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17/04/2021

Práticas
abusivas,
Direito das Relações de extinção
do contrato de
Consumo
AULA 07
consumo e
responsabilidade

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Apresentação da aula 07

Cláusulas abusivas nos contratos de consumo (Teórico) Eficácia da VOCÊ SABIA?


proteção do NOME DEVE SER LIMPO
Eficácia da proteção do consumidor contra cláusulas ATÉ CINCO DIAS APÓS
abusivas; consumidor PAGAMENTO DA
Natureza jurídica; contra cláusulas DÍVIDA
Principais espécies de cláusulas abusivas – I; abusivas
Principais espécies de cláusulas abusivas – II.

5 ANTES DE TUDO, DUAS RESSALVAS: 6


Em sintonia com os aclamados princípios da função social e da
boa-fé objetiva, o Código de Defesa do Consumidor traz um 1ª) O QUE É UMA CLÁUSULA?
rol de cláusulas consideradas abusivas.
“(...) todo e qualquer pacto ou estipulação contratual, escrito
ou verbal, de todas as formas possíveis de fazerem nascer
Essas hipóteses, previstas no art. 51 do CDC, se relações jurídicas de consumo” (NUNES, 2015, p. 717).
estiverem estipuladas em qualquer tipo de acordo,
deverão ser consideradas nulas de pleno direito 2ª) ESSE ROL É TAXATIVO OU EXEMPLIFICATIVO?
(TARTUCE; NEVES, 2017). Exemplificativo. Desse modo, outras circunstâncias, ainda que
não expressamente previstas, poderão ser assim consideradas
pelos tribunais (BRAGA, 2017).

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7 O art. 51 do CDC tem significado muito especial no 8


Há, no Direito moderno, forte tendência à direito brasileiro, uma vez que representa um dos
harmonia entre a normas jurídicas – TEORIA DO mais contundentes abrandamentos da força
obrigatória dos contratos, reduzindo
DIÁLOGO DAS FONTES
substancialmente o poder das partes.
Veja-se o art. 7° do CDC:
(...) os direitos previstos neste código não excluem outros
decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o O referido dispositivo legal é, desse modo, um dos
Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de símbolos do movimento doutrinário conhecido como
regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas dirigismo contratual (TARTUCE; NEVES, 2017).
competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do
direito, analogia, costumes e equidade. (BRASIL, 1990)

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Nesse sentido, Marques (2016, p. 1037) expõe A renomada autora chama a atenção ainda para o fato de que
o reequilíbrio contratual nas hipóteses de cláusula abusiva é,
que o Código de Defesa do Consumidor: normalmente, estabelecido em momento posterior à
assinatura do contrato, quando o consumidor já manifestou
[...] reduz o espaço antes reservado para a autonomia sua vontade espontaneamente e o contrato está formalmente
da vontade, proibindo que se pactuem determinadas acabado e perfeito.
cláusulas; impõe normas imperativas, que visam
proteger o consumidor, reequilibrando o contrato e O CDC reconhece, por assim dizer, a existência de valores
garantindo as legítimas expectativas que depositou no jurídicos superiores ao dogma da vontade, mesmo que
vínculo contratual. estejamos diante de relações privadas (MARQUES, 2016).

11 A segunda busca uma aproximação objetiva que 12


“Abusivo” tem duas conotações possíveis dentro do direito do conecta a abusividade ao resultado (real ou potencial) que
consumidor. A primeira delas é subjetiva. Caracteriza-se pela causa a conduta de um agente em relação ao outro,
percepção de um uso malicioso ou desviado das finalidades independentemente de haver ou não a intenção de exceder
sociais de um poder concedido ao agente. os limites do uso adequado de um direito (MARQUES, 2016).
Nessa concepção, a abusividade se aproxima da figura do
É preciso comprovar no caso prático o elemento o elemento
“abuso de direito” contida no art. 187 do Código Civil.
Referido dispositivo legal afirma que “(...) comete ato ilícito o subjetivo e o elemento objetivo?
titular de um direito que, ao exercê-lo, excede Não. Basta demonstrar que as ocorrências descritas no art. 51
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico estão presentes no contrato que o abuso por parte do fornecedor
ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes” (BRASIL, será presumido e tem-se como nulo de pleno direito o conteúdo
2002, [s.p.]). do acordo. A análise dos fatos será, assim, objetiva (BENJAMIN et
al., 2016).

