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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO


Departamento de Engenharia Mecânica da UFPE

Análise Multimétrica – Teoria


Fábio Magnani: concepção e orientação
Alcides Hora: escrita e cálculos
Diogo Santiago: atualização

Valor Presente Líquido (VPL)

O método do Valor Presente Líquido (VPL) deve ser utilizado quando se deseja
comparar alternativas de modo que todos os benefícios e custos, em seus diversos
instantes no tempo, sejam trazidos para o presente. A alternativa que oferecer o maior
VPL será o mais atraente. Em se tratando somente de comparação entre alternativas
em que só haja custos, o VPL que for o menor será o mais atraente (exemplos
abaixo).

VPL = VI + µ* VM [R$], onde:

VI= Investimento Inicial [R$]


VM=Custo Mensal [R$]
(1+𝑖)𝑛 −1
FVP=Fator do Valor Presente: µ =
(1+𝑖)𝑛 ∗𝑖

ATENÇÃO: Neste estudo é considerado que as despesas mensais são iguais durante
todo período, assim como as taxas de juros (simplificação).
Como exemplo, podemos imaginar as seguintes situações:

a) Investir em um equipamento de custo inicial R$ 1.000,00, com uma despesa mensal


de energia de R$ 100,00.

1 2 3 10
meses

100

1.000

b) Investir em um equipamento de custo inicial R$ 1.500,00, com uma despesa mensal


de energia de R$ 50,00.

1 2 3 10
meses

50

1.500
2

Se fizermos esta análise sem levar em conta o tempo podemos observar que
as duas terão o mesmo custo de R$ 2.000,00 em um prazo de 10 meses. Considere
agora que eu posso aplicar (bolsa de valores, banco, empréstimos, entre outras
aplicações financeiras) hoje os valores a serem pagos no futuro. No dia do pagamento
do débito eu terei recebido o valor investido mais os juros de minha aplicação.
Levando-se em consideração este critério, de acordo com o Valor Presente Líquido
(VPL), as duas situações anteriores correspondem a:

* dados considerados: i(taxa de juros mensais)= 1% a.m, n(meses)=10.

(1+0.01)10 −1
a)VPL = VI + (µ) * VM = 1000 + (1+0.01)10 ∗0.01
* 100 = R$ 1947

(1+0.01)10 −1
b)VPL = VI + (µ) * VM = 1500 + (1+0.01)10 ∗0.01
* 50 = R$ 1973

Então, vemos que o investimento da letra ‘’a’’ terá uma redução de R$ 36 se


comparado com o investimento da letra ‘’b’’.

Tarifas Horo-Sazonais (Modelo Simplificado)

Ao longo das 24 horas do dia, é normal que o consumo de energia varie já que
nem todos utilizam a energia residencial, comercial ou industrial de forma igual. De
acordo com o perfil da carga de cada concessionária são escolhidas três horas
compreendidas no intervalo das 17:30-20:30h, dos dias úteis, definido como
HORÁRIO DE PONTA. Na figura abaixo temos um exemplo desse consumo.

HP

Sendo assim, o sistema de geração de energia (e.g., Chesf) tem que ter
capacidade para suprir o pico de consumo a qualquer horário. Vamos definir que, a
carga média dos horários fora de ponta é chamada de carga de base e a carga média
das três horas do horário de ponta é chamada de carga de ponta.
Considerando que a energia gerada para suprir as cargas de ponta tem custo
mais alto, seria interessante deslocar a concentração (área-A2, do gráfico abaixo) e
consumo deste para outros horários (área-A1), o que resultaria em melhor
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aproveitamento da capacidade instalada, já que o sistema de energia não precisaria


ter uma capacidade de instalação tão alta (+ 700 kW) para suprir a necessidade de um
cliente em particular. A tarifa diferenciada para o horário de ponta surge como uma
forma de compensação dos custos de geração das usinas termelétricas. Uma das
formas que o fornecedor de energia elétrica se utiliza para incentivar os clientes a uma
melhor distribuição no consumo é criar tarifas que diferenciem os horários de ponta
(HP) e fora de ponta (FP).

800
700
Consumo diário (KW)

600
A2
500
400 A1
300
200
100
0
0 5 10 15 20 25
tempo (h)

A partir disso, alguns sistemas tarifários são considerados:

a) Tarifa Monômia Convencional: o cliente só paga pelo que consome (kWh).

b) Tarifa Binômia Convencional: há uma diferenciação entre consumo (energia) e


demanda (potência máxima). Além de pagar pelo que consome, o cliente paga pela
potência máxima necessitada pelo estabelecimento (instalação).

