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NICHOLAS CUSTÓDIO BORETO FRANCATTI

O USO DO CRIMINAL PROFILING COMO TÉCNICA


INVESTIGATIVA

FACULDADE DE DIREITO DE SÃO BERNARDO DO CAMPO, SÃO BERNARDO


DO CAMPO – 2021
NICHOLAS CUSTÓDIO BORETO FRANCATTI

O USO DO CRIMINAL PROFILING COMO TÉCNICA


INVESTIGATIVA

Trabalho de Conclusão de Curso


(Monografia) apresentado a banca
Examinadora da Faculdade de Direito de
São Bernardo do Campo, como exigência
parcial para obtenção do grau de
Bacharel em Direito sob orientação do
Professor-Orientador Alberto Soiti
Yoshida.

SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP


FEVEREIRO 2021
FOLHA DA BANCA EXAMINADORA
Dedico este trabalho aos meus pais que
me apoiaram nessa trajetória dura e
recompensadora de cinco longos anos
que passam tão rapidamente, sem eles
meu esforço de nada valeria.
Aos meus avós que conviveram comigo
durante boa parte desse árduo período e
sem os quais minha vida não seria a
mesma.
Por fim, dedico à minha irmã, que mesmo
de longe me trouxe tanta esperança e
força do outro lado do Atlântico.
AGRADECIMENTOS

É raso o espaço que possuo para agradecer a todas as pessoas que fizeram
parte dessa fase de minha vida. Desde já deixo claro que tenho todos em meu
coração e serão eternamente gratos pela passagem em minha vida.
Agradeço ao meu orientador Prof. Me. Alberto Soiti Yoshida, tanto pelas
aulas ministradas presencialmente e à distância, quanto pelas recomendações que
me direcionaram e a honra dada em ter em meu currículo um Trabalho de
Conclusão de Curso orientado por este.
Agradeço aos meus colegas com os quais convivi constantemente e me
auxiliaram tanto academicamente como em momentos externos.
Sou eternamente grato pela minha família e amigos próximos que
vivenciaram esses anos ao meu lado, respectivamente por me darem essa
oportunidade de ouro e por me ajudarem a não cair dessa escalada sem antes
chegar ao cume desta.
A Secretaria do Curso, pela cooperação e compreensão.
A todos que de alguma forma me auxiliaram, criticaram, orientaram e me
levantaram ao longo do Curso, o meu mais sincero obrigado.
É um erro grave formular teorias antes de
conhecer os fatos. Sem querer,
começamos a mudar os fatos para que se
adaptem às teorias, em vez de formular
teorias que se ajustem aos fatos.
(DOYLE, Arthur Conan, 1891)
RESUMO

FRANCATTI, Nicholas Custódio Boreto. O uso do Criminal Profiling como técnica


investigativa. 2021. 65 páginas. Trabalho de Conclusão de Curso Bacharelado em
Direito – Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo. São Bernardo do
Campo, 2021.

Este trabalho contempla o tema do Criminal Profiling utilizado como técnica


investigativa, abordando a história e evolução desta, definições e descrições, a
distinção dos termos concernentes ao perfilamento, introdução às vertentes da
técnica, a eficácia e validade dos perfis e a elaboração de um perfil.

Palavras-chave: Profiling Criminal. Perfilamento Criminal. Investigação Forense.


Psicologia Investigativa. Técnicas de investigação. Comportamento criminoso.
Abordagens e metodologias criminais. Medicina Legal.
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E ACRÔNIMOS

LISTA DE SIGLAS

APC Análise das Provas Comportamentais


AIC Análise da Investigação Criminal
DNA/ADN Ácido Desoxirribonucleico
FBI Federal Bureau of Investigation
CIA Central Intelligence Agency
AVC Análise dos Vestígios Comportamentais
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………...13
2 A CRIMINOLOGIA FORENSE COMO CIÊNCIA E SUA INTEGRAÇÃO COM O
CRIMINAL PROFILING……………………………………………………………………16
3 CRIMINAL PROFILING: HISTÓRIA, CONCEITOS, CLASSIFICAÇÕES,
EFICÁCIA E APLICAÇÃO……………………………………………………………..…18
4 VALIDADE E EFICÁCIA DA TÉCNICA……………………………………………….27
5 ABORDAGENS METODOLÓGICAS DO CRIMINAL PROFILING………………..33
5.1 ANÁLISE DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL (FBI)…..……………………………..34
5.2 PSICOLOGIA INVESTIGATIVA…..…………………………………………………38
5.3 PROFILING GEOGRÁFICO……...…………………………………………………..40
5.4 ANÁLISE DAS PROVAS COMPORTAMENTAIS (APC)…..…………………….45
6. ELABORAÇÃO DO PERFIL CRIMINAL…..…………………………………………50
6.1 IDENTIFICAÇÃO FORENSE…...…………………………………………………....50
6.2 DEDUÇÃO DE CARACTERÍSTICAS DO OFENSOR…...………………………..51
6.3 TRAÇOS CARACTERÍSTICOS DO OFENSOR…...………………………………54
6.4 INDICADORES INVESTIGATIVOS………………………………………………….55
6.5 ETAPAS E ELEMENTOS DE UM PERFIL CRIMINAL……..…………………….59
7 CONCLUSÃO…………………………………………………………………………….64
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……..……………………………………………65
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1 INTRODUÇÃO

Desde os primórdios, os autores de crimes, independente do objeto jurídico alvo,


tem sido marginalizados de diversas maneiras, levantando discussões sobre as
motivações que levam esses indivíduos a cometer tais atos. A incompreensão
que gerou interesse pelo assunto, trouxe consigo um aumento significativo sobre
estudos e pesquisas com esse foco.

Entretanto, somente em período recente, mais precisamente no último século,


tivemos uma concentração das autoridades para com a análise das condutas
específicas dos criminosos, ao notarem que através dessas análises, poderia-se
obter informações sobre esses indivíduos, como idade, nível escolar, classe social
e outros fatores que ajudariam imensamente em investigações.

O criminal profiling, também chamado de perfil criminal, definição de perfil do


agressor ou análise comportamental, inicialmente, era de interesse e domínio de
profissionais da área de Psicologia. Ao passar dos anos, tanto o FBI (Estados
Unidos da América) e o Royal Canadian Mounted Police (Canadá), ingressaram
na contribuição para essa área, elevando seu patamar. Sem origem definida, o
uso dessa técnica teve seu provável início na Unidade de Ciências
Comportamentais do FBI no ano de 1972, quando a unidade começou a se
concentrar em crimes violentos como serial killers, sequestros, latrocínios e
crimes sexuais.

O crescente sucesso do assunto em mídias televisivas com produções de filmes,


seriados, documentários e entre outras formas, teve uma alta no lançamento do
filme baseado no livro de autoria do escritor Thomas Harris, O Silêncio dos
Inocentes (1992), que relata a história de um psicopata canibal com o nome de
Hannibal Lecter. Após seu iminente auge, nos anos seguintes, foram surgindo
inúmeras produções que traziam o criminal profiling como questão.
11

Contudo, através do “fenômeno CSI”, os fartos conteúdos com o tema trazem


uma visão errônea e irreal sobre a técnica de investigação, de forma fantasiosa,
mostrando agilidade e eficácia infalível, com os suspeitos sendo revelados com
um piscar de olhos. Convergindo com a opinião de John E. Douglas. um dos
precursores do assunto na Unidade de Ciências do Comportamento do FBI, há
uma mistificação do uso da técnica, como se fosse algo sobrenatural, quando na
verdade, por trás, existem diversas entrevistas, pesquisas e união de dados a fim
de ter uma ideia sobre os criminosos.

Atualmente no Brasil, a aplicabilidade prática e o valor creditado a metodologia do


criminal profiling, ainda é muito contestável e obscura, sendo sempre associada
ao seu uso principal no FBI e nas polícias norte-americanas. Soma-se ainda, ao
fato de que a gigantesca parcela dos crimes violentos cometidos no Brasil são por
razões sociais e econômicas: tráfico, crime organizado ou sistema prisional.
Sendo assim, a realidade criminal, ou seja, nossa criminalidade típica e
problemática é demasiadamente distinta de países como os Estados Unidos, não
requerendo, em sua grande maioria, o uso de uma técnica específica como é da
análise comportamental.

Desse modo, o referido Trabalho de Conclusão de Curso, possui o objetivo de


definir o domínio da ciência da Criminologia Investigativa de forma geral e de
forma particular, abranger o Criminal Profiling, delineando os parâmetros de sua
aplicabilidade, promovendo as diversas classificações, definições, diferenciações
acerca do tema acrescido a importância da utilização do perfil criminológico,
assim como sua validade, que por si só, já traz numerosas indagações.

A problematização segue com subjetividade do uso da técnica, a incompreensão


das motivações dos delinquentes, o uso da metodologia em nosso país e a
dificuldade em se encontrar casos brasileiros nos quais foi-se utilizada a técnica.

Tendo em vista o uso precário e a escassa produção de conteúdo acadêmico


sobre o tema, aliado a sua relevância, vê-se necessária a elaboração de um
Trabalho de Conclusão de Curso com a finalidade de fomentar tal conhecimento
em terra pátria, contribuindo para a discussão científica das áreas englobadas no
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objeto do Trabalho, aprofundando seu estudo e realizando conexões entre


diversas matérias, buscando se distanciar do que é reproduzido no senso comum.

Por fim, como metodologia, será usada a forma de pesquisa aplicada, unida a
pesquisa descritiva objetiva, buscando um estudo científico voltado a tentativa de
soluções de problemáticas a fim de construir um retrato da natureza de relações
entre os aspectos delimitados do tema.

Coletando-se as informações, analisando as variáveis, propondo recomendações,


expondo, classificando e interpretando os fatos, será feita uma abordagem
qualitativa, tendo caráter subjetivo, adotando-se o método indutivo com o
propósito de analisar os dados obtidos sem critério numérico, por meio de
observações específicas como base para conclusões, usando-se a pesquisa
bibliográfica com fontes de artigos científicos ou não, livros digitais e físicos,
coletâneas e outros textos disponíveis pelas pesquisas na internet.
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2. A CRIMINOLOGIA FORENSE COMO CIÊNCIA E SUA INTEGRAÇÃO COM O

CRIMINAL PROFILING

A origem da palavra Criminologia vem da junção de dois conceitos, delito, no latim


crimen e tratado, no grego logos. Assim como diversos institutos e disciplinas da
área do Direito, a Criminologia não possui uma definição uniforme, detendo
diversas definições, como as de Nélson Hungria Guimarães Hoffbauer e Edwin H.
Sutherland, respectivamente:

Criminologia é o estudo experimental do fenômeno crime, para pesquisar-lhe a


etiologia e tentar a sua debelação por meios preventivos ou curativos;

Criminologia é um conjunto de conhecimentos que estudam o fenômeno e as


causas da criminalidade, a personalidade do delinquente, sua conduta delituosa e
a maneira de ressocializá-lo.

Inserida como subdisciplina da Criminologia, há a Criminologia Forense,


pertencente tanto ao campo da ciência comportamental, que abrange um estudo
sistemático de condutas humanas e animais por meio de análises e
experimentações científicas controladas, quanto ao campo da ciência forense,
englobando as técnicas e conhecimentos científicos usados para investigar e
solucionar crimes.

