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DIREITO CIVIL PARA O ICMS-RJ

PROFESSOR LAURO ESCOBAR

AULA 13

DIREITO DAS SUCESSÕES

SUCESSÃO EM GERAL:

LEGÍTIMA E TESTAMENTÁRIA

INTRODUÇÃO

Meus Amigos e Alunos. Podemos dizer que esta aula é a etapa final de
nossos estudos, pois trata-se de nossa última aula. Recapitulando... nas
primeiras aulas falamos sobre a Parte Geral do Código Civil (Pessoas, Bens e
Fatos/Atos Jurídicos). Passamos então pelo Direito das Obrigações, a Parte Geral
dos Contratos e os Contratos em Espécie. Depois ingressamos Direito das
Coisas. Foram duas aulas sobre este importante e extenso tema. Na aula
passada vimos o Direito de Família e hoje veremos o Direito das Sucessões. Na
aula de hoje vamos falar sobre as Espécies de Sucessão (Legítima e
Testamentária). Com esta aula completamos todo o programa de Direito Civil
que é visto em uma Faculdade de Direito. Após a aula de hoje vocês terão uma
visão completa do Direito Civil. Agora é ficar atento aos editais. Cada vez
que um edital for publicado, verifiquem item por item do mesmo, conferindo
com o conteúdo de nossas aulas. Como estas aulas formam um curso completo,
vá eliminado do centro do estudo, aquilo que o edital não se refere (“o que não
está no edital não está no mundo”).

Mais uma vez, aproveito a oportunidade para enviar a todos um


grande abraço, como se eu estivesse aí com vocês, e um grande beijo no
coração. Mais uma vez desejo tudo de bom para vocês. Muitas ALEGRIAS e
SUCESSO nesta empreitada que vocês se propuseram.

Alguns Avisos Importantes: o Direito de Sucessões (assim como o


Direito de Família) mudou muito do Código Civil anterior para o atual. Muita
coisa, mas muita coisa mesmo mudou. Portanto cuidado ao estudar por algum
livro antigo... ou fazer algum exercício antigo... estão todos superados. Mas
como já disse, nossas aulas estão totalmente atualizadas, inclusive quanto aos
exercícios. Todos eles estão de acordo com o novo Código Civil, bem como com
a legislação complementar sobre o tema. Sempre que uma lei nova altera algo

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da matéria, faço uma revisão geral das aulas. E em especial nos testes, para
que fiquem de acordo com as novas disposições legais. Outra coisa: este tema
ficou agora mais complexo. Não diria difícil. Ficou complexo. Principalmente em
relação aos direitos do cônjuge sobrevivente e do convivente (união estável).
Darei muitos exemplos em aula. Mas é interessante que o aluno observe o
exemplo com lápis e papel na mão, para poder acompanhar melhor a seqüência
do raciocínio, principalmente quanto à divisão dos bens. Finalmente: Como
sabemos, a presente aula foi dirigida para exames e concursos públicos. Mas eu
diria que ela pode ajudar a esclarecer casos particulares que algum aluno possa
ter em sua família ou com algum amigo. Por isso ela é muito interessante e
atual. Tenho certeza que muitos alunos vão se identificar com alguns exemplos
dados nesta aula e terão esclarecidas muitas dúvidas pessoais sobre o assunto.
Mas cuidado para não se dispersar em detalhes que não têm importância para
concursos.

COMECEMOS ENTÃO.

CONCEITO
Podemos conceituar o Direito das Sucessões como sendo o conjunto de
normas que disciplinam a transferência do patrimônio (ativo e passivo – ou
seja, créditos e débitos) de alguém, depois de sua morte, em virtude de lei ou
testamento. Está regulado nos arts. 1.784 a 2.027 CC. Lembrem-se que a
Constituição Federal assegura o Direito de Herança (artigo 5º, XXX). O
fundamento do Direito Sucessório é a propriedade, conjugada ou não com o
Direito de Família.

CONTEÚDO

x Sucessão em Geral (arts. 1.784/1.828 CC)


x Sucessão Legítima (arts. 1.729/1.756 CC)
x Sucessão Testamentária (arts. 1.757/1.990 CC)
x Inventário e Partilha (arts. 1.991/2.027 CC)

ABERTURA DA SUCESSÃO – REGRAS

A Abertura da Sucessão (também chamada de delação ou devolução


sucessória) se dá no momento da constatação da morte comprovada do de
cujus (expressão latina abreviada da frase ‘de cujus successione agitur’ ou ‘de
cujus hereditatis agitur’ – ou seja, aquele de cuja sucessão se trata); o “de
cujus” também é chamado de autor da herança. Nesta aula vamos usar muito
essa expressão: “de cujus” para nos referirmos à pessoa que faleceu. É o
falecido. A Lei de Introdução ao Código Civil (vejam o art. 10) o trata como

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“defunto” (pessoalmente, não sei explicar porquê, costumo evitar esta


expressão... não me soa bem... mas não é errada).

O Princípio Básico do Direito das Sucessões é conhecido como Droit de


Saisine (pronuncia-se “druá dê cesíni” – trata-se do direito de posse imediata
= também chamado de “saesina juris”), ou seja, transmite-se automaticamente
e imediatamente o domínio e a posse da herança aos herdeiros legítimos e
testamentários do de cujus, sem solução de continuidade (ou seja, sem
interrupção) e ainda que estes (os herdeiros) ignorem tal fato (art. 1.784 CC).
Na prática não necessita de qualquer outro ato. No entanto deve-se proceder a
um inventário (falaremos dele no final desta aula) para se verificar o que
exatamente foi deixado e o que será transmitido para os herdeiros.
Só se abre sucessão se o herdeiro sobrevive ao de cujus. O herdeiro que
sobrevive ao de cujus (ainda que por um instante), herda os bens por ele
deixados e os transmite aos seus sucessores, se falecer em seguida (mesmo
que faleça logo em seguida). No entanto há a necessidade de apuração da
capacidade sucessória, conforme veremos adiante.

ESPÉCIES
Podemos classificar a sucessão em:

x Legítima (ou ab intestato) o decorre da lei; morrendo uma pessoa sem


testamento, transmite-se a herança aos herdeiros legítimos indicados pela
lei, conforme veremos mais adiante. Também será legítima se o testamento
caducar ou for declarado nulo.

x Testamentária o ocorre por disposição de última vontade (testamento).


Havendo herdeiros necessários (cônjuge sobrevivente, descendentes ou
ascendentes), o testador só poderá dispor de metade da herança (art. 1.789
CC). A outra metade constitui a “legítima”, assegurada aos herdeiros
necessários. Não havendo esta categoria de herdeiros, a pessoa poderá
deixar seus bens por testamento livremente; terá plena liberdade para testar.
Mas se for casado sob o regime da comunhão universal de bens (art. 1.667
CC) o patrimônio do casal será dividido em duas meações e a pessoa só
poderá dispor da sua meação.

Nosso ordenamento proíbe qualquer outra forma de sucessão,


especialmente a contratual. São proibidos os pactos sucessórios, não
podendo ser objeto de contrato a herança de pessoa viva (art. 426 do
C.C. – chamamos isso de pacta corvina – “acordo do corvo”). No
entanto admite a cessão de direitos, como veremos mais adiante.

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x A título universal o o herdeiro é chamado para suceder na totalidade da


herança, fração ou parte dela, assumindo a responsabilidade relativamente
ao passivo. Pode ocorrer tanto na sucessão legítima como na testamentária.
x A título singular o o testador deixa ao beneficiário um bem certo e
determinado (legado). O herdeiro não responde por eventuais dívidas da
herança.

O herdeiro sucede a título universal e o legatário (veremos


melhor esta expressão mais adiante) a título singular.

HERANÇA

O objeto da sucessão causa mortis (em razão da morte) é a herança,


dado que, com a abertura da sucessão, ocorre a mutação subjetiva do
patrimônio do de cujus, que se transmite aos seus herdeiros, os quais se sub-
rogam nas relações jurídicas do morto.
A herança também é chamada de espólio ou monte. Constitui ela uma
universalidade (de direito) de bens sem personalidade jurídica. Trata-se de
um patrimônio único; um conjunto de direitos (trata-se da parte ativa, dos
bens, dos créditos, etc.) e obrigações (trata-se da parte passiva, das dívidas,
etc.), representado pelo inventariante, até a homologação da partilha. Para os
efeitos legais a sucessão aberta é tida como um bem imóvel (art. 80, II CC).
Lembrem-se que existem direitos que não são transmitidos pela sucessão (como
os direitos personalíssimos, o usufruto, etc.). No tocante às dívidas, os herdeiros
só respondem até os limites da herança.
A herança é indivisível até à partilha; trata-se de um condomínio
forçado. Cada co-herdeiro possui uma parte ideal da herança. O co-herdeiro
não pode vender ou hipotecar parte determinada de coisa comum ao espólio,
mas pode ceder os direitos hereditários concernentes à sua parte ideal. No
entanto os demais co-herdeiros possuem direito de preferência.

TRANSMISSÃO DA HERANÇA

x Momento – a transmissão ocorre na data da morte do de cujus (dia e hora


do óbito). Os herdeiros, ainda que não o saibam, já se tornam donos da
herança. Assim, a aquisição da herança não se dá quando da abertura do
processo de inventário, nem quando o juiz homologa a partilha de bens, e
nem quando o respectivo formal é levado a registro, mas sim no momento
da morte (lembrem-se do Princípio da Saisine).
x Lugar (art. 1.785 CC) – é o último domicílio do falecido; se ele tinha mais de
um domicílio o inventário será feito em qualquer deles. A ação de inventário
também deve ser proposta no último domicílio do de cujus. Na falta de
domicílio certo será o da situação dos bens ou do lugar do óbito. O prazo é
de 30 dias a contar da morte do de cujus.

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x Inventariança – é um munus público, submetido ao controle e fiscalização


judicial, sendo função auxiliar da justiça. O inventariante é pessoa nomeada
pelo Juiz a quem cabe a administração e representação da herança. Há
uma ordem para sua nomeação, prevista no artigo 990 do Código de
Processo Civil: cônjuge sobrevivente casado sob o regime da comunhão,
herdeiro que se ache na posse do espólio, ou qualquer outro herdeiro. Pode
ser até um estranho à sucessão, desde de que tenha a confiança do Juiz.
x Regras
a) na sucessão legítima são chamadas a suceder as pessoas já nascidas e
as já concebidas no momento da abertura da sucessão.
b) na sucessão testamentária, ainda podem ser nomeados como
herdeiros ou legatários: os filhos, ainda que não concebidos, de pessoas
indicadas pelo testador (prole eventual), desde que vivas estas quando da
abertura da sucessão; pessoas jurídicas; pessoas jurídicas cuja organização
for determinada pelo testador, sob forma de fundação, etc.

CAPACIDADE SUCESSÓRIA

Capacidade (ou legitimação) sucessória é a capacidade da pessoa


para receber os bens deixados pelo de cujus no tempo da abertura da
sucessão (art. 1.787 CC). São seus pressupostos: morte do autor da herança,
sobrevivência do sucessor (observada a capacidade sucessória do nascituro) e
herdeiro humano. A pessoa jurídica de direito privado não herda ab intestato
(sem testamento), mas tem capacidade para suceder por testamento.
O nascituro (aquele que está para nascer – reveja a matéria na aula
referente a Pessoas Físicas ou Naturais), apesar de ainda não ser pessoa física,
tem direito à herança; ele tem expectativa de vida, portanto expectativa de
direitos, que estão em estado potencial, sob condição suspensiva: só terão
eficácia se nascer com vida. É nomeado um curador para zelar por seus
interesses (curador ao ventre – normalmente é a própria mãe).
Os herdeiros podem ser classificados em legítimos, necessários e
testamentários. Vejamos cada uma dessas classificações:
A) Legítimos o são os contemplados pela lei segundo uma ordem de
preferência. Analisaremos esta ordem, uma a uma, com detalhes, logo adiante.
B) Necessários o são os descendentes (filhos, netos, bisnetos, etc.), os
ascendentes (pais, avós, bisavós, etc.) e atualmente, também o cônjuge. Os
herdeiros necessários também são chamados de herdeiros legitimários ou
reservatários. Receberão, necessariamente, pelo menos a metade dos bens do
de cujus com preferência excludente para os primeiros (ou seja, se houver
descendentes e ascendentes, os primeiros excluem os segundos – veremos isso
melhor adiante). Essa metade destinada aos herdeiros necessários é chamada
de legítima. A lei assegura aos herdeiros necessários o direito à legítima, ou
seja, a metade dos bens do testador. A outra, denominada parte disponível,
pode ser deixada livremente. Se não houver descendentes, ascendentes ou

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cônjuge o testador pode transmitir todo o seu patrimônio livremente. Os demais


herdeiros podem ser excluídos da sucessão, sem maiores formalidades. Já os
herdeiros necessários podem ser declarados indignos e também deserdados
(também veremos isso melhor logo adiante). O herdeiro necessário poderá
receber a parte disponível, sem prejuízo de sua parte na legítima (art. 1.849
CC).
Redução das Disposições Testamentárias – se a cota disponível deixada a
terceiros ultrapassar o limite de 50%, afetando a legítima, poderão os herdeiros
necessários, por meio de ação própria, pleitear a redução das disposições
testamentárias e das doações. Não se anula o testamento, mas procede-se a
uma transferência de bens da cota disponível para a legítima, integrando-se o
que foi desfalcado. Ou seja, haverá um reequilíbrio das doações testamentárias.
C) Testamentários o são os que foram contemplados por um testamento.
Pode ser a título universal (herdeiro) ou a título singular (legatário).

INDIGNIDADE (arts. 1.814/1.818 CC)


É uma espécie de incapacidade sucessória que priva uma pessoa de
receber a herança. É uma pena civil, criada pelo legislador, atingindo os
herdeiros necessários, os legítimos e os testamentários. A pena de indignidade
só alcança o indigno, sendo que ele será representado por seus sucessores,
como se morto fosse. São excluídos por indignidade os herdeiros ou legatários
que:
a) houverem sido autores, co-autores ou partícipes em crime de homicídio
doloso, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar,
seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente.
b) houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança, ou
incorreram em crime contra a sua honra (calúnia, difamação e injúria),
ou de seu cônjuge ou companheira (o).
c) por violência ou fraude, a inibiram ou obstaram o autor da herança de
livremente dispor dos seus bens por ato de última vontade.
Os descendentes do indigno herdam como se ele fosse falecido
(representação). Um pai possui dois filhos e declara um deles como indigno.
Este filho indigno também possui dois filhos. Estes herdarão do avô, como se o
seu pai (a pessoa declarada indigno) estivesse morto. No entanto o indigno não
terá direito ao usufruto nem administração dos bens que seus filhos menores
herdaram. A exclusão do herdeiro, ou legatário, em qualquer desses casos de
indignidade, será declarada por sentença em ação ordinária, movida por quem
tenha interesse na sucessão (art. 1.815 CC). O prazo é de 04 (quatro) anos, sob
pena de decadência. Os efeitos da sentença declaratória de indignidade
retroagem (ex tunc) à data da abertura da sucessão, considerando o indigno
como pré-morto ao de cujus.
Reabilitação – O art. 1.818 CC permite ao ofendido reabilitar o indigno,
desde que o faça de forma expressa em testamento ou outro ato autêntico (ex:

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escritura pública). Esta reabilitação, na verdade, trata-se do perdão fornecido ao


indigno.

ACEITAÇÃO E RENÚNCIA DA HERANÇA – arts. 1.804 a 1.812 CC

A) ACEITAÇÃO OU ADIÇÃO

É o ato jurídico unilateral pelo qual o herdeiro (legítimo ou


testamentário) manifesta livremente o desejo de receber a herança que lhe é
transmitida. A aceitação consolida os direitos do herdeiro, tornando-se definitiva
a transmissão dos bens, desde a abertura da sucessão (art. 1.804 CC). Com a
aceitação o herdeiro está assumindo os encargos do de cujus. No entanto
somente até o limite das forças da herança. Nada impede, porém, que ele
assuma todos os débitos do falecido, ainda que superiores ao acervo hereditário.
É também indivisível e incondicional porque não se pode aceitar ou renunciar a
herança em parte. A aceitação também não pode ser feita sob condição ou a
termo. Isto para se preservar a segurança nas relações jurídicas. Portanto a
aceitação deve ser pura e simples. Não pode haver retratação da aceitação
da herança. No entanto pode ser anulada e revogada, se após a sua ocorrência
se verificar que o aceitante não é herdeiro. A aceitação pode ser classificada em
(art. 1.805 CC):
x Expressa – quando há uma declaração escrita, pública ou particular (se
for verbal não tem validade).
x Tácita – quando se pratica atos compatíveis com a aceitação da
qualidade de herdeiro (ex: cobrança de dívidas referentes ao espólio,
fazer-se representar por advogado no processo de inventário, etc.).
x Presumida – quando o herdeiro permanece silente, depois que é
notificado para que declare se aceita ou não a herança (o omissão
importa em aceitação).
Obs. – Há atos que embora praticados pelo herdeiro não revelam a intenção de
aceitar a herança como os atos meramente conservatórios, o funeral do de
cujus, a guarda provisória dos bens e a cessão gratuita da herança aos demais
co-herdeiros (art. 1.805, §§1o e 2o CC).

