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Economia e Meio Ambiente

Prof. Dr. Sergio Barros


Sergio Ricardo da Silveira Barros

Economista com Pós-Doutorado em Sistemas de Gestão pelo LATEC/ UFF -


Laboratório de Tecnologia, Gestão de Negócios & Meio Ambiente com apoio da
FAPERJ. Atualmente é Professor Adjunto e Chefe do Departamento de Análise
Geoambiental da Universidade Federal Fluminense – UFF e do Doutorado em
Sistemas de Gestão Sustentáveis e do Mestrado em Sistemas de Gestão/LATEC-
UFF na área de Gestão Ambiental. É Membro do Comitê Científico da REMADS -
Rede UFF de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Possui Doutorado
em Geografia pela Universidade Federal Fluminense na área de Ordenamento
Territorial e Ambiental, Mestrado em Ciência Ambiental - PGCA pela Universidade
Federal Fluminense em Gestão Ambiental. Atuou na coordenação e na execução
de projetos em Gerenciamento Costeiro, Gestão Ambiental Portuária, Planejamento
Ambiental e Territorial e de Valoração Econômica. Participa dos Grupos de
Pesquisas da UFF/CNPq em Gerenciamento Costeiro – Instituto de Geociências;
Núcleo de Gestão de Riscos de Processos em Sistemas Industriais – Escola de
Engenharia. É pesquisador e membro do Grupo de Pesquisa do Núcleo de estudos
sobre religião e natureza – RENATURA da Universidade Federal de Juiz de Fora.
A natureza (ecologia) é a única limitante
do processo econômico.

NICHOLAS GEORGESCU-ROEGEN
(1971)
“Como negar que essa ideia tem
sido de grande utilidade para
mobilizar os povos da periferia e
levá-los a aceitar enormes
sacrifícios, para legitimar a
destruição de formas de culturas
antigas, para explicar e fazer
compreender a necessidade de
destruir o meio físico, para justificar
formas de dependência que
reforçam o caráter predatório do
sistema produtivo?” (Furtado,
1974:75-6).
O Prometeu definitivamente
desacorrentado, ao qual a
ciência, confere forças antes
inimagináveis e a economia o
impulso infatigável, clama por
uma ética que, por meio de
freios voluntários, impeça o
poder dos homens de se
transformar em uma desgraça
para eles mesmos (Prefácio,
pag. 21).
A questão ecológica é uma questão
social; e hoje a questão social só pode
ser elaborada adequadamente como
uma questão ecológica.

ELMAR ALTVATER (1995)


A única utopia possível é a utopia
ecológica e democrática , porque
chegamos ao limite de um
ecossistema finito e de uma
acumulação capitalista infinita.

BOAVENTURA DE SOUZA SANTOS


(2010)
Papa diz na ONU que crise
ambiental está ligada à crise
social
Vivemos na
CÚPULA DO G20 contemporaneidade
Osaka anunciam acordo uma Crise Social,
Líderes mundiais em

do clima 19+1
Ambiental e
Econômica?

Davos: causadores da crise ambiental


prometem ‘salvar o planeta’
“Dada escala de mudanças, não é mais possível encontrar
uma solução específica e discreta para cada parte do
problema. É essencial encontrar soluções abrangentes que
considerem as interações entre os próprios sistemas
naturais com os sistemas sociais. Não estamos diante de
duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas
uma crise complexa que é, ao mesmo tempo, social e
ambiental. Estratégias para uma solução demandam uma
abordagem integrada para combater a pobreza, restaurar a
dignidade dos excluídos e, ao mesmo tempo, proteger a
natureza”.

Papa Francisco - LAUDATO SI: sobre o cuidado da casa


comum
O que é meio ambiente?
Deve ser entendido através de um conceito multidimensional

NATURAIS

SOCIAIS Indivíduo CULTURAIS

ECONÔMICOS

Conjunto de fatores naturais, sociais, econômicos e culturais que


envolvem um indivíduo e com os quais ele interage, influenciando e
sendo influenciado por eles (VALLE, 2000).
ATIVIDADES ECONÔMICAS – SISTEMA PRODUTIVO
RECURSOS ÁGUA
ENERGIA
NATURAIS

PRODUTOS /
SERVIÇOS

EMISSÕES
IMPACTOS DANOS
RESÍDUOS
AMBIENTAIS AMBIENTAIS
EFLUENTES

CONFLITOS
SOCIOAMBIENTAIS
Segundo Leff (2000 e 2003) o meio ambiente deverá ser estudado a partir
de uma nova ordem cultural e dentro de uma estrutura sócio-ecológica.

São as bases ecológicas da sustentabilidade

condições sociais A democracia em


de equidade uma sociedade.

Sistema Econômico com regras claras


Impactos ao meio ambiente
O que é qualidade de vida?
CRISE AMBIENTAL

A crise ambiental, em sua dupla articulação com a dimensão


social, é resultado direto de um modelo de desenvolvimento,
de base capitalista, que se baseia na ideia de crescimento
infinito, que acaba gerando concentração das riquezas e
exclusão social. Além disso, gera-se também riscos
socioambientais de todos os tipos, a fragilização das
instituições democráticas e um padrão ético individualista,
competitivo e utilitarista. Este modelo se estende por todo o
globo e pouco importa a localidade em questão, existe uma
tendência a uma uniformização do pensamento.
https://www.blogs.unicamp.br/muitoalemdoverde/2018/05/02/criseambiental/
Existe uma impossibilidade de separar sociedade e meio
ambiente (Henri Acselrad)

No processo de sua reprodução, as sociedades se


confrontam com diferentes projetos de uso e significação dos
seus recursos ambientais, o que significa admitir que, a
questão ambiental é intrinsecamente conflitiva, embora isso
não seja reconhecido (pelas leis de econômicas de
mercado). (VIÉGAS, Rodrigo Nunez)

Os impactos ao meio ambiente somente se tornam


danos ambientais em processos sociais em que os
sujeitos coletivos as definem como tais (materializam os
danos). (op cit)
O imaginário economicista recomenda um crescimento
econômico sem limites  Desenvolvimento econômico
clássico

A crise ambiental anuncia o limite de tal projeto


A Crise Ambiental não é
ecológica, mas uma crise da
razão (técnica) 
Racionalidade Econômica

O projeto tecnológico da sociedade moderna


gerou a degradação ambiental (social)

DANO
IMPACTO
RISCO
Vivemos a Crise da Racionalidade Econômica  um capitalismo que acelera o
tempo, os processos e a vida útil dos bens  conceito de obsolescência
programada  O novo capitalismo não vende só “bens”, e sim, “conceitos”.

Resultado do modelo econômico (BOFF, 2013)

-Ruptura da camada de ozônio que defende de raios ultravioletas;


-Adensamento de dióxido de carbono na atmosfera, na ordem de 27 bilhões de
tonelada /ano;
-Escassez de recursos naturais necessários a vida (solos, nutrientes, água,
florestas);
-Supressão de florestas afetando o regime hídrico;
-Acumulo de dejetos industriais:
-Degradação dos oceanos;
-Alteração dos padrões climáticos do planeta

BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é e o que não é. 2 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
O principal elemento teórico da economia é que: a
identificação dos valores econômicos relativos aos bens e
serviços ambientais não são computados no sistema de
preços corrente, permitindo que os recursos ambientais
sejam utilizados de forma mais danosa e predatória do que
seria o socialmente adequado (Amazonas, 2009).
Meio Ambiente e Economia
Pela Constituição Federal o meio ambiente é um bem de uso
comum do povo, portanto a sua utilização deve atender aos
interesses de toda a sociedade;

Nesse sentido o acesso aos recursos ambientais deve ser


disciplinado em benefício dessa sociedadeAtravés das
Políticas Públicas;

As Políticas Públicas Ambientais estabelecem – padrões e


parâmetros ambientais que regulam os interesses de grupos
sociais;

Os Usos Conflitivos dos Recursos Ambientais podem ser


mediados por instrumentos de regulação econômica.
IMPACTOS AMBIENTAIS  DANOS AMBIENTAIS
Os impactos ao meio ambiente somente se
tornam danos ambientais em processos
sociais em que os sujeitos coletivos os
definam como tais (materializam os
IMPACTOS).