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Porém, para circunstâncias não previstas


expressamente no art. 51, o consumidor deverá
demonstrar ou abuso de direito, ou a
desproporção fática do contrato, ou a Atividade
ocorrência das duas circunstâncias.

GET READY!

À luz do Código de Defesa do Consumidor, NÃO pode 15 À luz do Código de Defesa do Consumidor, NÃO pode 16
ser considerada prática abusiva o fornecedor: ser considerada prática abusiva o fornecedor:

A) reajustar preço do produto por causa da inflação. A) reajustar preço do produto por causa da inflação.
B) enviar um produto ao consumidor que não o solicitou. B) enviar um produto ao consumidor que não o solicitou.
C) colocar à venda produtos que não observam as normas C) colocar à venda produtos que não observam as normas
legais. legais.
D) deixar de apresentar orçamento antes da execução do D) deixar de apresentar orçamento antes da execução do
serviço. serviço.
E) promover publicidade contendo informações falsas E) promover publicidade contendo informações falsas
sobre o produto. sobre o produto.

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DÚVIDAS ACERCA DO QUE JÁ SE COMENTOU NESTA


AULA?
INTERAÇÃO

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19 O caput do art. 51 do CDC, assim dispõe: São nulas de pleno 20


direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao
fornecimento de produtos e serviços que:
[...]

VOCÊ SABIA?
NATUREZA NOME DEVE SER LIMPO
JURÍDICA ATÉ CINCO DIAS APÓS Você tem alguma ideia do que significa “nula de pleno direito”?
PAGAMENTO DA DÍVIDA E sabe quais são as suas consequências?

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Para bem entendermos esse conteúdo,
precisamos recorrer ao Código Civil. Negócio jurídico anulável é aquele que apresenta uma
nulidade relativa ou uma anulabilidade, permitindo a
Negócio jurídico nulo é aquele que apresenta uma nulidade
confirmação pelas partes. Há, desse modo, a
absoluta ou de pleno direito; não comportando ratificação pelas
partes e o pronunciamento judicial tem natureza apenas possibilidade de sanar o vício de nulidade relativa, que
declaratória. É, igualmente, imprescritível, isto é, a possibilidade deve ser alegada pela parte interessada para ser
de se alegar a nulidade não se perde com o decurso do tempo, reconhecida em tempo hábil (OLIVEIRA, 2010).
uma vez que a obrigação já nasce nula.

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O CDC reconhece nas cláusulas abusivas natureza de
nulidade absoluta, o que significa negar qualquer efeito A regra da manutenção do contrato pode ser, entretanto,
jurídico à disposição contratual abusiva. afastada no caso concreto se a ausência da cláusula
considerada abusiva desestruturar a relação contratual,
gerando ônus excessivo a qualquer das partes.
Todavia, a nulidade da cláusula não invalida, em regra, o
contrato todo.
Se isso ocorrer, o juiz no caso concreto pode determinar a
resolução integral do contrato, restituindo-se as partes ao
A sanção prevista no CDC é a de negar efeito unicamente estado anterior ao negócio jurídico.
para a cláusula abusiva, preservando-se, em princípio, o
contrato. O CDC adotou, dessa maneira, o princípio da
conservação do contrato (MOURA, 2016). Caberá ao consumidor, nessa situação, requerer indenização
pelos prejuízos decorrentes da nulidade do contrato
(BENJAMIN et al., 2016).

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O art. 6° do CDC prevê, ainda, a possibilidade de alteração do


conteúdo da cláusula, promovendo-se a revisão do contrato.
Situação-
Existe também a possibilidade de reconhecimento de ofício Problema
pelo juiz, ou seja, independentemente do pedido da parte, o
magistrado pode declarar nula a cláusula abusiva
exceção ao princípio processual de que o juiz decidirá a lide
nos limites propostos pelas partes (BENJAMIN et al., 2016).

APRESENTANDO A SITUAÇÃO PROBLEMA 27 28


Rodrigo recebeu o telefonema de uma empresa de telemarketing
oferecendo um incrível kit de produtos de informática. Após Rodrigo procura, então, o professor Aroldo, famoso
escutar todas as vantagens descritas pela vendedora, ele aceitou especialista em direito do consumidor, para obter mais
as condições de venda e efetuou a compra com seu cartão de informações sobre o assunto. Ele quer saber se tem direito
crédito. O produto chegou dentro do prazo estipulado e era de arrependimento e se o aceite da cláusula por telefone é
exatamente do jeito que a vendedora havia relatado. Durante a
válido.
ligação, o consumidor foi informado de que não haveria
possibilidade de devolução do produto, após o aceite. Há, Diante desse quadro, o que o professor deverá responder a
inclusive, a gravação dele concordando com essa premissa. Rodrigo?
Apesar disso tudo, o consumidor se arrependeu da compra.
Considera que foi um ato impulsivo de sua parte e que realmente
não precisa do produto.