B) RENÚNCIA DA HERANÇA

Consiste no ato jurídico unilateral pelo qual o herdeiro declara


expressamente que não aceita a herança a que tem direito, abrindo mão de
sua titularidade. Trata-se de um ato solene, devendo ser feito por escritura
pública (perante o tabelião) ou por termo nos autos (perante o juiz).
Se o herdeiro “renunciar em favor de outrem”, isto não se configura em
uma renúncia propriamente dita. Na verdade trata-se de uma aceitação com
uma imediata transmissão dos bens, havendo a incidência de tributação causa

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mortis e também inter vivos. Também é chamada de renúncia translativa. A


renúncia válida é a abdicativa, isto é, a cessão gratuita, pura e simples, sem
indicar quem irá substituí-lo.

Requisitos da Renúncia
x Capacidade jurídica do renunciante. Os incapazes não podem renunciar,
senão por seu representante legal, autorizado pelo Juiz.
x Forma prescrita em lei; sempre por escrito (escritura pública ou ato
judicial); não existe a renúncia tácita nem a presumida.
x Impossibilidade de repúdio parcial da herança. Como a herança é
indivisível até à partilha, a renúncia (ou a aceitação) também será
indivisível: ou se renuncia tudo ou se aceita tudo.
x Respeito a direitos de eventuais credores. Se a renúncia prejudica
credores, estes podem aceitar a herança. Exemplo: “A” recebeu uma
herança; mas ele está muito endividado. Por isso, assim que receber a sua
parte na herança, seus credores irão ficar com os bens. Desta forma ele
renuncia a herança (que poderá ir para seus filhos ou irmãos). Esta
conduta prejudica seus credores. Por isso admite-se que os próprios
credores aceitem a herança, evitando fraudes e simulações maliciosas.
x Se o renunciante for casado, a renúncia depende de outorga (uxória ou
marital), pois o direito à sucessão é considerado como sendo um bem
imóvel.

Efeitos da Renúncia
x O renunciante é tratado como se nunca tivesse sido chamado à sucessão;
seus efeitos retroagem à data da abertura da sucessão. É interessante
notar que a pessoa que repudia uma herança pode aceitar um legado.
x O quinhão hereditário do repudiante, na sucessão legítima, transmite-se
de imediato aos outros herdeiros da mesma classe (direito de acrescer).
Os descendentes do renunciante não herdam por representação. No
entanto se ele for o único da classe seus filhos herdam por direito próprio
e por cabeça.
x O renunciante não perde o direito ao usufruto e nem a administração dos
bens que, pelo seu repúdio, foram transmitidos aos seus filhos menores.
x A renúncia da herança é irretratável e irrevogável.

CESSÃO DA HERANÇA

É a transferência que o herdeiro (legítimo ou testamentário) faz a outrem


do quinhão hereditário (no todo ou em parte dele), que lhe compete, após a
abertura da sucessão. A cessão de herança pode ser gratuita ou onerosa.

Princípios

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x capacidade para alienar.


x só valerá após a abertura da sucessão e antes da partilha.
x formalizada por meio de uma escritura pública (1.793 CC).
x há transferência da parte ideal da massa hereditária, não havendo
individualização dos bens.
x cessionário assume a mesma condição jurídica do cedente (1.793, §1o).
x cedente não responde pela evicção (em regra).
x o credor do espólio pode acionar o cedente.
x na cessão onerosa feita a estranhos, deve-se oferecer oportunidade aos
demais herdeiros para que estes exerçam o direito de preferência.

PETIÇÃO DE HERANÇA – arts. 1.824 1 1.828 CC


É a ação pela qual um herdeiro esquecido ou desconhecido reclama sua
parte da herança, antes ou depois da partilha. Deve ser instruída com prova da
qualidade de herdeiro. Pode vir cumulada com investigação de paternidade.

OBSERVAÇÃO – Até aqui estamos falando sobre a Sucessão de uma


forma geral. As regras vistas até aqui aplicam-se a toda espécie de Sucessão.
Vamos agora fazer uma divisão neste tema entre: Sucessão Legítima e
Sucessão Testamentária. Vamos analisar cada uma delas, com suas regras e
particularidades.

I – SUCESSÃO LEGÍTIMA
(arts. 1.829/1.856 CC)

Sucessão Legítima é aquela em que o de cujus faleceu sem


testamento (ou ab intestato), ou o testamento deixado caducou (ver mais
adiante), ou é ineficaz. Há uma relação preferencial das pessoas que são
chamadas a suceder o finado. Se deixou testamento, mas havia herdeiro
necessário, é possível que ocorra uma redução das disposições testamentárias
para respeitar a quota dos mesmos, prevista em lei.

ORDEM DE SUCESSÃO
O chamamento dos sucessores é feito de acordo com uma seqüência
denominada ordem de vocação hereditária, que é uma relação preferencial,
estabelecida pela lei, das pessoas que são chamadas para suceder o de cujus.
Vamos, de início, fornecer a ordem estabelecida na lei e a seguir vamos analisar
item por item desta ordem. Estabelece o art. 1.829 CC a ordem da vocação
hereditária legal. Vejamos:

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1) Descendentes (filhos, netos, bisnetos, etc.), em concorrência com o


cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da
comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens; ou se, no
regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado
bens particulares.
2) Ascendentes (pai, avô, bisavô, etc.) em concorrência com o cônjuge.
3) Cônjuge Sobrevivente (também chamado de cônjuge supérstite).
4) Colaterais – somente até o 4º grau.
ordem preferencial de colaterais:
x irmão  2º grau
x sobrinho  3º grau
x tio  3º grau
x sobrinho-neto  4º grau
x tio-avô  4º grau
x primo-irmão  4º grau

Observações:
1. Uma classe só será chamada quando faltarem herdeiros da classe
precedente. Exemplos: os ascendentes só serão chamados na sucessão
se não houver descendentes; os colaterais somente serão chamados se
não houver descendentes, ascendentes e cônjuge, etc.
2. Dentro de uma classe, o grau mais próximo, em princípio, exclui o
mais remoto. Exemplo: o de cujus deixou um filho vivo e este, por sua
vez, possui dois filhos (que são netos do de cujus). Tanto o filho, como
os netos estão na mesma classe – são descendentes. No entanto,
neste caso a herança irá somente para o filho, pois embora estejam na
mesma classe (dos descendentes) o filho está no primeiro grau e os
netos estão no segundo grau.
3. Os descendentes, os ascendentes e o cônjuge sobrevivente são
considerados herdeiros necessários; neste caso o testador só poderá
dispor por testamento de metade da herança. Isto é, metade de seus
bens irá obrigatoriamente para os herdeiros necessários (salvo alguma
hipótese de deserdação). A outra metade ele poderá dispor em
testamento.
4. Todos os filhos herdam em igualdade de condições (Constituição
Federal, art. 227, §6º: “Os filhos, havidos ou não da relação do
casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações,
proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”).
Assim, um filho não pode ser chamado de adulterino ou bastardo. São
expressões consideradas preconceituosas. E tanto faz seja ele
proveniente de um casamento ou de uma relação extraconjugal: é filho
do mesmo jeito e terá direito a herança.

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5. Se houver um testamento essa ordem pode não prevalecer


exatamente desta forma, ou seja, pode haver algumas modificações,
conforme veremos adiante.

A) SUCESSÃO DOS DESCENDENTES

Com a abertura da sucessão os descendentes do de cujus são chamados


em primeiro lugar, adquirindo os bens por direito próprio. Os filhos são
chamados à sucessão do pai, recebendo cada um (sucessão por cabeça – in
capita) quota igual da herança (art. 1.834 CC), excluindo-se os demais
descendentes (embora possa haver o direito de representação, conforme
veremos adiante).

Como vimos, não se pode fazer qualquer distinção entre os


filhos, sejam eles havidos ou não durante o casamento, adotivos, etc.
sendo que todos eles possuem os mesmos direitos.

Se todos os descendentes estiverem no mesmo grau, a sucessão será por


direito próprio e por cabeça; a herança é dividida em tantas partes iguais
quantos forem os herdeiros. Exemplo: se o de cujus deixou dois filhos o a
herança será dividida em duas partes iguais; Se o de cujus deixou três netos
(todos os filhos já eram falecidos) o o acervo será dividido por três partes
iguais, não importando se eram filhos do mesmo pai ou pais diferentes.
Se à herança concorrem descendentes de graus diferentes a sucessão se
dá por cabeça e por representação. Exemplo: o de cujus tinha dois filhos vivos e
três netos, sendo que estes são filhos de um terceiro filho pré-morto o neste
caso a herança será dividida em três partes iguais: as duas primeiras destinadas
aos filhos vivos e a terceira pertence aos três netos que dividirão o quinhão
entre si – neste caso chamamos de sucessão por representação ou por
estirpe. Os netos (filhos do filho pré-morto) recebem o que o pai (filho do de
cujus) receberia. Falaremos mais sobre a representação em um tópico
específico, logo adiante.
Observações
1 – Havendo cônjuge sobrevivente, este concorrerá com seus
descendentes, desde que ao tempo da sua morte: a) não estivesse separado
judicialmente nem de fato há mais de dois anos; b) não seja casado sob o
regime da comunhão universal ou da separação obrigatória de bens; c) haja
bens particulares do de cujus, se casado sob o regime da comunhão parcial. O
cônjuge sobrevivente terá direito a um quinhão igual aos dos que sucederem
por cabeça, não podendo sua quota ser inferior à quarta parte da herança se for
ascendente dos herdeiros com que concorre (art. 1.832 CC). Veremos isso
melhor adiante.
2 – Havendo convivente (ou seja, uma união estável) este
participará da sucessão apenas no que concerne aos bens adquiridos na vigência

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da união estável. Se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota
equivalente à que por lei for atribuída ao filho. Se concorrer com descendentes
só do autor da herança terá direito à metade do que couber a cada um
daqueles. Veremos isso melhor adiante.

B) SUCESSÃO DOS ASCENDENTES

Não havendo descendentes, serão chamados os seus ascendentes, em


concorrência com o cônjuge sobrevivente. Novamente o grau mais próximo
exclui o mais remoto. Se o de cujus deixou pai e mãe vivos, a herança será
entregue a eles em partes iguais. Se apenas um dos genitores for vivo a ele
será transmitida toda a herança, ainda que sobrevivam os ascendentes do
outro. Exemplo: o de cujus deixou mãe e dois avós, que eram pais de seu pai. A
herança toda irá para a mãe, excluindo-se os avós paternos.
Na falta de ambos os pais do autor da herança, herdarão os avós.
Exemplo: de cujus deixou três avós – dois maternos e um paterno – a herança
será dividida em duas partes, metade para os avós maternos e a outra metade
para o avô paterno.
Não há direito de representação na linha ascendente. O ascendente
de grau mais próximo afasta (exclui) o de grau mais remoto (art. 1.836, §1º
CC).
Se o de cujus deixou pais e cônjuge, este terá direito a um terço da
herança. Se deixou apenas um ascendente, ou avós, o cônjuge terá direito à
metade do acervo hereditário.
Se o filho adotivo falecer sem descendência, tendo pais adotivos, estes
ficarão com a herança; na falta dos pais, havendo outros ascendentes (avós) e
cônjuge sobrevivente, este herdará.

C) SUCESSÃO DO CÔNJUGE SOBREVIVENTE (SUPÉRSTITE)

Se o regime de bens for o da comunhão universal ou comunhão parcial, o


cônjuge terá metade dos bens comuns do casal. Trata-se da meação, que não
pode ser confundida com a herança. Na meação os bens comuns são divididos;
a porção ideal dos bens já lhe pertencia mesmo antes da morte do de cujus.
Chamamos de herança somente a parte de seu cônjuge falecido. A pessoa é
afastada da sucessão se estiver separada judicialmente ou separada de fato há
mais de dois anos (salvo prova de que essa convivência se tornara impossível
sem culpa do sobrevivente – art. 1.830 CC).
Além da meação (que, repita-se já era dele, mesmo antes da morte do de
cujus), o cônjuge ainda terá direito à herança, que pode se dar:

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1) Sucessão Testamentária (ou legitimária) – por ser herdeiro necessário,


tem direito à metade da herança, se não houver descendentes ou ascendentes;
o testador só poderá dispor de metade dos bens da herança. Assim, além de
receber a meação, se o de cujus não tiver descendentes ou ascendentes, o
cônjuge receberá a totalidade dos bens. Além disso, mesmo o de cujus tendo
outros herdeiros, o cônjuge sobrevivente ainda pode receber mais alguma coisa
por testamento.
2) Sucessão Legal ou Legítima
a) Em concorrência com descendentes – se o falecido não possuía
bens particulares, o consorte sobrevivente não será herdeiro, mas tem
assegurada a sua meação, sendo o regime de comunhão universal ou
parcial. Havendo patrimônio particular, o cônjuge sobrevivente
receberá sua meação, se casado sob o regime de comunhão parcial
mais uma parcela sobre todo o acervo hereditário. O cônjuge
sobrevivente terá direito a um quinhão igual aos dos que sucederem
por cabeça, não podendo sua quota ser inferior à quarta parte da
herança se for ascendente dos herdeiros com que concorre (art. 1.832
CC).
Exemplo: A faleceu deixando esposa e cinco filhos que não são do
cônjuge sobrevivente; neste caso a herança será dividida em seis
partes iguais, cada um dos filhos e a esposa receberão um sexto. Se
estes filhos forem também do cônjuge sobrevivo, a participação deles
ficará reduzida diante do limite da quota mínima estabelecida pela lei:
o cônjuge ficará com um quarto e os demais três quartos serão
partilhados entre os seus cinco filhos.
b) Em concorrência com os ascendentes – reserva-se um terço da
herança se concorrer com pai e mãe do finado, ficando estes com dois
terços. Se concorrer com apenas um dos genitores, receberá metade
da herança. Se concorrer com ascendentes de segundo grau (avós) ou
graus superiores, também lhe tocará metade da herança.
c) Pura e simples – na falta de descendentes e ascendentes, será
chamado, por inteiro, o cônjuge sobrevivente, desde que ao tempo
da morte não estivesse separado judicialmente nem de fato há mais de
dois anos.
3) Sucessão no Direito Real de Habitação – é o direito que a pessoa
tem ao imóvel destinado à residência, se este for o único do gênero a
inventariar, qualquer que seja o regime de bens e sem prejuízo da
participação que lhe caiba na herança. Exemplo: marido morreu e deixou
esposa, filhos e pais. O casal somente tinha a casa onde moravam. Embora a
casa seja partilhada entre os herdeiros, o cônjuge sobrevivente terá direito de
morar nesta casa. Transmite-se a nua propriedade do imóvel aos sucessores
legítimos de classe preferencial (descendente ou ascendente) e ao cônjuge
sobrevivente outorga-se o direito real de habitação. Não cessará o benefício em
caso de novas núpcias.

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4) Sucessão no Usufruto – se o casamento foi com cônjuge


estrangeiro em regime que exclua a comunhão universal: terá direito à quarta
parte dos bens em usufruto se houver filhos brasileiros do casal ou do outro
consorte; metade dos bens em usufruto se não houver filhos (art. 17 do
Decreto-lei 3.200/41).

Observações:
1 – O regime da separação de bens e a existência de cláusula de
incomunicabilidade no pacto antenupcial não interferem na ordem de vocação
hereditária do cônjuge sobrevivente. Assim, mesmo casando pelo regime da
separação total de bens, o cônjuge tem direito à herança (não terá direito à
meação, mas terá direito à herança)
2 – Não há mais o chamado direito ao usufruto vidual (que era o
concedido à pessoa que se tornava viúva). Antigamente o cônjuge não herdava
de forma concorrente com os descendentes ou ascendentes, por isso tinha
direito ao usufruto dos bens do seu ex-marido. Como atualmente o cônjuge é
herdeiro necessário, não faz mais sentido receber também o usufruto.

D) DIREITOS DA(O) CONVIVENTE OU COMPANHEIRA(O)

Tratando-se de união estável (ou concubinato puro) o convivente, além de


eventual meação, participa da sucessão do de cujus quanto aos bens
adquiridos onerosamente na vigência do estado convivencial, nas
seguintes condições:
x Se concorrer com filhos comuns, fará jus a uma quota equivalente à que
legalmente couber a eles. Exemplo: A tinha um patrimônio individual de
100; uniu-se com B, sendo que durante a convivência os dois tiveram dois
filhos e formaram um patrimônio de mais 600. A morreu. B, portanto, tem
direito à meação (300). Além disso, a herança de B será de 400 (100
individual e 300 em comum). O patrimônio individual será partilhado apenas
entre seus dois filhos. Já a sua meação será dividida em 3 partes iguais: 1/3
para a convivente e 1/3 para cada um de seus dois filhos.
x Se concorrer com descendentes só do de cujus, terá direito à metade
do que couber a cada um deles. Exemplo: aproveitando o exemplo acima,
suponha-se que os filhos são apenas de A. O patrimônio particular será
partilhado entre seus dois filhos. Já a sua meação (do de cujus) será dividida
de forma que B receberá metade do valor dos filhos de A.
x Se concorrer com outros parentes sucessíveis (ascendentes ou colaterais)
terá direito a 1/3 (um terço) da totalidade da herança.
x Não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da
herança.

