelo órgão de controle interno ou
Tribunal de Contas.
- perda da função pública e a
suspensão dos direitos políticos
só se efetivam com o trânsito em
julgado da sentença
condenatória.
A autoridade judicial ou
administrativa competente
poderá determinar o afastamento
do agente público do exercício do
cargo, emprego ou função, sem
prejuízo da remuneração, quando
a medida se fizer necessária à
instrução processual.
- A aplicação das sanções
previstas nesta lei independe:
I - da efetiva ocorrência de dano
ao patrimônio público;
II - da aprovação ou rejeição das

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contas pelo órgão de controle


interno ou pelo Tribunal ou
Conselho de Contas.

I - Atos de Improbidade
Administrativa que Importam
Enriquecimento Ilícito;
II - Atos de Improbidade
ATOS DE IMPROBIDADE Administrativa que Causam
(ASSIM CONSIDERADOS) Prejuízo ao Erário;
III - Atos de Improbidade
Administrativa que Atentam
Contra os Princípios da
Administração Pública.

I - receber, para si ou para


outrem, dinheiro, bem móvel ou
imóvel, ou qualquer outra
vantagem econômica, direta ou
indireta, a título de comissão,
percentagem, gratificação ou
presente de quem tenha
interesse, direto ou indireto, que
possa ser atingido ou amparado
por ação ou omissão decorrente
das atribuições do agente
público;
II - perceber vantagem
econômica, direta ou indireta,
para facilitar a aquisição,
permuta ou locação de bem
DOS ATOS DE IMPROBIDADE móvel ou imóvel, ou a
ADMINISTRATIVA QUE contratação de serviços pelas
IMPORTAM ENRIQUECIMENTO entidades referidas no art. 1° por
ILÍCITO (ART.9º): auferir preço superior ao valor de
qualquer tipo de vantagem mercado;
patrimonial indevida em razão do III - perceber vantagem
exercício de cargo, mandato, econômica, direta ou indireta,
função, emprego ou atividade nas para facilitar a alienação,

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entidades mencionadas nesta Lei. permuta ou locação de bem


público ou o fornecimento de
serviço por ente estatal por preço
inferior ao valor de mercado;
IV - utilizar, em obra ou serviço
particular, veículos, máquinas,
equipamentos ou material de
qualquer natureza, de
propriedade ou à disposição de
qualquer das entidades
mencionadas no art. 1° desta lei,
bem como o trabalho de
servidores públicos, empregados
ou terceiros contratados por
essas entidades;
V - receber vantagem econômica
de qualquer natureza, direta ou
indireta, para tolerar a
exploração ou a prática de jogos
de azar, de lenocínio, de
narcotráfico, de contrabando, de
usura ou de qualquer outra
atividade ilícita, ou aceitar
promessa de tal vantagem;
VI - receber vantagem econômica
de qualquer natureza, direta ou
indireta, para fazer declaração
falsa sobre medição ou avaliação
em obras públicas ou qualquer
outro serviço, ou sobre
quantidade, peso, medida,
qualidade ou característica de
mercadorias ou bens fornecidos a
qualquer das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei;
VII - adquirir, para si ou para
outrem, no exercício de mandato,
cargo, emprego ou função
pública, bens de qualquer

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natureza cujo valor seja


desproporcional à evolução do
patrimônio ou à renda do agente
público;
VIII - aceitar emprego, comissão
ou exercer atividade de
consultoria ou assessoramento
para pessoa física ou jurídica que
tenha interesse suscetível de ser
atingido ou amparado por ação
ou omissão decorrente das
atribuições do agente público,
durante a atividade;
IX - perceber vantagem
econômica para intermediar a
liberação ou aplicação de verba
pública de qualquer natureza;
X - receber vantagem econômica
de qualquer natureza, direta ou
indiretamente, para omitir ato de
ofício, providência ou declaração
a que esteja obrigado;
XI - incorporar, por qualquer
forma, ao seu patrimônio bens,
rendas, verbas ou valores
integrantes do acervo patrimonial
das entidades mencionadas no
art. 1° desta lei;
XII - usar, em proveito próprio,
bens, rendas, verbas ou valores
integrantes do acervo patrimonial
das entidades mencionadas no
art. 1° desta lei.

I - facilitar ou concorrer por


qualquer forma para a
incorporação ao patrimônio
particular, de pessoa física ou
jurídica, de bens, rendas, verbas

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ou valores integrantes do acervo


patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei;
II - permitir ou concorrer para
que pessoa física ou jurídica
privada utilize bens, rendas,
verbas ou valores integrantes do
acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei,
sem a observância das
formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à
espécie;
ATOS DE IMPROBIDADE III - doar à pessoa física ou
ADMINISTRATIVA QUE jurídica bem como ao ente
CAUSAM PREJUÍZO AO ERÁRIO despersonalizado, ainda que de
(art.10): qualquer ação ou fins educativos ou assistências,
omissão, dolosa ou culposa, que bens, rendas, verbas ou valores
enseje perda patrimonial, desvio, do patrimônio de qualquer das
apropriação, malbaratamento ou entidades mencionadas no art. 1º
dilapidação dos bens ou haveres desta lei, sem observância das
das entidades referidas no art. 1º formalidades legais e
desta lei. regulamentares aplicáveis à
espécie;
IV - permitir ou facilitar a
alienação, permuta ou locação de
bem integrante do patrimônio de
qualquer das entidades referidas
no art. 1º desta lei, ou ainda a
prestação de serviço por parte
delas, por preço inferior ao de
mercado;
V - permitir ou facilitar a
aquisição, permuta ou locação de
bem ou serviço por preço
superior ao de mercado;
VI - realizar operação financeira
sem observância das normas

