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Handebol: Aspectos

Pedagógicos e
Aprofundamentos
Autoras: Profa. Priscilla Augusta Monteiro Ferronato
Profa. Claudia Regina Cortez
Professoras conteudistas: Priscilla Augusta Monteiro Ferronato /
Claudia Regina Cortez

Priscilla Augusta Monteiro Ferronato

Atleta durante a infância e adolescência da modalidade de handebol pela Federação Paulista de Handebol, cursou
bacharelado em Educação Física na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de 1998 a 2001, na cidade de Rio Claro,
interior de São Paulo. Em seguida, na mesma universidade, ingressou no curso de mestrado (2003-2005), no qual
foi investigado o desenvolvimento e os processos que levam às mudanças nos mecanismos de controle postural em
crianças e adultos. Professora na Universidade Paulista (UNIP) desde 2004 e coordenadora do curso de Educação Física
no campus de Alphaville desde 2007. Membro do Grupo de Estudos da Ação e Intervenção Motora na Universidade
de São Paulo (USP), dedica as pesquisas ao desenvolvimento do comportamento ativo das mãos, especialmente em
bebês, tema esse da tese de doutorado executado nessa universidade com Estágio Sanduíche realizado na Universidade
de Umea-Suécia (Processo Capes 1592412-2) no ano de 2013 e doutorado concluído no ano de 2015. Atualmente é
responsável pelo projeto de pesquisa sobre a emergência e o desenvolvimento da ação manipulativa de apertar em
bebês de 1 a 3 meses de idade com financiamento Fapesp (processo 2015/50530-1).

Claudia Regina Cortez

Possui formação superior em licenciatura plena em Educação Física pelo Centro Universitário Metropolitano de São
Paulo (1985) e mestrado em Educação pelo Centro Universitário Salesiano (2001). Atualmente, é professora assistente
do curso de Educação Física do Centro Universitário Fieo – Unifieo e Universidade Paulista – UNIP. Possui experiência
na área de Educação Física, com ênfase em Educação Física no Ensino Básico, nas áreas Handebol, Aprendizagem
motora, Crescimento e desenvolvimento motor e Educação Física nos Ensinos Infantil, Fundamental e Médio.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Z13 Zacariotto, William Antonio

?
Informática: Tecnologias Aplicadas à Educação. / William
Antonio Zacariotto - São Paulo: Editora Sol.

il.

Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e


Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XVII, n. 2-006/11, ISSN 1517-9230.

1.Informática e tecnologia educacional 2.Informática I.Título

681.3

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Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)

Apoio:
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Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos

Projeto gráfico:
Prof. Alexandre Ponzetto

Revisão:
Kleber Nascimento
Sumário
Handebol: Aspectos Pedagógicos e Aprofundamentos

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................9

Unidade I
1 O HANDEBOL NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR – ETAPAS DE APRENDIZAGEM
E AS FASES DE DESENVOLVIMENTO: O MOMENTO DE INICIAR O HANDEBOL........................... 11
2 ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO ENSINO DO HANDEBOL................................................... 15
2.1 Educação Infantil (2 a 5 anos)/Fase pré-escolar...................................................................... 16
2.2 Ensino Fundamental I (6 a 11 anos)/Fase universal e fase universal no handebol..... 16
2.3 Ensino Fundamental II (11-14 anos)/Fase de orientação e fase de direção.................. 17
2.4 Ensino Médio (15 a 17 anos)/Fase de especialização............................................................. 19
2.5 Fase de aproximação/Integração – 18 aos 21 anos................................................................ 19
2.6 Fase de alto nível................................................................................................................................... 20
2.7 Fase de recuperação/Readaptação................................................................................................. 20
2.8 Fase de recreação e saúde................................................................................................................. 20
3 CONCEITOS BÁSICOS PARA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE ENSINO –
APRENDIZAGEM EM HANDEBOL................................................................................................................... 21
3.1 Estrutura de aula................................................................................................................................... 22
4 AS HABILIDADES BÁSICAS DO HANDEBOL E A CONSTRUÇÃO DO JOGO.................................. 23
4.1 Aquisição e combinação de elementos técnicos básicos...................................................... 23
4.1.1 Recepção..................................................................................................................................................... 23
4.1.2 Passe.............................................................................................................................................................. 25
4.1.3 Drible............................................................................................................................................................. 27
4.1.4 Arremesso................................................................................................................................................... 29
4.1.5 Progressão................................................................................................................................................... 33
4.1.6 Fintas............................................................................................................................................................. 36

Unidade II
5 CONCEITOS BÁSICOS...................................................................................................................................... 43
5.1 Tática.......................................................................................................................................................... 43
5.2 Tática individual..................................................................................................................................... 43
5.3 Tática de grupo...................................................................................................................................... 44
5.4 Tática coletiva......................................................................................................................................... 44
5.5 Táticas de grupo.................................................................................................................................... 45
5.5.1 Ritmo de bola e fixação do oponente............................................................................................. 45
5.5.2 Equilíbrio ofensivo................................................................................................................................... 46
5.5.3 Engajamento.............................................................................................................................................. 47
5.5.4 Cruzamento................................................................................................................................................ 47
5.5.5 Bloqueio ofensivo.................................................................................................................................... 49
5.5.6 Cortina.......................................................................................................................................................... 49
5.5.7 Quebra de ritmo....................................................................................................................................... 50
5.5.8 Passa e vai................................................................................................................................................... 51
5.6 Táticas de grupo ofensivas em superioridade numérica....................................................... 52
5.7 Táticas de grupo defensivas.............................................................................................................. 52
5.7.1 Cobertura.................................................................................................................................................... 52
5.7.2 Troca de marcação.................................................................................................................................. 53
5.7.3 Acompanhamento................................................................................................................................... 54
5.7.4 Marcação de bloqueio ofensivo......................................................................................................... 54
5.8 Táticas de grupo defensivas em inferioridade numérica...................................................... 55
6 TÁTICA DEFENSIVA........................................................................................................................................... 55
6.1 Postos específicos defensivos........................................................................................................... 56
6.2 Fases da defesa....................................................................................................................................... 58
6.3 Tipos de sistemas defensivos............................................................................................................ 59
6.4 Defesa individual................................................................................................................................... 59
6.4.1 Função dos jogadores............................................................................................................................ 62
6.4.2 Erros comuns............................................................................................................................................. 62
6.4.3 Vantagens e desvantagens do sistema defensivo individual................................................. 62
6.5 Defesa por zona..................................................................................................................................... 63
6.6 A ordenação dos jogadores nos sistemas defensivos............................................................. 63
6.7 Sistema defensivo por zona 3:3...................................................................................................... 64
6.7.1 Função dos jogadores............................................................................................................................ 65
6.7.2 Erros comuns............................................................................................................................................. 65
6.7.3 Vantagens e desvantagens do sistema defensivo 3:3.............................................................. 65
6.8 Sistema defensivo por zona 3:2:1.................................................................................................. 66
6.8.1 Função dos jogadores............................................................................................................................ 66
6.8.2 Erros comuns............................................................................................................................................. 67
6.8.3 Vantagens e desvantagens do sistema defensivo 3:2:1.......................................................... 67
6.9 Sistema defensivo por zona 4:2...................................................................................................... 67
6.9.1 Função dos jogadores............................................................................................................................ 68
6.9.2 Erros comuns............................................................................................................................................. 68
6.9.3 Vantagens e desvantagens do sistema defensivo por zona 4:2........................................... 69
6.10 Sistema defensivo por zona 5:1.................................................................................................... 69
6.10.1 Função dos jogadores.......................................................................................................................... 70
6.10.2 Erros comuns........................................................................................................................................... 70
6.10.3 Vantagens e desvantagens do sistema defensivo por zona 5:1......................................... 71
6.11 Sistema defensivo por zona 6:0.................................................................................................... 71
6.11.1 Função dos jogadores.......................................................................................................................... 72
6.11.2 Erros comuns........................................................................................................................................... 72
6.11.3 Vantagens e desvantagens do sistema defensivo por zona 6:0......................................... 72
6.12 Sistemas defensivos combinados ou mistos........................................................................... 73
6.13 Defesa combinada ou mista 5+1................................................................................................. 73
6.13.1 Função dos jogadores.......................................................................................................................... 74
6.13.2 Erros comuns.......................................................................................................................................... 74
6.13.3 Vantagens e desvantagens do sistema defensivo combinado ou misto 5+1.............. 75
6.14 Sistema defensivo combinado ou misto 4+2......................................................................... 75
6.14.1 Função dos jogadores.......................................................................................................................... 76
6.14.2 Erros comuns.......................................................................................................................................... 76
6.14.3 Vantagens e desvantagens do sistema defensivo combinado ou misto 4+2.............. 76
7 TÁTICA OFENSIVA............................................................................................................................................. 77
7.1 Os postos específicos ofensivos....................................................................................................... 77
7.2 Características dos postos específicos ofensivos..................................................................... 78
7.2.1 Os armadores............................................................................................................................................. 79
7.2.2 Os pontas.................................................................................................................................................... 80
7.2.3 Os pivôs........................................................................................................................................................ 80
7.3 As linhas ofensivas................................................................................................................................ 81
7.4 Fases do ataque...................................................................................................................................... 82
7.5 Sistemas de ataque.............................................................................................................................. 83
7.5.1 Posicional.................................................................................................................................................... 83
7.5.2 Circulação................................................................................................................................................... 83
7.5.3 Combinado................................................................................................................................................. 84
7.6 Sistemas de ataque posicional......................................................................................................... 84
7.6.1 Sistema de ataque com um pivô – 5x1.......................................................................................... 84
7.6.2 Função dos jogadores............................................................................................................................ 85
7.6.3 Erros comuns............................................................................................................................................. 85
7.6.4 Vantagens e desvantagens do sistema ofensivo posicional 5x1.......................................... 85
7.7 Sistema de ataque com dois pivôs – 4x2.................................................................................... 86
7.7.1 Função dos jogadores............................................................................................................................ 86
7.7.2 Erros comuns............................................................................................................................................. 87
7.7.3 Vantagens e desvantagens do sistema ofensivo posicional 4x2.......................................... 87
8 O GOLEIRO.......................................................................................................................................................... 88
8.1 Características físicas dos goleiros................................................................................................. 89
8.1.1 Medidas antropométricas de goleiros de handebol.................................................................. 89
8.2 Posições defensivas básicas............................................................................................................... 91
8.3 Deslocamentos defensivos................................................................................................................ 92
8.4 Formas de defesa................................................................................................................................... 94
8.5 Defesas em bolas altas........................................................................................................................ 95
8.6 Defesas em bolas meia altura.......................................................................................................... 96
8.7 Defesas em bolas baixas..................................................................................................................... 97
8.8 Saída em “X”............................................................................................................................................ 98
APRESENTAÇÃO

