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PERGUNTA 1

1.

A imagem acima, do aclamado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, mostra que as fotografias, da
mesma forma que os textos, podem ser lidas e interpretadas. A opção de colocar, no primeiro plano,
figuras humanas provoca no espectador uma atitude de
 

A. admiração pela beleza do cenário.  

B. surpresa pelo jogo de luz e sombra.  

C. mobilização para combater as injustiças sociais.  


 
D. questionamento sobre a hostilidade da natureza.  

E. reflexão sobre desamparo e fragilidade. 

3,75 pontos   
PERGUNTA 2
1. Turismo na favela: E os moradores?
 
Água morro abaixo, fogo morro acima e invasão de turistas em favelas pacificadas são difíceis de conter.
Algo precisa ser feito para que a positividade do momento não transforme esses lugares em comunidades
“só pra inglês ver”. As favelas pacificadas tornaram-se alvo de uma volúpia consumidora poucas vezes
vista no Rio de Janeiro. O momento em que se instalaram as Unidades de Polícia Pacificadora em
algumas favelas foi como se tivesse sido descoberto um novo sarcófago de Tutankamon, o faraó egípcio:
uma legião de turistas, pesquisadores, empresários, comerciantes “descobriram” as favelas.
O Santa Marta, primeira favela a ter uma UPP ao longo dos seus quase 80 anos, sempre recebeu, na
maioria das vezes de forma discreta, visitantes estrangeiros. E, em alguns casos, ilustres: Rainha
Elizabeth, Senador Kennedy, Gilberto Gil. Até mesmo Michael Jackson, quando gravou seu clipe na
favela, não permitiu a presença da mídia. A partir de 2008, iniciou-se a era das celebridades e a exposição
da favela para o mundo.
Algumas perguntas, porém, precisam ser feitas e respondidas no momento em que o poder público pensa
em investir nesse filão: o que é uma favela preparada para receber turistas? Que “maquiagem” precisa ser
feita para que o turista se sinta bem? Que produtos os turistas querem encontrar ali? O comércio local
deve adaptar-se aos turistas ou servir aos moradores? Se o Morro não é uma propriedade particular, se
não tem um dono, todo e cada morador tem o direito de opinar sobre o que está se passando com o seu
lugar de moradia.
Essas e outras questões devem pautar o debate entre moradores e gestores públicos sobre o turismo nas
favelas pacificadas. Se os moradores não se organizarem e se não assumirem o protagonismo das ações de
turismo e de entretenimento no Santa Marta, vamos assistir aos nativos — os de dentro — servindo de
testa de ferro para empreendimentos e iniciativas dos de fora, às custas de uma identidade local que aos
poucos vai perdendo suas características.
Tomar os princípios do turismo comunitário — integridade das identidades locais, protagonismo e
autonomia dos moradores — talvez ajude-nos a encontrar estratégias para receber os de fora sem
sucumbir às regras violentas de um turismo mercadológico.
Itamar Silva é Presidente do Grupo Eco — Santa Marta e diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).
Adaptado de: Jornal O Dia. 
O texto é predominantemente argumentativo. Isso significa que seu enunciador sustenta uma tese, ou seja,
um ponto de vista específico a respeito do tema desenvolvido. A alternativa que melhor sintetiza a tese
central desse texto é: 

A o turismo na favela deve ser praticado de maneira favorável aos moradores.   


.

B. as Unidades de Polícia Pacificadora não trazem ganhos reais para as comunidades.   

C. a preservação da identidade local é imprescindível para o turismo nas favelas.  

D o que é uma favela preparada para receber turistas?


.
E. a pacificação de algumas favelas incrementou o turismo nessas regiões.   