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legais e regulamentares ou
aceitar garantia insuficiente ou
inidônea;
VII - conceder benefício
administrativo ou fiscal sem a
observância das formalidades
legais ou regulamentares
aplicáveis à espécie;
VIII - frustrar a licitude de
processo licitatório ou dispensá-lo
indevidamente;
IX - ordenar ou permitir a
realização de despesas não
autorizadas em lei ou
regulamento;
X - agir negligentemente na
arrecadação de tributo ou renda,
bem como no que diz respeito à
conservação do patrimônio
público;
XI - liberar verba pública sem a
estrita observância das normas
pertinentes ou influir de qualquer
forma para a sua aplicação
irregular;
XII - permitir, facilitar ou
concorrer para que terceiro se
enriqueça ilicitamente;
XIII - permitir que se utilize, em
obra ou serviço particular,
veículos, máquinas,
equipamentos ou material de
qualquer natureza, de
propriedade ou à disposição de
qualquer das entidades
mencionadas no art. 1° desta lei,
bem como o trabalho de servidor
público, empregados ou terceiros

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contratados por essas entidades.


XIV – celebrar contrato ou outro
instrumento que tenha por objeto
a prestação de serviços públicos
por meio da gestão associada
sem observar as formalidades
previstas na lei;
XV – celebrar contrato de rateio
de consórcio público sem
suficiente e prévia dotação
orçamentária, ou sem observar
as formalidades previstas na lei.

I - praticar ato visando fim


proibido em lei ou regulamento
ou diverso daquele previsto, na
regra de competência;
II - retardar ou deixar de
praticar, indevidamente, ato de
ofício;
III - revelar fato ou circunstância
DOS ATOS DE IMPROBIDADE
de que tem ciência em razão das
ADMINISTRATIVA QUE
atribuições e que deva
ATENTAM CONTRA OS
permanecer em segredo;
PRINCÍPIOS DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA IV - negar publicidade aos atos
(art. 11): qualquer ação ou oficiais;
omissão que viole os deveres de V - frustrar a licitude de concurso
honestidade, imparcialidade, público;
legalidade, e lealdade às
instituições. VI - deixar de prestar contas
quando esteja obrigado a fazê-lo;
VII - revelar ou permitir que
chegue ao conhecimento de
terceiro, antes da respectiva
divulgação oficial, teor de medida
política ou econômica capaz de
afetar o preço de mercadoria,
bem ou serviço.

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DAS PENAS
(art.12):
Na fixação das
penas previstas
nesta lei o juiz
levará em conta
a extensão do
dano causado,
assim como o
proveito
patrimonial
obtido pelo
agente.

LEI Nº. Sanção Sanção


Sanção Civil
8.429/92 Administrativ Política
a (art.12) (art. 12)
(art. 12)

- Perda da
ART.9º: função pública;
- Multa civil
Atos que dão - Proibição de de até 3 vezes
ensejo ao contratar com o o valor do
enriqueciment Poder Público acréscimo
o ilícito ou receber patrimonial;
(Auferir benefícios ou
- Perda dos
qualquer tipo de incentivos - Suspensão
bens ou valores
vantagem fiscais ou dos direitos
acrescidos
patrimonial creditícios, políticos de 8 a
ilicitamente ao
indevida em direta ou 10 anos.
patrimônio;
razão do indiretamente,
exercício de ainda que por -
cargo, mandato, intermédio de Ressarcimento
função, emprego pessoa jurídica integral do
ou atividades da qual seja dano, quando
mencionadas no sócio houver.
art. 1º). majoritário,
pelo prazo de

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10 anos.

ART.10: - Perda da
função pública;
Atos que
- Proibição de - Multa civil
geram prejuízo
ao Erário contratar com o de até 2 vezes
Poder Público o valor do
(Qualquer ação ou receber dano;
ou omissão, benefícios ou
dolosa ou - Perda dos
incentivos bens ou valores
culposa, que fiscais ou - Suspensão
enseje perda acrescidos
creditícios, dos direitos
ilicitamente ao
patrimonial, direta ou políticos de 5 a
patrimônio, se
desvio, indiretamente, 8 anos.
concorrer esta
apropriação, ainda que por situação;
malbaratamento intermédio de
ou dilapidação pessoa jurídica -
dos bens ou da qual seja Ressarcimento
haveres das sócio integral do
entidades majoritário, dano.
referidas no art. pelo prazo de
1º) 5 anos.

- Perda da - Multa civil


ART. 11: função pública; de até 100
vezes o valor
Atos que - Proibição de
da
atentam contratar com o
remuneração
contra os Poder Público
percebida pelo
princípios da ou receber
Agente;
Adm. Pública benefícios ou - Suspensão
incentivos - Perda dos dos direitos
(Qualquer ação bens ou valores
fiscais ou políticos de 3 a
ou omissão que acrescidos
creditícios, 5 anos.
viole os deveres ilicitamente ao
direta ou
de honestidade, patrimônio, se
indiretamente,
imparcialidade, concorrer esta
ainda que por
legalidade e situação;
intermédio de
lealdade às
pessoa jurídica -
instituições).
da qual seja Ressarcimento
sócio integral do

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majoritário, dano, se
pelo prazo de houver.
3 anos.

- Procedimento Administrativo
DOS PROCEDIMENTOS
- Procedimento Judicial.