O conceito apresentado por Wayne Petheric, Brent Turvey e Claire Ferguson no


livro Forensic Criminology (2009), é de longe o mais completo e abraçado
mundialmente, sendo descrita como um método de Criminologia Aplicada se
debruçando no estudo científico tanto dos criminosos, bem como dos crimes com
a finalidade de repassar informações ao processo penal e ao processo
investigativo.

A atuação de um criminólogo forense é focada na visão sociológica unindo-se ao


processo penal e suas ramificações. A Criminologia Forense compreende
diversas matérias, técnicas e metodologias de ciências e suas subdivisões como
as Ciências Forenses, Criminalística, a Psicologia e Vitimologia Forense,
Investigação Criminal e inclusive o Criminal Profiling, tema principal do trabalho
14

em questão que assim como a Criminologia Forense, compõe-se e reúne


variadas disciplinas desse vasto universo.
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3. CRIMINAL PROFILING: HISTÓRIA, CONCEITOS, CLASSIFICAÇÕES, EFICÁCIA E


APLICAÇÃO

O Profiling Criminal ou Perfil Criminológico é uma técnica investigativa e de


análise de vestígios e provas que compõe-se por análises comportamentais
dentro de um contexto criminal e que se utiliza da busca de padrões e ligações
que possam ser interpretados com a finalidade de auxiliar na identificação de
crimes, além de poder ser utilizado em situações como interrogatórios,
entrevistas, negociações, testemunhos e pareceres. Por consequência, o profiler
criminal é o profissional da área de Criminologia que atua também como perito
forense, que possui geralmente uma formação em volta das Ciências Sociais,
Comportamentais e Forenses.

Peter B. Ainsworth, professor e escritor da área de psicologia forense define o


criminal profiling como a somatória das características de um criminoso que
podem ser deduzidas através da cuidadosa análise das características do crime,
em outras palavras, o profiling geralmente faz referência ao uso de toda
informação disponível sobre o crime, a cena do crime e a vítima, no objeto de
propor o perfil do criminoso.

Houve um grande crescimento de atenção e interesse na área de Profiling uma


vez que diversas mídias se dispuseram do assunto em filmes, séries de TV e
livros. No entanto, a técnica não é exatamente do modo que a apresentam nesses
locais, já que não é tão exato, empírica e é majoritariamente aplicada em crimes
mais graves como agressões sexuais e homicídios, visto que não é tão efetiva em
casos como roubos e furtos tirando as ocorrências em que o crime se dá em
série.

Ademais, advindo desse aumento expressivo da produção de livros, filmes, séries


e sua popularização – cita-se o filme Hannibal e a série de televisão Criminal
Minds como obras prestigiadas – criou-se uma imagem deturpada de como
realmente funciona o profiling. Nessas obras a técnica mostrada sendo usada
para encontrar o indivíduo, ainda sem identificação, suspeito na investigação que
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está sendo realizada. Enquanto na realidade ela é utilizada para descobrir o tipo
de ofensor que possui mais chances de ter cometido aquele crime.

Consiste esse na construção de um perfil psicológico relacionado às questões


físicas, sociais e psicológicas de uma pessoa que comete o crime, com a função
de orientar a investigação através do auxílio das ciências comportamentais e com
isso ajustar estratégias para poder criar um perfil e recomendar aquele que está
investigando que tipo de pessoa possa ter cometido esse crime.

A técnica que também possui as terminologias de Crime Scene Profiling, Profiling


Analysis, Criminal Personality Profiling, Behavioural Profiling, Statistical Profiling
(Geographic and Investigative), Psychological Profiling e Criminal Investigative
Analysis (CIA) em inglês, perfil do ofensor, perfil psicológico, perfil de
personalidade criminal, perfil comportamental, perfilamento criminal e diversas
outras denominações que se diferenciam quanto à abordagem convergem em
uma mesma ferramenta que é baseada na psicologia e usada justamente para
aferir características e atributos sobre os prováveis agentes do crime como
gênero, grau de escolaridade, tipo de emprego, faixa etária e outros aspectos da
personalidade.

Contudo, essa diversidade de termos distancia uma uniformidade tanto na


aplicação da técnica quanto na definição dela, causando certa confusão não só
para os que não são familiarizados com ela como os que já atuam dentro desta.
Para o propósito do trabalho em questão o termo perfilamento criminal será o
utilizado por padrão daqui em diante para que não haja nenhum tipo de confusão
oriunda desse discorde.

A somatória de todas essas características gera o que chamamos de perfil


criminal do suspeito. O profissional que monta os chamados perfis criminais é
conhecido como profiler que possui conhecimento nas áreas de Ciências
Comportamentais, saberes técnicos da Criminologia em si e muitas das vezes
exerce a função como um perito forense, testemunhando em tribunais sobre o
tema no qual é especializado tecnicamente, através de um exame preciso das
provas apresentadas somadas aos fatos e suas circunstâncias, trazendo ao caso
17

justamente sinais ou indicadores de culpa do agente assim como divergências e


inconsistências.

Quando esse profissional auxilia os investigadores na busca por um suspeito não


há uma atenção única para sua identificação e sim aconselhando, emitindo
pareceres e orientações para os detetives e investigadores assistindo para uma
maior eficácia do desenvolvimento da investigação, inclusive através de análises
comparativas de outros casos e outras estratégias que estejam no alcance deste.

Até pouco tempo atrás, a profissão de profiler, inclusive em âmbito internacional


não era algo visto como concreto e usual. Contudo, o perfilamento foi com o
passar dos anos se desenvolvendo para não só servir como uma forma de
especialização na área, mas também como profissão liberal que vem crescendo
em números, se utilizando do perfilamento, atuando justamente como profilers.

Além do trabalho liberal como um profiler, há também a possibilidade de se utilizar


a técnica em algumas profissões, não só como no já citado perito forense, como
também por investigadores, psicólogos, criminólogos e diversos outros
profissionais do âmbito criminal.

As primeiras abordagens que se utilizaram da técnica são trazidas de casos


historicamente famosos que se tratavam de crimes incomuns em que Psicólogos,
Psiquiatras e diversos outros profissionais que atuavam na área de Saúde Mental
foram chamados para auxiliar nas investigações desses crimes como o icônico
caso do Mad Bomber e o envolvimento do psiquiatra Dr. James Brussels e o caso
de Jack the Ripper em que os médicos legistas George Phillips e Thomas Bond
foram chamados para opinar sobre o criminoso, sendo Thomas considerado por
muitos como um pioneiro no assunto e o primeiro profiler da história.

Além de Brussel e Bond, Walter C. Langer, psicanalista americano foi chamado


para montar um perfil de Adolf Hitler através das análises de seus livros e
entrevistas com pessoas que conviveram com ele, gerando um perfil bem
completo e detalhista, inclusive apontando sinais de sadismo e complexo de
Édipo.
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Adentrando no trabalho de Brussel que teve enorme destaque em razão de ter


trabalhado em casos muito conhecidos nos Estados Unidos da América, atuou ao
lado do Departamento de Polícia de Nova Iorque a fim de identificar a pessoa
conhecida pela alcunha de Mad Bomber, terrorista que agiu entre 1940 e 1956
plantando bombas em locais públicos e até mesmo bem movimentados como
ocorreu na estação de Pensilvânia.

Brussel através de análises de cartas do terrorista enviadas à imprensa


americana e estudos das fotos das cenas dos crimes chegou ao perfil de um
homem solteiro de meia idade, mais especificamente um imigrante católico
romano que trabalhava como mecânico, vindo de Connecticut, tendo um afeto
obsessivo por sua mãe e teria supostamente um ódio desenvolvido pelo pai.
Ademais, o psiquiatra acresceu ao perfil o fato de que o ofensor teria algum tipo
de vingança pessoal voltada a uma das maiores companhias de energia dos
Estados Unidos, Consolidated Edison (Con Edison), tendo auxiliado imensamente
para rastrear e prender o bombista George Metesky na época e prosseguindo seu
trabalho com a polícia de Nova Iorque até 1972.

Posteriormente inicia-se a história do perfilamento no FBI, com o oficial de polícia


que havia se integrado no FBI e atuava como instrutor nas aulas de criminologia
aplicada em Washington, tema que lhe interessava demais e o fez se aproximar
do já citado psiquiatra James Brussel através das leituras de seus livros sobre o
assunto.

Após alguns anos trabalhando no FBI, foi fundada a Unidade de Ciência


Comportamental em Quântico em que Howard Tenten se uniu ao agente especial
Patrick Mullany e sua equipe a fim de criar um método para análise de possíveis
ofensores de casos não resolvidos através dos comportamentos nas cenas dos
crimes, transtornos mentais e aspectos da personalidade dos suspeitos.

O FBI através dessa nova técnica que foi nomeada na época de perfil do ofensor
ou análise criminal investigativa encontrou e encarcerou o primeiro serial killer
graças ao uso do hoje já mais sofisticado e complexo sistema de perfilamento da
agência conhecido como Criminal Investigative Analysis Program.
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Adiante, John Douglas e Robert Ressler assumiram grandes papéis no perfil


criminal dentro do FBI após a saída de Tenten em meados de 1978, ambos
dedicaram muito tempo entrevistando e estudando diversos criminosos
conhecidos espalhados pelos estados com o objetivo de criar a divisão entre
criminosos desorganizados e criminosos organizados muito utilizada até nos
tempos atuais.

Ressler ficou famoso por ter sido o criador do termo serial killer ou assassino em
série, enquanto John foi considerado um dos primeiros perfiladores criminais do
país, tendo escrito inclusive um livro sobre essa sua carreira pelo FBI junto de
Ressler contando toda a suya perspectiva do projeto e Unidade de Ciência
Comportamental, as peculiaridades das entrevistas, o relacionamento com os
seus colegas, os casos em que eram chamados para cooperar durante o projeto e
o avanço que os estudos foram trazendo para o aperfeiçoamento dos perfis
criminais. Livro este que foi nomeado de Mindhunter: O Primeiro Caçador de
Serial Killers Americano gerando até mesmo a série de mesmo título que se
baseou no livro trazendo grande sucesso na plataforma de streaming Netflix com
atualmente 2 temporadas.

No sul da Inglaterra na metade dos anos 80 surgiu um assassino que ficou


conhecido por 2 nomes, the Railway Rapist e the Railway Killer respectivamente
pelos crimes que foi cometendo durante o passar do tempo, tendo sido chamado
para auxiliar nas investigações o criminologista e psicólogo David Canter, hoje
autor reconhecido de diversos livros na área do perfilamento, acertando 13 das 17
características formadas pelo perfil que gerou para o então suspeito John Duffy.

