Você está na página 1de 12

TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES I – 2ª PROVA

Tarsila Fonseca Tojal


1. DAS OBRIGAÇÕES PROPTER REM
Obrigações propter rem são aquelas derivadas de direito real, de forma que a
prestação está vinculada ao titular da coisa, seja ele quem for.
• Independem da manifestação de vontade por parte do devedor, uma vez que
acompanham a coisa que lhe pertence, não ele.
• Obrigação ambulatorial  Há a transmissibilidade da obrigação junto com a
alienação do bem que ela acompanha.
• Obrigação liberatorial Acompanham o abandono liberatório (que é uma
forma de extinção de propriedade), como no caso em que, havendo uma
servidão predial, o dono do prédio serviente abandona a propriedade ao dono
do prédio dominante, situação descrita no artigo 1382 do CC/02.
Obrigações propter rem, há de se ressaltar, possuem natureza jurídica mista, sendo
uma espécie híbrida entre os direitos reais e os obrigacionais. Isso deriva do fato que a
obrigação é perante um credor apenas (não erga omnes), mas acompanha a
titularidade da coisa, mudando de devedor conforme a alienação do bem.
Exemplos de obrigações propter rem são:
• As despesas condominiais, uma vez que o adquirente deve pagar mesmo que
tenham sido contraídas pelo titular anterior do imóvel, algo previsto pelo
artigo 1345 do CC/02.
• No direito ambiental, é o caso das áreas de proteção permanente (APPs), que
acompanham o imóvel rural, nos termos do Novo Código Florestal (artigo 7º,
§2º).
• Titulares de prédios confinantes, no que tange aos gastos relativos ao muro
comum.
• Benfeitorias necessárias  quando há conflito entre o proprietário
reivindicante e o possuidor de boa-fé que realizou benfeitorias necessárias
(este deve ser ressarcido necessariamente).
• IPTU e ITR, segundo o entendimento do STJ, não é ônus real, sim uma
obrigação propter rem  o adquirente do imóvel que responde, não o antigo
titular.
Direito de regresso por parte do adquirente: Apesar de o adquirente ser responsável
pelas dívidas do bem alienado, possui ele direito de regresso sobre o alienante 
Trata-se de uma questão de responsabilidade civil, prevista no artigo 927 do atual
código (“aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”).
• No caso de o alienante omitir a existência de dívidas condominiais que
acompanhavam o imóvel, por exemplo, faltou com a boa-fé objetiva, além de
violar o artigo 4º, § único da Lei 4591/64. Fica ele, assim, obrigado a reparar o
dano causado ao adquirente, apesar de este ser o titular da dívida no momento
que adquiriu o direito real sobre o imóvel.
2. DOS EFEITOS DAS OBRIGAÇÕES. TEORIA DO PAGAMENTO.
SUJEITOS DO PAGAMENTO. DA QUITAÇÃO
Adimplemento das obrigações O fim natural de uma obrigação é seu pagamento
(implemento/cumprimento), seja ela de dar, de fazer ou de não fazer.
• Há, contudo, formas alternativas de pagamento. É o caso, por exemplo,
quando o credor nega-se a recebê-lo (nesse caso, deve ser feito o pagamento
em juízo).
• Necessária a análise do vínculo obrigacional
Sujeitos do pagamento  Do ponto de vista da teoria do pagamento:
• Sujeito ativo é quem deve pagar
• Sujeito passivo é a quem se deve pagar
Quem paga? A regra geral é que a dívida deve ser paga pelo devedor ou terceiro
interessado na extinção da obrigação (isso quando não se trata de obrigação
infungível, na qual o sujeito passivo da obrigação é determinado e não pode ser
trocado). O terceiro não interessado também pode pagar a dívida em nome do devedor
(doação) ou no seu, algo que lhe concede direito de reeembolso (não de sub-
rogação!).