CONFLITOS DA RACIONALIDADE ECONÔMICA


Vivemos a Crise da Racionalidade Econômica 
um capitalismo que acelera o tempo, os processos
e a vida útil dos bens  conceito de obsolescência
programada  O novo capitalismo não vende só
“bens”, e sim, “conceitos e desejos”.
Para Luc Ferry, no entanto, essa lógica é um
paradoxo. Formidável e destruidora, vital e
angustiante, ela ao mesmo tempo estimula e
paralisa. Com seu estilo polêmico, o autor disserta
sobre o conceito de “destruição criadora” — que
ele prefere chamar de “inovação destruidora” —
nos âmbitos da política, da economia e das artes.
FERRY, Luc. A Inovação Destruidora - Ensaio Sobre A Lógica Das Sociedades Modernas. Ed. Objetiva, 2014.
Na aplicação desses padrões ambientais, algumas
perguntas devem ser respondidas:

- Há vantagens na obediência a esses padrões?


- Quem obtém os benefícios e quem assume os custos?
- Há um benefício líquido para a sociedade?
- Esse benefício é o máximo que se consegue obter?
Teoria Econômica Clássica

Pela teoria econômica o acesso aos bens e serviços é


adequadamente disciplinado quando submetido às leis
de mercado; Será???

Neste caso todos os conflitos ambientais são resolvidos


de modo a atender aos objetivos da economia; Existe um
equilíbrio de forças entre todos os agentes econômicos?

Como o meio ambiente pode ser considerado um bem,


teoricamente, o mesmo poderia estar sujeito à teoria
econômica. O meio ambiente é um bem difuso
Dúvidas sobre a Teoria Econômica
Nos modelos econômicos atuais, o principal objetivo é atender à
maior quantidade das demandas mais valorizadas, com a
máxima eficiência;

Os bens disciplinados pela economia de mercado são de acesso


controlado pela lei da oferta e da procura;

Neste caso podem ocorrer distorções com relação aos


interesses de toda a sociedade.
Fatores Intangíveis

Fatores intangíveis, geralmente são difíceis de ser avaliados ou


determinados e dependem do ponto de vista de cada grupo de
atores sociais;

Com o meio ambiente lidamos com questões simbólicas;

Quando uma indústria é construída:


Como quantificar os efeitos relacionados à qualidade do ar sobre o
bem estar da comunidade em geral;
É possível quantificar de que forma a alteração da paisagem afeta
as pessoas;
De que forma exploração de um recurso natural hoje poderá afetar
outras atividades no futuro
Instrumentos econômicos
Fatores que impulsionaram o consumo no Século XX
O Economista Victor Lebow propôs, na década de 50, ao presidente
Estadudinense Eisenhower, uma nova tática de comportamento
econômico a ser imposta para a sociedade.

CONSUMO UMA FORMA DE VIDA

1. A compra e o uso de bens fossem um ritual;

2. que a satisfação espiritual e a satisfação do ego fossem buscadas no


consumo;

3. Que os bens e serviços fossem consumidos e descartamos em um


ritmo cada vez maior.
PEREIRA, Agostinho et al . Hiperconsumo e Ética Ambiental. / org: PEREIRA , Agostinho e HORN, Luiz Fernando Del Rio.
Relações de consumo : meio ambiente Caxias do Sul, RS : Educs, 2009. 232 p.:
Sociedade hiperconsumista  Hipermodernidade

O valor do ser humano está no ato de consumir e não mais na sua


moral e nos seus atos. Cria na sociedade um novo status dos que
podem consumir e brilhar se tornarem “celebridades”

Conceito do Sociólogo Francês Gilles Lipovetsky

“A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de


hiperconsumo”,
o autor discute o consumo na contemporaneidade, a corrida pelo bem-
estar individual, através do consumo hedonista, a busca infinda pela
felicidade e a consequente sensação de desamparo perante a total
responsabilidade pelo seu êxito ou fracasso pessoal.
O “consumo-sedução/consumo-distração” do qual
somos herdeiros e fiéis, fala Lipovetsky, nasceu
através dos grandes lojas de departamentos que se
preparam a sedução e ao desejo de comprar,
transformando o ato da compra como algo sem
“pecado”.
Fluxo Circular da Renda

http://financasfaceis.files.wordpress.com/2010/03/fluxo_renda2.png
P → Produtos, bens e
serviços
K  Capital
T Trabalho BC → Bens de consumo
RN  Recurso natural
BP--> Bens de produção

Y  Renda Setor primário → são os bens produzidos


C  Consumo na agricultura e na exploração dos
S  Poupança recursos naturais;

Setor secundário → são bens provenientes


da transformação dos bens primários →
setor industrial;

Setor terciário → Serviços ou de bens


invisíveis
I K T RN
Y P
II K T RN

III K T RN
Y P

C
Mercado de BC
bens e
serviços de
consumo
S
BP
Mercado de
bens e
Mercado financeiro
serviços de
capital
Curva básica de demanda e oferta
Economia de Mercado

A demanda reflete a disposição de consumir um determinado


bem ou serviço;

A oferta reflete a disposição em se produzir este bem ou


serviço;

Nesta situação só os indivíduos que têm capacidade para


pagar o preço exigido podem ter acesso ao bem ou serviço;

Desta forma, alguns recursos ambientais, que cumprem


função social, não podem estar sujeitos às leis de mercado.
Considerações

Por suas características, os bens e serviços ambientais


são considerados de titularidade difusa  de toda
sociedade

Os mesmos não podem estar sujeitos às leis econômicas;

Por esta razão, o acesso aos mesmos depende de


legislação que estabeleça padrões ambientais;

Como bens públicos os mesmos só podem ser


regulamentados pelo poder público, de modo a atender aos
objetivos de toda a sociedade.
Conceito de Valor e de Preço
Adam Smith “Investigação sobre a natureza e as causas das riquezas das
nações” declara que:
-O valor de um bem deve significar o seu preço natural, que é composto da
renda da terra, salários dos trabalhadores, capital empregado, lucro do
patrimônio e a cobrança das taxas de distribuição;

David Ricardo “Princípios de Economia Política e Tributação”


-A utilidade de um bem não deve ser sua medida de valor de troca, ainda que
seja absolutamente essencial.... A água e o ar são indispensáveis à existência,
embora, em circunstancias normais, nada se possa obter em troca deles ...ao
contrário do ouro em comparação ao ar e a água, que pode ser trocado por uma
grande quantidade de outros bens. Conclui-se que, mesmo que a mercadoria
tenha utilidade, o seu valor de troca origina-se de sua escassez e da
quantidade de trabalho necessária para obtê-la.

Karl Marx “Para crítica da economia política; salário, preço e lucro”


- Considera que o preço é apenas um mecanismo de se converter o valor do
trabalho em dinheiro.
Conceito de valor e de preço

A economia neoclássica considera que através das


“forças de mercado” o.........

PREÇO = VALOR

Será?
O que você sabe sobre a importância do manguezal?
Para Paul Burkett (1995), existem três "unidades contraditórias" intrínsecas
ao capitalismo:

CAPITAL/TRABALHO, CENTRO/PERIFERIA E

ECONOMIA/NATUREZA.

COMO SE DARÁ A SUSTENTABILIDADE?

Burkett, Paul. “Capitalization versus socialization of nature”. Capitalism, nature, socialism, vol 6 (4), p. 92-100, Dec, 1995.
Será necessário avaliar o
modelo econômico com
NOVOS INDICADORES DE
RIQUEZA inserindo a justiça
ambiental e equidade social
Para que indicadores?

Indicadores são informações quantificadas, de


cunho científico, de fácil compreensão usadas
nos processos de decisão em todos os níveis
da sociedade, úteis como ferramentas de
avaliação de determinados fenômenos,
apresentando suas tendências e progressos
que se alteram ao longo do tempo. Permitem a
simplificação do número de informações para
se lidar com uma dada realidade por
representar uma medida que ilustra e comunica
um conjunto de fenômenos que levem a
redução de investimentos em tempo e recursos
financeiros.
https://antigo.mma.gov.br/informacoes-ambientais/indicadores.
O que são Indicadores de Sustentabilidade?

Os indicadores de sustentabilidade são ferramentas utilizadas para


auxiliar no monitoramento da operacionalização do desenvolvimento
sustentável, sendo a sua principal função fornecer informações sobre
o estado das diversas dimensões (ambientais, econômicas,
socioeconômicas, culturais, institucionais, etc.) que compõem o
desenvolvimento sustentável do sistema na sociedade (CARVALHO,
J. et al., 2011).