A história e o desenvolvimento do perfilamento foi crescendo cada vez mais,


tornando-se cada vez mais visível e utilizado, tendo outros grandes nomes como
Candice DeLong, ex-agente do FBI atuante em diversos casos famosos como o
da captura do Unabomber com diversos livros publicados, Mary Ellen O'Toole,
também ex-agente do FBI de outra leva que tratou do caso do massacre de
Columbine e é especialista em psicopatia e ainda ativa em suas consultorias para
diversas redes, James T. Clemente, aposentado do FBI em 2009, produziu,
escreveu e atuou em episódios da série de TV Criminal Minds, especialista em
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crimes sexuais inclusive em menores e também auxilia dando consultorias e


palestras sobre, James R. Fitzgerald, ex-agente do FBI que atuou fortemente no
caso do Unabomber é um linguista forense, possui um podcast sobre perfilamento
e escreveu alguns livros sobre igualmente.
Por fim, há de se citar Brent Turvey, um dos precursores do método de Análise
dos Vestígios Comportamentais, psicólogo, criminologista, cientista forense,
profiler, auxilia a polícia e agências governamentais espalhadas pelo mundo
dando consultorias tanto em casos civis como criminais, tendo como obra mais
conhecida o livro Criminal Profiling: An Introduction to Behavioral Evidence
Analysis que teve sua primeira publicação em 1999 e a última em 2011 na qual
adentra no tema do método citado se aprofundando e contribuindo imensamente
assim como os outros nomes citados para a área do perfilamento criminal.

No Brasil a técnica ainda não difundida na extensão do país, se limita somente


em maior escala de uso nos estados de Goiás, Rio Grande do Sul e Santa
Catarina, de forma lenta e progressiva.

Entretanto, mesmo com o crescimento midiático, criação de cursos e pós-


graduações na área devido ao interesse gerado na última década, ainda há uma
grande escassez quando se trata tanto de profissionais com tais formações e
conhecimentos como conteúdos bibliográficos, artigos e produção de estudos
sobre a técnica no país.

Portanto, o que se tem de informação sobre o perfilamento criminal em território


brasileiro acaba se resumindo muito em conteúdo estrangeiro, advindo tanto da
Inglaterra e Estados Unidos, como também em grande quantidade, de Portugal, o
que torna um pouco mais próximo o acesso ao material da técnica.

Atualmente ainda há muita desinformação e desconhecimento acerca do tema


não só na área da Psicologia e seus profissionais como também na área do
Direito, não havendo nenhuma informação da atuação de qualquer profissional
dessas áreas assim como peritos que exerçam atividade profissional como
perfilador oficialmente.
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A razão para essa lacuna não possui explicação exata, vez que existem diversos
exemplos de países que obtiveram sucesso utilizando a técnica e produzindo
conteúdo e cursos sobre esta, inclusive países vizinhos como Chile e Argentina,
muitas vezes citados por profissionais brasileiros quando discutem sobre o tema.

Fato é que, no Brasil, ainda não se foi possível encontrar material que fosse
suficiente substancialmente para colocar o perfilamento criminal dentre as
técnicas que são utilizadas pelos profissionais que as Ciências Forenses
abrangem.

Haveria como justificar tal entrave para o aumento do uso da técnica através da
falta de regulamentação técnica não só pelo Código de Processo Penal como
pelos conselhos de Psicologia do país. Porém, como a perícia já é regulamentada
como meio de prova, pouco importa o procedimento técnico que é usado pelo
perito para apresentar, não havendo necessidade de tipificar o meio de prova.

Ademais, alguns pesquisadores defendem a aplicação por analogia do Código de


Processo Penal já que há a falta de disposição sobre o procedimento pericial
específico, devendo se abraçar em meios de prova semelhantes para se usar da
técnica. Ainda há de se citar as funções do psicólogo dadas na resolução 17 do
Conselho Federal de Psicologia que dispõe sobre a atuação do psicólogo como
Perito nos diversos contextos, contendo especificamente: “realizar perícias e
emitir pareceres sobre a matéria de psicologia.”

Adentrando nos outros motivos pelos quais o perfilamento ainda não se firmou em
nosso país pode-se citar a própria cultura propagada, ignorando-se a produção
midiática de filmes e produções sobre o tema, quando se trata das atuações em
casos reais não há nenhuma preocupação, reconhecimento e respeito pelo
trabalho feito pela perícia, tirando os casos de maior repercussão, quem toma a
frente são os policiais, delegados e advogados, levando os que almejam ou
cogitam se aprofundar sobre a técnica a pensar que se não há respeito e
reconhecimento pelos peritos de locais de crime, quem dirá com os que geram
um perfil do ofensor.
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Além de não haver uma cultura que enaltece o trabalho destes profissionais, o
Brasil possui uma criminalidade típica e altamente problemática que se difere
completamente de países como Inglaterra e Estados Unidos, sendo a gigantesca
parcela dos homicídios cometidos no país motivados por razões sociais e
econômicas, ou seja, tráfico, crime organizado, sistema prisional e entre outros.
Sendo assim, não se pode afirmar que com a implementação do perfilamento
criminal vá aumentar a taxa de solução de homicídios, não havendo uma
mudança estatística de alto impacto mesmo se tivéssemos profilers de ponta
atuando no país.

Por fim, outra barreira é imposta em diversos estados brasileiros, já que o


profissional que trabalha com o perfilamento necessita de trabalho em equipe,
atuando conjuntamente com as equipes policiais que investigam os casos,
enquanto muitos dos estados têm a perícia desvinculada da polícia, dificultando
imensamente seu trabalho, vez que não há acesso aos dados da investigação,
muito menos o rumo que esta está tomando.
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4. VALIDADE E EFICÁCIA DA TÉCNICA

Em razão de ser um tema que possui ainda hoje muito debate científico, o
perfilamento criminal carrega dificuldades quando se trata de estabelecer em que
profundidade e com que frequência os perfis gerados durante uma investigação
podem estar corretos ou não.

Quando nos voltamos aquém da discussão científica, se debruçando na visão dos


que defendem os perfis, têm-se a interpretação de que o uso do perfilamento
deve ocorrer de forma cautelosa, em casos específicos, situações ideais,
apresentando um olhar mais artístico do instrumento.

Tomando como exemplo os ex-agentes do FBI como Robert Ressler e Roy


Hazelwood, estes expõem seu ponto de vista de que os psicólogos que obtém
sucesso nessa carreira possuem vasta experiência em investigações criminais,
conseguem separar os sentimentos para avaliar o crime da forma mais isenta
possível e detém uma intuição e senso comum fora da curva.

São poucos os estudos que de forma empírica trazem informações concretas e


avaliam a exatidão da técnica de perfilamento, justamente por não haver um
critério objetivo que teste uma amostra de perfis reais.

Ronald M. Holmes, escritor e estudioso da área de perfilamento criminal em 1989


afirmou em seu livro Profiling Violent Crimes: An Investigative Tool que menos da
metade dos casos dos quais havia reunido para fazer a pesquisa tinham sido
solucionados. Existe um elemento subjetivo muito grande quando se trata de
decidir como um suspeito se encaixa no perfil montado até mesmo quando há
certeza quanto à identidade do ofensor.

A pequena parcela de estudos que exploram com que exatidão se dão os perfis
montados experimentalmente apontam divergências para apontar o ofensor do
crime quando os investigadores possuem informações em suas mãos.
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Brent Turvey, um dos precursores da Análise dos Vestígios Comportamentais


(AVC), em sua obra Forensic Criminology em parceria com Wayne A. Petherick e
Claire E. Ferguson, citou alguns dos poucos estudos feitos em torno do tema.

Primeiramente mencionou um estudo realizado em 1981 por John E. Douglas,


analista do FBI considerado como um dos primeiros a se debruçar nos perfis
psicológicos dos criminosos, com a intenção de medir o valor do método para as
forças policiais da época gerou os referidos dados: redução em 77% dos casos do
espectro da investigação em casos em que o criminoso foi identificado, 594 dias
reduzidos de tempo de investigação, 15 dos 192 casos examinados resultaram na
prisão do autor.

Vários outros estudiosos realizaram pesquisas para concluir a eficácia do


perfilamento criminal, como Paul Britton, Goldblatt, Pinizzotto & Finkel, Copson e
Kocsis, Irwin, Hayes & Nunn, sendo este último realizado em 2000 com uma
forma diferente de medir, reunindo grupos de profilers, policiais, psicólogos,
estudantes e médiuns os comparando e concluindo que o desempenho dos
profilers se sobressaiu nos quesitos de identificação dos processos cognitivos,
características físicas, estilo de vida, histórico-social, comportamentos criminais e
número de predições corretas.

Em suma, observa-se que embora o perfilamento se encontre em uma fase inicial


quanto a sua validade no uso de métodos, através dessas pesquisas conclui-se
que o método de perfilamento, se usado por profissionais competentes e bem
treinados, pode servir como ferramenta investigativa de alta excelência. Assim
como, as forças policiais reconhecem a ferramenta tanto pela contribuição para se
compreender o comportamento criminal dos agentes como pela capacidade de
prever as características dos criminosos, vez que apresentam novas ideias que
surgem de pesquisas realizadas em todo o mundo a partir da técnica, por ser uma
profissão emergente que força a exploração de novos domínios e novos
conhecimentos ainda não alcançados.
25

Ainda que a técnica possua uma clara falta de amostra empírica que apoie sua
validade, temos um aumento significativo em seu reconhecimento, ainda que sem
precedentes.

Isso deve-se primeiro à ênfase e propagação midiática e televisa, ainda que de


forma imprecisa como as produções cinematográficas e artísticas expõem o
perfilamento, de um modo quase sempre fantasioso e místico.

Ademais, têm-se o fato de que os agentes da polícia se utilizam da técnica


gerando os perfis com certa frequência, diferentemente das outras técnicas
psicológicas existentes, sendo tratados estes não como formas de prova legal no
Tribunal, mas sim usadas como instrumento de investigação criminal, escapando
do controle judicial.

Aliado a isso os profissionais que atuam através do perfilamento muitas das vezes
precisam justificar e encontrar argumentos para suas aplicações e execuções
práticas, levantando novamente a questão apontada por Hazelwood da
capacidade dos psicólogos e outros profissionais que atuam com o perfilamento,
de intuição, senso comum, pensar como um criminoso, trazendo a visão artística
como se fosse um sentido para o crime, porém com lacunas, fragilidade de seus
critérios e lógicas e escassez de dados empíricos.

Todo esse misticismo e a combinação de arte e ciência do perfilamento se dá


principalmente por tratarem mais como um talento, um dom, do que uma
formação, uma competência a qual pode-se alcançar através de estudos e
debates e o fato de que por ser relativamente recente, não há ainda uma
produção consistente de base empírica para embasar sua aplicação e quem pode
aplicá-la.

Por mais que, através da formação de perfis criminais, diversos casos de grande
holofote midiático tenham obtido sucesso em encontrar o ofensor, a técnica não é
infalível como propagam em algumas obras publicadas até mesmo por profilers.
26

Alguns pesquisadores da área como Gary Copson, um ex-comandante e


investigador criminal apontam inclusive que os perfis montados por um
profissional são tão característicos e com tantas particularidades que dificilmente
podem ser separados de seu autor, quando feitos podem gerar consequências e
erros para a investigação. Fato é que o uso solitário do perfilamento criminal não
soluciona nenhum crime, devendo somar esta com as diversas outras técnicas e
instrumentos para auxiliar na investigação.

