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Filipe A. R. Gaspar http://resumosdosecundario.blogspot.

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Geografia A
2 – Os recursos naturais de que a população dispõe:
usos, limites e potencialidades
2.3 – Os recursos hídricos
2.3.1 – A circulação geral da atmosfera
2.3.1.1 – Centros de baixas e altas pressões
 Centros de baixas pressões ou
depressões barométricas – o ar sobe e
arrefece; o arrefecimento provoca a
condensação do vapor de água, o que
formam nuvens que podem originar
precipitação;
 Centros de altas pressões ou
anticiclones – o ar desce e aquece, não
se dando a condensação do vapor de
água; assim, há céu limpo e tempo
seco.

2.3.2 – O clima em Portugal


Em Portugal, predominam as características do clima temperado mediterrânico,
embora hajam diferenças regionais.

2.3.2.1 – Principais fatores


Posição em latitude
À escala planetária, o clima português é dominado pela conjugação de várias
influências:

 no inverno, as baixas pressões subpolares, com nuvens e mais precipitação e as


massas de ar frio polar associadas;
 no verão, as altas pressões subtropicais, originando céu limpo e tempo seco, e as
massas de ar quente tropical associadas;
 durante todo o ano, faz-se sentir a influência dos ventos de oeste.

Posição regional
Numa escala local:

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 o relevo influencia a variação da temperatura e da precipitação pelos efeitos da


altitude, orientação e exposição das vertentes;
 as atividades humanas, como mudanças no uso do solo e a construção de cidades,
origina modificações na temperatura.
Numa escala regional:

 a Península Ibérica determina a redução da influência marítima para o interior –


continentalidade;
 a proximidade do oceano Atlântico determina a influência de massas de ar
marítimo que amenizam as temperaturas e aumentam a humidade do ar;
 a proximidade do continente africano leva à influência de massas de ar quente e
seco.

2.3.2.2 – Precipitação
A formação de frentes e sua influência no estado do tempo
A frente polar do hemisfério norte
Quando se encontram duas massas de ar
de características diferentes que se
deslocam em sentidos opostos e
convergentes, forma-se uma superfície
frontal – área de contacto entre duas
massas de ar. À interseção da superfície
frontal com a superfície terrestre chama-
se frente.

 Numa frente quente, é o ar quente


que avança, sobrepondo-se,
gradualmente, ao ar frio;
 Numa frente fria, é o ar frio que
avança, introduzindo-se como uma
cunha por baixo do ar quente,
obrigando-o a subir.
À passagem de uma frente associa-se a
ocorrência de precipitação.
As frentes polares (convergência das
massas de ar quente tropical com as de
ar frio polar) formam-se da seguinte
forma:

 O ar tropical desloca-se de oeste para este,


paralelamente ao ar polar que se desloca em
sentido inverso. A interpenetração das duas
massas de ar ainda é fraca – frente estacionária;

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 O ar quente tropical penetra cada vez mais para


norte e o ar frio polar avança cada vez mais para
sul, criando-se uma superfície frontal cada vez

mais ondulada;
 Surge, assim, uma sucessão de
frentes frias e quentes – sistema
frontal.

Perturbações frontais
Uma perturbação frontal é o conjunto formado pela associação de uma frente fria,
uma frente quente e uma depressão barométrica (baixa pressão). Ela é constituída por
um setor de ar tropical quente, entre dois setores de ar polar frio (anterior e
posterior), verificando-se uma dupla ascensão do ar – na frente fria, por efeito da
interposição do ar frio por baixo do ar quente; na frente quente, por sobreposição do
ar quente ao ar frio.

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Plano horizontal Plano vertical


As duas frentes avançam a velocidades diferentes, o que influencia a evolução da
perturbação frontal.

A frente fria progride mais rapidamente do que a frente quente, pois, o ar frio, ao
penetrar sob o ar quente, obriga-o a subir mais depressa do que na frente quente.
Assim, a frente fria acaba por alcançar a quente e o ar frio posterior junta-se ao
anterior, obrigando todo o ar quente a subir. Forma-se, então, uma frente oclusa –
frente resultante da junção da frente fria com a frente quente.

