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CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM DIREITO TRIBUTÁRIO 2012 – 1º SEMESTRE

Aluno: Rodrigo Bernardi Bracale


Endereço: Al. Lorena, nº 280, Apto. 103. São Paulo-SP.

Aula 03 – 24/03/2012

Imunidades Tributárias
Regina Helena Costa

Indicações de leitura:
1) BALEEIRO, Aliomar. Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar, Forense (Capítulo V –
Imunidades das Atividades Religiosas, Políticas, Assistenciais e Culturais).

A Constituição Federal organiza um regime representativo (art. 1º) e democrático (art. 151, I;
152, I; e 154). A escolha pelo regime democrático não traduz só uma orientação política e jurídica,
mas também ética e filosófica. A interpretação da Constituição, ou de qualquer lei, resulta da
integração sistemática de todos os seus princípios. Uma regra de Direito Constitucional tributário atua
em conjunto com todos os princípios financeiros da Constituição.
A atual Constituição dispõe em seu art. 150, IV:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

VI - instituir impostos sobre:


 a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
 b) templos de qualquer culto;
 c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das
entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins
lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.

As atividades imunes configuram atividades de “interesse público”, no sentido de serem


desempenhadas sem intuito de lucro, ou proveito individual privado. Enquanto atividades que, em sua
essência, não configuram exploração econômica, são despidas de capacidade contributiva.

As imunidades das atividades acima expostas possuem em sua essência a atuação político
partidária, de representação trabalhista, ou o exercício de atividade filantrópica de caráter educacional
ou assistencial em que inexistam: i) fins lucrativos; ii) proveitos pessoais ou ganhos privados; iii)
remessa de lucros ou renda para o exterior.

“Patrimônio” e “serviços” são todos os bens que, móveis e imóveis, corpóreos ou não, possui
ou desempenha a pessoa mencionada pela Constituição ao estabelecer a imunidade. O art. 14, II, do
CTN determinada como requisito para a imunidade, que as rendas sejam aplicadas integralmente no
País para os respectivos fins. Portanto, os fins – educação, assistência social, orientação política ou
religiosa – é que se devem realizar no País, aproveitando a este. O fim específico tem de ser procurado
e realizado no Brasil. Além do inciso II, o art. 14 do CTN dispõe demais requisitos para o gozo da
imunidade:

Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos


seguintes requisitos pelas entidades nele referidas:

I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer


título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)

II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos


institucionais;

III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de


formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

§ 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a


autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício.

§ 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente,


os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo,
previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.

Sucintamente, os requisitos à imunidade são: não aproveitar a interesses privados (distribuição


de lucros); aplicar as rendas no País; manter os meios adequados à comprovação do cumprimento
desses requisitos (escrituração regular).

O tempo de qualquer culto compreende o próprio culto e tudo quanto vincula o órgão à
função. Diante de uma acepção ampla, o culto não tem capacidade econômica, não é fato econômico.
O templo não deve ser apenas a igreja ou sinagoga, onde se celebra a cerimônia pública, mas também
suas dependências, desde que não empregados em fins econômicos.

A instituição de educação não significa apenas a de caráter estritamente didático, mas toda
aquela que aproveita à cultura em geral, como laboratório, instituto, centro de pesquisas, etc. O
importante é que seja realmente “instituição” acima e fora de espírito de lucro, e não simples
“empresa” econômica, sob o rótulo educacional ou de assistência social.

Não está acobertado pela imunidade, assim, o estabelecimento de ensino explorado


profissionalmente pelos seus proprietários, ou que, pertencendo a uma instituição, proporcione
percentagens, participação em lucros ou comissões a diretores e administradores.

Os partidos políticos são pessoas de direito privado, são “instrumentos de governo”, entidades
fundadas e mantidas exclusivamente para fins públicos, como órgãos imediatos e complementares da
organização estatal.

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