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O professor Aroldo deverá explicar a Rodrigo que nas compras realizadas
fora do estabelecimento comercial, como no presente caso concreto, o
consumidor poderá desfazer unilateralmente o negócio, no prazo de 7
dias, a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou
serviço. Estamos diante do direito de arrependimento, previsto
expressamente pelo art. 49 do Código de Defesa do Consumidor, que INTERAÇÃO
atribui ao consumidor o direito de receber os valores eventualmente
pagos, a qualquer título, durante o período de reflexão. Esses valores
devem ser restituídos imediatamente e corrigidos monetariamente.
Qualquer cláusula ou pacto que subtraia “ao consumidor a opção de
reembolso da quantia já paga, nos casos previstos neste código” (BRASIL,
1990, [s.p.]) será considerada nula de pleno direito por ferir o inciso II do
art. 51 do CDC.

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Alguma dúvida até aqui? INTERVALO ATÉ DAQUI A POUCO...

33 O primeiro exemplo trazido pelo art. 51 do CDC, 34


inciso I, considera nula de pleno direito as
cláusulas que:

PRINCIPAIS VOCÊ SABIA? [...] impossibilitem, exonerem ou atenuem a


CONSTRUTORA DEVE responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer
ESPÉCIES DE PAGAR INDENIZAÇÃO natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia
CLÁUSULAS POR ATRASO EM OBRA. ou disposição de direitos. Nas relações de consumo entre
ABUSIVAS - I o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a
indenização poderá ser limitada, em situações
justificáveis. (BRASIL, 1990)

Essa regra nos faz lembrar das placas de 35 36


estacionamento de alguns estabelecimentos
comerciais... E mais:
Sobre o assunto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu
A norma supramencionada reforça a vedação da cláusula oportunamente a súmula 130 segundo a qual “(...) a empresa
de não indenizar ou cláusula de irresponsabilidade para responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto
os contratos de consumo, tratada também pelo art. 25 de veículos ocorridos em seu estacionamento” (BRASIL, 1995).
do CDC. Convém lembrá-lo: “(...) é vedada a estipulação Em sentido próximo, a súmula 302 do STJ reconhece ser
contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou abusiva “(...) a cláusula contratual de plano de saúde que limita
no tempo a internação hospitalar do assegurado” (BRASIL,
atenue a obrigação de indenizar prevista nesta e nas 2001, [s.p.]).
seções anteriores.” (BRASIL, 1990, [s.p.]).

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O inciso II do art. 51 do CDC imputa nulidade absoluta às Também é vedada a cláusula que transfira responsabilidade
cláusulas que “subtraiam ao consumidor a opção de reembolso advinda da relação de consumo a terceiros, por disposição do
da quantia já paga, nos casos previstos neste código” (BRASIL, inciso III do art. 51 do CDC, que prestigia a solidariedade na
1990, [s.p.]). reparação dos danos causados ao consumidor.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem,


Ótimo exemplo são as compras realizadas fora do
estabelecimento comercial (via internet, telefone, mala frequentemente, considerado nula de pleno direito as
direta etc.), o consumidor poderá desfazer, unilateralmente, cláusulas que excluam os planos de saúde da
o negócio, no prazo de 7 dias, a contar de sua assinatura ou responsabilidade civil decorrente de danos causados por
do ato de recebimento do produto ou serviço direito médicos ou hospitais credenciados. Tal posicionamento,
de arrependimento. fundamenta-se no inciso III do art. 51 do CDC.