Tipos de precipitação mais frequente


Precipitações frontais
Formam-se pela ascensão do ar quente numa superfície frontal.
A superfície frontal fria apresenta maior
declive, pois o ar frio, ao introduzir-se por
baixo do ar quente, provoca a sua ascensão
de forma rápida e violenta, formando-se
nuvens de grande desenvolvimento
vertical. Nas frentes frias, as precipitações
são mais intensas, de tipo aguaceiro.
A superfície frontal quente é mais extensa e
apresenta menor declive, pois o ar quente
desliza sobre o frio, subindo mais
lentamente e originando nuvens de
desenvolvimento horizontal. Nas frentes
quentes, as precipitações são menos
intensas, mas contínuas e de maior
duração.

Precipitações convectivas

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A superfície terrestre, ao estar quente, aquece o ar, que sobe e forma baixas pressões.
As nuvens originadas são, geralmente, de grande desenvolvimento vertical, que
originam precipitações abundantes e de curta duração (aguaceiros), por vezes
acompanhadas de trovoada e granizo.

Precipitações orográficas
As vertentes das montanhas obrigam o ar a subir, desencadeando o processo de
arrefecimento que, por sua vez, conduz à
condensação do vapor de água, formando-
se nuvens e, a partir destas, precipitação.

Ritmos e distribuição da precipitação


em Portugal
Em Portugal, a precipitação é irregular de
ano para ano, e de região para região:

 A precipitação diminui de norte para


sul (pois o norte é mais afetado pela perturbação da frente polar) e do litoral para
o interior (a proximidade ao mar aumenta a humidade);
 Nas áreas mais elevadas do noroeste e do centro ocorrem muitas precipitações
orográficas;
 No interior norte, a precipitação é mais reduzida devido à proteção do sistema
montanhoso do noroeste (barreira aos ventos húmidos do Atlântico);
 A disposição da Cordilheira Central permite a penetração dos ventos húmidos de
oeste, pelo que aí o contraste litoral-interior é menor;
 A serra algarvia é a zona com maior precipitação no sul do país;
 Nas Regiões Autónomas, a precipitação é maior nas zonas altas e nas vertentes
expostas a ventos húmidos.

2.3.2.3 – Diferenciação regional


Estados do tempo mais frequentes em Portugal
Inverno
 Bom tempo e geada; Influência dos anticiclones formados
 Temperaturas baixas. sobre a Europa ou a Península Ibérica.
 Céu muito nublado e chuvas
frontais; Influência das baixas pressões
subpolares que, no inverno, se
 Temperaturas relativamente baixas.
deslocam para sul.

Verão
Influência das altas pressões
 Bom tempo;
subtropicais, sobretudo o anticiclone
dos Açores.
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 Temperaturas altas.
 Céu nublado e chuvas convectivas
com trovoada/ granizo; Influência das baixas pressões de
origem térmica formadas sobre a
 Temperaturas relativamente altas.
Europa ou sobre a Península Ibérica.
Estações intermédias
 Temperaturas altas e precipitação relativamente
abundantes (devido à elevada evaporação);
 Chuvas frontais (influência das depressões Outono
subpolares e das perturbações da frente polar;
 Bom tempo e temperaturas altas (influência
Primavera
das altas pressões subtropicais, sobretudo o
anticiclone dos Açores).

Diversidade climática em Portugal


Continente
Norte Litoral Norte Interior Sul do país
Influência Atlântica Continental Clima mediterrânico
Maiores no verão e Suaves no inverno e
Temp. médias Amenas
menores no inverno elevadas no verão
AVTA Reduzida Acentuada Moderada
Elevada, maior no outono Fraca, sobretudo no
Precip. Anual Relativamente fraca
e inverno interior alentejano
Meses secos Pelo menos dois Três a cinco Quatro a seis
No norte interior, destaca-se o vale superior do Douro, com maior secura e
temperaturas médias anuais mais altas, pois além de não receber influência dos ventos
húmidos do Atlântico, está exposto aos ventos secos de leste.
No sul do país, existem diferenciações importantes:

