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Material Digital do Professor

Língua Portuguesa – 9º ano


1º bimestre – Sequência didática 3

Período composto por coordenação: o uso de


conectivos coordenativos
Duração: 2 aulas
Referência do Livro do Estudante: Unidade 2

Relevância para a aprendizagem


Esta sequência tem por finalidade trabalhar, em duas aulas, a revisão de conceitos de
períodos simples e composto, orações coordenadas assindéticas e sindéticas, a identificação de
conectivos coordenativos e orações justapostas em períodos compostos por coordenação. Para
tanto, os exemplos serão retirados de um trecho do conto “O homem que sabia javanês”, do escritor
brasileiro e pré-modernista Lima Barreto. O trecho será transcrito nesta sequência.

Esta abordagem didática em sala de aula contempla a Competência geral 4 (BNCC): “Utilizar
diferentes linguagens ‒ verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora
e digital ‒, bem como conhecimentos das linguagens artítisca, matemática e científica, para se
expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e
produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.”. A Competência específica 2 de Língua
Portuguesa para o Ensino Fundamental (BNCC) amplia essa reflexão: “Apropriar-se da linguagem
escrita, reconhecendo-a como forma de interação nos diferentes campos de atuação da vida social e
utilizando-a para ampliar suas possibilidades de participar da cultura letrada, de construir
conhecimentos (inclusive escolares) e de se envolver com maior autonomia e protagonismo na vida
social.”.

Objetivos de aprendizagem
• Identificar as ideias veiculadas no trecho do conto.
• Distinguir os períodos simples dos compostos.
• Identificar orações justapostas.
• Identificar os conectivos coordenativos.
• Substituir, em períodos compostos, conectivos coordenativos.
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Língua Portuguesa – 9º ano
1º bimestre – Sequência didática 3

Objetos de conhecimento e habilidades (BNCC)


Objetos de conhecimento Habilidades
(EF09LP08) Identificar, em textos lidos e em produções próprias, a relação que
Morfossintaxe conjunções (e locuções conjuntivas) coordenativas e subordinativas estabelecem
entre as orações que conectam.
(EF09LP11) Inferir efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos de coesão
Coesão
sequencial (conjunções e articuladores textuais).
(EF09LP04) Escrever textos corretamente, de acordo com a norma-padrão, com
Fono-ortografia
estruturas sintáticas complexas no nível da oração e do período.
(EF69LP56) Fazer uso consciente e reflexivo de regras e normas da norma-padrão
Variação linguística
em situações de fala e escrita nas quais ela deve ser usada.

Desenvolvimento
Aula 1 – Período composto por coordenação
Duração: 1 aula (cerca de 45 minutos)
Local: sala de aula ou o laboratório de informática
Organização dos alunos: em grupos
Recursos e/ou material necessário: cópia impressa do texto; caderno, lápis e borracha
Fontes: site e bibliografias
<http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000153.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2018.
BARRETO, Lima. O homem que sabia javanês e outros contos. Curitiba: Polo Editorial do Paraná, 1997.
Contos de Lima Barreto. In: Contos brasileiros I. São Paulo: Ática, 1983. (Para gostar de ler)

A primeira aula consiste em uma leitura oral, expressiva e compartilhada do trecho do conto
“O homem que sabia javanês”, de Lima Barreto, para estudo do período composto por coordenação
e seus conectivos coordenativos.

Portanto, é preciso que o trecho do conto possa ser impresso para ser entregue aos alunos,
para que haja mais tempo para as atividades programadas. Caso isso não seja possível, o professor
poderá registrar o trecho na lousa ou conduzir os alunos ao laboratório de informática ou à
biblioteca da escola.

