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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE

JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ – PR1

1. Nos termos do art. 1.016, caput, o agravo de instrumento será interposto diretamente no
Tribunal competente.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO PINHEIRINHO, pessoa jurídica de


direito privado, inscrita no CNPJ n. (número), usuária do endereço eletrônico (e-mail), por seu
representante legal (qualificação), com endereço em (endereço), na cidade de São José dos
Campos,2 por seu advogado que esta subscreve, vem, respeitosamente, à presença de V. Exa.,
nos termos dos arts. 1.0153 e seguintes do CPC/2015, interpor o presente

2. Qualificação das partes e formulação inicial da peça de interposição: o agravo de


instrumento, apesar de surgido de um processo cujas partes já estão devidamente
constituídas, é interposto diretamente ao Tribunal competente, devendo, portanto, a peça de
interposição conter a qualificação das partes. Atenção: no caso, a creche é mantida por tal
associação e foi esta quem promoveu a ação para questionar o débito; é ela, portanto, a parte
legitimada para o recurso.

3. É interessante indicar o fundamento legal da peça; para tanto, basta indicar o dispositivo
principal e fazer mera menção aos seguintes.

AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA RECURSAL4

4. Havendo pedido de tutela de urgência a ser realizado, este já deve constar do “nome” do
recurso (art. 1.019, I, CPC – pedido de efeito suspensivo ou de antecipação de tutela da
pretensão recursal).

contra decisão5 que indeferiu pedido de liminar (tutela de urgência)


proferida pelo D. Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Curitiba, nos autos da ação autuada sob
o n. (número), que move em face de COMPANHIA DE ÁGUA – SANEPAR, pessoa jurídica de
direito privado inscrita no CNPJ n. (número), usuária do endereço eletrônico (e-mail), com
endereço em (endereço), pelas razões que acompanham a presente peça de interposição.

5. O agravo é interposto contra a decisão interlocutória e não exatamente contra a parte


contrária. Esta só é denominada “agravada” por praxe.

Requer seja deferida inaudita altera parte a tutela antecipada recursal


pleiteada e após os regulares trâmites seja o agravo conhecido e integralmente provido.

Justifica-se a interposição do presente recurso na modalidade de


instrumento6 por se tratar de uma das hipóteses do rol do art. 1.015 – especificamente o inciso
I (decisão acerca de tutela provisória).

6. É importante explicitar o cabimento do agravo de instrumento, com base em alguns dos


incisos do art. 1.019 do CPC/2015.

Em cumprimento ao art. 1.016, IV, informa a agravante nome e endereço dos


advogados constantes do processo:
Pelo agravante: Dr. (nome completo), com escritório em (endereço).

Pelo agravado:7 Dr. (nome completo), com escritório em (endereço).

7. Deve-se considerar se o advogado do agravado já foi constituído nos autos. Se não, informar
que “deixa de indicar seus dados em virtude de sua não integração à relação processual”.

Com fulcro no art. 1.017, I e III, do CPC/2015, vem indicar as peças que
instruem o presente recurso:8

8. Além de juntar as cópias das peças, é interessante especificar quais estão sendo juntadas
(no Exame da OAB, tal conduta revela importante demonstração de conhecimento).

a) peças obrigatórias (art. 1.017, I):

1 – petição inicial;

2 – decisão agravada;

2 – certidão da intimação da decisão agravada;

3 – procuração outorgada ao advogado da agravante;

4 – procuração outorgada ao advogado da agravada;

Deixa a agravante de juntar a contestação porque ela ainda não foi


apresentada nos autos de origem – informação prestada sob responsabilidade do advogado (art.
1.017, II)9

b) peças facultativas (art. 1.017, III); 10

9. Esta previsão é inovação do CPC/2015. Se não for possível a juntada de alguma das cópias
necessárias, deve o advogado expressamente esclarecer isso na petição de interposição do
recurso. Cumpre destacar que não há necessidade de certidão ou declaração do Poder
Judiciário, bastando que haja a declaração do advogado.

