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Respostas sociais e educativas para crianças e jovens

UFCD 9634
25 horas

Formadora:
Maria Soares
Objetivos

▪ Identificar as respostas sociais e educativas existentes para crianças e


jovens.
▪ Apoiar a implementação de respostas sociais e educativas de
adaptação da criança e do jovem.

▪ Identificar os profissionais que intervêm nos diferentes contextos.


Conteúdos

▪ Respostas sociais e educativas para crianças e jovens


▪ A criança e o jovem no contexto
▪ Os profissionais
1. Respostas sociais e educativas para crianças e jovens
▪ Com vista a apoiar as famílias e promover o desenvolvimento pessoal e
social da criança num ambiente seguro e estimulante existe um conjunto
de respostas integradas de cuidados e apoio social para crianças e jovens
( em regra, a partir dos 3 meses), são elas:
▪ Ama;
▪ Creche
▪ Educação pré-escolar
▪ Centro de atividades de tempos livres
▪ Centro de férias e lazer
▪ Outras respostas organizacionais
1.1 - A Ama
▪ A ama é a pessoa que, mediante pagamento pela atividade exercida, cuida na
sua residência de crianças até aos três anos de idade ou até atingirem a idade
de ingresso nos estabelecimentos de educação pré- escolar, por tempo
correspondente ao período de trabalho ou impedimento da família.

▪ Cada ama poderá, no máximo, tomar conta de 4 crianças ao mesmo tempo


sendo que não poderá ter mais que uma criança com deficiência incluída no
grupo.

▪ Apesar de não ser obrigatório, lê-se na proposta de lei que a criança não deve
exceder as 11 horas diárias em permanência com a ama.
A Ama - objetivos

▪ Garantir um bom nível qualitativo da sua atividade prestando às crianças os


cuidados necessários, em ambiente familiar, de modo a assegurar-lhes a
satisfação das suas necessidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas;

▪ Colaborar na manutenção da saúde de cada criança e do grupo que lhe está


confiado.

▪ Colaborar com as famílias das crianças de modo a que os cuidados que lhe
são prestados, constituam uma continuidade dos cuidados familiares
Ama - atividades
▪ O trabalho desenvolvido pela ama visa não só a satisfação das necessidades
básicas de alimentação, higiene, repouso e segurança, mas igualmente a
realização de atividades lúdico-pedagógicas, indispensáveis para o
desenvolvimento global e harmonioso da criança.

▪ Diariamente, através de experiências novas e diversificadas, num ambiente


familiar favorável e tendo em conta as caraterísticas específicas das crianças
durante os seus primeiros anos de vida, as amas asseguram um bom
desenvolvimento físico, sócio afetivo e cognitivo.
Ama - atividades

atividades de
pinturas com mão danças pincel
expressão plástica,

jogos lúdicos comemoração de


desenho livre, rasgagem/colagem,
espontâneos datas festivas…

Jogos de movimento construções com


modelagem histórias
corporal livre legos

Puzzles Jogos de encaixe exploração de livros canções


1.2 - Creche

▪ Uma creche, em Portugal, consiste num espaço destinado ao apoio


pedagógico e cuidado de crianças com idades compreendidas entre os três
meses e os três anos. Dos três meses à aquisição da marcha, as crianças
encontram-se em berçários, transitando para as salas seguintes até aos três
anos em que passam para a valência de jardim-de-infância. Ambos estes
espaços (creche e jardim de infância) encontram-se em infantários, colégios
e externatos.

▪ A segurança social é a entidade reguladora e fiscalizadora das atividades


relacionadas com as crianças dos três meses aos três anos.
Creche- objetivos

▪ Proporcionar o bem-estar e desenvolvimento integral das crianças num clima de


segurança afetiva e física, durante o afastamento parcial do seu meio familiar .

