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Estética 23.04.

2019 – 2º bimestre

O TEATRO EUROPEU DEPOIS DE 1945: Ruínas beckettianas

PANORAMA DO BECKETT

Ele radicaliza o drama moderno.

Nasceu na Irlanda, 1906, em Foxrock e morre em Paris, França, 1989.

Produziu ensaios, contos, romances, peças de rádio, peças teatrais, um filme (chamado “Film”)
e peças televisivas.

Obra mais conhecida: “Esperando Godot” (1952), ganhou um prêmio nobel (não foi receber),
“Peça”, “Fim de Partida”

Hamm: mais complicações! (...) Tomara que não se


desenrolem!

(Fim de partida, 1957, p. 139)

“A diferença em relação a Joyce é que Joyce era um magnífico manipulador de matéria, talvez
o mairo. Fazia com que as palavras rendessem ao máximo, não há sequer uma sílaba a mais. O
gênero de trabalho que faço não é um trabalho no qual não sou o senhor de minha matéria
(...).” Samuel Beckett

Ele trabalha na impotência, na construção do personagem, não nas virtudes e baseado no que
se sabe.

“Não creio que a impotência tenha sido explorada no passado.”

Os personagens são baseados no “não se pode”, na impotência, o que se pode dizer um corpo
interrompido. Que não tem o corpo livre e estar num vazio.

Na linha do tempo, ele começa com personagens com seu corpo inteiro, como em Esperando
Godot, até ter personagens paralisados fisicamente que na cena só existem a cabeça.

ENSAIO DE ADORNO: SOBRE A PEÇA FIM DE PARTIDA

Beckett X existencialismo sartreano

O século é marcado pela ausência de sentido. Que se perdeu o “sentido” da vida ou do


indivíduo durante o século das guerras.

O filósofo Sartre diz sobre “o ser e o nada”, a sociedade não é responsável em resolver o
problema da ausência de sentido. Adorno: Sartre diz que, na ausência de sentido, cabe ao
homem entender sua situação e assumi-la. Beckett não dá consolo, não credita ao homem a
possibilidade de organizar um sentido pessoal em meio à ausência de sentido do todo.

Para Beckett, sem não há sentido, não há saída. Então, seus personagens não resolvem
problemas, e sim os vivem.
Pro Adorno Sartre diz a você que cada indivíduo tem de aprender a lidar com a situação da
ausência de sentido. E Beckett diz sobre apurar os problemas, entendê-los melhor, discutir e
expô-los antes de criar uma resolução na cena e no contexto de sua obra. Adorno, então se
identifica bastante com Beckett.

Notas sobre a experiência e o saber de experiência:

https://www.google.com/url?
sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&ved=2ahUKEwjJ9aKuo-
fhAhWqEbkGHQPlAPoQFjAAegQIBBAC&url=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Fpdf%2Frbedu
%2Fn19%2Fn19a02.pdf&usg=AOvVaw3Aw0RmtJ9mnhXn07OaK0vY

As personagens de Beckett comportam-se de maneira tão primitiva e behaviorista


(comportamentalista) em conformidade com as circunstâncias pós-catastróficas, e essa
catástrofe as mutilou tanto que elas não podem reagir de outra maneira; moscas em agonia,
após terem sido amassadas pelo mata-moscas.

Sua história é como engrenagem independente dos homens. A ilusão que o homem quer ser o
centro das coisas, mas que na verdade não é.

Adorno é pós-iluminista.

DELEUZE LENDO (VENDO) BECKETT

Pós-estruturalista (sem estruturar o pensamento. Apenas saindo do pensamento indo a algum


lugar). Não está preocupado com os moldes do drama moderno.

O esgotado X O cansado

O esgotado é muito mais do que o cansado. “Não é apenas cansaço, não estou mais apenas
cansado, apesar da subida”.

O cansado apenas esgotou a realização, enquanto o esgotado esgotou todo possível. O


cansado não pode mais realizar, mas o que esgotado não pode mais possibilitar.

Apenas o esgotado pode esgotar o possível (as possibilidades), uma vez que ele renunciou a
toda a necessidade, preferência, finalidade ou significação. Só o esgotado é suficientemente
desinteressado.

Ele está certamente forçado a substituir os projetos por tabelas e programas destituídos de
sentido. (criando jogo sem sentido, assim espezinhar)

A grande contribuição de Beckett à lógica, para Deleuze, é a de mostrar que o esgotamento (a


exaustividade) não funciona sem um certo esgotamento fisiológico. (seus personagens falam a
partir de suas deficiências físicas ou a ausência dela. Ele morre quando se esgota, no caso de
uma forma de imagem, ele se senta).

BECKETT É UM EXPERT EM JOGOS EXAUSTIVOS


“Deitar-se nunca é o fim,

a última palavra, é a penúltima.”

O personagem sentado é o testemunho em torno do qual o outro gira, a desenvolver todos os


graus de seu cansaço. Pode-se concluir que sentar, é a paralisia, a morte.

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