** Notar que a depender do horário, as duas tarifas acima devem se enquadrar no HP


ou no FP.

c) Tarifa Horo-Sazonal: diferencia tanto o horário quanto a estação do ano


(sazonabilidade), em que o cliente faz uso da energia. Isto se deve tanto ao HP e FP,
quanto às épocas de seca, em que há uma escassez de recursos hídricos.

ATENÇÃO: Neste modelo simplificado não levamos em conta a sazonabilidade.

Exemplo: Uma bomba de calor de pequeno porte é utilizada para aquecer a água de
alimentação de um processo. Admita que a unidade utiliza R-22 e que opera segundo
um ciclo ideal, diariamente das 8-22hs. A temperatura no evaporador é 15°C e no
condensador 60°C. Sabendo que a vazão necessária de água é 0.1 kg/s, determine:

a) A quantidade de energia (elétrica) economizada pela utilização da bomba de calor


em vez da utilização do aquecimento direto da água de 15-60°C.

b) Qual dos 3 sistemas abaixo é mais viável:


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i) bomba de calor
ii) caldeira elétrica
ii) caldeira de queima direta
dados:

Tarifa Horo-Sazonal Investimento Inicial (I):


i = 0.01 Bomba de Calor: 200 R$/kW calor
n= 60 meses Caldeira Elétrica: 100 R$/kW elétrica
operação: diária, das 8-22hs Caldeira queima direta: 300 R$/kW térmica
PC=35000 kJ/Kg
ηcaldeira queima direta= 80%
ρcomb=0,78 kg/m3

Solução:

𝑚̇

𝑄̇ h

2
3

R22
𝑊̇ comp

4 1
𝑄̇ L

TL
Esquema da Bomba de Calor

✓ Potência solicitada/equipamento:

̇ = 𝑚̇(ℎ60 − ℎ15 ) = 0.1(251 − 63)= 18,8 kW


i: 𝑄𝐴𝑄

15°𝐶 0,1 𝑘𝑔/𝑠 60°𝐶

𝑄̇ AQ
̇ = 𝑄𝐴𝑄̇ =18,8 kW
ii: 𝑊𝑅𝐸𝑆

̇
𝑄𝐴𝑄
̇
iii: 𝑄𝑐ℎ𝑎𝑚𝑎 = = 18,8/0,8=23,5 kW combustível
η

𝑄𝑐ℎ𝑎𝑚𝑎
✓ Vazão mássica do combustível: 𝑚𝑐𝑜𝑚𝑏
̇ = PC
= 23,5/35000 = 671x10-6 kg/s
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𝑄ℎ̇ ℎ2 −ℎ3
✓ Coeficiente de Performace: COP= =
Ẇcompressor ℎ2 −ℎ1
✓ Estado em cada ponto:

ponto 1: x1=1 ; T1=15°C → *s1=0,91 kJ/kg.K; *h1=225 kJ/kg

ponto 3: x3=0; T3=60°C→ *p3=2,43 MPa; *h3=122 kJ/kg

ponto 2: s2=s1=0,91; p2=p3=24MPa→ *h2=285; *T2=80°C

*valores extraídos da tabela termodinâmica (Van Wylen-6ªed)


285−122
✓ Cálculo do COP: COP= 285−255 = 5,43
𝑄̇
✓ Potência desenvolvida na Bomba Comp. :ẆB.C.= COP =18,8/5,43=3,46 kW elétrica

a) Energia Economizada: Ẇeconomizada = 18,8 - 3,46= 15,34 kWelétrica

b) Considerações para a Análise Financeira:

✓ Considerando o ano com 365 dias, 104 dias de finais de semana, 7 feriados ao
ano, temos:
365−104−7
dias úteis= 12
= 21 dias úteis/mês → 9 dias de finais de semana/mês

✓ Cálculo das horas em cada horário, considerando o funcionamento das 8-


22hs/dia, sendo o horário de ponta das 17:30h às 20:30h
✓ Horas no horário de ponta: 3*21=63 horas
✓ Horas fora do horário de ponta: (14-3)*21+14*9=357 horas
✓ Tarifa Horo-Sazonal
✓ i = 0.01% a.m
✓ n= 60 meses
✓ Preços aplicados pelos Sistemas de Geração de Energia:

Preço do G.N (< 1000 m3/dia)=2,00 R$/kg


Consumo no horário de ponta (CHP)= 0,70 R$/kWh
Consumo fora do horário de ponta (CFP)= 0,20 R$/kWh
Demanda no horário de ponta (DHP)= 70 R$/kW
Demanda no horário fora de ponta (DFP)= 20 R$/kW

Cálculo do fator do Valor Presente Líquido:

𝑃 (1+𝑖)𝑛 −1 (1+0.01)60 −1
µ(n,i)= 𝐴 = (1+𝑖)𝑛 ∗0.01 = (1+0.01)60 ∗0.01
= 45*

*O interessante deste fator é que ele lhe diz em quanto tempo, relativo aos meses
considerados (neste caso 60) o valor futuro, se trazido para o presente, seria obtido. Como
exemplo considere que temos despesas a serem pagas em 60 parcelas mensais. Se eu tivesse
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a opção de pegar todo esse dinheiro, que será pago, e fazer uma aplicação que me renda 1%
a.m., o µ me indica que em 45 meses eu terei dinheiro para pagar minha dívida.

i) Bomba de Calor

Investimento Inicial (VI1)


VI1 = 200 R$/kW calor x 18,8 kW = R$ 3.760

CHP= 63h x 3,46 kW x 0,70 R$/kWh= R$ 153


CFP= 357h x 3,46 kW x 0,20 R$/kWh= R$ 247 Valor Mensal
DHP= 3,46 kW x 70 R$/kW= R$ 242 (VM1)
DFP= 3,46 kW x 20 R$/kW= R$ 69

Valor Presente (VP1) = VI1+ µ(n,i) x VM1 = R$ 35.755,00

ii) Caldeira Elétrica

Investimento Inicial (VI2)


VI2 = 100 R$/kW elétrica x 18,8 kW =R$ 376

CHP= 63h x 18,8 kW x 0,70 R$/kWh= R$ 829


CFP= 357h x 18,8 kW x 0,20 R$/kWh= R$ 1.342 Valor Mensal
DHP= 18,8 kW x 70 R$/kW= R$ 1.316 (VM2)
DFP= 18,8 kW x 20 R$/kW= R$ 376
Valor Presente (VP2) = VI2+ µ(n,i) x VM2 = R$ 174.211,00

iii) Caldeira de queima direta

Investimento Inicial (VI3)


VI3 = 300 R$/kW calor x 23,5 kW = R$ 7.050
Valor Mensal
VM3= (14 x 30)h x 671.10-6 kg/s x 3600s x 2 R$/kg = R$ 2.029,00 (VM3)

Valor Presente (VP3) = VI3+ µ(n,i) x VM3 = R$ 98.360,00

Dentre os Valores Presentes encontrados, o que apresenta menor VPL é o


sistema por bomba de calor, logo, é o mais viável. Notar que, neste caso em
específico estamos tratando somente de despesas, logo, o sistema que apresentar a
menor despesa no presente é o mais econômico.
Podemos perceber que não há um fator determinante (VI ou VM). Isto vai
depender da característica do equipamento, como se pode notar do exemplo acima. A
caldeira elétrica tem um custo inicial muito baixo, quando comparado com os outros
dois equipamentos, no entanto, sua despesa mensal é maior.
Com os dados utilizados neste exemplo obtivemos valores presente distintos.
Devemos notar que essa análise depende dos valores de investimento inicial e custos
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mensais, que são dados variáveis, e portanto, não pode ser tomado como uma
verdade sempre.

Valor Presente líquido – Generalização

Até agora, foi apresentado ao leitor como calcular o valor presente líquido sem
destrinchar efetivamente o valor inicial e o valor mensal. Nesta seção, o objetivo é
facilitar a identificação e a compreensão dos termos envolvidos no cálculo do valor
inicial e do valor mensal para que não haja dúvida no cálculo dos termos. Em suma,
para quaisquer problemas de análise de cenários podem ser usadas as fórmulas
abaixo apenas substituindo os valores das taxas, do tempo de operação e da potência
nominal.