As dificuldades citadas se dão justamente por se tratar de uma metodologia que


envolve Ciências Sociais que estuda comportamentos humanos sociais, objeto de
estudo não exato que traz diversas variáveis que não podem ser analisadas e
antecipadas com tamanho grau de certeza como propagam, já que estamos
falando de indivíduos fora da curva, diminuindo ainda mais essa possibilidade de
previsão.

A elaboração de um perfil de forma errônea é altamente perigosa, vez que, os


investigadores podem ser levados acreditar que uma pessoa que não era sequer
suspeita no caso porém se encaixa no perfil montado pode ser a autora do crime
em questão, e consequentemente por ansiedade e pressão deterem a pessoa
somente por se encaixarem no perfil proposto erroneamente, ignorando as outras
pistas acumuladas.

A necessidade de se verificar de forma idônea levando o desenvolvimento do


perfil até o final rigorosamente e de forma minuciosa é em razão do estudo
comportamental do ofensor se basear em circunstâncias especiais de curta
duração, já que se resumem em situações muito específicas de níveis de stress
altos.

O aumento relativo de profissionais que buscaram se especializar no perfilamento


trouxe consigo uma outra problemática, a de profissionais inexperientes
praticamente ou que não obtiverem treinos e absorção de conteúdo suficiente
para a produção de trabalhos admissíveis e verossímeis.
27

Somado a isso, através da popularização dos termos relacionados com o


perfilamento houve um aumento também de profissionais que não são
qualificados e inadequados para trabalhar com o tema opinando em investigações
podendo induzir ao erro os responsáveis por esta.

O tema da validade do perfilamento foi explorado também por Norbert Ebisike,


autor do livro que inicialmente fora produzida como uma tese de doutoramento da
Escola de Direito Golden Gate University da Califórnia em São Francisco,
Offender Profiling in the courtroom: the use and abuse of expert testimony.

Em sua obra, Ebisike pleiteia que a ferramenta do perfilamento antigamente era


usada em casos em que não reuniam pistas suficientes nos locais do crime para
que fossem produzidas evidências a se apresentar nos tribunais, sendo assim os
especialistas davam seus depoimentos e produziam seus laudos através da
técnica e aos poucos iam introduzindo esta nos tribunais como forma de prova,
fato esse que trouxe como consequência um debate em contratempo com
urgência sobre a validade, se seria aceito legalmente em julgamentos e se era
confiável e efetivo o método apresentado.

Em suma, o autor traz em sua conclusão que não acredita que o perfilamento
pode ser confiável suficientemente, apresentando como um dos motivos para tal a
falta de comunicação entre os outros departamentos de investigação para que
pudesse unir as informações obtidas com as outras técnicas e métodos a fim de
alcançar o ofensor, limitando o potencial do perfilamento e arrastando juntamente
essa carência de confiabilidade.

Ebisike ainda sugere que tanto os laudos como os depoimentos dados por
especialistas na área que são apresentados no sistema judicial não deveriam ser
admitidos no momento atual, devendo somente ser aceitos quando a validade da
técnica seja construída e estabelecida, criticando e denominando o instrumento
como um mero jogo de adivinhações que se baseia em probabilidades.
28

5. ABORDAGENS METODOLÓGICAS DO CRIMINAL PROFILING

Ainda que o perfilamento criminal tenha sido criado e desenvolvido de forma


recente existem diversas perspectivas que se fomentaram no meio que geraram
consequentemente vários tratamentos divergentes com enfoques diferentes.

Quando analisamos as diferenças entre essas visões e usos da técnica


percebemos dois aspectos que mais chamam atenção e que os separam uns dos
outros: a finalidade do uso e quem faz o uso dela.

A aplicação tanto do pensamento crítico quanto do raciocínio dedutivo e indutivo


são essenciais para a técnica de perfilamento. O primeiro sendo útil para
distinguir uma afirmação sempre verdadeira, de uma às vezes verdadeira, de uma
parcialmente verdadeira e de uma falsa nesse âmbito.

O segundo une os dois raciocínios para resultar em dois métodos de perfilamento


que se complementam: o indutivo ou nomotético que trata das previsões que se
baseiam em fatos concretos e reais do caso gerando um conjunto de
características para esse único e exclusivo caso e o dedutivo ou ideográfico que
se resume aos padrões comportamentais que são apresentados na união da
análise de alguns grupos de agressores, não se tratando de um em específico
caso real, para encontrar semelhanças e tendências e produzir opiniões e teorias
sobre os crimes e os ofensores.

Os métodos inseridos no grupo ideográfico se mostram mais custosos tanto em


dinheiro como em tempo se comparado aos inseridos no método nomotético que
consequentemente acabam sendo mais utilizados justamente por serem menos
complexos e mais didáticos para repassarem aos investigadores policiais que não
possuem formação na área.
Além disso, resultados imediatos não são vistos pelos que se utilizam dos
métodos ideográficos, propriamente por demandar mais tempo para gerarem
conclusões e se debruçarem em um único caso, produzindo informações
29

confirmadas empiricamente por meio de provas concretas, sendo a tendência e o


que deve realmente ser seguido, a utilização conjunta dos métodos para alcançar
enfim um balanço entre as falhas e qualidades apresentadas por estes.

5.1 ANÁLISE DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL (FBI)

O chamado Criminal Investigative Analysis (CIA) ou Análise da Investigação


Criminal (AIC), também conhecido por Análise da Cena do Crime, é o método
mais conhecido do grupo nomotético, sendo considerado o corpo da pesquisa que
iniciou o perfilamento criminal.

A faceta que se desenvolveu na Unidade de Ciências Comportamentais instalada


na academia do FBI situada em Quântico (Virgínia) foi criada em 1972, é até hoje
o principal modelo de perfil utilizado pelo Departamento Federal de Investigação
(FBI) dos Estados Unidos e traz um destaque maior à produção e
aperfeiçoamento de técnicas, procedimentos e táticas que serão úteis para
realizar a coleta de dados reunidos para a formação do perfil de uma possível
personalidade e de características em comum oriundas dos comportamentos de
criminosos.

A abordagem pioneira do perfilamento é conceituada de forma simplificada pela


Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos como uma técnica de
investigação forense que é usada inserida em um contexto policial, os
investigadores que se utilizam dessa metodologia se definem como analistas do
comportamento criminal e não se identificam com o termo de profiler.

Já o FBI delimita o recurso como sendo um meio investigativo que seleciona, com
base nos crimes cometidos pelo ofensor, características deste que se destacam.

Através do AIC, o FBI gerou a classificação metodológica mais famosa dentro do


perfilamento, a do tipo organizado e desorganizado, através de estudos
realizados em grupo de ofensores utilizando a abordagem citada, identificando
algumas características e tipologias.
30

Contudo, tanto as tipologias como as características obtidas através da pesquisa


foram alvos de críticas, uma vez que, além dos dados apanhados dizerem a
respeito somente da amostra que foi estudada, não havendo outra semelhante
para controlar variações, estes só reproduziam as características daquele grupo.

Ademais, o estudo realizado nunca foi replicado em outros países, tendo sido
aplicado somente nos Estados Unidos, formando uma terminologia que já existia
e era usada no país.

A dicotomia do ofensor organizado e desorganizado se baseia em 3 aspectos


conforme Tânia Konvalina-Simas: sofisticação, planejamento, competências
sociais e cognitivas observáveis no crime perpetrado.

A intenção do FBI além de tudo era justamente criar uma tipologia que fosse
didática e fácil de ser aplicada, para que pudesse ser repassada para policiais
com pouca ou sem nenhuma formação na área que aprenderiam rapidamente
para aplicá-la principalmente em casos de ataques sexuais e homicídios.

Os criminosos inseridos no tipo organizado quando se trata de local do crime


tendem a escolher vítimas estranhas a ele, a fim de diminuir o risco, planejam
com antecedência os detalhes de seu crime, personalizam a vítima, ou seja, não
ferem o rosto nem retiram partes do corpo desfigurando e tirando a humanidade
desta, não mantém conversações com a mesma para não correr risco de ser
reconhecido, permanece no controle o tempo todo na cena do crime seja
amarrando, amordaçando ainda que fiquem marcas para que possa agir de
maneira tranquila, evita deixar evidências deixando a arma ausente do local,
esconde o corpo e o transporta dificultando o trabalho da polícia.

Os indivíduos considerados organizados possuem características que foram


observadas nesse estudo realizado, geralmente são sociáveis, as pessoas que
convivem com ela não acreditam que ela cometeria tal ato, são inteligentes com
QI médio ou alto, possuem emprego em trabalhos técnicos, seus genitores
31

também, não se utiliza de álcool nem entorpecentes de forma excessiva, caso


possuam irmãos são os mais velhos com os pais não sabendo lidar muito bem
com o primeiro filho, a fim de obter coragem para cometer o ato se utilizam de
álcool, mora com alguém, consegue se estabelecer e manter relações duradouras
e pratica o crime após algum gatilho que pode ser uma demissão ou uma briga
com a figura simbólica dele.

Os da dicotomia organizados dificilmente realizam atos sexuais com o corpo


morto, parafilia conhecida como necrofilia. Normalmente não possuem hábitos
noturnos, por essa razão quando são interrogados a fim de que se exaustem o
fazem em períodos noturnos, varando a noite, com perguntas de forma direta, já
que o mesmo não quer criar vínculos com o interrogador e pesa os prós e os
contras pensando na situação cautelosamente.

O Maníaco de Goiânia, conhecido por cometer assassinatos em série entre o


período de 2011 e 2014 na cidade de Goiânia em Goiás foi descrito como
organizado, um dos motivos expostos foi o fato dele mudar constantemente a cor
e as placas da moto que ele utilizava para cometer os atos, gerando confusão na
polícia pois estes achavam que se tratava de mais de um criminoso.

Quanto aos desorganizados na cena do crime, há uma impulsividade clara,


geralmente vítimas conhecidas, despersonalização da vítima se torna mais
comum, verbalização e conversas longas com a vítima sem receios ou cuidado,
ansioso no momento não sabendo o que fazer como em casos de arrombamento
em que o criminoso invade a residência mas não sabe o que levar e o que não
consegue levar, não há preparação detalhada para o ato, local do crime
bagunçado e com traços bem violentos, corpo geralmente exposto deixado no
local da morte, instrumento usado no crime presente, chamado pelo FBI de arma
da vez, por não haver preparo geralmente é utilizado um instrumento que ele
encontra no local, deixa evidências presentes como impressões digitais ou
pegadas.
32

Ao que se refere às suas características estes são socialmente imaturos,


descritos por pessoas ao seu redor como problemáticos, de menor intelecto,
geralmente com profissões não técnicas como seus genitores, disciplina severa
podendo ter apanhado quando criança, mínimo uso de álcool no ato por já viver
em uma vida de vício, sem a necessidade de gatilhos, com intervalo de crimes
cometidos sendo menor, mora sozinho por não conseguir estabelecer vínculos
duradouros e por isso muda constantemente morando quase sempre próximo da
cena do crime.

Os desorganizados tendem a realizar atos violentos súbitos, discussões tendem a


gerar emoções de raiva que acarretam em momentos de violência impulsiva.
Outrossim, são fixados nas forças armadas, polícia, exército e possuem interesse
em ingressar em uma dessas instituições. Apesar de possuírem vida noturna ativa
e estarem constantemente se deslocando para bares e baladas acompanhados
de outras pessoas, se sentem solitários, pelo fato dessas pessoas só o
acompanharem nestes momentos de diversão e lazer. Realizam epitáfios como
mandar flores aos parentes e geralmente guardam fotos ou vídeos dos atos ou
após os atos para recordação, registros que os comprometam também constam
como imagens com o próprio rosto.

