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Consórcio de BioEducação: Universidade Lúrio, Universidade Zambeze, Instituto Superior

Politécnico de Manica, Parque Nacional da Gorongosa e Universidade de Lisboa

Pode o café de sombra ajudar a restaurar a biodiversidade na floresta da Serra da

Gorongosa?

Autor: António Ngovene Júnior

Dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Biologia de Conservação

Orientador: Piotr Naskrecki

2020
Consórcio de Bio-Educação

Universidade Lúrio, Universidade Zambeze, Instituto Superior Politécnico de Manica,


Parque Nacional da Gorongosa, Universidade de Lisboa

Programa de Mestrado em Biologia de Conservação

Pode o café de sombra ajudar a restaurar a biodiversidade na floresta da Serra da

Gorongosa?

Autor: António Ngovene Júnior

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Biologia de Conservação como requisito

para a obtenção do título de Mestre em Biologia da Conservação

Aprovada por

(supervisor)

____________________________
(Coordenador do Consórcio)

Parque Nacional da Gorongosa, 27 março 2020

ii
Data

Declaração

Eu, António Ngovene Júnior, declaro por minha honra que este trabalho de finalização do curso

é resultado da minha investigação pessoal e da orientação do meu supervisor, o seu conteúdo

é original e todas as fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e

na bibliografia final.

Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para

propósito semelhante ou obtenção de qualquer grau académico.

Chitengo, Fevereiro de 2020

(António Ngovene Júnior)

iii
Dedicatória

Dedico orgulhosamente aos meus pais, António Ngovene e Rafa Mabessa. A vossa educação
fez de mim o Homem que sou hoje. Tenho dito sempre que tenho sorte por vos ter como Pais,
muitíssimo obrigado por tudo que têm feito na minha vida. Dedico igualmente aos meus
queridos irmãos: Silver Ngobene, Felismina, Adelzília, Herónica e Laicina. À Bragacina da
Graça pelo tanto apoio, amor e carinho.
Aos Meus sobrinhos: Jennifer, Orlando, Querchia, Aílton, Nkateko, Khana, Neyma, Kayra,
Albino e Kauany que o presente trabalho sirva de inspiração para o vosso percurso estudantil.
A todos os meus Professores.
Agradecimentos

Em primeiro lugar o meu agradecimento vai ao Senhor meu Deus.

Um agradecimento muito especial ao meu supervisor Professor Doutor Piotr Naskrecki e à

Professora Tara Joy Massad, pela paciência que sempre tiveram comigo para a efectivação do

presente trabalho. Quero igualmente agradecer ao Zak Pohlen pela assistência na identificação

e análise de sons de aves, ao Tomasz Osiejuk pela assistência e pela ajuda na elaboração de

protocolo para montagem dos gravadores de sons, ao Tongai Castigo, pela ajuda na

identificação de plantas, à equipe da BioEd e do Projecto café da Gorongosa pela facilitação

na realização deste trabalho.

Em especial gostaria de agradecer ao meu pai António Ngovene e minha mãe Rafa Mabessa

por ter-me ensinado a pensar grande, a ter foco e determinação. O meu agradecimento vai

igualmente aos meus irmãos: Silver, Felismina, Herónica, Laicina e em especial a Adelzília,

por tudo que fizeram por mim, endereço a eles a minha eterna gratidão. Ao meu amor Bragacina

da Graça, pelo suporte, paciência e acima de tudo pela amizade de luxo.

Agradeço aos meus colegas e amigos Adriano Garcia, Mustafá Lino, Lígia Getimane, Inercia

da Piadade, Ana Sónia Sacar e Carlos Novela, Semo Mogeia, Camilo Bruno, Victor Américo,

Gold Chinder, Marcio Tomas, Amina Amade, Lorena Matos, Amemarlita Matos, Adija

Wilssone, Clotilde Nhancale, Raimundo Raimundo e Augusto Bila.

Agradeço ao Parque nacional da Gorongosa pela formação e pela experiência única que juntos

vivemos. Aos meus irmãos da vida Paulo Zitha, Sybil Baloi, Sérgio Chaúque Alda Filista,

Elmon Cossa, Ananias Ngovene, Estefânia Machava, Carlitos, Estevão Mandlhate, Elias

Chaúque, Santos e Eduardo e à toda Hlauleka. Aos meus padrinhos Adão e Isabel Mabunda e

v
aos meus primos Emília Dady, Jefri Mabessa, Jeremias, Arone, Samito, Marlito, Celso e David

pelas suas qualidades inestimáveis e pelo alto nível do espírito de fraternidade e amizade que

demonstraram em todas as circunstâncias do meu percurso da vida e académico vai aí o meu

muito obrigado.

A todos vai o meu muito obrigado.

vi
Pode o café de sombra ajudar a restaurar a biodiversidade na floresta da Serra da

Gorongosa?

Resumo

O presente estudo foi realizado no Monte Gorongosa com objectivo de avaliar a eficácia de

plantação de café de sombra na melhoria de habitats da Serra da Gorongosa, focando nas

comunidades de aves e na dispersão de sementes, bem como na regeneração natural das

espécies nativas em plantações de café de sombra. As comunidades de aves, a dispersão de

sementes e a regeneração natural foram comparadas em plantações de café de diferentes idades,

na floresta natural e áreas agrícolas abandonadas. Usou-se o gravador de sons automatizado

(Wildlife Acoustics SM3) e observações directas para documentar a riqueza de aves entre os

habitats. Foram estabelecidas 72 armadilhas de 0.64 m2 para colectar sementes dispersas nas

plantações de café, na floresta, e na área agrícola abandonada e 288 quadrículas de 1 m2 para

medir a regeneração natural das espécies nativas nas mesmas áreas. Foram encontradas 82

espécies de aves, das quais nove foram frugívoras, 37 insectívoras, 15 omnívoros, sete

granívoros e oito nectarívoros. Nove das espécies toleram áreas abertas, 22 são generalistas e

51 são aves da floresta. A maior riqueza de espécies de aves foi encontrada na floresta, seguindo

a plantação de café de 4 anos, a plantação de café de 1 ano e, por último, a área agrícola

abandonada. A composição das espécies de aves diferenciou-se muito entre a floresta e a área

agrícola abandonada. As comunidades mais semelhantes foram a plantação de café de 4 anos

e a floresta. A floresta apresentou maior número de sementes dispersas por aves, seguindo a

plantação de café com 4 anos e a plantação de café de 1 ano. A área agrícola abandonada

apresentou poucas sementes dispersas por aves. A floresta e a plantação de café de 1 ano

vii
apresentaram maior abundância das espécies em regeneração em relação a plantação de café

de 4 anos e a área agrícola abandonada. A utilização de café de sombra na Serra da Gorongosa

como estratégia para restaurar a biodiversidade parece ser eficaz. A plantação de café de

sombra albergou maior riqueza de aves (incluindo duas aves endémicas e espécies migratórias)

em relação a áreas agrícolas abandonadas e além disso, áreas com plantação de café

apresentaram maior número de sementes dispersas por aves assim como maior regeneração

natural das espécies vegetais nativas.

Palavras-chaves: aves, café de sombra, dispersão de semente, regeneração, restauração de

ecossistema

viii
Abstract

This study was carried out on Mount Gorongosa with the aim of evaluating the effectiveness

of shadow-growing coffee plantation in improving Gorongosa's habitats for birds communities

and to understand how birds contribute to seed dispersal and natural regeneration of native

species in shade-growing coffee plantations of different ages, compared to natural forest and

abandoned agricultural areas. An automated sound recorder (Wildlife Acoustics SM3) and

direct observation method was used to document bird richness between habitats. Seventy-two

seed traps of 0.64m2 and 288 squares were established to measure the natural regeneration of

native species. Eighty-two bird species were found, of which nine are frugivores, 37 are

insectivores, 15 omnivores, seven granivores and eight are nectarivores. Nine of the species

tolerate open areas, 22 are generalist and 51 are forest birds. The greatest richness of bird

species was found in the forest, followed by the coffee plantation of 4 years, coffee of 1 year,

and abandoned agricultural area. The composition of bird species differed greatly between the

forest and the abandoned agricultural area, and the most similar communities were the 4-year-

old coffee plantation and the forest. The forest presented the largest number of seeds dispersed

by birds, followed by the coffee plantation with 4 years and 1 year. The abandoned agricultural

area had few seeds dispersed by birds. The forest and the 1-year coffee plantation showed

higher abundance of regenerating species than the 4-year-old coffee plantation and abandoned

agricultural area. The use of shade-grown coffee on Mount Gorongosa as a strategy to restore

biodiversity appears to be effective. The shade-grown coffee plantation has a greater bird

richness (including two endemic birds and migratory species) compared to abandoned

farmland, and moreover, coffee plantation areas have more seed dispersed by birds as well as

greater natural regeneration of native plant species.

