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Resumo

“Qualitativo-Quantitativo: Oposição ou complementariedade?”

Fontes de avaliação do método


 Adequação ao objeto de investigação;
 Oferecer leitura teórica;
 Ser operacionalizável.

Linguagem do Quantitativo
A evolução da linguagem pela necessidade de controle do ambiente que nos
envolve.
Transmissão da informação – escrita.
Reordenação da linguagem de modo consciente e deliberado como forma de evolução.
A evolução das ciências exatas.
O caso da Astronomia e a emergência de contagem e mensuração.
A evolução das soft sciences (Ex.: Psicologia).
À medida que as mudanças observáveis e mensuráveis tornam-se mais acuradas
nas soft sciences como a Psicologia, mais torna-se adequada a utilização da linguagem
matemática como forma de representar e raciocinar sobre processos e estruturas.
Matemática – representação parcial da realidade.
Assim, a adequação de sua utilização deve se dar pela avaliação do grau de
descrição da realidade e da necessidade de simplificação.

O papel decisivo da estatística


Características individuais (peso, altura, resposta à estímulos), variam entre
indivíduos diferentes e entre momentos diferentes com relação ao mesmo indivíduo.
Suas ordenações são seguidas a partir da estabilidade atribuída a valores como o de
média.
Impossibilidade de precisão;
Sucessivos testes;
Experimentos aleatórios;
Variabilidade aleatória;
Nesse contexto, o instrumento de aplicação da matemática se dá pela teoria da
probabilidade.
Assim, a partir dessa probabilidade, podemos construir modelos matemáticos
capazes de responder a problemas práticos. Este modelo deve ser testado em contraste
com os dados observados da realidade.
Potencialidade – inferência estatística, testar a adequação de modelos teóricos.
Problemas com a inferência – a estimulação dos parâmetros e adequação no uso
dos testes estatísticos.
O “p-valor” e a hipótese de nulidade;
Amostragem e inferência estatística.

O Qualitativo e a Significação
Ciências Sociais e Humanas – pesquisador e objeto de pesquisa são agentes;
Objetividade;
Uma proposta de objetivação – Durkheim – uniformidade e estabilidade no
comportamento humano; predição de eventos humanos e possibilidade de estuda-las em
levar em conta apenas as motivações individuais.
“Ao buscar instrumentos de objetivação do social apenas através do
quantificação das uniformidades e regularidades, não se estaria descaracterizando o que
há de essencial nos fenômenos e nos processos sociais?” (Minayo, 1993, p.243)
Max Weber apontou que o contexto das Ciências Sociais a compreensão do
significado que se dá a ação é tão importante quanto a descrição do comportamento.
Se o ser humano responder aos estímulos do ambiente a partir de como perceber
esse ambiente (William Thomas, 1970), toda ciência que toma-lo enquanto objeto deve
buscar compreender como o ambiente é significado.
Por outro lado, o positivismo defende que a apreensão científica no estudo que
envolve o ser humano deve se abster da subjetividade. Sujeitando a atividade do
pesquisador à observação dos fatos.
“O positivismo não nega o significado, mas recusa-se a trabalhar com eles”
(Minayo, 1993.)
Weber (1970) argumenta que a tarefa da abordagem qualitativa é aprender
precisamente o fenômeno histórico, o significado em sua singularidade. Numa
aproximação entre pesquisador e objeto de pesquisa para a imersão no mundo de
significados que compõe os processos e estruturas estudadas.
O trabalho qualitativo ao passo que elabora suas teorias, seus métodos, seus
princípios e estabelece seus resultados; inventa, ratifica seu caminho e tem maior
flexibilidade para abandonar procedimentos.
Uma vez que os pesquisadores sempre buscam responder ao mundo de
significados e estes podem representar-se como renovados. Nesse sentido, ela
compartilha a ideia de “devir” no conceito de cientificidade.