Ambos podem retornar ao local do crime, entretanto a volta ao local tende a ser
em um espaço curto de tempo do ato cometido.

5.2 PSICOLOGIA INVESTIGATIVA

Outro método nomotético de abordagem do perfilamento é a Psicologia


Investigativa ou Investigative Psychology, fundada pelo psicólogo britânico David
Canter, já foi denominada statistical profiling, podendo ser aplicada em várias
outras formas de criminalidade, não se limitando aos crimes violentos, divergindo
das outras abordagens apresentadas e possuindo conceitos que abrangem uma
esfera mais ampla de aplicação, porém, dependendo da exatidão e quantidade de
informações que a investigação trouxer consigo.
33

A abordagem em questão foi introduzida por Canter como modo de contestar o


método fundado pelo FBI supracitado, por publicamente não concordar e criticar o
mesmo, ainda que haja semelhança quanto ao perfilamento, já que esta é apenas
uma pequena parte do processo de investigação inserido pela Psicologia
Investigativa. Se inspirando na psicologia do ambiente que estuda os
comportamentos gerados através das interações realizadas entre o homem e o
meio ambiente e da compreensão do crime para instituir métodos de investigação
científicos.
Ainda comparando-se ao método do FBI e sua dicotomia de organizado e
desorganizado, há que se dizer que mesmo a Psicologia Investigativa se
integrando também como um método indutivo de investigação, os resultados
apresentados são fundamentados em avaliações empíricas muito mais
consistentes do que os postos pelo outro.

A Psicologia Investigativa tem como finalidade fundamental a identificação do


crime através da definição de métodos de análise de atividades criminosas. O
alvo desta como já dito anteriormente não se limita aos casos de perfis
psicológicos e de assassinos em série, tendo um apreço pelo uso efetivo de
entrevistas e registros policiais, pelo estudo das informações reunidas em
investigações policiais e a forma de abordagem e tomada de decisões de policiais
em situações específicas.

Inserido nessa abordagem temos o modelo dos cinco fatores que se traduzem
como cinco elementos que compõem o passado e o presente do ofensor. O
primeiro fator é a coerência interpessoal que não está presente somente na
abordagem da Psicologia Investigativa mas também em várias outras, se
resumindo ao modo como o indivíduo interage com outras pessoas, ou seja, o
criminoso se relaciona e trata as pessoas em situações diversas da mesma forma
que ele interage com as suas vítimas. Ainda, levanta-se que o ofensor tende a
procurar vítimas que possuam características das quais ele esteja familiarizado.

O segundo fator é o significado do tempo e do espaço, tanto o local do crime


como o momento em que ele ocorre são de extrema importância para determinar
34

características do agressor, justamente por geralmente serem escolhidos


intencionalmente por estes, havendo uma sensação de controle e maior
segurança em áreas em que o ofensor conhece melhor.

Outrossim, esse fator se relaciona com a abordagem do Profiling Geográfico, já


que com a finalidade de apontar os métodos de seleção, auxiliar na montagem de
perfis geográficos e indicar a provável residência dos ofensores, os locais do
crime têm sido cada vez mais estudados.

Introduzidos no fator do significado de espaço e tempo existem outros elementos


que podem interferir na escolha destes. Tanto a idade como a capacidade
intelectual tendem a interferir na questão afastamento do local de residência para
cometimento do crime, os mais novos e com menos intelecto geralmente se
afastam pouco. Já o emprego e o estado civil do indivíduo tendem a limitar seus
movimentos, enquanto o meio de transporte tende a definir tanto a distância como
a forma de tratamento e seleção da vítima.

O terceiro fator apresentado trata-se das características criminais do agressor que


se assemelha a abordagem exposta no método do FBI, com a finalidade de
identificar certas tipologias e características presentes em certos crimes, estuda-
se sobre a forma de cometimento do crime e de sua natureza por meio de
entrevistas e pesquisas empíricas.

O quarto fator é a carreira criminal, através de sua análise pode-se observar que
os indivíduos vão evoluindo conforme suas experiências com crimes anteriores,
inclusive se adaptando no que se refere ao seu local de escolha, à sua forma de
abordar e escolher vítimas e sua interação com a polícia. Contudo, ao apresentar
essa experiência alterando suas escolhas e mudando seu modus operandi, fica
claro para os investigadores que aquele indivíduo já possui a experiência citada
ou, pelo menos, possui o conhecimento de práticas aplicadas na investigação
criminal.
35

Por fim temos o quinto e último fator, o da consciência forense, relacionada com o
fator anterior da carreira criminal, o agressor que possui tal experiência ou
conhecimento demonstra por meio de comportamentos específicos essa
característica, comportamentos estes que dificultam ou embaralham o
desenvolvimento da investigação, tais como utilização de máscaras para difícil
identificação, utilização de luvas para não deixar vestígios de impressões digitais,
ou até mesmo a queima ou destruição de possíveis provas contidas no local do
crime.

5.3 PROFILING GEOGRÁFICO

Inicialmente o espaço geográfico foi estudado por André-Michel Guerry, advogado


francês e estatístico amador, em Essai sur la statistique morale de la France,
relacionando a criminalidade e os aspectos sociodemográficos nos territórios da
França. Após Guerry, Adolphe Quetelet, astrônomo, matemático, demógrafo,
estatístico e sociólogo do século XIX, relacionando dados climatológicos por meio
de estatísticas com fatores ambientais e atos criminosos, concluiu que havia uma
taxa maior de crimes contra propriedade no inverno em razão da pobreza,
carência e escassez de recursos materiais por consequência das condições
climáticas.

Denis Lino e Lucas Heike Matsunaga, autores do estudo postado na Revista


Brasileira de Criminalística em 2018 com o título de Perfil Criminal Geográfico:
novas perspectivas comportamentais para investigação de crimes violentos no
Brasil conceituam a abordagem como sendo uma nova ferramenta para a
produção de hipóteses dos crimes, descrito como uma das diversas divisões
dentro da Psicologia Investigativa, tem como escopo analisar os aspectos mais
relevantes no local do crime, proporcionando aos investigadores informações a
fim de que estes, juntamente de outros profissionais, consigam identificar o local
em que o agressor se preparou ou ainda se prepara para planejar seus crimes.
O perfil geográfico é utilizado quando há ocorrência de um crime semelhante a
outros anteriores ao caso, podendo fornecer uma noção da localização onde o
suspeito possa ser encontrado. Ainda, conforme Lino e Matsunaga citam, o perfil
36

demonstra que o local do crime não foi escolhido aleatoriamente pelo ofensor,
mas sim através do raciocínio e escolhas feitas por este como uma rota fácil para
fuga ou um local que a vítima frequenta constantemente o qual o criminoso pode
a observar e determinar o melhor momento para a abordar, fato que pode apontar
algumas características de sua personalidade e de sua vida pessoal.

O conceito apresentado de correlação entre os padrões espaciais, a


personalidade e a vida pessoal do criminoso provém da própria Criminalidade
Ambiental que já discutia isso antes do surgimento do perfil geográfico. A mesma
é definida por Anthony Edward Bottoms e Paul Wines, no livro The Oxford
Handbook of Environmental Criminology, como:

O estudo do crime, da criminalidade e da vitimização na medida em que estas se relacionam, em


primeiro lugar, com espaços particulares, e, em segundo lugar, com a forma como indivíduos e
organizações moldam as suas atividades a nível especial e, ao fazê-lo, são, por sua vez,
influenciados por fatores baseados no local ou espaciais. Para os autores citados, o local é um
poço de informações que geram evidências comportamentais e que agregam muito para a análise
do caso.

A fim de obter um perfil geográfico que seja útil a investigação deve ser feita de
forma veloz e o quanto antes para que não se percam evidências. O
desenvolvimento dessa abordagem não exclui e inclusive se beneficia e interage
constantemente tanto com os métodos mais recentes quanto com os mais
antigos.

Para analisar a geografia presentes nos crimes e seus padrões temos que partir
do princípio de que todo criminoso possui um alcance criminal, o qual será
utilizado para seguir os passos deste.
O perfilamento geográfico é usado combinado com outras ferramentas de
investigação a fim de complementar quando observa-se que há uma série de
crimes, os crimes possuem evidências de relação entre eles, existe um perfil
psicológico montado e as técnicas tradicionais sozinhas não conseguem ser úteis
o suficiente.
37

Para tal, reúnem-se os dados dos relatórios elaborados na investigação como um


relatório de autópsia, perfis psicológicos caso tenham sido feitos, acompanhado
da análise dos locais próximos e relacionados com o crime, bem como o próprio
local do crime.

Existem três teorias da criminologia ambiental que são aplicadas no perfilamento


geográfico. A teoria da atividade de rotina é definida pelos autores do artigo Social
Change and Crime Rate Trends: A Routine Activity Approach, Lawrence E. Cohen
e Marcus Felson através da explicação de que atividades de rotina se resumem a
atividades cotidianas e prevalentes que cumprem as necessidades básicas de
uma pessoa ou de um grupo de pessoas de uma cultura ou espécie.

Os autores que propuseram o estudo na mudança da taxa de criminalidade dos


Estados Unidos relacionam três elementos que convergem para a possibilidade
de uma atividade criminosa ocorrer dentre as atividades rotineiras, ou seja, em
qualquer local ou momento, sendo respectivamente: o alvo, o criminoso e a
ausência de um guardião capaz – não sendo somente uma força policial, mas
também qualquer pessoa ou máquina que possa vigiar e impedir eventualmente
um crime.

Cohen & Felson ainda afirmam que o alvo escolhido pelos ofensores tendem a
ser adequados conforme seu valor ou desejabilidade, sua visibilidade, a
acessibilidade deste, sua facilidade de fuga e a inércia do alvo que abrange as
dificuldades e facilidades de transporte deste, incluindo-se sua resistência, peso,
mobilidade e a existência de trancas ou fechaduras.

A próxima teoria se correlaciona com a anterior, a teoria da escolha racional


explica que o criminoso quando seleciona o local, a vítima, o momento, não o faz
de forma randômica, ainda que faça escolhas ou decisões rudimentares este
procura o benefício próprio e demonstra a racionalidade que o indivíduo utiliza
mesmo possuindo capacidade, informação ou tempo limitados.
38

O ofensor busca sempre alcançar seus objetivos através do menor risco possível,
baseando-se em esforço, gastos e ações para alcançar recompensas que valham
a pena. A diferença das duas teorias é apontada por Marcus Felson quanto ao
foco destas, a da escolha racional lida com o conteúdo das decisões do indivíduo,
já a das atividades rotineiras se preocupa com o contexto ambiental e ecológico
que gera as opções as quais serão escolhidas pelo criminoso.

Por fim, a teoria que é extraída das duas anteriores é a dos padrões criminais, em
que se conclui que as atividades criminosas ocorrem em padrões complexos não
sendo distribuídas ao acaso tanto pelo local ou tempo, padrões estes chamados
de modelo de crime, que só abarca locais que o criminoso possui consciência.