𝑽𝑷𝑳 = 𝑽𝑰 + µ. 𝑽𝑴

𝒏º 𝒅𝒆 𝒆𝒒𝒖𝒊𝒑𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐𝒔

𝑽𝑰 = ∑ 𝑲𝒊𝒏𝒗,𝒊 . 𝑷𝒊
𝒊=𝟏

𝑽𝑴 = 𝑲𝒄𝒐𝒎𝒃 . 𝒎𝒄𝒐𝒎𝒃 + 𝑲𝒄𝒐𝒏𝒔,𝑭𝑷 . 𝑷𝒆𝒍,𝑭𝑷 . 𝜟𝑻 𝑭𝑷 + 𝑲𝒄𝒐𝒏𝒔,𝑯𝑷 . 𝑷𝒆𝒍,𝑯𝑷. 𝜟𝑻𝑯𝑷


+ 𝑲𝒅𝒆𝒎,𝑭𝑷 . 𝒎á𝒙(𝑷𝒆𝒍,𝑭𝑷 ) + 𝑲𝒅𝒆𝒎,𝑯𝑷 . 𝒎á𝒙(𝑷𝒆𝒍,𝑯𝑷 )

𝐾𝑖𝑛𝑣,𝑖 = Custo de instalação do equipamento, da linha ou da rede em R$/kW


𝑃𝑖 = Potência máxima do equipamento, da linha ou da rede. Lembrando que no grupo
moto gerador a potência a ser levada em consideração é a potência elétrica em kW
𝐾𝑐𝑜𝑚𝑏 = Taxa de combustível em R$/kg
𝑚𝑐𝑜𝑚𝑏 = massa do combustível em kg
𝐾𝑐𝑜𝑛𝑠,𝐹𝑃 = Taxa de consumo elétrico no horário fora de ponta em R$/kWh
𝑃𝑒𝑙,𝐹𝑃 = Potência elétrica no horário fora de ponta em kW
𝛥𝑇 𝐹𝑃 = Tempo de operação no horário fora de ponta em horas ‘h’
𝐾𝑐𝑜𝑛𝑠,𝐻𝑃 = Taxa de consumo elétrico no horário de ponta em R$/kWh
𝑃𝑒𝑙,𝐻𝑃. = Potência elétrica no horário de ponta em kW
𝛥𝑇𝐻𝑃 = Tempo de operação no horário de ponta em horas ‘h’
𝐾𝑑𝑒𝑚,𝐹𝑃 = Taxa de Demanda no horário fora de ponta em R$/kW
𝑚á𝑥(𝑃𝑒𝑙,𝐹𝑃 ) = Potência elétrica máxima no horário fora de ponta em kW
𝐾𝑑𝑒𝑚,𝐻𝑃 = Taxa de Demanda no horário de ponta em R$/kW
𝑚á𝑥(𝑃𝑒𝑙,𝐻𝑃 ) = Potência elétrica máxima no horário de ponta em kW
(1+𝑖)𝑛 −1
µ = Fator do Valor Presente: µ = (1+𝑖)𝑛 ∗𝑖
i = Taxa mínima de atratividade
n= número de meses
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𝒌𝑱
𝒔 𝑷𝒐𝒕ê𝒏𝒄𝒊𝒂𝒄𝒐𝒎𝒃 ( )
𝒔
Obs: 𝒎𝒄𝒐𝒎𝒃 = 𝟑𝟔𝟎𝟎(𝒉). 𝒌𝑱 . 𝜟𝑻(𝒉)
𝑷𝒐𝒅𝒆𝒓 𝒄𝒂𝒍𝒐𝒓í𝒇𝒊𝒄𝒐 𝒄𝒐𝒎𝒃 ( )
𝒌𝒈