CARVALHO, P. G. M. de; BARCELLOS, F. C;MOREIRA, C. G. Políticas públicas para meio ambiente na visão do gestor
ambiental– Uma aplicação do modelo PER para o Semi-Árido. “VII Encontro da Sociedade Brasileira de Economia
Ecológica” – Fortaleza, 28 a 30 de novembro de 2007.
dificuldade dos indicadores de sustentabilidade

A principal dificuldade dos indicadores é que não existe a


possibilidade de medir a sustentabilidade de uma determinada escala
considerando apenas um indicador que se refira a apenas um
aspecto, pois a sustentabilidade é determinada por um conjunto de
fatores (econômicos, sociais, ambientais, culturais e institucionais) e
todos devem ser contemplados simultaneamente. Dessa forma, ao se
avaliar a sustentabilidade deve-se usar sempre um conjunto de
indicadores (MARZALL; ALMEIDA, 1999).
http://2.bp.blogspot.com/-8vC3U2-Crjk/Te0PtpWYRlI/AAAAAAAAMKU/xnnipJe-93w/s1600/LInha%2Bdo%2BTempo%2B-
%2Bindicadores_sustentabilidade_01%2B-%2BJos%25C3%25A9%2BEli%2BVeiga.jpg
INDICADORES SOCIOECONÔMICOS

ótica da produção, o PIB corresponde à


soma dos valores agregados líquidos dos
PIB — Produto Interno Bruto. setores primário, secundário e terciário da
Refere-se ao valor agregado de economia, mais os impostos indiretos, mais a
todos os bens e serviços finais depreciação do capital, menos os subsídios
produzidos dentro do território governamentais.
econômico de um país, ótica da renda é calculado a partir das
independentemente da remunerações pagas dentro do território
nacionalidade dos proprietários econômico de um país, sob a forma de
das unidades produtoras desses salários, juros, aluguéis e lucros distribuídos;
bens e serviços. Exclui as somam-se a isso os lucros não distribuídos,
transações intermediárias, é os impostos indiretos e a depreciação do
medido a preços de mercado e capital e, finalmente, subtraem-se os
pode ser calculado sob três subsídios.
aspectos.
ótica do dispêndio, resulta da soma dos
dispêndios em consumo das unidades familiares
e do governo, mais as variações de estoques,
menos as importações de mercadorias e
serviços e mais as exportações.
A Riqueza Nacional expressa no PIB tem como efeito quatro consequências
significativas segundo Gandrey e Jany-Catrice (2006):

• Tudo que se pode vender e que tem um valor monetário agregado aumentará
o PIB e o crescimento, o que não significa necessariamente aumento do
bem-estar individual e coletivo;

• Numerosas atividades e recursos que contribuem para o bem-estar não são


contabilizadas, simplesmente porque não são comerciais ou porque não têm
custo monetário;

• O PIB mede apenas outputs, isto é, quantidades produzidas. Não mensura


outcomes (resultados em termos de satisfação e de bem-estar pelo consumo
desses bens);  A derrubada da Floresta Amazônica faz crescer o PIB

• O PIB em sua mensuração é indiferente a natureza e a partilha das riquezas


contabilizadas como: desigualdades sociais, pobreza e segurança
econômica.
INDICADORES SOCIOECONÔMICOS

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO - IDH

o cálculo do IDH é efetuado a partir de três aspectos principais da


população: RENDA, EDUCAÇÃO E SAÚDE.

Assim, quanto mais esses três aspectos apresentarem melhorias,


melhor será o IDH da localidade em questão.

Até 1990, quando o IDH foi criado, o Produto Interno Bruto (PIB) era o
principal indicador usado para comparar países. O problema é que o
PIB é um número da dimensão da economia de um país, mas não traz
nenhuma informação sobre outros aspectos da vida naquela nação.

.
No cálculo são computados três indicadores diferentes dos países:

• A expectativa de vida;

• A renda média per capita (divide-se o Produto Interno Bruto pela


população);

• Quantos anos as pessoas no país estudaram (esse componente é


separado em dois: a média de anos que os adultos com mais de 25
anos estudaram e uma previsão de quantos anos as crianças antes da
vida escolar deverão estudar)

índice do IDH varia entre 0 e 1. Neste ano, o Níger, o último país da lista,
pontuou 0,377, e a Noruega, a primeira, ficou com 0,954
INDICADORES SOCIOECONÔMICOS

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO

o cálculo do IDH é efetuado a partir de três aspectos principais da população:


RENDA, EDUCAÇÃO E SAÚDE.
Assim, quanto mais esses três aspectos apresentarem melhorias, melhor será o
IDH da localidade em questão.

Composto

IDH é uma média aritmética do somatório do Índice de Expectativa de Vida no


nascimento + Índice do Nível de Instrução (alfabetização e Escolarização) + o
Índice do PIB por habitante

Importante salientar que quanto mais próximo de 1 o IDH é melhor


Quanto mais afastado de 1 e próximo de 0 (zero) pior é o IDH
Os países que lideram o ranking
Os três países que lideram o ranking de Desenvolvimento Humano são
europeus: em primeiro lugar a Noruega, com Irlanda e Suíça empatadas em
segundo. Veja abaixo a lista dos dez países com os melhores índices em 2019

•Noruega (1) – 0,954


•Suíça (2) – 0,946
•Irlanda (3) – 0,942
•Alemanha (4) – 0,939
•Hong Kong (território semiautônomo da China) (5) – 0,939
•Austrália (6) – 0,938
•Islândia (7) – 0,938
•Suécia (8) – 0,937
•Singapura (9) – 0,935
•Holanda (10) – 0,933

Já os três índices mais baixos foram obtidos por países africanos: Chade,
República Centro-Africana e Níger.
O QUE É O ÍNDICE DE GINI?

O Índice ou Coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade de dados que


é muito utilizada para medir a desigualdade de renda.

Quando mede a desigualdade social, o coeficiente indica se há muita ou


pouca diferença entre os mais pobres e os mais ricos, em uma região ou país.

Os valores deste coeficiente são representados entre 0 e 1, em que quanto


mais próximo de zero menor é a desigualdade social. Sendo igual a um, a
desigualdade atinge o seu máximo.

Esta forma de calcular uma desigualdade foi desenvolvida pelo estatístico


italiano Corrado Gini e publicado em 1912 em um de seus trabalhos.

Atualmente é um dos principais indicadores de desigualdade social utilizado


para comparar os países do mundo.
Como é calculado o índice de Gini

O índice de Gini foi criado com base na curva de Lorenz. Ela nos indica o
quanto uma proporção acumulada de renda, representada na vertical, pode
variar conforme a proporção acumulada da população, representada na
horizontal.

Representação da Curva de Lorenz

Esta curva toma como base a distribuição totalmente igualitária de renda,


representada pela linha de cor preta, enquanto a curva de Lorenz de cor
azul, representa a desigualdade da renda.
Pela curva de Lorenz, o índice de Gini é o que calcula a diferença entre a
área da mais perfeita distribuição de renda e aquela que de fato
acontece, representado pela fórmula:

G = A / (A + B)
No Brasil, o 1% mais rico concentra
28,3% da renda total do país (no Catar
essa proporção é de 29%). Ou seja,
quase um terço da renda está nas mãos
dos mais ricos. Já os 10% mais ricos no
Brasil concentram 41,9% da renda total.

A concentração da renda no Brasil


continua sendo uma das mais altas do
mundo, conforme o Relatório de
Desenvolvimento Humano (RDH) da
Organização das Nações Unidas
(ONU), divulgado nesta segunda-feira
(9 de dezembro). O Brasil está em
segundo lugar em má distribuição de
renda entre sua população, atrás
apenas do Catar, quando analisado o
1% mais rico. (DEZ /2019)
INDICE GINI MUNDIAL
• Conhecer os principais argumentos das
cinco grandes correntes de pensamento
econômico voltadas para a problemática
ambiental:

• Ecodesenvolvimentistas
• Pigouvianos
• Neoclássicos
• Economia Ecológica
• Ecomarxismo e Ecologia Política
Escolas X Correntes
• Escolas de pensamento têm teoria
própria, resultado de visão específica de
mundo, que implica em métodos e
metodologias específicas, assim como
perspectivas peculiares acerca da
intervenção sobre os mercados
• Correntes podem ser compostas por mais
de uma escola
Corrente ecodesenvolvimentista

• Termo pronunciado pela primeira vez na


Conferência sobre Meio Ambiente de
1972
• Propõe encarar desenvolvimento como
baseado em três questões:
• Justiça social, eficiência econômica e
prudência ecológica
Problema ambiental decorre do estilo
do desenvolvimento marcado por ...
• A presença de multinacionais altera as bases
das decisões dos agentes econômicos
• Homogeneização dos padrões de produção e
de consumo
• Intensificação da exploração de recursos
naturais
• Emissão de poluentes
• Cultura e hábitos substituídos por padrões
externos...
Ecodesenvolvimentistas propõem

• Revigorar o crescimento
• Alterar a qualidade do desenvolvimento
• Adequar Trabalho, recursos e capital às
necessidades da sociedade
• Conservar e ampliar a base dos recursos
• Reorientar a tecnologia e a gestão de riscos
• Ponderar o retorno econômico e o meio
ambiente na tomada de decisões
1. Nesse contexto, ganha sentido a idéia de que não
existe uma única de sociedade do bem-estar ( a ocidental)
a ser atingida por vias do desenvolvimento e do
crescimento linear.