10. Deve o recorrente também indicar como peças facultativas aquelas que facilitam a
compreensão dos termos do processo em 1º grau.

1 – PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO11

11. Se tiver havido alguma outra peça relevante – como um pedido de reconsideração que
traga mais subsídios para tentar convencer o magistrado –, justifica-se também sua juntada
como peça facultativa. Vale recordar que pedido de reconsideração não é recurso nem altera
o prazo para recorrer; ainda assim, é por vezes utilizado no cotidiano forense (já que o juiz
pode alterar sua decisão monocrática).

Assim, estão sendo juntados todos os documentos para que o agravo seja
conhecido. Caso V. Exa. entenda não serem eles suficientes, requer-se a intimação da agravante
para que junte eventuais cópias adicionais (art. 1.017, § 3º).12

12. Trata-se de inovação do CPC/2015: se alguma cópia não é juntada (seja ela necessária ou
facultativa), não deve haver a inadmissão do recurso de plano, mas, sim, oportunidade de
correção da falha. Apenas se não for juntado o documento é que haverá o não conhecimento
do recurso.

Nos termos do art. 425, IV, do CPC/2015, as cópias das peças do processo são
declaradas autênticas pelo advogado sob sua responsabilidade pessoal.13

13. Autenticação das peças: tal exigência consta no regramento do agravo? Não, o art. 1.017
só se refere a “cópias”. Mas a jurisprudência, em determinado momento, a exigia. A questão
está superada considerando-se a possibilidade de o advogado declarar as cópias autênticas.
De qualquer forma, especialmente em exames de OAB e concursos, é conveniente fazer
menção a isso para mostrar conhecimento ao examinador.

Informa, outrossim, que, em cumprimento ao art. 1.018 do CPC/2015,14


dentro do prazo legal de três dias, juntará aos autos do processo de origem cópia do presente
recurso, da prova de sua interposição e do rol dos documentos que o instruem.

14. No CPC/1973, isso era obrigatório em todos os casos. No CPC/2015, só é fundamental essa
juntada em casos de processo físico; sendo o processo eletrônico, trata se de mera faculdade
do agravante (art. 1.018, §§ 2º e 3º).

Informa ainda que, nos termos do art. 1.017, § 1º, do CPC/2015, recolheu os
valores exigidos legalmente relativos às custas e ao porte de retorno, o que se comprova pelas
guias devidamente quitadas que ora são juntadas aos autos.15

15. Trata-se de requisito de admissibilidade (preparo) que deve ser mencionado, onde houver.
Sendo processo eletrônico, não haverá recolhimento do porte de remessa e retorno (art.
1.007, § 3º). Se a parte for beneficiária da justiça gratuita (e, no caso, considerando o narrado
nos autos, seria possível isso), é interessante indicar que há a gratuidade e por isso não são
recolhidas as custas (art. 1.007, § 1º).

Termos em que

pede deferimento.

Cidade, data, assinatura, OAB16

16. É praxe (mas não imprescindível) que se separe uma petição de interposição (apenas
comunicando a interposição do recurso, com a menção aos principais aspectos formais, como
assim se fez) e se apresentem as razões recursais na sequência.

RAZÕES RECURSAIS

Agravante: ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO PINHEIRINHO

Agravado: COMPANHIA DE ÁGUA - SANEPAR

Autos número: (número)

Vara de Origem: (...) Vara Cível da Comarca de Curitiba

Egrégio Tribunal

Colenda Câmara
Nobres Julgadores17

17. No preâmbulo das razões, é bom, para o atendimento do pressuposto da regularidade


formal, que o advogado descreva dados básicos do processo em 1º grau (nome das partes,
vara de origem e número do processo). Após essa breve introdução, é praxe fazer uma
saudação aos julgadores; inicia-se mencionando o Tribunal, depois a Câmara, e finalmente os
julgadores do recurso, indo do geral ao particular. Não se trata de algo obrigatório, mas é
conveniente que assim se faça – especialmente em provas de OAB e concursos.