ix
Key-words: ecosystem restoration, birds, seed dispersal, shade growing coffee, regeneration

Índice

Resumo ............................................................................................................................ vii

Capítulo 1: Introdução geral ............................................................................................ 13

Contextualização ............................................................................................................. 13

O desmatamento: Um veículo para a extinção das espécies ........................................... 14

Dispersão de sementes ..................................................................................................... 16

Regeneração..................................................................................................................... 17

Gorongosa ........................................................................................................................ 20

Introdução ........................................................................................................................ 21

Metodologia ..................................................................................................................... 24

Área de estudo ................................................................................................................. 24

Projecto de café de sombra .............................................................................................. 25

Levantamento de aves ..................................................................................................... 27

Análise de dados .............................................................................................................. 28

Resultados ........................................................................................................................ 29

x
Dispersão de sementes ..................................................................................................... 29

Regeneração..................................................................................................................... 30

Diversidade de aves em diferentes níveis de tratamento no Monte Gorongosa .............. 31

Discussão ......................................................................................................................... 39

Referências bibliográficas ............................................................................................... 72

Índice de tabelas

Tabela 1. Lista das espécies de aves encontradas em cada habitat ......................................... 32

Tabela 2. Espécies consorciadas com a plantação de café ..................................................... 56

Tabela 3. Espécies dispersas por aves em cada habitat .......................................................... 57

Tabela 4. Número de sementes por modo de dispersão por área............................................ 59

Tabela 5. Listas das espécies vegetais em regeneração encontradas em cada habitat ............ 60

Tabela 6. Espécies em regeneração por rebrote e por plântulas ............................................. 62

Tabela 7. Lista geral das espécies de aves .............................................................................. 64

Tabela 8. Índice de similaridade de Morisita das espécies de aves entre os habitats ............. 71

xi
Índice de figuras

Figura 1. Padrão de perda de floresta no Monte Gorongosa desde 1977 a 2017 .. ................ 44

Figura 3. Mapa de área de estudo ........................................................................................... 45

Figura 4. Exemplo de regeneração por rebrote. Fonte:

http://elsemillero.net/nuevo/semillas/guia_basica9.html......................................................... 46

Figura 5. Programação de intervalos e frequência de gravação na estação automática (SM3).

................................................................................................................................................. 47

Figura 6. Exemplo de processamento de sons ........................................................................ 48

Figura 7. Médias de riqueza das sementes em cada habitat ................................................... 49

Figura 8. Médias de abundância das sementes dispersa por aves em cada habitat ................ 50

Figura 9. Médias de abundância das sementes dispersa por vento em cada habitat .............. 51

Figura 10. Média da riqueza das espécies vegetais em regeneração em cada habitat ............ 52

Figura 11. Média da abundância de espécies em regeneração por rebrotes em cada habitat . 53

Figura 12. Média da abundância de espécies em regeneração por plântulas em cada habitat 54

Figura 13. Riqueza das espécies de aves em cada habitat ...................................................... 55

xii
Capítulo 1: Introdução geral

Contextualização

A diversidade biológica deve ser tratada com mais seriedade como um recurso global, a ser

indexado e acima de tudo preservado (Wilson, 1988). A biodiversidade está a diminuir nas

florestas tropicais devido à pressão nos recursos naturais, conversão de florestas naturais em

áreas agrícolas e fragmentação de habitats (Wilson, 1988; Chazdon et al. 2005; National

Academy of Science 2008). Actualmente vivemos em uma onda global de perda da

biodiversidade onde as acções antropogénicas são o veículo para a perda das espécies (Dirzo,

2014).

As zonas tropicais são áreas que apresentam alto nível de biodiversidade, contudo, nestas áreas

as florestas estão decrescendo rapidamente e estão levando consigo milhares de espécies à

extinção (Wilson 1988, Barlow et al. 2018). O declínio das florestas está associado ao aumento

populacional de humanos registado ultimamente nos trópicos, onde, cerca de 40% da

população mundial vive nesta área (Barlow et al. 2018), sendo que 1.6 biliões dessas pessoas

dependem dos recursos florestais para a sua subsistência

(www.un.org/sustainabledevelopment). O acesso aos recursos naturais, em particular a

disponibilidade da terra para a produção agrícola, tem-se tornado cada vez mais escasso (WFP,

2009) e a pressão no uso de recursos naturais, em particular a floresta, têm aumentado

(Ausubel, 1996).

O maneio sustentável em ecossistemas florestais ainda é um desafio (Karami et al. 2017), e

técnicas que garantem a perpetuidade dos ecossistemas são fundamentais para a sua sanidade

13
e conservação. Apesar dos compromissos globais sobre a conservação dos recursos biológicos

(como por exemplo, a Convenção para a Diversidade Biológica (www.cbd.int), Metas do Aichi

(www.cbd.int), Metas do Desenvolvimento Sustentável

(www.un.org/sustainabledevelopment), as análises recentes mostram que a taxa de perda de

biodiversidade continua alta (Norris, 2011; Seddon et al. 2014). A perda e a degradação de

habitats são os principais motivos para a perda da diversidade de espécies (Seddon et al. 2014;

Jacobson et al. 2019). A alta pressão no uso de terra e recursos naturais pelos humanos e a

necessidade de proteger a rica biodiversidade faz com que haja maior necessidade de estudos

que investigam programas de restauração florestal de modo a minimizar os problemas de

desmatamento que têm consequências adversas na conservação da biodiversidade.

O desmatamento: Um veículo para a extinção das espécies

As actividades antropogénicas contribuem bastante para a fragmentação das florestas nativas,

deixando as populações de espécies vulneráveis e susceptíveis aos efeitos de perda do habitat

(Bacles et al. 2006). Prever e limitar as consequências que advêm do desmatamento ainda é

uma questão desafiante para a conservação (Dirzo, 2014). De 1990 a 2015 as florestas ao nível

global registaram um declínio de 3% (de 4128 milhões para 3999 milhões de hectares; Abbas

et al. 2016).

A perda de florestas intensificou em zonas tropicais com 1966 milhões de hectares desmatados

no ano 1990 para 1770 milhões de hectares cortados no ano 2015, enquanto as zonas

temperadas expandiam as suas florestas de 618 para 684 no mesmo período (Keenan et al.

2015). Em outros países dos trópicos, como Moçambique por exemplo, a pressão nos recursos

florestais tem aumentado significativamente, sendo que os dados do inventário florestal no

14
período entre 1972 e 1990 mostraram uma taxa de desmatamento de 0.21% (MASA, 2011) e,

em 2007 essa taxa duplicou para 0.58% (Marzoli, 2007), atingindo o seu pico em 2013 com

0.79%. Entretanto de 2014 a 2016 mostrou-se um decréscimo de 9% da taxa de 2013 (Muhate

et al. 2018).

Os impactos de desmatamento são severos de tal maneira que, actualmente apenas 35% das

florestas globais restantes é primária. As florestas secundárias são, portanto, relativamente mais

disponíveis para a conservação da biodiversidade, protecção das bacias hidrográficas, controle

climático e os serviços ecológicos que eles fornecem (Abbas et al. 2016), porque são elas que

ocupam maiores áreas actualmente em relação às primárias.

As espécies faunísticas estão estimadas entre 13 a 14 milhões de espécies em todo o planeta

(IUCN 2019) e anualmente perdem-se aproximadamente 11,000 a 58,000 espécies (Dirzo et

al. 2014). Dentre os vertebrados, 16 a 33% estão globalmente ameaçadas ou em perigo, e cerca

de 873 espécies foram extintas e 73 extintas na floresta (IUCN 2019).

A fragmentação do habitat contribui para alterações estruturais das redes ecológicas através de

mudanças na riqueza de espécies e na composição funcional das comunidades (Grasse et al.