A disciplina de Handebol tem a intenção de contextualizar o esporte como prática social, escolar e
esportiva, levando em consideração as fases de desenvolvimento do aprendiz, bem como os processos
pedagógicos de ensino-aprendizagem envolvidos no ensino da modalidade. Sendo assim, tem como
objetivos oferecer ao aluno a oportunidade de vivenciar e aprender o handebol enquanto prática social
e esportiva; e ainda, conhecer os aspectos metodológicos do seu ensino no ambiente escolar e de alto
rendimento.

INTRODUÇÃO

O handebol se caracteriza como um esporte coletivo de invasão, jogado com as mãos que visa à
obtenção do gol. De maneira geral, é uma modalidade composta de gestos técnicos simples (receber,
passar, saltar, correr e arremessar) que estão baseados em habilidades motoras fundamentais que
começam a ser realizadas por crianças desde a primeira infância. Talvez por essa simplicidade do gesto
técnico o handebol seja uma das modalidades mais praticadas em ambiente escolar.

Os relatos da sua origem e criação apresentam divergências, entretanto, há concordância de que o


esporte da forma contemporânea, como é apresentado atualmente, tem sua origem por volta da década
de 1930, na região da Escandinávia. Como todos os esportes, o handebol começou sua história sendo
um jogo originário no século XIX. No século XX, a modalidade foi institucionalizada, ou seja, passou
a ter uma instituição responsável pela sua regularização, normatização e divulgação da prática. Essa
institucionalização aconteceu em 1934 na cidade de Estocolmo, Suécia.

O handebol é uma modalidade que se manifesta de diferentes formas, seja como esporte escolar, seja
para reabilitação, saúde, lazer e recreação, rendimento e profissional. A modalidade apresenta diversas
adaptações para que possa ser jogada por diferentes populações em distintos ambientes como: quadra,
praia, cadeira de rodas, na terceira idade em equipes máster; logo, é um esporte para todos.

O esporte é considerado hoje como um dos fenômenos sociais mais importantes da humanidade
(GRECO; ROMERO, 2012), pois além de um fator de educação apresenta componentes formativos
para a cidadania, como Bento (2004) descreve, o esporte é pedagógico e educativo pois proporciona
oportunidades, obstáculos e desafios, também quando fomenta a procura do rendimento na competição
e para isso se exercita, se treina e reserva-se um pedaço da vida.

O esporte pode ser concebido como um fenômeno cultural, global (BENTO; 2004). Ele é cultural
pois, faz parte da cultura dos povos desde as mais antigas civilizações e perdura até os dias atuais,
fundamenta-se pela e na cultura. É global porque se encontra nos mais distintos pontos do planeta,
e por isso, apresenta significados diferentes nas diversas culturas, seja para seus praticantes, seja para
seus expectadores.

Com todas essas características que fazem parte não só do handebol, mas também de todos os
outros esportes, o presente livro-texto tem a pretensão de apresentar de maneira contextualizada o
handebol como prática social, escolar e esportiva, levando em consideração as fases de desenvolvimento
9
do aprendiz, assim como os processos pedagógicos de ensino-aprendizagem envolvidos no ensino da
modalidade. Será apresentada uma proposta de desenvolvimento do handebol no ambiente escolar,
bem como em clubes ou escolas de iniciação esportiva. A proposta está baseada em algumas teorias da
Pedagogia do Esporte, e em seguida serão demonstrados os fundamentos e recursos técnicos específicos
da modalidade. Na sequência será observada a nomenclatura e simbologia padronizada da modalidade,
bem como os recursos táticos individuais e de grupo tanto ofensivos quanto defensivos que compõem
e caracterizam o esporte handebol.

10
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

Unidade I
1 O HANDEBOL NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR – ETAPAS DE
APRENDIZAGEM E AS FASES DE DESENVOLVIMENTO: O MOMENTO DE
INICIAR O HANDEBOL

O desenvolvimento das modalidades esportivas tem no ambiente escolar um grande aliado para sua
propagação. Tendo em vista que a escola tem como finalidade a formação do aluno, faz parte também
desse processo, o desenvolvimento da constituição do repertório motor. Nesse sentido, o professor deve
estar atento para distribuir os conteúdos das modalidades de acordo com as possibilidades e o nível de
desenvolvimento motor dos alunos.

Para o ensino do Handebol, assim como qualquer outra modalidade, é importante analisar além da
faixa etária do grupo de alunos, o nível de habilidade motora, para poder comparar com os estágios de
desenvolvimento motor propostos na literatura, a fim de ter um “desenho do estado motor” em que se
encontra o aprendiz.

Aplicando esses conceitos para o ambiente escolar, podemos utilizar os modelos de estágios de
desenvolvimento motor propostos para ajudar a formar um desenho do grupo de alunos e para auxiliar
no planejamento das atividades de cada série escolar.

O modelo mais conhecido de progressão motor foi proposto por Gallahue (1989). Esse autor
identificou estágios específicos, observados em quatro grandes fases: fase dos movimentos reflexos,
fase dos movimentos rudimentares, fase dos movimentos fundamentais e fase dos movimentos
especializados. Elas estão associadas ao eixo temporal da vida de um indivíduo e às características
de movimento descritas na fase dos movimentos fundamentais, compartimentalizadas em
estágios inicial, elementar e maduro, têm subsidiado a elaboração de propostas curriculares para
a Educação Física.

Na proposta de Gallahue (1989), embora o autor afirme que o processo de desenvolvimento motor
esteja relacionado com a idade, ele também aponta que não é dependente dela. Ou seja, assume uma
certa participação das experiências no processo de transposição de etapas, porém apresenta os estágios
relacionando-os às idades aproximadas de 2/3 anos; 4/5 anos e 6/7 anos, respectivamente. Assim, à
medida que as crianças avançam em idade, tendem a progredir para movimentos que otimizam sua
performance, orientado ao nível mais superior da sequência, favorecendo, em consequência, a aquisição
de habilidades mais complexas.

11
Unidade I

Movimentos especializados
Barreira de
Movimentos específicos eficácia
Movimentos transitórios
Barreira de
eficiência
Movimentos fundamentais

Movimentos rudimentares

Movimentos reflexos

Figura 1 - Modelo adaptado da pirâmide proposto por Gallahue em 1989

A primeira etapa relatada por Gallahue (1989) é a fase de movimentos reflexos, que estaria relacionada
ao primeiro ano de vida. Nela os movimentos são desencadeados por uma estimulação específica e tem
como objetivo garantir a sobrevivência e o controle postural do recém-nascido.

A fase de movimentos rudimentares sobrepõe-se à fase de movimentos reflexos em termos


temporais e vai além, até por volta dos dois anos de idade. Nela, o bebê demonstra as primeiras
formas de movimento voluntário e já não apresentaria comportamento reativo (reflexivo). O
movimento é realizado de forma voluntária e independente, no entanto, sem refinamento, com
aspecto grosseiro.

A fase de habilidades motoras fundamentais compreende o período aproximado de 2 até 7 anos


de idade. Aqui, ocorre um refinamento dos movimentos rudimentares, bem como aquisição de novas
formas de controle postural, locomoção e manipulação. Essa etapa abrange a idade escolar, portanto
o acesso ao processo de iniciação esportiva. Dentro da etapa de movimentos fundamentais, outras 3
subetapas foram criadas, seriam uma forma mais detalhada de apresentar as modificações pelas quais o
comportamento vai passando dentro de cada habilidade fundamental (saltar, correr, andar, rolar, chutar,
rebater etc.), são elas: estágio inicial, estágio elementar e estágio maduro.

Finalmente, a fase de habilidades especializadas, essencialmente relacionadas às esportivas de alto


rendimento. Nela, os indivíduos passariam por um processo formal de prática específica para cada tipo
de habilidade motora. Esse processo deveria apresentar um período de tempo prolongado para que o
estágio fosse atingido.