- Qualquer pessoa poderá


representar à autoridade
administrativa competente para
que seja instaurada investigação
destinada a apurar a prática de
ato de improbidade.
- A representação, que será
escrita ou reduzida a termo e
assinada, conterá a qualificação
do representante, as informações
sobre o fato e sua autoria e a
indicação das provas de que
tenha conhecimento.
- A autoridade administrativa
rejeitará a representação, em
despacho fundamentado, se esta
não contiver as formalidades
estabelecidas na lei. (a rejeição
DO PROCEDIMENTO
não impede a representação ao
ADMINISTRATIVO
Ministério Público).
- A comissão processante dará
conhecimento ao Ministério
Público e ao Tribunal ou Conselho
de Contas da existência de
procedimento administrativo para
apurar a prática de ato de
improbidade.
- Havendo fundados indícios de
responsabilidade, a comissão

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representará ao Ministério Público


ou à procuradoria do órgão para
que requeira ao juízo competente
a decretação do sequestro dos
bens do agente ou terceiro que
tenha enriquecido ilicitamente ou
causado dano ao patrimônio
público.
- Quando for o caso, o pedido
incluirá a investigação, o exame
e o bloqueio de bens, contas
bancárias e aplicações financeiras
mantidas pelo indiciado no
exterior, nos termos da lei e dos
tratados internacionais.

- A ação principal, que terá o rito


ordinário, será proposta pelo
Ministério Público ou pela pessoa
jurídica interessada, dentro de
trinta dias da efetivação da
medida cautelar.
- É vedada a transação,
acordo ou conciliação nas
ações de improbidade.
-A Fazenda Pública, quando for o
caso, promoverá as ações
necessárias à complementação
do ressarcimento do patrimônio
público.
-O Ministério Público, se não
intervir no processo como parte,
atuará obrigatoriamente, como
fiscal da lei, sob pena de
nulidade.
DO PROCEDIMENTO JUDICIAL - A propositura da ação prevenirá
a jurisdição do juízo para todas
as ações posteriormente
intentadas que possuam a

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mesma causa de pedir ou o


mesmo objeto
- A ação será instruída com
documentos ou justificação que
contenham indícios suficientes da
existência do ato de improbidade
ou com razões fundamentadas da
impossibilidade de apresentação
de qualquer dessas provas,
observada a legislação vigente,
inclusive as disposições inscritas
nos arts. 16 a 18 do Código de
Processo Civil.
- Estando a inicial em devida
forma, o juiz mandará autuá-la e
ordenará a notificação do
requerido, para oferecer
manifestação por escrito, que
poderá ser instruída com
documentos e justificações,
dentro do prazo de quinze dias.
- Recebida a manifestação, o
juiz, no prazo de trinta dias, em
decisão fundamentada, rejeitará
a ação, se convencido da
inexistência do ato de
improbidade, da improcedência
da ação ou da inadequação da
via eleita.
- Recebida a petição inicial, será
o réu citado para apresentar
contestação.
- Da decisão que receber a
petição inicial, caberá agravo de
instrumento
- Em qualquer fase do processo,
reconhecida a inadequação da
ação de improbidade, o juiz

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extinguirá o processo sem


julgamento do mérito.
A sentença que julgar procedente
ação civil de reparação de dano
ou decretar a perda dos bens
havidos ilicitamente determinará
o pagamento ou a reversão dos
bens, conforme o caso, em favor
da pessoa jurídica prejudicada
pelo ilícito.

- As ações destinadas a levar a


efeitos as sanções previstas
nesta lei podem ser propostas:
I - até cinco anos após o término
do exercício de mandato, de
cargo em comissão ou de função
de confiança;

DA PRESCRIÇÃO (art. 23) II - dentro do prazo prescricional


previsto em lei específica para
faltas disciplinares puníveis com
demissão a bem do serviço
público, nos casos de exercício de
cargo efetivo ou emprego.
- As ações civis de ressarcimento
ao erário são imprescritíveis (art.
37, §5° CF/88).

Por hoje, é só, então.

Grande abraço e boa semana.

Cyonil Borges

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Questões em Sequência
Questão 1: ESAF - PFN/PGFN/2012 - A Lei n. 8.429 de 1992,
conhecida como Lei de Improbidade Administrativa (LIA), completou,
recentemente, 20 anos de vigência, sendo de larga aplicação em todo
o território nacional. Com relação às normas previstas na referida
legislação, assinale a opção correta.

a) A improbidade administrativa pode ser praticada por agente


público, que seja servidor concursado de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

b) A representação à autoridade administrativa competente é restrita


a agentes públicos para que seja instaurada investigação destinada a
apurar a prática de ato de improbidade.

c) As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas na Lei


de Improbidade Administrativa podem ser propostas até cinco anos
após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de
função de confiança.

d) Da decisão que receber a petição inicial, caberá apelação.

e) O MP atua na ação somente como fiscal da lei.

Questão 2: ESAF - AFC (STN)/STN/Contábil/2013 - Determinado


reitor de uma Universidade Federal laborou na assinatura de contrato
que posteriormente foi considerado pelo Ministério Público Federal
como o início de um esquema delituoso.

Em ação judicial específica, foi deferida a indisponibilidade dos bens


do referido reitor.

Acerca do caso concreto acima narrado, e tendo em mente a


jurisprudência do STJ a respeito do tema, analise as assertivas abaixo
classificando-as como verdadeiras(V) ou falsas(F). Ao final, assinale a
opção que contenha a sequência correta.

( ) A medida constritiva de indisponibilidade de bens pela Lei n.