I – DOS FATOS/BREVE SÍNTESE DA DEMANDA18

18. O recorrente deve narrar brevemente os fatos referentes ao caso concreto. Tratando-se
de Exame de Ordem ou concurso público, em determinados problemas cuja narração é mais
extensa, é possível elaborar um breve resumo da demanda. Por vezes, entretanto, as
informações trazidas ao candidato se limitam ao objeto da decisão. Seja como for, o candidato
não deve inventar nada e tal parte da petição pode ser resolvida em poucos parágrafos, até
porque não será objeto de maior interesse por parte do examinador.

Em virtude do não pagamento das 3 (três) últimas faturas de consumo


mensal, o fornecimento de água para a creche foi suspenso pela agravada, concessionária local
do serviço de abastecimento de água e esgoto.

Buscando a reativação do fornecimento, a ora agravante ajuizou ação pelo


procedimento comum, com pedido de tutela de urgência (antecipação de tutela) em face da
recorrida.

Antes mesmo da apresentação da contestação, o MM. Juízo de origem houve


por bem indeferir a tutela antecipada, sob o fundamento de que a prestação de serviço de
abastecimento de água insere-se no bojo de uma relação de natureza contratual bilateral, razão
pela qual se justifica a suspensão do fornecimento no caso de não pagamento das faturas
mensais.

Considerando a situação grave em que se encontra uma creche sem água, a


agravante apresentou pedido de reconsideração (juntado como peça facultativa), provando a
situação de risco à saúde de crianças, peça até o momento não apreciada.

Tal r. decisão, todavia, não merece prevalecer, devendo ser integralmente


reformada, pelas razões a seguir aduzidas.

II – DAS RAZÕES19 DO INCONFORMISMO

19. Razões propriamente ditas: após a descrição da decisão recorrida, o advogado deverá
demonstrar o erro do julgador de 1º grau. Para tanto, irá expor sua tese jurídica,
confrontando-a com o entendimento do juiz que proferiu a decisão impugnada, valendo-se,
sempre que possível, de apontamentos de doutrina e de jurisprudência. Para buscar os
fundamentos, parta do próprio objeto da decisão: qual é o tema versado? Procure sua
fundamentação na lei e nas obras jurídicas de que dispõe.
1) DA VIOLAÇÃO AO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Inicialmente, cabe configurar a relação estabelecida entre as partes como


relação de consumo; afinal, as partes se subsumem nos conceitos previstos nos arts. 2º e 3º do
CDC, sendo a agravante consumidora e a agravada fornecedora de serviços no mercado.

A propósito, colacione-se o entendimento do Egrégio STJ: “É pacífico o


entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que os serviços públicos prestados
por concessionárias, como no caso dos autos, são regidos pelo Código de Defesa do
Consumidor” (STJ, AgRg no AREsp 183.812/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j.
06-11-2012, DJe 12-11-2012).

Importa ainda considerar a natureza dos serviços em questão: trata-se de


serviço de abastecimento de água, de caráter essencial. A esse respeito, são claros os termos do
art. 22 do CDC: “os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias permissionárias
ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados,
eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos” (grifos nossos)

Pelo corte no abastecimento de água à creche mantida pela agravante, a


agravada agiu ilegalmente, descumprindo tal dispositivo legal. Afinal, tratando-se de serviço
público essencial, verifica-se a impossibilidade da suspensão do fornecimento.20

20. Merece destaque o fato de que a jurisprudência do STJ, no que tange ao fornecimento de
energia elétrica, vem permitindo a suspensão do fornecimento por inadimplemento. Todavia,
há julgados de posições minoritárias que podem ser invocados.

Assim, não tem razão o douto juiz de 1º grau ao afirmar que “a prestação de
serviço de abastecimento de água insere-se no bojo de uma relação de natureza contratual
bilateral”, sendo justificada a cessação de fornecimento pelo não pagamento. O serviço é
essencial, e a agravada tem o monopólio do fornecimento, o que desconfigura a alegada
natureza de simples contrato bilateral alegada.

