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Economia Internacional II

ASR 2

Gabriel Tincani Ramos

3° ano B

Faculdades de Campinas

25 de março de 2021
1. a) Porque Polanyi considera a década de 30 (1930s) uma década
revolucionária?
2. b) Qual foi o papel desempenhado pelos EUA no período entre guerras?
Este papel foi positivo?
3. c) Porque Polanyi considera a década de 20 (1920s) uma década
conservadora?

A) A década de 30 se mostrou no contexto internacional como um período


verdadeiramente revolucionário, no sentido que quebrou paradigmas e noções estabelecidas
desde a ordem do século XIX, colocando fim no modo de organização econômico e
financeiro vigente até então e rompendo de vez com os padrões impostos pela hegemonia
britânica.

Após as tentativas fracassadas de se restabelecer a ordem pré-1914 e a consequente


crise de 1929, o mundo veria um novo tipo de governança se estabelecer, abandonando a
prerrogativa do livre mercado e a baixa intervenção estatal, os países viriam aparecer um
governo mais voltado às políticas internas e o desenvolvimento nacional. Isso devido aos
países ocidentais abandonarem o padrão-ouro até 1933 e se colocarem de outra forma no
contexto internacional e nacional.

As consequências do fim do padrão-ouro levaram países como os Estados Unidos a


tomar medidas mais intervencionistas, forma do new deal, surgem revoluções sociais
autoritárias na Alemanha e na Itália, levando a outra forma de organização da economia e o
Estado, na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas se lançavam os planos quinquenais e
até mesmo aqui no Brasil se via uma inflexão no sentido de maior planejamento econômico.
Todavia as consequências desse processo não foram puramente econômicas, pois levaram
também ao fim da Liga das Nações e a ordem que a instituição defendia, permitindo que
novas formas de organização da sociedade entrassem em conflito de fato na segunda guerra
mundial, se diferenciando da primeira, quando os Estados faziam parte de um mesmo sistema
econômico e político no qual a competição entre eles neste contexto levou ao início da
guerra.

B) Ao final da primeira guerra mundial a Inglaterra se via incapaz de continuar seu papel
como estabilizadora do sistema econômico internacional, e além disso necessitava

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necessitava de certa ajuda para recuperar-se após o conflito, deixando este manto de líder dos
rumos econômicos do mundo para os Estados Unidos, que após a guerra se viam como a
maior potência econômica mundial.

Todavia um fator central era diferente da Inglaterra em sua ex-colônia, a nova


potência econômica não possuía uma coesão política quanto aos seus objetivos e interesses
externos, diferentemente da Grã-Bretanha que subordinava os interesses domésticos aos
interesses da estabilidade monetária e econômica internacional. Tal fator já se apresentou na
demora para se envolver no conflito na primeira guerra, e se estendeu causando contradições
em sua atuação no entreguerras.

Ao fim da guerra, os EUA ajudaram a desenhar a Liga das Nações e participaram


ativamente das negociações de paz, exigindo que a Alemanha pagasse reparos pela guerra e
ao mesmo tempo se colocando como credor para a recuperação europeia.

No interior do país havia um conflito de interesses, entre a grande empresa capitalista


e o capital financeiro que tinha uma perspectiva mais internacionalista, e as massas
trabalhadoras e as médias e pequenas empresas que tinham uma visão mais isolacionista e
protecionista. Por isso com a queda de popularidade de Woodrow Wilson o país abandona a
Liga das Nações e as política comercial americana concedia ao país altos superávits
comerciais, prejudicando as exportações europeias que não encontravam espaço para se
inserir no mercado internacional, impossibilitando uma rápida recuperação, e no caso alemão
agravando sua crise interna, levando ao limite com o fim do padrão-ouro em 1933 por parte
dos EUA, mas que outros países ocidentais já haviam abandonado em 1931.

C) A década de 20 foi um período de conservadorismo no sentido que se buscava


retornar ao padrão monetário político e econômico pré-1914, no qual o padrão-ouro ditava as
relações comerciais e financeiras entre os países e a política era dominada pelos ideais
liberais burgueses consolidados no século XIX.

Assim, a criação da Liga das Nações e todos os esforços dos Estados ocidentais iam
no sentido de preservar tal ordem, apostando tudo na eficiência e estabilidade do padrão-ouro
da hegemonia britânica, mesmo sem que houvesse essa hegemonia ou outra que sustentasse
esse modelo, levando ao agravamento das crises e tensões econômicas e sociais já presentes
em 1914, e que o conflito não ajudou a atenuar. Desencadeado posteriormente na crise de

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1929 e no surgimento de outras formas de organização social e econômica, aquém do
liberalismo clássico defendido na década de 20.

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