 litoral ocidental – como a influência atlântica é maior, as temperaturas médias são


mais amenas e existe maior humidade;
 interior alentejano – esta região tem uma maior AVTA e uma menor precipitação,
o que a torna muito vulnerável à ocorrência de secas;
 litoral algarvio – por ser sujeito a influências tropicais, tem invernos mais suaves e
verões quentes e prolongados.
Nas áreas montanhosas, a influência da altitude torna o inverno mais rigoroso e o
verão mais fresco e húmido, registando-se valores de precipitação mais elevados. No
inverno, é frequente nevar nas terras mais altas do centro e norte do país.

Regiões Autónomas
Nos Açores, a maior influência do oceano faz com que esta região apresente
características mais próximas das do clima temperado marítimo:

 temperaturas médias mensais amenas;

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 AVTA moderada ou fraca;


 precipitação abundante, sobretudo no outono e no inverno;
 estação seca nunca superior a dois meses e só nas ilhas mais orientais.
Na Madeira, o clima é predominantemente mediterrânico.

 Vertente norte – os ventos húmidos do Atlântico tornam a precipitação mais


elevada;
 Vertente sul – por ser mais abrigada e exposta a ventos provenientes do norte de
África, é mais quente e seca.
Na ilha de Porto Santo, as temperaturas são mais elevadas, a precipitação é fraca e a
estação seca é mais prolongada.

Período seco estival


É provocado pela irregularidade na distribuição anual da precipitação e tem uma
grande influência nas reservas hídricas, tanto superficiais, como subterrâneas.

2.3.3 – As disponibilidades hídricas


2.3.3.1 – Precipitação: fator condicionante
As disponibilidades hídricas – quantidade de água disponível – dependem,
essencialmente:

 do volume da precipitação;
 da sua distribuição ao longo do ano (maior no
inverno – o que pode provocar cheias – menor
no verão – o que pode provocar secas que
coincidem com a época de maior consumo).
Os recursos hídricos podem ser:

 superficiais – rios, lagos, lagoas e albufeiras;


 subterrâneos – nascentes, lençóis de água e
aquíferos que se encontram até 800 metros de
profundidade.

2.3.3.2 – As águas superficiais


A rede hidrográfica
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Uma rede hidrográfica é um conjunto formado pelo rio principal e seus tributários
(afluentes e subafluentes).
Os principais rios portugueses são:

 internacionais – Minho, Lima Douro, Tejo e Guadiana;


 exclusivamente nacionais – Cávado, Ave, Vouga, Mondego e Sado.
A maioria escoa no sentido nordeste-sudoeste, mas outros não, como o Guadiana
(norte-sul) e o Sado (sul-norte).
Na região norte, a rede hidrográfica é mais densa em relevo mais acidentado. Os rios
apresentam menor declive ao longo do seu percurso e escoam em vales mais
profundos. Os rios são mais caudalosos devido à maior precipitação.
Na região sul, a rede hidrográfica é menos densa em relevo mais aplanado. Os
percursos têm menor declive e os rios escoam em vales mais largos. Os rios são menos
caudalosos devido à menor precipitação.

Perfil transversal dos rios


 Curso superior – vale mais estreito e profundo;
 Curso médio – alarga-se e torna-se menos profundo;
 Curso aberto – vale aberto, geralmente em planície.
Perfil longitudinal dos rios
 A norte do Tejo (relevo mais acidentado) – mais irregular;
 A sul (relevo aplanado) – mais regular;
 Regiões Autónomas (relevo acidentado) – declive acentuado.

As principais bacias hidrográficas


As bacias hidrográficas são superfícies onde todas as águas escoam numa sequência
de ribeiros, rios, lagos e lagoas, desembocando numa única foz.
As bacias hidrográficas portuguesas são:

 luso-espanholas – Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana;


 exclusivamente portuguesas – Cávado, Ave/ Leça, Vouga, Mondego, Lis, Ribeiras
do Oeste, Sado, Mira e Ribeiras do Algarve.
O escoamento anual médio – parte da água da precipitação que, em média, escorre à
superfície ou em canais subterrâneos – é maior no norte e menor no sul do país (pois
a precipitação é maior no norte).
No balanço hídrico – distribuição da precipitação pela evapotranspiração e pelo
escoamento superficial e subterrâneo – o escoamento corresponde a cerca de um
terço da precipitação que ocorre sobre o território continental.

