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FICHA TÉCNICA

Título: Curso Preparatório AVEO 7ª Edição. BIOLOGIA

Autor: Edevaldo Ramiro

Colaboradores

 Valdemar Mateus
 Rosalina Soares Silva
 António Bento

Revisão: Edevaldo Ramiro, Valdemar Mateus, Osvaldo Lourenço

Design Gráfico: Osvaldo Lourenço

Impressão e acabamentos:

PoloPrinter, São Paulo, Brasil


Curso Preparatório AVEO. 7ª Edição
(2012 – 2013)

Edevaldo Ramiro
Médico Pela Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho
Nelo

Colaboradores

Valdemar Mateus

António Bento
Índice

UNIDADE I. BIOLOGIA GERAL……………….. ........................................................................7


1. A biologa como ciência .......................................................................................................... 7
2. os seres vivos e suas características ...................................................................................... 8
3. os níveis de organização da matéria viva ............................................................................ 16
4. teorias sobre a origem da vida ............................................................................................ 19
5. a origem das espécies - causa da diversidade das espécies ................................................ 24
6. a classificação dos seres vivos ............................................................................................. 27

UNIDADE II: A CITOLOGIA .............................................................................................. 31


1. Desenvolvimento da citologia como ciência ....................................................................... 31
2. Noção e objecto de estudo da citologia .............................................................................. 33
3. Método de estudo da célula................................................................................................ 33
4. Bioquímica celular ............................................................................................................... 35
5. Metabolismo celular ............................................................................................................ 49
6. Estudo da célula eucariota .................................................................................................. 51
 Membrana celular ........................................................................................................ 51
 Citoplasma e organelas ................................................................................................ 59
 Núcleo celular .............................................................................................................. 62
7. O ciclo celular e a divisão celular ................................................................................... 66
 Interfase ....................................................................................................................... 66
 Mitose .......................................................................................................................... 67
 Meiose ......................................................................................................................... 70

UNIDADE III – OS VÍRUS................................................................................................. 76


1. Origem dos vírus .................................................................................................................. 76
2. Vírus, matéria bruta ou matéria viva? ................................................................................. 77
3. Ciclo viral ............................................................................................................................. 78

UNIDADE IV – ESTUDO DAS BACTÉRIAS E PROTOZOÁRIOS ............................................ 80


1. Estrutura das bactérias ........................................................................................................ 80
2. Respiração das bactérias ..................................................................................................... 81
3. Nutrição das bactérias ......................................................................................................... 81
4. Reprodução das bactérias ................................................................................................... 82
5. Doenças causadas por bactérias.......................................................................................... 82
UNIDADE V – A GENÉTICA ............................................................................................. 84
1. Genética molecular ............................................................................................................. 84
2. Conceitos gerais em genética .............................................................................................. 87
3. Genética mendeliana........................................................................................................... 89
4. Leis de mendel ..................................................................................................................... 89
5. Herança dominante ............................................................................................................. 91
6. Herança intermédia ou dominância incompleta ................................................................. 92
7. Herança co-dominante ........................................................................................................ 93
8. Alelos múltiplos ou polialelia:.............................................................................................. 93
9. Factor rh e incompatibilidade materna-fetal ...................................................................... 95
10. Epistasia ............................................................................................................................... 96
11. Poligenia .............................................................................................................................. 96
12. Pleiotropia ........................................................................................................................... 96
13. Herança ligada ao sexo ........................................................................................................ 96
14. Herança mitocondrial .......................................................................................................... 97
15. Distúrbios genéticos: mutações .......................................................................................... 97

UNIDADE VI – HISTOLOGIA ........................................................................................... 99


1. Os tecidos animais..................................................................................................100
 Tecido Epitelial ........................................................................................................... 101
 Tecido Conjuntivo ...................................................................................................... 102
 Tecido Muscular......................................................................................................... 104
 Tecido Nervoso. ......................................................................................................... 105
2. Histologia Vegetal ............................................................................................................. 107
 TECIDOS MERISTEMÁTICOS OU EMBRIONÁRIOS ...................................................... 107
 TECIDOS DEFINITIVOS ................................................................................................ 108
Tecidos de revestimento....................................................................................... 108
Tecidos de preenchimento ................................................................................... 109
Tecidos de sustentação ......................................................................................... 109
Tecidos condutores ............................................................................................... 110

UNIDADE VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS (BOTÂNICA) .................................................. 111


1. Estrutura macro e microscópica das raízes ....................................................................... 111
2. Estrutura do caule ............................................................................................................. 114
3. Estrutura da folha .............................................................................................................. 117
4. Absorção de água e solutos............................................................................................... 118
5. Transportes das seivas ...................................................................................................... 119
6. Transpiração ...................................................................................................................... 119
7. Ciclo de vida dos principais grupos de plantas .................................................................. 120
 Plantas avasculares – briófitas ................................................................................... 120
 Plantas vasculares sem sementes – pteridófitas ....................................................... 121
 Plantas vasculares com sementes nuas - gimnospermicas ....................................... 123
 Plantas vasculares com sementes protegidas angiospermicas. ................................ 124

UNIDADE VIII – ESTUDOS DOS ANIMAIS (ZOOLOGIA) .................................................. 128


1. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DOS METAZOÁRIOS .......................................................... 128
 Filo porifera ou spongiaria (poríferos ou espongiários) ............................................ 130
 Filo celenterata ou cnidaria (celenterados ou cnidários) .......................................... 131
 Filo platyhelminthes (platelmintes) ........................................................................... 132
 Filo asquelminthes ou nemathelminthes .................................................................. 133
 Filo mollusca (moluscos) ............................................................................................ 134
 Filo annelida (anelídeos) ............................................................................................ 136
 Filo arthropoda (artrópodes) ..................................................................................... 137
 Filo echinodermata (equinodermes) ......................................................................... 139
 Filo chordata (cordados) ............................................................................................ 140

UNIDADE IX - ECOLOGIA .............................................................................................. 142


1. Introdução ......................................................................................................................... 142
2. Níveis de organização em ecologia.................................................................................... 142
3. Conceitos básicos em ecologia .......................................................................................... 143
4. Cadeia alimentar ................................................................................................................ 144
5. Relações ecológicas ........................................................................................................... 146
6. Acção do homem sobre o ambiente: poluição .................................................................. 148

UNIDADE X – INTRODUÇÃO A ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS ........................... 150


1. Aparelho locomotor........................................................................................................... 150
2. Aparelho digestivo ............................................................................................................. 154
3. Sistema cardiovascular ...................................................................................................... 155
4. Sistema respiratório .......................................................................................................... 158
5. Sistema urinário ................................................................................................................. 160
6. Aparelhos reprodutores .................................................................................................... 163
 Aparelho reprodutor feminino .................................................................................. 163
 Aparelho reprodutor masculino ................................................................................ 164
7. Sistema nervoso ................................................................................................................ 165
8. Sistema endócrino ............................................................................................................. 167
Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Unidade I. Biologia Geral


A biologia e os seres vivos

A BIOLOGA COMO CIÊNCIA

A palavra biologia deriva do grego (bios = vida, e logos = tratado). Foi introduzido pela
primeira vez na Alemanha em 1800 e popularizado no mundo da ciência pelo naturalista
francês Jean Baptiste Lamarck. 1,2

Como ciência, estuda os seres vivos, sua relação com o meio e os princípios que regem seu
desenvolvimento. Ela compreende muitos princípios e leis, mas se baseia essencialmente na
observação e na descrição dos fenómenos intrínsecos à natureza dos chamados sistemas
organizados.1,2,3

Do ponto de vista prático, nas sociedades a Biologia aplica-se


fundamentalmente nos ramos da saúde e meio ambiente,
tendo-se despontado como uma das ciências que mais se
destacou no cenário tecnológico com as técnicas de
clonagem, transplantes, a criação dos transgénicos, a
decifração do código genético humano, etc.

A Biologia desponta como uma das ciências que mais


se destacou no cenário tecnológico com as técnicas de
clonagem, os transplantes de órgãos e tecidos, a
criação dos transgénicos, a decifração do código
genético humano, etc.

Para cumprir com seus objectivos a biologia é dividida


nos seguintes ramos: Citologia, histologia, anatomia, fisiologia,
embriologia, genética, evolução, sistemática, botânica, zoologia,
ecologia.

A vida é estudada à escala atómica e molecular pela biologia


molecular, pela bioquímica e pela genética molecular, no
Figura 1: Diversos ramos da biologia
que se refere à célula pela biologia celular e à
escala multicelular pela fisiologia, pela anatomia e pela histologia.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Ciência Estuda o/a (os/as)


Citologia Células

Histologia Tecidos
Anatomia Morfologia dos seres vivos
Fisiologia Funcionamento dos seres vivos
Embriologia Desenvolvimento desde a fecundação ate ao nascimento
Genética Transmissão das características hereditárias
Alterações nas características dos seres vivos ao longo do
Evolução
tempo bem como o surgimento de novas espécies.
Classifica, nomeia e agrupa os seres vivos de acordo as suas
Sistemática
relações filogenéticas.
Botânica Plantas
Zoologia Animais

OS SERES VIVOS E SUAS CARACTERÍSTICAS


No passado os seres vivos eram definidos como aqueles constituídos por células, nascem,
movimentam-se, têm reações aos estímulos físicos e químicos, crescem, desenvolvem-se,
reproduzem-se e morrem. Mais tarde viu-se que tais características não eram aplicáveis a
todos os seres vivos e que despertavam grandes debates linguísticos e filosóficos.

O conceito de ser vivo ainda é um motivo de discussão no mundo científico. Actualmente o


conceito mais abrangente e que deverá ser fixado pelo estudante do AVEO é o que diz que
“ser vivo é tudo que apresenta material genético, que seja capaz de reproduzir-se por algum
mecanismo e que responde a pressão evolutiva”.

Os seres vivos possuem características peculiares que não são encontradas na matéria bruta ou
inanimada, tais como: composição química complexa, organização celular, metabolismo,
reprodução, crescimento, homeostase, material genético, mutação e evolução e adaptação.

a) Composição química da matéria viva.

Os seres vivos são formados principalmente por átomos de Carbono, Hidrogénio, Oxigénio e
Nitrogénio (CHON), agrupados em compostos inorgânicos (água e sais minerais) e orgânicos
(aminoácidos e proteínas, nucleótidos e ácidos nucleicos, glícidos, lípidos e vitaminas).

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

A composição química aproximada da matéria viva é de 75 a 85% de água; 1% de sais


minerais; 1% de carboidratos; 2 a 3% de lípidos; 10 a 15% de proteínas e 1% de ácidos
nucléicos. [leia Bioquímica celular]

A B

Figura 2. (A) Algumas moléculas orgânicas da célula. (B) Distribuição de sais minerais glicose e aminoácidos

b) Organização estrutural

Com excepção dos vírus, todos os seres vivos são formados por células. Célula é a menor
parte com forma definida que constitui um ser vivo. As células são as unidades estruturais e
funcionais dos organismos vivos. As células, em geral, possuem tamanho tão pequeno que só
podem ser vistas por meio de microscópio. Dentro delas ocorrem inúmeros processo que são
fundamentais na manutenção da vida. [leia Citologia].

Segundo o padrão evolutivo, existem dois tipos de células: procariota e eucariota

CÉLULA PROCARIOTA. É o tipo mais simples quanto à organização. O que caracteriza


uma célula procariota é a ausência de um núcleo verdadeiro. Essas células possuem uma
estrutura dispersa no citoplasma denominada nucleóide, que não é envolvido por uma
membrana e constituído por único filamento da ADN. As únicas organelas presentes no
citoplasma desse tipo celular são os ribossomas, responsáveis pela síntese protéica.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Figura 3: Estrutura de uma bactéria

COMPONENTES FUNÇÃO

Parede celular Protege á bactéria contra danos mecânicos.

Flagelos Filamentos móveis que permitem a sua mobilidade

Membrana Celular Controla a entrada e saída de substâncias da célula

Contem enzimas para a sua respiração (aeróbia e


Citoplasma
anaeróbia).
Ribossomas Sintetizam proteínas
Nucleóide Região onde se localiza o cromossoma bacteriano

O citoplasma das células procariotas não apresenta organelas delimitadas por membrana. Em
algumas células procariotas, a membrana citoplasmática sofre uma invaginação que penetra
no citoplasma, formando o mesossoma. Acredita-se que o mesossoma.

A forma das células procariotas é mantida pela presença de uma parede externa em relação à
membrana citoplasmática, denominada parede celular. As células procariotas caracterizam os
representantes do Reino Monera.

CÉLULA EUCARIOTA: Apresenta um padrão de organização mais complexo em relação à


célula procariota. O que caracteriza uma célula eucariota é a presença de um núcleo
verdadeiro, isto é, o material genético é delimitado por uma membrana denominada

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

membrana ou envoltório nuclear. Esse tipo celular apresenta grande quantidade de


organelas delimitadas por membrana (organelas membranosas) e podem ser animal ou
vegetal.

Figura 4: Estrutura da célula eucariota animal

Figura 5: Estrutura da célula eucariota vegetal

O quadro abaixo estabelece a comparação estrutural das células eucariotas e procariotas

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Estruturas Procariotas Eucariotas


Envoltório nuclear Ausente Presente
DNA Sem combinação proteica Combinado com proteínas
Cromossomas Únicos Múltiplos
Nucléolos Ausentes Presentes
Divisão Fissão binária Mitose ou meiose
Ribossomas 70S* (50+30) 80S* (60+40)
Endomembranas Ausentes Presentes
Mitocôndrias Ausentes Presentes
Cloroplastos Ausentes Presentes nas células vegetais
Parede celular Não celulósica Celulósica nas células vegetais
Exocitose e endocitose Ausente Presente
Citoesqueleto Ausente Presente

* S corresponde à unidade Sverdberg de sedimentação, que depende da densidade e da forma da molécula

Alguns seres são formados por uma única célula, são os do reino Monera (bactérias e
cianobactérias), Protista (protozoários e algas) e alguns fungos; conhecidos como
unicelulares. Os animais, as plantas e os fungos em geral são formados por muitas células,
sendo chamados de pluricelulares.

c) Reprodução.

É a capacidade de gerar novos indivíduos da mesma espécie perpetuando a mesma. Há dois


tipos fundamentais de reprodução: assexuada e sexuada.

A reprodução assexuada ou agâmica, permite a formação de novos indivíduos a partir de um


só progenitor, sem que haja a intervenção de células sexuais — os gâmetas. Deste modo, não
há fecundação e, consequentemente, não ocorre formação do zigoto. Assim, a partir de um só
indivíduo podem formar-se numerosos indivíduos geneticamente idênticos, designando-se este
agregado por clone.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Figura 6: Reprodução assexuada da paramécia

Na reprodução sexuada ou gâmica acontece a formação de células especiais


denominadas gâmetas. É necessário que o gâmeta masculino se una ao gâmeta feminino
para acontecer a formação de um novo organismo. É comum nos seres pluricelulares. [leia
também Reprodução e Ciclo Celular].

Figura 7: Reprodução sexuada em felinos

d) Metabolismo

é o conjunto de reações químicas que ocorrem no interior dos seres vivos permitindo a
transformação, utilização e troca de matéria e energia entre os seres vivos e o meio
ambiente. Os seres vivos estão em constante atividade e isso os obriga a um consumo
permanente de energia. Para que isso aconteça, os seres vivos realizam a nutrição e a
respiração. [leia Citologia].

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Figura 8: Tipos de reacções metabólicas e ciclo do ATP

Quanto à forma de nutrição os organismos podem ser autotróficos ou heterotróficos. Os


autotróficos utilizam a matéria inorgânica para sintetizar matéria orgânica, como os vegetais.
Os heterotróficos capturam a matéria orgânica existente no ambiente, como os animais.
Quanto à forma de respiração podem ser anaeróbios ou aeróbios. Os anaeróbios produzem
energia na ausência de oxigénio molecular (O2) e os aeróbios utilizam o oxigénio molecular
para obter energia.

e) Homeostase

Do grego "permanecer sem alteração", entende-se como o conjunto de mecanismos que


permitem a constância do meio interno. Entre as condições que devem ser reguladas
compreendem as seguintes: a temperatura corporal, o pH, o volume de água, a concentração
de sais, etc. Grande parte da energia de um ser vivo se destina a manter o meio interno dentro
de limites homeostáticos.

Figura 9: Homeostase é a manutenção do equilíbrio do meio interno

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

A figura a baixo representa a homeostase da glicose no sangue.

Figura 10: Homeostase da glicemia

f) Material Genético e Hereditariedade

Podemos dizer que ser vivo é aquele que possui ácido nucléico (ADN ou ARN), de facto essa
é a única característica encontrada em todos os seres vivos e exclusivamente neles. [leia Genética]

g) Mutação e evolução

Mutação é uma alteração permanente na estrutura do ADN. Se essa alteração ocorrer nas
células que vão formar os gâmetas, ela será transmitida aos descendentes. As mutações
explicam, em parte, o aparecimento, ao longo do tempo, de muitas espécies novas a partir de
outras já existentes, no processo conhecido como evolução das espécies. [leia Origem das espécies]

h) Adaptação

É a capacidade que possuem os organismos vivos de se mostrarem sensíveis a variações


ambientais e de se ajustarem às novas condições com vantagens para a sobrevivência e êxito
reprodutivo.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

i) Crescimento

É a capacidade de aumentar de tamanho físico quer seja por aumento do volume celular – nos
unicelulares – ou por aumento do volume celular e do número de células – nos pluricelulares.
Nos seres vivos ocorre devido à incorporação e transformação dos alimentos, como
consequência da nutrição, do metabolismo e da multiplicação celular. [leia: Reprodução e
Ciclo Celular; Divisão Celular]

j. Movimento

Os seres vivos são capazes de se movimentar. De forma geral, os animais possuem


movimentos rápidos e ativos. Nos vegetais, os movimentos são mais lentos, podem ser
observados quando giramos um vaso de flor que fica próximo à janela. As folhas se movem
lentamente em direção a luz.

k. Irritabilidade

É capacidade que os organismos têm de responderem aos estímulos (tanto internos como
externos). Entre os estímulos geralmente se contam: luz, pressão, temperatura, composição
química do solo ou do ar circundante, etc.

Os Níveis de Organização da Matéria Viva


Existem sete níveis de complexidade na organização da matéria viva, nomeadamente:
atómico, molecular, celular, tecido, órgão, aparelhos/sistemas e por último o organismo.

O primeiro nível na organização da matéria é constituído por átomos que compõem os


diferentes elementos químicos. Os elementos químicos mais abundantes da célula são:
carbono (C), o hidrogénio (H), o oxigénio (O), o nitrogénio (N).

Os átomos combinam-se para formar moléculas (dois ou mais átomos unidos) que
correspondem ao segundo nível na organização da matéria. As moléculas encontradas na
matéria viva são classificadas em orgânicas e inorgânicas que serão estudadas em bioquímica
celular.

As moléculas, por sua vez, combinam-se para formar o próximo nível de organização, o nível
celular, as células são as unidades estruturais e funcionais básicas de um organismo. Entre os
muitos tipos de células existentes no nosso corpo, temos as células musculares, nervosas e
sanguíneas.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Figura 11. Estrutura da estrutura atómica (esquerda) e da molécula de água (direita)

O quarto nível de organização é o nível tecidual, os tecidos são grupos de células semelhantes
que, juntas, realizam uma função particular (comum). Os quatro tipos básicos de tecido são os
seguintes: o epitelial, o conjuntivo, o muscular e o nervoso.

Quando diferentes tipos de tecidos estão unidos, eles formam o próximo nível de organização:
o nível orgânico (órgãos), Os Órgãos são compostos de dois ou mais tecidos diferentes, têm
funções específicas e geralmente apresentam uma forma reconhecível. Como exemplos de
órgãos temos os seguintes: o coração, o fígado, os pulmões, o cérebro e o estômago.

Figura 12: Níveis de organização

O sexto nível de organização é o nível sistémico (aparelho ou sistemas). Um sistema


representa um conjunto de órgãos interrelacionados, que desempenham uma função comum.
Temos exemplo, o sistema digestivo, que tem a função de digerir e absorver os alimentos, este

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

referido sistema é composto pelos seguintes órgãos: boca, glândulas salivares, faringe, esófago,
estômago, intestino delgado, intestino grosso, fígado, vesícula biliar e pâncreas.

O mais alto nível de organização é o nível de organismo. Todos os sistemas do corpo


funcionando como um todo, formando consequentemente o organismo – um indivíduo

Se relacionarmos os seres vivos entre si e estes com o meio ambiente surgem mais quatro
níveis nomeadamente: população, comunidade, ecossistemas e biosfera. Os 4 últimos níveis são
estudados em Ecologia, mais adiante.

Figura 13: Níveis ecológicos de organização da matéria

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Teorias sobre a Origem da Vida


Saber a origem da vida na terra bem como sua diversidade, foi motivo de discussões entre
filósofos e cientistas há muito tempo. Vamos estudar nesse capítulo as teorias mais
importantes sobre o surgimento das primeiras formas de vida na terra, e no capítulo seguinte,
sobre a origem das espécies, ou seja, sobre a causa da diversidade das espécies.

Criacionismo

Essa é a mais antiga de todas as ideias sobre a origem da vida. Segundo esta hipótese, a vida
surgiu na terra por acto divino. Essa corrente afirma que os seres vivos foram criados
individualmente por uma divindade e que desde então permanecem com a mesma forma com
que foram criados (imutabiliade das espécies). Elas não mudam ao longo do tempo, é o que se
chama imutabilidade da espécie.

Abiogênese

O grande divulgador da abiogênese ou geração espontânea foi Aristóteles sábio e filósofo


grego, há mais de 2.000 anos. Ela defendia que os seres vivos se formaram a partir de material
orgânico em decomposição. Era como se a vida brotasse de materiais não vivos, daí o nome.
Segundo essa teoria, “existiriam dois princípios, um passivo, que é a matéria, e outro ativo, que é a
forma. No momento em que as condições fossem favoráveis, esses princípios se conjugariam, originando
vida”.

Essa teoria teve como base as observações feitas por cientistas da época que acreditavam ser
essa a única explicação para o aparecimento de bichos dentro de frutas, por exemplo. Outro
fato bastante citado é o do aparecimento de moscas num pedaço de carne exposto ao ar livre.

Esta teoria perdurou até o século XIX.

Biogênese

Esta teoria diz que os seres vivos originam-se apenas de outro pré-existentes. Foram muitos os
cientistas que apoiaram esta teoria com o intuito de derrubar a abiogénese; dentre os quais,
citemos os seguintes:

Experiências de Redi
Durante muitos anos, vários experimentos foram feitos para tentar derrubar a ideia da geração
espontânea. Em meados do século XVII, o biólogo e médico italiano Francesco Redi colocou
pedaços de carne no interior de alguns frascos, deixando determinados frascos abertos e
fechando outros com uma gaze. Nos frascos abertos, apareciam larvas de moscas, o que não
acontecia nos frascos cobertos pela gaze.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Figura 14: Francesco Redi e modelo de seu experimento

Redi afirmava, a partir do seu experimento, que as moscas não são geradas
espontaneamente pela carne e sim por ovos depositados por outras moscas que só
penetravam nos frascos abertos. Os resultados dos experimentos de Redi fortaleceram a
biogênese, isto é, a teoria que admite a origem de um ser vivo somente a partir de outro
ser vivo pré existente.

Experiências de Jonh Needham e Lázzaro Spallanzani


No século XVIII, o biólogo inglês John Needham colocou sucos nutritivos, como caldo de
galinha e sucos vegetais, em tubos de ensaio que foram aquecidos e, a seguir, fechados
para impedir a entrada do ar. Alguns dias depois, Needham constatou que os sucos
nutritivos continham microrganismos, fazendo vir novamente à tona a ideia da
abiogênese.

Alguns anos mais tarde, o padre italiano Lázzaro Spallanzani refez as experiências de
Needham. No entanto, Spallanzani ferveu os sucos nutritivos contidos em tubos de
ensaio, que foram posteriormente fechados. Analisando o conteúdo dos tubos,
Spallanzani constatou, mesmo depois de vários dias, que os sucos nutritivos não
apresentavam nenhuma forma de vida, descartando, assim, a ideia da abiogênese.
Segundo Spallanzani, Needham não aqueceu suficientemente os tubos, permitindo a
sobrevivência de alguns microrganismos que se reproduziram assim que os sucos
nutritivos esfriaram.

No entanto, Needham criticou Spallanzani afirmando que a fervura teria destruído o


princípio ativo, isto é, a força capaz de gerar vida. A teoria da abiogênese ainda não havia
sido derrubada.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Figura 15: Lázzaro Spallanzani e o modelo de sua experiência

Experiências de Pasteur
Somente em meados do século XIX, o cientista francês Louis Pasteur elaborou de forma
conclusiva experiências que inviabilizaram a geração espontânea. Pasteur realizou uma
série de experimentos, entre os quais o experimento do frasco com “pescoço de cisne”.
Através do trabalho, foi demonstrado que uma solução nutritiva, previamente esterilizada,
mantém-se estéril indefinidamente mesmo na presença de ar, desde que a entrada de
germes seja impedida.

Figura 16: Loius Pasteur e modelo de sua experiência

Com esta experiência Pasteur deixou por terra a teoria da geração espontânea segundo a
qual os seres vivos originavam-se a partir de matéria bruta e prevaleceu a ideia da
biogênese, segundo a qual os seres vivos provem de outro pré-existente.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Panspermia cósmica

Svante Arrhenius químico sueco em 1908 propôs que os


primeiros seres vivos chegaram a Terra, provenientes de outros
planetas, em fragmentos de meteoritos. Esta hipótese teve
sérias rejeições devido às seguintes indagações:

Nenhum esporo conhecido resiste às radiações cósmicas; no espaço não existe


atmosfera; as temperaturas que se produzem ao entrar na atmosfera terrestre Figura 17
são tão elevadas que impossível que qualquer forma de vida conhecida a
resista.

Teoria quimio-sintética, evolução química ou síntese abiótica

Esta teoria é conhecida como de Oparin-Haldane, porque foi publicada em 1924, por um
investigador russo Alexander I. Oparin, cujos resultados coincidiram com os do biólogo inglês
John D. S. Haldane, que publicou suas experiências quatro anos depois (1928). Esta teoria foi
e tem sido amplamente aceite pelos cientistas modernos não só de área biológica, sino
também por químicos, astrônomos, geólogos, etc. Oparin propôs que a vida na terra teria
surgido de forma lenta e ocasional nos oceanos primitivos através dos seguintes mecanismos:

 Altas temperaturas, descargas elétricas constantes e radiação ultravioleta teriam agido sobre as
substâncias existentes na atmosfera primitiva (CH4, NH3, H2O e H2), quebrando algumas
ligações químicas e permitindo novas combinações atômicas...

 Dessa forma, substâncias orgânicas, como aminoácidos, foram formadas na atmosfera


primitiva.

 Esses aminoácidos foram arrastados pelas chuvas para a crosta terrestre, formando proteínas
que foram levadas para os oceanos primitivos.

 Na água, ocorreu a formação de COACERVADOS, isto é, aglomerados de proteínas


envolvidos por uma película limitante.

 Nos oceanos primitivos, os coacervados reagiam com outras substâncias, formando substâncias
ainda mais

Experiências de Miller

Em 1954, o cientista norte-americano Stanley Miller testou em laboratório a viabilidade da


hipótese de Oparin. Miller construiu um aparelho onde reuniu metano, amônia, vapor de
água e hidrogênio, fazendo circular tais substâncias. A mistura foi aquecida e submetida a
descargas elétricas simulando as condições presentes na atmosfera primitiva. Ao final do

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

experimento, a água analisada continha alguns aminoácidos e outras substâncias


orgânicas. Assim, percebemos que o experimento de Miller reforçou as idéias de Oparin.

Figura 18: Representação da experiência de Miller

Experiências de Fox

Em 1957, o cientista norte-americano Sidney Fox aqueceu uma mistura de aminoácidos e


observou a formação de moléculas muito semelhantes a proteínas, reforçando as ideias
propostas por Oparin. Os aminoácidos trazidos pelas chuvas ao entrarem em contacto com as
rochas ainda quentes da superfície terrestre teriam formado moléculas de proteínas que foram
arrastadas aos oceanos primitivos pelas chuvas.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

A ORIGEM DAS ESPÉCIES - CAUSA DA DIVERSIDADE DAS


ESPÉCIES
Até o século XVIII, havia a consolidação da idéia que todos os seres vivos presentes no
planeta Terra foram produto de criação divina e que as espécies não passavam por nenhum
processo de transformação. Essa teoria que afirma que as espécies são fixas e imutáveis recebe
o nome de Fixismo.

A partir do século XVIII, uma nova ideia foi lançada, afirmando que as espécies se
transformavam gradualmente ao longo do tempo e originavam novas espécies. Essa teoria que
afirma que as espécies são mutáveis recebe o nome de transformismo e é a base da evolução.
A teoria da evolução afirma que a linha evolutiva se desenvolve no sentido de tornar as
espécies cada vez mais adaptadas ao ambiente em que vivem.

As teorias evolutivas procuram explicar os mecanismos que determinam a grande variedade


de seres vivos. Propõem também que os seres vivos são passíveis de modificações e que
provavelmente sofrem alterações morfológicas e fisiológicas ao longo dos tempos. Propõem
ainda que as espécies actuais tiveram origem em outras pré-existentes que sofreram
modificações com a finalidade de se adaptar às constantes modificações ambientais ocorridas
em nosso planeta.

Noção de evolução

Evolução é o processo através do qual ocorrem mudanças ou transformações nos seres vivos
ao longo do tempo, dando origem a novas espécies.

Provas ou evidências do processo evolutivo

A evolução encontra argumentos muito fortes a seu favor no estudo comparativo dos
organismos como a homologia e a analogia de certos órgãos, nos órgãos vestigiais, na
embriologia e no estudo dos fósseis.

Embriologia comparada: estudo da embriologia mostra a grande semelhança existente nos


embriões de animais de classes diferentes quando nas etapas iniciais do seu desenvolvimento.
Á medida que o embrião se desenvolve, surgem características individualizadas e as
semelhanças diminuem.

24 |
Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Figura 13: Embriões de vertebrados diversos. Note a grande


semelhança nos primeiros estágios do desenvolvimento.

Órgãos vestigiais: São estruturas pouco desenvolvidas em alguns grupos, geralmente sem
função, mas em outros aparecem desenvolvidas e funcionais, revelando a existência de um
parentesco evolutivo entre eles. Exemplos na espécie humana: O cóccix que é um vestígio da
cauda observada em outros animais como o macaco. O apêndice vermiforme que é bem
desenvolvido em alguns animais (coelho) e atrofiado no homem.

Fosseis: Os fósseis são restos de seres vivos de épocas passadas ou qualquer vestígio deixado
por eles. Os fósseis permitem que sejam feitas comparações entre seres que existiram há
milhares de anos atrás e os seres vivos, actuais.

Anatomia comparada: existem estruturas denominadas


homólogas que apresentam a mesma origem embriológica
podendo ter ou não a mesma função, demonstrando
parentesco entre algumas espécies (Figura 19).

Porém, existem as estruturas denominadas análogas que


apresentam a mesma função, mas têm origem embrilógica
diferente, demonstrando espécies que resolveram de forma
semelhante os problemas de adaptação ao mesmo tipo de
ambiente (evolução convergente); por exemplo, as asas dos Figura 19. Estruturas homólogas em alguns
animais
insectos e as das aves, o formato do corpo e outras
adaptações à vida aquática de animais tão diversos como o golfinho, ictiossauro (réptil fóssil)
e o tubarão.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

TEORIAS DA EVOLUÇÃO

Lamarckismo

Segundo Jean Baptiste Lamarck, as modificações ambientais desencadeariam em uma espécie


a necessidade de se modificar de modo a promover a sua adaptação às novas condições
ambientais. Para Lamarck, a evolução estaria baseada em duas leis fundamentais: lei do uso e
desuso e a lei da transmissão das características adquiridas.

