Você está na página 1de 7

FACULDADE INTEGRADA BRASIL AMAZÔNIA

CURSO DE LICENCIATURA EM HISTÓRIA

AMANDA MARTINS OLEGÁRIO


ANA PAULA LIMA CUNHA
KALIL CAMPOS CASSEB

A IMPLEMENTAÇÃO DO ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL: Uma análise


acerca do campo educacional

Belém
2018
AMANDA MARTINS OLEGÁRIO
ANA PAULA LIMA CUNHA
KALIL CAMPOS CASSEB

A IMPLEMENTAÇÃO DO ESTATUTO DA
IGUALDADE RACIAL: Uma análise acerca do
campo educacional

Projeto apresentado ao curso de Licenciatura em História da


Faculdade Integrada Brasil Amazônia da turma HL05NA, turno
noturno, como requisito parcial para a nota do 1NPC da
disciplina Projeto em Africanidades, orientado pela professora
Msc. Alik Nascimento Araújo.

Belém
2018
TEMA: Educação.
TÍTULO: Uma análise sobre o negro no âmbito educacional a partir da implementação
do Estatuto da Igualdade Racial.

Diante do que foi mostrado resumidamente em relação ao histórico da


população negra junto ao Estatuto da Igualdade Racial, ainda pode se observar uma
árdua dificuldade em inserir o negro na educação básica e acadêmica, uma vez que
são pouquíssimos os que conseguem ingressar nesse ambiente acadêmico diante da
dificuldade imposta pela sociedade. Por conta disso, o objetivo do presente trabalho
é conscientizar que o negro é igual a qualquer outro cidadão branco que sonha em ter
uma educação de qualidade e um futuro exitoso.
Com isso, para a realização da análise crítica sobre o tema, foi usado como
pergunta norteadora a seguinte indagação: “por que foi necessária a implementação
do Estatuto da Igualdade Racial no Brasil? ”. E para responder esse ponto, foram
utilizados três autores que dialogam sobre a colonização no Brasil, o processo de
inserção da população negra na sociedade e as várias condições que o africano
possuía no século XVIII e XIX, relacionando-os ao momento presente, e a leitura do
próprio Estatuto o qual discute a obrigatoriedade dos conteúdos de África e da história
da população negra nos âmbitos público e privado, o apoio do Estado quanto às
pesquisas e programas de estudos referentes à população negra na Academia, a
inclusão desses conteúdos na matriz curricular dos futuros docentes e a promoção da
igualdade e de educação.
Utilizando a leitura de Casa-Grande & Senzala (1933), pode-se ter uma
compreensão da origem da miscigenação no Brasil colonial. É possível afirmar que a
escrita de Gilberto Freyre tem uma escrita que favorece os europeus, elevando a
moral dos portugueses e de sua colonização.
Entende-se que a colonização brasileira, em Freyre, fora feita nas três raças,
estas são: o branco, negro e indígena. A mistura dessas três raças foi um fator
importante para o português e sua colonização, utilizando a frase: “branca para casar,
negra para trabalhar e mulata para f****” , no qual o desejo sexual do branco era a
mulata e que o negro tinha um fator importante no trabalho.
Foi esse tipo de compreensão que fora perpetuada com o tempo, no que o
branco fez esforço para se misturar com essas raças, ou seja fazendo com que ele
tivesse vantagem não só de adaptação - seguindo as tradições do determinismo
geográfico -, mas como também ele tinha uma vantagem sobre o social enorme.
Qual vantagem seria esta? Seria a de que o branco, no Brasil, não teria de
forma alguma preconceito contra a raça negra, visto que houve uma série de
abdicação dos seus valores morais para um bem maior que era a colonização do
Brasil. Em contraste ao Brasil, há os Estados Unidos que durante sua colonização
utilizava a forma de produção escravista, mas que não havia o uso de miscigenação
entre o branco inglês com o negro vindo da África.
Então o que isto tem a ver com o Estatuto da Igualdade Racial? É uma das
formas de procurar explicar o racismo brasileiro, utilizando uma aproximação histórica
do porque há esta necessidade deste Estatuto visto que o negro fora, historicamente,
visto de forma desumana. Não só de forma histórica, sobre o Estatuto, mas também
é para mostrar o ponto de vista do negro na sociedade pela sua cultura, pela sua
história, pelo seu entendimento do mundo, utilizando uma lógica epistêmica para a
educação sobre o negro no Brasil.
Sabe-se que a escravidão se tornou um dos episódios mais marcantes da
História, deixando um legado forte pelo mundo. Com isso, a abolição da escravidão
de 1888 assinado pela Princesa Isabel exigiu novas relações sociais para a inserção
dos negros, e a sociedade branca não estava preparada para esse novo tempo,
segundo a autora Emília Viotti (1998). Isso implicava em mudanças do negro escravo
para homem livre, sendo que na prática a elite branca teria que se "ajustar" a nova
realidade que era o aceitamento dos negros e mestiços. Porém, esse " imprevisto"
inesperado pela população branca colonial ocasionou dificuldades aos mestiços e
negros a serem aceitos socialmente, causando uma lentidão nos aspectos não só