Tal etapa foi nitidamente responsável por Gallahue fazer ajustes no modelo de estágios em forma de
pirâmide proposto em 1989. Em 2001, a fase de movimentos especializados passou a considerar como
especializados diversos tipos de movimentos, e não apenas os esportivos. Nesse grupo entraram também
as atividades de lazer e profissionais, que foram chamadas de culturalmente determinadas.

12
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

As fases do desenvolvimento motor


Utilização Utilização Utilização
permanente permanente permanente
na vida diária recreativa competitiva

FAIXAS ETÁRIAS OS ESTÁGIOS DE


APROXIMADAS DE DESENVOLVIMENTO DESENVOLVIMENTO MOTOR
14 anos e acima Estágio de utilização permanente
de 11 a 13 anos FASE MOTORA Estágio de aplicação
de 7 a 10 anos ESPECIALIZADA Estágio transitório
de 6 a 7 anos Estágio maduro
FASE MOTORA
de 4 a 5 anos Estágio elementar
FUNDAMENTAL
de 2 a 3 anos Estágio inicial
de 1 a 2 anos FASE MOTORA Estágio de pré-controle
do nascimento até 1 ano RUDIMENTAR Estágio de inibição de reflexos

de 4 meses a 1 ano FASE MOTORA Estágio de decodificação de informações


dentro do útero e até 4 meses de idade REFLEXIVA Estágio de codificação de informações

Figura 2 - Modelo de ampulheta de Gallahue e Ozmun, 2001

Com isso, a forma do modelo mudou de pirâmide para ampulheta, a fim de abranger mais categorias.
Como na pirâmide a ponta do modelo era bem mais estreita do que a base, passava a impressão de
que poucos atingiriam a etapa de movimentos especializados. O que realmente não deixa de ser uma
verdade, poucas são as pessoas que tem o interesse, a motivação e a oportunidade de praticar por longos
períodos de tempo uma determinada modalidade esportiva (já que a fase de movimentos especializados
estava unicamente associada a movimentos esportivos). No modelo da ampulheta a superfície é tão
ampla quanto a base, indicando que muito mais pessoas poderiam atingir o padrão especializado já que
esse agora abrangeria atividades do cotidiano, lazer e esportivas.

Lembrete

A troca do modelo de Pirâmide para Ampulheta se deu por conta da


mudança no conceito de habilidades especializadas, que passou a englobar
as atividades de lazer, trabalho e habilidades diárias.

Além desses modelos propostos por Gallahue (1989) e Gallahue e Ozmun (2001), Manoel (1994)
apresentou uma sequência de desenvolvimento levando em consideração o estudo do processo que leva ao
produto (desenvolvimento motor ou comportamento motor observável). Neste modelo, houve a inclusão
da fase de movimentos fetais correspondendo ao período da concepção até o nascimento. Também a
inclusão de movimentos espontâneos juntamente à fase de movimentos reflexos. E por fim, a inclusão da
fase de combinação de movimentos fundamentais relacionada ao período aproximado, de sete até dez

13
Unidade I

anos de idade. Na fase de combinação de movimentos fundamentais seria o período em que emergiriam
as habilidades associadas mais formalmente aos gestos técnicos das modalidades esportivas.

Movimentos
culturalmente
determinados

Fase de combinação de
movimentos fundamentais

Fase de movimentos
fundamentais

Fase de movimentos
rudimentares

Fase de movimentos
espontâneos e reflexos

Fase de movimentos fetais

Figura 3 - Modelo de desenvolvimento motor de Manoel, 1994

Lembrete

O modelo de Manoel incluiu os movimentos fetais que não haviam sido


mencionados nos de Gallahue.

O foco do professor de Educação Física deve estar nas idades entre 2 e 5 anos, que engloba a Educação
Infantil (apesar de não ser obrigatório especialista em Educação Física nesse nível de ensino, diversas
escolas têm optado por colocar um professor especialista em Educação Física para trabalhar os aspectos
motores nessa faixa etária). Crianças entre 5 e 11 anos (Ensino Fundamental I), crianças e jovens de 12 a
14 anos (Ensino Fundamental II) e por fim, os jovens entre 15 e 17 anos (Ensino Médio). Uma proposta
teórica bastante utilizada na Europa é o modelo de iniciação esportiva nomeado Escola da Bola, uma
proposta originalmente alemã que se preocupa com a formação motora geral dos cidadãos e não com a
especialização precoce e o alto rendimento. Basicamente os pilares principais dessa proposta são:

• formação de um amplo repertório motor aplicável a todas as modalidades esportivas;

• contrária à especialização precoce;

• ensino dos esportes através dos princípios táticos inicialmente;

• proposição de um período de DEStreinamento para o ex-atleta.

Seguindo esses princípios, o professor poderia aplicar essa proposta – que originalmente na
Europa é utilizada em atividades esportivas extracurriculares – no ambiente escolar, uma vez
14
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

que a proposta está baseada em pilares que atendem aos objetivos da Educação Física escolar
(FERRONATO, 2007).

Outro aspecto diferencial da proposta da Escola da Bola é o ensino das modalidades esportivas,
focando a atenção no desenvolvimento dos aspectos cognitivos através de mecanismos de tomada
de decisão e compreensão aprofundada dos jogos. Segundo os preceitos da proposta, uma iniciação
esportiva ideal deve contemplar:

• tomada de decisão e formação de conceitos por parte do aluno;

• compreensão do contexto dos jogos esportivos;

• trabalho da tática na iniciação.

A tomada de decisão envolve oferecer ao aluno a oportunidade de escolha entre duas ou mais ações
a serem executadas durante o jogo, isso é basicamente o trabalho da tática, uma vez que, uma definição
de tática é a tomada de decisão. Para que seja capaz de tomar decisões adequadas, a cada situação
que o jogo oferece, o aluno precisa ter experiência suficiente ser capaz de avaliar as consequências da
decisão. Ou seja, o aluno deve compreender os mecanismos norteadores do jogo (saber jogar no sentido
de entender como funciona o jogo e não unicamente no sentido de saber executar os movimentos/
técnicas que o jogo exige), isso é ter entendimento do jogo.

Para que tais habilidades sejam trabalhadas, o processo de iniciação esportiva e de formação do
repertório motor não pode priorizar a execução e repetição dos movimentos, mas deve oferecer a
oportunidade de executar tais comportamentos em situações de jogo (seja esse jogo uma modalidade
esportiva, um pré-desportivo ou ainda uma brincadeira).

Baseado nesses conceitos, a seguir será apresentada uma sugestão de organização e planejamento
da Educação Física escolar baseada nos princípios da Escola da Bola alemã e das propostas de
Iniciação Esportiva Universal de Greco e Benda (1998) – que também está baseada nas propostas
da Escola da Bola.

2 ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO ENSINO DO HANDEBOL

A proposta de desenvolvimento do handebol está embasada nos conceitos das propostas pedagógicas
da Iniciação Esportiva Universal de Greco e Benda (1998). Ela é orientada à aprendizagem incidental
(proposital, planejada e estruturada) sobre o controle e progresso das capacidades, em meio às
inter-relações estabelecidas entre professor-aluno, na pretensão do desenvolvimento das capacidades
coordenativas, para a construção e constituição do potencial do indivíduo, oferecendo-lhe a possibilidade
de compartilhar decisões e a conscientização político-social contextualizada à sua ação. Essa proposta
apoia-se nas Teorias da Aprendizagem Motora e Controle Motor, além da psicologia geral e cognitivista.

Apesar de apresentar uma ideia de divisão de trabalho do handebol na escola, a mesma proposta
pode ser aplicada fora do ambiente escolar, como em clubes e escolas de iniciação esportiva.
15
Unidade I

Saiba mais

Para um conhecimento mais aprofundado sobre o tema, leia:

KRÖGER, C.; ROTH, K. Escola da bola: um abc para iniciantes nos jogos
esportivos. São Paulo: Phorte, 2002.

2.1 Educação Infantil (2 a 5 anos)/Fase pré-escolar

KREBS (1992), acredita que, nesse período até o fim do Ensino Fundamental, o professor deverá
proporcionar uma vivência diversificada de movimentos sem que haja exigência de um padrão ideal,
isto é: não existe execução errada de movimento. Nessa fase, denominada pelo autor de estimulação
motora, o padrão de movimento deve ser tomado apenas como estímulo para que a criança construa
seu próprio plano motor.

Atividades básicas de deslocamento, equilíbrio, acoplamento, esquema corporal, relação


espaçotemporal entre outras são prioritárias e devem, preferentemente, ser apresentado em formas
jogadas, tipo de jogos de imitação e perseguição sem focar uma modalidade esportiva específica.

2.2 Ensino Fundamental I (6 a 11 anos)/Fase universal e fase universal no


handebol

O ensino das habilidades motoras deve ser administrado conforme a idade e o nível de experiência
motora do aprendiz. Essa fase pode ser separada em dois subestágios que forem capazes de agrupar
as crianças de acordo com a capacidade de execução das habilidades. O primeiro subestágio abrange
as crianças de 6 a 8 anos e o segundo de 9 a 11 anos. Entre 6 e 8 anos, a criança está explorando as
habilidades básicas de locomoção, manipulação e estabilização/equilíbrio em um processo de refinamento
progressivo, podendo assim, participar de um número maior e mais complexo de atividades motoras.