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Variação do caudal dos rios


A acentuada variação da precipitação e do escoamento influencia o caudal dos rios –
volume de água que passa numa dada secção de um rio, por unidade de tempo (m 3/ s).
Em Portugal, o regime dos rios (variação do caudal ao longo do ano) caracteriza-se por
uma grande irregularidade sazonal – no inverno, o caudal é maior pois há mais
precipitação, e no verão, o caudal é menor pois há menos precipitação e mais meses
secos – e espacial:

 no norte, os caudais são maiores devido à maior precipitação, as cheias são


frequentes no inverno, e o caudal reduz em dois a três meses de estiagem no
verão;
 no sul, os caudais são menores devido à menor precipitação e ao maior nº de
meses secos, há uma menor frequência de cheias no inverno, que são mais
torrenciais, e no verão, a redução de caudais pode chegar a seis meses de
estiagem ou secas;
 nas Regiões Autónomas, tem-se um regime irregular torrencial.
A ação humana pode influenciar o regime dos rios (como acontece com a construção
de barragens, que contribui para regularizar os caudais). Esta, nas bacias hidrográficas,
pode agravar o efeito das cheias:

 pela obstrução das linhas de água;


 com a ocupação de leitos de cheia;
 devido à impermeabilização dos solos
 a desflorestação contribui para o assoreamento dos rios.

Lagos, lagoas e albufeiras


Os lagos e lagoas (os lagos são maiores e as lagoas menores) constituem importantes
reservatórios de água doce, embora, em alguns casos, a água seja salobra. Em Portugal
não existem lagos, mas, tendo em conta o processo de formação, existem vários tipos
de lagoas:
Lagoas de origem marinha e fluvial
 Localizam-se na faixa costeira;
 São numerosas e de pequena profundidade;
 As mais importantes são as de Óbidos, Pateira de Fermentelos, Santo André e
Albufeira.
Lagoas de origem glaciária
 Localizam-se nas áreas mais elevadas da serra da Estrela;
 São pouco numerosas;
 A mais importante é a Lagoa Comprida.
Lagoas de origem tectónica
 Localizam-se, na sua maioria, no Maciço Calcário Estremenho;

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 São pouco numerosas;


 As mais importantes são as de Mira, Minde e Arrimal.
Lagoas de origem vulcânica
 Localizam-se nos Açores, em depressões resultantes do abatimento de antigas
crateras;
 São numerosas;
 As maiores são as de Sete Cidades, Furnas e Fogo.
As albufeiras são reservatórios construídos para a acumulação de água que se
destinam ao abastecimento da população e das atividades económicas, mesmo em
épocas de seca.
Em Portugal Continental, a distribuição geográfica do relevo e as características da
rede hidrográfica explicam a existência de maior número de barragens nas regiões
Norte e Centro, que armazenam água e são centrais de produção de eletricidade.
No Sul, as albufeiras têm contribuído para melhorar a gestão da água no que se refere
às reservas para usos doméstico e agrícola, embora também existam importantes
centrais de produção de eletricidade, como é o caso da barragem do Alqueva. No
Algarve, as albufeiras têm apenas a função de armazenamento de água para a
agricultura e para o abastecimento das populações.