 Lei do uso e desuso: órgãos muito usados iriam hipertrofiar, enquanto órgãos pouco
usados iriam atrofiar

 Lei da transmissão dos caracteres adquiridos: as características adquiridas pelo uso


ou perdidas pelo desuso seriam transmitidas aos descendentes.

A teoria de Lamarck não é mais aceita actualmente por dois motivos: somente os órgãos de
natureza muscular podem sofrer hipertrofia ou atrofia como resposta ao uso e desuso
frequentes e as características adquiridas pelo uso ou perdidas pelo desuso não podem ser
transmitidas aos descendentes. Somente uma modificação nos genes presentes nos gâmetas
poderá ser transmitida às gerações seguintes.

Darwinismo

A teoria de Charles Darwin foi baseada na selecção natural. De acordo com essa teoria o
ambiente selecciona os indivíduos portadores de característica "favoráveis". Esses tem chances
de sobreviver e deixar descendentes férteis enquanto os portadores de características
"desfavoráveis" tendem a ser eliminados, pois terão menos chances.

Fica fácil perceber que a acção do meio ambiente é diferente para Lamarck e Darwin.
Segundo Lamarck, o meio é o causador das variações, já que características novas são
adquiridas por imposição do meio. Segundo Darwin, o meio apenas seleciona as
características adaptativas mais importantes.

Darwin não conseguiu explicar a origem das variações, já que somente a genética, surgida no
século XX, contém subsídios para esclarecer as causas da variabilidade.

Neodarwinismo

Também denominado Teoria sintética da evolução, foi proposto no século XX por vários
pesquisadores utilizando como base o Darwinismo, que foi acrescido dos conceitos modernos
sobre variabilidade (mutação e recombinação génica) e genética de populações.

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

O Neodarwinismo não corrige o Darwinismo e sim amplia suas idéias à medida que
explica as causas das variações nos seres vivos que não foram explicadas por Darwin. As
mutações e a recombinação génica são as principais causas da variabilidade genética presente
nos seres vivos. A seleção natural apenas direciona o processo evolutivo, mantendo as
variações favoráveis ou adaptativas a determinado meio.

Enquanto as mutações e a recombinação génica aumentam a variabilidade genética, a seleção


natural diminui, já que os indivíduos menos adaptados tendem a morrer e, com o tempo,
permitir a extinção da espécie.

A CLASSIFICAÇÃO DOS SERES VIVOS


Todos os seres vivos apresentam a mesma unidade química, mesma unidade funcional e de
organização, o que faz pensar que procederam de uma origem comum que ao longo dos
tempos terá sofrido diversas transformações para obterem a actual diversificação. A
diversidade dos seres vivos nos leva a ordená-los e classificá-los através do estudo de suas
características e relações filogenéticas.

Noção de classificação e nomenclatura

Classificação, em biologia, corresponde à identificação, denominação e agrupamento de


organismos com base sua relação filogenética. Carlos Lineu, naturalista sueco, desenvolveu a
nomenclatura binominal para classificar os animais e plantas, razão pela qual é considerado o
Pai da Sistemática.

Uma qualidade da Taxonomia de Lineu é que ela pode ser usada para desenvolver um sistema
simples e prático para organizar dos diferentes tipos de organismos vivos. O aspecto mais
importante é o uso geral da nomenclatura binominal, a combinação de um nome genérico e de
um nome específico (Homo sapiens, por exemplo). Nenhuma outra espécie de planta pode ter este
binome. Deste modo, a todas as espécies pode se dar um único e estável nome.

Em função do grande número de espécies existentes na Biosfera, foi necessário agrupar os


seres vivos de acordo com suas semelhanças e diferenças.

Noção de Sistemática

A sistemática ou taxonomia é o ramo das ciências naturais que nomeia, classifica e agrupa os
seres vivos de acordo suas relações filogenéticas. O sistema natural de classificação respeita
um padrão hierárquico de organização, as categorias taxonómicas ou táxons que obedecem à
seguinte sequência: Reino ― Filo ― Classe ― Ordem ― Família ― Género ― Espécie

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

Os seres vivos são agrupados em 2 grandes domínios: Eukaryota e Procaryota

CLASSIFICAÇÃO TAXONÓMICA DE ALGUNS SERES VIVOS

Categoria
Homem Cão Mosca Milho
Taxonómica
Reino Metazoa Metazoa Metazoa Methaphyta
Filo ou Divisão Chordata Chordata Arthropoda Trachaeophyta
Classe Mammala Mammala Insecta Angiospermae
Ordem Primata Carnívora Diptera Graminales
Família Hominidae Canidae Muscidae Granidae
Género Homo Canis Musca Zea
Homo Musca
Espécie Canis Cais Zae mays
sapiens domestica

Um pouco de história sobre a classificação dos seres vivos em Reinos

No século IV a.C. Aristóteles e Teofrasto, seu discípulo, agruparam os seres vivos em dois
grandes grupos: Animalia e Plantae. Esta classificação tinha por base a mobilidade e o tipo de
nutrição: as plantas são imóveis e produzem o seu próprio alimento (autotrofia) e os animais
apresentam capacidade de locomoção e capturam as suas presas dependendo por isso da
matéria orgânica produzida por outros organismos (heterotrofia). Esta ideia é reforçada pela
classificação de Carl Lineu no século XVIII.

Os avanços tecnológicos, nomeadamente ao nível dos microscópios, permitiram observar


organismos até então desconhecidos e excluídos dos sistemas de classificação. Organismos
como as algas, fungos e as bactérias foram inicialmente incluídos no reino Plantae por
apresentarem parede celular e organismos, como os protozoários, que eram móveis e ingeriam
os alimentos foram colocados no reino Animalia.

O surgimento e aceitação no século XIX das emergentes teorias evolucionistas para os seres
vivos levantava questões sobre a classificação de alguns organismos que não sendo nem
animais nem plantas pudessem ser seus ancestrais. A ideia de um terceiro reino é fortemente
influenciada pela Teoria da Selecção Natural de Darwin que postulava a existência de uma
ancestral comum a todos os seres vivos.

Em 1866, Ernst Haeckel (1834-1919), naturalista alemão, propôs a criação do Reino Protista
que incluía os organismos unicelulares e os multicelulares que não apresentassem
diferenciação celular, incluindo assim as bactérias os protozoários e os fungos.

28 |
Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

No século XX com o aparecimento do microscópio electrónico e com o avanço de


algumas técnicas bioquímicas, foi possível compreender que as bactérias têm características
muito distintas dos fungos e dos protozoários. E em 1956, Herbert Copeland (1902-1968),
apresenta uma classificação que se aproxima mais da realidade natural.

Separa num novo reino, Monera, os seres vivos procariontes – com células sem núcleo
individualizado. Segundo Copeland, no reino Protista incluem-se todos os fungos e algas
vermelhas e castanhas, no reino Plantae os organismos que possuíssem clorofila (pigmento
fotossintético), que produzissem amido, celulose e sacarose e no reino Protista os organismos
eucariontes que não eram animais nem plantas.

Classificação em Cinco Reinos

Foi proposto em 1969 por Whittaker (1924-1980) e propõe um sistema de classificação em


cinco reinos, estabelecendo um reino independente para os fungos, o reino Fungi. O novo
sistema apresentado tinha subjacente três critérios principais:

 Nível de organização celular – diferencia as células procarióticas das eucarióticas e a


unicelularidade da multicelularidade

 Modo de nutrição – modo como o organismo obtém o alimento

Figura 20: Principais características dos reinos

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Manual de Biologia. I – BIOLOGIA GERAL

 Interacções nos ecossistemas – respeitante às relações alimentares que o organismo


estabelece com os restantes organismos no ecossistema. Os organismos podem ser
classificados em produtores, e consumidores (macro e microconsumidores).

Whittaker viria a reformular os eu próprio sistema em 1979. O reino Protista passou a incluir
os fungos flagelados e as algas (uni e multicelulares).

Na tabela seguinte resumem-se as principais características dos reinos, tendo em conta os


critérios estabelecidos por Whittaker na sua versão modificada de 1979.

a) Reino Metazoa ou Animalia : composto por organismos pluricelulares e heterotróficos


(não são capazes de produzir sua própria energia). Fazem parte deste grupo: animais
invertebrados, vertebrados, aves, mamíferos, inclusive o homem.

b) Reino Metaphyta ou Plantae: seres pluricelulares que possuem células revestidas por
uma membrana de celulose e que são autotróficos (capazes de produzir sua própria
energia). Fazem parte deste grupo: vegetais inferiores (algas verdes, vermelhas ou
marrons), vegetais intermediários (ex. samambaia) e vegetais superiores (plantas).

c) Reino Monera: composto por organismos unicelulares (formados por uma única célula)
e procariontes (células que não possuem um núcleo organizado). Fazem parte deste
reino: as bactérias e algas azuis ou cianobactérias (antigamente eram consideradas como
vegetais inferiores).

d) Reino Fungi: composto por seres


eucariontes (núcleo organizado e
individualizado) que podem ser uni ou
pluricelulares. Fazem parte deste reino: os
fungos elementares e os fungos superiores
(antigamente eles eram classificados como
vegetais inferiores).

e) Reino Protista: formado por seres


unicelulares e eucariontes. Estão presentes
neste reino: protozoários (giárdias, amebas,
tripanossomas) e algas inferiores ou
eucariontes.

Figura 21. Representação do 5 reinos

30 |
Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Unidade II: A CITOLOGIA


INTRODUÇÃO

Para que a Citologia surgisse como Ciência, foi necessária a invenção de um tipo muito
simples de microscópio. O crédito pela invenção do microscópio é dado ao holandês
Zacharias Jansen, por volta do ano 1595. No início, o instrumento era considerado um
brinquedo, que possibilitava a observação de pequenos objectos.

Em 1665, Robert Hooke, cientista inglês, observou pela primeira vez células, utilizando um
microscópio muito simples iluminado a vela. Hooke observava pedaços de cortiça ao
microscópio e descreveu pequenas cavidades em seu interior que foram denominadas células
(CELL = cela, em inglês). Na realidade, Robert Hooke observou a parede de celulose e o
espaço vazio que era ocupado por cada célula quando viva facto esse justificado por ser a
cortiça um tecido vegetal morto, denominado súber.

Robert Hooke,.nascido a 18 de julho de 1635 em


Freshwater, ilha de Wight, Inglaterra, faleceu em 3
de Março de 1702 em Londres. Hooke estudou em
Westminster onde aprendeu latim e grego, mas ao
contrário de seus contemporâneos ele nunca
escreveu em latim. Em 1653 foi para o Christ
College, em Oxford onde encontrou com Boyle. Em
1655 foi empregado por Boyle para construir sua
bomba de ar. Em 1660 descobriu a lei da
elasticidade que tomou seu nome. Hooke trabalhou
no sistema ótico, no movimento harmônico simples
e resistência de materiais. Pioneiro nas hipóteses de que as tensões tangenciais
são proporcionais às velocidades de deformação angular e de que as
componentes normais são funções lineares das velocidades de deformação, seu
primeiro invento foi o relógio portátil de corda (1657) Descreveu a estrutura
celular da cortiça (1665) e publicou Micrographia, sobre suas descobertas em
ótica e iniciando suas análises dos efeitos do prisma, esferas e lâminas, com a Figura 22 Microscópio de
utilização do microscópio. Com o microscópio também deu importante Hooke
contribuição ao estudo da estrutura das células, devendo-se a ele a origem
deste termo.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Em 1674, Antonie van Leeuwenhoek, pesquisador holandês, usando microscópios de sua


própria construção, dotados de lente única (microscópio simples), observou e relatou as formas e o
comportamento dos microrganismos, sendo por isso considerado pioneiro entre os citologistas.

Figura 23: Leeuwenhoek e seu microscópio

Em 1838, dois biólogos alemães, Schleiden e Schwann, observando a presença de células em


tecidos animais e vegetais, enunciaram a Teoria Celular, segundo a qual todos os seres vivos são
constituídos por uma ou mais células. Sabemos que os vírus não são constituídos por células,
mas esses organismos vivos só foram descritos no século XX.

Figura 24: Mathias Schleiden (a esquerda) e Theodor Schwann

No início dos anos 30, o engenheiro electrónico alemão inventou o microscópio electrónico
Ernest Ruska. Esses instrumentos utilizam feixes de electrões e lentes electromagnéticas, no
lugar da luz e das lentes de vidro, permitindo ampliações de mais de 100 000 vezes. Com isso,
a Citologia apresentou grandes avanços como ciência.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

NOÇÃO E OBJECTO DE ESTUDO DA CITOLOGIA

A Citologia (grego: KYTOS = célula; LOGOS = estudo) é a parte da Biologia que estuda a
célula em todos os seus aspectos: bioquímico, morfológico e funcional.

O objecto de estudo da citologia é a célula. A célula é considerada a unidade morfofuncional


dos seres vivos, com excepção dos vírus, que são organismos acelulares, ou seja, não são
constituídos por células, mas dependem delas para sua sobrevivência.

Nos organismos unicelulares, a única célula presente realiza todas as funções necessárias à
manutenção da vida, enquanto as várias células dos organismos pluricelulares apresentam
diferentes formas adaptadas ao desempenho das mais variadas funções.

ORGANIZAÇÃO CELULAR

Uma célula típica apresenta três partes fundamentais: membrana citoplasmática, citoplasma e
núcleo. Em tipos diferentes de células, podemos encontrar algumas variações relacionadas a
essas porções fundamentais. Quanto à organização ou padrão evolutivo, existem dois tipos
celulares básicos: Célula Procariota e Célula Eucariota.

MÉTODO DE ESTUDO DA CÉLULA

As células são organismos pequeninos, que para sua visualização e estudo é necessário o
auxilio de um instrumento capaz de ampliar sua imagem – O microscópio.

Microscópio Óptico
A microscopia óptica ou de luz, como o próprio nome indica, possibilita o aumento de
imagens através da luz que, após incidir sobre determinada amostra, passa por um conjunto
de lentes. O avanço deste tipo de microscopia, portanto, ocorreu atrelado ao desenvolvimento
da óptica, ou seja, o ramo da Física que estuda a luz e sua interacção com distintos meios e
materiais.

Além de ampliar a imagem de um objecto, de 1000 a 1500 vezes, o microscópio serve para
aumentar o poder de resolução do olho humano. Poder de resolução é a capacidade de
distinguir dois pontos muito próximos um do outro. Os microscópios ópticos têm um limite
de resolução da ordem de 0,2 μm, ou seja, as lentes destes microscópios conseguem mostrar
dois pontos distintos se estes estiverem separados por distâncias de pelo menos 0,2 μm.

É importante lembrar que para uma estrutura ser observada através de um microscópio óptico,
é necessário que ela seja suficientemente fina para deixar que os raios luminosos a atravessem,
além de ter índices de refração ou coloração diferentes do meio que a circundam.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Um microscópio óptico pode ser simples ou composto: o microscópio simples possui uma
única lente e só fornece uma imagem moderadamente aumentada do objecto que se está
estudando; o microscópio composto consiste de uma série de lentes e fornece um aumento
muito maior.

MICROSCÓPIO COMPOSTO

Um microscópio composto consiste de partes mecânicas e ópticas. A parte mecânica tem uma
base que estabiliza o microscópio, uma coluna ou canhão que se estende da base para cima, e
uma platina na qual é colocado o objeto a ser examinado. As partes ópticas estão presas à
coluna acima e abaixo da platina e são elas: condensador, objectivas e ocular.

Condensador: de forma circular e situado


entre a platina e a base, o condensador
converge os raios luminosos provindos da
lâmpada e projecta-os como um cone de luz
sobre o material que está sendo examinado.

Objectivas: são lentes que projectam uma


imagem aumentada e invertida do objecto nas
oculares e inserem-se ao revólver, através de
rosca. Toda objectiva traz gravado o número
do aumento que proporciona. A objectiva de
100x é também chamada objectiva de imersão
e é somente utilizada com óleo especial, o qual
permite maior refracção da luz para dentro da
objectiva, corrigindo a pouca luminosidade nas
observações feitas em grandes aumentos.

Ocular: aumenta a imagem do objecto após o


aumento já proporcionado pela objectiva. É
através desta lente que o observador vê a
imagem do objecto (daí o nome ocular, uma
vez que o olho do observador está colocado à
frente dela) como se ela estivesse situada a 25
cm da ocular. Toda ocular traz gravado o Figura 25: Estrutura de um microscópio óptico
número de aumentos que proporciona. Par
saber-se em que aumento se está observando um objecto ao microscópio, basta multiplicar o
número do aumento dado pela objectiva pelo número do aumento dado pela ocular. Por
exemplo, se a objetiva usada aumenta 5 vezes e a ocular aumenta 10 vezes, o objeto está
sendo observado com um aumento total de 50 vezes.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Microscópio Electrónico
O microscópio electrónico é um microscópio com potencial de aumento muito superior ao do
óptico. As características que diferem o M.E do M.O são: Usam-se feixes de electrões para
ampliar as imagens; capacidade de ampliação de 100. 000 X e poder de resolução até 0,005
nm.

Figura 26: Microscópio eletrónico. Esquema (esquerda) e


fotografia (a direita)

BIOQUÍMICA CELULAR

Bioquímica celular estuda a composição química da célula. Os elementos químicos


predominantes na matéria viva são Carbono, Hidrogénio, Oxigénio e Nitrogénio (CHON),
que representam cerca de 95% dos elementos encontrados no interior da célula. Os outros 5%
se distribuem entre elementos como sódio, potássio, cloro, cálcio, ferro, magnésio, enxofre, fósforo
e outros. Os elementos citados formam as mais diversas substâncias, que reagem entre si
através de um conjunto de processos químicos.

Ao conjunto de reações químicas que ocorrem em um organismo vivo denominamos


metabolismo.

As substâncias químicas presentes nas células podem ser divididas em dois grandes grupos:
substâncias inorgânicas e substâncias orgânicas.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Substâncias Inorgânicas
ÁGUA

É a substância mais abundante encontrada no interior das células. A taxa de água nos
organismos vivos varia em função de três factores: actividade metabólica, idade e espécie. As
principais funções da água nos seres vivos são:

É o principal solvente celular, dissolve grande parte de substâncias no interior do organismo.


Por esse motivo, é considerada solvente universal;

Participa das reacções de hidrólise, ou seja, reacções de quebra de substâncias através da


água; Actua como regulador térmico;

Actua como regulador ácido-básico, mantendo o pH mais ou menos constante; Actua como
veículo de substâncias (oxigénio, gás carbónico, nutrientes, excretas, etc.) que atravessam as
membranas celulares, mantendo um intercâmbio entre os meios intracelular e extracelular;

Actua com lubrificante, exercendo importantíssimo papel na diminuição do atrito nas


articulações e entre os órgãos.

Quanto maior a actividade metabólica de um tecido, maior o teor de água. Nos


neurónios do córtex cerebral, a percentagem de água é de cerca de 85%, nos adipócitos
(células que armazenam gordura), cerca de 20% do conteúdo celular é formado por
água. Normalmente, o teor de água decresce com o aumento da idade. Um feto
humano com três meses de idade apresenta cerca de 94% de água, enquanto num
indivíduo adulto o teor médio é de 65%. O teor de água nos organismos vivos varia de
espécie para espécie. Na espécie humana, a água representa cerca de 65% do peso.

SAIS MINERAIS

Desempenham as mais variadas funções no interior das células, sendo muito importantes para
o perfeito funcionamento celular. Os sais minerais são encontrados nos organismos vivos sob
duas formas de ocorrência: insolúvel e solúvel.

Forma Insolúvel: Nessa forma, os sais minerais se apresentam como componentes do


esqueleto. Os sais insolúveis são também denominados cristalinos e apresentam como
importante representante o fosfato de cálcio, presente nos ossos e dentes.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Forma Solúvel: Nessa forma, os sais minerais se apresentam dissolvidos em água e, assim,
dissociados em íons. Os sais solúveis são também denominados íons minerais, exercendo
importantes papéis no metabolismo. O quadro representado a seguir indica os principais íons
minerais presentes nos organismos vivos e o seu papel biológico.

Sais Minerais Função Biológica

Desempenham importante papel na manutenção do equilíbrio osmótico celular.


Relacionam-se também à condução dos impulsos nervosos. A concentração de Na+ é
Na+ e K+ maior no meio extracelular, enquanto a concentração de K+ é maior no meio
intracelular.

Participa dos processos de contração muscular e coagulação do sangue. Atua


Ca+2 também sobre a condução dos impulsos nervosos.

Cl- É essencial à formação do ácido clorídrico, no estômago.

Faz parte dos hormonais da tiroide, glândula relacionada ao controle metabólico


I-
geral.

Faz parte da molécula de hemoglobina, pigmento vermelho presente no interior dos


glóbulos vermelhos do sangue com função de realizar o transporte de gases
Fe+2 respiratórios. Faz parte também das moléculas de citocromos, que são
transportadores de electrões e que participam dos processos de fotossíntese e
respiração celular.

Faz parte da molécula de clorofila, pigmento verde capaz de absorver a energia


Mg+2
luminosa para a realização da fotossíntese.

Faz parte da molécula de vitamina B12 (Cianocobalamina), essencial ao


Co+2
crescimento, formação e amadurecimento dos glóbulos vermelhos do sangue.

Faz parte dos nucleotídeos, unidades formadoras dos ácidos nucléicos. Faz parte da
PO4-3
molécula de ATP, que se relaciona à transferência de energia nas células.

Substâncias Orgânicas
CARBOIDRATOS

Também conhecidos por açúcares, hidratos de carbono, glúcidos, glícidos, são poliálcoois
com função aldeído ou acetona. São constituídos principalmente por carbono (C) hidrogénio
(H) e oxigénio (O), podendo também aparecer o nitrogénio (N) ou o enxofre (S). Representam

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

as principais fontes de energia para o organismo. Os carboidratos são divididos em três


grandes grupos: Monossacáridos, Dissacáridos e Polissacáridos.

Monossacáridos: São os açúcares mais simples que não podem ser hidrolisados. Possuem
fórmula geral CnH2nOn, sendo que n varia de 3 a 7. Sua classificação é feita de acordo com o
número de átomos de carbono que apresentam. Assim, temos:

As pentoses e as hexoses são os monossacáridos mais importantes para os organismos vivos.


As principais pentoses são ribose e desoxirribose, que apresentam função estrutural por
entrarem na constituição dos ácidos nucléicos, enquanto entre as hexoses se destacam glicose,
frutose e galactose, que apresentam função energética, já que constituem importantes fontes
de energia para as células.

Dissacáridos: São açúcares hidrolisáveis formados pela união de duas moléculas de


monossacáridos através de uma ligação denominada glicosídica, com liberação de molécula
de água. Os principais dissacáridos são:

 Maltose - Formada pela união de duas moléculas de glicose. Apresenta função


energética, estando presente no pão e na batata.

 Sacarose - Formada pela união de uma molécula de glicose e uma de frutose.


Apresenta função energética, estando presente na cana-de-açúcar e na beterraba.

 Lactose - Formada pela união de uma molécula de glicose e uma de galactose.


Apresenta função energética, estando presente no leite.

Polissacáridos: São açúcares hidrolisáveis formados pela união de várias moléculas de


monossacáridos. Os principais polissacáridos são:

 Amido - Formado pela união de várias moléculas de glicose, constitui a reserva


energética dos vegetais. Encontra-se armazenado em grandes proporções em
tubérculos como a mandioca e caules tubérculos como a batata inglesa. A hidrólise

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

total do amido forma moléculas de glicose, enquanto a hidrólise parcial produz


moléculas de maltose.

 Glicogénio - Formado pela união de várias moléculas de glicose, constitui a


reserva energética dos animais. Encontra-se armazenado sobretudo no fígado e
nos músculos. A hidrólise total do glicogénio forma moléculas de glicose, enquanto
a hidrólise parcial produz moléculas de maltose.

 Celulose - Formada pela união de várias moléculas de glicose, constitui um


importante polissacárido com função estrutural. É o principal componente da
parede celular dos vegetais. A hidrólise total da celulose forma moléculas de
glicose, enquanto a hidrólise parcial produz moléculas de celobiose.

AMINOÁCIDOS E PROTEÍNAS

Os Aminoácidos são biomoléculas simples constituídas por carbono (C), hidrogénio (H),
oxigénio (O) e nitrogénio (N).

Existe cerca de 20 aminoácidos diferentes, classificados em essenciais (não são produzidos e


tem que ser ingeridos) e não essenciais (produzidos pelo organismo) que entram na
composição das proteínas.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Cada aminoácido possui na sua composição química um carbono central, o grupo amina
(NH2), o grupo carboxilo (COOH), um hidrogénio (H) e um radical livre (R) como se vê
abaixo. O radical é a porção variável de um aminoácido.

Ligação Peptídica é o tipo de ligação que une os aminoácidos. Ocorre entre o grupo ácido de
um aminoácido e o grupo amina de outro aminoácido com liberação de uma molécula de
água.

Figura 27: Ligação peptídica e formação de uma cadeia


peptídica a partir de aminoácidos

Cadeias formadas de aminoácidos são chamadas péptidos. Falamos em Dipéptido quando o


composto apresenta dois aminoácidos unidos por uma ligação peptídica. Se o composto é
formado pela união de três aminoácidos, temos um tripéptido. Um maior número de
aminoácidos unidos por ligações peptídicas forma um polipéptido.

O número de aminoácidos necessários à formação de uma proteína é muito divergente entre


os autores. É certo que uma proteína é um polipéptido formado pela união de grande número
de aminoácidos (alguns autores falam em mais de cinquenta, outros em mais de cem
aminoácidos). Assim, toda proteína é um polipéptido, mas nem todo polipéptido é uma
proteína.

O número de ligações peptídicas é sempre igual ao número de aminoácidos menos um,


enquanto o número de moléculas de água liberadas durante a síntese é sempre igual ao

40 |
Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

número de ligações peptídicas. Quando uma proteína é submetida a altas temperaturas e a


variações de pH, ocorre a sua desnaturação. A desnaturação é a perda total ou parcial das
propriedades de uma proteína devido a modificações em sua estrutura.

As proteínas são as mais abundantes substâncias orgânicas dos seres vivos, sendo definidas
como polímeros de aminoácidos. Assim, os aminoácidos são monómeros das proteínas.

Estrutura das proteínas

 Estrutura primária: é dada pela sequência de aminoácidos ao longo da cadeia


polipeptídica. Constituindo o nível estrutural mais simples e mais importante,
geralmente, determinado geneticamente. [ler: Dogma Central da Biologia Molecular
na Unidade Genética]

Figura 28: Várias estruturas de uma proteína

 Estrutura secundária: é dada pelo arranjo espacial de aminoácidos próximos entre si na


sequência primária da proteína. Ocorre graças à possibilidade de rotação das ligações
entre os carbonos alfa dos aminoácidos e os seus grupos amina e carboxilo formando
uma estrutura em hélice.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

 Estrutura terciária: resulta do enrolamento da hélice, sendo estabilizada por pontes de


hidrogénio e pontes dissulfeto. Esta estrutura confere a actividade biológica às
proteínas.

 Estrutura quaternária: algumas proteínas podem ter duas ou mais cadeias


polipeptídicas. Essa transformação das proteínas em estruturas tridimensionais é a
estrutura quaternária, que são guiadas e estabilizadas pelas mesmas interacções da
terciária. A junção de cadeias polipeptídicas pode produzir diferentes funções para os
compostos. Um dos principais exemplos de estrutura quaternária é a hemoglobina. Sua
estrutura é formada por quatro cadeias polipeptídicas.

Classificação das Proteínas

As proteínas podem ser classificadas como proteínas simples constituídas apenas por
aminoácidos (insulina, queratina, albumina, colagénio, fibrinogénio, etc.) e proteínas
conjugadas constituídas por aminoácidos associados a uma outra substância de natureza não
proteica denominada grupo prostético. Veja alguns exemplos:

Funções biológicas das proteínas

As principais funções atribuídas às proteínas estão representadas na tabela abaixo, e a seguir


será detalhada a função enzimática das mesmas:

Função Acção
Participam da estrutura dos tecidos. Como exemplos, podemos citar: Queratina presente
Estrutural
na pele, cabelos e unhas e o colagénio presente nos tecidos conjuntivos.
Nutritiva São utilizadas como fonte de aminoácidos.
Os anticorpos são proteínas (gamaglobulinas) produzidas pelo organismo para combater a
Imunológica ação do antígeno. A reação antígeno-anticorpo é altamente específica, sendo que um certo
anticorpo neutraliza somente o antígeno responsável pela sua formação.
Muitas hormonais são proteínas. Como exemplos, podemos citar a insulina produzida
Hormonal
pelo pâncreas.
Contráctil Actina e miosina são proteínas que participam do processo de contração muscular
A hemoglobina é uma proteína presente no interior das hemácias do sangue, responsável
Transportadora
pelo transporte de gases.
As enzimas são proteínas catalisadoras das reações químicas. Como exemplos, podemos
Enzimática
citar a maltase, a amilase e a tripsina.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

ENZIMAS

a) Conceitos

Enzimas são proteínas com função catalisadora. O papel básico de uma enzima é diminuir a
energia de activação, aumentando, assim, a velocidade das reacções químicas.

 Energia de activação é a energia necessária para produzir a colisão intermolecular


necessária para desencadear uma reacção química.

 Substrato a substância que sofre acção da enzima.

 Centro activo ou sítio activo é a parte da enzima que se liga ao substrato.

b) Estrutura

Uma enzima é constituída por uma porção proteica denominada apoenzima e uma porção
não proteica denominada cofactor (o cofactor pode ser uma coenzima, ião metálico ou um
grupo prostético). A apoenzima + cofactor = holoenzima (enzima activa).

Figura 29. Estrutura da enzima e forma de ligação ao substrato

c) Interação Enzima-Substrato

As enzimas são proteínas globulares, de grandes dimensões relativamente às moléculas do


substrato. Este facto permite admitir que apenas uma pequena zona da enzima estará
envolvida no processo catalítico. Dois modelos explicam a ligação da enzima com o seu
substrato:

- Modelo chave-fechadura: O centro activo da enzima deve ser complementar à estrutura do


substrato semelhante ao que acontece a uma chave e sua respectiva fechadura.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Figura 30. Modelo Chave-Fechadura, proposto por Emil Fischer

- Modelo encaixe induzido: prevê um sítio de ligação não totalmente pré-formado, mas
sim moldável à molécula do substrato; a enzima se ajustaria à molécula do substrato na
sua presença como se ve na figura abaixo.

Figura 31: Modelo encaixe induzido

d) Propriedades das Enzimas

 As enzimas são específicas aos seus substratos. Assim, a sacarase é uma enzima que catalisa
a quebra da sacarose em uma molécula de glicose e outra de frutose, enquanto a amilase é
uma enzima que catalisa a quebra de amido em moléculas de maltose;

 As enzimas não são consumidas durante as reacções químicas;

 As enzimas podem actuar em ambos os sentidos na reacção química, até certo ponto
(actuação reversível);

 As enzimas não modificam o produto das reacções químicas;

 As enzimas exigem um valor ideal de temperatura e pH para que a velocidade da reacção seja
máxima;

 As enzimas são termolábeis, isto é, sensíveis a valores muito elevados de temperatura.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

e) Factores que influenciam na acção enzimática

Os factores que influenciam na velocidade de uma reacção são:

 Concentração da enzima,
 Concentração de substrato,
 Temperatura,
 pH e
 Inibidores.

NUCLEÓTIDOS E ÁCIDOS NUCLEICOS

Nucleótidos ou nucleotídeos são as unidades formadoras dos


ácidos nucleicos; ou seja, os nucleotídeos são monómeros dos
ácidos nucleicos e estes últimos, polímeros de nucleotídeos.

Cada nucleótido é formado por: uma molécula de ácido


fosfórico, um açúcar do grupo das pentoses e uma molécula de
base nitrogenada. Observa-se que o ácido fosfórico se liga à
pentose que, por sua vez, se liga à base nitrogenada.

Existem dois tipos de pentoses que entram na constituição dos


Figura 32 - Pentoses dos nucleotídeos
nucleotídeos: ribose, encontrada nos nucleótidos do ARN e
desoxirribose, encontrada nos nucleótidos do ADN.

