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Questões éticas

A relação risco-benefício

Para determinar se a pesquisa deve ser realizada, usa-se uma avaliação subjetiva dos riscos e benefícios de um projeto de
pesquisa. A relação risco/benefício propõe a seguinte pergunta: “Vale a pena?”, “Os benefícios são maiores do que os riscos?”.
Não existem respostas matemáticas para a relação o risco/benefício.

Também existem custos potenciais quando a pesquisa não é feita. Perdemos a oportunidade de adquirir conhecimento e, em
última análise, perdemos a oportunidade de melhorar a condição de vida humana. A pesquisa também pode ter um custo
elevado para os participantes individualmente se forem prejudicados durante o estudo. O pesquisador principal deve, é claro, ser
o primeiro a considerar esses custos e benefícios potenciais.

Pode-se tolerar maior risco quando existe a previsão de benefícios claros e imediatos aos participantes ou quando a pesquisa
tem valor teórico, científico e social relevante. Por exemplo, um projeto de pesquisa que investiga um novo tratamento para o
comportamento psicótico pode acarretar risco para os participantes. Todavia, se o tratamento proposto tem uma boa chance de
ter um efeito benéfico, os benefícios possíveis para os indivíduos e a sociedade podem superar o risco envolvido no estudo.

Quando existem riscos potenciais, o pesquisador deve garantir que não existam procedimentos alternativos de baixo risco
que possam ser usados como substitutos. O pesquisador também deve garantir que outras pesquisas já não tenham conseguido
responder a pergunta de pesquisa em questão. Sem uma revisão cuidadosa da literatura psicológica, o pesquisador pode fazer
uma pesquisa que já tenha sido feita antes, expondo, assim, os indivíduos a riscos desnecessários.

Determinação do risco

Os riscos potenciais na pesquisa psicológica incluem o risco de dano físico, dano social e dano psicológico (estresse mental
ou emocional). Os riscos devem ser avaliados em termos das atividades cotidianas dos participantes potenciais, sua saúde física
e mental e suas capacidades.

Os pesquisadores também devem considerar as características dos sujeitos quando determinam o risco. Certas atividades podem
representar um risco sério para certos indivíduos, mas não para outros. Subir escadas correndo pode aumentar o risco de um
evento cardíaco para uma pessoa idosa, mas a mesma tarefa provavelmente não seria arriscada para a maioria dos adultos
saudáveis. De maneira semelhante, indivíduos que são excepcionalmente deprimidos ou ansiosos devem apresentar reações
mais severas a certos testes psicológicos do que outras pessoas. Assim, ao considerar o risco, os pesquisadores devem considerar
as populações específicas de indivíduos que são prováveis de participar do estudo

Com frequência, os participantes de pesquisas em ciências sociais e humanas correm riscos de danos sociais ou psicológicos.
Por exemplo, se as informações pessoais dos sujeitos forem reveladas a outras pessoas, haverá potencial para risco social, como
situações embaraçosas ou constrangedoras. Informações pessoais coletadas durante a pesquisa psicológica podem incluir fatos
sobre a inteligência, traços de personalidade, crenças políticas, sociais ou religiosas, e determinados comportamentos. Um
participante de pesquisa provavelmente não desejaria que essas informações fossem reveladas a professores, patrões ou colegas.
Se a confidencialidade das respostas dos participantes não for protegida, isso pode aumentar a possibilidade de danos
sociais.

Certas pesquisas podem representar risco de dano psicológico se os participantes do estudo sofrerem estresse mental ou
emocional sério. Pedir a indivíduos para descreverem suas experiências de abuso físico/sexual ou violência familiar de seu
passado pode ser emocionalmente estressante. Ainda assim, a maioria dos pesquisadores concorda que o conhecimento dessas
experiências pode fornecer visões importantes aos cientistas comportamentais sobre alguns dos males da sociedade (p. ex., o
divórcio, o baixo rendimento escolar, a criminalidade), bem como orientar estudos com pesquisas clínicas.

Risco mínimo

Diz-se que um estudo envolve “risco mínimo” quando os procedimentos ou atividades do estudo são semelhantes (em termos
de risco) aos que os participantes encontram em suas vidas cotidianas.

Quando a possibilidade de dano é considerada mais que mínima, diz-se que os participantes estão em risco. Quando um estudo
coloca os participantes em risco, o pesquisador tem obrigações mais sérias de proteger o seu bem-estar.
Lidando com o risco

Independentemente de estarem “em risco” ou “em risco mínimo”, os participantes de pesquisa devem ser protegidos. À
medida que os riscos ficam maiores, são necessárias mais medidas de proteção e precaução para minimizar os riscos.