2.3.3.3 – As águas subterrâneas


Os aquíferos
Uma parte da água da precipitação infiltra-se nos solos, alimentando as reservas de
água subterrânea – água que circula ou se acumula no subsolo, a maior ou menor
profundidade. Assim a precipitação é a principal fonte de abastecimento das toalhas
freáticas – lençóis de água subterrânea que circulam ou se acumulam em aquíferos
(formações geológicas permeáveis cujo limite inferior e, por vezes, também o superior,
é constituído por rochas impermeáveis).
A maior ou menor permeabilidade das rochas condiciona a infiltração da água e a sua
acumulação subterrânea:
 as formações rochosas de xisto, granito e basalto (predominantes no Maciço
Hespérico) são pouco permeáveis e dificultam a infiltração da água e a formação
de aquíferos importantes;
 as rochas sedimentares de origem detrítica, como os arenitos e as areias
(predominantes nas orlas sedimentares ocidental e meridional e nas bacias
sedimentares do Tejo e Sado) são bastante permeáveis, permitindo a infiltração
da água e a formação de aquíferos;
 as rochas sedimentares de natureza calcária ou cársica (predominantes nas orlas
sedimentares ocidental e meridional) têm calcite na sua composição, substância
que se dissolve na água por ação do ácido carbónico, provocando a abertura de
fendas e fissuras por onde a água se infiltra. Origina-se, assim, um sistema de
escoamento subterrâneo denominado toalha cársica – toalha freática em áreas de
formações geológicas de natureza calcária.

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As características dos aquíferos refletem-se na produtividade aquífera – quantidade


de água que é possível extrair continuamente de um aquífero, em condições normais,
sem afetar a reserva e a qualidade da água.
Em Portugal existem quatro unidades hidrogeológicas cujas características geológicas
influenciam as disponibilidades hídricas, que são maiores onde as formações rochosas
são mais
permeáveis
e porosas.

A
utilização
das águas subterrâneas
Os aquíferos apresentam vantagens relativamente aos reservatórios superficiais, pois:
 não exigem especiais tratamentos da água;
 não há perdas por evaporação;
 a sua dimensão não se reduz por efeito da deposição de sedimentos;
 não exigem custos de conservação.
Em Portugal Continental tem-se registado uma diminuição progressiva da captação de
água subterrânea para abastecimento público o que está associado à criação de
albufeiras pela construção de mais barragens.
A manutenção das reservas e da qualidade da água dos aquíferos depende das
recargas naturais – água infiltrada que, escoando verticalmente, atinge a superfície
freática – e da intensidade da exploração e dos cuidados com a sua preservação.
A vulnerabilidade dos aquíferos à contaminação é tanto maior quanto maior for a
permeabilidade das formações rochosas. A localização dos aquíferos mais vulneráveis
em áreas densamente povoadas ou de agricultura intensiva acentua os riscos de
deterioração. Quando os aquíferos são explorados acima da sua capacidade de
renovação, a deterioração pode ser irreversível.

Águas minerais e termais


A composição química das águas subterrâneas varia com as características geológicas
das áreas que percorrem, podendo encontrar-se águas com qualidades minerais
específicas – as águas minerais.

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Algumas águas subterrâneas, além do teor em sais minerais, contêm gás carbónico e
são mais quentes – águas termais. A exploração destas águas é feita com fins
medicinais e turísticos (turismo termal).

2.3.4 – A gestão da água


2.3.4.1 – Principais problemas
Poluição
 Efluentes domésticos – têm uma grande componente orgânica e uma quantidade
e variedade elevadas de bactérias e vírus, e, por isso, são uma das maiores fontes
de poluição;
 Efluentes industriais – as águas utilizadas no processo produtivo ou para lavagens
e arrefecimento são contaminadas com os mais diversos produtos químicos e com
elevadas cargas tóxicas e teores em metais pesados, como o mercúrio;
 Efluentes de origem pecuária – a sua composição e efeitos são semelhantes aos
dos efluentes domésticos, mas uma exploração pecuária pode produzir uma
quantidade de resíduos equivalente à de povoações de média dimensão;
 Químicos agrícolas – os fertilizantes, inseticidas e herbicidas contaminam as
toalhas freáticas, ao infiltrarem-se no solo, e os cursos de água, ao escorrem à
superfície.