As bases nitrogenadas que entram na constituição dos nucleótidos podem ser de dois tipos:
purinas (adenina e guanina) formadas por dois anéis de átomos de carbono e nitrogénio e
pirimidinas (citosina, timina e uracilo), formadas por um anel de átomos de carbono e
nitrogénio.

Importância dos nucleotídeos:

 São precursores dos ácidos nucleicos (ADN e ARN) que são indispensáveis para a
transmissão das características hereditárias, control da actividade celular e síntese de
proteínas;

 São precursores de coenzimas nucleotídicas importantíssimas para o metabolismo


(NAD, FAD e CoA);

 Podem actuar como moléculas carregadoras de energia química, como por ex:
adenosina trifosfato (ATP).

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Os ácidos nucleicos, são definidos como polímeros de nucleótidos. Por controlarem a


actividade celular, são considerados as “moléculas mestras” dos seres vivos. Existem dois
tipos de ácidos nucléicos: ácido desoxirribonucléico (ADN ou DNA) e ácido ribonucléico
(ARN ou RNA);

Estrutura do ADN segundo Francis e Crick

Em 1962 James Watson e Francis Crick ganharam o


Prémio Nobel de Medicina por terem proposto um
modelo tridimensional sobre a estrutura do ADN. Para
Watson e Crick, a molécula de ADN apresenta a
seguinte estrutura:

 A molécula de ADN é constituída por duas


cadeias de polidesoxirribonucleótidos enroladas
em torno do mesmo eixo. (dupla hélice)

 As duas cadeias têm sentidos contrários (são


anti-paralelas)

 As bases nitrogenadas encontram-se


emparelhadas de modos que adenina
emparelha-se com a timina e a citosina com a
guanina. Assim o número de purinas é igual ao
de pirimidinas (principio da
complementaridade das bases)

 A estrutura é mantida a custa de ligações que se


estabelecem entre as bases (pontes de
Figura 33: Estrutura da molécula de
hidrogénio).
ADN segundo Watson e Crick

As principais diferenças entre eles estão descritas no quadro abaixo:

ADN ARN
Tipo de açúcar Desoxirribose Ribose

Base nitrogenadas
Citosina e Tiamina Citosina e Uracilo
pirimidínicas

Cadeia Dupla hélice Cadeia única


Núcleo celular, cloroplastos, No citoplasma, como parte de
Localização mitocôndrias e citoplasma de algumas ribossomas e no núcleo onde são
células formados
Funções principais Transmissão de informação genética Síntese de proteínas

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

LÍPIDOS

Os lípidos são uma grande família de biomoléculas constituídas por carbono (C), hidrogénio
(H) e oxigénio (O), vulgarmente conhecidos como “gorduras” e fisicamente caracterizadas por
serem insolúveis em água, e solúveis em solventes orgânicos como o álcool, benzina, éter,
clorofórmio e acetona.

a) Estrutura de alguns lípidos

Figura 34: Estrutura básica de um lípido

b) Classificação: os lípidos Classificam-se em:

 Simples ou não saponificáveis, aqueles não possuem ácidos gordos esterificados


(Terpenos, carotenos e esteróides) e

 Complexos ou saponificáveis, aqueles que apresentam ácidos gordos esterificados


(Triglicéridos, fosfolípidos, esfingolípidos e ceras).

c) Funções

 Estrutural: são componentes das membranas biológicas

 Reserva energética: Quando degradados, os lípidos fornecem mais energia que os


carboidratos. No entanto, os carboidratos representam as principais fontes de energia para
o organismo, pelo fato de serem degradados antes dos lípidos.

 Isolador térmico: Auxiliam na manutenção da temperatura do corpo, por meios de uma


camada de tecido denominado hipoderme que protege o indivíduo contra as variações de
temperatura.

 Protecção mecânica: A gordura age como suporte mecânico para certos órgãos internos e
sob a pele de aves e mamíferos, protegendo-os contra choques e traumatismos.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

VITAMINAS

São compostos orgânicos que actuam em doses muito pequenas nos organismos como
reguladores biológicos na maioria das reacções metabólicas. A maior parte das vitaminas
actuam como coenzimas, activando enzimas importantes para o metabolismo. Algumas
vitaminas são encontradas na natureza em uma forma precursora inactiva denominada
provitamina. No interior do organismo, sob certas condições, a provitamina torna-se activa,
formando a vitamina propriamente dita. É o que ocorre com a vitamina A, encontrada na
natureza como caroteno (provitamina A) e com a vitamina D, encontrada na natureza na
forma de ergosterol (provitamina D).

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

a) Classificação das vitaminas

As vitaminas são classificadas em:

 Hidrossolúveis (complexo B e vitamina C)

 Lipossolúveis (vitaminas A, D, E e K).

Denominamos complexo B um conjunto de vitaminas hidrossolúveis obtidas quase que das


mesmas fontes, desempenhando papéis biológicos muito semelhantes. São elas: B1 (tiamina),
B2 (riboflavina), B3 (niacina) B5 (ácido pantotênico) B6 (piridoxina), B9 (ácido fólico) B12
(cianocobalamina) e biotina.

METABOLISMO CELULAR

Entende-se por Metabolismo como o conjunto de reacções químicas que ocorrem nos
organismos vivos. Estas reacções podem ser:

 Anabólicas ou de síntese (ex.: síntese de proteínas a


partir de aminoácidos)

 Catabólicas ou de degradação (ex.: oxidação da


glicose em piruvato). Neste capítulo estudaremos com
mais detalhes as catabólicas por serem as
predominantes no processo de obtenção de energia.

O ATP (Adenosina Trifosfato) constitui a principal molécula


armazenadora transportadora de energia química nos
organismos vivos através das duas ligações fosfato de alta
energia que possui – cada ligação fosfato produz 12 kcal/mol
de energia que podem ser usadas na contração muscular,
transporte activo, reacções anabólicas (síntese de substâncias,
crescimento), etc. O ATP é obtido através da degradação de
biomoléculas como carboidratos, lípidos e proteínas.

Os carboidratos – particularmente a glicose – são


considerados como fontes de energia primária porque são as
primeiras moléculas em que a célula recorre para a obtenção
de ATP seguindo-se os lípidos e proteínas na carência dos
mesmos.
Figura 35: Esquema da
respiração celular

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

A glicose é degradada por um conjunto de enzimas citoplasmáticas que juntas formam a via
glicolítica onde vão se formando sucessivamente vários compostos intermediários até que se
obtenha finalmente duas moléculas de piruvato, sendo produzidas duas moléculas de ATP e
de NADH+ (molécula transportadora de electrões que pode gerar 3 moléculas de ATP na
cadeia respiratória) durante este processo.

Sob condições anaeróbicas (ausência de oxigénio) o piruvato é convertido em lactato –


fermentação láctica – ou em etanol e dióxido de carbono – fermentação alcoólica.

Sob condições aeróbicas (presença de oxigénio) cada molécula de piruvato é convertida em


Acetil-CoA que é oxidada na mitocôndria por um sistema enzimático denominado Ciclo de
Krebs e posteriormente por outro denominado cadeia respiratória dando um rendimento total
de 32 moléculas de ATP (incluindo as 2 moléculas de ATP e NADH+ formadas na via
glicolítica). O processo todo no qual a célula obtém ATP sob condições aeróbicas denomina-
se respiração celular.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

ESTUDO DA CÉLULA EUCARIOTA

Conforme anteriormente dito, uma célula eucariota apresenta três partes fundamentais:
membrana celular, citoplasma e núcleo. As células animais não fogem esta regra. Nesta
unidade de uma forma didática vamos procurar estudar os aspectos que constituem a
morfologia e funcionamento da membrana citoplasmática, estudar de forma sucinta o
citoplasma e o núcleo celular.

Membrana Celular

Também conhecida como membrana plasmática, membrana celular ou plasmalema, é a


estrutura encontrada em todos os tipos de células. A espessura da membrana citoplasmática é
muito pequena, oscilando entre 7-10 nm, razão pela qual não pode ser visualizada a vista
desarmada e só com auxílio do ME.

Composição química da membrana


As moléculas que entram na composição da membrana compreendem As proteínas (52%),
lípidos (40%) e carboidratos (8%). Em alguma literatura consideram a membrana como sendo
de natureza lipoprotéica pelo facto de a membrana apresentar maior proporção de lípidos e
proteínas e os carboidratos estarem associados aos lípidos e as proteínas.

EXERCÍCIO

Os principais lípidos presentes na membrana celular são os ____________________, o ____________ e


os ______________. Os fosfolípidos são os lípidos __________________ abundantes da membrana e
formam a bicamada lipídica. O colesterol actua no sentido de reduzir a ___________ da membrana e
está presente apenas na membrana das células _________________.

As proteínas são responsáveis pela maioria das funções da membrana celular. As proteínas da
membrana dividem-se, em extrínsecas ou _________________ e intrínsecas ou ______________. As
proteínas de membrana funcionam como ________________, ________________,
___________________ etc.

Os carboidratos ligam-se predominantemente à superfície externa das proteínas e dos lípidos, formando
as __________________ e os __________________, respectivamente. A camada resultante de
carboidratos na superfície externa da membrana constitui o _________________. O ________________
é importante na adesão e reconhecimento celular, na determinação de grupos sanguíneos, entre outras
funções.

Estrutura da Membrana
A medida que avança o conhecimento sobre a composição, a estrutura e as funções da
membrana unitária, formulam-se modelos interpretativos dos dados conhecidos.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Modelo de Davison e Danielli

Na década de 50, Davson e Danielli propuseram um modelo que explicava como as


moléculas de lípidos e proteínas estariam dispostas na estrutura da membrana. Segundo esse
modelo, a membrana seria constituída de uma camada central bimolecular de lípidos
recoberta por duas camadas externas monomoleculares de proteínas. A membrana
apresentaria ainda poros permanentes.

Figura 36: Estrutura da membrana segundo Davison e Danielli

Esse arranjo trilaminar se estende a todas as outras estruturas membranosas celulares como
núcleo, retículo endoplasmático, complexo de Golgi, mitocôndrias, cloroplastos, etc, sendo
por isso denominado Unidade de Membrana.

Modelo de Singer e Nicolson

Na década de 70, surgiu um novo modelo proposto por Singer e Nicolson que difere em
alguns aspectos do modelo de Davson e Danielli.

Segundo Singer e Nicolson, a membrana citoplasmática seria constituída de uma dupla


camada lipídica entre as quais estariam encaixadas as moléculas de proteínas. As proteínas não
teriam posição fixa, e sim se deslocariam nessa dupla camada lipídica.

Com a mobilidade das proteínas, muitas substâncias podem entrar e sair da célula com mais
facilidade, pois essas proteínas podem funcionar como poros funcionais. Esses poros surgem
como resultado da movimentação das proteínas na dupla camada lipídica.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Figura 37: Estrutura da membrana segundo Singer e Nicolson

Figura 38: Apresentação tridimensional do modelo de membrana mosaico fluído

O modelo de Singer e Nicolson é o mais aceite actualmente e é denominado modelo do


mosaico fluido, já que a dupla camada lipídica seria fluida com um mosaico de proteínas
encaixadas.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Enquanto a estrutura da membrana é determinada pelos lípidos, a maioria das propriedades


da membrana são determinadas pelas proteínas. Algumas proteínas actuam como
transportadoras de substâncias para dentro ou para fora da célula. Outras proteínas actuam
como enzimas e outras como receptoras de membrana, reconhecendo substâncias próprias da
célula ou vindas do meio extracelular.

Figura 39: Funções das proteínas na membrana

Propriedades da membrana
As membranas gozam de um conjunto de propriedades físicas que determinam a sua
participação não só na estruturação física da célula, como no próprio funcionamento.
Destacam-se as seguintes propriedades:

a) Assimetria: As duas faces da membrana não possuem a mesma composição lipídica,


glucídica e proteica. Em geral, os glúcidos encontram-se presentes na face externa. Também
as cargas eléctricas se distribuem diferentemente, sendo a face citoplasmática, a que tem maior
carga negativa, em geral.

b) Fluidez: A membrana é uma estrutura fluida, o que significa que os seus componentes não
ocupam posições definidas e são susceptíveis de deslocações bidimensionais, de rotação ou de
translação. Esta propriedade deve-se ao facto de, em geral, não se estabelecerem ligações
fortes (covalentes) entre as diversas moléculas, mas, predominantemente, ligações lábeis
(ligações de Van der Walls e pontes de hidrogénio). Para além dos movimentos referidos,
também os fosfolípidos podem trocar de camada (flip-flop).

c) Permeabilidade diferenciada: A bicamada lipídica da membrana é impermeável aos iões,


diferentemente permeável às moléculas consoante o respectivo peso molecular e
lipossolubilidade, e francamente permeável à água e aos gases (azoto, oxigénio, dióxido de

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

carbono). Aplica-se-lhe, ainda que de forma pouco rigorosa, o conceito de membrana semi-
permeável.

d) Resistência à tracção: Apesar de os diversos componentes, nomeadamente os fosfolípidos


constituintes da bicamada, estarem unidos por ligações fracas, o certo é que a integração
dessas forças, em número extremamente elevado, confere à membrana uma determinada
resistência à tracção, responsável pela manutenção da individualidade da célula. A indução da
hemólise dos glóbulos vermelhos, através da sujeição destes a um meio hipotónico, põe em
destaque o limiar da resistência da membrana.

Funções da membrana
A membrana plasmática contém e delimita o espaço da célula, mantém condições adequadas
para que ocorram as reacções metabólicas necessárias. Ela selecciona o que entra e sai da
célula e ajuda a manter o formato celular.

Mecanismos de transporte através da membrana


A membrana plasmática é uma estrutura dinâmica que separa o meio extracelular do meio
intracelular. Uma das propriedades da membrana é ser selectivamente permeável, ou seja,
permite e/ou facilita a passagem de certas substâncias, e dificulta ou impede a passagem de
outras.

O transporte de material através da membrana plasmática ocorre pelos seguintes mecanismos:


transporte passivo (difusão simples, difusão facilitada e osmose) e o transporte activo
(primário e secundário).

Transporte Passivo

Ocorre a _____________ de um ___________ de concentração e não exige consumo de


__________ pela célula. São conhecidas duas modalidades de transporte passivo: O transporte
passivo ______________ e o __________ mediado.

A Osmose e difusão ______________ são exemplos claros de transporte passivo não mediado.

Na difusão simples, substâncias pequenas, apolares e lipossolúveis atravessam a


bicamada de fosfolípidos

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Figura 40: Difusão simples.

A osmose compreende o movimento da ______ (solvente), através de uma membrana


semipermeável, do sítio ____________ (menos concentrado) para o sitio _____________ (mais
concentrado).

Figura 41: Comportamento das células em diferentes soluções (esquerda) e sentido da osmose.(direita)

A pressão osmótica de uma solução define-se como a pressão que é necessária exercer para
impedir a osmose de água pura para a solução quando estas estão separadas por uma
membrana impermeável ao soluto

O exemplo claro de transporte passivo mediado é a difusão _______________, pois há


intervenção directa de proteínas da membrana.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Figura 42: Difusão facilitada.

Transporte Activo

Por definição, é o mecanismo de transporte que ocorre _______________ um gradiente de


concentração e com ________________ prévio de energia. Ocorre sempre com intervenção
directa dos constituintes da membrana.

Se a fonte de energia for o ATP denomina-se transporte activo primário (bomba


sódio/potássio ATPase) e se for proveniente do gradiente electroquímico gerado pelo
transporte de outras partículas, denomina-se transporte activo secundário.

Transporte em massa

As células também podem transportar macromoléculas através da sua membrana plasmática.


Para tal, utilizam os processos de endocitose e exocitose.

As células são capazes de englobar grandes quantidades de matéria "em bloco". Geralmente,
esses mecanismos são empregados para obtenção de macromoléculas, como proteínas,
polissacarídeos, ácidos nucléicos, etc. Essa entrada de matéria em grandes porções é chamada
endocitose. Esses processos de transporte de massa sempre são acompanhados por alterações
morfológicas da célula e de grande gasto de energia.

A endocitose pode ocorrer por dois mecanismos fundamentais:

Fagocitose é o processo pelo qual a célula engloba partículas sólidas, esse processo inicia com
a emissão de pseudópodes (projecções da membrana celular). Nos protozoários, a fagocitose é
uma etapa importante da alimentação, pois é a forma pela qual esses organismos unicelulares
conseguem obter alimentos em grandes quantidades de uma só vez. Nos metazoários, a
fagocitose desempenha papéis mais específicos, como a defesa contra microrganismos e a
remodelagem de alguns tecidos, como os ossos.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Figura 43: Transporte activo primário (a esquerda) e secundário (a direita).

Figura 44: Representação do transporte em massa

Pinocitose é processo pelo qual a célula engloba gotículas de líquido ou partículas de diâmetro
inferior a 1 micrómetro. Depois de englobadas por fagocitose ou por pinocitose, as substâncias
permanecem no interior de vesículas, fagossomos ou pinossomos. Nelas, são acrescidas
enzimas presentes nos lisossomas, formando o vacúolo digestivo

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A exocitose ocorre quando vesículas intracelulares se fundem com a membrana plasmática, é


uma forma de adicionar componentes à membrana plasmática.

CITOPLASMA E ORGANELAS

Citoplasma é toda a região da célula compreendida entre a membrana citoplasmática e o


núcleo. O citoplasma é dividido em duas porções: o citoesqueleto e hialoplasma.

Citoesqueleto
É um conjunto de microtúbulos e microfilamentos que mantém a forma das células e é
responsável pela contracção celular, pelos movimentos da célula e pelo deslocamento dos
organóides, vesículas e partículas no citoplasma.

Hialoplasma
Hialoplasma ou citosol compreende a parte líquida do citoplasma, nela encontram-se
mergulhadas as organelas citoplasmáticas que didacticamente podem ser classificadas em
organóides membranosos (retículo endoplasmático, o aparelho de Golgi, mitocôndrias,
lisossomas, peroxissomas e vacúolos) e não membranosos (ribossomas, centríolos e
citoesqueleto).

Ribossomas
São organóides não membranosos presentes em todos os tipos celulares. São responsáveis
pela síntese de proteínas. São constituídos por duas subunidades de ARN ribossómico e
proteínas. Os ribossomas podem ser encontrados livres no hialoplasma, associados às
membranas do retículo endoplasmático e ligados a uma fita de ARN mensageiro denominado
como polirribossomas.

Centríolos
São organelas citoplasmáticas não membranoso exclusivo de células eucariotas animais. Os
centríolos são constituídos por nove trincas de microtúbulos proteicos dispostos em círculo.
Normalmente uma célula apresenta um par de centríolos dispostos mais ou menos
perpendicularmente.

Os centríolos orientam a divisão celular, além de formar cílios e flagelos, estruturas contrácteis
que possibilitam o movimento da célula. Cílios são apêndices das células eucariotas com
movimento constante numa única direcção. Os cílios encontram-se na superfície apical de
algumas células, como é o caso das células do epitélio que reveste a traqueia e os brônquios.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Flagelos servem para a locomoção de organismos unicelulares. No homem o espermatozóide


é exemplo de célula flagelado.

Retículo endoplasmático
É um organóide membranoso que podem ser liso ou agranular e rugoso ou granular. A
diferença morfológica básica entre os dois tipos de retículo endoplasmático reside no facto de
o retículo rugoso apresentar inúmeros ribossomas associados às suas membranas. O retículo
endoplasmático liso tem como função, sintetizar lípidos e actua na desintoxicação celular.
O retículo endoplasmático rugoso, realiza a síntese de proteínas de exportação, como
anticorpos e enzimas. É importante salientar que ribossomas que não se encontram associados
às membranas do retículo sintetizam proteínas para consumo interno.

Aparelho de Golgi
O aparelho de Golgi foi descrito em 1898 pelo biólogo Italiano Camilo de Golgi, em estudos
com o tecido nervoso. Ela é constituída por estruturas semelhantes a sacos membranosos e
empilhado. Cada pilha de cisterna com suas vesículas associada constitui uma unidade do
complexo de Golgi que recebe o nome de dictiossoma.

O complexo de Golgi apresenta duas faces: a face cis ou de formação (onde se fundem as
vesículas de transporte ou vesículas de transição carregando proteínas ou lípidos originadas do
retículo endoplasmático) e a face trans ou de maturação (que liberta vesículas grandes
contendo o material já processado).

A maior parte das vesículas transportadoras que saem do retículo endoplasmático, e são
transportadas até ao complexo de Golgi, onde são modificadas, ordenadas e enviadas em
direcção aos seus destinos finais. Funciona como uma espécie de sistema central de
distribuição da célula, actua como centro de armazenamento, transformação e
empacotamento de substâncias na célula. É responsável também pela formação dos
lisossomas, da lamela média dos vegetais e do acrossomo do espermatozóide.

Lisossoma
É um organóide membranoso repleto de enzimas hidrolíticas implicadas na digestão celular.
O processo de digestão intracelular de uma substância, vinda do exterior da célula, é
designado de hecterofagia, neste processo a substância estranha entra por fagocitose, é
exemplo deste processo, a destruição de microrganismos (bactérias, protozoários) pelos
macrófagos; ao processo de digestão de uma substância e da própria célula, é designado de
autofagia e exemplo deste processo a destruição de organóides velhos.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Nestes dois mecanismos, as substancias a serem digeridas são previamente envolvidas por
membranas, formando uma estrutura designada de fagossomas.

Peroxissoma
Os peroxissomas são organóides esféricos, envolvidos por uma membrana, aprecem como
vesículas presente no citoplasma, sobretudo nas células vegetais. São relativamente pouco
conhecidos, mas sabe-se que exercem função de degradar o peróxido de hidrogénio, H2O2, (a
água oxigenada, substância potencialmente tóxica ao organismo por ser fonte de radicais
livres). Nela está presente uma típica enzima chamada catalase que quebra o peróxido de
hidrogénio em [água, H2O] e [oxigénio, O2] molecular.

Mitocôndrias
Organóides membranosos responsáveis pela respiração celular e síntese de energia química
sob a forma de ATP

Parede celular
A parede celular representa um envoltório rígido que se localiza externamente à membrana
citoplasmática, conferindo protecção e sustentação à célula. É uma estrutura típica de células
procariotas e eucariotas vegetais. A substância mais abundante da parede celular da célula
vegetal é a celulose, que se deposita na parede, exercendo importante função estrutural. Em
certos pontos desse revestimento não há depósito de celulose, determinando o aparecimento
de pequenas interrupções (poros) denominadas plasmodesmos. Eles representam elos de
ligações entre células vizinhas e possibilitam um maior intercâmbio de substâncias entre as
células que se unem.

As principais propriedades da parede celular são: Alta resistência, sendo rompida com
dificuldade; Permeabilidade, possibilitando a entrada e a saída de substâncias na célula.

Vacúolos
São cavidades existentes no citoplasma revestidas por membrana lipoproteica. Os tipos mais
comuns de vacúolos são:

a) Vacúolos de Armazenamento: São organelas típico de células eucariotas vegetais,


capazes de armazenar substâncias em seu interior. Em células jovens, os vacúolos são
numerosos e pequenos. Com o amadurecimento da célula, os vacúolos se reúnem,
formando uma cavidade ampla que ocupa quase toda a extensão da célula, deslocando

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

núcleo e citoplasma para a periferia. A membrana lipoproteica do vacúolo de


armazenamento é denominada tonoplasto.

b) Vacúolos Digestivos: Também denominados lisossomas secundários, são organelas


citoplasmáticas típicas de células eucariotas animais que realizam a digestão
intracelular. São formados a partir da fusão dos lisossomas primários com fagossomos
ou pinossomos.

c) Vacúolos Contrácteis: Também denominados vacúolos pulsáteis, são organelas


citoplasmáticas típicas de protozoários de água doce. A célula dos protozoários de água
doce é hipertónica em relação ao meio, ocorrendo, assim, entrada de água na célula, por
osmose. Os vacúolos contrácteis contraem-se ritmicamente, eliminando o excesso de
água da célula. Excretas da célula solúveis em água são eliminados a partir das
contracções dessas organelas.

Cloroplastos
São organóides típicos das células vegetais, responsáveis pela fotossíntese. Será estudado
detalhadamente no próximo capítulo.

NÚCLEO CELULAR

Uma das principais características da célula eucariota é a presença de um núcleo de forma


variável, porém bem individualizado e separado do restante da célula. O núcleo contém o
ADN (molécula implicada na transmissão das características hereditárias) e coordena todas as
actividades da célula.

Dentre os elementos que constituem o núcleo distinguem-se: membrana ou envoltório


nuclear, nucleoplasma, nucléolo e cromatina.

Membrana Nuclear
É uma continuidade do retículo endoplasmático rugoso, pois apresenta ribossomas aderido a
sua face externa. É invisível ao microscópio óptico comum. A membrana nuclear é dupla e
não é contínua, apresentam várias interrupções denominadas poros nuclear, por onde ocorrem
trocas diversas de substâncias entre o núcleo e o citoplasma.

Nucleoplasma
É um colóide que preenche o núcleo. É constituído principalmente de água e proteínas e nele
estão mergulhadas as estruturas nucleares.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Nucléolo
É uma estrutura nuclear que se encontra mergulhada no nucleoplasma, sendo observado em
número de um ou mais. É formado de ARN ribossômico e proteínas. É de realçar que os
nucléolos são responsáveis pela produção de ribossomas. Em células que sintetizam grande
quantidade de proteína, os nucléolos são mais numerosos e volumosos, já que eles formam os
ribossomas.

Figura 45: Núcleo celular

Cromatina
Dentro do núcleo encontramos a molécula de ADN associada a proteínas denominadas
histonas, a essa estrutura chamamos de cromatina. A cromatina está presente no núcleo de
células que não estão em processo de divisão. Isso ocorre porque quando a célula entra no
processo de divisão (mitose ou meiose) os filamentos que formam a cromatina passam por um
processo de espiralização, formando os cromossomas.

Estrutura dos Cromossomas


Ao longo de sua estrutura, um cromossoma apresenta uma ou mais constrições. A constrição
primária ou centrômero está presente em todos os cromossomas, representando um
estrangulamento que permite a identificação de braços. Quanto à posição ocupada pelo
centrômero, encontramos quatro tipos de cromossoma:

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Figura 46: Classificação dos cromossomas de acordo a posição do centrómero e número de cromátides

a) Cromossoma Telocêntrico: O centrómero é terminal e o cromossoma apresenta apenas


um braço. É o único tipo que não ocorre na espécie humana.

b) Cromossoma Acrocêntrico: O centrómero é subterminal e o cromossoma apresenta um


braço bem maior que o outro.

c) Cromossoma Submetacêntrico: O centrômero é quase mediano e o cromossoma


apresenta dois braços desiguais de dimensões próximas.

d) Cromossoma Metacêntrico: O centrômero é mediano e o cromossoma apresenta os dois


braços do mesmo tamanho.

Quanto ao número de braços, encontramos dois tipos de cromossomas: Cromossoma simples


(apresenta dois braços) Cromossoma duplo (apresenta quatro braços). A fase do ciclo de vida
de uma célula que precede a sua divisão é denominada interfase. Nessa fase, ocorre a
duplicação do material genético, com os cromossomas passando de simples a duplos.

Noção de Cariótipo

O número de cromossomas é constante entre indivíduos de mesma espécie, mas varia de


espécie para espécie. Quanto ao número de cromossomas, as células são classificadas em dois
tipos principais: Somáticas e germinativas.

Nas células somáticas, os cromossomas normalmente ocorrem formando pares. Os dois


cromossomas que constituem cada par são denominados cromossomas homólogos, que são
semelhantes na forma e no tamanho. As células que apresentam pares de cromossomas

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

homólogos são células diplóides (2n). As células somáticas da espécie humana (células que
formam o corpo) apresentam 46 cromossomas

Nos gâmetas, os cromossomas não ocorrem aos pares. Em cada gâmeta encontramos apenas
um cromossoma de cada par de homólogos. Assim, as células que não apresentam
cromossomas homólogos, possuindo apenas um cromossoma de cada par, são células
haplóides (n) e possuem metade do número de cromossomas das células diplóides desse
indivíduo. Cada gâmeta humano apresenta 23 cromossomas, e o zigoto (célula ovo) formado.

Ao conjunto de cromossomas típicos de uma espécie denomina-se cariótipo. O cariótipo


representa o conjunto diplóide (2n) de cromossomas das células somáticas de um organismo.
O cariótipo humano é constituído por 46 cromossomas dentre os quais 44 autossomas e 2
cromossomas sexuais ou heterossomas denominados X e Y.

O cariótipo humano pode ser assim representado:

 Sexo masculino - 44 autossomos + XY

 Sexo feminino - 44 autossomos + XX

Figura 47: Cariótipo humano

Noção de Genoma

Corresponde ao número haplóide (n) de cromossomas da espécie. Assim sendo, uma


célula haplóide (n) tem um genoma, um diplóide (2n) tem dois e uma triplóide (3n) tem
três.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

O CICLO CELULAR e a DIVISÃO CELULAR

O CÍCLO CELULAR

A sequência ordenada de eventos que levam à duplicação do ADN e divisão da célula


denomina-se ciclo celular

O ciclo celular pode ser dividido em dois momentos: interfase e divisão celular (que pode ser
por mitose ou meiose). Como ocorrem muitos eventos tanto na interfase quanto na divisão
celular, nós os dividimos em subfases, como mostra a figura abaixo

Figura 48: Representação do ciclo celular (a esquerda) e microfotografia da divisão celular

INTERFASE
Conceito

Período que vai desde o fim de uma divisão celular e o início da divisão seguinte. Como os
cromossomas estão pouco condensados e dispersos pelo núcleo não são visíveis a microscópio
óptico. Nesta fase, por microscopia, não visualizamos modificações tanto no citoplasma
quanto no núcleo. As células porém estão em intensa actividade, sintetizando os componentes
que irão constituir as células filhas.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Períodos da interfase

Período G1

Primeiro período da interfase é o G1 (do inglês gap, intervalo). Ocorre uma intensa actividade
de biossíntese (proteínas, enzimas, ARN, etc.) e formação de mais organelas celulares o que
implica crescimento celular. No final desta fase a célula faz uma "avaliação interna" a fim de
verificar se deve prosseguir o ciclo celular. Caso a avaliação seja negativa, as células não vão
se dividir, passando ao estado G0 que dependendo da célula pode ter uma duração variada,
(Ex: neurónios, fibras musculares, etc.) e se a avaliação for positiva passa-se à fase seguinte
sendo o processo irreversível.

Período S

Ocorre a auto-replicação semi-conservativa do ADN, passando cada cromossoma a possuir


duas cromátides ligados pelo centrómero.

Período G2

Neste período a célula certifica-se de que todo o ADN já foi duplicado e cresce um pouco
mais, se for necessário. Ocorre também a duplicação dos centríolos (o que implica na
formação de dois pares) se a célula for animal (uma vez que estes não existem em células
vegetais).

Importância da interfase. A interfase tem por finalidade promover a duplicação dos


cromossomas (material genético) para que a célula possa entrar em divisão.

MITOSE
Conceito: É um processo de divisão celular em que uma célula mãe, diplóide (2n) com
cromossomas duplos, origina duas células filhas com o mesmo número de cromossomas da
célula mãe, porém simples. Estas células filhas são geneticamente idênticas entre si. A mitose
é uma divisão equacional, já que o número de cromossomas da célula mãe é mantido em cada
uma das células filhas.

Fases da Mitose

A mitose e subdividida em cinco fases: Prófase, Metáfase, Anáfase e Telófase. Em algumas


bibliografias actuais dividem a mitose em 5 fase: Prófase, Pro-metáfase, Metáfase, Anáfase e
Telófase.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Figura 49: Eventos da mitose

Prófase

No início da mitose, numa célula diplóide, o centrómero e os cromossomas encontram-se


duplicados. Na prófase os cromossomas condensam-se, tornando-se visíveis ao microscópio
óptico. Cada cromossoma é constituído por duas cromátides unidos pelo centrómero,
chamados cromossomas duplos. Depois, os centríolos deslocam-se para pólos opostos da
célula, iniciando-se, entre eles, a formação do fuso acromático ou fuso mitótico. Entretanto,
no final da prófase o invólucro nuclear desorganiza-se e os nucléolos desaparecem.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Metáfase

É a fase mitótica em que os centrómeros dos cromossomas estão ligados às fibras


cinetocóricas que provêm dos centríolos, que se ligam aos microtúbulos do fuso mitótico. As
cromátides tornam-se bem visíveis e logo em seguida partem-se para o início da anáfase. É
nesta altura da mitose, que os cromossomas condensados alinham-se no centro da célula,
formando a chamada placa metafásica ou placa equatorial.