▪ Colaborar estreitamente com a família numa partilha de cuidados e


responsabilidades em todo o processo evolutivo das crianças;

▪ Colaborar de forma eficaz no despiste precoce de qualquer inadaptação ou


deficiência assegurando o seu encaminhamento adequado;

▪ Criar um clima afetivo adequado;


Creche - objetivos

▪ Proporcionar à criança situações apropriadas que possam permitir-lhe o


desenvolvimento da sua inteligência;

▪ Deixar a criança descobrir por si própria;

▪ Potenciar a confiança da criança em si própria e nas suas possibilidades;

▪ Ligação família/escola;

▪ Realizar um atendimento psicopedagógico no dia-a-dia, proporcionando um


desenvolvimento emocionalmente seguro, sem substituir a família.
1.3 - Educação pré escolar

▪ A educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de


educação ao longo da vida, sendo complementar da ação educativa da família,
com a qual deve estabelecer estreita cooperação, favorecendo a formação e o
desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na
sociedade como ser autónomo, livre e solidário.

▪ A educação pré-escolar refere-se às crianças dos 3 anos até ao ingresso na


escolaridade obrigatória e é ministrada em estabelecimentos de educação pré-
escolar.
Educação pré-escolar : objetivos

▪ Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em


experiências de vida democrática, numa perspetiva de educação para a
cidadania;

▪ Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito


pela pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência do
seu papel como membro da sociedade;

▪ Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o


sucesso da aprendizagem;
Educação pré-escolar : objetivos

▪ Proporcionar a cada criança condições de bem-estar e de segurança,


designadamente no âmbito da saúde individual e coletiva;

▪ Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências e precocidades,


promovendo a melhor orientação e encaminhamento da criança;

▪ Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer


relações de efetiva colaboração com a comunidade.
A rede nacional de educação pré-escolar

▪ Constituída pela rede pública e pela rede privada.

▪ À rede pública pertencem os estabelecimentos de educação pré-escolar do


Ministério da Educação e Ciência e do Ministério da Solidariedade e da
Segurança Social.

▪ Da rede privada fazem parte os estabelecimentos com e sem fins


lucrativos- instituições do ensino particular e cooperativo, no primeiro caso
e, no segundo, as instituições particulares de solidariedade social (IPSS).
Horários de funcionamento

▪ Os jardins de infância asseguram um regime de funcionamento e um horário flexível, onde


consta as 5 horas diárias da componente educativa, da responsabilidade do educador de
infância (com as habilitações legalmente previstas para o efeito), bem como as horas
dedicadas às atividades de animação e de apoio à família.

▪ Estes estabelecimentos mantêm-se obrigatoriamente aberto até às 17 h e 30 m e por um


período mínimo de 8 h diárias. No entanto, alguns jardins-de-infância oferecem um horário
mais alargado de funcionamento, adaptado segundo as necessidades das famílias.

▪ O período de funcionamento do jardim-de-infância deve ser comunicado aos encarregados


de educação no início do ano letivo.
Critérios de admissão e escolha de instituições

▪ Nos jardins-de-infância da rede pública os critérios de matrícula, renovação de


matrícula e constituição das turmas, estão definidos por lei (Despacho Normativo n.º7-
B/2015, de 7 de maio, retificado pela Declaração de Retificação n.º511/2015, de 18 de
junho).

▪ No caso de estabelecimento da rede privada, os pais têm liberdade de escolha


submetendo-se, no entanto, aos critérios de admissão estabelecidos no regulamento
interno da instituição.

▪ Na educação pré-escolar os grupos são constituídos por um mínimo de 20 e um


máximo de 25 crianças, não podendo ultrapassar este limite, embora quando se trate
de um grupo homogéneo de crianças de 3 anos de idade, o número de crianças
confiadas a cada educador não possa ser superior a 15.
▪ Resposta social que proporciona atividades de lazer a
1.4 Centro de crianças e jovens a partir dos 6 anos, nos períodos
atividades livres disponíveis das responsabilidades escolares,
desenvolvendo-se através de diferentes modelos de
intervenção, nomeadamente acompanhamento/inserção,
prática de atividades especificas e multiactividades.
▪ Criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de cada
criança ou jovem, de forma a ser capaz de se situar e
Centro de expressar num clima de compreensão, respeito e aceitação
de cada um;
atividades livres -
▪ Colaborar na socialização de cada criança ou jovem, através
objetivos da participação na vida em grupo;

▪ Favorecer a relação entre família, escola, comunidade e


estabelecimento, com vista a uma valorização,
aproveitamento e rentabilização de todos os recursos do
meio;
▪ Proporcionar atividades integradas num projeto de
animação sociocultural, em que as crianças possam
escolher e participar voluntariamente, tendo em conta
Centro de
as características dos grupos e como base o maior
atividades livres - respeito pela pessoa;
objetivos
▪ Melhorar a situação social e educativa e a qualidade de
vida das crianças;