Doação    
Em  nome  do  devedor  
e  por  conta  do  
devedor  (art  304)  
Não  pode  exigir  
TERCEIRO  NÃO  
INTERESSADO  

 Não  substitui  posição  


Tem  direito  a  
Em  nome  próprio  (art   do  credor,  pois  não  
reembolso,  mas  não   participa  da  relação  
305)   se  subroga  
jurídica  

Se pagamento envolve a entrega de determinado bem, só pode realizá-lo quem for o


titular desse bem (art. 307 CC)  Princípio da continuidade do registro
• Parágrafo único do artigo 307 CC No caso de coisa fungível que foi
entregue e consumida de boa fé, não há como solvente que alienou o bem
reclamar.
Recebimento do pagamento credor ou seu representante, que o substitui a título
universal ou particular, cessionário o credor original (cessão de direitos).
• Sucessão a título universal  totalidade de bens  não se sabe se houve
divisão de bens entre devidos destinatários (transferência do patrimônio total
ou de uma quota dos bens)
• Sucessão a título particular  um determinado bem é entregue
Quitação  paga-se à pessoa que pode dar quitação, ou seja, a confirmação de que a
obrigação está resolvida  o instrumento de quitação é o documento que confirma
que pagamento foi feito, podendo ser um mero recibo assinado pelo credor e entregue
ao devedor.
• Recibo por escrito
• Credor não pode se negar a dar a quitação
• Trata-se de uma garantia concedida ao devedor (da mesma forma que, por
exemplo, a solidariedade passiva é uma forma de garantia ao credor).
o Caso credor se recuse a e entregar a quitação  é recomendado que
ele segure o pagamento, o que não lhe acarreta prejuízo, no caso (art
319)
• Consignação seguida de quitação é recomendada
• Pagamento gera presunção de quitação (que não é absoluta, por óbvio)
Quitação pode ser
• Total
• Parcial
• Específica (caso do pagamento regular a funcionário)

No caso de credor absolutamente incapaz  seu representante


No caso de credor putativo  devedor acha de boa-fé e circunstancias levam-no a
achar que determinada pessoa é seu credor, sendo que não o é  Não existe, nesse
caso, a máxima “quem paga mal, paga duas vezes” (art 309 CC)
• Caso de herdeiros se circunstâncias levam devedor a achar que há apenas
um herdeiro, a dívida é solucionada quando devedor pagar àquele credor certo.
Os demais herdeiros depois devem recorrer àquele que recebeu o pagamento,
não ao devedor.

Legal   lei  que    determina  

Judicial   juiz  que  determina  


QUANTO  À  
REPRESENTAÇÃO  

partes  que  
determinam  (art  311  
CC)  
Convencional  
pode  ser  expresso  ou  
tácito,  baseado  na  
práxis  (ex:  entrega  ao  
porteiro)  
3. OBJETO DO PAGAMENTO. LUGAR E TEMPO DO PAGAMENTO.
Local do pagamento A regra geral é o pagamento no domicílio do devedor, mas
esse não é o comum. Por uma questão contratual, o comum é que o devedor pague a
dívida no domicílio do devedor ou por boleto
• Dívida quesível  ideia de que o credor deve buscar o pagamento de sua
dívida.
• Dívida portável  o oposto de quesível; ideia de que o devedor que tem que ir
atrás para quitar seu débito.
Por lei:
• O salário do funcionário deve ser pago no local de trabalho
• Dívidas fiscais devem ser pagas na repartição pública
• A entrega de imóvel deve ser feita no próprio imóvel a ser entregue
Tempo do pagamento  no caso das obrigações puras (sem prazo de pagamento
estipulado), o credor pode exigi-lo imediatamente e a qualquer hora (art 331). No caso
das obrigações impuras, há a estipulação de uma data ou de uma condição para o
pagamento seja efetuado.