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PERGUNTA 3
1.       Em tempos de globalização de mercados, os países desenvolvidos passam por um processo
perverso: o crescimento de uma riqueza é acompanhado por uma diminuição no nível de emprego.
Atribui-se o encolhimento do mercado de trabalho à escalada dos padrões de qualidade e produtividade
das empresas.
     A revolução tecnológica é um processo sem volta. A cada inovação, levas de trabalhadores vão sendo
privadas do relacionamento diário com o relógio de ponto.
     Estudo do Ipea registra algo de que já se suspeitava: a modernização do modelo produtivo, fenômeno
recente entre nós, assusta também o trabalhador brasileiro.
     A exemplo do que ocorre no chamado Primeiro Mundo, a maior vítima do avanço tecnológico e
gerencial é a mão de obra menos qualificada. O novo mercado tende a desprezar o funcionário formado à
moda antiga, adestrado para executar tarefas específicas.
     Na economia emergente são valorizados trabalhadores de formação educacional mais densa, pessoas
com maior capacidade de raciocínio. "De maneira crescente é exigido menor grau de habilidades
manipulativas e maior grau de abstração no desempenho do trabalho produtivo", diz o estudo do Ipea.
"Torna-se importante o desenvolvimento da capacidade de adquirir e processar intelectualmente novas
informações, de superar hábitos tradicionais, de gerenciar-se" a si próprio.
     No contexto desse novo modelo, o grau de instrução do trabalhador passa a ser sua principal
ferramenta. Os números disponíveis no Brasil a esse respeito são desoladores. Conforme pesquisa
nacional feita pelo IBGE em 90, cerca de 33 milhões de trabalhadores brasileiros (53% do mercado de
trabalho) tinham no máximo cinco anos de estudo.
     A experiência mundial, ainda de acordo com o trabalho do Ipea, indica que são necessários pelo menos
oito anos de estudos para que uma pessoa esteja em condições de receber treinamentos específicos.
     O maior desafio do Brasil de hoje é, portanto, educar sua gente. Destruído como está, o conserto do
modelo educacional do país é tarefa para duas décadas. Até lá, 30a horda de marginalizados vai inchar.
Josias de Souza. Folha de S. Paulo, 20 out. 1995.
 
 O texto "A nova (des)ordem":

A caracteriza-se como um relato pessoal haja vista que aborda um episódio marcante da vida do
. autor.  

B. foi reproduzido com o intuito de abordar, de forma artística, fatos do cotidiano.  


C. traz em sua estrutura-padrão elementos próprios da notícia.  

D apresenta versões e opiniões diferentes sobre um mesmo fato.  


.

E. apresenta características de um texto argumentativo.  

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PERGUNTA 4
1.
 
O cartaz aborda a questão do aquecimento global. A relação entre os recursos verbais e não verbais nessa
propaganda revela que
 

A o descongelamento das calotas polares diminui a quantidade de água doce potável do mundo.  
.

B. a agressão ao planeta é dependente da posição assumida pelo homem frente aos problemas
ambientais.  
C. a acomodação da topografia terrestre desencadeia o natural degelo das calotas polares.  

D a preservação da vida na Terra depende de ações de dessalinização da água marinha.  


.

E. o discurso ambientalista propõe formas radicais de resolver os problemas climáticos.  

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PERGUNTA 5
1. Analise a construção do seguinte texto:
 
Discutimos os principais problemas que fazem com que um texto científico não seja encontrado, lido ou
aceito pelos leitores. Um texto científico é considerado um argumento lógico. Portanto, métodos,
resultados e dados da literatura são considerados premissas que suportam as conclusões do trabalho; e na
sessão "Introdução", as justificativas corroboram o objetivo do estudo. Esta concepção torna o texto uma
estrutura hermeticamente coerente onde somente dados necessários devem ser incluídos (algumas
controvérsias são pertinentes). Num segundo passo, mostramos equívocos formais na redação científica,
os quais tornam os textos menos atrativos. Assim, damos exemplos de erros e inadequações formais na
apresentação de títulos, resumos, resultados (figuras e tabelas) e erros gramaticais em português (também
válidos para a gramática inglesa). Posteriormente, enfatizamos a necessidade para redações em língua
internacional (inglês) e publicação em periódicos com impacto na comunidade científica internacional.
Finalmente, consideramos aspectos para melhora dos periódicos brasileiros na área biológica.
 
Descritores: Divulgação científica; Publicação; Redação; Ciência.
VOLPATO, Gilson Luiz. FREITAS, Eliane Gonçalves de. Desafios na publicação científica. Pesquisa
Odontológica Brasileira v. 17, São Paulo, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1517-74912003000500008.
 
