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FORMAÇÃO DE REDES COMUNITÁRIAS COMO UM

PROCESSO EDUCATIVO DE CIDADE: UM ESTUDO DA


PRODUÇÃO E DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO

ANDERSON KECH

Temática
Espaço, Tempo e Educação em pesquisa

Resumo
Se torna, no cenário atual, necessário compreender como se articulam as formas de
estudos urbanos, fora do contexto exclusivamente acadêmico, como agentes sociais e
políticos. As redes comunitárias são um exemplo de mobilização que gera estudos, a partir de
um grupo heterogêneo de pessoas, para transformações na comunidade.
Essa pesquisa objetivará a compreensão dos processos pedagógicos dentro das redes
comunitárias e de que forma elas se comunicam com demais cidades e poder público.

Palavras-chave: Redes comunitárias; Comunidade; Políticas públicas educacionais;


Planejamento urbano; Educação colaborativa.

Indicação de linha de pesquisa: Linha 1 — Políticas Educacionais

PROBLEMA E QUESTÕES DE PESQUISA


Com o processo de avanço tecnológico, tem-se criado e investido em novas formas
de comunicação, as quais alteram nosso modo de pensar, produzir, difundir e se apropriar
de conhecimento.
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“Estamos diante de novas mediações técnicas que transformam as relações


espaciais e sociais da educação. Quando a sociedade do conhecimento pede
mudanças e exige uma reflexão sobre as possibilidades de uma nova pedagogia, se
criam novas possibilidades de inclusão social sobre os processos espaciais.” (EGLER,
Tania Cohen, 2004, p. 104)

Os processos de produção de espaços (desenvolvimento urbano e geográfico) fazem


parte ora do senso comum – com participantes ativos da cidade em sua vivência – ora de
instituições científicas e políticas – como planejamento e produção e, quando em ambas,
geralmente de forma desarticulada.
Compreende-se que o conhecimento antecede a ação social, sendo necessário,
portanto, abrir canais de mediação entre as instituições para levar mais oportunidades a
população e possibilitar diálogos enriquecedores com diferentes perspectivas e abordagens.
Nesse sentindo, surgem as redes comunitárias, como um processo educativo e integrado de
cidade.

“As redes são um tipo novo de organização – diferentes das entidades e dos
movimentos sociais. Criadas para mobilizar e desencadear ações conjuntas com
objetivo de provocar transformações na sociedade, as redes sociais, podem ser
vistas como a síntese de um processo dialético: o salto qualitativo indicador de
expressiva mudança no cenário social.” (SCHLITHLER, Célia Regina Belizia, 2004, p.
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Nas redes de desenvolvimento comunitário, quem adere à iniciativa busca


conhecimento, apoio e fortalecimento por meio de troca e união, além de almejar
desenvolver ações conjuntas em favor da comunidade.
O desenvolvimento comunitário é a transformação social resultante do envolvimento
de pessoas que atuam diretamente para a efetivação das mudanças contribuindo na
formação de uma consciência coletiva de aprendizado a partir do contato com diferentes
pessoas unidas por um propósito em comum. Tal processo resulta das relações de
cooperação que os diferentes atores estabelecem e dos recursos que são colocados a
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serviço do bem comum pelas organizações que cada um representa. Por essa razão, a
intersetorialidade das redes de desenvolvimento comunitário é, estrategicamente, muito
importante.
Nesse contexto, é possível ainda reconhecer que:

“Instituições que financiam projetos comunitários começaram a admitir que o


investimento em organizações de base não é suficiente para provocar
desenvolvimento da comunidade se não houver articulação entre elas e com os
setores público e privado. É preciso gerar capital social” (SCHLITHLER, Célia Regina
Belizia, 2004, p. 15)

A oportunidade de aprender em grupo é muito positiva. O contato com diferentes


pessoas proporciona desenvolvimento porque cria espaço e tempo essenciais para o
fomento da aprendizagem, a partir de diferentes pontos de vista. A decisão de incentivar e
estabelecer a formação de uma rede comunitária está sempre associada à missão de
contribuir para o desenvolvimento comunitário.

OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL


Compreender como atuam as redes comunitárias, seus processos pedagógicos e de
que maneira seus dados são compartilhados entre outras redes, comunidade e poder
político, presando a transformação urbana e social.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS


2.2.1 Articular o referencial teórico com a incorporação dos principais conceitos abordados
pela educação comunitária e os processos de gestão e autogestão, focados na
capacitação de multiplicadores de opinião e representações da comunidade.
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2.2.2 Realizar estudos de caso que envolvam formação de redes comunitárias de


conhecimento e estudos das cidades, com foco em cidades de porte médio no sul do
Brasil, a serem selecionadas durante o processo de pesquisa.
2.2.3 Entender quais estratégias os estudos sobre redes podem gerar como melhoria de
qualidade urbana e, consequentemente, social.
2.2.4 Avaliar as tecnologias de comunicação, bem como as técnicas de educação a
distância, principalmente no que diz respeito à aprendizagem colaborativa da
organização da cidade, como estrutura democrática.

3 JUSTIFICATIVA

O conhecimento sobre urbanismo, construção e desenvolvimento da cidade muitas


vezes está associado exclusivamente ao meio acadêmico. Sendo socializado e debatido em
âmbito acadêmico ou político, no qual, quando possibilita abertura social e popular para
planejamento, discussão e tomada de decisões, a comunidade se torna um agente muitas
vezes flagelado e desprovido de informações para auxiliar nas tomadas de decisões.
Nesse sentido, as redes comunitárias são capazes de permitir o intercâmbio de
conhecimentos e causas. Elas permitem a participação em diferentes espaços sociais e a
cooperação entre os participantes, a identificação de interesses comuns, desde a construção
de relacionamento de confiança e fortalecimento da capacidade local, o que permite a
aproximação do governo municipal, com a universidade e, principalmente, com as
comunidades, a fim de que elas contribuam para a tomada de decisões. “Em rede, cria-se e
possibilita-se espaços para reflexão, diálogos, interação, participação social, ação
intersetorial, fortalecimentos individuais e coletivos – elementos fundamentais para o
planejamento urbano saudável (LEVIN, 2003; SPERANDIO et al., 2013).
A formação de redes comunitárias para estudos sobre a cidade auxilia na formação
de debates e estudos complexos sobre os diversos setores urbanos que compõe uma cidade.
Através de um grupo heterogênico de pessoas, dispostas e aptas a compreender as
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transformações sociais e as verdadeiras necessidades da cidade ou bairro onde vivem e que


tornam o local como foco de reflexão e transformação.
A partir do domínio público das informações – compreensão do estudo realizado – é
possível debater sobre os assuntos vislumbrando de que forma podem ocorrer mudanças
urbanas e sociais.
Um projeto educativo de cidade é um plano estratégico, portanto, capaz de definir
linhas de atuação concretas e pertinentes para o futuro da comunidade de maneira
participativa e consensual.
As redes comunitárias se tornam um estudo pertinente, principalmente em relação
as mudanças sociais e educacionais que compõe nosso cenário atual. As condições dadas
pela conectividade, sejam virtuais ou físicas, ampliam vertiginosamente as possibilidades de
educar e compreender as necessidades da comunidade. Da sala de aula para um espaço que
permite a conexão de muitas pessoas ao mesmo tempo, tendo um objeto de aprendizagem
e discussão em comum. Portanto, é preciso estudar e avançar a respeito do que tange a
importância das redes comunitárias e sua integração com entidades acadêmicas e poder
público.

4 INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA

“A Cidade Como Projeto Educativo”, é uma coletânea de artigos organizados por Carmen
Gómez-Granell e Ignácio Vila. O livro trata da importância da cidade, enquanto seus vários
atores sociais, assumirem os processos de educação de seus cidadãos.