Para proteger os participantes de riscos sociais, as informações que eles fornecem devem ser anônimas ou, se isso não for
possível, deve-se manter a confidencialidade das suas informações.

Mesmo que o risco potencial seja pequeno, os pesquisadores devem tentar minimizar o risco e proteger os participantes. Por
exemplo, informar no começo de um experimento sobre a memória que os testes não visam avaliar a inteligência ou a
personalidade já reduz o nível de estresse e ansiedade para certos participantes.

Pesquisa na internet

Embora a internet ofereça muitas oportunidades para o cientista comportamental, ela também suscita muitas questões éticas.
Questões importantes surgem devido à (1) ausência do pesquisador em ambientes de pesquisa virtual, (2) dificuldade em obter o
consentimento livre e esclarecido adequado, (3) fazer o debriefing e (4) preocupações com a proteção da confidencialidade dos
participantes.

Os participantes podem experimentar estresse mental/emocional no contexto de um estudo pela internet assim como o fariam
em um estudo laboratorial. Todavia, como estão ausentes da situação de pesquisa, os pesquisadores talvez sejam menos capazes
de monitorar o nível de perturbação e reduzir o risco em estudos virtuais (Kraut et al., 2004). Uma abordagem pode ser obter
dados preliminares com o objetivo de identificar (triagem) indivíduos que possam estar em risco e excluí-los do estudo. Todavia,
talvez não seja possível realizar estudos com risco elevado pela internet (Kraut et al., 2004).

Na maioria dos casos, os participantes virtuais geralmente clicam o mouse do computador para indicar que leram e entenderam
o termo de consentimento livre e esclarecido. Mas será que isso constitui uma “assinatura” do participante com valor legal?
Como o pesquisador sabe se os participantes têm a idade exigida ou que eles entendem totalmente o termo de consentimento
livre e esclarecido? Uma sugestão para determinar se os participantes entenderam a declaração de consentimento informado é
administrar pequenos testes sobre o conteúdo; procedimentos para distinguir crianças de adultos podem envolver solicitar
informações que normalmente só estão disponíveis a adultos (Kraut et al., 2004). Sempre que surgirem dilemas éticos desse tipo,
é sensato procurar a orientação de profissionais experientes, mas a responsabilidade final por fazer pesquisas éticas sempre é do
pesquisador.

Privacidade

A privacidade se refere aos direitos de indivíduos decidirem como informações sobre eles devem ser comunicadas a outras
pessoas.

Diener e Crandall (1978) identificam três dimensões principais que os pesquisadores podem considerar para ajudá-los a decidir
quais informações são privadas: (1) a sensibilidade das informações (práticas sexuais, crenças religiosas, atividades criminais), (2)
o cenário em ocorre o comportamento (ruas, shows, banheiro público, piquenique num parque) e o (3) método de divulgação
das informações (dados estatísticos, por exemplo).

Para proteger os participantes da pesquisa de danos sociais, a coleta de dados deve manter as respostas dos participantes
anônimas, pedindo que não usem seus nomes ou qualquer outra informação que os identifique. Quando isso não é possível, os
pesquisadores devem manter as respostas dos participantes confidenciais, removendo qualquer informação de identificação de
seus registros durante a pesquisa. Quando o pesquisador precisa testar as pessoas em mais de uma ocasião ou acompanhar
determinados indivíduos, ou quando as informações fornecidas pelos participantes são particularmente sensíveis, podem-se
atribuir códigos numéricos aos participantes no começo da pesquisa. Somente esses números precisam aparecer nas fichas de
respostas dos sujeitos, e os nomes são relacionados aos códigos numéricos em uma lista de acesso restrito.

Garantir que as respostas dos participantes sejam anônimas ou confidenciais também pode beneficiar o pesquisador, se isso
levar os participantes a serem mais honestos e abertos em suas respostas (Blanck, Bellack, Rosnow, Rotheram-Borus e Schooler,
1992). Os participantes serão menos prováveis de mentir ou omitir informações se não estiverem preocupados com quem terá
acesso às suas respostas.

Consentimento Livre e Esclarecido


Os pesquisadores e os sujeitos firmam um contrato social, muitas vezes usando um procedimento de consentimento informado.