sociais, como econômicos, políticos e psicológicos, tanto é que ainda tratavam o negro
a partir de representações e estereótipos pejorativos do tempo da escravidão que
estavam relacionados à sua “inferioridade” em relação ao branco em vários aspectos,
como mental, moral e social, sendo anexado a sua história e valores uma única frase:
“trabalhador escravo", sem mais nenhuma ligação positiva. O negro estava tão
banalizado que sua cidadania era cortejada apenas para um único objetivo: ser o
capital.
Contudo, ainda no século XXI ainda é visível situações desse nível de
argumentação, por isso o Estado teve que tomar iniciativas que pudessem " adequar"
o negro na sociedade e combater certos estereótipos e representações negativas
sobre essa personagem histórico, sendo que é um direito humano de qualquer ser ter
essa igualdade e respeito dentro da sociedade que convive. No entanto, a realidade
demonstrada no cotidiano é totalmente inversa às leis implementadas. Diante disso,
o Estatuto da Igualdade Racial diz que: “É dever do Estado e da sociedade garantir a
igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo cidadão brasileiro,
independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na comunidade,
especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais,
culturais e esportivas, defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e culturais."
Outra razão para criarem esse Estatuto está ligado ao fato de como o negro e
o afrodescendente são vistos pela História e historiografia brasileira, levando em
consideração a escravidão no país. Então, o negro africano acaba sendo
representado apenas como escravo e quando ele é retratado é apenas a partir do
início da era colonial até a abolição da escravidão, como se ele não tivesse feito
história antes ou depois desse período, e isso fez com que, por muito tempo, a
população não-branca não sentisse orgulho de sua cor e de sua história. No entanto,
o autor Alberto da Costa e Silva (2005) nos mostra que o africano vai muito além de
um escravo; ele poderia ser um ex-escravo/liberto, um emancipado, um homem livre,
comerciante, mercador de escravos, sócio do seu antigo senhor, patrão, jovens que
vinham estudar no Brasil, exilados políticos, reis e chefes e intelectuais, dentre outras
ocupações. Ele também trata das nações, das diversas etnias africanas que foram
trazidas para cá e que contribuíram para nossa cultura, como os nagôs, os jejes, os
cabindas, os angolas, os moçambiques, os mandigas, dentre outros povos. Ou seja,
percebe-se que há uma infinidade de assuntos que é possível trabalhar em sala de
aula e na Academia sobre a vertente africana e afro-brasileira, contribuindo para essa
população uma nova perspectiva de seu passado a partir de uma visão mais otimista,
mas claro, não esquecendo de falar sobre a escravidão que também foi importante
para a história e cultura desse país, uma vez que foi nesse período que houve diversas
trocas culturais.
Mas como esse pedido sobre o conteúdo de África e da história da população
negra é algo recente, nem todos os professores se atualizaram quanto a isso e alguns
livros ainda abordam de forma superficial sobre o assunto, muitas vezes se limitando
ao assunto da escravidão. E por conta disso, os órgãos responsáveis pela educação
podem incentivar, em datas específicas como o Dia da Consciência Negra e o dia da
África, a participação de intelectuais e representantes de movimentos negros a fim de
que haja um debate com os estudantes sobre suas vivências relacionadas ao tema
comemorado.
A partir dessa análise, percebe-se que o campo educacional necessitava dessa
mudança, uma vez que, segundo Emília Viotti (1998), “a escravidão contribuiu
também para que a população negra e mestiça permanecesse, via de regra, na maior
ignorância”. Por conta disso, a marginalidade, o preconceito a partir da cor, a
integração e a adaptação dessa população na sociedade acabaram marcando essas
pessoas.
Desse modo, percebe-se a importância da criação de um Estatuto como esse
nos dias de hoje. Apesar de sua implementação, o preconceito e o racismo ainda
persistem por conta desse passado, dificultando a vida do negro e do
afrodescendente.
BIBLIOGRAFIA
BRASIL. Estatuto da Igualdade Racial. Lei 10.639/ 2003 e 11.645. Presidência da
República. Brasília, 2010.
COSTA, Emília Viotti da. Da senzala à colônia. 4 ed. São Paulo: Editora da Unesp,
1998.
FREYRE, Gilberto. “Características gerais da colonização portuguesa do Brasil:
formação de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida”. In: Casa-Grande &
Senzala: introdução à história da sociedade patriarcalismo no Brasil- 1. 29ºed.
São Paulo: Ed. Record.
SILVA, Alberto da Costa e. O Brasil e a África, nos séculos de escravos. In: Um rio
chamado Atlântico. São Paulo, Nova Fronteira, 2005.

Você também pode gostar