2018). A fragmentação é uma das principais ameaças à conservação (Jacobson et al. 2019). As

respostas das espécies à fragmentação do habitat estão fortemente relacionadas à sua

mobilidade, tamanho do corpo e à distância entre os fragmentos (Grasse et al. 2018; Vandergast

et al. 2019). A fragmentação de habitat em florestas tropicais está aumentando cada vez mais

(Brooks et al. 1999) e está colocando a fauna que depende da floresta em perigo (Baillie &

Groombridge, 1996, Andronache et al. 2019).

15
Proteger a floresta tropical é um pilar estratégico fundamental para conservar a biodiversidade

(Barlow et al. 2016) e o insucesso desta estratégia pode colocar em risco milhares de espécies

na onda da extinção (Andronache et al. 2019). A conversão das florestas em outros usos de

terra compromete a presença de espécies especialistas, como por exemplo, as aves dependentes

da floresta e, por sua vez, beneficia as generalistas, que podem tolerar múltiplos habitats (Smith

et al. 2011; Van der Hoek et al. 2013; Shoffner et al. 2018).

Os impactos de conversão da terra em outros usos, além de afectar directamente as espécies

especialistas, adaptadas a habitats específicos, podem comprometer de forma indirecta, os

serviços que elas desempenham no ecossistema como a polinização, predação e dispersão de

sementes (Whelan, 2008; Jacomassa & Pizo, 2010; Lindell et al. 2013; Paxton et al. 2017). A

dispersão de sementes constitui um processo muito importante na dinâmica das florestas

nativas (Ribeiro et al. 2002).

Dispersão de sementes

Em geral, a dispersão de sementes pode ser feita a partir de animais frugívoros, vento, água e

pela própria árvore. A morfologia das suas frutas e sementes geralmente nos revela o meio pelo

qual são dispersas (Howe & Smallwood, 1982). A interacção entre as plantas e dispersores é

muito importante para entender os processos de dispersão de sementes, sendo que plantas que

são dispersas por animais investem em frutas carnudas e nutritivas que são atractivas ao

dispersor (Bodmer, 1991; Wenny & Levey, 1998), comparando com as que são dispersas pela

água e vento que adaptaram estratégias como resistência ao afundamento, redução no tamanho

da fruta e semente (Howe & Smallwood, 1982).

16
O benefício para as plantas que produzem sementes dispersadas pelos frugívoros está centrada

no facto das sementes serem afastadas dos predadores de sementes que visita as plantas mãe

na época de maturação e, ao mesmo tempo colonizarem novas áreas, assim como dispersão

direccionada para micro-habitat favoráveis (Connell & Slatyer, 1977; Wenny & Levey, 1998;

Hoyo et al. 2006; Terborgh, 2013). A baixa disponibilidade de sementes é um factor que limita

o recrutamento de plântulas em áreas degradadas, e é afectada pela presença e a distância de

manchas de floresta que funcionam como fontes de sementes e de agentes dispersores (Alves

& Metzger, 2006). Os agentes dispersores de sementes, como por exemplo as aves, contribuem

de forma significativa para a manutenção da estrutura e diversidade florestal em florestas

tropicais (Holbrook & Smith, 2000).

Por causa da sua função como dispersadores de sementes, as aves têm um papel muito

importante na restauração de ecossistemas florestais, e possibilitam o restabelecimento das

funções dos ecossistemas em ambientes em restauração (Whelan, 2008), impulsionando a

regeneração natural das espécies nativas (Alvarenga et al. 2016). O desaparecimento de

espécies de aves especializadas em dispersar sementes duma determinada espécie de plantas

pode comprometer o recrutamento e sobrevivência desta espécie (Erwin, 1988). A disrupção

na dispersão resulta da fraca presença de aves dispersoras de sementes e pode causar grande

declínio na regeneração das espécies vegetais nativas (Gardner, et al. 2019).

Regeneração

A regeneração natural é uma parte do ciclo da manutenção e estabelecimento florestal que

resulta na interacção de uma série de processos ecológicos. A sua compreensão é fundamental

tanto para a conservação e recuperação de áreas degradadas, assim como para o entendimento

17
das mudanças na composição e estrutura da floresta (Estigarribia et al. 2019). A regeneração

natural pode ocorrer através de rebrote das toiças ou do banco de sementes no solo (Ribeiro et

al. 2002). Neste último, os agentes dispersores desempenham um papel fundamental para a

disponibilidade de sementes (Alves & Metzger, 2006).

A regeneração natural das sementes que são dispersas por aves torna-se um processo chave

para o desenvolvimento, sobrevivência e sanidade de um ecossistema florestal (Terborgh,

2013), uma vez que garante que haja na fase juvenil indivíduos que irão futuramente substituir

aqueles que actualmente estão na idade adulta e permitir desse modo que haja perpetuidade no

ecossistema (Ribeiro et al. 2002; Gardner et al. 2019). Para acelerar a regeneração natural em

áreas perturbados e restaurar a biodiversidade, muitos programas têm optado pelo uso de

plantação de café de sombra, uma vez que fornece condições temporárias favoráveis para atrair

agentes dispersores de sementes como aves (Chazdon, 2003; Blaser 2018) que trazem sementes

das espécies nativas da floresta mais próxima (Schroth et al. 2004).

Café de sombra

Para que a conservação da biodiversidade tropical tenha sucesso, há necessidade de promover

e assegurar a viabilidade de modos de vidas nas comunidades rurais (Kaimowitz & Sheil,

2007). Neste contexto, agro-ecossistemas tropicais, em particular sistemas agro-florestais que

usam café, têm recebido considerável atenção, uma vez que promovem a renda para as

comunidades e contribuem para a conservação (Chazdon 2003; Harvey et al., 2007).

As técnicas usadas na produção de café variam desde as tradicionais às modernas, e nem todas

elas são benéficas à conservação (Vandermeer & Perfecto, 2007). A caracterização de qual tipo

de agro-sistema a usar é uma questão que tem sido o centro do debate na implementação de

18
estratégias para restaurar áreas degradadas (Perfecto & Vandermeer, 2008). As técnicas

envolvidas no cultivo de café do sol são caracterizadas pela remoção de cobertura vegetal e

aplicação de fertilizantes inorgânicos. A produção de café do sol apresenta alta productividade

mas a altos custos ambientais e contribui bastante para o aumento da taxa de desmatamento em

florestas nativas e para a redução de biodiversidade (Perfecto et al. 1996; Vandermeer &

Perfecto, 2007). A técnica tradicional, conhecida por café da sombra, não necessita da remoção

da cobertura vegetal nem do uso intensivo dos adubos químicos (Perfecto et al. 1996).

A plantação de café de sombra garante a produção de uma forma sustentável (Jose, 2009) e

está adaptada à mitigação de mudanças climáticas e conservação da biodiversidade (Blaser,

2018). A plantação de café de sombra alberga muitas espécies e providencia refúgio para a

biodiversidade, melhora a fertilidade do solo, a qualidade de água e o sequestro de carbono

(Jose, 2009). Alguns estudos mostraram que a plantação de café de sombra é capaz de produzir

por um período superior a 75 anos e, quando a plantação de café cessa neste período, as plantas

consorciadas/ nativas com a plantação formam uma nova floresta (Winston et al. 2005).

Programas de restauração de ecossistemas que usam café de sombra tiveram sucesso na África

subsariana, América Central e India (Grau et al. 2003; López-del-Toro et al. 2009; Garcia et

al. 2009). Esses sistemas mostraram terem bons resultados na conservação e restauração da

biodiversidade em comparação com outros sistemas de uso de terra que converte totalmente a

floresta (Schroth et al. 2004).

19
Gorongosa

Ainda no contexto de restauração, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) no centro de

Moçambique tem procurado soluções para restaurar a biodiversidade do Monte Gorongosa.

Esta área apresenta habitats únicos, marcados por alto nível de endemismo (incluindo aves

endémicas; Parker 2001, 2005; Chittenden et al. 2016) e a presença de comunidades de plantas

raras como pradarias de montanha e floresta húmida (Muller et al. 2012).

A serra da Gorongosa perdeu cerca de 32.23% de 14.193 hectares de floresta desde 1970 a

2017. Esta floresta foi perdida devido a agricultura itinerante, queimadas descontroladas,

exploração de lenha e estacas para construção pelas comunidades locais (plano de maneio do

PNG, 2016; Stalmans, 2018) e efeitos da guerra civil de 1976 a 1992 (Stalmans et al., 2019).