▪ Potenciar a interação e a integração social das crianças


com deficiência, em risco e em exclusão social e
familiar.
▪ Resposta social destinada a todas as faixas etárias da
1.5 Centro de população e à família na sua globalidade para
férias e lazer. satisfação de necessidades de lazer e de quebra da
rotina, essencial ao equilíbrio físico, psicológico e
social dos seus utilizadores.
Centro de férias e lazer - objetivos
Estadias fora da sua rotina de vida;

Contactos com comunidades e espaços diferentes;

Vivências em grupo, como formas de integração social;

Promoção do desenvolvimento do espírito de interajuda;

Fomento da capacidade criadora e do espírito de iniciativa.


▪ A Educação de Infância Itinerante é uma modalidade de
educação pré-escolar que possibilita o acesso das crianças
dos 3 aos 5 anos de idade residentes em zonas rurais, a

1.6 - Estruturas atividades educativas naqueles locais onde, pelo número

alternativas insuficiente de crianças, (menos de quinze), não é possível a


criação de um Jardim de Infância.
organizacionais
▪ O educador de infância desloca-se às diferentes localidades
geograficamente distantes e de acesso difícil, onde trabalha
com um número reduzido de crianças e desenvolve o currículo
de acordo com as orientações curriculares, da mesma forma
que os educadores que trabalham em jardim-de infância.
1.6 Respostas específicas para crianças e jovens com
deficiência:

▪ Intervenção Precoce: resposta desenvolvida através de um serviço que


promove o apoio integrado, centrado na criança e na família mediante ações de
natureza preventiva e habilitativa, designadamente do âmbito da educação, da
saúde e da ação social.

▪ Para crianças até aos 6 anos de idade, especialmente dos 0 aos 3 anos, com
deficiência ou em risco de atraso grave de desenvolvimento;
1.6 Respostas específicas para crianças
e jovens com deficiência:
▪ Lar de Apoio: resposta social desenvolvida em equipamento, destinada a
acolher crianças e jovens com necessidades educativas especiais que
necessitem de frequentar estruturas de apoio especifico situadas longe do
local da sua residência habitual ou que, por comprovadas necessidades
familiares, precisem, temporariamente, de resposta substitutiva da família.

▪ Para crianças e jovens com deficiência com idades compreendidas entre


os 6 e os 16/18 anos que necessitem, temporariamente de resposta
substitutiva da família;
1.6 Respostas específicas para crianças e jovens
com deficiência:
▪ Transporte de Pessoas com Deficiência: resposta social desenvolvida
através de um serviço de natureza coletiva de apoio a crianças, jovens e
adultos com deficiência, que assegura o transporte e acompanhamento
personalizado.
1.6 Respostas específicas para crianças e jovens
em situação de perigo
▪ Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental: resposta social
desenvolvida através de um serviço, vocacionada para o estudo e prevenção de
situações de risco social e para o apoio a crianças e jovens em situação de perigo e
suas famílias, concretizado na sua comunidade, através de equipas multidisciplinares.
Para crianças e jovens em situação de perigo e suas famílias;

▪ Equipa de Rua de Apoio a Crianças e Jovens: resposta social desenvolvida através


de um serviço, destinada ao apoio a crianças e jovens em situação de perigo,
desinseridas a nível sócio-familiar e que subsistem pela via de comportamentos
desviantes. Para crianças e jovens em ruptura familiar, social e em risco, sem
qualquer contexto de apoio institucional e suas famílias;
1.6 Respostas específicas para crianças e jovens
em situação de perigo
▪ Acolhimento Familiar para Crianças e Jovens: resposta social desenvolvida
através de um serviço, que consiste na atribuição da confiança da criança ou
do jovem a uma família ou a uma pessoa singular, habilitadas para o efeito,
tecnicamente enquadradas, decorrente da aplicação da medida de promoção
e proteção, visando a sua integração em meio familiar.