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x Terá direito real de habitação, relativamente ao imóvel destinado à


residência da família, enquanto viver ou não constituir nova união ou
casamento.
Observações:
1 – O concubinato impuro (também chamado de concubinato adulterino ou
relação extramatrimonial ou simplesmente de “amante”) não estabelece
qualquer direito hereditário entre os concubinos. No entanto, na prática,
nossos Tribunais reconhecem alguns direitos em determinadas situações
especiais. Exemplo: Uma pessoa é casada há 20 (vinte) anos, vivendo com
normalmente com sua esposa e tendo dois filhos. No entanto tem uma
“amante”. Prova-se que ele convive com ela há 10 (dez) anos, sendo que
inclusive compraram uma casa juntos. A “amante” tem direito à parte que
ajudou a comprar na vigência desta “relação” (ou seja, tem direito ao valor de
metade da casa comprada).
2 – Percebe-se que atualmente há uma grande desigualdade no
tratamento entre o cônjuge e o convivente sobrevivente (união estável), sendo
que este possui menos direitos que os outorgados ao cônjuge. Ou seja: o
Código anterior equiparava o convivente (ou companheiro) ao cônjuge casado
em comunhão parcial. O atual Código estabeleceu novos e inúmeros direitos ao
cônjuge (mesmo que adotado o regime da separação total de bens). Ao mesmo
tempo reduziu os direitos do convivente. Por isso, na prática, muitos juizes
ainda conferem os mesmos direitos ao convivente que o mesmo tinha antes do
atual Código. Ou seja, os juizes não estão conferindo ao convivente todos os
novos direitos estabelecidos em favor do cônjuge (um exemplo disso é o fato de
que o cônjuge agora é considerado herdeiro necessário e o convivente não),
mas por outro lado não estão piorando a sua situação em relação ao código
anterior. No entanto, sobre este tema o aluno de concurso público deve
observar o que está expresso na lei (e não a entendimentos doutrinários e
jurisrudenciais). É assim que vem caindo nas provas: o texto legal. Mas “muita
água ainda vai rolar” sobre este assunto e com certeza o Código ainda vai
mudar muito. O jeito é aguardar. Mas insisto: em relação a este assunto, o
aluno deve se preocupar com o texto legal.

E) SUCESSÃO DOS COLATERAIS

Na falta de descendentes, ascendentes, cônjuge e de convivente, são


chamados a suceder, na totalidade, os colaterais até o quarto grau.
Lembrem-se do princípio de que os mais próximos excluem os mais
remotos. Exemplo: se o de cujus deixou apenas irmãos e sobrinhos, herdam os
irmãos que são colaterais em segundo grau, enquanto os irmãos são colaterais
em quarto grau. Se tiver alguma dúvida sobre a contagem de graus, reveja a
aula anterior. Ressalva-se o direito de representação (por estirpe) apenas no
caso de filhos de irmãos (ou seja, os sobrinhos). Exemplo: o de cujus deixou
dois irmãos e dois sobrinhos, filhos de um terceiro irmão pré-morto: a herança

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será dividida em três partes iguais (os três irmãos), cabendo as duas primeiras
aos irmãos sobreviventes e a terceira aos sobrinhos, que a dividirão entre si a
parte que caberia ao irmão pré-morto. Falaremos mais sobre a representação
em tópico adiante.
Concorrendo à herança do falecido, irmãos bilaterais (também hamaods
de irmãos germanos, ou seja, mesmo pai e mesma mãe) com irmãos
unilaterais (mesmo pai o irmãos consangüíneos; ou mesma mãe o irmãos
uterinos), cada um destes herdará metade do que cada um daqueles herdar. Em
outras palavras: os irmãos bilaterais herdam o dobro dos irmãos unilaterais.
Ordem dos Colaterais – Na falta de irmão (colateral em segundo grau),
o sobrinho (terceiro grau) é chamado à sucessão. O tio também é colateral em
terceiro grau, mas a lei dá preferência ao sobrinho. Após são chamados, pela
ordem: sobrinho-neto, tio-avô e primo-irmão do autor da herança (todos estes
são colaterais em quarto grau).

F) SUCESSÃO DO MUNICÍPIO, DISTRITO FEDERAL E UNIÃO

Na verdade a administração pública não é herdeira, não lhe é dado o


direito de saisine, isto é, não se torna possuidora ou proprietária dos bens da
herança no momento da morte do de cujus, como acontece com os demais
herdeiros.
Quando o falecido não deixar testamento nem herdeiros conhecidos ou
quando estes repudiarem a herança, os bens irão para o Município ou para o
Distrito Federal (se localizados nas respectivas circunscrições) ou União (se
situados em Território Federal). Mas não de imediato. Há um procedimento legal
para tanto:
1) Herança Jacente
Falecendo uma pessoa na situação acima, seus bens são arrecadados.
Nomeia-se uma pessoa (curador) para conservá-los e administrá-los. A
característica principal da herança jacente é a transitoriedade da situação dos
bens. Ela não goza de personalidade jurídica; é uma universalidade de
direito. São expedidos editais convocando eventuais sucessores. Após a
realização de todas as diligências, não aparecendo herdeiro e decorrido um ano
após o primeiro edital, haverá a declaração de vacância.
2) Herança Vacante
Superada esta primeira fase, os bens passam, então, para a propriedade
do Estado (em sentido amplo). Ainda não é de forma plena, mas apenas
resolúvel (lembrem-se do que falamos sobre a propriedade resolúvel o é a que
pode se “resolver”, ou seja, se extinguir). Somente após 05 (cinco) anos da
abertura da sucessão a propriedade passa para o domínio público (Município,
Distrito Federal ou União). Se neste período comparecer um herdeiro, converte-
se a arrecadação em inventário regular.

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Portanto o Poder Público, pelo atual Código, não consta mais do rol de
herdeiros apontados na ordem de vocação hereditária. Mas será considerado
como sucessor, desde que haja uma sentença declarando a vacância dos bens.

DIREITO DE REPRESENTAÇÃO

Dá-se o direito de representação quando a lei chama certos parentes do


falecido a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se vivesse (art.
1.851 CC). Só tem aplicação na sucessão legítima. Observem o quadro abaixo:

100%
A

20% 20% 20% 20% 20%


B C D E F

20% 10% 10%


G H I

No exemplo acima, A faleceu deixando 05 filhos. Dois deles (B e D)


faleceram anteriormente (ou seja, antes de A). Um desses (B) tinha um filho
(G) e o outro (D) tinha dois filhos (H e I).
Cada um dos filhos de A irá receber 20% do patrimônio do pai. G
representará seu pai na herança de seu avô e receberá a totalidade que seu pai
receberia (20%). No entanto H e I representam D e irão herdar apenas 10%
cada um da totalidade da herança. Os filhos herdam por cabeça ou por direito
próprio. Já os netos herdam por estirpe ou por direito de representação.
Mas neste mesmo exemplo se todos os filhos já fossem pré-mortos,
concorrendo apenas os netos, todos do mesmo grau, a sucessão não seria mais
deferida por representação (ou estirpe), mas por cabeça. Assim, como só há
três netos, cada um herdará um terço da totalidade da herança. Essas cotas
chamam-se avoengas, por serem transmitidas diretamente do avô para os
netos.
Observação – O direito de representação se aplica ao herdeiro pré-
falecido e também ao excluído por indignidade ou deserdação.

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Somente se verifica o direito de representação na linha reta


descendente (operando-se ad infinitum), nunca na ascendente (art. 1.852
CC). Na linha colateral, só ocorrerá em favor dos filhos de irmãos do
falecido (sobrinhos), quando com irmão deste concorrerem (art. 1.853 CC).
Não há representação quando houver renúncia, nem na herança
testamentária, não se aplicando, também aos legados (veremos esta
expressão adiante).

II – SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA
(arts. 1.857/1.990 CC)

Sucessão Testamentária é aquela em que a transmissão hereditária se


opera por ato de última vontade, revestido da solenidade requerida por lei. Em
outras palavras, é a sucessão que se faz por meio de um testamento. Permite
a instituição de herdeiro (sucessor a título universal) ou legatário (sucessor a
título singular). Como já vimos, tem certas limitações, pois deve respeitar a
legítima (que é a parte que cabe aos herdeiros necessários).
A sucessão testamentária rege-se pela:
x Lei vigente no momento da feitura do testamento, que regula a
capacidade testamentária ativa (capacidade para fazer testamento) e a
forma do ato de última vontade.
x Lei que vigorar ao tempo da abertura da sucessão, que rege a capacidade
testamentária passiva (capacidade para adquirir por testamento) e a
eficácia jurídica do conteúdo das disposições testamentárias.

Testamento  é um ato personalíssimo, unilateral, solene e


revogável pelo qual alguém dispõe no todo ou em parte de seu
patrimônio para depois de sua morte.

O testamento serve também para a nomeação de tutores, reconhecimento


de filhos, deserdação de herdeiros, revogação de testamentos anteriores e
outras declarações de última vontade.
O testamento é ato unilateral e individual, não podendo ser feito em
conjunto com outra pessoa (é nulo o chamado testamento conjuntivo).
Proíbe-se, os pactos sucessórios, ou seja, estipulações bilaterais, de feição
contratual, em favor dos estipulantes ou de terceiros, afastando-se a
possibilidade de contratos que tenham por objeto herança de pessoa viva (art.
426 C.C. – pacta corvina). É ato personalíssimo, podendo ser revogado,
conforme veremos adiante.

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O testamento, por ser um negócio jurídico, requer para a sua validade


agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei. É um negócio
jurídico que requer uma série de solenidades. Caso não sejam observadas, o ato
será considerado nulo (conforme a regra geral do art. 166, V do CC). Também
é necessária a análise da capacidade testamentária ativa e passiva.
Capacidade Testamentária Ativa
A capacidade testamentária ativa é a capacidade para fazer o
testamento. O Código Civil estabelece apenas como incapazes de testar (art.
1.860 CC): os menores de dezesseis anos, os desprovidos de discernimento (ex:
os que não estiverem em perfeito juízo, surdos-mudos, que não puderem
manifestar a sua vontade, etc.) e a pessoa jurídica.
Assim, podem testar o cego, o analfabeto, o pródigo, o falido, etc. Os
maiores de 16 anos, mas menores de 18 anos, apesar de relativamente
incapazes, podem testar, mesmo sem a assistência de seu representante legal.
A incapacidade posterior à elaboração do testamento não o invalida. A
capacidade para testar deve existir no momento em que o testamento é feito,
pois a incapacidade superveniente não invalida o testamento eficaz. Já o
contrário não é verdadeiro, ou seja, o testamento do incapaz não pode ser
convalidado com a superveniência da capacidade.
Capacidade Testamentária Passiva
A capacidade testamentária passiva é a capacidade para adquirir por
testamento. Rege-se pela regra genérica de que são capazes todas as pessoas,
físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, maiores ou menores, existentes
ao tempo da morte do testador.
Não podem ser contemplados por testamento as coisas inanimadas, os
animais e as entidades místicas. Quem já não ouviu uma estória de que uma
senhora deixou todos os seus bens para seu gatinho? Pois isso é proibido em
nosso direito. O que ela pode fazer é deixar seus bens para uma terceira
pessoa, desde que esta trate bem de seu animal de estimação.
Se o beneficiário do testamento já morreu (pré-morto), a cláusula é
considerada caduca.
São absolutamente incapazes para adquirir por testamento:
x Os indivíduos não concebidos (o nascituro possui capacidade, pois já foi
concebido) até a morte do testador, salvo se a disposição deste se
referir à prole eventual de pessoas por ele designadas e existentes ao
abrir-se a sucessão.
x As pessoas jurídicas de direito público externo relativamente a imóveis
situados no Brasil
São relativamente incapazes para adquirir por testamento, proibindo que se
nomeiem herdeiros ou legatários:
x A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, seu cônjuge, seus
ascendentes, descendentes, e irmãos.

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x As testemunhas do testamento.
x O concubinário (“amante”) do testador casado, salvo se este, sem culpa
sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de 05 anos.
x O tabelião, civil ou militar, o comandante, ou escrivão, perante o qual se
fizer, assim como o que fizer, ou aprovar o testamento.

Restrições
Não se pode dispor de mais da metade dos bens havendo herdeiros
necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), salvo se os
mesmo forem deserdados. As disposições que excederem à metade disponível
será reduzida ao limite dela. Reduzem-se também as doações feitas em vida,
que atingiram a legítima dos herdeiros necessários (são chamadas doações
inoficiosas).
Um testamento pode ser revogado por outro (de qualquer espécie), total
ou parcialmente. Portanto não há uma hierarquia entre as modalidades de
testamentos (que veremos mais adiante).

DESERDAÇÃO (arts. 1.961 e segts.)


Deserdação é o ato unilateral pelo qual o de cujus exclui da sucessão,
mediante testamento com expressa declaração de causa, herdeiro necessário,
privando-o de sua legítima, por ter praticado alguma conduta prevista na lei
como causa.
Requisitos de Eficácia
A deserdação exige a concorrência dos seguintes requisitos:
x Existência de herdeiros necessários.
x Testamento válido (só pode haver deserdação por testamento, sendo
proibido por escritura pública, instrumento particular, termo judicial ou
codicilo – veremos este termo mais adiante).
x Expressa declaração da causa prevista em lei.
x Propositura de ação ordinária.
Causas de Deserdação
Além das causas que autorizam a indignidade (art. 1.814 CC), acrescenta-
se:
A) Deserdação dos descendentes por seus ascendentes (art. 1.962 CC):
ofensa física, injúria grave; relações ilícitas com a madrasta ou
padrasto; desamparo do ascendente, em alienação mental ou grave
enfermidade.
B) Deserdação dos ascendentes pelos descendentes (art. 1.963 CC):
ofensa física; injúria grave; relações ilícitas com a mulher ou
companheira do filho ou a do neto com o marido ou companheiro da

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filha ou o da neta; desamparo do filho ou do neto com deficiência


mental ou grave enfermidade.
Efeitos da Deserdação
Os efeitos da deserdação são pessoais. Isto é, atingem o herdeiro
excluído, como se ele morto fosse. Mas os seus descendentes herdam por
representação, ante o caráter personalíssimo da pena civil.
Não basta que o testador deserde o herdeiro. Cumpre aos outros
herdeiros promover, no prazo de 04 anos (contados da abertura do testamento)
ação de deserdação para confirmar a vontade do morto. É evidente que o
deserdado terá direito de defesa. Não se provando o motivo da deserdação, o
testamento produzirá efeitos em tudo o que não prejudicar a legítima do
herdeiro necessário.
Mera reconciliação do testador com o deserdado não gera ineficácia da
deserdação. A revogação deve ser realizada por meio de um testamento
(trata-se, na verdade, do perdão).
Distinção entre Indignidade e Deserdação
x A exclusão por indignidade se refere à sucessão legítima e afasta da
sucessão tanto os herdeiros legítimos, quanto os testamentários,
necessários ou não, inclusive o legatário; a deserdação se refere à
sucessão testamentária, servindo apenas para privar da herança os
herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge), inclusive
quanto à parte legítima.
x A exclusão por indignidade funda-se exclusivamente nos casos do art.
1.814 CC e a deserdação repousa na vontade exclusiva do autor da
herança, desde que fundada em motivo legal.

Vejamos agora as modalidades de testamento e as peculiaridades de cada um.

FORMAS DE TESTAMENTO
1) ORDINÁRIO
a) Público
b) Particular
c) Cerrado
2) ESPECIAL
a) Militar
b) Marítimo
c) Aeronáutico

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1 – TESTAMENTO PÚBLICO (arts. 1.864 a 1.867 CC)


Testamento Público é o lavrado por tabelião em livro de notas, de
acordo com a declaração de vontade do testador, exarada verbalmente em
língua nacional, perante o oficial. É o testamento mais seguro. Porém tem o
inconveniente de permitir a qualquer pessoa conhecer o seu teor. Podem testar
de forma pública: os analfabetos, os surdos (desde que não sejam mudos). O
cego só pode testar por testamento público. Só não podem assim testar os
mudos e os surdos-mudos, pois é exarado verbalmente.
Requisitos
x Ser exarado verbalmente. Admite-se a entrega de minuta
previamente elaborada, mas mesmo assim exige-se a declaração
verbal. Por isso os mudos e os surdos-mudos não podem testar
assim.
x Escrito por oficial público.
x Presenciado por 02 (duas) testemunhas idôneas, que assistiram
a todo o ato.
x Novamente lido (em voz alta e inteligível).
x Ser assinado por todos (testador, testemunhas e oficial).
x Menção de observância das formalidades.
Com a abertura da sucessão, o traslado é apresentado em juízo. Depois de
lido e não tendo vícios o Juiz ordena o registro e cumprimento.

2 – TESTAMENTO CERRADO (arts. 1.868 a 1.875 CC)


Testamento Cerrado é o escrito em caráter sigiloso, feito e assinado
pelo testador ou por alguém a seu rogo, completado por instrumento de
aprovação lavrado por oficial público na presença de 02 (duas) testemunhas
idôneas. Também é chamado de secreto ou místico.
O analfabeto e o cego não podem testar desta forma. O surdo-mudo só
poderá fazer esse testamento se souber ler e escrever. Ao entregá-lo ao oficial
deve escrever na face externa “que é seu testamento cuja aprovação lhe pede”.
Contém quatro elementos:
a) Cédula testamentária – escrita pelo testador (ou alguém a seu
rogo, desde que não seja beneficiário), em caráter sigiloso. As
disposições testamentárias estão nesta cédula.
b) Auto de entrega – o testador (não se admite portadores) entrega
a cédula ao tabelião na presença das testemunhas, que não
precisam saber do teor do testamento.
c) Auto de aprovação – lavrado pelo oficial público para assegurar a
autenticidade do ato; todos (oficial, testador, testemunhas) assinam
o instrumento.

