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Teoria Geral dos Contratos e Contratos em Espécie

Estudo Dirigido 1 – Da Classificação dos Contratos e Outras Disposições


Regente: Professora Associada Patrícia Faga Iglecias Lemos
Vítor Luís Xavier Benucci – Turma 187 - Sala 14 – N.º USP: 8997438
2) vi) O local da celebração do contrato é, segundo o artigo 435 do Código Civil de
2002, o lugar onde a oferta foi feita. No caso em questão, o local de celebração do
contrato é o lugar de onde Geppeto encaminhou o a proposta aos organizadores da
Feira de Campos do Jordão, pois este foi o local da proposta.
O local da celebração não deve ser necessariamente o local de cumprimento da
obrigação, se observarmos o artigo 327 do CC/02 que expressa: “Efetuar-se-á o
pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente,
ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias”. No
caso exposto, não sabemos ao certo o local da celebração, pois não é explicitado o
lugar onde Gepetto encaminhou a oferta, mas, como não foi disposto nada no contrato,
o local de cumprimento das obrigações é Campos do Jordão, mais especificamente no
lugar onde seria a Feira.
vii) A atitude dos organizadores de não disponibilizar o estande sob o argumento de
que atenderam expressamente ao que foi pedido não deve prosperar. Primeiro, porque
deve-se entender por estande no caso não apenas o local para sua montagem, mas o
conjunto para sua montagem, como divisórias, cadeira, mesas, luminárias, ....
Segundo, que o próprio Código Civil expressa em seu artigo 112 que a interpretação
se atenderá a intenção do contrato, e não sua estritamente seu conteúdo literal (“Nas
declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao
sentido literal da linguagem”, Art. 112, CC/02).
Ainda, sobre o impasse instaurado entre Gepetto e os organizadores devemos
levar em consideração a dimensão ético-social do contrato. Considerando o princípio
da eticidade, socialidade e da boa-fé, a interpretação mais justa a ser feita no caso é a
interpretação conforme a intenção expressa por Gepetto, que acreditou que lhe seria
entregue um estande conforme se é esperado em uma situação como essa, ou seja, com
seus acessórios para que possa ser utilizado.
viii) Como o contrato é um negócio jurídico, ele está sujeito a certas circunstâncias
jurídicas. No caso, como a Feira não possuía alvará de funcionamento, não havia outra
solução a não ser não considerar o contrato e pedir que Gepetto desmontasse seu
estande. Isso ocorre, pois a Municipalidade interfere no contrato apesar de não ser
parte dele. É necessário que um local de um evento possua alvará de funcionamento,
sob a pena de o evento não ocorrer, já que é obrigatório a expedição de um alvará pela
Prefeitura segundo a lei.
Se analisarmos a questão, trata-se mais naturalmente de um inadimplemento
absoluto, em que não há possibilidade dos organizadores montarem a Feira sem
alvará. Se, realmente, não houver possibilidade de reparação, é, então, absoluto, e
deve-se indenizar Gepetto, não apenas pelo dano material como pelo lucro cessante, já
que a Feira seria local de venda de seus bonecos. Porém, caso os organizadores ainda
vislumbrassem alguma chance de conseguirem o alvará, pela Feira ocorrer todo ano, e
ser um evento constante na cidade de Campos do Jordão, o inadimplemento seria
relativo, e, depois conseguissem dar continuidade a Feira, caberia apenas uma
indenização pela mora na conclusão do contrato.
ix) Primeiramente, a sucessão não é regida por promessa, e sim por um regime
jurídico específico, em que deve-se partilhar os bens do de cujus a partir de seus
herdeiros naturais, ou pelos herdeiros especificados em instrumento de testamento. No
caso, a promessa feita por Gepetto não vincula a entrega dos brinquedos a Pinóquio,
pois deve-se ser considerada a vontade de Gepetto. Tanto na promessa de tornar
Pinóquio seu herdeiro, como na doação dos bonecos ao hospital infantil deve ser
levado em conta o ato de vontade de Gepetto, já que são contratos com efeitos
unilaterais em regra.
Assim, já que Gepetto fez uma doação dos brinquedos, demonstrou sua vontade,
desvinculando sua promessa com Pinóquio. Ainda, em relação à madeira dos bonecos
ter sido extraída ilegalmente, não há como penalizar Pinóquio ou o hospital infantil, já
que se foi mesmo Gepetto quem a extraiu, só ele poderia ser penalizado, de acordo
com o princípio da individualização das penas. Além disso, Pinóquio não se tornou
seu herdeiro.

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