O trecho escolhido do conto de Lima Barreto, trancrito abaixo, é adequado à faixa etária dos
alunos do 9º ano, pois fala de um assunto muito atual no Brasil e no mundo: à busca por trabalho.
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Língua Portuguesa – 9º ano
1º bimestre – Sequência didática 3

O homem que sabia javanês


[...]
— Eu tinha chegado havia pouco ao Rio estava literalmente na miséria. Vivia
fugido de casa de pensão em casa de pensão, sem saber onde e como ganhar
dinheiro, quando li no Jornal do Comércio o anúncio seguinte:
"Precisa-se de um professor de língua javanesa. Cartas, etc." Ora, disse cá
comigo, está ali uma colocação que não terá muitos concorrentes; se eu capiscasse
quatro palavras, ia apresentar-me. Saí do café e andei pelas ruas, sempre a imaginar-
me professor de javanês, ganhando dinheiro, andando de bonde e sem encontros
desagradáveis com os "cadáveres". Insensivelmente dirigi-me à Biblioteca Nacional.
Não sabia bem que livro iria pedir; mas, entrei, entreguei o chapéu ao porteiro,
recebi a senha e subi. Na escada, acudiu-me pedir a Grande Encyclopédie, letra J, a
fim de consultar o artigo relativo a Java e a língua javanesa. Dito e feito. Fiquei
sabendo, ao fim de alguns minutos, que Java era uma grande ilha do arquipélago de
Sonda, colônia holandesa, e o javanês, língua aglutinante do grupo maleo-polinésico,
possuía uma literatura digna de nota e escrita em caracteres derivados do velho
alfabeto hindu.
A Encyclopédie dava-me indicação de trabalhos sobre a tal língua malaia e
não tive dúvidas em consultar um deles. Copiei o alfabeto, a sua pronunciação
figurada e saí. Andei pelas ruas, perambulando e mastigando letras. Na minha cabeça
dançavam hieróglifos; de quando em quando consultava as minhas notas; entrava
nos jardins e escrevia estes calungas na areia para guardá-los bem na memória e
habituar a mão a escrevê-los.
À noite, quando pude entrar em casa sem ser visto, para evitar indiscretas
perguntas do encarregado, ainda continuei no quarto a engolir o meu "a-b-c" malaio,
e, com tanto afinco levei o propósito que, de manhã, o sabia perfeitamente. [...]
[...]
Na sala, havia uma galeria de retratos: arrogantes senhores de barba em
colar se perfilavam enquadrados em imensas molduras douradas, e doces perfis de
senhoras, em bandós, com grandes leques, pareciam querer subir aos ares,
enfunadas pelos redondos vestidos à balão; mas, daquelas velhas coisas, sobre as
quais a poeira punha mais antiguidade e respeito, a que gostei mais de ver foi um
belo jarrão de porcelana da China ou da Índia, como se diz. Aquela pureza da louça, a
sua fragilidade, a ingenuidade do desenho e aquele seu fosco brilho de luar, diziam-
me a mim que aquele objeto tinha sido feito por mãos de criança, a sonhar, para
encanto dos olhos fatigados dos velhos desiludidos...
[...]
BARRETO, Lima. “O homem que sabia javanês”. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000153.pdf>.
Acesso em: 13 nov. 2018.
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Língua Portuguesa – 9º ano
1º bimestre – Sequência didática 3

Bandós ‒ faixa usada na cabeça por mulheres da época.


Calungas ‒ desenhos, no conto, das letras do alfabeto.
Capiscasse ‒ mistura de italiano com português; um neologismo criado pelo autor que no texto quer dizer:
entendesse.
Encyclopédie (do francês) ‒ enciclopédia.
Enfunadas ‒ inchadas.
Maleo-polinésico - malaio-polinésio.
Hieróglifos ‒ cada um dos sinais das línguas das antigas civilizações, como a dos egípcios.

Atividade 1

Nesta atividade, a proposta é trabalhar o trecho do conto por meio da leitura, do estudo de
vocabulários não conhecidos, além do levantamento das ideias do texto.

1. Antes da leitura, conversar com os alunos sobre o texto a ser lido, publicado em 1911, portanto
portador de palavras que, provavelmente, eram de uso corrente na época, mas desconhecidas
ou pouco usadas nos dias atuais.

2. Listar algumas palavras no quadro. Sugestão: capiscar; bandó; calunga; enfunada. As palavras
estarão fora do contexto, pois o objetivo é que os alunos tentem fazer associações.