Nesse período, o jogo precisa ser um elemento didático-pedagógico que deverá ser oferecido
conforme as características evolutivas do aprendiz, especialmente no que se refere à sua maturidade,
evolução psicológica e cognitivo-social. Por exemplo, crianças de 6-8 anos devem trabalhar com a
combinação das habilidades motoras básicas e com jogos de perseguição, estafetas, jogos de relevos,
dentre outros. Já com crianças de 9-11 anos, além de aumentar o grau de dificuldade das combinações
das habilidades motoras, pode-se começar a desenvolver jogos coletivos, através de pequenos jogos
(reduzidos), jogos de iniciação, grandes jogos e em alguns casos, jogos pré-desportivos. É a fase mais
ampla e rica dentro do processo de formação esportiva.

Nessa etapa é importante proporcionar aos alunos a vivência na modalidade através de minijogos e
brincadeiras para que possam experimentar os movimentos relacionados com a modalidade. Trabalhar
orientação espacial através de brincadeiras, utilizando grandes espaços como quadra toda do handebol,

16
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

pequenos espaços como a área do gol, meia quadra do handebol, área entre o meio da quadra e a linha
dos 9 m, dividir a quadra em quatro espaços e utilizar apenas alguns deles, utilizar ritmos diferentes, ou
seja, jogos de rápida movimentação pelos espaços, contrapondo com atividades mais lentas.

O professor deve estar preocupado em desenvolver o repertório motor do aluno através de várias
atividades e utilizando-se de uma grande variedade de materiais, ou seja, coordenação motora para
grandes grupos musculares por meio de corridas, saltos, rolamentos. Também executar a coordenação
motora fina com o manejo de bola, pequenos deslocamentos com o corpo, desenvolver o equilíbrio
estático e dinâmico, utilizando-se das linhas da quadra, banco sueco, deslocamentos com paradas
bruscas, saltos e recuperação da posição ereta.

O trabalho com os jogos de invasão como mãe da rua, rouba bandeira, pega-pega, minijogos de
handebol, jogos que estimulem movimento de passe, arremesso e recepção como queimada, pega-pega
com bola, rouba bandeira com bola, câmbio, jogo dos dez passes, jogos de apoio com e sem bola, entre
outros, no qual o aluno deve conduzir a bola até um local determinado também contribuem para o
desenvolvimento da capacidade de jogo das crianças, fazendo com que elas tenham que tomar decisões
para agir. Essa tomada de decisão é na verdade um trabalho de desenvolvimento da tática de jogo.

Com tais elementos, o professor estará conjugando elementos técnicos e táticos individuais e
coletivos. Se o aluno passou por um bom trabalho de desenvolvimento das habilidades básicas e a sua
combinação na etapa anterior, estará preparado para receber essas novas informações e será capaz de
facilmente ampliar seu repertório motor executando as habilidades que já devem estar razoavelmente
automatizadas, liberando a atenção para a tomada de decisão que os jogos irão exigir.

A ação do processo de ensino-aprendizagem deve ser voluntária por parte da criança (no caso de
prática extracurricular), não impedindo a realização de outros possíveis interesses. A frequência média
de atividades esportivas sistemáticas não deve ultrapassar três vezes por semana, com duração de
aproximadamente 1 hora/dia.

2.3 Ensino Fundamental II (11-14 anos)/Fase de orientação e fase de direção

Nesse momento é importante destacar que se deve ter como um dos objetivos a iniciação do
aperfeiçoamento técnico, porém, não deixando de se preocupar com o trabalho da tática (tomada
de decisão). O gesto do esporte (fundamento esportivo) em sua forma global, ações motoras gerais
que servem para a solução de tarefas esportivas (porém, sem realizar treinamento técnico, visando a
perfeição do gesto, e sim, uma passagem pelas técnicas das diferentes disciplinas esportivas), observando
quais são as exigências que se apresentam em cada um desses objetivos.

A técnica deve ser trabalhada em sua forma global, procurando sua automatização-estabilização,
sem insistir na perfeição dos gestos. A possibilidade de variação das técnicas deve ser prioridade. É
importante entender o conceito da citada variação; isto significa que devem ser oferecidas atividades em
que, por exemplo, através do jogo, a criança seja incentivada a desenvolver, aprender a aplicar técnicas
de movimento especificas do esporte, porém sem um alto nível de perfeição gestual. O aperfeiçoamento
da coordenação de movimentos e das capacidades senso-perceptivas pode ser concretizado através do
17
Unidade I

desenvolvimento das capacidades táticas gerais (aquelas que são comuns a todos os esportes coletivos,
tais como tabela, cruzamentos, bloqueios ou corta-luz, dentre outras). Começa assim a se delinear a
finalização do processo de iniciação esportiva.

Aqui o jogo, em qualquer forma de organização (jogos de iniciação, pré-esportivos, grandes jogos,
jogo recreativo, entre outros), tem um sentido recreativo, porém, possui um alto valor educativo, pois
serão estabelecidas as bases para uma “ação inteligente”. O conteúdo de informação teórica, assim
como a sua forma de transmissão, são de suma importância. BAYER (1987) cita a possibilidade de
oferecer, nessa faixa etária, um processo de ensino-aprendizagem caracterizado pela “pedagogia das
intenções”. Ela se caracteriza pela iniciação esportiva, evidenciando os conceitos táticos básicos a
cada esporte.

As atividades desenvolvidas podem estar apoiadas nos princípios da variedade técnico-tática


individual e de grupos com iniciação aos meios táticos (jogos 2x2). Pode-se começar a iniciação ao
conceito individual e zonal dos esportes.

A frequência recomendada de atividades curriculares e extracurriculares sistemáticas deve ser por


volta dos 3 encontros semanais, com duração média de 60 a 90 minutos cada.

Nos anos finais do Ensino Fundamental II, pode ser iniciada a fase de direção, na qual as
técnicas são trabalhadas em situações representadas em forma de exercícios, em que a requisição
da técnica seja variada, nos seus parâmetros de execução e de aplicação. A “inteligência de jogo”
continuará a ser desenvolvida através de atividades que exijam a aplicação do conhecimento
adquirido na fase de formação e aperfeiçoamento, de tal forma a produzir transformações dos
conceitos teóricos em ações esportivas. “O conhecimento teórico é base na qual se apoiam
os processos cognitivos” (GRECO; BENDA, 1998), sendo importante destacar que eles são os
que dirigem nossa ação tática. Com isto, o professor deve privilegiar a formação de jogadores
inteligentes, fazendo isso parte integrada no processo de ensino-aprendizagem. A fase de direção
terá como objetivo a transmissão e aplicação de regras gerais de ação tática no esporte, ainda
que ele não tenha como intenção a prática de esporte especializado. Segundo Greco (1998), “a
iniciação ao esporte termina quando o jogador adquire as bases para coordenar procedimentos
táticos entre dois ou três jogadores, passando, posteriormente, a situações espaciais concretas
de jogo”.

Os objetivos do professor devem estar pautados em atividades que desenvolvam a variedade


técnico-tática individual em posto específico e em atividades de grupo com relação aos postos específicos.
Também devem ser trabalhados os sistemas de jogo coletivo (sistemas de ataque e de defesa).

Nessa etapa, é o momento ideal, para o aluno que tenha interesse, em começar com o aperfeiçoamento
e a especialização técnica em uma modalidade esportiva. Entretanto, a frequência de prática da
modalidade como atividade extracurricular deverá ser de 3 ou 4 vezes por semana, sendo que cada
sessão de treinamento não ultrapasse 1h30/dia. Além disso, é importante que o jovem ainda participe
de duas ou três modalidades esportivas.

18
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

2.4 Ensino Médio (15 a 17 anos)/Fase de especialização

Essa fase continua a sequência evolutiva do jovem adolescente. Para alunos que passaram
adequadamente por todas as etapas anteriores de formação do repertório motor, nesse momento são
capazes de realizar com certa destreza as habilidades de qualquer modalidade, e assim, podem concretizar
a especialização em uma modalidade escolhida para ser praticada em atividade extracurricular. No
entanto, durante as aulas de educação física no Ensino Médio é o momento em que o professor poderia
transformar as aulas em sessões de treinamento, logicamente oferecendo a oportunidade de prática
no maior número de modalidades possíveis. Nesse período, o professor e o aluno podem procurar o
aperfeiçoamento e a otimização do potencial técnico e tático, que sirvam de base para o emprego
de comportamentos táticos de alto nível. Inicia-se, paralelamente, um processo de estabilização das
capacidades psíquicas e pode haver um aumento na participação em competições.

Trata-se da primeira fase de direcionamento para o esporte de alto nível, é o momento de concretizar
a especialização na modalidade escolhida e o aperfeiçoamento do potencial técnico e tático. Assim, em
atividades extracurriculares, as sessões de prática podem ser de 3 a 4 vezes por semana com duração
de 2 a 3h/dia.

2.5 Fase de aproximação/Integração – 18 aos 21 anos

Esse estágio, que abrange dos 18 aos 21 anos, não inclui mais o período escolar, entretanto, nos
clubes e escolas de iniciação esportiva o trabalho pode continuar a ser feito. E tal proposta metodológica,
que não corrobora com a especialização precoce no esporte, aponta que somente aos 18 anos deveria
começar a se pensar no esporte de alto rendimento. Assim, o jovem que passou por todo programa de
iniciação terá seu repertório motor amplo o suficiente para promover uma especialização técnica rápida.
De acordo com os ideais da proposta, o aperfeiçoamento da técnica não é privilegiado nesse programa
da Escola da Bola, o foco do trabalho é o desenvolvimento da tática, associado com a capacidade
de compreensão do jogo para a tomada de decisão adequada. Assim, como são anos do programa
trabalhando a capacidade de jogar (tática) das crianças e jovens, quando chegar a hora da especialização
para o alto rendimento essas habilidades já estarão bem desenvolvidas e apenas precisarão ser lapidadas
para a modalidade específica. Também, como o desenvolvimento psicológico e cognitivo está mais
maduro aos 18 anos, o jovem pode passar pelas exigências dos programas de alto rendimento com
menos danos emocionais e psicológicos. A fase de crescimento encontra-se quase finalizada, ficando
assim determinado o biótipo corporal e os traços do seu perfil psicológico. Portanto, a quantidade e
duração das sessões de treinamento podem ser 5 vezes/semana, mais ou menos, 4h/dia.