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d) Cerramento – o tabelião lacra o envelope com cera derretida,


costura a cédula com cinco pontos de retrós e lança pingos de lacre
sobre cada um. Após isso o tabelião entrega ao testador, lançando
em seu livro nota do lugar, ano, mês e dia em que o testamento foi
aprovado e entregue.
Requisitos:
x Escrito (em língua nacional ou estrangeira – art. 1.871 CC) e
assinado pelo testador; pode ser escrito mecanicamente, desde que
todas as páginas sejam numeradas e autenticadas com sua
assinatura (art. 1.868, parágrafo único CC).
x Entregue ao oficial na presença de 02 (duas) testemunhas.
x Oficial pergunta se este é o testamento e exara o auto de
aprovação, tendo-o por bom, firme e valioso.
x Leitura do auto de aprovação.
x É cerrado (fechado e lacrado) e costurado.
Morto o testador, deve o testamento cerrado ser apresentado ao Juiz para
as formalidades da abertura, e para que o Juiz mande registrar, arquivar e
cumprir (arts. 1.125 e 1.126 do C.P.C.).
Observações:
1) Estão proibidas de usar este testamento as pessoas que não saibam ler
(analfabetos e cegos).
2) As testemunhas, ao contrário do testamento público, não sabem quais
são as disposições testamentárias.
3) Desvantagens: possui muitas formalidades, pode ser ocultado; qualquer
vício o invalida (ex: lacre rompido).

3 – TESTAMENTO PARTICULAR (arts. 1.876 a 1.880 CC)


O Testamento Particular (também chamado de aberto, ológrafo ou
privado), é o escrito pelo testador e lido em voz alta perante três
testemunhas idôneas, que também assinam. É a forma menos segura de se
testar, porque depende de confirmação do seu teor em juízo pelas testemunhas.
É permitido aos que sabem ler e escrever. Não pode ser utilizado pelo cego,
analfabeto e os incapacitados de escrever.
Requisitos:
x Escrito de próprio punho pelo testador ou mediante processo
mecânico (art. 1.876 CC) – neste caso não pode conter rasuras ou
espaços em branco.
x 03 (três) testemunhas.
x Leitura do testamento pelo testador.

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x Publicação, em juízo, após a morte do testador.


x Homologação do testamento pelo Juiz.
x Sobrevivência de pelo menos uma das testemunhas. Se as
testemunhas forem afirmativas (contestes) sobre o fato ou pelo
menos da leitura perante elas e reconheçam suas assinaturas o
testamento será confirmado. Em casos excepcionais o testamento
sem testemunhas poderá ser confirmado pelo Juiz, desde que se
convença da sua veracidade.
Morto o testador, será publicado em juízo, com citação dos herdeiros
legítimos. Pelo menos uma das testemunhas deve reconhecer sua
autenticidade. Após isso e ouvido o Ministério Público o Juiz confirmará o
testamento.

Curiosidade – Como Juiz, tive um caso muito interessante. Uma pessoa


ingressou com uma ação de inventário, pois seu companheiro de muitos anos
havia falecido. Este, antes de morrer, elaborou um testamento particular,
deixando alguns bens para a sua convivente. Os filhos do de cujus (de seu
casamento anterior) desejavam os bens todos para eles (herdeiros necessários),
excluindo-se, portanto, a companheira da sucessão e impugnaram o
testamento, alegando um vício de formalidade (o testamento não teria sido lido
em voz alta pelo testador). Entendi que o testamento, apesar do defeito era
válido e determinei o seu cumprimento. Os herdeiros recorreram, sendo que o
Tribunal de Justiça, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e até mesmo o
Supremo Tribunal Federal (STF) mantiveram a decisão. O que foi importante
neste caso é que a vontade do testador foi clara no sentido de dispor de uma
pequena parte de seu patrimônio a quem lhe deu carinho e estabilidade
emocional durante muitos anos e até os seus últimos momentos de vida,
atenuando-se assim, o rigor de uma forma legal que no caso prático seria
injusto à companheira de tantos anos.

4 – TESTAMENTOS ESPECIAIS (arts. 1.886/1.896)


São os que possuem caráter provisório, feitos em situações de
emergência.

A) Testamento Marítimo e Aeronáutico


O testamento marítimo ou aeronáutico consiste na declaração de
vontade feita a bordo de navios ou aeronaves de guerra ou mercantes, em
viagem de alto mar. Deve ser lavrado pelo comandante ou escrivão de bordo
perante duas testemunhas idôneas.
Observação: se o testador não morrer na viagem ou nos 90 dias
subseqüentes após o desembarque, o testamento perde a validade
(caduca).

B) Testamento Militar

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Testamento militar é a declaração de última vontade feita por militares


e demais pessoas a serviço do exército em campanha, dentro ou fora do país.
Deve ser escrito por autoridade militar, na presença de duas testemunhas.
Admite a forma nuncupativa, isto é, feita por pessoa ferida; neste caso, pode
ser feito de viva voz na presença de duas testemunhas.
Em qualquer hipótese, se o testador não morrer na guerra ou nos 90 dias
subseqüentes em lugar onde possa testar na forma ordinária, o testamento
caducará.

Registro, Arquivamento e Cumprimento


Após a morte do testador, o testamento deve ser apresentado ao Juiz que
o mandará registrar, arquivar e cumprir, se não houver vício externo que o
torne suspeito de nulidade ou falsidade. Depois de efetuado o registro, o mérito
das disposições testamentárias será examinado no inventário ou em ação
ordinária própria.

Cláusula de Inalienabilidade (art. 1.848 e 1.911 CC)


O art. 1.848 CC determina que salvo se houver justa causa, declarada no
testamento, não pode o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade,
impenhorabilidade e de incomunicabilidade, sobre os bens da legítima.
A Cláusula de Inalienabilidade consiste em um meio de vincular, de
forma absoluta ou relativa, vitalícia (enquanto viver o beneficiário) ou
temporariamente, os bens deixados pelo testador aos herdeiros, que deles não
poderão dispor. O testador deixa bens imóveis a seu filho, mas sabendo que o
mesmo tem algum desvio de personalidade, sendo perdulário ao excesso,
vincula estes bens com a cláusula. Desta forma seu filho não poderá vender e
muito menos doar os imóveis. Ele somente poderá usá-los ou retirar deles os
seus frutos (alugar).
A cláusula extingue-se com o óbito do beneficiário, a não ser que este
vincule, também, o seu herdeiro. Essa cláusula envolve a impenhorabilidade e a
incomunicabilidade, salvo disposição em contrário. Não atinge frutos e
rendimentos.

Testemunha Testamentária
É a pessoa que tem capacidade para assegurar a veracidade do ato que se
quer provar, subscrevendo o ato; no caso o testamento.
São absolutamente incapazes de testemunhar: menores de 16 anos,
enfermos mentais, surdo, cego e analfabeto. Efeito o nulidade de pleno direito
do testamento.
São relativamente incapazes de testemunhar: herdeiro instituído,
seus ascendentes, descendentes, irmãos e cônjuge; legatário, bem como seus
ascendentes, descendentes, irmãos e cônjuge. Efeito o validade do
testamento, mas será considerada nula qualquer disposição em favor deste
incapaz.

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INEXECUÇÃO DO TESTAMENTO
Sendo o testamento um negócio jurídico, para que possa produzir efeitos
jurídicos, deverá satisfazer as condições genéricas (capacidade do testador,
objeto lícito e possível, forma solene e consentimento válido), sob pena de
nulidade e anulabilidade. Além disso, ainda existem outras causas que também
impedem o testamento de produzir seus efeitos jurídicos:
x Revogação
x Rompimento
x Caducidade
x Nulidade Absoluta ou Relativa

1 – Revogação
Revogação é o ato pelo qual o testador, conscientemente, torna ineficaz
o testamento anterior, manifestando vontade contrária à que nele se encontra
expressa. Um testamento só pode ser revogado por outro, mesmo que de
modalidade diversa (um testamento público pode revogar um cerrado; um
testamento particular pode revogar um cerrado, etc.). O importante é que o
novo testamento seja válido. No entanto é irrevogável o testamento na
parte em que o testador reconhece filho havido fora do casamento.
O testamento revogado não se restaura pelo fato deste ter sido revogado
posteriormente (não há repristinação no testamento).
Um codicilo (é uma disposição de última vontade para bens de pequeno
valor, que veremos logo adiante) não pode revogar um testamento, mas este
pode revogar o codicilo.
A revogação, quanto a sua extensão, pode ser classificada em:
a) total – o testamento superveniente retira a eficácia de todas as
disposições testamentárias anteriores.
b) parcial – o novo testamento retira a eficácia de algumas das
disposições anteriores, subsistindo as demais.
Já quanto à forma utilizada, pode ser classificada em:
a) expressa (ou direta) o há uma declaração inequívoca, explícita do
testador; o novo testamento revoga o anterior (podendo ser de forma
total ou parcial).
b) tácita (ou indireta) o quando o testador não declara que revoga o
anterior, mas há incompatibilidade entre as disposições deste e as do
novo testamento ou em caso de dilaceração ou abertura do testamento
cerrado, pelo testador, ou por outrem, com o seu consentimento, ou
quando o testado alienar voluntariamente a coisa legada.

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2 – Rompimento
É a inutilização do testamento por perda de validade em razão da
ocorrência de certos fatos previstos em lei. Exemplo: quando houver a
superveniência de descendente sucessível ao testador, que não o tinha ou não o
conhecia quando testou ou quando o testamento foi feito na ignorância de
existirem outros herdeiros necessários. O testador não teria disposto de seus
bens em testamento se soubesse da existência de algum herdeiro necessário.
Também é chamado de revogação presumida (o testamento é chamado de
rupto).

3 – Caducidade
Ocorre a caducidade quando as disposições testamentárias não
prevalecerão, embora válidas, pela ocorrência de obstáculo superveniente.
Exemplos: herdeiro morreu antes do testador; herdeiro renuncia ou foi excluído;
perecimento da coisa legada, etc. Caducará o testamento marítimo e o militar,
três meses após o momento em que o testador podia testar de forma ordinária
e não o fez.

4 – Nulidade e Anulabilidade
O testamento pode ser anulado se contiver defeito leve ou grave. Pode
atingir o testamento em sua totalidade (neste caso abre-se a sucessão
legítima) ou em parte (prevalece a parte válida do testamento, abrindo-se
sucessão legítima, se for o caso, quanto ao que for anulado).
a) Hipótese de Nulidade: incapacidade do testador; impossibilidade ou
ilicitude do objeto; inobservância das formas legais e nulidade das
disposições. Requerimento de qualquer interessado, do Ministério Público
ou de ofício pelo Juiz.
b) Hipóteses de Anulabilidade: erro substancial na designação da pessoa
do herdeiro, legatário ou da coisa legada; dolo; coação ou fraude.
Requerimento apenas do interessado, respeitando o prazo decadencial de
quatro anos.

TESTAMENTEIRO (arts. 1.976/1.990 CC)


Testamenteiro (ou executor testamentário) é a pessoa encarregada de
dar cumprimento às disposições de última vontade do autor da herança (de
cujus). Geralmente o próprio testador nomeia o testamenteiro (no próprio
testamento ou em codicilo). Qualquer pessoa física ou natural (não pode ser
pessoa jurídica), desde que capaz e idônea pode ser nomeada testamenteira.
No caso de omissão, o Juiz pode nomear uma pessoa da sua confiança (dativo).
O testador poderá nomear um ou vários testamentários que podem ser
sucessivos, conjuntos ou solidários.

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O testamenteiro, se não for herdeiro ou legatário, recebe uma


remuneração chamada de vintena. Esta varia de 1% a 5% de acordo com
importância da herança e dificuldade na execução do testamento, arbitrado pelo
Juiz.
O testamenteiro deve ser citado para o inventário e ouvido em todos os
atos e termos do processo.

CODICILO (arts. 1.881/1.885 CC)


Codicilo (do latim codicilus – que é o diminutivo de codex – ou seja, um
pequeno código) é o ato de última vontade pelo qual o disponente traça
diretrizes sobre assuntos de pequeno valor, tais como despesas e disposições
sobre enterro, dádivas de pequeno valor, móveis, roupas, etc. Pode também
nomear ou substituir o testamenteiro, perdoar herdeiro indigno, etc. No entanto
não é meio idôneo para instituir herdeiros, efetuar deserdações ou reconhecer
filho havido fora do casamento.
O codicilo não pode revogar o testamento; apenas o completa em
pequenos pontos. Não se exigem maiores formalidades; basta que o
instrumento seja escrito, datado e assinado pelo testador. Também é chamado
de “pequeno testamento”.

LEGADO (arts.1.912/1.940 CC)


Legado é a disposição testamentária a título singular, pela qual o
testador deixa a pessoa estranha ou não à sucessão legítima, um ou mais
objetos individualizados ou uma certa quantia em dinheiro. O legado é
típico da sucessão testamentária, recaindo sobre uma coisa certa e
determinada. Exemplos: deixo a meu sobrinho meu anel de grau, pois o mesmo
se formou em direito; deixo a amigo estudioso a minha biblioteca; deixo a meu
sobrinho o meu piano, etc.
O legado, quanto ao objeto, pode ser de: coisas corpóreas ou incorpóreas,
crédito ou de quitação de dívidas, alimentos; usufruto, imóvel, dinheiro; renda
ou pensão periódica.
O legatário não é obrigado a aceitar o legado, podendo renunciar tácita ou
expressamente. Os legados também podem caducar. Exemplos: anulação do
testamento; alienação, modificação ou perecimento da coisa; falecimento do
legatário antes do testador; revogação; indignidade, etc.

DIREITO DE ACRESCER (arts. 1.941/1.946 CC)


Quando vários herdeiros ou legatários, pela mesma disposição
testamentária, forem conjuntamente chamados à herança em quinhões
determinados, e qualquer deles não puder (ex: pré-morte, indignidade,

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renúncia, etc.) ou não quiser aceitá-la, a sua parte acrescerá à dos outros co-
herdeiros ou co-legatários (salvo direito do substituto, que será visto a seguir).
Exemplo: A deixa seus bens a B, C e D. Se um deles falecer antes de A, sua
parte retornará ao monte, acrescendo ao quinhão dos outros dois. Mesmo que D
tenha filhos estes não receberão os bens por representação.
Observação – Não haverá direito de acrescer se a cédula testamentária for
declarada nula ou anulada, caso em que subsistirá a sucessão legítima (art.
1.788 CC).
Requisitos
x Nomeação de co-herdeiro ou co-legatário, na mesma disposição
testamentária.
x Deixa dos mesmos bens ou da mesma porção de bens.
x Ausência de cotas hereditárias.

SUBSTITUIÇÕES (arts. 1.947/1.960 CC)


Substituição hereditária (do latim sub instituto – instituição em segundo
plano) é a disposição testamentária na qual o testador chama uma pessoa para
receber, no todo ou em parte, a herança ou o legado, na falta ou após o
herdeiro ou o legatário nomeado em primeiro lugar. O testador, prevendo a
hipótese de um herdeiro ou legatário não aceitar ou não poder aceitar a
herança, nomeia-lhe substitutos.
Pode ocorrer nas hipóteses de premoriência (morrer primeiro), exclusão
por indignidade, renúncia, não implemento de condição imposta pelo testador,
etc.
Espécies:
1) Vulgar ou Ordinária
a) Simples (ou singular)
b) Coletiva (ou plural)
c) Recíproca
2) Fideicomissária
3) Compendiosa

1 – Substituição Vulgar ou Ordinária


Ocorre a substituição vulgar quando o testador designa uma ou mais
pessoas para ocupar o lugar do herdeiro ou legatário que não quiser ou não
puder aceitar o benefício. Estabelece a vocação direta (é uma substituição
direta), pois o substituto herda diretamente do de cujus, e não do substituído.
A substituição vulgar pode ser:

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x Simples – quando é designado um só substituto ao herdeiro ou


legatário. Exemplo: deixo meus bens para “A”. Se ele não quiser os
bens irão para “B”.
x Coletiva – quando há mais de um substituto. Exemplo: deixo meus
bens para “A”. Se ele não quiser os bens irão para “B” e “C”.
x Recíproca – quando o testador, ao instituir uma pluralidade de
herdeiros ou legatários, os declara substitutos uns dos outros
(admite-se também a nomeação de uma pessoa estranha).
Exemplo: deixo meus bens para “A”, “B” ou “C”. Se um deles não
quiser (ou não puder aceitar) a quota dele irá para os demais
herdeiros (ou também para uma outra pessoa, “D”).
2 – Substituição Fideicomissária
O Fideicomisso é uma forma de substituição indireta. Consiste a
substituição fideicomissária na instituição de herdeiro ou legatário com a
obrigação de, por sua morte, a certo tempo ou sob condição preestabelecida,
transmitir a herança ou o legado a uma outra pessoa. Estabelece-se uma
vocação dupla: direta (para o herdeiro ou legatário instituído, que desfrutará
do benefício por um certo tempo estipulado pelo de cujus) e indireta (ou oblíqua
para o substituto). Exemplo: “A” deixou sua fazenda para “B” (que é seu
caseiro há muitos anos), mas com a morte de “B” estes bens passarão a ser dos
filhos de “C” (que é irmão de “A”). Notem que neste caso “C” não é herdeiro
necessário do de cujos (pois é seu irmão – colateral). E seus filhos são seus
sobrinhos.
Melhor esclarecendo. No fideicomisso participam três pessoas. Observem
o nome das pessoas envolvidas neste instituto:
a) Fideicomitente – é o testador; é a pessoa que institui o fideicomisso.
b) Fiduciário (ou gravado) – é a pessoa que é chamada a suceder em
primeiro lugar e que deverá passar os bens para o fideicomissário; é o
titular da propriedade resolúvel (que é a que pode ser extinta) e pode
praticar todos os atos inerentes ao domínio.
c) Fideicomissário – é o último destinatário da herança ou legado.
Segundo o atual Código, o fideicomissário deve ser pessoa não
concebida ao tempo da abertura da sucessão. Caso o fideicomissário
já tenha nascido, não haverá fideicomisso, mas usufruto. O
fideicomissário será o proprietário dos bens fideicomitidos e o fiduciário
passará à condição de usufrutuário, pelo tempo de duração que fora
previsto originalmente. Se o fideicomissário não nascer a propriedade
plena se consolida nas mãos do fiduciário.
O fideicomisso só pode ser instituído sobre a metade disponível dos
bens do testador, não podendo comprometer a legítima. Possui três
modalidades:
x Vitalício – a substituição ocorre com a morte do fiduciário.