Os pesquisadores têm a obrigação ética de descrever os procedimentos de pesquisa de forma clara, identificar quaisquer
aspectos do estudo que possam influenciar a disposição dos indivíduos de participar e responder questões que os participantes
possam ter sobre a pesquisa.

Os participantes da pesquisa devem ter a possibilidade de revogar seu consentimento a qualquer momento e sem nenhuma
penalidade.

Não se devem pressionar indivíduos a participar da pesquisa.

Os participantes da pesquisa têm a obrigação ética de agir de forma apropriada durante a pesquisa, sem mentir, enganar ou
cometer outros atos fraudulentos.

O consentimento informado deve ser obtido com responsáveis legais para indivíduos incapacitados para dar consentimento (p.
ex., crianças, adolescentes, indivíduos com problemas mentais); alguma forma de concordância/consentimento em participar
deve ser obtida com indivíduos que não possam dar consentimento informado.

Os pesquisadores devem buscar a orientação de outros indivíduos com conhecimento, incluindo um IRB, para decidir se devem
abrir mão do consentimento informado, como quando a pesquisa é realizada em ambientes públicos. Esses ambientes exigem
atenção especial para proteger a privacidade dos indivíduos.

A privacidade refere-se aos direitos de indivíduos decidirem como informações a seu respeito devem ser comunicadas a outras
pessoas.

O consentimento informado é a disposição da pessoa, expressa explicitamente, para participar de um projeto de pesquisa,
baseada em uma compreensão clara na natureza da pesquisa, das consequências de não participar e de todos os fatores que
podemos esperar que influenciem a disposição daquela pessoa para participar.

Os pesquisadores fazem esforços razoáveis para responder a quaisquer perguntas que os sujeitos tenham sobre a pesquisa e
respeitar a dignidade e os direitos do indivíduo durante a experiência da pesquisa. Desse modo, os indivíduos podem tomar uma
decisão informada sobre sua participação. O consentimento dos participantes deve ser dado livremente, sem indução ou pressão
indevida. Os participantes também devem saber que são livres para revogar o seu consentimento a qualquer momento, sem
sofrerem nenhuma penalidade ou prejuízo. Os pesquisadores sempre devem obter consentimento informado.

Os sujeitos de pesquisa que consentem em participar também têm responsabilidades éticas de agir de modo adequado. Por
exemplo, os sujeitos devem prestar atenção em instruções e fazer os testes da maneira descrita pelo pesquisador.

Um dos princípios éticos da “beneficência” se refere à ideia de que as atividades de pesquisa devem ser beneficentes (trazer
benefícios) para os indivíduos e a sociedade. Se o engano prejudica indivíduos ou a sociedade, pode-se questionar a
beneficência da pesquisa. O princípio ético do “respeito pelos indivíduos” é que: as pessoas devem ser tratadas como pessoas,
e não como “objetos” de estudo, por exemplo. Esse princípio sugere que as pessoas têm o direito de fazer seus próprios juízos
sobre os procedimentos e propósitos da pesquisa de que estão participando (Fisher e Fryberg, 1994). As “obrigações fiduciárias
dos psicólogos” referem-se às responsabilidades de indivíduos aos quais se confiaram outras pessoas, mesmo que apenas
temporariamente. No caso da pesquisa psicológica, considera-se que o pesquisador tem responsabilidade pelo bem-estar dos
participantes durante o estudo e pelas consequências da sua participação.
Dicas para obter o Consentimento Livre e Esclarecido

O consentimento informado adequado deve indicar claramente o propósito da pergunta de pesquisa, a identidade e vínculo
institucional do pesquisador e os procedimentos que serão seguidos durante a experiência da pesquisa. Depois que os
participantes leram o formulário de consentimento e suas perguntas foram respondidas, o formulário deve ser assinado e datado
pelo pesquisador e pelo participante.