Neste contexto, o PNG introduziu em 2015 um sistema agro-florestal usando café de sombra

como mecanismo para a restauração da biodiversidade da montanha e ao mesmo tempo

providenciar às comunidades locais alternativas para agricultura itinerante. A plantação de café

de sombra da Gorongosa foi consorciada com espécies nativas. Essas espécies nativas foram

plantadas num viveiro florestal estabelecido pelo parque porque na área onde o café foi

plantado já tinham sido cortadas todas as árvores nativas. A plantação de café de sombra não

usa pesticidas sintéticos de modo a evitar a eliminação de qualquer organismo nesta área.

Com esta pesquisa pretendia-se avaliar a eficácia da plantação de café de sombra na melhoria

dos habitats para aves e compreender o contributo das aves na dispersão de sementes e

regeneração natural. Para tal, avaliou-se a composição das espécies de aves entre os habitats,

mediu-se a dispersão de sementes e a regeneração em plantações de café de diferentes idades

em comparação com uma floresta natural e uma área agrícola abandonada.

20
Capitulo II: Pode o café de sombra ajudar a restaurar a biodiversidade na floresta da

Serra da Gorongosa

Introdução

A perda global da biodiversidade é uma crise ambiental mais crítica (Butchart et al. 2010; Betts

et al. 2017). Nas zonas tropicais onde a biodiversidade é alta (Goodale et al. 2013), as taxas de

desflorestamento continuam a crescer em muitas partes (Bhagwat et al. 2008) incluindo a

floresta da Serra da Gorongosa (Stalmans 2018).

Em 1970 a floresta da Serra da Gorongosa cobria 14,193 hectares, mas, até 2017, 32.23%

(Figura 1) da floresta foi perdida devido a agricultura itinerante, queimadas descontroladas,

exploração de lenha e estacas para construção pelas comunidades locais (Plano de Maneio do

PNG, 2016; Stalmans, 2018) e efeitos da guerra civil de 1976 a 1992 (Stalmans et al. 2019).

Os resultados do desmatamento foram severos em redução da biodiversidade e abundância da

fauna e flora da serra, incluindo a perda completa da população de grandes mamíferos (Parker

2001; Plano de maneio do PNG, 2016). A longo prazo, a floresta da Serra da Gorongosa pode

desaparecer ou ser transformada na sua totalidade, comprometendo a biodiversidade do Parque

Nacional da Gorongosa (PNG) no seu todo, visto que a maior parte dos rios do PNG nasce na

Serra da Gorongosa (Plano de Maneio do PNG, 2016).

Embora não haja substituto para a floresta não perturbada, os sistemas agro-florestais estão a

ser cada vez mais usados em zonas tropicais para minimizar os problemas de desmatamento, e

são fundamentais para muitos planos de conservação (Goodale et al. 2013). Os sistemas agro-

florestais, em particular o café de sombra, têm recebido atenção especial por oferecer

21
benefícios para a conservação e promover o modo de vida das comunidades locais (Jose, 2009,

Chazdon, 2003).

Para reverter a situação negativa da perda da floresta e providenciar para a população local da

Serra da Gorongosa alternativas para agricultura itinerante, o Parque Nacional da Gorongosa

implementou o programa de plantação de café de sombra (Coffea arabica, variedades Costa

Rica e Catimor) consorciada com espécies florestais nativas com objectivo de restaurar a

biodiversidade da Serra e criar fontes alternativas de renda para a comunidade local. As plantas

nativas consorciadas com plantação de café na Gorongosa foram plantadas para promover a

restauração e o Parque têm um viveiro de mudas das espécies nativas que são usadas para

consorciar com a plantação de café. O parque não usa pesticidas sintéticos na plantação de café

de modo a evitar a eliminação de qualquer organismo da fauna nativa.

A plantação de café de sombra providencia refúgio para a biodiversidade (Philpott et al. 2007),

imitando a floresta nativa e atraindo espécies de aves da floresta (Chazdon & Guariguata,

2016). Estudos anteriores afirmam que algumas plantações de café de sombra apresentam

composição das espécies similar às da floresta (Greenberg et al. 1997; Tejeda-Cruz &

Sutherland 2004).

A plantação de café de sombra apresenta maior abundância e riqueza das espécies em relação

a outros tipos de plantação de café (Chetana & Ganesh, 2012) incluindo maior abundância e

riqueza das aves (Karanth et al. 2018), que influencia o recrutamento de novas espécies numa

determinada área através de processo de dispersão de sementes. O recrutamento de plantas em

florestas nativas torna-se um processo muito importante no maneio de um ecossistema porque

22
garante que haja indivíduos que irão substituir aqueles que se encontram actualmente na idade

adulta (Ribeiro et al. 2002; Gardner et al. 2019).

Este estudo teve dois objectivos. O primeiro foi avaliar a eficácia da plantação de café de

sombra na melhoria dos habitats para as comunidades de aves nativas na serra da Gorongosa.

O segundo objectivo foi compreender o contributo das aves na dispersão de sementes e

regeneração natural das espécies nativas em plantações de café de sombra de diferentes idades,

comparando-a com a observada na florestal natural e em áreas agrícolas abandonadas.

Hipóteses

H1: As áreas com plantação de café de sombra providenciam alternativas para habitats dos

pássaros da floresta nativa.

Predição: As áreas com plantação de café e a presença de árvores nativas de sombra atraem

muitos pássaros e apresentam muita riqueza de aves

H2: As áreas com plantação de café de sombra apresentam maior riqueza e abundância das

sementes dispersas por aves em relação às áreas agrícolas abandonadas.

Predição: As áreas com plantação de café e a presença de árvores nativas de sombra atraem

muitos pássaros que dispersam sementes em relação a plantação de café.

H3: As áreas com plantação de café de sombra apresentam maior regeneração natural em

relação às áreas agrícolas abandonadas.

23
Predição: áreas com plantação de café e a presença de árvores nativas de sombra atraem muitos

pássaros dispersores de semente que impulsiona e aceleram a regeneração natural em relação

às áreas agrícolas abandonadas.

Metodologia

Área de estudo

O estudo foi realizado nas encostas mais baixas do Monte Gorongosa, no Parque Nacional da

Gorongosa, na província de Sofala em Moçambique, a uma altitude de aproximadamente 960

m (- 18.482878, 34.045309; Fig. 2).

A Serra da Gorongosa é caracterizada por granitos no seu núcleo central. Sob a influência da

precipitação muito elevada, estes granitos transformam-se em solos ferralíticos de baixa

fertilidade. Podem ser encontrados solos mais ricos nas escarpas que são derivadas da acção

das intempéries sobre as rochas de gabro e dolerito ígneas que ocorrem na borda externa do

núcleo de granito (Plano de Maneio do PNG, 2016; Mafalacusser & Marques, 2000). Na Serra

da Gorongosa ocorrem valores muito elevados de precipitação de mais de 2.000 mm (Sitoe,

2003; Mafalacusser & Marques, 2000; plano de Maneio de PNG, 2016). A vegetação é

dominada pelas pradarias de montanha e paisagem de formações lenhosas, (Stalmans, &

Beilfuss, 2008; Plano de maneio de PNG, 2016). Essas áreas são altamente diversificadas, com

espécies endémicas, incluindo o Oriolus chlorocephalus speculifer, Cinnyris afer amicorum e

Rhampholeon gorongosae (Plano de maneio de PNG, 2016; Chittenden et al. 2012).

24
Projecto de café de sombra

O projecto de plantação de café de sombra no Monte Gorongosa é uma iniciativa agro-florestal

em larga escala que tem como objectivo restaurar a biodiversidade, providenciar renda para as

comunidades locais e criar alternativas para agricultura de sequeiro. A plantação de café iniciou

em 2015 e foi usada a espécie Coffea arabica (variedades Costa Rica e Catimor). Foram

plantadas espécies florestais nativas para serem consorciadas com plantação de café (Tabela 2)

com um espaçamento de 2.5 x 3 m. Além das espécies consorciadas com café, registaram-se

espécies arbóreas em rebrotes. A plantação de café de 4 anos foi plantada em uma área de 1

hectare em 2015. A plantação que foi usada como de 1 ano cobre uma área de 5 hectares e foi

plantada em 2018. As espécies vegetais nativas mais abundantes na plantação de café são

Khaya anthotheca, Albizia adianthifolia, Bridelia micrantha e Ficus sycomorus. Actualmente

foram plantados 40 hectares de café.