Os padrões citados são construídos através das atividades criminosas dos


ofensores que por sua vez são compostas das atividades diárias rotineiras destes
as quais modelam suas decisões e comportamentos, trazendo segurança ao
criminoso que busca a oportunidade correta, a não interrupção de seus atos e a
presença de seu alvo no local e momento certos.

Ademais, além das teorias aplicadas no âmbito do perfilamento geográfico,


existem princípios da criminologia ambiental que também são empregados neste.
O princípio do mínimo esforço se resume ao fato de que quando há a
possibilidade do criminoso escolher entre duas localidades para realizar o ato ele
tenderá a optar pelo local mais próximo, justamente por necessitar de menos
esforço para tal.

Em seguida, o princípio da distância é definido como uma manifestação


geográfica do princípio supracitado e provém da escolha do local pelo criminoso
em uma área de conforto e segurança para este, podendo não ser sua residência,
até mesmo pelo risco proporcionado ao cometer um ato criminoso próximo do
local de sua moradia, o que facilitaria no reconhecimento e busca do ofensor.
39

O terceiro princípio é chamado de princípio do círculo que se baseia na Teoria do


Círculo apresentada por David Canter e Paul Larkin na publicação do artigo de
título: The environmental range of serial rapists, em que é realizado um estudo no
campo da psicologia ambiental gerando duas hipóteses. A hipótese do Centro de
Gravidade que é composta pelas ideias de que cada local do crime e cada ponto
referido no mapa possui um peso e a base do criminoso é o ponto essencial que
determina o equilíbrio dentre os outros pontos, o encontro da distância média
vertical e horizontal calculada entre esses pontos citados é chamado de Centro de
Gravidade e o domicílio do ofensor em média deverá se encontrar na mesma
distância dentre todos os locais em que ocorreram os crimes.

A outra hipótese é a do Círculo, utilizando-se a forma circular meramente em


razão de ser a maneira mais simples de definir uma região que contém pontos a
serem interligados, determina que grande parte dos criminosos residem dentro da
área de um círculo cujo diâmetro une seus dois crimes mais afastados.

No presente momento, existem quatro aplicações de software focadas no


perfilamento geográfico: CrimeStat, Predator, Dragnet e Rigel Analyst. Cada um
dos softwares possui o seu público-alvo e o seu propósito específico, Rigel
Analyst é o único que alcança um público comercial e maior acessibilidade para
as forças policiais, enquanto os outros três são utilizados primariamente pelos
próprios desenvolvedores ou pesquisadores da área.

5.4 ANÁLISE DAS PROVAS COMPORTAMENTAIS (APC)

O método também chamado de Análise das Evidências Comportamentais,


Análise dos Vestígios Comportamentais e Behavioral Evidence Analysis, é a mais
recente abordagem do perfilamento criminal. Desenvolvida em 1990 por Brent E.
Turvey, baseia-se nas ciências forenses e nas evidências físicas e interpretação
destas.

É considerado um método ideográfico e dedutivo que busca entender as


particularidades das características e relações entre o criminoso, a vítima e o
40

crime em si. Pode ser definido como uma somatória dessas características
específicas que são geradas pela análise de um caso real, considerado como
uma abordagem concreta e mais genuína, não confiando em tipos de infratores
padrões e sem que o profiler trabalhe com fatos assumidos ou imaginados.

Turvey vê os componentes de vitimologia, exame e perícia forenses e a análise


do crime como uma linguagem para a reconstrução da cena do crime e uma
forma de exteriorizar o que ocorreu naquele dia e como ocorreu.

A vitimologia se resume ao processo de avaliação das características, traços de


personalidade, grau de risco e exposição referentes à vítima escolhida pelo
criminoso a fim de apurar as características deste como a sua motivação e o
justamente o grau de risco que o mesmo se expôs para alcançar aquela vítima,
permitindo a contextualização dos comportamentos e seleções que o agressor
fez.

Os exames e perícias forenses concernem às interpretações e análises feitas das


provas físicas que estão presentes no caso, evidências essas que são essenciais
para o perfil de abordagem de Análise das Evidências Comportamentais por
entregar fundamentos empíricos desses vestígios.

Já a análise do crime corresponde ao processo de investigação como um todo, ao


avaliar as provas comportamentais presentes e as caracterizações explicitadas a
fim de classificar o crime ocorrido. As características que são expostas no local do
crime precisam ser observadas após a análise das pistas físicas e
comportamentais e da vitimologia.

Outra fase que se integra e se apresenta como fundamental para a análise do


crime é a reconstrução deste, ou seja, através dos vestígios encontrados e
analisados tentar definir as ações e condições do crime.
41

Os três componentes citados são guiados por princípios ou pressupostos que


servem para indicar qual caminho o profiler deve tomar em sua análise para que
traga a efetividade e objetividade proposta pelo método, princípios estes que são
provenientes das ciências forenses reconhecidas e da referida reconstrução do
crime.

O primeiro dos dez princípios aplicados é o da Singularidade, que propõe que


todos temos nossas singularidades em razão de processos ambientais,
convivências, experiências de vida e fatores biológicos que determinam
justamente o nosso temperamento e que por sua vez implica em como vamos nos
relacionar com as pessoas a nossa volta.

O segundo princípio, da Separação, provém da ideia de singularidade e determina


que os profilers devem ter cautela para não projetar seus sentimentos e opiniões
de atos que julgam inadequados e reprováveis, comportamentos estes que
correm de forma inconsciente e devem ser evitados,

O princípio da Dinâmica Comportamental se resume a mutabilidade e dinamismo


derivados do comportamento do criminoso que vai se alterando não só com a sua
experiência mas como também com a experiência da vítima, a capacidade mental
do ofensor, suas influências psicológicas e toxicológicas e do local do crime.

Além mutáveis, seus comportamentos possuem motivações que movem e


determinam estes, podendo ser tanto oriundas de uma ideia moldada pelo
criminoso, por seus distúrbios mentais e patologias, emoções e efeito de drogas
ou álcool, como também podem ser inconscientes, fato explicado pelo princípio da
Motivação Comportamental.

Já o princípio da Múltipla Determinação em suma propõe que os motivos citados


acima geralmente foram combinações que determinam os comportamentos e
ações dos criminosos, podendo representar vários papéis e finalidades diversas.
Uma corda pode ser utilizada por um ofensor de inúmeras formas dependendo de
42

seu comportamento, servindo tanto para amarrar a vítima nos braços para facilitar
seus atos, como para amarrar sua boca e impedir que essa se comunique, assim
como para agredi-la ou sodomizá-la.
Outrossim, a questão dinamização das também se aplica aos motivos, assim
como os comportamentos, já que um mesmo agressor pode apresentar variados
motivos no mesmo crime, enquanto um agressor em série pode apresentar
motivos idênticos em todos seus crimes, porém, em seu último crime alterar sua
motivação apresentada nos outros delitos. Sendo assim, o princípio das
Dinâmicas Motivacionais mostra que não se deve rotular os criminosos com base
somente nos crimes que se tem conhecimento, já que podem haver outras
motivações completamente diferentes em outras transgressões cometidas por
este.

Conforme o Princípio da Variação Comportamental, um único comportamento


pode possuir profusas funções ao depender de seu agressor, ou seja, ao levar
uma faca para a realização do crime um ofensor pode a utilizar somente para
ameaçar a vítima, enquanto outro a usará para sua própria fantasia, ao passo que
um terceiro nem sequer a mostraria para a vítima.

O princípio das Consequências Indesejadas determina que o profissional que lida


com o perfilamento não deve assumir de primeira instância que o criminoso
possuía a intenção de tal consequência do modo que foi apresentada no crime,
uma vez que, em razão de não possuir total controle seja por mal funcionamento
de seus instrumentos levados à cena do crime ou por estar alterado pelo uso de
entorpecentes anteriormente ao ato, as consequências podem não ser desejadas
ou calculadas.

Em virtude de haver diversos fatores que podem influenciar na memória dos


indivíduos, como expectativas, preenchimento de vazios mentais, stress e tensão
momentâneas, sugestionamento de terceiros e o próprio esquecimento natural
com o passar do tempo, os relatos de testemunhas se tornam pouco idôneos,
tendo o profissional de perfilamento se atentar e não se debruçar somente nesses
relatos de testemunhas, de acordo com o princípio da Deterioração da Memória.
43

Por fim, o princípio da Fiabilidade preconiza a cautela ao formar presunções dos


comportamentos dos criminosos, já que isso prejudica a investigação, enviando-a
e induzindo a investigação ao erro, criando pressupostos sem fundamento.
Portanto, os profilers devem sempre buscar a imparcialidade, lógica, clareza,
trazendo integridade para a análise do crime por meio da metodologia científica
com conclusões consequentes das provas presentes do delito.

Turvey ainda propõe que um dos objetivos principais de sua abordagem é


propriamente prestar auxílio na investigação independente de sua fase, além de
reduzir a lista de suspeitos, trazer as características essenciais que diferenciam o
criminoso da população não criminosa.

Aplica-se a APC tanto no contexto de investigação em trânsito ainda buscando o


valor das provas presentes, ligando os crimes que podem ou não estar
relacionados por padrões e apoiando nas estratégias de entrevista e interrogatório
de suspeitos do crime, quanto no contexto de julgamento, em que se busca o
valor das provas coletadas na perícia ou comportamentais na fase anterior para
aquele que está sendo acusado, explicar as motivações e intenções do criminoso
em questão e novamente caso haja, ligar e esclarecer os crimes que podem ser
relacionados ao mesmo autor.

O método da APC além de contribuir na análise da cena do crime, consegue


correlacionar esses vestígios deixados no local com os seus comportamentos
observados durante a investigação, gerando uma avaliação mais precisa.
44

6. ELABORAÇÃO DO PERFIL CRIMINAL

A elaboração do perfil criminal tem como objetivo principal evidenciar as


características psicossociais de um indivíduo que o diferencie do resto da
população. Sendo assim, o intuito é sempre definir ou ao menos reduzir a
quantidade de suspeitos apresentados na investigação.

Ainda há um objetivo secundário, quando falamos no trabalho do profissional que


analisa uma ocorrência isolada e identifica com detalhes o contexto desta a fim de
repassar as averiguações colhidas ao processo judicial.

Existem situações nas quais o profissional não consegue reunir informações e


características suficientes para formar um perfil. Desse modo, o mesmo deve
somente sugerir e apontar algumas peculiaridades aos investigadores, para no
futuro, caso necessário e possível, tentar construir um perfil.

O perfilamento criminal deve servir para apenas sugerir qual tipo de pessoa possa
ter cometido o crime em questão e não para apontar uma pessoa em específico.

6.1 IDENTIFICAÇÃO FORENSE

Até o presente momento existem poucos métodos forenses os quais podem ser
usados para distinguir diversas pessoas e indicar somente uma em particular.
Métodos como a análise de DNA ou ADN, lofoscopia – estudo dos desenhos
dermo papilares existentes na ponta dos dedos, na palma das mãos e na planta
dos pés – e registros odontológicos para a identificação humana.