Salinização, desflorestação e eutrofização


 Salinização – associado à sobre-exploração dos aquíferos, trata-se de um processo
que permite a intrusão de água salgada nas regiões próximas do litoral;
 Desflorestação – como deixa o solo desprotegido, a água da chuva escorre e não
se infiltra, comprometendo a recarga dos aquíferos; o maior volume de lamas
arrastadas pela água da chuva pode provocar o assoreamento dos cursos de água;
 Eutrofização – resulta do crescimento excessivo de algas e de outras espécies
vegetais que consomem o oxigénio das águas, acabando por provocar a extinção
da fauna aquática, consequência do lançamento de efluentes com elevada
concentração de detritos orgânicos e de fosfatos e nitratos que servem de
nutrientes às plantas.

Irregularidade no abastecimento e consumo de água


O abastecimento de água à população tem tido uma evolução positiva, contudo,
verificam-se ainda algumas assimetrias regionais:
 Nas áreas rurais, os custos médios por habitante da instalação de redes de
abastecimento são mais elevados, tornando mais difícil a construção de
infraestruturas;
 Em áreas já servidas pela rede, sobretudo no norte, evidencia-se também alguma
resistência das populações ao abastecimento público, por este representar uma
alteração nos seus hábitos e um acréscimo na despesa familiar.

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Subsistem, assim, algumas regiões com uma parte relevante da população a ser
abastecida de água através de sistemas precários como nascentes, furos e poços.

2.3.4.2 – Possíveis soluções


Sistemas de abastecimento e controlo da qualidade da água
São numerosas e diversificadas as entidades gestoras dos serviços de abastecimento
de água, com diferentes modelos de gestão, organização administrativa e capacitação
técnica e com níveis de prestação de serviços distintos, o que põe em causa a
eficiência e sustentabilidade financeira dessas empresas, o cumprimento dos
normativos legais, a qualidade do serviço prestado e uma desigualdade regional nos
preços ao consumidor.
Os sistemas de abastecimento agrupam-se em:
 sistemas em «alta», que respeitam à captação, tratamento, adução, elevação e
reserva da água;
 sistemas em «baixa», responsáveis pela distribuição, os respetivos ramais de
ligação e reservatórios de entrega.
Os sistemas de controlo da qualidade da água têm evoluído no sentido de um maior
cumprimento das normas legalmente fixadas para a água destinada a consumo
humano. A percentagem de água controlada considerada segura aumentou,
verificando-se uma significativa melhoria da qualidade.

Armazenamento de água
A construção de infraestruturas de armazenamento de água, em Portugal, é
importante devido à grande irregularidade da distribuição intra e interanual da
precipitação e, consequentemente, das afluências à rede hidrográfica e aquíferos,
situação que se agrava pelo facto de existir um desfasamento temporal entre as
épocas de maior disponibilidade de água e as de maior necessidade. Neste aspeto
tem havido uma evolução no sentido de se conseguir uma reserva de água cada vez
maior.
A construção de grandes barragens onde as disponibilidades hídricas são menores,
como no Alentejo, torna-se um fator de mudança importantíssimo, principalmente
para o espaço rural. A maior disponibilidade de água aumenta muito o potencial
agrícola da região e contribuiu para a prática de atividades de turismo e lazer, com a
consequente dinâmica económica e social que vai contribuir para o desenvolvimento
da região.
As barragens permitem os transvases – transferência de reservas hídricas entre
diferentes bacias hidrográficas. Assim, é possível fazer uma redistribuição espacial da
água.

Tratar e preservar os recursos hídricos


As redes de drenagem e de tratamento das águas residuais são infraestruturas
fundamentais para cumprir os objetivos de proteção dos meios hídricos.

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Além do alargamento das redes de drenagem e tratamento de águas residuais,


outras medidas podem contribuir para a preservação dos recursos hídricos:
 regulamentação, fiscalização e criminalização do lançamento de efluentes
poluidores nos cursos de águas;
 melhoramento das práticas agrícolas de modo a privilegiar as mais amigas do
ambiente;
 criação de incentivos às empresas para a reconversão da tecnologia, de forma a
torná-la mais ecológica, e para implementação de medidas inovadoras na área da
preservação ambiental;
 aplicação do princípio «poluidor-pagador», com coimas progressivas, segundo a
gravidade dos danos;
 dinamização de campanhas de educação ambiental para a população em geral.