4. PROVA DO PAGAMENTO. PRESUNÇÕES DO PAGAMENTO.


PAGAMENTO INDEVIDO.
Locupletação ilícita  é considerada por parte da doutrina sinônimo do
enriquecimento sem causa (artigos 884 a 886 CC/02)  Trata-se de um ato
unilateral no qual um sujeito enriquece às custas de outro que, por sua vez,
empobrece.
• O nexo causal entre o enriquecimento de um e o empobrecimento de outro,
assim, deve ser verificado para que essa conduta ilícita se configure.
• Além disso, desde o Direito Romano, o enriquecimento sem causa é
considerado uma fonte de obrigações, uma vez que aquele que recebeu o que
não lhe era devido fica obrigado a restituir o indivíduo prejudicado,
• “Actio in rem verso”
• Cláusula aberta
Pagamento indevido (artigos 876 a 883 do CC/02)  uma das modalidades do
enriquecimento sem causa, que é uma cláusula aberta
• Artigo 876  aquele que receber qualquer quantia que não lhe seja devida
fica obrigado a restituí-la
• Ação de repetição de indébito
• Ainda, exige-se que o pagamento, necessariamente voluntário, seja efetuado
por erro ou por ignorância do pagante.
o Tal equívoco, por sua vez, pode decorrer tanto de uma circunstância
jurídica (um erro de direito), como de uma confusão meramente
qualitativa (erro de fato, relacionado à quantia entregue).
PAGAMENTO  
INDEVIDO  
LOCUPLETAÇÃO   ENRIQUECIMENTO  
ILÍCITA   SEM  CAUSA  
Exploração  de  bens,  
trabalhos,  direitos  
alheios    

QUANTO AO PAGAMENTO INDIREITO


(INTRODUÇÃO AOS PRÓXIMOS TÓPICOS)
Do pagamento:

DEVEDOR  ou  
vai  sofrer  com  
Interessado  
inadimplemento  
TERCEIRO  
questão  moral  
Não  interessado  
("brother")  

Real  

CREDOR  
"parece  mais  não  é"  
Putativo     e  não  tem  como  
devedor  saber  

Pagamento indireto  ato jurídico em sentido estrito, que libera o devedor do


vínculo jurídico.
• Consignação – art. 334 a 345 • Novação – art. 360 a 367
• Sub-rogação – art. 346 a 351 • Compensação – art. 368 a 380
• Imputação – art. 352 a 355 • Confusão – art. 381 a 384
• Dação – art. 356 a 359 • Remissão – art. 385 a 388
 mediante  entrega  da  
DIRETO   coisa  prometida  do  
devedor  ao  credor  
PAGAMENTO    
alternativas  para  o  
INDIRETO     cumprimento  da  
obrigação  

5. PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO.


Consignação em pagamento De acordo com o artigo 334 do CC/02, a
consignação é considerada pagamento e extingue a obrigação. A consignação pode
ser feita por depósito judicial ou em estabelecimento bancário de coisa devida pelo
sujeito passivo de uma obrigação.
• No processo civil, o depósito se refere à própria importância devida e libera o
devedor da obrigação, conforme consta nos artigos 890 a 900 do CPC/73.
Nesse sentido, pode-se dizer que a consignação em pagamento é uma forma de
proteger o devedor contra as conseqüências advindas do inadimplemento.
o Prazo de dez dias para que o devedor notifique o credor quanto à
consignação  A notificação garante que não seja constatada a mora
por parte do devedor, o que lhe seria prejudicial.
o Commodities  o pagamento pode ser feito em armazéns gerais, que
funcionam como bancos nessas situações
Dúvida quanto ao credor legítimo do objeto do pagamento  aconselha-se que seja
feito um depósito judicial da coisa devida. Isso porque, na hipótese de o devedor
pagar o débito à pessoa errada, isso não extingue sua obrigação perante o credor
autêntico. Persiste a máxima, nesse caso “quem paga mal, paga duas vezes”.
• O devedor, no caso de pagar para a pessoa errada, não se desobriga em
relação ao verdadeiro credor  é claro que foi feito pagamento indevido,
o que possibilita o devedor a entrar com uma ação de repetição de
indébito.  todavia, trata-se de uma ação diferente; o dever do “falso
credor” de restituir a quantia indevidamente recebida não está relacionado
àquele que vincula o devedor ao verdadeiro credor.
Levantamento do depósito  o devedor pode fazer o levantamento do depósito por
ele realizado, desde que o faça antes de o credor sacar o valor ou impugná-lo. Além
disso, o levantamento deve ser feito antes de o juiz julgar o depósito procedente (art.
339 CC/02).
• Julgado procedente o depósito, o devedor não poderá levantá-lo nem
mesmo com o consentimento do credor  exceção: se, além de haver o
consentimento do credor, haja um acordo entre o ele e os demais
devedores e fiadores (art. 339 CC/02).
• Antes de julgado procedente: não é considerada a extinção da dívida, já
que considera-se que não houve um efetivo pagamento em depósito
judicial.
Quando credor sacar o valor, ou o juiz julgar procedente: fica o devedor (e os co-
devedores, se houver) desobrigado.

6. PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO.


Sub-rogação  trata-se de uma substituição feita no contrato, mas que não extingue
esse documento, nem o substitui por um outro (não há animus novandi, portanto).
• Geralmente a sub-rogação é pessoal, ou seja, com relação ao credor ou ao
devedor.
o Ex: A deve a B 100. C paga a dívida no lugar de A  C passa a ocupar
a posição de credor, portanto, o que configura a sub-rogação. Desse
forma, a obrigação passa a ser de A perante a C.
Dois tipos de sub-rogação:
• Legal (art. 346)  muda-se necessariamente a posição do sujeito quando as
partes se encontrarem nas situações descritas pelo artigo:
o Credor que paga a dívida do devedor comum (X deve a A, B e C  se
A pagar o que X deve a B, passa a ser credor de X também nesse
débito)
o Adquirente do imóvel ao credor hipotecário, que efetiva o pagamento
para não ser privado de nenhum direito sobre o imóvel
o Terceiro interessado, que podia ser cobrado da dívida ou prejudicado
caso ela não fosse paga.
• Convencional (art. 347)  precisa haver convenção (ajuste negocial) entre o
credor e o pagante ou entre o pagante e o devedor (respectivamente, incisos I e
II).
O Credor recebe pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere
todos os seus direitos
O Terceiro empresta valor para o devedor com a condição de ficar o
mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.
Dois efeitos da sub-rogação
• Liberatório
• Translativo: transladar a titularidade do crédito
o Total
o Parcial
 Credor originário Credor originário tem preferência ao
 Credor sub-rogado sub-rogado na cobrança da dívida
restante (art. 351)

Credor sub-rogado pode exigir o pagamento imediato da dívida que ele pagou
 se houver abuso de direito, devedor pode entrar com ação indenizatória (no
caso de A dever a B e ter o prazo de 1 ano pra pagar. Se C torna-se credor sub-
rogado, pode exigir o pagamento imediato, o que pode prejudicar A,
dependendo das circunstâncias). Confere?

7. A IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO.
Imputação ao pagamento  a pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma
natureza e ao mesmo credor tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento,
se todos os débitos forem líquidos e vencidos (art. 352).  nosso código entende que
essa forma de pagamento é considerada indireta.
Requisitos:
• Pluralidade de débitos
• Identidade de devedor e de credor  mesmo credor e mesmo devedor
• Identidade de dívidas  quanto à natureza e à fungibilidade
Quem imputa?
• O devedor  caso não haja dispositivo em contrário no contrato (art. 352)
• O credor  quando o devedor for omisso (art. 353)
• A lei  caso os dois sejam omissos (art. 354 e 355)  pagar as dívidas
vencidas antes/ as mais onerosas/ os juros/ aquelas que possuírem garantias
reais etc.