Esse momento é considerado o mais importante na transição do jovem para uma provável
carreira esportiva. Aqui se definem os caminhos e se observa se será possível visar o esporte
de alto rendimento e a profissionalização. Serão estabelecidos os limites e projetada sua
possibilidade concreta de êxito no esporte de alto nível. Esses fatores fazem com que o momento
da decisão para o esporte de alto nível, ou o esporte de lazer ou em níveis de rendimento,
seja relativamente reduzido. Nessa fase, com o trabalho de aperfeiçoamento e otimização das
capacidades técnicas, táticas e físicas, é importante conceder um grande espaço de tempo à
otimização das capacidades psíquicas e sociais. Não é fácil realizar-se no esporte profissional. Por
19
Unidade I

esse motivo, a fase de aproximação permite uma integração com a etapa seguinte. Aqui, deve-se
pensar nos grandes talentos, que só ficam na promessa de tornarem-se sucesso e, às vezes, não
atingem tal objetivo, devido à deficiência ou falta de trabalho que é nossa proposta no sistema
da fase de aproximação/integração.

2.6 Fase de alto nível

A estabilização e domínio técnico-tático-psíquico e social atingidos na fase anterior serão


aprimorados, tendo em conta um significativo aumento da relação das cargas de treinamento, no que
diz respeito ao volume/intensidade/densidade e, consequentemente, será dirigido o processo para a
meta de otimização dos processos cognitivos (no que se refere à situação esportista/alto rendimento/
estilo de vida) e psicológicos (psicorregulação, motivação intrínseca).

Há um aumento nas cargas de treinamento. Nessa fase é possível estender as sessões de treinamento
para uma frequência de 5 vezes/semana com duração de 4h ou mais/dia.

2.7 Fase de recuperação/Readaptação

Visa-se a readaptação do ex-atleta à sociedade, bem como a aplicação de atividades físicas e


programas adequados, que contribuam para o destreinamento de maneira gradativa, conduzindo-o ao
esporte recreativo como forma de benefício à saúde. Procura-se adaptar os parâmetros fisiológicos para
evitar problemas de saúde, ou seja, se adequar a uma vida comum com uma carga de treinamento muito
inferior às cargas da fase anterior. Um programa de readaptação deve ser planejado sob a supervisão
médica. Quando se projeta um programa semelhante, devem-se levar em consideração as necessidades
individuais de cada atleta, sua anamnese, condições médicas atuais, capacidades funcionais, entre
outras. Objetivos realistas devem ser determinados, considerando as limitações de tempo, espaço e
interesse do próprio atleta.

Nessa fase, objetiva-se a readaptação do ex-atleta à sociedade, e a aplicação das atividades


físicas e programas adequados para o destreinamento de maneira gradativa. Sendo assim, a
frequência e duração recomendada das sessões de treinamento podem ser de 2 a 3 vezes/semana
com duração de 1h/dia.

2.8 Fase de recreação e saúde

O conhecimento das experiências passadas e presentes em atividades físicas e uma avaliação


cuidadosa da adaptabilidade individual em realizar esforços devem proporcionar a estrutura básica
da formulação inteligente, de programas de atividade física que assegurem os efeitos positivos na
manutenção da função fisiológica. De maneira geral, a frequência e duração das atividades físicas podem
ser iguais as da etapa anterior. Entretanto, a maioria das pessoas não só se exercita porque gosta, mas
por desejar obter alguns outros objetivos; por exemplo, perder peso, estética, manutenção de saúde e
do convívio social, dentre outros.

20
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

Saiba mais

Para mais detalhes sobre a proposta de iniciação esportiva universal, leia:

GRECO, P. J.; BENDA, R. N. Iniciação esportiva universal I: da aprendizagem


motora ao treinamento técnico. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.

3 CONCEITOS BÁSICOS PARA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE ENSINO –


APRENDIZAGEM EM HANDEBOL

Apesar da divisão dos conteúdos desse livro-texto estar embasada na ideia da Iniciação Esportiva
Universal de Greco e Benda (1998), a proposta de estratégias metodológicas para trabalhar os
conteúdos supracitados está fundamentada em outra proposta das correntes da Pedagogia do
Esporte, a chamada Escola da Bola de Kröger e Roth (2002). Ambas têm princípios semelhantes,
pois têm sua fundamentação nas Teorias de Aprendizagem e Controle Motor e também em
princípios da Psicologia Geral e Cognitivista. Entretanto, a Escola da Bola está apoiada em uma ação
pedagógica orientada para a cultura do jogar de forma natural, livre e variada, o que acreditamos
ser uma metodologia de ensino-aprendizagem motivante tanto para a escola quanto para clubes e
escolinhas de iniciação esportiva.

Dessa forma, assim como nas propostas da Iniciação Esportiva Universal, a Escola da Bola
preconiza o trabalho inicial da capacidade de jogo (desenvolvimento da tática/capacidade
de tomada de decisão e compreensão do jogo) e posteriormente o trabalho das capacidades
coordenativas incidental (proposital), privilegiando fatores de pressão (tempo, precisão,
complexidade, organização, variabilidade e carga) condicionantes da motricidade, também
o desenvolvimento das habilidades com bola e da construção de movimentos específicos ao
esporte (técnicas do handebol).

Nas propostas de Greco e Benda (1998), inicialmente seriam trabalhados o desenvolvimento das
capacidades coordenativas e subsequentemente as competências de jogo. Basicamente os mesmos
elementos seriam realizados com tipos de exercícios iguais, entretanto, acreditamos que o início do
trabalho do esporte com a introdução de jogos se torna mais dinâmico e forma um aluno pensante
desde o princípio, pois oferece situações de jogo nas quais ele deve ser ativo na tomada de decisões, e
para isso deve compreender os princípios básicos do jogo.

Observação

A proposta da Escola da Bola é uma das várias correntes de Pedagogia


do Esporte existentes.

21
Unidade I

3.1 Estrutura de aula

De acordo com as prerrogativas da proposta da Escola da Bola, que tem como objetivo evitar a
especialização precoce, a composição da aula deve possuir a seguinte estrutura:

• jogos situacionais (tática) (também funciona como aquecimento): objetiva-se a aprender a jogar
com liberdade, ou seja, no desenvolvimento da capacidade tática básica para o reconhecimento
das situações de jogo;

• desenvolvimento das capacidades coordenativas/coordenação (básica e fundamentos esportivos):


trata-se do desenvolvimento das capacidades motoras básicas que permitirão uma transferência
para as técnicas específicas de uma modalidade esportiva orientada para melhora da coordenação
com bola, uma inteligência sensório motriz;

• desenvolvimento de habilidades específicas (simulação de situações do jogo): trata-se do


desenvolvimento de uma variada gama de habilidades técnicas e elementos comuns em vários
esportes, permitindo desenvolver maiores possibilidades técnicas a partir da exercitação de
elementos técnicos básicos dos diferentes esportes.

Organizando tal estrutura de aula para os diferentes níveis de ensino e diferentes idades, em cada
etapa uma dessas partes deve ser o foco. Assim, para aulas de Educação Infantil teríamos apenas o
trabalho de Coordenação Motora Básica, pois, o nível de desenvolvimento motor dessa faixa etária
ainda não permite que os aprendizes sejam capazes de participar de jogos com regras ou de realizar
comportamentos mais complexos.

Para o Ensino Fundamental I, podemos trabalhar as 4 partes sugeridas anteriormente, porém, com
maior enfoque no trabalho da tática, em que devem ser usados diversos tipos de jogos para o aprendiz
ir se acostumando a solucionar os problemas do jogo tomando decisões.

Já no Ensino Fundamental II, podemos trabalhar as 4 partes supracitadas, porém, com maior enfoque
no trabalho da técnica (coordenação), contudo com alguns elementos da modalidade handebol, já que
esses alunos passaram os anos do Ensino Fundamental I exercitando a coordenação motora básica, agora
já estarão aptos a transferir essas competências e para a aplicação de alguns elementos da modalidade.
Nos ciclos finais do Ensino Fundamental II, o ideal é o professor oferecer atividades com combinação de
técnicas, progredindo para níveis cada vez mais complexos, que poderão ser aproveitadas na modalidade
handebol e também em outras.

Durante o Ensino Médio, o professor deve trabalhar as 4 partes da aula com ênfase nas habilidades
específicas. Esse é o momento no qual deve ser enfocado tanto trabalho da técnica (execução aperfeiçoada
dos fundamentos) quanto da tática (tomada de decisão em situação de jogo de handebol).