▪ Para crianças e jovens, de ambos os sexos, em situação de perigo, cuja medida


de promoção e proteção assim o determine;
1.6 Respostas específicas para crianças e jovens
em situação de perigo
▪ Centro de Acolhimento Temporário: resposta social desenvolvida
em equipamento, destinada ao acolhimento urgente e temporário de
crianças e jovens em perigo, de duração inferior a seis meses, com
base na aplicação de medida de promoção e proteção. Para crianças e
jovens de ambos os sexos até aos 18 anos, em situação de perigo, cuja
medida de promoção e proteção determine um acolhimento de
duração inferior a seis meses;
1.6 Respostas específicas para crianças e jovens
em situação de perigo
▪ Lar de Infância e Juventude: resposta social desenvolvida em
equipamento, destinada ao acolhimento de crianças e jovens em
situação de perigo, de duração superior a 6 meses, com base na
aplicação de medida de promoção e proteção.

▪ Para crianças e jovens de ambos os sexos, até aos 18 anos, em situação


de perigo, cuja medida de promoção e proteção assim o determine;
1.6 Respostas específicas para crianças e jovens
em situação de perigo
▪ Apartamento de Autonomização: resposta social desenvolvida em
equipamento (apartamento inserido na comunidade local), destinada a
apoiar a transição para a vida adulta de jovens que possuem
competências pessoais específicas, através da dinamização de serviços
que articulem e potenciem recursos existentes nos espaços territoriais.

▪ Para jovens de idade superior a 15 anos com medida de promoção e


proteção definida.
▪ O que é a Escolaridade Obrigatória? É um direito e um dever que
assiste a todos os cidadãos com idades compreendidas entre os 6 e
os 18 anos.

▪ A Escolaridade Obrigatória implica, para os encarregados de


educação, o dever de procederem à matrícula dos seus educandos
e, para os alunos, o dever de frequência.

Escolaridade ▪ Abrange apenas os Ensinos Básico (1º, 2º e 3º ciclos) e Secundário,


até ao 12ºano.

obrigatória ▪ A escolaridade é obrigatória até aos 18 anos? Sim. A


Escolaridade Obrigatória implica, para os encarregados de
educação, o dever de procederem à matrícula dos seus educandos
e, para os alunos, o dever de frequência.

▪ A obrigatoriedade cessa no momento do ano escolar em que o


aluno complete os 18 anos. Pode terminar antes se o aluno obtiver
um diploma de curso conferente do nível secundário (12º ano).
2 . A criança e o jovem em contexto

Adaptação da criança e do jovem aos vários contextos - A separação da família


a importância das rotinas
2.1 A separação familiar

▪ Os 12 primeiros meses de vida são essenciais para o bebé e para os seus pais
sendo que, nesta fase, devem aproveitar o máximo de tempo juntos, fomentando
brincadeiras, massagens e outras atividades benéficas para o bebé e
gratificantes para os seus pais.

▪ Para um crescimento saudável e feliz, a criança deverá desenvolver até aos 36


meses as bases emocionais que a irão “fortalecer” como ser humano.
▪ Desta forma, torna-se indispensável que os pais criem momentos de qualidade
na relação com os seus filhos.

▪ Também, a quantidade de tempo é muito importante para o bebé; se os pais


tiverem possibilidades, optem pela profissão mãe/pai a tempo inteiro, se não,
devem organizar o horário de forma a dispor de tempos exclusivos para o filho.

▪ No entanto, nem sempre é possível para os pais ficarem com os filhos após os 6
meses. Assim, após a licença de maternidade (que pode ser partilhada com o
pai do bebé), os pais têm de voltar à sua rotina laboral, ou seja, voltar ao
emprego e deixar o seu novo amor na creche, na ama ou com os avós.
▪ Após alguns meses de estreita relação, a tempo inteiro, entre a mãe/pai e
o bebé, será natural sentir alguma ansiedade nesta fase de separação
devendo, por isso, ser um processo de transição gradual, para que todos
se sintam confortáveis com a nova situação.