 Evite usar jargão científico ou termos técnicos; o documento do consentimento informado deve ser escrito em uma
linguagem que seja claramente compreensível para o participante.
 Descreva a experiência geral que o sujeito encontrará, de um modo que identifique a natureza da experiência (p. ex., como
ela é experimental), bem como os danos, desconfortos, inconveniências e riscos razoavelmente previsíveis.
 Descreva os benefícios para os sujeitos por sua participação. Se os benefícios são apenas favorecer a sociedade ou a
ciência de um modo geral, isso deve ser informado.
 Deve-se dizer aos participantes como as informações pessoais identificáveis serão mantidas confidenciais.
 Se houver a possibilidade de danos relacionados à pesquisa além do risco mínimo, deve-se dar uma explicação sobre
compensações e tratamentos voluntários (e quais medidas serão adotadas para minimizar esses riscos).
 Deve-se identificar uma “pessoa de contato” que tenha conhecimento sobre a pesquisa, para que os participantes que
tenham dúvidas após a pesquisa possam esclarecê-las. Podem surgir questões em qualquer uma das três áreas seguintes, e
essas áreas devem ser explicitamente identificadas e abordadas no processo e documentos de consentimento: a experiência
de pesquisa, os direitos dos participantes e danos relacionados à pesquisa.
 Deve-se incluir uma declaração de participação voluntária, que enfatize o direito do participante de retirar-se da pesquisa a
qualquer momento sem nenhuma penalidade.

O engano na pesquisa psicológica

 O engano ocorre na pesquisa psicológica quando os pesquisadores omitem informações ou informam os participantes
incorretamente de maneira intencional sobre a pesquisa. Por sua natureza, o engano viola o princípio ético do consentimento
informado.
 O engano é considerado uma estratégia de pesquisa necessária em certos estudos psicológicos.
 Enganar indivíduos para fazê-los participar da pesquisa sempre é eticamente incorreto.
 Os pesquisadores devem ponderar cuidadosamente os custos do engano com os benefícios potenciais da pesquisa ao
considerarem o uso de engano.

O engano pode ocorrer por omissão, ocultação de informações, ou comissão, informar os participantes incorretamente e de
forma intencional a respeito de um aspecto da pesquisa. Certas pessoas argumentam que os sujeitos de pesquisa nunca devem
ser enganados, pois a prática ética exige que a relação entre o pesquisador e o participante seja aberta e honesta (p. ex.,
Baumrind, 1995).

Um dos objetivos da pesquisa é observar o comportamento típico dos indivíduos. Um pressuposto básico para o uso de engano
é que, às vezes, é necessário ocultar a verdadeira natureza de um estudo ou experimento para que os participantes ajam como
agiriam normalmente, ou ajam de acordo com as instruções fornecidas pelo pesquisador. Todavia, podem surgir problemas com
o uso frequente e casual de engano (Kelman, 1967). Se as pessoas acreditarem que os pesquisadores enganam os participantes
com frequência, elas podem esperar que sejam enganadas quando participarem de um experimento psicológico. As suspeitas
dos participantes quanto à pesquisa podem impedir que ajam normalmente.

Os argumentos éticos têm enfocado em se práticas de pesquisa enganosas se justificam com base em seu benefício potencial
para a sociedade ou se violam princípios éticos de beneficência, respeito pelos indivíduos e obrigações fiduciárias de psicólogos
com participantes de pesquisa.

Alguns autores consideram que os custos do uso de engano para os participantes, para a profissão e para a sociedade são
grandes demais para justificar o seu uso continuado.

O engano tem um custo para os participantes, pois sabota a sua confiança em seu próprio juízo e em um “fiduciário” (alguém
que guarda algo para outra pessoa com base na confiança). Quando os sujeitos da pesquisa descobrem que foram enganados,
Baumrind acredita que isso possa levá-los a questionar o que aprenderam sobre si mesmos e levá-los a desconfiar de pessoas (p.
ex., cientistas comportamentais) que antes acreditavam que lhes dariam informações e orientações verdadeiras.
Existe um custo para a sociedade porque os participantes (e a sociedade mais ampla) logo entendem que os psicólogos são
“cheios de truques” e não se deve confiar em suas instruções sobre a participação em pesquisas. Se os participantes tendem a
suspeitar que os psicólogos estão mentindo, pode-se questionar se o engano funcionará conforme pretendia o pesquisador,
uma questão levantada anteriormente por Kelman (1972). Baumrind também argumenta que o uso de engano revela que os
psicólogos estão dispostos a mentir, o que aparentemente contradiz a sua suposta dedicação à busca da verdade, prejudicando
a profissão.

Finalmente, existe um prejuízo à sociedade, pois o engano sabota a confiança das pessoas em especialistas e as torna
desconfiadas, de um modo geral, de qualquer situação inventada.

Aqueles que defendem o engano citam estudos que mostram que os sujeitos geralmente não parecem reagir negativamente
quando são enganados. Embora a “desconfiança” das pessoas em relação à pesquisa psicológica possa aumentar, os efeitos
gerais parecem ser pequenos. Ninguém na comunidade científica sugere que as práticas enganosas devam ser tratadas
superficialmente; todavia, para muitos cientistas, o uso do engano é menos nocivo (para usar o termo de Kelman) do que não ter
o conhecimento obtido com tais estudos.