Seguindo essa estrutura, possivelmente teremos alunos com um amplo repertório motor, que
poderá ser aplicável a qualquer modalidade esportiva, evitando assim, a especialização precoce, e mais
importante, impossibilitando o aperfeiçoamento em apenas uma modalidade. Reforçando que tal
22
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

estrutura foi apresentada na Europa para ser usada em clubes, entretanto se encaixa perfeitamente na
Educação Física Escolar.

Observação

A proposta de conteúdos a serem trabalhados em cada etapa da


Educação Física Escolar pode ser a mesma a ser usada em clubes e escolinhas
de iniciação esportiva. Deve-se apenas considerar o nível de habilidade
motora dos alunos e a faixa etária para fazer as divisões dos grupos.

4 AS HABILIDADES BÁSICAS DO HANDEBOL E A CONSTRUÇÃO DO JOGO

Todos os fundamentos do handebol devem ser trabalhados no primeiro bimestre, sendo eles:
recepção, passe, drible, progressão e arremessos, além das fintas, que não são propriamente dito um
fundamento, mas um recurso que se usa para ludibriar o adversário.

4.1 Aquisição e combinação de elementos técnicos básicos

4.1.1 Recepção

Define-se como “a ação de tomada de contato com a bola com o objetivo de apoderar-se dela,
controlando-a para realizar na continuação outra ação” (FERNÁNDEZ et al., 2012). É a ação específica e
o efeito de receber a bola, assim como o gesto/forma empregado para fazê-la.

A recepção é um elemento fundamental para o jogo de handebol, uma vez que caracteriza a posse
de bola efetivamente, ponto de partida para qualquer ação consequente. Trata-se da ligação com o
passe, e esses dois elementos são a base fundamental da modalidade.

Para receber a bola, é importante se posicionar em local adequado (desmarcado), oferecendo-se


como opção para receber e posicionar o corpo com estabilidade e controle para que a tomada de
contato seja segura e efetiva, além disso deve-se estar atento a alguns princípios para receber:

• posicionamento das duas mãos, (de preferência) à frente do corpo, como referência para a pessoa
que está lançando a bola;

• posicionamento do corpo sempre atrás da bola, formando uma linha entre passador-bola-recebedor;

• contato inicial com a bola o mais longe do corpo possível e, após esse contato, traga a bola
próxima ao corpo para mantê-la segura;

• manutenção do contato visual com a bola, durante todo o momento de aproximação dela;

• após a recepção, preparo rápido para a ação seguinte, quer seja arremessar, passar, driblar ou progredir.
23
Unidade I

A mecânica da recepção é dependente da maneira como a trajetória da bola se apresenta para a


tomada de contato. É recomendado para garantir maior estabilidade e segurança que a recepção seja
feita com posicionamento frontal com relação à direção da bola. Entretanto, muitas vezes durante
as situações de jogo, não é possível que ela seja frontal, e aconteça com posicionamento diagonal,
lateral ou por trás. Nesses casos, o mais importante é que a recepção aconteça a partir de qualquer
posicionamento, desde que seja garantida a tomada de contato.

A recepção frontal pode ser classificada em diversas categorias (de acordo com a trajetória da bola):

• recepção alta;

• recepção intermediária;

• recepção baixa, e;

• recepção da bola rolando.

O posicionamento corporal para as recepções alta e intermediária são semelhantes. A mecânica do


gesto fica facilitada quando as pernas estão afastadas, oferecendo maior estabilidade corporal, braços
semiestendidos à frente do corpo para alcançar a bola, dedos semiflexionados em formato de concha
voltados para cima, estando a ponta dos polegares e dos indicadores próximas uma das outras, à frente
do corpo.

1
4
2 5

Figura 4 - Recepção intermediária, a) posicionamento corporal de preparação para recepção, b) execução da recepção, c) proteção da
bola. 1) extensão dos braços, 2 e 3) alinhamento dos dedos, 4) flexão dos cotovelos, 5) aproximação da bola ao tronco

Para a recepção baixa e de bola rolando, o posicionamento de troncos e pernas deve ser
semelhante ao descrito anteriormente, entretanto os dedos devem estar voltados para baixo para
o contato com a bola.

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HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

7
3
5 6
1

4 2

a b c

Figura 5 - Recepção baixa a) preparação, b) recepção e c) proteção. 1) palma das mãos para baixo, 2) ponta dos dedos para
baixo, 3) alinhamento dos dedos juntos, 4) flexão dos joelhos, 5) extensão dos braços, 6) flexão dos cotovelos,
7) aproximação da bola ao tronco

4.1.2 Passe

O passe é a ação de enviar a bola de um indivíduo a outro. É a maneira mais utilizada no handebol
para deslocamento da bola, por ser mais rápida do que a condução através do drible. Assim, com a
recepção, é um dos fundamentos mais realizados nessa modalidade.

Uma vez que é a maneira fundamental de deslocamento da bola entre os jogadores, deve ser realizada de
forma adequada tecnicamente e de modo a garantir a maior segurança para que se mantenha a posse de bola da
equipe. A segurança do passe depende de fatores como: a escolha do companheiro em melhor posicionamento
para receber a bola e da escolha do tipo de passe a ser feito para tal companheiro, além da força a ser empregada.

Geralmente, no handebol os passes são executados com uma das mãos pela liberdade e velocidade de
manejo da bola que essa técnica propicia, entretanto, nada impede que passes sejam feitos com as duas mãos.

De acordo com a situação de execução, os passes podem ser de três formas: parado, em deslocamento
e em suspensão.

O passe parado acontece quando um ou os dois pés estão em contato com o chão. Os passes em
deslocamento requerem que o indivíduo esteja andando ou correndo durante a execução. Por fim, os
passes em suspensão ocorrem quando o indivíduo se encontra na fase aérea de um salto.

Os passes também podem ser classificados de acordo com a trajetória da bola:

Figura 6 - Parabólico Figura 7 - Reto e Rasteiro

Figura 8 - Quicado

25
Unidade I

Ainda com relação à técnica ou mecânica de execução, os passes mais frequentemente realizados
podem ser: de ombro frontal ou lateral, pronação, por trás das costas e retificado.

O passe de ombro (frontal ou lateral) é realizado com uma das mãos. O posicionamento das pernas
é, geralmente, anteroposterior com o intuito de favorecer os mecanismos de alavancas para geração de
torque desde a articulação do tornozelo, passando pelo quadril que deve apresentar leve rotação para
trás, articulação do ombro, cotovelo e punho.

O posicionamento adequado dos braços requer que haja ângulos de aproximadamente 90 graus
entre braço e tronco e braço e antebraço, dessa forma, o mecanismo de alavancas também é beneficiado,
minimizando a exigência em apenas uma articulação e assim distribuindo a tarefa de gerar força para
empregar no passe.

A mão deve estar posicionada atrás da bola com os dedos orientados para cima (a bola deve estar
presa pela ação dos dedos). A propulsão da bola é iniciada pela ação de rotação do tronco e ombro,
seguida de rotação do braço, extensão do antebraço e terminando com um movimento do punho para
melhor direcionamento da trajetória da bola. A perna do mesmo lado do braço de arremesso pode
acompanhar o movimento de rotação do tronco e ombro, saindo da posição atrás e finalizando com um
passo para frente, o qual deve coincidir com soltura da bola.

Figura 9 - Passe de ombro

O passe de pronação é também bastante frequente durante o jogo, devido ao posicionamento dos
jogadores na quadra, que estão geralmente um ao lado do outro e todos de frente para o gol. Dessa
forma, ele permite que o referido passe seja feito com maior agilidade, pois não precisa que o tronco
esteja voltado para o companheiro que o receberá. Portanto, o tronco pode estar voltado para a direção
do gol, as pernas afastadas para garantir estabilidade e a bola é largada lateralmente ao tronco na
direção do companheiro.

A execução do movimento está mais focada no movimento do braço que tem a posse de bola. Assim,
a mão (do lado do passe) deve estar voltada para baixo e segurando a bola através da pressão dos dedos.
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HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

Caso seja difícil segurar a bola nessa posição durante as tentativas iniciais de prática, a outra mão pode
ser posicionada em baixo da bola, palma da mão para cima. O braço e antebraço são movimentados na
direção do passe e terminam com o movimento de pronação para melhor direcionar a trajetória da bola.

Figura 10 - Passe de pronação

O passe por trás das costas tem uma técnica de execução que exige maior repertório e refinamento
do gesto motor, é um recurso técnico muito útil em situações específicas, como, por exemplo, quando
o companheiro está do lado oposto ao lado em que a bola está sendo segurada. A mão deve estar
posicionada em cima da bola, que deve ser segurada através da pressão dos dedos. A movimentação se
inicia com o braço que fica levemente posicionado atrás do tronco para que o cotovelo seja flexionado,
levando o antebraço e a mão para a região das costas. O punho e os dedos então empurram e direcionam
a bola para o companheiro.

4.1.3 Drible

O drible refere-se à ação de lançar a bola contra o chão e retomar o seu contato vinda do chão. É o
fundamento que permite ao jogador maior possibilidade de deslocamento com posse de bola. Apesar
de pouco utilizado no handebol, é um recurso importante em algumas situações, como, por exemplo:

• quando o jogador quiser se deslocar rapidamente em uma distância relativamente longa com
posse de bola. Essa circunstância ocorre frequentemente em situações de contra-ataque;

• após o jogador ter executado três passos e ainda ter intenção de se deslocar pelo espaço com
posse de bola;

• quando não for possível realizar o passe, esperar um melhor posicionamento dos
companheiros ou, então, necessitar fugir de alguma situação difícil, imposta pela marcação
de algum adversário.

