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VILA NOVA, Sebastião.

Introdução à Sociologia: Sociologia: Uma ciência da


sociedade; Indivíduo, cultura e sociedade. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p.2566.

Lucas Stevens de Almeida

Sebastião Vila Nova, alagoano, graduou-se pelo Instituto de Filosofia e


Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fez seu curso
de Mestrado em Economia e Sociologia também na UFPE, concluindo também em

1989 seu curso Avançado de Língua Inglesa em Washington – EUA.

Publicou várias obras, sendo a de maior destaque a que tratará esse resenha
do seus dois primeiros capítulos. A obra “Introdução à Sociologia” foi publicada em
1981, posteriormente lançada em várias edições.

O autor inicia a obra se referindo à Sociologia e Sociologia do senso comum,


dizendo que por mais fortes que sejam os laços existentes entre e a sociologia
cientifica e a sociologia do senso comum (comportamento humano em sociedade),
não se equivalem entre si. Segundo ele, as explicações que o senso comum dá a
respeito do comportamento humano na maioria das vezes são pressupostos falsos
de acordo com “teorias” baseadas no próprio conhecimento socialpopular.

Sebastião diz que é dizer muito pouco ou quase nada, quando se diz
(limitandose) que a Sociologia é por exemplo “o estúdio cientifico da sociedade
humana”, para o autor, pressupõese que se saiba o que é sociedade. Ele diz que a
definição da Sociologia seria mais adequado que se formularseá no final dos
manuais. Destacase nesta fase inicial da obra um ponto dizendo que os fenômenos
sociais quanto a sua reflexão, não iniciouse com Augusto Comte, mas sim, partindo
de “teorias sociológicas”, já tratavam os filósofos dessas teorias. A Sociologia se
ocupa das regularidades que tem origem nas relações sociais, sem derivar do
organismo ou do psiquismo humano. A teoria sociológica é uma tentativa de
simplificação do conhecimento da sociedade.

Segundo o autor, para que se compreenda uma sociedade em profundidade,


demandase da conjugação de outras Ciências Sociais, como a Antropologia,
Psicologia Social, Economia, etc, que são interdependentes nas suas interpretações.
A Sociologia desde a sua origem recorreu à pesquisa histórica a fim de
melhores interpretações, e o autor faz questão de citar algumas obras que são de
análise sociológica e interpretação histórica como: “A ética protestante e o espirito
do capitalismo” (Max Weber) e a obra “Casa grande & senzala” (Gilberto Freyre).
Melhor dizendo, o autor referese à História com disciplina subsidiária da Sociologia e
enquanto o historiador estuda o singular da sociedade, o sociólogo estuda o geral e,
o adequado, passível de ser generalizado.

No que se refere a Economia, Sebastião diz que a Sociologia estuda os


processos econômicos não de maneira singular, mas sim, nas condições sociais que
eles acontecem. A Economia surgiu no mesmo contexto social que surgiu a
Sociologia, está de intrinsecamente ligada à ascensão da burguesia da época, o
capitalismo industrial, e o processo de urbanização das cidades. Mais precisamente,
se refere o autor à Revolução Industrial, onde o êxodo rural fez com que a sociedade
“de maneira genérica” se tornasse um pouco mais complexa, e dali em relação aos
burgueses se tinha uma noção de “classes sociais”

No campo da Antropologia Cultural ou Etnologia, o autor diz que hoje, a


Antropologia Cultural ou Etnologia não se limita mais ao estudo das formas tribais de
organização social (relembra o autor o encontro do homem europeu quando através
de travessias transoceânicas descobriu os povos ágrafos, e a partir dali passassem
a ser objetos de estudo especializado da Antropologia Cultural – Física). Em outras
palavras, se a universalidade é condição necessária à Ciência, se há de existir uma
Ciência da sociedade, não há como justificar a existência de uma ciência social
voltada para as sociedades simples, Antropologia Cultural e a Sociologia,
especializada no estudo das sociedades complexas.

A Psicologia Social difere da Sociologia e da Antropologia Cultural ou


Etnologia, menos pelo modo de abordagem dos fenômenos sociais. A Sociologia
tem se ocupado com as condições psicológicas da vida social.

A Ciência Política, pelos seus esquemas teóricos, ou técnicas de pesquisa


que usa, é mais uma Sociologia especial do que uma ciência social autônoma.