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x A termo – a substituição ocorre no momento fixado pelo testador;


este marca um momento para a extinção do fideicomisso.
x Condicional – quando depende do cumprimento de uma condição
resolutiva.

3 – Substituição Compendiosa
A substituição compendiosa constitui um misto de substituição vulgar e
substituição fideicomissária. O testador fornece um substituto ao fiduciário ou
ao fideicomissário, prevendo que caso um ou outro não queira ou não possa
aceitar a herança ou o legado, serão os bens entregues a outra pessoa. O
testador institui um fideicomisso. E designa substitutos para as partes
envolvidas.
Fideicomisso X Usufruto
Usufruto – é um direito real sobre coisa alheia, sendo que o domínio se
divide em duas partes, cada uma com seu titular (nu proprietário - direito de
dispor e reaver - e usufrutuário - direito de usar e fruir), que exercem seus
direitos simultaneamente.
Fideicomisso – é espécie de substituição testamentária em que as partes
(fiduciário e fideicomissário) exercem a propriedade plena, mas de forma
sucessiva, permitindo que se beneficie prole eventual.

INVENTÁRIO (arts. 1.991/2.012 CC)

Conceito
Inventário é vocábulo derivado de inventar (do latim invenire), que
significa encontrar, descobrir, achar. Com o falecimento do de cujus ocorre a
abertura da sucessão e estabelece-se entre os herdeiros um estado de
comunhão que cessará com a partilha, expedindo-se o respectivo formal.
Embora os herdeiros adquiram o domínio desde a abertura da sucessão
(princípio da saisine), somente após o registro do formal de partilha que seus
nomes passarão a figurar no Registro de Imóveis.
O inventário é um processo judicial (como regra), de caráter
contencioso, que visa relacionar, descrever, avaliar todos os bens pertencentes
ao de cujus ao tempo de sua morte, para distribuí-los entre seus sucessores.
Deve ser instaurado no último domicílio do autor da herança, no prazo de 60
(sessenta) dias, a contar do falecimento do de cujus (que é momento em que se
dá a abertura da sucessão) e estar encerrado dentro dos 12 (doze) meses
subseqüentes. Se não for observado o prazo, o imposto será calculado com
acréscimo de 10% de multa. Se o atraso for além de 180 dias a multa será de
20%.

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No inventário, apura-se o patrimônio do de cujus, cobram-se e pagam-se


as dívidas, avaliam-se os bens e pagam-se os legados e impostos. Após,
procede-se à partilha.
A Lei n° 11.441/07, que alterou dispositivos no Código de Processo Civil
(arts. 982 e 983) estabelece que quando houver um testamento ou algum
interessado incapaz deve-se proceder ao inventário judicial. No entanto, se
todos forem capazes e houver consenso entre eles, pode-se fazer o inventário e
a partilha por escritura pública. Esta será o documento hábil para o registro
imobiliário posterior. Todos os interessados devem comparecer no Tabelionato,
acompanhados de advogado (um para todos ou cada um com o seu).

Inventariança
Requerido o inventário, o Juiz nomeará o inventariante, a quem caberá a
administração e representação (ativa e passiva) do espólio. Só poderá haver um
inventariante; é um encargo pessoal, sujeito, entretanto, à fiscalização dos
herdeiros, do Juiz e do Ministério Público. Há uma ordem preferencial:
x Cônjuge sobrevivente – desde que estivesse convivendo com o outro ao
tempo da morte deste e que o casamento tenha sido celebrado no regime
da comunhão universal ou parcial de bens.
x Na falta do cônjuge, será nomeado o herdeiro que se achar na posse e
administração dos bens da herança.
x Se ninguém preencher os requisitos acima, atribui-se a inventariança a
qualquer herdeiro, a critério do Juiz.
x Na última hipótese o Juiz nomeia pessoa estranha, porém idônea, que
desempenhará todas as funções, exceto a de representar a herança
(inventariante dativo).
Processamento
Requer-se a abertura da sucessão, instruindo-se com a certidão de óbito
do de cujus e com procuração. O Juiz nomeia inventariante, que presta
compromisso, e em 20 dias apresenta as primeiras declarações. Se houver
testamento o Juiz determina que seja juntado ao processo. Citam-se os
interessados: cônjuge, herdeiros, legatários, Fazenda Pública, Ministério Público
(se houver herdeiro incapaz) e testamenteiro (se houver testamento). Os bens
serão avaliados para servir de base para cálculo do imposto de transmissão
causa mortis e da partilha. Resolvidas as questões incidentais lavra-se o termo
de últimas declarações, momento em que o inventariante poderá emendar,
aditar ou complementar as primeiras. Procede-se o cálculo do imposto,
homologa-se por sentença e são expedidas as guias para pagamento,
encerrando o inventário.
Passa-se em seguida à fase da partilha. O Juiz faculta às partes a
formulação de pedido de quinhão e, após profere despacho de deliberação da
partilha.

ARROLAMENTO

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O arrolamento é um processo de inventário simplificado, caracterizado


pela redução de atos formais ou de solenidades. É possível a sua realização
quando os herdeiros forem maiores e capazes e for conveniente fazer uma
partilha amigável, que é homologada pelo Juiz, mediante prova de quitação
de tributos. Se os herdeiros divergirem ou se algum deles for menor ou incapaz
a partilha será judicial.
Havendo herdeiro único não se procede à partilha, mas apenas à
adjudicação dos bens a este.
Inventário Negativo
Embora não tenha sido previsto em nossa legislação, é usado quando o
cônjuge sobrevivente pretende casar-se novamente e deseja provar que o de
cujus não deixou bens a partilhar. Evita-se a incidência de impedimento
matrimonial.

SONEGADOS (arts. 1.992/1.996 CC)

É a ocultação dolosa de bens que devem ser inventariados ou levados à


colação. Pode ser praticada pelo inventariante (quando omite intencionalmente
bens e valores ao prestar as primeira e as últimas declarações) ou pelos
herdeiros (que não indicam bens em seu poder). A pena de sonegados tem
caráter civil e consiste, para o herdeiro, na perda do direito sobre o bem
sonegado, que é devolvido ao monte e partilhado aos outros herdeiros, como
se o sonegador nunca tivesse existido. Se o bem não existir mais, será
responsável por seu valor, mais perdas e danos. Quando o sonegador for o
inventariante a pena limita-se à remoção da inventariança.
A ação de sonegados prescreve em 10 anos e deve ser ajuizada no foro do
inventário e pode ser proposta pelos herdeiros legítimos, testamentários e
credores.

COLAÇÃO (arts. 2.002/2.012 CC)


Os herdeiros que foram agraciados com doações em vida deverão, no
prazo de 10 dias, apresentar esses bens, a fim de que se verifique se não houve
prejuízo à legítima dos herdeiros necessários.
Dá-se o nome de colação ao ato de retorno ao monte a ser partilhado das
liberalidades feitas pelo de cujus, antes de sua morte, a seus descendentes. Seu
fim é igualar a legítima destes herdeiros, havendo uma conferência dos bens.
É dever imposto ao herdeiro, pois, segundo a lei, a doação dos pais aos filhos
importa em adiantamento de legítima.
O doador pode dispensar o donatário da colação, desde que a doação não
haja ultrapassado a parte disponível (art. 2.005 CC). A dispensa deverá constar
do contrato de doação ou do próprio testamento. Também não serão trazidos à
colação os gastos ordinários do ascendente em educação, estudos, sustento,
vestuário, tratamento de doenças, enxovais, etc. e as doações remuneratórias
de serviços feitos ao ascendente.

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Pagamento de Dívidas (arts. 1.997/2.001 CC)

Antes da partilha, poderão os credores do espólio requerer ao juízo do


inventário o pagamento de dívidas. Só serão partilhados os bens e valores que
restarem depois de pagas as dívidas. A cobrança das dívidas faz-se, em regra,
pela habilitação do credor ao inventário. Não sendo impugnada a dívida vencida
e exigível, o Juiz declarará habilitado o credor e mandará que se faça a
separação do dinheiro ou bens, para o seu pagamento.

Depois de efetivada a partilha os credores devem cobrar seus créditos


não mais do espólio, mas dos próprios herdeiros, proporcionalmente. Além
disso, o herdeiro não pode responder por encargos superiores às forças da
herança.
Observação – Determina o art. 1.998 CC que as despesas funerárias
sairão do monte da herança, haja ou não herdeiros legítimos. As despesas de
sufrágios por alma do falecido só obrigarão a herança quando ordenadas em
testamento ou codicilo.

PARTILHA (arts. 2.013/2.027 CC)

A herança, até à partilha, é uma universalidade, legalmente indivisível. A


partilha é a divisão oficial do apurado durante o inventário entre os sucessores
do de cujus. Tem natureza meramente declaratória, sendo que a sentença que
a homologa retroage ao momento da abertura da sucessão (efeito ex tunc).
Na verdade o Inventário e a partilha constituem-se um único
procedimento, cindido em duas fases. Terminado o inventário, os bens são
partilhados entre os herdeiros, separando-se a meação do cônjuge sobrevivente
(se houver). Havendo um único herdeiro é feita a adjudicação dos bens.
A partilha pode ser amigável (acordo entre os interessados, desde que
maiores e capazes) ou judicial (realizada no processo de inventário quando não
houver acordo ou sempre que um dos herdeiros seja menor ou incapaz). A
partilha amigável é simplesmente homologada pelo Juiz. Mas a partilha judicial
deve ser julgada por sentença. Esta, transitando em julgado, faz com que o
herdeiro receba os bens que integram o seu quinhão, por meio do formal de
partilha, que pode ser substituído pela certidão de pagamento do quinhão
hereditário, quando for de pequeno valor (não exceder cinco vezes o salário
mínimo).
Lembrando que se não houver testamento e os interessados forem todos
capazes e estiverem de acordo, o inventário e a partilha podem ser feitos por
meio de escritura pública.
Depois de realizada a partilha, se algum dos herdeiros vier a sofrer
desfalque em seu quinhão, por força de evicção (que é a perda da propriedade

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em virtude de sentença judicial), todos os demais interessados devem indenizá-


lo do prejuízo, para restabelecer a igualdade.
Formal de Partilha
Passado em julgado a sentença, receberão os herdeiros os bens que lhe
tocarem e um formal de partilha que será composto das seguintes peças:
x Termo de inventariante e título de herdeiros
x Avaliação dos bens que constituem o quinhão do herdeiro
x Pagamento do quinhão hereditário
x Quitação de impostos
x Sentença

Sobrepartilha
É uma nova partilha (partilha adicional) de bens que por determinadas
razões não puderam ser divididos entre os herdeiros. Hipóteses: a) quando
parte da herança consistir em bens remotos do lugar do inventário, litigiosos, ou
de liquidação morosa ou difícil; b) quando houver bens sonegados e quaisquer
outros bens da herança que se descobrirem depois da partilha.

MEUS AMIGOS E ALUNOS. O tema desta nossa última aula foi


sobre o Direito das Sucessões. Como vimos, o novo Código introduziu inúmeras
alterações em relação ao regime anterior. Portanto, mais uma vez, alerto para
que tenham cuidado com livros e exercícios antigos, já superados.

Com esta aula posso dizer: MISSÃO CUMPRIDA! Mais uma vez,
Recebam todos um grande abraço, como se eu estivesse aí com vocês, e um
grande beijo no coração. Mais uma vez desejo tudo de bom para vocês. Muitas
ALEGRIAS e SUCESSO nesta empreitada que vocês se propuseram.

Mas, ainda completando esta aula, vamos agora apresentar o nosso


último quadro sinótico da matéria dada, cuja leitura reputo indispensável.
Nosso tema foi o Direito das Sucessões. Já sabemos importância destes
“quadrinhos” para visualizar toda a matéria de hoje. Trata-se de um resumo
do que foi falado na aula, ajudando o aluno a melhor assimilar e memorizar os
conceitos fornecidos na aula. Lembrem-se, mais uma vez, que este tema sofreu
muitas alterações pelo atual Código. Vamos a ele:

Quadro Sinótico

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DIREITO DAS SUCESSÕES

1 – Conceito – conjunto de normas que disciplinam a transferência do


patrimônio de alguém, depois de sua morte, em virtude de lei ou testamento.

2 – Conteúdo
x Sucessão em Geral (arts. 1.784/1.828 CC)
x Sucessão Legítima (arts. 1.729/1.756 CC)
x Sucessão Testamentária (arts. 1.757/1.990 CC)
x Inventário e Partilha (arts. 1.991/2.027 CC)

3 – Sucessão em Geral
x Abertura (delação) o morte comprovada do de cujus
x Transmissão - Princípio da Saisine o posse imediata
x Capacidade Sucessória – capacidade para adquirir bens.
Herdeiros: legítimos (ordem legal), necessários (descendentes, ascendentes
e cônjuge) e testamentários (designados pelo testamento). Indignidade –
incapacidade sucessória que priva alguém de receber a herança (arts.
1.814/1.818 CC).
x Aceitação o ato unilateral, indivisível, incondicional, não
havendo retratação.
x Renúncia o ato solene, unilateral e indivisível, não aceitando a
herança; deve respeitar direitos de credores e é irretratável.
x Cessão o transferência da herança a outrem.

4 – Sucessão Legítima. Ordem de Vocação Hereditária:

a) Descendentes (filhos, netos, bisnetos, etc) – em concorrência com o


cônjuge sobrevivente (salvo se este for casado com o falecido no
regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de
bens; ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não
houver deixado bens particulares).
b) Ascendentes (pais, avós, bisavós, etc.) – em concorrência com o
cônjuge sobrevivente.
c) Cônjuge sobrevivente (também chamado de supérsite)
d) Colaterais até 4º grau  ordem preferencial: irmão (2º grau);
sobrinho (3º grau); tio (3º grau); sobrinho-neto (4º grau); tio-avô
(4º grau) e primo-irmão (4º grau).
e) Municípios, Distrito Federal ou União – Herança Jacente e Vacante

5 – Direito de Representação – a lei chama certos parentes do falecido


a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se vivesse (art.
1.851 CC).

6 – Sucessão Testamentária – a transmissão hereditária se opera por


ato de última vontade, revestido da solenidade requerida por lei.

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a) Testamento – ato personalíssimo, unilateral, solene e revogável


pelo qual alguém dispõe no todo ou em parte de seu patrimônio para
depois de sua morte. Permite a instituição de herdeiro (sucessor a título
universal) ou legatário (sucessor a título singular).
b) Deserdação – ato unilateral pelo qual o de cujus exclui da
sucessão, mediante testamento com expressa declaração de causa,
herdeiro necessário, privando-o de sua legítima, por ter praticado alguma
conduta prevista na lei como causa.
c) Formas de Testamento
1 – Ordinário
a) público
b) particular
c) cerrado
2 – Especial
a) marítimo ou aeronáutico
b) militar
d) Inexecução do testamento
a) revogação
b) rompimento
c) caducidade
d) nulidade e anulabilidade
e) Codicilo – ato de vontade pelo qual o disponente traça diretrizes
sobre assuntos de pequeno valor (pequenas doações, roupas, forma de
enterro, etc.).
f) Legado – disposição testamentária a título singular em que o
testador deixa a pessoa estranha ou não à sucessão legítima um ou mais
objetos individualizados e certa quantia em dinheiro.
g) Direito de Acrescer - vários herdeiros ou legatários, pela
mesma disposição testamentária, forem conjuntamente chamados à
herança em quinhões determinados, e qualquer deles não puder ou não
quiser aceitá-la, a sua parte acrescerá à dos outros co-herdeiros ou co-
legatários.
h) Substituições
1) Vulgar ou Ordinária (simples, coletiva ou recíproca)
2) Fideicomissária
3) Compendiosa

INVENTÁRIO

1 – Conceito – é um processo judicial, de caráter contencioso, que visa


relacionar, descrever, avaliar todos os bens pertencentes ao de cujus ao tempo
de sua morte, para distribuí-los entre seus sucessores. Se houver um

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testamento ou algum interessado incapaz deve-se proceder ao inventário


judicial. No entanto, se todos forem capazes e houver consenso entre eles,
pode-se fazer o inventário e a partilha por escritura pública. Esta será o
documento hábil para o registro imobiliário posterior. Todos os interessados
devem comparecer no Tabelionato, acompanhados de advogado (um para todos
ou cada um com o seu).