Deve-se pensar agora, em sociedades sustentáveis,


ancoradas em modos particulares, históricos e culturais de
relações com os vários ecossistemas existentes na
biosfera e dos seres humanos entre si.

2. Será cada vez mais importante o reconhecimento da


existência de uma grande diversidade ecológica e cultural
entre os povos.
3. O conceito de progresso sempre esteve associado
aos modelos clássicos de desenvolvimento, que tem
como ferramenta a tecnologia ( conhecimento
técnico-científico), e a utiliza para "conhecer a
natureza" e colocá-la a serviço do homem visando o
crescimento econômico contínuo.
4. Para os clássicos o crescimento econômico têm
como "mola propulsora" a industrialização

· Países industrializados - desenvolvidos


· Países agrícolas - não-desenvolvidos

O objetivo dos países não-desenvolvidos deveria ser


pautado em um conjunto de valores compatíveis com
a acumulação de capitais, e ainda contarem com
classes sociais imbuídas da ideologia da
industrialização
· A revisão do conceito de desenvolvimento alcançou seu ponto mais
alto em meados da década de 70. Propõem-se modelos alternativos
de desenvolvimentos tanto para os países em desenvolvimento como
para os desenvolvidos. A partir da reflexão de vários autores coincidem
nos seguintes pontos do modelo alternativo:

 Deve-se renunciar a crença de um modelo crescimento econômico


exponencial ilimitado
 ·Não de pode falar em desenvolvimento sustentado apoiado na
exportação maciça de recursos naturais
 · O ritmo crescente da degradação ambiental não pode ser mantido
 · A fé indiscriminada no progresso através da ciência e tecnologia
não pode ser garantida
 · Não é possível manter o ritmo de consumo dos países
desenvolvidos e em desenvolvimento
Introduz também um novo conceito: "O modelo de
desenvolvimento adotado pelos países desenvolvidos
como dos países em desenvolvimento é insustentável
a longo prazo"

A proposta de desenvolvimento sustentável passa


também por sistemas democráticos, uma vez que
menciona a distribuição dos custos e benefícios do
desenvolvimento para toda sociedade.
Sua principal estratégia passa por melhorar o crescimento dos
países agro-exportadores e mudar a qualidade desse crescimento, ou
seja, os países em desenvolvimento devem deixar de explorar de
forma insustentável seus recursos naturais.

A conservação dos ecossistemas e dos recursos naturais. Deverá


manter os processos ecológicos fundamentais para a vida:

· A fotossíntese

· Os ciclos hidrológicos

· Reciclagem dos nutrientes


O desrespeito aos processos ecológicos fundamentais já vem
provocando:

Desertificação, efeito estufa, mudanças climáticas, inundações e


fragilidade crescentes em algumas regiões e cataclismos naturais.

Perda da biodiversidade genética e biológica. A diminuição da


biodiversidade provocada por devastações em florestas e
principalmente pela homogeneização da base genética. Outro
aspecto a ser considerado é seleção artificial de espécies de maior
rendimento, o que têm aumentado o risco de ataques de pragas e
exigindo o seu combate por biocidas.
Pressupostos para uma economia sustentável
Estudos têm enfatizado a relação entre a manutenção da
biodiversidade e as populações tradicionais (coletores,
pescadores, etnias indígenas etc), estas são responsáveis pela
preservação da diversidade biológica porque dela dependem para
sua sobrevivência. Esses habitantes, pelo seu sistema de
produção material e não-material, dependem do ecossistema que
vivem, e desenvolvem sistemas de manejo dos recursos naturais
de forma bastante equilibrada.

Outro pressuposto para o desenvolvimento sustentável é a


estabelecer a capacidade de suporte de um ecossistema sem
comprometer a reprodução dos processos e funções ecológicas.
CRÍTICAS AO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUTENTÁVEL
ASPECTOS POSITIVOS:

A tentativa de resolver as contradições entre crescimento


econômico, a distribuição de renda e a conservação dos recursos
naturais, beneficiando as gerações atuais e futuras.

Criação de uma nova ética de convívio entre homem e natureza 


o homem não mais precisa subjugar a natureza a qualquer preço

Mudança da visão antropocêntrica para uma visão mais global,


biocêntrica.

Autores como Sylvan e Russel propõem novos paradigmas para


humanidade atual
Autores como Sylvan e Russel propõem novos paradigmas para humanidade atual
PARADIGMA SOCIAL PARADIGMA DA ECOLOGIA
DOMINANTE PROFUNDA

Domínio sobre a natureza - Meio Harmonia com a natureza - Natureza


ambiente como recurso constituída de seres vivos com direito a
vida independente do valor de uso

Objetivos materiais/crescimento. Objetivos não materiais/


econômico sustentabilidade ecológica

Recursos naturais ilimitados Recursos finitos

Soluções baseadas exclusivamente Soluções adaptadas a cada situação e


na tecnologia avançada - ecossistema - Necessidade básicas /
Consumismo reciclagem

Centralização/ Grande escala Descentralização/ pequena escala


CRÍTICAS A CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.
De maneira velada o Relatório Brundland acredita na utilização das
forças de mercado para solucionar os problemas ambientais. A
adoção de posturas da economia neoclássica, para qual os problemas
ambientais são meras externalidades. Não contempla a questão do
uso dos recursos naturais nas diferentes visões e interesses dos
vários atores sociais.

A manutenção da concepção desenvolvimentista como estratégia e


instrumento para alcançar o bem-estar das populações, ou seja, os
países em desenvolvimento devem implementar ações para alcançar
o nível de desenvolvimento dos países industrializados
(INSUSTENTÁVEL).
É imperioso que cada sociedade estruture o
modelo econômico dentro de uma
sustentabilidade própria, segundo tradições
culturais, seus parâmetros próprios e sua
composição étnica. Respeitando as conquistas
universais hoje consolidadas (Declaração dos
direitos Humanos e outras).
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL VERSUS SOCIEDADE
SUSTENTÁVEL

O conceito de "sociedades sustentáveis" parece ser adequado na


medida que possibilita a cada uma delas a estabelecer seus padrões
de produção e consumo, bem como o bem-estar a partir de sua
cultura, de seu desenvolvimento histórico e de seu ambiente natural.

Abandona o modelo homogeneizado de desenvolvimento pela


industrialização imposto pelos países desenvolvidos.

A sociedade deve estar inserida nos processos do desenvolvimento.


O meio ambiente e o desenvolvimento são meios e não fins em si
mesmos. O prioritário é a qualidade de vida das populações.
Desenvolve mais especificamente o conceito de sociedades
sustentáveis: É a persistência, por um longo período de tempo
(indefinite future) de certas características necessárias e
desejáveis de um sistema sócio-político e seu ambiente natural.

A sustentabilidade é considerada um princípio ético,


normativo e não cabe uma única definição de sistema
sustentável. A sociedade sustentável para existir deve ser
um processo e não um estágio final, e ao mesmo tempo,
deverá estar calcada em um sistema sócio-político que dure
para sempre, porém deva ter a capacidade de se transformar.
CONCLUSÃO NÃO CONCLUSIVA

O conceito de desenvolvimento sustentável, eco-


desenvolvimento e até a sustentabilidade sofre hoje do
modismo já incorporado pelas nações do Mundo
Moderno, que o utilizam para buscar recursos em
financiamentos para conservação ambiental sem
discutir a poluição gerada (modelo de produção). As
nações desenvolvidas terão que alterar seu padrão de
consumo em benefício dos países menos favorecidos.
Pigouvianos

• Poluição ambiental se origina de uma


falha no sistema de preços que não
reflete, de forma correta, os danos
causados a terceiros e ao meio ambiente
• Daí a necessidade de mecanismos
corretivos para as “externalidades”
Externalidades

Externalidades podem ser considerados como os custos


indiretos, que normalmente não são considerados em uma
avaliação econômica. O desmatamento do manguezal
resultante da implantação de uma área para cultivo de
camarão?