3. Desafiar os alunos a escrever, individualmente, em tiras de papel, o provável significado das


palavras, baseando-se na sonoridade, na aproximação com outras palavras ou em palavras
semelhantes. Estipular um tempo curto para a etapa.

4. Promover a leitura dos significados e as justificativas dadas pelos alunos para suas escolhas. Em
seguida, apresentar o glossário sugerido ou complementado com outras palavras.

5. Promovera leitura compartilhada com os alunos da sala, estimulando a participação de todos.

6. Depois da leitura, reunir os alunos em pequenos grupos, motivando-os a fazer um breve resumo
do conto e indicar pelo menos dois elementos que caracterizam a época ou contexto histórico da
publicação, feita em 1911.

7. No trecho em análise, pode-se detectar algumas ideias que ajudam no resumo, tais como:
• O narrador-personagem, narrativa em 1ª pessoa, estava desempregado e com
dificuldades com moradia: vivia em pensões e até no cemitério (“encontros
desagradáveis com cadáveres”).
• Nos classificados do jornal, lê um anúncio que poderia ser interessante: precisava-se de
um professor de língua javanesa.
• Vai à biblioteca para saber mais sobre a língua javanesa.
• Volta para casa e, na manhã seguinte, já sabia o alfabeto malaio de cor.

8. Quanto aos elementos que podem caracterizar a época, é possível destacar:


• “senhoras, em bandós, com grandes leques”;
• “redondos vestidos à balão”;
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1º bimestre – Sequência didática 3

• “andando de bonde”;
• “entregando o chapéu ao porteiro”.

Atividade 2

Nesta etapa serão revistos período simples, período composto e orações justapostas. Essa
revisão será feita por meio de exercícios de identificação e transcrição dos trechos do conto em que
haja exemplos desses conceitos.

• Solicitar aos alunos que, em grupos, transcrevam do trecho:


o uma frase com período simples: “Precisa-se de um professor de língua javanesa.”;
o um período composto por duas orações: “Copiei o alfabeto, a sua pronunciação
figurada e saí.”;
o um período composto apenas com orações justapostas, do primeiro parágrafo: “Eu
tinha chegado havia pouco ao Rio estava literalmente na miséria.”.

Aula 2 – Atividade de produção de orações coordenadas sindéticas


Duração: 1 aula (cerca de 45 minutos)
Local: sala de aula
Organização dos alunos: em grupos
Recursos e/ou material necessário: cópia impressa do texto; caderno, lápis e borracha

Atividade 1

1. Se achar necessário, fazer uma revisão dos períodos compostos por orações coordenadas
sindéticas: aditivas, adversativas, alternativas, explicativas e conclusivas.

2. Destacar do trecho do conto lido algumas orações para que os alunos observem o uso das
conjunções que introduzem orações sindéticas. Sugere-se:
• “Saí do café e andei pelas ruas, sempre a imaginar-me professor de javanês, ganhando
dinheiro, andando de bonde e sem encontros desagradáveis com os ´cadáveres´.” (um
período composto por coordenação, com orações coordenadas assindéticas –
justapostas – e com oração sindética aditiva).
• “Não sabia bem que livro iria pedir; mas, entrei...” (oração coordenada sindética
adversativa).
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1º bimestre – Sequência didática 3

Atividade 2

1. Reler com os alunos o segundo trecho do conto de Lima Barreto, a descrição de uma sala de
estar em que o narrador-personagem descreve o que vê de forma crítica, provavelmente devido
à riqueza dos objetos expostos.

2. Por ser um trecho descritivo, há poucos verbos. Em grupo, os alunos deverão parafrasear o
assunto do texto, inserindo:
• um período composto por oração coordenada sindética conclusiva. Havia muitos retratos
na sala de estar, portanto, o dono, era uma pessoa de posses;
• um período composto por oração coordenada sindética alternativa. As mulheres usavam
bandós ou não estariam na moda;
• um período composto por oração coordenada sindética explicativa. As mulheres usavam
bandós porque eles estavam na moda.

3. Se achar necessário, transcrever na lousa algumas palavras que poderão ajudar os grupos a fazer
o exercício: retratos, sala de estar, bandós, moda, mulheres, posse, dono da mansão/casarão etc.