Considerando as características necessárias para a adequada elaboração de um resumo,
assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas proposições a seguir.
 
(    ) Repetir as ideias sintetizadas pelo autor.
(    ) Respeitar a ordem dos fatos e ideias apresentados.
(    ) Apresentar de forma sucinta e objetiva o assunto do texto.
(    ) Copiar o conteúdo apresentado no texto, de forma concisa.
(    ) Optar por expressões curtas, empregando uma linguagem clara e objetiva.
 
A sequência correta, de cima para baixo, é:
A. F – F – F – V – F 
B. V– F – V – V – F
C. F – V – V – F – V
D. V – V – V – V – V
E. V– F – V – F – V

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PERGUNTA 6
1. Leia o texto abaixo e responda a questão proposta.

Todos os diversos campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem. Compreende-se
perfeitamente que o caráter e as formas desse uso sejam tão multiformes quanto os campos da atividade
humana, o que, é claro, não contradiz a unidade nacional de uma língua. O emprego da língua efetua-se
em forma de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou
daquele campo da atividade humana. Esses enunciados refletem as condições específicas e as finalidades
de cada referido campo não só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela 
seleção dos recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua mas, acima de tudo, por sua
construção composicional. Todos esses três elementos – o conteúdo temático, o estilo, a construção
composicional – estão indissoluvelmente ligados no todo do enunciado e são igualmente determinados
pela especificidade de um determinado campo da comunicação. Evidentemente, cada enunciado particular
é individual, mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de
enunciados, os quais denominamos gêneros do discurso (BAKHTIN, 2011).
 
Considerando as características de um gênero discursivo, assinale a alternativa correta.
A Os gêneros discursivos são definidos pela fixação dos enunciados escritos e orais e pelo emprego
. de recursos linguísticos específicos.
B. As ocorrências particulares e específicas, dependendo da esfera de comunicação a que pertencem
os falantes, caracterizam os gêneros discursivos.
C. As principais características de um gênero discursivo são o tema, o modo de composição e os
usos de linguagem relacionados às finalidades de cada campo de atividade humana.
D As características dos gêneros discursivos fundamentam-se na irregularidade do emprego de
. enunciados escritos e orais em determinados campos de atividade verbal.
E. Os gêneros discursivos caracterizam-se pelos enunciados escritos que dão materialidade à
oralidade, dependendo da esfera de comunicação.

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PERGUNTA 7
1. Era digital desafia exercício profissional
 
“A medicina não sobreviverá ao velho método do médico de família, mas terá que se adaptar”. A
afirmação é do desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Diaulas
Costa Ribeiro, proferida durante a mesa-redonda “Panorama atual das mídias sociais e aplicativos na
medicina contemporânea”. Para ele, as novas tecnologias trazem desafi os que precisam ser colocados em
perspectiva para garantir a ética e o sigilo.
“Possivelmente vamos chegar a uma medicina sem gosto, distanciada, mas que também funciona. Talvez
este não seja o fim, mas um recomeço”, ponderou Ribeiro. Segundo ele, antes de gerar um novo modelo
de atendimento médico, o “dr. Google” – termo que utilizou para indicar as buscas por informações
médicas na internet – gerou um novo tipo de paciente, que passou a conhecer mais sobre as doenças e, por
isso, exige um novo relacionamento com seu médico.
O desembargador ainda reforçou a necessidade de se rediscutir questões como o uso da internet nessa
relação médico-paciente e a segurança do sigilo médico neste cenário. “Precisamos refletir sobre algumas
questões importantes. Quem guardará o sigilo? Ou não haverá sigilo? O sigilo médico será mantido ou
valerá o direito público à informação? Os conflitos serão reinventados ou serão os mesmos? A solução
para os problemas será a de sempre?”, indagou.
Ética – Na perspectiva do médico legista e professor da Universidade de Brasília (UnB), Malthus Galvão,
embora acredite que algumas mudanças serão inevitáveis e necessárias, é preciso defender os princípios
fundamentais instituídos pelo Código de ética médica (CEM).
“As novas mídias devem ser entendidas como um sistema de interação social, de compartilhamento e
criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos e não podemos perder essa oportunidade”,
destacou. Ele lembra, por exemplo, que desde a Resolução CFM 1.643/2002, que define e disciplina a
prestação de serviços através da telemedicina, alguns avanços colaborativos já foram possíveis.
Galvão apresentou ainda preceitos da Resolução CFM 1.974/2011 e também da Lei do Ato Médico
(12.842/2013), chamando a atenção para alguns cuidados que o médico deve ter ao divulgar conteúdo de
forma sensacionalista. “Segundo o CEM, é vedada a divulgação de informação sobre assunto médico de
forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico. A internet deve ser usada como um
instrumento de promoção da saúde e orientação à população”, reforçou.
Editorial do Jornal Medicina – Publicação oficial do Conselho Federal de Medicina (CFM). Brasília, jul.
2017, p. 7.