8.429/92 deve observar, no mínimo, a data de vigência da referida
Lei.
( ) A decretação de indisponibilidade de bens em decorrência da
apuração de atos de improbidade administrativa deve limitar-se aos
bens necessários ao ressarcimento integral do dano, somente sendo

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passíveis de constrição os bens adquiridos posteriormente ao fato


ímprobo.
( ) A possibilidade de indisponibilidade de bens está condicionada à
prévia manifestação dos réus.

( ) A natureza jurídica da indisponibilidade de bens prevista na Lei de


Improbidade Administrativa é manifestamente acautelatória, pois visa
assegurar o resultado prático de eventual ressarcimento ao erário
causado pelo ato ímprobo.

a) F, F, V, V

b) V, V, F, V

c) F, F, V, F

d) V, V, V, F

e) F, F, F, V

Questão 3: ESAF - AnaTA MF/MF/2013 - Quanto à improbidade


administrativa, é correto afirmar:

a) o ato de improbidade, em si, constitui crime cuja sanção consiste


em perda da função pública e suspensão dos direitos políticos pelo
prazo de 8 anos.

b) para a Lei de Improbidade Administrativa enquadra-se como


sujeito ativo os servidores públicos que mantenham vínculo
empregatício.

c) ato que cause lesão ao erário, por meio de ação culposa, não
constitui ato de improbidade administrativa, por ausência de vontade
direcionada intencionalmente para esta finalidade.

d) na ação de improbidade, eventual indenização reverterá em


benefício da pessoa jurídica prejudicada.

e) a todo servidor que se reconhecer a prática de ato de improbidade,


também lhe será imposta a obrigação de ressarcir valores pecuniários
ao erário público.

Questão 4: ESAF - ATRFB/SRFB/Geral/2012 - Segundo a Lei n.


8.429, de 2 de junho de 1992, que trata dos atos de improbidade
administrativa, é correto afi rmar que:

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a) somente servidor público pode ser sujeito ativo de ato de


improbidade administrativa.

b) o integral ressarcimento do dano causado ao patrimônio público


somente se dá se o agente tiver agido com dolo.

c) no caso de enriquecimento ilícito, o agente público beneficiário


somente perderá os bens adquiridos até o limite do valor do dano
causado ao patrimônio público.

d) o sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se


enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações da referida Lei até
o limite do valor da herança.

e) a referida Lei apresenta rol taxativo de condutas que importam o


cometimento de atos de improbidade administrativa.

Questão 5: ESAF - ACE/MDIC/Grupo 1/2012 - Correlacione as


colunas I e II para ao final assinalar a opção que apresente a
sequência correta para a coluna II.

a) 1, 2, 3

b) 2, 1, 3

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c) 1, 3, 2

d) 3, 2, 1

e) 2, 3, 1

Questão 6: ESAF - AFC (CGU)/CGU/Auditoria e


Fiscalização/Geral/2012 - Assinale a opção que, segundo
jurisprudência iterativa do STJ, admite crime culposo.

a) Usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores


integrantes do acervo patrimonial dos entes e das entidades
protegidas pela Lei n. 8.429/92.

b) Receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou


indiretamente, para omitir ato de ofício, providência ou declaração a
que esteja obrigado.

c) Frustrar a licitude de concurso público.

d) Ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em


lei ou regulamento.

e) Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício.

Questão 7: ESAF - AFC (CGU)/CGU/Correição/2012 - Com


fundamento nas disposições atinentes à improbidade administrativa,
de que trata a Lei n. 8.429/92, assinale a opção correta.

Servidor que ingressou no serviço público federal em 2008,


informando em sua declaração de bens e rendas que na data da
posse não possuía bens e, percebendo remuneração mensal de R$
5.000,00 (cinco mil reais), adquiriu para si, no exercício do cargo
público federal, em 2010, uma embarcação náutica pagando a vista o
valor de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), o qual não consegue
informar a origem lícita dos valores para aquisição do bem, incorre
em

a) ato de improbidade administrativa que importa em prejuízo ao


erário.

b) ato de improbidade administrativa que importa em enriquecimento


ilícito.

c) ato de improbidade administrativa por favorecimento a terceiros.

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d) ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento


sem causa.

e) ato de improbidade administrativa por inobservância de princípios.

Questão 8: ESAF - AFC (CGU)/CGU/Correição/2012 - Com


fundamento nas disposições atinentes à improbidade administrativa,
de que trata a Lei n. 8.429/92 e o Decreto n. 5.483/05, assinale a
opção incorreta.

a) Na declaração de bens e valores, de apresentação obrigatória pelo


servidor para posse e exercício em cargo público, se incluem os bens
e valores do cônjuge, companheiro, filhos ou outras pessoas que
vivam sob a sua dependência econômica.

b) A declaração de bens e valores é obrigatória, entre outras


hipóteses, para a posse em cargos de direção e assessoramento
superior.

c) Agentes públicos, do Poder Executivo Federal, têm o dever de


atualizar a declaração de bens e valores anualmente.

d) Será instaurada sindicância patrimonial contra o agente público


que se recusar a apresentar declaração dos bens e valores na data
própria, ou que a prestar falsa.

e) A Controladoria-Geral da União, no âmbito do Poder Executivo


Federal, poderá analisar, sempre que julgar necessário, a evolução
patrimonial do agente público, a fim de verificar a compatibilidade
desta com os recursos e disponibilidades que compõem o seu
patrimônio.