4. Enfatizar que os conectivos coordenativos, dos cinco tipos de orações coordenadas, estabelecem
uma relação de coesão e sentidos entre as duas orações do período composto por coordenação.

5. Reservar os quinze minutos finais da aula para que os grupos apresentem os exercícios de
produção de períodos compostos por coordenação, baseados no segundo trecho do conto de
Lima Barreto.

6. Antes da apresentação dos grupos, lembrá-los de que devem falar em voz alta e clara para que
todos ouçam.

7. Após as apresentações, perguntar aos alunos se acharam a atividade interessante e, se possível,


deixar que eles comentem os pontos positivos e negativos da atividade.

Aferição do objetivo de aprendizagem


A avaliação dos alunos poderá ser feita por etapas que contemplem a participação deles em
todas as atividades que foram sugeridas em sala de aula. Na primeira etapa, avaliar a participação
deles com relação às atividades desenvolvidas com o trecho do conto de Lima Barreto, retirado de “O
homem que sabia javanês’’. Na segunda, poderá ser avaliado o desempenho dos alunos em relação à
identificação dos períodos simples e compostos por coordenação. Verificar se eles participaram
ativamente da realização das atividades com o período composto por coordenação. Na útima etapa,
avaliar se os grupos produziram períodos compostos por coordenação, com orações coordenadas
sindéticas, de acordo com o que foi proposto. Ainda nessa etapa, pedir aos alunos que façam uma
autoavaliação em relação às atividades propostas.
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1º bimestre – Sequência didática 3

Aos alunos que tiveram dificuldades para realizar as atividades propostas, sugerir a leitura de
textos diversos com períodos compostos por coordenação, com orações assindéticas e sindéticas e
seus conectivos coordenativos. Ainda para completar a avaliação serão propostas três questões
objetivas, para que o professor tenha mais um instrumento de verificação do desempenho dos
alunos.

Questões para auxiliar na aferição


Caso o texto sugerido tenha sido utilizado, propor estas duas questões para a avaliação do
aprendizado do aluno. Sugere-se a questão 3 para o caso de não ter sido empregado o texto
proposto.

1. Leia o trecho abaixo.

Olhei um pouco o jardim e vi a pujança vingativa com que a tiririca e o


carrapicho tinham expulsado os tinhorões e as begônias. Os crótons continuavam,
porém, a viver com a sua folhagem de cores mortiças.
BARRETO, Lima. O homem que sabia javanês e outros contos. Curitiba: Polo Editorial do Paraná, 1997.

Assinale a alternativa que indica como a oração destacada acima pode ser classificada.
a) Oração coordenada sindética alternativa.
b) Oração coordenada sindética conclusiva.
c) Oração coordenada sindética aditiva.
d) Oração coordenada sindética adversativa.

2. Em “Os crótons continuavam, porém, a viver com a sua folhagem de cores mortiças”, há uma
relação de sentido, estabelecida por meio do recurso coesivo porém. Assinale a alternativa que
indica qual relação de sentido foi estabelecida entre as duas orações.
a) Relação de sentido de adição.
b) Relação de sentido de alternância.
c) Relação de sentido de ideias que se opõem.
d) Relação de sentido de explicação.

3. Assinale a alternativa que apresenta conjunções que podem ser usadas na lacuna de modo a
explicar o motivo do atraso, dando coesão e sentido à frase:
Desculpe pelo atraso, só pude comparecer à entrevista hoje ________ não recebi a senha.
a) logo, por isso
b) mas, todavia
c) e, nem
d) pois, porque
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1º bimestre – Sequência didática 3

Gabarito das questões

1. A alternativa correta é a letra d, pois a palavra porém é um dos conectivos que aparecem para
introduzir orações coordenadas sindéticas adversativas.

2. A alternativa correta é a letra c, pois o conectivo coesivo porém estabelece, entre as duas
orações, uma relação de sentido de ideias que se opõem, de ideias que se contrariam; ele
estabelece um sentido de adversidade.

3. A alternativa correta é a letra c, pois as conjunções sugeridas – pois, porque – introduzem uma
explicação para a oração anterior.