▪ A adaptação à creche deverá ser progressiva sendo que, inicialmente, o


bebé deverá ir por curtos períodos de tempo acompanhado de um ou
de ambos os progenitores, até permanecer de manhã e à tarde. Sempre
que possível a criança não deverá permanecer na creche até muito
tarde, não devendo “esticar” a hora de ir buscá-la.
▪ Se a criança tiver algum objeto de estimação (boneco, fralda de pano, etc.) que a
acompanhe será útil, funcionando como objeto de transição. Estes objetos são usados
pela criança como um suporte na conquista da autonomia, uma vez que são uma
espécie de substituto materno e permitem à criança organizar-se mentalmente na
ausência das suas figuras de referência.

▪ As crianças ao ficarem sozinhas na cama, por exemplo, na creche ou no jardim-de-


infância, usam esses objetos para se sentirem mais confiantes.

▪ Será imprescindível sentir confiança no sítio eleito portanto, os pais devem


certificarem-se que optam por uma creche que corresponde à filosofia de vida e ao
tipo de pedagogia que escolheram como sendo a melhor para o seu bebé.

▪ Devem dar a conhecer todas as dúvidas e receios para que tudo fique esclarecido
antes de apresentar o bebé à sua creche (se for este o caso).
▪ A atitude mais saudável a ter para o bebé será transmitir-lhe boas
sensações. Por isso, deverão ter boas impressões desse local para que as
transmitam ao seu filho.

▪ Devem mostrar confiança e tentar transmitir a mensagem mais importante:


"A Mamã já volta; gosta muito de ti; ficarás seguro neste local, onde tens
outras pessoas que também gostam de ti e irás brincar com outros
bebés..."
▪ É essencial que haja segurança por parte dos pais, quando vão deixar os filhos
na creche, mesmo que a criança chore ou implore para não ficar ali, é
importante que os pais não cedam a este tipo de “chantagem” feita pelas
crianças. Deverão sair da creche sem dar demasiada importância à “birra”,
por muito difícil que possa ser para os pais, este comportamento é o mais
adequado.

▪ A firmeza dos pais tem um papel extremamente importante nesta hora, pois ao
explicar aos filhos, com todo o carinho e amor que os vão buscar ao final do
dia; apesar de gostarem muito deles têm de ir trabalhar. A criança, aos poucos,
vai percebendo a rotina e saberá que ao fim do dia os pais a vão buscar; isto
cria na criança segurança e estabilidade.
▪ A construção de uma relação sólida no início da experiência de Jardim de
Infância implica que o educador conheça as experiências, a cultura, os
valores e crenças educacionais da família.

▪ O educador pode desenvolver determinadas estratégias, de modo a


fortalecer a ligação com a família, tais como:
▪ realizar reuniões com os pais para lhes explicar as atividades planeadas e focar
a oportunidades de aprendizagem que podem ser desenvolvidas em casa;

▪ promover encontros individuais com os pais;


▪ postar no convite para passeios e excursões e para a participação nas
exposições de trabalhos das crianças;

▪ realizar peças de teatro ou dramatizações com a colaboração dos pais;


▪ e por fim, reforçar a ideia de colaboração.
▪ Deste modo, os pais, reconhecidos nas suas funções, sentem-se
disponíveis para oferecer as suas competências, o seu tempo é para
expressar as suas preocupações, as suas alegrias, as suas expectativas.
Redescobrem-se num novo papel sentindo-se apreciados, agradecidos,
integrados, solicitados para novas formas de intervir na educação dos
filhos.

"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam
um pouco de si, levam um pouco de nós" (Exupery)
▪ A adaptação escolar não acontece apenas quando uma
criança vai à creche ou à pré-escola pela primeira vez,
mas sempre que se depara com uma nova etapa de
ensino ou um novo ambiente, como uma mudança de
2.2 A adaptação escola ou de turma.
escolar ▪ Se o novo gera insegurança e ansiedade em qualquer
idade, na Educação Infantil, esse processo é ainda mais
intenso. Saindo das suas zonas de conforto, os pequenos
veem-se num ambiente coletivo com regras diferentes
das de casa, são estimulados a participar em atividades
incomuns ao seu dia a dia e passam a conviver com
adultos e crianças inicialmente estranhos.
▪ A adaptação é esse momento de transição em que a criança vai-se habituando
à nova rotina longe dos familiares que tem como referência. Dia após dia, vai
criando um vínculo com os professores, coleguinhas e atividades, sentindo-se
cada vez mais segura.

▪ Não existe um tempo determinado para essa transição.