Desenho do estudo

Dispersão e regeneração

Para documentar como a plantação de café de sombra pode contribuir na regeneração da

floresta, foram estabelecidas 6 parcelas de 10 m2 na plantação de café de 4 anos, na de 1 ano,

e num fragmento de floresta nativa que resta a margem do Rio Murombodzi, que passa a 100

m das plantações de café de 4 anos e a 500 metros da plantação de café de 1 ano. Como um

controle negativo, também foram estabelecidas 6 parcelas numa área agrícola abandonada. As

parcelas foram a 300m das bordes dos diferentes habitats, e houve pelo menos 30 m entre elas.

Dentro delas, foram instaladas três armadilhas de 0.64 m2 para capturar sementes seguindo o

25
método de Stevenson e Vargas (2007). As armadilhas foram distribuídas de forma aleatória

dentro das parcelas com uma distância mínima entre elas de 3 m, e todas foram codificadas.

As armadilhas foram feitas de pano e estacas e ficaram 50 cm acima do solo. Recolheu-se todas

as sementes e fezes de aves que eram encontradas dentro das armadilhas duas vezes por semana

durante 1 ano. As sementes foram classificadas quanto à forma de dispersão, sendo que as que

encontradas juntas com as fezes de pássaros foram consideradas como dispersas por aves, e as

encontradas fora das fezes foram consideradas dispersas por vento, seguindo Gorchov, (1993).

As fezes foram secas para posterior extracção de sementes. Em cada colecta as sementes foram

fotografadas e armazenadas. As sementes foram agrupadas segundo o seu morfotipo e

identificadas com ajuda de especialista de botânica do laboratório EO Wilson do Parque

Nacional da Gorongosa, e base de dados da flora de Moçambique

(https://www.mozambiqueflora.com/). As sementes de gramíneas não foram incluídas nos

levantamentos porque o foco do estudo era avaliar a abundância e riqueza das sementes de

espécies arbóreas e arbustivas nativas que são dispersas em diferentes habitats para entender

como o plantio de café de sombra influencia a regeneração natural da floresta.

Mediram-se plântulas e rebrotes (Figura 3) em regeneração com um diâmetro na base menor

ou igual a 5 mm em quatro quadrículas de 1 m2 estabelecidas adjacentes a cada lado das

armadilhas de sementes. Foram estabelecidas 72 quadrículas em cada nível do tratamento,

totalizando 288. Em cada quadrícula foi registada a abundância e riqueza das espécies arbóreas

em germinação ou rebrotando.

26
Levantamento de aves

O levantamento de aves ocorreu entre Junho e Setembro de 2019. Para a colecta de dados sobre

a riqueza das espécies foi usado o gravador de sons Song Meter 3 com microfone SMM-A1

(Wildlife Acoustics, Baltimore, MD USA. https://www.wildlifeacoustics.com/) a uma

frequência de 48000Hz, e os ficheiros foram gravados no formato WAV. Para documentar a

riqueza das espécies de aves em cada tratamento, o gravador foi colocado no centro de cada

habitat e foi automatizado para gravar sons durante quatro dias seguidos (um dia por habitat)

num intervalo de tempo padronizado (das 4:30 às 9:00 e 15:30 às 19:00) (Figura 4). A gravação

ocorreu uma vez por mês.

O método acústico foi associado com o de observação directa, onde as aves foram observadas

e identificadas nos mesmos tratamentos em que os gravadores foram estabelecidos. Em cada

habitat, estabeleceram-se dois pontos separados entre eles por 100 m onde as aves foram

observadas.

A observação em cada ponto teve uma duração de 10 minutos (seguindo os métodos de Bibby

et al. 2000; Buckland et al. 2001; Sutherland, 2006) e ocorreu no mesmo local e ao mesmo

tempo da gravação. Durante a observação, registou-se a hora em que começava a colecta,

espécie, número de indivíduos e coordenadas geográficas. Para as espécies que não foram

reconhecidas pelos seus sons no campo, registou-se a hora em que cantavam para depois serem

identificados com os sons gravados. As observações das aves em cada tratamento iniciaram-se

às 5:30 até às 9:00 da manhã (Volpato et al. 2009). As observações e gravações foram repetidas

no mesmo local a cada mês.

27
Análise de dados

A riqueza e abundancia de sementes e plântulas regenerando foram calculadas ao nível de cada

parcela (juntando dados das três armadilhas e 12 quadrículas) e depois foram analisadas com

modelos lineares mistos usando o pacote lme4 (Bates et al. 2015). O tratamento habitat (com

quatro níveis: café de sombra de 4 anos, café de sombra de 1 ano, floresta, e área agrícola

abandonada) foi usado como factor fixo e as parcelas foram usados como factor aleatório. A

homogeneidade de variância foi confirmada com o teste Levene antes de correr as análises

usando o pacote car (Fox & Weisberg, 2019). Fez-se uma ANOVA dos modelos lineares e o

teste post-hoc de Tukey para determinar como os níveis dos tratamentos diferem. Para

determinar a frequência de dispersão de sementes por pássaros e vento nos diferentes níveis do

tratamento, assim como a frequência das plântulas e rebrotes, fez-se um teste de qui-quadrado.

Todas as análises foram feitas no R v. 3.6.1 (R Core Team, 2019).

Os dados de sons foram processados usando o software Raven 1.5 Pro (Cornell Bioacoustics

Research Program) e a colecção de referência de sons do laboratório E.O. Wilson do Parque

Nacional da Gorongosa, com assistência de Zak Pohlen. Geraram-se sonogramas das gravações

e as espécies foram identificadas segundo as suas assinaturas únicas (Figura 5). Os dados dos

sons foram juntados com os da observação directa para determinar a riqueza de aves. Calculou-

se a similaridade (Morisita) ao nível de cada tratamento usando o pacote SpadeR (Chao et al.

2016).

28
Resultados

Dispersão de sementes

Foram encontradas 28 espécies de plantas dispersas no total. Dentre estas espécies, 20 foram

dispersas na floresta; nove no café de 1 ano; cinco no café de 4 anos e três na área agrícola

abandonada (Tabela 3). Oito foram dispersas por pássaros; 12 foram dispersas por vento e

pássaros, e oito espécies foram dispersas somente por vento. A floresta apresentou maior

riqueza (seguindo o café de 4 anos e o café de 1 ano). A área agrícola abandonada apresentou

menor riqueza (F = 9.57, GL=3, P < 0.01, Figura 6). Todas as sementes dispersas no café de

4 anos foram encontradas na floresta e foram dispersos por aves; enquanto na plantação de café

de 1 ano e na área agrícola abandonada foram encontradas maioritariamente espécies diferentes

às da floresta. A maioria das sementes encontradas na área agrícola fora dispersa por vento.

A floresta apresentou maior abundância de sementes (760 no total, 584 por vento e 176 por

pássaros), seguido pelo café de 4 anos (662 no total, 610 por vento e 52 por pássaros), a área

agrícola abandonada (67 no total, 55 por vento e 12 por pássaros), e o café de 1 ano (58 no

total, 32 por vento e 26 por pássaros) (F = 21.32, GL = 3, P < 0.01 Tabela 4).

A floresta apresentou o maior número de sementes dispersas por aves, seguindo a plantação de

café com 4 anos e a plantação de café de 1 ano. A área agrícola abandonada apresentou poucas

sementes dispersas por aves (X2 = 90.66, GL = 3, P <0.01; Figura 7 e 8).

29
Regeneração

A plantação de café de 4 anos apresentou maior riqueza das espécies (10 espécies) em

regeneração, seguindo a plantação de café de 1 ano e a floresta (com oito espécies cada)

enquanto a área agrícola abandonada apresentou menor riqueza (três espécies) (F = 9.56, GL =

3, P <0.01, Figura 9, Tabela 5).

A floresta e a plantação de café de 1 ano apresentaram maior abundância das espécies em

regeneração em relação à plantação de café de 4 anos e área agrícola abandonada (F = 3.55,

GL = 3, P <0.01). A Albizia adianthifolia apresentou maior abundância na floresta com 25

indivíduos; na plantação de café de 1 ano com 18 indivíduos; área agrícola com 6 indivíduos.