Ademais, ainda que assim não fosse, a suspensão no fornecimento de água


constitui prática indevida e ilegal de constrangimento ao consumidor com a qual não se coaduna
o art. 42, caput, do CDC, segundo o qual, “na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente
não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou
ameaça”.

Ora, a suspensão do fornecimento de água por certo acarreta considerável


constrangimento ao consumidor que não pode pagar, sendo prática repudiada por nossa
legislação, como bem se define em nosso ordenamento jurídico.

2) DO PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA RECURSAL22

22. Tratando-se de medida excepcional a ser concedida pelo relator, é preciso desenvolver os
requisitos do pedido formulado, levando em consideração a concessão de tutela de urgência
no âmbito recursal (CPC/2015, art. 300. “probabilidade do direito e perigo de dano ou risco ao
resultado útil do processo”). Como já houve exposição do direito aplicável, a explanação do
recorrente está facilitada. Assim, a “probabilidade do direito” já deve ter sido exposta na
fundamentação; o recorrente deve tão somente reforçar o que já foi antes apresentado. No
caso do “perigo de dano” ou “risco ao resultado útil do processo”, é necessário desenvolver
sua ocorrência, já que não terá havido ainda menção a isso na peça. É preciso atentar para as
circunstâncias do caso concreto, expondo, de forma concreta, a urgência da atuação do relator

Dispõe o art. 1.019, I, do CPC/2015 que o relator pode deferir a antecipação


de tutela, total ou parcial, da pretensão recursal.

O art. 300 do CPC explicita os requisitos de concessão da tutela de urgência


antecipada, a saber, (i) a probabilidade do direito e (ii) o perigo de dano ou o risco ao resultado
útil do processo. No caso em hipótese, estão presentes ambos os requisitos, sendo de rigor tal
concessão.

A probabilidade do direito está presente considerando as razões de reforma


anteriormente expostas. Pode ser depreendida pelo regramento legal constante no CDC, que
explicita que o serviço essencial é contínuo e não pode a agravada constranger a consumidora
com a cessação do fornecimento. Ademais, há uma ação discutindo o débito; assim, há
elementos que demonstram a plausibilidade da tese esposada pela agravante.

No que tange ao perigo de dano, a necessidade de religar a água é urgente


por ser vital para a higiene e saúde das crianças. Se não for restabelecido o fornecimento, a
creche poderá precisar paralisar suas atividades, em claro prejuízo à comunidade local.

Devidamente demonstrado o preenchimento dos requisitos legais, revela-se


imperiosa a concessão da tutela antecipada pretendida, nos termos do art. 1.019, I, do
CPC/2015, para determinar a imediata reativação do fornecimento de água à agravante.

III – CONCLUSÃO E PEDIDO

Por todo o exposto, a agravante requer que o recurso seja conhecido,23 que
seja liminarmente deferida a antecipação de tutela da pretensão recursal24 para religar a água
da creche,25 e que, após a apresentação de contrarrazões pela parte agravada, seja dado
provimento integral26 ao recurso para reformar27 a decisão ora impugnada, confirmando a
antecipação de tutela que se espera liminarmente deferida.

23. É preciso sempre considerar que o recurso deve passar pelo exame de admissibilidade
(sendo este positivo, nesse caso é que se analisará o provimento).

24. Deve-se reiterar o pedido de tutela antecipada.

25. É sempre conveniente ser bem específico no pedido, deixando claro o que se pleiteia para
facilitar a compreensão do examinador (em concursos e Exames de OAB) e do julgador (em
casos concretos).

26. Deve-se pleitear que o recurso seja provido. Atenção, este é o termo correto; não se fala
em “procedência”...

27. É importante indicar o que se pretende: no caso, a reforma. Se fosse o caso de anulação,
esta deveria ser mencionada, pedindo a invalidação da decisão e a retomada regular do
andamento do processo.

Termos em que
Pede deferimento.

Cidade, data, assinatura, OAB

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