Gabarito

1) Anulada 2) E 3) D 4) D 5) B 6) Anulada 7) B 8) D

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Questões Comentadas

Questão 1: ESAF - PFN/PGFN/2012

A Lei n. 8.429 de 1992, conhecida como Lei de Improbidade


Administrativa (LIA), completou, recentemente, 20 anos de vigência,
sendo de larga aplicação em todo o território nacional. Com relação
às normas previstas na referida legislação, assinale a opção correta.

a) A improbidade administrativa pode ser praticada por agente


público, que seja servidor concursado de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

b) A representação à autoridade administrativa competente é restrita


a agentes públicos para que seja instaurada investigação destinada a
apurar a prática de ato de improbidade.

c) As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas na Lei


de Improbidade Administrativa podem ser propostas até cinco anos
após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de
função de confiança.

d) Da decisão que receber a petição inicial, caberá apelação.

e) O MP atua na ação somente como fiscal da lei.

Comentários:

A questão foi anulada.

Há dois gabaritos corretos.

A letra “A” está correta. Perceba que o item não restringiu o alcance
de agente público. Ao contrário, só fez citar que servidores
concursados podem ser sujeito ativo. E isso é integralmente
verdadeiro. Claro que se o item mencionasse “apenas” ou “somente”
servidor concursado, haverá grotesco erro. E, ao fim, essa foi a ideia
da ilustre banca organizadora.

O item “C” está também perfeita. De regra, as ações prescrevem,


para os comissionados, em cinco anos, depois do término do exercício
de mandato.

Os demais itens estão, de fato, incorretos.

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b) A representação à autoridade administrativa competente é


restrita a agentes públicos para que seja instaurada
investigação destinada a apurar a prática de ato de
improbidade.

Segundo a LIA, terceiros também podem ser sujeito ativo do ato de


improbidade.

d) Da decisão que receber a petição inicial, caberá apelação.

A petição inicial não põe fim ao processo, logo, não é um caso de


apelação. Nos termos da Lei, para esta decisão de natureza
interlocutória, caberá o agravo de instrumento.

e) O MP atua na ação somente como fiscal da lei.

O MP pode ser parte no processo.

Questão 2: ESAF - AFC (STN)/STN/Contábil/2013

Determinado reitor de uma Universidade Federal laborou na


assinatura de contrato que posteriormente foi considerado pelo
Ministério Público Federal como o início de um esquema delituoso.

Em ação judicial específica, foi deferida a indisponibilidade dos bens


do referido reitor.

Acerca do caso concreto acima narrado, e tendo em mente a


jurisprudência do STJ a respeito do tema, analise as assertivas abaixo
classificando-as como verdadeiras(V) ou falsas(F). Ao final, assinale a
opção que contenha a sequência correta.

( ) A medida constritiva de indisponibilidade de bens pela Lei n.


8.429/92 deve observar, no mínimo, a data de vigência da referida
Lei.

( ) A decretação de indisponibilidade de bens em decorrência da


apuração de atos de improbidade administrativa deve limitar-se aos
bens necessários ao ressarcimento integral do dano, somente sendo
passíveis de constrição os bens adquiridos posteriormente ao fato
ímprobo.

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( ) A possibilidade de indisponibilidade de bens está condicionada à


prévia manifestação dos réus.

( ) A natureza jurídica da indisponibilidade de bens prevista na Lei de


Improbidade Administrativa é manifestamente acautelatória, pois visa
assegurar o resultado prático de eventual ressarcimento ao erário
causado pelo ato ímprobo.

a) F, F, V, V

b) V, V, F, V

c) F, F, V, F

d) V, V, V, F

e) F, F, F, V

Comentários:

A resposta é letra E.

A questão foi construída com base no Recurso Especial (STJ) nº


1191497.
Item I – FALSO. Para o STJ, a medida constritiva de
indisponibilidade recai sobre os bens necessários ao ressarcimento
integral do dano, ainda que adquiridos anteriormente ao ato de
improbidade ou até mesmo ao início de vigência da Lei 8.429, de 1992.

Item II – FALSO. Para o STJ, a decretação de indisponibilidade dos


bens, em decorrência da apuração de atos de improbidade
administrativa, mercê do caráter assecuratório da medida, pode
recair sobre os bens necessários ao ressarcimento integral do dano,
ainda que adquiridos anteriormente ao suposto ato de
improbidade.
Item III – FALSO. O candidato não pode confundir a ação
preparatória com a principal.

Para o STJ, a possibilidade de indisponibilidade de bens não está


condicionada ao recebimento da exordial (peça inicial do processo),
tampouco à prévia manifestação dos réus. Ademais, é manifesta
a conclusão no sentido de que a referida fase preliminar somente é
aplicável à "ação principal", no caso específico a ação civil por
improbidade administrativa, mas inexigível em medida cautelar

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preparatória, que é o caso da medida de indisponibilização dos bens


do indiciado. Em suma – a indisponibilidade dos bens é meio a ser
adotado de imediato, para garantira a eficácia de uma futura decisão
do processo por improbidade. O réu terá oportunidade produzir sua
defesa, e tentar mostrar que não deve ser punido com a perda do
patrimônio, mas não é necessário que seja promovida sua oitiva
(audiência) para que, só então, seja indisponibilizado algum
patrimônio que lhe pertença.

Item IV – VERDADEIRO. Como dito no item acima, a


indisponibilidade dos bens do potencial cometedor do ato de
improbidade é medida de cautela (preventiva), a ser adotada para
que se garanta a eficácia de futura decisão a ser adotada.