Essa é a etapa em que os estudos do cariótipo são realizados, pois os cromossomas estão
totalmente condensados.

Anáfase

Quebram-se os centrómeros, separando-se os dois cromátides que passam a formar dois


cromossomas independentes. As fibrilas ligadas a estes dois cromossomas encolhem, o que faz
com que estes se afastem (migrem) para pólos opostos da célula – ascensão polar dos
cromátides filhas. O que leva a que no final em ambos os pólos haja o mesmo número de
cromossomas com o mesmo conteúdo genético e igual ao da célula mãe.

Telófase

Durante a telófase os cromossomas descondensam tornando-se menos visíveis. O invólucro


nuclear reorganiza-se em torno de cada conjunto de cromossomas e reaparecem os nucléolos.
O fuso acromático desaparece e dá-se por concluída a citocinese. Citocinese é a divisão do
citoplasma que leva à individualização das células filhas.

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Na célula animal (sem parede celular) forma-se na zona equatorial um anel contráctil de
filamentos proteicos que se contraem puxando a membrana para dentro levando de início ao
aparecimento de um sulco de clivagem que vai estrangulando o citoplasma, até se separem as
duas células-filhas.

Nas células vegetais (com parede celular) como a parede celular não permite divisão por
estrangulamento, um conjunto de vesículas derivadas do complexo de Golgi vão alinhar-se na
região equatorial e fundem-se formando a membrana plasmática, o que leva à formação da
lamela mediana entre as células-filhas. Posteriormente ocorre a formação das paredes
celulares de cada nova célula que cresce da parte central para a periferia. (Como a parede das
células não vai ser contínua, vai possuir poros — plasmodesmos, que permitem a ligação entre
os citoplasmas das duas células).

Importância da Mitose. Este tipo de divisão celular tem como finalidade a multiplicação
celular como forma de reprodução assexuada nos seres unicelulares (cissiparidade ou
bipartição) e, nos seres pluricelulares, a mitose possui três funções básicas e são elas:
crescimento do organismo, regeneração de lesões, renovação dos tecidos.

MEIOSE

Introdução
A meiose (do grego, meioum, diminuir) é um tipo especial de divisão celular, exclusiva dos
organismos que se reproduzem de forma sexuada. Em muitos protozoários, algas e fungos, a
reprodução é assexuada, ou seja, por divisão celular simples ou mitose. Neste caso, todos os
descendentes têm uma herança que provem de um só antecessor.

Figura 50: Forma de manutenção no número de cromossomas

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Na maioria dos organismos multicelulares (animais e vegetais), no entanto, a reprodução


é realizada por meio de gâmetas ou células sexuais geradas por meiose – espermatocitos e
ovócitos nos animais – os quais se unem por denominado fecundação como se vê na figura
abaixo.

O cariótipo humano possui 46 cromossomas (44+XY no homem; 44+XX na mulher). Se a


divisão fosse por mitose, cada gâmeta teria 46 cromossomas e o zigoto 92. Visto que isso se
repetiria por gerações sucessivas, o número de cromossomas se duplicaria de geração em
geração. A meiose é mecanismo usado pelos organismos para evitar que isso ocorra.

Conceito

É um processo de divisão celular em que uma célula mãe, sempre diplóide, com cromossomas
duplos, origina quatro células filhas com metade do número de cromossomas da célula mãe,
porém simples.

A meiose consta de duas divisões. No entanto, só vai haver uma duplicação cromossômica,
razão pela qual uma célula, que vai entrar em meiose, necessite apresentar cromossomas
duplos. A primeira divisão da meiose é denominada divisão reducional, já que o número
cromossômico é reduzido à metade. A segunda divisão da meiose é denominada divisão
equacional, já que é mantido o número cromossómico.

Fases da meiose

A meiose compreende duas divisões celulares (meiose 1 e meiose 2). A meiose I se distingue
da meiose II e da mitose) porque sua prófase é muito longa e em seu percurso os cromossomas
homólogos se emparelham e se recombinam para intercambiar material genético1

A meiose consta de duas divisões. No entanto, só vai haver uma duplicação cromossômica,
razão pela qual uma célula, que vai entrar em meiose, necessite apresentar cromossomas
duplos.

A primeira divisão da meiose é denominada divisão reducional, já que o número


cromossômico é reduzido à metade. A segunda divisão da meiose é denominada divisão
equacional, já que é mantido o número cromossômico.

Prófase I
Por ser uma fase longa é subdividida nas seguintes fases:

 Leptóteno (do grego leptós, delgado e nêma, filamento): nesta fase


os cromossomos aparecem pouco condensados (filamentos

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

delgados). Cromômeros visíveis .

 Zigóteno (do grego zigón, parelha): nesta fase ocorre a sinapse ou


emparelhamento dos cromossomas homólogos.

 Paquíteno (do grego pachýs, grosso): os cromossomas se encurtam e


o emparelhamento dos cromossomas homólogos se completa.
Porem o mais importante deste período é ocorre o intercâmbio de
segmentos de ADN entre as cromátides homólogas, fenómeno
designado recombinação genética (em inglês, crossing-over).

 Diplóteno (do grego diplóos, duplo): começa-se a separação dos


cromossomas homólogos; essa separação não chega a ser completa,
porque existem certos pontos de união entre os cromossomas
homólogos, designados de quiasmas.

 Diacinese (do grego dia, através). Terminalização dos quiasmas.


Desaparecimento do nucléolo e desintegração do envelope nuclear.

Figura 51: Eventos da meiose I

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Metáfase I

Nesta fase os cromossomas homólogos emparelhados encontram-se dispostos no plano


equatorial da célula.

Anáfase I

Ocorre a disjunção cromossómica (separação dos cromossomos homólogos) que depois


migram para polos opostos.

Telófase I

Cromossomos duplicados chegam aos pólos da célula. São formadas duas células
haplóides com a metade dos cromossomas da célula mãe porém duplos.

Figura 52: Eventos da meiose I e II

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Manual de Biologia. II CITOLOGIA

Intercinese

O estadio entre as duas divisões meióticas é chamado intercinese e nesta fase não ocorre nova
duplicação de ADN.

Prófase II

Desintegração do envoltório nuclear e formação de dois novos fusos, geralmente


perpendiculares ao primeiro.

Metáfase II

Cromossomos dispostos no plano equatorial da célula e ainda duplicados.

Anáfase II

Ocorre a divisão dos centrómeros e separação das cromátides

Telófase II

Chegada dos cromossomos-filhos aos pólos da célula. Descondensação cromossómica. O


envoltório nuclear organiza-se e o nucléolo reaparece. São formadas quatro células-filhas
haplóides com metade do número de cromossomos da célula mãe.

Figura 53. Eventos da meiose II

Importância biológica da meiose. Mantém o número de cromossomos da espécie constante


por ser um processo reducional, permite a recombinações génicas (crossing-over ou
permutação) o que proporciona aumento na variabilidade das espécies.

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Manual de Biologia. II – CITOLOGIA

Gametogênese

É um processo pelo qual os gametas são produzidos nos organismos dotados de


reprodução sexuada. Nos animais, a gametogénese acontece nas gônadas.

O evento fundamental da gametogénese é a meiose, que reduz à metade a


quantidade de cromossomos das células, originando células haplóides. Na
fecundação, a fusão de dois gametas haplóides reconstitui o número diplóide
característico de cada espécie.
Espermatogénese é o processo de formação das células sexuais masculinas,
os espermatozóides.

Oogénese ou ovogénese é o processo de formação das células sexuais


femininas, os óvulos. No entanto nos seres humanos bem como na maioria dos
mamíferos este processo só termina se após a ovulação ocorrer a fecundação do
ovócito II que se encontra em metáfase II.

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Manual de Biologia. III – OS VÍRUS

UNIDADE III – OS VIRUS


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS VÍRUS

Em 1884, Chamberland, trabalhando no laboratório de Pasteur, descobriu que ao passar um


líquido contendo bactéria através de um filtro de porcelana, as bactérias ficavam
completamente retidas e a solução ficava estéril. Em 1892, Dimitri Ivanovski aplicou este teste
a um filtrado de plantas que sofriam da doença do mosaico do tabaco e obteve resultados
surpreendentes. O filtrado era capaz de produzir a doença original em novos hospedeiros.
Quando repetido, as filtrações produziram os mesmos resultados e nada podia ser visto ao
microscópio óptico, nem podia ser cultivado a partir dos filtrados. Ivanovski e colaboradores
concluíram que haviam descoberto uma nova forma patogénica de vida, a que chamaram por
“vírus”.

Virologia é o ramo da microbiologia que trata do estudo dos vírus e suas relações com as
bactérias, as plantas e os animais. Os vírus constituem a forma de vida mais simples
encontrada no nosso planeta, e só podem ser observadas com o auxílio do microscópio
electrónico.

Origem dos vírus

Várias são as hipóteses que procuram explicar a origem dos vírus e a mais aceite atualmente a
hipótese da origem celular.

 Hipótese da volução química: os vírus podem representar micróbios extremamente


reduzidos, formas primordiais de vida que apareceram separadamente na sopa primordial
que deu origem às primeiras células. Com base nisto as diferentes variedades de vírus
teriam tido origens diversas e independentes. No entanto, esta hipótese tem pouca
aceitação.

 Hipótese da evolução retrógrada: os vírus teriam se originado a partir de


microrganismos parasitas intracelulares que ao longo do tempo perderam partes do
genoma responsáveis pela codificação de proteínas envolvidas em processos metabólicos
essenciais, mantendo-se apenas os genes que garantiriam aos vírus sua identidade e
capacidade de replicação.

 Hipótese do ADN auto-replicante: os vírus originaram-se a partir de sequências de


ADN auto-replicantes (plasmídeos e transposons) que assumiram uma função parasita para
sobreviverem na natureza.

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Manual de Biologia. III – OS VÍRUS

 Hipótese da origem celular: os vírus podem ser derivados de componentes de


células de seus próprios hospedeiros que se tornaram autónomos, comportando-se como
genes que passaram a existir independentemente da célula. Algumas regiões do genoma de
certos vírus se assemelham-se a sequências de genes celulares que codificam proteínas
funcionais. Esta hipótese é apontada como a mais provável para explicar a origem dos
vírus.

Estrutura dos vírus


São seres vivos acelulares pelo fato de não apresentarem organização celular, possuindo
apenas uma cápsula protéica denominada capsídeo em cujo interior existe um filamento de
ácido nucléico (ADN ou ARN). Os dois tipos de ácidos nucléicos nunca são encontrados em
um mesmo vírus. Assim, observamos que os vírus herpes da hepatite B (HBV) contêm ADN,
enquanto os vírus da hepatite C (HCV) e da imunodeficiência humana (HIV) contém ARN.

Figura 54: Esquema da estrutura do vírus HIV (ou VIH) e do vírus da hepatite B

Vírus, matéria bruta ou matéria viva?


Alguns autores consideram os vírus seres de transição entre a matéria bruta e a matéria viva
em função de algumas de suas características. O poder de cristalização, a estrutura acelular e a
capacidade de difracção de raio-X são característicos da matéria bruta que estão presentes nos
vírus.

Por outro lado, a presença de ácido nucléico, a capacidade de reprodução no interior das
células e o poder de mutação ilustram características da matéria viva presentes nesses
organismos. Os vírus não possuem metabolismo próprio, sendo dependente de uma célula
hospedeira, razão pela qual são considerados como parasitas intracelulares obrigatórios.

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Manual de Biologia. III – OS VÍRUS

Quando as condições do meio não são favoráveis aos vírus, pode ocorrer a cristalização dos
mesmos.

Ciclo viral
O ciclo de vida dos vírus compreende as seguintes fases:

 Adesão e fixação a receptores situados na membrana das células;

 Penetração;

 Multiplicação – nesta fase ocorre a replicação do ácido nucléico e as sínteses das proteínas
do capsídeo. Os ácidos nucléicos e as proteínas sintetizadas se desenvolvem com rapidez,
produzindo novas partículas de vírus;

 Lise e liberação: as novas partículas de vírus saem para infectar novas células.

Figura 55: Ciclo viral

Algumas doenças causadas por vírus. Síndrome de imunodeficiência adquirida, Hepatites A,


B e C, Poliomielite, Varicela, Gripe A, Rubéola, Dengue, Febre amarela, Raiva

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Manual de Biologia. III – OS VÍRUS

Estudo dos retrovírus

Os retrovírus são vírus que apresentam como material genético o _________, que ao penetrar
na célula humana, necessitam de transcrição para ácido desoxirribonucléico (ADN), através
da enzima ___________ _______________________. Os retrovírus humanos são classificados
em três subgrupos oncovírus que inclui HTLV-I e HTLV-II, lentivírus que inclui HIV-I e HIV-
2 e o spumavírus.

A ___________ da imunodeficiência _________ ou SIDA é causada pelo vírus da


___________ humana. A epidemia da SIDA foi primeiramente reconhecida em 1983 quando
Luc Montagnier e seus colegas reivindicaram terem descoberto outro retrovírus, o HIV.

A doença tem sido descrita como um processo contínuo de disfunção imune pela perda de
células T CD4+, que começa desde a hora da contaminação e progride, conduzindo
finalmente à síndrome, com infecções oportunistas ou malignidades que constituem a clínica
definida da SIDA.

A transmissão se dá por: contacto ________, transmissão ___________ de mãe para criança,


partilha de objetos cortantes ou perfurantes ___________ com sangue.

Embora o vírus tenha sido isolado de vários fluidos corporais como saliva, urina, lágrimas,
somente o contato com sangue, __________, secreções __________ e leite materno têm sido
implicados como fontes de infecção.

Dados laboratoriais e epidemiológicos não provêm qualquer suporte à possibilidade de


infecção por HIV por qualquer das seguintes vias teóricas de transmissão: contacto
interpessoal não sexual e não percutâneo (contacto casual), vectores artrópodes (picadas de
insectos), fontes ambientais (aerossóis, por exemplo), além de instalações sanitárias.

As doenças venéreas são consideradas como co-factores, porque aumentariam a


susceptibilidade do indivíduo a contrair a infecção do HIV, por apresentarem lesões genitais.
Entre elas estão: as úlceras genitais, como aquelas causadas por cancro mole (Linfogranuloma
venéreo), pelo cancro duro (Sífilis) e pela Herpes simples genital, consideradas condições
facilitadoras da transmissão sexual do HIV. Outros co-factores adicionais são: a
promiscuidade, a multiplicidade de parceiros (as), o trauma genital durante o coito e a
exposição ao sangue (menstruação).

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Manual de Biologia. IV – ESTUDO DAS BACTÉRIAS E PROTOZOÁRIOS

UNIDADE IV –BACTÉRIAS E PROTOZOÁRIOS

ESTUDO DAS BACTÉRIAS


São organismos unicelulares e procariotas ou seja, não possuem envoltório nuclear, nem
organelas membranosas.

ESTRUTURA DAS BACTÉRIAS

A célula bacteriana apresenta, externamente à membrana citoplasmática, um envoltório rígido


denominada parede celular. Ao contrário da parede celular presente na célula vegetal, a
parede bacteriana não contém celulose, sendo formada por mucopolissacáridos. As bactérias
aeróbias apresentam uma invaginação da membrana citoplasmática denominada mesossoma.
Nessa estrutura, observamos enzimas que participam do processo de respiração celular
aeróbia. Algumas bactérias apresentam externamente à parede celular uma estrutura
denominada cápsula que protege a célula e aumenta a sua patogenicidade, já que evita a
fagocitose pelas células de defesa do organismo parasitado. Outras bactérias apresentam
flagelos relacionados à sua locomoção. O nucleóide de uma bactéria contém ADN e
proteínas, estando o ARN presente no citoplasma associado às proteínas, formando os
ribossomas.

Figura 41: Estrutura das bactérias

Forma das bactérias

As bactérias são classificadas quanto à forma em quatro tipos morfológicos básicos: cocos,
bacilos, espirilos e vibriões. Os cocos são bactérias arredondadas que podem ter vida isolada ou

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Manual de Biologia. IV – ESTUDO DAS BACTÉRIAS E PROTOZOÁRIOS

formar colónias. Dois cocos agrupados formam um diplococo, vários cocos enfileirados
formam um estreptococo, enquanto vários cocos dispostos em cacho formam um estafilococo.
Os bacilos são bactérias alongadas em forma de bastonete. Os espirilos ou espiroquetas são
bactérias de forma espiralada. Os vibriões são bactérias cuja forma lembra uma vírgula. A
figura abaixo mostra as diferentes formas de bactérias

Fig 42: Diferentes formas das bactérias.

Respiração das Bactérias

A respiração celular consiste em um processo de degradação de compostos orgânicos para


produção de energia. Esse processo pode ocorrer sem consumo de oxigénio ou com utilização
desse gás. No primeiro caso, temos a respiração anaeróbia ou fermentação e no segundo, a
respiração aeróbia.

A maior parte das bactérias obtém energia através da fermentação, que pode formar álcool
etílico (fermentação alcoólica) ou ácido láctico (fermentação láctica). A oxidação do álcool
etílico forma ácido acético, processo esse erroneamente denominado fermentação acética. As
bactérias anaeróbias podem ser estritas, quando não suportam a presença do oxigénio, ou
facultativas quando suportam a presença desse gás

Nutrição das Bactérias

A maior parte das bactérias são heterotróficas, isto é, absorvem o alimento do ambiente onde
vivem. As bactérias heterotróficas mais numerosas obtêm seu alimento a partir da
decomposição da matéria orgânica, sendo imprescindíveis na reciclagem da matéria, já que
formam matéria inorgânica que é devolvida ao ambiente. Bactérias com essa capacidade são
denominadas saprófltas.

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Manual de Biologia. IV – ESTUDO DAS BACTÉRIAS E PROTOZOÁRIOS

Algumas bactérias são autotróficas, isto é, produzem seu próprio alimento. A maioria das bactérias
autotróficas são quimiossintetizadores, isto é, produzem o próprio alimento através da
quimiossíntese, que utiliza a energia liberada em reacções de oxidação de substâncias inorgânicas.
Entre as bactérias autotróficas quimiossintetizadores destacamos as sulfobactérias, ferrobactérias e
nitrobactérias que oxidam compostos que contêm enxofre, ferro e nitrogénio, respectivamente.

Entre as bactérias autotróficas, existem aquelas que são fotossintetizadoras, isto é, produz o
próprio alimento através da fotossíntese, que utiliza a energia luminosa. A fotossíntese bacteriana
é também denominada foto-redução e utiliza, ao invés de água, o sulfato de hidrogénio (H2S) não
liberando oxigénio. O pigmento que absorve a energia luminosa é denominado bacterioclorofila e
está presente no hialoplasma uma vez que as bactérias não apresentam cloroplastos. Observe a
equação geral da fotossíntese bacteriana.

Reprodução das Bactérias

A reprodução das bactérias pode ser assexuada, quando não ocorre mistura de material genético,
ou sexuada, quando ocorre mistura de material genético.

Reprodução assexuada: é o principal tipo de reprodução das bactérias e ocorre por cissiparidade
ou bipartição ou divisão binária. Através desse processo, uma bactéria mãe duplica o seu material
genético (nucleóide) e se divide originando duas bactérias filhas geneticamente idênticas à bactéria
mãe, não ocorrendo assim variabilidade genética. Ao conjunto de organismos geneticamente
idênticos originados por processo assexuado de reprodução denominamos CLONE.

Reprodução sexuada: através da reprodução sexuada ocorre a recombinação de material genético


de bactérias diferentes, permitindo o surgimento de grande variedade de tipos dentro da espécie.
Essa variabilidade genética é importante na evolução, acelerando os processos evolutivos. A
reprodução sexuada das bactérias pode ocorrer através de três processos: conjugação,
transformação e transdução.

Doenças causadas por bactérias

DOENÇA AGENTE
Febre tifóide Salmonela tiphy
Tétano Clostridium tetani
Gonorreia Neisseria gonorrheae
Sífilis Treponema pallidum
Cólera Vibrio cholerae
Lepra Mycobacterium leprae
Tuberculose Mycobacterium tuberculosis

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Manual de Biologia. IV – ESTUDO DAS BACTÉRIAS E PROTOZOÁRIOS

e a descoberta
da penicilina
Alexander Fleming (1881-1955) foi um médico inglês,
que descobriu a penicilina, antibiótico descoberto
através da substancia que se movia em torno de um
fungo da espécie Penicillium notatum. Identificou e
isolou a lisozima, uma enzima bacteriostática, que
impede o crescimento de bactérias, presentes em certos
tecidos e secreções animais.

Em 1928 era professor do colégio de cirurgiões e


estudava o comportamento da bactéria Staphylococcus
aureus, quando observou uma substancia que se movia
em torno de um fungo da espécie Penicillium notatum,
demonstrando grande capacidade de absorção dos estafilococos. Fleming batizou essa substancia com o
nome de penicilina e, um ano mais tarde, publicou os resultados do estudo no British Journal of
Experimental Pathology.

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS PROTOZOÁRIOS

Características gerais
Os protozoários são organismos aclorofilados, heterotróficos e unicelulares, podendo apresentar
vida isolada ou colonial. Os protozoários, ao contrário dos demais protistas, não apresentam
parede celular. Estão presentes nos mais variados ambientes, com espécies em água salgada, água
doce e no ambiente terrestre húmido. A maioria das espécies são de vida livre. Alguns
protozoários são parasitas, existindo ainda espécies comensais e espécies que estabelecem uma
relação de mutualismo com outros organismos. O glicogénio é a principal substância de reserva
alimentar, sendo formado através da polimerização de várias moléculas de glicose.

Doenças causadas por protozoários

DOENÇA AGENTE
Paludismo Plasmodium
Tricomoníase Trichomona vaginalis
Giardíase Giárdia lamblia
Amebíase Entamoeba histolytica
Toxoplasmose Toxoplasma gondii
Balantidíse Balantidium coli

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

UNIDADE V – A GENÉTICA
INTRODUÇÃO

O termo genética foi aplicado pela primeira vez em 1905 pelo biologista inglês William
Bateson (1861 - 1926), a partir de uma palavra grega “Genetikós” que significa gerar, para
definir o ramo das ciências biológicas que estuda e procura explicar os fenómenos
relacionados com a hereditariedade.

A hereditariedade trata do estudo da transmissão de características biológicas de célula para


célula, de pai para filho e, assim, de geração para geração. Estas características a serem
transmitidas podem ser morfológicas (ex.: altura, cor dos olhos), bioquímicas (ex.: enzimas,
metabolismo), fisiológicas (ex.: comportamento) e patológicas (ex.: albinismo, anemia
falciforme).

Uma das principais perguntas que todos faziam nos séculos passados, e até nos dias de hoje, é
como os caracteres físicos e funcionais são transmitidos de pais a filhos. Uma das hipóteses
mais antigas registadas na história da Biologia foi a da pré-formação ou progênese. Ela
admitia que, no interior dos gâmetas, já existia uma microscópica miniatura de um novo
indivíduo. Essa minúscula criatura, que recebeu o nome de homúnculo, deveria crescer, após
a fecundação, até originar um organismo com as dimensões próprias da espécie.

Gregor Mendel é considerado "o pai da genética" por ter estabelecido, os princípios básicos
da hereditariedade, através de experimentos cujas conclusões são conhecidas como 1ª e 2ª lei
da hereditariedade que serão estudadas mais adiante depois de conhecermos as bases
moleculares da hereditariedade.

GENÉTICA MOLECULAR

A molécula responsável pelo armazenamento da informação a ser transmitida dos


progenitores aos descendentes é o ADN (já estudado no capítulo sobre Bioquímica Celular);
ele possui as unidades da hereditariedade – os genes – que são definidos como um conjunto
sequencial e específico de bases nitrogenadas do ADN que codifica a sequência de
aminoácidos para a síntese de uma determinada cadeia polipeptídica de uma proteína.

Desenvolvimento da genética como ciência


Os princípios estabelecidos por Gregor Mendel no séc. XIX permitiram explicar os
mecanismos da hereditariedade; porém, as bases moleculares que sustentam tais mecanismos
só foram descobertas mais tarde devido aos extraordinários estudos dos seguintes cientistas:

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

 Friedrich Miescher: descobriu que o material responsável pela hereditariedade


encontrava-se no núcleo, e o chamou de “nucleína”.

 Thomas Morgan: criou a chamada “Teoria Cromossómica da Hereditariedade”


afirmando que o material responsável pela hereditariedade encontrava-se nos
cromossomas.

 Oswald Avery e colaboradores: descobriram a natureza química deste material a que


os outros se referiam, afirmando ser um ácido.

 James Watson e Francis Crick: descobriram a estrutura do tal material (o ADN),


estrutura esta reconhecida e usada até aos nossos dias.

O Dogma Central da Biologia Molecular (DCBM)


Teoria que explica os mecanismos de perpetuação e expressão da informação genética,
estabelecendo uma relação entre o ADN, ARN e proteínas. Segundo o DCBM, a informação
genética pode perpetuar-se através da replicação do ADN ou pode expressar-se através da
transcrição do ADN para ARN e consequente tradução para proteínas. Deste modo, o DCBM
está constituído de 3 processos fundamentais:

Replicação: processo através do qual através de enzimas específicas o ADN faz uma cópia de
si mesmo, garantindo a perpetuação ou continuidade da informação genética através da
transferência desta cópia à células-filhas tal como ocorre na divisão celular.

Transcrição: processo no qual um determinado gene no ADN “gera” uma molécula de ARN.
Neste processo as bases nitrogenadas do gene a ser transcrito vão emparelhando-se com as
bases da futura molécula de ARN invertendo a ordem de emparelhamento: de A-T, C-G para
A-U, CG (fig. 55). Saiba que neste processo os constituintes bioquímicos (bases nitrogenadas,
ribose, grupo fosfato) da cadeia de ARN a ser construída já se encontram previamente na
célula, sendo obtidos pela dieta e/ou sintetizados por outros processos. Ao fim da sua síntese
a cadeia de ARN solta-se das de ADN e migra para o citoplasma para ser “traduzida” em
proteínas pelos ribossomas.

Figura 56. Transcrição:


As cadeias de ADN estão
representadas em azul, a
de ARN em amarelo e o
gene em vermelho.

Cada sequência de 3 bases na cadeia de ARN forma um códon ou codão (fig. 2) e cada codão
corresponde a um aminoácido específico (ex.: AUG=Metionina) que será adicionado à cadeia

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

polipeptídica durante o processo de tradução. Os codões UAA, UAG e UAA constituem os


anti-codões: são codões que não codificam nenhum aminoácido e que aquando da tradução
significam “fim da tradução”, ou seja, indicam ao ribossoma o fim da cadeia polipeptídica da
proteína a ser sintetizada.

Figura 57. Tabela dos codões

Existem 3 tipos de ARN:

 ARN mensageiro (ARNm): contém o código genético para a síntese de uma determinada
proteína (representado na fig. 1).

 ARN ribossómico (ARNr): faz parte da constituição dos ribossomas e tem a função de “ler” o
ARNm e montar as cadeias polipeptídicas.

 ARN transportador (ARNt): transporta os aminoácidos dispersos no hialoplasma para os


ribossomas para constituírem as cadeias polipeptídicas.

Tradução: neste processo são finalmente montadas as cadeias polipeptídicas da proteína nos
ribossomas através do código genético contido no ARNm segundo a tabela dos codões. Para o
ARNm da fig. 55 teríamos uma cadeia polipeptídica com a seguinte sequência de
aminoácidos: Metionina-Leucina-Glutamina.

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

É através destes processos que o DCBM explica não só a função do núcleo no controlo das
atividades gerais da célula (quando por exemplo ordena que se sintetize uma determinada
proteína necessária ao organismo naquele momento) como também a expressão de um
determinado gene sobre uma determinada característica hereditária (ex.: a cor da pele,
depende da quantidade de melanina produzida pelos melanócitos através da ação da enzima
tireosinase que, como todas as outras proteínas é codificada por um gene específico no ADN
que nos albinos apresenta uma mutação).

CONCEITOS GERAIS EM GENÉTICA

Para se perceber os mecanismos da hereditariedade é necessário antes dominar os seguintes


conceitos:

Gene ou unidade da hereditariedade

Porção de uma molécula de _____________ que codifica a sequência de ____________ para


___________ de uma determinada cadeia polipeptídica de uma ______________.

Lócus (no plural: loci)

Local definido do cromossoma ocupado por um gene.

Exemplo: O gene que codifica a proteína protrombina encontra-se no lócus


11p11, ou seja, na banda 11 do braço curto do cromossoma 11: o 1º número
indica o cromossoma, a letra indica o braço do cromossoma (p=curto, q=longo)
e o 2º número indica a banda do braço do cromossoma. Desta forma
podemos dizer que o lócus indica o “endereço” do gene no
cromossoma que é invariável em cada espécie, ou seja, em todos os
seres humanos os codões encontrados no lócus 11p11 codificam a
sequência de aminoácidos para a síntese de protrombina.

Como sabemos, nas células diplóides (2n) os cromossomas


ocorrem aos pares. Os dois cromossomas do mesmo par são
iguais e denominam-se homólogos.
Figura 58: Cromossomas homólogos

Alelo

Genes alternativos, que ocupam mesmo loci em cromossomas homólogos e que são
responsáveis pela transmissão de um mesmo carácter. Cada alelo determina uma das

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

variedades do mesmo carácter (por exemplo, para o caráter altura existirá hipoteticamente um
alelo para “alto” e outro alelo para “baixo”).

Os alelos de cada carácter são representados simbolicamente pela mesma letra do alfabeto, um
com letra maiúscula (denominado dominante) e outro com letra minúscula (denominado
recessivo). Quando um indivíduo para um determinado carácter herda dois alelos diferentes,
isto é, um dominante e outro recessivo (por exemplo Aa), dir-se-á heterozigoto ou híbrido
para aquele carácter; ao passo que se herdar dois alelos iguais, isto é, dois dominantes ou dois
recessivos, chamar-se-á homozigoto dominante (ex.: AA) ou homozigoto recessivo (ex.: aa)
respectivamente.

Genótipo

É a constituição genética de um indivíduo, ou seja, a soma dos factores hereditários (genes)


que o indivíduo recebe dos pais, e que transmitirá aos seus próprios filhos. Não é visível, mas
pode ser deduzido pela análise dos ascendentes e descendentes desse indivíduo. É
representado por 2 letras para cada carácter.

NOTA: O genótipo será representado por um ou mais pares de genes. Nos problemas, por duas ou mais
letras. Um gâmeta (espermatozóide ou óvulo) será representado por apenas um gene de cada par. Nos
problemas, apenas por uma letra; tal como veremos nos exercícios de aplicação das leis de Mendel.

Fenótipo

É a expressão da actividade do genótipo, mostrando-se como a manifestação visível ou


detectável do carácter considerado. É a soma total de suas características de forma, tamanho,
cor, tipo sanguíneo, etc.

Exemplo 1: o João tem os olhos castanhos (fenótipo), pois herdou os genes/ alelos (genótipo) que
codificam o aparecimento de tal cor dos olhos.

Exemplo 2: a protrombina (fenótipo) é uma proteína codificada por um gene (genótipo) que se encontra
no lócus 11p11.

O fenótipo pode também resultar da interacção do genótipo com o meio ambiente (ex.:
indivíduos que herdam os alelos para pele clara e tornam-se escuros por intensa exposição ao
sol). Essa influência externa, levando à manifestação de um fenótipo que não ocorre
exactamente ao que se poderia esperar em função do genótipo, recebe o nome de perístase.