A matéria-prima na abordagem qualitativa


Realidade social qualitativa:
Vivido absoluto e único;
Linguagem.
Granger (1982)
Experiência:
“Ecológico, morfológico, concreto” – mensuração;
“Chamada mais profunda” – compreensão;
Gurvitch (1955)
Significados, atitudes, valores, crenças em sua compreensão pela linguagem
constituem o objeto da abordagem qualitativa.
Assim, a abordagem qualitativa se adequa, ao estudo compreensivo da ação
humana, inclusive ao estudo da configuração de um fenômeno ou processo. Por outro
lado, não deve ser utilizada “para compor grandes perfis populacionais ou indicadores
macroeconômicos e sociais. É extremamente importante para acompanhar e aprofundar
algum problema levantado por estudos quantitativos ou, por outro lado, para abrir
perspectivas e variáveis a serem posteriormente utilizadas em levantamentos
estatísticos.”
Tem-se como forma de apreensão da realidade, por definição de objeto da
abordagem qualitativa, a palavra, expressa na fala cotidiana.
Isso se dá pelo entendimento de que a palavra é forjada e constituinte do tecido
social, assim melhor indicador das transformações sociais, que ainda não se
acumularam o suficiente para apreensão quantitativa ou que não podem se adaptar a esta
abordagem pelo seu caráter íntimo e efêmero.
A palavra expressada na fala de um entrevistado, por exemplo, reflete condições
específicas de experiências – sistema de valores, normas e símbolos (ao passo que ela
mesma é uma forma de sistematização da experiência).
Mas um dos problemas é de como avaliar a representatividade de uma fala.
Bourdieu (1972) – habitus
Quantitativo – Qualitativo
Visto que, do ponto de vista metodológico, não há contradição, assim como não
há continuidade, entre investigação quantitativa e qualitativa. Ambas sobre naturezas
diferentes.
A primeira atua em níveis da realidade, onde os dados se apresentam aos
sentidos: “níveis ecológicos e morfológicos”, na linguagem de Gurvitch (1955).
A segunda trabalha com valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e
opiniões.
A primeira tem como campo de prática e objetivos trazer à luz dados,
indicadores e tendências observados, classificando-os e tornando-os inteligíveis através
de variáveis.
A segunda adequa-se a aprofundar a complexidade de fenômenos, fatos e
processos particulares e específicos de grupos mais ou menos delimitados em extensão e
capazes de serem abrangidos intensamente.

Conclusão
“No entanto, se a relação entre quantitativo e qualitativo, entre objetividade e
subjetividade não se reduz a um continuum ela não pode ser pensada como oposição
contraditória.
Pelo contrário, é de se desejar que as relações sociais possam ser analisadas em
seus aspectos mais ‘ecológicos’ e ‘concretos’ e aprofundadas em seus significados mais
essenciais. Assim, o estudo quantitativo pode gerar questões para serem aprofundadas
qualitativamente, e vice-versa.”

Observação do comportamento
Com o método e observação do comportamento pode-se enquadrar um estudo
tanto dentro de um contexto quantitativo quanto qualitativo de pesquisa, dependendo
sempre do objeto e da forma como a “realidade” será descrita.
Exemplo: “de que modo o trabalho afeta a vida dos adolescentes?” –
questionário – resposta fechada, codificação numérica, análise estatística (quantitativo).
Entrevista – percepção e experiências de adolescentes com o trabalho, filmagem,
gravação, anotação (qualitativo).

Observação naturalista
Nesta o pesquisador realiza observações num ambiente natural específico,
durante grande período de tempo, preferencialmente utilizando diversas técnicas de
coletas de dados. O relatório final inclui as observações e as interpretações feitas a partir
destas.
O objetivo ao qual responder: descrever e compreender processos em seu
ambiente natural.
Estratégias: ingresso em ambientes, ingressos em grupo, entrevistas. Este tipo de
abordagem exige do pesquisador o desprendimento de fazer parte da situação de
observação, assim se pode observar o ambiente, os comportamentos, como se dão de
maneira natural, minimizando o viés causado pela expectativa de avaliação.
A partir de uma boa descrição do ambiente natural, objetiva-se analisar o
observado, estruturando-se hipóteses que ajudem a explicar os dados e ao mesmo passo
sejam coerentes com o observado.
Observação como método primariamente qualitativo, mas passível de utilizar
quantificação.

Questões na observação naturalista


Participação e ocultamento.
Observação naturalista requer descrição apurada e interpretação objetiva sem
hipóteses prévias (participação pós início de pesquisa).
Oculto (menos reatividade). Não oculto (mais ético, tendência ao costume).
Grau de participação e ocultamento.
Definição do alcance da observação.
Limites da observação.
Esta abordagem é útil para descrever e compreender fenômenos complexos, e
desenvolver teorias através desta descrição detalhada e padrões apreendidos. No
entanto, quando se tem uma boa estruturação de hipóteses deve-se buscar outras
abordagens.