8. A DAÇÃO EM PAGAMENTO.
Dação em pagamento  dar em pagamento coisa diferente daquela que foi ajustada
• É exceção: depende do consentimento do credor (art. 356)
Tipos
• Substituição da pecúnia por coisa
• Substituição da coisa por coisa
• Substituição da coisa por fato
Evicção: se credor for evicto, a coisa dada em pagamento deve ser restituída ao seu
titular original, e a obrigação anterior é restabelecida (art. 359)
• A evicção só pode existir em contratos onerosos  trata-se da garantia que a
lei concede ao sujeito que perde coisa em razão de “ato de autoridade”
• Se X é evicto, significa que perdeu a coisa que lhe foi entregue em razão de
direito anterior ao seu e maior (o direito de propriedade alegado por outrem).
• A evicção torna o pagamento ineficaz.

9. A CONFUSÃO.
Confusão  A confusão ocorre quando o credor e o devedor se tornam a mesma
pessoa, seja ela física ou jurídica (art. 381 do CC/02).
• Caso de o devedor ser herdeiro do credor ou quando há a incorporação de uma
empresa por outra.
• Segundo o artigo 382, pode ser tanto total (envolvendo toda a dívida) quanto
parcial (envolvendo apenas parte da dívida).

10. A COMPENSAÇÃO.
Compensação  a compensação (art. 368 CC/02) é uma forma indireta de
pagamento que pode ocorrer quando duas pessoas forem simultaneamente devedora e
credora uma da outra. Nesse caso, as respectivas obrigações se extinguem até o ponto
em que se compensarem.
• Nota-se que, como previsto pelo artigo 369, as dívidas a serem compensadas
devem ser liquidas, vencidas e de coisas fungíveis, sendo, portanto de bens do
mesmo gênero.
• Ademais, cabe lembrar que a compensação é uma medida dispositiva (art.
375) e pode, assim, não ser adotada dependendo da vontade entre as partes.

11. A NOVAÇÃO.
Novação  A novação é um tipo de pagamento indireto, tendo como fundamento o
“animus novandi” das partes, ou seja, sua intenção de que surja uma nova obrigação
derivada da original (artigo 361 do CC/02)  intenção pode ser tácita ou expressa,
desde que seja inequívoca.
• Além disso, novação, segundo o artigo 360 do CC/02, pode ser tanto objetiva
(“quando o credor contrai com o devedor uma nova dívida para extinguir e
substituir a anterior”) quanto subjetiva (quando estipula-se um novo credor ou
devedor no lugar do anterior).
• Feita a novação, há o surgimento de uma nova obrigação, sendo que ela difere
daquela prevista no contrato anterior por causa de um de seus elementos (e
apenas um).
Novação de obrigações nulas, anuláveis ou prescritas:
• Nulas: não podem ser realizadas dado que é impossível novar uma obrigação
que nunca gerou efeitos e que jamais foi reconhecida pelo direito.
• Anuláveis: podem ser objeto de novação, desde que seu vício seja
devidamente corrigido. Isso ocorre, pois as obrigações anuláveis geram
efeitos na medida em que não são devidamente anuladas.
• Prescritas: a jurisprudência considera que elas sejam sujeitas a novações,
dado que o artigo 367 do CC/02 prescreve que apenas as obrigações nulas e
extintas não podem ser objeto de novação (e as anuláveis, desde que seu vicio
não seja corrigido).

12. O PAGAMENTO POR REMISSÃO.


Remissão  é o perdão da dívida, uma espécie de renúncia por parte do credor. Com
ela, extingue-se a dívida, mas sem prejuízo de terceiro (art, 385)
Perdão (≠ de desconto):
• Total ou parcial
• Depende da aceitação do devedor
o Se credor oferece e o devedor nega, a única forma de ele pagar passa a
ser por consignação em pagamento (não faz sentido isso)
• Pode ser:
o Expresso
o Tácito, por uma questão de comportamento
o Presumido, a depender da lei  entrega do titulo da obrigação (art.
386), restituição voluntária do objeto empenhado (art. 387) etc
O objeto do perdão deve estar claro  dívida inteira, parte dela, a garantia etc, sendo
que o acessório segue o principal.