Decreta o inciso IV do art. 51 do CDC a nulidade das cláusulas 39 O inciso VI do art. 51 do CDC dispõe ser nula de pleno direito 40
que “estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, a cláusula que estabeleça inversão do ônus probatório em
que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou prejuízo do consumidor.
sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade” (BRASIL,
1990, [s.p.]). Exemplo: o caput do art. 12 do CDC impõe ao fornecedor a responsabilidade,
independentemente de culpa, pela reparação dos danos causados aos
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção,
considerado, com base no inciso IV do art. 51 do CDC, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de
abusiva, por exemplo, a cláusula prevista em contrato de seus produtos bem como por informações insuficientes ou inadequadas
plano de saúde que suspenda o atendimento em razão do sobre sua utilização e seus riscos. O § 3° do citado artigo traz, contudo,
atraso de pagamento de uma única parcela. Igualmente, tem- algumas excludentes de responsabilidade, impondo ao fornecedor o ônus de
se entendido, majoritariamente, que a cláusula que permita provar que: i) não colocou o produto no mercado; ii) embora haja colocado o
emissão de nota promissória em favor de banco credor é produto no mercado, o defeito inexiste; e iii) a culpa é exclusiva do
abusiva (TARTUCE; NEVES, 2017). consumidor ou de terceiro. Assim, uma cláusula que inverta esse ônus
probatório em favor do fornecedor será considerada nula de pleno direito.

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Determinar a utilização compulsória de arbitragem em um
contrato de consumo é também uma cláusula abusiva (art. 51,
VII, CDC).

A arbitragem é, de acordo com Carmona (2006, p. 51), um


“meio alternativo de solução de controvérsia através da
Atividade
intervenção de uma ou mais pessoas que recebem seus
poderes de uma convenção privada, decidindo com base
nela, sem intervenção estatal, sendo a decisão destinada a PRONTOS?
assumir a mesma eficácia da sentença judicial”.

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Nos termos do Código de Defesa do Consumidor, são nulas de pleno direito,


Nos termos do Código de Defesa do Consumidor, são nulas de 43 44
entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos
pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao e serviços que
fornecimento de produtos e serviços que A) determinem a utilização facultativa de arbitragem.
A) determinem a utilização facultativa de arbitragem. B) não permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do preço de
B) não permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, maneira unilateral.
variação do preço de maneira unilateral. C) transfiram responsabilidades a terceiros.
C) transfiram responsabilidades a terceiros. D) obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação,
ainda que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor.
D) obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de
E) possibilitem a renúncia do direito de indenização por benfeitorias
sua obrigação, ainda que igual direito lhe seja conferido contra voluptuárias.
o fornecedor.
E) possibilitem a renúncia do direito de indenização por
benfeitorias voluptuárias.

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TUDO BEM ATÉ AQUI?


INTERAÇÃO

47 O CDC proíbe, no inciso VIII do art. 51, cláusulas que 48


“imponham representante para concluir ou realizar outro
negócio jurídico pelo consumidor” (BRASIL, 1990, [s.p.]). A
ementa seguinte traz um bom exemplo:

Principais VOCÊ SABIA?


CIVIL. CLÁUSULA-MANDATO. NULIDADE. É ilegal e abusiva a
cláusula por meio da qual, em contratos do Sistema Financeiro da
espécies de BANCOS DEVEM Habitação, os mutuários conferem mandato à CEF para: assinar
cláusulas OFERECER SERVIÇOS cédulas hipotecárias; assinar escritura de retificação, ratificação e
GRATUITOS aditamento do contrato de mútuo; receber indenização da
abusivas - II seguradora; representá-los com poderes amplos em caso de
desapropriação do imóvel. (BRASIL, 2009). (AC
199833000193031, Juiz Federal Marcelo Albernaz (conv.), TRF1 –
Quinta Turma, 17/04/2009).

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Os incisos IX, X, XI, XII e XIII do art. 51 do CDC vedam cláusulas
que deixem ao livre-arbítrio do fornecedor a realização ou a
modificação do contrato. As que “obriguem o consumidor a ressarcir os custos de
cobrança de sua obrigação, sem que igual direito lhe seja
Assim, serão nulas de pleno direito as cláusulas que “deixem
ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato, embora
conferido contra o fornecedor” (inciso XII) e, por fim, as
obrigando o consumidor” (inciso IX); as que “permitam ao que “autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente
fornecedor, direta ou indiretamente, variação do preço de o conteúdo ou a qualidade do contrato, após sua
maneira unilateral” (inciso X); as que “autorizem o celebração” (inciso XIII) (BRASIL, 1990, [s.p.]).
fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que
igual direito seja conferido ao consumidor” (inciso XI);

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O art. 51, XIV, do CDC prevê a nulidade de
Mais uma cláusula aberta de proteção, no art.51, XV, ao
cláusulas que “infrinjam ou possibilitem a estabelecer que é nula de pleno direito a cláusula que esteja
violação de normas ambientais” (BRASIL, em “em desacordo com o sistema de proteção ao
1990, [s.p.]). consumidor” (BRASIL, 1990, [s.p.]).