Observação sistemática
Refere-se aqui à observação que atenta de um ou mais comportamentos
específicos, também em ambiente específico. Aqui já justifica-se a utilização de
hipóteses prévias e quantificação das observações.
Sistema de categorização.
Escolhe-se os comportamentos de interesse, o ambiente de observação,
desenvolve-se um sistema de categorização anterior às observações, assim também se
pode quantificar.
Equipamento – observação direta e imediata. Lápis e papel, filmagem.
Reatividade – observação oculta, dessensibilização.
Fidedignidade – termo que refere-se ao grau em que a mensuração reflete o
escore verdadeiro em vez de erro de mensuração. Concordância entre observadores.
Amostragem da observação

Estudo de caso
Um estudo de caso deve conseguir a descrição de um caso específico, podendo
ser um indivíduo, um ambiente, uma instituição.
Os estudos de caso podem utilizar técnicas tais como a pesquisa bibliográfica e
entrevistas.
E são úteis para gerar informações sobre condições incomuns, podendo gerar
hipóteses testáveis por outros métodos.

Pesquisa em arquivo
Envolve a utilização de informações previamente reunidas para responder a
problemas de pesquisa, trata-se de dados “de segunda mão”, podendo ser encontrados
em: registro estatístico, arquivos de levantamentos e registros escritos de veículos de
comunicação.
Análise de conteúdo de documento – é necessário criar sistemas de
categorização na leitura dos documentos para que se interprete os resultados.
Problemas documentais: dificuldades, incerteza da informação.

Descrição de diferenças individuais e de personalidade


Quantitativo – medidas quantitativas, intensidades e diagnóstico. Nesta
perspectiva hipóteses estruturadas podem ser testadas em diferentes condições e os
estudos podem ser replicáveis.
Qualitativa – uma abordagem qualitativa pode ser empregada quando o interesse
for investigar o desenvolvimento da personalidade, utilizando-se narrativas de histórias
de vida, entrevistas, etc.

Pesquisa de levantamento
Nesta pode-se utilizar de questionários e entrevistas para solicitar informações
sobre as pessoas – atitudes, crenças, variáveis biosóciodemográficas, etc.
Levantamentos fornecem uma metodologia para solicitar as pessoas que falem
sobre si mesmas.
Além de informar sobre os pensamentos e os comportamentos de um momento
específico, o método de levantamento é um meio importante para identificar relações
entre variáveis e a mudança de atitudes e comportamentos com o tempo.
Outra utilidade da pesquisa de levantamento é de seu possível caráter
complementar resultados de pesquisas experimentais.

Questionários e entrevistas
Esses instrumentos de coleta de dados são utilizados pela crença de que as
pessoas estão dispostas e são capazes de dizer a verdade e responder apuradamente.
Assim, para maior chance que isso ocorra o pesquisador deve comunicar
abertamente os objetivos da pesquisa se dispondo a fornecer resultados e manter o
anonimato do respondente.

População e amostra
Intervalo de confiança;
Tamanho amostral.

Técnicas de amostragem
Aleatórias;
Não-aleatórias.

Avaliação de amostra
Taxa de retorno;
Razões para usar amostragem por conveniência.
 Pesquisa rápida e barata.
 Quando pesquisas visam estudar como variáveis se relacionam ao invés de se
interessar em generalizar os valores da amostra para a população perdesse a
prioridade em selecionar de forma aleatória a amostra.

Elaboração de perguntas
Tipos de perguntas:
 Atitudes e crenças;
 Fatos e variáveis biosociodemográficas;
 Comportamentos.
Formulação de questões
Simplicidade (+)
Questões ambíguas (-)
Questões tendenciosas (-)
Formulação negativa (-)
Formular questões inversas para detectar tendências (dizer sim, dizer não)

Respostas às questões
Questões fechadas x questões abertas;
As primeiras são mais fáceis de codificar, enquanto que as abertas podem gerar
respostas que não podem ser categorizadas ou maior taxa de não resposta;
As abertas são mais úteis na apreensão de como as pessoas pensam e como
percebem a realidade, podendo gerar novas explicações aos fenômenos.

Número de respostas (fechadas)


Escala de avaliação;
Escala de avaliação gráfica;
Escala de diferencial semântico;
Escala não verbal;
Atribuição de rótulos as alternativas de resposta.

Finalização do questionário
Formulação do questionário
 Aparência, ortografia, espaçamento, estabilidade dos pontos na utilização de
escala, questões mais relevantes no início do questionário.
Redefinição de questões
 Aplicação inicial para respondentes que responderão em “pensamento em
voz alta” para explicitar como as questões estão sendo interpretadas,
impulsionando a resposta.

Aplicação de levantamento
Questionários;
Aplicação em grupo;
Levantamentos pelo correio;
Levantamentos pela internet.

Entrevistas
Problemas
Viés do entrevistador – com sinais que possam interferir na resposta, interpretar
e codificar as respostas a partir de expectativas, aprofundar determinadas respostas e
outras não.

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