2 – Inventariança – Juiz nomeia um inventariante, a quem caberá


a administração e representação (ativa e passiva) do espólio. Só pode
haver um inventariante; é um encargo pessoal, sujeito, entretanto, à
fiscalização dos herdeiros, do Juiz e do Ministério Público. Há uma ordem
preferencial para sua escolha.

3 – Arrolamento – é um processo de inventário simplificado,


caracterizado pela redução de atos formais ou de solenidades. É possível a
sua realização quando os herdeiros forem maiores e capazes e for
conveniente fazer uma partilha amigável, que é homologada pelo Juiz,
mediante prova de quitação de tributos.

4 – Sonegados – é a ocultação dolosa de bens que devem ser


inventariados ou levados à colação. Pode ser praticada pelo inventariante
(quando omite intencionalmente bens e valores ao prestar as primeira e
as últimas declarações) ou pelos herdeiros (que não indicam bens em seu
poder). Pena perda do direito sobre o bem sonegado, que é devolvido ao
monte e partilhado aos outros herdeiros, como se o sonegador nunca
tivesse existido. Prescrição – 10 anos e deve ser ajuizada no foro do
inventário e pode ser proposta pelos herdeiros legítimos, testamentários e
credores.

5 – Colação – Os herdeiros que foram agraciados com doações em


vida, deverão, no prazo de 10 dias, apresentar esses bens, a fim de que
se verifique se não houve prejuízo à legítima dos herdeiros necessários.
Dá-se o nome de colação ao ato de retorno ao monte a ser partilhado das
liberalidades feitas pelo de cujus, antes de sua morte, a seus
descendentes. Seu fim é igualar a legítima destes herdeiros, havendo uma
conferência dos bens. É dever imposto ao herdeiro, pois, segundo a lei, a
doação dos pais aos filhos importa em adiantamento de legítima.

6 – Pagamento de Dívidas – antes da partilha, poderão os


credores do espólio requerer ao juízo do inventário o pagamento de
dívidas. Só serão partilhados os bens e valores que restarem depois de
pagas as dívidas. A cobrança das dívidas faz-se, em regra, pela habilitação
do credor ao inventário. Não sendo impugnada a dívida vencida e exigível,
o Juiz declarará habilitado o credor e mandará que se faça a separação do
dinheiro ou bens, para o seu pagamento.

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PARTILHA

1 – Conceito – a herança, até à partilha, é uma universalidade,


legalmente indivisível. A partilha é a divisão oficial do apurado durante o
inventário entre os sucessores do de cujus. Tem natureza meramente
declaratória. A partilha pode ser judicial (realizada no processo de
inventário quando não houver acordo ou sempre que um dos herdeiros
seja menor ou incapaz) ou amigável (acordo entre os interessados, desde
que maiores e capazes). A partilha amigável é homologada e a judicial
julgada por sentença. A partilha pode ser feita também por escritura
pública (se todos os interessados forem capazes e estiverem de acordo).
2 – Formal de Partilha – passado em julgado a sentença,
receberão os herdeiros os bens que lhe tocarem e um formal de partilha
que um documento para ser levado a registros composto de diversas
peças.
3 – Sobrepartilha – é uma nova partilha (partilha adicional) de
bens que por determinadas razões não puderam ser divididos entre os
herdeiros, como exemplo: quando parte da herança consistir em bens
remotos do lugar do inventário, litigiosos, ou de liquidação morosa ou
difícil; ou quando houver bens sonegados e quaisquer outros bens da
herança que se descobrirem depois da partilha.

TESTES

Lembrando que todos estes testes já caíram em provas e concursos


anteriores e têm a finalidade de revisar o que foi ministrado na aula de hoje,
completando a aula.

01 – Segundo o disposto no artigo 1.784 do Código Civil, aberta a


sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e
testamentários. Até o momento da partilha, os bens do falecido são
considerados imóveis,

a) indivisíveis, coletivos da espécie universalidade de fato, inalienáveis e em


condomínio.
b) divisíveis, coletivos da espécie universalidade de direito, inalienáveis e em
condomínio.
c) indivisíveis, coletivos da espécie universalidade de direito, alienáveis e em
condomínio.

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d) indivisíveis, coletivos da espécie universalidade de direito, inalienáveis e em


condomínio.

02 – Bernardo faleceu, deixando uma soma de dinheiro depositada em


banco, ações de uma companhia, dois automóveis e os utensílios
domésticos de sua residência, no valor total de R$ 300.000,00. Neste
caso, pode-se afirmar que:

a) a cessão de direitos hereditários, pelo herdeiro de Bernardo, pode ser feita


por instrumento particular, sendo a herança, sob cogitação, móvel, embora
indivisível, até a partilha.
b) a cessão de direitos hereditários, pelo herdeiro de Bernardo, deve ser feita
por escritura pública, sendo a herança, sob cogitação, imóvel, mas divisível,
até a partilha.
c) a cessão de direitos hereditários, pelo herdeiro de Bernardo, pode ser feita
por instrumento particular, sendo a herança, sob cogitação, móvel e divisível,
podendo ser antecipada a partilha.
d) a cessão de direitos hereditários, pelo herdeiro de Bernardo, deve ser feita
por escritura pública, sendo a herança, sob cogitação, imóvel e indivisível, até
a partilha.

03 – Assinale a alternativa correta:


a) o direito à sucessão aberta é considerado bem móvel, desde que nela
somente haja bens móveis.
b) o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel, podendo ser alienado
por instrumento particular.
c) é ineficaz a disposição, sem prévia autorização do juiz da sucessão, por
qualquer herdeiro, de bem componente do acervo hereditário, pendente de
indivisibilidade.
d) o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel, mas somente pode
haver alienação ou cessão após a partilha.

04 – Assinale a alternativa correta, de acordo com o Código Civil.


a) O co-herdeiro, da constância do processo de inventário, só poderá ceder a
título oneroso a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão depois de
respeitado o direito de preferência do(s) outro(s) co-herdeiro(s).
b) A herança de pessoa viva pode ser objeto de contrato, desde que feito o
negócio mediante escritura pública.
c) Não há como conviver, na mesma sucessão, suas duas modalidades
(legítima e testamentária).

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d) O cônjuge sobrevivente e o companheiro(a) sobrevivente são sempre


considerados herdeiros necessários.

05 – Estão legitimados a suceder, na sucessão legítima:


a) os já nascidos, os concebidos e a prole eventual de pessoas já existentes.
b) as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão.
c) apenas as pessoas já nascidas com vida ao tempo da abertura da sucessão.
d) as pessoas físicas e jurídicas existentes ao tempo da abertura da sucessão.

06 – A aceitação da herança:
a) jamais pode ser tácita.
b) é presumida pelo fato de haver o herdeiro promovido o funeral do de cujus.
c) só se configura com a habilitação do herdeiro em inventário.
d) não se configura quando o herdeiro promove a cessão gratuita, pura e
simples, da herança, aos demais herdeiros.

07 – (Defensoria Pública do Estado de São Paulo – 2006) Com relação à


herança é correto afirmar:
a) pode haver renúncia parcial.
b) a renúncia da herança pode se dar por instrumento particular.
c) não pode haver aceitação tácita.
d) a transmissão da herança se dá a contar da aceitação do herdeiro.
e) não se pode aceitar a herança sob condição.

08 – Assinale a alternativa correta:


a) o cônjuge sobrevivente por ser herdeiro facultativo pode ser afastado da
sucessão pela via testamentária.
b) os colaterais por serem herdeiros necessários nunca podem ser afastados da
sucessão.
c) são herdeiros necessários os descendentes, ascendentes e o cônjuge.
d) são herdeiros necessários os descendentes e os ascendentes, somente.

09 – Antônio é divorciado de Maria, com quem teve dois filhos, José e João,
hoje maiores e casados. Depois do divórcio e da partilha de bens, Antônio
passou a viver maritalmente com Beatriz, com a qual não teve descendentes.
Enquanto mantinha união estável com Beatriz, o pai de Antônio faleceu,

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tornando-se este, então, único herdeiro de vasto patrimônio imobiliário, que


acabou por não usufruir em virtude de ter falecido três dias depois de seu pai.
Com base nestas informações, assinale a alternativa correta:

a) os bens de Antônio, havidos antes do falecimento do pai, serão partilhados


aos dois filhos do primeiro casamento (José e João) e os havidos por herança
de seu pai, serão partilhados à companheira (Beatriz).
b) os bens de Antônio, havidos antes do falecimento do pai, caberão metade à
ex-mulher (Maria) e metade aos dois filhos nascidos naquele casamento (José
e João), enquanto que os bens havidos por herança do pai, caberão metade à
companheira (Beatriz) e metade aos dois filhos (José e João).
c) Beatriz terá direito à metade do que couber a cada um dos filhos (José e
João).
d) todos os bens caberão aos dois filhos (José e João).

10 – Tratando-se de Direito das Sucessões, marque a opção incorreta.


a) a companheira, quando concorrer com filhos comuns, tem direito à metade
do que couber a cada um deles.
b) o direito à sucessão aberta pode ser objeto de cessão por escritura pública,
observado o direito de preferência do co-herdeiro.
c) o testamento público, lavrado no cartório de notas, pode ser revogado por
testamento marítimo.
d) extingue-se em cinco anos o direito de impugnar a validade do testamento,
contado o prazo da data do seu registro.

11 – Companheiro, na concorrência com colateral de 3º grau do


falecido, na sua sucessão quanto aos bens onerosamente adquiridos na
vigência da união estável, fará jus a:

a) 1/2 do que couber ao colateral.


b) 1/3 daquela herança.
c) 1/4 daquela herança.
d) quota equivalente ao que, legalmente, couber ao colateral.
e) 1/6 do que couber ao colateral.

12 – Configura-se o instituto da representação, no Direito das


Sucessões, quando:

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a) por testamento ou disposição de última vontade, parentes do falecido são


chamados a suceder herdeiros não necessários.
b) por testamento ou disposição de última vontade, o falecido nomeia
representantes para os herdeiros menores, confiando-lhes, enquanto durar a
menoridade, a guarda e administração dos bens herdados.
c) a lei determinar que certos herdeiros, menores ou incapazes, sejam
representados, nos atos da vida civil, por tutores, curadores ou por aqueles
que detenham o poder familiar como decorrência de determinação judicial.
d) a lei chama certos parentes do falecido a suceder em todos os direitos, em
que ele sucederia, se vivesse.

13 – Assinale a alternativa correta:


a) aberta a sucessão, não tendo descendentes ou ascendentes sucessíveis, o
companheiro ou companheira sobrevivente, terá direito à totalidade da
herança.
b) quando o herdeiro renuncia ao quinhão da herança a que tinha direito, os
seus sucessores podem representá-lo na herança.
c) os herdeiros colaterais somente serão chamados a suceder na ausência de
cônjuge sobrevivente.
d) o direito de representação dá-se na linha reta descendente, mas nunca na
ascendente.

14 – É correto afirmar que o testamento público, com o Código Civil de


2002:
a) exige a presença de 03 (três) testemunhas para o ato.
b) é sempre escrito manualmente e nunca mecanicamente.
c) é a única forma permitida ao cego.
d) é aquele que só pode ser feito nas dependências de um tabelionato.
e) se o testador não souber assinar não poderá testar desta forma.

15 – Romper-se-á o testamento se:


a) o testador dispuser de sua metade, não contemplando herdeiros necessários
de cuja existência saiba.
b) ocorrer superveniência de descendente sucessível ao testador, que não
tinha ou não o conhecia quando testou.
c) o testador manifestar vontade contrária à que se encontra expressa no
anterior.

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d) herdeiro nomeado desamparou o autor da herança, sendo descendente seu,


com o intuito de atentar contra sua vida.

15 – Em relação à herança, é correto afirmar que:


a) os atos de aceitação ou de renúncia da herança são irrevogáveis.
b) os herdeiros necessários são apenas os descendentes e os ascendentes.
c) o testamento público deve ser presenciado, pelo menos, por 03 (três)
testemunhas, sob pena de nulidade.
d) os herdeiros necessários podem ser deserdados, de acordo com a vontade
do testador.

17 – Sobre o direito de representação na sucessão legítima, é


INCORRETO afirmar que:
a) na linha ascendente nunca há direito de representação.
b) se uma herdeira for declarada indigna, sua filha não herda no seu lugar.
c) na linha transversal só há direito de representação em favor do sobrinho do
falecido.
d) na linha descendente há direito de representação.

18 – Sobre a Sucessão Legítima, é INCORRETO afirmar:


a) deixando o falecido apenas uma avó materna, uma avó paterna e um avô
paterno, a herança será dividida em três partes iguais.
b) descendentes, ascendentes e cônjuge do falecido têm direito à parte
legítima da herança, por serem herdeiros necessários.
c) com a morte do seu marido existe a possibilidade de a viúva concorrer na
herança com filhos do falecido, ainda que não sejam descendentes dela.
d) na sucessão colateral, cada irmão bilateral herda o dobro do que cada
irmão unilateral.

19 – (OAB/SP – 2007) Sobre Sucessão Legítima em favor da viúva, é


ERRADO afirmar que:
a) ainda que concorra com filhos exclusivos do falecido, a viúva, mesmo
casada sob o regime da separação obrigatória de bens, tem direito real de
habitação relativamente ao único imóvel deixado pelo de cujus.
b) casada sob o regime da separação convencional, a viúva herdará a
propriedade dos bens particulares do de cujus, concorrendo com os filhos
exclusivos este, em igualdade de quotas.

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c) concorrendo com o irmão do falecido, a esposa herdará todo o patrimônio,


qualquer que seja o regime de bens.
d) não havendo descendentes, os ascendentes herdarão o patrimônio em
concorrência com a viúva.
e) não há diferença quanto ao fato de a viúva ser ou não a mãe de todos os
cinco filhos do seu falecido marido.

20 – “A” elabora testamento cerrado deixando a cota disponível de seu


patrimônio a dois sobrinhos “X” e “Y”, designando aos nomeados o quinhão de
cada um. Um ano depois, em razão de uma discussão entre os familiares
envolvendo o testador e os beneficiários, “A” elabora novo testamento público,
deixando os mesmos bens a uma prima. Após dois anos, muito doente e
recebendo zelosa dedicação dos sobrinhos em sua enfermidade, “A” revoga
expressamente, por outro testamento, sem estabelecer quaisquer novas
disposições testamentária e vem a falecer.
ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
a) a herança será recolhida toda á sucessão legítima, de acordo com a ordem
de vocação hereditária, já que a vontade revogatória subsiste como expressão
da última vontade do falecido.
b) o testamento cerrado jamais se considera revogado pelo segundo ato do
testado, pois só se permite a revogação quando feita por testamento
revogatório na mesma forma pela qual foi feito o testamento primitivo, no
caso a revogação só poderia ter sido feita pela forma cerrada também. Assim,
os sobrinhos permanecem como os beneficiários da deixa testamentária.
c) o testamento cerrado foi revogado tacitamente pelo público, o qual, por
sua vez, foi revogado pelo terceiro ato de última vontade. Como o último
testamento não dispôs sobre os bens de forma diversa ou incompatível ao
primeiro, e tendo sido expressamente revogado o segundo ato, fica
revigorado o testamento primitivo. Por essa razão, os sobrinhos receberão
cada qual o seu quinhão.
d) o testamento, na qualidade de ato de última vontade, pode ser revogado
de forma expressa, quando o testador o declarar sem efeito, no todo ou em
parte; de forma tácita, quando fizer novas disposições que não correspondam
as antigas sem mencionar que as revoga, ou quando alienar a coisa legada;
ou de forma presumida, quando ocorrer superveniência de descendente do
testador, que não tinha ou desconhecia. Sendo expressa ou tácita a
revogação pode ser efetuada por novo testamento ou por codicilo. Assim, os
sobrinhos prevalecem como beneficiários.

21 – Um Herdeiro poderá ser excluído da sucessão:


a) em nenhuma hipótese.
b) se atentar contra a honra da pessoa que sucedeu.

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c) na tentativa contra a vida de outro interessado na sucessão.


d) se ocorreu a cogitação do atentado contra a vida da pessoa que sucede.

22 – O Herdeiro Necessário poderá ser privado da legítima:


a) mediante simples determinação do autor da herança consignada em
testamento público.
b) através de ação proposta pelo Ministério Público no caso de homicídio contra
a vida daquele.
c) por interessados na sucessão que detenham a maioria das quotas
legitimarias.
d) por intermédio de ação aforada por qualquer interessado na sucessão na
hipótese de fraude ou violência que inibiu o falecido de dispor livremente de
seus bens em testamento.

23 – Caio falece na cidade de São Paulo e deixa testamento cerrado. Tício, seu
melhor amigo, encontra na residência do “de cujus” o testamento. Tício abre o
testamento e descobre que fora nomeado como legatário do único bem deixado
pelo “de cujus”, um apartamento na mencionada cidade. Caio não tinha nenhum
herdeiro:
a) Tício deverá pleitear a abertura do inventário, juntando prova de sua
condição o testamento de Caio.
b) Tício deverá requerer a homologação judicial do testamento, pedido este
que será deferido pelo Juiz, requerendo posteriormente o início do processo de
inventário.
c) o testamento não será considerado válido na medida em que Tício não
poderia tê-lo deslacrado, cabendo a herança á Municipalidade de São Paulo.
d) Tício deverá simplesmente requerer a transferência da propriedade junto ao
Registro de Imóveis mediante apresentação do testamento.

