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Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP)

Instituto de Química de Araraquara


Departamento de Engenharia, Física e Matemática
Disciplina “Controle de Processos Químicos”

Atividade 2 – Funções de transferência

Envie as respostas dos exercícios abaixo, em arquivo, via Google Classroom, até
o dia 11 de janeiro de 2021. Havendo atraso, a nota será depreciada linearmente em
10% por semana de atraso. Poderá ser enviada a resolução digitalizada legível das
anotações feitas a lápis ou caneta, ou a resolução digitada em algum editor de texto. Em
ambos os casos, envie o arquivo em PDF.
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1) Funcionamento básico de medidores de temperatura. Considere um sensor de


temperatura esboçado na Figura 1. O bulbo do sensor está a uma temperatura Tb, e o
meio do qual se deseja medir a temperatura está a uma temperatura T.

Figura 1 – Diagrama esquemático de um sensor de temperatura.

T Tb
Tb

A taxa de transferência de calor entre o meio e o bulbo q pode ser descrita por um
mecanismo convectivo, com coeficiente de transferência de calor por convecção h e
área de troca térmica A (área externa do bulbo do medidor):

Um balanço de energia permite afirmar que a taxa de transferência de calor é igual à


variação de entalpia do bulbo, de massa m e calor específico sensível cP (considerando
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que a única resistência térmica do processo é a convecção – análise a parâmetros


concentrados):

(a) Obtenha uma equação diferencial que permite descrever a dependência entre as
temperaturas do bulbo e do meio e demais parâmetros do processo.
(b) Calcule a condição estacionária do processo e discuta o resultado (era esperado?
Justifique).
(c) Obtenha a função de transferência que permite descrever a relação entre as
temperaturas do bulbo (variável de saída) e do meio (variável de entrada).
Reescreva a expressão, definindo o ganho do processo KP e constante do tempo
do processo τ.
(d) Um sensor de temperatura se encontrava em certa temperatura inicial Tb.
Subitamente, ele é imerso em um meio a uma temperatura T constante e mantido
neste meio por um longo tempo (amplitude do degrau = T – Tb). Descreva
matematicamente como a temperatura Tb varia no tempo desde a imersão no
meio. Obtenha o tempo necessário para que o sensor de temperatura forneça a
medida da temperatura do meio no qual ele foi imerso (estimado como o tempo
para atingir 95% da nova temperatura estacionária).
(e) As respostas dos itens anteriores permitem descrever a “rapidez” da resposta do
sensor de temperatura. Com base nisso, responda: quais características de um
sensor ou do meio permitem que a medição seja mais rápida? Relacione estas
características com o fenômeno de transferência de calor que ocorre durante esta
medição. Dicas: o que permitiria afirmar que a resistência é dada somente pela
convecção? Em que situações a resistência por condução seria relevante? Como
reduzir a resistência condutiva no bulbo do medidor de temperatura?

2) A resposta reversa. Um comportamento típico de alguns sistemas térmicos bifásicos


(caldeiras, reatores exotérmicos etc.) é a resposta reversa. Em geral, observa-se este
tipo de resposta quando a função de transferência apresenta um zero (raiz do
numerador) real positivo. Considere a seguinte função de transferência abaixo, que
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descreve o nível de água dentro de uma caldeira, em função da vazão de água na


entrada. Todos os parâmetros K1, K2 e τ são positivos.

Interpreta-se o efeito destas funções de transferência da seguinte forma: um aumento da


vazão de água na entrada da caldeira causa uma redução da temperatura, que por sua
vez reduz o volume das bolhas, segundo uma função de transferência de primeira
ordem. Por outro lado, com o fornecimento de calor, produz-se mais vapor, portanto, o
volume ocupado pelas bolhas – e, consequentemente, o nível de líquido – aumenta,
segundo uma função de transferência de um sistema puramente integrador. O efeito
global é, pois, a soma destes dois efeitos.
(a) Mostre que a função de transferência pode apresentar um zero real positivo,
dependendo dos parâmetros K1, K2 e τ.
(b) Uma caldeira descrita por esta função de transferência estava em sua condição
estacionária. Em certo instante, a vazão de entrada Fi é subitamente elevada de D
unidades de vazão e mantida nesta vazão por um longo tempo, sem nenhuma
alteração adicional no processo. Obtenha uma equação que descreva o nível de
líquido dentro da caldeira, em função de K1, K2, τ, D e do tempo desde a variação
na vazão de entrada.
(c) Com base na resposta do item (b), mostre que, após o aumento em Fi, o nível de
líquido na caldeira é inicialmente decrescente e, após certo intervalo de tempo,
passa a ser crescente (ou seja, prove matematicamente que a resposta reversa de
fato existe neste sistema). Para isto, use o teste da derivada primeira.

3) Resposta típica de medidores de pressão. Após realizar um balanço de forças sobre


um manômetro de tubo em U supondo variações na diferença de pressão entre os
lados, obtém-se uma equação diferencial de segunda ordem:
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Nesta equação, h’(t) representa o nível de líquido no manômetro (em relação à posição
inicial em regime permanente), P’(t) é a variação de pressão (idem) e as demais
variáveis são parâmetros constantes: g é a aceleração gravitacional, L é o comprimento
total de um dos lados do manômetro, R é o raio da tubulação do manômetro,  é a massa
específica do fluido manométrico e  é a sua viscosidade.

(a) Rearranje a equação para obter a forma padronizada de um sistema de segunda


ordem, definindo o ganho do processo KP, a constante de tempo do processo  e o
fator de amortecimento  em função dos demais parâmetros.
(b) Para quais valores das constantes o manômetro oscila?
(c) Ao trocar o fluido manométrico por outro de massa específica maior, o sistema
tende a se tornar mais oscilatório ou menos oscilatório? Justifique e explique este
resultado com base em argumentos físicos e matemáticos.
(d) Faça a mesma análise do item (c), porém considerando um fluido manométrico
mais viscoso.