13. CLÁUSULA PENAL.


Cláusula penal  trata-se de um valor pré-estabelecido no contrato que será
agregado ao valor devido caso o devedor culposamente deixe de cumprir com a
obrigação ou entre em mora (art. 408)  multa convencional/ pré-fixação de perdas e
danos  valor indenizatório
Cláusula penal (art. 408 a 416)  é uma modalidade de inadimplemento, não de
obrigação
• Estipulação por escrito de pena ou de sanção que obedeça os limites da lei 
deve estar prevista no contrato e só pode ser reivindicada caso haja
descumprimento total ou parcial da obrigação
• Instrumento posterior relacionado ao contrato principal  princípio da
gravidade jurídica (acessório segue o principal).
• Valor da cláusula penal não pode exceder o valor da obrigação principal (art.
412)

14. NOÇÃO DE CASO FORTUITO E FORÇA MAIOR.

MORA  -­‐  pagamento  


RELATIVO   ainda  interessa  ao  
credor  
INADIMPLEMENTO  
IMPORTÂNCIA DA CULPA
ABSOLUTO   DO DEVEDOR PARA QUE
ELE SE RESPONSABILIZE
PELO INADIMPLEMENTO
Questão da responsabilidade civil obrigação de reparar o dano
• Contratual
• Extracontratual Obs: o prisma do
o Subjetiva  (art. 927) ação/omissão, nexo E culpa nexo causal deve
o Objetiva (art. 927, parágrafo único) Casos previstos ser o primeiro a
em lei e quando atividade desenvolvida é de risco  ser verificado
ação/omissão, nexo
Excludente  situações em que a obrigação de reparar o dano não se aplica

• Caso fortuito ou força maior podem ser excludentes de culpabilidade 


isso porque a culpa, em sentido amplo, depende do dolo, imprudência,
imperícia ou negligência.
o São elementos externos que interrompem o nexo de causalidade 
elemento novo que exclui a responsabilidade subjetiva
• Para excluir a responsabilidade objetiva, só a culpa exclusiva da vítima (a
culpa concorrente, assim, não exclui a responsabilidade de indenizar)  mas
isso apenas para a Teoria do Risco Integral
o No caso da Teoria do risco exacerbado, nem o nexo é preciso provar.

CASO   FORÇA  
FORTUITO   MAIOR  

Atividade   Fenômeno  da  


humana   natureza  

O artigo 393 equipara caso fortuito e força maior.


Interno  -­‐  ligado  à  
Pra quê serve a distinção então?Há situações em que
atividade  (leva  à  
responsabilidade   cabe excludente de apenas um
objetiva)  
Ex; criação de risco exclui apenas força maior

Ex: Direito Ambiental e responsabilidade objetiva em


Externo-­‐  não  
ligado  ao  risco  da   ambos os caso (Teoria do Risco Integral, apesar da
atividade   Profa. Patrícia acreditar na Teoria do Risco Criado)

Lei dos danos nucleares (Lei nº6453/77)  Não admite caso fortuito ou força
maior como excludentes de responsabilidade (Teoria do Risco Integral)  a
única exceção é a de culpa exclusiva da vítima, o que é praticamente
impossível.
Artigo 399  devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora
essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, mesmo se estes
ocorrerem durante o atraso.
• Exceção: caso haja isenção de culpa ou quando dano sobreviria ainda quando
obrigação fosse oportunamente desempenhada.
15. PERDAS E DANOS. JUROS LEGAIS, CORREÇÃO MONETÁRIA E
OUTROS INSTITUTOS: DÍVIDAS EM DINHEIRO E DÍVIDA DE VALOR.
16. NOÇÕES FUNDAMENTAIS SOBRE A LIQUIDAÇÃO DAS
OBRIGAÇÕES - SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO DAS
OBRIGAÇÕES - DO CONCURSO E DAS PREFERÊNCIAS DOS
CREDORES.
17. CESSÃO DE CRÉDITO.
18. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA OU CESSÃO DE DÉBITO
19. CESSÃO DO CONTRATO.

Você também pode gostar