A Bridelia micrantha apresentou maior abundância na plantação de café de 1 ano com 16

indivíduos, enquanto a Ficus sycomorus apresentou maior abundância na plantação de 4 anos

com 15 indivíduos e por fim a Dalbergia fischeri apresentou maior abundância na floresta com

14 indivíduos.

A plantação de café de 1 ano apresentou maior regeneração por rebrote (43 rebrotes) (Figura

10) enquanto a floresta apresentou maior regeneração por semente (42 plântulas) (Figura 11).

A plantação de café de 4 anos apresentou igual número da regeneração por rebrote e por

semente (23 rebrotes e 23 plântulas) (X2 = 14.71, GL = 3, P <0.01; Tabela 6). As espécies com

mais rebrotes foram Bridelia micrantha e Albizia adianthifolia com 14 rebrotes cada, enquanto

para a regeneração por semente foi a Dalbergia fischeri com 14 plântulas.

30
Diversidade de aves em diferentes níveis de tratamento no Monte Gorongosa

No estudo foram encontradas 82 espécies de aves, das quais nove foram frugívoras, 41

insectívoras, 17 omnívoros, sete granívoros e oito nectarívoros (Lopes et al. 2016). Nove das

espécies toleram áreas abertas, 22 são generalistas e 51 são aves da floresta (Chittenden et al.

2016) (Tabela 1).

Das espécies generalistas seis foram encontradas na área agrícola abandonada, 14 na plantação

café de 1 ano, 11 na plantação de café de 4 anos, e nove na floresta. Das espécies generalistas

dispersoras de sementes, três foram encontradas na área agrícola abandonada, sete na plantação

de café com 1 ano, seis na plantação de 4 anos, e seis na floresta.

Foram encontradas duas subespécies endémicas ao nível da região sul da África: O.

chlorocephalus speculifer e C. afer amicorum. A O. chlorocephalus speculifer foi encontrada

na plantação de café de 1 e 4 anos e a C. afer amicorum foi encontrada na plantação de café de

1 e 4 anos e nas bordas da floresta; foram encontradas duas espécies quase ameaçadas:

Geokichla gurneyi (encontrada na floresta) e Lonchura fringilloides (encontrada no café de 1

ano); uma residente em Moçambique: Sheppardia gunningi (encontrada na floresta e café de 4

anos); espécies do bioma afrotropical das terras altas: Apalis chirindensis (encontrada na

plantação de café de 4 anos e na floresta) e Swynnertonia swynnertoni (encontrada na floresta)

(Tabela 6). Foram encontradas 5 espécies migratórias, das quais 4 foram encontradas em

plantação de café (Halcyon albiventris, Cecropis abyssinnica, Hirundo rustica, Terpsiphone

viridis), uma na floresta (Cuculus clamous) e duas na área agrícola abandonada (Cecropis

abyssinnica, Hirundo rustica).

31
A maior riqueza de aves foi encontrada na floresta (49 espécies), seguindo a plantação de café

de 4 anos (34 espécies), café de 1 ano (28 espécies), e por último a área agrícola abandonada

(15 espécies) (Figura 12). A composição das espécies de aves diferenciou-se muito entre a

floresta e a área agrícola abandonada, e as comunidades mais semelhantes foram a plantação

de café de 4 anos e a floresta (Índice de Morisita = 0.62; Tabela 7).

Tabela 1. Lista das espécies de aves encontradas em cada habitat

Área Floresta Habitat Dispersora


Café de Café de
Espécie agrícola preferido de semente
1 ano 4 anos
abandonada

Treron calvus X Floresta X

Lagonosticta
X Generalista X
rubricata

Terpsiphone X Floresta
viridis

Anthus X X Áreas abertas


cinnamomeus

Saxicola rubetra X Áreas abertas X

Zosterops X Floresta
X
pallidus

Chalcomitra X X X X Generalista
X
amethustina

Apalis thoracica X Floresta X

32
Hirundo rustica X X X Generalista

Cuculus clamous X Floresta

Dryoscopus cubla X X X X Floresta X

Campephaga X Generalista
flava

Lybius torquatus X X Floresta X

Tchagra X Generalista
senegalus

Campephaga X Generalista
flava

Apalis X Floresta
melanocéfala

Orioluus lavartus X X X Floresta X

Platysteira X Floresta
peltata

Trochocercus X Floresta
cyanomelas

Turtur afer X Floresta X

Halcyon X Floresta
albiventris

Batis capensis X X X Floresta

33
Streptopelia X X X Generalista
X
capicola

Apalis X X Floresta
chirindensis

Hedydipna X X X X Generalista
X
collaris

Pycnonotus X X X X Floresta
X
capensis

Sheppardia X X Generalista
gunningi

Nicator gularis X X X X Floresta

Turtur X X X Generalista
X
chalcospilo

Merops X Floresta
superciliosus

Schoenicola X Generalista
brevirostris

Dicrurus X Áreas abertas


adsimilis

Campethera X Floresta
abingoni

Cinnyris afer X X X Generalista


amicorum

34
Indicator X Generalista
indicator

Phoeniculus X Generalista
purpureus

Oriolus X X Floresta
chlorocephalus X
speculifer

Coranina caesia X Floresta

Cyanomitra X Floresta
X
veroxii

Cyanomitra X X Generali
X
veroxii sta

Cisticola X Áreas abertas


aberrans

Columba lavarta X Floresta X

Merops pusilus X Generalista

Tauraco X X Floresta
X
livingstonii

Lonchura X Áreas abertas


X
fringilloides

Bocagia minuta X Generalista

Monticola X X Floresta
angolensis

35
Motacilla aguimp X Floresta

Apaloderma X Floresta
narina

Cyanomitra X Floresta
olivacea

Turdus olivaceus X X Generalista X

Amandava X Áreas abertas


X
subflava

Geokichla X Floresta
X
gurneyi

Batis soror X Floresta

Cinnyris shelleyi X Floresta

Tauraco X X Floresta
X
porphyreolophus

Cisticola rufilatus X Áreas abertas

Streptopelia X X X X Generalista
X
semitorquata

Heliolais X Floresta
erythropterus

Chalcomitra X Áreas abertas


senegalensis

36
Centropus X Floresta
senegalensis

Bycanistes brevis X Floresta X

Cisticola cantans X Generalista

Andropadus X Floresta
X
importunus

Melaenornis X Generalista
pallidus

Colius Striatus X Generalista X

Dicrurus ludwigii X X X Floresta

Cecropis X X Áreas abertas


abyssinnica

Swynnertonia X Floresta
X
swynnertoni

Turtur X Floresta
X
tympanistria

Laniarius X X Floresta
X
ferrugineus

Bycanistes X Floresta
X
bucinator

Cynniris venustus X X Generalista

37
Centropus X Generalista
burchellii

Cossypha heuglin X Floresta X

Cercotrichas X Floresta
X
paema

Pseudaletje X Floresta
fuelleborni

Stactolaema X X Floresta
X
leucotis

Dendropicos X Floresta
namaquus

Apalis flavida X Floresta

Crithagra X Generalista
X
mozambica

Pogoniulus X Floresta
X
chrisoconus

Pogoniulus X X Floresta
bilineatus

Phylloscopus X Floresta
ruficapilla

38
Discussão

Os resultados mostram que a plantação de café de sombra apresenta comunidades de aves

similares às da floresta. A composição das espécies de aves diferenciou-se muito entre a

floresta e áreas agrícolas abandonadas, contudo, a maior parte das espécies encontradas na

floresta foram também encontradas em áreas de plantação de café de 4 anos. Resultados

similares foram encontrados em outros lugares, por exemplo, Karanth et al. (2016) comparou

a riqueza e abundância das aves nas plantações de C. arabica e C. canephora em florestas

nativas na India e mostrou que as comunidades de aves nas plantações de café eram similares

às de floresta.

A plantação de café de sombra providencia refúgio tanto para espécies de aves generalistas

quanto para as especialistas. A plantação de café e a presença de árvores nativas de sombra

melhora a composição florística e tende a possuir características similares às da floresta,

atraindo muitos pássaros dependente da floresta e as que toleram todos os habitats. Estes

resultados estão de acordo com o estudo sobre o café de sombra como refúgio para a

biodiversidade que mostrou que o café que cresce sobre a sombra de espécies nativas alberga

muito mais biodiversidade que o café do sol (Perfecto et al. 1996). Além disso a plantação de

café serve como ponto focal para aves migratórias.