Gabarito: Letra E

Questão 3: ESAF - AnaTA MF/MF/2013

Quanto à improbidade administrativa, é correto afirmar:

a) o ato de improbidade, em si, constitui crime cuja sanção consiste


em perda da função pública e suspensão dos direitos políticos pelo
prazo de 8 anos.

b) para a Lei de Improbidade Administrativa enquadra-se como


sujeito ativo os servidores públicos que mantenham vínculo
empregatício.

c) ato que cause lesão ao erário, por meio de ação culposa, não
constitui ato de improbidade administrativa, por ausência de vontade
direcionada intencionalmente para esta finalidade.

d) na ação de improbidade, eventual indenização reverterá em


benefício da pessoa jurídica prejudicada.

e) a todo servidor que se reconhecer a prática de ato de improbidade,


também lhe será imposta a obrigação de ressarcir valores pecuniários
ao erário público.

Comentários:

A resposta foi letra D.

Decorre da literalidade da Lei 8.429, de 1992. Vejamos:

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Art. 18. A sentença que julgar procedente ação civil de


reparação de dano ou decretar a perda dos bens havidos
ilicitamente determinará o pagamento ou a reversão dos bens,
conforme o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo
ilícito.

Os demais itens estão incorretos. Vejamos:

Na letra A, temos dois erros. O primeiro, e mais notório, é que


improbidade administrativa tem natureza civil, ou seja, não é crime.
O segundo erro é que a suspensão dos direitos políticos segue uma
gradação conforme o grau de reprovabilidade. Se houver, por
exemplo, enriquecimento ilícito, a suspensão variará de 8 a 10 anos.
Em caso de prejuízo ao erário, de 5 a 8 anos. E, por fim, ferimento a
princípios, de 3 a 5 anos.

Na letra B, a banca considerou o item incorreto! Vejamos o conceito


de agente público:

Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo


aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem
remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação
ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no
artigo anterior.

Então, aquele que mantém vínculo empregatício não pode ser


sujeito ativo?

Logo, está correto afirmar que, para a Lei de Improbidade


Administrativa, os servidores públicos que mantenham vínculo
empregatício enquadram-se como sujeito ativo.

A banca “vacilou” ao não restringir a sentença. Para que estivesse


incorreta, caberia o uso de expressão do tipo “apenas se tiver
vínculo contratual”.

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De acordo com essa nova “jurisprudência” da ESAF, os empregados


das empresas estatais, como da CEF e do BB, sujeitos à CLT, estão
livres da aplicação da Lei de Improbidade Administrativa, afinal, para
a banca, não se enquadram como sujeito ativo! Lamentável!

Na letra C, o art. 10 da Lei dispõe sobre a improbidade que acarreta


prejuízo ao erário. E, no caso, pode ser cometida de forma dolosa ou
culposa.

Na letra E, há três tipos de improbidade: enriquecimento ilícito,


prejuízo ao erário e ferimento a princípios da Administração. É
possível que o servidor incorra exclusivamente em ofensa a princípios
da Administração, sem qualquer conteúdo patrimonial lesivo aos
cofres públicos, e, nesse contexto, não lhe será imposta qualquer
obrigação de ressarcir valores pecuniários.

Questão 4: ESAF - ATRFB/SRFB/Geral/2012

Segundo a Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992, que trata dos atos de


improbidade administrativa, é correto afirmar que:

a) somente servidor público pode ser sujeito ativo de ato de


improbidade administrativa.

b) o integral ressarcimento do dano causado ao patrimônio público


somente se dá se o agente tiver agido com dolo.

c) no caso de enriquecimento ilícito, o agente público beneficiário


somente perderá os bens adquiridos até o limite do valor do dano
causado ao patrimônio público.

d) o sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se


enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações da referida Lei até
o limite do valor da herança.

e) a referida Lei apresenta rol taxativo de condutas que importam o


cometimento de atos de improbidade administrativa.

Comentários:

O cometimento de ato de improbidade administrativo é ilícito de


ordem civil, a ser apurado mediante ação própria, baseada

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essencialmente na Lei 8.429/1992, conhecida como Lei de


Improbidade. À luz de tal norma, analisem-se os itens:

- Letra A: ERRADA. Além dos agentes públicos, terceiros podem ser


sujeito ativo da pratica de ato de improbidade. Veja o conceito de
terceiros, nos termos do art. 3º da Lei:

“As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que,
mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática
do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta
ou indireta”.

Cuidado! O terceiro, ao ser beneficiado pela improbidade, só será


responsabilizado se tiver agido com dolo (intencionalmente), enfim,
tiver ciência da ilicitude do ato. Portanto, não será responsabilizado a
título de culpa.

- Letra B: ERRADA. A simples leitura do dispositivo abaixo responde o


item. Veja, com atenção aos destaques:

Art. 5° Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou


omissão, dolosa ou culposa, do agente ou de terceiro, dar-se-á o
integral ressarcimento do dano.

Então, quando houver prejuízo em razão de ato improbidade, doloso


ou culposo, ocorrerá o integral ressarcimento do dano.

- Letra C: ERRADA. O enriquecimento ilícito é um dos tipos de ato de


improbidade (veja o art. 9º da Lei 8.429/1992, na legislação abaixo).
Com relação a tal espécie, observe o que diz o art.

Art. 6° No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou


terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio.

Agora, releia o item. Veja que ele diz que “o agente público
beneficiário somente perderá os bens adquiridos até o limite do valor

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do dano causado ao patrimônio público”. Não é isso. O limite da


perda do patrimônio é o enriquecimento indevido por parte do agente
público, como se vê no dispositivo acima. Por isso, o item está
ERRADO.