A identificação forense é uma expressão que une alguns métodos usados para
justamente identificar ou catalogar materiais de prova para os tribunais. O termo
não se confunde com identificação pessoal, o qual se concerne à identificação
exata de uma pessoa.
45

Contudo, na própria doutrina há concordância no que se refere ao uso de perfis


ou provas comportamentais como componente isolado para se determinar se
aquela pessoa está relacionada com o crime.

Por isso justamente se fala em uma limitação ou afunilamento de possibilidades e


suspeitos, não uma determinação ou afirmação precisa, trabalhando com
probabilidades, já que os comportamentos humanos são complexos e suas
relações são multifacetadas.

6.2 DEDUÇÃO DE CARACTERÍSTICAS DO OFENSOR

A dedução de características referentes ao ofensor do crime é feita através de


dois processos: o primeiro deles se resume a definição de uma característica em
específico, enquanto o segundo determina quais os comportamentos e situações
salientam e afirmam essa característica referida.

Para os elementos acima serem adicionados ao perfil em desenvolvimento de um


possível suspeito eles devem combinar entre si após uma análise e reconstrução
do crime.

Em caso desses elementos baterem, considera-se importante precisar as


variáveis primárias e secundárias do crime, auxiliando o profissional a formar uma
base para tomar como referência.

Os aspectos do ofensor que são de caráter ideográfico e apurados dependendo


do seu comportamento no local do crime e outros vestígios forenses reunidos são
qualificados como variáveis primárias.

Já as secundárias que possuem origem nomotética, surgem das semelhanças


com comportamentos de outros criminosos e servem para descrever o autor do
crime em questão.
46

Existem ainda, variáveis de origem nomotéticas e ideográficas que foram


analisadas por Tânia Konvalina-Simas em sua obra Profiling Criminal: Introdução
à Análise Comportamental no Contexto Investigativo.

A autora usa a título demonstrativo a descrição de uma cena de crime citada por
Brent Turvey em seu livro Criminal Profiling: An Introduction to Behavioral Science
Analysis, para ser analisada a partir das diferentes abordagens do perfilamento.

A cena é descrita por ela como: Durante uma agressão sexual, o agressor coloca
um cinto no pescoço da vítima e puxa a camisa desta para cima cobrindo-lhe a
cabeça e revelando os seus seios. Apesar de a vítima chorar e pedir para o
agressor parar, este abusa dela sodomizando-a e, após completar o ato, deixa-a
no chão com a cabeça ainda coberta pela camisa.

A partir da cena descrita a análise traz primeiro a visão da abordagem nomotética,


na qual se observa que em razão da preferência por realizar o sexo anal e o uso
do cinto como forma de controle, pode-se acreditar que o agressor tenha passado
algum tempo na prisão, devendo os investigadores buscarem alguém com ficha
criminal.

Em seguida, com base em dados especificamente norte-americanos, local no qual


a cena hipotética se passa, poderia se inferir que se a vítima for branca, o
agressor também será, assim como terá idade aproximada a esta e
provavelmente residirá ou trabalhará em região próxima à vítima, já que afere-se
que lá os crimes tendem a ser cometidos por pessoas da mesma raça, idade e
localidade próximas.

Além disso, o fato do agressor levantar a camisa e cobrir a cabeça da vítima


conforme os profissionais que se utilizam desta abordagem, pode significar uma
tentativa de evitar ser reconhecido pela vítima.
47

Contudo, a abordagem nomotética tende a trazer generalizações através de


criminosos que agiram de forma parecida, inferindo conclusões que nem sempre
estão certas, podendo em vez de somar na investigação, atrapalhar.

Posteriormente, Tânia explicita a visão da abordagem ideográfica na cena citada,


na qual surgem hipóteses que serão confirmadas ou não através de uma análise
mais complexa.

As hipóteses postas são:


1. O agressor era do sexo masculino;
2. O cinto foi utilizado devido à sua disponibilidade para o agressor;
3. O cinto foi utilizado por preferência pessoal;
4. O agressor encontrou o cinto perto da cena;
5. O agressor puxou a camisa por cima da cabeça da vítima para aumentar o
medo desta;
6. O agressor puxou a camisa por cima da cabeça da vítima para evitar a sua
identificação;
7. O agressor puxou a camisa para conseguir acesso aos seios da vítima;
8. O agressor ocultou a cabeça da vítima para poder fingir que esta era outra
pessoa.

Para cada hipótese isolada houve uma análise trazida pela autora. A de que o
agressor é um homem é dada como um fato, já que por exemplo a vítima relatou
ouvir a voz de um homem enquanto o ato ocorria, afirmando ter visto o órgão
genital masculino de seu agressor e o exame de corpo de delito apontou esperma
na região.

A segunda hipótese, combinada com a terceira e a quarta ainda teriam que ser
apuradas, uma vez que, não se sabe a origem do objeto, sendo assim, o agressor
pode ter levado ao local do crime justamente por possuir uma preferência em usá-
lo como acessório para sua vestimenta, como após uma conversa mais
aprofundada com a vítima tem-se que o agressor usava calças de moletom, não
48

necessitando de cinto para vesti-las. Neste caso, o agressor teria levado com a
finalidade de usá-lo em sua vítima ou o mesmo encontrou o objeto no local e o
utilizou.

Assim como a quinta hipótese traz uma possibilidade para explicar a razão do
agressor ter levantado a camisa da vítima até cobrir sua cabeça, existem diversos
outros fatores que corroborariam para as outras hipóteses, seis, sete e oito,
serem admitidas.

Caso o agressor tenha levantado a camisa e manipulado os seios da vítima


durante o ato, a hipótese de número sete seria plausível, já que o mesmo teria
levantado a camisa para ter acesso aos seios de sua vítima.

Em contrapartida, se o agressor após levantar a camisa da vítima começa a


chamá-la por outro nome ou realizar diálogos como se tivesse um roteiro, a
hipótese de número oito seria a mais verossímil.
Por fim, se o agressor levanta a camisa da vítima logo no início do ato criminoso,
projeta-se que o fez para evitar propriamente a sua identificação por esta,
sugerindo que a hipótese seis se tornaria a mais provável.

6.3 TRAÇOS CARACTERÍSTICOS DO OFENSOR

Após esse processo realizado, independente da abordagem ou método utilizado,


o profissional descarta as alternativas que não se encaixam, chegando às
conclusões e determinando certas características chave trazidas por suas
análises.

Novamente, Brent Turvey, em sua principal obra, cita o uso do silogismo


condicional chamado de modus ponens, em latim, que significa modo de afirmar e
se refere a duas premissas, a primeira de condição, se X, então Y, e a segunda é
a de que X é verdade, podendo-se concluir logicamente que Y também é verdade.
49

Sendo assim, para o caso citado anteriormente por Turvey no livro de Tânia
Konvalina-Simas, temos 3 exemplos. O primeiro pressupõe que a vítima já tenha
visto o ofensor anteriormente mais de uma vez, o segundo pressupõe que a
vítima tenha conseguido identificar o mesmo, após tê-lo visto, enquanto o terceiro
pressupõe que o agressor não tentou por nenhum outro meio ou momento
impedir sua identificação pela vítima.

Se qualquer uma dessas pressuposições forem confirmadas, logo, tem-se que o


agressor não levantou e cobriu a cabeça de sua vítima para não ser identificado
por esta.

Para se inferir as características do ofensor deve-se buscar as respostas de


questões investigativas que tragam progresso à investigação, não o caminho
contrário. Desse modo, existem certos indicadores que podem auxiliar na
obtenção dessas respostas.

6.4 INDICADORES INVESTIGATIVOS

Conforme Konvalina-Simas, existem quatro tipos de indicadores que podem


auxiliar o profissional, os de destreza criminal, os de familiaridade com a vítima,
os de familiaridade com a cena do crime e os de familiaridade com métodos e
materiais.

O primeiro grupo afirma que os criminosos tendem a cometer o mesmo delito


mais de uma vez, adquirindo melhor destreza na realização do ato, de acordo
com a quantidade de vezes que o realizou, aprendendo com seus erros e acertos.
Essa destreza pode ser destrinchada e pormenorizada através de alguns
indicadores como a própria existência de ações que o autor do crime realiza para
dificultar a obtenção de provas no local do crime.

O segundo grupo aponta que a relação entre o agressor e sua vítima pode ser de
diversos tipos, tanto anônima, quanto de família, relacionamento afetivo ainda
50

ativo ou já terminado, amizade ainda ativa ou terminada, casual ou até


profissional.

Sendo assim, dependendo de quais escolhas e atos foram realizados pelo


ofensor, podemos determinar qual tipo de relação estes possuíam. Para isso,
existem vários fatores, se para cometer tal ato o criminoso precisava ter o
conhecimento de onde a vítima residia, seu horário de trabalho ou local o qual
frequentava, se o ofensor usou em algum momento o nome da vítima durante o
ato, se existem evidências de um ataque exagerado de força na vítima
dependendo de sua motivação para tal, se não houve comprovação de
arrombamento em nenhuma entrada da residência ou local de trabalho da vítima
ou até mesmo alguma evidência que comprove que a vítima não resistiu para
ingressar no meio de transporte do agressor.

A vitimologia nesse caso é a grande protagonista no quesito de contribuição e


apoio para esses indicadores, sendo fundamental para a determinação de qual
relação foi estabelecida entre a vítima e o agressor.

O terceiro grupo, de indicadores de familiaridade com a Cena do Crime, propõe


que caso o criminoso possua conhecimento de certas áreas, prédios, bairros,
comunidades ou locais de trabalho, este provavelmente possui certo grau de
familiaridade com a sua vítima. Dependendo das escolhas desse agressor quanto
ao local do crime, podemos tirar algumas informações-chave que definiriam se
este conhece a vítima ou não, ainda mais quando as informações apontam que o
local do crime se tratou da morada da vítima ou seu ambiente de trabalho.

A autora aponta alguns dos indicadores que podem ser cruciais para determinar
essa familiaridade:
1. Horários dos turnos de pessoal de segurança;
2. Dispositivos de segurança;
3. Localização de objetos de valor/cofres/objetos/aparelhos;
4. Disponibilidade de materiais no local do crime;
51

5. Percursos complexos e/ou mal iluminados percorridos à noite.

Sendo assim, os investigadores conseguem a partir dessas informações limitarem


a lista de suspeitos baseados em quanto o agressor conhecia o local do crime,
quanto ele o estudou ou já possuía tal conhecimento para acessar o local.
O quarto grupo, se trata de indicadores de familiaridade com métodos e materiais,
que se resume ao fato de que os agressores podem ou não possuir um
conhecimento comum ou específico com o qual tenha familiaridade e possa ser
demonstrada a sua aptidão para com estes, assim como o conhecimento da
investigação forense, que é observado quando o criminoso tende a esconder ou
tentar confundir os investigadores no local do crime, exemplificativamente.

A base para obtenção dessas características e informações é a análise profunda


do modus operandi e a assinatura do agressor. Algumas características não são
corroboradas pelos vestígios físicos encontrados no local do crime ou dos
comportamentos observados, ou ainda, não são tão significativos fora de contexto
e sem uma base recorrente, sendo assim, conclui-se que não devem estes serem
agregados ao perfil a fim de não confundirem ou levarem ao erro a partir daquele
dado.