24 – (Magistratura – São Paulo – Concurso 173) A abertura da sucessão


hereditária ocorre com o falecimento do de cujus, mas há que se
considerar como INCORRETO:
a) que a mulher casada pelo regime da separação parcial, recebendo a
herança de seu pai, não pode recusá-la sem autorização marital.
b) que a renúncia à herança não pode ser tácita ou presumida.
c) que a aceitação da herança não pode ser condicional, nem dependendo de
termo.
d) que a aceitação da herança não pode ser presumida ou tácita.

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25 – Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos


herdeiros legítimos e testamentários. Até o momento da partilha, os
bens do falecido são considerados imóveis,
a) indivisíveis, coletivos da espécie universalidade de fato, inalienáveis e em
condomínio.
b) divisíveis, coletivos da espécie universalidade de direito, inalienáveis e em
condomínio.
c) indivisíveis, coletivos da espécie universalidade de direito, alienáveis e em
condomínio.
d) indivisíveis, coletivos da espécie universalidade de direito, inalienáveis e em
condomínio.

26 – (Magistratura – Minas Gerais – 2004) Considerando o atual Código


Civil no tocante ao Direito das Sucessões, assinale a alternativa
INCORRETA.
a) os descendentes, os ascendentes e o cônjuge são herdeiros necessários.
b) o co-herdeiro não poderá ceder sua cota hereditária a pessoa estranha à
sucessão, se outro co-herdeiro a quiser, tanto por tanto.
c) na sucessão testamentária, quando contemplados os filhos ainda não
concebidos de pessoas indicadas pelo testador, os bens da herança serão
confiados a curador nomeado pelo juiz e, se decorridos 03 (três) anos da
abertura da sucessão não for concebido o herdeiro esperado, os bens
reservados caberão aos demais herdeiros testamentários.
d) somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao
tempo da morte do outro, não estavam separados judicialmente, nem
separados de fato há mais de 02 (dois) anos, salvo prova, neste caso, de que
essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente.
e) são anuláveis as disposições testamentárias inquinadas de erro, dolo ou
coação, extinguindo-se em 04 (quatro) anos o direito de anular a disposição,
contados de quando o interessado tiver conhecimento do vício.

27 – (Procurador do Estado de Goiás – 2005) Um homem morreu deixando


viúva e três filhos solteiros. Estes, após darem procuração ao advogado para
requerimento do inventário, renunciaram expressamente a herança. Assim
procedendo a herança, em sua totalidade, acabou sendo recolhida em favor da
mãe viúva. A propósito da natureza e das conseqüências tributárias da renúncia,
assinale a alternativa verdadeira.

a) a renúncia foi para favorecer e, assim, corresponde à cessão gratuita de


direitos hereditários, motivo pelo qual deve-se pagar o respectivo imposto.

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b) houve aceitação da herança, ao dar procuração ao advogado para o


inventário. Assim, aceita a herança, não seria possível a renúncia abdicativa,
mas a translativa, motivo pelo qual deve-se pagar o imposto.
c) no caso o recolhimento da herança pela mãe em virtude da renúncia dos
filhos constitui ato entre vivos que não será novamente tributado.
d) aceita a herança, torna-se definitiva a transmissão ao herdeiro e a renúncia
posterior não invalidou esta transmissão, motivo pelo qual deve o ato ser
tributado.

28 – (Advogado do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento


Econômico e Social – 2006) A cláusula de inalienabilidade poderá ser
instituída das seguintes formas:

I – mediante a manifestação de vontade mútua das partes contratantes.


II – por ato de vontade do testador sobre a parte disponível da herança.
III – por meio de negócio jurídico, com a presença de duas testemunhas.
IV – quando se tratar de legítima, mediante justa causa declarada no
testamento.
V – por ato inter vivos, somente na hipótese de doação.
Estão corretas, apenas, as formas:
a) I e IV.
b) III e IV.
c) I, II e V.
d) I, III e V.
e) II, IV e V.

29 – (AFR – ICMS/SP – 2006) São herdeiros necessários:


a) os descendentes, os ascendentes e os colaterais até o terceiro grau.
b) apenas os descendentes e ascendentes.
c) os descendentes e os colaterais até quarto grau.
d) apenas o cônjuge sobrevivente, se o regime de casamento for o da
comunhão universal de bens.
e) os descendentes, os ascendentes e o cônjuge sobrevivente, qualquer que
seja o regime de bens do casamento.

30 – (OAB/SP – 2007) Sobre Sucessão Testamentária, é ERRADO


afirmar:

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a) o instituto da redução das disposições testamentárias é aplicado para as


hipóteses de avanço do testamento na parte legítima dos herdeiros
necessários.
b) há direito de representação na sucessão testamentária.
c) o pai pode testar metade de seu patrimônio ao filho primogênito “A”,
enquanto a outra metade será igualmente dividida entre o próprio “A” e o
filho caçula “B”.
d) uma pessoa com 16 (dezesseis) anos pode testar normalmente.
e) o analfabeto pode fazer testamento de forma pública.

GABARITO COMENTADO

01 – Alternativa correta – letra “d”. A herança também é chamada de


espólio ou monte. Constitui ela uma universalidade de bens sem
personalidade jurídica, um patrimônio único, um conjunto de direitos (ativo) e
deveres (as dívidas, o passivo), representado pelo inventariante, até a
homologação da partilha. É uma universalidade de direito (veja artigos 1.791 e
91 CC). Para os efeitos legais a sucessão aberta é tida como imóvel (art. 80, II
CC). Há alguns direitos que não se transmitem por herança (ex: direitos
personalíssimos, usufruto, etc.). No tocante às dívidas, os herdeiros só
respondem até os limites da herança. É indivisível até à partilha, tratando-se
de um condomínio forçado. Cada co-herdeiro possui uma parte ideal da
herança. O co-herdeiro não pode vender ou hipotecar parte determinada de
coisa comum ao espólio, mas pode ceder os direitos hereditários
concernentes à sua parte ideal. No entanto os demais co-herdeiros possuem
direito de preferência.

02 – Alternativa correta – letra “d”. Como vimos em aula e na questão


anterior, mesmo havendo apenas bens móveis na herança, ela continua sendo
considerada como bem imóvel por determinação legal (ainda que os bens
individualizados sejam, de fato, móveis). Os bens são inalienáveis e indivisíveis
(art. 1.791 e parágrafo único CC) até a partilha. No entanto é possível a cessão
de direitos em relação a estes bens. A cessão só poderá ser feita por escritura
pública, conforme determinação dos artigos 1.793 e 166, IV, do CC.

03 – Alternativa correta – letra “c”. O art. 1.793, § 3º CC, declara


como ineficaz (nula) a disposição de bem componente do acervo da herança
enquanto pendente a indivisibilidade (antes da partilha), se esta for realizada
sem a devida autorização judicial. Como vimos a herança é considerada como
um bem imóvel (art. 80, II CC), independentemente dos bens nela contidos.
Portanto a letra “a” está errada. A herança é inalienável, podendo haver cessão,
sendo que esta pode ser feita antes da partilha (art. 1.793 CC – letras “b” e “d”
erradas).

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04 – Alternativa correta – letra “a”. A cessão onerosa de quota da


herança só pode ser feita a pessoa estranha depois de oferecida aos co-
herdeiros, para que exerçam o direito de preferência, tanto por tanto, conforme
determinação do art. 1794 CC/02. Como vimos, é proibida a herança de pessoa
viva, também chamada de pacta corvina (art. 426 CC), em qualquer hipótese
(letra “b” está errada). Uma pessoa pode deixar parte de sua herança para uma
determinada pessoa (sucessão testamentária) e o resto ser partilhado como
sucessão legítima; assim pode co-existir, na mesma sucessão, suas duas
modalidades de sucessão: legítima e testamentária (letra “c” está errada). O
companheiro não é considerado como herdeiro necessário. A relação dos
herdeiros necessários está no artigo 1.845 CC (letra “d” está errada).

05 – Alternativa correta – letra “b”. Legitimidade sucessória é a


aptidão de uma pessoa para receber a herança do “de cujus”. Todas as pessoas
mencionadas em todas as alternativas podem receber herança. Mas notem que
no cabeçalho da questão o examinador fala em sucessão legítima. Neste caso,
por força do art. 1.798 CC, só estão legitimadas a receber herança as pessoas
nascidas e as já concebidas (já têm seu direito patrimonial em estado potencial,
faltando-lhes ainda personalidade jurídica material). A pessoa ainda não
concebida (prole eventual – letra “a”) e a Pessoa Jurídica podem herdar, mas
apenas se houver previsão testamentária, com base no art. 1.799, I (sucessão
testamentária). Observem que a letra “c” não estaria errada (está incompleta),
não fosse a expressão “apenas”.

06 – Alternativa correta letra “d”. A aceitação da herança é um ato


jurídico unilateral, expresso ou tácito, pelo qual o herdeiro manifesta sua
vontade de receber a herança. A aceitação tácita decorre da prática de atos
próprios de herdeiro. Não se considera como aceitação tácita os atos oficiosos
(ex: funeral do de cujus), os atos meramente conservatórios dos bens,
administração e guarda provisória. Também não importa aceitação a cessão
gratuita (pura e simples) da herança aos demais co-herdeiros (isto é, a renúncia
abdicativa), conforme previsão contida no art. 1.805 CC.

07 – Alternativa correta – letra “e”. Isto porque o art. 1.808 CC prevê


que não se pode aceitar ou renunciar a herança em parte, sob condição ou a
termo. Por este mesmo fundamento a letra “a” está errada (não pode haver
renúncia parcial). A letra “b” está errada, pois o art. 1.806 CC determina que a
renúncia da herança deve constar expressamente de instrumento público ou
termo judicial. Assim, a contrário senso, a renúncia da herança não se pode dar
por instrumento particular. A letra “c” está errada, pois o art. 1.805 CC permite
a aceitação tácita, quando resultar de atos próprios de herdeiro (ex: cobrança
de dívida do espólio, transporte de bens de herança para o seu domicílio, etc.).
Finamente a letra “d” está errada, pois a transmissão dos bens se dá assim que

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é aberta a sucessão (ou seja, com a morte do de cujus – art. 1.784 CC). Trata-
se da aplicação do Princípio da Saisine.

08 – Alternativa correta – letra “c”. O art. 1.845 CC, determina que


são herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge do
autor da herança. Esses herdeiros têm direito à metade dos bens da herança
(legítima), só podendo ser afastado da sucessão por indignidade ou por
deserdação. A letra “a” está errada, pois considera o cônjuge como herdeiro
facultativo. A letra “b” está errada, pois os colaterais não são herdeiros
necessários; alem disso a expressão “nunca” também torna a alternativa
incorreta. Na letra “d” a expressão “somente” é que torna a questão errada.

09 – Alternativa correta – letra “d”. O companheiro sobrevivente, nos


termos do art. 1.790 CC, só tem direito à sucessão dos bens adquiridos de
forma onerosa na constância da união estável, pelo outro companheiro. Como
no problema os bens foram adquiridos de forma gratuita (herança), a
companheira de Antônio (Beatriz) nada terá direito. Maria também nada
receberá, pois já era divorciada de Antônio quando o mesmo herdou. Portanto
somente os filhos de Antônio herdarão. Se os bens fossem adquiridos
onerosamente na constância da união estável, aí sim Beatriz teria direito à
meação e ainda receberia, como herança, metade do que coubesse a cada um
dos filhos de Antônio. Nesta hipótese a alternativa “c” estaria correta.

10 – Alternativa incorreta letra “a”. A sucessão do companheiro está


prevista no art. 1.790 do Código Civil, abrangendo apenas os bens adquiridos
onerosamente na constância da união estável. O inciso I, do citado artigo,
garante à companheira uma cota equivalente à que por lei for atribuída aos
filhos comuns do casal. Ela receberia metade do que coubesse aos demais
filhos, se estes fossem descendentes apenas do autor da herança. A alternativa
fala em filhos comuns, por isso está errada. Como vimos em questões anteriores
pode haver a cessão de direitos hereditários, respeitando-se o direito de
preferência (letra “b” correta). Um testamento, seja ele qual for, pode ser
revogado por outro, também seja ele qual for, não havendo uma hierarquia
entre os testamentos (letra “c” correta). Registrado um testamento, o prazo
para impugná-lo é de cinco anos (letra “d” correta – art. 1.859 CC).

11 – Alternativa correta – letra “b”. Vamos recordar. Um


companheiro participará na sucessão do outro quanto aos bens adquiridos
onerosamente, na constância da união estável (art. 1.790 CC): a) se concorrer
com filhos comuns terá direito a mesma quota destes; b) se concorrer com
descendentes só do autor da herança (o de cujus), terá direito à metade do que
couber a cada filho; c) se concorrer com outros parentes sucessíveis
(ascendentes ou colaterais) terá direito a um terço da herança; não havendo
parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança. No caso o

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companheiro está concorrendo com colateral – que pode ser de 2º grau


(irmãos), 3º grau (tios e sobrinhos) ou 4º grau (primos e tios-avô). Portanto, na
questão proposta, o companheiro terá direito a 1/3 da herança, dos bens
adquiridos onerosamente na vigência da união estável.

12 – Alternativa correta – letra “d”. Nos termos do disposto no art.


1.851 CC a herança pode ser deferida por direito próprio (ou seja, ao herdeiro
mais próximo) ou por representação (quando se é chamado pela lei, a receber
no lugar de um herdeiro pré-morto, que era mais próximo do de cujus). Quem
herda por representação, herda por estirpe, recebendo o que receberia o
representado, se vivo fosse. Vejam os comentários da próxima questão, que
completam a presente questão.

13 – Alternativa correta – letra “d”. O direito de representação só é


admitido na linha reta descendente (art. 1852 CC) e na linha transversal
(também chamada de colateral), em favor dos filhos de irmãos do falecido
(sobrinhos), quando com irmãos deste concorrerem (art. 1.853). Não há direito
de representação na linha ascendente. Como vimos o companheiro somente
terá direito à totalidade dos bens na sucessão no caso de não haver
descendentes, ascendentes e colaterais (letra “a” está errada). Quando há a
renúncia, o quinhão correspondente à parte do renunciante acrescenta aos
demais herdeiros do de cujus (herdeiros da mesma classe – direito de acrescer)
e não aos sucessores do renunciante. Os descendentes do renunciante, neste
caso, não herdam por representação (letra “b” errada). Lembrando que a
renúncia é irretratável e irrevogável. Os colaterais herdam no caso de não haver
descendentes, ascendentes e cônjuge do de cujus. Repartem a herança com o
companheiro do falecido. Não havendo companheiro herdam na totalidade (letra
“c” errada).

14 – Alternativa correta – letra “c”. O testamento público é feito por


tabelião, em livro de notas, de acordo com a vontade declarada pelo testador.
Deve ser lido em voz alta, em língua nacional, escrito por oficial público e
assinado pelo testador, pelo tabelião e por duas testemunhas idôneas (logo a
alternativa “a” está errada). Como é exarado verbalmente, o mudo não pode
testar desta forma. Com a abertura da sucessão ele é apresentado em juízo,
sendo que não tendo vícios, o Juiz ordena o seu registro e cumprimento. Diante
da solenidade imposta, entendeu o legislador que ao cego somente deve ser
permitido o testamento público, como forma de protegê-lo (art. 1.867 CC). O
art. 1.894, parágrafo único permite que o testamento público seja escrito
manualmente ou mecanicamente, por isso a letra “b” está errada. Não há nada
na lei que obrigue que o testamento seja feito apenas nas dependências de um
tabelionato, por isso a alternativa “d” está errada. Finalmente estabelece o art.
1.865 CC que se o testador não souber ou não puder assinar, o tabelião (ou o
seu substituto) legal assim o declarará, assinando, neste caso pelo testador, e, a
seu rogo (ou seja, a seu pedido), uma das testemunhas instrumentárias.

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15 – Alternativa correta – letra “b”. Rompimento é a inutilização do


testamento por perda de validade em razão da ocorrência de certos fatos
previstos em lei. A alternativa “b” traz disposição idêntica à redação do artigo
1.973 CC. O rompimento do testamento é, portanto, uma forma de revogação
presumida, ficta ou legal, de todos os seus termos. Não confundir o rompimento
(espécie de revogação ficta), com a revogação propriamente dita, prevista no
art. 1.969 CC, que é o ato consciente do testador que torna ineficaz o
testamento anterior (ex: faz um novo testamento), hipótese prevista na
alternativa “c”. Se a cota disponível deixada a terceiros ultrapassar o limite de
50%, afetando a legítima, poderão os herdeiros necessários, por meio de ação
própria, pleitear a redução das disposições testamentárias e das doações. Não
se anula o testamento, mas procede-se a uma transferência de bens da cota
disponível para a legítima, integrando-se o que foi desfalcado. Por tal motivo a
letra “a” também está errada, pois não se trata de hipótese de rompimento de
testamento. A letra “d” trata da deserdação, estando também incorreta.

16 – Alternativa correta – letra “a”. Conforme redação do art. 1.812


CC são irrevogáveis os atos de aceitação ou renúncia da herança. A letra “b”
está incompleta, pois o cônjuge também é herdeiro necessário. O testamento
público deve ser presenciado por 02 (duas) testemunhas (art. 1864, II CC) e
não 03 (três) como disposto na alternativa “c”. Os herdeiros necessários podem
ser deserdados, mas não pela vontade arbitrária do testador, mas por causas
prevista na lei como a tentativa de homicídio doloso praticada contra o autor da
herança. Outras hipóteses de deserdação: artigos 1.814, 1.962 e 1.963 CC).
Portanto a letra “d” também está errada.