Qual é o custo resultante da perda da função ecológica


da biodiversidade do local para o ecossistema como um
todo;

Quanto poderia ser obtido utilizando-se a área para


atividades de turismo, pesca, extrativismo e da retirada de
CO2.
CONFLITOS AMBIENTAIS

APROPRIAÇÃO DO TERRITÓRIO

Foco de tensão está nos usos privados dos


recursos naturais

Externalidades positivas Externalidades negativas


ATIVIDADES
Produtos e serviços Poluição do ar;
ECONÔMICAS Poluição das águas
Novas formas de emprego
Renda Poluição do solo
Lucro Destruição da cultura local
“Qualidade de vida” Acidentes

CONFLITO DE USOS Dano Ambiental


Instituição do Conceito de Usuário Pagador

Uma alternativa ao modelo proposto pela economia de


mercado se refere ao conceito de usuário pagador;

Por este conceito, estabelece-se a cobrança de uma taxa


do usuário do recurso ambiental.

Embora a cobrança seja exigida, o usuário não está


dispensado do cumprimento da regulamentação ambiental
vigente.

Esta proposta está baseada no mecanismo proposto por


Pigou na década de 1920.
Externalidades

Os processos de poluição também são exemplos de


externalidades;

Caso não houvessem normas de controle ambiental, a


poluição seria gratuita;

Quem deve arcar com os custos associados à degradação


do meio ambiente, em decorrência de uma atividade
qualquer?
Quais são os instrumentos de econômicos de regulação?
Todos se baseiam no Princípio do Poluidor-Pagador,ou seja, devem ser
aplicadas taxas que internalizem os custos causados pelos danos de
uma atividade  Taxa Pigoviana.

Custo privado

Externalidades
negativas

Taxa
Pigoviana
A solução pigouviana

• A internalização da externalidade
obedeceria ao princípio do poluidor
pagador
• A empresa poluidora arcaria com os
custos externos através de taxas ou
impostos
• Problema: elasticidades das curvas. Por
que?
A questão das elasticidades
• Quanto mais inelástica a curva, maior o
ônus de um tributo a recair sobre o agente
econômico
Os neoclássicos

• Para a corrente neoclássica, meio ambiente


integra três aspectos:
• Fontes de matérias primas utilizadas como
insumos – Economia dos recursos naturais
• Dejetos e efluentes da produção e do consumo
de bens e serviços - Economia da Poluição
• Suporte à vida animal, vegetal ao lazer etc
• “A Economia da Poluição analisa os recursos
ambientais no seu papel de depositário de rejeitos,
outputs indesejáveis dos processos produtivos (Visão
Pigouviana).
• A Economia dos Recursos Naturais, por sua vez,
analisa os recursos ambientais no seu papel de
matérias-prima, de inputs para os processos
produtivos.
Assim, a Economia Neoclássica desenvolveu duas
distintas construções teóricas, elegendo em cada uma
distintos aspectos da problemática ambiental, a serem
empregados dependendo da relação que os recursos
ambientais guardem com os processos produtivos, se
como inputs ou como outputs”.
Estudo do Meio ambiente

• Encarado quase como o estudo de como


incorporar externalidades, reduzindo
perdas de bem estar e evitando, ao
máximo, “desvios”
• Para neoclássicos, haveria externalidades
porque certos tipos de recursos tem
propriedade indefinida
A questão, para neoclássicos

• A ausência de definição dos direitos de


propriedade gera problemas ambientais e
não se trata de um problema intrínseco ao
mercado
• Problema não é do mercado
• Problema é dos agentes!?
Correções

• Definindo claramente os direitos de


propriedade se criaria um mercado de
compra e venda destes direitos (Coase)
• Adoção de mecanismos compensatórios
pela manutenção de uma qualidade
ambiental adequada
Economia do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Os mecanismos de mercado substituem a regulamentação,


simplificando a gestão do meio ambiente;

Modelo teoricamente perfeito, porém inexequível na prática;

Como se pode garantir o acesso livre aos bens e serviços


ambientais e a não formação de oligopólios e monopólios;
 Os interesses econômicos muitas vezes se contrapõem aos
sociais;
Como atribuir um valor para os bens e serviços ambientais.
Curva de Kusnetz Ambiental
Pode ser explicada também pelo fato de que, à medida que a renda aumenta
pelo crescimento econômico existe um aumento da degradação ambiental
até o ponto em que o custo dessa degradação e as preferências do
consumidor fazem com que mudanças institucionais e tecnológicas
promovam a recuperação desse recurso degradado, revelando que existe
uma aceitação pela sociedade da degradação ambiental pela aparente
inevitabilidade desta para o desenvolvimento econômico.
Economistas Ecológicos

• Surgem no final dos anos 1980 nos EUA,


na New School, de Boston
• Opõem-se aos modelos da economia
neoclássica tradicional, considerados
insuficientes
• Buscam integrar a análise de
ecossistemas aos sistemas econômicos
6 Ambiente: Sistema Aberto vs.
Sistema Fechado
 O ambiente é considerado:

 Sistema fechado: quando


nenhum dos insumos (energia,
matéria etc.) são provenientes de
fora do sistema.

 Sistema aberto: quando importa


ou exporta matéria e energia.

 Como se classificaria o Planeta


Terra?
6 Ambiente: Sistema Aberto vs.
Sistema Fechado
 1a. Lei da Termodinâmica:

 Energia e matéria não podem ser


criadas ou destruídas;

 A massa de matérias que fluem para


o sistema econômico proveniente do
ambiente acumula no sistema
econômico ou retornam para o
ambiente como resíduos;

 A massa de materiais fluindo para o


ecossistema é igual, em magnitude, a
massa de resíduos fluindo para o
ambiente.
2a. Lei da Termodinâmica ou
Lei da Entropia:

 Entropia é o aumento da energia


não disponível para o trabalho.

 Parte da energia é sempre


perdida durante a conversão de
uma forma de energia para
outra, e uma vez usada, não fica
mais disponível para o trabalho;
• Sistema de preços subvalora escassez e custos
ecossociais presentes e futuros
• Sustentabilidade tb fundada na eqüidade,
distribuição, ética e valores culturais
• Conflitos ecológicos e distributivos intra e
intergeracionais
• Sustentabilidade x crescimento econômico
• Ecossistemas limitam escala da economia
• Não substituíveis por capital fabricado
• Indicadores biofísicos x insuficiência dos
monetários
• Uso de renováveis  taxa de renovação
• Exauríveis  substituição por renováveis
• Consv. Da diversidade biológica e cultural
• Geração de resíduos  assimilação
• Visão sistêmica, transdisciplinar (complexidade)
• Insuficiência das racionalidades econômica e
ecológica isoladas

• É economia política: decisões ambientais


fundadas em debates científico-políticos, em
que participam todos os atores sociais
interessados (ciência pós-normal)
Economia Ecológica no Brasil

• Sociedade Brasileira de Economia Ecológica


(ECOECO) define a economia ecológica como
• “campo de conhecimento transdiciplinar,
desenvolvido a partir do reconhecimento de
que, de um lado, o sistema socioeconômico
baseia-se e depende dos sistemas naturais e,
de outro lado, ele interfere e transforma o
funcionamento destes últimos” (May, 2003, p.
xii)
Questão paradigmática da Economia Ecológica

Y = f (K, L, R)
A Renda (Y) é função dos fatores de produção: Capital,
Trabalho e Recursos Naturais, que pode ser tão pouco
desde que seja compensado pelo Trabalho ou pelo
Capital.

