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Direitos Fundamentais

Prof. Conrado Hubner Mendes


Prof. Veríssimo
Seminário 10 – Direito à Vida
Vitor Manuel Franciulli de Lima Castro
Vitor Luis Xavier Benucci
Vitor Piazzarollo Loureiro
Após a apresentação em sala, foi aberta a discussão sobre o aborto e suas principais
questões relativas ao direito à vida. A discussão se iniciou com a indagação de qual
critério seria o que define a vida, bem como se ele seria adotado pelo Direito e de que
maneira. Partiu-se da frase presente no parecer do Senado Federal “o direito à vida é
garantido sem adjetivos”, texto de leitura obrigatória para o seminário. Nesse sentido,
alguns questionamentos foram levantados: seria a questão da vida tão incerta como se
coloca? Como o ordenamento exprime os critérios da exclusão da pena, por exemplo? O
critério da vida possui diferenças na esfera civil e na esfera penal?

O debate seguiu para a direção de que o critério a vida no âmbito civil é diferente do
âmbito penal. Além disso, não se pode considerar a vida como algo tão abstrato e
simples como “a mera energia vital”, haja vista que é bem mais complexa. Logo, partiu-
se para uma análise considerada mais pragmática. É muito filosófico dizer que a vida é
inviolável, e como é muito difícil se consensuar sobre quando começa a vida, a
discussão deve ser pautada por termos práticos. Por isso, quando se fala do aborto,
devemos enxergar que há um problema de saúde pública que necessita ser resolvido.

Fora isso, o critério de definição da vida não parece ser tão incontroverso assim para o
Direito, de modo que o Senado Feral possa resolver dar um parecer de que “a vida é
inviolável em todos os casos” devido a essa dita indefinição. Isso porque há sim
critérios científicos que foram adotados pelo legislador no ordenamento jurídico na hora
de se pensar o aborto.

Em seguida, iniciou-se uma discussão acerca do teste de proporcionalidade aplicado.


Analisamos o caso sob a teoria de Robert Alexy: necessidade, adequação e
proporcionalidade em sentido estrito. Chegou-se a um consenso o qual a legalização do
aborto, defendida pelo projeto de lei de Jean Wyllys, cumpre com as 3 etapas da teoria
citada.
No tocante à necessidade, várias medidas alternativas mostraram-se ineficientes para a
resolução de vários problemas relacionados à questão do aborto. A doação em caso de
anuência da mãe, da distribuição de métodos contraceptivos gratuitos e da publicação de
informações sobre saúde sexual e prevenção são exemplos de medidas que, embora
importantes, não são eficazes a ponto de impedir os vários casos de aborto que ocorrem
em todo o Brasil. Outras propostas também falham na falta de qualidade da prestação de
serviços pelas instituições públicas, como o Conselho Tutelar; e a sua falta de
abrangência geral; fatores que, somados, tornam a legalização do aborto uma medida
estritamente necessária.
Tocou-se, então, na questão da adequação. A legalização do aborto, abordada sob a luz
da saúde pública, cumpre com o seu fim ao proteger a vida das mulheres, perdidas em
milhares de clínicas de aborto ilegais que não cumprem com requisitos mínimos de
segurança e qualidade na prestação do serviço. Quanto ao direito da mulher sobre o
corpo, a posição socialmente desigual da mulher é agravada com uma gravidez
indesejada, fator que a degrada psicologicamente de maneira grave. Por fim, quanto a
sua liberdade de determinação, citou-se duas questões importantes: a ocorrência do
aborto independente da sua legalidade; e o recorte de classe dessa prática, já que
pessoas ricas têm acesso a meios mais seguros para tal. A legalização do aborto é uma
medida adequada para a consecução de seus fins e a resolução dos problemas derivados
da sua prática sem um respaldo legal.
Após, relacionou-se a questão do direito à vida. Nesta parte da discussão, foi abordada a
questão da sua inviolabilidade. Auxiliados pelo monitor Gustavo Lucredi, chegamos à
conclusão de que ele não o é, no ordenamento jurídico brasileiro. As previsões para a
prática legal do aborto, nos casos de estupro ou ameaça à vida da mulher; a decisão do
STF que respalda a prática abortiva no caso do feto ser anencefálico; e a pena de morte
no caso de guerra declarada são fatores legais que provam essa constatação.
Retomou-se, também, o sopesamento com vários outros princípios que poderiam
derrubar uma posição favorável ao aborto, contrariada pelo deputado federal Flavinho e
pela comissão do Senado em relação à reforma do Código Penal. A proteção de uma
presunção da vida, situação do feto é sopesada com a autonomia da mulher; o risco à
sua saúde física e psíquica; o acesso precário à saúde pública; e a dignidade da pessoa
humana, abordada sob o enfoque da liberdade sobre o corpo e a igualdade procurada em
contexto de posição desigual da mulher. Há várias questões que, devido à sua
importância e sua relevância social, sobrepõem o direito à vida.
Voltou-se a pergunta sobre o momento no qual a vida se iniciaria. Se fosse no momento
da concepção, o uso da pílula do dia seguinte seria um crime. Além disso, fez-se a
interessante observação de que os meios contraceptivos não dão uma certeza plena
contra a gravidez
Foi abordado também a questão de o aborto ser seletivo. Quem mais sofre com essa
política da punibilidade são as pessoas marginalizadas, que não conseguem ter acesso
aos métodos contraceptivos de maneira plena. Falou-se, ainda, que o momento da
relação sexual é um momento em que o ser-humano é tomado pela emoção, deixando de
lado a razão, e por isso, não teria como “responsabilizar” a concepção.

Outro ponto levantado foi se o legislador teria que trazer igualdade. E qual seria essa
igualdade. Uma igualdade de gênero? Uma igualdade na concepção tradicional de tratar
igualmente os iguais e desigualmente os desiguais?

Por fim, foi discutido o caso do aborto es estágios avançados, por exemplo, após 12
semanas da concepção. Será que teria que ser levado em conta a dor do feto? Porque em
estágios avançados o feto já começa a desenvolver sensibilidade e sentir dor. Ou será
que esse aspecto não deveria ser considerado? Basicamente, foram essas e as outras
tantas questões já mencionadas que foram trazidas durante a discussão.

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