Dois indivíduos podem apresentar o mesmo fenótipo embora possuam genótipos diferentes.
Por exemplo, a cor do olho pode ser escura para os dois, sendo um homozigoto (puro) e o
outro heterozigoto (híbrido). Externamente, porém, não podemos distingui-los, apresentando,

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

portanto, o mesmo fenótipo. As características fenotípicas não são transmitidas dos pais para
os filhos mas sim, transmitem-se os genes que são os factores potencialmente capazes de
determinar o fenótipo.

GENÉTICA MENDELIANA

No séc. XIX Mendel estudou ervilheiras do género Pisum sativum para explicar os fenómenos
da hereditariedade cujos resultados foram aprimorados e são utilizados até hoje em diversos
sectores da biologia molecular. Há quem diga que nem ele mesmo compreendeu bem o que
descobrira. O sucesso de Mendel deveu-se muito à algumas características especiais das
ervilheiras nomeadamente:

a) São plantas de fácil cultivo: não necessitam de condições especiais para cultivar;

b) Têm ciclo de vida curto: o que permite obter várias gerações de descendentes em
muito pouco tempo;

c) Gera muitos descendentes: permitindo melhores cálculos estatísticos sobre os


resultados dos cruzamentos;

d) Apresentam fenótipos extremos: os descendentes eram altos ou baixos, as sementes


eram verdes ou amarelas, lisas ou rugosas, etc.… sem meio-termo possível.

e) Os fenótipos estudados são visíveis a olho nu: para observar características como a
altura das plantas, a cor, a forma, a casca das sementes, etc. Mendel não precisou de
métodos especiais como microscópios.

f) São plantas com flor fechada e com tendência a autofecundação: o que permitiu
conhecer com certeza os progenitores dos descendentes.

Leis de Mendel
PRIMEIRA LEI DE MENDEL OU LEI DA SEGREGAÇÃO DOS CARACTERES OU
LEI DA PUREZA DOS GÂMETAS

“Cada carácter é determinado por dois factores, que se separam na formação dos gâmetas,
passando apenas um factor por gâmeta”.

Nesta lei o que Mendel chamou de “factor” é o que atualmente chamamos “alelos” e quis ele
dizer que, para uma dada característica existem nas células somáticas dois alelos: um no
cromossoma homólogo herdado do pai e outro no herdado da mãe e na Anáfase I, estes

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

cromossomas separam-se levando consigo cada um dos respectivos alelos aos respectivos
gâmetas a serem formados.

SEGUNDA LEI DE MENDEL OU LEI DA SEGREGAÇÃO INDEPENDENTE


DOS CARACTERES

“Em um cruzamento em que estejam envolvidos dois ou mais caracteres, os factores que determinam
cada um se separam (se segregam) de forma independente durante a formação dos gâmetas, se
recombinam ao acaso e formam todas as combinações possíveis”.

Nesta lei, Mendel faz referência ao estudo da transmissão de duas ou mais características. Esta
lei diz que os alelos respectivos à cada uma das características em estudo e que se encontram
no mesmo cromossomo homólogo não vão necessariamente ao mesmo gâmeta durante a
separação dos cromossomas homólogos mas sim, pode existir troca para o cromossoma
homólogo entre os alelos da mesma característica através do fenómeno de crossing-over.

Assim por exemplo, no estudo de 3 características representadas pelas seguintes letras A, b, C


num dos cromossomas homólogos e a, B, c no outros cromossoma, se não existisse crossing-
over, os gâmetas formados teriam obrigatoriamente os alelos A, b, C e a, B, C
respectivamente, ao passo que com o crossing-over poderá haver maior número de
recombinações obtendo-se por exemplo a, b, C e A, B, c garantindo maior distinção entre os
indivíduos da mesma espécie.

MECANISMOS DE HERANÇA. APLICAÇÃO PRÁTICA DAS LEIS DE MENDEL

Neste contexto, o termo “herança” refere-se aos possíveis fenótipos que os indivíduos
poderiam apresentar em função do tipo de alelos (dominantes ou recessivos) que herdam dos
seus progenitores, tendo em conta por exemplo, que dois indivíduos podem ter o mesmo
fenótipo mas genótipos diferentes. Desta forma, existem basicamente 5 mecanismos de
herança:

a) Herança dominante ou dominância completa,

b) Herança intermédia ou dominância incompleta,

c) Herança co-dominante,

d) Herança ligada ao sexo

e) Herança mitocondrial.

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

Herança Dominante
Na herança dominante, entre os possíveis alelos de uma dada característica existe um (o
dominante) que domina ou encobre a manifestação do outro (o recessivo) quando o indivíduo
for heterozigoto, ou seja, ele pode expressar-se mesmo em dose única ou hetererozigose.

Exemplo: No estudo da característica “cor da semente”, ao considerarmos a cor verde como dominante
(letra “A”) e a amarela como recessivo (letra “a), se o indivíduo herdasse o genótipo AA a semente
verde, o genótipo aa seria amarela, e o Aa seria verde (neste caso o A expressou-se em dose única
encobrindo a manifestação do a por ser o alelo dominante)

Cruzando-se dois homozigotos (puros), um dominante e outro recessivo (geração parental P),
temos na primeira geração de descendentes (F1) todos (100 %) híbridos ou heterozigotos
(genótipo) com o carácter dominante (fenótipo).

Figura 59. Caso de dominância.

GENÉTICA NÃO MENDELIANA – EXCEPÇÕES ÀS LEIS DE MENDEL

Existe uma grande controvérsia entre os autores sobre o significado de “Genética Não-
Mendeliana”. De uma forma didática neste capítulo abordaremos o assunto como “excepções
às Leis de Mendel”, ou seja, aqueles fenómenos da hereditariedade em que não é possível
explicá-los apenas com as Leis de Mendel.

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

Herança Intermédia ou Dominância Incompleta


Ocorre quando o indivíduo heterozigoto apresenta fenótipo intermediário ao dos
homozigotos. Exemplo: Na planta boca-de-leão, a cor da corola das flores é determinada por
um par de alelos (V e B) e pode ser vermelha, branca e rosa. Os indivíduos com genótipo VV
possuem flor vermelha, os indivíduos com genótipo BB possuem flor branca, ao passo que os
heterozigotos VB possuem flor rosa. Notamos, portanto, que não há dominância entre os
alelos V e B, uma vez que nos heterozigotos surge uma característica intermediária entre
aquelas, determinadas por cada um dos alelos.

Se cruzarmos dois indivíduos puros (homozigotos) de flor vermelha (VV) com flor branca
(BB) obteremos, na F1, 100% de híbridos (heterozigotos) de flor rosa (VB). Cruzando dois
descendentes da F1, vamos obter na F2 o resultado conforme o quadro a seguir:

Figura 60: Caso de dominância incompleta

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

Herança Co-dominante
A co-dominância ocorre quando os indivíduos
heterozigotos para certos genes expressam os
dois fenótipos simultaneamente. Veja: Em
galináceos da raça minorca, a cor da
plumagem é determinada por um par de alelos:
B e P. O genótipo BB determina plumagem
branca. O genótipo PP, plumagem preta. O
heterozigoto PB determina o carácter
plumagem ou andaluzo, que é uma mistura
dos dois outros. O exemplo plausível de co-
dominância na espécie humana é o grupo AB
do sistema ABO.

Alelos Múltiplos ou Polialelia:


Figura 61: Expressão fenotípica dos grupos
Existem características que podem ser sanguíneos. Exemplo de co-dominância e polialelia
determinadas por um gene com três ou mais
alelos, situados no mesmo lócus genético de um par de cromossomas homólogos. Como em
cada lócus só pode existir um dos alelos, nas células somáticas que são diplóides (2n) e só
podem existir dois alelos da série por vez. Os gametas, que são haplóides, possuem somente
um dos alelos. Esquematizando:

Figura 62: Ocorrência de alelos múltiplos

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

Os principais exemplos de alelos múltiplos são: o grupo sanguíneo ABO na espécie humana, a
cor da pelagem em coelhos, a cor da pelagem em cobaias e a cor dos olhos em drosófilas.

O sistema ABO é tipicamente um caso de alelos múltiplos; o mesmo não ocorre com o
sistema Rh. No sistema ABO, distinguem-se quatro grupos sanguíneos: grupo A, grupo B,
grupo AB e grupo O. A ocorrência dos quatro grupos está na dependência do fato de
existirem, na natureza, três tipos distintos de alelos: alelos I A, alelos IB e alelos i, sendo a
relação de dominância entre eles: IA = IB, IA > i e IB > i.

Mas o que faz uma pessoa ter sangue A ou sangue B?

As pessoas que têm genótipo AA ou AO revelam na membrana plasmática das suas hemácias
uma proteína especial, que recebeu o nome de aglutinogénio

As pessoas que têm sangue B, em função do genótipo BB, ou então, BO, não possuem o
aglutinogénio A, na superfície das hemácias, mas sim outra proteína diferente, o
aglutinogénio B.

As pessoas que revelam sangue do grupo AB têm o genótipo IA IB e, em função da presença


de ambos os genes A e B possuem os dois aglutinogénios na membrana plasmática dos seus
glóbulos vermelhos.

Finalmente, os indivíduos que tem sangue do grupo O possuem o genótipo OO, que não
determina a produção de nenhum aglutinogénio nas hemácias.

Portanto, o que determina o tipo de sangue do sistema ABO é a presença ou ausência dos
aglutinogénios (antígenos) nas hemácias e das aglutininas (anticorpos), anti-A e anti-B
existentes no plasma sanguíneo.

Nas transfusões, ocorrerá o problema de aglutinação quando as hemácias do doador


possuírem aglutinogénios que são incompatíveis com as aglutininas existentes no plasma do
receptor.

O grupo O é o doador universal, porque suas hemácias não possuem aglutinogénios, portanto
nunca serão aglutinadas no plasma do receptor.

O grupo AB é o receptor universal, porque o seu plasma não possui aglutininas, portanto
nunca provocarão a aglutinação das hemácias do doador.

Entre os indivíduos com o mesmo tipo de sangue não deverá ocorrer o problema da
aglutinação durante as transfusões sanguíneas.

Baseando-se no que acabamos de estudar, podemos fazer o seguinte esquema entre doadores e
receptores, no qual a direção das setas indica as transfusões possíveis.

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

Figura 63: Transfusão sanguínea

FACTOR Rh e incompatibilidade materna-fetal


Além do grupo sanguíneo, é necessário observar o factor Rh em uma transfusão sanguínea. Esse é outro
sistema de grupos sanguíneos, independente do sistema ABO. O nome se deve ao facto de ter sido
descoberto inicialmente no sangue dos macacos do género Rhesus. Não é um caso de polialelia. O
factor Rh é uma proteína (aglutinogénio ou antígeno Rh) que pode ser encontrada nas hemácias de
algumas pessoas (ditas Rh+).

O gene R condiciona a produção do factor Rh; O gene r condiciona a não-produção do factor Rh.

FENÓTIPOS GENÓTIPOS
Rh+ RR - Rr
Rh- rr

Um problema muito importante em relação ao sistema Rh é a incompatibilidade feto-materna.

Quando a mulher tem sangue Rh- e casa com um homem Rh+, existe a possibilidade de que nasçam
filhos Rh+. Durante o parto, quando do descolamento da placenta, ocorre uma passagem de hemácias
fetais para a circulação materna. A partir dessa ocasião, passa a haver uma produção e acúmulo de
aglutininas (anticorpos) anti-Rh no sangue materno. Em gestações posteriores, de filhos Rh+, os
anticorpos maternos atravessam a placenta, alcançando a circulação do feto. A reacção entre os
aglutinogénios fetais e as aglutininas maternas provoca a aglutinação e a destruição das hemácias
(hemólise) do sangue fetal. A hemoglobina se acumula na pele, provocando a icterícia. A medula óssea
lança no sangue células imaturas (eritroblastos).

O quadro apresentado pela criança ao nascer é chamado de eritroblastose fetal (EF) ou doença
hemolítica do recém-nascido (DHRN). Nos casos menos graves, a criança pode sobreviver se for
submetida a uma substituição de grande parte do seu sangue Rh+, por outro Rh-, que lentamente será

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

substituído pelo seu próprio sangue Rh+, pelo seu próprio organismo. Actualmente, o problema é
controlado com a aplicação, na mulher Rh-, de uma dose única de aglutinina anti-Rh, obtida do
sangue de mulheres já sensibilizadas. Essa aplicação deve ocorrer nas primeiras 72 horas após cada
parto de feto Rh+. Como as aglutininas injectadas são heterólogas (não produzidas pela própria
mulher) logo serão eliminadas do seu organismo.

Epistasia
Condição em que dois loci são ocupados por genes que actuam sobre o mesmo carácter. Este
processo caracteriza-se por supressão do efeito de um gene por outro gene não-alélico.

Poligenia
Condição em que um carácter é controlado por genes situados em mais do que dois loci.
Vários pares de genes actuam aditivamente na expressão de uma característica que apresenta
variação contínua na população. Pode ser multifactorial quando sofre influência de factores
ambientais Ex. Peso estatura, cor da pele e a maior parte das características.

A herança de traços poligénicos, portanto, depende da acção cumulativa ou aditiva de vários


ou muitos genes, cada um dos quais produz uma pequena proporção do efeito total.

Pleiotropia
É o facto de um par de alelos situados no mesmo par de cromossomas homólogos
condicionarem o aparecimento de várias características no mesmo organismo.

Herança ligada ao sexo


As características codificadas por genes existentes em cromossomas sexuais apresentam um
mecanismo de herança genética distinto das dos cromossomas somáticos. Podemos assim
explicar:

a) As características codificadas por genes no cromossoma Y só podem ser transmitidos


entre indivíduos de sexo masculino devido a sua ausência no sexo feminino.

b) As codificadas por genes no cromossoma X têm sempre caracter dominante no sexo


masculino uma vez que não existe outro alelo da mesma característica no cromossoma
Y para contrapor-se à expressão do alelo no cromossoma X

c) Os indivíduos do sexo masculino só podem transmitir características do cromossoma


X em descendentes do sexo feminino.

96 |
Manual de Biologia. V – GENÉTICA

Herança mitocondrial
Foi estudado na citologia que as mitocôndrias são organelas autónomos e que de igual
modo apresenta ADN que apenas controla a síntese de proteínas e o funcionamento da
própria mitocôndria. Se por exemplo, o ADN mitocondrial sofrer uma mutação, esta só
poderá ser transmitido pelo progenitor do sexo feminino uma vez que as mitocôndrias do
espermatozoide apenas servem para fornecer energia para locomoção do mesmo e não
fazem parte da constituição do zigoto aquando da fecundação.

DISTÚRBIOS GENÉTICOS: MUTAÇÕES

As mutações são definidas como sendo todos os distúrbios decorrentes de alterações no nosso
material genético. Elas podem trazer consequências positivas ou negativas; ora veja: para os
evolucionistas, elas são consideradas como a chave para a evolução, surgimento e
sobrevivência das espécies ao longo dos tempos. Por outro lado, são o motivo de doenças
como a drepanocitose, albinismo, Síndrome de Down, etc. Saiba ainda que as mutações só
são transmitidas aos descendentes se afectarem as células germinativas.

De uma forma resumida, as mutações classificam-se em:

 Estruturais: quando existem alterações nos genes em cromossomas individuais. Estas


podem ser: pontuais, por deleção, duplicação, inversão, inserção, translocação.

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Manual de Biologia. V – GENÉTICA

As principais causas de mutações estruturais são: radiação UV , hidrocarbonetos


policíclicos aromáticos, vírus (PVH, EBV, HBV, HTLV), bactérias (helicobacter pylori),
irritação crónica, agentes químicos carcinogénicos

 Numéricas (Aneuploidias): quando existem alterações no número de


cromossomas. Estas podem ser:

 Nulissomias: ausência de pares de cromossomas homólogos.

 Monossomias: ausência de um dos cromossomas do par de homólogos. Exemplos:


síndrome de Turner – ausência de um dos cromossomas sexuais (genoma: G45, X)

 Trissomias: aparecimento de um cromossoma extra em pares de cromossomas


homólogos.

Síndrome de Patau – cromossoma extra no par nº 13 (genoma: 47,XX+13 ou 47,XY+13)

Síndrome de Edward - cromossoma extra no par nº 18 (genoma: 47,XX+18 ou 47,XY+18)

Síndrome de Down - cromossoma extra no par nº 21 (genoma: 47,XX+21 ou 47,XY+21)

Síndrome de Klinefelter – extra cromossoma sexual X no sexo masculino (genoma:


47,XXY)

Trissomia do cromossoma X ou síndrome da Superfemea - extra cromossoma sexual X no


sexo feminino (genoma: 47,XXX).

 Tetrassomias: repetição de pares de cromossomas homólogos

As causas das Aneuploidias são a não disjunção de cromossomas homólogos na meiose.

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

Unidade VI - Histologia
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS

A célula é a unidade morfo-funcional dos seres vivos. Poucos seres, porém, são formados por
uma única célula. A maioria dos seres como as plantas e os animais são multicelulares, o que
significa que o seu corpo é formado por um aglomerado de células.

Na maioria dos seres multicelulares, existem grupos de células com formas e funções
diferentes. Isso ocorre porque nesses seres cada grupo de células é responsável por um
determinado tipo de função. As células com a mesma função têm geralmente formas
semelhantes, uma vez que a forma de uma célula está adaptada à função que ela exerce. Estes
grupos de células reunidas para executar um determinado trabalho são chamados de tecidos.

Nos animais, um tecido não é formado apenas por células, mas também pelo material
fabricado por elas. Este material é chamado de substância intercelular ou matriz extracelular, às
vezes funciona somente como ligação entre as células e às vezes desempenha um papel
importante na função do tecido. Existe também um líquido que sai dos vasos sanguíneos
levando ao tecido alimento, oxigénio e harmónios e removendo dele o gás carbónico e os
resíduos do metabolismo, é o líquido intersticial ou intercelular.

NOÇÃO DE TECIDO E HISTOLOGIA


Tecido é um conjunto de células que apresentam a mesma função geral e a mesma origem
embriológica.

Histologia deriva da junção de duas palavras gregas histos = tecido e logos = estudo. É definida
como sendo a ciência ou ramo da biologia, que estuda os tecidos. Tecido é um conjunto de
células que apresentam a mesma função geral e a mesma origem embriológica. Assim existe
tecidos animal e vegetal.

ORIGEM DOS TECIDOS


Nos seres de reprodução sexuada todas as células surgem a partir de uma única célula, a
célula-ovo. Esta célula sofre divisões e produz um grupo de células inicialmente muito
semelhantes. Após um certo tempo, elas começam a se especializar para a execução das
diversas funções e vão se tornando cada vez mais diferentes. Este processo é chamado
diferenciação celular. A diferenciação celular torna possível a histogênese ou formação dos
tecidos.

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

O mecanismo de diferenciação celular ainda não foi completamente desvendado. Supõe-se


que, apesar de todas as células de um indivíduo possuírem os mesmos genes, alguns estão em
funcionamento em determinada célula enquanto outros se encontram inactivos. Depois de
diferenciadas, as células quando se reproduzem, só originam outras do mesmo tipo.

No início da formação do embrião existem grupos de células com potencialidades diferentes.


Há uma fase em que o embrião animal é formado por apenas duas camadas de células: a
externa e a interna.

A camada externa é chamada ectoderme e dá origem aos tecidos que revestem o corpo do
embrião. Já a camada interna ou endoderme, dá origem ao revestimento do tubo digestivo e
do aparelho respiratório. Posteriormente surge uma terceira camada, a mesoderme, que é
responsável pela produção dos vários tecidos encontrados no interior do corpo do animal.

Nos animais, um tecido não é formado apenas por células, mas também pelo material
fabricado por elas. Este material é chamado de substância intercelular e às vezes funciona
somente como ligação entre as células e às vezes desempenha um papel importante na função
do tecido. Existe também um líquido que sai dos vasos sanguíneos levando ao tecido
alimento, oxigénio e harmónios e removendo dele o gás carbónico e os resíduos do
metabolismo, é o líquido intersticial ou intercelular.

Os tecidos animais diferem bastante dos tecidos vegetais. Essa diferença, como muitas outras,
deve-se ao facto de os vegetais serem autotróficos, em oposição aos animais, que são
heterotróficos.

Estudaremos primeiro os tecidos animais, dando ênfase aos vertebrados e, especialmente, aos
seres humanos. Depois estudaremos os vegetais, especialmente as plantas com flores.

Tecido é um conjunto de células estruturalmente idênticas e


especializadas em determinada função.

OS TECIDOS ANIMAIS

CLASSIFICAÇÃO DOS TECIDOS ANIMAIS

Os tecidos animais, estão classificados em quatro tipos básicos:

Epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

TECIDO FUNÇÃO

Epitelial Revestimento e secreção


Preenchimento, sustentação, transporte e
Conjuntivo
defesa
Muscular Movimento
Nervoso Recepção e condução de estímulos.

Tecido Epitelial

São formados por células justapostas e geralmente poliédricas. Essa justaposição celular
acarreta a escassez de matriz extracelular nos tecidos epiteliais. Por serem também
desprovidos de vasos sangüíneos (avasculares), os epitélios são nutridos pelo tecido
conjuntivo subjacente (lâmina própria). É de origem endodérmica.

F unções:
 Revestimento de superfícies (internas e externa)
 Absorção
 Secreção
 Percepção de estímulos
 Contracção

Figura 64: diferentes tipos de epitélios

Existem dois tipos básicos de tecido epitelial: epitélio de revestimento e epitélio glandular.

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

O tecido epitelial de revestimento é formado por células bem encaixadas entre si, com o
intuito de evitar a penetração de microorganismos e possuem muitas camadas de células para
evitar a perda de água. O tecido epitelial glandular forma as glândulas, produz e elimina
substâncias necessárias nas superfícies do tecido.

Tecido Conjuntivo

Ao contrário do tecido epitelial, o tecido conjuntivo é pobre em células e apresenta abundante


matriz extracelular.

Figura 65: Microfotografia de um tecido. O tecido conjuntivo está


limitado por um tecido epitelial

O tecido conjuntivo é classificado em: tecido conjuntivo propriamente dito, tecido conjuntivo
de suporte e tecido conjuntivo especializado.

Figura 66: tipos de tecido conjuntivo

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

Tecido Conjuntivo Propriamente Dito


O tecido conjuntivo propriamente dito pode ser frouxo e denso. Apresenta os seguintes tipos
de células: fibroblastos, mastócitos, macrófagos, plasmócitos e células mesenquimatosas.

O tecido conjuntivo frouxo preenche os espaços entre os tecidos, nutre as células epiteliais e
envolve nervos e vasos.

No tecido conjuntivo denso prevalecem as fibras colágenas. Estão presentes na derme (porção
profunda da pele), no periósteo que envolve os ossos, no pericôndrio que envolve as
cartilagens, bem como nos tendões e ligamentos

Tecido Conjuntivo de Suporte


Compreende o tecido ósseo e cartilaginoso.

Tecido Ósseo: É o tecido de sustentação que apresenta maior rigidez, forma os ossos. É
constituído pelas células ósseas e por uma matriz compacta e resistente, formada por sais de
cálcio, colágeno, glicoproteínas e esta composição é o que determina a rigidez óssea.

Existem três tipos de célula óssea: Osteoblastos, osteócitos (pode-se considerar que são os
osteoblastos maduros, sendo responsáveis pelo metabolismo ósseo) e osteoclastos (são células
que destroem as áreas envelhecidas do osso, sendo assim as responsáveis pela renovação do
osso e da reconstrução do osso quando lesado, ou seja, em caso de fraturas e desgastes).

Tecido Cartilaginoso: O tecido cartilaginoso tem consistência menos rígida que os tecidos
ósseos, sendo flexível. Ele forma as cartilagens do esqueleto, as orelhas, a extremidade do
nariz, a laringe, a traquéia, os brônquios e as extremidades ósseas. As células deste tecido são
os condroblastos e os condrócitos.

Tecido conjuntivo Especializado


Compreende o tecido hematopoiético e o tecido adiposo.

Tecido Hematopoiético: Sangue é um tipo especial de tecido que se movimenta por todo o
corpo, servindo como meio de transporte de materiais entre as células. É formado por uma
parte líquida, o plasma, e por diversos tipos de célula. O plasma contém inúmeras substâncias
dissolvidas: aproximadamente 90% de água e 10% sais (Na, Cl, Ca, etc.), glicose,
aminoácidos, colesterol, uréia, hormônios, anticorpos etc. As células do sangue
compreendem: Hemácias, Leucócitos e Plaquetas.

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

 As hemácias ou glóbulos vermelhos são células anucleadas e não possuem organóides


e apresentam, dissolvido no seu citoplasma a hemoglobina, importante para o
transporte do oxigénio.

 Os leucócitos ou glóbulos brancos, são células incolores nucleadas e com os demais


organóides celulares implicadas na defesa do organismo. Distribuem-se em dois
grupos: granulócitos e agranulócitos, conforme tenham ou não, granulações
específicas no citoplasma. Os granulócitos são: Neutrófilos, basófilos e eosinófilos; Os
agranulócitos são: Linfócitos e monócitos.

 As plaquetas (ou trombócitos): são pequenos corpúsculos que resultam da


fragmentação de células especiais produzidas pela medula óssea. Elas detêm as
hemorragias.

Tecido Adiposo: É constituído principalmente por células adiposas ou adipócitos e pouca


fibra colágena. Funciona como reservatório de gordura, amortecedor de choques e contribui
para o equilíbrio térmico dos organismos.

Tecido Muscular

É constituído por células alongadas, altamente especializadas e dotadas de capacidade


contráctil, denominadas miócitos.

Diferenciam-se três tipos de tecido muscular: esquelético, cardíaco e liso

 Tecido muscular estriado esquelético: está ligado ao esqueleto através dos tendões.
Tem contracção rápida e voluntária, ou seja, esses músculos são contraídos somente
quando nós queremos. Ex: bicípite, tricípite, quadricípite femoral.

 Tecido muscular estriado cardíaco: é encontrado no coração e, diferentemente do


tecido muscular estriado esquelético, não possui movimentos voluntários, e sim
involuntários, contraindo-se de forma rápida e ritmada. Suas fibras estão formadas por
um ou dois núcleos centrais

 Tecido muscular liso: suas fibras têm contracção involuntária e pode ser encontrado
nas paredes dos órgãos internos como intestino, útero, estômago, esófago, vasos
sanguíneos etc.

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Figura 67: Tipos de músculos

Tecido Nervoso.

É um tecido de origem ectodérmica, formado por células excitáveis especializadas em


transmitir estímulos ou impulsos nervosos.

O tecido nervoso é formado por células especiais chamadas de: neurónios e células da glia ou
neuroglias.

As células da glia são responsáveis pelo suporte dos neurónios, ou seja, são as células da glia
que mantém a vida dos neurónios. Os neurónios constituem a unidade funcional do sistema
nervoso.

Figura 68: Estrutura de um neurónio

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

PELE E ANEXOS
A pele recobre a superfície do corpo, é considerado como o maior órgão do corpo, atingindo
16% do peso corporal.

A pele é constituída por uma porção epitelial (a epiderme), uma porção conjuntiva (a derme)
abaixo e em continuidade com a derme está a hipoderme, embora tenha a mesma origem da
derme, não faz parte da pele, apenas serve de suporte e união entre os órgãos subjacentes.

Na pele encontramos anexos epiteliais especializados, como pelos, unhas, folículos pilosos, as
glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas.

Os pêlos são estruturas queratinizada, que crescem pela proliferação de células da raiz. A sua
cor, tamanho e disposição variam de acordo com a raça e regiões do corpo, estão presentes em
todas partes do corpo com excepção de algumas regiões bem delimitadas.

As unhas são placas de queratinas que se dispõem na superfície das falanges.

As glândulas sudoríparas são encontradas em toda a superfície da pele, exceptuando-se em


certas regiões, como a glande. Elas secretam suor sobre a superfície da pele, a evaporação
deste liquido aquoso causa refrescamento da pele e perda de calor.

Figura 69: Estrutura da pele

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

A pele desempenha quatro funções principais:

 Protecção: a pele fornece protecção contra a luz ultra violeta e os insultos mecânicas,
químicos e térmicos; sua superfície relativamente impermeável impede a desidratação
e actua como uma barreira física à invasão por microrganismo.

 Sensibilidade: a pele é o maior órgão sensorial do corpo e contém uma variedade de


receptores para o tacto, pressão, dor e temperatura.

 Termo-Regulação: na espécie humana, a pele é o órgão principal da termo –


regulação. A perda de calor é facilitada pela evaporação do suor da superfície da pele e
pelo fluxo de sangue que circula na rica rede vascular da derme.

 Funções metabólicas: o tecido adiposo subcutâneo constitui uma reserva importante


de energia. A vitamina D é sintetizada na epiderme e suplementa a que é derivada das
fontes da dieta.

HISTOLOGIA VEGETAL
O crescimento contínuo das plantas torna-se possível devido a existência de tecidos.

Os principais tecidos vegetais são:

 Tecidos meristemáticos ou embrionários

 Tecidos Definitivos

Tecidos Meristemáticos ou Embrionários

São aqueles que não perdem a capacidade de dividirem-se.

Características

 As células têm forma poliédrica.


 Parede celular fina e flexível (parede primaria).
 Núcleo volumoso.
 Citoplasma denso com pequenos vacúolos.
 Sempre estimulam crescimento, pois estão sempre em mitose.
 Suas células são indiferenciadas, podendo formar os tecidos adultos ou permanentes.

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

Os meristemas dividem-se em:

 Meristema primário- provocam o crescimento da planta em altura.

 Meristema secundário- provocam o crescimento da planta em espessura. Ex: câmbio


e felogênio.

A multiplicação das células meristemáticas promove o rápido crescimento embrionário. À


medida que amadurecem, as células vão se especializando para realizar diversas funções,
processo conhecido como diferenciação celular. Nas extremidades de caules e raízes, as
células mantêm as características embrionárias, constituindo os meristemas apicais.

Os primeiros tecidos que se diferenciam a partir dos meristemas apicais são: protoderma,
meristema fundamental e procâmbio. Estes, por manterem a capacidade de multiplicação
celular, são também considerados meristemáticos (primários).

Nota: tecidos originados directamente pela diferenciação de meristemas primários são


denominados tecidos primários; meristemas secundários e os tecidos que eles originam
recebem a denominação de tecidos secundários.

Tecidos Definitivos

Estão organizados em:

1. Tecidos de revestimento
2. Tecidos de preenchimento
3. Tecidos de sustentação
4. Tecidos condutores

Tecidos de revestimento
Revestem as raízes, caules e folhas. Sua função principal é proteger os órgãos internos. São
dois: epiderme e súber.

Epiderme

É um tecido formado por apenas uma camada de células vivas. Reveste certos órgãos como:
folhas, caules e raízes jovens, peças florais, frutos e sementes. Não possui clorofila. Possui
anexos tais como:

 Cutícula- protege os tecidos internos da perda da água por evaporação.

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

 Estomas- permite as trocas gasosas da planta com o ambiente. É constituído de células


em forma de grão de feijão ricas em cloroplasto, denominadas células-guarda. Estas
são circundadas por um número variável de células acessórias ou subsidiárias
desprovidas de cloroplastos. Entre as células – guarda há um orifício que permite as
trocas gasosas entre o ar e o interior da planta: o ostíolo (do latim ostiolu, pequena
porta).

 Hidátodos- localizam-se em certas folhas, e têm a função de eliminar o excesso de


água na planta. A epiderme de muitas folhas é dotada de pêlos, apresentando formas e
funções diversas, para protecção da planta contra o ataque de animais herbívoros, para
reduzir a transpiração, etc.

Periderme

Substitui a epiderme dos animais. A sua zona mais externa é constituída por células mortas
impregnadas por uma substância impermeável, a suberina. Por esse facto esse tecido é
denominado súber. Reveste principalmente as partes mais velhas do caule e da raiz. Protege
as plantas contra predadores, excesso de calor e até mesmo contra o fogo.

Há locais em que as células estão fortemente unidas, constituindo as lenticelas- permitem as


trocas gasosas entre o ar e os tecidos internos de caules e raízes.