Esta é a grande crítica da Economia Ecológica frente a


Economia Neoclássica.
Conceitos

As reflexões destes autores estabeleceram:

1. uma linha de raciocínio crítico ao atual processo de


crescimento econômico com base nos princípios e
biofísicos ambientais e ecológicos envolvidos;

2. um campo próprio de análise do sistema econômico,


apoiado em conceitos e ferramentas biofísico-
ecológicos, denominado “bioeconomics”, o qual veio
produzindo abordagens e resultados diferenciados (e
mesmo divergentes) dos encontrados pelas teorias
econômicas convencionais.
Princípios

1. o funcionamento do sistema econômico, considerado


nas escalas temporal e espacial mais amplas, deve
ser compreendido tendo-se em vista das condições
do mundo biofísico sobre o qual este se realiza.
Princípio fundamental  O fluxo de matéria e energia é
limitado, de acordo com os princípios da física;

Os processos e recursos naturais são limitados, de forma


que o ser humano não pode estabelecer, livremente,
normas de acesso aos mesmos;

Por este modelo se propõe a valoração dos bens e serviços


ambientais não apenas pelo custo de exploração e
transformação, mas sim pelo custo associado à sua
existência;

- Como exemplo, na exploração de uma floresta, deve-se


considerar qual teria sido a quantidade de energia solar
necessária para a organização da mesma.
Com a inserção da variável ambiental nos modelos
econômicos, novos termos começam a ser discutidos;

Os modelos de avaliação econômica com base, apenas,


nos custos diretos, não são capazes de conduzir à
resultados satisfatórios;

Nestes casos a análise de externalidades e fatores


intangíveis devem ser considerados.
ECONOMIA: SUBSISTEMA ABERTO, DENTRO DA BIOSFERA

Precisa: de energia e materiais, da capacidade absorvente


da biosfera, da manutenção da biodiversidade natural

Expele: calor dissipado, resíduos materiais:

•Visão 1: fluxos circulares de mercadorias e moeda ),


sistema fechado (PC), isolado (sem ambiente),
mecânico-auto-sustentado (moto perpetuo)

* Visão 2: sistema aberto (na natureza), sua descrição é


física, sist. de energia e matéria dependente da biosfera
e que produz resíduos (calor dissipado e resíduos
materiais)
processo
Economia Ecológica: geral

1. crítica ambientalista do final dos anos 60 e anos 70


2. originada no terreno das ciências físicas e
biológicas
3. desenvolve análises do funcionamento do sistema
econômico e das inter-relações entre este e o
sistema ambiental
4. consolida-se enquanto corrente nos anos 80, com a
fundação da International Society for Ecological
Economics (ISEE) em 1988 e com a criação da
revista 1989.
Alguns representantes

1. “The Economics of the Coming Space shipEarth”


(1966) de Kenneth Boulding
2. “The Entropy Lawand the EconomicProcess”
(1971), de Nicholas Georgescu-Roegen
3. “OnEconomics as a LifeScience” (1968) de
Herman Daly
4. “Environment, Power and Society” (1971), de
Howard Odum
Atuação da economia ecológica

1.um campo transdisciplinar o qual busca a


integração entre as disciplinas da economia e
ecologia, e demais disciplinas correlacionadas,
para uma análise integrada dos dois sistemas.
Economia Ecológica X Ambiental

Economia ecológica não rejeita os conceitos e


instrumentos da “economia convencional” e
da “ecologia convencional”, e irá utilizá-los
sempre que estes se fizerem necessários,
mas reconhece a insuficiência destes para o
propósito de uma análise integrada,
apontando para a necessidade do
desenvolvimento de novos conceitos e
instrumentos.
1. compatibilizar economia e ecologia, buscando
a determinação da sustentabilidade desta
interação, delineando as condições de
estabilidade das diversas funções ecológicas,
particularmente a capacidade do ambiente
em oferecer recursos naturais para o
funcionamento do sistema econômico e em
absorver seus rejeitos, ou seja, delineando-
se em que medida as restrições ambientais
podem ou não constituir efetivamente
limites ao crescimento econômico.
Usa instrumentos da economia e da ecologia
convencional, mas

1. Não partilha do ceticismo pessimista alarmista


ecológico
2. Não partilha do “otimismo tecnológico”
3. Reconhece que o progresso tecnológico de fato se
dá, mas apenas dentro de certos limites fisicamente
possíveis
4. Adota uma posição de “ceticismo prudente”
Conceito de Serviços ecológicos e funções ambientais
De Groot (1994) definiu as funções ambientais como a capacidade de os
processos e componentes naturais proporcionarem bens e serviços que,
direta ou indiretamente, satisfaçam necessidades humanas. O autor
identificou trinta e sete dessas funções, atribuindo-lhes valores ecológicos,
sociais e econômicos e classificando-as em quatro categorias principais:
funções de regulação; funções de suporte; funções de produção; e funções
de informação.
Como exemplos dessas funções incluem-se aquelas constantes do estudo de
Costanza et al. (1997) acerca da valoração dos ecossistemas planetários,
entre as quais:

a) regulação da composição química da atmosfera;


b) regulação do clima;
c) regulação d’água;
d) oferta de água;
e) recursos genéticos;
f) refúgio para espécies migratórias; etc.
DE GROOT, R. S. ‘Environmental Functions and the Economic Value of Natural Ecosystems’ (1994). In: COSTANZA, R.,
PERRINGS, C., CLEVELAND, C. J. (eds.), The Development of Ecological Economics, cap. 32. Cheltenham (Reino Unido):
Edward Elgar Publishing. 1997.
Define-se que uma nação é ambientalmente superavitária se o valor
das funções ambientais desempenhadas pelos ecossistemas no
interior de suas fronteiras é superior ao consumo dos recursos
naturais e aos resíduos produzidos pelas atividades do seu sistema
econômico. Se esse valor é inferior, a nação é dita ambientalmente
deficitária. As metodologias para o cálculo desses agregados serão,
na sua maioria, derivadas dos procedimentos do Sistema de
Contabilidade Econômica e Ambiental – SICEA (UNITED NATIONS,
2003).

Nações do Sul
Nações do Norte
Críticas a outras correntes

  o tratamento das questões ambientais apenas


pela internalização das “externalidades” é
insuficiente;

  Nada implica que a otimização de custos-


benefícios com a inclusão destas externalidades
conduza a uma utilização sustentável dos recursos
ambientais;

  “Otimalidade” não significa “sustentabilidade”


O Papel da Avaliação Ambiental para a Economia
Ecológica
Pressupostos Básicos:

- Capital (K) e Recursos Naturais (R)


são complementares;
- Existem limites ambientais à
expansão do sistema econômico;
O Papel da Avaliação Ambiental para a Economia
Ecológica
Planeta Terra

Sistema econômico
O Papel da Avaliação Ambiental para a Economia
Ecológica
Qual a capacidade de suporte do planeta?

INCERTEZA INSUPERÁVEL!
O Papel da Avaliação Ambiental para a Economia
Ecológica
Reações não-lineares
aos impactos

RESILIÊNCIA

Risco de Perdas
Irreversíveis
(Potencialmente Catastróficas)
O Papel da Avaliação Ambiental para a Economia
Ecológica

Como a Escala é determinada?

Pelo Estado e/ou Sociedade Civil


Organizada com base na Ciência
O Papel da Avaliação Ambiental para a Economia
Ecológica

1-) Avaliar os impactos ambientais tendo em conta a


capacidade dos ecossistemas: Indicadores de
Sustentabilidade;
2-) A expressão econômica dos impactos ambientais
(valoração econômica) é importante:
 como instrumento pedagógico de conscientização
ecológica;
 como mecanismo limitado de internalização de
externalidades.
POLÍTICA

QUAL POLÍTICA DEVE PROCEDER?


 ECONOMIA ECOLÓGICA:
 TRÊS OBJETIVOS BÁSICOS (EFICIÊNCIA
ECONÔMICA, PRUDÊNCIA ECOLÓGICA, JUSTIÇA
SOCIAL)
 TRÊS INSTRUMENTOS POLÍTICOS BÁSICOS
o ESCALA SUSTENTÁVEL
o DISTRIBUIÇÃO EQUITATIVA
o ALOCAÇÃO EFICIENTE DOS RECURSOS
Reflexão final

  a Economia Ecológica é um campo disciplinar


ainda relativamente bastante novo, que vem
encontrado um desenvolvimento bastante rápido
e intenso, abrindo vários caminhos de
investigação e buscando amadurecer e
consolidar sua estrutura analítica teórica e seus
instrumentos e ferramentas.
Ecomarxismo²
A natureza é fonte de riqueza para o capital, assim como o é a força de
trabalho: "(...) as duas fontes de onde emana toda riqueza: a terra e o
trabalhador" (MARX, 1969:363)³.

On the First and Second Contradictions of Capitalism  James


O´Connor

Capital

Funciona através condições de produção não valoradas

Infraestrutura pública Espaço urbano Capital natural

²MONTIBELLER-FILHO, Gilberto. Ecomarxismo e capitalismo. Revista de Ciências Humanas,


Florianópolis : EDUFSC, n.28, p.107-132, out. de 2000
³MARX, Karl. Le Capital - livrei. Paris : Garnier-Flammarion, 1969.
Visão ecomarxista
"esses efeitos colaterais do desenvolvimento são intrínsecos à própria
essência do capitalismo“ (GOTTDIENER, 1993:213).

Os custos externos, ou não-mercadorias requeridas para a produção


de mercadorias são principalmente: a natureza, como fonte de
matérias-primas e como receptáculo de produtos poluentes; e o
trabalho humano (BECKENBACH, 1989:16).