Valor Presente líquido ambiental

À primeira vista, parece um pouco estranho se falar em “VPL ambiental”,


entretanto a análise do valor presente líquido ambiental é idêntica à análise do VPL
financeiro. O leitor poderia está imaginando algo nesta altura: O que significa o VPL
ambiental? No VPL financeiro existe uma taxa mínima de atratividade que compõe o
fator do valor presente (µ) que é responsável por “transformar” todos os custos
mensais em custos iniciais, como seria isso no VPL ambiental? As taxas no VPL
financeiro são em geral R$/kW , R$/kWh, R$/kg, como seria no VPL ambiental?
Existiriam diferentes taxas para diferentes horários?
Primeiramente, as taxas no VPL ambiental (que são representadas no
(unidade de massa de 𝐶𝑂2 )
financeiro pela letra K) são expressas em 𝑘𝑊
na construção
(equivalente à taxa de investimento inicial no financeiro) e na operação por
(unidade de massa de 𝐶𝑂2 )
(equivalente à taxa de consumo no financeiro) não havendo
𝑘𝑊ℎ
distinção das taxas em horário de ponta ou fora de ponta, ou seja, a poluição causada
de 18:00 às 19:00 seria a mesma que de 10:00 às 11:00 por exemplo. Vale ressaltar
que isso consiste em uma aproximação, porque os efeitos causados pela altitude, pela
posição geográfica, pela temperatura de inversão térmica, pela estação do ano e
principalmente o fenômeno de inversão térmica não estão sendo levados em conta.
Outro parâmetro importante é que o fator do valor presente (µ) vai ser sempre
ser igual ao número de meses, porque não existe taxa mínima de atratividade para
emissão de gases, já que se partiu da idéia de que a emissão de 𝐶𝑂2 em qualquer dia
e em qualquer horário trás o mesmo impacto, ao contrário do dinheiro que muda com
o tempo por causa da taxa de juros. Em outras palavras, se a emissão de 𝐶𝑂2 no mês
de janeiro à dezembro foi ‘x’ então a emissão total de 𝐶𝑂2 foram ‘12x’, entretanto se o
custo de janeiro à dezembro foi y, então o custo total não será ‘12y’ e irá depender do
fator de valor presente.
Como o leitor pode perceber, é bem mais fácil calcular o VPL ambiental do que
o VPL financeiro, visto que não há preocupação com taxas diferentes nos horários fora
de ponta ou horários de ponta e o fator de acumulação será sempre o número de
meses, não dependendo da taxa mínima de atratividade. De maneira simplificada,
poder-se-ia escrever:
𝑽𝑷𝑳𝒂𝒎𝒃𝒊𝒆𝒏𝒕𝒂𝒍 = 𝑽𝑰 + 𝒏. 𝑽𝑴

𝒏º 𝒅𝒆 𝒆𝒒𝒖𝒊𝒑𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐𝒔

𝑽𝑰 = ∑ 𝑲𝒄𝒐𝒏𝒕𝒓𝒖çã𝒐 . 𝑷𝒊
𝒊=𝟏
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𝑽𝑴 = 𝑲𝒐𝒑𝒆𝒓𝒂çã𝒐 . 𝑷𝒊 . 𝜟𝑻

𝐾𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑟𝑢çã𝑜 = Emissão de 𝐶𝑂2 na construção em kg/kW


𝑃𝑖 = Potência máxima do equipamento, da linha ou da rede. Lembrando que no grupo
moto gerador a potência a ser levada em consideração é a potência elétrica em kW
𝐾𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çã𝑜 = Emissão de 𝐶𝑂2 na operação em kg/kWh
ΔT = Tempo de operação em h

Emissão de 𝑪𝑶𝟐 de um determinado combustível

Para um determinado combustível é extremamente fácil estimar a quantidade


de 𝐶𝑂2 emitida na operação. Para isso, basta elaborar uma equação estequiométrica
e realizar o balanceamento das espécies químicas considerando uma combustão
completa. É importante ressaltar que o ar é constituído não apenas por 𝑂2 , mas por
uma série de moléculas, onde o 𝑁2 aparece com destaque. Aqui, será adotada a
relação básica entre moléculas de 𝑂2 e 𝑁2 como sendo: ar = a(𝑂2 +3,76 𝑁2 ), onde o a
indicará se a combustão é feita com excesso de ar (a>1), falta de ar (a<1) ou
estequiometricamente (a = 1) que será o adotado para determinar a emissão de 𝐶𝑂2 .
Observe que o produto da combustão é diversificado, entretanto sempre
existem 𝐶𝑂2 , 𝐻2 𝑂, 𝑁2 , 𝑂2 (se foi feita com excesso de ar), CO (se foi feita com falta de
ar) e 𝑆𝑂2 (se o combustível tiver enxofre na composição do combustível).
Evidentemente, que isto é uma aproximação de engenharia, porque existem vários
elementos nos produtos do grupo 𝑆𝑂𝑥 𝑒 𝑁𝑂𝑥 , por exemplo, que não estão
representados. A seguir, a equação estequiométrica básica e o cálculo da emissão de
𝐶𝑂2 para um combustível 𝐶𝑋 𝐻𝑦 𝑂𝑧 .

