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Conceitos básicos de linguística

Discurso: todo ato linguístico de fala ou escrita que estabelece comunicaçã o entre dois ou mais
interlocutores.

Campo semântico: é todo conjunto formado por palavras ou expressõ es que, em funçã o do contexto, tem
em comum o mesmo significado geral. Ex.: morrer = falecer, findar, encontrar Deus, ir para o céu.

Campo lexical: é todo conjunto de palavras relacionadas a uma determinada á rea do conhecimento. Ex.:
banana, carne, macarrã o, verdura (alimentos); hardware, software, memó ria RAM, bits (informática).

Léxico: é o conjunto de todas as palavras e expressõ es pertencentes a um idioma ou á rea do conhecimento.

Vocabulário (repertório lexical/linguístico): é o conjunto de palavras e expressõ es que o falante


seleciona do léxico para se comunicar oralmente ou por escrito num determinado momento.

SEMÂNTICA: antonímia, sinonímia, polissemia, paronímia, homonímia, hiperonímia e hiponímia.

Hiperonímia: esta palavra confere-nos uma ideia de um todo, sendo que deste todo se originam outras
ramificaçõ es (fruta  é uma palavra hiperô nima de banana, maçã e uva).

Hiponímia: representa cada parte, cada item de um todo, no caso: maçã, banana e uva sã o palavras
hipô nimas de fruta.

Homônimos: vocá bulos com algo em comum: mesma grafia ou mesma pronú ncia.
 Homô nimos perfeitos: grafia + som igual, mas significado diferente - verã o (estaçã o do ano) e verã o
(verbo ver).
 Homó grafos: mesma grafia, mas som diferente - acerto (correçã o) e acerto (verbo acertar).
 Homó fonos: mesmo som, mas grafia diferente - sem (preposiçã o) e cem (numeral).

Parônimos: vocá bulos diferentes que apresentam grafia e pronú ncia semelhantes. Ex.: infligir (aplicar
pena, multa ou castigo) e infringir (violar, desobedecer, transgredir).

Expressão idiomática: toda expressã o formada por um grupo de palavras com estrutura fixa e sentido
ú nico.

Ex.: Dar com os burros n’água, Comer com os olhos.

Paráfrase: todo enunciado que estabelece com outro enunciado uma equivalência geral de sentido.

Polissemia: conjunto de diferentes significados que uma palavra pode apresentar.

Ambiguidade: quando é possível atribuir a um enunciado mais de uma forma de interpretaçã o.

Linguagem: refere-se ao processo de interaçã o entre duas ou mais pessoas visando à comunicaçã o, no qual
usamos mecanismos (símbolos para conduzir uma mensagem) para transmitir nossas ideias, sentimentos e
informaçõ es. Existem dois tipos de linguagem: linguagem verbal, recorrendo a palavras como forma de
comunicaçã o, e linguagem nã o verbal, utilizando outros meios comunicativos, como gestos, sons, imagens…

Linguagem verbal:
 Palavras escritas
 Palavras faladas

Linguagem não verbal:


 Gestos
 Expressõ es faciais
 Sinais
 Sons
 Cores
 Imagens
 Desenhos

Língua: é uma forma de linguagem (verbal). A língua é baseada em palavras, ou seja, em uma comunidade,
um determinado grupo de indivíduos usa a linguagem verbal. Como exemplo, duas falas estrangeiras sã o
línguas diferentes.

Nota: A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é uma língua com estrutura gramatical pró pria e nã o uma
linguagem, sendo reconhecida, também, como língua oficial de sinais do Brasil desde 2002.

Fala: é a forma como cada indivíduo se comunica oralmente, que possui uma organizaçã o pró pria de
pensamentos, ideias, opiniõ es A fala segue as regras gramaticais da língua, mas deixa margem para a
criatividade e diferenciaçã o na comunicaçã o em funçã o de quem fala. É influenciada pelo contexto,
vivências, personalidade e conhecimentos linguísticos do falante, apresentando diversos níveis, desde o
mais informal ou coloquial, até o mais formal ou culto.

Níveis da fala:
 Nível formal ou culto
 Nível informal, coloquial ou popular
 Nível regional
 Nível vulgar
 Nível técnico ou profissional
 Nível literá rio ou artístico

A oralidade diz respeito à propriedade da língua de verbalidade. Através de um processo psíquico


associam-se conceitos a imagens acú sticas e em uma combinaçã o de processos fisioló gicos (com a fonaçã o)
e físicos (com a propagaçã o sonora) consegue-se a comunicaçã o. Por exemplo, quando uma moça vê algo
que lhe chamou a atençã o e deseja comunicar ao seu acompanhante, o estímulo visual, associado a um
conceito, é transformado em uma imagem acú stica, que utilizando os ó rgã os da fala, produz um som, que
chega aos ouvidos do acompanhante que, por sua vez, associa os estímulos auditivos, decodificando-os.