17 – Alternativa incorreta – letra “b”. Chama-se direito de


representação quando se é chamado pela lei, a receber a herança no lugar de
um herdeiro pré-morto, que era mais próximo do “de cujus”. Quem herda por
representação, herda por estirpe, recebendo o que receberia o representado, se
vivo fosse. Se um herdeiro for declaro indigno, seus sucessores herdam com se
o indigno fosse morto antes da abertura da sucessão, portanto a letra “b” está
errada. O direito de representação só é admitido na linha reta descendente
(letra “d” correta – art. 1852 CC) e na linha transversal (também chamada de
colateral), em favor dos filhos de irmãos do falecido, quando com irmãos deste
concorrerem (são os sobrinhos – art. 1.853 – letra “c” correta). Não há direito
de representação na linha ascendente (letra “a” correta).

18 – Alternativa incorreta – letra “a”. Conforme o disposto no artigo


1.836, § 2º CC, havendo igualdade em grau e diversidade em linha, os
ascendentes da linha paterna herdam a metade, cabendo a outra metade aos
ascendentes da linha materna. Desta forma a alternativa “a” está errada, pois a
herança não será dividida em três partes, mas sim em duas partes. A avó

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materna ficará com metade da herança, o avô paterno ficará com 25% da
herança e a avó paterna ficará com 25% da herança. As demais alternativas,
como vimos na aula e em diversas outras questões, estão perfeitas.

19 – Alternativa incorreta – letra “e”. Esta alternativa está errada,


pois há diferença no fato dos filhos do de cujus serem ou não também filhos da
viúva. Observem o seguinte exemplo clássico. “A” faleceu deixando esposa e
cinco filhos que não são do cônjuge sobrevivente; neste caso a herança será
dividida em seis partes iguais, cada um dos filhos e a esposa receberão um
sexto. Se estes filhos forem também do cônjuge sobrevivente, a participação
deles ficará reduzida diante do limite da quota mínima estabelecida pela lei: o
cônjuge ficará com um quarto e os demais três quartos serão partilhados entre
os seus cinco filhos. É o que determina o art. 1.832 CC. A alternativa “a” está
correta, pois o art. 1.831 CC prevê que ao cônjuge sobrevivente, qualquer que
seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe
caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado
à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar. A
letra “b” esta correta, pois o art. 1.832 prevê que caberá ao cônjuge, em
concorrência com os descendentes, quinhão igual ao dos que sucederem por
cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança. A letra
“c” está correta, pois os irmãos são herdeiros colaterais. E estes herdam
somente após o cônjuge. O art. 1.838 CC determina que na falta de
descendentes e ascendentes, será deferida a sucessão por inteiro ao cônjuge
sobrevivente. Finalmente a letra “d” está correta, pois o art. 1.836 CC
determina que na falta de descendentes, são chamados à sucessão os
ascendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente.

20 – Alternativa correta – letra “a”. Apesar da questão ser grande,


tanto no enunciado, quanto nas alternativas, seu ponto central é simples. O
examinador quer saber: há hierarquia entre os testamentos? Existe
repristinação em relação aos testamentos? Resposta: não há hierarquia;
prevalece sempre o último. Além disso, a pessoa revogando o segundo
testamento, esse ato não restaura o primeiro testamento que já havia sido
revogado. Na questão, o último testamento revogou o anterior, não
estabelecendo novas disposições, não contemplando ninguém. Por tal motivo a
herança será distribuída pela sucessão legítima, seguindo a ordem prevista na
lei e não mais pela sucessão testamentária.

21 – Alternativa correta – letra “b”. A resposta está nos artigos 1.814,


1.962 e 1.963 CC. Das hipóteses mencionadas na questão a única que encontra
respaldo expresso na lei é a de se atentar contra a honra da pessoa a que
sucedeu. Inicialmente sabemos que um herdeiro, até mesmo necessário, pode
ser excluído da sucessão, portanto a letra “a” está errada. Notem que a letra “c”
fala em tentativa contra a vida de outro interessado na sucessão (o que não é o
caso de exclusão da sucessão) e a letra “d” fala em cogitação do atentado

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contra a vida. Ora, a cogitação não é crime, não sendo também causa de
exclusão da herança.

22 – Alternativa correta – letra “d”. A fundamentação é a mesma da


resposta anterior. No entanto, acrescente-se: o art. 1.964 CC determina que
somente com a declaração de causa pode a deserdação ser ordenada em
testamento. Além disso, o herdeiro instituído ou àquele a quem aproveite a
deserdação é que incumbe provar a veracidade da causa alegada pelo testador,
por meio de ação própria. O prazo para isso é de 04 (quatro) anos, a contar da
data da abertura do testamento (art. 1.965 e parágrafo único CC).

23 – Alternativa correta – letra “c”. Como vimos, o testamento


cerrado é o escrito em caráter sigiloso, possuindo inúmeras formalidades. E
qualquer vício pode invalidá-lo. Morto o testador deve este tipo de testamento
ser apresentado ao Juiz para sua abertura. Se o lacre do testamento for aberto
em outra situação ele perde sua validade. No caso da questão Tício rompeu o
testamento. Portanto ele perdeu sua validade. Como Caio não tinha outros
herdeiros (descendentes, ascendentes e cônjuge), a herança irá toda para a
Municipalidade (art. 1.844 CC). É interessante esclarecer que o Código permite
ao Juiz que “se não achar vício externo que o torne eivado de nulidade ou
suspeito de falsidade”, pode ordenar o seu registro e cumprimento. Assim, na
prática, mesmo havendo um vício que entenda não essencial, não havendo
indício de falsidade, o juiz pode considerá-lo como válido.

24 – Alternativa incorreta – letra “d”. A aceitação da herança é o ato


jurídico unilateral, expresso ou tácito, pelo qual o herdeiro manifesta sua
vontade de receber a herança. A aceitação tácita decorre da prática de atos
próprios de herdeiro, com exceção dos atos oficiosos (funeral), dos atos
meramente conservatórios e a cessão gratuita aos demais co-herdeiros (isto é,
a renúncia abdicativa), conforme previsão contida no art. 1.805 CC. Já o art.
1.808 CC determina que não se pode aceitar ou renunciar a herança em parte,
sob condição ou a termo. Por tal motivo a letra “c” está correta. A letra “a” está
correta, pois o art. 1.647 CC determina que, ressalvado o regime da separação
absoluta de bens, um cônjuge não poderá, sem autorização do outro alienar ou
gravar de ônus real os bens imóveis. A sucessão é considerada como um bem
imóvel (art. 80, II do CC). Portanto, sendo pessoa casada, a renúncia à herança
(bem imóvel) depende de outorga (uxória ou marital). A letra “b” também está
correta, pois a renúncia da herança deve constar expressamente de instrumento
público ou termo judicial (art. 1.806 CC).

25 – Alternativa correta – letra “d”. A herança também é chamada de


espólio ou monte. Constitui ela uma universalidade de bens sem
personalidade jurídica, um patrimônio único, um conjunto de direitos (o ativo) e
de obrigações (o passivo; as dívidas). O espólio é representado pelo

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inventariante, até a homologação da partilha. É uma universalidade de direito


(vejam artigos 1.791 e 91 do CC). Para os efeitos legais a sucessão aberta é
tida como sendo um bem imóvel (art. 80, II CC). Lembrem-se que há direitos
que não se transmitem (ex: direitos personalíssimos, usufruto, etc.). No tocante
às dívidas, os herdeiros só respondem até os limites da herança. É indivisível
até à partilha; é um condomínio forçado. Cada co-herdeiro possui uma parte
ideal da herança. O co-herdeiro não pode vender ou hipotecar parte
determinada de coisa comum ao espólio, mas pode ceder os direitos
hereditários concernentes à sua parte ideal. No entanto os demais co-
herdeiros possuem direito de preferência. Portanto, por exclusão, a única
alternativa correta é a “d”.

26 – Alternativa correta – letra “c”. Apesar de ter caído em um exame


para Juiz, com grau de dificuldade, trata-se de um teste bem didático, pois
quatro das alternativas estão corretas, sendo que a simples leitura do teste já é
um exercício de fixação da matéria. O erro na alternativa apontada é sutil. O
art. 1.799 CC permite que na sucessão testamentária possa ser chamado a
suceder os filhos ainda não concebidos de pessoas indicadas pelo testador desde
que vivas estas ao abrir-se a sucessão. Exemplificando: José pode deixar uma
herança (a chamada parte disponível e por meio de um testamento) ao filho de
Carlos, sendo que no momento da feitura do testamento, Carlos não tinha filhos
e nem ao menos era casado. Quando José falecer se Carlos já tinha filho, a
herança irá para este filho. Se Carlos ainda não tinha filhos, é necessário que
pelo menos Carlos ainda esteja vivo no momento da abertura da sucessão.
Carlos está vivo, mas ainda não tem filhos. Aguarda-se mais 02 (dois) anos
após a abertura da sucessão. Se neste período Carlos tiver um filho o bem irá
para este. Se Carlos mesmo assim não tiver filhos neste prazo, os bens irão
para os herdeiros legítimos de José. É o que determina o art. 1.800, §4º do CC.
Portanto a afirmativa contém dois erros sutis: o prazo apontado pela lei é de
dois anos (e não três como na questão); além disso, os bens irão para os
demais herdeiros legítimos (e não testamentários) do de cujus. As demais
alternativas estão corretas, sendo que se trata de cópia de texto literal de
artigos do Código Civil: letra “a” o art. 1.845; letra “b” o art. 1.794; letra “d”
o art. 1.830; letra “e” o art. 1.909 e seu parágrafo único.

27 – Alternativa correta – letra “c”. A renúncia da herança consiste


no ato jurídico unilateral pelo qual o herdeiro declara expressamente que não
aceita a herança a que tem direito, abrindo mão de sua titularidade. Trata-se de
um ato solene, devendo ser feito por escritura pública (perante o tabelião) ou
por termo nos autos (perante o juiz). No caso o simples fato dos filhos
fornecerem procuração a advogado não induz a aceitação da herança. No caso a
aceitação teria sido válida se o advogado já estivesse ingressado com a ação e
eles já estivessem representados no processo de inventário. Os filhos
renunciaram a herança de forma “pura e simples”, portanto trata-se de uma
“cessão abdicativa”, gratuita e sem indicar quem irá representá-los na sucessão.
Por esse motivo, não incidirá nova tributação. No entanto, se os herdeiros

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“renunciassem em favor de outrem”, isto não se configura em uma renúncia


propriamente dita. Seria uma “renúncia translativa”. Na verdade iria se tratar de
uma aceitação com uma imediata transmissão dos bens, havendo a incidência
de tributação causa mortis e logo a seguir outra inter vivos.

28 – Alternativa correta – letra “e”. Estão corretas as afirmativas II,


IV e V. A cláusula de inalienabilidade consiste em um meio de vincular, de forma
absoluta ou relativa, vitalícia ou temporária, os bens doados ou deixados pelo
testador aos seus herdeiros a sua parte disponível, que deles não poderão
dispor. O art. 1.848 CC determina que para se estabelecer esta cláusula é
necessária uma “justa causa”. Como regra essa cláusula envolve também a
impenhorabilidade e a incomunicabilidade (art. 1.911 CC).

29 – Alternativa correta – letra “e”. Segundo o art. 1.845 CC, são


herdeiros necessários (também chamados de legitimários ou reservatários): a)
os descendentes (filhos, netos, bisnetos, etc.); b) os ascendentes (pais, avós,
bisavós, etc.); c) e o cônjuge sobrevivente, não importando qual seja o regime
de bens adotado no casamento. Lembrem-se os herdeiros necessários têm
direito à metade dos bens da herança. Esta parte da herança é chamada de
legítima. A outra parte da herança é chamada de parte disponível, que é a parte
em que o de cujus pode deixar para qualquer pessoa por meio de um
testamento. Somente na hipótese de não haver herdeiros necessários o testador
pode deixar todo o seu patrimônio a quem quiser. Lembrem-se, também, que
mesmo um herdeiro necessário pode ser excluído da sucessão através do
instituto da deserdação.

30 – Alternativa incorreta – letra “b”. Como vimos em questões


anteriores, ocorre o direito de representação, quando a lei chama certos
parentes do falecido a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se
vivo fosse. Revejam os arts. 1.851/1.856 CC. No entanto o direito de
representação não se aplica à sucessão testamentária (apenas na legítima) e
por isso a alternativa está errada. A letra “a” está correta, pois se uma pessoa,
em seu testamento avançar na parte disponível dos herdeiros, haverá uma
redução nesta disposição testamentária. Ex: uma pessoa viúva tem um filho e
quatro casas de mesmo valor. Metade destes bens (duas casas) serão de seu
filho (herdeiro necessário). A outra metade é a parte disponível, que o testador
poderá doar para quem quiser. No entanto digamos esta pessoa faça um
testamento e deixe três casas a um amigo seu. Neste caso o testador “avançou”
na parte que seria de seu filho. Não se anula o testamento. Apenas haverá uma
redução da disposição: no caso concreto o amigo ficará não com as três casas,
mas com duas, que é a parte disponível do testador. Isto está previsto nos art.
1.967 CC. A letra “c” está correta, pois a parte disponível pode ser entregue a
qualquer pessoa: à esposa, companheira, a um outro filho e até mesmo um
estranho ou uma pessoa jurídica. A letra “d” está correta, pois o art. 1.860,
parágrafo único do CC dispõe que podem testar os maiores de dezesseis anos.

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Finalmente a letra “e” também está correta, pois o art. 1865 CC dispõe que se o
testador não souber (ou não puder) assinar, ele poderá testar de forma pública
(a única permitida a ele), mas o tabelião deve fazer isso constar do termo e o
assinará junto com uma testemunha instrumentária.

DISSERTAÇÕES

01 – Vivian foi companheira de Alexandre durante 20 (vinte) anos,


constituindo com ele uma típica União Estável, e tendo com ele uma filha. Neste
período Alexandre adquiriu onerosamente (em decorrência de seu trabalho)
todo o seu patrimônio, estimado em 02 (dois) milhões de reais. Alexandre
faleceu e a metade do seu patrimônio foi atribuída a Vivian (meação). Além
dessa metade, Vivian terá ainda algum direito sucessório?
Resposta – Sim. Vivian terá direito à parte da herança do restante dos
bens adquiridos por Alexandre. Notem que estes bens foram adquiridos de
forma onerosa e na constância da União Estável. Por isso, além da meação
dividindo com a filha que teve em comum com Alexandre, em igualdade de
quotas, por força do art. 1.790, inciso I do Código Civil.

02 – João, solteiro, não tem filhos e nem pais vivos. Tem apenas um tio
vivo (Mário) e outro que faleceu (Roberto). Cada um desses tios tem dois filhos
vivos (portanto primos de João). Se João falecer, como será a distribuição de
sua herança? O que ele pode fazer para alterar esta situação?
Resposta – João não é casado, não tem ascendente ou descendentes. Por
isso não tem herdeiros necessários (art. 1.845 CC). No caso em tela a herança
será recolhida toda (100%) para Mário, que é seu tio (colateral de terceiro
grau). Observem que os filhos de Roberto (tio pré-morto) não irão representar
seu pai na sucessão. Recordem que somente se verifica o direito de
representação na linha reta descendente (e nunca na ascendente), conforme o
art. 1.852 CC. Já na linha colateral (que é a hipótese do problema), só ocorrerá
em favor dos filhos de irmãos do falecido (sobrinhos do falecido), quando com
irmão deste concorrerem (art. 1.853 CC). Portanto não haverá direito de
representação no caso do problema, pois eles são seus primos. Para alterar esta
situação João poderá fazer um testamento. Como não tem herdeiros necessários
pode elaborar um testamento e dispor de forma livre e integral todo o seu
patrimônio. Pode, exemplificativamente, deixar o seu patrimônio total para
apenas um dos filhos de Roberto.

03 – José é divorciado, tem dois filhos e um patrimônio composto por um


apartamento no valor de trezentos mil reais e mais uma conta-poupança no
mesmo valor, totalizando seiscentos mil reais. José, em vida, doou o
apartamento para seu filho caçula, sem que houvesse qualquer cláusula especial

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DIREITO CIVIL PARA O ICMS-RJ
PROFESSOR LAURO ESCOBAR

no contrato de doação. Pouco tempo depois faleceu. Como será feita a partilha
de bens?
Resposta – A doação que José fez a seu filho caçula foi sem cláusula
especial. Desta forma esta doação é considerada como “adiantamento da
legítima”. Logo, quando da abertura do inventário, o mesmo deverá apresentar
este bem para conferência e igualar as legítimas de ambos os filhos (herdeiros
necessários). Trata-se da colação (arts. 2.002 e seguintes do CC). Dá-se o
nome de colação ao ato de retorno ao monte a ser partilhado das liberalidades
feitas pelo de cujus, antes de sua morte, a seus descendentes. Se o caçula não
trouxer o bem à colação ocorrerá o sonegado (arts. 1.992 e seguintes CC). No
caso concreto, como o caçula já recebeu um bem no valor de trezentos mil, o
outro filho terá direito a todo dinheiro da conta-poupança, que tem o mesmo
valor do imóvel. Se José quisesse beneficiar seu filho caçula poderia fazer a
doação constando no contrato cláusula expressa de dispensa do donatário à
colação, desde que a doação não ultrapasse a parte disponível (art. 2.005 CC).
Se José assim tivesse procedido, o filho caçula ficaria com o imóvel (metade
disponível da herança) e mais metade do valor da conta-poupança.

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