27
Unidade I

Além da possibilidade de deslocamento e progressão na quadra, o drible pode ser utilizado para:

• desmarcar com posse de bola (esquivar-se da marcação);

• fintar o adversário com posse de bola (utilizar de mudança de direção com a intenção de ludibriar
o marcador);

• buscar espaços livres para arremesso ao gol.

Com relação ao posicionamento corporal, pode-se realizar a ação estando: em pé, sentado, deitado,
parado, em deslocamento, com uma ou duas mãos alternadas.

Para a mecânica adequada da realização do drible em pé, parado, com uma ou duas mãos
alternadas, é recomendado que as pernas estejam ligeiramente afastadas em posição paralela quanto
ao anteroposterior, a fim de aumentar a estabilidade corporal, tronco ereto, porém com ligeira flexão,
cabeça erguida para que o olhar possa estar voltado para frente. O braço que executa o drible deve
estar ligeiramente flexionado e a palma das mãos tocará a parte de cima da bola com os dedos também
levemente flexionados.

1 3
7
8
4
2
5

Figura 11 - Execução do drible 1) mãos abertas em cima da bola, 2) flexão do cotovelo, 3) extensão do cotovelo, 4) movimentação de
punho, 5) dedos voltados para o chão, depois de empurrar a bola, 6) cabeça erguida, 7) flexão cotovelo, 8) mão em cima da bola

• lançando a bola ao chão: a bola deve ser controlada por apenas uma mão, sendo o contato
realizado pelos dedos e com a palma da mão voltada para baixo. Dessa forma, a mão
deverá sempre estar posicionada sobre e não na lateral da bola. A bola deve ser lançada ao
chão por uma extensão do cotovelo e por uma ligeira flexão do punho, no fim da ação de
extensão do cotovelo;

• recebendo a bola de volta: a bola deve ser controlada, após o seu toque no solo, a partir de um
contato com os dedos. Ao mesmo tempo, o cotovelo precisa ser levemente flexionado e o punho

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HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

estendido para amortecer e mudar a trajetória da bola. Inicie novamente a ação de lançá-la ao
solo, se assim for intencionado.

Para o drible em deslocamento, o posicionamento corporal é o mesmo do descrito anteriormente,


entretanto o lançamento da bola ao chão deve considerar a posição futura que o corpo estará
por conta do deslocamento corporal. Assim, a bola precisa ser lançada mais à frente do que no
drible parado.

Para o drible sentado, deitado ou em qualquer outra situação de desequilíbrio, é importante que se
tente manter o mínimo de controle postural para que o braço executor possa realizar o movimento de
lançar a bola ao chão e a retomada de contato.

4.1.4 Arremesso

O arremesso ou lançamento ao gol é definido como a ação de enviar a bola em direção ao gol,
vencendo o goleiro. É o elemento que sintetiza o objetivo final do jogo, que é marcar o gol. Pode
ser realizado com diferentes técnicas de execução, cada uma delas deve atender às demandas que a
situação de jogo oferece para vencer a defesa e o goleiro. O arremesso deve ser realizado de preferência
em situações nas quais a bola percorra uma trajetória livre até o gol. As características essenciais que
o diferem do passe são: a força de execução, que geralmente é maior do que a empregada para um
passe, e o objetivo, que no passe é alcançar o companheiro e no arremesso é vencer o goleiro e chegar
ao gol.

Toda movimentação tática (preparação da jogada), realizada na composição do arremesso, tem o


intuito de levar à execução do arremesso em condições favoráveis para conseguir o gol.

A movimentação rápida, característica do handebol, propicia o surgimento de muitas oportunidades


de arremesso e o executante deve ser capaz de escolher e executar o arremesso mais apropriado de acordo
com as oportunidades surgidas. A eficiência e a eficácia do arremessador dependem do conhecimento e
entendimento, por parte do executante, dos seguintes princípios:

• arremessar em movimento: quando possível, realizar o arremesso com uma movimentação em


direção ao gol. Isto faz com que a velocidade e força do arremesso sejam aumentadas (momentum
do corpo);

• levar em consideração a posição/movimento do goleiro: arremessar em uma área do gol na qual


o goleiro não esteja cobrindo. Dessa forma, o arremessador deve não apenas vencer o defensor
(bloqueio), mas também o goleiro;

• precisão no arremesso: muitas vezes, apenas arremessar com força não é suficiente para vencer o
goleiro; o local onde a bola é arremessada é essencial. Portanto, a precisão do arremesso é fator
primordial para o seu sucesso. Os pontos mais vulneráveis são os cantos inferiores e superiores da
área delimitada pelas traves;

29
Unidade I

Figura 12 - Pontos vulneráveis do gol

• levar em consideração a distância e ângulo de arremesso: aqueles realizados na área central da


quadra, tem maior possibilidade de ser convertidos em gols (maior ângulo de arremesso);

Figura 13 - Área central

• arremessar fora do alcance do defensor: executar os arremessos quando os defensores propiciarem


espaço; por sobre os defensores, ao redor ou entre eles. Entretanto, o arremessador NÃO deve
FORÇAR o arremesso. Apenas fazê-lo quando uma clara oportunidade for criada.

Com relação à posição do gol, os arremessos podem ser: altos, intermediários (de altura média)
ou baixos.

No que se refere à mobilidade da execução, os arremessos mais simples podem ser: parados com pé
de apoio, em deslocamento, em suspensão e retificados.

A mecânica de execução do arremesso simples basicamente envolve a realização de um passe de


ombro (fundamental), apenas de forma mais acentuada quanto à forma e velocidade, que na maioria
das vezes, é combinada com um salto.

Os principais arremessos simples são:

• de frente parado;

30
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

6
1 3
5

2 4
a b c

Figura 14 - Arremesso parado (com pé de apoio) a) preparação, b) execução, c) finalização 1) armação do arremesso, 2) colocação do
peso no pé de trás, 3) ombros perpendiculares ao gol, 4) balanço com passo para frente, 5) rotação do ombro na direção do gol,
6) braço contrário de apoio, 7) término da movimentação do braço de arremesso

• de frente em suspensão, que pode ser suspensão horizontal ou vertical;

2 3

1 6

1 7
a b c

Figura 15 - Arremesso em suspensão a) preparação, b) execução e c) queda. 1) saltar, 2) armar o braço de arremesso, 3) braço
contrário na frente do corpo, 4) rotação do ombro, 5) balanço do braço para frente, 6) continuação do movimento do braço de
arremesso, 7) amortecimento da queda

31
Unidade I

• de frente com passada cruzada;

Figura 16 - Arremesso com passada cruzada à frente

• com inclinação lateral, que pode ser do mesmo lado ou do lado contrário ao braço de arremesso;

Figura 17 - Arremesso com inclinação lateral

• da extremidade;

Figura 18 - Arremesso da ponta esquerda

32
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

Os arremessos especiais são aqueles que apresentam giros, quedas e rolamentos em sua execução.
São gestos mais complexos, portanto, somente devem ser ensinados depois que o aprendiz já consegue
realizar os arremessos simples com facilidade. Os arremessos especiais geralmente executados por
indivíduos mais experientes e com repertório motor mais amplo na modalidade. Alguns dos principais
arremessos especiais são:

• com queda para frente: pode ser combinado com giro e/ou salto;

2
3

1
5

a b c

Figura 19 - Arremesso com queda para frente. A) preparação, b) execução e c) queda. 1) giro para posicionar de frente para o gol, 2)
elevação do braço para armar o arremesso, 3) movimentação do braço para a realização do arremesso, 4) extensão do braço,
5) preparação para contato com o solo

As diferentes técnicas de arremesso podem ser mais frequentemente executadas em cada uma das
posições da quadra. Por exemplo, os jogadores armadores geralmente fazem os arremessos da região
mais central da quadra, tanto da linha dos 9 m quanto da linha dos 6 m. Nessas posições, os arremessos
podem ser tanto parados quanto em deslocamento. Os arremessos da linha dos 6 m frequentemente
acabam por terminar em queda na intenção de projetar o corpo para dentro da área do goleiro e se
livrar da marcação. Entretanto, os arremessos mais frequentes dos 9 m são com deslocamento, parado,
com salto e com giros.

No entanto, os pontas geralmente arremessam da linha dos 6 m das extremidades da quadra, e os


pivôs na região central.

4.1.5 Progressão

A progressão tem sido considerada na literatura da modalidade tanto como um fundamento técnico
(movimento específico da modalidade) quanto como um recurso (possibilidade de ação dentro da
modalidade). A progressão pode ser definida como a movimentação em que o jogador realiza até 3
passos com a posse de bola, sem a necessidade de realizar o drible. Deve ser finalizada com a realização

33
Unidade I

de um arremesso, passe ou drible. É um recurso de grande valia para a movimentação individual quando
da posse de bola, principalmente no ataque. Sua utilização ocorre principalmente:

• na preparação de arremesso, facilitando a infiltração;

• com a intenção de deslocar com maior liberdade e segurança da bola durante a execução
da movimentação;

• com a finalidade de ganhar velocidade na realização da movimentação.