Para defender seu ponto de vista, ainda na matéria do CFM, Malthus Galvão se sustenta em argumentos

A. do senso comum.  

B. do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.  

C. de autoridade.  

D. raciocínio lógico.
E. formulados com perguntas retóricas.  

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PERGUNTA 8
1. Fragmento de um livro do conhecido diretor dramático e teórico da dramaturgia Martin Esslin
(1918-2002):
 
Mas a diferença mais essencial entre o palco e os três veículos de natureza mecânica reside em outro
ponto: a câmera e o microfone são extensões do diretor, de seus olhos e ouvidos, permitindo-lhe escolher
seu ponto de vista (ou seu ângulo de audição) e transportar para eles a plateia por meio de variações de
planos, que podem englobar toda uma cena ou fechar-se sobre um único ponto, ou cortando, segundo sua
vontade, de um local para outro. Se um personagem está olhando para a mão de outro, o diretor pode
forçar o público a olhá-la também, cortando para um close-up da mesma. Nos veículos mecânicos, o
poder do diretor sobre o ponto de vista da plateia é total. No palco, onde a moldura que encerra o quadro é
sempre a mesma, cada integrante individual da plateia tem a liberdade de olhar para aquela mão, ou para
qualquer outro lugar; na verdade, no teatro cada membro da plateia escolhe seus próprios ângulos de
câmera e, desse modo, executa pessoalmente o trabalho que o diretor avoca para si no cinema e na
televisão bem como, mutatis mutandis, no rádio. Essa diferença, ainda uma vez, oferece ao teatro
vantagens e desvantagens. No palco, o diretor pode não conseguir focalizar a atenção da plateia na ação
que deseja sublinhar; no cinema isso jamais pode acontecer. Por outro lado, a complexa e sutil
orquestração de uma cena que envolve muitos personagens (uma característica de Tchekov no teatro)
torna-se incomparavelmente mais difícil no cinema e na televisão. A sensação de complexidade, de que
há mais coisas acontecendo naquele momento do que pode ser apreendido com um único olhar, a riqueza
de um intrincado contraponto de contrastes humanos será inevitavelmente reduzida em um veículo que
nitidamente guia o olho do espectador, ao invés de permitir que ele caminhe livremente pela cena.
(Martin Esslin. Uma anatomia do drama. Tradução de Barbara Heliodora. Rio de Janeiro: Zahar Editores,
1978.)
 
 Assinale a alternativa cujo enunciado não contraria a argumentação apresentada no fragmento de texto
de Martin Esslin.
A O fato de a arte teatral ser apresentada no palco ante os espectadores a torna inferior em termos
. de comunicação às demais artes.  

B. Um diretor cinematográfico tem maior poder e competência que um diretor teatral.  

C. As diferenças de recursos técnicos específicos e de forma de apresentação podem implicar


vantagens ou desvantagens ao teatro em relação ao cinema.  
D Tudo o que passa na televisão não constitui arte, pois se trata de um veículo de comunicação de
. massa.  

E. Os recursos tecnológicos do cinema permitem-lhe ser uma arte mais completa e perfeita que as
demais.