Debriefing

Kelman (1972) sugere que, antes de usar engano, o pesquisador considere seriamente (1) a importância do estudo para o
nosso conhecimento científico, (2) a disponibilidade de métodos alternativos sem engano, e (3) a “nocividade” do
engano.

 Os pesquisadores têm a obrigação ética de procurar maneiras de beneficiar os participantes, mesmo após a conclusão
da pesquisa.
 Uma das melhores maneiras de cumprir esse objetivo é proporcionando uma sessão detalhada de debriefing aos
participantes.
 O debriefing beneficia os participantes e os pesquisadores.
 Os pesquisadores têm a obrigação ética de explicar o uso de engano aos participantes assim que possível.
 O debriefing informa os participantes sobre a natureza da pesquisa e seu papel no estudo e o os instrui sobre o processo de
pesquisa. O objetivo geral do debriefing é fazer os indivíduos se sentirem bem por sua participação.
 O debriefing permite que os pesquisadores aprendam como os participantes enxergam os procedimentos, permite insights
sobre a natureza dos resultados da pesquisa, e proporciona ideias para pesquisas futuras.

O debriefing com os participantes ao final de uma sessão de pesquisa beneficia os participantes e o pesquisador (Blanck et al.,
1992). Quando se usa engano na pesquisa, o debriefing é necessário para explicar aos participantes a necessidade de engano,
para abordar possíveis concepções errôneas que os participantes possam ter sobre sua participação e para anular quaisquer
efeitos nocivos resultantes do engano. O debriefing também tem os importantes objetivos de instruir os participantes sobre a
pesquisa (sua fundamentação, método, resultados) e de deixá-los com sentimentos positivos sobre a sua participação.

Os pesquisadores devem proporcionar oportunidades para os participantes aprenderem mais sobre a sua contribuição específica
para o projeto de pesquisa e se sentirem envolvidos em um nível mais pessoal no processo científico. Após o debriefing, os
participantes do experimento de Kassin e Kiechel (1996) sobre confissões falsas relataram que consideraram o estudo
significativo e acreditavam que a sua contribuição para a pesquisa havia sido valiosa. O debriefing proporciona uma
oportunidade para os participantes aprenderem mais sobre seu desempenho específico no estudo e sobre a pesquisa em geral.
O debriefing também ajuda os pesquisadores a saberem como os participantes enxergam os procedimentos do estudo, insights
sobre os resultados encontrados e ideias para estudos futuros.

Debriefing na internet

O fato de que os sujeitos virtuais podem se retirar facilmente do estudo a qualquer momento é particularmente problemático
nesse sentido. Uma sugestão é programar o experimento de maneira tal que uma página de debriefing seja apresentada
automaticamente se um participante fechar a janela prematuramente (Nosek et al., 2002). Quando um estudo chega ao final, os
pesquisadores podem enviar um relatório por e-mail aos participantes resumindo os resultados do estudo, para que possam
entender melhor como os objetivos estavam relacionados com o resultado experimental. Depois de um estudo pela internet, o
pesquisador pode disponibilizar material de debriefing em um website e inclusive atualizar esses materiais à medida que chegam
novos resultados (ver Kraut et al., 2004).

Pesquisas com animais

 Os animais são usados na pesquisa para se obter conhecimento que beneficie os humanos, por exemplo, para ajudar a curar
doenças.
 Os pesquisadores têm a obrigação ética de adquirir, cuidar, usar e dispor de animais em obediência a leis e normas federais,
estaduais e municipais, e com padrões profissionais.
 O uso de animais na pesquisa envolve questões complexas e é tema de muito debate.
 A pesquisa com sujeitos animais é justificada com ainda mais frequência pela necessidade de se adquirir conhecimento sem
colocar os humanos em perigo. A maioria das drogas, vacinas ou terapias são desenvolvidas por experimentação com
modelos animais.
 Animais somente podem ser submetidos a dor ou desconforto quando não houver procedimentos alternativos e quando os
objetivos científicos, educacionais ou aplicados justificarem os procedimentos.
 Até que se encontrem alternativas permanentes à pesquisa com animais, a necessidade de fazer pesquisa usando animais
como sujeitos para combater doenças e o sofrimento de seres humanos deve ser ponderada com a necessidade de proteger
o bem-estar dos animais na pesquisa laboratorial.