Mais-valia  do recurso natural e do trabalho

Custos Sociais
Segunda contradição do capitalismo

A contradição está em que "(...) a política dos capitalistas individuais para


baixar os custos tem resultado em maiores custos para o capital em seu
conjunto" (O'CONNOR, 1991:125). A segunda contradição do capitalismo
gera, portanto, crises de custos (enquanto a primeira contradição provoca
crises de superprodução).

Na produção de quantidades cada vez maiores de mercadorias, os


capitalistas individuais são levados a buscar reduzir seus custos de
produção, seja como forma de criar uma situação privilegiada frente à
media dos demais produtores, seja como necessidade para manter-se
competitivo no mercado. Uma maneira que o empresário encontra
para diminuir custos é apossar-se de recursos naturais que não são
mercadorias. Quando se generaliza a propriedade privada sobre eles,
são convertidos em mercadorias e, então, é provocada a elevação de
seus preços.
Visão ecomarxista

"esses efeitos colaterais do desenvolvimento são intrínsecos à própria


essência do capitalismo“ (GOTTDIENER, 1993:213).

Os custos externos, ou não-mercadorias requeridas para a produção


de mercadorias são principalmente: a natureza, como fonte de
matérias-primas e como receptáculo de produtos poluentes; e o
trabalho humano (BECKENBACH, 1989:16).

Mais-valia  do recurso natural e do trabalho

Custos Sociais
preço de mercado de um recurso natural reflete apenas os
valores monetários efetivamente gastos em sua extração,
isto é, não reconhecer o valor intrínseco ou o valor opção;

o salário não corresponde a totalidade de horas de trabalho


efetivamente trabalhadas - gerando excedente a ser
apropriado pelo capital.

Essas formas de mais-valia (os ecomarxistas associam a


apropriação não paga da natureza a uma forma de mais-
valia) são vistas como custos sociais, pois constituem para
o capital individual uma vantagem, dado que são custos do
processo produtivo por ele não assumidos (são excluídos
do mercado pelo conjunto dos agentes econômicos).
1. Os problemas ambientais são um problema vinculado à luta de
classes, já que os maiores prejudicados são os trabalhadores e a
população mais pobre.

2. A acumulação capitalista está prejudicando ou destruindo as


próprias condições de reprodução do capital.

3. Esse processo de degradação acrescenta uma nova dimensão de


crise do capitalismo. Concretamente: à crise de superprodução do
marxismo clássico, o marxismo ecológico acrescenta a perspectiva de
uma “crise de subprodução”, ligada aos problemas que afetarão
inevitavelmente o aparato produtivo a partir do uso predatório dos
recursos e da poluição ambiental.
Instrumentos de Regulação Econômica
As consequências das externalidades negativas (danos) e da
exploração desenfreada dos recursos naturais deram origem à
formulação de um conjunto de instrumentos de regulação da atividade
econômica.

Vamos pensar na ocupação da zona costeira brasileira?


Carcinicultura é a técnica de
criação de camarões em viveiros,
muito desenvolvida, atualmente,
no litoral brasileiro do Rio Grande
do Norte.
A Cobrança pelo Uso dos Recursos Ambientais

É uma alternativa para alocação mais eficiente dos


recursos disponíveis, de acordo com o modelo
econômico;

Questões a serem respondidas:

Qual o valor a ser cobrado?


De quem cobrar?
Qual o melhor instrumento de cobrança?
Quanto Cobrar

 A cobrança, em teoria, deveria se equivalente ao valor


dos danos causados ao ambiente;

 Determinar o valor associado aos danos causados é


muito complexo e difícil;

 Um dos mecanismos desenvolvidos estabelece que o


valor a ser cobrado é função do custo do controle da fonte
de poluição;
Quem Deve Pagar

Introdução do conceito de usuário pagador;

Estabelece que a cobrança deve ser feita do usuário do bem ou


serviço ambiental;

No Brasil esse conceito foi introduzido em 1997, a partir da criação


da Lei 9.433, que trata da Política Nacional de Recursos Hídricos;

conceito do usuário pagador é caracterizado pelo pagamento de um


recurso ambiental no regime de outorga de uso  os recursos
provenientes do recolhimento somente poderão ser aplicados no
ambiente ao qual o recurso está sendo extraído.
Instrumento de Cobrança

Caso a identificação do grupo de usuários possa ser


feita, pessoas, grupos ou entidades identificáveis e
individualizáveis, a cobrança se dará por meio de taxas
ou tarifas;

Não sendo possível caracterizar e individualizar os


grupos usuários, a cobrança é feita por meio de tributos
Desafios Ambientais da Economia Brasileira (MOTTA,1997)¹

- Dois pontos são cruciais na discussão do desenvolvimento


sustentável:
• Reconhecer que os problemas ambientais são reais e
diretamente relacionados ao desenvolvimento econômico
• Criar políticas e instrumentos eficientes para solucionar esses
problemas
• Pesquisas revelam que 40% dos recursos naturais do planeta já
estão comprometidos pelo consumo humano
• Até pouco anos atrás, os modelos de desenvolvimento econômico
dos países referiam-se às questões ambientais apenas como uma
restrição
• “(...) o desenvolvimento econômico de hoje deve se realizar sem
comprometer o desenvolvimento econômico das gerações futuras.
Isto é, o desenvolvimento deve ser sustentável” (MOTTA, 1997)

¹ MOTTA, R. S. MANUAL PARA VALORAÇÃO ECONÔMICA DE RECURSOS AMBIENTAIS. IBAMA : 1997


Desafios Ambientais da Economia Brasileira

• Nos atuais modelos de desenvolvimento sustentável, entende-se a


sustentabilidade como uma estratégia para que o estoque de capital
natural seja pelo menos mantido constante ao longo do tempo
• Diferentemente do capital material, que pode ser reproduzido via
crescimento do produto, “o capital natural tende a impor restrições ao
crescimento futuro criando consequentemente condições de não
sustentabilidade ao crescimento ou ao bem-estar de gerações
futuras” (MOTTA, 1997).
• O grau de “essencialidade” dos recursos ambientais é definido pela
sua elasticidade de substituição entre os dois tipos de capital
• De acordo com Perrings et alii (1995), “quanto maior a elasticidade de
substituição, menos essencial será o recurso” (MOTTA, 1997)
• Em qualquer situação que pressuponha o crescimento econômico e
que tenha a sustentabilidade como um objetivo, deve haver
investimento em capital natural equivalente ao consumo total de
capital material
• Cada vez mais, o descompromisso com as questões ambientais
marginaliza países do círculo de comércio internacional, graças às
barreiras a eles impostas
• Apesar de sua relativa ineficiência na aplicação de uma agenda
ambiental, o Brasil pode ser considerado um país credor ambiental
em função das externalidade positivas que aqui se produzem em
termos de meio ambiente
• O Brasil é um país “exportador de sustentabilidade”
Valoração Ambiental

“determinar o valor econômico de um recurso ambiental


é estimar o valor monetário deste em relação aos outros
bens e serviços disponíveis na economia. Qualquer que
seja a forma de gestão a ser desenvolvida por
governos, organizações não-governamentais, empresas
ou mesmo famílias, o gestor terá que equacionar o
problema de alocar um orçamento financeiro limitado
perante numerosas opções de gastos que visam
diferentes opções de investimentos ou de consumo”
(SERÔA DA MOTTA, 1998).
Pode-se definir formalmente que a valoração ambiental é
um conjunto de técnicas e métodos que permitem medir
as expectativas de benefícios e custos derivados de
algumas das seguintes ações (Romero, 1997):
a) Uso de um ativo ambiental;
b) Realização de melhora ambiental;
c) Geração de um dano ambiental.
Na visão de Motta (1997) a literatura desagrega o valor econômico do
recurso ambiental (VERA) em:

Valor de uso (VU) e valor de não-uso (VNU). Valores de uso podem


ser, por sua vez, desagregados em:

Valor de Uso Direto (VUD) - quando o indivíduo se utiliza atualmente


de um recurso, por exemplo, na forma de extração, visitação ou outra
atividade de produção ou consumo direto;
Valor de Uso Indireto (VUI) - quando o benefício atual do recurso
deriva-se das funções ecossistêmicas, como, por exemplo, a
proteção do solo e a estabilidade climática decorrente da
preservação das florestas;

Valor de Opção (VO) - quando o indivíduo atribui valor em usos


direto e indireto que poderão ser optados em futuro próximo e cuja
preservação pode ser ameaçada. Por exemplo, o benefício advindo
de fármacos desenvolvidos com base em propriedades medicinais
ainda não descobertas de plantas em florestas tropicais.
O valor de não-uso (ou valor passivo) representa o valor de existência
(VE) que está dissociado do uso, (embora represente consumo ambiental)
e, deriva-se de uma posição moral, cultural, ética ou altruística em relação
aos direitos de existência de espécies não-humanas ou preservação de
outras riquezas naturais, mesmo que estas não representem uso atual ou
futuro para o indivíduo.
VERA = (VUD + VUI + VO) + (VL + VE)
1º caso  tem como objetivo realizar a valoração econômica dos custos
referentes aos impactos ambientais provocados durante a implantação,
bem como na atual fase de operação do gasoduto da TBG, no Parque
Estadual Tainhas, no Rio Grande do Sul. Destaca-se que em todo
estudo de valoração econômica deverão ser avaliadas também as
externalidades positivas, de modo que haja um ajuste compensatório
nos valores estimados.