- Letra D: CERTA. Veja o que diz a Lei 8.429/1992:

Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou


se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o
limite do valor da herança.

É exatamente o que diz o item, o qual, por consequência, está


CORRETO.

- Letra E: ERRADA. As condutas apontadas pela Lei 8.429/1992 são


EXEMPLIFICATIVAS, não exaustivas. Nada impede, portanto, que
outras condutas sejam enquadráveis como sendo de improbidade,
mesmo que não haja expressa previsão legal na Lei 8.429/1992.

Legislação

Lei 8.429/1992

Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando


enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial
indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego
ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e
notadamente:

Questão 5: ESAF - ACE/MDIC/Grupo 1/2012

Correlacione as colunas I e II para ao final assinalar a opção que


apresente a sequência correta para a coluna II.

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a) 1, 2, 3

b) 2, 1, 3

c) 1, 3, 2

d) 3, 2, 1

e) 2, 3, 1

Comentários:

Questão relativamente simples.

A Lei 8.429, de 1992, fornece-nos três espécies de improbidade


administrativa, são elas:

- os atos que importam enriquecimento ilícito, como, por exemplo,


o auferimento de qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em
razão do exercício do cargo, mandato, função, emprego ou atividade
na Administração Pública;

- os atos que causam lesão (prejuízo) ao erário, de forma dolosa


ou culposa, como, por exemplo, frustrar a licitude de processo
licitatório e celebrar contrato que tenha por objeto a prestação de

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serviços públicos por meio da gestão associada sem observar as


formalidades previstas na lei;

- os atos que afetam os princípios da Administração, como, por


exemplo, negar publicidade aos atos oficiais e frustrar a licitude
de concurso público.

Façamos as correlações.

Ações e omissões dolosas ou culposas que lesionem o patrimônio


público quando da aplicação das regras de gestão dos recursos, bens
e direitos que o integram.

No caso, o único ato de improbidade que pode ser sancionado


a título de culpa é o prejuízo ao erário. Assim, frustrar a
licitude de processo licitatório (item 2). Ficamos, assim, entre as
alternativas "B" e "E".

Recebimento doloso de vantagem indevida que não decorra da


contraprestação legal pelos serviços prestados.

O núcleo obtenção de vantagem indevida é próprio do


enriquecimento ilícito. No caso, perceber vantagem econômica
para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de
qualquer natureza (item 1). Chegamos à alternativa B (nossa
resposta).

Conduta dolosa de agente que, sem enriquecer ilicitamente ou causar


dano ao patrimônio público, atua com comprovada inobservância dos
princípios regentes da atividade estatal.

Perceba que não houve enriquecimento e sequer prejuízo ao


erário. E, como só temos três tipos de improbidade, restam os
atos que atentam contra os princípio da Administração (item
2).

Questão 6: ESAF - AFC (CGU)/CGU/Auditoria e


Fiscalização/Geral/2012

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Assinale a opção que, segundo jurisprudência iterativa do STJ, admite


crime culposo.

a) Usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores


integrantes do acervo patrimonial dos entes e das entidades
protegidas pela Lei n. 8.429/92.

b) Receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou


indiretamente, para omitir ato de ofício, providência ou declaração a
que esteja obrigado.

c) Frustrar a licitude de concurso público.

d) Ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em


lei ou regulamento.

e) Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício.

Comentários:

Para muitos candidatos, não dava para tentar adivinhar a posição do


STJ. E por isso, tome chute...

Mas, na realidade, bastaria conhecer da tipologia de improbidade que


consta na Lei que rege a matéria: a 8.429/1992. São 3 tipos de
improbidade, por lá:

- Que importam enriquecimento ilícito: art. 9º da Lei 8.429;


- Que causam prejuízo ao erário: art. 10º da Lei 8.429; e,
- Que atentam contra os princípios da administração pública: art. 11º
da Lei 8.429.

Destes, os únicos que comportam a modalidade CULPOSA são os


previstos no art. 10º (os que causam prejuízo ao erário). E não
precisaria conhecer a jurisprudência do STJ para saber disso. Teria de
se conhecer a Lei. Veja o que diz o multicitado art. 10:

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa


lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa,
que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação,

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malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das


entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

Daí, a maldade do examinador: o candidato teria de conhecer os


incisos do art. 10º, pois lá é que nós temos a capitulação legal das
situações de improbidade que geram prejuízo ao erário. E no inciso IX
nós temos:

IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em


lei ou regulamento;

Que é exatamente o que consta da letra D, nosso gabarito.

As demais:

- Letra A: inc. XII do art. 9º - é ato de improbidade que gera


enriquecimento ilícito;

- Letra B: inc. X do art. 9º - é ato de improbidade que gera


enriquecimento ilícito;

- Letra C: inc. V do art. 11º - é ato de improbidade que lesa a


princípio da Administração Pública;

- Letra e: inc. V do art. 11º - é ato de improbidade que lesa a


princípio da Administração Pública;

Bom, mas há uma crítica ao "conceitual" da questão: em meu modo


de ver, o comando tratava de algo que não estava previsto, estrito
senso, na parte GERAL do edital - CRIME! Confira isso, caso tenha
interesse, na parte GERAL (p.2) do Edital. Lá não se cuida de
CRIMES, já que isto é direito penal. E o comando da questão cuida
disso!