Tecidos de preenchimento
Os parênquimas ou tecidos de preenchimento são formados por células vivas com paredes
celulósicas finas. Entre as células parênquimáticas há espaços cheios de ar, para que o
oxigénio chegue até as células mais internas da planta. Existem diferentes tipos de
parênquimas:

 Parênquima amilífero: suas células acumulam amido e outras substâncias de reserva.


É mais abundante nas raízes.

 Parênquima clorofilino: são ricas em cloroplastos. É mais abundante nas folhas e nos
caules verdes.

 Parênquima aerífero- há grandes espaços cheios de ar entre a s células, permitindo a


flutuação de plantas aquáticas.

 Parênquima aquífero- armazena água. É mais desenvolvido nas plantas xerófitas.

Tecidos de sustentação
São: esclerênquima e colênquima.

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Manual de Biologia. VI – HISTOLOGIA

Esclerênquima (do grego skleros, duro) é um tecido de sustentação constituído por células
mortas de paredes espessadas. Essas paredes são impregnadas de lignina, substância
altamente impermeável e formam elementos de grande resistência. Ocorre
predominantemente nas partes mais velhas das plantas. Pode ser comparado ao tecido ósseo
dos animais. Suas principais células são as fibras eslerenquimáticas e o escleritos ou
esclerídeos.

 Fibras esclerenquimáticas são alongadas e formam feixes longitudinais no interior das


partes mais velhas de algumas raízes e caules, conferindo-lhes sustentação esquelética.

 Escleritos têm forma variada, em geral ramificada e podem ocorrer isoladas ou em


grupo, entre as células parênquimáticas de diversas partes da planta como caules,
folhas, frutos e sementes.

Nota: as fibras do sisal e do linho, são exemplos de fibras esclerenquimáticas. As pedrinhas


que percebemos ao comer uma pêra são escleritos. O revestimento duro de sementes e frutos
de nozes, avelãs e cocos é constituído por fibras esclerenquimáticas.

Colênquima (do grego cola, cola e do latim, enchyma, enchimento) é um tecido constituído
por células vivas. Estas células acumulam celulose como material de reforço das paredes. São
mais frequentes nas partes jovens da planta, oferecendo à ela sustentação e flexibilidade. Pode
ser comparado ao tecido cartilaginoso dos animais.

Tecidos condutores
São: xilema e floema.

Xilema ou lenho, é o tecido responsável pela condução de seiva bruta (água e sais minerais)
desde as raízes até as folhas das plantas. Desempenha também um importante papel na
sustentação da planta. As suas células são células mortas. Possui dois tipos básicos de células:
traquéidos e os elementos de vaso.

Floema ou líber, é o tecido responsável pela condução de seiva elaborada-solução de


nutrientes orgânicos- das folhas a todas as partes da planta. Possui células vivas.

As principais células deste tecido são: os elementos de tubo crivado e a célula companheira.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Unidade VII – Biologia das Plantas (Botânica)


ESTRUTURA DAS PLANTAS

O corpo de uma planta angiospérmica, assim como o das demais plantas vasculares
(gimnospérmicas e pteridófitas), apresenta três partes básicas: raiz, caule e folha. A estrutura
dessas partes varia entre as espécies, reflectindo sua adaptação a modos de vida particulares.

Estrutura macro e microscópica das RAÍZES


Raiz: é um órgão da planta geralmente subterrâneo, que se ramifica e tem a função de fixar a
planta no solo e realizar a absorção de nutrientes. Tem diferentes zonas, que são:

 Coifa: é formada por um conjunto de células que protege a raiz de eventuais danos
durante sua penetração no solo. As células mais externas da coifa produzem e
secretam polissacáridos (pectinas). Essa secreção confere uma protecção adicional e
actua como lubrificante, facilitando a penetração da raiz no solo.

 Zona de multiplicação celular: é constituída por células meristemáticas capazes de se


multiplicar activamente por mitose, permitindo o crescimento.

 Zona de alongamento celular ou zona de distensão: as células se alongam, fazendo a


raiz crescer em comprimento.

 Zona de maturação celular ou zona de diferenciação celular: tem início a


diferenciação das células para formar os diversos tecidos da raiz.

 Zona pilosa ou pilífera: formada por pêlos absorventes que permitem o aumento da
capacidade de absorção de água e sais minerais.

 Zona de ramificação: ocorre a formação de raízes laterais ou secundárias.

Tipos de raízes

O conjunto de raízes, constitui o sistema radicular, que apresenta-se sob dois tipos básicos:
pivotante e fasciculado. O sistema radicular pivotante é constituído por um raiz principal, da
qual partem ramificações- raízes laterais ou raízes secundárias, cada uma das quais se afina
progressivamente até à extremidade. É característico das eudicotiledóneas, algumas
dicotiledóneas basais e de gimnospérmicas.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

O sistema radicular fasciculado é formado por raízes


finas com diâmetro constante ao longo do seu
comprimento e que se originam directamente do caule;
é característico das monocotiledóneas. Essas raízes são
chamadas de adventícias (do latim adventicius, que
vem de outra localidade), pois formam-se no caule
logo após a degeneração da raiz principal, que ocorre
após a germinação da semente.

As raízes de muitas eudicotiledóneas apresentam


especializações que permitem classificá-las em diversos
tipos, tais como: raízes-escoras ou raízes de suporte,
raízes respiratórias ou pneumatóforos, raízes aéreas, raiz
estranguladora e raízes tuberosas.
Figura 70: Estrutura de uma raíz
Estrutura primária da raíz

É o padrão de organização de uma raiz que não apresentou crescimento em diâmetro


(crescimento secundário). É típico das raízes de monocotiledóneas e raízes jovens de
eudicotiledóneas. Neste tipo de raízes, distinguem-se de fora para dentro três conjuntos de
células dispostas em camadas concêntricas: epiderme, córtex e cilindro central.

Epiderme: é a camada de células mais externa que reveste a raíz.

Córtex: é constituído por várias camadas celulares de parênquimas. A sua camada celular
mais interna limítrofe com o cilindro central, é o endoderma.

O endoderma (do grego endon, dentro, e derme, pele) compõe-se de células bem encaixadas
entre si, com reforços especiais nas paredes constituídos por suberina, denominados estrias
casparianas. As estrias casparianas vedam completamente os espaços entre as células do
endoderma, de modo que, para penetrar no cilindro vascular, uma substância tem
necessariamente de atravessar a membrana e o citoplasma das células endodérmicas, pois não
há espaços permeáveis entre elas.

Cilindro central ou vascular: ocupa toda a região central da raiz. É delimitado por um tecido,
denominado periciclo (do grego peri, ao redor, e kykos, círculo), constituído por uma ou mais
células. As células do periciclo podem readquirir a capacidade de divisão e assim originar
meristemas secundários.

O cilindro vascular contém elementos condutores (xilema e floema), células meristemáticas e


células parenquimáticas com uma disposição típica.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Figura 71: Estrutura primária da raiz

Estrutura secundária da raíz

Resulta da atividade conjunta de dois meristemas: o câmbio vascular e o câmbio da casca. O


câmbio vascular (do latim vasculum, pequeno vaso, túbulo) origina-se a partir de células do
procâmbio situadas entre o xilema primário e o floema primário e também de células do
periciclo.

O câmbio da casca ou felogénio, desenvolve-se a partir do periciclo.

Na raiz a periderme tem origem profunda, também a partir das células do periciclo, que não
foram envolvidas na formação do câmbio vascular começam a se dividir, para dar início à
formação da periderme. O felogénio (meristema secundário), tem origem das células externas
do periciclo e por divisões periclinais de suas células, produz súber (felema ou cortiça) em
direção à periferia e feloderme (ou parênquima), em direção ao centro. A formação da
primeira periderme provoca a separação da região cortical (inclusive a endoderme) e da
epiderme do restante da raiz.

Nas raízes de reserva, ao contrário do descrito acima, a periderme, geralmente se forma


superficialmente, como nos caules, não havendo, portanto, a perda da região cortical (que
apresenta substâncias de reserva) com o crescimento secundário.

Embora a maioria das raízes apresentem crescimento secundário da maneira descrita aqui,
inúmeras variações deste crescimento podem ser encontradas em várias espécies.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Figura 72: Desenvolvimento da estrutura secundária de uma planta

Estrutura do CAULE
O caule realiza a integração entre raízes folhas, também desempenha as funções de promover
o intercâmbio de água, sais minerais e de substâncias orgânicas entre esses órgãos.

À medida que o caule vai crescendo, formam-se de espaço em espaço, primórdios de folhas a
partir do meristema apical. O local de inserção do primórdio foliar no eixo caulinar é
denominado nó. O espaço entre dois nós vizinhos, é denominado entrenó.

Estrutura primária do caule

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Um caule com estrutura primária, apresenta-se revestido pela epiderme, abaixo da qual
localiza-se o córtex (este é formado por células parênquimáticas e por colênquima) e os
tecidos condutores.

Os tecidos condutores organizam-se em feixes mistos, com floema na região voltada para o
exterior da planta e o xilema voltado para o interior. Esses feixes são denominados feixes
líbero-lenhosos.

Figura 73: Estrutura primária do caule

Estrutura secundária do caule

Resulta da actividade de dois meristemas: o câmbio vascular e o câmbio da casca (felogénio).


O câmbio vascular origina-se de células do procâmbio (que se mantêm indiferenciadas entre o
xilema primário e o floema primário) e a partir de células localizadas entre os feixes. Produz
xilema para o interior e floema para o exterior.

O câmbio da casca, surge a partir de uma camada de células corticais localizadas abaixo da
epiderme. Sua actividade produz novas células que se diferenciam em feloderme para o
interior e em súber para o exterior.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Figura 74: Estrutura secundária de um caule

Nota: em muitas árvores, a actividade do câmbio suberogéneo cessa depois de algum tempo e
um novo câmbio surge mais internamente, passando a produzir nova periderme. A periderme
antiga e morta passa a ser denominada ritidoma e com o aumento do diâmetro do caule,
racha-se e solta-se do tronco.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

FOLHA
Apresenta quatro partes básicas: limbo, pecíolo, bainha e estípulas.

 Limbo: é a porção laminar expandida da folha.

 Pecíolo: é o pedúnculo no qual o limbo se prende ao caule.

 Bainha: é a expansão na base junto ao caule.

 Espículas: são projecções filamentosas ou laminares,


localizadas na base do pecíolo.
Figura 75: Elementos de uma
Estrutura interna da folha
folha
Identificam-se os seguintes elementos:

Epiderme: reveste totalmente a folha, tendo uma cutícula responsável pela relativa
impermeabilização da superfície foliar. Apresenta estomas localizados principalmente na face
inferior da folha.

Figura 76: ilustração da estrutura interna da folha

Mesófilo: é o interior da folha, preenchido por um tecido parenquimático cujas células são
ricas em cloroplastos, constituindo o parênquima clorofilino.

O parênquima clorofilino, pode ser: parênquima em paliçada- localizado na página superior,


suas células são alongadas e encostadas umas às outras. Parênquima lacunoso- localizado
na página inferior, é formado por células arredondas e com espaços entre elas(lacunas).

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Além disso, o mesófilo possui também tecidos condutores organizados em feixes


liberolenhosos e tecidos de sustentação.

Os feixes condutores, formam as nervuras foliares; apresentam o xilema voltado para a face
superior da folha e o floema voltado para a face inferior.

Folhas, cujas nervuras foliares têm aproximadamente a mesma espessura ao longo de todo seu
comprimento e se dispõem paralelamente entre si, são denominadas folhas paralelinérvias. As
que as suas nervuras formam um padrão ramificado, com feixes sucessivamente mais finos
são denominadas peninérvias.

Nutrição das Plantas

As plantas requerem para sua nutrição, nutrientes orgânicos e inorgânicos.

Os nutrientes inorgânicos são: dióxido de carbono, água e sais minerais. Estes fornecem às
plantas todos os elementos químicos indispensáveis à vida. Alguns desses elementos, tais
como: hidrogénio (H), carbono (C), oxigénio (O), nitrogénio (N), fósforo (P), cálcio (Ca),
magnésio (Mg), potássio (K), enxofre (S) e silício (Si) são considerados como macronutrientes
ou macroelementos, pois são requeridos em quantidades relativamente grandes por serem os
principais componentes das moléculas orgânicas. Outros são necessários em quantidades
relativamente pequenas, sendo por isso chamados de micronutrientes ou microelementos.

Os nutrientes orgânicos, são os produtos primários da fotossíntese: moléculas de glúcidos,


principalmente sacarose e amido.

Absorção de água e solutos

A água e os sais minerais, penetram na planta pelas extremidades das raízes, principalmente
na zona pilosa. Depois de atravessar a epiderme, a solução aquosa desloca-se em direcção a
região central da raíz, sendo barrada pelas células endodérmicas. Pois essas células, estão
fortemente unidas umas às outras por cinturões de suberina, as estrias casparianas, que
impedem a água e os sais dissolvidos de continuar a deslocar-se.

Para penetrar no cilindro vascular, água e sais têm necessariamente de atravessar a membrana
plasmática e passar pelo citoplasma das células endodérmicas. As estrias casparianas também
dificultam o retorno, ao córtex, de sais minerais que já entraram no cilindro vascular.

Uma vez no interior do cilindro, os sais minerais são bombeados para dentro dos traqueidos e
dos elementos de vaso xilemático por um tipo especial de célula, a célula de transferência.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Transportes das seivas

Seiva bruta

A água e os sais minerais absorvidos pelas raízes são transportados até às folhas. Segundo a
teoria da coesão-tensão, isto deve-se fundamentalmente à transpiração das folhas.

Ao perderem água por transpiração, as folhas sugam seiva do xilema e toda coluna líquida
eleva-se dentro dos vasos desde a raíz. A coluna de seiva mantém-se tensionada de um lado,
pela sucção das folhas e de outro pela força de gravidade, mas não se rompe devido à coesão
entre as moléculas de água.

Seiva elaborada

A hipótese mais aceita para o deslocamento da seiva elaborada pelo floema propõe como
mecanismo básico, um desequilíbrio osmótico entre a fonte e o destino das substâncias
orgânicas. Esta hipótese é conhecida como hipótese do fluxo por pressão, ou hipótese do
desequilíbrio osmótico ou ainda hipótese do fluxo em massa.

As células próximas ao floema, absorvem água de suas vizinhas e estas do xilema. A entrada
de água nos elementos floemáticos cria um fluxo de difusão que arrasta as moléculas
orgânicas em direcção aos locais de consumo como caules e raízes, onde elas são activamente
absorvidas e utilizadas pelas células.

A absorção de substâncias pelas células consumidoras, por sua vez, faz com que a pressão
osmótica diminua no interior dos elementos floemáticos próximos. Com isso eles perdem
água, o que contribui para a manutenção da corrente líquida desde às células produtoras e
armazenadoras até as regiões de consumo.

Transpiração

A cutícula apesar de ser bastante impermeável, permite uma pequena perda de água,
conhecida como transpiração cuticular. A maior taxa de transpiração ocorre nos estomas,
quando se abrem para que a planta possa absorver o gás carbónico necessário a fotossíntese.

Os estomas abrem-se quando as células-guarda absorvem água, tornando-se túrgidas e


fecham-se quando essas células perdem água, tornando-se flácidas. A abertura e o fechamento
dos estomas, deve-se à disposição estratégica das fibras de celulose na parede das células-
guarda dos estomas.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Ciclo de vida dos principais grupos de plantas

O reino vegetal reúne as plantas, organismos eucariotas, multicelulares e autotróficos, capazes


de produzir por meio da fotossíntese, as substancias orgânicas que lhes servem de alimento.
Uma característica das plantas, compartilhada com diversas espécies de alga, é apresentar
alternância de gerações haplóides e diplóides no ciclo de vida. Nesse tipo de ciclo há
indivíduos haplóides formadores de gâmetas- os gametófitos e indivíduos diplóides formadores
de esporos- os esporófitos.

As plantas classificam-se em:

 Plantas avasculares – são aquelas que não apresentam vasos condutores, e

 Plantas vasculares- são aquelas que apresentam vasos condutores. Estas são
distinguidas pela presença ou não de semente.

PLANTAS AVASCULARES – BRIÓFITAS

Representantes: musgos

Características gerais

 São plantas pequenas e avasculares (i. é, não possuem vasos condutores).

 Vivem em lugares húmidos e sombrios.

 Não possuem verdadeiras estruturas.

 São epífitas de rochas e de plantas ou árvores.

 Estão distribuídas em três filos: Bryophyta (musgos), Hepatophyta (hepáticas) e


Anthocerophyta (antóceros).

 A maioria das espécies são dióicas i.e. com estruturas reprodutoras masculinas
(anterídios) e estruturas reprodutoras femininas (arquegónios), no interior do qual
desenvolve-se o embrião. O arquegónio desenvolve-se e recebe o nome de Caliptra.
Reproduzem-se assexuadamente por fragmentação.

 As briófitas dependem da água para se reproduzir pois os anterozóides dependem dela


para alcançar a oosfera.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

 O seu ciclo de vida é formado por duas fases alternadas, sendo a fase dominante o
gametófito por possuir as estruturas vegetativas e o esporófito a fase dominada. O
esporófito é constituído por três partes: pé, seta e cápsula. No interior da cápsula,
localizam-se os esporófitos que originam os esporos. Na maioria dos musgos e nas
hepáticas, o esporo origina uma estrutura filamentosa e ramificada – o protonema, a
partir do qual formam-se os gâmetas.

As estruturas vegetativas são:

 Rizóides fixam a planta no solo. Não são responsáveis pela absorção de água e sais
minerais, esta ocorre por todo corpo da planta.

 Caulóide – é o eixo principal dos musgos que ajuda no transporte de água e


nutrientes.

 Filídeos – são estruturas laminares, formada por uma só camada de células excepto na
linha média que existe m várias camadas que formam um aspecto de nervura central.

Figura 77: Ciclo de vida de um musgo

PLANTAS VASCULARES SEM SEMENTES – PTERIDÓFITAS

Representantes: samambaias

Características gerais:

 Possuem vasos condutores.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

 Vivem nas margens dos rios, de lagos ou lagoas e em lugares húmidos e sombrios.

 Apresentam verdadeiras estruturas.

 Reproduzem-se assexuadamente por brotamento.

 O seu ciclo de vida é formado por duas fases: esporófito (fase dominante) e o
gametófito (fase dominada). O esporófito destas plantas, apresente três estruturas- raiz,
caule e folha.

Ciclo de vida

Figura 78: Ciclo de vida das Pteridófitas

Raizes – são subterrâneas e têm por função fixar a planta no solo e absorver água e sais
minerais. Algumas apresentam raízes aéreas,

Caule – conduz até as folhas a seiva bruta absorvida nas raízes, e até as raízes a seiva
elaborada nas folhas. Muitas samambaias têm caule do tipo rizoma.

Folhas – são laminares com células ricas em cloroplastos e têm por função realizar a
fotossíntese.

Os esporófitos das Pteridófitas formam esporângios, onde são produzidos os esporos. Os


esporângios formam-se na superfície de folhas férteis, denominadas esporófilos.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

A germinação do esporo origina um pequeno gametófito- prótalo, formando os gâmetas. Os


anterídios quando maduros liberam anterozóides flagelados, que nadam até aos arquegónios;
um anterozóides fecunda a oosfera, originando o zigoto.

PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES NUAS - GIMNOSPERMICAS

Representantes: coníferas e cicas

Características gerais

 Possuem sementes nuas, pois não estão protegidas pelo fruto.

 São plantas de grande tamanho.

 Apresentam estruturas vegetativas bem desenvolvidas.

 Produzem de resina, que as protege do ataque de insectos e fungos.

 São distribuídas em quatro filos: coniferophyta (coníferas), Cycadophyta (cicas),


Gnetophyta (gnetofitas) e Ginkgophyta (gincófitas).

 As Gimnospermicas possuem raízes, caule e folhas. Possuem também ramos


reprodutivos com folhas modificadas chamadas estróbilos.

 São independentes da água para a fecundação.

Em muitas Gimnospermicas, como os pinheiros e as sequóias, os estróbilos são bem


desenvolvidos e conhecidos como cones - o que lhes confere a classificação no grupo das
coníferas.

Figura 79: Cones ou estróbilos (esquerda) Cicas (direita)

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Ciclo de vida

O estróbilo masculino produz pequenos esporos chamados grãos de pólen. O estróbilo


feminino produz estruturas denominadas óvulos. No interior de um óvulo maduro surge um
grande esporo.

Esses grãos se espalham no ambiente e podem ser levados pelo vento até o estróbilo feminino -
polinização. Nas Gimnospérmicas a polinização é feita pelo vento, sendo denominada
anemofilia (do grego ânemos, vento, e phylos, amigo).

Então, um grão de pólen pode formar uma espécie de tubo, o tubo polínico, onde se origina o
núcleo espermático, que é o gâmeta masculino. O tubo polínico cresce até alcançar o óvulo,
no qual introduz o núcleo espermático.

No interior do óvulo, o grande esporo que ele abriga se desenvolve e forma uma estrutura que
guarda a oosfera, o gâmeta feminino. Uma vez no interior do óvulo, o núcleo espermático
fecunda a oosfera, formando o zigoto. Este, por sua vez, se desenvolve, originando um
embrião. À medida que o embrião se forma, o óvulo se transforma em semente, estrutura que
contém e protege o embrião.

Nos pinheiros, as sementes são chamadas pinhões. Uma vez formados os pinhões, o cone
feminino passa a ser chamado pinha. Se espalhadas na natureza por algum agente
disseminador, as sementes podem germinar. Ao germinar, cada semente origina uma nova
planta.

A semente pode ser entendida como uma espécie de "fortaleza biológica", que abriga e protege
o embrião contra desidratação, calor, frio e acção de certos parasitas. Além disso, as sementes
armazenam reservas nutritivas, que alimentam o embrião e garantem o seu desenvolvimento
até que as primeiras folhas sejam formadas. A partir daí, a nova planta fabrica seu próprio
alimento pela fotossíntese.

PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES PROTEGIDAS


ANGIOSPERMICAS.

Características gerais:

 Apresentam flores e frutos.

 Suas sementes estão protegidas pelo fruto.

 Seus órgãos reprodutores são as flores.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

 Permite a reprodução de plantas que não produzem sementes como: bananeiras

 As flores apresentam quatro verticilos florais: sendo dois verticilos férteis: o androceu
(o conjunto de estames) e o gineceu (o conjunto de carpelo); os dois verticilos estéreis-
que formam o perianto - composto pelo cálice (de cor verde e formado por sépalas) e
pela corola (de cores vivas e formada por pétalas). As flores podem ser hermafroditas,
mas também existem flores unissexuais.

Figura 80: A Estrutura da Flor das Angiospérmicas

Ciclo de vida das Angiospérmicas

Na parte masculina da flor (o androceu), encontramos os estames onde estão os sacos


polínicos. Nestes sacos polínicos encontramos as células -mães dos esporos, que por meiose se
dividem em esporos haplóides. Esses esporos, dentro dos sacos polínicos, sofrem mitose e se
transformarão no gametófito masculino (os grãos de pólen).

Na parte feminina (o gineceu), dentro dos ovários, existem um ou mais microsporângios


(óvulos) presos ao ovário por um pedúnculo. Cada óvulo possui um tecido (nucela), que
protege dois tegumentos – primina (mais externo) e secundina (mais interno). Na nucela, a
célula -mãe do esporo sofre meiose e origina 4 megásporos (Haplóides), dos quais só um
sobrevive. Este sofre 3 divisões por mitose e forma uma massa de citoplasma com 8 núcleos
haplóides, dois destes núcleos (núcleos polares) migram para o centro do pólo e se unem,
formando um saco embrionário com: a oosfera, três núcleos (antípodas – que se degeneram)
e mais dois núcleos (sinérgicos), além dos dois núcleos polares.

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

Figura 81: Ciclo de vida de uma angiosperma

A Polinização

Os grãos de pólen podem chegar ao gineceu pela acção do vento ou da água ou pelos animais.
Ao chegar ao gineceu, o grão de pólen forma um tubo polínico, que cresce em direcção ao
ovário. Dentro deste tubo, o núcleo da célula geradora se divide e forma duas células
espermáticas haplóides que funcionam como gâmetas masculinos.

Chegando ao ovário, essas células fecundam o óvulo, fazendo o que chamamos de fecundação
dupla - uma característica das angiospermas. Uma célula espermática se funde a oosfera gerando
um zigoto (diplóide) e a outra se funde aos dois núcleos polares, formando por sucessivas
mitoses o endosperma da semente ou albúmen (que serve de reservatório de nutrientes para o
embrião). O zigoto faz vários mitoses e se transforma em embrião.

Após a fecundação, o ovário se transforma em fruto, que servirá para ajudar a disseminar as
sementes.

O pólen ou esporo masculino é produzido nos estames. A passagem dos grãos de pólen dos
estames aos pistilos (esporângio feminino) da mesma flor ou de outra chama-se polinização.
Dependendo da maneira pela qual esse transporte se dá, a polinização pode ser: entomófila,
realizada por insectos que carregam o pólen nas patas, ou anemófila, quando o vento carrega
o pólen de uma flor para outra. As flores de polinização entomófilas possuem cheiros e cores

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Manual de Biologia. VII – BIOLOGIA DAS PLANTAS

intensos e produzem substâncias açucaradas (néctar) para atrair os insectos e facilitar o


transporte do pólen.

Figura 82: Processo de polinização

Após a fecundação, o primórdio seminal transforma-se em semente. O ovário da flor


transforma-se em fruto, que guarda e protege a semente até que as condições externas estejam
adequadas para a germinação. O fruto possui uma cobertura (pericarpo), constituída por três
camadas. Se o pericarpo for seco e fino, o fruto é seco (trigo, noz, avelã, semente de girassol);
quando é suculento, o fruto é carnoso. Existe grande variedade de frutos carnosos, como as
bagas (tomate, uva), as drupas (pêssego, ameixa, azeitona) e os pomos (pêra, maçã, marmelo).

As Angiospérmicas podem ser divididas em Monocotiledóneas e Dicotiledóneas.

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Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

Unidade VIII – Estudos dos Animais (Zoologia)


Introdução ao Reino Animal

O Reino Animalia ou Metazoa compreende organismos pluricelulares, eucariotas com


nutrição heterotrófica e que passam pelo estágio de blástula durante o desenvolvimento
embrionário. A maioria de seus representantes apresenta tecidos diferenciados que se
especializam no desempenho de funções.

O reino Metazoa é dividido nos seguintes filos: Poríferos, Celenterados, Platelmintos,


Nematelmintos, Moluscos, Anelídeos, Artrópodes, Equinodermes e Cordados. Os diversos
filos existentes no reino

CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DOS METAZOÁRIOS

 Simetria: é a divisão imaginária do corpo de um animal em metades opostas que


devem ser simétricas uma à outra.

o Simetria Radial: quando divididos por qualquer plano que passe pela boca
apresentarão metades simétricas. Ex: os celenterados e os equinoderrmes
adultos.

o Simetria Bilateral: só podem ser divididos em duas metades iguais e opostas por
um único plano longitudinal e mediano. Possuem um único plano de simetria.
Como exemplos, temos os Platelmintos, Moluscos, Anelídeos, Artrópodes,
larvas de Equinodermes e Cordados.

o Assimetria: não possuem plano de simetria. Os poríferos são exemplos de


animais assimétricos.

 Segmentação ou Metamerização: consiste na repetição de partes do corpo ao longo de


sua extensão. Os segmentos que se repetem são denominados metâmeros e podem ou
não ser iguais.

o Segmentação Homônoma: é aquela em que os metâmeros são iguais, excepto o


primeiro e o último. Ocorre nos anelídeos.

o Segmentação Heterônoma: é aquela em que os metâmeros são diferentes e se


agrupam formando diversas regiões. Aparece nitidamente nos Artrópodos e
nos Cordados.

128 |
Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

 Esqueleto: é uma estrutura de sustentação e protecção presente em um grande número


de animais. Pode ser externo ou interno.

o Esqueleto Externo: chamado exoesqueleto, aparece em moluscos e artrópodes.

o Esqueleto Interno: chamado endoesqueleto, aparece em Equinodermes e


Cordados.

 Número de Folhetos Embrionários: Na fase embrionária chamada gástrula ocorre a


formação dos folhetos embrionários. A gástrula pode apresentar dois ou três folhetos
embrionários. Se a gástrula possui dois folhetos embrionários, o animal é diblástico
ou diploblástico e os folhetos serão ectoderma e endoderma. São diblásticos os
poríferos e os celenterados. Se a gástrula possui três folhetos embrionários, o animal é
triblástico ou triploblástico e os folhetos serão ectoderma, mesoderma e endoderma.
São triblásticos Platelmintes, Moluscos, Anelídeos, Artrópodes, Equinodermes e
Cordados.

 Presença de Celoma: o celoma verdadeiro é uma cavidade totalmente revestida por


mesoderma. Trata-se da futura cavidade geral do corpo onde estarão contidos os
órgãos internos. Os animais triblásticos podem ou não apresentar celoma. Quanto à
presença do celoma, os animais podem ser classificados em:

o Acelomados: não apresentam celoma. A cavidade corpórea é preenchida por


tecido de origem mesodérmica. Os platelmintes são animais acelomados.

o Pseudocelomados: apresentam um “falso celoma”. Este é delimitado


parcialmente por mesoderma e endoderma. Os Asquelmintes são animais
pseudocelomados.

o Celomados ou Eucelomados: apresentam um celoma verdadeiro. Os Moluscos,


Anelídeos, Artrópodes, Equinodermas e Cordados são celomados.

A classificação quanto ao celoma deve ser utilizada apenas para animais triblásticos. No
entanto, alguns autores consideram Poríferos e Celenterados, apesar de serem diblásticos,
como sendo animais acelomados.

 Destino do Blastóporo: o blastóporo é uma abertura formada na fase de gástrula que


comunica o arquêntero com o exterior. O blastóporo pode originar boca ou ânus.
Conforme sua evolução, os animais podem ser:

o Protostómicos: são aqueles em que o blastóporo origina a boca. São


Protostómicos os Celenterados, Platelmintes, Moluscos, Anelídeos e
Artrópodos.

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Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

o Deuterostómios: são aqueles em que o blastóporo origina o ânus. São Deuterostómios


os Equinodermas, e Cordados.

FILO PORIFERA OU SPONGIARIA (Poríferos ou Espongiários)

Latim (porus = poro/ferre = possuir)

O filo Porífera reúne as esponjas, animais aquáticos com


organização corporal muito simples. Apresentam o corpo
perfurado por poros que permitem a entrada de água no corpo.
São os únicos Metazoários que não possuem tecidos
diferenciados, apresentando grande simplicidade na
organização corporal. A maioria das espécies é marinha
vivendo fixos a um substrato (animais sésseis). Alimentam-se de
minúsculas partículas que se encontram em suspensão na água,
por isso são chamados de animais filtradores

Figura 83: Esponjas


Características

A parede do corpo de uma esponja apresenta quatro


tipos celulares básicos:

a) Pinacócitos: são células achatadas que formam a


epiderme, responsáveis pelo revestimento

e protecção do corpo.

b) Porócitos: são células derivadas dos Pinacócitos


que ficam ao redor dos poros.

c) Coanócitos: são células que forram a cavidade atrial


Figura 84: Esponjas das esponjas mais simples. São

dotadas de um flagelo que promove a circulação de


água pelo corpo, além de capturar alimentos e promover a digestão intracelular.

d) Amebócitos: são células que se movimentam através de pseudópodes localizadas na


camada gelatinosa (mesogleia) que fica entre as camadas externa e interna. São células
indiferenciadas, podendo originar qualquer outro tipo celular. Realizam digestão intracelular
complementar, transportam os produtos da digestão para outras células, formam gâmetas,
gémulas (formas de resistência) e espículas (estruturas de sustentação).

130 |
Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

Habitat Ambiente aquático; a maioria das espécies é marinha.

Sistema digestivo Ausente; alimento fagocitado por coanócitos

Ausente; distribuição de alimento pelos amebócitos e difusão


Sistema circulatório
de substâncias no meso- hilo

Ausente; trocas gasosas directamente entre as células e o


Sistema respiratório
ambiente.