𝐶𝑋 𝐻𝑦 𝑂𝑧 + 𝑎 (𝑂2 +3,76 𝑁2 ) → x 𝐶𝑂2 + c 𝐻2 𝑂 + d 𝑂2 + e 𝑁2

3600 𝑛 𝐶𝑂2 𝑚 𝐶𝑂2


𝐾𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çã𝑜 = 𝑃𝐶𝐼 .𝑛 .𝑚 . , onde:
𝐶𝑋 𝐻𝑦 𝑂𝑧 𝐶𝑋 𝐻𝑦 𝑂𝑧 𝐶𝑋 𝐻𝑦 𝑂𝑧

𝐾𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çã𝑜 → Emissão de 𝐶𝑂2 na operação de uma linha de combustível em kg/kWh


n → número de mols em kmol.
m → massa da molécula que seria a soma do produto da massa molar de cada
elemento com a quantidade de átomos em kg
PCI → Poder calorífico inferior do combustível (desconsidera a mudança de fase) em
kJ/kg.
Sabendo que 𝑛 𝐶𝑂2 = 𝑥 e 𝑛𝐶𝑋 𝐻𝑦 𝑂𝑧 = 1 pelo balanço estequiométrico acima e que
12𝑘𝑔 16𝑘𝑔 1𝑘𝑔
𝑀𝑀𝐶 = 𝑘𝑚𝑜𝑙 , 𝑀𝑀𝑂 = 𝑘𝑚𝑜𝑙 , 𝑒 𝑀𝑀𝐻 = 𝑘𝑚𝑜𝑙 , pode-se simplificar a expressão acima para
a seguinte expressão:
10

𝟑𝟔𝟎𝟎 𝒙 (𝟏. 𝟏𝟐 + 𝟐. 𝟏𝟔)


𝑲𝒐𝒑𝒆𝒓𝒂çã𝒐 = . . .
𝑷𝑪𝑰𝑪𝑿𝑯𝒚𝑶𝒛 𝟏 (𝒙. 𝟏𝟐 + 𝒚. 𝟏 + 𝒛. 𝟏𝟔)

Para o leitor se convencer da veracidade do cálculo do 𝐾𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çã𝑜 segue abaixo


a análise adimensional:

𝑘𝑔𝐶𝑂2 𝑘𝐽 𝑘𝑔𝐶𝑋 𝐻𝑦 𝑂𝑧 𝑘𝑚𝑜𝑙𝐶𝑂2 𝑘𝑔𝐶𝑂2


[ = . . . ]
𝑘𝑊ℎ 𝑘𝑊ℎ 𝑘𝐽 𝑘𝑚𝑜𝑙𝐶𝑋 𝐻𝑦 𝑂𝑧 𝑘𝑔𝐶𝑋 𝐻𝑦 𝑂𝑧

A seguir, alguns combustíveis típicos e seus poderes caloríficos inferiores que


o leitor poderá usar como base para a análise ambiental.

Tabela 1 - Poder calorífico dos combustíveis

Combustível x y z PCI(kJ/kg)
𝐶2 𝐻5 𝑂𝐻(álcool) 2 6 1 27200
𝐶8 𝐻18(Gasolina) 8 18 0 46900
𝐶16 𝐻34(Diesel) 16 34 0 44851
𝐶𝐻4(GásNatural) 1 4 0 53922
C (Carvão) 1 0 0 28424
𝐻2 0 2 0 120802
Fonte: www.alunosonline.com.br/quimica/combustivel-hidrogenio.html, 2014
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A seguir, um pequeno exemplo para ilustrar o cálculo do VPL ambiental considerando


n= 60 meses, operação de 420h e o combustível como sendo Carvão:

Gases
Quentes

Energia
Combustível 333,33.kW GMG 100 kW Elétrica
ηeletrico
= 0,3 100kW
ηtermico
= 0,4

Obs: A partir da fórmula do Koperação da página 10, pode-se calcular que:


𝑘𝑔𝐶𝑂2
𝐾𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çã𝑜,𝐶𝑎𝑟𝑣ã𝑜 = 0,464
𝑘𝑊ℎ

Cálculo do VPL ambiental:

kgCO2
𝐶𝑂2 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑟𝑢çã𝑜,𝐺𝑀𝐺 = 270 ∗ 100 kWelétrico = 27000 kgCO2
kWelétrico
VI = 27000 kgCO2

kgCO2
𝐶𝑂2 𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çã𝑜,𝐿𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 = 0,464 ∗ 333,33 kW ∗ 420h = 64959,350 kgCO2
kWh
Vm = 64959,350 kgCO2

VPL ambiental = VI + n.Vm

VPL ambiental = 3924,561 ton de CO2


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