▪ "Em geral, o período inicial da adaptação dura entre uma ou duas semanas,
mas depende da criança, da família e das suas experiências anteriores
relacionadas às separações que enfrentamos na vida.
▪ Ansiedade e insegurança são comuns na adaptação, um período intenso e
repleto de novidades. Essa sensação deve diminuir na medida em que a família
estabeleça uma relação de confiança com a escola.

▪ Se os familiares encararem a entrada na escola como algo positivo, que gera


autonomia, crescimento, amadurecimento e ajuda na socialização, será ótimo
para todos. Se for vivenciada como culpa pelo abandono, será difícil para todos.

▪ Por isso, é importante que o professor demonstre segurança, confiança de que


tudo vai dar certo e informe os pais sobre as atividades que serão realizadas.
▪ As rotinas diárias são de extrema importância e devem
acompanhar o desenvolvimento das crianças, sendo
alteradas de acordo com o seu crescimento.

▪ Por exemplo, no que se refere ao sono, uma rotina adequada


à idade da criança faz com que exista estabilidade no ritmo
2.3 As rotinas circadiano, o que permite um melhor desenvolvimento da
diárias criança a todos os níveis.

▪ As alterações no sono das crianças são um dos primeiros


alertas de que algo está errado com as rotinas, sendo estas
pouco apropriadas.

▪ A verdade é que a falta de rotinas ou a existência de


rotinas desadequadas, afeta os padrões alimentares, o
comportamento no infantário e em casa, bem como o
temperamento da criança.
▪ Estabelecer rotinas consistentes e adequadas faz com os bebés se sintam mais
confiantes e seguros face ao mundo que os rodeia. Estes comportamentos
diários devem verificar-se para a alimentação, tempo para brincar, horas do
banho, entre outros. Contudo, é importante que estas rotinas acompanhem o
crescimento das crianças.

▪ À medida que vão ficando mais crescidinhas, as crianças devem assumir as suas
responsabilidades, como por exemplo lavar as mãos antes e depois das
refeições.
▪ As rotinas adequadas têm inúmeras vantagens, uma delas é ao nível da
diminuição de conflitos na relação pais-filhos, uma vez que as crianças aprendem
desde cedo a importância de cumprir determinadas ações.

▪ O dizer “olá” quando recebem visitas, o agradecer algo e dizer “adeus” quando
se despedem, são comportamentos que também devem fazer parte das rotinas
das crianças, uma vez que devem ser vistos como importantes por elas.
▪ O tempo livre das crianças está a tornar-se um luxo,
2.4 O tempo livre da com riscos para o seu desenvolvimento. Elas precisam
de tempo, espaço e liberdade para brincar e para não
criança e o tempo
fazer nada. Tal como precisam de ar para respirar.

ocupado livremente
Mãe, não tenho nada para
fazer!”
▪ A observação, quase sempre acompanhada de uma expressão de
aborrecimento e de súplica, pode até fazer-nos sentir responsáveis pelo
“problema” e levar-nos a agir, inventando “qualquer coisa” para os
entreter: uma sugestão de brincadeira, um filme de animação na TV, um
jogo no tablet…