Em “Redes de Desenvolvimento Comunitário: Iniciativas para Transformação Social”, Célia


Regina Belizia Schlithler, aborda o tema das redes sociais, mostrando sua importância para o
Terceiro Setor. Como forma de implementação deste tipo de iniciativa, este volume, que
compõe uma coletânea de cinco outros volumes, fornece insumos para a formação de
facilitadores que empreenderão a montagem de uma rede, com orientações sobre
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planejamento, gestão, sustentabilidade, comunicação e avaliação das ações de uma rede. A


abordagem da autora é inovadora pois considera o envolvimento da sociedade civil, do
poder público e da iniciativa privada na construção de projetos coletivos que visam à
transformação social.

Mutirão Habitacional: Procedimentos de Gestão, elaborado dentro do Programa de


Tecnologia de habitação (Recomendações Técnicas HABITARE, v.2), Alex Kenya Abiko e
Leandro de Oliveira Coelho, tratam de temas como a eficácia de diferentes formas de gestão
do mutirão, o papel do Estado na produção do espaço urbano, a qualidade estética dos
campos visuais em unidades habitacionais e o custo da infraestrutura relacionada a
diferentes concepções urbanísticas.

“Pedagogia da autonomia”, Paulo Freire apresenta reflexões sobre a relação entre


educadores e educandos orientados para a prática de um diálogo politico-pedagógico, para
que se estabeleçam condições que abram a possibilidade de ambos existenciarem na
autonomia, na cidadania responsável e na apropriação crítica do conhecimento e sua
recriação, com objetivo de formar cidadãos transformadores da ordem social.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A abordagem desta pesquisa terá como ênfase a compreensão das redes


comunitárias, formação, suas metodologias de difusão de conhecimento, apropriação e de
que maneira elas se relacionam com outras redes de modo colaborativo no processo de
aprendizado. De modo geral será debatido sobre redes de cidades médias da região sul do
Brasil, as quais serão selecionadas no decorrer da pesquisa, delimitando assim os estudos de
casos a serem analisados.
A pesquisa se baseará em revisões bibliográficas e, essencialmente, em estudos de
caso, com possibilidade de aplicação de questionários e/ou entrevistas, a fim de obter dados
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sobre a articulação pedagógica dentro das redes comunitárias e seus benefícios no processo
político e pedagógico de cidade, com ênfase em melhorias urbanas e consequentemente
sociais.
Os dados obtidos resultarão em amostras de público envolvido, como escolaridade e
faixa etária, problemáticas levantadas pelas redes, metodologia abordada dentro do grupo
para pesquisas e estudo, processo de compartilhamento de dados e seus resultados
aplicados.

REFERÊNCIAS

GRANALL, Carmen Gómez- e VILA, Ignacio (organizadores) – A Cidade como projeto


educativo.Porto Alegre: Artemed, 2003.

RIBEIRO, E. M. B. A & BASTOS, A. V. B. Redes sociais interorganizacionais na efetivação de


projetos sociais. Psicologia & Sociedade, 23: 2, p. 282-292. 2011.

SCHLITHLER, Célia Regina Belizia – Redes de desenvolvimento comunitário: iniciativas para a


transformação social. São Paulo: Global; IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do
Investimento Social, 2004.

SPERANDIO, AMG & GUARNIERI, JC. A Rede Social Como Instrumento do Desenvolvimento
do Urbano Saudável: A Experiência de Conchal – São Paulo. Intellectus. Ano VIII; 22: 3. p. 44-
55. 2012.

SPERANDIO, A. M. G.; FRANCISCO FILHO, L. L.; VEDOVATO, L. R. The strategies for healthy
urban planning and resilience of the city. In: Book of abstracts of the International
Conference on “Changing Cities”: Spatial, morphological, formal & socio-economic
dimensions. Grafima. Grécia. 2013.