Um bom exemplo de aplicação do dispositivo envolve a


Observe-se que esse inciso tem a capacidade de proteger a cláusula de eleição de foro nos contratos de consumo.
coletividade, posto que uma cláusula contrária às normas Apesar de tais cláusulas serem válidas no direito e previstas
ambientais poderia, em tese, trazer algum benefício ao
consumidor, como a diminuição de custos, por exemplo. no art. 63 do Novo Código de Processo Civil Brasileiro
Entretanto, mesmo que o consumidor concorde com a (BRASIL, 2015), serão nulas nas ações de responsabilidade
cláusula, ela permanecerá nula de pleno direito. civil com lastro no Código de Defesa do Consumidor.

A última cláusula abusiva pertencente ao rol exemplificativo 53 54


do art. 51 do CDC, inciso XVI, considera nula a cláusula que
possibilite “a renúncia do direito de indenização por
benfeitorias necessárias” (BRASIL, 1990, [s.p.]).

Situação-
Você sabe o que é uma benfeitoria necessária?
Problema
Benfeitorias necessárias são obras realizadas na coisa
(móvel ou imóvel) com a finalidade de conservar o bem
ou evitar que se deteriore.

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João e Lia vão se casar. Pois bem, eles definiram a data do
casamento para daqui a seis meses e resolveram alugar um espaço
apropriado para a celebração da cerimônia e da festa. Visitaram
vários locais e se encantaram por um, chamado Casa dos Sonhos. Foi nessa situação que o casal procurou você, famoso
A representante do espaço encaminhou por e-mail uma minuta jurista especializado em direito do consumidor, para fazer
contratual para que o jovem casal pudesse compreender as
condições do negócio. Lia e João leram com atenção o contrato e a análise do contrato a ser assinado e exarar seu parecer
uma cláusula lhes chamou à especial atenção. com relação aos seguintes pontos: i) prevalecerá a
A cláusula diz respeito à possibilidade de rescisão pela Casa dos autonomia de vontade dos contratantes?; ii) existe
Sonhos, sem a incidência de qualquer penalidade. Por outro lado, o
documento estabeleceu para o casal consumidor a possibilidade de alguma abusividade nas cláusulas mencionadas?; e iii)
rompimento do vínculo contratual, mediante o pagamento de multa qual seria a forma de reequilibrar as condições
no valor de 50%, se operada a rescisão 50 dias antes da data do
casamento, 40%, se realizada antes de 40 dias, 30% se ocorrida contratuais?
antes de 30 dias e, assim, sucessivamente.

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O inciso IX do Código de Defesa do Consumidor considera


nula de pleno direito as cláusulas que “autorizem o
fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que
igual direito seja conferido ao consumidor” (BRASIL, 1990,
[s.p.]). Desse modo, para que uma cláusula seja válida ela INTERAÇÃO
deverá dar ao consumidor o mesmo benefício (cancelar o
contrato sem ônus) ou impor ao fornecedor penalidade
equivalente. Frente a essa realidade, a cláusula que trata o
rompimento do contrato de maneira desequilibrada e
claramente favorável à fornecedora Casa dos Sonhos não tem
qualquer valor jurídico, gozando de nulidade absoluta.

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Alguma dúvida acerca do conteúdo visto até aqui?

Recapitulando

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61 BIBLIOGRAFIA 62
Cláusulas abusivas nos contratos de consumo
BENJAMIN, A. H. et al. Manual de direito do consumidor. 7. ed. São
(Teórico) Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.
Hoje, vimos: BRAGA NETTO, F. P. Manual de direito do consumidor à luz da
Eficácia da proteção do consumidor contra cláusulas jurisprudência do STJ. 12. ed. Salvador: Editora Juspodivm, 2017.
abusivas; MARQUES, C. L. Contratos no código de defesa do consumidor: o novo
Natureza jurídica; regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2016.
Principais espécies de cláusulas abusivas – I;
Principais espécies de cláusulas abusivas – II. MOURA, W. D. Código de Defesa do Consumidor. São Paulo: Rideel,
2016.
NUNES, R. Comentários ao código de defesa do consumidor. 8. ed. São
Um grande abraço e muito obrigado pela atenção!!! Paulo: Saraiva, 2015.

63

OLIVEIRA, J. M. Direito do consumidor completo. 3. ed. Belo


Horizonte: D´Plácito, 2016.
TARTUCE, F.; NEVES, D. A. A. Manual de Direito do Consumidor:
direito material e processual. 6. ed. São Paulo: Editora Método,
2017.

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