Gramaticalidade é a característica da língua que possibilita um falante compreender o outro que


compartilhe das mesmas correlaçõ es entre significados e seqü ências de sons. A construçã o de uma
sentença compreensível por outros é a demonstraçã o desta característica. Ocorre a agramaticalidade
quando nã o sã o respeitadas características essenciais que possibilitam a comunicaçã o, por exemplo, nã o
obediência de ordem obrigató ria entre os elementos ou omissã o de elementos indispensá veis.

Arbitrariedade diz respeito à relaçã o nã o obrigató ria (convencional) e casual entre um conceito e o termo
que o designa. Em outras palavras, a escolha do significante para o significado é completamente aleató ria;
poderíamos utilizar qualquer outro nome para designar o que conhecemos hoje como tecla, por exemplo. O
inglês, para este mesmo conceito utiliza o termo key. Entretanto, reconhecem-se certos graus de motivaçã o
para a nomeaçã o, haja vista a relaçã o existente entre tecla/teclado e key/keyboard.

A dicotomia saussuriana de língua e fala está relacionada à oposiçã o social e individual. A língua é um
fenô meno social, adquirido e resultante de uma convençã o, sem sua apropriaçã o nã o é possível a
compreender o outro, mas nenhum indivíduo é detentor da língua, ela somente existe e é completa no todo.
A língua é um sistema finito de signos utilizados para a comunicaçã o. Já na qualidade do indivíduo há a fala
que está diretamente relacionado ao uso das capacidades lingü ísticas. Tem-se, por exemplo, a língua
portuguesa como uma convençã o social, e há o falante, o indivíduo que se utiliza da língua, para construir
frases e se comunicar.

Para Saussure, enquanto o significado (conceito) está no plano das idéias, o significante está no plano
concreto. Existe, por exemplo, o significante tecla e existe a idéia, o conceito, o significado que temos de
tecla (uma peça de equipamento que podemos acionar com o dedo).

Gramática internalizada é capacidade que um indivíduo falante possui de reconhecer, sem que ninguém
tenha lhe instruído formalmente, sentenças e expressõ es orais como da sua língua. Esta capacidade envolve
habilidades léxicas e sintá tico-semâ nticas.

Recursividade é a capacidade de utilizar regras da língua repetidas vezes para construçã o de sentenças,
tornando o tamanho destas ilimitadas teoricamente, mas limitadas na prá tica por outras questõ es nã o
associados à língua em si.

Faculdade da linguagem é um aspecto garantido por condiçõ es neuro-genético-bioló gicas que


possibilitaria ao ser humano sua capacidade de fala.

Competência linguística é capacidade de o falante identificar a gramaticidade ou nã o de uma sentença


formulada em sua língua. 

A gramática universal é um conceito que tenta encontrar uma uniformidade na característica gramatical
da língua humana que estaria diretamente relacionada aos tipos gramaticais compreendidos pelo homem.
Existiriam princípios e parâmetros. Os princípios seriam regras gerais necessá rias para uma sentença em
uma língua qualquer ser considerada gramatical. Por exemplo, seria um princípio a existência de um sujeito
(do alguém que faz a açã o), já os parâ metros seriam características variá veis deste sujeito que tem valores
diferentes a depender da língua, como a possibilidade ou nã o do sujeito estar oculto.

A língua no modelo gerativista é tida como uma capacidade inata do ser humano devido a fatores neuro-
genético-bioló gicos. Assim, a criança teria sua capacidade de aprender a língua devido à faculdade da
linguagem, seria capaz de reconhecer sentenças orais como gramaticais ou agramaticais a sua língua
através da competência lingü ística e só seria capaz de aprender uma língua que seguisse os princípios da
gramá tica universal. No entanto, os parâ metros postulados pela gramá tica universal conceberiam uma
língua com possibilidades heterogêneas. Os parâ metros, principalmente pelo fato de nã o serem inatos,
seriam capazes de acolher as peculiaridades sociais, as diferenças entre faixa etá ria, sexo, religiã o, etc.

A abordagem normativa da língua, adotada nas gramá ticas pedagó gicas e nos livros didá ticos, apresenta
um conjunto de regras que devem ser seguidas para a obtençã o de uma fala e escrita correta. Já na
abordagem descritiva, a preocupaçã o é com o efetivo uso, com as regras que sã o seguidas pelos falantes,
havendo a preocupaçã o com a descriçã o e/ou a explicaçã o do que efetivamente acontece e nã o do que
deveria acontecer. Assim, enquanto a abordagem normativa se preocupa com o que deve ser seguido,
prescrevendo o que deve ocorrer, a abordagem descritiva, que orienta o trabalho dos linguistas, descreve o
que de fato é seguido.