As plantações de café de sombra apresentam maior número de espécies de aves em relação as

áreas perturbadas. O número de espécies de pássaros duplicou na plantação de café de 4 anos

em relação à área agrícola abandonada.

39
O maior número de espécies de aves generalista e especialista impulsionam o recrutamento de

espécies vegetais e aceleram a regeneração florestal. Isso pode ser explicado pelo facto de as

espécies generalistas e especialistas consumirem diferentes tipos de frutas com sementes

(Ribeiro da Silva et al. 2015) e por tolerarem múltiplos habitats são capazes de dispersar

sementes de um espectro muito amplo. As espécies generalistas, por compartilharem os

mesmos habitats com espécies especialistas são muito importantes para a colonização de novas

áreas porque dispersam diferentes tipos de sementes em diferentes áreas e criam condições para

a regeneração natural das espécies vegetais nativas. Estudos recentes (Goodale et al. 2013;

Chang et al. 2018) relevaram a importância da interacção de aves generalistas e especialistas

em acelerar regeneração das espécies nativas.

Na plantação de café de 1 ano verificou-se a maior presença de espécies a regenerar por rebrote

em relação às plântulas, ao contrário da plantação de café de 4 anos, que apresentou maior

número de espécies vegetais em regeneração por plântulas em relação ao rebrotes. Isso pode

ser explicado pelo facto de a plantação de café de 4 anos apresentar maior número de sementes

dispersas por aves.

A plantação de café cultivada à sombra é uma abordagem eficaz para a manutenção da

biodiversidade local e para acelerar o processo de reflorestamento, além de proporcionar

benefícios económicos às comunidades locais.

No contexto de restauração dos ecossistemas degradados, o valor da plantação de café de

sombra está baseado no facto de que abriga níveis de biodiversidade semelhantes às da floresta

(Tejeda-Cruz & Sutherland, 2004). Outras pesquisas similares em outras áreas, como por

exemplo, o estudo sobre diversidade de aves e alterações antropogénicas nas paisagens mostrou

40
que a plantação de café de sombra apresentou maior riqueza de aves em relação a floresta

natural (Estrada, 1995), sendo muito importante para a conservação de aves residentes e

migratórias (Komar, 2006).

A utilização de café de sombra no Monte Gorongosa como estratégia para a restauração da

biodiversidade tem impactos positivos na restauração da biodiversidade e é de extrema

importância sob ponto de vista da restauração de ecossistemas degradados, na conservação e

na geração de renda ao nível local.

A plantação de café de sombra tem capacidade para responder a problemas associados ao

desflorestamento e à segurança alimentar num período de 4 anos, visto que dentro deste período

mostrou albergar espécies que são dependentes da floresta e, ao mesmo tempo, criou emprego

para comunidades locais e receitas para a economia nacional. Até ao momento 40 hectares

foram restaurados com plantação de café consorciada com espécies vegetais nativas. Estes

hectares correspondem a 0.9% da floresta perdida desde 1977 a 2017. A meta deste programa

de restauração da Gorongosa é de plantar 1000 hectares em uma década. Estes hectares serão

suficientes para manter processos de sucessão florestal na serra.

41
Capitulo 3: Conclusões

Os resultados desta pesquisa respondem às hipóteses de que áreas com plantação de café de

sombra providenciam alternativas para os habitats dos pássaros da floresta nativa. Ainda

confirma que áreas com plantação de café apresentam maior regeneração natural e sementes

dispersas por aves em relação às áreas agrícolas abandonadas.

A plantação de café de sombra apresentou comunidades de aves similares às da floresta. As

comunidades de aves encontradas na área agrícola abandonada diferenciaram-se bastante

daquelas encontradas na floresta. A plantação de café de sombra providenciou refúgio tanto

para espécies de aves generalistas como para as especialistas e apresentou maior número de

espécies de aves em relação às áreas agrícolas abandonadas. Além disso, a plantação de café

albergou duas aves endémicas e quatro migratórias.

As espécies de aves generalistas e especialistas dispersoras de sementes encontradas na


plantação de café impulsionaram o recrutamento de espécies vegetais e aceleraram a
regeneração florestal na plantação de café, em relação às áreas agrícolas abandonadas.

A plantação de café cultivada à sombra das espécies nativas é uma abordagem eficaz para a

manutenção da biodiversidade local e para acelerar o processo reflorestamento em programas

de restauração da biodiversidade e proporciona benefícios económicos às comunidades locais,

criando alternativas para agricultura de sequeiro, um dos problemas que tem causado o

desmatamento na serra. A plantação de café de sombra pode ser integrada na planificação das

estratégias para a conservação e pode ser implementada em outras áreas com características

similares.

42
Recomendações

Estima-se que as sementes dispersas por morcegos nos trópicos contribuem na regeneração
florestal em áreas desmatada por 95% (Monadjem et al. 2010). Recomenda-se que nos
próximos estudos inclua a medição de dispersão de sementes por morcegos.

Recomenda-se que se façam mais estudos do género, que permitirão realizar comparações da
biodiversidade em plantação de café ao longo do tempo.

Recomenda-se que se façam parcelas permanentes com vista a monitorar o crescimento da


regeneração natural.

43
Figura 1. Padrão de perda de floresta no Monte Gorongosa desde 1977 a 2017 (Stalmans,

2018). A cor verde representa a vegetação e a cor de roxo representa a perda da vegetação.

44
Figura 2. Mapa de área de estudo

45
Figura 3. Exemplo de regeneração por rebrote. Fonte:

http://elsemillero.net/nuevo/semillas/guia_basica9.html

46
Figura 4. Programação de intervalos e frequência de gravação na estação automática (SM3).

47
Figura 5. Exemplo de processamento de sons

48
Figura 6. Médias de riqueza das sementes em cada habitat

49
Figura 7. Médias de abundância das sementes dispersa por aves em cada habitat

50
Figura 8. Médias de abundância das sementes dispersa por vento em cada habitat

51
Figura 9. Média da riqueza das espécies vegetais em regeneração em cada habitat

52
Figura 10. Média da abundância de espécies em regeneração por rebrotes em cada habitat

53
Figura 11. Média da abundância de espécies em regeneração por plântulas em cada habitat

54
Á
re
a
ag
ríc
ol
a Número de espécies de aves
ab

0
10
20
30
40
50

an
do
na
da
C
af
é
de
1
an
C o
af
é
de
4
an
os

Fl
or
es
Figura 12. Riqueza das espécies de aves em cada habitat ta

55
Tabela 2. Espécies consorciadas com a plantação de café

Espécies

Khaya anthotheca

Albizia adianthifolia

Harungana madagascariensis

Bridelia micrantha

Erythrina lysistemon

Heteropyxis natalensis

Craibia brevicaudata

56
Tabela 3. Espécies dispersas por aves em cada habitat

Área agrícola
Floresta Café de 4 anos Café de 1 ano
abandonada
Allophylus Philonoptera Anthocleista
Bridelia micrantha
africanus violaceae grandiflora
Annona Psorospermum Chrysophyllum
Bridelia micrantha
senegalensis febrifugum verdifolium
Bridelia
sp1 Grewia sp craibia brevecaidata
micrantha
Chrysophyllum Diospyros
Syzygium cordatum sp1
gorungosanu abyssinica
Chrysophyllum
Titoma ziziphus mauritiana Grewia sp
gorungosanum
Erythrina
Ziziphus sp Syzygium cordatum
lysistemon