▪ Na verdade, a urgência em mantê-los ocupados não só é desnecessária


como pode ser desaconselhado.
▪ É esse confronto com o tempo livre que lhes dá a
oportunidade de explorar o seu mundo interior e exterior,
estimulando a criatividade e a imaginação, aprendendo a
As crianças precisam resolver problemas e desenvolvendo competências
motivacionais.
de tempo para não
▪ Se os mantemos demasiado ocupados com atividades
fazer nada estruturadas ou entretenimento tecnológico, dificilmente vão
descobrir as suas paixões e interesses.
▪ Para que possam criar, inventar, descobrir-se… Tempo
para observar os insetos na rua, para escrever uma
história ou uma canção, para construir uma fortaleza no
quintal, para organizarem um torneio de futebol com os
É preciso dar-lhes amigos do bairro. Ou seja, explorar a tal sensação
inicial de aborrecimento, que os motiva a encontrar
tempo, espaço e
algo de estimulante, pode ser exatamente o que a
liberdade… criança precisa de “fazer”. O verdadeiro problema é
que este tempo livre está a tornar-se um luxo, com
riscos para o seu desenvolvimento.
▪ De facto, quer seja pelos seus pesados horários escolares,
com pouco tempo de atividade nos recreios, quer seja
pelos horários de trabalho dos pais, com avós que (ainda)
trabalham, as crianças acabam por ficar muitas horas em
contexto escolar”, aponta a psicóloga Inês Marques…Mas
“Faz-lhes falta tempo hoje em dia, “mesmo que não seja dentro da escola, muitas
crianças têm agendas tão ou mais preenchidas que os seus
para ‘não fazer nada’ pais, com horários ‘fechados’ para as mais diversas
atividades estruturadas, como a natação, o piano e o inglês,
por exemplo. E onde fica a mais importante - o brincar?
Onde fica a possibilidade de se deitarem no chão do
quarto ou na relva do jardim e olharem para o céu a
sonhar? Onde fica o tempo para se brincar livremente?”
▪ O problema, relaciona-se mais com a quantidade de
atividades em que as crianças se envolvem e não tanto
Se não brinca, asfixia com as atividades em si, que na sua maioria até
desempenham importantes papéis no desenvolvimento
de áreas específicas do crescer. Por isso é essencial
perceber se a criança tem tempo para brincar com os
seus brinquedos, com as suas coisas. Se ela se queixa
de que não tem, então talvez brincar de forma livre esteja
a ser um luxo para ela… E brincar nunca poderá ser um
luxo para uma criança.
▪ Se as privamos de respirar estamos a asfixiá-las.
Também se morre asfixiado por não brincar. É preciso
compreender isso”, alerta Maria José Araújo,
Brincar é uma explicando que esta asfixia vê-se no comportamento
irreverente: no choro compulsivo, no cansaço, nas
necessidade, é como birras, na impertinência, no mau humor, nas
dificuldades de aprendizagem na escola e fora dela,
respirar.
nas respostas inadequada.
▪ Com bom senso, criando condições para que brinquem
umas com as outras. Na escola, na rua, com os primos,
no parque… O importante é que brinquem e muito,
porque brincar e jogar é uma atividade muito completa
E como se mas que precisa de treino. Brincar implica “estar

resolve esta com outros, saber conviver com eles, criar uma
relação, experimentar, criar, inventar, explorar,
situação? imaginar.... E se não treinarem essas competências com
o seu grupo de pares (umas com as outras) e com os
adultos que estão com elas, depois não o saberão
fazer.
▪ Por outro lado, a preocupação em manter as crianças ocupadas, muitas
vezes faz com que os pais agendem programas ao fim de semana que
parecem não ter fim. E pelo meio perde-se algo tão importante e que as
crianças realmente valorizam, que é o tempo de partilha: a interação entre
pais e filhos pode acabar por não ser tão nutrida quando o foco é ‘apenas
fazer coisas, para depois lembrar que o que se ganha do ponto de vista
emocional numa sessão de cócegas ou guerra de almofadas, numa tarde de
histórias e fantoches, num bolo feito por todos, num jogo de tabuleiro, entre
tantas outras possibilidades, é incomensurável... E tudo isto sem hora
marcada na agenda.
3- Os profissionais
Cuidadores informais vs Cuidadores formais
O cuidador

▪ O Cuidador é toda a pessoa que assume como


função a assistência a uma outra pessoa que, por
razões tipologicamente diferenciadas, foi atingida
por uma incapacidade, de grau variável, que não lhe
permite cumprir, sem ajuda de outro (s), todos os
atos necessários à sua existência, enquanto ser
humano.
▪ O cuidador informal é a pessoa que presta cuidados e
assistência a outros, sem qualquer remuneração. Por norma,
o cuidador informal é um familiar, amigo ou vizinho, que

Cuidador informal voluntariamente se disponibiliza para prestar esses


cuidados.

▪ Tratam-se de pessoas sem formação profissional


específica que acabam por auxiliar as pessoas que sofrem
de uma incapacidade, parcial ou total, nos seus cuidados
quotidianos.
▪ O cuidador formal presta cuidados de saúde ou
serviços sociais para outros, em função da sua profissão.
Cuidador formal Geralmente, os cuidadores formais recebem
compensação financeira pelos seus serviços.
Dúvidas?

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