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FACULDADE DE DIREITO DO LARGO DE SÃO FRANCISCO

PROF. VITOR RHEIN SCHIRATO

DIREITO ADMINISTRATIVO I (2016)

Objetivos e critério de avaliação


O objetivo do seminário é a apresentação de um caso prático, a partir do qual o aluno
deverá defender a posição de um dos grupos de interesse envolvidos conforme
sorteio a ser realizado em sala quando do início das atividades. Para que seja possível
o desenvolvimento das atividades propostas, o aluno deverá ler atentamente a
narrativa do caso ocorrido, estudar a legislação aplicável e as manifestações
doutrinárias e jurisprudenciais pertinentes. A nota atenderá à solidez da posição
jurídica construída e à forma de sua exposição em classe.

Descrição do caso
A Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997 (a “Lei do Petróleo”) flexibilizou o regime de
monopólio do petróleo brasileiro, passando a permitir que a União contratasse tanto
com empresas estatais quanto com empresas privadas para a realização da atividade
da indústria petrolífera no país.
A nova possibilidade de produção e exploração de petróleo mediante contratos de
concessão por empresas privadas, nacionais e internacionais, redesenhou o mercado
petrolífero brasileiro, principalmente pelo fato de que a Petróleo Brasileiro S.A. –
Petrobras (“Petrobras”) passou a exercer suas atividades em regime competitivo de
mercado aberto, com todas as características que lhe são inerentes.
Em vista do novo regime concorrencial ao qual a Petrobras passou a se submeter, a
Lei do Petróleo previu em seu artigo 67 que os contratos celebrados pela Petrobras,
para a aquisição de bens e serviços, seriam precedidos de procedimento licitatório
simplificado, a ser definido em decreto do Presidente da República, afastando
portanto a aplicação da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, a Lei Geral de Licitações
e Contratos Administrativos.
Assim sendo, foi editado em 24 de agosto de 1998 o Decreto nº 2.745, que aprova o
Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petrobras, o qual vem
sendo utilizado para a contratação de todas as obras, serviços e compras em geral da
empresa.
Ocorre, contudo, que nos últimos anos diversas denúncias vêm surgindo no âmbito
da Operação Lava-Jato envolvendo a Petrobras e a utilização do decreto em comento
como acusações de contratações sem a observância do procedimento licitatório
adequado e a celebração de aditivos fraudulentos em diversos contratos. Até o
momento, o patrimônio da companhia já foi comprovadamente lesado em mais de
US$ 6 bilhões, apesar de as perdas estimadas atingirem a cifra de US$ 40 bilhões. Por
esse e outros fatos, as ações da estatal sofreram queda vertiginosa, perdendo cerca
de 70% do valor em quase cinco anos.
FACULDADE DE DIREITO DO LARGO DE SÃO FRANCISCO
PROF. VITOR RHEIN SCHIRATO

DIREITO ADMINISTRATIVO I (2016)

Em vista de toda essa situação, um grupo de acionistas minoritários da Petrobras,


todos trabalhadores que investiram a integralidade do FGTS em ações da
companhia, decidiram criar associação chamada “A Petrobras é Nossa”. Por meio de
referida associação, os acionistas minoritários pretendem ingressar com Ação Civil
Pública para ver anular o decreto em comento e recuperar as perdas ocasionadas
pelos comprovados atos de corrupção.
A União, na qualidade de acionista majoritária da Petrobras, emitiu diversas
declarações no sentido da necessidade de responsabilização dos indivíduos
envolvidos em atos isolados de corrupção e em defesa do Decreto nº 2.745, dizendo
ser o procedimento licitatório simplificado a única forma de garantir a agilidade e
eficiência necessários ao sistema de livre concorrência. Ao mesmo tempo, o Tribunal
de Contas da União passou a defender abertamente a inconstitucionalidade do
decreto, apontando-o como grande catalisador dos atos de corrupção e fraudes nos
contratos da Petrobras.
A discussão foi efetivamente judicializada. Em primeira instância, o pleito da
associação foi negado. Em segunda instância, antes do julgamento, foi reconhecido
o incidente de arguição de inconstitucionalidade (art. 948 e ss., NCPC). Sendo a arguição
acolhida e a sessão de julgamento marcada, foram instados a se manifestar a
associação e a União, na qualidade de partes, o Ministério Público, como custos legis,
e o Tribunal de Contas da União, com base no art. 950, §3º do NCPC.

Instruções
Dada a situação hipotética referida, o estudante, valendo-se de seus conhecimentos
dos temas apresentados ao longo da disciplina Direito Administrativo I, deverá se
imaginar na condição de uma das partes envolvidas no caso, quais sejam (i) União
Federal; (ii) Associação “A Petrobras é Nossa”; (iii) Tribunal de Contas da União; (iv)
Ministério Público, buscando os fundamentos jurídicos para sustentar sua posição
em juízo. Com relação à parte que caiba formular pedidos, estes deverão ser
apresentados de forma clara. O estudante também deverá se preparar para, caso faça
parte do grupo escolhido para exercer o papel de juiz, apresentar uma resposta à
demanda proposta.
Os argumentos deverão perpassar, necessariamente, a constitucionalidade do
decreto e a responsabilidade da Petrobras para com os acionistas minoritários.

ATENÇÃO: O problema não objetiva encontrar uma única solução correta, mas sim
possibilitar a percepção dos elementos suficientes a defender uma posição jurídica
em juízo, com a reflexão sobre o possível resultado de sua pretensão.