2.3.4.3 – Planeamento e gestão dos recursos hídricos


Planos e documentos orientadores
 Plano Nacional da Água (PNA);
 Planos de Gestão de Região Hidrográfica (PGRH);
 Planos de Gestão de Bacia Hidrográfica (PGBH);
 Planos de Ordenamento das Albufeiras de Águas Públicas (POAAP);
 Plano Estratégico de Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais
(PEAASAR);
 Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água (PNUEA);
 Planos de Ordenamento das Bacias Hidrográficas (POE);
 Lei da Água, que transpôs para a legislação nacional a Diretiva Quadro da Água,
normas comunitárias relativas à utilização, conservação e proteção dos recursos
hídricos.
Estes documentos definem princípios, metas e normas da Política Nacional da Água,
que tem por objetivos:
 um melhor conhecimento das disponibilidades e potencialidades hídricas;
 uma melhor distribuição e utilização da água;
 uma mais eficaz proteção, conservação e requalificação dos recursos hídricos;
 a definição de um quadro estável de relacionamento com Espanha face aos rios
internacionais;
 uma gestão dos recursos hídricos em articulação com os restantes setores de
ordenamento do território, nomeadamente o ambiente e a ocupação humana das
bacias hidrográficas.

Aumentar a eficiência no consumo da água


Apesar dos progressos registados, em todos setores há desperdícios de água, devido à
utilização de tecnologia deficiente ou desadequada, que provoca perdas ou utiliza mais
água do que a necessária e, ainda, por atitudes e comportamentos que geram gastos
de água desnecessários. As medidas propostas pelo PNUEA, visam racionalizar o
consumo de água, de modo a aumentar a eficiência da sua utilização, reduzir os

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riscos da sua irregularidade e contribuir para a sua preservação. Assim, é necessário


alterar comportamentos e rotinas.
Setor urbano
 Utilizar máquinas de lavar roupa/loiça com doseador de água consoante a carga;
 Criar hábitos pessoais que evitem desperdícios;
 Usar autoclismos com menor volume ou de dupla descarga;
 Manter os equipamentos em boas condições;
 Reutilizar a água depois de tratada, em autoclismos e na rega de jardins.
Setor agrícola
 Efetuar o transporte da água em condutas fechadas, para evitar a evaporação e
infiltração;
 Utilizar técnicas de rega que forneçam às plantas apenas a água necessária;
 Selecionar culturas bem adaptadas às características climáticas;
 Reutilizar a água tratada.
Setor industrial
 Utilizar tecnologias mais eficientes que evitem a perda de água durante o processo
de produção;
 Reutilizar a água (por exemplo, a água dos sistemas de refrigeração pode ser
usada para produzir eletricidade);
 Tratar as águas residuais para serem reutilizadas no processo produtivo.

Cooperação luso-espanhola
No caso da Península Ibérica, em que Portugal e Espanha partilham as bacias
hidrográficas de vários rios, foi assinada, em 1998, a Convenção sobre Cooperação
para Proteção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas
Luso-Espanholas (Convenção de Albufeira).
Para Portugal, a regulamentação e o cumprimento das normas comunitárias
relativamente à partilha de bacias hidrográficas internacionais e dos acordos
estabelecidos na Convenção de Albufeira assume maior importância, uma vez que é ao
território português que afluem as águas vindas de Espanha, podendo ocorrer
problemas como:
 a redução dos caudais em tempo de seca, pois a capacidade de armazenamento
das albufeiras espanholas é considerável;
 a poluição das águas espanholas que vem refletir-se em Portugal;
 a construção de novas barragens ou de transvases em Espanha, o que pode
reduzir os caudais;
 o agravamento de situações de cheias, quando as barragens espanholas fazem
descargas volumosas.

2.3.4.4 – Valorização dos recursos hídricos


Os recursos hídricos podem ser valorizados através de atividades relacionadas com a
utilização da água como meio de lazer e de criação de riqueza:

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 praias fluviais;
 navegação de lazer;
 culturas biogenéticas;
 extração de areias;
 espaços de recreio e lazer.

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