A execução da progressão pode ocorrer a partir de diversas combinações das passadas. As principais
delas são:

• três passos normais: realização de três passadas alternadas, iniciando com a passada do lado
contrário ao braço de arremesso (Esq., Dir., Esq., ou Dir., Esq., Dir.);

E E

Figura 20 - Três passos com início pelo pé esquerdo

• sobrepasso: realização de duas passadas sucessivas do mesmo lado (Dir., Dir., Esq. ou Esq., Esq., Dir.).
Normalmente utilizado quando a primeira passada é realizada do mesmo lado do braço de arremesso;

D
D

Figura 21 - Três passos com sobrepasso

• cruzada por trás: dá-se um passo com o esquerdo, cruza o direito por trás dele e dá-se mais um
passo com o esquerdo, lançando-o para frente;

E D

Figura 22 - Três passos com passada cruzada por trás

34
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

• cruzada pela frente: dá-se um passo com o pé esquerdo, cruza o direito pela sua frente e a seguir
joga o pé esquerdo à frente do direito;

D
E

Figura 23 - Três passos com passada cruzada pela frente

A realização da progressão também pode ser associada com um drible. Novamente, várias combinações
podem ser formadas. As três mais importantes são:

• três passos, um drible mais um passo: inicia-se com o pé esquerdo, direito, esquerdo, salta e
quica a bola ao mesmo tempo, ou antes de pisar com o pé direito, dá-se mais um passo com o pé
esquerdo e arremessa;
E E
E

D
D

Figura 24 - Três passos com drible

• um passo, salto com um drible e três passos: passada com o pé esquerdo, salta, cai no pé direito,
quicando a bola e realiza mais três passos: esquerdo, direito e esquerdo;

E E E

D
D

Figura 25 - Três passos com salto e drible

• duplo ritmo trifásico: é muito executado para a realização de fintas por arremessadores na área
central de arremesso com a finalidade de iludir a ação defensiva. Inicia-se com pé esquerdo,
direito, esquerdo, salta com a intenção de ganhar altura, realiza o drible ao mesmo tempo ou
antes de aterrissar do salto com o pé direito e executa mais uma sequência de passada: esquerdo,
direito e esquerdo;

35
Unidade I

E E E
E

D
D D

Figura 26 - Duplo ritmo trifásico

IMPORTANTE:

Embora, de acordo com a definição apresentada, uma ou duas passadas também podem ser
consideradas progressão, a aprendizagem desse fundamento deve sempre ser voltada para o
conhecimento das três passadas.

No handebol, uma passada é considerada toda vez que a pessoa levantar e tocar o pé no solo.
Mesmo o simples deslize do pé no chão também é classificado como passada.

4.1.6 Fintas

Outro recurso importante no jogo é a finta, definida como “ação de mudança rápida de direção com
a intenção de ludibriar o adversário”. Ela pode ser realizada com ou sem a posse de bola, entretanto,
quando de posse de bola, o jogador deve respeitar o limite de até 3 passos. Assim, o atacante procura
vencer seu oponente fazendo com que ele se desloque para um espaço, contudo, dirige seu deslocamento
para outro espaço livre (ZAMBERLAN, 1999). A finta é um recurso usado para o desmarque, todavia
também pode ser realizada a finta de passe ou a finta de braço.

A finta de passe é o ato de simular o envio da bola em uma determinada direção e rapidamente
mandar o passe em outra direção, ainda, ela pode ser o ato de simular um passe e somente executá-lo
no momento seguinte, em uma segunda execução. A finta de braço é geralmente realizada durante o
arremesso, no qual o atacante tem posse de bola.

Exemplo de aplicação

Reflita a respeito da elaboração do planejamento de ensino para oferecer a modalidade de handebol


nos Ensino Fundamental e Médio.

Resumo

Foram apresentados o papel educativo e formativo do esporte e não


só do handebol, mas de todos. Sua importância na formação de um
cidadão ético e também ativo fisicamente, além dos benefícios disso para
a qualidade de vida e o cuidado da família para com essa prática. Nesse
36
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

sentido, o esporte escolar é uma via de entrada importante do esporte


na vida das crianças, uma vez que todas elas devem frequentar a escola,
assim teriam obrigatoriamente o contato com a prática esportiva. Além
da escola, logicamente a família é fundamental para essa relação com a
atividade esportiva. Portanto, o handebol como um jogo esportivo coletivo
pode contribuir nessa questão da formação. Também foram apontados a
importância da adequação dos conteúdos a serem trabalhados, os níveis
de habilidade motora e o repertório motor dos alunos, com uma proposta
que se preocupa em evitar lesões e a especialização precoce, e focada em
desenvolver habilidades cognitivas para o desenvolvimento das capacidades
da tática desde cedo. Por fim, os fundamentos e recursos técnicos foram
descritos como uma sugestão de ordem para o ensino da modalidade, sendo
a recepção e o passe os elementos iniciais seguidos pelo drible, arremesso e
os recursos de deslocamentos, como a progressão e as fintas.

Exercícios

Questão 1. (ENADE 2013) Com relação ao processo de ensino-aprendizagem de esportes coletivos,


avalie as afirmações a seguir.

I – O método por partes pode ser caracterizado pelo ensino de cada uma das partes de uma habilidade.

II – O método pelo todo consiste na utilização de toda a habilidade a ser aprendida.

III – O método situacional é caracterizado pela prática de situações de jogo nas quais comportamentos
individuais e coletivos são extraídos do jogo propriamente dito.

IV – A escolha entre o método por partes ou o método pelo todo deve levar em consideração o nível
de complexidade e a organização da habilidade.

É correto o que se afirma em:

A) I, apenas.

B) II e IV, apenas.

C) III e IV, apenas.

D) I, II e III, apenas.

E) I, II, III e IV.

Resposta correta: alternativa E.


37
Unidade I

Análise das afirmativas

I – Afirmativa correta.

Justificativa: a alternativa refere-se ao método analítico, caracterizado pela decomposição da


modalidade em elementos técnicos.

II – Afirmativa correta.

Justificativa: a alternativa refere-se ao método global, em que o aprendizado ocorre na prática,


durante o jogo coletivo. Logo, há utilização de toda a habilidade a ser aprendida.

III – Afirmativa correta.

Justificativa: o método situacional caracteriza-se por jogadas básicas que possibilitam ao jogador o
confronto com situações reais de jogo (CORREA et al., 2004). Esse método estimula a tomada de decisão
e o reconhecimento de situações táticas e de situações comportamentais, individuais e coletivas, de
ataque e de defesa.

IV – Afirmativa correta.

Justificativa: a escolha entre os métodos deve respeitar a individualidade do jogador.

Questão 2. A iniciação esportiva deve acompanhar o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças
e dos adolescentes. Sabe-se que a proposta inadequada da especialização esportiva precoce pode gerar
muitos prejuízos à aquisição de um repertório motor amplo e diversificado. Além disso, a oferta de um
regime de treinamento com padrões adultos pode gerar um excesso de sobrecarga emocional, podendo
levar ao abandono.

Com base nesses dados preliminares, faça a relação entre as fases de desenvolvimento motor
propostas pelo Modelo de ampulheta de Gallahue e Ozmun (2001) e os exemplos de exercícios de
iniciação à prática do handebol adequados a cada faixa etária.

38
HANDEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS

As fases do desenvolvimento motor


Utilização Utilização Utilização
permanente permanente permanente
na vida diária recreativa competitiva

FAIXAS ETÁRIAS OS ESTÁGIOS DE


APROXIMADAS DE DESENVOLVIMENTO DESENVOLVIMENTO MOTOR
14 anos e acima Estágio de utilização permanente 3
de 11 a 13 anos FASE MOTORA Estágio de aplicação 2
de 7 a 10 anos ESPECIALIZADA D Estágio transitório 1
de 6 a 7 anos Estágio maduro 3
FASE MOTORA Estágio elementar 2
de 4 a 5 anos
de 2 a 3 anos
FUNDAMENTAL C Estágio inicial 1

de 1 a 2 anos FASE MOTORA Estágio de pré-controle 2


do nascimento até 1 ano RUDIMENTAR B Estágio de inibição de reflexos 1

de 4 meses a 1 ano FASE MOTORA Estágio de decodificação de informações 2


dentro do útero e até 4 meses de idade REFLEXIVA A Estágio de codificação de informações 1

Figura 27

I – Jogo reduzido com três atacantes que devem fazer passes e arremessar a bola para a meta,
enquanto dois defensores ficam dentro da área, um defensor pode se locomover livremente dentro da
área, enquanto outro faz a função de goleiro ficando sob a meta.

II – Correr quicando a bola no chão e arremessá-la ao gol, quando estiver a uma distância de 3 m.

III – Treinamento de sistemas defensivos variados contra sistemas de ataque variados em meia
quadra, preparando a equipe para diferentes formas de jogar dos adversários.

IV – Jogo reduzido, 2 atacantes contra 2 defensores, em marcação individual e marcação por zona.

V – Jogo de “bobinho”, no qual os participantes passam a bola com as mãos uns para os outros,
enquanto um determinado participante, “o bobinho” tentará tomá-la.

Estão corretas apenas as seguintes combinações entre exercícios e estágios de desenvolvimento motor:

A) I-D-1; II-C-2; III-D-3; IV-D-2; V-C-1.

B) I-C-3; II-C-2; III-D-1; IV-D-2; V-C-1.

C) I-D-1; II-C-3; III-D-3; IV-D-2; V-C-2.

39
Unidade I

D) I-D-2; II-C-1; III-C-2; IV-D-1; V-B-2.

E) I-D-1; II-C-1; III-D-2; IV-D-1; V-C-1.

Resolução desta questão na plataforma.

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