Ausente; excreções lançadas directamente pelas células no


Sistema excretor
ambiente

Sistema nervoso Ausente.

Assexuada, por fragmentação e brotamento; reprodução


Reprodução
sexuada com desenvolvimento indirecto

FILO CELENTERATA OU CNIDARIA (Celenterados ou Cnidários)

Grego (koilos = cavidade/enteron = intestino/knidos = urtiga)

São os primeiros animais na escala evolutiva a apresentar uma cavidade digestiva (cavidade
gastrovascular), daí serem classificados como enterozoários.

O filo Cnidária reúne os Cnidários, animais aquáticos cujos representantes são as águas-
vivas, os corais, as caravelas e as anémonas-do-mar. O termo Cnidários se deve à presença
de células urticantes epidérmicas denominadas cnidoblastos, usados na defesa e captura de
alimento. No interior do cnidoblastos encontramos uma estrutura denominada nematocisto
que contém um filamento mergulhado em um líquido
tóxico.

A maioria do dos Cnidários passa por dois estágios


em seu ciclo de vida: Pólipo e Medusa.

Os pólipos são cilíndricos, de movimentos muito


lentos e apresentam uma coroa de tentáculos
circundando a boca na extremidade livre do corpo.
Podem ser isolados, como a anémona-do-mar ou
Figura 85: Medusa
formar colónias, como na maioria dos corais. As

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Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

medusas são discoidais e livre-natantes com tentáculos pendentes nos bordos. São sempre
isoladas, não formando colónias.

Características

Habitat Ambientes aquáticos; maioria das espécies é marinha.

Sistema digestivo Incompleto; digestão extra e intracelular.

Ausente; o alimento é distribuído directamente pela cavidade


Sistema circulatório
gastrovascular e difunde-se entre as células.

Ausente; trocas gasosas directamente entre as células e a água


Sistema respiratório
circundante.

Ausente; excreções lançadas directamente pelas células na água


Sistema excretor
circundante.

Sistema nervoso Presente; rede nervosa difusa no corpo

Alguns Pólipos têm reprodução assexuada por brotamento e


Reprodução estrobilização; várias espécies têm ciclos de vida com alternância de
gerações sexuada (medusa) e assexuada (pólipos)

FILO PLATYHELMINTHES (Platelmintes)

Grego (platy = achatado/helminthes = verme)

O filo Platelminthes reúne animais com corpo achatado dorso-ventralmente, que vivem erm
água doce ou salgada, em ambientes de terra firme húmidos ou no interior de outros animais,
como parasitas. Os Platelminthes são agrupados em três classes: Turbellaria, Trematoda e
Cestoda. A classe Turbellaria é constituída por espécies de vida livre (i.e.) não parasitas,
conhecidas como Planária.

A classe Trematoda apresenta espécies ectoparasitas e endoparasitas. Uma espécie


endoparasita conhecida é o esquistossomo que causa a esquistossomose.

A classe Cestoda reúne as Ténias que são endoparasitas do intestino de animais vertebrados.
As ténias não possuem cavidade digestiva e alimentam-se exclusivamente dos nutrientes
absorvidos da cavidade intestinal do hospedeiro.

132 |
Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

Características

Hábitat Terrestres ou aquáticos (água doce ou salgada); várias espécies


parasitas.

Sistema digestivo Incompleto; cavidade gastrovascular muito ramificada; digestão


extra e intra-celular.

Sistema circulatório Ausente; alimento distribuído pela cavidade gastrovascular a todas


as células do corpo.

Sistema respiratório Ausente; trocas gasosas directamente entre as células e o ambiente.

Sistema excretor Presente; rede de Protonefrídeos com células- flamas


(multiflageladas) ou com solenócitos (uniflagelados); poros excretores
localizados na superfície dorsal do corpo.

Sistema nervoso Presente; um par de gânglios cerebrais ligados a dois cordões


nervosos longitudinais, de onde partem nervos

Sistema sensorial Presente; órgãos especializados na captaçãode estímulos luminosos,


mecânicos e químicos.

Reproduzem-se assexuadamente por fragmentação; reprodução


sexuada com espécies monóicas e desenvolvimento directo, sem
Reprodução
estágio larval; há espécies dióicas e diversos Platelmintas parasitam
que têm estágios larvais

FILO ASQUELMINTHES OU NEMATHELMINTHES

(Asquelmintes ou Nematelmintes)

Grego (askon = saco / helminthes = verme)

São vermes que apresentam o corpo cilíndrico e alongado. Os representantes deste grupo
vivem em todos os tipos de ambiente: em água doce ou salgada, na terra húmida ou no
interior do corpo de animais e plantas parasitando-os. Os Nematodes parasitas mais
conhecidos são as Lombrigas, os Ancilóstomos causadores do amarelão e as Filárias,
causadoras da elefantíase (ou filariose).

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Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

Figura 86: Organismos nematelmintes (esquerda) e membro inferior de um homem com filariose

Características

Maioria das espécies de vida livre, terrestres ou aquáticas (água


Hábitat
doce ou salgada), várias espécies parasitas de animais e plantas.

Sistema digestivo Completo; digestão extra e intra-celular

Ausente; alimento distribuído pelo fluído da cavidade de


Sistema circulatório
pseudocelómica.

Ausente; trocas gasosas directamente entre as células e o ambiente


Sistema respiratório
(respiração cutânea)

Presente; a cargo do renete, célula gigante em forma de letra H que


Sistema excretor forma dois tubos laterais unidos na região anterior; poro excretor
abrindo-se perto da boca

Presente; anel nervoso em torno da faringe com dois cordões


Sistema nervoso
nervosos longitudinais.

Sexuada; monóico ou dióico; ciclos dos parasitas são complexos


Reprodução
com diversos estágios larvais.

FILO MOLLUSCA (Moluscos)

Latim (mollis = mole)

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Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

São Metazoários que apresentam o corpo mole comummente envolvido por uma concha
calcária e constituído de três partes: cabeça, massa visceral e pé. Os representantes deste
grupo são os caramujos, mexilhões, polvos, o caracol, as lulas, etc. Polvos e lesmas são
desprovidos de concha e as lulas apresentam uma concha interna denominada pena ou siba.
Existem três classes de moluscos:

Bivalve- reúne moluscos marinhos ou de água doce dotados de concha com duas valvas.
Exemplos: ostras e mexilhões.

Gastropode- representa maior número de espécies com representante nos rês tipos de
ambientes: marinho, água doce e terra firme. Ex: caramujos, caracóis.

Cephalopoda- reúne moluscos que vivem exclusivamente no mar. Ex: polvo, lulas.

Figura 87: exemplos de moluscos cefalópodes

Características

Animais de vida livre, terrestres ou aquáticos, de água doce ou


Hábitat salgada; raras espécies parasitas, com larvas e brânquias de
peixes.

Completo (tubo digestivo com regiões diferenciadas e glândulas


digestivas associadas); digestão extra e intracelular em bivalves
Sistema digestivo
e gastrópodes; digestão exclusivamente extracelular em
cefalópodes.

Presente; trocas gasosas ocorrem em órgãos especializados,


brânquias e pulmões; este sistema está acoplado ao sistema
Sistema respiratório
circulatório (gases respiratórios são transportados pelo liquido
sanguíneo)

Presente; excreção por meio de metanefrídeos, estruturas


Sistema excretor especializadas na remoção de resíduos nitrogenados do
metabolismo

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Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

Presente do tipo aberto ou lacunar em bivalves e gastrópodes, e


Sistema circulatório
fechado em cefalópodes.

Presente; composto por três ou quatro pares de gânglios


Sistema nervoso
nervosos, ligado a nervos que atingem para todo o corpo.

Sexuada, com espécies monóicas (caracóis) e dióicas


Reprodução (mexilhões); em alguns casos o desenvolvimento é directo e em
outros há estágios larvais.

FILO ANNELIDA (Anelídeos)

Latim (annelus = anel)

São vermes que apresentam o corpo segmentado em anéis, de forma transversal. Os anelídeos
são distribuídos em três classes: Poliquetos, Oligoquetos e Hirudineos.

Os Poliquetos (são anelídeos marinhos, caracterizados por apresentar numerosas cerdas


corporais. Os oligoquetos, são anelídeos com poucas cerdas corporais. Seus representantes
típicos são as minhocas. As minhocas auxiliam no processo de decomposição da matéria
orgânica e a fertilização do solo, com produção de húmus. A classe Hirudinea é popularmente
conhecida como sanguessugas, são anelídeos desprovidos de cerdas. O termo sanguessuga,
refere-se ao hábito alimentar da maioria dos Hirudineos: sugar sangue e fluidos corporais de
vertebrados.

Figura 88: A minhoca e sanguessuga

Características

Hábitat Animais de vida livre, terrestres ou aquáticos, de água doce ou salgada

Completo; intestino com regiões diferenciadas em faringe, papo, moela, etc;


Sistema digestivo
digestão extracelular

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Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

Branquial, em certos poliquetos; respiração cutânea, em oligoquetos e


Sistema respiratório hirudíneos; trocas gasosas ocorrem pela superfície corporal, irrigada de
sangue.

Presente; excreção por meio de metanefrídeos; amónia é o principal produto


Sistema excretor
nitrogenado excretado

Fechado; presença de vasos pulsáteis, os corações laterais; liquido sanguíneo


Sistema circulatório
com pigmentos respiratórios (hemoglobina em oligoquetos)

Presente; constituído por uma cadeia nervosa ventral, com um par de


Sistema nervoso
gânglios por segmento; gânglios cerebrais bem desenvolvidos

Sexuada, com espécies monóicas (minhoca) e dióicas (certos poliquetos


Reprodução marinhos); oligoquetos e hirudíneos têm desenvolvimento directo; a maioria
dos poliquetos tem desenvolvimento indirecto (larva trocófora)

FILO ARTHROPODA (Artrópodes)

Grego (arthros = articulação / podos = pés, patas

O filo Artrópode inclui animais que se caracterizam por


apresentar patas articuladas. O corpo dos artrópodes é
revestido por um exoesqueleto quitinoso secretado pela
própria epiderme. A quitina é um polissacarídeo nitrogenado
que apresenta importante função estrutural, constituindo
também a parede celular dos fungos. A presença desse
exosqueleto limita o crescimento dos artrópodes, fazendo com
que esses animais sofram mudas periódicas ou ecdises. Seus
representantes são divididos em três subfilos: crustáceos,
quelicerados e unirrâmios. Figura 89: Representantes dos artrópodes

Subfilo Características Hábitat Representantes


Animais dotados de A maioria vive em Camarão, lagosta,
cefalotórax e abdómen, dois ambiente aquático de caranguejo
pares de antenas e cinco água doce ou salgada;
Crustáceos
pares de pernas locomotoras poucas formas terrestres
no cefalotórax, geralmente em ambientes de muita
com apêndices abdominais humidade

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Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

Animais dotados de corpo A maioria terrestres, Aranhas, escorpiões,


dividido em cefalotórax e com poucos ácaros. Carrapatos
abdómen, sem antenas, com representantes aquáticos
Quelicerados quatro pares de pernas
locomotoras no cefalotórax e
sem apêndices abdominais

Animais dotados de corpo Vivem em todos os Pulga, mosca, mosquito.


dividido em cabeça, tórax e ambientes, estando
abdómen; um par de ausentes apenas no mar;
Unirrâmios
antenas, três pares de pernas sãos os únicos
locomotoras e sem apêndices invertebrados capazes de
abdominais voar

Características

Completo; tubo digestivo com regiões diferenciadas e glândulas

Sistema digestivo acessórias; digestão extracelular; peças bucais para manipular e triturar
o alimento (mandíbulas, maxilar, maxílipedes, etc.)
Branquial (crustáceos), traqueal (insectos e aracnídeos) e pulmonar ou
Sistema respiratório
filotraqueal (quelicerados)

Presente; glândula antenal ou glândula verde (crustáceos), tubos de


Sistema excretor
Malphigi (insectos e aracnídeos) e glândulas coxais (aracnídeos)

Aberto; líquido sanguíneo (hemolinfa) pode ou não apresentar


Sistema circulatório
pigmentos respiratórios (hemoglobina ou hemocianina)
Presente; composto por gânglios cerebrais desenvolvidos (resultado da

Sistema nervoso fusão de vários gânglios nervosos) e por uma cadeia nervosa ventral,
com pares de gânglios dispostos em sequência
Presente; olhos (simples ou compostos) órgãos de equilíbrio, sensores
Sistema sensorial
tácteis e químicos
Sexuada; espécies dióicas, fecundação externa ou interna;
desenvolvimento directo ou indirecto; insectos podem ser ametábolos

Reprodução (desenvolvimento directo) ou metábolos (desenvolvimento indirecto),


estes últimos com metamorfose gradual (hemimetábos) ou completa
(holometábolos)

138 |
Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

FILO ECHINODERMATA (Equinodermes)

Grego (echinos = espinho / derma = pele)

Os equinodermes constituem um grupo de animais exclusivamente marinhos que apresentam


a pele revestida por espinhos. Apresentam um endoesqueleto formado de placas calcárias
derivado do mesoderma. Seus representantes são estrela-do-mar, ouriço-do-mar, bolachas-do-
mar e os pepinos-do-mar.

Figura 90: A estrela e o ouriço do mar

Características

Hábitat Animais de vida livre, exclusivamente marinhos

Sistema digestivo Completo; digestão extracelular

Reduzido (branquial) ou ausente; trocas gasosas são facilitadas pelo sistema


hidrovascular (ou sistema ambulacral- consiste em tubos e bolsas cheios de
Sistema respiratório
água do mar, que se comunicam com formações presentes ns superfície do
corpo, os pés ambulacrais

Ausente; excreções lançadas directamente na água que circula no sistema


Sistema excretor
hidrovascular

Sistema circulatório Ausente ou reduzido; distribuição de substâncias pelo fluido celómico

Presente: composto por um anel nervoso em torno da boca, de onde partem


Sistema nervoso
nervos radiais.

Exclusivo do filo, desempenha funções de locomoção, fixação e captura de


Sistema hidrovascular
alimento, além de contribuir na respiração e na excreção

Sexuada, espécies dióicas, fecundação externa e desenvolvimento indirecto


Reprodução
com um ou mais tipos de larvas (plúteo, bipinária e braquiolária)

| 139
Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

FILO CHORDATA (Cordados)

Grego (khorde = corda)

Cordados são animais triblásticos, celomados, metamerizados e deuterostómicos. Reúne


espécies distribuídas em três subfilos: Urochordata, Cephalochordota e Craniata ou
Vertebrata.

Urocordados e Cefalochordados não têm crânio nem coluna vertebral, sendo por isso chamados
protocordados.

O Subfilo Craniata, que reúne cerca de 98% das espécies de cordados, caracteriza por
apresentar crânio e coluna vertebral.

Encontramos no Filo Chordata três características que são consideradas como as mais
importantes e que estão presentes em todos os seus representantes, pelo menos em alguma
fase de sua vida. São elas:

 Notocorda: Bastão gelatinoso localizado dorsalmente ao tubo digestivo. Funciona


como primeira estrutura de sustentação do corpo de um Cordado.

 Tubo nervoso dorsal: Formado a partir do ectoderma, este tubo originará o sistema
nervoso do cordado.

 Fendas branquiais faringeanas: Abertura formada na faringe do embrião que podem


servir para filtração de alimento (Anfioxo) ou para a respiração (Peixes). Nos
vertebrados terrestres, essas fendas esboçam-se no embrião, porém nunca no animal
adulto.

Craniata ou Vertebrata

Agnathos

Lampreia- vertebrados marinhos (podem viver também em água doce) sem mandíbula,
com esqueleto cartilaginoso e corpo alongado. As formas larvais vivem semienterradas e
são filtradores; os adultos são ectoparasitas de peixes.

Peixes

 Chondricthyes- vertebrados aquáticos, em sua maioria marinhos,


dotados de mandíbula, com esqueleto cartilaginoso e nadadeiras
pares. Apresentam corpo revestido por escamas placoides de
origem dermo-epidermica. Ex.: tubarão, raias e quimeras.

140 |
Manual de Biologia. VIII – BIOLOGIA DOS ANIMAIS

 Actinopterygii- vertebrados aquáticos, marinhos e de água doce, dotados de mandíbula


e esqueleto ósseo; caracterizam-se por apresentar nadadeiras sustentadas por raios
ósseos. A pele é revestida por escamas de origem dérmica, cobertas por epiderme. Ex.:
sardinha, carapau, bagre.

Tetrápodes

AMPHIBIA – vertebrados ectotérmicos, dotados de pele lisa, sem


escamas e rica em glândulas mucosas. Na maioria das espécies os
adultos vivem em terra firme e respiram por pulmões, enquanto as
larvas, denominadas girinos, são aquáticas e respiram por meio de
brânquias. Ex: sapos, salamandras.

REPTILIA – vertebrados terrestres, ectotérmicos e


pulmonados, dotados de pele seca e cornificada. Seu desenvolvimento
embrionário ocorre no interior de um ovo revestido por membrana coriácea ou
calcária (ovo terrestre). Ex.: serpentes, lagartos, jacarés.

AVES – vertebrados terrestres, endotérmicos com corpo


recoberto por penas, membros anteriores modificados em asas e
dotados de bico córneo desprovido de dentes. Seu desenvolvimento
embrionário ocorre no interior de um ovo de casca calcária,
semelhante ao dos répteis. Exemplos: avestruz, galinha.

MAMMALIA – vertebrados endotérmicos que se caracterizam por apresentar:


glândulas mamárias, corpo total ou parcialmente coberto por pêlos, dentes
diferenciados e diafragma, uma membrana muscular que separa o tórax do abdómen
e participa da ventilação dos pulmões. Ex: canguru, ornitorrinco, cão, baleia, ser
humano

| 141
Manual de Biologia. IX ECOLOGIA

UNIDADE XI - ECOLOGIA
INTRODUÇÃO

Um ser vivo, qualquer que seja a sua espécie seu reino ou seu grau de complexidade, não
conseguiria viver de forma autónoma sem interagir com outros ou mesmo com ambiente
físico no qual se encontra. Ao estudo dessas inter-relações entre os seres vivos e o meio
ambiente, dá-se o nome de Ecologia (esse termo foi utilizado pela primeira vez em 1870 pelo
naturalista alemão Ernst Haeckel).

Desta complexa relação que pode ser amistosa ou não, os seres vivos constituem o
componente biótico ao passo que as condições físicas e químicas necessárias para a vida dos
mesmos (que no seu conjunto chama-se biótopo) constitui o componente abiótico. Fazem
parte do biótopo a temperatura, pluviosidade, luminosidade, humidade, água, sais minerais,
oxigénio, etc.

Tendo em conta que nos últimos anos a acção do homem sobre o meio ambiente tem causado
sérios desequilíbrios ecológicos, o estudo da ecologia do ponto de vista prático, reveste-se de
extrema importância na medida em que ajuda-nos a compreender a necessidade da
preservação do meio ambiente para a manutenção da vida no planeta.

NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO EM ECOLOGIA

Os níveis de organização estudados em ecologia ou simplesmente Unidades Ecológicas são:


população, comunidade, ecossistema e biosfera.

População - grupo de indivíduos de mesma espécie que vivem em uma determinada área na
mesma unidade de tempo.

Comunidade, comunidade biótica ou biocenose - representa um conjunto de populações


(neste caso, de espécies diferentes) que vivem em uma determinada área na mesma unidade de
tempo.

Ecossistema ou sistema ecológico - representa um sistema de integração entre seres vivo e


meio ambiente. Ou seja, comunidade + biótopo = ecossistema.

Biosfera - conjunto de todos os ecossistemas do planeta Terra, ou seja, toda a região do


planeta ocupada pelos seres vivos.

142 |
Manual de Biologia. IX – ECOLOGIA

CONCEITOS BÁSICOS EM ECOLOGIA

Habitat - É o local natural onde vive uma determinada espécie. Como exemplos temos as
savanas. Estas são o habitat natural dos búfalos ao passo que os oceanos são o habitat natural
dos tubarões

Figura 91: Búfalos e tubarão em seus habitats

Nicho Ecológico - é o conjunto de parâmetros que definem o comportamento ou papel de


uma determinada espécie no ambiente. Destes parâmetros distinguem-se:

a) O tipo de alimentação,

b) As relações com outras espécies e

c) As modificações que causa no ambiente.

Em um mesmo ecossistema, duas espécies diferentes podem apresentar o mesmo habitat e o


mesmo nicho ecológico. No entanto, nunca terão por muito tempo o mesmo nicho ecológico,
já que a competição leva ao desaparecimento de uma delas (princípio da exclusão competitiva de
Gause).

Figura 92: Representação de um ecótone

| 143
Manual de Biologia. IX ECOLOGIA

Ecótone – região de transição entre dois ecossistemas vizinhos. O ecótone abriga


representantes das duas comunidades vizinhas, constituindo uma área onde a diversidade de
espécies e a taxa de competição entre elas são relativamente grandes (figura 92).

Sucessão Ecológica: é um processo no qual as comunidades se substituem lentamente numa


sequência ordenada até o estabelecimento de uma comunidade final e estável, em perfeito
equilíbrio com o meio, denominada Comunidade Clímax. Desta forma, as comunidades
pioneiras (que são as primeiras a colonizar o biótopo) criam condições para o surgimento das
comunidades intermédias e do clímax. (figura 92)

CADEIA ALIMENTAR

É o fluxo de matéria e energia através dos vários componentes de um ecossistema. Pode ser
também entendida como sendo a sequência linear de seres vivos em que um serve de alimento
para o outro. O Conjunto de cadeias alimentares de um ecossistema constitui uma teia
alimentar.

Quanto à cadeia alimentar, os seres vivos classificam-se em três grandes grupos:

 Produtores ou autotróficos - seres capazes de produzir o seu próprio alimento (substâncias


orgânicas) a partir de substâncias inorgânicas. Conforme a fonte de energia utilizada na
produção do próprio alimento, os produtores são classificados em:

 Fotossintetizadores- Utilizam a energia luminosa. Nos ecossistemas aquáticos, os


principais fotossintetizantes são as algas que integram o fitoplâncton (organismos
clorofilados flutuantes). Nos ecossistemas terrestres, os fotossintetizantes são os
vegetais classificados no reino Metaphyta.

 Quimiossintetizadores - Utilizam a energia liberada em reações de oxidação de


substâncias inorgânicas. Os organismos quimiossintetizantes são representados por
algumas bactérias.

 Consumidores ou Heterotróficos - seres incapazes de produzir o seu próprio alimento. Os


consumidores primários são herbívoros já que se utilizam dos produtores como fonte
alimentar. Os consumidores secundários, terciários, quaternários. etc. são carnívoros. Os
consumidores secundários alimentam-se dos consumidores primários, os terciários
alimentam-se dos secundários e assim por diante (Fig. 93).

 Decompositores, saprófitas, saprófagos ou sapróvoros - representam um tipo especial


de consumidores que realizam a decomposição da matéria orgânica, transformando-a
em compostos inorgânicos que serão utilizados por eles próprios como alimento, ou
utilizados novamente pelos produtores (figura 93). Assim, percebemos que a ação dos
decompositores é imprescindível para a reciclagem da matéria.

144 |
Manual de Biologia. IX – ECOLOGIA

Os agentes decompositores são representados por bactérias e fungos.

Figura 93

Os produtores constituem a base das cadeias alimentares. A energia contida no alimento


elaborado pelos produtores é transferida aos consumidores primários e destes aos
consumidores secundários, terciários, etc.

Após a morte, produtores e consumidores de todos os níveis sofrem a ação dos


decompositores, permitindo a reciclagem da matéria à medida que devolvem ao ambiente
substâncias inorgânicas que são absorvidas pelos vegetais. Para que uma cadeia alimentar seja
considerada completa devem estar presentes produtores, consumidores e decompositores.

É comum os decompositores não serem representados em certas cadeias alimentares por se


achar implícita a sua atuação. Observe dois exemplos de cadeias alimentares na figura 94.

Figura 94

No exemplo 1, o capim é um produtor; o gafanhoto, um consumidor primário; o sapo, um


consumidor secundário; a cobra, um consumidor terciário e o gavião, um consumidor
quaternário. Ainda neste exemplo, saiba que todos os seres que tal como o sapo, por exemplo,
que se alimenta de gafanhotos e é comido pela cobra formam com o sapo um nível trófico.

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Manual de Biologia. IX ECOLOGIA

No processo de reciclagem da matéria a energia luminosa fixada pelos seres autotróficos é


transmitida sob a forma de energia química aos demais seres vivos. A energia incorporada
pelos seres vivos que compõem uma cadeia alimentar vai diminuindo à medida que passa
pelos consumidores. Isso ocorre porque cada integrante da cadeia consome com suas próprias
atividades a maior parte da energia adquirida. Assim, transfere-se para o nível trófico seguinte
apenas uma pequena parcela da energia recebida. Deste modo, quanto mais curta for uma
cadeia alimentar, maior será a quantidade de energia disponível para os níveis tróficos mais
elevados. Com isso, concluímos que o fluxo de energia é decrescente e unidirecional. Todo
esse processo pode ser expresso mediante uma pirâmide ecológica (figura 95).

Figura 95

RELAÇÕES ECOLÓGICAS

De uma maneira geral as relações entre os seres vivos na natureza servem para regular a
densidade populacional, contribuindo para a manutenção do equilíbrio no ecossistema.
Quando ocorrem entre seres da mesma espécie, elas dizem-se intra-específicas e quando
ocorrem entre seres de espécie diferentes dizem-se inter-específicas. Elas podem ainda
classificar-se em :

 Harmônicas – quando nenhum dos seres envolvidos sai prejudicado.

 Desarmônicas – quando pelo menos um dos seres envolvidos sai prejudicado.

RELAÇÕES HARMÔNICAS:

a) Colônia: relação intra-especifica na qual os indivíduos envolvidos apresentam-se


unidos fisicamente, podendo tais indivíduos desempenhar ou não exatamente as
mesmas atividades (figura 93).

146 |
Manual de Biologia. IX – ECOLOGIA

Figura 96: Uma colónia de bactérias


Escherichia coli no intestino humano
observada ao microscópio eletrônico

b) Sociedade: relação intra-específica na qual os indivíduos envolvidos não se encontram


unidos fisicamente e apresentam sempre uma notável divisão de trabalho. Exemplos:
as sociedades das abelhas (Fig. 7), vespas, marimbondos… e até mesmo as sociedades
humanas.

c) Mutualismo: relação inter-específica na qual duas espécies se associam


obrigatoriamente beneficiando-se mutuamente. O exemplo típico de mutualismo são
os líquenes – que resultam da associação entre algas e fungos: as algas realizam a
fotossíntese oferecendo parte do alimento produzido para os fungos e em
compensação, os fungos protegem as algas e retiram água e sais minerais do ambiente
para que as algas realizem a fotossíntese.

São também outros exemplos de mutualismo as bacteriorrizas (relação entre bactérias


e raízes de plantas leguminosas), as micorrizas (relação entre fungos e raízes de certas
plantas), a relação entre herbívoros ruminantes e microrganismos, salalé e
protozoários, etc.

d) Protocooperação: ao contrário do mutualismo, na protocooperação as espécies se


associam não de forma obrigatória trocando benefícios entre si. EX.: O pássaro anu e
o gado, na qual, o anu retira da pele do gado carraças para se alimentar; assim, o anu
beneficia-se pelo alimento e o gado por se ver livre das carraças. Note que essa
associação não é obrigatória, pois, o anu poderia ir procurar alimento noutro sítio e
também porque dificilmente o gado morreria com a presença das carraças e por outro
lado, elas poderiam ser retiradas pelo seu dono (pastor).

e) Comensalismo: relação inter-específica na qual apenas uma das espécies sai beneficiada
mas sem prejudicar a outra espécie. No comensalismo, o benefício pode ser de várias
formas: alimento, transporte, abrigo, proteção, etc. Exemplos: a entamoeba coli é uma
bactéria que habita o intestino humano alimentando-se de restos de alimentos ai
presentes mas em condições normais a mesma não causa danos à saúde do homem.

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Manual de Biologia. IX ECOLOGIA

RELAÇÕES DESARMÔNICAS:

a) CANIBALISMO: Relação na qual um indivíduo alimenta-se de outro da mesma


espécie causando a sua morte. Este tipo de relação verifica-se frequentemente em
aranhas, grilos, piranhas, etc.

b) PARASITISMO: Relação inter-específica na qual um indivíduo sai beneficiado


(parasita) com prejuízo do outro (hospedeiro). EX.: relação entre a lombriga e o
homem (Fig. 7).

c) PREDATISMO: Relação na qual um indivíduo (predador) serve-se de outro indivíduo


doutra espécie (presa) como fonte de alimento causando a sua morte. EX.: relação
entre o tigre e o veado.

d) COMPETIÇÃO: Relação intra-específica ou inter-específica na qual os indivíduos


lutam pelos mesmos factores quando não são suficientes para todos. Os principais
factores pelos quais os indivíduos lutam são: alimento, abrigo e parceiros para
reprodução.

Note que a competição leva à diminuição da amplitude do nicho ecológico ou à


extinção dos indivíduos menos adaptados e à permanência dos melhores adaptados,
constituindo assim juntamente com o parasitismo, predatismo e canibalismo um
mecanismo de resistência ambiental e um factor regulador do crescimento das
populações.

e) AMENSALISMO ou ANTIBIOSE: relação inter-específica na qual indivíduos de uma


população liberam substâncias químicas que impedem o crescimento ou a reprodução
de outras populações, podendo provocar a morte de muitos organismos.

Acção do homem sobre o ambiente: poluição


Dá-se o nome de poluição ao desequilíbrio do ambiente causado pela introdução de resíduos
sólidos, líquidos ou gasosos resultantes das actividades humanas, levando a consequências na
saúde do próprio homem, dos outros seres vivos e dos ecossistemas em geral. Tendo em conta
o lugar poluído, os três principais tipos de poluição são:

POLUIÇÃO DO AR

Tipo de poluição em que está em causa a disponibilidade de O2 para respirar devido à


adição constante de outros gases que interferem negativamente na respiração. Os
principais poluentes gasosos são:

148 |
Manual de Biologia. IX – ECOLOGIA

a) CO2 – Liberado em reacções de combustão; este gás pode elevar a temperatura da superfície
terrestre, gerando o efeito estufa.

b) CO - Liberado a partir da combustão incompleta do petróleo e do carvão; este gás ocupa os


sítios de ligação da hemoglobina com o O2 podendo causar morte por asfixia.

c) NO2 - Liberado a partir de motores a combustão, aviões, fornos e incineradores; na espécie


humana compromete a respiração e nos vegetais inibe a fotossíntese.

d) Óxidos de Enxofre - Liberados a partir da combustão dos derivados do petróleo; no homem


causa lesões pulmonares e nas plantas destrói as folhas.

POLUIÇÃO DA ÁGUA

Corresponde ao lançamento de excessivas quantidades de esgotos, detergentes e despejos


de fábricas na água. Ao se adicionar excesso de matéria orgânica à água, os raios luminosos
não penetram adequadamente e os microrganismos decompositores se desenvolvem
exageradamente, consumindo o oxigénio dissolvido na água. A diminuição da quantidade de
oxigénio dissolvido na água é um dos principais indicadores de poluição.

POLUIÇÃO DO SOLO

Corresponde ao lançamento no solo de substâncias decorrentes da decomposição do lixo,


além de insecticidas e herbicidas em excesso. O insecticida DDT é responsável pela
destruição de várias espécies de organismos e, com o seu uso, ocorre a selecção de
espécies resistentes prejudiciais à vida humana. Tais substâncias apresentam efeito
duradouro e são transmitidas ao longo das cadeias alimentares, provocando lesões e
mortes em vários indivíduos, o que altera o equilíbrio ecológico.

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Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

UNIDADE IX – INTRODUÇÃO A ANATOMIA E


FISIOLOGIA HUMANAS
Anatomia é uma palavra grega que significa cortar em partes, cortar separado sem destruir os
elementos componentes. O equivalente em português é dissecção.