2º caso O Objetivo deste trabalho é estabelecer um valor econômico


para os serviços ambientais provenientes da RPPN Fazenda Caruara
aos condôminos do Distrito Industrial do Porto do Açú – RJ.
Desafios Ambientais da Economia Brasileira (MOTTA,1997)¹

- Dois pontos são cruciais na discussão do desenvolvimento


sustentável:
• Reconhecer que os problemas ambientais são reais e
diretamente relacionados ao desenvolvimento econômico
• Criar políticas e instrumentos eficientes para solucionar esses
problemas
• Pesquisas revelam que 40% dos recursos naturais do planeta já
estão comprometidos pelo consumo humano
• Até pouco anos atrás, os modelos de desenvolvimento econômico
dos países referiam-se às questões ambientais apenas como uma
restrição
• “(...) o desenvolvimento econômico de hoje deve se realizar sem
comprometer o desenvolvimento econômico das gerações futuras.
Isto é, o desenvolvimento deve ser sustentável” (MOTTA, 1997)

¹ MOTTA, R. S. MANUAL PARA VALORAÇÃO ECONÔMICA DE RECURSOS AMBIENTAIS. IBAMA : 1997


Desafios Ambientais da Economia Brasileira

• Nos atuais modelos de desenvolvimento sustentável, entende-se a


sustentabilidade como uma estratégia para que o estoque de capital
natural seja pelo menos mantido constante ao longo do tempo
• Diferentemente do capital material, que pode ser reproduzido via
crescimento do produto, “o capital natural tende a impor restrições ao
crescimento futuro criando consequentemente condições de não
sustentabilidade ao crescimento ou ao bem-estar de gerações
futuras” (MOTTA, 1997).
• O grau de “essencialidade” dos recursos ambientais é definido pela
sua elasticidade de substituição entre os dois tipos de capital
• De acordo com Perrings et alii (1995), “quanto maior a elasticidade de
substituição, menos essencial será o recurso” (MOTTA, 1997)
• Em qualquer situação que pressuponha o crescimento econômico e
que tenha a sustentabilidade como um objetivo, deve haver
investimento em capital natural equivalente ao consumo total de
capital material
• Cada vez mais, o descompromisso com as questões ambientais
marginaliza países do círculo de comércio internacional, graças às
barreiras a eles impostas
• Apesar de sua relativa ineficiência na aplicação de uma agenda
ambiental, o Brasil pode ser considerado um país credor ambiental
em função das externalidade positivas que aqui se produzem em
termos de meio ambiente
• O Brasil é um país “exportador de sustentabilidade”
BIBLIOGRAFIA

MARTINEZ ALIER, Joan [1998] Da economia ecológica ao ecologismo popular.


Blumenau, Ed. Da FURB, 402 p.

ALTVATER, Elmar. O Preço da Riqueza. São Paulo: UNESP, 1996.

FOSTER, John Bellamy. A Ecologia de Marx: meterialismo e noatureza. Rio de


Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

MOTTA, Ronaldo Serôa da. (Orgs.) Valorando a natureza: análise econômica


para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Campus, 1994.

VIVIEN, Franck-Dominique. Economia e Ecologia. São Paulo: SENAC, 2011.

CECHIN, Andrei. A Natureza como limite da economia: a construção do


pensamento de Nicholas Georgescu-Roegen. São Paulo:EDUSP/SENAC, 2010.
Conclusões não conclusivas

Os problemas ambientais resultantes da desagregação entre


desenvolvimento econômico e meio ambiente mostraram a necessidade
de um novo modelo  esse modelo ainda não existe!

Várias iniciativas passaram a integrar, indiretamente, a variável ambiental


às questões econômicas  mas o que se vê na prática é que o
descasamento entre ecologia e economia ainda persiste

Atualmente verifica-se iniciativas para a inserção explícita da variável


ambiental nos modelos econômicos

Estas iniciativas procuram, na prática, viabilizar o conceito de


sustentabilidade.
PAGAMENTOS PELOS SERVIÇOS
AMBIENTAIS - PSA

Tema 5
O que são os Pagamentos pelo Serviços Ambientais

Os ecossistemas proporcionam à sociedade uma vasta gama de


serviços - de fluxos confiáveis de água limpa à terras produtivas e
sequestro de carbono. Pessoas, empresas e sociedades recorrem a
estes serviços para insumos de matérias-primas, processos de
produção e estabilidade do clima.

“uma transação voluntária, na qual um serviço ambiental bem


definido, ou um uso da terra que possa assegurar este serviço, é
adquirido por, pelo menos, um comprador de no mínimo, um
provedor, sob a condição de que ele garanta a provisão do serviço
(condicionalidade)” (Wunder, 2005).
Com o pagamento por serviços ambientais, o ganho
econômico do proprietário de terra que adota atividades
que proporcionam serviços ambientais (na figura a
conservação de florestas), deve se tornar mais atrativo
economicamente do que as alternativas dominantes (na
figura a conversão a pastos). Em outras palavras, o
ganho econômico deve compensar o custo de
oportunidade do produtor.
A principal característica dos acordos de PSA é que o
foco está na manutenção do fluxo de um determinado
“serviço” ambiental - tais como água potável,
biodiversidade do habitat, ou capacidade de sequestro
de carbono - em troca de algo de valor econômico.

O fator crítico que define um acordo de PSA, no


entanto, não é simplesmente a movimentação financeira
e um serviço ambiental que seja entregue ou mantido.
Pelo contrário, o fundamental é que o pagamento cause
benefícios que não existiriam de outra forma. Isto é, o
serviço é um “adicional” para a “negociação comum”,
ou, pelo menos, o serviço pode ser quantificado e
vinculado ao pagamento.
Serviços Ambientais

Exemplo de pagamento por serviços ambientais urbanos que atuam


na remuneração pela produção de impactos positivos ou
minimização de impactos negativos ambientalmente.:
- manutenção de áreas verdes urbanas;
- melhoria na rede de transporte coletivo;
- disposição correta e reciclagem de resíduos sólidos urbanos; e,
- tratamento de esgoto sanitário.
Serviços Ambientais Ilustrativos

• Purificação do ar e da água
• Regulação do fluxo de água
• Desintoxicação e decomposição de resíduos
• Geração e renovação do solo e da fertilidade do solo
• Polinização das culturas agrícolas e vegetação natural
• Controle de pragas agrícolas
• Dispersão de sementes e translocação de nutrientes
• Manutenção da biodiversidade
• Estabilidade climática parcial
• Moderação de temperaturas extremas
• Quebra-ventos
• Suporte para diversas culturas humanas
• Enriquecimento da estética e da beleza paisagística

Fonte: Daily, Gretchen (Editor). 1997. Nature’s Services.


Washington D.C., USA: Island Press.
TIPOS DE SERVIÇOS AMBIENTAIS

- PROVISÃO

- REGULADORES

- CULTURAIS

- DE SUPORTE
SERGIO BARROS

Professor e Chefe do Departamento de Análise Geoambiental


Instituto de Geociências
Departamento de Análise Geoambiental – Sala 412
Tel: 2629-5936
Email: sergiobarros@id.uff.br

Disciplinas na Graduação em Ciência Ambiental


Planejamento e Gestão Ambiental
Avaliação de Impactos Ambientais
Mediação de Conflitos Socioambientais
Avaliação Ambiental Estratégica
Gerenciamento Costeiro Integrado
Disciplinas no Mestrado em Sistemas de Gestão
Avaliação de Impactos Ambientais
Economia e Meio Ambiente
Sistema de Gestão Ambiental
COMO PENSAR A
SUSTENTABILIDADE?
OBRIGADO
PROF. SERGIO BARROS

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE ANÁLISE GEOAMBIENTAL
CIÊNCIA AMBIENTAL

CONTATO
21 2929-5933

EMAIL: sergiobarros@id.uff.br

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