Os que não estão familiarizados com a Sociologia, imaginam que essa ciência
tem por objetivo a solução dos problemas sociais. O autor evita a generalização
temporal deste conceito, uma vez que, a Sociologia nasceu para a tentativa de
solução racional, cientifica de acordo com o que pretendia Augusto Comte com base
nos problemas sociais resultantes da Revolução Industrial e a decomposição da
ordem social aristocrática na França no começo do século XIX, e expõe o autor que
ciência sociológica tem como objetivo último explicar acontecimentos observáveis,
como eles ocorrem e sobretudo, quais suas respectivas causas.

Prosseguindo no textos, o autor dispõe sobre teorias sociológicas e doutrinas


sociais, enfatizando no que se refere à teorias sociológicas, que, uma teoria
cientifica é a explicação de algum (uns) fenômeno (s) sob a observação direita ou
indireta dos fatos que a confirmam. Quanto as doutrinas, essas não se baseiam na
observação dos fatos, mas em ideias sobre como a realidade presumese que é, ou
principalmente, como a realidade dever.

A obra trata em certo capitulo de Sociologia radical e Sociologia


conservadora, onde a primeira, supostamente seria comprometida com os interesses
das categorias subalternas da sociedade capitalista. A Sociologia conservadora, não
passaria de um mero instrumente de defesa dos interesses da classe burguesa,
tutelada sob o rótulo de “ciência”.

O presente livro estudado, instiga a análise do comportamento social e


sociedade humana e sociedades animais nãohumanas. Parte da explicação de que
em sociedades não humanas, semelhantemente com as sociedades humanas, há
de se observar que elas tem padrões de comportamento, em comum, mas são
substancialmente diferente dos verificáveis entre os homens. O autor diz que se
observar os padrões de comportamento das formigas e as abelhas admitirseá que
ambas tem na sua natureza um certo padrão de comportamento, que inclusive é
universal. Porém, se, se estudarmos o comportamento humano, chegaremos a
constatação de que ele é mutável no tempo e no espaço.

Socialização e comunicação simbólica tem espaço no capitulo dois para dizer


que, a socialização é o transporte e absorvição de padrões de comportamento
valores e crenças e normas, assim como o desenvolvimento de atitudes e
sentimentos no meio social pela comunicação simbólica. A comunicação simbólica,
expressa o autor que é algo cujo o seu valor é atribuído à pessoa que a usa. O
símbolo não se limita a palavra, porém não pode se omitir que a palavra é o mais
importante instrumento de socialização. Para o autor, a socialização é mais intensa
na infância e adolescência, tendo o indivíduo que adaptarse de acordo com que
muda o seu ambiente social, e é com a socialização que o indivíduo desenvolve a
sua personalidade.

A socialização primária segundo o autor é a que dá ao indivíduos os padrões


básicos de comportamento para uma vida normal em sociedade. Já a socialização
secundário se refere à aprendizagem do indivíduo para determinadas situações
sociais, como por exemplo, na admissão em um emprego.

No que tange à cultura, o autor diz que podese explicar como grande soma de
conhecimento ou quando ocorre uma realização humana, como a arte, a ciência, a
filosofia. No campo sociológico, cultura se explica como resultado da ação humana,
ou, todas as elaborações resultantes das “capacidades adquiridas pelo homem
como integrante da sociedade. Em outro ponto o autor é claro ao dizer que: “a
cultura não decorre de herança da biológica do homem, mas de capacidade por ele
desenvolvidas através do convívio social”. A cultura material é feita dos artefatos e
objetos em geral, enquanto a cultura não material é caracterizada pelo domínio das
ideias: a ética, as crenças, os conhecimentos, as técnicas, as normas etc.

Para a Sociologia não existem culturas superiores, existem culturas


diferentes. À ciência compete constatar como as coisas são e explicar como e por
que elas ocorrem. Quando uma pessoa julga a sua cultura superior à outra, há de se
dizer em etnocentrismo. Uma cultura possui a sua própria lógica, e por isso não
pode ser compreendida a partir desta. Em relação a necessidade humana, a cultura
visa a satisfação das necessidades humanas. Quando um homem é impulsionado
pela vontade – necessidade de alimento, fará seu instrumento de caça; quando um
homem faz um casaco de pele de animal, é impelido pela necessidade de se
proteger do frio. A cultura tem caráter normativa. O homem não se preocupa não
somente com a satisfação das suas necessidades especiais, mas agirá de acordo
com a “cultura vigente no seu meio social”.

Por fim, o autor no seu postulado acerca da Sociologia, peremptoriamente


consegue nortear o estudante, partindo do conceito basilar do nascimento da
Sociologia até os tempos atuais, para a compreensão do caminho que se seguiu até
aqui essa ciência social.