Por fim, existem certas particularidades e traços que são muitas vezes
estereotipados e equivocados, sendo chamados por Brent Turvey de traços
problema. São esses: idade, gênero e inteligência do agressor. O mesmo
recomenda ainda que não se utilize a aferição dos três pontos para a realização
do perfil, a não ser quando existam provas físicas suficientes para afirmar com
maior precisão.

Turvey recomenda o uso da destreza criminal no lugar da idade, já que este não
concorda com certos princípios da abordagem feita pelo FBI, em que se
pressupõe a idade do sujeito com base em testemunhos, possibilidade do
agressor ser um portador de doença mental ou na destreza criminal do agressor,
tendo uma grande chance de erro, já que como foi apontado, os testemunhos não
52

são fontes tão fiáveis e a destreza criminal é algo que vem sendo formada muito
mais cedo do que antes pelos ofensores.
O gênero também é uma característica difícil de se determinar sem provas
contundentes para tal, já que, muitas das presunções levantadas por profissionais
da área são arcaicas e podem enviesar um perfil. Outrossim, os comportamentos
do gênero feminino e masculino são vistos por vários desses profissionais como
sendo muito distintos e específicos de cada um, ideia errônea e ultrapassada
sobre violência, conduta e gêneros.

Enfim, a inteligência é outro fator como já mencionado anteriormente por Turvey,


duvidável, uma vez que, criminosos determinados como muito inteligentes podem
cometer erros de execução e planejamento ou até mesmo preferirem realizar um
crime mais simples e básico. Por essa razão o psicólogo afirma que deve-se
substituir a ideia de medir a inteligência do sujeito por medir a destreza criminal
deste.

Um indivíduo que se encaixaria na categoria de baixa inteligência mas por já ter


cometido diversos crimes diferentes ou repetidamente o mesmo crime, pode, em
razão de sua bagagem, adquirir uma destreza criminal que o faça cometer crimes
mais complexos de uma forma mais eficaz.

6.5 ETAPAS E ELEMENTOS DE UM PERFIL CRIMINAL

Para a elaboração de um perfil criminal são necessárias seis etapas de acordo


com Konvalina-Simas:

1. Análise do tipo/natureza do ato criminoso e comparação com os tipos de


pessoas que cometeram crimes semelhantes no passado;
2. Análise em profundidade do local do crime;
3. Estudo e revisão dos relatórios das perícias forenses;
4. Investigação das atividades da(s) vítima(s) para identificar possíveis
motivações e/ou ligações com o agressor (vitimologia forense);
53

5. Análise de possíveis fatores de motivação;


6. Triangulação das informações pertinentes para a dedução das
características do agressor.

As etapas citadas são cumulativas e devem ser seguidas, não sendo a segunda
obrigatória, realizada somente quando houver a possibilidade. As etapas devem
ser seguidas, podendo haver variações, assim como os elementos, entretanto,
deve haver uma lógica em sequência e uma organização de forma que o perfil
possa ser compreendido de forma clara.

As variações na questão da estrutura se dão a depender da abordagem que o


profissional determina em seu perfil. O modelo que será exposto a seguir tem
como fonte a abordagem já citada de Brent Turvey, exemplo utilizado também por
Tânia Konvalina-Simas em seu livro.

Outros três aspectos ainda são determinados ou pela abordagem escolhida ou


pelo próprio profissional, o de incluir bibliografia para auxiliar, inserir algumas
sugestões investigativas que não são incluídas no perfil como características e a
incorporação de princípios chave usados para sua análise.

Konvalina-Simas classifica os elementos estruturais de um perfil criminal em 11


(onze) pontos: elementos de identificação, introdução aos parâmetros analíticos,
materiais utilizados, antecedentes da ocorrência, cronologia da ocorrência,
vitimologia forense, reconstrução do crime, caracterização do local do crime,
determinação das características do agressor, sugestões investigativas e
conclusões sumárias.

Segue um exemplo de como descreve a autora como a parte de apresentação do


perfil dentro dos elementos de identificação:
54

Quadro 1 – Elementos de Identificação do Perfil Criminal


IDENTIFICAÇÃO DATA, HORA ÓRGÃO DE AUTOR DO DATA DE ENTIDADE
DO CRIME E IDENTIDADE POLÍCIA PARECER CONCLUSÃO REQUISITORA
DA PESSOA CRIMINAL ELABORA DO DO PARECER
QUE QUE DO PARECER
DESCOBRIU O INVESTIGOU
CORPO

HOMICÍDIO DE 8 DE JUNHO POLÍCIA TÂNIA 23 DE POLÍCIA


NATÁLIA SILVES DE 2013 JUDICIÁRIA KONVALIN SETEMBRO JUDICIÁRIA
DO PORTO A-SIMAS DE 2013 DO PORTO
CORPO
DESCOBERTO
POR JOSÉ
SILVES (PAI
DA VÍTIMA)

Fonte: Profiling Criminal: Introdução à Análise Comportamental no contexto investigativo, KONVALINA-


SIMAS TÂNIA – 2ª Edição – 2014.

Sobre os parâmetros analíticos, temos que o profissional deve trazer fundamentos


a fim de sustentar as informações que traz ao perfil de forma clara e objetiva. Os
parâmetros que a autora cita são: os objetivos do perfil e os princípios
subjacentes à análise.

Os objetivos do perfil devem ser expostos pelo profissional através da


demonstração de que com os métodos e princípios que seguiu para a formação
daquele perfil, o escopo era identificar quais características seriam relevantes
tanto para os investigadores como para formar provas sobre o criminoso.

Já os princípios, são resumidos e explicados de forma mais compreensível a fim


de que quem quer que leia o perfil possa entender o contexto analítico do parecer,
caso não tenha os conhecimentos dos pressupostos científicos do perfilamento.

São referidos por Tânia princípios como o da análise do crime, em que se


descreve o processo da análise de forma resumida, o da lógica analítica aplicado
ao perfilamento, em que as conclusões tiradas pela análise do crime e dos
55

vestígios obtidos podem ser tidas como deduções, e diversos outros princípios
que podem ser inseridos nessa seção a fim de aclarar o tema, além de deixar
claro se os materiais usados somente serviram para dar sugestões e apontar
lacunas ou se conseguiu extrair um perfil criminal a partir desses.

Na seção de materiais utilizados o profissional aponta quais elementos de prova


foram usados em sua análise. A autora cita como forma de exemplo: entrevistas,
relatórios policiais, relatórios de provas examinadas, relatórios de investigações
do local do crime, relatórios da investigação de vitimologia, fotos do local do crime
e relatórios da autópsia e suas fotos.

Na seção de número 4, o autor do parecer deve expor os eventos ocorridos de


forma breve sem interpretá-los, enquanto na seção de número 5, temos um
detalhamento da cronologia da ocorrência, recuando no efetivo ato dela e se
baseando em relatórios e nas entrevistas feitas pela polícia.

Como já explicitado anteriormente, a vitimologia forense é um aspecto de extrema


relevância no perfilamento, sendo assim, a seção dedicada a ela deve-se colocar
a maior quantidade de informações possível recolhidas durante a produção do
perfil, ou seja, nome, gênero, etnia, data de nascimento, peso e altura, cor do
cabelo, local da residência, avaliação do risco e entre outros aspectos
relacionados a esta.

A seção de reconstrução do crime tem o dever de descrever detalhadamente os


atos e eventos que ocorreram no cometimento do crime através dos dados de
testemunhas, relato de vítimas sobreviventes e interpretação de provas físicas,
mencionando seus elementos e depois discutindo o resultado desse processo.

A caracterização do local do crime deve ser expandida com base nas provas
físicas colhidas a fim de identificar a tipologia deste, relacionando a cena com o
comportamento do criminoso observado, devendo conter pontos como: o local do
crime em si, o local de contato com a vítima, a seleção desta, o método escolhido
56

para atacar, a força utilizada, a resistência da vítima, objetos recolhidos no local e


diversos outros elementos de suma importância para a determinação dessa
tipologia.

Konvalina-Simas cita que na seção de determinação das características do


agressor indica-se que sejam seguidas as informações na sequência proposta
anteriormente citada por Brent Turvey, iniciando em motivação, seguindo por
indicadores de destreza criminal e assim por diante.

A seção de sugestões investigativas pode ser mais completa ou menos


necessária a depender se o perfil foi montado com sucesso com as informações
reunidas ou se não foi possível tal conclusão, devendo conter sugestões com teor
de suprir as lacunas da investigação e direcionar os investigadores com o fim de
precisar os fatos subjacentes ao crime.

Por fim, o perfil deve conter a seção de conclusões sumárias, em que o


profissional deve citar baseado em tudo que reuniu, levou em consideração e
analisou, quais as conclusões que este considerou mais relevantes para a
investigação do crime em questão.
57

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Inicialmente, a definição do domínio da ciência chamada de Criminologia


Investigativa se provou uma tarefa complexa. A Criminologia isoladamente já é
um estudo muito vasto e subdivido em diversas disciplinas. A Criminologia
Investigativa, uma das muitas divisões, foi definida com sucesso, com a ajuda da
extensa bibliografia e das reflexões feitas a partir dos textos referidos.

O perfilamento criminal foi relacionado com a Criminologia Forense como se


planejava, integrando-se os dois temas usando-se como ponte de um para o
outro, introduzindo o principal foco do trabalho, o perfilamento em si.

Sendo assim, foi possível empenhar-se em delinear as aplicabilidades da técnica,


delimitar as classificações existentes, expor as diferentes definições vigentes para
o tema, a importância de seu uso e como se elaborar um perfil criminal.

Posto isto, surgiu-se a problemática da subjetividade da técnica, através do


estudo da validade e eficácia da mesma apresentado no trabalho. Para essa
indagação, concluiu-se de forma sucinta que o perfilamento criminal é viável,
válido e eficaz, dentro de suas limitações citadas e talvez o fator mais importante
a se frisar, unido aos outros instrumentos e técnicas investigativas, nunca isolado.

Outro fator que trazia dúvidas mas que se manteve obscuro foi o da
incompreensão das motivações dos delinquentes, vez que o estudo sobre esse
tema se dá há centenas de anos e ainda sim parece que estamos nos
debruçando em um oceano no qual não passamos da superfície. Uma questão
proporcionalmente relevante e complexa que não se fez conclusa neste trabalho.
Aliado a isso, foi-se manipulado o tópico do uso da metodologia no Brasil, em que
se falou sobre os benefícios que isso poderia acarretar, assim como a diferença
entre países e suas criminalidades típicas, que impactam diretamente no uso e
eficácia da técnica, concluindo-se que seria imensamente vantajoso e útil o uso
do perfilamento de forma mais corriqueira, profissional e abrangente no território
brasileiro, visto que ainda é muito embrionário se comparado a outros países.
58

Por fim, acredita-se que no trabalho em questão, a finalidade de fomentar o


conhecimento do tema em terra pátria, contribuindo para a discussão científica
das áreas englobadas pelo assunto, aprofundando seu estudo e buscando se
distanciar do que é reproduzido no senso comum, foi alcançada, através do
empenho à pesquisa e análise significativa sobre o objeto deste trabalho.
59

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