Ficus sycomorus Tinhive

Grewia sp Titoma

Harungana
Ziziphus mauritiana
madagascariensis
Heteropyxis
natalensis

Keetia gueinzii

Margaritaria
discoidea var.
Psorospermum
febrifugum

sp1

57
sp2

Syzygium
cordatum

Tinhive

Vernonia
polyanthes
Virgilia
divaricate

Ximenia caffra

Ziziphus
mauritiana

58
Tabela 4. Número de sementes por modo de dispersão por área

Tratamento Dispersa por Vento Dispersa por Aves

Área agrícola

abandonada 55 12

Café de 1 ano 32 26

Café de 4 anos 610 52

Floresta 584 176

59
Tabela 5. Listas das espécies vegetais em regeneração encontradas em cada habitat

Espécies Café de 1 Café de 4 Flores Área agrícola


ano anos ta abandonada

Albizia adianthifolia X X X X

Allophylus africanus X

Annona senegalensis X X X

Breonadia salicina X

Bridelia micrantha X X

Dalbergia fischeri X

Erythrina lysistemon X X

Euclea natalensis X

Farissonia abyssinica X

Ficus sycomorus X X

Harungana X X
madagascariensis

Heteropyxis natalensis X X

Keetia gueinzii X X

60
Khaya anthotheca X

Newtonia buchanni X

Philenoptera violácea X

Syzygium cordatum X

Vangueria infausta X

61
Tabela 6. Espécies em regeneração por rebrote e por plântulas

Espécies Plântulas Rebrote

Albizia adianthifolia X X

Allophylus africanus X

Annona senegalensis X X

Breonadia salicina X

Bridelia micrantha X X

Dalbergia fischeri X

Erythrina lysistemon X

Euclea natalensis X

Farissonia abyssinnica X

Ficus sycomorus X X

Harungana madagascariensis X

Heteropyxis natalensis X X

Keetia gueinzii X X

Khaya anthotheca X X

62
Newtonia buchanni X

Philenoptera violácea X X

Syzygium cordatum X

Vangueria infausta X X

63
Tabela 7. Lista geral das espécies de aves

Grupo Espécie Nome científico Raridade Espécie


migratória

Akalats Eastern Coast Akalat Sheppardia Residente em


gunningi Mocambique

Alethes White Chested Pseudaletje Residente e não


Alethe fuelleborni comum

Apalis Black Headed Apalis Apalis Não comum


melanocephala

Apalis Bar-Throated Apalis Apalis thoracica Comum e


residente

Apalis Chirinda Apalis Apalis chirindensis Razoavelmente


comum

Apalis Yellow Breasted Apalis flavida Comum


Apalis

Barbets Black Collared Lybius torquatus Comum


Barbet

Barbets White Eared Barbet Stactolaema Razoavelmente


leucotis comum

Batises Cape Batis Batis capensis Comum

Batises Pale Batis Batis soror Comum

64
Bee-eaters European Bee-Eater Merops Razoavelmente
superciliosus comum

Bee-eaters Little Bee-Eater Merops pusilus vangrats

Boubous Tropical Boubou Laniarius Comum


ferrugineus

Canary Yellow Fronted Crithagra Comum e


Canary mozambica residente

Chat African Stonechat Saxiocola rubetra Comum

Cisticola Lazy Cisticola Cisticola aberrans Local comum e


residente

Cisticola Rattling Cisticola Cisticola rufilatus Muito comum

Cisticola Singing Cisticola Cisticola cantans Razoavelmente


comum

Coucals Senegal Coucal Centropus Não comum


senegalensis

Cuckoo Black Cuckoo Cuculus clamous Razoavelmente Intra-


comum africana

Cuckooshr Black Cuckooshrike Campephaga flava Residente e não


ikes comum

Cuckooshr Grey Cuckooshrike Coranina caesia Residente e não


ikes comum

Doves & African Green Treron calvus Comum


Pigeons Pigeon

65
Doves & Blue Spotted Dove Turtur afer Residente e não
Pigeons comum

Doves & Cape Turtle Dove Streptopelia Comum


Pigeons capicola

Doves & Emerald Spotted Turtur chalcospilo Local comum e


Pigeons Dove residente

Doves & Lemon Dove Columba larvata Razoavelmente


Pigeons comum

Doves & Red-Eyed Dove Streptopelia Comum


Pigeons semitorquata

Doves & Tambourine Dove Turtur tympanistria Local comum e


Pigeons residente

Drongos Fork Tailed Drongo Dicrurus adsimilis Comum

Drongos Square Tailed Dicrurus ludwigii Razoavelmente


Drongo comum

Firefinch African Firefinch Lagonosticta Comum e


rubricata residente

Flycatcher African Paradise Terpsiphone viridis Comum Intra-


s Flycatcher africana

Flycatcher Blue Mantled Trochocercus Não comum


s Crested Flycatcher cyanomelas

Flycatcher Southern Black Melaenornis Comum


s Flycatcher pallidus

66
Greenbuls Sombre Greenbul Andropadus Comum e
importunus residente

Ground Orange Ground Geokichla gurneyi Quase ameaçada


Thrush Thrush

Honeyguid Greater Honeyguide Indicator indicator Não comum


e

Hoopoes Green Wood Hoopoe Phoeniculus Comum


purpureus

Hornbills Silver Cheeked Bycanistes brevis


Hornbill

Hornbills Trumpeter Hornbill Bycanistes Local comum e


bucinator residente

Kingfisher Brown Hooded Halcyon albiventris Não comum Intra-


Kingfisher africana

Leaf Yellow-Throated Phylloscopus Local comum e


Warblers Woodland Warbler ruficapilla residente

Mannikins Magpie Mannikin Lonchura Quase ameaçada


fringilloides

Mousebird Speckled Mousebird Colius striatus Muito comum

Nicator Dark Capped Bulbul Pycnonotus Muito comum


and Bulbul capensis

Nicator Eastern Nicator Nicator gularis Razoavelmente


and Bulbul comum

Orioles Black Headed Oriole Orioluus lavartus Comum

67
Orioles Green Headed Oriole Oriolus Endémica no
chlorocephalus monte Gorongosa
speculifer

Pipit African Pipit Anthus Comum


cinnamomeus

Prinia-like Red-Winged Heliolais Razoavelmente


Warbler Warbler erythropterus comum

Puffback Black Backed Dryoscopus cubla Comum


Puffback

Robin-chat White-Browed Cossypha heuglin Comum


Robin-Chat

Robins Swynnerton's Robin Swynnertonia Localizada mas


swynnertoni comum

Rock Miombo Rock Monticola Não comum


Thrush Thrush angolensis

Scrub White Browed Scrub Cercotrichas Razoavelmente


Robin Robin paema comum

Sunbird Amethyst Sunbird Chalcomitra Comum


amethustina

Sunbird Collared Sunbird Hedydipna collaris Comum

Sunbird Greater Double- Cinnyris afer Endémica e


Collared Sunbird amicorum comum

Sunbird Grey Sunbird Cyanomitra veroxii Razoavelmente


comum

68
Sunbird Olive Sunbird Cyanomitra Comum
olivácea

Sunbird Purple-Banded Cinnyris shelleyi Razoavelmente


Sunbird comum

Sunbird Scarlet Chested Chalcomitra Comum


Sunbird senegalensis

Sunbird Variable Sunbird Cynniris venustus Comum

Swallow Barn Swallow Hirundo rustica Comum Paleárctica

Swallow Lesser Striped Cecropis Comum Intra-


Swallow abyssinnica africana

Tchagras Black Crowned Tchagra senegalus Comum


Tchagra

Tchagras Marsh Tchagra Bocagia minuta Não comum

Thrush Kurrichane Thrush Turdus libonyana Local comum

Thrush Olive Thrush Turdus olivaceus Comum e


residente

Tinkerbird Yellow Fronted Pogoniulus Razoavelmente


Tinkerbird chrisoconus comum

Tinkerbird Yellow Rumped Pogoniulus Local comum


Tinkerbird bilineatus

Trogons Narina Trogon Apaloderma narina Razoavelmente


comum

69
Turacos Livingstone Turaco Tauraco Razoavelmente
livingstonii comum

Turacos Purple-Crested Tauraco Comum e


Turaco porphyreolophus residente

Wagtails Mountain Wagtail Motacilla aguimp Não comum

Warblers Fan Tailed Grassbird Schoenicola Não comum


brevirostris

watle-eye Black Throated Platysteira peltata Local comum e


Wattle-Eye residente

Waxbill Orange- Breasted Amandava subflava Local comum e


Waxbill residente

White- African Yellow Zosterops pallidus Comum


eyes White-Eye

Woodpeck Golden-Tailed Campethera Razoavelmente


er Woodpecker abingoni comum

Woodpeck Bearded Dendropicos Razoavelmente


er Woodpecker namaquus comum

70
Tabela 8. Índice de similaridade de Morisita das espécies de aves entre os habitats

Café de 1 Café de 4 Floresta Área agrícola abandonada

ano anos

Café de 1 ano 1 0.59 0.47 0.84

Café de 4 anos 1 0.80 0.58

Floresta 1 0.43

Área agrícola abandonada 1

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