Por definição anatomia é a parte da biologia que estuda a morfologia ou estrutura dos seres
vivos.

De forma didática, neste módulo procuramos abordar a anatomia e fisiologia humana de


forma integrada, isto é, à medida que se estuda uma estrutura, órgão, aparelho ou sistemas, o
faremos caracterizando também sua função.

Nesta primeira parte faremos uma abordagem do aparelho locomotor.

APARELHO LOCOMOTOR

Aparelho locomotor é o conjunto de ossos,


articulações e músculos que ligados entre si
constituem parte activa e passiva do corpo humano.

OSSOS
Os ossos são órgãos esbranquiçados, muito duros,
que unindo-se uns aos outros, por intermédio das
articulações constituem o esqueleto. É uma forma
especializada de tecido conjuntivo.

FUNÇÕES DOS OSSOS

Os ossos apresentam as seguintes funções:

 Sustentação:
 Proteção:
 Suporte ou fixação: Figura 97: Cabeça óssea vista de frente
 Mecânica articular:
 Metabólicas:
 Hematopoiese:

150 |
Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

Quantidade de ossos no corpo humano

É clássico admitir que o corpo humano possui 206 ossos. Mas esse número varia de indivíduo
para individuo, e na mesma pessoa varia conforme a idade.

Quando você era criança possuía mais ossos que agora. Isso ocorre porque nas crianças alguns
ossos ainda não se uniram e no adulto alguns ossos "acessórios" podem aparecer (ossos
sesamóides).

Ossos da cabeça: compreende 23 ossos.

Segmento Número Ossos

Viscerocránio 15 Impares: mandíbula, vômer, hióide


Pares: Nasal, lacrimal, zigomático,
maxilares, palatino, cornetos inferires,
Neurocránio 08 Impares: Frontal, occipital, esfenóide e
etmóide.
Pares: Parietal, temporal

Figura 98: Cabeça óssea num plano de perfil

Ossos da coluna vertebral: compreende 26 ossos distribuídos em quatro segmentos

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Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

Segmento Número

Cervical 07
Torácico 12
Lombar 05

Sacro-coccígeo 02

Figura 100: Ossos do tórax:


Figura 100: Segmentos da
compreendem 12 pares de costelas e o
coluna vertebral
esterno.

Segmento Ossos
Ossos dos membros superiores
Cintura escapular Escápula
Podem ser organizados em quatro segmentos: Clavícula
Braço Úmero
Antebraço Ulna ou Cúbito e radio
Mão Carpo
Metacarpo
Falanges

Ossos do membro inferior: são organizados em 4 segmentos:

152 |
Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

Segmento Ossos

Cintura pélvica Ilíaco

Coxa Fêmur

Perna Tíbia e Fíbula ou perônio

Pé Tarso Metatarso Falanges

Ossos do ouvido: martelo, bigorna e o estribo

ARTROLOGIA

Articulação: conjunto de partes moles e duras através das quais se unem duas ou mais peças
ósseas e/ou cartilagíneas. Classificam-se em:

• Articulações Fibrosa (fixas e contínuas) têm como meio de união o tecido fibroso.
EX.: Sutura sagital (unindo os dois ossos parietais)

• Articulações Cartilagíneas (semimóveis e contínua) têm como meio de união o


tecido cartilagíneo. EX.: Sínfise púbica (unindo os dois ossos ilíacos)

• Articulação Sinoviais ou Diartroses (descontínuas e moveis). EX.: Articulação do


joelho (unindo o fémur e a tíbia)

MIOLOGIA

Músculos: São órgãos carnudos, moles e de coloração avermelhada que devidas as suas
propriedades contrácteis provocam movimentos tanto nos órgãos que os possuem como
no corpo humano, responsáveis activos do trabalho mecânico.

Constituem pois o componente activo do movimento e do aparelho locomotor.

Existem vários critérios de classificação dos músculos; de uma forma resumida eles
podem ser classificados:

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Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

APARELHO DIGESTIVO

O aparelho digestivo é constituído por um complexo grupo de órgãos cuja função consiste
na transformação ________________ e ______________ dos alimentos, na absorção das
substancias elaboradas e na _____________ dos resíduos não digeridos.

O aparelho digestivo encontra-se dividido em _________________ e


______________________

Os órgãos que constituem o ______ digestivo compreendem: ________, _________,


________, __________, intestino __________ e __________, ___________.

O intestino delgado apresenta três porções nomeadamente: _____________, ___________


e __________

Ao passo que o intestino grosso compreende o cego com o apêndice vermiforme, cólon
ascendente, cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmoide, recto e canal anal.

Figura 101: Aparelho digestivo

154 |
Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

DIGESTÃO

A digestão é o conjunto das transformações, __________ e __________, que ocorre no tubo


digestivo através do qual os alimentos são degradados em componentes mais simples,
__________ e ____________.

Os eventos mecânicos da digestão consistem na mastigação (trituração dos alimentos),


deglutição e peristaltismo. Ao passo que os eventos químicos consistem na ação de enzimas
sobre os alimentos em determinadas porções do tubo digestivo com a subsequente formação
do bolo alimentar, formação do quilo, e do quimo.

Onde, como e quando começa a digestão?

A digestão começa na ______, onde por ação mecânica dos dentes (mastigação) e ação
química por ação química das enzimas contida na saliva (hidrolases) os alimentos são
transformados em ___________________

O __________________ passa da faringe para o estômago, através dos movimentos


peristálticos (tecido muscular liso) no esôfago, continuando a sofrer a ação da saliva. Ao
chegar ao estômago, o bolo alimentar sofre a ação mecânica dos movimentos peristálticos, e a
ação química do suco gástrico (contem pepsina), transformando-se em _________.

O ________ segue então para a região pilórica, atravessa o duodeno onde recebe os sucos
intestinais e o suco pancreático que, com a ajuda de enzimas, decomporão ainda mais a massa
alimentar, transformando-a em quilo, que entra no ___________.

Aqui, pelo efeito dos movimentos peristálticos do intestino, o quilo vai sendo empurrado em
direção ao intestino grosso, enquanto vai ocorrendo __________ dos nutrientes, com a ajuda
das vilosidades intestinais. A parte que não é aproveitada do quilo é, finalmente, evacuada
pelo ânus sob a forma de _________.

SISTEMA CARDIOVASCULAR

O sistema cardiovascular é constituído por um conjunto de vasos associados a uma bomba


propulsora de sangue.

Através do sistema circulatório, ocorre a distribuição de substâncias úteis, como nutrientes,


oxigénio, hormônios e anticorpos e a recolha dos produtos do metabolismo celular.

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Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

O coração humano possui quatro cavidades: dois átrios de paredes finas e dois ventrículos de
paredes mais espessas. Separando o átrio direito do ventrículo direito encontra-se a
_________________ e separando o átrio esquerdo do ventrículo esquerdo encontra-se a
_________________

Os vasos sanguíneos são classificados em três tipos,


nomeadamente ____________, _________ e
____________

As _________ são vasos que conduzem o sangue


____________ do coração para as diversas partes do
organismo.

As ___________ são vasos que conduzem o sangue


rico em ____ para o coração.

Os ___________ são vasos de calibre microscópico,


onde ocorrem as trocas de substâncias entre o
plasma sanguíneo e as células dos tecidos.

Fisiologia da circulação

Para melhor compreensão da fisiologia da


circulação, deve-se lembrar que o sangue arterial
sistémico é rico em oxigénio, enquanto o sangue
venoso sistémico é rico em gás carbónico.

Circulação Pulmonar - leva sangue do ventrículo


direito do coração para os pulmões e de volta ao
átrio esquerdo do coração. Ela transporta o sangue
pobre em oxigénio para os pulmões, onde ele libera Figura 102: Estruturas do Sistema Cardiovascular
o dióxido de carbono (CO2) e recebe oxigénio (O2)
por processo designado por ____________.

O sangue oxigenado, então, retorna ao lado esquerdo do coração para ser bombeado para
circulação sistémica.

Em linhas curtas a circulação pulmonar (pequena circulação), começa no


_________________ e termina na ____________.

156 |
Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

Circulação Sistémica – também chamada grande circulação; ela fornece o suprimento


sanguíneo para todo o organismo. A circulação sistémica carrega oxigénio e outros
nutrientes vitais para as células, e capta dióxido de carbono e outros resíduos das células.
Começa no ___________ e termina no __________

As câmaras cardíacas contraem-se e dilatam-se alternadamente 70 vezes por minuto, em


média. O processo de contração de cada câmara do miocárdio (músculo cardíaco)
denomina-se sístole. O relaxamento, que acontece entre uma sístole e a seguinte, é a
diástole.

Figura 103: As fases do ciclo cardíaco

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Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

SISTEMA RESPIRATÓRIO

É o conjunto de órgãos responsáveis pela


entrada, filtração, aquecimento, umidificação
e saída de ar do nosso organismo. Faz as
trocas gasosas do organismo com o meio
ambiente, oxigenando o sangue e
possibilitando que ele possa suprir a demanda
de oxigénio do indivíduo para que seja
realizada a respiração celular.

Os órgãos do sistema respiratório, além de


dois pulmões, são: nariz, fossas nasais, boca,
faringe (nasofaringe), laringe, traqueia,
brônquios (e suas subdivisões), bronquíolos (e
suas subdivisões), e os alvéolos pulmonares
Figura 104: Estrutura do sistema respiratório
reunidos em sacos alveolares.

A função do sistema respiratório é basicamente garantir as trocas gasosas com o meio


(hematose), mas também ajuda a regular a temperatura corpórea, o pH do sangue e liberar
água.

Transporte de Gases

Nos animais em que a difusão dos gases é indirecta, estes deslocam-se até ás células num
fluido circulante, sangue ou hemolinfa. Geralmente existem pigmentos respiratórios no sangue,
tornando-o eficiente nesse transporte.

Os pigmentos respiratórios são moléculas complexas, formadas por proteínas e iões metálicos,
o que lhes confere uma cor característica. Estas moléculas são boas transportadoras de gases
pois ligam-se quando a pressão do gás for elevada e libertam-se dele rapidamente, se a pressão
do gás for baixa.

De entre os diversos pigmentos conhecidos, a hemoglobina é a mais comum e a melhor


estudada. Este é um pigmento típico dos vertebrados, embora possa existir em anelídeos,
nemátodos, moluscos e artrópodes. No caso dos invertebrados encontra-se dispersa no
plasma, enquanto nos vertebrados se localiza nos glóbulos vermelhos.

A hemoglobina humana apresenta quatro cadeias peptídicas, duas a e duas b, ligadas a grupos
heme a que se pode ligar o oxigénio ou o dióxido de carbono. Assim, cada molécula pode
transportar quatro moléculas de oxigénio.

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A hemoglobina humana tem, ainda, grande afinidade para o monóxido de carbono (cerca de
200 vezes superior à afinidade para o oxigénio), o que torna este gás muito perigoso, mesmo
em baixas concentrações. A hemoglobina saturada de monóxido de carbono designa-se
carboxi-hemoglobina.

O oxigénio é transportado pelo sangue sob duas formas:

 Dissolvido no plasma – o O2 é pouco solúvel na água pelo que apenas cerca de 2% são
transportados por esta via;

 Combinado com a hemoglobina – nos glóbulos vermelhos existem 280 milhões de moléculas de
hemoglobina, cada uma podendo transportar quatro O2, ou seja cerca de 98% deste gás vai por
este meio até às células.

Quando o O2 está ligado à hemoglobina esta designa-se oxiemoglobina (HbO2) e quando este
está ausente designa-se desoxiemoglobina ou hemoglobina reduzida.

O dióxido de carbono pode ser transportado no sangue de três modos principais:

 Dissolvido no plasma – devido à baixa solubilidade na água deste gás, apenas 8% são
transportados por esta via;

 Combinado com a hemoglobina – uma percentagem ainda relativamente baixa, cerca de 11%,
deste gás reage com a hemoglobina, formando a carbamino-hemoglobina (HbCO2);

 Como hidrogenocarbonato (HCO3-) – a maioria das moléculas deslocam-se como este ião, cerca
de 81%. Naturalmente este processo de reação com a água é lento, mas pode ser acelerado pela
enzima dos glóbulos vermelhos anidrase carbónica.

Movimentos Respiratórios

Os movimentos respiratórios são de dois tipos: inspiração e expiração. Em ambos é


fundamental a participação do músculo diafragma (separa o tórax do abdómen) e dos
músculos intercostais (situados entre as costelas).

 Movimento de Inspiração. Consiste na entrada de ar nos pulmões. A caixa torácica se


expande verticalmente mediante a contração do diafragma e horizontalmente mediante a
contração dos músculos intercostais externos.

 Movimento de Expiração. Consiste na saída de ar dos pulmões. A caixa torácica sofre uma
diminuição de volume mediante o relaxamento do diafragma e dos músculos intercostais
externos.

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SISTEMA URINÁRIO

O sistema urinário é constituído pelos órgãos uropoéticos, isto é, incumbidos de elaborar a


urina e armazená-la temporariamente até a oportunidade de ser eliminada para o exterior. Na
urina encontramos ácido úrico, ureia, sódio, potássio, bicarbonato, etc.

A função excretora

Como resultado dos processos biológicos que ocorrem no interior dos organismos vivos,
formam-se vários compostos prejudiciais para os mesmos e que, por isso, devem ser
eliminados (excretados) para o meio externo.

A manutenção da composição dos fluidos internos dentro de limites adequados á vida das
células designa-se homeostasia e é uma condição fundamental à vida. De entre os numerosos
mecanismos envolvidos nessa manutenção da homeostasia destacam-se:

Osmorregulação: mecanismos pelos quais são controladas as concentrações de sais e água, ou


seja, os valores de pressão osmótica dos fluidos corporais;

Excreção: mecanismo pelo qual os organismos eliminam resíduos do metabolismo, na sua


maioria tóxicos.

O sistema excretor ou urinário é responsável pela eliminação de restos do metabolismo celular


e a regulação do teor de água e sais minerais presentes no organismo.

Todos os sistemas excretores realizam três processos fundamentais:

 Filtração: filtração seletiva dos fluidos corporais através de membranas, condicionada


ao tamanho das moléculas, pelo que moléculas úteis podem ser igualmente filtradas;

 Reabsorção: regresso ao meio interno, nas quantidades adequadas, de substâncias


anteriormente filtradas, mas úteis ao organismo;

 Secreção: secreção ativa de substâncias dos fluidos corporais para zonas do sistema já
consideradas meio externo.

Este aparelho pode ser dividido em órgãos secretores - que produzem a urina - e órgãos
excretores - que são encarregados de processar a drenagem da urina para fora do corpo.

É constituído por dois rins, dois ureteres, uma bexiga e uma uretra. Os rins se comunicam
com a bexiga através dos ureteres, enquanto a bexiga se comunica com o meio externo através
da uretra.

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Os rins

O rim é o principal órgão que compõe o sistema excretor nos vertebrados, pois é o responsável
pela filtragem sanguínea (chamada de diálise do sangue). Eles são dois, possuem um formato
de feijão, com aproximadamente 12cm. Se localizam nos lados da coluna vertebral, na região
do abdómen.

Figura 105: Estrutura do sistema urinário

Cada rim apresenta aproximadamente um milhão de nefrónios. Os nefrónios são as unidades


funcionais dos rins responsáveis pela filtração do sangue e formação da urina.

Estrutura do Nefrónio

Cada nefrónio é constituído de: Glomérulos de Malpighi, cápsula de Bowman, túbulo contorcido
proximal, alça de Henle e túbulo contorcido distal.

Figura 106: Estrutura do nefrónio

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 Glomérulo de Malpighi: É um conjunto de capilares sanguíneos envolvidos por


uma cápsula. O sangue chega ao glomérulo através da arteríola aferente e sai
pela arteríola eferente.

 Cápsula de Bowman: Envolve o glomérulo de Malpighi, estando ligada ao


túbulo contorcido proximal.

 Túbulo contorcido proximal: Desemboca na alça de Henle.

 Alça de Henle: estrutura em forma de U que se continua com o túbulo


contorcido distal.

 Túbulo contorcido distal. Estrutura final do nefrónio.

Fisiologia renal e a formação da urina

Este processo pode ser dividido em três fases: filtração, reabsorção e secreção.

Filtração Glomerular. Consiste no extravasamento de parte do plasma sanguíneo dos


capilares glomerulares para a cápsula de Bowman. O líquido recolhido pela cápsula de
Bowman denomina-se filtrado glomerular. O filtrado apresenta em sua constituição água,
sais minerais, carboidratos, aminoácidos, vitaminas, ácido úrico, ureia e outras substâncias.

Reabsorção Tubular. Consiste no retorno das substâncias aproveitáveis ao sangue. No túbulo


contorcido proximal ocorre por transporte ativo a reabsorção de sódio. Na porção descendente da
alça de Henle ocorre a reabsorção passiva da água, enquanto na sua porção ascendente ocorre
reabsorção ativa de sódio. Além da reabsorção ativa de sódio há, ao longo dos túbulos renais, a
reabsorção ativa de aminoácidos e glicose.

No túbulo contorcido distal ocorre a secreção ativa ou excreção ativa do plasma para o
interior do túbulo. Através desse processo é eliminado o ião H+ que torna a urina ácida,
auxiliando também na manutenção do pH do sangue.

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APARELHO REPRODUTOR

Encontramos na espécie humana diferenças anatómicas sexuais entre homem e mulher que
são muito relevantes para a procriação da espécie.

A célula reprodutora masculina recebe o nome de espermatozóide e a célula feminina é


conhecida como óvulo.

Tanto o espermatozóide como o óvulo caracterizam-se por apresentar somente a metade do


número de cromossomos encontrados normalmente nas células que constituem o corpo
humano.

Os cromossomos são partículas incumbidas da transmissão dos caracteres hereditários e que


entram na constituição dos núcleos celulares. Admitindo-se que as células humanas
apresentam 46 cromossomos, tanto os espermatozóides como os óvulos apresentam somente
23 cromossomos cada, o que nos leva a deduzir que as células reprodutoras são na realidade
hemi-células, sendo necessário à conjugação de duas delas para que se constitua uma célula
básica, o ovo. O ovo resulta da fusão do espermatozóide com o óvulo.

Aparelho Reprodutor Feminino


Os órgãos genitais femininos são incumbidos da produção dos óvulos, e depois da fecundação
destes pelos espermatozóides, oferecem condições para o desenvolvimento até o nascimento
do novo ser.

Figura 107: Aparelho reprodutor feminino, vista frontal.

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Figura 108: Aparelho reprodutor feminino e em perfil (baixo)

Os órgãos genitais femininos consistem de um grupo de órgãos internos e outro de órgãos


externos. Os órgãos internos estão no interior da pelve e consistem dos ovários, tubas uterinas
ou ovidutos, útero e vagina. Os órgãos externos são superficiais ao diafragma urogenital e
acham-se abaixo do arco púbico. Compreendem o monte do púbis, os lábios maiores e
menores do pudendo, o clitóris, o bulbo do vestíbulo e as glândulas vestibulares maiores. Estas
estruturas formam a vulva ou pudendo feminino. As glândulas mamárias também são
consideradas parte do sistema genital feminino.

Aparelho Reprodutor Masculino


O sistema reprodutor é constituído pelos seguintes
componentes funcionais, goradas masculinas; sistema
de ductos; glândulas anexas e o órgão da cópula.

a) Gonadas masculinas

Os testículos representam as goradas masculinas; que são


órgão pares localizados na bolsa escrotal, são
responsáveis pela produção do gâmeta masculino, o
espermatozóide e pela síntese da hormona sexual
masculina, a testosterona.

b) Sistemas de ductos

Correspondem a um par de sistemas de ductos, cada um


deles constituído pelos canais eferentes; o epidídimo; Figura 109: Sistema reprodutor masculino.
canal deferente e o canal ejaculador. Este sistema de Faça a legenda

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Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

ductos tem a função colectar, armazenar e conduzir os espermatozóides a partir dos testículos; os canais
ejaculadores convergem para a uretra, a partir da qual os espermatozóides são

c) Glândulas anexas

É formada pelas seguintes glândulas: vesículas seminais; próstata e glândulas bolbo uretrais. As
vesículas seminais e próstata, são responsáveis pela secreção de um líquido nutritivo e lubrificante
chamado líquido seminífero. O sémen é um líquido expelido durante a ejaculação e constituído por
líquido seminal e espermatozóides; as glândulas bulbo-uretrais, secretam líquido que lubrificas a uretra
para a passagem do sémen durante a ejaculação.

d) Órgão da cópula. O pénis é o órgão da cópula masculino.

SISTEMA NERVOSO

O sistema nervoso é responsável pela maioria das funções de controlo em um organismo,


coordenando e regulando as atividades corporais. No sistema nervoso diferenciam-se dois
tipos de células: os neurónios e as células da glia (ou neuróglia).

O neurónio é a unidade funcional do sistema nervoso. São as células responsáveis pela recepção e
transmissão dos estímulos do meio (interno e externo), possibilitando ao organismo a
execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostasia (equilíbrio do meio
interno).

Um neurónio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo o citoplasma), e
de finos prolongamentos denominados neuritos, que podem ser subdivididos em dendritos e
axónios.

Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que actuam como


receptores de estímulos. Os axónios são prolongamentos longos que actuam como condutores
dos impulsos nervosos. No neurónio existem vários dendritos mas geralmente só existe um

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axónio. O percurso do impulso nervoso no neurónio é sempre no sentido dendrito corpo


celular axónio.

Anatomia e fisiologia do Sistema Nervoso

Anatomicamente, o sistema nervoso é dividido em:

 Sistema Nervoso Central

 Sistema Nervoso Periférico

Do ponto de vista da fisiologia (função) ele é dividido em:

 Sistema Nervoso Somático

 Sistema Nervoso Autónomo. Este pode ser Simpático ou Parassimpático

Sistema Nervoso Central

é constituído pelo encéfalo e a medula espinal. O encéfalo está localizado no interior da caixa
craniana, enquanto a medula percorre o interior da coluna vertebral.

O encéfalo e a medula encontram-se envolvidos por três membranas denominadas meninges.

Sistema Nervoso Periférico:

É formado por nervos encarregados de fazer as ligações entre o sistema nervoso central e o
corpo.

Nervo é o conjunto de várias fibras nervosas que estabelecem a conexão do sistema nervoso central com a
periferia, e podem ser formadas de axónios ou de dendritos.

É constituído por 12 pares de nervos cranianos (partem do encéfalo) e 31 pares de nervos


raquidianos (partem da medula espinhal). De acordo com o sentido da transmissão do impulso
nervoso, os nervos são classificados em sensitivos, motores e mistos.

Sistema Nervoso Somático (SNS) ou Voluntário

Esta parte controla as funções voluntárias, resultantes da contração dos músculos esqueléticos
(a fala, os movimentos da língua, olhos, mãos, pernas, etc). O sistema nervoso somático tem
por função reagir a estímulos provenientes do ambiente externo.

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Sistema Nervoso Autónomo (SNA) ou Involuntário

O sistema nervoso autónomo controla as funções viscerais ou involuntárias (que dependam de


sua vontade) do organismo.

O sistema nervoso autónomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema nervoso


parassimpático.

De modo geral, esses dois sistemas têm funções contrárias (antagónicas). Um corrige os excessos do
outro. Por exemplo, se o sistema simpático acelera demasiadamente as batidas do coração, o
sistema parassimpático entra em ação, diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático
acelera o trabalho do estômago e dos intestinos, o parassimpático entra em ação para diminuir
as contrações desses órgãos.

SISTEMA ENDÓCRINO

Divisão Anatômica Do Sistema Endócrino

O sistema endócrino é constituído por uma série de estruturas denominadas glândulas


endócrinas. Estas estruturas produzem hormônios que são compostos orgânicos lançados no
sangue, capazes de estimular ou inibir a atividade de determinados órgãos denominados
órgãos-alvo. Cada órgão-alvo apresenta receptores químicos específicos para determinado
hormônio. Juntamente com o sistema nervoso, o sistema endócrino é um sistema de
integração, contribuindo para a manutenção da homeostase.

As principais glândulas endócrinas humanas são: hipófise, tireóide, paratireóides, supra-


renais, testículos e ovários. O pâncreas apresenta uma parte endócrina e uma parte exócrina,
razão pela qual é considerado uma glândula anfícrina ou mista.

Regulação Hormonal

A regulação da produção e liberação de hormônios ocorre através de um mecanismo


conhecido como feedback ou retroalimentação. Através desse mecanismo, o aumento ou
diminuição de determinada função provoca uma alteração no organismo, desencadeando uma
correção funcional e contribuindo, assim, para a manutenção da homeostase.

Na regulação hormonal ocorre feedback negativo, ou seja, a alteração funcional ocorre em


um sentido e a reação para a correção ocorre em sentido contrário. Observe um exemplo de
feedback negativo: a hipófise produz o hormônio tireotrófico que estimula a produção do
hormônio tiroxina pela tireóide. À medida que o nível de tiroxina aumenta no sangue, a
hipófise vai sendo inibida e a produção do hormônio tireotrófico se reduz, fato que provoca a

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inibição da atividade da tireóide. À medida em que o nível de tiroxina diminui no sangue, a


hipófise vai sendo estimulada e a produção do hormônio tireotrófico aumenta, provocando
um estímulo à função tireoidiana.

Qualquer variação de dosagem hormonal no sangue pode levar a alterações funcionais


diversas denominadas disfunções.

Estudo das Glândulas Endócrinas

Figura 110: Glândulas humanas

HIPÓFISE

Também denominada pituitária, localiza-se na base do cérebro em uma cavidade do osso


esfenóide denominada sela túrcica. A hipófise controla o funcionamento de outras glândulas
e apresenta-se dividida em três partes: adeno-hipófise, parte intermediária e neuro-hipófise.

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Adeno-hipófise

É o lobo anterior da hipófise capaz de produzir uma série de hormônios. A atividade secretora
da adeno-hipófise é controlada por substâncias produzidas pelo hipotálamo denominadas
hormônios liberadores. Os hormônios produzidos pela adeno-hipófise são:

• Hormônio Somatotrófico (STH). Também denominado hormônio do crescimento, estimula o


desenvolvimento do indivíduo.

• Hormônio Tireotrófico (TSH). Controla o funcionamento da tireóide.

• Hormônio Adrenocorticotrófico (ACTH). Controla o funcionamento do córtex (parte mais


externa) das adrenais (supra-renais).

• Hormônios Gonadotróficos. Controlam o funcionamento das gónadas (testículos e ovários).


Os hormônios gonadotróficos são: hormônio folículo estimulante, hormônio luteinizante e
hormônio luteotrófico.

• Hormônio Folículo Estimulante (FSH). No homem, estimula a espermatogénese nos túbulos


seminíferos, enquanto na mulher estimula o amadurecimento dos folículos ovarianos.

• Hormônio Luteinizante (LH) - No homem, esse hormônio é também chamado hormônio


estimulante das células intersticiais (ICSH), já que estimula estas células a produzir
testosterona, o hormônio sexual masculino. Na mulher, o hormônio luteinizante é responsável
pela ovulação e pela formação do corpo lúteo, estrutura que secreta altas taxas de progesterona
e pequena quantidade de estrógeno. Progesterona e estrógeno são os hormônios sexuais
femininos.

• Hormônio Luteotrófico (LTH) - Também denominado prolactina ou hormônio lactogênico,


estimula a manutenção do corpo lúteo durante as primeiras semanas de gravidez, além de
estimular a produção de leite pelas glândulas mamárias.

Neuro-hipófise

É o lobo posterior da hipófise, que não produz hormônios. A neuro-hipófise armazena dois
hormônios produzidos no hipotálamo, estrutura vizinha da hipófise. Os hormônios
hipotalámicos armazenados na neuro-hipófise são:

• Hormônio antidiurético (ADH): Também denominado vasopressina, atua nos túbulos renais
estimulando a reabsorção de água para diminuição da perda da mesma pela urina (diurese)
com objectivo de aumentar a quantidade de líquido no organismo e consequentemente a
pressão arterial.

• Ocitocina: Estimula as contrações da musculatura lisa do útero (miométrio) durante o parto,


além de estimular a ejeção do leite durante a amamentação. Hipotálamo Adeno-hipófise

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Manual de Biologia. X – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS

TIREÓIDE

Localiza-se na porção anterior do pescoço. Produz os seguintes hormônios:

• Triiodotironina (T3) e Tetraiodotironina (T4 ou Tiroxina). São hormônios que estimulam o


metabolismo geral do organismo.

• Calcitonina. Estimula a retirada de íons cálcio (Ca++) do sangue e a sua deposição nos ossos e
dentes.

PARATIREÓIDES

São dois pares de pequenas glândulas que se encontram aderidas à tireóide. As paratireóides
não sofrem estimulação hipofisária e secretam o paratormônio, que tem ação oposta à da
calcitonina aumentando a taxa de cálcio no sangue (calcemia),

SUPRA-RENAIS

Também denominadas adrenais, são duas glândulas localizadas sobre os rins. Cada supra-
renal tem duas partes distintas: córtex e medula.

O córtex é a porção mais externa da glândula capaz de produzir os hormônios corticóides. Os


corticóides são de três tipos: glicocorticóides, mineralocorticóides e sexocorticóides.

• Glicocorticóides - Apresentam ação anti-inflamatória e anti-histamínica (anti-alérgica), além


de levar à síntese de glicose a partir de aminoácidos. Os principais glicocorticóides são a
cortisona e a hidrocortisona (cortisol).

• Mineralocorticóides - Estimulam a reabsorção ativa de sódio e a eliminação ativa de potássio


pelos túbulos renais. O principal mineralocorticóide é a aldosterona, que atua no túbulo
contorcido proximal e na porção ascendente da alça de Henle.

• Sexocorticóides - Suplementam a ação dos hormônios sexuais produzidos pelos testículos e


ovários. O principal sexocorticóide é a corticosterona, que apresenta efeito masculinizante no
homem e na mulher.

A medula é a porção mais interna da glândula capaz de produzir dois hormônios: adrenalina
e noradrenalina que têm como uma das principais funções o aumento da função cardíaca
preparando o organismo em casos de stress.

PÂNCREAS (ENDÓCRINO)

Dispersas na parte exócrina do pâncreas, observam-se pequenas ilhas de células que


constituem a parte endócrina denominada “Ilhotas de Langerhans”

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As ilhotas de Langerhans produzem dois hormônios: insulina e glucagon. Esses hormônios


controlam a taxa de glicose no sangue

• Insulina: estimula a captação de glicose pelas células hepáticas e musculares e a


polimerização de moléculas de glicose, formando glicogénio. Em outras palavras, a
insulina diminui a taxa de glicose no sangue.

• Glucagon: estimula a hidrólise do glicogénio hepático formando moléculas de glicose


que são lançadas no sangue. Em outras palavras, o glucagon aumenta a taxa de glicose
no sangue.

TESTÍCULOS

Localizados no interior da bolsa escrotal, apresentam as células de Leydig ou células


intersticiais responsáveis pela produção de testosterona, o hormônio sexual masculino. O
estímulo para a produção desse hormônio é dado pelo ICSH produzido pela adeno-hipófise.

A testosterona é responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias do


homem, como distribuição de pêlos no corpo, tipo de voz, desenvolvimento dos órgãos
genitais, dentre outros. Além disso, a testosterona é responsável pelo aparecimento da libido e
amadurecimento dos espermatozóides

OVÁRIOS

Localizados na parte inferior da cavidade abdominal, produzem estrógeno e progesterona, os


hormônios sexuais femininos. O estrógeno ou estradiol é produzido pelo folículo ovariano e
pelo corpo lúteo. Estimula a reconstituição do endométrio após a menstruação, estimula o
alargamento dos quadris e o desenvolvimento da genitália externa feminina. Além disso, o
estrógeno é responsável pelo aparecimento da libido. A progesterona é produzida pelo corpo
lúteo e, em caso de gravidez, pela placenta. Prepara o organismo para a gravidez, aumentando
a atividade secretora das glândulas mamárias e das células que revestem a parede uterina.
Além disso, a progesterona apresenta ação anti-abortiva, já que inibe as contrações do
miomério.

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