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Alguém pode perguntar: mas, professor, a questão cuida de


hipóteses de improbidade! Não seria por lá o enquadramento?
Poderia até ser, caso o examinador informasse que pretende que o
candidato trate do ATO de improbidade que pode ser enquadrado
também como culposo (de fato, o STJ entende que é possível que
alguém seja responsabilizado por improbidade, em razão de culpa,
estrito senso). Entretanto, acho que não há grande chance de o
examinador anular a questão, por alegação de que está fora do
edital. A Banca informará, certamente, que o enquadramento foi feito
pela Lei de Improbidade (que não é uma lei penal, insisto).

Apesar da minha visão preliminar, a banca preferiu pela anulação da


questão, haja vista a noção de crimes extrapolar o edital na parte
geral.

Questão 7: ESAF - AFC (CGU)/CGU/Correição/2012

Com fundamento nas disposições atinentes à improbidade


administrativa, de que trata a Lei n. 8.429/92, assinale a opção
correta.

Servidor que ingressou no serviço público federal em 2008,


informando em sua declaração de bens e rendas que na data da
posse não possuía bens e, percebendo remuneração mensal de R$
5.000,00 (cinco mil reais), adquiriu para si, no exercício do cargo
público federal, em 2010, uma embarcação náutica pagando a vista o
valor de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), o qual não consegue
informar a origem lícita dos valores para aquisição do bem, incorre
em

a) ato de improbidade administrativa que importa em prejuízo ao


erário.

b) ato de improbidade administrativa que importa em enriquecimento


ilícito.

c) ato de improbidade administrativa por favorecimento a terceiros.

d) ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento


sem causa.

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e) ato de improbidade administrativa por inobservância de princípios.

Comentários:

Questão bem tranquila!

Perceba, no enunciado, que a renda do servidor não é, nem de perto,


compatível com o valor do patrimônio adquirido. A seguir, o inc. VII
do art. 9º da Lei 8.429, de 1992 [Enriquecimento Ilícito]:

Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando


enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem
patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato,
função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no
art. 1° desta lei, e notadamente:
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato,
cargo, emprego ou função pública, bens de qualquer natureza
cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à
renda do agente público;

Daí a correção da letra B.

Questão 8: ESAF - AFC (CGU)/CGU/Correição/2012

Com fundamento nas disposições atinentes à improbidade


administrativa, de que trata a Lei n. 8.429/92 e o Decreto n.
5.483/05, assinale a opção incorreta.

a) Na declaração de bens e valores, de apresentação obrigatória pelo


servidor para posse e exercício em cargo público, se incluem os bens
e valores do cônjuge, companheiro, filhos ou outras pessoas que
vivam sob a sua dependência econômica.

b) A declaração de bens e valores é obrigatória, entre outras


hipóteses, para a posse em cargos de direção e assessoramento
superior.

c) Agentes públicos, do Poder Executivo Federal, têm o dever de


atualizar a declaração de bens e valores anualmente.

d) Será instaurada sindicância patrimonial contra o agente público


que se recusar a apresentar declaração dos bens e valores na data
própria, ou que a prestar falsa.

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e) A Controladoria-Geral da União, no âmbito do Poder Executivo


Federal, poderá analisar, sempre que julgar necessário, a evolução
patrimonial do agente público, a fim de verificar a compatibilidade
desta com os recursos e disponibilidades que compõem o seu
patrimônio.

Comentários:

Lembre-se nesses tipos de questão de estar atento ao fato de que o


examinador pede o INCORRETO. Vejamos os comentários por itens:

- Letra A: CERTA. Item em conformidade com o art. 13, § 1º, Lei


8.429/1992.

- Letra B: CERTA. Em razão de diversas normas (por exemplo – caput


do art. 13º da Lei 8.429/1992), a posse em quaisquer cargos públicos
depende da apresentação da declaração de bens, por parte do
servidor. Tal disposição também se aplica à posse em cargos em
comissão.

- Letra C: CERTA. Item em conformidade com o art. 13, caput, Lei


8.429/1992.

- Letra D: ERRADA. Veja o que diz o Decreto 5.483:

Art. 5o Será instaurado processo administrativo disciplinar


contra o agente público que se recusar a apresentar declaração
dos bens e valores na data própria, ou que a prestar falsa,
ficando sujeito à penalidade prevista no § 3o do art. 13 da Lei
no 8.429, de 1992.

Note que no caso de o servidor prestar declaração de rendimentos


FALSA, é caso de instauração de PROCESSO ADMINSTRATIVO (não
sindicância , como diz o item).

- Letra E: CERTA.

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Art. 7o A Controladoria-Geral da União, no âmbito do Poder Executivo


Federal, poderá analisar, sempre que julgar necessário, a evolução
patrimonial do agente público, a fim de verificar a compatibilidade
desta com os recursos e disponibilidades que compõem o seu
patrimônio, na forma prevista na Lei no 8.429, de 1992, observadas
as disposições especiais da Lei no 8.730, de 10 de novembro de
1993.

Legislação:
Lei 8.429/1992

Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam


condicionados à apresentação de declaração dos bens e valores
que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser arquivada
no serviço de pessoal competente.

§ 1° A declaração compreenderá imóveis, móveis, semoventes,


dinheiro, títulos, ações, e qualquer outra espécie de bens e
valores patrimoniais, localizado no País ou no exterior, e,
quando for o caso, abrangerá os bens e valores patrimoniais do
cônjuge ou companheiro, dos filhos e de outras pessoas que
vivam sob a dependência econômica do declarante, excluídos
apenas os objetos e utensílios de uso doméstico.

Gabarito

1) Anulada 2) E 3) D 4) D 5) B 6) Anulada 7) B 8) D

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