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PRÉ-UNIVERSITÁRIO OFICINA DO SABER

DISCIPLINA: História PROFESSORES: Ana Carolina Rocha, Diogo Alchorne Brazão, Fabrício
Data: 17/05/2021 Sampaio

GABARITO COMENTADO

Monitoria 6 de História

1 – (Uerj 2018) Tínhamos a incumbência de reelaborar nosso passado sombrio, contribuindo assim para tratar
um povo traumatizado e ferido. Uma tarefa grandiosa, já que todos os sul-africanos tinham suas lesões.
Queríamos obter a unidade da nação e a reconciliação.

DESMOND TUTU

Adaptado de dw.com, 29/10/2008.

O arcebispo Desmond Tutu dirigiu a Comissão da Verdade na África do Sul, entre 1996 e 1998, durante o
governo do presidente Nelson Mandela. Ao propor “a unidade da nação e a reconciliação”, o arcebispo
buscava enfrentar os problemas causados pela vigência do regime de:

A) segregação racial
B) natureza totalitária
C) ordenamento cultural
D) disciplinarização social

Comentário: O texto do arcebispo Desmond Tutu faz referência ao regime de apartheid, segregação racial
institucionalizada em 1950 com a ascensão do Partido Nacional Africano (PNA) na África do Sul. Na
realidade, a segregação já acontecia desde o início do século XX em decorrência da colonização do território
por holandeses e da concentração de terras destinadas à população branca com a aprovação do Ato da Terra
em 1913. O apartheid transformou a segregação ainda mais ampla, passando a ditar a vida cotidiana da
população. Ônibus, bebedouros e até espaços públicos foram gradativamente divididos entre a população
branca e não-branca, sendo o descumprimento dessas divisões passivo de penalizações. O regime de
segregação racial só se findou em 1989 no governo de Frederick de Klerk. Vale lembrar que o regime não foi
encarado sem resistência, sendo o Congresso Nacional Africano, o qual contava com a participação de
Nelson Mandela, uma das iniciativas de defesa da população contra o racismo institucional.

2 – (Uerj 2015)
A escolha de nomes de logradouros e de edificações pode representar uma homenagem em determinada época,
assim como a mudança desses nomes pode indicar transformações históricas, simbolizando novas demandas
da sociedade. A situação apresentada na reportagem exemplifica, para a sociedade brasileira atual, um
contexto político associado a:

A) crítica da opinião pública às heranças autoritárias


B) revalorização da memória dos governos ditatoriais
C) reforço da gestão democrática de empresas estatais
D) renovação de critérios de escolha de heróis nacionais

Comentário: A alteração de nomes de logradouros, bem como a criação de novas datas comemorativas, é um
dos exemplos de como a história é viva e as demandas da sociedade transformam nossa visão sobre o passado,
ou seja, nossa memória. No texto citado, as críticas ao período da ditadura civil-militar (1964-1985),
realizadas no período de redemocratização conhecido como Nova República (1985 – hoje), tornaram possível
a mudança do nome da escola baiana.

3 – (Enem 2020) Constantinopla, aquela cidade vasta e esplêndida, com toda a sua riqueza, sua ativa população
de mercadores e artesãos, seus cortesãos em seus mantos civis e as grandes damas ricamente vestidas e
adornadas, com seus séquitos de eunucos e escravos, despertaram nos cruzados um grande desdém, mesclado
a um desconfortável sentimento de inferioridade.

RUNCIMAN, S. A Primeira Cruzada e a fundação do Reino de Jerusalém. Rio de Janeiro: Imago, 2003 (adaptado).

A reação dos europeus quando defrontados com essa cidade ocorreu em função das diferenças entre Oriente
e Ocidente quanto aos(às)

A) modos de organização e participação política.

B) níveis de disciplina e poderio bélico do exército.

C) representações e práticas de devoção politeístas.

D) dinâmicas econômicas e culturais da vida urbana.

E) formas de individualização e desenvolvimento pessoal.

Comentário: Já nos anos finais da Idade Antiga, o Império Romano divide-se em duas instâncias políticas: o
Império Romano do Ocidente, que tem seu fim em 476 d.C., e o Império Romano Oriental, mais conhecido
como Império Bizantino, com capital em Constantinopla. Durante o período medieval, as duas regiões do
antigo império se desenvolvem de formas contrastantes: enquanto a região ocidental se fragmenta em diversos
feudos murados e a economia se baseia, sobretudo, na agricultura, Constantinopla organiza seu império numa
economia comercial. O contato dos bizantinos com outros povos do Oriente é um fator central para que isso
aconteça. Durante o período das Cruzadas, o contato entre ocidente e oriente se restabelece e o choque de
culturas é evidente.
4 – (Enem 2020)

DAVID, J-L. A coroação de Napoleão (detalhe). Óleo sobre tela, 621 x 979 cm. Louvre, França, 1807. Disponível em:
http://theweddingtiara.com. Acesso em: 8 abr. 2015.

O gesto representado no quadro simboliza uma diferença entre o império napoleônico e a monarquia
absolutista, por

A) reduzir a autoridade do clero.

B) instaurar a censura da imprensa.

C) controlar a organização judiciária.

D) suspender as pensões da nobreza.

E) desrespeitar a propriedade privada.

Comentário: O império napoleônico se estabelece após todos os desdobramentos da Revolução Francesa


(1789-1799). Em seus anos iniciais, Bonaparte governa a França como cônsul, ao lado de outras duas figuras
políticas. Contudo, o prestígio adquirido desde o período da Revolução mostrou-se evidente, na medida em
que todas as decisões políticas centrais eram consolidadas apenas por Napoleão. Em 1804, em plebiscito com
a população francesa, Bonaparte é escolhido como imperador francês. O ritual de coroação, apresentado na
pintura de Jacques-Louis David, era realizado pela Igreja Católica por intermédio da figura do Papa desde o
período medieval. Daí a importante mensagem da coroação de Napoleão: a despeito da presença do Papa Pio
VII na cerimônia, a coroação foi realizada pelo próprio político, tornando a figura eclesiástica uma mera
espectadora. Com isso, Napoleão pretendia afirmar seu poder superior perante as forças da Igreja e, ainda,
reafirmar um dos valores da revolução francesa: a secularização do Estado (separação entre Estado e Igreja).

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